A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
13 pág.
Resumo de Vulvovaginite

Pré-visualização | Página 3 de 5

vaginais no esfregaço também serão identificados.
* Cultura (meio de Diamond): recomendada quando existirem sintomas e os exames anteriores tiverem sido negativos.
tratamento
* Droga de Escolha: metronidazol (2 g, VO, em dose única).
* Tratamento tópico pode ter falha de até 50%, não sendo recomendado.
* Recomenda-se nova testagem três meses após o tratamento.
* Abstinência sexual deve ser recomendada durante o tratamento. 
* Utilização de bebidas alcoólicas deve ser evitada durante 24 horas nos regimes em dose única com metronidazol e 72 horas quando o tinidazol é utilizado, tendo em vista que os imidazólicos têm interação com álcool.
* Parceiro(s) deve(m) ser tratado(s), recebendo o mesmo esquema terapêutico, já que a tricomoníase é considerada uma DST.
* Gestantes: metronidazol pode ser utilizado, uma vez que múltiplas metanálises não associaram o seu uso à teratogênese. O não tratamento está associado ao aumento de risco para ruptura prematura de membranas, trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer. Durante o primeiro trimestre, a paciente também pode realizar duchas vaginais com ácido acético para alívio dos sintomas.
* Recorrência: na maioria das vezes, está associada à reinfecção ou a tratamento inadequado. Na recorrência, repete-se o tratamento durante sete dias com metronidazol (500 mg, VO, 12/12 h). Na persistência da infecção e ausência de reinfecção, podemos optar pelo uso de 2 g de metronidazol em tomada única diária durante 3 a 5 dias.
* Se os sintomas persistirem, podemos realizar cultura e determinar a sensibilidade do germe.
candidíase
* Candidíase Vulvovaginal (CVV): não deve ser considerada uma DST, apesar de frequentemente ser diagnosticada em pacientes imunossuprimidas e portadoras de DSTs e também estar presente em até 40% dos casos de VB.
* Candida albicans é o agente mais frequente (85% a 95% dos casos); outras espécies de Candida (glabrata, tropicalis, parapsilosis, guilliermondii, entre outras) são encontradas em aproximadamente 10% dos casos.
* Raramente ocorre antes da menarca e aumenta sua incidência em adultos, tendo um pico próximo aos 20 anos de vida, que se mantém por toda a menacme.
* Microabrasões no epitélio por micro-organismos colonizadores explica a maior frequência de CVV em mulheres sexualmente ativas. Entretanto, outras fontes mencionam que episódios individuais de vulvovaginite por Candida sp. não parecem estar relacionados com o número de parceiros e nem com a frequência de coito, mas sim com o sexo orogenital.
* Fatores Predisponentes:
· Gestação
· Diabete
· Contato oral-genital
· Uso de estrogênios em altas doses
· Anticoncepcionais orais (ACOs)
· Antibióticos
· Corticoides
· Imunossupressores
· Espermicidas
· Diafragma 
· DIU
· Tireoidopatias
· Obesidade
· Hábitos de higiene e vestuário inadequados (diminuem a ventilação e aumentam a umidade e o calor local)
· Contato com substâncias alérgenas e/ou irritantes (ex.: talco, perfume, desodorante)
· Alterações na resposta imunológica (imunodeficiência, estresse), inclusive a infecção pelo HIV
fisiopatologia
* Candida albicans pode fazer parte da flora normal em baixas concentrações. Por fatores ainda pouco conhecidos, todavia, passa do estado de saprófita para o estado infeccioso, então, ocorrendo invasão das camadas do epitélio vaginal, resposta inflamatória e aparecimento de sintomas. São produzidas enzimas com atividade proteolítica (proteinases) que favorecem a aderência e o dano às células epiteliais, o que favorece a invasão. Possuem, ainda, a capacidade de formação de biofilmes, o que facilita as recidivas.
diagnóstico
* Quadro Clínico: varia desde colonização assintomática até sintomas muito severos. Presença de prurido intenso, edema de vulva e/ou vagina e secreção esbranquiçada e grumosa, mais intensos no período pré-menstrual. Principal queixa é leucorreia branca em grumos acompanhada ou não de prurido vulvar e/ou vaginal intenso; disúria terminal pode estar presente.
