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1 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
Classificação e tratamento de feridas 
 
Camadas: 
 Epiderme 
⤷ Camada mais externa 
⤷ Avascular 
⤷ Fina 
⤷ Células de Langherans, 
melanocitos, queratina e células de 
merkel. 
 
 Derme 
⤷ Força e estrutura 
⤷ Sustentação da epiderme 
⤷ Fibras elásticas e colágenas 
⤷ Vasos sanguíneos, nervos, 
glândulas sudoríparas e sebáceas 
 
 Hipoderme 
⤷ Reserva nutritiva e energética 
⤷ Temperatura 
⤷ Proteção 
 
 
Obs.: Quando fazer sutura na pele, lembrar de não 
apertar muito, pois pode prejudicar a circulação 
sanguínea e isquemiar a região da pele. 
Função: 
 Proteção, secreção, excreção, 
absorção, termorregulação, 
sensação. 
 Imagem corporal 
 
Feridas 
Qualquer lesão no tecido epitelial, mucosas 
ou órgãos com prejuízo de suas funções 
básicas. 
 
Quanto: 
 Tempo 
 Agente causal 
 Grau de contaminação 
Tempo 
 Feridas agudas: 
 Cirurgias ou traumas 
⤷ Respondem rapidamente ao 
tratamento e em geral 
cicatrizam sem complicações. 
 
 Feridas crônicas: 
 Cicatrização lenta 
 Longa duração (ferida aberta) 
⤷ Apresentam complicações no 
processo e sequencia 
ordenada da reparação 
tecidual. 
⤷ Fatores: deficiência nutricional, 
deficiência de irrigação 
sanguínea (ulceras vasculares), 
Agente causal 
 Lesões cirúrgicas 
 Produzidas por um instrumento 
cortante, limpas, com bordas 
ajustáveis e passíveis de 
reconstrução 
 
 Lesões traumáticas 
 Provocadas acidentalmente 
 Mecânicos: 
1) Lacerantes: produzidas por 
tração – rasgo tecidual que 
resulta em pequena 
abertura da pele possuem 
margens irregulares e com 
mais de um ângulo; 
ANATOMIA DA PELE 
CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS 
 
2 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
2) Perfurantes: produzidas por 
objetos pontiagudos que 
levam a pequenas aberturas 
na pele. Há um predomínio 
da profundidade sobre o 
comprimento; 
3) Contusas: produzidas por 
objeto rombo (ex.: 
pancadas) e características 
por traumatismo das partes 
moles, hemorragia e edema. 
Obs.: podem ser combinadas. 
 Químicos (iodo, cosméticos, ácido 
sulfúrico, etc.) 
 Físico (frio, calor, radiação) 
 Lesões Ulcerativas 
⤷ Escavadas 
⤷ Circunscritas na pele 
⤷ Formadas pela morte e 
expulsão do tecido (bactérias). 
⤷ Resultantes de traumatismo ou 
doenças relacionadas como 
impedimento do suprimento 
sanguíneo. 
⤷ Podendo ser decorrentes de 
pressão, alterações vasculares e 
complicações do DM. 
 
Perfurante Perfuro-contundente 
 
Grau de contaminação 
 Limpas: 
 Não apresentam sinais de infecção 
e feitas em condições assépticas. 
 Probabilidade de infecção é baixa. 
 
 Limpas-contaminadas: 
 Apresentam contaminação 
grosseira, como em casos de 
acidente doméstico ou em 
situações cirúrgicas em que houve 
contato com o trato genital, por 
exemplo, porém a situação ainda é 
controlada. 
 
 Contaminadas 
 Toda cirurgia com mais de 6h, é 
considerada não suturável 
(cicatrização de segunda 
intenção, dá alguns pontos para 
ajudar a cicatrizar). 
 Feridas acidentais com mais de 6h 
de trauma, onde a ferida entrou em 
contato com fezes ou urina. 
 
 Infectadas 
 São aquelas que apresentam sinais 
nítidos de infecção como edema, 
calor, rubor e dor. 
 
 Feridas com perda parcial de tecido 
(superficiais) 
 Ferida com perda total de tecido 
(profundas) 
 
 Condições físicas e sistêmicas 
 Localização anatômica da ferida 
 Características: 
⤷ Forma 
⤷ Tamanho 
⤷ Profundidade 
⤷ Margens 
⤷ Pele perilesional 
Tipos de tecido 
 Tecido viável: 
 Tecido de granulação 
 
 Tecido inviável: 
 Tecido desvitalizado 
⤷ Necrose 
⤷ Esfacelo 
COMPROMETIMENTO TECIDUAL 
AVALIAÇÃO DE FERIDAS 
 
3 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
 
Esfacelo 
 Tecido necrosado de consistência 
delgada 
 Coloração amarela 
 Formado por bactérias 
 Fibrina, elastina, colágeno, leucócitos 
intactos, fragmentos celulares, 
exsudato e grandes quantidades 
 Podem estar firmes ou frouxamente 
aderidos no leito e nas bordas da 
ferida. 
 
