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ANGELO RICARDO DE SOUZA

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resultados do trabalho feito;
e) exame das condições para que se evite a reaparição do problema (Lourenço Filho,
1976, pp. 71 e 72). Esse esquema objetiva permitir ao administrador “satisfazer, reduzir
e eliminar necessidades” (Lourenço Filho, 1976, p. 72) no desenvolvimento dos
trabalhos da instituição.
O processo de planejamento é conceituado por Lourenço Filho como uma ação
projetada no futuro, que envolve previsão de resultados futuros, partindo do uso de
processos racionais (1976, p. 72), esquematicamente apresentado, a partir do
pensamento de Mosher e Cimmino, pela idéia de “plano ação resultado”
(Lourenço Filho, 1976, p. 73), destacando que as decisões do planejamento não ocorrem
apenas no início, mas durante todo o processo e, especialmente, que tais decisões não
podem ocorrer ignorando-se o ambiente ou contexto dos problemas em pauta. Esta
adequação ecológica é em particular importante para as escolas, uma vez que se trata de
instituições cujo trabalho é de natureza coletiva e nas quais a cooperação é determinante
para os bons resultados.
Para além do planejamento, o autor expõe a importância da existência de um
poder que continuamente tome decisões, coordenando os processos de gestão. Este
poder, para o autor, se identifica nas individualidades dos sujeitos dirigentes, ou nas
palavras dele próprio: “não se poderá dissimular que as funções de direção sempre se
individualizam. (...). Essa é a razão porque muito se insiste em atributos pessoais do
administrador (...). Quando bem exercida, a essa qualidade cabe o nome de liderança”
(Lourenço Filho, 1976, p. 76). É instigante o fato de a escola ser para o autor uma
instituição de ação cooperativa e solidária, todavia, com estrutura de comando
verticalizada e individualizada, e com a separação entre os que devem pensar e
organizar daqueles que devem executar. Esta posição sugere a filiação do autor de fato
às teorias administrativas por ele apresentadas, com o acréscimo de que o dirigente
escolar não deve jamais esquecer-se da âncora ecológica, isto é, do contexto no qual irá
aplicar os princípios administrativos e dos objetivos educacionais. Contudo, há uma
passagem no livro na qual o autor denomina este processo de democrático:
As formas relativas à administração dos professores como dos alunos, (...),
compreendem a uma compreensão da vida escolar em bases de cooperação, de uns e
outros, nos planos e encargos da administração. De modo geral, de compreensão
democrática (Lourenço Filho, 1976, p. 155).
E entende por democracia: “Democracia, como sistema de vida de um grupo,
significa a compreensão inteligente dos fatos que nele se dêem, para decisões que
atendam a interesses comuns, por métodos de ação solidária” (Lourenço Filho, 1976,
p. 155).
Aquela idéia de liderança é agora adjetivada em liderança democrática, a qual
“não dissipa, porém, os níveis de autoridade nem os deveres de subordinação
funcional, sem o que não haveria ordem nem método” (Lourenço Filho, 1976, p. 155).
Parece que a democracia está, neste caso, sendo compreendida como sinônima
de atividades cooperativas, na qual uma certa idéia de ordem pública é pressuposta.
Acrescentando-se que a busca por objetivos educacionais que identifiquem a qualidade
do ensino e, portanto, a sua eficiência, já per si representam uma ação pública
democrática. Não há incorreções quanto a isto, mas vale lembrar que o autor mesmo
reconhece, como vimos, que a ação de coordenação é uma ação política, que envolve
relações de poder e pensar a democracia, ou a compreensão democrática, nestas
condições, requer mais do que o interesse e a ordem públicos. Todavia, também cabe
registrar que os olhares do autor estão voltados para as necessidades do país em ampliar
o atendimento educacional de forma séria e profissional e esta ação de elevação da
condição escolar da população carrega consigo uma face democrática.
