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Prévia do material em texto

MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM 
Geografia 
 
 
1º Ano 
Disciplina: Climatogeografia 
Código: 
Total Horas/1o Semestre: 
Créditos (SNATCA): 
Número de Temas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUTO SUPER 
 
 
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- ISCED 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
i 
 
Direitos de autor (copyright) 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância 
(ISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução 
parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios 
(electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de 
entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). 
A não observância do acima estipulado infractor é passível a aplicação de processos 
judiciais em vigor no País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Direcção Académica 
Rua Dr. Almeida Lacerda, No212 Ponta - Gêa 
Beira - Moçambique 
Telefone: +258 23 323501 
Cel: +258 823055839 
Fax:23323501 
E-mail:isced@isced.ac.mz 
Website:www.isced.ac.mz 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
ii 
 
Agradecimentos 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente 
manual agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na 
elaboração deste manual: 
Pela Coordenação 
Pelo design 
Direção Académica do ISCED 
Direção de Qualidade e Avaliação do 
ISCED 
Financiamento e Logística 
 
Pela Revisão 
Instituto Africano de Promoção da 
Educação a Distancia (IAPED) 
 
Elaborado Por: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
iii 
 
Contends 
Visão geral 1 
Benvindo à Disciplina/Módulo de Climatogeografia ........................................................ 1 
Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 1 
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 
Ícones de actividade ......................................................................................................... 3 
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 4 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 6 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 6 
Avaliação ........................................................................................................................... 7 
TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS. 9 
UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, Objecto de Estudo e Métodos ............ 9 
Sumario ........................................................................................................................... 19 
Execicios de AUTO-AVALIACAO ...................................................................................... 19 
Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 20 
Exercicios ........................................................................................................................ 20 
TEMA – II: Características gerais da atmosfera terrestre ............................................... 21 
UNIDADE Temática 2.1. Estrutura e Composição da Atmosfera .................................... 22 
Resumo ........................................................................................................................... 33 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 33 
Exercícios de AVALIACAO ................................................................................................ 33 
Exercícios ........................................................................................................................ 34 
TEMA – III: Radiacao Solar .............................................................................................. 36 
Unidade Temática 3.1. Radiação Solar ........................................................................... 36 
1.1.1. Mecanismos de transferência de calor ............................................... 40 
1.1.2. Transferência de Energia no Seio da Atmosfera ................................. 42 
1.1.3. Balanço Energético do Sistema Terra - Atmosfera .............................. 42 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
iv 
 
Sumario ........................................................................................................................... 48 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 48 
Exercícios de AVALIACAO ................................................................................................ 48 
UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a radiação solar .............................. 49 
3.2.1. Latitude ................................................................................................ 50 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
v 
 
Sumario ........................................................................................................................... 51 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 51 
Exercícios de AVALIACAO ................................................................................................ 51 
Exercícios ........................................................................................................................ 51 
TEMA – III: Circulacao Geral da Atmosfera (CGA) .......................................................... 53 
UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a superfície ................... 53 
Introdução ........................................................................ Erro! Marcador não definido. 
Sumario ........................................................................................................................... 65 
Exercicios de Auto-avaliacao .......................................................................................... 65 
Exercicios de Avaliacao ................................................................................................... 66 
UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar ............................................................................ 68 
Sumário ........................................................................................................................... 73 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 73 
Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 74 
TEMA – IV: Elementos e Factores Climaticos ................................................................. 76 
Introdução ....................................................................................................................... 76 
Sumário ........................................................................................................................... 82 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .....................................................................................82 
Exercícios de AVALIAÇÃO ................................................................................................ 82 
Exercicios ........................................................................................................................ 83 
UNIDADE Temática 4.2 . Humidade ................................................................................ 85 
Sumario ........................................................................................................................... 88 
Exercícios de AUTO- avaliação ........................................................................................ 88 
Exercícios de Avaliação ................................................................................................... 88 
Bibliografia ...................................................................................................................... 89 
UNIDADE Temática 4.3. Pressão Atmosférica ................................................................ 90 
Sumario ........................................................................................................................... 93 
Exercicios de AUTO-avaliacao ......................................................................................... 93 
Exercícios de Avaliação ................................................................................................... 94 
Bilbiografia ..................................................................................................................... 95 
UNIDADE Tematica 4.4 - Ventos .................................................................................... 96 
Sumario ......................................................................................................................... 100 
Exercicios de Auto-avaliacao ........................................................................................ 101 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
vi 
 
Exercícios de Avaliação ................................................................................................. 101 
Unidade Temática 4.5– Nebulosidade .......................................................................... 102 
Sumário ......................................................................................................................... 109 
Exercícios de Auto - avaliação ....................................................................................... 109 
Exercicios de Avaliacao ................................................................................................. 110 
Unidade Temática 4.6 - Precipitação ............................................................................ 111 
Sumário ......................................................................................................................... 119 
Exercícios de Auto-avaliação ........................................................................................ 120 
Exercícios ...................................................................................................................... 120 
Exercícios ...................................................................................................................... 120 
Bilbiografia ................................................................................................................... 121 
TEMA IV – Factores do Clima ........................................................................................ 122 
Sumário ......................................................................................................................... 130 
UNIDADE Temática 5.2.Fenómenos Atmosféricos produtores do tempo ................... 131 
Sumario ......................................................................................................................... 143 
Exercícios de Auto – Avaliação ..................................................................................... 143 
Exercícios de Avaliação ................................................................................................. 143 
Exercicios ...................................................................................................................... 145 
Bilbiografia ................................................................................................................... 145 
TEMA VI : Classificação Climática 147 
Unidade Tematica 6.1 – Sistemas Climáticos do Globo ............................................... 148 
Sumario ......................................................................................................................... 157 
Exercícios de Auto - Avaliação ...................................................................................... 157 
Unidade Tematica 6.2 – Classificação Climática ........................................................... 158 
Sumario ......................................................................................................................... 163 
Exercicios de Auto-Avaliacao ........................................................................................ 163 
Bilbiografia ................................................................................................................... 163 
TEMA VII : Mudancas Climaticas .................................................................................. 165 
Introdução ..................................................................................................................... 165 
UNIDADE Temática 7.1 Variacoes e Oscilacoes climaticas ........................................... 166 
Sumario ......................................................................................................................... 168 
Exercicios ...................................................................................................................... 169 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
vii 
 
UNIDADE Temática 7.2 Mudanças climáticas antropogênicas ..................................... 169 
Sumário ......................................................................................................................... 172 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 173 
Bilbiografia ................................................................................................................... 173 
Exercicios ...................................................................................................................... 174 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
1 
 
Visão geral 
Benvindo à Disciplina/Módulo de Climatogeografia 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo deste módulo de Climatogeografia 
deverá ser capaz de: Conhecer o âmbito de estudo da 
climatologia, destacando seus objectivos, sua utilidade, 
descrever os fenômenos meteorológicos e climáticos ao 
longo da superfície do globo terrestre, sua distribuição e 
causas desta distribuição e as causas de mudanças 
climáticas. 
 
 
Objectivos 
Específicos 
 Definir Climatologia 
 Caracterizar a atmosfera terrestre 
 Conhecer os Elementos e Factores Climáticos 
 Descrever a Circulação Geral da Atmosfera 
 Descrever os sistemas meteorológicos que actuam na formação 
do tempo 
 Conhecer os tipos climáticos ao longo da superfície do globo 
 Descrever as causas das mudanças climáticas 
 Compreender a influencia do clima da vida do homem 
 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para estudantes do 1º ano do 
curso de Geografia do ISCED e outra como Gestão de 
Recursos Humanos, Administração, etc. Poderá ocorrer, 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia2 
 
contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e 
consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão 
bem vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas 
poderá adquirir o manual. 
Como está estruturado este módulo 
Este módulo de Climatogeografia, para estudantes do 1º 
ano do curso de licenciatura em Geografia, à semelhança 
dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, 
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para 
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção 
com atenção antes de começar o seu estudo, como componente 
de habilidades de estudos. 
Conteúdo desta Disciplina / módulo 
Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por 
sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou 
simplesmente unidades. Cada unidade temática se 
caracteriza por conter uma introdução, objectivos, 
conteúdos. 
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são 
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, 
só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. 
Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas: 
Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não 
resolvidos e actividades práticas algumas incluído estudo de 
caso. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
3 
 
Outros recursos 
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando 
em si, num cantinho, recóndito deste nosso vasto 
Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu 
processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos 
didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. 
Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de 
recursos mais material de estudos relacionado com o seu 
curso como: Livros e/ou módulos,CD, CD-ROOM, DVD. Para 
além deste material físico ou electrónico disponível na 
biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para 
alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. 
 
Auto - avaliação e Tarefas de avaliação 
Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se 
no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas 
dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas 
características: primeiro apresentam exercícios resolvidos 
com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas 
respostas. 
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-
avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o 
grau crescente de dificuldades do processo de 
aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das tarefas de 
avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem 
entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e 
subsequentemente nota. Também constará do exame do 
fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os 
exercícios de avaliação é uma grande vantagem. 
Comentários e sugestões 
Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre 
determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de 
natureza diadáctico-Pedagógica, etc, sobre como deveriam 
ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas 
observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de 
úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado. 
 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones 
nas margens das folhas. Estes icones servem para identificar 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
4 
 
diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem 
indicar uma parcela específica de texto, uma nova 
actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. 
Habilidades de estudo 
O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a 
aprender. Aprender aprende-se. 
Durante a formação e desenvolvimento de competências, 
para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores 
resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no 
estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com 
estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber 
como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas 
sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa 
rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo 
como se segue: 
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio 
de leitura. 
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e 
assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a 
sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com 
o padrão. 
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades 
práticas ou as de estudo de caso se existirem. 
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-
tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar 
como foi referido no início deste item, antes de organizar os 
seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de 
estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em 
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de 
manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? 
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio 
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em 
cada hora, etc. 
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido 
estudado durante um determinado período de tempo; Deve 
estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só 
ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
5 
 
Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que 
puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a 
melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com 
profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. 
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente 
por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma 
hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de 
descanso (chama-se descanso à mudança de actividades). Ou 
seja, que durante o intervalo não se continuar a tratar dos 
mesmos assuntos das actividades obrigatórias. 
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual 
obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o 
rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula 
um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em 
pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos, 
perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda 
tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e 
desespero, por se achar injustamente incapaz! 
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer 
alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele 
que estuda sistematicamente), não estudar apenas para 
responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude 
para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade 
como futuro profissional, na área em que está a se formar. 
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas 
e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao 
tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar 
produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao 
estudo e a outras actividades. 
É importante identificar as ideias principais de um texto, 
pois será uma necessidade para o estudo das diversas 
matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas 
margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que 
seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode 
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, 
datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar 
comentários seus relacionados com o que está a ler; a 
melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à 
compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; 
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo 
significado não conhece ou não lhe é familiar; 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia6 
 
Precisa de apoio? 
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra 
razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar 
algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de 
concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza, 
fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas, etc). 
Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio 
ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, 
sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta 
participando a preocupação. 
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes 
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a 
sua aprendizagem com qualidade e sucesso.Dai a relevância 
da comunicação no Ensino a Distância (EAD), ondeo recurso 
as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante – 
Tutor, estudante – CR, etc. 
As sessões presenciais são um momento em que você caro 
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com 
staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central 
do ISCED indigetada para acompanhar as sua sessões 
presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar 
assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa. 
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 
30% do tempo de estudos a distância, é muita importância, 
na medida em que permite lhe situar, em termos do grau de 
aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta 
maneira ficara, a saber, se precisa de apoio ou precisa apoiar 
aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos 
relacionados com os conteúdos programáticos, constantes 
nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, 
actividades e autoavaliação), contudo nem todas deverão 
ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As 
tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões 
presenciais seguintes. 
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o 
não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não 
classificação do estudante. Tenha sempre presente que a 
nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser 
admitido ao exame final da disciplina/módulo. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
7 
 
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos 
(CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. 
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de 
pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente 
referenciados, respeitando os direitos do autor. 
O plágio1é uma violação do direito intelectual do(s) autor 
(es).Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do 
testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A 
honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos 
autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu 
autor (estudante do ISCED). 
Avaliação 
Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à 
distância, estando eles fisicamente separados e muito 
distantes do docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito 
possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente. 
Você será avaliado durante os estudos à distância que 
contam com um mínimo de 90% do total de tempo que 
precisa estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o 
tempo de contacto presencial conta com um máximo de 
10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante 
consta detalhada do regulamentada de avaliação. 
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e 
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota 
de frequência para ir aos exames. 
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou 
modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os 
exames pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da 
média de frequência, determinam a nota final com a qual o 
estudante conclui a cadeira. 
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da 
cadeira. 
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 
(dois) trabalhos e 1 (um) (exame). 
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão 
utilizados como ferramentas de avaliação formativa. 
 
1Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, 
propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
8 
 
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter 
em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau 
de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as 
recomendações, a identificação das referências 
bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, 
entre outros. 
Os objectivos e critérios de avaliação constam do 
Regulamento de Avaliação. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
9 
 
TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS. 
UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, objecto de Estudo e 
Métodos 
UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, Objecto de Estudo e Métodos 
Introdução 
Uma das maiores preocupações do século XXI é a 
disponibilidade de água e alimentos para o consumo humano, a 
geração de energia e a preservação do meio ambiente. Por este 
motivo o estudo dos climas e a previsão meteorológica têm 
grande importância chegando a ter valor estratégico para a 
humanidade. A Meteorologia, ciência que estuda os fenômenos 
atmosféricos, vem cada vez mais fazendo parte do dia-a-dia das 
pessoas. 
A climatologia é um ramo das Ciências naturais que é estudado 
tanto pela geografia, quanto pela meteorologia. A meteorologia 
(do grego meteoros, que significa elevado no ar, e logos, que 
significa estudo) é a ciência que estuda a atmosfera terrestre. 
Seus aspectos mais tradicionais e conhecidos são a previsão do 
tempo e a climatologia. Esses estudos são importantes para a 
planificação das actividades antropogênicas. 
 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 Conhecer: as diferenças entre climatologia e meteorologia e entre 
tempo e clima 
 Conhecer: o objecto e os métodos da estudo da Climatologia 
 Conhecer: os instrumentos meteorológicos 
 Conhecer: as divisões da climatologia 
 Conhecer: A evolução da ciênciaclimatológica 
 Explicar:a importância do conhecimento do clima para a vida do 
homem 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
10 
 
 Saber:como são feitas as observações meteorológicas 
 Conhecer: a composição da rede mundial de vigilância do tempo 
 
1.1.1 Conceito de Climatologia 
A climatologia é um ramo importante da Geografia e parte 
integrante da Meteorologia, embora seja abordada de maneira 
diversa por essas duas ciências. A base de dados meteorológicos 
é a mesma, entretanto a Climatologia Geográfica analisa o 
comportamento da atmosfera e suas repercussões na 
caracterização das paisagens e organização espacial da 
superfície da Terra, enquanto a Climatologia, enquanto ramo da 
Meteorologia, busca a compreensão, principalmente da física, 
dos fenômenos atmosféricos e sua dinâmica. 
Os estudos climatológicos aplicam-se a um período de tempo 
longo. Por sua vez, à meteorologia compete o estudo dos 
fenómenos físicos da atmosfera, a que se convencionou chamar 
de tempo, que se manifestam num lugar preciso e num período 
de tempo relativamente curto. 
A metodologia desenvolvida pela meteorologia permite 
actualmente a realização de previsões fiáveis do estado do 
tempo a curto prazo, fundamentais para a organização de 
inúmeras actividades humanas. 
O estudo dos fenômenos atmosféricos é realizado pela 
Metereologia e pela climatologia. A Climatologia nasce baseada 
nos estudos da Meteorologia, que estuda a atmosfera e seus 
fenômenos preocupando-se com o registo e a medição destes 
fenômenos cuja finalidade seria determinar as condiçõesfísicas 
sob as quais foram produzidos. 
1.1.2. Conceitos de tempo e clima 
As definições do conceito clima têm evoluído juntamente com a 
Climatologia, durante o século XX. 
A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) (1972) define 
Clima como “o conjunto flutuante das condições atmosféricas, 
caracterizado pelos estados e evoluções do tempo numa dada 
área”. (Retallack 1976; Pag. 1). 
Entre as definições mais tradicionais destacam-se as concebidas 
por Julius Hann que define clima como "um conjunto de 
fenômenos meteorológicos que caracterizam o estado médio da 
atmosfera em um ponto da superfície terrestre; Wilhelm 
Köppen, que considera clima como "o estado médio e a 
evolução habitual do tempo de um 
 
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determinado lugar e Max. Sorre, que entende que clima é "a 
série de estados da atmosfera acima de um lugar da Terra, em 
sua sucessão habitual" (Maitelli s/d, Publicações UFTM, Brasil). 
É uma abordagem que evidencia a influência do clima sobre a 
superfície terrestre e dos factores geográficos sobre o clima sem 
levar em consideração que ambos podem ser modificados tanto 
por forças da natureza como pelas ações humanas. São 
definições que ressaltam mais condições estáticas do que 
dinâmicas do clima onde dados são mais importantes do que os 
processos que os originam. 
Quando falamos de Clima de uma determinada região referimo-
nos ao conjunto de condições meteorológicas, característico 
desse local e que pode sofrer certas modificações. Às condições 
meteorológicas ou atmosféricas que são o estado de expressão 
de um conjunto de elementos meteorológicos num dado 
período ou local e que variam constantemente dá-se o nome de 
tempo meteorológico ou atmosférico. Por exemplo, as 
condições meteorológicas da cidade da Beira variam ao longo 
do dia e de um dia para o outro. O céu pode estar nublado de 
manhã e apresentar-se limpo a tarde. Pode estar frio hoje e 
quente amanha. É por isso que as estações televisivas e outra 
mídia dão informações sobre a previsão do tempo de dia para 
dia 
Em resumo, o clima e o tempo atmosférico são duas formas 
complementares de descrever o ambiente atmosférico, 
utilizando essencialmente os mesmos elementos (pressão 
atmosférica, temperatura, humidade, precipitação, radiação, 
etc.), mas fazendo referência a diferentes escalas de tempo. 
1.1.3. Divisões da Climatologia 
A duração e o período de dados utilizados nos estudos de Tempo 
e Clima dependem dos objetivos e da escala climática que se 
pretende adotar, ou seja, as observações podem ser de séculos 
quando relacionadas as eras geológicas, de várias décadas para 
fazer caracterização climática, ou de períodos de menor duração 
como meses, semanas ou horas, para analisar interações mais 
específicas entre superfície e atmosfera. 
Estes estudos atendem as escalas climáticas, ou seja, 
macroclima, mesoclima, clima local e de microclima. 
Na escala macroclimática destacam-se as interações em nível 
global, capazes de modificar o clima da Terra. Trata-se da 
circulação geral da atmosfera e do funcionamento das massas 
de ar no planeta podendo abranger áreas da terra com mais de 
10 000 km de largura (ex: el ninõ e la ninã); na escala 
mesoclimática destacam-se as interações que ocorrem em áreas 
menores, entre 100 e 500 km de 
 
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12 
 
largura (ex: clima regional); na escala de clima local destacam-
se as interações que ocorrem em áreas pequenas, entre 10 e 
100 km de extensão horizontal (ex: clima urbano, tornados, 
temporais etc) e na escala microclimática destacam-se as 
interações que ocorrem em áreas muito pequenas, de 100 
metros até 1 km de extensão horizontal e poucos metros acima 
da superfície considerada. 
Os estudos climáticos nas várias escalas permitem avaliar as 
mudanças climáticas ocasionadas pelos diversos processos que 
regulam o clima no planeta. 
O campo da climatologia é bastante amplo e pode ter 
subdivisões, com base nos tópicos enfatizados ou na escala de 
fenômenos atmosféricos que são ressaltados. Assim podemos 
ter, além de outras, as seguintes subdivisões: 
Climatologia regional – refere-se a estudos climáticos em áreas 
selecionadas da terra. 
Climatologia sinóptica – é o estudo do tempo e clima em uma 
área com relação ao padrão de circulação atmosférica 
predominante (abordagem de climatologia regional) 
Climatologia física – trata da investigação do comportamento 
dos atributos climáticos ou processos atmosféricos em termos 
de princípios físicos da atmosfera com ênfase na energia global 
e nos regimes de balanço hídrico da terra e das trocas desses 
com a atmosfera. 
Climatologia dinâmica – enfatiza os movimentos atmosféricos 
em várias escalas, principalmente da circulação geral da 
atmosfera 
Climatologia aplicada – aplicação do conhecimento 
climatológico na solução dos problemas práticos que afectam a 
humanidade; 
Climatologia histórica – é o estudo do desenvolvimento dos 
climas através dos tempos. 
Climatologia urbana- enfatiza as interações entre a superfície 
urbana e a atmosfera. 
1.1.4 Desenvolvimento da climatologia 
O interesse do homem pelas condições de tempo e clima é 
antigo. A compreensão dos fenômenos relacionados ao clima 
era pouco abrangente até por volta do quinto século antes de 
Cristo, quando os gregos começaram a fazer observações 
meteorológicas, utilizando observações visuais. Entretanto a 
ciência atmosférica teve uma evolução mais significativa o 
período do Renascentismo. 
 
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13 
 
Em 1593, Galileu inventou o termômetro e em 1643 o princípio 
do barômetro de mercúrio foi descoberto por Torricelli, um dos 
discípulos de Galileu. Em 1832, foi inventado o telégrafo e os 
dados de tempo puderam ser reunidos rapidamente a partir de 
uma rede de postos meteorológicos localizados em vários 
pontos da superfície terrestre. Atualmente as observações 
climatológicas e a instrumentação utilizada permitem estudos 
mais avançados de tempo e clima. 
1.1.5 Os Métodos da Climatologia 
Climatologia Tradicional - A climatologia tradicional está 
fundamentada nas descrições dos padrões de distribuição 
temporal e espacial dos elementos do clima. 
O método de descrição é cartográfico, consistindo 
principalmente de mapas de médias ou gráficas que mostram 
variações diurnas e sazonais e diferenças espaciais nos valores 
dos elementos climáticos, tais como a temperatura, a 
precipitação, a pressão, a umidade, a velocidade e a direção dos 
ventos, a quantidade de nuvens etc. 
A classificação climática é também feita com base na 
distribuição espacial e temporal dos elementos climáticos com 
uma conotação mais da influência do clima sobre a superfície 
terrestre do que sobre as interações que ocorrem entre 
superfície e atmosfera capazes de modificar os climas da terra. 
Essa abordagem essencialmente descritiva do estudo do tempo 
e do clima apresenta várias deficiências e tem propiciado o 
surgimento de concepções errôneas sobre a maneira pela qual 
funcionam os processos atmosféricos. Entre as deficiências 
discutidas por Atkinson (1972) destacam-se: a climatologia 
tradicional é descritiva com mapas de médias dos elementos 
sem dar ideia sobre os processos que originam sua distribuição; 
a abordagem tradicional no estudo do tempo e do clima tende 
a dar a impressão de uma atmosfera estática, enquanto a 
atmosfera é dinâmica e está em constante turbulência. 
As características atmosféricas em um dado lugar podem mudar 
nas escalas de tempo, variando desde os microssegundos até 
centenas de anos; a utilização de períodos de 30-35 anos para 
cálculos de valores médios dos elementos climáticos, sob a 
perspectiva da climatologia tradicional, não leva em conta as 
mudanças contínuas que ocorrem dentro da atmosfera; o 
método tradicionaldo estudo do tempo e do clima tende a 
negligenciar as interações, isto é, os mecanismos de feedback 
que operam na atmosfera sem considerar que os processos 
interagem e se afectam mutuamente e frequentemente os 
efeitos retomam reagindo para provocar mudanças ou 
 
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modificações em suas causas. Tais mecanismos de feedback são 
vitais na luta constante da atmosfera para amenizar a ação dos 
eventos extremos e para alcançar um estado de equilíbrio. 
Os métodos da climatologia tradicional relacionam-se com a 
classificação climática. 
As linhas traçadas nos mapas climáticos dão a impressão 
errônea de mudanças abruptas do clima em tais linhas 
demarcatórias; naturalmente, isso não ocorre. O que existe é 
uma alteração gradativa das características a partir de um tipo 
climático para outro. Da mesma forma, os climas das áreas assim 
definidos são frequentemente considerados como entidades 
climáticas separadas e explicadas como tais, usualmente com 
referência apenas aos fenômenos de superfície. Essa 
abordagem é errada na medida em que ela ignora o fato de que 
o clima tem uma terceira dimensão (na vertical), e que as 
características atmosféricas em determinado local somente 
podem ser explicadas de maneira significativa quando 
consideradas no contexto das atividades da atmosfera como um 
todo. 
1.1.6 Climatologia Moderna 
A climatologia moderna procura eliminar as deficiências 
descritas para a climatologia tradicional. A ênfase atualmente 
incide na explicação dos fenômenos atmosféricos, além de 
descrevê-los. 
A atmosfera é dinâmica e é necessário compreender os 
processos e interações que ocorrem na atmosfera e na interação 
atmosfera - superfície da Terra. 
O aparecimento da moderna climatologia pode estar ligado a 
factores, como aos desafios colocados pelas necessidades da 
sociedade e pela melhoria na coleta e análise dos dados. A 
climatologia tradicional é de pouca utilidade prática para o 
homem. 
O homem moderno é afectado pelo tempo e pelo clima, da 
mesma forma que seus antepassados. Mas, ao contrário dos 
antigos, o homem moderno almeja controlo as condições 
meteorológicas. Para essa finalidade, o homem necessita 
capacitar-se a entender os fenômenos atmosféricos de modo 
que possa prevê-los, modificá-los ou controlá-los quando 
possível. Daí a necessidade de enfatizar a explicação dos 
processos atmosféricos, que é a base da moderna meteorologia. 
Para predizer ou prever o tempo temos que entender as ações 
da atmosfera. No principio, os desafios colocados aos 
meteorologistas e climatologistas estavam situados 
principalmente na agricultura (na 
 
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escolha de culturas apropriadas para o tipo de clima, 
conhecimento da época das sementeiras e das colheitas, do tipo 
de pragas, etc) e na navegação (aérea e marítima). Os desafios 
também surgem com a necessidade de proteger o homem e sua 
propriedade contra os efeitos dos eventos climáticos extremos. 
Actualmente reconhece-se o valor do conhecimento do tempo 
em todas as esferas da vida humana: saúde, desporto, turismo, 
indústria, cozinha etc. 
1.1.7 Observações Meteorológicas 
Os dados meteorológicos podem ser obtidos mediante leituras 
ou registos contínuos, que podem ser obtidos por instrumentos. 
A reunião desses instrumentos em um mesmo local, 
tecnicamente escolhido e preparado é denominada estação 
meteorológica. E o conjunto dessas estações distribuídas por 
uma região, é denominado rede de estações meteorológicas. 
Estas podem ser: 
Estação Meteorológica de Superfície (EMS) 
A observação da superfície consiste de procedimentos 
sistemáticos e padronizados, visando à obtenção de 
informações qualitativas e quantitativas referentes aos 
parâmetros meteorológicos, capazes de caracterizar 
plenamente o estado instantâneo da atmosfera. A padronização 
foi determinada pela OMM, incluindo tipos de equipamentos 
usados, técnicas de calibração, aferição, ajuste, manuseio e 
procedimentos observacionais. Além disso, os horários das 
observações, o tratamento dos dados observados, as correções 
efetuadas indiretas de outros parâmetros derivados, a 
transmissão e o uso operacional são igualmente realizados 
segundo padrões rígidos. 
Estação Meteorológica de Altitude (EMA) 
 
 As Estações Meteorológicas de Altitude têm por finalidade 
coletar, através de Radiossodagem, dados de pressão, 
temperatura, humidade, direção e velocidade do vento, nos 
diversos níveis da atmosfera. 
 
Estação de Radar Meteorológico (ERM) 
 
As Estações de Radares Meteorológicos têm por finalidade fazer 
vigilância constante na área de cobertura dos radares e divulgar 
as informações obtidas por meio rápido e confiável aos Centros 
Meteorológicos de Vigilância. 
Além dos balões, na actualidade são igualmente utilizados para 
observações, helicópteros e aeronaves, até foguetes e satélites. 
 
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16 
 
Houve aperfeiçoamento muito expressivo no tipo e na precisão 
dos instrumentos meteorológicos criados para as estações 
meteorológicas convencionais. 
Um avanço espetacular para a observação do tempo foi o 
desenvolvimento de satélites meteorológicos. Os satélites 
fornecem uma cobertura objectiva, abrangendo grandes áreas 
dos sistemas de tempo e tornam possível medidas da radiação 
proveniente de uma posição situada fora da atmosfera 
terrestre. 
Os satélites meteorológicos desempenham três importantes 
papéis: observam os sistemas terrestres e sua atmosfera; 
funcionam como plataformas para a recolha de dados; servem 
de elos de comunicação entre as estações terrestres muito 
distanciadas, que necessitam permutar dados climáticos 
diariamente. Os satélites meteorológicos actualmente 
constituem importante recurso de informações climatológicas 
para os cientistas da atmosfera, aperfeiçoando grandemente a 
cobertura de dados da Terra, oferecendo informações (em 
tempo real) sobre o tempo em áreas remotas, como os oceanos 
e os desertos, assim como dos trópicos e das áreas polares, que 
não são bem servidas por estações meteorológicas 
convencionais. 
Os dados colectados por instrumentos simples ganham 
fundamental importância quando adicionados a outros dados, 
obtidos por sistemas mais complexos como os radares, balões e 
satélites meteorológicos. 
As previsões meteorológicas actuais são feitas por 
computadores de alta velocidade que analisam um enorme 
volume de dados históricos e medições recentes, colectadas por 
milhares de estações espalhadas por todo o mundo, além de 
dados recebidos via satélites. 
 
Ainda de acordo com a finalidade das observações, as Estações 
Meteorológicas, podendo ser: 
 
Estações sinópticas: são as que realizam observações em 
horários padronizados internacionalmente, para fins de 
previsão do tempo. O horário padrão usado é o Tempo Médio 
de Greenwich – TMG. Sendo assim, todas as observações são 
efetuadas ao mesmo tempo, independente da localização 
geográfica da estação. Quando são reunidas em um mapa, todas 
as observações efetuadas no mesmo TMG denominam-se Carta 
Sinóptica, que constitui um “flash” do estado atmosférico para 
toda a área coberta pelas estações. 
Estações climatológicas: para fins climatológicos Medem os 
elementos meteorológicos necessários aos estudos climáticos. 
 
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17 
 
As instalações são padronizadas em níveis detalhados, a fim de 
evitar influências anômalas nas medições. 
Estações agrometeorológicas: fornecem informações 
relacionadas aos elementos meteorológicos e às atividades 
agrícolas. 
Estações meteorológicas aeronáuticas: destinam-se à coleta de 
informações necessárias à segurança de aeronaves. Instaladas 
nos grandes aeroportos, fazem inúmeras observaçõesdiárias. 
 
Estações especiais: todas as demais estações com qualidades 
distintas. 
1.1.8 Instrumentos Meteorológicos 
Anemógrafo - Registra continuamente a direção (em graus) e a 
velocidade instantânea do vento (em m/s), a distância total (em 
km) percorrida pelo vento com relação ao instrumento e as 
rajadas (em m/s). 
 
Anemômetro - Mede a velocidade do vento (em m/s) e, em 
alguns tipos, também a direção (em graus). 
 
Barógrafo - Registra continuamente a pressão atmosférica em 
milímetros de mercúrio (mm Hg) ou em milibares (mb). 
 
Barômetro de Mercúrio - Mede a pressão atmosférica em 
coluna de milímetros de mercúrio (mm Hg) e em hectopascal 
(hPa). 
 
Evaporímetro de Piche - Mede a evaporação - em mililitro (ml) 
ou em milímetros de água evaporada - a partir de uma superfície 
porosa, mantida permanentemente umedecida por água. 
 
Heliógrafo - Regista a insolação ou a duração do brilho solar, em 
horas e décimos. 
 
Higrógrafo - Regista a humidade do ar, em valores relativos, 
expressos em porcentagem (%). 
 
Microbarógrafo - Regista continuamente a pressão atmosférica 
- em milímetros de mercúrio (mm Hg) ou em hectopascal (hPa), 
numa escala maior que a do Barógrafo, registrando as menores 
variações de pressão, o que lhe confere maior precisão. 
 
Piranógrafo - Regista continuamente as variações da 
intensidade da radiação solar global, em cal.cm².mm. 
 
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
 
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Piranômetro - Mede a radiação solar global ou difusa, em 
cal.cm².mm. 
 
Pluviógrafo - Regista a quantidade de precipitação pluvial 
(chuva), em milímetros (mm). 
 
Pluviômetro - Mede a quantidade de precipitação pluvial 
(chuva), em milímetros (mm). 
 
Psicrômetro - Mede a humidade relativa do ar - de modo 
indireto - em porcentagem (%). Compõe-se de dois 
termômetros idênticos, um denominado termômetro de bulbo 
seco, e outro com o bulbo envolvido em gaze ou cadarço de 
algodão mantido constantemente molhado, denominado 
termômetro de bulbo húmido. 
 
Tanque Evaporimétrico Classe A - Mede a evaporação - em 
milímetros (mm) - numa superfície livre de água. 
 
Termógrafo - Regista a temperatura do ar, em graus Celsius (°C). 
 
Termohigrógrafo - Registra, simultaneamente, a temperatura 
(°C) e a umidade relativa do ar (%). 
 
Termômetros de Máxima e Mínima - Indicam as temperaturas 
máxima e mínima do ar (°C), ocorridas no dia. 
 
Termômetros de Solo - Indicam as temperaturas do solo, a 
diversas profundidades, em graus Celsius (°C). 
 
