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Gestão do Meio Ambiente - 3 Parte (Introdução a Ciência do Ambiente para Engenheiros)

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corpos d’água, resultante do carreamento de 
materiais na atividade de mineração. 
 
114 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
16.1.9. IMPACTO TEMPORÁRIO 
 
Quando, uma vez executada a ação, a modificação do fator ambiental considerado, tem duração 
determinada. Os ruídos gerados na fase de construção de um empreendimento. 
 
16.1.10. IMPACTO PERMANENTE 
 
Quando, uma vez executada a ação, os efeitos não cessam de se manifestar num horizonte tem-
poral conhecido. Retenção de sólidos em transporte nas barragens. 
 
 
16.2. IMPACTO AMBIENTAL DE UM PROJETO 
 
O impacto ambiental de um projeto pode ser definido como a diferença entre a situação do meio 
ambiente modificado, tal como resultaria depois de realização do projeto, e a situação do meio 
ambiente futuro, tal como havia evoluído normalmente sem tal atuação. 
 
A necessidade de se implantar avaliações de impactos ambientais, surgiu da inadaptação dos 
métodos tradicionais de avaliação de projetos, que não consideravam a proteção do meio físico, 
nem o uso racional dos recursos naturais, nem tão pouco os aspectos sociais de um dado projeto. 
Desse modo, a AIA veio com o propósito de evitar possíveis erros e deteriorações ambientais, 
custosos de se corrigir depois. 
 
A AIA de um projeto é realizada através do Estudo de Impacto Ambiental - EIA, onde se pro-
move a identificação, previsão e valoração dos impactos e a análise das alternativas para a ativi-
dade em estudo, cujos resultados são apresentados na forma de Relatório de Impacto Ambiental - 
RIMA. 
 
 
16.3. ATIVIDADES MODIFICADORAS DO MEIO AMBIENTE 
 
Uma relação completa das atividades modificadoras do meio ambiente passíveis de uma avalia-
ção de impacto ambiental é difícil de se estabelecer, posto que o impacto global depende de vá-
rios fatores, dentre os quais selecionam-se como mais significativos, para estabelecimento de 
critérios de seleção dessas atividades, os seguintes: 
 
♦ impacto físico (qualitativo e quantitativo); 
♦ extensão da área de influência; 
♦ utilização de recursos naturais. 
 
Segundo a Resolução CONAMA no 001/86, ficam obrigados a elaborar EIA/RIMA, para obten-
ção de licenciamento, as seguintes atividades modificadoras do meio ambiente: 
 
♦ estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; 
♦ ferrovias; 
♦ portos, terminais de minério, petróleo e produtos químicos; 
♦ aeroportos, conforme definidos pelo inciso I, artigo 4o, do Decreto-Lei no 32/66; 
♦ oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; 
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♦ linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230Kv; 
♦ obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragens para fins hidrelé-
tricos (acima de 10 MW), de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, 
drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, abertura de barras e embocaduras, transpo-
sição de bacias, diques; 
♦ extração de minérios, inclusive os de classe II, definidos no Código de Mineração; 
♦ extração de combustível fóssil ( petróleo, xisto ou carvão); 
♦ aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; 
♦ usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte primária, acima de 10MW; 
♦ distritos industriais e zonas estritamente industriais - ZEI; 
♦ complexo de unidades industriais e agro-industriais ( petroquímicos, siderúrgicos, cloroquí-
micos e destilarias de álcool ); 
♦ exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas de 100 hectares ou menores, quando 
atingir áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambi-
ental; 
♦ projetos urbanísticos, acima de 100 hectares ou em áreas consideradas de relevante interesse 
ambiental, a critério do IBAMA e dos órgãos estaduais e municipais competentes; 
♦ qualquer atividade que utiliza carvão vegetal, derivados ou produtos similares, em quantidade 
superior a dez toneladas por dia. 
♦ projetos agropecuários que contemplem áreas acima de 1.000ha ou menores, neste caso, 
quando se tratar de áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de 
vista ambiental, inclusive nas áreas de proteção ambiental (Resolução CONAMA no 011/86). 
 
