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Você já se perguntou alguma vez porque é tão bom ir naquele show da nossa banda preferida? E porque gostamos de ficar perto da caixa de som?
Isso provavelmente não tem só a ver com a música em si, mas também com a sensação da música invadindo o nosso corpo.
Nesse momento você está sentido a vibração de cada nota dentro de si.
A partir de agora você vai ver porque isso acontece e, mais importante, como fazer com que os outros tenham a mesma sensação.
Essa sensação ocorre porque os sons são formados através de vibrações no meio, seja ele sólido, líquido ou gasoso. Essas vibrações são provocadas pelo deslocamento das ondas dentro de um espaço/tempo.
Só a título de curiosidade, o cinema criou um mito nos filmes de ficção científica de que há explosões no espaço. Isso é apenas um recurso visual. Visto que no espaço não há oxigênio ou outros meios por onde o som possa se propagar, não há som no espaço, então mesmo que uma nave ou um planeta inteiro seja explodido, o silêncio será absoluto. Mas é verdade que no cinema seria muito sem graça ver uma explosão (que é outro recurso visual) e não ter a sonoplastia característica acompanhando.
Até agora você já viu que o som é formado a partir de ondas, mas fique sabendo que nem tudo é som, pelo menos não para nós humanos. Assim como na luz existe o infravermelho e o ultravioleta, que são faixas do espectro que não podemos ver, no som existem os infrassons e ultrassons.
E não pense no silêncio como a ausência de som. Até mesmo em silêncio temos “barulho” ou som.
O espectro audível por um ser humano fica entre 20 e 20 mil vibrações por segundo e já é sabido também que, quanto mais velho ficamos, menos dos ultrassons ouviremos.
Essas vibrações são nomeadas da mesma forma que os quadros por segundo na televisão. Usa-se para tal medida o Hertz (Hz), em homenagem ao físico de mesmo nome.
Então, da mesma forma que na animação, quanto mais curto o espaço entre as ondas no mesmo espaço de tempo, maior será a frequência do som, e assim o percebemos como um som mais agudo.
As ondas que formam o som podem ser comparadas às ondas no oceano. E o exemplo mais comum de vibração dessas ondas são os instrumentos de corda, quanto menor o comprimento, mais alto o som, e não estamos falando só de volume não.
Maiores frequências irão criar sons mais agudos e, por consequência, sons mais altos. Essas baixas frequências que são os infrassons e, como você já viu, não podemos ouvir a não ser com o uso de equipamentos. E o oposto disso são os ultrassons.
Atente para o fato de que algumas pessoas podem vir a sentir um mal-estar ao ouvir essas frequências mais altas.
Também medida em Hertz é a amostragem de áudio, como você viu na tabela da aula 1. Para que ouçamos uma frequência X, essa taxa de amostragem deve ser o dobro da frequência, então, para a criação de um CD que reproduz sons “comuns”, a frequência ideal é o dobro da frequência da audição humana, que como você já sabe está em torno de 20kHz, então, por isso foi determinado que os CDs produzidos devem usar uma taxa de amostragem de 44kHz (44.1kHz para ser mais exato). Então, porque os DVDs e áudios de alta qualidade vão além dos 190kHz? O objetivo é conseguir uma maior precisão nos sons mais agudos.
Um detalhe importante é que, mesmo sendo digital, não há como melhorar um arquivo de áudio simplesmente aumentando a taxa de amostragem, mas se fizer ao contrário, o áudio perderá as informações que possui e, consequentemente, perderá qualidade.
A frequência em si não tem nada a ver com o volume. O volume ou intensidade sonora é a potência de emissão desse som e é expressa em decibel (dB), e essa medida é a mais conveniente por corresponder às variações que podemos perceber, contra os Watt que vemos em produtos eletrônicos e temos dificuldade em mensurar.
Repare que a cor verde (indicando bom nível de áudio) está na faixa dos “-6”, mas negativo não significa menos? Bem, isso depende.