1.1.9 Sistema Mundial de Vigilância do Tempo 
(WWW) 
Em 1951 foi criada a Organização Meteorológica Mundial – 
OMM (WMO), que tem sua sede em Genebra (Suíça) e tem 
como finalidade coordenar e estimular o desenvolvimento da 
Meteorologia no mundo. É um organismo da Organização das 
Nações Unidas (ONU). Em 23 de Março de 1950, foi assinado o 
convênio com a ONU e a referida data passou a ser comemorada 
como o “Dia Meteorológico Mundial” a partir de 1961. A partir 
do convênio com a ONU foi necessária a criação de um sistema 
mundial muito eficaz de observação e controlo da atmosfera. 
Trata-se da Vigilância Meteorológica Mundial (VMM), que tem 
como finalidade três grandes articulações: 
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
http://www.inmet.gov.br/html/informacoes/sobre_meteorologia/instrumentos/
 
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19 
 
1. Um sistema Mundial de Observação – compreendendo 
estações meteorológicas terrestres, marítimas, automáticas e 
satélites meteorológicos. 
2. Um sistema Mundial de Telecomunicações – compreendendo 
um complexo de comunicações, destinado a veicular as 
informações meteorológicas. 
3. Um sistema Mundial de Processamento de Dados. 
Sumario 
Nesta Unidade temática 1.1 estudamos e discutimos 
fundamentalmente o seguinte: 
1. Conceito de climatogeografia e climatologia e meteorologia, 
tempo e clima 
2. Objecto, objectivos e métodos da Climatologia 
3. Evolução da Climatologia 
4. Observações e Instrumentos de observação meteorológica 
5. Rede mundial de observação do tempo 
 
Execicios de AUTO-AVALIACAO 
1. Defina a Climatogeografia 
2. O que é Climatologia? 
3. O que e a Meteorologia? 
4. De 4 exemplos concretos de áreas de actividade do homem em 
que e necessário ter conhecimentos sobre o clima. 
5. O que e o tempo? 
6. O que e o clima? 
7. Como são feitas as Observações Meteorológicas? 
8. O que são estações meteorológicas? 
9. O que são observações sinópticas? 
10. Quais são os componentes da rede mundial de vigilância do 
tempo? 
Respostas: 
1. Rever página 10 
2. Rever página 10 
3. Rever página10 
4. Rever página 14; 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
20 
 
5. Rever página 10; 
6. Rever página 10; 
7. Rever da página 14 
8. Rever página 14 
9. Página 16 
10. Página 17 (últimos parágrafos) 
 
Exercícios de AVALIAÇÃO 
Considere as frases abaixo: 
1. Fará muito calor hoje na Beira. No Chimoio, as temperaturas 
serão mais amenas. 
2. As temperaturas em todo o mundo estão cada vez maiores e 
vêm causando preocupações entre os cientistas. 
3. Costuma chover muito em Lichinga nesta época do ano, é 
melhor estarmos preparados! 
4. Li no jornal que esta semana será de muita chuva no Maputo. 
Com base nas afirmações acima, é possível afirmar que: 
a) Todas fazem referência ao clima 
b) 1, 2 e 3 fazem referência ao clima e 4 faz referência ao tempo. 
c) 2 e 3 fazem referência ao clima e 1 e 4 fazem referência ao 
tempo. 
d) 2 faz referência ao clima e 1, 3 e 4 fazem referência ao tempo. 
Exercicios 
1. O clima e o tempo atmosférico são duas formas 
complementares de descrever o ambiente atmosférico, 
utilizando os mesmos elementos. Comente esta afirmação. 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
21 
 
TEMA – II: Características gerais da 
atmosfera terrestre 
O tempo que conhecemos forma-se na atmosfera também 
conhecida como o oceano de ar que envolve o planeta e o 
acompanha nos seus movimentos (de translação e de rotação). 
As condições atmosféricas estão em mudança constante e o 
clima é o resultado de um padrão de variações contínuas. 
Portanto, para se prosseguir com o estudo do clima torna-se 
necessário entender o funcionamento da atmosfera, que é 
descrita como uma camada relativamente fina de gases e 
material particulado (aerossóis) que envolve a Terra. Esta 
camada é essencial para a vida e o funcionamento ordenado dos 
processos físicos e biológicos sobre a Terra. A atmosfera protege 
os organismos da exposição a níveis arriscados de radiação 
ultravioleta, contém os gases necessáriospara os processos 
vitais de respiração celular e fotossíntese e fornece a água 
necessária para a vida. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: a origem e formação da atmosfera 
 Descrever: a estrutura e composição da atmosfera terrestre 
 Explicar: a importância da atmosfera na formação dos fenômenos 
meteorológicos e climáticos 
 Demonstrar: a importância da atmosfera para a vida na superfície do 
globo terrestre 
 
 
 
 
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22 
 
UNIDADE Temática 2.1. Estrutura e Composição da 
Atmosfera 
A atmosfera não e uniforme na sua composição e por isso sujeita a uma 
estratificação em altitude. Sua estrutura sofre igualmente uma 
influencia da latitude. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
Específicos 
Descrever: a composição e estrutura da atmosfera 
Conhecer: a origem e formação da atmosfera terrestre 
Conhecer: a importância da atmosfera 
 
2.1.1. O que é a atmosfera terrestre? 
A atmosfera, palco dos eventos meteorológicos pode ser 
definida como uma camada fina de gases, sem cheiro, sem cor e 
sem gosto, que envolve e acompanha a Terra em todos os seus 
movimentos. Ela é composta de gases que se encontram junto à 
superfície terrestre, tornando-se rarefeitos e desaparecendo 
com a altitude. A atmosfera alcança uma altura (espessura) de 
cerca de 800 a 1.000 km, ligando-se à Terra pela Força da 
Gravidade. Caracteriza-se ainda por apresentar uma espessura 
menor na região equatorial e maior sobre os pólos, em função 
da forma característica do planeta (Geóide) (AYOADE, 2003) 
como citado em Torres e Machado (2008, P. 8) 
 
2.1.2. Origem da atmosfera 
A formação da atmosfera terrestre está intrinsecamente ligada 
as origens do planeta Terra. Diz a teoria do Big Bang que há cerca 
de 4,6 bilhões de anos houve a contração de uma gigante nuvem 
de gás e poeira. Essa matéria formou o Sol e os planetas. O alto 
grau de radioatividade das rochas teria feito com que a Terra 
derretesse e que a sua superfície fosse tomada de matéria 
incandescente. Através da fundição de ferro e níquel se formou 
o núcleo do nosso planeta. Há 4 milhões de anos a Terra 
começou a ganhar forma com a criação de placas sólidas que 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
23 
 
flutuavam sobre a rocha incandescente. 
Milhões de anos depois a crosta terrestre já estava bem mais 
espessa e houve a formação, entre outras coisas, dos vulcões. 
Ao entrarem em erupção esses vulcões expeliam gases e vapor 
de água para o espaço. Esta actividade vulcânica permitiu 
igualmente a ruptura de ligações que «prendiam» outros gases 
a rochas e minerais, que assim também escaparam para o 
exterior da crosta terrestre. Estes gases libertados 
constituíram a atmosfera primitiva da Terra. 
À medida que a Terra foi arrefecendo e os gases foram-se 
libertando, a atmosfera primitiva começou a ficar saturada de 
vapor de água. 
A água começou a cair sob a forma de chuva, originando os 
mares e os oceanos, arrastando consigo grande parte de 
Dióxido de Carbono da atmosfera, e este reagiu com as rochas 
existentes, formando os carbonatos, componentes das rochas 
sedimentares. 
Na atmosfera, ficou o Azoto, vestígios de Dióxido de Carbono, 
vapor de água, Metano e Amoníaco. 
Por acção da radiação solar, as moléculas de Metano e de 
Amoníaco foram em grande parte destruídas, originando o 
hidrogénio, assim como outras moléculas mais complexas. 
Estas terão sido arrastadas pelas chuvas e, mais tarde, terão 
participado na formação dos primeiros organismos vivos. 
Da atmosfera primitiva à atmosfera actual 
Nesta época da história da Terra, o oxigénio ainda não existia 
na Terra. Apesar disso, vários factores contribuíram para o 
desenvolvimento progressivo deste. Nesta altura, as radiações 
ultravioletas solares atingiam a superfície terrestre, 
interatuando com as moléculas aí existentes. Crê-se que um 
dos efeitos dessas radiações foi a “ruptura” de algumas 
moléculas de água, com formação de Hidrogénio e Oxigénio: 
 As moléculas de Hidrogénio escaparam para o espaço. Quanto 
ao Oxigénio, foi fixado inicialmente pelo Ferro e outros metais, 
formando os respectivos dióxidos e só mais tarde, há cerca de 
2100 a 2300 milhões de anos, começou a ser libertado para a 
atmosfera. 
2.1.3. Composição média da atmosfera actual 
De acordo com Soares e Batista (2004) como citado em Torres e 
Machado (2008; P. 8) a atmosfera é constituída por uma 
combinação de diversos gases, como o Nitrogênio, o Oxigênio, 
os chamados gases raros (Argônio, Neônio, Criptônio e 
Xenônio), o Dióxido de carbono, o Ozônio, o Vapor de água, o 
 
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24 
 
Hélio, o Metano, o Hidrogênio, etc. A concentração do vapor de 
água e o dióxido de carbono flutua de acordo com as condições. 
O vapor de água vária de 0 a 4% em volume. Alem destes, 
Monóxido de carbono (CO), o Ozono (O3), o dióxido de enxofre 
e o dióxido de nitrogênio (NO2) também variam na sua 
concentração. 
Além desses gases, encontram-se na atmosfera partículas de pó, 
cinzas vulcânicas, fumaça, matéria orgânica e resíduos 
industriais em suspensão, os quais são denominados de 
“aerossóis”, de acordo com Vianello e Alves (1991), como citado 
em Torres e Machado (2008, P. 8) termo usualmente reservado 
para partículas materiais que não sejam água ou gelo. Os 
aerossóis são importantes na atmosfera como núcleos de 
condensação de cristalização, como absorvedores e difusores de 
radiação e também como participantes de vários ciclos 
químicos. Ayoade (2003) como citado em Torres e Machado 
(2008; P. 8) destaca que os aerossóis produzidos pelo homem 
são avaliados actualmente como sendo responsáveis por 30% 
dos aerossóis contidos na atmosfera. Contudo, destacam-se, 
especialmente nas camadas mais baixas o nitrogênio (N2) e o 
Oxigênio (O2), embora todos os demais desempenhem 
importante papel no balanço atmosférico, pois absorvem, 
refletem e/ou difundem tanto a radiação solar quanto a 
radiação terrestre. 
Gás Volume em % 
Argônio (Ar) 0,93 
Criptônio (Kr) 0,0001 
Dióxido de carbono (CO2) 0,036 
Hélio (He) 0,0005 
Hidrogênio (H2) 0,00005 
Neônio (Ne) 0,0018 
Nitrogênio (N2) 78,08 
Metano (CH4) 0,00017 
Óxido nitroso (N2O) 0,00003 
Oxigênio (O2) 20,95 
Ozono (O3) 0,000004 
Xenônio (Xe) 0,000001 
Tabela 1. Alguns gases que compõem o ar seco 
Fonte: Adaptado de Torres e Machado (2008) 
 
 
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25 
 
2.1.4. Importância dos gases atmosféricos 
Oxigénio (O2): 
O Oxigénio é importante na atmosfera para os seres vivos e na 
formação camada de ozono.Com uma atmosfera mais pobre 
em oxigénio a vida tal como a conhecemos não se teria 
desenvolvido. 
No entanto, uma atmosfera demasiado rica em oxigénio 
tornaria também a vida impossível. 
A libertação do oxigénio para a atmosfera permitiu, também, 
a formação da camada de ozono, que absorve as radiações 
ultravioletas solares mais energéticas, mortais para os seres 
vivos. 
Assim se tornou possível a evolução da vida na Terra para 
formas cada vez mais complexas. 
O azoto atmosférico ou Nitrogénio (N2) 
O Azoto atmosférico é um “moderador” da acção química do oxigénio, 
pois as suas moléculas são muito pouco reactivas. 
Uma boa parte das substâncias orgânicas que constituem os seres 
vivos inclui átomos de azoto. 
Estes átomos são incorporados na matéria orgânica por 
absorção do azoto da atmosfera, tarefa que é desempenhada, 
naturalmente, por microrganismos existentes nas raízes de 
algumas plantas, que o transformam em compostos azotados. 
Estes são absorvidos pelas plantas, que estes compostos usam, 
para o seu crescimento. Em seguida, os animais digerem as 
plantas, conseguindoassim obter o azoto necessário ao seu 
organismo. 
O azoto desempenha um papel muito importante na vida 
deste planeta, na medida em que: 
É um moderador doa acção do oxigénio, pois é uma substância 
bastante inerte. 
É essencial para o crescimento dos seres vivos, pois este entra 
na constituição dos aminoácidos, unidades estruturais das 
proteínas. 
A indústria também retira o azoto da atmosfera para produzir 
adubos azotados que tornam o solo mais fértil. O azoto passa de 
novo para a atmosfera quando a matéria orgânica se decompõe. 
O vapor de água e o dióxido de carbono atmosféricos 
O vapor de água e o dióxido de carbono, apesar de existirem 
em quantidades mínimas na atmosfera, são importantes para 
a vida na Terra. 
 
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26 
 
Para além de participarem nos processos biológicos que dão 
vida aos organismos, exercem um papel fundamental na 
regulação do clima na Terra. 
O vapor de água existente na atmosfera provém da evaporação 
da água dos oceanos, mares, rios e lagos. Em contacto com as 
camadas mais frias da atmosfera o vapor condensa podendo 
solidificar formando nuvens. A precipitação (na forma de chuva 
neve ou granizo) devolve a água aos locais originais. Tudo isto 
constitui o ciclo da água que permite a transferência de energia 
entre a superfície da Terra e a camada mais baixa da atmosfera. 
O dióxido de carbono atmosférico é essencial à vida, pois é a 
matéria-prima para a fotossíntese das plantas, e é reposto na 
atmosfera através da respiração dos seres vivos. 
O dióxido de carbono e o vapor de água têm um papel muito 
importante como reguladores do clima. As moléculas destas 
substâncias absorvem as radiações IV emitidas pela superfície 
terrestre, impedindo que se escapem para o espaço. Assim, a 
temperatura do ar aumenta, originando o que se chama – Efeito 
de estufa. Existe também o dióxido de carbono com uma 
concentração de apenas 0,0335% mas que tem um efeito muito 
importante no balanço térmico da atmosfera porque deixa 
passar a radiação solar para o globo terrestre mas absorve a 
radiação emitida pelo mesmo garantido o aquecimento da 
atmosfera 
O Ozono (O3) 
 
O ozono é um gás instável, uma molécula constituída por 3 
átomos de oxigênio e é um dos gases minoritários da atmosfera 
terrestre, que encontra-se concentrado entre os 20 e os 30 km 
de altitude, sendo possível encontrar concentrações até cerca 
de 10 ppm (partes por milhão).O ozono está presente na 
troposfera e na estratosfera. O ozono troposférico é um gás 
poluente e na baixa estratosfera é considerado um filtro natural 
para o planeta, já que faz a interceptação dos raios ultravioleta 
prejudiciais aos seres vivos. 
Nesta região (estratosfera), a temperatura começa a aumentar 
com a altura porque, ao absorver radiação ultravioleta, o ozono 
liberta energia na forma de calor. Isso influencia decisivamente 
na estrutura da atmosfera na medida em que determina a 
inversão do perfil de temperatura na Tropopausa (limite entre a 
Troposfera e a Estratosfera). 
A presença do ozono é vital devido a sua capacidade de absorver 
a radiação ultravioleta do sol na reação de fotodissociação. Na 
estratosfera, a energia da radiação UV é suficientemente 
intensa para produzir a dissociação do oxigênio molecular (O2), 
 
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27 
 
que posteriormente, através da associação de um terceiro 
corpo, forma o ozono (O3) estratosférico. Por sua vez, o 
processo de dissociação do ozono (destruição), absorve 
radiação UV. Assim, tanto na formação de ozônio como na sua 
destruição há absorção de energia hv correspondente à 
radiação UV, sendo o processo de destruição de ozônio o mais 
efectivo na absorção da radiação UVB. Conforme o modelo de 
Chapman, os processos ocorrem segundo as reações: 
FORMAÇÃO: 1 - O2 + hv = O + O; 2 - O + O2 + M = O3 + M 
 
 DESTRUIÇÃO: 3 - O3 + hv = O + O2 4 - O + O3 = O2 + O2 
 
A distribuição do ozono na atmosfera vária com a latitude, 
estação do ano, horário e padrões de tempo. 
Na ausência de qualquer outro factor, poderia pensar-se que 
níveis da coluna total de ozônio seriam mais altos em cima dos 
trópicos e correspondentemente baixaria nas regiões polares, 
isso tudo, por causa da maior intensidade de radiação 
ultravioleta solar nas regiões equatoriais tendo em vista as 
reações do ciclo de produção e perda de ozono. Porém, 
distribuição de ozono simplesmente não é um equilíbrio entre 
produção e perda. Ventos podem transportar ozono para longe 
da região de produção, alterando a distribuição básica do ozono 
na atmosfera. Para uma média anual, a concentração total de 
ozônio possui um mínimo nas latitudes equatoriais e aumenta 
em ambos os hemisférios para um máximo nas latitudes de 
subpolar. A máxima densidade do ozônio ocorre nas altas 
latitudes devido o resultado de transporte do ozônio da região 
de produção primária que se dá em latitudes equatoriais e na 
estratosfera superior para a baixa estratosfera em regiões 
polares, onde tem um tempo de relaxamento fotoquímico 
relativamente longo. As variações da concentração de ozono 
estratosférico estão igualmente relacionadas com os sistemas 
de pressão actuantes na troposfera. Assim, as baixas 
concentrações do ozônio estratosférico estão relacionadas com 
centros de alta pressão e as altas concentrações de ozono estão 
associadas a centros de baixa pressão. 
Os maiores valores da concentração do ozônio são encontrados 
na faixa de baixa pressão das frentes polares, denominado de 
cinturão das altas concentrações de ozônio. Contudo, após a 
dissipação e ruptura do vórtice, este cinturão, localizado nas 
baixas subpolares, invade a região polar, sendo que no final de 
novembro o Pólo Sul é totalmente ocupado por altas 
concentrações de ozono. 
 
O meteorologista G. M. B. Dobson descobriu, na década de 
1920, as relações entre a concentração de ozônio estratosférico 
 
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28 
 
e os sistemas atmosféricos. Esse pesquisador conseguiu avaliar 
as variações do ozono atmosférico em diversas localidades do 
planeta e comprovar uma correlação negativa entre os sistemas 
de pressão e a concentração de ozônio (a concentração do 
ozono é menor nos centros de alta pressão e maior nos centros 
de baixa pressão). Este pesquisador conseguiu aperfeiçoar um 
instrumento capaz de determinar com muita precisão a 
concentração do ozônio. Assim, em sua homenagem, a unidade 
de medição de ozono é denominada Unidade de Dobson (UD). 
(Andre & Zavattini; s/d; P. 28) 
 
O buraco do Ozono 
A libertação de compostos químicos artificiais (CFCs – 
clorofluorcarbonetos) despertou a comunidade científica para a 
possibilidade da redução na concentração do ozono 
estratosférico desde a década de 1970, segundo Molina e 
Rowland, 1974 como citado em (Andre & Zavattini; s/d; Pag.28) 
Farman et al. (1985) analisaram a série de dados registados na 
estação de Halley (75°S, 26°W) e afirmaram haver uma redução 
da concentração do ozono sobre a Antártida no período da 
primavera. Esta diminuição sazonal foi denominada de buraco 
na camada de ozono. 
 
O buraco na camada de ozônio pode ser definido como a região 
estratosférica antártica, no período da primavera, que 
apresenta valores de concentração de ozônio abaixo de 200 UD, 
ou ainda, que apresenta reduções em 2/3 dos valores da 
concentração habitual. (Andre & Zavattini; s/d; P. 29) 
Factores naturais como erupções vulcânicas e variações no ciclo 
solar são relevantes na redução da camada de ozono, porém é 
comprovado que a ação antropogénica pode potencializar a 
redução desta camada, já que os compostos químicos são 
utilizados em grande escala pelas indústrias. De uma maneira 
natural, a cada primavera acontece o buraco da camada de 
ozônio na Antártida como resultado do aquecimento gradativodo pólo, após a chegada dos primeiros raios solares que fa-
vorece as reações químicas destruidoras do ozônio. Este buraco 
volta a fechar-se no verão, e, quando o vórtice polar se se 
aquece e dissipa-se. Durante o inverno no Hemisfério Sul, a 
presença do vórtice polar com ventos fortes oriundos de oeste 
no continente antártico, não possibilita a troca de massas de ar 
e, consequentemente isola o ar com baixa temperatura e pouca 
concentração de ozônio. Para Dobson (1968b) a concentração 
do ozono estratosférico e a temperatura aumentam 
consideravelmente quando o vórtice polar antártico perde 
repentinamente sua intensidade no mês de novembro. (Andre 
& Zavattini; s/d; P. 31) 
 
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29 
 
2.1.5. Estrutura vertical da Atmosfera 
A estrutura e composição da atmosfera não e uniforme a 
medida que a altitude aumenta. Por vezes a temperatura 
diminui à medida que a altitude aumenta e, outras vezes, a 
temperatura aumenta com a altitude. A pressão, densidade e 
temperatura variam com a altitude formando camadas de 
temperatura distintas, cada uma separada por uma superfície 
ou pausa. E o comportamento da atmosfera na camada mais 
baixa que determina o tempo que conhecemos no dia-a-dia. 
Para Grimm (999) o ar é compressível, isto é, seu volume e sua 
densidade são variáveis. A força da gravidade comprime a 
atmosfera de modo que a máxima densidade do ar (massa por 
unidade de volume) ocorre na superfície da Terra. O decréscimo 
da densidade do ar com a altura é bastante rápido (decréscimo 
exponencial) de modo que na altitude de aproximadamente 5,6 
km a densidade já é a metade da densidade ao nível do mar e 
em aproximadamente 16 km já é de apenas 10% deste valor e 
em aproximadamente 32 km apenas de 1%.O rápido decréscimo 
da densidade do ar significa também um rápido declínio da 
pressão do ar com a altitude. A pressão da atmosfera numa 
determinada altitude é simplesmente o peso da coluna de ar 
com área de seção reta unitária, situada acima daquela altitude. 
No nível do mar a pressão média é 1013,25 mb o que 
corresponde a um peso de 1kg de ar em cada cm2. 
Os cientistas dividem a atmosfera em cinco camadas 
concêntricas, baseando-se nas suas variações de temperatura 
características: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera 
e exosfera. Os seus limites correspondem aos valores máximos 
e mínimos de temperatura. 
 
 
Figura 1. Perfil vertical da Pressão (Grimm; 1999) 
 
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30 
 
Troposfera 
A troposfera é a camada mais importante em termos 
meteorológicos. É a camada adjacente a superfície terrestre 
onde se concentram cerca de ¾ da massa total da atmosfera e 
quase todo o vapor de água, e onde ocorrem nuvens e sistemas 
meteorológicos. Geralmente a temperatura decresce com a 
altitude na troposfera cerca de 6,5°c /Km (Ayoade, 1996, Pag 
20). A parte superior da troposfera e chamada tropopausa e é 
caracterizada por uma inversão da temperatura limitando a 
convecção e outras actividades do tempo atmosférico. A 
altitude da tropopausa não e uniforme. Ela varia de lugar para 
lugar e de estação para estação. Regra geral, a altitude da 
tropopausa pode alcançar os 18 Km na zona intertropical (nas 
latitudes baixas) as temperaturas são elevadas e existe 
turbulência convectiva vertical (sendo a atmosfera um corpo 
gasoso estes elementos afectam o seu volume). A altitude da 
tropopausa vai diminuindo a medida que caminhamos para as 
altitudes altas chegando a alcançar os 8 Km nos pólos. 
Nas latitudes médias ocorrem tropopausas múltiplas que se 
sobrepõem parcialmente devido a influência das correntes de 
jacto. 
Além disso, podem ocorrer num dado local, rápidas alterações 
na temperatura e na altitude da tropopausa. Os sistemas 
meteorológicos em deslocação e as nuvens que lhes estão 
associadas e que afectam a nossa vida diária confinam-se quase 
inteiramente a troposfera. À medida que estes sistemas mudam 
de posição as características da tropopausa variam no tempo e 
no espaço. 
A troposfera e aquecida pelo calor irradiado pela superfície 
terrestre. 
Estratosfera 
E a região situada acima da troposfera. Estende-se desde a 
tropopausa até altitudes entre 50 e 55 Km. Em qualquer 
localidade a temperatura da estratosfera mantem-se 
praticamente constante até cerca dos 20Km e esta camada 
chama-se isotérmica. A partir desse nível a temperatura sobe 
lentamente ate cerca de 32 km, aumentando depois 
rapidamente. 
Na parte superior da estratosfera as temperaturas são quase tão 
elevadas como as que se verificam junto a superfície terrestre, 
como resultado da absorção da radiação solar ultravioleta pelo 
ozono atmosférico que conhece a sua concentração máxima 
nesta região “em torno da altitude de 22 Km acima da superfície 
terrestre”(Ayoade, 1996, P. 21) a chamada camada de ozono. 
 
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31 
 
O calor aqui produzido e transferido para a parte inferior da 
estratosfera por subsidência e radiação. Assim a estratosfera e 
aquecida por cima e é mais fria em baixo, possui pouco ou quase 
nenhum vapor de água resultando em pouca convecção nesta 
camada, tornando-a pouco activa em termos meteorológicos 
embora se observem algumas nuvens. (Retallack, 1970; P. 9). 
Acontecem mudanças sazonais marcantes nas características da 
atmosfera. Visto que a densidade do ar e muito baixa nesta 
camada uma pequena absorção da radiação solar pelos 
constituintes atmosféricos, principalmente o ozono como já 
referido antes, produz um grande aumento da temperatura. 
O limite superior da estratosfera e marcado por uma zona 
isotérmica denominada estratopausa. 
A troposfera e a estratosfera constituem a atmosfera inferior. 
Mesosfera 
A atmosfera superior e geralmente considerada como 
começando a partir da estratopausa e termina onde a atmosfera 
se funde com o espaço exterior. 
Na mesosfera, a temperatura decresce com a altitude ate 
alcançar um mínimo de -90°C ou menos a cerca de 80Km de 
altitude. Este e o limite superior da Mesosfera e toma o nome 
de mesopausa. Nesta camada a pressão atmosférica e muito 
baixa diminuindo de aproximadamente de 1 mb na base ate 0.01 
mb na mesopausa. A composição do ar e constante 
exceptuando as concentrações de ozono e vapor de água que 
variam. E nesta camada que ocorrem as temperaturas mais 
baixas da atmosfera. Nas latitudes elevadas observam-se 
ocasionalmente, a este nível, nuvens noctilucentes que se 
pressupõe que sejam constituídas por partículas de poeira 
cobertas de gelo. (Retallack, 1970; Pag 9) 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
32 
 
 
 Figura 2. Estrutura vertical da Atmosfera 
Termosfera 
É a região acima da mesopausa caracterizada por uma 
atmosfera muito rarefeita e uma subida regular da temperatura 
devido a absorção da radiação ultravioleta pelo oxigênio 
atômico. Aqui, a composição da atmosfera altera-se 
consideravelmente devido a separação de moléculas de muitos 
dos gases em átomos isolados por acção dos raios X e 
ultravioleta vindos do sol, que igualmente provocam um 
fenômeno chamado ionização ou carregamento elétrico 
levando a que esta camada também receba o nome de ionosfera 
que tem particular importância por ser capaz de de reflectir 
ondas de radio. Esta camada estende-se ate os cerca de 400 Km 
ou 500 Km de altitude (quando a actividade solar e muito 
intensa) onde se situa a termopausa. 
Exosfera 
Estende-se de uma altitude de 500 Km para cima. Os átomos de 
oxigênio, hidrogênio e Helio formam uma atmosfera tênue e a 
lei dos gases deixa de ser válidas. A atmosfera não tem um limite 
superior definido, porem a densidade do ar baixa progressiva e 
rapidamente ate confundir-se com o espaço exterior. Aqui 
ocorrem as auroras boreais.ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
33 
 
Resumo 
A atmosfera é composta de vários gases importantes para a 
vida, como o oxigênio, o nitrogênio e o gás carbônico, que 
formam uma mistura transparente, incolor e inodora chamada 
de ar atmosférico. Além dos gases, há também vapor de água, 
partículas em pó, micro-organismos etc. 
A composição e as condições físicas da atmosfera não são 
uniformes em toda a sua espessura, mas variam de modo 
acentuado. Assim, a atmosfera se divide em diversas camadas 
sobrepostas das quais três relativamente quentes separadas por 
duas camadas relativamente frias com camadas de transição 
entre as cinco camadas principais denominadas “pausas” – 
troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. 
A atmosfera e essencial para a vida na terra pelo papel que 
exerce na filtragem dos raios solares e ciclos bioquímicos da 
terra. 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO 
 
1. O que e a atmosfera terrestre? 
2. Enumere quatro gases constantes e dois gases variaveis e suas 
proporções no ar atmosférico. 
3. Quantas e quais são as camadas da atmosfera? 
4. O que e a camada de ozono? 
5. Onde se situa a camada de ozono? 
6. Enumere dois gases importantes na regulação da temperatura 
do planeta. 
7. Em que camada se forma grande parte dos fenômenos 
meteorológicos? 
8. Em que camadas se concentra grande parte dos gases 
atmosféricos? 
9. O que e o buraco do ozono? 
Exercícios de AVALIACAO 
1. Considere as frases abaixo: 
1. Fará muito calor hoje na Beira. No Chimoio, as temperaturas 
serão mais amenas. 
2. As temperaturas em todo o mundo estão cada vez maiores e 
vêm causando preocupações entre os cientistas. 
3. Costuma chover muito em Lichinga nesta época do ano, é 
melhor estarmos preparados! 
 
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4. Li no jornal que esta semana será de muita chuva no Maputo. 
Com base nas afirmações acima, é possível afirmar que: 
a) Todas fazem referência ao clima 
b) 1, 2 e 3 fazem referência ao clima e 4 faz referência ao tempo. 
c) 2 e 3 fazem referência ao clima e 1 e 4 fazem referência ao 
tempo. 
d) 2 Faz referência ao clima e 1, 3 e 4 fazem referência ao tempo. 
e) Todas fazem referência ao tempo. 
2. Assinale com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas 
a) Próximo da superfície da Terra, as moléculas dos gases do ar 
ficam muito afastadas. 
b) Próximo da superfície da Terra, as moléculas dos gases do ar 
ficam mais próximas umas das outras. 
c) A medida que nos aproximamos da superfície da Terra, o ar 
vai se tornando cada vez mais rarefeito. 
d) A medida que nos afastamos da superfície da Terra o ar vai se 
tornando cada vez mais concentrado. 
3. O ar é constituído por muitos gases. Qual é o gás mais 
predominante? 
A. Nitrogénio 
B. Oxigénio 
C. Dióxido de carbono 
D. Hidrogénio 
Exercícios 
1. Explique as razões que estão na origem da estratificação da 
atmosfera com a altitude? 
2. Explique a variação da altitude da tropopausa com a latitude 
3. Explique as causas do comportamento da pressão e da 
temperatura atmosféricas na atmosfera inferior 
4. “A atmosfera pode comparar-se ao liquido amniótico face a sua 
importância para os seres vivos da terra”. Concorda com esta 
afirmação? Fundamente. 
5. Porque e que e na troposfera onde acontece grande parte dos 
fenômenos meteorológicos? 
 
 
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35 
 
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36 
 
TEMA – III: Radiacao Solar 
UNIDADE Temática 3.1.Radiação Solar 
UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a radiação 
solar 
 
Introdução 
A radiação solar é fonte primária de energia para os processos 
biológicos e meteorológicos que ocorrem na superfície. Ao 
alcançar a atmosfera terrestre esta fica sujeita a vários 
processos ate atingir a superfície terrestre. A radiação solar e 
igualmente sujeita a leis e factores. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir:a radiação solar 
 Explicar: como se processa o balanço energético da terra do sistema 
terra – atmosfera - espaço 
 Explicar:os processos que a radiação solar sofre quando atinge a 
superfície terrestre 
 Analisar:os factores que afectam a radiação solar 
 Conhecer: as leis da radiação 
 
Unidade Temática 3.1. Radiação Solar 
 
O sol é a fonte primordial de energia para a terra que e 
transmitida em forma de ondas electromagnéticas curtas. 
Todavia, o nosso planeta só intercepta uma pequena do total da 
radiação que e submetida à vários processos quando alcança a 
terra devido a uma serie de factores. 
 
 
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37 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: A radiação solar 
 Explicar: Como se processa o balanço energético da terra do sistema 
terra – atmosfera - espaço 
 Explicar: Os processos que a radiação solar sofre quando atinge a 
superfície terrestre 
 Conhecer: As leis da radiação 
A principal fonte de energia da terra é a radiação solar recebida 
em forma de ondas eletromagnéticas, provenientes do Sol que 
alcança a superfície terrestre, de maneira directa ou 
indirectamente. 
Para Soares e Batista (2004), como citado em Torres e Machado 
(2008; Pag. 29) “radiação é uma forma de energia que emana, 
sob forma de ondas eletromagnéticas, de todos os corpos com 
temperaturas superiores ao zero absoluto (-273 ºC)” 
A radiação eletromagnética pode ser considerada como um 
conjunto de ondas (elétricas e magnéticas) cuja velocidade no 
vácuo é ( ). As várias formas de radiação, 
caracterizadas pelo seu comprimento de onda, compõem o 
espectro eletromagnético (Fig. 1). 
 
Figura 1. Espectro Eletromagnético (Grimm; 1999) 
O comprimento de onda (l ) é a distância entre cristas (ou 
cavados) sucessivos(Fig. 2); a 
 
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38 
 
frequência de onda (u) é o número de ondas completas (1 ciclo) 
que passa por um dado ponto por unidade de tempo (s). A 
relação entre l, u e a velocidade c éc= lu 
 
 
Figura 2 - Características de uma onda 
 
Embora o espectro eletromagnético seja contínuo, nomes 
diferentes são atribuídos a diferentes intervalos porque seus 
efeitos, geração, medida e uso são diferentes. Por exemplo, as 
células da retina do olho humano são sensíveis a uma radiação 
num estreito intervalo chamado luz visível, com l 
entre e .(Grimm; 1999) 
 A maior parte da energia radiante do sol está concentrada nas 
partes visível e próximo do visível do espectro. A luz visível 
corresponde a ~43% do total emitido, 49% estão no 
infravermelho próximo e 7% no ultravioleta. Menos de 1% da 
radiação solar é emitida como raios X, raios gama e ondas de 
rádio. (Grimm; 1999) 
Apesar da divisão do espectro em intervalos, todas as formas de 
radiação são basicamente iguais. Quando qualquer forma de 
energia radiante é absorvida por um objeto, o resultado é um 
crescimento do movimento molecular e um correspondente 
crescimento da temperatura. (Grimm; 1999) 
3.1.1 Balanço da Radiação 
O sistema Terra-atmosfera está constantemente absorvendo 
radiação solar e emitindo sua própria radiação para o espaço. 
Numa média de longo prazo, as taxas de absorção e emissão são 
aproximadamente iguais, de modo que o sistema está muito 
próximo ao equilíbrio radiativo. 
Balanço é a diferença entre a entrada e a saída de elementos de 
um sistema. Os principais componentes para o balanço de 
 
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39 
 
radiação no sistema terrestre são: superfície, atmosfera e 
nuvens. 
O sol emite uma radiação de onda curta a uma razão que varia 
pouco e é por isso, designada constante solar. De acordo com 
Retallack (1977) como citado em Torres e Machado (2008; Pag. 
29), a radiação solar ao atravessar a atmosfera é atenuada por 3 
processos: 
Difusão 
A dispersão pelas partículas da atmosfera, tais como gases, 
cristais e aerossóis. Uma parte dessa radiação difundida é, 
portanto, devolvida ao espaço, enquanto outra parte atinge a 
superfície e é chamada de radiação difusa; 
Absorção 
A absorção selectiva por certos constituintes atmosféricos para 
certos comprimentos de ondas, como por exemplo a absorção 
da radiação ultravioleta pelo ozono (O3); através da absorção, a 
radiação é convertida em calor. Quando uma molécula de gás 
absorve radiação esta energia é transformada em movimento 
molecular interno, detectável como aumento de temperatura. 
Portanto, são os gases que são bons absorvedores da radiação 
disponível que tem papel preponderante no aquecimento da 
atmosfera. 
Reflexão 
A reflexão pelas nuvens depende principalmente de sua 
espessura, estrutura e constituição. 
De acordo com Tubelis e Nascimento (1984) como citado em 
Torres e Machado (2008; Pag. 30), em média dos 100% da 
energia do Sol que chega à atmosfera, como visto na Figura 3.2, 
cerca de 40%incidem sobre as nuvens e desse total são 
absorvidos 1% e refletidos 25%, que se perdem para o espaço, 
chegando apenas 14% à superfície. Dos outros 60% que incidem 
sobre áreas sem cobertura de nuvens, 7% são 
reflectidos/difundidos por aerossóis, 16% absorvidos por gases 
atmosféricos, chegando 37% à superfície. Destes 51% que 
chegam à superfície, subtrai-se ainda 5% que são reflectidos por 
esta, com isso, tem-se que cerca de 46% da energia que incide 
sobre a atmosfera é absorvida pela superfície terrestre. 
A energia absorvida pela superfície terrestre em ondas curtas é 
irradiada, através de ondas longas, promovendo o aquecimento 
do ar atmosférico. A parte absorvida é usada no aquecimento 
da superfície do Planeta (terras e água). Dessa forma, a 
atmosfera (ou o ar) não é aquecida directamente pelos raios 
 
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40 
 
solares, que passam por ela, mas sim, pelo calor irradiado da 
Terra,ou seja, de forma indireta. 
Por sua vez a terra (parte solida da terra) emite uma radiação de 
onda conhecida por radiação terrestre, da qual 90% absorvida 
pelo vapor de água e dióxido de carbono atmosféricos. 80% 
desta é devolvida para o solo, processo conhecido como efeito 
de estufa . Assim, a atmosfera actua como uma cobertura e 
apenas uma pequena parte da radiação terrestre escapa 
directamente para o espaço. (Atkinson B. W. & Gadd A. 1990 p. 
46). (Obra original publicada em 1986) 
 
Figura 3 - Esquema geral do balanço de radiação solar médio; 
Torres e Machado (2008) 
Durante a noite cessa a recepção de radiação solar mas os 
outros processos continuam. Assim, há uma perda de energia 
para o espaço em contraste com o ganho que se verifica durante 
o dia. 
E importante notar que cada gás atmosférico no tipo de 
radiação que absorve, por exemplo, o Ozono absorve a maior 
parte da radiação ultravioleta enquanto o vapor de água 
absorve grande parte da radiação visível. 
 
1.1.1. Mecanismos de transferência de calor 
A troca de calor entre a superfície do globo e a atmosfera 
também processa-se por processos chamados Condução e 
Convecção 
 
Condução 
A condução ocorre dentro de uma substância ou entre 
substâncias que estão em contato físico directo. Na condução a 
energia cinética dos átomos e 
 
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41 
 
moléculas (isto é, o calor) é transferida por colisões entre 
átomos e moléculas vizinhas. O calor flui das temperaturas mais 
altas (moléculas com maior energia cinética) para as 
temperaturas mais baixas (moléculas com menor energia 
cinética), isto e, o calor passa de um corpo mais quente para um 
corpo mais frio sem que haja transferência de matéria. A 
capacidade das substâncias para conduzir calor (condutividade) 
varia consideravelmente. Por regra, sólidos são melhores 
condutores que líquidos e líquidos são melhores condutores que 
gases. Sendo os gases maus condutores a condução só é 
importante na transferência de calor para camadas de ar 
extremamente finas ( de apenas alguns centímetros)que 
estejam em contacto directo com a superfície do 
globo.(Retallack, 1970; P. 14). 
 Como meio de transferência de calor para a atmosfera como 
um todo a condução é o menos significativo e pode ser omisso 
na maioria dos fenômenos meteorológicos. 
Convecção 
A Convecção e o processo mais importante de transferência de 
energia no sistema terra – atmosfera. A convecção somente 
ocorre em líquidos e gases. Consiste na transferência de calor 
dentro de um fluido através de movimentos do próprio fluído. 
Aqui o próprio corpo portador de calor desloca-se de um local 
para o outro. O calor ganho na camada mais baixa da atmosfera 
através de radiação ou condução é mais frequentemente 
transferido por convecção. Com o aquecimento da atmosfera, 
geram-se nela diferenças de pressão. Assim o ar quente sobe e 
o ar frio desce originando correntes de convecção que 
transportam para as altitudes elevadas calor sensível e calor 
latente (armazenado no vapor de água); este último e libertado 
nas camadas superiores quando o vapor de água se condensa 
formando nuvens. O termo convecção é usualmente restrito à 
transferência vertical de calor na atmosfera. 
Desta forma, a circulação convectiva do ar transporta calor 
verticalmente da superfície da Terra para a troposfera, sendo 
responsável pela redistribuição de calor das regiões equatoriais 
para os pólos. 
Advecção 
 
Ocorre quando um dado volume do ar é forçado a deslocar-se 
horizontalmente, como consequência da instalação de um 
gradiente de pressão entre as áreas contíguas (isto é, o ar 
desloca-se da área de maior para a área de maior pressão), 
 
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42 
 
levando consigo as características térmicas da superfície sobre a 
qual repousava. 
 
