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História da Arte Moderna A atitude e o sonho Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Pio de Souza Santana Revisão Textual: Profª. Esp. Natalia Conti 5 • O Dada • O Surrealismo · Abordar a importância do Dada ou Dadaísmo e do Surrealismo para a arte Moderna, fazer reconhecer seus artistas, contexto, especificidades e características; · facilitar o aprendizado estético sobre essas duas vanguardas. Caro(a) aluno(a), Nesta unidade você vai compreender o que significou o Dada ou Dadaísmo e o Surrealismo para o mundo moderno. Entenderá que o Dada foi um movimento de grande importância, que surge com muita criatividade a partir da revolta contra o sofrimento da Primeira Guerra mundial. Compreenderá que o Surrealismo foi um desdobramento do Dadaísmo e recebeu influência direta da psicanálise de Freud. Perceberá que o Surrealismo está sendo produzido até nos dias atuais. Para você aproveitar ao máximo o conteúdo deste módulo, que está muito curioso e instigante, sugerimos que finalizando esta página, faça a leitura cuidadosa do Conteúdo teórico e assista aos vídeos propostos ao longo dele. Divirta-se e boa leitura! A atitude e o sonho 6 Unidade: A atitude e o sonho Contextualização Muitas vezes na vida cotidiana, testemunhamos situações bárbaras de violência humana que nos deixa completamente indignado(a)s, revoltado(a)s, em estado de tristeza, chegando até a pensar radicalmente que a vida parece não fazer o menor sentido. Um exemplo disso são as brutalidades históricas das guerras que o mundo já mostrou. Ou então, quando assistimos a acontecimentos tão surpreendentes e inesperados que nos parecem sonho, fantasia ou ficção científica. O Dada e o Surrealismo abordam essas questões sociais e psicológicas do ser humano de modo fascinante, como veremos neste módulo. Está preparado(a)? • Com o Dada, conhecido também por dadaísmo, você entenderá que muitas ações poéticas e artísticas nascem de situações que nos revoltam e nos deixam furiosos, motivando-nos a criar novas situações, novas visões e um novo mundo. • Com o Surrealismo você vai compreender com detalhe o contexto e o significado desse tipo de pintura, e sua relação com o nosso modo de pensar e agir psicologicamente. Compreenderá que a arte surrealista está presente até mesmo na produção artística de nosso tempo. 7 O Dada Costuma ser na juventude, que nossas rebeldias ou atitudes irracionais se revelam e, algumas vezes, promovem mudanças no âmbito individual ou social. As vanguardas artísticas do Século XX já provaram isso. É dessa raiz rebelde que surge o Dada ou Dadaísmo. Uma das extravagantes e fecundas tendências da arte moderna. O Dada é um movimento de atitudes escandalosas, que começa conforme Gompertz (2013, p. 239) diz, com a revolta e “um ódio que havia sido provocado pela hedionda carnificina da Primeira Guerra Mundial”, caindo por terra a crença numa civilização de homens cultos, amantes das artes, honestos e pacificadores. O movimento aconteceu entre 1915 e 1922, com suas raízes nas colagens cubistas de Picasso e Braque. As primeiras manifestações dadaístas acontecem quase simultaneamente na Suíça, Estados Unidos e França. Hugo Ball, 1916. No ano de 1915, o jovem alemão de 29 anos de idade, Hugo Ball, fugindo da guerra, vai viver em Zurique, na Suíça, por ser uma cidade tranquila. Ele, um rapaz inquieto, poeta, filósofo, músico, pianista e escritor desejando se enturmar, resolve criar um uma espécie de clube destinado a ser um ambiente para manifestações artísticas. Ball alugou uma sala nos fundos de uma taberna (bar/restaurante). O nome dado ao estabelecimento foi: Cabaré Voltaire. Em fevereiro de 1916, ele distribuiu o seguinte press release: Cabaré Voltaire. Sob este nome foi formado um grupo de jovens artistas e escritores cujo objetivo é criar um centro de