Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Breve História das Instituições – A Tutela Pública da Revelação e Aproveitamento de Recursos Geológicos 5 
 Cristina Lourenço - Subdiretora-Geral da DGEG
Preâmbulo 9 
Luís Martins - Presidente do Conselho de Administração do Cluster Portugal Mineral Resources
 Rochas Ornamentais em Portugal
Granitos Ornamentais do Norte de Portugal - Caraterísticas, Potencialidades e Constrangimentos 11 
Luís Sousa, Paulo Pita, Jorge Carvalho e José Lourenço
 No norte de Portugal localizam-se os principais núcleos de pedreiras de granito ornamental. A evolução 
dos últimos anos alterou as perspetivas de crescimento que vinha sendo verificada, forçando as empresas a 
adaptaram-se a uma nova realidade. A reconversão de unidades extrativas, por ampliação e fusão, contrasta 
com a inatividade de muitas outras. Neste trabalho apresenta-se uma caraterização dos núcleos de pedreiras 
dos granitos de Monção-Valença, Ponte de Lima, Alpendurada-Penafiel, Mondim de Basto, serra da Falperra 
e Pedras Salgadas. São enumerados os principais problemas que afetam a extração, os intrínsecos ao material 
ou aos maciços, os derivados das condicionantes ao uso do território e também aqueles relacionados com 
a dimensão e estrutura das empresas. Apresentam-se propostas para melhorar o acesso e a gestão deste 
importante recurso natural. 
Exploração Sustentável de Recursos no Maciço Calcário Estremenho 31 
Jorge M. F. Carvalho, Jorge Cancela, Cristina Martins, Daniel Pires e Sónia Malveiro
 No Maciço Calcário Estremenho ocorre, desde há décadas, uma intensa atividade de extração de blocos de 
calcário para fins ornamentais. Dos condicionalismos de ordenamento do território, designadamente pelo 
facto dessa atividade decorrer num espaço territorial consignado para a proteção da natureza – o Parque 
Natural das Serras de Aire e Candeeiros, resultaram numerosas e prolongadas situações de conflito pelo 
uso do território. Por um lado, os naturais anseios de desenvolvimento do setor industrial, por outro, o 
cumprimento dos objetivos de conservação da natureza.
 Visando o estabelecimento de equilíbrios para a resolução da conflitualidade nos principais núcleos de 
exploração consignados no Plano de Ordenamento daquele parque natural, desenvolveu-se um projeto com o 
objetivo específico de encontrar mecanismos conducentes à compatibilização da gestão e exploração racional 
dos recursos em calcários ornamentais com a conservação da natureza, no âmbito dos planos municipais de 
ordenamento do território.
 Com base nos resultados alcançados, para cada uma das cinco áreas estudadas foi apresentada uma proposta 
de ordenamento na qual foram considerados quatro fatores determinantes para a decisão: a existência de 
áreas de ocorrência de calcários com aptidão ornamental, áreas com altos e excecionais valores ecológicos, 
património geológico de valor relevante e áreas anteriormente recuperadas do ponto de vista ambiental.
Gestão Sustentável da Indústria Extrativa no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros 51
 Manuel Duarte
 A extração de inertes no Maciço Calcário Estremenho, em particular na área abrangida pelo Parque Natural 
das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), é uma atividade secular ligada à vida das gentes que povoaram esta 
região, que fundamentalmente a partir dos finais dos anos 80 do século passado ganhou nova dinâmica e se 
transformou numa atividade económica de grande expressão e com relevo em termos nacionais e internacionais.
 A gestão da atividade extrativa tornou-se assim num dos desafios mais importantes ao nível da gestão do 
PNSAC, dada a necessidade de conciliar a exploração de um recurso natural não renovável (e com forte 
impactos sobre os valores e a paisagem), com a salvaguarda e valorização do património natural, cultural e 
paisagístico desta área protegida.
Vol. 54 • Lisboa 2019-2020
2
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
 Anticlinal de Estremoz: Geologia, Ordenamento do Território e Produção de Rochas Ornamentais após 2000 
Anos de Exploração 59 
 Luís Lopes
 No panorama mineiro de Portugal o Anticlinal de Estremoz constituí um caso único por diversos fatores: 
1) trata-se de uma estrutura geológica reconhecida por todos e não apenas pelos especialistas; 2) tem um 
passado de produção de mármores de excecional qualidade que remonta ao Período Romano; 3) os mármores 
aqui extraídos têm reconhecimento internacional constituindo-se como uma verdadeira Marca Nacional; 4) é 
seguramente uma das regiões do Pais com o registo geológico melhor conhecido, quer à superfície quer em 
profundidade. Para tal contribuíram vários estudos académicos e as várias campanhas de sondagens profundas 
realizadas pelas entidades governamentais e as sondagens de prospeção geológica efetuadas pelas empresas. 
Também a cartografia geológica de base foi realizada à escala 1:5.000 ou maior e encontra-se disponível às 
escalas 1:25.000 e 1:10.000; 5) há um passado de projetos de investigação, teses de fim de curso, mestrado e 
doutoramento, para além dos planos de pedreira e vários estudos realizados pelas empresas, etc. que constituí 
uma enorme base de dados.
 Deste modo, os estudos realizados em diversas áreas (geologia; biologia; ecologia; avaliação de impacte 
ambiental; caracterização dos geomateriais (rochas e solos); avaliação geomecânica do maciço marmóreo; Planos 
Diretores Municipais; planos de pedreira; etc.) constituem a todos os níveis um acervo de conhecimento enorme 
que, complementado com a avaliação de riscos (materiais e humanos), permite a curto prazo a implementação 
de um efetivo projeto de reordenamento do território.
A Rocha Ornamental Portuguesa e a Evolução na sua Caracterização 85 
Cristina Isabel Paulo de Carvalho
 Neste documento, relata-se o extenso trabalho desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia 
e pelas suas instituições antecessoras, no âmbito da caracterização das rochas ornamentais portuguesas. 
Tendo como ponto de partida o primeiro “Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas”, apresentam-se as 
motivações que estiveram na origem da criação desta obra literária ímpar e das obras literárias que a sucederam, 
culminando-se no site “Rochas Ornamentais Portuguesas”. A caracterização das rochas ornamentais assenta 
no conhecimento das suas propriedades, determinadas através de ensaios. Por este motivo, dá-se particular 
enfase aos métodos de ensaio e ao seu progressivo e gradual desenvolvimento, fruto da adesão de Portugal à 
Comunidade Económica Europeia. Termina-se, abordando as repercussões desta adesão na comercialização 
dos produtos em pedra natural, de modo a dar cumprimento à legislação europeia atualmente em vigor 
(Regulamento (UE) N.º 305/2011).
Microscopia e Microanálise no Estudo de Pedras Ornamentais Carbonatadas 103 
Luís Dias, Fabio Sitzia, Carla Lisci, Luís Lopes e José Mirão
 A crescente competitividade de economias emergentes tem criado dificuldades aos países Europeus produtores 
e exportadores de Pedra Ornamental. Para acrescentar valor, estes países terão que adicionar tecnologia aos 
seus produtos.
 São apresentados três casos de como as técnicas de microscopia e microanálise permitem antecipar e 
compreender o comportamento das rochas, em diversas condições climatéricas. Estas metodologias podem 
ser usadas em rocha de obra nova, eventualmente seguindo as normas vigentes ou em objetos património.
A Revolução Tecnológica e Humana do Setor da Pedra 117 
Joana Frazão, Jorge Frazão e Inês Frazão
 As mudanças aceleradas no mercado exigem que as empresas desenvolvam capacidades dinâmicas para 
se manterem competitivas. Isto significa que as empresas têm de ter capacidade para integrar, construir e 
reconfigurar competências internas e externas para abordar ambientes em rápida mudança.
 Estas capacidades têm de ser desenvolvidas em várias vertentes, o objetivo deste artigo é explorar as áreas 
tecnológicas e humanas no setor das rochas ornamentais em Portugal. As tecnologias da Fravizel são autónomas,responsivas e digitais o que vai permitir o progresso técnico do setor. Este deve ser acompanhado pela evolução 
das competências digitais da força de trabalho do setor.
 A Indústria 4.0 (quarta revolução industrial) surge como resposta ao desafio de automatizar processos e 
aumentar a atratividade para os mais jovens para o setor.
Rochas Ornamentais Portuguesas: Operações Indústria4.0 como Resposta ao Procurement BIM 121 
Agostinho da Silva, Andreia Dionísio e Luís Coelho
 O setor das Rochas Ornamentais (RO) gera em Portugal mais de 16.000 empregos diretos, registou um 
crescimento das exportações em 2019 de 15% e centra a sua principal âncora competitiva na produção 
customizada com escala. Sendo previsível que a prazo o Building Information Modelling (BIM) seja a tecnologia 
de projeto e gestão de obras a nível global, a qual orienta o procurement para produtos standard. O presente 
estudo avalia a resposta da Indústria 4.0 (I-4.0) às ameaças decorrentes do procurement BIM na Arquitetura 
Engenharia e Construção.
3
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Cluster dos Recursos Minerais – Um Modelo de Mobilização de Conhecimento, Cooperação e Inovação 127 
Marta Rocha Peres
 A política de Clusters surgiu em Portugal, a partir de 2008. Nessa altura, foi criado o Cluster da Pedra Natural. Em 
2016, com a entrada em vigor de outro programa político de clusterização, forma-se uma parceria mobilizada 
para os objetivos comuns dos Recursos Minerais em Portugal. Esta mobilização culmina na evolução para um 
Cluster dos Recursos Minerais reconhecido em 2017, que hoje conta com 67 Associados e mais de 100 parceiros 
a nível mundial. 
 Em mais de dois anos de operacionalização, o trabalho em rede e cooperação tem gerado maior conhecimento, 
mais desenvolvimento. Os resultados do sistema de clusterização são visíveis ao nível da tendência de crescimento 
das exportações, do volume de negócios e do valor acrescentado das Empresas que pertencem ao Cluster.
 O modelo adotado pelo Cluster dos Recursos Minerais, tem evidenciado que este é o caminho a prosseguir 
além de 2020.
LIOZ – Rocha Património, foi Real em Portugal e Transportou Arte e Cultura para o Brasil 137 
Zenaide Carvalho G. Silva
 O estudo do calcário português lioz, abordado neste artigo, abrange uma breve referência à sua história geológica e 
uma outra, mais extensa, ao seu papel como veículo de divulgação de arte e cultura portuguesa e europeia no Brasil. 
 O lioz, sendo um calcário microcristalino com propriedades físicas e tecnológicas próprias para a construção, 
é também utilizado como elemento decorativo, uma vez que tem coloração diversa, em branco-marfim, 
rosa claro e escuro, amarelo dourado e amarelo forte, recebendo por esta razão denominações diferentes 
na indústria das rochas ornamentais. É um calcário de ambiente recifal, portador de fósseis rudistas que lhe 
conferem uma textura singular. Ocorre nas zonas de Lisboa e arredores, incluindo a região do município de 
Sintra, principalmente em Pêro Pinheiro, de cujas pedreiras saiu a maior parte do material para construção 
em Portugal e no Brasil, desde o século XVIII até o presente. Usado durante décadas em construções na área 
de Lisboa, em estilos arquitetónicos diversos, em Mafra materializou o complexo arquitetónico emblemático 
de D. João V, Convento, Igreja e Biblioteca, tornando-se a “pedra real”. Foi transportado para o Brasil como 
lastro de navios que circulavam entre Portugal e a nova colónia, onde no século XVIII foi a rocha preferida para 
as grandes construções, principalmente de igrejas e templos de culto religioso, cópias de igrejas portuguesas 
ou nelas inspiradas, perpetuando a arte e arquitetura transportadas da Europa. Deixou em Salvador, na Bahia 
uma exposição valiosa do património de arte e cultura portuguesas. O lioz tem hoje o estatuto de “Rocha 
Património Global” por preencher os requisitos adotados pela Heritage Stone Subcomission (HSS) da UNESCO.
Labyrinthus in Petris 
A Calçada Portuguesa nos Percursos da Ancestralidade 147 
 Ernesto Matos
 A calçada artística à portuguesa, é desde os meados do século XIX, um método de pavimento que se tem 
vindo a implementar numa forma persistente. Não só por Portugal, mas ultimamente, também muitos outros 
países o têm vindo a assumir. Mais recentemente veio a tornar-se já uma referência de ícone internacional, 
demostrando-o a cidade do Rio de Janeiro e o seu emblemático Calçadão de Copacabana. Não é assim por o 
acaso que a Tocha Olímpica de 2016 teve na sua conceção gráfica também a referência a esse característico e 
emblemático padrão de ondas, já imortalizado, até mesmo por Walt Disney.
 Por Portugal, com os anos a passar, vão-se fazendo contas, não só pelo custo dos materiais geológicos provenientes 
das mais valias extrativas em meio natural e sem auxílio a métodos industriais poluentes, como para o pagamento 
de uma mão-de-obra desqualificada e que continua ligada a uma profissionalizada classe operária. Se por um 
lado Almeida Garrett já designava de Arte a este método aplicado no velho Rossio e que recebeu o nome de um 
país, por outro assistimos a uma cada vez mais descaracterização técnica e que vai fomentando a má imagem 
que constantemente passa debaixo dos nossos pés. O que é certo, é que passados mais de 170 anos desde o seu 
surgimento para benefício público e universal, não vemos este método como disciplina em nenhuma escola de 
artes portuguesa.
 O que temos hoje ou o que queremos no futuro para os nossos pavimentos em calçada? Calçada artística ou 
calçadas de pedras no chão colocadas por uns arrumadores, formados no quintal ali da esquina? 
 Pretende-se assim com este texto, refletir sobre alguns destes parâmetros que o próprio país se vai confrontado, 
perante as vicissitudes de uma profissão, de uma técnica, de uma arte, o que quer que seja... mas que faz parte 
da nossa perseverança. 
Louseira de Canelas 
Atividade Extrativa e Ciência de Mãos Dadas Durante Três Décadas 157 
 Manuel Valério Figueiredo
 A reabertura das Louseiras de Canelas em 1988, permitiu desde logo o fornecimento de lousas para os telhados 
da região. Paralelamente, a empresa então fundada assume o papel de resgate sistemático dos novos achados 
fósseis, que se vai intensificando ao ritmo da própria exploração, não encarando este património como um 
entrave. A inauguração do Centro de Interpretação Geológica de Canelas, ou Museu das Trilobites, em julho 
de 2006, impulsionou a criação do Geoparque Arouca.
4
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FICHA TÉCNICA
Propriedade e Edição:
Direção-Geral de Energia e Geologia 
Av. 5 de Outubro, 208 - 1069-203 Lisboa
Tel: 217 922 800 - Fax: 217 939 540
energia@dgeg.gov.pt
www.dgeg.gov.pt
Diretor:
João Correia Bernardo
Comissão Editorial deste volume:
Luís Martins, Cristina Lourenço, Carla Lourenço, 
José Alcântara Cruz, Patrícia Falé, J. Ferreira da Costa, 
Miriam Cavaco e José Miguel Martins
Redação e Coordenação:
Direção de Serviços de Recursos Hidrogeológicos e Geotérmicos
Periodicidade: Semestral
Depósito Legal: Nº 3581/93
ISSN: 00008-5935
Atividade Mineira 173
Caducidades de Contratos de Prospeção e Pesquisa
Contratos de Prospeção e Pesquisa
Caducidades de Contratos de Concessão de Exploração
Transmissão da Posição Contratual de Concessão de Exploração
Contratos de Concessão de Exploração
Adenda ao Contrato de Concessão de Exploração
Contratos de Integração
Águas Minerais e de Nascente 179
Aprovação/Revisão do Plano de Exploração 
Nomeação de Responsáveis Técnicos
Rescisão dos Contratos de Exploração
Contratos de Atribuição de Direitos de Exploração 
Adendas ao Contrato de Exploração
Suspensão da Licença de Exploração
Atribuição de Licenças de Estabelecimento
Transmissão da Licença
Alteração do Sistema de Captação
Caducidade da Licença
Oficinas de Engarrafamento - Títulos de Exploração
Pedreiras 185
Responsáveis Técnicos Inscritos na Direção-Geral de Energia e Geologia
ElementosEstatísticos da Indústria Extrativa Nacional – 2019 
Indústria Extrativa – Comércio Internacional 191
 Evolução do Comércio Internacional – janeiro a dezembro de 2019
Informação Vária 197
Glossário Geral para o Setor da Pedra Ornamental
mailto:energia%40dgeg.gov.pt%20?subject=
http://www.dgeg.gov.pt
5
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Breve História das Instituições – A Tutela Pública da Revelação 
e Aproveitamento de Recursos Geológicos 
Século XIX 
Há mais de dois séculos que o Estado exerce atribuições e tutela pública e administrativa no domínio dos recursos 
geológicos. Os regimes jurídicos do séc. XIX, de que se dão como meros exemplos no caso das minas a Lei de 1850 
e o Decreto de 1892 (este diploma foi alterado em 1907 para incluir o petróleo, cujos primeiros manifestos tiveram 
lugar no nosso país em 1904), o Regulamento de 1884 (pedreiras) e o Decreto de 1892 (águas minerais), impunham a 
necessidade de criação de estruturas públicas de tutela administrativa das atividades, sendo que a Intendência-Geral 
das Minas e Metais criada em 18 de maio de 1801, até antecedeu estes diplomas mais estruturantes do conhecimento 
e aproveitamento de recursos geológicos, sendo de referir que entre 6 de agosto de 1836 e 24 de novembro de 1953 
foram concessionadas em Portugal continental 2883 minas.
Na segunda metade do século XIX foram criadas diversas estruturas públicas como a Repartição de Minas, Pedreiras 
e Trabalhos Geológicos, a Comissão de Trabalhos Geológicos do Reino, o Conselho de Minas, a Repartição dos 
Serviços Técnicos de Minas, as Circunscrições Mineiras de Lisboa e Porto, a Secção de Minas, Pedreiras, Águas 
Mineromedicinais e Serviços Geológicos e o Conselho Técnico de Minas, entre outras, com atribuições ao nível 
de autoridade pública no domínio dos recursos geológicos, com elevadas exigências ao nível da capacitação técnica 
e administrativa dos respetivos quadros, sendo que em matéria de segurança em minas e pedreiras se refere, por 
curiosidade, a previsão constante em portaria de 1875 sobre a necessidade de eventual requisição de apoio especializado 
por parte de engenheiros ou de condutores de minas com ou sem vínculo ao Estado.
6
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Século XX
No século XX importa evidenciar as importantes reformas no regime jurídico dos recursos geológicos com a entrada 
em vigor do Decreto n.º 13642 de 1927 (pedreiras), do Decreto n.º 18713 de 1930 (minas) e do Decreto n.º 15401 
de 1928 (águas minerais), sendo que foi pelo Decreto n.º 4641, de 13 de julho de 1918 que as estruturas do Estado 
especializadas na tutela das atividades extrativas assumiram uma configuração que se manteve durante largas décadas, 
a par dos regimes jurídicos enunciados. Com efeito, foi criada a Direção-Geral de Minas e Serviços Geológicos 
subdividida na Repartição de Minas (integrando as Circunscrições Mineiras do Norte e do Sul, respetivamente 
no Porto e em Lisboa), na Inspeção de Águas, na Inspeção de Pedreiras, no Laboratório Químico-Metalúrgico e 
nos Serviços Geológicos, para além do Conselho Superior de Geologia e Minas, com as Secções de Minas, Águas, 
Impostos de Minas e Águas e Serviços Geológicos e, ainda, o Corpo de Engenheiros de Minas e o Corpo Auxiliar 
de Condutores de Obras Públicas e Minas. Em sede de regimes jurídicos importa igualmente referir o Decreto-Lei 
n.º 227/82 e Decreto-Regulamentar n.º 72/82 (pedreiras), e o Decreto n.º 47973 de 1967 (petróleo).
Em 1983 é criada a DGGM - Direção-Geral de Geologia e Minas (Decreto-Regulamentar n.º 46/83, de 8 de junho) e em 
16 de março de 1990 é publicado um novo regime jurídico para os recursos geológicos (DL n.º 90/90), regulamentado 
pelo DL n.º 84/90 (águas de nascente), n.º 85/90 (águas mineroindustriais), n.º 86/90 (águas minerais naturais), 
n.º 87/90 (recursos geotérmicos), n.º 88/90 (depósitos minerais - minas) e n.º 89/90 (massas minerais - pedreiras). 
No que respeita ao petróleo de referir o DL n.º 141/90 e o posterior e ainda em vigor DL n.º 109/94, de 26 de abril. 
É de sublinhar que com o “pacote de 1990” foram revogados regimes jurídicos com mais de 60 anos de vigência 
(Decreto de 1928 – águas; Decreto de 1930 – minas). Em 1991 são criadas as Delegações Regionais do Ministério 
da Indústria e Energia (posteriormente denominadas DRE - Direções Regionais de Economia) para onde transita a 
área setorial das pedreiras.
A DGGM era uma instituição dotada de uma organização robusta de elevada capacitação científica, técnica e 
administrativa, com três subdiretores-gerais a coadjuvarem o diretor-geral, com doze diretores de serviço e treze 
chefes de divisão, integrando nos seus quadros investigadores e cerca de 120 técnicos superiores (maioritariamente 
engenheiros de minas e geólogos), com diversas unidades tais como a Direção de Serviços de Cartografia Geológica, 
a Direção de Serviços de Geologia Aplicada, a Direção de Serviços de Prospeção, a Direção de Serviços de Avaliação, 
a Divisão de Sondagens, a Divisão de Geofísica, a Direção de Serviços de Minas e Pedreiras, a Direção de Serviços 
de Águas Minerais e de Mesa, a Direção de Serviços de Gestão, a Direção de Serviços de Estudos, Planeamento 
e Estatística, a Direção de Serviços de Administração Industrial, a Divisão de Informação e Relações Públicas, o 
Laboratório e o Museu Geológico.
Em 1993 é extinta a DGGM e criado pelo DL n.º 122/93, de 16 de abril o IGM - Instituto Geológico e Mineiro instituição 
ímpar em termos nacionais e internacionais que resulta da crescente importância do sector geológico e mineiro e 
da respetiva indústria extrativa no contexto económico nacional e do novo enquadramento jurídico das atividades 
(pacote legislativo de 1990), sendo que este organismo é dotado de autonomia administrativa e financeira e património 
próprio, prevalecendo, na respetiva estruturação, o princípio da clara demarcação entre as áreas técnico-científica e 
técnico-administrativa, o que permite o respeito pelas características próprias de cada uma e potencia as suas inter- 
-relações pela coexistência na mesma entidade. Como eixos preferenciais de atuação assumiu-se o incremento do 
conhecimento geológico do território nacional e o desenvolvimento de bases de dados geológicos mineiros e geofísicos 
acessíveis aos utilizadores, bem como o reforço da indústria extrativa a prosseguir num contexto de segurança e de 
sustentabilidade económica, ambiental e territorial, atento o novo quadro regulamentar de 1990. O conselho diretivo 
é constituído por um presidente e três vice-presidentes, existindo 11 diretores de serviço e 10 chefes de divisão, com 
investigadores e mantendo-se os cerca de 120 técnicos superiores.
7
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Século XXI
Já no século XXI ocorre em 2003 a extinção do IGM (Decreto-Lei n.º 186/2003 de 20 de agosto), com as respetivas 
competências a serem repartidas em 2004 pela então DGGE - Direção-Geral de Geologia e Energia (atual 
DGEG-Direção-Geral de Energia e Geologia – DL n.º 69/2018– autoridade nacional no domínio da energia e 
dos recursos geológicos) e pelo então INETI - Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (atual 
LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia – DL n.º 129/2014). 
Com a extinção do IGM a área dos recursos geológicos perde uma instituição centenária, atentos os organismos que 
o precederam, autónoma e exclusiva para o setor extrativo passando este a coabitar com a área da energia.
O Decreto-Lei n.º 186/2003, de 20 de agosto, que aprovou a orgânica do Ministério da Economia, criou a Direcção- 
-Geral de Geologia e Energia (DGGE), que sucede à Direcção-Geral da Energia e, parcialmente, ao Instituto Geológico 
e Mineiro, extintos por aquele diploma legal. A DGGE tem um subdiretor-geral para a área técnica e administrativa 
dos processos de licenciamento das atividades de revelação e aproveitamento dos recursos geológicos, com umaúnica 
direção de serviços para esta área setorial e cerca de 30 técnicos superiores à data de 2004 (oriundos do extinto 
IGM). Com a alteração orgânica de 2007 (DL n.º 139/2007 e Portaria n.º 535/2007) a DGEG passa a contar com duas 
direções de serviço: a Direção de Serviços de Minas e Pedreiras e a Direção de Serviços de Recursos Hidrogeológicos, 
Geotérmicos e Petróleo.
Em 2007 foi aprovado um novo regime jurídico para as pedreiras (DL n.º 340/2007 que alterou e republicou o 
DL n.º 270/2001). 
Em 2015 verifica-se a extinção das DRE e respetiva reintegração da área setorial das pedreiras e dos estabelecimentos 
industriais (p. ex. oficinas de engarrafamento) no organismo que tutela os recursos geológicos (DGEG) e em 2018 
o mesmo sucede com o petróleo (pelo DL n.º 69/2018 a DGEG sucede nas atribuições e competências da ENMC, 
E.P.E. – atual ENSE - Entidade Nacional para o Setor Energético, E.P.E., no domínio da prospeção, pesquisa, 
desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos). 
Também em 2015, pela Lei n.º 54/2015, de 22 de junho é revogado o DL n.º 90/90 e são estabelecidas as bases do regime 
jurídico da revelação e do aproveitamento dos recursos geológicos, estando em 2020 em processo de revisão os regimes 
regulamentares das minas (DL n.º 88/90), das pedreiras (DL n.º 340/2007) e dos recursos hidrogeológicos e geotérmicos 
(DL n.º 84/90, DL n.º 85/90, DL n.º 86/90 e DL n.º 87/90), sendo que os hidrocarbonetos são objeto de diploma 
próprio (o mencionado DL n.º 109/94). No que respeita às pedreiras, em 2019 foi aprovado o Plano de Intervenção 
nas Pedreiras em Situação Crítica (RCM n.º 50/2019).
Na atualidade e no contexto de autoridade nacional para os recursos geológicos, a DGEG mantém um subdiretor- 
-geral para a área e conta com 3 diretores de serviço e 5 chefes de divisão (3 nos núcleos do Porto, Coimbra e Évora), 
tendo 19 técnicos superiores para as minas e águas (11 “minas” e 8 “águas”) e 16 para as pedreiras (3 em Lisboa, 
5 no Porto, 4 em Coimbra, 3 em Évora e 1 em Faro). A DGEG gere um setor com centenas de contratos administrativos 
de revelação e de aproveitamento de recursos geológicos do domínio público do Estado (minas e águas) e mais de um 
milhar de licenças de exploração de pedreiras, num contexto de sustentabilidade económica, ambiental, territorial e 
de responsabilidade social, onde o saber técnico dos quadros deste organismo tem sido o pilar das nossas intervenções. 
É pois fundamental assegurar a passagem do conhecimento intergeracional que ocorreu no passado, mas atentas as 
aposentações e os constrangimentos dos últimos 20/25 anos no recrutamento externo para a Administração Pública 
pode-se dizer que se perdeu uma geração, vendo-se com muita preocupação a possibilidade real desde organismo, 
dentro de poucos anos, não ter recursos humanos que assegurem essa passagem de conhecimento.
Neste responsável objetivo de passagem do histórico institucional e do saber técnico será de contar com os quadros 
da DGEG oriundos da Direção-Geral de Geologia e Minas1 e do Instituto Geológico e Mineiro2 para que se 
1 DGGM: Teresa Cunha, Vítor Duque, Cristina Lourenço, José Cruz, Paulo Pita, J. Ferreira da Costa e P. Martins Nunes.
2 IGM: José M. Martins, Carla Lourenço, Paula Dinis, A. Calaim, Margarida Mateus, Mª José Sobreiro e Patrícia Falé.
8
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
possa concretizar uma preservação da memória, que 
fundamenta e explica a evolução das instituições e dos 
regimes legais, para se ir perpetuando naqueles que 
ingressaram posteriormente, e aos que é imprescindível 
recrutar com ou sem vínculo ao Estado, todo o saber 
técnico acumulado, preservando ao mesmo tempo a 
história da tutela pública e administrativa dos recursos 
geológicos do nosso país!
Cristina Lourenço
Subdiretora-Geral da DGEG
BIBLIOGRAFIA
NUNES, João Paulo Avelãs - (2001-2002) - Revista Portuguesa de 
História, t. XXXV, - “A Indústria Mineira em Portugal Continental 
desde a Consolidação do Regime Liberal ao I Plano de Fomento do 
Estado Novo (1832-1953)”
RAMOS, José Luís Bonifácio - (LEX, 1994) - “O Regime e a Natureza 
Jurídica do Direito dos Recursos Geológicos dos Particulares”.
GUIMARÃES, Paulo - (1999-2000) - Arqueologia & Indústria, 2-3 - “As 
Minas Portuguesas do Antigo Regime ao Liberalismo”, p.p. 53-80.
9
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Preâmbulo
Rochas Ornamentais em Portugal
Este número do Boletim de Minas, dedicado ao subsetor das Rochas Ornamentais de Portugal, pretende dar uma 
imagem da sua variedade e importâncias económica, social e patrimonial.
Nos últimos 20 anos o subsetor soube construir a sua cadeia de valor de uma forma sustentável, fazendo com que 
Portugal passasse de um mero exportador de produtos não transformados (em especial blocos e chapas) para um 
produtor de peças finais das mais apreciadas no Mundo, melhoria esta também acompanhada pelas empresas 
nacionais de equipamentos. A qualidade das rochas ornamentais portuguesas foi assim extremamente valorizada pelas 
empresas extratoras, transformadoras e fabricadoras de equipamentos, conseguindo-se assim captar um relevante 
valor acrescentado.
Relembremos que Portugal é um dos principais produtores mundiais de rochas ornamentais tendo registado, nos 
últimos 50 anos, um crescimento médio anual, em toneladas, de 4% (Carvalho, Lopes, Mateus, Martins & Goulão, 2018). 
Em 2015, Portugal ocupava o oitavo lugar do Mundo no Comércio Internacional, sendo o segundo no Comércio 
Internacional per capita (Frazão, 2019). As exportações cobriram as importações em 823%, sendo que aproximadamente 
45% das exportações foram para fora da Europa. O subsetor atingiu a segunda posição nacional em Valor Acrescentado 
Bruto (VAB), estando as telecomunicações em primeiro (Assimagra, 2015).
Em 2019 exportou cerca de 8468 Milhões (valor superior ao dos minérios metálicos) para mais de 100 países e é 
constituído maioritariamente por Pequenas e Médias Empresas (PMEs), aproximadamente 2.500, representando mais 
de 16.100 postos de trabalho diretos, sendo um dos principais geradores de emprego privado nas regiões do interior.
Novos desafios adivinham-se, como a melhoria das condições de segurança e os relacionados com a tecnologia digital 
e a Indústria4.0, mas todos os atores envolvidos no subsetor, instituições governamentais, académicas e empresariais, 
saberão, uma vez mais, dar-lhes a resposta adequada.
Luís Martins
Presidente do Conselho de Administração do Cluster Portugal Mineral Resources
11
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
No norte de Portugal localizam-se os principais núcleos de pedreiras de granito ornamental. A evolução dos últimos 
anos alterou as perspetivas de crescimento que vinha sendo verificada, forçando as empresas a adaptaram-se a uma 
nova realidade. A reconversão de unidades extrativas, por ampliação e fusão, contrasta com a inatividade de muitas 
outras. Neste trabalho apresenta-se uma caraterização dos núcleos de pedreiras dos granitos de Monção-Valença, Ponte 
de Lima, Alpendurada-Penafiel, Mondim de Basto, serra da Falperra e Pedras Salgadas. São enumerados os principais 
problemas que afetam a extração, os intrínsecos ao material ou aos maciços, os derivados das condicionantes ao uso 
do território e também aqueles relacionados com a dimensão e estrutura das empresas. Apresentam-se propostas 
para melhorar o acesso e a gestão deste importante recurso natural. 
Granitos Ornamentais do Norte de Portugal - Caraterísticas, 
Potencialidades e Constrangimentos
Luís Sousa
Departamento de Geologia e Pólo do Centro de Geociências (CGeo), 
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Quinta de Prados, 
5000-801 Vila Real, Portugal
Email: lsousa@utad.pt
Paulo Pita
Direção Geral de Energia e Geologia, Divisão de Pedreiras do Norte, 
Rua Direita do Viso nº 120, 4269-002 Porto, Portugal
Email: paulo.pita@dgeg.pt
Jorge Carvalho
Laboratório Nacionalde Energia e Geologia, IP; Unidade de 
Recursos Minerais e Geofísica, Estrada da Portela, Bairro do 
Zambujal, Apartado 7586- Alfragide, 2610-999 Amadora, Portugal
Email: jorge.carvalho@lneg.pt
José Lourenço
Departamento de Geologia e Pólo do Centro de Geociências (CGeo), 
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Quinta de Prados, 
5000-801 Vila Real, Portugal
Email: martinho@utad.pt
Palavras Chave: Rochas ornamentais, granito, avaliação de reservas, ordenamento do território.
mailto:lsousa%40utad.pt?subject=
12
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
1. INTRODUÇÃO
A produção de rocha ornamental constitui uma impor-
tante atividade económica em Portugal. A produção na-
cional encontra-se entre as dez mais importantes a nível 
mundial, apesar das constantes mudanças no ranking em 
virtude de existirem países com estádios de desenvolvi-
mento diferentes de vários continentes que apresentam 
evoluções distintas (ANIET, 2017). Em 2017 o valor da 
produção das rochas ornamentais foi de 179,6 x1068, 
46,9 x1068 dos quais relativos a granitos (DGEG, 2018). 
No mesmo ano as exportações de rocha ornamental 
totalizaram 386x1068, maioritariamente constituídas 
por mármore e calcário. Prevê-se que esta atividade 
económica continue o seu crescimento observado nas 
últimas décadas (Fig. 1), afigurando-se importante que 
as empresas nacionais e as entidades com responsabili-
dade no setor contribuam para manter Portugal como 
importante player global.
FIGURA 1
Estimativa da produção bruta e líquida de rocha ornamental
Baseado em Montani, 2017.
No norte do país localiza-se a maior percentagem de 
empresas do setor, sobretudo associadas à extração e 
transformação de granito, condicionada pela predomi-
nância dos afloramentos graníticos e existência de nú-
cleos tradicionais de extração. Em 2017 encontravam-se 
em atividade 337 pedreiras de rocha ornamental em 
Portugal, 111 das quais de granito (DGEG, 2018) e na 
sua maioria localizadas no norte do país (Pita, 2017). 
Nesta região, os núcleos principais de extração resultam 
da evolução das pequenas pedreiras que começaram 
a sua industrialização em meados do século passado. 
Em muitos locais há evidências das pequenas pedreiras 
artesanais (Fig. 2) cujos produtos eram utilizados nas 
povoações vizinhas, obrigando a que a atividade dos 
pedreiros estivesse dispersa pelo território de modo a 
satisfazer as necessidades da população.
FIGURA 2
Fotografias aéreas obtidas em 1965 onde é possível observar locais de extração de granito
Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar S. Bento, Vila Real
13
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Em consequência da crise que afetou as atividades produ-
tivas em Portugal, com a diminuição rápida e acentuada 
da atividade do setor da construção civil, as empresas fo-
ram obrigadas a procurarem novos mercados no exterior. 
O setor da extração está hoje melhor apetrechado, sendo 
comum a utilização do fio diamantado, com o conse-
quente aumento do aproveitamento das massas minerais 
e redução dos desperdícios. O setor da transformação 
também evoluiu, sendo cada vez menor a quantidade 
de matéria-prima vendida para o exterior na forma de 
bloco, aumentando as mais-valias na transformação. 
Este caminho, muitas vezes forçado pelas circunstâncias, 
fez-se com obstáculos e apenas as empresas com uma 
situação financeira sólida puderam resistir.
Se a atividade dos antigos núcleos extrativos evoluiu de 
acordo com a tecnologia de extração de transformação, 
a sua apetência para fornecer material de qualidade e 
em quantidade hoje é muito distinta do que era há 50 
anos. A moderna indústria das rochas ornamentais exige 
elevados padrões de qualidade, pois o comportamento do 
material em obra deve seguir rigorosos padrões técnicos. 
Assim, são vários os fatores que influenciam a capacidade 
do maciço para fornecer rocha ornamental de qualidade, 
tais como a composição mineralógica, textura, estrutura, 
grau de fraturação, espessura do material de cobertura 
sem interesse comercial, propriedades físico mecânicas, 
impacte ambiental e ordenamento do território. Estes 
fatores podem ser agrupados em três grandes grupos 
relativos ao material, às caraterísticas do maciço e aos 
fatores de explorabilidade (Tabela 1). Os dois primeiros 
grupos englobam fatores intrínsecos da rocha e não são 
suscetíveis de alteração ao longo do tempo, enquanto os 
fatores de explorabilidade podem evoluir, facilitando 
ou dificultando a atividade extrativa. De nada valerá 
a existência de um maciço com boa aptidão para a 
produção de blocos se as caraterísticas estéticas das 
rochas não tiverem aceitação no mercado ou se a sua 
exploração for interdita por questões de ordenamento de 
território. Assim, são os fatores de explorabilidade que 
ditam a possibilidade de instalar uma unidade extrativa 
num dado momento.
TABELA 1
Exemplos de fatores que condicionam a exploração e utilização de rochas ornamentais
Material Afloramento Explorabilidade
Mineralogia Localização Aceitação pelo mercado
Textura Morfologia Distância aos centros de consumo
Heterogeneidade (cor, textura, …) Terrenos de cobertura Infraestruturas industriais
Meteorização Estrutura (estratos, dobras) Ordenamento do território
Propriedades físicas Variação de fácies Impactes ambientais
Propriedades mecânicas Fraturação (tipo, densidade)
Volume disponível
Adaptado de Carvalho et al., 2008; Fort et al., 2010; Sousa, 2010.
À luz destes fatores realiza-se uma avaliação dos 
principais núcleos de pedreiras de granito do norte 
de Portugal, nomeadamente dos localizados a norte 
do rio Douro, referindo os constrangimentos e as 
potencialidades. Serão considerados os centros de 
produção localizados em Monção-Valença, Ponte de 
Lima, Alpendurada-Penafiel, Mondim de Basto, serra da 
Falperra (Vila Pouca de Aguiar) e Pedras Salgadas. Para 
cada um dos granitos explorados referem-se os principais 
fatores condicionantes do seu aproveitamento como 
rocha ornamental e as ações que visam o ordenamento 
das zonas de exploração.
2. CARATERIZAÇÃO DOS NÚCLEOS DE 
EXTRAÇÃO
Nesta seção são enumeradas as caraterísticas dos granitos 
e das respetivas pedreiras e são elencados os principais 
fatores que condicionam a atividade. Dos granitos 
selecionados, três possuem uma coloração amarelo- 
-acastanhada (Ponte de Lima, Mondim de Basto e serra 
da Falperra) muito valorizada nas últimas décadas, 
dois são acinzentados (Alpendurada-Penafiel e Pedras 
Salgadas) e um possui tonalidade rosada (Monção- 
-Valença) (Fig. 3). Localizam-se em manchas graníticas 
de diferentes dimensões e idades, com predomínio das 
pós-tectónicas (Fig 4).
14
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 3
Aspeto macroscópico dos granitos e imagens das pedreiras
Sequência: Monção, Ponte de Lima, Alpendurada-Penafiel, Mondim de Basto, serra da Falperra e Pedras Salgadas; granitos - Leite e Moura (2013); 
pedreira de Monção-Rodrigues (2009); pedreira de Alpendurada-Penafiel - (https://www.gradul.com/pt/pedreiras).
https://www.gradul.com/pt/pedreiras
15
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 4
Mapa geológico do norte de Portugal com indicação dos núcleos estudados
flanco de encosta. A fracturação é escassa e facilita a 
obtenção de blocos com as dimensões desejadas, apesar 
de nalguns locais mostrar uma densidade mais elevada. 
Moreira (1992) evidenciou as principais famílias de 
fraturação observadas no maciço: N20°W-N10°E e N70°-
90°W, sendo menos comuns as famílias N40°-50°E e 
N40°-50°W. 
Há 8 pedreiras licenciadas, embora seja possível observar 
outros espaços intervencionados (Fig. 5). A zona em 
questão possui amplas potencialidades para a exploração 
de rocha ornamental, de acordo com os dados obtidos 
por Moreira (1992) que delimitou as áreas potenciais 
representadas na Fig. 5. Os recursos estimados para 
essas áreas potenciais ascendem a 34,9x106m3 (Carvalhoet al., 2013). 
A utilização do granito nesta região marcou a arquitetura 
tradicional, com a utilização de pranchas de granitos 
colocadas ao alto, a pasta. As pequenas pedreiras foram 
evoluindo em função das necessidades e técnicas de 
extração e transformação.
Monção-Valença
Nesta zona é explorado um granito de granulado 
grosseiro, porfiróide, dominantemente biotítico, com 
megacristais de feldspato potássico que apresentam uma 
tonalidade rosada e conferem ao granito uma coloração 
caraterística (Fig. 3) (Ribeiro e Moreira, 1986). Trata-se 
de uma rocha explorada num maciço granítico tardi a 
pós-tectónico que aflora na região de Monção-Valença 
e continua para a Galiza. O espaçamento das fraturas 
origina uma disjunção paralelepipédica, com formação 
de importantes caos de blocos (Moreira e Simões, 1988). 
Neste maciço, podem obter-se rochas com diferentes 
nuances dentro do tom rosado.
Os af loramentos desde granito apresentam pouca 
alteração, por vezes com saibro granítico com cerca de 
um metro de espessura, sendo frequentes grandes lajes 
e bolas de aspeto e coloração homogéneos. A presença 
de nódulos biotíticos, pouco frequentes, e de encraves 
metassedimentares, sobretudo perto do contacto com 
estas rochas (Moreira, 1992) pode prejudicar o seu 
aspeto. As pedreiras situam-se preferencialmente em 
16
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 5
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para o núcleo de extração de Monção-Valença
Ponte de Lima
O granito de Ponte de Lima possui granulado médio 
e grau variável de alteração meteórica que lhe confere 
um aspeto bandado ferruginoso secundário muito 
caraterístico e apreciado pelos consumidores (Fig. 3) 
(Cevalor, 2014). As propriedades físico-mecânicas são 
variáveis em função do estado de meteorização, sendo 
recomendado o seu uso para alvenarias, cantarias e 
revestimentos, interiores e exteriores. 
Os af loramentos desde granito mostram grande 
densidade de faturação, obrigando ao aproveitamento 
dos pequenos blocos para a obtenção de peças fendidas. 
Os recursos estimados para a área potencial delimitada 
na Fig. 6 ascendem a 2,3x106m3 (Carvalho et al., 2013), 
embora a exploração do granito são, em profundidade, 
permita aumentar o tempo de vida das explorações.
As pedreiras localizam-se no flanco de uma encosta 
sobranceira ao vale do rio Lima e à autoestrada A3, 
constituindo importante impacte visual.
Há 14 pedreiras licenciadas, quase todas dedicadas 
à extração de rocha ornamental (Fig. 6). A Câmara 
Municipal de Ponte Lima, assumindo o relevo deste setor 
extrativo para o desenvolvimento socioeconómico do 
município e ciente da importância do ordenamento do 
território para a sustentabilidade do setor, implementou, 
no âmbito do respetivo Plano Diretor Municipal a 
Unidade Operativa de Planeamento e Gestão, UOPG 
18 - Plano de Pormenor das Pedreiras das Pedras Finas 
– Exploração de Granito.
17
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 6
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para o núcleo de extração Ponte de Lima
As duas pedreiras localizadas mais a norte exploram xisto.
ticos, encraves biotíticos de pequeno tamanho e filonetes 
de feldspato rosado constituem as heterogeneidades 
presentes (Ornabase). Os blocos explorados possuem 
dimensão média e os recursos estimados ascendem a 
39,0x106m3 para as áreas potenciais representadas na 
Fig. 7 (Carvalho et al., 2013).
Nesta região a exploração de granito assume algum 
relevo económico CIMTS (2014). No concelho de Marco 
de Canavezes foram identificadas 38 pedreiras licen-
ciadas e o novo PDM possui 510,5 ha de espaços afetos 
à exploração de recursos geológicos, contra 542,0 ha 
de espaços para indústrias extrativas consignados no 
anterior PDM (CMMC, 2015), o que é demonstrativo de 
maiores constrangimentos atuais no acesso ao território 
por parte deste setor industrial.
Alpendurada-Penafiel
Trata-se de um granito cinzento de duas micas, com 
granulado médio e alguns megacristais de feldspato 
(Fig. 3), apresentando foliação com direção N25°W 
(Ramos et al., 1985). As várias pedreiras da região estão 
instaladas no bordo SW do grande maciço de granito 
calco-alcalino, tardi a post-tectónico e com orientação 
NW-SE, que se estende no NW de Portugal desde a 
região de Viana do Castelo até às proximidades de Castro 
Daire (Fig. 4).
A nível regional predominam as famílias de fraturas 
N35°E e N-S, sendo menos importante a família 
N30-60W, embora com variações locais em função da 
proximidade a falhas (Ramos et al., 1985). Filões pegmatí-
18
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
O número de pedreiras licenciadas nos concelhos de 
Marco de Canavezes, Penafiel e Cinfães é de 20, muitas 
das quais também com produção de agregados como 
forma de rentabilizar as zonas do maciço rochoso sem 
aptidão para a produção de blocos devido a fraturação 
intensa (Fig. 7). Há muitas zonas intervencionadas que 
não estão licenciadas. 
A localização de unidades extrativas em zonas com uma 
grande densidade de núcleos urbanos implica alguma 
degradação ambiental e pode causar focos de atrito 
com as populações. Outras atividades económicas ou 
ocupações do território podem usar esta degradação 
ambiental como argumento em seu favor, como é caso 
do Plano de Ordenamento da Albufeira de Crestuma- 
-Lever que menciona as pedreiras como “atividades 
geradoras de degradação e passivo ambiental, e assen- 
tam na exploração de recursos não renováveis e com 
baixo valor acrescentado para a região” POACL (2004). A 
Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, ciente 
desta problemática, pretende implementar um programa 
para a recuperação destes espaços, procurando 
reconstituir os ecossistemas pré-existentes sempre que 
possível CIMTS (2014).
Nesta região, como nas outras aqui mencionadas, 
coloca-se o problema da continuidade da atividade por 
falta de mão-de-obra. Cerqueira (2012) refere que 40% 
dos trabalhadores das pedreiras do concelho de Marco 
de Canavezes se encontram na faixa etária de 46-55 anos.
A existência de empresas de pequena dimensão, 
pouco resilientes a períodos de crise económica e com 
pouca adaptabilidade à evolução do mercado, origina 
flutuações associadas aos ciclos económicos. No concelho 
de Penafiel verificou-se uma diminuição do número de 
empresas relacionadas com a indústria extrativa de 40 
para 21, entre 2008 e 2016 (CMP, 2018).
FIGURA 7
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para o núcleo de extração de Alpendurada-Penafiel
19
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Mondim de Basto
O granito de Mondim de Basto é um granito de 
duas micas, de granularidade média, por vezes com 
megacristais de feldspato, com foliação aproximada 
NW-SE (Fig. 3). Como minerais principais, apresenta 
quartzo, microclina-pertite, microclina sódica, moscovite 
e biotite (Pereira, 1987). O afloramento deste granito 
possui forma circular e na sua zona central constitui 
uma elevação com forma peculiar - o Monte Farinha. A 
coloração caraterística deste granito, com tons amarelo- 
-acastanhados, consequência da elevada meteorização 
nos níveis superiores do maciço, confere-lhe um elevado 
valor comercial.
As fraturas regionais N20°-30°E e N50°-60°E são 
as mais frequentes em todo o af loramento, com 
apreciável extensão, enquanto a família N-S tem maior 
representatividade no setor este do afloramento e a 
família N70°-80°W é mais frequente a noroeste do Monte 
Farinha (Alves, 2010). A análise do diaclasamento a 
nível de pedreira mostra o predomínio de duas famílias 
predominantes (N-S e E-W), embora havendo em todas 
as direções um número significativo de diaclases (Alves, 
2010). Esta variabilidade direcional da fraturação 
penaliza a obtenção de blocos com forma cúbica ou 
paralelepipédica, que associada aobaixo espaçamento 
médio das diaclases, 0,8m, dificulta a extração de 
grandes blocos para transformação. Assim, e de modo 
a assegurar a viabilidade económica das explorações, 
é necessário o aproveitamento dos blocos de pequena 
dimensão para obtenção de peças fendidas e serradas.
Há 18 pedreiras licenciadas e também aqui se verifica 
haver áreas intervencionadas sem licença de exploração 
(Fig. 8). Os recursos estimados ascendem a 7,5x106m3 
(Carvalho et al., 2013), que aumentam caso seja 
considerado também o granito são, explorado nos níveis 
inferiores das pedreiras.
Aumentar as mais-valias na produção é fundamental 
para diversificar mercados. Para tal, a Câmara Municipal 
de Mondim de Basto está a dinamizar a 1ª edição da 
Bienal do Granito, que decorreu entre maio e setembro 
de 2019 em Mondim de Basto. Esta iniciativa pretendeu 
envolver profissionais, estudantes e artistas na criação de 
novos produtos, de modo a favorecer o investimento de 
base inovadora e aumentar a diferenciação da produção.
20
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 8
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para o núcleo de extração de Mondim de Basto
Serra da Falperra
O granito extraído nesta região, com a designação 
comercial de Amarelo Real, possui grão médio ou médio 
a grosseiro, é de duas micas, com predominância da 
moscovite, e apresenta tendência porfiroide (Fig. 3). A 
composição mineralógica modal é a seguinte: quartzo 
(35,8%), feldspato potássico (23,6%), plagioclase (29,3%), 
biotite (3,3%), moscovite (7,9%) e apatite (0,1%), que o 
classifica como monzogranito (Sousa, 2007). A coloração 
amarelo-acastanhada é a caraterística deste granito mais 
valorizada pelo mercado.
Os lineamentos observados em fotografia aérea têm 
a direção preferencial N30-60W, ocorrendo ainda linea- 
mentos de menor expressão com as direções N20-40E 
e N70-90E (Sousa, 2007). Com variações pontuais, 
verifica-se uma estreita relação entre o diaclasamento 
observado nas pedreiras e a fraturação regional. No 
seu conjunto, as diaclases observadas nas pedreiras 
englobam-se em duas famílias principais: N30-50W e 
N20-60E (Santos et al., 2018). Nos afloramentos do granito 
Amarelo Real foram obtidos, em quatro estudos 
diferentes, valores do espaçamento médio de 1,0 m a 
1,5 m (Sousa, 2007; Santos et al., 2018). Estes valores 
variam de acordo com a tipologia de locais estudados: 
pedreiras, áreas virgens ou áreas selecionadas de acordo 
com algumas condicionantes, no entanto os valores do 
espaçamento são baixos.
Na impossibilidade de obter granito com a coloração 
mais valorizada em profundidade, onde a menor 
meteorização confere uma tonalizada acinzentada, 
as pedreiras avançam lateralmente, ocupando áreas 
21
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
assinaláveis. Apesar dos blocos de grande volume para 
a indústria transformadora serem o produto mais 
valorizado, o baixo rendimento de muitas pedreiras 
obriga ao aproveitamento dos blocos de menores 
dimensão para outros fins. O número de pedreiras 
em atividade, cerca de 10, é muito menor do que as 
licenciadas, 28 (Fig. 9), com algumas discrepâncias em 
relação às áreas intervencionadas. A crise da última 
década levou ao encerramento temporário de muitas 
unidades extrativas e à diminuição do volume extraído.
Os recursos estimados ascendem a 8,9x106m3 (Carvalho 
et al., 2013), tendo em consideração as áreas potenciais 
demarcadas na Fig.9. Perante as condicionantes legais 
e as caraterísticas geológicas dos afloramentos, Santos 
et al. (2018) refere uma quantidade inferior, 2,7x106m3, 
considerando apenas a área de reserva. Também neste 
caso as reservas serão muito maiores se considerado o 
granito menos meteorizado explorado em profundidade.
