Logo Passei Direto
Buscar

Sobre a Brevidade da Vida - Sêneca

Edição de Sêneca: Sobre a Brevidade da Vida — tradução, introdução e notas de Alexandre Pires Vieira; inclui o texto em latim e em inglês, cronologia e cartas.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

SÊNECA
“A VIDA, SE VOCÊ SOUBER USÁ-LA, É
LONGA”
 
Sobre a Brevidade 
da Vida
 
 
 
Tradução, introdução e notas de
ALEXANDRE PIRES VIEIRA
©2018 Copyright Montecristo Editora
LÚCIO ANEU SÊNECA
Sobre a Brevidade da Vida
Ad Paulinum, De Brevitate Vitae
Lucius Annaeus Sêneca
Supervisão de Editoração/Capa
Montecristo Editora
Tradução
Alexandre Pires Vieira
Imagem da Capa
fotografia de "Nero e Sêneca", por Eduardo Barrón (1904), Museo del Prado
ISBN:
978-1-61965-125-8 – Edição Digital
Montecristo Editora Ltda.
e-mail: editora@montecristoeditora.com.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
SÊNECA
Sobre a Brevidade da Vida / Sêneca; introdução, tradução e notas de Alexandre
Pires Vieira. – São Paulo, SP : Montecristo Editora, 2018.
Título original: Ad Paulinum, De Brevitate Vitae
https://en.wikipedia.org/wiki/Seneca_the_Younger#/media/File:Ner%C3%B3n_y_S%C3%A9neca_(Barr%C3%B3n).JPG
mailto:editora%40montecristoeditora.com.br?subject=Direitos%20Humanos%20Idade%20M%C3%ADdia
Sumário
Notas de Louvor ao livro
Introdução – Nota do tradutor
Sobre a tradução
Sobre a Brevidade da Vida
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
On the shortness of life (Inglês)
I
II
III
IV
V
VI
VII
VIII
IX
X
XI
XII
XIII
XIV
XV
XVI
XVII
XVIII
XIX
XX
Ad Paulinum, De Brevitate Vitae (Latim)
I.
II.
III.
IV.
V.
VI.
VII.
VIII.
IX.
X.
XI.
XII.
XIII
XIV.
XV.
XVI.
XVII
XVIII.
XIX.
XX.
CRONOLOGIA
Bonus
Carta I. Sobre aproveitar o tempo
Carta LXVI. Sobre vários aspectos da virtude
Notas de Louvor ao livro
"A vida, se você souber usá-la, é longa” - Sêneca
“Nenhum livro moldou minha vida mais do que Sobre a Brevidade da Vida
de Sêneca. Acredito com todo o meu coração que é a melhor coisa que já foi
escrita, e não há meio de fazer justiça a não ser encorajar a todos que conheço
a lê-lo. É a resposta para a questão de como devemos viver nossas vidas, um
chamado poderoso para usarmos nossos dias em coisas que realmente
importam. Eu tenho meditado sobre este livro e aprendido com ele por tanto
tempo que Sêneca se tornou meu melhor amigo e mentor mais sábio. Ele fez
por mim o que Zenão, Pitágoras, Demócrito e Aristóteles fizeram por ele: ele
não me forçou a morrer, mas me ensinou como morrer, ele não gastou meus
anos, mas contribuiu com seus anos para os meus, e ele nunca uma vez me
mandou embora de mãos vazias.” – Susan Fowler
“Sobre a Brevidade da Vida é maravilhoso, recomendo a todos os homens”
– Denis Diderot
“Existem várias passagens em Sobre a Brevidade da Vida, onde a
capacidade de Sêneca de escrever de forma clara e evocativa realmente
brilha... tornou-se um dos meus ensaios favoritos. É fácil de ler, repleto de
prosa cativante, analogias imaginativas e comentários incisivos sobre a
existência humana. É também uma fonte para a qual eu volto sempre que
alguém faz demandas irracionais de meu próprio tempo...” – Massimo
Pigluicci
“Um dos livros mais perspicazes que já li. Sêneca, sendo um dos filósofos
mais conhecidos na época, mergulha em nossos pensamentos, bem como
outros pensamentos de todas as gerações. Mesmo que suas reflexões tenham
sido feitas no início do primeiro século, ele ainda é atual. Ele faz o que
qualquer bom filósofo deve fazer: fazer você pensar. Quão rápido somos para
dispensar alguém que está nos pedindo $100, enquanto teremos prazer em dar
uma tarde em um evento que não queremos participar? Eu releio este livro o
tempo todo.” – N.J.Terry
Introdução – Nota do tradutor
Sobre a Brevidade da Vida
Sêneca escreveu suas 20 seções sobre a Brevidade da Vida em 49, ano em
que retornou a Roma de seu exílio na Córsega como um ensaio moral
dirigido a seu amigo Paulino.
Começa: “A maioria dos mortais, Paulino, queixa-se amargamente da
maldade da natureza, porque nascemos por um breve período de vida,
porque até mesmo esse tempo que nos foi concedido corre tão depressa e
tão rapidamente que, à exceção de muito poucos, encontramos a morte
quando ainda estamos nos preparando para viver”. Sêneca argumenta
imediatamente que não é realmente o caso que a vida humana seja curta, mas
sim que a maioria das pessoas desperdiça grande parte dela. “A parte da
vida que realmente vivemos é pequena. Pois todo o resto da existência
não é vida, mas apenas tempo”.
Na seção III ele observa que nós tendemos a guardar cuidadosamente de bens
que podem ser trocados por dinheiro, e ainda assim somos incrivelmente
esbanjadores da única coisa pela qual as pessoas não podem nos devolver: o
tempo.
“Olhe para trás na memória e considere quando você já teve um plano
determinado, como poucos dias se passaram como você pretendia,
quando você esteve sempre à sua disposição, quando seu rosto usou sua
expressão natural, quando a sua mente não esteve perturbada”
Depois dessa passagem, Sêneca repreende Paulinus por reservar para a busca
da sabedoria apenas os pedaços de sua vida que sobram depois de ter cuidado
dos negócios comuns: “Você não tem vergonha de reservar para si mesmo
apenas o remanescente da vida, e separar para a sabedoria apenas o
tempo que não pode ser dedicado a qualquer negócio? Viver apenas
quando devemos deixar de viver!”
Sêneca diz que adiar as coisas é um grande desperdício de recursos da vida e
que “o maior obstáculo para a vida é a expectativa, que depende do
amanhã e do desperdício de hoje”. Na seção X, diz que a vida pode ser
dividida em três partes principais: “aquilo que foi, aquilo que é, aquilo que
será. Destes, o tempo presente é curto, o futuro é duvidoso, o passado é certo
”.
O que, então, é uma boa maneira de passar sua vida? Não
surpreendentemente, Sêneca sugere envolver-se em conversas com filósofos
de todas as épocas, como podemos fazer lendo este livro: “Não nos é vedado
o acesso a nenhum século, somos admitidos a todos; e se desejamos, pela
grandeza da alma, ultrapassar os estreitos limites da fraqueza humana,
há um vasto espaço de tempo a percorrer. Poderemos discutir com
Sócrates, duvidar com Carnéades, encontrar a paz com Epicuro, vencer
a natureza humana com a ajuda dos estoicos, ultrapassá-la com os
cínicos” logo na sequência diz “Nós estamos acostumados a dizer que não
está em nosso poder escolher os pais que a sorte nos destinou, que eles foram
dados aos homens por acaso; contudo nós podemos ser os filhos de quem
quisermos. Existem famílias do mais nobre intelecto; escolha aquela em
que você deseja ser adotado”
Sobre a tradução
A tradução para o português foi baseada em versões em inglês,
principalmente no trabalho de John W. Basore, inclusa neste livro. A leitura
das seguintes obras foi fundamental para a conclusão deste trabalho:
1. “Moral Letters to Lucilius by Seneca” por Richard Mott Gummere1; 2.
Reading Seneca: Stoic Philosophy at Rome por Brad Inwood2; 3. A Guide to
the Good Life: The Ancient Art of Stoic Joy3 por William Braxton Irvine; 4.
Seneca - Selected Letters por Elaine Fantham4
Poucas observações sobre a tradução são necessárias. No latim, o uso da
segunda pessoa é natural para expressar a relação de proximidade e
familiaridade. Nas traduções referidas anteriormente os editores decidiram
também usar a segunda pessoa. Contudo, no português atual, principalmente
no Brasil, o uso da terceira pessoa me parece mais adequado à intenção de
Sêneca, que ensinava filosofia a um amigo, como consequência toda a
tradução foi feita em terceira pessoa.
Algumas escolhas lexicais devem ser esclarecidas. Sêneca usa o termo
“occupati”, aqui traduzido como "ocupado" para designar aqueles que são
tão absorvidos em interesses mundanos que não dedicam tempo à filosofia.
Já “fortuna/fortunae”, para o autor latino, se assemelha à nossa “sorte” ou
“destino”, mas era também uma divindade: o nome comum e o nome próprio
são dificilmente distinguíveis nas cartas, portanto, decidi usar sempre
“fortuna”. Que este livro o sirva como amigo, professor e companheiro.
Espero que gostem tanto quanto eu,
Alexandre Pires Vieira
Viena, Maio de 2018
NOTAS:
1 Moral Letters to Lucilius2 Reading Seneca: Stoic Philosophy at Rome 
3 A Guide to the Good Life: The Ancient Art of Stoic Joy 
4 Seneca - Selected Letters
http://amzn.to/2rE38sw
http://amzn.to/2E93b23
http://amzn.to/2Eak78w
http://amzn.to/2DJ2KxD
Sobre a Brevidade da Vida
I
A maioria dos mortais, Paulino1, queixa-se amargamente da maldade da
natureza, porque nascemos por um breve período de vida, porque até mesmo
esse tempo que nos foi concedido corre tão depressa e tão rapidamente que, à
exceção de muito poucos, encontramos a morte quando ainda estamos nos
preparando para viver. Nem é apenas o rebanho comum e a multidão
irrefletida que lamentam esse mal universal; o mesmo sentimento provocou
reclamação também de homens que eram famosos. Foi isso que fez o maior
dos médicos exclamar que "a vida é curta, a arte é longa2"; foi isso que
levou Aristóteles, enquanto amigo da natureza, a fazer uma acusação
indecorosa para um homem sábio - que, em termos de idade, ela mostrou tal
favor aos animais que eles passam por cinco ou dez gerações3, mas que
limite muito mais curto é fixado para o homem, embora ele nasça para tantas
e tão grandes conquistas. Não é que tenhamos um curto espaço de tempo,
mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente, e foi dada em
medida suficientemente generosa para permitir a realização das maiores
coisas, se a totalidade dela estiver bem investida. Mas quando é desperdiçada
em luxo e descuido, quando é dedicada um fim inútil, forçada, finalmente,
pela necessidade final, percebemos que já passou antes que estivéssemos
conscientes de que estava passando. Assim é - a vida que recebemos não é
curta, mas nós a assim fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores.
Assim como a riqueza grandiosa é esbanjada no momento em que chega às
mãos de um mau dono, já a riqueza, por mais limitada que seja, quando
confiada a um bom guardião, aumenta, assim também nossa vida é
amplamente longa para aquele que sabe dela bem dispor.
II
Por que nos queixamos da natureza? Ela se mostrou benevolente: a vida, se
você souber usá-la, é longa. Mas um homem é possuído por uma avareza que
é insaciável, outro por uma devoção a tarefas que são inúteis; um homem é
obcecado por vinho, outro é paralisado pela preguiça; um homem está
exausto por uma ambição que sempre depende da decisão dos outros, outro,
impulsionado pela ganância, é conduzido sobre todas as terras e todos os
mares pela esperança de ganho; alguns são atormentados por uma paixão pela
guerra e estão sempre inclinados a infligir perigo aos outros ou preocupados
com os seus; alguns há que estão desgastados pela servidão voluntária em
uma ingrata solicitude aos superiores; muitos são mantidos ocupados, seja na
busca da fortuna de outros homens, seja em sua própria reclamação; muitos,
sem nenhum objetivo fixo, inconstantes e insatisfeitos, são mergulhados em
sua inconstância em planos sempre novos; alguns não têm um princípio fixo
pelo qual direcionar seu curso, mas o Destino os pega de surpresa enquanto
eles relaxam e bocejam - então certamente acontece que eu não posso duvidar
da verdade daquele enunciado que o maior dos poetas entregou a maneira de
um oráculo : "A parte da vida que realmente vivemos é pequena.4" Pois todo
o resto da existência não é a vida, mas apenas o tempo. Vícios nos envolvem
e nos cercam por todos os lados, e eles não nos permitem levantar-nos de
novo e erguer nossos olhos para o discernimento da verdade, mas eles nos
mantêm para baixo quando nos dominam e nos acorrenta, à luxúria. Suas
vítimas nunca são autorizadas a retornar ao seu verdadeiro eu; se alguma vez
encontram alguma liberação, como as águas do mar profundo, que continuam
a se agitar mesmo depois que a tempestade passar, elas são balançadas, e
nenhum descanso de suas luxúrias permanece. Acha que estou falando dos
infelizes cujos vícios são declarados? Olhe para aqueles cuja prosperidade os
homens se reúnem para contemplar; eles são sufocados por suas bênçãos.
Para quantos são as riquezas um fardo! A quantos a eloqüência e o esforço
diário para mostrar seus poderes atraem sangue! Quantos não estão pálidos
por causa de seus contínuos prazeres! Para quantos a multidão de clientes que
se aglomeram não deixa liberdade! Em suma, percorra a lista de todos esses
homens, do mais baixo ao mais alto - um homem deseja um defensor, aquele
é advogado, esse está em julgamento, aquele o defende, aquele dá sentença;
ninguém afirma sua reivindicação para si mesmo, todos são desperdiçados
em benefício de outro. Pergunte sobre os homens cujos nomes são
conhecidos de cor, e você verá que estas são as marcas que os distinguem: A
serve B e B serve C; ninguém é seu próprio mestre. E então certos homens
mostram a indignação mais insensata - eles se queixam da insolência de seus
superiores, porque estavam ocupados demais para vê-los quando desejavam
uma audiência! Mas alguém pode ter a dificuldade de reclamar do orgulho do
outro quando ele mesmo não tem tempo de cuidar de si mesmo? Afinal, não
importa quem você seja, o grande homem às vezes olha para você mesmo
que o rosto dele seja insolente, às vezes ele condescende a ouvir suas
palavras, ele permite que você apareça ao lado dele; mas você nunca se digna
a olhar para si mesmo, para dar ouvidos a si mesmo. Não há razão, portanto,
para contar alguém em dívida por tais serviços, visto que, quando você os
executou, você não desejava a companhia de outra pessoa, mas não podia
suportar a sua própria.
III
Mesmo que todos os brilhantes intelectos das eras se concentrassem nesse
único tema, jamais poderiam expressar adequadamente sua admiração diante
dessa densa escuridão da mente humana. Os homens não toleram ninguém se
apoderar de suas propriedades, e correm para pedras e armas se houver a
menor disputa sobre o limite de suas terras, mas permitem que outros
invadam sua vida - ou melhor, eles mesmos levam quem acabará por possuí-
la. Não se encontra ninguém disposto a distribuir seu dinheiro, mas entre
quantos cada um de nós distribui sua vida! Ao guardar sua fortuna, os
homens quase sempre são fechados, no entanto, quando se trata de
desperdiçar tempo, no caso da única coisa em que é certo ser mesquinho, eles
se mostram pródigos. E assim gostaria de interrogar alguém do grupo de
homens mais velhos e dizer: "Eu vejo que você alcançou o limite mais
distante da vida humana, está pressionando com força no seu centésimo ano,
ou está além dele; venha agora lembre-se da sua vida e faça um ajuste de
contas, considere quanto do seu tempo foi gasto com um prestamista, quanto
com uma amante, quanto com um patrono, quanto com um cliente, quanto em
brigas com sua esposa, quanto na punição de seus escravos, quanto em
errandas pela cidade quanto nos deveres sociais. Adicione as doenças que
causamos por nossos próprios atos, adicione, também, o tempo que ficou
ocioso e sem uso, você verá que você tem menos anos; Olhe para trás na
memória e considere quando você já teve um plano determinado, como
poucos dias se passaram como você pretendia, quando você esteve sempre à
sua disposição, quando seu rosto usou sua expressão natural, quando a sua
mente não esteve perturbada, que trabalho você conseguiu em uma vida tão
longa, quanto roubou-lhe a vida quando não sabia o que estava a perder,
quanto foi recebido em tristezas inúteis, na alegria tola, no desejo ávido, nas
seduções da sociedade, quão pouco de si lhe foi deixado; você perceberá que
está morrendo antes de sua temporada!5" Qual é, então, a razão disso? Você
vive como se estivesse destinado a viver para sempre, não se importa com a
sua fragilidade, com quanto tempo já passou por você sem você perceber.
Você desperdiça o tempo como se você extraísse de um suprimento copioso e
abundante, embora todo o dia aquele que você concede a uma pessoa ou
coisa seja talvez o seu último. Você tem todos os medos dos mortais e todos
os desejos dos imortais. Você vai ouvir muitos homens dizendo: “Depois do
meu quinquagésimo ano eu me retiro ao lazer, meu sexagésimo ano me
libertará dos deveres públicos.” E quegarantia, ora, você tem para que sua
vida dure tanto tempo? Quem vai garantir seu curso ser exatamente como
você planeja? Você não tem vergonha de reservar para si mesmo apenas o
remanescente da vida, e separar para a sabedoria apenas o tempo que não
pode ser dedicado a qualquer negócio? Viver apenas quando devemos deixar
de viver! Que tolo esquecimento da mortalidade o adiar planos saudáveis
para o quinquagésimo e sexagésimo ano, e para pretender começar a vida em
um ponto ao qual poucos atingem!
IV
Você verá que os homens mais poderosos e mais bem colocados deixam
escapar palavras em que anseiam por lazer, aclamam e preferem a todos os
seus bens. Desejam às vezes, se puder com segurança, descer de seu alto
pináculo; pois, embora nada de fora possa assaltar ou quebrar, a Fortuna
desaba por si so6. O deificado Augusto, a quem os deuses outorgaram mais
do que a qualquer outro homem, não cessou de orar por descanso e de
procurar libertação dos assuntos públicos; toda a conversa dele voltou a esse
assunto - sua esperança de ócio. Este era o doce consolo, ainda que em vão,
com o qual ele alegraria seus esforços - que um dia ele viveria para si mesmo.
Em uma carta dirigida ao Senado, na qual ele havia prometido que seu
descanso não seria desprovido de dignidade nem inconsistente com sua
antiga glória, encontrei estas palavras: "É porém mais ilusório que essas
coisas se realizem do que podem ser prometidas. Contudo o desejo daquele
tempo, que tanto ambiciono, me anima de tal forma, que antecipo algo do
desejado pela doçura das palavras pronunciadas, ainda que tarde seu deleite."
Tão desejável era o ócior que ele antecipou isto em pensamento porque ele
não podia alcançar isto em realidade. Aquele que via tudo dependendo de si
mesmo, que determinava a fortuna dos indivíduos e das nações, pensava
muito feliz naquele dia futuro em que deveria deixar de lado sua grandeza.
Ele havia descoberto quanto suor essas bênçãos que brilhavam em todas as
terras se desenhavam, quantas preocupações secretas ocultavam. Forçado a
lançar armas primeiro contra seus conterrâneos, depois contra seus colegas e,
por fim, contra seus parentes, ele derramou sangue na terra e no mar. Através
da Macedônia, Sicília, Egito, Síria e Ásia, e quase todos os países ele seguiu
o caminho da batalha, e quando suas tropas estavam cansadas de derramar
sangue romano, ele as direcionaou em guerras estrangeiras. Enquanto ele
estava pacificando as regiões alpinas e subjugando os inimigos plantados no
meio de um império pacífico, enquanto ele estava estendendo seus limites até
além do Reno e do Eufrates e do Danúbio, em Roma as espadas de Murena,
Caepio, Lépido, Egnatius e outros estavam sendo estimuladas a matá-lo.
Ainda não tinha escapado de suas conspirações, quando sua filha7 e muitos
jovens nobres que estavam ligados a ela por adultério como por um
juramento sagrado, muitas vezes atormentando dessa forma sua velhice - e
havia Paulus8, e uma segunda vez o receio uma mulher aliada a um Antonio.
Ele arrancava essas ulceras9 com suas próprias mãos, e outras, latentes,
irrompiam; tal como num corpo ferido e sangrando, uma outra parte qualquer
sempre se rompia. E assim ele ansiava por ócio, na esperança e pensamento
de que ele encontraria alívio para seus trabalhos. Esta era o desejo daquele
que podia satisfazer todos os desejos.
V
Marcus Cícero, por muito tempo jogado entre homens como Catilina e
Clódio e Pompeu e Crasso, alguns inimigos abertos, outros amigos
duvidosos, enquanto ele oscilava com a república e procurava impedi-la de
fracassar, para ser finalmente varrida, incapaz como ela era em repousar em
prosperidade ou paciente em adversidade quantas vezes amaldiçoa seu
consulado que tinha louvado não sem motivo entretanto não sem
moderação10! Quão chorosas as palavras que ele usa em uma carta11 escrita
para Ático, quando Pompeu, o ancião, havia sido conquistado, e o filho ainda
estava tentando restaurar seus braços estilhaçados na Espanha! "Você
pergunta", ele disse, "o que eu estou fazendo aqui? “Semi-livre, quedo-me em
minha vila de Túsculo". Ele então prossegue para outras declarações, nas
quais ele lamenta sua vida anterior e reclama do presente e desespera pelo
futuro. Cícero disse que era "semi-livre". Mas, na verdade, nunca o homem
sábio recorrerá a um termo tão baixo, nunca será semi-livre - aquele que
sempre possui uma liberdade inalterável e estável, sendo livre e seu próprio
mestre e que se eleva sobre todos os outros. Pois o que pode estar acima
daquele que está acima da Fortuna?
VI
Diz-se que Lívio Druso12, homem ousado e arrebatador, após ter dado curso
a novas leis e às más medidas dos Gracos, com o apoio de uma vasta
multidão de toda a Itália, não vendo uma saída para sua política, que já não
mais podia levar adiante, nem, uma vez precipitada, abandonar, amaldiçoou
sua vida agitada desde o berço, e que exclamou que ele era a única pessoa
que nunca teve um feriado nem mesmo quando menino. Pois, enquanto ele
ainda era um guarda e usava o vestido de um menino, ele teve a coragem de
elogiar aqueles que foram acusados e fazer sentir sua influência nas cortes de
justiça, tão poderosamente, de fato. É bem sabido que em certos julgamentos
ele forçou um veredicto favorável. Até que ponto não era essa ambição
prematura destinada a ir? Poder-se-ia saber que tal obstinação precoce
resultaria em grande infortúnio pessoal e público. E então era tarde demais
para reclamar que nunca tivera um feriado, quando da infância ele tinha sido
um encrenqueiro e um incômodo no fórum. Discute-se se ele teria se
suicidado; pois ele caiu de uma ferida repentina recebida em sua virilha, há
quem duvide se sua morte foi voluntária, mas ninguém, de que foi oportuna.
Seria supérfluo mencionar mais que, embora outros os julgassem os mais
felizes dos homens, expressaram sua aversão a cada ato de seus anos e, com
seus próprios lábios, deram verdadeiro testemunho contra si mesmos; mas
por essas reclamações eles não mudaram nem a si próprios nem a outros. Pois
quando eles exalam seus sentimentos em palavras, eles retornam à sua rodada
habitual. Mas, por Júpiter! Uma vida como a sua, mesmo que dure mais de
mil anos, será sempre determinada pelos mais estreitos limites: seus vícios
engolirão qualquer quantidade de tempo. O espaço de tempo que temos, a
razão pode na verdade dilatá-lo; e, embora a Natureza faça-o correr,
necessariamente ele o escapará, pois que não aposse dele, nem o retenha ou
faça demorar a mais fugidia de todas as coisas, mas permite que se perca
como se fosse uma coisa supérflua e substituível.
VII
Mas entre os piores eu também conto aqueles que não têm tempo para nada
além de vinho e luxúria; porque ninguém tem mais vergonhosa ocupação13.
Os outros, mesmo que sejam possuídos pelo sonho vazio da glória, desviam-
se de maneira aparentemente correta; embora você deva citar para mim os
homens que são avarentos, os homens que são irados, sejam eles ocupados
com ódios injustos ou com guerras injustas, todos eles pecam de maneira
mais viril. Mas aqueles que são mergulhados nos prazeres da barriga e na
luxúria carregam uma mancha que é desonrosa. Analise as horas de todas
essas pessoas14, veja quanto tempo eles dão para as contas, quanto para
colocar armadilhas, quanto temê-las, quanto para cortejar, quanto a ser
cortejado, quanto é gasto ao dar ou receber fiança, quanto por banquetes -
pois mesmo estes se tornaram uma questão de negócios -, e você verá como
os seus interesses, quer você os chame de maus ou bons, não permitem que
eles tenham tempo de respirar.
