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Documento Curricular
Referencial
de
Mundo Novo
MUNDO NOVO
2020
ESTADO DA BAHIA
PREFEITURA MUNICIPAL DE MUNDO NOVO
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA, DESPORTO E TURISMO
José Adriano da Silva
PREFEITO
Cláudio Lima Sanfront
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO, CULTURA, DESPORTO E TURISMO
Rita de Cássia Miranda Almeida de Oliveira
ARTICULADORA MUNICIPAL
EQUIPE DE REVISÃO E SISTEMATIZAÇÃO
Ana Lúcia Miranda dos Santos
Rita de Cássia Miranda Almeida de Oliveira
Sônia Maria de Santana
Tassiane Mendes Ferreira
Tatiane Macêdo Santos Macêdo
Valdilene Carlos de Lima Neves
COLABORADORES DE REVISÃO
Ariane de Cássia Ribeiro dos Santos
Cláudio Lima Sanfront
Dayse Souza dos Santos Alves
Emília Maria Andrade Leão
Mara Rosa Moura dos Santos
Paloma de Souza Ribeiro
Vanuza Nunes Barreiros Alves
COORDENADORES DE GEA’S
Ana Lúcia Miranda dos Santos
Ariane de Cássia Ribeiro dos Santos
Cinthia Guimarães dos Santos
Conceição Ribeiro Moreira
Davi Araujo Alves
Eliana Silva Pereira
Emília Maria Andrade leão
Givaldo dos Santos Carvalho
Izabela Cerqueira da Silva
Janileide Vasconcelos Perazzo
Jarbas Clementino de Souza Júnior
Leydja Nunes Vasconcelos
Luzinete Cruz de Souza
Maria Aparecida Mendes Rios
Mariza Pereira G. da Cunha
Moema Pereira Guimarães
Naara Sousa Santos Barbosa
Sandra Santos Lopes
Saulo de Lima Cerqueira
Sônia Maria de Santana
Tassiane Mendes Ferreira
Tatiane Andrade dos Santos
Tatiane Macêdo dos Santos
Valdilene Carlos de Lima Neves
Vanderlúcia Pereira C. Sampaio
Vania Aparecida da Silva
ASSESSORIA TÉCNICA
Herbert Gomes da Silva
SUPORTE TECNOLÓGICO
Arlênio Fernandes Batista / William Oliveira Fortes
EQUIPE DE ELABORAÇÃOO
Documento Curricular Municipal teve a participação, com enriquecedoras contribuições, dos
professores da Rede Municipal. São eles:
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
Adernoel dos Reis Teles
Adriana Nascimento Santos
Adson Cardoso dos Santos
Aislane Souza Alves Gonçalves
Alan de Araújo Souza
Aline Nery Xavier
Ana Angélica Alves dos S. Peixoto
Ana Carla Ayres Silva Santos
Ana Carolina dos Santos Peixoto
Ana Claudia de Jesus Neri
Ana Lúcia Miranda dos Santos
Ana Nery Souza Araújo Mendes
Anaide Alves Santos
Analice Costa Ferreira Mendes
Andressa Santos Pinho
Anete Alexandre Rodrigues Almeida
Ariana Souza Araújo Mendes
Ariane de Cássia Ribeiro dos Santos
Arlene Carvalho de Oliveira
Atilena de Aquino Gomes
Carlos Eduardo Amaro
Carlos Luís Santana de Lima
Cidiane Cerqueira Santos
Cinthia Guimarães dos Santos
Claúdia Queiroz Alves Macêdo
Conceição Ribeiro Moreira
Cristiane Alves Costa
Daiana de Souza Ribeiro
Daiane Dourado Araújo
Daiane Mendes Amorim
Dalize de Souza Carvalho Sena
Daniane de Oliveira Menezes
Daniela Araújo de Lima
Darceni Assis da Silva Ribeiro
Darcilene Assis da Silva Nunes
Darlúcia Souza da Silva
Dartesuene Maria Nascimento Silva
Davi Araujo Alves
Dayane Santos Costa
Dayse Souza dos Santos Alves
Debora Santos de Melo Macêdo
Denise Alves dos Santos
Deraci da Silva Ribeiro Lima
Dilma Gonçalves Silva Moreira
Dinorá Nery Xavier
Diolentynh Dourado Dias Oliveira
Ediléia Barreiros de Almeida
Edileuza Cerqueira Silva Santos
Edilma Chaves Pereira Oliveira
Eduarda Cristina Souza Araújo
Eliene Alves Silva
Elane Nepomuceno Correia
Eliana Silva Pereira
Eliana Vieira de Sena Almeida
Eliene Lima Brandão
Elisimary de Almeida Silva.
Elizabete Fernandes Lima Rocha
Elizabete Pereira de Novais
Emerson Santos Souza
Emília Maria Andrade Leão
Eusânia Andrade Oliveira
Evando Cardoso e Silva
Everaldo Araújo da Silva
Fábia Lima Carlos
Fayany Gomes Lima
Francisco Assis Pereira Oliveira
Geiza Queiroz Alves Sampaio
Géssica França Soares
Gidalva Batista dos Santos
Gideão da Silva Santos
Givaldo dos Santos Carvalho
Hélio Pires Silva
Herlan Márcio Barbosa da Silva.
Honória Pereira da Silva
Ianne Araújo Pires
Ilana Santana Cardoso Sodré
Ilzamar Lopes de Lima
Ione Lopes da Silva
Iranilde Souza Macedo
Isabella Correia de Jesus
Ismar Jesus Conceição
Ivaneide Matos Souza Alves
Ivaneide Oliveira Santos
Ivene Batista dos Santos
Ivene de Oliveira P Machado
Ivene Matos dos Santos
Ivone Ribeiro da Silva
Izabela Cerqueira da Silva
Jadna Mendes Lopes Oliveira
Jaiara Machado Santos
Janice Nery Queiroz
Janilde Sales dos Santos
Janileide Vasconcelos Perazzo
Janusia Lopes Patrocínio
Jarbas Azevedo Trindade
Jarbas Clementino de Souza Júnior
Jeanne Silva Aragão Santos
Jiuleide Barbosa de Araújo
Jocilene dos Santos
Joelice Santos Santigo
Joelma Oliveira de Almeida
Joelma Pereira da Silva
Joilma Miranda Macedo
Jonas Pereira Carlos Borges
Josenilce Luís de Lima
Josyêda de Queiroz M. França
Jucivane S. Lima de oliveira
Juliana Pereira Oliveira
Juliana Silva Matos Pires
Juneire O. da Silva Souza
Keila da Silva Barros Lima
Larissa Carneiro Borges
Leidiana Nascimento Santos
Leidiane Cristovam da Cunha
Leydja Nunes Vasconcelos
Lilia Trindade de Souza
Louiseane Macedo Sanches
Lucas Lopes de Lima Silva
Luciana Clementino de Souza
Luciano da Silva Oliveira
Lucicleide Ribeiro l. Araújo
Lucien Jesus Pires
Luís Guilherme de S. Cordeiro
Luiza Cruz de Souza
Luzinete Souza
Mara Rosa Moura dos Santos
Margarete Trindade de Souza
Maria Alice Q. Carvalho
Maria Aparecida Mendes Rios
Maria Aparecida Silva Santos
Maria Bethânia P. da Silva
Maria Carmem S. Santana Oliveira
Maria Cristiane Oliveira Santos.
Maria de Jesus dos Santos
Maria Eunice dos Santos
Maria Helena Carapiá
Maria Lele Cerqueira Silva Santos
Maria Lucinete D. Dantas
Maria Luêde Santos de Oliveira
Maria Zilda O. Borges Araújo
Marialda O. Moreira Vilela
Mariele Souza Silva
Mariney Freitas de Souza
Mariza Pereira G. da Cunha
Marta Cristina Campelo Petilo
Moema Pereira Guimarães
Naara Sousa Santos Barbosa
Nailde Silva Muniz
Nathanael Lopes Mascarenhas
Neuma Gomes da Silva
Oséias de Oliveira Lopes
Paloma de Souza Ribeiro
Patrícia Santos Ferreira
Paula Deia Santos Oliveira
Poliana Alves dos Santos Lima
Priscila Santos Cerqueira
Regiane Dias Nunes
Regina Lúcia Mendes de Almeida
Reijane Bastos Queiroz Souza
Rejane de Lima Rios
Renilda Pereira Cruz dos Santos
Rita de Cássia M. A. de Oliveira
Rodrigo Barbosa da Silva
Rosana dos Reis Cardoso
Rosângela Barreto Silva
Rosemeire Silva Santos
Rosineide Paixão Lima
Rozana Arruda dos S. Gonçalves
Sabrina da Silva Paixão
Samara Bispo Silva Belém
Samara Suely Araújo da S. Lima
Sandra Lúcia A. S. Guimarães
Sandra Santos Lopes
Sara Guimarães de oliveira
Sara Lacerda Souza
Saulo de Lima Cerqueira
Selma Almeida Conceição
Síbia Costa França
Sônia Maria de Santana
Tailane Oliveira Nunes
Taise Alves Araújo
Tania Alves Navarro Petilo
Tassiane Mendes Ferreira
Tatiana Andrade dos Santos
Tatiana Costa Nunes
Tatiane Macêdo dos Santos
Tatiane Pires Trindade
Uênia de Oliveira Silva Monteiro
Valdilene Carlos de Lima Neves
Valdineia dos S. Guimarães Silva
Valtenir Almeida Serra
Vanda da Silva Florêncio
Vanderlúcia Pereira C. Sampaio
Vania Aparecida da Silva
Vania Lúcia de Lima
Vania Oliveira Campos
Vanubia Nunes Barreiros Cordeiro
Vanusa Souza Queiroz
Vanuza Nunes Barreiros Alves
Vanuzia Alves de Souza Brito
Vanuzia de Souza Lima
Veranilde Ribeiro da Silva
Verônica de Oliveira S. Santos
Welington Santos Lima
Zaira Batista dos Santos
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
CARTA AOS EDUCADORES
A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto
Turismo do Município de Mundo Novo, através da Comissão
de Governança Municipal, tem a honra de apresentar aos
Educadores o Documento CurricularReferencial do Município
de Mundo Novo, Estado da Bahia, para a Educação Infantil e
Ensino Fundamental.
Instrumento elaborado com a participação ativa e
colaborativa de Docentes da Rede Municipal e Estadual,
Coordenadores e Supervisores que compõem a nossa Rede de
Ensino, o Documento Curricular Referencial fora alicerçado a
partir de uma consistente integração/socialização de saberes,
buscando aprimorar a Educação Básica Municipal.
Construído com o objetivo de orientar todos os
processos inerentes ao contexto da Educação, o currículo traz
consigo o respeito e a observância às singularidades e
particularidades de um Município extenso e plural como Mundo
Novo.
Nasce a partir do diálogo, divergência e convergência
entre as diversas propostas educacionais do nosso País,
levando-se em consideração as discussões, ações e atividades
pedagógicas no âmbito das Unidades Escolares.
Tem a função de nortear todos os processos educativos
do Município de Mundo Novo, fomentando a interação e o
diálogo entre os saberes e possibilitando a existência de um
instrumento que viabilize, através da ação pedagógica,
contemplar as especificidades da educação local e propiciem
transformações plausíveis, coerentes, executáveis e,
consequentemente, exitosas.
A partir da valorosa contribuição dos Profissionais da
Educação Municipal, pôde-se construir um Documento
Curricular Referencial que contemple o sujeito envolvido no
processo de formação em sua singularidade/diversidade,
respeitando suas necessidades, saberes, vivências, experiências
expectativas assim como as suas diferentes dimensões, numa
perspectiva de educação que se faça integral, inclusiva,
igualitária e equânime, possibilitando dessa forma a sua
participação mais efetiva nas transformações da sociedade em
que vive.
Gabinete do Secretário, 27 de Outubro 2020.
CLAUDIO LIMA SANFRONT
SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA,
DESPORTO E TURISMO
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
Saudações Curriculantes,
A Undime seccional Bahia, representada por sua Diretoria Executiva e Ampliada, e
através da sua equipe técnica, entendendo a importância de contribuir com os Dirigentes
Municipais de Educação do território baiano no fomento, na criação e execução das políticas
públicas tendo em vista a melhoria da qualidade da educação baiana, elaborou o Programa
de (Re)Elaboração dos Referenciais Curriculares Municipais do Estado da Bahia.
Inspirados na poesia do João Cabral de Melo Neto... “Um galo sozinho não tece uma
manhã”, desbravamos trilhas em busca de outros “galos” para que a tecitura pudesse ser
concretizada. A Universidade Federal da Bahia, a União Nacional dos Conselhos de Educação
e o Itaú Social juntaram-se a nós e, assim, foi possível mobilizar e engajar a Bahia num
grande movimento curriculante formacional, que envolveu 401 municípios e cerca de 60.000
profissionais do magistério, além de outros membros da comunidade escolar.
O desejo de ver/sentir/viver uma Bahia democrática, justa, solidária oportunizando às
suas crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos uma educação municipal cada vez mais
enriquecida por valores, éticos, estéticos, políticos, espirituais, ecológicos de modo a
consolidar a escola pública sob os princípios da educação integral, nos uniu até aqui.
A Undime Bahia, reconhece e agradece o importante e valoroso trabalho realizado por
todos os especialistas e formadores do Programa, mas especialmente, reconhece e agradece
todas as equipes de educadores das redes municipais de ensino dos 27 territórios de identidade
baiano que se autorizaram a autorar seus Referenciais Curriculares, mesmo em condições tão
adversas como a que estamos vivendo em 2020 em razão da pandemia pela COVID 19.
É nosso desejo ainda, que dentro em breve estejamos sentindo o perfume das flores e
o sabor dos frutos suculentos que serão colhidos a partir do trabalho realizado até aqui e,
também, do que será realizado em cada sala de aula das escolas da nossa Bahia.
O desafio apenas começou! Passamos para a próxima etapa: O processo formacional
no cotidiano das escolas. A Undime continuará na luta e na parceria com cada um dos 417
municípios da sua seccional. O Movimento Curriculante apenas teve início, e as conversações
curriculares continuam!
Um grande abraço.
Equipe Undime Bahia
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
SUMÁRIO
UMA EDUCAÇÃO PARA UMA SOCIEDADE MULTIRREFERENCIADA E GLOCAL . .....7
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E LEGAIS ............................................................................... ..9
MARCOS TEÓRICOS, METODOLÓGICOS E CONCEITUAIS ........................................................ 9
FUNDAMENTOS LEGAIS................................................................................................................. 14
PRINCIPIOS PARA UM REFERENCIAL CURRICULAR COMPROMETIDO COM SEU POVO.18
O TERRITÓRIO E SUAS EXPRESSÕES DE IDENTIDADE ........................................................... 18
A HISTÓRIA E A CULTURA COMO REFERÊNCIA ...................................................................... 22
RESPEITO A AUTONOMIA ESCOLAR ........................................................................................... 25
TRABALHO PEDAGÓGICO ARTICULADO POR COMPETÊNCIAS ........................................... 26
TRANSVERSALIDADES DOS TEMAS INTEGRADORES ............................................................ 29
Educação em Direitos Humanos .......................................................................................................... 30
Educação para Diversidade .................................................................................................................. 31
Educação para as Relações de Gênero e Sexualidade ........................................................................... 33
Educação para as Relações Étnico-Raciais ........................................................................................... 36
Educação para o Trânsito ..................................................................................................................... 37
Saúde na Escola ................................................................................................................................... 38
Educação Ambiental ............................................................................................................................ 39
Educação Financeira e para o Consumo ............................................................................................... 42
Educação Fiscal.................................................................................................................................... 47
PROJETO DE VIDA COMO PRINCÍPIO DA FORMAÇÃO .................................................. 49
AVALIAÇÃO EDUCACIONAL COMO ATO DE FORMAÇÃO ........................................... 52
UMA EDUCAÇÃO QUE POSSUI ESPECIFICIDADES ......................................................... 56
Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva .................................................................... 57
Marcos Normativos da Educação Especial ........................................................................................... 62
Trajetória Histórica .............................................................................................................................. 63
Dados da Inclusão em Mundo Novo-Ba ............................................................................................... 67
Fundamentos Pedagógicos .................................................................................................................. 67
Princípios da Para a Educação Especial ............................................................................................. ..73
A IMPORTÂNCIA DAS MODALIDADES .............................................................................75
Educação Escolar Indígena .................................................................................................................. 75
Educação Quilombola .......................................................................................................................... 80
Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas .................................................................................. 106
ESPECIFICIDADES E CONCEPÇÕES DA EDUCAÇÃO INFANTIL............................................130
EDUCAÇÃO INFANTIL .................................................................................................... ....130
CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA E DAS CRIANÇAS. ....................................................................... 133
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL. ............................................................................. 134
CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS. .................................................................................................... 136
AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL. .................................................................................. 138
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL .......................................................... 140
OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS .................................................................................................. 142
DIREITOS DE APRENDIZAGEM E ESTRUTURA DOS ORGANIZADORES .................. 149
ENSINO FUNDAMENTAL .................................................................................................... 182
ÁREA DE LINGUAGENS ...................................................................................................... 196
LÍNGUA PORTUGUESA ....................................................................................................... 198
ARTE ....................................................................................................................................... 417
EDUCAÇÃO FÍSICA .............................................................................................................. 526
LÍNGUA INGLESA ................................................................................................................ 553
ÁREA E COMPONENTE CURRICULAR MATEMÁTICA ................................................. 580
APRESENTAÇÃO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA ............................................................ 653
ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS ........................................................................................ 715
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
GEOGRAFIA .......................................................................................................................... 717
HISTÓRIA ............................................................................................................................... 761
ENSINO RELIGIOSO ............................................................................................................. 845
PROJETO DE VIDA ............................................................................................................... 845
EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS, ADULTAS E IDOSAS ............................................. 891
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 939
CRÉDITOS .............................................................................................................................. 946
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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O REFERENCIAL CURRICULAR MUNDONOVENSE: COMO
AS IDEIAS SE MATERIALIZARAM?
“Nosso estudo! Nossa aprendizagem! Nossa luta! Nosso norte... em
favor dos nossos alunos!”
Professora Maria Aparecida Mendes Rios
O documento Referencial Curricular de Mundo Novo para Educação Infantil e Ensino
Fundamental tem por objetivo endossar os princípios educacionais e os direitos de
aprendizagem, levando em consideração todas as dimensões do sujeito, com foco na
Educação Integral. A proposição do documento é incorporar inovações e atualizações
advindas dos marcos legais, do arcabouço teórico-metodológico do currículo, integrando
também aspectos identificados pelos segmentos da comunidade escolar, assim como as
especificidades dos educandos que são tão diversos e plurais e a realidade cultural do
território em que a educação acontece. Como o nome já propõe o documento vem referenciar
os Projetos Políticos Pedagógicos das escolas, seus currículos e outros documentos que regem
a educação do município, bem como o fazer pedagógico, contribuindo para uma educação que
oportunize a construção da identidade, da autonomia e da liberdade, que transite entre o local
e o global.
O processo de elaboração do Referencial Curricular do Município (RCM) iniciou-se a
partir de Maio de 2020 e se tornou possível a partir da assinatura do Termo de Compromisso
com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME/BA, em parceria
com a Universidade Federal da Bahia - UFBA, União Nacional dos Conselhos Municipais de
Educação – UNCME/BA e Itaú Social. Mediante esta pactuação, construiu-se um contexto de
ações que garantiu a materialização do RCM ora apresentado em sua Versão Preliminar. A
primeira ação foi à assinatura do Termo de Adesão (Secretaria Municipal de Educação e
UNDIME), publicação da Portaria de Nomeação da Comissão de Governança Municipal –
CGM, apropriação de saberes referentes a documentos oficiais que subsidiaram as leituras,
estudos e nossas produções, assim como o Documento Curricular Referencial da Bahia-
DCRB, A Lei de Diretrizes e Base (LDB), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a
Constituição Federal (CF/88) e tantos outros documentos que referendaram a caminhada rumo
à elaboração do documento.
Neste percurso os professores foram organizados nos Grupos de Estudos e
Aprendizagens - GEAs, com momentos programados para estudo do material, participação
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
6
nas lives formacionais organizadas pelo Programa de (Re) Elaboração dos Referencias
Municipais (UNDIME) e reuniões virtuais pelo Google meet mediadas pelos coordenadores
para direcionamento e acompanhamento das ações, momentos de exposição e reflexão dos
textos lidos e estudados, além de construção coletiva das produções que fariam parte do
documento. A ação-reflexão- ação esteve presente em todos os momentos do processo.
Os encontros virtuais com CGM e Duplas Gestoras tiveram como propósito o
direcionamento e acompanhamento das ações a serem desenvolvidas nos GEAs e a
sistematização dos textos pelo Núcleo Revisor da Comissão Municipal de Governança. E
finalmente Publicação nas plataformas virtuais para consulta pública.
Este regime de participação aqui referido esteve pautado na forma cooperativa,
colaborativa, resultado da união de forças, que envolveram os diversos segmentos da
educação municipal, de representantes das escolas estaduais e particulares, de um esforço
incondicional da Secretaria Municipal de Educação, da competente condução do Professor
Herbert Gomes e em especial do comprometimento e responsabilidade dos profissionais da
educação que se autorizaram nessa construção.
A tarefa não foi fácil, muitas foram às pedras no caminho, como bem afirmou
Drummond, mas todas transformadas em alicerce para efetivar um processo de construção
democrática, de reflexão sobre a educação do município: suas fragilidades e potencialidades,
sobre as políticas públicas, sobre as práticas, as ausências, as garantias ou não. Este caminhar
exigiu não somente atuação conjunta, coletiva, mas também comprometimento com a
educação de território (marcas e subjetividades dos sujeitos no espaço). Assim, o Referencial
Curricular do município (RCM), configura-se como uma construçãosocial, balizador dos
próprios documentos, respeitando seus contextos. Um verdadeiro marco-histórico, cultural
para a educação mundo-novense.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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UMA EDUCAÇÃO PARA UMA SOCIEDADE
MULTIRREFERENCIADA E GLOCAL
O referencial curricular de Mundo Novo tem como objetivo orientar a práxis
pedagógica e promover reflexões formadoras para toda a comunidade educacional do
município. Para isso, tomou como referência os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, a
Base Nacional Comum Curricular – BNCC, o Documento Referencial Curricular da Bahia –
DCRB e as legislações vigentes e se inspirou em fundamentos teóricos e de campos de
pesquisa sobre o estudo de currículos no Brasil.
Em seus princípios revela a intencionalidade da valorização dos diversos saberes que
constituem o existir humano e devem construir os pilares educacionais de forma equitativa,
democrática - começando com seu processo de elaboração que foi feito de modo participativo
e em muitas “mãos” - e que respeite a dignidade humana em todas as dimensões da formação
em nossas escolas.
A síntese das relações explicitas que permeiam e preenchem cada espaço desse
referencial é representado pela ilustração de um círculo relacional que possibilita sua
complementação ao passo que este documento apresentará sua organização, valores e
perspectivas, teóricas e práticas, sobre a educação mundo novense.
O conjunto de elementos que o constituem são resultados das implicações dos
educadores que se modificam e ressignificam ao ampliar-se por meio das diferentes etapas da
educação básica, a saber: educação infantil e ensino fundamental, as diferentes áreas do
conhecimento - linguagens, ciências da natureza, matemática, ensino religioso e ciências
humanas, e, ainda, todos os processos educacionais (LOPES&MACEDO), os quais
compreendem as ações realizadas pelos educadores e pelos educandos no dia a dia do
contexto da aprendizagem.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
8
A partir desse contexto, é fomentada a expectativa de que o ensino e aprendizagem
apresentem uma complementaridade em relação saberes, valores, atividades, vivências,
experiências e outras esferas da atuação humana, no convívio social, a partir de um contexto
local e com ampliações e inserções na esfera mundial da vida em diferentes sociedades e
culturas, principalmente quando intermediadas pelo mundo digital.
Ainda, compreender a importância da perspectiva de que os saberes e suas
constituições, assim como as implicações pelas expressões de identidades, constituem uma
natureza multirreferenciada (MACEDO, 2014) para este referencial curricular, que olha para
o presente e projeta o futuro pelo protagonismo da sua comunidade educadora.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS E LEGAIS
MARCOS TEÓRICOS, METODOLÓGICOS E CONCEITUAIS
Inspirado nos “Marcos Teóricos, Conceituais e Metodológicos” do Documento
Curricular Referencial da Bahia, que deve-se considerar o contexto sócio histórico e suas
múltiplas identidades culturais das comunidades, dando ênfase a valorização dos
conhecimentos tradicionais, como a cultura de um povo, pensando nas formações para
organização e formulação das relações de ensino e aprendizagem, trazendo os saberes, as
atividades, os valores ligados aos aspectos cognitivos, físicos, emocionais, sociais,
intelectuais e afetivos por meio da interação entre o professor e o aluno. Ainda, na relação de
ensino e aprendizagem, é importante a participação de toda comunidade escolar para além dos
documentos prescritos, compondo o processo de legitimação da identidade.
O referencial torna-se, assim, um documento norteador para as práticas pedagógicas
enriquecidas pelas vivências e experiências, potencializando as produções de conhecimento
pelas unidades escolares, permitindo o direito de aprendizagem e desenvolvimento dos
estudantes, transformando e intervindo em suas realidades, buscando entre os objetivos a
justiça social, com mais igualdade e equidade de oportunidade para todas e todos.
A concepção de aprendizagem é compreendida como um ato e um processo em
construção contínua, individual e relacional, em que se realizam transformações
cognitivas, afetivas, psicomotoras e socioculturais. Dessa forma, a aprendizagem e
sua mediação devem ser pensadas a partir da valoração compartilhada do ato de
aprender e deve ser perspectivada como construção socialmente referenciada.
(DCRB, 2019, p. 34)
O papel do professor é de mediador/facilitador e o aluno como protagonista da
aprendizagem ao longo da vida, assegurando uma relação de significados dos sujeitos com o
mundo mediado pelas informações e pelo conhecimento no processo de desenvolvimento
integral dos estudantes. Podemos compreender que este documento …. é, em outras palavras,
o coração da escola, o espaço central em que todos atuamos o que nos torna, nos diferentes
O referencial busca assegurar a
autonomia da escola ao
caracterizar seu ‘lugar’.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
10
níveis do processo educacional, responsáveis por sua elaboração. O papel do educador no
processo curricular é, assim, fundamental. Ele é um dos grandes artífices, queira ou não, da
construção dos currículos construídos que sistematizam nas escolas e nas salas de aula
(MOREIRA&CANDAU, 2008 p. 19)
Por não serem meros “reprodutores de informações”, os educadores optaram pelo
engajamento na prática interdisciplinar, abandonando o trabalho individual e fragmentado,
para exercer um trabalho com espírito de grupo, altruísmo e diálogo, num exercício constante
de pensar, refletir, pesquisar e dialogar os acontecimentos ocorridos no espaço escolar e fora
dele. E do ponto de vista de quem ensina, de quem realiza a gestão, de quem aprende e de
quem confia os seus neste espaço é que consideramos neste referencial a definição dos
princípios epistemológicos, didáticos pedagógicos, éticos e estéticos, bem como sua
organização curricular.
Nesse sentido, foram considerados como fundamentais nas proposições apresentadas
aqui Os atos de currículo (MACEDO, 2013), que dizem respeito a todas as atividades que se
organizam e se envolvem objetivando uma determinada formação, organização, formulação,
implementação, institucionalização, além da avaliação de saberes, estando interlaçados por
uma formação ética, política, estética e cultural, mas nem sempre estes atos são explícitos,
coerentes, absolutos, sólidos, burocráticos ou pré-escritos, ou seja, ele se movimenta e traz
novos significados e conceitos contemplando um ciclo de ensino-aprendizagem de acordo as
vivências dos envolvidos no vasto cenário da educação e, na prática dos educadores.
Compreende-se também que os atos de currículo (MACEDO, 2013) não se
restringem e nem tão pouco se limitam aos conteúdos, dizem respeito a um currículo em ação
e às práticas curriculares efetivadas nos espaços escolares numa perspectiva que englobe
professores, alunos, funcionários, comunidade, pois o processo formativo diz respeito aos
sujeitos envolvidos capazes de criarem estratégias e assim tornar significativo o processo de
ensino e aprendizagem, é neste sentido que a contextualização dos saberes precisa encontrar
condições para sua implementação.
Dessa forma, este referencial currícular
busca orientar ações educacionais que
devem ser flexível para garantir o
desenvolvimento pleno do ser humano:
intelectual, físico, afetivo, social e cultural, atendendo às necessidades dos educandos,
contemplando saberes diversos: conhecimento científico, crítico e criativo, repertório cultural,
Um referencial que valoriza ações que
promovam a emancipação e o protagonismo
do aluno, bem como seu desenvolvimento
pleno como cidadão.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO11
comunicação, cultura, projeto de vida, autoconhecimento, empatia, responsabilidade. Ele deve
conjugar ações que promovam a emancipação e o protagonismo do aluno, bem como seu
desenvolvimento pleno como cidadão. Com base em uma concepção de aprendizagem
contínua e numa perspectiva de valoração compartilhada, tornam-se necessárias atividades
que problematizem a realidade que o educando está inserido, para isso o educador deve
desenvolver um olhar crítico durante as mediações para direcionar o educando ao melhor
caminho. É importante enfatizar que a educação integral pensa os processos educativos para
além dos muros das escolas ou de qualquer instituição fechada em si, assim a educação
integral é todo e qualquer processo com potencial educativo.
O currículo vai além de saberes que precisam ser ensinados, ou temas que precisam
ser abordados, precisa ir ao encontro da realidade do alunado, dando-lhe a possibilidade de
aprender, desenvolver-se e construir-se de modo integral, desde um ser social, que trabalha,
tem família, a um indivíduo que se conhece e se reconhece como tal, sabendo lidar com
emoções, sentimentos, conviver com outros diferentes dele e que tem conhecimentos
necessários à sua vida como um todo.
Visto que a Educação Básica perpassa desde a infância até o ensino médio, torna-se,
então, necessário envolver diversos aspectos em suas competências, sendo estes: emocional,
intelectual, físico, social e cultural como citados na BNCC. Por essa diversidade de público, é
relevante tratar de características integrais do ser humano, como forma de também, reduzir as
desigualdades, sendo a escola lugar de inclusão.
Todos esses aspectos têm em comum o desenvolvimento integral, para que alcancem
seus objetivos e ainda sejam bem recebidos no mundo do trabalho, para ter boa convivência,
para lidar com situações diversas na vida. Desta forma, desde a infância até a velhice é
necessário a articulação e mediação entre o que se aprende e como aprender, para obtenção do
verdadeiro conhecimento. É relevante também, dar a este sujeito a autonomia de participação
para a compreensão da realidade em que vive. É preciso que de fato, as nossas práticas
educadoras incluam e contextualizem com as experiências e vivências do nosso público, para
assim, efetivar a educação Integral.
Diante dessas concepções, a rede municipal tem buscado formar seu alunado à luz
daquilo que o cerca, ao que está ao seu alcance e lhe permite crescer e desenvolver-se
enquanto sujeito integral.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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Correlacionando ao que foi citado, se por um lado é preciso fortalecer a formação dos
estudantes, por outro é notória a importância de ações formacionais, que propiciem mais
autonomia, criticidade, criatividade dos educadores no processo educativo, articuladas com
práticas que possibilitem a formação de alunos críticos, reflexivos, autônomos, empáticos,
problematizadores, autores dessa formação, da aprendizagem e da própria história. Esses
fatores coadunam com a formação do sujeito na sua integralidade, que se preocupa com si
mesmo, com os outros, que leem o mundo e são conscientes do seu poder de transformação.
Destaca-se que as experiências vivenciadas pelos professores da rede no seu
cotidiano escolar dialogam com a BNCC e DCRB, visto que nos últimos anos intensificou-se
as formações na própria escola (encontros formativos), Atividade Complementar – AC com
duração de 4 horas semanais, Construção do PPP e os Conselhos de Classe que permitem
avaliar não apenas os resultados obtidos pelos alunos, mas proporcionar a autoavaliação do
professor e de sua prática docente. Há ainda a preocupação em oferecer aos coordenadores
formação para que possam desenvolver em suas unidades de ensino formações com
professores e o desenvolvimento das modalidades organizativas. Não poderíamos deixar de
citar a importante e fundamental participação dos professores da Rede Municipal de Ensino
no processo de (re)elaboração curricular das escolas do município. Sem dúvida um momento
ímpar para todos os envolvidos.
Ao observar as competências gerais da BNCC pode-se notar que as mesmas exigem
que o trabalho pedagógico seja articulado de tal modo que essas competências possam
perpassar todas as áreas do conhecimento como também as mais diversas situações didáticas
em sala de aula.
Os Marcos Teóricos, Conceituais e Metodológicos, trazem uma concepção de
aprendizagem “como um ato e um processo em construção contínua, ao mesmo tempo
individual e relacional, em que se realizam transformações cognitivas, afetivas, psicomotoras
e socioculturais”; o compromisso com a formação para a cidadania plena e o desenvolvimento
integral dos estudantes; e as competências gerais configuradas na BNCC, articuladas em torno
do conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, repertório cultural, comunicação,
Este referencial cultiva o trabalho pedagógico seja articulado de tal modo
que essas competências possam perpassar todas as áreas do conhecimento
como também as mais diversas situações didáticas em sala de aula.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, autoconhecimento e autocuidado,
empatia e cooperação, responsabilidade e cidadania.
Os temas integradores são de fundamental importância na formação de crianças,
adolescentes, jovens, adultos e idosos e estes servirão de referência e orientação aos PPP das
escolas e Planos de Ensino (Organização Curricular), na “promoção dos princípios do respeito
aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental”, no sentido de
fortalecer que a promoção do respeito é o que deve presidir o trabalho pedagógico nas escolas
no viés da diversidade.
Percebe-se que os procedimentos educacionais vão além das expectativas de saberes que
precisam ser ensinados ou ainda dos temas que precisam ser abordados; ele precisa ir ao
encontro da realidade do aluno, dando a possibilidade de se desenvolver e se construir de
modo integral. Nesse sentido, É necessário enxergar as diferenças, trabalhando cada
especificidade com a ferramenta adequada.
Podemos buscar fundamentos na resolução 137/2019, no artigo 2º, onde afirma que a
BNCC é referência obrigatória para a construção ou revisão dos currículos, documento este
que deve atender às demandas e necessidades de toda comunidade escolar. No artigo 3º, trata
das orientações para o processo ensino-aprendizagem através de ações que tenham
significados para a vida dos alunos. Sob essa premissa, vale ressaltar, que a proposta
curricular da Educação de Jovens e Adultos EJA se alicerça em princípios e valores definidos
nas Diretrizes Curriculares Nacionais em consonância com a identidade dos estudantes e suas
práticas sociais e que a BNCC não contempla essa modalidade.
Diante do exposto, nota-se a importância da construção do Documento Curricular
Referencial do munícipio, pautada na contextualização de acordo com a realidade local,
considerando as vivências dos alunos e dos demais atores da educação, valorizando os
saberes, as culturas, entre outros fatores. Dessa forma, contribui para uma educação onde o
aluno se sinta parte efetiva do processo educacional. Logo, o referencial curricular municipal
deve ser considerado uma política de currículo por tratar-se de um documento base, que
aponta caminhos e orientações para a construção do currículo municipal, de forma flexível e
contextualizada e que seja integrado aos Projetos Político-Pedagógicos das unidades de
ensino, pois será nessa hora que serão decididos os caminhos de acordo com a Política de
Educação Integral que garanta qualidade com equidade.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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FUNDAMENTOS LEGAIS
A relevância da educação em nossa sociedade é indiscutível, no entanto ao longo de
um período de quase300 anos de história da Educação Brasileira, considerando o período a
partir de 1772, data da implantação do ensino público oficial no Brasil, o qual foi marcado
pelo delineamento de políticas públicas educacionais, traçadas para atender cada época,
resultando em uma sociedade marcada por uma série de desigualdades, onde os privilégios de
alguns demandam a exclusão de muitos resultando em um processo educacional altamente
excludente, que temos hoje.
Essas desigualdades refletem na educação, principalmente no que concerne a sua
qualidade, ao acesso, permanência, alfabetismo, e sucesso escolar dos estudantes. Analisar e
considerar o contexto sócio histórico que perpassa a educação é fundamental para
entendermos seus atuais entraves e buscarmos alternativas no intuito de enfrentarmos os
desafios que nos são impostos por transformações constantes, sucessivas e inevitáveis.
Portanto, pensar em educação, é pensar na busca pela melhoria da sociedade como um
todo, oportunizando a igualdade e princípios de equidade para todas e todos, porém sem
deixar de considerar e valorizar as múltiplas identidades, conhecimentos e tradições culturais
do nosso povo.
Nesse sentido, os marcos legais da educação, bem como a política curricular deve
refletir tal contexto sócio histórico marcado por profundas desigualdades, tão comuns ainda à
nossa realidade e divergentes do que preconiza o Estado Democrático de Direitos.
Do ponto de vista legal, a Constituição Federal é o primeiro marco legal que defende a
educação como direito de todos. Em seu Art. 205, institui que a educação,
“{...}direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” (BRASIL,
1998).
Dessa forma, devemos reconhecer que a educação é um compromisso para a formação
do desenvolvimento humano, levando em consideração às necessidades dos grupos sociais
que convivem nos espaços escolares públicos e privados, bem como aprendizagens essenciais
que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação
Básica, de modo que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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Sendo assim, explicitamos as bases legais apresentadas pelo Documento Curricular da
Bahia (DCRB), bem como do Plano Municipal de Educação (PME) de Mundo Novo, no
intuito de reunir princípios complementares, fundamentos e procedimentos para orientar as
políticas públicas educacionais e a elaboração, implementação e avaliação das orientações
curriculares municipais bem como a atuação nos projetos político-pedagógicos das escolas.
São elas:
1º - A constituição Federal de 1988, inspirada pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948) Artigo 205, que reconhece a educação como:
...direito de todos e dever do estado e da família, será promovida pela sociedade
com a colaboração da sociedade, visando ao desenvolvimento da pessoa, seu
preparo ao exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Brasil 1988).
2º - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) lei nº 8.069/90 no artigo 4º, reafirma
a quem resguarda o dever de assegurar os direitos fundamentais da criança e do adolescente:
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
3º - Estatuto da Juventude Lei nº 12852/2013 art. 7º, “o jovem tem direito à educação
de qualidade, com a garantia de educação básica, obrigatória e gratuita, inclusive para os que
a ela não tiveram acesso na idade adequada.” (Brasil, 2013).
4º - Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2013, artigo 21, diz que “o Poder Público criará
oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material
didático aos programas educacionais a ele destinados.”(Brasil, 2013).
5º - Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN Nº 9394/96, artigo 2º,
assim define os princípios gerais e finalidades da educação:
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e
nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.(Brasil, 2003 ).
6º - A Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, que aprova o Plano Nacional de
Educação(PNE);
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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A Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010, o Conselho Nacional de Educação que
define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (DCN);
A Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010, do Conselho Nacional de Educação
que “Fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove)
anos”;
Em nível local, temos o Plano Municipal de Educação (PME), um documento
construído coletivamente por representantes de diversos segmentos: pais, professores,
sociedade civil, entre outros e que deve considerar a realidade do município, baseado no PNE
que estabelece diretrizes, metas e estratégias que devem reger as iniciativas na área da
educação de 2014 a 2024 elaborando planejamentos específicos para fundamentar o alcance
dos objetivos previstos - considerando a situação, as demandas e necessidades locais.
As diretrizes que norteiam a construção do Plano Municipal de Educação de Mundo
Novo foram baseadas nas diretrizes do PNE Lei nº 13.005/14 são:
I – erradicação do analfabetismo;
II – universalização do atendimento escolar;
III – superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania
e na erradicação de todas as formas de discriminação;
IV – melhoria da qualidade do ensino;
V – formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e
éticos em que se fundamenta a sociedade;
VI – promoção do princípio da gestão democrática da educação pública; VII –
promoção humanística, científica, cultura e tecnológica do País;
VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como
proporção do Produto Interno Bruto – PIB, que assegure atendimento às necessidades
de expansão, com padrão de qualidade e equidade;
IX – valorização dos (as) profissionais da educação; e
X -promoção dos princípios de respeito aos direitos humanos, à diversidade e à
sustentabilidade socioambiental.
O PME consegue retratar muito bem as especificidades da nossa localidade, e muitas
dessas fazem jus a autonomia que é dada ao município e vai além do que é proposto pelo
DCRB. Para além do planejamento, faz-se necessário que toda a comunidade escola garanta o
cumprimento e execução das políticas educacionais, bem como a sua avaliação e
monitoramento constante para que coletivamente consigamos alcançar dados qualitativos em
nossa educação.
Conforme o DCRB:
[...] os marcos legais ora apresentados por si só não repercutem em garantias de
direitos, o compromisso pelo seu cumprimento perpassa pelo planejamento,
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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execução, monitoramento e avaliação das políticas educacionais e pelo controle
social em se fazer cumprir. Para tanto, os marcos legais devem ser considerados na
(re)elaboração coletiva dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) das escolas
públicas e privadas do Estado da Bahia.
Dessa forma, o Referencial Curricular Municipal reconhece que a educação é um
compromisso para a formação do desenvolvimento humano, levando em consideração às
necessidades dos grupos sociais que convivem nos espaços escolares públicos e privados,bem como as aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das
etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de
aprendizagem e desenvolvimento.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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PRINCIPIOS PARA UM REFERENCIAL CURRICULAR
COMPROMETIDO COM SEU POVO
O TERRITÓRIO E SUAS EXPRESSÕES DE IDENTIDADE
A educação do município de Mundo Novo, inspirada no DCRB, “considera as diversas
identidades que caracterizam o município, atribuindo às escolas o desenvolvimento de
competências voltadas à contextualização, ao aprofundamento e à construção das pluralidades
e singularidades dos seus territórios”(DCRB, p. 21). Além disso, apresenta orientações que
respeitam a diversidade de cada local onde a escola se insere, para evitar a exclusão de
especificidades identitárias.
Para falar em organização territorial tomamos por base a dinâmica realizada no
Estado da Bahia e nos debruçamos sobre os estudos dos diferentes conceitos, que abrangem
Território, Territorialidade e Identidade que foram fundamentais no processo de elaboração
deste Referencial.
O conceito de território, geografia clássica, remete-nos à ideia de poder exercido sobre
uma extensão do espaço por agentes políticos, econômicos e sociais, que estabelecem limites
e fronteiras de acordo com o tipo de uso e apropriação que exercem sobre este recorte
socioespacial. Para Raffestin (1993) o território não é apenas um espaço, mas sim um espaço
construído por sujeitos de ação, que atuam e o modificam de acordo com os seus objetivos e
interesses.
Dessa forma, “o território é uma construção histórica e, portanto social, a partir das
relações de poder (concreto e simbólico) que envolvem, concomitantemente, sociedade e
espaço geográfico” (HAESBAERT & LIMONAD, 2007, p.42), assim o território possui
consciência, apropriação e sobretudo identidade, pela coletividade que se vive e que se
produz, sempre em um processo dinâmico e dialético, cheio de possibilidades.
Assim, de acordo com a grandiosidade do Estado da Bahia, o mesmo foi dividido em
27 territórios delineados a partir de agrupamentos identitários municipais, geralmente
Um referencial curricular que considera
a valorização histórica e cultural do
município, onde os estudantes se
reconheçam como sujeitos históricos
pertencentes e agentes de sua
territorialidade.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
19
contíguos, formados de acordo com critérios sociais, culturais, econômicos e geográficos,
como apresenta o Documento Curricular da Bahia.
O conceito de territorialidade traz como característica específica o indivíduo e sua
percepção enquanto ser histórico e político capaz de se sentir pertencente a um determinado
espaço. Precisa-se ter em mente que o conceito de cultura e territorialidade estão
correlacionados.
“O território em que vivemos é mais que um simples conjunto de objetos, mediante
os quais trabalhamos, circulamos, moramos, mas também um dado simbólico. A
linguagem regional faz parte desse mundo de símbolos, e ajuda a criar esse
amálgama, sem o qual não se pode falar de territorialidade. Esta não provém do
simples fato de viver num lugar, mas da comunhão que com ele mantemos.”
(SANTOS, 1997, p.82)
Portanto, territorialidade é um fenômeno social que envolve indivíduos que fazem
parte do mesmo grupo e/ou de grupos distintos. Há continuidade e descontinuidade no
tempo e no espaço, as territorialidades estão intimamente ligadas a cada lugar: elas dão-lhe
identidade e são influenciadas pelas condições históricas e geográficas de cada lugar.
O município de Mundo Novo, localizado no Território 14
- Piemonte do Paraguaçu, não se difere dos demais
municípios baianos, apresentando um leque de
diversidade, pluralidade e também singularidade. O
município se estende por 1.491.994 km² e conta com
população estimada de 26.776 habitantes de acordo com
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, está dividido, além do distrito sede, em três
distritos, são eles: Ibiaporã (Bonita), Indaí (Covão) e Alto Bonito, tendo ainda nove povoados:
Umbuzeiro, Barra de Mundo Novo, Cobé (Belas Flores), Canjerana, Mirandas, Visgueira,
Jequitibá, Engenho de Água Branca e Santo Antônio. Cada um dos distritos e povoados, têm
suas manifestações culturais, contudo, em todos os lugares, constata-se a presença da
agricultura, das festas de vaqueiro e cavalgadas, das chulas, dos festejos juninos e dos
padroeiros.
Um referencial que entende a
territorialidade como um
fenômeno social que envolve
indivíduos que fazem parte do
mesmo grupo e/ou de grupos
distintos.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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Para pensar a realidade municipal faz-se necessário compreender aquilo que lhe dá
identidade e sentido, além de identificar os elementos que constituem as suas múltiplas
expressões. Saquet (2002) destaca que a territorialidade apreende os aspectos imateriais da
constituição múltipla do território no real, dividindo-se em territorialidades culturais
(folclóricas), políticas (do Estado, de partidos e de bairros) e econômicas (centradas na
criação de reprodução do capitalismo). Sob esta ótica, então a territorialidade está
intimamente associada a grupos sociais, eventos culturais e religiosos, intervenções públicas,
investimentos privados, entre outros. Neste sentido, afirma-se que a territorialidade também é
permeada por eventos que dão conteúdo a mesma, e que estão relacionados com o tempo e o
espaço, com o presente e o passado. Santos (1996) define o evento como um vetor das
possibilidades existentes no mundo, mais precisamente em uma formação social, tratada como
um país, uma região ou um lugar. Os eventos são realidades do presente e podem ser naturais,
sociais ou históricos. Além disso, não há evento sem sujeitos e atores, portanto, os eventos
envolvem um conjunto de ações em conflito que dinamizam os grupos sócio-históricos.
De acordo com Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional nº. 9394/1996, em seu
artigo 26:
“Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio
devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e
em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas
características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos
educandos.”(LDB/96)
Portanto, é direito dos discentes o (re) conhecimento do seu território, evidenciando
em nosso currículo, o que diz respeito a territorialidade do nosso município, mostrando aos
nossos alunos as nossas heranças, possibilitando que os mesmos se reconheçam dentro do seu
lugar.
É necessário apropriar-se dos elementos identitários despertando o sentimento de
pertença à Mundo Novo. Assim, é importante ressaltar que:
“A terra natal não é exatamente o lugar onde nossos mortos estão enterrados; é o
lugar onde temos nossas raízes, onde possuímos nossa casa, falamos nossa
linguagem, pulsamos nossos sentimentos mesmo quando ficamos em silêncio. É o
lugar onde sempre somos reconhecidos. É o que todos desejamos, no fundo do nosso
coração: sermos reconhecidos e bem recebidos sem nenhuma pergunta.” (SANTOS,
Milton. 1987. p. 83)
Em cada um dos cantos e recantos do Município de Mundo Novo encontramos
narrativas que reinventam modos de ser e de viver, a riqueza de sentidos que esses
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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conhecimentos promovem não pode ser desconsiderada no percurso formativo da Educação
Básica, devendo se integrar aos conhecimentos científicos, os saberes locais que
recontextualizam e reconectamos sujeitos. Segundo o DCRB, tais saberes se encontram no
entorno da escola, nos rios do município, nas paisagens naturais e culturais, na ancestralidade,
nos grupos culturais, no samba de roda, na chula, nas manifestaçõesreligiosas, nos locais de
convívio, nas festas tradicionais, na diversidade dos distritos e povoados, na história local, na
alimentação, na economia, na urbanização, na comunidade quilombola, entre tantos outros
espaços do Município, tais saberes devem estar inseridos nas práticas formativas escolares,
direcionando olhares, investigações, sem prejuízo do rigor científico, ao contrário,
conduzindo o aprimoramento da pesquisa científica a partir de elementos da territorialidade
com foco no contexto local, valorizando assim elementos identitários.
Referindo-se aos territórios, percebe-se a extensão e a diversidade encontrada, tanto na
cultura, quanto nas paisagens. A identidade cultural pode ser reconhecida facilmente. A
música, a comida, as festas baianas em geral, têm um impacto significativo, também pelo fato
de muitas delas estarem ligadas à religiosidade. É necessário que as escolas entendam a
importância dessas manifestações culturais e promova-as para que também o aluno possa se
emancipar, perceber-se e sobretudo, reconhecer-se como sujeito de determinado grupo social.
Ressalta-se que, em cada um dos cantos e recantos desse estado continental, são encontradas
narrativas que reinventam modos de ser e de viver; formas diversas de territorialidades. Esses
conhecimentos não podem ser desconsiderados no percurso formativo da Educação Básica,
uma vez que essa deve se integrar aos conhecimentos científicos, agregando os devidos
saberes que recontextualizam e reconectam sujeitos e saberes.
No contexto das territorialidades, a educação do município entende que não há
qualquer possibilidade de oferecer uma formação igualitária e de qualidade aos sujeitos sem
levar em consideração as particularidades locais.
No que tange o processo de ensino e aprendizagem o desenvolvimento das
competências gerais para a Educação básica encontra um espaço intencional e de
aprofundamento da contextualização das especificidades, sendo estas dos estudantes
individualmente, de seu município e territórios de identidade. Sendo assim, é preciso inserir
as vivências sociais dos alunos no contexto escolar, para promoção da solidariedade, parceria,
empatia, resiliência e cooperação entre os sujeitos sociais, como também arranjos produtivos
locais e a dinâmica da economia criativa, por meio de situações contextuais, concretas,
saberes e particularidades culturais que agreguem aos conhecimentos escolares o necessário
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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suporte para interpretação e atuação no mundo, uma vez que o desenvolvimento do sujeito
integral está atrelado a formação do cidadão em sua plenitude. Para tanto o contexto local
proporciona práticas cidadãs de fortalecimento da identidade do sujeito bem como a sua
capacidade de agir sobre a sua realidade, constituindo-se como sujeito politico-histórico.
É fundamental enxergar a si mesmo no outro e entender a importância do lugar onde
se vive. É necessário superar a rigidez institucional e aproximar o currículo da vida
procurando ver o invisível aos olhos e compreender os movimentos duais, que ocorrem no
confronto com o visível. Para consubstanciar essa proposta, faz-se necessário romper com
paradigmas unidimensionais do conhecimento e do aluno, concebendo-o como um ser
particular que se constitui na integralidade, através das múltiplas relações que estabelece com
o mundo.
Assim, este Referencial possui como um dos princípios a valorização histórica e
cultural do município, onde os estudantes se reconheçam como sujeitos históricos
pertencentes e agentes de sua territorialidade.
A HISTÓRIA E A CULTURA COMO REFERÊNCIA
Pensar a escola no contexto da modernidade é concebê-la como uma instituição que se
constrói historicamente, oportunizando aos sujeitos envolvidos em processo de formação o
que de mais significativo foi produzido pela humanidade: a cultura, mas sem nunca perder de
vista as trajetórias, vivências e experiências destes sujeitos que também são frutos da cultura e
produtores dela. Neste sentido este referencial deve ser pensado como um espaço vivo em
que a construção dos saberes se dá por meio de uma educação que confere centralidade ao
sujeito, às suas potencialidades, fragilidades, necessidades, histórias singulares e as mais
diversas interações que estabelece para além do contexto escolar.
O Currículo, portanto, é o resultado da incorporação das interações da vida dos
sujeitos que se manifestam dentro e fora do espaço escolar [...] O currículo é a
expressão da vida. Vida plena e indissociável, que resulta da unicidade dos
processos vitais e dos processos cognitivos. Essa unicidade pensada dentro da
proposta de auto-organização dos sistemas vivos de Maturana e Varela (2001)
percebe a organização autopoética como característica essencial para que a vida se
produza. Sendo assim o currículo volta- do para a vida traduz-se num espaço de
produção de conhecimento que se caracteriza não pela forma ordenadora com que se
potencializa, mas por uma dinâmica caótica que há muito vem sendo evidenciada
(PEREIRA, 2004, p. 54).
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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A educação escolar quando ocorre contextualizada às vivências e experiências dos
estudantes, ressignifica o processo de escolarização, tornando-os sujeitos do seu próprio
aprendizado, oportunizando encontrar lugar de fala, de identidade, de pertencimento, o que
contribui para aquisição dos novos saberes. Um ensino que ignorasse a história e realidade de
vida destes estudantes incorreria no risco de um processo fracassado pela fragmentação,
descontinuidade, pela falta de conexão com o mundo social, com as culturas diversas.
Conhecimentos totalmente descontextualizados desfavorecem, assim, um ensino mais
reflexivo e uma aprendizagem mais significativa, critica , pensada para contemplar o ser
humano em sua totalidade o que confere ao processo um grau maior de humanização e de
transformação. Freire ao longo de sua obra enfatizou esta necessidade de uma prática
humanizadora.
O sonho pela humanização, cuja concretização é sempre processo, e sempre devir,
passa pela ruptura das amarras reais, concretas, de ordem econômica, política,
social, ideológica etc., que nos estão condenando à desumanização. O sonho é assim
uma exigência ou uma condição que se vem fazendo permanente na história que
fazemos e que nos faz e re-faz. (FREIRE, 2001, p. 99)
Deste modo, este referencial curricular foi assim concebido, contemplando uma
educação integral, que reconhece e valida nos educandos, sujeitos de direitos, todas as suas
dimensões: intelectual, física, emocional, social e cultural, com foco na formação para a
autonomia, criticidade e responsabilidade individual e coletiva. Além disso, a educação que
pensa o sujeito em sua totalidade oportuniza tempo e espaço para a livre criação, valorização
e reconhecimento de saberes, fazeres, sentimentos, experiências, manifestações, vivencias,
respeitando assim a diversidade, pluralidade e ao mesmo tempo as diferentes culturas que
permeiam o contexto escolar.
O responsável definitivo da natureza, sentido e consistência do que os alunos e
alunas aprendem na sua vida escolar é este vivo, fluido e complexo cruzamento de
culturas que se produz na escola entre as propostas da cultura crítica, que se situa
nas disciplinas científicas, artísticas e filosóficas; as determinações da cultura
acadêmica, que se refletem no currículo; as influências da cultura social, constituídas
pelos valores hegemônicos do cenário social; as pressões cotidianas da cultura
institucional, presente nos papéis, normas, rotinas e ritos próprios da escola como
instituição social específica, e as características da cultura experiencial, adquirida
por cada aluno através da experiência dos intercâmbios espontâneos com seu
entorno. (Pérez Gómez, 1998, p. 17)
Ao se levar em consideraçãoa diferença como ponto de partida para concebermos a
realidade plural, o currículo pode ser analisado pela perspectiva de um espaço-tempo onde
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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diferenças culturais, trajetórias e, conhecimentos são constantemente confrontados na busca
do novo. As experiências de aprendizagem propostas pelo currículo passam a ser um local
onde as diferenças são traduzidas e modificadas a partir de suas especificidades, ocasionando
assim um processo de negociação continuo. Afinal, na visão de Paraíso (2010), o currículo é a
própria diferença.
No contexto da modernidade, então, não há mais espaço para se pensar a educação
sobre o viés da hegemonia, da monocultura, que torna igual o que se apresenta tão diverso e
plural e tão pouco conceber uma escola que prioriza apenas o saber científico e desprestigia os
saberes tidos como populares advindos das práticas e vivências em um determinado território,
na convivência com outros sujeitos que também possuem suas histórias. Segundo Arroyo, os
currículos devem ser repensados de forma a valorizar as vivências de mestres e educandos e
incorporem as experiências sociais, políticas e culturais como produtoras de conhecimento.
Para o autor:
Reconhecer que todo conhecimento é uma produção social, produzido em
experiências sociais e que toda experiência social produz conhecimento pode nos
levar a estratégias de reconhecimento. Superar visões distanciadas, segregadoras de
experiências, de conhecimentos e de coletivos humanos e profissionais. Reconhecer
que há uma pluralidade e diversidade e não uma hierarquia de experiências humanas
e de coletivos, que essa diversidade de experiências é uma riqueza porque produzem
uma rica diversidade de conhecimentos e de formas de pensar o real e de pensar-nos
como humanos.(ARROYO, 2013, p.117)
Neste sentido, é preciso reconhecer as diversas histórias, as várias culturas e os
diferentes saberes, para que seja possível desestabilizar as representações estruturadas pela
cultura hegemônica. O trabalho pedagógico que se concretiza a partir da valorização das
diferenças culturais, que estabelece o lugar de direito das diferentes modalidades de
ensino, com olhar diferenciado para atender os diferentes sujeitos envolvidos em
processos formativos, pode ampliar os movimentos escolares que se opõem à submissão,
por não contar com um “sujeito transcendente que sabe”, mas sujeitos que tecem saberes e
não saberes (ESTEBAN, 2003).
Não há como apagar destes sujeitos, as ausências, as exclusões, os repertórios de
negação, de conflitos, dos processos humanos ou desumanos em que vivem. Assim como
negar as potencialidades dos coletivos sociais, que ganham força através da cultura. Uma
educação que padroniza como igual o que se constitui por natureza diferente é capaz de
silenciar e neutralizar vozes e representações, oportunizando desigualdades, exclusão,
colocando-os a margem do processo de escolarização, já que poda saberes e dificulta a
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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ampliação de outros, inviabilizando a construção de um rico repertório cultural recorrente de
diferentes histórias no espaço escolar. Candau (2008) defende uma perspectiva intercultural
para a promoção de educação para o reconhecimento do outro e para o diálogo entre
diferentes grupos sociais e culturais. O trabalho da escola é tornar a diversidade conhecida e
reconhecida em uma vantagem pedagógica, em vez de negar e silenciar.
RESPEITO A AUTONOMIA ESCOLAR
O Referencial Curricular Municipal, por ser um documento de construção coletiva e
com o objetivo de assegurar os princípios educacionais e os direitos de aprendizagens dos
estudantes mundo-novenses é um importante norteador para a elaboração dos Projetos
Políticos Pedagógicos, assim como para os planos de ensino, visto que esse documento
materializa atos curriculares que servirão de referência para a educação do Município de
Mundo Novo.
Nesse sentido a LDB 9394/96 trata a autonomia da escola como um direito e orienta as
unidades escolares para que o PPP articule os contextos de acordo com as Diretrizes
Curriculares Nacionais.
A construção coletiva do Referencial Curricular Municipal refere-se também à
construção da identidade institucional através da elaboração do seu projeto educacional,
dando-lhe autonomia para gerenciar os recursos destinados à manutenção do ensino, bem
como incorporar inovações e atualizações pedagógicas. De acordo com Carvalho:
Para que a escola seja realmente um espaço democrático e autônomo, é necessário
que as dimensões pedagógica, administrativa, política e financeira estejam
entrelaçadas para funcionar efetivamente dentro do Projeto Político Pedagógico da
Instituição educacional. Contudo, não se considera uma escola autônoma se algumas
das dimensões não é atendida em sua totalidade. CARVALHO. CONSED, 2001.
Referencial Curricular de
Mundo Novo
Planos de Ensino e
Aprendizagem
Projeto Político Pedagógico
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A partir da proposta do referencial curricular, a escola poderá refletir sobre o processo
educacional (LOPES&MACEDO, 2011) e as suas metodologias, pensando em como
melhorá-lo de forma que o estudante seja protagonista na construção do conhecimento,
portanto as metodologias e as novas propostas pedagógicas devem ser pensadas para um
estudante ativo e não apenas receptor passivo de conteúdo. Para tal os temas integradores,
projetos temáticos, entre outros devem partir da necessidade e contexto social do estudante,
considerando as suas singularidades e pluralidades.
É importante destacar a relevância do papel do gestor nesse processo de
democratização da escola que deve ser proativo na resolução de problemas que acontecem na
escola. O gestor autônomo precisa ser líder e não chefe, pois um líder jamais trata dos
assuntos coletivos de forma centralizadora. Ele envolve a comunidade escolar em todo o
processo de tomada de decisão para o bem comum. Só assim alcançará o respeito e confiança
necessários para o exercício de uma gestão autônoma e democrática.
Para tanto, é fundamental que a prática docente seja ressignificada a partir de um
trabalho colaborativo entre toda comunidade escolar utilizando-se deste referencial como
ponto de partida para um trabalho democrático, pois uma escola que tem como princípio a
igualdade, cooperação, empatia, solidariedade deve envolver desde o porteiro até a família em
todas as atividades escolares para que o professor e aluno sintam-se acolhidos no processo de
ensino/aprendizagem.
TRABALHO PEDAGÓGICO ARTICULADO POR COMPETÊNCIAS
O conceito de competência apresentado pela Base Nacional Comum Curricular propõe
uma articulação entre os “saberes” que são constituídos por conhecimentos, habilidades,
atitudes e valores para resolver problemas da vida cotidiana e do pleno exercício da cidadania.
Dialogando com o texto da LDB, nos artigos 32 e 35 que estabelecem as finalidades gerais do
Ensino Fundamental e Médio, as dez competências gerais da BNCC são:
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo
físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e
inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências,
incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade,
para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e
criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes
áreas.
REFERENCIAL CURRICULAR
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3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às
mundiais, e, também participar de práticas diversificadas da produçãoartístico-
cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e
escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das
linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar
informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir
sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de
forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo
as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir
conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal
e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de
conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do
mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu
projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular,
negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e
promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo
responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em
relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional,
compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos
outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se
respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento
e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes,
identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade,
resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos,
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
Para tanto, tais competências não podem ser desenvolvidas de formas isoladas, mas
sim com um trabalho planejado e articulado com as habilidades dos componentes curriculares,
pois são expectativas de aprendizagens que precisam ser desenvolvidas em todo o percurso da
educação básica, a partir das práticas pedagógicas utilizadas, nos tipos de relação que se
estabelecem dentro da escola para oportunizar aos estudantes experimentar e vivenciar as
competências que contribuirão para a sua formação humana na sua integralidade.
Diante do atual cenário mundial, tais competências tornam-se necessárias para a
demanda da formação do sujeito integral, que seja um agente social transformador, que se
coloque no lugar do outro, que seja capaz de cooperar, de dialogar para resolver os conflitos,
construindo argumentos nos debates com opiniões diversas, de forma respeitosa e ética, que
planeje, sonhe e estabeleça metas para sua vida futura, que tenha determinação, autoconfiança
e que persista em busca dos seus projetos de vida. Competências essas que deverão ser
desenvolvidas desde a educação Infantil até o 9º ano no Ensino Fundamental, na rede
municipal de ensino.
REFERENCIAL CURRICULAR
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As competências gerais explicitadas na BNCC, apresentam referencias observáveis
nos objetivos gerais dos Parâmetros curriculares Nacional (PCNs) e Diretrizes Curriculares
Nacionais (DCN), onde a formação integral do sujeito está atrelada às suas dimensões
intelectual (cognitiva) / física, a dimensão afetiva/social, dimensão ética/moral e dimensão
simbólica. Para uma formação integral dos estudantes é preciso ter consciência do que
ensinar, do que os estudantes querem aprender, como e porque ensinar, como também refletir
para que servem as modalidades planejadas e se de fato os estudantes aprenderão com aquela
modalidade organizativa (sequência didática, projetos, atividades ocasionais e atividades
permanentes) propostas.
O ambiente escolar é um espaço de interação social e de formação dos sujeitos, tais
como a biblioteca, a sala de leitura, o pátio, os corredores, sala de aula, entre tantos outros
espaços que são importantes para que as competências se desenvolvam, pois são nesses
ambientes que os estudantes se relacionam, e é a partir das relações que poderão desenvolver
a empatia, a colaboração, o pensamento crítico, o autocuidado, o autoconhecimento, o uso de
diversas linguagens e manifestar-se artisticamente.
O professor tem um papel fundamental nesse processo, pois ele é o mediador que
articula os saberes, é ele que poderá propor atividades que possam praticar o protagonismo, a
empatia, autonomia, argumentação, posicionamento crítico, o uso de novas tecnologias, entre
outros, pois as competências gerais demandam abordagens pedagógicas que valorizem as
atitudes dos estudantes e o seu desenvolvimento humano como a participação em debates,
trabalho colaborativos, o uso de novas tecnologias de forma contextualizada ao propósito,
projetos que envolvam toda a comunidade escolar e comunidade local. Como referência das
declarações acima explicitadas, ficam os registros das escritas dos professores em momento
formacional, onde foi feita a seguinte pergunta norteadora: “Que sujeito queremos
formar?”, tal pergunta foi respondida pelos mesmos, segue registros obtidos:
Professor 1 (Educação Infantil) : “Que acredite em si, como agente de transformação para
uma sociedade humana”
Professor 2 (Educação Infantil) : “ Um cidadão pensante, crítico e envolvido com o mundo
em sua volta, que seja capaz de usar o seu conhecimento para transformar a sua realidade.”
Professor 3 (Fundamental I) : “Um cidadão crítico e reflexivo, capaz de agir na sociedade
em que está inserido.”
Professor 4 (Fundamental I) : “Um cidadão preparado para enfrentar as diversidades com
criticidade e respeito.”
Professor 5 (Fundamental II) : “Cidadãos capazes de pensar e repensar as suas ações e
atitudes. Cidadãos plenos, conhecedores de seus direitos e deveres e que saibam viver em sociedade.”
Professor 6 (Fundamental II) : “Quero formar cidadãos melhores do que sou. Que possam
ter a coragem de se posicionar em defesa de seus direitos, um cidadão honesto, humano e que tenha
determinação para ocupar o seu lugar no mundo com dignidade.”
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A avaliação formacional articulada com as competências também precisa de um olhar
cuidadoso, pois não cabe avaliar apenas conteúdos, mas sim as manifestações das atitudes,
como a reponsabilidade, o trabalho colaborativo, o posicionamento crítico entre outras
manifestações que promovem o desenvolvimento humano desses sujeitos como um processo
contínuo onde se observam os avanços e se repensa o que é necessário para continuar
avançando, pois o nosso objetivo é a formação integral do sujeito para que possa usufruir de
uma cidadania plena, agindo e transformando a sociedade.
TRANSVERSALIDADES DOS TEMAS INTEGRADORES
Os temas integradores tecem as diversas áreas do conhecimento que compõem o
Currículo e trazem questões que atravessam as experiências dos sujeitos em seus contextos de
vida. Compreende aspectos para além da dimensão cognitiva, contribuindo para a formação
sócio-política, ética, uma vez que compreende o desenvolvimento do sujeito em sua
integralidade, considerando assim as diversas identidades culturais.
De acordo com o DCRB, “com o intuito de requalificar as práticas exercidas pelos
integrantes da comunidade escolar em prol da construção de uma sociedade mais justa,
fraterna, equânime, inclusiva, sustentável e laica”, os temas integradores desenvolvem o
importante papel político e pedagógico nos espaços formais de humanização,promovendo
discussões e reflexões sobre os enfrentamentos de violações de direitos e das mazelas sociais,
evidenciando as necessidades dos estudantes.
Educação para a diversidade
Educação para as relações de
gênero e sexualidade
Educação para as Relações
Étnicos-raciais
Educação para o Trânsito
Saúde na Escola
Educação Ambiental
Educação Financeira para o
Consumo
Educação Fiscal
Cultura Digital
Educação em Direitos
Humanos
Temas Integradores do
Referencial de Mundo Novo
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Os Temas Integradores contidos no Documento Curricular Referencial da Bahia
(DCRB), na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e reflexões na resolução nº 137/2019
de 17 de dezembro de 2019 do Conselho Estadual de Educação – CEE, já são contemplados
em boa parte na prática corrente dos educadores e nos projetos, no entanto, ainda se faz
necessário garantir um trabalho mais consistente na articulação destes temas com todas as
áreas do conhecimento de forma a atribuir maior significado aos diversos saberes ,
principalmente aqueles ligados a educação para a cidadania.
Dessa forma, o município pretende, neste referencial, subsidiar a rede na elaboração
dos currículos escolares, que sejam capazes de contemplar o trabalho contextualizado com os
temas intercurriculares, buscando diálogos alinhados com a visão curricular contemporânea,
promovendo a oferta de um ensino formativo, inovador, justo, pleno e libertário em todos
seus ideais democráticos.
Educação em Direitos Humanos
A educação em direitos humanos é tema centralizador dos princípios do ensino e da
aprendizagem da educação nacional, desde o ensino infantil ao ensino superior. É a
valorização da vida de forma a respeitar o outro como elemento de direito e deveres na
sociedade. De acordo com o artigo 3º e inciso IV da LDB, o ensino será ministrado com
respeito à liberdade e apreço à tolerância.
Ações promovidas na escola ajudam alunos e demais envolvidos no processo ensino-
aprendizagem a se colocarem no lugar do outro, desenvolvendo uma relação de empatia,
competência socioemocional tão necessária à vida em coletividade. Assim como os temas que
englobam a área de ética, como respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade, explicitas na
Declaração dos Direitos Humanos:
“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de
razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de
fraternidade.” (Art. 1º Declaração dos Direitos Humanos)
Diante desta compreensão, a educação em direitos humanos deve oferecer aos alunos
uma formação cidadã para que não aceitem passivamente as informações impostas sem que
façam uma reflexão crítica, tornando-os ativos, participativos nas ações do Estado e na
sociedade civil.
REFERENCIAL CURRICULAR
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O tema Direitos Humanos está diretamente relacionado à nossa história política e
social, ganhando ênfase em 1948, na Declaração dos Direitos Humanos e presente legalmente
em nossa Constituição Federal (1988), do artigo 5º ao 17º, destacando assim o importante
papel da escola na promoção de ações que desperte no discente a consciência crítica em
relação aos seus direitos, deveres e principalmente o sentimento de respeito ao outro.
Educação para Diversidade
A Diversidade humana e o pluralismo de ideias estão presentes na sociedade desde
os primórdios, no entanto apenas a partir do século xx é que a sociedade se dá conta destas
especificidades, passa-se então a observar e declarar que os seres humanos possuem suas
singularidades, que precisam ser respeitadas no contexto da coletividade.
Com a evolução da humanidade e os desafios presentes na sociedade contemporânea,
há necessidade de que estas reflexões sejam fomentadas e garantidas no contexto escolar para
que o processo de ensino e aprendizagem aconteça de maneira a contemplar o
desenvolvimento de valores voltados para a prática de humanização e de uma educação
cidadã.
É importante frisar que, em todo este processo histórico envolvendo sociedade e
educação, o respeito a diversidade vem sendo pontuado e contemplado em muitos
documentos oficiais, que regem o processo educacional, no entanto, apesar da escola
reconhecer e compreender que a comunidade escolar é composta por alunos de diferentes
grupos sociais, políticos, econômicos, étnicos, religiosos, dentre outros, ainda assim, vem
demonstrando grande dificuldade para atender esta diversidade humana, uma vez que, ainda
conserva concepções e práticas pautadas em tendências pedagógicas que acreditam no
processo de aprendizagem homogeneizado, desconsiderando, a diversidade, ou seja, as
diferenças.
Segundo Carvalho (2002, p. 70), “Pensar em respostas educativas da escola é pensar
em sua responsabilidade para garantir o processo de aprendizagem para todos os alunos,
respeitando-os em suas múltiplas diferenças.”
É primordial que nos reconheçamos como seres, advindos de seios familiares com
diferentes contextos, crenças e costumes, respeitando as diferenças para uma boa convivência
em sociedade. Ao adentrarem aos muros da escola, os educadores não devem agir de forma
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neutra e passiva, para não permitir que estas diferenças se se convertam em desigualdades,
pois de acordo com DCRB (2019):
A escola, entre outros espaços sociais, é um território onde a diversidade humana é
temática latente, candente, entremeada por contornos áridos e práticas sociais
contraditórias e muitas vezes tensionadas. Ela tende a reafirmar predileções
histórico-culturais, veladas ou declaradas, de valores, atitudes e conhecimentos,
ditos socialmente aceitáveis ou “politicamente corretos”.
Pensar as diversidades é refletir sobre as práticas excludentes existentes dentro e
fora da comunidade escolar, é fomentar sobre a real necessidade de fazer valer os nossos
direitos independente de raça, etnia, gênero, orientação sexual, deficiência, religião ou
situação socioeconômica. Trazer essa reflexão para a comunidade escolar é lembrá-la de
cumprir o seu papel em formar cidadãos integrais e integrados para, além disso, é primar uma
educação pautada nos princípios da Educação Inclusiva.
Para Monteiro (2001):
“[...] A inclusão é a garantia, a todos, do acesso contínuo ao espaço comum da vida
em sociedade, uma sociedade mais justa, mais igualitária, e respeitosa, orientada
para o acolhimento a diversidade humana e pautada em ações coletivas que visem a
equiparação das oportunidades de desenvolvimento das dimensões humanas
(MONTEIRO, 2001, p. 1).”
Esta proposta curricular tem por finalidade nortear os princípios da educação do
município de forma a evitar concepções ainda enraizadas em um discurso que desconsidera a
diversidade e as diferentes identidades, configurando assim práticas excludentes e
discriminatórias dentro e para além dos muros da escola.
A Resolução nº 4 do Conselho Nacional de Educação, de 13 de julho de 2010, que
estabelece as Diretrizes Nacionais da Educação Básica, no parágrafo 3º, art. 43, capítulo 1,
define como componentes integrantes dos PPPs (Plano Político Pedagógico). A “promoção
dos princípios do respeito aos Direitos Humanos, à diversidade e à sustentabilidade
socioambiental” também está prevista como uma das diretrizes do PNE (2014). No PEE
(BAHIA, 2016), a “promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e
à sustentabilidade socioambiental” também é uma das diretrizes do documento.
Em se tratando do nosso Município é relevante afirmar que nossas práticas
pedagógicas não estão na contramão dessa temática, não existe uma disparidade entre o que
preconiza a Declaração Universal dos Direitos Humanos e nosso modelo educacional. No
entanto, estamos longe de contemplar tudo que foi aqui citado para umaeducação igualitária e
integradora. O tema é tratado nos planejamentos, é pontuado nos livros didáticos, trabalhado
REFERENCIAL CURRICULAR
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em ações e projetos, entretanto, ainda não está sendo executado como tema transversal e de
diálogo constante entre os educandos, e sim como temática trabalhada e focada em datas
específicas, eventos nas escolas ou até mesmo nas aulas na forma de um currículo oculto.
É notório que os PPP‟s de nossas escolas precisam traduzir os anseios de um trabalho
que realmente trate das especificidades do território da forma como deveria para possibilitar o
alcance dos objetivos propostos, o que acaba por dificultar todo o restante. As diversidades
que precisam ser reconhecidas e respeitadas se mostram latentes já na caracterização do nosso
município, ou seja, os discentes aos quais atendemos se deparam com essas características,
assim que adentram nos transportes escolares, pois esses estudantes são de diferentes
comunidades, povoados e fazendas. Ao chegarem à escola estas diferenças no convívio diário
tendem a se acentuarem, requerendo então ações e intervenções da escola neste processo.
Segundo o DCRB (2019),
“Uma comunidade escolar participativa, consciente e engajada na construção da
escola democrática dificilmente estará desatenta, passiva, neutra, reprodutora das
práticas sociais que existem fora dos seus muros, ou seja, atravessada por omissões,
exclusões, discriminações, preconceitos de todas as naturezas e por todo tipo de
abusos e violação de direitos”.
Educar pautados para o respeito às diversidades é acreditar que, somando nossas
diferenças, poderemos provocar mudanças significativas na educação e na sociedade,
diminuindo preconceitos e estereótipos e, buscando mais humanidade, fraternidade, justiça e
solidariedade nas relações.
Educação para as Relações de Gênero e Sexualidade
Falar sobre as manifestações da sexualidade e expressões de identidade sempre
foram tabus silenciados ao longo da vida humana e reprimidos nos diversos segmentos:
histórico, social, religioso, familiar, cultural e político.
De acordo com os PCN‟s (1998), a necessidade de se trabalhar temática sexualidade
no âmbito educacional foi intensificada nos anos 70
“juntamente com os movimentos sociais que se propunham, com a abertura política,
a repensar sobre o papel da escola e dos conteúdos por ela trabalhados. Mesmo
assim não foram muitas as iniciativas tanto na rede pública como na rede privada de
ensino”. (PCN‟s p. 77).
Ainda assim na década de 80 com o número assustador de gravidez na adolescência e
casos de HIV entre jovens, evidenciou-se a necessidade de ações educativas que dessem conta
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do silêncio, ignorância e repressão das esferas familiar, social e cultural. Sendo assim foi
incluído nos temas transversais a Orientação Sexual.
Em termos educacionais muitas questões foram suprimidas e/ou negligenciadas ao se
tratar de educação sexual, e isso fica claro com as orientações dadas pelos PCN”s,
minimizando apenas aos aspectos biológicos, utilizando como instrumento auto
disciplinador:
O trabalho pedagógico é feito principalmente por meio da atitude do professor e de
suas intervenções diante das manifestações de sexualidade dos alunos na sala de
aula, visando auxiliá-los na distinção do lugar público e do privado para as
manifestações saudáveis da sexualidade correspondentes à sua faixa etária. É a partir
dessa percepção que a criança aprenderá a satisfazer sua necessidade de prazer em
momentos e locais onde esteja preservada a sua intimidade. Os conteúdos
trabalhados devem também favorecer a compreensão de que o ato sexual e
intimidades similares são manifestações pertinentes à sexualidade de jovens e de
adultos, não de crianças (BRASIL, 1997, p.30)
Muitas críticas também foram levantadas à proposta da Base Nacional Comum
curricular que suprimiu os termos “Gênero e orientação sexual”, travando assim vários
embates com o MEC, estudiosos, Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais (ABGLT), relatores do Alto Comissariado de Direitos Humanos da
Organização das Nações Unidas (ONU), e outros.
Atualmente o cenário mundial retrata o preconceito, a homofobia, violência, crimes de ódio
diante de um projeto de vida patriarcal e machista que ao longo do tempo tentam moldar o ser
humano, interferindo na subjetividade humana. Assim,
“As formas de representação dos sentidos e significados que atribuímos aos papéis e
lugares masculinos e femininos possibilitaram o surgimento de masculinidades e
feminilidades demarcadas pela heteronormatividade. Modos de vestir, comportar,
agir, pensar são determinados para homens e mulheres de forma diferente, como se
o sexo já possibilitaria o poder para os homens e a submissão às mulheres”(DIAS &
DE OLIVEIRA ,2015).
Diante desta realidade mais uma vez se recorre ao ambiente educacional, na tentativa
de desconstruir práticas excludentes em nome do seu papel político-pedagógico, dos direitos
humanos e à diversidade, o DCRB afirma:
Os currículos escolares da Educação Básica, respeitando os devidos ciclos de vida e
com as devidas adequações de linguagens, metodologias e materiais didáticos,
devem auxiliar a comunidade escolar na construção de conhecimentos e
desenvolvimento de habilidades, valores e atitudes para o fortalecimento da
autoestima, promoção da alteridade, autonomia, do autocuidado, autoconhecimento,
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da afetividade pessoal e entre pares, independente das expressões das identidades
sexuais ou de gênero; da compreensão do funcionamento do próprio corpo,
respeitando seus limites e do outro, da autoproteção e proteção dos pares contra
Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e/ou gravidez não planejada; do
compartilhamento de responsabilidades, frente a uma gravidez não planejada; da
compreensão sobre a alienação parental; dor e conhecimento e combate à exploração
sexual e às diversas formas de violências contra as meninas e mulheres, sobretudo as
negras e os grupos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou
Transgêneros e Queers (LGBTTQ+), incluindo feminicídio e homicídio da
população LGBTTQ+. (DCRB, p.74).
Para além disso afirma que:
“No que se refere aos estudos de gênero, faz-se necessário compreender alguns
conceitos básicos sobre: sexo, gênero, identidade de gênero, papéis/estereótipos
de gênero e identidade sexual ou orientação sexual. (grifos nossos)
Sexo: refere-se aos aspectos biológicos, anatômicos, as características
fenotípicas/características externas: genitálias, órgão reprodutores internos, mamas,
barba, entre outros e genotípicas/características genéticas: genes masculino e
feminino, assim, o sexo pode ser masculino ou feminino.
Gênero: embora contemple as mesmas categorias, masculino e feminino, é
designado como “as várias possibilidades construídas dentro de uma cultura
específica de nos reconhecermos como homens ou mulheres” (ALVES et al.,2014,
p. 21). Ainda pode-se dizer que “é o conjunto das relações, atributos, papéis, crenças
e atitudes que definem o que é ser homem ou mulher na vida social” (BRASIL,
2011, p. 17). Dessa forma, a identificação sociocultural de pertencer a um
determinado gênero é aprendida, incorporada, intencionalmente ou não, “com os
amigos (as), a família, nas instituições culturais, educacionais e religiosas e ainda
nos locais de trabalho” (BRASIL, 2014, p. 16).
Identidade de Gênero: segundo Louro,
“Refere-se à experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou
não corresponder ao sexo biológico de cada pessoa. A identidade de gênero inclui a
consciência pessoal do corpo, no qual podem ser realizadas por livre escolha,
modificações estéticase anatômicas por meio médicos, cirúrgicos e outros.
Lembremos, em especial, das pessoas transexuais, masculinas e femininas e
travestis. Todos (as) nós temos nossa identidade de gênero, pois trata-se da forma
como nos vemos e queremos ser vistos, reconhecidos e respeitados, como homens
ou mulheres.” (BRASIL, 2011, p. 16)
Na segunda metade do século XX, os estudos das Ciências Sociais instituíram outro
conceito importante, o de papéis de gênero ou estereótipos de gênero, para
circunscrever o conjunto de representações, posições e valores culturalmente
atribuídos à mulher e ao homem, reforçando o ideal de sociedade que favorece
marcos de uma tradição patriarcal que, até então, vem predominando em boa parte
do mundo ocidental.
“A Orientação Sexual na escola deve ser entendida como um processo de
intervenção pedagógica que tem como objetivo transmitir informações e
problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças,
tabus e valores a ela associados. Tal intervenção ocorre em âmbito coletivo,
diferenciando-se de um trabalho individual, de cunho psicoterapêutico e enfocando
as dimensões sociológica, psicológica e fisiológica da sexualidade. Diferencia-se
também da educação realizada pela família, pois possibilita a discussão de diferentes
pontos de vista associados à sexualidade, sem a imposição de determinados valores
sobre outros.” (BRASIL, 1997).
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Sendo assim diante do contexto histórico-social concreto no qual estamos inseridos
e estabelecemos relações sociais, não podemos mais compreender a prática social distanciada
da prática educativa, sabendo-se que as relações de Gênero e sexualidade são primordiais para
o desenvolvimento integral do ser humano, bem como do seu projeto de vida, e nesse intuito
as práticas educativas devem ser desenvolvidas tendo como princípio norteador a valorização
da diversidade e pluralidade a partir do homem e da mulher que precisam ser respeitados em
suas singularidades.
Educação para as Relações Étnico-Raciais
Tendo em vista o Racismo presente na sociedade brasileira e baiana, é necessário
repensar práticas de intervenções no âmbito educacional de maneira mais significativa.
O Estado da Bahia se destaca de forma bastante expressiva e simbólica, possui uma
representatividade sociocultural bem diversificada. Ainda assim, podemos observar que em
relação às questões culturais, históricas e institucionais, estamos longe de alcançar a tão
sonhada “democracia racial”. Embora haja políticas públicas, muitas não são respeitadas e/ou
efetivadas, tão pouco o reconhecimento e valorização da pluralidade.
A Lei nº 10.639/03 indica uma amplitude de possibilidades de ensino-aprendizagem,
que exige da comunidade escolar, em especial dos educadores, uma reeducação sobre relações
étnico-raciais, de gênero e de sexualidade, numa perspectiva democrática e cidadã. Conforme
ressalta o Parecer nº 003/2004, “para obter êxito, a escola e seus professores não podem
improvisar. Têm que desfazer mentalidade racista e discriminadora secular, superando o
etnocentrismo europeu, reestruturando relações étnico-raciais e sociais, desalinhando
processos pedagógicos”.
O Documento Curricular Referencial da Bahia (DCRB) nos possibilita de maneira
democrática e integrada, rever nossas práticas e garantir a inclusão necessária, principalmente,
na comunidade escolar, assegurando um ambiente escolar de respeito às tradições culturais,
convivência harmoniosa e igualdade de oportunidades.
Lançamos o desafio de inserirmos em nossas escolas, além das temáticas da História
da África e da Cultura Afro-Brasileira, mediar nossos alunos ao fortalecimento de sua
identidade local, social e racial. Esse desafio está relacionado ao oitavo quesito das
Competências Gerais inseridas pela BNCC (Autoconhecimento e Autocuidado), permitindo
REFERENCIAL CURRICULAR
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que esses alunos compreendam a diversidade humana, reconhecendo suas emoções com
autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Assim, a escola, como instituição que tem o papel de contribuir na formação dos(as)
cidadãos(ãs), deve assegurar o direto à educação a todos e ao mesmo tempo, ser aliada na luta
contra qualquer forma de discriminação ou exclusão. É relevante que o sistema educacional
entenda e caminhe no sentido de que a relevância dos temas que envolvem a inclusão no
currículo escolar da história e da cultura afro-brasileiras e africanas sejam reconhecidas por
todos interessados na construção de uma sociedade que respeite o seu perfil multicultural e
pluriétnico.
