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DIRETRIZES PARA A OFERTA DE EJA ENSINO FUNDAMENTAL NA EDUCAÇÃO ESPECIAL 1 – INTRODUÇÃO Essas diretrizes resultam de uma ampla discussão entre a Federação das APAE de Minas Gerais – FEAPAE e Secretaria de Estado de Educação - SEE/MG e tem o objetivo de apresentar uma proposta pedagógica consistente que favoreça a aprendizagem plena dos estudantes com Deficiência intelectual e Transtornos Globais do Desenvolvimento - TGD, nas turmas de Educação de Jovens e Adultos do Ensino Fundamental – EJA EF destinadas a esse público. 2 – CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA De acordo com o art. 28, inciso II, da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) nº 13.146, de 6 de julho de 2015, incumbe ao poder público aprimorar “os sistemas educacionais, visando garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena”, de forma a garantir ao estudante o trânsito pelas etapas de escolarização, valorizando suas experiências, diferenças e habilidades, sem perder de vista a consecução dos objetivos educacionais a que ele tem direito. Nesse sentido, é necessário garantir aos estudantes da EJA Ensino Fundamental a sequência regular em seu percurso escolar, a continuidade e a conclusão de todas as etapas de ensino. Para tanto, a proposta pedagógica deverá contemplar: a organização e o desenvolvimento do Ensino Fundamental, previstos nas diretrizes curriculares nacionais, além dos valores, princípios e finalidades; flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos estudantes; situações de aprendizagem que considerem as especificidades dos estudantes, suas vivências e conhecimento de mundo e que proporcionem o desenvolvimento de habilidades socialmente significativas, visando à construção da autonomia e formação do cidadão competente e responsável; ambiente incentivador da curiosidade, do questionamento, do diálogo, da criatividade e da originalidade; 1 avaliação contínua do desempenho do estudante como instrumento de tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades, possibilidades e necessidades ao longo do processo de aprendizagem, para a elaboração do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual; acompanhamento do desenvolvimento escolar do estudante, conforme previsto no PDI, intervindo e replanejando as estratégias pedagógicas, de forma a garantir a continuidade da aprendizagem; uso de recursos audiovisuais, biblioteca, salas ambiente e oficinas, bem como das novas tecnologias de informação e comunicação; formação continuada e em serviço dos professores, para o trabalho com estudantes jovens e adultos com deficiência intelectual e transtornos globais do desenvolvimento - TGD. O planejamento pedagógico deverá, então, ser elaborado de acordo com essas premissas e definir, com clareza, as habilidades e competências a serem desenvolvidas pelos estudantes, de acordo com as suas reais necessidades, cabendo ao professor flexibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas de conhecimento, de modo a adequar às demandas de aprendizagem. A perspectiva do trabalho interdisciplinar favorece a elaboração da proposta pedagógica para estudantes de EJA EF, pois a articulação entre os componentes curriculares das áreas de conhecimento oportuniza ao estudante estabelecer vínculos entre os diversos saberes, favorecendo a aprendizagem. Ou seja, nessa perspectiva de ensino, os conteúdos dos componentes curriculares deixam de ter um fim em si mesmos: tornam-se meios para o estudante desenvolver as competências e habilidades de que necessita para viver e atuar como cidadão e contribuem para o desenvolvimento de sua capacidade de aprender, estudar e aplicar conhecimentos. As estratégias pedagógicas devem priorizar debates e discussões a partir de situações desafiadoras, como forma de desenvolver a capacidade de argumentar, ouvir e refletir sobre o ponto de vista do outro e explicitar o próprio raciocínio, respeitando os limites e o grau de desenvolvimento da linguagem oral dos estudantes. Na concepção pedagógica para a oferta de EJA EF na Educação Especial, ressalta-se o art. 19 da Resolução CNE/CEB nº 2, de 11/9/2001, que institui diretrizes para a Educação Especial e estabelece que: "as diretrizes curriculares nacionais de todas as etapas e modalidades da Educação Básica estendem-se para a educação especial, assim como estas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial estendem-se para todas as etapas e modalidades da Educação Básica”. 2 Assim se constrói não um novo currículo, mas um currículo dinâmico, flexível, de forma a atender realmente a todos os educandos. 3 – PROPOSTA CURRICULAR A proposta curricular da EJA EF visa à promoção de uma formação integral e integrada do sujeito em todos os contextos, o desenvolvimento humano e as aprendizagens significativas dos jovens e adultos. Para tanto, é necessário identificar e remover as barreiras que impedem o estudante de desenvolver as capacidades e habilidades próprias da sua idade, oferecendo-lhe oportunidades de atuar com mais autonomia e independência. Um currículo integrado que possibilite uma compreensão global do conhecimento, promove a interdisciplinaridade e atende à necessidade de associar ensino/aprendizagem/trabalho na formação de jovens e adultos. Nesse sentido, os temas transversais previstos nas diretrizes curriculares nacionais para os ANOS INICIAIS (ética, meio ambiente, saúde, orientação sexual, pluralidade cultural) e para os ANOS FINAIS (ética, meio ambiente, saúde, orientação sexual e pluralidade cultural, trabalho e consumo), traduzem uma prática educacional voltada para a compreensão dos direitos e responsabilidades sociais e serão incorporados nas áreas de conhecimento e no trabalho educativo das escolas. O currículo de Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos é organizado por área de conhecimento, com o objetivo de favorecer a interdisciplinaridade, num esforço de superar a fragmentação do conhecimento em diversas áreas de estudo e pesquisa. Ainda no contexto da interdisciplinaridade, o planejamento curricular é um dos elementos centrais mais importantes e precisa ser elaborado considerando as flexibilizações e adaptações curriculares, que não podem ser entendidas como uma mera modificação ou acréscimo de atividades complementares, e sim como possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem. Deverá ser organizado e desenvolvido a partir das especificidades dos estudantes de EJA EF, de modo a viabilizar as etapas didáticas, como a problematização, a tematização e a investigação, compreendendo- as como processos fundamentais na