* Exame Ginecológico: hiperemia vulvar, edema e, eventualmente, fissuras e escoriações; ao exame especular, verificamm-se hiperemia da mucosa vaginal e presença de conteúdo vaginal esbranquiçado ou amarelado, em quantidade variável, de aspecto fluido, espesso ou flocular, podendo estar aderido às paredes vaginais.
* pH Vaginal Normal < 4,5.
* Exame Microscópico: a fresco (com KOH a 10% ou Soro fisiológico) ou a coloração Gram, demonstram em 40 a 60% dos casos a presença de hifas e pseudo-hifas, as formas mais comumente encontradas na fase sintomática.
* Exame cultural em meio específico (ágar-Sabouraud) também pode ser utilizado, devendo ser estimulado como método diagnóstico, especialmente nos casos de recidiva ou de resistência aos tratamentos usuais.
* Grau de severidade é definido pela gravidade dos seguintes sinais e sintomas: prurido, eritema vulvar ou vaginal, edema, escoriações/fissuras de vagina e/ou vulva. 
· Escore > 4 corresponde à CVV moderada
· Escore > 7 à CVV severa. 
* Candidíase Recorrente: quando a paciente apresentar mais de quatro episódios de CVV no último ano, realização de cultura (meios de ágar-Sabouraud ou Nickerson) pode ser útil para avaliar a presença de espécies não albicans. História natural e a patogênese da CVV recorrente não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores estão relacionados à sua ocorrência: 
· Terapia frequente com antibióticos
· Uso de ACO
· Diabete melito descompensado
· Imunossupressão,
· Uso de corticosteroides
· Atividade sexual 
· Infecção pelo HIV
tratamento
* Indicado para alívio das pacientes sintomáticas.
* Tratamentos em dose única e de curta duração (até 7 dias) devem ser reservados para casos não complicados, com intensidade leve a moderada, assim como para os episódios únicos, isolados e não recorrentes.
* Tratamento durante múltiplos dias (> 7 dias) são preferencialmente utilizados para os casos de CVV complicada (candidíase severa e/ou candidíase aguda de pacientes com candidíase recorrente), sendo evitado o uso de dose única nesses casos.
* Pacientes com diabete ou vaginite por cândida não albicans, o tratamento tópico poderá ser prolongado para 10 a 14 dias e associado a agentes orais. 
* Pacientes com hiperemia e sintomas irritativos locais intensos, os corticosteroides tópicos de baixa potência podem ser utilizados para alívio dos sintomas.
* Tratamento oral com fármacos como fluconazol, cetoconazol e itraconazol apresenta eficácia semelhante aos agentes tópicos no tratamento da candidíase, entretanto, apresenta toxicidade sistêmica que deve ser controlada, especialmente com o uso de cetoconazol. As principais interações farmacológicas desses agentes são com antagonistas do canal do cálcio, cisaprida, astemizol, cumarínicos, hipoglicemiantes orais, rifampicina, fenitoína e ciclosporina, entre outras substâncias. Os antifúngicos orais podem provocar sintomas gastrintestinais (5-12%), cefaleia em até 13% das usuárias e, raramente, angioedema e hepatotoxicidade, sendo esses um pouco mais frequentes no uso prolongado.
* Uso dos antifúngicos orais é contraindicado durante a gestação devido aos riscos de teratogênese.
* Tratamento do parceiro não tem demonstrado reduzir a frequência de recorrências da candidíase e deve ser realizado somente nos sintomáticos. Os homens podem apresentar balanite, que é caracterizada por áreas eritematosas na glande associadas a prurido ou irritação e que pode ser beneficiada com o tratamento tópico para alívio dos sintomas.
* Pacientes soropositivas para o vírus da imunodeficiência humana (HIV), o tratamento é semelhante e não indicamos rotineiramente o tratamento supressivo. Nessas pacientes, o principal fator correlacionado com a infecção fúngica é o nível de CD4 < 100 células/mm3; terapia supressiva pode ser necessária nesses casos.
* Nas gestantes, o tratamento de escolha são os azólicos tópicos de maior experiência, como miconazol e isoconazol, que podem ser usados em qualquer período da gestação; os orais são contraindicados. As gestantes assintomáticas não necessitam de tratamento.
* Candidíase Recorrente: