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Apostila de Enfermagem (Aeronáutica SEF). Aborda: urgência e emergência (suporte básico e avançado, RCP, triagem), vigilância epidemiológica (diversas doenças), biossegurança, administração de medicamentos, saúde mental, IST, imunização, deontologia, atenção pública, SUS, materno‑infantil e neonatologia.

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Aeronáutica 
SEF - Enfermagem 
 
 
2.4.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 2.4.1.1 Suporte Básico de 
Vida. Suporte Avançado de Vida. Diretrizes para RCP. Triagem. Principais emergência médicas .......... 1 
2.4.2 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGIA 2.4.2.1 Influenza. Rubéola. Sarampo. Síndrome da Rubéola 
Congênita. Coqueluche. Difteria. Parotidite. Infecciosa. Poliomielite. Tétano Acidental. Tétano Neonatal. 
Varicela. Herpes Zoster. Botulismo. Cólera. Doenças Diarreicas Agudas. Febre Tifóide. Aids. Hepatites 
Virais. Sífilis Congênita. Sífilis em Gestantes. Hanseníase. Tuberculose. Tratamento Diretamente 
Observado da Tuberculose. Coleta de Material Biológico na Tuberculose. Leptospirose. Dengue. Febre 
Amarela. Doença de Chagas. Malária. Peste. Tracoma. Leishmaniose Tegumentar Americana. 
Leishmaniose Visceral. Febre Maculosa. Meningites. Raiva. Acidentes por Animais Peçonhentos e 
Assistência de Enfermagem. Rotavírus. Notificação Compulsória de Doenças. Portaria GM/MS nº 
204/2016 ............................................................................................................................................... 34 
2.4.3 BIOSSEGURANÇA HOSPITALAR 2.4.3.1 Prevenção de Acidentes Hospitalares. Exposição à 
Material Biológico e Protocolos. Acidentes com materiais biológicos. Profilaxia pós exposição ao HIV. 
Controle de Infecção Hospitalar. Resíduos dos Serviços de Saúde. Norma Regulamentadora NR 32 . 87 
2.4.4 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS 2.4.4.1 Terapêutica medicamentosa. 
Noções de farmacoterapia. Farmacocinética. Farmacodinâmica. Principais Vias de Administração das 
Drogas. Drogas que atuam no sistema nervoso central, Autônomo, Cardiovascular, Digestório, 
Respiratório, Endócrino, Urinário. Cálculo e Diluição de Medicamentos. Interações Medicamentosas. 
Incompatibilidade entre Medicamentos. Antineoplásicos. Antimicrobianos. Drogas Vasoativas. 
Opióides ............................................................................................................................................... 155 
2.4.5 CONDUTAS DO TÉCNICO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE MENTAL 2.4.5.1 Intervenções, 
sinais e sintomas. Afecções Neurológicas. Doença de Parkinson. Portaria Ministério da Saúde SAS nº 
228 de 10 de maio de 2010. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson. 
Alzheimer. Esclerose Múltipla .............................................................................................................. 202 
2.4.6 INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS 2.4.6.1 Gonorréia, Uretrites, Condiloma 
Acuminado, Linfogranuloma venéreo, Cancro mole (prevenção) ......................................................... 246 
2.4.7 IMUNIZAÇÃO 2.4.7.1 Calendário Básico de Vacinação. Vacinas, acondicionamento. Cadeia de 
frio (conservação), dosagens, aplicação .............................................................................................. 257 
2.4.8 DEONTOLOGIA 2.4.8.1 Ética: Princípios Básicos De Ética. Regulamentação do Exercício 
Profissional de Enfermagem e Relações Humanas. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) - Código 
de Ética de Enfermagem – Lei nº. 7498 do exercício Profissional; Entidades de Classe. Parecer Câmara 
Técnica Coren- n°003/2017 2.4.9 ANOTAÇÃO DE ENFERMAGEM 2.4.9.1 Aspectos Éticos legais ... 301 
2.4.10 ENFERMAGEM EM SAÚDE PÚBLICA 2.4.10.1 Atenção Primária.Sistema de Saúde no 
Brasil.Programas de Saúde.Sistemas de Informação de Atenção Básica.Ministério da Saúde ........... 344 
2.4.11 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. 2.4.11.1 Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Lei nº 8.142, 
de 2 de dezembro de 1990. .................................................................................................................. 364 
 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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2.4.12 NORMA OPERACIONAL BÁSICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE2.4.12.1 NOB-SUS de 
1996. Norma Operacional da Assistência à Saúde/SUS - NOAS-SUS de 2002...... ............................ 391 
2.4.13 ENFERMAGEM EM SAÚDE DA MULHER. 2.4.13.1 Doença Hipertensiva Específica da 
Gravidez. Planejamento familiar, gestação (prénatal), vacinação da gestante parto e puerpério. Prevenção 
do câncer de colo de útero e mamas. Vacinação para HPV (Papiloma Vírus Humano) ...................... 435 
2.4.14 ENFERMAGEM MATERNO-INFANTIL. 2.4.14.1 Assistência de Enfermagem no Pré-Parto, 
Parto e Puerpério e nas Emergências Obstétricas e Assistência de Enfermagem em Pediatria; 
2.4.15 ENFERMAGEM EM NEONATOLOGIA. 2.4.15.1 Classificação do recém-nascido, assistência 
de enfermagem em sala de parto. Avaliação da vitalidade do recém-nascido. Cuidados no período inicial 
pós-parto. Peso, altura e medidas de perímetro do recém-nascido. Avaliação e cuidados iniciais do recém 
nascido. Teste do Pezinho. Doença Hemolítica do Recém-nascido. Icterícia fisiológica do Recém-
nascido.. .............................................................................................................................................. 477 
2.4.16 FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM. 2.4.16.1 Atenção à Saúde. Sinais Vitais. O paciente e 
suas necessidades básicas. Higiene do paciente. Medidas de conforto e segurança do paciente. 
Alimentação do paciente. Oxigênio. Traqueostomia. Tricotomia. Sondagens. Pressão Venosa Central. 
Lavagem intestinal. Colostomia. Preparo do corpo pós morte ............................................................. 523 
2.4.17 ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO. 2.4.17 Urgências Clínicas e Cirúrgicas. Tempos 
cirúrgicos ou operatórios. II Diretriz de Avaliação perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 
Métodos de Esterilização de Material. Portaria Interministerial n° 482 de 16 de abril de 1999. Cirurgia 
Segura. Programa de Controle de Infecção Hospitalar. Equipamentos básicos de uma sala de cirurgia. 
Posições do paciente na mesa cirúrgica. Anestesia. Paramentação cirúrgica. Sala de Recuperação pós 
anestésica (RPA). Assistência de enfermagem. Enfermagem em Central de Material. Instrumental 
Cirúrgico-Acondicionamento e cuidados. Instrumentos cirúrgicos ....................................................... 593 
2.4.18 DIABETES MELLITUS ......................................................................................................... 643 
2.4.19 7ª DIRETRIZ BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL-2017 ....................................... 650 
2.4.20 CHOQUE. 2.4.20.1 Tipos de Choque. Infarto Agudo do Miocárdio. Trombose Venosa Profunda. 
Tromboembolismo. Pulmonar. Doença Vascular Encefálica ................................................................ 720 
2.4.21 HEMOCOMPONENTES. 2.4.21.1 Guia para uso de Hemocomponentes. 2ªed. Ministério da 
Saúde. Brasília . 2015 ......................................................................................................................... 737 
2.4.22 SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS-DROGAS. 2.4.22.1 Dados Data SUS. Recomendações da 
Associação Médica Brasileira. Tipos de Drogas. Entorpecents. Opióides ........................................... 779 
 
 
 
 
 
 
Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concursopara auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br 
 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS 
 
Urgência 
 
Na urgência há uma situação que não pode ser adiada, que deve ser resolvida rapidamente, pois se 
houver demora, corre-se o risco até mesmo de morte. Na medicina, ocorrências de caráter urgente 
necessitam de tratamento médico e muitas vezes de cirurgia, contudo, possuem um caráter menos 
imediatista. Exemplos: contusões leves, entorses, hemorragia classe I, etc. 
 
Dispositivo da Resolução 1.451/1995 do Conselho Federal de Medicina: 
 
Artigo 1º − Os estabelecimentos de Prontos Socorros Públicos e Privados deverão ser estruturados 
para prestar atendimento a situações de urgência-emergência, devendo garantir todas as manobras de 
sustentação da vida e com condições de dar continuidade à assistência no local ou em outro nível de 
atendimento referenciado. 
Parágrafo Primeiro − Define-se por URGÊNCIA a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou 
sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. 
 
Emergência 
 
Na emergência temos uma situação crítica ou algo iminente, com ocorrência de perigo; incidente; 
imprevisto. No âmbito da medicina, é a circunstância que exige uma cirurgia ou intervenção médica de 
imediato. O tempo gasto entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento deve 
ser o mais curto possível. Exemplos: hemorragias de classe II, III e IV, etc. 
 
Dispositivo da Resolução n. 1.451/1995 do Conselho Federal de Medicina: 
 
Artigo 1º − Os estabelecimentos de Prontos Socorros Públicos e Privados deverão ser estruturados 
para prestar atendimento a situações de urgência-emergência, devendo garantir todas as manobras de 
sustentação da vida e com condições de dar continuidade à assistência no local ou em outro nível de 
atendimento referenciado. 
[...] 
Parágrafo Segundo − Define-se por EMERGÊNCIA a constatação médica de condições de agravo à 
saúde que impliquem risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico 
imediato. 
 
Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho 
 
No caso do paciente consciente: fique por traz do paciente e envolva a cintura da seguinte forma: 
coloque o polegar na barriga do paciente contra o abdômen do paciente na linha media comprima com o 
punho o abdômen do paciente, cada pressão deve ser separada e distinta. 
 
No caso do paciente inconsciente: posicioná-lo sobre as costas ajoelhar acalvagado pelas coxas do 
paciente voltado para a cabeça comprimir o abdome de forma rápida com o punho. 
Em caso de retirada com o dedo: abrir a boca do paciente segurando toda a sua língua introduzir o 
dedo indicador sobre a boca. 
 
 
2.4.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 2.4.1.1 
Suporte Básico de Vida. Suporte Avançado de Vida. Diretrizes para RCP. 
Triagem. Principais emergência médicas 
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Assistência em Hemorragias 
 
Externa: 
- Aplique compressão direta na veia do paciente; 
- Aplique curativo compressivo; 
- Eleve a parte lesada para interromper o sangramento; 
- Puncionar veia de grosso calibre para reposição de sangue e soro. 
 
Interna: 
- Administre sangue de acordo com a prescrição; 
- Monitorize as respostas hemodinâmicas do paciente; 
- Mantenha o paciente em posição supina até melhora do quadro; 
- Obtenha sangue arterial para monitorar gasometria, caso for procedimento cirúrgico imediatamente 
preparar para cirurgia não esquecer que antes da aplicação do sangue e plasma submeter o paciente a 
prova cruzada. 
 
Choque Hipovolêmico 
 
Em caso de choque hipovolêmico deve-se: 
- Proporcionar assistência ventilatória; 
- Restaurar o volume sanguíneo circulante; 
- Leituras contínuas de pressão arterial; 
- Mantenha a pressão sanguínea sistólica; 
- Mantenha a vigilância constante de enfermagem. Os pacientes de choque séptico devem ser 
mantidos frios, devido a febre alta. 
 
Ferimentos 
 
Nas hipóteses de ferimentos é necessário: 
- Retirar os pelos em torno do ferimento com exceção das sobrancelhas; 
- Limpar em torno da ferida com a solução indicada, pois limpando dentro a solução poderá ser nociva 
caso haja exposição de tecidos; 
- Ajudar o médico a limpar e desbridar o ferimento; 
- Auxiliar o médico na sutura; 
- Aplicar um curativo não aderente para proteger a ferida; 
- Administrar tratamento bacteriano de ataque prescrito; 
- Ministrar profilaxia contra tétano para proteger o paciente; 
- Orientar o paciente a contatar com o médico e procurar o serviço de saúde no caso de dor súbita 
persistente, febre, hemorragia ou sinais de mau cheiro, secreção ou vermelhidão em torno da ferida. 
 
Feridas Abdominais Penetrantes 
 
Nas hipóteses de feridas abdominais penetrantes é necessário: 
- Inspecionar o local para verificação de lesões penetrantes; 
- Auscultar verificando ausência ou presença de traumatismo; 
- Avaliar progressão da distensão abdominal, defesa reflexa, dor, rigidez muscular e hiperestesia de 
rebote, hiperestesia, e diminuição do peristaltismo intestinal; 
- Registrar todos os sinais físicos à medida que o paciente for examinado. 
 
Cuidados Emergenciais 
 
Nas hipóteses de cuidados emergenciais é necessário: 
- Restaurar as vias aéreas; 
- Manter o paciente na maca, já que o movimento pode causar fragmentação de um coágulo em um 
grande vaso e produzir hemorragia maciça; 
- Caso o paciente esteja comatoso, imobilizar o pescoço; 
- Retirar a roupa de cima do ferimento; 
- Contar o n° de ferimentos; 
- Localizar a entrada e saída dos ferimentos; 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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- Avaliar a presença de hemorragias; 
- Cobrir as vísceras exteriorizadas com curativos estéreis de soro fisiológico para prevenir o 
ressecamento das vísceras; 
- Controlar a hemorragia até que recupere e possa ser feita a cirurgia; 
- Aspirar conteúdos gástricos pois previne complicações pulmonares; 
- Introduzir cateter uretral para avaliar débito urinário e presença de hematúria; 
- Suspender ingestão de líquidos pela boca, prevenindo o aumento da peristalse e vômitos, no caso 
de ferimentos produzido por arma branca preparar para sinografia para detectar penetração peritoneal; 
- Administrar profilaxia contra tétano; 
- Administrar antibiótico de largo espectro prescrito; 
- Preparar o paciente para procedimento cirúrgico caso ocorra, hemorragia, ar sobre o diafragma, 
evisceração ou hematúria; 
 
Contusão Abdominal 
 
Em caso de contusão abdominal é necessário: 
- Iniciar método de ressuscitação; 
- Efetuar avaliação física constante; 
- Observar a presença de presença de hiperestesia, rigidez, espasmos, observe o aumento da 
distensão abdominal; ausculte ruídos peritoniais; monitorize frequente sinais vitais; 
- Avaliar complicações imediatas: como hemorragias, choques e lesões associadas; 
- Encaminhar solicitação de exames laboratoriais; 
- Encaminhar para exames radiográficos; 
- Colocar sonda nasogástrica para prevenir vômitos e consequentes aspirações de secreção; 
 
Esmagamentos 
 
Em caso de esmagamentos o controle do choque sistêmico constitui prioridade de tratamento; 
devendo-se: 
- Controlar o choque; 
- Observar a presença de comprometimento renal; 
- Imobilizar os grandes esmagamentos de parte mole; 
- Elevar as extremidades para aliviar a pressão dos líquidos extravasados; 
- Administrar medicações para dor e ansiedade prescritas, 
- Encaminhar a cirurgia, observar presença de choques; 
- Monitorar os sinais vitais do paciente; 
- Administrar plasma e sangue prescritos; 
 
TraumatismosMúltiplos 
 
Em caso de traumatismos múltiplos, deve-se: 
- Efetuar um exame físico simplificado, para determinar sangramento, parada respiratória, ou choque; 
- Iniciar ressuscitação; 
- Observar aspecto e assimetria da movimentação da parede torácica e padrão da respiração; 
- Ventilar o paciente prevenindo a hipóxia; 
- Introduzir cânula evitando orofaríngea evitando oclusão pela língua; 
- Avaliar a função cardíaca; 
- Puncionar veia calibrosa e iniciar administração de sangue, derivados e eletrólitos; 
- Controlar a hemorragia; 
- Prevenir e tratar o choque hipovolêmico; 
- Introduzir cateter uretral de demora, e monitorizar débito cardíaco; 
- Avaliar presença de traumatismo de pescoço; 
- Avaliar a presença de traumatismo de crânio; 
- Imobilizar fraturas evitando traumatismo maior de partes moles; 
- Preparar para laparotomia caso o paciente mostre sinais contínuos de hemorragias e piora; 
- Mobilizar a cada hora o débito urinário; 
- Administrar tratamento contra tétano. 
 
 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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Fraturas 
 
Em caso de fraturas, deve-se: 
- Dar imediata atenção ao estado geral do paciente; 
- Avaliar presença de dificuldades respiratórias; 
- Preparar para traqueostomia, caso necessário; 
- Administrar sangue e hemoderivados e eletrólitos, prescrito; 
- Manter controle de sinais vitais constantes; 
- Avaliar déficits neurológicos; 
- Administrar oxigenação prescrita; 
- Aplicar curativo estéril em fratura exposta; 
- Imobilizar antes de movimentar o paciente; 
- Avaliar sinais de choque e hemorragias; 
- Manusear a parte afetada o mínimo possível; 
- Transportar o paciente com segurança; 
- Administrar analgésicos prescritos. 
 
Emergências de Temperatura 
 
Podem levar à internação, causada por insuficiente mecanismo de regulação de calor. Aqui as pessoas 
de riscos são aquelas que não estão acostumadas com o calor excessivo. 
Para estes casos deve-se: 
- Remover a roupa do paciente; 
- Reduzir a temperatura central interna; 
- Usar lençóis frios; 
- Massagear o paciente promovendo a circulação e mantendo vasodilatação cutânea; 
- Colocar aparelho de ventilação para resfriar o paciente; 
- Monitorizar a temperatura do paciente de forma constante; 
- Monitorizar cuidadosamente sinais vitais; 
- Administrar oxigênio para suprir a as necessidades teciduais; 
- Iniciar infusão prescrita; 
- Medir o débito urinário a complicação da internação e a necrose tubular; 
- Administrar tratamento de suporte prescritos: diuréticos, anticonvulsivante, potássio para 
hipocalemia; 
- Continuar a monitorização com ECG; 
- Admitir o paciente em UTI, pois pode ocorrer lesão permanente do fígado; 
 
Lesões pelo Frio 
 
Essas lesões também são conhecidas eritema pernio, trata-se de um traumatismo recorrente a 
exposição à baixas temperaturas que provoca um verdadeiro congelamento dos líquidos teciduais, das 
células e dos espaços celulares. 
O que fazer nestes casos: 
- Não permitir que o paciente deambule, caso o eritema seja de extremidades; 
- Remover as roupas para evitar compressão; 
- Reaquecer as extremidades com calor rápido e controlado; 
- Administrar profilaxia contra o tétano; 
- Elevar a parte afetada para controlar o edema; 
- Efetuar exame físico e restaurar o equilíbrio hidroeletrolítico; 
- Proteger a parte aquecida e não estourar as bolhas que formarem; 
- Encorajar a mobilização. 
 
Hipotermia 
 
É um estado de temperatura interna de 35°, ou menos por exposição ao frio. 
O que fazer nestes casos: 
- Monitorar sinais vitais; 
- Monitorar temperatura interna; 
- Fazer um tratamento de suporte e reaquecimento. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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Hipertermia 
 
É caracterizada pelo aumento da temperatura normal corporal, superior a 39ºC. A hipertermia pode 
fazer com que a pessoa sofra um colapso, perca a consciência e seja inclusive levada a morte. 
Alguns sintomas: a temperatura corpórea central aumenta para mais de 40° C; a transpiração cessa; 
a frequência cardíaca aumenta; a respiração se intensifica; ocorre confusão mental, tontura, náusea e dor 
de cabeça. 
 
Reação Anafilática 
 
Se for na presença de edema glótico, deve-se: 
- Fazer incisão na membrana cricotireoidea para liberar via aérea; 
- Proceder respiração cardiorrespiratória; 
- Administrar epinefrina prescrita; 
- Iniciar infusão e medicamento para reversão de efeito; 
- Avaliar e monitorar sinais vitais; 
- Administrar oxigênio; 
- Caso o paciente esteja com convulsões administre medicamento anticonvulsivante. 
 
Envenenamento 
 
O que fazer neste caso: 
- Controlar vias áreas; 
- Avaliar a função cardiovascular; 
- Administrar oxigenoterapia; 
- Monitorar débito cardíaco; 
- Procurar determinar qual o veneno para estabelecer antídoto; 
- Monitorar estado neurológico; 
- Obter amostra de sangue para dosar a concentração do veneno; 
- Puncionar veia calibrosa; 
- Administrar tratamento de suporte; 
- Monitorizar equilíbrio hidroeletrolítico; 
- Realizar uma lavagem gástrica para paciente obnubilado; 
- Monitorar e tratar complicações. 
 
Queimaduras Químicas 
 
O que fazer nestes casos: 
- Lavar a pele com água corrente; 
- Aplicar lavagens prolongadas com água morna; 
- Caracterizar para tratamento correto verificar o tipo de substancia que causou o envenenamento; 
- Fazer um tratamento adequado para queimadura. 
 
Acidentes com Animais Peçonhentos 
 
Nestes casos é preciso: 
- Determinar se a cobra é venenosa ou não; 
- Determinar o local e circunstâncias; 
- Monitorar sinais vitais; 
- Proceder a tratamento de suporte antes de proceder a aplicação de soro; 
- Solicitar exames laboratoriais; 
- Não usar gelo torniquete ou heparina; 
- Raramente indica-se a limpeza cirúrgica; 
- Observar o paciente nas primeiras 6h, constantemente. 
 
Intoxicação Alimentar 
 
Nestes casos é preciso: 
- Determinar a fonte da intoxicação; 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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- Presenciar sinais neurológicos; 
- Dar suporte respiratório; 
- Corrigir e controlar a hipoglicemia. 
 
Intoxicação por Substâncias Químicas 
 
O tratamento visa a retirada ou a recuperação dos efeitos agudos da substância. O atendimento deve 
ser imediato. 
O que fazer neste caso? 
- Inicialmente devemos observar a maneira como a pessoa respira, seu pulso, pressão sanguínea e 
temperatura. 
- Importante também observar indicativos neurológicos incluindo itens como nível de consciência, 
coordenação, linguagem e anormalidade dos olhos; observe se os olhos estão “virados”, opacos, 
contraídos ou dilatados. 
- Determinar a fonte da substância; 
- Realizar monitoração dos sinais vitais; 
- Presença de sinais neurológicos; 
- Dar suporte respiratório. 
 
Medidas de Ressuscitação em Emergência 
 
As manobras de ressuscitação são medidas úteis de socorrismo em caráter de emergência. A 
Associação Americana do Coração recomenda que qualquer pessoa inicie as compressões torácicas. 
O que deve ser feito: 
- Observar se a pessoa está consciente ou inconsciente, inicia-se as compressões torácicas e observa-
se a respiração. 
- Chamar o socorro o mais rápido possível. 
- Em caso de emergência intra-hospitalar, iniciar as compressões 30:2 (30 compressões por 2 
ventilação), verificar pulso e expansibilidade torácica. 
- Monitorar e administrar medicações conforme prescrição médica. 
 
Afogamento 
 
Asfixia provocada pela imersão em meio líquido. Geralmente ocorre por câimbra, mau jeito, onda mais 
forte, inundação ou enchente e por quem se lança na água sem saber nadar. 
 
Como se manifesta 
- Agitação; 
- Dificuldade respiratória; 
- Inconsciência; 
- Parada respiratória; 
- Parada cardíaca. 
 
Como proceder 
- Tente retirar a vítima da água utilizando material disponível (corda, boia, remo, etc.) 
- Em último caso e se souber nadar muito bem, aproxime-se da vítima pelas costas, segure-a e 
mantenha-a coma cabeça fora d'água (cuidado com o afogamento duplo); 
- Coloque a vítima deitada em decúbito dorsal, quando fora d'água; 
- Insista na respiração de socorro se necessário, o mais rápido possível; 
- Execute a compressão cardíaca externa se a vítima apresentar ausência de pulso e midríase (pupilas 
dilatadas); 
- Friccione vigorosamente os braços e as pernas da vítima, estimulando a circulação; 
- Aqueça a vítima; 
- Remova a vítima para o hospital mais próximo. 
 
Respiração de Socorro Método de Silvester (Modificado) 
 
Este método é aplicado nos casos em que não se pode empregar o método boca-a-boca (traumatismos 
graves de face, envenenamento por cianureto, ácido sulfúrico, ácido clorídrico, soda cáustica, fenol e 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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outras substâncias cáusticas). O método silvestre permite não só o restabelecimento dos movimentos 
respiratórios como os do coração. 
 
Como proceder 
- Desobstrua a boca e a garganta da vítima, fazendo tração da língua e retirando corpos estranhos e 
secreção; 
- Coloque a vítima em decúbito dorsal; 
- Eleve o tórax da vítima com auxílio de um travesseiro, cobertor dobrado, casaco ou pilha de jornal, 
inclinando sua cabeça para trás, provocando a hiperextensão do pescoço; 
- Ajoelhe-se, coloque a cabeça da vítima entre suas pernas e com os braços paralelos ao corpo; 
- Segure os punhos da vítima, trazendo seus braços para trás e para junto de suas pernas (rente ao 
solo); 
- Volte com os braços da vítima para frente (rente ao solo), cruzando-os sobre o peito (parte inferior 
do externo 2 cm do processo xifóide); 
- Pressione o tórax da vítima 05 vezes seguidas; 
- Volte os braços da vítima para a posição inicial e reinicie o método. 
 
Telefones públicos de emergência: prontos-socorros, polícias militar e civil, corpo de 
bombeiros. 
 
Listamos os principais números úteis e de emergência nacionais. Fique atento a finalidade de cada um 
para não errar durante a ligação: 
 
SAMU: 192 
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU (pronto-socorro). O SAMU é o serviço médico 
brasileiro utilizado em caso de emergências médicas. Para utilizá-lo, basta ligar para 192 e explicar o tipo 
de emergência para acionar o serviço. 
 
Policia Militar: 190 
O 190 é um serviço de emergência da Polícia Militar que atende aos cidadãos em casos de riscos, 
ameaças contra a vida, denúncias de roubos, atentados e proteção pública. Pode ser acionado de 
telefones fixos e celulares. 
 
Polícia Civil: 197 
Para denúncias de porte de arma, drogas, tráfico, roubos, assaltos, assassinatos, sequestros, etc. 
 
Corpo de Bombeiros: 193 
As consequências da maioria dos acidentes domésticos ou na rua podem ser amenizadas com o 
socorro imediato do Corpo de Bombeiros. O Disque Bombeiros atende a incêndios, acidentes com 
animais, vazamentos de gás, produtos químico e causas naturais como alagamento e queimadas. Confira 
aqui um caso de atuação do Corpo de Bombeiros em vistoria por Brasília. 
 
Postos de Saúde e Hospitais: 
O 192 é um serviço de atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência. Você pode acionar o 
serviço através de telefones sem utilizar fichas ou cartão. 
 
O que você deve saber antes de ligar para o 192: 
1 - o que aconteceu com o paciente; 
2 - endereço - rua, avenida, número, bairro e referência do local da ocorrência; 
3 - dados do paciente, como nome, idade e sexo; 
4 - o número do telefone de onde você está ligando. 
O 192 atende apenas situações de emergências médicas. Não dê trote! Você poderá retardar e 
prejudicar seriamente outra pessoa que esteja em risco de vida. 
 
ATENÇÃO !!! 
Chame o socorro pelo número 192. 
Caso o paciente seja socorrido por outros meios, ligue cancelando o pedido. 
 
 
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Questões 
 
01. (IFC/SC - Enfermeiro - IESES) Urgência, caso clínico, consulta e emergência são palavras comuns 
do vocabulário de um enfermeiro. Saber distinguir e classificar os casos é essencial para a profissão. 
Hemorragias, parada respiratória e parada cardíaca são casos de: 
(A) Urgência. 
(B) Emergência. 
(C) Consulta. 
(D) Clínico. 
 
02. (EBSERH - Técnico em Enfermagem - INSTITUTO AOCP) Em relação à urgência e emergência, 
assinale a alternativa correta. 
(A) A urgência é classificada como todo caso em que há ameaça iminente à vida, sofrimento intenso 
ou risco de lesão permanente, havendo necessidade de tratamento médico imediato. 
(B) A emergência é uma situação que requer assistência rápida, no menor tempo possível, a fim de 
evitar complicações e sofrimento. 
(C) Checar a segurança da cena do acidente, antes de socorrer uma vítima de atropelamento que está 
em risco de morte, é um detalhe dispensável. 
(D) São exemplos de urgência: dores abdominais agudas, cólicas renais, fraturas seguidas de 
hemorragias volumosas. 
(E) Alguns exemplos de emergências são a parada cardiorrespiratória, hemorragias volumosas e 
infartos que podem levar a danos irreversíveis e até ao óbito. 
 
03. Emergência está caracterizada quando há uma situação crítica ou algo iminente, com ocorrência 
de perigo; incidente; imprevisto. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
04. (TRE/AM - Técnico Judiciário - IBFC) De acordo com o Ministério da Saúde, o termo urgência 
consiste: 
(A) Em uma situação que não caracteriza atendimento imediato, podendo o paciente permanecer até 
6 horas na sala de espera. 
(B) Na constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem risco iminente de vida ou 
sofrimento intenso, exigindo portanto, tratamento médico imediato. 
(C) Na ocorrência imprevista de agravo à saúde, com ou sem risco potencial à vida, cujo portador 
necessita de assistência médica imediata. 
(D) Na ocorrência prevista de agravo à saúde exclusivamente sem risco potencial à vida, cujo portador 
não necessita de assistência médica imediata. 
 
05. (PRF - Polícia Rodoviária Federal - FUNRIO) Que números de telefones de utilidade pública 
correspondem, respectivamente aos telefones de emergência da Polícia Militar, Ambulância e Corpo de 
Bombeiros? 
(A) 190, 193 e 194 
(B) 190. 191 e 192 
(C) 191, 192 e 194 
(D) 190, 192 e 193 
(E) 191, 193 e 194 
 
06. (Prefeitura de Cachoeirinha - Guarda Municipal - FUNDATEC) Segundo a referida Cartilha, na 
maioria das regiões do Brasil, dentre os serviços e os telefones que poderão ser acionados, em caso de 
acidente de trânsito, estão: 
I. Resgate do Corpo de Bombeiros – telefone 193, nos casos em que houver vítimas presas às 
ferragens. 
II. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU – telefone 192, em qualquer tipo de acidente. 
III. Policia Militar – telefone 190, nos locais onde não houver serviços próprios de socorro. 
 
Quais estão corretas? 
(A) Apenas I. 
(B) Apenas II. 
(C) Apenas III. 
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(D) Apenas II e III. 
(E) I, II e III. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.E / 03.Certo / 04.C / 05.D / 06.E 
 
Comentários 
 
01.Resposta B 
Hemorragias, parada respiratória e parada cardíaca são situações consideradas de emergência, pois 
necessitam de uma intervenção médica de imediato já nos casos de urgência as situações possuem um 
caráter menos imediatista. 
 
02.Resposta E 
São exemplos de emergência parada cardiorrespiratória, hemorragias volumosas e infartos que podem 
levar a danos irreversíveis e até ao óbito. 
São exemplo de urgência contusões leves, entorses, hemorragia classe I. 
 
03.Resposta Certo 
A afirmativa está certa de acordo com o Dispositivo da Resolução n. 1.451/1995 do Conselho Federal 
de Medicina: 
[...] 
Parágrafo Segundo − Define-se por EMERGÊNCIA a constatação médica de condições de agravo à 
saúde que impliquem risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico 
imediato. 
 
04.Resposta C 
A urgência de acordo com o Dispositivo da Resolução 1.451/1995 do Conselho Federal de Medicina: 
Parágrafo Primeiro− Define-se por URGÊNCIA a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou 
sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. 
 
05.Resposta D 
São telefones de emergência da Polícia Militar - 190, Ambulância - 192 e Corpo de Bombeiros – 193. 
 
06.Resposta E 
São telefones de emergência da Polícia Militar - 190, Ambulância - 192 e Corpo de Bombeiros – 193. 
 
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA - DIRETRIZES DE 2015.1 
 
Suporte Básico de Vida 
 
Conforme Brunner & Suddarth, a parada cardiorrespiratória corresponde a uma interrupção súbita e 
inesperada da atividade mecânica ventricular útil e insuficiente para manter o débito cardíaco, ou seja, o 
coração para de produzir pulso e circulação sanguínea efetiva. Podendo ser causada por evento elétrico 
cardíaco como frequência rápida (Taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular), frequência lenta 
(bradicardia ou bloqueio átrio ventricular) ou por ausência total de frequência (Assistolia). 
O suporte básico de vida (SBV) constitui como uma sequência de etapas do socorro à vítima em 
situação eminente de risco a vida, geralmente seu atendimento é realizado fora do ambiente hospitalar 
sem a realização de manobras invasivas, já o Suporte avançado de vida (SAV) em princípio é parecido, 
porém realizam-se procedimentos invasivos de suporte ventilatório e circulatório (FERREIRA; GARCIA). 
A realização de manobras executadas tanto no SBV como as de SAV requer uma equipe bem treinada, 
pois na parada cardiorrespiratória exige ações rápidas e eficazes, assim sendo melhor executadas em 
equipe do que individualmente (LIMA) 
É relevante que todo profissional de saúde saiba o que fazer quando se deparar com um paciente em 
uma parada cardiorrespiratória. Geralmente as instituições e equipes de saúde têm diretrizes e protocolos 
definidos para ativar a equipe em caso de ressuscitação, mas é claro que independentemente do local 
 
1 http://www.efdeportes.com/efd181/diretrizes-de-ressuscitacao-cardiopulmonar-rcp.htm 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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onde esteja às metas de ressuscitação realizadas pela equipe devem ser as mesmas, constituindo em 
restaurar espontaneamente a respiração e a circulação preservando as funções e os órgãos vitais durante 
todo o procedimento. 
É preciso definir e diferenciar o que vem a ser então uma situação de urgência ou emergência. 
Segundo o Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 1451/95), “define-se por urgência a 
ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de 
assistência médica imediata.” Já o conceito de emergência é entendido como “a constatação médica de 
condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, 
portanto, tratamento médico imediato.” De forma mais objetiva, a urgência é uma situação onde não existe 
risco imediato à vida (ou risco de morte). O atendimento requer rapidez, mas o paciente pode aguardar 
tratamento definitivo e solução em curto prazo (algumas literaturas se referem a um prazo de até 24 
horas). A emergência geralmente implica estarmos diante de uma situação de aparecimento súbito e 
imprevisto, grave, crítica e que exige ação imediata, pois a ameaça à vida é grande. 
 
Como o próprio nome diz, o serviço de Atendimento Pré-hospitalar (APH) envolve todas as ações 
efetuadas com o paciente, antes da chegada dele ao ambiente hospitalar. Compreende, portanto, três 
etapas: 
1. Assistência ao paciente na cena (no local da ocorrência); 
2. Transporte do paciente até o hospital; 
3. Chegada do paciente ao hospital. 
 
O APH divide-se, ainda, basicamente em duas modalidades de atendimento: 
- Suporte Básico à Vida (SBV): caracteriza-se por não realizar manobras invasivas. 
- Suporte Avançado à Vida (SAV): caracteriza-se pela realização de procedimentos invasivos de 
suporte ventilatório e circulatório, como, por exemplo, a intubação orotraqueal, acesso venoso e 
administração de medicamentos. Geralmente, o suporte avançado é prestado por equipe composta por 
médico e enfermeiro. 
O APH tem como objetivos específicos preservar as condições vitais e transportar a vítima sem causar 
traumas iatrogênicos durante sua abordagem, como, por exemplo, danos ocorridos durante manipulação 
e remoção inadequada (do interior de ferragens, escombros etc.). O socorrista deve ter como princípio 
básico evitar o agravamento das lesões e procurar estabilizar as funções ventilatórias e hemodinâmicas 
do paciente. 
As condições essenciais para que esses objetivos sejam alcançados são: pessoal qualificado e 
devidamente treinado; veículos de transporte apropriados e equipados, sendo inclusive dotados de meio 
de comunicação direta com o centro que receberá a vítima e hospitais de referência estrategicamente 
localizados, com infraestrutura material e recursos humanos adequados. 
Uma atenção pré-hospitalar qualificada é de suma importância para que a vítima chegue viva ao 
hospital. Nos locais onde esse sistema é inadequado, a mortalidade hospitalar por trauma, por exemplo, 
é baixa, porque os pacientes graves morrem no local do acidente, ou durante o transporte. 
A prioridade de atendimento é determinada basicamente pela gravidade da vítima, ou seja, serão 
socorridas e atendidas primeiramente aquelas que se encontram sujeitas a maior risco de morte, pois o 
objetivo principal do primeiro socorro é a preservação da vida. O socorrista deverá seguir uma sequência 
padronizada e executar as medidas de socorro conforme for identificando as lesões da vítima 
 
RCP de Alta Qualidade 
A ênfase no Suporte Básico de Vida (BLS – Basic Life Suport) nas Diretrizes 2015 continua na 
qualidade da massagem cardíaca. Portanto, uma RCP de qualidade significa comprimir o tórax na 
frequência e profundidade adequadas, permitir o retorno do tórax a cada compressão, minimizar 
interrupções nas compressões e evitar ventilação excessiva. As novas recomendações ficaram descritas 
assim: 
- Houve modificação nas compressões torácicas, que agora devem ser feitas em uma frequência de 
100 a 120 /min; 
- Também foi mudada a profundidade da compressão torácica em um adulto médio, que deve ser em 
torno de 5cm, evitando ultrapassar 6cm; 
- Para garantir o retorno do tórax após cada compressão o socorrista não deve apoiar-se no tórax entre 
as compressões; 
- A meta em termos de minimizar as interrupções é garantir que as compressões torácicas ocorram 
em ao menos 60% do tempo da RCP. Isso significa evitar interromper as compressões por mais de 10 
segundos; 
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- Para minimizar ventilações excessivas, uma vez colocada a via aérea avançada, a proporção de 
ventilações foi simplificada para 10 respirações por minuto (uma ventilação a cada seis segundos). 
 
Suporte Básico de Vida para Adultos - Socorrista Leigo 
- Foi reforçada a recomendação para que exista disponibilidade de desfibrilador (DEA) em locais 
públicos com grande probabilidade de ocorrer uma PCR presenciada (aeroportos, instalações esportivas, 
espaços de espetáculos, etc); 
- Para ajudar o leigo a reconhecer uma PCR (e iniciar o atendimento), bastam apenas os seguintes 
critérios: a vítima não ter resposta, ou não respirar, ou ter uma respiração anormal (gasping). O 
treinamento do leigo deve ser para reconhecer esses padrões, sem precisar checar pulso. Para um leigo 
não treinado, ele pode ser orientado facilmente por telefone; 
- O algoritmo foi modificado para que o socorrista ative o Serviço Médico de Emergência sem sair do 
lado da vítima (usando celular); 
- Tendo reconhecido a PCR, o socorrista leigo que não tiver treinamento deve realizar apenas 
compressões torácicas até a chegada de um DEA ou de outros socorristas treinados, ou ainda até que a 
vítima começa a se movimentar espontaneamente; 
- A orientação para o leigonão treinado é: “comprimir com força e rapidez no centro do tórax”; 
- Para o leigo treinado, foi reforçada a sequência C – A – B para atendimento (circulation – airway – 
breathing). Portanto o socorrista deve começar pelas compressões torácicas antes de realizar abertura 
de vias aéreas e ventilações. A proporção permanece de 30 compressões para 2 ventilações; 
- Foi acrescentada a possibilidade de administrar naloxona intramuscular ou intranasal em casos de 
suspeita de intoxicação por opióides nas quais o paciente tenha ausência de resposta ou respiração 
anormal. Isso só poderá ser feito por socorristas leigos treinados ou profissionais de saúde. 
 
Suporte Básico de Vida para Adultos – Profissional de Saúde 
- Para identificar a PCR, o profissional treinado pode checar a respiração e o pulso ao mesmo tempo 
para minimizar o tempo para o início das compressões torácicas; 
- Identificada a PCR e estando sozinho, usar o celular para acionar o Serviço Médico de Emergência 
e obter um DEA antes de iniciar a RCP. Não estando sozinho, pedir para alguém fazer isso enquanto se 
inicia a RCP; 
- A nova recomendação é para utilizar o DEA assim que ele estiver disponível, o que significa 
interromper as compressões torácicas e desfibrilar o paciente; 
- Quando o Serviço Médico de Emergência assumir pode ser feita uma estratégia de 3 ciclos de 200 
compressões contínuas com choques interpostos, enquanto se usa apenas insuflação de oxigênio 
passiva. 
 
PCR durante a gravidez: Administração de RCP 
As prioridades para as mulheres grávidas em PCR são a administração de RCP de alta qualidade e o 
alívio da compressão aortocava. Se a altura do fundo for igual ou superior ao nível do umbigo, o 
deslocamento manual do útero para a esquerda pode ser benéfico para o alívio da compressão aortocava 
durante as compressões torácicas. 
 
Suporte Básico de Vida em Pediatria 
Os destaques das novas diretrizes em pediatria são: 
- O algoritmo foi modificado para que o socorrista ative o Serviço Médico de Emergência sem sair do 
lado da vítima (usando celular). Essa deve ser a primeira atitude em uma PCR presenciada, para só 
depois iniciar a RCP. Se a PCR não tiver sido presenciada, deve-se aplicar 2 minutos de RCP, para só 
depois pedir ajuda e providenciar um DEA; 
- Foi confirmada a sequência de atendimento C – A – B (circulation – airway – breathing) para RCP 
em pediatria para dar ênfase na massagem cardíaca inicialmente (Classe IIb, Nível C-EO); 
- Houve modificação nas compressões torácicas, que agora devem ser feitas em uma frequência de 
100 a 120 /min (assim como em adultos) (Classe IIa, Nível C-EO); 
- Recomenda-se que profundidade da compressão torácica em uma criança seja de 5cm e em bebês 
(exceto recém-nascidos) seja de 4cm. Para adolescentes seguir a mesma recomendação de RCP em 
adultos (Classe IIa, Nível C-LD); 
- Para crianças a RCP deve ser feita com massagem cardíaca e ventilações, diferentemente nos 
adultos, onde não há essa ênfase. A proporção é de 30:2 (compressões: ventilação) se houver apenas 1 
socorrista. Caso haja dois ou mais socorristas, a proporção passa a ser de 15:2 (massagem: ventilação); 
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- A nova recomendação é para utilizar o DEA assim que ele estiver disponível, o que significa 
interromper as compressões torácicas para que o DEA verifique o ritmo e dê o choque se necessário. 
 
Algorítimo em PCR em pediatria para os profissionais da Saúde Atualização de 2015 
 
 
 
Suporte Avançado de Vida – Diretrizes 20152 
 
As principais mudanças destacadas nas diretrizes de 2015 do ACLS são as recomendações sobre o 
prognóstico durante a RCP com base nas medições de CO2 exalado, o melhor momento para 
administração de adrenalina em PCR por ritmo não chocável, e a possibilidade de utilizar uma 
combinação de corticoide, vasopressina e adrenalina para tratamento de PCR intra-hospitalar. Uma 
grande mudança foi o algoritmo ter suprimido o uso da vasopressina do ACLS, ao invés da antiga versão 
onde ela era uma opção à epinefrina. 
 
Suporte Avançado de Vida para Adultos 
- A vasopressina foi retirada do algoritmo de suporte avançado de vida, para simplificar a conduta. Isso 
foi feito porque não oferece vantagem em comparação à epinefrina (adrenalina) (Classe IIb, Nível B-R); 
e também não se demonstrou benefício adicional quando as drogas são feitas de forma associada (Classe 
IIb, Nível B-R); 
- A epinefrina pode ser administrada assim que possível após início de uma PCR por ritmo não 
chocável. Isso significa que não é necessário esperar nenhum momento em específico para se fazer a 
primeira dose da medicação. Essa recomendação está baseada em melhores desfechos quando a 
epinefrina é administrada precocemente na parada (Classe IIb, Nível C-LD); 
- Uma vez que o tubo orotraqueal (ou outro dispositivo de via aérea avançado) esteja posicionado, 
simplificou-se a realização de ventilação para 10 ciclos por minuto (1 respiração a cada 6 segundos) 
(Classe IIb, Nível C-LD); 
- O uso da capnografia para monitorização da RCP já havia surgido como recomendação Classe I em 
2010. Agora mais um item relacionado à capnografia é apontado. Em pacientes que estiverem intubados, 
um ETCO2 que não ultrapassa 10mmHg na capnografia após 20 minutos de RCP está associado a uma 
probabilidade muito baixa de ressuscitação. Sendo assim, este é um parâmetro objetivo a ser usado para 
determinar o fim dos esforços da RCP (Classe IIb, Nível C-LD); 
 
2https://www.segurancadopaciente.com.br/central_conteudo/suporte-avancado-de-vida-acls-novas-diretrizes-2015/ 
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- Alguns estudos de menor qualidade sugerem a possibilidade do uso de RCP com circulação 
extracorpórea em pacientes que não responderam à RCP convencional. Entretanto o custo dessa 
intervenção é muito alto, e deve ficar reservado a locais com condições de implementar essa medida, e 
em pacientes com potencial benefício, como aqueles que aguardam transplante cardíaco (Classe IIb, 
Nível C-LD); 
- Não há evidências fortes, porém pode-se utilizar a lidocaína após o retorno à circulação espontânea 
em casos de PCR por FV/TVSP (Classe IIb, Nível C-LD); 
- Outras medicações sem evidências fortes, mas que podem ser utilizadas pós PCR, são os beta-
bloqueadores. Eles podem ser considerados (VO ou IV) em casos de pacientes hospitalizados pós PCR 
por FV/TVSP (Classe IIb, Nível C-LD); 
- Uma nova recomendação, porém fraca, é o uso de corticoides na PCR intra-hospitalar (Classe IIb, 
Nível C-LD). Nesses casos, baseado em um estudo randomizado, o que deve ser feito é uma combinação 
de vasopressina 20 UI + adrenalina 1mg a cada 3 minutos, e no primeiro ciclo uma dose de 
metilprednisolona 40mg. Após retorno à circulação espontânea o paciente ainda deve ser mantido com 
hidrocortisona 300mg/dia por 7 dias (Classe IIb, Nível C-LD). 
 
Cuidados Pós Parada 
Principais alterações feitas nas Recomendações pós PCR 
- Angiografia coronária de emergência a todos os pacientes que sofreram supradesnivelamento no 
segmento ST e para pacientes hemodinâmica ou eletricamente instáveis, caso haja suspeita de lesão 
cardiovascular. 
 
As recomendações de controle direcionado de temperatura foram atualizadas com novas evidências 
que sugerem ser aceitável uma faixa de temperatura que deve ser atingida no período pós-PCR. Todos 
os pacientes adultos comatosos (ou seja, sem resposta sensata a comandos verbais) com RCE após a 
PCR devem ser submetidos ao CDT (controle direcionado de temperatura), tendo como temperatura-alvo 
entre 32 °C e 36 °C, mantida constantemente durante pelo menos 24 horas, a prevenção é considerada 
benigna e, portanto, deve ser almejada. 
- Constatou-se melhora no desfecho neurológico nos pacientes em que a hipotermia foi induzida. Um 
recente estudo de alta qualidade comparou o controle da temperatura a 36 °Ce a 33 °C, obtendo-se 
desfechos semelhantes em ambos. Analisados em conjunto, os estudos iniciais sugerem que o CDT é 
benéfico. 
Atualmente, recomenda-se o prognóstico em um prazo superior a 72 horas após a conclusão do 
controle direcionado de temperatura; nos casos em que não há esse tipo de controle, recomenda-se 
avaliar o prognóstico em um prazo superior a 72 horas após a RCE. 
Todos os pacientes que evoluírem para morte cerebral ou circulatória após a PCR inicial devem ser 
considerados possíveis doadores de órgãos. 
 