Educação para o Trânsito
O tema integrador Educação para o Trânsito (Lei 9.503 23 de setembro de 1997),
criado pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro) no art. 76 estabelece que seja promovida na
Educação infantil pré-escola no Ensino Fundamental, no Ensino Médio em toda modalidade
de Educação Básica e no Ensino Superior. Segundo o DCRB, o objetivo é
“despertar uma nova consciência viária, priorizando a prevenção de acidentes e
preservação da vida. Envolve, genericamente, três aspectos: conhecimento, prática e
conscientização, sendo necessário que seja dirigida a todas as pessoas,
principalmente as crianças e jovens.”(DCRB, p. 80).
Torna-se cada vez mais necessário incorporar os valores de cidadania e ética para
que seja refletida no trânsito, assim a escola tem um papel relevante de sensibilizar e
promover práticas de responsabilidade, segurança pessoal e social.
Os problemas no trânsito geram uma infinidade de acidentes e relacioná-los com as
Ciências induz o processo de contextualização do tema com a vivência do aluno. É importante
usar a escola como espaço de educação para o trânsito, proporcionando ações que auxiliem no
desenvolvimento de cidadãos conscientes que sejam capazes de educar a si próprios e a
comunidade onde vivem (SOUZA; MELLER, 2013).
O trabalho de educação para o trânsito na escola dá a oportunidade de explorar as
potencialidades já existentes, agregando novos saberes. Um cidadão com consciência de
trânsito, possivelmente, será um condutor ou pedestre prudente e, desse modo, contribuirá
para a diminuição da ocorrência dos problemas causados nessas circunstâncias. Tendo em
vista que um dos objetivos da educação é contribuir para o desenvolvimento da sociedade, a
REFERENCIAL CURRICULAR
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educação para o trânsito irá auxiliar no progresso do posicionamento do estudante diante à
sociedade de maneira crítica e inteligente (MACIEL, 2008).
O educador precisa elaborar estratégias e ações para abordar este tema em sala, com
o intuito de estimular o pensamento crítico e a consciência de cidadania no aluno. Desta
forma, investir em programas e campanhas direcionadas para o tema, envolvendo não só os
pais, como também toda comunidade, visando um trabalho processual.
Saúde na Escola
A saúde é um direito fundamental expresso na Constituição de 1988, no art. 6º. “São
direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.” e um tema abordado com especificidade na Lei Orgânica do município de
Mundo-Novo, (01 de Junho de 2012 )onde no CAPITULO III ,SEÇÃO 1 afirma em seus
artigos e incisos garantias, prevenções e melhorias no sentido que :
Art. 118 - Sempre que possível, o Município promoverá:
I - formação de consciência sanitária individual nas primeiras idades, através do
ensino primário;
III - combate ás moléstias específicas, contagiosas e infecto- contagiosas;
IV - combate ao uso de tóxico;
Art. 119 - A inspeção médica nos estabelecimentos de ensino municipal terá caráter
obrigatório.
Parágrafo único - Constituirá exigência indispensável a apresentação, no atoda
matricula, de atestado de vacina contra moléstias infecto-contagiosas.
Art. 120 - A. As ações e serviços de saúde pública são de relevância pública,
prestados por meio do Sistema único de Saúde - SUS, nos termos da lei, que disporá
sobre a:
VI - integração dos serviços que desenvolvam ações preventivas e curativas,
adequadas às realidades epidemiológicas.
VII - participação da comunidade.
Art. 125 - O sistema de ensino municipal assegurará aos alunos necessitados
condições de eficiência escolar.
Diante das proposições legais acima e do que traz a Organização Mundial de
Saúde(OMS) que define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico,
mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades” (OMS,1946).
É notório que devido a importância do tema, faz-se necessário um trabalho ainda
mais intenso e amplo, por meio de constante dialogo entre as mais variadas áreas,
proporcionando o protagonismo estudantil, como proposto no DCRB, pg. 83:
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“as unidades escolares devem realizar o planejamento de ações sociopedagógicas, de
forma transversal,sistemática, contínua e integrada com as demais atividades/ações
desenvolvidas, visando à promoção da saúde e prevenção dos agravos, envolvendo
toda a comunidade escolar e, principalmente, assegurando o lugar dos estudantes
como protagonistas, de forma a contribuir para a melhoria do rendimento na redução
do abandono e na evasão escolar”.
Considerando que a formação integral do aluno envolve o trabalho em todas as
dimensões: física, emocional, cognitiva e social , a escola deve promover momentos de
autoconhecimento e autocuidado, visando contribuir para a formação de jovens e adultos
emocionalmente equilibrados, que possam identificar suas potencialidades e fragilidades,
ressignificando seu projeto de vida.
Educação Ambiental
O desenvolvimento alcançado pela humanidade ao logo da história sem dúvida é
algo sem precedentes. Todavia o preço a pagar por toda essa evolução desenfreada tem se
tornado cada vez mais alto, tendo em vista que todo este processo veio acompanhado de uma
série de problemas ambientais, causados principalmente pelos meios de produção e consumo
adotados pela atual civilização.
A situação geral da humanidade é retratada pela falta de consciência ambiental, uma
sociedade cada vez mais consumista tendo como prioridade a aquisição de bens materiais,
promovendo cada dia em maior escala o uso e destruição desenfreada dos recursos naturais.
Se tornando então de extrema necessidade desenvolver um trabalho em parceria família e
escola, voltado para o despertar da consciência ambiental do cidadão, visando o
desenvolvimento da responsabilidade social.
Atualmente nosso planeta é afetado por vários acontecimentos e problemas
ambientais, que em sua grande maioria são resultados das diversas e irresponsáveis ações
humanas. Toda esta problemática afeta diretamente a fauna, flora, solo, águas e ar,
comprometendo diretamente o meio ambiente, e como consequências poluindo diretamente o
ar, através de gases poluentes, poluição de rios, lagos mares e oceanos provocada por dejetos
de esgotos, lixo, acidentes ambientais, como vazamento de petróleo, contaminação do solo
provocada por (fertilizantes, e produtos químicos) e descarte muitas vezes incorreto de lixo, e
outras situações que não são observadas, mas tem contribuído diretamente na degradação do
meio ambiente que são os desmatamentos, proveniente de corte ilegal de árvores para
comercialização da matéria-prima.
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As estatísticas são claras e gritantes quando esclarecem que os problemas ambientais
comprometem o futuro da vida no planeta. Atualmente, a humanidade já consome 25% mais
recursos naturais do que a Terra pode oferecer. Seria necessário um planeta e mais um quarto
para sustentar o estilo de vida atual, pois nossas ações tem gerado mais esgotamento dos
recursos naturais do que a capacidade de renovação do planeta.
A educação ambiental é um processo de educação responsável por formar indivíduos
preocupados e preparados para lidar com os problemas ambientais, e que busquem práticas
que levem a conservação e a preservação dos recursos naturais e a sustentabilidade da
sociedade humana, abordando os seus aspectos econômicos, sociais, políticos, ecológicos e
éticos.
É de suma importância que a escola conheça e abra suas portas para os programas
relativos à educação ambiental, que por sua vez são promovidos pelos governos e instituições,
temos por exemplo o programa despertar em nosso município que atua diretamente neste
sentido.
O programa despertar faz parte do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(SENAR) desde o ano de 2005, o mesmo está presente no nosso município, tendo como
objetivo contribuir para que se possa proporcionar uma educação voltada para a
responsabilidade social em busca de favorecer mudanças de valores associados a uma postura
cidadã socioambiental. O programa abrange todas as etapas de ensino desde a educação
infantil ao nono ano do ensino fundamental.
Diante das atividades propostas e da atuação do programa Despertar, pode-se
concluir que o mesmo contribui muito, mas infelizmente não abrange todos os aspectos
necessários para atingir as demandas da educação ambiental do nosso município, mesmo com
o apoio nos projetos de responsabilidades ambientais e sociais da escola e trazendo atividades
complementares voltadas para essa área.
Precisam-se intensificar práticas que envolvam programar com mais eficácia e
ludicidade, momentos com mais experiências fora da sala de aula, como trilhas, caminhadas
ecológicas, oficinas voltadas para prática de reciclagem, ações que visem mobilizar a
comunidade escolar, fazer hortas nas escolas e saber sua importância, capacitando os
profissionais de educação para aquisição de saberes e ações que qualifiquem o fazer
pedagógico, além disso , propiciar relações mais efetivas com a família e a comunidade local
para contar com parceiros fortes nesta construção cidadã. desenvolver capacitar os
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profissionais da Educação com mais dinâmica e conhecimentos para melhor transmitir aos
seus alunos o aprendizado esperado.
Quando trata-se da educação ambiental (Lei nacional nº 9.795/1999) tema abordado
e defendido com garantias na Lei Orgânica do município de Mundo Novo, (01 de Junho de
2012 )onde no CAPITULO VI , afirma em seus artigos e incisos prevenções e melhorias no
sentido que :
Art. 132 – O Município promoverá os meios necessários para a satisfação do direito
de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, nos ternos da Constituição
Federal.
§ 1º - As práticas educacionais, culturais, desportivas e recreativas municipais terão
como um de seus aspectos fundamentais a preservação do meio ambiente e da
qualidade de vida da população local.
§ 2º - As escolas municipais manterão disciplina de educação ambiental e de
conscientização pública para preservação do meio ambiente.
Art. 132 – o Município, com a colaboração da comunidade, tomará todas as
providências necessárias para:
I – proteger a fauna e aflora, assegurando a diversidade das espécies e dos
ecossistemas, de modo a preservar, em seu território, o patrimônio genético;
II – evitar, no seu território, a extinção das espécies;
III – prevenir e controlar a poluição, queimadas, a erosão e o assoreamento;
IV – exigir estudo prévio de impacto ambiental, para a instalação ou atividade
potencialmente causadora de degradação ambiental, especialmente de pedreiras
dentro de núcleos urbanos;
V – exigir a recomposição do ambiente degradado por condutas ou atividades ilícitas
ou não, sem prejuízos de outras sanções cabíveis;
VI – definir sanções municipais aplicáveis nos casos de degradação domeio
ambiente;
VII – integração das atividades agrícolas com as de preservação do meio ambiente;
VIII – legislar supletivamente sobre o uso e armazenamento dos agrotóxicos em seu
território.
Art. 132 – Fica criado o Conselho Municipal de Meio Ambiente cuja composição e
competências serão definidas em lei, garantindo-se a representação do Poder Público,
de entidades ambientalistas e demais associações representativas da comunidade.
Estabelecer uma política municipal do meio ambiente, objetivando a preservação e o
manejo dos recursos naturais, de acordo com o interesse social.
II. Promover a educação ambiental, visando à conscientização pública para
preservação do meio ambiente.
III. Exigir a realização de estudo prévia de impacto ambiental para construção,
instalação, reforma, recuperação, ampliação e operação de atividades ou obras
potencialmente causadoras de degradação do meio ambiente, do qual se dará
publicidade.
IV. Controlar a produção, comercialização e emprego de técnicas, métodos ou
substâncias que comportem riscos para a vida, para a qualidade de vida e para o meio
ambiente.
V. Proteger o patrimônio cultural, artístico, histórico, estético, paisagístico, faunístico,
turístico, ecológico e científico, provendo a sua utilização em condições que
assegurem a sua conservação.
VI. Promover o controle das cheias, definindo parâmetros para o uso do solo.
VII. Incentivar as atividades de conservação ambiental.
VIII. Estabelecer a obrigatoriedade de reposição da flora nativa, quando necessária à
preservação ecológica.
§ 1º - Aquele que explorar recursos naturais fica obrigado a recuperar o meio
ambiente, se o degradar, de acordo com a solução técnica estabelecida pelo órgão
competente, na forma da lei.
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§ 2º - As condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores às
sanções administrativas, estabelecidas em lei, e com multas diárias e progressivas no
caso de continuidade da infração ou reincidência, incluídas a redução do nível de
atividade e a interdição, independente da obrigação de os infratores restaurarem os
danos causados, e sem prejuízo da sanção penal cabível.
§ 3º - Os recursos oriundos de multas administrativas e condenações judiciais por atos
lesivos ao meio ambiente e das taxas incidentes sobre a utilização de recursos
ambientais, serão destinados a um fundo gerido pelo Conselho Municipal do Meio
Ambiente, na forma da lei.
Art. 132- O. O relatório de Impacto Ambiental poderá sofrer questionamento por
qualquer pessoa, devendo o Poder Público Municipal sempre decidir pelo interesse da
preservação ambiental no confronto com outros aspectos, compreendido o econômico.
Enfim, pode-se afirmar que é bastante necessária a efetivação de novos programas
como o Despertar em todas as unidades escolares, já que até então esteve relacionado às
escolas rurais e que se faz fundamental para a educação ambiental no ensino do nosso
município, pois além de sensibilizar as pessoas sobre o meio ambiente, seus cuidados e os
efeitos das ações humanas, também conscientiza a criança a ter um olhar atento para o futuro
buscando sempre opções sustentáveis de sobrevivência e um bom convívio com o ambiente
socioambiental, sendo assim preparando para a vida e o seu exercício de cidadania.
Educação Financeira e para o Consumo
Em se tratando de Educação Financeira e para o Consumo (Decreto nº 7.397, 22 de
dezembro de 2010)institui a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) criada pelo
Ministério da Fazenda “com a finalidade de promover a educação financeira e previdenciária
e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro
nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores”, a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação (Lei Nº 9394/96) e a Base Nacional Comum Curricular, apontam para
uma concepção de educação centrada na formação integral do cidadão, bem como saúde, vida
familiar e social, educação para o consumo, educação financeira e fiscal, trabalho, ciência e
tecnologia e diversidade cultural (Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e Resolução CNE/CEB nº
7/201023).
A consciência financeira é uma das maneiras mais importantes de ganhar liberdade,
conquistar independência e manter uma boa saúde mental. Adultos que têm uma relação de
equilíbrio com o dinheiro evitam passar por estresses, ansiedades e possíveis casos de
depressão provenientes de dívidas com cartão de crédito, empréstimos em bancos etc.
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Aprender a lidar com o dinheiro desde cedo também dá a possibilidade de os jovens
planejarem com mais cuidado o futuro e conseguirem atingir os seus sonhos.
Mas não é só em casa que a educação financeira deve ser ensinada. A escola, que
também é um espaço de formação cidadã, pode ajudar a construir essa habilidade. Continue a
leitura para conhecer as nossas dicas sobre educação financeira nas instituições de ensino!
O cuidado com o dinheiro deve começar em casa, com os pais estabelecendo
pequenos ganhos aos filhos, ensinando como as compras devem ser feitas e mostrando que,
para adquirir algo maior, é necessário poupar. Nesse cenário, a educação financeira nas
escolas também surge como uma colaboração extremamente benéfica.
A educação financeira é de fundamental importância para a vida. Todos devem ser
alfabetizados financeiramente para obter habilidades e competências saudáveis para a
participação na sociedade moderna.
Podemos afirmar que a alfabetização financeira é uma habilidade vital para a
participação da criança neste mundo cada vez mais complexo. Alguns pais e responsáveis não
conseguem gerir bem a situação financeira da família e com isso não conseguem ensinar o
modo correto de se ter uma vida financeira saudável.
Neste caso a criança ou jovem terá que se encarregar do seu próprio futuro financeiro.
Há projetos de empreendedorismo em algumas escolas que visão contribuir para a educação
financeira.O processo é longo e deve perdurar pela infância e adolescência. Assim, na
juventude, e ao começar a trabalhar, a pessoa se encontrará preparada para ter uma boa
relação com os seus ganhos. Para ajudar nesse processo, várias escolas têm adotado o ensino
da educação financeira na sala de aula.
O suporte escolar é muito importante, pois estes alunos necessitarão aprender a viver
de forma independente. Eles precisarão saber:
Como fazer uma lista de compras identificando o que é supérfluo e o que é necessário;
Como fazer um orçamento ou pesquisa de preço antes de comprar;
Controlar o que ganha e administrar seus gastos;
Estas escolhas não são nada fáceis, a princípio necessitam de educação financeira,
para lidar sabiamente com o dinheiro na vida cotidiana. Os alunos precisam aprender a
gerenciar o que ganham para gastar da melhor forma possível.
Quando se aprende a planejar seus gastos, iniciam a pensar antes de adquirir alguma
coisa. Com o passar do tempo não assumem uma dívida incontrolável e começam a guardar o
dinheiro prevendo intercorrências, a sua velhice e cuidados de saúde.
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Cultura Digital
A cultura digital expressa uma mudança de era, em que as pessoas estão conectadas
por um ciberespaço que as ligam em tempo real, em todos os lugares simultaneamente,
permitindo acesso à informação, à produção de conteúdo, à interação, à colaboração e o
compartilhamento de saberes, tornando-se um meio de aprendizagem e produção coletiva. O
sociólogo francês Pierre Lévy compreende ciberespaço da seguinte forma:
O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas
também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres
humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo
“cibercultura”,especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de
práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem
juntamente com o crescimento do ciberespaço.(Lévy, 1999, p.17)
O processo educativo que ganha dinâmica com a evolução da vida social
contemporânea, vem propondo mudanças significativas no modo como se concebe o ato de
ensinar e de aprender. As práticas educadoras pautadas em disciplinas fechadas que limitam a
tarefa de educar ao espaço físico, ao tempo da sala de aula apenas e aos saberes básicos
próprios dos livros didáticos, numa proposta homogênea e descontextualizada, perde lugar
para um projeto de educação que pensa o sujeito em sua totalidade, como um ser
multidimensional, inserido em um contexto multifacetado onde as informações estão cada vez
mais acessíveis nas diversas tecnologias digitais, como aponta Almeida e Valente:
[...] propiciam a reconfiguração da prática pedagógica, a abertura e plasticidade do
currículo e o exercício da coautoria de professores e alunos. Por meio da
midiatização das tecnologias de informação e comunicação, o desenvolvimento do
currículo se expande para além das fronteiras espaço-temporais da sala de aula e das
instituições educativas; supera a prescrição de conteúdos apresentados em livros,
portais e outros materiais; estabelece ligações com diferentes espaços do saber e
acontecimentos do cotidiano; e torna públicas as experiências, os valores e os
conhecimentos, antes restritos ao grupo presente nos espaços físicos, onde se
realizava o ato pedagógico. (ALMEIDA; VALENTE, 2012, p.60)
Educar de costas para um mundo predominante conectado, em que o acesso cada vez
mais às novas tecnologias tem revolucionado a forma como compreendemos e interagimos é
negar uma nova sociedade e educação. Nesta perspectiva é de fundamental importância que a
prática pedagógica no município de Mundo Novo oportunize o diálogo com o tema integrador
Cultura Digital, uma vez que ela já aponta um processo crescente de reorganização das
relações sociais mediadas pelas tecnologias digitais, afetando de diversas maneiras, todos os
campos da vida humana.
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As tecnologias facilitam a aprendizagem colaborativa, tornando-a mais criativa,
dinâmica e crítica, conferindo ao sujeito em processo de formação mais autonomia e
protagonismo. Além disso, ampliam e redefinem a troca de espaços, tempos e o papel do
professor, uma vez que entre as novas competências profissionais para ensinar na
contemporaneidade está em planejar o uso das tecnologias de informação e conhecimento
tendo em vista potencializar as aprendizagens dos estudantes em diferentes espaços e tempos.
Perrenoud (2000, p. 125) afirma que, “as novas tecnologias da informação e da
comunicação transformam espetacularmente não só nossas maneiras de comunicar, mas
também de trabalhar, de decidir, de pensar”. Assim aos serem integradas ao fazer pedagógico
do professor, as TIC‟s possibilitarão a criação de situações de aprendizagem ricas, complexas
e diversificadas. De acordo com Demo:
Os novos tempos acarretam novos reptos, entre eles saber desconstruir-se de maneira
permanente, para ressuscitar todos os dias. Professor acabado é algo inútil. Manter-se
aprendendo sempre é sua glória, mais que sua sina. Tem o compromisso de trazer para
o aluno o que há de melhor no mundo do conhecimento e da tecnologia, para poder
aprimorar sempre as oportunidades de aprender. (DEMO, 2009, p. 71)
Dessa forma, ao professor também caberia à postura de aprendiz neste contexto
tecnológico, aquele que é capaz de vencer as limitações, está aberto para adquirir saberes e
desenvolver competências necessárias para melhor lidar com as novas ferramentas e
instrumentos, que estão a serviço de qualificar seu fazer pedagógico, ao posso que possibilita
um encontro mais produtivo e efetivo com seu aluno, porque a escola é um processo
programado de ensino-aprendizagem, em que diferentes gerações se encontram como bem
afirma Arroyo:
[...] a escola é um processo programado de ensino-aprendizagem, mas não apenas
porque cada mestre esperado na sala de aula chegará para passar matéria, mas porque é
um tempo-espaço programado do encontro de gerações. De um lado, adultos que vêm
se fazendo humanos, aprendendo essa difícil arte, de outro lado, as jovens gerações
que querem aprender a ser, a imitar os semelhantes, receber seus aprendizados e as
ferramentas da cultura. (ARROYO, 2000, p. 54)
No que concerne o universo da cultura digital não cabe mais um cenário em que a
maioria dos sujeitos está inserido, mas que em muitos momentos não se inquieta, não se sente
provocado a sair do lugar de passividade, que tanto limita e impede um posicionamento mais
critico e consciente em relação as TIC‟s. O ciberespaço não é um ambiente neutro, existem
outros interesses definidos por um capital informacional (CASTELLS, 1999) que estabelecem
inter-relações com a sociedade e a cultura, tornando-o um fenômeno complexo e indefinido,
capaz de exercer poder de manipulação nos sujeitos que o utilizam de forma acrítica. Assim
cabe a escola o papel de conduzir os alunos neste processo formativo de maneira a se
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apropriar efetivamente dos mecanismos que envolvem busca, seleção, recepção, articulação
das informações, de forma a envolver-se em práticas de produção do conhecimento de forma
individual e/ou coletiva.
A Cultura Digital no Parecer CEE N.º 327/2019 traz encaminhamentos significativos
no sentido de:
- Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo digital para entender e explicar
a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva;
- Formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das
diferentes áreas;
- Utilizar diferentes linguagens digitais para expressar e partilhar informações, experiências, ideias e
sentimentos, em diferentes contextos, e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo;
- Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação, de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar
informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e
coletiva.
No parecer CNE/CEB Nº 7/2010 e 11/2010 a cultura digital é abordada como tema
abrangente e contemporâneo, que afeta a vida humana em escala global, regional e local, bem
como na esfera individual. As TIC‟s devem permear o desenvolvimento dos conteúdos da
base nacional comum e da parte diversificada do currículo. De acordo com o CNE:
Essa distância necessita ser superada, mediante aproximação dos recursos
tecnológicos de informação e comunicação, estimulando a criação de novos métodos
didático-pedagógicos, para que tais recursos e métodos sejam inseridos no cotidiano
escolar. Isto porque o conhecimento científico, nos tempos atuais, exige da escola o
exercício da compreensão, valorização da ciência e da tecnologia desde a infância e
ao longo de toda a vida, em busca da ampliação do domínio do conhecimento
científico: uma das condições para o exercício da cidadania. O conhecimento
científico e as novas tecnologias constituem-se, cada vez mais, condição para que a
pessoa saiba se posicionar frente a processos e inovações que a afetam. (PARECER
CNE/CEB Nº 7/2010)
É válido ressaltar a importância no contexto escolar da abordagem de temas voltados
para ao uso das tecnologias de forma consciente, significativa, reflexiva e ética, como
cyberbullying; diferenças entre linguagem e mensagens de cada canal ou rede social; uso de
memes, gifs, e outros gêneros textuais; acesso à sitesde notícias; alerta para
compartilhamento de notícias falsas (Fake News); elaboração de trabalhos em vídeos, slides, e
outras produções multimídias; pesquisas online utilizando celular, tablet ou notebook; entre
outros.
Para uma educação digital mais efetiva, faz-se necessário que as escolas da rede de
ensino de Mundo Novo tenham internet de qualidade, recursos tecnológicos; acesso aos
programas, aplicativos e/ou jogos em situações de aprendizagem; formação continuada e
outras ações que poderão ser implementadas para que alunos e educadores se apropriem e
utilizem criticamente das novas tecnologias de informação e conhecimento.
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Educação Fiscal
A Educação Fiscal desenvolve a consciência cidadã, na construção de conhecimentos
específicos sobre os direitos e deveres do cidadão; busca sensibilizar o indivíduo da
importância dos tributos e de sua aplicação correta, como principal meio de respondermos às
questões como a desigualdade, a fome, a miséria e a violência, dentre outros.
Segundo o DCRB (2019):
“O Tema Integrador Educação Fiscal exerce um papel importante no DCRB, por ter
como objetivo o desenvolvimento de valores e atitudes, competências e habilidades
necessárias ao exercício de direitos e deveres na relação recíproca entre o cidadão e
o Estado, principalmente, por dar ênfase ao sujeito de direito na condução da vida
social e nas relações humanas. Sobretudo nas unidades escolares, uma vez que
aborda os direitos assim como os deveres que todos têm com o país, com o estado,
com a comunidade e os semelhantes.”
É nesse sentido, que o município de Mundo Novo pretende inserir, na Educação
municipal, esse tema que é tão importante para ser desenvolvido pela comunidade escolar,
uma vez que se entende a importância de se discutir o tema com os estudantes desde cedo.
De acordo com Canivez (1991), conforme citado pelo DCRB (2019, p. 94),“o
“cidadão ativo” se diferenciará do “cidadão passivo” pelo modo como ele participa dos
assuntos que envolvem a sua vida em comunidade.
A Educação Fiscal traz como princípios norteadores de suas práticas: o princípio
ético que diz respeito a autonomia, a responsabilidade e ao respeito; o princípio estético, da
sensibilidade e das manifestações artísticas e culturais e o princípio político que diz respeito
ao exercício da cidadania.
Dessa forma, atende-se ao disposto na competência geral da Educação Básica de
número 10 da BNCC: “agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade,
flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos,
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários” (BRASIL, 2017).
A Educação Fiscal precisa ser contemplada como objeto de conhecimento de todas
as áreas e ao mesmo tempo articuladas por meio de diferentes processos e linguagens, como
uma prática educativa.
Nesse sentido, a educação do município de Mundo Novo pretende levar os
estudantes a contextualizar os desafios do cotidiano, envolvendo-os no processo de ensino e
aprendizagem, como sujeitos transformadores do próprio conhecimento, tendo assim, uma
visão local e global da realidade que o cerca.
Sendo assim, é preciso inserir de forma mais intensiva e sistemática esse tema em
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nossas Instituições escolares, inovando em ações a serem desenvolvidas e adequadas aos
diversos níveis de ensino e faixa etária dos estudantes, de forma transversal e interdisciplinar
no currículo das escolas, de forma significativa, para que os alunos possam aprimorar o
aprendizado na vivência de um regime democrático onde os cidadãos possam exercer seus
direitos e deveres para a construção de uma sociedade mais igualitária e justa, levando esses
conhecimentos para suas famílias e comunidade em um efeito multiplicador.
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PROJETO DE VIDA COMO PRINCÍPIO DA FORMAÇÃO
Vivemos em mundo onde as pessoas refletem sobre sua vida, suas escolhas, fazem
planos e, mesmo sem perceber, estão construindo projetos, pois projetos são planos que
fazemos objetivando realizar alguma coisa. E vários são os fatores interferem nessas escolhas.
Por exemplo, o lugar onde moram, a família... No entanto, é preciso que os projetos não se
limitem ao espaço social no qual o indivíduo está inserido. Refletir sobre o futuro, fazer
planos, é algo natural para muitas pessoas, no entanto, organizar-se para sua concretização,
consiste em um grande desafio.
Partindo desse pressuposto, é inegável a grande influência que a escola tem nas
aspirações e referências de estudantes, podendo ajudá-los a sistematizar seus projetos e traçar
metas para alcançá-los. É preciso auxiliá-los a “compreender quais são as trilhas que devem
se preparar para transitar, relacionando ainda o seu Projeto de Vida com a felicidade
individual e coletiva” (DCRB, p. 468).
Nesse sentido, ainda segundo o Documento Curricular Referencial da Bahia (2019),
é necessário haver uma conexão mais sólida entre os Anos Finais do Ensino Fundamental e a
etapa final da Educação Básica, principalmente “quando refletirmos sobre a função social da
escola e sobre a efetividade dela na construção dos projetos de vida dos estudantes”.
Mas, o que é mesmo um Projeto de Vida? Por que e para que se discutir Projeto de
Vida no currículo escolar? Segundo Moran, em seu artigo “A importância de construir
Projetos de Vida na Educação” (2017), “Projeto”, ou “Plano de Vida”, significa o que uma
pessoa deseja ser e o que pretende fazer em determinados momentos de sua vida, assim
como as possibilidades de alcançá-lo. Conforme o autor,
“[...] Projeto de vida, num sentido amplo, é tornar conscientes e avaliar nossas
trilhas de aprendizagem, nossos valores, competências e dificuldades e, também, os
caminhos mais promissores para o desenvolvimento em todas as dimensões. É um
exercício constante de tornar visível, na nossa linha do tempo, nossas descobertas,
valores, escolhas, perdas e, também, desafios futuros, aumentando nossa percepção,
aprendendo com os erros e projetando novos cenários de curto e médio prazo. É um
roteiro aberto de autoaprendizagem, multidimensional, em contínua construção e
revisão, que pode modificar-se, adaptar-se e transformar-se ao longo da nossa vida.”
(MORAN, 2017).
Ao orientar os estudantes na construção de seus Projetos de Vida “a escola contribui
para mapear os interesses de cada aluno, ajudando-o a delinear seus principais anseios de vida
e a encontrar meios para colocá-los em prática”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, Lei nº 9394/1996, em seu artigo 26, parágrafo 7º, menciona que “A integralização
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curricular poderá incluir, a critério dos sistemas de ensino, projetos e pesquisas envolvendo os
temas transversais de que trata o caput”. E segundo a Resolução CNE/CP 02/2017, em seu
parágrafo único:
“Os currículos da Educação Básica, tendo como referência a BNCC, devem ser
complementados em cada instituição escolar e em cada rede de ensino, no âmbito de
cada sistema de ensino, por uma parte diversificada, as quais não podem ser
consideradas como dois blocos distintos justapostos, devendo ser planejadas,
executadas e avaliadas como um todo integrado.” (BRASIL, 2017).
Desse modo, é importante pensar em uma educação pautada em valores,
desenvolvimento de competências e aprendizagens através de projetos interligados ao Projeto
de Vida. Adolescentes têm histórias diferentes, expectativas e ansiedades, a escola poderá
contribuir na organização de seus projetos. O importante é que cada estudante possa ter acesso
a oportunidades variadas, que se revelam de acordo com seus interesses. Então, é preciso
estimular o diálogo, a escuta e apesquisa em torno do tema, mobilizados e mediados em
situações de ensino e de aprendizagem nas diferentes áreas e respectivos componentes
curriculares. E isso na perspectiva de uma ação educativa contextualizada, problematizadora,
interdisciplinar e de formação e desenvolvimento integral dos sujeitos envolvidos.
A Base Nacional Comum Curricular (2019), por sua vez, discute Projeto de Vida a
partir da “Competência 6: Trabalho e Projeto de Vida”, a ser desenvolvida ao longo do
percurso da Educação Básica. À luz dessa competência, é preciso:
“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de
conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do
mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu
projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.”
(BNCC, 2019, p.9).
Assim, temos aqui dois aspectos a considerar. Primeiro, a competência
compreende a capacidade de os sujeitos gerirem a própria vida. Segundo, significa orientar os
estudantes na construção de seus projetos de vida, desenvolvendo o autoconhecimento e o
estabelecimento de perspectivas de futuro, principalmente nas relações do currículo com o
mundo do trabalho. De acordo com artigo da Nova Escola, “Competência 6: trabalho e
projeto de vida”
1
, esses aspectos envolvem a necessidade de se pensar um currículo que
promova aprendizagens segundo as quais os estudantes consigam refletir sobre seus desejos e
objetivos, aprender a se organizar, estabelecer metas, planejar e perseguir com determinação,
esforço, autoconfiança e persistência seus projetos presentes e futuros. Além disso,
1 NOVA ESCOLA (Site). Competência 6: trabalho e projeto de vida. Disponível em:
<https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/10/competencia-6-trabalho-e-projeto-de-vida> Acesso em: 03/09/2020.
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compreender os impactos do mundo do trabalho na sociedade, das novas tendências e
profissões nas suas vidas.
Nesse contexto, o DCRB (2019) defende Projeto de Vida como campo curricular
“que deve estar presente na transição entre Anos Finais do Ensino Fundamental para o Ensino
Médio”, pois:
“Encontra-se uma oportunidade ímpar de valorizar e trabalhar as várias dimensões
do ser humano com o Projeto de Vida, expandindo as aprendizagens para além da
racionalidade cognitiva, que ainda ocupa lugar de centralidade nos currículos. O
Projeto de Vida possibilita uma aproximação com a educação interdimensional, [...]
O Projeto de Vida comporta a potencialidade de desenvolver as competências
socioemocionais em uma lógica de aprendizagem [...].” (DCRB, 2019, p.470).
O DCRB (2019) destaca, nesse processo, a observância a duas dimensões. A
dimensão da função social da escola, à luz de importantes objetivos da etapa do Ensino Médio
(LDBEN nº 9.394/1996): a formação para o exercício da cidadania e a preparação para a
continuação dos estudos em nível subsequente, bem como a preparação para o ingresso no
mundo do trabalho. E a dimensão do currículo escolar, ou seja, a percepção do estudante
adolescente e do estudante jovem e suas interfaces com as etapas de desenvolvimento
psíquico e social, que nos convoca a pautar diálogos e, sobretudo, escutas, que ajudem a
materializar os projetos de futuro desses sujeitos.
A transição dos Anos Finais do Ensino Fundamental para o Ensino Médio, portanto,
é marcada “por importantes marcos geracionais na vida dos estudantes (adolescentes, jovens,
adultos e idosos), com as singularidades de cada ciclo de vida desses sujeitos.” (DCRB,
2019). É preciso, então, que o trabalho com a temática Projeto de Vida considere as
especificidades apontadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE, 2014) sobre o
atendimento, em todas as etapas da Educação Básica, aos estudantes na faixa idade/série/ano
adequada. Considere, também, os adolescentes, jovens, adultos e idosos da Educação de
Jovens e Adultos e da Regularização do Fluxo, que apresentam demandas formativas
específicas e em conformidade com o seu tempo humano de aprendizagem.
A inserção de Projeto de Vida no âmbito do currículo escolar contribui, assim, para o
desenvolvimento da autonomia dos estudantes que, fundamentados em bases éticas,
democráticas e humanistas serão encorajados a percorrer suas próprias trilhas de
aprendizagem, a caminhar na direção de seus desejos e sonhos. Afinal, “Projetos de vida são
orientações para que cada pessoa se conheça melhor, descubra seus potenciais e os caminhos
mais promissores para a sua realização em todas as dimensões”. (MORAN. 2017).
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AVALIAÇÃO EDUCACIONAL COMO ATO DE FORMAÇÃO
O ato de avaliar é inerente ao ser humano como prática constante nas mais variadas
ações de ordem pessoal e coletiva trilhando novos caminhos em busca de resultados mais
promissores. No campo educacional, também existe a necessidade de avaliar, para garantir os
direitos de aprendizagem. A avaliação escolar, em sentido lato, deve subsidiar o diagnóstico
do processo formativo em que se encontra o sujeito, utilizando novas estratégias para orientá-
lo a uma aprendizagem de qualidade, que leve em conta o educando nas mais variadas
dimensões da vida humana, avaliar de forma integral, pois, “ Avaliar significa identificar
impasses e buscar soluções “ ( LUCKESI, 1996,p.165).
Esse percurso tem sustentação nas argumentações de Luckesi (1995) quanto pontua
que a avaliação precisa ser entendida como o processo pelo qual os sujeitos envolvidos
utilizarem-se de seu próprio trabalho pedagógico para promover a construção da
aprendizagem das crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, bem como das
aprendizagens dos profissionais, de modo a articular suas experiências de vida como sujeitos
ativos. Em suas palavras, na dinâmica de trabalho pedagógico o ato de avaliar implica “coleta,
análise e síntese dos dados que configuram o objeto da avaliação [...] a avaliação envolve um
ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante
ou com ele” (p.93).
A concepção de avaliação que o município de Mundo Novo valida seria àquela que
foge de uma prática educativa que ameaça, classifica, coloca o sujeito à margem do processo
e exclui, a proposta é conceber a avaliação como um ato que inclui, emancipa, oportuniza,
acolhe, não indicando o fim, mas estando no interior do ato educativo. Segundo Luckesi,
“chega de confundir avaliação com exames [...] a avaliação da aprendizagem, por
ser avaliação, é amorosa, inclusiva, dinâmica e construtiva, diversa dos exames, que
não são amorosos, são excludentes, não são construtivos, mas classificatórios”.
(LUCKESI, 2000, p.1)
A prática avaliativa, portanto, apoia-se numa proposta que potencializa a produção e
criação de conhecimentos sobre alternativas da transformação, da libertação dos padrões pré-
estabelecidos e limitados. e articulados à legislação do sistema de ensino. Além disso,
entendemos que ela é essencialmente processual, formativa, como bem aponta o DCRB:
“permite o trânsito entre lugares já percorridos e novos lugares, inclusive ainda não
explorados, para que sejam cotidianamente (re) construídos, como parte de um
processo coletivo, dialógico, complexo realizado por pessoas com expectativa,
compromissos, conhecimentos, prática e desejos coletivos”. (DCRB, p.100)
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No DCRB, ressalta-se a relevância de uma avaliação da aprendizagem de natureza
predominantemente qualitativa e não quantitativa. O ato de avaliar, segundo LUCKESI (2005,
p. 33) “trabalha com a qualidade atribuída com base numa quantidade do desempenho do
estudante que se manifesta com características mensuráveis, ou seja, determinado montante de
aprendizagem”.Conclui assim que avaliação qualitativa e avaliação quantitativa não se
contrapõem, mas se complementam, uma vez que dados, números e resultados traduzem
também saberes da realidade. É fundamental que avaliação do processo de ensino e de
aprendizagem seja coerente a cada etapa da Educação Básica.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) estabelece que a avaliação deva
acontecer num processo contínuo, priorizando a qualidade e o desempenho do aluno ao longo
de um período e não apenas a quantidade de conhecimento acumulado e mostrado numa
prova. Constituindo desse modo, a avaliação formativa, condição primordial para o
crescimento pessoal e profissional.
Para Jussara Hoffmann (1993, p. 32) a avaliação é a reflexão transformada em ação,
não podendo ser estática nem ter caráter sensitivo e classificatório,
[...] Avaliação é, fundamentalmente, acompanhamento do desenvolvimento do aluno
no processo de construção do conhecimento. O professor precisa caminhar junto
com o educando, passo a passo, durante todo o caminho da aprendizagem.
(HOFFMANN 1993, p. 32).
A autora sugere que a avaliação seja realizada como forma de construção, onde as
dúvidas e erros dos educandos são bastante expressivos e permitem ao educador buscar novas
alternativas para ressignificar a sua prática no intuito de tomar decisões que possibilitem
aprendizagens mais significativas. De acordo com Furlan (2007), “a avaliação só faz sentido
se for utilizada com a finalidade de saber mais sobre o aluno e de colher elementos para que a
educação escolar aconteça de forma próxima da realidade e dentro de um contexto”.
Segundo o DCRB,
A avaliação é um dos maiores desafios da escola e se apresenta como um dos pontos
críticos e desafiadores da implementação da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), que define aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Devem
concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento das 10 (dez)
competências gerais que “consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de
aprendizagem e desenvolvimento” (BRASIL, BNCC, 2017, p. 8).
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Neste sentido o propósito do ato avaliativo seria oportunizar aos educandos o
desenvolvimento de habilidades e competências que lhes permitam o protagonismo dentro do
processo de aprendizagem, já que agora não cabe mais ao educador o papel de único detentor
do conhecimento, ele é agora mediador, orientador, problematizador, que instiga à pesquisa e
a autonomia.
Na BNCC, competência é definida como: “a mobilização de conhecimentos
(conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais),
atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno
exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BRASIL, BNCC, 2017, p. 8). E, ao
indicar que as decisões pedagógicas devem estar orientadas para o desenvolvimento
de competências e habilidades, a avaliação deve ser pensada como um modo de
refletir a prática da avaliação em si. Priorizando, desta forma, o seu progresso,
interagindo os seus conhecimentos adquiridos com os seus conhecimentos prévios
para, então, mobilizar o desenvolvimento das suas competências, tanto cognitivas
quanto socioemocionais, colocando o estudante como protagonista, um ser ativo em
seu processo de aprendizagem.
Dentro do espaço educativo o que define o tipo de avaliação e as formas a serem
utilizadas é o objeto a ser avaliada, neste sentido para além da avaliação da aprendizagem
ainda temos a avaliação externa e a avaliação institucional. Segundo o DRRB a avaliação
externa,
“é um procedimento externo, organizado e desenvolvido pelo Ministério da
Educação (MEC), [...] objetivo é diagnosticar o desempenho dos estudantes nas
redes de ensino e subsidiar a definição e o acompanhamento de políticas públicas
educacionais. Geralmente, além das provas escritas há também questionários para
serem respondidos. Os dados e informações obtidos irão ajudar no aperfeiçoamento
da ação pedagógica. (DCRB, p.101, 2019).
A avaliação institucional enquanto procedimentos avaliativos internos que envolve
todos os profissionais de educação: gestores, funcionários, coordenadores, supervisores,
professores, alunos e comunidade local para nortear os melhores caminhos que serão traçados
para melhoria das práticas pedagógicas e o gerenciamento administrativo e financeiro da
instituição. Segundo o DCRB,
[...] é um processo de acompanhamento das atividades desenvolvidas em
instituições de ensino com o objetivode promover a melhoria contínua da
aprendizagem para o progresso dos estudantes, durante a escolarização, pelo
aprimoramento da ação pedagógica.