produção do conhecimento. Os componentes curriculares são organizados de acordo com a Base Nacional Comum e Parte Diversificada, previstos na LDBEN nº 9394/96 e, ainda, conforme Resolução CNE/CEB 7/2010,que fixa diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos. 3 De acordo com o art. 26 da LDBEN, a Base Nacional Comum, que se refere ao conjunto de conteúdos mínimos das áreas de conhecimento que devem constar dos currículos escolares do Ensino Fundamental, é composta por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos. Em consonância com essa orientação, propõe-se, nos anexos I e II, uma Matriz Curricular para a EJA EF, cujo caráter de flexibilidade deverá ser considerado, de forma a adequar-se à realidade da SRE/Escola e atenderàs necessidades educacionais dos estudantes. Para os ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (Anexo I), a Matriz Curricular é organizada de acordo com a estrutura a seguir, com a inclusão, na Parte Diversificada, de um componente curricular a ser escolhido pelas escolas, de acordo com as sugestões constantes do ANEXO III. EJA ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ÁREA DE CONHECIMENTO COMPONENTES CURRICULARES BASE NACIONAL COMUM LINGUAGENS Língua Portuguesa Arte EDUCAÇÃO FÍSICA Educação Física CIÊNCIAS HUMANAS Geografia História Ensino Religioso CIÊNCIAS DA NATUREZA Ciências MATEMÁTICA Matemática PARTE DIVERSIFICADA *A ser definido pela instituição O Anexo III sugere alguns componentes curriculares para a Parte Diversificada que poderão ser definidos pelas escolas. Para os ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL (Anexo II), a Matriz Curricular é organizada de acordo com a estrutura a seguir, com a inclusão, na Parte Diversificada, de uma língua estrangeira moderna e um componente curricular a ser escolhido pelas escolas, de acordo com as sugestões constantes no ANEXO III. 4 EJA ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ÁREA DE CONHECIMENTO COMPONENTES CURRICULARES BASE NACIONAL COMUM LINGUAGENS Língua Portuguesa Arte EDUCAÇÃO FÍSICA Educação Física CIÊNCIAS HUMANAS Geografia História Ensino Religioso CIÊNCIAS DA NATUREZA Ciências MATEMÁTICA Matemática PARTE DIVERSIFICADA LINGUAGENS Língua Estrangeira Moderna (Inglês) *A ser definido pela Instituição * O Anexo III sugere alguns componentes curriculares para a Parte Diversificada que poderão ser definidos pelas escolas. 3.1 – As áreas de conhecimento e os componentes curriculares: concepções e objetivos As áreas de conhecimento são grandes grupos dos quais os componentes curriculares fazem parte. Os componentes curriculares têm o objetivo de desenvolver competências cognitivas, afetivas, sociais e psicomotoras, com ênfase na compreensão, na interpretação, na construção e na aplicação de conhecimentos, possibilitando a aquisição de habilidades intelectuais gerais e conceituais, habilidades comunicativas verbais e não verbais, habilidades de interação social e habilidades de vida diária e prática. 3.1.1 - LINGUAGENS: A área de LINGUAGENS, de acordo com a Base Nacional Comum (Versão Preliminar, 3/5/2016), trata dos conhecimentos relativos à atuação dos sujeitos em práticas de linguagem verbal e não verbal, em variadas esferas da comunicação humana, das mais cotidianas às mais formais e elaboradas e contribui para a formação pessoal e social do indivíduo. Esses conhecimentos possibilitam mobilizar e ampliar recursos expressivos como, por exemplo, a metáfora, a comparação, entre outros, para construir sentidos em diferentes campos de atuação. Propiciam, ainda, compreender como o ser humano se constitui como sujeito e como age no mundo social em interações mediadas por múltiplas linguagens, como a linguagem artística, que considera as particularidades do indivíduo, de seu corpo e movimento, em suas diversas formas de relação com o espaço e com o outro e é de especial importância para os estudantes público-alvo da Educação Especial, pois favorece as interrelações sociais, desenvolve a autoestima e a afetividade. 5 No contexto dessas diretrizes, a área de conhecimento de LINGUAGENS do Ensino Fundamental para a Educação Especial engloba os componentes curriculares de LÍNGUA PORTUGUESA e ARTE. Especificamente para os ANOS FINAIS, há ainda a obrigatoriedade de uma LÍNGUA ESTRANGEIRA (Inglês). a) Língua Portuguesa O ensino de Língua Portuguesa oportuniza ao estudante a interação com práticas de linguagem, relacionadas ao desenvolvimento de habilidades de comunicação verbal e/ou não verbal, ao uso das linguagens e seus efeitos de sentido, à diversidade de manifestações linguísticas, artísticas e de práticas corporais como construções sociais e culturais, expressão, compreensão e interação com o outro e com seu meio, favorecendo sua participação social. Segundo Cormedi (p.244, 2009), “o desenvolvimento da linguagem e comunicação deve ser considerado como eixo central do processo educativo e a comunicação é a base necessária para a transmissão da informação e para oportunidade de interação”. Assim, as práticas pedagógicas devem considerar o comprometimento e grau de dificuldade que alguns estudantes possam ter nas interações comunicativas, pois estas incidem diretamente no processo de aprendizagem. Todas as estratégias pedagógicas que favorecem o uso da linguagem como meio social precisam ser pensadas, de forma a proporcionar aos estudantes vivências e experiências do mundo físico, social e cultural, através do trabalho de articulação entre seus eixos temáticos. b) Arte A ARTE é considerada como uma das formas de significar o mundo e, para tal, diferentemente das ciências que utilizam a linguagem verbal, usa, além da palavra, cores, sons, formas, movimentos, articulando diferentes formas de cognição para que o estudante possa lidar com a complexidade do mundo por meio do pensamento artístico. A aprendizagem de ARTE oportuniza a constituição do sujeito, de sua identidade e noção de pertencimento e favorece o reconhecimento das semelhanças e diferenças entre os indivíduos e/ou grupos e suas culturas, abrindo caminhos para que todos os estudantes, sobretudo aqueles com deficiência e TGD, possam se expressar e vivenciar experiências nas dimensões da sensibilidade, da ética, da estética e da poética, habilidades estas imprescindíveis para favorecer a construção do conhecimento e o exercício da cidadania, sem discriminações. 