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de métodos contraceptivos e a favor
da família numerosa.
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Os militares haviam lançado o Programa Estratégico de Desenvolvimento (1969-1970) e viam
na alta taxa de natalidade a possibilidade de ocupar os vazios demográficos nacionais,
sobretudo a Amazônia brasileira.
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Os movimentos de esquerda criticavam o controle de natalidade, percebido como uma forma de
frear o crescimento do Terceiro Mundo.
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As feministas eram contra qualquer tipo de interferência na decisão das mulheres em ter ou não
ter filhos.
Esse debate foi superado pela redução natural das taxas de natalidade no final da década de
1970 e início da de 1980. Essa redução começou a partir do desenvolvimento do país, do
aumento da escolaridade da população, e da urbanização.
Ao defender que as altas taxas de natalidade eram necessárias para o país ocupar seus vazios
demográficos, os militares brasileiros não estavam negando nem o tamanho da população
brasileira nem o potencial de crescimento. Estavam afirmando que a população brasileira era
mal distribuída no território nacional.
O objetivo era estimular os fluxos migratórios do Nordeste para outras regiões, sobretudo a
região Norte. Dentro desse contexto, o Brasil era considerado um país populoso, porém, mal
povoado, pois grande parte de sua população estava, e continua, concentrada na faixa
litorânea, enquanto no interior e na região Norte existiam os vazios demográficos, sobretudo na
faixa de fronteira.
 Brasil: Densidade Demográfica - 1960. (Fonte: IBGE –
Publicação Brasil em Síntese, 2018. Disponível em
https://goo.gl/1F6aZX <https://goo.gl/1F6aZX> .
Acesso em: 28 mar. 2018)
China
A China, na década de 1970, já possuía a maior população do planeta, com 818,3 milhões de
indivíduos. Essa população também estava mal distribuída sobre o território chinês. Apesar de
possuir uma grande população rural, a maior parte dos chineses concentrava-se na região Leste
do país, devido a fatores históricos e econômicos, mas também, devido a fatores naturais, pois
as porções Oeste e Norte da China são formadas por desertos ou grandes cadeias de
montanhas.
https://goo.gl/1F6aZX
 Diferença de densidade populacional entre o Leste e o Oeste da China - início da década de 1980. (Fonte:
https://goo.gl/4wRz3W <https://goo.gl/4wRz3W> . Acesso em: 28 mar. 2018)
O tamanho da população chinesa só passou a ser considerado um problema que deveria ser
foco de uma política pública no final da década de 1970.
Até então, dentro do contexto da Guerra Fria e da Revolução Cultural Chinesa, que durou de
1966 a 1969, a grande população chinesa era considerada um fator estratégico.
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Saiba mais
O líder da Revolução Chinesa, Mao Tsé-Tung, proclamava que uma população grande era
melhor do que uma bomba atômica. De fato, no início da Revolução Comunista Chinesa,
em 1949, a população desse país era de 544 milhões de pessoas. Quando Mao Tsé-Tung
faleceu, em 1976, a população chinesa havia saltado para 1 bilhão de pessoas e, em um
momento de crescimento do ideário neomalthusiano, a alta taxa de fecundidade das
chinesas, de quase 6 filhos por mulher, foi percebida como um grande problema nacional,
merecedor de uma política pública populacional.
Há, mesmo atualmente, outros países que defendem que a população tem importância
estratégica e é um recurso necessário para a manutenção e defesa do Estado.
https://goo.gl/4wRz3W
Israel
Israel é um exemplo desse tipo de abordagem, que não está relacionado ao envelhecimento
populacional, mas sim, à diferença entre as taxas de natalidade da população judaico-israelense
e as populações árabes-israelenses e palestinas.
 
O Estado de Israel teme o que ficou conhecido como a “Bomba Demográfica Árabe”, ou seja, as
taxas de natalidade das populações árabes do Estado de Israel e dos territórios de Gaza e
Cisjordânia é superior a dos judeus do Estado de Israel.
 
