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Pigmentações Os pigmentos, são substancias com cor própria, origem, composição química e significado biológico diversos, acham-se distribuídos amplamente na natureza e são encontrados em células vegetais e animais, nas mais desempenham importantes funções. Pigmentação é o processo de formação e/ou acúmulo, normal ou patológico, de pigmentos no organismo. Pigmentação patológica pode ser sinal de alterações bioquímicas pronunciadas, sendo o acúmulo ou redução de determinados pigmentos um dos aspectos mais marcantes em várias doenças. Grande número de pigmentos originam-se de substancias sintetizadas pelo próprio organismo, enquanto outros são formados no exterior, e por via respiratória, digestiva ou parenteral, penetram e depositam-se em diversos órgãos. A pigmentação pode ser NORMAL ou PATOLÓGICA. Os pigmentos patológicos podem ter origem ENDÓGENA (Hematoidina, bilirrubina, hemossiderina, e pigmento malárico - são formados a partir da degradação do grupo Heme – pigmento esquistossomótico, melanina, ácido homogentísico e lipofuscina) ou EXÓGENA (argiria, tatuagem, antracose). Pigmentação Endógena Os pigmentos endógenos podem ser formados por derivados de: HEMOGLOBINA PIGMENTOS BILIARES Pigmento amarelo (de amarelo a amarelo-avermelhado) Catabolismo do grupo heme da hemoglobina e outras hemoproteínas Este pigmento que está dentro dos pigmentos biliares é formado pela degradação do grupo heme da hemoglobina. A hemoglobina é um complexo, formado por parte proteica e não proteica. Ao grupo não protéico, chamamos de heme. O heme fica entre quatros anéis pirrólicos, ele é o responsável por carregar o oxigênio. Ao ser degradada essa molécula, irá gerar a bilirrubina (responsável pela cor do grupo heme). Sendo assim, a bilirrubina é produzida por meio da degradação das hemácias (hemocaterese) para renovação (não tem capacidade regenerativa porque não tem núcleo). Existem órgãos específicos, baço (principalmente), fígado e medula óssea que degradam a hemácia e aquilo que está dentro dela, a célula e a hemoglobina. Quando a hemácia apresenta qualquer deformação morfológica essas células passam a ser reconhecidas por macrófagos e então são destruídas. Pigmentação Patológica Bibliografia Recomendada ● Patologia - Bogliolo (Cap. 7 – Pigmentações/Calcificações) Obs.: Melanina e lipofuscina podem ser um pigmento normal ou patológico. Esquematizando 1. Hemácia (apresentando hemoglobina - parte proteica e não proteica), quando passa por órgãos como baço e o fígado são reconhecidas por macrófagos que fagocitam da hemácia. A hemoglobina agora dentro do macrófago começa a ser degradada de forma enzimática, ocorre a soltura do grupo heme da hemoglobina que livre e sofre ação enzimática pela enzima heme-oxigenase (faz oxidação da molécula) e degrada o grupo heme formando o pigmento biliverdina (apresenta cor por si só - verde), só que não para por aí. A biliverdina formada é convertida pela enzima biliverdina-redutase em bilirrubina (todos esses processos ocorrem somente dentro dos macrófagos por causa das enzimas específicas para o processo - heme-oxigenase e biliverdina-redutase) e quando o pigmento sai do macrófago ele já sai pronto. 2. Essa bilirrubina formada é indireta ou também chamada, de não-conjugada, sendo insolúvel e bastante tóxica. Apresenta ainda alta capacidade de reatividade. Por isso ela precisa ser transportada pelo sangue para o fígado. No entanto, como ela é insolúvel ela precisa ser transportada pela albumina no sangue, o que a torna solúvel, mas ainda indireta. Quando essa bilirrubina chega no fígado, ela se livra da albumina e entra nos hepatócitos pela membrana ou por transporte passivo. Após entrar nos hepatócitos a bilirrubina passa pela conjugação, ou seja, ela precisa ser solúvel e menos reativa para ser excretada. Para isso, ela é conjugada com 2 moléculas de ácido glicurônico (molécula glicídica) que torna essa bilirrubina menos reativa e menos tóxica, além disso, a torna solúvel. A partir dessa junção tem-se bilirrubina direta ou conjugada. Dentro do citoplasma hepatócitos ela recebe outro transportador (ligantina, proteína Z e proteína Y) porque continua sendo insolúvel. A bilirrubina agora conjugada está pronta para ser liberada e sair do hepatócitos para ir para a vesícula e depois para o intestino através da papila maior no duodeno junto com o suco pancreático. Lá, as bactérias do intestino transformam essa bilirrubina em um composto chamado de urobilinogênio (coloração marrom) (pode ser reabsorvido na veia porta). Esse urobilinogênio pode dar origem à estercobilina (presente nas fezes e que confere