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História da 
Arte Moderna
A atitude e o sonho
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Ms. Pio de Souza Santana
Revisão Textual:
Profª. Esp. Natalia Conti
5
• O Dada
• O Surrealismo
 · Abordar a importância do Dada ou Dadaísmo e do Surrealismo para a arte 
Moderna, fazer reconhecer seus artistas, contexto, especificidades e características; 
 · facilitar o aprendizado estético sobre essas duas vanguardas.
Caro(a) aluno(a),
Nesta unidade você vai compreender o que significou o Dada ou Dadaísmo e o Surrealismo 
para o mundo moderno. Entenderá que o Dada foi um movimento de grande importância, 
que surge com muita criatividade a partir da revolta contra o sofrimento da Primeira Guerra 
mundial. Compreenderá que o Surrealismo foi um desdobramento do Dadaísmo e recebeu 
influência direta da psicanálise de Freud. Perceberá que o Surrealismo está sendo produzido até 
nos dias atuais.
Para você aproveitar ao máximo o conteúdo deste módulo, que está muito curioso e instigante, 
sugerimos que finalizando esta página, faça a leitura cuidadosa do Conteúdo teórico e assista 
aos vídeos propostos ao longo dele. 
Divirta-se e boa leitura!
A atitude e o sonho
6
Unidade: A atitude e o sonho
Contextualização
Muitas vezes na vida cotidiana, testemunhamos situações bárbaras de violência humana que 
nos deixa completamente indignado(a)s, revoltado(a)s, em estado de tristeza, chegando até a 
pensar radicalmente que a vida parece não fazer o menor sentido. 
Um exemplo disso são as brutalidades históricas das guerras que o mundo já mostrou. Ou 
então, quando assistimos a acontecimentos tão surpreendentes e inesperados que nos parecem 
sonho, fantasia ou ficção científica. 
O Dada e o Surrealismo abordam essas questões sociais e psicológicas do ser humano de 
modo fascinante, como veremos neste módulo. Está preparado(a)? 
• Com o Dada, conhecido também por dadaísmo, você entenderá que muitas ações poéticas 
e artísticas nascem de situações que nos revoltam e nos deixam furiosos, motivando-nos a 
criar novas situações, novas visões e um novo mundo.
• Com o Surrealismo você vai compreender com detalhe o contexto e o significado desse 
tipo de pintura, e sua relação com o nosso modo de pensar e agir psicologicamente. 
Compreenderá que a arte surrealista está presente até mesmo na produção artística de 
nosso tempo. 
7
O Dada
Costuma ser na juventude, que nossas rebeldias ou atitudes irracionais se revelam e, 
algumas vezes, promovem mudanças no âmbito individual ou social. As vanguardas artísticas 
do Século XX já provaram isso. É dessa raiz rebelde que surge o Dada ou Dadaísmo. Uma das 
extravagantes e fecundas tendências da arte moderna. 
O Dada é um movimento de atitudes escandalosas, que começa conforme Gompertz (2013, 
p. 239) diz, com a revolta e “um ódio que havia sido provocado pela hedionda carnificina 
da Primeira Guerra Mundial”, caindo por terra a crença numa civilização de homens cultos, 
amantes das artes, honestos e pacificadores.
O movimento aconteceu entre 1915 e 1922, com suas raízes nas colagens cubistas de Picasso 
e Braque. As primeiras manifestações dadaístas acontecem quase simultaneamente na Suíça, 
Estados Unidos e França. 
Hugo Ball, 1916.
No ano de 1915, o jovem alemão de 29 anos de idade, Hugo Ball, 
fugindo da guerra, vai viver em Zurique, na Suíça, por ser uma cidade 
tranquila. Ele, um rapaz inquieto, poeta, filósofo, músico, pianista e escritor 
desejando se enturmar, resolve criar um uma espécie de clube destinado 
a ser um ambiente para manifestações artísticas. Ball alugou uma sala nos 
fundos de uma taberna (bar/restaurante). O nome dado ao estabelecimento 
foi: Cabaré Voltaire. 
Em fevereiro de 1916, ele distribuiu o seguinte press release: Cabaré 
Voltaire. Sob este nome foi formado um grupo de jovens artistas e 
escritores cujo objetivo é criar um centro de entretenimento artístico. 