Em 1948, ano de fundação do Estado de Israel, o percentual da população árabe que decidiu
permanecer em Israel era de 12%. Atualmente, os árabes-israelenses são quase 25% da
população de Israel.
 População israelense (Fonte: Shutterstock)
Essa quantidade de pessoas que vive em territórios ocupados por Israel, Faixa de Gaza e
Cisjordânia, e que apresentam taxas de natalidade e de crescimento populacional mais altas do
que as dos árabes-israelenses, fará com que em 2020 a população árabe, árabes-israelitas e
palestinos seja maior do que a de judeus.
A taxa de crescimento populacional dos judeus é de 1,7% ao ano, muito abaixo da taxa dos
árabes que é de 2,5% dos árabes-israelenses, 2,2% entre os palestinos da Cisjordânia e 3,4%
na faixa de Gaza.
Com base nesse cenário, Israel colocou em prática varias políticas de incentivo à natalidade
para estimular que as mulheres judias aumentem a taxa de fecundidade do país e propiciem um
crescimento populacional maior do que o atual.
Políticas populacionais no mundo
Existe uma diferença entre o controle de natalidade e o planejamento familiar. Esse último, está
ligado diretamente ao processo decisório do casal ou da mulher. Ou seja, com base em
informações sobre os custos de formação de um filho, que inclui investimentos em educação,
saúde, nutrição, entre outros, os casais decidem quantos filhos desejam ter.
▶
Os impactos do número de filhos nas carreiras dos pais também é um fator determinante na
decisão sobre número de filhos. O acesso à informação sobre métodos anticoncepcionais
também faz com que os casais tenham a possibilidade de decidir sobre a quantidade de filhos
que desejam ter. Isso é o planejamento familiar.
▶
Ao contrário do planejamento familiar, o controle de natalidade é uma política demográfica
imposta a uma população pelo governo com o objetivo de diminuir a taxa de fecundidade da
mulher e, consequentemente, a taxa de natalidade da população e o crescimento populacional.
O caso chinês
O caso mais conhecido é o da China, que no final da década de 1970 iniciou a política do Filho
Único. Em 1976, a população chinesa era de 1 bilhão de pessoas com uma taxa de fecundidade
de 6 filhos por mulher em idade fértil.
A China ganhava 30 milhões de novos habitantes por ano. A política do filho único buscava
conter esse forte crescimento populacional, considerado um problema para o desenvolvimento
econômico e social do país.
A combinação de uma população tão grande, com uma taxa de crescimento demográfico muito
elevada e com um nível de pobreza também elevado, como era a China em 1970, seria um
problema para um país que visava um forte crescimento industrial, econômico e social.
 População chinesa (Fonte: Shutterstock)

Leitura
Leia sobre a política “Mais Tarde, Mais Tempo e em Menor Número
<galeria/aula5/anexo/mais_tarde_mais_tempo_menor_numero.pdf> ”.
Como foi implementada a Política do Filho
Único na China?
A partir de 1979, o governo chinês começou uma grande campanha de divulgação do novo
padrão de família, considerado ideal para o crescimento econômico e social do país - famílias
com um único filho.
 Propaganda do Governo Chinês da Política do Filho Único.
file:///W:/2018.2/geografia_da_populacao__GON944/galeria/aula5/anexo/mais_tarde_mais_tempo_menor_numero.pdf
 Propaganda do Governo Chinês da Política do Filho Único.

Comentário
Na tradicional família chinesa, cabe ao homem cuidar dos pais idosos quando esses não
conseguem mais se sustentar. Dessa forma, a mulher fica encarregada de cuidar dos
sogros e não dos próprios pais. A consequência imediata da Política do Filho Único foi o
aumento do número de nascimentos de meninos em detrimento das meninas, causando
desequilíbrio entre os sexos. Na área rural, a situação é mais grave, pois a necessidade dos
cuidados com os idosos é maior. Com isso, houve o aumento do número de assassinatos de
bebês do sexo feminino pela própria família, temorosa de não ter como sobreviver no
futuro.
O governo chinês instituiu pesadas multas para as famílias que descumprissem as regras da
política do filho único. Dessa forma, houve inúmeros casos de subnotificação do segundo
nascimento, além de abortamentos

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