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1 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO Fisiologia Renal FILTRAÇÃO GLOMERULAR O esquema acima mostra a capsula de Bowman, túbulo proximal, capilar glomerular, arteríola aferente e arteríola eferente. O sangue passa pelo capilar glomerular e é parcialmente filtrado (1/5 é filtrado), formando o ultrafiltrado. Após passar pela capsula de Bowman, o ultrafiltrado segue todo o trajeto dos túbulos renais (túbulo proximal, alça de Henle, túbulo distal e ducto coletor), desagua na pelve renal na forma de urina, segue para ureter, bexiga e por fim, uretra. No esquema é possível observar que existem pressões que atuam a favor do processo de filtração (PCG) e pressões que atuam contra (CG e PT) o processo de filtração. São pressões presentes na capsula de Bowman e no capilar glomerular. PRESSÃO HIDROSTÁTICA A pressão hidrostática (PCG) é a pressão exercida no interior do capilar glomerular que vai fazer com que parte do sangue que passa ali, seja filtrado pelos poros da membrana filtrante. Lembrando que o capilar glomerular é fenestrado e possui uma membrana basal composta por uma lâmina densa e duas lâminas raras (interna e externa). A lâmina densa fica entre as lâminas raras. Há ainda os podócitos com seus prolongamentos. Então, através da pressão hidrostática exercida pelo componente líquido do sangue na parede do capilar glomerular, ocorre o processo de filtração. PRESSÃO ONCÓTICA A pressão oncótica/coloidosmótica do capilar glomerular (CG) é gerada pelos componentes sólidos (células e proteínas) do sangue e atua contra o processo de filtração, ou seja, é uma pressão de reabsorção de liquido. Por isso, o liquido tende a sair da capsula de Bowman e ir para a região de maior concentração de solutos, isto é, o capilar glomerular. A água tende ir de um local de menor concentração de soluto para local de maior concentração de soluto. PRESSÃO NA CAPSULA DE BOWMAN A pressão hidrostática da capsula de Bowman (PT) é gerada pelo acúmulo de liquido na capsula de Bowman e também atua contra a filtração. Quanto maior essa pressão hidrostática na capsula de Bowman, maior a tendência do liquido voltar para o interior do capilar glomerular. Logo, são duas forças opostas a filtração e uma força favorável. A pressão de ultrafiltração depende dessas forças. A próxima imagem mostra esquematicamente que há pressões no interior do glomérulo. A arteríola aferente é por onde chega sangue e arteríola eferente por onde o sangue sai do capilar glomerular e vai percorrer os túbulos. No interior do capilar glomerular, há a pressão hidrostática do capilar glomerular que é a favor do processo de filtração. Nesse exemplo, ela corresponde a 60mmHg, isto é, quando o sangue chega no capilar glomerular, ele exerce essa pressão na parede dos vasos. Como os vasos são fenestrados, o liquido vasa pelas fenestras. Como o sangue vai passando ao longo do capilar glomerular, o liquido vai saindo ao longo do capilar glomerular e os componentes sólidos não passam e tendem a se concentrar ao longo do capilar. Essa concentração dos componentes sólidos promove a pressão coloidosmótica no capilar glomerular. Nesse esquema, corresponde a 32mmHg e tende a puxar o liquido da capsula para o capilar. Há ainda outra pressão que não é favorável a filtração, a pressão na capsula de Bowman. Nesse caso, é de 18mmHg, isto é, é a pressão gerada pelo liquido presente na capsula de Bowman. Se somar pressão coloidosmótica com pressão na capsula de Bowman (32mmHg + 18mmHg), tem-se uma pressão de reabsorção para o capilar glomerular de 50mmHg. Uma vez que a pressão hidrostática glomerular (60mmHg) é maior que as outras duas pressões, encontra-se a filtração glomerular positiva ocorrendo (60 – 50 = 10mmHg de pressão efetiva de filtração). MOLÉCULAS Na próxima tabela, observam-se algumas molécula. 