A ideia do cabaré será convidar artistas a comparecer e apresentar 
números musicais e leituras nos encontros diários. Os jovens artistas 
de Zurique, seja qual for sua orientação, estão convidados a dar 
sugestões e contribuições de todos os tipos. A pessoa mais notável 
entre as que aceitaram o convite foi um poeta romeno chamado 
Tristan Tzara. (GOMPERTZ, 2013, p. 240).
Tristan Tzara, com seus 20 anos de idade, personalidade marcante 
e muito comunicativo, tornou-se amigo de Ball, e transforma-se na 
figura principal do movimento. Tzara lança, em 1916, o Manifesto 
dadaísta e os jovens começaram a apresentar no Cabaré Voltaire, 
performances em tons subversivos, nas quais, demonstravam ser contra 
tudo e todos os valores estabelecidos na sociedade como ideologias 
políticas, religiosas, econômicas, incluindo os movimentos artísticos 
modernistas. Fachada atual (foto de 2006)
Acesse o manifesto em:
http://sopanomel.blogspot.com.br/2012/01/manifesto-dadaista-de-tristan-tzara-de.html
8
Unidade: A atitude e o sonho
Você viu como o conteúdo do manifesto é uma mistura de “nada e tudo” ao mesmo tempo? 
Muito bem, essa “salada” mais tarde vai promover importantes desdobramentos como você 
verá pela frente. 
Juntaram-se a Hugo Ball e Tristan Tzara, conforme Cavalcanti (1978, p. 165) “refugiados 
escritores e artistas de várias nacionalidades. Nos países de origem, alguns haviam se manifestado 
publicamente contra I Guerra Mundial (1914-1918)”. Nomes como: 
• Hans Arp, pintor e poeta alemão; 
• Richard Huelsenbeck, escritor, poeta e médico alemão; 
• Emny Hennings, escritora e performer alemã; 
• Walter Serner, escritor e ensaísta alemão; 
• Hans Richter, compositor e músico húngaro; 
• Viking Eggeling, cineasta sueco. 
Essa turma não era de inocentes desinformados, ao contrário, sabiam se expressar e tinham 
algo a dizer.
O nome Dada foi escolhido de forma inacreditável. Cavalcanti (1978, p. 165) nos diz que 
“abriram ao acaso um dicionário Larrouse. Fechando os olhos, o poeta Tristan Tzara deixou 
cair o dedo sobre uma palavra qualquer. O dedo caiu sobre a palavra Dada”. Mas qual é o 
significado dessa palavra? É nada!, diziam. Veja como nos dicionários de diferentes línguas, 
a palavra aparece conforme Gompertz (2013, p. 240) “Em francês ela significa ‘cavalinho de 
pau’. Em alemão significa ‘até logo’, em romeno ‘sem dúvida’... uma palavra internacional”. 
Com essa atitude da surpresa, os dadaístas estavam operando e propondo um novo sistema 
criativo, baseado no método do acaso.
Os dadaístas, portanto, negam a razão e elegem o irracionalismo psíquico como lei humana, 
fonte de criação e princípio básico de sua estética. Certamente esse pensamento tem inspiração 
nos estudos psicanalíticos de Sigmund Freud, bastante divulgados na época que, para os poetas, 
esclarece Cavalcanti (1978, p. 166):
“não adiantava pensar, raciocinar, conduzir-se 
conscientemente, numa humanidade que havia 
perdido a razão”. 
Esse pensamento transformado em ação é a forma como os dadaístas construíam literalmente 
seus poemas. Eles recortavam várias palavras de artigos de jornal e as colocavam num saco. 
Em seguida misturavam bem essas tirinhas de papeis, e por fim, retirava aleatoriamente uma 
palavra por vez. Na mesma sequência colavam as palavras numa folha de papel. O resultado 
era um texto totalmente incompreensível, entendeu? Veja um exemplo aqui: 
http://cellorific.deviantart.com/art/Poema-Dada-18077222
O que você achou do poema dadaísta? O Cabaré Voltaire ficou na História e a imprensa 
acompanhava tudo que acontecia lá, se posicionando da seguinte forma:
9
“Com o mau gosto que os caracteriza, os dadaístas apelaram 
desta vez para o terrorífico. O cenário era um sótão de luzes quase 
apagadas. Por um alçapão, subiam gemidos. Escondido atrás de 
um armário, um engraçado injuriava as personalidades presentes. 
