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89
FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL PIAUIENSE- FUNEAC
FACULDADE DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS DE TERESINA-FAETE
DIREÇÃO DE ASSUNTOS ACADÊMICOS E COMUNITÁRIOS	
	
	
O DIREITO FUNDAMENTAL À CULTURA: A MANIFESTAÇÃO CULTURAL E SUA INFLUÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DE VALORES MORAIS E ÉTICOS NA CIDADE DE CAXIAS-MA.
	
JULIANNY KARINNE DO NASCIMENTO
TERESINA
2019
JULIANNY KARINNE DO NASCIMENTO
O DIREITO FUNDAMENTAL À CULTURA: A MANIFESTAÇÃO CULTURAL E SUA INFLUÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DE VALORES MORAIS E ÉTICOS NA CIDADE DE CAXIAS-MA.
	
Monografia apresentada à Faculdade das Atividades Empresariais de Teresina- FAETE, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito sob orientação do Prof. Enio Sales Cavalcante Vieira
 TERESINA
 2019
JULIANNY KARINNE DO NASCIMENTO
O DIREITO FUNDAMENTAL À CULTURA: A MANIFESTAÇÃO CULTURAL E SUA INFLUÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DE VALORES MORAIS E ÉTICOS NA CIDADE DE CAXIAS-MA.
Monografia apresentada à Faculdade das Atividades Empresariais de Teresina- FAETE, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito sob orientação do Prof. Ênio Sales de Sousa Cavalcante Vieira. 
Monografia apresentada em ___/___/_____
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________________________
Profª. Esp. Enio Sales Cavalcante Vieira
 Orientador
_______________________________________________________________
Prof. 
 Instituição 
_______________________________________________________________
Prof. 
 Instituição 
Dedico tudo o que sou e o que tenho primeiramente ao Deus o Todo Poderoso. 
À minha mãe Vicença Maria do Nascimento (in memorian), minha pedra fundamental, meu exemplo. 
À tia Alzira Gomes da Silva.
À tia Maria de Fátima de Souza Lima (in memorian), por que sempre acreditou na minha capacidade e torceu pelo meu sucesso.					
Com todo amor e gratidão, para meu tio José Alves da Silva (in memorian), por seu amor e afeto, por nunca ter desacreditado de mim. 
	
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, pois sem Ele nada disso seria possível, o Senhor da minha vida, que me protege todos os dias. 					Ao meu orientador Ênio Sales Cavalcante Vieira pela paciência, essa que foi essencial para essa conclusão.									À querida amiga Kátia Braga, por toda a atenção em assentir-me dados importantes para a produção dessa monografia. 						À um grande exemplo de mulher, a produtora da banda Casino Quebec Jaqueline Mesquita, pela sua disponibilidade e atenção. 					Ao tio Roberto Sampaio pelo apoio e por estar torcendo por mim. 			Ao exemplo de homem e de amigo, Ricardo Carvalho Silva 				Aos meus amigos-irmãos Josias Ramos, Ivan Bruno, Tarciso Sousa, Karlos Lima e Wal Santos que sempre me apoiaram na vida.									Às minha amigas-irmãs, Amanda Layla, Ana Luiza, Edilene Paz, Ingreth Serejo e Vanessa Cristyan, que me ajudaram a ver sempre o lado positivo da vida, por nunca me deixarem desanimar por conta das lutas diárias. 				Ao poeta caxiense Wybson Carvalho, por sua generosidade em contribuir com esse trabalho. 											Ao amigo Leonardo Barata, em ceder-me meu material para enriquecendo assim a minha pesquisa monográfica.								Ao querido amigo Raimundo Nonato da Silva (Pelé), criador de várias danças caxienses, em especial a dança do Lili, um exemplo de homem e de profissional.	Agradeço imensamente ao querido historiador e fotógrafo Gennerson Luiz por dispor seu acervo fotográfico para enriquecer esse trabalho.				À Naum Esteves, grande músico e poeta caxiense.					Ao amigo e magnífico David Sousa, pelo excelente trabalho que desenvolve através da fotografia.										Aos meninos da “Besouro Suco”: João Vieira, João Pedro, Luana e Wellington, pela disponibilidade e apoio. Desejo muito sucesso!				À Stheffanny Marinho que consentiu seu tempo e sua arte. 
Agradeço também à Maria Betânia, pelo dom da vida, que Deus em sua infinita bondade lhe guarde em seus caminhos.						Agradeço à minha querida professora Merinalva, por sua fé em mim. 		Enfim, hoje sou agradecida a tudo e a todos, até mesmo os que torceram contra. O caminho não foi fácil, nunca será fácil, mas sei que conseguirei ir ainda mais longe, essa é a primeira de muitas vitórias, não só minha, mas de todos vocês também. Meu eterno MUITO OBRIGADA.
		
“Nosso céu tem mais estrelas, nossas várzeas tem mais flores [...]” (Gonçalves Dias)
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo perscrutar acerca do direito fundamental à cultura: a manifestação cultural e sua influência na construção de valores morais e éticos na cidade de Caxias, no Estado do Maranhão. O direito à cultura, historicamente caracterizado como um direito humano de segunda geração, e recebeu pela Constituição Federal Brasileira de 1988 o status de direito fundamental. Nesse contexto, os Direitos Culturais, além de serem direitos humanos previstos expressamente na Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), no Brasil encontram-se devidamente normatizados na Constituição Federal de 1988 devido à sua relevância como fator de singularizarão da pessoa humana. Dessa forma, a previsão normativa da cultura no direito positivo, ou seja, dos principais dispositivos legais patentes na Constituição Cidadã que consolidam os direitos culturais, em especial destaca-se os artigos 215, 216 e 216-A. A justificativa para escolha desse tema parte da perspectiva de que a cultura reflete no modo de vida de uma sociedade, além de interferir em seu modo de pensar e agir, sendo fator de fortalecimento da identidade de um povo e indubitavelmente de desenvolvimento humano. Ao que tange a influência cultural acerca dos valores morais, esta tem uma qualificação de defluência desde o modo de vida total de um povo ou ao que é socialmente aprendido e transmitido, quanto ao processo de cultivo e desenvolvimento mental, subjetivo e espiritual, através de práticas e subjetividades específicas, comumente chamadas de manifestações artísticas. A cidade de Caxias fica localizada na região leste do Estado do Maranhão é carinhosamente chamada de “Princesa do Sertão”, sendo terra de personalidades ilustres como: Gonçalves Dias, Vespasiano Ramos e Coelho. O município caxiense é referência no Estado do Maranhão, bem como também do Nordeste do Brasil, sendo palco de uma das maiores manifestações culturais, a Procissão do Fogaréu, tendo a posição de segunda maior do país. Visando a repercussão positiva e de grande abrangência desta e de outras manifestações culturais, adveio-se a escolha do tema deste trabalho monográfico. Este estudo baseou-se em uma estratégia metodológica em qualitativa de pesquisa, de caráter exploratório, por meio de uma pesquisa de campo. Para a bibliografia desse trabalho, menciona textos da Carta Magna vigente, doutrina e artigos da internet acerca do tema assinalado. 
Palavras-chave: Cultura; Direito fundamental; Constituição Federal; Valores morais e éticos; Manifestação cultural. 
	
ABSTRACT 
The present work has for objective to search concerning the fundamental right to the culture: the cultural manifestation and his/her influence in the construction of moral and ethical values in the city of Caxias, in the State of Maranhão. The right to the culture, historically characterized as a human right of second generation, and it received for the Constitution Federal Brazilian of 1988 the status of fundamental right. In that way, the normative forecast of the culture in the positive right, in other words, of the main devices legal patents in the Constitution Citizen that you/they consolidate the cultural rights, especially stands out the goods 215, 216 and 216-TO. The justification for choice of that theme breaks of the perspective that the culture reflects the way of life of a society, besides interfering in his/her way of to think and to act, being factor of invigoration of the identity of a people and undoubtedlyof human development. To the that plays the cultural influence concerning the moral values this he/she has a respect qualification from the way of total life of a people or to the that is learned socially and transmitted, as for the cultivation process and development mental, subjective and spiritual, through practices and specific subjectivities, commonly calls of artistic manifestations. The city of Caxias is located in the area east of the State of Maranhão is called affectionately of "Princess of the Interior", being earth of illustrious personalities as: Gonçalves Dias, Vespasiano Ramos and Coelho. The municipal district caxiense is reference in the State of Maranhão, as well as also of the Northeast of Brazil, being stage of one of the largest cultural manifestations, the Procession of the Low fire, tends the position of second larger of the country. Seeking the positive repercussion and of great inclusion of this and of other cultural manifestations, the choice of the theme of this work monograph was occurred. This study based on a methodological strategy in qualitative of research, of exploratory character, through a field research. For the bibliography of that work, he/she mentions texts of the effective Charter, it indoctrinates and goods of the internet concerning the marked theme.
Key-words: Culture; Fundamental right; Federal constitution; Moral and ethical values; Cultural manifestation.
LISTA DE GRÁFICOS 
Gráfico 1..........................................................................................................55
Gráfico 2..........................................................................................................70
 
LISTA DE FIGURAS 
Figura 1- Ruínas do forte da Balaida.........................................................................29 
Figura 2- Ruinas do antigo quartel de polícia da Balaiada........................................29
Figura 3- Jardim da Balaida.......................................................................................30
Figura 4- Memorial da Balaiada.................................................................................31
Figura 5- Portal do Mirante da Balaida.......................................................................31
Figura 6- Antes e depois do Mirante da Balaiada .....................................................32
Figura 7- Representantes da dança do LiLi...............................................................39
Figura 8- Fachada da Academia Caxiense de Letras...............................................40
Figura 9- Placa de inauguração da sede da Academia Caxiense de Letras.............40
Figura 10-Banner do Projeto Cultural “Tecendo Ideias”............................................41
Figura 11-livros do poeta Wybson Carvalho.............................................................42
Figura 12- Exposição fotográfica “Dança do Lili”, de David Sousa..........................43
Figura 13- Banner do projeto “Fotografia & poesia”..................................................44
Figura 14- Exposição fotográfica “Exalte sua Negritude” de Gennerson Santos.....45
Figura 15- Exposição fotográfica “Bichos na lente” de Gennerson Santos..............45
Figura 16- Foto memorável do encontro de João do Vale, Alderico Silva e Luiz Gonzaga, por Sinésio Santos....................................................................................46
Figura 17- Foto de pintura em madeira de Josias Ramos........................................47
Figura 18- Foto de pirografia por Josias Ramos.......................................................47
Figura 19- Foto de tatuagem feita por Josias Ramos...............................................48
Figura 20- Foto de escultura feita com material reciclável por Josias Ramos..........48
Figura 21- Foto do artesão Josias Ramos trabalhando com crochê........................49
Figura 22- Foto de desenho de Stheffanny Marinho.................................................50
Figura 23- Banner da “1ª feira da Arte de Caxias”....................................................50
Figura 24- Banner de alguns expositores da “1ª feira da Arte de Caxias”................51
Figura 25- Exposição fotográfica “Procissão do Fogaréu”, por David Sousa...........53
Figura 26- Foto do site da “Procissão do Fogaréu”, em Caxias-MA.........................54
Figura 27- Foto do Banner da “Cidade Sacra”, em Caxias-MA.................................55
Figura 28- Print do programa de YouTube, “Café e Canção”, da banda Casino Quebec.......................................................................................................................58
Figura 29- Junção de letras e foto da banda “Casino Quebec”.................................59
Figura 30 - Entrelaçamento do ser humano, da cultura e da sociedade na projeção da formação do sujeito...............................................................................................64
Figura 31- Estruturação da cultura em uma sociedade.............................................65
Figura 32- Foto da área externa do centro de cultura José Sarney em Caxias-MA.............................................................................................................................69
Figura 33- Foto do quiosque de artesanato de Caxias-MA......................................70
Figura 34- Foto do projeto “Pintando o Sete”, de Caxias-MA..................................70
	
 
LISTA DE TABELAS 
Tabela 1-Ruas e Logradouros da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil, protegidos pelo decreto nº 11.681 de 29 de novembro de 1990............................................................................................................................32
Tabela 2-Os bens da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil, tombados individualmente e o sítio arqueológico localizado na cidade................................................................33
Tabela 3-Imóveis da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil que precisam ser tombados para garantirsua preservação.....................................................................................33
Tabela 4-Frequência absoluta e relativa dos entrevistados acerca da participação em manifestações culturais em Caxias-MA.....................................................................71
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS 
ACL – Academia Caxiense de Letras
ABL- Academia Brasileira de Letras
ALEMA- Assembleia Legislativa do Maranhão 					 CMC-	Centro Municipal de Cultura							 
DMPPH- Departamento Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural
DPHAP/MA- Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Estado do Maranhão 
FMCC- Fundo Municipal de Cultura de Caxias
IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artísticos Nacional
LOA- Lei Orçamentária Anual 
MInc- Ministério da Cultura 
SEMECT- Secretária Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia de Caxias
SMCL-Secretária Municipal de Cultura e Lazer de Caxias 
PRONAC- Programa Nacional de Apoio à Cultura
FNC- Fundo Nacional de Cultura
FICART- Fundo de Investimento Cultural e Artístico
	
								
 SUMÁRIO
INTRODUÇÃO	14
1 O DIREITO DE ACESSO À CULTURA	17
1.1 Breves considerações sobre o direito de acesso à cultura nas Constituições Brasileiras	17
1.2 A cultura como princípio fundamental da Carta Cidadã	21
1.3 O direito de acesso à cultura conforme as Leis Municipais (Caxias-MA)	25
2. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE MANIFESTAÇÃO CULTURAL	36
2.1 A manifestação cultural na Constituição Federal	36
2.2 As manifestações culturais caxienses	37
2.2.1 A dança do Lili	38
2.2. 2 A literatura	39
2.2.3 Artes Visuais	42
2.2.3.1 A fotografia	42
2.2.3.2 Pintura, desenho e artesanato	47
2.2.4 Tradições religiosas	51
2.2.4.1 A Procissão do Fogaréu	52
2.2.4.2 Cidade Sacra	42
2.2.5 A música genuinamente caxiense	56
3. ANÁLISE DA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO FORMA DE CONSTRUÇÃO DE VALORESMORAIS E ÉTICOS............................................................................60
3.1 A construção de valores morais e éticos e sua importância para a sociedade...................................................................................................................60
3.2 A influência da cultura na formação do cidadão..................................................64
3.3 Uma exígua noção acerca da imprescindibilidade das Leis de Incentivo à cultura.........................................................................................................................66
3.4 A cultura caxiense e sua influência para a construção de valores morais e éticos..........................................................................................................................68
CONCLUSÕES..........................................................................................................73
REFERÊNCIAS..........................................................................................................76
APÊNDICES...............................................................................................................81
ANEXOS....................................................................................................................84
	