O rápido crescimento da exploração deste granito levou 
à definição da Área de Reserva na serra da Falperra 
(Decreto Regulamentar nº6/2009, de 2 de abril), a pri-
meira em Portugal para este tipo de rocha, com uma 
área de 1776 ha, englobando os concelhos de Vila Pouca 
de Aguiar, Sabrosa e Vila Real. De acordo com o PDM 
de Vila Pouca de Aguiar, a área de extração na área da 
Falperra deverá constituir uma Unidade Operativa de 
Planeamento e Gestão. Um plano de ordenamento e 
gestão para toda a área de reserva seria de todo a opção 
mais conveniente ao desenvolvimento harmonioso desta 
área industrial.
FIGURA 9
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para a área de Reserva da Serra da Falperra
https://dre.pt/application/conteudo/603232
22
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Pedras Salgadas
Trata-se de um granito leucocrata, biotítico, com alguns 
megacristais de feldspato potássico; estas caraterísticas, 
aliadas ao grão médio a fino, conferem-lhe propriedades 
ornamentais que o tornam um dos granitos portugueses 
mais procurados (Fig. 3). A composição mineralógica é 
a seguinte: quartzo (33,4%), feldspato potássico (28,4%), 
plagioclase (33,2%), biotite (4,3%) e moscovite (0,7%) 
(Sousa, 2000).
As pedreiras localizam-se no maciço granítico de Vila 
Pouca de Aguiar, pós-tectónico relativamente à terceira 
fase da orogenia Hercínica.
A fraturação regional é constituída por três famílias de 
falhas: N10°-30°E, N40°-50°W e N60°-80°E. Estas falhas 
têm faixas de alteração subparalelas e de largura variável, 
podendo atingir 50 metros no caso da primeira família, 
paralela ao importante acidente tectónico localizado 
1000 m a este da área das pedreiras, a falha Penacova- 
-Régua-Verín (Sousa, 2000). Moreira (1999) refere 
também as famílias E-W e N30°W. O diaclasamento é 
muito variável ao longo do maciço (Moreira, 1999; Sousa, 
1995) e nem sempre coincide com a fraturação regional 
ao redor das áreas em exploração. Contudo, as principais 
famílias de fraturas identificadas na totalidade das 
pedreiras englobam-se nas três famílias atrás referidas 
(Sousa, 1995; 2000). O espaçamento das fraturas, 
observado nas pedreiras em atividade e em áreas virgens, 
é muito variável, sendo referidos espaçamentos médios 
de 0,5m a 3,8m (Moreira, 1999; Sousa, 2007). Pese 
embora a obtenção da informação seja condicionada 
pela posição das frentes de trabalho, os dados mostram 
a dificuldade em obter blocos de grande dimensão em 
todas as pedreiras a todo o tempo (Sousa, 2007).
A parte superior do maciço apresenta uma fraturação 
e meteorização muito elevada, em especial devido à 
descompressão, inviabilizando a obtenção de blocos 
comerciais nos primeiros 10 metros de profundidade 
(Moreira, 1999; Sousa, 2000). As pedreiras desenvolvem-se 
em flanco de encosta, na fase inicial da extração, e em 
profundidade, onde a qualidade do maciço permite obter 
mais rendimento.
Há 13 pedreiras licenciadas, embora nem todas em 
atividade. Também aqui há áreas intervencionadas que 
não se encontram com licença de exploração atribuída. 
Os recursos estimados ascendem a 36,7x106m3 (Carvalho 
et al., 2013) e foram calculadas em função das áreas 
potenciais delimitadas na Fig. 10.
Dada a importância deste núcleo produtor, foi estabelecida 
a Área Cativa de Pedras Salgadas (Portaria nº766/94, de 
23 de agosto), a primeira em Portugal para este tipo de 
rocha, com uma área de 1254 ha. De acordo com o PDM 
de Vila Pouca de Aguiar, a área de extração na área da 
Falperra deverá constituir uma Unidade Operativa de 
Planeamento e Gestão.
https://dre.pt/application/conteudo/218695
https://dre.pt/application/conteudo/218695
23
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 10
Pedreiras licenciadas, zonas com índicos de exploração e áreas potenciais para a área Cativa de Pedras Salgadas
3. AVALIAÇÃO GLOBAL E PROPOSTAS DE 
ATUAÇÃO
A exploração dos diferentes granitos é condicionada pelas 
condições dos afloramentos, em especial o padrão de 
fraturação e o espaçamento das fraturas. Os afloramentos 
dos granitos maismeteorizados (Ponte de Lima, Mondim 
de Basto e serra da Falperra) apresentam uma maior 
densidade de fraturação, resultando daqui um menor 
aproveitamento nas pedreiras e consequentemente maior 
acumulação de resíduos. Estas condicionantes, aliadas à 
necessidade de explorar o granito em níveis superficiais, 
levam à evolução das pedreiras dos granitos amarelos em 
área e não em profundidade. No entanto, tal expansão 
nem sempre é possível, limitando a área disponível para 
explorar e consequentemente o volume de reservas. São 
estes granitos os que possuem um menor volume de 
recursos, de acordo com a avaliação de Carvalho et al. 
(2013).
Mesmo nos af loramentos dos restantes granitos a 
densidade de fraturação limita a extração de grandes 
blocos. Este condicionalismo obriga as empresas a 
efetuarem o máximo aproveitamento do granito 
extraído, nomeadamente para a produção de peças 
fendidas e serradas, as quais podem ser obtidas a 
partir de blocos irregulares e/ou de pequena dimensão. 
Assim, a capacidade de transformação nas pedreiras 
tem aumentado de modo a permitir a sua viabilidade 
económica. Não faz sentido, para o caso dos granitos em 
apreço, falar de pedreiras viáveis apenas com a produção 
de blocos para comercialização. O máximo de mais- 
-valias deve ser obtido em unidades de transformação 
24
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
localizadas nas pedreiras ou a ela associadas. As empresas 
mais resilientes são as que possuem uma capacidade 
de transformação instalada que lhes permita suprir 
a eventual inconstância na extração da pedreira e 
adaptar-se aos ciclos económicos.
A diminuição da atividade económica desde 2008 levou 
ao encerramento de muitas unidades, maioritariamente 
por incapacidade das empresas procurarem novos 
mercados. Alguns estudos setoriais, como por exemplo 
AEP (2015) e ANIET (2017), demonstram a necessidade 
de investimento, inovação e internacionalização, os 
quais apenas poderão ser conseguidos através de uma 
cooperação efetiva entre empresas, à semelhança do 
que aconteceu em muitas ações realizados no âmbito 
do cluster da pedra natural com continuidade no 
cluster dos recursos minerais. A reduzida dimensão 
da maioria das empresas, com uma capacidade de 
extração/transformação limitada, não permite o seu 
posicionamento no mercado por falta de capacidade de 
resposta. A efetiva cooperação poderá ajudar a colmatar 
muitas das lacunas, mas este caminho nem sempre é 
fácil de percorrer.
Um aspeto crucial para o desenvolvimento futuro 
destes núcleos de extração de granito ornamental são 
as condicionantes impostas ao nível do ordenamento do 
território. A escassez “artificial” de matéria-prima por 
questões de uso do solo/ordenamento do território é uma 
nova problemática que afeta as empresas na tentativa 
de expansão dos seus negócios junto dos mercados 
externos. Com efeito, a contribuição deste setor para o 
desenvolvimento económico e social apenas poderá ter 
continuidade caso tenha acesso aos locais onde ocorrem 
os recursos passíveis de exploração económica.
Mateus et al. (2017) desenvolveram uma metodologia 
para a identificação e delimitação dos espaços para os 
quais importa a salvaguarda dos recursos minerais nos 
instrumentos de ordenamento do território, a fim de que 
a esses locais não sejam atribuídos usos ou ocupações que 
desnecessariamente inviabilizem a futura exploração dos 
recursos minerais. Com base nessa metodologia, assente 
no grau de conhecimento existente a diversas escalas 
sobre os recursos, Carvalho et al. (2018) mostram que 
dos 6 núcleos aqui apresentados, apenas para a Área 
Cativa de Pedras Salgadas e para a Área de Reserva da 
Falperra existe conhecimento suficiente para justificar 
a sua inclusão nos instrumentos de ordenamento do 
território, o que aliás está inerente à implementação 
dessas mesmas áreas, pois elas constituem servidões 
administrativas em sede de ordenamento do território. 
Porém, para os restantes núcleos e respetivas áreas de 
potencial expansão, a justificação para a salvaguarda dos 
recursos aí existentes só poderá ser alcançada através 
de um aumento do conhecimento específico sobre esses 
mesmos recursos, o que demonstra a necessidade de um 
esforço conjunto entre entidades públicas e privadas que 
conduza à aquisição desse conhecimento. 
Se é certo que as tecnologias inovadoras que têm vindo a 
ser implementadas ao nível da extração e transformação 
têm contribuído para o aumento da rendibilidade das 
pedreiras, também é certo que não poderão suprir por 
completo a necessidade de matéria-prima e como tal é 
necessário manter o acesso aos locais onde os recursos 
existem.
Os impactes ambientais associados à atividade extrativa 
devem ser acautelados de modo a evitar a degradação do 
meio ambiente até níveis irrecuperáveis. A localização de 
pedreiras junto de núcleos urbanos (Fig. 11) aumenta a 
perceção destes problemas e potenciais conflitos devem 
ser evitados. A avaliação dos impactes ambientais, 
obrigatória em muitas situações, permite um controlo 
da atividade extrativa. A consulta da base de dados da 
Agência Portuguesa do Ambiente (APA) (http://siaia.
apambiente.pt/AIA_Consulta.aspx) permite verificar 
o elevado número de pedreiras sujeitas a controlo 
ambiental no âmbito do processo de avaliação de impacte 
ambiental, incluindo novas pedreiras e ampliações das já 
existentes. De acordo com a informação disponibilizada 
pela APA, indicam-se de seguida o número de pedreiras 
com parecer favorável condicionado e o ano do processo 
mais antigo para os concelhos onde se localizam as 
pedreiras em análise: Monção 4 (2004); Valença 2 (2014); 
Marco de Canavezes 1 (2008); Vila Real 1 (2009); Sabrosa 
13 (2005); Vila Pouca de Aguiar 19 (1998); Mondim de 
Basto 14 (2006); Penafiel 2 (2011). Os dados apresentados 
incluem também um número residual de pedreiras 
dedicadas à extração de inertes. Cumpridas as medidas 
de minimização de impactes ambientais e os planos de 
monitorização, estão reunidas as condições para evolução 
do estado do ambiente dentro dos limites estabelecidos 
aquando do licenciamento. No caso das pedreiras 
localizadas em núcleos de extração, com várias unidades 
próximas entre si, poderá haver benefícios em realizar 
a recuperação ambiental e a monitorização de modo 
integrado. No entanto, para que tal seja possível, deverão 
ocorrer alterações no processo de avaliação ambiental.
http://siaia.apambiente.pt/AIA_Consulta.aspx
http://siaia.apambiente.pt/AIA_Consulta.aspx
25
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 11
Concentração de pedreiras junto a núcleos urbanos
Apresentam-se de seguida os pontos fortes, pontos 
fracos, oportunidades e ameaças para os principais 
núcleos produtores de granitos ornamentais no norte de 
Portugal. Dadas as diferenças entre os diferentes núcleos, 
apresentam-se os principais pontos em comum com base 
na avaliação antes efetuada por AEP (2015), ANIET 
(2017) e BES (2014), tendo em consideração também as 
unidades de transformação associadas à extração.
PONTOS FORTES
A importância do setor para a economia nacional e 
regional - Esta importância advém do emprego, da 
criação de riqueza e aproveitamento dos recursos naturais 
locais, em áreas por vezes em risco de despovoamento. 
A existência de matéria-prima diversificada e com 
caraterísticas reconhecias pelo mercado, facilita o 
aproveitamento dos vários granitos. Os municípios 
reconhecem a importância desta atividade.
O reconhecimento da qualidade dos produtos - A 
tradição na exploração/transformação do granito é uma 
imagem de marca do norte de Portugal. Poucos são os 
países com operários qualificados capazes de trabalhar 
tão bem a pedra como os portugueses.
A integração nas fileiras dos recursos minerais e da 
construção civil - Os produtos da produção/transforma-
ção criam dinâmicas de desenvolvimento nas fileiras de 
outros setores, quer a montante quer a jusante. Deve 
referir-se tambémas atividades económicas indireta-
mente associadas ao setor, em especial os serviços, que 
assumem maior importância em zonas frágeis do ponto 
de vista económico e social.
A capacidade de ajustamento das empresas às alterações 
do mercado e a internacionalização - É particularmente 
importante nos períodos de menor atividade económica 
para as empresas de maior dimensão. 
PONTOS FRACOS
Ausência de cooperação empresarial – Devido à reduzida 
dimensão das empresas, é urgente que a cooperação seja 
efetiva de modo a promover vantagens competitivas, 
através do efeito de escala e pela complementaridade 
da oferta. Também na internacionalização, a ausência 
de cooperação limita o crescimento nos mercados 
internacionais e leva a ações redundantes por parte de 
várias empresas e sem o efeito desejado.
Falta de investimento na inovação - Sem uma aposta 
na investigação torna-se mais difícil a criação de valor 
na oferta. Há alguma dificuldade em incorporar design 
na transformação da pedra, desperdiçando o know-how 
existente. A inovação também pode e deve englobar 
ações relativas às ações de minimização dos impactes 
ambientais, em especial nas zonas onde há uma pressão 
maior sobre o meio ambiente devido à densidade de 
unidades produtoras.
26
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Acesso aos mercados internacionais - A reduzida dimensão 
da maioria das empresas e a falta de informação 
e/ou impreparação, determinam uma incapacidade 
de realizar uma internacionalização bem-sucedida. A 
dependência de determinados clientes e/ou mercados, 
torna a internacionalização frágil e sem capacidade de 
adaptação à evolução mercado.
A dimensão das empresas - A reduzida dimensão da 
maioria das empresas é muitas vezes um entrave para a 
promoção do investimento e do crescimento estrutural. 
Quando dependentes de capitais alheios as empresas 
mostram fragilidades que impedem o seu crescimento 
para enfrentarem os desafios de um mercado cada vez 
mais exigente.
O envelhecimento dos recursos humanos - A forte 
tendência para a diminuição do número de efetivos e seu 
envelhecimento contribuem para a perda de qualificação 
empresarial no saber trabalhar a pedra durante o 
processo extrativo e, sobretudo, durante o processo de 
transformação.
OPORTUNIDADES
Aproveitar a oferta integrada do setor das rochas orna- 
mentais - O setor português das rochas ornamentais 
apresenta no seu todo uma imagem internacional forte, 
devendo as empresas usar essa imagem positiva. Por 
outro lado, a cooperação entre empresas permitirá tirar 
partido da complementaridade da oferta.
O aumento da procura global - A utilização da pedra 
natural mantém uma trajetória de crescimento, existindo, 
portanto, oportunidades de crescimento nos mercados 
internacionais. As oportunidades de crescimento, 
sobretudo nos países mais desenvolvidos e com maiores 
exigências em termos de produtos certificados, onde 
a pedra natural portuguesa mantém uma imagem de 
qualidade, devem ser aproveitadas.
Aproveitar as vantagens da economia digital - As 
facilidades oferecidas pelos meios digitais, quer para os 
contactos comerciais quer para o marketing, devem ser 
aproveitadas pelas empresas. As ferramentas digitais 
potenciam o contacto e a promoção da atividade da 
empresa, a divulgação dos produtos, o acompanhamento 
personalizado das obras em curso e os serviços pós-venda.
AMEAÇAS 
Concorrência internacional - Nas últimas décadas a 
produção aumentou em países terceiros, sobretudo 
baseada numa política de preços baixos difícil de 
combater. As empresas portuguesas devem colocar os 
seus produtos baseados na qualidade, em produtos 
inovadores e numa política comercial mais agressiva.
Instabilidade financeira - Os períodos de instabilidade 
financeira mundial não permitem criar um ambiente 
adequado à recuperação económica e ao investimento no 
mercado da construção imobiliária e em obras públicas.
Produtos substitutos - As pedras naturais têm concorrência 
feroz de outros substitutos, em especial os produtos 
cerâmicos.
À semelhança das típicas análises às cadeias de valor 
de sistemas produtivos, os estudos antes referidos e nos 
quais se baseia esta caraterização da fileira dos granitos, 
tomam como certo o pressuposto da existência infinita 
de recursos, olvidando que os recursos minerais são 
finitos e não renováveis. Se para o presente caso da fileira 
dos granitos, a questão não se coloca tanto ao nível da 
disponibilidade de recursos, ela coloca-se ao nível das 
condições de acessibilidade ao território, tal como antes 
referido. Nesse sentido, a presente análise carece, ao nível 
das ameaças ao setor, da referência aos constrangimentos 
decorrentes do ordenamento do território.
A resolução de muitos problemas atrás enumerados 
dependem das empresas e da sua capacidade de resposta 
a um mercado cada vez mais exigente. As propostas que 
se seguem dizem respeito a questões de ordenamento da 
atividade e de política de aproveitamento dos recursos 
geológicos, transversais, portanto, a todos os núcleos 
de extração.
Os núcleos de extração e respetivas áreas de expansão 
devem ser alvo de estudos que permitam um aumento 
do conhecimento sobre os recursos existentes de tal 
modo que permitam justificar adequadamente a sua 
integração em sede de planeamento territorial, em 
contraponto às justificações para outros usos e ocupações 
do território que inviabilizem a sua exploração. Por outro 
lado, os núcleos de extração mais importantes deverão 
ser eles próprios objeto de ordenamento de pormenor 
através das figuras legais existentes para o efeito, 
nomeadamente os Planos de Intervenção em Espaço 
Rural. Este ordenamento deverá considerar não só as 
valências geológicas, mas também considerar as valências 
ambientais e sociais. Devido à sua vocação marcadamente 
27
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
industrial, estas áreas devem ser consideradas como 
uma unidade autónoma para efeitos de ordenamento do 
território. Tal como já efetuado para outros locais (e.g. 
Falé et al. 2006, Carvalho et al., 2014, Carvalho et al., 
neste volume), a sua demarcação deverá ser suportada 
por estudos de âmbito geológico, ambiental e social que 
permitam a elaboração de propostas de ordenamento 
baseadas na aptidão geológica do território e sua 
ponderação com os fatores ambientais e sociais.
Assim, os núcleos onde se verifica uma concentração 
de unidades extrativas deverão ser considerados como 
Unidades Operativas de Planeamento e Gestão, tal como 
já se verifica nalguns municípios, devendo o respetivo 
ordenamento ter os seguintes objetivos gerais, adaptados 
a cada caso: a integração e articulação das diferentes 
entidades de modo a compatibilizar os diferentes 
interesses em presença; a valorização da matéria-prima 
e a otimização da sua exploração de modo racional; 
a valorização e requalificação ambiental; a criação de 
pequenas áreas com capacidade edificatória e redes de 
infraestruturas que sirvam as indústrias aí localizadas; a 
elaboração de uma estratégia integrada de recuperação 
das áreas já exploradas, onde se deve proceder à 
recuperação paisagística e ambiental; a definição de 
orientações para futuros licenciamentos.
O estabelecimento de áreas com valências específicas 
para a exploração de recursos geológicos, neste caso 
granito ornamental, poderá ser equacionada em alguns 
destes núcleos, à semelhança do que acontece nas áreas 
onde exploram o granito de Pedras Salgadas (Área 
Cativa de Pedras Salgadas - Portaria nº 766/94, de 23 
de agosto) e o granito da serra da Falperra (Área de 
Reserva na serra da Falperra (Decreto Regulamentar 
nº6/2009, de 2 de abril). O processo de definição 
destas áreas classificadas para a exploração de recursos 
geológicos deveria, ad initium, considerar as outras 
valências do território e os valores ambientais a defender, 
delimitando as áreas suscetíveis de serem exploradas e 
evitando posteriores incompatibilidadesidentificados 
na fase de licenciamento. Não tendo isso sido feito, mais 
se realça a necessidade da implementação das Unidades 
Operativas de Planeamento e Gestão e respetivos planos 
de ordenamento de pormenor.
A comparação dos dados relativos às pedreiras com 
licença de exploração e do número de pedreiras em 
atividade mostra uma diferença assinalável. Deverá o 
recurso geológico estar “reservado” até que haja uma 
decisão de exploração por parte de quem possui os 
direitos para tal, ou ser introduzido um mecanismo 
de salvaguardada para tal situação? Pensamos que este 
assunto merece uma discussão entre as entidades com 
responsabilidade nesta temática.
O conhecimento da realidade no terreno, com dados 
estatísticos que dependem da boa vontade das empresas em 
fornecerem dados fidedignos, está longe de ser a perfeita. 
A falta de colaboração pró-ativa dos agentes económicos 
obriga a que novas soluções sejam consideradas, com 
utilização das tecnologias de informação presentemente 
disponíveis para cruzamento de dados e informações 
relativos à produção/transformação/exportação. 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No norte de Portugal são explorados granitos com 
caraterísticas texturais e cromáticas distintas. Nas 
últimas décadas o número de unidades extrativas nos 
granitos amarelos, Ponte de Lima, Mondim de Basto e 
serra da Falperra, aumentou de forma significativa. Estes 
granitos, conjuntamente com os granitos de Monção, 
Alpendurada-Penafiel e Pedras Salgadas, constituem os 
principais núcleos de extração de granitos do norte de 
Portugal, tendo sido identificadas um total 101 pedreiras 
licenciadas. A quase totalidade das pedreiras dedica-se 
à produção de rocha ornamental, desde blocos para 
posterior transformação até às peças fendidas.
O setor da extração e transformação dos granitos 
constitui uma importante atividade económica, em 
regiões em risco de despovoamento. A tradição na 
exploração e transformação do granito é uma imagem 
de marca do norte de Portugal, no entanto a falta de 
atratividade desta atividade leva que muitas empresas 
sintam dificuldades em contratar mão-de-obra. Esta 
situação tenderá a agravar-se rapidamente, pois é muito 
alta a faixa etária dos trabalhadores no ativo.
O número de pedreiras ativas é muito inferior ao 
das que possuem licença de exploração, embora esta 
avaliação resulte da realidade observada nos núcleos 
de extração, não havendo um registo fidedigno das 
áreas em exploração ativa. Refira-se que os dados 
oficiais apontam para um total de 111 pedreiras de 
granito ativas em Portugal (DGEG, 2018), logo as 101 
identificadas nos núcleos agora estudados não poderão 
estar todas ativas. A crise económica que de forma mais 
https://dre.pt/application/conteudo/218695
https://dre.pt/application/conteudo/218695
https://dre.pt/application/conteudo/603232
https://dre.pt/application/conteudo/603232
28
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
evidente marcou a última década, levou à inatividade 
de muitas pedreiras, cujo retoma se assegura difícil. O 
controlo da atividade nas pedreiras, avaliada em termos 
de volume extraídos nas frentes de lavra e depositado 
nas escombreiras poderá ser facilmente realizado com 
o recurso a meios aerofotogramétricos (p.ex. drones), 
com a vantagem de muitas pedreiras se localizarem 
contiguamente ou próximas umas das outras. Poderá, 
assim, haver uma avaliação em tempo real dos volumes 
extraídos, da legalidade das áreas intervencionadas e da 
situação das pedreiras.
Os núcleos de extração e áreas de expansão deverão 
ser alvo de estudos para obtenção de conhecimento que 
justifique a demarcação das áreas de aptidão geológica 
e a sua integração em ordenamento do território. Essa 
integração deverá ser alcançada através de Unidades 
Operativas de Planeamento e Gestão (UOPG) e respetivo 
plano de ordenamento. Este, adaptado a cada caso, 
deverá considerar a compatibilização das diferentes 
valências do território e a valorização e requalificação 
ambiental das áreas degradadas, entre outras julgadas 
pertinentes.
As áreas potenciais de exploração de granito avaliadas 
em trabalhos publicados recentemente pecam por falta 
de rigor devido à insuficiência dos dados geológicos 
disponíveis (Carvalho et al., 2013, 2018). Por essa razão, 
essas áreas esbarram com limitações decorrentes de 
condicionantes ao uso do território (Santos et al., 2018). 
Pretende-se continuar esta primeira avaliação dos 
granitos do norte de Portugal com uma análise dessas 
condicionantes para os seis núcleos. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AEP (2015) – Granito – Criação de valor e tendências. COMPETE2020.
ALVES I.M.C – (2010). Exploração de granito em Mondim de Basto: 
caracterização e potencialidades didácticas. Tese de Mestrado. Universidade 
de Trás-os-Montes e Alto Douro.
ANIET (2017) – Diagnóstico Competitivo sobre o Setor da Extração e 
Transformação da Pedra Natural. Projeto GAP - Ganhar a aposta na 
Pedra Natural. COMPETE2020. http://www.aniet.pt/fotos/editor2/
internacionalizacao/diagnostico_competitivo_sector.pdf
BES (2014) – Produção de Rochas Ornamentais. Análise setorial. Banco 
Espírito Santo. https://www.novobanco.pt/site/cms.aspx?plg=bce069e9-
8e48-439b-bf21-406dd37b7750 (consulta em 5 maio 2019).
CÂMARA MUNICIPAL DE PENAFIEL (2018) – Relatório sobre o estado 
do ordenamento do território. (https://www.cm-penafiel.pt/wp-content/
uploads/2018/11/REOT-Penafiel.pdf).
CARVALHO J.M.F., SAMPAIO J., MACHADO S., MIDÕES C., 
PRAZERES C., SARDINHA R. (2014) – Caraterização e valorização da 
área de intervenção específica do Codaçal. Relatório interno do Cluster da 
Pedra Natural - COMPETE/QREN. Projeto Âncora 2 - Sustentabilidade 
Ambiental da Indústria Extrativa. LNEG e Cevalor, Lisboa, 159 p.
CARVALHO J.M.F., CANCELA J., MARTINS C., PIRES D., 
MALVEIRO S. (neste volume). Exploração sustentável de recursos no Maciço 
Calcário Estremenho.
CARVALHO J., LOPES C., MATEUS A., MARTINS L., GOULÃO M. 
(2018) – Planning the future exploitation of ornamental stones in Portugal 
using a weighed multi-dimensional approach. ResourcesPolicy, 59: 298-317.
CARVALHO J.F., HENRIQUES P., FALÉ P., LUÍS G. (2008) – Decision 
criteria for the exploration of ornamental-stone deposits: Application to the 
marbles of the Portuguese Estremoz Anticline. International Journal of Rock 
Mechanics and Mining Sciences, 45(8):1306-1319.
CARVALHO J.M.F., LISBOA J.V., MOURA A.C., CARVALHO C., 
SOUSA L.M.O., LEITE M.M. (2013) – Evaluation of the Portuguese 
ornamental stone resources. Key Engineering Materials, 548:3-9. 
doi:10.4028/www.scientific.net/KEM.548.3.
CERQUEIRA C.M.M. (2012) – Análise às condições de segurança e saúde 
no trabalho em pedreiras. Mestrado em Gestão Integrada da Qualidade, 
Ambiente e Segurança. Escola Superior de Tecnologia e Gestão, 
Politécnico do Porto.
CEVALOR (2014) – Exportar, exportar, exportar - A experiência dos principais 
clusters regionais. Cluster da Pedra Natural. Granito de pedras finas. 
Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Viana do Castelo, 11 de 
Fevereiro de 2014.
CIM TÂMEGA e SOUSA (2014) – Plano estratégico de desenvolvimento 
intermunicipal do Tâmega e Sousa. Relatório final. Maio 2014.
CMMC (2015) – Relatório de avaliação ambiental do PDM de Marco de 
Canaveses. Câmara Municipal de Marco de Canavezes.
DECRETO REGULAMENTAR nº 6/2009. Diário da República, 1.ª 
série, N.º 65, 2 de Abril de 2009, pp. 2050-2052.
DGEG (2018) – Informação Estatística, nº 20. Direção de Serviços de 
Estratégia e Fomento dos Recursos Geológicos. 
FALÉ P., HENRIQUES P., MIDÕES C., CARVALHO J. (2006) – 
O Reordenamento da Actividade Extractiva como Instrumento para o 
Planeamento Regional: Vila Viçosa, Portugal. Boletín Geológico y Minero 
117(2):277-288.
FORT R., BUERGO M.A., PEREZ-MONSERRAT E., VARAS M. J. 
(2010) – Characterisation of monzogranitic batholiths as a supply source for 
heritage construction in the northwest of Madrid. Engineering Geology, 
115(3-4):149-157.LEITE M.R.M., MOURA A.C. (2013) – Rochas Ornamentais Portuguesas. 
ORNABASE - http://rop.ineti.pt/rop/ (acedido em 16 maio de 2019).
MATEUS A., LOPES C., MARTINS L., CARVALHO J. (2017) – Towards 
a multi-dimensional methodology supporting a safeguarding decision on the 
future access to mineral resources. Mineral Economics, 30(3): 229-355. 
https://link.springer.com/article/10.1007/s13563-017-0114-y.
MONTANI, C. (2017) – XXVIII report marble and stones in the world 2016. 
Ed. Aldus, Carrara, Italy.
http://www.aniet.pt/fotos/editor2/internacionalizacao/diagnostico_competitivo_sector.pdf
http://www.aniet.pt/fotos/editor2/internacionalizacao/diagnostico_competitivo_sector.pdf
https://www.novobanco.pt/site/cms.aspx?plg=bce069e9-8e48-439b-bf21-406dd37b7750
https://www.novobanco.pt/site/cms.aspx?plg=bce069e9-8e48-439b-bf21-406dd37b7750
https://www.cm-penafiel.pt/wp-content/uploads/2018/11/REOT-Penafiel.pdf
https://www.cm-penafiel.pt/wp-content/uploads/2018/11/REOT-Penafiel.pdf
http://www.scientific.net/KEM.548.3
https://dre.pt/application/conteudo/603232
https://dre.pt/application/conteudo/603232
http://rop.ineti.pt/rop/
https://link.springer.com/article/10.1007/s13563-017-0114-y
29
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
MOREIRA A. (1992) – Maciço granítico de Monção: definição de áreas com 
potencialidades para a produção de granito ornamental, Boletim de Minas, 
29(4):339-366.
MOREIRA A. (1999) – Reconhecimento geológico do maciço granítico de 
Pedras Salgadas (Vila Pouca de Aguiar). Boletim de Minas, 36(2):147-169.
MOREIRA A., SIMÕES M (1988) – Carta Geológica de Portugal à escala 
1:50000. Notícia explicativa da folha 1-D (Arcos de Valdevez). Serviços 
Geológicos de Portugal, Lisboa 48p.
PEREIRA E. (1987) – Estudo geológico-estrutural da região de Celorico de 
Basto e a sua interpretação geodinâmica. Dissertação de Doutoramento. 
Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa.
PITA P. (2017) – O granito como recurso natural: a importância económica 
do granito. Comunicação apresentada na The Beginning Conference, 
Internacional Granite Fair.
POACL (2004) – Plano de ordenamento da albufeira de Crestuma-Lever. 
Estudos de base, volume 5 - Síntese de caracterização e diagnóstico.
PORTARIA nº 766/94, de 23 de Agosto de 1994., Diário da República, 
1ª série-B, nº 194.
RAMOS J.F., MOURA A.C., GRADE J. (1985) – Análise sumária da 
fracturação em rochas ígneas ornamentais. Bol. Soc. Geol. Portugal, 
24:313-327.
RIBEIRO M.L., MOREIRA A. (1986) – Carta Geológica de Portugal à 
escala 1:50000. Notícia explicativa da folha 1-B (Monção). Serviços 
Geológicos de Portugal, Lisboa 46p.
RODRIGUES M.S.F. (2009) – Património geológico do vale do Minho e 
sua valorização geoturística. Tese de mestrado. Universidade do Minho.
SANTOS I., SOUSA L., LOURENÇO J. (2018) – Granite resources 
evaluation - example of an extraction area in North of Portugal. J. Environ 
Earth Sci 77: 608. https://doi.org/10.1007/s12665-018 -7780-0.
SOUSA L.M.O. (1995) – O granito de Pedras Salgadas como recurso. 
Contribuição para a sua valorização e gestão integrada. Tese de mestrado. 
Departamento de Ciências da Terra, Universidade de Coimbra.
SOUSA L.M.O. (2000) – Estudo da fracturação e das características 
físico-mecânicas de granitos da região de Trás-os-Montes com vista à sua utilização 
como rocha ornamental. Tese de Doutoramento, Universidade de Trás- 
-os-Montes e Alto Douro.
SOUSA L.M.O. (2007) – Granito Amarelo Real: características gerais e 
contribuição para o ordenamento da exploração na serra da Falperra. Boletim 
de Minas, 41(2):161-174.
SOUSA L.M.O. (2010) – Evaluation of joints in granitic outcrops for 
dimension stone exploitation. Quarterly Journal of Engineering Geology 
and Hydrogeology, 43:85-94.
https://dre.pt/application/conteudo/218695
https://dre.pt/application/conteudo/218695
https://doi.org/10.1007/s12665-018-7780-0
31
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
No Maciço Calcário Estremenho ocorre, desde há décadas, uma intensa atividade de extração de blocos de calcário 
para fins ornamentais. Dos condicionalismos de ordenamento do território, designadamente pelo facto dessa atividade 
decorrer num espaço territorial consignada para a proteção da natureza – o Parque Natural das Serras de Aire e 
Candeeiros, resultaram numerosas e prolongadas situações de conflito pelo uso do território. Por um lado, os naturais 
anseios de desenvolvimento do setor industrial, por outro, o cumprimento dos objetivos de conservação da natureza.
Visando o estabelecimento de equilíbrios para a resolução da conflitualidade nos principais núcleos de exploração 
consignados no Plano de Ordenamento daquele parque natural, desenvolveu-se um projeto com o objetivo específico 
Exploração Sustentável de Recursos no Maciço Calcário Estremenho
Jorge M. F. Carvalho
Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Unidade de Recursos 
Minerais e Geofísica
Email: jorge.carvalho@lneg.pt
Jorge Cancela
Biodesign, Ambiente e Paisagem, Lda.
Email: cancela.jorge@gmail.com
Cristina Martins
Biodesign, Ambiente e Paisagem, Lda.
Email: cristinamartins@biodesign.pt
Palavras Chave: Maciço calcário estremenho, calcários ornamentais, valoração biológica, ordenamento do território.
Daniel Pires
Estudos e Divulgação em Ambiente, Lda.
Email: dpires@biota.pt
Sónia Malveiro
Estudos e Divulgação em Ambiente, Lda.
Email: smalveiro@biota.pt
32
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
de encontrar mecanismos conducentes à compatibilização da gestão e exploração racional dos recursos em calcários 
ornamentais com a conservação da natureza, no âmbito dos planos municipais de ordenamento do território.
Com base nos resultados alcançados, para cada uma das cinco áreas estudadas foi apresentada uma proposta de 
ordenamento na qual foram considerados quatro fatores determinantes para a decisão: a existência de áreas de 
ocorrência de calcários com aptidão ornamental, áreas com altos e excecionais valores ecológicos, património geológico 
de valor relevante e áreas anteriormente recuperadas do ponto de vista ambiental.
1. INTRODUÇÃO
No desenvolvimento de estratégias nacionais o orde-
namento do território é uma ferramenta tática para a 
reconciliação dos interesses públicos e privados no que 
ao uso do território diz respeito. Quando se considera 
a necessidade de assegurar o fornecimento de matérias 
primas minerais à sociedade está-se perante uma questão 
pública, sejam essas matérias primas do domínio privado 
ou público. Como os recursos minerais apenas podem ser 
extraídos nos locais onde ocorrem, o ordenamento do 
território é a ferramenta apropriada para a salvaguarda 
desses recursos, inibindo a ocupação do território por 
usos ou atividades que desnecessariamente impeçam a 
sua exploração.
Neste contexto, o Maciço Calcário Estremenho (MCE) 
representa um caso paradigmático dessa necessidade 
de reconciliação de interesses. Grande parte da sua 
área está sujeita a um regime de proteção da natureza 
por intermédio do Parque Natural das Serras de Aire 
e Candeeiros (PNSAC). Na respetiva área integram- 
-se 5 núcleos principais de pedreiras onde, desde há 
décadas, se desenvolve uma importante atividade de 
extração de blocos de calcário que se destinam ao setor 
de transformação de rochas ornamentais. Trata-se de 
uma atividade determinante para o desenvolvimento 
socioeconómico de toda a região, com repercussão a 
nível nacional. Os dados mais recentes correspondem 
ao ano de 2017 e apontam a produção aproximada de 
1 milhão de toneladas, correspondentes a uma riqueza de 
cerca de 60 milhões de euros (Fonte: DGEG - Estatística 
de Recursos Geológicos da DSEF-RG).
Desde a criação do PNSAC e como resultado da neces-
sidade de licenciamento de novas áreas para exploração 
dos recursos minerais, fruto do esgotamento das áreas 
licenciadas e da inexistência de áreas alternativas consig-
nadas em instrumento de gestão do territóriocom uma 
tipologia de uso compatível com este tipo de atividade, 
foram numerosos os conflitos que ocorreram durante 
mais de três décadas entre os objetivos de conservação 
da natureza e de desenvolvimento da atividade extrativa.
A tomada de consciência da necessidade de compatibilizar 
diferentes realidades, ou seja, por um lado, a proteção da 
qualidade ambiental e conservação dos valores naturais, 
por outro, o aproveitamento dos recursos minerais, 
aproveitamento esse com forte impacto económico e 
social a nível nacional, deu lugar a um processo de 
reconciliação que culminou com a execução de um 
projeto destinado a encontrar pontos de equilíbrio 
para a gestão eficiente dos espaços onde a atividade 
extrativa se encontra em desenvolvimento. Os resultados 
obtidos permitiram encetar um processo formal de 
compatibilização dos interesses instalados para o uso do 
território que atualmente se encontra no início da sua 
fase de implementação efetiva.
O presente trabalho visa dar conta, de forma sumária, 
sobre o caminho percorrido e sobre a metodologia geral 
aplicada à implementação de uma proposta de plani-
ficação territorial e ambiental dos principais espaços 
afetos à indústria extrativa das rochas ornamentais na 
área do PNSAC, designadamente os núcleos de Cabeça 
Veada, Codaçal, Moleanos, Pé da Pedreira e Portela 
das Salgueiras. Essa metodologia envolveu uma fase 
de caraterização biofísica detalhada de cada um destes 
espaços. Pelo caráter determinante para a definição 
do modelo territorial, é feito destaque à caraterização 
geológica e à avaliação ambiental dos valores naturais 
de âmbito biológico.
2. O CONTEXTO GEOLÓGICO E A INDÚSTRIA 
EXTRATIVA
2.1. O maciço calcário estremenho
O MCE (Figura 1) foi definido por A. Fernando Martins 
(1949) enquanto unidade geomorfológica constituída 
essencialmente por rochas calcárias que se elevam acima 
33
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
da Bacia Terciária do Tejo, da Plataforma Litoral e da 
Bacia de Ourém. É parte integrante da região central da 
Bacia Lusitaniana (BL), a qual corresponde a uma bacia 
intracratónica no bordo Oeste da microplaca Ibérica. O 
seu desenvolvimento está associado ao período distensivo 
que levou à abertura do norte do Oceano Atlântico 
durante o Mesozoico. Está limitada por acidentes 
longitudinais herdados da Orogenia Varisca e apresenta- 
-se compartimentada transversalmente por acidentes 
orientados NE-SW e W-E, também eles de herança 
varisca e cuja atuação se reflete ao nível da distribuição 
e espessura das fácies sedimentares. A partir do final do 
Cretácico a sua evolução foi condicionada pela tectónica 
compressiva alpina cujos efeitos maiores se fizeram sentir 
durante o Miocénico (Wilson et al., 1989; Ribeiro et al., 
1990; Pinheiro et al., 1996; Pais et al., 2012; Kullberg 
et al., 2013).
FIGURA 1
Mapa geológico simplificado do MCE e principais unidades geomorfológicas
(adaptado de Carvalho (2018).
Falhas principais: 1- Falha dos Candeeiros, 2- Falha de Moleanos, 3- Falha Rio Maior-Porto de Mós, 4- Falha da Mendiga, 
5- Falha de Alvados, 6- Falha de Minde, 7- Falha de Reguengo do Fetal, 8- Cavalgamento do Arrife.
34
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A morfologia do MCE está condicionada pela natureza 
calcária das rochas que o compõem, ref letindo o 
desenvolvimento de uma morfologia cársica bem 
característica e bastante diversificada. As formas de 
exocarso mais frequentes e notórias são as depressões 
fechadas de tipo dolina ou uvala, os poljes, dos quais 
o de Minde é o mais representativo, os vales secos e 
os extensos campos de lapiaz. A rede de drenagem 
superficial é praticamente inexistente, predominando a 
drenagem subterrânea. Esta realiza-se por uma também 
grande diversidade de formas, desde pequenas fissuras 
a largas galerias subterrâneas. As conhecidas grutas 
que ocorrem neste maciço são o testemunho de antigas 
galerias de escoamento. Atualmente, esse escoamento 
subterrâneo dá lugar a um reduzido número de nascentes 
principais na periferia do MCE, das quais se destacam 
os Olhos de Água do Alviela e do Almonda, as nascentes 
dos rios Lena e Liz e ainda as nascentes de Chiqueda 
(Figura 2).
FIGURA 2
Principais nascentes na periferia do MCE
a) Olhos de Água do Almonda, b) Nascentes de Chiqueda, c) Nascente do Lena, d) Nascente do Liz, e) Olhos de Água 
do Alviela.
35
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A arquitetura do MCE resulta fundamentalmente da 
movimentação tectónica das diversas falhas que o afetam 
e estrutura-se em 3 regiões elevadas que se encontram 
separadas por duas depressões alongadas (Figura 1):
• A Serra dos Candeeiros, orientada NNE-SSW, 
encontra-se separada do Planalto de Santo António 
pela Depressão da Mendiga. Esta também se apresenta 
orientada segundo NNE-SSW e está associada à Falha 
da Mendiga. Ao longo da Serra dos Candeeiros, 
truncando o seu bordo oriental, distingue-se o 
alinhamento tectónico diapírico de Rio Maior – Porto 
de Mós – Batalha.
• O Planalto de Sto. António está separado do Planalto 
de S. Mamede e Serra de Aire por um alinhamento 
NW-SE denunciado pelas depressões de Alvados e 
Minde, as quais estão condicionadas pelo sistema 
de falhas escalonadas com o mesmo nome. A Serra 
de Aire, estruturalmente associada ao Planalto de 
S. Mamede, apresenta uma orientação NE-SW e 
constitui a região mais elevada de todo o MCE. 
A litostratigrafia do MCE está bem estabelecida a partir 
do trabalhos de Manuppella et al. (1998, 1999) e Azerêdo 
(2007). Os afloramentos datam do Hetangiano ao Plio-
cénico, contudo, a maioria corresponde a rochas carbo-
natadas do Jurássico Médio e Superior. As do Jurássico 
Médio afloram, sobretudo, nas unidades morfostruturais 
elevadas e compreendem calcários de cores claras que se 
formaram em diferentes paleoambientes de um sistema 
deposicional em rampa carbonatada (Azerêdo, 1998, 
2007). As formações do Jurássico Superior afloram nas 
regiões deprimidas e integram argilitos, arenitos e, 
maioritariamente, margas e calcários de cores cinzen-
tas a castanho-claras que se depositaram em ambientes 
continentais a marinhos pouco profundos sob condições 
de subsidência controlada por falhas (Alves et al., 2003; 
Kullberg et al., 2013).
No MCE ocorrem também rochas ígneas. São pouco 
abundantes e estão dispersas por todo o Maciço, à 
exceção da Serra de Aire e Planalto de São Mamede. 
Maioritariamente estão associadas a falhas de orientação 
NW – SE a WNW – ESSE, mas são também de realçar as 
que ocorrem ao longo do acidente de Rio Maior – Porto 
de Mós segundo NNE – SSW (Figura 1).
Os principais acidentes tectónicos que dominam o MCE 
correspondem a falhas orientadas segundo três direções 
principais: NNE-SSW, NW-SE e NE-SW. Estiveram ativas 
durante o período distensivo Jurássico e foram reativadas 
sob a forma de desligamentos e cavalgamentos durante 
os episódios de compressão Alpina (Carvalho, 2013; 
Kullberg et al., 2013). Para além de alguns dobramentos 
apertados nas proximidades dos cavalgamentos, os 
estratos no MCE apresentam-se sub-horizontais, em 
associação com dobras amplas ou blocos ligeiramente 
basculados.
2.2. A indústria extrativa no MCE
Os calcários ornamentais são explorados no MCE em 
algumas dezenas de pedreiras, mas, a maioria delas está 
agrupada em seis núcleos de exploração principais (Fi-
gura 3): Casal Farto, Cabeça Veada, Codaçal, Moleanos, 
Pé da Pedreira e Portela das Salgueiras. Com exceção do 
primeiro dos núcleos referidos, todos os restantes estão 
inseridos na área do PNSAC.
36
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 3
Mapa litostratigráfico simplificado do MCE com localização dos núcleos de exploração de calcários ornamentais
(adaptado de Carvalho & Lisboa (2018)).
37
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 4
Vista parcial de pedreiras noMCE
a) pedreiras em flanco de encosta no núcleo do Codaçal. b) pedreiras em poço no núcleo de Moleanos.
Os blocos comercializados correspondem a prismas 
retangulares com dimensões na ordem de 2.8 m x 1.8 m 
x 1.5 m. Dependendo da litologia mas também do modo 
como é feito o corte dos blocos em chapas, são muitas 
as variedades ornamentais provenientes do MCE: se o 
corte é feito paralelamente à estratificação ou laminação 
sedimentar resulta uma variedade com um padrão 
textural diferente daquele que se obtém se o corte for 
realizado perpendicularmente. Apesar disso e das muitas 
designações com que as rochas são comercializadas, a 
maioria pode ser englobada num número reduzido de 
variedades ornamentais principais (Figura 5).
A alguns dos núcleos representados no mapa da Figura 3 
corresponde, na realidade, apenas uma pedreira, como 
é o caso dos núcleos de Boleiros e de Vale da Cruz. Nem 
todas as pedreiras estão em atividade, sendo esse o caso 
das pedreiras nos núcleos de Alcaria e Alvados, entre 
outras inseridas nos restantes núcleos. Estas situações 
de inatividade poderão corresponder a situações de 
abandono, lavra suspensa ou, ainda, exploração sazonal.
Tipicamente, as explorações desenvolvem-se em 
flanco de encosta e compreendem um ou mais pisos 
de desmonte, totalizando alturas máximas na ordem 
dos 50 m. Em Casal Farto e em Moleanos a exploração 
desenvolve-se em poço.
FIGURA 5
Principais variedades ornamentais do MCE de acordo com a sua designação comercial
38
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Na grande maioria dos núcleos de exploração, as rochas 
exploradas fazem parte de unidades litostratigráficas 
do Jurássico Médio, designadamente da Formação de 
Santo António – Candeeiros, integrando os membros 
de Codaçal, de Pé da Pedreira e de Moleanos (Azerêdo, 
2007). No geral, correspondem a calcarenitos e 
calcirruditos biocalciclásticos de cor creme claro, com 
textura marcada de forma mais ou menos intensa por 
diversos tipos de laminações sedimentares (Tabela 1). A 
sua deposição ocorreu numa plataforma carbonatada em 
ambiente de alta energia (Azerêdo, 1998). O núcleo de 
Moliana explora uma variedade conhecida por Brecha 
de Santo António. Terá resultado de processos locais de 
dolomitização dos calcários do Membro de Moleanos, 
tendo sofrido posteriormente de dolomitização.
Localmente, nos núcleos de Alvados e Monsanto, são 
explorados os calcários micríticos da Formação de Serra 
de Aire. Correspondem a situações particulares em 
que bancadas relativamente espessas destes calcários 
estão afetadas por uma densa rede de estilólitos e de 
veios irregulares de calcite resultantes de deformação 
tectónica associada a dobras de arraste. Desses núcleos 
é proveniente uma variedade comercial conhecida 
genericamente por Alpinina. O núcleo de Alcaria, 
donde é proveniente uma variedade comercial conhecida 
por Pedra Bicho, corresponde a uma outra situação 
particular na Formação de Serra de Aire: localiza-se 
sobre duas unidades lumachélicas lenticulares, com 
espessura até 1,5 m e de extensão espacial restrita.
Apenas em 3 núcleos as rochas exploradas integram 
rochas do Jurássico Superior, designadamente da 
Formação de Montejunto (núcleos de Cadoiço e Portela) 
e duma unidade que integra as formações de Cabaços 
e Montejunto indiferenciadas (núcleo de Covão Alto) 
(Figura 3). Correspondem a calcilutitos de cor cinzenta 
a creme, por vezes margosos.
TABELA 1
Principais caraterísticas das unidades litostratigráficas produtoras de calcários ornamentais no MCE
Unidade Espessura Espessura das camadas Facies Dominante Cor Textura
Formação 
Serra de Aire Até 400 m
0.05 m - 0.50 m, Esporadica-
mente>1 m.
Mudstones e wackestones 
oncolíticos, peloidais e 
bioclásticos.
Creme
Variável de camada para 
camada, sem laminações 
sedimentares evidentes.
Membro de 
Codaçal 120 m
Corpos de calcarenitos empilha-
dos com espessura 0.5 m – 3 m, 
localmente até 20 m.
Grainstones e rudstones 
bioclásticos, oolíticos e 
litoclásticos.
Creme claro
Feixes tabulares decimétricos 
a métricos maciços alternan-
tes com feixes de laminações 
paralelas e oblíquas de baixo 
ângulo.
Membro de Pé 
da Pedreira Até 130 m
Corpos de calcarenitos empilha-
dos com espessura 0.5 m – 6 m, 
localmente até 20 m.
Packstones, grainstones e 
rudstones bioclásticos, 
litoclásticos e peloidais.
Creme a 
creme claro
Feixes de estratificação 
entrecruzada decimétricos a 
métricos.
Membro de 
Moleanos 150 m
Corpos de calcarenitos empilha-
dos com espessura 0.5 m – 6 m, 
localmente até 10 m.
Grainstones e rudstones 
bioclásticos, litoclásticos e 
peloidais.
Creme
Feixes de estratificação 
entrecruzada decimétricos a 
métricos.
Formação de 
Montejunto Até 700 m 0.5 m – 1 m, localmente até 2 m.
Mudstones e wackestones 
peloidais e litoclásticos, 
por vezes margosos.
Creme ou 
cinzento 
escuro
Variável de camada para 
camada, localmente com 
laminações sedimentares.
2.3. O PNSAC e a Indústria Extrativa
Grande parte do MCE encontra-se abrangido por um 
regime de conservação da Natureza que se traduz por 
aí ter sido implementado o Parque Natural das Serras 
de Aire e Candeeiros (Decreto-Lei n.º118/79 de 4 de 
maio), de acordo com a delimitação apresentada no mapa 
da Figura 6. Esta implementação teve como objetivo 
primordial proteger os aspetos naturais associados à 
morfologia cársica daquele que é considerado o mais 
importante repositório nacional de formações calcárias, 
à natureza do coberto vegetal, à rede de cursos de água 
subterrâneos e a uma fauna específica de que se destaca 
a cavernícola. A existência de habitats específicos, como 
as lajes e vertentes calcárias, levou, inclusive, à sua 
integração na Rede Natura 2000 (Sítio PTCON0015 – 
Serras de Aire e Candeeiros).
https://dre.pt/application/conteudo/382832
https://dre.pt/application/conteudo/382832
39
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
de estudos geológicos de avaliação pormenorizada das 
potencialidades em rochas ornamentais na área do 
PNSAC. Esses estudos, realizados por parte do extinto 
Instituto Geológico e Mineiro, incidiram sobre os 
principais núcleos de extração de blocos, nomeadamente 
os núcleos de Moleanos, Pé da Pedreira e Alvados 
(Carvalho, 1996, 1997, 1998) e os de Cabeça Veada 
e do Codaçal (Quartau, 1998, 2000). Para além de 
corroborarem a aptidão de tais espaços para a exploração 
de rochas ornamentais, vieram revelar potencialidades 
superiores às previstas, incluindo o aumento das áreas 
dos espaços em que tais recursos ocorriam.