Considerando todo o processo avaliativo é inegável o papel insubstituível do
educador na construção do conhecimento, não mais como único protagonista e sim como
mediador/ orientador, extremamente comprometido com a pesquisa, que socializa suas
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buscas e experiências durante a prática educativa e que ao gerenciar os saberes valoriza as
experiências e vivências dos educandos , bem como a cultura produzida em seu território ,
ajudando-os dessa forma a serem capazes de pensar, criar e vivenciar o novo e exercerem
sua cidadania. Assim Hoffman aponta alguns princípios que considera demasiadamente
importante para a prática avaliativa:
O princípio dialógico/interpretativo da avaliação: avaliar como um processo de
enviar e receber mensagens entre educadores e educandos e no qual se abrem
espaços de produção de múltiplos sentidos para esses sujeitos. A intenção é a de
convergência de significados, de diálogo, de mútua confiança para a construção
conjunta de conhecimentos. O princípio da reflexão prospectiva: avaliar como um
processo que se embasa em leituras positivas das manifestações de aprendizagem
dos alunos, olhares férteis em indagações, buscando ver além de expectativas fixas e
refutando-as inclusive: quem o aluno é, como sente e vive as situações, o que pensa,
como aprende, com que aprende? Uma leitura que intenciona, sobretudo, planejar os
próximos passos, os desafios seguintes ajustados a cada aluno e aos grupos. O
princípio da reflexão-na-ação: avaliar como um processo mediador se constrói na
prática. O professor aprende a aprender sobre os alunos na dinâmica própria da
aprendizagem, ajustando constantemente sua intervenção pedagógica a partir do
diálogo que trava com eles, com outros professores, consigo próprio, refletindo
criticamente sobre o processo em andamento e evoluindo em seu fazer pedagógico.
(HOFFMANN, p. 5, 1993).
Espera-se assim que a reflexões deste documento oportunizem aos educadores Mundo-
novenses a ressignificação da sua prática educativa no que tange os atos avaliativos para que
este processo seja a cada dia mais humanizador, acolhedor , significativo e produtivo,
propondo aos educandos novos saberes, a superação de desafios, maior autonomia ,
concretizando-se dessa forma não mais como o fim do processo educativo, mais sim a busca
constante pela compreensão das dificuldades, limitações e inclusive potencialidades dos
sujeitos envolvidos em formação.
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UMA EDUCAÇÃO QUE POSSUI ESPECIFICIDADES
Na Antiguidade, as pessoas com algum tipo de deficiência sofreram os mais diversos
tipos de exclusão, dentre eles o isolamento, a eliminação ou sacrifício e a segregação. Com o
passar do tempo algumas práticas foram abolidas, entretanto, a inclusão ainda não se faz
eficiente.
De acordo com a definição dada pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), sancionada em 2015, uma pessoa com
deficiência é:
“...aquela que tem impedimentode longo prazo de natureza física, mental,
intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições
com as demais pessoas (BRASIL, 2015)”
Segundo a “Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de
discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência”, em seu Artigo 1º, define a
deficiência como:
“... uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória,
que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária,
causada ou agravada pelo ambiente econômico e social” (COMISSÃO
INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, 1998).
Partindo desse pressuposto, pode-se dizer então, que todo ser humano em algum
momento de sua vida passa por um processo de deficiência, visto que ninguém é capaz de
tudo o tempo todo.
A percepção sobre as deficiências vem acompanhando as transformações sociais,
deixando de ser compreendida como um problema específico das pessoas com deficiência,
passando a ser discutida do ponto de vista relacional da sociedade e não apenas de um grupo
específico cuja as necessidades não são contempladas, cabendo às instituições escolares tratar
a Educação Inclusiva. Pensando no estudante e na perspectiva de contemplar suas
necessidades de forma individualizada, considerando as diferentes origens, habilidades e
necessidades, aprendendo lado a lado, na mesma sala de aula, valorizando as diferenças,
respeitando as faixas etárias, de modo a criar um ambiente educacional que priorize o
respeito, aceitação e a solidariedade entre os educandos. Dessa forma, estudantes com ou sem
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deficiências podem interagir entre si, participar das aulas e cada um contribuir de forma única
para o enriquecimento do aprendizado de todos.
Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva
Na perspectiva da Educação Inclusiva, a Educação Especial ultrapassa todos os
níveis, etapas e modalidades de ensino, ou seja, é uma modalidade de ensino de caráter
complementar ou suplementar aos serviços educacionais comuns por meio de um conjunto de
recursos específicos para o desenvolvimento do discente com necessidades específicas de
aprendizado.
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um dos serviços da modalidade
Educação Especial definido pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva, segundo o MEC (2008), esse serviço tem o objetivo de "identificar,
elaborar e organizar recursos pedagógicos de acessibilidade, a que eliminem as barreiras
para plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas".
O AEE se diferencia das atividades realizadas em sala comuns do Ensino Regular,
pois seu objetivo é acompanhar e apoiar o estudante, fornecendo meio que proporcione ou
amplie suas habilidades funcionais, favorecendo a inclusão escolar e social, conforme aponta
a RESOLUÇÃO Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO DE 2009 que institui as Diretrizes Operacionais
para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, Modalidade Educação
Especial:
“Art. 1º (...) os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes
comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE),
ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento
Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias,
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos” (BRASIL, 2009).
A responsabilidade da escolarização de todas as crianças deve estar garantida no
Projeto Político Pedagógico (PPP), incluindo a educação especial através do Atendimento
Educacional Especializado.
Atualmente o tema inclusão está sendo mundialmente abordado por se tratar de uma
ação política, cultural, social e pedagógica. Do ponto de vista pedagógico que perpassa por
todos os outros, aponta que a experiência com a inclusão é menor que a experiência com a
segregação pois estamos num contexto pouco acolhedor diante da diversidade humana e em
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especial para aqueles 15% da população mundial que apresenta alguma deficiência, o que
representa a maior das maiorias (IBGE, 2010).
Partindo dos pressupostos de que a inclusão não se restringe a pessoas com algum
tipo de deficiência e que cada indivíduo desenvolve-se, social, emocional e intelectualmente
de forma única, e que mesmo que conceitos de aprendizagem se aplicam à maioria dos
aprendizes ao longo da vida, a diversidade impede um caminho linear no processo de ensino-
aprendizagem. Desta maneira, o Censo Escolar reconhece como público da Educação
Especial, Pessoa com deficiência, com Transtorno Global do Desenvolvimento / Espectro
Autista(TEA) e com Altas habilidades/superdotação (BRASIL, 2020).
Quanto às pessoas com deficiência, o Censo Escolar coleta dados de estudantes
matriculados na Educação Regular apenas as Deficiência Física, Deficiência Auditiva e
Surdez, Deficiência visual, cegueira, baixa visão e deficiência intelectual. Os estudantes que
possuírem “transtornos funcionais específicos”, como TDAH (Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade), discalculia, disgrafia, dislexia e dificuldade de aprendizagem não
serão declarados ao Censo Escolar como estudantes com deficiência, porém devem ser vistos
como Alunos de Inclusão (BRASIL, 2020).
A escola por sua vez, deve oportunizar a esses estudantes a participação significativa
e integral em todas as atividades escolares, permitindo a integração do estudante de forma
mais autônoma no contexto da vida diária, social e profissional, buscando a construção de
uma rede de colaboração com a família, a sociedade e outras instituições que possam ajudar a
fortalecer o combate a intolerância e às barreiras atitudinais, as quais são entendidas como
posturas afetivas e sociais, nem sempre intencionais ou percebidas, que se evidenciam por
meio da discriminação e do preconceito.
Para viabilizar um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) com maior eficiência,
faz-se necessário o entendimento com base, inicialmente na conceituação, de cada uma das
deficiências citadas anteriormente.
Deficiência Intelectual
Deficiência Intelectual/mental é a “incapacidade caracterizada por importantes
limitações, tanto no funcionamento intelectual como no comportamento adaptativo, expressa
nas habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas” (AAMR, 2006, p.20 apud DISTRITO FEDERAL 2010).
Deficiência Auditiva/Surdez
De acordo com o Glossário da Educação Especial do Censo de 2020, a deficiência
auditiva consiste em impedimentos permanentes de natureza auditiva, ou seja, na perda
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parcial (deficiência auditiva) ou total (surdez) da audição que, em interação com barreiras
comunicacionais e atitudinais, podemimpedir a plena participação e aprendizagem do aluno.
Dessa forma, são necessários recursos didáticos que valorizem a visualidade e
possibilitem a superação das dificuldades de aprendizagem, especialmente da língua. Cabe
destacar que os alunos surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) demandam a
priorização e valorização dessa língua, como primeira língua, e a organização de todo o
processo educacional na perspectiva da educação bilíngue.
Deficiência Visual
A deficiência visual pode ser entendida como perda da visão, seja ela total ou parcial,
causada por doença congênita, genética ou ainda alguma enfermidade a qual foi acometido
durante a vida. Podendo ainda ser dividida e categorizada em: cegueira e baixa visão.
Cegueira: ausência total da visão e da capacidade de percepção da luz;
Baixa visão: a condição de baixa visão é variável de uma pessoapara outra, de acordo
com o grau de sua perda visual;
Em sala de aula o aluno com deficiência visual deve ter disponibilizado materiais
concretos, tridimensional e palpável, bem como material escrito em Braille dentre outros
recursos que possam atender as necessidades individuais referentes ao grau da sua perda de
visão.
Deficiência Motora
É uma limitação da mobilidade, o qual pode ser de carácter congénito ou adquirido,
que requer acessibilidade ao currículo e aos espaços escolares. Sendo assim, necessitam de
lugares adaptados e de atividades que estimulem habilidades motoras que respeitem cada
deficiência e suas limitações.
Transtorno do Espectro Autista
É um transtorno global do desenvolvimento caracterizado por um desenvolvimento
anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos, e apresenta uma perturbação
característica do funcionamento em cada um dos três domínios: interações sociais,
comunicação, e comportamento focalizado e repetitivo.
Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade
A ABDA (Associação Brasileira do Défcit de Atenção) define que o Transtorno do
Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas
genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua
vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é
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chamado às vezes de Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). Em inglês, também é chamado
de ADD, ADHD ou de AD/HD.
Dislexia
A Dislexia do desenvolvimento é considerada um transtorno específico de
aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento
preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração. Essas
dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e
são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas conforme a definição
adotada pela IDA - InternationalDyslexiaAssociation, em 2002 (DISTRITO FEDERAL,
2010).
Discalculia
A discalculia é um transtorno que afeta a aprendizagem e o desempenho em
matemática. Ela é considerada um transtorno específico de aprendizagem porque as
dificuldades observadas não podem ser justificadas por outras alterações neurológicas,
sensoriais, motoras e/ou cognitivas. A pessoa com discalculia apresenta um desempenho
matemático significativamente abaixo do esperado considerando-se a sua idade cronológica,
experiências e oportunidades educacionais.
Os sinais e manifestações da discalculia variam em cada pessoa. Além disso, esse
transtorno pode afetar uma mesma pessoa de diferentes formas ao longo de sua vida. É
importante lembrar que as dificuldades de uma pessoa com discalculia não aparecem apenas
na aula de matemática, mas também em sua vida cotidiana.
Disgrafia
Disgrafia é uma alteração da escrita normalmente ligada a problemas perceptivo-
motores. A execução motora da escrita exige maturação do Sistema Nervoso Central e
Periférico e, certo grau de desenvolvimento psico-motor. Por definição, Disgrafia é o
transtorno da escrita, de origens funcionais, que surge nas crianças com adequado
desenvolvimento emocional e afetivo, onde não existem problemas de lesão cerebral,
alterações sensoriais ou história de ensino deficiente do grafismo da escrita. As causas podem
ser várias: neurológica, psicológica, oftalmológica e /ou audiológica.
O problema acarretado por estas causas é sempre a dificuldade de coordenar a letra
para a Escrita-Disgrafia e por estes fatores, é também chamada de letra feia. Isso acontece
devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Ao tentar recordar este grafismo
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escreve muito lentamente o que acaba unindo inadequadamente as letras, tornando-a ilegível.
A Disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de comprometimento intelectual.
Podemos encontrar dois tipos de Disgrafia:
Disgrafia Motora (Discaligrafia) - A criança consegue falar e ler, mas encontra
dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja,
vê a figura gráfica, mas não consegue fazer os movimentos para escrever;
Disgrafia Perceptiva - Não consegue fazer relação entre o sistema simbólico e as
grafias que representam os sons, as palavras e frases. Possui as características da Dislexia
sendo que esta está associada à leitura e a Disgrafia está associada à escrita.
Talentosos e Superdotados
De modo geral, a superdotação se caracteriza pela elevada potencialidade de
aptidões, talentos e habilidades, evidenciada no alto desempenho nas diversas áreas de
atividade do educando e/ou a ser evidenciada no desenvolvimento da criança. A Política
Nacional de Educação Especial (1994) define como portadores de altas
habilidades/superdotados os educandos que apresentarem notável desempenho e elevada
potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade
intelectual geral; aptidão acadêmica específica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade
de liderança; talento especial para artes e capacidade psicomotora. Dos tipos mencionados,
destacam-se os seguintes:
Tipo Intelectual - apresenta flexibilidade e fluência de pensamento, capacidade de
pensamento abstrato para fazer associações, produção ideativa, rapidez do pensamento,
compreensão e memória elevada, capacidade de resolver e lidar com problemas;
Tipo Acadêmico - evidencia aptidão acadêmica específica, atenção, concentração;
rapidez de aprendizagem, boa memória, gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de
seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade de
produção acadêmica;
Tipo Criativo - relaciona-se às seguintes características: originalidade, imaginação,
capacidade para resolver problemas de forma diferente e inovadora, sensibilidade para as
situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e, até de modo extravagante;
sentimento de desafio diante da desordem de fatos; facilidade de auto-expressão, fluência e
flexibilidade;
Tipo Social - revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar
sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, habilidade de trato
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com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais, percepção acurada das
situações de grupo, capacidade para resolver situações sociais complexas, alto poder de
persuasão e de influência no grupo;
Tipo Talento Especial - pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, musicais,
como dramáticas, literárias ou cênicas, evidenciando habilidades especiais para essas
atividades e alto desempenho;
Tipo Psicomotor - destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas atividades
psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade, agilidade de
movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora;
Desse modo, os tipos podem ser considerados nas classificações internacionais,
podendo haver várias combinações entre eles e, inclusive, o aparecimento de outros tipos,
ligados a outros talentos e habilidades. Assim, em sala de aula, os alunos podem evidenciar
maior facilidade para linguagem, para socialização, capacidade de conceituação expressiva ou
desempenho escolar superior.
Embora seja um grupo altamente heterogêneo, é importante considerar que nem
todos os alunos vão apresentar todas as características aqui listadas, sendo algumas mais
típicas de uma área do que de outras, conforme ressaltam Alencar e Fleith (2001) apud Brasil
(2006).
Marcos Normativos da Educação Especial
A Educação Especial é respaldada pela Lei Nacional nº 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, pela Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146/2015,“destinada a
assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”; Pela LEI
Nº 8.859 DE 23 DE MARÇO DE 1994 que Modifica dispositivos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro
de 1977, estendendo aos alunos de ensino especial o direito à participação em atividades de estágio;
Pela PORTARIA Nº 1.793, DE DEZEMBRO DE 1994 que Dispõe sobre a necessidade de
complementar os currículos de formação de docentes e outros profissionais que interagem com
portadores de necessidades especiais e dá outras providências. Pelo DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE
DEZEMBRO DE 1999.que Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de
proteção, e dá outras providências. Pela PORTARIA Nº 319, DE 26 DE FEVEREIRO DE 1999 que
Institui no Ministério da Educação, vinculada à Secretaria de Educação Especial/SEESP a Comissão
Brasileira do Braille, de caráter permanente. Pela PORTARIA Nº 554 DE 26 DE ABRIL DE 2000 que
Aprova o Regulamento Interno da Comissão Brasileira do Braille. Pela LEI No 10.098, DE 19 DE
DEZEMBRO DE 2000 que Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da
acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras
providências. Pelo DECRETO Nº 3.956, DE 8 DE OUTUBRO DE 2001 que (Convenção da
Guatemala) Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. Pela RESOLUÇÃO Nº 2 DE 11 DE
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei8859.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei8859.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/portaria1793.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/decreto3298.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/decreto3298.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/portaria319.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/portaria554.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei10098.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei10098.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/decreto3956.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.pdf
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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SETEMBRO DE 2001 que CEB/CNE - Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na
Educação Básica. Pela LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002 que Dispõe sobre a Língua
Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Pela PORTARIA Nº 3.284, DE 7 DE
NOVEMBRO DE 2003 que Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de
deficiências, para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de
credenciamento de instituições.; Pela Resolução nº 04/2009, do Conselho Nacional de Educação, que
“Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica,
modalidade Educação Especial”;
No âmbito Estadual a Educação Especial é regulamentada pela Resolução CEE nº
79/2009, que estabelece normas para a Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva para todas as etapas e Modalidades da Educação Básica no Sistema Estadual de
Ensino da Bahia; Pela Nota Técnica – SEESP/GAB nº 11/2010, que dispõe sobre
Orientações para a Institucionalização da Oferta do Atendimento Educacional Especializado
(AEE) em Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) implantadas nas escolas regulares e nas
Diretrizes para a Educação Inclusiva no Estado da Bahia.
No âmbito municipal, a Educação Especial é regulamentada Plano Municipal de
Educação, Lei n° 1.283/2015, em consonância com o Plano Nacional de Educação e o Plano
Estadual de Educação da Bahia, o qual apresenta em sua Meta 4 a Universalização do
atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e
altas habilidades e superdotação, acesso à educação básica e atendimento educacional
especializado.
Trajetória Histórica
Desde os primórdios da humanidade quando os homens ainda eram nômades as
pessoas com deficiência eram consideradas incapazes, as famílias ao se depararem com filhos
deficientes os abandonavam para que os mesmos morressem de fome ou até mesmo fossem
devorados por animais. Ao longo dos séculos pouca coisa mudou. Na idade média por
exemplo, as crianças com malformações ou outras deficiências eram jogadas em esgotos e até
arremessadas em precipícios. As crianças que sobreviviam eram acolhidas em abrigos ligados
a Igreja Católica (NASCIMENTO; RAFFA, 2009).
A partir dos séculos XVIII e XIX, as pessoas com deficiências começaram a ser
vistas pela sociedade com uma outra perspectiva, nesta buscava alternativas de “cura” das
deficiências por meio de tratamentos que pudessem contribuir para que elas fossem
“igualadas” às pessoas consideradas normais.
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/lei10436.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/portaria3284.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/portaria3284.pdf
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
64
A trajetória histórica da Educação Especial, no Brasil, teve início no século XIX
inspirada por alguns serviços já realizados com base em modelos norte americanos e europeus
que foram introduzidos por brasileiros que tinham como objetivo a organização e
implementação de ações isoladas e particulares para atender as pessoas com deficiências
mentais, sensoriais e físicas. Tais iniciativas em seus primórdios tinham um cunho particular e
filantrópico sem qualquer vínculo com as políticas públicas da época. Após quase um século
dessas primeiras iniciativas, que o país iniciou as políticas públicas que incluiriam a
modalidade chamada de Educação dos Excepcionais.
Mantoan apresenta que a história da educação de pessoas com deficiência no Brasil
está dividida entre três grandes períodos: “de 1854 a 1956 - marcado por iniciativas de caráter
privado; de 1957 a 1993 - definido por ações oficiais de âmbito nacional; de 1993.... –
caracterizado pelos movimentos em favor da inclusão escolar” (MANTOAN, 2002).
No primeiro período, a ênfase consistia no atendimento clínico especializado, como
exemplo dessa época temos a fundação do Instituto dos Meninos Cegos no Rio de Janeiro em
1854. Da fundação deste instituto até os dias atuais a Educação Especial no Brasil estrutura-se
ainda em modelos que excluem e segmentam a inserção das pessoas com deficiência na
educação, fato esse que acentua ainda mais para que a formação escolar e social aconteça em
um mundo à parte. No Brasil um marco histórico de grande relevância para os movimentos
sociais, ligados aos direitos das pessoas com deficiência, foi a Constituição Federal de 1988,
que no seu artigo 208 refere-se ao direito dos alunos com deficiência ter garantido seu
Atendimento Educacional Especializado em classes da Rede Regular de Ensino.
A partir da década de 90 as discussões em torno da educação das pessoas com
deficiência começaram a adquirir alguma consistência, face às políticas anteriores que eram
caracterizadas pela descontinuidade e dimensão secundária. A nova Lei Diretrizes e Bases da
Educação Brasileira (LDB) 9.394/96 em seu capítulo V, coloca que a educação de pessoas
com deficiência deve se dar de preferência na rede regular de ensino, abordando assim uma
nova concepção na forma de entender a educação e integração dessas pessoas.
A LDB trata das modalidades de ensino dentre elas o capítulo sobre Educação
Especial como uma modalidade transversal a todas as etapas de ensino. Mas, apenas o fato de
constar em Lei, não garantirá muito se as ações desejadas para a inclusão das pessoas com
deficiência não forem planejadas e estruturadas de modo que elas tenham seus direitos
plenamente respeitados.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO65
Em seu artigo nº 58 d LDB, trata da obrigatoriedade da educação especial como
também, define quem é seu público alvo e a responsabilidade do Estado em garantir o direito
ao acesso á educação destacando preferencialmente em redes de ensino regular. Em seus
incisos, o artigo citado destaca a necessidade de serviços de apoio especializado nas escolas
regulares de modo que as especificidades de cada um dos alunos desse público possam ter
suas aprendizagens garantidas de modo individualizado nas classes regulares. Não havendo a
possibilidade de inserção do aluno em classe regular o mesmo deverá ser matriculado em
classes, instituições ou outros serviços especializados.
Ainda na mesma lei, em seu artigo nº 59 em seu parágrafo 1º, aponta que os sistemas
de ensino deverão assegurar aos seus alunos da Educação Especial: “I - currículos, métodos,
técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades” (
LDB, 1996). Esse parágrafo reforça a necessidade de adaptação curricular e de recursos para
que todos os alunos da Educação Especial possam ter seu direito à aprendizagem garantido,
como também, seu desenvolvimento pleno de modo integral e que contribua para a sua
inserção cidadã na sociedade com equidade.
Nesse sentido o Atendimento Educacional Especializado faz-se necessário como um
dos acessos aos alunos com deficiência ao ensino que considera o desenvolvimento individual
e as singularidades de cada um desses alunos.
A Política Nacional de Educação Especial vem reforçar o artigo 208 da C.F. 1988 ao
determinar que os alunos com deficiência sejam matriculados e frequentem as classes
regulares do ensino. Essa concepção também é mantida nas Diretrizes da Educação Inclusiva
do Estado da Bahia no ano de 2017.
As políticas citadas acima trazem uma diferença de paradigmas a respeito da
inclusão, elas saem do modelo de atendimento clínico para um modelo de atendimento
chamado social. Para reforçar essa compreensão as Diretrizes da Educação Inclusiva do
Estado da Bahia trazem uma concepção sobre o modelo social:
“Com a influência do paradigma do modelo social que reconhece as barreiras sociais
como impeditivas para a inserção das pessoas com deficiência, instaurou-se um
debate entre as organizações mundiais e nacionais, aproximando-se ainda mais dos
direitos fundamentais do homem.” (BAHIA, 2018).
Esse conceito de inclusão nos propõe uma reflexão sobre a ideia de que todos
podem aprender e o que tem impossibilitado a efetivação dessa aprendizagem são as barreiras
arquitetônicas, pedagógicas, atitudinais e comunicacionais, impostas pelo sistema educacional
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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que busca igualar os saberes e o desenvolvimento dos alunos, contribuindo para a segregação
e não acolhimento das diversidades.
Sobre a perspectiva histórica, há a Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência aprovada pela ONU, que foi ratificada pelo Brasil por meio do
Decreto Federal 6.949 de 25 de agosto de 2009, a qual passa a fazer parte da Constituição
Federal do país. Esse documento contribui para a efetivação dos direitos das pessoas com
deficiência, de modo que as mesmas possam ser inseridas na sociedade brasileira com
dignidade e sem segregação.
A Convenção Internacional em seu artigo 24 trata sobre o direito á Educação com
base na igualdade de oportunidades, na inclusão em todos os níveis com os seguintes
objetivos:
a. O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e
autoestima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas
liberdades fundamentais e pela diversidade humana; b. O desenvolvimento máximo
possível da personalidade e dos talentos e criatividade das pessoas com deficiência,
assim como de suas habilidades físicas e intelectuais; c. A participação efetiva das
pessoas com deficiência em uma sociedade livre(BRASIL, 2011).
Como as demais leis, O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira de
Inclusão) de nº 13.146 de 06 de julho de 2015, também traz grandes avanços para a inclusão
das pessoas com deficiência com dispositivos legais que garantem direito à vida, atendimento
prioritário, à saúde, à educação, à moradia, dentre outros. Em seu artigo nº 27 Parágrafo único
ela diz: “É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar
educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de
violência, negligência e discriminação.” (BRASIL, 2015 ibidem)
No mesmo ano de aprovação da LBI, o Município de Mundo Novo-BA aprovou seu
Plano Municipal de Educação, Lei n° 1.283/2015, em consonância com o Plano Nacional de
Educação e o Plano Estadual de Educação da Bahia, o qual apresenta em sua Meta 4 a
Universalização do atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais
do desenvolvimento, altas habilidades e superdotação, acesso a educação básica e
atendimento educacional especializado. Entretanto, nos dias atuais o serviço de Atendimento
Educacional Especializado ainda não foi implementado.
Nesse sentido fica claro que a educação brasileira tem conquistado vários avanços no
tocante a Educação Especial/Inclusiva os quais não podem retroceder em virtude de negação
de direitos de seu público, compreendendo a importância da diversidade como um mecanismo
REFERENCIAL CURRICULAR
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de colaboração para um desenvolvimento integral dos estudantes como também para a
construção de uma sociedade justa e igualitária.
Dados da Inclusão em Mundo Novo-Ba
De acordo com o preenchimento dos dados do Censo escolar, que é o principal
instrumento de coleta de informações da Educação Básica e mais importante estatística da
educação brasileira, o sistema que abrange diferentes modalidades da Educação Básica dentre
elas a Educação Especial. O censo, apresenta um documento, que conceitua a Educação
Especial, através de dados coletados pelo Educacenso.
De acordo com os dados observados nas Escolas de Mundo Novo-BA, apenas 22
crianças foram declaradas como incluídas nas práticas pedagógicas inclusivas, o que sinaliza
um movimento bem discreto, diante da estimativa da rede municipal de ensino. Ressaltamos
que a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, não se fixa apenas nesses
dados, embora oficiais, porém restritos, a política de inclusão se constitui um desafio
constante para todo o sistema educacional brasileiro em todas as esferas, do pedagógico aos
administrativo. Como ressalta Mantoan “a organização administrativa e os papéis
desempenhados pelos responsáveis pela burocracia escolar são alvos a serem atingidos”.
A Rede Municipal de Educação comprometida em implementar a política de inclusão
com responsabilidade, humanidade e transparência transformando a escola para acolher a
todos com suas singularidades mas sem fazer delas a diferenciação que separa que exclui. A
escola que devemos assumir é a que se supera, que recria o modelo educativo e rompe com
um sistema tradicional de segregação. Em Anexo segue os dados do município referentes ao
numero de Alunos incluídos; Sala de recursos multifuncionais; Banheiro adequado a alunos
com deficiência; Dependências e vias adequadas a alunos com deficiência; Tradutor intérprete
de Libras; Docentes com formação continuada em Educação Especial; Docentes com
formação continuada em Educação Indígena; Docentes com formação continuada em
Relações Etnorraciais.
Fundamentos Pedagógicos
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O estabelecimento de uma educação inclusiva passa a existir dentro de um contexto
historicamente construído que segrega e rotula pessoas, delineando a necessidade de romper
com os padrões considerados normais para uma vida em sociedade.
Segundo Mittler, é preciso " estabelecer desafios de aprendizagem compatíveiscom
as condições dos estudantes." (MITTLER, 2003, p.145). Isso indica que é urgente a
necessidade de um Currículo Aberto, ou seja, um Currículo que possa priorizar uma educação
de qualidade para todos, independente das suas características físicas e intelectuais.
Para que isso aconteça, faz-se necessário a construção e aplicação de um currículo
que identifique os equívocos de uma educação a qual deveria ser, de fato, para todos e possa
sanar as barreiras que impedem os profissionais de educação, de desenvolver um trabalho
pedagógico que seja flexível e possa atender às diferenças e singularidades de cada estudante.
Diante disso, a escola começa a trabalhar do ponto em que todos somos diferentes e
que diante de um olhar mais aguçado. Todos precisamos de apoio em maior ou menor grau.
Mas ainda muitas questões que precisam ficar mais claras, pois não pode ser uma política de
heróis, de um professor ou coordenador, mas uma conquista de todos da escola.
Na perspectiva da educação inclusiva, não é previsto a utilização de metodologias
para essa ou aquela deficiência, como esclarece Mantoan:
"os alunos aprendem nos seus limites e se o ensino for de fato de boa qualidade, o
professor levará em conta esses limites, e explorará, convenientemente as
possibilidades de cada um. Não se trata de uma aceitação passiva do desempenho
escolar, mas de agirmos com realismo e coerência e admitimos que as escolas
existem para formar as novas gerações e não apenas alguns de seus futuros
membros, os mais capacitados e privilegiados". (MANTOAM, 2006)
A diferença deve ser reconhecida como natural, e conduzido como ganho por todos
da escola para que perca status de barreira. O que a política de inclusão fez foi quebrar a
hegemonia do modelo de segregação que ainda vigora, nas "leis" educacionais. Hoje usada
como motivo para não incluir, em muitas situações através de uma doença.
Sobre as políticas de currículo, do trabalho pedagógico, todas elas devem ser
voltadas para eliminação das barreiras que produzem qualquer tipo de exclusão escolar, pois
incluir é não deixar ninguém de fora da escolar, é dar a todos, indistintamente as mesmas
condições para aprender.
Neste sentido, a pedagogia centrada no aluno orienta um ensino para aprimorar
capacidades como empatia, responsabilidade de atitudes pró- sociais. Uma sala de aula
mediada por um educador que prestigia o desenvolvimento de habilidades sócio emocionais
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conforme refletido por Vigostky e Piaget quando afirmam que as experiências sociais
desempenham um papel importantíssimo no desenvolvimento de aprendizagem, pois elas
progridem quando são estimuladas. Instalar no cotidiano escolar as trocas solidárias, são
mecanismos de estabelecer o respeito mútuo entre todos, sem diferenciação. Como ressalta
Mantoan:
"As escolas que tem de mudar e não os alunos, para que esses tenham
assegurado o direito de aprender, o direito à educação é disponível e natural,
portanto as escolas devem ser instituições abertas incondicionalmente a
todos os alunos totalmente inclusivas" (MANTOAM, 2006).
As raízes da exclusão, são duras e pautadas em um parâmetro cruel, de
cientificidade, almejado pela escola, onde aqueles que não alcança é considerado um
fracassado uma das razões pelas quais muitos abandonam a escola.
Esta raiz, ainda muito presente na concepção de educação, precisa ser rompido
pois se constitui uma barreira na implementação da Política de inclusão. Como afirma Morin
(2001) quando reflete “Toda a trajetória escolar precisa ser repensada, considerando-se os
efeitos cada vez mais nefastos das hiperespecializações dos saberes".
Por fim, rompendo com a tendência de diferenciar o ensino por grupos, corresponde
a verdadeira inclusão, precisa ser respaldada, ações efetivas de em uma pedagogia
denominada por Mantoan, como a pedagogia da diferença, ou seja uma escola, que acolhe a
diferença de todos e não apenas de alguns.
Atendimento Educacional Especializado e o Projeto Político Pedagógico
A Nota técnica SEESP/GAB/Nº 11/2010 do MEC que trata sobre as Orientações
para a institucionalização da Oferta do Atendimento Educacional Especializado – AEE em
Salas de Recursos Multifuncionais, implantadas nas escolas regulares, determina que compete
à escola contemplar, no Projeto Político Pedagógico - PPP da escola, a oferta do atendimento
educacional especializado. A Resolução CNE/CEB nº 4/2009, art. 10º, especifica que o
Projeto Político Pedagógico da escola deve institucionalizar a oferta do AEE, prevendo na
sua organização:
I - salas de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliário, materiais didáticos,
recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos; II – matrícula
no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra
escola; III – cronograma de atendimento dos alunos; IV – plano do AEE:
identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos, definição dos
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recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas; V - professores para o
exercício da docência do AEE; VI - profissionais da educação: tradutores e
intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia intérprete e outros que atuem no
apoio, principalmente às atividades de alimentação, higiene e locomoção; VII –
redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do desenvolvimento
da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que
maximizem o AEE.
PLANO AEE
Outra ferramenta Pedagógica prevista na legislação vigente, refere-se ao Plano
de AEE, que consiste na identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos,
definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas, considerando a
flexibilidade da organização do próprio AEE.
De acordo com as diretrizes da Resolução CNE/CEB nº 4/2009, em seu art.9º, a
elaboração e execução do Plano de AEE são de competência dos professores que atuam nas
salas de recursos multifuncionais em articulação com os demais professores do ensino
comum, com a participação da família e em interface com os demais serviços setoriais”.
Orienta-se que seja realizado o estudo de caso, primeira etapa da elaboração do
plano, no qual o professor do AEE poderá também articular-se com profissionais da área de
saúde e, se for necessário, recorrer ao laudo médico, que, neste caso, será um documento
subsidiário, anexo ao Plano de AEE (GLOSSÁRIO CENSO ESCOLAR 2020) e compete a
tais educadores a função de:
Elaborar, executar e avaliar o Plano de AEE do aluno, contemplando: a identificação
das habilidades e necessidades educacionais específicas dos alunos; a definição e a
organização das estratégias, serviços e recursos pedagógicos e de acessibilidade; o
tipo de atendimento conforme as necessidades educacionais específicas dos alunos;
o cronograma do atendimento e a carga horária, individual ou em pequenos grupos
(NOTA TÉCNICA 09/2010 – MEC/SEESP/GAB).
O plano de AEE é um dos documentos comprobatórios para a matrícula dos alunos
público-alvo na modalidade Educação Especial e, consequentemente, possibilita a dupla
matrícula, garantindo a declaração no Censo Escolar, caso o aluno esteja matriculado na sala
regular comum e no AEE.
Plano Educacional Individualizado (PEI)
Plano Educacional Individualizado (PEI): Instrumento escrito, elaborado por
professor da sala de aula comum/regular, com intuito de propor, planejar e acompanhar a
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realização das atividades pedagógicas e o desenvolvimento dos estudantes da Educação
Especial (Glossário do Censo Escolar
A elaboração do PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) deve ser pensado,
discutido e planejado pensando no atendimento individualizado de todos os alunos,partindo
do princípio que “Não se pode dissociar a educação Especial da educação comum” e
respeitando as singularidades de todos, porém, priorizando os alunos com NEE.
Porém é importante destacar que o indicado é que o PDI deve ser elaborada no início
do ano letivo; para os alunos com NEE é indispensável a elaboração antes do início do ano
letivo de maneira que contemple os requisitos legais e recomendações da equipe
multiprofissional que atende ao aluno.
Nesta fase, é importante que, dentre outras etapas atendidas, estejam garantidos no
PPP da escola a garantia da inclusão escolar pensando em todas as possibilidades de
atendimento, acolhimento, planejamento, estruturas, principalmente formação dos
profissionais da educação e pais de alunos com NEE.
Assembleias de classe
Para a efetivação de uma escola inclusiva, torna-se necessário a análise da
consciência coletiva da comunidade escolar, ou seja, o clima psíquico-emocional de seus
dirigentes e educadores, incluindo a sua capacidade didática, pedagógica e emocional, nível
de dedicação e entusiasmo, estimulando-se a personalidade inclusiva (ANDEERSEN, 2019).
Ainda para Andersen (2019), a escola inclusiva deverá incluir as seguintes metas e objetivos
pedagógicos: 1- identificação de todas as habilidades de seus alunos; 2- estímulo ao
desenvolvimento de suas habilidades; 3- estímulo ao desenvolvimento cognitivo geral; 4-
construção de sua autonomia; 5- elevação da sua autoestima; 6- estímulo a sua produtividade;
7 - orientação para a sua realização pessoal e profissional.
Outras estratégias propostas pelo autor são: 1- os Conselhos Escolares e de Classe
formado por todos os professores envolvidos no processo pedagógico inclusivo; 2-
delineamento do limite do número de alunos de inclusão por turma numa proporção de dez
por cento, pois a inclusão de fato deverá ser realizada, na prática, pelo grupo social que
compõe a classe escolar. Outra justificativa para delinear o limite de alunos de inclusão, seria
apresentação de uma heterogeneidade nas formas de estar no mundo, para o aluno na
inclusão; 3- a realização de assembleia de classe, conduzida por um educador, com o objetivo
de orientar a classe escolar sobre as possibilidades de realização da inclusão (socialização,
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acolhimento e a construção de relacionamento afetivamente seguros para ambos) e ouvi-los
sobre como eles pensam esse processo; 4- realização de trabalho e tarefas escolares em grupo,
sempre mesclando alunos incluídos com alunos comuns.
"utilizar os colegas do aluno na sua inclusão, não significa transferir a
responsabilidade para as crianças e para os adolescentes, mas sim prepará-los para
que saibam respeitar as diferenças individuais e para que aprendam a conviver com
colegas que apresentam algumas limitações. (Andersen, 2019, p.75 e 76).
Acessibilidade a Recursos Tecnológicos na Educação Especial
Qualquer pessoa com deficiência seja ela, física, intelectual, visual ou auditiva deve
ter direito à igualdade de oportunidades. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) isso deve começar ainda na fase escolar, a partir do contato com práticas e
metodologias que garantam a acessibilidade na escola. Isso também se enquadra no que diz
respeito aos recursos tecnológicos aos quais as pessoas da Educação Especial devem ter
acesso, já que estamos presenciando a cada dia a chegada de tecnologias que tendem a
facilitar a comunicação e a vida das pessoas.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência em seu artigo 102, manifesta
de forma clara a ideia de grande extensão dos contextos inclusivos, quando determina a noção
de desenho universal: “concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem
utilizados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico,
incluindo os recursos de tecnologia assistiva” (BRASIL, 2015; SILVA, 2018).
A tecnologia é uma grande aliada seja no ensino presencial, seja à distância, pois
auxilia bastante no processo de ensino e aprendizagem. Quando se trata então de educação
especial, essa afirmação se torna ainda mais acentuada, porque grande parte das pessoas com
algum tipo de deficiência depende da tecnologia assistiva para poder se sentir mais atuantes e
realizar com mais autonomia suas atividades. Inclusão digital é hoje algo extremamente
necessário, já que o uso das TIC's (Tecnologia da Informação e Comunicação) tem ocupado
vários espaços e colaborado para a desconstrução de barreiras, no que diz respeito aos limites
físicos e aos preconceitos em relação aos estudantes da Educação Especial.
Por trás de um computador com acesso à internet, por exemplo, muitas pessoas com
deficiência se sentem livres do preconceito que muitas vezes tem que enfrentar no dia-a-dia.
Ronaldo Correa Jr., de Recife, que tem paralisia cerebral e quadriplegia diz em seu site: "a
Internet é o único espaço em que a minha normalidade é evidente. Lá eu posso ser eu mesmo,
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independentemente do que meu corpo é capaz de fazer. Ter acesso ao mundo todo pela tela do
computador melhorou muitíssimo minha qualidade de vida...". Ronaldo mantém contato com
seus amigos digitando textos com os dedos dos pés e também aproveita para estudar por conta
própria muitas matérias. Esse é um exemplo claro e real de como as barreiras podem ser
quebradas por meio do acesso à tecnologia.
Diante de um relato desse, podemos concluir que o uso da Tecnologia na Educação
Especial é além de importante, necessário.
O Artigo XXVI da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz: "1. Todo homem
tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e
fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será
acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. Desta forma é
possível afirmar que a educação especial e a tecnologia podem e devem ser aliadas e caminhar
juntas rumo ao mesmo objetivo: A inclusão.
Princípios da Para a Educação Especial
A Declaração de Salamanca, promulgada em 1994, dispõe sobre os Princípios,
Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Tal documento propõe a
inclusão, integração, participação com princípios e enfatiza: o direito de acesso à educação de
qualidade para todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais,
sociais, emocionais, linguísticas ou outras; a igualdade de oportunidades educativas e sociais
a que todos os alunos têm direito; que as diferenças humanas são normais e que, em
consonância com a aprendizagem deve ser adaptada às necessidades da criança, ao invés de se
adaptar a criança às assunções pré-concebidas a respeito do ritmo e da natureza do processo
de aprendizagem, uma pedagogia centrada na criança; todas as crianças devem aprender
juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que
elas possam ter (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994).
Ainda sobre o respeito às necessidades diversas, tal documento salienta que
“Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus
alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma
educação de qualidade à todos através de um currículo apropriado, arranjos
organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as
comunidades;
(...) Crianças com necessidades especiais deveriam receber apoio instrucional
adicional no contexto do currículo regular, e não de um currículo diferente. O
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princípio regulador deveria ser o de providenciar a mesma educação a todas as
crianças, e também prover assistência adicional e apoio às crianças que assim o
requeiram
(…) a igualdade de oportunidadepara crianças, jovens e adultos com deficiências na
educação primária, secundária e terciária, sempre que possível em ambientes
integrados (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994).
Na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva,os
mesmos princípios são ratificados, servindo de ancoragem para as Conferências Nacionais de
Educação - CONEB/2008 e CONAE/2010, que no documento final salientam:
Na perspectiva da educação inclusiva, cabe destacar que a educação especial tem
como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas turmas comuns do
ensino regular, orientando os sistemas de ensino para garantir o acesso ao ensino
comum, a participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de
ensino; a transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a
educação superior; a oferta do atendimento educacional especializado; a formação
de professores para o atendimento educacional especializado e aos demais
profissionais da educação, para a inclusão; a participação da família e da
comunidade; a acessibilidade arquitetônica, nos transportes, nos mobiliários, nas
comunicações e informações; e a articulação intersetorial na implementação das
políticas públicas. (Brasil, 2008)
Na Constituição Federal de 1988, no seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade
de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e
garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado,
preferencialmente na rede regular de ensino.
Os princípios da Convenção de Salamanca para uma Educação Inclusiva, pautados
em fundamentos filosóficos, políticos e legais dos direitos humanos, assumem a centralidade
nas políticas públicas brasileiras, para assegurar as condições de acesso, participação e
aprendizagem de todos os alunos nas escolas regulares, em igualdade de condições. Dessa
forma, torna-se evidente a necessidade de implementação das políticas nacionais e estaduais,
que direcionam a mudança de concepção pedagógica, de formação para educadores e de
gestão educacional para a garantia do direito de todos à educação, reformulando as estruturas
educacionais que reafirmam a oposição entre o ensino comum e especial e a composição
estrutural de espaços segregados para alunos público alvo da educação especial.
REFERENCIAL CURRICULAR
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A IMPORTÂNCIA DAS MODALIDADES
Educação Escolar Indígena
Trajetória Histórica
A história acerca do povoamento indígena no Brasil é, antes de tudo, uma história de
tentativas insistentes de descaracterização, já que é possível considerar que, segundo o IBGE,
o total de nativos que habitavam no território brasileiro em 1500 estava na casa dos milhões
de pessoas e hoje mal ultrapassa os 300 mil indivíduos.