 INTRODUÇÃO 
	
	O presente trabalho tem como objetivo elucidar sobre o direito fundamental à cultura, bem como a importância das manifestações culturais para a construção de valores morais e éticos no Município de Caxias/MA. 
14
	Geograficamente, o município de Caxias fica localizado na mesorregião do leste maranhense e na microrregião do Itapecuru, a cidade caxiense tem uma área de 5.313.10 Km² dentre os 333.365,00 Km² do Estado e está a 365 quilômetros da capital do Maranhão, São Luís, e uma população de, aproximadamente, 156 mil habitantes em relação ao território nacional, está na região Nordeste do Brasil, Oeste do Norte Brasileiro e a Leste do Estado do Maranhão.				A história de Caxias começa, no século XVII, com o Movimento de Entradas e Bandeiras ao interior maranhense, para o reconhecimento e ocupação das terras às margens do Rio Itapecuru, durante a invasão francesa no Maranhão, principalmente, com o trabalho valoroso dos missionários religiosos em busca de almas para a fé cristã. O local onde se acha situada a bela cidade de Caxias foi, primitivamente, um agregado de grandes aldeias dos índios Timbiras e Gamelas que conviviam pacificamente com os franceses. Porém, com a expulsão dos franceses do Maranhão, em 1615, os portugueses reduziram tais aldeias à condição de subjugadas e venderam suas populações, como escravos, ao povo de São Luís.	Nesse sentido, Várias denominações foram impostas ao lugar, dentre as quais: Guanaré – denominação indígena -, São José das Aldeias Altas, Freguesia das Aldeias Altas, Arraial das Aldeias Altas, Vila de Caxias e, finalmente, através da Lei Provincial, número 24, datada de 05 de julho de 1836, fora elevado à categoria de cidade com a denominação de Caxias. Foi na Igreja de São Benedito que, em 1858, o antístite da Igreja Maranhense, Dom Manoel Joaquim da Silveira, denominou Caxias com o título: “A Princesa do Sertão Maranhense”.			Salienta-se que, o nome “Caxias” não se atribui a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro. Ele, sim, recebeu o título Barão de Caxias, por ter sufocado a maior revolução social existente no Estado do Maranhão: a Balaiada. A cidade de Caxias foi palco da última batalha do movimento. Posteriormente, já em
terras do Rio de Janeiro, o Barão de Caxias foi condecorado, novamente, com o título de Duque de Caxias.
	Comumente quando os portugueses criavam, num lugar, uma Vila, mudavam-lhe o nome, às vezes criando uma homônima do Reino nas Colônias. Inicialmente, a grafia “Cachias” viera de Portugal, que se refere a uma excelente Quinta Real que existia nos arredores de Lisboa perto de Oeiras (Portugal) outra bonita quinta do Márquez de Pombal, que era também residência real. Nessa área existia uma estação de caminho de ferro de cascaes, onde é lugar que tem uma estação balneária, com água excelente e caldas térmicas muito procuradas para o tratamento de paralisias e reumatismo.
	Nessa perspectiva, para o orgulho de todos caxienses, a cidade de Caxias está eternizada pelos seus filhos: o poeta, Antônio Gonçalves Dias, e o filósofo, Raimundo Teixeira Mendes, em dois dos principais símbolos nacionais: o Hino Nacional Brasileiro e a Bandeira Nacional Brasileira, respectivamente.
	Caxias também é berço do poeta Joaquim Vespasiano Ramos que eternizou “cousa alguma” (1916) e Henrique Maximiano Coelho Neto, romancista, crítico e teatrólogo, autor de “A conquista” (1889), é o patrono da Academia Caxiense de Letras. 
	Conforme o dicionário, a cultura pode ser entendida como “A atividade artística ou intelectual e os trabalhos produzidos por estas atividades” ou como “O desenvolvimento das faculdades sociais, morais e intelectuais através da educação”. Sob essa perspectiva, cultura tem ainda o sentido de cultivar, de desenvolver, a Primeira Constituição do Brasil, (1824), já trazia em seu texto tacitamente esse sentido etimológico. Nesse sentido, muitas 	vezes a cultura é entendida como refinamento intelectual, das maneiras e de apreciação artística.
Nos dias atuais, de acordo com o artigo 215 da Constituição Federal, a cultura é tratada como um direito humano de segunda Geração ou de segunda dimensão, pois está ligada a ordem social. 
15 
A acepção de cultura que será impressa nesse trabalho monográfico, é o senso de cultura como herança social, que se adquire e se transmite de geração em geração. É a totalidade dos padrões de comportamento, artes, crenças, instituições transmitidos socialmente, que se é aprendido diariamente – a cultura como bem de sucessão. 											
Ademais, a ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. A capacidade ética tem por objetivo a reflexão crítica do ato moral, ou seja, sobre o que é (ou pode ser) errado. Assim a ética não é moral. Moral é o objeto de estudo da ética, diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta de cada sociedade.												No tocante à cultura caxiense, pretende-se elucidar sua essência e como esta influencia em uma construção de valores positivos para os indivíduos da sociedade– ela não será tratada de maneira isolada, mas como identidade de sociedade concreta, em pleno funcionamento, interligada em suas ramificações. 			Este estudo baseou-se em uma estratégia qualitativa de pesquisa, de caráter exploratório, por meio de uma pesquisa de campo. Para tanto, terá informações além das palavras, como pinturas, fotografias desenhos e etc. 				A principal fonte da coleta dados para a análise deste estudo foram entrevistas realizadas com pessoas que desenvolvem projetos culturais (de maior abrangência) na cidade de Caxias/MA, questionando-os quanto à percepção da influência positiva do seu trabalho. Salienta-se, pois, que cada entrevistado representa uma manifestação cultural na cidade caxiense. As entrevistas foram todas gravadas em áudio, e, posteriormente, transcritas, integralmente, uma a uma. Elas aconteceram em um período de três meses, entre e março e maio de 2019, com duração de 20 (vinte) a 35 (quarenta e cinco) minutos cada uma, frisa-se que para a análise final do trabalho, foi realizado um questionário (em anexo) com participantes de alguns projetos culturais citados que foram influenciados positivamente através da manifestação cultural.						A estrutura desse trabalho está dividida em três capítulos no primeiro faz-se uma elucidação acerca do direito ao acesso à cultura, nos seus subcapítulos será trazida a conceituação do direito ao acesso à cultura desde a primeira Constituição do Brasil e encerra-se com a Lei Municipal Nº 1.577/2005 e o que ela cita acerca do direito ao acesso à cultura. O segundo capítulo, citará sobre as principais manifestações culturais da cidade de Caxias/MA, nos seus subcapítulos, a transcrição das entrevistas como já exposto.Por fim, o terceiro capítulo, analisa a manifestação cultural desde sua concepção social e encerra-se com o subcapítulo acerca da cultura caxiense e sua influência para a construção de valores de valores morais é éticos. 
16
1. O DIREITO DE ACESSO À CULTURA
	Nesse capítulo serão elucidadas breves considerações acerca do direito ao acesso à cultura nas Constituições Brasileiras, a cultura como princípio fundamental à luz da atual Constituição Federal e por fim, o direito ao acesso à cultura nos moldes das leis do Município de Caxias.
1.1 Breves considerações sobre a cultura nas Constituições Brasileiras
	
17
A Constituição de 1824, a Constituição Política do Império do Brasil, foi outorgada em 25 de março de 1824, durante o Império, que teve como marca central o forte centralismo administrativo e político, sequer mencionou o termo cultura em seu texto, conforme elucida Leon Delácio de Oliveira e Silva (2014).			Entretanto, trata cultura como valor e apresenta o vocábulo cultura na mesma acepção de cultivo, de produção agrícola, numa clara reminiscência de seu sentido etimológico, de cultum, conjunto de técnicas para se obter do solo os vegetais semeados. Sinônimo de lavoura, a noção de cultura aparece agregada às ideias de “indústria, trabalho e comércio”, o que lhe reforça ainda mais o sentido manual de “trabalho da terra”.											A segunda Constituição, foi a de 1891, mais precisamente no dia 24 de fevereiro, fora promulgada e intitulada por Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, primeira Constituição republicana, que vigorou até 1930 sofrendo pequena reforma em 1926. Infelizmente também esta Carta Política não tratou de assegurar em seu texto o direito fundamental de acesso à cultura, é marcada pela ausência do termo cultura. 									A Constituição de 1934 busca claramente a ruptura com o modelo liberal, posto “que o Estado passa a intervir na economia para assegurar condições mínimas de sobrevivência à população”, conforme cita Agra (2018, p. 50). Nesse contexto, esse texto constitucional, via a cultura enquanto atributo intelectual, a cultura das letras, acepção que hoje povoa com maior pujança o imaginário coletivo no Brasil. 												A Constituição supracitada, foi baseada na Constituição alemã de Weimar, de orientação nazista. Em capítulo à parte, intitulado “Da Educação e da Cultura”, o enunciador constituinte estabelece que “Cabe à União, aos Estados e aos
Municípios favorecer e animar o desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em geral, (...) bem como prestar assistência ao trabalhador intelectual”. Nesse contexto, José Luiz Fiorin (1996, p. 35)cita que: A realidade só tem existência para os homens quando é nomeada. O constituinte discursiva a noção de cultura, homologando-a à ideia de erudição e é firmada a oposição cultura (erudição) vs. não-cultura (trabalho braçal). 									No preâmbulo a Carta Magna de 1934 demonstra sua nova perspectiva:
Nós, os representantes do povo brasileiro, pondo a nossa confiança em Deus, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para organizar um regime democrático, que assegure à Nação a unidade, a liberdade, a justiça e o bem-estar social e econômico, decretamos e promulgamos a seguinte (BRASIL, 1934)
			
	
Entende-se, pois, que é a partir desse novo momento que a maioria das Constituições expressa como sendo um dever do Estado propiciar o acesso à cultura aos seus cidadãos. Caberia ao Estado garantir esse acesso à cultura, bem como buscar a valorização desta, conforme cita Silva (2014). Não se admitia mais um Estado que se restringisse apenas a não dificultar o acesso aos bens culturais, mas sim um Estado presente que propiciasse a todos os cidadãos esse direito, conforme depreende-se da leitura do art. 148 da Carta Política de 1934, Capítulo II, in verbis:
Art. 148 - Cabe à União, aos Estados e aos Municípios favorecer e animar o desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em geral, proteger os objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico do País, bem como prestar assistência ao trabalhador intelectual. (BRASIL, 1934)
	Para José Poemer, a promulgação da constituinte de 1934 foi importante para a cultura, veja-se: 
A diretiva cultural dos constituintes de 34 contava com disposição favorável por parte do Executivo federal, já manifestada na decisão que elevara Ouro Preto à condição de monumento nacional (Decreto nº 22.928/33). E reafirmada em 21 de abril de 1936, quando Vargas decretou a repatriação dos restos dos conjurados mineiros de 1789 mortos quando cumpriam penas de degredo no continente africano. (POERNER, 1997, p. 32)
	
18
Em 1937, a Constituição outorgada pelo Estado Novo determina, expressamente, em seu art. 52, que a nomeação de membros do Conselho Federal, órgão de importância estratégica nacional e internacional, realizada pelo Presidente da República, somente poderia “recair em brasileiro nato, maior de trinta e cinco
anos e que se haja distinguido por sua atividade em algum dos ramos da produção ou da cultura nacional”. Aqui a noção de cultura sobe mais um degrau em seu fado de elitização. A noção de cultura é homologada à noção de proeminência conforme cita Pereira (2008, p.7)										O autor supracitado menciona que não basta ser erudito, é preciso que o sujeito seja notoriamente reconhecido por sua atividade, é preciso que ele seja um sujeito positivamente destacado (e elevado) no meio social, segundo os próprios valores decantados da sociedade. A expressão “cultura nacional” abre as portas para uma perspectiva social que pretende fazer sobrelevar uma certa “cultura oficial”, de que são dotados os eruditos formadores de opinião, eliminando possibilidades de identidades diversificadas de acordo com diferentes contingências.	Nesse contexto, o texto constitucional de 1937 atinente à cultura ficou assim redigido:
Art. 128 - A arte, a ciência e o ensino são livres à iniciativa individual e a de associações ou pessoas coletivas públicas e particulares. É dever do Estado contribuir, direta e indiretamente, para o estímulo e desenvolvimento de umas e de outro, favorecendo ou fundando instituições artísticas, científicas e de ensino. (BRASIL, 1937)
	
19
De acordo com Silva (2014), a Constituição de 1937 acabou por retirar o vocábulo cultura deixando apenas arte como representativa da cultura em geral. De fato, essa não foi a melhor redação, mas através de interpretação sistemática verifica-se que arte aqui engloba todas as formas e manifestações culturais. No parágrafo seguinte ao caput do artigo 128, na parte que fora grifada, a escrita adotada proporciona uma melhor percepção da obrigação estatal em estimular e desenvolver, direta e indiretamente, a arte (leia-se cultura) nacional. Apesar desta Carta Magna de 1937 representar uma forma mais autoritária do governo, no caput do art. 128 ficou expresso que a arte, a ciência e o ensino são livres. 			A Constituinte de 1946, foi promulgada a Constituição dos Estados Unidos do Brasil, a quarta Constituição republicana, a quinta do Brasil, durante a presidência do general Eurico Gaspar Dutra, após a queda de Getúlio Vargas. E em seu texto normativo, ressente-se de certa “timidez” no trato da democracia econômica e social, conforme elucida Alfredo Bosi (1987, p. 34). Ou seja, o seu texto normativo, coloca de lado aspectos acerca de cultura homologando “missões culturais” a “missões diplomáticas”, “conferências”, e “congressos”, de que podem participar deputados e
senadores, faz menção à liberdade das ciências, letras e artes, bem como outorga à lei a competência para a criação de institutos de pesquisa, “de preferência junto aos estabelecimentos de ensino superior”. 								Após o golpe de 1964, o Congresso Nacional, transformado em Assembleia Nacional Constituinte, elaborou a Constituição de 1967. Conforme cita Agra (2018, p. 65), nesse instrumento normativo a formação ideológica tendente à supervalorização positiva da cultura, como algo relacionado à família, artes, letras, ciência e status social, atingeseu fastígio. Em seu artigo 118, afirma que os Juízes Federais, serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros, maiores de trinta anos, “de cultura e idoneidade moral, mediante concurso de títulos e provas”. A noção de cultura homologada à noção de caráter, de moralidade, aproximada, enfim, da ideia de virtude perseguida pelo modelo político vigente.		A Emenda Constitucional nº 1 de 1969, buscou alijar ainda mais os direitos individuais e sociais. Nesta esteira, o direito de acesso à cultura foi cerceado. O art. 179 que afirmava serem as letras e as artes livres agora passa a ter uma importante ressalva, conforme se constata da leitura do mencionado artigo. As ciências, as letras e as artes são livres, ressalvado o disposto no parágrafo 8º do artigo 153. O parágrafo 8º, do art. 153 da Constituição de 1967 com a alteração trazida pela Emenda Constitucional nº 1 menciona que:
Art. 153, §8º - É livre a manifestação de pensamento, de convicção política ou filosófica, bem como a prestação de informação independentemente de censura, salvo quanto a diversões e espetáculos públicos, respondendo cada um, nos têrmos da lei, pelos abusos que cometer. É assegurado o direito de resposta. A publicação de livros, jornais e periódicos não depende de licença da autoridade. Não serão, porém, toleradas a propaganda de guerra, de subversão a ordem ou preconceitos de religião, de raça ou de classe, e as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes. (BRASIL, 1969)
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É importante salientar que os militares desenvolveram uma verdadeira “caça” aos opositores do regime. Com isso o direito pleno de produção, manifestação, divulgação, valorização e respeito à cultura fora maculado, conforme cita Silva (2014). Dessa forma, não se propuseram incentivar e fomentar a cultura, nem mesmo buscaram meios para facilitar o acesso pleno à cultura, principalmente para a população mais desfavorecida.									Com a redemocratização do Estado brasileiro, fora promulgada no dia 05 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil, revolucionária
para o campo da cultura. Movido pela pressão da classe cultural e das classes populares esta Carta Cidadã buscou assegurar a todos cidadãos o pleno exercício dos direitos culturais. 
1.2 A cultura como princípio fundamenta à luz da Carta Cidadã
O título I da Constituição brasileira é denominado “Dos Princípios Fundamentais” e estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em um Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos cinco princípios. São eles a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Estes princípios são os fundamentos do Estado Democrático de Direito que é a República Federativa do Brasil.													No tocante, a Constituição Federal de 1988 trouxe uma considerável e extensa previsão do termo cultura em seu rol normativo constitucional. Essa constituição buscou não só ampliar os direitos individuais e coletivos, como também estabeleceu uma série de direitos fundamentais para os cidadãos a fim de concretizar a democracia, conforme cita Ferreira e Mango (2017, p. 3).			Para Borges (2016, p. 251-253) o contexto democrático trouxe reflexos sobre a previsão constitucional da cultura e estabeleceu o que pode ser chamado de democracia cultural, isto é, não há a imposição de uma cultura oficial na Constituição de 1988, mas sim de um diálogo sobre o que vem a ser identificado como cultura nacional. 											Gustavo Assed Ferreira e Andrei Rossi Mango citam:
A cultura a ser protegida pelo ordenamento jurídico constitucional é marcada por ser plural, comportando uma diversidade de conceitos, como o abarcado pela visão semiótica (semiótica da cultura) e a antropológica (antropologia cultural). (FERREIRA & MANGO, 2017, p. 4). 
	