Finalmente, todos concordam que nenhuma busca pode ser seguida com
sucesso por um homem ocupado com muitas coisas - a eloqüência não pode,
nem os estudos liberais - já que a mente, quando seus interesses estão
divididos, não absorve profundamente nada, mas rejeita tudo o que é, por
assim dizer, espremido nela. Não há nada que o homem ocupado esteja
menos ocupado do que em viver: não há nada que seja mais difícil de
aprender. Das outras artes, há muitos professores em toda parte;alguns deles
viram que meros garotos dominaram tão completamente que poderiam até
mesmo interpretar o mestre. É preciso que o todo da vida aprenda a viver e -
o que talvez faça você se maravilhar - leva toda a vida para aprender a
morrer. Muitos homens muito grandes, tendo deixado de lado todos os seus
obstáculos, tendo renunciado a riquezas, negócios e prazeres, fizeram de seu
único objetivo até o fim da vida saber como viver; todavia, o maior número
deles se afastou da vida confessando que eles ainda não conheciam - menos
ainda os outros sabem. Acredite em mim, é preciso um grande homem e
alguém que tenha se elevado muito acima das fraquezas humanas para não
permitir que qualquer de seu tempo seja roubado, e segue-se que a vida de tal
homem é muito longa porque ele dedicou inteiramente a si mesmo, seja qual
for o tempo que ele teve. Nada dele foi negligenciado e ocioso; nada dele
estava sob o controle de outro, pois, guardando-o mesquinhamente, não
encontrou nada digno de ser recebido em troca de seu tempo. E assim aquele
homem teve tempo suficiente, mas aqueles que foram roubados de grande
parte de sua vida pelo público, necessariamente tiveram muito pouco disso.
E não há razão para você supor que essas pessoas nem sempre estão
conscientes de sua perda. De fato, você ouvirá muitos daqueles que estão
sobrecarregados de grande prosperidade, às vezes clamam no meio de sua
multidão de clientes, ou de suas súplicas no tribunal, ou de suas outras
gloriosas misérias: "Não tenho chance de viver". Claro que não tem chance!
Todos aqueles que o convocam a si mesmos, afastam você de si mesmo. De
quantos dias esse réu roubou você? De quantos daquele candidato? De
quantos a velha mulher usou para enterrar seus herdeiros? De quantos aquele
homem que está fingindo doença com o propósito de excitar a ganância dos
caçadores de legado? De quantos amigos tão poderosos que têm você e seus
semelhantes na lista, não de seus amigos, mas de seu séquito? Confira, eu
digo e reveja os dias da sua vida; você verá que muito poucos foram deixados
para você. Aquele homem que orou pelos cargos, quando os alcança, deseja
colocá-los de lado e diz repetidamente: "Quando este ano acabará!" Esse
homem proporciona espetáculos públicos15 e, depois de dar grande valor a
ganhar a chance, agora diz: "Quando me livrarei deles?" Esse advogado é
venerado em todo o fórum, e preenche todo o lugar com uma grande
multidão que se estende além do que pode ser ouvido, mas ele diz: "Quando
chegarão as férias?" Todo mundo apressa sua vida e sofre de um anseio pelo
futuro e um cansaço do presente. Mas aquele que concede todo o seu tempo
às suas próprias necessidades, que planeja todos os dias como se fosse o
último, não anseia nem teme o dia seguinte. Pois que novo prazer existe que
qualquer hora pode trazer? Todos eles são conhecidos, todos foram
apreciados ao máximo. Senhora Fortuna pode lidar com o resto como ela
gosta; sua vida já encontrou segurança. Algo pode ser acrescentado a ele, mas
nada é tirado dele, e ele tomará qualquer adição, pois o homem que está
satisfeito e cheio toma a comida que ele não deseja e ainda pode suportar. E
então não há razão para você pensar que qualquer homem tenha vivido muito
tempo porque ele tem cabelos grisalhos ou rugas; ele não viveu muito tempo
- ele existiu por muito tempo. E você pensa que aquele homem teve uma
longa viagem que fora capturado por uma tempestade violenta assim que saía
do porto e, varrido para lá e para cá por uma sucessão de ventos que se
alastravam de diferentes quadrantes, fora conduzido um círculo em torno do
mesmo curso? Não havia muita viagem, mas muita agitação.
VIII
Muitas vezes fico maravilhado quando vejo alguns homens exigindo o tempo
dos outros e daqueles de quem eles mais pedem complacencia. Ambos fixam
os olhos no objeto do pedido de tempo, nenhum deles no próprio tempo;
como se o que é pedido não fosse nada, o que é dado, nada. Homens brincam
com a coisa mais preciosa do mundo; mas eles são cegos para isso porque é
uma coisa incorpórea, porque não salta aos olhos, e por essa razão é contada
uma coisa muito barata - não, de quase nenhum valor. Os homens dão muito
grande importância às aposentadorias e às pensões e, para esses, contratam
seu trabalho, serviço ou esforço. Mas ninguém define um valor ao tempo;
todos usam isso como se não custasse nada. Mas vejam como essas mesmas
pessoas agarram os joelhos dos médicos se adoecerem e o perigo da morte se
aproximar, vejam como estão dispostas, se ameaçadas pela pena capital, a
gastar todas as suas posses para poderem viver! Tão grande é a inconsistência
de seus sentimentos. Mas se cada um pudesse ter o número de seus anos
futuros diante dele como é possível no caso dos anos que se passaram, quão
alarmados seriam aqueles que veem apenas alguns remanescentes, quão
poupadores eles seriam! E, no entanto, é fácil dispensar uma quantia
garantida, por menor que seja; mas deve ser guardado com mais cuidado, o
que você não saberá quando falhará.
No entanto, não há razão para supor que essas pessoas não saibam quão
precioso é o tempo; pois para aqueles a quem eles amam mais
devotadamente, eles têm o hábito de dizer que estão prontos para lhes dar
uma parte de seus próprios anos. E eles dão, sem perceber; mas o resultado
de sua doação é que eles mesmos sofrem perdas sem acrescentar aos anos de
seus entes queridos. Mas o que eles não sabem é que estão sofrendo perdas;
portanto, a remoção de algo que é perdido sem ser notado é considerada
suportável. No entanto, ninguém vai trazer de volta os anos, ninguém lhe dará
mais uma vez a si mesmo. A vida seguirá o caminho iniciado, e não reverterá
nem verificará seu curso; não fará barulho, não lembrará sua rapidez.
Silenciosa ela irá deslizar; não se prolongará ao comando de um rei ou ao
aplauso da população. Assim como foi iniciada no primeiro dia, ela será
executada; em nenhum lugar vai virar de lado, em nenhum lugar vai atrasar.
E qual será o resultado? Você ficou ocupado, a vida se apressa; enquanto
isso, a morte estará à mão, para a qual, por bem ou por mal, você deve
encontrar tempo disponível.
IX
Pode alguma coisa ser mais tola do que o ponto de vista de certas pessoas -
quero dizer, aqueles que se orgulham de sua previdência? Eles se mantêm
muito ocupados engajados para que possam viver melhor; eles passam a vida
prontos para viver! Eles formam seus propósitos com vistas ao futuro
distante; contudo, o adiamento é o maior desperdício de vida; priva-os de
cada dia como se chega, arrebata-os do presente prometendo algo daqui em
diante. O maior obstáculo para a vida é a expectativa, que depende do
amanhã e do desperdício de hoje. Você dispõe daquilo que está nas mãos da
Fortuna, você solta aquilo que está na sua. Para onde você olha? A que
objetivo você aponta? Todas as coisas que ainda estão por vir estão na
incerteza; viva direto! Veja como o maior dos poetas clama e, como inspirado
por divinos lábios, canta este canto de salvação:
“Os melhores dias da vida dos tristes mortais
São os primeiros a fugir"16
"Por que você hesita", diz ele, "Por que você está ocioso? A menos que você
aproveite o dia, ele foge." Mesmo que você aproveite, ele ainda vai fugir;
portanto, você deve competir com a rapidez do tempo na velocidade de usá-lo
e, a partir de uma corrente rápida que nem sempre fluirá, você deve beber
rapidamente. E, também, a pronúncia do poeta é mais admiravelmente
formulada para lançar censura em atraso infinito, em que ele diz, não "a
melhor idade", mas "o melhor dia". Por que, para o comprimento que sua
ganância se inclina, você se alonga diante de si mesmo meses e anos em
longo prazo, despreocupado e lento, embora o tempo voe tão rápido? O poeta
fala com você sobre o dia e sobre este dia que está voando. Há, então, alguma
dúvida de que, para os pobres mortais, isto é, para os homens ocupados, o dia
mais belo é o primeiro a fugir? A velhice os surpreende enquanto suas mentes
ainda são infantis, e chegam a eles despreparados e desarmados, pois não
fizeram provisões para isso;eles tropeçaram de repente e inesperadamente,
eles não perceberam que estava se aproximando dia a dia. Mesmo quando
conversas ou leituras ou meditação profunda sobre algum assunto seduz o
viajante, ele descobre que chegou ao fim de sua jornada antes de perceber que
estava se aproximando, exatamente com essa incessante e rápida jornada de
vida, nós fazemos no mesmo ritmo quer acordar ou dormir; aqueles que estão
ocupados só tomam consciência disso no final.
X
Quisesse eu dividir minha tese em tópicos e argumentos, ocorrer-me-iam
muitos exemplos, pelos quais provaria que é muito breve a vida dos
ocupados. Costumava dizer Fabiano17, que não era um desses filósofos
acadêmicos, mas um dos verdadeiros e genuínos: “contra as paixões deve-se
lutar com arrojo, não com sutilezas; e deve-se romper a linha de batalha com
um grande assalto, não com tímidas tentativas.” Não aprovava sofismas:
“pois devemos esmagar as paixões, não espicaçá-las”. Contudo, para
demonstrar às suas vítimas seu desvario, devemos instruí-las, não lamentá-
las.
A vida é dividida em três períodos - aquilo que foi, aquilo que é, aquilo que
será. Destes o tempo presente é curto, o futuro é duvidoso, o passado é certo.
Pois o último é aquele sobre o qual a Fortuna perdeu o controle, é aquele que
não pode ser trazido de volta sob o poder de qualquer homem. Mas os
homens que estão ocupados perdem isso; pois eles não têm tempo para olhar
para o passado e, mesmo que devessem, não é agradável relembrar algo que
devem ver com pesar. Estão, portanto, indispostos a dirigir seus pensamentos
para trás a horas mal passadas, e aqueles cujos vícios se tornam óbvios se eles
revêem o passado, mesmo os vícios que foram disfarçados sob alguma
atração de prazer momentâneo, não têm a coragem de reverter para essas
horas. Ninguém voluntariamente volta seu pensamento para o passado, a
menos que todos os seus atos tenham sido submetidos à censura de sua
consciência, que nunca é enganada; aquele que ambiciosamente cobiçado,
orgulhosamente desprezado, conquistado imprudentemente, traiçoeiramente
traído, avidamente agarrado ou generosamente esbanjado, deve ter medo de
sua própria memória.
Ora, de nossa vida, esta é a parte inviolável e já consagrada, que está acima
de todas as vicissitudes humanas, que foi subtraída ao império da Fortuna e
que não pode ser afetada pela pobreza, nem pelo medo, nem pelo assédio das
doenças. Não se pode perturbá-la ou roubá-la de seu possessor, pois sua
posse é perpétua e livre de receios. Os dias apresentam-se a nós um a um e
momento por momento, entretanto todos os dias do passado se apresentarão a
nós quando ordenarmos, e consentirão em ser apropriados e examinados à
vontade – coisa que os ocupados não têm tempo de fazer. É próprio de uma
mente segura de si e sossegada poder percorrer todas as épocas de sua vida;
mas o espírito dos ocupados, tal como se estivesse subjugado, não pode se
voltar sobre si mesmo e se examinar. Portanto sua vida se precipita num
abismo; e, tal como não é de nenhum proveito procurar encher uma ânfora,
por mais que nela se coloque líquido, se não há fundo que o receba ou
sustenha18, assim também não importa quanto tempo tens à disposição: se
não tens como retê-lo, ele vazará como de almas rachadas e furadas. O tempo
presente é brevíssimo, tanto que a alguns parece não existir, pois está sempre
em movimento; flui e precipita-se; deixa de ser antes de vir a ser; é tão
incapaz de deter-se, quanto o mundo ou as estrelas, cujo infatigável
movimento não lhes permite permanecer no mesmo lugar. Pertence, pois, aos
ocupados, apenas o tempo presente, que é tão breve que não pode ser
abarcado; e este mesmo escapa-lhes, ocupados que estão em muitas coisas.
XI
Em uma palavra, você quer saber como eles, os ocupados, não "vivem
muito"? Veja como eles estão ansiosos para viver por muito tempo! Os
velhos decrépitos imploram em suas orações pelo acréscimo de mais alguns
anos; eles fingem que são mais jovens do que são; consolam-se com uma
falsidade e têm o prazer de enganar a si mesmos como se enganassem o
Destino ao mesmo tempo. Mas quando finalmente alguma enfermidade os
lembra de sua mortalidade, em que terror eles morrem, sentindo que estão
sendo arrastados para fora da vida, e não apenas deixando-a. Eles clamam
que foram tolos, porque na verdade não viveram e que viverão a partir de
agora apenas se escaparem dessa doença; então, finalmente, eles refletem
quão inutilmente eles se esforçaram por coisas das quais não desfrutaram, e
como todo o seu trabalho se foi em vão. Mas para aqueles cuja vida é passada
distante de todos os negócios, por que não deveria ser ampla? Nenhuma delas
é atribuída a outra, nenhuma delas está dispersa por toda direção e, nenhuma
delas está comprometida com a Fortuna, nenhuma delas perece por
negligência, nenhuma é subtraída por desperdícios inúteis, nenhuma delas é
inutilizada; o todo, por assim dizer, produz renda. E assim, por menor que
seja a quantia, é abundantemente suficiente e, portanto, sempre que seu
último dia chegar, o sábio não hesitará em ir ao encontro da morte com passo
firme.
XII
Talvez você se pergunte a quem eu chamaria de "o ocupado"? Não há
nenhuma razão para você supor que eu quero dizer apenas aqueles advogados
a quem os cães expulsam do tribunal19, aqueles que você vê gloriosamente
esmagados em sua própria multidão de seguidores, ou desdenhosamente. na
de outra pessoa, aqueles a quem os deveres sociais chamam de suas próprias
casas para esbarrá-los contra as portas de outra pessoa, ou a quem a lança do
pretor se ocupa em buscar ganho que é de má reputação e que um dia
infeccionará. Até mesmo o ócio de alguns homens é ocupado; na sua villa ou
no seu sofá, no meio da solidão, embora tenham se retirado de todos os
outros, eles próprios são a fonte de sua própria preocupação; deveríamos
dizer que estes estão vivendo não no ócio, mas na ociosidade ocupada. Você
diria que aquele homem está à ocioso, que organiza com cuidado cuidadoso
seus bronzes coríntios, que a mania de alguns torna dispendiosos, e gasta a
maior parte de cada dia com pedacinhos enferrujados de cobre? Quem se
senta em um local de luta pública (pois, para nossa vergonha! Trabalhamos
com vícios que nem são romanos) assistindo a disputa de rapazes? Quem
separa os rebanhos de suas mulas em pares da mesma idade e cor? Quem
patrocina novos gladiadores? Diga-me, você diria que aqueles homens estão
no ócio e passam muitas horas no barbeiro enquanto estão sendo despojados
do que quer que tenha crescido na noite anterior? enquanto um debate solene
é realizado sobre cada cabelo separado? enquanto os cachos de cabelo
desarrumados são restauradas no seu lugar ou de desbaste são retirados deste
lado e na direção da testa? Quão irritados eles ficam se o barbeiro tiver sido
um pouco descuidado, como se ele estivesse tosando um homem de verdade!
Como eles se incendeiam se alguma de suas crinas é cortada, se alguma delas
estiver fora de ordem, se não cair em seus cachos apropriados! Qual destes
não preferiria ver a desordem na República, a ver a de seus cabelos? Quem
não se preocupa mais com a elegância de sua cabeça do que com sua saúde?
Qual não prefere ser bem penteado a ser honesto? Quem não preferiria ser
bem barbeado que saudável? Você diria que estes estão ocupados com o
pente e o espelho? E aqueles que estão engajados em compor, ouvir e
aprender canções, enquanto distorcem a voz, cujo melhor e mais simples
movimento a Natureza projetou para ser direta, nos meandros de alguma
melodia indolente, que estão sempre estalando os dedos enquanto andam?
tempo para alguma música que eles têm em sua cabeça, que são ouvidos
cantarolando uma melodia quandosão convocados para assuntos sérios,
muitas vezes até melancólicos? Estes não têm ocupação de lazer, mas ociosa.
E seus banquetes, o céu sabe! Eu não posso contar entre as horas
desocupadas deles, já que vejo o quão ansiosamente eles colocam seu prato
de prata, quão diligentemente eles amarram as túnicas de seus belos meninos
escravos, como sem fôlego observampara ver em que estilo o javali sai das
mãos do cozinheiro, com que velocidade a um dado sinal os rapazes de cara
lisa se apressam a desempenhar as suas tarefas, com que habilidade os
pássaros são esculpidos em porções, todos de acordo com a regra, como os
rapazinhos cuidadosamente infelizes limpam o cuspe dos bêbados. Por tais
meios, eles buscam a reputação de serem meticulosos e elegantes, e, a tal
ponto, seus males os seguem em todas as privacidades da vida, que não
podem comer nem beber sem ostentação. E eu também não os contaria entre
a turma de ócio - os homens que são levados para cá e para lá em uma
carruagem ou em uma liteira, e são pontuais às horas de seus passeios como
se fosse ilegal omiti-los, que são lembrados por outra pessoa quando
precisam tomar banho, quando devem nadar, quando devem jantar; tão
enfraquecidos são eles, pela excessiva canseira de uma mente mimada, que
não conseguem descobrir sozinhos se estão com fome! Ouvi dizer que uma
dessas pessoas mimadas - contanto que você possa chamá-lo de mimo para
desaprender os hábitos da vida humana -, quando ele foi levantado pelas
mãos do banho e colocado em sua cadeirinha, disse interrogativamente:
"Estou agora sentado? " Você acha que esse homem, que não sabe se está
sentado, sabe se está vivo, se vê, se está livre? Acho difícil dizer se tenho
mais pena dele se ele realmente não soubesse, ou se ele finge não saber disso.
Eles realmente estão sujeitos ao esquecimento de muitas coisas, mas também
fingem esquecimento de muitas. Alguns vícios os encantam como provas de
sua prosperidade; parecem-lhes o papel de um homem que é muito baixo e
desprezível saber o que se está fazendo. Depois disso, imagine que os mimos
fabricam muitas coisas para fazer uma simulação de luxuria20! Na verdade,
eles passam por cima mais do que inventam, e tal multidão de inacreditáveis
vícios surgiu nesta era, tão inteligente nesta única direção, que agora
podemos acusar os mimos de negligência. Pensar que há alguém que está tão
perdido no luxo que ele precisa da palavra de outra pessoa sobre se ele está
sentado! Este homem, então, não é está em ócio, você deve aplicar-lhe um
termo diferente - ele está doente, ou melhor, ele está morto; o homem que
está em ócio, também tem uma percepção de seu ócio. Mas este outro que é
semi-vivo, que, para que ele possa conhecer as posturas de seu próprio corpo,
precisa de alguém para lhe dizer - como poderia ser senhor de um momento
sequer de sua vida?
XIII
Seria alongar demais percorrer todos os exemplos daqueles que
desperdiçaram suas vidas em jogos de xadrez, bola, ou queimando-se ao sol.
Não gozam de ócio aqueles cujos prazeres trazem muitas ocupações. Pois
ninguém duvidará que muito se fatigam sem nada obrar, os que se prendem a
inúteis questões de literatura – e eles já são multidão entre os romanos! Foi
um vício dos gregos investigar quantos remadores teve Ulisses, se a Ilíada ou
a Odisséia foi escrita primeiro e, além disso, se eram de um mesmo autor, e
vários outros assuntos deste selo, que, se você guarda-os para si mesmo, de
modo algum dá prazer à sua alma secreta e, se os publicar, faz com que
pareça mais chato do que acadêmico. Mas agora essa paixão vã por aprender
coisas inúteis atacou os romanos também. Nos últimos dias, ouvi alguém
dizer quem foi o primeiro general romano a fazer isto ou aquilo; Duilius foi o
primeiro que ganhou uma batalha naval, Curius Dentatus foi o primeiro que
teve elefantes domados em seu triunfo. Ainda assim, estas questões, mesmo
que não acrescentem nada à verdadeira glória, estão, no entanto, preocupadas
com serviços de sinalização para o estado; Não haverá lucro em tal
conhecimento, no entanto, ganha nossa atenção em razão da atratividade de
um sujeito vazio. Podemos desculpar também aqueles que investigam isso -
que primeiro induziu os romanos a embarcar no navio. Era Cláudio, e essa
era a razão pela qual ele era de sobrenome Caudex, porque entre os antigos
uma estrutura formada pela junção de várias tábuas era chamada de caudex,
de onde também as Tabelas da Lei são chamadas de códices21, e, na moda
antiga, os barcos que transportam suprimentos até o rio Tibre são até hoje
codicárias. Sem dúvida isso também pode ter algum ponto - o fato de que
Valerius Corvinus foi o primeiro a conquistar Messana, e foi o primeiro da
família dos Valerii a ter o sobrenome Messana, porque foi transferido para si
o nome da cidade conquistada, e foi mais tarde chamado Messala após a
corrupção gradual do nome no discurso popular. Talvez você permita que
alguém se interesse também por isso - o fato de que Lucius Sulla foi o
primeiro a exibir leões soltos no Circo, embora em outras ocasiões fossem
exibidos acorrentados, e que arqueiros foram enviados pelo rei Bocchus para
exterminá-los? E, sem dúvida, isso também pode encontrar alguma desculpa -
mas serve a algum propósito útil saber que Pompeu foi o primeiro a exibir a
matança de dezoito elefantes no Circo, colocando criminosos contra eles em
uma batalha simulada? Ele, um líder do Estado e aquele que, de acordo com
o relatório, era notável entre os líderes de antigamente pela bondade de seu
coração22, considerou um notável tipo de espetáculo matar seres humanos
seguindo uma nova moda. Eles lutam até a morte? Isso não é suficiente! Eles
estão despedaçados? Isso não é suficiente! Deixe-os ser esmagados por
animais de massa monstruosa! Melhor seria que essas coisas passem ao
esquecimento para que, a partir de então, algum homem poderoso as aprenda
e tenha inveja de um ato que era desumano23. Quantas trevas uma grande
fortuna causa às nossas mentes!! Quando ele estava atirando tropas de seres
humanos miseráveis para bestas selvagens nascidas sob um céu estranjeiro,
quando ele estava proclamando a guerra entre criaturas tão mal equiparadas,
quando ele estava derramando tanto sangue diante dos olhos do povo
romano, que em si era logo ser forçado a lançar mais. ele então acreditava
que ele estava além do poder da natureza. Mais tarde, porém, esse mesmo
homem, traído pela deslealdade alexandrina, ofereceu-se à adaga do mais vil
escravo e, finalmente, descobriu que é vazio ostentar seu sobrenome24.
Mas, voltando ao ponto do qual eu me deparei, e para mostrar que algumas
pessoas remoem dores inúteis sobre esses mesmos assuntos - o homem que
mencionei relatou que Metelo, quando triunfou após sua vitória sobre os
cartagineses na Sicília, foi o único de todos os romanos que haviam feito
cento e vinte elefantes capturados serem conduzidos antes de seu carro; que
Sila era o último dos romanos que estenderam o pomerium25, que
antigamente era costume estender depois da conquista de território italiano,
mas nunca provinciano. É mais proveitoso saber disso do que o Monte
Aventino, segundo ele, está fora do pomerium por uma das duas razões, seja
porque aquele era o lugar para onde os plebeus tinham se separado, ou
porque as aves não tinham sido favoráveis quando Remus tomou seus
auspícios nesse ponto - e, por sua vez, inúmeros outros relatórios que estão
repletos de falsidade ou são do mesmo tipo? Pois, embora você conceda que
eles digam essas coisas de boa fé, embora eles se comprometam com a
verdade do que escrevem, ainda assim, os erros serão cometidos menos por
tais histórias? Quais paixões eles irão conter? Quem farão mais corajosos,
quem mais justos, quem mais nobre de espírito? Às vezes meu caro Fabiano
dizia duvidar se era melhor não empreender estudo algum do que se envolver
com os deste gênero.
XIV
Dentre todos os homens, somente são ociosos os que estão disponíveis para a
sabedoria; eles são os únicos a viver, pois, não apenas administram bem sua
vida, mas acrescentam-lhe toda a eternidade. Todos os anos que se passaram
antes deles são somados aos seus. A menos que sejamos os maiores dos
ingratos, aqueles fundadores das sublimes filosofias nasceram para nós, e eles
nos preparam o caminho para a vida. Graças aos seus esforços, conduzem-
nos das trevas à luz, aos mais belos conhecimentos. Não nos é vedado o
acesso a nenhum século, somos admitidosa todos; e se desejamos, pela
grandeza da alma, ultrapassar os estreitos limites da fraqueza humana, há um
vasto espaço de tempo a percorrer. Poderemos discutir com Sócrates,
duvidar26 com Carnéades, encontrar a paz com Epicuro, vencer a natureza
humana com a ajuda dos estoicos, ultrapassá-la com os cínicos. Já que a
Natureza nos permite entrar em comunhão com toda a eternidade, por que
não nos desviarmos dessa estreita e curta passagem do tempo e nos
entregarmos com todo nosso espírito àquilo que é ilimitado, eterno e
partilhado com os melhores? Os que se desdobram em muitos compromissos
sociais, que agitam a si mesmos e a outros, bem conscientes de suas tolices,
após terem percorrido diariamente as soleiras de todos e não ter deixado de
entrar em nenhuma porta aberta, após terem levado sua interesseira saudação
à volta das mais remotas casas, quão pouco não terão eles visto numa cidade
tão grande e dilacerada por várias paixões! Quantos haverá cujo sono,
dissolução ou grosseria não os afastará? Quantos, após os terem torturado
com uma longa espera, não passarão por eles fingindo estarem apressados?