Condensação 
 
Transfere para o ar quantidades consideráveis de energia que 
foram consumidas do ambiente durante a evaporação da água 
da superfície. Envolve a transformação do calor latente mantido 
pela molécula de vapor em calor sensível. 
 
1.1.2. Transferência de Energia no Seio da Atmosfera 
A atmosfera recebe calor da radiação solar de onda curta, da 
radiação terrestre de onda longa da convecção e da adição 
(transporte horizontal de calor através do vapor de água que e 
transportado das baixas latitudes para as altas). A atmosfera 
perde calor irradiando para o espaço e para o globo. Assim o 
sistema terra – atmosfera mantém o seu equilibro radiativo. 
1.1.3. Balanço Energético do Sistema Terra - Atmosfera 
Se se deixar de lado o papel da Convecção na transferência de 
calor para a atmosfera pode-se fazer um balanço entre a 
radiação que entra e a que sai, e, ter-se - á a radiação resultante. 
O balanço de radiação na superfície terrestre e positivo de dia e 
negativo a noite. O balanço da atmosfera e negativo ao longo de 
todo o ano e em todas as latitudes. Para o sistema terra - 
atmosfera como um todo o balanço e positivo entre as latitudes 
de 30°S e 40°N e negativo no restante. Assim teríamos a 
radiação resultante, particularmente alta nos trópicos e a 
medida que se caminha para os pólos o balanço torna-se 
negativo. Esta distribuição da radiação sugere que os trópicos 
tornar-se iam progressivamente mais quentes e o inverso 
aconteceria com os pólos. Mas a transferência de calor dos 
trópicos para as latitudes médias e para os pólos também 
conhecida por fluxo meridional quebra este padrão e assegura a 
regulação estabilidade das temperaturas. Essa transferência de 
calor e exercida por: 
Transferência de calor sensível em direcção aos pólos pela 
circulação atmosférica e correntes oceânicas das baixas 
latitudes. Esta transferência é a razão de ser da Circulação Geral 
da Atmosfera.”(Ayoade, 1996, P. 39). 
Libertação do calor latente quando o vapor de água 
transportado das baixas latitudes em direcção aos pólos se 
condensa na atmosfera. 
 
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43 
 
 
Figura 4 - Balanço de radiação da terra, Torres e Machado 
(2008) 
3.1.5. Leis da Radiação 
1. LEI DE PLANCK 
A luz viaja no universo por pequenas partículas chamadas de 
fótons. Quantum (plural é quanta) é a energia de um fóton. Viaja 
no espaço formando ondas eletromagnéticas. O comprimento 
de cada onda é a distância entre uma crista e outra de uma 
mesma onda. 
E = h f f = c/λ E = h (c/ λ) 
“A energia de um fóton é diretamente proporcional à frequência 
da onda e inversamente proporcional ao comprimento da onda” 
(Lei de Planck). Quanto maior a frequência de onda, maior a 
quantidade de energia contida nos fótons. Quanto maior a 
energia contida menor o comprimento da onda. O comprimento 
de onda é inversamente proporcional a frequência, uma vez que 
o produto entre estes (frequência x comprimento) é uma 
constante, a velocidade da luz. onde: E é a energia de um fóton 
de radiação (J); h é constante de Planck 6,6262 10-34 J/s f é a 
frequência da radiação (Hz ou s): é o número de cristas de ondas 
que ocorrem na unidade de tempo c é a velocidade da luz (3 108 
m/s); λ é o comprimento de onda (µm) 
Principais unidades de comprimento de onda: µm e nm, onde: 1 
µm = 1000nm 
Comprimentos de ondas emitidas pelo sol: ultravioleta até 200-
400 nm; visível 400 nm a 700 nm; infravermelho acima de 700 
 
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44 
 
nm (infravermelho próximo: 770 nm – 2500 nm; infravermelho 
distante: 2500nm – 10.0 nm). 
2. LEI DE KIRCHHOFF 
Para um dado comprimento de onda e uma dada temperatura, 
a absortividade de um corpo é igual a sua emissividade”, ou seja, 
para um determinado comprimento de onda o poder emissivo 
de uma superfície é igual ao poder de absorção. 
Todo bom absorvedor é um bom emissor aλ = eλ 
Propriedades de uma superfície: a) toda superfície tem um 
poder emissivo (eλ); b) toda superfície tem um poder de 
reflexão (rλ); c) toda superfície tem um poder de absorção (aλ); 
d) toda superfície tem um poder de transmissão (tλ). 
CORPO NEGRO: é um material hipotético capaz de absorver 
integralmente toda a energia incidente sobre ele. O corpo negro 
tem absortividade e emissividade igual a 1 e reflectividade e 
transmitividade igual a 0. 
EMISSIVIDADE (eλ): razão entre a emitância monocromática de 
um corpo e a correspondente emitância monocromática de um 
corpo a mesma temperatura. 
ABSORTIVIDADE (aλ): razão entre a quantidade de energia 
radiante absorvida pela substância ou corpo e o total incidente, 
para um dado comprimento de onda. 
 REFLETIVIDADE (rλ): razão entre a quantidade de energia 
radiante refletida pela substância/corpo e o total incidente, para 
um dado comprimento de onda. 
TRANSMISSIVIDADE (tλ): razão entre a quantidade de energia 
radiante transmitida e o total incidente, para um dado 
comprimento de onda. 
A reflectividade de uma cultura depende da sua cor, das 
condições de humidade, densidade de copa, da disposição das 
folhas e do ângulo do sol. Os valores da absortividade, da 
refletividade e da transmitividade para um dado material variam 
de 0 a 1, sendo que a soma destes terá que ser 1. Pela 
conservação de energia: aλ + rλ + tλ = 1 
 
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45 
 
3. LEI DE WIEN 
 Essa lei estabelece que o comprimento de onda de máxima 
emissão (λ max) é inversamente proporcional a temperatura da 
superfície (T, em K). λ max = 2897/T λ T = 2897 µm K ou 2,897 
106 nm K (o produto entre λ e T é constante) 
Terra: temperatura ~ 
300 K 
λ max = 9,6 µm (radiação 
infravermelha 960 nm) 
Sol: temperatura ~ 
6000 K 
λ max = 0,482 µm (radiação visível 
(verde) 482 nm) 
Exemplo: 
4.LEI DE STEFAN-BOLTZMAN 
Essa lei diz que a densidade de fluxo de energia (unidade de 
energia por unidade de área e tempo) emitida, em w/m2, é 
proporcional a quarta potência da sua temperatura absoluta, 
em K. 
E = eλ σ T4 
σ = Constante de Stefan-Boltzman 
5,67 10-8 W/m2 K4 
ou 0,827 10-10 
cal/cm2 K4 
E = densidade de fluxo de energia eλ = poder emissivo do corpo 
(emissividade) Para a maioria dos objetos o poder emissivo varia 
entre 0,95 e 1,0. Para fins agrometeorógicos adota-se eλ = 1. 
Dessa forma, um corpo se aquece e se resfria numa razão 
proporcional a quarta potência da sua própria temperatura e a 
quarta potência da temperatura do ambiente que o rodeia. 
5. LEI DE LAMBERT 
 A quantidade de energia recebida por uma superfície é função 
do ângulo de incidência da radiação. Quando um fluxo de 
energia radiante incide sobre uma superfície formando um 
ângulo z com a normal a esta superfície, a irradiância sobre a 
superfície considerada será o produto da irradiância na 
superfície normal aos raios pelo co-seno do ângulo de 
incidência. 
 
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46 
 
I = Io cos z 
I é a irradiância incidente sobre uma superfície; Io é a irradiância 
normal incidente sobre essa superfície; z é o ângulo de 
incidência 
6. LEI DE BEER 
“Um feixe monocromático de radiação ao atravessar um meio 
homogêneo sofrerá uma atenuação exponencial”. 
Indica como obter a radiação solar instantânea incidente em 
uma superfície horizontal considerando a atmosfera presente. 
Por essa lei verifica-se que a radiação ao atravessar um meio 
isotrópico e homogêneo ela sofrerá uma atenuação exponencial 
a qual é função da espessura e do coeficiente de extinção desse 
meio. I= Io e-kx 
I é a irradiância considerada; Io é a irradiância normal k é o 
coeficiente de extinção que para uma comunidade vegetal com 
folhaseretas o seu valor varia de 0,3 a 0,5 e para folhas 
horizontais varia entre 0,7 a 1,0. x = distância na qual o feixe 
atravessa esse meio ou, no caso de comunidade de plantas, 
deve ser utilizado índice de área foliar. 
Acredita-se que a energia solar é produzida pela fusão de 4 
átomos de hidrogênio formando um átomo de hélio (do grego 
hélios = sol). 
1. Constante solar (Fo) A constante solar é o fluxo de radiação 
(taxa de transferência de energia = J/s) solar que chega ao topo 
da atmosfera terrestre e é recebida em uma superfície 
perpendicular a direção do sol. Ou, ainda, é a quantidade de 
energia radiante do sol que incide perpendicularmente a uma 
unidade de superfície na ausência de partículas (topo da 
atmosfera) a uma distância média Terra-sol. Além desses 
conceitos, a constante solar pode ser definida como sendo a 
irradiância solar sobre uma superfície normal aos raios solares, 
à distância média Terra-Sol, na ausência de atmosfera. 38 km de 
altura ~ 1373 W/m2 ~ 1,96 a 1,98 cal/cm2 min1 ou seja, a área 
(1,27 1014 m2) da Terra voltada para o sol recebe, no topo da 
atmosfera, aproximadamente, a irradiância solar de 1,74 1017 
J/s. 
 
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47 
 
No entanto, a constante solar é influenciada pela variação na 
atividade solar, pela variação na distância Terra-Sol, pelo ângulo 
zenital, pela declinação solar (δ), pela latitude (φ) e pelo ângulo 
horário (h) por isso faz-se algumas correções. Assim, na 
passagem do sol sobre o meridiano do local, ao meio dia h=0o. 
Foc = Fo /R2 
cos z 
R2 = (d/D)2 (tabelado) ou (d/D)2 = 1 + 0,033 
cos ( J 360/365 ) 
Foc = Fo (d/D)2 cos z 
Foc = Fo (d/D)2 (sen φ sen δ + cos φ cos δ cos h) R: raio da elipse 
Terra-Sol 
d= distância média Terra-Sol Tn = tempo ao nascer do sol 
D= distância Terra-Sol no dia Tp = tempo ao pôr do sol 
Para o período de um dia integra-se a equação anterior do 
nascer ao por do sol, fixando-se φ e δ e variando h. 
Qo = tn∫tp Fo (d/D)2 (sen φ sen δ + cos φ cos δ cos h) ðt 
Qo = 37,6 (d/D)2 [(π/180) hn sen φ sen δ + cos φ cos δ sen hn ] 
Qo é a radiação solar no topo da atmosfera (MJ m-2 dia-1) 
Total de radiação de onda curta: - ultravioleta: ~ 4% 
- visível: ~ 4% 
- infravermelha: ~ 52% 
2. Declinação solar É o ângulo formado entre o plano do equador 
e o vector posição de um astro que é uma linha imaginária que 
vai do centro da Terra ao Sol. 
A Terra sempre gira inclinada com ângulo máximo de 23º 27´ 
entre o plano do equador e o plano da elipse. As posições do sol 
nas quais a sua declinação é igual aos valores extremos (23º27’) 
são denominadas de solstícios. As posições de declinação nula 
são denominadas de equinócio, ou seja, quando o sol, em seu 
movimento aparente, posiciona-se sobre 
 
 
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48 
 
o plano do equador terrestre (δ = 0º). Isto ocorre duas vezes 
durante o ano. Cada solstício ou equinócio define o início de 
uma estação do ano. A posição dos trópicos de Câncer e de 
Capricórnio foi definida em função da declinação solar de 
valores extremos (23º 27N e 23º 27S), respectivamente. Em 
nenhum dia do ano, nas latitudes superiores a 23º 27´, o sol 
culmina zenitalmente. 
Sumario 
Nesta unidade falamos do radiação solar como a principal fonte 
energética da terra e de como se processa o balanço da radiação 
e o balanço energético do sistema terra – atmosfera. Falamos 
igualmente de seis leis da radiação solar, a saber, Lei de Planck, 
lei de Kirchoff, lei de Wien, lei de Stefan-Boltzman, lei de 
Lambert e lei de Beer 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO 
1. O que e a radiação solar? 
2. Como se chama a quantidade de luz emitida pelo sol que 
alcança a atmosfera terrestre 
3. Indique os processos envolvidos no balanço da radiação. 
4. Indique os processos envolvidos no balanço energético da terra 
5. O que e a difusão? 
6. O que e Reflexão? 
7. O que e absorção? 
8. Qual e os mecanismos mais importantes na transferência de 
calor entre terra e atmosfera 
9. O que e a condução? 
10. O que e a advecção? 
11. O que e um corpo negro? 
Exercícios de AVALIACAO 
1. A principal fonte de energia da terra é 
A. o vento 
B. a radiação solar 
C. a radiação da terra 
D. a gravidade do sol 
 
 
 
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49 
 
UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a 
radiação solar 
A radiação solar esta sujeita a uma serie de processos e 
transformações quando alcança a terra. Isso deve-se a uma serie 
de factores que são descritos nesta unidade. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 Identificar:os factores que afectam a radiação solar 
 Explicar:a influencia de cada factor sobre a radiação solar 
 
3.2.1 Nebulosidade 
A nebulosidade tem uma relação directa com a insolação. A 
insolação é a quantidade da energia emitida directamente pelo 
Sol (radiação electromagnética) que incide sobre o solo, na 
ausência de nuvens. E medida em numero de horas. 
Para Ayoade (2003), como citado em Torres e Machado (2008; 
Pag. 28) a distribuição latitudinal da insolação indica que as 
maiores quantidades de insolação são recebidas nas zonas 
subtropicais sobre os principais desertos do globo, devido à 
baixa nebulosidade em comparação com a região equatorial. Os 
valores de insolação diminuem em direção aos Pólos, atingindo 
seu mínimo em torno das latitudes de 70º – 80º no hemisfério 
Norte e de 60º – 70º no hemisfério Sul. Esta diferença entre os 
dois hemisférios, é decorrente da maior proporção de oceanos 
em relação aos continentes do hemisfério Sul, ou seja, maior 
quantidade de água evaporando, significando maior 
nebulosidade. 
 
3.2.2 Albedo 
A radiação solar que atinge a superfície do globo e afetada de 
diverso modos desde a reflecção quase total ate a absorção 
praticamente completa dependendo da natureza da superfície. 
O albedo de uma superfície e a razão entre a radiação global 
reflectida pela superfície e radiação global recebida pela 
 
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50 
 
superfície. E expresso em percentagem. A neve fresca e fria 
atinge valores de 80% e a neve antiga atinge o albedo de 50%. 
Para florestas fechadas e areia seca os valores oscilam entre 30 
e 50%. A água absorve grande parte da radiação quando o sol 
esta alto e reflecte uma grande parte quando o sol esta muito 
inclinado. 
A subida da temperatura a superfície do globo depende em 
parte da distancia a que o calor penetra e o calor especifico da 
substancia. A água tem um calor específico elevado enquanto a 
areia e as rochas tem um calor específico baixo. Como resultado 
a temperatura a superfície da área sobe rapidamente durante o 
dia e quando deixa de receber radiação solar a noite perde o 
calor por irradiação vai arrefecendo. Assim as superfícies de 
areia estão sujeitas a grandes amplitudes térmicas entre o dia e 
a noite. O inverso acontece com as superfícies marítimas. 
3.2.1. Latitude 
Quanto maior for o angulo de incidência dos raios solares menor 
será a massa atmosférica, consequentemente, maior será a 
concentração de energia por unidade de superfície e vice-versa 
Assim, na zona intertropical (entre os trópicos de Câncer e de 
Capricórnio), a inclinação dos raios solares é menor resultando 
em maior aquecimento (temperaturas mais elevadas) 
 A partir dos trópicos em direcção aos pólos a inclinação dos 
raios solares vai ser cada vez maior resultando em menor 
aquecimento (temperaturas mais baixas) 
Duração do dia natural 
O dia natural e o período em que o Sol se encontra acima da 
linha do horizonte, ou seja, entre o nascer e o pôr-do-sol. Quanto 
mais tempo o Sol estiver acima da linha do horizonte maior é a 
duração do dia, logo maior será a quantidade diária de energia 
solar recebidapor unidade de superfície. Em consequência 
maior aquecimento e temperaturas mais elevadas 
O movimento de translação e a inclinação do eixo terrestre são 
responsáveis pela duração dos dias e das noites, bem como pela 
sua variação ao longo do ano e de lugar para lugar. O dia natural 
varia então ao longo do ano e de lugar para lugar, com excepção 
do equador, onde o dia é sempre igual à noite: 12 horas dia e 12 
horas noite. 
Assim, nas regiões extratropicais (para Norte do trópico de 
Câncer e para Sul do trópico de Capricórnio), o Sol nunca chega 
ao Zénite - nunca faz um ângulo de 90º com o plano tangente à 
superfície da Terra. O ângulo de incidência nunca atinge, assim, 
o seu valor máximo. Este facto vai 
 
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51 
 
influenciar a duração dos dias e das noites e, 
consequentemente, a concentração de energia por unidade de 
superfície. 
No Solstício de Junho, o Sol encontra-se no Zénite do trópico de 
Câncer. Em qualquer lugar do H. Norte: O dia natural é maior que 
a 
noite (o ângulo de incidência atinge o seu valor mais elevado e a 
massa atmosférica o seu valor mais reduzido) 
Sumario 
Nesta unidade falamos dos factores que afectam a distribuição 
da radiação solar sobre o planeta e suas conseqüências 
Exercícios de AUTO-AVALIACAO 
1. O que e calor especifico? 
2. O que e Albedo? 
3. O que e insolação 
Exercícios de AVALIACAO 
1. Indique os factores que afectam a radiação solar e descreva a 
acção de cada um deles. 
Exercícios 
1. Qual e a importância do balanço energético da terra e como 
se processa? 
 
2. Descreva o efeito de estufa. 
 
3. A absorção da radiação solar por constituintes da atmosfera 
é um processo de conversão de energia. Explique isto. 
 
4. Debruce-se sobre os conceitos albedo e calor específico e 
explique as diferenças de comportamento das amplitudes 
térmicas diurnas entre as superfícies de areia do deserto e 
as superfícies marítimas 
 
5. A radiação solar não alcança a superfície terrestre de 
maneira igual. A que se deve tal facto? 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
52 
 
Bibliografia 
 
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Estrutura Da Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física 
Molecular Instituto Superior Técnico; Brasil; 2008 
 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formação Profissional do 
pessoal de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto 
Nacional de Meteorologia e Geofísica; Portugal; 1970 
 
AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; 
Introdução a Climatologia; Brasil; 2008, 
 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio 
E Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas 
Meteorológicos Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio 
Atmosférico Observado No Sul Do Brasil, Em São Martinho Da 
Serra, Rs; Relatório Final de Projeto de Iniciação Científica INPE 
– Brasil; São José dos Campos; 2005 
 
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1999; http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
 
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Tradução: Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: 
Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia 
Actual de Previsão ; Tradução: AZEVEDO, A. J. (1990). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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53 
 
TEMA – III: Circulacão Geral da Atmosfera (CGA) 
UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a 
superfície 
UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar 
 
Introdução 
A atmosfera esta em constante movimento em relação a 
superfície terrestre e em conjunto com ela no movimento de 
rotação. A circulação Geral da Atmosfera e definida por como 
sendo os padrões em larga escala ou globais de vento e de 
pressão que se mantêm ao longo do ano ou se repetem 
sazonalmente” E a circulação geral da atmosfera que realmente 
determina o padrão da distribuição dos climas no planeta 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir : a Circulação Geral da Atmosfera 
 Definir : massas de ar 
 Descrever: o padrão da distribuição da pressão e dos ventos médios 
ao longo da superfície terrestre 
 Explicar: as causas dessa distribuição 
 Descrever: o mecanismo de funcionamento dos centro de acção 
 Conhecer: os principais tipos de massas de ar e suas características 
 Conhecer: o mecanismo de formação de frentes 
 Descrever: a influência da CGA sobre o Clima 
 
UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a superfície 
Introdução 
A circulação planetária é acompanhada por uma distribuição 
compatível de pressão na superfície. Nesta unidade 
 
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54 
 
abordaremos a relação entre os ventos médios na superfície e 
essa distribuição de pressão 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 
 Definir: a Circulação Geral da Atmosfera 
 Conhecer: o padrão da distribuição da pressão ao longo da 
superfície terrestre 
 Conhecer:o padrão de distribuição dos ventos médios ao longo 
da superfície terrestre 
 Explicar: a relação entre a distribuição dos ventos e da pressão 
atmosférica ao longo da superfície do globo terrestre 
 Descrever: o mecanismo de funcionamento dos centro de 
acção 
 Definir: correntes de jacto 
 
De acordo com Forsdyke (1969), as diferenças climáticas são 
causadas pelas quantidades diferentes de radiação solar 
recebidas em áreas distintas da superfície terrestre. Contudo, se 
a radiação solar fosse o único factor em questão, todos os 
lugares na Terra de mesma latitude teriam a mesma 
temperatura média. 
O balanço médio da radiação anual do Globo mostra que a 
região intertropical apresenta valor positivo, crescente à medida 
que se aproxima do Equador. O balanço é negativo para as 
regiões temperadas, ocorrendo os menores valores nas calotas 
polares. Como consequência, a massa de ar no equador sofre 
aquecimento, diminuição de densidade e se eleva na atmosfera 
(ascendência). Por outro lado, massas de ar nas calotas polares 
sofrem resfriamento, aumento de densidade e descendem na 
atmosfera (subsidência). 
A condição de aquecimento de massas de ar no Equador cria aí 
uma região de Baixa Pressão (BP), enquanto a constante 
condição de resfriamento do ar nos pólos gera uma região de 
alta pressão (AP). Se a Terra não tivesse movimento de rotação 
(efeito de Coriolis) e apresentasse uma superfície homogênea, 
estabelecer-se-ia, teoricamente, um 
 
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55 
 
gradiente contínuo de pressão dirigido dos pólos para o 
Equador, junto á superfície do solo. Formar-se-iam “células” de 
circulação, constituídas de massas frias dirigindo-se dos pólos 
para o Equador, viajando pelas partes mais baixas da Troposfera 
e massas de ar quentes dirigindo-se do Equador para os pólos, 
pelas partes superiores da Troposfera. O vento de superfície 
seria então, de sul no Hemisfério Sul e de norte no Hemisfério 
Norte. 
 
Figura 1 – Circulação Geral da atmosfera sem tomar e 
consideração a forca de Coriolis 
 
As diferenças no balanço da radiação solar, ou seja, a incidência 
diferenciada dos raios solares na superfície da Terra (que varia 
de acordo comas latitudes), associadas à heterogeneidade da 
superfície terrestre (formas e disposição do relevo, repartição 
diferenciada entre as superfícies continentais e oceânicas, bem 
como as diferenças de calor especifico da terra e das águas), 
aliadas ao Movimento de Rotação da Terra, geram diferenças 
depressãoque mantém a atmosfera em constante movimento. 
Esse movimento doar (vento) tende a eliminar ou equilibrar 
estas diferenças de pressão. Em seus deslocamentos, as massas 
de ar interagem entre si e/ou com a superfície do Planeta, 
gerando alterações nas condições meteorológicas locais. A 
maior freqüência dessas condições meteorológicas específicas é 
que vai determinar o clima local. 
Como resumido por Molion (1988), “a circulação geral da 
atmosfera é a forma como as massas de ar se deslocam ou 
escoam sobre o planeta, provocando ventos com direcções 
distintas nas regiões tropicais, temperadas e polares”. 
 
 
 
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56 
 
3.1.1.1 Factores que controlam o movimento do ar junto 
a superfície terrestre 
 
Ayoade (1996, P. 72) refere que existem quatro factores que 
controlam o movimento do ar junto a superfície terrestre: 
 
A força do gradiente de pressão é a causa primordial do 
movimento horizontal do ar resultante das diferenças 
horizontais de pressão que faz o ar deslocar-se das áreas de altas 
pressões para as áreas de baixas pressões. Estas diferenças 
horizontais de pressão são resultado da acção de factores 
térmicos e/ou mecânicos. Esta forca e inversamente 
proporcional a densidade do ar. Quanto mais forte for a 
diferença entre as pressões altas e baixas, mais forte será o 
vento. 
 
A força de Coriolis é a forca deflectora dos ventos. E na verdade 
o efeito do movimento de rotação da terra que desvia os 
objectos que se movem, incluindo o ar, para a direita da sua 
trajectória de movimentação no hemisfério norte e para a 
esquerda no hemisfério Sul. A Força de Coriolis é máxima nos 
pólos e mínima no Equador. 
A força centrípeta resulta da forma curva das isóbaras que 
influencia o fluxo de ar puxando-o para o centro. 
 
A força de fricção ou de atrito controla a velocidade e a direcção 
do vento. Esta forca e nula junto a superfície e acima de 1km o 
seu efeito desaparece. Ao longo desta camada a velocidade do 
vento aumenta com a altura 
As quatro forças descritas combinam de modos diferentes para 
gerar uma multidão de fluxos de ar que causam o movimento da 
atmosfera em faixas de vento de escala grande sobre a terra: as 
calmas equatoriais, os ventos alísios, os ventos predominantes 
de oeste e os ventos do leste polar. 
Os padrões dos sistemas de pressão dos ventos globais, próximo 
à superfície terrestre, são mostrados na Figura 2. 
Os efeitos do aquecimento diferencial das superfícies terrestres 
e aquáticas são negligenciados, mas o efeito produzido pela 
Força de Coriolis é levado em consideração, de modo que os 
ventos mostrados são desviados em relação à sua trajectória 
inicial. 
 
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57 
 
 
Figura 2 - Esquema da Circulação geral da Atmosfera numa 
superfície homogénea, Torres e Machado 2008 
3.1.1.2 Padrao de distribuicao da Pressao 
Depressões Equatoriais e a Zona de Convergência Intertropical 
(ZCIT) 
Na convergência dos ventos Alísios dos dois hemisférios, de 
Nordeste (NE) e de Sudeste (SE), na zona do Equador cria-se a 
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Nesta região, (de 
baixas pressões junto à superfície e receptora de ventos), os 
ventos são fracos, as calmarias são constantes e as correntes de 
ar ascendentes originam nuvens convectivas e precipitações 
frequentes resultando em uma zona de aguaceiros e trovoadas. 
A ZCIT forma uma faixa em torno do globo terrestre que 
corresponde à região chuvosa equatorial, dela se 
“aproveitando” para seu desenvolvimento, uma rica, variada e 
exuberante biodiversidade, principalmente, vegetal (floresta 
equatorial). A ZCIT configura um divisor entre as circulações 
atmosféricas celulares que se localizam nas proximidades do 
Equador, sejam as células norte ou sul de Hadley. Ela é móvel, 
uma vez que se desloca durante o ano sob a ação do movimento 
aparente do Sol. A sua disposição diária e sazonal está 
condicionada a vários factores, dentre os quais se destacam a 
continentalidade ou a maritimidade, o relevo e a vegetação 
Torres e Machado (2008; P. 95) 
Altas Pressões subtropicais 
O ar aquecido na zona equatorial desloca-se em altitude para 
regiões mais afastadas do Equador e passa a arrefecer, com 
aumento da densidade. As zonas de altas pressões subtropicais, 
próximas à latitude 
 
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58 
 
de 30º, em ambos os hemisférios, têm sido explicadas como 
decorrência dos efeitos do mecanismo de “mergulho” de 
correntes dirigidas para os pólos, por arrefecimento, ou como 
enuncia Forsdyke (1969), como citado em Torres e Machado 
(2008; Pag 92) 
Baixas Pressões Subpolares 
As zonas de baixas pressões subpolares, em torno das latitudes 
de 60º, em ambos os hemisférios, são essencialmente de origem 
dinâmica. De acordo com Ayoade (2003), elas são causadas pelo 
Movimento de Rotação da Terra que provoca um turbilhão polar 
e, assim, uma tendência para baixa pressão em torno dos pólos. 
“Entretanto, por causa do frio intenso nos pólos, o efeito 
dinâmico é mascarado pelo efeito térmico”. (como citado em 
Torres & Machado 2008; P. 91) 
Altas Pressões Polares 
As zonas de altas pressões polares têm igualmente origem 
térmica, devido à incidência menor e mais oblíqua dos raios 
solares 
3.1.1.3 Padrão de Distribuição dos ventos 
Célula Tropical de Circulação Meridional ou Célula de Hadley 
A massa de ar que se eleva no Equador desloca-se, na parte 
superior da atmosfera, em direção aos pólos, originando ventos 
de noroeste ou de sudoeste em altitude (Contra-Alísios). À 
medida esta se desloca em direção aos polos, arrefece (pelo 
aumento da latitude) e desce gradativamente na atmosfera, 
indo atingir a superfície do solo (“mecanismo de mergulho”) na 
latitude aproximada de 30° N/S. Esse fluxo descendente de ar na 
atmosfera gera uma região de alta pressão junto à superfície 
terrestre. Parte dessa massa de ar que descendeu na atmosfera, 
na região dos 30° sul, encaminha-se para o Equador e outra 
parte para os pólos. As massas de ar que se orientam para o 
Equador passam a sofrer deflexão, por efeito da Força de 
Coriolis constituído os ventos alísios de nordeste e de sudeste. 
Esta circulação recebe também o nome de “Célula de Hadley”, 
uma homenagem ao cientista inglês George Hadley, que em 
1735, lançou as bases para a identificação desse modelo de 
circulação. (Torres e Machado; 2008; P. 92). 
Célula Temperada de Circulação Meridional ou “Célula de 
Ferrel” 
A outra parte da massa de ar que descendeu na faixa dos 30° de 
latitude sul, orienta-se para os pólos, formando “Ventos de 
Oeste” em torno da latitude de 60° (N/S) - área de baixa pressão 
de origem dinâmica. Esta massa de ar encontra-se com as 
 
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59 
 
massas polares mais densas, elevando-se na atmosfera. O 
contacto entre estas massas de ar dá origem a uma 
descontinuidade, conhecida como “Frente Polar”. 
Parte da massa de arque se eleva na Frente Polar adquire a 
orientação sul/norte (rumo à latitude de 30°, por influência da 
baixa pressão na alta atmosfera, criada pela descendência do ar 
nos 30° H/S. Esta massa de ar, dá origem a ventos de sudeste e 
nordeste em altitude. Esta célula recebe o nome de célula de 
Ferrel. (Torres e Machado 2008; P. 92) 
Célula polar 
Parte da massa de ar que foi elevada na Frente Polar é induzida 
a apresentar deslocamento rumo aos pólos, em consequência 
da baixa pressão que se estabeleceu na alta atmosfera pela 
descendência de ar sobre os pólos. Esta massa de ar dá origem 
a ventos de noroeste/sudoeste em altitude. 
A circulação constituída pela elevação do ar na Frente Polar, 
ventos noroeste em altitude, descendência de ar nos pólos e 
ventos de sudeste/nordeste em superfície – ventosdo leste 
polar- forma a “Célula Polar de Circulação Meridional”. 
 
Figura 3 – Células de circulação 
O modelo de Circulação Geral da Atmosfera, descrito 
anteriormente para a Terra em Rotação e com superfície 
uniforme, permite explicar a existência das grandes zonas 
climáticas do globo terrestre. Contudo, a pronunciada diferença 
no balanço da radiação entre os continentes e os oceanos (e 
ainda, outros vários factores climáticos), modifica de maneira 
acentuada a circulação na atmosfera, principalmente junto à 
superfície terrestre. O padrão médio da circulação descrito 
anteriormente, está submetido, ainda, à diversas variações 
importantes, que ocorrem regularmente em ciclos sazonais 
e/ou diurnos, promovendo alterações nos centros de alta e de 
baixa pressão (como as brisas, as monções, etc.) e, sendo assim, 
a direção dos ventos descrita no modelo de Circulação Geral 
sofre modificações locais importantes sobre a distribuição e 
localização das espécies vivas do Planeta (especialmente as 
 
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60 
 
vegetais), bem como das correlações entre tais distribuições e 
localizações com a ocorrência das diversas áreas planetárias de 
altas e baixas pressões observadas. 
 
 
Figura 4 – a) Distribuição idealizada zonal de pressão e dos 
ventos 
b) Distribuição zonal de pressão e ventos influenciada pela 
diferenciação na distribuição dos continentes e oceanos 
Centros de Acção 
Os centros de ação constituem-se em extensas zonas de alta ou 
de baixa pressão atmosférica que dão origem aos movimentos 
da atmosfera, portanto, aos fluxos de ventos predominantes e 
aos diferentes tipos de tempo. 
O movimento do ar se faz geralmente dos centros de ação 
positivos, de alta pressão (anti-ciclonais), para os negativos, de 
baixa pressão (ciclonais ou depressionários), como já dito. 
Influenciados pela força de Coriolis, os movimentos do ar 
tendem a deslocar-se do centro de ação positivo (A) em direção 
ao centro de ação negativo (B), movendo-se para a esquerda ao 
sair do centro anticiclonal no hemisfério sul e para a direita no 
hemisfério norte. 
A dimensão horizontal dos centros de ação positivos e dos 
depressionários varia de algumas centenas a alguns milhares de 
quilômetros, e, na dimensão vertical, eles podem estender-se 
desde algumas centenas de metros a mais de 15 km. 
Os centros de ação atmosférica são, de maneira geral, 
sazonalmente móveis, ou seja, apresentam deslocamentos ao 
longo do ano, sobretudo devido à variação na distribuição da 
radiação pelos dois hemisférios. Assim, quando é verão no 
hemisfério Sul, os anticiclones e suas massas de ar apresentam 
seus mais expressivos deslocamentos em direção sul, ocorrendo 
o oposto no inverno, e vice-versa para o hemisfério Norte. 
Os centros mais relevantes são as altas subtropicais. Estes 
sistemas estão centrados entre 20° e 35°de latitude, sobre todos 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
61 
 
os maiores oceanos. É possível notar também que as altas 
subtropicais estão situadas mais para leste destes oceanos, 
particularmente no Pacífico Norte e Sul e Atlântico Norte. Este 
facto afecta bastante os climas na costa oeste dos continentes 
adjacentes. Esta distribuição é ainda complicada por grandes 
variações sazonais de temperatura, que servem para fortalecer 
ou enfraquecer estas células de pressão. Como consequência, as 
configurações de pressão na Terra variam consideravelmente 
durante o curso de um ano. 
 
 
(a) Pressão e circulação na superfície em janeiro. 
 
(b) Pressão e circulação na superfície em julho 
Figura 6 – Grimm (1999). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
62 
 
Se compararmos as figuras 6a e 6b, vemos que algumas células 
de pressão são configurações mais ou menos permanentes, 
como as altas subtropicais, e podem ser vistas em Janeiro e 
Julho. Outras, contudo, são sazonais. A variação sazonal é mais 
evidente no HN. Relativamente pouca variação de pressão 
ocorre do inverno para o verão no HS, devido a grande extensão 
de superfícies liquidas, as variações mais notáveis são os 
deslocamentos sazonais de 5° a 10° em latitude das altas 
subtropicais, que acompanham a incidência vertical dos raios 
solares. 
Um aspecto importante a ressaltar é a migração sazonal da ZCIT, 
que acompanha a migração da zona de baixa pressão equatorial. 
Estes movimentos são maiores sobre os continentes que sobre 
os oceanos, devido à maior estabilidade térmica dos oceanos. A 
ZCIT é um dos melhores exemplos de depressão de origem 
termodinâmica. (Torres & Machado; 2008; P. 99) 
Os principais centros de ação positivos, segundo Torres & 
Machado (2008; P. 99) que actuam na configuração climática do 
Globo, se dividem em dinâmicos como os subtropicais e 
térmicos como os polares, podendo ser encontrados 3 
dinâmicos no Hemisfério Sul e 2 no Hemisfério Norte: 
No Hemisfério Sul: 
 Anticiclone de Santa Helena, anticiclone Semifixo do Atlântico 
ou anticiclone Subtropical do Atlântico Sul, localizado sobre o 
oceano Atlântico; 
 Anticiclone da Ilha de Páscoa, anticiclone Semifixo do Pacífico ou 
anticiclone Subtropical do Pacífico Sul, localizado sobre o 
oceano Pacífico; 
 Anticiclone de Mascarenhas, localizado sobre o oceano Índico. 
No Hemisfério Norte: 
 Anticiclone dos Açores, localizado sobre o oceano Atlântico; 
 Anticiclone da Califórnia ou anticiclone do Havaí, localizado sobre o 
Oceano Pacífico. 
Os centros de ação negativos sobre a superfície da Terra são 4, 
mas outras células depressionárias de gênese sazonal também 
podem formar-se sobre os continentes superaquecidos das 
latitudes tropicais e temperadas. Além da zona equatorial, as 3 
células depressionárias mais expressivas localizadas nas zonas 
de 50/60° estão distribuídas em 2 no Hemisfério Norte e 1 no 
Hemisfério Sul: 
 Depressão do Mar de Weddel sobre o Atlântico; 
Hemisfério Norte 
 
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63 
 
 Depressão da Islândia, sobre o Atlântico; 
 Depressão das Aleutas, sobre o Pacífico. 
Influência da CGA sobre o Clima 
Levando-se em consideração os conhecimentos sobre a 
Circulação Geral de ar na atmosfera, podem-se compreender 
algumas importantes situações climáticas do Planeta. 
 