6 a) Língua Estrangeira Moderna (Inglês) – ANOS FINAIS A aprendizagem de uma língua estrangeira é direito de todo cidadão: pressupõe o desenvolvimento da cidadania e da consciência crítica em relação à linguagem e aos aspectos sociopolíticos da aprendizagem e contribui “para ampliar as possibilidades do estudante, agir discursivamente no mundo e compreender outras manifestações culturais próprias de outros povos” (PCN, 1998), além de desenvolver uma maior consciência da própria língua materna. Entre outros aspectos essenciais, ressalta-se o caráter interdisciplinar que a aprendizagem de LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA pode desempenhar no currículo. O estudo dos demais componentes curriculares favorece uma aprendizagem significativa, se associado ao ensino de Língua Estrangeira, como proposta do projeto educacional da escola. Essa é uma maneira de viabilizar, na prática de sala de aula, a relação entre língua estrangeira e mundo social, isto é, como fazer uso da linguagem para agir no mundo. 3.1.2 – EDUCAÇÃO FÍSICA O componente curricular EDUCAÇÃO FÍSICA, está proposto nesse contexto como área de conhecimento, tendo em vista o quadro de deficiência múltipla dos estudantes e a exigência de práticas pedagógicas a serem desenvolvidas por profissional exclusivamente habilitado em Educação Física. Num contexto histórico, a EDUCAÇÃO FÍSICA integrou-se ao processo educacional, apropriando-se do compromisso com a formação integral, com a democratização da prática esportiva e com o desenvolvimento dos conceitos de cidadania e cooperação. Nesse sentido, esse componente curricular, no âmbito escolar, favorece o acesso a uma concepção mais abrangente, participativa e, embora não competitiva, revela as habilidades do estudante para práticas esportivas e até paralímpicas. No trabalho integrado entre seus eixos – esporte, jogos e brincadeiras, ginástica, danças e expressões rítmicas, o estudante terá a oportunidade de vivenciar plenamente a sua corporeidade de forma lúdica e interdisciplinar, tendo em vista também a qualidade de vida, promoção e manutenção da saúde. 3.1.3 CIÊNCIAS HUMANAS 7 A área de conhecimento CIÊNCIAS HUMANAS possibilitaa reflexão sobre a valorização dos direitos humanos, favorecendo o desenvolvimento da autonomia individual e da responsabilidade com as pessoas, com o meio ambiente e com o planeta. Os componentes curriculares que compõem essa área - Geografia, História e Ensino Religioso - valorizam a atividade político-cidadã, a importância do trabalho e de seu impacto sobre a vida social, a valorização da pesquisa e da ciência, além da compreensão dos valores e do caráter histórico e filosófico que os permeiam. a) Geografia: A GEOGRAFIA favorece a compreensão ampla da realidade, ao estudar os movimentos que as sociedades realizam no espaço, resultantes de um processo histórico. Ao se trabalhar os eixos temáticos de forma articulada, objetiva-se contribuir para que os estudantes desenvolvam a noção de pertencimento, para assim atuar no espaço em que vivem, o que inclui compreender os processos geográficos e outros espaços, em diferentes tempos. A aprendizagem de GEOGRAFIA favorece ainda o entendimento das relações entre sociedade e natureza, a partir da análise das transformações das paisagens naturais pelas atividades sociais, culturais, econômicas e políticas, no processo de apropriação e produção do espaço geográfico. Ao conhecer as características naturais, sociais e culturais do lugar onde se vive e de outros lugares, o estudante terá a oportunidade de comparar, explicar, compreender e estabelecer relações entre as sociedades, em épocas diversas e diferentes contextos históricos, desenvolvendo a consciência dos limites e responsabilidades da ação individual e coletiva. b) História O estudo da HISTÓRIA oportuniza a construção da identidade do sujeito e a orientação da vida prática, ao possibilitar aos estudantes a compreensão da realidade atual em perspectiva histórica. A aprendizagem de HISTÓRIA promove o conhecimento e respeito ao modo de vida de diferentes grupos, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, possibilitando ao estudante identificar e discutir características, pessoas, instituições, ideias e acontecimentos relativos aos diversos períodos históricos, o que favorece o reconhecimento de semelhanças e diferenças entre 8 os povos, o conhecimento de formas e organizações da sociedade, seus problemas e soluções e a sua atuação como elemento transformador da realidade. c) Ensino Religioso O componente curricular ENSINO RELIGIOSO propõe o estudo dos princípios e valores de convivência humana, do autoconhecimento, da religiosidade e de símbolos religiosos e promove uma reflexão sobre os princípios éticos e morais que permeiam cada área de conhecimento e/ou componente curricular e é desenvolvido a partir da história e das experiências do estudante, de forma a garantir uma aprendizagem significativa. Nesse sentido, deve reforçar os laços de solidariedade na convivência social e de promoção da paz, possibilitando o desenvolvimento de um espírito de fraternidade e tolerância em relação às diferentes religiões, além do enfoque nas relações vivenciadas na escola, na família e na sociedade e, principalmente, no autoconhecimento. 3.1.4 CIÊNCIAS DA NATUREZA A área de conhecimento CIÊNCIAS DA NATUREZA engloba o componente curricular CIÊNCIAS e tem por objetivo promover o desenvolvimento de competências e habilidades para investigação, observação, interpretação do mundo e suas transformações. Nesse contexto, o estudante é sujeito de sua aprendizagem, ou seja, “é dele o movimento de ressignificar o mundo, de construir explicações, mediado pela interação do professor e outros estudantes e pelos instrumentos culturais próprios do conhecimento científico” (PCN, Ciências, 1998). O conhecimento científico é parte da cultura elaborada e fundamental para o conhecimento de mundo. O estudante, como sujeito social, participa cada vez mais de discussões como as relativas ao meio ambiente, ao universo, à saúde, às inovações tecnológicas, entre outros aspectos relacionados às ciências, o que oportuniza o estabelecimento de relações com as outras áreas de conhecimento, ampliando sua visão de mundo. Por isso, a importância de incentivar o diálogo, a interação discursiva entre os conhecimentos dos estudantes e os conhecimentos escolares, por meio da identificação, da problematização e do incentivo à reflexão permanente sobre questões do cotidiano. 3.1.5 MATEMÁTICA A MATEMÁTICA é uma área de conhecimento imprescindível para o acesso dos estudantes às diversas ações humanas, podendo assim exercer seu direito à cidadania. 