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ANATOMIA Membros Inferiores Os membros superiores são muito diferentes dos membros inferiores. Os membros superiores são especializados na manipulação de ferramentas e instrumentos, enquanto que os membros inferiores são especializados em: 1) Sustentação do peso corporal; 2) Manutenção do equilíbrio (estabilidade postural); e 3) Locomoção. Então, exatamente por isso, por ter essa especificidade, os membros inferiores são acometidos mais frequentemente por processos traumáticos e degenerativos, sendo os principais: artrose, que é a degeneração da articulação até chegar a perder totalmente o movimento; fraturas; luxações; subluxações, rompimento de ligamentos, entre outros. Para entender as patologias dos membros inferiores, é preciso conhecer bem a anatomia dessa região. Tanto a anatomia normal quanto a patológica. Quando você lesiona um nervo, que grupo muscular vai deixar de funcionar? Quais irão predominar? Que tipo de marcha o indivíduo vai adotar se ficar com sequela? Teremos as respostas para essas perguntas quando conhecermos bem a anatomia da região. Na imagem ao lado temos uma visão da camada superficial do membro inferior. Pele e gordura foram retiradas, deixando-se exposta a fáscia muscular da coxa, denominada fáscia lata. A fáscia lata envolve a musculatura e dá a delimitação entre estruturas superficiais e profundas. Então, sobre a fáscia lata, é possível visualizar os nervos cutâneos: nervo cutâneo lateral da coxa e o nervo cutâneo anterior da coxa. Esses nervos cutâneos são nervos superficiais e são responsáveis pela sensibilidade da pele. Eles vão dar: · 20 · Sensibilidade geral; · Exteroceptiva; · Dor; · Tato; · Temperatura; e · Pressão. Além de sensitivos, esses nervos cutâneos são nervos motores viscerais. Ou seja, eles têm fibras do SNA simpático que vão para os músculos eretores do pelo para eriçar os pelos; vão para as glândulas sebáceas; e vão pra musculatura lisa dos vasos cutâneos. Sobre a fáscia lata também conseguimos visualizar as veias cutâneas. A veia safena magna é uma veia superficial que desemboca numa veia profunda. Na região superomedial da coxa, existe uma abertura na fáscia lata denominada hiato safeno ou fossa oval que vai dar passagem à veia safena magna, permitindo que ela desemboque na veia femoral, que é uma veia profunda. Essas estruturas citadas anteriormente (nervos e vasos cutâneos) são estruturas superficiais. Na imagem se seguir você vê o plexo nervoso que vai dar inervação de todo membro inferior, que é o plexo lombossacral ou plexo sacrolombar. A parte superior do plexo é lombar, enquanto que a parte inferior é sacral. O plexo lombossacral vai dar toda a inervação do membro inferior. Ele é um plexo formado pelos nervos espinhais que vão desde o L1 até S4. O S5 já não participa. Esse plexo lombossacral vai dar como nervos terminais mais importantes: · Nervo femoral Inerva a musculatura anterior da coxa. · Nervo obturatório Passa pelo forame obturatório e vai inervar o grupo medial dos músculos da coxa, que são músculos adutores; · Nervo isquiático Inerva a parte posterior da coxa, toda a perna e todo o pé. O nervo femoral é formado por fibras de L2 a L4. Importante lembrar que ele inerva a musculatura anterior da coxa. O nervo obturatório que inerva a musculatura medial, adutora, é formado por fibras de L2, L3 e L4. Pergunta: professor, qual que é formado por L2, L3 e L4, o femoral ou o obturatório? Resposta: Todos os dois. Tanto o obturatório quanto o femoral são formados por fibras de L2, L3 e L4. Temos nervinho importante que tem fibras de L1 e L2 denominado nervo genito-femoral. Esse nervo tem importância clínica, pois é capaz de transmitir dores do abdome para a coxa, não todas as dores mas muitas delas. Ou seja, uma dor na coxa pode significar um problema dentro do abdome que está sendo refletido, se irradiando na coxa. A parte sacral do plexo lombossacral, ilustrada na imagem acima, vai de L4 até S4. Perceba que L4 participa tanto da parte lombar quanto da parte sacral. O nervo isquiático – que inerva a parte posterior da musculatura da coxa, toda musculatura da perna e toda musculatura do pé – é o nervo mais importante da parte sacral. Ele é formado por fibras que vem de L4, L5, S1, S2 e S3. O nervo isquiático é o nervo mais calibroso do corpo humano, pois é formado por contribuições de cinco nervos espinhais. Observe na imagem acima que o nervo isquiático é formado por duas partes: essa que está em verde e essa que está em amarelo. A parte verde é a parte fibular comum do nervo isquiático. Ela é menos calibrosa e mais lateral. A parte em amarelo, mais robusta, é a parte tibial do nervo isquiático. Próximo ao joelho, no terço inferior da coxa, o nervo isquiático vai se dividir exatamente nesses dois nervos, o nervo fibular comum e o nervo tibial. Outro nervo importante é o nervo pudendo, formado por fibras de S2, S3 e S4. Ele inerva a musculatura e estruturas do períneo. É esse nervo que é anestesiado quando se faz a episiotomia durante o parto, facilitando a saída do neném. Formado por fibras de S4 e S5 temos o nervo coccígeo, você tem um plexo pequeno que é o plexo coccígeo. Juntamente com o pudendo, esse plexo participa da inervação do períneo. No membro inferior, envolvendo toda a musculatura da coxa, temos a fáscia lata. Ela é contínua com a fáscia da perna na porção mais distal da coxa e é continua também com fáscia glútea, na região proximal. A fáscia envolve toda a musculatura e atua como uma espécie de contenção muscular. A fáscia lata possui uma abertura na região súpero-medial da coxa, uma espécie de fenda, que é chamada de hiato safeno (ou fossa oval). Essa abertura permite à veia safena mergulhar nesse hiato para desembocar em uma veia profunda, a veia femoral. A região lateral da fáscia lata é mais espessa e esse espessamento lateral recebe o nome de trato iliotibial. Esse espessamento lateral da fáscia lata é provocado pela adesão de fibras aponeuróticas do glúteo máximo e do tensor da fáscia lata. Quando esses músculos (glúteo máximo e tensor da fascia lata) se contraem, eles tracionam o trato iliotibial. O trato iliotibial se insere no côndilo lateral da tíbia, cruzando a articulação do joelho e mantendo o joelho estendido quando se está muito tempo em pé. O sentinela de um quartel, por exemplo: os músculos glúteo máximo e tensor da fáscia lata o mantêm em pé, tracionando o trato iliotibial. Depois de algumas horas em pé, ele começa a fraquejar, devido à fadiga do glúteo máximo e do tensor da fáscia lata. Importante ressaltar que ele não é o extensor do joelho; o extensor do joelho é o músculo quadríceps, o músculo do chute. O trato iliotibial serve para mantê-lo estendido, quando tracionado pelos