Quantos não evitarão aparecer no átrio repleto de clientes, escapando por
portas secretas, como se fosse menor descortesia enganar do que despedir!
Quantos, ainda meio adormecidos e pesados devido à embriaguez da noite
anterior, responderão, àqueles pobres coitados que interromperam seu sono
para esperar o despertar de um outro, com o bocejo mais arrogante, mal
levantando os lábios27! Podemos afirmar que se dedicam a verdadeiros
deveres, somente aqueles que desejam estar cotidianamente na intimidade de
Zenão, Pitágoras, Demócrito, Aristóteles, Teofrasto e os demais mestres de
virtude. Nenhum deles deixará de estar à nossa disposição, nenhum despedirá
o que o procurar, sem que o faça mais feliz e mais devotado a ele, nenhum
permitirá a quem quer que seja partir de mãos vazias; e eles podem ser
encontrados por qualquer homem, tanto durante o dia como à noite.
Nenhum destes lhe forçará a morrer, mas todos lhe ensinarão como morrer;
nenhum destes irá desgastar seus anos, mas cada um adicionará seus próprios
anos ao seu; conversas não lhe trarão perigo, a amizade não porá em risco a
sua vida, o cortejo de nenhum deles vai sobrecarregar sua bolsa. Deles você
pegará o que quiser; não será culpa deles se você não tirar o máximo que
puder. Que felicidade, que bela velhice espera por aquele que se ofereceu
como cliente a eles! Este terá amigos de quem poderá pedir conselhos sobre
assuntos grandes e pequenos, a quem poderá consultar todos os dias a
respeito de si mesmo, de quem poderá ouvir a verdade sem insultos, ser
louvado sem adulação, a cuja semelhança se possa moldar.
Nós estamos acostumados a dizer que não está em nosso poder escolher os
pais que a sorte nos destinou, que eles foram dados aos homens por acaso;
contudo nós podemos ser os filhos de quem quisermos. Existem famílias do
mais nobre intelecto; escolha aquela em que você deseja ser adotado; você
herdará não apenas seu nome, mas até mesmo sua propriedade, que não
haverá necessidade de guardar em um espírito mesquinho ou avarento; com
quanto mais pessoas você compartilhar, mais terá. Estas lhe abrirão o
caminho para a imortalidade, e elevarão você a uma altura da qual ninguém é
derrubado. Essa é a única maneira de prolongar a mortalidade - ou melhor, de
transformá-la em imortalidade. Honras, monumentos, toda aquela ambição
ordenada por decretos ou criadas em obras de pedra, caem rapidamente em
ruína; Não há nada que o lapso de tempo não derrube e remova. Mas as obras
que a filosofia consagrou não podem ser prejudicadas; nenhuma idade as
destruirá, nenhuma idade as reduzirá; a seguinte e cada era sucessiva
aumentará a reverência por elas, já que a inveja trabalha sobre o que está por
perto, e as coisas que estão distantes são mais livres serem admiradas. A vida
do filósofo, portanto, tem amplo alcance, e ele não está confinado pelos
mesmos limites que calam os outros. Somente ele é libertado das limitações
da raça humana; todas as idades o servem como se fosse um deus. Tem
algum tempo passado? Isso ele abraça por lembrança. O tempo está presente?
Isso ele usa. Ainda está por vir? Isso ele antecipa. Ele faz sua vida longa,
combinando todos os tempos em um.
XVI
Mas aqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem pelo
futuro, têm uma vida que é muito breve e conturbada; quando chegam ao fim,
os pobres infelizes percebem tarde demais que durante tanto tempo se
ocuparam em não fazer nada. Nem porque às vezes invocam a morte, você
tem alguma razão para pensar que seja uma prova de que eles acham a vida
longa. Em sua loucura, eles são assediados por emoções inconstantes que os
apressam para as próprias coisas que temem; muitas vezes rezam pela morte
porque temem isso. E também, você não tem razão para pensar que isso é
uma prova de que eles estão vivendo há muito tempo - o fato de que o dia
muitas vezes lhes parece longo, o fato de que eles reclamam que as horas
passam devagar até a hora marcada para o jantar; pois, sempre que suas
ocupaões os falham, ficam inquietos porque não têm nada para fazer, e não
sabem como se desfazer de seu ócio ou arrastar o tempo. E assim eles se
esforçam por algo mais para ocupá-los, e todo o tempo de intervenção é
penoso; exatamente como quando uma luta de gladiadores é anunciada, ou
quando eles estão esperando pelo horário marcado de algum outro espetáculo
ou diversão, eles querem pular os dias que se encontram entre eles. Todo
adiamento de algo que eles esperam parece muito para eles. No entanto, o
tempo que eles desfrutam é curto e rápido, e é muito mais curto por sua
própria culpa; pois fogem de um prazer para outro e não podem permanecer
fixos em um desejo. Seus dias não são longos para eles, mas odiosos;
contudo, por outro lado, quão escassas parecem as noites que passam nos
braços de uma prostituta ou entregues ao vinho! É isso também que explica a
loucura dos poetas em fomentar as fragilidades humanas pelos contos em que
eles representam Júpiter, sob a sedução dos prazeres de uma amante,
duplicando a duração da noite. Pois o que é senão inflamar nossos vícios
inscrever o nome dos deuses como seus patrocinadores e apresentar a
indulgência perdoada da divindade como um exemplo para nossa própria
fraqueza? As noites pelas quais pagam tão caro deixam de parecer curtas
demais para esses homens? Eles perdem o dia na expectativa da noite, e a
noite no medo do amanhecer.
XVII
Os próprios prazeres de tais homens são inquietos e agitados por terrores de
vários tipos, e no momento de regozijo, o pensamento ansioso se apossa
deles: quanto tempo essas coisas duram? "Esse sentimento levou reis a
chorarem pelo poder que possuíam, e eles não têm tanto prazer na grandeza
de sua fortuna, mas aterrorizaram-se com o fim que um dia lhes advirá.
Quando o rei da Pérsia28, em toda a insolência de seu orgulho, espalhou seu
exército sobre as vastas planícies e não conseguia abarcar seu número, mas
simplesmente sua extensão29, ele derramou lágrimas copiosas porque dentro
de cem anos nenhum homem de seu exército tão poderoso estaria vivo30.
Mas este mesmo que chorou era quem empurava eles ao seu destino, fazendo
perecer alguns a no mar, alguns na terra, alguns em batalha, alguns em
retirada, e dentro de pouco tempo foi destruu todos aqueles por cujo
centésimo ano ele tinha tanto medo. Por que é que mesmo suas alegrias são
desconfortáveis pelo medo? É que não brotam de causas sólidas; pelo
contrário, o próprio vazio de onde nascem perturba-as. Mas como pensar
serem esses tempos que até por sua própria confissão são miseráveis, uma
vez que mesmo as alegrias pelas quais eles são exaltados e elevados acima da
humanidade não são de forma alguma puras? Todas as maiores bênçãos são
uma fonte de ansiedade, e em nenhum momento a fortuna é menos
sabiamente confiável do que quando no auge; para alimentar a felicidade, faz-
se necessária uma outra felicidade, e em paga a uma promessa realizada,
outras promessas devem ser feitas.Pois tudo o que nos sucede por obra do
acaso é instável, e quanto mais alto nos elevamos, tanto mais estamos sujeitos
a cair. É claro que o que estar condenado a cair não agrada a ninguém; muito
miserável, portanto, e não apenas curta, deve ser a vida daqueles que
trabalham arduamente para ganhar o que devem trabalhar mais para manter.
Com grande esforço, eles alcançam o que desejam e, com ansiedade, retêm o
que alcançaram; enquanto isso, não levam em conta o tempo que nunca mais
retornará. Novas ocupações tomam o lugar da antiga, a esperança leva a uma
nova esperança, à ambição de uma nova ambição. Eles não buscam o fim de
sua miséria, mas mudam a causa. Nós somos atormentados por nossos
próprios cargos públicos? Aqueles dos outros levam mais do nosso tempo. Já
paramos de trabalhar como candidatos? Nós começamos a buscar os outros.
Nós nos livramos dos problemas de um promotor? Encontramos os de um
juiz. Um homem deixou de ser juiz? Ele se torna presidente de um tribunal.
Ele cansou de administrar a propriedade dos outros por salário? Ele está
perplexo por cuidar de sua própria riqueza. Os quartéis libertaram Marius? O
consulado o mantém ocupado. Cincinato apressa-se a escapar do cargo
ditatorial? Será novamente chamado do arado31. Cipião ainda muito jovem
para uma tarefa de tal envergadura, combaterá os cartagineses; vencedor de
Aníbal, vencedor de Antíoco, orgulho de seu consulado e garantia do de seu
irmão, seria colocado ao lado de Júpiter, não fosse sua intervenção pessoal32.
As guerras civis perseguirão este salvador da pátria e, tendo sido na
juventude honrado como um deus, já velho deleitar-se-á apenas com o desejo
de um altivo exílio33. Nunca faltarão motivos de inquietação, quer na
prosperidade, quer na miséria: a vida será dilacerada entre as ocupações; o
ócio sempre desejado, nunca obtido.
XVIII
E assim, meu querido Paulinus, afaste-se da multidão e, muito atormentado
pelo tempo que você viveu, por fim, retire-se para um porto tranqüilo. Pense
em quantas ondas você encontrou, quantas tempestades, por um lado, você
sofreu na vida privada, quantas, por outro lado, trouxe para si na vida
pública; por tempo suficiente, sua virtude foi demonstrada em provas
laboriosas e incessantes - tente ver como ela se comportará no ócio. A maior
parte de sua vida, certamente a melhor parte dela, foi dada ao estado; Tome
agora também uma parte do seu tempo para si mesmo. E eu não convoco
você para a preguiça indolente ou ociosa, ou para afogar toda a sua energia
vigorosa no sono e nos prazeres que são caros à multidão. Isso não é
descansar; você encontrará trabalhos muito maiores do que todos aqueles que
até agora você desempenhou tão energicamente, para ocupá-lo no meio de
sua libertação e retiro. Você, eu sei, administra as contas do mundo inteiro
com a mesma honestidade que você faria com um estranho, com tanto
cuidado quanto faria com o seu, tão conscienciosamente quanto o do estado.
Você ganha estima em um cargo em que é difícil evitar o ódio; mas, mesmo
assim, acredite em mim, é melhor ter conhecimento do livro de contabilidade
da própria vida do que do mercado de trigo. Lembre-se de que sua mente
apurada é a mais competente para lidar com os maiores assuntos, de um
serviço que é de fato honrado, mas dificilmente adaptado à vida feliz, e
reflete isso em toda a sua formação nos estudos liberais, desde seus primeiros
anos você não estava mirando nisso, para que alqueires de trigo lhe fossem
confiados: você tem esperança de algo maior e mais elevado. Não haverá
falta de homens de valor testado e indústria meticulosa. Mas os jumentos são
muito mais adequados para transportar cargas pesadas do que os cavalos
puros-sangues, e quem dificulta a frota de criaturas tão elevadas com uma
carga pesada? Reflita, além disso, quanta preocupação você tem em sujeitar-
se a um fardo tão grande; Suas transações são com a barriga do homem. O
povo faminto não ouve a razão, nem é apaziguado pela justiça, nem é
inclinado por qualquer pedido. Muito recentemente, dentro daqueles poucos
dias depois de Caio César34 morrer - ainda sofrendo mais profundamente (se
os mortos no inferno tiverem algum sentimento) porque ele sabia que o povo
romano estava vivo e tinha comida suficiente para, pelo menos, sete ou oito
dias enquanto ele construía pontes de barcos35 e jogando com os recursos do
império, fomos ameaçados com o pior mal que pode acontecer aos homens,
mesmo durante um cerco - a falta de provisões; sua imitação de um rei
estrangeiro louco e mal-intencionado36 quase custou a destruição e a fome da
cidade e a ruina geral que segue a fome. O que, então, deve ter sido o
sentimento daqueles que se encarregaram do mercado de trigo e tiveram que
enfrentar pedras, a espada, o fogo - e um Calígula? Com a maior
dissimulação, encobriam um tão grande mal incrustado nas vísceras do
Estado - com boas razões, você pode ter certeza. Pois certos males devem ser
tratados enquanto o paciente é mantido em ignorância; o conhecimento de
sua doença causou a morte de muitos.
XIX
Recolha-se para essas coisas maiores, mais seguras e mais silenciosas! Você
pensa que é exatamente o mesmo se você está preocupado em ter trigo do
ultramar derramado nos celeiros, ileso da desonestidade ou negligência
daqueles que o transportam, ver que não se torne fermentado e estragado pela
umidade e que o peso e medida confiram, ou se você entra nestes estudos
sagrados e elevados com a finalidade de descobrir que substância, que prazer,
que modo de vida, que forma Deus tem; que destino aguarda sua alma; onde
a natureza nos repousa quando somos libertados do corpo; Qual é o princípio
que sustenta toda a matéria mais pesada no centro deste mundo, suspende a
luz ao alto, leva o fogo até a parte mais alta, chama as estrelas para suas
próprias mudanças - e outras questões, por sua vez, cheias de poderosas
maravilhas? Você realmente deve deixar o chão e voltar sua mente para essas
coisas! Agora, enquanto o sangue está quente, devemos entrar com passos
rápidos no melhor caminho. Nesse tipo de vida, há muito que é bom saber - o
amor e a prática das virtudes, o esquecimento das paixões, o saber viver e
morrer, enfim, uma grande tranqüilidade. A condição de todos os ocupados é
miserável, mas a mais desgraçada é a condição daqueles que trabalham com
ocupações que nem sequer são suas, que regulam o seu sono pelo de outro, a
sua caminhada pelo ritmo de outro, que estão sob ordens no caso das coisas
mais livres do mundo - amar e odiar. Se estes desejam saber quão breve é a
sua vida, que considerem quão insignificante é a parte que lhes cabe.
XX
E assim, quando você vê um homem frequentemente usando a toga
pretexta37, quando você vê alguém cujo nome é famoso no Fórum, não o
inveje; essas coisas são compradas pelo preço da vida. Eles desperdiçarão
todos os seus anos, a fim de que possam ter um ano contado pelo seu nome38.
A vida deixou alguns no meio de suas primeiras lutas, antes que pudessem
subir ao auge de sua ambição; alguns, quando se arrastaram através de mil
indignidades para a dignidade culminante, foram possuídos pelo pensamento
infeliz de que eles apenas labutaram por uma inscrição em um túmulo; alguns
que chegaram à velhice extrema, enquanto o ajustavam a novas esperanças
como se fossem jovens, falharam por pura fraqueza no meio de seus grandes
e desavergonhados esforços. Vergonhoso é aquele cuja a vida o deixa no
meio de um julgamento quando, avançando em anos e ainda cortejando o
aplauso de um círculo ignorante, está advogando por algum litigante
desconhecido; É vergonhoso aquele que, exausto mais rapidamente por seu
modo de vida do que por seu trabalho, desmorona no meio de seus deveres;
vergonhoso é aquele que morre no ato de receber pagamentos, e tira um
sorriso de seu herdeiro a tempos deserdado. Eu não posso passar por cima de
um exemplo que me ocorre. Sextus Turannius era um homem idoso de longa
diligência testada, que, após seu nonagésimo ano, tendo sido dispensado dos
deveres de seu ofício pelo ato de Caio César, ordenou que ele fosse deitadoem sua cama e fosse chorado pela casa reunida como se ele estivesse morto.
Toda a casa lamentava o ócio de seu antigo mestre, e não deixou sua tristeza
até que seu trabalho costumeiro lhe fosse restaurado. É realmente tão
prazeroso para um homem morrer em arreios? No entanto, muitos têm o
mesmo sentimento; seu desejo por seu trabalho dura mais que sua
capacidade; eles lutam contra a fraqueza do corpo, eles julgam que a velhice
não é uma dificuldade por nenhuma outra razão senão porque ela os põe de
lado. A lei não mobiliza um soldado após o seu quinquagésimo ano, não
chama senador depois dos sessenta anos; é mais difícil para os homens
obterem folga de si mesmos do que da lei. Enquanto isso, eles roubam e estão
sendo roubados, enquanto eles quebram o repouso uns dos outros, enquanto
eles fazem um ao outro desgraçado, sua vida é sem lucro, sem prazer, sem
qualquer melhoria da mente. Ninguém mantém a morte em vista, ninguém se
abstém de grandes esperanças; alguns homens, na verdade, até mesmo
organizam coisas que estão além da vida - enormes massas de túmulos e
dedicatórias de obras públicas e presentes para suas piras funerárias e
funerais ostentosos. Mas, na verdade, os funerais de tais homens devem ser
conduzidos pela luz de tochas e velas de cera39, como se eles tivessem
vivido, mas o menor período de tempo.
NOTAS:
1 Fica claro nos capítulos 18 e 19 que, quando este ensaio foi escrito (em cerca de 49
d.C.), Paulino era praefectus annonae, o oficial que supervisionava o suprimento de
grãos de Roma, e, portanto, um homem de importância. Ele era, acredita-se, um
parente próximo da esposa de Sêneca, Pompeia Paulina, e é geralmente identificado
com o pai de Pompeio Paulino, que ocupou altos cargos públicos sob Nero.
2 O famoso aforismo de Hipócrates: βίος βραχύς, ἡ δὲ τέχνη μακρή.
3 ’ Εννέα τοι ζώει γενεὰς λακέρυζα κορώνη ἀνδρῶν γηράντω· ἔλαφος δέ τε
τετρακόρωνος
4 Quando Sêneca se refere ao maior dos poetas, não se sabe se refere-se a Homero ou
Virgílio.
Σίμιλις ἐνταῦθα κεῖται βιοὺς μὲν ἔτη τόσα, ζήσας δὲ ἔτη ἑπτά. 
5 Immaturum, literalmente „verde“, não maduro. “Você irá para a sepultura em pleno
vigor, como um feixe recolhido no devido tempo” (Jó 5:26)
6 A ideia é que a grandeza afunda sob seu próprio peso:
Sidunt ipso pondere magna
Editceditque oneri Fortuna suo.
7 A notória Julia, que foi banida por Augusto para a ilha de Pandataria.
8 Em 31 a.C. Augusto tinha enfrentado Marco Antônio e Cleópatra; em 2 a.C. Iulus
Antonius, filho mais novo do triumvir, foi condenado à morte por causa de sua intriga
com a Julia mais velha.
9 A linguagem é uma reminiscência da própria caracterização de Augusto de Julia e
seus dois netos em Suetônio (Ago. 65.5): "nec (solebat) aliter eos appellare quam tris
vômicas ac tria carcinomata sua" ("seu trio de furúnculos e trio de úlceras" ").
10 Cícero (106 – 43 a.C.), o maior orador romano, outro exemplo de vida bem vivida
para o romano médio da época de Sêneca – Cícero era muito vaidoso, chegou a
escrever um poema épico em louvor de seu próprio consulado.
11 Carta não sobreviveu ao tempo.
12 Tribuno da plebe em 91 a.C., considerado um gênio da política, foi assassinado por
suas reformas democráticas. Daí teve início a Guerra Social. (91 – 89 a.C.)
13 Ao longo do texto “occupati”, "o ocupado" é um termo técnico que designa
aqueles que são tão absorvidos pelos interesses mundanos que não dedicam tempo à
filosofia.
14 ou seja, os vários tipos de ocupações que foram apresentados de forma
esquemática. A frouxidão da estrutura levou alguns editores a duvidar da integridade
da passagem.
15 A gestão dos jogos públicos estava a cargo dos pretores.
16 Trecho de Virgílio, Georgicas, iii.
17 Um professor muito admirado por Sêneca. 
18 Uma alusão ao destino das Danaides, que no Hades despejaram para sempre água
em um vaso com um fundo perfurado.
19 Aparentemente advogados que trabalhando tarde da noite são pegos pelos cães de
guarda do tribunal
20 Atores dos mimos populares, ou baixas farsas, que eram frequentemente
censurados por suas indecências
21 O antigo códice era feito de tábuas de madeira presas juntas.
22 Tais como Mário, Sila, César e Crasso.
23 Plínio relata que as pessoas ficaram tão comovidas que se levantaram em um corpo
e amaldiçoaram Pompeu. As impressões de Cícero sobre a ocasião são registradas em
Epistulae ad Familiares. vii. 1. 3: "extremus elephantorum morfa, em quo admiratio
magna vulgi atque turbae, delectatio nulla exstitit; quin etiam misericordia quaedam
consecuta est atque opinio eiusmodi, esse quandam illi beluae cum genere humana
societatem."
24 isto é, Magnus.
25 Nome dado a um espaço consagrado mantido no interior da cidade. O direito de
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Social_(91%E2%80%9388_a.C.)
estendê-lo pertencia originalmente ao rei que havia acrescentado território a Roma.
26 A Nova Academia ensinava que a certeza do conhecimento era inatingível.
27 A salutatio era realizada no início da manhã.
28 Xerxes, que invadiu a Grécia em 480 a.C.
29 Na planície de Doriscus na Trácia, a enorme força terrestre foi estimada contando o
número de vezes que um espaço capaz de conter 10.000 homens foi preenchido
(Heródoto, vii. 60).
30 Heródoto, vii. 45, 46 conta a história.
31 Seu primeiro compromisso foi anunciado enquanto ele arava seus próprios campos.
32 Ele não permitiu que sua estátua fosse colocada no Capitólio.
33 Provavelmente uma alusão ao desejo louco de Calígula: "utinam populus romanus
unam cervicem haberet!" (Suetônio, Calig. 30) (A lógica de toda a passagem sofre da
incerteza do texto)
34 Caio Júlio César Augusto Germânico (em latim Gaius Julius Caesar Augustus
Germanicus;), também conhecido como Caio César ou Calígula
35 Três quilômetros e meio de extensão, indo de Baiae até o píer de Puteoli (Suetônio,
Calig. 19).
36 Xerxes, que colocou uma ponte sobre o Helesponto.
37 Toga pretexta (Toga praetexta) - era uma toga branca que apresentava uma banda
larga de cor púrpura. Era usada pelos principais magistrados e sacerdotes.
38 O ano romano era datado pelos nomes de dois cônsules anuais.
39 isto é, como se fossem crianças, cujos funerais ocorriam à noite (Servius, Eneida,
xi. 143).
Seneca
On the shortness of life
translated by John W. Basore
I
The majority of mortals, Paulinus, complain bitterly of the spitefulness of
Nature, because we are born for a brief span of life, because even this space
that has been granted to us rushes by so speedily and so swiftly that all save a
very few find life at an end just when they are getting ready to live. Nor is it
merely the common herd and the unthinking crowd that bemoan what is, as
men deem it, an universal ill; the same feeling has called forth complaint also
from men who were famous. It was this that made the greatest of physicians
exclaim that "life is short, art is long;" it was this that led Aristotle, while
expostulating with Nature, to enter an indictment most unbecoming to a wise
man—that, in point of age, she has shown such favour to animals that they
drag out five or ten lifetimes, but that a much shorter limit is fixed for man,
though he is born for so many and such great achievements. It is not that we
have a short space of time, but that we waste much of it. Life is long enough,
and it has been given in sufficiently generous measure to allow the
accomplishment of the very greatest things if the whole of it is well invested.
But when it is squandered in luxury and carelessness, when it is devoted to no
good end, forced at last by the ultimate necessity we perceive that it has
passed away before we were aware that it was passing. So it is—the life we
receive is not short, but we make it so, nor do we have any lack of it, but are
wasteful of it. Just as great and princely wealth is scattered in a moment when
it comes into the hands of a bad owner, while wealth however limited, if it is
entrusted to a good guardian, increases by use, so our life is amply long for
him who orders it properly. 
II
Why do we complain of Nature? She hasshown herself kindly; life, if you
know how to use it, is long. But one man is possessed by an avarice that is
insatiable, another by a toilsome devotion to tasks that are useless; one man is
besotted with wine, another is paralyzed by sloth; one man is exhausted by an
ambition that always hangs upon the decision of others, another, driven on by
the greed of the trader, is led over all lands and all seas by the hope of gain;
some are tormented by a passion for war and are always either bent upon
inflicting danger upon others or concerned about their own; some there are
who are worn out by voluntary servitude in a thankless attendance upon the
great; many are kept busy either in the pursuit of other men's fortune or in
complaining of their own; many, following no fixed aim, shifting and
inconstant and dissatisfied, are plunged by their fickleness into plans that are
ever new; some have no fixed principle by which to direct their course, but
Fate takes them unawares while they loll and yawn—so surely does it happen
that I cannot doubt the truth of that utterance which the greatest of poets
delivered with all the seeming of an oracle: "The part of life we really live is
small." For all the rest of existence is not life, but merely time. Vices beset us
and surround us on every side, and they do not permit us to rise anew and lift
up our eyes for the discernment of truth, but they keep us down when once
they have overwhelmed us and we are chained to lust. Their victims are never
allowed to return to their true selves; if ever they chance to find some release,
like the waters of the deep sea which continue to heave even after the storm is
past, they are tossed about, and no rest from their lusts abides. Think you that
I am speaking of the wretches whose evils are admitted? Look at those whose
prosperity men flock to behold; they are smothered by their blessings. To
how many are riches a burden! From how many do eloquence and the daily
straining to display their powers draw forth blood! How many are pale from
constant pleasures! To how many does the throng of clients that crowd about
them leave no freedom! In short, run through the list of all these men from
the lowest to the highest—this man desires an advocate, this one answers the
call, that one is on trial, that one defends him, that one gives sentence; no one
asserts his claim to himself, everyone is wasted for the sake of another. Ask
about the men whose names are known by heart, and you will see that these
are the marks that distinguish them: A cultivates B and B cultivates C; no one
is his own master. And then certain men show the most senseless indignation
—they complain of the insolence of their superiors, because they were too
busy to see them when they wished an audience! But can anyone have the
hardihood to complain of the pride of another when he himself has no time to
attend to himself? After all, no matter who you are, the great man does
sometimes look toward you even if his face is insolent, he does sometimes
condescend to listen to your words, he permits you to appear at his side; but
you never deign to look upon yourself, to give ear to yourself. There is no
reason, therefore, to count anyone in debt for such services, seeing that, when
you performed them, you had no wish for another's company, but could not
endure your own. 