- É aconselhável evitar ativamente a febre em pacientes comatosos após o CDT. 
- Não é recomendado o resfriamento pré-hospitalar rotineiro de pacientes com infusão rápida de fluidos 
EV frios após a RCE. 
- É aconselhável evitar e corrigir imediatamente a hipotensão (pressão arterial sistólica inferior a 90 
mmHg, pressão arterial média inferior a 65 mmHg) durante os cuidados pós-PCR, enquanto a pressão 
arterial sistólica superior a 100 mmHg está associada a uma melhor recuperação. 
 
Prognóstico Pós PCR 
O período mínimo para avaliar o prognóstico de um desfecho neurológico ruim por meio de exame 
clínico em pacientes não tratados com CDT é de 72 horas após a PCR, mas esse período pode ser ainda 
maior após a PCR se houver suspeita de que o efeito residual da sedação ou paralisia possa confundir o 
exame clínico, por isso é aconselhada a hipotermia, para assim determinar o desfecho. 
Nenhuma constatação física ou exame pode prever, com 100% de certeza, a recuperação neurológica 
após a PCR. Várias modalidades de exames utilizadas em conjunto para prever o desfecho após o 
desaparecimento dos efeitos da hipotermia e dos medicamentos, provavelmente, fornecerão uma 
previsão precisa do desfecho. 
 
Achados clínicos úteis Associados a Malu Prognóstico Neurológico 
- Ausência de reflexo pupilar à luz, 72 horas ou mais após a PCR 
- Presença de estado mioclônico (diferente de mioclonias isoladas) durante as primeiras 72 horas após 
a PCR 
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- Ausência da onda cortical do potencial somatossensorial evocado N20, 72 horas após a PCR ou após 
o reaquecimento. 
- Presença de acentuada redução do relação cinza-branco em TC do cérebro obtida até 2 horas após 
a PCR 
- Ampla restrição da difusão na ressonância magnética cerebral no prazo de 2 a 6 dias após a PCR 
- Ausência persistente de reatividade no EEG a estímulos externos, 
72 horas após a PCR 
- Supressão dos surtos persistentes ou estado intratável de mal epiléptico no EEG após o 
reaquecimento 
Ausência de movimentos, a postura em extensão ou o estado mioclônico não devem ser usados 
isoladamente para prever o resultado. 
- Choque, temperatura, desordens metabólicas, sedativos anteriores ou bloqueadores 
neuromusculares e outros fatores. 
- Pacientes ressuscitados que evoluem para morte ou morte cerebral, devem ser avaliados como 
possíveis doadores de órgãos. Pacientes que não obtêm a RCE (Resfriamento Extra corpóreo) e que, de 
alguma forma, teriam a ressuscitação interrompida, podem ser considerados como possíveis doadores 
de rim ou fígado em ambientes onde haja programas de rápida obtenção de órgãos. 
 
Síndrome Coronária Aguda 
A Atualização das Diretrizes de 2015 define uma alteração no escopo das diretrizes da AHA para a 
avaliação e o tratamento da SCA. A partir desta atualização, as recomendações se limitarão às fases de 
atendimento pré-hospitalares e no serviço de emergência. Os cuidados no ambiente hospitalar são 
abordados nas diretrizes para o tratamento do infarto do miocárdio, publicadas conjuntamente pela AHA 
e pela American College of Cardiology Foundation. 
 
Exame de ECG e Possível Interpretação 
O ECG pré-hospitalar de 12 derivações deve ser realizado imediatamente em pacientes com possível 
SCA. 
Profissionais treinados não médicos, podem fazer a interpretação do ECG para determinar se o traçado 
mostra evidências de IAMST. 
Pode-se usar a interpretação do ECG assistida por computador em conjunto com a interpretação por 
um médico ou profissional treinado para reconhecer o IAMST (Infarto agudo do miocárdio com 
supradesnivelamento ST) 
O ECG de 12 derivações é um exame barato, de fácil execução, e pode rapidamente demonstrar as 
evidências de supradesnivelamento agudo do ST. A preocupação de que a interpretação de ECGs, feita 
por profissionais que não são médicos, possa levar a um sobrediagnóstico, com consequente uso 
excessivo de recursos ou, por outro lado, a um subdiagnóstico, que possa provocar atraso no tratamento, 
tem inibido a expansão dos programas de ECG para sistemas de SME. 
 
Reperfusão 
Quando a fibrinólise pré-hospitalar estiver disponível nas unidades de tratamento do IAMST e for 
possível fazer o transporte direto a um centro de ICP (Intervenção Coronariana Percutânea), deve-se dar 
preferência à triagem pré-hospitalar e ao transporte direto ao centro de ICP, por haver uma pequena 
relativa redução na incidência de hemorragia intracraniana. Não há, contudo, nenhuma evidência de 
benefícios de uma terapia sobre a outra em termos de mortalidade. 
A transferência direta para um hospital com capacidade de realizar ICP, em comparação com a 
fibrinólise pré-hospitalar, não gera nenhuma diferença na mortalidade, mas gera uma pequena redução 
relativa na incidência de hemorragia intracraniana. A ICP imediata, após o tratamento com fibrinólise, não 
proporciona nenhum benefício adicional, mas a angiografia de rotina, realizada nas primeiras 24 horas 
após a fibrinólise, reduz a reincidência de infarto. 
Situações especiais em Ressuscitação. 
 
Resumo dos Principais Pontos de Discussão e Alterações 
- A experiência no tratamento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de overdose de opioides tem 
demonstrado que a naloxona pode ser administrada com aparente segurança e eficácia no contexto de 
primeiros socorros e de SBV. Por esse motivo, recomenda-se agora a administração de naloxona por 
socorristas leigos e profissionais de saúde. Um treinamento simplificado já é oferecido. Além disso, é 
fornecido um novo algoritmo para o tratamento de vítimas que não respondem e que apresentam suspeita 
de overdose de opioides. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 15 
- Em pacientes com suspeita ou diagnóstico de overdose de opioides que tenham pulso presente, mas 
sem respiração normal ou somente com gasping (ou seja, uma parada respiratória), além de prestar os 
cuidados convencionais, os socorristas adequadamente treinados devem administrar naloxona IM ou IN 
em pacientes com emergência respiratória associada a opioides 
- Pode-se considerar o uso de emulsão lipídica intravenosa (ELI) para o tratamento de toxicidade 
sistêmica por anestésico local. Além disso, há uma nova recomendação que defende uma possível função 
da ELI em pacientes que têm PCR e não respondem às medidas de ressuscitação convencionais em 
decorrência de toxicidade por drogas, e não de toxicidade sistêmica por anestésico local. 
- A importância da RCP de alta qualidade durante qualquer PCR levou à reavaliação das 
recomendações sobre o alívio da compressão aortocava em uma PCR durante a gravidez. Com essa 
reavaliação, refinaram-se as recomendações sobre as estratégias para deslocamento uterino. 
 
Tratamento da overdose de Opioides, Treinamento e Distribuição de Naloxona 
A administração empírica de naloxona IM ou IN em todas as vítimas que não respondem em uma 
emergência potencialmente fatal, possivelmente associada a opioides, pode ser adequada como 
complemento aos protocolos convencionais de primeiros socorros e de SBV prestado por pessoas que 
não são profissionais de saúde. Em pacientes com suspeita ou diagnóstico de overdose de opioides que 
tenham pulso presente, mas sem respiração normal ou somente com gasping (ou seja, uma parada 
respiratória), além de prestar os cuidados convencionais, os socorristas adequadamente treinados devem 
administrarnaloxona IM ou IN em pacientes com emergência respiratória associada a opioides Os 
atendentes não devem retardar o acesso a serviços médicos mais avançados enquanto aguardam 
resposta do paciente à naloxona ou a outras intervenções. 
 
Algorítimo para pacientes possivelmente fatais associados a opóides para adultos (NOVO 
2015) 
 
 
Suporte Avançado de Vida em Pediatria.3 
Já nas recomendações para o suporte avançado para crianças, o que vemos não é uma mudança de 
recomendações, mas sim um refinamento do que já existia, e um acréscimo de recomendações para 
as situações que precedem uma parada, e condutas para o durante e após a RCP: 
- Ao tratar crianças com doenças febris em ambientes limitados para recursos de cuidados intensivos, 
o uso de cristaloides isotônicos de forma restritiva melhora a sobrevida (Classe IIb, Nível B-R). Mas é 
aconselhável administrar 20 mL/kg de volume em casos de sepse grave e choque séptico; 
 
3 http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/outubro/26/livro-avancado-2016.pdf 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 16 
- A rotina de se usar atropina como pré-medicação para intubação orotraqueal para prevenir arritmias 
é controversa (Classe IIb, Nível C-LD). Além disso, não há evidências do que seria a dose mínima a ser 
usada; 
- Se a PCR ocorrer em uma criança usando medida invasiva de pressão arterial, utilizar este 
monitoramento durante a RCP para verificar a adequação da mesma (Classe IIb, Nível C-EO); 
- Se houver disponibilidade, use ETCO2 para monitorar a qualidade da RCP, mas não há valores alvo 
estabelecidos em pediatria (Classe IIB, Nível C-LD); 
- A desfibrilação em crianças deve ser feita com dose inicial de 2-4 J/kg (energia monofásica ou 
bifásica) (Classe IIa, Nível C-LD), mas para facilitar o aprendizado a dose ensinada pode ser de 2 J/kg 
(Classe IIb, Nível C-LD). Se houver refratariedade ao primeiro choque, aumentar a energia para 4 J/kg 
(Classe IIa, Nível C-LD), e em doses subsequentes manter 4 J/kg ou subir até um máximo de 10 J/kg 
(Classe IIb, Nível C-LD); 
- É aceitável usar amiodarona ou lidocaína para PCR em FV/TVSP em crianças que forem refratárias 
à desfibrilação (Classe IIb, Nível C-LD); 
- A epinefrina continua sendo recomendada como vasopressor a ser utilizado durante a RCP (Classe 
IIa, Nível C-LD); 
- RCP extracorpórea pode ser considerada em PCR intra-hospitalar de crianças cardiopatas (Classe 
IIb, Nível C-LD); 
- Após retorno à circulação espontânea, deve ser feito controle de temperatura, evitando febre na 
criança ou bebê (Classe I, Nível B-NR). Para crianças comatosas manter a temperatura entre 36oC e 
37,5oC por 5 dias, ou dois dias de hipotermia (32oC a 34oC), seguidos de três dias de normotermia (Classe 
IIa, Nível B-R); 
- Após retorno à circulação espontânea, devem ser usados vasopressores em infusão contínua para 
manter a pressão arterial da criança acima do 5º percentil para a idade (Classe I, Nível C-LD); 
- Após retorno à circulação espontânea, o objetivo de saturação de oxigênio é de 94 a 99%, evitando-
se fortemente que ocorra hipoxemia (Classe IIb, Nível B-NR), e limitando a ocorrência de hipercapnia 
(Classe IIb, Nível C-LD). 
- A administração EV rápida de fluidos isotônicos, foi muito aceita no tratamento de choque séptico, 
após estudos realizados em crianças com doenças febris graves, identificou-se que desfechos piores 
estavam associados a bolus de fluido EV. 
 
Para crianças em choque, aconselha-se um bolus de fluido inicial de 20 mL/kg. No entanto, em crianças 
com doença febril em locais com acesso limitado a recursos de cuidados intensivos (ou seja, ventilação 
mecânica e suporte inotrópico), a administração de bolus de fluido EV deve ser feita com extremo cuidado, 
pois pode ser prejudicial. É importante enfatizar o tratamento individualizado e reavaliações clínicas 
frequentes. 
 
- CDT: em crianças comatosas nos primeiros dias após a PCR (intra-hospitalar ou extra-hospitalar), 
monitore a temperatura continuamente e trate a febre agressivamente. Em crianças comatosas 
ressuscitadas de uma PCREH, os responsáveis pelo tratamento devem manter 5 dias de normotermia 
(36 °C a 37,5 °C) ou 2 dias de hipotermia contínua inicial (32 °C a 34 °C), seguido de 3 dias de 
normotermia. 
 
Para crianças que permanecerem comatosas após uma PCRIH, não há dados suficientes para que se 
possa recomendar a hipotermia sobre a normotermia. 
 
ATUALIZAÇÃO DAS DIRETRIZES DE RCP E ACE 
 
Entre as principais questões e alterações feitas nas recomendações da Atualização das Diretrizes de 
2015 para profissionais de saúde estão: 
- Estas recomendações permitem flexibilidade no acionamento do serviço médico de emergência para 
corresponder melhor ao ambiente clínico do profissional de saúde. 
- Socorristas treinados são encorajados a executar simultaneamente algumas etapas (ou seja, verificar 
se há respiração e pulso ao mesmo tempo), na tentativa de reduzir o tempo até a primeira compressão 
torácica. 
- Equipes integradas por socorristas bem treinados podem usar uma abordagem coreografada que 
execute várias etapas e avaliações simultaneamente, em vez do modo sequencial, utilizado por 
socorristas individuais (por exemplo, um socorrista ativa o serviço médico de emergência, enquanto outro 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 17 
começa as compressões torácicas, e um terceiro fornece ventilação ou busca o dispositivo bolsa-válvula-
máscara para ventilações de resgate, e um quarto busca e prepara o desfibrilador). 
- Tem-se dado maior ênfase em RCP de alta qualidade, que utiliza metas de desempenho (com 
frequência e profundidade de compressão torácica adequadas, permitindo retorno total do tórax entre as 
compressões, minimizando interrupções nas compressões e evitando ventilação excessiva). Consulte a 
Tabela 1. 
- A frequência das compressões foi modificada para o intervalo de 100 a 120/min. 
- A profundidade das compressões em adultos foi modificada para pelo menos 2 polegadas (5 cm), 
mas não deve ser superior a 2,4 polegadas (6 cm). 
- Para que haja retorno total da parede do tórax após cada compressão, os socorristas devem evitar 
apoiar-se no tórax entre as compressões. 
- Os critérios para minimizar as interrupções são esclarecidos, com a maior meta possível na fração 
de compressões torácicas, com alvo de pelo menos 60%. 
- Em locais onde os sistemas de SME já adotaram conjuntos de procedimentos que envolvem 
compressões torácicas contínuas, o uso de técnicas de ventilação passiva pode ser considerado parte 
desse conjunto para vítimas de PCREH. 
- Em pacientes com RCP em curso e uma via aérea avançada instalada, recomenda-se uma frequência 
de ventilação simplificada de 1 respiração a cada 6 segundos (10 respirações por minuto). 
 
Estas alterações foram concebidas para simplificar o treinamento do profissional de saúde e continuar 
enfatizando a necessidade de aplicar uma RCP de alta qualidade, o quanto antes, em vítimas de PCR. 
Mais informações sobre estas alterações encontram-se a seguir. 
 
 
 
Reconhecimento Imediato e Acionamento do Serviço Médico de Emergência 
2015 (Atualizado): Os profissionais de saúde devem pedir ajuda nas proximidades ao encontrarem 
uma vítima que não responde, mas seria bastante prático o profissional de saúde continuar a avaliar a 
respiração e o pulso simultaneamente antes de acionar totalmente o serviço médico de emergência (ou 
telefonar para pedir apoio). 
2010(Antigo): O profissional de saúde deve verificar se há resposta, olhando para o paciente, para 
determinar se a respiração está anormal ou ausente. 
Porquê: A intenção das alterações feitas nas recomendações é minimizar atrasos e incentivar a 
rapidez e a eficiência na avaliação e na resposta simultâneas, em vez de uma abordagem lenta, metódica, 
passo a passo. 
 
Ênfase nas Compressões Torácicas* 
2015 (Atualizado): É sensato queos profissionais de saúde apliquem compressões torácicas e 
ventilação em todos os pacientes adultos com PCR, seja por uma causa cardíaca ou não cardíaca. Além 
disso, os profissionais de saúde podem adaptar a sequência de ações de resgate à causa mais provável 
da PCR. 
2010(Antigo): É esperado que o SME e os socorristas profissionais nos hospitais apliquem 
compressões torácicas e ventilações de resgate em vítimas de PCR. 
Porquê: A RCP somente com compressão é recomendada para socorristas não treinados, pois é 
relativamente fácil para os atendentes orientá-los com instruções por telefone. Espera-se que os 
profissionais de saúde sejam treinados em RCP e possam executar compressões e ventilações com 
eficiência. No entanto, a prioridade do profissional, sobretudo se atuando sozinho, ainda deve ser ativar 
o serviço médico de emergência e aplicar compressões torácicas. Pode haver circunstâncias que 
justifiquem uma alteração na sequência, como a disponibilidade de um DEA que o profissional possa 
rapidamente buscar e usar. 
 
 
 
 
 
 
Nos tópicos a seguir, destinados a profissionais de saúde, o sinal de 
asterisco (*) indica aqueles que são semelhantes para profissionais de 
saúde e socorristas leigos. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 18 
Os socorristas devem Os socorristas não devem 
Realizar compressões torácicas a uma frequência de 
100 a 120/min 
Comprimir a uma frequência inferior a 100/min ou 
superior a 120/min 
Comprimir a uma profundidade de pelo menos 2 
polegadas (5 cm) 
Comprimir a uma profundidade inferior a 2 polegadas (5 cm) 
ou superior a 2,4 polegadas (6 cm) 
Permitir o retorno total do tórax após cada 
compressão 
Apoiar-se sobre o tórax entre compressões 
Minimizar as interrupções nas compressões Interromper as compressões por mais de 10 segundos 
Ventilar adequadamente (2 respirações após 30 compressões, 
cada respiração administrada em 1 segundo, provocando a 
elevação do tórax) 
Aplicar ventilação excessiva (ou seja, uma quantidade 
excessiva de respirações ou respirações com força 
excessiva) 
Tabela 1- O que fazer e o que não fazer no SBV para obter uma RCP de alta qualidade para adultos 
 
Choque Primeiro Versus RCP Primeiro 
2015 (Atualizado): Em PCR de adultos presenciada, quando há um DEA disponível imediatamente, 
deve-se usar o desfibrilador o mais rapidamente possível. 
Em adultos com PCR sem monitoramento ou quando não houver um DEA prontamente disponível, 
deve-se iniciar a RCP enquanto o desfibrilador é obtido e aplicado e tentar a desfibrilação, se indicada, 
assim que o dispositivo estiver pronto para uso. 
2010(Antigo): Ao presenciar uma PCR extra-hospitalar e havendo um DEA prontamente disponível 
no local, o socorrista deverá iniciar a RCP com compressões torácicas e usar o DEA o quanto antes. 
Profissionais de saúde que tratem de um PCR em hospitais ou outras instituições com DEAs ou 
desfibriladores no local devem aplicar a RCP imediatamente e usar o DEA/ desfibrilador tão logo o 
equipamento esteja disponível. Estas recomendações foram concebidas como apoio à RCP precoce e à 
desfibrilação inicial, em particular quando há um DEA ou um desfibrilador disponível instantes após o 
ataque da PCR. Quando a PCREH não for presenciada pelo pessoal do SME, o SME poderá iniciar a 
RCP enquanto verifica o ritmo com o DEA ou no ECG e se prepara para a desfibrilação. Em tais 
circunstâncias, podem-se considerar de 1½ a 3 minutos de RCP antes da tentativa de desfibrilação. 
Quando houver dois ou mais socorristas presentes, aplique a RCP enquanto se busca o desfibrilador. 
Em PCR no hospital, há pouca evidência para sustentar ou refutar a RCP antes da desfibrilação. 
Contudo, em pacientes monitorados, o tempo desde a fibrilação ventricular (FV) até a administração do 
choque deve ser inferior a 3 minutos, devendo-se aplicar a RCP enquanto o desfibrilador é preparado. 
Porquê: Embora inúmeros estudos tenham se dedicado a saber se há algum benefício obtido com a 
aplicação de compressões torácicas por um determinado período (normalmente, 1,5 a 3 minutos) antes 
da administração do choque, não se observou nenhuma diferença no desfecho quando comparado com 
a administração do choque tão logo o DEA esteja pronto. A RCP deve ser administrada enquanto as pás 
do DEA são aplicadas e até que o DEA esteja pronto para analisar o ritmo. 
 
Velocidade das Compressões Torácicas: 100 a 120/min* 
2015 (Atualizado): Em vítimas adultas de PCR, o correto é que os socorristas apliquem compressões 
torácicas a uma frequência de 100 a 120/min. 
2010(Antigo): É sensato que os socorristas leigos e profissionais de saúde realizem compressões 
torácicas a uma frequência mínima de 100 compressões por minuto. 
Porquê: A frequência mínima recomendada para as compressões continua sendo de 100/min. O limite 
superior de 120/min para a frequência foi adicionado porque, segundo uma série ampla de registros, à 
medida que a frequência das compressões aumenta e ultrapassa 120/min, a profundidade das 
compressões diminui de forma dependente da dose. 
Por exemplo, a proporção de compressões de profundidade inadequada era de cerca de 35%, para 
uma frequência de compressões de 100 a 119/min, mas aumentava com profundidade inadequada em 
50% das compressões, quando a frequência das compressões era de 120 a 139/min, e com uma 
profundidade inadequada em 70% das compressões, quando a frequência de compressões era superior 
a 140/min. 
 
Profundidade das Compressões Torácicas* 
2015 (Atualizado): Durante a RCP manual, os socorristas devem aplicar compressões torácicas até 
uma profundidade de, pelo menos, 2 polegadas (5 cm) para um adulto médio, evitando excesso na 
profundidade das compressões torácicas (superiores a 2,4 polegadas (6 cm)). 
2010(Antigo): O esterno adulto deve ser comprimido, no mínimo, 2 polegadas (5 cm). 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 19 
Porquê: A profundidade das compressões, de aproximadamente 5 cm, está associada a uma maior 
probabilidade de desfechos favoráveis em comparação com compressões menos profundas. Embora haja 
menos evidências sobre a existência de um limite superior além do qual as compressões poderiam ser 
demasiadamente profundas, um recente pequeno estudo sugere possíveis lesões (não potencialmente 
fatais) causadas pelo excesso de profundidade das compressões torácicas (superior a 2,4 polegadas (6 
cm). Pode ser difícil julgar a profundidade de compressão sem o uso de dispositivos de feedback. A 
identificação dos limites superiores da profundidade de compressão também pode ser um desafio. É 
importante que os socorristas saibam que a profundidade das compressões torácicas é geralmente mais 
superficial do que profunda demais. 
 
Retorno do Tórax* 
2015 (Atualizado): Os socorristas devem evitar apoiar-se sobre o tórax entre as compressões, para 
permitir o retorno total da parede do tórax em adultos com PCR. 
2010(Antigo): Cabe aos socorristas permitir o retorno total do tórax após cada compressão, para que 
o coração se encha completamente antes da próxima compressão. 
Porquê: O retorno total da parede do tórax ocorre quando o esterno retorna à posição natural ou neutra 
durante a fase de descompressão da RCP. O retorno da parede do tórax cria uma pressão intratorácica 
negativa relativa que promove o retorno venoso e o fluxo sanguíneo cardiopulmonar. Ao apoiar- se sobre 
a parede torácica entre as compressões, impede-se o retorno total da parede do tórax. Quando 
incompleto, o retorno aumenta a pressão intratorácica e reduz o retorno venoso, a pressão de perfusão 
coronária e o fluxo sanguíneo do miocárdio, podendo influenciar os desfechos da ressuscitação. 
 
Minimização de Interrupções nas Compressões Torácicas* 
2015(Reconfirmação de 2010): Os socorristas devem tentar minimizar a frequência e a duração das 
interrupções das compressões, para maximizar o número de compressões aplicadas por minuto. 
2015(Novo): Para adultosem PCR que recebem RCP sem via aérea avançada, pode-se realizar a 
RCP com a intenção de obter uma fração de compressão torácica tão alta quanto possível, tendo como 
meta pelo menos 60%. 
Porquê: As interrupções das compressões torácicas podem ser propositais, como parte dos cuidados 
necessários (ou seja, análise do ritmo e ventilação), ou involuntárias (isto é, distração do socorrista). A 
fração das compressões torácicas é uma medida da proporção do tempo total de ressuscitação durante 
o qual são executadas as compressões. Para aumentar a fração de compressões torácicas, devem-se 
minimizar as pausas. 
A meta ideal de fração das compressões torácicas ainda não foi definida. A adição de uma meta na 
fração das compressões visa limitar as interrupções das compressões e maximizar a perfusão coronária 
e o fluxo sanguíneo coronário durante a RCP. 
 
Comparação dos Principais Elementos do SBV em Adultos, Crianças e Bebês 
A Tabela 2 apresenta os principais elementos do SBV para adultos, crianças e bebês de 2015 
(excluindo-se a RCP para bebês recém-nascidos). 
 
Feedback das Compressões Torácicas 
2015 (Atualizado): É aceitável utilizar dispositivos de feedback audiovisuais durante a RCP, para 
otimizar, em tempo real, o desempenho da RCP. 
2010(Antigo): Novos dispositivos de feedback para RCP podem ser úteis no treinamento de 
socorristas e como parte de uma estratégia geral para melhorar a qualidade da RCP em ressuscitações 
reais. O treinamento da complexa combinação de habilidades necessária para a adequada execução de 
compressões torácicas deve se concentrar em demonstrar perícia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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. 20 
Componente Adultos e adolescentes 
Crianças 
(1 ano de idade à 
puberdade) 
Bebês 
(menos de 1 ano 
de idade, excluindo 
recém-nascidos) 
Segurança do local Verifique se o local é seguro para os socorristas e a vítima 
Reconhecimento de 
PCR 
Verifique se a vítima responde 
Ausência de respiração ou apenas gasping (ou seja, sem respiração normal) 
Nenhum pulso definido sentido em 10 segundos 
(A verificação da respiração e do pulso pode ser feita simultaneamente, em 
menos de 10 segundos) 
Acionamento do 
serviço médico de 
emergência 
Se estiver sozinho, sem acesso a 
um telefone celular, deixe a 
vítima e acione o serviço de 
médico de emergência 
e obtenha um DEA, antes de 
iniciar a RCP 
Do contrário, peça que alguém 
acione o serviço e inicie a RCP 
imediatamente; use o DEA assim 
que ele 
estiver disponível 
Colapso presenciado 
Sigas as etapas utilizadas em adultos e 
adolescentes, mostradas à esquerda 
Colapso não presenciado 
Execute 2 minutos de RCP 
Deixe a vítima para acionar o serviço médico de 
emergência e buscar o DEA Retorne à criança ou 
ao bebê e reinicie a RCP; 
use o DEA assim que ele estiver disponível 
Relação compressão- 
ventilação sem via 
aérea avançada 
1 ou 2 socorristas 
30:2 
1 socorrista 
30:2 
 
2 ou mais socorristas 
15:2 
Relação Compressões contínuas a uma frequência de 100 a 120/min 
compressão- 
ventilação com via Administre 1 ventilação a cada 6 segundos (10 respirações/min) 
aérea avançada 
Frequência 
de compressão 
100 a 120/min 
Profundidade da 
compressão 
No mínimo, 2 polegadas (5 cm)* 
Pelo menos um terço do 
diâmetro AP do tórax 
Cerca de 2 polegadas (5 
cm) 
Pelo menos um terço 
do diâmetro AP do 
tórax 
Cerca de 1½ 
polegada (4 cm) 
Posicionamento das 
mãos 
2 mãos sobre a metade inferior do 
esterno 
2 mãos ou 1 mão (opcional 
para crianças muito 
pequenas) sobre a metade 
inferior do esterno 
1 socorrista 
2 dedos no centro do 
tórax, logo abaixo da 
linha mamilar 
2 ou mais 
socorristas 
Técnica dos dois 
polegares no centro 
do 
tórax, logo abaixo da 
linha mamilar 
Retorno do tórax 
Espere o retorno total do tórax após cada compressão; não se apoie sobre o tórax 
após cada compressão 
Minimizar interrupções Limite as interrupções nas compressões torácicas a menos de 10 segundos 
Tabela 2- Resumo dos componentes de um RCP de alta qualidade para profissionais do SBV 
 
*A profundidade da compressão não deve exceder 2,4 polegadas (6 cm). 
Abreviações: DEA, desfibrilador automático externo; AP, anteroposterior; RCP, ressuscitação cardiopulmonar. 
 
Porquê: A tecnologia permite o monitoramento em tempo real, a gravação e o feedback da qualidade 
da RCP, incluindo parâmetros fisiológicos do paciente e de desempenho do socorrista. Esses dados 
importantes podem ser usados em tempo real durante a ressuscitação, em reuniões de consolidação 
após a ressuscitação e em programas de melhoria da qualidade que abranjam todo o sistema. Manter o 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 21 
foco durante a RCP nas características da taxa das compressões, na profundidade e no retorno do tórax, 
minimizando simultaneamente as interrupções, é um desafio complexo, mesmo para profissionais 
altamente treinados. 
Há algumas evidências de que o feedback da RCP pode ser eficaz no sentido de modificar a taxa das 
compressões torácicas quando forem muito altas. Há também evidências separadas de que o feedback 
da RCP diminui a força de apoio durante as compressões torácicas. No entanto, até o momento, nenhum 
estudo demonstrou nenhuma melhoria significativa no desfecho neurológico favorável ou na 
sobrevivência à alta hospitalar com o uso de dispositivos de feedback para RCP durante eventos reais de 
PCR. 
 
Atraso na Ventilação 
2015 (Novo): Em PCREH presenciada, com ritmo chocável, os sistemas de SME, que atendem com 
base na prioridade e cuja resposta é dividida em diversos níveis, podem atrasar a ventilação com pressão 
positiva (PPV), utilizando uma estratégia de até 3 ciclos de 200 compressões contínuas com insuflação 
de oxigênio passiva e equipamentos acessórios para vias aéreas. 
Porquê: Vários sistemas de SME têm testado a estratégia de aplicar compressões torácicas iniciais 
contínuas com atraso na PPV em adultos que sejam vítimas de PCREH. Em todos esses sistemas de 
SME, os profissionais recebem treinamento adicional, com ênfase na aplicação de compressões torácicas 
de alta qualidade. Três estudos realizados em sistemas que utilizam atendimento baseado em prioridade, 
com resposta dividida em diversas camadas, em comunidades urbanas e rurais, e que oferecem um 
pacote de serviços de atendimento que incluam até 3 ciclos de insuflação passiva de oxigênio, inserção 
de equipamentos acessórios para vias aéreas e 200 compressões torácicas contínuas com choques 
interpostos, mostraram melhora da sobrevivência, com estado neurológico favorável, para vítimas com 
PCR presenciada ou ritmo chocável. 
 
Ventilação Durante a RCP Com Via Aérea Avançada 
2015 (Atualizado): O socorrista pode administrar 1 ventilação a cada 6 segundos (10 respirações por 
minuto), enquanto são aplicadas compressões torácicas contínuas (ou seja, durante a RCP com via aérea 
avançada). 
2010(Antigo): Quando houver uma via aérea avançada (ou seja, tubo endotraqueal, tubo 
esofagotraqueal ou máscara laríngea) durante uma RCP com 2 pessoas, administre 1 ventilação a cada 
6 a 8 segundos, sem tentar sincronizar as respirações entre as compressões (o que se traduz em 8 a 10 
ventilação por minuto). 
Porquê: Essa proporção única e simples para adultos, crianças e bebês, em vez de um intervalo de 
ventilações por minuto, é mais fácil de aprender, memorizar e realizar. 
 
Time de Ressuscitação: Princípios Básicos 
2015 (Novo): Para profissionais de saúde, a Atualização das Diretrizes de 2015 proporciona 
flexibilidade para acionar o serviço médico de emergência e para o controle subsequente, a fim de melhor 
corresponder ao ambiente clínico do profissional. 
Porquê: As etapas do algoritmo de SBV são tradicionalmente apresentadas como uma sequência, 
para ajudar o socorrista que atua sozinho a priorizar as ações. No entanto, existem vários fatores em 
qualquer ressuscitação (por exemplo, tipode PCR, localização, presença de profissionais treinados nas 
proximidades, necessidade de o socorrista deixar a vítima para ativar o serviço médico de emergência) 
que podem exigir modificações na sequência do SBV. Os algoritmos de SBV atualizados para 
profissionais de saúde têm o objetivo de comunicar quando e onde cabe haver flexibilidade na sequência. 
 
Técnicas Alternativas e Dispositivos Auxiliares Para RCP 
 
Resumo dos Principais Pontos de Discussão e Alterações 
A RCP convencional, que consiste em compressões torácicas manuais intercaladas com ventilação de 
resgate, é ineficiente, de forma inerente, no que diz respeito à geração de débito cardíaco significativo. 
Várias alternativas e adjuntos para a RCP convencional foram desenvolvidos com o objetivo de aumentar 
o débito cardíaco durante a ressuscitação por PCR. Desde a publicação das Diretrizes de 2010, diversos 
ensaios clínicos têm fornecido novos dados sobre a eficácia dessas alternativas. 
Em comparação com a RCP convencional, muitas dessas técnicas e dispositivos requerem 
equipamento e treinamento especializados. Quando os socorristas ou os sistemas de saúde estão 
considerando a implantação, deve-se salientar que algumas técnicas e dispositivos foram testados 
somente em subgrupos altamente seletos de pacientes com PCR. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 22 
- Não se recomenda o uso rotineiro do dispositivo de limiar de impedância (DLI) como adjunto à RCP 
convencional. 
- Um recente estudo randomizado e controlado sugere que o uso do DLI junto com uma RCP de 
compressões-descompressões ativas está associado à melhora da sobrevivência neurologicamente 
intacta de pacientes com PCREH. 
- Não se recomenda o uso rotineiro de dispositivos mecânicos para compressões torácicas, mas são 
identificados ambientes específicos, nos quais essa tecnologia pode ser útil. 
- O uso de ECPR pode ser considerado para determinados pacientes em ambientes onde haja suspeita 
de uma causa reversível de PCR. 
 
Dispositivos de Limiar de Impedância 
2015 (Atualizado): Não se recomenda o uso rotineiro do DLI como adjuvante durante a RCP 
convencional. A combinação do DLI com uma RCP de compressões-descompressões ativas pode ser 
uma alternativa razoável para a RCP convencional em ambientes com equipamentos disponíveis e 
pessoal devidamente treinado. 
2010(Antigo): O uso do DLI pode ser considerado por pessoal treinado como adjunto à RCP em uma 
PCR de adultos. 
Porquê: Dois grandes ensaios randomizados e controlados forneceram novas informações sobre o 
uso do DLI na PCREH. Um grande ensaio clínico randomizado e multicêntrico não conseguiu demonstrar 
nenhuma melhoria associada ao uso de um DLI (em comparação com um dispositivo simulado) como 
adjunto à RCP convencional. 
Outro ensaio clínico demonstrou algum benefício no uso da RCP com compressões- descompressões 
ativas e o DLI, quando comparado com a RCP convencional e a ausência de um DLI. No entanto, os 
intervalos de confiança em torno do ponto estimado como desfecho primário foram muito amplos. Além 
disso, há um alto risco de tendenciosidade com base em cointervenções (o grupo que recebeu a RCP 
com compressões-descompressões ativas e o DLI também recebeu a RCP por dispositivos de feedback 
da qualidade da RCP, enquanto o grupo de controle não utilizou esses dispositivos de feedback). 
 
Dispositivos Mecânicos Para Compressões Torácicas 
2015 (Atualizado): As evidências não demonstram nenhum benefício no uso de dispositivos 
mecânicos com pistão para compressões torácicas em comparação com as compressões torácicas 
manuais, em pacientes com PCR. As compressões torácicas manuais continuam sendo o tratamento 
padrão para a PCR. No entanto, esse dispositivo pode ser uma alternativa razoável para a RCP 
convencional em ambientes específicos em que a administração de compressões manuais de alta 
qualidade pode ser um desafio ou perigosa para o profissional (por exemplo, disponibilidade limitada de 
socorristas, RCP prolongada, RCP durante PCR hipotérmica, RCP em ambulância em movimento, RCP 
na sala de angiografia, RCP durante a preparação para ECPR). 
2010(Antigo): Pode-se considerar o uso de dispositivos mecânicos com pistão por pessoal 
devidamente treinado, em ambientes específicos, para o tratamento da PCR de adultos em circunstâncias 
(por exemplo, durante procedimentos de diagnóstico e de intervenção) que dificultem a ressuscitação 
manual. Pode-se considerar o uso da faixa de distribuição de carga por pessoal devidamente treinado, 
em ambientes específicos, para o tratamento da PCR. 
Porquê: Três grandes ensaios randomizados e controlados que compararam dispositivos mecânicos 
para de compressões torácicas não demonstraram melhores desfechos para pacientes com PCREH 
quando comparados com as compressões torácicas manuais. Por essa razão, as compressões torácicas 
manuais continuam sendo o tratamento padrão. 
 
Técnicas Extracorpóreas e Dispositivos Invasivos de Perfusão 
2015 (Atualizado): A ECPR pode ser uma alternativa para a RCP convencional para determinados 
pacientes que tenham uma PCR e para os quais a etiologia suspeita seja potencialmente reversível. 
2010(Antigo): Não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro da ECPR em pacientes 
com PCR. No entanto, em locais onde a ECPR esteja prontamente disponível, pode-se considerá-la 
quando o tempo sem fluxo sanguíneo for curto e o quadro que levou à PCR for reversível (por exemplo, 
hipotermia acidental, intoxicação por drogas) ou passível de transplante cardíaco (por exemplo, 
miocardite) ou revascularização (por exemplo, infarto agudo do miocárdio). 
Porquê: O termo RCP extracorpórea é usado para descrever o início da circulação extracorpórea e 
da oxigenação durante a ressuscitação de um paciente em PCR. A ECPR envolve a canulação de 
emergência de uma grande veia e artéria (por exemplo, vasos femorais). O objetivo da ECPR é auxiliar 
os pacientes em PCR enquanto os quadros potencialmente reversíveis são tratados. 
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. 23 
A ECPR é um processo complexo que requer um time altamente treinada, equipamentos 
especializados e suporte multidisciplinar dentro do sistema de saúde local. Não há ensaios clínicos sobre 
a ECPR. As séries publicadas disponíveis utilizam critérios de inclusão e exclusão rigorosos para 
selecionar pacientes para a ECPR. Embora esses critérios de inclusão sejam muito variáveis, a maioria 
inclui apenas pacientes com idades entre 18 a 75 anos, com comorbidades limitadas, com a parada de 
origem cardíaca, após a RCP convencional, por mais de 10 minutos sem RCE. Esses critérios de inclusão 
devem ser considerados pelo profissional ao escolher possíveis candidatos à ECPR. 
 
Questões 
 
01. (Prefeitura Municipal de Fortaleza - Enfermeiro) Escreva V para verdadeiro e F para falso sobre 
os cuidados pós-parada cardiorrespiratória (PCR) abaixo e assinale a alternativa correta que preenche 
corretamente os parênteses de cima para baixo. 
( ) É aconselhável evitar e corrigir imediatamente a hipotensão (pressão arterial sistólica inferior a 90 
mmHg ou pressão arterial média inferior a 65 mmHg) durante os cuidados pós-parada cardiorrespiratória. 
( ) A angiografia coronária de emergência é indicada para todos os pacientes com infarto agudo do 
miocárdio. 
( ) Todos os pacientes que são ressuscitados em decorrência de uma PCR, mas, posteriormente 
evoluem para morte ou morte cerebral, devem ser avaliados como possíveis doadores de órgãos. 
( ) Em pacientes que estiverem entubados, um ETCO2 que não ultrapassa 10mmHg na capnografia 
após 20 minutos de ressuscitação cardiorrespiratória (RCP) está associado a uma probabilidade muito 
baixa de ressuscitação. Sendo assim, este é um parâmetro objetivo a ser usado para determinar o fim 
dos esforços da RCP. 
 
(A) V, V, V, F. 
(B) F, V, F, F. 
(C) F, F, V, V. 
(D) F, V, V, V. 
 
02. (TER/BA - Técnico de Enfermagem- CESPE/2017) De acordo com a legislação referente aos 
sistemas estaduais de urgência e emergência, um técnico em enfermagem civil com formação específica 
em urgências, sem certificação em salvamento, poderá ser tripulante, atuando em situações de urgência, 
apenas em ambulâncias de 
(A) transporte e de suporte básico. 
(B) transporte, de suporte básico e de suporte avançado. 
(C) resgate. 
(D) transporte. 
(E) resgate e de transporte. 
 
03. (SEJUDH/MT - Enfermeiro - IBADE/2017) De acordo com o protocolo de classificação de risco 
adotado pelo Ministério da Saúde, pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o 
mais rápido possível, porém não correm riscos imediatos de vida, devem ser classificados com a cor: 
(A) marrom. 
(B) verde. 
(C) azul. 
(D) amarela. 
(E) vermelha. 
 
04. (TRT 11ª Região (AM e RR) - Técnico de Enfermagem – FCC/2017) Considere, abaixo, algumas 
condutas de suporte básico de vida em ambiente extra- hospitalar a uma vítima de trauma. 
 
 
 
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. 24 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
(A) II, III e IV. 
(B) I e IV. 
(C) II e III. 
(D) I e III. 
(E) I, II e IV. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.A / 03.D / 04.D 
 
Comentários 
 
01.Resposta: D 
O ideal é que a pressão arterial não esteja muito baixa, a pressão arterial sistólica superior a 100 
mm/Hg está associada a uma melhor recuperação. 
 
02. Resposta: A 
De acordo com a PORTARIA Nº 356, DE 8 DE ABRIL DE 2013 
Unidade de Suporte Básico de Vida Terrestre (USB) 
- Viatura tripulada por no mínimo 2 profissionais, sendo 1 condutor de veículo de urgência e 1 técnico 
ou auxiliar de enfermagem. 
Unidade de Suporte Avançado de Vida Terrestre (USA) 
- Viatura tripulada por no mínimo 3 profissionais, sendo 1 condutor de veículo de urgência, 1 enfermeiro 
e 1 médico. 
 Equipe de aeromédico 
- Aeronave com equipe composta por no mínimo 1 médico e 1 enfermeiro. 
Equipe de embarcação 
- Equipe composta por no mínimo 2 ou 3 profissionais, de acordo com cada tipo de atendimento a ser 
realizado, contando com condutor da embarcação e 1 técnico/auxiliar de enfermagem, em casos de 
suporte básico de vida, e 1 médico e 1 enfermeiro, em casos de suporte avançado de vida. 
Motolância 
- Motocicleta conduzida por 1 profissional de nível técnico ou superior em enfermagem com 
treinamento para condução de motolância; e 
 Veículo de Intervenção Rápida (VIR) 
- Viatura tripulado por no mínimo 1 condutor de veículo de urgência, 1 médico e 1 enfermeiro. 
 
03. Resposta: D 
Em serviços de urgência/emergência que implementaram a estratégia de acolhimento com 
classificação de risco, a prioridade do atendimento se dá nos seguintes níveis: 
Vermelho: prioridade zero – emergência, necessidade de atendimento imediato. 
Amarelo: prioridade 1 – urgência. Pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem 
o mais rápido possível, porém não correm riscos imediatos de vida. 
Verdes: prioridade 2 – prioridade não urgente. Pacientes em condições agudas (urgência relativa) ou 
não agudas atendidos com prioridade sobre consultas simples – espera até 30 minutos. 
Azuis: prioridade 3 – consultas de baixa complexidade – atendimento de acordo com o horário de 
chegada. 
 
04. Resposta: D 
Trauma de membros superiores e inferiores 
Quando suspeitar ou critérios de inclusão: 
Paciente de trauma de extremidades apresentando algum dos seguintes sinais ou sintomas: dor, 
ferimento, deformidade, crepitação, encurtamento, alterações sensitivas, vasculares ou motoras. 
Conduta: 
1. Realizar avaliação primária (Protocolo BT1). 
2. Realizar avaliação secundária (Protocolo BT2). 
3. Controlar sangramento externo com curativo compressivo estéril. 
4. Considerar breve limpeza/enxágue dos ferimentos abertos com solução salina em caso de sujidade 
grosseira. 
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5. Cobrir ferimentos abertos com curativo estéril. 
6. Avaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade. 
7. Realizar a imobilização da parte afetada, conforme técnica mais apropriada; 
8. Realizar a mobilização cuidadosa e a imobilização adequada da coluna cervical e tronco em prancha 
longa com alinhamento anatômico, sem atraso para o transporte. 
9. Reavaliar pulso periférico e perfusão, sensibilidade e mobilidade após a imobilização. 
10. Realizar contato com a Regulação Médica e passar os dados de forma sistematizada. 
11. Aguardar orientação da Regulação Médica para procedimentos e/ou transporte para a unidade de 
saúde. 
 
O ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – APH 
 
O APH pode ser definido como toda e qualquer assistência realizada, direta ou indiretamente, fora do 
âmbito hospitalar, com o intuito de dar a melhor resposta à solicitação de ajuda ao usuário. Essa resposta 
pode variar de um simples conselho ou orientação médica ao envio de uma viatura de suporte básico ou 
avançado ao local da ocorrência, visando à manutenção da vida e/ou a minimização das sequelas 
(LOPES; FERNANDES). 
Segundo o MS, o APH é classificado em fixo e móvel. O APH fixo é a assistência prestada ao usuário, 
num primeiro nível de atenção, através das unidades básicas de saúde, unidades do Programa de Saúde 
da Família (PSF), Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), ambulatórios especializados, 
serviços de diagnóstico e terapia ou unidades não-hospitalares de atendimento às urgências e 
emergências (BRASIL). 
O APH móvel pode ser definido como sendo “o atendimento que procura chegar precocemente à vítima 
após ter ocorrido o agravo à sua saúde (clínico, cirúrgico, traumático, ou psiquiátrico), com risco de 
sofrimento, sequelas ou morte, necessitando, portanto, de socorro ou transporte adequado para um 
serviço de saúde” (FERNANDES, R.J). 
Denomina-se de APH móvel primário, o socorro fornecido diretamente ao pedido de um cidadão, e 
secundário quando a solicitação partir de um serviço de saúde, no qual o paciente esteja recebendo o 
primeiro atendimento, necessitando ser conduzido a outro serviço de maior complexidade (BRASIL). 
O APH móvel primário compreende três etapas distintas de igual importância. A primeira corresponde 
ao atendimento realizado na cena do evento, seguida pela assistência durante o transporte até o hospital 
de referência, e finalmente a chegada ao hospital (PAVELQUEIRES). 
O APH móvel objetiva estabilizar as condições vitais, evitando a morbi-mortalidade, por meio de 
condutas adequadas durante a fase de estabilização e transporte, assim como as iatrogenias que possam 
culminar com adventos variados desde as incapacidades físicas temporárias ou permanentes até a morte 
(PAVELQUEIRES). 
A esse respeito Pavelqueires assinala que para atingir os objetivos é preciso que o sistema de APH 
disponha de viaturas básicas e avançadas sendo estas aéreas ou terrestres, com medicamentos, 
equipamentos, materiais para resgate e estabilização das vítimas, sistemas eficientes de 
radiocomunicação que permita contato da cena do evento com as equipes da central, rede hospitalar 
hierarquizada e organizada, e equipe capacitada a exercer atividades em ambientes extra hospitalares 
dispondo de protocolos de atendimento os quais devem ser conhecidos e seguidos por toda equipe. 
Soares; Almeida e Gonçalves referem-se aos componentes do sistema conforme, Pavelqueires, 
acrescido da necessidade de reciclagem permanente e supervisão com controle de qualidade. 
Na opinião de Ribeiro outro aspecto importante a ser considerado no APH, é o conhecimento da 
categorização das vítimas através da aplicação dos escores de trauma (escala de coma de Glasgow e o 
índice de trauma Score), que permitem classificar o paciente, de acordo com o grau de comprometimento 
e encaminhá-lo adequadamente, bem como promover avaliações subsequentes, possibilitando 
estabelecer a evolução do estado do doente, facilitando e contribuindo no processo de triagem das 
vítimas. 
O APH, segundo Eidi deverá obedecer a cinco princípiosbásicos: a intervenção no local da ocorrência 
deve ser rápida, segura e eficaz; o estabelecimento da responsabilidade de cada profissional e das inter-
relações deve ser claro; a garantia da qualidade da assistência está diretamente relacionada à 
competência dos profissionais e do desenvolvimento do trabalho em equipe; as ações preventivas e 
educativas fazem parte das ações de urgência; os profissionais envolvidos devem ter conhecimento do 
Código de Ética, da Lei do Exercício Profissional, de acordo com a sua formação acadêmica e função 
desempenhada, assim como do Código Nacional de Trânsito, e Código Penal. 
No contexto do APH, as ações são divididas em suporte básico e avançadas de vida. O suporte básico 
de vida é definido como sendo a estrutura de apoio oferecida a pacientes com risco de morte 
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. 26 
desconhecido, promovida por profissionais de saúde, por meio de medidas conservadoras não invasivas, 
tais como: imobilização cervical, compressão de sangramento, curativos oclusivos, imobilização em 
prancha longa. O suporte avançado de vida corresponde à estrutura de apoio oferecida a pacientes em 
risco de morte, promovida por profissionais médicos, por intermédio de medidas não-invasivas ou 
invasivas tais como: intubação endotraqueal, toracocentese, drenagem de tórax, pericardiocentese, 
acesso venoso, etc. (BRASIL). 
A assistência exercida pelos profissionais de saúde do APH está centrada em agravos de natureza 
clínica ou traumática, porém quando analisamos as lesões presentes nos pacientes politraumatizados, 
constatamos que, segundo a curva de mortalidade por trauma, o APH passa a ser de grande valia 
principalmente no segundo pico de morte, aquele que ocorre entre os primeiros minutos e algumas horas 
após o acidente. As lesões potencialmente reversíveis, são melhor tratadas quando atendidas neste 
espaço de tempo. A atuação dentro da chamada Hora de Ouro ou” Golden Hour”, dá prioridade para as 
medidas terapêuticas mais emergentes (FERNANDES, R.J). 
Segundo Whitaker; Gutiérrez e Koizumi; Malvestio; Morais e Malvestio o relógio é um dos maiores 
inimigos para os atendimentos e os fatores como: horário do dia, trânsito, distribuição das ambulâncias e 
local para onde o paciente será encaminhado, influenciam diretamente no tempo de atendimento pré-
hospitalar, e os profissionais do APH buscam melhorar suas médias. Os tempos ideais são de seis 
minutos para a chegada até a vítima, atendê-la em oito e deixá-la no hospital em cinco minutos. Em outros 
países o tempo de socorro é menor, pois existem locais em que cada ambulância atende um raio de cinco 
quilômetros de abrangência. 
Além do fator tempo, o salvamento de pacientes politraumatizados exige materiais, equipamentos e 
equipes múltiplas, organizadas e experientes que devem abordar as vítimas rápida e eficientemente nas 
várias fases: do resgate à reanimação e da avaliação ao tratamento definitivo. A organização do sistema 
de saúde, com a regionalização de centros capazes de atender e dar continuidade ao processo iniciado 
na cena do acidente, permitindo o tratamento definitivo dentro da primeira hora da ocorrência é outro fator 
importante a ser considerado (SOARES; ALMEIDA; GONÇALVES; PAVELQUEIRES; SANTOS; 
SANTOS JR). 
A qualificação das equipes e a experiência prévia na área de emergência são fatores primordiais que 
estão diretamente relacionados ao sucesso do atendimento, enfatizando a importância de cursos 
específicos para as equipes de resgate pré-hospitalar (DANTAS; SEIXAS; CIOFF; FONSECA). 
Segundo Shapiro o APH pode representar uma diferença na sobrevida dos pacientes, contudo existem 
poucos trabalhos que demonstram a eficiência desta nova modalidade de assistência. 
 
O transporte inter-hospitalar 
Outra modalidade de assistência às urgências / emergências é o transporte inter-hospitalar, que pode 
ser definido como a transferência de um paciente de um centro a outro, que poderá ocorrer quando os 
benefícios esperados para o paciente crítico excederem os riscos inerentes ao transporte e, também, 
quando o hospital de origem não dispõe de recursos materiais, estruturais e de pessoal que supram as 
necessidades do paciente (PEREIRA JR; NUNES; BASILE-FILHO). 
 
O Transporte Inter-hospitalar Aéreo 
A partir dos anos 80, com o aumento dos acidentes e a necessidade de um sistema de atendimento 
pré-hospitalar, principalmente nos conglomerados urbanos, ocorreu a parceria das Secretarias de Saúde 
e de Segurança Pública sendo criado o Sistema Resgate (Wilke). 
Neste contexto, o helicóptero é uma ferramenta importante para o atendimento, triagem e transporte 
rápido dos pacientes graves aos hospitais de tratamento definitivo (Canetti). Na literatura nacional 
trabalhos científicos sobre pacientes acidentados aerotransportados praticamente inexistem. 
Os fatores tempo, distância, acessibilidade e gravidade do paciente, são importantes na decisão de 
enviar o helicóptero ao local do acidente e o benefício é inquestionável. 
http://www.pilotopolicial.com.br/ 
Recursos utilizados no APH 
- Recurso material 
- Ambulância: equipada para atender todo e qualquer tipo de ocorrência. 
- Equipamentos de Primeiros Socorros. 
 
O Check List deve ser realizado de acordo com protocolo nas unidades USB e USA pelos componentes 
da unidade: USB (Técnico em Enfermagem e Condutor Socorrista); USA (Médico, Enfermeiro e Condutor 
Socorrista). 
 
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. 27 
Classificação dos equipamentos e materiais: 
1. Equipamentos de comunicação móvel e portátil: autotrack, rádio HI fixo e móvel e telefone celular. 
2. Equipamentos para segurança no local do acidente: 
a) EPI de cada socorrista para evitar a transmissão de doenças e proteger a equipe. 
b) Roupas próprias de acordo com o tipo de acidente. 
3. Equipamentos para garantir a segurança da equipe e dos envolvidos como: cones de sinalização, 
lanternas e fitas para o isolamento da área. 
4. Equipamentos de reanimação e administração de oxigênio. 
5. Equipamentos destinados a garantir a permeabilidade das VAS: cânulas de Guedel ou Orofaríngeas. 
6. Ventilador manual, ambu, composto por bolsa, válvula e máscara. 
7. Equipamentos de fluxômetro. Toda unidade possui 02 torpedos de oxigênio, fluxo com capacidade 
maior de concentração, aspirador portátil e fixo nas ambulâncias. 
8. Equipamentos de fixação e de imobilização: talas moldáveis para imobilização de fraturas e 
luxações, bandagens e ataduras de crepom, cintos de fixação, tracionador de fêmur, colete de 
imobilização dorsal (KED), colar cervical, prancha longa e Barchal, prancha curta, materiais para curativo 
de acordo com o check list, materiais de uso obstétricos, materiais para verificação de SV, acessórios 
com: maca, cobertor, manta aluminizada, lençóis. 
9. Maleta de medicamentos. 
USB - Desfibrilador Externo Automático - DEA 
USA - Desfibrilador monitor cardioversor, respirador, acessórios SVA para intubação e medicações. 
Mala aluminizada para evitar a perda de calor gerado pelo corpo. 
Fármacos: utilizados para o tratamento e intervenção para as diversas patologias, distribuídos e 
acondicionados em maleta. 
 
Recurso pessoal 
A equipe de atendimento pré- hospitalar deve conter profissionais capacitados e habilitados, sendo 
distribuído desta forma: 
USA - Médico, Enfermeiro e Condutor Socorrista. 
USB - Técnico em Enfermagem e Condutor Socorrista. 
 
Princípios dos socorristas 
 
1°Princípio 
Garantir a segurança dos socorristas e do paciente. 
- Prioridade máxima é: a constante avaliação e segurança de cena; 
- Socorrista que se expõe a riscos desnecessários, pode se tornar também uma vítima; 
- Resgates - treinamento especial; 
- Uso de precauções-padrão. 
 
2°Princípio 
Avaliar a situação para determinar a necessidade de solicitar outros recursos ou equipes 
adicionais de acordo com o protocolo N°13. 
- A caminho do local e logo à chegada; 
- Mais ambulâncias;- Equipamentos de incêndio; 
- Equipes especiais para resgate; 
- Companhia de eletricidade; 
- Helicópteros, etc. 
 
3ºPrincípio 
Reconhecer a biomecânica envolvida nas lesões. 
- Conhecimento da biomecânica - melhor avaliação do paciente; 
- Conhecimento de padrões específicos de lesões - ajuda a prevê-las e saber onde procurar; 
- Aspectos mais importantes devem ser sempre repassados para os médicos do hospital. 
 
4° Princípio 
Reconhecer as lesões com risco de vida já no exame primário. 
- “Tratar logo que diagnosticar”; 
- Sequência lógica - podem ser realizadas simultaneamente; 
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- Deve ser repetido a intervalos regulares. 
 
5°Princípio 
Cuidar das vias aéreas mantendo a coluna cervical estabilizada. 
- Manobras básicas - devem ser feitas com facilidade; 
- Intubação endotraqueal - técnica “padrão ouro”; 
- Incapazes de manter via aérea pérvia; ECG < 8 ; altas concentrações de O2 para manter saturação; 
risco de obstrução secundária (queimadura); 
- Decisão de tentar a intubação - considerar riscos e benefícios potencialmente fatais; 
- Não existe evidência conclusiva de que resulte em menor morbidade ou mortalidade; 
- Hospital próximo - manobras básicas - transporte rápido. 
 
6°Princípio 
Providenciar suporte ventilatório e oferecer oxigênio para manter SAT O2 superior a 95% de 
acordo com orientação da Regulação Medica. 
- Oferecer oxigênio suplementar a todo traumatizado com suspeita ou evidência de situação de risco 
de vida; 
- Máscara unidirecional - pacientes com ventilação espontânea; 
- Balão conectado a fonte de O2 (Fi O2 > 0,85) aos que precisam de suporte ventilatório assistido ou 
total; 
- Manter saturação superior a 95%; 
- Se disponível > monitorização de CO2 expirado (ETCO2) > queda súbita da ETCO2 pode indicar 
deslocamento do tubo traqueal ou redução abrupta da perfusão (hipotensão grave ou PCR). 
 
7°Princípio 
Controlar toda hemorragia externa significativa. 
- Maioria controlada por pressão externa; 
- Elevação e compressas em pontos de pressão; 
- Torniquete é medida de exceção; 
- “na presença de sangramento externo ativo, as tentativas de reanimação nunca terão sucesso” - 
evitar medidas de reanimação (líquidos IV) antes do controle do sangramento externo. 
 
8°Princípio 
Tomar as medidas iniciais para tratamento do choque, incluindo a restauração e a manutenção 
da temperatura normal do organismo e a imobilização adequada das lesões musculoesquelético. 
- Hipotermia - compromete sistema de coagulação; 
- Fratura de ossos longos - hemorragia interna significativa (fêmur: 1200ml) - manipulação grosseira 
agrava o sangramento - imobilização - tratar também a dor; 
- Traumatizado grave - não há tempo para imobilizar todas as fraturas - imobilização em prancha longa 
- imobilizar quase todas em posição anatômica e reduz hemorragia interna; 
- Exceção: fêmur - espasmo muscular - usar tracionador se houver tempo. 
 
9°Princípio 
Manter a estabilização da coluna até que o paciente esteja imobilizado em prancha longa. 
- Manter estabilização manual até que esteja na prancha longa ou que se determine indicação de 
imobilização - algoritmo. 
- Ferimentos penetrantes - caso haja queixa neurológica ou déficit motor ou sensitivo no exame é 
importante a imobilização. 
- Trauma fechado - indicado - alteração de nível de consciência, queixa neurológica, dor à palpação, 
deformidade anatômica ou déficit motor/sensitivo, intoxicação por álcool ou drogas, lesão que desvie a 
atenção, incapacidade de se comunicar. 
- Bom senso - na dúvida, IMOBILIZE! 
 
10°Princípio 
Quando se tratar de traumatizado grave, iniciar o transporte para o hospital apropriado mais 
próximo dentro de 10 minutos após a chegada ao local. 
- Retardo no transporte - aumenta a mortalidade; 
- Muitos traumatizados graves têm choque hemorrágico e necessitam de duas coisas que não podem 
ser oferecidas no Pré-Hospitalar: 
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a) Sangue; 
b) Soluções cristaloides restauram o volume - mas não restabelecem a capacidade de transporte de 
oxigênio das hemácias que foram perdidas; 
- Controle de hemorragia interna - intervenção cirúrgica - não se consegue reanimar adequadamente 
um paciente na vigência de sangramento interno ativo; 
- PHTLS - filosofia de “intervenção limitada no local”; 
- Foco na avaliação rápida para identificar lesões com risco de vida e na execução de manobras que 
realmente possam melhorar o prognóstico: vias aéreas e ventilação, controle da hemorragia externa, 
imobilização cervical, etc; 
- Não perder tempo com procedimentos que podem ser feitos a caminho do hospital; 
- 10 minutos de PLATINA do período de ouro; 
- Algumas situações é melhor evitar hospitais não especializados e levar o paciente para um centro de 
trauma mesmo que signifique pequeno aumento no tempo de transporte - tempo total menor para o 
tratamento definitivo. 
 
11°Princípio 
A caminho do hospital, iniciar a reposição de volume com soluções aquecidas. 
- Nunca atrasar o início do transporte para conseguir acesso venoso e repor volume; 
- Objetivo da reposição de fluidos - manter a PAM em torno de 50-60mmhg (pressão sistólica 80-90). 
 
12°Princípio 
Uma vez adequadamente tratadas ou descartadas as lesões com risco de vida, obter a história 
médica do doente e fazer o exame secundário. 
- Exame “da cabeça aos pés”; 
- História AMPLA (alergias, medicamentos, passado médico, líquidos e alimentos ingeridos, ambiente 
e eventos relacionados ao trauma. 
 
13°Princípio 
Acima de tudo não causar mais danos. 
- A experiência demonstra que o socorrista pode realizar de maneira segura muitos dos procedimentos 
que são feitos em um centro de trauma. 
- A pergunta não é “o que o socorrista PODE fazer?”; e sim “o que ele DEVE fazer?” 
- Seguir uma ordem de prioridades que determinam um plano de ação eficiente e efetivo. 
- Aplicação dos princípios fundamentais do PHTLS (avaliação rápida, intervenções fundamentais no 
local, transporte rápido para o hospital apropriado mais próximo). 
- Melhora do resultado final. 
 
Referências 
 
PHTLS- Prehospital Trauma Life Support 
 
TRIAGEM-ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
Triagem (START) e Manchester 
 
Todo sistema organizado para atendimento às emergências deve ter um plano estabelecido para fazer 
frente a um acidente com múltiplas vítimas. 
O plano deve ser específico, estabelecido a partir de características locais e regionais. 
Entre muitos pontos, deve o plano estabelecer a forma mais eficiente de oferecer, simultaneamente, 
socorro a todas as vítimas. Em outras palavras, várias equipes de emergência, equipadas e preparadas, 
devem ser acionadas e as vítimas atendidas ao mesmo tempo. 
Muitas vezes, no entanto, por alguns minutos ou eventualmente horas, isto não é possível. Na 
impossibilidade, a primeira equipe que chegar ao local deve iniciar um processo chamado “triagem das 
vítimas”. 
 
Definição: 
Triagem é a classificação das vítimas em categorias, não exclusivamente relativas a gravidade mas 
sim às situações em que mais se beneficiarão do socorro prestado. 
O objetivo é otimizar a ação de socorro, salvando o maior número possível de vítimas. 
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A partir da triagem, as vítimas recebem o socorro no local e são transportadas para um atendimento 
hospitalar. 
Quando o número de vítimas ultrapassa a capacidade da equipe no local, é prioritário também o 
estabelecimento de uma área de triagem e estabilização, assunto que abordaremos em outro momento. 
 
Não há triagem perfeita: 
Devemos também considerar que não existe um critério perfeito de triagem, variando de um sistema 
para outro e na dependência de diversos fatores, como a magnitude e a área de abrangência do desastre, 
tipo de desastre (produtos perigosos, terremotos, etc), qualificação das equipes e equipamentos, dentre 
muitos outrospontos. 
A triagem é também específica para uma finalidade como por exemplo: 
- triagem para iniciar o socorro no local 
- triagem para colocar as vítimas em áreas específicas na zona do desastre 
- triagem para o transporte da zona de desastre para o atendimento hospitalar 
- triagem no atendimento hospitalar 
- triagem para o transporte inter hospitalar; 
 
Processo contínuo: 
Na cena do desastre, a triagem deve ser considerada um processo contínuo, ou seja, constantemente 
deve ser repetida em cada vítima, mesmo para as que já receberam um socorro inicial, pois a situação 
pode alterar-se e uma vítima considerada de baixa prioridade pode alguns minutos depois, necessitar 
cuidados imediatos para que se mantenha viva. 
 
START e as cores de identificação: 
No processo de triagem para iniciar o socorro no local do desastre, feito pela primeira equipe a chegar 
ou na ausência de número suficiente de socorristas, um dos métodos mais utilizados é o START-Simple 
Triage And Rapid Treatment que identifica as vítimas por fitas coloridas ou etiquetas (tarjetas) coloridas 
ou cartões de triagem. 
Cor vermelha: socorro imediato, primeira prioridade ou prioridade imediata – são vítimas que requerem 
atenção imediata no local ou tem prioridade no transporte. Incluem-se aqui as vítimas: 
Com hemorragia externa importante, as que, encontradas em parada respiratória, respiraram após 
uma manobra de abertura das vias aéreas, as que respiram com FR maior que 30 mov/min, as que 
respiram e apresentam reenchimento capilar levando mais que 2 segundos ou ausência de pulso radial, 
as que respiram abaixo de 30 mov/min, apresentam pulso radial e reenchimento capilar em até 2 
segundos, mas não respondem ordens simples. 
Estas situações geralmente correspondem a vítimas com trauma grave, dificuldade respiratória, trauma 
de crânio, hemorragia com choque, queimaduras severas, etc. 
Cor amarela: segunda prioridade ou prioridade secundária - socorro deve ser rápido, mas deve 
aguardar vítimas com maior prioridade. 
São vítimas sem indicativo de que virão a morrer nos próximos minutos, se não forem socorridas. 
Devem ser consideradas amarelas as vítimas que não se enquadram nos critérios anteriores e que não 
deambulam e estão orientadas, conseguindo cumprir ordens simples. Geralmente são vítimas com 
fraturas, lesões torácicas ou abdominais sem choque, lesão de coluna ou queimaduras menores. 
Cor verde: terceira prioridade ou prioridade tardia – vítimas deambulando, com lesões menores e que 
não requerem atendimento imediato. Não devem ser consideradas isentas de lesão. Apenas não são 
prioritárias naquele momento. 
Cor preta: prioridade zero ou última prioridade - vítimas consideradas em morte óbvia ou em situações 
de grande dificuldade para reanimação. 
Note que neste último caso, só pode ser considerada cor preta, se não houver socorrista suficiente. 
Se houver, todo esforço deve ser tentado para todas as vítimas, excetuando-se apenas aquelas em morte 
óbvia. 
 
Mudança de prioridade: 
Vítimas são todas as pessoas envolvidas no acidente e não apenas as que apresentam lesões ou 
queixas. Nunca deixe de identificar uma vítima que deambula sem lesão aparente ou sem queixa. 
No processo de avaliação contínua, ou melhor, de reavaliação, muitas vítimas podem mudar de 
prioridade. Uma vítima rotulada de verde pode apresentar lesão interna e evoluir para choque, ou lesão 
de crânio com piora do quadro de consciência, apenas para citar alguns exemplos. Devem ser 
reclassificadas e as providências devem ser tomadas de acordo com a nova categoria. 
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Fluxograma Start-Simple Triage and Rapid Treatment 
Para a fácil e rápida aplicação do método START, podemos seguir o fluxograma ou algoritmo abaixo. 
Lembramos sempre que um método de triagem perfeito não existe. Cada serviço deve adotar, para suas 
características operacionais, o método que melhor lhe convier. 
Aplique para cada vítima encontrada a seguinte sequência, colocando a identificação colorida de forma 
bem visível, em todas as vítimas encontradas, mesmo as que aparentam não ter sofrido lesão alguma. 
 
 
Triagem durante um incidente com vítimas em massa (IVM) 
 
Sequência de Triagem 
Triagem Inicial Normalmente é realizada na própria zona quente, porém caso haja risco iminente que 
possa ameaçar as equipes de resgate, as vítimas devem ser removidas prontamente de modo aleatório, 
para a zona fria. As vítimas são identificadas com os cartões de triagem. 
 
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. 32 
Triagem Secundária Pode ser efetuada na entrada da área de tratamento, quando houver recursos 
humanos suficientes para a função. Os pacientes são recategorizados ou não, caso sua condição clinica 
tenha se modificado. As vítimas são então agrupadas em lonas coloridas de acordo com as cores dos 
cartões de triagem. Esta técnica de triagem é conhecida mundialmente como START. 
 
Atendimento Hospitalar Em situações de desastres e incidentes com múltiplas vítimas a capacidade 
depende especialmente no número de médicos disponíveis para atendimento, cirurgiões, anestesistas, 
enfermagem, número de salas cirúrgicas, número de ventiladores disponíveis, leitos de terapia intensiva 
disponível e local adequado para realizar o 1ºatendimento. 
Outros pontos críticos são a capacidade da central de material em manter o abastecimento, incluindo 
a esterilização, o setor de radiologia conseguir realizar todos os exames. Também, se sabe que numa 
situação de desastre o pico de chegada de vítimas no hospital ocorre na 1º hora após início da ocorrência, 
e que em torno de40%, necessitam de procedimento cirúrgico. 
 
Método CRAMP A sigla surgiu da reunião das iniciais das seguintes palavras: C circulação, R 
respiração, A abdome, M motor ou movimento, P psiquismo ou palavra realizado em cinco estágios. 
Ao término de cada um desses estágios e, em função doestado geral caracterizado, pontua-se da 
seguinte forma: 
Exame normal: dois pontos. 
Exame alterado: um ponto. 
Exame grave: zero ponto. 
Ao término do exame geral, a somação da pontuação de cada um dos estágios do método define o 
escore de prioridades de atendimento. 
Com o aumento das catástrofes são indispensáveis medidas qualitativas para enfrentar tais eventos. 
Somente com a integração de vários sistemas e órgãos podem-se criar estratégias para prevenção e 
recuperação dos danos materiais, sociais, econômicos e ambientais causados pelos desastres. 
A Enfermagem é elo da comunidade com os serviços de classificação de risco, conhecendo suas 
necessidades e deficiências no dia a dia. 
 
Protocolo de Manchester 
O Manchester classifica, após uma triagem baseada nos sintomas, os doentes por cores, que 
representam o grau de gravidade e o tempo de espera recomendado para atendimento. Aos doentes com 
patologias mais graves é atribuída a cor vermelha, atendimento imediato; os casos muito urgentes 
recebem a cor laranja, com um tempo de espera recomendado de dez minutos; os casos urgentes, com 
a cor amarela, têm um tempo de espera recomendado de 60 minutos. Os doentes que recebem a cor 
verde e azul são casos de menor gravidade (pouco ou não urgentes) que, como tal, devem ser atendidos 
no espaço de duas e quatro horas. 
O programa recebeu este nome porque foi aplicado pela primeira vez em 1997 na cidade britânica de 
Manchester. Esta triagem foi rapidamente implementada em vários hospitais do Reino Unido. Em 
Portugal, são poucos os hospitais que ainda não utilizam este sistema, que já está sendo empregado em 
outros países da Europa, como Espanha, Holanda, Alemanha e Suécia. 
 
Como Funciona? 
A Classificação de Risco é realizada com base em protocolo adotado pela instituição de saúde, 
normalmente representado por cores que indicam a prioridade clínica de cada paciente. Para tanto, 
algumas condições e parâmetros clínicos devem ser verificados. 
A classificação de riscodeve ser executada por um profissional de nível superior, que geralmente é o 
enfermeiro que tenha uma boa capacidade de comunicação, agilidade, ética e um bom conhecimento 
clínico. 
O paciente que chega à unidade é atendido prontamente pelo enfermeiro, que fará uma breve 
avaliação do quadro clínico do paciente utilizando o protocolo de Manchester, depois encaminha o mesmo 
para o local de atendimento. A classificação é feita a partir das queixas, sinais, sintomas, sinais vitais, 
saturação de O2, escala de dor, glicemia entre outros. Após essa avaliação os pacientes são identificados 
com pulseiras de cores correspondentes a um dos seis níveis estabelecido pelo sistema. 
A cor vermelha (emergente) tem atendimento imediato; a laranja (muito urgente) prevê atendimento 
em dez minutos; o amarelo (urgente), 60 minutos; o verde (pouco urgente), 120 minutos; e o azul (não 
urgente), 240 minutos. 
 
 
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Benefícios do uso do Protocolo Manchester 
A implantação do Protocolo de Manchester permite que os atendimentos sejam realizados com mais 
eficiência, já que, em se tratando de saúde, tempo pode representar a diferença entre salvar uma vida e 
perder um paciente. Além disso, como o sistema prevê uma organização adequada das prioridades, pode-
se encaminhar pacientes para outras unidades médicas, de maneira que a demanda pode ser 
compartilhada entre as unidades médicas próximas, se for o caso. Além disso, com a diminuição do risco 
clínico, evita-se o uso de recursos de urgência advindos da inobservância das condições do paciente 
antes do agravamento do quadro. 
Com a implantação do Protocolo de Manchester, os pacientes também são beneficiados, pois 
submetidos a esta metodologia de classificação de risco, eles estão assegurados que não correrão risco 
de vida, e além disso, ele terá uma previsão média do tempo que levará para obter atendimento, 
diminuindo a expectativa. Além disso, o uso do Protocolo Manchester é a garantia de oferta de um serviço 
homogêneo, tendo em vista que, independentemente do horário, do dia da semana ou do profissional que 
estará de plantão, a instituição de saúde terá a mesma padronização no atendimento. 
 
 
 
Questões 
 
01. A Simples Triagem e Rápido Tratamento - START é um protocolo de triagem utilizado no 
atendimento aos acidentes com múltiplas vítimas. A cor verde define a prioridade 
(A) menor: feridos que podem andar pelo local. 
(B) máxima: pacientes que não respiram, mesmo após manobras simples de abertura da via aérea. 
(C) zero: constatação de óbito dos pacientes devido à hemorragia. 
(D) de número 1: vítimas graves, sem chances de sobreviverem devido à hemorragia interna. 
(E) de número 2: vítimas que necessitam de algum tipo de tratamento no local, enquanto aguardam 
transporte ao hospital, sem risco de vida imediato. 
 
Gabarito 
 
01.A 
 
 
 
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Comentários 
 
01. Resposta: A 
São as vítimas que apresentam lesões menores ou sinais e sintomas que não requerem atenção 
imediata. Podem andar pelo local. 
 
 
 
Vigilância Epidemiológica 
 
Sistema De Vigilância Epidemiológica: Endemias e Epidemias, Medidas De Controle e 
Tratamento 
Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1975, o Ministério da Saúde 
instituiu o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), por meio de legislação específica (Lei 
n° 6.259/75 e Decreto n° 78.231/76). Esses instrumentos tornaram obrigatória a notificação de doenças 
transmissíveis selecionadas, constantes de relação estabelecida por Portaria. 
Em 1977, foi elaborado, pelo Ministério da Saúde, o primeiro Manual de Vigilância Epidemiológica, 
reunindo e compatibilizando as normas técnicas que eram, então, utilizadas para a vigilância de cada 
doença, no âmbito de programas de controle específicos. 
O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou o SNVE, definindo, em seu texto legal (Lei n° 8.080/90), 
a vigilância epidemiológica como “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou 
prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou 
coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou 
agravos”. Além de ampliar o conceito, as ações de vigilância epidemiológica passaram a ser 
operacionalizadas num contexto de profunda reorganização do sistema de saúde brasileiro, caracterizada 
pela descentralização de responsabilidades, pela universalidade, integralidade e equidade na prestação 
de serviços. 
De outra parte, as profundas mudanças no perfil epidemiológico das populações, no qual se observa 
o declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e o crescente aumento das 
mortes por causas externas e doenças crônicas degenerativas, têm implicado na incorporação de 
doenças e agravos não transmissíveis ao escopo de atividades da vigilância epidemiológica. 
A vigilância epidemiológica tem como propósito fornecer orientação técnica permanente para os 
profissionais de saúde, que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de 
doenças e agravos, tornando disponíveis, para esse fim, informações atualizadas sobre a ocorrência 
dessas doenças e agravos, bem como dos fatores que a condicionam, numa área geográfica ou 
população definida. Subsidiariamente, a vigilância epidemiológica constitui-se em importante instrumento 
para o planejamento, a organização e a operacionalização dos serviços de saúde, como também para a 
normatização de atividades técnicas correlatas. 
A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de funções específicas e 
intercomplementares, desenvolvidas de modo contínuo, permitindo conhecer, a cada momento, o 
comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações, para que as medidas de 
intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia. 
 
São funções da vigilância epidemiológica: 
- Coleta de dados; 
- Processamento de dados coletados; 
- Análise e interpretação dos dados processados; 
- Recomendação das medidas de prevenção e controle apropriadas; 
2.4.2 VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGIA 2.4.2.1 Influenza. Rubéola. Sarampo. 
Síndrome da Rubéola Congênita. Coqueluche. Difteria. Parotidite. Infecciosa. 
Poliomielite. Tétano Acidental. Tétano Neonatal. Varicela. Herpes Zoster. 
Botulismo. Cólera. Doenças Diarreicas Agudas. Febre Tifóide. Aids. Hepatites 
Virais. Sífilis Congênita. Sífilis em Gestantes. Hanseníase. Tuberculose. 
Tratamento Diretamente Observado da Tuberculose. Coleta de Material Biológico 
na Tuberculose. Leptospirose. Dengue. Febre Amarela. Doença de Chagas. 
Malária. Peste. Tracoma. Leishmaniose Tegumentar Americana. Leishmaniose 
Visceral. Febre Maculosa. Meningites. Raiva. Acidentes por Animais 
Peçonhentos e Assistência de Enfermagem. Rotavírus. Notificação Compulsória 
de Doenças. Portaria GM/MS nº 204/2016 
 
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- Promoção das ações de prevenção e controle indicadas; 
- Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas; 
- Divulgação de informações pertinentes. 
 
As competências de cada um dos níveis do sistema de saúde (municipal, estadual e federal) abarcam 
todo o espectro das funções de vigilância epidemiológica, porém com graus de especificidade variáveis. 
As ações executivas são inerentes ao nível municipal e seu exercício exige conhecimento analítico da 
situação de saúde local. Por sua vez, cabe aos níveis nacional e estadual conduzirem ações de caráter 
estratégico, de coordenação em seu âmbito de ação e de longo alcance, além da atuação de forma 
complementar ou suplementar aos demais níveis. 
A eficiência do SNVE depende do desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes 
níveis. Quanto mais capacitada e eficiente a instância local, maisoportunamente poderão ser executadas 
as medidas de controle. Os dados e informações aí produzidos serão, também, mais consistentes, 
possibilitando melhor compreensão do quadro sanitário estadual e nacional e, consequentemente, o 
planejamento adequado da ação governamental. Nesse contexto, as intervenções oriundas do nível 
estadual e, com maior razão, do federal tenderão a tornar-se seletivas, voltadas para questões 
emergenciais ou que, pela sua transcendência, requerem avaliação complexa e abrangente, com 
participação de especialistas e centros de referência, inclusive internacionais. 
Com o desenvolvimento do SUS, os sistemas municipais de vigilância epidemiológica vêm sendo 
dotados de autonomia técnico-gerencial e ampliando o enfoque, para além dos problemas definidos como 
de prioridade nacional, que inclui os problemas de saúde mais importantes de suas respectivas áreas de 
abrangência. 
 
Coleta de Dados e Informações 
O cumprimento das funções de vigilância epidemiológica depende da disponibilidade de dados que 
sirvam para subsidiar o processo de produção de INFORMAÇÃO PARA AÇÃO. A qualidade da 
informação depende, sobretudo, da adequada coleta de dados gerados no local onde ocorre o evento 
sanitário (dado coletado). É também nesse nível que os dados devem primariamente ser tratados e 
estruturados, para se constituírem em um poderoso instrumento – a INFORMAÇÃO – capaz de subsidiar 
um processo dinâmico de planejamento, avaliação, manutenção e aprimoramento das ações. 
A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. O valor da informação 
(dado analisado) depende da precisão com que o dado é gerado. Portanto, os responsáveis pela coleta 
devem ser preparados para aferir a qualidade do dado obtido. Tratando-se, por exemplo, da notificação 
de doenças transmissíveis, é fundamental a capacitação para o diagnóstico de casos e a realização de 
investigações epidemiológicas correspondentes. 
Outro aspecto relevante refere-se à representatividade dos dados em relação à magnitude do 
problema existente. Como princípio organizacional, o sistema de vigilância deve abranger o maior número 
possível de fontes geradoras, cuidando-se de que seja assegurada a regularidade e oportunidade da 
transmissão dos dados. Geralmente, entretanto, não é possível, nem necessário, conhecer a totalidade 
dos casos. A partir de fontes selecionadas e confiáveis, pode-se acompanhar as tendências da doença 
ou agravo, com o auxílio de estimativas de subenumeração de casos. 
O fluxo, a periodicidade e os tipos de dados coletados devem corresponder a necessidades de 
utilização previamente estabelecidas, com base em indicadores adequados às características próprias de 
cada doença ou agravo sob vigilância. A prioridade de conhecimento do dado sempre será concedida à 
instância responsável pela execução das medidas de prevenção e controle. Quando for necessário o 
envolvimento de outro nível do sistema, o fluxo deverá ser suficientemente rápido para que não ocorra 
atraso na adoção de medidas de prevenção e controle. 
 
Tipos de Dados 
 
Os Dados e Informações Que Alimentam o Sistema de Vigilância Epidemiológica São os 
Seguintes: 
- Dados Demográficos, Ambientais e Socioeconômicos 
Os dados demográficos permitem quantificar grupos populacionais, com vistas à definição de 
denominadores para o cálculo de taxas. O número de habitantes, de nascimentos e de óbitos devem ser 
discriminados segundo características de sua distribuição por sexo, idade, situação do domicílio, 
escolaridade, ocupação, condições de saneamento, entre outras. 
A disponibilidade de indicadores demográficos e socioeconômicos é primordial para a caracterização 
da dinâmica populacional e das condições gerais de vida, as quais se vinculam os fatores condicionantes 
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. 36 
da doença ou agravo sob vigilância. Dados sobre aspectos climáticos e ecológicos, também, podem ser 
necessários para a compreensão do fenômeno analisado. 
 
- Dados de Morbidade 
São os mais utilizados em vigilância epidemiológica, por permitirem a detecção imediata ou 
precoce de problemas sanitários. Correspondem à distribuição de casos segundo a condição de 
portadores de infecções ou de patologias específicas, como também de sequelas. Tratam-se, em geral, 
de dados oriundos da notificação de casos e surtos, da produção de serviços ambulatoriais e hospitalares, 
de investigações epidemiológicas, da busca ativa de casos, de estudos amostrais e de inquéritos, entre 
outras fontes. 
Seu uso apresenta dificuldades relacionadas à representatividade e abrangência dos sistemas de 
informações disponíveis, à possibilidade de duplicação de registros e a deficiências de métodos e critérios 
de diagnóstico utilizados. Merecem, por isso, cuidados especiais na coleta e análise. 
O SNVE deve estimular, cada vez mais, a utilização dos sistemas e bases de dados disponíveis, 
vinculados à prestação de serviços, para evitar a sobreposição de sistemas de informação e a 
consequente sobrecarga aos níveis de assistência direta à população. As deficiências qualitativas 
próprias desses sistemas tendem a ser superadas à medida que se intensificam a crítica e o uso dos 
dados produzidos. 
 
- Dados de Mortalidade 
São de fundamental importância como indicadores da gravidade do fenômeno vigiado, sendo ainda, 
no caso particular de doenças de maior letalidade, mais válidos do que os dados de morbidade, por se 
referirem a fatos vitais bem marcantes e razoavelmente registrados. Sua obtenção provém de 
declarações de óbitos, padronizadas e processadas nacionalmente. Essa base de dados apresenta 
variáveis graus de cobertura entre as regiões do país, algumas delas com subenumeração elevada de 
óbitos. Além disso, há proporção significativa de registros sem causa definida, o que impõe cautela na 
análise dos dados de mortalidade. 
Atrasos na disponibilidade desses dados dificultam sua utilização na vigilância epidemiológica. 
A disseminação eletrônica de dados tem contribuído muito para facilitar o acesso a essas informações. 
Os sistemas locais de saúde devem ser estimulados a utilizar de imediato as informações das 
declarações de óbito. 
 
- Notificação de Emergências de Saúde Pública, Surtos e Epidemias 
A detecção precoce de emergências de saúde pública, surtos e epidemias ocorre quando o sistema 
de vigilância epidemiológica local está bem estruturado, com acompanhamento constante da situação 
geral de saúde e da ocorrência de casos de cada doença e agravo sujeito à notificação. Essa prática 
possibilita a constatação de qualquer situação de risco ou indício de elevação do número de casos de 
uma patologia, ou a introdução de outras doenças não incidentes no local e, consequentemente, o 
diagnóstico de uma situação epidêmica inicial, para a adoção imediata das medidas de controle. Em geral, 
esses fatos devem ser notificados aos níveis superiores do sistema para que sejam alertadas as áreas 
vizinhas e/ou para solicitar colaboração, quando necessária. 
 
Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (RSI/2005) 
Evento extraordinário, que é determinado, como estabelecido neste regulamento: 
- Por constituir um risco de saúde pública para outro estado membro, por meio da propagação 
internacional de doenças; 
- Por potencialmente requerer uma resposta internacional coordenada. 
Evento – manifestação de uma doença ou uma ocorrência que cria um potencial para causar 
doença. 
- Fontes de dados 
A informação para a vigilância epidemiológica destina-se à tomada de decisões – informação para 
ação. Esse princípio deve reger as relações entre os responsáveis pela vigilância e as diversas fontes 
que podem ser utilizadas para o fornecimento de dados. 
 
Notificação 
 
Notificação é a comunicação da ocorrência de determinada doença ou agravo à saúde, feita à 
autoridade sanitária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, para fins de adoção de medidas de 
intervençãopertinentes. Historicamente, a notificação compulsória tem sido a principal fonte da vigilância 
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epidemiológica, a partir da qual, na maioria das vezes, se desencadeia o processo informação-decisão-
ação. 
A listagem das doenças de notificação nacional é estabelecida pelo Ministério da Saúde entre as 
consideradas de maior relevância sanitária para o país. A atual portaria especifica as doenças de 
notificação obrigatória (suspeita ou confirmada), além das doenças ou eventos de “notificação imediata” 
(informação rápida – ou seja, deve ser comunicada por e-mail, telefone, fax ou Web). A escolha dessas 
doenças obedece a alguns critérios, razão pela qual essa lista é periodicamente revisada, tanto em função 
da situação epidemiológica da doença, como pela emergência de novos agentes, por alterações no 
Regulamento Sanitário Internacional, e também devido a acordos multilaterais entre países. 
Os dados coletados sobre as doenças de notificação compulsória são incluídos no Sistema Nacional 
de Agravos de Notificação (Sinan). Estados e municípios podem adicionar à lista outras patologias de 
interesse regional ou local, justificada a sua necessidade e definidos os mecanismos operacionais 
correspondentes. Entende-se que só devem ser coletados dados para efetiva utilização no 
aprimoramento das ações de saúde, sem sobrecarregar os serviços com o preenchimento desnecessário 
de formulários. 
Dada a natureza específica de cada doença ou agravo à saúde, a notificação deve seguir um processo 
dinâmico, variável em função das mudanças no perfil epidemiológico, dos resultados obtidos com as 
ações de controle e da disponibilidade de novos conhecimentos científicos e tecnológicos. 
As normas de notificação devem adequar-se, no tempo e no espaço, às características de distribuição 
das doenças consideradas, ao conteúdo de informação requerido, aos critérios de definição de casos, à 
periodicidade da transmissão dos dados, às modalidades de notificação indicadas e à representatividade 
das fontes de notificação. 
 
Os parâmetros para inclusão de doenças e agravos na lista de notificação compulsória devem 
obedecer os critérios a seguir: 
Magnitude – aplicável a doenças de elevada frequência, que afetam grandes contingentes 
populacionais e se traduzem por altas taxas de incidência, prevalência, mortalidade e anos potenciais de 
vida perdidos. 
 
Potencial de Disseminação – representado pelo elevado poder de transmissão da doença, através 
de vetores ou outras fontes de infecção, colocando sob risco a saúde coletiva. 
 
Transcendência – expressa-se por características subsidiárias que conferem relevância especial à 
doença ou agravo, destacando-se: severidade, medida por taxas de letalidade, de hospitalização e de 
sequelas; relevância social, avaliada, subjetivamente, pelo valor imputado pela sociedade à ocorrência 
da doença, e que se manifesta pela sensação de medo, de repulsa ou de indignação; e relevância 
econômica, avaliada por prejuízos decorrentes de restrições comerciais, redução da força de trabalho, 
absenteísmo escolar e laboral, custos assistenciais e previdenciários, entre outros. 
 
Vulnerabilidade – medida pela disponibilidade concreta de instrumentos específicos de prevenção e 
controle da doença, propiciando a atuação efetiva dos serviços de saúde sobre indivíduos e coletividades. 
 
Compromissos Internacionais – relativos ao cumprimento de metas continentais ou mundiais de 
controle, de eliminação ou de erradicação de doenças, previstas em acordos firmados pelo governo 
brasileiro com organismos internacionais. O atual Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005) 
estabelece que sejam notificados todos os eventos considerados de Emergência de Saúde Pública de 
Importância Internacional (ESPII). 
 
Ocorrência de Emergências de Saúde Pública, Epidemias e Surtos – são situações que impõe 
notificação imediata de todos os eventos de saúde que impliquem risco de disseminação de doenças, 
com o objetivo de delimitar a área de ocorrência, elucidar o diagnóstico e deflagrar medidas de controle 
aplicáveis. Mecanismos próprios de notificação devem ser instituídos, com base na apresentação clínica 
e epidemiológica do evento. 
 
No processo de seleção das doenças notificáveis, esses critérios devem ser considerados em 
conjunto, embora o atendimento a apenas alguns deles possa ser suficiente para incluir determinada 
doença ou evento. Por outro lado, nem sempre podem ser aplicados de modo linear, sem considerar a 
factibilidade de implementação das medidas decorrentes da notificação, as quais dependem de condições 
operacionais objetivas de funcionamento da rede de prestação de serviços de saúde. 
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. 38 
O caráter compulsório da notificação implica responsabilidades formais para todo cidadão e uma 
obrigação inerente ao exercício da medicina, bem como de outras profissões na área de saúde. 
Mesmo assim, sabe-se que a notificação nem sempre é realizada, o que ocorre por desconhecimento 
de sua importância e, também, por descrédito nas ações que dela devem resultar. A experiência tem 
mostrado que o funcionamento de um sistema de notificação é diretamente proporcional à capacidade de 
se demonstrar o uso adequado das informações recebidas, de forma a conquistar a confiança dos 
notificantes. 
O sistema de notificação deve estar permanentemente voltado para a sensibilização dos profissionais 
e das comunidades, visando melhorar a quantidade e a qualidade dos dados coletados, mediante o 
fortalecimento e a ampliação da rede. Todas as unidades de saúde (públicas, privadas e filantrópicas) 
devem fazer parte do sistema, como, também, todos os profissionais de saúde e mesmo a população em 
geral. Não obstante, essa cobertura universal idealizada não prescinde do uso inteligente da informação, 
que pode basear-se em dados muito restritos, para a tomada de decisões oportunas e eficazes. 
 
Aspectos Que Devem Ser Considerados na Notificação: 
- Notificar a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a confirmação do caso para 
se efetuar a notificação, pois isso pode significar perda da oportunidade de intervir eficazmente. 
- A notificação tem de ser sigilosa, só podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sanitário em caso 
de risco para a comunidade, respeitando-se o direito de anonimato dos cidadãos. 
- O envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos, 
configurando-se o que se denomina notificação negativa, que funciona como um indicador de eficiência 
do sistema de informações. 
 
Além da notificação compulsória, o Sistema de Vigilância Epidemiológica pode definir doenças e 
agravos como de notificação simples. O Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan) é o 
principal instrumento de coleta dos dados de notificação compulsória. 
 
Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) 
O Sinan tem como objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente pelo sistema 
de vigilância epidemiológica, nas três esferas de governo, para apoiar processos de investigação e de 
análise das informações sobre doenças de notificação compulsória. Concebido como sistema modular e 
informatizado desde o nível local, pode ser operado a partir das unidades de saúde. 
Há dois documentos básicos, que complementam entre si as informações sobre cada caso notificado. 
O primeiro é a ficha individual de notificação (FIN), preenchida pelas unidades assistenciais a partir da 
suspeita clínica da ocorrência de algum agravo de notificação compulsória ou outro agravo sob vigilância. 
Segue-se a ficha individual de investigação (FII), que contém campos específicos de orientação para a 
investigação do caso. Constam ainda do sistema a planilha e o boletim de acompanhamento de surtos, 
assim como os boletins de acompanhamento de hanseníase e tuberculose.As secretarias estaduais ou municipais de saúde são responsáveis pela impressão, numeração e 
distribuição dos formulários. 
O Sinan foi implantado no país de forma a gradual, a partir de 1993. Atualmente, o sistema está 
implantado em todo o território nacional. No nível nacional, a Secretaria de Vigilância à Saúde processa 
e consolida os dados enviados pelas secretarias estaduais de saúde. No sítio nacional do Sinan, podem 
ser obtidas as informações técnicas sobre o sistema e acesso a tabulações on-line. 
 
Referência 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica. 7. ed. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2009. 816 p. 
 
Influenza 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
A vigilância da influenza é um sistema passivo, sendo realizada por meio de uma rede de unidades 
sentinela (unidades básicas de saúde e pronto-atendimentos) e laboratórios. Esta rede informa 
semanalmente a proporção de casos de síndrome gripal por faixas etárias atendidos nas unidades e os 
tipos de vírus respiratórios que estão circulando em sua área de abrangência. 
 
