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IESC I

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Basicamente temos que refletir sobre conceitos básicos, para entender todo o 
processo da necessidade de um cuidado aos indivíduos. Resta, portanto, questionamentos, 
do que vamos cuidar? Afinal, o que é saúde? e o que é doença? Parece bobeira perguntar, 
porém, esses conceitos mudaram com o tempo até chegar no que sabemos hoje, e neste 
tópico, irei abordar isso. 
 
Na Antiguidade, os povos entendiam a doença como um castigo divino, ou até 
mesmo espíritos sobrenaturais. As relações com o mundo natural se baseavam em uma 
cosmologia que envolvia deuses e espíritos bons e maus, e a religião, nesse caso, era o 
ponto de partida para a compreensão do mundo e de como organizar o cuidado. 
 
 
 Alguns autores consideram esse modelo incluso no anterior já citado. Mas de forma 
distinta ele aborda a medicina hindu e chinesa, também na Antiguidade, traziam uma nova 
forma de compreensão da doença. E basicamente a noção de que a saúde é um equilíbrio, 
foi o que deu origem a esta divisão, associando a ideia de “proporção justa ou 
adequada” com a saúde e a doença. 
A medicina holística teve grandes contribuições de Alcmeon (século V a.C.), para 
quem o equilíbrio implicava duas forças ou fatores na etiologia da doença. Esse filósofo 
partilhava as ideias de Heráclito, para quem os opostos podiam existir em equilíbrio 
dinâmico ou sucedendo-se uns aos outros (Herzlich, 2004). A causa do desequilíbrio estava 
relacionada ao ambiente físico, tais como: os astros, o clima, os insetos etc. 
 
Hipócrates postulou a existência dos humores (bile amarela, bile negra, fleuma e 
sangue) para explicar o desequilíbrio a que o homem estava sujeito. Porém, a explicação 
empírico-racional tem seus primórdios no Egito (3000 a.C.). A tentativa dos primeiros 
Étic� n� prátic� médic�  
Conceit� d� saúd�  
Model� mágic�-religi�� o� xamanístic�  
Curiosidade adicional 
 Asclépio, ou Esculápio, era tido como o deus da Saúde e tinha como filhas Panaceia e 
Higeia. A primeira era considerada a deusa da cura e a ela se atribui o modo individual 
da medicina clínica. A segunda era considerada a deusa da harmonia dos homens com 
o ambiente, e de seu nome deriva-se o conceito de higiene. À deusa Higeia é atribuído o 
caráter de prevenção das doenças e a ideia de saúde coletiva. Entre os mais famosos 
higeus, ou seguidores de Higeia, destaca-se Hipócrates com seu tratado sobre os ares, 
as águas e os lugares (CASTRO; ANDRADE; MULLER, 2006). 
 Platão, Aristóteles e Demócrito acreditavam que o homem era formado pelo corpo e 
pela alma e que, desse modo, a relação com o meio afetava o seu estado de saúde. 
Model� holístic�  
Model� empíric�-raciona� (hipocrátic�)  
filósofos (século VI a.C.) era encontrar explicações não sobrenaturais para as origens do 
universo e da vida, bem como para a saúde e a doença. 
 
 
O saber clínico, racionalizado e experimental, trouxe uma nova forma de 
compreender a saúde. Assim, o modelo biomédico tem como abordagem a patogenia e a 
terapêutica, classificando as doenças segundo forma e agente patogênico, sendo 
predominante na atualidade, e tem suas raízes vinculadas ao contexto do Renascimento e 
de toda a Revolução Artístico-Cultural, que ocorreram a partir do século XVI. 
 
- Descartes propôs que o corpo e a mente deveriam ser estudados de forma 
separada , sendo o corpo analisado pela medicina e a mente estudada pela religião e 
pela filosofia. 
 
 
E aqui os indivíduos começam a finalmente entender que a doença seria um 
desajuste nos mecanismo de funcionamento do corpo. O modelo biomédico focou-se, cada 
vez mais, na explicação da doença e passou a tratar o corpo em partes cada vez menores, 
reduzindo a saúde a um funcionamento mecânico. Assim, surgindo a influências dos 
famosos Pasteur e Virchow em seus trabalhos com microorganismos. 
O homem é visto como corpo-máquina; o médico, como mecânico; e a doença, o 
defeito da máquina. A percepção do homem como máquina é datada historicamente com o 
advento do capitalismo. Foi também no Renascimento que a explicação para as doenças 
Model� d� medicin� científic� ocidenta� (biomédic�)  
Curiosidade adicional 
O Método de Descartes definiu as regras que constituem os fundamentos do seu 
enfoque sobre o conhecimento: 
- não se deve aceitar como verdade nada que não possa ser identificado como tal; 
- separar cada dificuldade a ser examinada em tantas partes quanto sejam 
possíveis e que sejam requeridas para solucioná-las; 
- condução do pensamento de forma ordenada, partindo do simples ao mais 
complexo; 
- necessidade de efetuar uma revisão exaustiva dos diversos componentes de um 
argumento. 
começou a ser relacionada às situações ambientais; a causa das doenças passava a estar 
num fator externo ao organismo, e o homem era o receptor da doença. 
Outra teoria que surgiu foi a teoria dos miasmas , que foi a primeira proposta de 
explicação, dentro dos parâmetros da ciência , da associação entre o surgimento de 
epidemias e as condições do ambiente. Em suma, os miasmas seriam gases decorrentes 
da putrefação da matéria orgânica que produziam doenças quando absorvidos pelos 
seres vivos. E desta ideia, que parece simplória, surge a teoria microbiana que dizia que 
cada doença teria por agente causal um organismo específico, que poderia ser identificado, 
isolado e ter suas características estudadas. 
O cuidado, na concepção biomédica, está focado, segundo Foucault (1979), no 
controle do espaço social, no controle dos corpos. 
 
Na década de 1970 começou a ganhar força a concepção de saúde como um 
processo sistêmico que parte do conceito de sistema , que é entendido como “um conjunto 
de elementos, de tal forma relacionados, que uma mudança no estado de qualquer 
elemento provoca mudança no estado dos demais elementos” 
Sendo assim, a ideia era incorporar o conceito com um todo, de contribuição de 
diferentes elementos do ecossistema no processo saúde-doença, sendo contrária à visão 
unidimensional e fragmentária do modelo biomédico. Segundo essa concepção, a estrutura 
geral de um problema de saúde é entendida