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Nessa perspectiva, a Constituição Brasileira de 1988 também ficou conhecida como Constituição Cultural de acordo com Cunha Filho (2011, p. 119), ou como dilucida Varella (2013, p. 91), “Ordenação Constitucional da Cultura”, uma vez que estabelece um extenso conjunto de normas jurídico-constitucionais (valores, princípios e normas) protetoras de valores referentes à cultura, com o objetivo de garantir seu acesso, a liberdade de criação, a difusão, a igualdade e o gozo dos
bens culturais.											Nesse viés, José Afonso da Silva (2001, p. 42-43) assinala que os artigos presentes na Constituição Federal de 1988 que fazem referência ao termo cultura: artigo 5º, IX, XXVII, XXVIII, LXXIII e artigo 220, §§ 2º e 3º (liberdade de manifestação, direito individual, e direitos autorais); artigos 23, 24 e 30 (regras de distribuição de competência e cultura como objeto de ação popular); artigo 219 (como incentivo ao mercado interno, como viabilizador do desenvolvimento cultural); artigo 221 (princípio a serem atendidos na produção e programação das emissoras de rádio e televisão); artigo 227 (cultura como direito da criança e do adolescente); artigo 231 (índios e sua organização social como costumes, tradições, línguas, crenças, tradições e terras ocupadas para a manifestação cultural indígena); artigos 215 e 216 (objetos culturais de Direito e patrimônio cultural brasileiro).			Salienta-se os artigos 215 e 216 da Carta Magna, que são os que mais apropinquam de perspectiva antropológica e pluralista do termo cultura. O artigo 215 apresenta uma norma de caráter dogmático, em que destina estabelecer o dever do Estado de garantir a cultura nacional pelo pleno exercício e pelo acesso às fontes culturais. Veja-se:
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.
3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à: I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro; II - produção, promoção e difusão de bens culturais; III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões; IV - democratização do acesso aos bens de cultura; V - valorização da diversidade étnica e regional. (BRASIL, 1988)
	
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	Como analisado, é dever do Estado, valorizar a cultura, garantir o exercício da cultura e difusão das manifestações culturais, bem como assegurar o acesso às fontes de cultura nacional. 									O princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito, que incluem a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução da desigualdade sociais e regionais e a promoção
do bem de todos, conforme cita Sales (2014, p.27).						Sob essa ótica, os direitos culturais recebem a atribuição de direitos fundamentais, mesmo não estando elencados conjuntamente com os demais direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. Alguns autores reafirmam este entendimento, citam-se José Afonso da Silva (2001, p. 50), que expõe que os direitos culturais são “direitos constitucionais atuais e fundamentais”, e Francisco Humberto Cunha Filho (2011, p.45) que afirma que “os direitos culturais são fundamentais.											Paulo Bonavides (2018,p.562) assinala que o direito é considerado fundamental quando ele é essencial para a garantia de uma vida digna e para o exercício da cidadania, os quais estariam vinculados essencialmente com os princípios da liberdade e dignidade da pessoa humana (valores históricos e filosóficos).Ademais, Ferreira e Mango citam que:
Os direitos fundamentais são: aqueles que estão expostos de forma expressa na Constituição (formalmente constitucionais –os previstos no Título II da CF/88); aqueles de maior relevância dentro do ordenamento jurídico constitucional, tendo em vista seu caráter essencial na proteção da dignidade da pessoa humana, da cidadania e da liberdade (direitos fundamentais dispersos na CF/88); e aqueles que apesar de sua elevada importância, não estão previstos constitucionalmente (direitos fundamentais sem assento constitucional). (FERREIRA & MANGO, 2017, p.10)
	
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Celso Antônio Bandeira de Mello (2018, p. 90) elucida que, o princípio fundamental à cultura são axiomas fundamentais albergados pelo sistema normativo. Isto é, devem corresponder com as normas repercutir os valores do ordenamento jurídico em que se inserem, dado que sua aplicação no caso concreto muitas vezes incorre no sopesamento de princípios, em que ambos são analisados com o mesmo grau de importância, aplicando o mais adequado para o determinado caso, sem que nenhum deles seja descartado.						Para Francisco Humberto Cunha Filho (2011, p.53 ), “os princípios têm como características um alto grau de subjetividade e o fato de serem portadores dos valores éticos adotados pelo ordenamento jurídico”. 						Isto é, os princípios e seus valores éticos estão presentes no ordenamento cultural brasileiro, faz uma analogia entre o direito positivado sobre cultura com a principiologia da Constituição, através de uma interpretação constitucional 
sistemática.											Ainda, o autor supracitado elucida que, estão presentes na Constituição Federal de 1988 diversos princípios culturais que sustentam a normatividade cultural nacional, são eles: o princípio do pluralismo cultural; o princípio da participação popular; o princípio da atuação estatal como suporte logístico; o princípio do respeito à memória coletiva; e o princípio da universalidade. Estão serão brevemente assinalados respectivamente. 									O princípio do pluralismo cultural estabelece que o Estado deve tratar as diferentes correntes de pensamento e manifestação cultural de forma igual e equiparadas, sem privilegiar qualquer uma delas ou estabelecer uma ordem de hierarquia, ou ainda, sem determinar alguma como oficia, conforme Ferreira e Mango (op, cit. 2017, p.11). Se trata de um princípio que reconhece a existência e expressão de uma cultura plural e múltipla (inclusive a individual de cada cidadão) que se manifesta em uma sociedade comum, na formação da cultura nacional. Esse princípio se manifesta em conformidade com o princípio democrático presente na Constituição Federal de 1988.									O princípio da participação popular consiste no próprio povo ser protagonista da afirmação e proteção dos direitos culturais, cabendo a população deliberar e opinar sobre a política cultural firmada pelo Estado e pode ser realizada tanto pelos cidadãos, individualmente considerados, como por organizações civis, de acordo com Cunha Filho, (2011, p. 60).									O princípio da atuação estatal (referente à cultura) como suporte logístico dispõe que o Estado deverá dar suporte para que se tenha a realização das atividades culturais promovidas pelo povo. Isso significa que as expressões culturais não devem ser realizadas diretamente pelo Estado, muito menos que haja a sua interferência no exercício dos direitos culturais (liberdade de manifestação e expressão cultural) Ferreira e Mango (op. cit,. 2017, p. 17). 					Nessa perspectiva, o empreendimento da cultura e seu teor deverá ficar a encargo da população, uma vez a sociedade é livre e legítima para expor a cultura nacional, não podendo sofrer qualquer tipo de controle, restrição (censura) ou interferência. Esse corolário é garantido pela Constituição Federal de 1988 e tutelado pelo Estado Democrático de Direito.
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	Segundo Guilherme Rosa Varella (2013, p. 103) o princípio do respeito à memória coletiva consiste na tutela do acervo cultural da sociedade e sua memória coletiva (identidade e origens). Esse princípio tem por objetivo preservar os valores que identificam a sociedade. Dessa forma, os atores sociais e Poder Público “não podem negligenciar os valores da memória coletiva”.						Para Ferreira e Mango (2017, p.18) o princípio da universalidade visa garantir a possibilidade da prática dos direitos culturais por qualquer cidadão de forma indiscriminada, e o acesso indistinto aos benefícios do exercício desses direitos. Esse princípio garante que toda a sociedade usufrua da cultura de forma ativa (produzir e exercer a cultura) e passiva (usufruir dos benefícios das práticas culturais). Isso importa, portanto, que todos tenham o acesso à cultura e que não haja a exclusão de qualquer indivíduo por qualquer que seja o motivo.
1.3 O direito de acesso à cultura conforme as Leis Municipais (Caxias-MA)
	As leis que dão suporte à cultura no Município de Caxias/MA são: Lei Nº 1.171/2008; e a Lei nº 1.839/2009 que cria o fundo municipal de cultura de Caxias-FMCC.												A lei 1.171/2008, ela altera a Lei Nº 1.577/2005 que criou o Conselho Municipal de cultura de Caxias (CMCC) e dá outras providências. No §1º do artigo 1º de seu texto, diz que o Conselho Municipal de Cultura, agora fica vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Veja-se:
§1º O Conselho Municipal de Cultura passará a partir da data da publicação da presente lei, a ficar vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. (CAXIAS, 2008)
	
Nesse contexto, o Conselho Municipal de Cultura de Caxias será composto por 16 (dezesseis) membros, oriundos do Poder Público e da Sociedade Civil Organizada. Conforme está previsto no caput do art.3º da Lei 1.717/2008: 
Art.3º - O Conselho Municipal de Cultura de Caxias será composto por 16 (dezesseis) membros oriundos do Poder Público e da Sociedade Civil Organizada, sendo que a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo deverá indicar sempre 02 (dois) dos membros do Poder Público, sendo que os demais serão indicados pelos seguintes órgãos ou segmentos:
I- 2 (dois) representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo;
II- 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Educação;
III- 1 (um) representante do Legislativo;
IV- 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano;
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V- 
VI- 1 (um) representante do Gabinete do Prefeito;
VII- 1 (um) representante da Secretaria Municipal de Transporte e Limpeza Pública;
VIII- 1 (um) representante da Coordenação Municipal de Meio Ambiente;
IX- 1 (um) representante das Entidades Musicais;
X- 1 (um) representante das Associações de Moradores;
XI- 1 (um) representante as Liga das Escolas de Samba;
XII- 1 (um) representante de Entidades de Ensino Superior;
XIII- 1 (um) representante das Entidades Culturais;
XIV- 1 (um) representante das Entidades Científicas;
XV- 1 (um) representante de Entidade Patronais. (CAXIAS, 2008)
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 É importante salientar que a participação social é imprescindível para o exercício da cidadania. Afinal, o contato dos cidadãos com a esfera pública, em todos os seus âmbitos, aproxima-os de processos, ações e políticas públicas que dizem respeito às suas vidas e impactarão no seu dia a dia. Muitas pessoas se sentem incapazes, de mãos atadas frente às decisões do poder público. Mas existe uma saída: participar.										Haja vista, a Constituição Federal garante a criação de conselhos. No artigo 29, inciso XII da Constituição Federal, estão dispostas as atribuições dos municípios. É ali que está prevista a “cooperação das associações representativas no planejamento municipal”. No artigo 198, encontramos a previsão de “participação da comunidade em ações e serviços relacionados à saúde”.					De forma mais consistente, no art. 204 fala-se na participação da população no que diz respeito à assistência social, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. Portanto, é garantia constitucional a implementação e organizaçãode ambientes, órgãos e espaços para a discussão dessas políticas públicas – ao menos, em primeiro momento, nas áreas da saúde, educação, lazer, cultura e assistência social.		Nesse contexto, os Conselhos Municipais, ou populares, são espaços compostos por representantes do poder executivo e da sociedade civil. Metade dos membros são provenientes de órgãos da sociedade civil, enquanto a outra metade são representantes do Estado.									Salienta-se que, ao indagar o Secretário de Cultura do Município de Caxias, não foram cedidas informações acerca dos encontros do Conselho Municipal, desde a publicação da referida Lei.									Um ano após a alteração da Lei Nº 1.171/2008, foi criado a Lei Nº 1.839/2009, que cria o Fundo 	Municipal de Cultura de Caxias-FMCC, que está vinculado à
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com a finalidade de prestar apoio a projetos de natureza artística, cultural e turística, conforme está previsto no caput do art. 1º da referida lei. 									Nesse sentido, o Fundo de Cultura é um dos instrumentos que o Sistema Municipal de Cultura precisa ter para que o município seja integrado ao Sistema Nacional de Cultura. Para que ele possa receber verbas de outras instancias (governo federal ou estadual) é necessário que todo o Sistema Municipal esteja implantado. Isso significa que é preciso ter o Conselho de Cultura e o Plano Municipal de Cultura já implantados e reconhecidos pelo MinC (Ministério da Cultura), conforme cita o artigo 11:
Art. 11 – O Fundo Municipal de Cultura de Caxias será administrado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e pelo Prefeito Municipal de Caxias, e será fiscalizado pelo Conselho Municipal de Cultura. (CAXIAS, 2009)
 	É o Conselho de Cultura que vai estabelecer as diretrizes gerais para o fomento à cultura e fiscalizar a aplicação dos recursos do Fundo. Mas a gestão – ordenação de despesas, desembolsos e prestação de contas – deve estar a cargo do Poder Executivo local, representado pelo titular da Secretaria Municipal de Cultura ou órgão equivalente.									Ao que tange as verbas destinadas ao FMCC, a Secretaria de Cultura Municipal, tem um orçamento que é gasto prioritariamente no custeio de pagamento de pessoal, material, na realização da agenda cultural do município e na criação e manutenção da infraestrutura de equipamentos culturais como teatro, museus, bibliotecas, arquivo, centros culturais. É o que o art. 3º vai dizer, in verbis: 
Art. 3º - Serão levados a crédito do FMCC os seguintes recursos:
I- O valor destinado ao Fundo Municipal de Cultura, a título de incentivo cultural a será definido anualmente na Lei Orçamentária Anual (LOA), no limite compreendido entre O,5% (meio por cento) das transferências constitucionais líquidas e/ou a média dos valores aplicados nos últimos quatro anos, prevalecendo o maior;
II – Contribuições, transferências, subvenções, auxílios ou doações dos setores públicos ou privados;
III- Resultados de convênios, contratos e acordos celebrados com instituições públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, na área cultural;
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IV- Outros recursos, créditos e rendas adicionais ou extraordinárias que, por sua natureza, lhe possam ser destinados. (CAXIAS, 2009)
	 Dessa forma, o Fundo de Cultura deve ser aplicado prioritariamente no incentivo aos projetos culturais da sociedade, mas pode ser utilizado também na execução de projetos do poder público, em especial no caso de ações compartilhadas com outras esferas de governo (federal e estadual), nas quais são previstas transferências de recursos fundo a fundo. Como essas transferências exigem contrapartida do município, devem ser previstos recursos para esse fim no Fundo Municipal de Cultura. 									Os projetos a que são destinados os recursos do FMMCC está previsto nos incisos do artigo 4º da referida lei: 
I- Produção e realização de projetos de música e dança;
II- Produção teatral circense;
III- Produção e exposição de fotografia, cinema e vídeo; 
IV- Criação literária e publicação de livros, revistas e catálogos de arte;
V- Produção e exposição de artes plásticas, artes gráficas e coleções;
VI- Produção e apresentação de espetáculos folclóricos e exposição de artesanato;
VII- Preservação do patrimônio histórico, cultural turístico;
VIII- Levantamentos, estudos e pesquisa na área cultural e artística; 
IX- Realização de cursos de caráter cultural ou artístico destinados à formação, especialização e aperfeiçoamento de pessoal na área de cultura e turismo em estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos;
X- Realização de cursos de formação e aperfeiçoamento de pessoal na área de museologia e bibliotecas;
XI- Organização dos carnavais nos bairros, sendo vedada a venda de abadas e fantasias pelas bandas e blocos que receberam qualquer tipo de repasse do fundo. (CAXIAS, 2009)
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 Em uma entrevista feita com a Secretária na pessoa de Kátia Braga, 04 de abril de 2019, às 14 horas na sala da Secretária Juventude da cidade de Caxias atualmente, a Secretaria Municipal de Cultura, não dispõe de nenhum projeto social cultural próprio.						 			Entretanto, atualmente, Secretaria Municipal de Caxias, dispõe de auxílio aos projetos de dança da cidade, como a dança do Lili (dança folclórica); produção e exposição de fotografia, importante destacar a mais recente foi a Exposição “Balaiada – A luta sem fim”, que teve repercussão na capital federal. 		 	Em 2017, a Prefeitura de Caxias no Estado do Maranhão, constituiu o CMPPH - Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico, por determinação do prefeito, Fábio Gentil (atual administrador público) a coordenação de patrimônio histórico de Caxias elaborou, institucionalmente, uma política pública
para o Governo Municipal, através de uma parceria: poder público e sociedade civil, que visa reconhecer e ratificar o conjunto das manifestações produzidas socialmente ao longo do tempo no espaço urbano, seja no campo das artes, nos modos de viver, nos ofícios, festas, lugares ou na paisagem da própria cidade, com seus atributos naturais, intangíveis e edificados.								Esse Conselho visa preservar o patrimônio cultural de uma cidade – manter as marcas de sua história ao longo do tempo e, assim, assegurar a possibilidade da construção dinâmica da identidade e da diversidade cultural da comunidade. Dessa forma, estabelece um trabalho de cunho institucional visando assim, a valorização arquitetônica e paisagista da “Princesa do Sertão Maranhense”.				Ao que tange patrimônio cultural, é importante citar acerca das Ruínas do Forte da Balaiada, que é uma das poucas fortificações em terra construídas no Brasil, cujos vestígios ainda são aparentes. Feito de pedra de calcário e cal, em formato retangular, a construção do Forte é datada de 1840, como mostra a figura 1.
 Figura1. (Fonte cedida por Wybson Carvalho) 
 			
Figura 2. (fonte cedida por Wybson Carvalho)
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	As Ruínas foram integradas ao jardim do Memorial da Balaiada, conforme mostra a figura 3. O museu é responsável pela salvaguarda da memória escrita e oral da Revolta maranhense. As Ruínas do Forte da Balaiada estão localizadas no Morro do Alecrim, local de importância durante a Revolta da Balaiada. 			O delineamento de suas estruturas foi tombado pelo IPHAN no MA em 1990. 
 	
Figura 3. (fonte do autor)
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	Para conhecer melhor a história da revolta dos balaios (escravos, mestiços e brancos pobres), os moradores de Caxias e visitantes contam com um rico acervo que retrata, com detalhes, o período do conflito popular que ocorreu devido à instabilidade política e por problemas sociais e econômicos que afetaram diretamente a população pobre daquela época, o Memorial da Balaiada.			O Memorial da Balaiada conforme figura 4, é o maior museu de Caxias inaugurado no dia 16 de dezembro de 2004 e é considerado um museu escola, o Memorial da Balaiada, no Morro do Alecrim, passou por reformas em 2018, que foi entregue à população no dia 14 de abril de 2018 junto coma inauguração do Mirante da Balaiada. Geralmente o Memorial recebeu uma média de visitantes que varia entre 17 e 18 mil pessoas durante o ano. 							Nesse contexto, o Memorial da Balaiada conta com um acervo de 350 peças de artefatos arqueológicos e restos de armamentos, balas de chumbo, projéteis, botões e fivelas dos militares e dos homens e mulheres que fizeram a revolta, além de um acervo eclético de peças de mobiliário, prataria, telas, um painel em
xilogravura da artista plástica Tita do Rêgo Silva e esculturas em argila dos principais líderes da Balaiada.									Desde que o Mirante da Balaiada foi inaugurado ao lado do Memorial, o número de visitas cresceu vigorosamente, ultrapassando as 20 mil pessoas em pouco mais de 15 dias, número recorde, conforme dados do site oficial da Prefeitura Municipal de Caxias (2018), de acordo com as figuras 5 e 6.
Figura 4. (fonte do autor)
 					 Figura 5. (fonte do autor)
31
 			 Figura 6. (fonte do autor)
	Cabe ressaltar a importância acerca do tombamento, que é um ato administrativo realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação da legislação especifica bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor efetivo para a população, impedindo que venha a ser destruído ou descaracterizado. Esse instrumento coloca sob a tutela do Estado bens digno de preservação.								A Constituição Federal de 1988 estabelece a descentralização administrativa no campo de preservação e estabelece a competência comum da União, Estados e Munícipios na proteção do patrimônio cultural brasileiro de um determinado bem cultural. As entidades responsáveis que atuam na preservação do Patrimônio Cultural do Maranhão são:
· A nível federal: Instituto do Patrimônio Histórico e Artísticos Nacional – IPHAN;
· A nível estadual: Departamento d Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Maranhão – DPHAP/MA;
· A nível municipal: Departamento Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural – DMPHC;
32
· 
	O tombamento municipal que visa a preservação do patrimônio histórico cultural e artístico, foi assinado pelo atual prefeito da cidade, 1 de agosto de 2018, durante as comemorações da adesão de Caxias à Independência do Brasil. O atual prefeito, em suas palavras, numa entrevista prestada pela equipe de jornalismo do sistema de televisão Sinal Verde, diz: 
“Com o tombamento, nós iremos facilitar e reduzir esse caminho de acesso com documentação federal; para buscar recursos de acesso para que o nosso turismo seja implementado de vez dentro do Munícipio. O tombamento, é o reconhecimento de tudo que a gente viveu pela história do nosso Município. É a valorização daquilo que temos de mais importante que é a história do nosso Município” (Fábio Gentil, 2018) 
	A preservação do patrimônio histórico-cultural é vista, hoje, como uma questão de cidadania e como tal, interessa a todos por se constituir em direito fundamental do cidadão e esteio para a construção da identidade cultural. Atualmente se preserva um bem, não apenas pelo seu valor estético arquitetônico ou histórico, mas pelo significado que tem para a comunidade em que está inserida, para a formação de sua identidade cultural e para o exercício de cidadania. 		De acordo com o Patrimônio Histórico, Paisagístico e Arqueológico da cidade de Caxias, a tabela 1 representa o nome das ruas e logradouros que estão protegidos pelo decreto nº 11.681 de 29 de novembro de 1990, que tomba o Centro Histórico de Caxias. A tabela 2 representa os bens de Caxias tombados individualmente e o sítio arqueológico localizado na cidade. Na cidade, também, existem outras edificações de igual ou maior importância para o Patrimônio Histórico de Caxias que precisam de garantias para sua preservação (tabela 3). Vale ressaltar que a preservação dos imóveis incluídos no Centro Histórico de Caxias é de suma importância para o Patrimônio Histórico da cidade.
Tabela 1. Ruas e Logradouros da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil, protegidos pelo decreto nº 11.681 de 29 de novembro de 1990.
	Nº
	Nome da rua/logradouro
	Bairro
	Nº 
	Nome da rua/logradouro
	Bairro
	01
	Praça Gonçalves Dias
	Centro 
	12
	Rua Benedito Leite
	Centro
	02
	Praça Vespasiano Ramos
	Centro 
	13
	Rua Afonso Cunha
	Centro
	03
	Praça Magalhães de Almeida
	Centro
	14
	Rua Dr. Berredo
	Centro
33
	04
	Praça Candido Mendes
	Centro 
	15
	Rua José Vieira Chaves
	Centro 
	05
	Praça Dias Carneiro
	Centro 
	16
	Rua Porto das Pedras
	Centro 
	06
	Praça Rui Barbosa
	Centro
	17
	Rua Riachuelo
	Centro 
	07
	Praça Salustiano Rego
	Três Corações 
	18
	Rua São Benedito
	Centro 
	
	Rua 1º de Agosto 
	Centro 
	19
	Rua Coelho Neto
	Centro 
	09
	Rua Aarão Reis 
	Centro 
	20
	Travessa José Guimarães
	Centro 
	10 
	Rua Afonso Pena
	Centro 
	21
	Praça Duque de Caxias
	Morro do Alecrim
	11
	Rua Anísio Chaves
	Centro 
	22
	Rua Godolfredo Viana
	Trezidela/Ponte 
Tabela 2. Os bens da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil, tombados individualmente e o sítio arqueológico localizado na cidade.
	Nº
	Imóvel Tombado
	Endereço
	Bairro
	Decreto Estadual
	01
	Igreja Nossa Senhora do Rosário do Pretos
	Praça Rui Barbosa
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	02
	Igreja Nossa Senhora da Conceição e São José
	Praça Cândido Mendes
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	03
	Igreja de São Benedito
	Praça Vespasiano Ramos
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	04
	Igreja Nossa Senhora dos Remédios
	Praça Magalhães de Almeida
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	05
	Igreja Nossa Senhora de Nazaré
	Av. Nossa Senhora de Nazaré
	Trezidela 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	06 
	Cemitério de Nossa Senhora dos Remédios
	Praça Nossa Senhora dos Remédios
	Castelo Branco 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	07
	Palácio Episcopal
	Praça Magalhães de Almeida
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	08
	Casa de Vespasiano Ramos
	Praça Vespasiano Ramos
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	09
	Centro de Cultura José Sarney
	Praça Dias Carneiro
	Centro 
	nº 11.621 de 29 de novembro de 1990
	Nº 
	Sítio Arqueológico 
	Local
	
	
	01
	Ruínas da Balaiada 
	Morro do Alecrim
	
	
Tabela 3. Imóveis da cidade de Caxias, Maranhão, Brasil que precisam ser tombados para garantir sua preservação.
	Nº
	Imóvel 
	Endereço
	Bairro
	Proprietário
	01
	Prefeitura Municipal de Caxias
	Praça Dias Carneiro, S/N
	Centro 
	Prefeitura Municipal de Caxias 
	02
	Fórum Desembargador Arthur Almada Lima
	Praça Gonçalves Dias
	Centro 
	
34
	03
	Edifício Duque de Caxias
	Praça Gonçalves Dias
	Centro 
	
	04
	Antiga Estação Ferroviária
	
	Galeana
	
	05
	Ruínas da Antiga Estação Ferroviária
	
	
	
	06 
	Ruínas da antiga Fábrica de Cana de Açúcar
	Engenho D’Água
	
	
	07
	Casa da Família Castelo
	Engenho D’água
	
	
O Município Caxias vive um momento moderno ímpar, no qual o poder público senta-se a uma mesa de trabalho com a sociedade civil organizada, com o objetivo de elaborar e articular políticas públicas culturais que satisfaçam os anseios do povo. E, sumariamente, o Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico de um povo pertence a ele, ele é quem tem que discutir com o poder público.			Por fim, no presente momento a cidade caxiense está nos moldes éticos e que a sociedade enseja. Dado que, Chauí (2006, p. 45) cita que a política cultural definida pela ideia de cidadania cultural, deve ser como direito de todos os cidadãos, a partir do qual a divisão social das classes, ou luta de classes, possa manifestar-se e ser trabalhada porque, no exercício do direito à cultura, os cidadãos, como sujeitos sociais e políticos, se diferenciam, entram em conflito, comunicam e trocam suas experiências, recusam formas de cultura, criam outras e movem todo o processo cultural. 
35
2. A MANIFESTAÇÃO CULTURAL
	Nesse capítulo serão explanadas breves considerações acerca do conceito de manifestação cultural na Constituição Federal.Ademais, serão expostas as manifestações culturais do Município de Caxias.
2.1 A manifestação cultural na Constituição Federal
36
	Para a Antropologia Cultural, manifestação cultural é toda forma de expressão humana, seja através de celebrações e rituais ou através de outros suportes como imagens fotográficas e fílmicas. 						De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, os bens sócio-ambientais diferem-se em culturais, históricos, artísticos, arqueológicos, etnográficos e paisagísticos. São bens que têm a característica de estarem vinculados à história, memória ou cultura do país. Portanto, tem-se que o patrimônio pode abarcar manifestações culturais intangíveis, como as tradições orais, a música, idiomas e festas, além dos bens artísticos.								Como exposto na página 20 deste trabalho monográfico, a Cultura encontra-se positivada em nossa Constituição no Título VIII (Da Ordem Social), no Capítulo III (Da Educação, da Cultura e do Desporto) e Seção II (Da Cultura), especificamente nos artigos 215, 216 e 216-A.									Nesse contexto, é possível notar que a Cultura não se encontra elencada, explicita e literalmente, no Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais), nem no art. 5°, nem tampouco no art. 6°, claro está que, lato sensu, ela se faz presente em vários incisos do art. 5°, v.g., incisos IV, VI, IX, entre outros.					O entendimento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à autoaplicabilidade das normas que versam sobre direitos e garantias fundamentais (art. 5°, § 1°), Richard Pae Kim (2012, p. 13) assinala que “vem sendo interpretado de forma a alcançar também os direitos sociais que, de forma geral, mas não de forma taxativa, estão elencados no art. 6°, caput, da Constituição Federal, e que são, à toda evidência, também fundamentais”. 						 Dessa forma, os direitos culturais, ainda que elencados fora do Título II da Constituição Federal e não estando, portanto, topograficamente inseridos no rol dos direitos fundamentais, podem o ser assim considerados pela aplicação extensiva a
conceito de fundamentalidade, conforme o referido entendimento jurisprudencial do STF, conforme cita Gomes (2014, p. 3). 							O texto constitucional de acordo com o §3º do art. 215, determina uma obrigatoriedade, para todos os entes federados, de ações de apoio, incentivo e difusão das manifestações culturais:
Art. 215, § 1º. O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional. (BRASIL, 1988) 
De acordo com Gomes (2014, p. 12) o patrimônio cultural nacional, entendido constitucionalmente como a própria cultura, tem sua plena acessibilidade, possibilidade de participação e plena diversidade em sua formação (com igualdade de relevância entre todos os saberes), garantidos pela força do texto maior de nosso ordenamento jurídico. 										Dessa forma, as manifestações culturais presentes na sociedade brasileira desde sua gênese, foi contemplado no texto constitucional como paradigma constitutivo de nacionalidade que contempla, protegem e determinam a diversidade cultural na sociedade, estando a tolerância, como fundamento basilar e normativo da cidadania. 											Cabe ressaltar que Arte e Cultura estão totalmente ligadas, pois é através da arte que se consegue, apreciar e adquirir conhecimentos das diferenças entre uma cultura e outra, visto que na arte são impressas sentimentos, formas e cores que dizem muito sobre a pessoa que a fez, que por sua vez possui uma história enriquecida por sua cultura, apanhada por uma sociedade, e que o diferencia das demais, tornando a arte um produto único em cada canto do mundo, sendo uma força de expressão livre para todos. Isto é, a manifestação cultural que está sendo tratada nesse trabalho monográfico, é através da arte.
2.2 As manifestações culturais Caxienses
37
	A manifestação cultural é entendida a expressão humana baseada na cultura deste povo. É expressar sua cultura e mostrá-la para o mundo. A variedade cultural dos brasileiros está na flor da pele. Graças à mistura das três matrizes raciais foi possível obter uma população heterogênea, rica e bastante própria no país.
A formação social brasileira é composta de uma vasta pluralidade cultural, que expressa nos diferentes modos de vida da população. Ao mesmo tempo, tem uma história marcada pelas discriminações, que a cada dia inibem a manifestação das culturas populares em favorecimento das concepções dominantes. 			Descobrir a cultura de um povo é revelar como ela se manifesta. É entender significados e buscar sentidos. O Município de Caxias é vasto em relação ao termo cultural pode-se citar: a pintura plástica, escultura, cinema, teatro, dança, música, arquitetura, dentre outros. 										As manifestações culturais que serão explanadas a seguir serão através da dança, literatura, artes visuais, tradições religiosas e a música genuinamente caxiense respectivamente. 
2.2.1 A Dança do Lili
	Em uma entrevista realizada , no dia 30 de março de 2019, às 19:37 minutos com o fundador da dança, Raimundo Nonato da Silva, popular e grandioso divulgador da cultura caxiense, popularmente conhecido com Pelé. Ela nasceu em 03 de maio de 1985 (atualmente com 34 anos), a Dança do Lili, originou-se a partir de brincadeiras da Semana Santa na zona rural do município de Caxias-MA, onde as pessoas se reuniam em frente às suas casas, dançando e cantando cantigas em versos sem o uso de instrumentos. 			
“A dança do Lili é muito importante porque ele mostra a cultura do trabalhador, mobiliza as pessoas, tira as pessoas da rua e bota para dançar, movimenta o corpo e mostra que nossa cidade tem uma identidade, nós do Lili, manifestamos a criatividade, o amor, a simplicidade e a simpatia, seguindo um ritmo contagiante, pois, embalados por uma melodia cadenciada, são capazes de mobilizar os espectadores a também entrarem na dança.” (Pelé, Produtor Cultural, fundador da dança do Lili que é funcionário da Secretaria de Cultura do Município de Caxias-MA, desde 1984.)
	
