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Desconsideração da Personalidade Jurídica

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fiscal. Pelos elementos de 
prova trazidos aos autos, há fortes indícios que indicam a ocorrência de fato 
graves, quais sejam, falsificação de notas fiscais, sonegação de impostos e a 
prática, em tese, de crime fazendário. O § 1º do artigo 4º da Lei nº 8.397/92 
autoriza a extensão da indisponibilidade aos bens dos sócios administradores 
da empresa em débito, já que em última análise são eles que acabam tirando 
proveito econômico à custa do Erário Público. Os fatos narrados 
 
 
comportam a aplicação do disposto no artigo 50 do Código Civil de 2002, 
que prevê desconsideração da personalidade jurídica nas hipóteses de 
abuso por desvio de finalidade, confusão patrimonial ou fraudes entre 
empresas e administradores integrantes de grupo econômico, com 
estrutura meramente formal, ou, ainda, incidência do artigo 135, III, do 
CTN, especificamente, pela confusão patrimonial entre a empresa 
autuada, sócios e administradores, sobretudo em razão da dispersão do 
patrimônio social,-que obstou o regular adimplemento dos débitos 
tributários. (...) Ex positis, nego seguimento ao recurso (alínea c do inciso 
V do art. 13 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Havendo 
prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, seu 
valor monetário será majorado em 10% (dez por cento) em desfavor da parte 
recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, 
observado os limites dos §§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão 
de justiça gratuita. Publique-se. Brasília, 13 de maio de 2021. Ministro LUIZ 
FUX Presidente - Documento assinado digitalmente”. (STF - ARE: 1320278 
SP 0046538-83.2009.4.03.6182, Relator: LUIZ FUX, Data de Julgamento: 
13/05/2021, Data de Publicação: 17/05/2021) 
Existem também a desconsideração inversa da personalidade jurídica que objetiva o 
afastamento da autonomia patrimonial da sociedade empresária, com o fito desta responder 
pelas obrigações adquiridas pelos seus sócios-administradores, a qual encontra previsão no 
artigo 133, §2º, do CPC. Vejamos: 
“EXECUÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO INVERSA.EXECUÇÃO. 
DESCONSIDERAÇÃO INVERSA. É possível a penhora dos bens de 
empresa terceira, em processo em que o sócio é o reclamado”. (TRT-15 
- AGVPET: 62129 SP 062129/2011, Relator: FLAVIO ALLEGRETTI DE 
CAMPOS COOPER, Data de Publicação: 23/09/2011) 
“AGRAVO DE PETIÇÃO DA EXECUTADA. DESCONSIDERAÇÃO 
INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Cabível a 
desconsideração inversa da personalidade jurídica quando constatado 
que o sócio da empresa executada integra o quadro societário de outra 
empresa, a qual deve ser responsabilizada pela satisfação do débito 
processual apurado. Sentença mantida”. (TRT-4 - AP: 
00200062120175040026, Data de Julgamento: 20/03/2021, Seção 
Especializada em Execução) 
 
 
Cabe lembrar que o incidente pode ser instaurado em todas as fases do processo de 
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo 
extrajudicial (art. 13, caput, CPC), devendo, após a solicitação da desconsideração, ser aberto 
prazo de 15 (quinze) dias para que o sócio ou a pessoa jurídica apresente defesa para que seja 
cumprida a garantia fundamental do contraditório e ampla defesa. 
Conclui-se que o principal efeito da desconsideração da personalidade jurídica é 
imputar aos sócios ou administradores da empresa a responsabilidade pelos atos fraudulentos 
praticados em prejuízo de terceiros. Dessa forma, a indenização será assegurada não apenas 
pelos bens da pessoa jurídica, mas, também, pelo patrimônio social dos sócios ou 
administradores envolvidos. De igual sorte, ocorrendo a desconsideração inversa, a pessoa 
jurídica será responsabilidade por obrigações contraídas por seu sócio, de modo que o 
patrimônio daquela será utilizado para a reparação dos danos provocados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CAVICHIOLI, Ana Paula. A responsabilidade subsidiária dos sócios da empresa e a teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica. Disponível em: 
<https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/41400/a-responsabilidade-subsidiaria-
dos-socios-da-empresa-e-a-teoria-da-desconsideracao-da-personalidade-
juridica#:~:text=Refer%C3%AAncias.&text=O%20artigo%201.024%20do%20C%C3%B3digo,
da%20execu%C3%A7%C3%A3o%20dos%20bens%20sociais.>. Acesso em 16 de maio de 2021. 
 
COELHO, Fabio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 2006. 
 
FREITAS, Grace Kellen Corrêa. Direito Empresarial de Leve na Prática. 1ª ed. São Paulo: 
Editora Rideel, 2021. 
 
Vazquez, Juan; Guimarães, Márcio Souza. Direito Societário: Sociedade Limitada. Apostila 
on-line. Rio de Janeiro, Fundação Getulio Vargas – FGV. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/41400/a-responsabilidade-subsidiaria-dos-socios-da-empresa-e-a-teoria-da-desconsideracao-da-personalidade-juridica#:~:text=Refer%C3%AAncias.&text=O%20artigo%201.024%20do%20C%C3%B3digo,da%20execu%C3%A7%C3%A3o%20dos%20bens%20sociais
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https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/41400/a-responsabilidade-subsidiaria-dos-socios-da-empresa-e-a-teoria-da-desconsideracao-da-personalidade-juridica#:~:text=Refer%C3%AAncias.&text=O%20artigo%201.024%20do%20C%C3%B3digo,da%20execu%C3%A7%C3%A3o%20dos%20bens%20sociais