9 O ensino de MATEMÁTICA requer a compreensão de que é preciso valorizar todo o conhecimento que o estudante traz de suas práticas sociais cotidianas, associando-o aos conhecimentos escolares a serem trabalhados. Portanto, ela não é e não pode ser vista como um aglomerado de conceitos antigos e definitivos a serem transmitidos ao estudante. Ao contrário, no processo escolar, é fundamental que o estudante seja provocado a construir e a atribuir significado aos conhecimentos matemáticos. Nessa lógica, o estudante tem um papel ativo na construção do conhecimento, ao ser estimulado à leitura de textos matemáticos e aos desafios dos jogos e atividades lúdicas. A MATEMÁTICA comporta um amplo campo de relações, regularidades e coerências que despertam a curiosidade e instigam a capacidade de generalizar, projetar, prever e abstrair, favorecendo a estruturação do pensamento e o desenvolvimento do pensamento lógico. Desta maneira, o planejamento do professor precisa considerar que os eixos estruturantes devem ser integrados para proporcionar experiências com as práticas de representação. 4 - RECURSOS QUE FAVORECEM A APRENDIZAGEM DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL 4.1TECNOLOGIA ASSISTIVA Todos os recursos de acessibilidade disponibilizados pela TECNOLOGIA ASSISTIVA ajudam a evidenciar o enorme potencial de desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes com deficiência intelectual, o que significa propiciar seu crescimento e sua autorealização. A TECNOLOGIA ASSISTIVA envolve, atualmente, um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam à resolução de problemas. O termo “TECNOLOGIA ASSISTIVA” é utilizado para identificar todo o tipo de recurso, material e serviço que possa proporcionar e promover autonomia, independência e a ampliação das habilidades funcionais de pessoas com deficiência. No contexto educacional, a TECNOLOGIA ASSISTIVA tem como objetivo romper barreiras sensoriais, motoras ou cognitivas que limitam ou impedem o acesso do estudante aos objetos de estudo, às informações e à sua participação ativa nos desafios da aprendizagem. Ampliam, assim, as possibilidades de realização das atividades pedagógicas pelo estudante, bem como as suas habilidades de comunicação e mobilidade, ambientação escolar, interação social, favorecendo, consequentemente, o processo de aprendizagem. 10 “Fazer TA na escola é buscar, com criatividade, uma alternativa para que o aluno realize o que deseja ou precisa. É encontrar uma estratégia para que ele possa fazer de outro jeito. É valorizar o seu jeito de fazer e aumentar suas capacidades de ação e interação a partir de suas habilidades. É conhecer e criar novas alternativas para a comunicação, escrita, mobilidade, leitura, brincadeiras, artes, utilização de materiais escolares e pedagógicos, exploração e produção de temas através do computador, etc. É envolver o aluno ativamente, desafiando-o a experimentar e conhecer, permitindo que construa individual e coletivamente novos conhecimentos. É retirar do aluno o papel de espectador e atribuir-lhe a função de ator.” (Formação Continuada a Distância de professores para o Atendimento Educacional Especializado – Deficiência Física – MEC 2007).Atualmente, pesquisadores, estudiosos e empresas vêm buscando soluções e estratégias para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento. Essas soluções e adaptações podem ir das mais simples às mais complexas, reunindo, assim, várias estratégias, dispositivos, técnicas e processos que promovem e assistem a pessoas com algum tipo de deficiência. 4.2COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA E AMPLIADA – CAA A comunicação alternativa e ampliada – CAA deve ser trabalhada no âmbito do currículo escolar como forma alternativa de comunicação e como recurso imprescindível para que se promova o diálogo em sala de aula, sendo o professor o mediador desta comunicação. No contexto do processo educacional, a fala é um elemento essencial, mas não pode constituir-se como único meio de comunicação. O educador deverá considerar as formas alternativas de linguagem e comunicação, garantindo que a maioria das pessoas possa compreendê-las. O objetivo é propiciar aos estudantes espaços que favoreçam a comunicação, que pode ser verbal ou não verbal, apoiada por gestos, sinais, gravuras ou símbolos. Para isso, o professor deve intensificar o trabalho pedagógico com atividades que incentivem a leitura de mundo, envolvendo a observação de palavras, textos, rótulos, anúncios, logomarcas, sinais e símbolos que sejam facilitadores do registro e da expressão das tarefas a serem realizadas. A estratégia é sempre facilitar a compreensão, pelo estudante, do que lhe é solicitado. Assim, todos os espaços e atividades tornam-se oportunidades para a comunicação e, portanto, para o estudo da língua portuguesa. Para a confecção de recursos de comunicação alternativa, como cartões e pranchas de comunicação, são utilizados os sistemas de símbolos gráficos, que são uma coleção de imagens gráficas que apresentam características comuns entre si e foram criados para responder a diferentes exigências ou necessidades dos usuários. Dentre as estratégias de comunicação alternativa podemos citar o PECS adaptado (Walter, 2000). A adaptação do PECS, que é um sistema de comunicação por troca de figuras, foi baseada na necessidade de associar um programa de comunicação alternativa a um programa 11 voltado para o ensino funcional, fazendo com que o participante possa estabelecer um canal comum de comunicação, com o objetivo de desenvolver uma comunicação espontânea em situações funcionais e naturais de vida. Assim, todos os momentos em que o estudante está na escola são oportunidades de ensino e de aprendizagem. O PECS, adaptado ao currículo funcional, então, é um recurso alternativo, utilizado com pessoas que não apresentam comunicação verbal ou mesmo fala com função comunicativa, favorecendo seu convívio com outras pessoas e fortalecendo as relações de amizade e o respeito ao educando. Por ser de fácil compreensão, clareza e imediatez na obtenção do item desejado, pode ser utilizado nos diferentes ambientes e de forma natural, podendo contribuir para o processo de aquisição de fala e linguagem de pessoas severamente comprometidas, assim como auxiliar no processo de inclusão destas pessoas, não somente no ambiente escolar, como também na comunidade, família e futuramente no trabalho(Walter 2000). 