 
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. 39 
Objetivos 
Monitorar as cepas do vírus da influenza que circulam nas regiões brasileiras. 
Avaliar o impacto da vacinação contra a doença. 
Acompanhar a tendência da morbi-mortalidade associada à doença. 
Responder a situações inusitadas. 
 
Definição de caso 
 
Caso Suspeito de Síndrome Gripal - Indivíduo com doença aguda, (com duração máxima de 5 dias, 
apresentando febre (ainda que referida) e tosse ou dor de garganta, na ausência de outros diagnósticos. 
 
Caso Confirmado de Influenza - Quando for identificado, por meio de exame laboratorial, o vírus da 
Influenza. 
 
Caso Descartado de Influenza - Quando o resultado do exame for negativo em amostra 
adequadamente colhida e transportada ou quando for identificado laboratorialmente outro agente 
etiológico, que não o vírus da Influenza. 
 
Notificação 
A influenza não é doença de notificação compulsória. Os dados da vigilância sentinela são informados 
através da Web, no Sistema de Informação da Vigilância da Influenza (SIVEP-Gripe). No entanto, 
considerando o potencial epidêmico desta doença, qualquer suspeita de surto deve ser comunicada (por 
telefone, fax ou e-mail) à Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS/MS. 
 
Investigação 
Devido ao potencial pandêmico desta doença, recomenda-se a investigação de surtos pelas SES, se 
necessário com apoio do nível federal, com os seguintes objetivos: 
- Confirmar a ocorrência do surto de síndrome gripal; 
- Descrever o surto por tempo, pessoa e lugar; 
- Caracterizar o processo de transmissão; 
- Identificar e caracterizar o vírus respiratório; 
- Monitorar os grupos de maior risco para as complicações da doença; 
- Avaliar seu impacto na morbidade e na mortalidade 
- Avaliar a necessidade da adotar medidas emergenciais de controle. 
 
Sugere-se realizar busca ativa de pessoas com síndrome gripal, utilizando a definição de caso e/ou as 
CID acima descritas. Pode ser efetuada a busca ativa em todos as unidades de saúde (centros de saúde, 
hospitais) do município; e dependendo da extensão do surto, implementar esta atividade em unidades de 
ensino (creches, escolas), asilos, entre outras. 
 
Medidas de Controle 
 
Imunização - O Ministério da Saúde implantou em 1999 a vacinação contra a gripe no Brasil, com o 
objetivo de proteger os grupos de maior risco contra as complicações da influenza, ou seja, os idosos e 
os portadores de doenças crônicas. Apesar das drogas atualmente disponíveis para o tratamento da 
influenza, a vacinação é a melhor arma disponível para a prevenção da influenza e suas consequências. 
A vacinação ocorre na forma de campanhas. O período para a realização dessas campanhas deve ser 
anterior ao período de maior circulação do vírus no país. Para conferir proteção adequada, a vacina deve 
ser administrada a cada ano, já que sua composição também varia anualmente, em função das cepas 
circulantes. 
 
Rubéola4 
 
A rubéola é uma doença exantemática aguda, de etiologia viral, que apresenta alta contagiosidade. A 
rubéola pós-natal geralmente tem apresentação benigna, muitas vezes é subclínica e tem baixa 
letalidade. A importância epidemiológica está representada pela possibilidade de ocorrência da síndrome 
da rubéola congênita (SRC) que atinge o feto ou o recém-nascido cujas mães se infectaram durante a 
 
4 http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/sindrome-da-rubeola-
congenita-src/rubeola.html 
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. 40 
gestação. A infecção na gravidez acarreta inúmeras complicações para a mãe (aborto, natimorto) e 
malformações congênitas na criança (surdez, problemas cardíacos, lesões oculares e outras). 
A doença tem distribuição universal e a incidência de casos aumenta no final do inverno e no início da 
primavera. 
 
Agente Etiológico 
O vírus da rubéola pertence ao gênero Rubivírus, da família Togaviridae. 
 
Reservatório 
O único reservatório conhecido é o homem. 
 
Modo de Transmissão 
A rubéola pós-natal é transmitida, principalmente, por contato direto com indivíduos infectados 
pelas gotículas de secreções nasofaríngeas. 
A transmissão indireta, pelo contato com objetos contaminados com secreções nasofaríngeas, sangue 
e urina, é pouco frequente. 
A rubéola é transmitida, por via transplacentária, da mãe para o feto. A criança com rubéola congênita 
pode eliminar o vírus pela urina e secreções nasofaríngeas. 
 
Período de Incubação 
É de 12 a 23 dias, durando em média 17 dias. 
 
Período de Transmissão 
O indivíduo infectado pode transmitir a doença cerca de 5 dias antes até 5 a 7 dias após o aparecimento 
do exantema. 
Crianças com rubéola congênita podem eliminar o vírus por período superior a 1 ano. A transmissão é 
maior nos primeiros meses de vida. Até os três meses de idade todas devem ser consideradas 
contagiantes2. 
 
Suscetibilidade e Imunidade 
A suscetibilidade é geral. A imunidade passiva é adquirida pelos anticorpos maternos e a imunidade 
ativa pela infecção natural ou por vacinação. Filhos de mães imunes, geralmente, permanecem protegidos 
pelos anticorpos maternos durante os primeiros 6 a 9 meses de vida. A imunidade ativa é duradoura e 
acredita-se que permaneça por toda a vida. 
 
Manifestações Clínicas 
De maneira geral não é observado período prodrômico na criança com rubéola. Adolescentes e adultos 
podem apresentar pródromos com febre baixa, cefaleia, dores generalizadas (artralgias e mialgias), 
conjuntivite, coriza e tosse. 
A doença caracteriza-se por exantema maculopapular e puntiforme difuso, que se inicia na face, couro 
cabeludo e pescoço e se espalha, posteriormente, para todo corpo. A febre baixa e a presença de 
linfoadenopatia retroauricular, cervical e occipital - antecedendo, geralmente, por 5 a 10 dias o exantema 
- são sinais que colaboram para o diagnóstico diferencial frente a outras doenças exantemáticas. Cerca 
de 25% a 50% das infecções pelo vírus da rubéola são subclínicas2. 
 
Diagnóstico Diferencial 
O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras doenças febris exantemáticas como sarampo, 
escarlatina, dengue, exantema súbito (crianças até 2 anos), eritema infeccioso, enteroviroses (coxsackie 
e echo) e, também, com outras doenças que podem causar síndromes congênitas, como mononucleose 
infecciosa, toxoplasmose e infecção por citomegalovírus. 
 
Diagnóstico Laboratorial 
Os exames laboratoriais - sorologia e/ou isolamento viral e Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) - 
são imprescindíveis para o estabelecimento do diagnóstico2,3. Os exames devem ser processados pelo 
Laboratório de Referência para a Eliminação do Sarampo, Rubéola/SRC que, noEstado de São Paulo 
(ESP), é o Instituto Adolfo Lutz (IAL). 
O diagnóstico dos casos de rubéola é realizado mediante o isolamento viral positivo, a detecção de 
anticorpos IgM no sangue, na fase aguda da doença, desde os primeiros dias até 4 semanas após o 
aparecimento do exantema. Da mesma maneira a confirmação laboratorial se faz pela observação de 
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. 41 
aumento nos títulos de anticorpos específicos da classe IgG na fase de convalescência em relação a fase 
aguda. 
 
Tratamento 
Não há tratamento específico para a rubéola. Os sinais e sintomas apresentados devem ser tratados 
de acordo com a sintomatologia e terapêutica adequada. 
 
Ações de Vigilância Epidemiológica 
A Vigilância Epidemiológica busca: identificar e realizar a notificação imediata de todo e qualquer caso 
suspeito de rubéola na população; adotar as medidas de controle pertinentes - vacinação de rotina e de 
grupos de risco, vacinação de bloqueio e outras; assegurar o diagnóstico laboratorial; e assim como 
possibilitar o monitoramento das demais condições de risco para a doença. 
Na detecção de casos suspeitos de sarampo ou rubéola, as Secretarias Municipais de Saúde (SMSs) 
devem: 
• proceder à notificação imediata em até 24 horas à SES/SP; 
• proceder à investigação do caso e à coleta de espécimes clínicos (sangue, secreção nasofaríngea e 
orofaríngea, e urina) para a realização do diagnóstico laboratorial; 
• adotar prontamente as medidas de controle (bloqueio vacinal e operação limpeza). 
 
Sarampo 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Identificação precoce de casos para adoção das medidas de controle assim como identificar e 
monitorar as demais condições de risco. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória nacional e de investigação epidemiológica obrigatória imediata. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente que, independente da idade e da situação vacinal, apresentar febre e 
exantema maculopapular, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou 
coriza e/ou conjuntivite. 
 
b) Confirmado - Todo paciente considerado como caso suspeito e que foi comprovado como um caso 
de sarampo, a partir de, pelo menos, um dos seguintes critérios: 
Laboratorial - Exame “reagente” ou “positivo para IgM”, e a análise clínico epidemiológica indica tratar-
se efetivamente de um caso de sarampo. 
 
Observação - Na situação epidemiológica atual, existem muitos resultados falso positivos. Por isso, 
todos os casos IgM positivo ou indeterminado para o sarampo devem ser analisados conjuntamente pela 
SES e pela Secretaria de Vigilância em Saúde/SVS/MS. 
Vínculo epidemiológico - Paciente que em um período máximo de sete a 18 dias teve contato com um 
ou mais casos de sarampo confirmados pelo laboratório; ou com exame laboratorial “não reagente” ou 
“negativo para IgM” em amostra de sangue colhida precocemente (1º e 3º dia a partir do aparecimento 
do exantema) mas que teve contato com um ou mais casos de sarampo confirmados pelo laboratório 
(dentro de um período de sete a 18 dias antes do aparecimento dos sinais e sintomas); Clínico - Quando 
se fez a suspeita clínica mas não houve coleta de amostra para sorologia; não foi investigado ou evoluiu 
para óbito sem a realização de qualquer exame laboratorial. A confirmação clínica do sarampo representa 
uma falha grave do sistema de vigilância epidemiológica. 
 
c) Descartado - Todo paciente que foi considerado como caso suspeito e que não foi comprovado 
como um caso de sarampo, a partir, de pelo menos, um dos critérios acima definidos. 
 
Medidas de controle 
Todos os países das Américas estão desenvolvendo ações no sentido de erradicar esta virose. As 
principais atividades são: 
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. 42 
a) Vacinação - A vacina é a única forma de prevenir a ocorrência do sarampo na população é a 
principal medida de controle do sarampo. Esquema básico: uma dose da vacina tríplice viral (sarampo, 
rubéola e caxumba) aos 12 meses de idade. Em situação com alto risco de infecção (na notificação de 
casos suspeitos de sarampo, e na suspeita de surtos) a vacinação de bloqueio deve ser realizada, 
envolvendo o grupo de nove meses a 39 anos de idade, seletivamente. 
Via de administração: a vacina tríplice viral é administrada por via subcutânea, de preferência na face 
externa da parte superior do braço (região deltoide), podendo também ser administrada na região glútea 
(quadrante superior externo). Falsas contraindicações: não constituem contraindicações à vacinação de 
Sarampo: alergia e intolerância, que não sejam de natureza anafilática à ingestão de ovo; contato íntimo 
com pacientes imunodeprimidos; vacinação recente com a vacina oral contra a poliomielite; exposição 
recente ao sarampo. Situações em que se recomenda o adiamento da vacinação: tratamento com 
imunodepressores (corticoterapia, quimioterapia, radioterapia, etc.). Adiar até 3 meses após a suspensão 
de seu uso, pela possível inadequação da resposta; vigência de doença aguda febril grave, atribuída ou 
confundida com possíveis efeitos adversos da vacina. 
 
b) Investigação epidemiológica - A investigação dos casos suspeitos de sarampo tem como objetivo: 
obter informações detalhadas e uniformes para todos os casos, através do preenchimento da ficha 
epidemiológica; visitar imediatamente o domicílio para coleta de sangue, complementar dados da ficha; 
identificar outros possíveis casos suspeitos realizando extensa busca ativa; aprazar e realizar a revisita 
para avaliar a evolução do caso; classificar o caso conforme os critérios estabelecidos; e avaliar a 
cobertura vacinal e desencadear imediatamente as ações de controle: 
Bloqueio vacinal - A partir de todo caso suspeito, abrangendo as pessoas do mesmo domicílio, 
vizinhos, creches, salas de aula, alojamentos, sala de trabalho, etc.; 
Operação limpeza - Deve ser realizada a partir de todo caso confirmado, devendo ser ampliado para 
a vizinhança, bairro ou até município conforme avaliação realizada. Tanto para o bloqueio, como para a 
operação limpeza, a faixa etária prioritária para a sua realização deverá ser de 6 meses a 39 anos de 
idade; 
Isolamento de casos - O isolamento domiciliar ou hospitalar dos casos pode diminuir a intensidade dos 
contágios. Deve-se evitar, principalmente, a frequência a escolas ou creches, agrupamentos, ou qualquer 
contato com pessoas suscetíveis, até 4 dias após o início do período exantemático, entretanto, deve haver 
a vigilância dos contatos por um período de 7 a 18 dias. 
Síndrome da Rubéola Congênita 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Conhecer a magnitude da SRC e avaliar o impacto das estratégias de vacinação. 
Detecção, notificação e investigação de casos suspeitos, orientação quanto a medidas de controle 
adequadas e divulgação de informações. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória. 
 
Definição de caso 
 
a) Caso suspeito - Todo recém-nascido cuja mãe foi caso suspeito ou confirmado de rubéola durante 
a gestação, ou toda criança de até 12 meses que apresente sinais clínicos compatíveis com infecção 
congênita pelo vírus da rubéola, independente da história materna; 
 
b) Caso confirmado por laboratório - O caso suspeito é confirmado quando há presença de 
malformações congênitas e, pelo menos, uma das seguintes condições: presença de anticorpos IgM 
específicos; título de anticorpos da classe IgG, detectados através de ensaio imunoenzimático (ELISA), 
mantidos persistentemente elevados ou acima do esperado pela transferência passiva de anticorpos 
maternos; 
 
c) Caso confirmado pela clínica - O caso é compatível quando os resultados laboratoriais forem 
insuficientes para confirmação do diagnóstico e o recém-nascido apresentar duas das complicações 
relacionadas no Grupo 1 ou, uma do Grupo 1 associada a outra do Grupo 2, ou ainda, uma das 
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. 43 
complicações do grupo 1, associada à história de infecção materna comprovada por laboratório ou através 
vínculo epidemiológico durante a gestação: 
Grupo 1) Catarata/glaucoma (interpretar como uma só manifestação), cardiopatia congênita, surdez, 
retinopatia pigmentar. 
Grupo 2) Púrpura trombocitopênica, hepatoesplenomegalia, icterícia, microcefalia, retardo mental, 
meningoencefalite, radioluscências ósseas; 
 
d) Caso de infecção congênita - Criança submetida a uma avaliação minuciosa na qual não foi 
observada nenhuma das alterações permanentes ou progressivas, embora haja evidência laboratorial de 
infecção pelo vírus da rubéola, podendo ou não apresentar manifestações transitórias. De fato, não se 
trata de um caso de SRC; 
 
e) Aborto ou perda fetal - Caso de abortamento ou de natimorto resultante de gestação durante a 
qual se comprovou a ocorrência de rubéola, independente de confirmação de afecção no feto; 
 
f) Caso descartado - Quando cumprir uma das seguintes condições: títulos de IgM e IgG ausentes 
em crianças menores de 12 meses; títulos de IgG ausentes na mãe; títulos de IgG diminuindo em 
velocidade compatível com a transferência de anticorpos maternos detectados por ensaio 
imunoenzimático, a partir do nascimento; Quando, por qualquer motivo, os resultados do exame 
sorológico do recém-nascido não estiverem disponíveis e os dados clínicos forem insuficientes para 
confirmar o caso pela clínica. 
 
Coqueluche 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Objetivo 
 
a) Acompanhar a tendência temporal da doença, para detecção precoce de surtos e epidemias, 
visando adotar medidas de controle pertinentes; 
 
b) Aumentar o percentual de isolamento em cultura, com envio de 100% das cepas isoladas para o 
Laboratório de Referência Nacional para estudos moleculares e de resistência bacteriana a 
antimicrobianos. 
 
Notificação 
É doença de notificação compulsória. 
 
Definição de caso 
 
Suspeito 
a) Todo indivíduo, independente da idade e estado vacinal, que apresente tosse seca há 14 dias ou 
mais, associado a um ou mais dos seguintes sintomas: tosse paroxística (tosse súbita incontrolável, com 
tossidas rápidas e curtas (5 a 10) em uma única expiração); guincho inspiratório; vômitos pós-tosse; ou 
 
b) Todo indivíduo, independente da idade e estado vacinal, que apresente tosse seca há 14 dias ou 
mais e com história de contato com um caso confirmado de coqueluche pelo critério clínico. 
 
Confirmado 
a) Critério Laboratorial - Todo caso suspeito de coqueluche com isolamento de Bordetella pertussis. 
 
b) Critério Epidemiológico - Todo caso suspeito que teve contato com caso confirmado como 
coqueluche pelo critério laboratorial, entre o início do período catarral até três semanas após o início do 
período paroxístico da doença (período de transmissibilidade). 
 
c) Critério Clínico - Todo caso suspeito de coqueluche cujo hemograma apresente leucocitose (acima 
de 20.000 leucócitos/mm³) e linfocitose absoluta (acima de 10.000 linfócitos/mm³), desde que sejam 
obedecidas as seguintes condições: resultado de cultura negativa ou não realizada; inexistência de 
vínculo epidemiológico (vide item b acima); não se confirme outra etiologia. 
 
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Medidas de controle 
Vacinação - A medida de controle de interesse prático em saúde pública é a vacinação dos suscetíveis 
na rotina da rede básica de saúde. A vacina contra coqueluche deve ser aplicada mesmo em crianças 
cujos responsáveis refiram história da doença 
 
Esquema Básico de vacinação 
Os menores de um ano deverão receber 3 doses da vacina combinada DTP+Hib (contra difteria, tétano 
e coqueluche e infecções graves causadas pelo Haemophilus influenzae), a partir dos 2 meses de idade 
com intervalo de pelo menos 30 dias entre as doses (o ideal é intervalo de dois meses). De seis a doze 
meses após a terceira dose, a criança deverá receber o 1º reforço com a vacina DTP (tríplice bacteriana), 
sendo que o 2º reforço deverá ser aplicado de 4 a 6 anos de idade. 
A vacina DTP não deve ser aplicada em crianças com 7 anos ou mais de idade. A vacina DTPa (tríplice 
acelular) é indicada em situações especiais e deve-se observar as recomendações do Ministério da 
Saúde. 
Vacinação de bloqueio - Frente a casos isolados ou surtos: proceder a vacinação seletiva da 
população suscetível, visando aumentar a cobertura vacinal na área de ocorrência do(s) caso(s). 
 
Controle de comunicantes 
a) Vacinação - Os comunicantes íntimos, familiares e escolares, menores de 7 anos não vacinados, 
inadequadamente vacinados ou com situação vacinal desconhecida deverão receber uma dose da vacina 
contra coqueluche e orientação de como proceder para completar o esquema de vacinação. 
 
b) Pesquisa de novos casos - Coletar material para diagnóstico laboratorial de comunicantes com 
tosse, segundo orientação constante no Guia de Vigilância Epidemiológica. 
 
c) Quimioprofilaxia - Tem indicação restrita e deve-se observar as recomendações constantes no 
Guia de Vigilância Epidemiológica. 
 
Difteria 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Objetivos 
Detectar casos e prevenir surtos mediante adoção de mediadas de controles pertinentes. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória e de investigação imediata e obrigatória. 
 
Definição de caso Suspeito - Toda pessoa que, independente da idade e estado vacinal, apresenta 
quadro agudo de infecção da orofaringe, com presença de placas aderentes ocupando as amígdalas, 
com ou sem invasão de outras áreas da faringe (palato e úvula), ou em outras localizações (ocular, nasal, 
vaginal, pele, etc), com comprometimento do estado geral e febre moderada. 
 
Confirmado - a) Critério Laboratorial - Todo caso suspeito com isolamento do Corynebacterium 
diphtheriae com ou sem provas de toxigenicidade positiva; 
b) Critério Epidemiológico - Todo caso suspeito de difteria com resultado de cultura negativo ou 
exame não realizado, mas que seja comunicante de um outro caso confirmado laboratorial ou 
clinicamente; ou com resultado de cultura negativo ou exame não realizado, mas que seja comunicante 
íntimo de indivíduo no qual se isolou Corynebacterium diphtheriae (portador sadio). 
 
c) Critério Clínico - Quando for observado: placas comprometendo pilares ou úvula, além das 
amígdalas; placas suspeitas na traquéia ou laringe; simultaneamente, placas em amígdalas, toxemia 
importante, febre baixa desde o início do quadro e evolução, em geral, arrastada; miocardite ou paralisia 
de nervos periféricos, que pode aparecer desde o início dos sintomas sugestivos de difteria ou até 
semanas após; 
 
d) Critério Anatomopatológico (Necrópsia) - Quando a necrópsia comprovar: placas 
comprometendo pilares ou úvula, além das amígdalas; placas na traquéia e/ou laringe. 
 
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e) Morte pós-clínica compatível - Óbito de paciente em curso de tratamento de amigdalite aguda e 
no qual se constata miocardite. 
 
Medidas de controle 
A medida mais segura e efetiva é a imunização adequada da população com toxóide diftérico. 
 
Esquema vacinal básico - Os menores de um ano deverão receber 3 doses da vacina combinada 
DTP+Hib (contra difteria, tétano e coqueluche e infecções graves causadas pelo Haemophilus 
influenzae), a partir dos 2 meses de idade com intervalo de pelo menos 30 dias entre as doses (o ideal é 
intervalo de dois meses). 
De seis a doze meses após a terceira dose, a criança deverá receber o 1º reforço com a vacina DTP 
(tríplice bacteriana), sendo que o 2º reforço deverá ser aplicado de 4 a 6 anos de idade. A vacina DTP 
não deve ser aplicada em crianças com 7 anos ou mais de idade. A vacina DTPa (tríplice acelular) é 
indicada em situações especiais e deve-se observar as recomendações do Ministério da Saúde. 
As crianças com sete anos ou mais, adultos e idosos não vacinados ou sem comprovaçãode 
vacinação prévia devem receber três doses da vacina dT (dupla adulto), com intervalo de pelo menos 
30 dias entre as doses (o ideal é intervalo de dois meses). Se comprovar esquema de vacinação 
incompleto, aplicar as doses necessárias para completar o esquema vacinal preconizado. 
Vacinação de bloqueio - Após a ocorrência de um ou mais casos de difteria, deve-se vacinar todos 
os contatos não vacinados, inadequadamente vacinados ou com estado vacinal desconhecido. Nos 
comunicantes, adultos ou crianças, que receberam há mais de cinco anos o esquema básico ou dose(s) 
de reforço, deverá ser administrada uma dose de reforço de DTP (em crianças menores de 7 anos) ou de 
dT (em crianças com 7 anos ou mais e adultos). 
 
Controle de comunicantes - Coletar material de naso e orofaringe e de lesão de pele dos 
comunicantes, a fim de realizar cultura de Corynebacterium diphtheriae. Os comunicantes cujo resultado 
da cultura for positivo deverão ser reexaminados para confirmar se são portadores ou caso de difteria. 
Todos os comunicantes susceptíveis deverão ser mantidos em observação durante 7 dias contados a 
partir do momento da exposição. 
 
O soro antidiftérico não deve ser administrado com finalidade profilática. 
Quimioprofilaxia dos portadores - Tem indicação restrita e deve-se observar as recomendações 
constantes no Guia de Vigilância Epidemiológica. 
 
Isolamento - Persistir em isolamento até que duas culturas de exsudato de naso e orofaringe sejam 
negativas (colhidas 24 e 48 horas após a suspensão do tratamento). 
 
Desinfecção - Concorrente e terminal. 
Vacinação após a alta - A doença não confere imunidade e a proteção conferida pelo Soro 
Antidiftérico (SAD) é temporária e de curta duração (em média duas semanas), portanto, todos os casos 
devem ser vacinados de acordo com os esquemas preconizados, após alta hospitalar. 
 
Parotidite Infecciosa 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Reduzir as taxas de incidência através de vacinação de rotina; investigar surtos para a adoção de 
medidas de controle. 
 
Notificação 
Não é doença de notificação compulsória. Os surtos devem ser notificados. 
 
Medidas de controle 
 
a) Vacinação - a vacinação está indicada antes da exposição. Esquema vacinal básico: utiliza-se a 
vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), aos 12 meses de idade, com uma dose adicional entre 
4 a 6 anos. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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As contraindicações ao uso da vacina tríplice viral são: antecedente de reação anafilática sistêmica 
após ingestão de ovo de galinha; gravidez e administração de imunoglobulina normal, sangue total ou 
plasma nos três meses anteriores. Recomenda-se às mulheres vacinadas evitar a gravidez por 30 dias 
após a aplicação, no entanto, se alguma grávida for inadvertidamente vacinada, não há indicação de 
interrupção da gravidez. 
 
Poliomielite 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Detectar precocemente a reintrodução do poliovírus selvagem no território brasileiro, pela vigilância 
ativa das paralisias flácidas agudas em menores de 15 anos, para garantir maior agilidade das medidas 
de prevenção e controle. 
 
Notificação 
Doença com sistema de vigilância ativa que exige a notificação compulsória e investigação imediata 
dos casos de paralisias flácidas agudas (PFA). 
 
Critérios para inclusão de um caso no Sistema de Vigilância Epidemiológica das PFA 
Deve ser investigado todo caso de deficiência motora flácida, de início súbito: em pessoas menores 
de 15 anos, independente da hipótese diagnóstica de poliomielite; em pessoas de qualquer idade, que 
apresentam hipótese diagnóstica de poliomielite. 
 
Definição de caso 
 
a) Confirmado - Devem ser classificados nessa categoria todos os casos de PFA em que houve 
isolamento de poliovírus selvagem na(s) amostra(s) de fezes do caso ou de seus comunicantes, 
independentemente de haver ou não sequela após 60 dias do início da deficiência motora; 
 
b) Poliomielite Associada à Vacina - Casos de PFA em que há isolamento de vírus vacinal na(s) 
amostra(s) de fezes e presença de sequela compatível com poliomielite, 60 dias após o início da 
deficiência motora. Há dois tipos de poliomielite relacionados com a vacina: Paralisia flácida aguda que 
se inicia entre 4 e 45 dias após o recebimento da VOP e que apresenta sequela neurológica compatível 
com poliomielite 60 dias após o início do déficit motor. 
Caso de poliomielite associado a vacina de contatos (comunicantes), PFA que surge após contato com 
criança que tenha recebido VOP até 40 dias antes. A paralisia surge de 4 a 85 dias após a vacinação, e 
deve apresentar sequela neurológica compatível com poliomielite 60 dias após o déficit motor; 
 
c) Não poliomielite (Descartado) - Casos de PFA com amostra de fezes adequada (uma amostra 
coletada até quatorze dias do início do déficit motor), na qual não houve isolamento de poliovírus. Se o 
resultado for negativo para poliovírus, o caso deve ser descartado. 
 
d) Poliomielite Compatível - Casos de PFA que não tiveram coleta adequada de amostra de fezes e 
que apresentaram sequela aos 60 dias ou evoluíram para óbito ou têm evolução ignorada. 
 
e) Indicadores de qualidade da vigilância epidemiológica pós-certificação 
- Informação de notificação negativa semanal de pelo menos 80% das Unidades de Notificação 
Negativa implantadas; taxa de notificação de pelo menos 1 caso de PFA por 100.000 habitantes 
menores de 15 anos; pelo menos 80% dos casos notificados devem ser investigados dentro das 48 horas 
posteriores à notificação e pelo menos 80% dos casos de PFA notificados devem ter uma amostra de 
fezes para cultivo de vírus, coletadas no período máximo de duas semanas seguintes ao início da 
deficiência motora. 
 
Medidas em caso de notificação de casos de PFA com suspeita de poliomielite 
Em virtude das características de transmissão do poliovírus, silenciosa e rápida, e da ocorrência de 
um grande número de infecções sem manifestações clínicas, a vigilância deve ser intensificada quando 
da notificação de casos de PFA que tenham suspeita de poliomielite. Esta intensificação da vigilância 
implica em abranger, além do local de residência do doente, as localidades visitadas nos 30 dias 
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anteriores ao início da paralisia, em caso de viagem, como também os locais de residência de possíveis 
visitas recebidas no mesmo período, onde pode estar a provável fonte de infecção. 
Além da realização de visita às unidades de saúde, a situação da cobertura vacinal da área deve ser 
criteriosamente avaliada. 
 
Medidas de controle 
Além de uma vigilância ágil e sensível à detecção de casos de poliomielite importados, a vacinação é 
a medida mais eficaz para manter erradicada a circulação do poliovírus selvagem nas Américas. Portanto, 
além da vacinação de rotina nos serviços de saúde, visado assegurar, o mais precocemente possível, a 
imunização adequada de todas as crianças nascidas, as campanhas anuais de vacinação são 
importantes para garantir um nível adequado de imunidade de grupo na população, através da 
disseminação no meio ambiente, em um curto intervalo de tempo, do vírus vacinal, que compete com a 
circulação do vírus selvagem. 
O Brasil adota em seu esquema vacinal básico a vacina anti-pólio oral (VPO - Sabin) no seguinte 
esquema: 1a dose aos 2 meses; 2ª dose, aos 4 meses; 3ª dose, aos 6 meses; reforço aos 15 meses. 
Entende-se por criança adequadamente vacinada aquela que recebeu três ou mais doses de vacina oral 
contra a poliomielite, com um intervalo mínimo de 30 dias entre cada dose. Em ambas as atividades 
(vacinação de rotina e campanhas) devem ser alcançadas coberturas vacinais altas (95%) em todos os 
municípios, até que se certifique que o mundo esteja livre da poliomielite. 
 
Tétano Acidental 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Monitorizar a situação epidemiológica do tétano acidental no país; avaliaro sistema de vigilância 
epidemiológica; produzir e disseminar informação epidemiológica. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente que apresenta trismo e ou contraturas musculares localizadas ou 
generalizadas, que não se justifiquem por outras etiologias, deve ser suspeito de tétano, particularmente 
na ausência de história vacinal adequada. A falta de ferimento sugestivo de porta de entrada não afasta 
a suspeita, pois nem sempre se detecta a porta de entrada do bacilo. 
 
b) Confirmado - Todo caso suspeito que apresenta um ou mais dos seguintes sinais/sintomas, que 
não se justifiquem por outras etiologias: hipertonia dos masséteres (trismo), disfagia, contratura dos 
músculos da mímica facial (riso sardônico, acentuação dos sulcos naturais da face, pregueamento frontal, 
diminuição da fenda palpebral), rigidez abdominal (abdome em tábua) contratura da musculatura 
paravertebral (opistótono), da região cervical (rigidez da nuca), de membros (dificuldade para deambular), 
independente da situação vacinal prévia, história prévia de tétano e de detecção de solução de 
continuidade da pele ou mucosa. A lucidez do paciente reforça o diagnóstico 
 
Medidas de Controle 
 
a) Vacinação - Manter altas coberturas vacinais da população de risco: pessoas portadoras de úlceras 
de pernas crônicas, mal perfurante plantar decorrente de hanseníase e os trabalhadores de risco, tais 
como agricultores, operários, da construção civil, indústria, donas de casa, aposentados; 
 
Esquema vacinal de rotina - Em crianças abaixo de 7 anos usar vacina DTP no 2º, 4º e 6º meses. 
Reforços (DT) aos 15 meses e com dT ou TT a cada 10 anos. 
 
b) Profilaxia - Em relação à necessidade de imunização ativa e passiva, o quadro a seguir resume os 
procedimentos recomendados. 
 
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Observações - São focos em potencial de contaminação pelo bacilo: ferimentos de qualquer natureza 
contaminados por poeira, terra, fezes de animais ou humanas; fraturas expostas, com tecidos dilacerados 
e corpos estranhos; queimaduras; mordeduras por animais. Todo ferimento suspeito deve ser lavado com 
água e sabão, além de desbridamento. Após a remoção de tecido necrosado e de corpos estranhos, 
deve-se fazer limpeza com água oxigenada. Ressalta-se que não é indicado o uso de Penicilina Benzatina 
no tratamento do foco de infecção, porque não é eficaz. 
 
c) Educação continuada da população em geral e a melhoria das condições socioeconômicas e 
culturais são fundamentais no controle do tétano. 
 
Tétano Neonatal 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Eliminação da doença no país. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória e investigação obrigatória. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo recém-nascido que nasceu bem, sugou normalmente nas primeiras horas e entre 
o 2º e o 28º dia de vida, após o nascimento, apresenta dificuldade em mamar, independente do estado 
vacinal da mãe, do local e das condições do parto. Considera-se também suspeito todos óbitos nessa 
mesma faixa etária com essas mesmas características com diagnóstico indefinido ou ignorado; 
 
b) Confirmado - Todo recém-nascido que nasceu bem, sugou bem nas primeiras horas e a partir do 
2º ao 28º dia de vida apresenta dificuldade evoluindo para deixar de mamar e apresenta dois ou mais dos 
seguintes sinais/sintomas: trismo, contratura dos músculos da mímica facial, olhos cerrados, pele da 
fronte pregueada, lábios contraídos, hiperflexão dos membros superiores junto ao tórax, hiperextensão 
dos membros inferiores, crises de contraturas musculares, com inflamação ou não do coto umbilical. 
 
c) Descartado - Todo caso suspeito, que após a investigação epidemiológica não preencher os 
critérios de confirmação de caso. 
 
Busca Ativa - Sistematicamente deve-se realizar a busca ativa, particularmente em áreas 
consideradas de risco, silenciosa, onde há rumores, onde a notificação é inconsistente e irregular ou que 
não tem notificado caso. Atividades de busca ativa devem incluir revisão de prontuários de hospitais e 
clínicas, registros de igrejas, cemitérios e cartórios, conversas com pediatras, ginecologistas, obstetras, 
enfermeiros, parteiras e líderes comunitários. 
 
Conduta frente a um caso - Encaminhar a mãe para vacinação; divulgar a ocorrência do caso aos 
gestores, aos profissionais de saúde (avaliar as falhas que favoreceram a ocorrência da doença, após 
corrigi-las) e líderes comunitários e envolvê-los na vigilância e ações de prevenção permanente da 
doença; promover vacinação em MIF esquema completo; cadastramento e treinamento de parteiras 
tradicionais atuantes; fazer busca ativa de possíveis outros casos investigando todos os óbitos ocorridos 
em menores de 28 dias de vida, sem diagnóstico definido. 
 
Medidas de controle 
Desde 1989, após resolução da Organização Mundial da Saúde-OMS para eliminação do tétano 
neonatal no mundo, o Brasil elaborou e implantou o Plano Nacional de Eliminação, tendo por estratégias 
principais a vacinação de 100% das mulheres em idade fértil, gestantes e não gestantes, melhoria da 
cobertura e qualidade do pré-natal e da atenção ao parto e puerpério, e o cadastramento e capacitação 
das parteira curiosas tradicionais atuantes em locais de difícil acesso, visando eliminar a ocorrência dessa 
doença. Divulgar, junto à população em geral, as formas de prevenção do tétano neonatal orientando 
quanto a não utilização de medidas caseiras no tratamento do coto umbilical e reforçando que a limpeza 
do mesmo deve ser feita com água e sabão, secar bem e, se possível, usar álcool a 70%. 
 
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Varicela / Herpes Zoster 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Fazer isolamento dos casos visando impedir a disseminação da doença. 
 
Notificação 
Não é doença de notificação compulsória. 
 
Medidas de controle 
 
A vacina contra varicela, ainda não faz parte do calendário básico de vacinações, estando 
disponível nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) recomendada a seguir. 
 
a) Em populações indígenas, em caso de surto a partir dos 6 meses e em qualquer idade, nos 
indivíduos suscetíveis até 96 horas de contato; 
 
b) Imunocomprometidos (leucemia linfocítica aguda e tumores sólidos em remissão (pelo menos 12 
meses), desde que apresentem maior ou igual 1200 linfócitos/mm³, sem radioterapia; caso esteja em 
quimioterapia, suspendê-la sete dias antes e sete dias depois da vacinação; 
 
c) Profissionais de saúde, familiares suscetíveis a doença, Imunocompetentes que estejam em 
convívio comunitário ou hospitalar com imunocomprometidos; 
 
d) Susceptíveis a doença que serão submetidos a transplante de órgãos sólidos, pelo menos três 
semanas antes do ato cirúrgico; 
 
e) Pessoas suscetíveis à doença, imunocompetentes, no momento da internação em enfermaria onde 
haja caso de varicela; 
 
f) HIV – positivos, assintomáticos ou oligossintomático. 
 
Administração da vacina é subcutânea e a dose varia de acordo com o laboratório produtor. 
 
Eventos adversos - A literatura refere que os eventos adversos desta vacina são pouco significativos, 
observando-se em torno de 6% em crianças e de 10 a 21% em adultos suscetíveis, as manifestações 
como dor, calor e rubor. 
 
Contraindicação 
 
a) Pacientes imunocomprometidos, exceto nos casos previstos nas indicações; 
 
b) Durante o período de três meses após terapia imunodepressora; 
 
c) Durante um mês após o uso de corticosteróides em dose imunodepressora (equivalente a 
2mg/kg/dia ou mais de prednisona durante 14 dias ou mais); 
 
d) Gestação: após a vacinação, mulheres em idade fértil devem evitar a gravidez durante um mês; 
 
e) Reação anafilática a dose anterior da vacina ou a algum de seus componentes. 
Precauções: Não utilizar salicilatos durante seis semanas após a vacinação, por ter sido 
temporalmente associado à ocorrênciade Síndrome de Reye. 
 
Precauções - Não utilizar salicilatos durante seis semanas após a vacinação, por ter sido 
temporalmente associado à ocorrência de Síndrome de Reye. 
 
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Imunoglobulina Humana Antivaricela-Zóster (IGHAVZ) - Sua utilização também deve ser de no 
máximo até 96 horas depois de ter ocorrido o contato, o mais precocemente possível. Está disponível nos 
Centros de Referência de Imunobiológicos 
Especiais (CRIE), de acordo com as recomendações a seguir. 
 
a) Nas crianças menores de 6 meses de idade (em situações de surto); 
 
b) Crianças e adultos imunocomprometidos em qualquer idade; 
 
c) Gestantes; 
 
d) Recém-nascidos de mães nas quais a varicela surgiu nos últimos 5 dias de gestação ou nos 2 
primeiros dias após o parto; e cuja mãe não teve varicela. 
 
e) Recém-nascidos prematuros, com menos de 28 semanas de gestação (ou com menos de 1000g ao 
nascimento) independente de história materna de varicela. 
 
Administração - Intramuscular. 
 
Dose - Única de 125U/10kg (mínima de 125U e máxima de 625U). 
 
Contra indicações e Eventos Adversos - Não há contra- indicação ao uso de IGHAVZ, e, o evento 
adverso mais observado é a dor local. 
 
Nota - Crianças vacinadas com menos de 6 meses de idade devem receber uma 2ª dose após 
completar os 12 meses. 
A vacina contra varicela, consta da rotina de toda população indígena, fase a situação de risco 
acrescido que está população vive, bem como a alta letalidade observada nestes povos. 
 
Medidas gerais 
Lavar as mãos após tocar lesões potencialmente infecciosas. 
 
Medidas específicas 
 
Isolamento - Crianças com varicela não complicada podem retornar à escola no 6º dia após o 
surgimento do rush cutâneo. Crianças imunodeprimidas ou que apresentam curso clínico prolongado só 
deverão retornar às atividades após o término da erupção vesicular. 
 
Pacientes internados - isolamento. 
 
Desinfecção - Concorrente dos objetos contaminados com secreções nasofaríngeas. 
 
Botulismo / Botulismo do Lactente 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
a) Detectar precocemente casos, visando promover assistência adequada e reduzir a morbidade e 
letalidade da doença; 
b) Caracterizar o surto por tempo, lugar e pessoa; 
c) Identificar a fonte de contaminação e modo de transmissão dos casos de botulismo; 
d) Propor medidas de prevenção e controle, em tempo oportuno, para impedir a ocorrência de novos 
casos; 
e) Avaliar as medidas de controle implantadas. A partir de casos suspeitos, identificar as prováveis 
fontes de contaminação para adoção das medidas de controle pertinentes. 
 
Notificação 
O botulismo é doença de notificação compulsória desde a Portaria 1.943/ MS de 18 de outubro de 
2001. Devido à gravidade da doença e à possibilidade de ocorrência de outros casos resultantes da 
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ingestão da mesma fonte de alimentos contaminados, um caso é considerado um surto e uma emergência 
de saúde pública. A suspeita de um caso de botulismo exige notificação e investigação imediatas à 
vigilância epidemiológica local. O técnico que recebeu a notificação deve, inicialmente, verificar a 
consistência das informações e, uma vez caracterizada a suspeita de botulismo, comunicar 
imediatamente aos níveis hierárquicos superiores e áreas envolvidas na investigação, iniciando o 
planejamento das ações. 
 
Medidas de controle 
 
a) Ações de educação em saúde - Orientar a população sobre o preparo, conservação e consumo 
adequado dos alimentos associados a risco de adoecimento; 
 
b) Estratégias de prevenção - Orientar as medidas iniciais de prevenção e controle, de acordo com 
o modo de transmissão e resultados da investigação do caso. Nos casos de transmissão alimentar, deve-
se eliminar a permanência da fonte através da interrupção do consumo, distribuição e comercialização 
dos alimentos suspeitos e 
 
c) Imunização - A imunização é recomendada apenas a pessoas com atividade na manipulação do 
microrganismo e é realizada com toxóide botulínico polivalente. 
 
Cólera 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Diminuir a incidência e a letalidade; impedir ou dificultar a propagação do Vibrio cholerae O1. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória internacional, com desencadeamento de investigação 
epidemiológica imediatamente após o estabelecimento da suspeita. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Em áreas sem circulação do vibrião - qualquer indivíduo com diarreia independente de 
faixa etária, que tenha história de passagem por área com circulação do V. cholerae; que coabite com 
caso suspeito ou confirmado (retorno da área endêmica) ou todo indivíduo com mais de 10 anos de idade 
que apresente diarreia súbita, líquida e abundante. Em áreas com circulação - qualquer indivíduo com 
diarreia aguda; 
 
b) Confirmado - Por laboratório (isolamento do agente nas fezes ou vômitos); por critério clínico-
epidemiológico (correlaciona variáveis clínicas e epidemiológicas). 
 
c) Importado - Caso cuja infecção ocorreu em área diferente daquela em que foi diagnosticado. 
 
Medidas de controle 
Oferta de água de boa qualidade e em quantidade suficiente; disponibilização de hipoclorito de sódio 
à população sem acesso à água potável; destino e tratamento adequados dos dejetos; destino adequado 
do lixo; educação em saúde; controle de portos, aeroportos e rodoviárias; higiene dos alimentos; 
disposição e manejo adequado dos cadáveres. A rede assistencial deve estar estruturada e capacitada 
para a detecção precoce e manejo adequado de casos. 
Deve-se ter cuidados com os vômitos e as fezes dos pacientes no domicílio. É importante informar 
sobre a necessidade da lavagem rigorosa das mãos e procedimentos básicos de higiene. Isolamento 
entérico nos casos hospitalizados, com desinfecção concorrente de fezes, vômitos, vestuário e roupa de 
cama dos pacientes. A quimioprofilaxia de contatos não é mais indicada por não ser eficaz para conter a 
propagação dos casos. Além disso, o uso de antibiótico altera a flora intestinal, modificando a 
suscetibilidade à infecção, podendo provocar o aparecimento de cepas resistentes. 
A vacinação apresenta baixa eficácia (50%) e curta duração de imunidade (3 a 6 meses) e não evita a 
infecção assintomática. Para vigiar e detectar precocemente a circulação do agente, preconiza-se: o 
fortalecimento da Monitorização das Doenças Diarreicas Agudas-MDDA nos municípios do país e a 
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monitorização ambiental para pesquisa de Vibrio cholerae no ambiente. É importante ressaltar que no 
caso do Vibrio cholerae El Tor a relação entre doentes e assintomáticos é muito alta, podendo haver de 
30a 100 assintomáticos para cada indivíduo doente; assim, as medidas de prevenção e controle devem 
ser direcionadas a toda a comunidade para garantir o impacto desejado. 
 
Doenças Diarreicas Agudas 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Monitorar a incidência das diarreias visando a atuar em situações de surtos; e manter contínuas 
atividades de educação em saúde com o propósito de diminuir sua incidência e letalidade. 
 
Notificação 
Não é doença de notificação compulsória em virtude da sua elevada frequência. 
A vigilância é feita pela monitorização das doenças diarreicas agudas que consiste no registro de 
dados mínimos dos doentes (residência, idade, plano terapêutico) em unidades de saúde. 
 
Definição de caso 
Indivíduo que apresentar fezes cuja consistência revele aumento do conteúdo líquido (pastosas, 
aquosas), com maior número de dejeções diárias e duração inferior a 2 semanas. 
 
Medidas de controle 
Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene 
pessoal e alimentar. Educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência. Locais de uso 
coletivo, tais como colégios, creches, hospitais,penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados 
quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas 
específicas. Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de precauções entéricas, além de 
reforçadas as orientações às manipuladoras e às mães. Considerando a importância das causas 
alimentares nas diarreias das crianças pequenas, é fundamental o incentivo à prorrogação do tempo de 
aleitamento materno, comprovadamente uma prática que confere elevada proteção a esse grupo 
populacional. 
 
Febre Tifoide 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
A vigilância epidemiológica tem por objetivo, a partir do caso índice, subsidiar adequadas medidas 
terapêuticas e profiláticas e, através da coleta e análise de dados, conhecer as características 
epidemiológicas para adoção de medidas coletivas de prevenção visando a redução de sua incidência. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória, devendo todo caso e surto serem investigados para adoção das 
medidas de controle pertinentes. 
 
Definição de Caso 
 
a) Suspeito - Doente com febre persistente, que pode ou não ser acompanhada de um ou mais dos 
seguintes sinais e sintomas: cefaleia, mal-estar geral, dor abdominal, anorexia, dissociação pulso-
temperatura, constipação ou diarreia, tosse seca, roséolas tíficas (manchas rosadas no tronco) e 
esplenomegalia; 
 
b) Confirmado por critério laboratorial - Quando houver clínica compatível e isolamento da 
Salmonella typhi ou detecção pela técnica de PCR; 
 
c) Confirmado por critério clínico-epidemiológico - Quando houver clínica compatível e associação 
epidemiológica com caso confirmado por laboratório. 
 