Tais resultados, associados a um forte incremento da 
atividade extrativa devido à intensa procura destes 
calcários por parte do mercado chinês no início do 
presente século, incremento esse muitas vezes de modo 
desordenado, despoletaram o aumento da conflitualidade 
e intensas discussões que conduziram à necessidade de 
um processo de revisão do plano de ordenamento do 
PNSAC que incluísse espaços especificamente designados 
para a indústria extrativa de calcários ornamentais. 
Culminaram com a publicação, em 2010, do novo Plano 
de Ordenamento do PNSAC (RCM n.º 57/2010 de 12 de 
agosto), no qual se demarcaram áreas envolvendo os 
principais núcleos de exploração de rochas ornamentais 
visando a compatibilização da atividade nesses núcleos 
com os pressupostos de conservação da natureza 
inerentes ao PNSAC. Em grande parte, a delimitação 
de tais espaços teve em atenção os estudos geológicos 
anteriormente mencionados.
O novo Plano de Ordenamento do PNSAC (POPNSAC) 
definiu a área abrangente desses núcleos como Áreas 
de Intervenção Específica (AIE), de acordo com a 
sua representação na Figura 6. Devido ao seu caráter 
essencialmente programático no que à indústria extrativa 
diz respeito, neste plano preconizou-se que essas áreas 
deveriam ser alvo de Planos Municipais de Ordenamento 
do Território que objetivassem a implementação de 
medidas de compatibilização entre a gestão racionaldos recursos e a conservação dos valores ambientais, 
salvaguardando que também poderiam ser abrangidas 
por projetos integrados de exploração. Eficientemente 
anteviu-se a situação atual em que está em curso a 
modificação do Plano de Ordenamento em Programa 
de Ordenamento do PNSAC, ficando cometidas aos 
municípios as responsabilidades pela implementação 
e gestão do modelo de ocupação territorial através dos 
O primeiro plano de ordenamento do PNSAC data de 
1988 (Portaria n.º 21 de 12 de janeiro). Estabeleceu 
um zonamento para o qual, relativamente às Zonas 
de Conservação da Natureza e Zonas de Paisagem 
Protegida, se colocaram grandes entraves à extração de 
inertes e quaisquer alterações ao relevo, seja por aterro 
ou escavação, não tendo sido devidamente ponderadas 
nem consideradas as potencialidades do território para 
outros usos, designadamente as atividades económicas 
aí instaladas.
FIGURA 6
O limite do PNSAC e Áreas de Intervenção Específica para a 
indústria extrativa no POPNSAC
Esses entraves colidiram fortemente com os interesses da 
indústria extrativa instalada na área do PNSAC desde 
os anos 70 e que entrou em franco desenvolvimento 
em meados da década seguinte, em particular no que 
respeita às explorações de calcários ornamentais devido 
à conjugação de um período de expansão económica com 
avanços tecnológicos no setor extrativo. Da necessidade 
de assegurar o suprimento do mercado das rochas 
ornamentais e dos naturais anseios de crescimento 
industrial, resultaram numerosas situações de conflito 
pelo uso do território aquando da atribuição de novas 
licenças de exploração e da regularização das existentes 
por motivos de expansão das áreas licenciadas.
Os primeiros passos para o estabelecimento de 
equilíbrios na resolução dos conflitos existentes foram 
dados pelos órgãos de gestão do PNSAC na década de 
90. Tiveram como pressuposto a necessidade de conhecer 
a efetiva aptidão do território nas áreas sujeitas a maior 
pressão e consistiram, fundamentalmente, na promoção 
https://dre.pt/application/conteudo/342856
https://dre.pt/application/conteudo/342856
https://dre.pt/application/conteudo/583813
40
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
instrumentos de ordenamento vinculativos de entidades 
públicas e particulares.
Com efeito, o sistema de gestão territorial nacional 
desenvolve-se, no essencial, em duas vertentes. Uma 
vertente de natureza estratégica implementada por 
programas nacionais e regionais que vinculam as 
entidades públicas. Outra, de natureza regulamentar, 
implementada por planos intermunicipais e municipais, 
os quais estabelecem o regime de uso do solo definindo 
os modelos de ocupação territorial e que vinculam as 
entidades públicas e particulares. A nível municipal 
considera-se o Plano Diretor Municipal, os planos de 
urbanização e os planos de pormenor. É no âmbito 
dos planos de pormenor, designadamente através de 
Planos de Intervenção em Espaço Rústico que se prevê 
o enquadramento das AIE para a indústria extrativa 
do PNSAC no contexto do sistema de ordenamento do 
território nacional.
3. O PROJETO EXPLORAÇÃO SUSTENTÁVEL 
DE RECURSOS NO MCE
Visando o cumprimento dos objetivos de compatibili-
zação da gestão e exploração racional dos recursos em 
calcários ornamentais na área do PNSAC com a con-
servação da natureza através de planos municipais de 
ordenamento do território, foi implementado o projeto 
Exploração Sustentável de Recursos no Maciço Calcário 
Estremenho no âmbito do Projeto Âncora 2 – Sustenta-
bilidade Ambiental da Indústria Extrativa, integrante 
do Programa de Ação do Cluster da Pedra Natural (CE-
VALOR, 2009). 
Este projeto teve como pressupostos que o aproveitamen-
to e a potenciação dos recursos em rochas ornamentais, 
a par com outros fatores caraterísticos do MCE, em 
particular o seu património natural, podem constituir 
um importante elemento de valorização económica e 
contribuir para uma melhor aceitação (que não a sim-
ples tolerância) da indústria extrativa, situando-a num 
patamar em que surja não só como fator de desenvolvi-
mento económico mas, correspondendo às expectativas 
atuais de preservação ambiental e bem-estar social, surja 
também como fator de identitário e de autoestima do 
território em que se insere.
O projeto foi executado no período 2011 - 2014 através de 
uma parceria inédita entre a ASSIMAGRA - Associação 
Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e 
Ramos Afins e o ICNF – Instituto da Conservação da 
Natureza e das Florestas, IP. Ainda de forma inédita, 
esta parceria contou com a colaboração estreita de enti- 
dades públicas (Direção Geral de Energia e Geologia, 
Laboratório Nacional de Energia e Geologia, IP e 
municípios de Alcobaça, Porto de Mós, Rio Maior e 
Santarém), um centro tecnológico, entretanto extinto 
(CEVALOR - Centro Tecnológico para o Aproveitamento 
e Valorização das Rochas Ornamentais e Industriais) e 
empresas privadas de consultadoria (Visa Consultores, 
Lda. e Biodesign, Lda.).
Visando contribuir para o planeamento e integração da 
atividade extrativa de rochas ornamentais do MCE em 
sede de Ordenamento do Território, como caminho a 
percorrer para a melhoria do seu desempenho econó-
mico e ambiental, através do aumento da sua eficiência 
e diminuição dos seus impactos, este projeto procurou:
• A definição de estratégias para o desenvolvimento 
sustentável do sector extrativo;
• A criação de informação de base de âmbito geológico 
e ambiental para o planeamento integrado das AIE 
previstas no POPNSAC;
• A caraterização qualitativa e quantitativa das condições 
hidrogeológicas do aquífero do MCE e sua monitori-
zação, visando a avaliação da sua vulnerabilidade face 
à indústria extrativa;
• A inventariação, caraterização e proposta de gestão 
do vasto património geológico e mineiro em torno 
das rochas ornamentais, visando a sua valorização 
conjunta como marcas identitárias da região;
• Um Programa de Comunicação e Sensibilização 
para a valorização da atividade extrativa a par com a 
conservação do património natural;
• A definição e implementação de um painel de 
indicadores de aproveitamento sustentável para 
a quantificação e monitorização do desempenho 
ambiental, económico e social da atividade extrativa 
no MCE.
Ao nível do contributo para a integração em Ordenamento 
do Território, o projeto teve como principais resultados 
a planificação territorial e ambiental das 5 Áreas de 
Intervenção Específica, a elaboração de um projeto de 
exploração integrada para cada uma delas, acompanhado 
do respetivo Estudo de Impacto Ambiental e um plano 
geral de gestão de resíduos de extração. 
41
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 7
Esquema geral da elaboração do Plano de Intervenção em Espaço Rústico para cada uma das AIE
A planificação ambiental e territorial de cada área 
desenvolveu-se através de 8 Planos de Intervenção em 
Espaço Rústico (PIER) e respetivas avaliações ambientais 
estratégicas, pois algumas das Áreas de Intervenção 
Específica abrangem mais do que um município (Tabela 
2). A sua elaboração envolveu diversas etapas, conforme 
o esquema geral que se apresenta na Figura 7.
TABELA 2
Distribuição da área de cada AIE por concelho
AIE
Porto de Mós Santarém Alcobaça Rio Maior
Área (ha) % Área (ha) % Área (ha) % Área (ha) %
Cabeça Veada 26 90 3 10
Pé da Pedreira 548 40 826 60
Portela das Salgueiras 40 63.5 23 36.5
Codaçal 98 100
Moleanos 147 100
3.1. A planificação territorial e ambiental
3.1.1. Metodologia
A extração de rochas ornamentais carece de estudos 
geológicos de base que possam suportar a eficiente 
exploração e valorização dos recursos existentes. De 
modo a que isso possa ser realizado numa perspetiva 
ecológica, há que, simultaneamente, levar a cabo ações 
de caraterização ambiental que permitam, em conjunto 
com os estudos anteriores, contribuir instrumentalmente 
para o ordenamento do território das áreas de explora-ção, designadamente com a distinção entre áreas com 
concreta aptidão geológica e áreas passíveis de rea-
bilitação ambiental e requalificação territorial. Neste 
pressuposto, a planificação territorial e ambiental das 
cinco AIE seguiu o esquema metodológico apresentado 
na Figura 8 em que se destacam duas etapas principais: 
uma de caraterização e diagnóstico e outra correspon-
dente à elaboração de uma proposta de ordenamento. 
Os estudos de caraterização e diagnóstico executaram-se 
a três níveis:
• Análise dos Instrumentos de gestão territorial, a 
fim de garantir a compatibilidade e conformidade 
com os instrumentos de hierarquia superior e 
suportar proposta de alterações ao regime de 
proteção ambiental em vigor nas AIE definidos pelo 
POPNSAC; 
• Servidões e restrições de utilidade pública, a fim de 
identificar as suas consequências e procedimentos 
administrativos;
• Caraterização biofísica tendo em vista o estabeleci-
mento de um zonamento tradutor da conciliação entre 
a exploração dos recursos, os valores ecológicos e a 
sensibilidade ambiental.
42
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A caraterização biofísica suportou-se em estudos de cariz 
geológico e ambiental. Os primeiros centraram-se na 
caraterização dos recursos em calcários ornamentais 
e na delimitação das áreas mais favoráveis à sua 
exploração para cada uma das 5 AIE – Áreas de Aptidão 
Geológica. Envolveram, a par com a caraterização dos 
litotipos aflorantes, cartografia geológica detalhada à 
escala 1:2000, pois essa é a escala requerida legalmente 
para a elaboração dos PIER. Os trabalhos geológicos 
envolveram ainda a realização de sondagens com 
recuperação contínua de testemunho, a fim de validar 
e complementar as interpretações geológicas, e o 
levantamento genérico da fraturação do maciço rochoso.
Ainda no âmbito geológico, mas já integrados na 
componente de caraterização ambiental, foram 
realizados estudos hidrogeológicos com o objetivo de 
caraterizar e modelar os recursos hídricos subterrâneos 
nas diferentes áreas, com particular destaque no que 
respeita à avaliação da sua vulnerabilidade. Devido às 
especificidades próprias do PNSAC, designadamente 
no que respeita aos seus objetivos de conservação e 
valorização do património geológico no seu sentido lato, 
procedeu-se também à inventariação e caraterização 
dos sítios geológicos, mineiros e geomorfológicos com 
interesse patrimonial.
Quanto aos estudos ambientais, estes compreenderam a 
caraterização dos solos, biologia, clima, recursos hídricos 
superficiais, paisagem, qualidade do ar e ruído. Tendo 
em conta que as áreas em estudo se situam numa área 
FIGURA 8
Etapas e componentes de informação obtida para a elaboração de proposta de ordenamento das AIE
protegida abrangida pela Diretiva Aves, dedicada à 
conservação das aves que vivem naturalmente no estado 
selvagem, e pela Diretiva Habitats que visa a conservação 
dos habitats naturais e das espécies da flora e da fauna 
selvagens ameaçadas, a maior ênfase recaiu sobre a 
caraterização biológica, nomeadamente sobre o estudo e 
caraterização da flora e vegetação, habitats e fauna. Estas 
componentes ecológicas foram alvo de um processo de 
valoração de acordo com a metodologia utilizada pelo 
ICNF nos planos de ordenamento das áreas protegidas, 
tendo-se efetuado as adaptações consideradas necessárias 
em função da realidade e escala das áreas em estudo.
A sistematização e gestão dos dados obtidos foi executada 
num sistema de informação geográfica, o que permitiu 
o estabelecimento de uma interação dinâmica entre 
as diversas temáticas através do entrecruzamento dos 
diversos níveis de informação. Dessa interação, em 
particular entre a ponderação dos valores biológicos 
e da aptidão geológica para a produção de rochas 
ornamentais, resultaram propostas de ordenamento 
territorial para cada uma das AIE.
3.1.2. Resultados
3.1.2.1. Aptidão geológica
Como resultado da cartografia geológica levada a 
cabo nas 5 AIE foram produzidos os respetivos mapas 
geológicos à escala 1:2000, dos quais aqui se apresentam 
43
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Esta unidade Calcários Ornamentais é constituída, 
genericamente, por calcários biolitoclásticos pelóidicos 
de granularidade fina a grosseira e cimento sparítico 
(packstones, grainstones e rudstones biointraclásticos 
pelóidicos). Apresentam cor creme de tom mais ou menos 
claro e uma grande diversidade de texturas marcadas 
por laminações paralelas, oblíquas e entrecruzadas 
mais ou menos evidentes. Contudo, essas laminações 
estão organizadas em feixes de espessura decimétrica 
a métrica, assim possibilitando que sejam obtidos 
blocos texturalmente homogéneos e com dimensões 
comercializáveis. Algumas variedades texturais (tipo 
de laminação e granulometria) são mais caraterísticas 
de umas áreas do que de outras, sendo essa a principal 
razão subjacente às diferentes designações atribuídas 
comercialmente aos calcários ornamentais do MCE.
FIGURA 10
Mapa geológico simplificado da AIE Pé da Pedreira com indicação 
da área de aptidão geológica
versões simplif icadas e redimensionadas. Para a 
nomenclatura das unidades estratigráficas utilizaram-se 
as designações informais utilizadas localmente neste 
setor industrial a fim de que os mapas possam ser 
melhor compreendidos pelos respetivos técnicos. Não 
se deixou, contudo, de estabelecer uma correlação 
cronostratigráfica detalhada e, deste modo, possibilitar 
correlação com a geologia regional.
Nas AIE de Cabeça Veada (Figura 9), Pé da Pedreira 
(Figura 10) e Portela das Salgueiras (Figura 11), os 
calcários ornamentais correspondem a uma mesma 
unidade litostratigráfica – o Membro de Pé da Pedreira 
da Formação de Sto. António – Candeeiros – datada 
do Jurássico Médio, mais concretamente do Batoniano 
superior (Azerêdo, 2007). Trata-se de uma unidade 
lenticular, descontínua, com uma espessura máxima 
que chega a atingir os 130 m em Cabeça Veada. Em 
Pé da Pedreira a espessura é de 40 m e em Portela das 
Salgueiras é de 105 m.
FIGURA 9
Mapa geológico simplificado da AIE Cabeça Veada com indicação 
da área de aptidão geológica
44
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 11
Mapa geológico simplificado da AIE Portela das Salgueiras com 
indicação da área de aptidão geológica
Nas 3 áreas referidas, os Calcários Ornamentais estão 
enquadrados acima e abaixo por bancadas pouco 
possantes de calcários micríticos (mudstones e wackstones), 
mais ou menos bioclásticos e pelóidicos. Apresentam cor 
creme de tonalidade variável. Localmente estes calcários 
são denominados por Vidraços do Topo e Vidraços da 
Base, respetivamente. Formalmente, correspondem à 
Formação de Serra de Aire, de idade Batoniano, a qual é 
equivalente lateral da Formação referida anteriormente, 
interdigitando-se com os Calcários Ornamentais.
No que respeita à AIE Codaçal (Figura 12), os calcários 
ornamentais correspondem a um empilhamento 
de corpos maciços de calcários com espessuras que 
podem atingir os 20 m. Em termos composicionais são 
semelhantes aos das AIE antes referidas, mas com uma 
componente oolítica ao nível dos elementos figurados 
e cor creme de tons mais claros. Estão referenciados 
no mapa da Figura 12 pelas designações comerciais de 
Semi Rijo.
Estes calcários passam lateralmente e inferiormente a 
calcários com fraca aptidão ornamental, designadamente 
a Unidade da Base que se desenvolve essencialmente 
para Norte e o Margaço que se desenvolve para Sul. O 
conjunto constituído por estas duas unidades juntamente 
com os calcários ornamentais é conhecido por Calcários 
do Codaçal e tem uma espessura total que chega a 
atingir os 120 m. Porém, as variedades com interesse 
ornamental não ultrapassam os 80 m de possança total 
devendo, contudo, ser considerada uma possança média 
à volta dos 55 m devido às variações laterais de fácies 
atrás mencionadas. Estão datados do Batonianoinferior 
e formalmente correspondem ao Membro de Codaçal da 
Formação de Sto. António – Candeeiros.
FIGURA 12
Mapa geológico simplificado da AIE Codaçal 
com indicação da área de aptidão geológica
Os Calcários do Codaçal estão enquadrados acima por 
uma unidade de Vidraços do Topo que correspondem 
aos mesmos calcários micrítico descritos para as AIE 
anteriores. Inferiormente estão limitados por uma 
unidade a que se atribuiu a designação Lajes e Vidraços. 
Esta integra o Membro de Vale da Serra da Formação 
de Chão de Pias (Bajociano superior). Localmente 
apresentam aptidão para a produção de lajes.
Na AIE de Moleanos (Figura 13), a unidade Calcários 
ornamentais é, em termos genéricos, semelhante às 
anteriores. Corresponde ao Membro de Moleanos 
da Formação de Sto. António – Candeeiros, também 
45
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
datado do Jurássico Médio, mas agora do Caloviano. 
Trata-se de uma unidade muito espessa, mas incerta, 
atingindo provavelmente os 200 m (Azerêdo, 2007). Na 
área em causa os Calcários Ornamentais ultrapassam 
os 100 m. São frequentes alguns níveis lenticulares de 
calcários micríticos (vidraços) no seu interior em posições 
estratigráficas distintas. Estão limitados inferiormente 
pelos Vidraços da Base, os quais também integram o 
Membro de Moleanos. 
Superiormente os Calcários Ornamentais estão limitados 
por uma unidade que se designou por Vidraços do Topo. 
Correspondem a afloramentos do Jurássico Superior 
constituídos por calcários mais ou menos margosos, 
de cores cinzentas e castanhas. Sobre todo o conjunto 
ocorrem depósitos recentes eluvionares mais ou menos 
consolidados e constituídos por fragmentos bastante 
angulosos de calcário. A sua espessura é reduzida, mas 
bastante irregular, podendo alcançar a dezena de metros. 
Estes depósitos são conhecidos localmente por Resmo.
FIGURA 13
Mapa geológico simplificado da AIE Moleanos 
com indicação da área de aptidão geológica
Nos mapas geológicos das AIE também está representada 
a área com aptidão para a exploração dos calcários 
ornamentais. Para além do evidente condicionalismo 
pela área de afloramento destes calcários, a sua definição 
teve ainda em conta a existência de recurso em calcários 
ornamentais sob rocha estéril. Estas áreas de aptidão 
geológica serviram de base à delimitação das áreas com 
efetivo potencial mineiro a considerar como áreas de 
escavação no projeto de exploração integrado de cada 
uma das AIE.
3.1.2.2. Avaliação ambiental
Os dados que suportaram a avaliação ambiental 
resultaram de trabalhos de inventariação e caracterização 
a partir de informação existente e levantamentos de 
campo complementares. A recolha de informação incidiu 
na identificação de:
• Espécies de flora, com relevância para as detentoras 
de caráter conservacionista;
• Habitats, reconhecidos a partir das unidades de 
vegetação e espécies de flora;
• Espécies de fauna, particularmente das mais relevantes 
para o contexto ecológico local;
• Biótopos e comunidades faunísticas associadas, reco-
nhecidos a partir da cartografia dos habitats e do uso 
do solo, nomeadamente de locais importantes para as 
espécies de maior relevância ecológica.
Identificadas, caraterizadas e cartografadas as áreas 
correspondentes a estas componentes ecológicas, elas 
foram alvo de um processo de valoração em separado 
para as componentes habitats/flora e biótopos/fauna a 
fim de se obterem zonamentos de valoração distintos, 
traduzidos por cartas de valores florísticos e cartas de 
valores faunísticos para cada uma das áreas. Da agregação 
dos resultados obtido para cada componente, resultaram 
os mapas de valoração biológica que se apresentam 
na Figura 14 em que o valor do património natural é 
refletido numa escala de relevância ecológica variável 
entre Baixa e Excecional. Importa notar nesta figura que 
relativamente à AIE de Pé da Pedreira unicamente estão 
representadas as classes de valoração correspondentes 
à área de aptidão geológica para a produção de blocos.
46
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 14
Mapas de Valoração Ecológica
Áreas de: a) Cabeça Veada, b) Codaçal, c) Moleanos, d) Pé da Pedreira 
(apenas na área de aptidão para blocos) e e) Portela das Salgueiras.
Da análise dessa tabela é evidente que, com exceção da 
AIE Moleanos, para as restantes a classe de relevância 
ecológica Excecional corresponde aos espaços dos habitats 
Lajes Calcárias e de Vertentes calcárias e aos espaços 
ocupados por espécies de flora relevantes. Em Moleanos, 
os habitats Lajes calcárias e Vertentes calcárias não têm 
expressão espacial.
Quanto à classe de relevância Alta verifica-se a sua atri-
buição aos espaços ocupados pelos habitats naturais mais 
frequentes na área em estudo, desde que com elevada 
expressão espacial e incluindo habitats prioritários da 
Rede Natura 2000.
Já no que respeita às classes de Baixa e Média relevân-
cia ecológica e tal como seria de esperar, é evidente 
a correspondência, na sua maior parte, com as áreas 
artificializadas pelas pedreiras, designadamente as 
escavações e as escombreiras. Efetivamente, foram estas 
áreas artificializadas aquelas que foram categorizadas 
com relevância ecológica Baixa, a par com outras zonas 
em que a percentagem de ocupação por habitats natu-
rais é muito reduzida. As áreas de relevância ecológica 
Média correspondem aos espaços com percentagens de 
cobertura medianas de habitats naturais que apresentam 
ampla expressão no PNSAC, como é o caso dos Carras-
cais e Matos Baixos Calcícolas, nos quais não tenham 
sido identificadas espécies relevantes para a conservação.
TABELA 3
Elementos diferenciadores das classes de relevância ecológica Excecional e Alta para as áreas em estudo 
no respeitante à componente habitats/flora
Relevância Ecológica Excecional Relevância Ecológica Alta
Cabeça Veada
- Lajes calcárias e Vertentes calcárias
- Áreas com núcleos populacionais das espécies Silene longicilia e 
Saxifraga cintrana
- Zonas com dominância dos habitats naturais mais frequentes na 
área em estudo em percentagens de cobertura elevadas, incluindo 
os habitats prioritários Prados Rupícolas e Subestepes de Gramíneas
Codaçal
- Lajes calcárias e vertentes calcárias
- Áreas com núcleos populacionais das espécies Narcissus calcicola, 
Arabis sadina, Silene longicillia, Saxifraga cintrana e Inula montana
- Zonas com dominância dos habitats naturais mais frequentes na 
área em estudo em percentagens de cobertura elevadas, incluindo o 
habitat prioritário Prados Rupícolas e os matos e ambientes florestais
Moleanos
- Áreas com núcleos populacionais de Silene longicilia - Zonas onde estão concentrados os habitats florestais
Pé da Pedreira
- Lajes calcárias e Vertentes calcárias
- Áreas com núcleos das espécies Narcissus calcícola, Arabis sadina, 
Saxifraga cintrana e Inula montana
- Zonas com dominância dos habitats naturais mais frequentes na 
área em estudo em percentagens de cobertura elevadas, incluindo 
os habitats prioritários Prados Rupícolas e Subestepes de Gramíneas
Portela das Salgueiras
Lajes calcárias e Vertentes calcárias
Áreas com núcleos da espécie Narcissus scaberulus subsp. Calcícola
Zonas com dominância dos habitats naturais mais frequentes na áreaem estudo em percentagens de cobertura elevadas, incluindo os habitats 
prioritários Prados Rupícolas e Subestepes de Gramíneas
No que respeita aos resultados da componente 
habitats/flora, que envolveu a valoração e zonamento 
individualizado para habitats e espécies, a Tabela 3 
sintetiza os elementos diferenciadores dos espaços 
valorados nas classes de relevância ecológica Excecional 
e Alta para cada uma das AIE. Esta classificação foi 
efetuada de maneira a refletir a importância dos habitats 
e das espécies mais valoradas no contexto do PNSAC.
47
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A valoração ecológica dos biótopos foi efetuada de 
maneira a refletir a importância dos biótopos mais 
valorados em função das 50 espécies de fauna mais 
relevantes associadas a cada um deles. Assim, a classe 
de relevância ecológica Alta foi atribuída aos espaços 
ocupados por estes biótopos mais valorados. Em todas as 
AIE esses espaços de relevância Alta têm correspondência 
com os biótopos Prados e Matos Rasteiros e Ambientes 
Rochosos, correspondendo a classe de relevância Média 
aos espaços ocupados pelos restantes biótopos ou ainda 
pelos anteriores quando estes apresentam uma expressão 
espacial muito reduzida. As zonas artificializadas 
correspondem à classe de relevância Baixa.
A classe Excecional ficou reservada para os locais 
considerados prioritários para o abrigo e nidificação 
de espécies com grande interesse de conservação no 
contexto do PNSAC, designadamente os morcegos e a 
Gralha-de-Bico-Vermelho. Tais espaços correspondem 
essencialmente a cavidades rochosas de caráter pontual, 
razão pela qual se considerou um buffer de proteção 
com 200 m de diâmetro para a maioria das situações 
identificadas.
Importa notar que as áreas avaliadas se localizam numa 
área protegida reconhecida como Parque Natural, 
pelo que os resultados da valoração aplicada devem 
ser interpretados nesse contexto, devendo-se ter em 
consideração que as áreas que obtiveram menor valor 
no exercício de valoração poderão ser áreas com elevado 
valor de conservação no contexto regional e nacional.
3.1.2.3. Ordenamento
A estratégia de ordenamento para cada uma das AIE 
baseou-se na apresentação de uma proposta de transfor-
mação do uso do solo compatível com as condicionantes e 
aptidões de cada uma delas, numa perspetiva sustentável 
das atividades humanas e da sua relação com o território.
Dos trabalhos de caraterização e avaliação das potencia- 
lidades geológicas resulta como evidência uma forte 
aptidão de cada uma das AIE para a produção de blocos 
de calcário para fins ornamentais, isto é, uma forte 
aptidão para o uso do solo por parte da indústria 
extrativa. Por outro lado, os estudos de caraterização 
e avaliação dos valores naturais, designadamente os 
de âmbito biológico, mostram a existência de áreas 
bastante relevantes ecologicamente, por vezes com 
caráter excecional. A estes valores naturais somam-se 
ainda outros, não abordados no presente trabalho, mas 
que respeitam ao património geológico. Com efeito, 
verifica-se a ocorrência de locais onde este tipo de valores 
se revela bastante relevante no contexto dos objetivos 
de conservação do PNSAC, pelo que importa a sua 
consideração no modelo de ordenamento a implementar.
A estes três fatores identificados como determinantes 
para a proposta de ordenamento – aptidão geológica 
para a produção de rochas ornamentais, valores 
biológicos de relevância ecológica excecional e alta 
e património geológico – junta-se um quarto fator 
decorrente do regulamento do POPNSAC e que respeita 
às Áreas Recuperadas identificadas no seu Anexo III. 
Tratam-se de áreas anteriormente afetas à indústria 
extrativa que foram alvo de recuperação ambiental e 
para as quais o regulamento do POPNSAC prevê a sua 
conservação.
Perante este conjunto de fatores determinantes para o 
modelo de ordenamento de cada AIE, coloca-se a questão 
fundamental de resolver qual o peso de cada um deles.
Para responder a esta questão, três diferentes cenários 
foram considerados:
• Dar primazia à valorização do território pela sua aptidão 
geológica para a produção de calcários ornamentais, 
ou seja, um cenário que vise a maximização do 
processo extrativo;
• Dar primazia à valorização do território pelos recursos 
naturais nele existentes, ou seja, em que os valores de 
excecional e alta relevância ecológica suplantam os 
interesses da indústria extrativa;
• Contemplar a compatibilização da aptidão geológica 
para a extração de rochas ornamentais com os resulta-
dos da valoração dos recursos biológicos, a qual deverá 
ser alcançada com o estabelecimento de medidas de 
compensação.
No contexto do POPNSAC, o qual contempla e delimita 
as Áreas de Intervenção Específica para a indústria 
extrativa, a decisão caiu claramente sobre o terceiro 
cenário, pois este preconiza um modelo territorial que 
impõe a valorização o território pela atribuição do seu 
uso a uma atividade que gera impactos significativos, 
mas que também impõe a minimização e compensação 
desses impactos.
Neste sentido, implementou-se uma metodologia de atri-
buição do uso da terra de acordo com o diagrama que se 
apresenta na Figura 15. Da aplicação desta metodologia, 
resultaram os mapas de propostas de ordenamento para 
cada uma das AIE que se apresentam na Figura 16. 
48
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Importa ressalvar que no mapa correspondente à pro-
posta de ordenamento para a AIE de Moleanos não foi 
tido em conta, como condicionante ao uso do território, 
o limite urbano aí existente, por este se encontrar em 
fase de revisão.
FIGURA 16
Proposta de Ordenamento para as AIE
a) Cabeça Veada, b) Codaçal, c) Moleanos, d) Pé da Pedreira (apenas 
na área de aptidão para blocos) e e) Portela das Salgueiras.
FIGURA 15
Diagrama metodológico empregue para o ordenamento territorial das Áreas de Intervenção Específica
Nas propostas de ordenamento para cada uma das 
AIE, os espaços indicados como preferenciais para a 
conservação da natureza têm correspondência com 
todos os espaços onde não existem recursos em rochas 
ornamentais. Excetuam-se os locais de ocorrência de 
geossítios com valor excecional e que por esse motivo 
deverão ser preservados, independentemente da 
existência de recursos em rochas ornamentais. 
Relativamente aos espaços onde foram identificados 
recursos em rochas ornamentais passíveis de exploração, 
classificaram-se como compatíveis com a indústria 
extrativa, desde que sujeita a medidas de compensação, 
aqueles coincidentes com a ocorrência de valores 
ecológicos de relevância excecional ou alta, bem como 
os coincidentes com geossítios sem relevância excecional 
e as áreas recuperadas. 
Quanto aos espaços onde existem recursos em calcá-
rios ornamentais passíveis de exploração e que estão 
indicados como compatíveis com a indústria extrativa, 
têm correspondência com os espaços cuja relevância 
ecológica é média ou baixa e com as áreas licenciadas 
para a exploração.
49
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Projeto Exploração Sustentável de Recursos no MCE 
teve como objetivo maior contribuir para o aumento da 
competitividade da indústria extrativa de rochas orna-
mentais num contexto de valorização da matéria-prima 
e dos valores ambientais caraterísticos daquela região do 
território nacional. Para o efeito, foi desenvolvido segun-
do um processo metodológico assente numa estratégia 
de compatibilização da exploração racional dos recursos 
com a conservação dos valores naturais.
Uma componente fundamental desse processo foi a 
elaboração de um modelo de ordenamento do território 
a aplicar a cada uma das Áreas de Intervenção Específica 
do POPNSAC que teve por base a identificação dos fatores 
considerados críticos para a decisão, nomeadamente a 
existência de recursos com aptidão para a produção 
de rochas ornamentais, valores biológicosexcecionais 
e altos, áreas recuperadas e património geológico 
relevante. No essencial, tal modelo preconiza a afetação 
à conservação da natureza de todos os espaços onde não 
se verifica a existência de recursos minerais passíveis de 
exploração e que os restantes espaços são compatíveis 
com a indústria extrativa, desde que sujeita a medidas de 
compensação ambiental quando na presença de valores 
ecológicos com relevância excecional ou alta. A expressão 
espacial desse modelo resultou na elaboração de uma 
proposta de ordenamento para cada uma das áreas.
Todo o projeto foi desenvolvido holisticamente. As 
propostas de ordenamento territorial, integradas em 
PIERs e respetiva Avaliação Ambiental Estratégica, estão 
acompanhadas por projetos integrados de exploração, 
respetivos planos de recuperação ambiental e paisagística 
e, ainda, por um plano geral de gestão de resíduos. No 
seu todo, constituíram o suporte instrumental para os 
procedimentos de Avaliação de Impacto Ambiental.
A chave para o seu sucesso assentou no desenvolvimento 
de parcerias entre as entidades diretamente envolvidas, 
os agentes nacionais, regionais e locais com responsabi-
lidades ao nível do ordenamento do território e ao nível 
da gestão dos recursos geológicos e os industriais do 
setor das rochas ornamentais através da sua participação 
financeira direta.
Espera-se que este modelo de atuação possa ser replicado 
para outras regiões, nomeadamente aquelas onde se 
verifica a necessidade de valorizar os recursos minerais 
e aumentar a competitividade do setor extrativo de um 
modo sustentável tanto do ponto de vista social como 
ambiental. Em particular, a metodologia de ordenamento 
desenvolvida pode constituir-se como uma referência 
para outras situações, adaptando-se às especificidades 
de cada uma. De modo efetivo, mostra um caminho para 
compatibilizar territorialmente a atividade extrativa e a 
conservação dos valores naturais, mesmo se inserida em 
áreas sujeitas a regimes de proteção ambiental, como 
é o caso dos parques naturais e da Rede Natura 2000.
50
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
BIBLIOGRAFIA
ALVES, T. M.; MANUPPELLA, G.; GAWTHORPE, R. L.; HUNT, D. 
W. & MONTEIRO, J. H. (2003) – The depositional evolution of diapir- and 
fault-bounded rift basins: examples from the Lusitanian Basin of West Iberia. 
Sedimentary Geology. 162, pp. 273–303.
AZERÊDO, A. C. (1998) – Geometry and facies dynamics of Middle Jurassic 
carbonate ramp sandbodies, West-Central Portugal. Em WRIGHT, V. P. & 
BURCHETE, T. P., eds. – Geological Society Special Publication 149 
pp. 281–314.
AZERÊDO, A. C. (2007) – Formalização da litoestratigrafia do Jurássico 
Inferior e Médio do Maciço Calcário Estremenho (Bacia Lusitânica). 
Comunicações Geológicas. 94, pp. 29–51.
CARVALHO, J. M. F. (1996) – Área de Moleanos (Maciço Calcário 
Estremenho): Litologia temática e sondagens. Lisboa: Instituto Geológico 
e Mineiro, p. 20.
CARVALHO, J. M. F. (1997) – Calcários Ornamentais e Industriais da Área 
de Pé da Pedreira (Maciço Calcário Estremenho) - Carta de Aptidão. Estudos, 
Notas e Trabalhos do Instituto Geológico e Mineiro. 39, pp. 71–89.
CARVALHO, J. M. F. (1998) – O Alpinina: Variedade de Calcário 
Ornamental da Região de Alvados (Maciço Calcário Estremenho - Portugal). 
Estudos, Notas e Trabalhos do Instituto Geológico e Mineiro. 40, 
pp. 51–57.
CARVALHO, J. M. F. (2013) – Tectónica e caraterização da fraturação 
do Maciço Calcário Estremenho, Bacia Lusitaniana. Contributo para a 
prospeção de rochas ornamentais e ordenamento da atividade extrativa.
CARVALHO, Jorge M. F. & LISBOA, José Vitor (2018) – Ornamental 
stone potential areas for land use planning: a case study in a limestone massif 
from Portugal. Environmental Earth Sciences. 77:5.
CARVALHO, Jorge M.F. (2018) – Jointing patterns and tectonic evolution 
of the Maciço Calcário Estremenho, Lusitanian Basin, Portugal. Journal of 
Structural Geology. 110, pp. 155–171.
CEVALOR (2009) – Cluster da Pedra Natural - Reformulação do programa 
de acção. http://www.pofc.qren.pt/ResourcesUser/2012/PCT/Cluster_
Pedra_Natural_ProgAcao.pdf.
KULLBERG, J. C.; ROCHA, R. B.; SOARES, A. F.; REY, J.; TERRINHA, 
P.; AZERÊDO, A. C.; CALLAPEZ, P.; DUARTE, L. V.; KULLBERG, M. 
C.; MARTINS, L.; MIRANDA, J. R.; ALVES, C.; MATA, J.; MADEIRA, 
J.; MATEUS, O.; MOREIRA, M. & NOGUEIRA, C. R. (2013) – A 
Bacia Lusitaniana: Estratigrafia, Paleogeografia e Tectónica. Em DIAS, Rui, 
ARAÚJO, António Alexandre, TERRINHA, Pedro & KULLBERG, José 
Carlos, eds. – Geologia de Portugal, Vol. II - Geologia Meso-cenozóica 
de Portugal Lisboa: Escolar Editora, pp. 195–348.
MANUPPELLA, G.; BARBOSA, B.; AZERÊDO, A. C.; CARVALHO, 
J.; CRISPIM, J.; MACHADO, S. & SAMPAIO, J. (1999) – Folha 27-C 
Torres Novas.
MANUPPELLA, G.; BARBOSA, B.; MACHADO, Susana & 
CARVALHO, Jorge (1998) – Folha 27-A Vila Nova de Ourém.
MARTINS, Alfredo Fernando (1949) – Maciço Calcário Estremenho. 
Contribuição para um Estudo de Geografia Física.
PAIS, João; CUNHA, Pedro P.; PEREIRA, Diamantino; LEGOINHA, 
Paulo; DIAS, Rúben; MOURA, Delminda; SILVEIRA, António Brum; 
KULLBERG, J. C. & GONZÁLEZ-DELGADO, J. A. (2012) – The 
Paleogene and Neogene of Western Iberia (Portugal): A Cenozoic Record in 
the European Atlantic Domain. Springer Berlin Heidelberg.
PINHEIRO, L. M.; WILSON, R. C. L.; PENA DOS REIS, R.; 
WHITMARSH, R. B. & RIBEIRO, A. (1996) – The western iberia margin: 
a geophysical and geological overview. Em PINHEIRO, L. M., WILSON, R. 
C. L., PENA DOS REIS, R., WHITMARSH, R. B. & RIBEIRO, A., eds. – 
Proceedings of the Ocean Drilling Program, Scientific Results pp. 1–23.
QUARTAU, R. (1998) – Calcários Ornamentais e Industriais do Maciço 
Calcário Estremenho - A variedade Semi Rijo de Cabeça Veada. Estudos, 
Notas e Trabalhos do Instituto Geológico e Mineiro. 40, pp. 81–88.
QUARTAU, R. (2000) – Calcários ornamentais do Maciço Calcário 
Estremenho - A variedade Semi-Rijo do Codaçal. Lisboa: Instituto Geológico 
e Mineiro, p. 27.
RIBEIRO, A.; KULLBERG, M. C.; KULLBERG, J. C.; MANUPPELLA, 
G. & PHIPPS, S. (1990) – A review of Alpine tectonics in Portugal: foreland 
detachment in basement and cover rocks. Tectonophysics. 184:3–4, pp. 
357–366.
WILSON, R. C. L.; HISCOTT, R. N.; WILLIS, M. G. & GRADSTEIN, 
F. M. (1989) – The Lusitanian Basin of west-central Portugal: Mesozoic and 
Tertiary tectonic, stratigraphic, and subsidence history. Em TANKARD, A. 
J. & BALKWILL, H. R., eds. – Extensional tectonics and stratigraphy 
of the North Atlantic margins pp. 341–361.
http://www.pofc.qren.pt/ResourcesUser/2012/PCT/Cluster_Pedra_Natural_ProgAcao.pdf
http://www.pofc.qren.pt/ResourcesUser/2012/PCT/Cluster_Pedra_Natural_ProgAcao.pdf
51
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
A extração de inertes no Maciço Calcário Estremenho, em particular na área abrangida pelo Parque Natural das 
Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), é uma atividade secular ligada à vida das gentes que povoaram esta região, 
que fundamentalmente a partir dos finais dos anos 80 do século passado ganhou nova dinâmica e se transformou 
numa atividade económica de grande expressão e com relevo em termos nacionais e internacionais.
A gestão da atividade extrativa tornou-se assim num dos desafios mais importantes ao nível da gestão do PNSAC, dada 
a necessidade de conciliar a exploração de um recurso natural não renovável (e com forte impactos sobre os valores 
e a paisagem), com a salvaguarda e valorização do património natural, cultural e paisagístico desta área protegida.
Gestão Sustentável da Indústria Extrativa no Parque Natural 
das Serras de Aire e Candeeiros
Manuel Duarte
Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros
E-mail: manuel.duarte@icnt.pt
Palavras Chave: Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, indústria extrativa, Plano de Ordenamento, exploração 
de massas minerais, recuperação de áreas degradadas, património geológico.
52
Boletim de Minas, 54 - Tema emDestaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A EXPLORAÇÃO DE MASSAS MINERAIS NO 
PARQUE NATURAL DAS SERRAS DE AIRE E 
CANDEEIROS
A extração de inertes no Maciço Calcário Estremenho 
(MCE), em particular na área abrangida pelo Parque 
Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), é 
uma atividade secular ligada à vida das gentes que 
povoaram esta região, que fundamentalmente a partir 
dos finais dos anos 80 do século passado ganhou nova 
dinâmica e se transformou numa atividade económica 
de grande expressão e com relevo em termos nacionais 
e internacionais.
Assim, de atividade predominantemente artesanal com 
ritmos de exploração relativamente baixos, esta atividade 
passou para um grau de mecanização e automatização 
que incutiram um ritmo de exploração muito mais 
acelerado, que obrigou à adoção de estratégias que 
garantam a sua compatibilização com a salvaguarda do 
património natural e cultural dos territórios onde ocorre.
A gestão da atividade extrativa tornou-se assim num dos 
desafios mais importantes ao nível da gestão do PNSAC, 
dada a necessidade de conciliar a exploração de um 
recurso natural não renovável (e com forte impacto sobre 
os valores e a paisagem), com a salvaguarda e valorização 
do património natural, cultural e paisagístico desta área 
protegida.
Deste modo, a legislação aplicável ao PNSAC para o setor 
da indústria extrativa foi sempre inovadora relativamente 
à legislação que foi sendo elaborada para a pesquisa e 
exploração de massas minerais.
Assim, o primeiro Plano de Ordenamento1 (PO) do 
PNSAC sujeitou o licenciamento das pedreiras a parecer 
prévio desta área protegida, através da apresentação e 
aprovação do respetivo plano de recuperação paisagística 
e do estabelecimento de uma garantia bancária que 
permitisse a recuperação da área afetada, o que para o 
resto do país só aconteceu a partir de 19902.
O Regulamento do POPNSAC previa ainda a apresentação 
de um “estudo de impacte ambiental, segundo normas 
a estabelecer pela direção do Parque” em situações 
particulares.
1 Portaria n.º 21/88, de 12 de janeiro.
2 Decreto-Lei n.º 89/90, de 16 de março.
Com a revisão do POPNSAC em 20103, verificou-se 
que neste setor de atividade, o plano foi também mais 
além do previsto na legislação vigente para a pesquisa e 
exploração de massas minerais (pedreiras)4.
Assim, o POPNSAC atualmente em vigor, estabelece os 
regimes de salvaguarda de recursos e valores naturais 
e fixa o regime de gestão a observar na sua área de 
intervenção, com vista a garantir a conservação da 
natureza e da biodiversidade, a geodiversidade, a 
manutenção e a valorização da paisagem, a melhoria da 
qualidade de vida e o desenvolvimento económico das 
populações locais.
De igual modo, é objetivo do POPNSAC a requalificação 
das áreas degradadas ou abandonadas, nomeadamente, 
através da renaturalização e recuperação de habitats 
naturais.
Assim, o Regulamento do POPNSAC veio criar novas 
regras quanto à instalação e ampliação de exploração 
de massas minerais nas áreas passíveis de licenciamento, 
destacando-se as seguintes:
• Novas Explorações de Massas Minerais - 
recuperação de área de igual dimensão, de outra 
exploração licenciada ou de outra área degradada, 
independentemente da sua localização no PNSAC, e 
autorizada pelo Instituto da Conservação da Natureza 
e Florestas, I.P. (ICNF);
• Ampliação Explorações de Massas Minerais - 
recuperação de uma área de outra exploração licenciada 
ou de outra área degradada, independentemente da 
sua localização no PNSAC, e autorizada pelo ICNF, 
nos seguintes termos:
- Nas explorações de massas minerais com área 
superior a 1 ha, até 10% da área licenciada, sendo 
que à área de ampliação acresce a área entretanto 
recuperada;
- Nas explorações de massas minerais com área in-
ferior ou igual a 1 ha, até 15% da área licenciada, 
sendo que à área de ampliação acresce a área en-
tretanto recuperada;
- As ampliações podem contemplar uma área 
superior ao estipulado, desde que os planos de 
pedreira considerem o faseamento da lavra e 
recuperação, de modo a cumprir com o previsto 
nas alíneas anteriores.
3 RCM n.º 57/2010, de 12 de agosto.
4 Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de outubro, alterado e republicado 
pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de outubro.
https://dre.pt/application/conteudo/583813
https://dre.pt/application/conteudo/333156
https://dre.pt/application/conteudo/342856
https://dre.pt/application/conteudo/621169
https://dre.pt/application/conteudo/641403
53
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
O POPNSAC prevê ainda que nas “áreas com caracte-
rísticas especiais que requerem a adoção de medidas ou 
ações específicas que, pela sua particularidade, não são 
totalmente asseguradas pelos níveis de proteção ante-
riores, é aplicado um regime de intervenção específica”, 
tendo sido criadas “Áreas de Intervenção Especificas” 
(AIE) para “Áreas sujeitas a exploração extrativa”5, 
nomeadamente para as seguintes zonas:
a) Codaçal;
b) Portela das Salgueiras;
c) Cabeça Veada;
d) Pé da Pedreira;
e) Moleanos;
f) Alqueidão da Serra.
Nesse âmbito, o plano indica que “devem ser elaborados 
planos municipais de ordenamento do território visando 
o estabelecimento de medidas de compatibilização 
entre a gestão racional da extração de massas minerais, 
a recuperação das áreas degradadas e a conservação 
do património natural existente tendo em conta os 
valores e sensibilidade paisagística e ambiental da área 
envolvente”.
Com a entrada em vigor deste plano de ordenamento, 
e de forma a dar cumprimento a esta medida, a 
ASSIMAGRA – Associação Portuguesa dos Industriais 
de Mármores, Granitos e Ramos Afins, em parceria 
com o ICNF, apresentou uma candidatura ao Programa 
Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) no 
âmbito do “Projeto-âncora - Sustentabilidade ambiental 
da Indústria Extrativa”, onde se enquadrou o projeto 
“Exploração Sustentável de Recursos no Maciço Calcário 
Estremenho”6, que procedeu à elaboração dos planos 
municipais de ordenamento do território para as AIE 
“Codaçal”, “Portela das Salgueiras”, “Cabeça Veada”, “Pé 
da Pedreira” e “Moleanos”.
5 artigo 20º e 24º da RCM n.º 57/2010, de 12 de agosto.
6 COMPETE - SIAC - AAC nº 01/SIAC/2011 - Projeto nº 18640 – 
ASSIMAGRA.
A forma escolhida para a elaboração dos planos munici-
pais de ordenamento do território foi na modalidade de 
Plano de Intervenção em Espaço Rural, sendo a respon- 
sabilidade da sua elaboração das respetivas Câmaras 
Municipais, processo que no entanto ainda não foi 
concluído.
Na candidatura também se procedeu à execução de 
Projetos Integrados7 para cada um dos núcleos de 
pedreiras, sendo a entidade responsável pelos referidos 
projetos a Direção Geral de Energia e Geologia.
Relativamente aos Projetos Integrados, foram sujeitos 
a procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental 
os Núcleos de Pedreiras do Codaçal, da Portela das 
Salgueiras, da Cabeça Veada e do Pé da Pedreira, para 
os quais já foram emitidas as respetivas Declarações de 
Impacte Ambiental.
CARACTERIZAÇÃO DAS EXPLORAÇÕES DE 
MASSAS MINERAIS QUE OCORREM NO PNSAC
No essencial, poderemos distinguir quatro grandes 
tipos de pedreiras que ocorrem no PNSAC, que depois 
se subdividem conforme o tipo de material extraído:
• Pedreiras de Rocha Industrial:
- Agregados para a construção civil (britas);
- Dolomitos;
- Cal;
• Pedreiras de Rocha Ornamental (blocos);
• Pedreiras de Calçada (branca e preta);
• Pedreiras de Laje.
Ao nível dos processos ativos existentes no PNSAC, e 
considerando apenas a base de dados do ICNF/PNSAC, 
verifica-se o seguinte:
7 Nos termos do artigo 35º do Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de 
outubro, alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 
12 de outubro.
Tipologia de Pedreira
N.º de Processos
Pedreiras Licenciadas Processos Ativos Explorações com caução
Rocha Ornamental 90 104 88
Rocha Industrial 18 22 18
Aterro 1 1 -
Calçada 184 220 183
Laje 24 45 44
TOTAL 317 392 333
Número de processosativos por Tipologia de Pedreira no PNSAC (janeiro 2019).
https://dre.pt/application/conteudo/342856
https://dre.pt/application/conteudo/621169
https://dre.pt/application/conteudo/621169
https://dre.pt/application/conteudo/641403
https://dre.pt/application/conteudo/641403
54
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Relativamente à evolução das explorações de massas 
minerais, verifica-se que nos últimos anos não têm 
ocorrido novos processos de Pedreiras de Calçada e 
Laje, sendo que se tem procedido à recuperação de um 
grande número desta tipologia de explorações para 
efeitos de cumprimento do POPNSAC, no que se refere à 
instalação e ampliação de Pedreiras de Rocha Industrial 
e Ornamental.
Já no que diz respeito aos processos ativos não licencia-
dos, no que concerne às Pedreiras de Calçada e Laje, 
e conforme já anteriormente mencionado, estas áreas 
também têm sido objeto de recuperação para cumpri-
mento do POPNSAC, sendo que para as Pedreiras de 
Rocha Ornamental têm-se verificado que para a grande 
maioria foi solicitada a sua regularização8, razão pela 
qual ainda se verifica um número significativo de ex-
plorações sem caução.
AÇÕES DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRA-
DADAS EFETUADAS NO PNSAC
O ICNF/PNSAC, entre 1995 e 2005, realizou ações de 
recuperação de áreas degradadas através de Fundos 
Comunitários, que teve como objetivos principais:
• A recuperação de áreas degradadas, essencialmente 
pedreiras abandonadas para as quais não havia um 
responsável a quem imputar a recuperação da zona;
• O aproveitamento de áreas degradadas para o 
estabelecimento de outros usos, como por exemplo a 
construção de pontos de água para utilização da fauna 
e combate a incêndios; 
• A realização de sementeiras e/ou plantações com 
espécies autóctones, de modo a repor a vegetação 
natural;
• Contribuir, através da demonstração de técnicas de 
recuperação paisagística em zonas de grande concen-
tração da atividade de extração, com o consequente 
efeito pedagógico sobre os exploradores das pedreiras;
• Ter um valor de referência real para o cálculo do 
custo de recuperação/m2, com especial incidência 
para as Pedreiras de Calçada e Laje, para efeitos de 
estabelecimento da caução;
8 Nos termos do previsto no Decreto-Lei n.º 165/2014, de 5 de 
novembro.