III
Though all the brilliant intellects of the ages were to concentrate upon this
one theme, never could they adequately express their wonder at this dense
darkness of the human mind. Men do not suffer anyone to seize their estates,
and they rush to stones and arms if there is even the slightest dispute about
the limit of their lands, yet they allow others to trespass upon their life—nay,
they themselves even lead in those who will eventually possess it. No one is
to be found who is willing to distribute his money, yet among how many does
each one of us distribute his life! In guarding their fortune men are often
closefisted, yet, when it comes to the matter of wasting time, in the case of
the one thing in which it is right to be miserly, they show themselves most
prodigal. And so I should like to lay hold upon someone from the company of
older men and say: "I see that you have reached the farthest limit of human
life, you are pressing hard upon your hundredth year, or are even beyond it;
come now, recall your life and make a reckoning. Consider how much of
your time was taken up with a moneylender, how much with a mistress, how
much with a patron, how much with a client, how much in wrangling with
your wife, how much in punishing your slaves, how much in rushing about
the city on social duties. Add the diseases which we have caused by our own
acts, add, too, the time that has lain idle and unused; you will see that you
have fewer years to your credit than you count. Look back in memory and
consider when you ever had a fixed plan, how few days have passed as you
had intended, when you were ever at your own disposal, when your face ever
wore its natural expression, when your mind was ever unperturbed, what
work you have achieved in so long a life, how many have robbed you of life
when you were not aware of what you were losing, how much was taken up
in useless sorrow, in foolish joy, in greedy desire, in the allurements of
society, how little of yourself was left to you; you will perceive that you are
dying before your season!" What, then, is the reason of this? You live as if
you were destined to live forever, no thought of your frailty ever enters your
head, of how much time has already gone by you take no heed. You squander
time as if you drew from a full and abundant supply, though all the while that
day which you bestow on some person or thing is perhaps your last. You
have all the fears of mortals and all the desires of immortals. You will hear
many men saying: "After my fiftieth year I shall retire into leisure, my
sixtieth year shall release me from public duties." And what guarantee, pray,
have you that your life will last longer? Who will suffer your course to be just
as you plan it? Are you not ashamed to reserve for yourself only the remnant
of life, and to set apart for wisdom only that time which cannot be devoted to
any business? How late it is to begin to live just when we must cease to live!
What foolish forgetfulness of mortality to postpone wholesome plans to the
fiftieth and sixtieth year, and to intend to begin life at a point to which few
have attained! 
IV
You will see that the most powerful and highly placed men let drop remarks
in which they long for leisure, acclaim it, and prefer it to all their blessings.
They desire at times, if it could be with safety, to descend from their high
pinnacle; for, though nothing from without should assail or shatter, Fortune
of its very self comes crashing down.
The deified Augustus, to whom the gods vouchsafed more than to any other
man, did not cease to pray for rest and to seek release from public affairs; all
his conversation ever reverted to this subject—his hope of leisure. This was
the sweet, even if vain, consolation with which he would gladden his labours
—that he would one day live for himself. In a letter addressed to the senate,
in which he had promised that his rest would not be devoid of dignity nor
inconsistent with his former glory, I find these words: "But these matters can
be shown better by deeds than by promises. Nevertheless, since the joyful
reality is still far distant, my desire for that time most earnestly prayed for has
led me to forestall some of its delight by the pleasure of words." So desirable
a thing did leisure seem that he anticipated it in thought because he could not
attain it in reality. He who saw everything depending upon himself alone,
who determined the fortune of individuals and of nations, thought most
happily of that future day on which he should lay aside his greatness. He had
discovered how much sweat those blessings that shone throughout all lands
drew forth, how many secret worries they concealed.Forced to pit arms first
against his countrymen, then against his colleagues, and lastly against his
relatives, he shed blood on land and sea. 
Through Macedonia, Sicily, Egypt, Syria, and Asia, and almost all countries
he followed the path of battle, and when his troops were weary of shedding
Roman blood, he turned them to foreign wars. While he was pacifying the
Alpine regions, and subduing the enemies planted in the midst of a peaceful
empire, while he was extending its bounds even beyond the Rhine and the
Euphrates and the Danube, in Rome itself the swords of Murena, Caepio,
Lepidus, Egnatius, and others were being whetted to slay him. Not yet had he
escaped their plots, when his daughter and all the noble youths who were
bound to her by adultery as by a sacred oath, oft alarmed his failing years—
and there was Paulus, and a second time the need to fear a woman in league
with an Antony. When be had cut away these ulcers together with the limbs
themselves, others would grow in their place; just as in a body that was
overburdened with blood, there was always a rupture somewhere. And so he
longed for leisure, in the hope and thought of which he found relief for his
labours. This was the prayer of one who was able to answer the prayers of
mankind. 
V
Marcus Cicero, long flung among men like Catiline and Clodius and Pompey
and Crassus, some open enemies, others doubtful friends, as he is tossed to
and fro along with the state and seeks to keep it from destruction, to be at last
swept away, unable as he was to be restful in prosperity or patient in
adversity—how many times does he curse that very consulship of his, which
he had lauded without end, though not without reason! How tearful the words
he uses in a letter12 written to Atticus, when Pompey the elder had been
conquered, and the son was still trying to restore his shattered arms in Spain!
"Do you ask," he said, "what I am doing here? I am lingering in my Tusculan
villa half a prisoner." He then proceeds to other statements, in which he
bewails his former life and complains of the present and despairs of the
future. Cicero said that he was "half a prisoner." But, in very truth, never will
the wise man resort to so lowly a term, never will he be half a prisoner—he
who always possesses an undiminished and stable liberty, being free and his
own master and towering over all others. For what can possibly be above him
who is above Fortune? 
VI
When Livius Drusus, a bold and energetic man, had with the support of a
huge crowd drawn from all Italy proposed new laws and the evil measures of
the Gracchi, seeing no way out for his policy, which he could neither carry
through nor abandon when once started on, he is said to have complained
bitterly against the life of unrest he had had from the cradle, and to have
exclaimed that he was the only person who had never had a holiday even as a
boy. For, while he was still a ward and wearing the dress of a boy, he had had
the courage to commend to the favour of a jury those who were accused, and
to make his influence felt in the law-courts, so powerfully, indeed, that it is
very well known that in certain trials he forced a favourable verdict. To what
lengths was not such premature ambition destined to go? One might have
known that such precocious hardihood would result in great personal and
public misfortune. And so it was too late for him to complain that he had
never had a holiday when from boyhood he had been a trouble-maker and a
nuisance in the forum. It is a question whether he died by his own hand; for
he fell from a sudden wound received in his groin, some doubting whether
his death was voluntary, no one, whether it was timely. 
It would be superfluous to mention more who, though others deemed them
the happiest of men, have expressed their loathing for every act of their years,
and with their own lips have given true testimony against themselves; but by
these complaints they changed neither themselves nor others. For when they
have vented their feelings in words, they fall back into their usual round.
Heaven knows! such lives as yours, though they should pass the limit of a
thousand years, will shrink into the merest span; your vices will swallow up
any amount of time. The space you have, which reason can prolong, although
it naturally hurries away, of necessity escapes from you quickly; for you do
not seize it, you neither hold it back, nor impose delay upon the swiftest thing
in the world, but you allow it to slip away as if it were something superfluous
and that could be replaced. 
VII
But among the worst I count also those who have time for nothing but wine
and lust; for none have more shameful engrossments. The others, even if they
are possessed by the empty dream of glory, nevertheless go astray in a
seemly manner; though you should cite to me the men who are avaricious,
the men who are wrathful, whether busied with unjust hatreds or with unjust
wars, these all sin in more manly fashion. But those who are plunged into the
pleasures of the belly and into lust bear a stain that is dishonourable. Search
into the hours of all these people, see how much time they give to accounts,
how much to laying snares, how much to fearing them, how much to paying
court, how much to being courted, how much is taken up in giving or
receiving bail, how much by banquets—for even these have now become a
matter of business— and you will see how their interests, whether you call
them evil or good, do not allow them time to breathe. 
Finally, everybody agrees that no one pursuit can be successfully followed by
a man who is busied with many things—eloquence cannot, nor the liberal
studies—since the mind, when its interests are divided, takes in nothing very
deeply, but rejects everything that is, as it were, crammed into it. There is
nothing the busy man is less busied with than living: there is nothing that is
harder to learn. Of the other arts there are many teachers everywhere; some of
them we have seen that mere boys have mastered so thoroughly that they
could even play the master. It takes the whole of life to learn how to live, and
—what will perhaps make you wonder more—it takes the whole of life to
learn how to die. Many very great men, having laid aside all their
encumbrances, having renounced riches, business, and pleasures, have made
it their one aim up to the very end of life to know how to live; yet the greater
number of them have departed from life confessing that they did not yet
know—still less do those others know. Believe me, it takes a great man and
one who has risen far above human weaknesses not to allow any of his time
to be filched from him, and it follows that the life of such a man is very long
because he has devoted wholly to himself whatever time he has had. None of
it lay neglected and idle; none of it was under the control of another, for,
guarding it most grudgingly, he found nothing that was worthy to be taken in
exchange for his time. And so that man had time enough, but those who have
been robbed of much of their life by the public, have necessarily had too little
of it. 
And there is no reason for you to suppose that these people are not sometimes
aware of their loss. Indeed, you will hear many of those who are burdened by
great prosperity cry out at times in the midst of their throngs of clients, or
their pleadings in court, or their other glorious miseries: "I have no chance to
live." Of course you have no chance! All those who summon you to
themselves, turn you away from your own self. Of how many days has that
defendant robbed you? Of how many that candidate? Of how many that old
woman wearied with burying her heirs? Of how many that man who is
shamming sickness for the purpose of exciting the greed of the legacy-
hunters? Of how many that very powerful friend who has you and your like
on the list, not of his friends, but of his retinue? Check off, I say, and review
the days of your life; you will see that very few, and those the refuse. have
been left for you.That man who had prayed for the fasces, when he attains
them, desires to lay them aside and says over and over: "When will this year
be over!" That man gives games, and, after setting great value on gaining the
chance to give them, now says: "When shall I be rid of them?" That advocate
is lionized throughout the whole forum, and fills all the place with a great
crowd that stretches farther than he can be heard, yet he says: "When will
vacation time come?" Everyone hurries his life on and suffers from a
yearning for the future and a weariness of the present. But he who bestows all
of his time on his own needs, who plans out every day as if it were his last,
neither longs for nor fears the morrow. For what new pleasure is there that
any hour can now bring? They are all known, all have been enjoyed to the
full. Mistress Fortune may deal out the rest as she likes; his life has already
found safety. Something may be added to it, but nothing taken from it, and he
will take any addition as the man who is satisfied and filled takes the food
which he does not desire and yet can hold. And so there is no reason for you
to think that any man has lived long because he has grey hairs or wrinkles; he
has not lived long—he has existed long. For what if you should think that that
man had had a long voyage who had been caught by a fierce storm as soon as
he left harbour, and, swept hither and thither by a succession of winds that
raged from different quarters, had been driven in a circle around the same
course? Not much voyaging did he have, but much tossing about. 
VIII
I am often filled with wonder when I see some men demanding the time of
others and those from whom they ask it most indulgent. Both of them fix
their eyes on the object of the request for time, neither of them on the time
itself; just as if what is asked were nothing, what is given, nothing. Men trifle
with the most precious thing in the world; but they are blind to it because it is
an incorporeal thing, because it does not come beneath the sight of the eyes,
and for this reason it is counted a very cheap thing—nay, of almost no value
at all. Men set very great store by pensions and doles, and for these they hire
out their labour or service or effort. But no one sets a value on time; all use it
lavishly as if it cost nothing. But see how these same people clasp the knees
of physicians if they fall ill and the danger of death draws nearer, see how
ready they are, if threatened with capital punishment, to spend all their
possessions in order to live! So great is the inconsistency of their feelings.
But if each one could have the number of his future years set before him as is
possible in the case of the years that have passed, how alarmed those would
be who saw only a few remaining, how sparing of them would they be! And
yet it is easy to dispense an amount that is assured, no matter how small it
may be; but that must be guarded more carefully which will fail you know
not when. 
Yet there is no reason for you to suppose that these people do not know how
precious a thing time is; for to those whom they love most devotedly they
have a habit of saying that they are ready to give them a part of their own
years. And they do give it, without realizing it; but the result of their giving is
that they themselves suffer loss without adding to the years of their dear ones.
But the very thing they do not know is whether they are suffering loss;
therefore, the removal of something that is lost without being noticed they
find is bearable. Yet no one will bring back the years, no one will bestow you
once more on yourself. Life will follow the path it started upon, and will
neither reverse nor check its course; it will make no noise, it will not remind
you of its swiftness. Silent it will glide on; it will not prolong itself at the
command of a king, or at the applause of the populace. Just as it was started
on its first day, so it will run; nowhere will it turn aside, nowhere will it
delay. And what will be the result? You have been engrossed, life hastens by;
meanwhile death will be at hand, for which, willy nilly, you must find
leisure. 
IX
Can anything be sillier than the point of view of certain people—I mean those
who boast of their foresight? They keep themselves very busily engaged in
order that they may be able to live better; they spend life in making ready to
live! They form their purposes with a view to the distant future; yet
postponement is the greatest waste of life; it deprives them of each day as it
comes, it snatches from them the present by promising something hereafter.
The greatest hindrance to living is expectancy, which depends upon the
morrow and wastes to-day. You dispose of that which lies in the hands of
Fortune, you let go that which lies in your own. Whither do you look? At
what goal do you aim? All things that are still to come lie in uncertainty; live
straightway! See how the greatest of bards cries out, and, as if inspired with
divine utterance, sings the saving strain:
The fairest day in hapless mortals' life
Is ever first to flee.
"Why do you delay," says he, "Why are you idle? Unless you seize the day, it
flees." Even though you seize it, it still will flee; therefore you must vie with
time's swiftness in the speed of using it, and, as from a torrent that rushes by
and will not always flow, you must drink quickly. And, too, the utterance of
the bard is most admirably worded to cast censure upon infinite delay, in that
he says, not "the fairest age," but "the fairest day." Why, to whatever length
your greed inclines, do you stretch before yourself months and years in long
array, unconcerned and slow though time flies so fast? The poet speaks to
you about the day, and about this very day that is flying. Is there, then, any
doubt that for hapless mortals, that is, for men who are engrossed, the fairest
day is ever the first to flee? Old age surprises them while their minds are still
childish, and they come to it unprepared and unarmed, for they have made no
provision for it; they have stumbled upon it suddenly and unexpectedly, they
did not notice that it was drawing nearer day by day. Even as conversation or
reading or deep meditation on some subject beguiles the traveller, and he
finds that he has reached the end of his journey before he was aware that he
was approaching it, just so with this unceasing and most swift journey of life,
which we make at the same pace whether waking or sleeping; those who are
engrossed become aware of it only at the end. 
X
Should I choose to divide my subject into heads with their separate proofs,
many arguments will occur to me by which I could prove that busy men find
life very short. But Fabianus, who was none of your lecture-room
philosophers of to-day, but one of the genuine and old-fashioned kind, used
to say that we must fight against the passions with main force, not with
artifice, and that the battle-line must be turned by a bold attack, not by
inflicting pinpricks; that sophistry is not serviceable, for the passions must be,
not nipped, but crushed. Yet, in order that the victims of them nay be
censured, each for his own particular fault, I say that they must be instructed,
not merely wept over. Life is divided into three periods—that which has
been, that which is, that which will be. Of these the present time is short, the
future is doubtful, the past is certain. For the last is the one over which
Fortune has lost control, is the one which cannot be brought back under any
man's power. But men who are engrossed lose this; for they have no time to
look back upon the past, and even if they should have, it is not pleasant to
recall something they must view with regret. They are, therefore, unwilling to
direct their thoughts backward to ill-spent hours, and those whose vices
become obvious if they review the past, even the vices which were disguised
under some allurement of momentary pleasure, do not have the courage to
revert to those hours. No one willingly turns his thoughtback to the past,
unless all his acts have been submitted to the censorship of his conscience,
which is never deceived; he who has ambitiously coveted, proudly scorned,
recklessly conquered, treacherously betrayed, greedily seized, or lavishly
squandered, must needs fear his own memory. And yet this is the part of our
time that is sacred and set apart, put beyond the reach of all human mishaps,
and removed from the dominion of Fortune, the part which is disquieted by
no want, by no fear, by no attacks of disease; this can neither be troubled nor
be snatched away—it is an everlasting and unanxious possession. The present
offers only one day at a time, and each by minutes; but all the days of past
time will appear when you bid them, they will suffer you to behold them and
keep them at your will—a thing which those who are engrossed have no time
to do. The mind that is untroubled and tranquil has the power to roam into all
the parts of its life; but the minds of the engrossed, just as if weighted by a
yoke, cannot turn and look behind. And so their life vanishes into an abyss;
and as it does no good, no matter how much water you pour into a vessel, if
there is no bottom to receive and hold it, so with time—it makes no
difference how much is given; if there is nothing for it to settle upon, it
passes out through the chinks and holes of the mind. Present time is very
brief, so brief, indeed, that to some there seems to be none; for it is always in
motion, it ever flows and hurries on; it ceases to be before it has come, and
can no more brook delay than the firmament or the stars, whose ever
unresting movement never lets them abide in the same track. The engrossed,
therefore, are concerned with present time alone, and it is so brief that it
cannot be grasped, and even this is filched away from them, distracted as they
are among many things. 
XI
In a word, do you want to know how they do not "live long"? See how eager
they are to live long! Decrepit old men beg in their prayers for the addition of
a few more years; they pretend that they are younger than they are; they
comfort themselves with a falsehood, and are as pleased to deceive
themselves as if they deceived Fate at the same time. But when at last some
infirmity has reminded them of their mortality, in what terror do they die,
feeling that they are being dragged out of life, and not merely leaving it. They
cry out that they have been fools, because they have not really lived, and that
they will live henceforth in leisure if only they escape from this illness; then
at last they reflect how uselessly they have striven for things which they did
not enjoy, and how all their toil has gone for nothing. But for those whose life
is passed remote from all business, why should it not be ample? None of it is
assigned to another, none of it is scattered in this direction and that, none of it
is committed to Fortune, none of it perishes from neglect, none is subtracted
by wasteful giving, none of it is unused; the whole of it, so to speak, yields
income. And so, however small the amount of it, it is abundantly sufficient,
and therefore, whenever his last day shall come, the wise man will not
hesitate to go to meet death with steady step. 
XII
Perhaps you ask whom I would call "the engrossed "? There is no reason for
you to suppose that I mean only those whom the dogs that have at length
been let in drive out from the law-court, those whom you see either
gloriously crushed in their own crowd of followers, or scornfully in someone
else's, those whom social duties call forth from their own homes to bump
them against someone else's doors, or whom the praetor's hammer keeps busy
in seeking gain that is disreputable and that will one day fester. Even the
leisure of some men is engrossed; in their villa or on their couch, in the midst
of solitude, although they have withdrawn from all others, they are
themselves the source of their own worry; we should say that these are living,
not in leisure, but in busy idleness. Would you say that that man is at
leisure who arranges with finical care his Corinthian bronzes, that the mania
of a few makes costly, and spends the greater part of each day upon rusty bits
of copper? Who sits in a public wrestling-place (for, to our shame I we labour
with vices that are not even Roman) watching the wrangling of lads? Who
sorts out the herds of his pack-mules into pairs of the same age and colour?
Who feeds all the newest athletes? Tell me, would you say that those men are
at leisure who pass many hours at the barber's while they are being stripped
of whatever grew out the night before? while a solemn debate is held over
each separate hair? while either disarranged locks are restored to their place
or thinning ones drawn from this side and that toward the forehead? How
angry they get if the barber has been a bit too careless, just as if he were
shearing a real man! How they flare up if any of their mane is lopped off, if
any of it lies out of order, if it does not all fall into its proper ringlets! Who of
these would not rather have the state disordered than his hair? Who is not
more concerned to have his head trim rather than safe? Who would not rather
be well barbered than upright? Would you say that these are at leisure who
are occupied with the comb and the mirror? And what of those who are
engaged in composing, hearing, and learning songs, while they twist the
voice, whose best and simplest movement Nature designed to be
straightforward, into the meanderings of some indolent tune, who are always
snapping their fingers as they beat time to some song they have in their head,
who are overheard humming a tune when they have been summoned to
serious, often even melancholy, matters? These have not leisure, but idle
occupation. And their banquets, Heaven knows! I cannot reckon among their
unoccupied hours, since I see how anxiously they set out their silver plate,
how diligently they tie up the tunics of their pretty slave-boys, how
breathlessly they watch to see in what style the wild boar issues from the
hands of the cook, with what speed at a given signal smooth-faced boys hurry
to perform their duties, with what skill the birds are carved into portions all
according to rule, how carefully unhappy little lads wipe up the spittle of
drunkards. By such means they seek the reputation of being fastidious and
elegant, and to such an extent do their evils follow them into all the privacies
of life that they can neither eat nor drink without ostentation. And I would not
count these among the leisured class either—the men who have themselves
borne hither and thither in a sedan-chair and a litter, and are punctual at the
hours for their rides as if it were unlawful to omit them, who are reminded by
someone else when they must bathe, when they must swim, when they must
dine; so enfeebled are they by the excessive lassitude of a pampered mind
that they cannot find out by themselves whether they are hungry! I hear that
one of these pampered people—provided that you can call it pampering to
unlearn the habits of human life—when he had been lifted by hands from the
bath and placed in his sedan-chair, said questioningly: "Am I now seated?"
Do you think that this man, who does not know whether he is sitting, knows
whether he is alive, whether he sees, whether he is at leisure? I find it hard to
say whether I pity him more if he really did not know, or if he pretended not
to know this. They really are subject to forgetfulness of many things, but they
also pretend forgetfulness of many. Some vices delight them as being proofs
of their prosperity; it seems the part of a man who is very lowly and
despicable to know what he is doing. After this imagine that the mimes
fabricate many things to make a mock of luxury! In very truth, they pass over
more than they invent, and such a multitude of unbelievable vices has come
forth in this age, so clever in this one direction, that by now we can charge
the mimes with neglect. To think that there isanyone who is so lost in luxury
that he takes another's word as to whether he is sitting down! This man, then,
is not at leisure, you must apply to him a different term—he is sick, nay, he is
dead; that man is at leisure, who has also a perception of his leisure. But this
other who is half alive, who, in order that he may know the postures of his
own body, needs someone to tell him—how can he be the master of any of
his time? 
XIII
It would be tedious to mention all the different men who have spent the
whole of their life over chess or ball or the practice of baking their bodies in
the sun. They are not unoccupied whose pleasures are made a busy
occupation. For instance, no one will have any doubt that those are laborious
triflers who spend their time on useless literary problems, of whom even
among the Romans there is now a great number. It was once a foible confined
to the Greeks to inquire into what number of rowers Ulysses had, whether the
Iliad or the Odyssey was written first, whether moreover they belong to the
same author, and various other matters of this stamp, which, if you keep them
to yourself, in no way pleasure your secret soul, and, if you publish them,
make you seem more of a bore than a scholar. But now this vain passion for
learning useless things has assailed the Romans also. In the last few days I
heard someone telling who was the first Roman general to do this or that;
Duilius was the first who won a naval battle, Curius Dentatus was the first
who had elephants led in his triumph. Still, these matters, even if they add
nothing to real glory, are nevertheless concerned with signal services to the
state; there will be no profit in such knowledge, nevertheless it wins our
attention by reason of the attractiveness of an empty subject. We may excuse
also those who inquire into this—who first induced the Romans to go on
board ship. It was Claudius, and this was the very reason he was surnamed
Caudex, because among the ancients a structure formed by joining together
several boards was called a caudex, whence also the Tables of the Law are
called codices, and, in the ancient fashion, boats that carry provisions up the
Tiber are even to-day called codicariae. Doubtless this too may have some
point—the fact that Valerius Corvinus was the first to conquer Messana, and
was the first of the family of the Valerii to bear the surname Messana because
be had transferred the name of the conquered city to himself, and was later
called Messala after the gradual corruption of the name in the popular speech.
Perhaps you will permit someone to be interested also in this—the fact that
Lucius Sulla was the first to exhibit loosed lions in the Circus, though at other
times they were exhibited in chains, and that javelin-throwers were sent by
King Bocchus to despatch them? And, doubtless, this too may find some
excuse—but does it serve any useful purpose to know that Pompey was the
first to exhibit the slaughter of eighteen elephants in the Circus, pitting
criminals against them in a mimic battle? He, a leader of the state and one
who, according to report, was conspicuous among the leaders of old for the
kindness of his heart, thought it a notable kind of spectacle to kill human
beings after a new fashion. Do they fight to the death? That is not enough!
