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Convenções contábeis
Juliani Karsten Alves
Introdução
Além de técnicas utilizadas na realização dos serviços de natureza contábil, a ciência contábil também faz uso de
um tipo específico de raciocínio para que os profissionais exerçam a profissão de forma adequada. Esse
raciocínio contábil traz preceitos para que todos os profissionais contadores adotem posturas e comportamento
homogêneo. Para obter esse resultado, há as Normas Brasileiras de Contabilidade e Pronunciamentos Contábeis,
os Postulados, Princípios e Convenções.
Você sabe definir o que são as convenções para a contabilidade? Quais são e qual seu conteúdo? Quais exigências
que elas trazem para o profissional contábil?
Ao final desta aula, você será capaz de:
• classificar as convenções contábeis identificando como normas ou restrições aos princípios de 
contabilidade. 
O raciocínio contábil
A contabilidade é uma ciência social aplicada que estuda o patrimônio das entidades. Para que ocorra a correta
aplicação desse ramo do conhecimento, são emitidos Normas e Pronunciamentos que deixam claro como devem
ser realizados os procedimentos contábeis. Além de questões técnicas, também há o raciocínio contábil, que
contam com Postulados, Princípios e Convenções.
Segundo Iudicibus, as “convenções contábeis delimitam ou qualificam melhor o tipo de comportamento
necessário do contador em face dos amplos graus de liberdade que os postulados e princípios lhe permitem
(2015, p. 57).” De tal modo, os postulados e princípios trazem definições para o raciocínio contábil, mas as
convenções vêm para complementá-los, tendo como foco o comportamento esperado e exigido do profissional.
Atualmente, há um rol de convenções contábeis, como exposto na figura Convenções do raciocínio contábil.
•
FIQUE ATENTO
O entendimento trazido pelas convenções contábeis complementa e restringe o que já foi
trazido nos postulados e princípios. Consequentemente, essas convenções jamais trarão
exigências que estejam em desacordo aos postulados e princípios, que são hierarquicamente
superiores.
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Figura 1 - Convenções do raciocínio contábil
Fonte: Elaborada pelo autor, 2018
Vamos estudar cada uma dessas convenções, expostas na figura “as convenções do raciocínio contábil”?
Convenção da Objetividade
A Convenção da Objetividade trata da necessidade de o profissional ser objetivo na realização da contabilidade.
Ele deve ser direto, externo à consciência, imparcial, independente de suas crenças individuais. Essa convenção
vem a exigir do contador objetividade no seu raciocínio, ou seja, ele necessita fazer uso das técnicas contábeis
considerando documentos fidedignos e adequada base de mensuração, deixando de lado questões pessoais
(IUDICIBUS, 2015).
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Figura 2 - Alcance de metas
Fonte: Oliver Le Moal, Shutterstock, 2018.
Iudicibus cita exemplos de consequências dessa objetividade:
mensurações impessoais ou que existem fora da mente da pessoa que as está realizando;
mensurações baseadas no consenso de experts qualificados;
mensurações baseadas em evidência verificável;
valor da dispersão estatística das mensurações de um atributo quando realizadas por vários
pesquisadores (IUDICIBUS, 2015, p. 58).
O contador, ao realizar suas atividades profissionais, deve separar suas opiniões, crenças e questões pessoais,
adotando o comportamento mais profissional possível no exercício da profissão.
Além disso, se deparar-se com alguma dúvida ou incerteza, deve buscar experts qualificados na área para o
auxiliarem a adotar o procedimento mais adequado naquela situação em que a norma não for clara.
O profissional contábil também deve estar atento às comprovações dos serviços por ele realizados, para que
possa ser verificado pelos demais profissionais ou usuários. Isso envolve tanto os documentos comprobatórios
dos registros contábeis, como também evidências coletadas para realização de determinado procedimento em
SAIBA MAIS
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) é o órgão que organiza e normatiza a classe
contábil, realizando o registro dos profissionais, a fiscalização do exercício profissional, a
edição de resoluções e normas. É a ele que o contador pode recorrer no caso de dúvidas que
surjam durante o exercício profissional. Acesse o site desse órgão e saiba mais sobre ele.
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dos registros contábeis, como também evidências coletadas para realização de determinado procedimento em
detrimento a outro. Portanto, é uma característica fundamental para o contador a objetividade em todas as
funções profissionais que exercer.
Convenção da Materialidade (relevância)
A Convenção da Materialidade, ou relevância, contribui para o raciocínio com a indicação de que as informações
contábeis devem ser produzidas considerando o que é material, ou seja, relevante. O profissional contábil não
deve deixar de lado dados ou informações, mas ponderá-los, considerando o que possui utilidade ou não
(GRECO, 2013).
Essa convenção exige do contador uma avaliação criteriosa sobre o item que está sendo considerado, se é
material ou não.
Uma questão muito importante, nesse sentido, é a repercussão que esse item possui nas demonstrações
contábeis e na informação que será produzida. Um item possui relevância quando afeta a informação contábil,
fazendo com que o usuário desta tome uma decisão diferente do que a que tomaria se não ocorre essa influência.
Neste caso, o item deve ser considerado material e importante para a contabilidade.