cor amarronzada as mesmas) e urobilina (presente na urina e que fornece coloração amarelada a mesma). Resumindo... Hiperbilirrubinemia e Icterícia 1. Aumento da produção de Bb, como na anemia hemolítica 2. Redução na captação e transporte da Bb pelos hepatócitos 3. Diminuição na conjugação da Bb, por carência de enzimas envolvidas neste processo 4. Baixa excreção celular de Bb 5. Obstrução biliar 6. Combinação de lesões hepáticas Adendos: A icterícia pode estar ocorrendo devido aumento da degradação de hemácias por hemorragia, ou ocorre devido a obstrução do caminho de excreção do pigmento, o que leva a deposição do mesmo na pele e mucosas. Bilirrubina é encontrada nos macrófagos, dentro dos hepatócitos, nos tecidos (em casos de icterícia) Em sangramentos em fase de cicatrização, a cor amarelada é devido à bilirrubina Bilirrubina não forma cristais! HEMATOIDINA Pigmento formado também a partir da degradação do grupo heme. Não acontece dentro dos macrófagos, mas ocorre em processos hemorrágicos com a degradação de hemácias. Em um primeiro momento está ocorrendo a oxidação do grupo heme livre no tecido. O grupo heme sendo degradado forma um cristal (parecido com a bilirrubina, mas que não sofre processos enzimáticos, além disso, esse grupo heme está associado a lipídios formando uma estrutura cristalóide). Características: ● Desprovida de ferro ● Constituída de lipídios e um pigmento semelhante a Bb ● Aparece a partir do final da segunda semana ou terceira semana após o sangramento ● Cristais de cor variando de amarelo-ouro, amarelo-alaranjado ou vermelho-alaranjado a marrom dourado. HEMOSSIDERINA Quando eu tenho um excesso de ferro que acaba ficando livre ele vai tender acumular-se em algumas células, como nos hepatócitos, tal acúmulo da origem a esse pigmento. Características: ● Hemossiderina e ferritina são as duas principais formas de armazenamento de ferro; ● A degradação da ferritina no citosol libera ferro. Quando há excesso de ferro, micelas de ferritina se agregam e formam hemossiderina. ● Cor de ferruginosa ou amarelo-dourado Mecanismo de formação A formação de hemossiderina envolve as seguintes etapas: 1. Incorporação da ferritina no citosol sob a forma de agregados pelo retículo endoplasmático liso. 2. Fusão dos vacúolos autofágicos com lisossomos, formando lisossomos secundários. 3. Degradação enzimática da apoferritina 4. Persistência de agregado maciço e insolúvel de ferro, constituindo a hemossiderina. Adendos: Os átomos de ferro se acumulam no citoplasma da célula e se juntam com moléculas chamadas de ferritina dentro do lisossomo. Então a parte proteica da ferritina é degradada e fica apenas o ferro. A coloração de Perls irá corar ferro Hemossiderose Sistêmica Aumento da absorção de ferro em anemias hemolíticas e após transfusão de sangue repetidas vezes. O pigmento se acumula nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos e, mais, esparsamente nosda derme, pâncreas e rins. Ocorre quando se tem hemossiderina de maneira sistêmica em decorrência de alterações genéticas que causam distúrbios na absorção ferro, são chamadas de hemocromatose. HEMOCROMATOSE A hemocromatose hereditária é causada por defeitos em vários genes. Na grande maioria dos pacientes, a anormalidade está no gene HFE (90% dos casos), e a doença é transmitida por herança autossômica recessiva (hemocromatose tipo I). O átomo de ferro entra dentro das células através do canal DMT1; já o transportador ferroportina atua de modo a retirar o ferro do enterócito e colocá-lo na corrente sanguínea. Mas isso requer um controle fino, assim, o enterócito apresenta receptores para ferro (sensores) chamados de receptores de transferrina 1. Esse receptor atua em conjunto com uma proteína que, neste caso, apresenta mutação e por isso ocasiona a doença, esse proteína auxiliar do receptor é chamada de HFE. Quando o receptor de transferrina 1 em conjunto com a proteína HFE vê que a quantidade de ferro é grande ele inibe o canal DMT1 para que não haja absorção de ferro. 