Are they torn to pieces? That is not enough! Let them be crushed by animals
of monstrous bulk! Better would it be that these things pass into oblivion lest
hereafter some all-powerful man should learn them and be jealous of an act
that was nowise human. O, what blindness does great prosperity cast upon
our minds! When he was casting so many troops of wretched human beings
to wild beasts born under a different sky, when he was proclaiming war
between creatures so ill matched, when he was shedding so much blood
before the eyes of the Roman people, who itself was soon to be forced to
shed more. he then believed that he was beyond the power of Nature. But
later this same man, betrayed by Alexandrine treachery, offered himself to
the dagger of the vilest slave, and then at last discovered what an empty boast
his surname was. 
But to return to the point from which I have digressed, and to show that some
people bestow useless pains upon these same matters—the man I mentioned
related that Metellus, when he triumphed after his victory over the
Carthaginians in Sicily, was the only one of all the Romans who had caused a
hundred and twenty captured elephants to be led before his car; that Sulla was
the last of the Roman's who extended the pomerium, which in old times it
was customary to extend after the acquisition of Italian but never of
provincial, territory. Is it more profitable to know this than that Mount
Aventine, according to him, is outside the pomerium for one of two reasons,
either because that was the place to which the plebeians had seceded, or
because the birds had not been favourable when Remus took his auspices on
that spot—and, in turn, countless other reports that are either crammed with
falsehood or are of the same sort? For though you grant that they tell these
things in good faith, though they pledge themselves for the truth of what they
write, still whose mistakes will be made fewer by such stories? Whose
passions will they restrain? Whom will they make more brave, whom more
just, whom more noble-minded? My friend Fabianus used to say that at times
he was doubtful whether it was not better not to apply oneself to any studies
than to become entangled in these. 
XIV
Of all men they alone are at leisure who take time for philosophy, they alone
really live; for they are not content to be good guardians of their own lifetime
only. They annex ever age to their own; all the years that have gone ore them
are an addition to their store. Unless we are most ungrateful, all those men,
glorious fashioners of holy thoughts, were born for us; for us they have
prepared a way of life. By other men's labours we are led to the sight of
things most beautiful that have been wrested from darkness and brought into
light; from no age are we shut out, we have access to all ages, and if it is our
wish, by greatness of mind, to pass beyond the narrow limits of human
weakness, there is a great stretch of time through which we may roam. We
may argue with Socrates, we may doubt with Carneades, find peace with
Epicurus, overcome human nature with the Stoics, exceed it with the Cynics.
Since Nature allows us to enter into fellowship with every age, why should
we not turn from this paltry and fleeting span of time and surrender ourselves
with all our soul to the past, which is boundless, which is eternal, which we
share with our betters? 
Those who rush about in the performance of social duties, who give
themselves and others no rest, when they have fully indulged their madness,
when they have every day crossed everybody's threshold, and have left no
open door unvisited, when they have carried around their venal greeting to
houses that are very far apart—out of a city so huge and torn by such varied
desires, how few will they be able to see? How many will there be who either
from sleep or self-indulgence or rudeness will keep them out! How many
who, when they have tortured them with long waiting, will rush by,
pretending to be in a hurry! How many will avoid passing out through a hall
that is crowded with clients, and will make their escape through some
concealed door as if it were not more discourteous to deceive than to exclude.
How many, still half asleep and sluggish from last night's debauch, scarcely
lifting their lips in the midst of a most insolent yawn, manage to bestow on
yonder poor wretches, who break their own slumber in order to wait on that
of another, the right name only after it has been whispered to them a thousand
times! 
But we may fairly say that they alone are engaged in the true duties of life
who shall wish to have Zeno, Pythagoras, Democritus, and all the other high
priests of liberal studies, and Aristotle and Theophrastus,as their most
intimate friends every day. No one of these will be "not at home," no one of
these will fail to have his visitor leave more happy and more devoted to
himself than when he came, no one of these will allow anyone to leave him
with empty hands; all mortals can meet with them by night or by day. 
XV
No one of these will force you to die, but all will teach you how to die; no
one of these will wear out your years, but each will add his own years to
yours; conversations with no one of these will bring you peril, the friendship
of none will endanger your life, the courting of none will tax your purse.
From them you will take whatever you wish; it will be no fault of theirs if
you do not draw the utmost that you can desire. What happiness, what a fair
old age awaits him who has offered himself as a client to these! He will have
friends from whom he may seek counsel on matters great and small, whom
he may consult every day about himself, from whom he may hear truth
without insult, praise without flattery, and after whose likeness he may
fashion himself. 
We are wont to say that it was not in our power to choose the parents who fell
to our lot, that they have been given to men by chance; yet we may be the
sons of whomsoever we will. Households there are of noblest intellects;
choose the one into which you wish to be adopted; you will inherit not
merely their name, but even their property, which there will be no need to
guard in a mean or niggardly spirit; the more persons you share it with, the
greater it will become. These will open to you the path to immortality, and
will raise you to a height from which no one is cast down. This is the only
way of prolonging mortality—nay, of turning it into immortality. Honours,
monuments, all that ambition has commanded by decrees or reared in works
of stone, quickly sink to ruin; there is nothing that the lapse of time does not
tear down and remove. But the works which philosophy has consecrated
cannot be harmed; no age will destroy them, no age reduce them; the
following and each succeeding age will but increase the reverence for them,
since envy works upon what is close at hand, and things that are far off we
are more free to admire. The life of the philosopher, therefore, has wide
range, and he is not confined by the same bounds that shut others in. He alone
is freed from the limitations of the human race; all ages serve him as if a god.
Has some time passed by? This he embraces by recollection. Is time present?
This he uses. Is it still to come? This he anticipates. He makes his life long by
combining all times into one. 
XVI
But those who forget the past, neglect the present, and fear for the future have
a life that is very brief and troubled; when they have reached the end of it, the
poor wretches perceive too late that for such a long while they have been
busied in doing nothing. Nor because they sometimes invoke death, have you
any reason to think it any proof that they find life long. In their folly they are
harassed by shifting emotions which rush them into the very things they
dread; they often pray for death because they fear it. And, too, you have no
reason to think that this is any proof that they are living a long time—the fact
that the day often seems to them long, the fact that they complain that the
hours pass slowly until the time set for dinner arrives; for, whenever their
engrossments fail them, they are restless because they are left with nothing to
do, and they do not know how to dispose of their leisure or to drag out the
time. And so they strive for something else to occupy them, and all the
intervening time is irksome; exactly as they do when a gladiatorial
exhibition\b is been announced, or when they are waiting for the appointed
time of some other show or amusement, they want to skip over the days that
lie between. All postponement of something they hope for seems long to
them. Yet the time which they enjoy is short and swift, and it is made much
shorter by their own fault; for they flee from one pleasure to another and
cannot remain fixed in one desire. Their days are not long to them, but
hateful; yet, on the other hand, how scanty seem the nights which they spend
in the arms of a harlot or in wine! It is this also that accounts for the madness
of poets in fostering human frailties by the tales in which they represent that
Jupiter under the enticement of the pleasures of a lover doubled the length of
the night. For what is it but to inflame our vices to inscribe the name of the
gods as their sponsors, and to present the excused indulgence of divinity as
an example to our own weakness? Can the nights which they pay for so
dearly fail to seem all too short to these men? They lose the day in
expectation of the night, and the night in fear of the dawn. 
XVII
The very pleasures of such men are uneasy and disquieted by alarms of
various sorts, and at the very moment of rejoicing the anxious thought comes
over them: How long will these things last?" This feeling has led kings to
weep over the power they possessed, and they have not so much delighted in
the greatness of their fortune, as they have viewed with terror the end to
which it must some time come. When the King of Persia, in all the insolence
of his pride, spread his army over the vast plains and could not grasp its
number but simply its measure, he shed copious tears because inside of a
hundred years not a man of such a mighty army would be alive. But he who
wept was to bring upon them their fate, was to give some to their doom on
the sea, some on the land, some in battle, some in flight, and within a short
time was to destroy all those for whose hundredth year he had such fear. And
why is it that even their joys are uneasy from fear? Because they do not rest
on stable causes, but are perturbed as groundlessly as they are born. But of
what sort do you think those times are which even by their own confession
are wretched, since even the joys by which they are exalted and lifted above
mankind are by no means pure? All the greatest blessings are a source of
anxiety, and at no time is fortune less wisely trusted than when it is best; to
maintain prosperity there is need of other prosperity, and in behalf of the
prayers that have turned out well we must make still other prayers. For
everything that comes to us from chance is unstable, and the higher it rises,
the more liable it is to fall. Moreover, what is doomed to perish brings
pleasure to no one; very wretched, therefore, and not merely short, must the
life of those be who work hard to gain what they must work harder to keep.
By great toil they attain what they wish, and with anxiety hold what they
have attained; meanwhile they take no account of time that will never more
return. New engrossments take the place of the old, hope leads to new hope,
ambition to new ambition. They do not seek an end of their wretchedness, but
change the cause. Have we been tormented by our own public honours?
Those of others take more of our time. Have we ceased to labour as
candidates? We begin to canvass for others. Have we got rid of the troubles
of a prosecutor? We find those of a judge. Has a man ceased to be a judge?
He becomes president of a court. Has he become infirm in managing the
property of others at a salary? He is perplexed by caring for his own wealth.
Have the barracks set Marius free? The consulship keeps him busy. Does
Quintius hasten to get to the end of his dictatorship? He will be called back to
it from the plough. Scipio will go against the Carthaginians before he is ripe
for so great an undertaking; victorious over Hannibal, victorious over
Antiochus, the glory of his own consulship, the surety for his brother's, did he
not stand in his own way, he would be set beside Jove; but the discord of
civilians will vex their preserver, and, when as a young man he had scorned
honours that rivalled those of the gods, at length, when he is old, his ambition
will lake delight in stubborn exile. Reasons for anxietywill never be lacking,
whether born of prosperity or of wretchedness; life pushes on in a succession
of engrossments. We shall always pray for leisure, but never enjoy it. 
XVIII
And so, my dearest Paulinus, tear yourself away from the crowd, and, too
much storm-tossed for the time you have lived, at length withdraw into a
peaceful harbour. Think of how many waves you have encountered, how
many storms, on the one hand, you have sustained in private life, how many,
on the other, you have brought upon yourself in public life; long enough has
your virtue been displayed in laborious and unceasing proofs—try how it will
behave in leisure. The greater part of your life, certainly the better part of it,
has been given to the state; take now some part of your time for yourself as
well. And I do not summon you to slothful or idle inaction, or to drown all
your native energy in slumbers and the pleasures that are dear to the crowd.
That is not to rest; you will find far greater works than all those you have
hitherto performed so energetically, to occupy you in the midst of your
release and retirement. You, I know, manage the accounts of the whole world
as honestly as you would a stranger's, as carefully as you would your own, as
conscientiously as you would the state's. You win love in an office in which it
is difficult to avoid hatred; but nevertheless believe me, it is better to have
knowledge of the ledger of one's own life than of the corn-market. Recall that
keen mind of yours, which is most competent to cope with the greatest
subjects, from a service that is indeed honourable but hardly adapted to the
happy life, and reflect that in all your training in the liberal studies, extending
from your earliest years, you were not aiming at this—that it might be safe to
entrust many thousand pecks of corn to your charge; you gave hope of
something greater and more lofty. There will be no lack of men of tested
worth and painstaking industry. But plodding oxen are much more suited to
carrying heavy loads than thoroughbred horses, and who ever hampers the
fleetness of such high-born creatures with a heavy pack? Reflect, besides,
how much worry you have in subjecting yourself to such a great burden; your
dealings are with the belly of man. A hungry people neither listens to reason,
nor is appeased by justice, nor is bent by any entreaty. Very recently within
those few day's after Gaius Caesar died—still grieving most deeply (if the
dead have any feeling) because he knew that the Roman people were
alive and had enough food left for at any rate seven or eight days while he
was building his bridges of boats and playing with the resources of the
empire, we were threatened with the worst evil that can befall men even
during a siege—the lack of provisions; his imitation of a mad and foreign and
misproud king was very nearly at the cost of the city's destruction and famine
and the general revolution that follows famine. What then must have been the
feeling of those who had charge of the corn-market, and had to face stones,
the sword, fire—and a Caligula? By the greatest subterfuge they concealed
the great evil that lurked in the vitals of the state—with good reason, you may
be sure. For certain maladies must be treated while the patient is kept in
ignorance; knowledge of their disease has caused the death of many. 
XIX
Do you retire to these quieter, safer, greater things! Think you that it is just
the same whether you are concerned in having corn from oversea poured into
the granaries, unhurt either by the dishonesty or the neglect of those who
transport it, in seeing that it does not become heated and spoiled by collecting
moisture and tallies in weight and measure, or whether you enter upon these
sacred and lofty studies with the purpose of discovering what substance, what
pleasure, what mode of life, what shape God has; what fate awaits your soul;
where Nature lays us to rest When we are freed from the body; what the
principle is that upholds all the heaviest matter in the centre of this world,
suspends the light on high, carries fire to the topmost part, summons the stars
to their proper changes—and ether matters, in turn, full of mighty wonders?
You really must leave the ground and turn your mind's eye upon these things!
Now while the blood is hot, we must enter with brisk step upon the better
course. In this kind of life there awaits much that is good to know—the love
and practice of the virtues, forgetfulness of the passions, knowledge of living
and dying, and a life of deep repose. 
The condition of all who are engrossed is wretched, but most wretched is the
condition of those who labour at engrossments that are not even their own,
who regulate their sleep by that of another, their walk by the pace of another,
who are under orders in case of the freest things in the world—loving and
hating. If these wish to know how short their life is, let them reflect how
small a part of it is their own. 
XX
And so when you see a man often wearing the robe of office, when you see
one whose name is famous in the Forum, do not envy him; those things are
bought at the price of life. They will waste all their years, in order that they
may have one year reckoned by their name. Life has left some in the midst of
their first struggles, before they could climb up to the height of their
ambition; some, when they have crawled up through a thousand indignities to
the crowning dignity, have been possessed by the unhappy thought that they
have but toiled for an inscription on a tomb; some who have come to extreme
old age, while they adjusted it to new hopes as if it were youth, have had it
fail from sheer weakness in the midst of their great and shameless
endeavours. Shameful is he whose breath leaves him in the midst of a trial
when, advanced in years and still courting the applause of an ignorant circle,
he is pleading for some litigant who is the veriest stranger; disgraceful is he
who, exhausted more quickly by his mode of living than by his labour,
collapses in the very midst of his duties; disgraceful is he who dies in the act
of receiving payments on account, and draws a smile from his long
delayed heir. I cannot pass over an instance which occurs to me.
Sextus Turannius was an old man of long tested diligence, who, after his
ninetieth year, having received release from the duties of his office by Gaius
Caesar's own act, ordered himself to be laid out on his bed and to be mourned
by the assembled household as if he were dead. The whole house bemoaned
the leisure of its old master, and did not end its sorrow until his accustomed
work was restored to him. Is it really such pleasure for a man to die in
harness? Yet very many have the same feeling; their desire for their labour
lasts longer than their ability; they fight against the weakness of the body,
they judge old age to be a hardship on no other score than because it puts
them aside. The law does not draft a soldier after his fiftieth year, it does not
call a senator after his sixtieth; it is more difficult for men to obtain leisure
from themselves than from the law. Meantime, while they rob and are being
robbed, while they break up each other's repose, while they make each other
wretched, their life is without profit, without pleasure, without any
improvement of the mind. No one keeps death in view, no one refrains from
far-reaching hopes; some men, indeed, even arrange for things that lie beyond
life—huge masses of tombs and dedications of public works and gifts for
their funeral-pyres and ostentatious funerals. But, in very truth, the funerals
of such men ought to be conducted by the light of torches and wax tapers, as
though they had lived but the tiniest span. 
Lucius Annaeus Seneca
Ad Paulinum, De Brevitate Vitae
I.
1 Maior pars mortalium, Pauline, de naturae malignitate conqueritur, quod in
exiguum aeui gignimur, quod haec tam uelociter, tam rapide dati nobis
temporis spatia decurrant, adeo ut exceptis admodum paucis ceteros in ipso
uitae apparatuuita destituat. Nec huic publico, ut opinantur, malo turba
tantum et imprudens uulgus ingemuit; clarorum quoque uirorum hic affectus
querellas euocauit. 2 Inde illa maximi medicorum exclamatio est: "uitam
breuem esse, longam artem". Inde Aristotelis cum rerum natura exigentis
minime conueniens sapienti uiro lis: "aetatis illam animalibus tantum
indulsisse, ut quina aut dena saecula educerent, homini in tam multa ac
magna genito tanto citeriorem terminum stare." 3 Non exiguum temporis
habemus, sed multum perdidimus. Satis longa uita et in maximarum rerum
consummationem large data est, si tota bene collocaretur; sed ubi per luxum
ac neglegentiam diffluit, ubi nulli bonae rei impenditur, ultima demum
necessitate cogente, quam ire non intelleximus transisse sentimus. 4 Ita est:
non accipimus breuem uitam sed fecimus, nec inopes eius sed prodigi sumus.
Sicut amplae et regiae opes, ubi ad malum dominum peruenerunt, momento
dissipantur, at quamuis modicae, si bono custodi traditae sunt, usu crescunt:
ita aetas nostra bene disponenti multum patet.
II.
1 Quid de rerum natura querimur? Illa se benigne gessit: uita, si uti scias,
longa est. [At] alium insatiabilis tenet auaritia; alium in superuacuis laboribus
operosa sedulitas; alius uino madet, alius inertia torpet; alium defetigat ex
alienis iudiciis suspensa semper ambitio, alium mercandi praeceps cupiditas
circa omnis terras, omnia maria spe lucri ducit; quosdam torquet cupido
militiae numquam non aut alienis periculis intentos aut suis anxios; sunt quos
ingratus superiorum cultus uoluntaria seruitute consumat; 2 multos aut
affectatio alienae formae aut suae querella detinuit; plerosque nihil certum
sequentis uaga et inconstans et sibi displicens leuitas per noua consilia
iactauit; quibusdam nihil quo cursum derigant placet, sed marcentis
oscitantisque fata deprendunt, adeo ut quod apud maximum poetarum more
oraculi dictum est uerum esse non dubitem: "Exigua pars est uitae qua
uiuimus. Ceterum quidem omne spatium non uita sed tempus est. 3 Urgent et
circumstant uitia undique nec resurgere aut in dispectum ueri attollere oculos
sinunt. Et immersos et in cupiditatem infixos premunt, numquam illis
recurrere ad se licet. Si quando aliqua fortuito quies contigit, uelut profundo
mari, in quo post uentum quoque uolutatio est, fluctuantur nec umquam illis a
cupiditatibus suis otium stat. 4 De istis me putas dicere, quorum in confesso
mala sunt? Aspice illos ad quorum felicitatem concurritur:bonis suis
effocantur. Quam multis diuitiae graues sunt! Quam multorum eloquentia et
cotidiana ostentandi ingenii sollicitatio sanguinem educit! Quam multi
continuis uoluptatibus pallent! Quam multis nihil liberi relinquit circumfusus
clientium populus! Omnis denique istos ab infimis usque ad summos pererra:
hic aduocat, hic adest, ille periclitatur, ille defendit, ille iudicat, nemo se sibi
uindicat, alius in alium consumitur. Interroga de istis quorum nomina
ediscuntur, his illos dinosci uidebis notis: ille illius ius cultor est, hic illius;
suus nemo est. 5 Deinde dementissima quorundam indignatio est: queruntur
de superiorum fastidio, quod ipsis adire uolentibus non uacauerint! Audet
quisquam de alterius superbia queri, qui sibi ipse numquam uacat? Ille tamen
te, quisquis es, insolenti quidem uultu sed aliquando respexit, ille aures suas
ad tua uerba demisit, ille te ad latus suum recepit: tu non inspicere te
umquam, non audire dignatus es. Non est itaque quod ista officia cuiquam
imputes, quoniam quidem, cum illa faceres, non esse cum alio uolebas, sed
tecum esse non poteras.
III.
1 Omnia licet quae umquam ingenia fulserunt in hoc unum consentiant,
numquam satis hanc humanarum mentium caliginem mirabuntur: praedia sua
occupari a nullo patiuntur et, si exigua contentio est de modo finium, ad
lapides et arma discurrunt; in uitam suam incedere alios sinunt, immo uero
ipsi etiam possessores eius futuros inducunt; nemo inuenitur qui pecuniam
suam diuidere uelit, uitam unusquisque quam multis distribuit! Adstricti sunt
in continendo patrimonio, simul ad iacturam temporis uentum est,
profusissimi in eo cuius unius honesta auaritia est. 2 Libet itaque ex seniorum
turba comprendere aliquem: "Peruenisse te ad ultimum aetatis humanae
uidemus, centesimus tibi uel supra premitur annus: agedum, ad
computationem aetatem tuam reuoca. Duc quantum ex isto tempore creditor,
quantum amica, quantum rex, quantum cliens abstulerit, quantum lis uxoria,
quantum seruorum coercitio, quantum officiosa per urbem discursatio; adice
morbos quos manu fecimus, adice quod et sine usu iacuit: uidebis te
pauciores annos habere quam numeras. 3 Repete memoria tecum quando
certus consilii fueris, quotus quisque dies ut destinaueras recesserit, quando
tibi usus tui fuerit, quando in statu suo uultus, quando animus intrepidus, quid
tibi in tam longo aeuo facti operis sit, quam multi uitam tuam diripuerint te
non sentiente quid perderes, quantum uanus dolor, stulta laetitia, auida
cupiditas, blanda conuersatio abstulerit, quam exiguum tibi de tuo relictum
sit: intelleges te immaturum mori." 4 Quid ergo est in causa? Tamquam
semper uicturi uiuitis, numquam uobis fragilitas uestra succurrit, non
obseruatis quantum iam temporis transierit; uelut ex pleno et abundanti
perditis, cum interim fortasse ille ipse qui alicui uel homini uel rei donatur
dies ultimus sit. Omnia tamquam mortales timetis, omnia tamquam
immortales concupiscitis. 5 Audies plerosque dicentes: "A quinquagesimo
anno in otium secedam, sexagesimus me annus ab officiis dimittet." Et quem
tandem longioris uitae praedem accipis? Quis ista sicut disponis ire patietur?
Non pudet te reliquias uitae tibi reseruare et id solum tempus bonae menti
destinare quod in nullam rem conferri possit? Quam serum est tunc uiuere
incipere cum desinendum est? Quae tam stulta mortalitatis obliuio in
quinquagesimum et sexagesimum annum differre sana consilia et inde uelle
uitam inchoare quo pauci perduxerunt?
IV.
1 Potentissimis et in altum sublatis hominibus excidere uoces uidebis quibus
otium optent, laudent, omnibus bonis suis praeferant. Cupiunt interim ex illo
fastigio suo, si tuto liceat, descendere; nam ut nihil extra lacessat aut quatiat,
in se ipsa fortuna ruit. 2 Diuus Augustus, cui dii plura quam ulli praestiterunt,
non desiit quietem sibi precari et uacationem a re publica petere; omnis eius
sermo ad hoc semper reuolutus est, ut speraret otium: hoc labores suos, etiam
si falso, dulci tamen oblectabat solacio, aliquando se uicturum sibi. 3 In
quadam ad senatum missa epistula, cum requiem suam non uacuam fore
dignitatis nec a priore gloria discrepantem pollicitus esset, haec uerba inueni:
"Sed ista fieri speciosius quam promitti possunt. Me tamen cupido temporis
optatissimi mihi prouexit, ut quoniam rerum laetitia moratur adhuc,
praeciperem aliquid uoluptatis ex uerborum dulcedine." 4 Tanta uisa est res
otium, ut illam, quia usu non poterat, cogitatione praesumeret. Qui omnia
uidebat ex se uno pendentia, qui hominibus gentibusque fortunam dabat,
illum diem laetissimus cogitabat quo magnitudinem suam exueret. 5 Expertus
erat quantum illa bona per omnis terras fulgentia sudoris exprimerent,
quantum occultarum sollicitudinum tegerent: cum ciuibus primum, deinde
cum collegis, nouissime cum affinibus coactus armis decernere mari terraque
sanguinem fudit. Per Macedoniam, Siciliam, Aegyptum, Syriam Asiamque et
omnis prope oras bello circumactus Romana caede lassos exercitus ad
externa bella conuertit. Dum Alpes pacat immixtosque mediae paci et
imperio hostes perdomat, dum [ut] ultra Rhenum et Euphraten et Danuuium
terminos mouet, in ipsa urbe Murenae, Caepionis Lepidi, Egnati, aliorum in
eum mucrones acuebantur. 6 Nondum horum effugerat insidias: filia et tot
nobiles iuuenes adulterio uelut sacramento adacti iam infractam aetatem
territabant Paulusque et iterum timenda cum Antonio mulier. Haec ulcera
cum ipsis membris absciderat: alia subnascebantur; uelut graue multo
sanguine corpus parte semper aliqua rumpebatur. Itaque otium optabat, in
huius speet cogitatione labores eius residebant, hoc uotum erat eius qui uoti
compotes facere poterat.
V.