5 – AVALIAÇÃO Uma nova visão pedagógica tem implicações na avaliação escolar, que passa a assumir um caráter diagnóstico, processual e contínuo, e implica a escola nos processos de aprendizagem dos estudantes, vinculando a prática da avaliação da aprendizagem ao seu projeto pedagógico, à visão epistemológica que o mesmo encerra. Trata-se, aqui, da visão formativa de avaliação, que possibilita a tomada de consciência de conquistas, dificuldades, possibilidades e necessidades ao longo do processo de aprendizagem. Uma avaliação formativa implica “estar disponível para acolher nossos educandos no estado em que estejam para, a partir daí, poder auxiliá-los em sua trajetória de vida” (LUCKESI, 2000). Implica uma avaliação participativa e dialógica,que exige do professor clareza de objetivos a atingir, bem como a construção de relações de confiança e respeito mútuo. Na análise do desempenho escolar, o professor deve levar em consideração a aprendizagem do estudante, o interesse em aprender, seu compromisso com a escola, as relações interpessoais, bem como o ritmo de aprendizagem, as especificidades do aluno no processo de aprendizagem e a adequação do plano de aula. Por isso a importância da escolha dos instrumentos de avaliação, que devem expressar o que é esperado do aluno em relação à sua aprendizagem e ao que foi realizado pela escola. O processo de avaliação deve ser diversificado, considerando suas especificidades, tendo como base a capacidade de aprendizagem significativa e o desenvolvimento do estudante. Uma avaliação que enfatiza o exercício reflexivo sobre o processo de aprendizagem utiliza- se não só de provas, exercícios e questionários, mas de uma diversidade de instrumentos 12 e/ou procedimentos acessíveis, como portfólios, trabalhos individuais e coletivos, observações, registros descritivos e/ou reflexivos, debates, entrevistas, entre outros, adequando-os à faixa etária, ao tempo e às características de desenvolvimento do educando. Uma avaliação formativa da aprendizagem pressupõe, então, um processo compartilhado, contínuo e permanente a ser desenvolvido na escola, com definição de pontos de partida e de chegada diferenciados e caracteriza-se pela maior flexibilidade em relação aos objetivos educacionais. Nesse sentido, o tempo é fator relevante e precisa ser bem rico em mediações consistentes e interações significativas com o conhecimento, com o outro, com as atividades escolares e com as práticas sociais, em espaços acolhedores. Nessa perspectiva, o processo avaliativo precisa ser comprometido com a redução das desigualdades educacionais visando à melhoria e a consolidação do processo de aprendizagem dos estudantes. O desafio é proporcionar maiores oportunidades educacionais para que todos os estudantes tenham o seu direito de aprender garantido. 6 – PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL - PDI O PDI visa nortear as ações educacionais, cumprindo principalmente com a função de promover o processo de ação-reflexão-ação dos educadores. Conforme exigência da Resolução CEE nº 460, de 12 de dezembro de 2013, é obrigatória a elaboração do Plano de Desenvolvimento Individual do estudante, para regulação da aprendizagem e do registro de seu percurso educacional. O PDI oferece subsídios para a elaboração do Plano de Atendimento Educacional Especializado - PAEE, para a análise das avaliações, das estratégias para atendimento às dificuldades de aprendizagem, para a correção de rumos e garantia da continuidade do processo de ensino e aprendizagem. Para a sua elaboração, é importante observar os aspectos cognitivos e metacognitivos do estudante, os aspectos motores e psicomotores, interpessoais e afetivos, comunicacionais e também o registro de todas as situações vivenciadas durante o período cursado, como o aproveitamento, a flexibilização, entre outros aspectos imprescindíveis para a construção de um planejamento pedagógico coerente com a real necessidade do estudante. O PDI deve ser preenchido e atualizado de forma a envolver todos os profissionais da escola e também em parceria com a família, que deverá prestar informações sobre a história de vida do estudante e apresentar relatórios pedagógicos de outras escolas que porventura já tenha frequentado, além de laudos e relatórios médicos. 13 Um PDI bem elaborado e atualizado é norteador da ação educacional do aluno público alvo da educação especial e considerado “um documento comprobatório de registro de escolaridade, devendo compor obrigatoriamente a pasta individual do aluno (Guia de Orientação da EducaçãoEspecial, 2014)”, que subsidiará a escola no preenchimento do histórico escolar pela representação, em nota ou conceito, do desenvolvimento do estudante. 7– ESCRITURAÇÃO ESCOLAR A escrituração escolar é o registro sistemático dos fatos relativos ao estabelecimento de ensino e a cada um de seus estudantes, tendo por finalidade assegurar a verificação de sua identidade, da regularidade e autenticidade da vida escolar dos estudantes e o arquivamento dos documentos próprios. O setor responsável pela escrituração escolar é a secretaria da escola, que tem a atribuição de fazer o registro de todo o processo escolar do educando, para que sirva como documento comprobatório. O trabalho de escrituração deve ser realizado com atenção e cuidado para evitar equívocos e assegurar a fidedignidade dos dados. A partir da publicação da portaria de autorização de funcionamento dos cursos de Ensino Fundamental e/ou Médio, a escola deve manter arquivo atualizado com os seguintes documentos: Publicação no Diário Oficial dos atos autorizados de funcionamento da escola, Regimento Escolar, Proposta Pedagógica, Livro de Atas, Livro de Registro de Matrícula, Livro de Termo de Visita do Inspetor Escolar, Livro de Registro de Recursos Pedagógicos (classificação, aproveitamento de estudos, reclassificação), Matriz Curricular, Diário de Classe, Calendário Escolar, Pasta Individual do Estudante, Pasta de Correspondência, etc. O arquivo escolar deve estar sempre organizado e em dia, com todos os documentos datados e assinados pelos responsáveis. Belo Horizonte, 20 de dezembro de 2016 FEDERAÇÃO DAS APAE DO ESTADO DE MINAS GERAIS 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APAE, Federação das. Referencial Curricular EJA Anos Finais: inclusão da pessoa com deficiência intelectual e múltipla, 2014. CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA/Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 2. Brasília: 2001. CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA/Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 7, de 14/12/2010. Brasília: 2010. CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO. Resolução CEE nº 460, de 12/12/2013. CORMEDI, M.A. A comunicação alternativa no centro de recursos para surdocegueira e deficiência múltipla. In: DELIBERATO, D.; GONÇALVES, M. de J.; LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed. Revista Pátio, Ano 3, nº 2. Fev/Abr.2000. MACEDO, E.C. de. Comunicação alternativa: teoria, prática, tecnologias e pesquisa. São Paulo: Memmon Edições Científicas, 2009. MEC. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: versão preliminar, 2016. MEC. Formação Continuada a Distância de Professores para o atendimento Educacional Especializado: deficiência física. Brasília: 2007). MEC. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96. Brasília: 1996. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: 1998. MINAS GERAIS, Rede Estadual de Ensino. Guia de Orientação da Educação Especial na Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, 2014. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2009. PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed. 1999. SEDH. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Portaria nº 142, de 16/11/2006. VI CONFINTEA. pg. 7. 15 ANEXO I EJA ENSINO FUNDAMENTAL NA EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA OS ANOS INICIAIS 1 – CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA De acordo com o Marco de Ação de Belém, documento resultante da 6ª Conferência Internacional de Educação de Adultos (VI CONFINTEA), ”Alfabetização é um pilar indispensável que permite que jovens e adultos participem de oportunidades de aprendizagem em todas as fases do continuum da aprendizagem. O direito à alfabetização é parte inerente do direito à educação. É um pré-requisito para o desenvolvimento do empoderamento pessoal, social, econômico e político. A alfabetização é um instrumento essencial de construção de capacidades nas pessoas para que possam enfrentar os desafios e as complexidades da vida, da cultura, da economia e da sociedade”. (pg.7) Nessa concepção, as propostas que contemplam ações de alfabetização deverão promover o desenvolvimento da autonomia e emancipação dos estudantes, através de atividades que envolvam práticas sociais de leitura e escrita, por meio da diversidade de gêneros textuais, com foco na progressiva e permanente inserção dos estudantes em situações de letramento, para garantir a inclusão social e a concretização da escolarização em jovens e adultos de EJA. O compromisso das escolas de EJA EF na alfabetização e letramento dos estudantes é superar dicotomias históricas, como as desigualdades de oportunidades, o abandono, a evasão e/ou o fracasso escolar. Portanto, ao apropriar-se das habilidades de leitura, de escrita e de lógica matemática, o estudante ampliará as possibilidades de ação no mundo, oportunizando a realização de projetos pessoais ou coletivos que favoreçam transformações no mundo do trabalho, da comunicação e no exercício da cidadania. No processo de alfabetização e letramento, a ressignificação e a utilização dos diversos espaços escolares, como bibliotecas, quadras, pátios, laboratórios, entre outros, evidencia um trabalho contextualizado e interdisciplinar, oportunizando aos estudantes a compreensão mais ampla e integrada do conhecimento, em situações significativas e mais próximas da sua realidade. 16 2 - ORGANIZAÇÃO CURRICULAR A EJA Anos Iniciais tem a duração de 4 anos letivos, distribuídos em 4 módulos anuais, com 200 (duzentos) dias e 40 (quarenta) semanas letivas, 20 (vinte) módulos-aula semanais de 60 (sessenta) minutos, distribuídos em 5 dias semanais, totalizando 2.400 horas letivas. As aulas são presenciais, com a exigência de 75% de frequência. As turmas de ANOS INICIAIS da EJA EF contarão com 1 (um) professor regente de turma e a enturmação será feita levando em consideração: - Número de 8 a 15 estudantes por turma. Possíveis alterações nesse referencial devem ser avaliadas pela escola, SRE/Inspeção Escolar e Diretoria de Educação Especial; - Etapa de ensino e percurso escolar registrado no censo escolar; - Faixa etária (idade mínima para EJA: 15 anos). 2.1Matriz Curricular para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental A Matriz Curricular dos Anos Iniciais é organizada por área de conhecimento, mas traz em sua essência a concepção de um trabalho integrado, através da interdisciplinaridade entre todas as áreas. Ela é referência para o processo de ensino e aprendizagem e norteada pelos saberes e práticas escolares, para atender ao que realmente se propõe, que é garantir um planejamento de ensino seguro e inovador, através da reflexão da prática pedagógica, e alcançar os objetivos de aprendizagem propostos no Projeto Político Pedagógico. A seguir, proposta de Matriz Curricular para a EJA ANOS INICIAIS: 17 ANEXO I - MATRIZ CURRICULAR – EJA ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ÁREA DE CONHECIMENTO COMPONENTES CURRICULARES 1º MÓDULO 2º MÓDULO 3º MÓDULO 4º MÓDULO A/S M/A H/A A/S M/A H/A A/S M/A H/A A/S M/A H/A BASE NACIONAL COMUM LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA 04 160 160 04 160 160 04 160 160 04 160 160 ARTE 02 80 80 02 80 80 02 80 80 02 80 80 EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA 02 80 80 02 80 80 02 80 80 02 80 80 CIÊNCIAS HUMANAS GEOGRAFIA 02 80 80 02 80 80 02 80 80 02 80 80 HISTÓRIA 02 80 80 02 80 80 02 80 80 02 80 80 ENSINO RELIGIOSO 01 40 40 01 40 40 01 40 40 01 40 40 MATEMÁTICA MATEMÁTICA 03 120 120 03 120 120 03 120 120 03 120 120 CIÊNCIAS DA NATUREZA CIÊNCIAS 02 80 80 02 80 80 02 80 80 02 80 80 PARTE DIVERSIFICA DA A SER ESCOLHIDO PELA INSTITUIÇÃO 02 80 80 02 80 80 02 80 80 80 80 80 TOTAL 20 800 800 20 800 800 20 800 800 20 800 800 LEGENDA: A/S ► AULAS SEMANAIS M/A ► MÓDULOS ANUAIS H/A ► HORAS ANUAIS INDICADORES FIXOS POR MÓDULO: DIAS LETIVOS: 200 SEMANAS LETIVAS: 40 SEMANAS ANUAIS MÓDULO-AULA: 60 MINUTOS MÓDULOS ANUAIS: 800 CARGA HORÁRIATOTAL: 2400 HORAS 18 CONSIDERAÇÕES GERAIS: O professor a ser designado para lecionar o componente curricular de Educação Física deverá ter licenciatura plena. Não havendo o profissional que atenda a esse critério, outro poderá ser autorizado, desde que reúna as condições propostas nos termos da legislação vigente, que estabelece normas para a designação para o exercício da função pública na Rede Estadual. O ensino do componente curricular da Parte Diversificada dos ANOS INICIAIS é de responsabilidade do Professor Regente de Turma. Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras (Lei nº 10.639, de 9/1/2003). ANEXO II EJA ENSINO FUNDAMENTAL NA EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA OS ANOS FINAIS 1 – CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA As diretrizes para a EJA Anos Finais do Ensino Fundamental baseiam-se em projeto elaborado pela SEE/MG para as escolas especiais estaduais e, a pedido da FEAPAE, estendido às escolas das APAE, com autorização do Conselho Estadual de Educação. O projeto de Educação de Jovens e Adultos tem como objetivo garantir ao estudante o percurso escolar nos Anos Finais do Ensino Fundamental e possibilitar a sua conclusão. A proposta da EJA Anos Finais atende aos educandosque já concluíram os anos iniciais do Ensino Fundamental, não devendo ser entendida como extensão de anos finais de ensino regular. O objetivo é integrar os conhecimentos da educação geral, oportunizando a construção da identidade, da dignidade, da autoestima dos estudantes, favorecendo sua inserção na sociedade como cidadão e a formação para o trabalho. Assim, esse projeto visa atender ao princípio da flexibilização, garantindo o acesso do estudante ao currículo e o seu progresso escolar nas etapas de ensino e a conclusão. 