Sem gravatas e de luvas brancas, os dadaístas iam e vinham de 
um lado para o outro. André Breton mastigava fósforos. Ribemont-
Dessaignes clamava, a cada momento: - Chove sobre uma caveira! 
Aragon miava, Philippe Soulpault brincava de escondercom Tzara, 
enquanto Benjamin Péret e Chouchou apertavam-se as mãos, 
cumprimentando-se continuamente. No primeiro plano, Jacques 
Rigaut contava em voz alta, as pérolas dos colares das senhoras 
presentes”. (apud CAVALCANTI, 1978, p. 167).
Percebeu como a imprensa não ficava quieta? Mas as ações do Cabaré Voltaire mostravam 
os jovens bem rebeldes, não acha? Veja abaixo uma imagem de uma dessas ações poéticas:
Hugo Ball no Cabaret Voltaire, em 1916. (foto: Wikimedia Commons)
Com relação às Artes Plásticas, uma figura importante é a presença do artista Hans ou 
Jean Arp, que também foi membro do grupo de inspiração expressionista: Cavaleiro Azul. 
Mas suas pinturas dadaístas têm influencias diretas das colagens de Picasso e Braque: 
Pablo Picasso, La Suze, 1912,
papéis colados, gauche e carvão sobre papel, 65x 81cm.
Georges Braque , Nature morte sur la table, , 1913
papéis colados, carvão, tinta guache e lápis, 47 x 62 cm.
Jean Arp, Retângulos arranjados, 1916 
papel rasgado e colado, 49 x 25 cm.
10
Unidade: A atitude e o sonho
Arp ficou impressionado com a ousadia dos cubistas em utilizar recortes de jornais em 
suas pinturas, uma vez que eram materiais “vagabundos”. Interessado com essa possibilidade 
matérica, operou com jornais em sua pintura, de forma aleatória, quase como um poema 
dadaísta, deixando cair sobre a tela. A obra: A colagem com quadrados dispostos segundo as 
leis do acaso, de 1916-17, é um exemplo disso: 
Hans Arp, Colagem Disposta Segundo as Leis do Acaso.
Veja mais sobre Arp e seu processo criativo aqui:
http://youtu.be/k40U4UPiiPs?list=PLhQYXqniMrResK7GPYqA3LxNjxe-Ts_U3
Kurt Schwitters também fez centenas de colagens com a mesma metodologia do acaso, 
dando o nome coletivo de Merz, que significa “sobra”. Veja aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=2jcvf_SOpAU
O uso de materiais “desvalorizados” oriundos de Picasso, influenciando a obra de Arp e com 
fartura em Schwitters, ou seja, a ação de transformar esses materiais em arte teve sua maior 
expressão na obra do artista francês Marcel Duchamp. 
11
Duchamp, em 1917, transformou um mictório numa escultura ready-made, com o título de 
A Fonte. Gompertz (2013, p.246) completa “foi um gesto que fez de Duchamp o pai do Dada, 
movimento do qual ele não tinha a princípio nenhum conhecimento”. Veja a imagem abaixo:
Marcel Duchamp, A fonte, 1917. (foto: Wikimedia Commons)
O termo ready-made significa algo como: coisa 
pronta, feita, encontrada.
Duchamp, com essa atitude, com essa obra e com seus outros ready-mades, consegue mudar 
para sempre os rumos da História da Arte. A arte contemporânea apropria-se das ideias de 
Duchamp. Veja mais obras dele no link:
https://www.youtube.com/watch?v=FK0hEQz1zJw
Outro artista e muito amigo de Duchamp foi Francis Picabia, pintor e poeta francês, sua 
pintura recebeu influências do Impressionismo e do Fovismo até chegar à estética do acaso, do 
dadaísmo. Veja obras dele neste link:
https://www.youtube.com/watch?v=sS2av7z7ofs
Veja mais atitudes dos artistas do Dada em:
http://youtu.be/yXFG7NZZ1Ek?list=PLhQYXqniMrResK7GPYqA3LxNjxe-Ts_U3
Mas como tudo que é bom dura pouco, em 1922, quatro anos após o término da guerra, as 
feridas já estavam cicatrizando. Aspecto que enfraquecia as energias do dadaísmo, pois já não 
havia tantos motivos para revoltas e o grupo de Tristan Tzara enfrentava divergências internas. 
Já estava chegando o fim do Dada. 