dois músculos. A coxa possui superficialmente a pele e o tecido subcutâneo, formado basicamente por gordura. Abaixo da tela subcutânea, está presente a fáscia lata, envolvendo a musculatura. A fáscia lata delimita, na coxa, o que é superficial e o que é profundo. Então: · Sob a fáscia lata – musculatura profunda. · Sobre a fáscia lata – superficial. A veia safena magna caminha na gordura abaixo da pele, sendo, portanto, superficial. A fáscia lata funciona como fáscia de contenção muscular, envolvendo a musculatura da coxa. É bastante lisa, fazendo com que os músculos, ao se contraírem ou relaxarem, deslizem sob ela. É fibrosa e resistente, facilitando as funções musculares. A fáscia lata emite expansões que penetram entre os músculos e vão se fixar no osso (fêmur). Essas projeções se chamam septos intermusculares. Tais septos também são muito lisos, facilitando o deslizamento, e servem para dividir em compartimentos os grupos musculares da coxa. Na região anterior, está o grupo anterior de músculos, incluindo quadríceps, sartório; na região posterior, existe a musculatura do jarrete; e medialmente, a musculatura mais interna da coxa: o grupo dos adutores. Esses três grupos são separados pelos septos intermusculares medial e o lateral, que se bifurca. Existem também septos na perna, que serão estudados maisadiante. Na imagem a seguir, temos a musculatura anterior da coxa. Perceba que na região súpero-medial da coxa você tem um triângulo com estruturas extremamente importantes, sendo, portanto, uma área vital. Esse triângulo – denominado trígono femoral – é formado principalmente pela artéria, veia e nervo femoral. Uma perfuração nessa região pode provocar choque hipovolêmico, uma vez que os vasos são muito calibrosos e a perda de sangue ocorre muito rapidamente, com o choque entre 10-15 minutos. Os limites do trígono femoral são: · Lateral: Músculo sartório; · Medial: Músculo adutor longo; · Superior: Ligamento inguinal. O ligamento inguinal pertence ao músculo oblíquo externo da parede abdominal, sendo a borda inferior de sua aponeurose. O ligamento inguinal se estende da espinha ilíaca anterossuperior até o tubérculo púbico. Na imagem acima podemos ver os vasos, a bainha femoral envolvendo os vasos e formando o canal femoral localizado medialmente à veia femoral. O canal femoral tem o formato de um funil. E abertura superior desse funil é chamada anel femoral cirúrgico. Essa bainha femoral, que envolve os vasos e forma esse canal, vem do abdome, de uma fáscia que tem na parede do abdome. A fáscia transversal da parede do abdome evagina para a coxa formando a bainha femoral. Então a bainha femoral é formada por uma expansão da fáscia transversal do abdome que fica colada ao peritônio, que é a penúltima camada da parede do abdome. Dentro do canal femoral temos gordura e cerca de 1 a 3 linfonodos inguinais profundos. Os linfonodos inguinais superficiais localizam-se na virilha. Então o conteúdo é esse: gordura e linfonodos inguinais profundos. E quando tem uma hérnia, ela passa a ser conteúdo dele também. Essa figura acima é ótima para a mostrar o canal femoral. Observe o nervo, a artéria femoral; e a veia em azul. A fáscia envolve esses vasos. Passando por trás do ligamento inguinal, veja o canal femoral com o anel femoral cirúrgico. Ele fica olhando para dentro da cavidade abdominopélvica. Então um aumento de pressão na cavidade abdominopélvica pode fazer com que uma víscera penetre nesse canal. As imagens abaixo mostram a diferença da hérnia inguinal para a hérnia femoral. A femoral é a que desce do abdome. Aqui o abaulamento, o inchaço, e uma víscera que desceu do abdome para a coxa. As hérnia inguinais ocorrem no canal inguinal, fazendo com que a víscera desça para o escroto. Totalmente diferente . Hérnia femoral desce para a coxa pelo canal femoral. Hérnia inguinal desce pelo canal inguinal para bolsa escrotal. MUSCULATURA ANTERIOR DA COXA Os grupo anterior de músculos da coxa é constituído pelo quadríceps e pelo sartório. Porém, o iliopsoas, apesar de ser um músculo da parede posterior do abdome e da pélvis, será estudado como fazendo parte do grupo anterior da coxa, pois ele insere no trocanter menor do fêmur e ele vai agir fazendo flexão da coxa. O músculo sartório é o músculo mais longo do corpo, semelhante a uma fita, que cruza a coxa de lateral para medial pela frente. Ele se origina na espinha ilíaca ântero-superior, no mesmo local onde se origina o ligamento inguinal. E aí ele vai descendo e se insere na tuberosidade anterior da tíbia, no mesmo lugar onde o quadríceps vai se inserir. O músculo sartório é o músculo abdutor da coxa. Ele abduz a coxa e rotaciona a coxa lateralmente. Essa é a principal função do sartório. Abduz a coxa, afasta do plano sagital mediano e faz a rotação lateral da coxa. Quando o sartório vai se inserir na tuberosidade anterior da tíbia, ele se insere com mais dois músculos: músculo grácil, que faz parte do grupo dos adutores; e com o músculo semi-tendíneo. Formando o que se chama de pata de ganso ou pata anserina. Um anterior que é o sartório, um medial que é o grácil e um posterior que é o semi-tendineo. Esses três músculos cruzam a articulação do joelho e se inserem na tuberosidade anterior da tíbia formando uma figura parecida com a pata de ganso. Observem que eles cruzam duas articulações, eles são bi-articulares. Cruzaram a articulação do quadril em cima e cruza a do joelho embaixo. Lá em cima, o sartório faz abdução e rotação lateral da coxa, mas quando ele cruza o joelho aqui embaixo ele faz a flexão da perna sobre a coxa e quando o joelho está em 90º, essa pata de ganso faz a rotação medial da perna. Uma rotação limitada! O que faz com que o joelho seja uma articulação sinovial condilar (ou elipsoide) e não uma dobradiça, não é? Inclusive quando a gente anda, existe essa movimentação medial do joelho, sutil, que a gente não percebe. Assim ela tem dois eixos de movimento, sendo biaxial. Lembrando que a rotação lateral e medial são limitadas. Então a pata de ganso faz rotação medial, mas antes flexiona a perna, e com o joelho em 90º de maneira mais clara, mais nítida, você percebe ela fazer a rotação medial. O músculo sartório é inervado pelo nervo femoral. O músculo quadríceps possui quatro cabeças de origens. Os quatro músculos que formam o quadríceps são o reto femoral (reto anterior da coxa) e os 3 vastos: medial, lateral e, por baixo do reto, o vasto intermédio. Esses músculos têm origens diversificadas. O músculo reto femoral se origina na espinha ilíaca antero-inferior (o sartório e ligamento inguinal vem da antero-superior) e também um pouco da borda do acetábulo, que é aquela cavidade onde a cabeça do fêmur se encaixa. Se ele se origina daí, ele vem da bacia pélvica