Em meados do século XVI até o século XX, os indígenas brasileiros vivenciaram
processos históricos distintos. A presença dos indígenas no território brasileiro é muito
anterior ao processo de ocupação estabelecido pelos exploradores europeus, que aportaram
em nossas terras. Em geral o maior contato desenvolvido entre indígenas e europeus,
aconteceu nas faixas litorâneas do nosso território, onde predomina os povos indígenas
pertencentes ao tronco linguístico TUPI- GUARANI. Os indígenas brasileiros são ainda hoje,
portadores de tradições variadas, expressando uma diversidade cultural ainda pouco
conhecida, reconhecida e respeitada.
Nesses mais de 500 anos de história do Brasil, os povos indígenas foram vistos e
interpretados de diferentes formas. O questionamento sobre que papel eles poderiam
desempenhar na formação da sociedade brasileira, pautou diferentes políticas públicas a eles
dirigidas.
Durante esse processo de colonização no Brasil, a Companhia de Jesus, ou Ordem
dos Jesuítas, chegaram à colônia Brasil em 1549, junto a Tomé de Sousa, o primeiro
governador geral enviado por Portugal. As principais funções dos jesuítas no Brasil, eram
evangelizar, catequizar e tornar cristãos os indígenas que habitavam o território brasileiro.
Desde então, os indígenas sofreram perseguições e escravização, com anuência ou não da
Igreja Católica
2
. Além disso, o intercâmbio social entre europeus e indígenas levou a um
genocídio causado desde a contaminação por doenças europeias, quanto pela violência dos
aprisionamentos e destruição de aldeações. Esta situação vigorou quase sem grandes
2 A Legislação colonial era ambígua e oscilante em relação aos povos indígenas, por vezes proibindo, em outras permitindo sua escravização,
isso perdurou até o fim do período colonial. Ver ALMEIDA, Antônio Cavalcante. Aspectos das políticas indigenistas no Brasil. IN:
Interações (Campo Grande) vol.19 no.3 Campo Grande July/Sept. 2018. Disponível em https://doi.org/10.20435/inter.v19i3.1721. Consulta
em ago. 2020.
https://doi.org/10.20435/inter.v19i3.1721
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mudanças até o período monárquico brasileiro, no século XIX, quando os indígenas foram
considerados tutela do estado Imperial, ou seja, o Imperador era diretamente responsável por
administrar políticas de inserção, proteção e manutenção de grupos indígenas
3
.
Em meados do século XX, políticas ligadas ao ideal positivista encamparam uma luta
pela preservação dos povos indígenas, dizimados por militares brasileiros que constantemente
invadiam seus territórios a serviço da República, trazendo a modernidade ao Brasil
4
, e para os
quais os indígenas resistentes simbolizavam o atraso nacional. Após denuncias de autoridades
brasileiras no Congresso de Viena, em 1910, foi criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI),
sob a chefia do militar Marechal Cândido Rondon
5
.
Ainda que o SPI tenha conseguido diminuir a grande mortandade indígena provocada
pelos militares brasileiros em missão, a ideia do Estado brasileiro em relação aos povos
nativos ainda era carregada da missão civilizatória positivista. Os sujeitos indígenas eram
considerados “seres transitórios”, portanto, em evolução para a civilização. Através da
disciplina militar, da evangelização e da educação escolar, o Estado brasileiro objetivava
acelerar a ascensão civilizatória dos indígenas, transformando-os em “trabalhadores
nacionais”, obrigados à época a servir ao exército nas fronteiras, a vestirem-se como alunos
das escolas urbanas e aprenderem o que se ensinava também nas escolas urbanas. Esta
situação transcorreu sem grandes alterações, e com grandes prejuízos as culturas indígenas,
nas décadas seguintes, mesmo após a extinção do SPI e sua transformação em Fundação
Nacional do Índio (FUNAI), em 1967
6
.
O crescimento de denúncias de novos massacres a indígenas durante os governos
militares, trouxe ao Brasil representações internacionais que pressionaram pela aprovação do
Estatuto do Índio, em 1973. Até a aprovação da Constituição de 1988, este foi o último marco
estatal expressivo a respeito dos direitos indígenas no Brasil. A Constituição de 1988, foi um
divisor de águas em relação aos indígenas brasileiros, proporcionando algumas garantias,
como:
● Extinção da tutela;
● Reconhecimento da autonomia e direitos decorrentes da cultura indígena;
● Marco de proteção territorial;
● Direito à cidadania plena;
● Direito a proteção as suas manifestações culturais;
● Direito a educação escolar, diferenciada, específica, intercultural e bilíngue;
3 Idem.
4 Instalando linhas telegráficas nas regiões de fronteira do Brasil.
5 Sobre o Serviço de Proteção ao Índio, ver http://www.funai.gov.br/index.php/servico-de-protecao-aos-indios-spi. Consulta em ago. 2020.
6 MELATTI, Júlio. Índios do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2007. A Funai, até os anos 1980, eraresponsável pelas políticas indigenistas do
Estado, embora não possuísse nenhum representante indígena em sua direção.
http://www.funai.gov.br/index.php/servico-de-protecao-aos-indios-spi
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Marcos Normativos
Após a garantia do direito à terra, cidadania e educação pela Carta de 1988,
seguiram-se alguns marcos normativos relacionados à Educação Escolar Indìgena em suas
especificidades. O decreto 26/91 retira a exclusividade da FUNAI em conduzir processos de
educação escolar junto às sociedades indígenas e os atribui ao MEC, com a execução
garantida em acordos com os estados e municípios. A portaria 559/91 cria os núcleos de
educação escolar indígenas vinculados às secretarias estaduais de educação.
A constituição de 88 onde aborda a autonomia dos povos indígenas, em ter a suas
escolas de acordo às suas necessidades e a seus projetos de vida, também assegurou aos
índios do Brasil o direito de permanecerem índios, isto é, de manterem e protegerem suas
línguas, culturas e tradições. Ao reconhecer que os indígenas poderiam utilizar suas línguas
maternas em seu processo de aprendizagem na educação escolar, instituiu-se a possibilidade
da escola indígena contribuir para o processo de sua afirmação étnica e cultural, deixando de
ser um dos principais veículos de assimilação e integração em uma pretensa cultura nacional
etnocêntrica e eurocristã.
Fundamentos Pedagógicos e Princípios da Educação Indígena
Através do projeto político pedagógico, a comunidade pode apontar qual a forma que
a escola deve contemplar seus interesses.
Na História do Brasil Republicano, os índios tinham medo de se afirmar índios,
devido ao preconceito que sofriam, oriundos da força do capital sobre as terras indígenas,
expulsando-os de suas terras em um processo humilhante de diáspora, ou mesmo
invisibilizados de tal forma que eram dados como extintos até mesmo nas aulas de história do
Brasil
7
. Essa realidade foi paulatinamente se modificando a partir da Constituição de 1988,
garantindo-lhes o direito à cidadania plena, e o acesso à proteção do Estado. A diversidade
sociocultural dos índios é de extrema importância e deve ser respeitada, esse é um caminho
para o desenvolvimento de um constituir-se enquanto cidadãos, positivo.
Na educação indígena, é obrigatório que o professor seja indígena, então é necessário
formar professores capacitados, para que seja proporcionada a comunidade o fortalecimento
das suas práticas socioculturais, recuperar suas memórias e reafirmar sua história, sendo
7 Ver LISBOA, João Francisco Kleba. Etnogênese e Movimento Indígena: Lutas Políticas e Identitárias na Virada do Século XX para o XXI.
IN: Revista Intherétnica. V. 20. Nº 02 (1917): Dossiê LAGERI 20 anos. Disponível em
https://periodicos.unb.br/index.php/interethnica/issue/view/1001. Acesso em ago. 2020.
https://periodicos.unb.br/index.php/interethnica/issue/view/1001
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assim, é importante que sejam desenvolvidos currículos específicos, inserindo conteúdos
indígenas para atender aos anseios das comunidades, onde eles tenham uma abordagem
pedagógica própria, diferenciada dos sistemas de ensino das escolas não-indígenas. Vale
ressaltar que na educação indígena, o ato de ensinar e aprender ocorre sem interrupções, pois
estão conectados às atividades cotidianas, como cuidar, pescar, plantar, colher, preparar seus
alimentos e utilitários, etc.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) em seu Art.
26º “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser
complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte
diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da
economia e da clientela”.
O currículo deve ser elaborado de maneira que contemple os seus próprios
conhecimentos, bem como conhecimentos advindos de outras culturas. Deste modo, entende-
se que não cabe somente aos professores índígenas e suas comunidades, mas também que
órgãos competentes, como as secretarias de educação sejam responsáveis por tal atribuição
em diálogo permanente e onde os sujeitos indígenas sejam a voz preponderante.
Considerando a legislação, o município deve disponibilizar a educação a grupos
indígenas existentes em seu território, garantindo o respeito a organização social e aos
costumes, as línguas ,crenças e tradições.
A educação escolar indígena deve dialogar com as tradições, e também oportunizar
formação para que o estudante indígena se aproprie do conhecimento cientifico constante na
Base nacional Comum Curricular e nos Referenciais Curriculares do estado da Bahia. Para
que isso ocorra, é necessário a criação de escolas e implementação de políticas públicas para
espaços escolares indígenas. Por isso, as demandas sociais e culturais da(s) etnia(s)
existente(s) no território municipal devem ser levadas em consideração, além de oferecer
formação aos professores indígenas, que conhecem os alunos e sua realidade sóciocultural,
deve disponibilizar materiais elaborados pelos próprios professores indígenas, organizados
por especialistas com colaboração do Conselho Estadual.
As escolas indígenas devem oferecer uma educação que reflita sobre a realidade da
vivência do estudante e com a cultura deste povo, viabilizando a diferença, valorizando e
oportunizando a presença desses sujeitos e de sua cultura.
Pensando nisso, ao produzir informações sobre o que se ensina e o que se aprende
nas escolas, sociólogos, antropólogos, pedagogos, ambientalistas, políticos e até mesmo
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religiosos, dentre outros, vem travando lutas para que se preservem as mais diversas
realidades que compõe o mosaico da história nacional brasileira. É necessário garantir a todos
o acesso a um ensino voltado para uma educação inclusiva e diversa, pautada na busca da
igualdade de direitos e no respeito à diversidade cultural, étnica e social.
A Educação Indígena sofreu fortes influências e grandes mudanças no decorrer dos
anos. No panorama nacional e estadual, a Educação Escolar Indígena vem cada vez mais
ganhando força, buscando promover um ensino pautado nos interesses e anseios destas
comunidades. Porém, essa mudança de paradigma não veio a acontecer de um dia para o
outro. Ela é o resultado de uma grande luta e resistência por parte das sociedades indígenas,
do trabalho e mobilização de indígenas e indigenistas em favor de uma educação que venha a
contemplar a diversidade de povos e culturas, bem como os seus direitos e suas
especificidades. A diversidade cultural, religiosa, política, étnica é uma das mais ricas e
importantes temáticas contemporâneas.
O Brasil, atualmente, abriga em seu vasto território uma rica diversidade de povos
indígenas presente em várias comunidades, em praticamente todos os estados federativos,
com reconhecimento e valorização da diversidade de culturas, e com garantias firmadas por
meio de lutas sócio históricas. Entendemos que algumas leis existem para sinalizar a garantia
sistemática dessa oferta de modalidade da educação, onde governantes, sistemas e sociedade
civil como um todo, precisam efetivar, avaliar e monitorar, a garantia e qualidade
educacional desta modalidade educacional, como uma fonte maior de inclusão de saberes e
memórias inestimáveis.
A conquista dos direitos educacionais é ampliada no Artigo 231 (CF/88), onde se
reconhece aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os
direitos acerca das terras que historicamente ocupam, sendo o dever da União demarcá-las,
proteger e fazer respeitar todos os seus bens (BRASIL, 2012, p. 130).
Desta forma notamos que as modalidades contempladas na Educação Básicado
estado da Bahia compõem várias pautas, e uma delas é a Educação Escolar Indígena com uma
proposta de educação especifica, intercultural, feita com e para indígenas, nos espaços onde
vivem as diferentes etnias.
Na história do Município de Mundo Novo, embora não haja alusões à comunidades
indígenas sedentarizadas nas terras comunicadas em 1833, sabemos que o município fica na
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zona de confluência de dois grupos indígenas, os Kiriris e os Payayás
8
. Atualmente,
constatamos a presença dos povos Payayás, que contribuíram com nossos costumes e
tradições e, sem dúvidas nenhuma, são percebidos em nossa diversidade e cultura, tanto no
que diz respeito ao vínculo material e imaterial até os dias atuais, através da religião, nas
tecnologias agrícolas, em artesanatos, técnicas utilitárias, dentre outros. E convivemos desde
nossas raízes sócio-históricas com diversas práticas sociais indígenas, e, além disto, com essa
identidade forte, muitos dos nossos distritos têm seus nomes originados do vocabulário
indígena, como Ibiaporã, Indaí, Umbuzeiro, Canjerana, Jequitibá e Cobé.
A avaliação da educação indígena deve estar articulada ao projeto político
pedagógico das escolas indígenas, buscando estabelecer competências pedagógicas associadas
às metodologias de ensino diferenciadas, contribuindo para o desenvolvimento educacional
pleno da população indígena.
Considerando a legislação, o município deve disponibilizar a educação a grupos
indígenas existentes em seu território, garantindo o respeito a organização social e aos
costumes, as línguas ,crenças e tradições.
A educação escolar indígena deve dialogar com as tradições, e também oportunizar
formação para que o estudante indígena se aproprie do conhecimento cientifico constante na
Base nacional Comum Curricular e nos Referenciais Curriculares do estado da Bahia. Para
que isso ocorra, é necessário a criação de escolas e implementação de políticas públicas para
espaços escolares indígenas. Por isso, as demandas sociais e culturais da(s) etnia(s)
existente(s) no território municipal devem ser levadas em consideração, além de oferecer
formação aos professores indígenas, que conhecem os alunos e sua realidade sóciocultural,
deve disponibilizar materiais elaborados pelos próprios professores indígenas, organizados
por especialistas com colaboração do Conselho Estadual.
As escolas indígenas devem oferecer uma educação que reflita sobre a realidade da
vivência do estudante e com a cultura deste povo, viabilizando a diferença, valorizando e
oportunizando a presença desses sujeitos e de sua cultura.
Educação Quilombola
8 Ver SANTOS, Solon Natalício Araújo dos. Conquista e Resistência dos Payayá no Sertão das Jacobinas: Tapuias, Tupi, colonos e
missionários (1651-1706). Dissertação de Mestrado. PPGH-UFBA. Salvador, 2011. Disponível em
https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2011._santos_solon_natalicio_araujo_dos._conquista_e_resistencia_dos_payaya_no_sertao_das_
jacobinas_tapuias_tupi_colonos_e_missionarios1651-1706.pdf. Acesso em ago.2020.
https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2011._santos_solon_natalicio_araujo_dos._conquista_e_resistencia_dos_payaya_no_sertao_das_jacobinas_tapuias_tupi_colonos_e_missionarios1651-1706.pdf
https://ppgh.ufba.br/sites/ppgh.ufba.br/files/2011._santos_solon_natalicio_araujo_dos._conquista_e_resistencia_dos_payaya_no_sertao_das_jacobinas_tapuias_tupi_colonos_e_missionarios1651-1706.pdf
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A educação no Brasil está em constante mudança, e sendo um direito de todos os
cidadãos brasileiros, precisa ser pensada de forma a atender equanimemente a todos em sua
diversidade. Ocorre que por muitos anos a educação foi pensada para uma elite que representa
um número mínimo de cidadãos que formam a nação, enquanto grande parte do povo
brasileiro, é formado por povos que, ao longo da nossa história foram invisibilizados por sua
condição histórica, étnica e social, dentre eles as comunidades quilombolas, que demandou ao
longo das últimas décadas do século XX até os dias de hoje, formas específicas de pensar
educação como um direito, respeitando seus saberes e práticas.
A Educação Quilombola tem como objetivo dar acesso e valorizar os saberes, a
cultura e a construção histórica do processo de formação dos povos tradicionais brasileiros.
Essas demandas educacionais têm origem e perpassam a discussão acerca da regularização de
territórios quilombolas, desde a Constituição Federal de 1988, que busca assegurar os direitos
das comunidades quilombolas que lutaram e resistiram ao processo de distribuição territorial
desigual, iniciado ainda nos tempos imperiais com a Lei de Terras de 1850, e continuado no
transcorrer da nossa história republicana, com especial atenção durante os governos militares.
O conceito de Quilombo na contemporaneidade, segundo HAERTER, NUNES e
CUNHA, se caracteriza como:
“Os quilombos tradicionais e contemporâneos são sinônimos de resistência negra, de
preservação de saberes e conhecimentos, de ressignificação de memórias e práticas.
Configuram-se como espaços onde são mantidos e recriados muitos aspectos de
origem africana, onde se projetam projetos futuros e coletivos e onde se educa, se
ensina e se aprende”.
A luta dos povos quilombolas começa por meio de posicionamentos políticos que
prezam pelo reconhecimento étnico e pela sua liberdade, pois os mesmos não foram
reintegrados socialmente como cidadãos brasileiros, após a legalização da extinção do sistema
escravista em 1888. A percepção da negação dos princípios de cidadania plena, é uma ferida
aberta na dignidade dos povos quilombolas que em sua maioria são afrodescendentes. Diante
dessa situação é necessário que políticas públicas efetivas, corrijam as anteriores que
negligenciaram as demandas dos povos quilombolas no passado, devolvendo a eles os direitos
que lhes cabem como brasileiros. Sobre isto, concordamos com, CARRIL quando afirma que:
“As lutas na contemporaneidade exigem reparações e o reconhecimento social e jurídico de
garantia à inserção social dos grupos e indivíduos privados de direitos”.
Assim, a Educação Escolar Quilombola é também uma demanda em construção, e
precisa ser dotada de suas especificidades e singularidades. No contexto do pós-abolição, a
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liberdade jurídica não foi acompanhada da cidadania plena, e as batalhas que enfrentariam no
decorrer do século passado até os dias atuais foram desafiadoras. A educação escolar
quilombola surge enquanto meio de resistência à exclusão, a tudo que insiste em negativar a
identidade étnica e as formas de saber e fazer afrodescendente.
É raro encontrar o termo quilombo ou quilombola no currículo da Educação Básica,
ou mesmo na historiografia oferecida aos não especialistas, em um sentido diverso do que
tradicionalmente ele tem; o conceito revela apenas uma construção histórica ligada à fuga da
escravidão, e situa-o apenas no passado e no mundo rural, de forma pejorativa, portanto,
difícil de ser feita uma transposição para o presente, tampouco a valorização da história de
luta e resistência dos ex-escravizados e seus descendentes.
A abordagem, portanto, trata de uma experiência africana passada. No momento
em que o conceito não é atualizado, a realidade quilombola contemporânea ainda é pouco
reconhecida no contexto da sociedade brasileira, de maneira geral, e na educação escolar, em
específico. O que havia sido construído como imagem dos quilombolas, era uma imagem
descolada da realidade, o que levou muitos afrodescendentes a não se reconhecerem e se
identificarem, não terem sua autoestima elevada, pois não havia representatividade positiva
dos mesmos. Tudo isto, devido também a um currículo totalmenteeurocentrado, pensado para
um projeto de nação que começou a ser construído por homens brancos e de posses no século
XIX.
9
Contudo, os quilombos não se perderam no passado, eles se mantêm vivos na
atualidade, por meio da presença das várias comunidades quilombolas existentes nas
diferentes regiões do nosso país, que se atualizaram e, desde o processo de redemocratização
do Brasil em meados dos anos 1980, pedem por reconhecimento territorial, cultural e político.
Portanto, os quilombolas têm direito a uma educação escolar que respeite e reconheça sua
história, memórias, técnicas e tecnologias, territórios e conhecimentos, o que tem sido umas
das reivindicações históricas dessas comunidades e das organizações do movimento negro e
quilombola.
Para muito além do que foi construído por meio de uma educação eurocentrada,
atualmente existe uma proposta que visa o reconhecimento dos povos e comunidades
tradicionais do Brasil, e busca através da educação cumprir uma determinação legal, constante
na Carta Magna, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)
10
, e em todas as suas
complementações desde 1996, o reconhecimento e respeito à diversidade e à
9 FOSTER, Custódio E. S. Educação escolar Quilombola no Brasil: uma análise. Educar em revista. Curitiba. V.35, nº 74. p.193-211.
10 Lei 9394/96, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em ago. 2020.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
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multiculturalidade brasileira. Desta forma busca alcançar as especificidades de cada
modalidade que a educação brasileira reconhece. Para isto, reconhecemos o papel
fundamental da Constituição Brasileira de 1988, que reconhece a existência, a diversidade e a
territorialidade dessas comunidades, por intermédio das organizações sociais do campo e da
cidade, dos movimentos negros, dos parlamentares e pastorais da terra.
Dessa forma, este Referencial Curricular preza por fazer valer o que está
referenciado na Lei de Diretrizes e Bases. Pretende que a nossa rede de ensino assegure a
pluralidade e o respeito às diferenças, se comprometendo a fazer valer a Constituição
Brasileira de 1988 que garante o acesso à educação de qualidade a todos os brasileiros, em sua
diversidade. Tornamos a lembrar que não é cabível aqui o conceito clássico de quilombo.
Nossa rede de ensino concorda com o conceito de quilombo pós-tradicional, definida por
CARRIL (2017, p.1):
Na representação quilombola, não é o passado que retorna. É o presente que faz
aflorar a história e a ancestralidade dentro das experiências que levam à organização
social. Propostas educacionais que partam da etnicidade e da cultura podem abarcar
o contexto e o texto territorial. Os quilombolas trazem o território que fala, por meio
da história oral, possibilitando uma escuta desses significados.
Assim, o nosso currículo busca ser flexível, valorizando e oportunizando
metodologias diversificadas, as rodas de conversa, a escuta e o diálogo ativo com os mais
velhos, buscando o resgate da identidade afro-brasileira, para que seja possível na nossa
prática pedagógica, ofertar uma educação de qualidade conectadas com as realidades das
comunidades quilombolas.
Buscamos aqui consolidar as práticas que são abordadas na Lei 10.639/03, e
atualizadas pela Lei 11.645/08, que não apenas estabelecem, mas também garantem o estudo
obrigatório da História da África e da Cultura Afro-brasileira, e a História e Cultura dos povos
Indígenas no Brasil.
Marcos Normativos
A história da educação do negro no Brasil é marcada pela exclusão ao acesso à
educação formal, principalmente durante o período da escravidão até a década de 1930,
quando houve uma maior inserção da população afro-brasileira em cursos de alfabetização e
formação inicial, visando capacitar mão de obra para o trabalho na indústria brasileira
nascente. Há alguns relatos de experiências escolares vividas por ex-escravizados ainda no
sistema escravocrata, tanto na educação informal como na instrução religiosa oferecida por
REFERENCIAL CURRICULAR
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padres, porém com grande dificuldade de inserção, provocada pela condição de cativos ou
falta de recursos, quando livres. Isto permaneceu de forma praticamente inalterada até o fim
dos anos 1920
11
.
A legislação oficial não dava condições dignas de acesso, permanência e
aprendizagem nas escolas (dificuldade econômica em adquirir o traje e materiais
escolares, abandono da escola para contribuir com o sustento da família), a ausência
de políticas, somava-se o difícil cotidiano de opressão social no convívio diário e
nas escolas, que contribuíam para o afastamento de grande parcela da população
negra do processo de escolarização no sistema estatal de ensino da República Velha.
No final do século XIX até os anos 1930, a educação do negro, foi promovida,
sobretudo, pelas organizações políticas negras nas sociedades dançantes e clubes recreativos;
nas associações beneficentes e na atuação política da Frente Negra Brasileira.
Durante os anos dos governos militares no Brasil, embora o contexto fosse de
repressão política, estava sendo gestado entre as lideranças afro-brasileiras, um projeto
educacional e identitário, sob influência política do movimento pan-africanista, que já há duas
décadas ganhara força internacionalmente. Daí inciativas como o Teatro Experimental do
Negro, organizado pelo Professor Abdias do Nascimento, e o início da articulação de um
movimento negro brasileiro
12
. Na década de 1980, o Movimento Negro Unificado já
articulava uma agenda política de combate à exclusão social e ao racismo, assim como de
reconhecimento da diversidade afro-brasileira, que fosse discutida na Assembleia Nacional
Constituinte em 1988, entre elas problemas ligados ao acesso e permanência da população
negra nas escolas e universidades, dentre elas, as comunidades remanescentes de quilombos.
No seu artigo 68, a Constituição de 1988 já cria condições de reconhecimento e
emissão de título de posse da terra ocupada pelas comunidades reminiscentes de Quilombos, e
no ano seguinte, o Brasil já articula junto à Organização Internacional do trabalho, o
reconhecimento dos quilombolas como povos tradicionais, tendo que ser respeitado suas
práticas e usos ancestrais da terra
13
.
A partir da Carta de 1988, o movimento quilombola iniciou uma agenda de
reivindicações, no intuito de ter cada vez mais consolidados, o respeito ás suas
especificidades, inclusive no campo da Educação, como a marcha zumbi dos palmares em
1995 e o CONAQ, Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas, em 1996, mesmo ano em que a LDB também apontava para a valorização da
diversidade nas escolas.
11 Machado, Carlos Eduardo. População negra e escolarização na cidade de São Paulo nas décadas de 1920 e 1930. Tese de Doutorado. São
Paulo: USP, 2007. P. 39.
12
13 Convenção 169 da OIT, ratificada pelo Brasil em 2002.
REFERENCIAL CURRICULAR
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A Educação Escolar Quilombola é desenvolvida em unidades educacionais inscritas
em territórios quilombolas, requerendo pedagogia própria e respeito à especificidade étnico
cultural de cada comunidade, assim como formação específica de seu quadro docente,
observados os princípios constitucionais, a Base Nacional Comum Curricular e os princípios
que orientam a Educação Básica Brasileira. Na estruturação e no funcionamento das escolas
quilombolas, deve ser reconhecida e valorizada sua diversidade cultural, e para que isto ocorra
efetivamente, é necessário refletir a respeito dos direitos, cumprir a legislação e valorizar a
cultura e história afro-brasileira e quilombola no currículo.
A Educação Escolar Quilombolaestá inserida como modalidade da Educação
Nacional, sob a Lei 9394/96, e da Educação das Relações Étnico-raciais, com diretrizes
curriculares próprias, definidas e homologadas pelo Ministério da Educação em 20 de
novembro 2012, garantindo o direito à educação às comunidades Quilombolas, a partir de
seus processos próprios e suas instâncias organizativas nos Estados da Federação. A LDB em
seu Artº 3º, determina como princípios e fins da Educação Nacional:
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a
arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos
sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra-escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.
XII - consideração com a diversidade étnico-racial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de
2013)
XIII - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído
pela Lei nº 13.632, de 2018)
A escola não pode mais permanecer tratando a todos os estudantes como se fossem
iguais, reproduzindo um ideal homogeneizador para os sujeitos, ao mesmo tempo
transmitindo uma pretensa neutralidade na seleção e abordagem dos objetos do conhecimento.
É preciso que todos conheçam e se apropriem de suas histórias, para que dessa forma o
currículo escolar seja aberto, flexível e de caráter multidisciplinar, elaborado de modo a
articular os conhecimentos construídos pelas comunidades quilombolas, ao currículo base
proposto pela BNCC e pelos referenciais estaduais.
REFERENCIAL CURRICULAR
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Isso significa que o próprio projeto político-pedagógico da instituição escolar ou das
organizações educacionais, deve considerar as especificidades históricas, culturais, sócio-
políticas, econômicas e identitárias das comunidades quilombolas, o que implica numa gestão
democrática da escola que envolva a participação de todos os envolvidos neste processo.
Essas demandas foram resultado de outros marcos importantes, advindos das lutas do
movimento quilombola em prol de uma educação escolar que os atendesse, como a criação da
Secretaria Especial de Políticas Públicas e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR 2003), e a
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI 2004),
onde os embates políticos pela Educação Escolar quilombola foram mais acirrados.
Consequência direta dos tensionamentos em relação à responsabilidade do Estado em
dar relevância à educação dos povos tradicionais, atendidos em suas especificidades foi a
mudança no texto da LDB. A Lei 10.639/03, alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação,
incluindo no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade de abordagem da "História
e Cultura Afro-Brasileira e Africana", representando uma grande conquista para o povo
quilombola.
A importância dos povos tradicionais, foi ainda ponto de análise nos importantes
Decretos 5.051/04 e 6.040/07
14
, que estabeleceram que:
Comunidades quilombolas são tradicionalmente e culturalmente diferenciadas, que
se reconhecem como tais, com formas próprias de organização, que ocupam e usam
o território e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social,
religiosa, ancestral e econômica. Utilizando conhecimentos, inovações e práticas
gerados e transmitidos pela tradição.
No ano de 2011, um marco relevante foi a publicação do texto referencial para
elaboração da Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Quilombola, com
participação do MEC, Fundação Palmares, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação e
Núcleos de Estudos afro-brasileiros, estabeleceu-se ali alguns princípios norteadores para a
Educação escolar Quilombola, dentre os quais destacamos;
Respeito à história, território, memória, ancestralidade e conhecimentos
tradicionais
Considerar práticas culturais, políticas e conômicas, formas de ensino e
tecnologias
Direito à consulta e participação da comunidade
Abordagem da temática quilombola, enquanto patrimônio afro-brasileiro15
14 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm. Consulta em ago. 2020.
15 Diretrizes Curriculares nacionais para a Educação Escolar quilombola. Brasília: MEC/SECADI, 2012.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
87
O currículo escolar quilombola diz respeito aos modos de organização dos tempos e
dos espaços escolares de suas atividades pedagógicas, das interações do ambiente educacional
e com a sociedade, das relações de poder presentes no fazer educativo e nas formas de
conceber e construir conhecimentos escolares, constituindo parte importante dos processos
sociopolíticos e culturais de construção de identidades.
Segundo a Resolução CNE/CEB nº 8, de 20 de novembro 2012, Escolas
Quilombolas são aquelas localizadas em território quilombola, e Educação Escolar
Quilombola compreende a educação praticada nas escolas quilombolas ou nas escolas que
atendem estudantes oriundos de territórios quilombolas. Nas comunidades quilombolas, a
educação ocorre através do planejamento, diálogo e troca de conhecimentos e saberes entre os
sujeitos quilombolas; a comunidade (sobretudo os mais velhos) participa ativamente da
construção do projeto político-pedagógico junto à escola. É importante frisar este aspecto,
pois para pensar a Educação Escolar Quilombola é necessário valorizar os saberes da
comunidade e contemplá-los no Referencial Curricular do município onde ela está inserida.
De acordo com a BNCC, a Educação Básica visa à formação e ao desenvolvimento
humano global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse
desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão
intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva
16
. Significa, ainda, assumir uma visão plural,
singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como
sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada ao seu acolhimento,
reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas suas singularidades e diversidades.
Portanto, com base na BNCC, a Educação Quilombola nas escolas também deve ser
norteada a partir dos princípios de uma educação integral do sujeito, ou seja, valorizar seu
território e sua comunidade como parte indispensável do processo educativo.
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais, para compreensão da modalidade de
Educação Escolar Quilombola, torna-se fundamental o conhecimento de alguns dos seus
princípios, tais como: direito à igualdade, liberdade, diversidade e pluralidade; direito à
educação pública, gratuita e de qualidade; respeito e reconhecimento da história e da cultura
afro-brasileira como elementos estruturantes do processo civilizatório nacional; proteção das
manifestações da cultura afro-brasileira; valorização da diversidade étnico-racial; promoção
do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, credo, idade e quaisquer outras
formas de discriminação; garantia dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais,
16Disponível em: https://claretianocolegio.com.br/batatais/noticias/91356/base-nacional-comum-curricular-o-claretiano-ja-esta-pronto-para-
essa-mudanca.Acesso em 01/10/2020.
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88
ambientais e do controle social pelas comunidades quilombolas; reconhecimento dos
quilombolas como povos ou comunidades tradicionais; respeito aos processos históricos de
luta pela regularização dos territórios tradicionais dos povos quilombolas, dentre outros.
Por este ângulo, pensando nos projetos educativos, é necessário levar em conta o
contexto sociocultural e a realidade dos povos quilombolas, pois o currículo busca a garantia
do direito dos estudantes para vivenciar sua história, o processo de formação de sua
comunidade em suas diversas escalas geográficas, e o protagonismo dos Movimentos Negro e
Quilombola nas conquistas mencionadas.
Dessa forma, deve-se negar a história a partir apenas da perspectiva eurocêntrica,
buscando a implementação de um currículo construído com os quilombolas e para eles,
levando em consideração os saberes tradicionais, conhecimento e referência às matrizes
culturais. Por isso, o currículo precisa assegurar os valores das comunidades, como a cultura,
as tradições, o mundo do trabalho, a terra, a territorialidade, a oralidade, a estética, o respeito
ao ambiente e à memória.
A Lei 10.639/03, atualizada na Lei 11.645/08, precisa ser garantida em todos os
seguimentos da Educação Básica. O currículo precisa contemplar a Lei, e cada município
precisa criar suas diretrizes, para tratar da educação Escolar Quilombola, para isso é
imprescindível conhecer essa base legal e compreendê-la. Por fim é através da educação e da
efetivação de um referencial curricular diverso e multicultural, que os povos quilombolas
terão seus direitos garantidos e respeitados, pois a educação é responsável pela transformação
de todos os cenários de exclusão, seja social, cultural, econômico ou étnico.
Trajetória Histórica
Pensar na trajetória histórica das comunidades remanescentes quilombolas é refletir
sobre os embates que essas comunidades tiveram e continuam tendo que enfrentar em busca
dos seus direitos, a priori pela posse de terras e atualmente, além da terra, lutar pelos seus
direitos em respeito aos seus saberes, suas características sociais, culturais e individuais,
lembrando que falar em direitos nesse contexto, é falar em uma reparação histórica que foi
negada por muito tempo e permanece até hoje.
Não podemos nos referir as comunidades remanescentes quilombolas sem antes
refletir sobre o que representava a palavra quilombo e o que atualmente representa.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
89
A palavra Quilombo está carregada de um contexto histórico que trás consigo, um
sentido de lutas e de recompensas para a sociedade e, ao mesmo tempo, demonstra resistência
ao sistema imposto, pois, de acordo com Moura
17
[...] não podemos deixar de ver o quilombo como um elemento dinâmico de desgaste
das relações escravistas. Não foi manifestação esporádica de pequenos grupos de
escravos marginais desprovidos de consciência social, mas um movimento que
atuou no centro do sistema nacional e permanentemente.
Portanto, falar dos quilombos no Brasil é pensar na identidade de cada brasileiro,
haja vista que quando se fala em comunidades quilombolas na atualidade, traz implicações no
reconhecimento de sua história e cultura no país, e das muitas populações oriundas do
continente africano, que fizeram o Brasil ser o que é.
Quilombolas são os descendentes e remanescentes de comunidades formadas por
escravizados fugitivos (os quilombos), entre os séculos XVI e XIX no Brasil. Atualmente as
comunidades quilombolas estão presentes em todo o território brasileiro, nas zonas rurais e
urbanas, e nelas se encontra uma rica cultura, baseada na ancestralidade negra, indígena e
branca. No entanto, os quilombolas sofrem com a dificuldade no acesso à saúde e à educação.
Geralmente os quilombos agregavam negros de diversos locais, constituindo-se de
diversidade étnica e cultural. Na vida cotidiana criavam alternativas de sobrevivência, defesa
e segurança do grupo, frente á opressão escravista. Entre as principais atividades
desenvolvidas nos quilombos, podemos mencionar a agricultura, mineração, criação de
animais, coleta, saberes ancestrais preservados e recriados, no passado, mas também no
presente.
A migração dos africanos para o Brasil deu-se de forma forçada, sendo capturados
em diversos locais do continente africano, os negros eram arrancados de suas casas, famílias,
transportados em navios, em condições subumanas; “retirados de seu habitat, com sua
bagagem cultural, a fim de serem, injustamente, incorporados às tarefas básicas para formação
de uma nova realidade” (ANJOS, 2011, p. 262), vendidos e obrigados a executar toda espécie
de atividade no cativeiro.
Diversos fatores contribuíram para que a escravização do africano se tornasse efetiva
e lucrativa, estavam presentes no campo e nas cidades, desenvolvendo trabalhos forçados nos
engenhos, minas, lavouras, agricultura de subsistência, criação de gado, produção do charque,
comércio, nos ofícios manuais e serviços domésticos. Não era fácil a vida na Colônia
17 MOURA, Clóvis. Rebeliões da senzala - quilombos, insurreições, guerrilhas. Mercado Aberto, Porto Alegre, 1988
REFERENCIAL CURRICULAR
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90
portuguesa para os escravizados, castigos físicos e punições marcaram a vida dos africanos no
novo mundo e durante todo o escravismo colonial, a resistência do negro à escravidão foi
característica marcante da história dos africanos nas colônias da América. “Onde houve
escravidão houve resistência”. (REIS; GOMES, 1996, p. 9).
A resistência aconteceu de diversas formas, corpo mole no trabalho, quebrar
ferramentas, incendiar plantações, agredir senhores e feitores, abortos, infanticídios,
envenenamentos, suicídios, compadrios, amaziamentos. Resistiam individual ou
coletivamente, e por diversos motivos, fugiam para os “quilombos” onde procuravam
recomeçar a vida.
O Quilombo de Palmares foi o maior na história do Brasil; tornou-se símbolo de
resistência, representando motivo de preocupação para as autoridades da época, Palmares
passou a representar a esperança de se alcançar a liberdade através de fugas. Mesmo depois de
destruídos, outros tantos conseguiram sobreviver às perseguições, perpassaram pela “li-
bertação dos escravos” e ficaram à margem da sociedade, demandando outras formas de
resistência e luta.
Ainda hoje existem comunidades quilombolas que resistem à urbanização e tentam
manter seu modo de vida simples e em contanto com a natureza, vivendo porém, muitas vezes
em condições precárias, devido à falta de recursos naturais e à difícil integração à vida urbana.
Segundo GOMES (2008, p. 462-463)
A questão não foi somente a falta de políticas públicas com relação aos ex-escravos.
Houve no período republicano politicas reforçando a intolerância contra a população
negra: concentração fundiária, nas áreas rurais, marginalização e repressão nas áreas
urbanas.
No sentido contemporâneo, o conceito de quilombo apresenta um novo significado
para o termo, que surge a partir dos anos 80 como consequência das mobilizações do
movimento negro, de grupos rurais e lutas pelo reconhecimento jurídico das terras de antigas
ocupações, mas ganha novo sentido com o Programa Brasil Quilombola, criado pelo Governo
Federal em 2004, com o objetivo de implementar diretrizes fundamentais da ação
governamental, que define o termo quilombo, para fins de direitos e reconhecimento
18
.
A invisibilidade da cultura afro-brasileira é, entre outros fatores, causada por um
modelo de dominação econômica e cultural eurocentrada, que teve na educação formal no
18 https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/igualdade-racial/artigos-igualdade-racial/programa-brasil-quilombola.Consulta em ago.
2020.
https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/igualdade-racial/artigos-igualdade-racial/programa-brasil-quilombola
REFERENCIAL CURRICULAR
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91
Brasil, desde o século XIX, seu principal vetor ideológico, através dos manuais didáticos que
pretendiam trabalhar uma ideia de nação, em que a analogia à civilidade era apenas europeia,
não africana, nem indígena. E assim tudo o que fazia alusão ao africano ou ao indígena estava
associado á imagem da escravidão, da servidão, na falta de inteligência, da indolência, do
anti-cristianismo e dos vícios.
19
No decorrer do século XX as desigualdades e a distância socioeconômica entre
brancos e negros foram contínuas, resultado da ausência de um plano de inserção social dos
ex-escravizados após a abolição de 1888. O que restara aos libertos e seus descendentes era
uma situação de marginalização e mendicância nas grandes cidades, ou a permanência em
relações de exploração e subserviência na zona rural, e o não acesso aos bens garantidos pela
República aos cidadãos brasileiros. Em outras palavras, foi negada sistematicamente aos afro-
brasileiros, sua cidadania plena
20
, resultando em vantagens materiais e simbólicas para a
população branca de todos os segmentos sociais, e de outro lado, na falta de chances e o
quadro de submissão socioeconômica e política da população negra.
Gradativamente, através das variadas formas de resistência, raras inserções sociais e
políticas, e um movimento abolicionista insuflado pelo fim da escravidão em outros países, a
população afro-americana pôs a termo o escravismo nas Américas. Na América latina, o
Brasil foi o último país a abolir o trabalho escravo. Depois do 13 de maio de 1888, a
população africana e afro brasileira foi deixada à própria sorte, segregada em espaços de
difícil acesso às possibilidades de desenvolvimento social e econômico
Os embates em relação aos direitos da população afro-brasileira, na
contemporaneidade, apontaram para a necessidade do estado em promover políticas
reparatórias que garantissem a inserção social dos grupos e indivíduos historicamente
marginalizados. A multiplicidade de organizações sociais no Brasil, pode ser vista nos
movimentos do campo e da cidade, e foram consequência também da tensão política
provocada pelo fim da Guerra Fria e o esfacelamento dos países do bloco soviético no final
dos anos 1980, quando a agenda neoliberal de impôs ao mundo e a globalização, que busca a
homogeneização de projetos e modos de vida, ameaçada acentuar a invisibilidade de minorias
étnicas e comunidades à margem dos lugares de poder
21
. ALMEIDA aponta para as
reivindicações advindas de grupos diversos, que se têm autodeclarado e organizado étnica e
culturalmente nos territórios nos quais desenvolvem sua vida e seu trabalho, conforme
19 Ver ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Brasiliense, 5ª Ed. 9ª reimpressão, 2006.
20 Ver FRAGA FILHO, Valter. Mendigos, Moleques e Vadios na Bahia do Século XIX. São Paulo, HUCITEC; Salvador, EDUFBA, 1996.
21 Ver AYERBE, Luis Fernando. Estados Unidos e América Latina: a construção da hegemonia. São Paulo: Editora UNESP, 2002.
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MUNDO NOVO
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preconiza a já citada Convenção 169 da Organização mundial do Trabalho, da qual o Brasil é
signatário
22
.
As comunidades remanescentes de quilombos e sua população, diferenciam-se de
acordo com suas vivências e territórios, há comunidades identificadas e reconhecidas, e as que
ainda estão em processo de reconhecimento junto ao Governo Federal. As conquistas ainda
são lentas e os desafios são grandes, a problemática histórica e burocrática envolvendo as
comunidades quilombolas no Brasil precisa de mais estudos, informações e visibilidade. O
direito à regulamentação das terras e educação previsto na Constituição Federal de 1988, não
foi acompanhado de uma acelerada concretização, muitos interesses que envolvem a
reivindicação de terras, estudos sobre a ocupação territorial e os interesses ligados ao
agronegócio, dificultam a celeridade dos processos de titulação e posse definitiva dos
territórios às comunidades quilombolas.