 Nesse contexto, a dança do Lili caracteriza-se por sua simplicidade, expressando a cultura do trabalhador rural dentro de seu trabalho cotidiano, e tem em seu gingado, expressões corporais e vestuários (roupas leves e estampadas) que lembram a vida e os costumes do homem do campo. Conforme figura 7.		A respeito da importância da manifestação cultural para a cidade, Pelé diz:
38
“Que as pessoas não deixem a nossa cultura morrer. Nós temos uma riqueza muito grande. A cultura depende de todos nós, do povo”. 
A dança popularizou-se em Caxias e em região leste do Maranhão, como a expressão da cultura do trabalhador rural, por meio do seu gingado, expressão corporal e vestuários que lembram a vida e os costumes do homem do campo. A lembrança da data faz avivar na memória o desejo de manter sempre viva, uma das mais originais manifestações culturais no Município. 	
 
 Figura 7. (fonte do autor)
Além de resgatar a história de Caxias, de uma forma simples, a Dança do Lili atrai muitas pessoas em cada apresentação. Dessa forma, a arte contribui também como forma educativa.
2.2.2 A Literatura
39
Quando o assunto é a Literatura, Caxias do Maranhão é o berço de uma considerável plêiade de escritores e poetas de grande expressão no cenário literário nacional: Gonçalves Dias, Coelho Neto, Teófilo Dias, Vespasiano Ramos, Raimundo Teixeira Mendes, César Marques e muitos outros de uma constelação que brilha desde meados do século XIX.									Gonçalves Dias e Teófilo Dias – são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras - ABL. Mas, Caxias insiste em dar à luz a novos escritores e poetas e pode ser chamada, sem exageros, de “cidade maranhense dos escritores e poetas”, dentre os quais: Jacques Medeiros,
Edison Vidigal, Firmino Freitas, Libânio da Costa Lobo, Adailton Medeiros, Déo Silva, Cid Teixeira de Abreu, José de Ribamar Cardoso, Manoel de Páscoa, Antônio Augusto Ribeiro Brandão,Joseane Maia, Frederico Ribeiro Brandão, Wybson Carvalho, José Ribeiro Brandão, Naldson Carvalho, Elany Morais, Inês Maciel, Renato Meneses, Morano Portela, Jorge Bastiani, Silvana Meneses, Quincas Villaneto, Carvalho Júnior e outros tantos. 							Academia Caxiense de Letras é um ponto de cultura e berço da literatura caxiense, chamada de “A casa de Coelho Neto”, fundada em 15 de Agosto de 1997, conforme a figura 8. A atual sede funciona desde 15 de Agosto de 2003, como mostra a figura 9. Há nela 40 membros efetivos e a realização de atividades em cunhos educacional e cultural.
 
 Figura 8. (fonte do autor)
	
 Figura 9. (fonte do autor)
40
	Ao que diz respeito ao acesso à cultura em forma de poesia, em 14 de agosto de 2017 o Projeto Cultural “Tecendo Ideias” tem por objetivo valorizar a arte e cultura caxiense, como mostra a figura 10.
 		Figura 10. (fonte: site oficial da Prefeitura Municipal de Caxias)
	No tocante ao acesso da cultura atualmente na cidade de Caxias, no dia 30 de abril de 2019 às 09h00 da manhã, numa entrevista feita ao coordenador municipal do Patrimônio Histórico e membro fundador da ACL, Wybson Carvalho. Na qual tem assento à Cadeira, número 30, patroneada pelo poeta caxiense João Vicente Leitão, é genuinamente caxiense. Ele cita que: 
“A abertura do diálogo entre o poder público e a cidade tende a contribuir ainda mais com a valorização da história de Caxias. Nesse viés pragmático, a poesia serve como meio de para se alcançar um fim, infelizmente não está sendo valorizada por muitos. A sociedade que buscamos construir através da poesia, é mais humana, mais feliz e mais livre. O que precisamos construir são mudanças significativas.” 
	O poeta Wybson Carvalho tem vários livros publicados (os mais recentes) como se pode observar na figura 11. Foi membro dos Conselhos Estadual e Municipal de Cultura. Participou como delegado representante da sociedade civil – câmara setorial do livro, leitura e literatura – das Conferências de Cultura, nos âmbitos municipal, estadual e nacional, nos anos de 2005, 2010 e 2013, em Caxias, São Luís e Brasília, respectivamente e reside em Caxias.
41
 Figura 11. (fonte do autor)
		
	A Secretaria Municipal de Cultura ao que diz respeito à poesia, dá cultural paras as escolas da rede municipal de ensino que levam o nome dos poetas caxienses – Gonçalves Dias, Coelho Neto e Vespasiano Ramos homenageados em seus respectivos aniversários. 
2.2.3 Artes Visuais
 Artes visuais é a designação dada ao conjunto de artes que representam o mundo real ou imaginário e que tem a visão como principal forma de avaliação e apreensão. Uma arte visual está relacionada com a beleza estética e com a criatividade do ser humano, capaz de criar manifestações ou obras agradáveis aos olhos. Nesse tópico será elucidada: a fotografia, a pintura e o desenho e artesanato. 
2.2.3.1 A fotografia
42
	A fotografia permite que se tenha um olhar reflexivo sobre o espaço que o cerca, podendo assim observar pequenas coisas dentro de uma globalidade. Caxias tem uma diversidade de profissionais que trabalham com fotos. Contudo, atualmente a fotografia em Caxias, está muito bem representada por David Sousa e Gennerson Luiz de Sousa Santos Cunha que desenvolvem projetos de grande abrangência social através dessa modalidade de arte visual. 						Numa entrevista feita com David Sousa no dia 30 de abril de 2019, às 06h00
da manhã, o mesmo foi questionado acerca da valorização da fotografia pela Secretaria Municipal de Cultura:
“Nunca recebi nada da Prefeitura, todo o meu trabalho foi realizado às minhas custas ou de parceiros da rede privada”. No fui pedir auxílio público, pois vejo a dificuldade de outros artistas da cidade, isso me inibiu... talvez, tenha sido um erro que cometi...”
	David já está na 9ª exposição de fotografia e nenhuma delas ele teve apoio público, sempre foi privado. Ele participou do concurso fotográfico “Fotografa Caxias”, na qual foi um dos jurados. Em suas palavras:
“Esse concurso, pioneiro em Caxias, foi de grande importância para a cidade pois estimulou as pessoas a revelarem seu potencial na arte da fotografia. Para mim, uma enorme honraria, ter sido o escolhido para ser o curador do “Fotografa Caxias” e também dirigir a Comissão Julgadora. Nesses últimos dias, recebemos tanto reconhecimento pela iniciativa, que acredito que o objetivo central do concurso tenha sido atingido: tocar o coração do caxiense.
		
	No contexto, David desenvolve um papel fundamental social cultural através da fotografia; Haja vista, são projetos que ressaltam o folclore da cidade, a educação ambiental, a valorização da mulher na sociedade caxiense e seu trabalho entre outros. Como pode ser observado um de seus trabalhos que retrata a dança do Lili,na figura 12. 
.
Figura 12. (fonte cedida por David Sousa fotografia)
43
	Importante destacar que, David Sousa contribuiu com o projeto desenvolvido na UIM Deborah Pereira (escola do Munícipio de Caxias-MA) que aborda a Poesia & Fotografia, em agosto de 2018 onde ensinou um pouco sobre a fotografia aos alunos. Os alunos que participaram do projeto fotografaram o bairro onde residem e, a partir das imagens, teceram poesia que fez parte de uma exposição na escola, conforme figura 13. 
Figura 13. (fonte cedida por David Sousa fotografia)
Ademais, Gennerson Luiz de Sousa Santos Cunha, que atualmente tem 26 (vinte e seis anos), atua na fotografia há 2 anos e meio. É idealizador dos projetos “Bichos na lente” e “Exalte sua negritude”. Acerca da importância da fotografia como forma de construção social, numa entrevista realizada no dia 10 de maio de 2019, às 21:43, Gennerson Luiz fala que:
“A minha motivação em fotografar, nasceu a partir das paisagens que eu observava. Sempre fui um admirador de paisagens. Daí, por incentivo de algumas pessoas, comecei a fazer ensaios fotográficos ainda com câmera de celular e depois, comprei Cannon pequeninha semiprofissional. Depois, comecei a pesquisar nomes que hoje é minha marca registrada, o “Improvisa no Click”. Com a demanda de trabalhos, juntei um dinheiro pra comprar uma câmera profissional. Logo, pensei na idealização de projetos através da fotografia que são o “Exalte sua Negritude” e “Bichos na lente”
	Para Gennerson também fala que a fotografia é importante para a cultura de um povo, em suas palavras:
“A fotografia é um grande instrumento não só para o marketing, mas para a disseminação de valores que estão esquecidos como: a igualdade, equidade e também a perspectiva da valorização da autoestima de uma pessoa que é fotografada. Quando a gente fotografa, estamos captando uma emoção”.
44
	Como já exposto, Gennerson tem dois projetos, “Bichos na lente”, “Exalte sua negritude” conforme é possível observar nas figuras 14 e 15. Quando perguntado acerca do objetivo desses projetos, ele diz:
“O “Exalte sua negritude”, é pra combater o racismo; valorizando os traços étnicos e raciais, aqui na cidade de Caxias”. Com objetivo de valorizar a etnia/raça negra e a não ridicularização de estereótipos; como por exemplo, muitos acham que o cabelo crespo é sinal de descuido da beleza, mas não, é um traço que é pra ser valorizado, o empoderamento da beleza negra. “O bichos na lente” tem por objetivo, a valorização da fauna de Caxias. 
 
 						Figura 14. (fonte cedida por Improvisa no Click)
 
 Figura 15. (fonte cedida por Improvisa no Click)
45
Para a cidade de Caxias, a fotografia torna-se fundamental, pois esta não tem apenas a função de um registro, tornou-se um meio de comunicação – a história é
contada através da fotografia. Vê-se que, pela fotografia, cabe destacar o pioneiro em na cidade, Sinésio Santos da Silva (in memorian), através de seu valioso trabalho, a população caxiense pode observar a evolução histórica de Caxias; suas lentes retratam os antigos casarões, as praças históricas e as igrejas em seu rico valorarquitetônicas, foto histórica através de suas lentes é a de Alderico Silva em foto de 1963 com João do Vale e Luiz Gonzaga, conforme figura 16.		
 			Figura 16. (fonte cedida por Wybson Carvalho) 
 	
Em 09 de junho de 2018 aconteceu a exposição Exposição “Sinésio Santos: A Cidade e os Olhos” Parte do acervo de imagens do fotógrafo Sinésio Santos é aberto ao público em Caxias, na programação comemorativa dos 50 anos de fundação da UEMA. 										Dessa forma, a fotografia reconstrói e define a história da evolução do próprio indivíduo, conservando os acontecimentos do seu passado, tornando-a uma forma de armazenamento de informações, onde podemos obter acessos a elas a qualquer momento. Esse instrumento tão precioso que é a fotografia pode trazer lembranças de a vida e história de um povo. Distinguindo cada ser humano através de suas recordações vividas. Fazendo com que cada individuo possa limitar sua própria busca, perante as informações mais significativas do cotidiano em que vive. 
46
2.2.3.2 Pintura, desenho e artesanato
	A priori, quando se fala em pintura, desenho e artesanato é de suma importância destacar o rico trabalho de Josias Ramos de Freitas Neto, artisticamente chamado de “hippie”. Numa entrevista feita em 29 de março de 2019, às 18:30, Josias diz que começou cedo, aos 12 (doze) anos já demonstrava que queria trabalhar com arte. Atualmente com 33 anos (trinta e três) anos de idade, o “multiartista” trabalha com pintura, pirografia, tatuagem, escultura, crochê, entre outros. Veja-se as figuras 17, 18, 19 e 20 respectivamente.
 	
 Figura 17. (Fonte cedida por Josias Ramos)
 Figura 18. (fonte cedida por Josias Ramos)
47
Figura. 19. (fonte cedida por Josias Ramos)
Figura 20. (fonte cedida por Josias Ramos)
48
Figura 21. (fonte cedida por Josias Ramos) 
	Acerca da importância da cultura pra vida de um indivíduo, Josias Ramos diz:
“A arte me salvou. Sou o que sou hoje, graças a Deus e pela arte. Não é a toa que eu posto em minhas redes sociais todos dias que a “arte cura”. E cura mesmo, se você souber der um pincel pra uma criança, ela vai colocar ali tudo à sua volta, ela vai se soltar... Eu por exemplo, tenho quatro filhos, e ensino eles a ter gosto pela arte, a fazer desenhos autorais e colocar pra fora tudo que tá na mente. A cultura em si, tira pessoas da zona de violência, faz você ter responsabilidade, te apresenta pessoas boas, te faz ser alguém. Infelizmente em Caxias, os artistas não tem um espaço de digno pra expor seus trabalhos. No último evento que aconteceu no centro de cultura, teve uma certa negligência por parte dos organizadores... Choveu, e não tinha sequer uma cobertura digna pra poder expor. 
	Cabe ressaltar que, em Caxias, também pode-se encontrar os desenhos de Stheffanny Letícia dos Santos Marinho, atualmente com 17 anos. Sua linguagem artística é o realismo, conforme figura 22. O Realismo é um movimento artístico voltado para a representação da realidade vivida pela sociedade, muitas vezes através de críticas a temas sociais, de forma simples. Importante ressaltar que Steffany, também tatuadora. 						Acerca de quando começou seu desejo pela arte em uma entrevista realizada no dia 5 de maio de 2019 às 16:03, Stheffany relata:
49
“Eu comecei a me interessar por arte muito nova, desde os meu 10 a 11 anos, eu costumava ser muito apaixonada por tatuagem. Eu amo a história
da tatuagem, a pessoa leva a minha arte no corpo e ainda conta a história dela ali. A fazer desenhos no papel, eu comecei com meus 14 ( quatorze) anos. Comecei com uns rabiscos... Quando fui ver, depois já estava fazendo realismo. Teve um tempo que eu desanimei, pois não tive e nem tenho apoio por parte da minha família. Meus amigos sempre me apoiaram e hoje, quando penso em desistir, olho para meus desenhos, minhas tatuagens e sigo em frente. A cultura, ela salva; Por exemplo, você desenhar uma pessoa que se vê com uma baixa auto estima, e mostra pra ela um desenho dela e vê o tanto de potencial que ela tem, isso valoriza não só ela, mas você também. 
 