entretenimento artístico. A ideia do cabaré será convidar artistas a comparecer e apresentar números musicais e leituras nos encontros diários. Os jovens artistas de Zurique, seja qual for sua orientação, estão convidados a dar sugestões e contribuições de todos os tipos. A pessoa mais notável entre as que aceitaram o convite foi um poeta romeno chamado Tristan Tzara. (GOMPERTZ, 2013, p. 240). Tristan Tzara, com seus 20 anos de idade, personalidade marcante e muito comunicativo, tornou-se amigo de Ball, e transforma-se na figura principal do movimento. Tzara lança, em 1916, o Manifesto dadaísta e os jovens começaram a apresentar no Cabaré Voltaire, performances em tons subversivos, nas quais, demonstravam ser contra tudo e todos os valores estabelecidos na sociedade como ideologias políticas, religiosas, econômicas, incluindo os movimentos artísticos modernistas. Fachada atual (foto de 2006) Acesse o manifesto em: http://sopanomel.blogspot.com.br/2012/01/manifesto-dadaista-de-tristan-tzara-de.html 8 Unidade: A atitude e o sonho Você viu como o conteúdo do manifesto é uma mistura de “nada e tudo” ao mesmo tempo? Muito bem, essa “salada” mais tarde vai promover importantes desdobramentos como você verá pela frente. Juntaram-se a Hugo Ball e Tristan Tzara, conforme Cavalcanti (1978, p. 165) “refugiados escritores e artistas de várias nacionalidades. Nos países de origem, alguns haviam se manifestado publicamente contra I Guerra Mundial (1914-1918)”. Nomes como: • Hans Arp, pintor e poeta alemão; • Richard Huelsenbeck, escritor, poeta e médico alemão; • Emny Hennings, escritora e performer alemã; • Walter Serner, escritor e ensaísta alemão; • Hans Richter, compositor e músico húngaro; • Viking Eggeling, cineasta sueco. Essa turma não era de inocentes desinformados, ao contrário, sabiam se expressar e tinham algo a dizer. O nome Dada foi escolhido de forma inacreditável. Cavalcanti (1978, p. 165) nos diz que “abriram ao acaso um dicionário Larrouse. Fechando os olhos, o poeta Tristan Tzara deixou cair o dedo sobre uma palavra qualquer. O dedo caiu sobre a palavra Dada”. Mas qual é o significado dessa palavra? É nada!, diziam. Veja como nos dicionários de diferentes línguas, a palavra aparece conforme Gompertz (2013, p. 240) “Em francês ela significa ‘cavalinho de pau’. Em alemão significa ‘até logo’, em romeno ‘sem dúvida’... uma palavra internacional”. Com essa atitude da surpresa, os dadaístas estavam operando e propondo um novo sistema criativo, baseado no método do acaso. Os dadaístas, portanto, negam a razão e elegem o irracionalismo psíquico como lei humana, fonte de criação e princípio básico de sua estética. Certamente esse pensamento tem inspiração nos estudos psicanalíticos de Sigmund Freud, bastante divulgados na época que, para os poetas, esclarece Cavalcanti (1978, p. 166): “não adiantava pensar, raciocinar, conduzir-se conscientemente, numa humanidade que havia perdido a razão”. Esse pensamento transformado em ação é a forma como os dadaístas construíam literalmente seus poemas. Eles recortavam várias palavras de artigos de jornal e as colocavam num saco. Em seguida misturavam bem essas tirinhas de papeis, e por fim, retirava aleatoriamente uma palavra por vez. Na mesma sequência colavam as palavras numa folha de papel. O resultado era um texto totalmente incompreensível, entendeu? Veja um exemplo aqui: http://cellorific.deviantart.com/art/Poema-Dada-18077222 O que você achou do poema dadaísta? O Cabaré Voltaire ficou na História e a imprensa acompanhava tudo que acontecia lá, se posicionando da seguinte forma: 9 “Com o mau gosto que os caracteriza, os dadaístas apelaram desta vez para o terrorífico. O cenário era um sótão de luzes quase apagadas. Por um alçapão, subiam gemidos. Escondido atrás de um armário, um engraçado injuriava as personalidades presentes. Sem gravatas e de