• Publicação de um Guia de Recuperação de Áreas 
Degradadas, o qual ocorreu em 2005.
Em termos de tipologia pedreira/área degradada e área 
recuperada foram efetuados as seguintes ações:
Tipologia de Pedreira Área (hectares)
Rocha Ornamental 11,0
Rocha Industrial 2,0
Calçada 122,0
Laje 38,5
Zona de deposição de entulhos e inertes 3,0
TOTAL 176,5
Recuperações efetuadas pelo PNSAC entre 1995 e 2005.
Conforme já mencionado anteriormente, com a revisão 
do POPNSAC em 2010, o seu Regulamento veio criar 
novas regras quanto à instalação e ampliação de 
exploração de massas minerais.
Assim, desde que entrou em vigor o POPNSAC os ex-
ploradores já recuperaram as seguintes áreas, no âmbito 
de processos para a instalação de novas explorações de 
massas minerais e ampliação das existentes:
Tipologia 
de Pedreira
Número 
de Áreas
Pedreiras 
Licenciadas
Área 
Recuperada (m2)
Rocha 
Ornamental 8 3 124.606
Rocha Industrial 7 1 65.180
Calçada 58 50 422.550
Laje 27 10 149.218
Outras Áreas 
Degradadas 3 - 46.917
TOTAL 103 64 808.471
Recuperações efetuadas pelos exploradores (janeiro 2019).
PATRIMÓNIO GEOLÓGICO DO PNSAC
No decurso da última década, registou-se um notável 
desenvolvimento da geoconservação em Portugal, quer 
por via da criação de um inventário sistemático do 
património geológico português, quer pela produção 
de legislação sobre a sua conservação com a introdução 
das noções de geosítio e de património geológico, bem 
como a atribuição legal da sua gestão ao ICNF dentro 
das Áreas Classificadas. 
Tendo o PNSAC como objeto uma área significativa 
do MCE, singular pela sua paisagem cársica e pelo 
https://dre.pt/application/conteudo/58752835
https://dre.pt/application/conteudo/58752835
55
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
património geológico importante à escala nacional e 
internacional, faz desta Área Protegida um importante 
polo de visitação e de investigação, nomeadamente 
devido à diversidade de formas do exo e endocarso, à 
riqueza estratigráfica e paleontológica, às abundantes 
evidências de processos tectónicos e à sua estreita 
ligação com as formas de relevo e particularidades 
da sua hidrografia, ao que se associam muitos outros 
elementos de caráter cultural que convergem para o 
elevado valor que se atribui ao património geológico 
existente no PNSAC.
Decorrente desta situação, tornou-se evidente a neces-
sidade de se dispor de instrumentos que permitissem 
a gestão e valorização dos elementos mais notáveis da 
sua geologia, encontrando-se tal vertido no POPNSAC, 
nomeadamente a “Jazida de Icnitos de Dinossáurios de 
Vale de Meios e Outros geosítios e sítios de interesse 
cultural9”, no qual estão identificados alguns dos sítios 
de especial interesse geológico, paleontológico, geomor-
fológico, espeleológico e cultural, cuja conservação dos 
valores neles existentes se afigura necessário assegurar.
De forma a melhorar o conhecimento sobre os Geosítios 
que ocorrem no PNSAC, através da candidatura ao COM-
PETE no âmbito do “Projeto-âncora - Sustentabilidade 
ambiental da Indústria Extrativa”, foi publicado em 2015 
o “Roteiro de Geosítios do PNSAC” e a respetiva “Carta 
Geológica Simplificada”, que tem como objetivo princi-
pal permitir a divulgação e uso alargado por parte dos 
cidadãos destas áreas.
Decorrente dessa publicação, importa mencionar que 
alguns dos geosítios identificados para o PNSAC foram 
resultantes, em certa medida, da exploração de massas 
minerais, destacando-se os seguintes geosítios:
Algar do Pena
A Gruta do Algar do Pena, posta a descoberto em 
1985 pelo Sr. Joaquim Pena, explorador à data de uma 
Pedreira de Calçada, é uma cavidade muito interessante 
do ponto de vista paisagístico, integrando a maior sala 
subterrânea conhecida em Portugal, localizada na 
freguesia de Alcanede, concelho de Santarém.
De elevado valor cénico, científico e estratégico, dadas as 
suas características biofísicas e localização geográfica, o 
9 Anexo I da RCM nº 57/2010, de 12 de agosto.
Algar do Pena foi selecionado em 1993 pelo PNSAC para 
instalar o Primeiro Centro de Interpretação Subterrâneo 
em Portugal - CISGAP, o qual foi inaugurado em 5 de 
junho de 1997.
O CISGAP é uma infraestrutura gerida pelo ICNF, 
sendo que a sua missão está marcadamente dirigida 
para a valorização do património espeleológico cársico, 
a qual está assente em quatro vertentes funcionais: 
apoio à investigação científica e tecnológica; divulgação 
científica e educação ambiental; apoio às estratégias de 
turismo e desporto de natureza adotadas pelo ICNF; 
e finalmente como estrutura de apoio à formação de 
espeleólogos.
Monumento Natural da Serra de Aire - Pegadas 
de Dinossáurios
Trata-se de uma estrutura museológica de valorização do 
Património Natural Paleontológico, sob a responsabili-
dade científica e técnica do ICNF. Após a descoberta de 
um conjunto de pegadas de Saurópodes, em 1994, pela 
exploração de uma Pedreira de Rocha Industrial, foram 
efetuados diversos estudos científicos que culminaram 
na criação de uma estrutura de visitação, inaugurada em 
1997. O Monumento Natural das Pegadas dos Dinossáu-
rios da Serra de Aire10, também conhecido por Pedreira 
do Galinha, situa-se na vertente oriental da Serra de 
Aire, nos limites dos concelhos de Ourém (freguesia de 
Nª Sra. das Misericórdias) e Torres Novas (freguesia de 
Chancelaria).
Na jazida de icnofósseis, que ocupa uma superfície de 
cerca de 60.000 m2, podemos observar várias centenas de 
pegadas organizadas em cerca de duas dezenas de pistas, 
entre as quais a mais longa pista (147 m de comprimento) 
de dinossáurio saurópode até hoje conhecida no mundo.
Jazida de Pegadasde Dinossáurios de Vale de 
Meios
A Jazida de Vale de Meios, localizada a 1 km da povoação 
do Pé da Pedreira, na freguesia de Alcanede, concelho de 
Santarém, e foi descoberta durante os trabalhos de ex-
ploração de 3 Pedreiras de Calçada interligadas entre si.
10 Classificado através do Decreto-Regulamentar n.º 12/96, de 22 de 
outubro.
https://dre.pt/application/conteudo/342856
https://dre.pt/application/conteudo/226583
https://dre.pt/application/conteudo/226583
56
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Apresenta uma elevada quantidade de pegadas e trilhos 
em bom estado de conservação, razão pela qual é a maior 
e mais significativa jazida com pegadas de terópodes do 
Jurássico Médio da Península Ibérica e uma das mais 
importantes a nível mundial.
Jazida de Pegadas de Dinossáurios de Algar dos 
Potes
A Jazida de Algares dos Potes, inserida numa antiga 
Pedreira de Calçada, apresenta moldes e contramoldes 
de pegadas tridáctilas de dinossáurios terópodes.
Jazida de Fósseis de Equinodermes do Cabeço 
da Ladeira
A Jazida do Cabeço da Ladeira, também conhecida 
como Praia Jurássica, localiza-se numa antiga Pedreira 
de Laje, situada na freguesia de S. Bento, concelho de 
Porto de Mós.
Esta jazida apresenta uma quantidade elevada de fósseis 
equinodermes pertencentes a três classes distintas: 
Echinoidea (ouriços-do-mar); Asteroidea (estrelas-do-mar) 
e Crinoidea (lírio-do-mar), sob a forma de moldes e/ou 
de restos fossilizados correspondentes aos diferentes 
ossículos que compõem o endosqueleto destes animais. 
Esta descoberta tem uma elevada importância científica 
devido ao seu grau e modo de preservação, à sua idade, 
raridade e elevada concentração de exemplares num 
único local.
Observam-se ainda várias estruturas sedimentares, onde 
as ripple marks (marcas de ondulação fossilizadas no 
substrato rochoso) são um dos elementos mais marcantes.
Devido à sua importância, a Assembleia da República11 
recomendou ao Governo a implementação de medidas de 
proteção e valorização da “Praia Jurássica de São Bento”.
Pedra Bicho
Antiga Pedreira de Rocha Ornamental, localizada na 
União das freguesias de Alcaria e Alvados, no concelho 
de Porto de Mós, sendo que o termo que designa esta 
variedade ornamental provém do rico conteúdo da rocha 
em fósseis, que lhe confere um aspeto bastante peculiar. 
11 Resolução da Assembleia da República n.º 20/2014, de 11 de março.
Os fósseis presentes são do tipo Nerinea (s.l.) da classe 
gastrópodes, que indica uma deposição em ambiente 
marinho de muito baixa profundidade, águas quentes 
e salinidade normal.
Pedreira de Calcite
Nesta antiga Pedreira de Calcite situada na Serra dos 
Candeeiros, ocorrem excelentes exemplares deste 
mineral onde se podem observar as suas diferentes 
caraterísticas morfológicas, com a forma (ou hábito) 
romboédrico, com o ângulo de clivagem típico e a 
translucidez ou a cor branca a transparente.
A calcite que foi explorada nesta pedreira era utilizada 
como aditivo da indústria vidreira.
Pedreira de Moitas Vendas
Pedreira de Rocha Industrial, na qual foram explorados 
agregados para a construção civil, localizada na freguesia 
de Moitas Vendas, concelho de Alcanena, onde é possível 
observar numerosas e diversas estruturas tectónicas, 
nomeadamente rochas esmagadas em caixa de falha, 
planos estilolíticos e dobras de arraste.
Plano de Falha de Vale de Barco
Pedreira de Rocha Industrial, localizada na freguesia 
de Alcobertas, concelho de Rio Maior, onde se explorou 
calcite que preencheu uma espessa caixa de falha que 
integra o acidente tectónico de Rio Maior-Porto de Mós.
Observam-se extensos planos de falha, que estão 
marcados por estrias, que por vezes são de grandes 
dimensões, e que testemunham uma movimentação 
polifásica, sobretudo em desligamento esquerdo com 
forte componente normal.
Por fim, importa salientar que durante o ano de 201912 
está previsto a realização de “projetos de prevenção 
estrutural contra incêndios, de restauro, conservação e 
valorização de habitats naturais e de educação ambiental 
nos Parques Naturais da Serra de São Mamede, das 
Serras de Aire e Candeeiros, da Arrábida, do Sudoeste 
12 RCM n.º 14/2019, de 21 de janeiro.
https://dre.pt/application/conteudo/572408
https://dre.pt/application/conteudo/118051703
57
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Alentejano e Costa Vicentina e da Ria Formosa, na 
Reserva Natural das Lagoas de Sancha e Santo André e 
nas Paisagens Protegidas da Serra do Açor e da Arriba 
Fóssil da Costa da Caparica”.
Em relação ao PNSAC, está contemplado a implementação 
do “Projeto de valorização do património geológico do 
Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros”, que 
visa, entre outros aspetos, a revitalização dos Geosítios 
“Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da 
Serra de Aire, Jazida com Pegadas de Dinossáurios de 
Vale de Meios e Jazida de Equinodermes do Cabeço 
da Ladeira”, através de medidas de geoconservação 
que possibilitem a visitação, sem danificar o singular 
património natural presente no território.
O projeto é para ser executado em três anos, tendo sido 
estabelecido um investimento total de 830.0004, dos 
quais 350.0004 se destinam à “Conservação e valorização 
dos Geosítios”.
59
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
No panorama mineiro de Portugal o Anticlinal de Estremoz constituí um caso único por diversos factores: 
1) trata-se de uma estrutura geológica reconhecida por todos e não apenas pelos especialistas; 2) tem um passado de 
produção de mármores de excepcional qualidade que remonta ao Período Romano; 3) os mármores aqui extraídos 
têm reconhecimento internacional constituindo-se como uma verdadeira Marca Nacional; 4) é seguramente uma 
das regiões do País com o registo geológico melhor conhecido, quer à superfície quer em profundidade. Para tal 
contribuíram vários estudos académicos e as várias campanhas de sondagens profundas realizadas pelas entidades 
governamentais e as sondagens de prospeção geológica efetuadas pelas empresas. Também a cartografia geológica de 
base foi realizada à escala 1:5.000 ou maior e encontra-se disponível às escalas 1:25.000 e 1:10.000; 5) há um passado 
de projetos de investigação, teses de fim de curso, mestrado e doutoramento, para além dos planos de pedreira e 
vários estudos realizados pelas empresas, etc. que constituí uma enorme base de dados.
Deste modo, os estudos realizados em diversas áreas (geologia; biologia; ecologia; avaliação de impacte ambiental; 
caracterização dos geomateriais (rochas e solos); avaliação geomecânica do maciço marmóreo; Planos Diretores 
Municipais; planos de pedreira; etc.) constituem a todos os níveis um acervo de conhecimento enorme que, 
complementado com a avaliação de riscos (materiais e humanos), permite a curto prazo a implementação de um 
efetivo projeto de reordenamento do território.
Anticlinal de Estremoz: Geologia, Ordenamento do Território e 
Produção de Rochas Ornamentais após 2000 Anos de Exploração
Luís Lopes
Departamento de Geociências da Escola de Ciência e Tecnologia 
da Universidade de Évora; Instituto de Ciências da Terra, Pólo de 
Évora; Conselho de Administração da Associação Cluster Portugal 
Mineral Resources; Presidente da Associação Portuguesa de Geólogos
Email: lopes@uevora.pt
Palavras Chave: Anticlinal de Estremoz, geologia, mármore, ordenamento do território, rochas ornamentais.
60
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
ABSTRACT
In the mining panorama of Portugal, the Estremoz Anticlinal is a unique case for several reasons: 1) it is a geological 
structure recognized by all and not only by specialists; 2) has an exceptional quality marble production dating back to 
the Roman Period; 3) the marbles extracted have international recognition constituting themselves as a true National 
Brand; 4) undoubtedly, is one of the better geological knownregions of the Country, surface and underground. To 
this end contribute several academic studies and various deep-sounding surveys carried out by government entities 
and geological exploration surveys carried out by the companies. Also, base geological mapping was performed at 
1: 5.000 scale or greater and is available at 1: 25.000 and 1: 10.000 scales; 5) there is a past of research projects, final 
course projects, masters and doctorates theses, in addition to quarry planning activities and other studies done by 
the companies, which together makes a huge database. 
In this way, the studies carried out in several areas (geology, biology, ecology, environmental impact assessment, 
geomaterials characterization (rocks and soils), geomechanical marble mass evaluation, County Director Plans, etc.), 
stands for a vast knowledge which, complemented by material and human evaluation risks, allows in short term the 
implementation of an effective and complete territorial re-planning project.
Keywords: Estremoz anticline, geology, marble, spatial planning, ornamental rocks.
1. INTRODUÇÃO
O Setor das Rochas Ornamentais, incluído no Cluster dos 
Recursos Minerais, com reconhecimento governamental 
em Portugal em fevereiro de 2017, constitui uma 
atividade económica relevante e de grande impacto nas 
regiões onde se desenvolve. O “Triângulo do Mármore” 
(Estremoz – Borba – Vila Viçosa), também designado por 
“Zona dos Mármores” é um paradigma desta situação. 
No Concelho de Vila Viçosa, é o setor económico mais 
importante secundado pelo turismo. Em Borba e em 
Estremoz a importância económica relativa do setor 
decresceu imenso nos últimos anos. Oficialmente apenas 
subsistem oito pedreiras em atividade em Estremoz e 
seis em Borba. Os sectores agropecuário, em Estremoz, 
e do vinho, em Borba, suplantaram o setor do mármore. 
Nestas circunstâncias e credivelmente, não admira que 
Vila Viçosa se intitule como a “Capital do Mármore” 
onde o “ouro branco” ainda é o principal dinamizador 
económico (Tab.1).
TABELA 1
Pedreiras no Anticlinal de Estremoz
Anticlinal de Estremoz - Situação de Licenciamento (maio 2019) 
(Pedreiras de Classe 1 e 2) 
Concelho Em exploração / recuperação
Abandonada em 
tramitação
Suspensa com 
autorização
Suspensa sem 
autorização Total
Borba 6 (12%) 3 (50%) 14 (37%) 29 (30) 53 (27,31%)
Estremoz 8 (16%) - 1 (3%) 12 (12%) 21 (10,92%)
Sousel - - - 1 (1/%) 1 (0,52%)
Vila Viçosa 35 (71%) 3 (50%) 23 (61%) 56 (57%) 119 (61,25%)
Total 49 6 38 98 194
Fonte: Direção Geral de Energia e Geologia, maio de 2019.
61
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A tragédia ocorrida a 19 de novembro de 2018 na EM 255 
em Borba, com o colapso parcial da estrada que causou 
a morte de cinco pessoas (dois trabalhadores de uma 
pedreira e três pessoas que se deslocavam em trânsito 
no momento da queda), veio expor à opinião pública 
as carências e fragilidades há muito identificadas por 
industriais, académicos e órgãos de decisão. Efetivamente, 
ao longo dos anos, a lavra em profundidade confinada 
a explorações com área superficial reduzida originou 
uma paisagem repleta de “poços” de exploração, por 
vezes atingindo profundidades superiores a 100 m, onde 
as áreas de defesa entre si e entre as pedreiras e as vias 
públicas, já não existiam quando foi publicada a primeira 
legislação específica para o Setor (Decreto-Lei 88/90 de 
16 de março).
O momento é de alarme e de alguma preocupação que, 
ocasionalmente peca por exagerada, mas também pode 
ser de oportunidade se o bom senso imperar e se todos 
os atores desempenharem o seu papel. Começando 
pelos proprietários, pelos decisores políticos e entidades 
licenciadoras e fiscalizadoras, todos devem tomar uma 
atitude proactiva em prol de um setor que, apesar de 
várias crises, se mantêm em atividade praticamente 
contínua pelo menos há dois mil anos.
Esta atitude justifica-se tanto mais que em termos de 
caracterização geológica e conhecimento científico 
territorial, com enfâse nos estudos geológicos e avaliação 
dos recursos minerais existentes, a Zona dos Mármores 
é, seguramente, uma das áreas mais bem estudadas do 
País. Apesar disso, constata-se que, por um lado, não há 
cruzamento efetivo de dados entre os estudos prévios e, 
por outro, que propostas de ordenamento do território 
não foram efetivamente implementadas no terreno, além 
de que necessitam estudos complementares cruciais 
para assegurar, tanto a otimização da exploração como 
a segurança de bens e pessoas. 
Se alguma dúvida houvesse sobre a qualidade e 
importância, histórica e contemporânea, do “mármore 
de Estremoz”, o reconhecimento do mesmo como “Global 
Heritage Stone Resource”, atribuído em janeiro de 
2018 pelo Comité Executivo da “International Union 
of Geological Sciences/UNESCO” , dissiparia todas as 
dúvidas uma vez que este reconhecimento obedece ao 
cumprimento de pelo menos vinte critérios e exige ainda 
que haja bibliografia de referência em revistas e/ou livros 
com revisão científica (Lopes &Martins, 2015; 2018).
O reconhecimento popular, pelo menos em Portugal, 
como forma de distinção e homenagem a prestar a pessoas 
e entidades, é validado pela utilização generalizada do 
“mármore de Estremoz” em placas comemorativas. 
Pode mesmo afirmar-se com alguma segurança que não 
haverá uma localidade que não tenha alguma peça com 
esta matéria-prima. Do mesmo modo, também assim 
acontece um pouco por todo o Mundo, para onde foi e 
continua a ser exportado (Lopes & Martins, 2015; 2018).
2. MÁRMORE: DEFINIÇÃO E SÍNTESE HISTÓ-
RICA
Os Mármores de Estremoz são uma matéria-prima de 
inegável beleza estética e qualidade, graças aos variados 
padrões cromáticos, texturas e características físico- 
-químicas (Casal Moura et al., 2007; Lopes & Martins, 
2015 e referências inclusas). 
Só deste modo se pode justificar que tenham sido sempre 
explorados desde a Antiguidade Clássica até aos nossos 
dias, resistindo sempre a modas e tendências passageiras. 
São explorados num dos principais polos extrativos de 
rochas ornamentais do Alentejo e de Portugal (Lopes & 
Gonçalves, 1997; Carvalho et al., 2013), o denominado 
Triângulo do Mármore (Estremoz – Borba – Vila Viçosa). 
Histórica e internacionalmente, os mármores da estrutu- 
ra anticlinal de Estremoz são conhecidos por “Mármore 
de Estremoz”, como já se referiu, atualmente é no 
Concelho de Vila Viçosa que se situam as maiores 
pedreiras e onde se extraí mais de 80% do mármore 
português; apesar disso o nome já consolidado e 
mundialmente reconhecido como marca “Mármore de 
Estremoz” (Estremoz Marble) deve continuar a ser 
utilizado, tendo sido reconhecido como Global Heritage 
Stone Resource. Efetivamente desde o Período Romano 
que Estremoz era a mais importante povoação e até há 
pouco tempo a única cidade num raio de 50 km, pelo 
que a referência aos mármores da região pelo nome 
da maior urbe parece lógica e compreensível. Contudo 
não deixa de ser curioso que a referência escrita mais 
antiga do reconhecimento da utilização dos mármores 
na região alentejana, date do ano 370 a.C., corresponde 
a um importante achado arqueológico que está 
representado por uma lápide mandada executar pelo 
capitão cartaginês Maarbal na sua viagem de Faro para 
Elvas e foi descoberta pelo investigador Padre Espanca 
https://dre.pt/application/conteudo/333161
https://dre.pt/application/conteudo/333161
62
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
(tio da poetisa Florbela Espanca) em Terena (Alandroal) 
(Brito da Luz, 2005).
Para os geólogos o termo “mármore” está bem claro 
como sendo o resultado do metamorfismo, ou seja, 
corresponde às transformações muito lentas, de rochas 
carbonatadas, no estado sólido, por efeito da temperatura, 
da pressão e, muito provavelmente, na presença fluídos 
em circulação na crosta terrestre. No dia-a-dia não é 
bem assim; em função do enquadramento em que é 
utilizado, o termo “mármore” tem vários significados 
peloque uma explicação prévia é exigida. Assim, a 
etimologia da palavra “mármore” provém do grego 
marmairein ou do latim marmor e significa “pedra 
de qualidade” ou “pedra branca”. Para os geólogos 
o mármore é uma rocha metamórfica cristalina e 
carbonatada, composta por cristais de calcite (mármore 
calcítico) ou dolomite (mármore dolomítico), resultante 
de transformações, extremamente lentas, no estado 
sólido sob efeito de pressões orientadas, incremento 
de temperatura que provocam um rearranjo textural 
que passa pela recristalização de rochas calcárias 
previamente existentes, essencialmente de natureza 
sedimentar. Um conceito comercial mais comum, reporta 
ao significado que lhe era atribuído pelos romanos 
e define o mármore como toda a rocha cristalina 
sedimentar ou metamórfica, carbonatada ou não, que 
apresentando um aspeto semelhante ao do mármore 
Stricto sensu, que possa ser extraída em blocos, que 
evidencie boas características para o corte e que seja 
suscetível de adquirir bom polimento. Associados à 
indústria e na nomenclatura internacional utilizam-se 
ainda os termos “rocha ornamental”, que apela para 
a função marcadamente estética que os mármores 
desempenham e, principalmente no mundo anglo- 
-saxônico é amplamente utilizado o termo dimension 
stone, que se reporta à obrigação de estas rochas 
serem extraídas em blocos de dimensão que permita 
o processamento industrial em fábrica, gerando lucro 
e riqueza para as respetivas empresas (Lopes, 2007; 
Moreira & Lopes, 2019).
No caso do anticlinal de Estremoz, para fins ornamentais, 
apenas se exploram os mármores calcíticos. Embora os 
mármores dolomíticos sejam mais abundantes, estes 
encontram-se muito fraturados não sendo possível 
obter blocos com dimensão comerciável (dimensões 
médias próximas de: 2-3m x 2-1,5m x 2-1m). Apenas 
um apontamento à parte para referir que, para 
além das explorações de mármore no anticlinal de 
Estremoz, existem ainda outros mármores portugueses 
intensivamente explorados no passado, por ordem 
crescente de importância: Brinches, Escoural, Serpa, 
Viana do Alentejo, Trigaches e Vila Verde de Ficalho 
(Gonçalves & Lopes, 1992). Nestes locais exploravam-se 
rochas únicas pelas cores e texturas, no entanto apenas 
em Viana do Alentejo e Vila Verde de Ficalho há pedreiras 
ativas. Apesar de distintos e facilmente distinguíveis, em 
termos geológicos, todos estes mármores ocupam uma 
posição estratigráfica similar (Lopes, 2007; Lopes & 
Martins, 2015).
Existem inúmeras evidências para a utilização dos 
mármores de Estremoz durante a Época Romana. 
As modernas técnicas microanalíticas associadas 
a um conhecimento profundo das características 
macroscópicas, tem permitido confirmar que foram 
utilizados, não só na Península Ibérica, mas um pouco 
por todo o Império num vasto e diversificado conjunto 
de elementos decorativos e arquitetónicos (e.g. Maciel, 
1998; Lopes et al., 2000; Cabral et al., 2001; 2004; Fusco 
& Mañas, 2006; Morbidelli et al., 2007; Tucci et al., 
2010; Lapuente et al., 2014; Origlia et al., 2011; Taelman 
et al., 2013; Carneiro, 2019). Após o Período Romano a 
utilização do mármore entra em grande declínio não 
sendo certo que se tenham mantido pedreiras ativas 
na região. Contudo há alguns exemplos de reutilização 
em lápides e outros elementos romanos entre os séculos 
V e X (Mourinha & Moreira, 2019 e referências inclusas).
Com a conquista de Faro ao califado Almóada, em 
1249, o Algarve é incorporado no reino de Portugal 
e os conflitos daí decorrentes com o reino de Castela 
levaram à necessidade de construção de estruturas 
fortificadas ao longo da fronteira; sendo matéria-prima 
disponível na região, é natural que o mármore tenha 
sido utilizado para esse fim. Entre vários exemplos, o 
mais emblemático é sem dúvida a Torre de Menagem 
do castelo de Estremoz (Mourinha & Moreira, 2019). 
Desde então, as referências à utilização do mármore de 
Estremoz em monumentos religiosos e obras públicas, em 
Portugal e no estrangeiro, são inúmeras e a sua listagem 
exaustiva não está no âmbito deste trabalho, mas podem 
ser consultadas, i.e: Lopes & Martins (2015); Mourinha 
& Moreira (2019); Matos & Quintas (2019) e Filipe (2019) 
e referências inclusas.
63
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
3. SÍNTESE GEOLÓGICA
Nas últimas décadas o conhecimento geológico de 
Portugal cresceu exponencialmente e o Anticlinal de 
Estremoz não é exceção (Pereira et al., 2012; Taelman 
et al. 2013; Lopes & Martins, 2015; Moreira, 2017; 
Menningen et al., 2018; Moreira & Lopes, 2019). De 
seguida apresenta-se uma síntese relativa ao estado 
atual do conhecimento geológico regional da Zona 
de Ossa-Morena, parte integrante do Cadeia Varisca 
(ou Hercínica) Ibérica, com enfâse no “Anticlinal de 
Estremoz”. 
Em termos mais simples, a designação “Anticlinal de 
Estremoz”, às vezes também referido como “anticlinório” 
apelando diretamente à existência de várias ordens de 
dobramento, corresponde a uma estrutura enraizada, 
dobrada e com a concavidade voltada para baixo, 
grosseiramente simétrica, onde as camadas mais antigas 
ocupam a parte central em dois núcleos separados, um 
a norte de Estremoz e outro entre Vila Viçosa e Borba. 
É intersetada, entre as cidades de Estremoz e Borba, 
pela A6 e pela EN4, que fazem a ligação entre Marateca 
e Caia. Tem aproximadamente 42 km de comprimento, 
entre Alandroal e Sousel e cerca de 8,5 km de largura 
máxima entre Estremoz e São Domingos de Ana Loura 
(Figs. 1 a 3). 
FIGURA 1
Localização do Anticlinal de Estremoz no território nacional e idade relativa das diferentes unidades 
que constituem o território continental português.
Mapa geológico adaptado de LNEG, 2000 – Mapa Geológico de Portugal na Escala 1:1.000.000 (Lopes & Martins, 2015).
64
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
As figuras 2 e 3 ilustram de modo muito claro a 
disposição desta estrutura e a forma como se desenvolve, 
por mais de 40 km, de Alandroal a Sousel. Aqui, os 
mármores explorados como rocha ornamental fazem 
parte do “Complexo Vulcano-Sedimentar Carbonatado 
de Estremoz” (CVSCE), que se representam em tons 
de azul. Os mármores mais escuros (azuis e cinzentos) 
estão representados em azul-escuro e todas as restantes 
variedades em azul-claro. Ressalta desde logo que a maior 
parte dos mármores afloram sobretudo no concelho 
de Vila Viçosa onde, efetivamente, na atualidade, se 
produzem mais de 80% dos mármores de Portugal.
FIGURA 2 
Perspetiva tridimensional da região compreendida entre Sousel e Alandroal
Vista de SW para NE, obtida pela sobreposição do mapa geológico do anticlinal de Estremoz (Moreira & Vintém, coords., 1997) com a imagem digital 
do terreno obtida no Google Earth (http://earth.google.com/download-earth.html, referente a 2007), sobrelevada 3x. Note-se o controlo topográfico 
condicionado pelas litologias. A zona central correspondente ao Pré-câmbrico bem como os afloramentos correspondentes ao CVSCE ocupam as 
zonas mais baixas enquanto a Formação Dolomítica corresponde a um planalto central no anticlinal de Estremoz. Nas regiões adjacentes os relevos 
de resistência correspondem a níveis de rochas siliciosas de precipitação química e negras (liditos) de idade silúrica, muitas vezes fossilíferos. Os 
níveis do CVSCE explorados para fins ornamentais encontram-se representados a azul claro (variedades de mármores cor-de-rosa, branco e cremes 
mais ou menos venados) e a azul-escuro (variedades “Ruivina”).
Adaptada de Lopes & Martins (2018).
65
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 3
Representação da estrutura Anticlinal de Estremoz com destaque para a metade meridional onde se situam os Concelhos de Estremoz, 
Borba e Vila Viçosa, mais ricos em mármores explorados como rocha ornamental
In: Lopes & Martins (2015); adaptada de Moreira, J. & Vintém, C. (coords.) (1997) Carta Geológica do Anticlinal de Estremoz, InstitutoGeológico 
e Mineiro, Lisboa.
Em termos regionais, o Anticlinal de Estremoz localiza-se 
no Maciço Ibérico, que se caracteriza pela presença de 
rochas de idade ante mesozoica (Ribeiro et al., 1979; 
2007). Este maciço é subdividido em diferentes zonas 
tectonostratigráficas, de acordo com as sucessões de 
unidades litológicas (sucessão estratigráfica) presentes, 
as suas características tectonometamórficas e magmáticas 
(Ribeiro et al., 1979; Apalategui et al., 1990; 2007; Dias 
et al., 2016 e referências inclusas). De entre as diversas 
zonas, destaca-se a Zona de Ossa-Morena, onde o 
Anticlinal de Estremoz fica localizado no Setor de 
Estremoz – Barrancos (Oliveira et al., 1991; Lopes, 2003) 
(Fig. 4). Estas subdivisões ajudam a compreender o 
enquadramento regional e explicam de forma sintética 
as heterogeneidades que ressaltam ao observador mais 
atento que faça uma transversal SW-NE pelo Alentejo.
66
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 4
Domínios da Zona de Ossa Morena
 Segundo Apalategui et al., 1990.
 A – Cobertura sedimentar pós-paleozoica. B – Zona Centro-Ibérica. C – Batólito de Pedroches. D – Zona de Ossa Morena: 
a – cinturas metamórficas. 1 – Domínio de Beja – Aracena; 2 – Domínio de Barrancos – Hinojales; 3 – Domínio de Elvas – Cumbres 
Mayores; 4- – Domínios de Arroyo Molinos; 5 – Domínio de Zafra – Monesterio; 6 –Domínio da Serra Albarrana; 7 – Cintura 
ígnea de Villaviciosa – La Coronada; 8 – Domínio da Valência de Ias Torres – Cerro Muriano (= Zona de Cisalhamento Tomar 
– Badajoz – Córdova); 9 – Domínio de Obejo – Valsequillo – Puebla de Ia Reina. E – Unidade de Pulo do Lobo (inclui o Ófiolito 
de Beja – Acebuches). I, II – Plutões graníticos; III – Antiforma de Peraleda; F. Zona Sul Portuguesa: a – Faixa Piritosa Ibérica. 
G – Anticlinal de Estremoz.
3.1. Estratigrafia
Cartograficamente, a individualização do anticlinal de 
Estremoz como unidade geológica distinta já constava 
da edição de 1899 da Carta Geológica de Portugal à 
escala 1:500.000 (Delgado & Choffat, 1899), no entanto 
não apresentava qualquer separação litológica interna. 
A primeira referência bibliográfica do anticlinal de 
Estremoz que faz uma descrição geológica desta estrutura 
e estabelece equivalências entre os xistos aflorantes no 
núcleo anticlinal ("Xistos de Mares") com as formações 
similares de Portalegre, Tomar e Abrantes, mas que 
não separou as formações carbonatadas e dolomíticas 
de Estremoz destes "Xistos de Mares" deve-se a Nery 
Delgado (1905, in Gonçalves & Coelho, 1974). Na carta 
geológica de Portugal na escala 1:1.000.000 de 1952, 
estas unidades já vêm separadas. Foi Carrington da 
Costa (1931, in Gonçalves & Coelho, 1974) primeiro, 
e Teixeira (1953 e 1966, in Gonçalves & Coelho, 1974) 
depois, que os separaram tendo-lhes atribuído “idade 
câmbrica”. Silva & Camarinhas (1957) individualizaram 
as unidades carbonatadas, distinguindo-as das restantes. 
Particularmente interessante, por se tratar de um 
trabalho orientado para aptidão geológica do anticlinal 
como produtor de rochas ornamentais, é a cartografia 
apresentada por Gonçalves (1972). 
67
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Correspondendo à disposição litológica e à evolução 
usual das plataformas carbonatadas, independentemente 
da sua idade, verifica-se uma disposição assimétrica das 
litologias, que constituem o anticlinal de Estremoz. Esta 
assimetria corresponde a variações laterais de fácies 
muito comuns em bacias de sedimentação em regime 
distensivo, como é o caso do ambiente geodinâmico 
preconizado para o Paleozoico inferior da Zona de Ossa- 
-Morena. Por exemplo, existe uma simetria estratigráfica 
que não tem relação com a simetria litológica; no flanco 
SW da estrutura predominam as rochas carbonatadas 
ao passo que no flanco NE são essencialmente as rochas 
metavulcânicas que estão representadas (Fig. 1). Outra 
particularidade tem a ver com a distribuição espacial 
dos mármores de tonalidades escuras (comercialmente 
designados por “Ruivina”), na Fig. 1 pode-se observar 
que estas litologias só afloram a Sul de um paralelo 
E-W entre as localidades de Barro Branco (Monte das 
Salgadas) e Vila Viçosa (Lugar de Peixinhos), retirando o 
efeito da dobra em antiforma anticlinal, esta orientação 
sugere que originalmente a bacia de sedimentação 
estaria a abrir para Sul (coordenadas atuais) pois estes 
níveis representam as rochas mais recentes da sequência 
estratigráfica local.
Em síntese, a sucessão de unidades estratigráficas no 
Anticlinal de Estremoz inicia-se com a Formação de 
Mares (de idade Neoproterozóica), composta por xistos 
negros, metachertes negros e metagrauvaques que 
ocupam uma posição central nesta estrutura (Fig.3; 
Gonçalves, 1970; Oliveira et al., 1991). Esta formação 
tem equivalentes noutras estruturas regionais da 
Zona de Ossa-Morena correspondendo sempre aos 
núcleos mais antigos das mesmas e com a designação 
genérica de “Série Negra” (Gonçalves & Carvalhosa, 
1994; Gonçalves & Oliveira, 1986). Segue-se, em 
discordância, a Formação Dolomítica, composta por 
mármores dolomíticos, essencialmente granoblásticos e 
com textura fina, por vezes xistificados, pontualmente 
intercalados com metavulcanitos ácidos e básicos; na sua 
base surge um nível lenticular de metaconglomerados 
e meta-arcoses intercalados com metavulcanitos ácidos 
(Fig. 3; Gonçalves, 1972). Este nível foi datado em 542 Ma 
(Pereira et al., 2012), correspondendo pois à base do 
Câmbrico. Esta unidade já era considerada como sendo 
câmbrica inferior, por correlação com a Formação 
Carbonatada de Elvas (Oliveira et al., 1991; Lopes, 2003; 
Araújo et al., 2013). 
No topo da Formação Dolomítica ocorre um horizonte 
silico-ferruginoso. A associação de quartzo com pseudo- 
morfoses de pirite em óxidos e hidróxidos de Fe (a 
pirite original foi sempre encontrada nas sondagens 
profundas que intersetaram este nível), pela facilidade 
de se encontrar e pela persistência no terreno, 
constituí um excelente nível guia cartográfico (Fig. 5). 
Sobre ele assenta o Complexo Vulcano-Sedimentar 
Carbonatado de Estremoz (CVSCE, Fig. 3), caracterizado 
pela presença de mármores calcíticos com interesse 
ornamental, apresenta intercalações de calcoxistos e 
de metavulcanitos ácidos e básicos (Gonçalves, 1972; 
Oliveira et al., 1991; Lopes, 2003; Pereira et al., 2012 e 
referências inclusas nestes artigos).
FIGURA 5
Dois aspetos de minerais euédricos que se encontram no 
“horizonte silicioso”
A – aspeto encontrado à superfície e que corresponde a pseudomorfose 
de pirite transformada em óxidos e hidróxidos de Fe, atente-se 
na perfeição da substituição que preserva as faces estriadas tão 
características dos cristais de pirite em maclas.
B – amostra recolhida aos 380 metros de profundidade, definindo a 
mesma posição estratigráfica, numa das sondagens realizadas: py – 
pirite; qtz – quartzo e, cc –calcite/dolomite. À superfície este horizonte 
materializa um nível guia cartográfico.
Neste CVSCE encontram-se evidências de uma exposição 
aérea dos carbonatos anterior ao metamorfismo regional 
(Fig. 6). De facto, a irregularidade da forma e a diferença 
de espessura entre os níveis encontrados dentro e em 
torno destas estruturas, apontam claramente para uma 
erosão do calcário, originando morfologias cársicas 
posteriormente preenchidas por sedimentos mais finos. 
Estes são essencialmente carbonatados embora sejam 
composicional e quimicamente menos homogéneos que 
os materiais encaixantes.
68
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 6
Afloramento na região de Vigária, Vila Viçosa, 
em corte perpendicular à direção das estruturas representadas
No centro da imagem representa-se um paleocarso anterior ao metamorfismo regional que afetou o 
Complexo Vulcano Sedimentar Carbonatado de Estremoz.
Resultado da anisotropia estrutural induzida pela estru-
tura, é claramente visível uma partição da deformaçãoao 
longo do afloramento. Observam-se dobras com diferen-
tes amplitudes, zonas de cisalhamento e pequenas falhas 
e diaclases. A recristalização generalizada afeta toda a 
massa e atenua de tal modo estas diferenças que, por 
vezes, torna possível a obtenção de blocos comerciáveis 
(não é o caso). Como seria de esperar estas estruturas 
são pouco usuais e ocupam uma posição estratigráfi-
ca correspondente aos níveis mais baixos do CVSCE. 
A anisotropia instalada pelo paleocarso, induziu a génese 
de uma banda de cisalhamento. No geral, o conjunto 
transmite uma informação estrutural em transtensão 
(falha normal em compressão; embora o movimento 
horizontal seja maioritariamente esquerdo, neste caso 
não é possível defini-lo com rigor.
Em posição estratigráfica de confirmação difícil no 
terreno por falta de afloramentos contínuos, entre o 
topo do CVSCE e os terrenos silúricos/devónicos (Piçarra, 
2000), envolventes ao anticlinal, ocorrem riólitos 
alcalinos com baixo grau metamórfico e datados em 499 
Ma (Pereira et al. 2012). Este vulcanismo é relacionável 
com o vulcanismo principal associado ao rift do Câmbrico 
médio (Chichorro et al., 2008; Sánchez-García et al., 2008, 
2010). Como se referiu, em face do controlo estratigráfico 
ambíguo e devido à falta de dados paleontológicos, não 
se pode excluir a hipótese de que parte da sequência seja 
mais recente. De facto, a comparação litoestratigráfica 
entre o anticlinal de Estremoz e a sucessão do Pré- 
-Câmbrico–Ordovícico em Danby, Vermont, Estados 
Unidos da América é, no mínimo curiosa. Em Vermont 
a estrutura corresponde a um amplo sinforma anticlinal 
orientado N – S, com eixo mergulhante 8° para sul. 
Estratigraficamente sobre os mármores dolomíticos 
câmbricos (Formação de Dunham) e junto à base do 
Complexo Vulcano-sedimentar-carbonatado, datado 
do Ordovícico médio (Van Diver, 1987), também ocorre 
um horizonte silicioso com as mesmas características e 
em posição similar ao que encontramos em Estremoz. 
Em Vermont, tanto o metamorfismo como a deformação 
que afetou os mármores foram inferiores aos processos 
análogos em Estremoz. Daqui resultou que a estratigrafia 
inicial está perfeitamente preservada sendo possível 
reconstitui-la. Desta estratigrafia resultam sete tipos 
distintos de mármore explorados como variedades de 
rocha ornamental (Ratte & Ogden, 1989). Obviamente, 
69
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
ocorrem variações laterais de fácies que, no entanto, 
nunca alteram esta sequência. Tal como em Estremoz 
também em Danby os níveis de mármores mais recentes 
são escuros. Outra particularidade é que, devido ao 
metamorfismo menos intenso, apesar de também 
ocorrerem níveis vulcânicos intercalados não se verificam 
em associação com eles os mármores rosados que 
sempre ocorrem no Complexo Vulcano-Sedimentar- 
-Carbonatado de Estremoz (Lopes, 2003, 2007). 
A idade do CVSCE tem sido alvo de discussão ao longo das 
últimas décadas (e.g. Piçarra & Le Menn, 1994; Piçarra, 
2000; Lopes, 2003; Piçarra & Sarmiento, 2006; Pereira 
et al., 2012; Araújo et al., 2013; Moreira et al., 2016; 2017), 
tendo sido atribuídas idades variáveis, desde o Câmbrico 
ao Silúrico superior/Devónico inferior. No entanto, os 
dados mais recentes (Pereira et al., 2012; Taelman et 
al., 2015; Moreira, 2017), baseados essencialmente em 
estudos isotópicos (U-Pb, 13C/18O; e 87Rb/86Sr e 86Sr/87Sr), 
apoiados por uma comparação litostratigráfica (Lopes, 
2003; Lopes & Martins, 2015) indiciam claramente uma 
separação dos níveis superiores da sequência separada 
por um evento discordante com brechificação associada. 
Assim, a maior parte dos mármores do anticlinal de 
Estremoz são de idade câmbrica (não se excluindo a 
hipótese de chegarem ao Ordovícico), ao passo que os 
níveis superiores de mármores escuros (com o nome 
comercial de “Ruivina”), por vezes com níveis carbonosos 
(grafite?) associados e que afloram no flanco SW segundo 
o alinhamento Barro Branco – Bencatel – Alandroal que 
poderão ser mais recentes (idade Silúrico/Devónica?; 
Piçarra, 2000; Lopes, 2003; Moreira, 2017). Sublinhe-se, 
porém, que estes mármores são macroscopicamente 
distintos dos mármores escuros (com os nomes comerciais 
de “Ruivina da Lagoa” ou “Ruivina de Pardais”) quase 
sempre em sequência e sobrepondo-se aos mármores 
com a designação comercial “Olho-de-Tigre” (com 
manchas azuladas de dimensão centimétrica num 
fundo branco), claramente pertencentes ao CVSCE e 
consequentemente mais antigos.
De facto, estes mármores escuros, têm mais afinidades 
com os “calcários” com crinoides que af loram na 
estrutura de Ferrarias (a SE da terminação periclinal 
do anticlinal) (Oliveira 1984; Piçarra, 2000). Neste 
caso correspondem a brechas onde os fragmentos 
apresentam duas fases de deformação e a matriz apenas 
uma (Lopes, 2003). Recentemente, em pedreira que 
explora os níveis superiores do CVSCE encontrámos o 
contacto entre os mármores e as litologias siliciclásticas 
envolventes à estrutura de Estremoz (Fig. 7). Trata-se 
de um afloramento chave para os trabalhos em curso, 
uma vez que este horizonte era conhecido (e.g. próximo 
do vértice geodésico Carambo, Alandroal) mas em 
afloramentos dispersos e com pouca exposição. O facto 
destas brechas siliciosas não apresentarem qualquer 
elemento carbonatado (Lopes, 2003), revela um período 
erosivo importante que justificaria o hiato de idades 
entre as rochas do CVSCE e as rochas encaixantes.
70
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 7
Bloco de mármore com cerca de 15 t (2,30 m x 1,80 m x 1,40 m)
Extraído na pedreira António Galego & Filhos, Lda., Lagoa – Bencatel.
A zona mais clara do bloco corresponde a mármore 
com textura granoblástica média, deformada e com 
alinhamento preferencial dos cristais de calcite 
(corresponde a uma direção de anisotropia perfeitamente 
definida e localmente identificada por “corrume”).
A zona mais escura, à direita, corresponde a litologias 
siliciclásticas de grão fino e brechificadas. Em fase 
posterior ao dobramento, esta massa foi afetada por 
eventos de deformação frágil que originaram as fendas 
de tração preenchidas por quartzo branco. Ainda que 
estas fendas intersetem o contacto entre as diferentes 
litologias, na parte carbonatada a penetração destas 
fendas não ultrapassa um ou dois centímetros indicando 
que, mesmo nestas condições de baixo grau metamórfico, 
apresenta um comportamento essencialmente dúctil.
Como se depreende da exposição anterior, o CVSCE 
apresenta diferentes variedades de mármores, sendo 
que no topo se situam as variedades mais escuras; ao 
descer na sequência ocorrem vários tipos de mármore 
creme / branco e mais raramente cor-de-rosa na base 
da sucessão (Lopes, 2007). Pela particularidade exótica 
que representa, destacamos a variedade “Marinela” que 
corresponde a uma brecha hidráulica desenvolvida nos 
níveis escuros superiores (azul-acinzentados). Os veios 
encontram-se preenchidos por uma calcite muito rica 
em Fe (não chega a formar siderite!). Em superfície 
polida a rocha apresenta um efeito de “ouro sobre azul” 
esteticamente resulta muito bem e pode ser observado 
na Sé Catedral de Maputo, Moçambique, para onde foi 
projetada pelo arquiteto Marcial Freitas e Costa em 1936, 
tendo a Sé sido construída em 1944 (Lopes et al., 2017).
Toda sequência do CVSCE é rodeada por unidades 
xistentas do Devónico-Silúrico (Formações dos Xistos 
com Nódulos e Colorada; Gonçalves, 1972; Piçarra, 2000; 
Lopes, 2003; Araújo et al., 2013). O contacto entre estas 
unidades de carácter xistento e a restantes unidades 
previamente descritas é também alvo de discussão 
(Araújo et al., 2013).
3.2. Geodinâmica
O Anticlinal de Estremoz resulta da interferência de 
duas fases de deformação Varisca (Lopes, 2003). Assim, a 
sequência estratigráfica do Anticlinal Estremoz foi defor-
mada e metamorfizada sob condições metamórficas na 
fácies dos xistos verdes/anfibolítica baixa,durante a Oro-
genia Varisca (Carbonífero) (Lopes, 2003). Identificam-se 
claramente duas fases de deformação em regime dúctil. 
71
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A primeira fase de deformação varisca (D1) origina do-
bras com planos axiais quase E-W (azimute 110º-170º), 
pouco inclinados para S (inferiores a 20º) e vergência 
para Norte. Nesta fase, mais tardiamente porque já 
afetam a foliação milonítica D1, desenvolvem-se ainda 
corredores de deformação subverticais (zonas de cisalha-
mento) dúctil e frágil-dúctil com orientação NNW-SSE, 
±80º. As dobras D1 estão associadas ao desenvolvimento 
de zonas de cisalhamento extensional e boudinagem 
(Fig. 8). A foliação milonítica e a lineação de estiramento 
paralelas à direção máxima de alongamento (170–180º) 
e os critérios de cisalhamento (caudas assimétricas de 
porfiroblastos, planos C – S) são consistentes com o movi-
mento com o topo para o norte (Pereira et al., 2012). Em 
resumo, toda a cinemática associada a D1 é controlada 
por movimentação para Norte, achatamento, estiramen-
to e movimento horizontal entre blocos adjacentes com 
comportamento esquerdo. 
FIGURA 8
Padrões de interferência D1+D2 em pedreira inativa em Borba
Repare-se como existem estruturas fechadas num plano indicando redobramento também evidenciado pelos planos 
axiais de primeira fase que se encontram curvos. As dobras menores nos flancos são claramente assimétricas, por 
vezes com estiramento do flanco curto, indicando o sentido de transporte inicial. O bloco no chão corresponde à 
charneira da dobra que se encontra na parede. Afloramentos como estes permitem reconstruir a 3D a geometria da 
deformação em regime dúctil ocorrida na região e são ponto de partida para a modelação digital da deformação.
A segunda fase (D2) apresenta indubitavelmente um ca-
rácter mais frágil e atua em andar estrutural superior e 
é responsável pela orientação regional do Anticlinal de 
Estremoz (NW-SE). Ao dobramento D2 está associado a 
clivagem de plano axial (de crenulação nos xistos e cli-
vagem de fractura nos mármores), ambas mais ou menos 
desenvolvidas e zonas discretas de cisalhamento dúctil-
-frágil ao longo das quais os flancos inversos das dobras 
apertadas são estirados. A vergência desta segunda fase 
é marcadamente para NE; as dobras com planos axiais 
de direção 110º-130º inclinam até 60º para Sul. 
Embora nem sempre sejam óbvias, uma observação 
atenta em qualquer pedreira permite identificar estru-
turas de ambas as fases. A sobreposição das duas fases 
72
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
gera padrões de interferência que localmente podem 
ser observados. Corroborando estas observações, a car-
tografia geológica do Anticlinal de Estremoz (Moreira 
& Vintém, 2007) apresenta vários exemplos de padrões 
de interferência cartográficos.
Por todo o anticlinal de Estremoz ocorre uma segmentação 
acentuada no sentido longitudinal (NNW-SSE) cuja 
localização é principalmente controlada pelos flancos 
verticais das dobras de segunda fase, mas também pode 
corresponder à reativação em regime frágil – dúctil 
de bandas de cisalhamento (zonas de concentração de 
deformação) desenvolvidas anteriormente. Na maioria 
destes acidentes NNW – SSE ocorreu a recristalização 
sin a pós cinemática do mármore, pelo que, estas 
descontinuidades estruturais nem sempre se refletem 
em descontinuidades litológicas, com a ressalva que 
existe modificação na variedade do mármore, o que 
tem necessariamente consequências económicas (Figs. 9 
e 10). O conhecimento prévio destas estruturas permite 
definir melhor o plano de lavra adequando as direções de 
corte e adaptando dinamicamente o espaçamento entre 
os cortes de modo a otimizar o rendimento das massas a 
desmontar. Quando os rendimentos na pedreira baixam 
dos 15% qualquer ganho faz a diferença e poderá ser 
fator decisivo para viabilizar a exploração.