Figura 22. (fonte cedida por Stheffanny Marinho)
	Salienta-se que para valorizar a arte em Caxias, será realizada a primeira feira de Arte entre 14 a 17 de maio, conforme figura 23. Com o objetivo de expor trabalhos de alguns artistas caxienses, cabe ressaltar que é um projeto que não recebe recursos da Secretaria Municipal de Caxias. 
Figura 23. (fonte cedida por Josias Ramos)
50
Nesse contexto, todos os artistas citados acima: David Sousa, Gennerson Santos, Josias Ramos e Stheffanny Marinho participarão do evento, conforme figura 24. 
 
 Figura 24. (fonte cedida por Josias Ramos)
	Todos os entrevistados, disseram que falta um “incentivo” cultural para os artistas caxienses e eles veem que arte é fundamental para a sociedade. O objetivo da realização da primeira feira de arte é justamente mostrar pra crianças, jovens, adultos e idosos a influência positiva que a cultura tem para a construção de valores de todas as sociedades.
2.2.5 Tradições religiosas
	As sociedades estabelecem ritmos em suas vidas que vão variando entre trabalhos e festas, rotinas e ritos, ocasiões comuns e períodos extraordinários. Exprimem suas crenças e cultos variados na convivência com as pessoas, falando com os encantados e intercalando o trabalho com festas, rituais e comemorações. Importante destacar que, a cidade de Caxias tem raízes e povos da África que chegaram ao Maranhão na segunda metade do século XVIII. 
51
2.2.5.1 A procissão do Fogaréu 		
	A Constituição Federal, no artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.		A Procissão do Fogaréu, é um espetáculo que representa a perseguição e prisão de Nosso Senhor Jesus Cristo no horto das Oliveiras. Foi trazida para o Brasil em 1745, pelo Padre espanhol João Perestelo de Vanconcelos Espíndolana Cidadede Goiás - antiga capital de Goiás. De lá até os dias atuais, dezenas de cidades brasileiras realizam o evento, cada uma com suas peculiaridades. 		As mais As mais famosas do país, estão localizadas em lugares distintos, tais como: Cidade de Goiás (GO), Paraty (RJ), Cidade de Caxias (MA), Oeiras (PI), Serrinha (BA) e São Cristovão (SE).								Em Caxias, além da procissão passar pelas ruas com iluminação pública apagada, e somente iluminada por tochas, é possível assistir a um espetáculo teatral de aproximadamente duas horas, antes do cortejo pelo centro histórico, com focos da vida de Jesus Cristo. Alguns prédios antigos tombados pelo patrimônio histórico estadual, são aproveitados como cenários durante a passagem dos fiéis. A Inclusão do fogaréu no calendário cultural do Estado do Maranhão e a participação ativa da igreja católica, também, é um dos pontos positivos para o evento.		Numa entrevista feita com o idealizador da Procissão do Fogaréu, no dia 09 de abril de 2019, às 17:26, Sandro Leonardo Aguiar Bastos, mais conhecido como Léo Barata, o que motivou-o a criar a manifestação artística, ele cita:
“A Procissão do Fogaréu de Caxias, foi idealizado por jovens da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, especificadamente da comunidade de Nossa Senhora da Assunção do Bairro Nova Caxias, com o objetivo de dramatizar a perseguição, prisão e flagelação de Jesus Cristo, tendo início a meia noite da quinta-feira santa de 2004, saindo do adro da Catedral de Nossa Senhora dos Remédios, no centro histórico em direção a Igreja de Nossa Senhora das Graças do conjunto COHAB, perfazendo um total de 5 quilômetros de caminhada. “A cerimônia começou tímida, havendo até uma resistência por parte da sociedade e alguns líderes da igreja que não compreenderam a figura do Farricoco, comparando-os erroneamente coma ku-klux-klan . O primeiro evento resumiu-se aos 80 personagens e setemembros da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, dentre eles o pároco Gian LuiggiZufellato, o Padre Jan. Animados com a repercussão da primeira cerimônia na mídia televisiva local, o grupo de jovens decide instituir em 2005 um drama teatral mostrando focos da vida de Jesus, no próprio adro da Catedral, antes da saída da procissão, o que transformou o local num verdadeiro espetáculo de emoção e fé. 
52
Em 2007 o grupo fundou a Organização Caxiense de Artes e Tradições - OCAT, para ser a mantenedora da cerimônia, mas continuando tendo o apoio da Paróquia de origem, bem como da Diocese de Caxias. A partir daí, a procissão do fogaréu foi incluída para o calendário cultural e turístico do Estado do Maranhão.
O Fogaréu de Caxias se estabelece como diferencial, pela forma como é organizado, contendo um organograma com diversas equipes, chegando a soma de 200 pessoas envolvidas e empenhadas a criar e por em prática a cada ano de forma inovadora a maior história já contada de todos os tempos. Um espetáculo sacro é realizado com duração duas horas com focos da vida de Jesus, contemplando do seu nascimento a traição de Judas. Após o desfecho da trama, dar-se início o cortejo, que traz riquezas de detalhes nas indumentárias dos farricocos e carpideiras; com trilhas sonoras emocionantes, que transportam os espectadores a rememorar uma verdadeira caça nas ruas do centro histórico da cidade, conforme figura 25.
 	 Figura 25. (fonte cedida por David Sousa fotografia)
	Dessa forma, o evento acontece a céu aberto, sem restrição de público, sendo a entrada franca, pois o espetáculo inicia-se no adro da Catedral de Nossa Senhora dos Remédios na Praça Magalhães de Almeida - centro histórico, importante destacar que a manifestação cultural, tem o próprio site, conforme figura 26. Léo, cita que uma das finalidades procissão do fogaréu é:
53
“Levar através da dramaturgia, de uma forma dinâmica, emocionante e compreensiva a maior história de amor da humanidade.” Em Caxias, o Fogaréu pode ser assistido pelos dois gêneros, pois segundo a diretoria da
OCAT, não é intenção do grupo levar em consideração a tradição ao pé da letra, mas sim, a participação do público, independente da religião, raça, cor e orientação sexual. Essas adaptações foram necessárias na cerimônia para que a mesma possa atrair um maior público, pois entende-se que todo mundo é filho do seu tempo.”
 
Figura 26. (fonte cedida por Léo Barata)
Dada a importância da Procissão do Fogaréu, está tramitando na ALEMA- Assembleia Legislativa do Maranhão um projeto de lei do deputado Adelmo Soares (Solidariedade), que propõe o reconhecimento do espetáculo caxiense como Patrimônio Cultural e Imaterial do Maranhão.
2.2.4.2 Cidade Sacra
54
O espetáculo Cidade Sacra é uma ação artístico-cultural, no gênero do teatro, apresentado por um elenco constituído de atrizes e de atores caxienses que traz na linguagem cênica os atos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.	Artisticamente, no campo cultural, o evento é uma ação do Governo Municipal, promovida pela Secretaria de Cultura, Patrimônio Histórico, Esporte,
Turismo e Juventude e difundida em apresentações a céu aberto para o público em geral, em frente ao Centro de Cultura de Caxias-MA. 
 
 Figura 27. (fonte do autor)
 
 Gráfico 1. (fonte: IBGE, 2010)
55
	No tocante à religião, conforme dados do IBGE (2017), conforme gráfico 1. Caxias-MA conta com uma população católica apostólica romana de 130. 021(cento e trinta mil e vinte e um) devotos. Adeptos à religião evangélica, 19.799 (dezenove mil setecentos e noventa e nove) e Espíritas, 275 (duzentos e setenta e cinco). 
2.2.1 A música genuinamente caxiense
	A música é uma forma de arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, seguindo uma pré-organização ao longo do tempo. É considerada por como uma prática cultural e humana. Música e sociedade sempre estiveram intimamente conectados. A música reflete e cria condições sociais, incluindo os fatores que facilitam ou impedem uma mudança social. Nesse viés, a música em Caxias-MA, destaca-se com Naum Esteves e Banda Casino Quebec.		Naum Esteves é maranhense, nascido em Caxias, músico, cantor e compositor, membro da Academia Sertaneja de Letras Educação e Arte. Com uma rara visão poética, ama sua terra e fala com todas as letras em seus versos e canções o que todo nordestino fala apenas em seus sentimentos. Discografia: Acima das Nuvens; Retrato do Sertão; Acústico; Só as Melhores - Vol 1; Deus tem o melhor pra Mim; Firme na Fé; O Recado; Sacrifício; Servo; verso e Canção; Você é Vencedor. O cantor Naum Esteves, escreveu duas das canções para Caxias: Tributo à Caxias e amor pra mais 200 anos como se pode ler respectivamente.
TRIBUTO À CAXIAS – Naum Esteves
“Minha terra tem palmeiras onde tem palmeiras onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá; nesse canto que eu canto, canto com alegria. Canto pra você princesa, canto pra você, Caxias.	
Minha terra, minha cidade, você mora em meu coração 
Por onde for, vou cantar você, Princesinha do Maranhão. 
As tuas praças, teu casarões, misturam passado e presente que fascinam, encantam a gente. 
As tuas fontes, tem aguas que são cristalinas
Veneza beleza plena, 	
Caxias, minha menina.
Teus morros, tuas matas, teus bichos,	 teu céu de beleza sem par.
As tuas palmeiras tão lindas, onde canta o sabiá,
Transmitem a tua beleza, o teu encanto e magia.
Pra você, eu canto princesa.
Pra você, o meu canto, Caxias.
“Minha terra tem palmeiras onde tem palmeiras onde canta o sabiá.As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá; nesse canto que eu canto, canto com alegria. Canto pra você princesa, canto pra você, Caxias.(4x)
(Letra cedida por Naum Esteves)
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AMOR PRA MAIS 200 ANOS – Naum Esteves
“É amor pra mais 200 anos, é amor.
É paixão, é alegria é muito por Caxias. (2X)
Só quem conhece, é quem mora aqui
Sabe como é 	
Esse amor que pulsa forte em nós,
Seja homem, menino ou mulher.
Caxias dos seus casarões, dos sobrados, dos poetas,
Do bumba boi, da quadrilha, do povo fazendo festa.
Caxias de tantas histórias, de tantas glórias é assim. 
Caxias do Itapecuru, do morro do Alecrim. 
Caxias de tantas riquezas, de beleza natural,
Da Veneza, água cristalina.
Do sino da catedral.
Caxias, de gente de fé
De coragem e devoção.
Caxias eu te amo tanto.
Pra você, meu coração. 	
É amor pra mais 200 anos, é amor.
É paixão, é alegria é muito por Caxias. (2X)” 
(Letra cedida por Naum Esteves)
	
Em entrevista cedida, no dia 06 de abril, às 06:33, Naum diz que:
“Caxias é uma cidade famosa pelas personalidades ilustres que ja produziu na arte, na literatura e em outras áreas importantes para o seu crescimento.
Na politica, uma família tem se destacado por sua contribuição com o desenvolvimento de nossa cidade. Uma família com o dom de servir. uma família que, com visão e trabalho dignifica nossa cidade. Uma família que carrega em si a grandeza da boa política e que é tão digna como a própria cidade que representa. Uma família com uma biografia digna dos grandes heróis que se doaram pela construção de uma cidade. Uma família que, por se doar em prol do povo caxiense, recebe desse povo o carinho e o amor dispensado em cada pleito através de votos sinceros que provam que é possível sim fazer parte da banda boa da política da cidade de Caxias. Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem através da cultura, da música. 
Como citado, a Banda Casino Quebec, é referência musical na cidade Caxias-MA, em entrevista com a produtora da banda, dia 04 de abril de 20189, às 22:13, Jaqueline Mesquita, ela fala da importância da música autoral, da valorização dos artistas da cidade, em suas palavras:
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“Eu defendo sempre o que é autoral e independente seja em qualquer área artística , então quando eu penso em algum projeto sempre parteda valorização do trabalho dos artistas. Eu venho do teatro mas hoje em dia eu trabalho mais com a musica. Quando eu criei a Sociedade do Rock, foi justamente para reavivar o cenário e como resultado positivo tivemos o surgimento de varias bandas, o projeto encerrou mas o objetivo foi cumprido. Os eventos vem para tornar realidade os sonhos dos grupos que querer mostrar seu trabalho, eu organizo com a ajuda dos parceiros e coloco pra tocar justamente quem precisa de mais visualização, isso me ajudou também na divulgação da CasinoQuebec... Eu tinha parado com a produção devido problemas pessoais e o fluxo maior na secretaria mas
agora irei voltar, com uma versão 2.0 da Sociedade que agora não será mais do Rock e sim de tudo que é autoral e independente.” 
	A respeito da valorização da cultura, Jaqueline Mesquita diz:
“Quanto ao que é preciso para melhorar essa valorização da cultura, se da a muitos fatos, um deles é um espaço, muitas vezes a ausência do espaço impede a produção, se houvesse a reforma no teatro do Centro de Cultura a cidade ganharia mais vida, voltaria os festivais e mostras de todas as áreas, pois talento não falta no povo caxiense. Outra coisa é os artistas “saírem de toca”, eu me considero uma caçadora de talentos, e quando eu detecto um eu faço questão de mostrar ao mundo, mas ainda tem muita gente que não se mostra e por vezes perdem oportunidades.”
	O primeiro álbum da banda Casino Quebec chama-se “L.I.M.I.A.R.”, e cada história da música é como se acontecesse no universo do limiar (o início da banda). O segundo álbum é um EP, (músicas com uma música de pelo menos 10 minutos de duração e um tempo de execução total de 30 minutos ou menos) no qual tem a música “Jaguar”, que é a música de trabalho da banda. 					A banda Cassino Quebec, trabalha independente; possui alguns programas na plataforma do YouTube como o “Café e Canção”, conforme figura 28. Que encerrou dia 06 de abril de 2019, que tinha por objetivo mostrar uma música autoral da banda, uma vez por semana. O estilo musical da banda Casino Quebec, é o rock. 
 Figura 28 (print feito pelo autor)
	
