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O Transistor Bipolar de Junção (BJT) Organização da Aula 1 – Revisão de Junção P-N 2 – Fluxo de correntes no BJT • Definições de parâmetros • Modelo de Ebers-Moll e Curvas características DC • Exercício de fixação 3 – Modelo de pequenos sinais (ac) • O modelo π-híbrido • Dedução de parâmetros • Exercício de fixação 4 – Bibliografia está disponível na página da disciplina. Revisão da junção PN – Correntes de elétrons e lacunas Com a aplicação da tensão VD, temos: a) Elétrons são injetados pelo lado N no lado P, gerando uma corrente no sentido contrário (In). b) Lacunas são injetadas pelo lado P no lado N, gerando uma corrente no mesmo sentido (Ip) A expressão das correntes é dada pela aproximação de Boltzmann: 𝐼𝑛 = 𝐼𝑠𝑛 [𝑒 𝑉𝐷 𝑉𝑇 − 1] Onde VT = kT/q k – constante de Boltzmann q – carga do elétron T – temperatura em K 𝐼𝑝 = 𝐼𝑠𝑝 [𝑒 𝑉𝐷 𝑉𝑇 − 1] Com VD > ≈ 500 mV, os elétrons livres e as lacunas livrem podem cruzar a barreira de potencial Com VD < 0, a corrente na junção é desprezível e normalmente é considerada nula. O Transistor Bipolar de Junção 1) O transistor bipolar possui duas junções. Normalmente a junção BE é polarizada diretamente e a junção BC é polarizada reversamente (não gera corrente). 2) A junção BE gera as mesmas correntes de elétrons e lacunas vistas no slide anterior! 3) Os elétrons saem com energia do emissor e, quase que em sua totalidade, atravessam a base, atingindo o coletor. 4) O coletor está com um potencial mais alto, e os elétrons que atingem o coletor são atraídos por este potencial, saindo no terminal de coletor IC. A junção BE gera, portanto, as três correntes do transistor: 1) Corrente de coletor IC - é a corrente devido aos elétrons que atravessam a base e chegam no coletor. 2) Corrente de base IB - é a corrente de lacunas injetadas pela base no emissor 3) Corrente de emissor - IE = IC + IB Símbolo elétrico 𝐼𝐶 = 𝐼𝑛𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] 𝐼𝐵 = 𝐼𝑝𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] DIFERENÇA DO DIODO PARA O TRANSISTOR O Transistor Bipolar de Junção Modelo de Ebers-Moll Como o comportamento de uma junção é independente da outra, podemos simplesmente usar dois diodos para representar as junções BE e BC. O Transistor Bipolar de Junção Modelo de Ebers-Moll 𝐼𝐸 = 𝐼𝐹 - α𝑅𝐼𝑅 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] − 𝐼𝑐𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐶 𝑉𝑇 - 1] 𝐼𝐸 = 𝐼𝐶 + 𝐼𝐵 Definimos para o transistor DIRETO (F): Ganho de corrente em emissor comum: βF = IC/IB (da ordem de 50 a 600) Ganho de corrente em base comum: αF = IC/IE (de 0,98 a 0,998) Definimos para o transistor REVERSO (R): Ganho de corrente reverso em emissor comum: βR = IE/IB (da ordem de 0,5 a 2). Ganho de corrente em base comum: αR = IC/IE (da ordem de 0,3 a 0,6). Em seguida criamos um circuito que inclua os fluxos de corrente no transistor. O circuito que representa o transistor sob qualquer tipo de polarização em qualquer das junções é chamado de Modelo de Ebers-Moll. 