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Obturação Endodôntica

Apostila sobre obturação endodôntica: aborda conceitos, objetivos, indicação, limites apical/cervical, técnica de condensação lateral e avaliação radiográfica; detalha materiais obturadores — cones de guta‑percha (tipos, composição, calibres) e cimentos endodônticos (OZE, resinosos, biocerâmicos).

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Obturaçã� Endodôntic�
● Visão geral:
- Conceitos, objetivos e importância da restauração.
- Materiais obturadores: Guta-percha e cimentos endodônticos.
- Momento da obturação.
- Limite apical de obturação e o limite cervical.
- Técnica de condensação lateral.
Obs: A obturação é o retrato final do tratamento endodôntico. O tratamento final é avaliado
através da radiografia final.
- O canal precisa estar: Ampliado, modelado e limpo para receber a Guta-percha.
- O ideal é que não fique bolhas, nem espaços.
● Conceito:
É a fase do tratamento endodôntico que consiste na eliminação/preenchimento de espaços
vazios, antes ocupados pela polpa dental, que podem servir de nichos para
microorganismos.
Obs: última etapa do tratamento endodôntico, onde vai preencher o espaço do canal
radicular. Tridimensionalidade da obturação (preencher todo o espaço).
● Objetivos:
Eliminação de espaços vazios.
- Para não ocorrer: Infecção secundária ou infecção persistente.
Seleção de materiais obturadores
Obturação
Técnica
● Materiais obturadores
Tem dois tipos de material: Os cones de Guta-percha e os cimentos Endodônticos.
- Matérias em estado sólido ➡ Cones de Guta-percha.
- Matérias em estado plástico ➡ Cimentos Endodônticos.
● Cones de Guta-percha: Tem vários tipos
- Cones para protaper
- Cone principal (usado com a Técnica de Oregon) Cone principal da série ISO: Tem
cones de 15 a 40 e de 45 a 80.
- Cones acessórios: Porque vai precisar preencher todo o espaço criado.
Composição dos cones de Guta-percha
- Guta-percha:19 a 20% e associado ao Guta-percha tem o óxido de zinco.
- Óxido de zinco: 60 a 75% ( Oferece ao cone uma atividade antibacteriana e deixa o
cone mais rígido)
- Radiopacificadores: Sulfato de bário 1,5 a 17% (para poder acompanhar o caso
radiograficamente)
- Resinas, Ceras e corantes: 1 a 4%
Vantagens do Guta-percha como material restaurador
- Adaptam-Se às irregularidades do canal;
- Boa tolerância dos tecidos perirradiculares;
- Radiopacos
- Facilmente plastificados;
- Estabilidade dimensional;
- Não altera a cor da coroa quando no limite adequado;
- Podem ser facilmente removidos do canal. Obs: Bom em casos de retratamento
Desvantagens
- Pequena resistência mecânica à flexocompressão; (ele pode se partir)
- Pouca adesividade; (não é adesivo nas paredes do canal, isso é resolvido com o
cimento Endodôntico)
- Podem ser deslocados pela preocupação. (E ultrapassar o limite apical)
Cones de Guta-percha
Padronizados (calibrados): ISO 6877 (1995)
Tem os cones principais : De 15 a 40 e de 45 a 80.
E tem os cones auxiliares: tem espessura de ponta e de corpo - ML( médio Largo), L(largo),
XL(extra largo), obs: ainda Tem: fino, fino fino, médio fino entre outros.
Lembrando: são cones acessórios
Cones padronizados
-Do: Diâmetro da ponta de um cone (15 a 140)
-Comprimento mínimo de cone: 28mm.
-Conicidade: 0,02mm/mm, 0,04mm/mm e 0,06 mm/mm (+ finos ou + calibrosos)
● Cimentos Endodônticos
Para ser um bom cimento ele precisa:
- Fácil inserção e remoção no canal radicular;
- Ter bom tempo de trabalho.
- Promover selamento.
- Estabilidade dimensional.
- Bom escoamento.
- Radiopacos.
- Não manchar a estrutura dentária
- Adesividades as paredes do canal.
- Insolúvel nos fluidos
- Solúvel nos tecidos perirradiculares.
(Porque se caso extravasar via forame vai ser absorvido)
- Impermeável no canal.