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	A banda Casino Quebec, possui um grande acervo de música autoral. Os integrantes da banda são: Isaac Sousa, Guitarrista, compositor e vocalista; Felipe Bittencourt, baixista; Ary Klebert, baterista e Como pode ser observado na imagem 29. 
 Figura 29. (Fonte: página oficial do instagram da banda)
	É importante ressaltar que, Jaqueline é a criadora da “Feirinha da Gente”, projeto que acontece todos domingos, e um dos principais objetivos é integrar a sociedade através da cultura.									Com base no que foi elucidado, a cultura é um mecanismo cumulativo, que é passada de geração para geração, de modo que a cultura transforma de acordo com as novas gerações, como a invenção ou introdução de novos conceitos a partir de outras culturas, ou também de descobertas, que é um tipo de mudança no qual é originado pela revelação de algo desconhecido pela própria sociedade e que ela decide adotar.											Por fim, Caxias é a cidade mais importante do Maranhão (uma das) referenciada como centro econômico, cultural e político. Sua arquitetura herdada do século XIX e início do século XX no estilo português se misturam harmoniosamente com o moderno da cidade, podendo assim conservar boa parte de seu patrimônio histórico para as futuras gerações. Com forte potencial na cultura e na literatura organiza diversas feiras e manifestações artístico-culturais através da Academia Caxiense de Letras (ACL), que reúne nomes de artistas e escritores locais divulgando-os por toda a região.
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3 ANÁLISE DA MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO FORMA DE CONSTRUÇÃO DE VALORES MORAIS E ÉTICOS
	Nesse capítulo será elucidado acerca da construção de valores morais e éticos e sua importância para a sociedade. Nesse contexto, será explanado sobre a influência da cultura na formação do cidadão. Ademais, será dilucidado exiguamente acerca da imprescindibilidade das Leis de Incentivo para a cultura. Por fim, será dissertado a respeito da cultura caxiense e sua influência para a construção de valores morais e éticos.
3.1 A construção de valores morais e éticos e sua importância para a sociedade
	 Mais do que nunca, a sociedade está num clamor ético. Ao resgatar a ética para a vida, o que se deseja ou se busca é viver melhor. O mundo apresenta facilidades e uma propensão à materialidade. 							A ética tem sua base em uma compreensão de mundo e pessoa. Só é possível pensar em ética se os indivíduos compreenderem o mundo do qual vivem quem é o ser humano nesse contexto. Na concepção de Rollo May:
Transcender o momento imediato, recordar o passado e planejar o futuro e assim escolher o maior bem, que só ocorrerá mais tarde, de preferência a um bem menor e imediato. É igualmente capaz de sentir as necessidades e os desejos alheios, imaginar-se no lugar do outro e assim fazer suas opções com vistas ao bem de seus semelhantes, e ao seu próprio. Este é o começo da capacidade, por mais rudimentar e imperfeita que se apresenta na maioria, do “ame teu semelhante” e da consciência do relacionamento entre seus atos e o bem-estar da comunidade. (MAY, 2004, p.146)
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	Dessa forma, existe a capacidade de cada criança, jovem e adulto de descobrir que há mundo dentro de cada um, que necessita ser desvendado. Só não consegue optar por ver esse mundo quem está aprisionado em seu próprio. Nesse contexto, a construção de valores morais e éticos, começa na infância. 			A moral e a ética fazem parte da conduta humana constantemente no que diz respeito ao viver bem. Desde os tempos mais primitivos até os dias atuais, há mudanças na concepção de mundo e de pessoa, que é influenciada pelo modo de viver de cada povo, sedimentado uma nova cultura. 						 Esses dois conceitos acima citados, são utilizados de forma indistinta. Sem dúvida, um significado específico para os dois termos, embora, na sua origem, tenham um mesmo significado.			
Nos primeiros anos do curso de Direito, aprende-se que “moral vem do latim mos ou mores, ‘costumes’, no sentido de conjunto de normas e regras adquiridas por hábito”. Nesse contexto, Paulo Nader expõe amplamente sobre as relações entre o direito e a moral em seu livro Introdução ao Estudo do Direito:
Direito e Moral são instrumentos de controle social que não se excluem, antes, se completam e mutuamente se influenciam. Embora cada qual tenha seu objetivo próprio, é indispensável que a análise cuidadosa do assunto mostre a ação conjunta desses processos, evitando-se colocar um abismo entre o Direito e a Moral. Seria um grave erro, portanto, pretender-se a separação ou o isolamento de ambos, como se fossem sistemas absolutamente autônomos, sem qualquer comunicação, estranhos entre si. (NADER, 2014, p. 63) 
	No tocante, a moral se relaciona com a conduta real do ser humano no contexto de mundo. Todos possuem uma moral, pois todos praticam ações que podem ser examinadas eticamente. A moral se apoia naquilo que a comunidade concebe como valor. Ela acontece de forma espontânea, voluntária, por que representa um valor para o indivíduo e para a comunidade que ele representa, conforme cita Vázquez (2017, p. 14). 								Cabe ressaltar que a teoria dos círculos concêntricos de Jeremy Bentham (1748-1832), jurisconsulto e filósofo inglês, concebeu a relação entre o Direito e a Moral, recorrendo à figura geométrica dos círculos. A ordem jurídica estaria incluída totalmente no campo da Moral. Os dois círculos seriam concêntricos, com o maior pertencendo à Moral. Desta teoria, infere-se: a) o campo da Moral é mais amplo do que o do Direito; b) o Direito se subordina à Moral. As correntes tomistas e neotomistas, que condicionam a validade das leis à sua adaptação aos valores morais, seguem esta linha de pensamento, conforme cita Paulo Nader. Dessa forma:
MORALDIREITO
	(NADER, 2014, p.66)
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 Existe também a teoria dos círculos secantes de Du Pasquier, que cita que a representação geométricada relação entre os dois sistemas não seria a dos círculos concêntricos, mas a dos círculos secantes. Assim, Direito e Moral possuiriam uma faixa de competência comum e, ao mesmo tempo, uma área particular independente. 
MORAL
	DIREITO
	
	
	(NADER, 2014, p.68)
	Hans Kelsen concebeu os dois sistemas como esferas independentes; a norma é o único elemento essencial ao Direito, cuja validade não depende de conteúdos morais. 
 MORAL
DIREITO
(NADER, 2014,p.70)
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	Cabe salientar ainda, a ética e a moral, são regras de trato social elaboradas pela sociedade visando tornar o ambiente social mais ameno. Engloba-se assim atos de cortesia, etiqueta, protocolo, moda, cavalheirismo e pontualidade.
	Dessa forma, a moral auxilia e regula as relações entre as pessoas. Postula-se assim, uma “conduta obrigatória”. Além disso, a moral garante uma coesão social num período histórico, podendo variar de uma época para outra ou de uma sociedade para outra. 										A ética surgiu dentro da filosofia. Como a filosofia se preocupa em saber o porquê de todas as coisas, a ética tornou-se um objeto de reflexão sobre a conduta humana. De acordo com Leonardo Boff:
A ética é parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, estatui princípios e valores, orientam pessoas e sociedades. (BOFF, 2010, p.38)
	Nesse contexto, a ética volta-se para as ações conscientes, livres e responsáveis do ser humano, sendo essas condições fundamentais do ato moral. A ética, portanto, nasce da necessidade de se fazer o bem. 					Nos dias atuais, nunca se falou tanto em valorizar a conduta ética e moral. A condição social dos humanos demanda a formulação de princípios e padrões de conduta como elementos norteadores da convivência social, pautados em valores éticos que devem ser sustentadores das relações sociais dos indivíduos, nas atitudes de respeito, de solidariedade, de tolerância, de justiça e de busca constante pela igualdade. 										
3.2 A influência da cultura na formação do cidadão 
Por ser um agente forte de identificação pessoal e social, a cultura de um povo se caracteriza como um modelo comportamental, integrando segmentos sociais e gerações à medida que o indivíduo se realiza como pessoa e expande suas potencialidades.										Mais do que uma característica essencial de uma sociedade, a cultura pode ser considerada como o elemento principal que difere uma nação de outra. Os costumes, a música, a arte e, principalmente, o modo de pensar e agir, fazem parte da cultura de um povo e devem ser preservados para que nunca se perca a singularidade do coletivo em questão. 								Dessa forma, cada pessoa pertencente a uma determinada nação agrega valores culturais, os quais a levarão a fazer ou expressar-se de forma específica. Esse mecanismo de adaptação é um dos principais elementos da cultura, e torna-se ainda mais importante quando se alia ao fator cumulativo. 
63
De acordo com Córdula (2011, p. 49), a humanidade foi alicerçada pelo agrupamento social do ser humano, que gerou sua cultura ao longo do tempo e formou as sociedades existentes na atualidade, conforme figura 30:
 Figura 30. (fonte: Córdula, 2011,p.60)
	Para Albuquerque (2013, p. 14), a transmissão do conhecimento nas mais diversas sociedades, sejam elas primitivas/ancestrais ou evoluídas/modernas, se dá entre as gerações, dentro das famílias, reproduzindo os comportamentos dos sujeitos. Estes podem se manifestar de forma individual mesmo dentro de um grupo, em que cada um interage de forma única; nesse contexto, o conhecimento é produzido, reproduzido e armazenado – tanto de forma individual como coletiva.	Nessa perspectiva, ocorre a transmissão cultural, pela imitação do que é observado ou pela oralidade contada pelos que a possuem, ao longo do tempo, no território e pelas gerações. No tocante, Victor Manuel Toledo e Narciso Barrera-Bassols:
“As sociedades tradicionais albergam um repertório de conhecimento ecológico que geralmente é local, coletivo, diacrônico, sincrético, dinâmico e holístico” (TOLEDO; BARRERA-BASSOLS, 2009, p. 35). 
Portanto, algumas comunidades encerram ainda em si mesmas uma cultura própria e parecem, quando observadas sem contato íntimo, estar estagnadas no tempo, devido a uma aparente rusticidade peculiar, sendo conhecidas pela ciência e popularmente como artesanais e tradicionais de acordo com Antônio Carlos Santana Diegues, (2000, p.76).
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Toda cultura é a gênese do acúmulo espaço-temporal do conhecimento, das práticas e das crenças de uma população. Segundo Allan Johnson:
A cultura é o conjunto acumulado de símbolos, ideias e produtos materiais associados a um sistema social, seja ele uma sociedade inteira ou uma família. Juntamente com estrutura social, população e ecologia, constitui um dos principais elementos de todos os sistemas sociais e é conceito fundamental na definição da perspectiva sociológica. (JOHNSON, 1997, p. 59)
No tocante, a cultura se processa nas sociedades, representando cada etnia, hábito/costumes, crenças e a infinidade de características próprias e que diferenciam umas das outras conforme Figura 31. E está intimamente relacionada aos aspectos sociais e ambientais nos quais as sociedades estão imersas de acordo com Albuquerque, Cordúla e Nascimento (2014)
 Figura 31. (fonte: Córdula, 2011, p.61)
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Nessa ótica, a cultura pode estar permeada de conhecimentos repassados pela oralidade, que é também uma característica marcante de cada comunidade, por guardar expressões próprias e peculiares, além de nomes locais para plantas, animais, fenômenos etc, conforme Diegues (2000 p. 76).					Ademais, os mitos e ritos (festividades, rituais, simpatias, cânticos etc.) estão vinculados tanto à cultura e o folclore local como as crenças espirituais (energias de cura, de influência na vida cotidiana, orações, oferendas etc.), que podem ou não ter elementos miscigenados da cultura cristã e ligados ou não à sazonalidade dos
fenômenos naturais locais, como clima (estações do ano), estado do tempo no dia, as marés, a migração de animais ou agrupamentos provocados pelo período reprodutivo de algumas espécies, além das lendas, contos e causos gerados/modificados ao longo do tempo pelas gerações da comunidade. 		 Ademais, conforme Nunes (2010, p.8) a dimensão cultural é o reflexo das transformações que a sociedade passa, tornando-a cada vez mais rica em aprendizado, sem significar rica em sabedoria. As culturas evoluíram de maneira que a sociedade se desequilibrou no quesito desigualdade.					O acesso à cultura é indispensável para o crescimento do ser humano. Dessa forma, quanto mais políticas públicas forem criadas para que as comunidades mais carentes tenham acesso a arte, música e demais manifestações artísticas, maior será o resultado positivo destas ações.								A arte é uma das maneiras mais eficazes para manifestação de novas tendências e até mesmo para criar conceitos e inserir novas maneiras de abrir a percepção do ser, em relação ao mundo, a vida, ao amor e também as relações humanas. O mundo da cultura é amplo e ilimitado, através dele é possível chegar a lugares inimagináveis e alcançar objetivos abstratos. Dessa forma, o cinema, os livros, as exposições de artes visuais, através de fotografias, pinturas, desenhos e a música. 												De acordo com Salles (2014, p. 34), o ser humano é essencialmente cultural. Ele nasce, vive e morre imerso em uma determinada cultura, com seus modos de vida, língua, rituais, instituições, conhecimento e valores próprios. Por isso, ele vê o mundo a partir de sua própria cultura. 								Dessa forma, o acesso à cultura envolve vários aspectos: o acesso físico implica em melhor distribuição geográfica dos equipamentos culturais e o transporte fácil e seguro para que todos, da periferia, do centro, dos subúrbios, possam chegar facilmente e com segurança aos locais onde os eventos culturais acontecem. É de suma importância a sociedade tenha acesso à cultura. 
3.3 Uma exígua noção acerca da imprescindibilidadedas Leis de Incentivo à cultura	
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	As leis de incentivo à cultura existem no Brasil desde a década de 1990, mas ainda são pouco utilizadas pelos empresários, produtores e artistas por diversos motivos, sendo o principal, o desconhecimento de seus mecanismos e benefícios.
67
Como o próprio nome já diz, estas leis visam incentivar às empresas a patrocinarem projetos culturais, através de isenção fiscal. Há a Lei Federal, conhecida como Lei Rouanet, as Leis Estaduais e em apenas alguns municípios mineiros há a lei municipal de incentivo à cultura.									A Lei Rouanet (Lei n. 8.313/91), de autoria de Paulo Sérgio Rouanet, foi escrita na época do Governo Fernando Collor de Mello. Em suma, seu primeiro artigo institui o Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), com o objetivo de facilitar o acesso à cultura, estimular a produção cultural em todas as regiões do Brasil, valorizar as manifestações culturais, proteger as diversidades das expressões culturais de diferentes grupos da sociedade, preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural, histórico brasileiro, estimular a produção e difusão dos bens culturais e priorizar o produto cultural originário do país. 					As empresas que patrocinarem projetos culturais, previamente aprovados no Ministério da Cultura (MinC), terão o valor investido abatido do Imposto Renda devido. Atenção, apenas empresas tributadas com lucro real podem patrocinar projetos culturais, o que significa apenas 3% do total de empresas em todo o Brasil. Este é um grande limitador para as empresas brasileiras, que na grande maioria é tributada sobre o lucro deduzido.									O funcionamento da Lei Rouanet se constituídos seguintes passos: 1. Proponente cadastra seu projeto no Sistema Salic Web (atualmente, todo o processo de cadastro de projeto é realizado on-line); 2. Depois de analisado e aprovado o projeto, o proponente recebe uma Guia de Mecenato, em que dá o direito de captar recursos para a realização do projeto; 3. Com esta guia e o projeto, o proponente procura as empresas; 4. Quando uma empresa se interessar, ela patrocina o projeto. A empresa que patrocinar um projeto cultural incentivado pela Lei Rouanet poderá utilizar até 4% do seu imposto devido. Pessoa física também pode apoiar projetos culturais, com até 6% do seu imposto devido. Além da isenção fiscal, há outra grande vantagem, que é a divulgação da marca junto ao projeto. O ideal ao patrocinar projetos culturais, é que estes dialoguem diretamente com a campanha.												De acordo com Mariana Sayad (2013, p. 1), a maior problemática da Lei Rouanet atualmente é a forte centralização na região Sudeste do Brasil. Na área de artes cênicas (nas outras áreas de cultura e arte, o cenário não é muito diferente), em 2010, 70% dos projetos aprovados foram da região Sudeste, seguido da região
Sul, com 13,4%, Nordeste, 8,3%; Centro-oeste, 6,6% e, por último, a Norte com apenas 1,5% dos projetos aprovados pelo MinC. Em porcentuais de captação de recursos, mais uma vez as regiões Sul e Sudeste aparecem em destaque, na área de artes cênicas, as duas regiões somam mais de 90% do total de recursos captados. Para tentar minimizar estas diferenças, a lei já passou por diversas alterações e adequações. Em seu texto original há três mecanismos de apoio: Mecenato, FNC (Fundo Nacional de Cultura) e o Ficart (Fundos de Investimento Cultural e Artístico). Atualmente, apenas o Mecenato funciona. 				O FNC começou a ser utilizado nos últimos anos, mas de maneira muito tímida ainda. Ele foi pensado para projetos pequenos, que não conseguem captar recursos. A vantagem dele é que o proponente não precisa captar, a verba já sai direto do MinC. Esta foi uma das maneiras encontradas pelo Ministério de descentralizar os patrocínios da região Sudeste do país, conforme cita a autora supracitada.
3.4 A cultura caxiense e sua influência para a construção de valores morais e éticos
	A âmago cultural do Município de Caxias-MA, é narrado historicamente desde o nascimento do ilustre poeta Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), que tem em seu acervo bibliográfico, um dos maiores poemas brasileiros: “A canção do Exílio”, de 1843. Caxias também é terra de Raimundo Teixeira Mendes, que juntamente com Miguel Lemos, auxiliou na projeção da bandeira de 1889 (a atual bandeira) o desenho de Décio Vilares, foi inspirada na Bandeira do Império, desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret. Aprovada pelo Decreto nº 4, de novembro daquele ano, manteve a tradição das antigas cores nacionais - verde e amarelo - do seguinte modo: um losango amarelo em campo verde, tendo no meio a esfera celeste azul, atravessada por uma zona branca, em sentido oblíquo e descendente da direita para a esquerda, com os dizeres “Ordem e Progresso”. 				Atualmente, a Secretaria Municipal de Cultura, esporte, turismo e Juventude, está sediada no prédio Centro de Cultura José Sarney – o imponente prédio da antiga fábrica manufatora, construída no ano de 1889 por vultos notáveis da época como o industrial Francisco Dias Carneiro. Cravado na área central da cidade, o prédio de arquitetura neoclássica do fim do século XIX tem como destaque sua chaminé, sendo observada por quase toda a cidade. Conforme figura 32.
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 Figura 32. (fonte cedida por Eziquio Barros Neto)
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	Na segunda administração do prefeito Aluízio de Abreu Lobo (1978/1980), após reforma em 1980, foi entregue a população caxiense como ‘Centro de Cultura José Sarney’. Homenagem dada ao chefe político, Senador José Sarney, presidente da ARENA, o partido da Ditadura e padrinho político do prefeito Aluízio Lobo e do então governador do Estado, João Castelo. Era costume no período militar homenagear os cacifes que sustentavam o governo com nomes de prédios públicos, escolas, hospitais, etc. 										A cultura caxiense está baseada também na herança deixada pelos escravos e também pelos indígenas, pois a vila de Caxias era primitivamente um agregado de índios timbiras e gamelas. Com a chegada dos colonizadores internaram-se nas montanhas e florestas, abandonando suas primeiras habitações.				Ao que tange a cultura arquitetônica, a município de Caxias, segundo a historiadora caxiense Maria Miranda Claudete Dias, (2004, p. 32) possui um rico acervo arquitetônico que remonta à Belle Époque, com estilo predominantemente colonial e neoclássico. Conhecida como uma cidade histórica, em detrimento de sua grandiosa diversidade cultural e artística. Marcou a história do Maranhão e do Brasil com fatos memoráveis, que se concentraram na região central da cidade.		Como exposto, as Leis Nº 1.171/2008 (que criou o Conselho Municipal de Cultura de Caxias) e Lei nº 1.839/2009 que cria o fundo municipal de cultura de Caxias-FMCC, não estão de fato tendo uma finalidade social a qual é destinada.	
Em contra partida, a Secretaria de Cultura, dá apoio a algumas manifestações culturais: como é o caso da dança do Lili, Procissão do Fogaréu e Cidade Sacra. Contudo, ainda há certa carência ao que tange uma maior quantidade de pessoas ao acesso da cultura.										No tocante, com a implementação do mirante da balaiada, no dia 15 de abril de 2018, abriu-se uma nova visibilidade em comercialização do artesanato local, conforme figura 33. Cabe ressaltar ainda, que impreterivelmente acontece aos sábados a partir das 18:00 horas, o “Pintando o Sete”, projeto (gratuito) que é realizado pelos artesãos do quiosque do mirante da balaiada a fim de incentivar pintura para crianças a partir dos 2 anos de idade., conforme figura 34. 
 