Figura 5 – Influencia da CGA no clima 
Nas proximidades da latitude dos 30° (tanto no Hemisfério 
Norte quanto no Hemisfério Sul), ocorre ausência de 
nebulosidade e pouca precipitação. Essa região define uma faixa 
em torno do globo terrestre que corresponde à região seca 
subtropical (áreas de altas pressões junto à superfície terrestre, 
dispersoras de ventos), caracterizando-se por pouca vegetação, 
com destaque para a ocorrência de áreas desérticas e 
semidesérticas. 
Em torno das latitudes de 60°, o encontro das massas de ar de 
características opostas, vistas anteriormente (Frente Polar), cria 
uma zona de descontinuidade. Nesta área, ocorre um “relativo 
aumento” da nebulosidade e da precipitação (área de baixa 
pressão dinâmica próxima à superfície e, pois, receptora de 
ventos), definindo uma faixa em torno da Terra que 
corresponde à região “húmida fria”. A vegetação característica 
é a Floresta de Coníferas, que se estende entre, 
aproximadamente, 55° e 70° de latitude (norte). 
Na região polar, outra área de alta pressão à superfície terrestre 
(e, pois, caracterizada pela dispersão de ventos), de clima muito 
frio e precipitação muito reduzida (inferior a 100 mm/ano), 
predominam, quando muito, líquenes, musgos e fungos, que 
constituem essencialmente a vegetação de Tundra, arbustos 
que atingem a altura máxima de um metro e que possui um 
“ciclo de vida activo” muito curto durante o ano. 
Correntes de jacto 
A velocidade da sinuosidade de ventos de oeste superiores não 
é uniforme em todo lugar, pois emISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
64 
 
certas regiões o escoamento se torna concentrado em núcleos 
estreitos de ventos mais fortes do que o normal, conhecidos 
como correntes de jacto. 
A definição da OMM de uma corrente de jacto é a que segue: 
"Uma corrente forte, estreita, concentrada ao longo de um eixo 
quase horizontal na troposfera superior ou na estratosfera, 
caracterizada por forte cisalhamento vertical e lateral do vento 
e apresentando uma ou mais velocidade máxima". Além disso, 
os seguintes critérios característicos são recomendados: 
"normalmente, uma corrente de jacto tem milhares de 
quilômetros de comprimento, centenas de quilômetros de 
largura e alguns quilômetros de profundidade. O cisalhamento 
vertical do vento é da ordem de 5-10 m/s por km (i.e., a 
velocidade do vento diminui de 5-10 m/s a cada quilômetro 
acima ou abaixo do jacto). 
O jacto polar tem um papel muito importante no tempo em 
latitudes médias. Além de fornecer energia à circulação de 
tempestades na superfície, ele também dirige suas trajetórias. 
Consequentemente, o seu monitoramento é importante para a 
previsão de tempo. 
O jacto polar apresenta velocidade média de 125 km/h no 
inverno e aproximadamente a metade no verão. A velocidade 
pode chegar a 350 km/h. A diferença sazonal é devida ao 
gradiente mais forte de temperatura que existe em latitudes 
médias durante o inverno. Durante o inverno, o jato polar pode 
desviar-se em direção ao equador até 30° de latitude. No verão, 
sua posição média é usualmente em torno de 50° de latitude. 
Como a frente polar, o jato polar não é uniformemente bem 
definido ao redor do globo. Onde a frente polar é bem definida, 
com grandes gradientes de temperatura, os ventos no jacto são 
acelerados. O jacto não tem uma trajectória rectilínea leste-
oeste, mas apresenta ondulações, com grande componente 
norte-sul. 
O papel do jacto polar na geração e manutenção de 
tempestades em escala sinóptica está ligado à produção de 
convergência e divergência em nível superior quando o ar é 
acelerado e desacelerado ao entrar e sair de faixas de máxima 
velocidade do jato. Onde o jato produz divergência em altitude 
ele contribui para o desenvolvimento de ciclones que se formam 
e deslocam ao longo da frente polar. 
O jacto polar não é a única corrente de jato. Existem outros, mas 
importa citar o jacto subtropical que ocorre próximo à 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
65 
 
descontinuidade da tropopausa, em torno de 25° de latitude, no 
extremo da célula de Hadley. Ele está localizado a 
aproximadamente 13 km de altitude. É mais forte e menos 
variável em latitude que o jacto polar. 
As correntes de jacto têm um importante papel na rápida 
transferência de energia sobre longas distâncias na atmosfera, 
pois em latitudes de 40˚-50˚N, o ar pode facilmente ser 
transportado em torno da Terra em uma semana. 
Sumario 
Nesta unidade falamos da distribuição global da pressão e dos 
ventos médios ao longo da superfície terrestre, a saber : a zona 
das depressões equatoriais para onde convergem os ventos 
alísios; o cinturão das altas pressões subtropicais de onde 
partem os ventos de oeste que vão convergir com os ventos do 
leste polar - que partem das altas pressões polares - nas baixas 
pressões subpolares. Fizemos referencia ao relacionamento 
entre a CGA e a distribuição dos climas ao longo da superfície 
terrestre. 
Falamos igualmente dos centros de alta e baixa pressão 
permanentes e semi-permantes e como são influenciados pelo 
movimento de translacção da terra e pela irregular distribuição 
das massas continentais e oceânicas. 
 
Exercicios de Auto-avaliacao 
1 – O que e a Circulação Geral da Atmosfera? 
2 – Qual e a principal causa da movimentação do ar 
atmosférico? 
3 – Quais são os factores que afectam a circulação do ar na 
superfície terrestre? 
4 - Esquematize a CGA, tomando em consideração o efeito de 
coriolis. 
5 – Esquematize as três células de circulação do ar 
6 – Qual e o sentido de deslocação do ar? 
7 – Qual e efeito da forca de Coriolis sobre a direcção dos 
ventos? 
8 – Indique os grandes sistemas de ventos que conhece dentro 
da CGA 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
66 
 
9 – Indique os principais cinturões de pressão ao longo do globo 
terrestre 
10 – O que são correntes de jacto? 
Exercicios de Avaliacao 
1 – A que sistema de pressões esta associada a ZCIT: 
a) Baixas pressões equatoriais 
b) Altas pressões subtropicais 
c) Baixas pressões subpolares 
d) Altas pressões polares 
2. Observe as proposições abaixo: 
1.As zonas de alta pressão atmosférica são chamadas áreas 
anticiclonais. São áreas para onde convergem ventos e massas 
de ar. 
2.A pressão atmosférica é menor nas regiões de baixas latitudes 
em função das maiores temperaturas aí existentes. 
3.A velocidade do vento é inversamente proporcional à 
diferença de pressão do ar atmosférico entre dois lugares. 
4.O movimento de rotação terrestre, que gira no sentido oeste-
leste, interfere na circulação geral da atmosfera, pois os ventos 
sofrem um desvio ocasionado pela força de Coriolis. No 
hemisfério sul o vento tende a se desviar para a direita e no 
hemisfério norte para a esquerda. 
Estão incorretas: 
a) 1, 2 e 3 
b) 1, 3 e 5 
c) 2, 3 e 4 
d) 3 e 4 apenas 
e) 2, 4 e 5 
3 – A que se deve o movimento sazonal dos centros de acção 
deve-se 
a) Forca de Coriolis 
b) Forca de gradiente de Pressão 
c) Movimento anual aparente do sol 
d) Forca de atrito 
 
4 - Destas afirmações indique as falsas e as verdadeiras: 
a) O ar desloca-se das baixas pressões para as altas pressões 
b) O anticiclone e um centro de alta pressão 
c) Os ventos alísios sopram das altas pressões polares para as 
baixas pressões equatoriais 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
67 
 
d) A forca de Coriolis resulta do movimento de translação da terra 
e) A forca de gradiente barométrico e resultado da diferença de 
pressão atmosférica entre 2 pontos da superfície terrestre 
f) Nos centros de altas pressões o movimento do ar e divergente 
em altitude 
g) Nos centros baixas pressões o movimento do ar convergente a 
superfície e divergente em altitude 
 
5. Assinale a alternativa que não apresenta uma correlação com 
a formação das células de circulação atmosférica: 
a) Desequilíbrio da radiação solar ao longo da superfície 
terrestre 
b) Diferenças de pressão atmosférica 
c) Diferenças de temperatura 
d) Diferenças nas formas de relevo 
 
Bibliografia 
 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal 
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No 
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
68 
 
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de 
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990) 
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em 
http://www.uel.br/revistas/geografia 
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; Meteorologia e Climatologia; Versão Digital 2; 
Brasil 
 
UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar 
Introdução 
As massas de ar são grandes porções de ar com características 
praticamente homogêneas em toda a sua extensão que se 
deslocam na superfície terrestre influenciando o estado do 
tempo nos locais por onde passam. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir : massas de ar 
 Conhecer: os principais tipos de massas de ar e suas características 
 Conhecer: o mecanismo de formação de frentes 
 Conhecer: os tipos de frentes 
 Descrever: o estado de tempo associado a cada tipo de frente 
 
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
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69 
 
3.2.1 As Massas De Ar 
Para Atkinson B. W. e Gadd A. 1990 (pag 8)“as massas de ar são 
volumes imensos da atmosfera em que os gradientes 
horizontais da temperatura e da unidade são relativamente 
pequenos” 
Uma massa de ar pode ser descrita como uma porção 
individualizada da atmosfera quanto às suas características ou 
qualidades. Abrangem uma grande extensão horizontal, 
apresentando espessura bem desenvolvida, homogeneidade 
horizontal de suas propriedades físicas, principalmente 
temperatura e humidade são, pequena ou mesmo nenhuma 
variação dessas propriedades no sentido vertical. Para que uma 
massa de ar adquira tais propriedades ou características 
uniformes é necessário que ela permaneça estacionária, 
durante algum tempo, sobre uma extensa região, cuja superfície 
tenha igualmente características bastante uniformes ou 
homogêneas (como os oceanos, os pólos, ou, os desertos, gelo, 
florestas). Quanto mais tempo a massa de ar permanecer sobre 
esta área, antes de se deslocar, mais afectada ela será pelas 
características térmicas e/ou hídricas da mesma. Esta região é 
denominada “Região de Origem”, “Área Fonte” ou “Região 
Nascente”. As principais, mas não as únicas, regiões de origem 
de massas de ar são os grandes centros de alta pressão, como as 
regiões polares e subtropicais. Ayoade (1996; P. 99) refere que 
tais áreas devem possuir estagnação da circulação atmosférica. 
Áreas de terreno irregular ou onde a terra e a água estão 
justapostas, áreas com fluxo predominante convergente não 
servem com regiões de formação de massas de ar. 
As principais áreas produtoras de massas de ar no mundo não 
são só homogêneas, mas também apresentam circulação 
anticlonica. 
As massas de ar estão constantemente deslocando-se sobre o 
globo terrestre, pois a Atmosfera está sempre em movimento 
(Circulação Geral). As massas de ar são muito importantes no 
estudo e na caracterização do tempo e do clima, pois durante 
seus deslocamentos influenciam directamente as áreas nas 
quais predominam. Porém, à medida que uma massa de ar se 
afasta de sua região de origem, têm modificadas suas 
propriedades iniciais, principalmente temperatura e humidade, 
sendo assim modificada durante seu percurso ou deslocamento 
pelas condições presentes nos locais que atravessa. 
Dessa forma, se a massa de ar se desloca sobre uma superfície 
hídrica, sua humidade aumenta. Se,se desloca sobre o 
continente, absorve menos humidade ou mesmo a perde. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
70 
 
O mesmo acontece quanto às suas propriedades térmicas: ao 
deslocar-se sobre uma superfície mais fria que ela própria, a 
massa de ar perde calor nos seus níveis mais baixos 
(resfriamento basal). Ao contrário, se ela se desloca sobre uma 
superfície mais quente que ela, tende a modificar suas 
propriedades na base, pelo aquecimento (aquecimento basal). 
Uma massa de ar é assim modificada pelas diferentes 
quantidades de radiação e/ou umidade que recebe e/ou perde. 
Dessa forma, nota-se que existem vários tipos de massa de ar e 
estas são classificadas (ou denominadas) de acordo com sua 
região de origem, levando-se em consideração, essencialmente, 
a temperatura e a humidade. Se originada numa área quente, é 
uma massa de ar quente; se originada em uma região fria, é uma 
massa de ar fria. 
Em decorrência da Circulação Geral da Atmosfera, as massas de 
ar podem ser originadas em diferentes áreas, de diferentes 
latitudes e, assim, recebem denominações distintas, baseadas 
na respectiva área de origem: 
 Polares (P), 
 Tropicais (T), 
 Equatoriais (E). 
Porém, para uma mesma condição de latitude, a massa de ar 
pode se formar sobre continentes ou sobre oceanos, sendo 
então denominadas: Continental (c) ou Marítima (m), 
respectivamente. Torres e Machado (2008 Pag.100) refere como 
importantes fontes produtoras de massas de ar: 
• As planícies arcticas da Europa, Ásia e América do Norte 
• Os oceanos subtropicais e tropicais 
• Deserto do Sahara 
• Os interiores continentais Europa, Ásia e América do Norte 
Em geral, ocorre que as massas de ar continentais são “secas” e 
as marítimas são “húmidas”. 
3.2.2 Frentes 
As frentes podem ser definidas como sendo as regiões de 
transição ou “zonas limite” entre massas de ar de propriedades 
ou características diferentes. 
Uma frente é assim, uma zona de transição ou de contato, na 
qual as propriedades do ar passam gradativamente de uma 
massa para outra (mistura ou troca). Onde elas ocorrem, o ar é 
muito agitado e o tempo é instável. Como citado por Tubelis e 
Nascimento (1984), no contacto entre duas massas de ar de 
temperaturas diferentes forma-se uma superfície de 
descontinuidade, conhecida como 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
71 
 
superfície frontal. Essa descontinuidade é uma zona de 
transição, estreita e inclinada, na qual os elementos 
meteorológicos variam mais ou menos abruptamente. A linha 
ou zona de contacto da superfície frontal com a superfície do 
solo, ou qualquer outro plano horizontal, é chamada de Frente 
(Torres & Machado; 2008 P.105) 
Os mesmo autores referem ainda que estas descontinuidades 
frontais podem ser classificadas tendo-se como fundamentos o 
seu deslocamento e as mudanças de temperatura que elas 
causam, em, basicamente: Frente Fria, Frente Quente Frente 
Estacionária e Frente Oclusa. Em todos os casos, a massa de ar 
de menor temperatura, e consequentemente, maior densidade, 
permanece em conctato com a superfície do solo, fazendo com 
que a massa de ar de maior temperatura e menor densidade se 
eleve sobre a superfície frontal. (Torres & Machado; 2008 P.107) 
Por definição e, ainda segundo Tubelis e Nascimento (1984), 
uma frente fria é uma descontinuidade frontal na qual uma 
massa de ar de menor temperatura desloca, da superfície do 
solo, uma massa de ar de maior temperatura.” Uma frente 
quente é uma descontinuidade frontal na qual uma massa de ar 
de menor temperatura é substituída, de junto do solo, por uma 
massa de ar de maior temperatura. (Torres & Machado; 2008 P. 
107) 
A frente estacionária é toda descontinuidade frontal que 
apresenta pequeno ou nenhum deslocamento horizontal. Às 
vezes, ocorre que o ar polar não tem força para avançar mais 
para o norte, nem o ar quente tem energia suficiente para 
empurrar a massa polar para trás. Formam-se dessa maneira as 
chamadas frentes estacionárias, responsáveis por chuvascontinuadas sobre a área em que se localizam. Quando isso 
acontece, podem ocorrer enchentes, que causam grandes 
prejuízos aos habitantes das regiões atingidas. (Torres & 
Machado; 2008 P. 107) 
Frente oclusa: Uma frente oclusa, também chamada de oclusão, 
é uma zona de transição onde uma frente fria, movendo-se mais 
depressa, ultrapassa (e obstrui) uma frente quente, fazendo 
elevar-se todo o ar quente. A chuva contínua característica das 
frentes quentes é seguida imediatamente pelos aguaceiros 
associados às frentes frias. 
Frontogênese (formação de uma frente) 
Ayoade (1996 Pag. 102), faz referência a três condições para que 
haja frontogênese: 
 Existência de duas massas de ar adjacentes com temperaturas 
diferentes 
 
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72 
 
 Circulação atmosférica com forte fluxo convergente para 
transportar as massas de ar uma em direcção a outra 
 Suficiente forca de Coriolis para garantir que o ar quente não 
permaneça sobre o frio 
Sempre que as condições acima deixam de se verificar as frentes 
enfraquecem e desaparecem – acontece a frontólise 
3.2.3 Tempo associado aos sistemas frontais 
A passagem de uma frente é caracterizada pela sequência de 
tempo” ou seja, ocorre uma sequência de tipos de tempo que 
acompanha a passagem de uma frente, fria ou quente, e que 
caracteriza o estado atmosférico do lugar durante a actuação de 
uma ou de outra, notadamente, quanto aos elementos: pressão 
atmosférica, ventos, temperatura, umidade do ar, 
nebulosidade, visibilidade e ocorrência de fenômenos 
meteorológicos associados a elas, como chuva, nevoeiro etc. 
As frentes frias tendem a se deslocar no sentido pólo - equador. 
A passagem de uma frente fria por um determinado local da 
superfície terrestre provoca chuvas fortes podendo haver, 
fortes rajadas de vento ou violentas tempestades. Com a 
passagem da frente ha um aumento na força do vento e uma 
variação na sua direcção. 
Frente Quente 
A passagem de uma frente quente, por um determinado local da 
superfície, acarreta a formação de nuvens ao longo da frente. À 
medida que a frente quente se aproxima, ha uma queda maior 
da pressão. A nebulosidade, temperatura mantêm-se 
constantes ou sobem lentamente. O estado de tempo associado 
a uma frente quente e menos pronunciado que a passagem de 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
73 
 
uma frente fria.
 
Figura 6 - Frentes. (Torres & Machado; 2008 Pag.107) 
Sumário 
Nesta Unidade temática 3.2 estudamos e discutimos 
fundamentalmente o conceito de massas de ar, sua gênese, 
características e tipos. Falamos igualmente do mecanismo da 
formação de frentes e o tempo a elas associado 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. O que e uma massa de ar? 
 
2. Qual deve ser a característica da pressão no local onde se forma 
uma massa de ar? 
3. Mencione os tipos de massa de ar que conhece? 
4. O que provoca a deslocação das massas de ar? 
5. O que e uma frente? 
6. Mencione os tipos de frente que conhece. 
7. O que e a frontogênese? 
8. O que e a fróontolise? 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
74 
 
Exercícios de AVALIAÇÃO 
1. Das afirmações que se seguem diga qual e a falsa e qual e 
verdadeira 
a) Originalmente as massas de necessitam de uma atmosfera 
“estagnada” para poderem desenvolver-se. 
b) As massas de ar formam-se apenas nas regiões polares 
c) Locais com correntes convectivas fortes não são favoráveis 
a formação de massas de ar 
d) Massas de ar com origem na mesma latitude podem ser 
marítimas ou continentais 
e) Uma massa de ar não ê homogênea nas suas características 
físicas 
f) Uma frente forma-se quando duas massas de ar com a 
mesma temperatura encontram-se 
g) As massas de ar deslocam-se com base em um determinado 
padrão global, responsável pela articulação da circulação 
geral atmosférica. 
h) As frentes de ar ocorrem quando há um choque entre 
massas de ar, geralmente de características diferentes. 
i) Quando as massas de ar originam-se em regiões oceânicas, 
costumam ser frias e secas, e quando se originam em regiões 
continentais, costumam ser quentes e húmidas. 
j) As massas de ar polar recebem esse nome porque se 
originam nos pólos do planeta, ou seja, em regiões de 
elevadas latitudes. 
2. Os deslocamentos de massas de ar ocorrem na: 
a) Estratosfera 
b) Troposfera 
c) Mesosfera 
d) Termosfera 
3. O fenômeno de choque entre uma massa de ar frio e uma 
massa de ar quente, em que a primeira avança, fazendo a 
segunda recuar, é responsável pela formação: 
a) de frentes frias 
b) de frentes quentes 
c) de frentes isotérmicas 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
75 
 
d) de frentes chuvosas 
e) de frentes secas 
 
Bibliografia 
 
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BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
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Superior Técnico;Brasil; 2008 
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a Climatologia; Brasil; 2008, 
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Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
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AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de 
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MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em 
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OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
 
 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
76 
 
TEMA – IV: Elementos e Factores Climaticos 
UNIDADE Temática 4.1 . Temperatura 
UNIDADE Temática 4.2 - Humidade 
 UNIDADE Temática 4.3. Pressão 
Introdução 
O entendimento e a caracterização do clima de um lugar 
dependem do estudo do comportamento do tempo durante 
pelo menos 30 anos: das variações da temperatura e da 
umidade, do tipo de precipitação , da sucessão das estações 
húmidas e secas, etc. 
Os factores climáticos são os responsáveis pelas características 
ou modificações dos elementos do clima e devem ser analisados 
em conjunto 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: os factores climáticos 
 Conhecer: os elementos climáticos 
 Analisar: os elementos climáticos e sua variação 
 Explicar: a influência dos factores climáticos sobre cada elemento 
climático 
 
4.1.1 Temperatura do ar 
De acordo com Ayoade (2003), a temperatura pode ser definida 
em termos do movimento de moléculas, onde quanto maisrápido este movimento, mais elevada a temperatura. Podendo 
ser definida também tomando por base o grau de calor que um 
corpo possui. “A temperatura é a condição que determinado 
fluxo de calor que passa de uma substância para outra”. 
Retallack (1970) define a temperatura de um corpo como a 
condição que determina a sua capacidade de transferir calor 
para outros ou de receber deles. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
77 
 
O calor desloca-se de um corpo de maior temperatura para 
outro com menor temperatura. O Calor é definido como 
energia cinética total dos átomos e moléculas que compõem 
uma substância. A distinção fica mais clara pelo seguinte 
exemplo. A temperatura de um copo de água fervente é a 
mesma que a da água fervente de uma balde. Contudo, a balde 
de água fervente tem uma maior quantidade de energia que o 
copo de água fervente. Portanto, a quantidade de calor depende 
da massa do material, a temperatura não. 
A temperatura de um corpo é determinada pelo balanço entre 
a radiação que chega (ondas curtas) e a que sai (ondas longas) e 
pela sua transformação em calor latente e sensível. “Calor 
sensível é o calor que se detecta, estando associado à mudança 
de temperatura. Já o calor latente é o calor que deve ser 
absorvido por uma substancia para que ela mude seu estado 
físico” (VIANELLO e ALVES, 1991) como citado em Torres e 
Machado (2008 P. 32) 
Existem três escalas de medição: o Celsius (°C), a Fahrenheit (°F) 
e a Kelvin (ou absoluta). O ponto de fusão do gelo corresponde 
a 0º C na escala Celsius, 32º F na escala Fahrenheit e 273 K na 
escala Kelvin. O ponto de ebulição da água corresponde, 
respectivamente, a 100º C 212º F e 373 K. O instrumento usual 
para monitorar variações na temperatura do ar é o termômetro. 
Variações na temperatura do ar por expansão ou compressão 
recebem o nome de variações adiabáticas. 
Às linhas que, num mapa, unem pontos ou lugares da Terra que 
possuem a mesma temperatura média mensal ou anual dá-se o 
nome de isotermas. 
4.1.1 Índices de Desconforto Humano 
A sensação de temperatura que o corpo humano sente é 
frequentemente afectada por vários factores. O corpo humano 
é uma máquina térmica que constantemente libera energia e 
qualquer factor que interfira na taxa de perda de calor do corpo 
afecta sua sensação de temperatura. Além da temperatura do 
ar, outros factores significativos que controlam o conforto 
térmico do corpo humano são: a humidade relativa, vento e 
radiação solar. Como a evaporação é um processo de 
resfriamento, a evaporação do suor é uma maneira natural de 
regular a temperatura do corpo. Quando o ar está muito 
húmido, contudo, a perda de calor por evaporação é reduzida. 
Por isso, um dia quente e húmido parecerá mais quente e 
desconfortável que um dia quente e 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
78 
 
seco No inverno, o desconforto humano com o frio é aumentado 
pelo vento, que afeta a sensação de temperatura. O vento não 
apenas aumenta o resfriamento por evaporação, devido ao 
aumento da taxa de evaporação, mas também aumenta a taxa 
de perda de calor sensível (efeito combinado de condução e 
convecção) devido à constante troca do ar aquecido junto ao 
corpo por ar frio. 
Variação da temperatura com a latitude 
De forma geral, a temperatura diminui em função do aumento 
da latitude, ou seja, a temperatura diminui à medida que se 
afasta do Equador, indo em direção aos Pólos. Essa modificação 
na temperatura está basicamente ligada à forma como se dá a 
incidência dos raios solares na superfície terrestre, que é 
“perpendicular” na faixa equatorial e de forma mais oblíqua em 
direção aos Pólos. 
É importante frisar ainda, que a temperatura é mínima nos 
pólos, não só porque os raios solares incidem com uma grande 
obliquidade, mas também devido à grande capacidade de 
reflexão (albedo) da neve que cobre a superfície destas regiões. 
Menor absorção implicará em menor aquecimento do ar 
atmosférico. 
Variação sazonal da temperatura 
Resulta da variação sazonal da radiação solar recebida em 
qualquer parte da superfície do globo. Assim, as temperaturas 
são mais elevadas no verão quando os volumes de insolação 
radiação recebidos são altos e mais baixas no inverno porque os 
volumes de radiação recebidos são baixos. As variações sazonais 
da temperatura do ar são maiores nas regiões extratropicais, 
principalmente no interior dos continentes e baixas na faixa 
equatorial principalmente nas superfícies hídricas 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
79 
 
 
 
Variação da temperatura com a altitude 
De um modo geral, na Troposfera, a temperatura diminui à 
medida que se aumenta a altitude. Em média, a temperatura do 
ar diminui cerca de 0,6 ºC para cada 100 metros de altitude, 
sendo que esse gradiente pode variar de 1 ºC para cada 105 
metros quando o ar esta ligeiramente húmido até 1ºC para cada 
200 metros quando o ar está saturado. Isto se dá, pois, a 
atmosfera é aquecida de forma indirecta, através do calor que é 
irradiado pela superfície e logo, tem-se que as regiões mais 
aquecidas são aquelas em contacto mais directo com a “fonte” 
de irradiação (a superfície terrestre e as águas). 
Como o aquecimento da atmosfera dá-se a partir da superfície 
terrestre, o mesmo se processa de baixo para cima, resultando 
na observação de Tubelis e Nascimento (1984) que diz: a 
temperatura máxima do ar em contacto com o solo ocorre 
simultaneamente com a temperatura máxima da superfície do 
solo; à medida que se afasta do solo, a temperatura máxima se 
atrasa continuamente indo ocorrer a dois metros de altura, 
cerca de duas horas depois. (Torres & Machado; 2008; P. 33) 
Além disso, sabe-se que o ar é mais rarefeito nas regiões mais 
elevadas. Assim, quanto menos ar, menor quantidade de calor 
possível de ser contida nesse ar, ou seja, menor a temperatura. 
Um exemplo prático é a ocorrência de neve em montanhas altas 
situadas ao longo da linha do equador como o monte 
Kilimanjaro na Tanzânia e a cordilheira dos Andes na América do 
Sul. 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
80 
 
Com isso, tira-se a seguinte conclusão de acordo com a hora em 
que há maior ganho energético do Sol é justamente a hora do 
dia em que ele está mais próximo à superfície, ou seja, a hora 
em que ele está no zênite, (12:00 horas), e analisando os 
primeiros 2 metros de superfície como área de maior actividade 
biológica, tem-se que o horário de maior temperatura do dia é 
por volta de 14:00 horas, altura em que se intensifica a radiação 
terrestre. Por outro lado, sabendo-se que depois do pôr-do-sol 
a superfície perde sua fonte de energia e que, com isso, o ar 
começa a perder temperatura culminando nos instantes 
anteriores ao primeiro raio solar do outro dia, quando é atingida 
sua temperatura mínima, variando o horário de acordo com a 
época do ano e latitude. 
Variação da temperatura com a continentalidade e 
maritimidade 
A influência dos factores continentalidade e maritimidade sobre 
a temperatura do ar dá-se devido, basicamente, à diferença de 
calor específico entre a terra e as superfícies hídricas. 
As regiões próximas a grandes corpos hídricos, apresentam 
temperaturas mais regulares devido ao efeito amenizador das 
brisas e das correntes marítimas amplitudes térmicas pequenas, 
mas principalmente pela propriedade que tem a água de manter 
o calor absorvido por mais tempo e misturá-lo a maiores 
profundidades que o solo. Amplitude térmica é a diferença entre 
a maior e a menor temperatura do dia. Quando a amplitude 
térmica é alta, significa que a diferença entre temperatura 
mínima e temperatura máxima foi muito grande. 
Como conseguimos prever com bastante eficiência a maior e a 
menor temperatura do dia, é possível também prevera 
amplitude térmica. 
No continente, de acordo com Troppmair (2004), a partir de 
determinada profundidade (aproximadamente 1,5 metros) a 
temperatura mantém-se constante, ou seja, o solo tem uma 
capacidade menor de transportar calor. (Torres & Machado; 
2008 P. 33) 
O calor específico da superfície terrestre (solo, rocha, 
vegetação) é bastante diferente do da água. “O calor específico 
de uma substância é a quantidade de calor necessário para 
elevar em um grau centígrado a temperatura de sua unidade de 
massa” (Retallack, 1970). 
Ayoade (2003), afirma que o calor específico da água do mar é, 
por exemplo, cerca de 0,94, enquanto o do granito é 0,2. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
81 
 
“No geral, a água absorve 5 vezes mais calor afim de aumentar 
a sua temperatura em quantidade igual ao aumento do 
solo”(Torres & Machado; 2008 P. 35) 
Concluindo, regiões próximas a grandes corpos hídricos têm um 
gradiente térmico menor que o de regiões longe destes corpos, 
visto que como água ganha calor mais lentamente, o perde 
lentamente também, assim, mesmo com o pôr do Sol, o ar 
atmosférico apesar de parar de receber calor da superfície 
terrestre, continua ganhando das superfícies hídricas. Uma 
localidade costeira na qual os ventos dominantes são dirigidos 
do mar para a terra e outra na qual os ventos são dirigidos da 
terra para o mar podem ter temperaturas consideravelmente 
diferentes. No 1º caso, o lugar sofrerá a influência moderadora 
do oceano de forma mais completa enquanto o 2º terá um 
regime de temperatura mais continental, com maior contraste 
entre as temperaturas de inverno e verão. 
Equador Térmico 
O equador térmico, não acompanha a linha do equador 
geográfico, de acordo com Varejão-Silva (2006; P. 84), a 
distância entre o equador térmico e o geográfico é normalmente 
maior sobre os continentes que sobre os oceanos. 
Sobre os continentes, a oscilação do equador térmico em torno 
do geográfico amplia-se consideravelmente e, dependendo da 
região e época do ano, chega ultrapassar os trópicos. Sobre os 
oceanos, há áreas em que o equador térmico permanece, 
durante o ano todo, ao norte do equador geográfico, graças à 
influência das correntes marítimas. A posição média do equador 
térmico pode ser observada na abaixo. 
Figura 1 - Posição média do equador térmico durante o ano 
Fonte: Varejão-Silva (2006) 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
82 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 4.2.1 estudamos e discutimos 
fundamentalmente a Temperatura como elemento climático, da 
sua distribuição ao longo da superfície terrestre, sua variação 
com a altitude, latitude, sua variação sazonal, diurna, etc 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1- Que e a temperatura? 
2- O que e o calor? 
3- Indique as escalas de temperatura 
4- O que e o ponto de ebulição? 
5- O que e ponto de fusão? 
6- O que são amplitudes térmicas? 
7- Quando acontecem as temperaturas máximas e mínimas do 
dia? 
8- O que e uma isoterma? 
9- A que valores corresponde o ponto de fusão do gelo e o ponto 
de ebulição da água em cada uma das escalas de temperatura 
apresentadas? 
Exercícios de AVALIAÇÃO 
1. Assinale a alternativa que define de forma correcta o que é 
temperatura: 
(a) É a energia que se transmite de um corpo a outro em virtude 
de uma diferença de temperatura. 
(b) Uma grandeza associada ao grau de agitação das partículas 
que compõe um corpo, quanto mais agitadas as partículas de 
um corpo, menor será sua temperatura. 
(c) Energia térmica em trânsito. 
(d) É uma forma de calor. 
(e) Uma grandeza associada ao grau de agitação das partículas 
que compõe um corpo, quanto mais agitadas as partículas de 
um corpo, maior será sua temperatura. 
2. Assinale a alternativa que define corretamente calor 
(a) Trata-se de um sinônimo de temperatura em um sistema. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
83 
 
(b) É uma forma de energia contida nos sistemas. 
(c) É uma energia de trânsito, de um sistema a outro, devido à 
diferença de temperatura entre eles. 
(d) É uma forma de energia superabundante nos corpos 
quentes. 
(e) É uma forma de energia em trânsito, do corpo mais frio para 
o mais quente. 
3. Têm-se dois corpos, com a mesma quantidade de água, um 
de alumínio A e outro negro N, que ficam expostos ao sol 
durante uma hora. Sendo inicialmente as temperaturas iguais, é 
mais provável que ocorra o seguinte: 
(a) Ao fim de uma hora não se pode dizer qual temperatura é 
maior. 
(b) As temperaturas são sempre iguais em qualquer instante. 
(c) Após uma hora a temperatura de N é maior que a de A. 
(d) De início a temperatura de A decresce (devido à reflexão) e 
a de N aumenta. 
(e) As temperaturas de N e de A decrescem (devido à 
evaporação) e depois crescem. 
Exercicios 
1. Explique brevemente porque um dia com vento calmo e 
ensolarado parece mais quente que a leitura de um termômetro 
indica. 
 
2. Por que a temperatura do ar é variável, no tempo e no espaço? 
 
3. Que factores influem no balanço local de radiação e 
consequentemente na temperatura local? 
 
4. Por que a temperatura mais alta durante o dia tende a ocorrer 
usualmente no começo ou meio da tarde e não ao meio-dia? 
 
5. Que factores podem afetar a amplitude média do ciclo diurno 
da temperatura? 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
84 
 
6. Por que a terra e a água se aquecem e se arrefecem modo 
diferenciado? 
7. Dê exemplos de como a proximidade de grandes massas de 
água pode influir no regime de temperaturas do ar. 
 
8. Se estamos interessados na temperatura da atmosfera, por que 
nos importamos com as características de aquecimento da 
superfície da Terra? 
9. Duas cidades estão situadas na mesma latitude. Uma está 
localizada no litoral, com o vento dominante vindo do mar para 
o continente e a outra está no centro do continente. Com base 
apenas nestas informações, o que você esperaria a respeito das 
amplitudes do ciclo anual de temperatura dessas cidades? 
 
10. Fale sobre a influência da altitude sobre a temperatura. 
11. Qual seria a diferença entre a variação diurna da temperatura 
num dia completamente nublado e num dia sem nuvens e 
ensolarado? Explique. 
 
Bibliografia 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal 
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No 
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de 
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990) 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
85 
 
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
período chuvoso. Geografia - v. 15,n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em 
http://www.uel.br/revistas/geografia 
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
 
UNIDADE Temática 4.2 . Humidade 
A humidade do ar é um elemento atmosférico que exerce 
influências sobre as temperaturas, as chuvas, a sensação 
térmica e até mesmo sobre a nossa saúde. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: Humidade do ar 
 Definir: Humidade Absoluta 
 Definir: a Humidade Relativa 
 Explicar: as variações da Humidade do ar 
 
4.2.Humidade do ar 
Embora o vapor de água represente somente 2% da massa total 
da atmosfera e 4% de seu volume, ele é o componente 
atmosférico mais importante na determinação do tempo e do 
clima. A quantidade de vapor de água contida na atmosfera 
vária de lugar par alugar e no transcurso do tempo em 
determinada localidade. Ela pode variar de quase zero, em áreas 
quentes e áridas, até um máximo de 3% nas latitudes médias e 
4% nos trópicos húmidos. 
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
86 
 
Humidade do ar é o termo utilizado para descrever a presença 
de vapor de água no atmosférico. Esta presença de vapor de 
água pode ser descrita quantitativamente de várias maneiras. 
Entre elas estão a pressão de vapor, a humidade absoluta, a 
razão de mistura e a humidade relativa. 
 A humidade do ar resulta da evaporação das águas a partir das 
superfícies terrestres e hídricas e da evapotranspiração de 
animais e vegetais, e, portanto, depende de calor para produzir 
a evaporação da água e, logicamente, necessita de água para ser 
evaporada. Assim, por exemplo, um deserto tem calor suficiente 
para promover o processo de evaporação, mas não dispõe de 
água para ser evaporada e a humidade do ar permanece baixa. 
Uma forma de se expressar a concentração de vapor de água no 
ar é através da Humidade Absoluta, que é a massa do vapor de 
água existente na unidade de volume de ar, sendo expressa em 
g/m3. 
Tubelis e Nascimento (1984) referem que o ar está saturado 
quando ele apresenta a concentração máxima de vapor de água 
que pode conter. Geralmente, o ar encontra-se com uma 
concentração de vapor de água menor que a de saturação. A 
relação percentual entre a concentração de vapor de água 
existente no ar e a concentração de saturação (concentração 
máxima), na pressão e temperatura em que o ar se encontra, é 
definida como Humidade Relativa do ar (Torres & Machado; 
2008 P. 35). Para medir humidade relativa usam-se higrômetros. 
4.2.1 Variação da Humidade do ar com a temperatura 
A concentração máxima de vapor de água ou saturação cresce 
com o aumento da temperatura, ou seja, com maior 
temperatura, logo com maior grau de calor, o ar se torna mais 
quente e se expande, podendo assim, conter maior quantidade 
de vapor de água. Portanto, quanto maior a temperatura, maior 
a capacidade do ar em reter o vapor de água. 
O ar poderá também chegar à saturação, mesmo sem ocorrer 
aumento da quantidade de vapor de água, se a temperatura 
diminuir. A Humidade Relativa pode variar mesmo se o 
conteúdo de vapor de água permanecer constante. Isso ocorre 
quando muda a temperatura da amostra de ar. Por isso a 
Humidade Relativa alcança seus valores máximos pela 
madrugada quando ocorre a temperatura mínima do ar. Nesse 
caso, o ar pode atingir a saturação. 
Durante o dia, a temperatura aumenta e isto implica numa 
diminuição da Humidade Relativa, pois o ar se dilata podendo 
conter mais vapor de água, sendo assim, pode-se dizer que a 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
87 
 
Humidade Relativa é inversamente proporcional à temperatura. 
A temperatura na qual ocorrerá a saturação, se o ar se esfriar à 
uma pressão constante, sem aumento ou diminuição do vapor 
de água, é chamada de temperatura do ponto de orvalho 
(Soares &Batista, 2004) como citado em (Torres & Machado; 
2008 P. 37) Sendo assim, de acordo com Vianello e Alves (1991), 
a temperatura do ponto de orvalho é definida como a 
temperatura na qual a saturação ocorreria se o ar fosse resfriado 
à pressão constante e sem adição ou remoção de vapor de água. 
 