Mais do que planejar e coordenar, o dirigente escolar tem as tarefas de
comunicar e inspecionar, uma vez que a constituição de um bom sistema de
comunicação é essencial para o trabalho do administrador escolar, na visão do autor,
pois permite que o trabalho escolar, pela sua natureza cooperativa, possa ser melhor
executado tanto em relação à busca comum dos objetivos, quanto aos procedimentos
para este trabalho. A idéia de comunicação que tem Lourenço Filho é mais de
propaganda dos objetivos e métodos e de difusão de idéias em busca de coesão do que
uma ferramenta a serviço do diálogo ou mesmo da informação geral e da transparência
das ações escolares. Vejamos a seguinte passagem:
Freqüentemente, belos programas, concebidos do alto, com ignorância das condições
reais daqueles que os devam aplicar, tornam-se inócuos, senão perturbadores. O teor
geral de qualquer comunicação terá de levar sempre em conta tais condições. Em suma,
a comunicação tem como objeto próprio influenciar as pessoas no sentido da coesão
estrutural e funcional de cada serviço (Lourenço Filho, 1976, p. 82).
Na primeira parte da citação, o autor parece ignorar que a inocuidade daqueles
programas talvez seja devida a outros fatores que não as falhas na comunicação ou na
coleta de informações sobre as condições de aplicação desses programas, como o fato
dos seus executores, os professores, no limite, não serem considerados sujeitos ativos no
processo de planejamento das políticas educacionais. Para o autor, tudo parece se
resumir em boa ou má propaganda. Porém, cabe o registro do autor acerca da
importância do papel do professor naquilo que ele chama de investigação ativa,
constituindo uma espécie de professor pesquisador.
O controlar e o pesquisar fecham a lista de verbos das tarefas do dirigente
escolar. O autor parece preferir utilizar o verbo controlar ao verbo avaliar. Mas a sua
perspectiva do que seja o controle é bastante próxima da concepção de avaliação
institucional, envolvendo a idéia de balanço, ou seja, o cotejamento entre o que foi
proposto e os resultados do trabalho escolar, avaliando-se as diversas pessoas,
atividades e órgãos da instituição. Finalmente, Lourenço Filho enumera uma série de
procedimentos necessários ao dirigente escolar na busca de eficiência e de influência
sobre as atividades de ensino que vão desde o processo de sistematização de objetivos,
readequação da relação meios e fins, até os cuidados com os edifícios escolares, zelo na
freqüência dos alunos, regularidade com a documentação escolar, inspeção do trabalho
dos professores, avaliação dos resultados de todo o trabalho.
Outro autor que se destaca na área neste período é Anísio Teixeira que, nos anos
60, proferiu uma conferência na abertura do I Simpósio Brasileiro de Administração
Escolar, na condição de Diretor do INEP, denominada “Que é Administração Escolar?”.
Esta conferência foi depois publicada na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos
(1961). O pensamento deste autor é muito importante no esforço deste texto em
apresentar e mapear os principais pensamentos sobre a área da Gestão Escolar durante o
século passado, porque Teixeira foi, sabidamente, um dos maiores autores a tratar sobre
a educação no Brasil em toda a sua história, logo, quando pensador desta envergadura
escreve sobre a Gestão Escolar, carece de se observar suas idéias. Além da conferência
citada, outros dois textos seus serão discutidos: um capítulo do livro “Educação para a
Democracia”, de 1935, em edição de 1997, e outro capítulo do livro “Educação no
Brasil”, de 1956, em edição de 1999.
Anísio Teixeira não pode ser comparado aos demais autores disto que aqui se
denomina de período clássico da administração escolar no Brasil. Sua produção
ultrapassa no tempo, no conteúdo e na abordagem deste conteúdo, os rumos apontados
pelos estudos anteriormente mencionados. Mesmo assim, há elementos equivalentes
entre o seu trabalho e os demais autores citados, particularmente no que se refere às
críticas à escola tradicional, à necessidade de profissionalização da educação e aos
reclames

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