𝐼𝐸 = 𝐼𝑒𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 −1] − 𝛼𝑅𝐼𝑐𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐶 𝑉𝑇 − 1] 𝐼𝐶 = α𝐹𝐼𝐹 − 𝐼𝑅 TODAS as tensões e correntes no BJT podem ser calculadas usando este conjunto de três equações: O Transistor Bipolar de Junção Modelo de Ebers-Moll Basta usar a Eq. (1) e calcular os valores de Ic para VBE=630 mV e 650 mV, Com VCE = VBE – VBC variando. Fazendo uma planilha excel para calcular os termos da Eq. 1 temos: Do slide anterior vimos que: (1) Modelo de Ebers-Moll Exercício 1: Traçar a curva IC x VCE (até VCE = 600 mV), para VBE = 630 e 650 mV, em um transistor que tem: βF = 100, βR = 1, Ies = 1. 10 -15 A e Ics = 2. 10 -15 . 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] − 𝐼𝑐𝑠[𝑒 𝑉𝐵𝐶/𝑉𝑇 - 1] O Transistor Bipolar de Junção Exercício: Curva IC x VCE do transistor Usando o modelo de Ebers-Moll é extremamente simples obter não apenas esta, mas qualquer curva do transistor. A curva IC x VCE é uma curva típica dos data-sheet de transistores). IF IR VBC VCE = 0,65-VBC IC 8,18E-05 8,23E-05 0,6327 0,0173 -4,33E-07 8,18E-05 7,41E-05 0,63 0,02 7,71E-06 8,18E-05 5,04E-05 0,62 0,03 3,15E-05 8,18E-05 3,42E-05 0,61 0,04 4,76E-05 8,18E-05 2,33E-05 0,6 0,05000 5,86E-05 8,18E-05 8,85E-06 0,575 0,07500 7,30E-05 8,18E-05 3,37E-06 0,55 0,10000 7,84E-05 8,18E-05 1,28E-06 0,525 0,12500 8,05E-05 8,18E-05 4,89E-07 0,5 0,15 8,13E-05 8,18E-05 7,08E-08 0,45 0,2 8,17E-05 8,18E-05 1,03E-08 0,4 0,25 8,18E-05 8,18E-05 1,49E-09 0,35 0,3 8,18E-05 8,18E-05 2,16E-10 0,3 0,35 8,18E-05 8,18E-05 3,13E-11 0,25 0,4 8,18E-05 8,18E-05 4,53E-12 0,2 0,45 8,18E-05 8,18E-05 6,57E-13 0,15 0,5 8,18E-05 8,18E-05 1,38E-14 0,05 0,6 8,18E-05 O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Vimos que IC = f(VBE) é dada por: 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1]Ic VBE Quando estamos operando o transistor com sinais ac (por exemplo, em um amplificador de áudio a transistor), precisamos de um modelo de pequenos sinais, para calcular as variações em torno de um ponto de operação DC. O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Vimos que IC = f(VBE) é dada por: 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1]Ic VBE Quando estamos operando o transistor com sinais ac (por exemplo, em um amplificador de áudio a transistor), precisamos de um modelo de pequenos sinais, para calcular as variações em torno de um ponto de operação DC. Como 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 >> 1 O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Vimos que IC = f(VBE) é dada por: 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1]Ic VBE Quando estamos operando o transistor com sinais ac (por exemplo, em um amplificador de áudio a transistor), precisamos de um modelo de pequenos sinais, para calcular as variações em torno de um ponto de operação DC. 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 Como 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 >> 1 O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Vimos que IC = f(VBE) é dada por: 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] 𝑑𝐼𝐶 𝑑𝑉𝐵𝐸 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸𝑄 𝑉𝑇 𝑉𝑇 VBE = VBEQ Ic VBE Quando estamos operando o transistor com sinais ac (por exemplo, em um amplificador de áudio a transistor), precisamos de um modelo de pequenos sinais, para calcular as variações em torno de um ponto de operação DC. 