Na escala dB, “0” significa silêncio. Agora que nada faz mais sentido, né?
Isso é verdade ao medirmos a intensidade de um som, como a buzina de um carro (110dB), mas os programas de edição usam como base um áudio que tem um nível definido pela sua frequência, e por isso é apelidado de “mil ciclos”. Através desse arquivo, podemos calibrar o sistema e garantir que toda a edição e a mídia que será exportada estarão com o nível de áudio satisfatório.
Então, segundo a imagem anterior, entendemos que:
A edição que está sendo montada possui pelo menos 2 arquivos de áudio tocando ao mesmo tempo, sendo que o “Áudio 1” é um arquivo estéreo que possui os dois canais de áudio (direito e esquerdo) mixados, enquanto “Áudio2” e “Áudio 3” são o mesmo arquivo, sendo que os canais direito e esquerdo estão separados.
Este processo de mixagem nada mais é do que a combinação de múltiplas faixas de áudio em apenas dois canais estéreos.
Isso é comum acontecer já que, em diversos programas de edição e criação de áudio podemos usar centenas de faixas de áudio, seja para diferentes instrumentos, como no caso de uma composição musical, ou no caso de uma edição de televisão, para organizarmos as vinhetas, as locuções e os sons ambiente. Como de qualquer forma a saída só pode ser feita em 2 canais, direito e esquerdo, então essas múltiplas trilhas são combinadas conforme desejo do editor. Uma solução comum é distribuir todas as falas em um canal e todas as músicas em outro.
Mas atenção, mixagem não tem nada a ver com compressão. Da mesma forma que as imagens, a compressão apenas visa reduzir o tamanho dos arquivos, e nos áudios também existem compressões com e sem perda.
E como você já deve imaginar, uma compressão de áudio como é o caso do formato MP3 explora a nossa faixa não audível, assim ele pode eliminar os sons que não podemos ouvir e, ainda assim, aparentar a mesma qualidade do arquivo original, mas agora com um tamanho bem reduzido.
Entenda que quanto mais pedirmos para comprimir um arquivo, menor será o seu tamanho, mas para isso, o codec terá que eliminar mais informação, acabando por prejudicar a qualidade do arquivo a um ponto onde a falta de qualidade passa a ser perceptível.
Os DVDs e Blu-rays usam a tecnologia Dolby Digital ou AC3 que, além de manter uma alta fidelidade dos sons, possibilita o uso de múltiplos canais para criar a sensação de espaço através do som.
O tamanho do arquivo leva em consideração a taxa de amostragem, os canais de áudio, o bitrate e o tempo.
Uma unidade importante para se levar em consideração na compressão é o bitrate (Bit Rate). Ele é a taxa de transferência de informação (em bits) nos arquivos de áudio e vídeo em um determinado espaço de tempo e, obviamente, quanto maior o bitrate, maior a qualidade do arquivo e maior o espaço em disco. Sem querer comparar, mas já comparando, é como se fossem os DPIs das imagens.
Mas ainda falando dos canais, um arquivo de áudio também pode ser monofônico, ou seja, ele possui apenas um canal de áudio, então ao ouvirmos através de um dispositivo estereofônico com um fone de ouvido ou caixas de som do seu microssistema, provavelmente ouviremos o som saindo de apenas um dos lados.
O contrário disso poderiam ser consideradas as novas tecnologias de som usadas nos Home Theaters. O som multicanal ou surround nada mais é do que fontes independentes de áudio que são transmitidas simultaneamente. Um padrão que ficou famoso por usar essa tecnologia foi o Dolby. Conhecido como 5.1 e que hoje já atinge 6.1 e 7.1, significa que o equipamento possui, no caso do 5.1, 5 canais médios e agudos e 1 canal de grave, conforme o diagrama.
Se você já experimentou essa tecnologia, também disponível nos cinemas, pode perceber que ele promove uma experiência melhor de som, já que cria um ambiente sonoro tridimensional, dando ao espectador a sensação espacial do ambiente.