luvas brancas, os dadaístas iam e vinham de um lado para o outro. André Breton mastigava fósforos. Ribemont- Dessaignes clamava, a cada momento: - Chove sobre uma caveira! Aragon miava, Philippe Soulpault brincava de escondercom Tzara, enquanto Benjamin Péret e Chouchou apertavam-se as mãos, cumprimentando-se continuamente. No primeiro plano, Jacques Rigaut contava em voz alta, as pérolas dos colares das senhoras presentes”. (apud CAVALCANTI, 1978, p. 167). Percebeu como a imprensa não ficava quieta? Mas as ações do Cabaré Voltaire mostravam os jovens bem rebeldes, não acha? Veja abaixo uma imagem de uma dessas ações poéticas: Hugo Ball no Cabaret Voltaire, em 1916. (foto: Wikimedia Commons) Com relação às Artes Plásticas, uma figura importante é a presença do artista Hans ou Jean Arp, que também foi membro do grupo de inspiração expressionista: Cavaleiro Azul. Mas suas pinturas dadaístas têm influencias diretas das colagens de Picasso e Braque: Pablo Picasso, La Suze, 1912, papéis colados, gauche e carvão sobre papel, 65x 81cm. Georges Braque , Nature morte sur la table, , 1913 papéis colados, carvão, tinta guache e lápis, 47 x 62 cm. Jean Arp, Retângulos arranjados, 1916 papel rasgado e colado, 49 x 25 cm. 10 Unidade: A atitude e o sonho Arp ficou impressionado com a ousadia dos cubistas em utilizar recortes de jornais em suas pinturas, uma vez que eram materiais “vagabundos”. Interessado com essa possibilidade matérica, operou com jornais em sua pintura, de forma aleatória, quase como um poema dadaísta, deixando cair sobre a tela. A obra: A colagem com quadrados dispostos segundo as leis do acaso, de 1916-17, é um exemplo disso: Hans Arp, Colagem Disposta Segundo as Leis do Acaso. Veja mais sobre Arp e seu processo criativo aqui: http://youtu.be/k40U4UPiiPs?list=PLhQYXqniMrResK7GPYqA3LxNjxe-Ts_U3 Kurt Schwitters também fez centenas de colagens com a mesma metodologia do acaso, dando o nome coletivo de Merz, que significa “sobra”. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=2jcvf_SOpAU O uso de materiais “desvalorizados” oriundos de Picasso, influenciando a obra de Arp e com fartura em Schwitters, ou seja, a ação de transformar esses materiais em arte teve sua maior expressão na obra do artista francês Marcel Duchamp. 11 Duchamp, em 1917, transformou um mictório numa escultura ready-made, com o título de A Fonte. Gompertz (2013, p.246) completa “foi um gesto que fez de Duchamp o pai do Dada, movimento do qual ele não tinha a princípio nenhum conhecimento”. Veja a imagem abaixo: Marcel Duchamp, A fonte, 1917. (foto: Wikimedia Commons) O termo ready-made significa algo como: coisa pronta, feita, encontrada. Duchamp, com essa atitude, com essa obra e com seus outros ready-mades, consegue mudar para sempre os rumos da História da Arte. A arte contemporânea apropria-se das ideias de Duchamp. Veja mais obras dele no link: https://www.youtube.com/watch?v=FK0hEQz1zJw Outro artista e muito amigo de Duchamp foi Francis Picabia, pintor e poeta francês, sua pintura recebeu influências do Impressionismo e do Fovismo até chegar à estética do acaso, do dadaísmo. Veja obras dele neste link: https://www.youtube.com/watch?v=sS2av7z7ofs Veja mais atitudes dos artistas do Dada em: http://youtu.be/yXFG7NZZ1Ek?list=PLhQYXqniMrResK7GPYqA3LxNjxe-Ts_U3 Mas como tudo que é bom dura pouco, em 1922, quatro anos após o término da guerra, as feridas já estavam cicatrizando. Aspecto que enfraquecia as energias do dadaísmo, pois já não havia tantos motivos para revoltas e o grupo de Tristan Tzara enfrentava divergências internas. Já estava chegando o fim do Dada. Por obra dos franceses, está agora evoluindo para o Surrealismo, cujo manifesto aparece em setembro de 1924 e proclama o automatismo psíquico como fonte excusiva da criação artística, mas sem o anárquico e destruidor espírito dada. (CAVALCANTI, 1978, p. 167). E assim chegamos ao fim do Dada, seguimos agora com o Surrealismo. 