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avaliação triangulação

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DO TESTE EXATO DE FISHER NO PROGRAMA CUIDAR 
Para análise dos dados do Programa Cuidar, quando necessário, utilizou-se o teste Exato 
de Fisher para determinar se os dois grupos – por exemplo, os alunos com e os sem 
intervenção – diferiam na proporção em que se enquadravam nas duas classificações. 
Esta é uma técnica não-paramétrica extremamente útil para se analisar dados 
discretos(nominais ou ordinais), quando o tamanho das duas amostras independentes é 
pequeno. É utilizada quando os escores das duas amostras aleatórias independentes se 
enquadram todos em uma ou outra de duas classes mutuamente exclusivas (Siegel,1975). 
 
O passo seguinte na avaliação do Programa Cuidar foi a aplicação do Teste t e 
a Análise de Variância (Anova) para verificar diferenças estatisticamente 
significativas nas variáveis quantitativas e qualitativas ordinais. 
O Teste t é uma técnica usada para comparar duas médias amostrais e para 
verificar se as mesmas são estatisticamente diferentes (Berquó et al., 1981; 
Larson, 1982). Por exemplo, usa-se esta técnica para se distinguir, entre dois 
estabelecimentos de ensino, o que dispõe de professores mais qualificados. 
Para mensurar o grau de qualificação dos professores, aplica-se um 
questionário com questões intervalares de 5 pontos. A escola A obtém média 
geral de 2,85 e a escola B a média de 3,45. Conclui-se que a escola B tem 
professores mais qualificados que a escola A. O Teste t visa a comprovar se tal 
 
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diferença é significativa e a explicar se as diferenças entre as médias são 
devidas ou não a erro amostral. 
A análise de variância (ANOVA) visa a verificar se existe diferença significativa 
entre as médias oriundas de grupos diferentes e se existem fatores que 
influenciam os resultados observados na variável dependente. Tais fatores 
podem ser de origem qualitativa ou quantitativa, mas a variável que explicará o 
fenômeno necessariamente deverá ser contínua. Trata-se de um teste bastante 
difundido em softwares estatísticos e planilhas eletrônicas. Esta técnica é 
indicada quando se deseja comparar três ou mais médias amostrais, para se 
evidenciar se as mesmas são estatisticamente diferentes. Dentre os 
procedimentos necessários para se calcular a Anova, há o cálculo da variância 
dentro dos grupos (variância intragrupos) e o cálculo da variância entre os 
grupos (variância entre-grupos) das médias de grupos diferentes. Em uma 
ANOVA, calculam-se esses dois componentes. Se a variância calculada usando 
a média (entre os grupos) for maior do que a calculada usando dados 
pertencentes a cada grupo individual (dentro dos grupos), pode-se indicar que 
existe uma diferença significativa entre os grupos. 
Outro... 
TÉCNICAS DE ANÁLISE UTILIZADAS NO PROGRAMA CUIDAR 
Na análise do Cuidar, ao calcular a ANOVA, usou-se o teste de Scheffé, buscando-se 
identificar que médias apresentavam, duas a duas, diferenças estatisticamente 
significativas (Berquó et al., 1981; Bussab, 1986; Larson, 1982). 
Além dos tipos de técnica utilizadas para se observar os efeitos do Cuidar, trabalhou-se 
também com análise de correspondência, com objetivo de refinar o instrumento de coleta 
(questionário), a cada etapa do estudo e, também, para melhor compreensão dos cinco 
eixos de intervenção propostos pelo Programa. Essa análise permitiu conhecer as relações 
entre as categorias (respostas) das variáveis estudadas. É uma técnica multivariada para 
examinar relações geométricas do cruzamento de variáveis categóricas. Ela analisa a 
distribuição de massa (as freqüências marginais de uma tabela de contingência) de um 
conjunto de observações e verifica se tal distribuição é uniforme. No caso do Cuidar, essa 
análise visou identificar, para cada um dos eixos do estudo, as relações existentes entre as 
múltiplas categorias (respostas) das múltiplas variáveis que os compunham. 
Finalmente, para a análise quantitativa do mesmo Programa, foi realizada a análise fatorial, 
que estuda a estrutura de interdependência entre variáveis. Utilizou-se tal técnica nas duas 
 
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primeiras fases da pesquisa para se avaliar seu poder de explicação das variáveis que 
constituíram os indicadores construídos pela equipe de avaliação logo na preparação da 
pesquisa. Seu uso permitiu gerar uma estrutura de ponderação que se manteve 
semelhante nas fases mencionadas, indicando que a maioria dos indicadores possuía 
elevado poder explicativo e consistência interna. 
 