e cruza a articulação do quadril. E ao cruzar ele age na articulação do quadril fazendo a flexão da coxa sobre o tronco. Diferentemente do reto femoral, os 3 vastos não conseguem fazer essa flexão da coxa sobre o tronco, pois eles não têm origem na bacia pélvica, mas sim no fêmur. Dessa forma, não cruzam a articulação do quadril. O músculo vasto intermédio pega os dois terços superiores do fêmur. Então ele vêm do fêmur, não cruza a articulação do quadril, logo, não faz a flexão da coxa. As quatro partes do quadríceps, seja o reto femoral ou os vastos, todas vão cruzar a articulação do joelho para se inserir na tíbia. Assim, eles fazem a extensão da perna. Então, o quadríceps é o principal extensor da perna. Ele é o músculo do chute. Na flexão, você dobra a perna para trás. Na extensão você chuta para frente. O quadríceps é quase que o músculo exclusivo da extensão. Repare que o quadríceps se insere primeiro na patela; na borda superior, medial, lateral e na face posterior. Depois, ele ultrapassa a patela e forma o ligamento patelar, ou tendão da patela, que vai se inserir na tuberosidade anterior da tíbia, no mesmo lugar que a pata de ganso se prende. O tendão da patela é a continuação do tendão do quadríceps, principalmente a continuação do reto femoral. A tuberosidade anterior da tíbia, pela importância dela – sartório, pata de ganso e quadríceps se prendem nela – fica abaixo da patela, formando uma saliência. Quando você fica de joelho na igreja, você não se apoia na patela, mas sim na tuberosidade anterior da tíbia. Para acontecer a extensão da perna, primeiro, o quadríceps traciona a patela para cima. Tracionando-a, ele provoca o tracionamento do ligamento patelar e esse ligamento, como está preso na tíbia, puxa a tíbia para cima, promovendo a extensão da perna. Então, a extensão perna é gerada pelo puxamento da tíbia para cima. A patela é fundamental para isso, porque ela é um ponto de apoio para o tendão do quadríceps. Ao servir de ponto de apoio, ela aumenta o poder de alavanca; aumenta a vantagem mecânica; otimiza e potencializa a ação do quadríceps. Existe também uma angulação do tendão do quadríceps para frente e depois um pouco para trás. É uma angulação pouco acentuada. Esse angulo faz um efeito de roldana. Então, a combinação do efeito de roldana com o efeito de alavanca aumenta a potência do quadríceps. Tanto é que quando você sofre fratura de patela, você diminui em uns 70% a potência do quadril. A patela é f-u-n-d-a-m-e-n-t-a-l! Quando você imobiliza o joelho com gesso e passa 3, 4 meses, pode ocorrer atrofia do músculo quadríceps. Vai sernecessário, então, uma recuperação fisioterápica. E a parte que vai dar mais trabalho nessa recuperação é o vasto medial. Essa dificuldade existe porque, ao se fazer o vetor de força das partes do quadríceps, as três partes – fora o vasto medial – se somam apontando a força para fora. Já o vasto medial tem um vetor de força que aponta para dentro. Ou seja, o vasto medial equilibra a força das outras 3 partes. Mas não é só por isso! O vasto medial, adiciona força apenas na fase final da extensão da perna. Não é em todo grau de amplitude da extensão, é apenas nos últimos 45 graus. Dessa forma, você vai precisar fazer um exercício específico para a fase final do movimento se você quer recuperar o vasto medial. Você coloca um peso na perna dele e manda ele ficar chutando na angulação dos 45 graus finais. Observem a coxa do jogador de futebol e verão que ele tem uma bolinha na região do vasto medial. Por que? Porque os jogadores de futebol passam a vida inteira fazendo esse movimento de chute. Chutando a bola você desenvolve bastante o vasto medial. O quadríceps, o sartório e o iliopsoas são inervados pelo nervo femoral. --- Olha aqui a pata de ganso em uma vista medial. Ta aqui o sartório, o grácil e o semitendinoso formando a pata de ganso. Porque a pata de ganso flete a perna? E porque o quadríceps faz a extensão? Porque ao fazer essa curva aqui, a pata de ganso passa atrás do eixo de movimento do joelho, o eixo transverso. Já o quadríceps passa na frente desse eixo de movimento. Aqui mostra de novo o quadríceps e, nessa imagem aqui, a gente pode ver o iliopsoas, que antes só aparecia um pedacinho mostrando como ele é formado. O iliopsoas é formado pelo ilíaco e pelo psoas maior. São músculos da parede posterior da pelve do abdômen, mas eles vão agir na coxa. Recape que o ilíaco vem da fossa ilíaca. O psoas maior vem das vertebras lombares. Eles se unem e formam o iliopsoas que vai se inserir no trocanter menor do fêmur. Qual o movimento que ele faz? Flexão da coxa, juntamente com o reto femoral. É um conjunto de músculos que agem sinergicamente. O principal é o iliopsoas, mas ele é auxiliado pelo reto femoral. Então ele faz flexão da coxa, e ele faz também flexão do tronco, porque ele está preso aqui na coluna vertebral, e quando ele se contrai ele também faz flexão anterior do tronco. Esse músculo psoas maior é conhecido nas churrascarias como filé mignon. Por que? Porque a coxa normalmente vive em flexão, levemente em flexão. O iliopsoas entra quando você vai fazer uma flexão com mais força, por exemplo, o alpinista vai subir uma pedra lá na montanha, então ele precisa fazer mais força para escalar a montanha. Ele usa muito o iliopsoas para fazer essa escalada. Por isso que esse músculo age pouco na gente, mas em compensação ele sangra bastante. Sangramento de psoas do lado direito se confunde com apendicite, porque você vai sentir uma dor na fossa ilíaca direita. Uma psoíte, inflamação do psoas, se confunde com a apendicite. Quando é do lado esquerdo não confunde, você vê logo que é uma psoíte ou um sangramento do psoas. Mas quando é do lado direito, confunde, porque o peritônio parietal posterior passa aqui por cima, então o sangramento toca no peritônio, provocando uma peritonitezinha localizada, e doi bastante, simulando uma apendicite. Então quando é do lado direito você tem que fazer o diagnóstico diferencial. Como você vai fazer? Basta fazer um hemograma. Na apendicite haverá leucocitose (aumento dos leucócitos) devido a infecção violenta, mas no sangramento do psoas não. Mas nem precisa de hemograma, se você é um bom clínico você diferencia a apendicite do sangramento de psoas pela febre. Na apendicite há febra alta, 39 a 40º, mas a febre do sangramento de psoas é uma febrinha de 37,5 beirando 38º, porque aquele sangue que escorre dentro do abdome vai se coagular, ficar preso, formar alguns coágulos, apodrece e libera toxinas, e a absorção dessas toxinas pelo organismo provoca uma febrite, mas não é a febre alta da apendicite. Então o hemograma nem é necessário, pela febre você diferencia, mas se tiver em dúvida e fizer, vai dar leucocitose alta na apendicite. P: a peritonite é por causa desses coágulos que se formam? R: sim, o sangue em contato com o peritônio inflama. O sangue deve ficar dentro dos vasos. Se ele entra em contato com o peritônio ele provoca dor, ele irrita, causa uma irritação peritoneal que doi. P: também vai haver aquela reação do indivíduo flexionar a perna? R: tem. A pessoa fica também naquela posição antálgica, anti-dor. Se ele estirar a perna dói. Porque normalmente quando você tem dor na fossa ilíaca, você tende logo a flexionar a perna. P: é relacionado com aquele nervo genitofemoral. R: sim. O nervo femoral inerva o iliopsoas ainda quando ele está dentro do abdômen. Só depois que ele passa pelo trígono femoral que ele vai inervar o sartório e o quadríceps. Então quando você lesa o nervo femoral aqui no trígono femoral, uma lesão unilateral do nervo femoral no trígono femoral, qual é o tipo de marcha que você vai adotar? Você paralisou o quadríceps e o sartório, mas o iliopsoas está funcionando, porque o femoral inervou ele dentro do abdome, então ele está funcionando. Então como é que o indivíduo vai fazer para andar? Ele não vai conseguir estender a perna para andar, mas ele pode flexionar a coxa. Não com o reto femoral que vai estar paralisado, mas com o iliopsoas. Então com o iliopsoas ele flexiona a coxa para frente, fazendo força e a coxa arrasta a perna. Ao flexionar a coxa para frente com o iliopsoas a coxa arrasta a perna. Então o indivíduo adota um tipo de marcha que é a marcha alemã, usada pelos soldados alemães na II Guerra Mundial. Então a marcha alemã é consequência de lesão unilateral no nervo femoral, com paralisia de quadríceps e sartório, principalmente de quadríceps. E se o cara tiver uma lesão bilateral do nervo femoral? Paralisia dos dois quadríceps? Aí a situação complica, você não consegue nem se levantar de uma cadeira, porque você só levanta de uma cadeira, ou sobe uma escada, com o quadríceps. Sem poder levantar de uma cadeira, outra pessoa vai ter que pegar no seu braço e levantar você e colocar você em pé, e para você se manter em pé, você converge os dois joelhos, escosta um no outro, para se equilibrar. Lembrar que você está sem o quadríceps. E vai adotar o tipo de marcha chamada de marcha em passo curto. Então a marcha em passo curto é característica de lesão bilateral do nervo femoral, que não é muito comum, só em zona de guerra. P: o nervo femoral vai inervar o ileopsoas também, né? R: lá dentro do abdome. Não é por isso que na marcha alemã ele consegue flexionar a coxa? O ileopsoas já vai ter sido inervado pelo femoral lá no abdome. P: então o movimento comprometido é a extensão da perna? R: isso. E a musculatura adutora? Vamos agora para o grupo medial da coxa, a musculatura adutora. Quais são os músculos adutores? Pectíneo, adutor longo, adutor curto e adutor magno (por baixo do adutor longo), e o grácil. Onde é que se originam esses músculos? Em bloco, todo o conjunto dos músculos adutores são originados na região do púbis, da parte púbica do osso coxal. Quando ocorre a laceração parcial ou total das fibras de origem aqui dos adutores, aqui no púbis, é isso que se chama de distensão da virilha. Quando o jogador sai de campo com a mão na virilha, né? Teve laceração parcial ou total, devido a essa origem comum dos adutores no púbis. E quando nesses tendões ocorre depósito de cálcio? Se o indivíduo tem uma profissão de andar em cima de cavalo, o cara passa a vida inteira em cima da sela do cavalo, então o atrito dessa região com a sela do cavalo vai provocar uma fibrose excessiva, com depósito de cálcio. Isso aqui endurece, essa parte tendinosa do músculo, e isso é conhecido como ossos de cavaleiro, porque endurece, deposita cálcio, ocorre calcificação. E a inserção desses músculos adutores? Exceto o grácil, todos esses adutores vão se prender no fêmur. Na linha pectínea do fêmur, na linha áspera do fêmur. O adutormagno vai para o tubérculo do adutor do fêmur. Então todos eles se inserem no fêmur, exceto o grácil. P: a origem dos adutores é toda no grupo medial R: o grupo adutor é todo o grupo medial. Aqueles cinco: pectíneo, adutor longo, adutor curto, adutor magno e grácil. Então esses músculos adutores vão se inserir no fêmur. Mas o grácil não. O grácil é o único músculo do grupo dos adutores que vai cruzar a articulação do joelho e se inserir... Onde é mesmo que a pata de ganso se insere? Na tuberosidade anterior da tíbia. O grácil não vai fazer parte da pata de ganso junto com o sartório e o semitendíneo? Então o grácil vai cruzar o joelho e vai lá para a tíbia. Ele é o único músculo do grupo dos adutores que chega na tíbia. E qual é a função deles? A maioria deles, que cruza só a articulação do quadril (porque só o grácil vai cruzar a do quadril e a do joelho), vão ser adutores, fazem esse movimento aqui de aduzir a coxa. Quando bate continência, né? Então, aduzir a coxa, porque eles cruzam a articulação do quadril, inclusive o grácil. Mas lá embaixo só o grácil cruza o joelho. Então o grácil, na pata de ganso, vai fazer a flexão da perna, a rota medial da perna quando o joelho tá em 90º, naquela posição junto com a pata de ganso que a gente já conhece. P: vai fazer rotação lateral e abdução? R: lateral não, medial. E abdução não. No quadril, é adutor. Mas lá embaixo, como ele cruza o joelho, no joelho ele faz parte da pata de ganso, e a função a gente já sabe, é fletir a perna e com o joelho em 90º fazer a rotação medial. Vamos ver mais na frente outros adutores. Olha aqui o curto aparecendo aqui. Aqui o adutor longo aparecendo melhor. Olha aqui o vasto intermédio, repare como ele se origina no corpo do fêmur, está colado no corpo do fêmur. E aqui o adutor longo, já aparecendo melhor o adutor magno, o pectíneo foi retirado e aqui está aparecendo o adutor curto. E o adutor curto está ainda bem coberto pelo adutor longo. Reparem que o adutor magno desce aqui para baixo, mas não cruza o joelho, quem cruza é o grácil para formar a pata de ganso. Mas o adutor magno não cruza, apesar de descer lá para baixo e se insere no chamado tubérculo adutor do côndilo medial do fêmur, uma saliência. Então esses músculos todos aduzem a coxa na altura do quadril, mas o grácil vai com a pata de ganso fazer flexão da perna e rotação medial da perna. Olhe aí aparecendo o nervo femoral, se distribuindo para toda a musculatura anterior da coxa, no triângulo femoral com os vasos femorais. E olhem aqui o nervo obturatório inervando a musculatura adutora, a musculatura adutora recebe inervação do nervo obturatório e não do femoral. Quando lesa o nervo obturatório, qual o tipo de marcha que você vai adotar? Vai paralisar os músculos adutores todos, sem conseguir aduzir, vão predominar os músculos abdutores. Quando você anda faz o movimento