12 Unidade: A atitude e o sonho O Surrealismo Você sabia que o surrealismo tem suas raízes nas automáticas e irracionais atitudes do dadaísmo? É isso mesmo! O movimento surgiu em Paris no ano de 1924, tornando-se uma das mais importantes tendências artísticas do Século XX. Sua origem vem da literatura por meio de um grupo de poetas vanguardistas e mais tarde estende-se para as artes plásticas, cinema e teatro. Saiba que os artistas e estudiosos da década de 1920 estavam fascinados pela psicanálise. Teoria de Freud que estava em moda e abria novas possibilidades estéticas para uma renovada pintura com probabilidades de representar o mundo do inconsciente e do subconsciente da doutrina Freudiana. Surrealismo e surreal na linguagem cotidiana referem-se a acontecimentos de natureza bizarra ou estranhamente coincidentes. A palavra francesa “sur- realisme” - “surrealismo” (super-realidade) foi utilizada pela primeira vez em 1917 pelo poeta e crítico Guillaume Apollinaire, mas o significado teórico como conhecemos hoje, só foi adotado em 1924 por André Breton e Louis Aragon. (FARTING, 2010, p. 426). Em 1924, o poeta André Breton, conforme Cavalcanti (1978, p.174) “adepto e experimentador dos métodos psicanalíticos”, escreveu o Manifesto do novo movimento Surrealista em Paris que: Estava assinado por numerosos intelectuais e artistas. Nele se defendia o Surrealismo como automatismo psíquico puro, por meio do qual se expressa o funcionamento real do pensamento, sem qualquer fiscalização da razão e qualquer preocupação estética e moral. Inspirados em Freud, os surrealistas fizeram do subconsciente a fonte exclusiva da criação artística. As manifestações subconscientes devem ser expressas livremente, por mais irreais, absurdas e ilógicas, sem qualquer interferência da reflexão intelectual. (CAVALCANTI, 1978, P. 174). Veja aí que o Manifesto dava as direções estéticas com clareza, vislumbrando um recomeço, um mundo novo, na tentativa de esquecer um pouco as feridas da Guerra, terminada há cinco anos. O Manifesto expõe a crença dos surrealistas: por meio do automatismo psíquico, o homem conquistava completa libertação e também: Afirmava-se, plena e totalmente, no que possuía de mais íntimo e verdadeiro. Superava as limitações da vida consciente, que se constituem de preconceitos filosóficos e políticos, crenças religiosas, legítimas inibições da personalidade, imposta pela educação e cultura. Refugiando-se em si mesmo, graças ao sonho e ao maravilhoso o homem estaria, ou poderia, viver na mais completa liberdade. (CAVALCANTI, 1978, P. 175). 13 Saiba O Surrealismo ocorreu de 1918 a 1939. Com as seguintes fases: • Preparatória de 1923 a 1925. • Consolidação e crítica de 1925 a 1930. • De expansão de 1930 a 1939. Em 1928 Breton publicou o manifesto artístico Surrealismo e pintura, considerando a arte ligada ao inconsciente. Em 1930, o periódico A revolução surrealista mudou o nome para O surrealismo a serviço da revolução, valorizando a relação entre arte e política, que fez alguns artistas se afastarem dessa ideia. Assim, surge uma nova mudança: a ênfase para Surrealismo onírico, influenciados pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico. Acesse o Manifesto Surrealista na íntegra em: http://www.culturabrasil.org/zip/breton.pdf Você leu todo o manifesto? Percebeu que ele dá as dicas do movimento? Os poetas fundadores do Surrealismo foram os seguintes: André Breton, Louis Aragon, Guillaume Apollinaire, Paul Éluard, Antonin Artaud, Benjamin Péret, Philippe Soupault, Georges Ribemont Dessaines, Raymond Queneau entre outros. André Breton Louis Aragon Guillaume Apollinaire Paul Éluard Antonin Artaud Benjamin Péret Philippe Soupault Georges Ribemont Dessaines Raymond Queneau Imagens: Wikimedia Commons Realizavam