Por obra dos franceses, está agora evoluindo para o Surrealismo, cujo 
manifesto aparece em setembro de 1924 e proclama o automatismo 
psíquico como fonte excusiva da criação artística, mas sem o 
anárquico e destruidor espírito dada. (CAVALCANTI, 1978, p. 167).
E assim chegamos ao fim do Dada, seguimos agora com o Surrealismo. 
12
Unidade: A atitude e o sonho
O Surrealismo
Você sabia que o surrealismo tem suas raízes nas automáticas e irracionais atitudes do 
dadaísmo? É isso mesmo! O movimento surgiu em Paris no ano de 1924, tornando-se uma das 
mais importantes tendências artísticas do Século XX. Sua origem vem da literatura por meio 
de um grupo de poetas vanguardistas e mais tarde estende-se para as artes plásticas, cinema e 
teatro.
Saiba que os artistas e estudiosos da década de 1920 estavam fascinados pela psicanálise. 
Teoria de Freud que estava em moda e abria novas possibilidades estéticas para uma renovada 
pintura com probabilidades de representar o mundo do inconsciente e do subconsciente da 
doutrina Freudiana. 
Surrealismo e surreal na linguagem cotidiana referem-se a acontecimentos 
de natureza bizarra ou estranhamente coincidentes. A palavra francesa “sur-
realisme” - “surrealismo” (super-realidade) foi utilizada pela primeira vez em 
1917 pelo poeta e crítico Guillaume Apollinaire, mas o significado teórico como 
conhecemos hoje, só foi adotado em 1924 por André Breton e Louis Aragon. 
(FARTING, 2010, p. 426).
Em 1924, o poeta André Breton, conforme Cavalcanti (1978, p.174) “adepto e experimentador 
dos métodos psicanalíticos”, escreveu o Manifesto do novo movimento Surrealista em Paris que:
Estava assinado por numerosos intelectuais e artistas. Nele se 
defendia o Surrealismo como automatismo psíquico puro, por meio 
do qual se expressa o funcionamento real do pensamento, sem 
qualquer fiscalização da razão e qualquer preocupação estética e 
moral. Inspirados em Freud, os surrealistas fizeram do subconsciente a 
fonte exclusiva da criação artística. As manifestações subconscientes 
devem ser expressas livremente, por mais irreais, absurdas e ilógicas, 
sem qualquer interferência da reflexão intelectual. (CAVALCANTI, 
1978, P. 174).
Veja aí que o Manifesto dava as direções estéticas com clareza, vislumbrando um recomeço, 
um mundo novo, na tentativa de esquecer um pouco as feridas da Guerra, terminada há cinco 
anos. O Manifesto expõe a crença dos surrealistas: por meio do automatismo psíquico, o homem 
conquistava completa libertação e também:
Afirmava-se, plena e totalmente, no que possuía de mais íntimo 
e verdadeiro. Superava as limitações da vida consciente, que se 
constituem de preconceitos filosóficos e políticos, crenças religiosas, 
legítimas inibições da personalidade, imposta pela educação 
e cultura. Refugiando-se em si mesmo, graças ao sonho e ao 
maravilhoso o homem estaria, ou poderia, viver na mais completa 
liberdade. (CAVALCANTI, 1978, P. 175).
13
Saiba
O Surrealismo ocorreu de 1918 a 1939. Com as seguintes fases: 
• Preparatória de 1923 a 1925. 
• Consolidação e crítica de 1925 a 1930. 
• De expansão de 1930 a 1939. 
Em 1928 Breton publicou o manifesto artístico Surrealismo e pintura, 
considerando a arte ligada ao inconsciente. Em 1930, o periódico A 
revolução surrealista mudou o nome para O surrealismo a serviço da 
revolução, valorizando a relação entre arte e política, que fez alguns 
artistas se afastarem dessa ideia. Assim, surge uma nova mudança: a 
ênfase para Surrealismo onírico, influenciados pela pintura metafísica 
de Giorgio De Chirico.
 
Acesse o Manifesto Surrealista na íntegra em:
http://www.culturabrasil.org/zip/breton.pdf
Você leu todo o manifesto? Percebeu que ele dá as dicas do movimento? Os poetas fundadores 
do Surrealismo foram os seguintes: André Breton, Louis Aragon, Guillaume Apollinaire, Paul 
Éluard, Antonin Artaud, Benjamin Péret, Philippe Soupault, Georges Ribemont Dessaines, 
Raymond Queneau entre outros. 