da coxa para fora parecendo uma foice, chamamos de marcha ceifante. A marcha ceifante é característica de lesão do nervo obturatório. Movimento em arco que a perna faz, abrindo para fora. Observem aqui os vasos femorais. Eles vão sumir. Eles atravessam um orifício. Vejam que esse espaço quem cobria era o sartório, tiraram o sartório para ver os vasos femorais passando no canal, chamado canal dos adutores, um canal subsartorial. O orifício do tendão do adutor magno, arco tendíneo do adutor magno. Os vasos femorais perfuram o adutor magno, passam pelo orifício que tem no adutor magno, chamado hiato tendíneo do adutor magno. Depois de ultrapassar esse hiato tendíneo do adutor magno, os vasos femorais vão para trás do joelho e passam a se chamar vasos poplíteos, porque a região atrás do joelho é a região poplítea. Lá na ilíaca é oblíqua externa, na coxa é femoral e no joelho poplítea. Vasos poplíteos, artérias poplíteas e veias poplíteas. Que tem mais ou menos o mesmo calibre que as femorais, são o mesmo vaso. Um instrumento perfurante entrando atrás do joelho, na fossa poplítea, quanto perfurar a fossa poplítea vai dar choque hipovolêmico, pode morrer. E uma lesão nos vasos femorais, no triângulo ou trígono femoral. Então esses vasos femorais vão passar aqui, após perfurar o hiato tendíneo vão passar para trás do joelho e passam a se chamar artéria e veias poplíteas. Olha aqui o hiato tendíneo no adutor magno, olha aqui o adutor magno e o hiato tendíneo, a artéria e a veia estão aqui e vão lá para trás. Vão partir pela frente, perfuram esse buraco e vão para o joelho e vão se chamar vasos poplíteos. P: O calibre é o mesmo das femorais? R: É, praticamente o mesmo. Aqui o adutor magno, a parte superior dele é adutora e parte inferior dele que desce lá pelo tubérculo adutor do côndilo é extensora. O adutor magno tem uma parte extensora e uma adutora. Os outros adutores todos são flexores, além de adutores eles também conseguem fazer uma flexão, ajudando o iliopsoas e o reto femoral. A maioria dos adutores são flexores, agem sinergicamente com o reto femoral e com íleo-psoas. Porém, o adutor magno, por ser muito profundo, ele já age com os músculos posteriores da coxa, que são extensores da coxa. De trás da coxa são extensores da coxa. Ele é extensor e não flexor, ele é o único dos adutores que estende a coxa, e não flete. A parte superior dele, de fibras oblíquas é adutora, a parte inferior dele de fibras verticais é extensora. Tanto é que a inervação é diferente: a parte adutora dele, inervação do obturatório; mas a parte extensora dele, inervação do isquiático, passa por trás. Ele tem uma dupla inervação e uma dupla função: adutora e extensora. E extensor é diferente dos outros adutores que eram flexores da coxa (da perna não, da perna é quadríceps). Extensão da coxa é isso aqui, para trás, aqui flexão e extensão da coxa, aqui extensão da perna e flexão da perna. Principal extensor da coxa: glúteo máximo, depois os 3 músculos do jarrete e depois adutor magno, o adutor magno é um auxiliar na extensão da coxa. P: Não entendi R: Nervo é uma coisa lógica, se é uma adutor tem que se obturatório e a parte extensora é o isquiático, não é o femoral. Olhem aí os dois, o nervo femoral inervando a musculatura anterior da coxa e nervo obturatório inervando a musculatura medial, adutora da coxa. Aqui a gente já começa a ir para a região glútea, para trás, vocês estão vendo dois músculos da região glútea: o glúteo máximo e o tensor da fáscia lata, esse tensor da fáscia lata fica um pouco de lado. E o glúteo lá atrás, onde os dois fazem parte da região glútea. Olhem aquela história que eu falei no começo da aula, esses dois músculos contribuem para formar o trato iliotibial, aquele espessamento lateral da fáscia lata. Aqui a fáscia lata já foi retirada, mas o espessamento dela chamado trato iliotibial permanece. Esse espessamento da fáscia lata se chama trato iliotibial e é formado por fibras aponeuróticas, tendinosas, do tensor e do glúteo máximo, que vão formar o trato iliotibial. Por isso que quando você mantém o joelho estendido, a perna estendida, na posição ereta, quando passa muitas horas de pé, é o glúteo máximo e o tensor que se contraem para tracionar o trato iliotibial e manter a perna estendida, o trato íliotibial vai se prender lá no côndilo lateral da tíbia, da perna. Vou ter o joelho estendido na posição ereta. Quando você começa a dobra o joelho, cansado, muito tempo em pé significa fadiga do glúteo máximo e do tensor. Significa que eles estão entrando em fadiga, o cara começa a dobrar o joelho. Onde é que se origina aqui o tensor? No mesmo lugar do sartório e do ligamento inguinal, na espinha ilíaca antero-superior. E onde é a origem do glúteo máximo? Ele se origina na parte ilíaca do osso coxal (osso do quadril), atrás em uma linha chamada linha glútea posterior, se origina atrás da linha glútea posterior. Mas se origina também na face dorsal do sacro, na face dorsal do cóccix, no ligamento sacrotuberal, na aponeurose do músculo ?da espinha, na aponeurose glútea. O glúteo máximo se origina em um monte de lugar, mas vai se inserir aqui embaixo na tuberosidade glútea do fêmur, fazendoa extensão de coxa. Ele é o principal músculo extensor da coxa. Então a inserção principal do glúteo máximo é na tuberosidade glútea do fêmur. E ao se inserir na tuberosidade glútea da coxa ele faz esse movimento, extensão da coxa, puxa a coxa para trás. Estender muito a coxa várias vezes por dia vai desenvolver o glúteo, as pessoas fazem esse tipo de exercício, principalmente as mulheres para ficar com o bumbum bonito, fazem a extensão da coxa de bruços, deitado no chão. Estende a coxa para desenvolver o glúteo máximo. O glúteo máximo, além de estender a coxa, roda o fêmur lateralmente, faz a rotação lateral do fêmur. Agora quando ele forma o trato iliotibial com o tensor ele vai manter o joelho estendido na posição ereta. Ao se inserir na tuberosidade glútea, ele estende a coxa e roda a coxa lateralmente. Agora ao agir tracionando o trato iliotibial com o tensor da fáscia lata ele mantém, como já vimos, o joelho estendido na posição ereta. Olhem aqui o glúteo máximo visto por trás, ele vai se inserir na tuberosidade do fêmur, lá dentro, no osso, e faz a extensão da coxa. Mas ao formar o trato iliotibial ele vai manter o joelho estendido na posição ereta. Rebatido o glúteo máximo, o glúteo máximo é inervado por um nervinho chamado nervo glúteo inferior, sai da raiz do isquiático. Quando o isquiático sai do plexo lombrossacral, da raiz do isquiático se origina o nervo glúteo inferior e o nervo glúteo superior. O nervo glúteo inferior inerva o glúteo máximo, ele é o nervo do glúteo máximo, sai das raízes do nervo isquiático. Mas ao rebater aqui