experiências com hipnose, drogas, álcool, sessões espíritas e transes. Faziam jogos de respostas rápidas para revelar associações ocultas de palavras e escreviam poemas minimamente premeditados em sessões de “escrita automática”. Também contavam seus sonhos e os analisavam coletivamente enquanto discutiam os escritos psicanalíticos de Sigmund Freud. (FARTHING, 2010, p.427). O processo criativo do grupo ocorria da seguinte forma: no momentoem que anotavam as palavras no papel, operavam com muita rapidez para evitar interferências da razão e da lógica mental. Não usavam verbos, sujeitos, predicados e nem pontuações nos versos. E assim construíam seus poemas surrealistas. Esse mesmo automatismo psíquico aplicado à poesia aplicava-se também à pintura, Cavalcanti (1978, p. 176) esclarece que “o pintor surrealista procura representar, com a liberdade e pureza possíveis, as manifestações subconscientes (...) um mundo de sonho, fantástico e visionário”. Assim como no Abstracionismo, o Surrealismo divide-se em duas modalidades de artistas: Os figurativos e os abstratos. Vamos conhecê-los? 14 Unidade: A atitude e o sonho Os surrealistas figurativos mais conhecidos são: Salvador Dali, um dos mais populares surrealistas, foi importante pintor catalão cujo trabalho chama muito a atenção por sua habilidade plástica de caráter naturalista adicionado a distorções bizarras e oníricas. Dali era um artista extravagante e enigmático: Ele anunciou sua chegada ao mundo da arte com uma sensacional exposição individual em Paris em 1929. Seu objetivo declarado era “sistematizar a confusão para ajudar a desacreditar completamente o mundo da realidade”. (...) Dali levou o surrealismo a um público mais amplo com imagens impressionantes e apelos explícitos à publicidade. Seus quadros tratavam tanto de suas fobias quanto de suas perversões e desejos. (FARTHING, 2010, p. 429). Sua pintura mais popular é A persistência da memória, de 1931, com seus relógios derretidos numa bela paisagem. Veja essa pintura em: http://uploads5.wikiart.org/images/salvador-dali/the-persistence-of-memory-1931.jpg Achou bonita? A persistência da memória é exemplo de um dos recursos clássicos do surrealismo: o sonho. André Breton: “O sonho (...) é um transporte para além da lógica e do raciocínio, onde realizamos todas as nossas tendências e cessam os motivos utilitários que regem nossa conduta na vida consciente”. (apud CAVALCANTI, 1978, p. 177). Veja outras obras de Salvador Dali em: https://www.youtube.com/watch?v=dUamdXDFP8k René Magritte, importante artista surrealista belga, recebeu influência da arte metafísica, do artista grego Giorgio De Chirico, que pode ser visto neste link: https://www.youtube.com/watch?v=3AwcKnXysXY O que você achou de De Chirico? É bem semelhante aos surrealistas, não acha? Saiba que ele influenciou a arte Surrealista. E você talvez deva se perguntar: mas qual é a diferença entre a pintura metafísica e a surrealista? A diferença é que a metafísica de De Chirico surgiu entre 1913 e 1920. Portanto bem antes do Surrealismo, que é a partir do ano de 1924. Entenda sobre a poética de De Chirico e o interesse de Magritte: Apesar de nostálgicos pela escultura e pela arquitetura clássica da Renascença, os quadros de De Chirico, como A Recompensa do advinho, exibiam praças urbanas fantasmagoricamente silenciosas e vazias exceto por alguns objetos incongruentes toscamente pintados e estátuas inanimadas e sem rosto. (...) Magritte conheceu a obra de De Chirico em 1923 e durante vários anos desenvolveu um estilo repleto de enigmas pictóricos. (FARTHING, 2010, P. 428). 15 Veja a obra: A Recompensa do advinho de De Chirico em: http://uploads3.wikiart.org/images/giorgio-de-chirico/the-soothsayer-s-recompense-1913.jpg Voltando ao Magritte, que foi publicitário e, portanto, tinha noção do poder das imagens, suas pinturas possuem um tratamento de realismo mágico, são metáforas que apropriam-se de todos os recursos clássicos do surrealismo: o sonho já citado, o humor e o maravilhoso. Sobre o humor, conforme Yves Duplessis, um estudioso do surrealismo: Depois de Freud, o humor aparece claramente como uma metamorfose do espírito de insubmissão, uma recusa de dobrar-se aos preconceitos sociais: é a máscara do desespero. Destruidor dos aspectos comuns da existência, o humor derrota o espírito pelo inesperado, arrancando-o de seus horizontes habituais e preparando-o, assim, para entrever outra realidade (Apud CAVALCANTI, 1978, p. 177). Sobre o maravilhoso, nos diz Cavalcanti (1978, p. 177) “consiste, por sua vez, na abolição de qualquer espírito crítico, deixando-se completamente livre a imaginação”. Agora, procure perceber esses elementos na obra de Magritte, acessando o link: https://www.youtube.com/watch?v=y7lr0SYUfEo Que tal? Gostou das pinturas dele? Outros elementos presentes nas obras surrealistas, como disse André Breton, são: Existem outras relações que o espírito pode apreender, tão primárias como o acaso, a ilusão, o fantástico e o sonho. Essas diferentes espécies reúnem-se e conciliam-se num gênero que é a supra-realidade. (apud CAVALCANTI, 1978, p. 177). Essas características da obra surrealista estarão presentes nas obras dos seguintes artistas: Marc Chagall, veja em: https://www.youtube.com/watch?v=K7nrKP2ewN4 Paul Delvaux, veja em: https://www.youtube.com/watch?v=mQikpXmUEdo Wolfgang Hutter, veja em: https://www.youtube.com/watch?v=E78rU3JY4dY 16 Unidade: A atitude e o sonho Pablo Picasso, com algumas obras consideradas de caráter surrealista como: Guernica, veja ele em 3D: https://www.youtube.com/watch?v=jc1Nfx4c5LQ As três Bailarinas. Veja em: http://www.pablopicasso.org/images/paintings/three-dancers.jpg Man Ray, este fotógrafo americano que por um descuido com seus filmes antes de revelá-los no estúdio, sem querer acende a luz, mas a apaga rapidamente e imagina que com essa ação havia estragado seus negativos ainda por revelar. Após a revelação dessas fotos, as imagens quase estragadas se revelam com aspecto belamente estranho. O acaso surrealista presenteia o artista. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=DeZRmBAMw7U Frida Kahlo, artista mexicana, considerada surrealista por ter criado uma obra carregada de simbolismos, cujo tema foi sua própria vida e o eterno sofrimento por motivo do acidente que sofreu e a deixou com a saúde debilitada. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=4UFkAA1J70Q Diego Rivera, também mexicano, com alguns aspectos surrealistas em suas obras. Veja em: https://www.youtube.com/watch?v=F2bYY-AI3-U Conseguiu ver todos os vídeos? Viu como o Surrealismo é fascinante? Agora veja a oura modalidade: Os surrealistas abstratos mais famosos: Joan Miró, importante pintor catalão autor de obras fascinantes. Numa entrevista dada a James Johnson Sweeney em 1947 disse: Para mim a forma nunca é alguma coisa abstrata, mas sempre um signo de alguma coisa. É sempre um homem, um pássaro ou alguma outra coisa. Para mim a pintura nunca é a forma pela forma... (apud CHIPP, 1999, p. 436) Veja mais obras de Joan Miró em: https://www.youtube.com/watch?v=7zU1rJLqx0Y 17 Yves Taguy, francês e sem educação formal, como nos diz Farthing (2010, p. 428) “foi fascinado durante toda a vida por formações geológicas estranhas. Suas paisagens surrealistas costumavam conter (...) bizarras estruturas antropomórficas de pedra”. Veja suas obras no link: https://www.youtube.com/watch?v=xu2hp1ITdp0 Saiba Os pintores Salvador Dali, René Magritte e Yves Taguy, foram influenciados pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico. Hans ou Jean Arp, pintor alemão, veja sua obra em: https://www.youtube.com/watch?v=IrIST9hspZM Francis Picabia, artista francês, produziu obras surrealistas figurativas e também abstratas: https://www.youtube.com/watch?v=qUqn4G_HAQs https://www.youtube.com/watch?v=0xtFAIMpFdc Max Ernest, alemão, também produziu obras surrealistas figurativas e abstratas, veja em: https://www.youtube.com/watch?v=M4ZinUfqiXE Paul Klee, suíço, idem. Veja suas obras em: https://www.youtube.com/watch?v=Dop3Xeo6pZo Então, o que achou das obras surrealistas abstratas? Você se identifica mais com quais? As figurativas ou as abstratas? Com o passar do tempo ocorre rapidamente a difusão do surrealismo pela Europa, Estados Unidos e América do Sul. O movimento aparece em pinturas e esculturas de artistas como: Alberto Giacometti, AlexanderCalder, Henry Spencer Moore, Paul Delvaux, Victor Brauner, Hans Bellmer, Roberto Matta e Wifredo Lam. Veja vídeos desses artistas em material complementar. Nos Estados Unidos, o surrealismo é fonte de inspiração para o expressionismo abstrato e a arte pop. No Brasil o surrealismo aparece em obras variadas e em diversos artistas. Por exemplo, em Ismael Nery e Cícero Dias. Atualmente muitos artistas continuam a tirar proveito das lições surrealistas. Finalizamos por aqui mais um dos principais movimentos modernistas do Século XX. Até mais! 18 Unidade: A atitude e o sonho Material Complementar Vídeos sobre obras e artistas: Alberto Giacometti: ................ https://www.youtube.com/watch?v=oD__OK6aK8Q Alexander Calder: .................. https://www.youtube.com/watch?v=0Xnj2sslIfo Henry Spencer Moore: ........... https://www.youtube.com/watch?v=uH4bOXbPs7Q Paul Delvaux: ......................... https://www.youtube.com/watch?v=TOzvVwFxXT8 Victor Brauner: ....................... https://www.youtube.com/watch?v=E52UzwnUumo Hans Bellmer: ........................ https://www.youtube.com/watch?v=7OmW3fUAzo8 Roberto Matta: ....................... https://www.youtube.com/watch?v=Q_da71cvTpE Wifredo Lam: .......................... https://www.youtube.com/watch?v=t1N4V57zGWE Ismael Nery: ........................... https://www.youtube.com/watch?v=xrVknq20dVw Cícero Dias: ............................ https://www.youtube.com/watch?v=2lwdulWuMnE Livros: Dadaísmo, autor: Dietmar Elger; Editora: Taschen Surrealismo - Movimentos da Arte Moderna, autor: Bradley, Fiona; Editora: Cosac & Naify. O Dada e o Surrealismo, autor: Ades, Dawn; Editora: Labor do Brasil. Museus: Centro de Estudos do Surrealismo da Fundação Cupertino de Miranda: http://www.fcm.org.pt/Museu.aspx?p=surrealismo Cinema Dadaísta: http://inter1produtora.blogspot.com.br/2012/05/o-cinema-dadaista.html Cinema Surrealista: https://ajanelaencantada.wordpress.com/surrealismo3/ 19 Referências CAVALCANTI. C. Como entender a pintura moderna. Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1978. CHIPP, H.B. Teorias da Arte Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1996. Dicionário da Pintura Moderna. Tradução Jacy Monteiro. São Paulo: Hemus, 1981. FARTHING, Stephen. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2001. GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 1995. GOMPERTZ, Will. Isto é arte? 150 anos de arte moderna do Impressionismo até hoje. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. HAUSER, A. História Social da Literatura e da arte. São Paulo: Mestre Jou, 1982. KINDERSLEY, Dorling. História ilustrada da arte. Os principais movimentos e as obras mais importantes. São Paulo: Publifolha, 2014. READ, H. História da pintura moderna. São Paulo: Circulo do Livro, 1974. STANGOS, N. Conceitos da Arte Moderna: Com 123 ilustrações. Rio de janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014. Webgrafia Manifesto Dadaísta. Disponível em: http://sopanomel.blogspot.com.br/2012/01/manifesto-dadaista-de-tristan-tzara-de.html Manifesto Surrealista. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/zip/breton.pdf 20 Unidade: A atitude e o sonho Anotações