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Marília Bezerra de Carvalho Nelma Faleiro Corte e ModelageM de Cabelo © Universidade Positivo 2019 Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido Curitiba-PR – CEP 81280-330 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Thinkstock / © Shutterstock. Presidente da Divisão de Ensino Reitor Pró-Reitor Coordenação Geral de EAD Coordenação de Metodologia e Tecnologia Autoria Parecer Técnico Supervisão Editorial Projeto Gráfico e Capa Prof. Paulo Arns da Cunha Prof. José Pio Martins Prof. Carlos Longo Prof. Everton Renaud Profa. Roberta Galon Silva Profa. Marília Bezerra de Carvalho Profa. Nelma Faleiro Prof. Roger Lima Scherer Aline Scaliante Coelho Baggetti Regiane Rosa Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca da Universidade Positivo – Curitiba – PR DTCOM – DIRECT TO COMPANY S/A Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. 3Corte e Modelagem de Cabelo Caro aluno, A metodologia da Universidade Positivo apresenta materiais e tecnologias apropriadas que permitem o desenvolvimento e a interação entre alunos, docentes e recursos didáticos e tem por objetivo a comunização bidirecional entre os atores educacionais. O seu livro, que faz parte dessa metodologia, está inserido em um percurso de aprendi- zagem que busca direcionar a construção de seu conhecimento por meio da leitura, da con- textualização teórica-prática e das atividades individuais e colaborativas; e fundamentado nos seguintes propósitos: COMPREENDA SEU LIVRO valorizar suas experiências; incentivar a construção e a reconstrução do conhecimento; estimular a pesquisa; oportunizar a reflexão teórica e aplicação consciente dos temas abordados. Metodologia Corte e Modelagem de Cabelo4 COMPREENDA SEU LIVRO Com base nessa metodologia, o livro apresenta a seguinte estrutura: Percurso Pergunta norteadora Ao final do Contextualizando o cenário, consta uma pergunta que estimulará sua reflexão sobre o cenário apresentado, com foco no desenvolvimento da sua capacidade de análise crítica. Tópicos que serão estudados Descrição dos conteúdos que serão estudados no capítulo. Boxes São caixas em destaque que podem apresentar uma citação, indicações de leitura, de filme, apresentação de um contexto, dicas, curiosidades etc. Recapitulando É o fechamento do capítulo. Visa sinte- tizar o que foi abordado, reto mando os objetivos do capítulo, a pergunta nortea- dora e fornecendo um direcionamento sobre os questionamentos feitos no decorrer do conteúdo. Pausa para refletir São perguntas que o instigam a refletir sobre algum ponto estudado no capítulo. Contextualizando o cenário Contextualização do tema que será estudado no capítulo, como um cenário que o oriente a respeito do assunto, relacionando teoria e prática. Objetivos do capítulo Indicam o que se espera que você aprenda ao final do estudo do capítulo, baseados nas necessida- des de aprendizagem do seu curso. Proposta de atividade Sugestão de atividade para que você desenvolva sua autonomia e siste- matize o que aprendeu no capítulo. Referências bibliográficas São todas as fontes utilizadas no capítulo, incluindo as fontes mencio- nadas nos boxes, adequadas ao Projeto Pedagógico do curso. 5Corte e Modelagem de Cabelo BOXES Assista Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações complementares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. Biografia Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. Contexto Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstram a situação histórica, social e cultural do assunto. Curiosidade Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. Dica Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. Exemplo Informação que retrata de forma obje tiva determinado assunto abordando a relação teoria-prática. Afirmação Citações e afirmativas pronunciadas por teóricos de relevância na área de estudo. Esclarecimento Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. 7Corte e Modelagem de Cabelo SUMÁRIO Apresentação 13 A Autoria 14 CAPÍTULO 1 Conhecendo o mercado de trabalho 17 Contextualizando o cenário 18 1.1. História da Profissão 19 1.1.1. A evolução através dos tempos 19 1.1.2. As mudanças de padrões 20 1.2. Profissão na atualidade 26 1.2.1. Era de transformação 26 1.2.2. A evolução dos profissionais de beleza 28 Proposta de Atividade 29 Recapitulando 29 Referências 30 CAPÍTULO 2 Compreendendo o bom atendimento 31 Contextualizando o cenário 32 2.1. Elaborando a ficha de diagnóstico 33 2.1.1. Comunicação 34 2.1.2. Avaliando as características 35 2.2. Tipos de cabelo de acordo com sua forma 37 2.2.1. Avaliando a textura capilar 39 2.2.2. Densidade capilar 39 2.2.3. Condições da fibra capilar 40 2.3. Classificação dos formatos de rosto 42 2.3.1. Os sete tipos de rosto 42 2.3.2. A divisão facial 46 Proposta de Atividade 46 Recapitulando 47 Referências 48 CAPÍTULO 3 Execução das técnicas de lavatório 49 Contextualizando o cenário 50 3.1. A lavagem capilar 51 3.1.1. Massagem Capilar 51 3.1.2. Turbante 55 3.2. Utilização do produto adequado 55 3.2.1. Tipos de xampus 56 3.2.2. Tipos de condicionador 57 3.2.3. Máscara capilar 59 Proposta de Atividade 61 Recapitulando 62 Referências 63 CAPÍTULO 4 Especificações dos cortes de cabelo 65 Contextualizando o cenário 66 4.1. Tipos de tesoura 67 4.1.1. Fio navalha 68 4.1.2. Fio laser 69 4.1.3. Barracuda 69 4.2. Conceitos de geometria 70 4.2.1. Divisão 71 4.2.2. Angulação 73 4.3. Finalização de corte 74 4.3.1. Escova lisa 76 4.3.2. Escova modelada 77 Proposta de Atividade 78 Recapitulando 78 Referências 80 CAPÍTULO 5 Preparando o cabelo para penteados 81 Contextualizando o cenário 82 5.1. Produtos para modelagem, fixação e finalização 83 5.1.1. Mousse 83 5.1.2. Spray Fixador 85 5.1.3. Silicone 88 5.1.4. Pomada 89 5.2. Preparação com prancha e babyliss 90 5.2.1. Finalizando com a prancha 91 5.2.2. Enrolamento italiano 92 5.2.3. Enrolamento tradicional 92 5.3. Enrolamento com bobes 93 5.3.1. Bob pequeno 94 5.3.2. Bob médio 95 5.3.3. Bob grande 95 5.4. Preparação com bucles 96 5.4.1. Caracóis 97 5.4.2. Variações do bucle 98 Proposta de Atividade 98 Recapitulando 98 Referências 99 CAPÍTULO 6 Arquitetura do penteado 101 Contextualizando o cenário 102 6.1. Penteados presos 103 6.1.1. Ponto de fixação 105 6.1.2. Limpeza do penteado 107 6.2. Penteados semipresos 108 6.2.1. Proporção do penteado 108 6.2.2. Acabamento 110 6.3. Tranças 111 6.3.1. Trança embutida 112 6.3.2. Trança exposta 113 6.3.3. Trança escama de peixe 114 Proposta de Atividade 115 Recapitulando 115 Referências 116 CAPÍTULO 7 Ativos na composição dos produtos de tratamento capilar 117 Contextualizando o cenário 118 7.1. Hidratação 119 7.1.1. Emolientes 119 7.1.2. Uso correto da máscara capilar 123 7.2. Reconstrução 123 7.2.1. Queratina 124 7.2.2. Benefícios aos cabelos 126 7.3. Frequência de tratamentos 127 7.3.1. Cabelos secos 127 7.3.2. Cabelos mistos 128 7.3.3. Cabelos oleosos 129 Proposta de Atividade 130 Recapitulando 130 Referências 131 CAPÍTULO 8 Exigências da Vigilância Sanitária para salões 133 Contextualizando o cenário 134 8.1. Adequação do local de trabalho 135 8.1.1. Organizaçãodo local de trabalho 136 8.1.2. Normas e regulamento 136 8.2. Cuidados adequados e higienização dos materiais 137 8.2.1. Materiais após a utilização 139 8.2.2. Controle de infecções 139 8.3. Organização de produtos de maneira adequada 141 8.3.1. Armazenamento correto 143 8.3.2. Registro na ANVISA 144 Proposta de Atividade 145 Recapitulando 145 Referências 147 13Corte e Modelagem de Cabelo A disciplina de Corte e Modelagem visa capacitar profissionais da área da beleza e mostrar o quanto a profissão evoluiu ao longo dos anos. As técnicas apresentadas para cortes de cabelo são as mais atuais no mercado nacional e internacional. Conhecer os pro- dutos, ferramentas adequadas e formas variadas de utilização são fundamentais para um resultado final satisfatório tanto no corte quanto nos penteados. Esse conteúdo é para você que está inserido na área da beleza ou quer iniciar sua jor- nada nessa profissão com uma compreensão maior da indústria para escolhas assertivas e melhores resultados. Convido você, estudante, a mergulhar neste universo rico de informações e a enten- der a importância do estudo para o profissional de beleza atual. APRESENTAÇÃO Corte e Modelagem de Cabelo14 A AUTORIA À Deus, pela força е coragem que me concedeu durante toda minha caminhada. À minha família, por acreditar em mіm, pelo incentivo e o amor. A Professora Nelma Faleiro é Especialista em Docência de Ensino Superior pela Universi- dade Cruzeiro do Sul (2014) especialista em Tricologia Cosmética pela Faculdade Oswaldo Cruz (2013). Graduada em Visagismo e Terapia Capilar pela Universidade Anhembi Morumbi (2009). Currículo Lattes: <lattes.cnpq.br/8203620647958819> 15Corte e Modelagem de Cabelo A professora Marília Bezerra de Carvalho é formada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal de Pernambuco. Fez intercâmbio na Universidade de Toledo nos EUA, com ênfase em cosmetologia. Fez estágio em farmacologia na Universidade da Flórida. Está- gio em farmácia hospitalar e atenção farmacêutica no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, em análises clínicas no Hospital Regional do Agreste de Caruaru-PE e de indústria em uma indústria de alimentos na cidade de Caruaru-PE. Currículo Lattes: <lattes.cnpq.br/4122880176719888> A AUTORIA Dedico à minha família. 17Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Entender o desenvolvimento da profissão até a atualidade CAPÍTULO 1 Conhecendo o mercado de trabalho Nelma Faleiro TÓPICOS DE ESTUDO 1 História da profissão 2 Profissão na atualidade • A evolução através dos tempos. • As mudanças de padrões. • Era de transformação. • A evolução dos profissionais de beleza. Corte e Modelagem de Cabelo18 Contextualizando o cenário Ao longo dos anos, a moda dos cabelos sofreu bastante influência da indústria. Guerra, polí- tica, mudança da economia e as questões sociais influenciam diretamente o comportamento humano. Contudo, há algumas décadas era possível identificar características marcantes da época em que determinada moda estava inserida. Atualmente, isso não acontece com tanta facilidade. A partir dos anos 2000, as maneiras de usar os cabelos ganharam tantas mistu- ras, formas e releituras, que não nos permitem identificar uma característica especifica da época. Diante disso, como a mídia exerce influência na moda nos tempos atuais? 19Corte e Modelagem de Cabelo 1.1. História da Profissão Fatos da história mostram a moda dos cabelos sofrendo influência da cultura e socie- dade. A história do cabelo e do profissional de beleza deve ser descrita com a análise e interpretação de momentos passados até os dias atuais. Como acontece com qualquer área, estudar história deve ter o objetivo de representar e interpretar o passado da forma mais fiel possível. É de extrema importância conhecer acontecimentos de décadas passadas para enten- der a transformação de conceitos que vivemos na atualidade. Hoje as pessoas podem ter uma percepção sobre a própria aparência totalmente diferente do que acontecia em gera- ções anteriores. 1.1.1. A evolução através dos tempos Cuidar dos cabelos e da aparência sempre foi algo inserido em nossa sociedade. Desde antes de Cristo (a.C.), a vaidade sempre foi algo de importância, independente- mente da classe social. Por isso, a aparência capilar é uma maneira de identificar o meio em que as pessoas vivem desde tempos remotos, quando ainda não existia a tecnologia que nos é apresentada atualmente. O corte e a modelagem eram muito variados e mostravam se o indivíduo era um escravo, sacerdote, guerreiro ou se tinha títulos ligados à monarquia, por exemplo. No Egito, em 5000 a.C.; homens e mulheres tinham seus cabelos e pelos raspados e no lugar usavam perucas pintadas de preto, com corte reto, franja e comprimento variá- vel desde o clássico, abaixo do queixo, até o comprimento dos ombros ou pouco abaixo deles. Essas perucas eram produzidas com materiais de fácil acesso e designavam a posi- ção social em que o indivíduo estava inserido, porém eram apenas os faraós que podiam ter suas madeixas devidamente escovadas, aparadas e tratadas com loções. Os penteados com maior preparo começaram na Grécia Antiga. Nessa época, as mulheres tinham seus cabelos encaracolados ou frisados com ferro quente, adornados com pentes de marfim, tiaras e fitas. Mantinham a cor loura, os fios presos e repartidos ao meio, penteado que se tornou muito popular. Já os homens também mantinham os cabelos e a barba cheios e encaracolados e isso era o que os diferenciava dos bárbaros. Sendo assim, manter os cabelos cacheados, trata- dos e penteados se tornou uma preocupação grande para os gregos. Corte e Modelagem de Cabelo20 As deusas eram representadas pelos fios longos e claros, pois, ao contrário do que acontecia no Egito, os fios mais apreciados eram os de tons de loiros. Portanto, era comum o clareamento dos cabelos com lixívias alcalinas, flores amarelas, água de macela, camo- mila e o uso de farinha amarela e pó de ouro para colorir os fios. Ainda antes de Cristo, surgiram os primeiros salões de beleza em Atenas. Nessa época, os homens usavam os fios encaracolados, faziam a barba, tinham as unhas cuida- das e recebiam massagens. Tudo isso era realizado em praça pública. Os frequentadores eram escritores, filósofos, poetas, políticos que se cuidavam e conversavam sobre eventos sociais, esportes e política. 1.1.2. As mudanças de padrões Com o decorrer dos anos, as mudanças quanto à beleza continuaram acontecendo. Em cada época havia o que era considerado o mais belo e adequado. No Renascimento, no século XV, por exemplo, as mulheres de formas voluptuosas eram consideradas belas e representadas por pintores da época. Essa fase perdurou, no mínimo, três séculos. Já no período de 1890-1914, houve o período denominado de Belle Époque. Foi uma era de luxo, ostentação, roupas ornamentadas e cabelos elaborados para os ricos privilegiados. A maioria das mulheres ainda enro- lava seus cabelos usando ferro quente. Muitas vezes as criadas aqueciam em excesso os fer- ros, causando muitas cabeças chamuscadas. Mas um novo recurso surge, o chamado per- manente da Nestlé. As mulheres sentavam-se ligadas à máquina de Karl Nessler; cabeleireiro alemão, por até 12 horas para conseguir uma ondulação permanente dos fios. Em 1905, Charles Nessler inventou a primeira máquina para cachear. O cabelo era enro- lado em bigudis de metal, que eram aquecidos por corrente elétrica da máquina de Nessler. Vinte e seis anos depois, outras máquinas foram inventadas, usando grampos preaquecidos que eram colocados sobre cachos enrolados. Embora esses métodos fun- cionassem, danificavam os cabelos e eram perigosos para o cliente. (HALAL, 2012, p. 203) Esse teste de resistência pode ser comparado a algumas das sessões de extensão de cabelo pelas quais as pessoas passam nos dias atuais. 12 6 39 210 111 57 48 126 39 210 111 57 48 12 6 39 210 111 57 48 12 6 39 210 111 57 48 © D TC O M 21Corte e Modelagem de Cabelo Enchimentos e mechas de cabelo falso ajudavam o penteado desta época a parecer pleno e cheio, o que remetia a luxo e sofisticação. Todo o cabelo de trás era puxado em uma trança ou em um rolo desenhado no topo da cabeça. Sendo assim, o volume permi- tido por esses artifícios ajudava os chapéus e adornos a serem fixados na cabeça. À noite, o cabelo tinha que ser ainda maior, assim, plumas e ornamentos ajudavam a dar a ilusão de altura e completavam o traje a rigor. Nessa época, havia uma gama ampla de penteados com variações de estilos, assim como existe nos dias atuais. Ainda no período de ostentação, no final da Belle Époque, a grande massa começa a rejeitar o conceito de privilégio e reinvindicar o direito de uma vida melhor. A Primeira Guerra Mundial em 1914, foi um acontecimento que fez os maridos irem para a guerra e as mulheres sairem para trabalhar. As atitudes e estilos de vida foram varridos pela guerra que foi tão atroz, nascendo um novo socialismo e um senso de identidade pessoal. As roupas e penteados ganham simpli- cidade e praticidade, portanto, as vestes usadas depois de 1915 provavelmente pode- riam ser usadas nos dias de hoje em certas circunstâncias. O penteado abaixou e começou a seguir muito mais a forma natural da cabeça. Finalmente as orelhas começaram a ser cobertas. Faixas feitas de tecido embelezando as cabe- ças femininas foram vistas pela primeira vez em 1915 e continuaram como ornamentação de cabelo até a década de 20. Algumas das faixas de cabeça, eram tiras de joias muito estreitas ou pentes que valoriza- vam o cabelo menos elaborado da época. Nenhum dos penteados usados poderia ser realizado sem os gram- pos de cabelo feitos de arame, muito mais pesados do que os usados atualmente. Na década de 20, as sobrancelhas finas come- çam a ser utilizadas e continuaram a completar a maquiagem nos anos 30, juntamente com um penteados elegantes com ondas suaves. Os cortes de cabelos eram valorizados com chapéus espirituosos, que contrastavam com o visual arrumado. Anos 20 Anos 30 Anos 40 Anos 50 Anos 60 Anos 70 Anos 80 Anos 90 Atualmente © V la da Y ou ng / / S hu tt er st oc k. © V la da Y ou ng / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo22 O estilo de moda de atriz Greta Garbo foi imitado globalmente nesse período. Os fãs amavam seu estilo único. É possível identificar no estilo de Greta Garbo características que iniciaram na época em que atriz viveu. Entre elas, podemos destacar as sobrancelhas finas e levemente arredondadas, batom levemente avermelhado, cabelos com ondulação e com- primento curto. Assista No filme, O Diabo e a Carne (1926), Greta Garbo exibe seu penteado de sucesso. Confira como as ondas dos cabelos eram trabalhadas nesta época. Durante a década de 30, Paris continuou a ser o centro do design de moda de chapéus e muitas confecções impor- tantes empregavam funcionários que trabalhavam exclusi- vamente em tarefas de chapelaria. Porém, o custo elevados dos chapéus parisienses fez com que o mercado norte-ame- ricano produzisse chapéus com grande estilo e bem adapta- dos ao clima americano. Se olharmos de forma geral para os penteados da década de 40, podemos ver rolos e ondas na maioria deles. Analisando o que influenciou a forma como as mulheres arru- mavam os cabelos e os acessórios que usavam na época, não podemos deixar de destacar que a mulher nesse período estava inserida no mercado de tra- balho, precisava lidar com o racionamento, fazer fila para pegar um pouco de manteiga ou carne, e constantemente tinha que adaptar o cardápio de acordo com o pouco que tinha dis- ponível. O modo de vida sem excessos influenciou a moda com penteados fáceis e práticos. A televisão era raridade em casa e ir ao cinema era algo popular, sendo assim as estrelas de cinema influenciavam muito o público. Como o trabalho em indústrias era uma realidade e o cabelo comprido era perigoso no momento de operar as máquinas, pois cau- sava um grande número de acidentes nas fábricas, a influência da atriz Verônica Lake nos penteados tornou-se foco de atenção do governo. Ícone de beleza, Verônica Lake usava cabelos longos que eram sua marca registrada. Por isso, ela chegou a ser proibida de usar os fios soltos e passou a utilizar redes nos fios presos para incentivar o público femino a fazer o mesmo. Posteriormente, as autoridades dos Estados Unidos pediram para a atriz cortar os cabelos com o intuito de encorajar as mulheres a fazerem o mesmo e, dessa forma, reduzir o número de acidentes. © ir yn a1 / / S hu tt er st oc k. 23Corte e Modelagem de Cabelo Filmando Retratos em Moda para Prestige (têxtil), a imagem retrata o glamour e a elegância. Fonte: ENGLISH, 2013, p.3 Já na década de 50, o cabelo era impecável e perfeitamente penteado, o que combi- nava perfeitamente com a maquiagem usada na época. O topete, a franja enrolada e os cachos suaves são três estilos de cabelo marcantes da década de 50 que podem ser perfeitamente adaptados para o estilo atual. © D TC O M © L uc ia n M ila sa n / / S hu tt er st oc k Mulheres como Brigitte Bardot e Marylin Moroe (imagem acima) impactaram essa época e são lembradas até os dias de hoje. Corte e Modelagem de Cabelo24 Assista No filme O Desprezo (1963), Brigitte Bardot adota os cabelos da década de 50. Observe com detalhes o penteado e a maquiagem usada pela atriz. Essa década, após a Segunda Guerra Mundial, ficou conhecida pela experimentação de novos estilos e cultura. Cabeleireiros renomados inventaram penteados, levaram modas de um país a outro e popularizaram cortes que antes só eram usados por clientes abastados. Modelo com look no estilo de Brigitte Bardot. O desenvolvimento de produtos para o cabelo, especialmente sprays, óleos e cremes, influenciaram na maneira de estilizar o cabelo. Os cabelos femininos dos anos 50 se torna- ram menos elaborados e mais informais do que os da década de 40. Já os masculinos pas- saram a década de 50 sempre curtos e finalizados com óleos, até a ascensão dos Beatles. A banda, que fez muito sucesso nos anos 60, criou moda e influenciou multidões. Com cortes de cabelo mais descontraídos, longos e com franjas, os Beatles fizeram com que os homens adotassem fios maiores e desconectados, perdendo a aparência rígida da década anterior. © la di e_ c // Sh ut te rs to ck https://www.shutterstock.com/pt/g/ladiec 25Corte e Modelagem de Cabelo Já entre as mulheres, a modelo Twiggy, mundialmente conhecida, foi inspiração para cortes curtos ao lançar o corte Pixie, representado abaixo. De um lado, os fios longos e bem repicados, do outro os pixies curtinhos e joviais. Vidal Sassoon, cabeleireiro nascido na Inglaterra e que logo se estabeleceu nos Estados Unidos, foi pioneiro nos cortes de cabelo mais ousados na década de 60. Seus cortes eram inspirados na escola de artes Bauhaus e completamente diferenciados para a época. Isso não impediu que os cortes de Sassoon ganhassem popularidade e fizes- sem a cabeça de celebridades como Mia Farrow. Assista Assista ao filme Vidal Sassoon (2010), que trata da vida do famoso cabeleireiro inglês. Sassoon é famoso pelos seus cortes de cabelo inusitados para a época na qual viveu. Ainda nos anos sessenta, os cabelos crespos são usados ao natural por apoiadores dos direitos civis, artistas como Jimi Hendrix, Angela Davis e James Brow, nomes fortes na luta a favor da igualdade. Desde o final da década de 1960 e o início de 1970, o movimento Black Power, criado nos Estados Unidos, trazia questões relacionadas à igualdade racial, ao empenho pelos direitos civis e à conscientização da autoestima dos negros. Em relação à autoes- tima, envolvia a aceitação do seu estereótipo e, por conseguinte,do seu cabelo. (COUTINHO, 2009, p. 37) No decorrer da evolução dos cabelos, é possível indenticar como os movimentos civis têm influência forte nos estilos que as pessoas usavam em determinada época. Na década de 1950, 1960 e 1970, lutou-se pelos direitos civis e se criaram os Estudos Afro-Americanos e Negros nos Estados Unidos da América. Nesse contexto, surgiram lideranças negras que lutaram pelos direitos dos negros norte americanos e contribuí- ram para a repercussão de suas ideias em outros países, como no Brasil, por exemplo. (COUTINHO, 2009, p.58) O black power era sinônimo de luta, liberdade e expressão para o negro afro ameri- cano. No Brasil, o movimento ganha força com personalidades da música, atores, jogado- res de futebol entre outros ativistas, que apoiaram a causa. © S to ck Li te / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo26 A partir de 1990 a 2000 houve nos cabelos certo resgate dos anos 70, já que a moda e os costumes são cíclicos. No início da década os suportes estavam, contudo, mas no decor- rer dos anos 90 os lisos começaram a ganhar espaço. Mas nunca foi tão difícil escolher um corte e uma cor de cabelo como foi nos anos 90. Como era permitido usar quase tudo, as mulheres precisavam descobrir o seu próprio estilo. (SOUZA, EMILIANO, 2013, p. 4) Portanto, diante do panorama traçado sobre a evolução dos cabelos na história, podemos afirmar que a história da beleza sempre foi marcada por fatos relacionados à eco- nomia e ao que a população estava vivenciando na época. Pausa para refletir O modo como as pessoas usavam os cabelos sofria total influência do que era vivenciado na época em que o indivíduo estava inserido. Se olhar à sua volta, você acredita que isso ainda acontece ou que todos estão desprendidos de padrões? 1.2. Profissão na atualidade O profissional de beleza evoluiu muito ao longo dos anos e essa evolução é realçada quando é possível observar o quanto a profissão se tornou rica. Os cosméticos possuem tecnologia de ponta para resolver os mais delicados problemas capila- res e realçar a beleza de cada indivíduo. As ferramentas disponíveis auxiliam o dia a dia de forma rápida e objetiva, facilitando a realiza- ção de cortes de cabelo, modelagem, entre outros serviços. Na atualidade é possível criar penteados e cortes de outras época sem as ferra- mentas antigas, mas com recursos que orientam os profissionais no momento de criar uma imagem para a cliente. 1.2.1. Era de transformação Outra mudança significativa, que se deu junto com a evolução dos cortes e pentea- dos nos últimos tempos, é o aumento do uso de computadores e tecnologia. Uma grande quantidade de softwares surgiram para auxiliar na escolha e construção do novo visual da cliente, de maneira fácil e rápida. © D TC O M 27Corte e Modelagem de Cabelo Essa nova tecnologia invadiu os salões de beleza e auxilia o profissional a todo momento. Se antes era preciso adquirir inúme- ras revistas e catálogos para conhecer os esti- los de corte, agora os computadores facilitam nesta busca por novos estilos. A disponibilidade de ferramentas pro- fissionais também é ampla. Tesouras com os mais variados aços, pentes que não derretem quando submetidos ao calor excessivo, secadores que tratam, pranchas que selam as cutí- culas dos fios e escovas que reduzem o frizz são algumas das opções. Tesoura barracuda e tesoura fio navalha. Se você em algum momento já discutiu qual seria o melhor penteado, que corte de cabelo fazer ou mesmo se julgou determinada pessoa pela escolha do cabelo ou viu para fotos antigas e percebeu diferentes estilos em você mesmo, isso significa que você sabe o quanto a moda é importante no dia a dia e como isso é determinante em vários ciclos da vida. Embora cada vez mais se fale em descartar a fórmula padrão e conceitos pré-concebidos, a mídia ainda exerce influência na moda e na beleza com as novelas, filmes e séries, que eventualmente lançam tendências. © D TC O M © D TC O M © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo28 Afirmação “Os modos nos quais os meios de comunicação intervêm na interação social dependem das características concretas do meio em questão, ou seja, tanto das caracterís- ticas materiais e técnicas quanto das qualidades sociais e estéticas.” (HJARVARD, 2012 p. 75) As características introduzidas pela mídia como influência para um corte de cabelo ou penteado podem ajudar a identificar a linha de trabalho, a classe social e o estilo de vida do indivíduo. 