1 M. Cicero inter Catilinas, Clodios iactatus Pompeiosque et Crassos, partim
manifestos inimicos, partim dubios amicos, dum fluctuatur cum re publica et
illam pessum euntem tenet, nouissime abductus, nec secundis rebus quietus
nec aduersarum patiens, quotiens illum ipsum consulatum suum non sine
causa sed sine fine laudatum detestatur! 2 Quam flebiles uoces exprimit in
quadam ad Atticum epistula iam uicto patre Pompeio, adhuc filio in Hispania
fracta arma refouente! "Quid agam", inquit, "hic, quaeris? Moror in
Tusculano meo semiliber." Alia deinceps adicit, quibus et priorem aetatem
complorat et de praesenti queritur et de futura desperat. 3 Semiliberum se
dixit Cicero: at me hercules numquam sapiens in tam humile nomen
procedet, numquam semiliber erit, integrae semper libertatis et solidae,
solutus et sui iuris et altior ceteris. Quid enim supra eum potest esse qui supra
fortunam est?
VI.
1 Liuius Drusus, uir acer et uehemens, cum leges nouas et mala Gracchana
mouisset stipatus ingenti totius Italiae coetu, exitum rerum non peruidens,
quas nec agere licebat nec iam liberum erat semel incohatas relinquere,
exsecratus inquietam a primordiis uitam dicitur dixisse: uni sibi ne puero
quidem umquam ferias contigisse. Ausus est enim et pupillus adhuc et
praetextatus iudicibus reos commendare et gratiam suam foro interponere tam
efficaciter quidem, ut quaedam iudicia constet ab illo rapta. 2 Quo non
erumperet tam immatura ambitio? Scires in malum ingens et priuatum et
publicum euasuram tam praecoquem audaciam. Sero itaque querebatur nullas
sibi ferias contigisse a puero seditiosus et foro grauis. Disputatur an ipse sibi
manus attulerit; subito enim uulnere per inguen accepto collapsus est, aliquo
dubitante an mors eius uoluntaria esset, nullo an tempestiua. 3 Superuacuum
est commemorare plures qui, cum aliis felicissimi uiderentur, ipsi in se uerum
testimonium dixerunt perosi omnem actum annorum suorum; sed his
querellis nec alios mutauerunt nec se ipsos: nam cum uerba eruperunt,
affectus ad consuetudinem relabuntur. 4 Vestra me hercules uita, licet supra
mille annos exeat, in artissimum contrahetur: ista uitia nullum non saeculum
deuorabunt; hoc uero spatium, quod quamuis natura currit ratio dilatat, cito
uos effugiat necesse est; non enim apprenditis nec retinetis uel ocissimae
omnium rei moram facitis, sed abire ut rem superuacuam ac reparabilem
sinitis.
VII.
1 In primis autem et illos numero qui nulli rei nisi uino ac libidini uacant;
nulli enim turpius occupati sunt. Ceteri, etiam si uana gloriae imagine
teneantur, speciose tamen errant; licet auaros mihi, licet iracundos enumeres
uel odia exercentes iniusta uel bella, omnes isti uirilius peccant: in uentrem ac
libidinem proiectorum inhonesta tabes est. 2 Omnia istorum tempora excute,
aspice quam diu computent, quam diu insidientur, quam diu timeant, quam
diu colant, quam diu colantur, quantum uadimonia sua atque aliena occupent,
quantum conuiuia, quae iam ipsa officia sunt: uidebis quemadmodum illos
respirare non sinant uel mala sua uel bona. 3 Denique inter omnes conuenit
nullam rem bene exerceri posse ab homine occupato, non eloquentiam, non
liberales disciplinas, quando districtus animus nihil altius recipit sed omnia
uelut inculcata respuit. Nihil minus est hominis occupati quam uiuere: nullius
rei difficilior scientia est. Professores aliarum artium uulgo multique sunt,
quasdam uero ex his pueri admodum ita percepisse uisi sunt, ut etiam
praecipere possent: uiuere tota uita discendum est et, quod magis fortasse
miraberis, tota uita discendum est mori. 4 Tot maximi uiri, relictis omnibus
impedimentis, cum diuitiis, officiis, uoluptatibus renuntiassent, hoc unum in
extremam usque aetatem egerunt ut uiuere scirent; plures tamen ex his
nondum se scire confessi uita abierunt, nedum ut isti sciant. 5 Magni, mihi
crede, et supra humanos errores eminentis uiri est nihil ex suo tempore
delibari sinere, et ideo eius uita longissima est, quia, quantumcumque patuit,
totum ipsi uacauit. Nihil inde incultum otiosumque iacuit, nihil sub alio fuit,
neque enim quicquam repperit dignum quod cum tempore suo permutaret
custos eius parcissimus. Itaque satis illi fuit: iis uero necesse est defuisse ex
quorum uita multum populus tulit. 6 Nec est quod putes hinc illos aliquando
non intellegere damnum suum: plerosque certe audies ex iis quos magna
felicitas grauat inter clientium greges aut causarum actiones aut ceteras
honestas miserias exclamare interdum: "Viuere mihi non licet." 7 Quidni non
liceat? Omnes illi qui te sibi aduocant tibi abducunt. Ille reus quot dies
abstulit? Quot ille candidatus? Quot illa anus efferendis heredibus lassa?
Quot ille ad irritandam auaritiam captantium simulatus aeger? Quot ille
potentior amicus, qui uos non in amicitiam sed in apparatu habet? Dispunge,
inquam, et recense uitae tuae dies: uidebis paucos admodum et reiculos apud
te resedisse. 8 Assecutus ille quos optauerat fasces cupit ponere et subinde
dicit: "Quando hic annus praeteribit?" Facit ille ludos, quorum sortem sibi
obtingere magno aestimauit: "Quando", inquit, "istos effugiam?" Diripitur ille
toto foro patronus et magno concursu omnia ultra quam audiri potest
complet: "Quando", inquit, "res proferentur?" Praecipitat quisque uitam suam
et futuri desiderio laborat, praesentium taedio. 9 At ille qui nullum non
tempus in usus suos confert, qui omnes dies tamquam ultimum ordinat, nec
optat crastinum nec timet. Quid enim est quod iam ulla hora nouae uoluptatis
possit afferre? Omnia nota, omnia ad satietatem percepta sunt. De cetero fors
fortuna ut uolet ordinet: uita iam in tuto est. Huic adici potest, detrahi nihil, et
adici sic quemadmodum saturo iam ac pleno aliquid cibi: quod nec desiderat
[et] capit. 10 Non est itaque quod quemquam propter canos aut rugas putes
diu uixisse: non ille diu uixit, sed diu fuit. Quid enim, si illum multum putes
nauigasse quem saeua tempestas a portu exceptum huc et illuc tulit ac uicibus
uentorum ex diuerso furentium per eadem spatia in orbem egit? Non ille
multum nauigauit, sed multum iactatus est.
VIII.
1 Mirari soleo cum uideo aliquos tempus petentes et eos qui rogantur
facillimos; illud uterque spectat propter quod tempus petitum est, ipsum
quidem neuter: quasi nihil petitur, quasi nihil datur. Re omnium pretiosissima
luditur; fallit autem illos, quia res incorporalis est, quia sub oculos non uenit
ideoque uilissima aestimatur, immo paene nullum eius pretium est. 2 Annua,
congiaria homines carissime accipiunt et illis aut laborem aut operam aut
diligentiam suam locant: nemo aestimat tempus; utuntur illo laxius quasi
gratuito. At eosdem aegros uide, si mortis periculum propius admotum est,
medicorum genua tangentes, si metuunt capitale supplicium, omnia sua, ut
uiuant, paratos impendere! Tanta in illis discordia affectuum est! 3 Quodsi
posset quem-admodum praeteritorum annorum cuiusque numerus proponi,
sic futurorum, quomodo illi qui paucos uiderent superesse trepidarent,
quomodo illis parcerent! Atqui facile est quamuis exiguum dispensare quod
certum est; id debet seruari diligentius quod nescias quando deficiat. 4 Nec
est tamen quod putes illos ignorare quam cara res sit: dicere solent eis quos
ualdissime diligunt paratos se partem annorum suorum dare: dant nec
intellegunt: dant autem ita ut sine illorum incremento sibi detrahant. Sed hoc
ipsum an detrahant nesciunt; ideo tolerabilis est illis iactura detrimenti
latentis. 5 Nemo restituet annos, nemo iterum te tibi reddet. Ibit qua coepit
aetas nec cursum suum aut reuocabit aut supprimet; nihil tumultuabitur, nihil
admonebit uelocitatis suae: tacita labetur. Non illa se regis imperio, non
fauore populi longius proferet: sicut missa est a primo die, curret, nusquam
deuertetur, nusquam remorabitur. Quid fiet? Tu occupatus es, uita festinat;
mors interim aderit, cui uelis nolis uacandum est.
IX.
1 Potestne quicquam stultius esse quam quorundam sensus, hominum eorum
dico quiprudentiam iactant? Operosius occupati sunt. Vt melius possint
uiuere, impendio uitae uitam instruunt. Cogitationes suas in longum ordinant;
maxima porro uitae iactura dilatio est: illa primum quemque extrahit diem,
illa eripit praesentia dum ulteriora promittit. Maximum uiuendi
impedimentum est exspectatio, quae pendet ex crastino, perdit hodiernum.
Quod in manu fortunae positum est disponis, quod in tua, dimittis. Quo
spectas? Quo te extendis? Omnia quae uentura sunt in incerto iacent: protinus
uiue. 2 Clamat ecce maximus uates et uelut diuino horrore instinctus salutare
carmen canit:
Optima quaeque dies miseris mortalibus aeui
Prima fugit.
"Quid cunctaris?", inquit, "Quid cessas? Nisi occupas, fugit." Et cum
occupaueris, tamen fugiet: itaque cum celeritate temporis utendi uelocitate
certandum est et uelut ex torrenti rapido nec semper ituro cito hauriendum. 3
Hoc quoque pulcherrime ad exprobrandam infinitam cogitationem quod non
optimam quamque aetatem sed diem dicit. Quid securus et in tanta temporum
fuga lentus menses tibi et annos in longam seriem, utcumque auiditati tuae
uisum est, exporrigis? De die tecum loquitur et de hoc ipso fugiente. 4 Num
dubium est ergo quin prima quaeque optima dies fugiat mortalibus miseris, id
est occupatis? Quorum puerilis adhuc animos senectus opprimit, ad quam
imparati inermesque perueniunt; nihil enim prouisum est: subito in illam
necopinantes inciderunt, accedere eam cotidie non sentiebant. 5
Quemadmodum aut sermo aut lectio aut aliqua intentior cogitatio iter
facientis decipit et peruenisse ante sciunt quam appropinquasse, sic hoc iter
uitae assiduum et citatissimum quod uigilantes dormientesque eodem gradu
facimus occupatis non apparet nisi in fine.
X.
1 Quod proposui si in partes uelim et argumenta diducere, multa mihi
occurrent per quae probem breuissimam esse occupatorum uitam. Solebat
dicere Fabianus, non ex his cathedrariis philosophis, sed ex ueris et antiquis,
"contra affectus impetu, non subtilitate pugnandum, nec minutis uulneribus
sed incursu auertendam aciem". Non probabat cauillationes: "enim contundi
debere, non uellicari." Tamen, ut illis error exprobretur suus, docendi non
tantum deplorandi sunt. 2 In tria tempora uita diuiditur: quod fuit, quod est,
quod futurum est. Ex his quod agimus breue est, quod acturi sumus dubium,
quod egimus certum. Hoc est enim in quod fortuna ius perdidit, quod in
nullius arbitrium reduci potest. 3 Hoc amittunt occupati; nec enim illis uacat
praeterita respicere, et si uacet iniucunda est paenitendae rei recordatio. Inuiti
itaque ad tempora male exacta animum reuocant nec audent ea retemptare
quorum uitia, etiam quae aliquo praesentis uoluptatis lenocinio
surripiebantur, retractando patescunt. Nemo, nisi quoi omnia acta sunt sub
censura sua, quae numquam fallitur, libenter se in praeteritum retorquet: 4 ille
qui multa ambitiose concupiit superbe contempsit, impotenter uicit insidiose
decepit, auare rapuit prodige effudit, necesse est memoriam suam timeat.
Atqui haec est pars temporis nostri sacra ac dedicata, omnis humanos casus
supergressa, extra regnum fortunae subducta, quam non inopia, non metus,
non morborum incursus exagitet; haec nec turbari nec eripi potest; perpetua
eius et intrepida possessio est. Singuli tantum dies, et hi per momenta,
praesentes sunt; at praeteriti temporis omnes, cum jusseritis, aderunt, ad
arbitrium tuum inspici se ac detineri patientur, quod facere occupatis non
uacat. 5 Securae et quietae mentis est in omnes uitae suae partes discurrere;
occupatorum animi, uelut sub iugo sint, flectere se ac respicere non possunt.
Abit igitur uita eorum in profundum; et ut nihil prodest, licet quantumlibet
ingeras, si non subest quod excipiat ac seruet, sic nihil refert quantum
temporis detur, si non est ubi subsidat: per quassos foratosque animos
transmittitur. 6 Praesens tempus breuissimum est, adeo quidem ut quibusdam
nullum uideatur; in cursu enim semper est, fluit et praecipitatur; ante desinit
esse quam uenit, nec magis moram patitur quam mundus aut sidera, quorum
irrequieta semper agitatio numquam in eodem uestigio manet. Solum igitur
ad occupatos praesens pertinet tempus, quod tam breue est ut arripi non
possit, et id ipsum illis districtis in multa subducitur.
XI.
1 Denique uis scire quam non diu uiuant? Vide quam cupiant diu uiuere.
Decrepiti senes paucorum annorum accessionem uotis mendicant: minores
natu se ipsos esse fingunt; mendacio sibi blandiuntur et tam libenter se fallunt
quam si una fata decipiant. Iam uero cum illos aliqua imbecillitas mortalitatis
admonuit, quemadmodum pauentes moriuntur, non tamquam exeant de uita
sed tamquam extrahantur. Stultos se fuisse ut non uixerint clamitant et, si
modo euaserint ex illa ualetudine, in otio uicturos; tunc quam frustra
parauerint quibus non fruerentur, quam in cassum omnis ceciderit labor
cogitant. 2 At quibus uita procul ab omni negotio agitur, quidni spatiosa sit?
Nihil ex illa delegatur, nihil alio atque alio spargitur, nihil inde fortunae
traditur, nihil neglegentia interit, nihil largitione detrahitur, nihil
superuacuum est: tota, ut ita dicam, in reditu est. Quantulacumque itaque
abunde sufficit, et ideo, quandoque ultimus dies uenerit, non cunctabitur
sapiens ire ad mortem certo gradu.
XII.
1 Quaeris fortasse quos occupatos uocem? Non est quod me solos putes
dicere quos a basilica immissi demum canes eiciunt, quos aut in sua uides
turba speciosius elidi aut in aliena contemptius, quos officia domibus suis
euocant ut alienis foribus illidant, [aut] hasta praetoris infami lucro et
quandoque suppuraturo exercet. 2 Quorundam otium occupatum est: in uilla
aut in lecto suo, in media solitudine, quamuis ab omnibus recesserint, sibi ipsi
molesti sunt: quorum non otiosa uita dicenda est sed desidiosa occupatio.
Illum tu otiosum uocas qui Corinthia, paucorum furore pretiosa, anxia
subtilitate concinnat et maiorem dierum partem in aeruginosis lamellis
consumit? qui in ceromate (nam, pro facinus! ne Romanis quidem uitiis
laboramus) spectator puerorum rixantium sedet? qui iumentorum suorum
greges in aetatum et colorum paria diducit ? qui athletas nouissimos pascit? 3
Quid? Illos otiosos uocas quibus apud tonsorem multae horae transmittuntur,
dum decerpitur si quid proxima nocte succreuit, dum de singulis capillis in
consilium itur, dum aut disiecta coma restituitur aut deficiens hinc atque illinc
in frontem compellitur? Quomodo irascuntur, si tonsor paulo neglegentior
fuit, tamquam uirum tonderet! Quomodo excandescunt si quid ex iuba sua
decisum est, si quid extra ordinem iacuit, nisi omnia in anulos suos
reciderunt! Quis est istorum qui non malit rem publicam turbari quam comam
suam? qui non sollicitior sit de capitis sui decore quam de salute? qui non
comptior esse malit quam honestior? Hos tu otiosos uocas inter pectinem
speculumque occupatos? 4 Quid illi qui in componendis, audiendis, discendis
canticis operati sunt, dum uocem, cuius rectum cursum natura et optimum et
simplicissimum fecit, in flexus modulationis inertissimae torquent, quorum
digiti aliquod intra se carmen metientes semper sonant, quorum, cum ad res
serias, etiam saepe tristes adhibiti sunt, exauditur tacita modulatio? Non
habent isti otium, sed iners negotium. 5 Conuiuia me hercules horum non
posuerim inter uacantia tempora, cum uideam quam solliciti argentum
ordinent, quam diligenter exoletorum suorum tunicas succingant, quam
suspensi sint quomodo aper a coco exeat, qua celeritate signo dato glabri ad
ministeria discurrant, quanta arte scindantur aues in frusta non enormia, quam
curiose infelices pueruli ebriorum sputa detergeant: ex his elegantiae
lautitiaeque fama captatur et usque eo in omnes uitae secessus mala sua illos
sequuntur, ut nec bibant sine ambitione nec edant. 6 Ne illos quidem inter
otiosos numeraueris qui sella se et lectica huc et illuc ferunt et ad gestationum
suarum, quasi deserere illas non liceat, horas occurrunt, quos quando lauari
debeant, quando natare, quando cenare alius admonet: [et] usque eo nimio
delicati animi languoresoluuntur, ut per se scire non possint an esuriant. 7
Audio quendam ex delicatis (si modo deliciae uocandae sunt uitam et
consuetudinem humanam dediscere), cum ex balneo inter manus elatus et in
sella positus esset, dixisse interrogando: "Iam sedeo?" Hunc tu ignorantem an
sedeat putas scire an uiuat, an uideat, an otiosus sit? Non facile dixerim utrum
magis miserear, si hoc ignorauit an si ignorare se finxit. 8 Multarum quidem
rerum obliuionem sentiunt, sed multarum et imitantur; quaedam uitia illos
quasi felicitatis argumenta delectant; nimis humilis et contempti hominis
uidetur scire quid facias: i nunc et mimos multa mentiri ad exprobrandam
luxuriam puta. Plura me hercules praetereunt quam fingunt et tanta
incredibilium uitiorum copia ingenioso in hoc unum saeculo processit, ut iam
mimorum arguere possimus neglegentiam. Esse aliquem qui usque eo deliciis
interierit ut an sedeat alteri credat! 9 Non est ergo hic otiosus, aliud illi
nomen imponas; aeger est, immo mortuus est; ille otiosus est cui otii sui et
sensus est. Hic uero semiuiuus, cui ad intellegendos corporis sui habitus
indice opus est, quomodo potest hic ullius temporis dominus esse?
XIII
1 Persequi singulos longum est quorum aut latrunculi aut pila aut excoquendi
in sole corporis cura consumpsere uitam. Non sunt otiosi quorum uoluptates
multum negotii habent. Nam de illis nemo dubitabit quin operose nihil agant,
qui litterarum inutilium studiis detinentur, quae iam apud Romanos quoque
magna manus est. 2 Graecorum iste morbus fuit quaerere quem numerum
Ulixes remigum habuisset, prior scripta esset Ilias an Odyssia, praeterea an
eiusdem esset auctoris, alia deinceps huius notae, quae siue contineas nihil
tacitam conscientiam iuuant, siue proferas non doctior uidearis sed molestior.
3 Ecce Romanos quoque inuasit inane studium superuacua discendi; his
diebus audiui quendam referentem quae primus quisque ex Romanis ducibus
fecisset: primus nauali proelio Duilius uicit, primus Curius Dentatus in
triumpho duxit elephantos. Etiamnunc ista, etsi ad ueram gloriam non
tendunt, circa ciuilium tamen operum exempla uersantur; non est profutura
talis scientia, est tamen quae nos speciosa rerum uanitate detineat. 4 Hoc
quoque quaerentibus remittamus quis Romanis primus persuaserit nauem
conscendere (Claudius is fuit, Caudex ob hoc ipsum appellatus quia plurium
tabularum contextus caudex apud antiquos uocatur, unde publicae tabulae
codices dicuntur et naues nunc quoque ex antiqua consuetudine quae
commeatus per Tiberim subuehunt codicariae uocantur) ; 5 sane et hoc ad
rem pertineat, quod Valerius Coruinus primus Messanam uicit et primus ex
familia Valeriorum, urbis captae in se translato nomine, Messana appellatus
est paulatimque uulgo permutante litteras Messala dictus: 6 num et hoc
cuiquam curare permittes quod primus L. Sulla in circo leones solutos dedit,
cum alioquin alligati darentur, ad conficiendos eos missis a rege Boccho
iaculatoribus? Et hoc sane remittatur: num et Pompeium primum in circo
elephantorum duodeuiginti pugnam edidisse commissis more proelii noxiis
hominibus, ad ullam rem bonam pertinet? Princeps ciuitatis et inter antiquos
principes (ut fama tradidit) bonitatis eximiae memorabile putauit spectaculi
genus nouo more perdere homines. Depugnant? Parum est. Lancinantur?
Parum est: ingenti mole animalium exterantur! 7 Satius erat ista in
obliuionem ire, ne quis postea potens disceret inuideretque rei minime
humanae. O quantum caliginis mentibus nostris obicit magna felicitas! Ille se
supra rerum naturam esse tunc credidit, cum tot miserorum hominum
cateruas sub alio caelo natis beluis obiceret, cum bellum inter tam disparia
animalia committeret, cum in conspectum populi Romani multum sanguinis
funderet mox plus ipsum fundere coacturus; at idem postea Alexandrina
perfidia deceptus ultimo mancipio transfodiendum se praebuit, tum demum
intellecta inani iactatione cognominis sui. 8 Sed, ut illo reuertar unde decessi
et in eadem materia ostendam superuacuam quorundam diligentiam, idem
narrabat Metellum, uictis in Sicilia Poenis triumphantem, unum omnium
Romanorum ante currum centum et uiginti captiuos elephantos duxisse;
Sullam ultimum Romanorum protulisse pomerium, quod numquam
prouinciali sed Italico agro adquisito proferre moris apud antiquos fuit. Hoc
scire magis prodest quam Auentinum montem extra pomerium esse, ut ille
affirmabat, propter alteram ex duabus causis, aut quod plebs eo secessisset
aut quod Remo auspicante illo loco aues non addixissent, alia deinceps
innumerabilia quae aut farta sunt mendaciis aut similia? 9 Nam ut concedas
omnia eos fide bona dicere, ut ad praestationem scribant, tamen cuius ista
errores minuent? cuius cupiditates prement? quem fortiorem, quem iustiorem,
quem liberaliorem facient? Dubitare se interim Fabianus noster aiebat an
satius esset nullis studiis admoueri quam his implicari.
XIV.
1 Soli omnium otiosi sunt qui sapientiae uacant, soli uiuunt; nec enim suam
tantum aetatem bene tuentur: omne aeuum suo adiciunt; quicquid annorum
ante illos actum est, illis adquisitum est. Nisi ingratissimi sumus, illi
clarissimi sacrarum opinionum conditores nobis nati sunt, nobis uitam
praeparauerunt. Ad res pulcherrimas ex tenebris ad lucem erutas alieno labore
deducimur; nullo nobis saeculo interdictum est, in omnia admittimur et, si
magnitudine animi egredi humanae imbecillitatis angustias libet, multum per
quod spatiemur temporis est. 2 Disputare cum Socrate licet, dubitare cum
Carneade, cum Epicuro quiescere, hominis naturam cum Stoicis uincere, cum
Cynicis excedere. Cum rerum natura in consortium omnis aeui patiatur
incedere, quidni ab hoc exiguo et caduco temporis transitu in illa toto nos
demus animo quae immensa, quae aeterna sunt, quae cum melioribus
communia? 3 Isti qui per officia discursant, qui se aliosque inquietant, cum
bene insanierint, cum omnium limina cotidie perambulauerint nec ullas
apertas fores praeterierint, cum per diuersissimas domos meritoriam
salutationem circumtulerint, quotum quemque ex tam immensa et uariis
cupiditatibus districta urbe poterunt uidere? 4 Quam multi erunt quorum illos
aut somnus aut luxuria aut inhumanitas summoueat! Quam multi qui illos,
cum diu torserint, simulata festinatione transcurrant! Quam multi per
refertum clientibus atrium prodire uitabunt et per obscuros aedium aditus
profugient, quasi non inhumanius sit decipere quam excludere! Quam multi
hesterna crapula semisomnes et graues illis miseris suum somnum
rumpentibus ut alienum exspectent, uix alleuatis labris insusurratum miliens
nomen oscitatione superbissima reddent! 5 Hos in ueris officiis morari
putamus, licet dicant, qui Zenonem, qui Pythagoran cotidie et Democritum
ceterosque antistites bonarum artium, qui Aristotelen et Theophrastum uolent
habere quam familiarissimos. Nemo horum non uacabit, nemo non uenientem
ad se beatiorem, amantiorem sui dimittet, nemo quemquam uacuis a se
manibus abire patietur; nocte conueniri, interdiu ab omnibus mortalibus
possunt.
XV.