Convenção do Conservadorismo (prudência)
A Convenção Conservadorismo traz para a contabilidade o entendimento de que o profissional deve manter um
raciocínio prudente. O sentido do termo é referente à cautela, sensatez e se aplica principalmente para os itens
patrimoniais (GRECO, 2013).
O contador deve considerar os itens patrimoniais do Ativo, ou seja, os bens e direitos, pelo menor valor, dentre
valores igualmente aceitos. E os itens patrimoniais do Passivo, ou seja, as obrigações com terceiros, devem ser
considerados pelo maior valor.
Consequentemente, assim tendemos a evitar que bens e direitos sejam superavaliados e obrigações sejam
subavaliadas.
EXEMPLO
Uma indústria possui um bebedor com água disponível para os funcionários, mas não
consegue determinar qual quantidade de água é consumida pelos funcionários para saber se
há algum departamento que consome mais que outro, e assim alocar de forma diferente os
custos. Considerando que essa conta é de R$ 50,00, é relevante para fazer esse cálculo instalar
um sistema que custa R$ 150,00 mensalmente para realizar esse controle?
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Figura 3 - O cuidado do profissional contábil
Fonte: Palto, Shutterstock, 2018.
O profissional contábil tem uma obrigação muito importante sobre o controle patrimonial. O reconhecimento,
mensuração e evidenciação de itens influencia diretamente no planejamento e análises da empresa, tanto
realizadas por usuários internos, como os administradores, como também por usuários externos, como
investidores.
Valores equivocados de bens e direitos podem levar a entidade a acreditar que possui uma capacidade de pagar
suas dívidas diferente da realidade. Da mesma forma, valores equivocados para as obrigações podem levar a
entidade a planejar os pagamentos de forma equivocada, ou contrair dívidas sem considerar que não conseguiria
arcar com as que já possui.
Convenção da Consistência (uniformidade)
A Convenção da Consistência, ou uniformidade, traz para o raciocínio contábil a necessidade de que ele seja
consistente (GRECO, 2013). Ou seja, que o profissional contábil opte pelo uso de técnicas e critérios por motivos
adequados. Ele deve seguir praticando o mesmo ao longo dos períodos, exceto no caso de surgir algum motivo
para modificar aquela técnica ou critério.
Assim, cobra-se que a contabilidade seja padronizada, possibilitando, por exemplo, análises da evolução da
empresa ao longo dos anos, já que se tem os períodos adotando os mesmos critérios.
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Essa convenção, combinada com a materialidade, traz ao profissional contábil a determinaçãode relatar ao
usuário da informação se os critérios forem modificados. Desta forma, ele pode ficar atento a modificações
ocorridas, por exemplo, na avaliação de ativos.
Tanto consistência como materialidade unem-se para obrigar a empresa ou o auditor a evidenciarem
a mudança de critério, porque, primeiramente, representa uma mudança (consistência) e, em
segundo lugar, já que material, a diferença que a mudança provocou nos resultados, quando
comparados com os obtidos se tivéssemos continuado a usar o critério antigo, pode tornar
enganosos, para os usuários, os demonstrativos contábeis, se não for evidenciada (IUDICIBUS, 2015,
p. 65).
Portanto, percebemos que cada uma das convenções traz uma exigência diferente para o raciocínio contábil a ser
aplicado pelo profissional da contabilidade, como exposto na tabela Conteúdo das convenções contábeis.
Figura 4 - Conteúdo das convenções contábeis
Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
É importante sempre perceber que essas exigências trazidas pelas convenções afetam diretamente a informação
que é produzida pela contabilidade e, por consequência, afetarão o usuário que fizer uso dessas para a tomada
de decisões.
Assim, reforça-se a necessidade de que o profissional contábil sempre, da melhor forma possível, evidencie as
várias peças contábeis considerando as exigências trazidas pelas convenções e faço uso das notas explicativas
para esclarecer o que for necessário.
FIQUE ATENTO
Segundo Iudicibus (2015), a Convenção da Consistência é considerada a mais importante para
a Contabilidade, tendo em vista a sua influência na informação produzida pelo contador. É
essencial que o profissional adote um comportamento que esteja de acordo com a exigência
trazida por ela: uniforme.
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Fechamento
Para fazer bom uso das técnicas, o profissional deve compreender e aplicar o raciocínio contábil nas suas
atividades. Nesse sentido, há os Postulados, Princípios e Convenções. Especificamente, as convenções contábeis
existem para delimitar e qualificar o comportamento a ser exigido do profissional. Elas exigem do contador uma
postura objetiva, prudente e consistente, além de estar atento ao que é material ou não. O profissional deve
sempre observar que seu comportamento afeta diretamente as demonstrações contábeis, as informações nelas
divulgadas e as decisões dos usuários.
Referências
CFC. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Portal. Disponível em: < >. Acesso em: 2 out.https://cfc.org.br/
2018.
GRECO, A. - Teoria e Prática Básicas. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.Contabilidade 
IUDÍCIBUS, S. de. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Teoria da contabilidade. 
https://cfc.org.br/
	Introdução
	O raciocínio contábil
	Convenção da Objetividade
	Convenção da Materialidade (relevância)
	Convenção do Conservadorismo (prudência)
	Convenção da Consistência (uniformidade)
	Fechamento
	Referências

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