Em outras palavras, é a temperatura na qual a quantidade de 
vapor de água presente na atmosfera estaria em sua máxima 
concentração. Em condições normais, a temperatura do ponto 
de orvalho, é uma temperatura crítica entre o estado de vapor 
e a condensação de água na atmosfera, ou seja, acima da 
Temperatura do ponto de orvalho, a água mantém-se na forma 
de vapor e abaixo dela, passa gradativamente à fase líquida. 
Como já dito, a temperatura diminui com o aumento da altitude, 
e sabe-se que quanto menor a temperatura, menor o volume de 
vapor de água contido no ar. Assim, pode-se concluir, que 
quanto maior a altitude, menor será a temperatura e menor 
será o volume de vapor de água contido no ar (Humidade 
Absoluta), mesmo que assim, esteja mais próximo à saturação 
(maior Humidade Relativa). 
4.4.2 Variação da Humidade ao longo da superficie 
terrestre 
Verifica-se também, que a humidade relativa média anual 
apresenta uma estreita correlação com o total anual de 
precipitação, pois que a precipitação é o processo de 
alimentação das fontes naturais de vapor de água. 
O vapor de água desempenha um papel muito importante no 
balanço térmico da atmosfera, principalmente na manutenção 
da temperatura junto às camadas mais baixas. Como absorve 
parte do calor irradiado da superfície terrestre, sua presença na 
atmosfera evita perdas mais substanciais desse calor. 
A cobertura das nuvens, por exemplo, impede a propagação do 
calor que a Terra irradia, mantendo as temperaturas suaves 
durante a noite. 
Esse facto é especialmente importante nas áreas desérticas, 
onde a perda de energia é máxima. Nos desertos, onde a 
evaporação é quase nula, toda energia solar recebida durante o 
dia serve para aquecer a superfície, que restitui quase 
imediatamente este calor às camadas 
 
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88 
 
inferiores da atmosfera por simples condução térmica, ativada 
pela turbulência. Durante a noite, a ausência de nuvens e a 
secura do ar, fazem com que a superfície terrestre se resfrie 
rapidamente, o que faz com que a “variação entre as 
temperaturas do dia e da noite seja muito elevada (a amplitude 
do ciclo diurno pode atingir cerca de 30 graus). 
Fenômeno semelhante ocorre mesmo em latitudes tropicais – 
naturalmente mais húmidas – por ocasião do inverno. Com a 
menor quantidade de energia recebida durante esse período, a 
atmosfera se apresenta com menor quantidade de vapor de 
água, sendo comuns as noites de céu limpo. 
Contudo, esta ausência de nebulosidade acaba favorecendo, 
como no caso dos desertos, uma perda maior e mais rápida do 
calor irradiado pela superfície, arrefecendo as noites e tornando 
mais destacadas as amplitudes térmicas diárias. 
Em certa medida, a menor quantidade de vapor também é 
responsável pelas baixas temperaturas em altitude. Como nas 
áreas mais elevadas ocorre menor concentração de vapor (ar 
mais rarefeito), e este, é um dos responsáveis pela diminuição 
das perdas de radiação da superfície, menos calor estará 
disponível nessa atmosfera. Isso acaba se tornando um ciclo: 
mais elevado o lugar = menor temperatura = sendo mais frio o 
ar, ele retém menos vapor de água = com menos vapor, mais 
calor é perdido. 
Sumario 
Nesta unidade temática 4.2. Falamos da Humidade do ar 
Atmosférico suas variações em termos de grandezas e sua 
ocorrênciaao logo da superfície do globo terrestre. 
Exercícios de AUTO- avaliação 
1. O que e Humidade do ar? 
2. O que Humidade Absoluta? 
3. O que e Humidade Relativa? 
4. O que e temperatura do ponto de orvalho? 
Exercícios de Avaliação 
1- Como varia a Humidade Absoluta do ar com a temperatura? 
2- Como varia a Humidade Relativa com a temperatura? 
3- Donde e que vem o vapor de água presente no ar atmosférico? 
 
 
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89 
 
Bibliografia 
 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal 
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No 
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de 
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990) 
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em 
http://www.uel.br/revistas/geografia 
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
 
 
 
 
 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
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90 
 
UNIDADE Temática 4.3. Pressão Atmosférica 
Pressão atmosférica é a pressão que a atmosfera exerce sobre a 
superfície da Terra. Essa pressão se deve ao facto de a 
atmosfera ser composta por uma mistura de gases, sendo a 
maior parte formada pelos gases oxigênio e nitrogênio. Esses 
gases formam o ar que sofre a ação do campo gravitacional 
terrestre e assim exerce pressão em todos os corpos na 
superfície da Terra. Normalmente não se sente a pressão 
atmosférica porque ela se aplica igualmente em todos os pontos 
do corpo, porém, seu valor varia de acordo com as condições do 
tempo e a altitude. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 Definir: Pressão Atmosférica 
 Explicar: A variação da Pressão Atmosférica com a temperatura, 
altitude, humidade 
 Identificar: os centros barométricos 
 Explicar: os movimentos do ar nos centros barométricos para cada 
hemisfério da terra 
 Conhecer:a origem dos centros barométricos e sua distribuição ao 
longo da superfície terrestre 
 
4.3 Pressão Atmosférica 
A terra acha-se completamente envolvida por uma grande 
camada de ar, a Atmosfera. O ar, como todos os corpos, tem 
peso. Sendo assim, qualquer ponto dentro da superfície está 
sujeito a uma pressão correspondente ao peso da coluna de ar 
que lhe fica sobreposta. Esta pressão, chamada pressão 
atmosférica, tem papel muito importante no clima, pois suas 
variações estão intimamente relacionadas aos diferentes 
estados do tempo. Em outras palavras, de acordo com Soares e 
Batista (2004), o ar atmosférico tem peso e este se manifesta 
sob a forma de uma pressão que a atmosfera exerce em todas 
as direções, especialmente sobre a superfície terrestre. (Torres 
& Machado; 2008 P. 38) 
Após a redução das pressões superficiais ao nível do mar, pode-
se traçar mapas de superfície nos quais pontos com mesma 
pressão atmosférica são ligados por linhas chamadas isóbaras. 
Objectivos 
específicos 
 
 
 
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91 
 
A pressão, em qualquer lugar da superfície, se deve ao peso do 
ar sobre este lugar. Para as áreas de menor pressão, utiliza-se a 
denominação baixa pressão (BP) geralmente representada nas 
cartas pela letra B, e, ao contrário, para áreas onde ocorrem 
maiores pressões atmosféricas, alta pressão (AP) representadas 
nas cartas pela letra A. 
A pressão atmosférica altera-se em função da temperatura e 
também vai sofrer alterações em função da latitude e altitude 
(AYOADE, 1996) como citado em (Torres & Machado; 2008 P. 
38). 
4.3.1 Variação da Pressão com a Temperatura 
A temperatura faz variar a pressão atmosférica por que o calor 
“dilata” o ar, tornando-o mais leve e determinando, por 
consequência, uma menor pressão do ar sobre a superfície 
(baixa pressão), ou seja, para uma mesma condição de altitude 
entre dois pontos quaisquer, a pressão sofrerá variação desde 
que a temperatura entre esses dois pontos seja diferente. 
Assim, por exemplo, a faixa equatorial, por ser uma zona de altas 
temperaturas, determina a existência de uma área de BP e, ao 
contrário, nos pólos, bem mais frios, com o ar mais denso e 
pesado, ocorrem áreas de AP. Daí pode-se concluir que regra 
geral, a pressão atmosférica aumenta do Equador em direção 
aos Pólos, ou seja, a pressão atmosférica aumenta com o 
aumento da latitude. A influência da temperatura sobre a 
pressão atmosférica, também pode ser notada quando se 
compara a variação anual da pressão atmosférica com o 
desenvolvimento das temperaturas no decorrer das estações do 
ano. 
4.3.2 Variação da Prãssao com a altitude 
A pressão atmosférica também sofre variações em função da 
altitude, pois quanto mais elevado for o local, menor será a 
camada de ar a pesar sobre ele (além de se ter o ar mais 
rarefeito em altitude) é logicamente, menor será o peso 
exercido por este ar sobre a superfície terrestre. 
Assim, pode-se dizer que a pressão atmosférica diminui com a 
altitude, como resultado da diminuição da densidade do ar, da 
aceleração de gravidade e da temperatura do ar. 
4.3.3 Variação da Pressão com a humidade 
Em latitudes médias o tempo é dominado por uma contínua 
procissão de diferentes massas de ar que trazem junto 
mudanças na pressão atmosférica e mudanças no tempo. Em 
geral, o tempo torna-se tempestuoso quando a pressão cai e 
bom quando pressão sobe. A maior 
 
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92 
 
presença de vapor de água no ar diminui a densidade do ar 
porque o peso molecular da água (18,016 kg/mol) é menor que 
o peso molecular médio do ar (28,97 kg/mol). Portanto, em 
iguais temperaturas e volumes, uma massa de ar mais húmido 
exerce menos pressão que uma massa de ar mais seca. Grimm 
(1999) 
4.3.4 Centros barometricos 
O traçado curvilíneo e fechado das isóbaras dá origem aos 
denominados centros barométricos. Existem dois tipos de 
centros barométricos: 
 Centro de baixas pressões ou depressão barométrica, em que os 
valores da pressão atmosférica diminuem da periferia para o 
centro, onde se regista uma baixa pressão. 
 Centro de altas pressões ou anticiclone apresenta valores 
crescentes da pressão atmosférica da periferia para o centro, 
sendo aí a pressão alta 
4.3.4.1A origem dos centros barométricos 
Baixas pressões ou depressão 
 Dinâmica – a ascensãodo ar é provocada pela convergência 
de ar proveniente de direções opostas, como exemplo temos 
as baixas pressões subpolares que resultam do encontro das 
massas de ar das regiões polares e das massas de ar quentes 
tropicais. 
 Térmica – o aquecimento do ar, pelo contacto com a 
superfície da Terra muito quente, torna-o menos denso, 
provocando a sua ascensão. É o que acontece no verão, no 
interior dos continentes e na península Ibérica. 
 Altas pressões ou anticiclones 
 Dinâmica – resultam do movimento descendente do ar frio 
que se encontra a maior altitude. Ex: as altas pressões tropicais e 
anticiclone dos Açores. 
 Térmica – o arrefecimento do ar, pelo contacto com a 
superfície da Terra muito fria, torna-o mais denso e pesado. É o 
que acontece no inverno no interior dos continentes e sobre a 
península ibérica. 
À superfície (na horizontal), o ar apresenta um movimento 
convergente nos centros de baixas pressões e divergentes nos 
centros anticiclónicos. Mas o ar também se desloca na vertical 
segundo um movimento turbilhonar. 
 
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93 
 
 
Figura 1 - Esquema de movimento vertical de ar nos centros 
barométricos do Hemisfério Norte 
 
 
Figura 2 - Esquema de movimento horizontal de ar nos centros 
barométricos do Hemisfério Norte 
Sumario 
Nesta unidade temática 4.3, falamos da Pressão Atmosférica e 
suas variações com a temperatura, altitude e humidade. 
Falamos igualmente dos centros barométricos, sua origem, 
características do movimento vertical e horizontal do ar nestes 
centros de acordo com os hemisférios. 
Exercicios de AUTO-avaliacao 
1. O que e Pressão Atmosférica? 
2. O que e um centro de baixas pressões? 
3. O que e um centro de altas pressões? 
 
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94 
 
4. De que origem podem ser os centros barométricos? 
5. O que são isóbaras? 
Exercícios de Avaliação 
1. “A equipa do Ferroviário da Beira embarca hoje para La Paz, 
capital da Bolívia, situada a 3.700 metros de altitude, onde fará 
jogos amigáveis com algumas equipas locais. A adaptação 
deverá ocorrer em um prazo de 10 dias, aproximadamente. O 
organismo humano, em atitudes elevadas, necessita desse 
tempo para se adaptar, evitando-se, assim, risco de um colapso 
circulatório”. 
Adaptado 
A adaptação da equipe foi necessária principalmente porque a 
atmosfera de La Paz, quando comparada à da cidade da Beira, 
apresenta: 
a) Menor pressão e menor concentração de oxigênio. 
b) Maior pressão e maior quantidade de oxigênio. 
c) Maior pressão e maior concentração de gás carbônico 
d) Menor pressão e maior temperatura. 
e) Maior pressão e menor temperatura. 
 
2 - Observe as proposições abaixo: 
1.As zonas de alta pressão atmosférica são chamadas áreas anti-
ciclonais. São áreas para onde convergem ventos e massas de 
ar. 
2.A pressão atmosférica é menor nas regiões de baixas latitudes 
em função das maiores temperaturas aí existentes. 
3.A velocidade do vento é inversamente proporcional à 
diferença de pressão do ar atmosférico entre dois lugares. 
4.Quando dizemos que a velocidade do vento é de, por exemplo 
2 m/s, significa que qualquer partícula desse ar, localizada no 
nível de observação considerado, percorre uma distância de 
dois metros a cada segundo. 
5.O movimento de rotação terrestre, que gira no sentido oeste-
leste, interfere na circulação geral da atmosfera, pois os ventos 
sofrem um desvio ocasionado pela força de Coriolis. No 
hemisfério sul o vento tende a se desviar para a direita e no 
hemisfério norte para a esquerda. 
 
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95 
 
Estão incorretas: 
a) 1, 2 e 3 
b) 1, 3 e 5 
c) 2, 3 e 4 
d) 3 e 4 apenas 
e) 2, 4 e 5 
Bibliografia 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
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de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
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Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
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Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990) 
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
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http://www.uel.br/revistas/geografia 
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Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
96 
 
UNIDADE Tematica 4.4 - Ventos 
O vento e o ar em movimento como resultado do gradiente de 
pressão ao longo da superfície terrestre. Estes dividem-se em 
constantes, periódicos, globais e locais conforme ocorram num 
determinado período ou local. No tema referente a circulação 
geral da atmosfera falamos dos ventos globais, numa situação 
em que se tomava em consideração apenas a forcas do 
gradiente de pressão, de Coriolis e centrifuga. Nesta unidade 
temática iremos abordar a circulação atmosférica dado 
tomando em consideração, alem dos factores já mencionados, 
aspectos como a diferente distribuição dos mares e oceanos, a 
influencia da topografia do terreno e fenômenos localizados que 
originam ventos bem localizáveis. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: Vento 
 Explicar: a origem dos ventos 
 Diferenciar: ventos constantes dos ventos periódicos, locais e 
variáveis 
 Explicar: o factores que originam ventos periódicos 
 
O vento é o movimento do ar em relação à superfície terrestre, 
movimento este, que se processa tanto no sentido horizontal, quanto 
no sentido vertical (AYOADE, 2003).O aquecimento diferencial de locais 
próximos ou distantes da superfície terrestre gera diferenças de 
pressão atmosférica” (Tubelis e Nascimento,1984) como citado em 
(Torres & Machado; 2008 P. 43). Dessa forma, o vento é geração de 
gradientes de pressão atmosférica, ou seja, é gerado em função da 
existência de pressões diferentes, mas sofre influências modificadoras 
do Movimento de Rotação da Terra, da Força Centrífuga ao seu 
movimento e do atrito com a superfície terrestre. Assim, para 
estabelecer o equilíbrio destas pressões diferentes, o vento se desloca, 
das áreas de Alta Pressão para as Áreas de Baixa Pressão, mantendo em 
geral, características próprias da atmosfera de onde procede (frio, 
quente, húmido, seco, etc). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
97 
 
Com maior temperatura, ouseja, com maior grau de calor, o ar 
é aquecido, se expande, fica mais leve e sobe (ascende) dando 
“lugar” a outro ar (vento), em geral de características mais frias, 
que vem para ocupar o “espaço” então criado. 
Assim, nota-se que o ar quente “viaja” pelas camadas superiores 
da Troposfera, enquanto o ar mais frio (mais denso e mais 
pesado) se desloca pelas partes mais baixas. 
Em geral, o vento é mais forte e de maior velocidade nas partes 
mais altas, pois a velocidade próxima ao solo é diminuída pela 
fricção ou atrito do mesmo com os obstáculos da superfície 
(LEINZ e AMARAL, 1989) como citado em (Torres & Machado; 
2008 P. 43). 
De acordo com Soares e Batista (2004), se a superfície for 
coberta por vegetação, o perfil do vento só se estabelece a partir 
de uma determinada altura acima do solo, isto é, a velocidade 
do vento se anula na altura da vegetação. 
Para Soares e Batista (2004), a velocidade do vento é uma 
grandeza vectorial, da qual se medem, normalmente, 
parâmetros da sua componente horizontal. Os parâmetros 
medidos são: velocidade, direção e força do vento, direção do 
vento, ainda de acordo com os autores, é o ponto cardeal de 
onde o vento vem. 
A força do vento é a força exercida pela massa de ar, em 
decorrência de sua velocidade sobre um obstáculo 
perpendicular à sua direção. (Torres & Machado; 2008 P. 43) 
Os ventos podem ser constantes, periódicos e locais ou 
variáveis. 
No capítulo da Circulação Geral da Atmosfera falamos dos 
ventos constantes, relacionados ao padrão de distribuição da 
pressão ao longo da superfície terrestre. Neste capítulo iremos 
falar dos restantes tipos. 
 
4.4.1.1 Ventos periódicos 
As brisas terrestres e marítimas 
São ventos locais que ocorrem principalmente nas costas 
tropicais, são causadas pela diferença de pressão existente 
entre o continente e o mar, e esta, por sua vez, tem origem nas 
diferenças térmicas (calor específico) entre a superfície terrestre 
e a superfície hídrica. 
Superfícies de água e terra têm respostas térmicas diferentes à 
mesma quantidade de insolação, e a maior parte das superfícies 
no continente tem uma amplitude 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
98 
 
térmica muito maior (temperaturas máximas mais altas e 
mínimas mais baixas) do que os corpos de água, que tendem a 
caracterizar-se por temperaturas mais uniformes ao longo do 
dia 
 
 
Figura 1 - Brisa marítima e brisa terrestre 
As principais razões para isto são: 
Enquanto a insolação é utilizada para aquecer a superfície da 
terra, a mesma energia é absorvida por um maior volume de 
água. A radiação incidente de ondas curtas penetra até uma 
profundidade de cerca de 10 m na maior parte dos corpos de 
água, mas até centenas de metros em águas tropicais límpidas. 
A capacidade térmica ou calorífica (calor especifico) da água é 
excepcionalmente grande. Ela requer quatro vezes mais calor 
para aquecer uma determinada quantidade de volume no 
mesmo intervalo de temperatura do que a mesma quantidade 
de solo. Por estas razões, gradientes de temperatura se 
estabelecem entre o continente e o mar, e isto tem um ciclo 
diurno (a terra é mais quente do que o mar durante o dia e o 
mar é mais quente que a terra à noite). Em situações sinópticas 
específicas, as diferenças de temperatura induzem gradientes 
locais de densidade e pressão, que fornecem as forças 
governantes para que as brisas se estabeleçam na faixa costeira 
com um ritmo diurno. A brisa do mar sopra do mar para o 
continente durante o dia, com um escoamento compensatório 
inverso em altitude; já a brisa continental, mais fraca, sopra do 
continente para o mar à noite (e também com um escoamento 
de retorno mais fraco em altitude). 
Torres e Machado (2008, P. 44) explicam o fenômeno da 
seguinte maneira: durante o dia, a terra se aquece mais 
rapidamente que o mar, e assim, o ar sobre o continente se 
aquece mais rapidamente, se expandindo, tornando-se mais 
leve e determinando uma área de Baixa Pressão, receptora de 
ventos. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
99 
 
Dessa forma, durante o dia, o continente funciona como um 
centro de baixa pressão e os ventos sopram do mar (ou de 
grandes lagos) para a terra, é a brisa Marítima ou Lacustre. 
À noite, ocorre um fenômeno oposto, ou seja, a terra arrefece 
rapidamente, enquanto o mar (ou um grande lago) permanece 
mais tempo aquecido, havendo assim uma inversão dos centros 
de pressão, funcionando o oceano como área de Baixa Pressão, 
receptora de ventos, e o vento, agora mais fraco, sopra da terra 
para o mar, é a brisa Terrestre. 
Ventos de vale e de montanha 
Esses ventos também, em parte, são de origem térmica. Durante 
o dia, quando a radiação do Sol é intensa, algumas vertentes 
montanhosas mais expostas, são aquecidas mais rapidamente 
que os fundos dos vales, formando-se assim, uma área de Baixa 
Pressão receptora de ventos nas partes mais elevadas e, com 
isso, os ventos deslocam-se vertente acima, são os ventos de 
Vale ou Anabáticos. 
Ayoade, (2003) refere que são muitas vezes acompanhados pela 
formação de nuvens cúmulos sobre as montanhas ou perto 
delas. Com o decorrer das horas do dia, ocorre o inverso, ou 
seja, as áreas mais elevadas esfriam-se, perdem calor muito 
rapidamente em função das perdas de radiação. Assim, forma-
se no vale uma área mais aquecida, de Baixa Pressão, e então, o 
ar se desloca vertente abaixo, em direção às depressões e vales, 
são ventos frios, conhecidos como ventos de Montanha ou 
Catabáticos. (Torres e Machado, 2008; P. 45) 
 
Figura 2 - Esquema de ventos de vale e de montanha 
 
Monções 
São os ventos que, durante o verão, sopram do oceano do Índico 
para a Ásia Meridional e durante o inverno, sopram da Ásia 
Meridional para o oceano Índico. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
100 
 
As monções são classificadas da seguinte forma: 
Monções Marítimas: São ventos quentes e húmido que sopram 
do oceano Índico para o continente durante o verão no 
Hemisfério Norte e provocam fortes chuvas na Ásia Meridional, 
causando enchentes e inundações. 
Monções Continentais: São ventos secos e frios que sopram do 
continente para o oceano Índico no inverno do Hemisfério Norte 
Ventos locais e variáveis 
O vento local acontece numa certa região em determinadas 
épocas. Por exemplo, No deserto do Saara, ocorre um vento 
extremamente forte conhecido como simum, que provoca 
enormes tempestades de areia. Já os ventos variáveis, são 
massas de ar irregulares que varrem uma determinada área de 
maneira inesperada. 
As diferenças das zonas anti-ciclonal e ciclonal determinam a 
velocidade do vento. 
 
Figura 3 - Ventos moncônicos 
 
Sumario 
Nesta unidade temática 4.1.1, falamos dos ventos periódicos, 
locais, e variáveis com destaque para 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
101 
 
as monções e brisas, cuja ocorrência esta relacionada com a 
topografia e outros factores locais. 
Exercicios de Auto-avaliacao 
1- O quê e o ventos? 
2- O que são as monções? 
3- Defina brisa marítima e brisa terrestre 
4- Defina brisa do vale e brisa da montanha 
Exercícios de Avaliação 
1. O deslocamento das massas de ar, que dão origem aos ventos, 
se fazem sempre: 
a) Das áreas mais elevadas para as mais baixas; 
b) Das áreas de temperaturas mais altas para as de temperatura 
mais baixa; 
c) Das áreas de alta pressão para as de baixa pressão; 
d) Das áreas mais úmidas para as mais secas; 
e) De oeste para leste. 
2. Os ventos monçônicos sopram do oceano Indico para a Ásia 
meridional quando: 
a) E inverno no hemisfério norte 
b) E noite no hemisfério norte 
C) E verão no hemisfério norte 
d) E verão no hemisfério sul 
 
3. Destas afirmações indique qual e a falsa e qual e verdadeira: 
a) Os ventosalísios dirigem-se das áreas tropicais para as 
equatoriais, em sentido horário no hemisfério norte e anti-
horário no hemisfério sul, graças à ação da Força de Coriolis, 
associada à movimentação da Terra. 
b) Os ventos alísios dirigem-se das áreas de alta pressão, 
características dos trópicos, em direção às áreas de baixa 
pressão, próximas ao equador, movimentando-se em sentido 
anti-horário no hemisfério norte e em sentido horário no 
hemisfério sul. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
102 
 
c) Os ventos contra-alísios dirigem-se dos trópicos em direção 
ao equador, movimentando-se em sentido horário no 
hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, graças à ação 
da Força de Coriolis. 
d) Os ventos contra-alísios dirigem-se da área tropical em 
direção aos pólos, provocando quedas bruscas de temperatura 
e eventualmente queda de neve, movimentando-se em sentido 
anti-horário no hemisfério sul e em sentido horário no 
hemisfério norte. 
Unidade Temática 4.5– Nebulosidade 
Introdução 
O vapor de água é um gás invisível, mas os produtos da 
condensação e deposição de vapor de água são visíveis. As 
nuvens são manifestações visíveis da condensação e deposição 
de vapor de água na atmosfera. Nesta unidade, trataremos do 
processo de formação das nuvens e seu esquema de 
classificação. Falaremos igualmente do nevoeiro. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: nuvem 
 Definir: nevoeiro 
 Explicar: a origem das nuvens 
 Conhecer: os tipos de nuvens 
 Explicar: a formação das nuvens 
 Caracterizar: as nuvens 
 Conhecer: o tempo associado a cada tipo de nuvem 
 Explicar: como se forma o nevoeiro 
 Conhecer: os tipos de nevoeiro 
Uma nuvem pode ser definida segundo Tubelis e Nascimento 
(1984) como “um conjunto visível de 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
103 
 
partículas de água líquida e/ou de gelo, em suspensão na 
atmosfera” (Torres & Machado; 2008; P. 47). O vapor de água 
presente no ar atmosférico pode passar (ou voltar) para a fase 
líquida pelo processo de condensação, processo este que dá 
origem às nuvens. Há duas propriedades em comum nos vários 
processos de condensação: Primeiro, o ar deve estar saturado, 
o que ocorre quando o ar é resfriado abaixo de seu ponto de 
orvalho, o que é mais comum ou quando o vapor de água é 
adicionado ao ar. Segundo, deve haver geralmente uma 
superfície sobre a qual o vapor de água possa condensar. O 
orvalho forma-se, a superfície servindo-se de objetos próximos 
ou sobre o solo. Quando a condensação ocorre no ar acima do 
solo, minúsculas partículas conhecidas como núcleos de 
condensação, constituídos por impurezas sólidas que servem de 
superfícies de contacto sobre as quais o vapor de água 
condensa. Para Soares e Baptista (2004), o principal processo de 
formação de nuvens é o resfriamento por expansão adiabática, 
que ocorre quando uma massa de ar se eleva na atmosfera. À 
medida que a mesma se eleva, ela se expande, em decorrência 
da diminuição da pressão atmosférica com a altura e arrefece, 
provocando uma diminuição da capacidade de retenção de 
vapor de água. Então ocorre a saturação e a condensação. De 
acordo com Tubelis e Nascimento (1984), a nuvem é constituída 
de gotículas de água que pelas suas pequenas dimensões, de 2 
a 20 mícrons, permanecem em suspensão na atmosfera. Cada 
gotícula fica sujeita à Força Gravitacional, e a acção das 
correntes ascendentes de ar. Enquanto predominam as forças 
ascendentes sobre a Força Gravitacional, as gotículas se elevam 
na atmosfera. (Torres & Machado; 2008; P. 47) 
Quando a componente gravitacional predomina, as gotículas 
descendem na atmosfera, dando origem à precipitação. A 
predominância da gravidade ocorre quando as gotículas 
crescem até uma dimensão suficiente para sobrepujar as 
correntes ascendentes. De acordo com Tubelis e Nascimento 
(1984), também ocorre o processo inverso ao da expansão 
adiabática. O ar ao descer na atmosfera, sofre uma compressão 
adiabática em decorrência do aumento da pressão. O processo 
provocado pelo aumento da temperatura da massa de ar, com 
consequente aumento da capacidade de retenção de vapor 
diminui a humidade relativa do ar. 
Sob a acção desses mecanismos, uma nuvem pode dissolver-se. 
Da mesma forma pode-se concluir que a dissipação das nuvens 
ocorre quando cessa o processo que lhe deu origem, ou seja, 
quando ocorre o reaquecimento do ar, após as precipitações ou 
pela “mistura” (encontro) com uma massa de ar mais seco. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
104 
 
Tipos de movimentos verticais que conduzem a formação de 
nuvens 
4.5.1 Tipos de Nuvens 
Com base na aparência, distinguem-se três tipos de nuvens: 
cirrus, cumulus e stratus. Cirrus são nuvens fibrosas, altas, 
brancas e finas. Stratus são camadas que cobrem grande parte 
ou todo o céu. Cumulus são massas individuais globulares de 
nuvens, com aparência de domos salientes. Qualquer nuvem 
reflecte uma destas formas básicas ou é combinação delas. 
(Grimm; 1999). 
Para Torres e Machado (2008; Pg. 48), de acordo com a altitude 
e aparência, as nuvens são classificadas em quatro grupos: 
baixas, médias, altas e de desenvolvimento vertical como 
observado na tabela. As nuvens das três primeiras famílias são 
produzidas por levantamento brando sobre áreas extensas. 
Estas nuvens se espalham lateralmente e são chamadas 
estratiformes. Nuvens com desenvolvimento vertical 
geralmente cobrem pequenas áreas e são associadas com 
levantamento bem mais vigoroso. São chamadas nuvens 
cumuliformes. 
 
Tabela 1 – Grupos de nuvens e seus tipos 
A maior parte das nuvens se encontra na Troposfera, ou seja, 
entre a superfície terrestre e a Tropopausa (limite superior da 
Troposfera, variável conforme a latitude). 
 
 
 
 
Camadas Altura das camadas (Km) 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
105 
 
Região 
Tropical 
Região 
Tempera
da 
Região 
Polar 
Superior 6 a 18 5 a 13 3 a 8 
Média 2 a 8 2 a 7 2 a 4 
Inferior < 2 < 2 < 2 
Tabela 2 - Variação da altura da camada das nuvens de acordo 
com a latitude; Adaptado: Torres e Machado (2008) 
Numa observação meteorológica, a Nebulosidade, “definida 
como a fração do céu que se apresenta coberta por nuvens no 
momento da observação” (TUBELIS e NASCIMENTO, 1984), ou 
seja, a parcela do céu encoberta por nuvens, é dada em décimos 
(1/10 a 10/10), como observado na tabela 3. Estas frações 
decimais são posteriormente transformadas, para mensagem 
sinóptica, em oitavos, com o auxílio de uma tabela de 
conversão, de 1/8 a 8/8. 
 
Denominações Partes do céu cobertas 
Céu limpo de 0 a 2/10 
Céu nublado de 3/10 a 7/10 
Céu coberto de 8/10 a 10/10 
Tabela 3 - Tipos de céu, segundo a cobertura de nuvens; 
Adaptado Torres e Machado (2008) 
A Nebulosidade relaciona-se com a Radiação Solar, com a 
Insolação e, indiretamente, com a temperatura do ar e com o 
aquecimento da atmosfera. A cobertura de nuvens pode 
reflectir, difundir mesmo absorver a radiação solar. A reflexão 
dos raios solares depende de sua cor, espessura, estrutura e 
constituição. 
Há variações sazonais e latitudinais. Em altas latitudes ou 
durante o inverno em latitudes médias as nuvens altas são 
geralmente encontradas em altitudes menores. 
Devido às baixas temperaturas e pequenas quantidades de 
vapor de água em altas altitudes, todas as nuvens altas são finas 
e formadas de cristais de gelo. Como há mais vapor de água 
disponível em altitudes mais baixas, as nuvens médias e baixas 
são mais densas. 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
106 
 
Figura 1 - Nuvens 
Nuvens em camadas em qualquer dessas altitudes geralmenteindicam que o ar é estável. O desenvolvimento de nuvens desse 
tipo é comum quando o ar é forçado a subir, como ao longo de 
uma frente ou próximo ao centro de um ciclone, quando ventos 
convergentes provocam a subida do ar. Tal subida forçada de ar 
estável leva à formação de uma camada estratificada de nuvens 
que tem uma extensão horizontal grande comparada com sua 
profundidade. 
Nuvens com desenvolvimento vertical estão relacionadas com 
ar instável. Correntes convectivas associadas ao ar instável 
podem produzir nuvens cumulus, cumulus congestus e 
cumulonimbus. Como a convecção é controlada pelo 
aquecimento solar, o desenvolvimento de nuvens cumulus 
frequentemente segue a variação diurna da insolação. Num dia 
de bom tempo as nuvens cumulus começam a formar-se do 
meio para o final da manhã, após o sol ter aquecido o solo. A 
cobertura de cumulus no céu é maior à tarde - usualmente o 
período mais quente do dia. Se as nuvens cumulus apresentam 
algum crescimento vertical, estas normalmente chamadas 
cumulus de "bom - tempo" podem produzir leve chuva. Ao 
aproximar-se o pôr-do-sol a convecção se enfraquece e as 
nuvens cumulus começam a dissipar-se. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
107 
 
Uma vez formados os cumulus, o perfil de estabilidade da 
troposfera determina o seu crescimento. Se o ar ambiente é 
estável mais para cima o crescimento vertical é inibido. Se é 
instável para ar saturado, então o movimento vertical é 
aumentado e os topos das nuvens cumulus sobem. Se o ar 
ambiente é instável até grande altitude, a massa da nuvem toma 
a aparência de uma couve-flor, enquanto se transforma em 
cumulus congestus e então em cumulonimbus, que produz 
tempestades. 
Família de 
Nuvens e altura 
Tipo de nuvem 
Características 
Nuvens altas 
(acima de 6000 
m) 
Cirrus( Ci) 
Nuvens finas, delicadas, 
fibrosas, formadas de 
cristais de gelo. 
Cirrocumulus 
(Cc) 
Nuvens finas, brancas, de 
cristais de gelo, na forma 
de ondas ou massas 
globulares em linhas. É a 
menos comum das 
nuvens altas. 
Cirrostratus(Cs) 
Camada fina de nuvens 
brancas de cristais de 
gelo que podem dar ao 
céu um aspecto leitoso. 
As vezes produz halos em 
torno do sol ou da Lua 
Nuvens médias 
(2000 - 6000 m) 
Altocumulus(Ac) 
Nuvens brancas a cinzas 
constituídas de glóbulos 
separados ou ondas. 
Altostratus(As) 
Camada uniforme branca 
ou cinza, que pode 
produzir precipitação 
muito leve. 
Nuvens baixas 
(abaixo de 2000 
m) 
Stratocumulus 
(Sc) 
Nuvens cinzas em rolos 
ou formas globulares, 
que formam uma 
camada. 
Stratus 
Camada baixa, uniforme, 
cinza, parecida com 
nevoeiro, mas não 
baseada sobre o 
solo.Pode produzir 
chuvisco. 
Nimbostratus 
(Ns) 
Camada amorfa de 
nuvens cinza escuro. 
Uma das mais associadas 
à precipitação. 
 
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Nuvens com 
desenvolvimento 
vertical 
Cumulus (Cu) 
Nuvens densas, com 
contornos salientes, 
ondulados e bases 
freqüentemente planas, 
com extensão vertical 
pequena ou moderada. 
Podem ocorrer 
isoladamente ou 
dispostas próximas umas 
das outras 
Cumulonimbus 
(Cb) 
Nuvens altas, algumas 
vezes espalhadas no 
topo de modo a formar 
uma "bigorna". 
Associadas com chuvas 
fortes, raios, granizo e 
tornados. 
Quadro 1 – Tipos de nuvens e suas características; adaptado de 
Grimm (1999) 
4.5.2 Nevoeiro 
Nevoeiro é uma suspensão de minúsculas gotículas de água ou 
cristais de gelo numa camada de ar próxima à superfície da 
Terra. 
Por convenção internacional, usa-se o termo nevoeiro quando a 
visibilidade horizontal no solo é inferior a 1 km; quando a 
visibilidade horizontal no solo é superior a 1 km, a suspensão é 
denominada neblina (Grimm, 1999). O nevoeiro é uma nuvem 
com base em contacto com o solo. O nevoeiro pode formar-se 
quando o ar torna-se saturado através de resfriamento 
radiativo, resfriamento advectivo, resfriamento por expansão 
(adiabático) ou por adição de vapor de água. 
Nevoeiro de radiação 
Resulta do resfriamento radiativo da superfície e do ar 
adjacente. Ocorre em noites de céu limpo, ventos fracos e 
humidade relativamente alta. Se a humidade relativa é alta, 
apenas um pequeno resfriamento abaixará a temperatura até o 
ponto de orvalho e uma nuvem se formará. O ar resfriado por 
radiação tende a escoar para áreas mais baixas. Como resultado, 
o nevoeiro de radiação é mais espesso em vales, enquanto as 
elevações em volta estão claras. Normalmente estes nevoeiros 
se dissipam em 1 a 3 horas após o nascer do sol. O Sol aquece a 
Terra que, por sua vez, aquece inicialmente o ar superficial e o 
nevoeiro evapora-se a partir da base. 
 