André Breton Louis Aragon Guillaume 
Apollinaire
Paul Éluard Antonin Artaud Benjamin Péret Philippe Soupault Georges Ribemont 
Dessaines
Raymond Queneau
Imagens: Wikimedia Commons
Realizavam experiências com hipnose, drogas, álcool, sessões 
espíritas e transes. Faziam jogos de respostas rápidas para revelar 
associações ocultas de palavras e escreviam poemas minimamente 
premeditados em sessões de “escrita automática”. Também 
contavam seus sonhos e os analisavam coletivamente enquanto 
discutiam os escritos psicanalíticos de Sigmund Freud. (FARTHING, 
2010, p.427).
O processo criativo do grupo ocorria da seguinte forma: no momentoem que anotavam 
as palavras no papel, operavam com muita rapidez para evitar interferências da razão e da 
lógica mental. Não usavam verbos, sujeitos, predicados e nem pontuações nos versos. E assim 
construíam seus poemas surrealistas. 
Esse mesmo automatismo psíquico aplicado à poesia aplicava-se também à pintura, Cavalcanti 
(1978, p. 176) esclarece que “o pintor surrealista procura representar, com a liberdade e pureza 
possíveis, as manifestações subconscientes (...) um mundo de sonho, fantástico e visionário”. 
Assim como no Abstracionismo, o Surrealismo divide-se em duas modalidades de artistas: Os 
figurativos e os abstratos. Vamos conhecê-los?
14
Unidade: A atitude e o sonho
Os surrealistas figurativos mais conhecidos são: 
Salvador Dali, um dos mais populares surrealistas, foi importante pintor catalão cujo 
trabalho chama muito a atenção por sua habilidade plástica de caráter naturalista adicionado a 
distorções bizarras e oníricas. Dali era um artista extravagante e enigmático: 
Ele anunciou sua chegada ao mundo da arte com uma sensacional 
exposição individual em Paris em 1929. Seu objetivo declarado era 
“sistematizar a confusão para ajudar a desacreditar completamente 
o mundo da realidade”. (...) Dali levou o surrealismo a um público 
mais amplo com imagens impressionantes e apelos explícitos à 
publicidade. Seus quadros tratavam tanto de suas fobias quanto de 
suas perversões e desejos. (FARTHING, 2010, p. 429).
Sua pintura mais popular é A persistência da memória, de 1931, com seus relógios derretidos 
numa bela paisagem. Veja essa pintura em: 
http://uploads5.wikiart.org/images/salvador-dali/the-persistence-of-memory-1931.jpg
Achou bonita? A persistência da memória é exemplo de um dos recursos clássicos do 
surrealismo: o sonho. 
André Breton: “O sonho (...) é um transporte para além da lógica e 
do raciocínio, onde realizamos todas as nossas tendências e cessam 
os motivos utilitários que regem nossa conduta na vida consciente”. 
(apud CAVALCANTI, 1978, p. 177).
Veja outras obras de Salvador Dali em:
https://www.youtube.com/watch?v=dUamdXDFP8k
René Magritte, importante artista surrealista belga, recebeu influência da arte metafísica, do 
artista grego Giorgio De Chirico, que pode ser visto neste link:
https://www.youtube.com/watch?v=3AwcKnXysXY
O que você achou de De Chirico? É bem semelhante aos surrealistas, não acha? Saiba que 
ele influenciou a arte Surrealista. E você talvez deva se perguntar: mas qual é a diferença entre 
a pintura metafísica e a surrealista? A diferença é que a metafísica de De Chirico surgiu entre 
1913 e 1920. Portanto bem antes do Surrealismo, que é a partir do ano de 1924. Entenda sobre 
a poética de De Chirico e o interesse de Magritte:
Apesar de nostálgicos pela escultura e pela arquitetura clássica da 
Renascença, os quadros de De Chirico, como A Recompensa do 
advinho, exibiam praças urbanas fantasmagoricamente silenciosas 
e vazias exceto por alguns objetos incongruentes toscamente 
pintados e estátuas inanimadas e sem rosto. (...) Magritte conheceu 
a obra de De Chirico em 1923 e durante vários anos desenvolveu 
um estilo repleto de enigmas pictóricos. (FARTHING, 2010, P. 428).