2 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO Dessa forma, a composição do fluido presente na capsula de Bowman é muito parecida com a do plasma. A tabela ainda mostra a razão entre a concentração do filtrado glomerular (FG) e a concentração no plasma (P). Quando a razão (FG/P) é 1, essas substâncias são livremente filtradas. Já quando essa razão é menor que 1, como para hemoglobina e albumina, significa que há uma restrição dessa filtração. Assim, quanto menor for a razão FG/P, maior é a restrição dessa filtração. A barreira filtrante (endotélio + membrana basal + pedicelos dos podócitos) diminui a passagem dessas substâncias. Observa-se que a glicose tem razão 1, ou seja, ela é livremente filtrada. Mas ela não é encontrada na urina. Com isso, estima-se que essa glicose é quase completamente reabsorvida nos primeiros segmentos dos túbulos renais, principalmente no túbulo proximal. PERMEABILIDADE No grafico acima, no eixo y tem-se o processo de filtração, ou seja, a filtrabilidade relativa que ocorre no capilar glomerular pelo componente. Nessa caso é a dextrana, o eixo y representa a razão da concentração de dextrana pela concentração de inulina (é quase inteiramente filtrada). Logo, quanto mais próximo de 1, mais facilmente essa molécula é filtrada. No eixo x, tem-se o raio efetivo da molécula, ou seja, o tamanho da molécula. As curvas são de dextrana policatiônica (triângulo), dextrana neutra (bolinha cheia) e dextrana polianiônica (bolinha vazia). Pode-se interpretar do grafico que quanto maior o raio da molécula, menor sua filtração. Assim, a filtrabilidade é dependente do raio da molécula. Pode-se ainda inferir do grafico que as cargas das moléculas podem influenciar na filtração. Se observarmos no raio de 3,4nm, a dextrana policatiônica (carregada positivamente) tem maior filtração que a dextrana neutra. Já a dextrana polianiônica (carregada negativamente) tem filtrabilidade zero com raio de 3,4nm. Assim, a carga das moléculas também é importante e influencia mais do que o raio da molécula. As moléculas com carga positiva tem maior filtrabilidade do que as moléculas com carga negativa. Isso ocorre porque a membrana filtrante tem carga negativa. Na figura acima tem-se a histologia da membrana filtrante que vai consistir em: • Podócitos com os seus pedicelos; • Membrana basal: embora não seja possível visualizar na imagem, ela é composta pela lâmina rara interna, lâmina rara externa e lâmina densa (presente entre as duas anteriores); • Capilar fenestrado: possui fenestras, que são essas aberturas que permitem a passagem de moléculas por meio delas. Essa membrana vai atuar na formação do ultrafiltrado, cuja composição varia de acordo com a taxa de filtração pela mesma, sendo essa influenciada pelos seguintes fatores: • Tamanho da molécula: por conta da barreira física imposta pela diâmetro barreira filtrante, logo, pequenas moléculas são filtradas mais facilmente. Um exemplo disso são os íons Na+ e Cl-, que embora de cargas diferentes, o pequeno tamanho faz com que sejam totalmente filtradas, com razão FG/P=1; • Carga da molécula: As cargas negativas possuem uma menor filtrabilidade quando comparada com as de carga positiva. Isso acontece pois em toda a membrana filtrante existe proteínas associadas com uma estrutura de carga negativa, o ácido siálico, formando as sialoproteínas. Sendo assim, a presença dessas sialoproteínas ao longo de todo a membrana faz com que moléculas maiores e de carga negativa sejam repelidas, enquanto moléculas com cargas positivas serão atraídas, explicando a diferença de filtração. SIALOPROTEÍNA X ALBUMINA Algumas condições patológicas podem levar a perda das sialoproteínas pela membrana filtrante, o que resulta numa alteração da filtração. Uma das principais moléculas que serão afetadas é a albumina, que em condições fisiológicas por conta do seu tamanho e carga negativa são repelidas por essas proteínas impedindo que seja filtrada para a capsula de Bowman, fazendo com que permaneçam no sangue, onde é o principal componente da pressão oncóticaexercido por ele. Sendo assim, a perda dessas sialoproteínas faz com que a albumina deixe de ser repelida fortemente, o que permite a sua passagem através da membrana filtrante, fazendo parte do ultrafiltrado e posteriormente da urina. Logo, leva a um quadro de Albuminuria (presença de albumina na urina) e hipoalbuminemia (devido a diminuição da sua concentração no sangue). Tal quadro patológico prejudica a dinâmica fisiológica das pressões entre sangue e espaço intersticial, uma vez que ao retirar o principal componente da pressão oncótica sanguínea faz com que se tenha um desequilíbrio pressórico, levando ao maior vazamento de plasma (por conta da menor pressão oncótica nos capilares sistêmicos) para o espaço intersticial, desencadeando um quadro de edema generalizado. 3 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO RITMO DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR Pode resumir todo o processo de filtração glomerular pela seguinte fórmula: Sendo Kf o coeficiente de filtração glomerular, que depende tanto da área de superfície de filtração quanto da permeabilidade efetiva (o quanto que essa barreira favorece o processo de filtração). Esse coeficiente, normalmente, não se altera, porém em situações de contração das células mesangiais esse coeficiente se altera por diminuir a área de superfície do capilar glomerular, assim como, os seus poros, diminuindo assim a permeabilidade efetiva. Sendo assim, RFG (ritmo de filtração glomerular) será Kf multiplicado pela diferença da pressão hidrostática menos diferença da pressão oncótica entre capilar e ultrafiltrado glomerular. Sabendo que a pressão coloidosmótica na capsula é aproximadamente zero, uma vez que a barreira filtrante impede a passagem das proteínas do sangue, temos que essa diferença entre pressões hidrostáticas e pressões oncóticas, também conhecida como pressão efetiva de ultrafiltração pode ser representado como: Que é a pressão hidrostática do capilar (PCG) menos as pressões que são contrarias a filtração, ou seja, pressão oncótica capilar e pressão hidrostática do filtrado. Sendo assim, pode-se simplificar RFG como: Temos então que o coeficiente de filtração e a pressão de ultrafiltração como componentes responsáveis por alterar o ritmo de filtração glomerular. Tais componentes são diretamente proporcionais ao RFG, ou seja, se aumentam irão aumentá-lo e se diminuírem irão diminui-lo. Vale ressaltar que os valores de Puf são intrinsicamente dependentes da constrição ou dilatação das arteríolas aferentes e eferentes. Para entender melhor esse processo é necessário entender o processo fisiológico de filtração: Então temos que o sangue chega pela arteríola aferente vai para os capilares glomerulares onde será filtrado devido à pressão hidrostática (pressão que o sangue faz sobre a parede do vaso) caindo então no espaço da capsula de Bowman. O que não foi filtrado, que é principalmente a parte soluta do sangue, ou seja, as proteínas e células sanguíneas continuam e seguem pela arteríola eferente, gerando uma grande pressão oncótica na mesma. O fluxo continua para as artérias peritubulares, onde a pressão oncótica aumentada do vaso vai facilitar o processo de reabsorção pelo túbulo proximal. Temos então que essa Pcg (pressão hidrostática) está envolvido diretamente no processo de filtração, já que o seu aumento gera uma maior filtração e sua redução também reduz o seu grau. É justamente nessa pressão do capilar glomerular que as alterações das arteríolas vão atuar, uma vez que esse capilar está num sistema de resistência entre duas arteríolas. Na figura acima temos um exemplo em que acontece uma constrição da arteríola aferente (aumento da sua resistência), logo, menos sangue chega ao capilar glomerular, levando a uma redução do fluxo sanguíneo renal. Ademais, uma menor quantidade de sangue nos capilares, diminui a pressão hidrostática capilar, reduzindo então o ritmo de filtração glomerular já que menos sangue está sendo filtrado. Se ao invés de constrição, tivéssemos uma dilatação da arteríola aferente (redução da sua resistência), ocorreria um aumento da chegada de sangue ao capilar, aumentando o FSR, assim como aumentaria a PCG, que aumenta a filtração, resultando num aumento do RFG. Esses dois processos podem ser resumidos pela figura abaixo: Também pode acontecer alterações nas arteríolas eferentes. A figura abaixo exemplifica uma situação de constrição da arteríola eferente, porém sem alteração da aferente, logo, tem-se o fluxo sanguíneo normal vindo da aferente e chegando no capilar glomerular, estando comprometido só a saída, o que leva a um acúmulo maior de sangue no capilar, elevando sua pressão hidrostática e resultando num aumento da RFG, no entanto, ter-se-á uma diminuição do FSR já que a constrição da a. eferente faz o sangue passar de forma mais lenta, o que diminui o fluxo sanguíneo que passa por ela. Uma outra possível situação é a dilatação da arteríola eferente. Nesse caso ter-se-á um aumento do FSR já que a passagem estará facilitada, porém terá uma redução do RFG já que a dilatação da arteríola eferente faz com que o sangue flua com mais facilidade em sua direção, diminuindo então a pressão hidrostática e sua taxa de 4 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO filtração, por consequência. Tais eventos podem ser resumidos pela figura abaixo: As figura abaixo (1 e 2) são do livro do Guyton, estão representando dois exemplos de gráficos, o 1º (figura 1) representa as arteríolas eferentes. No entanto, o 2º gráfico (figura 2) representa às arteríolas aferentes. Os dois gráficos representam no eixo das ordenadas (Y), à esquerda a taxa de filtração glomerular e à direita o fluxo sanguíneo plasmático. No entanto, no eixo das abscissas (X) temos representado a resistência da arteríola eferente (figura 1) e a resistência da arteríola aferente (figura 2). Observa-se que no gráfico da arteríola aferente (figura 2), identificada por uma linha pontilhada, o local por onde o sangue chega no capilar glomerular. Demonstrando assim, o fluxo sanguíneo. Ao observá-la podemos concluir que quanto maior a resistência das arteríolas aferentes menor é o fluxo sanguíneo renal (figura 3). Logo, se existe aumento da resistência da arteríola aferente consequentemente haverá diminuição do fluxo sanguíneo renal. Além disso, quando nos referimos à taxa de filtração glomerular quanto maior for a resistência da arteríola aferente menor é a taxa de filtração glomerular. Pois, menos sangue chegará no capilar glomerular e menor será a pressão hidrostática no capilar glomerular e, consequentemente, o ritmo de filtração glomerular tenderá diminuir. Portanto, quando menor é a resistência da arteríola aferente para a passagem do sangue para o capilar glomerular, maior será a filtração glomerular. Isso acontece porque mais sangue chega ao capilar glomerular, com isso maior será a pressão hidrostática no capilar glomerular e, consequentemente, maior será a taxa filtração glomerular. A arteríola aferente é que leva o sangue para o capilar glomerular e a arteríola eferente é que por onde o sangue sai do capilar glomerular. Observa-se então, no gráfico 1 (figura 1) que ele é diferente do outro (figura 2), a linha pontilhada representa o fluxo sanguíneo renal e quanto maior for a resistência da arteríola eferente menor será o fluxo plasmático renal e vice-versa, sendo semelhante ao que acontece com a arteríola aferente. Nota-se, também, que o perfil da curva para filtração glomerular quando maior a resistência da arteríola eferente maior é a filtração glomerular. Entretanto, esse processo é diferente na arteríola eferente, pois é por ela que o sangue deixa o capilar glomerular. Logo, se aumentar a resistência da arteríola eferente o sangue ficará aprisionado no capilar glomerular e maior será a taxa de filtração glomerular (figura 4). Visto que, o sangue passará commuita dificuldade na arteríola eferente e irá se acumular no capilar glomerular. Para exemplificar a figura acima, quando o sangue advém da arteríola aferente com seu calibre normal e chega até o capilar glomerular que também se encontra com calibre normal ao sair do capilar glomerular para a artéria eferente encontrará resistência, pois a artéria eferente estará com uma vasoconstrição. Essa resistência aumentada e com isso o sangue (advindo da a. aferente) vai ter dificuldade de sair do capilar glomerular e, por causa disso, maior será a pressão hidrostática no capilar glomerular e, consequentemente, maior será o ritmo de filtração glomerular. No entanto, é preciso ficar atento, pois esse ritmo de filtração glomerular ele NÃO aumenta conforme ocorre o aumento da resistência da arteríola eferente. Logo, quanto maior for à resistência da arteríola eferente a tendência é que a filtração glomerular passe a cair. Porque isso acontece? Porque a taxa de filtração começa a cair? Lembra-se que a filtração glomerular é dependente de três forças principais: pressão hidrostática do capilar glomerular (sendo essa a principal para ocorrer à filtração) e as outras duas forças serão contrárias ao processo de filtração glomerular que são elas: a pressão hidrostática na cápsula de Bowman e a pressão oncótica do capilar glomerular. Figura 1 Figura 2 Figura 4 5 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO Por isso, se existir um grau muito exagerado de constrição da arteríola eferente, inicialmente, vai acontecer um aumento no ritmo de filtração glomerular, pois o sangue vai ter dificuldade de passar pela arteríola eferente e, devido a isso, o ritmo de filtração vai aumentar muito. Entretanto, as proteínas e as células do plasma que não serão filtradas vão se concentrar no interior do capilar glomerular e os solutos do sangue, ou seja, as proteínas vão se concentrar bastante e à tendência do ritmo de filtração glomerular é cair porque agora há uma tendência de reabsorção dos líquidos da cápsula de Bowman para o interior do capilar glomerular. Por fim, o aumento da pressão oncótica por consequência das proteínas e as células do sangue que estão concentradas ao logo do capilar glomerular faz com que o ultrafiltrado presente no espaço de Bowman seja atraído para o interior do capilar glomerular, pois a pressão hidrostática acaba ficando menor que a pressão oncótica dentro do capilar glomerular. Com isso, o ritmo de filtração glomerular vai diminuindo devido ao aumento significativo da resistência da artéria eferente. FORÇAS DE STARLING NO CAPILAR GLOMERULAR A figura 6 representa as forças, ou seja, pressão hidrostática e pressão oncótica que estão presentes nos capilares sistêmicos dos tecidos. Na figura 7 estão representadas as mesmas forças da figura 6, no entanto, elas estão presentes no capilar glomerular e não nos tecidos. Veja bem, quando olhamos para o gráfico da figura 6, ele representa, no eixo das abscissas (X), os capilares sistêmicos nos seus percursos arteriais e venosos. Ademais, isso também ocorre no gráfico da figura 7, o eixo das abscissas (X) representa os capilares e seus percursos arteriais e venosos. Porém, eles fazem parte do capilar glomerular e não sistêmico. Continuando, na figura 6, no traçado em vermelho, está representado ao longo dos capilares sistêmicos a pressão hidrostática. Observa-se então, que a pressão hidrostática no capilar sistêmico vai diminui porque vai perdendo liquido para o interstício (meio extracelular), por isso ocorre o processo de filtração (extravasamento de liquido) de dentro da parte arterial do capilar. No entanto, no traçado em verde do capilar sistêmico, é representada a pressão oncótica ou coloidosmótica, essa pressão se mantem a mesma no interior dos capilares sistêmicos porque parte das proteínas são perdidas no interstício dos capilares sistêmicos. Mas, depois essas proteínas perdidas são recuperadas, principalmente, pelo sistema linfático. Por fim, conclui-se que no traçado em verde a pressão oncótica praticamente não se altera, já a pressão hidrostática tende a cair por causa do processo de filtração. Pois, a pressão hidrostática na arteríola do capilar sistêmico é maior que a pressão hidrostática presente no meio intersticial devido a isso ocorre a filtração. Porém, na parte venosa desse capilar sistêmico, a pressão oncótica supera a pressão hidrostática (traçado roxo - figura 6). Uma vez que a pressão oncótica supera a pressão hidrostática ocorre então o processo de reabsorção, ou seja, o liquido presente no interstício vai agora para o interior do capilar sistêmico esse processo ocorre, principalmente, no final do capilar arterial e o início do capilar venoso. Na figura 7 temos representado a pressão hidrostática no capilar glomerular (linha reta) e temos representado, também, o perfil da pressão coloidosmótica (linha curva) no capilar glomerular. Logo, percebe-se que são perfis são diferentes quando avaliamos o capilar sistêmico e o capilar glomerular, pois no capilar glomerular a pressão hidrostática é mantida, justamente, pelos ajustes realizados na arteríola aferente e também pela arteríola eferente, que são as responsáveis por manter os níveis de pressão hidrostática para que sempre ocorra a filtração. No entanto, a pressão coloidosmótica tem um perfil diferente do observado no capilar sistêmico, pois tende a aumentar. Visto que, diferente do que acontece no capilar sistêmico que parte das proteínas plasmáticas saem do interior dos vasos para o interstício e depois seguem para o fluxo linfático e por fim retornam a circulação, isso não acontece no capilar glomerular. Nesse caso, dos capilares glomerulares, as proteínas e as células sanguíneas presentes no Legenda: Resumo das forças que causam filtração pelos capilares glomerulares. Os valores mostrados são estimados para seres humanos saudáveis. Figura 5 Figura 6 Figura 7 6 BBPM V – FISIOLOGIA – PROF MARCELO sangue não são filtradas, por causa da membrana filtrante, e elas ficam permanecendo no interior dos vasos. Então, ao longo do processo de filtração no capilar glomerular, ocorre à filtração do sangue e separação do ultrafiltrado e, consequentemente, há permanência da parte soluta desse sangue como: proteínas e as células do sangue. Com isso, ao longo do capilar glomerular vai haver aumento da pressão oncótica. Além disso, o gráfico da figura 7 representa: a pressão hidrostática da cápsula de Bowman (P1); pressão coloidosmótica do capilar glomerular (CG); pressão hidrostática do capilar glomerular (PCG) e a diferença de pressão hidrostática no capilar glomerular e da cápsula de Bowman (delta P). Nessa figura 7, percebe-se