 Figura 33. (fonte do autor)
	
 
Figura 34. (fonte do autor)
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Dessa forma, entende-se que, após dez anos de sancionada a Lei no Munícipio, vê-se um incentivo (meio raso), por parte da Prefeitura Municipal de Caxias e da Secretaria Municipal da Cidade. Uma das responsáveis pelo quiosque de artesanato da cidade, Dona Aparecida Costa, no dia 04 de maio de 2019, às 18:00, que já trabalha com artesanato há 30 anos disse:
O que está acontecendo na cidade é importante... A arteestá sendo vista como expressão que capacita o indivíduo a interpretar ideias através de diferentes linguagens e formas. O prefeito disponibilizou um espaço que a gente não paga aluguel, e ainda tem o projeto com as crianças, pra elas aprenderem a se expressarem através da arte. 
	Nota-se que a Secretaria de Cultura, deve possibilitar o acesso à cultura (com mais diversidade) para a sociedade caxiense, com manifestações culturais gratuitas como, por exemplo: a música, a dança, teatro e artes visuais. 				Foram entrevistadas 200 (duzentas) pessoas que participaram ou já participaram de manifestações culturais na cidade. As manifestações culturais são: a dança do Lili, Procissão do Fogaréu, Cidade Sacra, Literatura, Artes Visuais e Música. Conforme a tabela 4.
	Manifestações Culturais
	Frequência absoluta
	Frequência relativa
	
	
	
	Procissão do Fogaréu
	80
	0,4
	Dança do Lili
	37
	0,18
	Cidade Sacra
	37
	0,18
	Artes Visuais
	22
	0,11
	Literatura
	10
	0,05
	Música
	14
	0,07
	FT
	200
	 -
Tabela 4. Frequência absoluta e relativa dos entrevistados acerca da participação em manifestações culturais em Caxias-MA
	 A frequência absoluta é a quantidade de pessoas que participaram do questionário. A frequência relativa é o resultado obtido da divisão entre a frequência absoluta - o valor que é observado na população - e a quantidade de elementos da amostra. Para a porcentagem dessa pesquisa foi-se multiplicado por duzentos, e não por cem, como é mais comum nas pesquisas de estatística. 
71
	 
	Para a porcentagem do questionário, 180 (cento e oitenta) dos entrevistados disseram que a cultura influência na formação do cidadão e 20 (vinte) responderam que não. Acerca do questionamento se a cultura pode ajudar na construção de valores morais e éticos na sociedade, 160 (cento e sessenta) dos entrevistados responderam que sim, enquanto 40 (quarenta) deram resposta negativa. Quando questionados se a cidade de Caxias-MA precisa melhorar em termos de acesso à cultura para a sociedade, 140 (cento e quarenta) responderam que sim e 60 (sessenta), responderam que não. Por último, quando perguntados acerca manifestação cultural que você participa ou participou influenciou/influencia na formação social positivamente na vida de uma pessoa, 190 (cento e noventa) responderam que sim, e 10 (dez) responderam que não. Conforme o gráfico 2. 
 
 Gráfico 2. (feito pelo autor no Excel)
	Nesse ínterim, ressalta-se que os entrevistados de 200 (duzentos) entrevistados, 90% tiveram respostas positiva ao que tange a influência da cultura na sociedade em que esta é essencial para que o próprio indivíduo construa a sua individualidade e exerça seu papel na sociedade.
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 CONCLUSÕES 
Esse trabalho teve por objetivo elucidar acerca do Direito Fundamental à Cultura: A Manifestação cultural e sua influência na construção de valores morais e éticos na cidade de Caxias-Ma. 									Esse estudo baseou-se em uma estratégia metodológica em qualitativa de pesquisa, de caráter exploratório, por meio de uma pesquisa de campo. Para a bibliografia desse trabalho, menciona textos da Carta Magna vigente, doutrina e artigos da internet acerca do tema assinalado.							A cidade Caxias, é intitulada como: “A princesa do sertão maranhense”. O seu nome, não se atribui a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro. Ele, sim, recebeu o título Barão de Caxias, por ter sufocado a maior revolta social existente no Estado do Maranhão: a Balaiada. A cidade de Caxias foi palco da última batalha do movimento revoltoso. Posteriormente, já em terras do Rio de Janeiro, o Barão de Caxias fora condecorado, novamente, com o título de Duque de Caxias. Geralmente os portugueses davam às vilas um homônimo do Reino. Inicialmente, a grafia “Cachias” viera de Portugal, que se refere a uma Quinta Real que existia nos arredores de Lisboa, perto de Oeiras, outra quinta do Márquez de Pombal, que era também residência real.										As manifestações culturais que foram elucidadas são: A Dança do Lili; A literatura; Artes Visuais: A fotografia, pintura, desenho e artesanato; Tradições religiosas: A Procissão do Fogaréu e Cidade Sacra	e a música genuinamente caxiense. 
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Os entrevistados respectivamente foram: Raimundo Nonato da Silva, o Pelé; Wybson Carvalho; David Sousa, Gennerson Luiz, Josias Ramos e Stheffanny Marinho; Sandro Leonardo Aguiar Bastos e Secretaria Municipal de Cultura, na pessoa de Katia Braga; Naum Esteves e Jaqueline Mesquista.				Ao que refere ao primeiro capítulo, frisou-se acerca do conceito de “cultura” na Constituição Federal de 1988, breves considerações sobre a cultura nas Constituições Brasileiras, desde a noção de “cultivo da terra” à de “idoneidade moral”. Haja vista, a ideia de cultura percorreu todo o plexo histórico-normativo brasileiro associado às noções de família, ensino, status social, trabalho, bem, valor.
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Nesse viés, o estado da arte sobre as políticas culturais no Brasil ainda transita entre as ciências políticas e a sociologia. O historiador de culturas políticas e da sociedade contemporânea enfrenta as vulnerabilidades de trabalhar com temas ainda em construção.									Ademais, elucidou-se acerca do direito de acesso à cultura conforme as Leis Municipais (Caxias-MA) grifa-se: a Lei Nº 1.171/2008 e a Lei nº 1.839/2009 que cria o Fundo Municipal de Cultura de Caxias-FMCC.					Nessa perspectiva, Caxias é a cidade mais importante do Maranhão (uma das) referenciada como centro econômico, cultural e político. Apesar do seu forte potencial em exportar grandes artistas, em diversas áreas, atualmente a cultura está em fase de valorização na cidade. 								No último capítulo, analisou acerca da manifestação cultural como forma de construção de valores morais e éticos. Dessa forma, o que é corriqueiramente é nomeado de “certo e errado” é expressão dos valores morais. 				É instigante pensar que quase tudo que hoje é considerado “certo ou errado” em uma cultura pode ser diferente em outras. Andar com pouca roupa, gritar, dar gargalhadas, sexo antes do matrimônio, poligamia e tantos outros comportamentos são tratados de forma diferente dependendo da cultura.					A moral é formada pelo conjunto de hábitos e costumes de um determinado povo ou comunidade. Esses costumes têm relação com os diferentes fatores (econômicos, políticos, sociais, religiosos) que já abordamos neste texto. Um povo ou comunidade pode ter costumes que, em outros povos, podem parecer muito estranhos ou até serem proibidos. É fácil observar a diferença entre os brasileiros de modo geral e povos indígenas ou algumas culturas árabes e orientais.			No tocante, é de suma importância fazer a distinção entre lei, moral e ética. A lei é um costume, um hábito institucionalizado em uma sociedade. Ela é mais restrita que a moral, pois essa é composta também por outros costumes que não estão escritos na lei, como por exemplo, vários costumes sobre namoro, casamento, relações entre pais e filhos, alimentação e tipos de vestimentas característicos daquela localidade. 										A Ética inclui ainda a subjetividade da pessoa, pois não bastaria apenas obedecer aos costumes para ser ético, mas sim ter uma postura livre, consciente e responsável no assumir ou se contrapor ao que é a lei e a moral em uma comunidade. 
Algumas situações no Brasil pode-se observar comportamentos que estão dentro da lei, mas que podem ser objeto de avaliação ética. Por exemplo: senadores e deputados federais podem legislar sobre seus próprios salários e outras formas de receberem dinheiro do estado. Ao aprovarem leis que beneficiam a eles, muito acima do que é possível para o conjunto da sociedade, eles estão fazendo algo que é legal, pois a lei permite, mas certamente seu comportamento poderia ser considerado não ético.										Ao que tange a cultura caxiense e sua influência para a construção de valores morais e éticos, foram entrevistadas 200 (duzentas) pessoas que participaram ou já participaram de manifestações culturais na cidade de Caxias-MA. No tocante,90% das respostas deram-se de maneira positiva ao que tange a influência da cultura na sociedade em que esta é essencial para que o próprio indivíduo construa a sua individualidade e exerça seu papel na sociedade.						Por fim, a justificativa para esse trabalho monográfico está na perspectiva que a cultura influencia de maneira positiva na construção de valores éticos e morais de uma sociedade. Como objeto de estudo de pesquisa, a cidade de Caxias, necessita de mais investimento cultural por parte da Prefeitura Municipal em idealizar projetos culturais com a finalidade de transformação social.
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Entrevistas:
Aparecida Costa, 04 de maio de 2019, às 18:00 
David Sousa, 30 de abril de 2019, às 06h00.
Gennerson Luis, 10 de maio de 2019, às 21:43. 
Josias Ramos, 29 de março de 2019, às 18:30
Jaqueline Mesquista, 04 de abril de 2019, às 22:13.
Kátia Braga, 04 de abril de 2019, às 14 horas. 
Naum Esteves, 06 de abril, às 06:33.
Raimundo Nonato da Silva, 30 de março de 2019, às 19:37.
Sandro Leonardo Aguiar Bastos, 09 de abril, às 17:26.
Sthéffanny Marinho, 05 de maio de 2019, às 14:03.
Wybson Carvalho, 30 de abril de 2019, às 09h00. 
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APÊNDICES
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QUESTIONÁRIO Você está participando do questionário sobre:
O DIREITO FUNDAMENTAL À CULTURA: A MANIFESTAÇÃO CULTURAL COMO FORMA DE CONSTRUÇÃO DE VALORES NA CIDADE DE CAXIAS-MA.
1 - No seu ponto de vista, a cultura influência na formação do cidadão?
( )sim ( )não
2-A cultura pode ajudar na construção de valores morais e éticos na sociedade?
( )sim ( )não 
3-A cultura, ela está em constante evolução. No tocante, na cidade de Caxias-MA, você acha que precisa melhorar em termos de acesso à cultura para a sociedade?
( )sim ( )não 
4- A manifestação cultural que você participa ou participou influenciou/influencia na formação social positivamente na vida de uma pessoa?
( ) sim ( ) não 
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83
ROTEIRO DA PESQUISA – (ASSINATURAS CONCEDIDAS ) 
ANEXOS
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Digitalização da Lei Nª 1.717/2008 (frente)
85
Digitalização da Lei Nº 1.717/2008 (verso)
86
 Digitalização da Lei Nº 1.839/2009 página 1
87
88
 Digitalização da Lei Nº 1.839/2009 página 2
 Digitalização da Lei Nº 1.839/2009 página 3
 sim 	Perg.1	Perg.2	Perg. 3	Perg.4	180	160	140	190	não	Perg.1	Perg.2	Perg. 3	Perg.4	180	40	60	10

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