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 Como 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 >> 1 Calculando a derivada temos: O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Vimos que IC = f(VBE) é dada por: 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 [𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 − 1] 𝑑𝐼𝐶 𝑑𝑉𝐵𝐸 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸𝑄 𝑉𝑇 𝑉𝑇 VBE = VBEQ VBE = VBEQ 𝑑𝐼𝐶 𝑑𝑉𝐵𝐸 = 𝐼𝐶𝑄 𝑉𝑇 = 𝑔𝑚 gm – Transcondutância do transistor d𝐼𝐶 = 𝑔𝑚 𝑑𝑉𝐵𝐸 Ic VBE 𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸𝑄 𝑉𝑇 = 𝐼𝐶𝑄Como Quando estamos operando o transistor com sinais ac (por exemplo, em um amplificador de áudio a transistor), precisamos de um modelo de pequenos sinais, para calcular as variações em torno de um ponto de operação DC. 𝐼𝐶 = 𝛼𝐹𝐼𝑒𝑠 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 Como 𝑒 𝑉𝐵𝐸 𝑉𝑇 >> 1 O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Usando o resultado da derivada, temos a corrente de coletor ic variando linearmente com vbe: 𝑖𝑐 = 𝑔𝑚𝑣𝑏𝑒 Para uma variação de corrente de coletor, temos que ter uma variação de corrente de base: 𝑖𝑏 = 𝑖𝑐 𝛽 → 𝑣𝑏𝑒 = 𝑟𝜋 . 𝑖𝑏 O resistor rπ é chamado de resistência de entrada do transistor 𝑣𝑏𝑒 = 𝛽 𝑔𝑚 𝑖𝑏 𝑟𝜋 = 𝛽 𝑔𝑚 onde Obs. O β é o ganho de corrente AC em emissor comum. 𝑖𝑏 = 𝑔𝑚𝑣𝑏𝑒 𝛽 Como v = r i, 𝛽 𝑔𝑚 tem dimensão de resistência O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido Em um transistor real, vemos que a corrente Ic apresenta uma pequena dependência com VCE. Por semelhança de triângulos temos: 𝑉𝐴 + 𝑉𝐶𝐸𝑞 𝐼𝐶𝑞 = Δ𝑉𝑐𝑒 Δ𝐼𝑐 = 𝑟𝑜 Como VA é da ordem de 100 a 150 V, podemos fazer VA>> VCEQ e escrever: 𝑟𝑜 = 𝑉𝐴 𝐼𝐶𝑞 Este resistor ro precisa ser incluído no modelo π-híbrido para fazer com que Ic varie com VCE , mesmo que VBE seja constante. O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido de baixas frequências, incluindo resistência desaída 𝑟𝑜 = 𝑉𝐴 𝐼𝐶𝑞 𝐹𝑜𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑔𝑚𝑣𝑏𝑒 𝑟π = 𝛽 𝑔𝑚 𝑔𝑚 = 𝐼𝐶𝑄 𝑉𝑇 O Transistor Bipolar de Junção Modelo π-híbrido de baixas frequências, incluindo resistência de saída Exercício 2 - Calcular a variação ac da corrente de coletor em um transistor quando a variação de vbe é de 5 mVpp. O transistor está polarizado com uma tensão constante no coletor e com ICQ = 1 mA . Dados do transistor: βF = 100, VA = 150 V. Comparar com o valor simulado. Calculamos, do modelo π-híbrido: gm = Icq/VT = 1 mA / 25,88 mV = 38,64 mS ro = VA/Icq =150 V/ 1 mA = 150 kΩ rπ = β / gm = 2,6 kΩ Portanto a variação de ic pico-a-pico é: 𝑖𝑐 = 𝑔𝑚𝑣𝑏𝑒 = 38.64 𝑚𝑆 . 5 𝑚𝑉𝑝𝑝 𝑖𝑐 ≈ 193 µApp SIMULAÇÂO SPICE O Transistor Bipolar de Junção O que aprendemos? 1 – Em DC e para grandes sinais, o transistor pode ser totalmente equacionado usando o modelo de Ebers-Moll. Todas as correntes/tensões podem calculadas facilmente a partir das 3 equações do modelo. 2 – Em AC, para pequenos sinais, o transistor pode ser modelado através do modelo π-híbrido. Os parâmetros desse modelo podem ser calculados a partir do ponto de operação dc do transistor.