que os processos de pressão dentro do capilar glomerular se alteram de forma diferente das que são observadas no capilar sistêmico. Em outra imagem, figura 5, temos dois exemplos de processos que ocorrem no capilar glomerular: Na figura à esquerda vamos exemplificar o que ocorre em um capilar glomerular de um rato (gráfico 1), em comparação com o que ocorre no capilar humano (gráfico 2). No primeiro exemplo, a pressão oncótica ao longo do capilar glomerular vai subindo e no final do capilar glomerular elas se igualam a pressão hidrostática, esse processo é fisiológico em ratos, também pode acontecer no humano desde que seja de forma patológica. Mas, nesse exemplo do rato, quando a pressão oncótica se iguala a pressão hidrostática atinge-se um ponto de equilíbrio e nesse ponto não ocorre mais a pressão efetiva de ultrafiltração, ou seja, essa pressão hidrostática não é maior que a pressão oncótica no interior do capilar glomerular e, consequentemente, não ocorre a passagem parcial desse sangue do capilar glomerular para o espaço de Bowman. Portanto, na parte listrada do gráfico1, temos a pressão efetiva de ultrafiltração e no final do tracejado as pressões (oncótica e hidrostática) vão se igualar e não vai existir mais pressão efetiva de ultrafiltração. Porém, no exemplo humano, a pressão oncótica não se iguala, em condições fisiológicas, e em todo o capilar glomerular vamos ter filtração, ou seja, em toda a superfície do capilar glomerular vai ocorrer filtração porque sempre em situações fisiológicas a pressão hidrostática vai ser maior que a pressão oncótica. Porém, podem ocorrer algumas alterações nas vias das arteríolas aferentes e eferentes, por exemplo, em uma constrição exacerbada de arteríola eferente a filtração glomerular tende a cair porque aumenta-se a pressão oncótica dentro do capilar glomerular. Sendo assim, com o aumento da pressão do capilar glomerular, consequentemente, a pressão hidrostática não mais superará a pressão oncótica e por isso a pressão efetiva de ultrafiltração tende a diminuir e pode chegar a Zero se a vasoconstrição for mantida. Além disso, alterações nas concentrações de proteínas plasmáticas podem modificar a filtrabilidade do sistema renal, uma vez que as concentrações de proteínas plasmáticas, assim como no rato, podem chegar a um ponto, no qual as pressões hidrostáticas e oncóticas podem se igualar. Por esse motivo, há um impedimento para que ocorra a pressão efetiva de ultrafiltração. Outra coisa que podem ocorrer que pode levar a alteração na taxa de filtração está relacionada com o aumento da pressão hidrostática da cápsula de Bowman (força que atua contra o processo de filtração glomerular). Logo, um aumento na pressão hidrostática na cápsula de Bowman, que pode acontecer, por exemplo, por presença de nefrolitíase que pode ocasionar uma dificuldade de eliminar a urina devido a obstrução, e o seu acumulo no parênquima renal pode aumentar a pressão hidrostática retrograda até atingir a cápsula de Bowman causando um fluxo retrogrado do ultrafiltrado para o capilar. Portanto, com o aumento da pressão hidrostática na cápsula de Bowman somada a pressão oncótica que são as duas forças que “impedem” o processo de filtração a partir do capilar glomerular, o aumento da pressão pode impedir que ocorra a filtração efetiva para o interior da cápsula de Bowman, já que a pressão hidrostática no interior da capsula de Bowman está maior devido ao fluxo retrográdo. Além disso, há uma tendência que ocorrer filtração reversa, que é à saída de líquidos da cápsula de Bowman para o interior do capilar glomerular, impedindo a filtração a nível glomerular. Esses foram exemplos de como essas pressões são importantes para que ocorra a taxa de filtração glomerular. Além disso, só para ressaltar, o aumento da pressão oncótica no capilar humano, a partir das arteríolas eferentes vai interferir nos vasos peritubulares. Pois, o aumento da pressão oncótica vai passar para o interior dos vasos peritubulares. Ademais, essa pressão oncótica nos vasos peritubulares é muito importante nos processos de reabsorção tubular, que é o processo de saída de algumas moléculas do túbulo renal para os vasos sanguíneos peritubulares. Sendo assim, o aumento da pressão oncótica na arteríola eferente vai favorecer os processos de reabsorção, principalmente, quando pensamos nos epitélios do tipo “frouxo” onde a permeabilidade da passagem da via intercelular é muito alta e favorece os processos de reabsorção. Figura 8