1.2.2. A evolução dos profissionais de beleza O profissional sempre busca fontes de inspiração para suas criações. No momento atual, estar bem informado é essencial para todos os envolvidos no mercado da beleza. É por meio da renovação constante que o profissional se adapta às demandas, às clientes que iremos atender, ao que de mais moderno a indústria pode oferecer e aos novos produtos para executar os mais diversos serviços de corte e penteado. Analisando as produções dos profissionais de beleza, é possível identificar quali- dade, criatividade e ousadia nos cabelos que desfilam nas passarelas mais conhecidas. É um nicho de mercado que cresce a cada dia e, com isso, a disponibilidade de revistas, pro- dutos, softwares, novos fabricantes e eventos, se torna cada vez maior. A chance de estu- dar a área em que se está inserido, nunca foi tão grande para o profissional da área quanto nesse momento. Já se sabe que os cabelos podem indicar diversas características como estilo, formas de vida, estado de saúde, cuidado pessoal, auto estima além de detalhes individuais. Por meio do visagismo, a construção da imagem pessoal fica muito mais apurada e direcionada para o indivíduo, realçando característica internas e físicas. A harmonização como um todo é construída com as técnicas de cortes, construção de cor, maquiagens, penteados e todas as transformações químicas possíveis. A indústria cosmética para tratamento capilar, está bem avançada; disponibilizando uma infinidade de produtos que auxiliam no corte e no penteado. O consumidor também mudou, está mais exigente, informado, ciente do que está disponível no mercado, solicita orientação e fazendo com que o profissional mantenha um aprendizado continuado. 29Corte e Modelagem de Cabelo Pausa para refletir O profissional de beleza atual não pode mais se manter desatualizado. É preciso bagagem, experiência e constante atualização para se manter no mercado. Como essa atualização constante pode ser feita pelo profissional de beleza? Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma apre- sentação de slides destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produ- zir seu arquivo, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Dica: pontue as características que marcaram as mudanças de cortes de cabelo e penteados ao longo da história. Recapitulando Entender o desenvolvimento da profissão até atualidade é possível por meio do res- gate de fatos históricos de extrema importância que marcaram as mudanças de estilos nos cabelos e na moda. Profissionais visionários, como Vidal Sassoon, foram precursores de informações que utilizamos atualmente, mesmo que a mídia aponte o estilo que a grande massa utilizará. O modo como as pessoas usavam os cabelos sofria total influência do que era viven- ciado na época em que o indivíduo estava inserido. Olhando à sua volta, você acredita que isso ainda acontece ou que todos estão desprendidos de padrões? É possível que uma cliente chegue até nós totalmente alheia dos acontecimentos do momento, mas também é possível que seja influenciada e julgada a todo momento. O profissional de beleza atualnão pode mais se manter desatualizado. É preciso bagagem, experiência e constante atualização para se manter no mercado. Como esta atualização constante pode ser feita pelo profissional de beleza? É fundamental se atuali- zar a todo momento e ampliar o conhecimento adquirido. Corte e Modelagem de Cabelo30 Referências O DIABO E A CARNE (Flesh and the Devil). Direção: Clarence Brown, EUA, 1926. 1 DVD. 109min., son., color. BARSANTI, L. Dr. Cabelo: saiba tudo sobre os cabelos: estética, recuperação capilar e pre- venção da calvície. São Paulo: Elevação, 2009. BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. CINTRA, R. Cortes de Cabelo: Técnicas e Modelagem. São Paulo: Editora Cengage lear- ning Iv, 2010. CINTRA, R. Como seu Cabelo pode Transformar seu Visual. São Paulo: Editora Aleph, 2011. COUTINHO, C. L. R. A estética dos cabelos crespos em Salvador. Dissertação de Mes- trado em História Regional e Local, Universidade do Estado da Bahia, Santo Antônio de Jesus, 2009. Disponível em: <www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/cassi_ladi_reis_couti- nho.pdf>. Acesso em: 08/06/2018. ENGLISH, R. A Cultural history of Fashion in the 20th and 21st Centuries: From Catwalk to Sidewalk. Second Edition. New York: Bloomburry, 2013. HALAL, J. Dicionário de Ingredientes de Produtos para Cuidados com o Cabelo. São Paulo: Editora Cengage learning, 2011. HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage learning, 2012. HJARVARD, S. Midiatização: teorizando a mídia como agente de mudança social e cul- tural. São Paulo, 2012. Disponível em: <www.redalyc.org/articulo.oa?id=143023787004>. Acesso em: 01/04/ 2018. MARQUES, S. A História do Penteado. São Paulo: Editora Matrix, 2009. O DESPREZO. (Le mépris). Direção: Jean-Luc Godard. França/Itália, 1963. 103 min., son., color. SOUZA, E.A.; EMILIANO, S. Cortes de cabelos para os diferentes formatos de rosto: Um estudo bibliográfico, Curitiba, 2013 Disponível em: <tcconline.utp.br/media/tcc/2017/05/ CORTES-DE-CABELO-PARA-OS-DIFERENTES-FORMATOS-DE-ROSTO.pdf>. Acesso em: 01/04/ 2018. ULLMANN, R. V. Amor e sexo na Grécia antiga. Edipucrs, 2005. VIDAL SASSOON. Direção: Craig Tepper, EUA, 2010. 1 DVD. 90min., son., color. VITA, A. C. História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. http://www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/cassi_ladi_reis_coutinho.pdf http://www.ppghis.uneb.br/_dissertacoes/cassi_ladi_reis_coutinho.pdf http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/05/CORTES-DE-CABELO-PARA-OS-DIFERENTES-FORMATOS-DE-ROSTO.pdf http://tcconline.utp.br/media/tcc/2017/05/CORTES-DE-CABELO-PARA-OS-DIFERENTES-FORMATOS-DE-ROSTO.pdf 31Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Reconhecer os tipos de fibra capilar e formato de rosto para atendimento personalizado. CAPÍTULO 2 Compreendendo o bom atendimento Marília Bezerra de Carvalho TÓPICOS DE ESTUDO 1 Elaborando a ficha de diagnóstico 3 lassificação dos formatos de rosto • Comunicação. • Avaliando as características. • Os sete tipos de rosto. • A divisão facial. 2 Tipos de cabelo de acordo com a sua forma • Avaliando a textura capilar. • Densidade capilar. • Condições da fibra capilar. Corte e Modelagem de Cabelo32 Contextualizando o cenário No nosso cotidiano, temos contato dezenas de vezes ao dia com situações em que somos o cliente em atendimento. Seja em uma padaria ou supermercado, somos o consumidor e nem sempre saímos satisfeitos com a qualidade do serviço e atendimento, o que nos leva muitas vezes a reavaliar nossas escolhas de prestadores de serviço e escolher outras opções. Quanto mais insatisfeitos, menor a probabilidade de retornarmos ao estabelecimento e menor ainda as chances de recomendarmos o serviço. Uma das melhores formas de fidelizar o cliente é fazer com que ele mesmo saia 100% satis- feito. Precisamos de um atendimento diferenciado e de formas de aprimorar a prestação de serviços, sempre levando em consideração o feedback do cliente. Diante disso, é válido questionar: o que é necessário para diferenciar o serviço e fidelizar o cliente? © P au l V as ar he ly i / / Sh ut te rs to ck . 33Corte e Modelagem de Cabelo 2.1. Elaborando a ficha de diagnóstico Vários profissionais tentam aplicar inúmeras técnicas e formas de abordar os clientes sem levar em consideração o segmento de mercado em que estão inseridos e a estratégia de marketing que deve ser empregada para obter êxito e alcançar tanto efetividade quanto eficiência no serviço prestado. Nesse ramo de beleza e estética, estar atento às inovações do mercado, tendências e desejos do cliente talvez ainda seja aa melhor estratégia. A atenção com o cliente sempre vai ser o melhor cartão de visitas. Uma das formas de expressar esse cuidado é a aplicação de um sim- ples questionário, com poucas perguntas, para a ficha de diagnóstico. Essa ficha nada mais é do que o resumo de todas as características do cabelo do cliente e de todos os procedimentos já realizados anteriormente. Além de demonstrar preocupação com o cliente, recolher essas informações permite a personalização do atendimento, o acolhimento do cliente e um atendimento humanizado. Esse tipo de atendimento considera que o cliente que procura atendimento capilar muitas vezes se encontra inseguro sobre o que deseja, seja por conta de uma mudança no corte, na cor ou na forma. Por isso, é imprescindível que um bom profissional compreenda a existência dessa possível insegurança e seja capaz de entender o objetivo do cliente em relação aos seus cabelos. Compreendendo corretamente o seu cliente, o profissional con- seguirá deixá-lo seguro e atender a suas expectativas. Para isto, o profissional deve ouvir e observar atentamente o seu cliente, sendo capaz de personalizar o atendimento, oferecer um bom acolhimento e um atendimento humanizado. Um bom acolhimento pode ser oferecido com um olhar atencioso, fazendo com que o cliente sinta-se seguro nas mãos do profissional. Geralmente os profissionais que chamam seus cliente pelo nome e que se mostram interessados em ouvir os desejo deles, além de esta- rem dispostos a realizá-los, são mais acolhedores. É importante ressaltar que o bom acolhi- mento não significa bajulação, mas sim atenção com educação, sinceridade e profissionalismo. Além do acolhimento, é adequado que os profissionais da área capilar realizem um atendimento de forma personalizada, ou seja, tenham um olhar exclusivo para cada cliente. Devem respeitar que cada cliente apresenta um desejo próprio, mesmo que este desejo não esteja mais na moda ou que não agrade o profissional. Claro que é obrigação do © D TC O M . Corte e Modelagem de Cabelo34 profissional orientar o cliente quanto às cores, cortes e formas dos fios mais adequadas ao formato de seu rosto, idade e cor da sua pele. Porém, a escolha é do cliente. O profissional apenas não deve realizar o pedido do cliente diante de uma situação na qual o cabelo não se apresente em condições de receber o procedimento. Além disso, o profissional deve ter sempre em mente que não é porquê um procedimento deu certo em um cabelo, dará certo em todos os outros. Lembre-se, cada cliente é exclusivo e o profissional deve ter um olhar único para ele! Será que dessa forma o profissional da área capilar estará oferecendo um atendimento humanizado? O atendimento humanizado é dependente de um bom acolhimento e de um atendi- mento personalizado. Portanto, no atendimento humanizado, é importante que o profis- sional dê atenção para seu cliente e seus objetivos, ao mesmo tempo em que demonstra empatia pelo mesmo e transmita segurança na sua capacidade. Esta segurança geralmente é transmitida por meio do conhecimento do profissional e da estrutura física adequada para o atendimento. Também é importante destacar, que no atendimento humanizado,respeita-se o estado emocional do cliente, a sua intimidade e sua crença. Pausa para refletir Que tipo de tratamento você acha que fideliza o cliente e o faz indicar seus serviços a outras pessoas? 2.1.1. Comunicação O primeiro passo para que um profissional ofereça um atendimento adequado é ser articulado para ter uma boa abordagem. Algumas perguntas devem ser feitas em uma con- versa informal antes da realização de qualquer tipo de procedimento. Isso serve para se ter uma noção do histórico de processos pelo qual o cabelo e couro cabeludo do cliente já foram submetidos e evitar possíveis erros. Quatro condutas simples ajudam a criar uma relação de confiança entre o consumidor e o profissional. Utilizar gestos e postura profissional ajudam a passar uma imagem posi- tiva. Cabe ressaltar que nem todo cliente se sente confortável em ser tocado sem aviso. Faça perguntas simples, concisas e a observe atentamente as respostas dadas pelo cliente. Fique atento também visualmente, nem sempre o cliente passa todas as informações de maneira verbal. Sempre compartilhe suas observações com o cliente. E o passo mais importante, ofereça soluções que satisfaçam as necessidades do cliente. 35Corte e Modelagem de Cabelo Melhorar produtividade Definir estratégia Implementar Ouvir o cliente Corrigir os erros Nem sempre as técnicas aplicadas funcionam como deveriam, por isso, tentar enten- der e corrigir o que aconteceu conforme o esperado ajuda a diminuir erros futuros e rever certas condutas. Pesquisas de opinião são simples de implementar e evitam que erros pri- mários sejam repetidos. 2.1.2. Avaliando as características Os sentidos de um profissional (visão, tato e olfato) são seus melhores aliados jun- tamente com as informações coletadas pela entrevista prévia com o cliente. È preciso observar o aspecto do cabelo, o comprimento, o tipo (normal, seco, misto ou oleoso), o seu estado (se o cabelo é natural, se foi descolorido, alisado, e quais outros tipos de pro- cedimentos prévios em geral o mesmo sofreu), volume, forma, além de o estado do couro cabeludo (se apresenta algum tipo de irritação); levando sempre em consideração os seguintes parâmetros antes de prosseguir com qualquer processo: • porosidade: geralmente variando entre suave e áspero; • elasticidade: leve em consideração que o cabelo saudável deve ter um certo nível de elasticidade e deve ser capaz de ser esticado sem partir. Quando danificado, o cabelo tende a partir com qualquer tensão aplicada; • diâmetro capilar: lembre-se que cabelos finos e grossos reagem com tempo e intensidade diferentes a cada tratamento. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo36 Estes parâmetros são fundamentais para avaliar a saúde do cabelo e também para indicar o possível comportamento dos fios mediante um procedimento capilar. Por isso, pode ser adequada a realização de mais testes, além dos sensoriais. Teste de porosidade: A porosidade, por exemplo, também pode ser avaliada por meio do comportamento dos fios limpos na água. Caso o fio permaneça na parte supe- rior da água, significa que apresenta baixa porosidade, enquanto o fio que afunda e tende a ir para o fundo do reservatório de água apresenta alta porosidade. A média porosidade ocorre quando o fio afunda um pouco, porém não vai para o fundo, ficando na região inter- mediária do reservatório. Este teste é possível pelo fato de o fio poroso apresentar-se com cutículas abertas e absorver muita água, tornando-se mais pesado e afundando quando colocado em meio à água. Portanto, além dos fios com alta porosidade serem ásperos, tendem a absorver muita água quando estiverem neste meio, característica que favorece a classificação do seu aspecto poroso. É importante ressaltar que, assim como este fio absorve muita água, também perderá muita água quando sair deste meio, visto que está com falta de substâncias químicas capazes de manter seus nutrientes e sua saúde. Por isso, todo fio poroso necessita de reconstrução capilar. Já os fios com baixa porosidade necessi- tam principalmente de hidratação e os de porosidade média, de nutrição. Teste de elasticidade: A elasticidade é outro parâmetro imprescindível para ava- liar o estado e saúde dos fios. O teste para avaliá-la pode ser realizado por meio do estira- mento do fio. Para isso, deve-se segurar o fio em dois pontos utilizando os dedos polegares e indicadores, e esticá-lo de modo que ele aumente cerca de 1/3 de seu comprimento. Caso ele resista ao estiramento e quando solto retorne ao seu comprimento e aspecto inicial, este fio está saudável e com elasticidade adequada, rompendo-se apenas de for estirado em excesso. No entanto, caso o fio estique com facilidade, aumentando mais de 1/3 de seu comprimento e ainda, não retornando às suas características iniciais, é sinal de elastici- dade excessiva. O fio está fragilizado e com baixa massa capilar, podendo se romper com facilidade. Os fios danificados também podem apresentar ausência de elasticidade. Neste caso, quando estirados, os fios não aumentam de comprimento, podendo ainda se rom- per, dependendo do estado do dano capilar. É importante compreender que a elasticidade excessiva e também a falta de elasticidade são sinais de danos capilares. A excessiva está relacionada com a falta de massa capilar, enquanto a falta de elasticidade pode estar rela- cionada com o excesso de queratina, por exemplo. 37Corte e Modelagem de Cabelo Teste do diâmetro capilar: Embora em muitos casos o profissional avalie o diâme- tro dos fios a olho nú e com suas mãos, em algumas situações é adequado o uso de tes- tes mais específicos. Para estes testes pode-se utilizar um calibrador. Este calibrador deve ser empregado em diferentes leituras na tentativa de indicar resultados bastante precisos, visto que os fios podem ter partes ovais e achatadas. Além disso, o fio deve ser colocado corretamente no medidor e o tipo de cabelo deve ser indicado na escala do aparelho. Dependendo do tipo de procedimento desejado pelo cliente, colorações permanentes ou alisamentos, por exemplo, é necessário realizar outros testes para que não seja causado nenhum dano ao cabelo. É importante testar o cliente para alergia a produtos irritantes. O teste é feito com a aplicação de uma pequena quantidade de produto na pele do braço, pescoço ou em pequena parte da raiz dos cabelos. Espera-se então o tempo de ação, observando se há surgimento de vermelhidão, coceira ou bolhas. Outro teste muito importante, mas que nem sempre é lembrado, é o de com- patibilidade entre os produtos utilizados anteriormente pelo cliente e os que serão utilizados nos procedimentos que se deseja realizar a seguir. Lembre-se sempre que existem inúmeras incompatibilidades quími- cas que podem acarretar desde uma alergia tópica a uma completa queda do cabelo. É importante sempre utilizar uma pequena porção do cabelo, isolando-a ou cor- tando a mecha, e realizar o teste de mecha com a mistura de produtos que vai ser aplicada e observar se há alguma reação inesperada, como perda de elasticidade dos fios, formação de bolhas, formação de coloração inesperada e desprendimento de calor. Esses são fortes indícios de incompatibilidades, se observar esses fatores não prossiga com o tratamento. 2.2. Tipos de cabelo de acordo com sua forma Existem inúmeras formas de classificar os pelos, cada autor observa e os classifica de acordo com características diferentes. A mais simples e mais empregada é a que divide os pelos em velo e terminal. Velo são os pelos mais finos, curtos e sedosos. Já terminais são os pelos mais grossos e pigmentados, que ainda são subdivididos em terminais primários e secundários. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo38 Anatomia do pelo O cabelo é composto de estruturas celulares divididas em três camadas, cada uma com características e composições celulares diferentes. A medula é a parte central do fio,normalmente é inexistente em fios muito finos ou muito claros. O córtex é a parte mais volumosa e responsável por todas as boas características do fio, como elasticidade, cor e flexibilidade. A cutícula é a parte mais externa, do ponto de vista tanto fisiológico como histológico e é composta de células mais rígidas e resistentes, capazes de proteger parcial- mente as partes mais delicadas de processos mais agressivos, porém não é impenetrável. Dica Existem situações em que o cabelo se apresenta mais frágil. Quando molhado, é uma dessas situações. Nesses momentos é sempre recomendável fazer uso de cremes e agentes condicionantes, para facilitar que os fios sejam desembaraçados e evitar que se par- tam (HALAL, 2010). O corpo também possui outros mecanismos de proteção dos fios e do couro cabe- ludo, como por exemplo, a produção de sebo. Porém, tal proteção só é capaz de atuar quando diretamente em contato com o fio, sendo assim, quanto mais longo, menos prote- gido em seu comprimento, por isso é sempre necessário utilizar agentes condicionantes no comprimento e pontas dos cabelos. © D es ig nu a / / S hu tt er st oc k (A da pt ad o) . 39Corte e Modelagem de Cabelo 2.2.1. Avaliando a textura capilar A textura do fio é determinada basicamente pelo diâmetro do fio, ou seja, sua espes- sura. Inúmeros fatores, incluindo fatores genéticos, raciais e variações hormonais podem afetar essa variável. Cabelos quimicamente tratados, de forma geral, tendem a ser mais finos e mais frágeis que os fios virgens. A textura dos cabelos varia não somente entre pes- soas, mas difere também dependendo da parte do corpo: os pelos da cabeça e barba são visivelmente mais grossos que os pelos dos braços e pernas, por isso demoram mais para serem descoloridos ou alisados. Quanto mais fino o fio, mais frágil e suscetível a danos ele é, por isso é sempre impor- tante levar em consideração a textura antes de aplicar qualquer tipo de produto químico. Quanto mais grosso, mais resistente, por isso, fios grossos muitas vezes necessitam de mais processamento e mais tempo para que determinado procedimento seja bem-sucedido do que os finos. 2.2.2. Densidade capilar A densidade é um fator diretamente ligado à quantidade de fios que o indiví- duo possui e pode ser constatada pela sim- ples observação do couro cabeludo do cliente. Se os fios forem numerosos e bas- tante próximos uns dos outros, a densidade é elevada. Se houver poucos fios e bastante espaçados, a densidade é baixa. Esse fator é bastante influenciado por elementos externos, como, por exemplo, cui- dados, produtos utilizados, estado de saúde, gravidez e velhice. O aumento da produção de hormônios durante a gravidez, por exemplo, geralmente leva a um aumento temporá- rio da densidade capilar. O volume, em geral, volta ao nível normal entre três e seis meses após o parto, por isso que muitas mulheres relatam elevada queda de cabelo nos primeiros meses dessa fase. Homens têm uma maior densidade capilar devido à maior taxa de testosterona, porém uma diminuição na densidade poder ser causada por um excesso de processamen- tos químicos, além de inúmeros outros fatores, como falta de vitaminas, sais minerais e doenças associadas. © ru ig sa nt os / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo40 2.2.3. Condições da fibra capilar Além de densidade e textura, outros aspectos devem ser levados em consideração quando é feita a avaliação das reais condições da fibra capilar. A porosidade, por exem- plo, é um fator importante a ser levado em conta, já que afeta diretamente a capacidade do fio de absorver os produtos aplicados. Fios muito porosos não devem ser desfiados, pois podem formar pontas duplas e gerar um aspecto de desgastado mesmo que tenham sido cortados recentemente. Contexto Cabelos que receberam tratamento com produtos que apresentam formol em sua composição tendem a ficar porosos com o passar do tempo, por isso deve-se evitar qualquer tipo de procedimento prolongado que possa vir a danificar o fio (HALAL, 2012). A elasticidade é outro aspecto importante e diretamente ligado ao dano. Quando o fio perde sua capacidade natural de ser elástico, quer dizer que já sofreu um nível de dano significativo. Fios que passam por muitos processos de descoloração seguidos, por exem- plo, tendem a perder sua elasticidade, ficando com um aspecto indesejado e perdendo a capacidade natural de esticar e retornar à sua forma original. Cabelo danificado Cabelo saudável Cutícula com poros abertos Cutícula com poros abertos e danificados Medula Cortéx Cutícula Estrutura interna danificada © D es ig nu a / / S hu tt er st oc k. 41Corte e Modelagem de Cabelo Outros problemas que atestam a saúde dos fios são (HALAL, 2012): • triconodose: formação espontânea de nós durante todo comprimento e ponta dos fios, que danificam sua estrutura interna por causar dano à cutícula e expor as par- tes mais sensíveis do cabelo; • tricoptilose: conhecido vulgarmente como pontas dupla; e a • tricorrexis nodosa: é a formação de nódulos brancos em todo o comprimento do fio como decorrência de processos químicos excessivos. Além destes problemas citados, existe ainda outro dano muito comum, conhecido como bubble hair. Este termo é empregado para indicar a existência de bolhas nas hastes capilares. Estas bolhas tornam os fios frágeis e quebradiços. O bubble hair é provocado por aquecimento intenso dos cabelos, fazendo com que o excesso de calor vaporize a água pre- sentes nos vacúolos existentes nos fios. Consequentemente, ocorre a expansão dos vacúo- los e a formação de uma estrutura semelhante a uma esponja. Por isso, é imprescindível o uso de protetores térmicos sobre os fios antes do uso de aparelhos como secadores, chapi- nhas e babyliss. Embora muitas condições indesejáveis das fibras capilares sejam provocadas pela falta de cuidados, deve-se compreender que existe ainda algumas condições provocadas por fatores hereditários, como por exemplo, o moniletrix. O moniletrix é caracterizado por dilatações e estreitamentos alternados nas hastes capilares, sendo que em muitos casos ocorre a quebra da haste nos pontos de estreitamento. Esta condição representa uma alte- ração hereditária rara que pode indicar doenças sistêmicas. Outra condição da fibra capilar que também pode estar associada à fatores hereditários é conhecida como pilli torti (pelo torcido). Esta condição é caracterizada pela existência de pelos torcidos em torno do pró- prio eixo. O pilli torti também pode aparecer devido a processos inflamatórios no couro cabeludo e alopécias. Essas condições devem ser observadas com cuidado e tratadas assim que possível. Pausa para refletir O que é preferível, um diagnóstico mais aprofundado e preciso ou ter que reverter danos posteriores decorrentes de uma anamnese incompleta? Corte e Modelagem de Cabelo42 2.3. Classificação dos formatos de rosto A identificação do formato do rosto do cliente deve ser um processo simples e rápido e deve auxiliar na escolha de processos definitivos, como cortes. Tal observação é feita uti- lizando técnicas de observação e harmonização facial, notando todas as formas marcantes e características faciais. Algumas técnicas utilizam linhas traçadas verticalmente e horizon- talmente bem no centro do rosto e são feitas algumas medidas que ajudam a definir o tipo exato de rosto. A atenção aos detalhes é imprescindível, já que são detalhes e medidas sutis na testa, maçãs do rosto, maxilar e queixo que vão diferenciar todos esses tipos de rosto. Com expe- riência e observação de vários casos, a maioria dos profissionais consegue chegar ao tipo de rosto exato apenas observando o cliente. 2.3.1. Os sete tipos de rosto Há inúmeros formatos de rosto e ainda mais divisões. Cada profissional trabalha com as divisões que mais gosta, nós trabalharemos com a divisão de sete tiposde rosto diferen- tes: oval, retangular, quadrado, coração, triangular, retangular e diamante ou alongado. Oval © D TC O M 43Corte e Modelagem de Cabelo O rosto do tipo oval é considerado um dos mais versáteis dentre todos os formatos. A maioria dos cortes de cabelo se adapta bem a esse tipo de rosto e resulta em um bom caimento. O formato oval é caracterizado por ter a medida do comprimento maior que a medida da largura. A testa é levemente maior que o queixo e nenhum dos ângulos é muito proeminente, sendo um formato harmônico e de forma geral delicado, no qual nenhuma de suas características se sobressai mais que as demais. Redondo O rosto redondo é bem característico e dentre todos um dos mais facilmente reco- nhecíveis por ter todas as dimensões bastante semelhantes. Ele não apresenta linhas retas e todos os seus ângulos são arredondados e suaves. Alguns o confundem com o rosto de formato oval, porém o formato redondo possui, de forma geral, a testa e queixo pequenos. Quadrado © D TC O M © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo44 O rosto quadrado, assim como o redondo, apresenta todas as dimensões do mesmo tamanho, porém as formas e expressões desse tipo de rosto são bastante expressivas e retas. As linhas da mandíbula e queixo são as que mais se destacam, com ângulos retos e proeminentes, formato facilmente reconhecível e um dos mais comuns entre os homens. Biondo (2003) recomenda para o rosto quadrado cortes abaixo da altura dos ombros, com volume lateral, adicionando camadas e franja, procurando sempre suavizar as áreas mais proeminentes desse tipo de rosto, que são queixo e mandíbula. O rosto em formato de coração tem um comprimento notavelmente maior que a largura, se tornando um rosto mais comprido e fino. A testa e as maçãs possuem largura semelhante, o rosto vai perdendo largura e ficando mais pontudo. É bastante semelhante ao formato triangular. Triangular Porém, no rosto de formato triângulo invertido somente a testa apresenta uma lar- gura maior, diferentemente do rosto coração, que começa a ficar mais fino a partir das maçãs e o rosto já começa a perder medida a partir daí. As maçãs já são bem mais finas e o queixo bastante angular e proeminente. O objetivo do corte nesse tipo de rosto é sempre ter um pouco de volume na parte superior do rosto, são recomendados cortes de cumpri- mento mais curto, que emoldurem o rosto e suavizem o semblante (BIONDO, 2003). 45Corte e Modelagem de Cabelo Retangular O rosto retangular se assemelha ao quadrado, porém o comprimento chega a ser duas vezes maior que a largura nesse tipos de face, característica que lhe confere o formato retan- gular. Apresenta uma leve curvatura mandibular, o tornando um formato levemente mais suave que o quadrado, porém a mandíbula também apresenta a mesma largura que a testa. Diamante O rosto de tipo diamante apresenta as maçãs do rosto de uma largura maior que da testa, bastante acentuadas. O comprimento é maior que a largura, com mandíbula mar- cada que se suaviza até o queixo, que geralmente é bastante angular, tornando o rosto bastante marcante. O melhor corte para esse tipo de rosto são os que causem efeito seme- lhante a um degradê, com repicados e desfiados na altura do maxilar, sendo as franjas tam- bém boas apostas (BIONDO, 2003). © D TC O M © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo46 2.3.2. A divisão facial Na área de estética, de uma forma geral, a divisão facial mais utilizada para obter medidas um pouco mais precisas e observar os atributos faciais do cliente são feitas a par- tir de duas linhas traçadas bem ao centro do rosto, uma no sentido vertical partindo do queixo até a linha da raiz dos cabelos e outra partindo das orelhas, na altura do nariz. Outra marcação simples que divide um pouco mais o rosto, sendo capaz de dar medi- das mais precisas dos atributos de forma individual é feita traçando-se uma linha em todo o comprimento do rosto, da raiz dos cabelos à ponta do queixo, e três linhas horizontais uma na altura das sobrancelhas, outra entre as sobrancelhas e a ponta do nariz e a última entre o nariz e a ponta do queixo, com três divisões proporcionais. Dica Silva e colaboradores (2015) foram além quando se trata de reconhecimento do for- mato de rosto e criaram uma metodologia de reconhecimento automático de formato de rosto. Essas linhas são guias para melhor observar as características faciais quando não se tem muita experiência, depois de um tempo de trabalho na área, somente a observação já é o suficiente para identificar os tipos de rosto, já que características que antes pareciam sutis aos olhos destreinados tornam-se mais evidentes e reconhecíveis. Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma ficha de diagnóstico a partir das quatro simples condutas mostradas no capítulo e tente aplicá-la para diferentes tipos de cliente e procedimentos, destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir sua ficha de diagnóstico, considere as leituras básicas e comple- mentares realizadas. 47Corte e Modelagem de Cabelo Recapitulando Ter estratégias condizentes com o seu negócio e com o mercado são passos impor- tantes para que o negócio dê certo, porém o melhor cartão de visitas sempre será um atendimento personalizado e eficaz, cliente satisfeito sempre indica um bom serviço para outras pessoas. Lembre-se sempre de prestar atenção aos detalhes e informações coleta- das tanto pelo que o cliente lhe diz quanto pelo que você é capaz de observar. Ser atento, amigável e estar disposto a ouvir todas as experiências do cliente e o que ele deseja é uma ótima forma de satisfazer as expectativas e requer apenas alguns minutos a mais do tempo do profissional. Fidelização é uma consequência da satisfação, tenha sem- pre isso em mente. Fazer um diagnóstico detalhado e observar atentamente as características do fio e a saúde do couro cabeludo, além de processos realizados previamente é muito importante. Principalmente em primeiros atendimentos, ser condizente com as expectativas do cliente e até excedê-las é primordial. Seja cauteloso, prevenir é sempre preferível que tentar rever- ter um equívoco. Avaliar os tipos de cabelo e de rosto são passos essenciais para que o produto final do seu trabalho seja satisfatório tanto para você quanto para o cliente, lembre-se que nem sempre a ideia inicial do cliente é a que melhor funciona para sua estrutura facial e para as condições em que se encontra o seu cabelo. Avalie, converse e mostre melhores opções. Corte e Modelagem de Cabelo48 Referências BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. KONDO, E. K. et al. Marketing de Relacionamento e Estratégias de Fidelização de Clientes Pessoas Físicas. Administração: Ensino e Pesquisa, [S.l.], Revista ANGRAD v. 10, n. 3, p. 129-146, set. 2009. Disponível em: <raep.emnuvens.com.br/raep/article/view/189>. Acesso em: 11/04/2018. ASK EDUCATION. Como analisar o cabelo do seu cliente. ASK Education for hairdressers, <www.schwarzkopf-professional.com.br/skp/br/pt/home/educacao/ask/consulta/0014/como- -analisar-o-cabelo-do-seu-cliente.html#id74081392>. Acesso em: 12/04/2018 HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage learning, 2012. MELLO, M. S. A evolução dos tratamentos capilares para ondulações e alisamentos permanentes. Tese – Faculdade de Farmácia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010. Disponível em: <hdl.handle.net/10183/26829>. Acesso em: 21/04/2018. SILVA, M. O.; NASCIMENTO E. R. An Automatic Methodology for Face Shape Identifica- tion on Images. XI Workshopde Visão Computacional ‐ Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais. Outubro, 2015. Disponível em: <www.lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/ wvc/2015/073.pdf> Acesso em: 15/06/2018. 49Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Compreender a lavagem adequada. • Identificar o produto correto para cada fibra capilar. CAPÍTULO 3 Execução das técnicas de lavatório Nelma Faleiro TÓPICOS DE ESTUDO 1 A lavagem capilar 2 Utilização do produto adequado • Massagem capilar. • Turbante. • Tipos de xampus. • Tipos de condicionadores. • Máscara capilar. Corte e Modelagem de Cabelo50 Contextualizando o cenário As técnicas utilizadas no lavatório fazem total diferença no resultado do penteado ou corte. A anamnese direciona o profissional sobre como deve agir no processo de higienização em cada cliente, trazendo melhoras significativas nas condições dos cabelos. Sabemos que o cabelo mais próximo do couro cabeludo é mais novo e, inevitavelmente, o mais saudável. Já a ponta do cabelo é a parte mais antiga e, geralmente, mais seca e frágil do cabelo. Não usar mais xampu do que o necessário é um dos pontos principais no processo de lava- gem capilar. O xampu retira a oleosidade natural e, se usado em excesso, o atrito entre as fibras pode danificar permanentemente a cutícula do cabelo, levando à quebra e ao frizz. Depois de enxaguar o cabelo, o condicionamento é realizado no comprimento e pontas. Quanto mais tempo o condicionador ficar no cabelo, melhor ele será absorvido. Não deve- mos aplicar condicionador nas raízes do cabelo pois, como esta é a região mais saudável dos cabelos, não necessita de condicionamento em excesso. Diante disso, como o profissional deve agir para maior excelência no trabalho sem alte- rar as características naturais da fibra capilar? 51Corte e Modelagem de Cabelo 3.1. A lavagem capilar Uma boa anamnese é fundamental para identificar o tipo de cabelo e o que pode ser apli- cado para efetuar a lavagem sem agredir os fios. Para cabelos secos escolha produtos hidratan- tes; para os fios coloridos, opte por fórmulas que auxiliam na durabilidade da cor; já os xam- pus para aumento de volume tendem a deixar os cabelos mais secos, por isso são melhores para os tipos de cabelos finos e de pouca densidade. Quantidade certa, frequência, formulação direcionada e produtos de qualidade são detalhes que podemos estudar para uma higienização capilar com excelência. A lavagem capilar é um processo importante quando o assunto é cuidados com os cabelos. A forma correta e os produtos adequados são fundamentais para um bom resultado após a lavagem e fios saudáveis a longo prazo. 3.1.1. Massagem Capilar Além de relaxar o cliente, a massagem capilar ajuda na penetração dos ativos cosmé- ticos e provoca um estímulo regenerador no couro cabeludo. O ciclo capilar Anágena Catágena Telógena Retorno à Anágena Papila folicular Matriz capilar Glândula sebácea Derme Folículo piloso Terminação nervosa livre © N ik od as h / / S hu tt er st oc k. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo52 Realizada diretamente no couro cabeludo e com manobras de massagem para esti- mulação dos folículos pilosos, a massagem capilar pode aumentar a irrigação sanguínea, a nutrição e oxigenação, revitalizando o couro cabeludo e consequentemente promovendo uma melhora na qualidade dos fios em todas as fases de crescimento. Medula Cortéx Cutícula As fases de crescimento dos cabelos podem ser divididas nas três principais que são: • anágena: é a fase de constante crescimento do fio. Noventa por cento dos fios estão nesta fase. Quando aplicada a massagem capilar regularmente, essa é a fase na qual mais se percebe aumento pela melhora da absorção dos nutrientes. Pode durar até seis anos, mas este período varia de um indivíduo para o outro. “Durante essa parte de ciclo, as células capilares são produzidas em ritmo acelerado; acre- dita-se que nessa fase, as células capilares são criadas com mais rapidez que qual- quer outra no corpo.” (HALAL, 2011, p. 74) • catágena: esse é um período de pausa de crescimento e a fase mais curta das três. Nesse momento, o folículo piloso fica mais curto e mais próximo da superfície do couro cabeludo, preparando o cabelo para entrar na terceira fase. A fase catágena é a ‘fase de transição que sinaliza o final da etapa anterior. Nela, o fio de cabelo encolhe até um terço de seu comprimento, deixando a derme papilar bem abaixo. A parte mais inferior de fio de cabelo agora está localizada logo abaixo da glândula sebácea” (HALAL, 2011, p. 74). • telógena: é a fase de queda do fio, na qual o fio se desprende do couro cabeludo. Dia- riamente, é possível perceber em média cem fios soltos por estarem nessa fase. Se a quantidade de fios que cai for muito maior do que isso, é porque o cabelo está com queda excessiva e merece maior atenção. “Como o folículo capilar pode se ancorar nas paredes foliculares, o cabelo pode permanecer no local até ser empurrado para fora pelo crescimento de um novo fio na próxima fase do ciclo” (HALAL, 2011, p. 75). © D TC O M 53Corte e Modelagem de Cabelo A massagem associada a produtos cosméticos tem a opção de ser feita manualmente ou com aparelhos que estimulam a circulação. Realizada durante a higienização, promove uma melhora significativa na nutrição e fortalecimento dos fios. Pausa para refletir Muitos profissionais não imaginam que nossos cabelos estão em crescimento constante e possuem diferentes fases ao longo do ciclo. No momento da fase telógena, o que podemos fazer para uma melhora da qualidade da haste? Quando se trata de lavar os cabelos, uma única aplicação não é o suficiente para reti- rar todos os resíduos de produtos cosméticos, sujidades, poeiras, suor e silicones, principal- mente se estes fios não são lavados há alguns dias. Antes de aplicar o xampu, o cabelo precisa ficar completamente enchar- cado com água morna, pois a isto faci- lita a retirada das sujidades. Porém, o gosto da cliente precisa ser respeitado com relação à temperatura da água. A massagem capilar auxilia, neste pro- cesso, no momento de molhar e espalhar o produto. Essa massagem, a princípio, é muito suave, apenas para ajudar a água a penetrar entre os fios. Já com a primeira aplica- ção de xampu, os movimentos devem ser mais firmes e rentes ao couro cabeludo. Para aplicação do xampu, o movimento das mãos deve ser de vai e vem em todos os ângulos da cabeça, pois, dessa forma é possível ter certeza de que o produto está agindo por todo o couro cabeludo. Dependendo do grau de sujidades no fio, em alguns casos o xampu não faz espuma na primeira aplicação, nesse caso é neces- sário aplicar o produto pela segunda vez ou quantas forem necessárias. O movimento de massagear suavemente faz com que a espuma se espalhe pelo couro cabeludo, comprimento e pontas. Essa espuma já é o suficiente para limpar a haste capilar. © D is ob ey A rt / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) .. © d ea n be rt on ce lj / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo54 A massagem de aplicação do xampu é diferente da massagem realizada durante o condicionamento ou no momento de ação da máscara capilar. Nem o condicionador nem a máscara são aplicados no couro cabeludo, por isso a massagem é realizada com mais pres- são, firmeza e de forma circular. Essa manobra de massagem se torna mais rela- xante do que a realizada no momento de limpeza. Os movimentos de vai e vem não podem ser reali- zados nesta hora, pois pode-se levar produto condi- cionante para o folículo piloso e, caso isso aconteça, pode ocorrer um aumento excessivo de oleosidade, com obstrução dos poros, aumento de queda capilar, prurido, dermatite seborreica e caspa. Os movimentos circulares de pressão e dedilhamento são bem vindos enquanto se espera a ação do condicionador. As manobras de massagem são realizadas com aspontas dos dedos e não é necessário mais de cinco minutos para trazer uma sensação de relaxa- mento no cliente. Temos também as massagens que são feitas com apa- relhos ou instrumentos de ativação sanguínea. Esses mas- sageadores auxiliam o profissional a promover sensações diferenciadas no cliente. Elas não são de extrema importância para eficácia da massagem, mas podem trazer um diferencial para o processo de lavagem. No momento de aplicação da máscara capilar, a massa- gem capilar direcionada ao fio tem como função promover a absorção do produto na haste capilar. Para que isso ocorra, a manobra de massagem precisa ser realizada no sentido da fibra para que ocorra o selamento da cutícula. A massagem capilar pode ser associada a óleos essenciais como o de alecrim, que estimula o crescimento capilar; o de lavanda, que proporciona maciez; ou de copaíba ou cedro, que aumentam o brilho e regulam a oleosidade. Estes óleos são benéficos se utili- zados juntamente com óleos vegetais de abacate ou semente de uva, auxiliando a massa- gem e contribuindo para a diminuição da queda capilar, para amenizar dermatites, reduzir a oleosidade excessiva e estimular o crescimento. Seja com manobras manuais ou instrumentos, a massagem é sempre bem-vinda e traz relaxamento e conforto para o cliente. Além disso, promove uma melhora considerável da saúde capilar. © D TC O M © D TC O M 55Corte e Modelagem de Cabelo Pausa para refletir A massagem capilar é fundamental para a melhora da saúde do fio e podemos utilizar dife- rentes maneiras de aplicação da mesma. Quais as duas principais maneiras de usar a massa- gem para promover a saúde capilar? 3.1.2. Turbante Após a lavagem realizado no lavatório, o profis- sional direciona a cliente até a cadeira na qual os pró- ximos procedimentos serão realizados. Para maior conforto se faz o turbante, dessa forma os fios não ficam pingando sobre a cliente. O turbante consiste em enrolar uma toalha em volta da cabeça da cliente. O resultado deve ser firme, mas o processo deve ser rea- lizado com cuidado, para não quebrar os fios. Também é comum utilizar o turbante em processos com máscara capilar para reparação da haste. O turbante realizado após a lavagem capilar é inspirado nas amarrações africanas. Esse processo de ficar com a toalha enrolada na cabeça por cinco minutos ajuda a retirar todo o excesso da água sem agredir os fios e prepara os cabelos para as próximas etapas. 3.2. Utilização do produto adequado Existem muitos tipos de xampus e condicionadores no mercado da beleza e é impor- tante aprender como escolher os produtos adequados para cada tipo de cabelo pois o pro- duto correto é essencial para uma cabeleira saudável. Combinar o xampu e condicionador corretos com as técnicas certas de lavagem é o início de um caminho que leva a um resultado final de excelência. Esses produtos não podem ser considerados iguais. Eles possuem especificações que precisam ser considera- das antes da aplicação. Com relação aos xampus, por exemplo, num primeiro momento, podemos dizer que os xampus foram feitos para limpar, removendo poeira, resíduos, gordura, poluição e o excesso de oleosidade dos fios e do couro cabeludo. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo56 Afirmação A poluição favorece a perda de qualidade dos fios de cabelo. Isto ocorre por conta da eletricidade estática dos fios que atraem a poluição e forçam-na a se manter ade- rida à haste dos cabelos. Com isto acabam comprometendo a saúde e a beleza dos cabelos (JUNIOR, 2011, p. 50). Porém, existem no mercado, produtos que, além de realizar essa higienização, remo- vendo resíduos indesejáveis, também promovem uma preparação para tratamentos especí- ficos. É o que veremos a seguir. 3.2.1. Tipos de xampus Os xampus são classificados como cosméticos. É sabido que a primeira aplicação de xampu retira as sujidades superficiais e a segunda aplicação limpa mais profundamente. Por isso, podemos dizer que a limpeza dos cabelos só se dá por completa depois de, no mínimo, duas aplicações de xampu. Além disso, os xampus possuem outras funções além de lim- par. Como explica Halal, “Embora a maioria dos xampus seja clas- sificada como cosméticos, os anticaspa são classificados como medicamentos porque visam curar, tratar ou prevenir a doença (caspa)” (2011, p. 132). Xampus associados à água quente ressecam a pele e o cabelo. A água morna é recomendada por não alterar a fisiologia do fio, ao contrário da água quente, que retira a oleosidade natu- ral e necessária para a vitalidade dos fios. A lavagem com água fria promove aumento de brilho e diminuição do frizz. Claro que só se consegue excelência no que- sito lavagem capilar, se houver a escolha de produtos apropriados para cada tipo capilar e enxague total dos mesmos. Pausa para refletir Porque alguns xampus não são considerados cosméticos? Sh am po o soft & care © A nt on M al in a / / S hu tt er st oc k. 57Corte e Modelagem de Cabelo As especificações dos xampus em normal, oleoso, seco, caspa, seborreia e infantil são algumas das variedades encontradas disponíveis para o consumidor final. O profissional de beleza precisa saber orientar o cliente no momento de compra de um xampu para uso em casa, pois uma boa escolha contribuirá para a manutenção dos cabelos saudáveis, com aspecto saudável e duradouro. Mesmo tendo diferenciação no momento de uso, os xampus tem como principais agentes os surfactantes. Eles são tensoativos responsáveis por promover a ação de limpeza na superfície. Segundo Halal, O termo surfactante é a concentração de agente ativo na superfície. Eles são capazes de umedecer os cabelos e dispersar o óleo na água por meio da redução da tensão superficial. Uma molécula surfactante possui duas partes distintas que tornam a emulsificação do óleo e da água possível” (2011, p. 116). A variedade de xampus encontrada no mercado de beleza atual é muito grande e a busca por tratar os fios juntamente com a limpeza é comum. A formulação dos xampus precisa ser suaves e deve promover a higienização sem danificar ou ressecar os cabelos e o couro cabeludo. Características como enxágue rápido, leve condicionamento, persona- lização para cada cliente, aroma agradável e rendimento são itens importantes para um xampu de qualidade. 3.2.2. Tipos de condicionador Os condicionadores, assim como os xampus, são classificados como cosméticos. Sem necessidade de aplicação na raiz, o condicionador é grande aliado para saúde capilar. Ele combate o ressecamento, tem o poder de retirar a aspereza que alguns xampus deixam e pode aumentar o brilho da haste capilar. “Os condicionadores não podem realmente repa- rar cabelos danificados. O máximo que deles podemos esperar é a restauração da aparên- cia e textura naturais dos cabelos” (HALAL, 2011 p.130). Afirmação Cosméticos incluem xampus, condicionadores, modeladores, produtos para ondular os cabelos, relaxantes para cabelos, depiladores químicos, tinturas e clareadores, porque esses produtos se destinam a modificar a aparência dos cabelos sem afetar nenhuma função do corpo (HALAL, 2011, p. 132). Corte e Modelagem de Cabelo58 Geralmente, os condicionadores são mais espessos que os xampus e possuem alto teor de surfactantes, que são capazes de se unir à estrutura do cabelo e selar as cutícu- las do cabelo. Os surfactantes são cadeias longas de ácido graxo alifático similares aos áci- dos graxos saturados. Suas moléculas têm uma tendência a cristalizar facilmente, dando ao condicionador maior viscosidade e tendência a formar camadas na superfície do cabelo. Em casos de cabelos muito longos ou muito ressecados, é recomendado condicionar antes da primeira aplicação do xampu. Isso protege as pontas frágeis de ressecamento e danos adicionais. Para isso, basta passar uma pequena quantidade de condicionador entre os fios e enxaguar levemente antes da lavagem.Isso não só manterá as extremidades sau- dáveis, como preencherá quaisquer orifícios na cutícula com umidade, tornando a lavagem mais suave e estimulando o brilho dos fios. Ação do condicionador Os condicionadores leave-in são mais finos e possuem diferentes surfactantes que torna-os menos propensos a cristalizar, criando uma mistura mais leve e menos viscosa, proporcionando uma camada significativamente mais fina sobre o cabelo. A diferença entre condicionadores com enxágue e o leave-in é semelhante à diferença entre gorduras e óleos, sendo este último menos viscoso. O condicionador leave-in é pro- jetado para ser usado de maneira semelhante ao óleo capilar, evitando o emaranhamento dos cabelos e mantendo-os mais alinhados. Os condicionadores com enxague, geralmente são aplicados diretamente nos fios após o uso de xampus e enxaguados logo em seguida. © g ri ts al ak k ar al ak / / S hu tt er st oc k. 59Corte e Modelagem de Cabelo Curiosidade Os condicionadores por surfactantes catiônicos, ou seja, possuem carga posi- tiva, já os xampus são compostos por surfactantes aniônicos que possuem carga negativa. Por isso, a importância de usar o condicionador após o xampu, para que aja um equilíbrio eletrostático. Os condicionadores leave-in são aplicados após todo processo de lavagem capilar e se mantem nos fios até a próxima lavagem. 3.2.3. Máscara capilar A máscara capilar tem um poder de hidratação e reconstrução capilar superior ao dos condicionadores e xampus. Seu uso deve ser direcionado às tricoses que a haste capilar apresenta: [...] quadros em que o paciente apresenta problemas na estrutura da haste dos cabe- los e perde cabelos por quebra e não por queda. Existem tricoses que se manifestam já no nascimento, eventualmente congênitas, ou de origem genética, enquanto outras tricoses podem ser adquiridas após uso excessivo de químicas, secador ou chapa” (JUNIOR, 2012, p. 28). Algumas tricoses mais profundas, como as rachaduras ocasionadas por excesso de química ou uso de temperaturas altas, não podem ser reparadas nem mesmo por máscaras de reconstrução. Tricose Característica Tricorrexe nodosa Quebra capilar Tricoptilose Pontas duplas Triconodose Formação de nós ao longo da haste dos fios Pilli anulati Cabelos que alternam áreas claras intercaladas com escuras - raramente provocam quebra capilar Moniletrix Cabelos que alternam áreas de dilatação e estreitamento ao longo da haste e ficam com aspecto de rosário Pilli torti Cabelos que são naturalmente torcidos em seu próprio eixo longitudinal Fonte: JUNIOR, 2012 p. 29. Corte e Modelagem de Cabelo60 Rachaduras hidrotérmicas na cutícula Fonte: HALAL, 2011, p.138. Para reconstrução, o ideal são máscaras que possuem queratina na formulação, pois as cadeias de aminoácidos selam as cutículas e evitam a piora dos fios. Os cabelos danificados em comparação aos cabelos tratados CABELO DANIFICADO CABELO NORMAL As máscaras hidratantes trazem melhora na penteabilidade, emoliência, reflexão de brilho, maciez e sedosidade aos cabelos. Devem ser aplicadas semanalmente ou a cada quinze dias. Para determinar qual frequência de uso é adequada é necessário analisar as condições da fibra capilar e a máscara escolhida. © g ri ts al ak k ar al ak / / S hu tt er st oc k. 61Corte e Modelagem de Cabelo O termo hidratante é livremente usado para muitos ingredientes. Como apenas a água pode hidratar, esse é um nome enganoso para substâncias que não são água. Frequentemente, hidratantes se referem a substâncias oleosas (não solúveis) em água que revestem o cabelo ou a pele e previnem a perda de água por evaporação. (HALAL, 2011 p. 133) Os cabelos tratados refletem mais brilho dos que os não tratados ou ressecados por agentes químicos e físicos. Isso acontece pois as cutículas dos fios saudáveis estão mais alinhadas, completamente fechadas e menos suscetíveis a agentes externos. Quando fazemos uma anamnese para corte ou penteado, devemos levar em consideração as condições gerais do cabelo, para que o tratamento não aumente mais os danos. O uso frequente de máscaras capilares auxilia a man- ter os fios tratados e é um aliado em tratamentos realizados antes da execução do penteado. Para um penteado ficar com excelente qualidade ou para um corte ter um bom acabamento, quanto mais tratamentos realizados anteriormente, melhor será o resultado. As máscaras capilares são aplicadas após a utilização dos xampus e nunca devem ser aplicadas na raiz. O tempo de pausa é extremamente importante e deve ser respeitado de acordo com a orientação do fabricante. Seja para aumentar a emoliência ou a força dos fios, seu uso precisa ser moderado e realizado conforme a necessidade da haste capilar. Pausa para refletir Quais são as tricoses recorrentes por mal uso de ferramentas físicas e química? Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa conceitual destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu mapa conceitual, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Dica: o mapa conceitual deve partir de um conceito central, destacando pontos importantes. © S ub bo ti na A nn a / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo62 Recapitulando Cuidados como a escolha do xampu certo, realizar a aplicação correta do condicio- nador, desenvolver manobras de massagem capilar e aplicar máscaras na frequência adequada, de acordo com o tratamento escolhido, são ações que promovem a irriga- ção sanguínea e a oxigenação do couro cabeludo e o aumento do crescimento capilar e a desobstrução dos folículos. Sabemos que os xampus possuem variações que permitem a utilização específica des- ses produtos. Diante dessas diferenciações, alguns xampus não são considerados cosméticos, pois são produtos de tratamento de patologias como seborreia, caspa, psoríase e alopecias. Os problemas capilares são denominados de tricoses e podem ocorrer em qualquer fase da vida. As tricoses recorrentes do mal uso de ferramentas físicas e química que pode- mos observar a olho nu são: triconodoses, tricorrexe nodosa e a tricoptilose. As técnicas de lavatório utilizadas para o tratamento capilar são aplicadas nos salões de beleza com o intuito de manter a fisiologia do couro e da haste o mais saudável possível, portanto devem ser seguidas em todas as aplicações para um resultado positivo. Nossos cabelos estão em crescimento constante e possuem diferentes características ao longo do seu ciclo de vida. No momento da fase telógena, podemos fazer a massagem capilar e aplicar produtos de tratamento para uma melhora da qualidade da haste. Dessa forma, o profissional age para uma maior excelência no trabalho sem alterar as caracterís- ticas naturais da fibra capilar. Cabe lembrar que hidratar, nutrir e restaurar são coisas diferentes. O conceito de hidratação se refere à retenção de a água no interior dos fios. Para o consumidor final, esse é um procedimento atrelado aos quesitos sensoriais e visuais, ou seja, cabelos macios e brilhantes. A hidratação é indicada para cabelos ressecados por processos químicos ou naturalmente secos. Já a nutrição capilar se dá por um processo de reposição lipídica nos fios. É indicada para cabelos que necessitam de mais maleabilidade e pode ser realizada através de óleos vegetais ou produtos cosméticos desenvolvidos para esta reposição. Por fim, a restauração capilar é necessária em cabelos quebradiços, danificados por processos químicos. Ela consiste na devolução de massa e força para a fibra capilar. Esses detalhes nos ajudam a refletir sobre como manusear os fios, como realizar o passo a passo do processode higienização e como lidar com os agente internos e externos que influenciam nas características dos fios. 63Corte e Modelagem de Cabelo Referências BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. CINTRA, R. Cortes de Cabelo: Técnicas e Modelagem. São Paulo: Editora Cengage lear- ning Iv, 2010. HALAL, J. Dicionário de Ingredientes de Produtos para Cuidados com o Cabelo. São Paulo: Editora Cengage learning, 2011. BARSANTI, L. Dr. Cabelo: saiba tudo sobre os cabelos. >Estética, recuperação capilar e prevenção da calvície. São Paulo: Elevação, 2009. CINTRA, R. Como seu Cabelo pode Transformar seu Visual. São Paulo: Editora Aleph, 2011. HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage learning, 2012. JUNIOR, A. C. L; Como vencer a queda capilar. Caeci Editorial, 2012. MARQUES, S. A História do Penteado. São Paulo: Editora Matrix, 2009. VITA, A. C. História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. 65Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Entender conceitos de cortes de cabelo. • Identificar ferramentas para cortes de cabelo. CAPÍTULO 4 Especificações dos cortes de cabelo Marília Bezerra de Carvalho TÓPICOS DE ESTUDO 1 Tipos de tesoura 3 Finalização de corte • Fio navalha. • Fio laser. • Barracuda. • Escova lisa. • Escova modelada. 2 Conceitos de geometria • Divisão. • Angulação. Corte e Modelagem de Cabelo66 Contextualizando o cenário Ter as ferramentas corretas e saber como utilizá-las é fundamental para realizar um bom trabalho. Conhecer os diversos tipos de tesouras, navalhas, pentes e ângulos possibilita ao profissional construir e criar uma assinatura visual e uma gama enorme de cortes em seu portfólio. Para isso, no decorrer do capítulo, será possível conhecer, diferenciar e entender a utilidade das tesouras tipo navalha, barracuda, fio laser e o diferencial de cada uma. Portanto, fica a questão: o que atribui a cada tipo de tesoura uma característica e uma finali- zação completamente diferente da outra? © D m yt ro Z in ke vy ch / / S hu tt er st oc k. 67Corte e Modelagem de Cabelo 4.1. Tipos de tesoura Existem vários tipos, modelos, fabricantes, tamanhos e materiais dos quais as tesouras podem ser feitas. Todos esses aspectos são pontos impor- tantes e influenciam não somente a forma como o profissional vai utilizar a ferramenta, mas também interferem diretamente no resultado final e na satisfação do cliente. O tipo de tesoura escolhido para a realiza- ção do corte depende exatamente do efeito que se espera obter. Somente a ferramenta certa não é o suficiente para um resultado perfeito. Uma ferramenta boa, sem a técnica e prática necessá- rias, é inútil. Então saber para que serve é tão importante quanto saber como utilizar a tesoura. Dica O primeiro artefato histórico que se assemelha às tesouras atuais data de 1300 a.C. e era utilizado para cortar lã de ovelhas (DAROS, 2010). É muito comum encontrar tesouras semelhantes com valores bastante diferentes, por isso é sempre bom estar atento ao material com o qual a tesoura foi feita. Geralmente, a matéria-prima é uma mistura de aço com outros metais. Estas misturas podem oferecer uma série de propriedades para as tesouras. Assim, pode-se ter tesouras que não enferrujam, que permanecem mais tempo afiadas, que não entortam e que oferecem maior conforto para o profissional. Portanto, o material da tesoura interfere não só no valor mas também na dura- bilidade do produto. Até o cabo pode ser feito de materiais diferentes, que interferem tanto na parte estética quanto no conforto durante manuseio e vida útil do produto. Alguns mode- los apresentam anéis de encaixe do dedo polegar giratório e um ponto de apoio, assim o pro- fissional pode exercer os movimentos do corte com maior comodidade e segurança, visto que estes pontos evitam o desgaste excessivo do nervo extensor do dedo mínimo. É interessante ressaltar também que existe diferença em relação ao tamanho das tesou- ras. As maiores geralmente são utilizadas para cortar mechas grandes de cabelos, enquanto as menores são utilizadas em franjas, cortes em cabelos curtos e efeitos nas pontas. Portanto, o profissional deve avaliar o objetivo do corte e escolher as tesouras mais adequadas a cada caso, assim como deve ser capaz de mantê-las devidamente conservadas e higienizadas. © a di st oc k / / S hu tt er st oc k. . Corte e Modelagem de Cabelo68 Há, ainda, a higienização, que envolve a remoção dos resquícios de cabelos e esterili- zação para remoção de micro-organismos. Essa esterilização pode ser feita com por meio de calor seco (estufa) ou vapor de água sob pressão (autoclave). Para a conservação, é indi- cado que o profissional evite o atrito da tesoura com outros materiais e coloque, em média a cada dez cortes, uma gota de óleo lubrificante próximo ao parafuso. Quanto ao fio e corte, atualmente existem três tipos de tesouras no mercado: a fio navalha, a fio laser e a barracuda. Cada uma é específica para processos diferentes, que serão detalhados a seguir. 4.1.1. Fio navalha A tesoura fio navalha possui lâminas afia- das e sem ranhuras, lisas como uma navalha. Essa característica levou à nomeação da tesoura como fio navalha. Extremamente afiada até a ponta, ela é utilizada para fazer cortes em cabelos mais grossos ou que requerem um tipo de finalização semelhante ao que uma navalha proporcionaria. Por não apresentar ranhuras, ela permite que o cabelo deslize, sendo a escolha per- feita para cortes repicados, desfiados e assimétricos. Ao utilizar esse tipo de tesoura, o profissional deve ter em mente que ela é uma ferramenta muito potente e precisa e que deve ser usada com leveza, ou pode cortar mais do que se gostaria. Cabelos que passaram por procedimentos químicos prévios como alisamento, pro- gressiva ou relaxamento não são indicados para o uso dessa tesoura. O resultado final do corte repicado feito com a tesoura navalha aumenta o aspecto e sensação de porosidade e desgaste nas pontas dos fios, o que faz com que o cliente sinta necessidade de renovar o corte com maior frequência, já que o cabelo aparenta desgaste mais rapidamente. Nem todo profissional sabe dessa contraindicação e acaba utilizando o equipamento indevidamente. Saber diferenciar qual cabelo foi ou não alisado é difícil atualmente. Com a grande preferência por cabelos lisos, a escova progressiva é uma das técnicas mais utiliza- das atualmente em salões de beleza (BIONDO, 2003). Por isso, sempre é importante per- guntar ao cliente os procedimentos realizados no cabelo antes de qualquer atendimento. © K os ts ov / / S hu tt er st oc k 69Corte e Modelagem de Cabelo 4.1.2. Fio laser A tesoura tipo fio laser possui lâminas afia- das, porém com várias micro ranhuras durante todo o seu comprimento. Essas micro ranhuras, também conhecidas como microsserrilhas, podem estar em apenas uma das lâminas da tesoura ou nas duas. Isso permite fazer cortes que requerem um maior nível de precisão, já que as ranhuras impedem que o cabelo deslize, oferecendo, assim, mais firmeza ao corte. Essa tesoura é chamada popularmente de laser justamente pelo nível de precisão que propicia, sendo a ferramenta certa para utilizar quando se deseja cortes retos, onde qualquer falha fica bastante evidente. Esse tipo de tesoura é bastante utilizado para iniciar cortes, já que possui bastante precisão. Ela é utilizada não apenas em cortes retos, mas também para cortes que não envolvem desfiar os fios, além de muitos cortes masculinos e cortes geométricos. Dica A lâmina de uma tesoura de boa qualidade pode durar entre três e quatro anos, realizando os mais diversos cortes sem que a afiação seja necessária (DAROS, 2010). Por ter uma lâmina serrilhada, esse tipo de tesoura não deveser afiada de qualquer maneira, ou pode acabar danificada ou mesmo inutilizada. 4.1.3. Barracuda A tesoura do tipo barracuda ou dentada, como também é conhecida, é uma ferramenta bastante fácil de distinguir entre as demais: ela tem lâminas diferentes de um lado e de outro. Esse é um tipo de tesoura utilizada para finalização de cortes e não pode ser aplicada com o intuito de diminuir o comprimento dos fios, pois não permite a realização de cortes retos. É bastante utilizada em cortes que não necessitam de muita simetria e para retirar volume de cabelos cacheados. Porém esse efeito se dá apenas no comprimento dos fios, se feito na raiz dos cabelos, o resultado pode ser inverso. © S ur ac ha i/ / S hu tt er st oc k. © S ur ac ha i / / Sh ut te rs to ck . Corte e Modelagem de Cabelo70 Esse tipo de tesoura é complementar aos outros dois modelos citados anteriormente, já que ela é utilizada apenas para estilizar. Existem vários modelos, que variam no tamanho das lâminas e na distância entre os dentes. Cada variação cria um efeito diferente, mas todas proporcionam um corte irregular e texturizado. As tesouras com dentes mais espa- çados são adequadas para cortes em camadas de cabelos médios e longos, e ainda, para reduzir o volume de cortes que deixam as pontas muito volumosas, como o chanel. Em contrapartida, as tesouras com dentes menos espaçados são adequadas para cortes curtos e com efeito batido, como para alguns cortes masculinos. Além dos tipos de tesouras citadas, existe ainda a tesoura térmica. Essa tesoura pro- mete selar as pontas dos fios, evitando o aparecimento de pontas duplas e mantendo o corte por mais tempo. Para isso, esta tesoura realiza o corte com lâminas aquecidas entre 110 e 150 °C, cauterizando as pontas. 4.2. Conceitos de geometria Os cortes de cabelos devem ser aplicados considerando parâmetros da geometria capilar, como ângulos e linhas de corte. Por isso, experiência e prática são necessárias para que o corte saia perfeito e com todos os ângulos acertados e harmoniosos. Muitas vezes o profissional vai precisar de mais do que um pente e uma tesoura: instrumentos como réguas, esquadros e paquímetros são grandes aliados para não se cometer erros. Cortes repicados e assimétricos sem- pre foram muito bem aceitos, principal- mente pela parcela feminina e, de certa forma, ajudam a dar uma leveza ao visual. Porém, os cortes geométricos e bastante estruturados, além de muito bonitos e prá- ticos no dia a dia, são de extrema complexi- dade de execução. Os cortes angulares já foram uma febre e, por vezes, ressurgem com nomes diferen- tes. O profissional precisa conseguir visualizar de forma clara linhas e ângulos tanto do rosto do cliente quanto dos cortes que ele vai fazer no cabelo. Além disso, o profissional deve prever o resultado final e aconselhar sobre o melhor tipo de comprimento e finaliza- ção, levando em consideração tanto as feições e proporções quanto o tipo de cabelo. © D re am B ig / / S hu tt er st oc k 71Corte e Modelagem de Cabelo Não há uma regra quanto ao comprimento para os cortes geométricos, porém quando são mais curtos, os ângulos são mais visíveis. Ao aplicar os conceitos da geometria capilar, os profissionais devem respeitar a divisão e a angulação necessárias para harmonizar o corte dos cabelos com o formato do rosto do cliente e o objetivo almejado no trabalho. Pausa para refletir Cortes geométricos ficam bem em qualquer formato de rosto? Em qualquer comprimento de cabelo? Devo aconselhar o cliente do contrário se achar que o corte não vai funcionar? 4.2.1. Divisão Todo tipo de corte de cabelo começa com algumas divisões feitas pelo profissional de forma a melhor coordenar os passos e etapas a seguir, de forma que sejam lógicas e faci- litem o processo. Existem algumas divisões básicas que devem ser feitas e outras que são mais eficientes para alguns tipos específicos de cortes. Visão lateral Vista lateral Parte de trás Topo superior Franja Lateral direita frontal Lateral direita atrás Osso occipital É possível dividir os cabelos em retas horizontais, verticais, diagonais e curvas, sendo que as mechas podem ser colocadas para frente ou para trás. Ainda é possível subdividindo as mechas em baixas, médias e altas. © S ub bo ti na A nn a / / S hu tt er st oc k. © A nn a R as sa dn ik ov a / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . Corte e Modelagem de Cabelo72 • Retas horizontais As retas ou linhas horizontais são importantes para criar a largura do design do cabelo por meio do corte. Devem ser consideradas de modo alinhado, estendendo-se em uma mesma direção e mantendo uma distância constante de um ponto de referência. • Retas verticais As retas ou linhas verticais são importantes para criar a altura, ou seja, o comprimento do design do cabelo. O corte correto do cabelo baseando-se em linhas verticais podem oferecer resultados que fazem os cabelos parecerem mais longos e mais estreitos. • Retas diagonais As retas ou linhas diagonais são importantes para destacar ou minimizar caracte- rísticas faciais ou produzir um design capilar interessante. O profissional deve posi- cionar estas linhas entre as linhas horizontais e verticais. • Linhas curvas As linhas curvas são empregadas para suavizar o design do corte ou até mesmo para criar efeitos de ondas. Estas linhas podem ser em formato circular ou semi- circular, podendo ainda serem executadas na horizontal, vertical e diagonal. Para a criação do efeito de onda, o profissional pode realizar cortes em linhas curvas de modo repetido e em direções opostas, de modo que as linhas se movam no sentido horário e anti-horário. Todas essas divisões, quando bem aplicadas e seguidas durante todo o processo, fazem com que o corte tenha estabilidade, ou seja, que um lado não fique maior do que o outro. Sobrancelhas, orelhas, meio da testa e nuca são elementos faciais que ajudam a tra- çar essas guias, de forma que a harmonização do próprio rosto ajude a encontrar a angula- ção perfeita para o corte. Visão de cima Vista superior Lateral direita atrás Lateral direita na frontal Parte de trás Topo superior Franja Lateral esquerda atrás Lateral esquerda na frente © A nn a R as sa dn ik ov a / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . 73Corte e Modelagem de Cabelo Uma das técnicas que levam esses pontos em conta é o visagismo, utilizado há décadas em vários países. Ele propõe compreender não somente as características faciais do cliente, mas aspectos de sua personalidade para que o procedimento realizado tenha sua satisfação maximizada. O visagismo é uma técnica que busca a beleza do cliente evidenciando e suavizando suas características físicas por meio de maquiagem e design dos cabelos. Considerando o design dos cabelos, também chamado de design tridimensional, tem-se a consideração de elementos como linha, forma, espaço, textura e cor dos fios. As linhas podem definir o com- primento, a largura, a suavidade e o movimento dos cabelos; a forma está relacionada com o contorno do penteado e seu volume; o espaço está relacionado com a área que o cabelo está ocupando devido a sua forma; a textura está relacionado com o aspecto liso, ondulado ou cacheado dos fios; e a cor com a colorimetria das madeixas. De modo geral, estes elementos devem ser escolhidos de acordo com o formato e comprimento da cabeça, da face e do pes- coço, com a linha do ombro e com o tom de pele. Portanto, segundo esta técnica, o corte em harmonia com as demais características do cliente pode favorecer sua beleza. A proposta para evidenciar a beleza do cliente consiste em atrelar diferentes fatores e elementos para que seja possível criar o corte, e não apenas copiar uma referência pronta, cujo resultado poderia não combinar com o cliente. 4.2.2. Angulação O espaço entre duas linhasou superfícies pode ser chamado de ângulo. Este conceito é muito importante na área capilar, pois o ângulo de corte pode provocar diferentes efeitos nos cabelos e, consequentemente, no visual de uma pessoa. Basicamente, há dois tipos de angulação que se deve levar em consideração quando se trata de corte de cabelo: a angu- lação na qual você eleva as mechas de cabelo a serem cortadas e a angulação na qual posi- ciona os dedos nas pontas do cabelo. Depois de feitas todas as divisões que o guiarão durante o corte, a mecha deve ser projetada para longe do restante do cabelo e elevada em uma angulação que pode variar entre zero, 45, 90, 135 e 180 graus. A angu- lação zero é empregada nos cortes retos, quando o corte do cabelo é realizado com as pontas direcionadas para baixo, em direção ao chão. A angulação 45 graus é empregada © s ch an kz / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo74 quando se deseja produzir um suave aspecto de camadas e oferecer leveza às pontas dos cabelos. Neste caso, os cortes são realizados com as mechas inclinadas entre o ângulo reto e o ângulo de 90 graus em relação ao chão. A angulação 90 graus é utilizada para produzir cortes com camadas bem marcadas. Para isso, o corte é realizado com as mechas posicio- nadas de modo paralelo em relação ao chão. Pode-se ainda, obter cabelos em camadas com graduação, empregando cortes com angulação de 135 graus. Essa angulação é obtida com a mecha posicionada entre o ângulo de 90 graus (paralelo ao chão) e o ângulo de 180 graus (perpendicular ao chão). A angulação de 180 graus é interessante para obter cortes com camadas alongadas nos cabelos. Além da angulação da mecha, deve-se considerar ainda a forma como se posiciona os dedos durante a execução do corte. Este posicionamento tam- bém pode dar mais ou menos peso ao corte, deixando-o mais aberto ou fechado. Pausa para refletir: Entender de ângulos e matemática realmente é essencial? Dominar a prática sem entender o porquê da teoria é válido? 4.3. Finalização de corte A finalização é um ponto essencial de qualquer procedimento. Fazer um serviço impe- cável e não saber evidenciá-lo com uma finalização maravilhosa e que valorize os pontos for- tes do corte ou coloração recém-realizados é o mesmo que fazer um serviço pela metade. © V A nd re as / / S hu tt er st oc k. 75Corte e Modelagem de Cabelo Uma boa finalização acentua todos os pontos fortes do cabelo, dá mais movimento, brilho e chama a atenção para franjas, linhas retas, camadas, repicados e colorações. O tipo de finalização que se deve adotar depende de alguns fatores, dentre eles, o proce- dimento que foi realizado, o que se quer enfatizar e o tipo de cabelo do cliente. Cabelos lisos, cacheados e crespos devem ser estilizados de formas diferentes para evidenciar seus melhores atributos. Uma finalização inadequada pode tirar todo o brilho e qualidades dos fios. Assim como no momento do corte, temos várias ferramentas diferentes para o momento da finalização. Existem escovas de diversos tama- nhos e funcionalidades diferentes. Também exis- tem equipamentos com vários tipos de cerdas diferentes, que podem ser sintéticas ou naturais e ainda podem variar quanto a sua resistência e até quanto ao tipo de cabo. • Tipos de escovas e cerdas Os tipos de escovas e os materiais das cerdas devem ser escolhidos com conhe- cimento e cautela de acordo com a finalidade do uso e tipo do cabelo. Destaca-se ainda que, modo geral, as escovas devem pentear sem provocar a quebra dos fios. Considerando o diâmetro das escovas empregadas nos processos de escovação, © h ed ge ho g9 4 / / S hu tt er st oc k. © P ro st oc k- st ud io / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo76 tem-se desde escovas fininhas até escovas grossas. As fininhas são adequadas para cabelos muito curtos e para obter cachos pequenos e com aspectos mais fechados. Em contrapartida, as escovas com diâmetros maiores são adequadas para cabe- los longos e para modelagem de cachos mais abertos e com aspecto mais solto, podendo conferir mais movimento e leveza à escovação. Porém, além do diâmetro deve-se avaliar o material da escova e de suas cerdas. As escovas de cerâmica, metais e turmalina auxiliam no aquecimento dos fios e redu- ção do frizz. Já em relação às cerdas, pode-se ter cerdas naturais (como cerdas de javali) ou sintéticas (como cerdas de nylon). As cerdas sintéticas tendem a desembaraçar melhor os fios, enquanto as cerdas naturais tendem a proporcionar maior firmeza à escovação, ao mesmo tempo em que são macias. Por isso, de modo geral, é interessante o uso de esco- vas com cerdas mistas. Quanto à altura das cerdas, deve-se observar que cerdas mais cur- tas também proporcionam maior alinhamento dos fios e mais firmeza à escovação. Outro aspecto importante a ser observado é a presença de bolinhas nas pontas das cerdas. Durante a escovação, as bolinhas favorecem a firmeza dos movimentos. No entanto, o pro- fissional deve optar por escovas sem estas bolinhas no caso de escovação dos cabelos cres- pos ou sensibilizados, visto que as mesmas tendem a enroscar nos fios. Todos esses fatores devem ser levados em consideração no momento de escolher a melhor escova para cada tipo de cabelo. Por exemplo, cabelos crespos são os mais frágeis e quebradiços, de forma que as cerdas naturais e macias são as mais indicadas nesse caso, visto que desembaraçam os fios de modo mais suave em relação às sintéticas. Seja cuida- doso, a ferramenta incorreta pode causar danos aos cabelos do cliente. Além disso, lem- bre-se sempre de higienizar corretamente as escovas a cada cliente. Esta higienização deve envolver a remoção dos fios e a lavagem com água, sabão líquido ou detergente. 4.3.1. Escova lisa Uma escova bem feita começa antes do processo de alisamento dos fios. Deve- -se lavar sempre muito bem os cabelos e o couro cabeludo: o xampu deve ser aplicado no mínimo duas vezes, ou quantas forem necessárias. Quanto mais limpo o cabelo, melhor será a duração da modelagem e a facilidade do processo. Aplique sempre um bom condi- cionador no comprimento dos fios e enxágue bem para tirar o excesso de oleosidade que pode ser deixado pelo produto. Após esse processo, retira-se o excesso de água e aplica- -se um protetor térmico. É importante não exagerar na quantidade de produto utilizada, se houver um exagero nesse momento, os fios podem ficar pesados e com um aspecto sujo. 77Corte e Modelagem de Cabelo O processo da escova é simples: seque a maior parte da umidade com o secador, separe o cabelo em algumas partes e vá pegando algumas mechas pequenas aos poucos e termi- nando de secar enquanto dá a forma desejada. De acordo com Cintra (2010), pode-se traba- lhar com mechas de 2,5 cm por toda cabeça e utilizar uma escova de cerdas redondas e grandes para alisar e secar os fios. Segundo o autor, este tipo de escova permite que o profis- sional execute os movimentos com mais pressão, resultando em uma escova com acaba- mento mais fino. Além disso, é fundamental manter a escova e o fluxo de ar passando por todo o cabelo. No caso da escova lisa, o processo é ainda mais simples e tende a ser mais rápido do que uma finalização mais modelada. Com o secador a alguns centímetros de distância do cabelo, e principalmente do couro cabeludo, enrole a mecha na escova e deslize o cabelo. Repita o processo até que o cabelo esteja completamente seco e liso. Também é importante destacar como a mecha será posicionada e enro- lada na escova, visto que a posição da escova pode definir o aspecto do penteado na raiz e nas pontas. Caso a escova seja posicionada sobre a mecha e girada no sentido anti- -horário, tende-se a reduzir o volume da raiz dos cabelos do cliente e a obter pontas levemente posicionadas para fora. Porém, caso a escova seja posi- cionada sob a mecha e girada no sentido horário,tende-se a obter uma raiz com aspecto mais volumoso e pontas levemente posicionadas para dentro. Cintra (2010) orienta o uso da lateral do bico do secador para manter o controle da mecha trabalhada e ainda, o botão de resfriamento do secador para ajudar a definir o movimento ou a uniformidade da esco- vação. Para um look ainda mais liso pode-se utilizar a chapinha para finalizar. 4.3.2. Escova modelada A escova modelada é, basicamente, uma variação do processo da escova lisa. Segue-se o mesmo processo de lavagem, mas nesse tipo de finalização é ainda mais importante não exa- gerar nos produtos que possam vir a criar peso nos fios: quanto mais pesado o cabelo mais difí- cil será para fazer e manter qualquer tipo de modelagem sem aplicar fixador. Dica Principalmente em cortes restos e angulares, é importante que o processo de secagem e modelagem seja bem executado, gerando o formato suave que se deseja. Assim a precisão do corte será destacada (CINTRA, 2010). © S ub bo ti na A nn a / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo78 Nesse tipo de finalização, o tipo de escova escolhido para o processo é um pouco mais importante e influencia fortemente no resultado final. Escovas menores vão dar um resultado com pontas mais fechadas e com um efeito mais cacheado. Já uma escova de diâmetro maior vai dar um efeito de ondas maiores, com mais movimento e com uma apa- rência mais natural. A escova modelada, por não deixar as pontas retas, proporciona um acabamento com mais movimento, dando mais leveza ao resultado final e um pouco mais de volume. Em cabelos de comprimento um pouco mais curtos, o resultado pode remeter a penteados retrô. Por isso, é pre- ciso verificar se isso é esperado pelo cliente. Comunicação sempre! Também é interessante observar que este tipo de escovação pode ser útil para disfarçar aspectos indesejá- veis como pontas rígidas, secas e ásperas. Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo. Elabore uma apre- sentação com alguns tipos de cortes geométricos em comprimentos diferentes. Descreva como foi feito o corte, quais as tesouras utilizadas e quais as divisões realizadas durante o procedimento. Para cada corte, descreva como seria a finalização pela qual você optaria, destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir sua apresenta- ção, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Recapitulando Cortar cabelo envolve conhecimentos que vão além do que se vê durante o processo no salão de beleza. Isso envolve horas de estudo sobre harmonia facial, geometria e enten- dimento sobre os vários tipos de rosto e ferramentas diferentes. Saber fazer o corte é importante, mas entender o passo a passo do processo e o porquê de um ângulo funcionar melhor que outro é também de grande valia não só para executar bem o serviço, mas também para saber explicar ao seu cliente porque um corte inspiração dele, tirado de uma revista talvez não funcione ou não seja tão prático assim para o seu tipo de cabelo. © Ir in a B g / / S hu tt er st oc k. 79Corte e Modelagem de Cabelo Nem sempre a referência que o cliente tem em mente é a que funcionará melhor fun- ciona e terá harmoniza com seu tipo de rosto, de cabelo e muito menos com sua personali- dade. Saber abordar outras opções e explicar seu ponto de vista é de extrema importância. O embasamento teórico lhe proporciona mais fundamento e argumentos. Acima de qual- quer habilidade, compreender o que você está executando é muito importante, muitos profis- sionais executam cortes e procedimentos sem realmente entender as reações e resultados. Por isso, saber reconhecer as ferramentas e o emprego de cada uma no corte e na finalização é importante. Da mesma forma, é importante saber prever como o emprego de cada uma vai influenciar no resultado e evita erros. Esse tipo de experiência vem com o tempo de profissão, para adquirir tal destreza é necessário treino, empenho e investimento em cursos e aperfeiçoamento. Somente a prá- tica leva à perfeição e, dessa forma, você estará investindo no futuro da sua carreira. Corte e Modelagem de Cabelo80 Referências BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. BARSANTI, L. Dr. Cabelo: saiba tudo sobre os cabelos. Estética, recuperação capilar e pre- venção da calvície. São Paulo: Elevação, 2009. CINTRA, R. Cortes de Cabelo: Técnicas e Modelagem. São Paulo: Editora Cengage learning Iv, 2010. DAROS, C.; HORDAN, J. Básico sobre tesoura para cabelo. Academy bsg.u, 2010. 81Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Aplicar produtos e técnicas de preparação para penteado. CAPÍTULO 5 Preparando o cabelo para penteados Nelma Faleiro TÓPICOS DE ESTUDO 1 Produtos para modelagem, fixação e finalização 3 Enrolamento com bobes • Mousse. • Spray fixador. • Silicone. • Pomada. • Bob pequeno. • Bob médio. • Bob grande. 2 Preparação com prancha e babyliss 4 Preparação com bucles • Finalizando com prancha. • Enrolamento Italiano. • Enrolamento tradicional. • Caracóis. • Variação do bucle. Corte e Modelagem de Cabelo82 Contextualizando o cenário A preparação dos cabelos é um processo fundamental para um resultado com excelência nos penteados. Produtos como o mousse, spray fixador, silicone e pomada exercem uma função importante para o acabamento, tempo de duração e possibilitam também a utilização de uma maior variedade de técnicas de trabalho. Diante disso, como podemos classificar para que serve cada produto citado acima? 83Corte e Modelagem de Cabelo 5.1. Produtos para modelagem, fixação e finalização Os produtos de modelagem podem auxiliar no desenvolvimento de cada penteado e valorizar o trabalho executado. Eles servem como instrumento de definição do que será feito no penteado escolhido. Entre eles, podemos destacar os produtos de fixação e finalização. Os produtos de fixação são indispensáveis quando o assunto é penteado, já que aumentam a durabilidade e trazem polimento aos fios. Já, os produtos de finalização aju- dam na redução de frizz, no polimento e também na durabilidade do penteado. O mousse de cabelo, por exemplo, também conhecido como espuma modeladora, é um produto utilizado em penteados para proteger, endurecer ou pentear os fios. O termo “mou- sse” é originário do francês que significa espuma. Veremos mais sobre esse produto a seguir. 5.1.1. Mousse O mousse foi trazido para o mercado de varejo norte-americano pela L’Oréal nos anos 80 e o primeiro mousse produzido chamava-se “Valence”. Muitas vezes o mousse é dispensado por meio de um spray de espuma de aerossol ou em forma de creme. Este produto confere volume aos cabelos e muitas vezes fornece condicionamento de forma leve, sem excesso de produto ou acúmulo de óleo nos fios. É um produto para penteados que usa resinas sintéticas para revestir os fios, ajudando o cabelo a moldar em determinada forma e sem frizz. O mousse capilar possui coloração púrpura enquanto está dentro da lata e passa a apresentar uma tonalidade off white ao entrar em contato com o ar. Considerado um dos produtos capilares mais leves, o mousse deve ser aplicado nos fios molhados antes da seca- gem e modelagem. O produto pode ser usado em cabelos naturalmente encaracolados ou com permanente para reduzir o frizz e definir as ondulações. Conforme explica Gomes: As mousses são produtos veiculados na forma de aerossol. O produto, líquido dentro da embalagem, ao passar pela válvula, não forma névoa, mas sim espuma (em virtude da presença de tensoativos e da compatibilidade com o propelente). São considerados por muitos como os produtosde estilização mais versáteis. Como estão na forma de espuma, podem ser usados nos cabelos úmidos ou secos. (1999, p. 90) No início dos anos 80, a chegada do mousse na América do Norte ficou conhecida como “mousse mania” conforme os cabeleireiros apresentavam o novo produto à sua clien- tela. Ao longo de seus primeiros anos no mercado, o mousse de cabelo rapidamente se tor- nou um produto multimilionário. Corte e Modelagem de Cabelo84 Em meados da década de 80, a grande tendência de estilo para os cabelos eram os ondulados e encrespados com ondulação permanente. Por isso, o uso do mousse e outros produtos para aumentar o volume ganharam popularidade. Acredita-se que o ano de 1987 marcou o declínio da “mousse mania”. A popularidade dos cabelos volumosos diminuiu e as pessoas começaram se preocupar com o uso de produtos que não agredissem o meio ambiente. Devido à composição química do produto não ser considerada ambientalmente amigável, seu uso diminuiu drasticamente. Hoje em dia, o produto não é apenas produzido e comercializado por muitas mar- cas diferentes, mas também é indicado para diferentes tipos de cabelo. Há mousses ven- didos especificamente para cabelos cachea- dos, bem como para cabelos lisos ou com coloração. O mousse é um produto que modela os fios, dá volume e define os cachos. É muito versátil, por isso é popular tanto para penteados curtos quanto para os longos. Quando aplicado no cabelo molhado, que seca naturalmente, ao ar livre, o cabelo fica com um aspecto molhado, mas ao contrário do gel de cabelo, o mousse proporciona uma apa- rência mais suave. Quando o mousse de cabelo é aplicado no cabelo úmido, que é secado com um secador de cabelo, fornece volume e polimento ao penteado. Afirmação Durante a aplicação, certifique-se que o mousse foi aplicado no cabelo todo, da raiz às pontas (GOMES,1999, p. 90). Quanto à composição, pode-se dizer que o primeiro ingrediente do mousse de cabelo é a água, que é a principal substância usada para misturar as substâncias químicas variadas. Outro ingrediente é o álcool, que ajuda a dissolver os ingredientes já adicionados à água, além de ajudar a produzir uma quebra rápida de espuma. Outros ingredientes adicionados em vários mousses de cabelo são as vitaminas, silicones, protetores solares e corantes, que tendem a auxiliar em funções adicionais, como fornecer condicionamento e tratamento aos fios. Existe também o mousse de cor, que é usado para cobrir cabelos grisalhos e criar penteados ao mesmo tempo. Ele tem uma coloração semipermanente e pode ser usado para mudar o tom do cabelo que está perdendo a cor. © D TC O M . 85Corte e Modelagem de Cabelo Pausa para Refletir O mousse é um dos produtos mais versáteis, pois dá volume, definição e modela os fios. Sendo assim, qual a forma de utilização ideal do mousse para penteados nos quais os cabe- los serão alinhados? 5.1.2. Spray Fixador Para determinar quando o spray de cabelo deve ser utilizado, é necessário saber qual o propósito do uso. O objetivo pode ser uma leve fixação, ideal para dar estabilidade ao penteado, mas ainda permitir que o cabelo se mova naturalmente. O objetivo também pode ser uma fixação extraforte, que mantém o cabelo no lugar independentemente das condições climáticas, desde que ele não seja umedecido. Aplicar o spray de cabelo muito próximo das raízes implica no risco de saturar o cabelo, o que resultaria num visual oleoso e sem brilho. Portanto, ao pulverizar nos fios, certifique-se de segurar o produto a pelo menos 20 cm de distância da cabeça. Proteja o rosto da cliente para que não ocorra contaminação da região ocular © fr an ti c0 0 / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo86 O cabelo volumoso reinou nos anos 70 e 80 e o spray de cabelo era outro produto que muitas mulheres usavam para obter o volume considerado ideal na época. Para criar tal aspecto, o ideal é pulverizar spray de volume, elevando as raízes com movimentos suaves com as pontas dos dedos. Os sprays que criam volume permitem manusear os fios após seu uso, diferente- mente dos produtos de fixação extraforte, que devem ser usados apenas ao final do pen- teado, pois deixam os fios completamente rígidos e sujeitos à quebra caso tentemos penteá-los ou manuseá-los após a aplicação do produto. Para os indesejáveis frizz, o spray extraforte pode ser utilizado de maneira diferente. Ao invés de borrifar diretamente nos fios, o produto pode ser borrifado nas palmas das mãos e aplicado suavemente sobre o frizz. Essa forma de aplicação, é ideal para penteados mais alinhados e sem ondas. Logo após a preparação, pode-se pulverizar spray fixador A aplicação do produto logo após o término da preparação dos cabelos é fundamen- tal, pois ajuda na fixação da nova forma dos fios. É preciso tomar alguns cuidados para não umedecer os cabelos pré-preparados, como manter no mínimo uma distância de 20cm durante a aplicação, utilizar fixação suave ou moderada, utilizar produtos com jato seco e pouca ação condicionante. © D TC O M 87Corte e Modelagem de Cabelo Pulverize a cada etapa da construção do penteado Após a preparação, vem a etapa de construção do penteado, nesse momento ainda não é recomendado o uso de spray forte. Os de ação moderada e suaves são os mais indi- cados, pois permitem modelar as mechas de acordo com a evolução do penteado. Os sprays são tradicionalmente utilizados para fixar o penteado, manter os cachos após sua formação e reduzir a estática. Podem proporcionar volume quando utilizados durante o penteado e aplicados próximo da raiz. São ótimos para acentuar detalhes GOMES,1999, p. 89). Após a construção do penteado, pode-se usar o spray fixador para o acabamento, porém o cuidado com o rosto da cliente é essencial. Principalmente nas regiões frontais, proteja o rosto da cliente, para que não corra o risco de pulverizar o produto nos olhos. O spray fixador é um produto essencial para construção e finalização do penteado. Por isso, saber manuseá-lo adequadamente no momento do uso é tão importante Atualmente, o spray de brilho é muito utilizado para finalização pois proporciona um acabamento alinhado e com aparência de fios hidratados. Este produto consiste no mesmo sistema de aplicação do spray de fixação, em que o aerossol, geralmente em embalagem metálica, produz uma névoa fina sobre os fios. Porém, diferente dos produtos de fixação, o spray de brilho é um produto oleoso e leve, indicado para ser em cabelos com aparência seca ou com frizz. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo88 O spray é um produto indispensável quando se trata de finalizar penteados, porém para conseguir o mesmo volume de raiz e fixação, é possível usar o pó volumizador ou pó texturizante. Este produto cria volume na raiz e é indicado para criar topetes, franjas com volume e também para trazer densidade na raiz sem pesar ou perder a maleabilidade. Ele deve ser aplicado em pouca quantidade, apenas onde se deseja volume. Sua aplicação não dispensa o spray fixador ao término do trabalho para dar acabamento. Pausa para Refletir Os primeiros produtos de fixação em spray eram os famosos laquês. Atualmente temos uma gama de produtos para fixação. Do maior até o menor grau de fixação, como os produtos fixadores são classificados atualmente? 5.1.3. Silicone O silicone é um mineral, ingrediente eficaz e comumente utilizado em produtos de tratamento capilar. Ele fornece deslizamento e brilho, facilitando o alisamento mecânico e dando uma sensação condicionamento. Os silicones são uma grande classe de matéria-prima para produção de cosméticos e geralmente podem ser reconhecidos por nomes que termi- nam em “cone”. Como exemplo de silicones hidrofóbicos temos: dimeticona e dimeticonol. No cuidado com os cabelos, eles são usados principalmente para lubrificar, condicio- nar e adicionar brilho. Os efeitos positivos são muitos, começando pelo fato de queo sili- cone pode realmente fazer o cabelo seco e danificado parecer saudável, preenchendo a porosidade, diminuindo o frizz e as pontas duplas. O silicone protege os cabelos das ações externas, mantendo-os alinhados e brilhantes com a impermeabilização de cada fio. Ele também dá ao cabelo uma sensação escorregadia, quando molhado, devido ao seu revesti- mento hidrofóbico, que é um facilitador no processo de escovação. Afirmação Os silicones promovem brilho, penteabilidade (efeito lubrificante), maior profun- didade de cor e melhor sensibilidade ao tato nos cabelos (GOMES, 1999, p. 104). 89Corte e Modelagem de Cabelo Não é um ingrediente natural e seu uso em excesso pode trazer efeitos negativos para os cabelos. O produto confere ao cabelo brilho, mas esse brilho ocorre devido a um efeito plastificado, causado pela impermeabilização que causa nos fios. O brilho em cabe- los que estão realmente saudáveis se dá quando a camada de cutícula é selada e a luz reflete no cabelo. Isso só acontece quando o cabelo está adequadamente hidratado e o mais saudável possível. Em excesso, pesa, tornando o cabelo sem vida com o tempo. Isso porque ele impede que a umidade penetre no eixo do cabelo e se torna como um imã para sujeira e poeira. Portanto, tem-se um bom brilho por algum tempo, mas com isso trará mais acúmulo de sujidades. Por natureza, muitos silicones são hidrofóbicos, o que significa que eles não desapa- recem facilmente, deixando os cabelos pesados e oleosos no final do dia. Quando o cabelo parece oleoso, os consumidores vão lavar e pentear o cabelo mais do que o necessário. Isso leva a danos extras, o que significa que esses materiais não melhoram a condição do cabelo ao longo do tempo. É um ciclo de danos causados pelo uso inadequado de produtos. Como o silicone cria uma camada ao cabelo, ele pode deixar o cabelo pesado, já que se acumula, caso não seja lavado adequadamente. Porém é um excelente aliado no momento de preparação dos penteados para adicionar brilho e polimento nos fios. Como explica Gomes, “os silicones são termicamente estáveis, e os polímeros de silicones não são voláteis, produzindo um discreto filme protetor na superfície do cabelo” (1999, p. 104). Bem utilizado e na quantidade certa, traz um acabamento bonito aos cabelos. 5.1.4. Pomada Pomada é uma das palavras mais usadas para descrever os produtos para penteados hoje em dia. Atualmente, parece ser o termo genérico para descrever qualquer coisa que não seja um gel ou líquido. As pomadas são usadas principalmente para deixar o cabelo elegante e organizado, proporcionando um acabamento de alto brilho. Basicamente, pomadas funcionam muito bem em penteados clássicos, que são extremamente alinhados. Ao contrário do gel, as pomadas não secam ou deixam o cabelo duro, permitindo pentear o cabelo novamente após seu uso. Opções para pomadas de brilho médio a alto estão amplamente disponíveis. Elas podem ser divididas em duas categorias principais:à base de óleo, que é a ver- são mais tradicional; e à base de água, a opção mais popular. Pomadas à base de óleo são feitas, basicamente, a partir de graxa ou petróleo, o que as torna uma opção muito barata em comparação com pomadas à base de água. Na década de 1950, o termo “engraxador” Corte e Modelagem de Cabelo90 era usado para descrever os penteados engordurados que usam esse tipo de produto. Seus ingredientes são insolúveis em água, o que torna difícil a lavagem total do produto. Embora o petróleo e a graxa possam dar ao cabelo um brilho duradouro e uma infi- nita capacidade de molde, isso tem um custo, pois, praticamente tudo o que se usa para lavar pomadas à base de óleo também retira todos os óleos naturais do cabelo, potencial- mente deixando-o com uma aparência bastante ressecada. Vale lembrar que as pomadas à base de óleo, se usadas com frequência, também deixam o consumidor mais propenso a acne, particularmente ao longo da testa e couro cabeludo. Se o xampu e o condicionador não lavarem efetivamente o cabelo e removerem adequadamente todo o óleo e graxa da pomada, os poros e folículos pilosos podem ficar obstruídos, resultando em acúmulo inde- sejado e acne. Pomadas à base de água, por outro lado, são um pouco mais leves. Permitem uma aparência similiar à das pomadas à base de óleo, mas são removidas facilmente com água. A maioria das pomadas à base de água não se mantém tão firme quanto as de óleo, mas mantêm a flexibilidade e podem ser reestilizadas ao longo do dia. Ainda na categoria das pomadas, existem a ceras muito utilizadas para dar acabamento aos fios. Normalmente, são a base de água, sendo que além de auxiliar a disciplinar os fios, cria polimento ou efeito desalinhado. Tem fixação mas não deixam os cabelos estáticos, sem maleabilidade. Portanto, não é indicada para fixar cabelos presos muito elaborados. 5.2. Preparação com prancha e babyliss As finalizações à base de calor permitem obter cabelos com ondulação ou cachos fechados de forma fácil, porém muito calor pode enfraquecer o cabelo ao longo do tempo. No entanto, o ferro certo, usado de forma adequada, pode não danificar tanto o cabelo. Há muitas maneiras de evitar os danos provocados pelo calor, como usar um protetor térmico antes da utilização da prancha e do babyliss. A partir do momento que se usa o calor, sempre existe risco de dano, porém isso pode ser minimizado. Atualmente, é possível encontrar modeladores e pranchas que redu- zem a possibilidade de danos. Há uma abundância de opções, como ferros para cachos fei- tos de materiais adequados para o cabelo, como cerâmica ou turmalina, ou aqueles que têm configurações de calor mais baixas, ou fazem o trabalho de forma mais rápida. 91Corte e Modelagem de Cabelo 5.2.1. Finalizando com a prancha A finalização ou preparação com a prancha é um dos métodos mais atuais e rápidos. Para escolher essa ferramenta para a preparação do penteado, é necessário que o profis- sional tenha prática e total confiança. A durabilidade depende dos produtos utilizados nos cabelos, porém já se sabe que o penteado pode ter menor duração quando os cachos são feitos com a prancha, diferentemente de outros métodos para cachear. Afirmação Os tratamentos a quente afetam mais as ligações químicas que chamamos ini- cialmente de “fracas” (ligações de hidrogênio da água naturalmente presente) e que pro- duzem, na maioria dos casos, mudanças transitórias no cabelo, ou seja, estilização e modelagem temporária (GOMES, 1999, p. 99). Fazer cachos com a prancha requer cuidado para que a temperatura seja alta. O cabelo é submetido ao contato com chapas usualmente feitas de aço, cujos movi- mentos ocorrem no sentido de alisar o cabelo. As temperaturas podem alcançar de 150ºC a 165ºC no metal e 95ºC a 100ºC na superfície dos fios, aquecendo o cabelo entre 2 a 4 segundos em áreas específicas (5 segundos em toda uma mecha) (GOMES, 1999, p. 100). O processo cria uma mudança temporária na fibra capilar, que proporciona resultados excelentes em penteados presos e semipresos. Os penteados térmicos com secador, prancha e babyliss também rompem as ligações de hidrogênio dentro do cabelo, assim como faz com os penteados com os cabelos molhados. Esses estilos envolvem uma mudança física, cujo resultado é apenas tem- porário. O cabelo voltará ao formato original assim que for molhado (HALAL, 2011, p. 194) A versatilidade da prancha faz com que muitos profissionais usem esse instrumento no momento do penteado. Para a preparação, pode-se alisar ou cachear os fios e, em cabe- los mais tratados, é possível conseguir mais brilho e polimento na finalização. Corte e Modelagem de Cabelo92 5.2.2. Enrolamento italiano O enrolamento italiano é realizado com o babyliss para baixo, sendo que as pon- tas dos cabelos ficam fora da fonte de calor. Nesse processo, o cabelo é enrolado sobre o aparelho, criando uma espiral em volta do mesmo. Este tipo de preparaçãoé utilizada em penteados de ondas leves, criando visuais praianos e descontruídos. Conforme afirma Gomes: Quando o objetivo é produzir cachos, algumas escovas elétricas são usadas como o babyliss. Esses dispositivos podem produzir temperaturas ao redor de 70ºC a 75ºC na superfície dos fios durantes 120 segundos (por mecha). É importante comentar que o manual do equipamento recomenda o máximo de 10 segundos de exposição em áreas específicas do cabelo. (GOMES, 1999, p.100) Nessa preparação, o ideal é usar pomadas leves, que não pesem sobre os fios, para que após a execução seja possível modelar os fios mecha a mecha para a construção do penteado. No enrolamento italiano as ondas suaves permitem acabamento natural, sem que ocorra, necessariamente, a montagem de um penteado elaborado. Podemos indicar esse tipo de penteado para ocasiões leves e descontraídas. 5.2.3. Enrolamento tradicional Este tipo de enrolamento é realizado com o modelador de cachos. Para realizar o pro- cesso, deve-se começar com a aplicação de proteção térmica nos fios e depois fazer divi- sões de forma diagonal, separando mechas que não ultrapassem o diâmetro do modela- dor de cachos. Isso faz com que o caimento dos cachos seja suavizado, mesmo com sessões de mechas marcadas ao longo do processo. © w xi n / / S hu tt er st oc k. © K an as hk in E vg en iy / / S hu tt er st oc k. 93Corte e Modelagem de Cabelo Após a aplicação do protetor, a divisão diagonal começa na parte de trás da cabeça, com a aplicação de um mousse de fixação a cada mecha que será modelada. Em seguida, deve-se enrolar as mechas de cabelo envolvendo todo o modelador de cachos aquecido até as pontas, o ideal é um tempo de pausa de 20 segundos. Após o tempo de pausa, solte a mecha suavemente, retirando o modelador por entre os fios. No enrolamento tradicional é possível ver ondas bem marcadas que foram trabalha- das por toda cabeça. A proteção térmica é indispensável e pode-se utilizar produtos fortes para maior fixação e durabilidade do penteado. Esse tipo de ondulação permite a criação dos mais variados penteados. É necessário esperar o cabelo modelado esfriar antes de ini- ciar um penteado com o cabelo cacheado. Independentemente do tipo de enrolamento, a ferramenta utilizada também influen- cia no resultado. Existem várias opções de modeladores no mercado e é necessário saber qual acabamento cada um cria. O modelador espiral, também conhecido como bubble, é um aparelho com formato em espiral, que permite criar ondas leves Já o modelador cônico é um modelador que possui diâmetros diferentes na mesma peça. A base é mais grossa que a ponta para criar ondas ou cachos de tamanho diferente na mesma mecha, desta forma, o cabelo fica com uma textura mais natural. O tamanho dos modeladores térmicos varia do maior, que é o de 2 polegadas até o menor de 3/8. O de 2 polegadas cria volume; o de 1,5 cria volume e ondas leves; o de 1,25 polegadas cria ondas e cachoe, o de 1 polegada faz cachos; o de 3/4 de polegada cria textu- ras e cachos em espiral, o de 5/8 de polegada faz cachos pequenos e o de 3/8 de polegada faz cachos extremamente finos. É possível realizar os diferentes estilos de enrolamento com todos os tipos de mode- ladores, desde que se conheça o resultado que os diferente diâmetros permitem realizar. 5.3. Enrolamento com bobes Longe vão os dias em que os bobes eram usados apenas por mulheres mais velhas na década de 1960. Atualmente foram adotados pelos profissionais na prepa- ração do penteado pela facilidade de uso e versatilidade. Bob é um acessório usado para fazer cachos. São excelentes para moldar e ondular o cabelo, deixando um visual digno de capa de revista, pois dão um efeito natural aos cabelos sem danificá-los. Há vários tipos no © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo94 mercado, de silicone, espuma, velcro, entre outros. Fazem o cabelo natural parecer mais espesso, sendo que nos cabelos curtos naturais, trazem definição e, nos fios longos, criam textura e volume. Os enrolamentos respondem bem ao cabelo limpo e a remoção de acúmulo adicional de resíduos permitirá ondas e cachos volumosos após a retirada dos bobs. Uma vez que o cabelo é enrolado em um ângulo perpendicular ao comprimento do acessório, enquanto este é enrolado em direção ao escalpo, cada camada nova de cabelo é enrolada por cima da anterior. Como o tamanho efetivo do acessório aumenta com cada camada sobreposta, esse método de enrolar produz um cacho mais aper- tado nas pontas e mais largo no couro cabeludo. Em cabelos mais compridos e grosso esse efeito é aumentado (HALAL, 2011, p.196). Uma vez que o cabelo está limpo e condicionado, os produtos de modelagem podem ser uma loção que age suavemente, um produto à base de creme para umidade e um pouco de óleo para selar a umidade. Cada produto desempenha um papel diferente no processo, mas depende totalmente de qual produto o profissional deseja usar. 5.3.1. Bob pequeno Os bobes também são conhecidos como bastões de ondas frias. Eles são rolos de plástico que variam de tamanho e geralmente são codificados por cor de acordo com a marca fabricante. São populares para estilizar cabelos naturais há décadas. Eles podem ser usados para criar uma variedade de estilos e texturas que variam de cachos apertados e crespos a ondas volumosas, dependendo do tamanho dos rolos usados. A escolha do tamanho dos bobes para usar no cabelo depende da ondulação dese- jada. Quanto menor o rolo, mais apertada será a onda. O comprimento do cabelo também é um fator determinante para decidir qual tamanho de bobs deve usar. Para cabelos mais curtos, deve-se usar rolos de tamanho pequeno. Os cacheados, que variam do curto ao médio também devem usar bobes pequenos para alcançar a definição de cachos. Os bobes pequenos são mais difíceis de serem usados, por criarem um cacho muito pequeno, porém este tipo de preparação pode ser usada em penteados soltos ou semipresos. 95Corte e Modelagem de Cabelo 5.3.2. Bob médio Para cabelos mais longos, os bobes de tamanho médio criam cachos suaves. Por isso, são ideais para cabelos ondulados, que só desejam realçar a ondulação. Também são usa- dos para criar cachos espirais em fios de comprimento médio e podem ser usados em cabe- los curtos para criar ondas e volume. O enrolamento intercalado é uma técnica utilizada para evitar marcações da divisão. É ideal para trabalhar penteados totalmente presos e de textura menos ondulada. Para o enrolamento adequado, os fios devem estar bem alinhados para que não haja frizz ou acabamento mal feito. Cabelos bem esticados e trabalhados mecha a mecha, com uma preparação impecável, ficam sem fios frisados ou marcações indesejadas. 5.3.3. Bob grande Os bobes grandes são utilizados para dar volume e ondas largas em cabelos com- pridos. Além de saber quando usar os diferentes tamanhos disponíveis no mercado, a forma de utilização também é importante. Leia a seguir, a forma de utilizar os bobes corretamente: • reparta o cabelo com pente fino ou pente de dentes largos; • separe uma mecha fina por vez; • aplique o creme ou mousse para definir em cada mecha a ser trabalhada; • direcione a mecha no sentido contrário que se vai enrolar, para criar volume e tex- tura e enrole o cabelo firmemente sobre o bob • coloque um protetor sobre os enrolamentos, para evitar que levante frizz; • repita os passos até que todo cabelo esteja enrolado; • caso preferir, use o secador pedestal por um período entre trinta minutos a uma hora, dependendo do comprimento e da textura dos fios; • não retire os bobs, se alguns fios ainda estiverem úmidos, a umidade fará com que os cachos não se formem ou caiam mais rápido. Esse passo a passo garante que a utilização dos bobes tenha como resultado cachos duráveis e definidos. Corte e Modelagem de Cabelo96 5.4. Preparação com bucles Os bucles são rolos fininhos feitoscom cabelo, usados para criar cachos ou mais tex- tura aos cabelos. Podem ser enrolados em direções diferentes e adicionam volume e altura ao cabelo, portanto são comumente utilizados no topo da cabeça para adicionar sustenta- ção à franja. Para obter um ondulado mais consistente é necessário aplicar mousse, fazer uma escova lisa na raiz e média nas pontas. Ao enrolar, a curvatura deve ser feita das pontas para a raiz com precisão e firmeza nas mãos. Dessa forma, as pontas ficam escondidas e é importante não distorcê-las. A téc- nica básica é pegar uma seção de uma polegada de cabelo, enrolar a ponta algumas vezes em torno de um dedo ou dois, e então deslizar o dedo sentido no couro cabeludo e prender com um clipe ou grampo rente à raiz, para não marcar. Caso queira volume, a mecha deve ser direcionada no sentido oposto que se vai enrolar, desta maneira, a raiz se acomoda alta, criando textura e dando sustentação ao penteado. Com dois dedos fica mais fácil tirar o cabelo. Pode-se colocar a ponta do cabelo entre os dedos para melhor alinhamento. Isso tudo é relativamente simples, mas é extrema- mente desafiador manter esse pequeno círculo limpo e apertado conforme ele se envolve, especialmente se o cabelo é naturalmente liso. © fr an ti c0 0 / / S hu tt er st oc k. 97Corte e Modelagem de Cabelo 5.4.1. Caracóis Os caracóis são feitos por uma téc- nica similar ao bucle, porém ficam deitados, encostados no couro cabeludo, criando uma direção bem delimitada. Os cachos dos caracóis são apertados e de longa duração, isto faz com que sejam similares aos cachos dos bigudins. Cada camada se sobrepõe parcialmente à anterior. Enquanto o ângulo permane- cer constante, as sobreposições serão uniformes, tanto no comprimento do bigu- din quanto no fio todo do cabelo. Como o tamanho efetivo do acessório permanece constante por todo o fio, esse método produz um cacho uniforme do couro cabeludo à ponta (HALAL, 2011, p. 198). Esse tipo de onda pode ser feita em duas direções opostas, seja no sentido horário ou no anti-horário. Bigudins são rolos fininhos usados para permanente e trazem a mesma ondulação que os caracóis Pode-se fazer rolos alternados de cachos indo em diferentes direções, após o período de secagem é interessante penteá-los em ondas abertas. © R oz he ny uk A le x / / S hu tt er st oc l © P ho to lo gy 19 71 / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo98 5.4.2. Variações do bucle A técnica de bucle é essencial para outros resultados de preparação de penteado. Além das técnicas citadas acima, também existe a técnica do papel alumínio e prancha, que isto cria cachos fechados e naturais. Conhecida como técnica de papelote, essa maneira de criar cachos consiste em enrolar a mecha de cabelo entre dois dedo ou cabo do pente, deitar a mesma para uma determinada direção, envolvê-la com papel alumínio e aquecer com a prancha. Essa forma de criar cachos pode ser realizada em todo o cabelo e permite elaborar penteados mais descontruídos. Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de relembrar tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma apresen- tação em Power Point destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu arquivo, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Recapitulando Todos os produtos de fixação utilizados para penteados podem ser classificados em fraco, médio ou forte. Esta classificação auxilia a distinguir em que momento se deve utili- zar cada força. Para o momento de construção dos cachos ou ondas, os produtos de baixa fixação são melhores; já que permitem o manuseio da mecha. Porém, no caso dos mous- ses, enquanto estiverem úmidos, mesmo sendo médio ou forte fixação, o manuseio pode ser realizado. A utilização ideal dos mousses é nos fios secos e deve ser aplicado antes do processo de enrolamento ou alinhamento dos cabelos. Os sprays de fixação forte ou extra forte devem ser usados apenas quando penteado estiver totalmente pronto, enquanto os de média e fraca fixação podem ser usados na construção do penteado. Para elaborar um penteado é possível realizar a preparação de muitas maneiras dife- rente. Também é possível misturar variadas técnicas de preparação. Para um resultado de qualidade, vale conhecer o resultado de cada uma e verificar qual deixa o efeito mais liso, a técnica que traz ondulações praianas, como é possível obter cachos apertados e qual a melhor maneira de preparar o cabelo para penteados descontruídos. A mistura de técnicas permite diversas criações e devem ser exploradas no momento de construção do penteado. 99Corte e Modelagem de Cabelo Referências BARSANTI, L. Dr. Cabelo: saiba tudo sobre os cabelos: estética, recuperação capilar e prevenção da calvície. São Paulo: Elevação, 2009. BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. CINTRA, R. Como seu Cabelo pode Transformar seu Visual. São Paulo: Editora Aleph, 2011. CINTRA, R. Cortes de Cabelo: Técnicas e Modelagem. São Paulo: Editora Cengage lear- ning Iv, 2010. GOMES, A.L., O uso da tecnologia cosmética no trabalho do profissional cabeleireiro, Senac São Paulo, 1999 HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. São Paulo: Cengage learning, 2012. HALAL, J. Dicionário de Ingredientes de Produtos para Cuidados com o Cabelo. São Paulo: Editora Cengage learning, 2011. MARQUES, S. A História do Penteado. São Paulo: Editora Matrix, 2009. VITA, A. C. História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. 101Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Diferenciar tipos de penteados. CAPÍTULO 6 Arquitetura do penteado Marília Bezerra de Carvalho TÓPICOS DE ESTUDO 1 Penteados presos 3 Tranças • Ponto de fixação. • Limpeza do penteado. • Trança embutida. • Trança exposta. • Trança escama de peixe. 2 Penteados semipresos • Proporção do penteado. • Acabamento. Corte e Modelagem de Cabelo102 Contextualizando o cenário Os penteados são importantes formas de destacar a beleza das pessoas, visto que quando executados de modo correto podem ser capazes de minimizar aspectos negativos e valori- zar os positivos do cliente. Portanto, antes de iniciar um penteado, o profissional deve ana- lisar as características de seu cliente em relação aos elementos do design capilar, ou seja, deve avaliar aspectos como tamanho e forma da cabeça, forma e detalhes da face (testa, olhos, sobrancelhas, nariz, boca, queixo e orelhas), comprimento e largura do pescoço, linha do ombro, textura, comprimento, quantidade e cor dos cabelos. Portanto, os penteados devem ser construídos com planejamento baseado em todos estes aspectos, além, é claro, da finalidade e ocasião do penteado. Por isso, os profissionais devem pensar na construção do penteado de modo semelhante ao arquiteto em relação a uma casa. Este fato fez com que surgisse o termo “arquitetura do penteado”. Porém, embora pareça algo recente, essa arte de arranjar os cabelos remete a bem antes da existência de espe- cialistas e teorias que falam sobre o assunto. Os egípcios já aplicavam técnicas tanto para modelar quanto para prender e adornar os fios. Na época, a maioria das mulheres utilizavam perucas escuras e procuravam formas de adorná-las: quanto mais adornos e mais altos fos- sem presos os fios, maior o status social da pessoa. Os gregos e romanos descobriram a capacidade de tingir da hena, nos primórdios do que hoje são inúmeras técnicas e formas de tingir os cabelos. Além de tingi-los, esses povos uti- lizavam cordões e fitas douradas para adornar amarrações e tranças. Foram deles os primei- ros desenhos de mulherese deusas com penteados elaborados e diversas tranças. A era Elisabetana foi marcada por perucas enormes e penteados bastante elaborados não só nas mulheres, mas também nos homens, principalmente os que, de alguma forma, eram ligados à realeza. Os anos se passaram e as tendências mudaram, mas os penteados se mantém como uma forma de estilizar os cabelos em ocasiões especiais e com os mais diversos adornos e ade- reços. O que nos leva a questionar: os penteados atuais são realmente inovadores ou somente releituras do que já era feito séculos atrás? 103Corte e Modelagem de Cabelo 6.1. Penteados presos Os penteados presos, em sua maioria, deri- vam do coque simples e estão presentes na histó- ria desde a antiguidade em gravuras e esculturas de deuses e imperadores. Porém, além dos coques, estes penteados que são bastante versáteis e podem ir do sofisti- cado ao simples, também são representados por rabos de cavalo e tranças, ou até mesmo, compos- tos pela mistura deles, como por exemplo, o rabo de cavalo com uma trança unicórnio (tendência da atualidade entre as it-girls). A seguir, estão descri- tos alguns exemplos de penteados presos. Coques: Os coques são penteados bastante antigos e usados desde crianças até nossas avós, seja para um evento especial ou apenas para pren- der os cabelos de modo rápido devido ao calor. Eles podem conter os fios totalmente presos e ali- nhados ou apresentar alguns fios soltos e cachos. Quanto a sua forma de execução, este penteado pode ser feito sem o auxílio de acessórios específi- cos para coques, com grampos ou com acessórios como o bun. O bun é um acessório que serve para facilitar a elaboração de coques, deixá-los mais volumosos e simetricamente alinhados, como pode ser observado na figura ao lado. Existem buns de diferentes tamanhos, favo- recendo, assim, o trabalho do profissional, já que este pode criar diferentes resultados por meio do volume deste acessório. O penteado pode ainda ser composto por vários buns, caso sejam neces- sários dois ou mais coques. Rabos de cavalo: Os rabos de cavalos são penteados presos bastante tradicio- nais e que são vulgarmente conhecidos desta forma pela semelhança com o rabo equino. Podem ser elaborados de diferentes formas e apresentar variados estilos. Os profissionais podem fazer os rabos altos, baixos, centralizados da cabeça ou lateralizados. Podem ainda © S hy m ko S vi tl an a / / S hu tt er st oc k. © M al yu gi n / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo104 elaborar os seus penteados com mais de um rabo de cavalo e trabalhar com diferentes tex- turas desde lisos até cacheados ou crespos. É importante destacar também que, depen- dendo da altura ou lateralidade do penteado, deve-se utilizar acessórios que permitam uma boa fixação do rabo, mantendo-o elevado ou lateralizado durante todo o evento. Além dos coques e rabos de cavalos, as tranças são penteados presos muito comuns entre as mulheres. Devido à variedade de tipos de tranças, estes penteados serão descritos posteriormente no item 6.3. Em relação à utilização, observa-se que atualmente os penteados presos são ampla- mente utilizados por milhares de mulheres ao redor do mundo no seu dia a dia. Pela pra- ticidade que proporcionam, estes penteados foram aprimorados e estilizados, sendo um das opções mais escolhidas para ocasiões formais como casamentos e formaturas, inclusive pela possibilidade de maior tempo de duração do penteado. Além da praticidade, os penteados presos são interessantes em épocas de muito calor e para quando se pretende valorizar a roupa ou regiões superiores do corpo como colo, ombros e costas. Outro aspecto importante a ser destacado é que para esses tipos de penteados, muitos pontos influenciam no resultado final e na duração. Se o penteado tiver um acabamento com cachos, for ondulado ou completamente preso, não se deve utilizar agentes condicionantes durante o processo de lavagem e secagem, ou os fios não vão segurar a modelagem, pois tais agentes tendem a ser siliconados e deixam os fios muito lisos ou escorregadios. Atualmente, com a quantidade de adornos que se pode adicionar ao penteado, que ajudam a criar propostas e resultados diferentes, é possível mudar completamente um © L ia K ol ty ri na / / S hu tt er st oc k 105Corte e Modelagem de Cabelo penteado de simples para moderno e arrojado. Voltar às origens e buscar inspirações nos penteados antigos, além de muito válido, é o que faz com que muitas dessas tendências voltem ao gosto popular de tempos em tempos. 6.1.1. Ponto de fixação O ponto de fixação dos penteados repre- senta a base na qual os penteados presos, ou até mesmo os semipresos, serão constituídos. Este ponto pode ter uma fixação leve, média ou alta de acordo com a necessidade do profissional para que ele execute o penteado e também para que seja um penteado duradouro. Afinal, é de extrema importância que, independentemente da dificul- dade de execução do penteado, ele permaneça intacto do início ao fim do evento. O profissional deve lembrar que não é de interesse do cliente ter que fazer retoques ou até mesmo ter que desfazer o penteado e soltar os fios no meio do evento para o qual ele fez o penteado. Saber o tipo certo de elástico, onde prender o cabelo, a força e tensão que devem ser aplicadas aos fios é essencial para um bom penteado. Saber onde e como posicionar os grampos nos cabe- los, acima de tudo, é de suma importância para que os fios fiquem firmes e não necessitem de muito produto, e até mesmo grampos, para se manter fixos. O tamanho do grampo também é um aspecto a ser analisado. Grampos pequenos são interessantes para penteados clássicos, enquanto grampos grandes podem ser utilizados para penteados e ocasiões mais descontraídas. Assista O filme A duquesa retrata uma personagem forte e que evolui muito em termos de moda e estética, mostrando penteados maravilhosos (DIBB, 2008). As ferramentas, sejam acessórios ou produtos, que o profissional usa para prender os fios e fixar o penteado influenciam diretamente na sua duração. Leal (2013), em sua publi- cação, cita alguns produtos, sua função específica e como deve-se usar cada um. © M al yu gi n / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo106 Segundo o autor, o gel vai permitir uma fixação variável, dependendo do tipo que se utiliza, mas sempre com uma finalização com aspecto molhado. O mousse também varia em fixação, mas difere do gel porque não tira o movimento natural dos fios. O spray de fixação é utilizado quando o penteado já está pronto, com todos os fios no lugar, e é apli- cado por cima de todo o cabelo para que os fios não se movam. Atualmente, já existem sprays com acabamento mais natural, como o spray para modelar, que não tem alta fixação e pode ser utilizado na elaboração de penteados. Dentre a enorme variedade existente no mercado essas são as mais populares quando se trata de fixação forte (LEAL, 2013). Cremes para modelar, modeladores, ceras e pomadas são também outras opções válidas no mercado, porém um pouco menos utilizadas por proporcionarem efeitos não muito desejados em penteados. De modo geral, as pomadas são interessantes para criar efeitos mais bagunçados, como por exemplo, coques com fios soltos e desalinhados. Isto é possível pelo fato das pomadas serem menos consistentes que as ceras. Ademais, as poma- das disponíveis atualmente no mercado podem conferir efeito mate ou com alto brilho, contribuindo para a criação de variados efeitos nos penteados. Também é válido salientar que as ceras podem não ter o efeito desejado principalmente nos cabelos secos, visto que eles podem absorver parte da oleosidade da cera, fazendo com que o produto perca a sua função de fixação ou alinhamento dos fios. Este mesmo problema pode ser observado com o uso dos cremes de pentear. Deve-selembrar ainda que, além de produtos para fixação, existem pós, pomadas e sprays texturizadores que dão volume e textura aos fios, deixan- do-os mais encorpados e bonitos (LEAL, 2013). © M ila S up in sk ay a G la sh ch en ko / / S hu tt er st oc k 107Corte e Modelagem de Cabelo 6.1.2. Limpeza do penteado Os penteados presos tendem a ser bem estruturados, definidos e bem penteados, sem fios indesejáveis soltos ou frizz. Atualmente, alguns penteados tem um acabamento propositalmente bagunçado. Para se obter esse tipo de acabamento, é necessário texturi- zar antes de dar início ao penteado. Fazer um babyliss nos fios ajuda a dar um aspecto mais natural e desgrenhado ao penteado, mas de forma desejada e elegante. Mesmo com um acabamento menos alinhado, cada fio deve estar perfeitamente ali- nhado da forma que se deseja do momento que o cliente sai do estabelecimento até o fim do evento, mantendo-se intacto e perfeito durante todo o período do evento. Muitos profissionais utilizam escovas de cerdas naturais, suaves, mas ao mesmo tempo firmes, que são especialmente feitas para dar acabamento e fazer a limpeza do penteado sem estragar o resultado final, colocando qualquer fio solto de volta no lugar e dando os últimos reto- ques. Deve-se compreender que a limpeza do penteado não está relacionada apenas com a parte que tem fios no couro cabeludo, mas tam- bém na região da pele do cliente. Muitas vezes um penteado pode ficar sem aspecto profissional devido à falta de acabamento, ou seja, pelo fato do profissional não fazer uma limpeza no pen- teado, deixando assim, uma série de fios indese- jáveis soltos próximos da raiz do contorno da face do cliente (região da testa, têmporas, orelhas e pescoço principalmente). No entanto, tam- bém é importante compreender que em muitos casos se deseja o penteado semipreso e nesta situação pode-se ter propositalmente fios soltos nestes locais. Para facilitar a limpeza do penteado é importante que os cabelos não estejam muito condicionados, sendo inadequado o uso de finalizadores siliconados. O condicionamento dos fios e os finalizadores com silicones deixam os fios escorregadios e por isso, é mais difí- cil manter o penteado limpo, principalmente em relação aos fios mais curtos. No entanto, o uso de gel e pomada fixadora por exemplo, podem auxiliar na limpeza do penteado. © Y ur iy Z hu ra vo v / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo108 6.2. Penteados semipresos Os penteados semipresos, deixam uma parte dos cabelos soltos e por isso têm uma aparência mais despojada. Esse tipo de penteado é uma aposta forte quando se trata de eventos especiais, como bailes de debutantes, formaturas e casamentos. São mais comuns em fios de comprimento médio a longo. Porém, cabelos curtos também podem fazer uso de penteados semipresos. Para isso, o profissional deve avaliar se os cabelos tem estrutura suficiente para que ele trabalhe nesse tipo de penteado. Quanto às composições desses penteados, jun- tamente com a parte solta, pode-se utilizar tranças, rabos de cavalo, coques e acessórios que prendam parte do cabelo. Destaca-se ainda que, nestes pen- teados, os profissionais podem deixar também parte do cabelo liso e outra parte com cachos, criando um resultado final bastante sofisticado. Nesse tipo de penteado, mais do que nos pen- teados com os fios todos presos, a proporcionalidade é de extrema importância, não adianta fazer um pen- teado bem feito com as proporções erradas entre a quantidade de cabelo preso e de cabelo solto. 6.2.1. Proporção do penteado Proporcionalidade é importante em diversas áreas, inclusive quando se planeja e exe- cuta um penteado. Quando o penteado é todo preso e a cliente em questão possui pouco cabelo, é de grande interesse que se adicione uma extensão que proporcione mais volume e faça com que o penteado fique mais cheio e evidente, do contrário talvez o design não fique tão bonito. Em penteados semipresos, nos quais uma parte do cabelo vai ficar solta, tal pro- porção é tão ou mais importante de se levar em consideração. É fundamental, quando se planeja um penteado, observar a quantidade de cabelo e fazer uma divisão de forma pro- porcional para que a parte presa e a parte solta tenham em média a mesma quantidade de fios, de forma a criar um visual harmônico e proporcional, sem que nenhuma das partes fique com muito mais cabelo do que a outra. © A le xa nd ra D ik ai a / / S hu tt er st oc k 109Corte e Modelagem de Cabelo Se a parte superior (parte presa) do penteado ficar maior, gerará uma desproporção de forma a parecer que a parte de cima da cabeça é maior e o visual será desagradável. Se a parte solta for a que ficou com mais cabelo, o penteado não ganhará destaque, já que a desproporcionalidade fará com que a parte que deveria ser o centro das atenções fique com pouco volume. Preste atenção às proporções ou, por melhor que seja o trabalho, aca- bará não tendo o resultado esperado. Além da proporção do penteado em relação à parte solta e presa dos cabelos, é fun- damental também avaliar a harmonia do penteado com o formato do rosto. A face tam- bém pode ter diferentes proporções entre testa, maçã do rosto, olhos, nariz e queixo, sendo importante harmonizar estas proporções com o tipo e a proporção do penteado. A face redonda não apresenta ossos muito acentuados, por isso são interessantes os pentea- dos que alongam a face. Pode-se criar penteados que confiram volume ao topo da cabeça, próximos à face e com franjas curtas. Neste formato de face não são aconselhados pentea- dos muito longos em relação ao comprimento. Já para os rostos com formato oval, são aconselhados diferentes penteados, exceto os de franjas muito compridas que podem desvalorizar este formato perfeito do rosto (testa harmonizada com maça do rosto evidente e com suave formato triangular até o queixo). As faces quadradas são conhecidas por apresentarem a testa da mesma largura que o maxilar. Neste caso, aconselha-se penteados que suavizem as linhas angulares qua- dradas, como partes soltas com ondulações. Deve-se tomar cuidado com as partes presas e penteados ou cortes curtos, visto que estes podem destacar o formato quadrado da face. © A lt er -e go / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo110 De modo análogo, pode-se pensar sobre as faces compridas (testa larga e queixo longo). Para este formato de face, também não é aconselhável destaque nas partes presas, penteados curtos e cortes curtos. É interessante deixar partes soltas e com ondulações. O uso de franjas soltas também pode auxiliar no encurtamento e volume da face. 6.2.2. Acabamento Tratando-se de penteados semipresos, o acabamento deve ser duplamente pensado, já que não somente a parte presa fica em grande visibilidade, como a parte solta também deve ser levada em consideração e modelada meticulosamente para que o acabamento final seja impecável. Quando se observa um penteado semipreso, leva-se em consideração o conjunto, e não somente a parte da presa, que podemos chamar de escultura. Se durante o processo de confecção do penteado a parte dos fios que vai ficar solta não for bem modelada e fixada, com o decorrer do tempo, o que foi feito vai se desfazer. Restará apenas um cabelo pesado, com excesso de produto e sem nenhuma modelagem restante. Dar atenção ao penteado como um todo é de fundamental importância para que tudo saia perfeito do iní- cio ao fim do evento. Pausa para Refletir O acabamento desleixado interfere na qualidade final do penteado ou somente uma boa execução é o que conta? © fr an ti c0 0 / / S hu tt er st oc k 111Corte e Modelagem de Cabelo Além do uso de géis e pomadas para fixação, o acabamento de um penteado pode envolver diferentes efeitos. Dentre estes efeitos, destacam-se o efeito molhado, o uso de spray com glitter, o uso de acessórios,a presença de linhas bem demarcadas no couro cabe- ludo (riscas centrais ou laterais) e o uso do próprio cabelo para esconder elásticos e grampos. 6.3. Tranças Segundo a definição do dicionário mini Auré- lio (2010), trança é um entrelaçamento de três ou mais madeixas. Atualmente, talvez, tal definição não seja tão fidedigna, já que existem várias outras versões de varia- ções de tranças que partem de apenas duas mechas. A trança, dentre todos os tipos de penteados, é o que mais perdurou entre idas e vindas, com algu- mas variações ao longo dos anos. Elas são herança de vários povos, de várias partes do mundo, com inúmeras influências culturais. Em cada cultura, os penteados tinham significados diferentes. As tranças nagô (afro), por exemplo, são datadas de antes de Cristo e o processo de realização desse penteado é passado entre gerações, além de terem significado religioso. Esse tipo e trança passou a ser um símbolo de resistência quando os negros foram escravizados e trazidos à força de sua terra natal, a África (BIONDO, 2003). Atualmente, com o acesso à internet e a quantidade de conteúdo produzido é muito fácil ter acesso a tutoriais de penteados e inovações em penteados já consolidados, como as tranças. Mas as inovações são sempre criadas a partir de tradições de povos milenares. © lo ve do ve s / / Sh ut te rs to ck © M at th ia s G . Z ie gl er / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo112 6.3.1. Trança embutida A trança embutida, de raiz ou french braid é provavelmente o tipo de trança mais popular em todo o mundo depois da trança simples. Curiosidade French braid é o termo em inglês pelo qual a trança embutida é conhecida mun- dialmente. Em tradução livre significa trança francesa, no entanto, não há indícios históricos que ligam essa trança aos franceses. A trança embutida é de fácil execução, não é neces- sário utilizar nenhum tipo de ferramenta e ela tem um aca- bamento muito bonito. Ela fica bem em qualquer tipo de fio, sem necessidade de alisamento prévio. Sua execução é muito prática para o dia a dia. Ela deriva diretamente das tranças afro e foi trazida da África para o resto do mundo pelos negros escravos como res- quício de sua cultura (BIONDO, 2003). Os primeiros relatos das tranças nas américas é proveniente das duas tranças sim- ples, divididas ao meio, usadas pelos índios da América do Sul e do norte. Essas duas referências se cruzaram com o passar dos anos e geraram as tranças que conhecemos atualmente. O processo é simples e não requer um nível de habilidade muito alto. Com os fios já desembaraçados, divi- de-se uma pequena porção em três partes e se inicia o pro- cesso como se faria uma trança simples, passando sempre as mechas laterais por baixo da mecha central. Depois de tran- çar uma vez, basta adicionar mechas mais finas às partes laterais da trança e repetir o processo até que todo o cabelo restante tenha sido adicionado à trança e esteja bem preso. Pausa para Refletir Você acredita que essa variedade de modelos de tranças desrespeitam o conceito original do penteado segundo sua definição no dicionário mini Aurélio (2010)? © M ic ha el K ac ha lo v / / S hu tt er st oc k © E ve re tt H is to ri ca l / / Sh ut te rs to ck 113Corte e Modelagem de Cabelo 6.3.2. Trança exposta A trança exposta, embutida invertida ou german/dutch braid é bastante parecida com a trança embutida. O processo de execução também é muito parecido, porém o resultado é um trançado exposto ao invés de escondido, como se dá na trança embutida. Dica O livro que consta na bibliografia, Paixão por Cabelos (BUTCHER, 2016), pos- sui uma sessão inteira dedicada só às tranças, seus diversos tipos e variações. Vale a pena conferir. Ao contrário da trança anterior, essa versão realmente tem a origem que seu nome carrega, a german braid realmente é inspirada nas coroas de tranças, verdadeiras ou não, que as alemãs usavam. Ela ressurgiu recentemente com um novo nome, as tranças de boxeadora, que nada mais são do que duas tranças expostas nas laterais da cabeça. O processo para executar essa trança perfeitamente é o mesmo que o da trança embutida, divide-se uma parte do cabelo em três mechas, porém o trançado é feito de forma invertida. Ao invés de passar as mechas laterais por cima, passa-se por baixo. Segue-se o pro- cesso alimenta-se as mechas laterais com mais cabelo e passando-as sempre por baixo da mecha do meio. Dessa forma, o trançado fica exposto e gera uma trança bem volumosa. © A fr ic a St ud io / / S hu tt er st oc k. © K ov al en ko E le na / / S hu tt er st oc k. 6.3.3. Trança escama de peixe A trança escama de peixe é uma das mais recen- tes, havendo indícios históricos de seu surgimento pela primeira vez na Europa medieval, entre as mulhe- res da nobreza. É a única que foge ao padrão da trança tradicional (iniciar o trançado com três mechas), seu pro- cesso é um pouco diferente e seu trançado se inicia com duas partes apenas. É uma trança que proporciona um acabamento diferenciado dos trançados clássicos tradicionais, dando um ar mais jovial. Pode ser executada de diferentes formas e, quando acrescida de acessórios, resulta em um penteado bastante elegante. Veja na figura a seguir como executar esse trançado. Passo a passo da trança espinha de peixe 1 2 43 5 Você vai precisar de: Escova Elástico de cabelo transparente pequeno Fonte: BUTCHER, 2012, p. 51. (Adaptado). © A lin a So lo vt so va / / S hu tt er st oc k 115Corte e Modelagem de Cabelo O processo para sua execução é tão simples quanto o das demais, que se iniciam com três mechas de cabelo. Porém, para essa trança o cabelo todo é escovado, desembaraçado é dividido em duas partes iguais. Passa-se as mechas de um lado para o outro e quanto mais externas e mais finas forem as mechas, mais bonita, detalhada e volumosa ficará a trança. É um processo demorado e meticuloso, porém o resultado, além de lindo, é bas- tante diferente das outras tranças. Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo. Elabore um penteado preso e um semipreso utilizando tranças em seu design e destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu penteado, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Recapitulando Penteados, além de versáteis, são muito elegantes e ajudam a compor um look perfeito quando bem executados. Saber combinar todos os elementos de forma coorde- nada faz com que um aspecto favoreça o outro. Um penteado bem planejado, porém mal acabado, acaba desvalorizando completamente o trabalho do profissional e não atendendo às expectativas do cliente. Lembre-se sempre que a modelagem é importante, a execução essencial e o acabamento imprescindível. Atualmente temos milhares de penteados com acessórios e acabamentos diversos, porém todos são releituras do que homens e mulheres já faziam séculos atrás. Temos mais produtos e conhecimento, mas a essência vem de gerações passadas. Observa-se ainda que, de fato as variações dadas para muitos penteados vêm fugindo de seus conceitos e definição, como está ocorrendo com as tranças, por exemplo. No entanto, esse não é um fator que impede a criatividade, já que é possível notar que os profissionais sempre tentam apresentar algum modelo de penteado para ditar a moda e, muitas veze,s esse penteado ganha um nome que pode não condizer com seu conceito e definição. Corte e Modelagem de Cabelo116 Referências A DUQUESA. Direção: Saul Dibb. Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen e Saul Dibb. Baseado no livro de Amanda Foreman. Produção: Gabrielle Tanae Michael Kuhn. Inglaterra, Itália, França, Estados Unidos. 110 min. son., color. 2008. BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo: cuidados básicos, técnicas de corte, coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003. BUTCHER, C. Paixão por cabelos: Instruções passo a passo para criar 82 penteados incrí- veis. Editora Sextante, 2016. DAL’PIZZOL, C. et. al. História do penteado: uma revisão bibliográfica. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Curso Sup. Tecnologia em Cosmetologia e Estética) - Universidade do Vale do Itajaí. Disponível em: <http://siaibib01.univali.br/pdf/Cidimara%20 Dal%E2%80%99Pizzol,%20Luciane%20Pscheidt.pdf>. Acesso em: 26/06/2018. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2010. LEAL, D. Pequeno livro de beleza: Guia para toda hora. São Paulo: Editora Versus, 2013. MARQUES, S. História do penteado. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Matrix., 2009. VITA, A. C. História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. 117Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Diferenciar produtos de tratamento. • Utilizar ativos para tratamento dos fios. CAPÍTULO 7 Ativos na composição dos produtos de tratamento capilar Nelma Faleiro TÓPICOS DE ESTUDO 1 Hidratação 3 Frequência de tratamentos • Emolientes. • Uso correto da máscara capilar. • Cabelos secos. • Cabelos mistos. • Cabelos oleosos. 2 Reconstrução • Queratina. • Benefícios aos cabelos. Corte e Modelagem de Cabelo118 Contextualizando o cenário Atualmente, existe uma infinidade de produtos para cabelos, o que torna a escolha um tanto complexa. Por conta disso, é importante saber o que o cabelo precisa para decidir qual pro- duto cosmético utilizar. Entre os tratamentos disponíveis, podemos destacar o uso das proteínas e de ativos que contribuem para a reposição de água no interior da fibra capilar. Ambos são de extrema importância para o fio e devem ser utilizados na dosagem certa. É importante saber que os tratamentos de proteína e os de reposição hídrica são muito dife- rentes. Usar qualquer um desses tramentos em excesso pode danificar a fibra capilar, anu- lando qualquer resultado positivo. É necessário entender o que falta no fio, e só depois escolher um tratamento adequado. É comum que os salões de beleza ofertem tratamentos como as reconstruções à base de queratina e as hidratrações ricas em emolientes para todos os tipos de cabelo, sem constatar as reais condições e necessidades do fio. Como isso pode afetar negativamente as condi- ções da fibra capilar? 119Corte e Modelagem de Cabelo 7.1. Hidratação A hidratação capilar é um dos principais tratamentos para cabelos saudáveis. Deve ser usada quando identificamos que os cabelos necessitam de reposição de umidade no interior da fibra. A devolução de água para os fios traz maciez, elasticidade e brilho, resul- tando em um cabelo efetivamente saudável. Curiosidade “O termo hidratante é livremente usado para muitos ingredientes. Como ape- nas a água pode hidratar, esse é um nome enganoso para substâncias oleosas (não solú- veis em água) que revestem o cabelo ou a pele e previnem a perda de água por evaporação” (HALAL, 2011, p.133). Para ter certeza se os cabelos preci- sam de hidratação, o teste mais indicado é esticar uma pequena mecha levemente úmida e observar as características dos fios. Segundo Bedin (2005), a fibra capilar reflete brilho, menor eletricidade estática, maior maleabilidade e menor atrito entre os fios quando hidratada. Se os cabelos esticarem pouco, demonstrando pouca elasticidade, sem quebrar, eles precisam de umidade, ou seja, hidratação. Um tratamento indicado está relacionado às máscaras de hidratação, que atuam nas primeiras camadas dos fios (cutícula e córtex), oferecendo umidade aos fios. Já na selagem da cutícula dos cabelos as escamas se fecham, protegendo o córtex. A finalidade da hidra- tação capilar é, portanto, balancear o nível de água, reduzir a elasticidade e melhorar a tex- tura do fio. 7.1.1. Emolientes Um bom ingrediente emoliente para o cuidado da pele e cabelo é aquele que tem boa capacidade de propagação na pele, ou seja, que forma um filme uniformemente distribuído que suaviza a superfície, sem deixar textura oleosa ou pegajosa. © P ix ie M e / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo120 Os emolientes também são as principais maté- rias primas quando se deseja maciez capilar, mas é preciso muito cuidado na escolha de cosméticos com emoliente, por conta da sensação de excesso residual que este componente pode deixar nos fios após ser aplicado. Se o produto tiver emolientes com características oleosas, poderá deixar o produto pesado, com difícil espalhabilidade no momento da aplicação. Um cosmético assim pode conter como emoliente um óleo vegetal, por exemplo, porém é preciso cuidado na quantidade utilizada, evitando deixar os fios com excesso de oleosidade. Assim, considerando essa propriedades para os cuidados com os cabelos, podemos afirmar que um emoliente deve formar um filme liso e uniforme na superfície da haste capilar, garantindo maciez ao cabelo sem promover uma textura oleosa. Os emolientes para cabelo são, geralmente, óleos hidrofóbicos que formam películas na superfície do cabelo, onde atuam como umectantes. Eles são lubrificantes e proporcionam maior deslizamento e menor atrito entre os fios de cabelos adjacentes, o que facilita muito o ato de desembaraçar. Eles também reduzem o emaranhamento, suavizando a superfície da cutícula e promovendo o brilho do cabelo. Alguns podem penetrar nas estruturas do fio e agir internamente, melhorando a elasticidade, a resistência e a maleabilidade. CABELO DANIFICADO CABELO NORMAL A qualificação essencial para um ingrediente ser um hidratante é que ele deve melho- rar ou manter os níveis de hidratação do cabelo ou da pele. Níveis adequados de umidade ajudam a manter a estrutura de queratina e a integridade mecânica do cabelo. © n ob ea st so fie rc e / / S hu tt er st oc k. © g ri ts al ak k ar al ak / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . 121Corte e Modelagem de Cabelo O cabelo encaracolado, por exemplo, com a sua maior porosidade e estrutura pro- teica complexa, é altamente suscetível à perda de água e, por isso, necessita de restaura- ção da umidade com certa regularidade. Para promover a restauração da umidade capilar, seja nos fios encaracolados ou das demais estruturas, é importante a utilização de agentes hidratantes, que são moléculas neces- sárias para este processo. São extremamente hidrofílicas e usam pontes de hidrogênio para atrair e reter a água do ambiente local, tornando-as disponíveis para os cabelos. Alguns exem- plos desses tipos de ingredientes são glicerina, propilenoglicol, pantenol, mel, agave e aloe vera. Além disso, uma boa fórmula hidratante incluirá um agente oclusivo, que é um ingre- diente hidrofóbico que sela a umidade do fio capilar, formando uma barreira na superfície do cabelo. Existem alguns óleos naturais que possuem quantidades suficientes de fragmentos hidrofílicos em suas estruturas e que podem atuar tanto como barreiras oclusivas como humec- tantes suaves, e alguns açúcares de moléculas maiores que possuem substância hidrofóbica suficiente para desempenhar os dois papéis. Os emolientes mais comuns são os silicones (dimeticona, amodimeticona, ciclome- ticona etc), óleos e manteigas derivadas de frutas e vegetais. Muitas delas são hidrofóbi- cas, mas os óleos vegetais e de frutas possuem moléculas menores, com componentes de ácidos graxos que são hidrofílicos. Isso permite que estes funcionem como emolientes e humectantes suaves. Com isso, podem penetrar por meio da camada de cutícula no córtex e melhorar significativamente as propriedades mecânicas do cabelo. © Y ur ic az ac / / S hu tter st oc k. https://www.shutterstock.com/pt/g/iuricazac Corte e Modelagem de Cabelo122 Afirmação “Umectantes são materiais hidroscópicos que atraem e retém a umidade da atmosfera. Além de seu uso como condicionador, também são usados como ingredientes em produtos para cuidados com os cabelos, a fim de mantê-los úmidos durante o uso, evitando assim, que sequem, ainda que sejam deixados abertos” (HALAL, 2011, p. 133). Os emolientes fazem parte de um grupo de ativos ideais para cabelos ressecados, danificados e sem vida, já que agentes externos como a radiação solar, cuidados inadequa- dos e excesso de química ocasionam danos aos fios. Bons condicionadores de cabelo e tra- tamentos capilares fornecem uma variedade de benefícios, incluindo a melhora dos níveis de hidratação e óleo do cabelo. Como os termos hidratante e emoliente estão, na verdade, se referindo a processos bastante complexos e a múltiplas propriedades, não é de surpreender que eles sejam fre- quentemente usados de forma incorreta. Por essa razão, o ideal é que o profissional de- termine quais são as necessidades capilares individuais, procurando ingredientes ou combinações de ingredientes que possam atender a essas necessidades e usar uma termi- nologia específica e bem definida para descrever esses ingredientes. © N ew A fr ic a / / S hu tt er st oc k. https://www.shutterstock.com/pt/g/newafrica 123Corte e Modelagem de Cabelo Pausa para refletir Saber exatamente o que o cabelo precisa e entender a terminologia são propriedades impor- tantes que podem desmistificar e simplificar todo o processo. Sendo assim, quais são as pro- piedades que diferenciam os principais tratamentos capilares? 7.1.2. Uso correto da máscara capilar O uso correto da máscara capilar nos cabelos nutre e trata os cabelos de forma signi- ficativa. Uma máscara de cabelo não deve ser usada apenas de vez em quando e, sim, pre- cisa estar presente na rotina capilar de cada cliente por quem o profissional é responsável. A base catiônica existente na máscara capilar é importante para o condicionamento, maciez e brilho dos fios. Deve ser aplicada nos cabelos lavados e secos com toalha. É preciso espalhar o creme uniformemente por todo o cabelo, mecha a mecha e, em seguida, mas- sagear o cabelo com o produto começando a uma distância de dois a quatro dedos distante do couro cabeludo até as pontas. Depois, é preciso pentear o cabelo com os dedos. Para otimizar os efeitos da máscara, é interessante cobrir a cabeça com uma toalha quente ou filme plástico por pelo menos 10 minutos, lem- brando que este período pode variar de acordo com o fabricante do produto utilizado. 7.2. Reconstrução A reconstrução é um tratamento de alta performance na fibra capilar. Pode ser usada nos cabelos danificados ou apenas como manutenção dos fios que se encontram saudáveis. Sua aplicação deve ser feita de forma moderada e é importante reconhecer que a ação deste tratamento é fundamental para um resultado final satisfatório. O fortalecimento e a reposi- ção de massa são as principais características da reconstrução capilar. É possível obter mais benefícios e maiores reparações de danos capilares com ela após uma anamnese adequada. Máscaras de reconstrução capilar podem ter alguns dos seguintes componentes: que- ratina, arginina, proteína hidrolisada, creatina, cisteína, colágeno e aminoácidos. Todos estes © M r.C he an gc ha i N oo ju nt uk / / S hu tt er st oc k Corte e Modelagem de Cabelo124 ativos são importantes para a reposição de massa, fortalecimento dos fios, devolução de queratina e aminoácidos perdidos por poluição e agressões diárias por procedimentos quími- cos, como coloração e alisamentos, entre outros. Não deixa sedosidade ou brilho e pode dei- xar uma sensação de cabelo sem vida, por ser apenas uma reposição de massa. É preciso pontuar também que a frequência de reconstrução, se for excessiva, pode trazer uma sobrecarga de queratina e este excesso deixa os fios rígidos. O ideal para cabe- los muito ressecados e mal tratados é realizar o procedimento a cada quinze dias, alter- nando com outros tratamentos. Em alguns casos, pode ser feito uma vez por mês. Com isso, vimos que a queratina é um ingrediente importante para promover a recons- trução do fio e muitos tratamentos tem como base este elemento, como veremos a seguir. 7.2.1. Queratina Fatores externos como exposição ao sol, frio e vento fazem com que os cabelos dani- ficados percam naturalmente a queratina existente nos fios. A perda desta importante proteína diz muito sobre a manutenção da saúde capilar e um cabelo pobre em queratina pode ter problemas de enfraquecimento e ruptura dos fios, já que a estrutura fica compro- metida. O uso correto da queratina torna os fios mais fortes e resistentes. Cabelos que pas- sam por procedimentos químicos como colorações, exposição ao cloro, alisamentos ou que ficam muito expostos ao sol necessitam de queratina para a manutenção da saúde dos fios. Afirmação “Há uma probabilidade de que cabelos danificados e porosos absorvam quanti- dades úteis de proteína, mas eles não podem ser reconstruídos a partir de aditivos. Alguns estudos indicam que pequenas proteínas ajudam a selar pontas duplas e evitar que elas piorem. Em geral, quanto menor for a proteína e maior os danos dos cabelos, maior será a absorção” (HALAL, 2011, p. 132). O tratamento à base da substância tornou-se uma das principais escolhas para repa- rar danos causados por procedimentos que aumentam os frizz, danificam as cutículas e causam fissuras na fibra capilar. Após esses processos, é realizado tratamento com pro- teína para o fortalecimento e reposição da massa capilar. 125Corte e Modelagem de Cabelo A frequência dos tratamentos com proteínas depende do cabelo, mas é essencial que ele não seja realizado com muita frequência. O excesso de proteína, basicamente não deixa espaço para a umidade no interior do cabelo, por isso pode causar um efeito rebote tra- zendo efeitos adversos, ou seja, o cabelo fica com aspecto seco e quebradiço, sendo que há casos em que os fios quebram por tanto excesso. E isso acontece da mesma forma quando se realiza muita hidratação, que seria reposição de umidade, sendo que, neste caso,o excesso de umidade tam- bém pode fazer com que o cabelo se torne quebradiço. Encontrar um equilíbrio entre reconstrução e hidratação é o ideal para manter a saúde capilar. De modo geral, se o cabelo tem alta porosidade, precisa de mais proteína e, caso tenha baixa elasticidade, precisa de mais hidratação. Sendo assim, a variação uniforme entre os tratamentos de proteína e de hidratação é fundamental. Cabelo normal e cabelo danificado Cutícula fechada normal Cutícula aberta porosa Cutícula extra porosa Para determinar a porosidade, um teste muito utilizado é colocar um fio limpo e sem produtos cosméticos em um recipiente com água e aguardar alguns segundos. Se o fio de cabelo flutuar, é porque tem baixa porosidade. Caso o fio afunde e flutue, alternando entre as ambas as posições na água, significa que tem porosidade média, o que é bom. Caso o fio afunde completamente, está com alta porosidade e necessita de tratamentos de proteína, ou seja, de reconstrução. © s ea m in d2 24 / / S hu tt er st oc k. © C lw eb A R T / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . Corte e Modelagem de Cabelo126 Para determinar a elasticidade, é preciso puxar um fio de cabelo e segurar em cada extre- midade. É necessário puxar suavemente em dire- ções opostas, tentando ver até onde é possível esticar o cabelo sem quebrá-lo, e também para ver se o fio voltará ao tamanho original. Após apli- car pouca pressão, pode-se soltar uma das pontas. Se o cabelo se encaixar imediatamente, está com baixa elasticidade, ou seja, necessita hidratação. Se o cabelo esticar um pouco e depois quebrar é por- que está precisando dereconstrução. Os produtos de modelagem não interferem neste teste. Uma boa frequência para a cliente que está apenas fazendo manutenção é fazer tra- tamento de umidade semanalmente e tratamento de proteína uma vez por mês. Então, basicamente, são três hidratações e uma reconstrução realizadas mensalmente. Isso per- mite reduzir o nível de porosidade e aumentar o nível de elasticidade, mantendo o cabelo equilibrado em seus níveis de umidade, proteína e melhorando a haste capilar em geral. 7.2.2. Benefícios aos cabelos Muitos tratamentos disponíveis no mercado trazem benefícios significativos aos cabelos. Com o passar o tempo, os cabelos perdem propriedades importantes para se manterem saudá- veis e, por isso, os tratamentos capilares são importantes para devolução dos nutrientes. Tratamentos frequentes nos cabelos trazem benefícios consideráveis como redu- ção de frizz, diminuição do ressecamento, manutenção da umidade, aumento dos lipídios, redução dos danos causados pelos agentes externos, aumento da duração da coloração, evitando, assim, o rompimento das fibras capilares e promovendo maior penteabilidade e fechamento das cutículas. Dica Para manter os cabelos saudáveis, o profissional pode indicar para os clientes um cronograma capilar, produzido de acordo com as necessidades de tratamento e variações para que o cabelo possa se manter hidratado e sadio dentro de um período de tempo, sendo que os procedimentos podem ser feitos semanalmente ou mensalmente. © S ta si qu e / / S hu tt er st oc k. https://www.shutterstock.com/pt/g/seoterra 127Corte e Modelagem de Cabelo Com o tratamento correto, os benefícios ao cabelo podem ser vistos a olho nu, por meio do crescimento dos fios, da integridade da fibra e da reflexão de brilho. Para isso, é preciso conhecer quando e qual tratamento utilizar em cada caso, já que nos dias atuais existem tratamentos direcionados para cada necessidade capilar. 7.3. Frequência de tratamentos A solução para reduzir os danos que os cabelos sofrem é realizar tratamen- tos regularmente. Tratamentos de hidrata- ção e reconstrução profunda são essenciais, especialmente quando se trata de cabelos químicamente tratados. Temos como exemplo os fios coloridos que, se não tratados regularmente, não man- tém a cor. Por isso, o tratamento profundo é essencial. Ele adiciona umidade ao cabelo, o que ajuda a tornar os fios mais fortes, mais saudáveis e brilhantes. Para ficar em dia com a saúde dos cabelos, a frequência ideal é de 1 a 2 vezes por semana, dependendo das con- dições da fibra. Mais que duas vezes semanais pode comprometer a saúde dos fios por excesso de tratamento, considerando o tipo de cabelo dos clientes, como veremos a seguir. 7.3.1. Cabelos secos Os cabelos secos necessitam de mais produtos para hidratação e umectação pelo fato de o couro cabeludo não produzir óleo natural suficiente para hidratar o cabelo. Isso pode ser hereditário ou pode ser algo que acontece ao longo do tempo à medida em que ocorre o envelhecimento. Ao passar dos anos, a taxa de produção de óleo do corpo diminui naturalmente, levando a pele a ficar seca e, claro, os cabelos também. É possível que a condição ou estrutura do cabelo esteja fazendo com que a umi- dade diminua, o que leva ao ressecamento do cabelo. O fio de cabelo é composto por três principais partes, entre elas temos no centro, a medula, que é a estrutura de suporte, envolvendo a medula está o córtex, que forma a camada intermediária e o córtex dá ao cabelo elasticidade e ondulação. © y om og i1 / / S hu tt er st oc k. © p ro gr es sm an / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo128 Estrutura do couro cabeludo Epiderme Derme Veias de sangue Camada subcutânea Eixo do cabelo Glândula sebácea Bulbo de cabelo Folículo capilar Cercando e protegendo o córtex está a cutícula. A estrutura da cutícula tem um formato similar ao de telhas sobrepostas. Quando as telhas são compactas, o cabelo parece brilhante e a umidade não consegue sair de dentro dos fios. Quando as telhas estão soltas ou desalinhadas, os cabelos podem parecer opacos, quebradiços e ressecados. Assim, é mais fácil que a umidade natural saia da estrutura interna, o que leva a cabelos secos e enfraquecidos. 7.3.2. Cabelos mistos Existem vários fatores que podem contri- buir com os cabelos mistos: o clima, os cosmé- ticos que estão sendo utilizados e ação química, entre outros. As pessoas com couro cabeludo oleoso e pontas secas possuem uma grande difi- culdade de tratar os cabelos, não por não saber que produto usar, mas por desconhecer peque- nas ações que podem minimizar essa variação, normalizando a haste capilar e o couro cabeludo. Quando se trata de cabelos mistos, a melhor maneira de tratá-los é utilizar produtos de diferentes propriedades em cada área específica. Temos como exemplo o cabelo enca- racolado e crespo, que pode ficar oleoso nas raízes à medida que o óleo se acumula ali e não tem a chance de percorrer o fio de cabelo. Neste caso, como o óleo é impedido pela própria fibra capilar de percorrer pelo comprimento e pontas, a melhor medida é a umecta- ção em toda a fibra capilar. © r El le n B ro ns ta yn / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . © a nd ri an o. cz / / S hu tt er st oc k. 129Corte e Modelagem de Cabelo Casos como o ressecamento do comprimento e pontas por processos químicos e aumento de oleosidade podem também ser decorrentes de procedimentos químicos, como as escovas progressivas. Nesse caso, o indicado é uma alternação de reconstrução com hidratação na haste capilar combinada com o uso de produtos adstringentes apenas no couro cabeludo. Desta forma, a regularização sebácea é promovida sem agredir os fios. Pausa para refletir Sabemos que existem processos químicos que agridem o couro cabeludo e a haste de forma tão agressiva capaz alterar características fisiológicas importantes para o cliente. Como devemos proceder para evitar este tipo de alteração, já que na maioria das vezes elas não são saudáveis? 7.3.3. Cabelos oleosos A pele do couro cabeludo, assim como a pele do resto do corpo, está cheia de poros ligados a glândulas sebáceas. Essas glândulas sebáceas secretam o óleo natural chamado sebo. Este sebo é essencial para manter o cabelo macio, suave e saudável. No entanto, às vezes, as glândulas podem começar a produzir sebo em quantidade excessiva, o que resulta em um cabelo oleoso. Cabelos finos podem ser mais oleosos, pois o óleo que é secretado pelo couro cabe- ludo não se mistura a uma quantidade de cabelos suficientes para absorvê-lo. Os fios lisos possuem uma tendência a serem mais oleosos, pois o sebo percorre toda a fibra uniforme- mente e não é absorvido totalmente. Os fatores genéticos também influenciam nas condi- ções gerais do couro cabeludo. Se um dos pais tiver cabe- los oleosos, há uma grande chance desta característica ser transmitida para o filho. Usar em excesso qualquer produto de cabelo, seja condicionador, fluído, gel de cabelo, cera de cabelo, mou- sse e afins também pode fazer com que o cosmético se acu- mule no couro cabeludo e cause a oleosidade excessiva.O problema pode ser ainda maior se estes produtos forem à base de álcool. Estes produtos, misturados com o óleo natural, podem pesar no cabelo e torná-lo oleoso.© R om an S am bo rs ky i / / Sh ut te rs to ck .. Corte e Modelagem de Cabelo130 Para os fios oleosos, a lavagem diária auxilia no controle da oleosidade excessiva. Existem produtos apropriados para esse tipo de fios, mas é importante o tratamento por tempo determinado para controle do problema.Produtos à base de argila, melaleuca e cetoconazol são importantes para o tratamento, pois auxiliam na regulação da glândula sebácea. Exemplo disso são xampus à base de cetoconazol, que melhoram de forma sig- nificativa o couro cabeludo com oleosidadeexcessiva, descamação e caspa. Associar um xampu como este, com uma máscara de tratamento dos fios, sem aplicar na raiz, deixa os cabelos oleosos saudáveis e com reflexão de brilho. Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa conceitual destacando os principais pontos abordados ao longo do capítulo para manter o fio capilar sadio. Ao produzir seu mapa conceitual, considere as leituras básicas e complementa- res realizadas. Recapitulando Nos salões de beleza estão disponíveis diversos serviços. Aos profissionais cabe a tarefa de orientar e diferenciar quando usar cada tratamento. Entender o que os cabelos precisam é um dos pontos principais, que não devem ser deixados de lado no momento da anamnese. É comum a venda de tratamento à base de queratina nos salões e isso precisa ser realizado com cautela. Queratina em excesso ou utilizada em cabelos que não precisam de reconstrução pode enrijecer os fios ao ponto de provocar a quebra da haste capilar. As necessidades dos cabelos e a atuação correta com os produtos são propriedades que dife- renciam os principais tratamentos capilares. Sendo assim, podemos, por exemplo, verificar se o cabelo está quebradiço ou ressecado para definir os principais tratamentos, que são a recontrução e a hidratação. Os processos químicos, que agridem o couro cabeludo e a haste capilar, necessitam de uma anamnese capilar e tratamento adequado para evitar danos. Devem ser feitos e tratados com atenção, pois da mesma maneira que os procedimentos trazem beneficios, senão forem direcionados corretamente, podem danificar a fibra capilar. 131Corte e Modelagem de Cabelo Referências BARSANTI, L. Dr. Cabelo: saiba tudo sobre os cabelos: estética, recuperação capilar e pre- venção da calvície. São Paulo: Elevação, 2009. BEDIN, V. Filtro solar e cabelos. Cosmetics & Toiletries. v. 17, nov.- dez. 2005. BIONDO, S.; DONATI, B. Cabelo:cuidados básicos, técnicas de corte,coloração e embele- zamento. 3. ed. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 2003 CINTRA, R. Cortes de Cabelo: Técnicas e Modelagem. São Paulo: Editora CengagelearningIv, 2010. ______. Como seu Cabelo pode Transformar seu Visual. São Paulo: Editora Aleph, 2011. GOMES R. K.; GABRIEL, M. Cosmetologia descomplicando os princípios ativos. 2006. KOHLER, R. DE C. O. A química da estética capilar como temática no ensino de química e na capacitação dos profissionais da beleza, Dissertação de mestrado, Universidade Fede- ral de Santa Maria - RS, 2011. Disponível em: http://cascavel.cpd.ufsm.br/tede/tde_busca/ arquivo.php?codArquivo=3577. Acesso em: 17 de Outubro de 2018. HALAL, J. Dicionário de Ingredientes de Produtos para Cuidados com o Cabelo.São Paulo: Editora Cengagelearning, 2011. ______. Tricologia e a química cosmética capilar.São Paulo: Cengagelearning, 2012. MANSUR, C; GAMONAL, A. Cabelo normal, IN: KEDE, M.P. V.; SABATOVICH, O. Dermato- logia Estética. São Paulo; Atheneu, 2004. MARIANO, R. G. DE B. Extração do óleo da polpa de Pequi (caryocar brasiliense) por pro- cessos convencionais combinados com tecnologia enzimática. 2008. Disponível em: <tede. ufrrj.br/jspui/bitstream/tede/403/1/2008%20-%20Renata%20Gomes%20de%20Brito%20 Mariano.pdf > . Acesso em: 20 de Outubro de 2018. MARQUES, S. A História do Penteado. São Paulo:Editora Matrix, 2009. VITA, A.C. História da Maquiagem, da Cosmética e do Penteado. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2009. 133Corte e Modelagem de Cabelo OBJETIVOS DO CAPÍTULO • Entender as formas corretas de armazenamento e organização das ferramentas e local de trabalho. CAPÍTULO 8 Exigências da Vigilância Sanitária para salões Marília Bezerra de Carvalho TÓPICOS DE ESTUDO 1 Adequação do local de trabalho 3 Organização de produtos de maneira adequada • Organização do local de trabalho. • Normas e regulamento. • Armazenamento correto. • Registro na ANVISA. 2 Cuidados adequados e higienização dos materiais. • Materiais após a utilização. • Controle de infecções. Corte e Modelagem de Cabelo134 Contextualizando o cenário Para todo e qualquer tipo de serviço existe um órgão regulador que dita as regras e exigên- cias para que aquele trabalho seja prestado com qualidade, segurança e de acordo com a legislação do país. No Brasil existem dois órgãos reguladores: a Agência Nacional de Vigilân- cia Sanitária (ANVISA) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A legislação que regula a profissão de cabeleireiro, barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador é a mesma e entrou em vigor há alguns anos. Ela sofre alterações de tempos em tempos para melhor abranger alguns detalhes, mas se mantém em sua essência, sempre acompanhando as necessidades dos consumidores de acordo com as mudanças con- tínuas do mercado. Um desses paradigmas é o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990), que estabelece que a proteção da saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de serviços é um dos direitos básicos do freguês. Outros conjuntos de leis rele- vantes nesse contexto são o Código Penal, art.129 (das lesões corporais), e os artigos 949, 950 e 951 do Código Civil, que tratam da indenização no caso de lesão ou outra ofensa à saúde de outrem (BRASIL, 2009). Com base nessas leis foram criadas legislações que regula- mentam a profissão e seus pormenores. Considerando esse contexto: qual o objetivo e função de um órgão que fiscaliza serviços como os de beleza e estética? 135Corte e Modelagem de Cabelo 8.1. Adequação do local de trabalho Existem inúmeras exigências e legislações que discorrem sobre a adequação do local de trabalho no caso cabeleireiros e esteticista. Dentre elas, são de suma importância as exigências quanto ao espaço físico do estabelecimento e as normas que ele deve seguir. A ANVISA dá informações meticulo- sas em seus decretos, de forma que o dese- jado é que durante inspeções de rotina os estabelecimentos estejam 100% de acordo com a legislação. Caso contrário, podem ser aplicadas multas por descumprimento e também pode ser decretada a interdição temporária do estabelecimento até que as exigências sejam atendidas. Curiosidade Dentre as denúncias recebidas dos serviços de interesse à saúde nos estados de SP, RJ, CE, PR e DF, as relacionadas ao ramo de embelezamento e estética somam 52% do total (BRASIL, 2017). Os profissionais da área da beleza devem lembrar que a Lei n° 12.592 de 18 de janeiro de 2012 os reconheceu profissionalmente. Logo, possuem obrigação legal de seguir todas as normas sanitárias exigidas a nível federal, estadual e municipal. Um dos principais pontos presentes na legislação de muitos estados ou municípios, e que frequentemente é ignorado, é que o local em que se exerce a profissão de cabelei- reiro e afins deve ser independente e não ser parte de passagem de uma residência. Isso é prática comum, principalmente em bairros mais afastados nas grandes cidades e em cida- des pequenas e do interior. É frequente ver salões que tem seu espaço físico em garagens ou aposentos da residência do proprietário do salão. Portanto, muitos profissionais não respeitam as legislações vigentes, inclusive sobre onde e como deve ser as características específicas do seu espaço de trabalho. É importante compreender que a Vigilância Sani- tária local é responsável pelas características específicas dos salões de beleza. Por isso, é imprescindível consultar a legislação específica para cada Estado e município. O Estado de Santa Catarina, por exemplo, estabelece a proibição dos salões de beleza dependentes das residências por meio da Instrução Normativa n° 004/DIVS/2013. © P au l V as ar he ly i / / Sh ut te rs to ck . Cortee Modelagem de Cabelo136 8.1.1. Organização do local de trabalho Dentro da legislação há diversas exigências quanto ao alvará de funcionamento, especificações do ambiente, dimensões que cada ambiente deve ter, detalhes sobre as ins- talações e requisitos de higiene. No entanto, a estética e organização ficam em aberto e muito a critério dos profissionais do local. Porém, em qualquer negócio, organi- zação é primordial. Ter um espaço físico bonito e luxuoso, mas com profissionais desorganizados, com material de trabalho espalhado, equipe que não se comunica facilmente e com vários outros problemas acaba desvalorizando completamente o salão, fazendo com que o cliente tenha uma percepção ruim do estabelecimento. Treinamentos simples e reuniões com toda a equipe facilitam certos aspectos. Todos têm que estar em sintonia e com- preender quais as propostas que seu esta- belecimento de trabalho oferece. Seja você empregado, parceiro ou profissional de beleza, a organização é o melhor cartão de visitas que um profissional pode ter! 8.1.2. Normas e regulamento Para cada tipo de estabelecimento existem normas que devem ser cumpridas em diversos níveis (nacional, estadual e municipal) e que são atualizadas periodicamente. Hoje em dia não basta ter um alvará de funcionamento, a burocracia é um pouco maior e o des- cumprimento de tais leis gera prejuízos financeiros. É de fundamental importância que o proprietário e todos os seus colaboradores estejam cientes de seus direitos e deveres, apli- cando-os sempre. A ANVISA e a ABNT disponibilizam suas exigências e legislações vigentes assim como as atualizações em seus portais, estando sempre à disposição para consulta. Ou seja, é fácil e prático consultar essas normas, de forma que os órgãos esperam que tudo esteja con- forme o exigido em uma possível fiscalização. © J ill ia n C ai n Ph ot og ra ph y / / S hu tt er st oc k. © 9 dr ea m s tu di o / / S hu tt er st oc k. https://www.shutterstock.com/pt/g/9dreamstudio 137Corte e Modelagem de Cabelo Afirmação Todos os colaboradores da empresa devem estar aptos a realizar os serviços aos quais se propõem, mediante comprovação que se dará por meio de certificados ou outros documentos que atestem seus conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para a prestação dos serviços (ABNT, 2016). A vigilância sanitária regulamenta todos os quesitos que podem ou não estar pre- sentes de forma a garantir a segurança e a qualidade do serviço prestado para o cliente. A ABNT é o órgão brasileiro normalizador, que gere e cria normas e padrões técnicos que devem ser empregados para o bom funcionamento do negócio. 8.2. Cuidados adequados e higienização dos materiais Higiene é de fundamental importância para a saúde do cliente e do prestador de ser- viços. Limpeza de utensílios é de essencial, assim como manter bancadas, carrinhos e lava- tórios sempre limpos, organizados e sem materiais desnecessários. © s to at ph ot o / / S hu tt er st oc k. (A da pt ad o) . Corte e Modelagem de Cabelo138 Todos os materiais utilizados em todo e qualquer procedimento estético devem pas- sar por um processo de limpeza e esterilização após o atendimento de cada cliente. Isso é válido para os materiais reutilizáveis. Caso o equipamento seja descartável, deve ser utili- zado uma única vez. Os procedimentos de limpeza dos materiais de salão são diferentes dependendo de sua finalidade. Alguns utensílios precisam ser esterili- zados e acondicionados em plástico até seu próximo uso, é o caso de materiais perfuro cortantes como as tesouras. Outros neces- sitam apenas de uma higienização, como os pentes, escovas e toalhas. Cada estabelecimento deve ter seu Procedimento Operacional Padrão (POP) referente ao processo de limpeza para que todos os funcionários sejam capazes de executar o processo da mesma forma e para que o resultado seja consistente. Dica POP é um documento que detalha todos os passos para a realização de um pro- cesso para que o resultado seja sempre padronizado, independentemente de quem executa os passos. Quando se trata das ferramentas uti- lizadas apenas para corte e modelagem de cabelos, que não são descartáveis, deve- -se ter um cuidado maior para que não haja contaminação cruzada quando se utiliza a mesma ferramenta em mais de um cliente devido a falhas na higienização. Nesses casos uma higienização sim- ples, apenas com um detergente bactericida e água, é o suficiente, já que não há contato com sangue ou secreções. Em caso de serviços de manicure, pedicure e depilação é necessá- rio um processo de esterilização de fato. © G ol ub ov y / / S hu tt er st oc k. © R om an S us le nk o / / S hu tt er st oc k. 139Corte e Modelagem de Cabelo Doenças transmitidas por fungos (micoses), vírus (HIV e hepatite), infecções bacte- rianas graves e pediculose (doença parasitária provocada por piolhos) são alguns dos pro- blemas que podem acometer profissionais e clientes se o estabelecimento não seguir um regime de limpeza correto e diário. 8.2.1. Materiais após a utilização Após cada uso, as ferramentas de trabalho perfu- ro-cortantes não descartáveis devem ser devidamente lavadas e esterilizas em autoclave e armazenadas em embalagens próprias para materiais esterilizados até seu próximo uso; cada cliente tem direito a exigir material devidamente limpo, já que é sua saúde e bem-estar que estão em risco. Os Equipamento de Proteção Individual (EPI), que incluem touca, luva, avental e óculos de proteção tam- bém devem ser de uso único e descartados adequada- mente após seu uso. Quando houver uso de materiais como lâminas descartáveis, espátulas e agulhas, que também são materiais de uso único, estes devem ser descartados em recipiente próprio para esse tipo de item, e não em lixo comum, já que são perfuro-cortantes e podem apresentar riscos graves à saúde, como a trans- missão de doenças como hepatite e HIV. Pausa para Refletir Não seria um excesso de zelo esterilizar cada ferramenta após cada uso? 8.2.2. Controle de infecções Serviços de estética e embelezamento são considerados serviços de interesse para a saúde porque oferecem uma assistência ao consumidor, mesmo que essa assistên- cia seja opcional. A prestação de tal serviço representa também um risco para a saúde do consumidor. © C P D C Pr es s / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo140 Principais problemas 0% 10% 20% 30% 7% 8% 8% 10% 11% 11% 18% 24% Principais problemas Procedimentos internos Higiene Produtos Processamento de materiais e equipamentos Alvará sanitário Descumprimento da legislação federal Ambiência Estrutura física Fonte: ANVISA, 2016, p. 8. Por isso são realizadas tantas fiscalizações e há tantas exigências quanto à higiene e sanitização, com o objetivo de minimizar tais riscos tanto para o profissional quanto para o cliente em questão. Problemas em Salões de Beleza 0% 5% 10% 15% 20% 3% 7% 7% 10% 13% 17% 17% 18% Problemas em salões de beleza Produtos Processamento de materiais e equipamentos Procedimentos internos Higiene Descumprimento da legislação federal Cosméticos Alvará Atuação do pro�ssional 3% 3% 3%Uso de materiais e equipamentos Ambiência Estrutura física Fonte: ANVISA, 2016, p. 9. © D TC O M © D TC O M 141Corte e Modelagem de Cabelo Entre as questões que devem ser abordadas pelo salão está o controle de infecções, que pode ser feito de forma simples se forem adotados alguns hábitos no local de trabalho. Os profissionais devem estar cientes das normas e saber aplicar técnicas simples de higienização, assim como devem estar cientes das práticas adequadas e inadequadas no ambiente de trabalho. Essa é a melhor arma para controlar e evitar contaminações e infec- ções. A substituição de estufas por autoclaves também é um passo fundamental,já que é exigida por lei. O processo de esterilização com uso de calor, vapor e pressão é muito mais eficiente do que somente o uso de calor, como acontece na estufa. Denúncias por segmentos de estética e de embelezamentos 62% 35% 2% 1% Embelezamento (Salão de beleza) Estética Ambas atividades Outras atividades Fonte: ANVISA, 2016, p. 9. Os gráficos apresentados nesse tópico são do último relatório de denúncias em ser- viços de interesse para saúde que são periodicamente publicados pela ANVISA e mos- tram números alarmantes de denúncias e dados coletados em inspeções feitas pelo órgão. Nesse levantamento, os salões de beleza constam como os maiores responsáveis por denúncias e problemas de higiene. Pausa para Refletir Qual a razão do elevado índice de denúncias e reclamações relacionadas aos serviços de salão de beleza? 8.3. Organização de produtos de maneira adequada Os cosméticos são, dentre todas, provavelmente a mais importante e diversificada ferramenta de trabalho que o profissional na área de estética possui. Porém, dentre o grande número marcas e linhas com as mais diversas funções presentes no mercado, é difí- cil, até mesmo para um profissional, diferenciar quais produtos são seguros ou não. © D TC O M Corte e Modelagem de Cabelo142 Manter os produtos sempre organizados e estocados da maneira ideal ajuda tanto no controle do prazo de validade quanto na manutenção da eficácia do produto. Observar o prazo de validade dos itens e descartar corretamente os que já passaram do prazo é de suma importância. Um descuido com relação a esse tema pode acarretar em uso de produ- tos inadequados e pode gerar problemas em caso de inspeções, já que armazenar produtos vencidos é indício de uso dos mesmos, o que é ilegal. A forma como o profissional organiza seus produtos no salão fica a critério do mesmo, contanto que siga o previsto nas legislações. Além da ANVISA, a ABNT é o prin- cipal órgão normativo quando o quesito é organização, tendo algumas normas técnicas já publicadas que ajudam a guiar o profissional. Porém, esses documentos apenas dão dicas de como melhorar o ambiente e o atendi- mento, sendo de adesão voluntária. As principais normas referentes a esse tema são a NBR 16283:2015, que trata de terminologias usadas no ramo; a NBR 16383:2015, sobre os requi- sitos e boas práticas; e por fim, a NBR 16483:2015, que aborda as competências que cabem a cada profissional. Alguns pontos obrigatórios, por exemplo, o dever de armazenar produtos de limpeza separadamente dos produtos destinados a tratamentos nos clientes; instalação de ilumi- nação e conforto térmico adequados no ambiente; e utilização de superfícies feitas com materiais lisos, impermeáveis e facilmente higienizáveis. Todos os produtos também devem estar dentro do prazo de validade estabelecido, bem identificados e organizados de forma a ser facilmente manipulados, sem que haja enganos. © h ai re en a / / S hu tt er st oc k. https://www.shutterstock.com/pt/g/haireena 143Corte e Modelagem de Cabelo 8.3.1. Armazenamento correto Cada produto deve ser armazenado de forma correta para que mantenha-se estável e não sofra degradação. A forma ideal de armazenagem deve ser informada no rótulo pelo fabricante. De forma geral, os produtos devem ser acondicionados em local fresco e are- jado, sem incidência direta da luz sol, excesso de umidade ou luminosidade. Muitos com- postos químicos presentem em produtos de beleza são degradados em contato com a luz e calor, por isso grande parte das embalagens são foscas e não permitem a visualização de seu conteúdo. É sempre importante anotar a data de abertura da embalagem dos produtos. Alguns produtos de beleza apresentam prazo de validade curto, por isso devemos estar sempre atentos a sinais de que o produto não está mais próprio para uso. Mudanças de coloração, textura e odor são sinais claros e facilmente identificáveis de que está ocorrendo a degra- dação de compostos presentes no produto e de que o mesmo deve ser descartado. No Brasil, a data de validade deve estar gravada na embalagem do produto de forma clara e que não seja facilmente removida. Tal data é contada a partir do momento da fabri- cação do produto. Para cada tipo de produto esse prazo é contado de forma diferente: produtos que tem um contato maior com mucosas e secreções corporais, como lágrimas e saliva, tem validade mais curta, geralmente de seis meses. Outros, que possuem uma contaminação mais difícil, como cremes e loções, podem chegar a dois anos de validade a partir do momento de envaze. Produtos importados podem ter sua validade expressa de maneiras diferente. Produtos que atendem a legislação dos Estados Unidos têm seu prazo de validade contado a partir do momento que o consumidor viola a embalagem do produto, e não a partir do seu envaze. Esclarecimento O prazo de validade de produtos fabricados de acordo com a legislação dos EUA leva em consideração que enquanto a embalagem estiver lacrada a formulação está estável, pois possui conservantes e não está em contato com o ar, por isso só conta a validade a par- tir da abertura do produto. Nesse caso, a validade é indicada por símbolos com o número de meses durante os quais o produto é seguro para uso, e não por uma data. © Y eo ul K w on / / S hu tt er st oc k. Corte e Modelagem de Cabelo144 8.3.2. Registro na ANVISA Todo produto que possa vir a interferir na saúde do consumidor deve ter registro junto à ANVISA. O registro de cosméticos é válido por cinco anos e após esse prazo deve ser renovado. Porém, existem diferentes graus de risco nos quais cada produto se enqua- dra. Alguns itens, por apresentarem baixo risco à saúde, podem ser isentos de registro junto ao órgão. De acordo com a Anvisa, os produtos cosméticos (em conjunto com os produtos de higiene pessoal e perfumes) são classificados em produtos de Grau 1 e produtos de Grau 2. Os critérios para esta classificação são definidos em função da probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados, devido ao uso inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua utilização (ABNT/SEBRAE, 2016). Os produtos de ambos os grupos seguem o que preconiza a RDC nº 211, de 14 de julho de 2005: os de grau 1 se caracterizam por apresentar em sua composição compos- tos básicos, de ação conhecida e não necessitam de informações de uso muito detalhadas, sendo basicamente produtos considerados unicamente cosméticos, sem nenhum ativo em sua composição que previna ou trate algum aspecto específico. Contexto A CIR é uma lista de compostos de interesse para a indústria de cosméticos anali- sados e que tem sua segurança comprovada, a lista é livre para consulta e ajuda a utilizar os ingredientes de forma mais segura (HALAL, 2011). Não se enquadram nesse grupo produtos com fator de proteção solar, que tratam acne, antissépticos e afins. Os pertencentes ao grupo 2 são os que possuem em sua formulação compostos ati- vos com indicações específicas e exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, infor- mações adicionais e restrição de uso. Nesse grupo estão incluídos artigos para uso infantil, clareadores de pele, produtos com fator de proteção solar e afins. Halal (2011), ressalta ainda que, caso a segurança do produto não tenha sido garantida, é necessário trazer em destaque os seguintes dizeres como forma de alerta ao consumidor “Advertência: a segu- rança desse produto não foi determinada”. 145Corte e Modelagem de Cabelo Os artigos isentos de registro também devem conter tal informação em sua emba- lagem. Os itens que fazem parte dessa lista estão sempre sujeitos a revogação e são atualizados periodicamente pela RDC nº 07, que pode ser consultada no site da ANVISA. O órgão publica também a lista de corantes permitidos nas formulações dos cosméti- cos,para qual tipo de produto cada corante é permitido, além de concentração máxima permitida (HALAL, 2011). Proposta de Atividade Reforce seu aprendizado com o exercício sugerido a seguir. A atividade não é avaliativa, mas é uma boa oportunidade para testar seus conhecimentos e fixar o conteúdo estudado no capítulo. Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma apre- sentação breve sobre os riscos em serviços de embelezamento e como evitá-los destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir sua apresentação, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Recapitulando Órgãos reguladores, no geral, tem como função regulamentar e garantir a qualidade dos serviços sob sua jurisdição. No caso da ANVISA, o principal objetivo é assegurar, pro- mover e proteger a saúde da população por meio de ações corretivas. Seguir regulações básicas, que exigem a esterilização de materiais, por exemplo, é de suma importância e essencial para segurança do profissional e do cliente. O não cumprimento desses requisitos é o que acarreta o elevado número de denúncias à Vigilância Sanitária. Normas de conduta e legislação são guias disponíveis para ajudar os profissionais a prestar o melhor serviço possível da maneira mais correta. Dessa forma, ao analisarmos todos os pormenores e métodos obrigatórios, verificaremos que nenhuma precaução é excessiva visto que a reutilização de materiais pode, na melhor das hipóteses, causar uma contaminação cruzada, e que ela também implica no risco de transmissão de doenças pos- sivelmente fatais, como a hepatite e o HIV. © S un flo w er r / / Sh ut te rs to ck . Corte e Modelagem de Cabelo146 As denúncias são muitas e não se restringem apenas à falta de higiene, mas abran- gem pontos mais graves, como a reutilização de materiais descartáveis, uso de produ- tos com formol para alisamento e utilização de produtos fora do prazo de validade. Essas reclamações são graves e que podem ser evitadas se a legislação for seguida à risca, evi- tando-se assim riscos à saúde do cliente e prejuízos ao estabelecimento. 147Corte e Modelagem de Cabelo Referências ABNT, SEBRAE. Salão de beleza: Guia de boas práticas. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Rio de Janeiro: ABNT; Sebrae, 2016. BRASIL (ABNT). NBR 16383, Salão de beleza: Requisitos de boas práticas na prestação de serviços, 2016. ______ (ANVISA). Referência técnica para o funcionamento dos serviços de estética e embelezamento sem responsabilidade médica. Brasília, dezembro de 2009. ______ (ANVISA). Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012. Dispõe sobre o exercício das ati- vidades profissionais de Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 18 de janeiro de 2012. ______ (ANVISA). Relatório Semestral Denúncias em Serviços de Interesse Para a Saúde. 4. ed. Dezembro, 2016. Disponível em: <portal.anvisa.gov.br/documents/33852/2971573/4 %C2%AA+Edi%C3%A7%C3%A3o+-+Relat%C3%B3rio+de+Den%C3%BAncias+em+Servi %C3%A7os+de+Interesse+para+a+Sa%C3%BAde+-+Dezembro+2016/fcce07ac-4af9-4ddf- bb8b-20022b45a21d> Acesso em: 29/04/2018. ______ (ANVISA). Relatório Semestral Denúncias em Serviços de Interesse Para a Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, dez de 2016. Disponível em: <portal.anvisa.gov. br/documents/33852/2971573/4%C2%AA+Edi%C3%A7%C3%A3o+-+Relat%C3%B3rio +de+Den%C3%BAncias+em+Servi%C3%A7os+de+Interesse+para+a+Sa%C3%BAde+- +Dezembro+2016/fcce07ac-4af9-4ddf-bb8b-20022b45a21d> Acesso em: 30/04/2018. HALAL, J. Dicionário de Ingredientes de Produtos para Cuidados com o Cabelo. São Paulo: Editora Cengage learning, 2011. Corte e Modelagem de Cabelo148 UNIVERSIDADE Apresentação A Autoria Capítulo 1 Conhecendo o mercado de trabalho Contextualizando o cenário 1.1. História da Profissão 1.1.1. A evolução através dos tempos 1.1.2. As mudanças de padrões 1.2. Profissão na atualidade 1.2.1. Era de transformação 1.2.2. A evolução dos profissionais de beleza Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 2 Compreendendo o bom atendimento Contextualizando o cenário 2.1. Elaborando a ficha de diagnóstico 2.1.1. Comunicação 2.1.2. Avaliando as características 2.2. Tipos de cabelo de acordo com sua forma 2.2.1. Avaliando a textura capilar 2.2.2. Densidade capilar 2.2.3. Condições da fibra capilar 2.3. Classificação dos formatos de rosto 2.3.1. Os sete tipos de rosto 2.3.2. A divisão facial Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 3 Execução das técnicas de lavatório Contextualizando o cenário 3.1. A lavagem capilar 3.1.1. Massagem Capilar 3.1.2. Turbante 3.2. Utilização do produto adequado 3.2.1. Tipos de xampus 3.2.2. Tipos de condicionador 3.2.3. Máscara capilar Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 4 Especificações dos cortes de cabelo Contextualizando o cenário 4.1. Tipos de tesoura 4.1.1. Fio navalha 4.1.2. Fio laser 4.1.3. Barracuda 4.2. Conceitos de geometria 4.2.1. Divisão 4.2.2. Angulação 4.3. Finalização de corte 4.3.1. Escova lisa 4.3.2. Escova modelada Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 5 Preparando o cabelo para penteados Contextualizando o cenário 5.1. Produtos para modelagem, fixação e finalização 5.1.1. Mousse 5.1.2. Spray Fixador 5.1.3. Silicone 5.1.4. Pomada 5.2. Preparação com prancha e babyliss 5.2.1. Finalizando com a prancha 5.2.2. Enrolamento italiano 5.2.3. Enrolamento tradicional 5.3. Enrolamento com bobes 5.3.1. Bob pequeno 5.3.2. Bob médio 5.3.3. Bob grande 5.4. Preparação com bucles 5.4.1. Caracóis 5.4.2. Variações do bucle Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 6 Arquitetura do penteado Contextualizando o cenário 6.1. Penteados presos 6.1.1. Ponto de fixação 6.1.2. Limpeza do penteado 6.2. Penteados semipresos 6.2.1. Proporção do penteado 6.2.2. Acabamento 6.3. Tranças 6.3.1. Trança embutida 6.3.2. Trança exposta 6.3.3. Trança escama de peixe Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 7 Ativos na composição dos produtos de tratamento capilar Contextualizando o cenário 7.1. Hidratação 7.1.1. Emolientes 7.1.2. Uso correto da máscara capilar 7.2. Reconstrução 7.2.1. Queratina 7.2.2. Benefícios aos cabelos 7.3. Frequência de tratamentos 7.3.1. Cabelos secos 7.3.2. Cabelos mistos 7.3.3. Cabelos oleosos Proposta de Atividade Recapitulando Referências Capítulo 8 Exigências da Vigilância Sanitária para salões Contextualizando o cenário 8.1. Adequação do local de trabalho 8.1.1. Organização do local de trabalho 8.1.2. Normas e regulamento 8.2. Cuidados adequados e higienização dos materiais 8.2.1. Materiais após a utilização 8.2.2. Controle de infecções 8.3. Organização de produtos de maneira adequada 8.3.1. Armazenamento correto 8.3.2. Registro na ANVISA Proposta de Atividade Recapitulando Referências _17dp8vu _cdooamrez2qt _lnxbz9 _35nkun2 _1pxezwc _3o7alnk _GoBack _lnxbz9 _1ksv4uv _44sinio _2jxsxqh _3whwml4 _2bn6wsx _3dy6vkm _1t3h5sf _3dwx4wntbry6 _17dp8vu _1t3h5sf _4d34og8 _3dwx4wntbry6 _17dp8vu _3rdcrjn _t302imuu3brs _1ksv4uv _44sinio _2jxsxqh _3whwml4 _2bn6wsx _qsh70q _3as4poj _1pxezwc _1t3h5sf _17dp8vu _GoBack _3rdcrjn _26in1rg _lnxbz9 _t302imuu3brs _1ksv4uv _44sinio _2jxsxqh _z337ya _mrvbhuu7ts6w _1y810tw _2bn6wsx _qsh70q _1pxezwc _jetqs1cjlk28 _3dy6vkm _1t3h5sf _4d34og8 _3dwx4wntbry6 _17dp8vu _3rdcrjn _1ksv4uv _44sinio _2jxsxqh _3whwml4 _2bn6wsx _qsh70q _3dy6vkm _1t3h5sf _3dwx4wntbry6 _17dp8vu _3rdcrjn _26in1rg _1ksv4uv _44sinio _2jxsxqh _2bn6wsx _1pxezwc _jetqs1cjlk28 _3495k9gee7lb _3dy6vkm _1t3h5sf _4d34og8 _3dwx4wntbry6 _17dp8vu _3rdcrjn _t302imuu3brs _1ksv4uv _44sinio _2bn6wsx