FIGURA 10
Dobras na terminação periclinal SE 
do Anticlinal de Estremoz, S. Marcos, Pardais
FIGURA 9
Exemplo de zona de cisalhamento 
observada em pedreira no local de Lagoa, Vila Viçosa
Figura 9 - Este acidente é francamente discordante das estruturas, no entanto a recristalização permite uma continuidade cristalina pelo que é 
possível obter blocos, ainda que heterogéneos. Os planos axiais das dobras aqui observadas tem direção NW-SE e são francamente vergentes para NE.
Pedreira António Galego & Filhos, Lda., Texugo n.º 3, Bencatel.
Figura 10 - Estão representadas dobras isoclinais de segunda fase com planos axiais verticais e eixos mergulhantes, cerca de 25º para SE. Têm 
amplitude e comprimentos de onda variáveis e apresentam flancos estirados ao longo de bandas de cisalhamento tardias de segunda fase que, 
neste caso, não condicionando de imediato a exploração, provocam alterações cromáticas e texturais perpendiculares ao bando metamórfico. No 
caso limite, se estas condicionantes não forem consideradas no plano de lavra, as implicações no valor intrínseco da matéria-prima podem mesmo 
inviabilizar a continuidade da pedreira, como já ocorreu em alguns casos no anticlinal.
Pedreira António Bento Vermelho, Lda. São Marcos nº. 9, Pardais-Vila Viçosa.
73
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
.Cronologicamente seguem-se falhas subverticais de 
direção WSW – ENE, que apresentam movimentos 
horizontais esquerdos (existindo em menor número o 
conjugado NE – SW direito), com abatimento do bloco 
a SE, na terminação periclinal SE do anticlinal e abati-
mento do bloco a NW na terminação NW. No conjunto, 
estas fraturas refletem os estados finais da deformação 
que originou a estrutura anticlinal de Estremoz, grosso 
modo correspondem a fendas de tração da segunda fase 
de dobramento quando a direção de tensão máxima 
estaria próxima de NE-SW. Frequentemente estas falhas 
estão sublinhadas por filões doleríticos (Fig. 11; “cabos 
reais” na gíria local). Estes filões são contemporâneos do 
grande filão do Alentejo (Messejana – Ávila) e indiciam a 
transição para um regime distensivo que viria a culminar 
com a abertura do atual Oceano Atlântico (Lopes & Silva, 
2005; Lopes, 2007; Silva, 1997).
FIGURA 11
Pedreira inativa na zona de Lagoa, Vila Viçosa
Exemplo de filão dolerítico instalado em desligamento esquerdo ENE-WSW, 90º.
Para além da componente horizontal, também existe uma componente vertical associada que, nesta zona do anticlinal, é materializada 
pelo abatimento do bloco a Sul. Ambas as deslocações não podem ser ignoradas pois os rejeitos podem ser superiores a 30 metros, 
inviabilizando a continuação da exploração. Existem muitos casos em que as pedreiras estão limitadas a SE e NW por cabos reais 
sendo distintas as variedades de mármore exploradas nas pedreiras adjacentes.
Como curiosidade, refira-se que num destes filões com 
cerca de 35 metros de possança, localizado a Oeste 
de Borba, entrou mesmo em laboração uma pedreira 
de dioritos para fins ornamentais. A possança do 
filão fez com que o arrefecimento do magma fosse 
suficientemente lento para permitir a formação de uma 
rocha com textura fanerítica 
A conjugação das falhas WSW – ENE com os cisalhamentos 
NNW – SSE é responsável por uma segmentação da 
estrutura em blocos onde, pelo menos à superfície, o 
mármore apresenta características texturais e cromáticas 
distintas (diferentes variedades!). Embora Pereira (1981) 
tenha chamado a atenção para os diferentes tipos de 
mármore que ocorrem ao nível do solo ao longo do 
anticlinal, definindo assim diferentes zonas, não houve 
uma correlação entre estas zonas e a segmentação 
induzida pelas falhas e cisalhamentos atrás referidos. 
De qualquer modo, no passado o desconhecimento 
destas variações foi responsável pelo insucesso de muitas 
explorações, que não prevendo esta situação, se viram 
espacialmente limitadas e cessaram a atividade. 
No final da Orogenia Hercínica (ou Varisca) a exumação 
do maciço e a libertação de tensões produziuuma intensa 
densidade de descontinuidades: fraturas longitudinais 
74
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
segundo N30°W, transversais segundo N60°E e diagonais 
à estrutura dobrada, segundo N10°W. Fenómenos de 
dissolução recente, com formação de cavidades cársicas, 
são mais evidentes ao longo das fraturas orientadas 
segundo N10°W. Estas são as principais responsáveis 
pela compartimentação que se verifica nesta região do 
Anticlinal de Estremoz (Almeida et al., 2000).
Em seguida atuam no anticlinal de Estremoz os campos 
de tensão tardí-hercínicos e alpinos, a que se associa 
a fragmentação por descompressão induzida pela 
atividade extrativa e que no conjunto são responsáveis 
pela extensa fracturação que o maciço apresenta. As 
variáveis envolvidas no condicionamento da fraturação 
dos mármores no anticlinal de Estremoz são tais que os 
valores conhecidos regionalmente devem ser tomados 
unicamente como referência pois, são as condições ao 
nível da pedreira que vão determinar quais as famílias 
que aí vão ser mais importantes. Análises detalhadas da 
fraturação no anticlinal de Estremoz foram apresentadas 
por vários autores (i.e., Silva e Camarinhas, 1960; 
Ladeira, 1977; Gomes da Silva, 1989; Pereira, 1981; 
Reynaud & Vintém, 1992 e 1994; Costa et al., 2001; 
Gama et al., 2000; Lopes, 2003; Henriques et al., 2006). 
Em resumo e mais importante que as variedades de 
mármore que uma pedreira apresente, é o seu estado 
de fraturação que lhe define o valor (Fig. 12).
Na parte mais profunda esta pedreira atinge os 150 metros. De qualquer modo as sondagens aqui realizadas confirmaram a existência 
de mármore até aos 430 metros. A exploração para além dos 150 metros requer uma reformulação completa nos paradigmas até 
agora aplicados uma vez que, considerando os riscos envolvidos e as áreas de exploração à superfície, é impossível avançar em 
poço, além de que, por esta via, a exploração se tornaria demasiado onerosa e desde logo, economicamente inviável. Em primeiro 
plano observa-se uma descontinuidade ondulada, muito provavelmente, correspondente ao bandado sedimentar original.
FIGURA 12
Pedreira da empresa F. J. Cochicho & Filho Lda., 
na terminação periclinal SE do Anticlinal de Estremoz
75
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 13
Pormenor da figura 12
O diferente comportamento mecânico à deformação entre as bancadas acima e abaixo desta descontinuidade é tal que a superior 
apresenta um comportamento essencialmente frágil impedindo a obtenção de qualquer bloco; atente-se na densidade de fraturas 
subverticais que terminam de encontro à descontinuidade. Já as bancadas abaixo desta descontinuidade apresentam comportamento 
dúctil permitindo o dimensionamento da massa em blocos comerciáveis. Para as mesmas condições de deformação, ainda que 
muito ténues, as diferenças composicionais, como é o caso, com um pouco de Mg a mais na rede cristalina da calcite confere à 
rocha uma maior resistência mecânica e a rocha resiste à deformação até ao ponto de rutura onde acaba por fraturar ao passo 
que os mármores sem Mg acomodam a deformação por ativação dos planos cristalográficos da calcite, originam uma anisotropia 
planar materializada pela orientação preferencial dos cristais de calcite e, consequentemente, acabam por fluir. Esta fluência é 
acentuada se houver níveis de filossilicatos intercalados nos níveis carbonatados. 
A libertação de tensões acumuladas pode ser um cons-
trangimento muito importante nas fases iniciais de aber-
tura de uma pedreira. Mesmo à superfície o “mármore 
canta”, como referem os trabalhadores. É impressionante 
a fraturação induzida nos “cabeços” (carso superficial) 
pelo corte com fio diamantado. O caso é ainda mais grave 
se o mármore for homogéneo. Efetivamente, não havendo 
direções de anisotropia estrutural bem definidas, as 
fraturas induzidas pela descompressão propagam-se 
aleatoriamente fragmentando todo o maciço impedindo 
assim a obtenção de blocos comerciáveis. Para obstar esta 
situação aplicam-se várias estratégias, i.e. cortes múltiplos 
simultâneos, corte a velocidades reduzidas, fragmentação 
de uma parte do maciço com pólvora negra, etc., todas 
com resultados pouco satisfatórios.
Por fim a erosão causada pelos agentes meteóricos é 
responsável pelo encaixe das linhas de água e génese do 
modelado atual do relevo que é, em primeira instância, 
condicionado pelas diferentes litologias: zonas mais bai-
xas no Pré-Câmbrico; planalto central correspondente à 
Formação Dolomítica; patamar intermédio correspon-
dente ao CVSCE e zonas mais baixas correspondentes 
aos xistos envolventes ao anticlinal.
76
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
4. PONTO DA SITUAÇÃO
A valorização do território passa pelo equilíbrio da 
exploração e usufruto dos seus recursos endógenos sem 
comprometer a sustentabilidade de gerações futuras. 
Se os recursos se esgotarem e não se preconizarem 
alternativas aliciantes, os mais novos partem em busca 
de desafios e oportunidades que lhes são negadas onde 
nasceram. É neste ponto de viragem que se encontram 
os concelhos do Anticlinal de Estremoz. Numa análise 
que escapa ao presente trabalho, diremos apenas que nos 
últimos anos a população tem vindo sempre a decrescer 
e a curto prazo não haverá trabalhadores locais para 
assegurar o trabalho nas pedreiras.
A par de toda a indústria extrativa e transformadora, o 
sector das Rochas Ornamentais tem evoluído imenso. 
Hoje, este é um setor altamente mecanizado onde o 
esforço dos trabalhadores foi muitíssimo reduzido e, não 
deixando de ser um trabalho duro que depende muito 
das condições climáticas, não tem comparação possível 
com o passado. De qualquer modo, esta mensagem de 
inovação e avanço tecnológico, também potenciado por 
empresas nacionais, não tem passado para os jovens e 
o setor continua a ter uma imagem de trabalho árduo e 
mal pago que, na maior parte dos casos, não corresponde 
à realidade.
Como já se referiu, há um conhecimento geológico 
muito completo dos principais centros de exploração 
no Anticlinal de Estremoz, conhecidos por UNORs 
(Unidades de Ordenamento do Território: Estremoz; 
Borba; Vigária; Lagoa e Pardais. PROZOM, 2002; Vintém 
et al., 2003; Falé et al., 2006; Carvalho et al., 2008). Assim, 
integrando esta informação em termos litológicos, estado 
de fraturação, variedades de mármore e comportamento 
geomecânico expectável do maciço, com varáveis 
regionais que definem o correto uso do território, 
considerando o potencial de modelação numérica 
atualmente possível pelo cálculo computacional, será 
possível a curto prazo, elaborar modelos precisos da 
jazida marmórea em profundidade e assim propor 
planos de exploração otimizados e conservadores tendo 
em vista a exploração sustentável do mármore (Fig. 14). 
É claro que para ser implementado, tal plano terá de 
assegurar à partida o compromisso e cumplicidade das 
empresas e municípios, afinal de contas as partes mais 
interessadas no negócio.
77
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 14 
Ortofotomapa e modelo 3D do núcleo de pedreiras de mármore de Pardais
As pedreiras representadas pertencem às empresas F. J. Cochicho & Filho Lda.; Cochicho, Lda. 
e Mármores Galrão Lda., realizado com recurso a levantamento com drone e processamento das 
imagens obtidas com recurso ao software Pix4D Mapper (https://www.pix4d.com).
O resultado, que é muito mais impressionante que a imagem estática demonstra, é alcançado com 
um voo de 20 minutos onde se obtêm cerca de 200 fotografias que são posteriormente processadas 
durante cerca de três horas, É claro que o tempo de processamento depende do computador, 
estes valores são para um modesto Pentium i7 com 8Gb de memória RAM. Agradecimentos às 
empresas pela utilização da imagem e a Maxim Bogdanowitsch pela cedência das imagens para 
processamento.
O modelo assim criadopode ainda ser melhorado com 
recurso a um sistema de aquisição de imagem LIDAR 
aumentando a definição do modelo e completando o 
mesmo com a integração de imagens inacessíveis ao 
drone. Na figura 15 vemos precisamente um exemplo 
da integração das imagens obtidas pelos dois métodos 
https://www.pix4d.com
78
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
permitindo, no caso, a visualização tridimensional 
nas galerias subterrâneas. O grau de rigor e detalhe 
destes modelos permitem analisar as características 
geométricas de descontinuidades que, devido ao 
avanço da lavra, seriam fisicamente muito difíceis de 
alcançar, ajudando a determinar potenciais situações de 
instabilidade. Por outro lado, são também ferramentas de 
apoio à exploração que de modo muito rápido e intuitivo, 
permitem fazer cálculos de reservas e definição das 
orientações preferenciais para o avanço de novos pisos.
As potencialidades desta tecnologia são impressionantes e 
já estão a ser implementadas no terreno pela Universidade 
de Évora no âmbito do Projeto INOVSTONE 4.0.
FIGURA 15
Ortofotomapa e modelo 3D da pedreira D’El Rei
A pedreira pertence à empresa Ezequiel Francisco Alves, Lda. O modelo foi realizado com recurso a imagens obtidas por drone e levantamento 
fotogramétrico por LIDAR nas zonas inacessíveis ao drone. O processamento das imagens para a elaboração do modelo fez-se com recurso ao 
software ContextCapture da Bentley (http://www.bentley.com/). Agradecimento à empresa pela autorização de utilização da informação e a Ricardo 
Gaio pelo processamento e cedência do modelo 3D.
Os modelos 3D assim gerados revelam ainda a baixa 
ef iciência deste método de exploração em poço, 
principalmente nestas cavidades mais profundas, onde 
grande parte da massa mineral fica por explorar. 
Havendo possibilidade, é sempre preferível ampliar as 
áreas de exploração. Um exemplo, pela positiva, está a 
ser implementado pela empresa Solubema — Sociedade 
Luso-Belga de Mármores, SA na Herdade da Vigária, 
Vila Viçosa (Fig. 16).
Noutra vertente completamente distinta, podemos 
afirmar que o potencial Geoturístico é virtualmente 
inesgotável sendo que o Anticlinal de Estremoz contem 
em si todas as valências (Geodiversidade, Biodiversi-
dade, Turística, Gastronómica, Enológica, Cultural e 
Patrimonial) para se constituir como o “Geoparque da 
Zona dos Mármores”. 
http://www.bentley.com/
79
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 16
Sobreposição da estrutura geológica esquematizada sobre vista panorâmica para SE, 
a partir do VG Mouro, do flanco SW do Anticlinal de Estremoz
A Geodiversidade está assegurada em consequência 
da atividade mineira nos mármores, onde a sequência 
litoestratigráfica se encontra bem representada e 
acessível à observação direta o que desde logo constitui 
caso ímpar na geologia nacional (Falé et al., 2008; 
2009; Lopes & Martins, 2010; Lopes et al., 2013). Nela 
se podem identificar e caracterizar in situ as unidades 
geológicas mais antigas de idade pré-câmbrica; 
a transição Pré-Câmbrico – Câmbrico; o Câmbrico 
inferior dolomítico; o Complexo Vulcano-Sedimentar 
Carbonatado (onde se incluem os mármores ornamentais), 
de idade câmbrica provável, e, no topo da sequência, as 
rochas de idade silúrica e devónicas mais recentes e 
com conteúdo fossilífero que permitiu a sua datação 
(Lopes, 2003; Piçarra, 2000). Alguns af loramentos 
estão reconhecidos no inventário de sítios de relevância 
nacional classificados como Património Geológico 
Nacional, na categoria temática “Mármores Paleozoicos 
da Zona de Ossa-Morena”, que reúne os principais 
geossítios em Portugal com elevado valor científico e 
que representam a geodiversidade nacional (Brilha 
et al., 2010; 2012), permitindo compreender a história e 
a evolução geológica do nosso território. Nomeadamente 
a transição do Pré-Câmbrico ao Câmbrico, no Parque 
Industrial de Vila Viçosa e os padrões de dobras 
redobradas à escala da pedreira, na zona da Lagoa, 
entre outros, são apenas alguns dos inúmeros exemplos 
de ocorrências da geodiversidade com evidente valor 
No primeiro plano observam-se as pedreiras da Herdade da Vigária e no horizonte situam-se as pedreiras da Lagoa. Na imagem 
está representada, sem dúvida, a região mais produtiva e promissora do anticlinal. Embora haja pedreiras profundas, só num caso 
a profundidade é superior a 100 metros. No entanto, as sondagens profundas indicam a existência de mármore para além dos 
300 metros. O desenvolvimento em área e integração das várias pedreiras numa única cavidade, além de imperativo, pode ser a 
solução mais adequada, pelo menos a médio prazo.
excecional que poderíamos referir (Lopes & Martins, 
2010).
As pedreiras abandonadas (e as ativas também…) 
constituem excelentes locais onde a fauna e flora tem 
oportunidade de se desenvolver praticamente sem 
qualquer tipo pressão humana. Estudo realizado por 
Germano (2013), demonstrou que, no que concerne 
à avifauna nas pedreiras abandonadas, não só que o 
número de espécies é maior mas também que e o número 
de efetivos por espécie é superior ao que se encontra 
regionalmente (Germano et al., 2014).
Uma avaliação muito conservadora da matéria-prima 
existente no anticlinal (Lopes & Martins, 2015), permite 
estimar que mesmo aos índices de produção anuais 
mais altos já atingidos, haverá mármore de qualidade 
suficiente para mais 550 anos de lavra ininterrupta. 
Para que tal aconteça e como se depreende do presente 
texto, muito haverá a mudar, tanto nos métodos de 
exploração, visando a otimização da lavra e mitigação 
de riscos associados à mesma, como no próprio modelo 
de negócio e organização das empresas. 
Em conclusão, um conjunto de fatores geológicos 
convergiram para que neste território pudessem ocorrer 
mármores em abundância, diversificados e de excecional 
qualidade pelo que, hoje, o Anticlinal de Estremoz e 
particularmente o município de Vila Viçosa é uma das 
mais importantes regiões mundiais para a extração desta 
distinta matéria-prima. 
80
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. A., VINTÉM, C., LUÍS, A. G., LOPES M. (2003) 
– Modelação Estocástica da Compartimentação dos Mármores na 
Unidade de Borba. Imprensa da Universidade - A geologia de 
Engenharia e os Recursos Geológicos, Vol. II, pp. 309 - 321. 
http://hdl.handle.net/10316.2/39229
APALATEGUI, O., CARRACEDO, M., EGUILUZ, L., IBARGUCHI, J., 
TORRES MARTÍNEZ, L., PALACIOS, T., SARRIONANDIA, F. (2007) 
– El Nuevo Mapa Geológico de la Provincia de Badajoz. En Patrimonio 
Geológico de Extremadura, Geodiversidad y lugares de interés 
Geológico (P. Muñoz y E. Martínez, coord), Junta de Extremadura, 
Consejería de Agricultura y Medio Ambiente, 68-69 pp. 
APALATEGUI, O., EGUILUZ, L., & QUESADA, C. (1990) – The 
structure of the Ossa - Morena Zone. In: R. D. Dallmayer, E. Martinez 
(eds.): Pre-Mesozoic Geology of Iberia. Dallmeyer & Martinez-Garcia 
(eds.) Springer-Verlag, pp. 280-291.
ARAÚJO, A., PIÇARRA, J., BORREGO, J., PEDRO, J., OLIVEIRA, 
J.T. (2013) – As regiões central e sul da Zona de Ossa-Morena. In: Dias, 
R., Araújo, A., Terrinha, P., Kullberg, J.C. (Ed.) Geologia de Portugal 
(Vol. I). Escolar Editora. Lisboa. pp. 509-549.
BRILHA J., ANDRADE C., AZERÊDO A., BARRIGA F.J.A.S., 
CACHÃO, M., COUTO H., CUNHA P.P., CRISPIM J.A., DANTAS P., 
DUARTE L.V., FREITAS M.C., GRANJA M.H., HENRIQUES M.H., 
HENRIQUES P., LOPES L., MADEIRA J., MATOS J.M.X., NORONHA 
F., PAIS J., PIÇARRA J., RAMALHO M.M., RELVAS J.M.R.S., RIBEIRO 
A., SANTOS A., SANTOS V., TERRINHA, P. (2005) – Definition of 
the Portuguese frameworks with international relevance as an input for the 
European geological heritage characterization. Episodes. Vol. 28, No 3, 
177-186. 
BRILHA, J., PEREIRA P., eds. (2012) – Património geológico: geossítios 
a visitar em Portugal. ed. 2, ISBN: 978-972-0-32008-7. Porto: Porto 
Editora. Livro bilingue Português /Inglês.BRITO DA LUZ, L. M. N. B. (2005) – Análise Crítica ao Modelo de 
Desenvolvimento do Sector das Pedras Naturais: O Caso dos Mármores no 
Triângulo de Estremoz – Borba - Vila Viçosa, 1980 – 2003; Tese de 
Mestrado em Economia e Estudos Europeus; Universidade Técnica de 
Lisboa, Instituto Superior de Economia e Gestão, pp. 290.
CABRAL, J. M. P.; MACIEL, M. J.; LOPES, L.; LOPES, J.M.C.; 
MARQUES, A. P. V.; MUSTRA, C. O.; FREITAS, M. C. & CARREIRA, 
P. M. (2001) – Petrographic and isotopic characterization of marble from the 
Estremoz Anticline: its application in identifying the sources of Roman works 
of art. Journal of Iberian Archaeology, (3), 121-128. Porto: ADECAP.
CABRAL, J.M.P., MUSTRA, C.O., HAUSCHILD, T. (2004) – A 
proveniência do mármore dos capitéis do Templo Romano de Évora. 
Conimbriga, 43, pp. 171-177. DOI: 10.14195/1647-8657_43_7.
CARNEIRO, A. (2019) – A exploração romana de mármore no anticlinal 
de Estremoz: extração, consumo e organização. In: Serrão, V.; Soares, 
C.; Carneiro, A. (Eds.), Mármore: 2000 Anos de História. Vol. I Da 
Antiguidade à Idade Moderna, pp. 55 – 120. Theya Editores. Lisboa. 
ISBN 978-989-99164-3-2.
CARVALHO, J. M. F.; HENRIQUES, P.; FALÉ, P. & LUÍS, G. (2008) – 
Decision criteria for the exploration of ornamental stone deposits: Application 
to the marbles of the Portuguese Estremoz Anticline. International Journal 
of Rock Mechanics & Mining Sciences, 45, 1306–1319.
CARVALHO, J., LISBOA, J., CASAL MOURA, A., CARVALHO, C., 
SOUSA, L.& MACHADO LEITE, M. (2013) – Evaluation of the portuguese 
ornamental stone resources. In: Rosa, L., Silva, Z.& Lopes, L. (eds) Key 
Engineering Materials. Trans Tech Publications, Switzerland, 548, 3 – 9, 
http://dx.doi.org/10.4028/www.scientific.net/KEM.548.3.
CASAL MOURA, A., CARVALHO, C., ALMEIDA, I., SAÚDE, J. 
G., FARINHA RAMOS, J., AUGUSTO, J., RODRIGUES, J. D., 
CARVALHO, J., MARTINS, L., MATOS, M. J., MACHADO, M., 
SOBREIRO, M. J., PERES, M., MARTINS, N., BONITO, N., 
HENRIQUES, P., SOBREIRO, S. (2007) – Mármores e Calcários 
Ornamentais de Portugal. INETI (National Institute of Engineering, 
Technology and Innovation), ISBN 978-972-676-204-1. 383 p.
CHICHORRO, M., PEREIRA, M.F., DÍAZ-AZPIROZ, M., WILLIAMS, 
I.S., FERNÁNDEZ, C., PIN, C., SILVA, J.B., (2008) – Cambrian ensialic 
rift-related magmatism in the Ossa-Morena Zone (Évora-Aracena metamorphic 
belt, SW Iberian Massif): Sm–Nd isotopes and SHRIMP zircon U–Th–Pb 
geochronology. Tectonophysics 461, 91–113.
DELGADO, N. & CHOFFAT, P. (1899) – Carta Geológica de Portugal à 
escala 1:500.000. SGP
DIAS, R., RIBEIRO, A., ROMÃO, J., COKE, C., MOREIRA, N. (2016) 
– A review of the Arcuate Structures in the Iberian Variscides; Constraints and 
Genetic Models. Tectonophysics. 681C, pp. 170-194. DOI: 10.1016/j.
tecto.2016.04.011
SÁNCHEZ-GARCÍA, T., BELLIDO, F., PEREIRA, M.F., CHICHORRO, 
M., QUESADA, C., PIN, C., SILVA, J.B. (2010) – Rift-related volcanism 
predating the birth of the Rheic Ocean (Ossa-Morena zone, SW Iberia). 
Gondwana Research, 17, 392-407. DOI: 10.1016/j.gr.2009.10.005
COSTA, P. F., VINTÉM, C., MOREIRA, J., DINIS da GAMA, C., SOUSA, 
J., & LOPES, L. (2001) – Estudo da Viabilidade Técnica da Exploração 
Subterrânea de Mármores no Anticlinal de Estremoz. Congresso Interna- 
cional da Pedra Natural, Ass. Ind. Portuguesa / Feira Internacional de 
Lisboa, Lisboa, 16-17 de Maio de 2001, Lisboa, pp. 11. 
FALÉ, P.; LOPES, L.; MARTINS, R.; HENRIQUES, P.; CARVALHO, 
J.; VIEGAS, J.; CABAÇO, J. (2009) – A Rota do Mármore no Anticlinal 
de Estremoz (Portugal), pp. 123 – 133, in Paúl Carron M. Ed., Rutas 
Minerales en el Proyecto RUMYS, p. 135, Guayaquil – Equador. ISBN 
978-9942-02-240-0. CYTED. 
FALÉ, P.; LOPES, L.; MARTINS, R.; HENRIQUES, P.; CARVALHO, 
J.; VIEGAS, J.; CABAÇO, J. (2008) – A Rota do Mármore no Anticlinal 
de Estremoz (Portugal), in Paúl Carron M. Ed., Rutas Minerales de 
Iberoamérica, p. 242, ISBN 978-9942-01-654. RUMYS, Rutas Minerales 
y Sostenibilidad, CYTED - Programa Iberoamericano de Ciencia y 
Tecnologia para el Desarrollo. Guayaquill, Equador; pp. 169 – 177. 
FALÉ, P., HENRIQUES, P., MIDÕES, C., CARVALHO, J. (2006) 
– Proposta para o reordenamento da indústria extractiva no Anticlinal de 
Estremoz: Núcleo de Pardais. Actas do VII Congresso Nacional de Geologia 
29 de Junho a 13 de Julho de 2006.
FILIPE, C. (2019) – Os mármores do Alentejo no século XVIII, entre a procura 
e a oferta. In: Serrão, V.; Soares, C.; Carneiro, A. (Eds.), Mármore: 2000 
Anos de História. Vol. I Da Antiguidade à Idade Moderna, pp. 237 – 
293. Theya Editores. Lisboa. ISBN 978-989-99164-3-2.
http://dx.doi.org/10.4028/www.scientific.net/KEM.548.3
81
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FUSCO, A., MAÑAS, I. (2006) – Mármoles de Lusitania [Catalogo de 
Exposicion]. Museo Nacional de Arte Romano, Mérida, 49 p.
GAMA, D.; COUTO, R.; COSTA e SILVA, M.; BERNARDO, P.; 
BASTOS, M.; GUERREIRO, H.; NEVES, A.P.; PEREIRA, A.; PEREIRA, 
H. & HORTA, J. (2000) – Projecto de execução para a exploração subterrânea 
de mármores na região de pardais, Relatório Interno, I.G.M., Lisboa.
GERMANO, D. L. C. (2013) – Análise da evolução da recuperação ecológica 
em pedreiras de mármore inativas no anticlinal de Estremoz: Avifauna, Flora 
e Vegetação. Tese de Mestrado em Qualidade e Gestão do Ambiente 
(especialidade em Ecologia e Gestão Ambiental). Universidade de 
Évora, Évora. 169 p.
GERMANO, D., LOPES, L.,PINTO GOMES, C., SANTOS, A. P., 
MARTINS, R.(2014) – O impacte das pedreiras inactivas na fauna, flora e 
vegetação da zona dos mármores: problema ou benefício? Callipole – Revista 
de Cultura n.º 21, pp. 161-183, Vila Viçosa.
GOMES da SILVA, C. M. (1989) – Mármores da região de Estremoz – 
Borba – Vila Viçosa: caracterização mineralógica, petrográfica, geoquímica 
e geomecânica. Contribuição para o conhecimento da sua alterabilidade e 
blocometria. Tese de Doutoramento, Universidade Técnica de Lisboa 
(Instituto Superior Técnico), 136 p.
GONÇALVES, F., LOPES, L. (1992) – Aspectos das potencialidades das 
rochas ornamentais do Alentejo, tema apresentado nas Jornadas Técnicas 
sobre a Indústria Extractiva e transformadora de Rochas Ornamentais 
do Alentejo, "A Pedra", Nº43, pp. 7-17.
GONÇALVES, F., OLIVEIRA, V. (1986) – Alguns aspectos do Precâmbrico da 
Zona de Ossa Morena em Portugal. O Proterozóico superior de Estremoz. Mem. 
Acad. Ciênc. Lisboa, Classe de Ciências, Tomo XXVII, pp. 111- 117.
GONÇALVES, F. (1970) – Contribuição para o conhecimento geológico dos 
mármores de Estremoz. Est. Notas e Trabalhos do SFM. Porto. 20:1-2, 
pp. 201-209.
GONÇALVES, F. (1972) – Observações sobre o anticlinório de Estremoz. 
Alguns aspectos geológico-económicos dos mármores, Est. Not..Trab. 
Serv. Fom. Min., Porto, Vol. 22, Fasc. 1-2, pp. 121-132 (Matérias-primas 
minerais não metálicas, nº 17).
GONÇALVES, F. CARVALHOSA, A. (1994) – O Proterozóico da Zona 
de Ossa Morena no Alentejo. Síntese e actualização de conhecimentos. Mem. 
Acad. Ciénc. Lisboa, Classe de Ciências, t. 34. 35 p.
GONÇALVES, F., COELHO, A.V.P. (1974) – Carta geológica de Portugal 
na esc. 1/50 000 Notícia explicativa da folha 36-B, (Estremoz) - S.G.P. 
Lisboa. 64 p.
HENRIQUES, P., CARVALHO, J., FALÉ, P., LUÍS, G. (2006) – Estudos 
geológicos aplicados à indústria extractiva de mármores no Anticlinal de 
Estremoz: o caso do Núcleo de Pardais. In: Comunicações Geológicas, 
Tomo 93 (2006), p. 159-184
LADEIRA, F. (1977) – Mármores. "Bol. Minas", 14 (4), Lisboa.
LAPUENTE, P. NOGALES-BASARRATE, T. ROYO, H., BRILLI, M. 
(2014) – White marble sculptures from the National Museum of Roman Art 
(Mérida, Spain): sources of local and imported marbles. Eur. J. Mineral. 26, 
pp. 333-354. DOI: 10.1127/0935-1221/2014/0026-2369
LNEG (2010) – Mapa Geológico de Portugal, 1:1 000 000, 3ª edição, 
LNEG, Lisboa. 
LOPES, L., MARTINS, R. (2018) – Reconhecimento do Mármore de Estremoz 
como Pedra Património Mundial. Callipole– Revista de Cultura n.º 25 – 
2018, pp. 291 – 308. Vila Viçosa.
LOPES, J. L. G. (2003) – Contribuição para o conhecimento Tectono – 
Estratigráfico do Nordeste Alentejano, transversal Terena – Elvas. Implicações 
económicas no aproveitamento de rochas ornamentais existentes na região 
(Mármores e Granitos). Departamento Geociências – Universidade de 
Évora, 568 p. Évora: Unpublished Thesis.
LOPES, J.L. (2007) – O triângulo do mármore: estudo geológico. 
Monumentos. 27, pp. 6-15.
LOPES, J .L. , CARRILHO LOPES, J .C. , CABRAL, J .P. , 
SARANTOPOULOS, P. (2000) – Caracterização Petrográfica dos 
Monumentos Romanos de Évora. Revista “Cidade de Évora”, II Série, 
Nº4. 129-142.
LOPES, L., MARTINS, R. (2015) – Global Heritage Stone: Estremoz 
Marbles, Portugal. In: Pereira, D., Marker, B. R., Kramar, S., Cooper, B. 
J. & Schouenborg, B. E. (eds) 2015. Global Heritage Stone: Towards 
International Recognition of Building and Ornamental Stones. 
Geological Society of London, Special Publications. 407, pp. 57-74. 
DOI: 10.1144/SP407.10
LOPES, L., MARTINS, R. (2010) – Aspectos da geologia e exploração de 
mármores em Vila Viçosa: Património geológico e mineiro a preservar. Câmara 
Municipal de Vila Viçosa Callipole, 18, 255 – 275, ISSN: 08725225.
LOPES, L., SILVA, J. (2005) – Controle estrutural e constrangimentos 
geológicos na exploração de mármores no anticlinal de Estremoz – Alentejo 
– Portugal; ICIRO – I Congresso de Rochas Ornamentais do Brasil; 
Organização Centro de Tecnologia Mineral – CETEM/MCT & Centro 
Tecnológico do Mármore e Granito – CETEMAG, 20 – 23 de Fevereiro 
de 2005, Guarapari, Brasil; Edição em CD-ROM. ISBN: 85-7227-225.
LOPES, L., GONÇALVES, F. (1997) – Potencial Económico das Jazidas 
de Rochas Ornamentais na Zona de Ossa-Morena, In: Araújo, A., Pereira, 
M.F. (Eds), Estudos sobre a Geologia da Zona de Ossa-Morena – Livro 
de Homenagem ao Professor Francisco Gonçalves, Évora, pp. 263-282.
LOPES, L., MARTINS, R., FALÉ, P., PASSOS, J., BILOU, F., BRANCO, 
M. & PEREIRA, M.F. (2013) – Development of a Tourist Route around the 
Mining Heritage of the Estremoz Anticline. In: Rosa, L., Silva, Z. & Lopes, 
L. (eds) Proceedings of the Global Stone Congress, Key Engineering 
Materials. (2013) Trans Tech Publications, Switzerland, 548, 348 – 362, 
https://www.scientific.net/KEM.548.348.
LOPES, L., PERES, M., GOULÃO, M. (2017) – O Cluster dos Recursos 
Minerais de Portugal: Estratégia Colectiva de Reconhecimento Sectorial 
e Desenvolvimento Sustentável. Proceedings CLME2017/VCEM. 8º 
Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia / V Congresso de 
Engenharia de Moçambique, Maputo, 4-8 Setembro 2017; Ed: J.F. Silva 
Gomes et al.; Publ: INEGI/FEUP (2017). Desafios e oportunidades para 
a engenharia na cooperação para o desenvolvimento. LusoImpress S.A. 
Portugal. ISBN: 978-989-98832-0-9, pp 547 – 548. https://paginas.
fe.up.pt/clme/2017/Proceedings/data/papers/6854.pdf.
MACIEL, M. J. (1998) – Arte Romana e pedreiras de mármore na Lusitânia: 
Novos caminhos de investigação. In: Revista da Faculdade de Ciências 
Sociais e Humanas. Edições Colibri, Lisboa, 1, 233 – 245.
https://www.scientific.net/KEM.548.348
https://paginas.fe.up.pt/clme/2017/Proceedings/data/papers/6854.pdf
https://paginas.fe.up.pt/clme/2017/Proceedings/data/papers/6854.pdf
82
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
MATOS, A., QUINTAS, A. (2019) – A afirmação do mármore alentejano 
em contexto nacional e internacional do século XVIII a 1945. In: Serrão, V.; 
Soares, C.; Carneiro, A. (Eds.), Mármore: 2000 Anos de História. Vol. 
II A Evolução Industrial, os seus Agentes Económicos e a Aplicação na 
Época Contemporânea, pp. 13 – 120. Theya Editores. Lisboa. ISBN 
978-989-99164-4-9 
MENNINGEN, J., SIEGESMUND, S., LOPES, L., MARTINS, R., 
SOUSA, L. (2018) – The Estremoz marbles: an updated summary on the 
geological, mineralogical and rock physical characteristics. Environmental 
Earth Sciences, 77:191. DOI: 10.1007/s12665-018-7328-3.
MORBIDELLI, P., TUCCI, P., IMPERATORI, C., POLVORINOS, A., 
PREITE MARTINEZ, M., AZZARO, E., HERNANDEZ, M. J. (2007) – 
Roman quarries of the Iberian peninsula: “Anasol” and “Anasol”-type. Eur J 
Mineral. 19, pp. 125-135. DOI: 10.1127/0935-1221/2007/0019-0125
MOREIRA, J., VINTÉM, C. (Coord) (1997) – Carta Geológica do Anticlinal 
de Estremoz, escala 1:25.000. Dept. Prospecção de Rochas e Minerais 
Não Metálicos, Instituto Geológico e Mineiro, Lisboa.
MOREIRA, N. (2017) – Evolução Geodinâmica dos sectores setentrionais da 
Zona de Ossa-Morena no contexto do Varisco Ibérico. Tese de Doutoramento 
(não publicada). Universidade de Évora. 433p.
MOREIRA, N., LOPES, L. (2019) – Caracterização dos Mármores de 
Estremoz no contexto dos Mármores da Antiguidade Clássica da Zona de Ossa- 
-Morena. In: Serrão, V.; Soares, C.; Carneiro, A. (Eds.), Mármore: 2000 
Anos de História. Vol. I Da Antiguidade à Idade Moderna, pp. 13 – 54. 
Theya Editores. Lisboa. ISBN 978-989-99164-3-2 
MOREIRA, N., PEDRO, J., SANTOS, J.F., ARAÚJO, A., ROMÃO, J., 
DIAS, R., RIBEIRO, A., RIBEIRO, S., MIRÃO, J. (2016) – 87Sr/86Sr 
ratios discrimination applied to the main Paleozoic carbonate sedimentation 
in Ossa-Morena Zone. In: IX Congreso Geológico de España (volume 
especial). Geo-Temas. 16:1, pp. 161-164. ISSN 1576-5172.
MOURINHA, N., MOREIRA, N. (2019). Património edificado no 
triângulo do mármore; evidências para a utilização contínua do mármore de 
Estremoz desde Época Medieval à Idade Contemporânea. In: Arqueologia 
3.0 – II. Comunicação, Divulgação e Socialização da Arqueologia. 
[s.l.]: Fundação da Casa de Bragança, pp 172 – 206. ISBN: 978-972-
9195-53-2
OLIVEIRA, V. M. (1984) – Contribuição para o conhecimento geológico - 
mineiro da região de Alandroal - Juromenha (Alto Alentejo) Est. Not. Trab., 
Serv. Fom. Mineiro XXVI (1-4): pp. 103-126.984; 
OLIVEIRA, J.T., OLIVEIRA, V., PIÇARRA, J.M. (1991) – Traços gerais 
da evolução tectono-estratigráfica da Zona de Ossa Morena, em Portugal: 
síntese crítica do estado actual dos conhecimentos. Comun. Serv. Geol. Port. 
77, pp. 3-26.
ORIGLIA, F., GLIOZZO, E., MECCHERI, M., SPANGENBERG, J.E., 
TURBANTI MEMMI, I., PAPI, E. (2011) – Mineralogical, petrographic and 
geochemical characterisation of white and coloured Iberian marbles in the context 
of the provenancing of some artefacts from Thamusida (Kenitra, Morocco). Eur. 
J. Mineral. 23, pp. 857-869. DOI: 10.1127/0935-1221/2011/0023-2145
PEREIRA, M. F.; SOLÁ, R.; CHICHORRO, M.; LOPES, L.; GERDES, 
A.; SILVA, J. B. (2012) – North-Gondwana assembly, break-up and 
paleogeography: U–Pb isotope evidence from detrital and igneous zircons of 
Ediacaran and Cambrian rocks of SW Iberia, Gondwana Research 22, pp. 
866 – 881. http://dx.doi.org/10.1016/j.gr.2012.02.010.
PEREIRA, V. (1981) – Mármore de Estremoz - Vila Viçosa. Contribuição para 
o seu conhecimento. A Pedra. n° 4, pp. 25-33, Lisboa.
PIÇARRA, J.M. (2000) – Estudo estratigráfico do sector de Estremoz-
Barrancos, Zona de Ossa Morena, Portugal. Vol. I – Litoestratigrafia do 
intervalo Câmbrico médio?-Devónico inferior, Vol. II - Bioestratigrafia 
do intervalo Ordovícico-Devónico inferior. Tese de Doutoramento (não 
publicada). Universidade de Évora.
PIÇARRA, J.M., LE MENN, J. (1994) – Ocorrência de crinóides em 
mármores do Complexo Vulcano-Sedimentar Carbonatado de Estremoz: 
implicações estratigráficas. Comunicações do Instituto Geológico e 
Mineiro. 80, pp. 15-25
PIÇARRA, J.M., SARMIENTO, G. (2006) – Problemas de posicionamento 
estratigráfico dos Calcários Paleozóicos da Zona de Ossa Morena (Portugal). 
In: Livro de actas do VII Congresso Nacional de Geologia (vol. II). 
Estremoz. pp. 657-660.
PROZOM – Plano Regional de Ordenamento do Território da Zona dos 
Mármores. Diário da República 2002; I Série – B (106): 4318–38.
RATTE, C. A., OGDEN, D. G. (1989) – Marble, Granite and Slate 
Industries of Vermont. Isle LaMotte to Graniteville, Vermont. July 20-
22, 1989. Field Trip Guidebook T362.American Geophysical Union. 
ISBN: 0-87590-639-7. 25 pp.
REYNAUD, R., VINTÉM, C. (1992) – "Estudo da Jazida de Calcários 
Cristalinos de Estremoz – Borba – Vila Viçosa - Sectores Lagoa – Vigária e 
Borba". Estudos Notas e Trabalhos, D.G.G.M., t 34, p. 3-84. Ed. Lab. 
Ser. Fom. Min., Porto.
REYNAUD, R., VINTÉM, C. (1994) – Estudo da jazida de calcários 
cristalinos de Estremoz – Borba – Vila Viçosa (Sectores de Lagoa-Vigária e 
Borba): Boletim de Minas, (131) 4: 355-473. Lisboa: Serviços Geológicos 
de Portugal.
RIBEIRO, A., ANTUNES, M. T., FERREIRA, M. P., ROCHA, R. B., 
SOARES, A. F., ZBYSZEWSKI, G., MOITINHO DE ALMEIDA, F., 
CARVALHO, D., MONTEIRO, J. H. (1979) – Introduction à la géologie 
générale du Portugal. Serviços Geológicos de Portugal. 114p.
RIBEIRO, A., MUNHÁ, J., DIAS, R., MATEUS, A., PEREIRA, E., 
RIBEIRO, L., FONSECA, P., ARAÚJO, A., OLIVEIRA, T., ROMÃO, 
J., CHAMINÉ, H., COKE, C., PEDRO, J. (2007) – Geodynamic 
evolution of SW Europe Variscides. Tectonics. 26, TC6009. DOI: 
10.1029/2006TC002058
SÁNCHEZ-GARCÍA, T., QUESADA, C., BELLIDO, F., DUNNING, 
G.R., GONZÁLEZ Del TÁNAGO, J., (2008) – Two-step magma flooding 
of the upper crust during rifting: the Early Paleozoic of the Ossa Morena Zone 
(SW Iberia). Tectonophysics 461, 72–90.
SILVA, J. B. (1997) – Geodinâmica Ante-Mesozoica do Sector Oeste da Zona 
de Ossa Morena e regiões limítrofes: Síntese com base em recentes observações 
In: Araújo, A. & Pereira, M.F. (Eds), Estudos sobre a Geologia da Zona de 
Ossa Morena (Maciço Ibérico). Livro de Homenagem ao Prof. Francisco 
Gonçalves. Universidade de Évora, 1997, pp. 231-262.
SILVA, J. M., CAMARINHAS, M. V. F. (1957) – Calcários cristalinos de 
Vila Viçosa – Souzel. Estudos, Notas e Trabalhos do Serviço de Fomento 
Mineiro, XII, 66 – 139.
SILVA, J. M., CAMARINHAS, M. V. F. (1960) – Calcários cristalinos de Vila 
Viçosa- Sousel. "Estudos, Notas e Trabalhos do S. F. M. ", XIV (1-2), Porto.
83
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
TAELMAN, D., ELBURG, M., SMET, I., DE PAEPE, P., LOPES, L., 
VANHAECKE, F., VERMEULEN, F. (2013) – Roman Marble from 
Lusitania: Petrographic and Geochemical Characterization, Journal of 
Archaeological Science, ISSN 0305-4403, http://dx.doi.org/10.1016/j.
jas.2012.12.030. 
TUCCI, P., MARRESE, G., POLVORINOS, A., AZZARO, E. (2010) – 
Italica (Seville, Spain): use of local marble in Augustan age. Period. Mineral. 
Special Issue, 113-129. DOI: 10.2451/2010PM0025
VAN DIVER, BRADFORD B. (1999) – Roadside Geology of Vermont and 
New Hampshire. Mountain Press Publishing Company. 6ed. 230 pp.
VINTÉM, C., HENRIQUES, P., FALÉ, P., LUÍS, G., MIDÕES, C., 
ANTUNES, C., CARVALHO DILI, A., CARVALHO, J., SAÚDE, J., 
BONITO, N., SOBREIRO, S. (2003) – Cartografia Temática do Anticlinal 
como Instrumento de Ordenamento do Território e Apoio à Indústria Extractiva: 
Relatório Final do Projecto. Instituto Geológico e Mineiro e Cevalor. 
http://dx.doi.org/10.1016/j.jas.2012.12.030
http://dx.doi.org/10.1016/j.jas.2012.12.030
85
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
A Rocha Ornamental Portuguesa e a Evolução na sua Caracterização
Cristina Isabel Paulo de Carvalho
Unidade de Ciência e Tecnologia Mineral— Laboratório Nacional 
de Energia e Geologia, I.P. – Rua da Amieira, Apartado 1089 – 
4466-901 S. Mamede de Infesta
E-mail: cristina.carvalho@lneg.pt
Palavras Chave: Rochas ornamentais, pedra natural, catálogo de rochas ornamentais, propriedades, métodos de 
ensaio, normas europeias, produtos em pedra natural, declaração de desempenho.
RESUMO
Neste documento, relata-se o extenso trabalho desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia e 
pelas suas instituições antecessoras, no âmbito da caracterização das rochas ornamentais portuguesas. Tendo como 
ponto de partida o primeiro “Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas”, apresentam-se as motivações que 
estiveram na origem da criação desta obra literária ímpar e das obras literárias que a sucederam, culminando-se 
no site “Rochas Ornamentais Portuguesas”. A caracterização das rochas ornamentais assenta no conhecimento das 
suas propriedades, determinadas através de ensaios. Por este motivo, dá-se particular ênfase aos métodos de ensaio 
e ao seu progressivo e gradual desenvolvimento, fruto da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. 
Termina-se, abordando as repercussões desta adesão na comercialização dos produtos em pedra natural, de modo a 
dar cumprimento à legislação europeia atualmente em vigor (Regulamento (UE) N.º 305/2011).
86
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
1. INTRODUÇÃO
Portugal é geologicamente bastante diversificado. Nele 
ocorrem maciços rochosos, de natureza variada, muitos 
dos quais com características favoráveis à sua exploração, 
para extração de blocos. Estes fatores foram determi-
nantes no estabelecimento de uma importante indús-
tria extrativa e transformadora da rocha ornamental 
portuguesa.
O conhecimento das propriedades das rochas ornamentais 
é indispensável para a sua seleção adequada, em função 
do tipo de aplicação. É, igualmente, fundamental nas 
campanhas de marketing. Em 1981, norteado por estes 
objetivos e pelo previsível estreitamento das relações 
económicas entre Portugal e os outros estados membro, 
fruto da sua iminente adesão à Comunidade Económica 
Europeia (CEE), o Laboratório da DGGM — Direção 
Geral de Geologia e Minas (atual LNEG) arrancou 
com a elaboração do primeiro “Catálogo de Rochas 
Ornamentais Portuguesas”. Trata-se de um trabalho 
único, de caracterização sistemática das principais 
rochas ornamentais exploradas em Portugal continental, 
durante todos os anos 80 e o início dos anos 90, do século 
passado. A elaboração das Fichas Técnicas, constantes 
no Catálogo, implicou proceder-se à determinação das 
principais propriedades da quase centena e meia de 
rochas ornamentais portuguesas presentes nos quatro 
volumes, que compõem esta obra literária. O ideal 
seria que esta caracterização assentasse em métodos 
já estabelecidos, em normas. Contudo, as normas 
portuguesas sobre esta matéria eram escassas. O recurso 
a normas de ensaio doutro país europeu, selecionado 
com base no seu volume de importação de rochas 
ornamentais portuguesas, foi a solução encontrada para 
colmatar esta lacuna.
Em 1986, Portugal aderiu à CEE. Em termos normativos, 
esta adesão determinou a adoção das normas europeias 
e a consequente revogação das normas nacionais.
As normas europeias relativas a rocha ornamental 
são elaboradas pela CEN/TC 246 — “Natural Stones”, 
comissão técnica tutelada pelo Comité Europeu de 
Normalização (CEN). A DGGM integrou a CEN/TC 246, 
praticamente desde a sua constituição. Grande parte 
da atividade normativa inicial, desta comissão técnica, 
centrou-se no desenvolvimento de normas de métodos 
de ensaio. A sua publicação e entrada em vigor 
conduziram ao abandono dos métodos utilizados na 
caracterização das rochas ornamentais portuguesas e à 
substituição progressiva pelos métodos estabelecidos nas 
normas europeias. A implementação destas normas, não 
acarretou apenas alterações do ponto de visto analítico. 
Acima de tudo, implicou um significativo esforço 
financeiro na renovação de variadíssimos equipamentos 
e utensílios, que cumprissem as rigorosas exigências 
das normas europeias. Este esforço foi igualmente 
acompanhado pela indústria extrativa e transformadora, 
em particular pelas empresas cujo principal destino 
dos seus produtos já era o mercado externo europeu, 
antes da adesão de Portugal à CEE. Estas empresas 
foram confrontadas com necessidade de repetir toda 
a caraterização até então efetuada às suas rochas 
ornamentais, agora de acordo com os métodos definidos 
pelas normas europeias, para que os seus produtos 
continuassem a ser bem acolhidos pelos países da CEE.
Após a elaboração de um conjunto significativo de 
normas europeias de métodos de ensaio, de terminologia 
e de critériosde classificação, a CEN/TC 246 avançou 
para o desenvolvimento de normas relativas a classes de 
produtos em pedra natural, com disposições legais no 
que se refere à sua marcação CE, cumprindo a legislação 
europeia aplicável aos produtos de construção. A entrada 
em vigor destas normas, marcou o início de uma nova e 
importante etapa na caracterização da rocha ornamental 
portuguesa. Pela primeira vez, esta passou a assumir um 
caráter obrigatório.
O LNEG e as suas instituições antecessoras (Instituto 
Nacional de Energia, Tecnologia e Inovação e Instituto 
Geológico e Mineiro) foram procedendo à publicação 
de mais obras literárias dedicadas à caracterização 
das rochas ornamentais portuguesas, que constituem 
atualizações do “Catálogo de Rochas Ornamentais 
Portuguesas” e que foram acompanhando a evolução do 
processo normativo europeu, neste domínio. O presente 
documento, além de fazer a resenha dessas obras 
literárias, apresenta previamente um pequeno relato 
dos primórdios da exploração de rocha ornamental 
no território português e uma apresentação de alguns 
dados estatísticos atuais, relativos à exploração de rocha 
ornamental portuguesa. Termina, com as repercussões 
normativas e legislativas resultantes da adesão de 
Portugal à CEE, na caracterização da rocha ornamental 
portuguesa e na comercialização dos seus produtos.