Fundamentos pedagógicos da e princípios da educação Quilombola
A Educação Escolar Quilombola é uma modalidade educacional com práticas
pedagógicas específicas, ligadas ao contexto local e ao percurso histórico de cada
comunidade, observando os princípios constitucionais e os que regem a Educação Brasileira,
tanto nas escolas quilombolas como nas escolas que atendem estudantes oriundos dos
territórios quilombolas. Dessa maneira, afirma o compromisso com o desenvolvimento dos
educandos em suas dimensões intelectual, física, sócio emocional e cultural, elencando as
competências e habilidades essenciais para sua atuação na sociedade.
A escola precisa garantir os direitos dos estudantes e uma educação que proporcione
o conhecimento e valorização da sua história. Assim, nas escolas que integram o sistema
Municipal de Ensino de Mundo Novo, as atividades desenvolvidas com os educandos, dentro
e fora do espaço escolar, convergem para que todos possam desenvolver as competências
gerais explicitadas na BNCC, que contemplem a Educação Escolar Quilombola, tais como:
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o
mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva;
Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às
mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural;
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de
conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do
trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com
liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade;
22 Convenção 169 da OIT. Disponível em <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decleg/2002/decretolegislativo-143-20-junho-2002-
458771-convencaon169-pl.pdf>. Consulta ago. 2020.
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decleg/2002/decretolegislativo-143-20-junho-2002-458771-convencaon169-pl.pdf
https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decleg/2002/decretolegislativo-143-20-junho-2002-458771-convencaon169-pl.pdf
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Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação,
fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes,
identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Dessa maneira, o desenvolvimento da empatia, da colaboração e da responsabilidade
supõe processos intencionais vivenciadas nas interações, em que essas habilidades são
mobilizadas simultaneamente aos processos cognitivos.
No Município de Mundo Novo, no Povoado de Jequitibá, existem integrantes que se
autodenominam quilombolas inseridos naquela comunidade, apresentando traços identitários
afro-brasileiros na sua culinária, instrumentos musicais, cultos religiosos, vocabulário e
festejos, diferenciadas das que ocorrem em outros territórios do município. Esta comunidade
quilombola está registrada no Livro de Cadastro Geral n.º 018, Registro nº 2.410, fl.031 -
Processo nº 01420.016015/2015-04.
A avaliação na Educação Escolar Quilombola deve ser diagnóstica, participativa,
processual, formativa e deve dialogar com os conhecimentos produzidos pelo sujeito,
individual ou coletivamente na comunidade onde vive. A avaliação, como um dos elementos
que compõem o processode aprendizagem, é uma estratégia didática que deve ter seus
fundamentos e procedimentos definidos no projeto político-pedagógico, e estar articulada à
proposta curricular pautada nos referenciais estaduais e na BNCC, e associada aos processos
de ensino e aprendizagem desenvolvidos especificamente para a realidade quilombola.
Dessa forma, a avaliação externa e interna do processo de ensino e aprendizagem
na Educação Escolar Quilombola, deverá considerar o direito de aprendizagem; os
conhecimentos tradicionais; as experiências vividas pelos educandos e suas características
culturais.
Educação do Campo
O termo Educação do Campo foi criado a partir da 1ª Conferência Nacional de
Educação Básica do Campo realizada em 1990, que teve como propósito debater os
questionamentos que surgiram no 1º Encontro de Educadores Reforma Agrária (ENERA).
Como resultado, surgiu o conceito da Escola do Campo diferentemente da Escola Rural,
aplicado ao ensino no Brasil para aqueles que habitavam áreas do campo.
As discussões ocorridas a partir da década de 1990 consolidaram a resolução dos
dilemas relativos à vida no campo, cabendo à escola através da educação, ser um dos
caminhos para melhorar as perspectivas de inserção da população do campo. Debates acerca
REFERENCIAL CURRICULAR
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94
da demora da reforma agrária, bem como da necessidade de conscientização da importância
da sociedade do campo, foram os direcionadores para a proposição de mudanças. Essas
discussões do início da década de 1990 foram decorrentes das lutas realizadas ao longo de
várias décadas pelos direitos e valorização da população campesina.
Da busca de mudança e proposições que viabilizassem a valorização do campo, surgiu
o paradigma da Educação do Campo, em oposição à Educação Rural. Esta mais voltada para a
adaptação do campesino às condições do campo, com prevalência dos valores urbanos em
contraposição às experiências do campo, dificultando a formação positiva da identidade dos
camponeses. O currículo foi um ponto importante de reflexão, na tentativa de construir e
valorizar saberes do campo, que possibilitassem uma identificação e significados aos
estudantes das áreas rurais. Nas palavras de Santos, “O homem e a mulher do campo, nesse
contexto, são sujeitos historicamente construídos a partir de determinadas sínteses sociais,
específicas e com dimensões diferenciadas em relação aos grandes centros urbanos.”
23
.
A Educação Rural era vista como algo voltado a uma realidade tecnologicamente
atrasada, um espaço pequeno para agricultura e pecuária, com técnicas arcaicas de cultivo,
que já não atendia aos anseios dos povos do campo, resultando em altos índices de
analfabetismo e evasão escolar, em uma realidade onde as escolas possuíam infraestrutura
ruim e pouco acolhedora. A Educação do Campo foi resultado de demandas históricas das
populações do campo, reivindicando uma educação inclusiva e autônoma, para elevar a
produtividade em contato com as novas tecnologias agrícolas.
Já a Educação do Campo é aquela que ocorre aonde existe o campesinato, ou seja, é
uma modalidade da educação básica, que ocorre em espaços rurais. Diz respeito a todo espaço
educativo inseridos em zonas de florestas, agropecuária, de mineração, de agricultura e
também aos espaços pesqueiros, às populações ribeirinhas, de marisqueiras, assentamentos de
trabalhadores sem-terra, atingidos por barragens, moradores de fundo de pasto, comunidades
caiçaras e extrativistas. Além de englobar a diversidade de vivências comunitárias já
indicadas, a Educação do Campo serve também como modalidade que abarca as comunidades
quilombolas e indígenas.
Conjunto de diretrizes e práticas pedagógicas, oriundas das demandas e lutas sociais
dos povos do campo e suas representações sociais e políticas, que visam oferecer
acesso à educação em todos os níveis de ensino aos diversos sujeitos do campo,
contextualizada as suas especificidades e realidade em todas as dimensões do ser
social.
24
23 SANTOS, Ramofly Bicalho. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL: O protagonismo dos movimentos sociais. IN:
Revista Teias v. 18 • n. 51, 2017.
24 Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI. Educação do Campo:
marcos normativos. Brasília: SECADI, 2012.
REFERENCIAL CURRICULAR
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Na educação do campo, é preciso considerar as diversidades contidas nos espaços
rurais, contemplando no currículo escolar as características de cada local, bem como os
saberes ali presentes. A educação no meio rural, no Brasil, ainda tem muito a desenvolver. A
falta de políticas educacionais voltadas para esse fim caracteriza a desvalorização do homem
do campo, estabelecendo uma vida limitada aos seus filhos. Segundo firma Barros
A falta de políticas educacionais voltadas para esse fim caracteriza a desvalorização
do homem do campo, estabelecendo uma vida limitada aos seus filhos. São grandes
as dificuldades encontradas pelas trilhas por onde passam as crianças e jovens desse
meio, que procuram adquirir conhecimentos, mas também um lugar para conviver
com pessoas da mesma idade, ampliando suas relações sociais. Pesquisas recentes
comprovam que o insucessos nesse meio de educação atinge os 40% , além de ter
70% os alunos em séries incompatíveis com as idades. As escolas do campo
normalmente são compostas de apenas uma sala de aula, tendo que se desenvolver
um trabalho de sala multisseriada, com mistura de idades e de conteúdos. ((2009, p.
21):
Em Mundo Novo, são grandes as dificuldades encontradas pelos povos do campo, já
que não conseguimos ofertar esta modalidade. Temos escolas na zona rural que são atendidas
como escolas no campo, na maioria das vezes com classes multisseriadas, seguindo assim o
currículo das escolas urbanas, onde são agregados algumas especificidades da cultura local.
O município tem escolas com uma boa estrutura física, em comunidades do campo
como Ibiaporã, Visgueira, Umbuzeiro, Cobé e Santo Antônio, a maioria com recursos
disponíveis, como acervos de livros paradidáticos de qualidade enviados pelo MEC, no
entanto é percebível que os currículos ainda não contemplam as especificidades dos sujeitos
que pertencem àqueles territórios.
É importante destacar a experiência exitosa com educação do campo, desenvolvida
pela ETFA (Escola Técnica Família Agrícola, no povoado de Jequitibá, que se constituiu uma
escola do Campo e no campo, e que tem por fundamento a Pedagogia da Alternância.
“No Brasil, a denominada Pedagogia da Alternância foi introduzida, em 1969, no
Espírito Santo (...) encontrando rápida expansão com a orientação dos Padres
Jesuítas. Nesse estado e em mais quinze Unidades da Federação Brasileira, a
alternância mais efetiva é a que associa meios de vida sócio profissional e escolar
em uma unidade de tempos formativos. Tais são as Escolas Famílias Agrícolas
(EFA)”.
25
Aqui propomos um referencial curricular para a Educação do Campo que respeite os
estudantes enquanto povos do campo, apresentando um currículo que considere a realidade
local, bem como a sua diversidade de forma emancipatória, reflexiva e libertadora, com
práticas pedagógicas que valorizem os conhecimentos prévios e práticas adquiridos através de
25 Parecer CNE/CEB nº 1/2006
REFERENCIAL CURRICULAR
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suas experiências no campo, suas relações sociais e tradições históricas vivenciadas através de
seu contato com o meio ambiente.
Marcos Normativos
Ao longo da história da educação brasileira, evidencia-se como a Educação do Campo
foi negada aos sujeitos do campo. Conhecer, entender as intencionalidades das perspectivas
oficiais para a formação dos indivíduos, é essencial paraanalisar criticamente as medidas
políticas direcionadas ao sistema educacional brasileiro, que desde os anos 1930, direcionam
esforços para a reprodução das condições de produção da sociedade capitalista-liberal.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA EDUCAÇÃO
A Constituição de 1988 simbolizou um grande marco em defesa da educação e dos direitos
sociais, transformando-a em direito público subjetivo quando:
“Proclama a educação como direito de todos e, dever do Estado, transformando-a
em direito independentemente dos cidadãos residirem nas áreas urbanas ou rurais.
Deste modo, os princípios e preceitos constitucionais da educação abrangem todos
os níveis e modalidades de ensino ministrado em qualquer parte do país. Assim
sendo, apesar de não se referir direta e especificamente ao ensino rural no corpo da
Carta,...”.
Deste modo os princípios constitucionais da educação abrangem todos os níveis e
modalidades de ensino ministrado em qualquer parte do país.
Após a CF/88 surge a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) 9394/96.
Partindo do princípio Constitucional, a LBD - Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, Lei nº 9.394/96, reconhece a possibilidade de uma educação voltada às
singularidades do campo, dando autonomia às instituições que nele atuam, na educação do
campo e,
Reconhece, em seus artigos. 3º, 23, 27 e 61, a diversidade sociocultural e o direito à
igualdade e à diferença, possibilitando a definição de diretrizes operacionais para a
educação rural sem, no entanto, romper com um projeto global de educação para o
país. A ideia de mera adaptação é substituída pela de adequação, o que significa
levar em conta, nas finalidades, nos conteúdos e na metodologia, os processos
próprios de aprendizado do estudante e o que é específico do campo. Permite, ainda,
a organização escolar própria, a adequação do calendário escolar às fases do ciclo
agrícola e às condições climáticas. (SECAD, 2007, p. 16)
REFERENCIAL CURRICULAR
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Apontando os principais dispositivos legais que regulamentam a educação do campo,
os quais precisam ser aplicados no contexto escolar camponês, para que de fato se tenha uma
educação do campo e no campo com qualidade. O Artigo 28 Estabelece que:
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino
promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida
rural e de cada região, especialmente:
I - Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e
interesses dos alunos da zona rural;
II - Organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases
do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.
26
Em 1997 - o I Encontro de Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (ENERA)
que tinha como objetivo pensar a educação pública para os povos do campo, considerando seu
contexto em termos políticos, econômicos, sociais e culturais. Sua maneira de conceber o
tempo, espaço, meio ambiente, produção, organização coletiva, questões familiares, trabalho,
entre outros aspectos.
Em 1998 - foi criada a Articulação Nacional Por Uma Educação do Campo, entidade
que passou a promover e gerir as ações conjuntas pela escolarização dos povos do campo, em
nível nacional, impulsionando a realização de duas Conferências Nacionais Por Uma
Educação Básica do Campo – em 1988 e 2004. Tendo como fruto a realização da Conferência
Nacional Por Uma Educação Básica do em Uma parceria entre o MST, UnB, Unicef (Fundo
das Nações Unidas para a Infância), Unesco e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil).
Ainda em 1988, por meio da Portaria 10/98, foi criado o Programa Nacional de
Educação na Reforma Agrária (Pronera), que reafirma:
“um compromisso firmado entre o Governo Federal, as instituições de ensino, os
movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores/as rurais, governos estaduais e
municipais, considerando a diversidade dos atores sociais envolvidos no processo de
luta por terra e educação no país. (BRASIL, 2004).
Além de defender:
Alfabetização de Jovens e Adultos do campo
Fortalecimento do mundo rural como contexto e território de vida coletiva e singular.
26 Artigo 28 da Lei nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
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Em 2002 - Criação do Conselho Nacional da Educação, das Diretrizes Operacionais
para a Educação Básica nas escolas do Campo que segundo a Resolução CNE/CEB 01, de 03
de abril de 2002 resolve entre outras:
Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Operacionais para a Educação
Básica nas escolas do campo a serem observadas nos projetos das instituições que
integram os diversos sistemas de ensino.
Art. 2º Estas Diretrizes, com base na legislação educacional, constituem um
conjunto de princípios e de procedimentos que visam adequar o projeto institucional
das escolas do campo às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil,
o Ensino Fundamental e Médio, a Educação de Jovens e Adultos, a Educação
Especial, a Educação Indígena, a Educação Profissional de Nível Técnico e a
Formação de Professores em Nível Médio na modalidade Normal.
Parágrafo único. A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às
questões inerentes à sua realidade, ancorando-se na temporalidade e saberes próprios
dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e
tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos
que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade social da vida
coletiva no país. 1 (*Publicada no Dou de 9/4/2002, Seção 1, p.)
Em 2004 - criação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
(Secad), no âmbito do Ministério da Educação. Ainda segundo Santos,
Nessa secretaria foi instituída a Coordenação Geral da Educação do Campo. Este
fato significou a inclusão, na estrutura federal, de uma instância DOI:
10.12957/teias.2017. 24758 Teias v. 18 • n. 51 • 2017 (Out./Dez.): Micropolítica,
democracia e educação 217 responsável pelo atendimento das demandas do campo,
a partir do reconhecimento de suas necessidades e singularidades. Nessa conjuntura,
podemos sinalizar com algumas iniciativas2 que contribuíram, de alguma forma,
para representação das identidades das escolas do campo.
2007 criação PROCAMPO - Programa de Apoio à Formação Superior em
Licenciatura em Educação do Campo (Procampo). Segundo Santos,
Surge por meio de parcerias com as Instituições Públicas de Ensino Superior
viabilizando a criação das Licenciaturas em Educação do Campo, a fim de promover
a formação de professores da educação básica para lecionarem nas escolas
localizadas em áreas rurais. A aprovação do Procampo surgiu do reconhecimento e
da necessidade de formação inicial para educadores/as do campo. Contribuiu para
fortalecer o debate acerca das políticas públicas educacionais e enfrentar, com
seriedade, questões que ainda não haviam sido discutidas pelo governo brasileiro.
Como verificado na história do país, a política educacional, até então destinada para
o campo, considerava este espaço a extensão da cidade, de modo que a instituição
escolar, os currículos e os educadores foram levados dos centros urbanos para o
campo.
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2013 PRONACAMPO - Programa Nacional de Educação do Campo,
Conjunto de ações articuladas que asseguram a melhoria do ensino nas redes
existentes, bem como, a formação dos professores, produção de material didático
específico, acesso e recuperação da infraestrutura e qualidadena educação no campo
em todas as etapas e modalidades. (Pronacampo/MEC, 2012).
Assim se estrutura uma gama de políticas voltadas para a Educação do Campo
faltando por vez, a materialização de todas elas para que a Educação do Campo se
concretizasse, garantido direitos aos povos do campo.
TRAJETÓRIA HISTÓRICA
A Educação no período Colonial - 1549 - 1822
Tem se falado muito em “Educação do Campo” no Brasil, principalmente nos últimos
tempos. Conforme indicam estudos pouco se pode falar das iniciativas escolares em termos de
educação rural durante o longo período colonial e imperial (CALAZANS,1993).
Mesmo quando se formulou políticas ou ações para a educação do campo, não foi
pensado em nada diferente das escolas urbanas, pois seguiram o mesmo modelo de educação
pensado para a cidade, o material didático, livros, programas e até os professores eram os
mesmos. Não foi levado em consideração que se tratava de públicos distintos, logo as
necessidades eram diferentes, a educação deveria ser também, diferente, capaz de garantir o
bem-estar coletivo para estas populações e de todos que fazem parte dela.
Ao tratar da educação no Brasil em um longo período como o Colonial, era preciso
pensar em uma narrativa histórica que precisava ser dividida para ser melhor entendida. Nesse
sentido Saviani (2011), nos diz que essa divisão pode ser feita em três etapas para melhor
compreender aspectos da educação brasileira. A primeira corresponde ao período de 1549 a
1599, a segunda de 1599 a 1759, e a terceira e última etapa corresponde ao período de 1759
até o ano de 1808.
Apesar de o Brasil ter sido um país predominantemente rural, a educação no campo
nunca foi pensada, nem mesmo no período colonial. Somente no final do século XX é que
surge no país um debate neste sentido. Segundo Marinho (2008), a Coroa portuguesa, via o
Brasil como um país de exploração, onde a riqueza deveria ser exportada para Europa, e não o
contrário. Além de tudo, para que a riqueza chegasse até Portugal, precisava-se de um serviço
braçal, logo o homem não precisava saber ler e escrever, tornando-se assim fácil de ser
manipulado. Os povos que constituíam o Brasil, índios, mulheres e posteriormente os negros
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não tiveram resguardado o direito a educação. A educação no campo, por exemplo, dependia
da elite, que eram os donos da terra e apenas uma boa parte deles havia se formado em nosso
país. Como não era interessante que esses povos tivessem acesso a educação, eles não
apoiaram a implantação dessa modalidade de ensino, que deveria continuar apenas com a
elite.
Nesse sentido, é possível perceber, historicamente, a diferenciação dada às elites. Esta
diferenciação só contribuiu para o aumento da pobreza e exclusão social, em consequência da
concentração fundiária, da escravidão e da invasão das terras dos índios.
Um dos grandes marcos da reforma da educação no Brasil ocorreu no início dos anos
20 com a chamada Escola Nova que seria a escola pública e gratuita para todos com a mesma
igualdade de educação e oportunidades. O ensino deveria ser leigo, ou seja, sem influência
religiosa. Neste período, o setor industrial cresce e a população rural começa a migrar para as
cidades, o que levou à Educação Rural a ser pensada de forma que essa população se
mantivesse no campo, visto que a elite agrária corria risco de ser prejudicada pela ausência de
mão de obra.
As primeiras escolas rurais eram chamadas de escolas agrícolas, mas apesar de
estarem em meio rural, sua logística era de escolas urbanas, sem que houvesse nenhuma
especificidade voltada para as necessidades de estudantes do campo. Havia ainda, a ausência
do material adequado para que seu funcionamento estivesse em conformidade com a
modalidade.
A constituição de 1924 não cita a educação rural, mesmo sendo um país
essencialmente ruralista. LEITE (1999, p. 28) em seu estudo sobre a educação rural, diz:
A sociedade brasileira somente despertou para a educação rural por ocasião do forte
movimento migratório interno dos anos 1910/20, quando um grande número de
rurícolas deixou o campo em busca das áreas onde se iniciava um processo de
industrialização mais amplo.
A partir da década de 30, alguns programas foram criados para a escolarização das
populações campesinas. O ruralismo pedagógico, que teve como objetivo a fixação do homem
do campo no campo. Assim nos mostra Bezerra Neto (2003, p. 11e 15):
O termo ruralismo pedagógico foi cunhado para definir uma proposta de educação
do trabalhador rural que tinha como fundamento básico a ideia de fixação do homem
no campo por meio da pedagogia (...). Para essa fixação, os pedagogos ruralistas se
entendiam como sendo fundamental que se produzisse um currículo escolar que
estivesse voltado para dar respostas às necessidades do homem do meio rural,
visando atendê-lo naquilo que era parte integrante do seu dia-a-dia: o currículo
escolar deveria estar voltado para o fornecimento de conhecimentos que pudessem
ser utilizados na agricultura, na pecuária e em outras possíveis necessidades de seu
cotidiano.
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Calazans (1993), afirma que essa corrente pedagógica surgiu de ideias que já eram
pensadas desde a década de 20, porem foi na década de 30 sua efetivação, com o Manifesto
dos Pioneiros da Escola Nova. Dentre essas ideias se destacam as seguintes pretensões para a
escola do campo:
Uma escola rural típica, acomodada aos interesses e necessidades da região a que
fosse destinada (...) como condição de felicidade individual e coletiva; b) Uma
escola que impregnasse o espírito brasileiro, antes mesmo de lhe dar a técnica do
trabalho racional no amanhã dos campos, de alto e profundo sentido ruralista, capaz
de lhe nortear a ação para a conquista da terra dadivosa e de seus tesouros, com a
convicção de ali encontrar o enriquecimento próprio e do grupo social de que faz
parte (...); c) Uma escola ganhando adeptos à vocação histórica para o ruralismo que
há neste país. Os homens é que perturbam essa vocação, diziam os ruralistas,
criando, primeiro, centros acadêmicos para os doutores e, depois, uma indústria,
muitas vezes artificial (...). Antes da solidez da economia agrária, com a reabilitação
da terra e do homem (...). (CALAZANS, 1993, p. 18).
Em 1935, é criada a Sociedade Brasileira de Educação Rural, entretanto só em 1937,
com a chegada do Estado Novo, é que a educação do campo se fortalece com o objetivo de
expansão do ensino, servindo também como canal de difusão ideológica do Estado Novo de
Getúlio Vargas. “Era preciso alfabetizar, mas sem descuidar dos princípios de disciplina e
civismo” (Leite, 2002, p.30).
A educação rural volta a ser interesse do governo somente em 1945, com a criação
da “Comissão Brasileira de Educação das Populações Rurais” – CBAR que tinha como
objetivo:
Implantar projetos educacionais na zona rural e o desenvolvimento das comunidades
campestres, mediante a criação de Centros de treinamento (para professores
especializados que repassariam as informações técnicas aos rurícolas), a realização
de Semanas Ruralistas (debates, seminários, encontros, dia de campo, etc) e também
a criação e implantação dos chamados Clubes Agrícolas e dos Conselhos
Comunitários Rurais. (Leite, 2002, p.32).
Em 1949 a UNESCO e a OEA promoveram o Seminário Interamericano de Educação
na cidade do Rio de Janeiro, destacando para a Educação Rural planejamento e sistematização
de diretrizes que deram o ponto de partida para as novas práticas em Educação Rural que se
estenderiam até a década de 50. O Seminário estabeleceu como compromisso principal inserir
as populações rurais à vida nacional e o “cumprimento da missão histórica da América em
construir uma pátria aberta a todos os perseguidos da terra”.
A partir da década de 50 o RuralismoPedagógico foi substituído pela criação da
Campanha Nacional de Educação Rural (CNER), com objetivo de adotar estratégias na
educação do campo, propondo formação para professores focando a preparação dos filhos de
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agricultores para atividades agrícolas, alfabetização de adultos e principalmente, instigar no
homem rural a necessidade de comunidade e da sua valorização intelectual. Coube à
Campanha,
[...] difundir a educação de base no meio rural brasileiro, [...] levar aos indivíduos e
às comunidades os conhecimentos teóricos e técnicos indispensáveis a um nível de
vida compatível com a dignidade humana e com os ideais democráticos, conduzindo
as crianças, os adolescentes e os adultos a compreenderem os problemas peculiares
ao meio em que vivem, a formarem uma ideia exata de seus deveres e direitos
individuais e cívicos e a participarem eficazmente do progresso econômico e social
da comunidade a que pertencem. (SILVA, 1956, p. 10).
Percebe-se, dessa forma que ainda eram insuficientes as discussões acerca da
educação do campo, o crescimento do processo industrial priorizava a formação da mão de
obra urbana, aumentando ainda mais a desigualdade e a exclusão, e dinamizando a realidade
do êxodo rural no país. As políticas criadas para a educação do campo não atendiam às
necessidades da sua população, e sim evitar o êxodo rural e atender aos interesses da elite
agrícola, no manuseio das máquinas que modernizavam o trabalho agrícola.
Fundamentos Pedagógicos da Educação Do Campo
Este referencial curricular busca estruturar e implementar uma prática pedagógica
efetiva na Educação do Campo, que tem como essência o princípio da inclusão e o
reconhecimento dos sujeitos do campo como cidadãos do processo educacional e de sua
própria identidade. Assim, sua ideia central pedagógica e metodológica deve ser direcionada
para os indivíduos do campo em sua vivência, seu contexto e peculiaridades em geral.
Dialogar sobre a Educação do campo hoje, sendo fiel aos seus objetivos de origem,
exige um olhar aprofundado sobre a historicidade da educação no Brasil. O processo de
educação do homem é fundamental para o desenvolvimento dos grupos sociais e das
sociedades, razão pela qual o conhecimento de sua história e experiências passadas é essencial
para a compreensão dos rumos tomados pela educação no presente.
Ainda enfrentamos os desafios do passado: as transformações que ocorreram nos
últimos 30 anos revolucionaram todos os setores da nossa sociedade, no entanto, nosso
modelo educacional continua com resquícios de antigas práticas. É de fato interessante
perceber o quanto avançamos tecnologicamente, industrialmente, cientificamente, mas no
tocante à Educação e Sociedade continuamos travados e por muitas vezes observamos a
existência de condutas que nos levam ao retrocesso.
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Em busca de melhor compreender a realidade educacional, vamos conceituar educação
no campo e educação do campo. Educação no campo diz respeito ao espaço rural onde está
inserida a escola e ocorrem as atividades educacionais dos estudantes que ali vivem, mas sem
atender as especificidades da modalidade do Campo, como se aplica a realidade do município.
Já a educação do campo propõe diretrizes educacionais que atendam às especificidades
culturais dos sujeitos do campo, visando à formação do mesmo.
A Educação voltada para os povos do campo, vem passando por uma reflexão
pedagógica quanto à sua função social e de formação cidadã. A concepção desta modalidade
surge com uma nova práxis, em que os estudantes do campo não são apenas receptores de um
currículo pensado para a cidade, mas sujeitos que se constituem a partir do seu contexto
rural/local até a dimensão global. Neste contexto, Arroyo, Caldart e Molina (2004, p. 12)
afirmam que:
Aqui se entende por Educação do Campo, um movimento de ação, intervenção,
reflexão, qualificação que tenta dar organicidade e captar, registrar, explicitar e
teorizar sobre múltiplos significados históricos, políticos e culturais
consequentemente formadores, educativos.
Ela surge na dinâmica dos grupos que vivem no campo, por intermédio das suas
organizações e de seus movimentos em prol dos direitos do povo do campo. Compreende-se
aqui, como povo do campo, todos aqueles que possuem relação direta com a vida no campo:
agricultores familiares, pequenos agricultores, camponeses, trabalhadores rurais, sem-terra,
enfim, todos que vivem ou sobrevivem do trabalho no campo. Esses grupos, por meio das
suas lutas sociais, incorporaram junto às lutas por uma educação de qualidade para seus
filhos, não aceitando mais a escola rural sem condições, sem material, sem proposta
pedagógica, como Arroyo, Caldart e Molina citam:
O trabalho na terra, que acompanha o dia-a-dia do processo que faz de uma semente
uma planta e da planta um alimento, ensina de um jeito muito próprio que as coisas
não nascem prontas, mas, sim, que precisam ser cultivadas: são as mãos do
camponês, da camponesa, as que podem lavrar a terra para que chegue a produzir o
pão. Este também é um jeito de compreender que o mundo está para ser feito e que a
realidade pode ser transformada, desde que esteja aberto para que ela mesma diga a
seus sujeitos como fazer isto, assim como a terra vai mostrando ao lavrador como
precisa ser trabalhada para ser produtiva. (2004, p. 100-101)
A educação para o campo ofertada até então, seguia um currículo urbano, os livros, a
metodologia, a formação dos professores com a lógica urbana, sem conhecer, valorizar e
respeitar o campo. A consequência mais tangível é à saída dos jovens do campo em busca de
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uma condição de vida melhor e a compreensão do campo como o lugar do insuficiente,
inferiorizando as zonas rurais, representada através de conceitos pejorativos, lugar dos
atrasados, ignorantes, dos Jeca-Tatus (MARTINS, 1975).
Refletindo a partir da problemática anterior é que o Referencial Curricular Municipal
tem como proposição de buscar reverter esta realidade através de uma proposta que contemple
a valorização do território e do sujeito e suas necessidades, experiências, vivencias e
expectativas de forma a criar uma relação de identidade e pertencimento, além disso,
combater a ideologia conservadora, que exclui, segrega, discrimina e uma prática educacional
retrógrada, acrítica, que deve ser substituída por uma prática consistente, filosófica, política e
crítica, sem a qual não se alcança o conhecimento real e necessário.
PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS
É necessário compreender os princípios que norteiam a práxis pedagógica da educação
do campo, para buscarmos a definição de políticas para um novo fazer da escola, do currículo
capaz de produzir mudanças no sujeito do campo, na (re)construção de sua identidade, no
interior da escola e da sociedade, a partir da acepção da palavra princípio.
Etimologicamente, a palavra princípio deriva do latim “principium” (HOUAISS, 2001,
p. 2300), e conforme Machado (2009), designa verdades ou axiomas iniciais. O dicionário de
Língua Portuguesa Houaiss (2001, p. 2299) nos apresenta várias definições para o termo
princípio, dentre as quais escolhemos.
[...] o que serve de base a alguma coisa, causa primeira, raiz, razão, ditame moral,
regra, lei, preceito; [...] proposição elementar e fundamental que serve de base a uma
ordem de conhecimento; lei de caráter geral com papel fundamental no
desenvolvimento de uma teoria e da qual outras leis podem ser derivadas; proposição
lógica fundamental sobre a qual se apoia o raciocínio; fonte ou causa de uma ação.
Sendo assim os princípios pedagógicos indicam o caminho, conduzem a ação
pedagógica sustentando a prática, fazendo-nos pensar sobre a educação para as escolas do
campo, a partirdestes. Indicamos a seguir, alguns dos princípios que serão norteadores dos
referenciais curriculares de Mundo Novo:
Agroecologia
É um principio que defende uma perspectiva ecológica sustentável, utiliza recursos
naturais com consciência respeitando e preservando a natureza desde o plantio até a colheita.
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Ele propõe uma revisão dos métodos convencionais que são usados para manejar uma grande
quantidade de terras, e tem como objetivo maximizar a produção e estudar a agricultura em
uma perspectiva ecológica, buscando otimizar o agro ecossistema como um todo, o que inclui
seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos.
Identidade Camponesa
Este princípio corresponde a validação de uma educação que agregue e valorize o
sujeito que vive no campo no respeito aos saberes, vivencias , experiências , no direito a uma
vida digna, na garantia de todos os direitos sociais, dos valores que são imprescindíveis para a
vida em comunidade como a cooperação , solidariedade, igualdade, empatia, de forma a
oportunizar a efetiva participação desses na vida em sociedade. Uma educação que valoriza a
identidade do sujeito do campo, capaz de transformar o meio em que vive.
A questão Agrária no Brasil
Desde muito tempo, a Educação do Campo é pauta de discussões e reflexões por todo
o país, onde sempre se buscou através de lutas e movimentos equiparar essa modalidade
buscando, sobretudo um espaço de compromisso com a emancipação dos sujeitos do campo.
Tratando desses conceitos (questão agrária e reforma agrária), é importante diferencia-
los, pois, sabe-se que quando se fala em questão agrária, estamos falando em estrutura, posse
e uso da terra, enquanto a reforma seria justamente políticas públicas que visam minimizar as
disparidades existentes na questão agrária do Brasil.
Discutir Reforma Agrária é peça fundamental para ter o campo com gente, pois, diante
do processo de modernização do campo que visualizamos atualmente, o espaço rural está cada
vez mais vazio da presença humana e dotado de tecnologia para produção que visa o mercado
externo. Como afirma o autor:
“[...] de um lado, uma perda gradativa do papel produtivo dos segmentos
mais pobres de pequenos produtores, de modo a converter a terra que
possuem em mero local de moradia ou, quando muito, em produção para
autoconsumo da família; de outro, uma tecnificação crescente dos produtores
familiares integrados aos complexos agroindustriais, aliando um patrimônio
imobilizado cada vez maior a menores níveis de autonomia na organização de
seu próprio processo produtivo. (GRAZIANO DA SILVA, 1996b, p. 173).
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Assim, nota-se que as desigualdades sociais existentes nesse ambiente são alarmantes,
o que contribuem para a ocorrência de grandes tensões e conflitos agrários, sendo a reforma
uma possível saída para minimização desses entraves.
No entanto, Graziano da Silva (1999) reconhece ser inviável uma ampla distribuição de terras
em todo o país, defendendo assim o que chama de “reforma agrária de abrangência regional”,
destacando áreas prioritárias como por exemplo, o sertão da Região Nordeste do Brasil. O
autor reforça ainda que “[...] se não existissem outras razões, bastaria essa: a pior das reformas
agrárias que ao menos garante casa, comida e trabalho por uma geração, custa menos da
metade do que é gasto para manter alguém na cadeia” (GRAZIANO DA SILVA, 2001, p. 5).
É inegável assim, que se em nossa realidade nos deparamos com centenas de terras
improdutivas e milhares de famílias sem terras, a reforma agrária é fundamental para reverter
esse cenário.
O Trabalho como princípio educativo
A partir das conquistas adquiridas ao longo da história a educação do /no campo passa
a se repensar no caráter formativo tanto de professores como no tipo de processo de ensino e
aprendizagem a ser realizado.
O processo de ensino e aprendizagem deve incentivar a saída do comodismo, o que
requer entender os diversos acontecimentos e transformações sociais e políticas e a
participação dos movimentos sociais, bem como a garantia para a implementação da lei da
valorização dos saberes da coletividade, atividades escolares, respeito pela religião,
ensinamentos dos seus antepassados e valorizações de tais especificidades.
O trabalho como princípio educativo, é aquele que leva ao agir teoricamente, pensar e
refletir sobre a prática docente, a dimensão social, política e econômica que vise a
emancipação humana e a implementação das políticas públicas ligadas a uma educação de
qualidade, que implica no papel da escola, o tipo de sujeito que se quer formar, visto que uma
educação cidadã trabalha e valoriza seus direitos e necessidades, assistidas e garantidas.
Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas
Em Educação de Jovens e Adultos (EJA), é imprescindível que seja discutida e
refletida a própria concepção de EJA, do ponto de vista histórico, filosófico, político e
pedagógico, à luz do contexto identitário local e reconhecendo a modalidade enquanto medida
REFERENCIAL CURRICULAR
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de garantia de percursos educativos dignos aos sujeitos envolvidos. Desse modo, pensar no
movimento curricular é pensar na vida dos sujeitos e no direito que têm de aprender.
De acordo com o Documento Curricular Referencial da Bahia para a Educação Infantil
e Ensino Fundamental-DCRB (2019),
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) constitui uma modalidade da Educação
Básica inserida nas políticas públicas nacionais e visa assegurar aos jovens, adultos
e idosos o direito à educação de qualidade, considerando a especificidade do seu
tempo humano, consoante o qual os saberes e as experiências adquiridas ao longo de
sua trajetória de vida norteiam o currículo, ancorados em uma concepção de
educação e de mundo peculiar a esses sujeitos. (BAHIA, 2019).
Assim, falar da Educação de jovens-adultos requer sensibilidade, responsabilidade e
empenho de todos os envolvidos nesse processo, pois o conceito dessa modalidade de
educação abrange diferentes aspectos e, por isso, é necessário considerar e promover os
meios, os hábitos, os costumes e os valores experienciados na comunidade, que são
transferidos de uma geração para outra como elementos que integram e interagem com o
processo de ensino e de aprendizagem.
A Educação de Jovens e Adultos se constitui como uma modalidade de ensino
indispensável para os estudantes do município, pois, para além de a oferta ser obrigatória, os
jovens-adultos educandos são sujeitos de direitos, que foram privados de saberes que o
processo de escolarização deveria ter-lhes assegurado. A modalidade visa atender, portanto, à
escolarização de pessoas cujos percursos educativos foram comprometidos – por não terem
tido acesso à escola na idade certa ou por diversos outros fatores, de ordem social, política,
econômica, cultural que levaram a situações de reprovação, repetência, abandono e evasão
escolar. Fatores dentre os quais se destaca o ingresso, muitas vezes pré-maturo, no mundo do
trabalho. Para esses sujeitos não foram garantidos de forma plena o acesso, a permanência e,
sobretudo, o sucesso escolar.
Tendo em vista os seus propósitos, a proposta educacional também integra a
educação no Brasil de maneira regular, fundamental, digna de respeito e profissionalismo,
especialmente ao se considerar a longa história e todos os desdobramentos ocorridos para que
fosse garantida, do ponto de vista normativo, sua emancipação enquanto política pública.
Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN nº 9394 de 1996, os sistemas
de ensino passam a assegurar gratuitamente oportunidades educacionais apropriadas aos
jovens e aos adultos que não puderam efetuar os estudos na idade regular:
REFERENCIAL CURRICULARMUNDO NOVO
108
Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não
puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições
de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. (BRASIL, LDBEN nº 9394/1996,
Artigo 37, § 1º).
Apesar disso, de acordo com Miguel Arroyo (2006), a conjuntura que se apresenta
em relação à educação para jovens, adultos e idosos revela que se trata ainda de um campo
não consolidado nas áreas de pesquisa, de políticas públicas, de diretrizes educacionais, da
formação de educadores e intervenções pedagógicas. Em suas abordagens o autor indica que é
preciso ter um olhar sobre quem são esses sujeitos e que demandas se apresentam para este
tipo de ensino, bem como, perceber quais são suas marcas, seus modos de vida, de
sobrevivências e de trabalhos.
Sobre o perfil identitário desses educandos, Miguel Arroyo (2005) destaca que os
grupos de EJA têm características próprias das camadas populares. O autor destaca que:
Os jovens-adultos populares não são acidentados ocasionais que, gratuitamente,
abandonaram a escola. Esses jovens e adultos repetem histórias longas de negação
de direitos. Histórias que são coletivas. As mesmas vivenciadas por seus pais e avós;
por sua raça, gênero, etnia e classe social. (ARROYO, 2005, p. 30).
Em geral, considerando-se a realidade local, são negros, provenientes de famílias que
se mantiveram durante muito tempo na condição de agregados de fazendeiros da região,
homens, jovens e mulheres que na sua maioria vivem em condições precárias de
sobrevivência; muitos desempregados e outros no subemprego. Corroborando com o que diz
o próprio ARROYO (2005), uma EJA cada vez mais jovem, pois a cada ano se acentua o
número de estudantes em situação de distorção idade/série/ano, com histórico de insucesso
escolar por abandono e repetência e que, devido à idade avançada, migram para a modalidade.
Desse modo, verifica-se que são grupos discriminados socialmente. Logo, a pesquisa, o
diagnóstico do perfil identitário deve ser o ponto de partida para se conhecer esses jovens e
adultos, para que sejam devidamente considerados sujeitos da ação educativa.
Assim, é imperativo que ocorra um balanço do percurso da EJA, o qual deve
começar pelas trajetórias das formas de viver e de mal viver, dos jovens e adultos populares,
sujeitos com diferentes histórias, experiências e saberes de vida que retornam ao processo de
educação. As análises das trajetórias de vida dos estudantes se constituem como um fio
condutor para a reflexão sobre os currículos, os tempos, espaços e, sobretudo, as imagens que
vêm sendo construídas sobre o que é ser jovem e ser adulto na EJA. Uma reflexão muito
REFERENCIAL CURRICULAR
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pertinente provocada por Miguel Arroyo (2006) é que não basta inserir esses estudantes no
processo pedagógico, é determinante que nesse movimento sejam também inseridos
socialmente – motivo pelo qual a maioria ainda volta para os espaços escolares –, a fim de se
promover de fato transformação de realidades.
Ainda segundo Arroyo (2006), na diversidade de debates e de práticas, pode-se
encontrar diferentes estratégias para os formatos da EJA. A modalidade necessita encontrar
seu lugar no campo específico dos tempos de vida-juventude e vida-adulta e das
particularidades dos sujeitos concretos, históricos, que vivenciam esses tempos. Assim, é
necessário partir das formas concretas de viver seus direitos e da maneira peculiar de
experienciar seu direito à educação, ao conhecimento, à cultura, à memória, à identidade, à
formação e ao desenvolvimento pleno (BRASIL, LDBEN nº 9394/1996, Art. 1º e 2º).
Convém ressaltar que a Educação de Jovens e Adultos vem passando por
transformações marcadas pela diversidade de tentativas de se configurar a modalidade a partir
de suas especificidades. Um dos indicadores relacionados, um dos mais promissores, é a
constituição de um corpo de profissionais, educadores com competências específicas para
desempenhar o papel com qualidade e se apropriar das especificidades do direito à educação
na juventude e na vida adulta. Sobre esse ponto, podemos recorrer a Paulo Freire (2001),
quando diz que:
O conceito de Educação de Adultos vai se movendo na direção da Educação Popular,
na medida em que a realidade vai fazendo exigências à sensibilidade e à competência
científica dos educadores e educadoras. (FREIRE, 2001, p. 15).
Tendo em vista a questão do perfil identitário dos sujeitos envolvidos, é relevante
pensar em um referencial curricular da EJA levando-se em consideração também as
específicas dos tempos e espaços de acolhida, convivência e de aprendizagem desses sujeitos.
Assim como dos procedimentos e instrumentos envolvidos na ação administrativa e
pedagógica. Turnos de oferta, estruturação de horários, tempos das aulas, organização dos
espaços, mobiliário, materiais diversos, abordagens, enfim, devem ser concebidos na
perspectiva da adequação às singularidades que definem os perfis desse público-alvo. A
adequação curricular perpassa por todos esses aspectos, impactando diretamente em fatores
como frequência, motivação para os estudos, assiduidade, pontualidade, concentração,
sentimento de pertencimento e permanência na escola. Os estudantes da EJA são jovens-
adultos trabalhadores, senhoras e senhores, pais e mães de família; há os que se deslocam do
campo para a cidade à noite para estudar e dependem da dinâmica do transporte escolar, os
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que acordam cedo para trabalhar e chegam cansados para as aulas. Muitos são os desafios e
grandes as possibilidades de superação.