2 – ORGANIZAÇÃO CURRICULAR O quantitativo de estudantes considerado para a composição das turmas varia de 8 a 15. Alterações nesse referencial devem ser avaliadas pela escola, SRE/Inspeção Escolar e Diretoria de Educação Especial. A EJA Anos Finais para a Educação Especial tem a duração de 3 anos letivos, distribuídos em 3 módulos anuais, com 200 (duzentos) dias e 40 (quarenta) semanas letivas, 16 (dezesseis) módulos-aula semanais de 50 (cinquenta minutos), distribuídos em 5 dias semanais, totalizando 1.800 horas letivas. As aulas são presenciais, com a exigência de 75% de frequência. 2.1Matriz Curricular para os Anos Finais do Ensino Fundamental A Matriz Curricular dos Anos Finais, assim como nos Anos Iniciais, também é organizada por área de conhecimento, na perspectiva de um trabalho integrado, através da interdisciplinaridade entre todas as áreas. É uma referência para o processo de ensino e 19 aprendizagem, norteada pelos saberes e práticas escolares, para atender ao que realmente se propõe, que é garantir um planejamento de ensino seguro e inovador, através da reflexão da prática pedagógica, e alcançar os objetivos de aprendizagem propostos no Projeto Político Pedagógico. A seguir, proposta de Matriz Curricular para a EJA ANOS FINAIS. 20 ANEXO II - MATRIZ CURRICULAR – EJA ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL – APAE ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ÁREA DE CONHECIMENTO COMPONENTES CURRICULARES 1º MÓDULO 2º MÓDULO 3º MÓDULO A/S M/A H/A A/S M/A H/A A/S M/A H/A BASE NACIONAL COMUM LINGUAGENS LÍNGUA PORTUGUESA 03 120 100h 03 120 100m 03 120 100h ARTE 01 40 33h20m 01 40 33h20m 01 40 33h20m EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA 02 80 66h40m 02 80 66h40m 02 80 66h40m CIÊNCIAS HUMANAS GEOGRAFIA 02 80 66h40m 02 80 66h40m 02 80 66h40m HISTÓRIA 02 80 66h40m 02 80 66h40m 02 80 66h40m ENSINO RELIGIOSO -- -- 33h20m -- -- 33h20m -- -- 33h20m MATEMÁTICA MATEMÁTICA 03 120 100h 03 120 100h 03 120 100h CIÊNCIAS DA NATUREZA CIÊNCIAS 02 80 66h40m 02 80 66h40m 02 80 66h40m PARTE DIVERSIFICADA LINGUAGENS LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLÊS) 01 40 33h20m 01 40 33h20m 01 40 33h20m A ser definido pela Instituição -- -- 33h20m -- -- 33h20m -- -- 33h20m TOTAL 16 640 600h 16 640 600h 16 640 600 LEGENDA: A/S ► AULAS SEMANAIS M/A ► MÓDULOS ANUAIS H/A ► HORAS ANUAIS INDICADORES FIXOS POR MÓDULO: DIAS LETIVOS: 200 SEMANAS LETIVAS: 40 SEMANAS ANUAIS MÓDULO-AULA: 50 MINUTOS MÓDULOS ANUAIS: 640 CARGA HORÁRIA TOTAL: 1800HORAS 21 CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA A EJA ANOS FINAIS: O componente curricular de Ensino Religioso deverá ser trabalhado em forma de projeto, envolvendo todos os professores, numa perspectiva interdisciplinar. A proposta de trabalho por projetos permite que o conhecimento seja tratado de forma construtiva, ao desenvolver a capacidade de selecionar, pesquisar, organizar e analisar. O estudo da religiosidade e de símbolos religiosos, dos princípios e valores de convivência humana e do autoconhecimento promove uma reflexão sobre os princípios éticos e morais que permeiam cada área de conhecimento e/ou componente curricular e é desenvolvido a partir da história e das experiências do estudante, de forma a garantir uma aprendizagem significativa. Portanto, trabalhar Ensino Religioso por projetos implica em melhoria de qualidade de vida, ao favorecer o exercício da cidadania e a participação efetiva nas interações sociais. O professor a ser designado para lecionar nas áreas de conhecimento previstas nessa Matriz Curricular deverá ter licenciatura plena em um dos componentes curriculares da sua área de conhecimento, de acordo com a resolução vigente que estabelece critérios de designação para a função pública. O profissional designado para a área de CIÊNCIAS HUMANAS será responsável pelos procedimentos de escritura e registro dos conteúdos curriculares no Diário de Classe e pela elaboração dos Planos de Aula dos componentes curriculares de Ensino Religioso, Geografia e História. O profissional designado para a área de LINGUAGENS será responsável pelos procedimentos de escritura e registro dos conteúdos curriculares no Diário de Classe e pela elaboração dos Planos de Aula dos componentes curriculares de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna e Arte. Caso a instituição opte pela oferta de mais um componente curricular na PARTE DIVERSIFICADA, conforme proposto, ficará responsável pela contratação do professor. Caso a instituição opte pela oferta de atividades complementares, ficará responsável pela contratação do professor (oficinas pedagógicas). Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras (Lei nº 10.639, de 9/1/2003). 22 ANEXO III SUGESTÃO DE COMPONENTES CURRICULARES PARA A PARTE DIVERSIFICADA - MATRIZ CURRICULAR EJA ENSINO FUNDAMENTAL - Uma nova concepção de currículo traz uma nova concepção de escola, o que requer inovações metodológicas no processo de ensino. O papel do professor, nesse sentido, mudou radicalmente. Com o acesso amplo às informações, sua função essencial é mediar o conhecimento, através de estratégias e situações desafiadoras do cotidiano. Para isso, as áreas de conhecimento e os componentes curriculares se articulam, possibilitando a apropriação, pelo estudante, de diferentes linguagens e consequente desenvolvimento de uma visão global de mundo. A parte diversificada da Base Nacional favorece esse processo de apropriação de conhecimentos e linguagens, ao valorizar as características regionais, culturais, sociais e econômicas de uma região e/ou de uma comunidade. Nesse entendimento, propõe-se, para a parte diversificada, que as escolas procedam à escolha de um dos seguintes componentes curriculares, complementando, então, a carga horária, conforme a proposta das Matrizes Curriculares: 1) INFORMÁTICA EDUCACIONAL A Informática Educacionaltem comoobjetivo permitir aos alunos o contato com o mundo informatizado, sendo mais um recurso para garantir a aprendizagem prazerosa dos diversos componentes curriculares, através de softwares educativos, em ambientes próprios para estas atividades, como o laboratório de informática. Ao professor, abre-se a possibilidade de ampliar e diversificar a sua prática pedagógica, pois possibilita a utilização de estratégias que não se restringem ao simples uso e manuseio de uma máquina. O trabalho com o componente curricular de Informática Educacional vai garantir que todos os estudantes tenham acesso aos conteúdos dos demais componentes curriculares, numa perspectiva interdisciplinar, através de atividades dinâmicas e prazerosas, ao mesmo tempo em que prepara o aluno para o mundo informatizado. 