87
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
2. BREVE NOTA HISTÓRICA E PANORAMA 
ATUAL
Os monumentos megalíticos constituem as evidências 
mais antigas da utilização da pedra no nosso país, na 
sua vertente ornamental. Porém, os primeiros registos 
de utilização e extração de rocha, em território nacio-
nal, surgem durante a ocupação romana da península 
ibérica, no principado de Augusto (27 a.C. - 14 d.C.), 
na sua maioria associados ao seu projeto urbanístico 
de “marmorização” do Império Romano (Maciel, M. 
Justino, 1998). O conhecimento que se tem da utilização 
das rochas ornamentais na província romana Lusitania 
resulta, principalmente, da constatação do seu uso em 
edifícios, epígrafes ou esculturas romanas (Cardoso, 
J. L., Guerra, A., Fabião, C., 2011). O templo romano de 
Évora (Figura 1), construído em granito estucado e com 
as bases e capitéis das suas colunas lavrados em már-
mores do Anticlinal de Estremoz, constitui um exemplo 
icónico deste facto (Ibidem). Apesar das dificuldades na 
extração e no transporte terem ditado a sua utilização 
parcimoniosa, estudos revelaram que a exploração de 
mármores, no Anticlinal de Estremoz, sofreu um ex-
traordinário incremento na primeira metade do século 
I (Ibidem). Esta constatação é posta em evidência através 
das inúmeras decorações escultóricas, de grandes edifí-
cios públicos romanos, encontradas em distintas cidades 
da Lusitania, localizadas quer em território nacional, 
quer em Espanha, incluindo na sua capital provincial: 
Augusta Emérita (Mérida). Além dos mármores do An-
ticlinal de Estremoz, encontra-se ainda documentada 
a utilização romana do mármore de Trigaches (Beja), 
embora os registos arqueológicos da sua aplicação sejam 
menos expressivos que os anteriores e se encontrem 
mais circunscritos à sua área de ocorrência (Ibidem). 
Existem, também, registos arqueológicos pontuais da 
extração romana de rochas ornamentais. No Alentejo, o 
único testemunho conhecido está localizado na pedreira 
“Herdade da Vigária” (Bencatel, Vila Viçosa), na qual 
foi descoberta uma antiga frente de pedreira de idade 
romana (Ibidem). Mais a norte, também foi identificada 
uma única pedreira de idade romana, localizada na 
Estação Romana de Colaride, em Sintra (Ibidem). Nesta 
pedreira e noutras localizadas na região norte da atual 
área metropolitana de Lisboa, particularmente em Pêro 
Pinheiro, foram extraídos distintos calcários utilizados 
na construção de edifícios de Olisipo (Lisboa), apesar de 
este facto estar apenas patente em registos documentais 
seculares, muitos dos quais associados à reconstrução de 
Lisboa após o grande terramoto de 1755 (Ibidem).
FIGURA 1
Templo romano de Évora
(imagem gentilmente cedida pelo Prof. Rúben Martins, do Departa-
mento de Geociências, da Universidade de Évora).
Desde esses longínquos primórdios até ao presente 
momento, a extração de rocha ornamental no nosso 
país deu um passo de gigante. Atualmente, o cadastro 
de pedreiras da DGEG — Direção Geral de Energia e 
Geologia regista 324 pedreiras de rocha ornamental a 
desenvolver atividade extrativa em Portugal continental 
(dados do “site” http://www.dgeg.gov.pt/, atualizados em 
09-03-2015), além das existentes nas Regiões Autónomas 
da Madeira e dos Açores. A distribuição dessas pedreiras 
ativas, em termos de tipo de rocha explorado, está 
patente no Quadro 1.
 
QUADRO 1
Distribuição das pedreiras ativas de rochas ornamentais, 
em Portugal continental, por tipo de rocha explorado
Tipo de rocha 
ornamental explorada
Número de 
pedreiras ativas
Granito 143
Calcário 108
Mármore 63
Xisto 8
Sienito nefelínico 2
(dados do “site” http://www.dgeg.gov.pt/, atualizados em 09-03-2015).
De acordo com dados estatísticos, também coligidos pela 
DGEG (Estatística de Recursos Geológicos da DSEF-
RG), as produções anuais de rochas ornamentais em 
http://www.dgeg.gov.pt
http://www.dgeg.gov.pt/
88
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Portugal continental, entre os anos de 2007 e 2017, são 
apresentadas no gráfico da Figura 2. Da sua análise, 
verifica-se que só no ano de 2017 a produção de rochas 
ornamentais suplantou o nível existente antes da crise 
económica global de 2007-2008 e que resultou na falência 
de muitas empresas deste ramo de atividade.
FIGURA 2
Produção anual de rochas ornamentais em 
Portugal continental entre os anos de 2007 e 2017
(dados: DGEG - Estatística de Recursos Geológicos da DSEF-RG).
3. O PRIMEIRO CATÁLOGO DE ROCHAS OR-
NAMENTAIS PORTUGUESAS
3.1 Retrospetiva
Em 1981, ano em que o Laboratório da DGGM 
(atual LNEG) decidiu iniciar o seu projeto de elabo- 
ração do “Catálogo de Rochas Ornamentais Portugue- 
sas”, integrado nas políticas governamentais em curso 
para a valorização dos recursos minerais, vivia-se um 
período de recuperação económica, quer da crise 
petrolífera de 1973-74, que teve impacto mundial e na 
Europa desencadeou uma profunda recessão económica, 
quer da Revolução de Abril de 1974. Nesse ano, de 1981, 
registavam-se 365 pedreiras ativas de rocha ornamental. 
As suas produções e valores monetários totais na 
pedreira, entre os anos de 1977 e 1981, estão patentes 
no Quadro 2 (Martins, O. R., 1982). Comparando os 
dados estatísticos de 1981 com os de 2017, verifica-se 
que em 1981 os volumes de produção eram quase 8 vezes 
inferiores e os valores monetários totais na pedreira mais 
de 16 vezes inferiores aos de 2017.
QUADRO 2
Pedreiras de rochas ornamentais — Produções e valores monetários 
totais na pedreira entre 1977 e 1981
Ano Produção 
(toneladas)
Variação Valor monetário 
total na pedreira
(X × 1000)*
Variação
1977 286.053 — 2.608 —
1978 324.819 + 13,6 3.518 + 34,9
1979 359.337 + 10,6 5.278 + 50,0
1980 406.312 + 13,1 8.243 + 56,2
1981 415.772 + 2,3 10.908 + 32,3
(adaptado de Martins, O. R., 1982).
* Conversão para euros, à taxa de câmbio de 200,482 PTE (31-12-1998, 
Conselho da UE - União Europeia).
O setor das rochas ornamentais já tinha identificado a 
inexistência de um Catálogo de Rochas Ornamentais 
Portuguesas como um handicap para esta indústria 
(Moura, A. C., Martins, O. R. et alia, 1983). Contudo, 
perspetivava-se dificuldades de natureza diversa na 
execução de um projeto desta envergadura. Além 
dos avultados encargos f inanceiros em trabalhos 
de campo, analíticos e tipográficos, previa-se ainda 
outros obstáculos, principalmente na obtenção dos 
provetes necessários para os ensaios, mas também 
na determinação das propriedades, quer pela falta 
de métodos, quer de meios técnicos. A entrada, a 
curto prazo, de Portugal na Comunidade Económica 
Europeia e asubsequente necessidade de promover a 
rocha ornamental portuguesa junto deste mercado, 
no sentido de incrementar a sua exportação, deram 
o impulso necessário ao arranque deste projeto. A 
execução do Catálogo envolveu um amplo conjunto 
de quadros da DGGM, coordenado por uma equipa 
de 12 técnicos superiores. Contou, ainda, com o apoio 
de muitos industriais do setor da rocha ornamental, 
nomeadamente na disponibilização e corte dos provetes 
de ensaio, sem os quais não teria sido possível avançar. 
A coordenação do projeto foi assegurada por António 
Casal Moura (Geólogo da DGGM).
Também no ano de 1981 e igualmente no âmbito 
da valorização das rochas ornamentais portuguesas, 
decorreu, na FIL, o SIROR 81 — 1º Salão Internacional 
de Rochas Ornamentais. A sua organização esteve a 
cargo da DGGM, juntamente com o FFE — Fundo de 
Fomento e Exportação e com o IAPMEI, tendo ainda 
contado com a colaboração de diversas entidades, das 
quais se destacam a ASSIMAGRA e a FIL. Ciente da 
89
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
importância da apresentação do “Catálogo de Rochas 
Ornamentais Portuguesas” nesta exposição, mas 
não tendo sido este concluído, a equipa da DGGM 
preparou uma versão bastante sintética do Catálogo 
(Figura 3), para acompanhar o anúncio da sua elaboração 
neste certame. A propósito da sua preparação, João 
Farinha Ramos (Geólogo da DGGM) recordou que foi 
necessário mobilizar uma dilatada equipa da DGGM, 
quer do Laboratório, quer das Delegações de Aveiro 
e de Coimbra, para proceder à colagem, manual, das 
fotografias das 72 rochas ornamentais representadas 
nesta obra literária percursora do Catálogo, em todos 
os exemplares produzidos.
FIGURA 3
Percursor do “Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas” preparado pela DGGM (atual LNEG) para o SIROR-81
 a) b) c)
a) Capa. b) e c) Exemplo das 2 páginas que constituíam as Fichas Técnicas de duas rochas ornamentais portuguesas.
Além de aspetos de índole histórica, geológica e comer-
cial, o “Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas” 
contém uma caracterização detalhada das principais 
rochas ornamentais exploradas no nosso país, entre 1981 
e o início da década de 90. Esta está apresentada sob a 
forma de Fichas Técnicas bilingues (português e inglês), 
compostas por 3 páginas (Figura 4). Os restantes capí-
tulos têm a particularidade de estar escritos em quatro 
línguas: português, inglês, italiano e francês.
90
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 4 
Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas da DGGM (atual LNEG)
 a) b)
 c) d)
a) Capa. b), c) e d) Exemplo das 3 páginas que compõe cada Ficha Técnica, de uma rocha ornamental portuguesa.
A edição dos 4 volumes, que compõem o Catálogo, foi 
faseada. O 1º volume foi editado em 1983 e inclui fichas 
técnicas de 31 rochas ornamentais. Considerando os 
principais centros de exploração de rochas ornamentais 
da época (Figura 5), este primeiro conjunto foi composto 
de modo a ser “representativo e equilibrado da produção 
nacional” (Moura, A. C., Martins, O. R. et alia, 1983). Nos 
anos seguintes foram publicados o 2º volume (Moura, A. 
C., Martins, O. R. et alia, 1984) e o 3º volume (Moura, A. 
C., Martins, O. R. et alia, 1985), contendo fichas técnicas 
de mais 33 e 40 rochas ornamentais, respetivamente. 
O enorme êxito do Catálogo motivou a reedição do 1º 
volume em 1992, antes mesmo da edição do 4º volume, 
que viria a acontecer dois anos depois (Moura, A. C., 
Martins, O. R. et alia, 1994), com fichas técnicas de mais 
30 rochas ornamentais. Em 1996, foram reeditados o 
2º e o 3º volumes. O detalhe inovador de o Catálogo 
estar encadernado em capas de argolas, permitiu ainda 
editar fichas técnicas complementares, para inclusão no 
4º volume. Deste modo, foram editadas fichas técnicas 
de mais 4 rochas ornamentais: duas no ano de 1995 e 
duas no ano 1996. A última edição do Catálogo ocorreu 
em 2000, com a publicação de fichas técnicas de mais 4 
rochas ornamentais. No total, esta obra literária pioneira 
congrega a informação de 142 rochas ornamentais 
portuguesas.
91
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 5
Localização dos principais centros de exploração de rocha ornamental em 1983
(imagem do 1º Volume do Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas, da DGGM).
3.2 Evolução até ao momento atual
A elaboração de livros dedicados à caracterização das 
rochas ornamentais portuguesas, por parte da DGGM 
e das entidades que a sucederam, não se esvaziou com 
o Catálogo. Logo no ano de 2000, o IGM — Instituto 
Geológico Mineiro (atual LNEG) publicou a monografia 
“Granitos e Rochas Similares de Portugal” (Moura, A. 
C. et alia, 2000). Coordenada por António Casal Moura, 
a edição contou com o apoio do PEDIP II — Programa 
Estratégico de Dinamização e Modernização da Indústria 
Portuguesa, do IPQ — Instituto Português da Qualidade 
e do FEDER — Fundo Europeu de Desenvolvimento 
Regional. Esta obra literária (Figura 6 a)), que contém 51 
Fichas Técnicas de granitos, outras rochas ígneas e um 
serpentinito, teve por objetivo não só divulgar as rochas 
graníticas portuguesas, setor que evidenciava uma franca 
expansão, mas também atualizar os dados do Catálogo, 
em particular os respeitantes à caracterização das rochas, 
já considerando o novo normativo europeu. Contudo, 
um dos aspetos mais relevantes desta obra literária foi a 
inclusão de especificações técnicas (Figura 6b)), matéria 
inexistente na legislação portuguesa, no que se refere a 
produtos em pedra natural.
92
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 6
Granitos e Rochas Similares de Portugal (IGM, 2000)
 a) b)
a) Capa.
b) Excerto das Especificações Técnicas.
Além desta monografia, em 2007 foi editada uma 
segunda, intitulada “Mármores e Calcários Ornamentais 
de Portugal” (Moura A. C. et al, 2007), que engloba 
Fichas Técnicas de 49 mármores e de 37 calcários 
(Figura 7 a)). Foi publicada pelo INETI — Instituto 
Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (atual 
LNEG), contou igualmente com a coordenação de 
António Casal Moura e com o apoio financeiro do 
CEDINTEC – Centro para o Desenvolvimento e Inovação 
Tecnológicos, da CCDRC — Comissão de Coordenação 
e Desenvolvimento Regional do Centro (através do 
Programa Operacional da Região Centro) e do FEDER. 
Na origem da sua elaboração estiveram motivos idênticos 
aos que determinaram a execução da monografia 
relativa aos granitos e similares. Inclui, igualmente, 
especificações técnicas para produtos fabricados quer 
em mármore, quer em calcário (Figura 7 b)).
93
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 7
Mármores e Calcários Ornamentais de Portugal (INETI, 2007)
 a) b)
a) Capa.
b) Excerto das Especificações Técnicas.
A temática das especificações técnicas foi abordada, 
com mais detalhe, no “Manual da Pedra Natural para 
a Arquitectura” (Pinto, A. C. R. et alia, 2006). Editado 
pela DGEG e promovido pelo CEDINTEC, contou com 
a coordenação de António Esteves Henriques (Revista 
Rochas & Equipamentos) e de Jorge Simões Nunes Tello 
(CEDINTEC) e com o apoio do INETI e da Ordem dos 
Arquitetos.
A progressiva substituição do documento em papel pelo 
ficheiro em suporte digital, o “universo” de possibilidades 
que a internet nos trouxe e o caráter imprescindível que 
ela já assume nas nossas vidas, motivou o IGM (atual 
LNEG) a avançar, em 2002, para a informatização do 
seu Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas (link
atual: http://rop.lneg.pt/rop/). Da autoria de Mário 
Machado Leite (atual Vogal do Conselho Diretivo do 
LNEG) e de António Casal Moura, responsável também 
pela coordenação do projeto, a preparação da versão 
informatizada do Catálogo contou com a participação 
de uma equipa de Quadros do IGM e com o apoio 
financeiro da DGREI — Direção Geral das Relações 
Económicas Internacionais, do PEDIP II e da UniãoEuropeia (Figura 8).
http://rop.lneg.pt/rop/
94
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 8
Portal de Rochas Ornamentais Portuguesas do LNEG
(excerto da atual página inicial).
O portal de Rochas Ornamentais Portuguesas é bilingue 
(português e inglês) e apesar de a sua estrutura ser relati-
vamente semelhante à do Catálogo que lhe deu origem, 
inclui importantes funcionalidades. A possibilidade de 
se efetuarem pesquisas de rochas pela sua designação 
comercial, pela localização municipal das suas explo-
rações e pelas características (aplicação, tipo de rocha, 
cor e diversas propriedades), consideradas isoladamen-
te, ou conjugadas, são apenas algumas das inovações 
desta plataforma. Desde a sua disponibilização on-line, 
o portal tem sido alvo de permanente atualização dos 
seus conteúdos. As mais abrangentes foram efetuadas no 
âmbito do projeto AIZM — Ação Integrada da Zona dos 
Mármores (financiamento: FEDER e Estado Português) 
e do Projeto Âncora 1 — Valorização da pedra natural 
portuguesa, do Cluster da Pedra Natural (financiamento: 
COMPETE / QREN / União Europeia). Sempre que é 
oportuno, tem-se procedido à inserção de novos litóti-
pos, alguns dos quais como resultado da participação 
do LNEG em projetos. Este foi o caso do Quartzito de 
Murça, cuja inclusão foi efetuada no âmbito da partici-
pação do LNEG no Projeto FCT - I&D “Schistresource”. 
O portal de Rochas Ornamentais Portuguesas tem sido 
uma preciosa “ferramenta” para industriais do setor 
da rocha ornamental, arquitetos e outros prescritores, 
comunidade académica e público em geral, sendo dia-
riamente consultado por inúmeras pessoas.
3.3 Os ensaios de caraterização
A caracterização da rocha ornamental, patente em cada 
Ficha Técnica do Catálogo de Rochas Ornamentais 
Portuguesas, inclui a sua petrograf ia, a análise 
química dos seus elementos maiores e um conjunto de 
propriedades cuja seleção teve por base três premissas:
1) serem fundamentais na caracterização de qualquer 
rocha ornamental;
2) contemplarem aspetos relacionados com o 
desempenho das rochas após a sua aplicação;
3) avaliarem a sua durabilidade, quer em função 
da utilização, quer em termos de condições 
climatéricas.
Face à quase inexistência de normas portuguesas de 
ensaio, no domínio da rocha ornamental, foram ado-
tadas normas da República Federal Alemã (DIN) na 
determinação da maioria das propriedades (Quadro 3).
95
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
QUADRO 3
Propriedades determinadas para o Catálogo de Rochas Ornamentais Portuguesas, métodos de ensaios aplicados e provetes utilizados
Propriedade físico-mecânica Método de ensaio aplicado Número de provetes e dimensões
Resistência mecânica à compressão (inicial e 
após teste de gelividade)
Norma DIN 52105 6 cubos
71mm de aresta
Teste de gelividade
(25 ciclos)
Norma DIN 52104 6 cubos
71mm de aresta
Resistência mecânica à flexão Norma DIN 52112 4 paralelepípedos
(200×30×30)mm
Massa volúmica aparente Norma DIN 52102 6 cubos
71mm de aresta
Absorção de água à pressão atmosférica 
normal
Norma DIN 52103 6 cubos
71mm de aresta
Porosidade aberta LNEC E 216-1968 6 cubos
71mm de aresta
Coeficiente de dilatação linear térmica Método interno 2 paralelepípedos
(24-25×5×5)mm
Resistência ao desgaste NP 309:1962
(máquina Amsler-Laffon)
4 paralelepípedos
(60×60×30)mm
Resistência ao choque Método interno 4 placas
(200×200×30)mm
4. A INFLUÊNCIA DA ADESÃO DE PORTUGAL 
À CEE NA CARACTERIZAÇÃO DAS ROCHAS 
ORNAMENTAIS PORTUGUESAS
No ano de 1986 Portugal aderiu à Comunidade Econó-
mica Europeia (atual UE – União Europeia). Uma das 
consequências foi a obrigatoriedade de adoção das dire-
tivas europeias, em detrimento da legislação e normas 
portuguesas, para todas as áreas de atividade económica.
O processo normativo europeu tinha tido início em1975, 
ano em que foi oficialmente criado o CEN — Comité 
Europeu de Normalização (https://www.cen.eu/Pages/
default.aspx). O seu Conselho Técnico assume o 
controlo total do programa de normalização europeu 
(CEN, Technical Board, 2018), sendo responsável pela 
criação, coordenação e gestão da atividade normativa 
desenvolvida pelas mais de 320 Comissões Técnicas 
existentes neste Comité. Cada comissão, com designação 
e domínio de atuação bem definidos, é constituída por 
um ou mais representantes de cada estado membro. No 
caso de Portugal, a nomeação dos representantes para 
A escolha de normas DIN baseou-se no facto de, à data 
do arranque da elaboração do Catálogo, a República 
Federal Alemã ser a principal importadora de rocha 
ornamental portuguesa. Com efeito, dados estatísticos 
sobre a indústria extrativa portuguesa referentes ao 
ano de 1981, reportam que das 308.431 toneladas de 
rochas ornamentais portuguesas exportadas nesse 
ano (considerando, globalmente, blocos e chapas em 
bruto e produtos acabados), 135.185 toneladas (44% 
do total) tiveram como destino a República Federal 
Alemã (Romão, M. L., 1983). Seguiu-se a Espanha, com 
apenas 11% (Ibidem). Em termos financeiros e efetuando 
a conversão para euros (à taxa de câmbio de 200,482 
PTE, adotada pelo Conselho da União Europeia em 
31/12/1998), o valor global das exportações de rochas 
ornamentais em 1981 foi de cerca de 14,6 milhões de 
euros. O montante de exportações para a República 
Federal Alemã correspondeu a 27% daquele valor 
(cerca de 3,9 milhões de euros). Seguiram-se a Arábia 
Saudita e a França, com cerca de 10% do valor global de 
exportações, para cada país (Ibidem).
https://www.cen.eu/Pages/default.aspx
https://www.cen.eu/Pages/default.aspx
96
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
cada Comissão Técnica europeia é da responsabilidade 
dos ONS - Organismos de Normalização Setorial. O IPQ 
— Instituto Português da Qualidade é responsável pela 
qualificação dos ONS, assim como pela coordenação da 
sua atividade. Por seu turno, o IPQ assume a função de 
Organismo Nacional de Normalização, no CEN.
Além de cada ONS ter como função acompanhar os 
trabalhos de normalização das Comissões Técnicas 
europeias a atuarem na sua área de atividade, também 
gere o processo de elaboração das normas portuguesas 
(tradução, redação e revisão) após a edição de normas 
europeias. Estas atividades são garantidas através da 
criação de Comissões Técnicas portuguesas (CT).
A Comissão Técnica europeia responsável pela elaboração 
das normas europeias no domínio da pedra natural é 
a CEN/TC 246 – “Natural Stones”. A sua congénere 
portuguesa é a CT 118 – Rochas Ornamentais.
A CEN/TC 246 – “Natural Stones” está dividida em 4 
grupos de trabalho (WG), cada um com as seguintes 
atribuições:
WG1 ― Terminologia, classificação e características
WG2 ― Métodos de ensaio
WG3 ― Normas de produto
WG4 ― Pedra aglomerada
A atividade normativa da TC 246 é definida e discutida 
em reuniões organizadas pelos diferentes estados 
membros, em regime de rotatividade e habitualmente 
com periodicidade semestral. A DGGM (e sucessoras: 
IGM/INETI/LNEG) representou Portugal nesta Comissão 
Técnica, na fase de arranque através de António Casal 
Moura e a partir de 2005 através da Autora. No início, 
estas reuniões nem sempre foram muito profícuas, 
devido a diversas dificuldades, das quais se destacam: - 
a barreira linguística; - a falta de competências técnicas 
na matéria; - os objetivos antagónicos entre países 
produtores e países importadores de rocha ornamental; 
- as diferenças climáticas entre os países do norte e os 
do sul da Europa.
O CEN tinha estipulado o inglês, como língua oficial das 
reuniões das TC. Contudo, havia uma forte resistência 
em cumprir esta regra, principalmente por parte dos 
representantes franceses, sobretudo por falta de domínio 
da língua. Iniciavam longos diálogos em francês, eram, 
de imediato, acompanhados por representantes belgas 
e italianos, deixando de fora representantes ingleses, 
alemães e suecos, que habitualmente não dominam a 
língua francesa.Despendia-se tempo precioso a repetir 
em inglês tudo o que tinha acabado de ser discutido em 
francês, por um grupo restrito.
O rendimento da atividade normativa das reuniões 
iniciais da TC 246 era, também, afetado pela falta 
de conhecimento técnico revelada por alguns repre- 
sentantes. Era difícil progredir-se na elaboração de 
normas, quando se tinha que estar, permanentemente, 
a despender tempo a explicar conceitos básicos a 
alguns representantes. Esta situação resultava de 
serem oriundos de países com escassos recursos em 
rocha ornamental e consequentemente onde esta não é 
tradicionalmente utilizada como material de construção, 
não existindo know-how nem na sua utilização, nem na 
sua caracterização.
Um dos principais obstáculos a ultrapassar, nas primeiras 
reuniões da TC 246, era a notória divergência de objeti-
vos entre países maioritariamente importadores de rocha 
ornamental e países produtores, como Portugal. Os 
primeiros pretendiam normas de ensaio excessivamente 
exigentes, em particular as respeitantes aos ensaios de 
durabilidade, por forma a garantir um excelente desem-
penho, por um longo tempo, dos produtos importados 
em rocha ornamental. Este obstáculo entroncava no 
último: a diferença de climas entre os países do norte 
da Europa e os do sul. Um exemplo flagrante da difi-
culdade colocada à atividade normativa, da TC 246, por 
estes dois obstáculos, foi a discussão gerada em torno 
do ensaio resistência ao gelo, em particular do número 
máximo de ciclos de gelo/degelo a executar, no ensaio 
de identificação. Enquanto o grupo dos países impor-
tadores, do norte, pretendia a execução de um número 
elevadíssimo de ciclos, o grupo dos países produtores, 
do sul, desejava implementar métodos cujos resultados 
não penalizassem demasiado algumas das suas rochas 
e também mais adequados aos climas dos seus países, 
considerando o comércio interno. No meio deste “braço 
de ferro” e como em tantas outras situações, acabou por 
“ganhar” a solução proposta pelos países com maior 
peso económico. Assim, na primeira edição da norma 
europeia da resistência ao gelo, o número máximo de 
ciclos previsto, para o ensaio de identificação, era de 
240. Muitas empresas portuguesas, exportadoras de 
produtos fundamentalmente para o norte da Europa, 
tiveram que submeter as suas rochas a este número de 
ciclos. Além do avultado custo financeiro do ensaio e 
97
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
do dilatadíssimo tempo de execução (quase meio ano), 
havia ainda a incerteza de que a rocha resistisse durante 4 
meses (tempo de permanência na câmara climática) a um 
teste termicamente tão exigente (entre +20ºC e -12ºC).
Com o decurso do tempo, os obstáculos inicialmente 
colocados à atividade normativa da TC 246 foram sendo 
ultrapassados. O conhecimento sobre a pedra natural 
e sobre o seu comportamento foi aumentando, em 
particular pelos representantes de países com poucos 
recursos nesta matéria-prima. Também passou a haver 
uma boa plataforma de entendimento e de discussão 
técnico-científica, fruto de anos de convivência nas 
reuniões, a partilhar experiências da pedra. Esta nova 
etapa tem permitido retificar alguns exageros iniciais. 
A título de exemplo, refere-se novamente o ensaio 
de resistência ao gelo, no qual na edição, atualmente 
em vigor, o número máximo de ciclos de gelo/degelo, 
para o ensaio de identificação, decresceu para 168. 
Esta diminuição do tempo de permanência na câmara 
climática, de 120 para os atuais 84 dias, permitiu 
diminuir drasticamente o tempo do ensaio, bem como os 
seus custos. Mais importante ainda, permitiu aumentar o 
número de rochas ornamentais consideradas resistentes 
ao gelo, face ao número máximo de ciclos estipulados 
pela norma.
Pese embora as dificuldades, a CEN/TC 246 tem vindo 
a desenvolver uma atividade relevante no domínio da 
pedra natural, quer na preparação de novas normas, 
quer nas revisões periódicas obrigatórias das normas já 
editadas, para as quais cada estado membro é convocado 
a pronunciar-se, através de voto, sobre a sua anulação, 
reconfirmação, ou alteração. Das normas europeias 
elaboradas até à presente data por esta comissão técnica 
europeia, 32 encontram-se ainda em vigor, cobrindo 
matérias como terminologia e denominação (Quadro 4), 
métodos de ensaio (Quadro 5), blocos e placas em bruto e 
conselhos de utilização (Quadro 6) e produtos em pedra 
natural (Quadro 7). Algumas das normas inicialmente 
elaboradas pela TC 246 têm vindo a ser anuladas, por 
decisão desta comissão técnica, pelo facto de se terem 
tornado inúteis, face ao seu objetivo e campo de aplicação 
e, por consequência, terem deixado de ser utilizadas.
QUADRO 4
Normas elaboradaspela CEN/TC 246 no domínio da terminologia e denominação
Versão oficial (inglês) Título da versão oficial (inglês) Título (português)
EN 12440:2017 Denomination criteria Critérios de denominação
EN 12670:2001 Terminology Terminologia
QUADRO 5
Normas elaboradas pela CEN/TC 246 no domínio dos métodos de ensaio
Versão oficial (inglês) Título da versão oficial (inglês) Título (português)
EN 1925:1999 Determination of water absorption 
coefficient by capillarity
Determinação do coeficiente de absorção de 
água por capilaridade
EN 1926:2006 Determination of uniaxial compressive 
strength
Determinação da resistência à compressão 
uniaxial
EN 1936:2006 Determination of real density and apparent 
density, and of total and open porosity
Determinação das massas volúmicas real e 
aparente e das porosidades aberta e total
EN 12370:1999 Determination of resistance to salt 
crystallisation
Determinação da resistência à cristalização 
de sais
EN 12371:2010 Determination of frost resistance Determinação da resistência ao gelo
EN 12372:2006 Determination of flexural strength under 
concentrated load
Determinação da resistência à flexão sob 
carga centrada
EN 12407:2007 Petrographic examination Estudo petrográfico
EN 13161:2008 Determination of flexural strength under 
constant moment
Determinação da resistência à flexão sob 
momento constante
EN 13364:2001 Determination of the breaking load at dowel 
hole
Determinação da carga de rutura ao nível do 
orifício de ancoragem
98
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
 QUADRO 5
Normas elaboradas pela CEN/TC 246 no domínio dos métodos de ensaio (continuação)
Versão oficial (inglês) Título da versão oficial (inglês) Título (português)
EN 13373:2003 Determination of geometric characteristics 
on units
Determinação das características 
geométricas de elementos em pedra
EN 13755:2008 Determination of water absorption at 
atmospheric pressure
Determinação da absorção de água à pressão 
atmosférica
EN 14066:2013 Determination of resistance to ageing by 
thermal shock
Determinação da resistência ao 
envelhecimento por choque térmico
EN 14146:2004 Determination of the dynamic modulus of 
elasticity (by measuring the fundamental 
resonance frequency)
Determinação do módulo de elasticidade 
dinâmico (através da medição da frequência 
de ressonância fundamental)
EN 14147:2003 Determination of resistance to ageing by salt 
mist
Determinação da resistência ao 
envelhecimento por nevoeiro salino
EN 14157:2017 Determination of the abrasion resistance Determinação da resistência ao desgaste
EN 14158:2004 Determination of rupture energy Determinação da energia de rutura
EN 14231:2003 Determination of the slip resistance by 
means of the pendulum tester
Determinação da resistência ao 
escorregamento por intermédio do pêndulo 
de atrito
EN 14579:2004 Determination of sound speed propagation Determinação da velocidade de propagação 
do som
EN 14580:2005 Determination of static elastic modulus Determinação do módulo de elasticidade 
estático
EN 14581:2004 Determination of linear thermal expansion 
coefficient
Determinação do coeficiente de dilatação 
linear térmica
EN 16140:2011 Determination of sensitivity to changes inappearance produced by thermal cycles
Determinação da sensibilidade a alterações 
de aspeto provocadas por ciclos térmicos
EN 16301:2013 Determination of sensitivity to accidental 
staining
Determinação da sensibilidade a manchas 
causadas acidentalmente
EN 16306:2013 Determination of resistance of marble to 
thermal and moisture cycles
Determinação da resistência do mármore a 
ciclos de calor e humidade
QUADRO 6
Outras normas elaboradas pela CEN/TC 246
Versão oficial (inglês) Título da versão oficial (inglês) Título (português)
EN 1467:2012 Rough blocks — Requirements Blocos em bruto — Requisitos
EN 1468:2012 Rough slabs — Requirements Placas em bruto — Requisitos
CEN/TR 17024:2017 Guidance for use of natural stones Orientações para a utilização de pedras naturais
QUADRO 7
Normas elaboradas pela CEN/TC 246 no domínio dos produtos em pedra natural
Versão oficial (inglês) Título da versão oficial (inglês) Título (português)
EN 1469:2015 Slabs for cladding - Requirements Placas para o revestimento de paredes — Requisitos
EN 12057:2015 Modular tiles — Requirements Ladrilhos modulares — Requisitos
EN 12058:2015 Slabs for floors and stairs — Requirements Placas para pavimentos e degraus — Requisitos
EN 12059:2008+A1:2011 Dimensional stone work — Requirements Trabalhos de pedra de cantaria — Requisitos
No que se refere aos produtos em pedra natural, além 
da CEN/TC 246 – “Natural Stones”, existem atualmente 
mais 3 Comissões Técnicas a desenvolver normas neste 
domínio. As suas designações, objetivos e campos de 
aplicação, assim como as normas editadas por estas 
Comissões Técnicas, respeitantes a produtos em pedra 
natural, estão patentes nos Quadros 8, 9 e 10.
99
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
QUADRO 8
Normas elaboradas pela CEN/TC 178, para produtos em pedra natural
CEN/TC 178 – “Paving units and kerbs” (Unidades para pavimentação e lancis)
Versão oficial (inglês) Título (português)
EN 1341:2012 Lajes de pedra natural para pavimentos exteriores – Requisitos e 
métodos de ensaio
EN 1342:2012 Cubos e paralelepípedos de pedra natural para pavimentos 
exteriores – Requisitos e métodos de ensaio
EN 1343:2012 Guias de pedra natural para pavimentos exteriores – Requisitos e 
métodos de ensaio
QUADRO 9
Normas elaboradas pela CEN/TC 125, para produtos em pedra natural
CEN/TC 125 – “Masonry” (Alvenaria)
Versão oficial (inglês) Título (português)
EN 771-6:2011 Especificações para unidades de alvenaria. Parte 6: Unidades de 
alvenaria em pedra natural
QUADRO 10
Normas elaboradas pela CEN/TC 128, para produtos em pedra natural
CEN/TC 128 – “Roof covering products for discontinuous laying and products for wall cladding”
(Produtos para o revestimento de telhados, para assentamento descontínuo, e produtos para o revestimento de paredes)
Versão oficial (inglês) Título em português
EN 12326-1:2014 Ardósias e outras rochas cliváveis para coberturas descontínuas e 
revestimentos exteriores de paredes. Parte 1: Especificações para 
ardósias e ardósias carbonatadas
As normas de produto em pedra natural contêm diversas 
informações técnicas, designadamente:
- tipos, ou classes, de produtos por elas abrangidos;
- controlo das dimensões dos produtos e respetiva 
periodicidade;
- propriedades que devem ser determinadas nas 
rochas utilizadas no seu fabrico;
- regularidade da repetição, na determinação das 
propriedades das rochas.
Porém, as normas de produtos em pedra natural 
também incluem dados fundamentais, relativos à 
legislação europeia aplicável. Na sua qualidade de 
produtos de construção, os produtos em pedra natural 
estão atualmente abrangidos pelas disposições do 
Regulamento (UE) N.º 305/2011 (e pela sua retificação). 
Este regulamento foi juridicamente transposto para a 
legislação nacional através do Decreto-Lei nº 130/2013, 
de 10 de setembro. Uma das alterações introduzidas por 
este regulamento europeu, relativamente à diretiva que o 
antecedeu (Directiva 89/106/CEE, de 21-12-1988), é que a 
avaliação da conformidade de um produto (evidenciada 
pela emissão da Declaração de Conformidade CE) foi 
substituída pela avaliação e verificação da regularidade 
do seu desempenho (AVRD). Esta deve ser evidenciada 
através da emissão de uma Declaração de Desempenho 
(sobre esta matéria deverá ser igualmente consultado o 
Regulamento Delegado (UE) Nº 568/2014). As normas de 
produto em pedra natural editadas mais recentemente 
já incluem disposições relativas à AVRD. O modelo 
da Declaração de Desempenho, que deve ser adotado 
pelas empresas transformadoras de pedra natural, 
consta do Regulamento Delegado (UE) Nº 574/2014. Na 
Figura 9 apresenta-se, a título de exemplo, a estrutura 
e informações que deverá conter uma Declaração de 
Desempenho, de uma pedra natural utilizada no fabrico 
de um só tipo de produto (placas para pavimentos 
e degraus), embora este documento possa incluir 
informações relativas a vários tipos de produtos.
https://dre.pt/application/conteudo/500018
https://dre.pt/application/conteudo/500018
100
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 9
Exemplo de uma Declaração de Desempenho, de uma pedra natural utilizada no fabrico de produtos regulamentados pela EN 12058:2015
101
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Por último, mas não menos importante, as normas de 
produtos em pedra natural contêm disposições no que 
diz respeito à sua marcação CE, cuja emissão atesta 
que esse produto satisfaz as disposições da legislação 
europeia aplicável, que atualmente é Regulamento (UE) 
N.º 305/2011 e respetiva retificação.
5. CONCLUSÕES
Neste documento, foi efetuada uma breve descrição dos 
primeiros registos de aplicação de rocha ornamental 
extraída em território português, durante a ocupação 
romana. Foi apresentado o estado atual da exploração de 
rocha ornamental em Portugal continental, em termos 
de pedreiras ativas, toneladas exploradas e respetivo 
valor monetário. Relatou-se todo o trabalho documental 
e digital, de caracterização e divulgação das rochas orna-
mentais portuguesas, levado a cabo pelo LNEG e pelas 
suas instituições sucessoras, alavancado, maioritariamen-
te, pela adesão de Portugal à CEE. Descreveu-se como 
se processa a atividade normativa europeia desenvolvida 
no domínio da pedra natural, da responsabilidade da 
Comissão Técnica CEN/TC 246. Abordou-se as normas 
europeias de produto em pedra natural e as obrigações 
legais inerentes ao seu cumprimento, em particular no 
que se refere à emissão de Declarações de Desempenho.
Este documento destaca o empenho monumental do 
LNEG, das suas instituições antecessoras (INETI, IGM 
e DGGM) e dos seus quadros técnicos, na atividade de 
caracterização e divulgação das rochas ornamentais 
portuguesas, que contou com o apoio de industriais 
da pedra e de diversas entidades (PEDIP II, IPQ, 
FEDER, CEDINTEC, CCDRC e DGREI). A importância 
e o impacto positivo que tem tido esta atividade, 
particularmente na indústria extrativa e transformadora 
portuguesa, legitimam a sua continuidade no futuro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARDOSO, J. L., GUERRA, A., FABIÃO, C. (2011)— Alguns aspectos 
da mineração romana na Estremadura e Alto Alentejo. Lucius Cornelius 
Bocchus. João Luís Cardoso & Martín Almagro-Gorbea (Eds.)Academia 
Portuguesa da História - Real Academia de la Historia. Lisboa – Madrid, 
pp. 169-189.
MACIEL, M. JUSTINO (1998) — Arte romana e pedreiras de mármore 
na Lusitânia: Novos caminhos de investigação. Revista da Faculdade 
de Ciências Sociais e Humanas, n.º 11, Lisboa, Edições Colibri, 
pp. 233-245.
MARTINS, OCTÁVIO RABAÇAL (1982) — A indústria extractiva das 
rochas ornamentais de Portugal em 1981. Boletim de Minas, Lisboa, Vol. 
19, Nº 4, pp. 185-262.
MOURA, A. C., CARVALHO, C., ALMEIDA, I. A. et alia (2007) - 
Mármores e Calcários Ornamentais de Portugal. Instituto Nacional de 
Engenharia, Tecnologia e Inovação.
MOURA, A. C., GRADE, J., RAMOS, J. F., MOREIRA,A. e GOMES, 
L. (2000) - Granitos e Rochas Similares de Portugal. Instituto Geológico 
e Mineiro.
MOURA, A. C., MARTINS, O. R., RAMOS, J. F. et alia (1983) - Catálogo 
de Rochas Ornamentais Portuguesas, Vol. I. , Laboratório da Direção Geral 
de Geologia e Minas. S. Mamede de Infesta.
MOURA, A. C., MARTINS, O. R. et alia (1984)— Catálogo de Rochas 
Ornamentais Portuguesas, Vol. II. Laboratório da Direção Geral de 
Geologia e Minas. S. Mamede de Infesta.
MOURA, A. C., MARTINS, O. R. et alia (1985) — Catálogo de Rochas 
Ornamentais Portuguesas, Vol. III. Laboratório da Direção Geral de 
Geologia e Minas, S. Mamede de Infesta.
MOURA, A. C., MARTINS, O. R. et alia (1994) — Catálogo de Rochas 
Ornamentais Portuguesas, Vol. IV. Instituto Geológico e Mineiro, S. 
Mamede de Infesta.
PINTO, A. C. R., ALHO, A. A., MOURA, A. C. et alia (2006) — 
Manual da Pedra Natural para a Arquitectura. Direção Geral de Energia 
e Geologia, Lisboa.
ROMÃO, MARIA LUÍSA — Elementos estatísticos sobre a indústria extractiva 
de Portugal —Produções, importações e exportações em 1981. (1983) - 
Boletim de Minas, Lisboa, Vol. 20, Nº 2, pp. 85-109.
103
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
A crescente competitividade de economias emergentes tem criado dificuldades aos países Europeus produtores e 
exportadores de Pedra Ornamental. Para acrescentar valor, estes países terão que adicionar tecnologia aos seus 
produtos.
São apresentados três casos de como as técnicas de microscopia e microanálise permitem antecipar e compreender o 
comportamento das rochas, em diversas condições climatéricas. Estas metodologias podem ser usadas em rocha de 
obra nova, eventualmente seguindo as normas vigentes ou em objetos património.
Luís Dias
Laboratório HERCULES, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Email: luisdias@uevora.pt
Fabio Sitzia
Laboratório HERCULES, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Email: fasitzia@tiscali.it
Carla Lisci
Laboratório HERCULES, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Email: clisci@uevora.pt
Palavras Chave: Microscopia, pedra ornamental, calcário, mármore.
Microscopia e Microanálise no Estudo de Pedras Ornamentais 
Carbonatadas
Luís Lopes
Instituto de Ciências da Terra, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Departamento de Geociências, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Email: lopes@uevora.pt
José Mirão*
Laboratório HERCULES, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
Departamento de Geociências, Escola de Ciências e Tecnologia da 
Universidade de Évora
* Autor Correspondente
Email: jmirao@uevora.pt
104
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
INTRODUÇÃO
Portugal possui um território com enorme diversidade 
geológica que, ao longo da sua história, tem permitido a 
extração e a produção de rocha ornamental. No mercado 
atual, Portugal é um dos países líderes na produção de 
rocha ornamental (Rana et. al., 2016; Lo Vetro& Martini, 
2016), que oferece uma ampla variedade de Pedra 
Natural, nomeadamente calcários, mármores e granitos. 
Os calcários portugueses, assim como os mármores, 
são caracterizados pela sua elevada beleza natural e 
qualidade. As suas propriedades e características colocam 
o país numa posição privilegiada na indústria mundial 
da rocha ornamental.
No entanto, o surgimento de países onde os custos de 
produção são mais baixos (e.g. China, Brasil. Turquia, 
India) implica que a aproximação das empresas 
portuguesas ao mercado terá que ser diferente do que 
foi no passado. Esta diferença deve ser marcada pelo 
input tecnológico que colocam nos seus produtos. Do 
ponto de vista dos materiais (i.e. da Pedra), estes fatores 
competitivos só podem ser adquiridos pela certificação 
dos produtos e pelo conhecimento sobre a Pedra (e de 
eventuais tratamentos da mesma). 
Há muito, que a comunidade geológica sabe que a 
complexidade inerente aos materiais e aos processos 
geológicos só pode ser profundamente reconhecida 
recorrendo a técnicas de microscopia e microanálise. A 
sua aplicação a materiais de construção, nomeadamente 
a Pedra, é mais recente, mas tem mostrado resultados 
muito interessantes (Koestler et al, 1985; De los Rios & 
Ascaso, 2005; Domingo et al, 2008; Marszałek, 2008; 
Reedy, 2008).
DADOS E MÉTODOS
As técnicas de microscopia e microanálise permitem 
obter a textura e a composição química e em fases (i.e. 
composição mineralógica). A análise textural consiste 
na capacidade de reconhecer a forma de cada objeto e 
o modo como estes se dispõem entre si. Condiciona a 
resistência mecânica, a resposta aos fatores climatéricos 
e determina as possibilidades de valorização da Pedra 
em fábrica. Requer um microscópio, normalmente um 
microscópio petrográfico ou um microscópio eletrónico 
(de varrimento). O primeiro é uma ferramenta funda-
mental em Ciências da Terra, com uma longa tradição 
no seu uso. O segundo, de uso mais restrito, permite 
ampliações várias ordens de grandeza superiores. Os 
tradicionais modos de observação permitem observações 
complementares, onde o modo de eletrões secundários 
é especialmente eficiente com aspetos “topográficos “e 
os eletrões retrodifundidos respondem à composição 
química.
Se à fonte de eletrões num microscópio eletrónico 
(ou numa microssonda eletrónica) for associado pelo 
menos um detetor de raios-X (SEM-EDS) é possível 
efetuar microanálise por espectroscopia de raios-X. 
Trata-se do método mais eficiente para reconhecer 
a distribuição de elementos maiores, com elevada 
resolução espacial. Mas esta aproximação é pouco 
eficiente no que concerne a identificação da mineralogia 
para qual necessitamos de (micro-) difração de Raios-X 
(micro-DRX) ou espectroscopias vibracionais como 
micro-FTIR (Fourier-transform infrared espectroscopy) e 
micro-Raman. A micro-DRX é extremamente eficiente 
na identificação de fases cristalinas. Por outro lado, 
a espectroscopia Raman tem muito maior resolução 
espacial. O Micro-FTIR é especialmente importante na 
presença de minerais com moléculas como água, sulfato 
ou carbonato.
CASOS DE ESTUDO
Alteração dos calcários “azuis”
O calcário “azul” é um tipo de Rocha Natural de 
diferentes idades, tipicamente utilizado como material 
de construção em projetos de arquitetura contemporânea 
em países como Bélgica, Portugal, Irlanda, Vietname e 
China. Apesar da sua importância económica, sabe-se 
que este calcário é suscetível a processos de meteorização, 
induzindo alterações nos padrões de cor. Este fenómeno 
tem provocado custos onerosos para as companhias 
que o comercializam, principalmente na Pedra que é 
exportada. Com o objetivo de determinar o processo 
de meteorização natural da rocha, foi usada uma abor- 
dagem multidisciplinar.
Os resultados obtidos por micro-difração de raios-X 
mostram que as fases cristalinas da rocha são sobretudo 
calcite, quartzo, birnessite e pirite (Fig. 1). Estes dados são 
comprovados por microscopia eletrónica acoplada a um 
sistema de microanálise por espectroscopia de Raios-X, 
105
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
demonstrando-se que a abundância de sulfuretos de 
ferro na matriz da rocha é relativamente elevada (Fig. 2).
Por outro lado, a superfície da rocha alterada revelou 
um enriquecimento em cristais de gesso (Fig. 1), sendo 
também detetáveis através da coexistência dos elementos 
cálcio e enxofre nas mesmas áreas da superfície da rocha 
(Fig. 3).
FIGURA 1
Fases cristalinas nos fragmentos de rocha
sem alteração ( ) e com alteração ( ).
Abreviaturas: g-gesso; b-birnessite; q-quartzo; c-calcite; p-pirite.
FIGURA 2
Presença de sulfuretos de ferro (pirite) na rocha
A formação destas estruturas está muito provavelmente 
relacionada com o processo de meteorização natural da 
pirite (Ritsema and Groenenberg, 1993; Móricz, et. al., 
2012). Com base em dados geoquímicos e mineralógicos 
obtidos em estudosanteriores, o mecanismo de oxidação 
da pirite tem sido sugerido (Chen et. al., 2014). Assim, 
quando exposta à água e na presença de oxigénio, a 
pirite poderá resultar na formação de ácido sulfúrico, 
H2SO4 (eq1), que por sua vez reagirá com os carbonatos 
da própria rocha, resultando na formação de gesso 
(Móricz, et. al., 2012; Chen et. al., 2014), de acordo com 
a reação eq2:
eq1: 2FeS2(s) + 7O2(g) + 2H2O 2FeSO4(s) + 2H2SO4(aq)
eq2: CaCO3(s) + 2H
+
(aq) + SO4
2-
(aq) + H2O CaSO4.2H2O(s) 
+ CO2(g)
106
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 3
Formação de sulfatos de cálcio (gesso) na superfície da rocha, resultantes da sua meteorização natural
FIGURA 4
Revestimento da superfície da rocha através da precipitação de compostos
Metodologia ainda em desenvolvimento.
Os resultados obtidos demonstram que há uma alteração 
na mineralogia da rocha, provocada pela sua meteoriza-
ção natural. Numa tentativa de evitar a oxidação natural 
da pirite e a consequente reação química entre o sulfato e 
o cálcio, têm-se realizado várias tentativas com o objetivo 
de revestir a superfície da rocha, de forma a minimizar 
o contacto entre este mineral e a água. Deste modo, foi 
iniciado o processo de pré-tratamento da pedra através 
da indução da precipitação de alguns compostos na 
superfície da rocha (Fig. 4), estando ainda em curso o 
desenvolvimento desta metodologia.
107
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Caracterização petrográfica de rochas ornamentais
A caracterização petrográfica de rochas ornamentais 
faz-se segundo a norma europeia EN 12407, de 2007, 
elaborada pelo CEN/TC 246 “Natural Stones” cuja versão 
portuguesa foi traduzida pela CT 118 (CEVALOR), 
tendo sido homologada pelo Instituto Português 
da Qualidade segundo o termo de homologação 
n.º 386/2008, de 2008-11-07. Na aplicação da norma 
são ainda indispensáveis a consulta dos seguintes 
documentos: EN 12670 Natural Stone – Terminology e 
EN 12440 Natural Stone – Denomination criteria. No 
caso das ardósias o estudo petrográfico está definido 
na norma EN 12326-2. A norma 12407 foi atualizada 
em 2019 mas no essencial não sofre alterações. Não é 
nosso objectivo transpor estas normas para o presente 
texto, mas apenas transmitir o que, segundo a nossa 
experiência, nos parece mais importante. Para detalhes 
nos procedimentos e especificações de equipamentos, 
materiais e consumíveis, devem-se consultar as normas 
acima referidas.
Como refere a norma EN 12407 “a descrição petrográ-
fica de uma pedra natural é importante não só com o 
objectivo de efetuar a sua classificação petrográfica, 
como também para evidenciar aspectos que influenciam 
o seu comportamento químico, físico e mecânico. De 
igual forma, poderá ser necessária a determinação da 
proveniência da pedra (por exemplo no caso da conser-
vação e restauro de edifícios históricos ou monumentos). 
É assim essencial caracterizar as pedras naturais não só 
do ponto de vista dos seus componentes minerais e da 
sua textura ou estrutura, como também em termos de 
outras características como: cor, presença de veios, de 
fósseis, de descontinuidades, etc.”
Para uma identificação precisa, é fundamental que os 
provetes analisados sejam representativos da rocha em 
análise. Assim, a sua dimensão deve ser preferencial-
mente determinada em função da heterogeneidade e 
dimensão dos constituintes. Usualmente, e na maior 
parte dos casos, um cubo com 50mm de aresta e um 
paralelepípedo com 200x200x30mm (Figs. 5 e 6), per-
mitem uma avaliação primária muito razoável. Casos 
excecionais terão que ser avaliados pontualmente.