Tratando-se ainda das abordagens, é imprescindível conceber que a aprendizagem se
dê na perspectiva do aprendizado mútuo entre educador e educando, da responsabilidade
compartilhada entre o adulto educador e o adulto educando. Nesse sentido, as relações
interpessoais, principalmente entre educadores e educandos, sendo estes considerados como
adultos que são – jovens, adultos e idosos –, devem ser caracterizadas pelo espaço aberto de
comunicação, do diálogo constante, onde os anseios, interesses, reais necessidades de
aprendizagem sejam priorizados, respeitados. Isso, tendo em vista as demandas de
aprendizagem estabelecidas em cada escola, de acordo as especificidades locais.
Outro ponto a ser observado e refletido é necessário mudar o foco da abordagem
quando se trabalha com jovens e adultos, pois é preciso evitar discursos que apontem
basicamente para o futuro, em detrimento do presente. Intervir no presente desses sujeitos é
mais importante do que promessas de um futuro que ainda se apresenta como incerto para
essa população. É imprescindível que a ideia de estudar para melhorar o futuro seja
reconsiderada pela concepção de que aprender deve ser para estes sujeitos uma ação concreta,
objetiva que contribua para resolver problemas do dia-a-dia – seja pessoal, do trabalho etc. –,
para se colocar em prática agora e não apenas no futuro; algo novo sobre determinada coisa,
pela motivação, pelo sentido.
Em suma, o que se propõe nesse percurso enquanto referencial curricular municipal
para a Educação de Jovens e Adultos é a estruturação de um currículo adequado às realidades
e especificidades dos tempos humanos dos sujeitos envolvidos, ou seja, seu perfil identitário,
contexto, saberes e fazeres, experiências de vida construídos no tempo da juventude e da
adultez, do mundo do trabalho, pautados na concepção de aprendizagem ao longo da vida.
Um currículo que estimule o compartilhamento dessas experiências, com foco na
aprendizagem, não apenas no ensino, e considere que aprender é adquirir conhecimentos,
habilidades e estimular atitudes emancipatórias e transformadoras.
Marcos NormativosAo nos debruçarmos em torno dos marcos legais que normatizam a Educação de
Jovens e Adultos e a estabelecem enquanto modalidade da educação básica e política pública,
na perspectiva dos princípios democráticos, principalmente no âmbito constitucional –
principal marco legal que rege a garantia dos direitos sociais à sociedade brasileira –,
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111
verificamos, numa trajetória histórica, que a construção da identidade curricular da EJA é
demarcada de acordo com os interesses políticos e econômicos do Estado e do mercado e, por
outro lado, pela iniciativa dos movimentos sociais que lutavam pela inclusão de grande
parcela da população à educação de qualidade. Nesse sentido, a modalidade passa a ser
reconhecida como direito somente a partir da promulgação da chamada Constituição Cidadã
de 1988. Porém, segundo Haddad (2007, p. 197):
Mesmo assim, não se implantou nacionalmente uma política para EJA, nem se
concretizou, como decorrência da conquista desse direito, um sistema nacional
articulado de atendimento que permita que todos os cidadãos e cidadãs acima de 14
anos possam, pela escolarização, enfrentar os desafios de uma sociedade como a
brasileira. (HADDAD, 2007, p. 197).
Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve uma expectativa de
investimentos na Educação de Jovens e Adultos já que a lei criou condições para isso. Ainda
como marco legal, na década de 1990 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
LDBEN nº 9.394/1996, propõe programas que devem ser desenvolvidos em parcerias com os
governos estaduais, municipais e a sociedade civil, buscando de forma quantitativa e
qualitativa atender à modalidade da EJA.
Verifica-se, ainda, que segundo a legislação há uma preocupação com a formação
dos professores que atuavam na educação de adultos, a exemplo do Plano Nacional de
Educação (BRASIL/MEC, 2001) que estabelecia como meta garantir que, dentro de cinco
anos, todos os professores em exercício nesta modalidade educativa obtivessem habilitação de
nível médio, adequada às características, necessidades e interesses de aprendizagem do aluno
adulto.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA (DCN/EJA, 2000) indicam o seu
reconhecimento como uma modalidade da educação básica, com especificidades próprias a
serem observadas. De acordo com o DCN, A EJA, ao ser compreendida como uma
modalidade da educação básica, requer um tratamento e o atendimento às suas
particularidades, o que remete a pensar também a formação docente. A Educação de Jovens e
Adultos, em conformidade com a Lei nº 9.394/1996, passa a ser uma modalidade da educação
básica nas etapas do ensino fundamental e médio e usufrui de uma especificidade própria que,
como tal, deveria receber um tratamento consequente. (BRASIL, 2000, p. 2).
O Parecer CNE/CEB nº 11/2000, das DCN para a Educação de Jovens e Adultos,
item IV, trata da formação docente. Também a Resolução CNE/CEB nº 03/1997 destaca a
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necessidade, por parte das redes de ensino, de promoverem formação continuada junto aos
docentes, “[...] a fim de atender às peculiaridades dessa modalidade de educação” (BRASIL,
2000). Já o documento Resolução CNE/ CP nº 1/2002 que trata das Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de
licenciatura, de graduação plena, aponta para o fato de o curso normal superior ter o objetivo
de preparar também para a educação de jovens e adultos equivalente aos anos iniciais do
ensino fundamental.
Para Arroyo (2002, p. 21) faz parte da reconfiguração da EJA uma necessidade
emergente de se constituir “um corpo de profissionais educadores(as) formados(as) com
competências específicas para dar conta das especificidades do direito à educação na
juventude e na vida adulta”. Esta afirmação reforça a necessidade de uma formação específica
do educador e/ou do alfabetizador de jovens e adultos para atuarem em programas e projetos
educacionais, mesmo que temporários, como também, no ensino regular em EJA.
A educação de jovens e adultos deve propiciar oportunidades educacionais pautadas
na inclusão e qualidade social, apropriadas às histórias de vida de seus estudantes, visando à
promoção da alfabetização e às demais aprendizagens previstas nos documentos curriculares.
Em congruência com o Art.5º, Parágrafo único, da Resolução CNE/CEB nº 01, de 05 de julho
de 2000, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e
Adultos quando afirma:
Como modalidade destas etapas da Educação Básica, a identidade própria da
Educação de Jovens e Adultos considerará as situações, os perfis dos estudantes, as
faixas etárias e se pautará pelos princípios de equidade, diferença e
proporcionalidade na apropriação e contextualização das diretrizes curriculares
nacionais e na proposição de um modelo pedagógico próprio, de modo a assegurar:
I - quanto à equidade, a distribuição específica dos componentes curriculares a fim
de propiciar um patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade de
direitos e de oportunidades face ao direito à educação;
II - quanto à diferença, a identificação e o reconhecimento da alteridade própria e
inseparável dos jovens e dos adultos em seu processo formativo, da valorização do
mérito de cada qual e do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores;
III - quanto à proporcionalidade, a disposição e alocação adequadas dos
componentes curriculares face às necessidades próprias da Educação de Jovens e
Adultos com espaços e tempos nos quais as práticas pedagógicas assegurem aos seus
estudantes identidade formativa comum aos demais participantes da escolarização
básica. (BRASIL, Resolução CNE/CEB nº 01/2000).
Destaca-se também que é importante considerar as grandes inquietações da
contemporaneidade em relação à sociedade e à escola, entendendo que essas se constituem
como espaços privilegiados de aprendizagens relevantes para ações cidadãs, que influenciam
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de modo especial o trabalho de gestores, educadores e comunidade escolar. Desse modo, o
Referencial Curricular prima pela formação dos sujeitos da EJA com vistas ao fortalecimento
de relações sociais que garantam seus direitos de aprendizagem sobre conteúdos
historicamente produzidos e socialmente visíveis para que se alcance também a dimensão
prática do documento.
Neste sentido, é possível destacar a Portaria SEC/BA nº 13.664/08, de 19/11/2008, a
qual orienta a oferta da Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos na
Rede Estadual de Ensino da Bahia, considerando a necessidade de uma reestruturação de
modo a garantir: a educação como direito humano pleno que se efetiva ao longo da vida,
através da oferta de cursos; o direito à certificação dos conhecimentos adquiridos por meios
não-formais, através da realização de exames supletivos; e que todas as ofertas de EJA
apresentem organização própria e diversificada, compatíveis com as necessidades
educacionais de educandos jovens e adultos. A mesma Portaria estabelece ainda aspectos
determinantes em relação à estrutura e garantias de funcionamento para determinadas
especificidades, a saber:
Art. 1º. Fica estabelecida a idade de 18 anos para ingresso nos cursos de EJA,
conforme disposto no art. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Aos
menores de 18 anos que já se encontram matriculados em curso de EJA será
garantido o direito de concluírem o segmento educacional nesta modalidade.
Art. 3º – Ficam mantidos os Cursos semipresenciais: Tempo de Aprender I (Curso
equivalente ao Ensino Fundamental – 5ª a 8ª séries) e Tempo de Aprender II (Curso
equivalente ao Ensino Médio). Esses cursos possuem estrutura semipresencial
semestral, com duração de 4 anos (2 anos para cadanível), podendo o aluno realizá-
los em menor tempo, comprovando estudos realizados mediante apresentação de
documento hábil de conclusão para aproveitamento de componente(s) curricular(es).
Na EJA, estes cursos equivalem aos Tempos Formativos II e III, respectivamente,
distinguindo-se, apenas, pela organização curricular. (BAHIA, Portaria SEC/BA nº
13.664/08).
Considera-se ainda a Resolução do Conselho Estadual de Educação nº 239, de 12 de
dezembro de 2011, que dispõe sobre a oferta da Educação Básica na modalidade de Educação
de Jovens e Adultos (EJA), no Sistema Estadual de Ensino da Bahia, primando pelo direito
fundamental de todos à educação, o dever do sistema de ensino em assegurar a oferta regular
e a gratuidade de cursos a jovens e adultos, garantindo-lhes a educação ao longo da vida.
Assim estabelece:
Art. 1º. A Educação de Jovens e Adultos – EJA tem identidade própria para
atendimento em processos educacionais diferenciados em relação ao tempo humano,
cultura, experiências de vida e de trabalho, e se estrutura por meio de cursos
regulares ou exames de certificação.
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Art. 2º. A oferta de cursos de EJA com avaliação no processo por instituições do
sistema estadual, independentemente da sua categoria administrativa, será gratuita
para o educando, conforme § 1º do art. 37 da LDB. (BAHIA, Resolução CEE Nº
239/2011).
Ainda no âmbito da Resolução CEE nº 239/2011, a Comissão de Educação de Jovens
e Adultos pontua em seu relatório:
Os Conteúdos Curriculares deverão ser trabalhados em uma perspectiva
globalizante, interdisciplinar e contextualizada, permitindo que o educando
estabeleça relações entre o que se aprende na escola, o que traz para a escola, aquilo
que vive na realidade e que tem sentido para sua compreensão do mundo.
Na Rede Estadual de Educação na Bahia encontra-se em processo de implementação
uma nova Proposta Pedagógica, cuja Estrutura Curricular organiza-se em Tempos
Formativos, Eixos Temáticos e Temas Geradores nos quais se articulam as diferentes áreas de
conhecimento. Nessa Proposta Pedagógica, entre os princípios teórico-metodológicos,
destaca-se o protagonismo dos educandos no seu processo de formação e desenvolvimento
humano, e o repertório de vida dos sujeitos da EJA como elemento estruturador dos estudos.
Em consonância com as determinações legais, a Proposta Pedagógica para EJA da
SEC – Secretaria da Educação do Estado da Bahia apresenta uma organização curricular
estruturada em Tempos Formativos que abrangem os conhecimentos correspondentes às
etapas da Educação Básica: Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além dessa estruturação, a
Proposta Pedagógica da SEC-BA possui os Tempos Formativos destinados aos jovens de 15 a
17 anos, sendo cada Tempo organizado em dois Eixos Temáticos com duração de um ano
para cada eixo. (BAHIA, Resolução CEE Nº 239/2011).
Assim, como a Educação dos Jovens e Adultos está pautada nos princípios da
educação popular, sua abordagem deve ser desenvolvida baseada no diálogo igualitário
(FREIRE, 1997), criando condições para os estudantes refletirem sobre suas práticas sociais e
novas formas de aprendizagem, ajudando-os em seu projeto pessoal e em sua melhor
qualificação para atuação crítica nos coletivos sociais.
É importante considerar as ideias, atitudes, concepções e práticas que estejam de
acordo com a realidade dos estudantes, valorizando as experiências vividas, ressignificando os
conhecimentos prévios, estabelecendo relações de autonomia para formar sujeitos críticos e
participativos, levando em consideração a necessidade de trabalhar os objetos do
conhecimento de forma contextualizada e interdisciplinar.
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Outra normativa também imprescindível em relação à garantia de direitos prevista na
Constituição é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069 de 13 de julho de
1990, que, por sua vez, colabora para consagrar direitos que devem ser universalmente
reconhecidos, dentre eles, o direito à educação, conforme pode ser constatado por meio do
artigo 227. Assim, entende-se que somente por meio de tal proteção, é possível a titularização
dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes:
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação,
ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL,
1988).
Diante desses direitos fundamentais, é importante aqui o destaque aos adolescentes e
jovens em situação de vulnerabilidade social e àqueles em distorção idade/série/ano que
compõem o coletivo de educandos da EJA. A esse respeito, o documento que orienta a
política de EJA da Rede Estadual de Ensino da Bahia, “Educação de Jovens e Adultos:
aprendizagem ao longo da vida” (2009), sinaliza:
Atualmente, é pacífico afirmar que, do público que efetivamente frequenta os
programas e cursos da EJA, é cada vez mais reduzido o número de sujeitos que não
tiveram passagens anteriores pela escola; e o crescimento da demanda indica, em
número cada vez mais crescente, a presença de adolescentes e jovens recém-saídos
da Educação Fundamental, onde tiveram passagens acidentadas. (BAHIA, 2009).
Nesse sentido, é possível afirmar que a EJA está cada vez mais jovem e, ao mesmo
tempo, reconhecer o que isso implica no sentido de uma política educacional que de fato se
adeque e corresponda às reais necessidades de seus sujeitos. O documento avança então ao
apontar caminhos no sentido de que na EJA é imprescindível o reconhecimento dos saberes e
fazeres que são construídos no tempo da juventude e da adultez; e das experiências e
vivências de trabalho e sobrevivência desses sujeitos nas cidades e nos campos. (BAHIA,
2009).
Diante do exposto, verifica-se que os princípios básicos da educação, também, estão
fundamentados no artigo 206 da Constituição Federal de 1988, retomados na Lei de Diretrizes
e Bases da Educação, em seu artigo 3º. Desse modo é possível valer-se de tais referências para
suscitar reflexões sobre o exercício dos três objetivos da educação, estipulados no artigo 205,
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do referido ordenamento, sendo: o pleno desenvolvimento do sujeito; o preparo para a
cidadania e a qualificação da pessoa para o trabalho.
Observando a caminhada democrática e a política de garantia de direitos, destaca-se
também a Lei nº 13.632, de 6 de março de 2018, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro
de 1996. Nesta, no tocante à educação e aprendizagem ao longo da vida apresenta em seu
artigo 37 a seguinte abordagem:
A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou
continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio, na idade própria e
constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida.
(BRASIL, 2018)
Conforme análise das reflexões provocadas por Arroyo (2007) a EJA deve ser uma
modalidade de educação para sujeitos concretos, com histórias concretas, com configurações
concretas. Sendo que, qualquer tentativa de diluí-los em categorias amplas, os desfigura. Para
o autor vale considerar que os últimos anos foram tempos de deixar ainda mais recortadas
essas configurações da concepção de jovem e adulto. Logo, espera-se que cada vez mais, seja
possível alcançar e ampliar os espaços de promoção dos sujeitos e superação das
desigualdades.
Quanto aos marcos normativos no âmbito municipal, destaca-se o Conselho
Municipal de Educação (CME), instituído através da Lei nº 937 de 03 de outubro de 1997,
diante de seu papel fundamentalna elaboração, execução e avaliação da política educacional
do município, em torno do Plano Municipal de Educação, com a mobilização e participação
social. De acordo com o Regimento Interno do CME, fazem parte de suas atribuições:
I. promover a participação da sociedade civil no planejamento, no
acompanhamento e na avaliação da educação municipal;
II. realizar estudos e pesquisas, necessários ao embasamento técnico-
pedagógico e normativo das decisões do Conselho;
III. participar da elaboração e acompanhar a execução e a avaliação do Plano
Municipal de Educação de Mundo Novo - Bahia;
IV. assessorar os demais órgãos e instituições do Sistema Municipal de
Educação;
V. emitir pareceres, indicações, instruções e recomendações sobre convênio,
assistência e subvenção a entidades públicas e privadas filantrópicas, confessionais e
comunitárias, bem como seu cancelamento;
VI. solicitar, analisar e dar parecer quanto avaliação da ação pedagógica nas
instituições do Sistema Municipal de Educação; manter intercâmbio com os demais
Sistemas de Educação dos municípios e do Estado da Bahia;
VII. analisar as estatísticas da educação municipal anualmente, oferecendo
subsídios aos demais órgãos e instituições do Sistema Municipal de Educação de
Mundo Novo - Bahia;
REFERENCIAL CURRICULAR
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117
VIII. acompanhar o recenseamento e a matrícula da população em idade escolar
para a educação infantil e ensino fundamental, em todos os seus níveis e
modalidades;
IX. mobilizar a sociedade civil e o Estado para a inclusão de pessoas com
necessidades educacionais especiais, preferencialmente, no sistema regular de
ensino;
X. dar publicidade quanto aos atos do Conselho Municipal de Educação;
XI. mobilizar a sociedade civil e o Estado para a garantia da gestão democrática
nos órgãos e instituições públicas do SME;
XII. estudar as leis e demais normativas que regulam o ensino;
XIII. zelar pela qualidade pedagógica e social da educação no SME;
XIV. zelar pelo cumprimento da legislação vigente, no SME;
XV. emitir pareceres, resoluções, indicações, instruções e recomendações sobre
assuntos do Sistema Municipal de Educação de Mundo Novo - Bahia, em especial,
sobre autorização de funcionamento, credenciamento e supervisão de
estabelecimentos de ensino públicos e privados de seu sistema, bem como a respeito
da política educacional nacional;
XVI. acompanhar a elaboração, execução e avaliação da política educacional do
município de Mundo Novo - Bahia, no âmbito público municipal e privado,
pronunciando sobre a ampliação da rede pública e a localização de seus prédios
escolares. (MUNDO NOVO, Lei nº 937/2007).
De acordo com o Plano Municipal de Educação (PME), por ocasião de sua
elaboração, a demanda da Educação de Jovens e Adultos do município foi identificada pela
idade (a partir de 15 anos). Ressalta-se também, que nem todas as Unidades Escolares
oferecem a modalidade EJA, conforme dados de 2013. Atualmente, algumas escolas atendem
a um público que faz o processo de Regularização de Fluxo e que se encontra ainda em fase
de adequação e implementação, cuja documentação já foi submetida à análise do CME.
Destaca-se ainda que na ocasião em que foi regulamentada no município, a EJA
não possuía igualdade de condições em relação às etapas e modalidades da Educação Básica.
Segundo relatos de profissionais da educação, estudantes e pessoas das comunidades, não se
percebia uma preocupação no sentido de se promover políticas de acesso à Educação de
Jovens, Adultos e Idosos.
Atualmente, o município oferta a modalidade EJA, atendendo tanto a um público
mais jovem quanto aos mais idosos. As turmas funcionam na Escola Municipal Carlos
D‟Alencar Barreto, Fundamental I – SEDE, Escola Municipal Antônio Ângelo de Lima,
Fundamental II, e no Colégio da localidade de Ibiaporã. Para cada uma das unidades existe
um responsável pela coordenação pedagógica, que orienta e acompanha o trabalho
desenvolvido, assessorando a equipe docente e atendendo às demandas que se apresentam.
Dado o contexto, para que essa educação funcione e tenha resultados significativos,
é fundamental uma proposta curricular municipal, voltada para a EJA, além de formação
permanente para a coordenação e a equipe de professores que estiverem à frente dos
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trabalhos. Conforme a análise de alguns dados, percebe-se também que essa modalidade
apresenta taxas expressivas de aprovação. No entanto, ainda possui números elevados no que
diz respeito à evasão escolar. Para sanar esse problema, é necessário desenvolver ações junto
às unidades escolares que ofertam a modalidade, a fim de minimizar tais problemas
existentes.
Atualmente, por considerar a relevância dos sujeitos da EJA, o Município de
Mundo Novo, proporciona formação específica para os profissionais da educação que estão
atuando com essa clientela. Dessa forma, ressalta-se que é imprescindível que essa política se
mantenha e que se viabilizem condições amplas de trabalho para que seja alcançado o êxito
almejado e, neste sentido, destaca-se a importância de se considerar os sujeitos neste processo
formativo. É necessário perceber os estudantes em suas peculiaridades para que os currículos
e consequentemente os planos de ensino sejam ajustados, conforme se identifiquem novas
demandas que dialoguem com a realidade socio cultural dos estudantes.
Assim, é necessário manter um olhar diferenciado para este público, sensível em
relação à constituição dessas turmas, de forma que nenhum indivíduo seja excluído no
processo educacional, ao passo que se atenda também às propostas curriculares para que
correspondam às necessidades desses sujeitos, considerando as suas vivências e experiências
diversas, assegurando o seu direito de aprender, uma vez que a educação não pode ser um
processo excludente; é preciso garantir as condições didático-pedagógicas e estruturais ideais
para a EJA.
TRAJETÓRIA HISTÓRICA
A Educação de Jovens e Adultos tem uma trajetória histórica de ações descontínuas,
marcada por uma diversidade de programas, muitas vezes não caracterizada como
escolarização, haja vista a herança colonial negativa, na qual se preservou tangivelmente uma
educação que fortaleceu a desigualdade social.
Nos anos 30 ocorre a estruturação de um Brasil caracterizado como urbano-
industrial. Neste período, alteraram-se significativamente as exigências referentes à formação,
qualificação e diversificação da força de trabalho. Houve uma busca por índices mínimos de
educação para todos, mas sem colocar em risco o controle ideológico e o nível de exploração
exercido sobre a classe trabalhadora, que num dado momento, imperava no cenário nacional.
Nos anos de 1937 a 1945, período marcado pelo horror da Segunda Guerra Mundial,
como respostas às demandas educacionais, foram estabelecidas leis orgânicas de ensino tal
REFERENCIAL CURRICULAR
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com a Reforma Capanema. Neste contexto, percebeu-se uma política educacional com
enfoque no ensino das primeiras letras aos trabalhadores e seus filhos, sem grande impacto
diante da crescente demanda por inclusão. É nesse período que se observa também o
surgimento do ensino profissionalizante especificamente o Serviço Nacional de
Aprendizagem na Indústria (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
(SENAC), integrantes do famoso sistema “S” como é conhecido atualmente. Tais serviços
foram criados porque implicitamente havia a necessidade de se aumentar o contingente
eleitoral e explicitamente preparar mão de obra para o mercado industrial em expansão.
Com o final da grande guerra, por volta de 1947 ocorreu a implementação das
primeiras políticas públicas destinadas a instruções de jovens e adultos seguidas,
posteriormente, por outras iniciativas, como a Campanha Nacional de Educação Rural, em1952, e a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo, em 1958.
Soares (2008) ressalta que críticas à falta de métodos e à ausência de conteúdos, bem
como ausência de formação específica do professor da Educação de Adultos, foram pontuados
como fatores que provocaram a ineficiência de campanhas como esta, quando foi realizado o
II Congresso Nacional de Educação de Adultos, no Rio de Janeiro, em 1958.
De acordo com documentos oficiais, essas campanhas não responderam aos
propósitos estabelecidos, Assim:
[...] No final dos anos 50, inúmeras críticas foram dirigidas às campanhas, devido ao
caráter superficial do aprendizado que se efetivava num curto período de tempo e à
inadequação dos programas, modelos e materiais pedagógicos, que não
consideravam as especificidades do adulto e a diversidade regional. (BRASIL, 2008,
p. 25)
Desse modo, percebe-se pontos de destaque às críticas sobre os resultados
apresentados pelas campanhas de alfabetização, atentando, sobretudo para a aprendizagem
dos adolescentes e adultos e também para fatores como o tempo e/ou a inadequação dos
programas, além da distância entre as questões de ordem pedagógica e a realidade das
especificidades e diversidade regional dos adultos. Conforme Soares (2008), a partir de tais
percepções estes fatores passaram a ser discutidos no âmbito da EJA.
No II Congresso Nacional de Educação de Adultos, realizado no Rio de Janeiro, em
1958, o educador nordestino Paulo Freire defendeu o tema Educação de Adultos e as
populações marginais: o problema dos mucambos, tema este já apresentado no seminário
preparatório em Recife para o congresso em questão, conforme Cunha e Góes.
REFERENCIAL CURRICULAR
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Neste congresso (Rio, 1958), o educador nordestino defendeu a educação com o
homem denunciando a então vigente educação para o homem. E ainda a subestimação da aula
expositiva pela discussão, a utilização de modernas técnicas de educação de grupos, com a
ajuda de recursos audiovisuais etc. [...] demonstrou preocupação com metodologias e,
principalmente, com o lugar (social, político, educacional, de autoridade) a ser assumido por
educador e educandos. (CUNHA; GOÉS, 1999, p. 11).
Considera-se que o referido congresso tornou-se um marco para a Educação de
Adultos, uma vez que as denúncias mobilizaram os setores da sociedade civil na construção
de alternativas para além dos muros escolares, visando à diminuição dos índices de
analfabetismo, Cunha e Goés (1999, p.11), também se retomou o debate ocorrido no II
Congresso Nacional de Educação de Adultos realizado no de Rio de Janeiro, onde o educador
Paulo Freire, defendeu a educação com o homem e denunciou a educação para o homem,
resgatando assim, para os educadores da Educação de Adultos, a esperança de novas práticas
que correspondessem às suas demandas diante de um cenário marcado pelo fracasso das
propostas apresentadas ao longo da trajetória recente.
Desse modo, os debates em torno da Educação de Adultos ganharam força,
sobretudo, com o envolvimento da sociedade civil organizada que, através das ideias
disseminadas por Paulo Freire, se projetou numa nova perspectiva didático-pedagógica em
relação ao ato de educar adultos. Fávero e Freitas (2001) evidenciam que, ao lado das novas
experiências da educação popular e do fracasso das propostas de alfabetização do estado
brasileiro na década de 1950, a sociedade civil organizada apresenta nos anos de 1960, uma
nova dinâmica para alfabetizar adultos, com base nas experiências provenientes dos
movimentos da cultura popular.
Esse contexto foi um fator determinante para fortalecer os movimentos populares que
reinventaram a Educação de Adultos, tendo como referência as experiências do saber popular.
São eles: Centros Populares de Cultura (CPC) e Movimentos de Cultura Popular (MCP),
referenciados pelos princípios da educação defendidos por Freire (1987), visto que o alto
índice de analfabetismo e o fracasso das ações educativas para os adolescentes e os adultos,
propostas pelo estado, resultaram na produção de novas propostas de educação que se
fortalecem justamente no âmbito dos movimentos sociais de base.
É preciso destacar que estas experiências inauguradas pelos movimentos de cultura
popular no sentido de alfabetizar, a partir do novo postulado de educação defendido por Freire
(1987), fortaleceram os movimentos sociais a construírem propostas de ações educativas com
REFERENCIAL CURRICULAR
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121
ênfase na alfabetização de adultos e na perspectiva da educação com o sujeito e não para o
sujeito, conforme (FREIRE,1987). Para o autor, através da educação, o homem torna-se
sujeito e não o objeto do processo educativo. Nas palavras de Haddad e Di Pierro:
As diversas propostas ideológicas, principalmente a do nacional-
desenvolvimentismo, a do pensamento renovador cristão e a do Partido Comunista
acabaram por ser pano de fundo de uma nova forma de pensar a educação de
adultos. Elevada agora à condição de educação política, através da prática educativa
de refletir o social, a educação de adultos ia além das preocupações existentes com
os aspectos pedagógicos do processo ensino-aprendizagem. Ao mesmo tempo, e de
forma contraditória, no contexto da ação de legitimação de propostas políticas junto
aos setores populares, criaram-se as condições para o desenvolvimento e o
fortalecimento de alternativas autônomas e próprias desses setores ao provocar a
necessidade permanente da explicitação dos seus interesses, bem como das
condições favoráveis à sua organização, mobilização e conscientização. (HADDAD;
DI PIERRO, 2000, p. 113).
A potencialidade de tais ações pedagógicas fez brotar, no contexto das camadas
populares, a esperança da transformação social de um povo que, até então, não vislumbrava
outras possibilidades de condições sociais de existência, culminando com a aprovação do
Plano Nacional de Alfabetização (PNA), que oficializou a nível nacional o sistema Paulo
Freire na Educação de Adultos.
Contudo, com o golpe civil militar em 1964, o PNA foi extinto, precisamente,
segundo Cunha e Góes (1999, p14), 14 dias após o golpe de Estado, pelo Decreto n.º
53.886/1964. Com isso, a nação brasileira foi atingida profundamente em relação à
implementação de propostas de educação que tinham como princípio a formação da
consciência crítica, ou seja, propostas de educação que almejavam formar pessoas autônomas
politicamente, para manifestarem o pensamento e a prática pedagógica, de Paulo Freire, as
quais foram banidas da nova ordem político-econômica e educacional que se instaurou no
Brasil.
Três foram as ações criadas para a EJA no referido período. A Cruzada Ação Básica
Cristã (Cruzada ABC), que se restringiu à distribuição de alimentos para manter elevada a
frequência escolar, o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) que restringiu o
conceito de alfabetização à habilidade de aprender a ler e a escrever, e o Ensino Supletivo
(LDB nº 5.692/71) que, apesar de reconhecer a Educação de Jovens e Adultos como um
direito à cidadania, limitou o dever do Estado à faixa etária de 7 a 14 anos (HADDAD, 2006).
Mediante um novo contexto nacional, é instituído um novo modelo pedagógico para
a educação, referenciando-se também na neutralidade pedagógica, na técnica pela técnica, na
hierarquização do saber e no conhecimento enciclopédico. Estava instalada, assim, a educação
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tecnicista e, juntamente com ela, outra perspectiva de EJA. Propostas de alfabetização
referenciadas nas experiências pedagógicas da educação popular, de acordo com Cunha e
Góes (1999, p34), ficaram expressamente proibidas pelo governo militar e tendo como
consequência o exílio e prisão de educadores e lideranças como forma de repressão ao
movimento da educação popular.
Conferências tais como a ConferênciaInternacional de Educação de Adultos
(Confintea), movimento que, junto com a Unesco, se pronunciou em defesa da educação de
adultos, entre outras que transcorreram nos 20 anos seguintes, Paris-França (1985) e
Hamburgo-Alemanha (1997), tratando da Educação de Adultos, acabaram por fortalecer a
ideia-base de que aprender é a chave do mundo contemporâneo, portanto, o direito a aprender
foi ganhando destaque significativo.
Esse processo de reconhecimento da educação como um direito universal é
regulamentado no Brasil pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e,
depois, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, Lei nº 9394/1996.
Segundo Haddad e Ximenes (2014), é a oferta da modalidade que estimula seu acesso. Assim,
afirmam os autores:
Na EJA, o caráter indutor do Estado é fundamental, pois, diferentemente da
educação fundamental regular, em que há um grande consenso da sociedade sobre a
necessidade de as crianças irem à escola, além de forte pressão para que isto ocorra,
é a oferta que estimula a demanda, exigindo, portanto, uma atitude ativa do poder
público. (HADDAD; XIMENES, 2014, p. 240).
Nesse sentido, vivendo o momento da redemocratização do país, a partir da segunda
metade dos anos de 1990, são garantidos o direito e a oferta da educação formal aos jovens e
adultos que não tiveram acesso à educação básica em decorrência de vários fatores sociais,
políticos e econômicos. EJA, assim, passa a ser reconhecida e viabilizada como uma política
reparadora que requer maior atenção do sistema educacional para poder cumprir os seus
objetivos fundamentais.
Atualmente, a EJA é uma modalidade da Educação Básica, com funções específicas
de reparação, equalização e qualificação (BRASIL, 2000). Nesse sentido, a EJA, ao se
constituir como direito e se organizar como uma modalidade de educação apresenta demandas
políticas e pedagógicas específicas. Segundo as Diretrizes Curriculares da Educação para a
Educação de Jovens e Adultos:
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[...] a Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa uma dívida social não
reparada para com aqueles que não tiveram acesso e nem domínio da escrita e leitura
com bens sociais, na escola ou fora dela e tenha sido à força do trabalho empregado
na constituição de riquezas e na elevação de obras públicas. Ser privado deste acesso
é, de fato, a perda de um instrumento imprescindível para uma presença significativa
na convivência social contemporânea. (BRASIL, 2000, p.5).
Dessa forma, a oferta da EJA, na perspectiva de responder ao direito constitucional,
amplia as investigações sobre as demandas desta modalidade da Educação Básica e acentua o
debate nas suas especificidades, no sentido de atender a sua abrangência tridimensional: a
reparação, a equalização e a qualificação permanente dos sujeitos da EJA.
Assim, a educação básica é reconhecida como um direito para todas as pessoas, e a
EJA, como uma modalidade da Educação Básica, Arroyo (2006, p.20) fomenta o movimento
dos educadores, no sentido de consolidar uma docência na EJA referenciada nas
características dos sujeitos deste campo, com metodologias de ensino, aprendizagem e formas
de organização da gestão escolar atentas às necessidades pedagógicas destes sujeitos.
TRAJETÓRIAS HISTÓRICAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM MUNDO NOVO-BA
São numerosos os relatos de experiências educativas no atendimento ao público de
Jovens e Adultos no município de Mundo Novo. Ao lado dessas experiências, somam-se
iniciativas de grupos populares e de organizações não governamentais que sempre atuaram no
campo da EJA, a exemplo da Igreja Católica.
Mundo Novo, como a maioria das cidades do interior da Bahia, possui sua economia
baseada na agricultura e na pecuária, e sendo assim a maior parte de seu território é
constituído de zona rural, onde reside a maior parte de sua população. Por muito tempo esses
trabalhadores e trabalhadoras do campo não tiveram acesso à educação formal, uma vez que
não existiam escolas públicas em todas as localidades do município. Algumas poucas
mulheres alfabetizadas, ensinavam aos filhos e vizinhos o pouco que sabiam para que
pudessem escrever seus nomes e ler, principalmente os folhetos litúrgicos.
As poucas escolas que existiam ofertavam o ensino até o 5º ano primário e os que
desejassem continuar os estudos precisavam ingressar no Colégio Mundo Novo, instituição
particular de ensino. Dessa forma, muitos alunos e alunas, mesmo residindo na sede do
município, não poderiam continuar seus estudos, pois não dispunham de recursos para
pagarem a mensalidade e adquirir fardamento e material escolar, itens fundamentais para o
ingresso no ensino ginasial, o que negava a muitos jovens o direito aos estudos.
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Em 1971 é fundada a Escola Polivalente de Mundo Novo, pelo prefeito Ederval
Nery, já no final do seu mandato, inaugurada no ano seguinte, assumindo a função de escola
pública gratuita, recebendo estudantes concluintes da 4ª série do primeiro grau. Com o ensino
público gratuito, muitos jovens e adultos teriam então a oportunidade de concluir a educação
básica, que naquela época chegava até a 8ª série.
Os estudantes com idade mais avançada eram orientados a prestarem o exame
supletivo no município de Jacobina, para adquirirem seus diplomas de concluintes do ensino
ginasial, podendo assim ingressar no Ensino de 2º Grau. É importante observar que naquele
período, compreendido ainda durante a ditadura militar, a educação era pública e gratuita,
porém só tinha acesso quem pudesse arcar com os custos de fardamento, material didático e
transporte, o que ainda excluía uma parcela considerável da população jovem a adulta do
município.
Ainda na década de 70 chegou em Mundo Novo o Movimento Brasileiro de
Alfabetização (Mobral), que funcionava na escola da Floresta, o Carlos de Alencar Barreto,
no turno noturno. O Mobral era destinado a pessoas adultas e idosas não alfabetizadas, e tinha
como objetivo principal ensinar a escrever o nome. Lembrando que neste período o conceito
de alfabetizado era relacionado apenas a ler e assinar o próprio nome. O material era
fornecido pela Prefeitura e consistia em uma cartilha em três modalidades de acordo com o
nível de desenvolvimento dos alunos.
Paralelo a essas políticas governamentais de educação formal, existiram ações da
Igreja Católica, voltadas à educação popular, como o programa Cruzada ABC, que era um
convênio Brasil X EUA. O público era todo de pessoas adultas e carentes, que moravam em
bairros da cidade como Floresta, Sapê, Jasmineiro, entre outros. A Igreja também mantinha
uma escola chamada Paroquial, localizada na Rua da Igreja, onde hoje funciona a Rádio Santa
Cruz FM, que atendia alunos adultos à noite, utilizando a mesma metodologia do Mobral.
Existia também na sede do município uma casa onde residia um núcleo da Congregação das
Irmãs Catequistas Franciscanas que orientavam grupos de Jovens e Adultos a ler e a escrever.
Eram também ofertados cursos às professoras para que a religião fosse introduzida nos
ensinamentos escolares, com o intuito de levar os adultos a se tornarem mais engajados nas
atividades da igreja.
Diante da trajetória histórica apresentada, é possível constatar que no município de
Mundo Novo a caminhada da Educação de Jovens e Adultos, propriamente dita, é muito
recente. Ainda que no passado tenham sido realizadas algumas ações próprias da época, como
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foi o caso do Mobral, acompanhando a política que se apresentava naquele período, acredita-
se que o número de jovens e adultos, não alfabetizados, que se encontram fora da escola
atualmente é muito maior que o número atual de matrículas da EJA na Rede Municipal de
Ensino. Conforme já indicado pelo Conselho Municipalde Educação, desde a regulamentação
da modalidade EJA, em 2013, ainda não é possível afirmar que existe uma política consistente
de emancipação da Educação de Jovens e Adultos de forma ampla e sistemática, uma vez que
não se identificou a existência de um programa de mapeamento mais efetivo na busca por
esses sujeitos. As matrículas não se limitam ao público que já está ou esteve presente na Rede,
contempla a todos. Ainda assim, é preciso um olhar diferenciado para a parcela deste público,
em geral de idosos, que ainda não estão sendo agraciados pela escolarização formal.
Contudo, é perceptível o investimento para que a EJA, de fato se afirme no cenário
municipal. O fato de a Rede proporcionar formação continuada e instituir coordenações
próprias para Educação de Jovens e Adultos, por escola, abre um precedente positivo para que
a EJA conquiste seu espaço em meio às demais ofertas. Neste sentido, é fundamental a
garantia das matrículas e a permanência dos estudantes até a conclusão do percurso educativo,
com sucesso. E, assim, possam avançar para novos tempos e espaços de aprendizagem,
oferecidas pela Rede Estadual de Ensino no município.
PRINCIPIOS E FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS
A ação pedagógica dos envolvidos na Educação de Jovens e Adultos precisa ser
entendida e refletida na perspectiva de que as práticas podem propiciar tanto a inclusão como
a exclusão social dos educandos, seja no âmbito escolar, seja nos seus entornos ou na
sociedade, de forma mais ampla. A inclusão, no sentido de Freire (2001), só ocorrerá se
houver a valorização da pessoa humana a partir da realidade na qual ela está incluída. Nesse
sentido, segundo o autor:
É possível vida sem sonho, mas não existência humana e História sem sonho. A
dimensão global da Educação Popular contribui ainda para que a compreensão geral
do ser humano em torno de si como ser social seja menos monolítica e mais
pluralista, seja menos unidirecionada e mais aberta à discussão democrática de
pressuposições básicas da existência. Esta vem sendo uma preocupação que me tem
tomado todo, sempre – a de me entregar a uma prática educativa e a uma reflexão
pedagógica, fundadas ambas, no sonho por um mundo menos malvado, menos feio,
menos autoritário, mais democrático, mais humano. (FREIRE, 2001, p.17).
Daí a necessidade de investimento mais efetivo na formação de educadores com uma
prática pedagógica centrada na compreensão, na ética, na cidadania, na inclusão e no respeito
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à pessoa e aos saberes que o cotidiano lhe proporciona. Precisamos ler nas entrelinhas e
avançar no processo de formação crítica dos educadores, permitindo que o saber escolar
conquistado pelos sujeitos seja a chave para abrir portas que conduzam a novas perspectivas
de se ler o mundo e, assim, estes possam realizar também leituras críticas de sua realidade
sócio-histórica.
Os cursos da EJA devem se pautar pela flexibilidade, tanto de currículo, quanto de
tempos e espaços, de forma a atender às funções reparadora, qualificadora e equalizadora,
previstas para os alunos jovens, adultos e idosos dessa modalidade de ensino. E isso através
de uma proposta pedagógica baseada numa pedagogia emancipadora, do diálogo, que
compreenda a necessidade de contínuo desenvolvimento de capacidades e competências
necessárias para enfrentar as transformações do mundo contemporâneo. Neste sentido,
segundo Arroyo (2006, p.24), devemos definir se, na EJA, vamos caminhar para o ensino ou
para a educação.
É necessário ratificar que a Educação de Jovens e Adultos enquanto modalidade da
Educação Básica, nas etapas do Ensino Fundamental e Médio, almeja prioritariamente
oferecer oportunidades de estudos às pessoas que não tiveram acesso ou continuidade desse
ensino no que se convencionou chamar de idade própria e, consequentemente, prepará-los no
contexto do mundo do trabalho e do pleno exercício da cidadania. A oferta desses cursos aos
jovens e adultos deve proporcionar oportunidades educacionais apropriadas, considerando as
características desses estudantes, seus interesses, condição de vida e trabalho. Assim, a EJA,
tal qual é concebida atualmente, orienta-se pelos princípios éticos da autonomia, da
responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum; princípios políticos dos
direitos e deveres da cidadania; do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática;
princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade e da diversidade de manifestações
artísticas e culturais.
Dessa forma, reconhecemos na pedagogia libertadora de Paulo Freire o caminho
metodológico para a construção de saberes nesta modalidade de educação. Para Freire (1996,
p. 10):
A EJA se insere em um campo de tradição e de luta pelo direito à educação para
todos, mas, principalmente, porque não se resume aos processos formais de
transmissão e aquisição de aprendizagens; vai além: pretende ocupar-se dos
diferentes saberes e dos diferentes processos de aquisição e produção de novos
conhecimentos, o que pressupõe a existência de sujeitos que se constituem como
autores de seu próprio processo de aprendizagem. Sujeitos „capazes de pensar a si
mesmos, capazes de intervir, de transformar, de falar do que fazem, mas também do
que sonham, do que constatam, valiam, valoram, que decidem e que rompem como
estabelecido. (FREIRE, 1996, p.10).