1 Horum te mori nemo coget, omnes docebunt; horum nemo annos tuos
conteret, suos tibi contribuet; nullius ex his sermo periculosus erit, nullius
amicitia capitalis, nullius sumptuosa obseruatio. Feres ex illis quicquid uoles;
per illos non stabit quominus quantum plurimum ceperis haurias. 2 Quae
illum felicitas, quam pulchra senectus manet, qui se in horum clientelam
contulit! Habebit cum quibus de minimis maximisque rebus deliberet, quos
de se cotidie consulat, a quibus audiat uerum sine contumelia, laudetur sine
adulatione, ad quorum se similitudinem effingat. 3 Solemus dicere non fuisse
in nostra potestate quos sortiremur parentes, forte nobis datos: bonis uero ad
suum arbitrium nasci licet. Nobilissimorum ingeniorum familiae sunt: elige
in quam adscisci uelis; non in nomen tantum adoptaberis, sed in ipsa bona,
quae non erunt sordide nec maligne custodienda: maiora fient quo illa
pluribus diuiseris. 4 Hi tibi dabunt ad aeternitatem iter et te in illum locum ex
quo nemo deicitur subleuabunt. Haec una ratio est extendendae mortalitatis,immo in immortalitatem uertendae. Honores, monumenta, quicquid aut
decretis ambitio iussit aut operibus exstruxit cito subruitur, nihil non longa
demolitur uetustas et mouet; at iis quae consecrauit sapientia nocere non
potest; nulla abolebit aetas, nulla deminuet; sequens ac deinde semper ulterior
aliquid ad uenerationem conferet, quoniam quidem in uicino uersatur inuidia,
simplicius longe posita miramur. 5 Sapientis ergo multum patet uita; non
idem illum qui ceteros terminus cludit; solus generis humani legibus soluitur;
omnia illi saecula ut deo seruiunt. Transiit tempus aliquod? hoc recordatione
comprendit; instat? hoc utitur; uenturum est? hoc praecipit. Longam illi uitam
facit omnium temporum in unum collatio.
XVI.
1 Illorum breuissima ac sollicitissima aetas est qui praeteritorum
obliuiscuntur, praesentia neglegunt, de futuro timent: cum ad extrema
uenerunt, sero intellegunt miseri tam diu se dum nihil agunt occupatos fuisse.
2 Nec est quod hoc argumento probari putes longam illos agere uitam, quia
interdum mortem inuocant: uexat illos imprudentia incertis affectibus et
incurrentibus in ipsa quae metuunt; mortem saepe ideo optant quia timent. 3
Illud quoque argumentum non est quod putes diu uiuentium, quod saepe illis
longus uidetur dies, quod, dum ueniat condictum tempus cenae, tarde ire
horas queruntur; nam si quando illos deseruerunt occupationes, in otio relicti
aestuant nec quomodo id disponant aut extrahant sciunt. Itaque ad
occupationem aliquam tendunt et quod interiacet omne tempus graue est, tam
me hercules quam cum dies muneris gladiatorii edictus est, aut cum alicuius
alterius uel spectaculi uel uoluptatis exspectatur constitutum, transilire
medios dies uolunt. 4 Omnis illis speratae rei longa dilatio est; at illud tempus
quod amant breue est et praeceps breuiusque multo, suo uitio; aliunde enim
alio transfugiunt et consistere in una cupiditate non possunt. Non sunt illis
longi dies, sed inuisi; at contra quam exiguae noctes uidentur, quas in
complexu scortorum aut uino exigunt! 5 Inde etiam poetarum furor fabulis
humanos errores alentium, quibus uisus est Iuppiter uoluptate concubitus
delenitus duplicasse noctem; quid aliud est uitia nostra incendere quam
auctores illis inscribere deos et dare morbo exemplo diuinitatis excusatam
licentiam? Possunt istis non breuissimae uideri noctes quas tam care
mercantur? Diem noctis exspectatione perdunt, noctem lucis metu.
XVII
I Ipsae uoluptates eorum trepidae et uariis terroribus inquietae sunt subitque
cum maxime exsultantis sollicita cogitatio: "Haec quam diu?" Ab hoc affectu
reges suam fleuere potentiam, nec illos magnitudo fortunae suae delectauit,
sed uenturus aliquando finis exterruit. 2 Cum per magna camporum spatia
porrigeret exercitum nec numerum eius sed mensuram comprenderet
Persarum rex insolentissimus, lacrimas profudit, quod intra centum annos
nemo ex tanta iuuentute superfuturus esset; at illis admoturus erat fatum ipse
qui flebat perditurusque alios in mari alios in terra, alios proelio alios fuga, et
intra exiguum tempus consumpturus illos quibus centesimum annum timebat.
3 Quid quod gaudia quoque eorum trepida sunt? Non enim solidis causis
innituntur, sed eadem qua oriuntur uanitate turbantur. Qualia autem putas
esse tempora etiam ipsorum confessione misera, cum haec quoque quibus se
attollunt et super hominem efferunt parum sincera sint? 4 Maxima quaeque
bona sollicita sunt nec ulli fortunae minus bene quam optimae creditur; alia
felicitate ad tuendam felicitatem opus est et pro ipsis quae successere uotis
uota facienda sunt. Omne enim quod fortuito obuenit instabile est: quod altius
surrexerit, opportunius est in occasum. Neminem porro casura delectant;
miserrimam ergo necesse est, non tantum breuissimam uitam esse eorum qui
magno parant labore quod maiore possideant. 5 Operose assequuntur quae
uolunt, anxii tenent quae assecuti sunt; nulla interim numquam amplius
redituri temporis ratio est: nouae occupationes ueteribus substituuntur, spes
spem excitat, ambitionem ambitio. Miseriarum non finis quaeritur, sed
materia mutatur. Nostri nos honores torserunt? plus temporis alieni auferunt;
candidati laborare desiimus? suffragatores incipimus; accusandi deposuimus
molestiam? iudicandi nanciscimur; iudex desiit esse? quaesitor est; alienorum
bonorum mercennaria procuratione consenuit? suis opibus distinetur. 6
Marium caliga dimisit? consulatus exercet; Quintius dictaturam properat
peruadere? ab aratro reuocabitur. Ibit in Poenos nondum tantae maturus rei
Scipio; uictor Hannibalis uictor Antiochi, sui consulatus decus fraterni
sponsor, ni per ipsum mora esset, cum loue reponeretur: ciuiles seruatorem
agitabunt seditiones et post fastiditos a iuuene diis aequos honores iam senem
contumacis exilii delectabit ambitio. Numquam derunt uel felices uel miserae
sollicitudinis causae; per occupationes uita trudetur; otium numquam agetur,
semper optabitur.
XVIII.
1 Excerpe itaque te uulgo, Pauline carissime, et in tranquilliorem portum non
pro aetatis spatio iactatus tandem recede. Cogita quot fluctus subieris, quot
tempestates partim priuatas sustinueris, partim publicas in te conuerteris; satis
iam per laboriosa et inquieta documenta exhibita uirtus est; experire quid in
otio faciat. Maior pars aetatis, certe melior rei publicae datast: aliquid
temporis tui sume etiam tibi. 2 Nec te ad segnem aut inertem quietem uoco,
non ut somno et caris turbae uoluptatibus quicquid est in te indolis uiuidae
mergas; non est istud adquiescere: inuenies maiora omnibus adhuc strenue
tractatis operibus, quae repositus et securus agites. 3 Tu quidem orbis
terrarum rationes administras tam abstinenter quam alienas, tam diligenter
quam tuas, tam religiose quam publicas. In officio amorem consequeris, in
quo odium uitare difficile est; sed tamen, mihi crede, satius est uitae suae
rationem quam frumenti publici nosse. 4 Istum animi uigorem rerum
maximarum capacissimum a ministerio honorifico quidem sed parum ad
beatam uitam apto reuoca, et cogita non id egisse te ab aetate prima omni
cultu studiorum liberalium ut tibi multa milia frumenti bene committerentur;
maius quiddam et altius de te promiseras. Non derunt et frugalitatis exactae
homines et laboriosae operae; tanto aptiora [ex]portandis oneribus tarda
iumenta sunt quam nobiles equi, quorum generosam pernicitatem quis
umquam graui sarcina pressit? Cogita praeterea quantum sollicitudinis sit ad
tantam te molem obicere: cum uentre tibi humano negotium est; nec rationem
patitur nec aequitate mitigatur nec ulla prece flectitur populus esuriens. Modo
modo intra paucos illos dies quibus C. Caesar periit (si quis inferis sensus est)
hoc grauissime ferens quod decedebat populo Romano superstite, septem aut
octo certe dierum cibaria superesse! Dum ille pontes nauibus iungit et uiribus
imperi ludit, aderat ultimum malorum obsessis quoque, alimentorum egestas;
exitio paene ac fame constitit et, quae famem sequitur, rerum omnium ruina
furiosi et externi et infeliciter superbi regis imitatio. 6 Quem tunc animum
habuerunt illi quibus erat mandata frumenti publici cura, saxa, ferrum, ignes,
Gaium excepturi? Summa dissimulatione tantum inter uiscera latentis mali
tegebant, cum ratione scilicet: quaedam enim ignorantibus aegris curanda
sunt, causa multis moriendi fuit morbum suum nosse.
XIX.
1 Recipe te ad haec tranquilliora, tutiora, maiora! Simile tu putas esse, utrum
cures ut incorruptum et a fraude aduehentium et a neglegentia frumentum
transfundatur in horrea, ne concepto umore uitietur et concalescat, ut ad
mensuram pondusque respondeat, an ad haec sacra et sublimia accedas
sciturus quae materia sit dei, quae uoluptas, quae condicio, quae forma; quis
animum tuum casus exspectet; ubi nos a corporibus dimissos natura
componat; quid sit quod huius mundi grauissima quaeque in medio sustineat,
supra leuia suspendat, in summum ignem ferat, sidera uicibus suis excitet;
cetera deinceps ingentibus plena miraculis? 2 Vis tu relicto solo mente ad ista
respicere! Nunc, dum calet sanguis, uigentibus ad melioraeundum est.
Exspectat te in hoc genere uitae multum bonarum artium, amor uirtutum
atque usus, cupiditatum obliuio, uiuendi ac moriendi scientia, alta rerum
quies.
XX.
1 Omnium quidem occupatorum condicio misera est, eorum tamen
miserrima, qui ne suis quidem laborant occupationibus, ad alienum dormiunt
somnum, ad alienum ambulant gradum, amare et odisse, res omnium
liberrimas, iubentur. Hi si uolent scire quam breuis ipsorum uita sit, cogitent
ex quota parte sua sit. Cum uideris itaque praetextam saepe iam sumptam,
cum celebre in foro nomen, ne inuideris: ista uitae damno parantur. Vt unus
ab illis numeretur annus, omnis annos suos conterent. Quosdam antequam in
summum ambitionis eniterentur, inter prima luctantis aetas reliquit; quosdam,
cum in consummationem dignitatis per mille indignitates erepsissent, misera
subiit cogitatio laborasse ipsos in titulum sepulcri; quorundam ultima
senectus, dum in nouas spes ut iuuenta disponitur, inter conatus magnos et
improbos inualida defecit. 2 Foedus ille quem in iudicio pro ignotissimis
litigatoribus grandem natu et imperitae coronae assensiones captantem
spiritus liquit; turpis ille qui uiuendo lassus citius quam laborando inter ipsa
officia collapsus est; turpis quem accipiendis immorientem rationibus diu
tractus risit heres. 3 Praeterire quod mihi occurrit exemplum non possum:
Turannius fuit exactae diligentiae senex, qui post annum nonagesimum, cum
uacationem procurationis ab C. Caesare ultro accepisset, componi se in lecto
et uelut exanimem a circumstante familia plangi iussit. Lugebat domus otium
domini senis nec finiuit ante tristitiam quam labor illi suus restitutus est.
Adeone iuuat occupatum mon? 4 Idem plerisque animus est; diutius cupiditas
illis laboris quam facultas est; cum imbecillitate corporis pugnant, senectutem
ipsam nullo alio nomine grauem iudicant quam quod illos seponit. Lex a
quinquagesimo anno militem non legit, a sexagesimo senatorem non citat:
difficilius homines a se otium impetrant quam a lege. 5 Interim dum rapiuntur
et rapiunt, dum alter alterius quietem rumpit, dum mutuo miseri sunt, uita est
sine fructu, sine uoluptate, sine ullo profectu animi; nemo in conspicuo
mortem habet, nemo non procul spes intendit, quidam uero disponunt etiam
illa quae ultra uitam sunt, magnas moles sepulcrorum et operum publicorum
dedicationes et ad rogum munera et ambitiosas exsequias. At me hercules
istorum funera, tamquam minimum uixerint, ad faces et cereos ducenda sunt.
Cronologia
Para a maioria das obras de Sêneca não podemos dar datas definitivas
138-
78
aC
Lucius Cornelius Sulla.
106-
43
aC
Marcus Tullius Cicero.
100-
44
aC
Gaius Júlio César.
55
aC
pai de Sêneca, nasce em Corduba, Espanha.
31
aC
Derrota de Antonio na batalha de Actium, final da República.
31
aC-
14
Principado de Augusto.
1
aC
Sêneca nascido em Corduba; educação em Roma em retórica e
filosofia.
14-
37
Principado de Tibério; Sêneca vai para por Egito por razões de saúde.
31 Seneca volta para a Itália; prossegue uma carreira política,
eventualmente tornando-se um questor.
37-
41
Principado de Caligula; Sêneca escreve a Consolação para Marcia
39 Sêneca desperta o ciúme de Caligula e é ameaçado com execução.
41 Sêneca acusado de adultério com Julia Livilla (irmã de Caligula);
exilado para a Córsega até 49. Escreve Consolação para Helvia e
Consolação a Polybeus.
41-
54
Principado de Claudius.
49 O retorno de Sêneca a Roma é garantido por Agripina; torna-se tutor
para seu filho, o jovem Nero, assim como o pretor. Provável que
escreve “Sobre a Ira”, “Sobre a Tranquilidade da Alma” e “Sobre a
brevidade da vida”
54-
68
Principado de Nero. Escreve “Sobre a Vida Feliz”
54-
62
Consultor principal de Nero (juntamente com Burrus, prefeito da
Guarda pretoriana).
55 Nero envenena seu irmão mais novo, Britannicus
55-6 Escreve “Sobre a Misericordia”
59 Nero mata sua mãe, Agripina. Escreve “Sobre lazer.”
62 Morte de Burrus. Sobre Benefícios. Sêneca se aposenta da vida
pública. Provavelmente escreve “Sobre a Providência”, “Perguntas
naturais” e “Cartas para Lucílio” neste período.
65 Sêneca comete suicídio, sob ordens de Nero, depois de ter sido
implicado, erroneamente, na conspiração pisoniana contra o
imperador.
Bonus
Espero que tenha gostado deste ensaio. Conheça também as cartas de Sêneca
a Lucílio.
Nas páginas seguinte estão as primeira carta do Volume I e Volume
II aproveite.
Mantenha-se Forte. Mantenha-se Bem.
Volumes Diponíveis:
Volume I
Volume II
http://amzn.to/2E49gN7
http://amzn.to/2DyB5MG
http://amzn.to/2E49gN7
http://amzn.to/2E49gN7
http://amzn.to/2DyB5MG
http://amzn.to/2DyB5MG
Volume III
http://amzn.to/2GgtLa0
http://amzn.to/2GgtLa0
I. Sobre aproveitar o tempo
Saudações de Sêneca a Lucílio.
1. Continue a agir assim, meu querido Lucílio – liberte-se por conta própria;
poupe e salve o seu tempo, que até recentemente tem sido retirado a força de
você, ou furtado, ou simplesmente escapado de suas mãos. Faça-se acreditar
na verdade de minhas palavras, – que certos momentos são arrancados de
nós, que alguns são removidos suavemente, e que outros fogem além de
nosso alcance. O tipo mais desgraçado de perda, no entanto, é aquela, devida
ao descuido. Ademais, se você prestar atenção ao problema, você verá que a
maior parte de nossa vida passa enquanto estamos fazendo coisas
desagradáveis, uma boa parte enquanto não estamos fazendo nada, e tudo isso
enquanto estamos fazendo o que não se deveria fazer.
2. Qual homem você pode me mostrar que coloque algum valor em seu
tempo, que dá o devido valor a cada dia, que entende que está morrendo
diariamente? Pois estamos equivocados quando pensamos que a morte é
coisa do futuro; a maior parte da morte já passou. Quaisquer anos atrás de nós
já estão nas mãos da morte. Portanto, Lucílio, faça como você me escreve que
você está fazendo: mantenha cada hora ao seu alcance. Agarre a tarefa de
hoje, e você não precisará depender tanto do amanhã. Enquanto estamos
postergando, a vida corre.
3. Nada, Lucílio, é nosso, exceto o tempo. A natureza nos deu o privilégio
desta única coisa, tão fugaz e escorregadia que qualquer um pode
esbulhar tal posse. Que tolos esses mortais são! Eles permitem que as coisas
mais baratas e inúteis, que podem ser facilmente substituídas, sejam
contabilizadas depois de terem sido adquiridas; mas nunca se consideram em
dívida quando recebem parte dessa preciosa mercadoria, o tempo! E, no
entanto, o tempo é o único empréstimo que nem o mais agradecido
destinatário pode pagar.
4. Você pode desejar saber como eu, que prego a você, estou praticando.
Confesso francamente: meu saldo em conta corrente é como o esperado de
alguém generoso mas cuidadoso. Não posso vangloriar-me de não
desperdiçar nada, mas pelo menos posso lhe dizer o que estou desperdiçando,
a causa e a maneira de desperdício; posso lhe dar as razões pelas quais sou
um homem pobre. Minha situação, no entanto, é a mesma de muitos que são
reduzidos à miséria sem culpa própria: todos os perdoam, mas ninguém vem
em seu socorro.
5. Qual é o estado das coisas, então? É isto: eu não considero um homem
como pobre, se o pouco que lhe resta o é suficiente. Contudo, aconselho-o a
preservar o que é realmente seu; e nunca é cedo demais para começar. Pois,
como acreditavam os nossos antepassados, é demasiado tarde para gastarmos
quando chegarmos à raspa do tacho. Daquilo que permanece no fundo, a
quantidade é pouca, e a qualidade é vil.
Mantenha-se Forte. Mantenha-se Bem.
LXVI. Sobre vários aspectos da virtude
Saudações de Sêneca a Lucílio.
1. Acabei de ver meu ex-colega de escola, Clarano, pela primeira vez em
muitos anos. Você não precisa esperar que acrescente que ele é um homem
velho; Mas asseguro-lhe que o encontrei são em espírito e robusto, embora
ele esteja lutando com um corpo frágil e fraco. Pois a Natureza agiu de forma
injusta quando lhe deu um pobre domicílio para uma alma tão rara; ou talvez
fosse porque ela queria nos provar que uma mente absolutamente forte e feliz
pode estar escondida sob qualquerexterior. Seja como for, Clarano supera
todos esses obstáculos, e por desprezar seu próprio corpo chegou a um
estágio onde ele pode desprezar outras coisas também.
2. O poeta que cantou:
Valor mostra mais agradável em uma forma que é justa
gratior et pulchro veniens e corpore virtus. 1
Está, na minha opinião, enganado. Pois a virtude não precisa de nada para
compensá-la; é sua própria glória, e santifica o corpo em que habita. De
qualquer modo, comecei a considerar Clarano sob uma luz diferente; ele
parece-me simpático, e bem construído tanto em corpo como na mente.
3. Um grande homem pode nascer em um casebre; assim pode uma linda e
grande alma em um corpo feio e insignificante. Por esta razão a natureza
parece criar alguns homens deste selo com a ideia de provar que a virtude
nasce em qualquer lugar. Se tivesse sido possível produzir almas sozinhas e
nuas, ela o teria feito; como é fato, a natureza faz uma coisa ainda maior, pois
ela produz certos homens que, embora impedidos em seus corpos, ainda
assim rompem a obstrução.
4. Creio que Clarano foi produzido como um padrão, para que possamos
entender que a alma não é desfigurada pela feiura do corpo, mas pelo
contrário, que o corpo é embelezado pela beleza da alma. Agora, apesar de
Clarano e eu temos passados muitos poucos dias juntos, temos, no entanto,
muitas conversas, que vou em seguida verter e transmitir para você.
5. O primeiro dia em que investigamos esse problema: como os bens podem
ser iguais se forem de três tipos2? Pois alguns deles, de acordo com os nossos
princípios filosóficos, são primários, como a alegria, a paz e o bem-estar de
um país. Outros são de segunda ordem, moldados de um material infeliz,
como a resistência ao sofrimento e o autocontrole durante uma doença grave.
Rezaremos abertamente pelos bens da primeira classe; para a segunda classe,
oraremos somente se a necessidade surgir. Há ainda uma terceira variedade,
como, por exemplo, um andar modesto, um semblante calmo e honesto, e um
comportamento que se adapte ao homem de sabedoria.
6. Agora, como podem estas coisas ser iguais quando as comparamos, se
você conceder que devemos orar por um e evitar o outro? Se fizermos
distinções entre eles, devemos retornar ao Primeiro Bem, e considerar qual é
a sua natureza: a alma que olha para a verdade, que é hábil no que deve ser
buscado e no que deve ser evitado, estabelecendo padrões de valor não de
acordo com a opinião, mas de acordo com a natureza, – a alma que penetra o
mundo inteiro e dirige seu olhar contemplativo sobre todos os seus
fenômenos, prestando atenção estrita aos pensamentos e ações, igualmente
grande e vigorosa, superior às dificuldades e as lisonjas, cedendo a nem dos
extremos da fortuna, acima de todas as bênçãos e aflições, absolutamente
linda, perfeitamente equipada com graça, bem como com força, saudável e
vigorosa, imperturbável, nunca consternada , que nenhuma violência possa
destruir, uma que os acaso não podem exaltar nem deprimir – uma alma
como esta é a própria virtude.
7. Lá você tem a sua aparência externa, se nunca deve vir sob um único
aspecto e mostrar-se uma vez em toda a sua integridade. Mas há muitos
aspectos disso. Desdobram-se de acordo com a vida e ações; mas a própria
virtude não se torna menor ou maior. Pois o Bem Supremo não pode
diminuir, nem a virtude retroceder; em vez disso, é transformada, agora em
uma qualidade e agora em outra, moldando-se de acordo com a função que
está a desempenhar.
8. Tudo o que toca leva à semelhança consigo mesmo, e tinge com sua
própria cor. Adorna nossas ações, nossas amizades e, às vezes, casas inteiras
que entrou e pôs em ordem. O que seja o que for que tenha tocado
imediatamente torna-o amável, notável, admirável. Portanto, o poder e a
grandeza da virtude não podem elevar-se a alturas maiores, porque o
incremento é negado àquilo que é superlativamente grande. Você não
encontrará nada mais reto do que o reto, nada mais verdadeiro do que a
verdade, e nada mais temperado do que o que é temperado.
9. Toda virtude é ilimitada; pois limites dependem de medições definidas. A
constância não pode avançar mais do que a fidelidade, a veracidade ou a
lealdade. O que pode ser acrescentado ao que é perfeito? Nem se pode
acrescentar nada à virtude, pois, se alguma coisa puder ser acrescentada a ela,
seria necessária alguma imperfeição. Honra, também, não permite adição;
pois é honrado por causa das mesmas qualidades que mencionei. E então?
Você acha que a correção, a justiça, a legalidade, também não pertencem ao
mesmo tipo, e que elas são mantidas dentro de limites fixos? A capacidade de
melhorar é a prova de que uma coisa ainda é imperfeita.
10. O bem, em todos os casos, está sujeito a essas mesmas leis. A vantagem
da situação e do indivíduo estão juntas; na verdade, é tão impossível separá-
los quanto separar o louvável do desejável. Portanto, as virtudes são
mutuamente iguais; e assim são as obras da virtude, e todos os homens que
são tão afortunados de possuir essas virtudes.
11. Mas, como as virtudes das plantas e dos animais são perecíveis, são
também frágeis, passageiras e incertas. Elas brotam, e elas afundam
novamente, e por isso não são avaliadas ao mesmo valor; mas às virtudes
humanas apenas uma regra se aplica. Pois a razão correta é única e de um só
tipo. Nada é mais divino do que o divino, ou mais celestial do que o celestial.
12. As coisas mortais decaem, caem, são desgastadas, crescem, são
esgotadas, e reabastecidas. Assim, no caso delas, em vista da incerteza de sua
fortuna, há desigualdade; mas das coisas divinas a natureza é única. A razão,
entretanto, não é nada mais do que uma porção do espírito divino colocado
em um corpo humano. Se a razão é divina, e o bem nunca carece de razão,
então o bem é sempre divino. E além disso, não há distinção entre as coisas
divinas; consequentemente também não existe nenhum entre bens. Daí
resulta que a alegria e uma corajosa e obstinada resistência à tortura são bens
equivalentes; pois em ambos há a mesma grandeza de alma descontraída e
alegre em um caso, no outro um combativo e pronto para a ação.
13. O quê? Você não acha que a virtude daquele que bravamente ataca a
fortaleza do inimigo é igual à daquele que sofre um cerco com a maior
paciência? Grande é Cipião quando ele cerca Numância, e constrange e
compele as mãos de um inimigo, que ele não poderia conquistar, para lançar
mão à sua própria destruição3. Grande também são as almas dos defensores –
homens que sabem que, enquanto o caminho para a morte está aberto, o cerco
não é completo, os homens que respiram até o fim nos braços da liberdade.
Do mesmo modo, as outras virtudes também são iguais entre si:
tranquilidade, simplicidade, generosidade, constância, equanimidade,
resistência. Porque subjacente a todas elas há uma única virtude – o que torna
a alma reta e inabalável.