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Medidas de Controle 
Conduta frente a um caso: isolamento entérico, com desinfecção concorrente das fezes, urina e objetos 
contaminados e limpeza terminal. 
Caracterizar clinicamente o caso; verificar se já foi coletado e encaminhado material para exame 
diagnóstico (fezes, sangue, urina), observando se houve uso prévio de antibiótico; se necessário, 
hospitalizar o paciente; determinar as prováveis fontes de infecção; pesquisar a existência de casos 
semelhantes, na residência, no local de trabalho, de estudo, etc.; proceder a busca ativa de casos, na 
área; identificar os comunicantes e, entre esses, pesquisar portadores através da coprocultura; afastar o 
paciente da manipulação de alimentos; e orientar sobre medidas de higiene, principalmente em relação 
à limpeza rigorosa das mãos. 
Após sete dias do término do tratamento, realizar 3 coproculturas para identificar se o paciente se 
tornou portador da Salmonella typhi; orientar o paciente quanto ao destino correto das fezes. Medidas 
referentes aos portadores: na prática, é muito difícil a identificação e, consequentemente, a sua 
eliminação na comunidade, apesar de sua reconhecida importância na manutenção do ciclo de 
transmissão da doença. 
A pesquisa de portadores é feita através da realização de coproculturas, em número de 7, em dias 
sequenciais. Essa pesquisa está indicada nas seguintes situações: comunicantes que possam constituir 
perigo para a comunidade (ex.: indivíduos que manipulam alimentos em creches, hospitais) e em 
coletividades fechadas (asilos, hospitais psiquiátricos, presídios), quando houver casos de febre tifoide 
entre as pessoas que frequentam essas instituições. 
Quando identificado o portador, tratá-lo com: ampicilina, 1,0 a 1,5g/dose, VO, dividida em 4 tomadas 
(6/6 horas), por 14 dias; ou amoxicilina, 3g/dia, VO, dividida em 3 tomadas (8/8 horas), por 14 dias. 
Observação: após sete dias do término do tratamento, iniciar a coleta de 3 coproculturas, com intervalo 
de 30 dias entre cada uma; se o portador for manipulador de alimentos, realizar as três coproculturas com 
intervalo de uma semana entre elas. Caso uma delas seja positiva, essa série pode ser suspensa e o 
indivíduo deve ser novamente tratado de preferência com uma QUINOLONA (ciprofloxacina, 500 mg, VO, 
de 12/12 horas, durante 4 semanas) e orientado quanto ao risco que representa para a comunidade em 
geral. O tempo ideal de tratamento para portadores crônicos ainda não está bem definido. Pacientes com 
litíase biliar ou anomalias biliares que não respondem ao tratamento com antimicrobianos devem ser 
colecistectomizados. Vacinação: A vacina atualmente disponível tem poder imunogênico baixo e 
indicações muito restritas. 
 
Aids 
 
Vigilância epidemiológica 
Objetivos Prevenir a transmissão e disseminação do HIV e reduzir a morbi-mortalidade associada à 
essa infecção. 
 
Notificação 
Somente os casos confirmados deverão ser notificados ao Ministério da Saúde. 
 
Definição de caso 
Entende-se por caso de aids o indivíduo que se enquadra nas definições adotadas pelo Ministério da 
Saúde: infecção avançada pelo HIV com repercussão no sistema imunitário, com ou sem ocorrência de 
sinais e sintomas causados pelo próprio HIV ou consequentes a doenças oportunísticas (infecções e 
neoplasias). Os critérios para caracterização de casos de aids estão descritos na publicação Critérios de 
definição de casos de aids em adultos e crianças (2004). 
 
Medidas de controle 
Prevenção da transmissão sexual - Baseia-se na informação e educação visando a prática do sexo 
seguro pela redução do número de parceiros e uso de preservativos. 
 
Prevenção da transmissão sanguínea – 
Transfusão de sangue: Todo o sangue para ser transfundido deve ser obrigatoriamente testado para 
detecção de anticorpos anti-HIV. A exclusão de doadores em situação de risco aumenta a segurança da 
transfusão, principalmente por causa da “janela imunológica”; 
 
Hemoderivados - Os produtos derivados de sangue, que podem transmitir o HIV, devem passar por 
processo de inativação do vírus; 
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Injeções e instrumentos perfurocortantes 
Quando não forem descartáveis devem ser meticulosamente limpos para depois serem desinfetados 
e esterilizados. Os materiais descartáveis, após utilizados, devem ser acondicionados em caixas 
apropriadas, com paredes duras, para que acidentes sejam evitados. O HIV é muito sensível aos métodos 
padronizados de esterilização e desinfecção (de alta eficácia), sendo inativado por meio de produtos 
químicos específicos e do calor, mas não inativado por irradiação ou raios gama; 
 
Prevenção da transmissão perinatal 
É feita com uso de zudovidina (AZT) durante gestação e parto por mulheres infectadas pelo HIV e o 
AZT xarope por crianças expostas, que deverão ser alimentadas exclusivamente com fórmula infantil. 
Outras orientações do Ministério da Saúde como o parto cesáreo e diminuição do tempo de rotura das 
membranas também contribuem para a redução da transmissão vertical. No entanto, a prevenção da 
infecção na mulher é ainda a melhor abordagem para se evitar a transmissão da mãe para o filho. 
 
Prevenção de outras formas de transmissão 
Como doação de sêmen e órgãos: é feita por uma rigorosa triagem dos doadores. 
 
Gestante / parturiente HIV+ e criança exposta 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Objetivos 
Conhecer, o mais precocemente possível, o estado sorológico da gestante/ parturiente/puérpera, para 
início oportuno da terapêutica materna e profilaxia da transmissão vertical; Acompanhar, continuamente, 
o comportamento da infecção entre gestantes e crianças expostas, para planejamento e avaliação das 
medidas de prevenção e controle. 
 
Notificação 
A notificação de gestantes HIV+ e criança exposta é obrigatória (Portaria Ministerial Nº 2325/GM, de 8 
de dezembro de 2003). 
 
Definição de caso 
Para fins de notificação, entende-se por gestante HIV+ aquela em que for detectada a infecção por 
HIV. Para tanto não se espera a realização de testes confirmatórios. Entende-se como criança exposta 
aquela nascida de mãe infectada ou que tenha sido amamentada por mulheres infectadas pelo HIV. 
 
Medidasde controle 
Em 1994, foi comprovado que o uso da zidovudina (AZT) pela gestante infectada na gestação e durante 
o parto, bem como pelo recém-nascido, durante as primeiras 6 semanas de vida, pode levar a uma 
redução de até 2/3 no risco de transmissão do HIV da mãe para o filho. Quando as medidas profiláticas 
começam no momento do parto, a redução da transmissão é de 37%. O uso de drogas antirretrovirais em 
uso combinado, em gestantes HIV+ é capaz de reduzir a carga viral plasmática para níveis indetectáveis, 
resultando em taxas de transmissão inferiores a 3%. 
Assim recomendasse o uso do AZT na gestação, durante o trabalho de parto/parto e pelo recém-
nascido e, quando houver indicação, o uso de terapia antirretroviral combinada pela gestante, conforme 
recomendação do documento “Recomendações para profilaxia da transmissão materno-infantil do HIV e 
terapia antirretroviral em gestantes” revisado periodicamente pelo Programa Nacional de 
DST/Aids/SVS/MS; e da operação cesariana eletiva; suspensão do aleitamento materno e instituição da 
fórmula infantil, e outros alimentos, de acordo com a idade da criança; aconselhamento pré e pós-teste, 
para todas as parturientes não aconselhadas e testadas durante o pré-natal, ou sem pré-natal; cesárea 
eletiva; não realização de aleitamento cruzado; puérperas HIV+ e crianças expostas devem ser 
encaminhadas para centros de referência onde receberão acompanhamento e a investigação da criança 
segue até o desfecho: infectada ou não infectada. 
 
 
 
 
 
 
 
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. 55 
Hepatite A 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer a magnitude, a tendência e a distribuição por faixa etária e áreas geográficas. Detectar, 
prevenir e controlar surtos, adotando e avaliando impacto das medidas de controle. 
 
Notificação 
Todos os casos suspeitos ou confirmados e os surtos devem ser notificados e investigados. 
 
Definição de caso 
 
Suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de transaminases igual ou maior que 
três vezes o valor normal e/ou história de contato com paciente com hepatite A confirmada. 
 
Confirmado - Indivíduo que preenche as condições de suspeito com marcador Anti-HAV IgM positivo 
ou indivíduo que preenche as condições de suspeito mais um vínculo epidemiológico com caso 
confirmado por sorologia de Hepatite A. 
 
Medidas de controle 
As medidas de controle incluem a notificação de surtos e os cuidados com o paciente. A notificação é 
importante para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão 
através de medidas preventivas. 
Os cuidados com o paciente incluem o afastamento do mesmo das atividades normais (se criança, 
isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da 
doença e a máxima higiene com desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando cloro 
ou água sanitária As medidas preventivas incluem: 
 
a) Educação da população quanto às boas práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após 
o uso do banheiro, na preparação de alimentos, antes de se alimentar; na disposição sanitária de fezes, 
etc; 
 
b) Medidas de saneamento básico com água tratada e esgoto; 
 
c) Orientação das creches, pré-escolas e instituições fechadas para adoção de medidas rigorosas de 
higiene com lavagem das mãos ao efetuar trocas de fraldas, no preparo dos alimentos e antes de comer, 
além da desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc; 
 
d) Cozimento adequado para mariscos, frutos do mar e desinfecção (uso de cloro) para alimentos crus. 
A vacina contra a hepatite A, está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais 
(CRIE), indicada apenas para pessoas com hepatopatias crônicas suscetíveis para a hepatite A; 
receptores de transplantes halogênicos ou autólogos, após transplante de medula óssea em receptores 
de transplantes halogênicos ou autólogos; antes da coleta em candidatos a receber transplantes 
autólogos de medula óssea e doadores de transplante halogênico de medula óssea. 
 
Hepatite B 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer a magnitude, tendência e distribuição geográfica e por faixa etária, visando fortalecer as 
atividades de vacinação em áreas ou grupos de maior risco. 
 
Notificação 
Os casos suspeitos e confirmados devem ser notificados e investigados, visando à proteção dos 
contatos não infectados. 
 
 
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. 56 
Definição de caso 
 
Suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de aminotransferase igual ou maior 
que três vezes o valor normal e/ou indivíduo com exposição percutânea ou de mucosa a sangue e/ou 
secreções, ou contato sexual ou domiciliar com pessoas suspeitas ou sabidamente HBsAg reagente e/ou 
anti-HBc IgM reagente, indivíduo com exames sorológicos reagentes em serviços que realizam triagem 
sorológica, indivíduo que desenvolveu icterícia subitamente e evoluiu para óbito, sem outro diagnóstico 
confirmado. 
 
Confirmado - Será segundo a tabela ao final. 
 
Medidas de controle 
As medidas de controle incluem a profilaxia pré-exposição, pós-exposição, o não compartilhamento ou 
reutilização de seringas e agulhas, triagem obrigatória nos doadores de sangue, inativação viral de 
hemoderivados e medidas adequadas de biossegurança nos estabelecimentos de saúde. A vacinação é 
a medida mais segura para prevenção contra hepatite B. No Brasil a vacina é indicada para toda a 
população menor de 20 anos e para pessoas de grupos populacionais com maior vulnerabilidade para a 
doença. Os seguintes grupos devem ser vacinados: profissionais da área de saúde; comunicantes 
domiciliares de portadores do HBsAg positivo; paciente em hemodiálise; politransfundidos; talassêmicos; 
hemofílicos; portadores de anemia falciforme; neoplasias, HIV (sintomáticos e assintomáticos); 
portadores da hepatite C; usuário de drogas intravenosas; pessoas em regime carcerário; pacientes 
internos em casas psiquiátricas; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo e 
populações indígenas (todas as faixas etárias). O esquema básico de vacinação é de 3 doses, com 
intervalo de um mês entre a primeira e segunda dose e de seis meses entre a primeira e terceira dose. O 
volume a ser aplicado é de 1ml, em adultos, e 0,5ml, em crianças menores que 11 anos, a depender do 
laboratório produtor. 
A Imunoglobulina Humana Anti-hepatite B (IGHAHB), é indicada para pessoas não vacinadas após 
exposição ao vírus nas seguintes situações: recém-nascidos de mães sabidamente portadoras de HBsAg 
positivo, nas primeiras horas de vida; acidente com ferimento cutâneo ou de membrana mucosa por 
instrumento perfurocortante contaminado com sangue; contato sexual com pessoa que tem sorologia 
positiva para HBsAg; e vítima de abuso sexual. 
Na dose 0,06 ml/kg de peso. (Administrar simultaneamente a vacina). Os portadores e doentes devem 
ser orientados para evitar a disseminação do vírus, adotando medidas simples, tais como: uso de 
preservativos nas relações sexuais, não doar sangue, uso de seringas e agulhas descartáveis, evitando 
o compartilhamento. 
Recomenda-se também, consultar normas para Centros de Referência para Imunobiológicos 
Especiais, Recomendações para imunização ativa e passiva de doentes com neoplasias e 
Recomendações para vacinação em pessoas infectadas pelo HIV. 
 
Hepatite C 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer a magnitude, tendência, distribuição geográfica e por faixa etária. Investigar os casos e 
adotar medidas de controle. 
 
Notificação 
Todos os casos devem ser notificados e investigados. 
 
Definição de caso 
 
Caso suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de aminotransferases igual ou 
maior que três vezes o valor normal; história de exposição percutânea ou de mucosa a sangue e/ou 
secreções de pessoas portadoras ou com suspeita de infecção pelo HCV;exames sorológicos de triagem 
reagentes para hepatite C (doadores de sangue e/ou órgãos, usuários de hemodiálise e ambulatórios de 
DST) ou indivíduo que desenvolveu icterícia subitamente e evoluiu para óbito, sem outro diagnóstico 
confirmado; receptores de transplantes, sangue ou hemoderivados antes de 1993. 
 
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Caso Confirmado - Indivíduo que preenche as condições de suspeito e detecta-se no soro o RNA-
HCV por método de biologia molecular ou detecção do antígeno ou RNA-HCV em tecido quando não for 
possível a coleta de soro em caso de óbito. Nos locais onde ainda não for possível a realização de teste 
de biologia molecular, poderá ser confirmado indivíduos com duas sorologias reagentes pelo método de 
Elisa com aminotransferases (ALT) uma vez e meio maior que o limite normal. 
 
Medidas de controle 
Não há vacina, nem imunoglobulina para a hepatite C. Aos portadores crônicos do HCV são 
recomendadas as vacinas contra hepatite A e B, se forem susceptíveis, evitando o risco destas infecções. 
Aos portadores do HCV é importante que orientações sejam dadas para evitar a transmissão do vírus. A 
possibilidade da transmissão vertical (mãe-filho) e através do aleitamento materno deve ser 
problematizadas com mães infectadas pelo HCV. Usuários de drogas injetáveis e inaláveis não devem 
compartilhar seringas e canudos. Embora o risco de transmissão sexual seja pequeno, esta informação 
deve ser passada para casais discordantes (um tem a infecção e o outro não). Entretanto, de forma geral, 
como forma de prevenção de DST, incluindo a hepatite B, o uso de preservativo deve ser buscado. 
O portador não deve fazer doação de sangue. Os profissionais devem seguir as normas de 
biossegurança nos estabelecimentos de saúde. Em caso de acidente biológico, testar o paciente fonte 
para o HCV. O profissional acidentado deve ser acompanhado e realizar sorologia no momento do 
acidente, aos 3 e 6 meses após a exposição, sendo que entre a quarta e sexta semana deve realizar um 
dosagem de aminotransferases. 
 
Hepatite D 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer a magnitude, tendência, distribuição por faixa etária e áreas geográficas. 
Vacinar contra hepatite B a população residente em áreas endêmicas. 
 
Notificação 
Os casos suspeitos, confirmados e os surtos devem ser notificados e investigados. 
 
Definição de caso 
 
Caso suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de transaminases igual ou 
maior que três vezes o valor normal e/ou história de contato por via sexual, parenteral, percutânea ou 
vertical com paciente que apresenta sorologia reagente para hepatite D. 
 
Caso confirmado - Indivíduo que na investigação epidemiológica apresente marcadores conforme 
tabela a seguir: 
 
 
 
Medidas de controle 
A vacina contra a hepatite B é uma forma de reduzir a prevalência da hepatite D. Os portadores e 
doentes devem ser orientados para evitar a disseminação do vírus, adotando medidas simples, tais como: 
uso de preservativos nas relações sexuais, não doar sangue, uso de seringas e agulhas descartáveis, 
evitando o compartilhamento. Os profissionais de saúde devem seguir as normas de biossegurança em 
procedimentos odontológicos e cirúrgicos. 
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Os serviços de hemoterapia (hemocentros e Bancos de Sangue), de doenças sexualmente 
transmissíveis, de saúde do trabalhador me como as Unidades 
Básicas de Saúde devem notificar os portadores por eles diagnosticados e encaminhá-los ao serviço 
de Vigilância Epidemiológica municipal ou estadual, para completar a investigação e receber assistência 
médica. 
 
Hepatite E 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer a magnitude, tendência, distribuição por faixa etária e áreas geográficas da doença. 
Investigar surtos para adoção de medidas de controle. 
 
Notificação 
Os casos suspeitos, confirmados e os surtos devem ser notificados e investigados, visando adoção 
das medidas de controle pertinentes. Casos isolados não são de notificação compulsória para o nível 
nacional, devendo- se, entretanto, seguir as orientações dos estados e municípios. Deve-se investigar se 
o paciente esteve em área endêmica, no período de 2 meses que antecedeu o início dos sintomas. 
 
Definição de caso 
 
Caso suspeito - Indivíduo com icterícia aguda e colúria e/ou dosagem de transaminases igual ou 
maior que três vezes o valor normal e/ou contato com mesma fonte de infecção a qual foi confirmado um 
caso apresentando Anti-HEV reagente. 
 
Caso confirmado - Indivíduo que preenche as condições de suspeito com sorologia demonstrando 
Anti-HEV IgM positivo, em pacientes não reatores a marcadores de hepatites A e B agudas ou indivíduo 
que preenche as condições de caso suspeito e que se identifique vínculo epidemiológico confirmado de 
Hepatite E. 
 
Medidas de controle 
As medidas de controle incluem a notificação de surtos e os cuidados com o paciente. A notificação é 
importante para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão 
através de medidas preventivas. 
Os cuidados com o paciente incluem o afastamento do mesmo das atividades normais (se criança, 
isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da 
doença e a máxima higiene com desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, chão, etc, utilizando cloro 
ou água sanitária As medidas preventivas incluem: 
 
a) educação da população quanto às boas práticas de higiene, com ênfase na lavagem das mãos após 
o uso do banheiro, na preparação de alimentos, antes de se alimentar; na disposição sanitária de fezes, 
etc; 
 
b) medidas de saneamento básico com água tratada e esgoto; 
 
c) orientação das creches, pré-escolas e instituições fechadas para adoção de medidas rigorosas de 
higiene com lavagem das mãos ao efetuar trocas de fraldas, no preparo dos alimentos e antes de comer, 
além da desinfecção de objetos, bancadas, chão, etc. Não existe vacina para a hepatite E comercializada 
e não é conhecida a eficácia da Imunoglobulina contra hepatite E. 
 
Sífilis Congênita 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Detecção ativa e precoce dos casos de sífilis congênita para tratamento adequado das mães e 
crianças, para adoção das medidas de controle visando sua eliminação; interromper a cadeia de 
transmissão da sífilis adquirida (detecção e tratamentos precoces dos casos e dos parceiros). 
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Notificação 
A sífilis congênita é doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória. 
A sífilis adquirida deve ser notificada de acordo com as normas estaduais e/ou municipais. A 
Coordenação Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde, selecionou fontes de informações 
específicas em conjunto com estados e municípios para as DST, visando o aprimoramento da sua 
vigilância. 
 
Definição de caso 
Em 2003, a definição de caso de sífilis congênita foi revisada, a principal modificação está no 
agrupamento dos critérios da definição anterior em um único bloco, não mais utilizando a classificação 
final de confirmado, presumível ou suspeito. Assim, todos os casos nos quais a definição se aplica serão 
notificados como caso de sífilis congênita. 
Será considerado caso de sífilis congênita para fins de vigilância epidemiológica e assim deverá ser 
notificado: 
Toda criança, ou aborto, ou natimorto de mãe com evidência clínica para sífilis e/ou com sorologia não 
treponêmica reagente para sífilis com qualquer titulação, na ausência de teste confirmatório treponêmico, 
realizada no pré-natal ou no momento do parto ou curetagem, que não tenha sido tratada ou tenha 
recebido tratamento inadequado. 
Todo indivíduo com menos de 13 anos com as seguintes evidências sorológicas: 
Titulações ascendentes (testes não treponêmicos); e/ou 
Testes não treponêmicosreagentes após 6 meses (exceto em situação de seguimento terapêutico); 
e/ou 
Testes treponêmicos reagentes após 18 meses; e/ou 
Títulos em teste não treponêmico quatro vezes maiores do que os da mãe. 
Em caso de evidência sorológica apenas, deve ser afastada a possibilidade de sífilis adquirida. 
Todo indivíduo com menos de 13 anos, com teste não treponêmico reagente e: evidência clínica ou 
liquórica ou radiológica de sífilis congênita. 
Toda situação de evidência de T. pallidum em placenta ou cordão umbilical e/ou amostra de lesão, 
biópsia ou necropsia de criança, aborto ou natimorto. 
 
Medidas de controle 
O Ministério da Saúde é signatário de acordo internacional que busca a “eliminação da sífilis 
congênita”. Para alcançar esse objetivo está em andamento a implantação de atividades especiais para 
eliminação, em aproximadamente 6.000 maternidades brasileiras. Deve-se observar a correta forma de 
tratamento dos pacientes; a plena integração de atividades com outros programas de saúde; o 
desenvolvimento de sistemas de vigilância locais ativos; 
Interrupção da cadeia de transmissão (diagnóstico e tratamento adequados). 
Aconselhamento (confidencial): orientações ao paciente com DST para que discrimine as possíveis 
situações de risco em suas práticas sexuais; desenvolva a percepção quanto à importância do seu 
tratamento e de seus parceiros sexuais e de comportamentos preventivos. 
Promoção do uso de preservativos. 
Aconselhamento aos parceiros. 
Educação em saúde, de modo geral. 
 
Observação - As associações entre diferentes DST são frequentes, destacando- se, atualmente a 
relação entre a presença de DST e aumento do risco de infecção pelo HIV, principalmente na vigência de 
úlceras genitais. 
Desse modo, se o profissional estiver capacitado a realizar aconselhamento, pré e pós teste para 
detecção de anticorpos anti-HIV, quando do diagnóstico de uma ou mais DST, deve ser oferecida essa 
opção ao paciente. 
Portanto, toda DST constitui-se em evento sentinela para busca de outra doença sexualmente 
transmissível e possibilidade de associação com o HIV. É necessário, ainda, registrar que o Ministério 
da Saúde vem implementando a “abordagem sindrômica” aos pacientes de DST, visando aumentar a 
sensibilidade no diagnóstico e tratamento dessas doenças, o que resultará em um maior impacto na 
redução dessas infecções. 
 
 
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Sífilis em Gestante5 
 
Diagnóstico precoce de sífilis materna no pré-natal 
Realizar o teste VDRL ou RPR no primeiro trimestre da gravidez ou na primeira consulta, e outro no 
início do terceiro trimestre da gravidez (para detectar infecção próximo ao final da gestação). Na ausência 
de teste confirmatório (sorologia treponêmica) considerar para o diagnóstico as gestantes com VDRL 
(RPR) reagente, com qualquer titulação, desde que não tratadas anteriormente. 
Tratamento imediato dos casos diagnosticados em gestantes e seus parceiros (evitando a reinfecção 
da gestante) 
• Utilizando as mesmas dosagens apresentadas para a sífilis adquirida; 
• Orientar para que os pacientes evitem relação sexual até que o seu tratamento (e o do parceiro com 
a doença) se complete; 
• A gestante realizará o controle de cura mensal através do VDRL; 
• Tratar novamente em caso de interrupção de tratamento ou quadruplicação dos títulos (ex.: de 1:2 
para 1:8); 
• Gestantes comprovadamente alérgicas à penicilina devem ser dessensibilizadas. Na impossibilidade, 
podem ser tratadas unicamente com Estearato de Eritromicina 500 mg VO, de 6/6 horas, durante 15 dias 
(sífilis recente) ou 30 dias (sífilis tardia). Entretanto, esta gestante não será considerada adequadamente 
tratada São considerados Tratamentos Inadequados para Sífilis Materna a aplicação de qualquer terapia 
não-penicilínica, ou penicilínica incompleta (tempo e/ou dose); a instituição de tratamento dentro dos 30 
dias anteriores ao parto; além dos casos de manutenção de contato sexual com parceiro não tratado. 
Importante: Testes anti-HIV e aconselhamento devem ser oferecidos a toda as gestante, de modo a 
permitir, se necessário, introduzir rapidamente ações profiláticas visando a redução do risco de 
transmissão vertical do HIV. 
 
Admissão para Parto ou Curetagem 
 
Triagem para sífilis no local do parto 
Realizar o VDRL, ou o RPR, em toda mulher admitida para parto ou curetagem por abortamento. Para 
toda gestante hospitalizada por qualquer intercorrência durante a gravidez, é recomendável, para 
diagnóstico precoce, solicitar o VDRL. Iniciar imediatamente o tratamento da puérpera e seu parceiro. 
 
Manejo adequado do recém-nascido 
• Realizar VDRL ou RPR em amostra de sangue periférico dos recém-nascidos cujas mães 
apresentaram VDRL reagente na 
gestação ou parto; ou em caso de suspeita clínica de sífilis congênita; 
• Tratamento imediato dos casos detectados; 
• Notificação e investigação dos casos detectados, incluindo os natimortos ou aborto por sífilis. 
 
No Período Neonatal 
A. Nos recém-nascidos de mães com sífilis não tratada, ouinadequadamente tratada, 
independentemente do resultado do VDRL do recém- nascido, realizar raio-X de ossos longos, punção 
lombar, e outros exames, quando clinicamente indicados: 
A1. Se houver alterações clínicas e/ou sorológicas e/ou radiológicas mas não liquóricas, o tratamento 
deverá ser feito com Penicilina G Cristalina, na dose de 100.000 UI/Kg/dia, IV, 2 vezes por dia (se tiver 
menos de 1 semana de vida); ou 3 vezes (se tiver mais de 1 semana de vida), por 10 dias; ou Penicilina 
G Procaína 50.000 UI/Kg, IM, por 10 dias; 
A2. Se houver alteração liquórica, o tratamento deverá ser feito com Penicilina G Cristalina, na dose 
de 150.000 UI/Kg/dia, EV, em 2 vezes por dia (se tiver menos de 1 semana de vida); ou 3 vezes (se tiver 
mais de 1 semana de vida), por 14 dias; 
A3. Se não houver alterações clínicas, radiológicas, e/ou liquóricas, e a sorologia for negativa no 
recém-nascido, dever-se-á proceder ao tratamento com Penicilina G Benzatina, na dose única de 50.000 
UI/Kg, IM. O acompanhamento é mandatório, incluindo o seguimento com VDRL sérico (ver o item 
seguimento), após conclusão do tratamento. Sendo impossível garantir o acompanhamento, o recém-
nascido deverá ser tratado com o plano A1. 
 
5 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/114programa_dst.pdf 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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B. Entre os recém-nascidos de mães adequadamente tratadas,realizar o VDRL em amostra de sangue 
periférico do recém-nascido. Se este for reagente com titulação maior que a materna e/ou na presença 
de alterações clínicas, realizar raio-X de ossos longos e análise do líquor (LCR). Neste caso: 
B1. Se houver alterações radiológicas, sem alterações liquóricas, tratar como A1; 
B2. Se houver alteração liquórica, tratar como A2; 
C. Nos recém-nascidos de mães adequadamente tratadas, realizaro VDRL em amostra de sangue 
periférico. Se o bebê não for reagente ou for reagente com titulação menor ou igual à da mãe, e também 
for assintomático e com o raio-X de ossos longos sem alterações, proceder apenas ao seguimento 
ambulatorial. 
Obs.: Na impossibilidade de realizar a análise liquórica tratar o caso como neurossífilis. 
 
Após o Período Neonatal (a partir do 28º dia de vida) 
Crianças com quadro clínico sugestivo de sífilis congênita devem ser cuidadosamente investigadas, 
obedecendo-se a rotina referida. Confirmando-se o diagnóstico, iniciar o tratamento (mencionado 
anteriormente), observando o intervalo das aplicações da Penicilina G Cristalina, que deverá ser de 4 em 
4 horas, e da Penicilina G Procaína, de 12 em 12 horas, sem modificações nas dosagens descritas. 
 
Seguimento 
• Avaliações mensais, no primeiro ano de vida; 
• Realizar VDRL com 1, 3, 6, 12 e 18 meses, interrompendo quando se observar negativação; 
• Diante das elevações de títulos sorológicos, ou da sua não-negativaçãoaté os 18 meses, reinvestigar 
o paciente; 
• Recomenda-se o acompanhamento oftalmológico, neurológico e audiológico semestral; 
• Nos casos onde o LCR esteve alterado, deve-se proceder à reavaliação liquórica a cada 6 meses, 
até a normalização do mesmo; 
• Nos casos de crianças tratadas inadequadamente, na dose e/ou tempo preconizados, deve-se 
convocar a criança para reavaliação clínico-laboratorial. Havendo alterações, recomenda-se reiniciar o 
tratamento da criança conforme o caso, obedecendo aos planos já descritos. Se o resultados forem 
normais, o seguimento é ambulatorial. 
 
Hanseníase 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Reduzir os coeficientes de detecção e prevalência da doença, através do diagnóstico e tratamentos 
precoces dos casos, procurando assim interromper a cadeia de transmissão. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória no Brasil. 
 
Medidas de controle 
Diagnóstico precoce dos casos, através do atendimento de demanda espontânea, de busca ativa e de 
exame dos contatos para tratamento específico, que deve ser feito em regime eminentemente 
ambulatorial. 
 
Prevenção de incapacidades - Todo paciente de hanseníase deve ser examinado minuciosamente 
e orientado quanto aos autocuidados para evitar ferimentos, calos, queimaduras (que podem ocorrer 
devido à hipoestesia e/ou anestesia), e que, uma vez instalados, podem, potencialmente, levar a 
incapacidades. Observar que a melhor forma de prevenir incapacidades é fazer o tratamento 
poliquimioterápico de modo regular e completo. Ratifica-se ainda que o diagnóstico precoce do 
acometimento neural, com ou sem reação hansênica, e seu tratamento adequado é medida essencial na 
prevenção de incapacidades. 
 
Vigilância de contatos - Contato intradomiciliar é toda pessoa que resida ou tenha residido com o 
paciente nos últimos 5 anos. Examinar todos os contatos de casos novos; os doentes devem ser 
notificados como caso novo e tratados. Os contatos sãos devem receber duas doses da vacina BCG-ID. 
Quando houver a cicatriz por BCG-ID, considerar como 1ª dose e aplicar a 2ª dose. Quando não houver 
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a cicatriz, aplicar a 1ª dose e a 2ª após 6 meses. Paralelamente, os contatos sãos devem ser orientados 
quanto aos sinais e sintomas da hanseníase. 
 
Recidiva - Deve-se suspeitar de recidiva, com base nos seguintes parâmetros: 
 
Paucibacilares - Paciente que, após alta por cura, apresentar: dor em nervo não afetado 
anteriormente, novas lesões e/ou exacerbações de lesões anteriores que não respondam à corticoterapia 
recomendada para tratar episódios reacionais do tipo I, nas doses indicadas. 
 
Multibacilares - Paciente que, após 5 anos de alta por cura, continuar apresentando episódios 
reacionais que não cedem à terapêutica com corticosteroide e/ou talidomida, nas doses recomendadas 
para tratar episódios do tipo 2. Considerar, na recidiva, a confirmação baciloscópica, ou seja, a presença 
de bacilos íntegros e globias. 
 
Observação - A ocorrência de episódio reacional após a alta do paciente não significa recidiva da 
doença. A conduta correta é instituir apenas terapêutica antirreacional (prednisona e/ou talidomida). 
Todo caso de recidiva deve, após confirmação, ser notificado como recidiva e reintroduzido novo 
esquema terapêutico. 
A hanseníase não confere imunidade. Os parâmetros para diferenciar recidiva e reinfecção não estão 
claros na literatura. 
 
Tuberculose 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Reduzir a transmissão do bacilo da tuberculose na população, através das ações de diagnóstico 
precoce e tratamento. Busca de bacilíferos dentro da população de sintomáticos respiratórios e contatos 
de casos. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória e investigação obrigatória. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Indivíduo com sintomatologia clínica sugestiva 
Tosse com expectoração por 3 ou mais semanas, febre, perda de peso e apetite, ou suspeito ao exame 
radiológico. Paciente com imagem compatível com tuberculose ao exame radiológico; 
 
b) Confirmado, por critério clínico laboratorial 
 
b.1) Tuberculose Pulmonar Bacilífera - Paciente com duas baciloscopias diretas positivas, ou uma 
baciloscopia direta positiva e cultura positiva, ou uma baciloscopia direta positiva e imagem radiológica 
sugestiva de tuberculose; 
 
b.2) Escarro negativo - Paciente com duas baciloscopias negativas, com imagem radiológica 
sugestiva e achados clínicos ou outros exames complementares que permitam ao médico efetuar um 
diagnóstico de tuberculose; 
 
b.3) Extrapulmonar - Paciente com evidências clínicas, achados laboratoriais, inclusive 
histopatológicos compatíveis com tuberculose extrapulmonar ativa, em que o médico toma a decisão de 
tratar com esquema específico; ou paciente com, pelo menos, uma cultura positiva para M. tuberculosis, 
de material proveniente de localização extrapulmonar; 
 
c) Confirmado por critério clínico epidemiológico - A partir dos dados clínicos e epidemiológicos e 
da interpretação dos resultados dos exames solicitados; 
 
d) Descartado - Caso suspeito que, apesar de sintomatologia compatível, apresenta resultados 
negativos aos exames laboratoriais. 
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Medidas de controle 
As medidas de controle baseiam-se, principalmente, na busca de sintomáticos respiratórios, seu 
diagnóstico e tratamento. 
 
a) Controle de Contatos - Indicado, prioritariamente, para contatos que convivam com doentes 
bacilíferos e adultos que convivam com doentes menores de 5 anos, para identificação da possível fonte 
de infecção. Pacientes internados - Medidas de isolamento respiratório. 
 
b) Vacinação com BCG - A faixa etária preconizada é de 0 a 4 anos (obrigatória para menores de 1 
ano), iniciar o mais precocemente possível em maternidades e salas de vacinação. Está indicada nas 
crianças HIV-Positivas assintomáticas e filhos de mães HIV-positivas. Pacientes adultos sintomáticos ou 
assintomáticos, não deverão ser vacinados, se apresentarem contagem de linfócitos T (CD4) abaixo de 
200 células /mm3. Em criança que recebeu o BCG há seis meses ou mais, na qual esteja ausente a 
cicatriz vacinal, indica-se a revacinação, sem necessidade de realização prévia do teste tuberculínico 
(PPD). A revacinação é recomendada nas faixas etárias de 6 a 10 anos. Se a primeira dose for aplicada 
com seis anos e mais, não há necessidade de revacinação. 
É contra indicada a vacina nos indivíduos HIV-positivos sintomáticos, e nos portadores de 
imunodeficiências congênitas ou adquiridas. Os trabalhadores de saúde, não reatores à prova 
tuberculínica, que atendam habitualmente tuberculose e AIDS, deverão também ser vacinados com BCG. 
Recomenda-se adiar a vacinação com BCG em recém-nascidos com peso inferior a 2 kg; reações 
dermatológicas na área da aplicação, doenças graves e uso de drogas imunossupressoras. 
Há contraindicação absoluta para aplicar a vacina BCG, nos portadores de imunodeficiências 
congênitas ou adquiridas. Os eventos adversos são raros, podendo ocorrer formação de abscesso e/ou 
ulceração, no local da aplicação; linfadenite regional, dentre outros. 
 
c) Quimioprofilaxia - Consiste na administração de isoniazida em infectados pelo bacilo 
(quimioprofilaxia secundária) ou não infectados (quimioprofilaxia primária), na dosagem de 10 mg/kg/dia 
(até 300 mg), diariamente, por um período de 6 meses. Recomendada em contactantes de bacilíferos, 
menores de 15 anos, não vacinados com BCG, reatores à prova tuberculínica (10mm ou mais), com 
exame radiológico normal e sem sintomatologia clínica compatível com tuberculose; Recém-nascidos 
coabitantes de foco bacilífero: administra-se a quimioprofilaxia por três meses e, após esse período, faz-
se a prova tuberculínica na criança. 
Se ela for reatora, mantém-se a isoniazida até completar 6 meses; se não for reatora, suspende-se a 
droga e aplica-se a vacina BCG;Indivíduos com viragem tuberculínica recente (até 12 meses), isto é, que 
tiveram aumento na resposta tuberculínica de, no mínimo, 10 mm; 
População indígena: neste grupo, a quimioprofilaxia está indicada em todo o contato de tuberculose 
bacilífera, reator forte ao PPD, independente da idade e do estado vacinal, após avaliação e afastada a 
possibilidade de tuberculose doença, através da baciloscopia e do exame radiológico. Imunodeprimidos 
por uso de drogas, ou por doenças imunossupressoras, e contatos intradomiciliares de tuberculosos, sob 
criteriosa decisão médica. 
Reatores fortes a tuberculina, sem sinais de tuberculose ativa, mas com condições clínicas associadas 
a alto risco de desenvolvê-las, como: alcoolismo, diabetes insulinodependente, silicose, nefropatias 
graves, sarcoidose, linfomas, pacientes com uso prolongado de corticosteróides em doses de 
imunossupressão, pacientes submetidos a quimioterapia antineoplásica, paciente submetido a tratamento 
com imunossupressores, portadores de imagens radiológicas compatíveis com tuberculose ativa, sem 
história de quimioterapia prévia. Estes casos deverão ser encaminhados a uma unidade de referência 
para a tuberculose. 
Coinfectados HIV e M. Tuberculosis. Este grupo deve ser submetido à prova tuberculínica, sendo de 
5mm em vez de 10 mm, o limite da reação ao PPD, para considerar-se uma pessoa infectada pelo M. 
Tuberculosis. A quimioprofilaxia será aplicada segundo as indicações do quadro a seguir: 
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(1) O teste tuberculínico (PPD) deve ser sempre realizado na avaliação inicial do paciente HIV+, 
independentemente do seu estado clínico ou laboratorial (contagem de células CD4+ e carga viral), 
devendo ser repetido anualmente nos indivíduos não reatores. Nos pacientes não reatores, e em uso de 
terapia antirretroviral, recomenda-se fazer o teste a cada seis meses no primeiro ano de tratamento, 
devido à possibilidade de restauração da resposta tuberculínica. 
(2) A quimioprofilaxia com isoniazida (H) reduz o risco de adoecimento, a partir da reativação endógena 
do bacilo, mas não protege contra exposição exógena após sua suspensão. Portanto, em situações de 
possível reexposição ao bacilo da tuberculose, o paciente deverá ser reavaliado quanto à necessidade 
de prolongamento da quimioprofilaxia (caso esteja em uso de isoniazida), ou de instauração de nova 
quimioprofilaxia (caso esta já tenha sido suspensa). 
(3) Pacientes com imunodeficiência moderada/grave e reação ao PPD >10 mm, sugere-se investigar 
cuidadosamente tuberculose ativa (pulmonar ou extrapulmonar), antes de se iniciar a quimioprofilaxia. 
(4) Indivíduos HIV+, contatos de pacientes com bacilíferos com tuberculose isoniazida – resistente 
documentada, deverão ser encaminhados a uma unidade de referência, para realizar quimioprofilaxia 
com rifampicina. 
 
Observações 
Não se recomenda a quimioprofilaxia nos HIV positivos, não reatores à tuberculina, com ou sem 
evidências de imunodeficiência avançada. Deve-se repetir a prova tuberculínica a cada seis meses. 
Em pacientes com raios-X normal, reatores à tuberculínica, deve-se investigar outras patologias 
ligadas à infecção pelo HIV, antes de iniciar a quimioprofilaxia, devido à concomitância de agentes 
oportunistas/manifestações atípicas de tuberculose mas frequentes nessas coortes. 
 
d) Educação em Saúde - Esclarecimento quanto aos aspectos importantes. 
 
Leptospirose 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Orientar e adotar as medidas de prevenção da doença, particularmente antes dos períodos das 
grandes chuvas, em áreas de ocorrência cíclica; tratamento adequado dos pacientes graves, visando 
diminuir a letalidade da doença. 
 
Notificação 
É doença de notificação compulsória nacional. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Indivíduo que apresenta sinais e sintomas sugestivos da doença, principalmente com 
febre de início súbito, mialgias (particularmente nas panturrilhas), cefaleia, mal estar ou prostração 
associados a um ou mais dos seguintes sinais e/ou sintomas: sufusão conjuntival ou conjuntivite, náuseas 
e/ou vômitos, calafrios, alterações do volume urinário, icterícia, fenômenos hemorrágicos e/ou alterações 
hepáticas, renais e vasculares compatíveis com leptospirose ictérica (Síndrome de Weil) ou anictérica 
grave ou aquele que apresenta processo infeccioso inespecífico com antecedente epidemiológico 
sugestivo nos últimos trinta dias anteriores à data de início dos primeiros sintomas. Considera-se como 
antecedentes epidemiológicos: exposição a enchentes ou outras coleções hídricas potencialmente 
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contaminadas por urina de roedores; exposição a esgoto, fossa ou manilhas de esgoto; atividades que 
envolvam risco ocupacional como coleta de lixo, limpeza de córregos, trabalho em água ou esgoto com 
urina de roedores, manejo de animais, agricultura em campos alagados, magarefes, veterinários, 
laboratoristas, dentre outras; presença de animais infectados nos locais frequentados pelo paciente. 
 
b) Confirmado - Todo caso suspeito com confirmação laboratorial da doença, ou com clara evidência 
de associação epidemiológica (critério clínico-epidemiológico) ou associado a um caso já confirmado e 
que, por algum motivo, não tenha realizado o diagnóstico laboratorial ou estes tenham resultado 
sorológico não reagente com amostra única coletada antes do 7º dia de doença. 
 
Medidas de controle 
Assistência médica adequada e oportuna ao paciente; 
Notificação, busca e confirmação de dados do paciente, investigação epidemiológica de casos, 
detecção de áreas de risco a serem desencadeadas ações de controle; 
Proteção à população: alertá-la nos períodos que antecedem a chuva, para que evite entrar em áreas 
alagadas sem as medidas de proteção individual. 
Controle de roedores (anti-ratização e desratização) e melhoria das condições higiênico-sanitárias da 
população. 
Proteção e desinfecção de áreas humanas de moradia, trabalho e lazer da contaminação pela urina 
destes animais e medidas que tornem o ambiente impróprio à instalação e proliferação de roedores. 
Manter higiene dos canis e de locais de criação animal e retirar sobras alimentares destes animais 
antes do anoitecer, pois servem de atrativos a roedores. 
Segregação e tratamento de animais domésticos infectados e/ou doentes 
Imunização de animais domésticos (cães, bovinos e suínos) através do uso de vacinas preparadas 
com sorovares prevalentes na região. 
 
Dengue 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Controlar a ocorrência da doença através do combate ao mosquito transmissor. 
 
Notificação 
É doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória, principalmente quando se trata dos 
primeiros casos de DC diagnosticados em uma área, ou quando se suspeita de FHD. Os óbitos 
decorrentes da doença devem ser investigados imediatamente. 
 
Definição de caso 
Suspeito - Dengue Clássico - Paciente que tenha doença febril aguda com duração máxima de 7 
dias, acompanhada de, pelo menos, dois dos seguintes sintomas: cefaleia, dor retro orbital, mialgia, 
artralgia, prostração, exantema. Além desses sintomas, o paciente deve ter estado, nos últimos quinze 
dias, em área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti. 
 
Febre Hemorrágica do Dengue - Paciente que apresenta também manifestações hemorrágicas, 
variando desde prova do laço positiva até fenômenos mais graves, como hematêmese, melena e outros. 
A ocorrência de pacientes com manifestações hemorrágicas, acrescidas de sinais e sintomas de choque 
cardiovascular (pulso arterial fino e rápido ou ausente, diminuição ou ausência de pressão arterial, pele 
fria e úmida, agitação), leva à suspeita de síndrome de choque (SCD). 
 
Confirmado - Dengue Clássico - O caso confirmado laboratorialmente. 
No curso de uma epidemia, a confirmação pode ser feita através decritérios clínico-epidemiológicos, 
exceto nos primeiros casos da área, que deverão ter confirmação laboratorial. 
 
Febre Hemorrágica do Dengue - É o caso em que todos os critérios abaixo estão presentes: Febre 
ou história de febre recente de 7 dias ou menos; Trombocitopenia (< 100.000/mm3); Tendências 
hemorrágicas evidenciadas por um ou mais dos seguintes sinais: prova do laço positiva, petéquias, 
equimoses ou púrpuras e sangramentos de mucosas, do trato gastrointestinal e outros; Extravasamento 
de plasma devido ao aumento de permeabilidade capilar, manifestado por: hematócrito apresentando um 
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aumento de 20% sobre o basal, na admissão; ou queda do hematócrito em 20%, após o tratamento; ou 
presença de derrame pleural, ascite e hipoproteinemia; 
Confirmação laboratorial específica. SCD: é o caso que apresenta todos os critérios de FHD mais 
evidências de choque. 
 
Medidas de controle 
As medidas de controle se restringem ao vetor Aedes aegypti, uma vez que não se tem ainda vacina 
ou drogas antivirais específicas. O combate ao vetor deve desenvolver ações continuadas de inspeções 
domiciliares, eliminação e tratamento de criadouros, priorizando atividades de educação em saúde e 
mobilização social. A finalidade das ações de rotina é manter a infestação do vetor em níveis 
incompatíveis com a transmissão da doença. 
Em situações de epidemias deve ocorrer a intensificação das ações de controle, prioritariamente a 
eliminação de criadouros e o tratamento focal. 
Além disso, deve ser utilizada a aplicação espacial de inseticida a Ultra Baixo Volume - UBV, ao mesmo 
tempo em que se reestrutura as ações de rotina. Em função da complexidade que envolve a prevenção 
e o controle da dengue, o programa nacional estabeleceu dez componentes de ação, sendo eles: 
Vigilância epidemiológica; Combate ao vetor; Assistência aos pacientes; Integração com a atenção básica 
(PACS/PSF); Ações de saneamento ambiental; Ações integradas de educação em saúde, comunicação 
e mobilização; Capacitação de recursos humanos; Legislação de apoio ao programa e Acompanhamento 
e avaliação. Estes componentes de ação, se convenientemente implementados, contribuirão para a 
estruturação de programas permanentes, integrados e intersetoriais, características essenciais para o 
enfrentamento desse importante problema de saúde pública. 
 
Febre Amarela 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Impedir a reurbanização da doença e manter a FAS sob controle. 
 
Notificação 
Doença de notificação compulsória internacional (deve ser comunicada imediatamente, pela via mais 
rápida, às autoridades sanitárias) e que impõe a investigação epidemiológica de todos os casos. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente residente e/ou procedente de área endêmica para febre amarela, com 
quadro clínico-sugestivo, e que, comprovadamente, não tenha sido vacinado. 
 
b) Confirmado - Todo paciente residente e/ou procedente de área endêmica para febre amarela, com 
quadro clínico compatível, que apresenta diagnóstico laboratorial confirmado através de: isolamento de 
vírus; conversão sorológica; teste de Mac-ELISA (IgM) positivo, exame histopatológico compatível ou 
imunohistoquímica. 
 