Numa primeira fase faz-se uma caracterização macroscó-
pica com auxílio de lupas de mão ou lupas binoculares. O 
aumento de contraste facilita a identificação dos elemen-
tos constituintes e pode ser facilmente obtido molhando 
a amostra. Este método expedito também nos permite 
avaliar o aspeto que a rocha terá se o polimento for pos-
sível. Embora não esteja definido na norma, sempre que 
possível, deve fazer-se o polimento manual de três faces 
ortogonais de um provete cúbico com 50mm de aresta. Se 
não for expressamente solicitado, a recolha das amostras 
para análise não é da responsabilidade do laboratório 
que faz a caracterização. Assim, preferencialmente as 
amostras deveriam ser colhidas orientadas em relação 
a alguma anisotropia observada no terreno (bandado 
sedimentar, foliação, orientação preferencial dos cristais, 
lineação de estiramento/interseção, etc.). Muitas proprie-
dades mecânicas e os aspetos texturais (corte “a favor” ou 
“ao contra”) são fortemente controladas e condicionadas 
pelas direções de corte. Assim, o desempenho, enquanto 
rocha ornamental, pode ser comprometido se não se 
respeitar a estrutura (aspecto macroscópico) e a textura 
(aspeto microscópico) da mesma. 
A caracterização petrográfica em amostra de mão inclui 
a indicação da cor, ou intervalo de cores, que a rocha 
apresenta, sendo aconselhável a utilização de uma carta 
de cores (Rock Colour Chart), estrutura, dimensão do 
grão, fraturas e sua abertura, existência de poros e ca-
vidades assim como a natureza do seu preenchimento, 
referência ao estado de alteração e meteorização e indi-
cação de quaisquer manchas daí resultantes, presença 
de macrofósseis, presença de xenólitos e outras obser- 
vações pertinentes que auxiliam na caracterização da 
rocha.
108
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 5
Provete cúbico de mármores branco de Estremoz, com indicação do 
plano de orientação cristalográfica preferencial
Neste caso as lâminas delgadas cujas imagens se representam adiante, 
foram realizadas segundo este plano e segundo um plano perpendicular 
que também contêm o estiramento mineral.
Provete cúbico de Calcário Moleanos, com indicação do plano de 
estratificação, a vermelho, e superfície estilolítica, a azul
FIGURA 6
Provete paralelepipédico de diorito, isótropo e homogéneo à escala da amostra de mão
Representam-se as faces opostas, polida (à esquerda) e serrada (à direita).
O passo seguinte consiste na análise ao microscópio 
petrográfico. Para tal, no mínimo e segundo os proce-
dimentos descritos na norma, elaboram-se duas lâminas 
delgadas. Corta-se uma talisca da rocha que se cola 
numa lâmina de vidro com 44x28mm, ou 75x50mm, 
se a textura for muito grosseira, posteriormente faz-se 
o desgaste até a rocha ficar com 0,030 ± 0,005mm 
(Fig. 7). Duas das lâminas são sempre feitas em seções 
ortogonais entre si de forma a controlar melhor eventuais 
anisotropias presentes na rocha. A norma EN 12407 
também refere a necessidade de se prepararem seções 
polidas no caso de a rocha apresentar uma percentagem 
elevada de minerais opacos.
109
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 7
Talisca e lâmina delgada de dois mármores de Estremoz
O campo de visão nas duas fotos é sensivelmente de 4 centímetros. Neste caso as amostras foram orientadas e as seções 
representadas são perpendiculares à orientação preferencial cristalográfica dos cristais de calcite.
A descrição microscópica deve incluir informações sobre a 
estrutura e a partir daí indicar a que tipo de rochas, ígnea, 
sedimentar ou metamórfica, a rocha em análise pertence. 
Em seguida e em função da estrutura determinada, 
faz-se uma avaliação dos constituintes (minerais/grãos) 
quanto à natureza, dimensão, percentagem relativa 
de cada família identificada, hábito, forma, grau de 
calibração (nas rochas sedimentares), fronteira entre 
elementos constituintes, orientação (Fig. 8), indícios de 
meteorização e alteração. 
A norma refere ainda que para assegurar que a classifi- 
cação petrográfica seja objetiva, é essencial que a 
caracterização do material seja, tanto quanto possível, 
quantitativa. Deste modo, ao microscópio petrográfico 
faz-se uma estimativa ótica, i.e. através da contagem de 
pontos ou medição de áreas relativas ocupadaspelos 
diferentes elementos constituintes. No caso das rochas 
sedimentares consideram-se os elementos figurados 
e a matriz envolvente, no caso de rochas ígneas e 
metamórficas, avalia-se a percentagem relativa dos 
minerais presentes. 
FIGURA 8
Duas lâminas delgadas, observadas em nicóis cruzados, da mesma rocha 
(mármore branco de Estremoz, referentes ao provete cúbico ilustrado na Fig. 5) obtidas em direções ortogonais
À esquerda segundo a direção preferencial da rocha, “corte ao favor” (segundo esta orientação a rocha apresenta uma 
textura granoblástica de grão médio), e à direita segundo o corte “ao contra”. Nesta imagem é bem visível a orientação 
preferencial dos cristais de calcite que definem uma microxistosidade localmente conhecida por “corrume”.
110
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
No caso das rochas vulcânicas e sedimentares, deve ser 
dada especial atenção à matriz que suporta os elementos 
f igurados uma vez que o desempenho enquanto 
rocha ornamental está intrinsecamente relacionado 
com a mesma. Por exemplo, calcários esparíticos são 
frequentemente mais pulverulentos e porosos que 
os micriticos que se apresentam mais compactos e 
menos porosos; em contrapartida são mais propensos 
a apresentarem microfraturas e consequentemente são 
mais frágeis. Outras propriedades como a presença de 
descontinuidades, superfícies estilolíticas, fissuras e 
fraturas abertas, com e sem preenchimento, também 
devem ser referidas (Fig. 10).
Nos casos extremos em que a análise petrográfica, macro 
e microscópica, não permita classificar da rocha com 
rigor, podem ser utilizadas outras técnicas químicas ou 
difração de raios-X. 
Ao responsável técnico cabe a redação e assinatura do 
relatório de ensaio referente à análise petrográfica. 
Este relatório deverá ser redigido segundo o estipulado 
pela norma e deve incluir todas as determinações que 
fundamentem a classificação científica proposta para 
a rocha. 
FIGURA 9
Duas imagens do mesmo campo de visão, em nicóis cruzados à esquerda e em nicóis paralelos, 
à direita, de uma lâmina delgada de calcário ooesparítico, preparada com solução da alizarina vermelha
Esta preparação permite a identificação da calcite em relação aos outros carbonatos. Na imagem à direita todos os pontos 
brancos correspondem a espaços vazios deixados pela fragmentação da rocha. Este aspeto traduz-se nos vestígios pulverulentos 
que a rocha deixa ao tato e indicia elevada porosidade da mesma.
Cabe ao proprietário ceder os provetes e indicar um nome 
comercial para a rocha em análise. A nossa experiência diz- 
-nos que, utilizando a tabela de classificação de Folk (1959, 
1962) para calcários, rochas sedimentares carbonatadas 
com nomes comerciais distintos podem corresponder ao 
mesmo tipo petrográfico e, embora menos frequente mas 
também acontece que, provavelmente devido a variações 
naturais de fácies ou por amostragem seletiva e nem 
sempre representativa, a mesma designação comercial 
conduza a rochas com distinta classificação petrográ-
fica; i.e. oosparite/intrasparite/biosparite, neste caso o 
cimento/matriz será sempre idêntico mas a natureza dos 
elementos figurados varia. Em casos ambíguos, onde a 
estimativa da percentagem relativa dos elementos figu-
rados, deixa dúvidas, é usual a proposta de nomes com-
postos, i.e. oobiosparite. Para um geólogo, isto é normal 
e pode ser constatado em afloramento através de uma 
variação lateral de fácies induzida por um processo 
sedimentar de calibração. As propriedades mecânicas da 
rocha não sofrem alterações significativas.
111
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 10
Lâmina delgada de um calcário micritico com uma superfície 
estilolítica sublinhada pelo depósito de minerais opacos, provavel-
mente óxidos de Fe e/ou argilas, resíduos insolúveis resultantes da 
dissolução da rocha sobre pressão litostática. Maioritariamente estes 
planos são subparalelos à estratificação da rocha
A observância das regras estipuladas nas normas é 
condição de credibilidade para a correta identificação 
das rochas ornamentais e permite a tradução para uma 
linguagem universal dos nomes comerciais atribuídos 
pelas empresas, permitindo deste modo aos prescritores 
uma avaliação mais independente quando escolhem a 
matéria-prima para as suas obras.
Estudo de Pedra em Património construído: o 
calcário micritico Pietra Cantone (Sardenha, Itália)
Os calcários, particularmente os do tipo biomicrite, 
são amplamente utilizados na construção de edifícios e 
monumentos históricos nos países mediterrânicos (e.g. 
Portugal, Espanha, Itália, Malta). Este facto resulta da 
sua disponibilidade como matéria-prima e a facilidade 
com que são trabalhados. O calcário biomicrítico 
Pietra Cantone é especialmente importante na área do 
Mediterrâneo (Columbu et al. 2017) e, em particular, no 
sul da Sardenha (Itália). Este litótipo é frequentemente 
usado na cidade de Cagliari como silhares (“cantone” 
em italiano) para a construção de edifícios antigos e 
contemporâneos como a muralha da cidade, palácios do 
município, igrejas (Fig. 11a, b) e torres. Trata-se de uma 
rocha de idade miocénica, marinha, formada com uma 
coluna de água entre 60-80m (Cherchi 1974).
Para definir a composição mineralógica das rochas 
e as suas características petrográficas como o fabric, 
utilizou-se o microscópio ótico de luz polarizada. A 
caracterização por microscopia ótica foi efetuada em 
lâminas delgadas polidas com 30µm de espessura. A 
caracterização de DRX em pó de rocha permite detetar 
fases minerais não identificáveis no microscópio de 
polarização, tais como produtos de alteração de rocha 
e argilas. Uma análise detalhada por microscópio 
eletrónico de varrimento com espectroscopia de raios-X 
(SEM-EDS) realizada nas lâminas delgadas e fornece 
dados composicionais por microanálise.
A rocha, caracterizada por microscopia ótica, mostra 
cerca 75% de micrite e 25% de cimento de esparrítico 
(Fig. 12a). Outros minerais estão presentes até 5% do 
volume e consistem em quartzo, feldspato-K e minerais 
opacos. Bioclastos de foraminíferos (i.e. Globigerinidae, 
Fig. 12b), crinoides, braquiópodes, briozoários estão 
dispostos aleatoriamente na matriz calcária (Lisci, 2014). 
A fauna fóssil consiste em organismos marinhos de água 
limpa e oxigenada com grau de salinidade normal, 
indicando um ambiente de deposição próximo da costa 
(Barroccu et al., 1981). De acordo com a classificação de 
calcário Folk, esta rocha é considerada um biomicrito.
A difração de raios-X da rocha em pó confirma a 
presença de minerais como calcite, quartzo e feldspato-K 
já observados em OM e ainda illite (Sitzia, 2019).
112
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 11
Monumentos usando Pietra Cantone
(a) Basílica de Santa Croce (Cagliari, Itália). (b) Basílica de San Saturnino (Cagliari Itália).
FIGURA 12
Lâmina delgada da Pietra Cantone (Nicóis cruzados)
(a) Matriz micritica e esparrite. b) Detalhe de bioclasto de Globigerinidae.
Nos biomicritos amostrados nos monumentos da cidade 
de Cagliari (e.g. Basílica de São Saturnino, São Pancrácio 
e Torre do Elefante), a difração de raios-X mostra a 
presença de fases minerais resultantes do processo de 
sulfatação da matriz carbonatada, por External Sulphate 
Attack (ESA). A ESA é causada pelo anião SO4
2- das 
emissões antropogénicas (tráfego urbano) e de fontes 
naturais, como ambientes marinhos.
A alteração da rocha produz minerais da classe dos 
sulfatos, como Thenardite (Na2SO4) e a Mirabilite 
(Na2SO4.10H2O), frequentemente sob a forma de 
eflorescência (Fig. 13a), em ambientes específicos com 
elevada humidade e oscilações geralmente cíclicas da 
temperatura. A duas fases são solúveis e transformam-se 
uma na outra quando as condições termo-higrométricas 
se alteram. O volume destes dois minerais pode variar 
em função da proporção de água na sua estrutura, 
produzindo pressões consideráveis,causando fraturas 
internas significativas, que podem comprometer a 
integridade da rocha (Columbu et al. 2019).
A alteração da rocha nestes casos consiste em eflorescência 
superficial, como mostrado na figura 13a, mas também 
em crostas negras (Fig. 13b), alveolização / pulverização 
(Fig. 13c) e colonização biológica (Fig. 13d) podem 
ocorrer. A alveolização / pulverização consiste na perda 
de detritos com tamanho de partícula 10 <φ <100µm. 
Por exemplo, na Basílica de São Saturnino registam-se 
deposições de resíduos na ordem de 470g/m2/ano, na 
área da abside (Sitzia et al. 2020).
No biomicrito, o processo de sulfatação da matriz 
de carbonato também é visível pela observação em 
SEM-EDS (Fig. 14).
113
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Uma fração da textura biomicritica em lâmina delgada e 
previamente observada por microscopia ótica (Fig. 14a) 
foi mapeada por SEM-EDS (Fig. 14b). Neste caso, o SEM 
provou ser uma técnica indispensável para identificar o 
início da sulfatação da rocha que não foi identificada com 
o microscópio ótico. Estes processos levam a mudanças 
na mineralogia da rocha e consequente alteração in-situ 
das características físicas e mecânicas.
FIGURA 13
(a) Eflorescências numa parede da Basílica de San Saturnino (Cagliari, século XII d.C.), (b) crostas negras com gesso na 
torre San Pancrazio (Cagliari século XIII d.C.), (c) forte alveolização e pulverização das paredes em edifícios históricos da 
cidade de Cagliari, (d) exemplos de biodegradação de calcário devido à proliferação de organismos em uma superfície 
vertical.
FIGURA 14
(a) Microscopia ótica em luz polarizada de calcário 
biomicritico.
(b) calcário biomicritico por SEM-EDS. A cor azul indica a 
presença de enxofre (S) devido a um processo superficial 
de sulfatação.
114
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Assim, o calcário biomicritico, ou simplesmente 
biomicrito, denominado Pietra Cantone, apesar de sua 
disponibilidade e fácil trabalhabilidade, apresenta 
problemas de alteração relacionados com as suas 
características texturais, mineralógicas e geoquímicas 
apenas percetíveis por técnicas como difração de 
Raios-X e por microscopia ótica e eletrónica. Além 
disso, a pedra possui uma porosidade efetiva de 35%, 
o que favorece a absorção de grandes quantidades de 
soluções aquosas. Outras características, como alta 
higroscopicidade e baixa permeabilidade, devido 
aos grandes teores de argila, facilitam a retenção na 
pedra de soluções salinas prejudiciais. Além disso, a 
fração microcristalina carbonatada da matriz, tem uma 
forte apetência para reagir com os aniões sulfatados 
da atmosfera, especialmente em áreas citadinas, 
promovendo a formação de eflorescência e causando 
problemas, como pulverização e alveoliozação. Este 
fenómeno é particularmente nefasto em ambientes 
húmidos e / ou mal ventilados, típico da área de Cagliari, 
onde a humidade relativa média varia de 65% a 80%. 
Neste ambiente, os processos de alteração progridem 
rapidamente, envolvendo os blocos utilizados na 
construção de elementos estruturais dos edifícios. Assim, 
os mecanismos de meteorização estão relacionados com 
as caraterísticas das rochas, a presença de aerossóis 
marinhos e a poluição citadina.
CONCLUSÕES
A crescente competitividade de países como a China, 
o Brasil, a Turquia e outros no setor das Pedras 
Ornamentais aumenta a necessidade de países como 
a Itália, Portugal e a Espanha acrescentarem valor aos 
seus produtos.
Este aspeto está inegavelmente associado à capacidade 
de identificar e antecipar o comportamento futuro 
dos materiais. Considerando a natureza complexa e 
heterogénea dos materiais rochosos, o uso de técnicas de 
microscopia e microanálise é essencial. Só desta forma 
é possível perceber a natureza dos materiais e a forma 
como se alteram.
Este aspeto é importante em “obra” nova, onde alguns 
procedimentos devem seguir as normas vigentes. E em 
objetos de património, como património construído, 
onde a importância económica destes objetos é medida 
pelos impulsos turísticos que suscitam.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho foi apoiado por diversas entidades e 
projetos, nomeadamente pela Fundação para a Ciência 
e Tecnologia (FCT), projetos UID/Multi/04449/2013 
e UID/GEO/04683/2013, apoiado pelo FEDER e 
COMPETE 2020 com os projetos POCI-01-0145-
FEDER-007649 e POCI-01-0145-FEDER-007690. As 
atividades experimentais são apoiadas pelos projetos 
INOVSTONE4.0 (POCI-01-0247-FEDER-024535) 
e ColourStone (ALT20-03-0145-FEDER- 000017), 
financiados pelo FEDER, Portugal 2020 e Alentejo 2020.
Luís Dias agradece ainda à FCT pela bolsa de doutora-
mento (SFRH/BD/111498/2015) cofinanciada pelo Fundo 
Social Europeu (ESF) e fundos nacionais.
REFERÊNCIAS
BARROCCU G., CRESPELLANI T., LOI A. (1981) - Caratteristiche 
geologico-tecniche del sotto suolodell’area urbana di Cagliari. Riv. Ital. 
Geotec., 15:98-144.
CHEN Y, LI J, CHEN L, HUA Z, HUANG L, LIU J, XU B, LIAO B 
and SHU W (2014) - Biogeochemical processes governing natural pyrite 
oxidation and release of acid metalliferous drainage. Environmental Science 
& Technology 48 (10): 5537-5545. DOI: 10.1021/es500154z;
CHERCHI A. (1974) - Appunti biostratigrafici sul Miocene della Sardegna 
(Italia). In: Actes V congrès du Neog. Mèdit., Lyon.
COLUMBU S., LISCI C., SITZIA F., BUCCELLATO G. (2017) - 
Physical–mechanical consolidation and protection of Miocenic limestone used 
on Mediterranean historical monuments: the case study of Pietra Cantone 
(southern Sardinia, Italy) Environ Earth Sci., 76:148.
COLUMBU S., MARCHI M., MARTORELLI R., PALOMBA 
M., PINNA F., SITZIA F., TANZINI L., VIRDIS A. (2019) - Architettura 
romanica e territorio. Indagini archeometriche sulle pietre e i marmi delle chiese 
della Sardegna in età giudicale: nuovi approcci per la loro caratterizzazione, 
valorizzazione e conservazione. CUEC, Cagliari.
DE LOS RIOS, A., & ASCASO, C. (2005) - Contributions of in situ 
microscopy to the current understanding of stone biodeterioration. International 
Microbiology, 8 (3), 181.
DOMINGO, C., DE BUERGO, M. A., SÁNCHEZ-CORTÉS, S., FORT, 
R., GARCÍA-RAMOS, J. V., & GOMEZ-HERAS, M. (2008) - Possibilities 
of monitoring the polymerization process of silicon-based water repellents and 
consolidants in stones through infrared and Raman spectroscopy. Progress in 
Organic Coatings, 63(1), 5-12.
EN 12326-2:2011. Natural stone test methods. Slate and stone for 
discontinuous roofing and external cladding. Methods of test for slate 
and carbonate slate.
115
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
EN 12407:2007. Natural stone test methods. Petrographic examination
EN 12407:2019. Natural stone test methods. Petrographic examination 
EN 12440:2017. Natural stone test methods. Denomination criteria
EN 12670:2019. Natural stone. Terminology
FOLK, R. L. (1959) - Practical petrographic classification of limestones. 
Amer. Assoc. Petrol. Geol. Bulletin K V43, pp 1-38.
FOLK, R.L., (1962) - Spectral subdivision of limestone types, Amer. Assoc. 
Petrol. Geol. Mem. 1, pp. 62–84. 
KOESTLER, R. J., CHAROLA, A. E., WYPYSKI, M., & LEE, J. J. 
(1985) - Microbiologically induced deterioration of dolomitic and calcitic stone 
as viewed by scanning electron microscopy. In Ve congrès international sur 
l’alteration et la conservation de la pierre. Actes. Vth international 
congress on deterioration and conservation of stone. Proceedings, 
lausanne, 25-27.9. 1985 (pp. 617-626).
LISCI C. (2014) - Physical and chemical analysis of “Pietra Cantone” of 
Cagliari: Importance of petrography applied to the protection of cultural 
heritage. Bachelor degree in Geological Sciences, University of Cagliari 
(Italy).
LO VETRO D., and MARTINI F. (2016) - Mesolithic in Central -Southern 
Italy: Overview of lithic productions. Quaternary International 423: 
279-302. DOI: 10.1016/j.quaint.2015.12.043;
MARSZAŁEK, M. (2008) - Application of opticalmicroscopy and scanning 
electron microscopy to the study of stone weathering: a Cracow case study. 
International Journal of Architectural Heritage, 2(1), 83-92.
MÓRICZ F, MÁDAI F., and WALDER IF. (2012) - Pyrite oxidation under 
circumneutral pH conditions. GeoScienceEngineering 1: 111-116. DOI: 
10.1016/0016-7037(91)90005-P;
NP EN 12407:2008. Métodos de ensaio para a pedra natural. Estudo 
petrográfico.
RANA A., KALLA P., VERMA HK., and MOHNOT JK. (2016) - Recycling 
of dimensional stone waste in concrete: A review. Journal of Cleaner 
Production 135: 312-331. DOI: 10.1016/j.jclepro.2016.06.126;
REEDY, CHANDRA L. (2008) - Thin-section petrography of stone and 
ceramic cultural materials. London: Archetype.
RITSEMA C.J. and GROENENBERG J.E. (1993) - Pyrite oxidation, 
carbonate weathering, and gypsum formation in a drained potential acid 
sulfate soil. Soil Science Society of America Journal 57 (4): 968-976. 
DOI: 10.2136/sssaj1993.03615995005700040015x;
SITZIA F. (2019) Decay monitoring and conservation of Sardinia 
monumental heritage by geochemical, petro-physical and micro-photogrammetric 
characterization of stone surfaces. PhD thesis in Earth and Environmental 
Sciences and Technologies. University of Cagliari (Italy).
SITZIA F., LISCI C., MIRÃO J. (2020) - Accelerate ageing on 
building stone materials by simulating daily, seasonal thermo-
hygrometric conditions and solar radiation of Csa Mediterranean 
climate. Constrution and building materials. https://doi.org/10.1016/j.
conbuildmat.2020.121009
https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2020.121009
https://doi.org/10.1016/j.conbuildmat.2020.121009
117
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO 
As mudanças aceleradas no mercado exigem que as empresas desenvolvam capacidades dinâmicas para se manterem 
competitivas. Isto significa que as empresas têm de ter capacidade para integrar, construir e reconfigurar competên-
cias internas e externas para abordar ambientes em rápida mudança.
Estas capacidades têm de ser desenvolvidas em várias vertentes, o objetivo deste artigo é explorar as áreas tecnológicas 
e humanas no setor das rochas ornamentais em Portugal. As tecnologias da Fravizel são autónomas, responsivas e 
digitais o que vai permitir o progresso técnico do setor. Este deve ser acompanhado pela evolução das competências 
digitais da força de trabalho do setor.
A Indústria 4.0 (quarta revolução industrial) surge como resposta ao desafio de automatizar processos e aumentar a 
atratividade para os mais jovens para o setor. 
A Revolução Tecnológica e Humana do Setor da Pedra
Joana Frazão
Gestora de Recursos Humanos
PHD em gestão
E-mail: ipfrazao@fravizel.pt
Jorge Frazão
Gestor de Qualidade e Ambiente
Eng. Mecatrónica
E-mail: ifrazao@fravizel.pt
Palavras Chave: Progresso técnico, recursos tecnológicos, recursos humanos, indústria 4.0.
Inês Frazão
Gestora de Marketing
PHD em gestão
E-mail: ifrazao@fravizel.pt
118
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
INTRODUÇÃO 
A extração de pedras naturais tem desafios associados, 
pois é um elemento natural com características intrínse-
cas, onde cada “pedra” é uma “pedra” o que influencia 
os métodos de exploração (Frazão & Frazão, 2013).
Um dos grandes desafios é desenvolver tecnologicamente 
os processos na extração de rocha ornamental bem como 
desenvolver competências digitais nos intervenientes 
nestes processos. Estamos perante uma produção 
acelerada de conhecimento e tecnologia (Frazão, 
Carvalho, Esperança & Frazão, 2018). 
Existe uma transformação das profissões e dos tipos 
de trabalho para uma cultura de base digital, onde 
novos conceitos, tecnologias e processos se desenvolvem 
continuamente (Gamboa, 2017). Assiste-se a um 
desencontro entre as competências das pessoas e o 
que as empresas precisam para poder competir a uma 
escala internacional (Figueiredo, 2016). Neste sentido, 
as empresas veem na falta de trabalhadores qualificados 
o seu maior desafio na implementação da nova filosofia 
de trabalho (Lorenz, Küpper, Rüßmann, Heidermann, 
& Bause, 2016).
ESTADO DA ARTE
Como revisão da literatura desenvolvemos duas grandes 
áreas importantes do setor: recursos tecnológicos e 
recursos humanos.
RECURSOS TECNOLÓGICOS 
Na extração de rocha natural, a necessidade de otimi-
zação constante de processos e recursos tem levado à 
inovação tecnológica. Dessa constante necessidade de 
otimização de processos e recursos, têm surgido aborda-
gens inovadoras que têm dado a este setor a capacidade 
de se adaptar às tendências e exigências atuais. Segundo 
a Fravizel, empresa que desenvolve tecnologia para o 
setor, o processo de extração tem 4 fases (Fig.1). 
Para a fase de perfuração, são utilizadas máquinas de 
perfuração por martelo fundo furo (MFFR).
A fase de corte é caracterizada por utilização de má-
quinas de corte por fio diamantado (MFCR) de grande 
capacidade. 
Para a fase de derrube, existem sistemas de deslocamento 
de alta potência Tomba Bancadas Hidráulico (TB) para 
aumentar a produtividade neste processo em mais de 
80% (Frazão & Frazão, 2013). 
Por fim, para o processo de esquadrejamento, está a 
Máquina de Perfuração com Rastos (MPL), que pode 
aumentar a produtividade entre 30 e 70% (Frazão & 
Frazão, 2015) ou máquinas de corte por fio diamantado 
(MFER) (Frazão, André & Frazão, 2018) que permite 
um aumento de produtividade e aumento do material 
explorado.
A introdução de máquinas com cada vez mais tecnologia 
tem permitido não só aumentos evidentes de produti-
vidade mas também de segurança para os operadores 
pois os interfaces homem/máquina, permitirem operação 
remota libertando operadores das zonas de perigo. Esses 
FIGURA 1
Fases de extração da Pedreira de Rocha Natural
interfaces ao dar retorno de informação das máquinas e 
dos parâmetros de funcionamento permitem ao opera-
dor a tomada de decisões fiável e segura. As tecnologias 
vão permitir também aumentar a sustentabilidade am-
biental pois permitem gerir e otimizar recursos. 
119
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
As que deixam de ser mais relevantes são a Atenção 
aos detalhes, Confiabilidade e coordenação e Gestão 
do tempo. As que surgem em 2022 são o Design de 
tecnologia e Programação e análise e Avaliação de 
sistemas.
Estas competências de base importam para a 
transformação digital importante às organizações do 
agora e do futuro. 
A maquinaria industrial produtiva não processa simples- 
mente o produto, mas o produto fala com a máquina 
para lhe dizer, exatamente, o que fazer (smart products) 
(Bechtold, Lauenstein, Kern, & Bernhofer, 2014) 
buscando eficácia e eficiência.
Pelo que, os trabalhadores devem lidar com a informação 
no momento em que estão a produzir. De acordo com 
Ala-Mutka (2011) a competência digital envolve o uso 
confiante e crítico da Tecnologia da Sociedade da 
Informação para trabalho, lazer e comunicação.
CONCLUSÃO
A gestão de recursos tem um papel preponderante 
para a otimização da exploração quer na componente 
tecnológica quer na aprendizagem constante dos 
colaboradores. Importa aprender a aprender e a 
desaprender. 
Prevê-se que cerca de metade das atuais profissões têm 
uma elevada probabilidade de perda de emprego na 
próxima década, sendo substituídas pela Tecnologia. 
Esta nova era é caracterizada pela denominada 
Quarta Revolução Industrial, ou seja, Indústria 4.0. 
(Frey e Osborne, 2013). É através de acesso a novos 
recursos humanos e tecnológicos que vai ser possível 
dar resposta aos novos desafios e permitir o progresso 
técnico no setor. O progresso técnico contribui para 
o crescimento na medida em que diminui os custos 
de produção, aumentando a produtividade (Carvalho, 
2010). Os trabalhadores aprendem a trabalhar com novas 
máquinas os empresários concebem novos produtos, 
e mais setores da economia usufruem de melhores 
padrões de vida, resultantes da melhoria dos métodos 
de produção (Carvalho, 2010).O desafio é contínuo, pois se por um lado a otimização 
de processos administrativos poderá parecer mais fácil 
de implementar a digitalização, os conceitos da indústria 
4.0 poderão representar grandes desafios na indústria 
extrativa por causa das homogeneidades intrínsecas da 
rocha natural. 
Máquinas com manutenção preditiva e uma produção 
mais automatizada necessitam de tecnologias base, 
tais como, a realidade aumentada e a digitalização da 
produção para serem eficazes. 
O cenário de que o próprio equipamento comunica com 
a cadeia produtiva permite uma produção inteligente que 
propicia o aumento da cadeia de valor e uma diminuição 
dos desperdícios produtivos, a nível de recursos materiais 
e de tempo. 
A possibilidade de termos uma rede que comunique com 
o seu operador, permite a alteração de forma preventiva 
e não resolutiva. 
A tecnologia desenvolvida pelas máquinas Fravizel, 
procura colmatar necessidades (innovation to market) e 
corresponder a expetativas necessárias à customização 
de forma economicamente viável, que implica a sobrevi-
vência no mercado. O Digital permite a interligação dos 
sistemas e posterior comunicação com os seus líderes. 
RECURSOS HUMANOS
Ao analisarmos a força de trabalho do setor em 2014 
verificamos que a maioria dos trabalhadores estão na 
casa dos 40 anos de idade, com o 3º ciclo do ensino 
básico e a sua antiguidade na empresa a rondar os 10 
anos e as qualificações variam entre qualificados e semi- 
-qualificados (Frazão, 2016).
O desenvolvimento das suas competências vai além da 
sua formação académica e profissional, passando por 
uma aprendizagem e adaptação contínua à tipologia e 
conteúdo do trabalho no momento em que estão a lidar 
com ele.
A própria tecnologia tem um papel fulcral na interação 
homem-máquina permitindo ao operador desenvolver 
as competências de uma forma intuitiva. 
O World Economic Forum (2018) ordenou as competências 
consideradas mais importantes para 2018, tendências 
e em decadência em 2022. O Pensamento analítico 
e inovação e Aprendizagem ativa e estratégias de 
aprendizagem são duas das que se mantêm em 2022. 
120
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
REFERÊNCIAS
ALA-MUTKA, K. (2011) - Mapping Digital Competence- Towards a 
Conceptual Understanding. European Union. Retirado de ftp://jrc.es/
pub/EURdoc/JRC67075_TN.pdf.
BECHTOLD, J., KERN, A., LAUENSTEIN, C. & BERNHOFER, L. 
(2014) - Industry 4.0 - The Capgemini Consulting View Sharpening the Picture 
beyond the Hype. Capgemini Consulting.
CARVALHO, R. M. (2010) - Compreender + África, fundamentos para 
competir no Mundo (2 ed.). Lisboa: Debates, Círculo de Leitores e Temas 
e Debates.
FRAZÃO, J., FRAZÃO I. (2013) - New Technological Approach for 
the increased of Productivity in Quarries. Germany: 2nd International 
Conference on Stone and Concrete Machining, pp 51-57. 
FRAZÃO, JP., CARVALHO, R. M., ESPERANÇA, J.P., (2018) - The 
Evolution of the Stone Workforce. Brasil: Global Stone Congress.
FRAZÃO, J., ANDRÉ, F., FRAZÃO, I. (2018) - Innovative optimization in 
the diamond wire cutting process in Quarries. Brasil: Global Stone Congress.
FRAZÃO, J. (2016) - Evolução do Colaborador no Setor da Pedra (Tese de 
Mestrado). Instituto Superior de Gestão, Lisboa.
FIGUEIREDO, G. (2016, Setembro) - Sector automóvel lidera presente e 
futuro. Moldes & Plásticos, p, 94. 
FRAVIZEL (2019) - Retirado de www.fravizel.com
FREY, C. B. & OSBORNE, M. A. (2013) - The Future of Employment: How 
Susceptible are Jobs to Computerisation? Oxford: Oxford University Press.
GAMBOA, R. (2017, Outubro) - Competências Profissionais - O Futuro. 
Comunicação apresentada na conferência AIMMAP Formação Desafios 
e Competitividade, Porto, Portugal. 
LORENZ, M., KÜPPER, D., RÜßMANN, M., HEIDERMANN, A., & 
BAUSE, A. (2016, May) - Time to Accelerate in the Race Toward Industry 
4.0. Bcg.perspectives by The Boston Consulting Group, 1–5. 
WORLD ECONOMIC FORUM. (2018) - The Future of Jobs Report.World 
Economic Forum.
http://www.fravizel.com
121
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Agostinho da Silva
CEFAGE, Universidade de Évora, Évora, Portugal
MARE - Marine and Environmental Sciences Centre, Polytechnic 
of Leiria, Portugal
ISG, Instituto Superior de Gestão. Lisboa, Portugal
CIIC, Polytechnic of Leiria, Leiria, Portugal
Email: a.silva@zipor.com
Palavras Chave: Indústria 4.0, BIM, Cyber-Phisical systems, rochas ornamentais.
Rochas Ornamentais Portuguesas
Operações Indústria4.0 como Resposta ao Procurement BIM
Andreia Dionísio
CEFAGE, Universidade de Évora, Évora, Portugal
Email: andreia@uevora.pt
Luís Coelho
CEFAGE, Universidade de Évora, Évora, Portugal
Email: lcoelho@uevora.pt
RESUMO
O setor das Rochas Ornamentais (RO) gera em Portugal mais de 16.000 empregos diretos, registou um crescimento 
das exportações em 2019 de 15% e centra a sua principal âncora competitiva na produção customizada com escala. 
Sendo previsível que a prazo o Building Information Modelling (BIM) seja a tecnologia de projeto e gestão de obras a 
nível global, a qual orienta o procurement para produtos standard. O presente estudo avalia a resposta da Indústria 4.0 
(I-4.0) às ameaças decorrentes do procurement BIM na Arquitetura Engenharia e Construção.
mailto:a.silva%40zipor.com?subject=
mailto:?subject=
mailto:?subject=
122
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Da transição da Terceira para a Quarta Era Industrial a 
que assistimos, emergem paradigmas como o Building 
Information Modelling (BIM) [1], uma tecnologia digital 
com o qual as entidades governamentais buscam trans-
parência e eficiência na Arquitetura Engenharia e Cons-
trução (AEC) por via da abordagem global e “modelo de 
compras” (procurement) orientado para produtos standard 
(Figura 1).
Com impactos ainda imprevisíveis na cadeia de abaste- 
cimento, o procurement BIM poderá implicar, em alguns 
setores da cadeia de abastecimento da AEC, uma 
reinvenção do próprio modelo de negócio, especialmente 
naqueles que sustentam a sua competitividade na 
customização dos produtos, como é o caso do setor das 
Rochas Ornamentais (RO) em Portugal [2].
O setor das RO gera em Portugal mais de 16.000 
empregos diretos e as exportações de 2019 superaram 
em 15% o melhor ano de sempre que havia sido 2018, 
com incrementos de valor anuais muito significativos. 
Com a sua principal vantagem competitiva ancorada 
na customização dos produtos em pedra, da deriva do 
procurement na cadeia de abastecimento da AEC para 
produtos standard, resultará um problema potencial à 
sustentabilidade económica desta importante atividade 
nacional [2].
FIGURA 1
Dimensões dos objetos BIM
Dimensões 
BIM Significado Funcionalidade 
3D Geometria sólida Construção digital 3D da obra
4D Tempo Planeamento temporal da obra
5D Custo Mapa de custos da obra
6D Sustentabilidade Pegada ecológica do edifício no 
ciclo de vida
7D Gestão e 
manutenção 
Gestão e manutenção do 
edifício no ciclo de vida
8D Segurança Segurança do edifício no ciclo 
de vida
Sendo claro que da utilização do BIM a nível global 
resultará uma nova realidade no “modelo de compras” 
para a construção de edifícios, poderemos identificar as 
seguintes ameaças que as empresas de RO Portuguesas 
terão de enfrentar: (i) o modelo de procurement tenderá 
a orientar-se para produtos standard; (ii) o tempo de 
construção dos edifícios será tendencialmente inferior 
ao atual; (iii) os custos de construção e manutenção dos 
edifícios serão tendencialmente inferiores aos atuais; (iv) 
a construção e manutenção dos edifícios terá tendência 
para se tornar ecologicamente mais sustentável; (v) os 
produtos terão de ser fornecidos sem erros, pelo que a 
tolerância à não-qualidade tenderá a ser menor, quando 
comparada com a situação pré-BIM [3].
Da mesma forma que o BIM é um Paradigma emergente, 
também a designação “Indústria 4.0” (I-4.0) o é. O termo 
I-4.0 começou por ser a designação deuma Iniciativa 
Governamental do Governo Alemão, com vista à digita- 
lização da sua indústria, acabou por se tornar popular 
como significado de um novo conceito de operações que 
combina e integra diferentes tecnologias digitais como 
a robótica avançada, inteligência artificial, computação 
em nuvem, Internet das Coisas, Big Data, Realidade 
Aumentada, Produção Aditiva, entre muitas outras [4]. 
É hoje aceite por académicos e práticos que as operações 
I-4.0 incorporam todos estes conceitos numa cadeia de 
valor interoperável, partilhável e independentemente do 
espaço geográfico. Porém, o que caracteriza a Quarta 
era Económica a que assistimos é que pela primeira 
vez na História, os clientes colaboram na conceção e 
por vezes até na produção dos produtos que compram, 
interagindo por isso mesmo, com o próprio Cyber-Physical- 
-System (CPS) onde os produtos estão a ser fabricados.
Em modo I-4.0, o CPS “funde” o meio físico com o meio 
digital [5]. Os bens começam por ser apenas o seu próprio 
fingerprint digital, o qual, em modo metamorfótico, 
passará à condição de smart object, a partir do qual se 
vão tornando físicos ao longo do processo produtivo, até 
serem expedidos e chegarem ao cliente. 
Neste modelo de operações, a engenharia e o desenvol- 
vimento do produto tendem a ocorrer a partir de 
laboratórios virtuais, onde os clientes são cocriadores, 
no qual os próprios produtos adquirem a sua forma, 
por interação com os próprios meios produtivos. As 
redes de máquinas que compõem o chão das fábricas 
I-4.0 tenderão a tornar-se sistemas smart e flexíveis, 
respondendo rapidamente, não apenas aos comandos 
dados por humanos, mas também às suas próprias 
perceções, transmitidas por interação com os objetos 
em fabrico [6]. 
Foi neste cenário de paradigmas e ameaças sobre as 
Rochas Ornamentais Portuguesas, que um grupo de 
investigadores em estreita colaboração com o Cluster 
Portugal Mineral Resources e a Assimagra, desenvolveram 
e apresentaram em 2018, a partir da disciplina cientifica 
123
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
emergente Service Science, um Modelo Conceptual 
Avançado, designado por INOVSTONE4.0®, com o 
duplo objetivo de: (i) conceber a arquitetura de um Cyber- 
-Physical System que permitisse às empresas de RO operar 
em modo I-4.0 e (ii) medir o impacto nas empresas, antes, 
durante e após a transformação das suas operações para 
o modo Indústria 4.0 (Figura 2).
Para mapeamento do processo, foi desenvolvido um 
formato específ ico da ferramenta metodológica 
service blue printing1 incorporando o novo modelo de 
interações resultantes da digitalização dos processos e 
permitindo dessa forma a avaliação dos resultados das 
empresas na sua caminhada para o moderno modo de 
operações I-4.0.
Aplicando o Modelo matemático INOVSTONE4.0® a 
uma amostra de empresas representativa das melhores 
práticas utilizadas no setor das Rochas Ornamentais, foi 
possível prever a resposta destas empresas às ameaças 
resultantes do procurement BIM, considerando dois 
cenários diferentes: cenário (i) em que as empresas optam 
por manter o seu modelo de operações atual, e, cenário 
(ii) em que as empresas investem na mudança do seu 
modo de operações para o modo I-4.0.
1 Apresentada pela primeira vez por Shostack (1982), esta ferramenta metodológica terá sido inicialmente desenvolvida para estudar processos 
relacionados com o comércio e serviços, os quais eram interpretados como uma sequência de ações, onde cliente e fornecedor eram separados 
por um conceito imaginário que Shostack designou por “linha de visibilidade”.
FIGURA 2
Arquitetura do Cyber-Phisical System Inovstone4.0
124
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Por via do INOVSTONE4.0®, concluiu-se que em 
contexto de procurement BIM, nas empresas que optarem 
pelo cenário (i), ou seja, que decidiram manter o seu 
atual modelo de operações, a probabilidade de perderem 
a sua principal vantagem competitiva será próxima de 
100%, pois em BIM, existirá uma disfunção crítica entre 
o modelo de procura e o modelo de oferta. 
Por outro lado, nas empresas que optam pelo cenário (ii), 
ou seja, naquelas em que o modo de operações evoluir 
para I-4.0, verifica-se que no COCKPIT4.0 o fingerprint 
de cada objeto da encomenda se transformará num smart- 
-object, eliminando-se assim, do ponto de vista processual, 
qualquer diferença entre produtos customizados e 
produtos-por-medida. Conclui-se ainda que, neste 
cenário, as empresas poderão manter a sua principal 
vantagem diferenciadora atual, face aos produtos 
concorrentes dentro da Cadeia de Abastecimento.
GRÁFICO 1
Ganhos Qualitativos, na perspetiva dos clientes
(Silva, A. 2018).
GRÁFICO 2
Ganhos Qualitativos, na perspetiva dos fornecedores
(Silva, A. 2018).
Da mesma forma, em termos de resposta às restantes 
ameaças resultantes do procurement BIM na AEC, conclui- 
-se que a evolução das operações para o modo I-4.0, 
nas empresas de RO, poderá ter impacto relevante na 
(i) redução do prazo de entrega dos seus produtos em 
51%; (ii) redução nos custos dos seus produtos em 33%; 
(iii) redução da pegada ecológica dos seus produtos em 
32%; e na (iv) redução da taxa de não-conformidade dos 
seus produtos em 31% (Gráficos 1,2 e 3) [3].
GRÁFICO 3
Ganhos Quantitativos, quando as operações nas RO evoluem do 
Estado-da-Arte para Indústria 4.0
(Silva, A. 2018).
Como conclusão, e sem considerar o investimento 
necessário para tornar a produção I-4.0, o Modelo 
INOVSTONE4.0® permitiu identificar que a previsível 
obrigatoriedade legal do BIM na cadeia de abastecimento 
da AEC, poderá até tornar-se numa oportunidade para 
as empresas de RO que evoluírem as suas operações 
para I-4.0, uma vez que o impacto desta nova forma 
de operações em ambiente de procurement BIM é 
tendencialmente muito favorável.
AGRADECIMENTOS
Os autores deste artigo agradecem o apoio institucional 
do Grupo CEI-Zipor, Assimagra e Cluster Português dos 
Recursos Minerais.
125
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
REFERÊNCIAS
[1] J. VILAS-BOAS, V. MIRNOORI, A. RAZY, and A. SILVA (2019) 
- Outlining a New Collaborative Business Model as a Result of the Green 
Building Information Modelling Impact in the AEC Supply Chain. PRO-VE 
2019. IFIP Adv. Inf. Commun. Technol. vol 568. Publ. Springer, 
pp. 405–417.
[2] A. SILVA, A. DIONÍSIO, and L. COELHO (2020) - Results in 
Engineering Flexible-lean processes optimization: A case study in stone sector. 
Results Eng., vol. 6, nº. March, p. 100129.
[3] A. SILVA (2018) - Improving Industry 4.0 Through Service Science. 
PhD Thesis - Univ. Évora.
[4] LI DA XU, ERIC L. XU & LING LI (2018) - Industry 4. 0: state of 
the art and future trends. Int. J. Prod. Res., vol. 56, nº. 8, pp. 2941–2962.
[5] A. SILVA and I. ALMEIDA (2020) - Towards INDUSTRY 4.0 | a case 
STUDY in ornamental stone sector. Resour. Policy, vol. 67, nº. March, p. 
101672, 2020.
[6] J. VILAS-BOAS, V. MIRNOORI, A. RAZI, and A. SILVA (2019) - 
Collaborative Networks and Digital Transformation Outlining.
127
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Marta Rocha Peres
Diretora Executiva - Associação Cluster Portugal Mineral Resources
Email: marta.peres@clustermineralresources.pt
Palavras Chave: Cluster, cooperação, estratégia, resultados.
Cluster dos Recursos Minerais – Um Modelo de Mobilização de 
Conhecimento, Cooperação e Inovação
RESUMO
A política de Clusters surgiu em Portugal, a partir de 2008. Nessa altura, foi criado o Cluster da Pedra Natural. Em 
2016, com a entrada em vigor de outro programa político de clusterização, forma-se uma parceria mobilizada para 
os objetivos comuns dos Recursos Minerais em Portugal. Esta mobilização culmina na evolução para um Cluster dos 
Recursos Minerais reconhecido em 2017, que hoje conta com 67 Associados e mais de 100 parceiros a nível mundial. 
Em mais de dois anos de operacionalização, o trabalho emrede e cooperação tem gerado maior conhecimento, mais 
desenvolvimento. Os resultados do sistema de clusterização são visíveis ao nível da tendência de crescimento das 
exportações, do volume de negócios e do valor acrescentado das Empresas que pertencem ao Cluster.
O modelo adotado pelo Cluster dos Recursos Minerais, tem evidenciado que este é o caminho a prosseguir além de 
2020.
mailto:?subject=
128
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
ABSTRACT
In Portugal, the clusters support policy was adopted in 2008. The Cluster of Natural Stone was created and recognized 
in this framework. 
In 2016, with a new clustering policy, a mobilized partnership is formed for the common objectives of Mineral 
Resources in Portugal.
This mobilization culminates in the evolution towards a Mineral Resources Cluster recognized in 2017, which today 
has 67 Associates and more than 100 partners worldwide.
In more than two years of existing, networking and cooperation has generated more knowledge, more development.
The results are visible in the growth trend of exports, turnover and value added of the Companies belonging to the 
Cluster.
The model adopted by the Cluster of Mineral Resources, has shown that this is the way forward until and beyond 2020.
Keywords: Cluster, networking, strategy, mineral resources, results.
1. INTRODUÇÃO
Em 2008, o Governo de Portugal lança o programa 
Estratégias de Eficiência Coletiva enquadrado no Quadro 
de Referência Estratégico Nacional (QREN), de forma a 
reconhecer iniciativas integradas num Programa de Ação 
que visava a inovação, a qualificação ou a modernização 
de um agregado de Empresas, através do funcionamento 
em rede, entre Empresas e outros atores relevantes.
Os Clusters foram tipologias abrangidas por esta Estraté-
gia. Um Cluster, por definição é um grupo de empresas 
interconectadas e instituições associadas numa área par-
ticular, ligados por semelhanças e complementaridades.
Não sendo um conceito novo, e já muito disseminado 
noutros países, os Setores em Portugal organizaram-se e 
foram reconhecidos em 2008, 11 Pólos de Competitividade 
e 7 Clusters, onde se incluiu o Cluster da Pedra Natural.
Através do reconhecimento de um Plano de Ação assente 
nos eixos da Internacionalização, Sustentabilidade e 
Inovação, foi criada uma Rede de Empresas, Entidades 
de Investigação e Inovação, Associações e Entidades 
Públicas (32 membros), que desenvolveram iniciativas 
em cooperação.
Em Setembro de 2012 é publicada a Resolução do 
Conselho de Ministros nº 78/2012, com a Estratégia 
Nacional para os Recursos Geológicos com o objetivo 
de promover um setor mineiro dinâmico, que garanta a 
captação e a realização de investimento e uma exploração 
sustentável dos recursos, com impacto no crescimento 
da economia nacional e no desenvolvimento regional. 
Esta resolução provoca o desafio de evolução para 
um Pólo de Competitividade dos Recursos Minerais 
(integrando os recursos metálicos com os não metálicos).
Nesse sentido, em 2013, inicia-se a mobilização para 
uma Estratégia Comum para os Recursos Minerais 
que culmina na constituição da Parceria dos Recursos 
Minerais (com 18 Entidades) que assinam a Carta 
Constitutiva para o compromisso de construção de um 
Plano de Ação para os Recursos Minerais. Com este 
momento e a concordância dos Sócios, a VALORPEDRA 
(entidade gestora do Cluster da Pedra Natural) começa 
a liderar o processo de evolução do Cluster da Pedra 
Natural para o Cluster dos Recursos Minerais.
Em 2017, com o lançamento do Programa Interface 
que tem como objetivo a valorização dos produtos 
portugueses, através da inovação, do aumento da 
produtividade, da criação de valor e da incorporação 
de tecnologia nos processos produtivos nacionais, foram 
reconhecidos 19 Clusters em todo o país.
O Cluster dos Recursos Minerais é reconhecido como 
um Cluster de Competitividade nacional e hoje é um 
modelo para a mobilização de conhecimento, cooperação 
e inovação, com mais de 100 parceiros em todo o Mundo 
e 67 Sócios. 
https://dre.pt/application/conteudo/176025
https://dre.pt/application/conteudo/176025
129
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
2. O MODELO PORTUGUÊS
A política de Clusters de Competitividade, em Portugal, 
foi inspirada no caso Francês, que a partir de 2004 im-
plementou um programa de Clusters de Competitividade 
e hoje tem cerca de 150 Clusters reconhecidos.
O modelo adotado para Portugal, teve que ter em 
conta os Setores Tradicionais, a dimensão do País e a 
localização Europeia.
O modelo assenta numa política industrial focada 
no conhecimento e desenvolvimento e os Clusters 
representam as ferramentas para a operacionalização 
dessa política. Em 2016, e através do lançamento de 
Concurso para o Reconhecimento, os setores foram 
avaliados quanto à sua capacidade para a investigação e 
desenvolvimento de inovação e internacionalização. Os 
setores que cumpriram os critérios estabelecidos foram 
reconhecidos como Clusters de Competitividade.
O reconhecimento de Cluster de Competitividade 
é atribuído pelo Governo Português com base nos 
seguintes critérios: apresentação de uma estratégia para 
o desenvolvimento económico até 2020, a existência de 
uma parceria entre os atores diretamente relacionados, 
um modelo de governança operacional, a capacidade 
de criar valor agregado através da investigação e 
desenvolvimento e a capacidade internacional.
Cada Cluster é representado e gerido por uma Associação 
com entidade jurídica. Estas Estruturas são compostas 
por representantes dos atores Industriais, Academia e 
entidades nacionais e/ou regionais. As associações têm 
equipas permanentes para facilitar a implementação de 
projetos em cooperação e colaboração entre os atores do 
Cluster e entre estes e outros Setores.
O Estado contribui para o financiamento destas estru- 
turas com base em Contratos-Programa, que rege as 
relações entre Cluster e Estado.
O Contrato-programa cobre 3 eixos de atuação: (i)
Gestão Estratégica do Cluster através de um plano de 
ação estratégico até 2020; (ii) Apoio ao desenvolvimento 
do sistema de inovação e ao crescimento empresarial, 
por meio de financiamento privado mais consistente; 
(iii) Desenvolvimento de projetos estruturais, incluindo 
as plataformas de inovação. 