 
 
Gangrena de Fournier – pacientes diabéticos 
 
Pacientes ficam em média 20-30 dias 
internados, fazendo curativos diários, 
debridamento, sondados para que a urina 
não contamine a ferida. Geralmente se faz 
colostomia (colón descendente exteriorizado 
na parede abdominal). 
Obs.: Mulheres diabéticas – fasciítes 
necrosantes. 
Mensuração da lesão 
Extensão (cm2): comprimento x largura 
 
Profundidade: 
 
Deslocamento: 
 
 
Região perilesional 
 Fornece informações referentes às 
condições da etiologia; 
 Influencia o processo de cicatrização 
 Planejamento das intervenções 
 Avaliar o aspecto da pele (íntegra, 
macerada, endurecida, queratose) 
 Cor (hiperemia, esbranquiçada) 
 Temperatura (normal, quente, fria) 
 Pulso (ausente, fraco, normal) 
 
Área com queratose deve ser removida, 
para que aconteça a cicatrização. 
 
 
4 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
Úlceras de pressão: 
 
 
Lesões por pressão: 
 Estágio 1: 
 Pele integra com eritema que não 
embranquece. 
 
 Estágio 2: 
 Perda da pele em sua espessura 
parcial com exposição da derme 
 
 Estágio 3: 
 Perda da pele em sua espessura 
total 
 Gordura é visível 
 Tecido de granulação, esfacelo 
e/ou necrose pode estar visível. 
 
 
 Estágio 4: 
 Perda da pele em sua espessura 
total 
 Perda tissular 
 Exposição ou palpação direta da 
fáscia, musculo, tendão, ligamento, 
cartilagem ou osso. 
 
 Não classificável: 
 Perda da pele em sua espessura 
total 
 Perda tissular não visível 
 
 Tissular profunda: 
Coloração vermelho escura, marrom ou 
púrpura, persistente e não branqueável. 
 
 
 
 Limpeza 
 Desbridamento 
Desbridamento autolítico 
 Esse tipo de desbridamento 
promove a manutenção de um 
leito úmido e em temperatura em 
torno de 37°C a fim de atrair 
neutrófilos e macrófagos para a 
lesão, os quais irão liberar enzimas 
lisossomais para digerir os detritos. 
TRATAMENTO DE FERIDAS 
 
5 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
 Hidrogel: possui grande proporção 
de água, tem pouca aderência ao 
leito, preenche cavidades, 
favorece a epitelização e tem 
ação analgésica. Indicado para 
lesões com pouco exsudato. 
 Hidrocoloides: se transformam em 
gel quando absorvem o exsudato. 
São impermeáveis ao vapor 
d'água, a bactérias e ao oxigênio, 
proporcionando hipóxia tecidual 
que favorece a angiogênese. 
Reduzem o exsudato em até 50%, 
têm ação analgésica. Indicados 
para lesões superficiais ou 
profundas, com exsudato mínimo a 
moderado. 
Contraindicados: para feridas 
infectadas e altamente exsudativas 
 
 Alginato de cálcio: cobertura 
primária que auxilia o 
desbridamento ao também formar 
um gel hidrofílico na superfície da 
ferida, absorvendo o exsudato, 
além de ativar macrófagos e 
possuir atividade bactericida. 
Indicação: feridas abertas, 
sangrantes; altamente exsudativas 
com ou sem infecção. 
Contraindicação: utilizar em lesões 
superficiais ou feridas com pouca 
exsudação e lesões por 
queimaduras. 
Troca: feridas infectadas máximo 
de 24h. Feridas limpas com 
sangramento: cada 48h ou quando 
saturado; Feridas limpas altamente 
exsudativas: quando saturar. 
 
Desvantagens do método 
autolítico: lento em comparação 
com outros tipos - não é 
recomendado para alguns 
pacientes (ex. diabéticos) pelo fato 
da necrose apresentar risco de 
infecção. Quando utilizado em 
feridas altamente exsudativas, o 
hidrogel pode macerar a borda 
perilesão. Já em feridas pouco 
exsudativas, o alginato pode lesar o 
tecido epitelial ao ser removido. 
Desbridamento químico 
 Semelhante ao autolítico, ocorre 
também com o uso de enzimas, porém 
são exógenas. Essas provocam o 
desprendimento do tecido necrosado. 
 