Medidas de controle 
A principal medida de controle é a vacinação que confere proteção próxima a 100%. É administrada 
em dose única, com reforço a cada 10 anos, a partir dos nove meses de idade, nas áreas endêmicas e 
para todas as pessoas que se deslocam para essas áreas. Com a infestação do Aedes aegypti de grande 
parte dos municípios brasileiros, foi ampliada a área em que a vacina antiamarílica está sendo 
administrada, na rotina do Programa Nacional de Imunização (todos os municípios que pertencem às 
áreas enzoóticas e epizoóticas da infecção). 
O combate ao Aedes aegypti, através de ações de saneamento básico (principalmente coleta e destino 
do lixo e aporte de água) e de educação em saúde (redução dos criadouros dos mosquitos dispostos no 
meio ambiente: vasos, pneus, vasilhas descartáveis, etc), constitui-se medida eficiente na redução do 
risco de urbanização do vírus. 
 
 
 
 
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Doença de Chagas 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
Objetivos 
Detectar todos os casos agudos para adoção de medidas de controle; realizar inquéritos sorológicos 
em escolares, em locais selecionados para conhecimento de áreas de transmissão ativa; controlar a 
transmissão vetorial; impedir a transmissão transfusional; e impedir a expansão da doença para áreas 
indenes. 
 
Notificação 
Os casos agudos, seja por transfusão ou por transmissão vetorial, são de notificação compulsória, que 
deve ser seguida de investigação epidemiológica. 
 
Definição de caso 
a) Forma aguda - Indivíduo no período inicial da doença, sintomático ou assintomático, com 
parasitemia e porta de entrada demonstrável ou não; 
 
b) Forma indeterminada - Indivíduo infectado sem manifestações clínicas, eletrocardiográficas ou 
radiológicas do tórax e aparelho digestivo, diagnosticado através de dois exames sorológicos com 
técnicas diferentes ou um exame parasitológico positivo; 
 
c) Forma cardíaca - Indivíduo com miocardiopatia e dois ou mais exames sorológicos diferentes 
positivos, ou um exame parasitológico; 
 
d) Forma digestiva - Paciente com algum tipo de mega e dois exames sorológicos ou um exame 
parasitológico positivo; 
 
e) Forma mista - Paciente com algum tipo de mega e dois exames sorológicos ou um exame 
parasitológico positivo; 
 
f) Forma congênita - Recém-nascido, filho de mãe chagásica, com hepatoesplenomegalia, parasito 
no sangue periférico e/ou reações sorológicas que detectam IgM. 
 
Medidas de controle 
Da transmissão vetorial, faz-se através da melhoria ou substituição das habitações que propiciam a 
domiciliação dos “barbeiros”, ou do controle químico do vetor (uso regular e sistemático de inseticidas de 
poder residual intra e peridomiciliar). A transmissão transfusional deve ser evitada através da fiscalização 
do controle da qualidade do sangue transfundido, o que é feito pela triagem sorológica dos doadores. O 
controle da transmissão em laboratório deve ser feito através do rigoroso uso das normas de 
biossegurança. Não existe forma de prevenção da forma congênita. 
 
Malária 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Estimar a magnitude da morbidade e mortalidade da malária; 
Identificar tendências, grupos e fatores de risco; 
Detectar surtos e epidemias; 
Evitar o restabelecimento da endemia, nas áreas onde a transmissão já foi interrompida; 
Recomendar as medidas necessárias, para prevenir ou controlar a ocorrência da doença; 
Avaliar o impacto das medidas de controle. 
 
Notificação 
Todo caso de malária deve ser notificado às autoridades de saúde, tanto na Região da Amazônica, 
quanto na Região Extra-Amazônica. A notificação deverá ser feita, através da Ficha de Notificação de 
Caso de Malária (SIVEP-Malária). Na Região Extra-Amazônica, além de ser de notificação compulsória, 
é de investigação obrigatória. 
 
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Definição de caso 
 
a) Suspeito 
 
Área endêmica - Toda pessoa que apresente quadro febril, que seja residente, ou que tenha se 
deslocado para área onde haja transmissão de malária no período de 8 a 30 dias, anterior à data dos 
primeiros sintomas; 
 
Área não endêmica - Toda pessoa que apresente quadro de paroxismo febril com os seguintes 
sintomas: calafrios, tremores generalizados, cansaço, mialgia, e que seja procedente de área onde haja 
transmissão de malária, no período de 8 a 30 dias, anterior à data dos primeiros sintomas. 
 
b) Confirmado 
 
Critério clínico laboratorial - Toda pessoa, cuja presença de parasito no sangue, cuja espécie e 
parasitemia, tenham sido identificadas, através de exame laboratorial; 
 
c) Recaída (P. vivax, P. ovale) ou Recrudescência(P. falciparum, P. malariae) 
Lâmina de Verificação de Cura (LVC) - Na área endêmica, o caso será classificado como lâmina de 
Verificação de Cura (recaída ou recrudescência), quando o exame apresentar resultado positivo, até no 
máximo 60 dias, a partir da data do início do tratamento para P. vivax e até 40 dias no caso de P. 
falciparum. Em área não endêmica, esta classificação dependerá do acompanhamento, que é feito junto 
ao paciente. 
 
d) Descartado - Caso suspeito com diagnóstico laboratorial negativo para malária. 
 
Medidas a serem adotadas 
 
Assistência ao paciente - Atendimento ambulatorial ao paciente suspeito, para coleta da amostra de 
sangue e exame parasitoscópico. O caso confirmado recebe tratamento, em regime ambulatorial. O caso 
grave deverá ser hospitalizado de imediato. No paciente, com resultado negativo para malária, outras 
doenças deverão ser pesquisadas. 
 
Qualidade da assistência - Um dos indicadores, para se avaliar a qualidade da assistência, é o tempo 
verificado entre a coleta da amostra de sangue para exame e o início do tratamento, que não deve ser 
superior a 24 horas. Outra forma, de garantir boa assistência, é o monitoramento do tratamento, por meio 
de visitas domiciliares, ou de comparecimento do paciente à unidade de saúde, para assegurar a cura. 
 
Confirmação diagnóstica - Coletar material para diagnóstico laboratorial, de acordo com as 
orientações técnicas. 
 
Proteção da população - Como medidas utilizadas para o controle da malária na população, podemos 
destacar: Tratamento imediato dos casos diagnosticados; 
Busca de casos junto aos comunicantes; Investigação epidemiológica; 
Orientação à população quanto à doença, uso de repelentes, cortinados, roupas protetoras, telas em 
portas e janelas; Investigação entomológica; 
 
Controle vetorial 
O Programa de Controle da Malária utiliza produtos químicos. 
 
Peste 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Impedir a transmissão dos focos naturais para humanos (prevenção primária); descobrir precocemente 
casos humanos (prevenção secundária) para evitar a letalidade da doença; e impedir a reintrodução da 
peste urbana no Brasil. 
 
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Notificação 
A peste é uma doença de notificação compulsória internacional (deve ser comunicada imediatamente, 
pela via mais rápida, às autoridades sanitárias). 
A investigação é obrigatória. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente que apresentar quadro agudo de febre em área próxima a um foco natural 
de peste, que evolua com adenite (sintomático ganglionar); todo paciente proveniente (de 1 a 10 dias) de 
área com epidemia de peste pneumônica que apresenta febre e outras manifestações clínicas da doença, 
especialmente sintomatologia respiratória; 
 
b) Confirmado - Todo paciente com quadro clínico de peste confirmado por diagnóstico clínico-
epidemiológico ou laboratorial. 
 
Medidas de controle 
 
a) Focos naturais - Acompanhar a densidade da população de roedores nas habitações e 
peridomicílio da área pestígena. Realizar exames bacteriológicos dos roedores e das pulgas, e exames 
sorológicos em roedores, cães e gatos; evitar acesso dos roedores aos alimentos e abrigo; evitar picadas 
de pulgas em humanos; informar e orientar as populações quanto à existência de atividade pestosa na 
área; reduzir a população de roedores em situações especiais, antecedida pelo tratamento contra as 
pulgas (caso contrário, as pulgas, sem o seu alimento habitual, têm como alternativa invadir o ambiente 
doméstico); 
 
b) Portos e aeroportos - Mantê-los livres de pulgas e roedores, através do tratamento com inseticidas 
e raticidas; examinar todas as aeronaves e navios oriundos de área com peste pneumônica; manter 
passageiros com quadro clínico suspeito sob vigilância; proceder a quimioprofilaxia indicada, sempre que 
houver algum caso de peste pneumônica em uma aeronave ou navio; 
 
c) Vigilância de contatos - Manter sob vigilância pessoas que tiverem contato com peste pneumônica 
ou pulgas infectadas por 7 dias (período máximo de incubação); 
 
d) Controle do paciente - Tratar precoce e adequadamente; notificar imediatamente o caso; manter 
em isolamento restrito os casos pneumônicos; eliminar as pulgas das roupas e habitação do paciente; 
realizar desinfecção do escarro, das secreções purulentas, dos objetos contaminados e a limpeza 
terminal; e manipular os cadáveres de acordo com as regras de assepsia; 
 
e) Quimioprofilaxia de contatos - Indicada para contatos de pacientes com peste pneumônica ou 
para indivíduos suspeitos de terem tido contato com pulgas infectadas, nos focos da doença. Drogas 
utilizadas: sulfadiazina, 2 a 3g/dia, VO, divididas em 4 ou 6 vezes durante 6 dias; sulfametoxazol + 
trimetoprim: 400mg e 80mg, VO, respectivamente, de 12 em 12 horas, durante 6 dias; tetraciclina: 1g ao 
dia, durante 6 dias (crianças menores de 7 anos não podem fazer uso de tetraciclinas); 
 
f) Desinfestação - O ambiente onde vivem os contatos deve ser desinfestado (despulizado) através 
do uso de inseticidas. Se houver indicação de desratização, eliminar as pulgas antes, para que as 
mesmas não invadam o ambiente doméstico e adotar medidas de anti-ratização. Vacinas são pouco 
usadas por terem baixa eficácia. 
 
Tracoma 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Monitorar a situação epidemiológica do tracoma mediante a realização de busca ativa dos casos e 
visita domiciliar dos contatos. Adotar medidas que permitam controlar a disseminação das formas 
inflamatórias(TF/TI) e evitar sua evolução em formas sequelares (TS TT e CO), que podem levar à 
cegueira. 
 
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Notificação 
O tracoma não é uma doença de notificação compulsória nacional, sendo de notificação obrigatória 
em algumas unidades federadas. No entanto, é uma doença sob vigilância epidemiológica, sendo 
recomendável a realização de registros sistemáticos de casos detectados e tratados, o que permite avaliar 
a situação epidemiológica, evolução e impacto das ações de controle. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente com história de conjuntivite prolongada, ou que referir sintomatologia 
ocular de longa duração (ardor, prurido, sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e 
secreção ocular), especialmente na faixa etária de 1 a 10 anos; 
 
b) Confirmado - Qualquer paciente que, ao exame ocular, apresentar um ou mais dos seguintes sinais 
presentes na conjuntiva tarsal superior, desprezando as bordas das pálpebras e os cantos: 
 
Inflamação Tracomatosa Folicular (TF) - Presença na conjuntiva tarsal superior de no mínimo 5 
folículos medindo mais de 0,5 mm; 
 
Inflamação Tracomatosa Intensa (TI) - Predominância de infiltração e espessamento difuso da 
conjuntiva tarsal superior não permitindo a visualização de mais de 50% dos vasos tarsais profundos; 
 
Cicatrização Conjuntival Tracomatosa (TS) - Presença na conjuntiva tarsal superior de cicatriz (es) 
de bordas retas, angulares ou estreladas; 
 
Triquíase Tracomatosa (TT) - Quando pelo menos um dos cílios atrita o globo ocular, ou quando há 
evidência de remoção de cílios; 
 
Opacificação Corneana (CO) - Opacificação da córnea visível sobre a pupila obscurecendo pelo 
menos uma parte da margem pupilar. 
 
Medidas de controle 
 
a) Relativas à fonte de infecção - Diagnóstico e tratamento individual e em massa, quando indicado; 
busca ativa de casos nas escolas, casas e principalmente na família, a partir de um caso-índice, visando 
tratamento e conscientização da população. Investigação epidemiológica de casos, prioritariamente em 
instituições educacionais e/ou assistenciais, e domicílios que constituem locais de maior probabilidade de 
transmissão da doença; 
 
b) Educação em saúde - Planejar ações educativas. Buscar apoio dos meios de comunicação de 
massa, como forma de divulgação e prevenção da doença, especialmente quanto à lavagemsistemática 
do rosto. Orientar quanto ao uso correto da medicação, observação dos prazos de tratamento, e do 
comparecimento às consultas clínicas subsequentes; 
 
c) Articulação intersetorial - Desenvolver medidas de melhoria de habitação, saneamento básico e 
ampliação de acesso ao abastecimento de água. 
 
Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Diagnosticar e tratar precocemente os casos com vistas a reduzir as complicações e deformidades 
provocadas pela doença. Nas áreas de transmissão domiciliar, reduzir a incidência da doença com 
adoção de medidas de controle pertinentes. 
 
Notificação 
É doença de notificação compulsória nacional. 
 
 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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Definição de caso 
 
Suspeito - Indivíduo com lesão(ões) cutânea(s) e/ou de mucosa, conforme descrito anteriormente. 
 
Confirmado - Indivíduo com suspeita clínica, que apresenta um dos seguintes critérios: residência, 
procedência ou deslocamento em área com confirmação de transmissão, associado ao encontro do 
parasita nos exames parasitológicos; residência, procedência ou deslocamento em área com confirmação 
de transmissão, associado a Intradermo Reação de Montenegro (IDRM) positiva; residência, procedência 
ou deslocamento em área com confirmação de transmissão sem associação a outro critério, quando não 
há acesso a métodos de diagnóstico. Nas formas mucosas, considerar presença de cicatrizes cutâneas 
anteriores como critério complementar para confirmação do diagnóstico. 
 
Investigação epidemiológica 
Realizar investigação epidemiológica visando determinar se a área é endêmica ou se é um novo foco; 
se o caso é autóctone ou importado; as características do caso (forma clínica, idade, sexo e ocupação). 
 
Medidas de controle 
 
Na cadeia de transmissão - Diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos humanos e 
redução do contato homem-vetor. O controle químico só é indicado nas áreas com confirmação de 
transmissão no peri e/ou intradomicilio. Quanto ao controle de reservatórios, não é recomendada a 
realização de inquéritos sorológicos. A eutanásia em cães só é indicada em situações que o animal 
apresente lesão cutânea com confirmação diagnóstica, acompanhada da autorização do proprietário. 
 
Medidas educativas - Orientação quanto às medidas de proteção individual, como o uso de roupas 
apropriadas, repelentes, mosquiteiros, telas finas em portas e janelas. Em áreas de risco para 
assentamento de populações humanas, sugere-se uma faixa de segurança de 200 a 300 metros entre as 
residências e a floresta, com o cuidado de se evitar o desequilíbrio ambiental. 
 
Leishmaniose Visceral 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Reduzir as taxas de letalidade e grau de morbidade através do diagnóstico e tratamento precoce dos 
casos, bem como diminuir o risco de transmissão mediante controle da população de reservatórios e do 
agente transmissor. 
 
Notificação 
A Leishmaniose Visceral é uma doença de notificação compulsória e requer investigação 
epidemiológica. 
 
Vigilância 
A vigilância da LV compreende a vigilância entomológica, de casos humanos e casos caninos. A 
situação epidemiológica indicará as ações de prevenção e controle a serem adotadas. As áreas de 
transmissão foram estratificadas a partir dos dados referentes ao período de 1998 a 2002. 
Os municípios foram classificados conforme média de casos do período. 
Transmissão esporádica - < 2,4 casos, Transmissão moderada - ≥ 2,4 - < 
4,4 casos e Transmissão intensa - < 4,4 casos. 
 
Vigilância entomológica 
Os objetivos das investigações entomológicas são levantar informações de caráter quantitativo e 
qualitativo sobre os flebotomíneos transmissores da LV, visando definição de áreas a serem trabalhadas 
e/ou acompanhadas, avaliação de controle químico entre outras. As atividades compreendem o 
levantamento, investigação e monitoramento de flebotomíneos, estando as metodologias indicadas para 
cada uma das diferentes áreas a serem trabalhadas (Com transmissão ou sem transmissão de LV). 
 
 
 
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. 72 
Vigilância canina 
As ações de vigilância canina compreendem: Investigação do foco; busca ativa de cães sintomáticos; 
monitoramento que envolve o inquérito sorológico amostral para áreas sem transmissão e inquérito 
censitário para as áreas com transmissão. 
 
Vigilância em humanos 
 
Investigação Epidemiológica - A investigação epidemiológica deve ser realizada em todos os casos, 
sendo necessária para: definir local provável de infecção; verificar se a área é endêmica ou novo foco, 
conhecer as características epidemiológicas do caso, orientar medidas de prevenção e controle conforme 
situação epidemiológica e de acordo com a classificação da área. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo indivíduo proveniente de área com transmissão, com febre e esplenomegalia ou 
todo indivíduo de área sem ocorrência de transmissão, com febre e esplenomegalia, desde que 
descartado outros diagnósticos diferenciais mais frequentes na região; 
 
b) Confirmado -Laboratorial - São os casos clinicamente suspeitos com exame parasitológico 
positivo ou imunofluorescência reativa com título a partir de 1:80; 
 
c) Confirmado - Clínico epidemiológico - São os casos clinicamente suspeitos sem confirmação 
laboratorial, mas com resposta favorável ao teste terapêutico. 
 
Medidas Preventivas 
 
a) Dirigidas ao homem - Estimular as medidas de proteção individual, tais como uso de repelentes, 
uso de mosquiteiros de malha fina, não se expor nos horários de atividade do vetor (crepúsculo e noite). 
 
b) Dirigidas ao Vetor - Saneamento Ambiental. Desencadear medidas simples para reduzir a 
proliferação do vetor como limpeza urbana, eliminação de fonte de resíduos sólidos e destino adequado, 
eliminação de fonte de umidade. 
 
c) Dirigidas a população canina - Controle da população canina errante. Nas doações de animais o 
exame sorológico deverá ser realizado previamente. 
 
Medidas de controle 
 
a) Dirigidas aos casos humanos - Organização de serviços de saúde para atendimento precoce dos 
pacientes, visando diagnóstico, tratamento adequado e acompanhamento dos pacientes. 
 
b) Dirigidas ao controle do vetor - O controle químico imediato está indicado para as áreas com 
registro de 1º caso autóctone de LV e em áreas de surto. Já nas áreas de transmissão moderada e intensa 
o controle químico deverá ser programado, ou seja, para o momento em que se verifica o aumento da 
densidade vetorial. 
Nas áreas de transmissão esporádica, não está indicado o controle químico. 
 
c) Dirigidas ao controle de reservatório canino - Eutanásia canina é recomendada a todos os 
animais sororreagentes, ou seja, títulos a partir de 1: 40 e/ou com exame parasitológico positivo. 
 
d) Dirigidas as atividades de educação em saúde - As atividades de educação em saúde devem 
estar inseridas em todos os serviços e ações de controle da LV e requer envolvimento efetivo das equipes 
multiprofissionais e multiinstitucionais. 
 
Recomendações - As recomendações para as atividades de vigilância e controle da LV, são 
especificas a cada uma das áreas de transmissão. Vide 
Manual de Vigilância e Controle da LV-2003. 
 
 
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. 73 
Febre Maculosa Brasileira 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivo 
Compreende a vigilância epidemiológica e ambiental dos vetores, reservatórios e dos hospedeiros, e 
tem como objetivos: detectar e tratar precocemente os casos suspeitos visando a redução da letalidade; 
investigar e controlar surtos, mediante adoção de medidas de controle; conhecer a distribuição da doença 
segundo lugar, tempo e pessoa; identificar e investigar os locais prováveis de infecção (LPI); recomendar 
e adotar medidas de controle e prevenção. 
 
Notificação 
É doença de notificação compulsória, devendo ser informadapelo meio mais rápido disponível, e de 
investigação epidemiológica com busca ativa, para evitar a ocorrência de novos casos e óbitos. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Paciente com febre de início súbito, mialgia e prostração intensa, podendo haver um ou 
mais dos seguintes sinais ou sintomas: cefaleia; exantema máculo-papular em regiões palmar e plantar; 
manifestações hemorrágicas; e, história de picada de carrapatos e/ou de contato com animais domésticos 
e/ou silvestres; 
 
b) Confirmado - Todo caso suspeito com positividade da RIFI ou outra técnica preconizada; 
 
c) Confirmado clínico-epidemiologicamente - Todo caso suspeito que apresente os sinais e 
sintomas clínicos, proveniente de região de ocorrência da doença, ou com história de ter tido contato 
recente com carrapato, e que não se confirme outra enfermidade. 
 
Medidas de controle 
Alertar os profissionais da rede de serviços de saúde das áreas de ocorrência sobre os sinais e 
sintomas da doença e as orientações terapêuticas e diagnósticas. Colher, de todo paciente suspeito, uma 
amostra de sangue para encaminhar para exame laboratorial. Havendo carrapatos na pele do doente 
coletá-los com luvas e pinças, colocar em um vidro tampado com gaze e encaminhar para laboratório de 
referência. Iniciar imediatamente a investigação epidemiológica com busca ativa de casos suspeitos, 
colocar a comunidade sob vigilância informando que aos primeiros sinais da doença (febre, cefaleia e 
mialgias) devem ser procurados os serviço de saúde. Verificar a extensão da presença de carrapatos na 
área e orientar a população sobre a necessidade da retirada dos mesmos nos indivíduos infestados (com 
luvas) já que a doença parece ocorrer com maior frequência em indivíduos que permanecem com o vetor 
no corpo por mais de 6 horas. 
A ficha de investigação deverá ser preenchida, e além dos dados de identificação dos pacientes 
deverão ser realizadas perguntas objetivas sobre a clínica, a existência dos transmissores, e a ocorrência 
de casos semelhantes anteriormente. Entrevistas devem ser feitas anotando-se o modo de vida dos 
habitantes, principalmente, invasão de matas, transformações sociais e econômicas mais recentes na 
área buscando relacionar estas informações com a ocorrência da febre maculosa brasileira. 
O rodízio de pastos e capina da vegetação, podem trazer alguns resultados no controle da população 
de carrapatos, enquanto o uso de carrapaticidas deve fazer parte de um programa contínuo de controle 
principalmente quando houver participação de equinos como hospedeiros primários para o carrapato. 
Orientar a população para evitar as áreas infestadas por carrapatos, e usar roupas claras e de mangas 
compridas para facilitar a visualização bem como criar o hábito de sempre fazer a inspeção no corpo para 
verificar a presença de carrapatos. 
 
Meningite Tuberculosa 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Identificar e investigar os casos suspeitos de meningite para identificar os comunicantes domiciliares, 
visando descobrir fontes de infecção. 
 
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. 74 
Notificação 
Doença de notificação compulsória e investigação obrigatória. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente com sinais e sintomas de meningite e história de contato com tuberculose 
pulmonar bacilífera no domicílio; 
 
b) Confirmado - Paciente que apresenta os seguintes critérios: quadro clínico compatível, quadro 
liquórico, evidências radiológicas de tuberculose pulmonar, tuberculose miliar ou tuberculose confirmada 
bacteriologicamente, em outra localização que não meningoencefálica, teste tuberculínico reator em 
crianças menores de 5 anos, sem cicatriz da vacina BCG, contato intradomiciliar, anterior ou 
concomitante, com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera. O preenchimento dos dois primeiros 
critérios justifica a instituição do tratamento, sendo necessário o preenchimento de um dos demais, para 
ser considerado caso confirmado. 
 
Medidas de controle 
Descoberta precoce e tratamento de casos bacilíferos. Orientação da população sobre sinais e 
sintomas da doença e sobre a importância da higiene corporal e ambiental, bem como a manutenção de 
ambientes domiciliares e ocupacionais ventilados. A vacinação com BCG reduz a incidência das formas 
graves de tuberculose, particularmente a meningite e a miliar. A faixa etária preconizada é de 0 a 4 anos 
(sendo obrigatória para menores de 1 ano), iniciar o mais precocemente possível em maternidades e 
salas de vacinação. Em criança que recebeu o BCG há seis meses ou mais, na qual esteja ausente a 
cicatriz vacinal, indica-se a revacinação, sem necessidade de realização prévia do teste tuberculínico 
(PPD). A revacinação é recomendada nas faixas etárias de 6 a 10 anos. Se a primeira dose for aplicada 
com seis anos e mais, não há necessidade de revacinação. 
Eventos adversos mais comuns: formação de abscesso e/ou ulceração, no local da aplicação; 
linfadenite regional. 
 
Contraindicações da vacina - Imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo crianças infectadas 
pelo vírus da Imunodeficiência humana (VIH), os quais apresentam contraindicação absoluta. 
Recomenda-se adiar a vacinação com BCG em recém-nascidos com peso inferior a 2.000kg e em 
presença de afecções dermatológicas extensa em atividade. 
 
Meningites Virais 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Conhecer e monitorar o perfil epidemiológico dos principais vírus responsáveis por meningites no Brasil 
e ainda detectar surtos. 
 
Notificação 
É de notificação obrigatória, assim como as demais meningites. 
 
Definição de caso 
 
a) Suspeito - Todo paciente com sinais e sintomas de meningite (febre, cefaleia intensa, vômitos, 
rigidez da nuca, sonolência, convulsões, sinais de Kernig e Brudzinski). Em pacientes menores de um 
ano de idade os principais sintomas são: abaulamento de fontanela, vômito, sonolência, irritabilidade e 
convulsões; 
 
b) Confirmado 
 
b1) Clínico laboratorial - caso suspeito com isolamento viral através de cultura, identificação de material 
genético por PCR e sorologia positiva; 
 
b2) Clínico Epidemiológico - caso suspeito comunicante de caso de meningite viral confirmado 
laboratorialmente. 
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. 75 
Medidas de controle 
O diagnóstico e o tratamento precoce dos casos são medidas que contribuem para o controle da 
doença. As medidas de controle específicas relacionam- se com o agente etiológico. Em situações de 
surto, a população deve ser orientada sobre os sinais e sintomas da doença, medidas gerais de higiene 
e ainda medidas de prevenção específicas, conforme o agente responsável. 
 
Raiva 
 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Objetivos 
Eliminação do ciclo urbano do vírus da raiva através de campanhas de vacinação e de rotina de 
animais (cães e gatos); impedir a ocorrência de casos humanos através da indicação do tratamento 
profilático antirrábico para indivíduos com suspeita de exposição ao vírus em tempo hábil e garantir que 
o indivíduo receba o esquema de tratamento completo. 
 
Notificação 
Todo caso humano suspeito de raiva tem que ser notificado, imediatamente, por telefone, e-mail, fax 
aos níveis regional, central e federal e incluído no SINAN. 
 
Definição de caso 
 
a) Caso suspeito - Todo doente que apresenta quadro clínico sugestivo de encefalite rábica, com 
antecedentes ou não de exposição ao vírus rábico. 
 
b) Caso confirmado - Todo aquele comprovado laboratorialmente e todo indivíduo com quadro clínico 
compatível de encefalite rábica associada a antecedentes de agressão ou contato com animal suspeito, 
evoluindo para óbito. 
 
Medidas de controle 
 
a) A prevenção da raiva transmitida em áreas urbanas, ou rurais transmitidas por animais domésticos 
é feita através da manutenção de altas coberturas vacinais em cães e gatos através de estratégias de 
rotina e campanhas; controle de foco; captura e eliminação de cãesde rua. 
 
b) A profilaxia da raiva humana é feita mediante o uso de vacinas e soro, quando os indivíduos são 
expostos ao vírus rábico através da mordedura, lambedura de mucosas ou arranhadura, provocada por 
animais transmissores da raiva. A vacinação não tem contraindicação, devendo ser iniciada o mais breve 
possível e garantir completo esquema de vacinação indicado, ou seja, a profilaxia contra a raiva. 
 
c) A profilaxia pré-exposição deve ser indicada para pessoas que, por força de suas atividades 
profissionais ou de lazer, estejam expostas permanentemente ao risco de infecção pelo vírus da raiva. 
 
ACIDENTE OFÍDICO 
 
Acidente ofídico6 ou ofidismo é o quadro de envenenamento decorrente da inoculação de uma peçonha 
através do aparelho inoculador (presas) de serpentes. No Brasil, as serpentes peçonhentas de interesse 
em saúde pública pertencem às Famílias Viperidae e Elapidae. Os acidentes estão divididos em quatro 
tipos: acidentes botrópicos (acidentes com serpentes dos gêneros Bothrops e Bothrocophias - jararaca, 
jararacuçu, urutu, caiçaca, comboia); acidentes crotálicos (acidentes com serpentes do gênero Crotalus - 
cascavel); acidentes laquéticos (acidentes com serpentes do gênero Lachesis - surucucu-pico-de-jaca); 
acidente elapídico (acidentes com serpentes dos gêneros Micrurus e Leptomicrurus - coral-verdadeira). 
Os acidentes ofídicos têm importância médica em virtude de sua grande frequência e gravidade. A 
padronização atualizada de condutas de diagnóstico e tratamento dos acidentados é imprescindível, pois 
as equipes de saúde, com frequência considerável, não recebem informações desta natureza durante os 
cursos de graduação ou no decorrer da atividade profissional. 
 
 
6 http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/acidentes-por-animais-peconhentos-serpentes 
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. 76 
Gênero Espécies 
Informação 
complementar 
Sintomas 
Acidente Botrópico 
(Bothrops e 
Bothrocophias) 
Jararaca, jararacuçu, 
urutu, caiçaca, comboia 
Grupo que causa maioria 
dos acidente com cobras 
no Brasil, com 29 
espécies em todo o 
território nacional, 
encontradas em 
ambientes diversos, 
desde beiras de rios e 
igarapés, áreas litorâneas 
e úmidas, agrícolas e 
periurbanas, cerrados, e 
áreas abertas. 
A região da picada 
apresenta dor e inchaço, 
às vezes com manchas 
arroxeadas (edemas e 
equimose) e sangramento 
pelos pontos da picada, 
em gengivas, pele e 
urina. Pode haver 
complicações, como 
grave hemorragia em 
regiões vitais, infecção e 
necrose na região da 
picada, além de 
insuficiência renal. 
Acidente Crotálico 
(Crotalus) 
Cascavel 
São identificadas pela 
presença de um guizo, 
chocalho ou maracá na 
cauda e têm ampla 
distribuição em cerrados, 
regiões áridas e 
semiáridas, campos e 
áreas abertas. 
Na picada por cascavel, o 
local da picada muitas 
vezes não apresenta dor 
ou lesão evidente, 
apenas uma sensação de 
formigamento; dificuldade 
de manter os olhos 
abertos, com aspecto 
sonolento (fácies 
miastênica), visão turva 
ou dupla, mal-estar, 
náuseas e cefaleia são 
algumas das 
manifestações, 
acompanhadas por dores 
musculares generalizadas 
e urina escura nos casos 
mais graves. 
Acidente Laquético 
(Lachesis) 
Surucucu-pico-de-jaca 
A pico-de-jaca é a maior 
serpente peçonhenta das 
Américas. Seu habitat é a 
floresta Amazônica e os 
remanescentes da Mata 
Atlântica. 
Quadro semelhante ao 
acidente por jararaca, a 
picada pela surucucu-
pico-de-jaca pode ainda 
causar dor abdominal, 
vômitos, diarreia, 
bradicardia e hipotensão. 
Acidente Elapídico 
(Micrurus e 
Leptomicrurus) 
Coral-verdadeira 
São amplamente 
distribuídos no país, com 
várias espécies que 
apresentam padrão 
característico, com anéis 
coloridos. 
O acidente por coral-
verdadeira não provoca, 
no local da picada, 
alteração importante. As 
manifestações do 
envenenamento 
caracterizam-se por dor 
de intensidade variável, 
visão borrada ou dupla, 
pálpebras caídas e 
aspecto sonolento. Óbitos 
estão relacionados à 
paralisia dos músculos 
respiratórios, muitas 
vezes decorrentes da 
demora na busca por 
socorro médico. 
 
O envenenamento ocorre quando a serpente consegue injetar o conteúdo de suas glândulas 
venenosas, mas nem toda picada leva ao envenenamento. Isso porque há muitas espécies de serpentes 
que não possuem presas ou, quando presentes, estão localizadas na parte de trás da boca, o que dificulta 
a injeção de veneno ou toxina. 
 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 77 
Como Prevenir Acidentes 
- O uso de botas de cano alto ou perneira de couro, botinas e sapatos pode evitar cerca de 80% dos 
acidentes; 
- Usar luvas de aparas de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas, etc. Não 
colocar as mãos em buracos. Cerca de 15% das picadas atingem mãos ou antebraços; 
- Cobras se abrigam em locais quentes, escuros e úmidos. Cuidado ao mexer em pilhas de lenha, 
palhadas de feijão, milho ou cana. Cuidado ao revirar cupinzeiros; 
- Onde há rato, há cobra. Limpar paióis e terreiros, não deixar lixo acumulado. Fechar buracos de 
muros e frestas de portas; 
- Evitar acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas e madeiras, bem como não deixar mato 
alto ao redor das casas. Isso atrai e serve de abrigo para pequenos animais, que servem de alimentos às 
serpentes. 
 
O que fazer em caso de acidente 
- Lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão; 
- Manter o paciente deitado; 
- Manter o paciente hidratado; 
- Procurar o serviço médico mais próximo; 
- Se possível, levar o animal para identificação. 
 
O que NÃO fazer em caso de acidente 
- Não fazer torniquete ou garrote; 
- Não cortar o local da picada; 
- Não perfurar ao redor do local da picada; 
- Não colocar folhas, pó de café ou outros contaminantes; 
- Não beber bebidas alcoólicas, querosene ou outros tóxicos. 
 
Tratamento 
O tratamento é feito com o soro específico para cada tipo de envenenamento. Os soros antiofídicos 
específicos são o único tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente 
hospitalar e sob supervisão médica. 
 
Importância da Identificação das Serpentes7 
 
Identificar o animal causador do acidente é procedimento importante na medida em que: 
- Possibilita a dispensa imediata da maioria dos pacientes picados por serpentes não peçonhentas; 
- Viabiliza o reconhecimento das espécies de importância médica em âmbito regional; 
- É medida auxiliar na indicação mais precisa do antiveneno a ser administrado. 
 
Apesar da importância do diagnóstico clínico, que orienta a conduta na grande maioria dos acidentes, 
o animal causador deve, na medida do possível, ser encaminhado para identificação por técnico treinado. 
A conservação dos animais mortos pode ser feita, embora precariamente, pela imersão dos mesmos em 
solução de formalina a 10% ou álcool comum e acondicionados em frascos rotulados com os dados do 
acidente, inclusive a procedência. 
 
Questões 
 
01. (IFA/PA – Auxiliar de Enfermagem – FUNRIO) Os acidentes com animais peçonhentos ocorrem 
em todo o território brasileiro, desta forma todos os profissionais de saúde a população em geral precisam 
saber agir imediatamente até o atendimento especializado em unidade de saúde. Indique nas alternativas 
abaixo o ERRO nos primeiros socorros nos acidentes ofídicos. 
(A) Lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão. 
(B) Manter o paciente hidratado. 
(C) Manter o paciente deitado. 
(D) Cortar o local da picada para drenagem do veneno. 
(E) Se possível levar o animal ao serviço médico para identificação. 
 
 
7 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/manu_peconhentos.pdf 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 78 
02. (TRF – Enfermagem do Trabalho – CONSUPLAN/2017)“Paciente é atendido em pronto-socorro 
com os seguintes sinais e sintomas: formigamento boca e língua, náuseas, vômitos e hipotensão arterial, 
fasciculação muscular e ptose palpebral.” Dentre os animais peçonhentos relacionados, qual apresenta 
maior compatibilidade com o caso? 
(A) Cascavel. 
(B) Aranha marrom. 
(C) Aranha vermelha. 
(D) Escorpião marrom. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
Todas as afirmativas fazem parte dos primeiros socorros exceto cortar o local da picada para drenagem 
do veneno na verdade essa é uma das ações não recomendada em caso de acidente. 
 
02. Resposta: A 
Na picada por cascavel, o local da picada muitas vezes não apresenta dor ou lesão evidente, apenas 
uma sensação de formigamento; dificuldade de manter os olhos abertos, com aspecto sonolento (fácies 
miastênica), visão turva ou dupla, mal-estar, náuseas e cefaleia são algumas das manifestações, 
acompanhadas por dores musculares generalizadas e urina escura nos casos mais graves. 
 
Rotavírus8 
 
Descrição da doença - a infecção pelo rotavírus varia de um quadro leve, com diarreia aquosa e 
duração limitada à quadros graves com desidratação, febre e vômitos, podendo evoluir a óbito. 
Praticamente todas as crianças se infectam nos primeiros 3 a 5 anos de vida, mesmo nos países em 
desenvolvimento, mas os casos graves ocorrem principalmente na faixa etária de 3 a 35 meses. No Brasil, 
e também em São Paulo, os dados relativos à incidência são bastante limitados. 
Nos Estados Unidos, é a principal causa de diarreia grave. Estima-se que essa doença seja 
responsável por 5 a 10% de todos os episódios diarreicos em crianças menores de 5 anos. Também 
aparece como causa frequente de hospitalização, atendimentos de emergência e consultas médicas, 
sendo responsável por consideráveis gastos médicos. Crianças prematuras, de baixo nível 
socioeconômico ou com deficiência imunológica parece estarem sujeitas a doença de maior gravidade. 
O rotavírus também tem grande participação nos surtos de gastroenterite hospitalar. 
 
Agente etiológico - é um RNA vírus da família dos Reoviridae, do gênero Rotavírus. São classificados 
sorologicamente em grupos, subgrupos e sorotipos. Até o momento 7 grupos foram identificados: A, B, 
C, D, E, F e G, ocorrendo em diversas espécies animais, sendo que os grupos A, B, e C são associados 
a doença no homem. O grupo A é o de melhor caracterização, predominando na natureza, associado a 
doença no homem e em diversas outras espécies animais. Possuem antígeno comum de grupo, 
localizado no componente VP6, no capsídeo intermediário, detectável pela maioria dos testes sorológicos. 
Esta proteína também determina o subgrupo (I, II, I e II, não I – não II) a que pertence a cepa. Os sorotipos 
são determinados por duas proteínas (VP4 e VP7) situadas no capsídeo externo. Dos 14 sorotipos G 
(VP7) conhecidos, 10 têm sido descritos como patógenos humanos: os tipos G1 a G4, os mais 
frequentemente encontrados em todo o mundo e para os quais vacinas estão sendo desenvolvidas; os 
tipos G8 e G12, esporadicamente encontrados e o tipo G9, predominante na Índia. Rotavírus que eram 
encontrados exclusivamente como patógenos animais, sorotipos G5, G6 e G10, foram isolados em 
humanos. O sorotipo G5 foi encontrado em amostras brasileiras (Gouvea et al, 1994; Timenetsky et al, 
1994; 1998) 
 
Modo de transmissão - rotavírus são isolados em alta concentração em fezes de crianças infectadas 
e são transmitidos pela via fecal-oral, por contato pessoa a pessoa e também através de fômites. A 
 
8 http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e-
alimentos/doc/virus/2013informe_63rota.pdf 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 79 
máxima excreção viral se dá no 3º e 4º dia a partir dos primeiros sintomas, no entanto, podem ser 
detectados nas fezes de pacientes mesmo após a completa resolução da diarreia. 
 
Período de incubação - varia de 1 a 3 dias. 
 
Conduta médica e diagnóstico - A. a anamnese feita com cuidado, com dados de história, 
antecedentes epidemiológicos e o exame clínico podem sugerir fortemente a infecção pelo rotavírus, no 
entanto como as manifestações clínicas da infecção não são específicas, a confirmação laboratorial é 
necessária para a vigilância epidemiológica e pode também ser útil em situações clínicas. Na forma 
clássica, mais frequente em crianças de 6 meses a dois anos, a doença se manifesta como quadro 
abrupto de vômito, que na maioria das vezes precede a diarreia, e a presença de febre alta. É comum 
observar-se formas mais leves ou quadros subclínicos entre adultos contactantes. Em crianças até os 4 
meses pode haver infecção assintomática, aventando-se a ação protetora de anticorpos maternos e do 
aleitamento natural. 
A diarreia é caracteristicamente aquosa, com aspecto gorduroso e caráter explosivo, durando de 4 a 
8 dias. Variações do quadro clínico através de infecções aparentes ou inaparentes não parecem guardar 
correlação com o sorotipo, enquanto que nas reinfecções, na maioria das vezes se evidenciam variedades 
antigênicas, sendo que, via de regra, a primeira infecção é a de maior gravidade. B. o exame laboratorial 
específico é a investigação do vírus nas fezes do paciente. A época ideal para detecção do vírus nas 
fezes vai do primeiro ao quarto dia de doença, período de maior excreção viral. O método de maior 
disponibilidade é a detecção de antígenos, por ELISA, nas fezes. Outras técnicas, incluindo microscopia 
eletrônica, PCR e cultura, são usadas principalmente em pesquisas. Métodos sorológicos que 
identifiquem aumento de títulos de anticorpos IgG e IgM, por ELISA, também podem ser usados para 
confirmação de infecção recente. 
 
Tratamento – por ser, em geral, doença auto limitada, com tendência a evoluir espontaneamente para 
a cura, o fundamental do tratamento é prevenir a desidratação e distúrbios hidreletrolíticos. Não se 
recomenda o uso de antimicrobianos. Não há terapêutica específica para combater o rotavírus. A 
orientação atual é de manutenção da dieta alimentar normal. Eventualmente pode ser necessário recorrer 
à hidratação parenteral, se a oral não for suficiente para a reposição de fluidos e eletrólitos. Não se 
recomenda o uso de antidiarreicos. 
 
Complicações - existem vários relatos na literatura associando a infecção por rotavírus a encefalites, 
Síndrome de Reye e à Doença de Kawasaki. De todas as complicações as que não assumem caráter 
circunstancial são a diarreia prolongada em imunodeprimidos e a enterocolite necrotisante em neonatos. 
 
Distribuição e frequência da doença - estudos efetuados em vários países evidenciam a distribuição 
universal da doença, embora com características epidemiológicas distintas em áreas de clima temperado 
e nas áreas tropicais. Nas primeiras manifesta-se com uma distribuição tipicamente sazonal, através de 
extensas epidemias nos meses frios. Já nas regiões tropicais, a sazonalidade não é tão marcante, 
manifestando-se mais por um caráter endêmico. No Brasil, estudo realizado por Pereira et al, em 1993, 
evidenciou sazonalidade típica nas regiões Centro-Oeste, sudeste e sul, não se observando o mesmo 
padrão no Norte e Nordeste do país. Dados referentes à epidemiologia molecular são ainda bastante 
restritos. Estudos prospectivos, na região amazônica, ao longo da década de 80, em comunidades 
urbanas mostravam associação do sorotipo 1 em 50 a 70% das infecções, com predominância do tipo 1 
no primeiro ano de vida e do 2 no segundo, sendo particularmente raros os tipos 3 e 4. No entanto, 
estudos realizados em Belém, Pará, em 1988, revelaram aparente predominância do sorotipo 3 enquanto 
que estudos mais recentes, realizados no âmbito hospitalar e comunitário, identificaram o sorotipo 2 em 
80% dos casos e o 1 em 8%. 
Estudos realizados no Estado de São Paulo demonstraram a presençados sorotipos G5 (27%), G3 
(23%), G1 (17%), G2 (7%) e G4 (5%) em amostras identificadas no período de 1986 a 1992 (Timenetsky 
et al, 1994;1998). Analisando-se amostras identificadas na capital em 1995, o sorotipo G1 (40%) foi o 
predominante, seguido do G5 em 23% ( Carmona et al, 1998). 
 
Condutas epidemiológicas, sanitária e educativa – 
1) notificação em caso de surtos: deve ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância 
Epidemiológica Municipal, Regional ou Central para que sejam desencadeadas as medidas as de controle 
bem como as necessárias à identificação do agente etiológico. O Centro de Vigilância Epidemiológica da 
Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo mantém uma Central de Vigilância, funcionando 
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ininterruptamente que além de receber notificações pode orientar quanto a medidas a serem adotadas, 
através do telefone 0800-55-54-66; 
2) Vacina contra o rotavírus - a utilização de vacina eficaz permanece como a medida profilática de 
maior impacto contra a diarreia por rotavírus. Em 1998, uma vacina oral, tetravalente contra os sorotipos 
G1, G2, G3 e G4, foi liberada para uso nos EUA. Recentemente seu uso foi suspenso até que melhor 
avaliação acerca de sua segurança seja feita. Apresenta-se na forma liofilizada e quando reconstituída, 
cada dose de 2,5 ml contém 1 x 10 5 unidades formadoras de placa (UFP) de cada uma das cepas. Sua 
utilização no programa de imunização no Brasil, além das questões relativas à segurança do 
imunobiológico, ainda depende de estudos que avaliem melhor a epidemiologia do rotavírus entre nós, 
bem como aspectos relativos à relação custo benefício de sua introdução em larga escala. 
3) Outras medidas sanitárias e educativas - as práticas higiênicas tradicionais e universais como 
lavagem de mãos, controle da água e dos alimentos, destino adequado dos dejetos e do esgoto, tão 
importantes na profilaxia da gastroenterite por outros patógenos, parecem não ter grande impacto na 
incidência da infecção pelo rotavírus. Evidências nesse sentido são as extensas epidemias cíclicas da 
doença em países desenvolvidos. Nesse sentido, o estímulo ao aleitamento materno teria fundamental 
importância pelos altos níveis de anticorpos contra o rotavírus. 
 
Conduta laboratorial - os procedimentos de pesquisa do Rotavírus são: pesquisa do vírus em amostra 
de fezes coletada na fase aguda da doença, nos primeiros 4 dias, para a detecção do antígeno viral 
(rotavírus do grupo A) por técnica imunoenzimática (ELISA), empregando-se kits comerciais; pesquisa da 
partícula viral por técnica de microscopia eletrônica direta (ME); análise do genoma viral por técnicas de 
eletroforese em gel de poliacrilamida (PAGE), para a detecção dos diferentes grupos de rotavírus, e 
reação em cadeia de polimerase (PCR), para a genotipagem (VP4 – tipos P; VP7 – tipos G; VP6 – grupos). 
 
PORTARIA Nº 204, DE 17 DE FEVEREIRO DE 20169 
 
Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública 
nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos do anexo, e dá outras 
providências. 
 