- Biocombustível.
- Atividade antimicrobiana.
Classificação dos cimentos
- Cimentos a base de OZE; (ele oferece toxicidade, deve ser ter cuidado para não haver o
extravasamento via forame)
- Cimentos contendo Ca (OH)2; (hidróxido de cálcio)
- Cimentos resinosos; ex: Sealer 26
- Cimentos de ionômero de vidro ; obs: não são quase utilizados.
- Cimentos biocerâmicos: obs: São bons, porém não é necessário usar em todos os casos.
Tem todas essas características, porém é um cimento novo e ainda está sendo estudado a
sua facilidade de remoção.
Cimento a base de OZE (óxido de zinco e eugenol)
Eugenol: Atividade antimicrobiana, analgésico, antiinflamatório
Obs: Porém ele causa Citotoxicidade.
Canal úmido: diminui o tempo de presa "endurecimento" e a capacidade de escoamento
diminuídos.
Cimento de OZE: tempo de trabalho 3 horas, e o tempo de presa 20 horas
Baixa adesão, baixo escoamento.
Obs: É muito utilizado no serviço público. (+ Barato)
Marcas: Fill Canal, Endofill, Pulp Fill, Intrafill.
Cimentos resinosos
AH 26 (Dentsply/Maillefer)
-Boa estabilidade dimensional
-Adesividade
-Radiopacidade
-Baixa solubilidade
-Boa capacidade seladora
-Bom escoamento
-Atividade antimicrobiana
-Biocompatibilidade
Obs: Custo um pouco mais elevado.
#Padrão ouro dos Cimentos Endodônticos é o AH plus (Dentsply/ De Trey, Alemanha)
-Excelente componente histopatológico
-Tecido cementóide (selamento biológico)
-Boa capacidade seladora
-Excelente escoamento
-Atividade antimicrobiana
-Capacidade adesiva
Obs: Preço elevado.
Manipulação: Pasta a pasta, pode ser na placa de vidro ou no papel.
Cimento contendo hidróxido de cálcio
-Efeitos biológicos (excelente)
-Não é radiopaco (efeito negativo)
-Tem pouco escoamento
-Não tem boa viscosidade
-Permeável e solubilizado com o tempo
-Marcas: Sealapex, CRCS, Sealer 26, Apexit
Obs: O mais utilizado é o Sealer 26.
Obs: Esse material é muito bom quando bem manipulado.
Manipulação: Sealer 26
Pó e líquido não tem quantidade exata.
Obs: espalhar por toda a placa, para quebrar as partículas do pó e ele incorporar o líquido.
Depois juntar, com a espátula de endo e puxar o fio, o fio deve está na espessura de
aproximadamente 2 cm, sem quebrar. (Se quebrar não está na viscosidade correta.
Considerações sobre os Cimentos Endodônticos
- Não há material ideal.
- Embora não promovam perfeito selamento reduzem significamente a microinfiltração de
fluidos e bactérias;
- Apresentam Citotoxicidade reduzida após a presa
- São incapazes de induzir e/ou perpetuar a lesão periapical.
Qual o momento ideal para Obturação?
● Momento da Obturação:
PQM completo: limpeza + desinfecção + modelagem e a medicação tem que ter sido feita.
Se for polpa viva: PQM completo ➡ Obturação (se der tempo na mesma sessão)
Ser for polpa viva com muita dor: PQM completo + medicação intracanal e na próxima
sessão aí volta a avaliar os 3 critérios mencionados acima.
Importante!!!
Ausência de exsudação persistente (não pode ter exsudato)
Ausência de sintomatologia obs: se houver do local novamente a medicação por 7 dias para
pode obturar em uma sessão posterior.
Ausência de odor
Obs: Caso tenha algum desses fatores mencionados, não se pode fazer a Obturação.
● Limite apical de Obturação
O material obturador deve se limitar ao interior do canal dentinário.
O cone principal vai ser colocado no CRT
0,5 a 1,0 mm o protocolo recomenda 1,0mm (o limite apical é a 1,0 mm do ápice)
Subobturado: Se estiver aquém. Problema: espaço para recolonização.
Sobreobturado: além do comprimento de trabalho. Problema: toxicidade do material.