14. "O que então", você diz; "Não há diferença entre a alegria e a obstinada
resistência à dor?" De forma alguma, não em relação às próprias virtudes;
muito grande, no entanto, nas circunstâncias em que uma dessas duas
virtudes é exibida. Em um caso, há um relaxamento natural e afrouxamento
da alma; no outro há uma dor não natural. Daí que estas circunstâncias, entre
as quais uma grande distinção pode ser estabelecida, pertencem à categoria de
coisas indiferentes, mas a virtude mostrada em cada caso é igual.
15. A virtude não é alterada pela questão com a qual trata; se a matéria é dura
e teimosa, não piora a virtude; se agradável e alegre, não a torna melhor.
Portanto, a virtude permanece necessariamente igual. Pois, em cada caso, o
que se faz é feito com igual retidão, com igual sabedoria e com igual honra.
Assim, os estados de bondade envolvidos são iguais, e é impossível para um
homem ultrapassar esses estados de bondade, por conduzir-se melhor, seja o
um homem em sua alegria, ou o outro em meio a seu sofrimento. E dois bens,
que nenhum dos quais possa ser melhor que o outro, são iguais.
16. Pois se as coisas que são extrínsecas à virtude podem diminuir ouaumentar a virtude, então o que é honroso deixa de ser o único bem. Se você
aceitar isso, a honra perece completamente. E porque? Deixe-me dizer-lhe: é
porque nenhum ato é honrado quando é feito por um agente involuntário,
quando é obrigatório. Cada ato honorável é voluntário. Misture-o com
relutância, queixas, covardia ou medo, e perde sua melhor característica –
auto aprovação. O que não é livre não pode ser honrado; pois medo significa
escravidão.
17. O honorável está totalmente livre da ansiedade e é calmo; se alguma vez
objeta, lamenta ou considera qualquer coisa como um mal, torna-se sujeito a
perturbação e começa a chafurdar em meio a grande confusão. Pois, de um
lado, a aparência de correção o atrai, por outro, a suspeita do mal o arrasta
para trás, portanto, quando um homem está prestes a fazer algo honorável, ele
não deve considerar quaisquer obstáculos como infortúnios, embora os
considere como inconvenientes, mas ele deve querer fazer a ação, e fazê-la de
boa vontade. Pois todo ato honorável é feito sem ordens ou coação; é puro e
não contém mistura de mal.
18. Eu sei o que você pode me responder neste momento: "Você está
tentando fazer-me acreditar que não importa se um homem sente a alegria, ou
se encontra-se sob tortura e esgota seu torturador?" Poderia dizer em
resposta: "Epicuro também sustenta que o sábio, embora esteja sendo
queimado no touro de Fálaris4, clamará:" É agradável, e não me preocupa em
absoluto. "Por que você precisa se admirar, se eu afirmo que aquele que
repousa num banquete e a vítima que resiste firmemente à tortura possuem
bens iguais, quando Epicuro mantém uma coisa que é mais difícil de
acreditar, ou seja, que é agradável ser assado desta maneira?
19. Mas a resposta que eu dou, é que há grande diferença entre alegria e dor;
se me pedem para escolher, vou procurar a primeira e evitar a última. A
primeira está de acordo com a natureza, a segunda é contrária a ela. Enquanto
são classificados por este padrão, há um grande abismo entre elas; mas
quando se trata de uma questão da virtude envolvida, a virtude em cada caso
é a mesma, quer venha através da alegria ou através da tristeza.
20. A vexação, a dor e outros inconvenientes não têm consequências, pois são
vencidos pela virtude. Assim como o brilho do sol escurece todas as luzes
menores, assim a virtude, por sua própria grandeza, quebra e abranda todas as
dores, aborrecimentos e erros; e onde quer que seu brilho chegue, todas as
luzes que brilham sem a ajuda da virtude são extintas; e os inconvenientes,
quando entram em contato com a virtude, não desempenham um papel mais
importante do que uma nuvem de tempestade no mar.
21. Isto pode ser provado para você pelo fato que o bom homem apressar-se-
á sem hesitação a qualquer ação nobre; mesmo que seja confrontado com o
carrasco, o torturador e o pelourinho, ele persistirá, não quanto ao que ele
deve sofrer, mas quanto ao que deve fazer; e desempenhará tão prontamente a
uma ação honrosa quanto a um homem bom; ele o considerará vantajoso para
si mesmo, seguro e propício. E ele manterá o mesmo ponto de vista sobre
uma ação honrosa, ainda que seja carregada de tristeza e dificuldades, como
sobre um homem bom que é pobre ou desperdiçado no exílio.
22. Agora, compare um bom homem extremamente rico com um homem que
não tem nada, exceto que em si mesmo tem todas as coisas; eles serão
igualmente bons, embora experimentem fortuna desigual. Este mesmo
padrão, como tenho observado, deve ser aplicado tanto às coisas quanto aos
homens; a virtude é tão louvável se ela habita num corpo sadio e livre, como
em alguém que está doente ou em escravidão.
23. Portanto, quanto à sua própria virtude, não a louvará mais, se a fortuna a
favorecer, concedendo-lhe um corpo sadio, do que se a fortuna lhe der um
corpo que é mutilado em algum membro, pois isso significaria classificar
inferiormente um mestre porque ele está vestido como um escravo. Pois todas
aquelas coisas sobre as quais a fortuna tem influência, bens materiais,
dinheiro, posses, posição; elas são fracas, inconstantes, propensas a perecer, e
de posse incerta. Por outro lado, as obras da virtude são livres e insubmissas,
nem mais dignas de ser procuradas quando a fortuna as trata com bondade,
nem menos digna quando alguma adversidade pesa sobre elas.
24. A amizade no caso dos homens corresponde à desejabilidade no caso das
coisas. Você não gostaria, eu imagino, de amar um bom homem, se ele fosse
rico, mais do que se fosse pobre, e não amaria uma pessoa forte e musculosa
mais do que uma pessoa delgada e de constituição delicada. Assim, nem
procurará nem amará uma coisa boa que seja divertida e tranquila mais do
que uma que é cheia de perplexidade e labuta.
25. Ou, se você fizer isso, você vai, no caso de dois homens igualmente bons,
gostar mais de quem é limpo e bem-asseado do que daquele que é sujo e
despenteado. Você chegaria ao ponto de se importar mais com um homem
bom que é são em todos os seus membros e sem defeito, do que com alguém
que é fraco ou cego; e gradualmente sua exigência alcançaria tal ponto que,
de dois homens igualmente justos e prudentes, você escolheria aquele que
tem cabelos longos e ondulados! Sempre que a virtude em cada um é igual, a
desigualdade em seus outros atributos não é aparente. Pois todas as outras
coisas não são partes, mas apenas acessórios.
26. Qualquer homem julgaria seus filhos de modo tão injusto a fim de se
preferir mais um filho saudável do que um doente, ou a um filho alto, de
estatura incomum, mais do que a outro de pouca ou de baixa estatura? Os
animais selvagens não mostram nenhum favoritismo entre sua prole; eles se
deitam para amamentar todos igualmente; aves fazem a distribuição justa de
seus alimentos. Ulisses apressa-se de volta às rochas de sua Ítaca tão
ansiosamente quanto Agamenon acelera até as majestosas muralhas de
Micenas. Porque nenhum homem ama a sua terra natal porque é grande; ele a
ama porque é sua.
27. E qual é o propósito de tudo isso? Que você saiba que a virtude considera
todas as suas obras sob a mesma luz, como se fossem seus filhos, mostrando
a mesma bondade a todos e ainda mais profunda bondade para aqueles que
encontram dificuldades; pois mesmo os pais inclinam-se com mais afeição
para filhos de quem sentem piedade. A virtude, também, não necessariamente
ama mais profundamente aquelas de suas obras que vê em problemas e sob
pesados fardos, mas, como bons pais, ela lhes dá mais de seus cuidados de
acolhimento.
28. Por que nenhum bem é maior do que qualquer outro bem? É porque nada
pode ser mais apropriado do que aquele que é apropriado, e nada mais
nivelado do que aquilo que está nivelado. Você não pode dizer que uma coisa
é mais igual a um objeto determinado do que outra coisa; daí também nada é
mais honrado do que aquilo que é honroso.
29. Assim, se todas as virtudes são iguais por natureza, as três variedades de
bens são iguais. Isto é o que quero dizer: há uma igualdade entre sentir
alegria com autocontrole e sofrer dor com autocontrole. A alegria em um
caso não ultrapassa no outro a firmeza da alma que afoga o gemido quando
está nas garras do torturador; são desejáveis os bens do primeiro tipo,
enquanto os do segundo são dignos de admiração; e, em cada caso, não são
menos iguais, porque qualquer inconveniente atribuído a este último é
compensado pelas qualidades do bem, que é muito maior.
30. Qualquer homem que os julgue desiguais está se afastando das próprias
virtudes e está examinando meras exterioridades; os bens verdadeiros têm o
mesmo peso e a mesma largura. O tipo espúrio contém muito vazio; portanto,
quando são pesados, percebemos sua deficiência, embora pareçam
imponentes e grandiosos ao olhar.
31. Sim, meu caro Lucílio, o bem que a verdadeira razão aprova é sólido e
eterno; fortalece o espírito e exalta-o, para que ele esteja sempre nas alturas;
Mas as coisas que são irrefletidamente elogiadas, e são bens na opinião da
multidão meramente nos enchem de alegria vazia. e, novamente, aquelas
coisas que são temidas como se fossemmales apenas inspiram ansiedade na
mente dos homens, pois a mente é perturbada pela aparência do perigo, assim
como os animais também o são perturbados.
32. Portanto, é sem razão que ambas as coisas distraem e picam o espírito;
um não é digno de alegria, nem o outro de medo. Somente a razão é imutável
e se apega a suas decisões. Pois a razão não é um escrava dos sentidos, mas
uma governante sobre eles. A razão é igual à razão, como uma linha reta para
outra; portanto, a virtude também é igual à virtude. A virtude não é nada mais
do que razão correta. Todas as virtudes são razões. As razões são razões, se
são razões certas. Se elas estão certas, elas também são iguais.
33. Como a razão é, assim também são as ações; portanto, todas as ações são
iguais. Pois, uma vez que se assemelham à razão, também se assemelham
umas as outras. Além disso, considero que as ações são iguais entre si, na
medida em que são ações honradas e corretas. Haverá, naturalmente, grandes
diferenças de acordo com a variação do material, como se torna agora mais
amplo e agora mais estreito, agora glorioso e agora inferior, agora múltiplo
no alcance e agora limitado. No entanto, o que é melhor em todos estes casos
é igual; eles são todos honrados.
34. Da mesma forma, todos os homens bons, na medida em que são bons, são
iguais. Há, de fato, diferenças de idade, um é mais velho, outro mais jovem;
do corpo, – um é agradável, outro é feio; da fortuna, – este homem é rico,
esse homem pobre, este é influente, poderoso e conhecido pelas cidades e
povos, aquele homem é desconhecido para a maioria, e é obscuro. Mas todos,
em relação àquilo em que são bons, são iguais.
35. Os sentidos não decidem sobre coisas boas e más; eles não sabem o que é
útil e o que não é útil5. Eles não podem registrar sua opinião a menos que
sejam confrontados com um fato; eles não podem ver o futuro nem se
lembrar do passado; e eles não sabem o que resulta do quê. Mas é a partir
desse conhecimento que uma sequência e sucessão de ações é tecida, e uma
unidade de vida é criada, – uma unidade que prosseguirá em um curso reto. A
razão, portanto, é o juiz do bem e do mal; o que é estrangeiro e externo ela
considera como escória, e o que não é nem bom nem mau ela julga como
apenas acessório, insignificante e trivial. Pois todo o seu bem reside na alma.
36. Mas há certos bens que a razão considera primordiais, aos quais ela se
dirige deliberadamente; estes são, por exemplo, a vitória, os bons filhos e o
bem-estar de um país. Alguns outros considera secundários; estes se tornam
manifestos apenas na adversidade, – por exemplo, a equanimidade em
suportar uma doença grave ou exílio. Certos bens são indiferentes; estes não
são mais de acordo com a natureza do que contrárias à natureza, como, por
exemplo, um andar discreto e uma postura tranquila em uma cadeira. Pois
sentar é um ato que não é menos de acordo com a natureza do que ficar em pé
ou andar.
37. Os dois tipos de bens que são de ordem superior são diferentes; os
primários são de acordo com a natureza, – como a alegria derivada do
comportamento obediente de seus filhos e do bem-estar de seu país. Os
secundários são contrários à natureza, como a força moral em resistir à
tortura ou na aceitação da sede quando a doença torna os órgãos vitais febris.
38. "O que então", você diz; "alguma coisa que é contrária à natureza pode
ser um bem?" Claro que não; mas aquela em que esse bem eleva-se a sua
origem é por vezes contrária à natureza. Por estarem feridos, esvaindo-se
sobre um fogo, aflitos com má saúde, – tais coisas são contrárias à natureza;
mas é de acordo com a natureza que um homem preserve uma alma
indomável em meio a tais aflições.
39. Para explicar brevemente o meu pensamento, o material com o qual o
bem se relaciona às vezes é contrário à natureza, mas um bem em si mesmo
nunca é contrário, pois nenhum bem existe sem razão e a razão está de acordo
com a natureza. “O que, então," você pergunta, "é a razão?" É copiar a
natureza. "E o que," você diz, "é o maior bem que o homem pode possuir?" É
conduzir-se de acordo com o que a natureza deseja.
40. "Não há dúvida", diz o opositor, "que a paz proporciona mais felicidade
quando não é atacada do que quando é recuperada a custo de grande
matança". "Também não há dúvida de que a saúde, que não foi
comprometida, oferece mais felicidade do que a saúde que foi restituída à
solidez por meio da força, por assim dizer, e pela resistência ao sofrimento,
depois de doenças graves que ameaçaram a vida em si e, da mesma forma,
não há dúvida de que a alegria é um bem maior do que a luta de uma alma
para suportar até o fim os tormentos das feridas ou da tortura".
41. De modo algum. Pois coisas que resultam do risco admitem ampla
distinção, uma vez que são avaliadas de acordo com sua utilidade aos olhos
daqueles que as experimentam, mas em relação aos bens, o único ponto a ser
considerado é que eles estão de acordo com a natureza; e isso é igual no caso
de todos os bens. Quando em uma reunião do senado nós votamos em favor
da proposta de alguém, não pode ser dito, "A. está mais de acordo com a
proposta do que B." Todos votam pela mesma proposta. Eu faço a mesma
declaração com respeito às virtudes, – todos elas estão de acordo com a
natureza; e eu o faço em relação aos bens igualmente, – estão todos de acordo
com a natureza.
42. Um homem morre jovem, outro na velhice, e ainda outro na infância,
tendo desfrutado nada mais do que um simples vislumbre na vida. Todos eles
foram igualmente sujeitos à morte, embora a morte tenha permitido a um
avançar mais ao longo do caminho da vida, cortou a vida do segundo em sua
flor, e quebrou a vida do terceiro em seu início.
43. Alguns recebem sua quitação na mesa do jantar. Outros prolongam seu
sono na morte. Alguns são eliminados durante a devassidão. Agora, compare
essas pessoas com aquelas que foram perfuradas pela espada, ou levadas à
morte por cobras, ou esmagadas em um desabamento, ou torturadas até a
morte pela torção prolongada de seus tendões. Algumas dessas partidas
podem ser consideradas melhores, outras piores; mas o ato de morrer é igual
em tudo. Os métodos de acabar com a vida são diferentes; mas o fim é um e o
mesmo. A morte não tem graus maiores ou menores; pois tem o mesmo
limite em todos os casos, – o fim da vida.
44. A mesma coisa é verdade, asseguro-lhe, em relação aos bens; você
encontrará um em circunstâncias de puro prazer, outro em meio a tristeza e
amargura. Uma pessoa controla os favores da fortuna; a outra supera seus
ataques. Cada um é igualmente um bem, embora um viaja em uma estrada
plana e fácil, e o outro em uma estrada áspera. E o fim de todos eles é o
mesmo – eles são bens, eles são dignos de louvor, eles acompanham a virtude
e a razão. A virtude faz todas as coisas que toca iguais entre si.
45. Você não precisa duvidar que este é um dos nossos princípios;
encontramos nos trabalhos de Epicuro dois bens, dos quais é composto o seu
Bem Supremo, ou bem-aventurança, isto é, um corpo livre de dor e uma alma
livre de perturbação. Estes bens, se estiverem completos, não aumentam; pois
como pode o que é completo aumentar? O corpo é, suponhamos, livre da dor;
que aumento pode haver a essa ausência de dor? A alma é serena e calma;
que aumento pode haver para esta tranquilidade?
46. Assim como o tempo bom, purificado no mais puro brilho, não admite
um grau ainda maior de clareza; assim, quando um homem cuida de seu
corpo e de sua alma, tecendo a textura de seu bem de ambos, sua condição é
perfeita, e ele atingiu a meta de suas orações, se não há comoção em sua alma
ou dor em seu corpo. Quaisquer que sejam os encantos que receba em relação
a estas duas coisas não aumentam o seu Supremo Bem; eles simplesmente
condimentam-no, por assim dizer, e acrescentam tempero a ele. Pois o bem
absoluto da natureza do homem é satisfeito com a paz no corpo e a paz na
alma.
47. Posso mostrar-lhe neste momento nos escritos de Epicuro uma lista
graduada dos bens, assim como a da nossa própria escola. Pois há algumas
coisas,ele declara, que prefere receber, tais como descanso corporal livre de
qualquer inconveniente e relaxamento da alma enquanto se deleita na
contemplação de seus próprios bens. E há outras coisas que, embora
preferisse que não acontecessem, mesmo assim elogia e aprova, por exemplo,
o tipo de resignação, em momentos de má saúde e sofrimento grave, a que
aludi há pouco, os quais Epicuro exibiu naquele último e mais abençoado dia
de sua vida. Pois ele nos diz que teve que suportar a excruciante agonia de
uma bexiga doente e de um estômago ulcerado, sofrimento tão aguçado que
não permitiria aumento da dor; "E ainda," ele diz, "aquele dia não foi menos
feliz." E nenhum homem pode passar tal dia em felicidade a menos que
possua o Bem Supremo.
48. Portanto, encontramos, até mesmo em Epicuro, bens que seriam melhor
não experimentar; que, no entanto, porque circunstâncias assim o decidem,
devem ser acolhidos e aprovados e colocados ao nível dos bens mais
elevados. Não podemos dizer que o bem que preencheu uma vida feliz, o bem
pelo qual Epicuro deu graças nas últimas palavras que pronunciou, não é
igual ao maior.
49. Permita-me, excelente Lucílio, pronunciar uma palavra ainda mais
ousada: se qualquer mercadoria pudesse ser maior do que outras, eu preferiria
aquelas que parecem acres as que são brandas e sedutoras, e as declararia
maior. Pois é uma conquista maior superar as barreiras do caminho do que
manter a alegria dentro dos limites estreitos.
50. Exige o mesmo uso da razão, estou plenamente consciente, um homem
suportar a prosperidade bem e também suportar a desgraça corajosamente.
Que homem pode ser tão corajoso que durma em frente às muralhas sem
medo de perigo quando nenhum inimigo ataca o acampamento, como o
homem que, quando os tendões de suas pernas são cortados, se levanta de
joelhos e não solta suas armas; mas é para o soldado manchado de sangue
que retorna da frente que os homens clamam: "Bem feito, herói!" E por isso,
eu devo conceder maior louvor aos bens que foram julgados e mostraram
coragem, e lutaram contra a fortuna.
51. Devo hesitar em dar maior elogio à mão mutilada e seca de Mucio do que
à mão inofensiva do homem mais corajoso do mundo? Lá estava Múcio6,
desprezando o inimigo e desprezando o fogo, e observando sua mão enquanto
pingava sangue sobre o fogo no altar de seu inimigo, até que Porsena,
invejando a fama do herói a quem ele impingiu o castigo, ordenou que o fogo
fosse removido contra a vontade de sua vítima.
52. Por que não devo considerar este bem entre os bens primários, e julgá-lo
como muito maior do que aqueles outros bens que são desacompanhados de
perigo e não foram testados pela fortuna, pois é uma coisa mais rara superar
um inimigo com uma mão perdida do que com uma mão armada. – E então?
Você diz; "Você deseja esse bem para si mesmo?" Claro que sim. Pois esta é
uma coisa que um homem não pode alcançar a menos que também a possa
desejar.
53. Devo desejar, em vez disso, que me permitam esticar os meus membros
para que os meus escravos façam massagens, ou que uma mulher, ou um
travesti, puxe as articulações dos meus dedos? Não posso deixar de acreditar
que Múcio teve mais sorte porque manipulou as chamas tão calmamente
como se estivesse estendendo a mão para o massagista. Ele havia aniquilado
todos os seus erros anteriores; terminou a guerra desarmado e mutilado; e
com aquele toco de uma mão ele conquistou dois reis.
Mantenha-se Forte. Mantenha-se Bem.
NOTAS:
1 Trecho de Eneida de Virgílio.
2 Sêneca não está falando aqui das três virtudes genéricas (físicas, éticas, lógicas),
nem dos três tipos de bens (baseados na vantagem corporal) que foram classificados
pela escola peripatética; Ele só está falando de três tipos de circunstâncias sob as quais
o bem pode se manifestar. E no § 36 e seguintes ele mostra que considera apenas as
duas primeiras classes como bens reais.
3 O exército de Cipião montou dois acampamentos e construiu uma muralha de
circunvalação à volta da cidade espanhola com sete torres a partir das quais seus
arqueiros podiam atirar por cima da muralha numantina. Ele também represou o
pântano vizinho e criou um lago entre a muralha da cidade e sua própria muralha. Para
proteger seus acampamentos, Cipião construiu também muralhas exteriores (cinco no
total). Para completar o cerco, Cipião isolou a cidade do rio Douro: nos pontos onde o
rio entrava e saía da cidade, pares de torres foram construídas e, entre os pares, cabos
com lâminas foram estendidos através do rio para evitar a passagem de barcos e
nadadores.
4 Touro de Fálaris, foi uma das mais cruéis máquinas de tortura e execução, cujo
invento é atribuído a Fálaris, tirano de Agrigento. O aparelho era uma esfinge de
bronze oca na forma de um touro mugindo, com duas aberturas, no dorso e na parte
frontal localizada na boca. Após colocada a vítima, a entrada da esfinge era fechada e
posta sobre uma fogueira. À medida que a temperatura aumentava no interior do
Touro, o ar ficava escasso, e o executado procuraria meios para respirar, recorrendo
ao orifício na extremidade do canal. Os gritos exaustivos do executado saíam pela
boca do Touro, fazendo parecer que a esfinge estava viva.
5 Aqui, Sêneca está lembrando Lucílio, como muitas vezes faz nas cartas anteriores,
que a evidência dos sentidos é apenas um degrau para ideias superiores – um princípio
do epicurismo.
6 Caio Múcio Cévola (em latim: Gaius Mucius Scaevola). Logo depois da fundação
da República Romana, Roma se viu rapidamente sob a ameaça etrusca representada
por Lar Porsena. Depois de rechaçar um primeiro ataque, os romanos se refugiaram
atrás das muralhas da cidade e Porsena iniciou um cerco. Conforme o cerco se
prolongou, a fome começou a assolar a população romana e Múcio, um jovem
patrício, decidiu se oferecer para invadir sorrateiramente o acampamento inimigo para
assassinar Porsena. Disfarçado, Múcio invadiu o acampamento inimigo e se
aproximou de uma multidão que se apinhava na frente do tribunal de Porsena. Porém,
como ele nunca tinha visto o rei, ele se equivoca e assassina uma pessoa diferente.
Imediatamente preso, foi levado perante o rei, que o interrogou. Longe de se
intimidar, Múcio respondeu às perguntas e se identificou como um cidadão romano
disposto a assassiná-lo. Para demonstrar seu propósito e castigar seu próprio erro,
Múcio colocou sua mão direita no fogo de um braseiro aceso e disse: "Veja, veja que
coisa irrelevante é o corpo para os que não aspiram mais do que a glória!". Surpreso e
impressionado pela cena, o rei ordenou que Múcio fosse libertado. Como
reconhecimento, Múcio confessa que trezentos jovens romanos haviam jurado, assim
como ele, estar prontos a sacrificar-se para matá-lo. Aterrorizado por esta revelação,
Porsena teria baixado suas armas e enviado embaixadores a Roma.
	Sumário
	Notas de Louvor ao livro
	Introdução – Nota do tradutor
	Sobre a tradução
	Sobre a Brevidade da Vida
	I
	II
	III
	IV
	V
	VI
	VII
	VIII
	IX
	X
	XI
	XII
	XIII
	XIV
	XVI
	XVII
	XVIII
	XIX
	XX
	On the shortness of life - English Version
	I
	II
	III
	IV
	V
	VI
	VII
	VIII
	IX
	X
	XI
	XII
	XIII
	XIV
	XV
	XVI
	XVII
	XVIII
	XIX
	XX
	Ad Paulinum, De Brevitate Vitae - Latim
	I.
	II.
	III.
	IV.
	V.
	VI.
	VII.
	VIII.
	IX.
	X.
	XI.
	XII.
	XIII
	XIV.
	XV.
	XVI.
	XVII
	XVIII.
	XIX.
	XX.
	Cronologia
	Bonus
	Carta I. Sobre aproveitar o tempo
	Carta LXVI. Sobre vários aspectos da virtude

Mais conteúdos dessa disciplina