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, INTERINO, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos 
I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e 
 
Considerando a Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975, que dispõe sobre a organização das ações 
de Vigilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas relativas à 
notificação compulsória de doenças, e dá outras providências; 
 
Considerando o art. 10, incisos VI a IX, da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, que configura 
infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá outras providências; 
 
Considerando a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do 
Adolescente; 
 
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços 
correspondentes e dá outras providências; 
 
Considerando a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, alterada 
pela Lei nº12.461, de 26 de julho de 2011, que determina a notificação compulsória dos atos de violência 
praticados contra o idoso atendido em estabelecimentos de saúde públicos ou privados; 
 
Considerando a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, que estabelece a notificação compulsória, 
no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde, 
públicos ou privados; 
 
Considerando a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, que regula o acesso às informações 
previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição 
 
9 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0204_17_02_2016.html - Acesso em 18/01/2019 às 13h20min. 
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Federal; altera a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, 
e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências; 
 
Considerando o Decreto Legislativo nº 395, publicado no Diário do Senado Federal em 13 de março 
de 2009, que aprovão texto revisado do Regulamento Sanitário Internacional, acordado na 58ª 
Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde, em 23 de maio de 2005; 
 
Considerando o Decreto nº 7.616, de 17 de novembro de 2011, que dispõe sobre a declaração de 
Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e institui a Força Nacional do Sistema 
Único de Saúde (FN-SUS); e 
 
Considerando a necessidade de padronizar os procedimentos normativos relacionados à notificação 
compulsória no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), resolve: 
 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS 
 
Art. 1º Esta Portaria define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos 
de saúde publicanos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional, nos termos do 
anexo. 
 
Art. 2º Para fins de notificação compulsória de importância nacional, serão considerados os seguintes 
conceitos: 
I - agravo: qualquer dano à integridade física ou mental do indivíduo, provocado por circunstâncias 
nocivas, tais como acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de drogas ou lesões 
decorrentes de violências interpessoais, como agressões e maus tratos, e lesão autoprovocada; 
II - autoridades de saúde: o Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde dos Estados, Distrito 
Federal e Municípios, responsáveis pela vigilância em saúde em cada esfera de gestão do Sistema Único 
de Saúde (SUS); 
III - doença: enfermidade ou estado clínico, independente de origem ou fonte, que represente ou possa 
representar um dano significativo para os seres humanos; 
IV - epizootia: doença ou morte de animal ou de grupo de animais que possa apresentar riscos à saúde 
pública; 
V - evento de saúde pública (ESP): situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, 
como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão 
clínico epidemiológico das doenças conhecidas, considerando o potencial de disseminação, a magnitude, 
a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos 
decorrentes de desastres ou acidentes; 
VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, 
profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a 
ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no 
anexo, podendo ser imediata ou semanal; 
VII - notificação compulsória imediata (NCI): notificação compulsóriarealizada em até 24 (vinte e 
quatro) horas, a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, 
pelo meio de comunicação mais rápido disponível; 
VIII - notificação compulsória semanal (NCS): notificação compulsória realizada em até 7 (sete) dias, 
a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo; 
IX - notificação compulsória negativa: comunicação semanal realizada pelo responsável pelo 
estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que na semana epidemiológica não foi 
identificado nenhuma doença, agravo ou evento de saúde pública constante da Lista de Notificação 
Compulsória; e 
X - vigilância sentinela: modelo de vigilância realizada a partir de estabelecimento de saúde estratégico 
para a vigilância de morbidade, mortalidade ou agentes etiológicos de interesse para a saúde pública, 
com participação facultativa, segundo norma técnica específica estabelecida pela Secretaria de Vigilância 
em Saúde (SVS/MS). 
 
 
 
 
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CAPÍTULO II 
DA NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 
 
Art. 3º A notificação compulsória é obrigatória para os médicos, outros profissionais de saúde ou 
responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam assistência ao paciente, em 
conformidade com o art. 8º da Lei n° 6.259, de 30 de outubro de 1975. 
§ 1º A notificação compulsória será realizada diante da suspeita ou confirmação de doença ou agravo, 
de acordo com o estabelecido no anexo, observando-se, também, as normas técnicas estabelecidas pela 
SVS/MS. 
§ 2º A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde pública de notificação compulsória à 
autoridade de saúde competente também será realizada pelos responsáveis por estabelecimentos 
públicos ou privados educacionais, de cuidado coletivo, além de serviços de hemoterapia, unidades 
laboratoriais e instituições de pesquisa. 
§ 3º A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde pública de notificação compulsória pode 
ser realizada à autoridade de saúde por qualquer cidadão que deles tenha conhecimento. 
 
Art. 4º A notificação compulsória imediata deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável 
pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 (vinte e quatro) horas 
desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível. 
Parágrafo único. A autoridade de saúde que receber a notificação compulsória imediata deverá 
informa-la, em até 24 (vinte e quatro) horas desse recebimento, às demais esferas de gestão do SUS, o 
conhecimento de qualquer uma das doenças ou agravos constantes no anexo. 
 
Art. 5º A notificação compulsória semanal será feita à Secretaria de Saúde do Município do local de 
atendimento do paciente com suspeita ou confirmação de doença ou agravo de notificação compulsória. 
Parágrafo único. No Distrito Federal, a notificação será feita à Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 
 
Art. 6º A notificação compulsória, independente da forma como realizada, também será registrada em 
sistema de informação em saúde e seguirá o fluxo de compartilhamento entre as esferas de gestão do 
SUS estabelecido pela SVS/MS. 
 
CAPÍTULO III 
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 
 
Art. 7º As autoridades de saúde garantirão o sigilo das informações pessoais integrantes da notificação 
compulsória que estejam sob sua responsabilidade. 
 
Art. 8º As autoridades de saúde garantirão a divulgação atualizada dos dados públicos da notificação 
compulsória para profissionais de saúde, órgãos de controle social e população em geral. 
 
Art. 9º A SVS/MS e as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
divulgarão, em endereço eletrônico oficial, o número de telefone, fax, endereço de e-mail institucional ou 
formulário para notificação compulsória. 
 
Art. 10. A SVS/MS publicará normas técnicas complementares relativas aos fluxos, prazos, 
instrumentos, definições de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação 
em saúde e demais diretrizes técnicas para o cumprimento e operacionalização desta Portaria, no prazo 
de até 90 (noventa) dias, contados a partir da sua publicação. 
 
Art. 11. A relação das doenças e agravos monitorados por meio da estratégia de vigilância em unidades 
sentinelas e suas diretrizes constarão em ato específico do Ministro de Estado da Saúde. 
 
Art. 12. A relação das epizootias e suas diretrizes de notificação constarão em ato específico do 
Ministro de Estado da Saúde. 
 
Art. 13. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. 
 
Art. 14. Fica revogada a Portaria nº 1.271/GM/MS, de 06 de junho de 2014, publicada no Diário Oficial 
da União, nº 108, 
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Seção 1, do dia 09 de junho de 2014, p. 37. 
 
JOSÉ AGENOR ÁLVARES DA SILVA 
 
 
 
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* Informação adicional: Notificação imediata ou semanal seguirá o fluxo de compartilhamento entre as 
esferas de gestão do SUS estabelecido pela SVS/MS; Legenda: MS (Ministério da Saúde), SES 
(Secretaria Estadual de Saúde) ou SMS (Secretaria Municipal de Saúde) A notificação imediata no Distrito 
Federal é equivalente à SMS. 
 
Questões 
 
01- (TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - Enfermagem – CONSULPLAN/2017) “A notificação 
compulsória é a comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais 
de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de 
suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública.” 
(Portaria nº 204, de 17 de fevereiro de 2016.) 
Sobre a periodicidade da notificação das doenças, agravos à saúde estabelecidos na Lista Nacional 
de Notificação Compulsória, afirma-se corretamente que 
(A) algumas doenças são de notificação mensal. 
(B) todas as doenças são de notificação semanal. 
(C) algumas doenças são de notificação imediata e outras de notificação semanal. 
(D) quando se aplica, todas as notificações imediatas devem ser realizadas para o Ministério da Saúde. 
 
02- (FMS – Técnico em Enfermagem - NUCEPE/2017) - Considerando a Portaria GM/MS nº 
204/2016, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Trata-se de doença de notificação compulsória, o que significa afirmar que todos os pacientes 
evoluem ao óbito, independente do tratamento. 
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(B) Trata-se de doença de notificação compulsória, pois os pacientes devem ser obrigados a realizar 
o tratamento em isolamento respiratório. 
(C) Trata-se de doença de notificação compulsória, pois aparece na lista de doenças que devem ser 
comunicadas às autoridades sanitárias mediante suspeita ou confirmação do diagnóstico. 
(D) Trata-se de doença de notificação compulsória, pois aparece na lista de doenças que devem ser 
comunicadas às autoridades sanitárias somente mediante confirmação do diagnóstico. 
(E) Não é uma doença de notificação compulsória, pois não aparece na lista de doenças que devem 
ser comunicadas às autoridades sanitárias mediante suspeita ou confirmação do diagnóstico. 
 
03- (FMS – Assistente Social - NUCEPE/2017) - Considerando a Portaria GM/MS nº 204/2016, 
assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Por não constar explicitamente na lista de doenças e agravos de notificação compulsória, o 
fenômeno descrito não deve ser notificado às autoridades sanitárias do município. 
(B) Por não constar explicitamente na lista de doenças e agravos de notificação compulsória, o 
fenômeno descrito poderia ter sido notificado às autoridades sanitárias do município, caso o resultado 
das análises laboratoriais apontasse a presença de algum patógeno causador de doença constante na 
referida lista 
(C) A notificação compulsória será realizada somente após a confirmação de doença ou agravo, 
observando-se, também, as normas técnicasestabelecidas pelo Ministério da Saúde. 
(D) Apesar de não constar explicitamente na lista de doenças e agravos de notificação compulsória, o 
fenômeno relatado deve ser notificado, pois representa uma situação que pode constituir potencial 
ameaça à saúde pública. 
(E) A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde pública de notificação compulsória não 
pode ser realizada à autoridade de saúde, por qualquer cidadão que deles tenha conhecimento. 
 
04- (TRT – 11a Região (AM e PR) – Analista Judiciário – Medicina do Trabalho - FCC/2017) - De 
acordo com a Portaria n° 204, de 17 de fevereiro de 2016, que define a Lista Nacional de Notificação 
Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados 
em todo o território nacional, são agravos de notificação compulsória semanal: 
(A) transtorno de estresse pós-traumático no trabalho. 
(B) perda auditiva induzida por ruído ocupacional. 
(C) acidente de trabalho com exposição a material biológico. 
(D) distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho. 
(E) câncer relacionado ao trabalho. 
 
05- (TRF – 2a Região – Analista Judiciário – Enfermagem - CONSUPLAN/2017) - “A notificação 
compulsória é a comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais 
de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de 
suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública.” 
(Portaria nº 204, de 17 de fevereiro de 2016.) 
Sobre a periodicidade da notificação das doenças, agravos à saúde estabelecidos na Lista Nacional 
de Notificação Compulsória, afirma-se corretamente que 
 
(A) algumas doenças são de notificação mensal. 
(B) todas as doenças são de notificação semanal. 
(C) algumas doenças são de notificação imediata e outras de notificação semanal. 
(D) quando se aplica, todas as notificações imediatas devem ser realizadas para o Ministério da Saúde. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.C / 03.D / 04.C / 05.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
Conforme disposto no quadro, algumas doenças estão assinaladas como de notificação imediata e 
outras de notificação semanal. 
 
 
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02. Resposta: C 
VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, 
profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a 
ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no 
anexo, podendo ser imediata ou semanal; 
 
03. Resposta: D 
V - evento de saúde pública (ESP): situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, 
como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão 
clínico epidemiológico das doenças conhecidas, considerando o potencial de disseminação, a magnitude, 
a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos 
decorrentes de desastres ou acidentes; 
VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, 
profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a 
ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no 
anexo, podendo ser imediata ou semanal; 
 
04. Resposta: C 
 
 
 
05. Resposta: C 
VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos médicos, 
profissionais de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados, sobre a 
ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde pública, descritos no 
anexo, podendo ser imediata ou semanal; 
 
 
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BIOSSEGURANÇA, IRAS e CCIH 
 
Conforme conceitua o Ministério da Saúde, Biossegurança compreende um conjunto de ações 
destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir 
ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança 
se caracteriza como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento sustentável, sendo de 
fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de novas tecnologias à 
saúde. 
As ações de biossegurança em saúde são primordiais para a promoção e manutenção do bem-estar 
e proteção à vida. A evolução cada vez mais rápida do conhecimento científico e tecnológico propicia 
condições favoráveis, possibilitando ações que colocam o Brasil em patamares preconizados pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação à biossegurança em saúde. No Brasil, a biossegurança 
começou a ser institucionalizada a partir da década de 80, quando o Brasil passou a fazer parte do 
Programa de Treinamento Internacional em Biossegurança, ministrado pela OMS, que teve como objetivo 
estabelecer pontos focais na América Latina para o desenvolvimento do tema (BRASIL)10. 
 
Medidas de Biossegurança11 
 
A palavra Biossegurança significa, genericamente, segurança nas atividades que evoluem de 
organismos vivos. E entende-se, ainda, que o termo Biossegurança se aplica ao conjunto de ações 
voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, 
produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços - riscos que podem comprometer 
a saúde do Homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. 
Ao profissional de enfermagem cabe a consciência de sua responsabilidade quanto à prática da 
biossegurança em todos os seus procedimentos de trabalho e, também, junto aos seus pacientes, para 
que, protegendo-se, possa garantir suas boas condições de saúde e, assim, estar apto para o cuidado 
com o próximo. Medidas de proteção e segurança (individual, coletiva, para si e para o paciente) são 
recomendadas aos profissionais de saúde, em especial ao enfermeiro ao exercer a prática do cuidado 
em estabelecimentos de saúde. 
Os profissionais que atuam na área da saúde, historicamente, não eram considerados como 
trabalhadores da categoria de grandes riscos para acidentes de trabalho, mas nos dias atuais os riscos 
biológicos rodeiam a classe. 
Na década de 80, com o surgimento da AIDS, as questões de biossegurança começaram a ser 
estabelecidas, sendo promovida a proteção profissional. 
Os serviços de saúde possuem muitas áreas de insalubridade, com graduação variável, que dependem 
de sua hierarquização e complexidade (ex. hospital terciário ou posto de saúde), do tipo de atendimento 
prestado (ex. atendimento exclusivo a moléstias infectocontagiosas) e do local de trabalho do profissional 
(ex. laboratório, endoscopia, lavanderia, etc.). Os riscos de agravo à saúde (ex. radiação, calor, frio, 
substâncias químicas, estresse, agentes infecciosos, ergonômicos, etc.) podem ser variados e 
cumulativos. Por suas características, encontram-se nos serviços de saúde exemplos de todos os tipos 
de risco, agravados por problemas administrativos e financeiros (ex. falta de manutenção de 
equipamentos) e alguns decorrentes de falhas na adaptação de estruturas antigas a aparelhos de última 
geração. 
Todos os profissionais que atuam - direta ou indiretamente - na prestação de serviços em hospitais ou 
em qualquer outra atividade ligada à saúde estão sujeitos a desenvolver doenças relacionadas ao 
trabalho. A exposição a riscos de contaminação ocupacional depende do ambiente de trabalho de cada 
um. 
 
10 Texto extraído de BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em saúde: prioridades e estratégias de ação. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 242 p. (Série B. 
Textos Básicos de Saúde) 
11 Conteúdo adaptado de SÃO PAULO. Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo. Programa Estadual de DST/AIDS.Biossegurança: atualidades em DST/Aids. 
2. ed. rev. e amp. São Paulo, 2003. e de ZORZE, Cleide Maria Ferreira da Silva; KARAGULIAN, Patrícia Partamian. Biossegurança em enfermagem. In: MURTA, 
Genilda Ferreira (org.). Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem. 3. ed. rev. e amp. São Caetano do Sul, SP: Difusão, 2007. 
2.4.3 BIOSSEGURANÇA HOSPITALAR 2.4.3.1 Prevenção de Acidentes 
Hospitalares. Exposição à Material Biológico e Protocolos. Acidentes com 
materiais biológicos. Profilaxia pós exposição ao HIV. Controle de Infecção 
Hospitalar. Resíduos dos Serviços de Saúde. Norma Regulamentadora NR 32 
 
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Constatou-se que com 70% das contaminações pelo vírus HIV em todo o mundo por ocasião de 
acidente de trabalho, 43% envolvem a categoria da área de enfermagem. 
Várias são as doenças que os profissionais de saúde poderão adquirir ao longo de suas carreiras; 
algumas poderão ser combatidas com vacinas; outras, com cuidados nos equipamentos de segurança. 
 
Medidas de Biossegurança em Serviços de Saúde 
Na área da saúde, o tema “Biossegurança” suscita reflexões por parte dos profissionais, uma vez que 
estão mais suscetíveis a contrair doenças advindas de acidentes de trabalho, através de procedimentos 
que envolvem riscos biológicos, químicos, físicos e ergonômicos (BOLICK, 2000; MASTROENI, 2004). 
Os profissionais que prestam assistência direta à saúde ou manipulam material biológico no seu 
cotidiano devem ter conhecimento suficiente acerca de biossegurança para uma prática eficaz e segura 
(CARVALHO, 1999; COSTA & COSTA, 2003). 
O profissional de limpeza e desinfecção de superfícies em serviços de saúde está exposto a riscos, e 
o objetivo das medidas de biossegurança é identificar riscos à saúde e ao meio ambiente decorrentes da 
exposição à matéria orgânica e aos agentes biológicos e do manuseio de produtos químicos e materiais 
perigosos. 
A utilização de precauções básicas auxilia os profissionais nas condutas técnicas adequadas à 
prestação dos serviços, por meio do uso correto de EPI, de acordo com a NR n° 6, da Portaria nº 3.214, 
de 08 de junho de 1978 (BRASIL). Essas medidas devem gerar melhorias na qualidade da assistência e 
diminuição de custos e infecções. 
Ao Serviço de Limpeza e Desinfecção de Superfícies em Serviços de Saúde competem os 
procedimentos para a remoção de sujidades, detritos indesejáveis e micro-organismos presentes em 
qualquer superfície, visando manter o ambiente dentro dos padrões estabelecidos pelos serviços de 
saúde. 
As medidas de biossegurança em serviços de saúde evitam os riscos inerentes ao uso de produtos 
químicos e materiais biológicos. Têm a finalidade de minimizar os riscos envolvidos no uso desses 
materiais pelos profissionais da instituição. Incluem procedimentos para aquisição, armazenamento, 
transporte e manuseio desses produtos. 
As medidas de biossegurança podem ser isoladas ou estarem inseridas em um plano de prevenção e 
controle de riscos biológicos, químicos e materiais perigosos. 
Os acidentes de trabalho são aqueles que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa 
ou pelo exercício do trabalho dos segurados, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que 
cause a morte, a perda ou a redução permanente ou temporária da capacidade para o trabalho (BRASIL) 
e podem ser provocados por agentes biológicos, ergonômicos ou mecânicos. 
 
Podem ser evitados por meio da instituição de medidas preventivas que visem à segurança do 
funcionário durante suas atividades rotineiras, como: 
- Não substituir as escadas por cadeiras, usando-as apenas em superfícies planas. 
- Não manusear equipamentos elétricos com as mãos molhadas. 
- Não misturar produtos de limpeza e desinfecção de superfícies. 
- Utilizar cintos de segurança para a limpeza de janelas e vidros. 
- Proteger as tomadas elétricas de paredes molhadas. 
- Não correr nas dependências dos serviços de saúde. 
- Manter postura adequada para evitar problemas de coluna. 
- Não levar ou levantar objetos muito pesados sem ajuda. 
- Obedecer aos horários de intervalos a fim de prevenir o estresse. 
- Notificar os acidentes após a ocorrência. 
- Utilizar EPI e EPC sempre que necessário. 
- Receber as vacinas recomendadas. 
 
Os profissionais, quando acidentados, devem comunicar seus acidentes em formulário próprio, 
denominado Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), no prazo de 24 horas, e encaminhá-lo aos 
setores competentes. 
 
Glossário 
- Desinfecção: remoção de agentes infecciosos, na forma vegetativa, de uma superfície inerte, 
mediante a aplicação de agentes químicos ou físicos. 
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- Desinfetante: são agentes químicos capazes de destruir micro-organismos na forma vegetativa em 
artigos ou superfícies, sendo divididos segundo seu nível de atividade em: alto nível, médio nível ou nível 
intermediário e baixo nível. 
- Detergente: todo produto que possui como finalidade a limpeza e que contém na sua formulação 
tensoativos que reduzem a tensão superficial da água, facilitando sua penetração, dispersando e 
emulsificando a sujidade. 
- Limpeza: consiste na remoção das sujidades mediante aplicação de energias química, mecânica ou 
térmica em um determinado período de tempo. Pode ser: 
- Química – ação de produtos saneantes com a finalidade de limpar por meio da propriedade de 
dissolução, dispersão e suspensão da sujeira. 
- Mecânica – ação física aplicada sobre a superfície para remover a sujeira resistente à ação do produto 
químico (esfregar, friccionar, escovar). 
- Térmica – ação do calor que reduz a viscosidade da graxa e da gordura, facilitando a remoção pela 
ação química. 
- Medicina do Trabalho: especialidade médica que se ocupa da promoção, preservação e 
monitoramento da saúde do trabalhador. Executa ações preventivas e emergenciais. 
- Produtos Saneantes: substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção ou 
desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no 
tratamento de água. 
- Serviço de Limpeza e Desinfecção de Superfícies em Serviços de Saúde: executa ações de 
limpeza/desinfecção preventivas e emergenciais no ambiente dos serviços de saúde. 
- Serviços de Saúde: estabelecimento destinado ao desenvolvimento de ações de atenção à saúde 
da população em regime de internação ou não, incluindo a atenção realizada em consultórios e domicílios. 
- Risco Biológico: risco determinado pela exposição a agentes biológicos por inalação, contato ou 
manuseio (direto ou indireto) de sangue e fluidos corpóreos. 
 
Bibliografia 
 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente em serviços de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies. Brasília: Anvisa, 
2010. 
 
Controle da População Microbiana12 
 
Entendendo a estruturação da cadeia de transmissão (onde e como vivem, como se transmite) dos 
principais agentes infecciosos, pode-se intervir rompendo o elo e evitando a contaminação do ambiente. 
Dessa forma, eliminando as doenças infecciosas, procura-se aumentar o tempo de vida da espécie 
humana. 
Sabe-se que os seres humanos apresentam necessidades de maior amplitude além das biológicas, 
ou seja, as de ordem social, política e econômica: moradias adequadas, boa higiene, educação, bom 
relacionamento social com a comunidade em que vivem e trabalham, bons serviços de assistência à 
saúde (profissionais e centros de saúde), escolas gratuitas e salários decentes, por exemplo. A carência 
destas necessidades implica condições diretamente relacionadas à disseminação de doenças, 
especialmente as parasitárias. 
Considerando tais fatos, o profissional de saúde é capaz de atuar na saúde individual de forma, muitas 
vezes, simples, através de orientações e tratamentos, e assim prevenir e curar as doenças parasitárias. 
Entretanto, quando se trata de saúde coletiva, coma participação do meio ambiente e de outros fatores 
de ordem socioeconômica, faz-se necessária a adoção de medidas mais complexas. Nesse caso, as 
decisões de natureza política exercem importante papel, de maneira direta, na relação parasito-
hospedeiro-meio ambiente, intervindo e rompendo a cadeia de transmissão. 
 
Saneamento Básico 
Sanear quer dizer limpar. Assim, pode-se definir saneamento como o conjunto de medidas que visam 
tornar as condições ambientais apropriadas à vida. 
O saneamento básico consiste em abastecimento e purificação da água, coleta de lixo, construção de 
redes de esgoto, controle da poluição, limpeza dos lugares públicos pelos órgãos do governo. Enfim, 
significa conservar os meios naturais e eliminar o que representa risco à saúde da população. 
 
12 Conteúdo adaptado de BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na 
Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: fundamentos 
de enfermagem. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. 
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. 90 
A água contaminada é um deles, podendo transmitir muitas doenças parasitárias como diarreias, 
cólera, esquistossomose (barriga d’água) e outras verminoses. Durante as chuvas, as águas de 
abastecimento podem vir a se contaminar pela drenagem dos campos contaminados em decorrência de 
enxurradas. Por sua vez, as piscinas e lagos recreativos também podem apresentar considerável 
contaminação, oferecendo riscos às pessoas. 
Considerando tais fatos, a água deve ser sempre adequadamente tratada e, para ser ingerida, fervida 
ou filtrada. 
 
Esterilização e Desinfecção 
 
São procedimentos de remoção dos agentes infecciosos. 
 
Esterilização 
É a destruição de todas as formas de vida microbiana (matando os esporos) existentes em 
determinado objeto (em sua superfície ou interior). Pode ser realizada através de métodos físicos ou 
químicos (vapor seco e vapor saturado sob pressão e agentes químicos). 
 
Desinfecção 
É o processo que remove ou mata a maioria dos micro-organismos patogênicos (não necessariamente 
matando os esporos) existente em uma superfície inerte. Pode ser feita por vapor úmido, por processos 
físicos (pasteurização e água em ebulição ou fervura) ou por processos químicos por meio da imersão 
em soluções germicidas (álcool etílico a 70%, cloro e compostos clorados, fenólicos, formaldeído, etc.). 
 
Assepsia 
É um conjunto de medidas que visam reduzir o número de micro-organismos e evitar sua disseminação 
ou contaminação de uma área ou objeto estéril. Pode ser classificada em: 
- assepsia médica: auxilia a diminuir o número de micro-organismos, impedindo sua passagem de 
pessoa para pessoa (técnica asséptica); 
- assepsia cirúrgica: torna e mantém os objetos e áreas livres de todos os micro-organismos (técnica 
estéril). 
 
Antissepsia 
São medidas que visam diminuir e prevenir o crescimento de micro-organismos, mediante aplicação 
de um agente germicida. 
 
Referência 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de 
Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: instrumentalizando a ação 
profissional 1. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. 
 
Ambiente Hospitalar 
 
Processamento de Artigos Hospitalares 
Descontaminação é o processo que visa destruir micro-organismos patogênicos, utilizado em artigos 
contaminados ou em superfície ambiental, tornando-os, consequentemente, seguros ao manuseio. 
Pode ser realizada por processo químico, no qual os artigos são imersos em solução desinfetante 
antes de se proceder a limpeza; por processo mecânico, utilizando-se máquina termodesinfectadora ou 
similar; ou por processo físico, indicando-se a imersão do artigo em água fervente durante 30 minutos - 
método não indicado por Padoveze, pois, segundo ele, há impregnação de matéria orgânica quando 
aplicado a artigos sujos. 
A limpeza é o ato de remover a sujidade por meio de fricção e uso de água e sabão ou soluções 
detergentes. Há várias fórmulas de detergentes disponíveis no mercado, variando do neutro a específicos 
para lavadoras. Ainda nesta classificação, podemos apontar os enzimáticos, utilizados para limpeza de 
artigos por imersão, bastante recomendados, atualmente, por sua eficácia na limpeza - são capazes de 
remover a matéria orgânica da superfície do material em tempo inferior a 15 minutos (em média, 3 
minutos), não danificam os artigos e são atóxicos e biodegradáveis. 
Limpar é procedimento que deve sempre preceder a desinfecção e a esterilização; quanto mais limpo 
estiver o material, menor a chance de falhas no processo. A matéria orgânica, intimamente aderida ao 
material, como no caso de crostas de sangue e secreções, atua como escudo de proteção para os micro-
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organismos, impedindo que o agente desinfetante/esterilizante entre em contato com a superfície do 
artigo, tornando o procedimento ineficaz. 
 
Para a realização da descontaminação e limpeza dos materiais, recomenda-se adotar as seguintes 
medidas: 
- os procedimentos só devem ser feitos por profissionais devidamente capacitados e em local 
apropriado (expurgo); 
- sempre utilizar sapatos fechados, para prevenir a contaminação por respingos; 
- quando do manuseio de artigos sujos, estar devidamente paramentado com equipamentos de 
proteção: avental impermeável, luvas de borracha antiderrapantes e de cano longo, óculos de proteção e 
máscara ou protetor facial; 
- utilizar escovas de cerdas macias, evitando a aplicação de materiais abrasivos, como palhas de aço 
e sapólio; 
- as pinças devem estar abertas quando de sua imersão na solução; 
- desconectar os componentes acoplados, para uma efetiva limpeza; 
- enxaguar os materiais em água corrente potável; 
- secar os materiais com tecido absorvente limpo, atentando para o resultado da limpeza, 
principalmente nas ranhuras das pinças; 
- armazenar o material ou encaminhá-lo para desinfecção ou esterilização. 
 
Desinfecção é o processo de destruição de micro-organismos em estado vegetativo (com exceção das 
formas esporuladas, resistentes ao processo) utilizando-se agentes físicos ou químicos. O termo 
desinfecção é aplicado tanto no caso de artigos quanto de superfícies ambientais. 
 
A desinfecção pode ser de: 
- alto nível: quando há eliminação de todos os micro-organismos e de alguns esporos bacterianos; 
- nível intermediário ou médio: quando há eliminação de micobactérias (bacilo da tuberculose), 
bactérias na forma vegetativa, muitos vírus e fungos, porém não de esporos; 
- baixo nível: quando há eliminação de bactérias e alguns fungos e vírus, porém sem destruição de 
micobactérias nem de esporos. 
 
Os processos físicos de desinfecção são a pasteurização e a água em ebulição ou fervura. 
A pasteurização é uma desinfecção realizada em lavadoras automáticas, com exposição do artigo em 
água a temperaturas de aproximadamente 60 a 90 graus centígrados por 10 a 30 minutos, conforme a 
instrução do fabricante. É indicada para a desinfecção de circuitos de respiradores. 
A água em ebulição ou fervura é utilizada para desinfecção de alto nível em artigos termorresistentes. 
Consiste em imergir totalmente o material em água fervente, com tempo de exposição de 30 minutos; 
após, o material é retirado com o auxílio de pinça desinfetada e luvas de amianto de cano longo. Em 
seguida, deve ser seco e guardado em recipiente limpo ou desinfetado. Ressalve-se que esse 
procedimento é indicado apenas nas situações em que não sedisponha de outros métodos físicos ou 
químicos. 
A desinfecção de artigos hospitalares por processo químico é feita por meio de imersão em soluções 
germicidas. Para garantir a eficácia da ação, faz-se necessário: que o artigo esteja bem limpo, pois a 
presença de matéria orgânica reduz ou inativa a ação do desinfetante; que esteja seco, para não alterar 
a concentração do desinfetante; que esteja totalmente imerso na solução, sem a presença de bolhas de 
ar; que o tempo de exposição recomendado seja respeitado; que durante o processo o recipiente seja 
mantido tampado e o produto esteja dentro do prazo de validade. 
 
Esterilização é o processo utilizado para destruir todas as formas de vida microbiana, por meio do uso 
de agentes físicos (vapor saturado sobre pressão - autoclave e vapor seco estufa) e químicos (óxido de 
etileno, plasma de peróxido de hidrogênio, formaldeído, Glutaraldeído e ácido peracético). 
A esterilização pelo vapor saturado sob pressão é realizada em autoclave, que conjuga calor, umidade, 
tempo e pressão para destruir os micro-organismos. Nela podem ser esterilizados artigos de superfície 
como instrumentais, baldes e bacias e artigos de espessura como campos cirúrgicos, aventais e 
compressas, e artigos críticos e semicríticos termorresistentes e líquidos. 
Na estufa, o calor é produzido por resistências elétricas e propaga-se lentamente, de maneira que o 
processo é moroso e exige altas temperaturas - vários autores indicam a esterilização por esse método 
apenas quando haja impossibilidade de submeter o material à autoclavação, como no caso de pós e 
óleos. 
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O material a ser processado em estufa deve ser acondicionado em caixas metálicas e recipientes de 
vidro refratário. Frise-se que a relação tempo-temperatura para a esterilização de materiais por esse 
método é bastante controvertida e as opiniões muito divergentes entre os diversos autores. 
 
Fonte de Infecção Relacionada ao Ambiente 
 
O ar, a água e as superfícies inanimadas verticais e horizontais fazem parte do meio ambiente de uma 
instituição de saúde. Particularmente, no hospital o ambiente pode se tornar foco de infecção hospitalar, 
embora estudos tenham demonstrado não ser esse o principal meio de transmissão. 
Os cuidados com o ambiente estão centrados, principalmente, nas ações de limpeza realizadas pelo 
Serviço de Higiene Hospitalar. Há uma estreita relação deste com o Serviço de Prevenção e Controle de 
Infecção Hospitalar, cabendo-lhe as seguintes incumbências: padronizar produtos a serem utilizados na 
limpeza; normatizar ou indicar o uso de germicidas para as áreas críticas ou para as demais, quando 
necessário; participar de treinamentos e dar orientação técnica à equipe de limpeza; participar da 
elaboração ou atualização de manuais a respeito do assunto. 
 
Métodos e Frequência da Limpeza, Desinfecção e Descontaminação 
De maneira geral, a limpeza é suficiente para reduzir os micro-organismos existentes nas superfícies 
hospitalares, reservando-se os processos de desinfecção e descontaminação para as áreas em que há 
deposição de matéria orgânica. 
Para a descontaminação, indica-se a aplicação de desinfetante sobre a matéria orgânica; em seguida, 
aguardar o tempo de ação, remover o conteúdo descontaminado com papel absorvente ou tecidos e 
realizar a limpeza com água e solução detergente. 
Na desinfecção, remover a matéria orgânica com papel absorvente ou tecidos, aplicar o desinfetante 
sobre a área atingida, aguardar o tempo de ação, remover o desinfetante com papel absorvente ou pano 
e realizar a limpeza com água e solução detergente. 
O desinfetante habitualmente utilizado para a descontaminação e desinfecção de superfícies é o cloro 
orgânico (clorocide) ou inorgânico (hipoclorito de sódio a 1%), com tempo de exposição de 10 minutos. 
A limpeza das áreas hospitalares é um procedimento que visa remover a sujidade e detritos orgânicos 
de superfícies inanimadas, que constituem ótimo habitat para a sobrevivência de micro-organismos no 
âmbito hospitalar. O agente químico utilizado na limpeza é o detergente, composto de substância 
tensoativa que facilita a remoção da sujeira. 
A limpeza pode ser do tipo concorrente e terminal. O primeiro tipo é feito diariamente e consiste na 
limpeza do piso, remoção de poeira do mobiliário, limpeza completa do sanitário, reposição de material 
de higiene e recolhimento do lixo, repetido conforme a necessidade; o segundo é realizado 
periodicamente, de acordo com a área de risco do hospital, e consiste na limpeza de paredes, pisos, 
tetos, janelas, portas e sanitários. 
 
Fonte de Infecção Relacionada à Equipe de Saúde 
A equipe de saúde tem importante papel na cadeia de transmissão da infecção hospitalar ou domiciliar. 
As práticas adotadas para sua prevenção visam controlar a propagação de micro-organismos que 
habitam o ambiente hospitalar e diminuir os riscos do paciente vir a adquirir uma infecção. Por outro lado, 
tanto as medidas gerais como as específicas de prevenção e controle de infecção implantadas na 
instituição também se direcionam para proteger o próprio trabalhador que ali desempenha sua função, 
quer seja prestando assistência direta ao paciente - como no caso do auxiliar de enfermagem ou do 
enfermeiro - quer seja indiretamente, como o funcionário da higiene hospitalar, da lavanderia ou da 
nutrição e dietética. 
Toda a equipe de saúde tem responsabilidade com relação à prevenção da infecção hospitalar, 
devendo fazer correto uso das técnicas assépticas, dos equipamentos de proteção individual (EPI) e ou 
coletivo (EPC), quando necessário. Por sua vez, o empregador tem a responsabilidade de disponibilizar 
os recursos necessários à efetivação desses cuidados. 
A prevenção e o controle da infecção se fundamentam nos princípios de assepsia, mediante a 
utilização de medidas para impedir a penetração de microrganismos (contaminação) em local onde não 
estejam presentes. 
As técnicas de assepsia devem ser utilizadas por todos os profissionais de saúde em todos os 
procedimentos, e são agrupadas sob a denominação de assepsia médica e cirúrgica. A primeira refere-
se às medidas adotadas para reduzir o número de microrganismos e evitar sua disseminação; a segunda, 
para impedir a contaminação de uma área ou objeto estéril. As medidas que visam reduzir e prevenir o 
crescimento de micro-organismos em tecidos vivos são denominadas antissepsia. 
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A adesão da equipe às medidas gerais de prevenção e controle de infecção ainda depende da 
conscientização e mudança de hábitos dos profissionais. Entretanto, sua adoção implica a realização de 
atos simples e de fácil execução, tais como: 
- lavar sempre as mãos antes de realizar qualquer procedimento - um dos mais importantes meios 
para prevenir a infecção cruzada; 
- manter os cabelos longos presos durante o trabalho, pois quando soltos acumulam sujidades, poeira 
e micro-organismos, favorecendo a contaminação do paciente e do próprio profissional; 
- manter as unhas curtas e aparadas, pois as longas facilitam o acúmulo de sujidades e micro-
organismos; 
- evitar o uso de joias e bijuterias, como anéis, pulseiras e demais adornos, que podem se constituir 
em possíveis fontes de infecção pela facilidade de albergarem micro-organismos em seus sulcos e 
reentrâncias, bem como na pele subjacente; 
- não encostar ou sentar-se em superfícies com potencial de contaminação, como macas e camas de 
pacientes, pois isto favorece a disseminação de micro-organismos. 
 
Luvas Esterilizadas e de Procedimento 
Outra barreira utilizada para o controle da disseminação de micro-organismos no ambiente hospitalar 
são as luvas, esterilizadas ou não, indicadas para proteger de contaminação o paciente e o profissional. 
As luvas esterilizadas (estéreis), denominadas luvas cirúrgicas, são indicadas para a realizaçãode 
procedimentos invasivos ou manipulação de material estéril, impedindo a deposição de microrganismos 
no local. Exemplos: cirurgias, suturas, curativos, cateterismo vesical, dentre outros. 
As luvas de procedimento são limpas, porém não esterilizadas, e seu uso é indicado para proteger o 
profissional durante a manipulação de material, quando do contato com superfícies contaminadas ou 
durante a execução de procedimentos com risco de exposição a sangue, fluidos corpóreos e secreções. 
Não há nenhum cuidado especial para calçá-las, porém devem ser removidas da mesma maneira que a 
luva estéril, para evitar que o profissional se contamine. 
 
Precauções-Padrão e Isolamento 
As normas relativas às precauções e ao isolamento se constituem na adoção de medidas que 
possibilitam a prevenção da transmissão de micro-organismos e que têm por objetivo principal proteger 
o paciente e o profissional de saúde. 
As mais utilizadas nos serviços de saúde, institucionalizados ou domiciliares, fundamentam-se no –
Guideline - do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) de Atlanta e no HICPAC (Hospital 
Infection Control Practices Advisory Committee), nos EUA, publicado em 1996. 
 
Os micro-organismos podem ser transmitidos por contato com gotículas, aerossóis e exposição a 
sangue e outros líquidos corpóreos, como veremos a seguir: 
- por contato – ocorre, principalmente, através das mãos dos profissionais ou por contato com artigos 
e equipamentos contaminados. Exemplos: herpes simples, diarreia infecciosa; 
- por gotículas - ocorre através de gotículas produzidas pela fala, tosse, espirro e aspiração 
orotraqueal. As gotículas podem atingir até 1 metro de distância e rapidamente se depositam no chão, 
não permanecendo suspensas no ar. Exemplos: coqueluche, difteria, rubéola, meningite bacteriana; 
- por aerossóis - pequenas partículas contendo micro-organismos eliminados durante a respiração, 
tosse ou espirro se ressecam, podendo permanecer durante horas suspensas no ar. As partículas 
ressecadas são capazes de atingir distâncias maiores que 1 metro. Algumas doenças, como a 
tuberculose e o sarampo, são transmitidas dessa forma; 
- por exposição a sangue e outros líquidos corpóreos - a transmissão ocorre quando estes estão 
contaminados e entram em contato com mucosa ou pele não-íntegra. Por exemplo, o vírus da 
imunodeficiência humana (HIV), os vírus da hepatite B e C. 
 
Esse sistema de precauções e isolamento indica dois níveis de precauções, a saber: 
- precauções-padrão, indicadas a todos os pacientes; 
- precauções baseadas no modo de transmissão dos agentes infecciosos: precauções de contato e 
precauções respiratórias para gotículas e aerossóis. 
 
Precauções-Padrão 
As precauções-padrão devem ser utilizadas no atendimento de todos os pacientes sempre que houver 
risco de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, peles não-íntegras e mucosas. 
 
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São ações das precauções-padrão: 
- lavar as mãos antes e após o contato com o paciente; após descalçar as luvas, pois nelas podem 
haver pequenos furos ou ocorrer contaminação durante a remoção; após contato com sangue, secreções 
e excreções, equipamentos e artigos contaminados; entre a realização de procedimentos com o mesmo 
paciente, como curativo, aspiração traqueal, coleta de sangue, etc.; entre a manipulação de um paciente 
e outro; entre a realização do mesmo procedimento em pacientes diferentes, como esvaziamento de urina 
do sistema de drenagem fechado; 
- utilizar luvas estéreis antes da execução de procedimento asséptico e luvas de procedimento sempre 
que existir a possibilidade de contato com sangue, líquidos corpóreos, secreções e excreções, mucosa, 
pele não-íntegra e artigos, equipamentos e superfícies contaminados; retirar as luvas imediatamente após 
o uso e antes de tocar em outro paciente ou qualquer material ou superfície, como caneta, telefone, 
papeleta, maçaneta de porta, etc.; 
- usar avental limpo não-estéril ou impermeável (quando necessário) nos casos de risco de contato 
com respingos de líquidos corporais e/ou sangue; retirá-lo após o término do procedimento; 
- utilizar máscara, protetor de olhos e protetor de face sempre que realizar procedimentos sujeitos a 
risco de respingos de líquidos corporais e ou sangue - como, por exemplo, aspiração de secreção 
traqueal; 
- manter os cuidados adequados com os artigos e equipamentos de uso em pacientes, no tocante à 
limpeza, desinfecção ou esterilização; 
- prevenir acidentes com materiais perfurocortantes: ter cuidado com o uso, manipulação, limpeza e 
descarte de agulhas, bisturis e similares; não remover as agulhas contaminadas das seringas; não realizar 
o reencape das agulhas; usar recipiente apropriado para o descarte de materiais perfurocortantes; 
- realizar o controle ambiental: fazer a limpeza e descontaminação de superfícies ambientais e 
mobiliário, quando contaminados com sangue e/ou líquidos corporais; 
- cuidar das roupas usadas: utilizar luvas de procedimento ao manusear as roupas sujas de sangue, 
líquidos corporais, secreções e excreções, evitando o contato direto com pele e mucosas, bem como com 
a própria roupa; 
- utilizar quarto privativo nos casos em que haja risco de contaminação ambiental. 
 
Precauções de Contato 
As precauções de contato são indicadas para pacientes colonizados ou infectados por microrganismos 
veiculados por contato direto ou indireto (ex: objetos) que tenham grande importância epidemiológica - 
como infecção por agentes multirresistentes. 
 
Além das medidas de precaução-padrão, as precauções de contato envolvem as medidas de: 
- uso de quarto privativo ou comum para pacientes que apresentem a mesma doença ou micro-
organismo; 
- o uso de avental na possibilidade de risco de contato das roupas do profissional com área ou material 
infectante quando da realização de higiene do paciente com diarreia, incontinência fecal/urinária e ferida 
com secreção não-contida pelo curativo; 
- manutenção do paciente no quarto/enfermaria, evitando sua saída; 
- uso exclusivo de artigos e equipamentos pelo paciente; limpeza e desinfecção ou esterilização dos 
mesmos após a alta do paciente. 
Os familiares devem ser orientados quanto aos cuidados a serem tomados para evitarem risco de 
contaminação. 
 
Precauções Respiratórias 
As precauções respiratórias para aerossóis exigem as medidas de utilização das precauções-padrão; 
quarto privativo, sendo obrigatórios: manter a porta fechada; obrigatório o uso de máscaras (N95 ou PFF2) 
com capacidade de filtrar partículas menores do que 3 µm - a máscara deve ser colocada antes de entrar 
no quarto e retirada somente após a saída do mesmo - ao prestar cuidados a pacientes com suspeita ou 
doença confirmada de transmissão por aerossóis; manter o paciente no quarto, evitando sua saída - caso 
haja necessidade de transportá-lo, colocar nele máscara comum tipo cirúrgica. 
As precauções respiratórias para gotículas necessitam de medidas de utilização das precauções 
padrão; quarto privativo ou comum para pacientes com a mesma doença; uso de máscara comum tipo 
cirúrgica por todas as pessoas que entrem no quarto no período de transmissão da doença - sendo 
necessário desprezá-la à saída do quarto; manter o paciente no quarto, evitando sua saída - caso haja 
necessidade de transportá-lo, colocar no paciente máscara comum tipo cirúrgica 
 
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Precauções Empíricas 
As precauções empíricas são indicadas para os casos de pacientes sem diagnóstico definitivo, porém 
com indícios de infecção por agentes que necessitem de precauções. Tais precauções devem ser 
adotadas até que haja confirmação ou esclarecimento do diagnóstico. Nestes casos inserem-se: 
- precauções de contato: diarreias agudas de etiologia infecciosa, erupção vesicular, abcessos ou 
feridas com exsudato que extravasea cobertura; 
- precauções para aerossóis: erupção vesicular, tosse com febre e infiltração de lobo pulmonar em 
qualquer local em paciente HIV positivo; 
- precauções para gotícula: meningite, exantema petequial e febre. 
 
Referência 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de 
Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: fundamentos de 
enfermagem. 2. ed. rev., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. 
 
Controle dos Riscos 
 
Os meios de controle dos riscos a que estão expostas as pessoas no interior de um estabelecimento 
de saúde são: uso de equipamento de Proteção Coletiva – EPC (sinalização, exaustores, câmara de fluxo 
laminar, chuveiro de emergência, extintores de incêndio, cabine para radioisótopos, lava olho, entre 
outros); equipamentos de Proteção Individual (luvas, máscaras, óculos ou protetor facial, avental, touca); 
imunização; e procedimentos que devem estar descritos em documentos como o Programa de Controle 
Médico e Saúde Ocupacional do estabelecimento - PCMSO. Ex.: programa periódico de vacinas. 
Métodos para redução e prevenção de acidentes: desenvolver no ambiente de trabalho a cultura da 
biossegurança; avaliar a biossegurança no contexto global da instituição - como ocorre com os processos 
da qualidade; aplicar de forma planejada as ferramentas da qualidade para a avaliação e correção do 
sistema de biossegurança. Assim, existem os denominados níveis de biossegurança. 
- nível de biossegurança 1 (NB-1): é adequado ao trabalho que envolva agentes bem caracterizados, 
conhecidos por não provocarem doença em seres humanos e que possuam o mínimo risco ao pessoal 
do hospital e ao meio ambiente. 
- nível de biossegurança 2 (NB-2): semelhante ao NB-1, é adequado ao trabalho que envolva 
agentes de risco moderado para as pessoas e para o meio ambiente. 
- nível de biossegurança 3 (NB-3): é aplicável para hospitais clínicos de diagnóstico, ensino e 
pesquisa ou produção, nos quais o trabalho com agentes exóticos possa causar doenças sérias - ou 
potencialmente fatais, como resultado de exposição por inalação. 
- nível de biossegurança 4 (NB-4): é indicado para os trabalhos que envolvem agentes exóticos e 
perigosos, que exponham o indivíduo a um alto risco de contaminação de infecções que podem ser fatais, 
além de apresentarem um potencial elevado de transmissão por aerossóis. 
 