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109 
 
No inverno, quando a radiação solar mais fraca é reflectida mais 
facilmente pelo topo da camada de nevoeiro, ele pode ser mais 
persistente. 
Nevoeiro de advecção 
Ocorre quando ar quente e húmida passa sobre uma superfície 
fria, resfriando-se por contacto e também por mistura com o ar 
frio que estava sobre a superfície fria, até atingir a saturação. 
Diferentemente dos nevoeiros de radiação, nevoeiros de 
advecção são frequentemente profundos (300-600 m) e 
persistentes. 
Nevoeiro orográfico 
É criado quando ar húmido sobe terreno inclinado, como 
encostas de colinas ou montanhas. Devido ao movimento 
ascendente, o ar se expande e resfria adiabaticamente. 
Se o ponto de orvalho é atingido, pode-se formar uma extensa 
camada de nevoeiro. 
Nevoeiro de vapor 
Forma-se quando o ar frio se move sobre água mais quente, é 
aquecido por baixo, é instabilizado, sobe, e o vapor de água 
encontra o ar mais frio, condensando-se e subindo com o ar que 
está sendo aquecido por baixo. O nevoeiro então aparece como 
correntes ascendentes que lembram fumaça ou vapor. Ocorre 
frequentemente sobre lagos e rios no início do inverno, quando 
a água pode ainda estar relativamente quente. 
Nevoeiro frontal ou de precipitação 
A saturação por adição de vapor pode ocorrer também por 
evaporação de chuva em ar frio próximo ao ponto de orvalho. 
Sumário 
Nesta Unidade temática 4.5 falamos da nebulosidade, do 
processo de formação de nuvens, da classificação das nuvens de 
acordo com a altitude e com a aparência.Falamos igualmente de 
nevoeiro e seus tipos. 
Exercícios de Auto - avaliação 
1. O que e uma nuvem? 
 
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2. Quais são as duas condições principais para a formação de uma 
nuvem? 
3. O que são núcleos de condensação 
4. Qual e o processo de saturação mais importante na formação de 
uma nuvem? 
5. Classifique as nuvens quanto a aparência e a altitude. 
6. Indique os tipos de céus de acordo com a cobertura de nuvens 
7. O que e nevoeiro? 
8. Indique os tipos de nevoeiro que conhece 
9. O que e neblina? 
10. Defina nevoeiro de radiação e de advecção 
11. Explique porque as nuvens cumulus tendem a evaporar-se 
quando se aproxima o pôr-do-sol. 
 
Exercicios de Avaliacao 
1. As nuvens altas são finas em comparação com as nuvens 
médias e baixas porque: 
a) A pressão aumenta com a altitude 
b) A temperatura e o vapor de água diminuem com a altitude 
c) A temperatura e o vapor de água aumentam com a altitude 
d) O nevoeiro aumenta com a altitude 
e) O clima aumenta com a altitude 
 
2. O que e que as nuvens em camadas indicam a respeito da 
estabilidade do ar? 
a) que o ar esta estável 
b) que o ar esta instável 
c) que vai haver nevoeiro 
d) que vai chover 
e) que vai haver saturação 
 
3. O que as nuvens com desenvolvimento vertical indicam a 
respeito da estabilidade do ar? 
a) que o ar esta estável 
b) que o ar esta instável 
c) que vai haver nevoeiro 
d) que vai chover 
e) que vai haver saturação 
 
4. Das frases abaixo qual é a que não se enquadra nas 
características do nevoeiro 
a)O nevoeiro é uma nuvem com base em contacto com o solo. 
b) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado 
através de resfriamento radiativo 
 
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111 
 
c) O nevoeiro pode formar-se quando o céu esta limpo 
d) O nevoeiro pode formar-se quando as nuvens se dissipam 
e) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado por 
resfriamento adiabático 
f) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado por 
adição de vapor de água 
Unidade Temática 4.6 - Precipitação 
Introdução 
A água condensada na atmosfera volta para a superfície 
terrestre através da precipitação que é o resultado de um 
estado avançado de condensação. Ela ocorre quando a força 
gravitacional supera a força que mantém a humidade suspensa 
e esta atinge o solo sob a forma líquida (chuva ou chuvisco) ou 
sólida (granizo, saraiva e neve). 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: precipitação 
 Explicar: como se forma a precipitação 
 Conhecer: as formas de precipitação 
 Explicar: como se formam os diferentes tipos de chuva 
 Caracterizar:os diferentes tipos de chuva 
 Conhecer:o ciclo hidrológico 
 Explicar:a distribuição latitudinal e sazonal da precipitação 
 
 
 
 
 
 
 
 
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112 
 
4.6.1 O Ciclo Hidrológico 
A água é sem dúvidas, um dos principais, senão o mais 
importante elemento natural da manutenção da vida no 
Planeta. Inicialmente, torna-se necessário destacar o ciclo 
hidrológico que de forma geral, pode-se dizer, tem origem na 
evaporação das águas, com posterior formação de nuvens 
(condensação) e finalmente, a precipitação quando novamente 
o ciclo tem início. Este ciclo e que garante o balanço hídrico do 
planeta. 
Figura 1 – Esquema do ciclo hidrológico 
O Ciclo Hidrológico 
I – Evaporação: A evaporação ou vaporização é a passagem da 
água do estado líquido para o de vapor. Aqui se inclui a 
evapotranspiração, ou seja, a evaporação, por transpiração, das 
águas presentes nos seres vivos (animais e vegetais). Para haver 
evaporação, dois agentes são fundamentais: água para ser 
evaporada e temperatura (calor) para promover a passagem da 
água do estado líquido para o gasoso. 
2 – Condensação: A condensação é o processo pelo qual o vapor 
de água contido no ar atmosférico é novamente transformado 
em água líquida. O início do processo de condensação é 
visualizado pela formação de uma nuvem no céu. A 
condensação do vapor de água no interior de uma massa de ar 
tem início quando esta atinge a saturação. Na verdade, a 
saturação acarreta uma diminuição da capacidade de retenção 
de vapor de água. 
 
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113 
 
A nuvem é formada por microgotículas de água e/ou 
microcristais de gelo. Embora todas as nuvens contenham água, 
nem todas produzem precipitação. As gotículas de nuvem são 
minúsculas. Primeiro, devido ao pequeno tamanho, sua 
velocidade de queda seria tão pequena, de modo que, mesmo 
na ausência de correntes ascendentes, ela se evaporaria poucos 
metros abaixo da base da nuvem. Segundo, as nuvens consistem 
de muitas destas gotículas, todas competindo pela água 
disponível; assim, seu crescimento via condensação é pequeno. 
Portanto, as gotículas de nuvem precisam crescer o suficiente 
para vencer as correntes ascendentes nas nuvens e sobreviver 
como gotas ou flocos de neve a uma descida até a superfície sem 
se evaporar. Para isso, seria necessário juntar em torno de um 
milhão de gotículas de nuvem numa gota de chuva. Dois 
importantes mecanismos foram identificados para explicar a 
formação de gotas de chuva: 
O processo de Bergeron – aplica-se a nuvens frias, que estão em 
temperaturas abaixo de 0° C onde o crescimento processa-se 
pela junção de gelo com gelo ao que se chama agregação e gelo 
com água ao que se chama acreção. Na agregação os cristais de 
gelo colidem e se colam uns aos outros, processo 
particularmente eficiente a baixas temperaturas, sendo o 
principal processo explicativo para a neve e as chuvas 
extratropicais. A acreção é o processo fundamental por que se 
formam os grãos de saraiva: um embrião de gelo que capta 
gotículas de água que gelam ao chocarem com ele. O processo 
de Bergeron e o principio aplicado quando se faz o cultivo de 
nuvens. 
O processo de colisão – coalescência, processo em que “gotas 
maiores, caindo pelas gotinhas que se formam mais lentamente, 
colidem com elas e, por assim funciona nas regiões tropicais 
para a precipitação das nuvens onde não há gelo. (Atkinson e 
Gadd; 1986; P. 89). 
3 – Precipitação: é o processo pelo qual a água condensada na 
atmosfera atinge a superfície terrestre, sob a forma líquida 
(chuva ou chuvisco) ou sólida (granizo, saraiva ou neve). Estas 
são as diferentes formas de precipitação: 
Chuva – é a precipitação de partículas de água líquida sob a 
forma de gotas com diâmetro mínimo de 0,5 mm e velocidade 
de queda de 3m.s -1 (Soares e Baptista, 2004) como citado em 
Torres e Machado (2008; P. 54) 
De acordo com Tubelis e Nascimento (1984), a chuva inicia-se 
quando é atingido o nível de condensação, e se prolonga até o 
 
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114 
 
nível em que a temperatura do ar torna-se igual a -12ºC. Neste 
estágio, a nuvem é caracterizada por vapor de água e gotículas 
de água líquida, e se resfria na ascensão segundo o gradiente 
adiabático húmido que se estabelece. A precipitação que se 
forma, a partir de nuvens até este estágio é sempre pluvial. As 
gotículas da nuvem, entre as temperaturas de 0ºC e -12ºC não 
se solidificam e por esta razão são denominadas gotículas de 
água super - resfriadas, ou seja, a água é resfriada a uma 
temperatura inferior a seu ponto de congelamento (0ºC à 
pressão normal) e permanece, todavia, no estado líquido, em 
função, basicamente, das condições atmosféricas diferenciadas 
em altitude, onde se destaca, principalmente, a menor pressão 
atmosférica. 
Chuvisco – precipitação de gotas de água muito pequenas, com 
diâmetros inferiores á 0,5mm dispersas uniformemente, 
parecendo flutuar no ar acompanhando o movimento da brisa. 
O chuvisco cai de nuvens Estratus (Soares e Baptista, 2004). 
Convém ressaltar que o chuvisco é a precipitação líquida inferior 
a 1 mm/hora (Retallack, 1977). 
Granizo – precipitação de grãos redondos ou cônicos de gelo 
(Soares e Baptista, 2004). Quando a solidificação é muito rápida, 
ou seja, quando ocorre a Sublimação (passagem do estado 
gasoso diretamente para o estado sólido), ou quando se produz 
em um meio contendo pequenas gotas super-resfriadas, como 
resultado de um resfriamento muito rápido as temperaturas 
entre -12ºC e -40ºC, o gelo se forma em massas amorfas ou 
apresenta pequenos traços de cristalização, precipitando em 
forma de granizo. (Torres &Machado (2008; P. 57) 
Saraiva – precipitação de pedras de gelo mais ou menos ovais, 
com diâmetros entre 0 e 50 mm ou mais, e que caem ora 
separados uns dos outros, ora aglomerados em blocos 
irregulares. “Os grânulos de saraiva ocorrem quando se formam 
gotas de chuva em Cumulunimbus, porque podem ser 
arrastadas para cima e ultrapassar o nível de congelação por 
várias vezes. Adquirem assim camadas sucessivas de gelo até 
que o peso adquirido as faça finalmente cair. (Torres &Machado 
2008; P. 57) 
Outra forma de Saraiva forma-se quando a temperatura da 
nuvem de que provém está acima de 0ºC, enquanto as camadas 
inferiores de ar se acham ainda abaixo do ponto de 
congelamento. Resulta daí, que o pingo da chuva congela-se na 
queda, alcançando o solo na forma de saraiva. 
Neve – se a condensação (sublimação) se dá à temperaturas 
muito baixas (em torno ou abaixo de -40ºC) e de forma lenta e 
progressiva,o vapor de água também 
 
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115 
 
passa diretamente para o estado sólido, e aqui o gelo toma 
formas cristalinas mais ou menos regulares, simples ou 
complexas que constituem a neve. 
Observa-se que a precipitação de neve demanda mesmo junto 
à superfície, temperaturas bastante baixas (0ºC ou menor) e por 
isso este tipo de precipitação é mais comum em áreas de altas 
latitudes e altas montanhas. Caso contrário se a temperatura 
entre o nível das nuvens e o solo estiver suficientemente 
elevada, a neve derreterá na sua queda e será transformada em 
chuva. 
4.6.2 Tipos precipitação quanto a origem 
A precipitação pode ser classificada em 3 tipos principais, de 
acordo com sua gênese: precipitação do tipo Convectivo ou de 
Convecção, Frontal ou Ciclónico e Orográfico ou de Relevo. 
1 – Precipitação Convectiva: as nuvens de convecção (grandes 
Cúmulos ou Cumulonimbus) são formadas a partir da ascensão 
vertical de uma massa de ar húmido, comum em regiões 
quentes e húmidos, originando chuvas pesadas e intensas, 
embora de duração mais curta. Nas regiões equatoriais, onde 
ocorrem baixas pressões e a evaporação é constante e intensa, 
devido às elevadas temperaturas, ocorrem, comumente, chuvas 
de convecção, (as vezes acompanhados por granizo) também 
provocadas pela ação dos ventos alísios. Estas chuvas são 
comuns no verão, quando, depois de atingida a temperatura 
máxima do dia, com o decréscimo da mesma no final da tarde 
ou início da noite caem fortes aguaceiros, em geral de curta 
duração, acompanhados de raios, relâmpagos e trovões. 
 
2 – Precipitação frontal: este tipo, também chamado precipitação 
ciclónica, está associado à instabilidade causada pelo encontro de 
duas massas de ar de características térmicas diferentes (uma 
Figura 1 – Esquematizacao de chuvas convectivas 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
116 
 
massa de ar quente e outra de ar frio). É uma precipitação 
moderadamente intensa, contínua e que afecta áreas bastante 
extensas. São comuns nas áreas de médias latitudes, onde 
ocorrem, normalmente (principalmente no período do inverno) o 
encontro de massas de ar de características opostas. 
 
 
3 – Precipitação Orográfica: a precipitação orográfica 
(orogênicas ou de relevo) ocorre devido à ascensão forçada de 
ventos húmidos ante um obstáculo do relevo. O ar, obrigado a 
se elevar para transpor o obstáculo, resfria-se (coma altitude), 
podendo saturar-se. As vertentes do obstáculo voltadas para o 
vento ficam cobertas de nuvens das quais cai a precipitação. Do 
outro lado do obstáculo, o ar descendente é seco e, em geral, 
frio, com suas características iniciais modificadas. 
 
Figura 3 - esquematização de chuvas orográficas 
4.6.2 Distribuição mundial da precipitação 
Por causa do mecanismo de formação da precipitação- 
arrefecimento adiabático das massas de ar em ascensão – as 
precipitações são mais elevadas nas áreas de ascensão das 
massas de ar da região equatorial, nas perturbações 
Figura 2 – Esquematizacao de chuvas frontais 
 
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117 
 
atmosféricas das latitudes médias e áreas a barlavento das 
cadeias montanhosas. Assim para Ayoade (1996; P. 164): 
1 A precipitação e abundante na zona equatorial e moderada nas 
latitudes médias. 
2 As zonas subtropicais e áreas circunvizinhas aos pólos são 
relativamente secas 
3 Nos subtópicos a zona litorânea ocidental tende a ser seca 
enquanto que a zona litorânea oriental tende a ser húmida. 
4 Nas altas latitudes as costas ocidentais são em geral mais 
húmidas que as costas orientais 
5 A precipitação e abundante nas vertentes a barlavento das 
montanhas e esparsa a sotavento 
6 As áreas próximas aos grandes corpos hídricos registam mais 
precipitação que o interior dos continentes distante da fonte de 
suprimento de humidade, com excepção para a zona equatorial 
onde os valores de precipitação são praticamente iguais entre o 
oceano e a terra. 
Em geral, “verifica-se que a quantidade de precipitação, diminui 
do Equador para os Pólos em ambos hemisférios, alcançado 
mínimos secundários nas regiões de altas pressões subtropicais, 
votando a aumentar em direcção aos pólos ate alcançar um 
máximo secundário nas latitudes entre 40° e 50°N/S, zona de 
convergência das latitudes medias (a depressão subpolar). A 
partir daqui – 50 – 55°N/S a precipitação diminui ate alcançar os 
mínimos polares nas latitudes de 75° N/S. 
4.6.3 Variação sazonal da precipitação 
A distribuição sazonal da precipitação também é elemento 
importante do tempo atmosférico e do clima nas latitudes 
médias e altas. Enquanto nos trópicos a precipitação pluvial é 
efectiva para o crescimento da planta, qualquer que seja a 
época do ano em que ocorra, nas latitudes médias somente a 
precipitação que cai durante a estação isenta de congelamento 
pode ser efectiva. 
A precipitação no inverno ocorre principalmente na forma de 
neve, que não pode ser utilizada pelas plantas até que venha a 
se derreter. Além disso, nessa época as temperaturas 
frequentemente são muito baixas para que haja o crescimento 
das mesmas. 
A precipitação tende a ser mais sazonal em sua incidência nos 
trópicos, em comparação com as áreas extratropicais. A marcha 
sazonal da precipitação nas latitudes baixas é controlada 
principalmente pela migração norte - sul do cinturão de ventos 
que, juntamente com suas zonas associadas de convergência e 
divergência, segue o curso do Sol. Nas latitudes médias os 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
118 
 
continentes e os oceanos exercem considerável influência sobre 
o padrão de distribuição da precipitação. Finalmente, as áreas 
oceânicas não somente recebem mais precipitação durante o 
ano do que as áreas continentais, como também a precipitação 
é menos sazonal em sua incidência. (Torres & Machado, 2008; 
P. 57) 
Figura 4 – Distribuição latitudinal da precipitação 
Fonte: Ayoade (1996, P. 168) 
 
Para Ayoade (2003) a ênfase no diagrama da figura 4 está na 
migração norte - sul das zonas de convergência e de divergência. 
As variações sazonais na precipitação, que surgem de factores 
não sazonais, como a distribuição dos continentes e dos 
oceanos, a disposição das terras altas e das variações 
longitudinais na circulação atmosférica, não são consideradas. 
(Torres & Machado, 2008; P. 58) 
Em geral, podem-se reconhecer, ainda de acordo com Ayoade 
(1996 Pag; 169), os seguintes regimes principais de precipitação 
pluvial, isto é, padrões de precipitação pluvial sazonal: 
 
1. Precipitação pluvial equatorial - a precipitação pluvial é 
abundante, ocorre durante todo o ano e é amplamente 
convectiva quanto à origem; 
 
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2. Precipitação pluvial de savana - a precipitação pluvial é 
amplamente convectiva e ocorre durante o verão; 
3. Precipitação pluvial de deserto tropical - a precipitação é baixa 
em todas as estações; 
4. Precipitação pluvial mediterrânea - a precipitação é 
principalmente ciclónica (isto é, frontal) e ocorre no inverno. O 
verão é seco; 
5. Precipitação do oeste europeu - a precipitação é abundante, 
com mais chuvas no inverno do que no verão. A precipitação é 
principalmente ciclónica quanto à origem; 
6. Precipitação pluvial continental - a chuva cai principalmente 
no verão; 
7. Precipitação pluvial costeira de leste - a precipitação pluvial é 
elevada, provinda de ventos marítimos em baixas latitudes; nas 
latitudes médias a precipitação é derivada a partir de massa de 
ar húmida e moderadamente quente que se dirige para o 
interior no verão, e de tormentas ciclónicas no inverno; 
8. Precipitação pluvial polar - a precipitação é baixa com a 
precipitaçãomáxima ocorrendo no verão, quando há mais 
humidade no ar e a influência ciclónica pode alcançar a área 
circunvizinha aos pólos. 
4.6.4 Variação Diúrna da Precipitação 
O regime diurno da precipitação é de grande influencia para as 
actividades diárias do homem por afectar, por exemplo, o sector 
dos transportes e comunicações como o trafego aéreo e a 
transitabilidade de estradas não pavimentadas, etc. A variação 
diurna da precipitação e mais regular nos trópicos que nas 
latitudes medias. Na variação diurna é necessário destacar dois 
tipos de regime: 
O tipo continental, que ocorre sobre as grandes massas de terra 
- a precipitação e do tipo pluvial convectivo que atinge o seu 
Maximo no final da manha ou a tarde . 
O tipo marítimo ou litorâneo, que ocorre sobre o oceano, áreas 
costeiras ou nas proximidades de grandes lagos – o máximo de 
precipitação ocorre a noite ou as primeiras horas da manha 
quando ao ar marítimo e instável. 
Sumário 
Nesta unidade 4.6 falamos da precipitação, sua origem, as 
formas de precipitação, sua distribuição global, variação sazonal 
e diurna. Falamos igualmente dos tipos de precipitação de 
acordo com a sua origem. 
 
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Exercícios de Auto-avaliação 
1. O que e a precipitação? 
2. Quais são as formas de precipitação que conhece? 
3. Indique os tipos de precipitação quanto a sua origem 
4. O que são precipitações convectivas? 
5. O que são precipitações orográficas? 
6. O que são precipitações frontais? 
Exercícios 
1. Dos fenômenos listados abaixo indique os que não corresponde 
a precipitação 
a) Neve 
b) Geada 
c) Granizo 
d) Chuva 
e) Nevoeiro 
f) Neblina 
 
2. Relacione os tipos de precipitação em a), b) c) com as frases 1, 2, 3. 
a) orográfica 
b) convectiva 
c) frontal 
( ) o encontro com barreiras de montanhas provocam precipitação nas 
encostas. 
( ) provocada pelo encontro de uma massa de ar quente com uma 
massa fria. 
( ) provocada pela intensa evapo-transpiração principalmente em 
regiões tropicais. 
 
Exercícios 
1. Como se processa o balanço hídrico da terra? 
2. Relacione o padrão de distribuição da precipitação com a CGA 
 
 
 
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Bibliografia 
 
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122 
 
TEMA V – Factores do Clima 
Unidade Tematica 5.1 – Factores do Clima 
Unidade Tematica 5.2 – Eventos especiais 
 
Introdução 
Os factores climáticos são as condições que determinam ou 
interferem nos elementos climáticos e os climas deles 
resultantes. São eles que ajudam a explicar o porquê de uma 
região ser quente e húmida e outra ser fria e seca, por exemplo. 
Neste capítulo falaremos dos principais factores climáticos, 
nomeadamente, latitude, altitude, maritimidade e 
continentalidade, vegetação, correntes marítimas relevo, ate a 
actividade antropogénica. Serão também tratados alguns 
fenômenos a que chamaremos eventos especiais que tem um 
papel muito importante na formação do tempo e do clima. 
 
Ao completar este Tema, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir: factores climáticos 
 Explicar: como cada factor influencia os elementos climáticos 
 Conhecer: os factores climáticos 
 Descrever:alguns eventos especiais produtores do tempo e do clima 
 
5.1.1 Latitude 
Como já observado anteriormente, existe uma correlação entre 
a variação da latitude e a modificação geral dos valores da 
temperatura, da pressão atmosférica (e consequentemente do 
processo de formação dos ventos),e ainda a radiação solar, uma 
vez que, sua perpendicularidade só se dá na zona intertropical, 
incidindo tanto mais obliquamente quanto maior fora 
proximidade dos pólos. Em consequência isso, os climas terão 
seus valores térmicos na razão inversa da latitude. Quanto à 
precipitação, há um máximo principal no Equador (Figura 5.1) e 
dois secundários na altura das latitudes médias, ambos 
 
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123 
 
coincidindo com áreas de baixa pressão; dois mínimos nas 
latitudes em torno dos 30º e nos pólos Norte e Sul, 
correspondendo ás zonas de alta pressão. 
 
Figura 1 – Variação de alguns elementos climáticos com a 
latitude 
Fonte: Torres e Machado (2008; P. 74) 
5.1.2 Altitude 
Existe uma relação entre a variação altimétrica e os elementos 
climáticos como temperatura e pressão. A pressão avaria no 
sentido inverso da altitude. 
A altitude modifica os valores de temperatura, e esta é um forte 
determinante da localização e distribuição de espécies vegetais. 
Pode-se entender que a variação altimétrica da vegetação, que 
em linhas gerais, se dá quase da mesma forma que a variação 
latitudinal. (Torres &Machado 2008; P. 76) 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
124 
 
 
Figura 2 - Variação altimétrica e latitudinal das espécies vegetais 
A figura tenta representar esta variação altimétrica e latitudinal 
das espécies vegetais. Observa-se que a distribuição altimétrica 
é, em geral, a mesma encontrada quando se observa a variação 
latitudinal das espécies vegetais, numa situação de distribuição 
uniforme dos continentes e oceanos. 
5.1.3 Continentalidade e Maritimidade 
A diferença de calor específico entre a superfície terrestre e as 
massas de água merece um destaque como factor climático. Os 
continentes aquece e arrefece mais rapidamente que as 
superfícies aquáticas, sendo que estas superfícies hídricas 
possuem a propriedade de “misturar” o calor recebido a 
maiores profundidades, ao contrário do solo, de forma geral, 
muito mais opaco. Isso gera, direta e/ou indiretamente, 
inversões dos centros de alta e baixa pressões, alterando, por 
consequência, a direção dos ventos, como pode ser observado 
nos casos das brisas marítimas e terrestres.Assim, o efeito da Maritimidade atenua as diferenças térmicas, 
homogeneizando as temperaturas costeiras. Já o efeito da 
Continentalidade, é inverso, ou seja, nas áreas do interior, mais 
afastadas da costa, as amplitudes térmicas diárias, sazonais e 
anuais tendem a ser maiores. 
Como citado por Molion (1988), “a Terra é formada por cerca de 
70% de oceanos e 30% de continentes, sendo que o Hemisfério 
Norte possui 60% de oceanos e 40% de continentes e o 
Hemisfério Sul 80% e 20%respectivamente”. 
 
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125 
 
(Torres &Machado; 2008 P. 77) 
Essa desigual repartição entre as terras e os mares nos dois 
hemisférios, torna os invernos mais longos e rígidos e verões 
mais curtos e quentes no Hemisfério Norte por causa da maior 
continentalidade. Situação contrária ocorre no Hemisfério Sul 
como consequência da maior influência da Maritimidade.
 
Figura 3 - Influencia da continentalidade e maritimidade sobre 
clima 
5.1.4 Vegetação 
Nas palavras de Sadourny (1994), “entre o clima e a vegetação 
existe uma estreita Simbiose”. O clima exerce influência 
marcante e decisiva na vida vegetal, sobretudo através de seus 
elementos: humidade, precipitação, temperatura, radiação 
solar, insolação e ventos. (Torres &Machado,2008; P. 79) 
Por seu turno, a vegetação age poderosamente sobre o clima. 
Tem-se assim que a densa vegetação das áreas intertropicais, 
por exemplo, com sua enorme evapotranspiração, aumenta a 
humidade do ar, facilitando a produção de chuvas. As matas 
influem na temperatura, especialmente nas máximas, que são 
mais moderadas em função da sombra que proporcionam, do 
calor que absorvem e da evaporação da água que transpiram. A 
vegetação tem influência sobre a velocidade dos ventos. (Torres 
&Machado,2008; P. 78) 
5.1.5 Solos 
O aspecto mais importante do solo como factor climático é o seu 
albedo. De acordo com Miller (1982) a formação geológica e a 
resultante natureza do solo figuram também entre os factores 
que determinam o clima. As superfícies de cores escuras 
absorvem os raios solares mais do que as claras estando, em 
geral, mais quentes durante o dia, 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
126 
 
aquecendo o ar sobre elas. Os terrenos secos, tais como as 
areias, têm um calor específico baixo e variam rapidamente de 
temperatura, ao contrário dos húmidos, como os argilosos, que 
retém a humidade e tendem a conservar o calor e o frio. 
Nota-se assim, que a radiação que chega à superfície da Terra 
sofre diversas influências. Pode ser reflectida em sua totalidade 
ou quase inteiramente absorvida. Essas influências dependem 
em muito da natureza da superfície que recebe radiação. (Torres 
& Machado,2008; P. 79) 
5.1.6 Disposição do Relevo 
Os acidentes do relevo desempenham um importante papel nos 
climas e nos tipos de tempo. A orientação das linhas do relevo 
contribui eficazmente para determinar, por exemplo, a direção 
dos ventos. Além disso, a altitude, como já dito, é um 
importante fator que influencia as temperaturas, a pressão 
atmosférica e as precipitações. 
A influência das elevações do relevo dependerá, em muito, de 
sua disposição e orientação geral, norte/sul (como os Andes) ou 
leste/oeste (como o Himalaia). Tubelis e Nascimento (1984) 
chamam a atenção a este respeito, correlacionando disposição 
do relevo, radiação solar e vegetação: superfícies com 
orientações e inclinações diferentes recebem quantidades 
diferentes de radiação solar global em comparação com uma 
superfície horizontal, em uma mesma localidade e época do 
ano. A importância desse facto é que a produção de matéria 
vegetal é condicionada pela disponibilidade de energia solar. 
(Torres & Machado,2008; P. 79) 
Ross (1995) diz que os maciços montanhosos apresentam uma 
variedade de microclimas graças a diferentes exposições das 
vertentes à incidência dos raios solares e os ventos dominantes. 
“As características paisagísticas refletem esses contrastes. As 
que recebem os ventos húmidos (barlavento) são chuvosas e 
recobertas por florestas exuberantes, “ao contrário das que se 
encontram em situação inversa (vertentes a sotavento) são mais 
secas e apresentam cobertura. (Torres &Machado,2008; Pag. 
79) 
 
 
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127 
 
 
Figura 4 - Esquema da influência da exposição do relevo sobre o 
clima 
5.1.7 Intervenção Humana 
O impacto do Homem no clima faz-se sentir através de suas 
várias actividades, podendo ter influência local, regional e até 
mesmo global sobre as condições climáticas, ou seja, influências 
sobre o microclima, o mesoclima ou sobre o clima. 
O Homem pode influenciar o clima deliberadamente ou 
inadvertidamente. Um dos maiores impactos antrópicos sobre o 
clima, são as cidades, ou seja, o meio urbano. O Homem tem 
exercido um impacto tão grande nestas áreas, que o clima 
urbano é totalmente distinto, em suas características, do clima 
das áreas rurais circundantes. 
De acordo com Mota (1981), o processo de urbanização pode 
causar alterações sensíveis no ciclo da água, como aumento da 
precipitação; diminuição da evapotranspiração, como 
consequência da redução da vegetação; aumento do 
escoamento superficial; diminuição da infiltração da água, 
devido à impermeabilização do solo; mudanças no nível freático, 
podendo haver redução ou esgotamento da mesmo; maior 
erosão do solo e consequente assoreamento dos corpos 
hídricos; aumento da ocorrência de enchentes; poluição das 
águas superficiais e subterrâneas. (Torres &Machado,2008; P. 
81) 
A velocidade dos ventos é menor nas cidades, em consequência 
das barreiras (edificações). As calmarias são também mais 
frequentes nas áreas urbanas (TORRES, 2003). Devido aos 
“corredores urbanos” formados por 
 
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128 
 
ruas e avenidas, pode ocorrer, no entanto, que quando a 
velocidade dos ventos em toda área for muito baixa, nas cidades 
ela poderá ser maior. (Torres &Machado,2008; P. 81) 
Nas cidades observa-se maior precipitação pluvial do que nos 
campos e áreas periféricas, pois as actividades humanas nesse 
meio produzem maior número de núcleos de condensação 
(poluentes). Soma-se a isso, o facto de as temperaturas serem 
maiores nas cidades: 
“As temperaturas mais elevadas nos centros das cidades 
desempenham as funções de um centro de baixa pressão que 
atrai o ar circundante. Este ar, pelo processo de convecção 
alcança grande altitude, atinge o ponto de orvalho e provoca 
precipitação” (TROPPMAIR, 2004) como citado em (Torres & 
Machado, 2008; P. 79) 
Corroborando, Torres (2003) diz que: as alterações ambientais 
causadas por processos antrópicos tendem a produzir 
modificações em alguns elementos climáticos, originando 
fenômenos como o da “Ilha de Calor”, responsáveis por 
temperaturas mais elevadas na área central da cidade, além de 
pluviosidades quantitativamente maiores nas áreas 
urbanizadas. (Torres &Machado,2008; Pag. 79) 
A visibilidade nas cidades, em geral, é menor que no campo. 
Normalmente, há nas cidades mais partículas de pó em 
suspensão na atmosfera, resultando em mais neblina e 
nevoeiros (TORRES, 2003) como citado em (Torres & Machado, 
2008; P. 81) 
O desmatamento e/ou a retirada da vegetação para a prática de 
actividades também pode provocar várias alterações climáticas, 
pois a vegetação é responsável pela regularidade das 
temperaturas, da humidade e da evaporação, contribuindo 
ainda para uma maior ventilação. 
5.1.8 Correntes marítimas 
De acordo com Miller (1982) muitos aspectos dos climas 
marítimos e continentais não podem ser explicados 
adequadamente pelos contrastes entre terra e mar, geralmente 
se devem às correntes oceânicas. (Torres & Machado, 2008; P. 
84) 
Assim como os ventos, elas influenciam na temperaturado ar, 
pois pode transportar ou transmitir “calor” ou “frio” de uma 
área para outra, dependendo de suas características e das 
características térmicas junto às áreas onde influenciam. Por 
exemplo, áreas costeiras banhadas por correntes frias têm 
temperaturas mais baixas do que outras situadas na mesma 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
129 
 
latitude, mas que não são afectadas por elas. Em linhas gerais, 
no globo, tem-se um vasto movimento de leste para oeste na 
zona equatorial compensado por um movimento no sentido 
inverso na zona temperada, completando a circulação por um 
movimento em direção ao Pólo nas bordas orientais dos 
continentes e outro em direção ao Equador, ao longo das costas 
ocidentais dos continentes. O resultado, nas baixas latitudes, é 
um aquecimento das costas orientais dos continentes e um 
resfriamento das costas ocidentais. (MILLER, 1982) como citado 
em (Torres & Machado, 2008; P. 84) 
As causas principais das correntes marítimas, de acordo com 
Leinz e Amaral (1970), são agrupadas em duas categorias: as 
intrínsecas à água do mar e as extrínsecas. As causas intrínsecas 
são representadas pela temperatura e salinidade, factores que 
alteram a densidade da água, tornando-a mais pesada ou mais 
leve. Por outro lado, a flutuação da própria salinidade é 
consequência de causas extrínsecas, como o vento e a chuva. 
(Torres & Machado, 2008; P. 84) 
 De acordo com Strahler (1982), nas áreas subtropicais de alta 
pressão, a maior evaporação da água promove um aumento 
relativo da salinidade tornando essa mais densa. Por outro lado, 
nas áreas de baixa pressão, como a equatorial, a maior 
precipitação promove um aumento relativo da quantidade de 
água em relação à de sal, tornando essa menos densa, 
produzindo o movimento superficial da água. “A salinidade da 
água do oceano guarda estreita relação com o quociente entre 
a evaporação e a chuva e varia de uma maneira sistemática com 
a latitude”. (Torres & Machado, 2008; P. 84) 
Quanto às causas extrínsecas, consideram-se os ventos, as 
diferenças depressão e a força das marés. Há ainda a considerar 
dois tipos de forças que modificam a direção das correntes. Uma 
é a Força de Coriolis, análoga ao vento, e outra é a exercida pelo 
atrito da água contra si mesma, ou contra as partes sólidas. 
As correntes marinhas são “imensos volumes de água que se 
acham em circulação, sendo que a conhecida corrente do Golfo 
que movimenta, em certos trechos muito mais água do que 
todos os rios do mundo reunidos” (LEINZ &AMARAL, 1970) 
como citado em (Torres & Machado, 2008; P. 85) 
 Ainda de acordo com os autores, a velocidade das correntes são 
pequenas, cerca de 5 cm/s, contudo quando se trata da citada 
Gulfstream, sua velocidade atinge 5km/h. A mesma é 
responsável pelo transporte de água quente para as altas 
latitudes, amenizando o clima do norte europeu ocidental. 
(Torres & Machado, 2008; P. 85) 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
130 
 
Segundo Ross (1995) as correntes quentes, que estimulam a 
evaporação e a condensação, produzem climas chuvosos, ao 
passo que as frias estabilizam o ar, sendo responsáveis por áreas 
mais secas. Estas diferenças na quantidade de água no sistema 
vão promover diferenças também na vegetação, onde com 
maior quantidade de água, mais favorável o aparecimento de 
áreas com maior biodiversidade, e menor quantidade de água, 
menor biodiversidade. (Torres & Machado, 2008; P. 85). As 
correntes frias de Humboldt, de Benguela, da Califórnia 
costumam ser apontadas como estando na origem dos desertos 
de Patagónia e Atacama, do Kalahari, da Califórnia 
respectivamente. 
 
