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Disciplina: Direito Penal I – Do Crime 
Resenha Filme “Irmãos Naves”
O caso dos Irmãos Naves ocorreu em Araguari – MG em 1937 e foi considerado o maior erro judiciário brasileiro. O filme retrata a história real dos Irmãos Naves, Sebastião José Naves e Joaquim Rosa Naves, o qual foram torturados e presos para confessar um crime que não cometeram. 
Sebastião e Joaquim trabalhavam e eram sócios de seu primo Benedito Pereira Caetano no ramo de cereais. Benedito na época acreditava que haveria uma grande alta das mercadorias, assim faz grandes empréstimos na praça. Contudo, houveram quedas no preço das mercadorias, e o mesmo afundado em dividas se vê obrigado a vender o produto por um valor abaixo do mercado e inferior a dívida que contraiu. Então, em 29 de Novembro, Benedito delibera sua fuga na madrugada. Logo, ao perceberem o desaparecimento de seu primo, os Irmãos Naves decidem comunicar o ocorrido a polícia.
O delegado da época e responsável pelo caso, Esmael Nascimento, investigou o desaparecimento de Benedito por pouco tempo, antes de ser substituído pelo Tenente-Delegado Francisco Vieira dos Santos. 
Vale ressaltar que este caso ocorreu em 1937, cujo cenário político-histórico se dá no Governo de Getúlio Vargas, conhecido como Estado Novo. Esse regime tinha forte caráter ditatorial. 
O Tenente Francisco acreditava fielmente que os Irmãos Naves eram os verdadeiros culpados pelo crime de desaparecimento de Benedito. Sendo assim, ele forjou provas contra eles e os irmãos foram submetidos a cruéis tortura, violência e privação de liberdade, para que assim, confessassem um crime que se quer cometeram. 
O advogado João Alamy Filho foi o responsável pela defesa dos acusados. Os irmãos foram condenados e cumpriram uma parte da pena até 1946, quando foram postos em liberdade condicional. Em 1960, o processo foi anulado e foi reconhecido aos injustiçados o direito a uma indenização a ser paga pelo Estado. 
Sob o olhar jurídico, é evidente que não houve o cumprimento dos princípios e normas da justiça da época, devido também a esfera política em que o crime ocorreu. Contudo, a integridade física, moral e a dignidade da pessoa humana são garantias fundamentais inerentes a qualquer indivíduo.
Em luz do Art. 1º da Constituição Federal, no rol de Direitos Fundamentais, integra no inciso III, o Princípio da Dignidade Humana. São direitos e garantias individuais, sociais e econômicas que envolve tanto o aspecto físico quanto moral de um indivíduo. Este princípio básico foi violado neste caso, em vista de que os Irmãos Naves foram submetidos a diversas situações humilhantes. 
Analisando o Art. 5° da Constituição Federal, percebe-se a violação do inciso LVII, "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Este é um dos princípios essenciais do Estado de Direito: Principio Presunção Inocência ou Não Culpabilidade. Os irmãos Naves desde o desaparecimento de seu primo Benedito foram acusados e torturados sem direito a um julgamento justo e a defesa.
Ademais, o Princípio In Dubio Pro Reo, o principio jurídico da presunção da inocência, no qual em caso de dúvidas favorecerá o réu. Este princípio não foi respeitado, visto que, o Tenente Francisco não tinha provas e não sabia e ao invés de ter dado o benefício da dúvida aos Irmãos Naves, os torturou, forçando-os a confessar um crime que não cometeram. 
Em vista da época em que o crime ocorreu, o Brasil estava sob um período ditatorial, assim, os indivíduos tinham seus direitos e garantias limitados. Portanto, é possível compreender a necessidade da aplicação de um Direito que seja justo e igualitário para todo e qualquer indivíduo.