15
Veja a obra: A Recompensa do advinho de De Chirico em:
http://uploads3.wikiart.org/images/giorgio-de-chirico/the-soothsayer-s-recompense-1913.jpg
Voltando ao Magritte, que foi publicitário e, portanto, tinha noção do poder das imagens, 
suas pinturas possuem um tratamento de realismo mágico, são metáforas que apropriam-se de 
todos os recursos clássicos do surrealismo: o sonho já citado, o humor e o maravilhoso. Sobre o 
humor, conforme Yves Duplessis, um estudioso do surrealismo:
Depois de Freud, o humor aparece claramente 
como uma metamorfose do espírito de insubmissão, 
uma recusa de dobrar-se aos preconceitos sociais: 
é a máscara do desespero. Destruidor dos aspectos 
comuns da existência, o humor derrota o espírito pelo 
inesperado, arrancando-o de seus horizontes habituais 
e preparando-o, assim, para entrever outra realidade 
(Apud CAVALCANTI, 1978, p. 177).
Sobre o maravilhoso, nos diz Cavalcanti (1978, p. 177) “consiste, por sua vez, na abolição 
de qualquer espírito crítico, deixando-se completamente livre a imaginação”. Agora, procure 
perceber esses elementos na obra de Magritte, acessando o link:
https://www.youtube.com/watch?v=y7lr0SYUfEo
Que tal? Gostou das pinturas dele? Outros elementos presentes nas obras surrealistas, como 
disse André Breton, são: 
Existem outras relações que o espírito pode apreender, 
tão primárias como o acaso, a ilusão, o fantástico 
e o sonho. Essas diferentes espécies reúnem-se e 
conciliam-se num gênero que é a supra-realidade. 
(apud CAVALCANTI, 1978, p. 177).
Essas características da obra surrealista estarão presentes nas obras dos seguintes artistas:
Marc Chagall, veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=K7nrKP2ewN4
Paul Delvaux, veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=mQikpXmUEdo
Wolfgang Hutter, veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=E78rU3JY4dY
16
Unidade: A atitude e o sonho
Pablo Picasso, com algumas obras consideradas de caráter surrealista como: 
Guernica, veja ele em 3D:
https://www.youtube.com/watch?v=jc1Nfx4c5LQ
As três Bailarinas. Veja em: 
http://www.pablopicasso.org/images/paintings/three-dancers.jpg
Man Ray, este fotógrafo americano que por um descuido com seus filmes antes de revelá-los 
no estúdio, sem querer acende a luz, mas a apaga rapidamente e imagina que com essa ação 
havia estragado seus negativos ainda por revelar. Após a revelação dessas fotos, as imagens 
quase estragadas se revelam com aspecto belamente estranho. O acaso surrealista presenteia o 
artista. Veja em:
https://www.youtube.com/watch?v=DeZRmBAMw7U
Frida Kahlo, artista mexicana, considerada surrealista por ter criado uma obra carregada de 
simbolismos, cujo tema foi sua própria vida e o eterno sofrimento por motivo do acidente que 
sofreu e a deixou com a saúde debilitada. Veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=4UFkAA1J70Q
Diego Rivera, também mexicano, com alguns aspectos surrealistas em suas obras. Veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=F2bYY-AI3-U
Conseguiu ver todos os vídeos? Viu como o Surrealismo é fascinante? Agora veja a oura 
modalidade:
Os surrealistas abstratos mais famosos: 
Joan Miró, importante pintor catalão autor de obras fascinantes. Numa entrevista dada a 
James Johnson Sweeney em 1947 disse: 
Para mim a forma nunca é alguma coisa abstrata, 
mas sempre um signo de alguma coisa. É sempre um 
homem, um pássaro ou alguma outra coisa. Para mim 
a pintura nunca é a forma pela forma... (apud CHIPP, 
1999, p. 436) 
Veja mais obras de Joan Miró em:
https://www.youtube.com/watch?v=7zU1rJLqx0Y
17
Yves Taguy, francês e sem educação formal, como nos diz Farthing (2010, p. 428) “foi 
fascinado durante toda a vida por formações geológicas estranhas. Suas paisagens surrealistas 
costumavam conter (...) bizarras estruturas antropomórficas de pedra”. Veja suas obras no link:
https://www.youtube.com/watch?v=xu2hp1ITdp0
Saiba
Os pintores Salvador Dali, René Magritte e 
Yves Taguy, foram influenciados pela pintura 
metafísica de Giorgio De Chirico.