Figura 5 - Disposição das correntes oceânicas 
 
Sumário 
Nesta unidade temática 5.1 falamos dos factores do clima e sua 
forma de influenciar os elementos climáticos 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
131 
 
UNIDADE Temática 5.2. Fenómenos Atmosféricos 
produtores do tempo 
Introdução 
Em capítulos anteriores falamos de uma serie de sistemas 
produtores do tempo e do clima. Nesta unidade falaremos de 
alguns fenômenos atmosféricos produtores de tempo como 
“eventos especiais” tanto pelas suas características como pela 
sua localização e freqüência. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: Alguns eventos especiais que actuam na produção do 
tempo ao longo do globo terrestre 
 Caracterizar: o tempo associado a cada um desses fenômenos 
meteorológicos 
 
5.2.1 Efeito de estufa 
Como didacticamente explicado por Branco (1988), um tipo de 
impacto ambiental de longo alcance é o Efeito Estufa, 
comparando-o com as estufas empregadas nos países de clima 
frio para proteger as plantas do rigor do inverno. (Torres & 
Machado, 2008; P. 186). 
Tais estufas possuem paredes e teto de vidro, e o seu 
aquecimento se dá devido a uma propriedade interessante do 
próprio vidro, que embora transparente, é um completo 
isolante térmico: ele deixa que as radiações do sol passem para 
dentro da estufa, mas não deixa que o calor saia do seu interior. 
Dessa forma, o calor acumula-se, mantendo o interior da estufa 
cada vez mais quente. Esta propriedade é conhecida dos 
jardineiros desde o século XV, permitindo que se cultivem 
plantas tropicais em climas frios como os da Europa. 
De acordo com Salgado-Labouriau (1994), as nuvens do céu 
agem como o vidro da estufa e fazem com que a temperatura 
na parte baixa da atmosfera aumente. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
132 
 
Sem as mesmas nuvens o calor escapa, diminuindo a 
temperatura. Por isso, durante o inverno, as noites estreladas 
são mais frias, pois a superfície perde calor pela falta das nuvens. 
(Torres & Machado, 2008; P. 186). 
A atmosfera é praticamente transparente às radiações solares 
de ondas curtas, mas absorve as radiações infravermelhas 
emitidas pela superfície terrestre. Os principais absorventes 
desta energia na atmosfera são o vapor de água, o dióxido de 
carbono e as nuvens. Somente cerca de 6% do infravermelho 
irradiado pela superfície escapa para o espaço. O resto é 
absorvido pela atmosfera e re-irradiado pela mesma. 
Ainda de acordo com a autora, o efeito estufa é fundamental 
para a manutenção da vida na Terra. Mede-se este efeito com a 
comparação entre a temperatura na superfície e a temperatura 
irradiada. A temperatura média global da Terra é hoje de +15ºC 
mas a temperatura efectiva de radiação é hoje de -18ºC. 
Portanto, o efeito-estufa da atmosfera causa um aquecimento 
de cerca de 33ºC (Torres & Machado, 2008; P. 186). 
Quando o CO2 aumenta, a absorção de infravermelho aumenta 
elevando a temperatura, esta por sua vez aumenta a 
evaporação da água, elevando a quantidade de vapor de água. 
Com isso tem-se um aumento da nebulosidade favorecendo 
ainda mais o efeito estufa resultando numa “bola-de-neve” que 
incrementará mais a temperatura média global. 
 
Figura 1 - Efeito de estufa 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
133 
 
5.2.2 Inversão Térmica 
O fenômeno da Inversão Térmica ocorre quando uma camada 
de ar quente fica sobreposta a uma camada menos quente (mais 
fria), o que impede a mistura da atmosfera em ascensão vertical. 
O referido fenômeno funciona assim: normalmente, o ar 
próximo à superfície do solo está em constante movimento 
vertical, devido ao processo convectivo (correntes de 
convecção). A radiação solar aquece a superfície do solo e este, 
por sua vez, aquece o ar que o circunda; este ar quente é menos 
denso que o ar frio, desse modo, o mesmo sobe (movimento 
vertical ascendente) e o ar frio, mais denso, desce (movimento 
vertical descendente). O ar frio no que toca a superfície do solo 
recebecalor do mesmo, aquece, fica menos denso, então sobe, 
dando lugar a um novo movimento descendente de ar frio. E o 
ciclo se repete. O normal, portanto, é que se tenha ar quente 
numa camada próxima ao solo, ar frio numa camada logo acima 
desta e ar ainda mais frio em camadas mais altas, porém, em 
constantes trocas por correntes de convecção. 
Na inversão térmica, condições desfavoráveis podem, 
entretanto, provocar uma alteração na disposição das camadas 
na atmosfera. Geralmente no inverno, pode ocorrer um rápido 
resfriamento do solo por uma entrada de massa de ar fria ou um 
rápido aquecimento das camadas atmosféricas superiores, 
quando, por exemplo, nas primeiras horas do dia o Sol iluminar 
as partes mais elevadas em detrimento ao fundo do vale, isso 
faz com que se tenha a formação de uma camada de ar mais 
quente nas partes mais elevadas e uma camada mais fria no 
fundo do vale. Quando isso ocorre, o ar quente fica por cima da 
camada de ar frio, passando a funcionar como um bloqueio, não 
permitindo os movimentos verticais de convecção: o ar frio 
próximo ao solo não sobe porque é o mais denso e o ar quente 
que lhe está por cima não desce, porque é o menos denso. ( 
Torres & Machado, 2008 P. 189) 
5.2.3 Tempestades Tropicais 
Segundo Ayoade (2003) as Tempestades Tropicais ocorrem em 
várias partes dos oceanos tropicais com diferentes 
denominações: assim, são furacões no Caribe e no oceano 
Atlântico, ciclones no oceano índico e Baía de Bengala, tufões 
nos mares da China e Oceano pacífico, ciclones tropicais ao largo 
da Oceania, willy-willies na Austrália ou baguiós nas Filipinas. 
(Torres & Machado, 2008; Pag190) 
As Tempestades Tropicais são centros ciclónicos, quase 
circulares, com pressão extremamente baixa, na qual os ventos 
giram em espiral. Seu diâmetro varia de 160 a 650 km e a 
 
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134 
 
velocidade de seus ventos varia de 120 a 200 km/h..(Torres & 
Machado, 2008; Pag190) 
Deslocam-se à uma razão de 15 a 30 km/h. Nunca se originam 
sobre superfícies terrestres. “De fato, eles enfraquecem quando 
se movimentam sobre o continente e sobre superfícies 
aquáticas frias”. (Torres & Machado, 2008; Pag190). Além das 
águas quentes dos oceanos (acima de 27 graus), um furacão 
depende de outras duas condições para existir: alta humidade 
do ar e ventos no mesmo sentido na baixa Troposfera (até 2.000 
metros de altitude) e na alta Troposfera (até 10.000 metros). 
Sob a influência desses três factores, um aglomerado de 
Cumulonimbus viaja, muitas vezes, milhares de quilômetros 
para se transformar em um furacão. Uma das rotas mais 
conhecidas no Ocidente, por exemplo, começa na costa oeste 
da África, onde os aglomerados, empurrados pelos ventos 
Alísios, cruzam o Atlântico e atingem a escala de furacões 
(caracterizada por velocidades superiores a 115 km/h) no 
Caribe. Essa evolução, acompanhada atentamente pelos 
satélites meteorológicos, dura de quatro a seis dias. Do Caribe, 
podem entrar pelo território mexicano ou assolar a costa sul dos 
Esta os Unidos. (Torres & Machado, 2008; P. 190) 
Atkinson e Gadd (1990) afirmam que numa estação de furacões 
média, que vai normalmente de Junho a Novembro, mais de 100 
perturbações, potencialmente furacões, são observadas no 
Atlântico, golfo do México e mar das Caraíbas. Destes, cerca de 
10 atingem o estado de Tempestade Tropical e apenas cerca de 
6 chegam a ser furacões. Uma Tempestade tropical é designada 
por um nome quando os ventos associados atingem, ou 
ultrapassam, a velocidade de 62 Km/h. Passa a ser furacão 
quando os ventos associados aumentam para 119 Km/h (Torres 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
135 
 
& Machado 2008 ; Pag. 191)
 
Figura 2 . Imagem de um ciclone no Hemisferio Norte -Furacão 
Fran, ocorrido na Flórida emSetembro de 1996 
 
Figura 3 - Imagem de um ciclone no Hemisfério Sul – Ciclone 
Funso que afectou Moçambique em Janeiro de 2012 
Nestas duas imagens e bem notável a influencia da forca de 
coriolis sobre o sentido da circulação do ar nestes centros. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
136 
 
A formação e evolução de um furacão pode resumir-se em 7 
etapas de acordo com Machado (2001): 
1) intensa evaporação da faixa tropical, durante o verão, dá 
origem a grandes aglomerados Cumulonimbus que chegam a 
medir mais de 10 km de altura; 
2) o movimento ascendente do ar úmido e aquecido gera uma 
zona de baixa pressão que atrai o ar das regiões próximas, 
produzindo, ventos paralelos ao oceano. O movimento de 
Rotação da Terra faz os ventos girarem horizontalmente, 
formando um ciclone; 
3) a torção é transmitida à coluna de ar ascendente e ao 
aglomerado de nuvens (Cumulonimbus, geralmente cobertos 
por Cirros); 
4) os ventos levantam ondas e aumentam a evaporação, 
alimentando as nuvens com mais humidade; 
5) à medida que sobe, o vapor de água se expande, pois a 
pressão externa é menor nas altas camadas e se transforma em 
chuva; 
6) a condensação do vapor de água aquece a atmosfera e faz a 
pressão cair ainda mais; 
7) a velocidade dos ventos aumenta, levando, 
conseqüentemente, a mais evaporação, condensação, 
aquecimento e queda de pressão. O furacão atinge sua força 
máxima.(Torres & Machado 2008; P. 191) 
De acordo com Ayoade (2003), o furacão consiste de dois 
vórtices separados por uma área central de calmaria conhecida 
como “olho”(Torres & Machado 2008; P. 191) . Ver figuras 1 e 2. 
 Quando o centro de um furacão se aproxima, a algumas 
centenas de quilômetros verifica-se um aumento das nuvens 
cirros e a pressão atmosférica começa a baixar lentamente. À 
medida que o centro se aproxima mais, essas nuvens tornam-se 
mais espessas e mais baixas, com o vento aumentando a força e 
a chuva começando a cair. Mais perto do centro, o vento 
aumenta para uma força de furacão, cerca de 100 km/h, por 
vezes muito mais. Velocidades de ventos persistentes acima de 
160 km/h já têm sido registradas em muitas oportunidades. 
Com os furacões severos, a velocidade do vento está acima do 
alcance dos anemômetros comuns e estes são destruídos. A 
chuva torna-se então, torrencial e a pressão cai muito 
rapidamente. As condições tornam-se cada vez mais violentas 
até à beira do “olho”. Mas, de repente, há uma súbita calmaria, 
o vento torna-se leve, a chuva cessa e as nuvens diminuem 
visualmente. O “olho” pode ter de 8 a 80 km de diâmetro e 
 
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137 
 
concede alguns minutos ou até algumas horas de calmaria, 
enquanto passa sobre uma região. 
Depois de ter passado, o furacão recomeça subitamente com 
toda sua força - nuvens, chuva e vento como antes, excepto que 
o vento, então, sopra de uma direção oposta, o que é óbvio, por 
sua circulação em volta do centro. Depois, o furacão se afasta, a 
chuva e o vento diminuem gradualmente e a pressão eleva-se 
rapidamente.(Torres & Machado 2008 ; P. 192) 
 
Figura 4 – Corte transversal de um ciclone tropical (Torres e 
Machado, 2008, P. 191) 
A maioria dos furacões ocorre no final do verão e do outono, de 
Agosto a Novembro no Hemisfério Norte, e de Janeiro a Maio 
no Hemisfério Sul. Os ventos do furacão causam enormes danos 
à edificações, cabos elétricos e telefônicos, à vegetação, 
residências e às vidas humanas. Outro dos perigos é a agitação 
do mar causada pelo vento e as ondas que invadem áreas 
costeiras baixas causando grandes inundações 
Machado (2001) refere que um furacão se extingue em dias ou 
até horas, ao viajar sobre águas frias ou continente. Isso 
acontece devido à queda no nível de humidade do ar. Sem o 
indispensável suprimento de ar quente e húmido, diminui o 
movimento ascendente e o aquecimento extra por condensação 
do vapor; a pressão interna aumenta e a velocidade dos ventos 
cai.Em pouco tempo, a estrutura do 
vórtice se desorganiza, as nuvens invadem o “olho” do furacão 
e o aglomerado dispersa-se e morre.(Torres & Machado 2008 ; 
P. 193). 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
138 
 
5.2.3 Tornados 
Vianello e Alves (1991) explicam que os tornados são 
considerados como os fenômenos meteorológicos mais 
violentos, em conseqüência da alta concentração de energia 
que envolvem, em dimensões espaciais relativamente 
pequenas. Felizmente, são bastante pequenos em relação aos 
padrões atmosféricos e as áreas afectadas por eles, são muito 
limitadas. Um tornado é visto como uma coluna ondulante de 
nuvens, aparentemente suspensa de uma espessa nuvem 
escura (Cumulunimbus) e tocando a terra. No seu centro, o ar 
toma-se rarefeito sob a influência da força centrífuga e sua 
pressão cai para quase a metade do seu valor normal. As 
velocidades dos ventos perto do centro da coluna só podem ser 
calculadas, pois quaisquer instrumentos na sua proximidade são 
destruídos. A área central que produz danos sérios tem apenas 
100 metros de largura, mas à medida que o tornado avança, a 
coluna deixa atrás de si um longo rasto de destruição completa, 
numa faixa com aproximadamente essa largura. Os tornados 
ocorrem em frentes frias, quando o ar quente está muito 
húmido e instável. Aparecem onde há diferenças extremas entre 
a direção das massas de ar frio e quente.(Torres &Machado 
2008 ; Pag. 193). 
 
Figura 5 - Imagem de um tornado 
Fonte: BBC (http://www.bbc.com/news/education-33136737) 
Os piores tornados ocorrem nos estados do centro-oeste dos 
Estados Unidos, na primavera/verão (a partir de Abril/Maio) e, 
embora menos, também na Austrália e África do Sul. Eles têm 
duração mais efêmera. Em compensação, os ventos dentro do 
tornado podem atingir até 360 quilômetros horários, causando 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
139 
 
uma destruição maior que a dos furacões, embora muito mais 
localizada. 
5.2.4 Depressões extratropicais 
São menos violentas que os ciclones, são maiores e duram mais 
tempo; ocorrem com frequência e afectam o estado do tempo 
em áreas muito vastas. Ocorrem nas latitudes medias elevadas 
entre 50 a 60° S com uma variação sazonal pequena em relação 
ao hemisfério Norte, onde no inverno ocorrem nos 50° de 
latitude N e no verão passam para os 60° N. São exemplos a 
Baixa das Aleutas no Atlântico Norte e a Baixa da Islândia, que 
não são depressões permanentes mas áreas frequentemente 
atravessadas por depressões(Atkinson & Gadd, 1990, P. 25) 
5.2.5Tempestades de areia 
Colunas giratórias de ar ocorrem em áreas de deserto e “sugam” 
grandes quantidades de areia e poeira, sendo chamadas “Diabos 
de Poeira”. Diferem dos tornados pelo facto de se 
desenvolverem do solo para cima. Sua causa é a instabilidade 
provocada por calor intenso e, logicamente, intenso 
aquecimento do deserto pelo Sol. 
As tempestades de areia ocorrem em áreas de desertos secos 
quando as correntes ascendentes, que antecedem a penetração 
de “frentes frias”, elevam grandes quantidades de areia à 
alturas de centenas de metros. Sua aparência é a de uma vasta 
parede de areia avançando ao longo da linha de frente. As 
tempestades de areia mais conhecidas são as do Saara Oriental 
e as do Sudão, onde são conhecidas pelo nome de Haboobs. 
(Torres & Machado; 2008; P. 195) 
 
Figura 6 - Tempestade de areia 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
140 
 
5.2.6 Eventos de Oscilacao Sul (El Niño e La Niña) 
Oliveira (2001) afirma que o ENOS, ou El Niño Oscilação Sul 
representa de forma mais genérica um fenômeno de interação 
atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais 
da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios 
na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e no 
Pacifico Oeste próximo à Austrália. O fenômeno atinge seu ápice 
no final de Dezembro, daí seu nome, por acontecer na época do 
natal. (Torres & Machado; 2008; P. 196) 
O La Niña é um fenômeno quase que oposto, ou seja, acontece 
em função de uma redução acentuada da temperatura das 
águas desse mesmo local. 
Da mesma forma, tem suas causas pouco conhecidas, embora 
também semostre um evento modificador das condições 
climáticas globais. 
Assim sendo, tanto o El Niño quanto o seu oposto, a La Niña, são 
resultados de alterações no comportamento normal da 
chamada “célula de Walker”, circuito de circulação de ventos de 
sentido oeste/leste e que ocorre normalmente entre o Pacífico 
Leste (costa Peruana) e Oeste (Indonésia/Austrália), ao sul do 
Equador. As causas das modificações é que ainda não são claras, 
embora saiba-se que estejam envolvidos no processo de 
aumento e/ou diminuição da temperatura das águas do Pacífico 
Austral, modificações no comportamento dos ventos alísios de 
Sudeste, nas correntes marítimas e nas ressurgências da 
corrente fria de Humboldt na costa oeste da América do Sul 
(Equador e Peru). 
Efeitos 
Eventos de El Niño e La Niña tem uma tendência a se alternar 
cada 3-7 anos. Porém, de um evento ao seguinte o intervalo 
pode mudar de 1 a 10 anos. Quando da situação do El Niño, pode 
até mesmo haver uma inversão da Célula de Walker, ou seja, 
ventos que seguiam da costa da América do Sul para a costa 
Australiana, em situações normais, fazem o oposto. Por causa à 
mudança dos centros de pressão, seguem da costa oriental da 
Austrália até a costa ocidental da América do Sul, implicando em 
mudanças climáticas globais. (Torres & Machado; 2008; P. 197) 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
141 
 
 
Efeitos do El Niño em todo o globo 
Fonte:http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term 
Ocorrem, por exemplo grandes secas na Índia, no Nordeste do 
Brasil, na Austrália, Indonésia e áfrica, assim como algumas 
enchentes no Sul e Sudeste do Brasil, no Peru, Equador e no 
meio- oeste dos Estados Unidos. Em algumas áreas, observam-
se temperaturas mais elevadas que o normal (como é o caso das 
regiões Central e Sudeste do Brasil, durante sua estação de 
inverno), enquanto em outras ocorrem frio e neve em excesso. 
Portanto, as anomalias climáticas associadas ao fenômeno EL 
NIÑO são desastrosas e provocam sérios prejuízos 
socioeconômicos e ambientais. O EL NIÑO ocorrido em 1982/83, 
os mais fortes deste século deixou muitos desabrigados devido 
as enchentes e muitas mortes pela fome e em enchentes. Os 
nascidos até 1977 ainda têm memória da terrível fome que 
assolou o país em 1983 por causa da seca provocada por este 
fenômeno em Moçambique. 
Existem ainda algumas evidências de que o EL NIÑO modifica a 
circulação das águas frias do fundo do Oceano Pacífico, fazendo 
com que diminua a quantidade de nutrientes que naturalmente 
existe em abundância nas proximidades do Peru e Equador. Em 
decorrências deste fato, há quebra na produção pesqueira 
daquele país e uma interferência na fauna das Ilhas Galápagos. 
Alguns cientistas já relacionaram, inclusive a influência do EL 
NIÑO no favorecimento da propagação de epidemias ou surtos 
de algumas doenças como a cólera, a dengue, a malária, etc. 
Em Moçambique episódios de El Niño estão associados a 
situações de seca generalizada. 
Já durante os episódios de La Niña, ocorre quase que o oposto: 
a costa sul-americana, que em situações normais, é mais fria que 
a costa australiana, fica ainda mais fria, em contrapartida, 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
142 
 
reforçando a área de alta pressão aí observada. (Torres & 
Machado; 2008; P. 197) Seus efeitos globais podem ser 
observados na Figura 11.8. 
 
Figura 11.8 Efeitos globais do La Niña 
Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAABCCAAL 
Origens do fenômeno 
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007) comocitado em 
(Torres &Machado; 2008; P. 199), pesquisas desenvolvidas até 
o presente apontam quatro possíveis origens do fenômeno: 
A tese dos oceanógrafos 
 A origem do EI Niño é interna ao próprio oceano Pacífico. Para 
os oceanógrafos, o fenômeno seria resultante do acúmulo de 
águas quentes na porção oeste desse oceano devido a uma 
intensificação prolongada dos ventos de leste nos meses que 
antecedem o El Niño, o que faz com que o nível do mar se eleve 
ali em alguns centímetros. Com o enfraquecimento dos alísios 
de sudeste, a água desliza para leste, bloqueando o caminho das 
águas frias provenientes do sul. 
A tese dos meteorologistas 
A origem do fenômeno é externa ao oceano Pacífico, pois o 
estudo da atmosfera tropical mostra uma propagação em 
direção leste das anomalias de pressão em altitude. Essa 
propagação estaria relacionada a uma acentuação das quedas 
térmicas sobre a Ásia Central, o que reduz a intensidade da 
monção de verão na Índia, resultando na formação de condições 
de baixas pressões mais expressivas sobre o oceano Índico. Os 
ventos alísios do leste do Índico e do oeste do Pacífico tornam-
se, assim, menos ativos e criam condições para a formação do El 
Niño. 
http://www.ebah.com.br/content/ABAAABCCAAL
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
143 
 
A tese dos geólogos 
O fenômeno do El Niño é derivado de erupções vulcânicas 
submarinas e/ou continentais. Coincidentemente, os eventos 
ocorridos em 1982, 1985 e 1991 estiveram relacionados a 
erupções no México (El Chichón), na Colômbia (El Nevado del 
Ruiz) e nas Filipinas (Pinatubo), respectivamente. A influência 
das erupções vulcânicas continentais sobre o El Niño estaria 
ligada, sobretudo, às cinzas vulcânicas injetadas na Troposfera, 
o que gera alteração do balanço de radiação na superfície e 
perturba a circulação atmosférica. 
A tese dos astrônomos 
O El Niño está ligado aos ciclos solares de 11 anos. 
Estas teses, além de outras de menor difusão, revelam o estágio 
de elevada especulação dos conhecimentos relativos à origem 
do El Niño, do que se pode imaginar que todas essas origens 
sejam possíveis e apresentam uma interação. 
Sumario 
Nesta unidade temática 5.1 abordamos os factores climáticos. 
Falamos da influência da latitude e da altitude na distribuição 
dos elementos climáticos. Falamos da influência da topografia, 
da vegetação, das correntes marítimas, dos solos e do factor 
humano na variação dos elementos climáticos. Falamos 
igualmente de alguns sistemas produtores do tempo que não 
foram tratados em capítulos anteriores, com destaque para as 
tempestades tropicais e o fenômeno El Niño. 
Exercícios de Auto – Avaliação 
1. O que são factores climáticos? 
2. Indique os factores climáticos que conhece. 
3. O que são correntes marítimas? 
4. Indique as teorias de formação do fenômeno El Niño. 
5. Em que período e que Moçambique e susceptível de ser 
afectado por ciclones tropicais. 
6. Qual e o sentido de circulação das correntes marítimas e 
porquê? 
7. Porque e que os ciclones tropicais formam-se nos oceanos? 
Exercícios de Avaliação 
1. Destas palavras quais não são factores climáticos 
a) Precipitação 
b) Condensação 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
144 
 
c) Latitude 
d) Altitude 
e) Pressão 
f) Correntes marítimas 
 
2. Relacione os fenômenos descritos em a), b), c) com as palavras 
em 1, 2, 3 
a) Quanto mais longe do Equador mais inclinados são os raios 
solares. 
b) O ar mais rarefeito provoca a diminuição da atmosfera. 
c) A terra arrefece e se aquece mais rapidamente que a água. 
( 1) altitude 
( 2) continentalidade 
( 3) latitude 
 
3. Atente para as seguintes preposições: 
 
1. A latitude influencia na distribuição espacial das 
temperaturas. Dessa forma, quanto maior for latitude, menores 
serão as temperaturas. 
2. A pressão atmosférica varia em função da altitude e da 
temperatura. Assim, quanto maior for a altitude, menor será a 
pressão atmosférica e quanto mais alta a temperatura, menor 
será a pressão. 
3. O planeta Terra é aquecido uniformemente, tanto ao longo 
da sua superfície quanto ao longo do tempo (anos), e isto 
condiciona a circulação atmosférica com a produção de centros 
de alta e de baixa pressão, que se alteram continuadamente. 
4. Dependendo das condições locais, a precipitação pode o 
ocorrer na forma de chuva, granizo ou neve e está relacionada, 
principalmente, à humidade atmosférica. 
5. A diferença entre as temperaturas máxima e mínima é maior 
no interior dos continentes e a continentalidade exerce grande 
influência sobre essa amplitude térmica. 
 
 
a) Estão incorretas as preposições 1, 3 e 4. 
b) Estão incorretas as preposições2, 4. 
c) Estão incorretas as preposições 1, 4 e 5. 
d) Apenas a preposição 3 está incorreta. 
e) Todas as preposições estão incorretas 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
145 
 
Exercicios 
1. Explique como e que cada um dos factores climáticos que 
estudou influenciam os elementos climáticos. 
 
2. Descreva o estado de tempo associado aos ciclones tropicais 
 
 
3. Qual e o impacto do fenômeno El Niño em Moçambique e 
fale da sua influencia sobre a actividade agrária no pais. 
 
4. Relacione a ocorrência do deserto de Kalahari com a 
corrente fria de Benguela 
 
5. A costa Moçambicana é banhada pela corrente quente do 
canal de Moçambique. Usando os conhecimentos que tem 
sobre a influência das correntes marítimas nos elementos 
climáticos fale do comportamento ideal da temperatura e da 
precipitação em toda a região costeira moçambicana. 
 
Bilbiografia 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal 
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No 
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
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AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
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OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
147 
 
TEMA VI : Classificação Climática 
 
UnidadeTemática 6.1 –Sistemas Climáticos do Globo 
Unidade Temática 6.2 – Classificação Climática 
 
Introdução 
 
O clima de qualquer lugar é a síntese de todos os elementos 
climáticos em uma combinação de certa forma singular, 
determinada pela interação dos controlos e dos processos 
climáticos. Portanto, existe uma rica variedade de climas ou de 
tipos climáticos sobre a superfície do Planeta. Para facilitar o 
mapeamento das regiões climáticas, os numerosos tipos 
climáticos são classificados por meio de vários e diversificados 
critérios. 
 
Ao completar este tema, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: os grandes sistemas climáticos do globo 
 Conhecer: os vários critérios utilizados para a classificação climática 
 Conhecer: a classificação climática de Koppen 
 Caracterizar: o clima de Moçambique 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
148 
 
Unidade Tematica 6.1 – Sistemas Climáticos do Globo 
Introdução 
De acordo com a inclinação do eixo da Terra, influenciando os 
diferentes ganhos energéticos conforme a latitude, e 
desconsiderando os outros factores do clima, como visto nos 
capítulos anteriores, pode-se de maneira generalizada 
identificar as zonas climáticas da Terra. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: Os grandes sistemas Climáticos da Terra 
 Explicar: os critérios para a classificação desses sistemas 
 Explicar: as causas da sua distribuição ao longo do globo terrestre 
 
6.1. Sistemas Climáticos 
Os climas do planeta são determinados pela combinação e interacção 
destes sistemas: 
 Atmosfera (massas de ar); 
 Hidrosfera (corpo de água, doce e salgada); 
 Criosfera (massas de gelo); 
 Litosfera (rochas e solo); e 
 Biosfera (formas de vida). 
Para a Organização Meteorológica Mundial (1977), o sistema climático 
constitui a atmosfera, os oceanos, massas de neve e gelo, massas 
continentais e a vegetação, cujos vínculos físicos e químicos, os mais 
variados e complexos, têm um papel primordial no estabelecimento do 
modelo de clima mundial. 
A temperatura e a precipitação são os elementos mais tradicionais do 
clima. Eles representam à base de muitas classificações climáticas. O 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
149 
 
regime térmico permite distinguir os climas quentes, temperados e 
frios, o regime pluviométrico permite diferenciar os climas húmidos e 
secos. A distribuição espacial desses elementos mostra climas quentes 
e húmidos em baixas latitudes, quentes e mais secos nos subtópicos, 
temperados e húmidos nas latitudes médias, e frios e secos nas latitudes 
subpolares e polares. 
 
Figura 1 – Climas do globo com base no critério térmico 
 
6.1.1 Climas Quentes 
Os climas quentes, num modo muito simples, podem-se subdividir em 
três: clima equatorial, clima tropical, e clima desértico (quente). 
Clima equatorial 
O Clima equatorial, como o próprio nome indica, localiza-se numa faixa 
que envolve o Equador, limitada, sensivelmente, pelos paralelos 5º S e 
5 º N, podendo chegar, em algumas regiões, aos 10º S e 10º N. Abrange, 
por isso, áreas como, por exemplo, o Zaire, a bacia do Amazonas, a bacia 
do Congo, Madagáscar e a maior parte das ilhas situadas entre os 
oceanos Índico e Pacífico, na zona equatorial. 
A temperatura mensal sempre superior à 18º C se deve à localização 
destas áreas próximas à linha do Equador e à grande humidade 
diminuindo significativamente o gradiente térmico mensal e anual. 
Observa-se, porém, dois períodos máximos durante os Equinócios, 
período em que o Sol faz zênite na região. Estas regiões não apresentam 
estação seca, sendo influenciadas, além da convergência da humidade 
de ambos os hemisférios, pela evapotranspiração vegetal, responsável 
http://clientes.netvisao.pt/carlhenr/7ano1.htm#CLIMA TROPICAL
http://clientes.netvisao.pt/carlhenr/7ano1.htm#CLIMA DESÉRTICO (QUENTE)
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
150 
 
por mais de 50% da precipitação local. Localizam-se exactamente nos 
domínios das Massas Equatoriais Continentais durante a estação do 
inverno, ou seja, são as únicas áreas de actuação destas massas durante 
todos os meses do ano, promovendo frequentes chuvas convectivas. 
 
Clima Tropical 
Os climas tropicais localizam-se entre os Trópicos de Câncer e 
Capricórnio, a seguir à faixa do Clima Equatorial. Sua principal 
característica e apresentar duas estações distintas: uma estação 
húmida e uma estação seca Se a estação pluviosa é mais longa do que 
a estação seca, o clima é Tropical Húmido. Se, pelo contrário, a estação 
seca for mais longa do que a estação húmida, o clima é Tropical seco. 
Está associado à alternância das massas de ar equatoriais e tropicais 
que provocam a estação chuvosa e massas polares, responsáveis pela 
estação seca do ano. Esta estação seca se deve à maior força das massas 
polares durante o inverno, diminuindo a temperatura e “empurrando” 
as massas húmidas para latitudes menores. Em alguns casos, as próprias 
massas tropicais actuam como a massa seca, visto que para chegar em 
regiões localizadas nas partes mais centrais dos continentes, deixam 
grande parte de sua humidade antes de atingi-las. Alcançam 
temperaturas médias durante o verão de 24º C e 18º C durante o 
inverno, sendo as amplitudes térmicas, diária e anual, mais destacadas 
que as do clima Equatorial. Quanto mais afastadas das superfícies 
hídricas, maior o gradiente térmico pelo efeito da continentalidade. A 
duração dos meses secos varia em função da força das massas polares 
(e algumas tropicais) entre 3 e 8 meses dependendo do local e da 
localização em relação aos oceanos. 
 
Clima Desértico 
Encontra-se a seguir à faixa dos climas tropicais e, localiza-se entre as 
latitudes 15º e 30º Norte e Sul. Abrange, por isso, áreas como, por 
exemplo, os desertos do Sahara, da Namíbia (Kalahári), do Arizona 
(Mojave), do Atacama e do Grande Deserto Australiano. Contudo 
podemos encontrar desertos em latitudes mais elevadas do globo em 
virtude de factores locais como: a continentalidade, as barreiras 
orográficas e as correntes marítimas. 
Nas grandes faixas de altas pressões subtropicais, predomina um clima 
quente e muito seco: é o clima desértico quente. A enorme aridez, é a 
característica principal deste género de climas. Encontra-se em áreas 
sob a atuação directa da zona de alta pressão dos 30°. Por causa do 
movimento primeiro descendente e depois dispersor de massas secas, 
dificultam a chegada da humidade, promovendo o aparecimento dos 
maiores desertos quentes do Globo. Apesar da precipitação existente, 
todos os meses são secos (Evaporação> Precipitação). Podem ocorrer, 
contudo, vários anos consecutivos sem chuvas. Por isso, as médias 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
151 
 
mensais e anuais não têm grande importância. Uma única chuva 
torrencial de 15 mm, por exemplo, é responsável por uma média 
mensal distante da realidade. Em certas áreas as poucas chuvas tendem 
a se concentrar no inverno e em outras no verão. Por causa da baixa 
humidade, estas regiões são caracterizadas por altas amplitudes 
térmicas anuais (perto dos 200C) e diárias, sendo as últimas mais 
destacadas. Durante o dia, as temperaturas chegam a atingir os 500C, 
mas durante a noite a temperatura tem valores próximos dos 00C e até 
mesmo temperaturas negativas, originando assim, amplitudes térmicas 
diurnas de mais de 500C. Os altos valores da temperatura diurna caem 
vertiginosamente à noite por causa da falta de nebulosidade que 
actuaria como estufa. 
6.1.2 Climas Temperados 
Ao estudar os climas, e principalmente os climas temperados e 
necessário perceber a grande influencia dos factores climáticos: a 
influênciada latitude, a continentalidade, as correntes marítimas (que 
afectam bastante o litoral Atlântico da Europa), e o relevo. Convém 
também ter presente, que na zona temperada, há regiões que são 
afectadas por uma "luta" entre massas de ar polar e massas de ar 
tropical, ou seja, o ar frio (polar) está numa área de contacto com o ar 
quente (tropical), originando aquilo a que se chama de superfície 
frontal. 
Os climas temperados podem-se subdividir em quatro sub-grupos: 
Clima subtropical húmido, clima Temperado Mediterrâneo (ou sub-
tropical seco); clima Temperado Marítimo (ou Oceânico); e 
clima Temperado Continental. 
Clima subtropical húmido 
Invernos suaves e Verões quentes 
Amplitudes térmicas moderadas, superiores a 20ºC 
A precipitação é elevada durante todo o ano embora mais abundante 
no Verão, podendo ser de neve no Inverno. 
Atendendo às características das estações do ano, este clima é um 
misto de continental, pelas grandes amplitudes térmicas, e oceânico, 
pela elevada precipitação. 
Esta combinação resulta do facto de na zona temperada as massas 
atmosféricas se deslocarem de oeste para este, o que leva a que as 
fachadas orientais sejam atingido por massas se ar mais frio no Inverno 
e mais quente no Verão, resultantes do percurso feito nos continentes, 
ao contrário das fachadas ocidentais, que são atingidas por massas de 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
152 
 
ar de temperaturas mais amenas, resultantes do percurso feito nos 
oceanos. 
Esta região acusa a instabilidade de massas de ar de natureza e trajectos 
diferentes. No verão, as massas de ar tropicais marítimas, húmidas e 
instáveis alcançam as costas orientais dos continentes e dirigem-se para 
o interior, arrastando ar quente e húmido, o que origina grandes 
precipitações. No Inverno, é mais comum a invasão de ar polar de 
trajecto continental (que origina secura, que é amenizada pela presença 
próxima do oceano. 
Clima subtropical seco 
Também chamado Clima Mediterrânico, distribui-se pela bacia do mar 
Mediterrâneo (Sul da Europa e Norte de África), Califórnia, região 
central do Chile, região do Cabo na África do Sul e Sudoeste da Austrália. 
Possui verões quentes, longos e secos (temperatura média do mês mais 
quente compreendida entre os 21º e os 27º C e temperaturas máximas 
que podem atingir os 40º C) - (o número de meses secos é por vezes 
superior a 5); 
- Invernos são curtos, húmidos e suaves (temperatura média do 
mês mais frio entre 6 e 10º C); 
- amplitudes térmicas anuais moderadas (entre 6 e 17º C); 
- A média do mês mais quente é superior a 20ºC, por sua vez, a 
média do mês mais frio nunca é inferior a 0ºC. 
- A TMA (Temperatura Média Anual), também é próxima dos 
15ºC (sendo inferior a 20ºC); 
- Fraca nebulosidade. Mesmo no Inverno, registam-se longos 
períodos de céu limpo e brilhante (normalmente associados à 
presença de anticiclones); 
-Precipitação escassa e irregular, concentrando-se 
essencialmente nos meses de Outono e Inverno, devido à maior 
influência das baixas pressões subpolares nesta altura do ano (o 
total anual pode variar de 400 a 900 mm). 
A secura do Clima Mediterrânico, em particular no Verão, 
explica-se pelo facto de as regiões entre os paralelos de 30º e 
40º de latitude serem invadidas, durante grande parte do ano, 
pelos anticiclones subtropicais que dificultam a formação de 
nuvens e, portanto, de chuvas. No Outono e no Inverno, os 
mesmos anticiclones deslocam-se para latitudes inferiores 
(acompanhando o movimento anual aparente do Sol), deixando 
então, o caminho livre às perturbações frontais vindas de oeste, 
as quais originam chuvas mais ou menos abundantes e, muitas 
vezes, acompanhadas de trovoadas. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
153 
 
Sendo a precipitação de origem frontal (associada à passagem 
das frentes); 
- o número de meses secos pode variar entre 4 e 7; 
- Quatro estações bem marcadas e distintas (Primavera, Verão, 
Outono e Inverno); 
Para distingui-lo com alguma facilidade dos restantes climas 
temperados, é o único dos climas temperados que apresenta 
período seco. Tem período seco no Verão. 
 