A rigor, o Poder Público pode pedir um EIA/RIMA para todo e qualquer tipo de empreendimento 
não listado. O SELAP-PB, além das atividades supra citadas, segue a listagem do Decreto Esta-
dual no 13.798/90. 
 
 
16.4. VANTAGENS DA AIA 
 
Na avaliação de impacto ambiental é fundamental ter em conta as diversas vantagens econômicas 
que apresenta. Estudos realizados pela Comunidade Européia mostram que o custo das ações 
preventivas, incluindo nele o EIA, é inferior aos custos da contaminação e deterioração por im-
pactos ambientais não previstos, sem levar em conta, ainda, que é muito melhor prevenir do que 
corrigir. 
 
As experiências realizadas mostram que o custo das AIA’s é muito baixo. Na Holanda, situa-se 
em 0,25% do custo total da obra. Na França, entre 0,25 e 0,75%; nos Estados Unidos, 0,19%; e, 
em mais 18 países onde esta questão foi levantada, o custo médio situou-se em torno de 0,50% 
do custo total da obra. Considerando que estes custos tendem logicamente a diminuir, como 
conseqüência da melhoria dos conhecimentos, a disponibilidade de dados, os serviços de infor-
mação, a qualificação de pessoal especializado e pelo efeito repetição, pode-se afirmar que sua 
implantação não é tão dispendiosa. 
 
Outra vantagem econômica, é o fato de que a aplicação do procedimento não supõe um alarga-
mento dos prazos de execução da obra. O custo da obra é influenciado pelo tempo necessário 
para projetá-la, autorizá-la e realizá-la. Este tempo pode ser encurtado, graças a uma concepção 
correta da obra sob o ponto de vista ambiental, pois isso pode permitir reduzir ou evitar os atra-
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sos desnecessários derivados do público em geral, assim como dos órgãos competentes, uma vez 
que estes participam do processo de decisão. Esta participação conduz a um processo de decisão 
mais transparente e seguro, evitando os recursos administrativos e judiciais, geralmente demora-
dos e dispendiosos. 
 
 
16.5. INCERTEZAS DA AIA 
 
Na avaliação de impactos as incertezas são muitas, e, portanto, há necessidade de se preparar pa-
ra especificá-las. As principais causas de incertezas são as seguintes: 
 
♦ variabilidade estocástica dos fenômenos ambientais. Há que se considerar uma série de con-
tingências e sinergias difíceis de valorar; 
♦ conhecimento inadequado ou incompleto do comportamento dos componentes do meio; 
♦ falta de dados de base e informações da zona ou problema a avaliar, o que obriga a trabalhar 
com grandes lacunas. 
 
Estas incertezas são maiores quando a avaliação se projeta a longo prazo. Por isso, é necessário 
que o avaliador inclua um capítulo que detalhe as possíveis incertezas com as quais se tenha de-
parado a equipe de trabalho e, se possível, faça uma previsão dos riscos e da forma como enfren-
tá-los. A análise de riscos, por sua vez, é exigida pelo órgão ambiental na AIA, sempre que a ati-
vidade incorrer em risco de acidentes. 
 
Devido a tais incertezas, na avaliação se majoram enormemente os dados de risco, com o objeti-
vo de cobrir estas lacunas. Desse modo, a vigilância contínua dos parâmetros do meio ambiente e 
a avaliação dos ecossistemas, deverá formar parte integrante do sistema de análise do meio am-
biente. Isto é necessário para proporcionar um banco de dados e análises técnicas para avaliar 
posteriormente as decisões específicas. A vigilância e a avaliação são essenciais para a redução 
dos riscos e a tomada de decisão, quando se quer proteger e melhorar a qualidade do meio ambi-
ente. 
 
 
16.6. CRITÉRIOS PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDO DE IMPACTO

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