6.2.3. Triangulação entre achados qualitativos e quantitativos 
A estratégia de triangulação posta em prática na análise e interpretação de 
dados da pesquisa avaliativa sobre o Programa Cuidar, tanto em seu 
planejamento quanto na etapa final estabeleceu, permanentemente, um diálogo 
entre as abordagens qualitativa e quantitativa, respeitando os momentos em 
que, tecnicamente, as elaborações são absolutamente distintas. Esperava-se 
uma avaliação da extensão das mudanças ocorridas como frutos do processo de 
intervenção e as percepções e representações dessas transformações por parte 
dos diferentes atores. 
Ao longo do processo avaliativo, as duas abordagens ocorreram 
concomitantemente e em interação, a não ser na etapa de implementação do 
Programa, na qual predominou a visão qualitativa. A experiência narrada neste 
livro e a reflexão teórica sobre ela mostra que é preciso uma disposição 
conceitual e prática para olhar os achados sob diferentes óticas. Ou seja, como 
lembra Goldim (2000), a utilização de diferentes métodos para se estudar um 
mesmo problema, necessariamente, não tem como resultado sua integração. 
Conflitos e tensões entre conclusões sobre dados, produzidos por óticas 
diferentes, ocorrerão mesmo quando se procura, intencionalmente, atuar 
conjuntamente. 
Entretanto, a possibilidade de complementaridade na riqueza de interpretações 
faz que valha a pena superar tensões entre as abordagens. Assim, quando se 
comparam resultados a partir dos indicadores, é de fundamental importância que 
se olhe tanto para a extensão do que foi alcançado quanto para o sentido que 
isso traz para a vida individual, grupal e institucional das pessoas. A 
 
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consecução, muito freqüente, de resultados semelhantes retratados em 
indicadores, aplicando-se as duas abordagens, aumenta a consistência das 
conclusões. Acrescente-se a este aspecto o fato de que, em determinados 
momentos da avaliação, um indicador analisado à luz de uma abordagem pode 
melhor iluminar os resultados obtidos do que se eles forem vistos apenas sob 
uma perspectiva. 
Modelito 
TRIANGULAÇÃO DE ABORDAGENS METODOLÓGICAS NO PROGRAMA CUIDAR 
Na triangulação de abordagens metodológicas, trabalhou-se também, na análise de dados 
de avaliação do Cuidar, com a triangulação de fontes e de pesquisadores. Isso ocorreu na 
medida que, o processo interpretativo tinha presentes as visões de diferentes categorias 
de atores (alunos, docentes, gestores, patrocinadores, formuladores). E também, na 
mesma medida, se exercitava uma avaliação interdisciplinar assegurada pelas diferentes 
formações profissionais da equipe formada por cientistas sociais, educadores, 
epidemiologistas, estatísticos, médicos e psicólogos. 
No processo de análise houve três tipos de situações vivenciadas em decorrência da 
experiência de triangulação: (a) as duas distintas formas de analisar se reforçaram 
mutuamente nas suas descobertas; (b) a análise qualitativa auxiliou na discussão dos 
dados quantitativos e (c) uma perspectiva analítica, num determinado momento, foi mais 
potente do que outra para avaliar os resultados. Ao longo da avaliação, observou-se que, 
na maioria das vezes, as perspectivas se interfertilizaram. 
Pode-se exemplificar a primeira situação com as modificações observadas, tanto na visão 
dos alunos quanto na dos professores, em relação às dimensões relacionadas à auto-
imagem, auto-estima, autoconfiança e às metas e realizações de projetos. Do ponto de 
vista quantitativo, alunos e professores