o glúteo máximo, o que temos aqui mais próximo dele? O glúteo médio. E por baixo do glúteo médio, nós não estamos vendo, oculto, tem o glúteo mínimo. Glúteo médio e glúteo mínimo tem a mesma função, são importantes abdutores da coxa, muito mais importantes que o sartório. Fazem abdução da coxa. E fazem a rotação medial, ao contrário do glúteo máximo. O glúteo máximo não fazia rotação lateral?! O médio e mínimo fazem rotação medial do fêmur. Essa é a ação do glúteo médio e do mínimo: abdução da coxa (o máximo faz adução), junto com o sartório e junto também com o tensor da fáscia lata. Tensor da fáscia lata também abduz, pela posição dele também lateral. E fazem rotação medial (contrário do glúteo máximo que é rotação lateral). Além disso, glúteo médio e glúteo mínimo são responsáveis pelo que se chama o caráter oscilante da marcha humana. O que é o caráter oscilante da marcha humana? Quando a gente anda, a bacia pélvica bamboleia de um lado para o outro. Não só das mulheres, nos homens e nas mulheres a bacia pélvica bamboleia de um lado para o outro. O glúteo médio e mínimo são responsáveis por isso. O que acontece? Quando você tira o pé de apoio para dar o passo, a bacia pélvica tende a arriar desse lado, mas aí o glúteo médio e o glúteo mínimo do outro lado puxam a bacia pélvica e impedem que ela arreie do lado que você tirou o pé de apoio. E assim vice-versa, quando você tira o outro pé de apoio o glúteo médio e o glúteo mínimo do outro lado tracionam a bacia pélvica para ela não arriar do lado que você tirou o pé de apoio. Então, isso vai bamboleando a bacia pélvica de um lado para o outro. Então o glúteo médio e o glúteo mínimo são responsáveis por esse caráter oscilante da marcha humana. Quem inerva glúteo médio e glúteo mínimo? O mesmo nervo que inerva o tensor (da fáscia lata): o nervo glúteo superior. Enquanto o nervo glúteo inferior é o nervo do glúteo máximo, o nervo glúteo superior é o nervo do glúteo médio, do glúteo mínimo e do tensor da fáscia lata. E quais são esses outros músculos pequenininhos que estão aqui depois dos glúteos? Aqui o piriforme, que tem esse formato que parece uma pêra, o gêmeo superior, depois o obturatório interno, depois o gêmeo inferior, e mais embaixo tem esse músculo quadradão, que é o quadrado da coxa, ou quadrado femoral. Por baixo desse quadrado da coxa, oculto, temos o músculo obturatório externo. Esses músculos pequenininhos são rotadores laterais sobre o glúteo máximo, e também ajudam na adução, porque eles vão se prender no fêmur, no trocânter maior do fêmur, aí eles aduzem o fêmur. Entao eles são rotadores laterais e adutores da coxa. Um músculo chave nessa porção mais profunda da coxa é o piriforme, porque tem um espaço acima dele, que é o espaço suprapiriforme, e abaixo dele, mais importante, o espaço infrapiriforme. O que está passando no espaço infrapiriforme? Que nervo é esse? O nervo isquiático. O que passa no espaço suprapiriforme? O que são esses vasos e esse nervinho? Os vasos e nervo glúteos superiores. O que passa no espaço infrapiriforme? Nervos e vasos glúteos inferiores, nervos e vasos pudendos, que vão para o períneo, e, mais importante de tudo, o nervo isquiático. Se você fizer muito exercício para desenvolver a região glútea, o piriforme também vai crescer. Se ele crescer demais vai comprimir o nervo isquiático. Isso é o que se chama de Síndrome do Piriforme. Entao tem que fazer as coisas com moderação. Porque se você tentar crescer o bumbum demais, e tiver uma síndrome do piriforme, o piriforme comprimir o nervo isquiático, você vai sentir dor e não vai mais conseguir prosseguir no exercício. Pergunta: professor, esses músculos ai se prendem onde? Resposta: no trocânter maior do fêmur. O nervo isquiático é formado por aquelas duas partes: fibular comum e tibial. O mais amarelinho é o fibular comum, mais branquinho é o tibial. Lá embaixo eles vão se dividir, lá perto do joelho. Tem varias maneiras do nervo isquiático passar pelo piriforme. Na maioria dos casos ele passa no espaço infrapiriforme, mas às vezes, a parte fibular comum do isquiático perfura pelo meio do piriforme, e, em pouco número de casos, o fibular comum do isquiático pode passar no espaço suprapiriforme. Numa injeção intramuscular na região glútea, onde você tem que aplicar? No quadrante superior lateral, ou superior externo. Você aplicando aí, dificilmente vai atingir o isquiático, mesmo quando a parte fibular comum do isquiático passar acima do piriforme ou perfurando o piriforme pelo meio, só se for muita imperícia. Essa imagem mostra a região exata onde você deve aplicar a injeção intramuscular na região glútea. As vezes enfermeiras com pouca experiência aplicam e atingem o nervo isquiático e pessoas têm problemas de membro inferior, de movimentos. Pergunta: professor, quais os movimentos afetados na lesão do isquiático? Resposta: o isquiático pega toda a musculatura posterior da coxa, toda a musculatura da perna e toda a musculatura do pé. É muita coisa. A gente vai falar dessas lesões quando fizer a distribuição do nervo isquiático para a perna, vai ficar mais fácil. Pergunta: mas, professor, isso seria quase instantâneo não é? Resposta: na hora que aplica, não é tanto a furada da injeção no nervo que vai lesar o nervo, é você apertar o êmbolo da ampola e injetar o líquido todinho, que aí vai rasgar o nervo. A furada da agulha não causa tanto problema, o problema é injetar o líquido com toda a força que ele sai na ponta da agulha, que vai rasgar o nervo. Pergunta: professor, pode formar um abscesso e comprimir o nervo? Resposta: pode. [conta sobre um homem que encontraram na frente do CCBI que sofreu lesão do isquiático por uma injeção glútea mal aplicada.] Essa figura mostra o glúteo Maximo cortado, o glúteo médio seccionado e aparece finalmente o glúteo mínimo. Aqui atrás da coxa você tem a musculatura do jarrete, ou musculatura posterior da coxa. Quais são os músculos do jarrete? São três. Esse mais lateral é o bíceps: bíceps da coxa ou bíceps femoral. Por que é bíceps? Porque tem duas cabeças de origem. Essa é a cabeça longa e essa fininha é a cabeça curta. Essas duas cabeças, curta e longa, se unem para formar o bíceps. Qual a origem do bíceps? Não só o bíceps, mas toda a musculatura do jarrete se origina do túber isquiático. O túber isquiático é uma saliência do osso do quadril e que você se apóia nela quando está sentado. Todo mundo que está sentado aí está apoiado no túber isquiático direitoe no túber isquiático esquerdo. Todo o jarrete, exceto a porção curta do bíceps, se origina do túber isquiático. Laceração das fibras de origem lá no túber isquiático se chama distensão do jarrete, e é diferente da distensão da virilha. O jogador quando sai do campo com a mão atrás da