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Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 1 As células são estruturas orgânicas e dinâmicas, ajustando assim, constantemente sua estrutura e função frente as demandas de alterações e estresses extracelular. Dessa forma, em condições normais as células atuam em um meio homeostático – Um meio que se mantém dentro de uma faixa interna constante e dos parâmetros fisiológicos. Assim, quando estão sob estresse fisiológico ou estímulo patológico, podem sofrer uma nova adaptação a fim de estabelecer um novo meio constante preservando a viabilidade e função. As principais respostas adaptativas são hipertrofia, hiperplasia, atrofia e metaplasia. Entretanto, se esse estímulo extracelular for potencialmente nocivo ou a capacidade adaptativa permanecer de forma duradoura e excessiva, pode ser desenvolvido uma lesão celular. Nesse contexto, há um certo limite onde essa lesão é reversível e, dessa forma, as células retornarem ao seu estado basal estável, porém, caso o estresse seja grave e persistente a lesão pode se tornar irreversível, além da possibilidade de afetar a morte celular, evento esse importante para evolução de doenças em qualquer órgão e tecido - isquemia (redução do fluxo sanguíneo), infecções, toxinas e reações imunes. Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 2 Relação células lesada reversível ou irreversível- normais – adaptadas, é bem ilustrada pelas respostas do coração aos diferentes tipos de estresses. Miocardio → Hipertensão → Carga aumentada e persistente → Adaptação → Hipertrofia → Aumento das células individuais e depois de todo coração → surgiu uma isquemia? → Células sofrem lesão → Reversível? → Estresse leve ou oclusão parcial → Irreversível? → Morte celular – infarto • A lesão altera a morfologia e o estado funcional da célula • Importante salientar também que não depende apenas da natureza e gravidade do estresse que induz a adaptação de uma célula norma, outras variáveis, que incluem o metabolismo celular basal e o suprimento sanguíneo e nutricional • Adaptação fisiológicas → Resposta das células a estimulação de hormônios ou mediadores químicos. (normal) • Adaptação patológica → Resposta respostas ao estresse que permitem às células modularem sua estrutura e função escapando, assim, da lesão HIPERTROFIA Aumento do tamanho das células que resulta em aumento do tamanho do órgão. Observa-se, portanto, que na hipertrofia pura, não existem células novas apenas células maiores contendo quantidade aumentada de proteínas estruturais e de organelas. Na hipertrofia a célula possui capacidade limitada de se dividir, e ela pode ser fisiológica ou patológica, causada pelo aumento da demanda funcional ou por fatores de crescimento ou estimulação hormonal específica HIPERPLASIA Aumento do número de células devido à proliferação de células diferenciadas e substituição por células-tronco do tecido. Ocorre simultaneamente com a hipertrofia e sempre em resposta ao mesmo estímulo. Hiperplasia fisiológica • Hiperplasia hormonal → Ex.: proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade e durante a gravidez • Hiperplasia compensatória → cresce tecido residual após a remoção ou perda da porção de um órgão. Ex.: Retirada parcial do Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 3 fígado – as células começam a mitose por estímulo fatores de crescimento polipeptídicos produzidos pelos hepatócitos restantes, assim como as células não parenquimatosas do fígado. Hiperplasia patológica causada por estimulação excessiva hormonal ou por fatores do crescimento. Ex.: hiperplasia do endométrio, devido a um desbalanço entre o estrogênio e progesterona, é a causa comum de sangramento menstrual anormal. Processo hiperplásico permanece controlado; se os sinais que a iniciam cessam, a hiperplasia desaparece. A sensibilidade aos mecanismos de controle de regulação normal que diferencia as hiperplasias patológicas benignas das do câncer, no qual os mecanismos de controle do crescimento tornam-se desregulados ou ineficazes. Atrofia Diminuição do tamanho da célula, devido a perda de substância celular. Entretanto, deve-se atentar ao fato de que embora as células atróficas tenham sua função diminuída, elas não estão mortas. Causas que podem causar atrofia: redução da carga de trabalho (Ex: a imobilização de um membro para permitir o reparo de uma fratura); a perda da inervação, a diminuição do suprimento sanguíneo, a nutrição inadequada, a perda da estimulação endócrina e o envelhecimento (atrofia senil). Alguns podem ser fisiológicos como a perda da estimulação hormonal na menopausa ou patológicos como a desnervação. É promovida a retração da célula para um tamanho menor no qual a sobrevivência seja ainda possível, realizando um novo equilíbrio entre o tamanho da célula, suprimento sanguíneo e nutrição. Mecanismo de atrofia → Síntese proteica diminuída (devido a redução da atividade metabólica) + degradação proteica aumentada. É possível ainda ser acompanhada por autofagia proporcionado pelo aumento do número de vacúolos autofágicos que é realizado no intuito de encontrar nutrição e sobreviver. Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 4 Metaplasia É classificado como uma alteração reversível na qual um tipo celular adulto (epitelial ou mesenquimal) é substituído por outro tipo celular adulto. Nesse tipo de adaptação celular, uma célula sensível a determinado estresse é substituída por outro tipo celular mais capaz de suportar o ambiente hostil. Ex: mudança escamosa que ocorre no epitélio respiratório em fumantes habituais de cigarros. Onde as células epiteliais normais, colunares e ciliadas da traqueia e dos brônquios são focais ou difusamente substituídas por células epiteliais escamosas estratificadas. Embora o epitélio escamoso metaplásico possua vantagens de sobrevivência, importantes mecanismos de proteção são perdidos, como a secreção de muco e a remoção pelos cílios de materiais particulados. Além disso, as influências que induzem a transformação metaplásica, se persistirem, podem predispor à transformação maligna do epitélio. De fato, a metaplasia escamosa do epitélio respiratório sempre coexiste com cânceres compostos por células escamosas malignas. Acredita-se que, inicialmente, fumar cigarros cause a metaplasia escamosa e, mais tarde, os cânceres surjam em alguns desses focos alterados. Como a vitamina A é essencial para a diferenciação normal do epitélio, sua deficiência pode induzir também a metaplasia escamosa no epitélio respiratório. Importante ressaltar que a metaplasia não ocorre somente no sentido Epitélio Colunar → Epitélio escamoso. No refluxo gástrico crônico o epitélio pavimentoso normal da porção inferior do esôfago transforma-se em epitélio colunar do tipo gástrico ou intestinal. 1 maço = 20 cigarros → Nº de cigarros por Dia / 20 x nº de anos que o paciente fumou Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 5 Caso clínico Uma esperança! D.R.G, sexo masculino, casado, 68 anos. Chegou no pronto atendimento com queixa de piora na falta de ar, dor no peito e se sentindo muito fraco, além de tosse e escarro com sangue há 3 dias. Relata que a tosse é persistente há aproximadamente um ano, mas só recentemente notou a presença de sangue no escarro. Residente da região metropolitana de Salvador, hoje aposentado, mas trabalhou 35 anos em uma indústria metalúrgica no polo de Camaçari-Ba.Refere ser fumante desde os 18 anos e que consome em média 1 maço de cigarro/dia, com carga tabágica 50 anos-maço. Afirmou também que já foi diagnosticado com pneumonia e tratado adequadamente alguns anos atrás. Quanto aos hábitos de vida, refere não se alimentar adequadamente comendo “só o básico arroz com feijão” sem ingesta de verduras ou frutas. Diz ter perdido apetite e associou esse fato a perda de peso importante, aproximadamente 12 Kg nos últimos 3 meses. Apesar das dores e mal estar sentido, ele e sua acompanhante refere acreditar na cura e alta. Explicação Quadro sugestivo de câncer de pulmão composto células escamosas malignas. Esse quadro pode ser explicado pela exposição prolongada tanto ao cigarro – 50 anos-maço quanto a exposição ocupacional na indústria metalúrgica, esses dois fatos são grandes fatores de riscos para o desenvolvimento de doenças que comprometem as vias respiratórias. Isto porque, pode promover a metaplasia escamosa do epitélio respiratório onde as células epiteliais normais, colunares e ciliadas da traqueia e dos brônquios são focais ou difusamente substituídas por células epiteliais escamosas estratificadas mais adaptadas e com vantagens de sobrevivência a essa agressão constante a mucosa respiratória. Entretanto, importantes mecanismos de proteção são perdidos, como a secreção de muco e a remoção pelos cílios de materiais particulados. Além disso, as influências que induzem a transformação metaplásica, se persistirem, podem predispor à transformação maligna do epitélio com possibilidade de aparecimento de câncer em um desses focos alterados. Somado a esses fatos, os hábitos de vida do paciente sugerem uma baixa nas vitaminas essências devido sua baixa ingestão de verduras e frutas, esse fato pode refletir diretamente em uma deficiência de Vitamina A que é essencial para a diferenciação normal do epitélio, logo, pode induzir também a metaplasia escamosa no epitélio respiratório. Efraim Solidade Pacheco – Graduando em medicina ______________________________________________________________________ 6 Quanto a queixa principal, enquadra-se nos sinais e sintomas de um quadro em estágio inicial de câncer de pulmão, sendo que os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado, mas algumas pessoas no estágio inicial podem apresentar: Tosse persistente, Escarro com sangue, Dor no peito, Rouquidão, Piora da falta de ar, perda de peso e de apetite importante o que foi apresentado pelo paciente pode ser considerado uma perda ponderal com importância clínica quando excede 5% do peso corporal ou 5 kg durante 6 meses. A pneumonia recorrente ou bronquite é um sinal e pode ser considerado no paciente devido sua história prévia relatada com um episódio de pneumonia, além do sentir-se cansado ou fraco referido. Ainda pode ser observado que nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns. Importante ressaltar que a metaplasia não ocorre somente no sentido Epitélio Colunar → Epitélio escamoso. No refluxo gástrico crônico o epitélio pavimentoso normal da porção inferior do esôfago transforma-se em epitélio colunar do tipo gástrico ou intestinal. Referência ROBBINS, S. L.; KUMAR, V. (ed.); ABBAS, A.K. (ed.); FAUSTO, N. (ed.). Patologia: Bases Patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.