Clima temperado Marítimo ou Oceânico 
Este género de clima está essencialmente localizado nas fachadas 
ocidentais dos continentes, entre os paralelos 40 e 60º de cada 
hemisfério (norte e sul). Predomina na parte litoral da Europa ocidental, 
desde o extremo norte de Portugal até à costa setentrional e ocidental 
da Escandinávia, (embora, devido à influência da deriva da corrente 
quente do golfo, possa atingir, na costa norueguesa, o círculo polar 
árctico). Existe também em pequenas áreas do Noroeste dos EUA, no 
Sudoeste do Canadá, no litoral sul do Chile, no sudeste da Austrália e na 
Nova Zelândia. 
O clima temperado marítimo (ou oceânico) caracteriza-se, no 
essencial, por: 
- Temperaturas médias mensais amenas, sendo o Verão fresco 
(temperatura média compreendida entre os 15 e os 20º C) e o 
Inverno pouco frio (temperatura média superior a 5º C); 
- Amplitude térmica anual pouco acentuada; 
A amenidade das temperaturas deve-se à proximidade do mar. 
- Precipitações mais ou menos abundantes, e mais ou menos 
regulares distribuídas ao longo do ano, embora com máximos 
no Outono e Inverno e mínimos no Verão. 
- não tem meses secos; 
- Grande nebulosidade, podendo o céu manter-se encoberto 
durante vários dias ou semanas. 
- apresenta também as quatro estações bem distintas entre si. 
É, dos climas temperados, o único em que chove durante todo o 
ano e não tem temperaturas negativas. 
A abundância de precipitação deve-se aos ventos húmidos que 
sopram do oceano e à influência das baixas pressões subpolares, 
durante o Outono e Inverno, e à passagem de superfícies 
frontais (a convergência frontal é característica das latitudes 
médias e ocorre na fronteira de massas de ar diferentes 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
154 
 
(temperatura e humidade), uma vez que estas regiões são áreas 
de encontro de massas de ar de características 
diferentes, sobretudo durante a época de 
Inverno, altura em que, no hemisfério Norte, esses centros 
barométricos se localizam mais para Sul. Na primavera e no 
Verão, a proximidade do oceano como factor de clima 
determina a humidade e a precipitação. é também devido à 
presença do mar que as temperaturas se mantêm amenas todo 
o ano. 
Clima Temperado Continental 
 Localizado sensivelmente à mesma latitude do clima 
temperado marítimo, mas no interior dos continentes, como no 
Canadá, no centro dos EUA, no interior da Europa, no interior 
Norte da Ásia, longe das influências marítimas. Trata-se 
portanto dum clima rigoroso e agreste, que quanto maior for a 
continentalidade, maior será o rigor dos Invernos. Em termos 
práticos, só tem duas estações: O Verão e o Inverno, pois as 
estações intermédias (Primavera e Outono) são de curta 
duração e passam despercebidas. 
 Caracteriza-se por possuir invernos longos, secos e muito frios 
(as temperaturas podem atingir com frequência valores 
inferiores a -15º C), enquanto os Verões são quentes, curtos e 
relativamente pluviosos; 
- Amplitude térmica anual muito elevada, superior a 20º C, 
chegando a atingir, em algumas estações, os 40º C; 
- Precipitações relativamente escassas com máximos no Verão e 
mínimos no Inverno, frequentemente sob a forma de neve; 
Neste tipo de clima, vemos que as precipitações são muitas 
vezes de origem convectiva; 
Esta distribuição da precipitação relaciona-se com a 
temperatura do ar. No Inverno, o ar, em contacto com o solo 
muito frio, torna-se mais pesado e desce, formando centros de 
altas pressões. No Verão, pelo contrário, em contacto com o 
solo muito quente, torna-se mais leve e sobe, formando centros 
de baixas pressões, responsáveis pela precipitação mais 
abundante nesta alturado ano. 
6.1.3 Climas Frios 
 A latitude, a Continentalidade e a altitude são factores que 
jogam um papel importante nestes climas. Assim, pode-se 
dividir os climas frios em: clima subpolar (ou continental 
frio); clima polar (ou desértico frio); e climas de altitude (ou de 
montanha). 
 
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155 
 
Clima Frio Continental ou Clima Subpolar ou Subártico 
 Localiza-se no interior dos continentes nas áreas de 
prolongamento do clima temperado continental, sensivelmente 
entre as latitudes 55º e 65º N. É próprio do Norte da Europa, da 
Sibéria, do Alasca e do Norte do Canadá). 
Nas zonas frias dos 60º Norte e sul estendem-se as zonas frias, 
onde a zonalidade dos climas se restabelece e onde o factor 
latitude volta a ser determinante. Alguns países como o Canadá 
e a Sibéria têm um clima subpolar. Diferenciam-se nestas zonas 
climáticas vários tipos de clima que correspondem às versões 
frias dos climas temperados, ou seja, regimes térmicos e 
pluviométricos idênticos, onde o efeito da latitude se acentua 
cada vez mais à medida que nos aproximamos do pólo. Daí que 
se possa falar em clima frio continental (siberiano) e clima frio 
oceânico). 
Os invernos muito frios e longos, com temperaturas médias 
mensais negativas, podendo atingir, nos meses mais frios, 
valores inferiores a -200C (durante cerca de seis a oito meses a 
temperatura desce abaixo dos 0º C), a temperatura média anual 
é de aproximadamente -50C); 
Verões pouco quentes e curtos, com temperaturas médias 
mensais que raramente atingem os 18ºC; 
Amplitudes térmicas anuais muito elevadas (que pode 
ultrapassa os 300C); 
Precipitações bastante reduzidas (diminuindo 
progressivamente com a proximidade do pólo), ocorrendo os 
seus máximos no verão). No Inverno, ocorre sob a forma de 
neve; 
As regiões de Clima Polar 
Este clima surge nas altas latitudes (70º a 80º) a norte dos 
continentes americano (Alasca e Canadá) e asiático (norte da 
Sibéria) e junto às regiões polares da Europa (Norte da 
Escandinávia) e na maior parte da Islândia. Faz-se sentir também 
em grande parte da Gronelândia e na Antártida. 
Os invernos muito frios e prolongados, com temperaturas 
negativas e que chegam a atingir os -600C, ou mesmo, em alguns 
casos raros, a ultrapassar os -800C (o recorde da temperatura 
mais baixa registada - na Antártida - é de quase -900C); 
Verões quase inexistentes, embora durante um curto período 
de tempo (cerca de 2 meses) a temperatura possa atingir valores 
positivos, as temperaturas do mês mais quente não 
 
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156 
 
ultrapassam, em média, os 10º C- temperaturas médias mensais 
negativas na maior parte dos meses do ano; 
Amplitudes térmicas anuais muito acentuadas; 
Chuvas muito reduzidas e concentradas, em grande parte, no 
período menos frio. Nos restantes meses ocorre sob a forma de 
neve; 
Os climas de altitude (de montanha) 
Estes climas correspondem às áreas que independentemente da 
sua localização em latitude, vêm alteradas as características dos 
elementos climáticos, devido à existência de montanhas. Nas 
regiões de montanhas a influência da altitude manifesta-se de 
forma diferente na região intertropical e temperadas. Nas 
regiões temperadas vamos encontrar neves perpétuas a uma 
altitude mais baixa. Pelo contrário, nas regiões quentes o factor 
altitude tem um papel amenizador das temperaturas o que as 
torna áreas mais atractivas. 
 Características: 
Dum modo geral, poder-se-á dizer que este clima, caracteriza-se 
por: 
 Precipitação abundante, ocorrendo em todos os meses do 
ano, normalmente, sob a forma de neve; 
 Invernos muito frios. A temperatura, durante o Inverno, 
regista valores negativos; 
 Verão: curto e fresco, praticamente inexistentes. A 
temperatura raramente vai além dos 12ºC; 
 Amplitude térmica anual pode ir de fraca a moderada. 
Amplitude térmica diurna bastante significativa (chegando a 
atingir os 25º C e os 30º C, devido; ao rápido aquecimento do ar 
durante o dia e ao arrefecimento muito brusco durante a noite); 
6.1.4 Climas de Moçambique 
A maior parte do território moçambicano localiza-se na zona 
inter-tropical, na costa sul-oriental de África, entre os paralelos 
10º. 27´ e 26º . 52´ de latitude sul, o que lhe confere um clima 
do tipo tropical com quatro variações – tropical húmido, tropical 
seco, tropical semi - árido e climas modificados pela altitude. 
As temperaturas no território apresentam variações regionais, 
em função da interferência de factores como a latitude, 
continentalidade e o próprio relevo. Em geral, os valores da 
 
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157 
 
temperatura tendem a aumentar para as menores latitudes. 
Porém, por interferência do factor relevo, verificam-se menores 
temperaturas, nas regiões mais altas e a oeste do país, que se 
situam, de norte para sul, nas províncias do Niassa, Zambézia, 
Tete, Manica e Maputo. De um modo geral, as temperaturas 
médias anuais distribuem-se do seguinte modo: de 18 a 20 º C, 
nas regiões montanhosas; de 22 a 24 º C, nas regiões centrais e 
planálticas do norte e do cento, bem como nas zonas leste e 
oeste, das províncias do sul ; de 24 a 26º C., todo o leste das 
regiões norte e centro e o interior das regiões ao sul do país. A 
estação das chuvas vai de Outubro a Marco e a estação seca, é 
mais demarcada nas regiões do centro e norte do país. A 
precipitação média varia de valores inferiores a 400 mm, por 
exemplo no Pafuri, na província de Gaza, até valores de 2000 
mm, em Tacuane na província da Zambézia. Diversos fenómenos 
influenciam o clima moçambicano com a zona de convergência 
inter-tropical, ciclones tropicais, massas de ar polar, etc. As 
regiões mais afectadas por ciclones tropicais incluem a faixa 
costeira que vai desde Angoche até o Sul de Inhambane. Em 
Moçambique ocorrem em média três ciclones tropicais por ano. 
Sumario 
Nesta unidade temática 6.1 falamos dos principais sistemas climáticos 
Climas quentes, temperados e frios tendo como base a distribuição da 
temperatura e da precipitação ao longo do globo e algumas variações 
derivadas da influência de factores climáticos. Fizemos também 
referencia aos climas de Moçambique, que se considera tropical com as 
suas variações. 
 
Exercícios de Auto - Avaliação 
1. Quais são os componentes de um sistema climático? 
2. De acordo com os padrões de distribuição da temperatura e 
da precipitação quais são as zonas climáticas que podemos 
encontrar ao longo do globo terrestre? 
3. Justifique a localização dos climas desérticos 
 
 
 
 
 
 
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158 
 
Unidade Tematica 6.2 – Classificação Climática 
 
Introdução 
Nesta unidade falaremos dos vários critérios de classificação 
climática utilizados pelos vários cientistas. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: os vários critérios utilizados para a classificação climática 
 Conhecer: a classificação climática de Koppen 
 
6.2.1 Criterios de Classificacao Climatica 
Devido aos diferentes factores que exercem sua influência sobre 
os elementos do clima, são enormes as diferenças existentes de 
uma região para outra. Cada área tem particularidades 
climáticas que muitas vezes não se encontram em uma área 
vizinha, embora ambas possam ser incluídas num mesmo tipo 
de clima, por terem características gerais semelhantes. Por isso, 
uma classificação rigorosa torna-se impossível, o que explica a 
variedade de critérios e as numerosas tentativas já realizadas. 
Em 1950, Flohn propôs uma classificação genética dos climas, 
levando em consideração dois critérios: as zonas de ventos 
globais e as características gerais das precipitações,estabelecendo 7 tipos climáticos. Outra classificação foi 
proposta por Strahler em 1969, onde os critérios levados em 
consideração foram: as características das massas de ar 
dominantes e as características das precipitações; Nesta 
classificação são reconhecidos 3grandes grupos climáticos, cada 
um tendo 5 subtipos. 
A classificação, proposta por Budyko em 1956, reconheceu 5 
tipos climáticos principais, tendo este baseado sua classificação 
em valores do “Índice Radioativo de Aridez”, que na verdade é 
um balanço de energia, envolvendo os diferentes albedos da 
superfície, a evaporação, a precipitação etc. 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
159 
 
Uma classificação considerando o balanço de energia no mundo 
(input/output) foi proposta por Terjung e Louie, em 1972, 
quando foram reconhecidos 6 tipos climáticos principais e 62 
subtipos. 
Em 1948, W. Thornthwaite, propôs uma classificação baseada 
em índices de efetividade da precipitação e da eficácia da 
temperatura, de acordo com os quais se determinam, 
respectivamente, os graus de umidade dos climas e as naturezas 
térmicas dos mesmos, suficientes para caracterizar a adequação 
agrícola de uma área, uma vez que sua classificação levou em 
conta as repercussões do clima na agricultura. “Com a utilização 
desses índices e critérios adicionais, 120 tipos climáticos foram 
hipotetizados por Thornthwaite, dos quais apenas 32 puderam 
ser expressos num mapa-múndi” (AYOADE,2003). (Torres & 
Machado, 2008, P. 123) 
 
O sistema de classificação climática mais utilizado, de acordo 
com Ayoade (2003), quer seja na sua forma original ou com 
modificações/adaptações, é o de Wilhelm Köppen (1846/1940), 
biólogo e climatologista russo, nascido em São Petersburgo e 
que desenvolveu seu trabalho na Alemanha. 
Essencialmente quantitativo, o modelo de Köppen, 
desenvolvido entre 1900 e 1936, foi publicado pela primeira vez 
em 1901, sendo sucessivamente aperfeiçoado e modificado 
pelo próprio autor. (Torres & Machado, 2008, P. 123) 
 
Apoiado nas zonas de vegetação do mapa do francês Alphonse 
de Candolle, o modelo relaciona, basicamente, os tipos de clima 
com os tipos de vegetação. Embora critérios numéricos sejam 
usados para definir os tipos climáticos em termos de elementos 
climáticos (temperatura, precipitação e distribuição sazonal das 
chuvas), Köppen aceitou a vegetação natural como a melhor 
expressão do clima. Seu modelo ainda é largamente utilizado e 
estudado, embora tivesse recebido muitas críticas quanto ao 
seu caráter empírico, quantitativo e tradicional e ainda por 
desconsiderar as influências das massas de ar. 
O esquema de Köppen tem 5 tipos climáticos principais, 
reconhecidos com base na temperatura e designados por letras 
maiúsculas: 
A - climas tropicais chuvosos: não conhecem estação fria, sendo 
que o mês mais frio tem temperatura média superior a 18°C 
(megatérmicos). A medida da precipitação pluvial anual é maior 
que a da evaporação evapotranspiração. 
B - climas secos: caracterizam os tipos áridos e/ou semi-áridos e 
por terem evaporação e evapotranspiração anuais superiores 
aos valores das precipitações. A vegetação característica é do 
tipo desértico ou estepes. 
 
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160 
 
C - climas mesotérmicos: o mês mais frio tem temperatura 
média entre -3°C e 18°C, de invernos brandos (mesotérmicos). 
O mês mais moderadamente quente tem temperatura média 
maior que 10ºC. 
D - climas frios húmidos: o mês mais frio tem temperatura média 
abaixo de -3°C e o mês mais moderadamente quente tem 
temperatura média maior que10°C (microtérmicos). 
Corresponde às florestas frias. 
E - climas polares: não conhecem estação quente, sendo que o 
mês mais moderadamente quente tem temperatura média 
menor que 10°C. Na variedade ET, a temperatura média do mês 
mais moderadamente quente fica entre 0ºC e 10ºC. Na 
variedade EF, o mês mais moderadamente quente tem 
temperatura média menor que 0ºC. Aparecem nas grandes 
latitudes ou nas mais altas montanhas. 
A estes tipos climáticos acrescenta-se um grupo de climas de 
terras altas não diferenciados e representados genericamente 
pela letra H. 
Cada um dos climas A, B, C, D e E, é posteriormente subdividido 
com a utilização de características adicionais de temperatura e 
precipitação pluvial. 
Os climas húmidos (A, C e D), foram subdivididos de acordo com 
a repartição das estações das chuvas. Estas subdivisões são 
representadas pelas iniciais minúsculas das palavras alemãs 
caracterizadoras da estação seca ou de sua inexistência. Assim, 
s de “sommer” (verão), indica seca de verão e chuvas de 
inverno; w de “winter” (inverno), índica seca de inverno e 
chuvas concentradas no verão; f de “feucht” (húmido) indica 
chuvas em todas as estações; m de “monção” indica uma 
estação seca e chuvas intensas durante o resto do ano. 
Os climas áridos (B) diferenciam-se pela temperatura e pela 
precipitação. Essa diferenciação é caracterizada pela inicial 
maiúscula da palavra alemã definidora da natureza do terreno. 
Assim, W de “Waste” (deserto) e S de “steppe” (estepe 
vegetação constituída de ervas de pequeno crescimento e raízes 
pouco profundas), caracterizam os tipos de climas áridos 
BW e semi-áridos BS. 
Para os climas polares (E), considera-se somente a temperatura: 
ET (T de “toundra” tundra) e EF (F de “freezer”, que significa 
geleira). 
Desta forma, as subdivisões de cada uma das principais 
categorias são feitas com referência à distribuição sazonal da 
precipitação e características adicionais de temperatura, como 
observado a seguir: 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
161 
 
- Distribuição sazonal da precipitação (corresponde à segunda 
letra) 
 
f: sem estação seca, húmido o ano todo; 
m: de monção ou com pequena estação seca e com chuvas 
intensas durante o resto do ano; 
w: chuvas concentradas no verão e estação seca no inverno; 
s: chuvas de inverno e estação seca no verão; 
w’: chuvas no verão e outono (adaptação do modelo original); 
S: de estepe (semi-árido); 
W: clima desértico, chuvas escassas e mal distribuídas (sequidão 
extrema). 
Dessa forma, têm-se na Tabela 8.5, as seguintes combinações 
possíveis (sendo 24 os tipos originais): 
 
- Características adicionais de temperatura (corresponde à 
terceira letra) 
 
a: verões quentes (o mês mais quente tem temperatura média 
maior que22°C); 
b: verões brandos ou moderadamente quentes (o mês mais 
quente tem temperatura média inferior a 22°C e durante pelo 
menos 4 meses é superior a10°C); 
c: verão breve e moderadamente frio (a temperatura do mês 
mais quente é inferior a 22°C e menos do que 4 meses no ano, 
tem temperatura média maior que 10°C, enquanto que o mês 
mais frio é superior a -38°C); 
d: inverno muito frio e rigoroso (o mês mais frio tem 
temperatura média inferior à -38°C); 
Obs.: para os climas áridos (BW e BS) são usadas como terceira 
letra diferenciadora (minúscula): 
h: quente (temperatura média anual maior do que 18°C); 
k: (“Kalt”, significando frio) moderadamente frio (temperatura 
média anual menor que 18°C, mas a do mês mais quente é 
superior a 18°C). 
 
A seguir o quadro contento as combinações climáticas de 
Koppen: 
 
Grupos Subgrupos 
A – Climas 
Tropicais 
Chuvosos 
Af – clima tropical chuvoso de 
floresta 
Aw – clima tropical de savana, com 
chuvas no verão 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
162 
 
Am – clima tropical de monção 
(As) – clima tropical, quente e 
úmido, com chuvasde inverno 
(adaptação do modelo original) 
B – Climas 
Secos 
BSh – clima quente de estepe, 
semi-árido 
BSk – clima frio de estepe, semi-
árido 
BWh – clima quente de deserto, 
árido 
BWk – clima frio de deserto, árido 
C – Climas 
Mesotérmicos 
Cfa – úmido em todas as estações, 
verões quentes 
Cfb –úmido em todas as estações, 
verões moderadamente quentes 
Cfc – úmido em todas as estações, 
verões mais frios e curtos 
Cwa – clima mesotérmico, com 
chuvas de verão e verões quentes 
Cwb – clima mesotérmico, com 
chuvas de verão e verões 
moderadamente quentes 
Csa – chuvas de inverno com 
verões quentes 
Csb – chuvas de inverno com 
verões moderadamente quentes, 
(brandos) 
D – Climas 
Frios Úmidos 
Dfa – úmido em todas as estações, 
com verões quentes 
Dfb – úmido em todas as estações, 
com verões brandos 
Dfc – úmido em todas as estações, 
com verões mais frios e curtos 
Dfd – úmido em todas as estações, 
com inverno intenso 
Dwa – chuvas de verão e verões 
quentes 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
163 
 
Dwb – chuvas de verão e verões 
moderadamente quentes(ou 
brandos) 
Dwc – chuvas de verão e verões 
moderadamente frios e curtos 
Dwd – chuvas de verão e inverno 
intenso 
E – Climas 
Polares 
ET – clima polar de tundra 
EF – clima polar de neves e gelos 
perpétuos 
Quadro 1 – Classificacao Climatica de Koppen 
Sumario 
Nesta Unidade Temática 6.2 falamos dos critérios de 
classificação climática. Fizemos referencia aos vários cientistas e 
sua proposta de critérios para modelo de Classificação Climática. 
Destacamos o modelo de Koppen por ser o mais popular, mais 
aceite e mais utilizado. 
Exercicios de Auto-Avaliacao 
1. Quais são principais elementos utilizados na classificação 
climática? 
2. As freqüentes e abundantes chuvas que caracterizam a zona 
equatorial em todo o globo são explicadas: 
a) pelo relevo acidentado. 
b) pela proximidade dos oceanos. 
c) pelas baixas pressões atmosféricas. 
d) pelas altas temperaturas médias. 
e) pela dispersão dos ventos. 
 
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– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
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165 
 
TEMA VII : Mudancas Climaticas 
UNIDADE Temática 7.1Variações e Oscilações climáticas 
UNIDADE Temática 7.2 Mudancas Climaticas 
Introdução 
O clima do planeta é determinado por um sistema complexo, 
que engloba as várias esferas do planeta terra. Estes elementos 
interagem continuamente, trocando matéria e energia de 
diversas formas, dando lugar a formação de diversos padrões 
climáticos ao longo do globo conforme a variação das 
interacções ao longo deste. No decorrer do tempo há evidências 
de que os sistemas climáticos nem sempre foram como os 
conhecemos hoje e que estiveram sujeitos a uma serie de 
mudanças. Entretanto, neste capítulo, ênfase será dada as 
mudanças climáticas devidas a acção antropogênica. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: variações e oscilações climáticas ao longo do tempo 
 Explicar: as causas das variações e oscilações climáticas 
 Explicar: as causas das mudanças climáticas 
 Descrever: os efeitos das mudanças climáticas 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia 
166 
 
UNIDADE Temática 7.1 Variações e Oscilações climaticas 
Introdução 
Os climas do mundo e outras evidências geologicas demonstram 
que de uma maneira ciclica foram acontecendo variacoes e 
oscilacoes climaticas, cuja explicacao esta confiada a uma serie 
de teorias. 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer: Variações e oscilacoes climaticas ao longo do tempo 
 Explicar: as causas das variações e oscilacoes climaticas 
 
Para a Organização Meteorológica Mundial (1977), o sistema climático 
constitui a atmosfera, os oceanos, massas de neve e gelo, massas 
continentais e a vegetação, cujos vínculos físicos e químicos, os mais 
variados e complexos, têm um papel primordial no estabelecimento do 
modelo de clima mundial. Esta definição evidencia a importância das 
interações entre superfície e atmosfera o que supõe que mudanças na 
superfície provocam alterações na atmosfera e no clima e que a 
inserção de materiais e gases na atmosfera pode modificar as 
características climáticas de uma região, remetendo-nos a questão dos 
processos que originam os climas, as escalas climáticas e de suas 
abordagens tanto espacial como temporal. 
O sistema climático está normalmente em uma situação de Equilíbrio 
Térmico: a energia que ele recebe do Sol é igual à que ele emite para o 
espaço. Assim, a Temperatura Média do planeta é constante. 
Este equilíbrio, no entanto, é rompido se houver alguma alteração no 
Balanço Energético do sistema: se por algum motivo a energia perdida 
para o espaço tornar-se menor que a recebida, a temperatura média do 
planeta começa a subir. A poluição atmosférica, por exemplo, pode 
causar um desequilíbrio dessa natureza. 
Se a Perturbação Inicial for mantida constante, o sistema climático 
tende a uma nova situação de 
 
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167 
 
equilíbrio, porém a uma temperatura média mais alta. Este retorno ao 
equilíbrio térmico ocorre porque a elevação da temperatura provoca 
um aumento da energia emitida para o espaço (fenômeno conhecido 
como "dumping" radiativo). 
Entretanto, este retorno ao equilíbrio não é instantâneo: ele demora 
um período de tempo que pode ser mais longo ou mais curto, 
dependendo da intensidade e da natureza da perturbação inicial. Isto é 
o que se chama de Inércia do sistema climático: há um tempo de ajuste 
entre a perturbação inicial do equilíbrio térmico e o retorno ao 
equilíbrio, a uma temperatura mais alta. 
No caso do desequilíbrio provocado pelo efeito estufa actual, o tempo 
de ajuste do sistema climático é da ordem de séculos (principalmente 
devido à enorme capacidade térmica dos oceanos). 
7.1.1 Oscilações e Variações Climáticas 
O planeta Terra está em constante transformação em suasvárias 
esferas, a litosfera com o movimento das placas tectônicas, a hidrosfera 
através do ciclo da água, a atmosfera com as variações climáticas e a 
biosfera com a expansão e contração das áreas ocupadas por 
determinada espécie ou grupo de espécies. 
Nas últimas décadas, vários estudos (HAFFER 1969, AB' SABER 1977, 
BRADLEY 1985, ABSY et al. l993, TURCQ et al. 1993) têm demonstrado 
que desde sua formação, a Terra vem experimentando de maneira 
cíclica e natural, períodos mais quentes e períodos mais frios. (Torres & 
Machado, 2008, P. 202) 
De acordo com Torres & Machado (2008, P. 202) chamam-se oscilações 
climáticas as altas e baixos das médias de séries consecutivas de 30 
anos. Denomina-se variações climáticas períodos superiores à 30 anos. 
Oscilações e variações não diferem senão pela amplitude e duração 
sendo ligadas pelos mesmos processos de circulação geral. Entretanto 
a maior parte dos meteorologistas usa o termo oscilações precisando 
sua escala no tempo: 
 Oscilações geológicas: os períodos se contam em milhões ou 
milhares de anos; 
 Oscilações climáticas: período de vários séculos, posteriores à 
última glaciação quaternária; 
 Oscilações seculares: períodos de 10, 20, 30 ou 50 anos 
(considerados no interior de um século); 
 Oscilações irregulares: são as oscilações de uma semana a outra, 
de um mês a outro, de um ano a outro. 
Varias teorias, em relação as quais não entraremos em detalhes, são 
usadas para explicar oscilações. 
 
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168 
 
De acordo com Salgado-Labouriau (1994), como citado em (Torres & 
Machado, 2008 P. 205) os factores que podem iniciar ou terminar uma 
glaciação são: 
a) Mudanças no relevo topográfico: 
b) Mudanças de radiação por efeito de meteoros 
c) Mudanças de radiação por efeito de vulcanismo 
d) Mudanças na inclinação do eixo de rotação 
 
e) O ciclo solar 
f) Teoria de Milankovitch 
g) Movimentação Tectônica 
 
7.1.2 Efeitos Das Variações Climáticas 
As variações climáticas ocorridas, sobretudo durante o Pleistoceno, 
trouxeram várias consequências para a superfície terrestre, sendo as 
principais apresentadas a seguir: 
a) Mudanças no nível do mar 
b) Efeitos sobre os continentes – maior amplitude térmica em 
áreas longe de grandes superfícies hídricas. 
c) Efeito sobre a quantidade de água na atmosfera 
Com uma menor superfície de água nos oceanos e menor poder 
evaporativo da radiação solar, diminui a quantidade de vapor de água 
na atmosfera, diminuindo o índice pluviométrico e a humidade absoluta 
do ar. 
d) Efeitos sobre a distribuição da biota terrestre 
De acordo com Haffer e Prance (2002), as variações climáticas 
provocaram mudanças globais na distribuição de florestas tropicais e 
demais vegetações não-florestais antes e durante o Cenozóico 
(Terciário-Quaternário). (Torres & Machado, 2008, P. 210) 
Sumario 
Nesta Unidade Temática 7.1 falamos de variações e oscilações 
climáticas, a saber Oscilações geológicas, oscilações climáticas, 
oscilações seculares e oscilações irregulares. Falamos também 
das teorias que tentam explicar estas oscilações e os efeitos das 
variações e oscilações climáticas. 
 
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169 
 
Exercicios 
1. Quais são os componentes de um sistema climático? 
2. O clima do mundo, tal como o conhecemos hoje, nem 
sempre foi assim. Concorda com esta afirmação? Explique-
se 
3. Quais são os efeitos das variações e oscilações climáticas? 
 
UNIDADE Temática 7.2 Mudanças climáticas 
antropogênicas 
Introdução 
Apesar de o clima variar naturalmente, resultados de pesquisas 
constataram que o aumento substancial nas concentrações 
globais de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso deve-se, 
desde 1750, às actividades humanas – principalmente emissões 
devido ao uso de combustíveis fósseis e a mudanças de uso do 
solo. Nesse âmbito esta sub–unidade abordara mudanças 
climáticas como resultado da humanização do espaço. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Explicar: as causas das mudanças climáticas 
 Descrever: os efeitos das mudanças climáticas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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170 
 
7.2.1 Mudanças Climáticas 
 
O interesse dos climatologistas está nas mudanças ocorridas em 
períodos mais curtos e recentes por se suspeitar que algumas 
destas mudanças tenham sido causadas por actividades 
humanas e ganhar vantagem estratégica no sentido de prevenir 
as mudanças ou precaver-se de seus efeitos. 
As mudanças climáticas antropogénicas estão associadas às 
actividades humanas com o aumento da poluição, de 
queimadas, com o desmatamento, a formação de ilhas de calor, 
urbanização, industrialização etc. A partir do final do século 19 
e no século 20 há um aumento significativo da produção 
industrial e um crescente aumento da quantidade de poluentes 
na atmosfera e consequente aumento da temperatura global. 
A redução da temperatura pode estar ligada ao aumento de 
aerossóis lançados na atmosfera que interferem no balanço 
radiativo da terra. 
O gradativo aumento da temperatura é atribuído 
principalmente às emissões de poluentes na atmosfera, 
sobretudo a partir dos últimos 70 anos, com um aumento da 
quantidade de CO2 atmosférico e portanto um aumento do 
efeito estufa. 
Já foi visto que de uma maneira natural o clima foi sofrendo 
variações ao longo dos tempos. A grande dificuldade, no 
entanto, está em separar o sinal devido às mudanças naturais 
das mudanças antropogénicas, e ainda projectar os efeitos 
destas mudanças para o futuro. 
 
7.2.2 Conseqüências da Mudanças Climáticas 
 
 Pressupõe-se que o aquecimento global irá fazer com 
que haja um derretimento das calotas polares, com 
aumento do nível médio do mar e inundação de regiões 
mais baixas. 
 O aquecimento global poderá fazer com que a 
evaporação nas regiões equatoriais aumente e com isto 
aumente a freqüência e a intensidade dos sistemas 
meteorológicos, como furacões e tempestades tropicais, 
El niño etc. 
 Surgimento de microclimas em locais urbanizados: A 
cidade é um grande modificador do clima. A camada de 
ar mais próxima ao solo é mais aquecida nas cidades do 
que nas áreas rurais. A actividade humana, o grande 
número de veículos, indústrias, prédios, o asfalto das 
ruas e a diminuição das áreas verdes criam mudanças 
 
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171 
 
muito profundas na atmosfera local, modificando 
também a temperatura e as chuvas da região. O 
aumento do calor na cidade modifica a circulação dos 
ventos, a humidade e até as chuvas. As cidades 
apresentam um alto índice de impermeabilização por 
causa de componentes como asfalto e betão que 
reduzem a infiltração, aumentando o escoamento 
superficial e a evaporação. As partículas (núcleos de 
condensação) lançadas na atmosfera pelos carros e 
indústrias propiciam o aumento da quantidade de 
nuvens e consequentemente de chuvas. 
 Alteração do ciclo hidrológico e ocorrência de enchentes 
devido ao aumento do escoamento superficial; redução 
do vapor de água na atmosfera sobre área desflorestada, 
aumento da temperatura em cerca de 1 a 3ºC, redução 
da evapotranspiração e consequente da redução da 
precipitação caso não haja uma outra fonte de 
suprimento de humidade para a área em questão. 
 Alteração ou destruição de ecossistemas 
 Ocorrência de chuvas acidas: A emissão de poluentes na 
atmosfera, provenientes dos automóveis e indústrias, 
principalmente os provenientes de óxidos de enxofre e 
óxidos de nitrogênio, irão reagir com o vapor de água 
presente na atmosfera produzindo ácidos nítricos e 
sulfúricos que irão precipitar juntamente com as 
gotículas de água de chuva. A precipitação destes ácidos, 
juntamente coma água de chuva, é chamada de chuva 
ácida, muito comum em grandes centros urbanos. 
 Ocorrência de ilhas de calor, uma anomalia térmica, 
onde o ar da cidade se torna mais quente que o das 
regiões vizinhas. A ilha de calor associada à alta 
intensidade de poluição possibilita a ocorrência de 
doenças respiratórias na população mais idosa que pode 
sofrer riscos fatais, principalmente nos que possuem 
problemas cardíacos. 
 Aumento do efeito de estufa 
 Degradação do ozono atmosférico. No último século, 
devido ao desenvolvimento industrial, passaram a ser 
utilizados produtos que emitem os chamados 
clorofluorcarbonos (CFCs), um gás, que passa 
praticamente ileso pela troposfera e chega até a 
estratosfera destruindo as moléculas que formam o 
ozônio (O3), causando assim a destruição dessa camada 
da atmosfera. 
 
 
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172 
 
7.2.3 Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e o 
Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992 
Nas quatro últimas décadas, várias mudanças climáticas começaram a 
ser percebidas e atribuídas ao aquecimento global. Então, passou a 
existir uma preocupação muito grande de que ocorressem mudanças 
ainda mais drásticas, caso os seres humanos continuassem a emitir 
gases industriais em larga escala. 
Embora alguns cientistas não acreditem no risco do planeta se 
superaquecer, durante a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente 
e o Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992, os 
representantes dos países participantes escreveram a Convenção 
Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. 
 
Nela, reconhecia-se que as mudanças climáticas eram um problema 
real, planetário, e que as atividades humanas têm papel fundamental 
nessas alterações. Sendo assim, é preciso que todos os países se 
esforcem para diminuir o problema, reduzindo a emissão dos gases que 
promovem o aquecimento do planeta (efeito estufa). 
 
7.2.4 O Protocolo de Kyoto 
Para transformar a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre 
Mudanças do Clima em propostas objectivas, em 1997, foi criado 
o Protocolo de Kyoto, que tem por objetivo lutar contra alterações 
climáticas, através de uma ação internacional de redução de 
determinados gases que provocam o efeito estufa - dióxido de 
carbono(CO2); metano (CH4); protóxido de azoto(N2O); 
hidrofluorcarbonos (HFC); hidrocarbonetos perflorados (PFC); 
hexafluoreto de enxofre (SF6). 
 
O protocolo de Kyoto só entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, 
quando os países que assinaram, iniciaram o desenvolvimento de 
projetos para diminuir a taxa de emissão de gases do efeito estufa até 
2012. Contudo, nem todos os países aderiram a ele, devido a questões 
econômicas. Até o momento a questão parece estar se agravando. No 
entanto, já se questiona se o papel da actividade humana no 
aquecimento global é efectivamente decisivo. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 7.2 estudamos e discutimos 
fundamentalmente: Mudanças Climáticas causadas pela 
actividade antrópica e seus efeitos. 
http://educacao.uol.com.br/atualidades/ult1685u163.jhtm
http://educacao.uol.com.br/quimica/sequestro-de-carbono.jhtm
http://educacao.uol.com.br/quimica/sequestro-de-carbono.jhtm
 
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173 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
1. Como se processam as mudanças climáticas 
antropogénicas? 
2. Quais são as consequências das mudanças climáticas? 
Bilbiografia 
 
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações 
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil 
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da 
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto 
Superior Técnico;Brasil; 2008 
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal 
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de 
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970 
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao 
a Climatologia; Brasil; 2008, 
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E 
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d) 
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos 
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No 
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto 
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005 
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999; 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo 
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução: 
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de 
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990) 
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no 
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em 
http://www.uel.br/revistas/geografia 
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de 
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49 
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br 
 
VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão 
Digital 2; Brasil 
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
http://www.uel.br/revistas/geografia
 
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174 
 
Exercicios 
1. Diferencie o tempo do clima 
2. Mencione quatro exemplos de actividades do homem em 
que e pertinente o conhecimento das condições climáticas 
da região. 
3. A principal fonte de energia da terra é a radiação solar. Fale 
dos factores que influenciam a radiação solar 
4. Como se processa o balanço energético da terra? 
5. Qual e a camada mais importante da atmosfera para a 
formação dos fenômenos meteorológicos. Fundamente a 
sua resposta. 
6. Fale da importância do dióxido de carbono, ozono e vapor 
de água atmosféricos. 
7. Indique os quatro factores da circulação atmosférica 
8. O que é e como se manifesta na CGA a forca de coriolis? Use 
esquemas para apoiar a sua explicação 
9. Que sistema de ventos e de pressão actuam na faixa 
equatorial? 
10. Relacione a CGA com os desertos subtropicais 
11. Fale de dois elementos climáticos a sua escolha e descreva a 
sua variação espacial e temporal e os factores que a 
determinam 
12. Como se processam as mudanças climáticas 
antropogénicas?

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