Importante! Limite cervical: 3mm Abaixo do limite amelocementário. (Dá pra fazer o teste
com a pinça de algodão)
Obs: Quando fecha o canal dentinário, vai te a formação tecido cementóide abaixo,
promovendo o selamento apical biológico.
● Técnica de compactação lateral
Foi desenvolvida em 1994 por Callahan
Colocação sucessiva de cones auxiliares lateralmente a um canal principal bem adaptado e
comentado no canal.
Obs: essa técnica vai ser usada para a técnica de Oregon.
Obs2: Na técnica do Protaper vai ser quase a mesma técnica porém não é preciso de cones
acessórios.
● Etapas prévias
- Anestesia
Obs: Todas as etapas da Endodontia deve ser feita sob anestesia.
- Isolamento absoluto
- Remoção do selamento provisório.
- Vasta irrigação (usar muito hipoclorito, para retirar a medicação intracanal).
- Remoção da medicação intracanal (passa o instrumento de memória passa o
instrumento apical foraminal)
- Colocar o EDTA 17% para desobstruir os túbulos (remoção da smear Layer)
Obs: O EDTA deve ser agitado por 3 mim, o ideal é que se faça troca de EDTA pelo
menos 3 vezes. A agitação pode ser feita com oinstrumento de memória ou com o
cone.
- Usar o hipoclorito para retirar o EDTA. De preferência: soro fisiológico estéril ou água
estéril.
● Seleção do Cone principal
Tem que passar nesses critérios:
-Inspeção visual
-Critério tátil. ( O cone está preso no interior do canal)
-Critério radiográfico (para confirmar)
Cone principal
Equivalente ao instrumento memória(IM)
Ex: se o IM for 60, o cone será 60.
Obs importante: O cone tem que ser desinfetado antes de entrar no canal radicular
Deve ficar pelo menos 3 min embebido em hipoclorito de sódio. O cone deve segurado com
a pinça
Obs2: O fato de não chegar no comprimento de trabalho quer dizer: falha na
estandardização ou presença de resíduos (ex: pode ser que não tenha retirado o Callen
todo.
-Sensação tátil: travamento do cone
-Dificuldade de adaptação do cone (falta de estandardização)
● Descontaminação dos cones de Guta-percha
- Cones termolábeis (Não podem entrar na autoclave)
- A descontaminação é feita por métodos químicos (hipoclorito ou clorexidina)
- Imersão no hipoclorito de sódio a 2,5 ou 5,25%
● Secagem do canal
-Aspiração
-pontas de papel absorventes com diâmetro compatível ao do canal.
Obs: Essas pontas de papéis absorventes devem estar estéreis, e é importante marcar o
CRT.
Obs 2: Se houver exsudato persistente, mesmo marcando o CRT a Obturação deve ser
postergada
● Preparo do cimento obturador
-placa de vidro.
-Espátula metálica flexível.
-Cimento: instrumento de diâmetro inferior ao IM.
-Cone principal.
Manipulação do Sealer: mistura lisa, brilhante e homogênea ➡ Fio de 1,5 a 2,0 Cm
Colocação do cimento no canal
Embeber o cone principal no cimento e introduzir dentro do canal radicular. Com
movimentos de "bicada" vai e vem.
● Espaçadores Digitais
Função: Abrir espaço para colocação do lá cones auxiliares
Compactação lateral
Espaçador: avanço 1 ou 2 mm aquém do CT, rotação alternada
Retirada do espaçador e em seguida de colocação imediata do cone acessório com
cimento.
Obs: Fazer novamente uma radiografia com as gutas auxiliares para ver o espaço lateral.
-introduzir mais cones (O quanto for necessário)
- Re-obturar
- Re-instrumentar
● Compactação vertical fina
Cortar o excesso dos cones com um instrumento aquecido.(pode usar o calcador,
condensador de Paiva , aquecer bem com o maçarico até a ponta ficar vermelho rubro.
Quando estiver bem quente, devo cortar o excesso do instrumento e comprimir com o
condensador frio.
- Compressão vertical do material obturador com instrumento frio.
- verificar o limite coronário
- Limpeza da câmara pulpar com álcool.
Após a limpeza colocar novamente o coltosol e encaminhar o paciente para a dentística ou
prótese.
Obs: Lembrar que a Obturação é tridimensional.