coxa está com distensão do jarrete. É muito comum a distensão do jarrete também no atletismo, 100 metros rasos, 200 metros rasos, que o cara sai com extrema velocidade lá na partida, quando chega no meio do caminho o cara cai, levanta com a mão atrás da coxa, é o jarrete. Lesão parcial ou total das fibras de origem lá no túber isquiático. Já a parte curta do bíceps, não vem do túber isquiático, vem da linha áspera do fêmur e do septo intermuscular lateral. E a inserção desses músculos do jarrete? O bíceps vai para a cabeça da fíbula, o semitendíneo faz parte da pata de ganso, então ele vai ter a mesma função da pata de ganso – flexão da perna e, com o joelho em 90º, rotação medial da perna – e por baixo do semitendíneo você tem um músculo maior que o semitendíneo, é o semimembranoso ou semimembranáceo, que vai se inserir lá na linha solear da tíbia, no mesmo lugar onde o músculo sóleo da panturrilha se origina. Ele se insere também no côndilo medial da tíbia. Por que esse nome de jarrete? (Conta uma historinha) Então essa musculatura do jarrete ela é bem articulada, ao se originar na pelve do tubo isquiático ela cruza a articulação do quadril e, ao se inserir lá na fíbula e na tíbia, ela cruza o joelho. Então ela cruza as duas articulações. Todo o jarrete é bem articulado. Então o que é que ele faz em cima, com a articulação do quadril? Extensão da coxa. Ajuda o glúteo máximo a fazer essa extensão da coxa, que faz flexão da perna. No joelho, embaixo, faz flexão da perna. Muito mais importante que a pata de ganso. O jarrete é mais forte que a pata de ganso. Então o jarrete flexiona a perna ajudado pela pata de ganso. Então o jarrete faz a extensão da coxa em cima, na articulação do quadril, e flete a perna embaixo na articulação do joelho. A extensão da coxa é feito pelo glúteo máximo e jarrete e a flexão da perna pela pata de ganso em jarrete. Eles trabalham em sinergismo. Olha aqui a fossa poplítia, atrás do joelho. Quando o bíceps vai pra fíbula, o semi-membranoso e o semi-tendinoso vão pra tíbia, eles abrem e formam aqui a fossa poplítia. Os vasos poplítios, continuação da femoral, passam dentro da fossa poplítia. Tem linfonodos poplítios também e muita gordura. Então um instrumento perfurante entrando dentro da fossa poplítia, vai sangrar muito, choque hipovolêmico se não for atendido a tempo. Olha aí o trajeto do nervo isquiático, desde lá do espaço infra-piriforme, passando na coxa, exatamente na goteira, tendo de um lado o bíceps e do outro lado o semi-membranoso e o semi-tendinoso. Ele passa no meio, na goteira que fica entre esses músculos. Ele vai descendo. O que acontece aqui embaixo quando ele se aproxima do joelho? Ele se divide no tibial e no fibular comum. Eles vem unidos, quando chega aqui embaixo, o medial, mais calibroso, é o tibial e o mais lateral e mais fino é o fibular comum. Aluno: Professor, algum desses passa por dentro da fossa poplítia? Professor: Na fossa poplítia passa o tibial acompanhando os vasos poplítios. O Nervo fibular comum ele se desprende mais para os lados e vai acompanhar o tendão do bíceps que vai se inserir na cabeça da fíbula. O fibular comum passa no colo da fíbula. O bíceps se prende na cabeça da fíbula e o fibular comum passa pelo colo da fíbula que é um lugar fraco da fíbula, que é onde as fraturas são mais frequentes. Por que que o jogador de futebol não pode entrar com a sola do pé? Se o jogador entrar com a sola na perna do outro lateralmente na fíbula, vai fraturar o colo da fíbula e aí lacera as fibras do nervo fibular comum, que passa exatamente no colo da fíbula. O nervo fibular comum e o tibial eles vão se distribuir pela musculatura da perna. Como é essa distribuição? O tibial vai pegar toda a musculatura de trás, da batata da perna, da panturrilha. O fibular comum vai pegar os músculos anteriores e laterais da perna. O tibial vai pra musculatura posterior da panturrilha, por isso ele é mais grosso, já que na panturrilha tem músculos maiores, como o tríceps da perna. E o fibular comum pra musculatura anterior e lateral da perna. Olha aí o isquiático, no terço inferior da coxa, ao se aproximar do joelho, o isquiático se divide em tibial e fibular comum. O tibial acompanha os vasos poplítios (artéria e veia), linfonodos poplítios. E o fibular vai acompanhar o tendão do bíceps que vai se inserir na cabeça da fíbula. E aí o nervo fibular comum passa no colo da fíbula, onde pode ocorrer fratura e ele pode ser lacerado. Na perna, vocês tão vendo aqui a fáscia da perna, que é contínua em cima com a fáscia lata e embaixo é contínua com a fáscia do pé. Em um corte transversal da perna, dá pra vê-la envolvendo todos os musculos. E ela tem as mesmas expansões que a fáscia lata, os septos intermusculares. Na perna, são 3: o septo intermuscular anterior, o septo intermuscular posterior e o septo transverso. Eles separam os grupos musculares da perna. Quais são esses grupos? Temos o grande grupo posterior, que é separado, pelo septo transverso, em músculos profundos e superficiais. Tem também o grupo dos músculos anteriores da perna e o grupo lateral. Aqui é a membrana interóssea que liga tíbia e fíbula. Membrana interóssea, separando o grupo anterior do posterior profundo. Aqui você vê a distribuição dos nervos. Que nervo é esse que inerva todo o grupo posterior? Tibial. O fibular comum, que vai inervar o grupo lateral e anterior, se divide em fibular profundo (inerva o grupo anterior) e fibular superficial (inerva o grupo lateral). A gente vai ver a lesão de cada um deles e tipo de marcha que irá ocorrer se o indivíduo ficar sequelado. Vamos começar pelo grupo da panturrilha. Grupo posterior da perna. Primeiro o grupo superficial, depois vemos o grupo profundo. Qual o grupo superficial? É esse músculo aqui, o tríceps da perna/tríceps da panturrilha/tríceps sural e esse pequenininho aqui, o músculo plantar delgado, que pode tá ausente, existindo em apenas 30% da população. O principal aqui é o tríceps. Quais são as partes do tríceps? Dois gastrocnêmios (antigamente chamava gêmeos), um lateral e um medial e, por baixo deles, fica o sólio. Esses três se unem pra formar o tendão do tríceps ou tendão do calcâneo (popularmente chamado de tendão de Aquiles). Reparem na imagem que o sólio é um baita de um músculo, largo, grosso. Ele se une com os gastrocnêmios formando o tendão do tríceps que é um tendão BAAAAAAAITA potente. Às vezes a pessoa corta esse tempo na prática esportiva em jogo de vôlei, basquete, futebol, entre outras situações. Aí tem que puxar, remendar, costurar e ficar em repouso uns 2 ou 3 meses pra ele cicatrizar, se não ele rompe de novo. Qual a origem e a inserção desse músculo (acho que ele se refere ao tríceps)? Os dois gastrocnêmios cruzar aqui a articulação do