 Colagenase: obtida da bactéria 
Clostridiumhistolyticum, provoca a 
decomposição das fibras de colágeno 
do fundo da lesão, as quais permitem 
a adesão da necrose ao tecido. 
Utilizada em feridas com exsudação 
leve a moderada para permitir 
atuação da enzima. Quando utilizada 
com prata, sua ação é inativada. 
Deve ser aplicada uma fina camada, 
e apenas no tecido desvitalizado, 
protegendo a pele perilesional. 
 
 Papaína: provoca dissociação das 
moléculas de proteínas. Tem ação 
bactericida e bacteriostática, estimula 
a força tensil da cicatriz e acelera 
cicatrização. 
Indicação: tratamento de úlceras 
abertas, infectadas e desbridamento 
de tecidos desvitalizados ou 
necróticos. 
Tipos de ferida: feridas abertas, 
desvitalizadas, necróticas ou 
infectadas. 
Contraindicação: contato com 
metais. 
Troca: no máximo a cada 24h ou 
saturação. 
Concentrações: 1% granulação; 4% 
exsudato purulento; 10% necrose. 
 
 Sulfadiazina de prata: cobertura de 
sulfadiazina de prata a 1%, com ação 
bactericida, bacteriostatica e 
fungicida pela liberação de íons de 
prata que levam à precipitação de 
proteínas. 
Indicação: prevenção de colonização 
e tratamento de queimaduras 
Tempo ideal de uso: 7 dias. 
Contraindicações: uso prolongado, 
lembrar que esta cobertura é 
nefrotóxica. 
 
6 Gabriela Medeiros – Técnicas Cirúrgicas 
Desbridamento Mecânico 
 Nesse método utiliza-se a força física 
para a remoção da necrose. Pode ser 
feito por meio de fricção, esfregando o 
leito da ferida por 2 a 3 minutos em 
movimentos centrífugos para remover 
debris, pelos seguintes meios: 
 Gazes úmidas à secas, com uso de 
gaze umidificada com soro aplicada 
no leito e sua retirada quando secar; 
 Irrigação, com soro morno em jatos; 
 Hidroterapia, em tanques com 
turbilhonamento. 
 Vantagens: resultado rápido, baixo 
custo. 
 Desvantagens: doloroso, invasivo, não 
seletivo, pode traumatizar e provocar 
sangramento, risco de infecção e 
cicatriz disforme. 
Desbridamento Instrumental 
 É realizado por meio de instrumentais 
cortantes como bisturi e tesoura. 
 Pode ser conservador - retirada do 
tecido necrótico e acima do tecido 
viável, sem lesar este, e limitada ao 
plano da fáscia (ao aparecimento de 
tecidos profundos como tendões e 
ossos, o procedimento deve ser 
interrompido). 
 É feito sem anestesia e pode ser 
realizado a nível ambulatorial ou em 
unidade de internação. 
 
Desbridamento Cirúrgico 
 É realizado no Centro Cirúrgico, sob 
anestesia, executado por cirurgião 
experiente, com a excisão e ressecção 
de toda a área necrótica incluindo a 
margem viável da ferida, na tentativa 
de transformar uma lesão crônica em 
aguda. 
 Vantagem: rapidez no desbridamento. 
 Desvantagem: riscos (anestesia, 
sangramento, infecção) e alto custo. 
Obs.: O desbridamento é um procedimento 
privativo do enfermeiro (exceto o desbridamento 
cirúrgico). 
 Escolha da cobertura 
⤷ Eliminar tecido não-viável; 
⤷ Minimizar o risco de infecção; 
⤷ Atender às características da 
ferida; 
⤷ Atender às metas da terapira para 
o paciente e família; 
⤷ Ter boa relação custo-benefício 
⤷ Estar disponível; 
Ácidos graxos essências: 
 Loção oleosa a base de ácidos graxos 
essenciais (AGE) e vitaminas que 
revitaliza a pele. Possui ação 
hidratante e mantem o equilíbrio 
hídrico. 
 Indicação: lesões abertas não 
infectadas; lesões por pressão. 
 Contraindicação: lesões infectadas; 
lesões em cicatrização por primeira 
intenção. 
 Mecanismo: atua no processo de 
cicatrização, aumentando a 
permeabilidade celular estimulando 
sua proliferação. 
 Troca diária, com uso de cobertura 
não aderente associada, além de 
cobertura secundária, se necessário. 
 Vantagens: manutenção do meio 
úmido. 
 Desvantagens: hipersensibilidade ao 
produto.

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