2) EDUCAÇÃO MUSICAL A música, quando aprendida e utilizada como linguagem, oferece aos estudantes o acesso a uma educação para a vida que inclui o desenvolvimento da sensibilidade, integrando pensamento e sentimento. A música como linguagem não é algo apenas para quem busca formação profissional, não depende de talento ou dom e está ao alcance de todos. Muitas são as questões relacionadas à formação do professor, às práticas docentes, aos conteúdos e metodologias, no ensino da música. Mas, quando ela é assumida como linguagem,a música nos permite integrar competências linguísticas, corporais, espaciais, raciocínio lógico, percepção de si 23 próprio e percepção do outro, além das musicais. É um componente curricular dos mais abrangentes no que se refere à integração entre as mais variadas áreas do conhecimento. A Educação Musical é vital para a formação de indivíduos, ao oportunizar o desenvolvimento de capacidades de percepção domundo em que se vive e de usar com sensibilidade e sabedoria os conhecimentos adquiridos ao longo de toda a sua formação. 3) ORIENTAÇÃO AFETIVO SEXUAL A proposta de Orientação Afetivo Sexual procura considerar todas as dimensões da sexualidade: a biológica, a psíquica e a sociocultural, além de suas implicações políticas. Cada sociedade desenvolve regras que se constituem em parâmetros fundamentais para o comportamento sexual das pessoas. Isso se dá num processo social que passa pelos interesses dos agrupamentos socialmente organizados e das classes sociais, que é mediado pela ciência, pela religião e pela mídia, e sua resultante é expressa tanto pelo imaginário coletivo quanto pelas políticas públicas, coordenadas pelo Estado. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que as pessoas com deficiência têm as mesmas necessidades de saúde sexual e reprodutiva que todas as outras pessoas. Todavia, as barreiras que encontram no acesso a essa informação são intransponíveis para alguns e demasiado dificultadoras para outros, face às limitações que apresentam. Pior ainda são mesmo as barreiras impostas pela sociedade, pela sua intolerância e ignorância, a esse grupo minoritário de população que, por si só, perfaz o maior obstáculo ao acesso a esse tipo de conhecimento (OMS, 2009). Há uma tendência a encarar a sexualidade dos deficientes como “redutora e enviezada”, reconhecendo-lhe, quando muito, na teoria, o seu direito à sexualidade, desde que não a pratiquem. Esse grupo específico da população é também, segundo a OMS (2009), de fácil persuasão para abusos, assim como estão mais propensos às doenças sexualmente transmissíveis, dada a sua possível menor capacidade intelectual de discernimento de comportamentos abusadores. Assim, o espaço educacional tem o compromisso de orientar tanto o deficiente intelectual, quanto a família, acerca da sexualidade e afetividade, possibilitando maior autonomia da pessoa com deficiência intelectual, de forma a reforçar a autoestima e valorizar a imagem corporal, aumentar os conhecimentos sobre anatomia e fisiologia humana, promover atitudes positivas e não culpabilizantes face aos seus sentimentos e comportamentos sexuais, reforçar a confiança no seu próprio juízo, facilitar o reconhecimento dos riscos que poderãoocorrer, reforçar atitudes de entendimento e aceitação dos sentimentos e necessidades dos outros. 4) EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA 24 A rede mineira das APAE têm, desde 2009, oprograma de autogestão e autodefesa, que conta com dois eixos: um direcionado para ações de autogestão, outro direcionado para as ações de autodefesa, com o objetivo de capacitar a pessoa com deficiência intelectual e múltipla sobre os seus direitos e deveres enquanto cidadão, levando a pensar, opinar, discutir, buscar soluções e elaborar conceitos. As pessoas com deficiência intelectual e múltipla, independente da intensidade do apoio que necessitam, ou seja, do seu grau de comprometimento, podem e devem aprender a fazer escolhas, a expressar pensamentos e desejos e promover a defesa de seus direitos, cabendo ao professor questionar e instigar o pensamento crítico dos alunos com deficiência intelectual. Com esse componente curricular, espera-se, ao final, instrumentalizar e valorizar a pessoa com deficiência intelectual assegurando-lhe o exercício da cidadania, ou seja, o controle sobre as decisões que lhe afetam e influenciam sua vida, promover o desenvolvimento da autonomia, da autodeterminação, autogestão e empoderamento. 5) ARTES CÊNICAS As artes cênicas abrangem o estudo e a prática de toda forma de expressão através de uma representação, como o teatro, a música ou a dança, entre outras. Elas são um conjunto de técnicas utilizadas para criação, direção, montagem e interpretação de espetáculos, que se desenvolvem num palco ou qualquer local de representação, como praças e ruas. Nesse contexto, a escola tem importância primordial, ao oportunizar ao estudante o desenvolvimento da consciência corporal, do ritmo, do equilíbrio, da postura, da atenção, contribuindo assim para a melhoria da autoestima, para a apropriação de conceitos, convenções e regras, de forma participativa e cooperativa. Ao estudar ARTES CÊNICAS, o estudante faz uso de seus movimentos corporais e de sua voz para representar personagens e tem a oportunidade de experimentar, pesquisar e criar elementos e recursos da linguagem teatral, como maquiagem, máscaras, figurinos, adereços, música, cenografia, iluminação, entre outros. Além disso, desenvolve a habilidade de construir roteiros e cenas, que apresentam um enredo, com introdução, conflito e conclusão. Ainda: tem a oportunidade de criar cartazes, faixas, panfletos, entre outros, para divulgação do espetáculo teatral. Através das representações a partir do que já existe e da reflexão que fazem em busca de algo novo, os alunos aprendem a fazer as escolhas certas, tornam-se atentos para os problemas sociais e desenvolvem consciência crítica. 25 COMPONENTES CURRICULARES COMPONENTES CURRICULARES