joelho por trás, se originando lá do fêmur, do corno medial (gastrocnêmio medial) e do corno lateral (gastrocnemio lateral) do fêmur. Eles cruzam vindo lá por trás, então eles conseguem fazer a flexão da perna. Eles passam por trás do joelho e cruzam a articulação do joelho por trás, então os dois gastrocnêmios fazem a flexão da perna juntamente com o jarrete e a pata de ganso. Então a flexão da perna é jarrete, pata de ganso e os dois gastrocnêmios. O músculo sóleo não faz flexão da perna. Por que o músculo sóleo não faz flexão da perna? Porque ele não se origina do fêmur. O músculo sóleo se origina da linha solear da tíbia e da cabeça da fíbula. Dessa forma ele não cruza o joelho por trás. Os três juntos ao cruzarem a articulação do tornozelo e se prenderem no calcâneo fazem a flexão plantar (flexão do pé para baixo). Na flexão plantar o indivíduo levanta o calcanhar do chão contra todo o peso do corpo. Por isso que o Tendão de Aquiles é um baita de um tendão. Como vocêdesenvolve as três porções? Ficando na ponta do pé. Fazendo centenas de vezes a flexão plantar, de preferência em um degrau com uns 3 dedos de altura. A flexão plantar é muito importante para a deambulação, para a marcha. Quando você anda você levanta o calcanhar do chão, depois o outro calcanhar e assim uma perna atrás da outra. Pergunta: O sóleo sozinho vai ter alguma função? Resposta: Ele participa do tríceps né? Pergunta: Então sozinho não? Resposta: não. Na flexão do joelho só participa o músculo gastrocnêmio. O músculo sóleo não participa porque ele não se origina no fêmur, ele não cruza a articulação do joelho. Quem cruza é o gastrocnêmio. Na flexão da perna participam os dois gastrocnêmios. Na flexão plantar participam os três. Um outro músculo superficial é esse aqui bem pequeno, o músculo plantar delgado. Somente algumas pessoas tem ele. Ele é pequeno mas tem o tendão comprido, parece um nervo. Ele segue e se funde embaixo com o Tendão de Aquiles para se prender no calcâneo. Quando ele existe, apesar da função dele ser insignificante, ele atua com auxiliar do tríceps na flexão plantar e na flexão do joelho (ele cruza o joelho por trás, ele vem do fêmur). Porém é um musculo débil, tanto que sua ausência não faz falta. Quem inerva essa musculatura? Ramos tibial do isquiático. Em uma lesão do tibial qual o principal movimento que vai deixar de fazer? A flexão plantar. Sem fazer flexão plantar, sem levantar o calcanhar do chão, o indivíduo vai adotar uma marcha arrastada, sem levantar o calcanhar do chão. É uma marcha calcânea, marcha sobre os calcanhares. MUSCULATURA MAIS PROFUNDA DA PANTURRILHA. Retirado o tríceps e retirado o plantar delgado é possível ver quatro músculos profundos. - Músculo poplíteo. Ele se chama poplíteo porque está atrás do joelho. A região atrás do joelho é a região poplítea. O músculo poplíteo cruza o joelho por trás. Ele se origina do côndilo lateral do fêmur e vai até a tíbia. Dessa forma ele também faz flexão do joelho. Então flexão do joelho é jarrete, pata de ganso, os dois gastrocnêmios e o poplíteo. Quando ele se contrai ele é o gatilho da flexão do joelho. É ele quem destrava a articulação do joelho para iniciar a flexão. Quando o indivíduo está com o joelho estendido, quem começa a destravar o joelho é o músculo poplíteo. Ele também faz o mesmo movimento que a pata de ganso faz, de rotação medial da perna com o joelho em 90 graus. Com o joelho em 90 graus quem faz a rotação medial da perna é a pata de ganso e o poplíteo. - Músculo tibial posterior - É o principal musculo inversor do pé. Como é inversão e eversão? Planta do pé para dentro é inversão. Planta do pé para fora é eversão. - Músculo flexor longo do hálux e Músculo flexor dos dedos - Eles têm posição trocada. O flexor longo do hálux está do lado dos outros quatro dedos e é mais robusto. O flexor dos dedos está do lado do hálux e é mais fino. Por que eles têm essa posição trocada? Porque embaixo do pé eles fazem um X, eles descruzam, vão para o lado certo. Nesse cruzamento o músculo flexor longo do hálux se apoia no musculo flexor dos dedos aumentando seu poder de alavanca. O tendão do flexor dos dedos embaixo serve de apoio (como a patela para o quadríceps) e o tendão flexor do hálux ao se apoiar aumenta seu poder de alavanca. Por que isso? Porque quando o indivíduo dá um passo, o ultimo impulso para você se projetar para frente é no dedão. Dessa forma o musculo flexor dos dedos precisa ser mais forte. Aqui vocês podem ver os tendões dos músculos flexores dos dedos e longo do hálux passando por trás do maléolo medial (pertence a tíbia. Já o maléolo lateral pertence a fíbula) e coberto pelo chamado retináculo dos flexores. Esse retináculo é uma fita de tecido fibroso que prende esses tendões. Esses tendões deslizam nesse retináculo. Se não tivesse esse retináculo, quando você contraísse esses músculos, iria fazer uma saliência no pé que ia ficar meio feio. Então, o retináculo vai impedir que eles façam saliência do pé. Que nervo esse atrás da panturrilha? O tibial. Reparem como ele passa protegido na panturrilha. Ele passa embaixo do músculo sóleo. Dessa forma, lesão do nervo tibial não é uma coisa tão fácil porque ele fica muito profundo e protegido por todo o tríceps e pelo sóleo. Ele passa profundamente ao sóleo. Se você tiver um derrame de liquido inflamatório embaixo do sóleo essa coleção líquida pode comprimir o nervo tibial (que é o ramo mais grosso do isquiático). O nervo tibial é acompanhado da artéria tibial posterior. Aqui a chamada bomba da panturrilha. A musculatura da panturrilha, principalmente o tríceps, comprime as veias para fazer o sangue subir. Uma coisa é o sangue descer da cabeça em favor da gravidade e outra coisa é sangue subir das pernas em direção ao coração contra a força da gravidade. Para isso precisa a musculatura ajudar. Por isso é importante andar. A musculatura comprime essas veias e o sangue sobe. Dentro dessas veias existem válvulas que impedem que o sangue desça. Se a pessoa é sedentária e fica o dia todo sentada em um apoltrona assistindo televisão e come demais termina essas veias se dilatando. Os músculos não comprimem essas veias, o sangue fica retornando e eles veias dilatam e ficam varicosadas. Elas dilatando essas válvulas que tem dentro ficam insuficientes e o sangue fica retornando provocando varizes de membros inferiores. Na verdade, já existe uma pequena bomba no calcanhar. Quando você pisa no chão com o calcanhar você comprime o plexo venoso que existe no calcanhar, chamado o coração venoso de lejas (???) e esse sangue sobe para a panturrilha. MUSCULATURA ANTERIOR DA PERNA. Aqui o osso da tíbia que o povo chama de osso da canela. Aqui vocês esta vendo os músculos posteriores, o tríceps, que acabamos de estudar.