Higiene e Segurança do Trabalho 
A higiene no trabalho é a ciência cujos objetivos são reconhecer, avaliar e controlar os riscos 
provenientes do trabalho. Esses riscos são fatores decorrentes do ambiente ou dos processos produtivos 
utilizados, que podem provocar acidentes, afetar a saúde, o conforto ou a eficiência do trabalhador. Tais 
riscos se classificam como processos produtivos, sendo eles operacionais ou ambientais. 
Os riscos produtivos de operação se referem às condições do ambiente relativas ao processo 
operacional, como máquinas desprotegidas, pisos escorregadios, etc.; riscos produtivos de ambiente se 
referem aos provenientes de ação agressiva dos produtos e do ambiente, como presença de gases, ruído, 
calor, etc.; já os riscos ambientais são agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes 
de trabalho, capazes de causar danos à saúde do trabalhador em função de sua natureza, concentração 
ou intensidade e tempo de exposição. 
Os agentes físicos são as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, 
tais como ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas (calor e frio), radiações ionizantes 
(alfa, beta, gama e raios-X), radiações não ionizantes (infravermelho, ultravioleta, radiações laser e micro-
ondas), bem como os infrassons e ultrassons. 
Os agentes químicos são as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo 
por via respiratória, cutânea ou digestiva, nas formas aerodispersoides sólidos e líquidos, que são poeiras, 
fumos, névoas e neblina, ou através de gases e vapores. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 96 
Na determinação dos riscos, sempre devemos considerar o tempo de exposição, concentração ou 
intensidade dos agentes, características dos agentes e estudo do ambiente de trabalho através de 
levantamentos qualitativos, quantitativos, tempo real de exposição e susceptibilidades individuais. 
É preciso mudar os hábitos e a qualidade de trabalho para que a higiene neste se torne satisfatória. 
Nessas mudanças se faz necessário resgatar o valor humano. 
 
Referência Bibliográfica 
 
Segurança e medicina do trabalho - Editora Atlas S/A- 61ª edição – 2007 
 
Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS) / Comissão de Infecções Hospitalares 
 
Entende-se que infecções relacionada à assistência à saúde (IRAS) e infecção hospitalar têm o mesmo 
significado. Pode-se considerar a infecção hospitalar a adquirida no ambiente hospitalar e a IRAS 
adquirida em estabelecimento de atenção à saúde. 
 
Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS): é aquela adquirida após a admissão do paciente, 
que se manifesta durante a internação ou após a alta e que pode ser relacionada com a internação ou 
procedimentos hospitalares. 
As IRAS são transmitidas através de microrganismos (bactérias, vírus, fungos, etc.) que penetram no 
organismo, através de uma porta de entrada, que podem ser via: respiratória, pele, via digestiva, via 
urogenital (FERNANDES, 2000). 
- Considera-se IRAS quando não há evidência de infecção presente ou incubada no momento da 
admissão; 
- Quando na mesma topografia de Infecção Comunitária for isolado um outro germe, seguindo-se 
agravamento das condições clínicas do paciente; 
- Infecção que se apresenta mais de 72 horas após a admissão, quando se desconhece o período de 
incubação e não houve evidência clínica e/ou se desconhece no momento da admissão; 
- São também convencionadas IRAS as que apresentam antes de 72 horas na internação quando 
associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos do período. 
- Toda infecção em recém - nascido, exceto as transmissões por via transplacentária e aquelas 
associadas à bolsa rota por mais de 24 horas; 
- Infecção adquirida no hospital e que se torna evidente após a alta hospitalar. 
 
São considerados os seguintes fatores de risco para IRAS: 
- Internação superior a 7 dias; 
- Tempo de internação no pré-operatório; 
- Estado nutricional do paciente (albumina ou transferrina sérica, IMC); 
- Presença de infecção em qualquer sítio no momento da cirurgia; 
- Cirurgia de médio e grande porte; 
- Cateter venoso central; 
- Cateter urinário; 
- Traqueostomia; 
- Cânula de intubação endotraqueal; 
- Leucemia, linfoma, AIDS; 
- Paciente com doenças agudas ou crônicas descompensadas (diabetes); 
- Todos os pacientes em UTI, berçário de alto risco, idosos; 
- Fatores relacionados ao procedimento cirúrgico (operações limpas, potencialmente contaminadas, 
contaminadas, infectadas), quebra de técnicas, tempo de operação, operações de urgência. 
 
Infecção Hospitalar13 
O Ministério da Saúde, já em 1983, reconhecia o problema da infecção hospitalar em nosso país e 
baixava uma portaria, padronizando definições para uso nacional. Nesta Portaria, de nº 196, de 24 de 
junho, sobre infecção hospitalar, constam no seu anexo III os critérios para identificação e diagnóstico da 
infecção hospitalar. 
 
 
 
13 Conteúdo extraído de SEEGMÜLLER, Edimara Fait; PENTEADO FILHO, Sérgio Ricardo; SOUZA, Virgínia Helena Soares de. A Infecção, O Isolamento e o Coorte. 
In: MOZACHI, Nelson. O hospital: manual do ambiente hospitalar. 2.ed. Curitiba: Os Autores, 2005. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 97 
Infecção 
É a resposta inflamatória provocada pela invasão ou presença demicrorganismos em tecidos 
orgânicos. 
 
Infecção Comunitária 
É a infecção constatada ou em incubação no ato da admissão hospitalar do paciente, desde que não 
relacionada com internação anterior. 
 
São também comunitárias: 
- a infecção que está associada à complicação ou extensão da infecção já presente na admissão 
hospitalar, a menos que haja troca de microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da 
aquisição de nova infecção; 
- a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é reconhecida ou foi 
comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose, 
rubéola, citomegalovirose, sífilis, Aids); 
- as infecções de recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas (vinte e quatro horas). 
 
Infecção Hospitalar 
É qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifesta durante a internação, 
ou mesmo após a alta, ou quando puder ser relacionada com a internação ou procedimento hospitalar. 
Considerada, também, como infecção nosocomial e infecção institucional. 
O diagnóstico de Infecção Hospitalar deverá se basear em critérios previamente estabelecidos e 
descritos: 
 
Princípios: 
- evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário; 
- resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de 
antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados; 
- evidências de estudos com métodos de imagem; 
- endoscopia; 
- biópsia e outros. 
 
Critérios Gerais 
- quando na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, for isolado um germe 
diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado 
infecção hospitalar; 
- quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e 
ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se como infecção hospitalar 
toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a 
admissão; 
- são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta e 
duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos, 
realizados durante esse período; 
- as infecções do recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma 
transplacentária e aquelas associadas à bolsa rota durante esse período; 
- pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados portadores 
de infecção hospitalar do hospital de origem. Nestes casos, a Coordenação Estadual/Distrital/Municipal e 
ou hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio como infecção hospitalar naquele 
hospital. 
 
Aspectos Históricos das Infecções Hospitalares14 
As infecções hospitalares constituem um grave problema de saúde pública no país. O início das 
preocupações com a infecção hospitalar no Brasil acompanhou o processo de industrialização acelerado 
que se iniciou no governo de Juscelino Kubischek e também a ocorrência de surtos por estafilococo 
resistentes a penicilina, pelos relatos vindos de países com medicina tecnologicamente avançada. Estes 
trabalhos enfatizavam uma preocupação predominante com medidas ambientais, como o lixo e 
contaminação aérea, ou voltados para os procedimentos invasivos, como as técnicas assépticas, mas já 
 
14 Texto adaptado da ANVISA – Ministério da Saúde, 2000. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 98 
encontrávamos referências ao isolamento de microrganismos resistentes, selecionados em decorrência 
ao emprego indiscriminado de antimicrobianos. 
A partir de 1968 e principalmente durante os anos 70, juntamente com a implantação de um modelo 
altamente tecnológico de atendimento (chegamos até ao transplante cardíaco), surgiram as primeiras 
comissões de controle de infecção hospitalar do país. 
- 1963 - Hospital Ernesto Dornelles (RS) - 1ª CCIH. 
- 1976 - Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) obriga hospitais a constituírem CCIH. 
- 1976 - Decreto do MS n° 77.052 de 19/01/1976, em seu Artigo 2°, Item IV ‹ determinou que nenhuma 
instituição hospitalar pode funcionar no plano administrativo se não dispuser de meios de proteção 
capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, pacientes e circunstantes. A fiscalização é 
responsabilidade dos órgãos estaduais - que devem avaliar as condições de exercício das profissões e 
ocupações técnicas e auxiliares diretamente relacionadas com a saúde. 
- 1983 - Portaria nº 196 - Ministério da Saúde – determinando a obrigatoriedade da existência de CCIH 
- busca passiva. 
- 1985 - Notícia da morte do presidente Tancredo Neves supostamente relacionada com deficiências 
no controle das IHs. 
- 1988 - Portaria nº 232 - Ministério da Saúde - Programa Nacional de Controle de IH. 
 
A década de oitenta foi a mais importante até o momento para o desenvolvimento do controle de 
infecção hospitalar no Brasil. Começou a ocorrer uma conscientização dos profissionais de saúde à 
respeito do tema e foram criadas várias comissões de controle nos hospitais. O Ministério da Saúde criou 
em 31/01/83 um grupo de trabalho integrado por seus representantes, ao lado de membros do Ministério 
da Educação e da Previdência Social, que elaborou um documento normativo, gerando a Portaria MS 
196/83, de 24/06/83 que recomendava aos hospitais brasileiros a criação de Comissão de Controle de 
Infecção Hospitalar (CCIH) e dava orientações práticas sob a forma de anexos. Este mesmo grupo 
elaborou um manual e realizou em 1984 na Capital Federal, com financiamento da OPAS, um curso 
internacional que serviu de base para a elaboração do “Curso de Introdução ao Controle das Infecções 
Hospitalares”. 
O drama do presidente eleito Tancredo Neves comoveu a nação, os projetos que estavam em 
andamento ganharam um novo impulso e o Ministério da Saúde pode desencadear uma atividade que 
iria mudar definitivamente os rumos do controle de infecção no Brasil. Ele optou por desenvolver uma 
política de capacitação de recursos humanos em controle de infecção ao invés de adotar postura 
fiscalizadora. Assim, em 1985 realizou um levantamento das instituições brasileiras que já tivessem CCIH 
em funcionamento e elaborou cursos macro regionais para capacitar multiplicadores. Foram credenciados 
41 centros de treinamentos, que já nos seus quatro primeiros anos deram a mais de 8.000 profissionais 
de saúde as ferramentas básicas para atuação nesta área do conhecimento. Ganhando força no 
Ministério, o programa de controle de infeções acabou contribuindo em várias normas técnicas como: 
reaproveitamento de materiais descartáveis e esterilização por óxido de etileno. Organizou um curso de 
especialização em farmácia hospitalar, editou o “Manual de procedimentos básicos em microbiologia 
clínica” e várias publicações com levantamentos bibliográficos nacionais sobre infecção hospitalar; 
comunicados sobre a interdição cautelar dos desinfetantes e esterilizantes; legislação brasileira sobre 
infecção hospitalar; uma biografia de Semmelweis; além de manual e cartaz sobre lavagem das mãos. 
Avaliando suas atividades, este programa facilitou a implantação de muitas CCIH, normalizando suas 
ações; divulgou o controle de infecção entre as autoridades sanitárias, profissionais de saúde e 
administradores hospitalares; contribuiu para o surgimento de lideranças nacionais sobre o tema, que em 
um trabalho voluntário, cooperativo e conjunto, difundiu normas que aprimoraram o nível de assistência 
fornecida à população; facilitou a troca de experiência entre os profissionais de saúde, inclusive apoiando 
a realização de eventos específicos; destacou a importância para a política sanitária do envolvimento dos 
hospitais. Vários projetos estavam em andamento, quando nos anos 90 se viu um progressivoesvaziamento do programa. Sua coordenadora em 1993 acreditava que cerca de 10% dos hospitais 
brasileiros tinham CCIH, número bem maior do que os 2,3% estimados em 1980 pelo Colégio Brasileiro 
dos Cirurgiões, mas evidentemente, bem aquém das expectativas. 
A Organização Mundial de Saúde promoveu, no período de 1983 a 1985, um estudo da prevalência 
de infecção hospitalar em 14 países. Mesmo reconhecendo que a amostra não foi necessariamente 
representativa, foi ressaltada a importância das infecções hospitalares (IH), cuja prevalência foi de 8,7%, 
oscilando de 3% a 21%. No Brasil em 1994, o Ministério da Saúde avaliou a magnitude das infecções 
hospitalares e a qualidade das ações de controle em 99 hospitais terciários localizados nas capitais 
brasileiras vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A taxa de pacientes com IH foi 13,0% e a taxa 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 99 
de infecção 15,5%. Os maiores índices foram obtidos nas unidades de terapia intensiva e queimados. 
Das demais clínicas o destaque foi para neonatolgia e clínica cirúrgica. 
A Lei Federal 9.431 de 06/01/97 instituiu a obrigatoriedade da existência da Comissão de Controle de 
Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH), definido 
como um conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente, tendo como objetivo a redução 
máxima possível da incidência e gravidade das infecções nosocomiais. Em 13/05/98, o Ministério da 
Saúde editou a Portaria 2.616/98, com diretrizes e normas para a execução destas ações, adequando-as 
à nova legislação. 
 
Estruturação da CCIH 
Embora grande parte das infecções hospitalares seja de origem endógena e portanto de difícil 
prevenção, é considerável o número de infecções hospitalares que podem ser evitadas. O controle das 
infecções hospitalares passa, portanto, por um conjunto de ações que ao serem implementadas 
repercutem diretamente na melhoria da qualidade dos serviços prestados pelos hospitais. Esse conjunto 
de ações constitui o Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH) deve ser implantado em 
nível hospitalar, municipal/distrital, servindo como base de uma pirâmide, em cujo topo está o Programa 
Nacional de Controle de Infecções Hospitalares. Daí, se conclui que o PCIH a nível central só será 
realmente efetivo quando contar com uma base forte e bem estruturada. 
A composição da CCIH deve respeitar as características do hospital. Porém, deve ser constituída de 
no mínimo um representante dos seguintes setores: corpo clínico, enfermagem e administração. 
 
É recomendável que a CCIH tenha a seguinte constituição: 
1. Um representante do corpo clínico; 
2. Um Representante da Diretoria Administrativa; 
3. Um Representante da Farmácia; 
4. Um Representante do Laboratório de Microbiologia; 
5. Um Representante da Diretoria de Enfermagem; 
6. Membros do Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar. 
 
O presidente é indicado pelo diretor clínico, dentre os membros da Comissão, e nomeado em ato 
oficial. 
As ações e serviços voltados para a prevenção e o controle de infecções hospitalares devem ser 
organizados de maneira a obedecer os princípios, diretrizes e normas de organização, direção e gestão 
do Sistema Único de Saúde (SUS) definidos através da lei 8080 de 19 de setembro de 1990. Assim cada 
nível de organização político administrativa do país está encarregado de desenvolver suas ações de 
Controle de Infecção Hospitalar com abrangência sobre sua população. 
Em termos de legislação, o PCIH é um dos programas mais favorecidos entre os existentes no 
Ministério da Saúde, contando desde 1983 com três portarias e desde 1997 com uma lei. No entanto, se 
ressente antes de tudo do cumprimento efetivo de toda essa legislação. Um PCIH, em qualquer dos seus 
níveis, necessita de decisão e vontade política do dirigente da área da saúde. 
A Portaria 196 de 24 de junho de 1983 constituiu em sua época um grande avanço: já orientava como 
organizar uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), sua instalação e atribuições. Foi 
responsável pela orientação de bons programas e pela formação de muitos profissionais de saúde, 
uniformizando as várias tentativas isoladas anteriores, no País. Descrevia já as cirurgias quanto ao seu 
potencial de contaminação e listava alguns exemplos de procedimentos cirúrgicos segundo essa 
classificação. Este item foi ainda contemplado na Portaria MS 930 de agosto de 1992. Essa portaria 
apresentava como alguns notáveis programas em relação ao anterior, entre eles: maior liberdade de 
escolha na vigilância epidemiológica nas infecções hospitalares sugerindo como opção preferencial a 
busca ativa de casos; a hierarquização das atribuições e competências nos diversos níveis 
administrativos a nível hospitalar e dos órgãos de administração pública; a criação do Serviço de Controle 
de Infecção Hospitalar (SCIH) como órgão executor do programa de controle de infecção hospitalar, com 
funções distintas da CCIH; a responsabilidade da CCIH na padronização do uso dos antimicrobianos no 
hospital. 
Em 6 de janeiro de 1997, foi publicada a LEI 9.431, com sete vetos em doze artigos. Embora estabeleça 
claramente a obrigatoriedade para todos os hospitais constituírem suas Comissões de Controle de 
Infecção Hospitalar, sofreu com os vetos do Sr. Presidente da República um grande golpe, pois o primeiro 
deles corresponde ao artigo que se refere ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). 
Em 12 de maio de 1998, foi publicada a Portaria 2616 que mantinha o programa elaborado por uma 
CCIH com membros consultores e executores, estes últimos representando o extinto SCIH. Essa portaria 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 100 
aprimora as competências dos diversos níveis (Federal, Estadual/Distrital, Municipal e do hospital), e 
mantém a possibilidade de criação de consórcio entre os hospitais, favorecendo a utilização recíproca de 
recursos técnicos, materiais e humanos, com vistas à implantação e manutenção do PCIH. 
Ressalta-se ainda, na Portaria 2616, o anexo que se refere à lavagem das mãos com descrição simples 
e objetiva deste ato tão representativo e tão eficaz na prevenção e controle da infecção hospitalar. 
Também ficou definida como infecção comunitária, as infecções de recém-nascidos associadas com 
bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro horas). Foram acrescentadas à lista de indicadores 
epidemiológicos de informação obrigatória e a taxa de letalidade. O número de membros da CCIH foi 
estabelecido, assim como a sua carga horária nos hospitais com leitos para pacientes críticos. 
A CCIH é antes de tudo um órgão de assessoria da autoridade máxima da Instituição com o papel de 
programar e executar ações que visem controlar as infecções hospitalares. São membros consultores 
representantes dos serviços: médico, de enfermagem, de farmácia, de administração, do laboratório de 
microbiologia, podendo este núcleo ser ampliado e estendido a outros profissionais de saúde, conforme 
legislação de cada Estado. Ao SCIH, que é composto pelos membros executores, cabe o cumprimento 
do que é determinado pela legislação vigente e atuação direta junto à comunidade hospitalar, visando pôr 
em prática as ações programadas de controle de infecção hospitalar. 
O SCIH é representado, no mínimo, por dois profissionais de nível superior da área de saúde, 
obedecendo uma relação de 2 profissionais para cada 200 (duzentos) leitos hospitalares ou fração. 
Preferencialmente um dos dois profissionais deve ser enfermeiro com carga horária diária de 6 (seis) 
horas e os demais profissionais, de 4 (quatro) horas dedicadas ao controle de infecção. Para instituições 
tipo hospital-dia, a carga horária diária para o enfermeiro é de 2 (duas) horas e de l (uma) hora, para os 
demais profissionais. 
 
Ao implantar um PCIH, o diretor do estabelecimento de saúde seguirá os seguintes passos: 
- Nomear os membrosdo PCIH através de Portaria 
- Apresentar os nomeados ao Corpo Clínico do Hospital. 
- Propiciar infraestrutura física, material e humana necessária para operacionalização do PCIH 
- Comunicar a composição da CCIH as autoridades competentes. 
Cabe à CCIH do hospital entre outras competências: 
- Elaborar o regimento interno da CCIH. 
- Implantar um sistema de vigilância epidemiológica das infecções hospitalares. 
- Capacitar os funcionários e profissionais de saúde em controle de infecção hospitalar. 
- Elaborar e implementar normas e rotinas técnico-operacionais, visando prevenir e tratar as infecções 
hospitalares. 
- Atuar em cooperação com as demais Comissões do hospital, em especial com a Comissão de 
Farmácia e Terapêutica. 
- Elaborar ata das reuniões ordinárias e extraordinárias. 
- Elaborar e divulgar, regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima da 
instituição, às chefias e a todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções, promovendo 
o seu amplo debate na comunidade hospitalar. 
 
Programa do Controle de Infecção Hospitalar 
O Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - 
ANVS/MS tem como competências a definição das diretrizes de CIH a nível federal, apoiando as ações 
descentralizadas em controle de infecção hospitalar, além de coordenar as ações nacionais 
estabelecendo normas gerais para o controle das infecções hospitalares. 
Um PCIH, a qualquer nível de decisão, é antes de tudo um programa de controle de qualidade com 
fins educativos. Visa uma mudança de comportamento da equipe de saúde, devendo portanto se abster 
de medidas punitivas ou autoritárias. O PCIH deve obedecer à legislação vigente. 
Trata-se de um conjunto de ações desenvolvidas, deliberadas e sistematizadas, Com vistas à redução 
máxima possível da incidência e da gravidade das Infecções hospitalares. 
 
Cabe à CCIH a elaboração do PCIH, que deve incluir, no mínimo, as seguintes atividades: 
- Vigilância epidemiológica (VE). O modelo a ser adotado depende das características do hospital e 
da disponibilidade de recursos. A vigilância epidemiológica permite um diagnóstico situacional mais 
preciso para o planejamento das ações. A VE possibilita a identificação de casos e de surtos de IH, e a 
implementação de medidas imediatas de controle. Por meio da VE devem ser elaborados relatórios, 
periodicamente, para posterior divulgação aos profissionais. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
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- Normas para uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médicos hospitalares. A 
utilização inadequada dos antimicrobianos aumenta a pressão seletiva, o que colabora para o 
aparecimento de microrganismos multirresistentes, dentre eles: Gram-negativos resistentes às 
cefalosporinas de 3° geração (ceftriaxona, ceftazidima, cefoperazona e cefotaxima) e à amicacina; 
Enterococos resistentes à ampicilina, à gentamicina ou à vancomicina; S. epidermidis e S. aureus 
resistentes à oxacilina e à vancomicina. Além disto, a transmissão cruzada dentro da instituição hospitalar 
aumenta a disseminação dessas bactérias, principalmente através dos profissionais da área da saúde. 
- Processos para prevenção de transmissão de microrganismos. O objetivo básico da 
padronização de medidas de precaução e isolamento é a prevenção da transmissão de microrganismos 
de um paciente, portador são ou doente, para outro - tanto de forma direta como indireta. Esta prevenção 
abrange tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde, pelo risco ocupacional em acidentes com 
materiais contaminados. 
- Normas e rotinas técnicas operacionais. Os procedimentos, cada vez mais especializados, 
requerem padronizações escritas para que toda a equipe tenha conhecimento sobre o método mais 
adequado para sua execução. A comunicação tem sido um problema nas instituições hospitalares, 
tornando necessário implementar padronizações escritas, até mesmo para respaldo legal da instituição. 
- Padronizações das medidas de prevenção e controle de infecção hospitalar. As medidas de 
prevenção e controle de infecção hospitalar têm sido utilizadas com o objetivo de diminuir o risco de 
infecção no ambiente hospitalar e devem estar padronizadas de acordo com as características da 
instituição. Elas têm como objetivo a prevenção de infecção de corrente sanguínea, infecção pulmonar, 
infecção de sítio cirúrgico, infecção urinária e precauções e isolamentos. 
- Treinamento dos profissionais da saúde em relação à prevenção e ao controle da IH. A atuação 
dos profissionais que prestam assistência direta ao paciente é fundamental para a prevenção de infecção. 
Para tanto, é necessário que tenham conhecimento adequado dos métodos. O conhecimento das 
medidas de controle - somente pelo profissional do controle de IH – não é suficiente para a prevenção. É 
por meio do treinamento, da divulgação dos manuais, das rotinas e padronizações que o conhecimento 
será propagado para todos os profissionais de saúde. O treinamento é peça fundamental para prevenção 
de infecção. 
 
Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 199815 
 
O Ministro de Estado da Saúde, Interino, no uso das suas atribuições que lhe confere o art. 87, inciso 
II da Constituição, e 
 
Considerando as infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos 
hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação da assistência hospitalar, de 
vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do Município e de cada hospital, atinentes ao 
seu funcionamento; 
Considerando que o Capítulo I art. 5º e inciso III da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, estabelece 
como objetivo e atribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), “a assistência às pessoas por intermédio 
de ações de promoção, proteção e recuperação da Saúde com a realização integrada das ações 
assistenciais e das atividades preventivas”, 
Considerando que no exercício da atividade fiscalizadora os órgãos estaduais de saúde deverão 
observar, entre outros requisitos e condições, a adoção, pela instituição prestadora de serviços, de meios 
de proteção capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, clientes, pacientes e dos 
circunstantes (Decreto nº 77.052, de 19 de janeiro de 1976, art. 2º, inciso IV); 
Considerando os avanços técnico-científicos, os resultados do Estudo Brasileiro da Magnitude das 
Infecções hospitalares. Avaliação da Qualidade das Ações de Controle de Infecção Hospitalar, o 
reconhecimento mundial destas ações como as que implementam a melhoria da qualidade da assistência 
à Saúde, reduzem esforços, problemas, complicações e recursos; 
Considerando a necessidade de informações e instrução oficialmente constituída para respaldar a 
formação técnico-profissional, resolve: 
 
Art. 1º Expedir, na forma dos anexos I, II, III, IV, e V, diretrizes e normas para a prevenção e o controle 
das infecções hospitalares. 
 
 
15 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html - Acesso em 18/01/2019 às 13h12min. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 102 
Art. 2º As ações mínimas necessárias, a serem desenvolvidas, deliberada e sistematicamente, com 
vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções dos hospitais, compõem o 
Programa de Controle de infecções Hospitalares. 
 
Art. 3º A secretaria de Política de Saúde, do Ministério da Saúde, prestará cooperação técnica às 
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, a fim de orientá-las sobre o exato cumprimento e 
interpretação das normas aprovadas por esta Portaria. 
 
Art. 4º As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde poderão adequar as normas conforme prevê 
a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
 
Art. 5º A inobservância ou o descumprimento das normas aprovadas por esta Portaria sujeitará o 
infrator ao processoe às penalidades previstas na Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, ou outra que a 
substitua, com encaminhamento dos casos ou ocorrências ao Ministério Público e órgãos de defesa do 
consumidor para aplicação da legislação pertinente (Lei nº 8.078/90 ou outra que a substitua). 
 
Art. 6º Este regulamento deve ser adotado em todo território nacional, pelas pessoas jurídicas e físicas, 
de direito público e privado envolvidas nas atividades hospitalares de assistência à saúde. 
 
Art. 7º Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação. 
 
Art. 8º Fica revogada a Portaria nº 930, de 27 de agosto de 1992. 
 
Programa de Controle de Infecção Hospitalar 
 
ANEXO I 
ORGANIZAÇÃO 
 
1. O Programa de Controle de Infecção Hospitalares (PCIH) é um conjunto de ações desenvolvidas 
deliberada e sistematicamente, com vistas à redução máxima possível da incidência e da gravidade das 
infecções hospitalares. 
 
2. Para a adequada execução do PCIH, os hospitais deverão constituir Comissão de Controle de 
Infecção Hospitalar (CCIH), órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição e de execução das 
ações de controle de infecção hospitalar. 
2.1 A CCIH deverá ser composta por profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente 
designados. 
2.2 Os membros da CCIH serão de dois tipos: consultores e executores. 
2.2.1 O presidente ou coordenador da CCIH será qualquer um dos membros da mesma, indicado pela 
direção do hospital. 
2.3 Os membros consultores serão representantes, dos seguintes serviços: 
2.3.1 serviço médico; 
2.3.2 serviço de enfermagem; 
2.3.3 serviço de farmácia; 
2.3.4 laboratório de microbiologia; 
2.3.5 administração. 
2.4 Os hospitais com número de leitos igual ou inferior a 70 (setenta) atendem os números 2.3.1 e 
2.3.2. 
2.5 Os membros executores da CCIH representam o Serviço de Controle de Infecção hospitalar e, 
portanto, são encarregados da execução programada de controle de infecção hospitalar; 
2.5.1. Os membros executores serão, no mínimo, 2 (dois) técnicos de nível superior da área de saúde 
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número com carga horária diária, mínima, de 6 (seis) 
horas para o enfermeiro e 4 (quatro) horas para os demais profissionais. 
2.5.1.1. - Um dos membros executores deve ser, preferencialmente, um enfermeiro. 
2.5.1.2. - A carga horária diária, dos membros executores, deverá ser calculada na base da 
proporcionalidade de leitos indicado no número 2.5.1. 
2.5.1.3. - Nos hospitais com leitos destinados a pacientes críticos, a CCIH deverá ser acrescida de 
outros profissionais de nível superior da área de saúde. Os membros executores terão acrescidas 2 (duas) 
horas semanais de trabalho para cada 10 (dez) leitos ou fração. 
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. 103 
2.5.1.3.1. Para fins desta Portaria, consideram-se pacientes críticos: 
2.5.1.3.1.1. pacientes de terapia intensiva (adulto, pediátrico e neonatal); 
2.5.1.3.1.2. pacientes de berçário de alto risco; 
2.5.1.3.1.3. pacientes queimados; 
2.5.1.3.1.4. pacientes submetidos a transplantes de órgãos; 
2.5.1.3.1.5. pacientes hemato-oncológicos; 
2.5.1.3.1.6. pacientes com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. 
2.5.1.4 - Admite-se, no caso do número 2.5.1.3., o aumento do número de profissionais executores na 
CCIH, ou a relativa adequação de carga horária de trabalho da equipe original expressa no número 2.5.1; 
2.5.1.5 - Em hospitais com regime exclusivo de internação tipo paciente-dia, deve-se atender aos 
números 2.1, 2.2 e 2.3, e com relação ao número 2.5.1., a carga de trabalho dos profissionais será de 2 
(duas) horas diárias para o enfermeiro e 1 (uma) hora para os demais profissionais, independente do 
número de leitos da instituição. 
2.5.1.6 - Os hospitais poderão consorciar-se no sentido da utilização recíproca de recursos técnicos, 
materiais e humanos, com vistas à implantação e manutenção do Programa de Controle da infecção 
Hospitalar. 
2.5.1.7 - Os hospitais consorciados deverão constituir CCIH própria, conforme os números 2 e 2.1, 
com relação aos membros consultores, e prover todos os recursos necessários à sua atuação. 
2.5.1.8 - O consórcio deve ser formalizado entre os hospitais componentes. Os membros executores, 
no consórcio, devem atender aos números 2.5.1, 2.5.1.1, 2.5.1.2, 2.5.1.3 e 2.5.1.4. 
 
COMPETÊNCIAS 
 
3. A CCIH do hospital deverá: 
3.1 elaborar, implementar, manter e avaliar programa de controle de infecção hospitalar, adequado às 
características e necessidades da instituição, contemplando no mínimo, ações relativas a: 
3.1.1 implantação de um Sistema de Vigilância Epidemiológica das Infecções Hos-pitalares, de acordo 
com o Anexo III; 
3.1.2 adequação, implementação e supervisão das normas e rotinas técnico-operacionais, visando a 
prevenção e controle das infecções hospitalares; 
3.1.3 capacitação do quadro de funcionários e profissionais da instituição, no que diz respeito à 
prevenção e controle das infecções hospitalares; 
3.1.4 uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares; 
3.2 avaliar, periódica e sistematicamente, as informações providas pelo Sistema de Vigilância 
Epidemiológica das infecções hospitalares e aprovar as medidas de controle propostas pelos membros 
executores de CCIH; 
3.3 realizar investigação epidemiológica de casos e surtos, sempre que indicado, e implantar medidas 
imediatas de controle; 
3.4 elaborar e divulgar, regularmente, relatórios e comunicar, periodicamente, à autoridade máxima de 
instituição e às chefias de todos os setores do hospital, a situação do controle das infecções hospitalares, 
promovendo seu amplo debate na comunidade hospitalar; 
3.5 elaborar, implantar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, visando 
limitar a disseminação de agentes presentes nas infecções em curso no hospital, por meio de medidas 
de precaução e de isolamento; 
3.6 adequar, implementar e supervisionar a aplicação de normas e rotinas técnico-operacionais, 
visando à prevenção e ao tratamento das infecções hospitalares; 
3.7 definir, em cooperação com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, política de utilização de 
antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares para a instituição; 
3.8 cooperar com o setor de treinamento ou responsabilizar-se pelo treinamento, com vistas a obter 
capacitação adequada do quadro de funcionários e profissionais, no que diz respeito ao controle das 
infecções hospitalares; 
3.9 elaborar regimento interno para a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; 
3.10 cooperar com a ação do órgão de gestão do SUS, bem como fornecer, prontamente, as 
informações epidemiológicas solicitadas pelas autoridades competentes; 
3.11 notificar, na ausência de um núcleo de epidemiologia, ao organismo de gestão do SUS, os casos 
diagnosticados ou suspeitos de outras doenças sob vigilância epidemiológica (notificação compulsória), 
atendidos em qualquer dos serviços ou unidades do hospital, e atuar cooperativamente com os serviços 
de saúde coletiva; 
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. 104 
3.12 notificar ao Serviço de Vigilância Epidemiológica e Sanitária do organismo de gestão do SUS, os 
casos e surtos diagnosticados ou suspeitos de infecção associadas à utilização de insumos e/ou produtos 
industrializados. 
 
4. Caberá à autoridade máxima da instituição: 
4.1 constituir formalmente a CCIH; 
4.2 nomear os componentes da CCIH por meio de ato próprio; 
4.3 propiciar a infraestrutura necessária à correta operacionalização da CCIH; 
4.4 aprovar e fazer respeitar o regimento interno da CCIH; 
4.5 garantir a participação do Presidente da CCIH nos órgãos colegiados deliberativos e formuladores 
de política da instituição, como, por exemplo, os conselhos técnicos, independente da natureza da 
entidade mantenedora da instituição de saúde; 
4.6 garantir o cumprimentodas recomendações formuladas pela Coordenação Municipal, 
Estadual/Distrital de Controle de Infecção Hospitalar; 
4.7 Informar o órgão oficial municipal ou estadual quanto à composição da CCIH e às alterações que 
venham a ocorrer; 
4.8 fomentar a educação e o treinamento de todo o pessoal hospitalar. 
 
5. À Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar do Ministério da Saúde, compete: 
5.1 definir diretrizes de ações de controle de infecção hospitalar; 
5.2 apoiar a descentralização das ações de prevenção e controle de infecção hospitalar; 
5.3 coordenar as ações nacionais de prevenção e controle de infecção hospitalar; 
5.4 estabelecer normas gerais para a prevenção e controle das infecções hospitalares; 
5.5 estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o controle de infecção hospitalar; 
5.6 promover a articulação com órgãos formadores, com vistas à difusão do conteúdo de conhecimento 
do controle de infecção hospitalar; 
5.7 cooperar com a capacitação dos profissionais de saúde para o controle de infecção hospitalar; 
5.8 identificar serviços municipais, estaduais e hospitalares para o estabelecimento de padrões 
técnicos de referência nacional; 
5.9 prestar cooperação técnica, política e financeira aos Estados e aos Municípios, para 
aperfeiçoamento da sua atuação em prevenção e controle de infecção hospitalar; 
5.10 acompanhar e avaliar as ações implementadas, respeitadas as competências estaduais/distrital 
e municipais de atuação, na prevenção e controle das infecções hospitalares; 
5.11 estabelecer sistema nacional de informações sobre infecção hospitalar na área de vigilância 
epidemiológica; 
5.12 estabelecer sistema de avaliação e divulgação nacional dos indicadores da magnitude e 
gravidade das infecções hospitalares e da qualidade das ações de seu controle; 
5.13 planejar ações estratégicas em cooperação técnica com os Estados, Distrito Federal e os 
Municípios; 
5.14 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar. 
 
6. Às Coordenações Estaduais e Distrital de Controle de Infecção Hospitalar, compete: 
6.1 definir diretrizes de ação estadual/distrital, baseadas na política nacional de controle de infecção 
hospitalar; 
6.2 estabelecer normas, em caráter suplementar, para a prevenção e controle de infecção hospitalar; 
6.3 descentralizar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar dos Municípios; 
6.4 prestar apoio técnico, financeiro e político aos municípios, executando, supletivamente, ações e 
serviços de saúde, caso necessário; 
6.5 coordenar, acompanhar, controlar e avaliar as ações de prevenção e controle de infecção 
hospitalar do Estado e Distrito Federal; 
6.6 acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores epidemiológicos de infecção hospitalar; 
6.7 informar, sistematicamente, à Coordenação de Controle de Infecção Hospitalar, do Ministério da 
Saúde, a partir da rede distrital, municipal e hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar 
estabelecidos. 
 
7. Às Coordenações Municipais de Controle de Infecção Hospitalar, compete: 
7.1 coordenar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar na rede hospitalar do Município; 
7.2 participar do planejamento, da programação e da organização da rede regionalizada e 
hierarquizada do SUS, em articulação com a Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar; 
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. 105 
7.3 colaborar e acompanhar os hospitais na execução das ações de controle de infecção hospitalar; 
7.4 prestar apoio técnico às CCIH dos hospitais; 
7.5 informar, sistematicamente, à Coordenação Estadual de controle de infecção hospitalar do seu 
Estado, a partir da rede hospitalar, os indicadores de infecção hospitalar estabelecidos. 
 
Programa de Controle de Infecção Hospitalar 
 
ANEXO II 
 
CONCEITOS E CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DAS INFECÇÕES HOSPITALARES 
 
1. Conceitos básicos. 
1.1. Infecção comunitária (IC): 
1.1.1 é aquela constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não 
relacionada com internação anterior no mesmo hospital. 
1.1.2 São também comunitárias: 
1.1.2.1 a infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na 
admissão, a menos que haja troca de microrganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da 
aquisição de nova infecção; 
1.1.2.2 a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi 
comprovada e que tornou-se evidente logo após o nascimento (exemplo: herpes simples, toxoplasmose, 
rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS); 
1.1.2.3 As infecções de recém-nascidos associadas com bolsa superior e 24 (vinte e quatro) horas. 
1.2. Infecção hospitalar (IH): 
1.2.1 é aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifeste durante a internação ou 
após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. 
 
2. Critérios para diagnóstico de infecção hospitalar, previamente estabelecidos e descritos. 
2.1 Princípios: 
2.1.1 o diagnóstico das infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de: 
2.1.1.1 evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário; 
2.1.1.2 resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa 
de antígenos, anticorpos e métodos de visualização realizados. 
2.1.1.3 evidências de estudos com métodos de imagem; 
2.1.1.4 endoscopia; 
2.1.1.5 biópsia e outros. 
2.2 Critérios gerais: 
2.2.1 quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, foi isolado um 
germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser 
considerado como infecção hospitalar; 
2.2.2 quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica 
e/ou dado laboratorial de infecção no momento da internação, convenciona-se infecção hospitalar toda 
manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a admissão; 
2.2.3 são também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 (setenta 
e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, 
realizados durante este período; 
2.2.4 as infecções recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma 
transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 (vinte e quatro) horas; 
2.2.5 os pacientes provenientes de outro hospital que se internam com infecção, são considerados 
portadores de infecção hospitalar do hospital de origem infecção hospitalar. Nestes casos, a Coordenação 
Estadual/Distrital/Municipal e/ou o hospital de origem deverão ser informados para computar o episódio 
como infecção hospitalar naquele hospital. 
 
3. Classificação das cirurgias por potencial de contaminação da incisão cirúrgica 
3.1 as infecções pós-cirúrgicas devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida 
cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado; 
3.2 a classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico, pelo cirurgião, de acordo com 
as seguintes indicações; 
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. 106 
3.2.1 Cirurgias Limpas - são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, 
na ausência de processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas 
com cicatrização de primeira intenção e sem drenagem aberta. Cirurgias em que não ocorrem penetração 
nos tratos digestivos, respiratório ou urinário; 
3.2.2 Cirurgias Potencialmente Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos colonizados por 
flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de processo 
infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas discretas no trans-operatório.Cirurgias com drenagem 
aberta enquadram-se nesta categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivos, respiratório ou urinário 
sem contaminação significativa. 
3.2.3 Cirurgias Contaminadas - são aquelas realizadas em tecidos recentemente traumatizados e 
abertos, colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação seja difícil ou impossível, bem 
como todas aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras, na ausência de supuração local. 
Na presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção, ou grande 
contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária também se incluem nesta categoria. 
3.2.4 Cirurgias Infectadas - são todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou 
órgão, em presença de processo infeccioso (supuração local) e/ou tecido necrótico. 
 
ANEXO III 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E INDICADORES EPIDEMIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES 
HOSPITALARES 
 
1. Vigilância Epidemiológica das infecções hospitalares é a observação ativa, sistemática e contínua 
de sua ocorrência e de sua distribuição entre pacientes, hospitalizados ou não, e dos eventos e condições 
que afetam o risco de sua ocorrência, com vistas à execução oportuna das ações de prevenção e controle. 
 
2. A CCIH deverá escolher o método de Vigilância Epidemiológica mais adequado às características 
do hospital, à estrutura de pessoal e à natureza do risco da assistência, com base em critérios de 
magnitude, gravidade, redutibilidade das taxas ou custo; 
2.1 São indicados os métodos prospectivos, retrospectivos e transversais, visando determinar taxas 
de incidência ou prevalência. 
 
3. São recomendados os métodos de busca ativos de coleta de dados para Vigilância Epidemiológica 
das infecções hospitalares. 
 
4. Todas as alterações de comportamento epidemiológico deverão ser objeto de in-vestigação 
epidemiológica específica. 
 
5. Os indicadores mais importantes a serem obtidos e analisados periodicamente no hospital e, 
especialmente, nos serviços de Berçário de Alto Risco, UTI (adulto/pediátrica/neonatal) Queimados, são; 
5.1. Taxa de Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de episódios de 
infecção hospitalar no período considerado e como denominados o total de saídas (altas, óbitos e 
transferências) ou entradas no mesmo período; 
5.2. Taxa de Pacientes com Infecção Hospitalar, calculada tomando como numerador o número de 
doentes que apresentam infecção hospitalar no período considerado, e como denominador o total de 
saídas (altas, óbitos e transferências) ou entradas no período; 
5.3. Distribuição Percentual das Infecções Hospitalares por localização topográfica no paciente, 
calculada tendo como numerador o número de episódios de infecção hospitalar em cada topografia, no 
período considerado e como denominador o número total de episódios de infecção hospitalar ocorridos 
no período; 
5.4. Taxa de Infecções Hospitalares por Procedimento, calculada tendo como numerador o número de 
pacientes submetidos a um procedimento de risco que desenvolveram infecção hospitalar e como 
denominador o total de pacientes submetidos a este tipo de procedimento. 
Exemplos: 
Taxa de infecção do sitio cirúrgico, de acordo com o potencial de contaminação. 
Taxa de infecção urinária após cateterismo vesical. 
Taxa de pneumonia após uso de respirador. 
5.5 Recomenda-se que os indicadores epidemiológicos dos números 5.1 e 5.2 sejam calculados 
utilizando-se no denominador o total de pacientes/dia, no período. 
Apostila gerada especialmente para: eduardo cezar da silva 051.682.580-18
 
. 107 
5.5.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se os dias totais de permanência de todos os 
pacientes no período considerado. 
5.6 Recomenda-se que o indicador do inúmero 5.4 pode ser calculado utilizando-se como denominador 
o número total de procedimentos dia. 
5.6.1. O número de pacientes/dia é obtido somando-se o total de dias de permanência do procedimento 
realizado no período considerado. 
5.7. Outros procedimentos de risco poderão ser avaliados, sempre que a ocorrência respectiva o 
indicar, da mesma forma que é de utilidade o levantamento das taxas de infecção do sitio cirúrgico, por 
cirurgião e por especialidade. 
5.8. Frequência das Infecções Hospitalares por Microrganismos ou por etiologia, calculada tendo como 
numerador o número de episódios de infecção hospitalar por microrganismo e como denominador o 
número de episódios de infecções hospitalares que ocorreram no período considerado. 
5.9. Coeficiente de Sensibilidade aos Antimicrobianos, calculado tendo como numerador o número de 
cepas bacterianas de um determinado microrganismo sensível e determinado antimicrobiano e como 
denominador o número total de cepas testadas do mesmo agente com antibiograma realizado a partir das 
espécimes encontradas. 
5.10. Indicadores de uso de antimicrobianos. 
5.10.1 Percentual de pacientes que usaram antimicrobianos (uso profilático ou terapêutico) no período 
considerado. Pode ser especificado por clínica de internação. É calculado tendo como numerador o total 
de pacientes em uso de antimicrobiano e como denominador o número total de pacientes no período. 
5.10.2 Frequência com que cada antimicrobiano é empregado em relação aos demais, É calculada 
tendo como numerador o total de tratamentos iniciados com determinado antimicrobiano no período, e 
como denominador o total de tratamentos com antimicrobianos iniciados no mesmo período. 
5.11 Taxa de letalidade associada a infecção hospitalar, é calculada tendo como numerador o número 
de óbitos ocorridos de pacientes com infecção hospitalar no período considerado, e como denominador 
o número de pacientes que desenvolveram infecção hospitalar no período. 
5.12 Consideram-se obrigatórias as informações relativas aos indicadores epidemiológicos 5.1, 5.2, 
5.3 e 5.11, no mínimo com relação aos serviços de Berçário de alto risco, UTI (adulto/ pediátrica/neonatal) 
e queimados. 
 
6. Relatórios e Notificações 
6.1 A CCIH deverá elaborar periodicamente um relatório com os indicadores epidemiológicos 
interpretados e analisados. Esse relatório deverá ser divulgado a todos os serviços e à direção, 
promovendo-se seu debate na comunidade hospitalar. 
6.2 O relatório deverá conter informações sobre o nível endêmico das infecções hospitalares sob 
vigilância e as alterações de comportamento epidemiológico detectadas, bem como as medidas de 
controle adotadas e os resultados obtidos. 
6.3 É desejável que cada cirurgião receba, anualmente, relatório com as taxas de infecção em cirurgias 
limpas referentes às suas atividades, e a taxa média de infecção de cirurgias limpas entre pacientes de 
outros cirurgiões de mesma especialidade ou equivalente. 
6.4 O relatório de vigilância epidemiológica e os relatórios de investigações epidemiológicas deverão 
ser enviados às Coordenações Estaduais/ Distrital/Municipais e à Coordenação de Controle de Infecção 
Hospitalar do Ministério da Saúde, conforme as normas específicas das referidas Coordenações. 
 
Programa de Controle de Infecção Hospitalar 
 
ANEXO IV 
LAVAGEM DAS MÃOS 
 
1. Lavagem das mãos é a fricção manual vigorosa de toda a superfície das mãos e punhos, utilizando-
se sabão/detergente, seguida de enxágue abundante em água corrente. 
 
2. A lavagem das mãos é, isoladamente, a ação mais importante para a prevenção e controle das 
infecções hospitalares. 
 
3. O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos antes e após contatos que envolvam mucosas, 
sangue ou outros fluidos corpóreos, secreções ou excreções. 
 
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. 108 
4. A lavagem das mãos deve ser realizada tantas vezes quanto necessária, durante a assistência a 
um único paciente, sempre que envolver contato com diversos sítios corporais, entre cada uma das 
atividades. 
4.1 A lavagem e antissepsia cirúrgica das mãos é realizada sempre antes dos procedimentos

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