Hans ou Jean Arp, pintor alemão, veja sua obra em:
https://www.youtube.com/watch?v=IrIST9hspZM
Francis Picabia, artista francês, produziu obras surrealistas figurativas e também abstratas:
https://www.youtube.com/watch?v=qUqn4G_HAQs
https://www.youtube.com/watch?v=0xtFAIMpFdc
Max Ernest, alemão, também produziu obras surrealistas figurativas e abstratas, veja em: 
https://www.youtube.com/watch?v=M4ZinUfqiXE
Paul Klee, suíço, idem. Veja suas obras em:
https://www.youtube.com/watch?v=Dop3Xeo6pZo
Então, o que achou das obras surrealistas abstratas? Você se identifica mais com quais? As 
figurativas ou as abstratas? Com o passar do tempo ocorre rapidamente a difusão do surrealismo 
pela Europa, Estados Unidos e América do Sul. O movimento aparece em pinturas e esculturas 
de artistas como: Alberto Giacometti, AlexanderCalder, Henry Spencer Moore, Paul 
Delvaux, Victor Brauner, Hans Bellmer, Roberto Matta e Wifredo Lam. Veja vídeos 
desses artistas em material complementar.
Nos Estados Unidos, o surrealismo é fonte de inspiração para o expressionismo abstrato 
e a arte pop. No Brasil o surrealismo aparece em obras variadas e em diversos artistas. Por 
exemplo, em Ismael Nery e Cícero Dias. Atualmente muitos artistas continuam a tirar proveito 
das lições surrealistas. 
Finalizamos por aqui mais um dos principais movimentos modernistas do Século XX. 
Até mais!
18
Unidade: A atitude e o sonho
Material Complementar
Vídeos sobre obras e artistas:
Alberto Giacometti: ................ https://www.youtube.com/watch?v=oD__OK6aK8Q
Alexander Calder: .................. https://www.youtube.com/watch?v=0Xnj2sslIfo
Henry Spencer Moore: ........... https://www.youtube.com/watch?v=uH4bOXbPs7Q
Paul Delvaux: ......................... https://www.youtube.com/watch?v=TOzvVwFxXT8
Victor Brauner: ....................... https://www.youtube.com/watch?v=E52UzwnUumo
Hans Bellmer: ........................ https://www.youtube.com/watch?v=7OmW3fUAzo8
Roberto Matta: ....................... https://www.youtube.com/watch?v=Q_da71cvTpE
Wifredo Lam: .......................... https://www.youtube.com/watch?v=t1N4V57zGWE
Ismael Nery: ........................... https://www.youtube.com/watch?v=xrVknq20dVw
Cícero Dias: ............................ https://www.youtube.com/watch?v=2lwdulWuMnE
Livros:
Dadaísmo, autor: Dietmar Elger; Editora: Taschen
Surrealismo - Movimentos da Arte Moderna, autor: Bradley, Fiona; Editora: Cosac & Naify.
O Dada e o Surrealismo, autor: Ades, Dawn; Editora: Labor do Brasil.
Museus:
Centro de Estudos do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda:
http://www.fcm.org.pt/Museu.aspx?p=surrealismo
Cinema Dadaísta:
http://inter1produtora.blogspot.com.br/2012/05/o-cinema-dadaista.html
Cinema Surrealista:
https://ajanelaencantada.wordpress.com/surrealismo3/ 
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Referências
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CHIPP, H.B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
Dicionário da Pintura Moderna. Tradução Jacy Monteiro. São Paulo: Hemus, 1981.
FARTHING, Stephen. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2001.
GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 1995.
GOMPERTZ, Will. Isto é arte? 150 anos de arte moderna do Impressionismo até hoje. 1. ed. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
HAUSER, A. História Social da Literatura e da arte. São Paulo: Mestre Jou, 1982.
KINDERSLEY, Dorling. História ilustrada da arte. Os principais movimentos e as obras mais 
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READ, H. História da pintura moderna. São Paulo: Circulo do Livro, 1974.
STANGOS, N. Conceitos da Arte Moderna: Com 123 ilustrações. Rio de janeiro: Jorge 
Zahar Editor, 2000.
STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. 15. ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 2014.
Webgrafia
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http://sopanomel.blogspot.com.br/2012/01/manifesto-dadaista-de-tristan-tzara-de.html
Manifesto Surrealista. Disponível em:
http://www.culturabrasil.org/zip/breton.pdf
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Unidade: A atitude e o sonho
Anotações

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