3. O CLUSTER DOS RECURSOS MINERAIS
O Cluster dos Recursos Minerais tem a sua génese 
na Resolução do Conselho de Ministros nº78/2012 –
Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos “A 
exploração responsável dos recursos geológicos constitui 
um meio importante de desenvolvimento, que pode 
contribuir de modo relevante para o desempenho 
da economia nacional. Para tal, é necessária a prévia 
consolidação de uma política de sustentabilidade, que 
contemple de modo integrado as vertentes económica, 
social e ambiental, bem como a definição de um quadro 
legal e institucional eficiente”...“considerando o potencial 
dos recursos geológicos como fator de desenvolvimento 
económico, o XIX Governo Constitucional incluiu nas 
Grandes Opções do Plano para 2012-2015, aprovadas 
pela Lei n.º 64-A/2011, de 30 de dezembro, no quadro 
da 5.ª Opção - O Desafio do Futuro - Medidas setoriais 
prioritárias, a apresentação de «uma estratégia nacional 
para os recursos geológicos que estabeleça uma estratégia 
de financiamento para a dinamização da fase de 
prospeção e atração de investimento estrangeiro para 
exploração e que promova o crescimento sustentado 
do setor, o aumento das exportações de tecnologias e a 
criação de emprego».”
A existência do Cluster da Pedra Natural, na altura com 
mais de 5 anos de experiência, gerido pela Associação 
Valorpedra, que desenvolveu um trabalho em rede 
que permitiu a manutenção da Pedra Natural nos 
primeiros 10 lugares do ranking mundial de produtores 
e exportadores e contribuiu para o aumento do valor 
acrescentado do setor, foi fator crucial para uma evolução 
para um Cluster de Recursos Minerais. Com um total 
de investimentode cerca de 56 Milhões de Euros, 
durante este período foram desenvolvidos cerca de 50 
projetos, 50% dos quais foram projetos conjuntos e ou 
em cooperação.
Em 2017 nasce o Cluster dos Recursos Minerais, com 
um plano estratégico desenhado até 2020, com metas 
estabelecidas e com uma parceria já consolidada. A 
Associação Valorpedra passa a ser a ASSOCIAÇÃO 
CLUSTER PORTUGAL MINERAL RESOURCES.
Em 2016, foram estabelecidas as metas 2020, e embora 
ainda sendo cedo, para avaliações, alguns indicadores já 
evidenciam que o processo de Clusterização tem vindo a 
assegurar níveis de competitividade interessantes.
https://dre.pt/application/conteudo/176025
https://dre.pt/application/conteudo/243768
130
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Foram definidas várias metas em termos de indicadores 
económicos como o volume de negócios, valor acres-
centado bruto, exportações, emprego, investimento em 
FIGURA 1
Metas Cluster dos Recursos Minerais 2020
Fonte: Contrato Programa – IAPMEI.
IDT, taxa de cobertura das exportações e número de 
associados. 
Relativamente às exportações, as estatísticas de 2019 
demonstram que em termos de volume exportado existe 
crescimento em todos os subsetores, quando comparado 
com 2018. Apenas os Recursos Minerais Metálicos 
apresentam variação negativa, quando analisamos 
as exportações em valor vendido, devido às cotações 
internacionais dos metais.
131
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 2
Comércio Internacional de bens 
Taxas INE 2019/ DGEG 2019
132
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Frazão (2018), no seu estudo sobre a “Capacidade 
Dinâmica das Alianças no Cluster dos Recursos Minerais” 
defende que as Empresas de Pedra Natural pertencentes 
ao Cluster apresentam uma tendência de crescimento de 
Volume de Negócios contrária à verificada no Setor em 
2011-2016.
TABELA 1
Volume de negócios no setor da Pedra e no cluster (5)
Variação
2011 2012 2013 2014 2015 2016 %
Volume de Negócios do Setor 
da Pedra
1 177 197 4334 1 012 175 0714 968 689 6994 956 939 7904 1 001 629 6074 1 013 186 3444 -17%
Volume de Negócios das 
empresas de pedra do Cluster
49 399 4794 46 039 4064 50 838 2334 55 555 0764 56 593 7874 60 565 7134 23%
Fonte: Frazão, Inês “Capacidade Dinâmica das Alianças no Cluster dos Recursos Minerais”, 2018 – ISCTE -UL.
Em 2020, a Associação Cluster Portugal Mineral Resources 
já conta com 67 Associados, tendo ultrapassado a meta 
proposta para 2020. Embora, o objetivo não é ter na 
Associação o maior número de sócios possíveis, este 
alcance representa o movimento de mobilização e 
trabalho em rede em torno de objetivos comuns.
Um Cluster distingue-se de uma Associação Empresarial 
pela sua missão de plataforma agregadora dos diferentes 
atores e subsetores ligados aos Recursos Minerais, 
de forma a promover a Investigação, a Inovação e o 
Desenvolvimento.
Sem pretensões de representação comercial ou jurídica 
do Setor, o Cluster agrega Associados que tenham 
motivação e recursos para o conhecimento e para a 
inovação. 
Por este motivo, as Empresas do Cluster dos Recursos 
Minerais, são denominadas de Early Adopters, as 
Empresas com mais propensão para investir na Inovação 
e que acabam por ser a que todo o Setor quer seguir, 
mobilizando desta forma ao desenvolvimento de todo 
o sistema.
O Cluster dos Recursos Minerais é constituído maiorita-
riamente por empresas de pedra natural (43%), empresas 
de tecnologia (18%), entidades do sistema de investigação 
e inovação (21%), empresas de recursos metálicos (10%), 
entidades públicas (4%) e associações (4%). 
FIGURA 4
Sócios ACPMR (%) – 2020
Para o alcance destas metas, o Cluster adota o modelo 
expresso na Figura 4.
133
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 5
Modelo Cluster e eixos estratégicos - ACPMR
O Cluster dos Recursos Minerais mobiliza os atores do 
sistema para as temáticas estratégicas do Plano de Ação. 
Esta operacionalização é feita pela criação de Grupos de 
Trabalho (16) que são compostos por todas as Empresas 
e Entidades do Cluster que tenham interesse em realizar 
em cooperação as iniciativas previstas no Plano de Ação.
Em pouco mais de 2 anos, o Cluster já tem a decorrer 3 
Projetos do Plano de Ação e aguarda decisão de mais 
4 projetos estruturantes para os Recursos Minerais. 
Estes resultados, não são, contudo, os desejáveis, uma 
vez que as políticas de Clusterização têm encontrado 
constrangimentos nos instrumentos de incentivo à 
realização das atividades estruturantes do Plano de Ação.
Ainda assim, a mobilização verificada em torno das 
temáticas e dos objetivos comuns, deixam prever que o 
caminho irá prolongar-se além de 2020.
O Plano de Ação do Cluster dos Recursos Minerais 
que visa a competitividade pode ser esquematizado 
em atividades para a Sustentabilidade, atividades que 
contribuam para um maior conhecimento do ativo e 
ainda as atividades de inovação/mercado.
134
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Em 2019, o Plano de Ação do Cluster apresenta o seguinte 
ponto de situação:
4. CONCLUSÃO
Ketels (2017) defende que a dinâmica que pode emergir 
nos Clusters, é impulsionada pela massa crítica em torno 
de um conjunto de atividades de setores relacionados. À 
medida que as atividades se vão realizando, as interações 
possíveis crescem proporcionalmente, provocando o 
crescimento.
I. Frazão (2018) estudou a importância da Clusterização 
nas Rochas Ornamentais e as Empresas pertencentes 
ao Cluster referem que o estabelecimento de parcerias e 
o conhecimento são as maiores vantagens de pertença 
a este sistema.
FIGURA 6
Plano de ação do Cluster dos Recursos Minerais - 2019
135
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 7
Vantagens de pertencer ao Cluster
(I. FRAZÃO, 2018).
Desde os anos 90, quando Porter apresentou a sua teoria 
dos Clusters, que a Europa e os EUA têm vindo, cada uma 
com modelos diferenciados, a apostar nestas políticas 
económicas.
Os resultados e vantagens são evidentes ao nível da 
criação de massa critica, de escala e da geração de 
conhecimento e desenvolvimento.
A União Europeia tem vindo a apostar neste modelo e 
promove a interação de mais de 1000 Cluster em toda 
a Europa, através de uma plataforma colaborativa 
(European Cluster Collaboration Platform).
Em Portugal, os Cluster ainda não atingiram a 
maturidade e ainda há inúmeros desafios a empreender 
nestes sistemas.
No CLUSTER DOS RECURSOS MINERAIS, os primei-
ros anos, deram força de validade quanto ao caminho a 
prosseguir, e reforçaram a necessidade de se continuar 
a trabalhar pelo reconhecimento dos Recursos Minerais 
para a economia Nacional, para um uso sustentável e 
eficiente dos recursos, para um maior conhecimento do 
património geológico nacional, para a transformação di-
gital na Indústria, para um aproveitamento e uso cada vez 
mais circular, para a inovação tecnológica e de produto 
e para a defesa de uma cadeia de valor acrescentada.
REFERÊNCIAS
CHRISTIAN KETELS (2017) - “Cluster Mapping as a Tool for 
Development”, report for Institute for Strategy and Competitiveness- 
Harvard Business School.
EUROPEAN CLUSTER COLLABORATION PLATFORM (EU) (2019) 
- Informação em www.clustercollaboration.eu.
GOVERNO DE PORTUGAL: “Enquadramento das Estratégias de 
Eficiência Coletiva”, QREN – Quadro de Referência Estratégico 
Nacional (2008).
INE – Instituto Nacional de Estatísticas, “Estatísticas do Co-
mércio Internacional 2017”, Edição 2018. Disponível na inter-
net: https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_
publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=320462672&PUBLICACOE
Smodo=2. ISSN 0873-0687.
INÊS FRAZÃO (2018) - “Capacidade Dinâmica das Alianças no Cluster 
dos Recursos Minerais”. Lisboa: ISCTE – Instituto Universitário de 
Lisboa. Tese de Doutoramento.
LILIANA SCUTARU (2016) - “International Models andpolicies of 
Successful Clusters“, Ecoforum- Volume 5, SpecialIssue.
REPÚBLICA PORTUGUESA (2019) - Clusters de Competitividade - 
Informação em Programa Interface – www.programa.interface.pt/pt.
http://www.clustercollaboration.eu
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=320462672&PUBLIC
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=320462672&PUBLIC
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=320462672&PUBLIC
http://www.programainterface.pt/pt
137
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
RESUMO
O estudo do calcário português lioz, abordado neste artigo, abrange uma breve referência à sua história geológica e 
uma outra, mais extensa, ao seu papel como veículo de divulgação de arte e cultura portuguesa e europeia no Brasil.
O lioz, sendo um calcário microcristalino com propriedades físicas e tecnológicas próprias para a construção, é 
também utilizado como elemento decorativo, uma vez que tem coloração diversa, em branco-marfim, rosa claro 
e escuro, amarelo dourado e amarelo forte, recebendo por esta razão denominações diferentes na indústria das 
rochas ornamentais. É um calcário de ambiente recifal, portador de fósseis rudistas que lhe conferem uma textura 
singular. Ocorre nas zonas de Lisboa e arredores, incluindo a região do município de Sintra, principalmente em 
Pêro Pinheiro, de cujas pedreiras saiu a maior parte do material para construção em Portugal e no Brasil, desde o 
século XVIII até o presente. Usado durante décadas em construções na área de Lisboa, em estilos arquitetónicos 
diversos, em Mafra materializou o complexo arquitetónico emblemático de D. João V, Convento, Igreja e Biblioteca, 
tornando-se a “pedra real”. Foi transportado para o Brasil como lastro de navios que circulavam entre Portugal e 
a nova colónia, onde no século XVIII foi a rocha preferida para as grandes construções, principalmente de igrejas 
e templos de culto religioso, cópias de igrejas portuguesas ou nelas inspiradas, perpetuando a arte e arquitetura 
transportadas da Europa. Deixou em Salvador, na Bahia uma exposição valiosa do património de arte e cultura 
portuguesas. O lioz tem hoje o estatuto de “Rocha Património Global” por preencher os requisitos adotados pela 
Heritage Stone Subcomission (HSS) da UNESCO.
Zenaide Carvalho G. Silva
Geóloga, Profª. Associada c/ Agregação, Jubilada, GeoBioTec, 
Departamento de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e 
Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
Email: zcs@fct.unl.pt
Palavras Chave: Lioz, rocha património, arte, Portugal, Brasil
Lioz – Rocha Património, foi Real em Portugal e Transportou 
Arte e Cultura para o Brasil
mailto:zcs%40fct.unl.pt?subject=
138
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
ABSTRACT
The Portuguese limestone lioz is reported in this paper focusing two distinct approaches, a concise geological history 
and a very different one characterizing the lioz as a vehicle of diffusion of European and Portuguese art and culture 
in Brazil. Lioz is a microcrystalline limestone used in construction due to its technological properties suitable for 
that purpose, being also used as a decorative stone as it has a unique texture and varied colors: ivory white, light and 
dark pink, golden yellow, dark yellow. Due to that color variation and different appearance according to the way the 
rock is cut, lioz answers for a variety of designations given by the stone industry. The rock has been identified as a 
reef limestone and carries rudist fossils which give a pretty texture to it. Lioz occurs in Lisbon and vicinities, namely 
in the Sintra region, mainly in Pero Pinheiro region where many quarries are located. Most of the material extracted 
for construction both in Portugal and Brazil from the XVIII century to present, came from that area. During several 
decades lioz was the preferred rock used in churches and other monuments, as well as in governmental buildings, in 
very diverse architectonic styles. The monumental complex of Mafra (convent, church and library) under D. João V 
reign was totally built and decorated in lioz in such a way that the rock got the designation of “Royal Stone”. During 
the XVIII century lioz limestone was carried to Brazil as ballast in vessels that travelled across the ocean in commercial 
missions. It was then used in the new Portuguese colony as building and decorative stone for many churches and 
religious temples, which were similar as Portuguese counterparts, associated with several architectonic styles and 
different artistic symbols. In Salvador, Bahia, the most important Brazilian town at that time, an expressive exposition 
of that European art was left constituting a testimony of Portuguese art and culture. Today the lioz limestone has the 
recognized status of a Global Heritage Stone as defined by the Heritage Stone Subcomission of UNESCO.
1. INTRODUÇÃO
O calcário microcristalino denominado lioz, de ocorrên- 
cia na região de Lisboa e arredores, tem expressiva 
atividade extrativa e de transformação na região 
de Pêro Pinheiro e municípios limítrofes, de onde a 
rocha tem sido fonte de matéria-prima para muitos 
monumentos e construções, em Portugal e em outros 
países, durante séculos. É esta rocha, clara e de textura 
muito característica que alicerça as grandes construções, 
reveste edifícios públicos e pavimenta muitas ruas da 
cidade de Lisboa.
Sendo uma rocha património (Cooper et al., 2013), 
reconhecida pela comunidade geológica e de património 
global (Silva, 2019), além da sua história geológica, o 
lioz tem uma outra história, fascinante, em especial 
para Portugal e para o Brasil, graças ao papel que 
desempenhou como veículo de arte e cultura europeias 
para a nova terra Brasil, principalmente durante os 
séculos XVII e XVIII. Foi transportado para a então 
recente colónia como lastro (IPAC, 1997) das naus que 
compunham frotas dirigidas ao Brasil e desembarcou 
nos principais portos da costa brasileira que mantinham 
com Portugal um comércio intenso de bens da 
metrópole. Essas naus transportavam para o Brasil sal e 
mantimentos, ouro e prata trabalhados, sedas, produtos 
provenientes da Ásia, drogas, alfaias para a agricultura 
(Arruda, 1980) e retornavam da colónia trazendo 
produtos da terra como madeira, açúcar, tabaco, mel, 
plantas medicinais (ipecacuanha) e, mais tarde, algodão, 
couros, aguardente, ouro, pedras preciosas. Foi nas 
localidades que abrigavam aqueles portos que o lioz 
foi mais utilizado para construções, em especial em 
edifícios públicos e monumentos, sobretudo em igrejas, 
cuja construção manteve uma atividade muito intensa. 
As igrejas satisfaziam os projetos de ordens religiosas, 
como as jesuítas, franciscanas, beneditinas, carmelitas 
e em menor escala, de associações de comerciantes que 
também se organizaram em confrarias ou irmandades, 
legitimando-as com a construção de templos religiosos 
semelhantes aos de Portugal. Foi num clima de euforia 
comercial e abundância de recursos, além do entusiasmo 
e determinação protagonizados por D. João V, então rei 
de Portugal, que o Brasil recebeu a herança artística 
e cultural religiosa portuguesa, estampada nas suas 
igrejas, com predominância na Bahia, que tinha a 
cidade de Salvador como sede do governo no Brasil. 
139
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Em menor escala, Rio de Janeiro, Recife, São Luís do 
Maranhão e Belém do Pará também receberam parte 
desta herança, mas é na Bahia que ela está mais patente, 
em abundância e requinte. Hoje é possível identificar-se 
e correlacionar-se em igrejas que foram construídas 
em tempos próximos, no Brasil e em Portugal, com os 
“parentescos” artísticos entre elas visíveis para além 
do “toque” dos seus autores, arquitetos e artesãos que 
nelas deixaram a sua marca. Foi através do seu saber 
e arte que o Brasil recebeude Portugal, e também da 
Itália e Espanha, uma enorme riqueza patrimonial. A 
Bahia é hoje um museu vivo desta herança portuguesa, 
traduzindo parte da história luso-brasileira cultural e 
artística muito acentuada no século XVIII (Silva, 2007).
2. BREVE HISTÓRIA GEOLÓGICA E CARACTE-
RIZAÇÃO DA ROCHA
Ocorrência
O calcário lioz ocorre na região de Lisboa e aflora em 
localidades situadas a noroeste de Lisboa, como Oeiras 
e Paço d’Arcos e principalmente em Pêro Pinheiro, 
Lameiras, Morelena, Pedra Furada, áreas estas que 
estiveram submersas durante períodos geológicos que 
correpondem ao Cretácico, com cerca de 120 milhões 
de anos. Deve-se a Choffat (1900) a primeira descrição 
destas rochas, pertencentes a uma unidade estratigráfica 
referida como “calcário cristalino com rudistas”. Estes 
organismos são identificados com faunas de águas rasas, 
claras e quentes típicas de ambientes recifais. Na região 
de Lisboa o lioz ocorre em várias localidades (Sousa, 1897; 
Pinto, 2005), sendo que atualmente pouco se conhece dos 
afloramentos, sendo exceção o do vale de Alcântara, 
junto ao aqueduto das Águas Livres, local este que hoje 
é reconhecido como um Geosite: o Geomonumento 
Avenida Calouste Gulbenkian. Campolide, Rio Seco, 
Monsanto, e Belém são também locais de ocorrência 
do lioz, dentro de Lisboa, a partir das quais foi possível 
Zbyszewski (1963) resumir a estratigrafia da sequência 
descrita por Choffat, já mencionada. Também com 
base nas ocorrências citadas de Alcântara, Negrais e 
Pêro Pinheiro, Callapez (2008) tipifica o lioz como um 
calcário de plataforma. A ocorrência do lioz em várias 
localidades na região de Lisboa explica de certo modo 
o seu uso nas construções locais, abrangendo longos 
períodos da história da cidade, desde os romanos 
aos tempos modernos. Contudo, é na zona de Pêro 
Pinheiro, no concelho de Sintra, que atualmente estão 
localizadas as maiores e mais conhecidas ocorrências 
do lioz onde a rocha tem sido extraída e trabalhada 
para comercialização durante séculos. A ocorrência 
de algumas variedades de lioz está documentada por 
Martins (1991) na região de Lameiras e Pêro Pinheiro 
Este. Foi das pedreiras de Pêro Pinheiro (Figs. 1 e 2) que 
saiu um grande volume de lioz, de muitas variedades 
(branco-marfim, rosa, cinza, amarelo) para a construção 
do Complexo arquitetónico de Mafra, no século 
XVIII e é neste Complexo que se encontra uma vasta 
exposição, concebida com arte e significado religioso, 
das variedades desta rocha.
FIGURA 1
Pedreira antiga em Pêro Pinheiro
FIGURA 2
Blocos de lioz multicolor em pedreira de Pêro Pinheiro
140
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Caracterização Petrográfica
Do ponto de vista petrográfico, a rocha apresenta-se como 
um calcário microcristalino, cuja cor mais frequente é o 
branco-marfim, sendo também conhecidos o rosa claro, 
o rosa escuro, às vezes referido como “Encarnadão”, ou 
ainda menos frequente, o amarelo dourado discreto. 
As diferenças de cor são resultantes da presença de 
óxido de ferro, por vezes hidratado na matriz da rocha. 
Estas diferenças dão origem a nomes específicos para 
a rocha, atribuídos pela indústria, embora se trate da 
mesma rocha, o lioz. Deve-se salientar que a orientação 
do corte também é motivo para a atribuição de nomes 
distintos, de que é exemplo o “chainnette”, resultante 
de um corte da rocha não paralelo à estratificação. 
A variedade amarelo-laranja recebe a designação de 
Amarelo Negrais, mostrado na figura 2 e corresponde 
a uma variação localizada de fácies do lioz. Contém 
óxido de ferro hidratado e minerais argilosos, e é menos 
resistente à ação da atmosfera agressiva, poluída. Perde 
rapidamente o brilho em placas polidas quando expostas 
à atmosfera, em fachadas exteriores.
A rocha contém fósseis bivalves, rudistas, de tamanhos 
variados, imprimindo uma textura típica ao lioz, com 
destaque nas variedades coloridas, devido ao contraste 
entre a matriz cristalina, parcialmente oxidada e o 
material conchífero, mais claro, os fósseis (Fig.3). 
Atualmente é possível identificar-se acabamentos em lioz 
cinza, lioz rosa claro, polido em colunas interiores, em 
prédios construídos em meados do século XX, em Lisboa, 
bem como lioz contendo fósseis de tamanho avantajado 
(10-12 cm), como na escadaria do Teatro A Barraca, em 
Santos. De aplicação mais rara, conhece-se uma outra 
variedade de lioz, de cor vermelho roxo em decoração 
de pavimentos, como na igreja de São Paulo, em Lisboa. 
Esta variedade é também encontrada em pavimento de 
capelas na igreja da Misericórdia, em Salvador, na Bahia.
FIGURA 3
Textura típica do lioz rosa escuro, 
exibindo os vestígios fósseis (em branco)
Caracterização Química
O lioz é essencialmente um calcário formado por calcite 
microcristalina. A composição química dos tipos mais 
usados nas construções (lioz branco-marfim, chainnette, 
encarnadão e amarelo Negrais está ilustrada na Tabela 1 
e mostra que as diferenças de alguns óxidos são pequenas 
entre elas e podem indicar apenas variações locais, 
possivelmente em alguns horizontes da sequência 
estratigráfica.
TABELA 1
Análise química das quatro variedades de Lioz mais conhecidas
Óxidos % Lioz Chainnette Encarnadão Amarelo Negrais
SiO2 0,31 0,55 0,35 1,59
Al2O3 0,48 0,18 0,25 0,25
Fe2O3 0,02 0,05 0,07 0,37
MgO 0,48 0,85 0,36 1,29
CaO 55,49 54,21 55,27 53,02
Na2O 0,05 0,18 0,06 0,07
K2O 0,07 0,07 0,04 0,07
L.O.I. 43,35 43,48 43,78 43,22
Total 100,25 99,57 100,18 99,83
(Segundo Casal Moura, IGM, 1992-1996).
141
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Caracterização Física e Tecnológica
As propriedades físicas ou tecnológicas que permitem 
o uso do lioz como material de construção não variam 
significativamente entre os tipos de lioz, em função das 
pequenas variações na composição química (presença 
de óxidos de ferro), mas são afetadas pelo modo como a 
rocha é cortada, se paralelamente ou não à estratificação. 
Sendo a rocha um calcário resultante da precipitação 
de carbonato de cálcio e da deposição simultânea de 
organismos que deram origem aos registos fósseis, os 
modos distintos de corte deixam características parti-
culares na textura: ou expondo os contornos da concha, 
arredondados, quando o corte é paralelo à estratificação, 
ou exibindo seções diferentes da concha e mostrando as 
linhas irregulares dos estratos, estilólitos, quando em 
corte diferente dos planos de estratificação, motivando 
uma textura distinta, utilizada pelos arquitetos como 
realce decorativo nas construções.
Uma discussão mais alargada do comportamento 
tecnológico dos calcários da região de Lisboa, incluindo 
o lioz, está contida no trabalho de Figueiredo (1997). 
A Tabela 2 mostra algumas propriedades tecnológicas 
relativas às variedades de lioz realçadas neste trabalho. 
Essas propriedades foram escolhidas para exemplificação 
porque algumas são determinantes no uso da pedra 
como material de construção com desempenho estrutural 
e outras porque revelaram ter um papel essencial na 
vulnerabilidade da rocha à alteração. Neste contexto, 
verifica-se que rochas cuja porosidade tem valores 
mais elevados, resistem menos à ação das atmosferas 
agressivas, principalmente ao nevoeiro salino (Silva 
& Simão, 2009). Nesta situação, observa-se que as 
rochas calcárias perdem massa em relação direta com 
a porosidade aberta, e no caso específico do lioz, é a 
variedade amarelo Negrais aquela que mais perde, 
correspondendo a 1.18% de porosidade aberta. Em 
alguns locais de Lisboa é possível observar-se o tipo de 
alteração exibida por esta rocha em fachada externa, 
sendo notória a exposição na parede externa do Aquário 
Vasco da Gama, em Algés, ao longo da Avenida Marginal. 
A perda de brilho da rocha e consequente opacidade 
da parede foi rápida e pode ser contrastada com o 
aspeto de paredes internas da mesma rocha, observada 
em várias outras construções. Finalmente, é de referir 
o mais comum tipo de alteraçãodo lioz, patente em 
vários monumentos portugueses resultante do efeito da 
humidade sobre a rocha que, combinado com a presença 
de SO2 na atmosfera, conduz à formação de gesso, um 
sulfato de cálcio hidratado, desenvolvendo crostas negras 
na rocha. Entre os exemplos bem conhecidos está o 
claustro do Mosteiro dos Jerónimos que entre 1998 e 2001 
foi sujeito a uma intervenção cuidadosa para limpeza e 
remoção do material alterado. Estas e outras alterações 
no mesmo local foram objeto de estudo cuja discussão 
está disponível em Aires-Barros (2001). Na Torre de 
Belém o mesmo autor (Aires-Barros, 2000) descreve 
em pormenor a intervenção de conservação e restauro 
naquele monumento, com alterações semelhantes.
TABELA 2
Propriedades geotécnicas das quatro variedades do calcário Lioz mais comuns: Lioz, Chainnette, Encarnadão e Amarelo Negrais
Propriedades
Geotécnicas
Lioz
(Lameiras)
Chainnette
(Lameiras)
Encarnadão
(Lameiras)
Amarelo Negrais 
(Negrais)
Resistência mecânica à 
compressão(kgf/cm2) 900 1296 937 1442
Resistência mecânica à 
flexão (kgf/cm2) 185 221 198 203
Massa volúmica aparente 
(kg/cm3) 2695 2708 2701 2674
Absorção de água à P.At. 
(%) 0.16 0.07 0.10 0.44
PorosidadeAberta
(%)
0.42 0.17 0.28 1.18
Resistência ao desgaste 
(mm) 2.3 1.8 2.6 2.8
(Segundo Casal Moura, IGM, 1992-1996).
142
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Faz-se a seguir uma breve referência ao papel do 
acabamento das superficies das placas de lioz quando 
aplicadas no exterior e a resposta que é observada 
na rocha, em cada tipo de acabamento. De um modo 
geral, as superficies polidas resistem mais à ação dos 
agentes de alteração e as superficies bujardadas são as 
que mais se alteram perante as mesmas condições (Silva 
et al., 2013; Silva & Cruz, 2013). Em Lisboa, na Praça 
do Império, em Belém, onde vários monumentos em 
lioz estão expostos, tem-se um mostruário valioso para 
a observação destes comportamentos. Nesta Praça, na 
mais recente construção, o Centro Cultural de Belém, 
as placas de lioz têm um acabamento distinto (Fig. 4), o 
escacilhado, e embora ainda seja cedo para este tipo de 
estudo, são um expositor ideal para tais observações e 
acompanhamento da evolução das alterações no tempo.
FIGURA 4
Acabamento escacilhado das placas de lioz, 
Centro Cultural de Belém, Lisboa
3. O LIOZ NA CONSTRUÇÃO EM PORTUGAL
O lioz é uma rocha que, por sua natureza física e 
química, se enquadra num tipo petrográfico específico 
de rochas que de um modo geral se comportam como 
materiais mais frágeis, quando comparados com rochas 
de natureza silicatada, como a generalidade dos granitos, 
sienitos e outras rochas similares. Tendo uma composição 
essencialmente calcítica, mineral de baixa dureza (3 na 
escala de dureza de Mohs), tem características de “rocha 
mole”, próprias para ser trabalhada. No entanto, a sua 
história geológica e textura (microcristalina, compacta), 
permite-lhe um comportamento específico, exibindo 
propriedades tecnológicas comparáveis às de muitas 
rochas de natureza silicatada. Esta circunstância confere- 
-lhe o “estatuto” de rocha capaz de ser utilizada como 
elemento estrutural nas construções, garantindo-lhes 
durabilidade e de ser trabalhada manualmente com 
alguma facilidade. Este tipo de calcário é encontrado em 
construções e outras aplicações em todo Portugal, mas 
por ocorrer na região de Lisboa e arredores, é nestas 
áreas que o seu uso é mais expressivo.
Ao longo do tempo, o lioz foi material de construção 
em grandes obras em Lisboa, como o Aqueduto da 
Águas Livres (Fig.5), no vale de Alcântara, o Mosteiro 
dos Jerónimos, a Torre de Belém (Fig.6), o Monumento 
aos Descobrimentos, o Museu da Marinha, o Palácio da 
Ajuda, a Assembleia da República, o Centro Cultural de 
Belém e em muitas igrejas do centro e da periferia da 
cidade, como a igreja de São Vicente de Fora e a Basílica 
da Estrela, a Sé Catedral, a igreja da Madre de Deus, no 
Beato, a do Menino de Deus, em Alfama, e muitas outras, 
localizadas na Baixa lisboeta. Estas construções trazem 
consigo testemunhos de várias épocas e de vários estilos 
arquitetónicos, marcando a presença do lioz, algumas 
com interiores exibindo um lioz bem trabalhado, 
exemplificado aqui com os túmulos de Camões e de 
Vasco da Gama e em arcos no claustro no Mosteiro dos 
Jerónimos (Fig.7).
FIGURA 5
Aqueduto das Águas Livres, Lisboa
143
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
FIGURA 6
Torre de Belém, Lisboa
FIGURA 7
Pormenor do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
Em algumas igrejas, os trabalhos artísticos que adornam 
capelas e pilares expõem variedades de lioz numa 
combinação artística do lioz marfim, lioz encarnadão 
e amarelo Negrais, em geral partilhados com outro 
calcário, este preto, de Mem Martins, em “embutidos” 
delicados e de padrões diversos. É na igreja jesuíta de 
São Roque, no largo da Misericórdia, que se encontram 
talvez os melhores exemplos deste tipo de composição 
exibidos em algumas das suas capelas (Fig.8). Trabalhos 
semelhantes são encontrados em outras localidades, 
como em Évora, na Igreja do Espírito Santo e na 
Catedral. A norte de Lisboa, o lioz marca presença na 
Catedral de Santarém e nos seus arredores, compondo 
um ambiente agradável estendendo-se aos pavimentos da 
área que contorna a catedral. Em Tomar, no Convento 
de Cristo, monumento construído em calcário local 
desde tempos medievais e trabalhado até o presente, o 
lioz compõe parte da charola e é pavimento em algumas 
dependências.
FIGURA 8
Embutidos em lioz policromado em capela 
da Igreja de São Roque, Lisboa
A aplicação do lioz como pedra de revestimento em 
edifícios, em residências e em pavimentos tem-se 
de novo acentuado nas últimas décadas, depois de 
um período em que a pedra parecia esquecida. A 
construção do Centro Cultural de Belém (1989 a 1992) 
e a expansão do metropolitano de Lisboa contribuiram 
para esta “redescoberta” da rocha, referida por Lopes 
(2017) e hoje a sua exposição está marcada como pedra 
de revestimento e trabalhada em escultura, como 
exemplificado em estátua do Marquês de Pombal, entre 
as linhas do metropolitano na Estação do Marquês.
4. LIOZ – PEDRA REAL
O uso alargado do lioz na região de Lisboa deve-se 
em primeiro lugar à sua ocorrência, já mencionada, 
nas proximidades da cidade, tornando-se durante 
144
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
décadas, desde tempos longínquos, a fonte de recurso 
natural por excelência, facilitada pela sua localização 
e disponibilidade. Tal facto está registado nas diversas 
construções públicas, de palácios residenciais a 
monumentos históricos e a edifícios públicos, alguns já 
mencionados. Tendo atravessado períodos diversos de 
história e de estilos artísticos, é natural que esteja presente 
em construções de diferentes estilos arquitetónicos, 
sendo que há registos da presença de mais de um estilo 
na mesma obra, em especial naquelas cujo tempo de 
construção foi longo. Um bom exemplo desta situação é 
o complexo arquitetónico de Mafra, construído durante 
o reinado de D. João V (1706-1750), em que há registos 
de estilos arquitetónicos desde o Românico, atravessando 
o Gótico, o Manuelino, Renascimento e Maneirismo e 
que traduzem a influência daqueles estilos em voga na 
Europa. 
A construção do complexo de Mafra idealizado e 
conduzida por D. João V corresponde a um período 
da história de Portugal em que o comércio com a 
nova colónia na América do Sul, o Brasil, era intenso. 
Havia recursos provenientes da colónia, havia trocas de 
mercadorias de Portugal para o Brasil e vice-versa e o lioz 
presenciou e viveu esta movimentação. Havia, sobretudo, 
a vontade de um rei, que pretendia construir em Portugal 
algo que tivesse a grandeza de uma Versailles, de França, 
ou de Schönbrunn, na Áustria, ou do Palácio Real de 
Madrid, em Espanha. Na visão de Gandra (1998), a 
construção do complexo de Mafra tinha o propósitode 
ser “o centro espiritual do Quinto Império, réplica da 
Nova Jerusalém, vaticinada no Apocalipse.” O estudo 
daquela construção, dos pormenores relacionados com o 
simbolismo de cada pedra, na sua cor, forma e colocação 
naquela obra é objeto cuidadoso e até apaixonante 
daquele autor (Gandra, 1995). Convento, igreja e 
biblioteca, referido como o complexo arquitectonico de 
Mafra é todo construído em lioz, o de Pêro Pinheiro. A 
escolha desta rocha, pelas razões já mencionadas e pela 
sua beleza, em tantas obras majestosas, com o patrocínio 
oficial, conferiu-lhe o estatuto de “Pedra Real”, pois a 
sua presença nas grandes obras e igrejas nunca faltou.
5. LIOZ – EMBAIXADOR DE PORTUGAL NO 
BRASIL COLONIAL, VEÍCULO DE ARTE E CUL-
TURA 
O século XVIII viu f lorescer no Brasil um tipo de 
atividade na construção muito intensa, de certo modo 
acompanhando atividades semelhantes em Portugal. A 
escolha do lioz como pedra preferida para as construções 
foi natural, uma vez que ela já era a pedra “da moda” 
nas mais marcantes construções em Lisboa, havia reserva 
disponível em Lisboa e lugares próximos, existia um 
porto em Lisboa que já era o mais movimentado em 
Portugal e de onde partia a maioria das frotas em direção 
ao Brasil e oriente, facilitando o comércio de bens da 
metrópole e, entre eles, a pedra para construções, o lioz.
A construção de igrejas foi, no século XVIII e no Brasil, 
um grande motor de atividade cultural, tendo em vista 
a pluralidade de Ordens religiosas que lá aportaram 
e consolidaram a sua presença através dos templos 
erigidos. Ao lado das Ordens, surgiram as irmandades, 
que, na generalidade, eram expansão do que havia já 
em Portugal, embora algumas tenham surgido por 
influência de comerciantes abonados que desejaram 
rever Portugal no Brasil, através das representações 
religiosas. Várias cidades-portos receberam estes 
templos, mas foi a cidade de Salvador, na Bahia, onde 
eles foram erigidos em quantidade, testemunhando um 
forte traço de cultura e arte portuguesa. O lioz esteve 
sempre presente, também em peças de decoração nas 
igrejas, desde pias de água benta a lavabos e pavimentos 
decorativos com o lioz policromado. Tanto os estilos 
arquitetónicos como os interiores dos templos trazem 
traços de arquitetos e artistas que trabalharam em 
Portugal, sendo bons exemplos as contribuições dos 
discípulos de Filipe Terzio, arquiteto-mor de Filipe II, que 
transportou a arte renascentista da Itália para Portugal 
e mais tarde para o Brasil (Rocha & Mateus, 1977), de 
que na Bahia são exemplos a Santa Casa da Misericórdia, 
o Mosteiro de São Bento e outros. Mais tarde, um 
discípulo de Frederico Ludovice, o arquiteto alemão 
que trabalhou para D. João V em Portugal, construiu 
a Igreja da Conceição da Praia (Ott, 1989), também 
na Bahia. Esta igreja foi toda trabalhada em Portugal 
nos telheiros de Paço d’Arcos, na região de Lisboa, em 
lioz, por encomenda, e transportadada para montagem 
na Bahia (Valladares, 1982, Santos, 2002). Esta igreja 
é considerada a primeira manifestação do barroco de 
D. João V no Brasil (IPAC, 1997). Na Conceição da Praia 
são encontrados belos pavimentos com embutidos em lioz 
policromado. A história da construção desta igreja está 
descrita em pormenor por Silva (2007), onde a autora 
também relata a chegada de D. João VI ao Brasil em 
1808, na Bahia, por força de mudança de rota devido 
aos ventos. No seu relato, escreve: ”Foi em 24 de janeiro 
de 1808 que os sinos da Conceição da Praia dobraram 
145
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
saudando a família real e em 4 de fevereiro era naquela 
igreja celebrada a cerimónia religiosa em sua honra. 
D. João, que deixara Mafra, obra de seu bisavô D. João V, 
seu convento, igreja e biblioteca repletos de lioz, mais 
familiar acolhida não poderia ter que a saudação branca 
e limpa do lioz de Pêro Pinheiro, resplandecente, à frente 
da Conceição da Praia, na Bahia.”
6. LIOZ, PEDRA PATRIMÓNIO GLOBAL
A ocorrência de rochas que se tornaram elementos 
fundamentais para construções, por motivos os mais 
variados, ou por serem o único ou o mais abundante ou 
o mais apropriado material disponível em determinado 
local, tem sido reconhecida pela comunidade científica 
dedicada às rochas ornamentais. Esta circunstância 
despertou a vontade de se fazer a divulgação destas 
rochas, que, tendo sido usadas em determinado local, 
ou locais, ao longo do tempo, fossem reconhecidas como 
“Rochas Património Global”, embora o termo “Global” 
ainda seja objeto de discussão entre os profissionais, 
à procura de um termo mais adequado. Isto porque a 
designação “global” pode excluir o enquadramento de 
rochas que apenas tiveram uso em uma localidade, mas 
cujo papel foi desempenhado ao longo de gerações. 
Em 2016, no Congresso Geológico Internacional que 
decorreu em Cape Town, na África do Sul, em reunião 
da IUGS Council, foi ratificada a criação da Comissão 
Internacional das Rochas Património, conjunta com os 
Geoparques (Pereira e Cardenas, 2019) e, mais tarde, 
foram definidos os requisitos para que uma determinada 
rocha pudesse ser considerada como tal (Pereira & 
Marker, 2016). O mármore de Carrara e o mármore 
de Estremoz figuram entre as primeiras rochas que 
obtiveram este estatuto e recentemente, de Portugal, 
há mais duas: a brecha da Arrábida (Kullberg & Prego, 
2019) e o lioz (Silva, 2017 e 2019). 
O lioz com reconhecida presença em Portugal e no Brasil 
ao longo de séculos, tendo desempenhado um papel de 
relevo, já mostrado, na preservação de testemunhos da 
sua presença em monumentos históricos em Portugal e no 
Brasil, continua a ser utilizado como pedra de construção 
e transmissor de conhecimento de arquitetura e arte 
nestes países. A existência de pedreiras em exploração 
na atualidade garante, adicionalmente, a possibilidade 
da manutenção deste calcário nas construções antigas 
e preservação do património arquitetónico, responde 
a preocupação expressa por Pereira & Marker (2016).
Ainda neste contexto, faz-se referência à existência 
dos chamados “Geosítios”, sendo conhecidos o de Rio 
Seco (Lopes, 2017) e o de Alcântara, já referido. Este 
conjunto de condições assegurou a referida atribuição 
da designação de Rocha Património ao lioz.
7. CONCLUSÃO
O lioz com as suas características como rocha, compo- 
sição mineralógica, propriedades químicas e tecnológicas 
foi e continua a ser pedra de construção. As suas texturas 
e as suas cores variadas conferiram-lhe uso requintado 
como elemento decorativo e artístico. Foi usado durante 
séculos em Portugal e não só, como elemento estrutural 
e decorativo em muitas construções e o seu uso intensivo 
no século XVIII, patrocinado por D. João V, conferiu- 
-lhe o estatuto de “Pedra Real”. Ao longo de séculos teve 
um papel de relevo na transferência de cultura e arte 
da Europa para o Brasil e está presente em igrejas e 
monumentos nas principais capitais costeiras, com relevo 
em Salvador na Bahia. Um relato do percurso do lioz 
como rocha e como património é feito por Silva (2007) 
no seu livro “O Lioz Português – de Lastro de Navio a 
Arte na Bahia”, onde testemunha e ilustra a sua presença 
e papel de rocha património em Portugal e no Brasil.
BIBLIOGRAFIA
AIRES-BARROS, L. (2000) - Torre de Belém, Intervenção de conservação 
exterior – Exterior conservation work. Ed. Instituto Português do 
Património Arquitectónico, IPPAR, Ministério da Cultura, Portugal. 
ISBN 972-8087-70-5.
AIRES-BARROS, L. (2001) - As rochas dos monumentos portugueses, 
tipologias e patologias. Ed. Instituto Português do Património 
Arquitectónico, IPPAR, Ministério da Cultura, Portugal. ISBN 972-
8087-81-0.
ARRUDA, JOSÉ JOBSON de (1980) - O Brasil no Comércio Colonial – 
Ensaios 64, São Paulo. EditoraÁtica 710 p.
CALLAPEZ, P. (2008) - Paleobiogeographic evolution and marine faunas 
of the Mid-Cretaceous Western Portuguese Platform. Thalassas, 24, 29-52.
CASAL MOURA, A. (1992-1996) - Catálogo de Rochas OrnamentaisPortuguesas. Instituto Geológico e Mineiro, Ministério da Indústria e 
Energia, 2ª Ed., 4 vols., Portugal.
CHOFFAT, PAUL (1900) - Recueil de monographies stratigraphiques sur le 
Système crétacique du Portugal. Prémier étude. Contrées de Cintra, Bellas 
et de Lisbonne. Mem. Sec. Geol. Portugal, 76 p. 3 est.
146
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
COOPER, B.; MARKER, B.; PEREIRA, D.; SCHOUENBORG, B. 
(2013) - Establishment of the “Heritage Stone Task Group” (HSTG). Episodes 
2013, 36, 8–10.
FIGUEIREDO, PMSLR (1997) – Estudo Tecnológico de Rochas calcárias 
da região de Lisboa. (Jurássico e Cretácico). Ph. D. Dissertation IST – 
Universidade Técnica de Lisboa. 180 pp.
GANDRA, M.J. (1995) - A ideia do monumento de Mafra: Arquitectura e 
hermetismo. In: Bol. 94. Mafra. Câmara Municipal de Mafra, 11-78.
GANDRA, M.J. (1998) - A Basílica do monumento de Mafra: Compêndio 
de Salomonismo e polo da Nova Jerusalém. In: Bol. 97. Câmara Municipal 
de Mafra. Mafra, 9-78.
IPAC (1997) - Monumentos do Município de Salvador. In: Inventário de 
Proteção do Acervo Cultural da Bahia, vol. I, 3rd ed., 324 pp. IPAC 
(Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia).
KULLBERG, J.C. e PREGO, A. (2019) - The Historical Importance and 
Architectonic Relevance of the “Extinct” Arrábida Breccia. Geoheritage March 
2019, Volume 11, Issue 1, pp. 87–111.
LOPES, L. (2017) - The stone that made Lisbon reborn – a Global heritage 
resource proposal. EGU General Assembly 2017, Poster.
MARTINS, O.R. (1991) - Estudo dos calcários ornamentais da região de Pêro 
Pinheiro. In: Estudos, Notas e Trabalhos, Sep. Tomo XXXIII. Porto: 
Lab. e Serv. Fomento Mineiro.
OTT, C. (1989) - Pequena História das Artes Plásticas da Bahia entre 1580 
e 1900, nº 6, 53 pp.
PEREIRA, D. & MARKER, B. (2016) The value of original natural stone 
in the context of Architectural Heritage. Geoscience, 6,13.
PEREIRA, DOLORES & CÁRDENES VAN DEN EYNDE, VICTOR 
(2019) - Heritage Stones and Geoheritage. Geoheritage (2019) 11;1-2.
PINTO, M.J.P.R.S. (2005) - Levantamento Cartográfico de locais de pedreiras 
no Concelho de Lisboa. In: Gestão Urbanística. Câmara Municipal de 
Lisboa, XXI-5. Lisboa, 160 pp.
ROCHA, D. e MATEUS, O.S.B. (1977) - Igreja do Mosteiro de São Bento 
da Bahia: História da sua construção. In: Separata da Revista do Instituto 
Geográfico e Histórico Brasileiro, a. 158, nº 396.
SANTOS, P. R. SILVA (2002) - Igreja e Arte em Salvador no século XVIII, 
134 pp.
SILVA, Z.C.G. (2007) - O Lioz Português – De lastro de navio a arte na Bahia. 
Ed. Afrontamento. Porto, Portugal. ISBN 978-972-36-0924-0. 156 pp.
SILVA, Z.C.G. (2017) - The Portuguese Lioz, a Monumental Limestone. 
EGU 2017, Vienna, Austria.
SILVA, ZENAIDE C.G. (2019) - Lioz – a Royal Stone in Portugal and a 
Monumental Stone in Colonial Brazil. Geoheritage. March 2019, Volume 
11, Issue 1, pp. 165–175.
SILVA, Z.C.G. & SIMÃO, J.A.R. (2009) - The role of salt fog on alteration 
of dimension stone. Construction and Building Materials 23, 3321-3327. 
ISSN 0950-0618.
SILVA, Z.C.G. & CRUZ, J.M.M. (2013) - Rock alteration and its relation 
to surface finishing. In Global Stone Congress, Eds. Rosa, L.G. Silva, 
Z.C.G. Lopes, L. Key Engineering Materials, Vol.548, pp. 189-196. 
ISNN 1013-9826.
SILVA, Z.C.G.; SIMÃO, J.A.R.; SÁ, M.H.; LEAL, N. (2013) - Rock 
finishing and response to salt fog atmosphere. In: Global Stone Congress, Eds. 
Rosa, L.G. Silva, ZCG; Lopes, L. Key Engineering Materials, Vol.548, 
pp. 275-286. ISNN 1013-9826, doi: 10.4028.
SOUSA, F.L.P. (1897) - Subsídio para o estudo dos calcários do Distrito de 
Lisboa. Rev. Engenharia Militar 9, 1-95.
VALLADARES, CLARIVAL do P. (1982) - Nordeste Histórico e Monumental, 
Vol I, Salvador, Bahia.
ZBYSZEWSKI, G. (1963) - Carta Geológica dos Arredores de Lisboa na escala 
de 1:50 000. Notícia explicativa da folha 4, 93 pp. Serviços Geológicos 
de Portugal. 
147
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
Labyrinthus in Petris
A Calçada Portuguesa nos Percursos da Ancestralidade
Ernesto Matos
Email: ernest.matos@gmail.com
RESUMO
A calçada artística à portuguesa, é desde os meados do século XIX, um método de pavimento que se tem vindo a 
implementar numa forma persistente. Não só por Portugal, mas ultimamente, também muitos outros países o têm 
vindo a assumir. Mais recentemente veio a tornar-se já uma referência de ícone internacional, demostrando-o a cidade 
do Rio de Janeiro e o seu emblemático Calçadão de Copacabana. Não é assim por o acaso que a Tocha Olímpica 
de 2016 teve na sua conceção gráfica também a referência a esse característico e emblemático padrão de ondas, já 
imortalizado, até mesmo por Walt Disney.
Por Portugal, com os anos a passar, vão-se fazendo contas, não só pelo custo dos materiais geológicos provenientes das 
mais valias extrativas em meio natural e sem auxílio a métodos industriais poluentes, como para o pagamento de uma 
mão-de-obra desqualificada e que continua ligada a uma profissionalizada classe operária. Se por um lado Almeida 
Garrett já designava de Arte a este método aplicado no velho Rossio e que recebeu o nome de um país, por outro 
assistimos a uma cada vez mais descaracterização técnica e que vai fomentando a má imagem que constantemente 
passa debaixo dos nossos pés. O que é certo, é que passados mais de 170 anos desde o seu surgimento para benefício 
público e universal, não vemos este método como disciplina em nenhuma escola de artes portuguesa.
Palavras Chave: Calçada portuguesa, arte e artesanato, espaço urbano, arte contemporânea, materiais e técnicas.
mailto:ernest.matos%40gmail.com?subject=
148
Boletim de Minas, 54 - Tema em Destaque - Rochas Ornamentais - 2019-2020
O que temos hoje ou o que queremos no futuro para os nossos pavimentos em calçada? Calçada artística ou calçadas 
de pedras no chão colocadas por uns arrumadores, formados no quintal ali da esquina?
Pretende-se assim com este texto, refletir sobre alguns destes parâmetros que o próprio país se vai confrontado, 
perante as vicissitudes de uma profissão, de uma técnica, de uma arte, o que quer que seja... mas que faz parte da 
nossa perseverança. 
Minotauro seria encarcerado num labirinto de pedra 
que Creta nos deixou em mosaico. Eis a pedra enquanto 
fundamental elemento de memória à condição humana 
caminhante sobre ela própria, sobre a sua história, sobre 
a sua filosofia, sobre os seus caminhos por vezes também 
labirínticos. A pedra como alavanca de conhecimento, 
de progressão sobre caminhos construídos de pedra 
sobre pedra. Pedra ligada à pedra entre recortes onde a 
intimidade penetra, onde umas outras vidas vivem, onde 
o solo respira, onde a luz do sol resplandece e se liberta, 
libertando-nos também das amarras da gravidade. 
A pedra, ao longo dos milénios, tem sido base do nosso 
suporte de existência, quer no plano físico, para o mais 
simples utensílio de sobrevivência, para alcançar a água 
através de um poço, para chegar às estrelas ou no plano 
transcendental e atingir a eternidade por via de uma 
pirâmide ou de um sarcófago. Foi graças também a ela 
que se fez a passagem entre as pontes do homo faber, 
do homo sapiens até ao homo ludens, que ainda hoje, 
no recreio da sua arte, se manifesta e se liberta como 
elemento de uma humanidade larvar, transgredido 
assim definitivamente a lei do trabalho. Escreve George 
Bataille: «O homem de Lascaux criou do nada este mundo 
de arte onde a comunicação dos espíritos começa. […] 
Só pelo trabalho da pedra o homem se separava de uma 
forma absoluta do animal.»1
São Bernardo de Claraval, nas campanhas dos 
Templários comentava: «Acredita em mim, aprenderás 
mais lições nos bosques do que em livros. As árvores 
e as pedras ensinar-te-ão aquilo que não poderás 
aprender dos mestres». As pedras dão-nos tudo, até a 
pedra para dormirmos, como referia Padre António 
Vieira: «Dormindo Jacob sobre uma pedra, viu aquela 
escada que chegava da terra até o céu, e acordou atónito

Mais conteúdos dessa disciplina