90% dos pacientes apresentam hemocromatose do tipo 1. O órgão apresenta coloração ferruginosa. PIGMENTO MALÁRICO A hemoglobina ingerida pelo plasmódio sofre proteólise por meio de hidrolases ácidas; O heme é sequestrado sob a forma de matriz cristalina insolúvel (hemozoína), após sofrer agregação das subunidades de dímeros de ferriprotoporfirina, processo conhecido como biomineralização ou biocristalização. Grânulos castanho-escuros, acumulam-se nos macrófagos do fígado, baço, medula óssea, linfonodos e do outros locais, aí permanecendo por muitos anos. Deriva da degradação do grupo heme e acúmulo de átomos de ferro devido à malária. O plasmódio ingere a hemoglobina e degrada a parte protéica (pela hidrolases) para se utilizar da hemoglobina, mas o grupo heme da hemoglobina é insolúvel (assim, extremamente tóxico); então, o plasmódio vai juntando vários grupos heme agregando em forma de cristal várias moléculas. Então, quando a hemácia se rompe o cristal de hemozoína formado vai para corrente sanguínea e se acumula em alguns órgãos (não tem grande toxicidade). É possível enxergar pigmento dentro das hemácias PIGMENTO ESQUISTOSSOMÓTICO O pigmento esquistossomótico origina-se no tubo digestivo do Schistosoma a partir do sangue do hospedeiro, o qual é ingerido pelo verme adulto como fonte de nutrientes A hemozoína é regurgitada pelo verme adulto, intermitentemente, na circulação sanguínea do hospedeiro; MELANINA A melanina (do grego melas = negro) é um pigmento cuja cor varia do castanho ao negro, sendo amplamente encontrada em peixes anfíbios, répteis, aves e mamíferos, bem como nas plantas. Atua na proteção contra a radiação ultravioleta (fotoproteção), ação antioxidante, absorção de calor, cosmética... Existem dois tipos de melanina: a Eumelanina, insolúvel, de cor castanha a negra, com ação fotoprotetora e antioxidante, e a Feomelanina, solúvel em solução alcalina, de cor amarela a vermelha, igualmente com efeito antioxidante. Formado de forma endógena (maior proteção da pele - grânulos protetivos para que a radiação solar não passe como se fosse um chapeuzinho em cima da célula que protege o núcleo da exposição à radiação solar) ou patológica. Hiperpigmentação e hipopigmentação melânicas Lesões hiperpigmentadas mais comuns são as efélides (sardas), os nevos e os melanomas. Disfunção de uma ou mais etapas da melanogênese Podem causar hiperpigmentação melânica: medicamentos (sulfonamidas, hidantoína, cloroquina, levodopa), anticoncepcionais orais, metais pesados (arsênico, bismuto, ouro, prata) e agente quimioterápicos (ciclofosfamida, 5-fluorouracil, doxorrubicina, bleomicina). A hipopigmentação pode ser congênita (por exemplo no albinismo) ou adquirida (por exemplo vitiligo - ocorre a falta de melanócitos em determinadas regiões, devido a morte dos mesmos). ÁCIDO HOMOGENTÍSICO Mutações no gene que codifica a enzima ácido homogentísico 1,2-dioxigenase. A tirosina serve para muitas rotas, inclusive para fabricação de ácido homogentísico. Na alcaptonúria, a pessoa tem cor ocre porque há acúmulo de ácido porque não consegue ser degradada que deriva da transformação da tirosina, o gene da enzima responsável está mutada. ● Eumelanina (preto verdadeiro) ● Feomelanina (pigmento avermelhado) A Tirosina é um aa não essencial porque é formada a partir da fenilalanina. O processo de formação de melanina acontece nos melanócitos através principalmente da tirosinase. LIPOFUSCINA Pigmento de desgaste, pigmento do envelhecimento e ceroide, a lipofuscina (do grego fuscus = marrom) é um marcador biológico de envelhecimento celular. A lipofuscina aparece como grânulos intracitoplasmáticos, pardo-amarelados, autofluorescentes e PAS- positivos. Proteínas glicadas, com ligações cruzadas entre as moléculas, fosfolipídeos, ácidos graxos, colesterol e metais. Obs.: Pigmento amarronzado que se forma a partir do envelhecimento celular, é pigmento endógeno, se forma em um processo fisiológico, mas pode ser patológico também. As células durante o processo de vida apresentam degradação de organelas e renovação celular (isso acontece no lisossomo), mas o restos de degradação que não são solúveis ficam acumulados por meio de ligações químicas cruzadas. Pigmentos Exógenos ANTRACOSE E SIDEROSE ● Encontrada em trabalhadores de minas de carvão ou fumantes e em praticamente todo o indivíduo adulto morador nas grandes ou médias cidades onde exista certo grau de poluição atmosférica. ● Acúmulo progressivo do pigmento produz coloração negra nas partes afetadas, em forma de manchas irregulares no parênquima dos pulmões, na pleura e nos linfonodos do hilo pulmonar. ARGIROSE A deposição de sais de prata em tecidos; quando se deposita nos olhos, é conhecida como argirose. A causa: impregnação mecânica da pele por partículas de prata em indivíduos que trabalham com esse metal e, raramente, uso de brincos. Outras fontes de argiria são tratamento odontológico com amálgama (mistura metálica de mercúrio e prata) TATUAGEM Corantes orgânicos (tinta da china, negro de fumo ou fuligem, carmim), sais de metais e solventes à base de água e ácool. Os elementos mais identificados nas tintas são óxido de ferro, carbono, cobalto, crômio, cobre, cádmio, mercúrio, alumínio, titânio e corantes azoaromáticos. Macrófagos ficam cheios do pigmento.