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Ao tratarmos ainda do fazer pedagógico na EJA, podemos recorrer a alguns
princípios da andragogia (KNOWLES, 1970) – arte ou ciência que estuda as melhores
práticas para orientar adultos a aprender. Segundo o princípio andragógico, a experiência é a
fonte mais rica de aprendizagem, uma vez que pessoas adultas são motivadas a aprender a
partir das experiências vivenciadas, de suas necessidades e interesses. Nesse sentido, a prática
pedagógica busca compreender o adulto, orientando-o na aprendizagem enquanto ação
objetiva, concreta, pela motivação, pelo sentido, voltada para a reflexão e resolução de
situações-problemas e de tarefas com que se confronta no cotidiano, para se adquirir
conhecimentos, habilidades e estimular atitudes.
Os adultos são sensíveis a estímulos de natureza externa. Entretanto, são os fatores
de ordem interna (satisfação, autoestima, qualidade de vida etc.) que motivam o adulto para a
aprendizagem. Para Freire (2001), trata-se de ensinar o adulto a aprender a ler a realidade
para, em seguida, transformá-la. Assim, diferentemente dos moldes da pedagogia
conservadora, a Educação de Jovens e Adultos, dada sua especificidade, encontra em
pressupostos como os da andragogia, modelos pedagógicos que sejam efetivamente
transformadores.
Neste caso, à luz do que preconiza o modelo andragógico, pode-se considerar alguns
princípios que corroboram com o percurso de ensino e de aprendizagem na EJA:
1. O Foco na aprendizagem e não apenas no ensino;
2. A aprendizagem como responsabilidade compartilhada entre professor e aluno –
aprendizado mútuo entre educador e educando;
3. A necessidade de definição das finalidades, dos “porquês”, dos sentidos práticos
dos conteúdos, das aprendizagens;
4. A ênfase nas experiências trazidas pelos educandos – aprender pela experiência;
5. A percepção sobre a aprendizagem como resolução de situações-problema (do dia-
a-dia, seja de ordem pessoal, do mundo do trabalho etc.);
6. Aprendizagem motivada pelos fatores de ordem interna (necessidades pessoais) e
foco no aprender fazendo, na aplicação imediata dos conteúdos.
Com base nesses princípios, a Educação de Jovens e Adultos se caracteriza pelo
protagonismo no sentido do envolvimento e participação dos educandos, pela flexibilidade,
pelo foco no processo, atendendo às especificidades de cada sujeito, ao invés da ênfase no
conteúdo com metodologia e organização voltadas para um currículo rígido. Nesse modelo,a
participação dos alunos se dá desde as diversas fases de definição do percurso de ensino e de
aprendizagem – diagnóstico das necessidades educativas, elaboração dos planos,
estabelecimento de objetivos, a partir do diagnóstico, e formas de avaliação.
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Conforme explicitado, o professor, mediador do processo, deve ser considerado
como facilitador e, como tal, sua relação com os alunos é primordial para o ensino
aprendizagem, tendo como principal característica o diálogo, o respeito, a colaboração e a
confiança. O clima propício para a aprendizagem, segundo o modelo andragógico, tem como
características o conforto, a informalidade e o respeito, garantindo que o aluno se sinta seguro
e confiante. Ressalta-se que o processo dialógico entre professor e estudante adulto apresenta
especificidades que diferem significativamente das relações estabelecidas entre professor e
crianças e adolescentes estudantes.
Conforme temos considerado, o contexto atual está fortemente marcado pela
necessidade de investimentos na formação de educadores para a EJA. Desse modo, se faz
necessário corroborar com Arroyo ao constatar que:
[...] a EJA vem encontrando condições favoráveis para se configurar como um
campo específico de políticas públicas, de formação de educadores, de produção
teórica e de intervenções pedagógicas. Podemos encontrar indicadores novos de que
o Estado assume o dever de responsabilizar-se publicamente pela EJA. (ARROYO,
2007, p. 20).
Atentando para a história é fundamental considerar que as conquistas no campo da
EJA são marcadas pelas lutas dos educadores em defesa de uma sociedade justa e,
consequentemente, mais democrática. A educação escolar torna-se cada vez mais um
instrumento de sobrevivência. Desse modo, a garantia deste direito, através de uma escola que
promova o desenvolvimento das potencialidades dos sujeitos, se constitui como pauta da
qualidade de vida e da dignidade humana.
Assim, entende-se que a superação do paradigma da educação bancária e a
consolidação de outro paradigma, referenciado na liberdade, na autonomia e na emancipação
dos sujeitos indicam outros sentidos da prática pedagógica do educador da EJA que por sua
vez, reivindica, em sua essência, um educador conhecedor da sua história, das possibilidades
de mudança na formação pessoal e técnica de todos os sujeitos desta modalidade de ensino.
Diante das possibilidades que estão sendo levantadas por meio da formação
continuada, que a Rede Municipal tem proporcionado para as equipes de docentes e
coordenação pedagógica, da Educação de Jovens e Adultos, novos horizontes estão
despontando no sentido de qualificar ainda mais a prática pedagógica, com base na concepção
sociointeracionista, pautada nos pressupostos Freirianos.
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Há uma grande expectativa de todos os sujeitos atuantes no projeto, que o
conhecimento, ora suscitado por meio desse processo formativo, já começa a influenciar
significativamente na didática empregada e nas práticas pedagógicas que são implementadas
nas turmas de EJA. É possível destacar que atualmente ocorre um processo que se pode
caracterizar como uma reconfiguração no modo como a modalidade é concebida na Rede
municipal.
É inegável a validade de todos os encaminhamentos, que estão sendo realizados no
sentido de fomentar ainda mais a aprendizagem dos educandos jovens, adultos e idosos, cujas
realidades ainda se constituem marcadas pelas desigualdades. Entende-se que, conhecendo-se
e apropriando-se cada vez mais das experiências socioculturais desses sujeitos, será possível
mensurar quais fatores impactaram e ainda impactam negativamente suas trajetórias de vida e
educacionais. Assim, faz-se necessário que a escola, cada vez mais, reflita, compreenda,
acolha e integre a todos de forma igualitária, equânime; só assim será possível corresponder
com as reais necessidades de um público tão especial.
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ESPECIFICIDADES E CONCEPÇÕES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
EDUCAÇÃO INFANTIL
Na história sobre o atendimento às crianças em instituições de ensino ao longo da
história brasileira e mundial sempre teve diversas contradições e divergências sobre a sua
finalidade social. Inicialmente a educação da criança concentrava sob a responsabilidade
exclusiva da família seu primeiro grupo de interação e convívio social e tempos depois, com o
advento industrial e a necessidade de um grande número de mulheres deixarem suas casas
para trabalharem nas grandes indústrias, a educação da criança passou a ter atendimento
assistencialista, de forma compensatória para as suas famílias sem em momento nenhum
estabelecer princípios de qualidade e cidadania.
Em nosso município não foi diferente, na década de 80 com o apoio da Legião
Brasileira de Assistência (LBA), deu-se início ao atendimento às crianças de 3 a 6 anos, em
período integral de 8 horas diárias, nas localidades mais carentes do município. Sendo
administradas pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Mundo-Novense
(APROMIM), entidade criada nos anos 70, ficando sob a sua responsabilidade manter as
creches com fardamento, pagamento de professoras, cozinheiras e auxiliares em geral,
caracterizando quase como um trabalho voluntário, bem como a compra da alimentação,
material de limpeza e didático.
As professoras tinham apenas formação em Magistério e havia uma parceria com o
poder público estadual e municipal. Com a extinção do programa as creches passaram a ser
da responsabilidade do poder público municipal sendo subordinadas à Secretaria de Ação
Social que por muitas décadas buscou fazer o melhor tendo como orientadora pedagógica a
Professora Luciana Mendes Ferreira, que visitava e fazia o planejamento pedagógico com as
professoras.
Na sede do município a Educação Infantil, Pré-escola II, era oferecida pelo Governo
do Estado nas Escolas de Ensino Fundamental, Escola Salustiano Ribeiro, Escola Jorge
Karaoglan, Escola Carlos D‟Alencar Barreto e Escola José Carlos da Mota, como também nas
escolas estaduais localizadas na zona rural. Nesse período o município contava com sete (07)
creches, sendo três (03) na sede: Creche Casinha de Sapé, Creche Pingo de Gente e Creche
Mundo da Alegria; no Distrito da Barra a Creche Trenzinho Feliz; no Distrito de Ibiaporã a
Creche Bem me Quer; no Distrito do Indaí a Creche Cantinho da Amizade e no Povoado do
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Umbuzeiro Creche Risco e Rabisco, oferecendo atendimento integral, ou seja, das 8:00 às
16:00hs, a partir dos 02 (dois) anos de idade, sendo mantidas com recursos próprios do
município, tendo como principal função a alimentação, recreação além dos cuidados básicos
com a higiene pessoal, leituras de histórias, brincadeiras e atividades pedagógicas.
A partir da Constituição Federal de 1988, que destaca a Educação como direito de
todos, dever do Estado e da família o atendimento educacional foi reconhecido para crianças
de 0 a 6 anos, seguindo com a publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
em1990, que em seu capítulo do “Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer”, trata
especificamente do direito da criança à Educação Infantil.
As especificidades da Educação Infantil foram sendo cada vez mais debatidas e
defendidas entre os pesquisadores e educadores da área. A Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDBEN) 9394/96, definiu que a educação dever do estado deveria ser:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de
idade, organizada da seguinte forma:
pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013),
ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
ensino médio; (Incluído pela Lei nº12.796, de 013)
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de idade (BRASIL,
2013, P.2)
Com a criação do Fundo de manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica E
Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) lei de nº 11.494, de 11 de junho de
2007, a educação infantil configurou-se pela primeira vez no panorama de financiamento
educacional, tendo a vinculação de recursos assegurada constitucionalmente. Esse fato
anunciou a possibilidade de trazer para esse nível de ensino inúmeras contribuições como: o
aumento de recursos, a expansão do atendimento, a melhoria da qualidade, o fortalecimento
do caráter educacional, e, sobretudo, o colocou em evidencia.
Em Mundo Novo no segundo semestre de 2006 a Educação Infantil passou a ter um
coordenador pedagógico para o acompanhamento nas sete (07) creches e os professores
participavam efetivamente da Jornada Pedagógica e das Atividades Complementares (Ac‟s)
semanais. Em 2007, a Educação Infantil deixa de ser responsabilidade da Secretaria de Ação
Social e passa a ser da Secretaria de Educação contribuindo para a valorização dos
profissionais que passaram a ampliar a sua formação de magistério para a graduação em
pedagogia.
Em 2008 as creches passaram a receber crianças a partir de 03 (três) anos de idade,
exigindo muito estudo em torno do assunto para que se pudesse compreender seus aspectos e
REFERENCIAL CURRICULAR
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132
por conseguinte atender da melhor forma possível a criança no seu desenvolvimento, investiu-
se na formação dos profissionais, espaços físicos, material pedagógico, idealizando a oferta da
educação de qualidade.
De acordo com os dados extraídos do Plano Municipal de Educação (PME), a
sociedade está mais consciente da importância das experiências da primeira infância, o que
motiva demandas por um atendimento institucional para crianças de 0 a 5 anos de idade.
Conforme os dados levantados em 2014 pelo PME, se faz necessário que o município busque
esforços a fim de atender às crianças nessa faixa etária em todos os aspectos que trata a Lei de
Diretrizes e bases da Educação Nacional.
A Educação Infantil na Rede Municipal de Mundo Novo se organiza de acordo com os
seguintes critérios:
Carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um período
mínimo de 200 (duzentos) dias letivos.
Atendimento à criança com turmas separadas por faixa etárias no segmento creche
crianças com 2 anos e 6 meses a 3 anos e 11 meses, no segmento pré-escola 4 e 5 anos
e 11 meses.
Jornada de tempo integral de 8 horas por dia para o segmento Creche, e, em jornada
parcial, por um período de no mínimo 4 horas diárias para o segmento pré-escola.
O Documento Curricular referencial da Bahia para Educação Infantil e Ensino
Fundamental (DCRB) afirma que
“currículos contemporâneos se configuram pela vivência e apropriação de saberes e
atividades que se complementam, que vivem reflexiva e intensamente a experiência
e o acontecimento e que, no presente, se nos apresentam com potencialidades para
qualificação da formação (p.110).
Por isso não há como todos nós professores, diretores escolares e coordenadores
pedagógicos (profissionais da educação) não nos comprometermos nos processos de
formulação e aperfeiçoamento das políticas públicas, tendo a prática e a proposta pedagógica
de creches e pré-escolas ressignificadas, avaliadas, reestruturadas pelo debate e formação
continuada em nossa rede.
REFERENCIAL CURRICULAR
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CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA E DAS CRIANÇAS
É grande o desafio de pensar sobre o universo de questões que permeiam a concepção de
infância e da criança, enquanto sujeitos históricos de direitos que se desenvolvem através das
interações e brincadeiras, do convívio social com outras crianças e com adultos e
posteriormente em outro ambiente.
As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, Resolução CNE/CEB
nº 5/2009)27, em seu Artigo 4º, definem a criança como:
sujeito histórico e de direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que
vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja,
aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza
e a sociedade, produzindo cultura (BRASIL, 2009).
Antes se considerava que as crianças chegavam às Instituições de Educação Infantil
isentos de conhecimento e o papel do professor era moldar, preencher, transferir saberes. Ao
longo da história essa concepção passou por grandes transformações, processo longo e difícil,
porém, trouxe uma nova identidade para a educação Infantil. Hoje a criança é considerada em
todas as suas especificidades, é percebida como protagonista da sua própria aprendizagem,
trazendo consigo uma bagagem de saberes, curiosidade e experiências. A Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), nos apresenta que;
Essa concepção de criança como ser que observa, questiona, levanta hipóteses,
conclui, faz julgamentos e assimila valores e que constrói conhecimentos e se
apropria do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o
mundo físico e social não deve resultar no confinamento dessas aprendizagens a um
processo de desenvolvimento natural ou espontâneo. (BNCC, p.41)
Cabe ao professor a tarefa de mediar o conhecimento, ser facilitador no processo de
ensino/aprendizagem, conhecer e fazer parte do universo da infância centralizado na criança
considerando cada grupo e sua faixa etária, compreender o potencial, seus saberes e a melhor
forma que cada criança aprende, reconhecendo suas capacidades e limitações.
Compreendendo a educação como um processo de humanização e construção
histórico-cultural das pessoas, reconhecemos a infância como uma importante fase da vida,
que quando respeitada assegura os processos de ensino/aprendizagem em condições
favoráveis ao desenvolvimento integral da criança.
REFERENCIAL CURRICULAR
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A concepção adotada pelo município reconhece a criança como sujeito social,
histórico e de direitos, que produz cultura e constrói formas de interagir no mundo a partir das
suas relações diárias numa sociedade plural, mas que tem na infância o reconhecimento de
que esta fase da vida é lugar da imaginação, fantasia, criação, interações e de brincadeiras
devendo ser explicitadas nas práticas pedagógicas desenvolvidas que potencializem o
desenvolvimento infantil.
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Considerando as mudanças ocorridas ao longo do tempo na educação infantil bem
como nas concepções de infância e criança, o conceito de ser professor também foi sendo
modificado. A criança hoje vista como ser protagonista no seu processo de aprendizagem,
requer deste profissional conhecimento profundo sobre este período de vida, o processo de
ensino/aprendizagem, necessidades básicas, cognitivas, sociais, emocionais, físicas, a fim de
contribuir para o seu desenvolvimento integral.
É importante salientar que o profissional da educação infantil desempenha as funções
indissociáveis de educar e cuidar e estes são elementos articuladores da ação pedagógica.
Cuidar envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e desenvolvimento da pessoa
humana em toda a sua complexidade, requer envolvimento e construção de vínculo. Segundo
Oliveira,
Para cuidar de alguém é preciso se encontrar com o outro, o que requer desenvolver
formas sensíveis de relacionamento com as pessoas. No caso do educador infantil, isso
quer dizer encontrar-se com as crianças, o que significa comprometer-se com elas e
expor-se a elas. Este encontro é semelhante a uma dança entre duas ou mais pessoas
envolvidas no processo de manter o bem-estar e a vida. Para dançar é preciso estar em
sintonia com a música e com o outro. Para cuidar deve-seestar em sintonia com o
ritmo vital e emoções da criança, com seus gestos, expressões e palavras que
sinalizam suas necessidades e dão pistas para o professor atende-las. Isso requer
aprendizagens. (Oliveira, 2014, p.286-287)
A Educação Infantil requer do professor práticas pedagógicas que tenham como eixo
norteador as interações e brincadeiras de acordo aos interesses e necessidades apropriados a
cada faixa etária, proporcionando o desenvolvimento da imaginação, da criatividade, a
curiosidade, a capacidade de expressão nas diversas linguagens (musical, plástica, corporal...)
interação com outras crianças e adultos aprendendo a viver na coletividade, e sendo
desafiados a ampliar os seus conhecimentos, brincar, interagir, aprender e conquistar
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
135
crescente autonomia e isso se faz possível tendo sempre a intencionalidade educativa como
centro da sua atuação.
Além disso espera-se que este professor preze sempre pela ética profissional, conheça
a proposta curricular da rede, tenha atitudes de compreensão e respeito para com seus colegas,
participe ativamente da implementação e avaliação da proposta pedagógica da instituição
escolar, a qual está vinculado, seja conhecedor dos seus direitos e deveres, participe sempre
dos encontros formativos promovidos pela Secretaria de Educação, se responsabilize pelo uso
adequado dos espaços e recursos, estabeleça uma relação de diálogo com as famílias com o
intuito de conhecer a criança e o seu contexto, bem como apresentar a proposta pedagógica
aos pais e responsáveis evidenciando a relevância do trabalho desenvolvido, apropriando-se
de conhecimentos básicos sobre saúde, alimentação e higiene que são imprescindíveis na
tomada de decisões ao cuidar de crianças.
Este trabalho carrega em si uma grande responsabilidade e para que tudo isso se
efetive, além de empenho pessoal, é necessário a execução de políticas públicas que garantam
à estes profissionais às condições de trabalho adequadas, a valorização salarial, e a formação
continuada tão importante no aprimoramento constante das práticas pedagógicas. Paulo Freire
nos encoraja ao afirmar que “ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a
fazer o caminho caminhando, refazendo e retocando o sonho pelo qual se pôs a caminhar”
(FREIRE, 2002 p. 35)
Em nosso município o quadro de profissionais da educação infantil em efetivo
exercício é composto por professores com um tempo considerável de atuação, sendo que 77%
possuem nível superior, destes 45% possui especialização e 67% escolheram áreas
compatíveis com a sua atuação. No entanto sabemos que os desafios são grandes e este
momento de construção do nosso Referencial Curricular Municipal, desnudou às nossas
fragilidades frente ao uso das TDIC‟s, ao ato de ler e escrever com competência, a
apropriação e estudo sobre a proposta de se trabalhar com os campos de experiência, o
atendimento educacional especializado, especificidades da educação do campo e tantos
outros.
Seguimos firmes na certeza que este trabalho nos deu um novo olhar e novos
direcionamentos sobre o fazer pedagógico.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
136
CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS
Visando uma proposta educativa voltada para o desenvolvimento e aprendizagem da
criança no âmbito da educação infantil, se torna indispensável a organização dos espaços
destinados a este público. A estruturação deste ambiente, precisa ser planejada e executada
tendo como foco o acolhimento, o desenvolvimento e a formação integral da criança.
A escola e seus educadores precisam compreender a concepção de espaço na
Educação Infantil. Para a criança o espaço se configura como um ambiente ao qual ela vai
vivenciar sensações que lhes podem proporcionar alegria, medo, mistério, descoberta,
resultante das relações vivenciadas. Segundo MALAGUZZI, 1999, p. 157.
Valorizamos o espaço devido a seu poder de organização, de promover
relacionamentos agradáveis entre pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente
atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas e atividades, e a seu potencial
para iniciar toda a espécies de aprendizagem social, afetiva e cognitiva. Tudo isso
contribui para uma sensação de bem-estar e segurança nas crianças. Também
pensamos que o espaço deve ser uma espécie de aquário que espelhe as ideias, os
valores, as atitudes e a cultura das pessoas que vivem nele.
A criança que adentra aos muros da escola já traz consigo toda uma gama de
conhecimentos adquiridos no dia a dia do seu contexto familiar e social que lhes são
associados a partir do momento que veio ao Mundo, resultantes de diversas experiências.
Desta forma, é papel da escola fazer com esta criança se depare com um espaço educativo
estimulante, desafiador, diverso, versátil, lúdico e tendo como foco o acolhimento, a
interação, proporcionando aprendizagens significativas.
A organização deste espaço educativo direcionado a criança não pode ser algo solto ou
aleatório, mas sim um ambiente adequado à proposta pedagógica da instituição que possibilite
a realização de brincadeiras e interações socioeducativas. Para tal, é preciso que todo este
arranjo tenha início já na proposta curricular e se consolide no Projeto Político Pedagógico da
escola, ganhando vida e significância no planejamento do professor. Este último, precisa ser
pensado e estruturado em sintonia com a faixa etária da criança, de forma a apresentar para
ela um espaço que proponha uma aprendizagem integral e significativa. O professor precisa
distribuir esta rotina no espaço-tempo dos alunos, de modo que eles se desenvolvam
interagindo entre si, proporcionando diversas experiências e desafios, com objetivos em
desenvolver além da psicomotricidade e cognição, a autonomia, auto- estima, respeito as
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
137
diversidades, cuidados consigo e com outro, configurando-se em um ambiente favorável ao
aprendizado.
A proposta curricular do município de Mundo Novo, organiza-se conforme
estabelecido na BNCC:
Reconhecendo as especificidades dos diferentes grupos etários que constituem a
etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão
sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, que correspondem,
aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do
desenvolvimento das crianças, conforme indicado na figura a seguir. Todavia, esses
grupos não podem ser considerados de forma rígida, já que há diferenças de ritmo na
aprendizagem e no desenvolvimento das crianças que precisam ser consideradas na
prática pedagógica. (BNCC, 2017, p. 44),
Figura 1 Fonte BNCC
A partir dessas recomendações, é preciso considerar as especificidades desses
diferentes grupos etários atrelados aos objetivos de aprendizagem tendo em vista o processo
de transição casa/creche/pré-escola/anos iniciais.
Quando a criança é inserida na Educação Infantil, primeira etapa da educação básica,
ela começa ali seu segundo ciclo de socialização, antes envolvidas apenas com a família agora
passa a interagir com outras crianças da mesma faixa etária e com outros adultos. Nesse
momento cabe a instituição o papel de acolher essa criança considerando e compreendendo as
manifestações pertencentes a cada fase como: inquietude corporal, insegurança, criação de
vínculos, mudanças em sua rotina e em sua visão de mundo.
Sem dúvidas deve-se considerar o processo de adaptação primordial nesse período de
transição, principalmente na Educação Infantil que acontece de maneira lenta e gradativa, pois
a criança começa a criar vínculos com a professora e demais adultos, com outras crianças e
com o ambiente, sendo de fundamental importância a participação da família nesse processo
CRECHE PRÈ-ESCOLA
Bebês (zero a 1
ano e 6 meses)
Criançasbem
pequenas (1 ano e 7
meses a 3 anos e 11
meses)
Crianças pequenas
(4 anos a 5 anos e
11 meses)
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
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que envolve inúmeras emoções, choros, dúvidas, inquietações, que normalmente
desconhecidos pelas famílias tornam a separação uma difícil tarefa.
As Diretrizes Curriculares para Educação Básica (DCNEB, 2013 p.100), traz como
objeto do seu artigo 11 a integração entre Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Art. 11. Na transição para o Ensino Fundamental a proposta pedagógica deve prever
formas para garantir a continuidade no processo de aprendizagem e desenvolvimento
das crianças, respeitando as especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que
serão trabalhados no Ensino Fundamental.
É de fundamental importância reconhecer as especificidades do trabalho realizado na
Educação Infantil vinculando as experiências que as crianças vivem nessa fase e as que
viverão no Ensino Fundamental, valorizando as singularidades de cada etapa, que devem ser
consideradas, não como ritos de passagem, pois a infância não termina quando completados
os 6 anos de idade.
AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
“Avaliar nesse novo paradigma é dinamizar oportunidades de ação - reflexão, num acompanhamento
permanente do professor e este deve propiciar ao aluno em seu processo de aprendizagem, reflexões
acerca do mundo, formando seres críticos libertários e participativos na construção de verdades
formuladas e reformuladas”.
Hoffmann
A avaliação na Educação Infantil tem o papel de oferecer subsídios para orientar os
professores na prática pedagógica, conhecendo os bebês e as crianças, o seu desenvolvimento,
suas características pessoais e grupais, suas emoções, reações, desejos, interesses e modos
pelos quais vão se apropriando da cultura como agentes curriculantes, identitários, plurais e
singulares.
Segundo Luckesi, “Avaliar um educando implica, antes de mais nada, acolhê-lo no
seu ser e a partir daí, decidir o que fazer.” (LUCKESI, 200). Portanto, o ato de avaliar
implica na disposição de acolher e é o ponto de partida para qualquer prática pedagógica
amorosa, cuidadosa e sistemática desse processo.
A partir da Constituição Federal de 1988, que reconhece a educação como um direito
de todos e dever do estado que se complementa na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDBEN), Nº 9.394/96, no Artigo 31, da Educação Infantil, I - avaliação mediante
acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção,
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
139
mesmo para o acesso ao ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013), deve ter
a finalidade de acompanhar e repensar o trabalho realizado, como também consta nas
Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (DCNEI) 2009, onde as instituições
que atuam nessa etapa de ensino criem procedimento de avaliação do desenvolvimento das
crianças. Dessa forma não se deve utilizar mecanismos para selecionar, promover ou
classificar os bebês e crianças e sim considerar todo o seu desenvolvimento através da
observação das atividades, brincadeiras e interações no cotidiano escolar.
No momento da avaliação é preciso considerar a experiência e a percepção de quem
avalia, considerando a concepção de criança e de infância para que o processo de avaliação
seja de qualidade e traduza as observações e registros realizados.
Nessa perspectiva na Educação Infantil o “erro” não é observável já que as
experiências propostas fazem do “erro” um caminhar com o objetivo de ajudar a compor uma
aprendizagem qualificada e digna para as crianças por meio das múltiplas vivências no
cotidiano da escola.
O Município de Mundo Novo está propondo alguns recursos próprios de avaliação
que dialogam com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9.394/96), as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI - 2010), Base Nacional
Comum Curricular (BNCC - 2017), e os Referenciais Curriculares do Estado da Bahia
(DCRB, 2019). Diante da disposição das leis a orientação para a avaliação dos bebês e das
crianças deve ser registrada através de recursos de acompanhamento tais como: diário de
Classe, portfólio individual, álbum de desenvolvimento, os relatórios que devem ser
compostos a partir das observações diárias evidenciando as potencialidades das crianças, suas
conquistas individuais, sua trajetória servindo ao professor como processo reorientador da sua
prática reflexiva tendo na tríade ação/reflexão/ação, aperfeiçoando a sua prática de
investigador e produtor de conhecimento.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
140
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Segundo o dicionário Aurélio (PRINCÍPIO, 2008), princípio significa o início de algo;
começo; elemento predominante; base. Outro conceito é de que princípios equivalem a um
conjunto de leis, definições ou preceitos utilizados para nortear a vida em sociedade. Como o
próprio nome afirma, os princípios devem fundamentar a prática pedagógica, articulando o
processo de ensino aprendizagem, qualificando o trabalho docente em busca de uma educação
fundamentada na integralidade humana e nos direitos de aprendizagem das crianças.
Segundo as Diretrizes Curriculares, a Educação Infantil deve considerar os seguintes
princípios:
Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem
comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades.
Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem
democrática.
Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de
expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. (DCNEIs, p.16, 2010.)
Reconhecemos que é na Educação Infantil que se desenvolvem intensos processos de
desenvolvimento moral, ético, afetivo, intelectual, os quais não podem ser ensinados, mas sim
experenciados, tendo como eixos estruturantes as interações e as brincadeiras.
Segundo Oliveira, de acordo com os princípios éticos cabe as Instituições de Educação
Infantil:
- assegurar às crianças a manifestação de seus interesses, desejos e curiosidades ao
participar das práticas educativas;
- valorizar suas produções, individuais e coletivas;
- apoiar a conquista pelas crianças de autonomia na escolha de brincadeiras e de
atividades e para a realização de cuidados pessoais diários; […]. (2010, p. 7).
- ampliar as possibilidades de aprendizado e de compreensão de mundo e de si
próprio trazidas por diferentes tradições culturais;
- construir atitudes de respeito e solidariedade, fortalecendo a autoestima e os
vínculos afetivos de todas as crianças, combatendo preconceitos que incidem sobre
as diferentes formas dos seres humanos se constituírem enquanto pessoas.
- aprender sobre o valor de cada pessoa e dos diferentes grupos culturais;
- adquirir valores como os da inviolabilidade da vida humana, a liberdade e a
integridade individuais, a igualdade de direitos de todas as pessoas, a igualdade entre
homens e mulheres, assim como a solidariedade com grupos enfraquecidos e
vulneráveis política e economicamente.
· respeitar todas as formas de vida, o cuidado de seres vivos e a preservação dos
recursos naturais. (OLIVEIRA, 2010, P. 7 e 8).
Ainda segundo Oliveira, para a concretização dos princípios políticos ela destaca:
- promover a formação participativa e crítica das crianças
· criar contextos que permitam às crianças a expressão de sentimentos, ideias,
questionamentos, comprometidos com a busca do bem estar coletivo e individual,
com a preocupação com o outro e com a coletividade.
REFERENCIAL CURRICULAR
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141
· criar condições para que a criança aprenda a opinar e a considerar os sentimentos e
a opiniãodos outros sobre um acontecimento, uma reação afetiva, uma ideia,
um conflito.
· garantir uma experiência bem sucedida de aprendizagem a todas as crianças, sem
discriminação e lhes proporcionar oportunidades para o alcance de conhecimentos
básicos que são considerados aquisições valiosas para elas. (2010, p. 8).
Para os princípios estéticos a Educação Infantil deve priorizar:
- valorizar o ato criador e a construção pelas crianças de respostas singulares,
garantindo-lhes a participação em diversificadas experiências;
- organizar um cotidiano de situações agradáveis, estimulantes, que desafiem o que
cada criança e seu grupo de crianças já sabem sem ameaçar sua autoestima nem
promover competitividade;
- ampliar as possibilidades da criança de cuidar e ser cuidada, de se expressar,
comunicar e criar, de organizar pensamentos e ideias, de conviver, brincar
e trabalhar em grupo, de ter iniciativa e buscar soluções para os problemas e
conflitos que se apresentam às mais diferentes idades;
- possibilitar às crianças apropriar-se de diferentes linguagens e saberes que circulam
em nossa sociedade, selecionados pelo valor formativo que possuem em relação aos
objetivos definidos em seu projeto político pedagógico. (2010, p.8)
Estes princípios se consolidam na prática educativa por experiências formativas que
tenham como eixos estruturantes as interações e brincadeiras consolidadas em 6 direitos de
aprendizagem que segundo a BNCC são:
Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando
diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em
relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com
diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a
produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas
experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e
relacionais.
Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da
gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das
atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e
dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos,
decidindo e se posicionando.
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções,
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na
escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas
modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções,
sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio
de diferentes linguagens.
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma
imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências
de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar
e em seu contexto familiar e comunitário. (BNCC p.
Estes 6 direitos de aprendizagem devem ser contemplados diariamente em 5 campos
de experiencias com objetivos de aprendizagem e desenvolvimento específicos para cada
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
142
faixa etária. Uma organização curricular com intencionalidade pedagógica, criando sentido
para a criança, superando a fragmentação dos saberes tendo como unidade básica o
planejamento a criança e sua ação, a criança, seus interesses, suas hipóteses, suas descobertas,
suas necessidades.
De acordo com a Base:
Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações
e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes,
entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. A
definição e a denominação dos campos de experiências também se baseiam no que
dispõem as DCNEI em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a ser
propiciados às crianças e associados às suas experiências. (BRASIL, 2018, p. 40).
Por fim, os campos de experiência devem ser pensados de forma integrada garantindo
os direitos de aprendizagem das crianças, promovendo experiências sociais desenvolvendo a
sua autonomia e garantindo o desenvolvimento integral da criança.
OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS
Desta forma os campos de experiências questionam a lógica disciplinar, subvertendo o
currículo escolar organizado por disciplinas muito comum no Ensino fundamental e que na
maioria das vezes é trazido como modelo para a Educação Infantil, centrando-se na produção
de saberes das crianças que são sustentados pelas relações e interações, explicitando a
importância de práticas educativas que valorizem experiências concretas da vida cotidiana. O
trabalho com os campos de experiência, como afirma Fochi,
Consiste em colocar no centro do projeto educativo o fazer e o agir das crianças [...]
e compreender uma ideia de currículo na escola de educação infantil como um
contexto fortemente educativo, que estimula a criança a dar significado, reorganizar
e representar a própria experiência. (Fochi, 2015, p221-228).
O EU, O OUTRO E NÓS
O Campo de experiência o eu, o outro e nós, assim como os demais campos, centraliza
o saber com base no agir e o fazer da criança. Seu processo identitário é construído no
convívio com adultos e outras crianças que são referências para as suas primeiras impressões
de cidadania extraídas do relacionamento pessoal, com o outro e no coletivo. É no
acolhimento e orientação escolar que as crianças revelam suas experiências, as diferentes
manifestações culturais, o desenvolvimento do sentimento e a construção das relações com
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
143
todas as especificidades. Neste contexto, o ambiente escolar oportuniza uma vivência em
sociedade baseada no respeito, e nesta interação, compõe de forma imprescindível a noção de
direitos e deveres que desde a infância devem ser concebidas para qualificação dessa
convivência.
Segundo O DCRB,
Na infância, a construção dos processos identitários, realizada por meio de inúmeras
formas de observação e de indagações que envolvem as pessoas, eventos, tradições
familiares, culturas onde as crianças estão inseridas desde os seus primeiros dias de
vida, efetiva comparações, assim como processos de inclusão e exclusão. Neste
processo, a criança interessa-se pela sua existência e das outras pessoas, entre outros
seres. Presentes nessas questões surgem, mais tarde, perguntas sobre Deus, a vida e a
morte, a tristeza e a felicidade. Como muitas vezes se tratam de questões complexas,
faz-se necessário uma escuta compreensiva e refinada para que, de acordo com sua
capacidade cognitiva e afetiva, respostas formacionais cuidadosas sejam construídas
pelos seus educadores.
Crianças constroem seus processos identitários convivendo e dialogando consigo e
com os outros. Experimentam estados de humor e. com isso, aprendem a expressá-los,
em busca de apoio, cuidado, proteção e interação qualificada. É aqui que muitos dos
seus direitos deverão ser exercidos, tendo como guardiões o Estado e a família, entre
outras instituições educacionais, meios pelos quais também aprendem sobre seus
deveres. Da perspectiva da infância, esta é a condição de uma passagem evolutiva,
importante, na superação gradual do seu egocentrismo, entrando em cena, com
importantes aprendizagens sociais. É aí que a escola tem um papel social fulcral no
processo de ampliação dos processos de socialização e, portanto, de ampliação,
também, do processo identitário da criança. É aí, também, que acontece uma
diferenciação significativa da qualificação da convivência, a partir de valores
vinculados à solidariedade,à reciprocidade e ao respeito dos direitos e deveres de si
próprio e dos outros. O outro começa a surgir como fonte de possibilidades e limites,
assim como valores democráticos importantes a serem exercidos pela cidadania.
(DCRB, p.133)
CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS
É por meio desde campo de experiência que as crianças exploram todo o seu espaço,
os objetos do seu entorno, enfim, o mundo que lhe rodeia, estabelecendo relações, se
comunicando, se expressando, se divertindo e consequentemente produzindo conhecimentos
sobre si, sobre o outro e de todo o universo cultural e social, na conectividade do corpo, da
emoção e da linguagem.
Este Campo destaca as experiências das crianças nas interações e brincadeiras, através
das quais podem explorar o espaço com o corpo e as mais variadas formas de movimentos
que lhes possibilitam a construir referenciais e hipóteses que os orientam na tomadas de
decisões, valorizando através da expressões corporais a diversidade cultural favorecendo a
ampliação de contextos e possibilidades do corpo em situações sejam elas encenações reais ou
imaginárias.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
144
Paulo Fochi afirma que “é no corpo que reside o espaço da singularidade e o espaço da
subjetividade das crianças”, (Corpo, gestos e movimento, 2019) por meio da relação corporal
das crianças com o outro, no caso da troca dos bebês, na alimentação, na higienização de
modo geral, ou seja, no agir corporalmente sobre o outro.
Segundo o DCRB,
Trata-se da importância da tomada de consciência do corpo e de compreender que
toda a nossa vida passa pela condição corporal, suas amplas e, às vezes, insondáveis
experiências. Movimentos, gestos, como correr e pular, produzem bem-estar e
equilíbrio psicofísico. Sensações e emoções são produzidas e necessariamente passam
pelo corpo. Aliás, toda e qualquer experiência passa pelo corpo como lugar de estados
de ser. Relaxamento, tensão, controle de gestos, limites e possibilidades físicas
implicam aprendizagens importantes para a luta pela qualificação da vida. As crianças
jogam com o próprio corpo, comunicam-se e exprimem-se com a mímica. As
experiências motoras permitem integrar as diferentes linguagens. Jogos que
impliquem a psicomotricidade fina e ampla constroem aprendizagens importantes,
assim como satisfação e saúde. Nesses termos, é de suma importância que uma
arquitetura de prédios para Educação Infantil tenha consciência da importância do
planejamento dos espaços para que a especificidade pedagógica da Educação Infantil
tenha lugar. É assim que a Educação Infantil e seus espaços adequados possibilitam a
expressão e a comunicação pelo corpo, assim como as diversas expressões artísticas,
pelas quais a criança aprende a se movimentar em diversos e complexos tempos e
espaços da vida. Ir conhecendo e cuidando do seu corpo, assim como ir
compreendendo que o corpo do outro merece cuidado e respeito, é parte de uma
formação valorosa e valorada do ser da criança. (DCRB, p. 133, 134).
TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS.
Campo de experiência de suma importância na vida das crianças e ele se faz presentes
desde seu nascimento, onde elas convivem com diferentes tipos de manifestações sejam elas
culturais, artísticas ou cientificas, aprendendo desde cedo através do relacionamento com seus
pais e com familiares, e quando a criança entra em contato com a escola ela já traz sua própria
bagagem através das experiências adquirida no seu convivo familiar, a criança vivencia
diversas formas de expressão e linguagem, como o contato com artes visuais, pintura,
modelagem, colagem, fotografia, música, teatro, dança e o audiovisual, entre outras.
Com base nessas experiências a criança desenvolve seu próprio modo de sentir, de
criar, encaixar, pensar e relacionar. Apresentam formas de colorir o cenário através das suas
próprias produções artísticas pois desde a sua formação implica nas experiências e nos
relacionamentos, desejos, pensamentos e reflexões que são uma análise para a construção de
seu processo formativo.
REFERENCIAL CURRICULAR
MUNDO NOVO
145
Dentro desse campo de experiência vale ressaltar que as crianças se encontram nas
artes com uma facilidade impressionante e é através das artes que a educação infantil se
encontra e desenvolve potenciais para a formação da criança, onde ela desenvolve a
criatividade, expressa suas emoções, imaginação e sensibilidade com base em suas próprias
criações seja elas coletivas ou individuais contribuindo para que a criança desde pequena
desenvolva seu senso crítico e estético através de experimentação de matérias como músicas,
dramatizações, sons, pintura, modelagem, colagem, fotografias, teatro entre outras, formando
atitudes e prazeres singulares no processo de aprendizagem.
Segundo o DCRB,
Em geral, as crianças se encontram nas Artes com uma facilidade impressionante. É
também por isso que a Educação Infantil encontra nas Artes potenciais significativos
para formação da criança. Além da criatividade, a Arte implica emoções,
imaginação, sensibilidade e autoria artística. Arte e diferença são entretecimentos
que criam singularidades incessantes, ao mesmo tempo em que elaboram
experiências formacionais, singularizantes, porque vivem da e na criação. A
experimentação de materiais e linguagens como a música, a dramatização, os sons,
elaborações gráfico-pictóricas, bem como a criação e experimentação de mídias,
implicam atitudes de pesquisa e um prazer singular nos processos de aprendizagem.
Em termos contemporâneos, as experiências com a transmídia inserem as crianças
em verdadeiros cenários de experimentações que, constantemente, as colocam no
devir artístico, numa cultura contemporânea, a cibercultura, por exemplo, que lhes
desafiam prazerosamente, tanto individual quanto coletivamente. É aí que a fruição e
a invenção elevam a imaginação infantil a mundos a serem explorados e observados
com significativos potenciais formativos. educação infantil 135 Essas possibilidades
estão no museu, no cinema, no circo, nas instalações, nos espetáculos de rua, no
teatro, nos eventos musicais, na televisão, no digital etc. Patrimônio artístico que se
encontra como possíveis patrimônios formacionais da criança.
ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO
Quando falamos de direitos da criança não podemos esquecer que é fundamental e
essencial proporcionar atividades cotidianas, que os estudantes venham participar e vivenciar
experiências de escuta de textos e leitura de diferentes gêneros que circulam no meio familiar,
na sociedade.
Através desse tipo de atividade é possível desenvolver as habilidades de oralidade,
comunicação, ampliação do vocabulário, diferentes situações de interação e intercâmbios
social em que ajude e auxilie a desenvolver seus pensamentos, imaginação, fantasia, uso da
criatividade fazendo leitura imagética de livros, e ilustrações, expressando e expondo do seu
jeito próprio suas ideias e conhecimento de mundo.
A escuta de textos através da leitura de voz alta feita pelo adulto, é muito importante
para os pequeninos, ajudando-lhes desde cedo a desenvolver o comportamento leitor e o gosto
pela leitura, pois aguça a imaginação, desperta a curiosidade, chama a atenção e leva a criança
REFERENCIAL CURRICULAR
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a mergulhar no mundo fantástico que é proporcionado pela literatura infantil. O contato com
diferentes instrumentos e suportes de escrita proporciona à criança traçar e reconhecer letras
diferenciando de outros sinais gráficos e a refletir sobre o sentido social que a escrita tem na
sua vida.
Segundo o DCRB,
A linguagem não só expressa o pensamento, ela é generativa, ou seja, criativa, assim
como mobiliza o desenvolvimento cognitivo. Nesses termos, implica-se o comunicar e
a complexidade do compreender. No processo cultural, emerge a