Prévia do material em texto
www.cers.com.br 1 MARCÍLIO FERREIRA Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 4 1. CONSTITUIÇÃO: CONCEITO, CLASSIFICAÇÃO E ELEMENTOS. ........... 6 1.1. Noções Introdutórias .................................................................... 6 1.2. Classificação ................................................................................ 8 1.3. Elementos da Constituição ......................................................... 18 Exercícios ................................................................................................. 20 2. APLICABILIDADE E EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS ...... 22 2.1. Noções introdutórias .................................................................. 22 2.2. Classificação da eficácia das normas constitucionais................. 24 2.3. Outras classificações doutrinárias .............................................. 27 Exercícios ................................................................................................. 27 3. HISTÓRICO DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS................................ 31 3.1. Constituição de 1824 .................................................................. 31 3.2. Constituição de 1891 .................................................................. 33 3.3. Constituição de 1934 .................................................................. 33 3.4. Constituição de 1937 ............................................................................. 34 3.5. Constituição de 1946 ............................................................................. 35 3.6. Constituição de 1967 e a E.C 01/69 ...................................................... 35 3.7. Constituição de 1988 ............................................................................. 37 Exercícios ................................................................................................. 38 4. NEOCONSTITUCIONALISMO .................................................................... 41 4.1. Rematerialização das Constituições ...................................................... 45 4.2. Pós-positivismo ..................................................................................... 45 4.3. Constitucionalismo Global ..................................................................... 46 4.4. Ativismo Judicial .................................................................................... 47 4.5. Transconstitucionalismo ........................................................................ 47 4.6. Patriotismo Constitucional ..................................................................... 48 Exercícios ................................................................................................. 50 5. PODER CONSTITUINTE ............................................................................ 53 5.1 Origem 53 5.2. Noções Introdutórias ............................................................................. 53 5.3. Poder constituinte originário .................................................................. 54 5.3.2 Titularidade ......................................................................................... 54 Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 3 5.4 Poder constituinte derivado .................................................................... 57 5.4.1 Noções Introdutórias ........................................................................... 58 5.4.2 Características .................................................................................... 58 5.4.3. Espécies ............................................................................................. 58 5.4.3.1 Poder Constituinte Derivado Reformador ...................................... 58 5.4.3.2 Poder Constituinte Derivado Revisor ............................................. 64 5.4.3.3 Poder Constituinte Derivado Decorrente ....................................... 64 5.5. Poder Constituinte Difuso ...................................................................... 67 5.6. Poder Constituinte Supranacional ......................................................... 67 Exercícios ................................................................................................. 68 6. EFEITOS DA NOVA CONSTITUIÇÃO E DE REFORMAS CONSTITUCIONAIS EM RELAÇÃO À ORDEM JURÍDICA ANTERIOR ................................................. 71 6.1 Noções Introdutórias .............................................................................. 72 6.2. Vacatio Constitutionis ............................................................................ 72 6.3. Revogação ............................................................................................ 73 6.4. Teorias doutrinárias acerca da não aplicação da norma infraconstitucional conflitante com a nova constituição ............................................................................... 73 6.5. Recepção .............................................................................................. 74 6.6. Repristinação ........................................................................................ 76 6.7. Efeito Repristinatório ............................................................................. 77 6.8. Constitucionalidade Superveniente ....................................................... 79 6.9. Desconstitucionalização ........................................................................ 79 6.10. Efeitos retroativos das normas ............................................................ 81 Exercícios ................................................................................................. 85 7. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL ........................................................ 90 7.1. Noções introdutórias ............................................................................. 90 7.2. Teorias quanto a interpretação constitucional ....................................... 90 7.3. Métodos interpretativos tipicamente constitucionais .............................. 91 7.3. Princípios da interpretação Constitucional: ............................................ 93 7.4. Princípio da interpretação conforme a Constituição ............................... 95 Exercícios ................................................................................................. 96 Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 4 INTRODUÇÃO Como bem se sabe, o estudo muda de acordo com as necessidades do aluno. O estudo direcionado para concursos públicos é diferente do estudo direcionado à graduação ou ao exercício profissional, por exemplo. Assim, a finalidade deste livro é trazer ao leitor de maneira sistêmica e dinâmica um conteúdo de qualidade, capaz de proporcionar êxito ao leitor a qualquer situação a que este se proponha. Esta obra tem o objetivo de demonstrar, de maneira direta, todos os pontos do Direito Constitu- cional, com enfoque para o estudo de concurso público direcionado para carreiras de Tribunais, sem esquecer de nenhum ponto desta extensa matéria. É importante ressaltar a importância do Direito Constitucional para o estudo de provas de con- curso públicos, uma vez que além da grande relevância da disciplina no que diz respeito ao que é cobrado nas provas, deve-se ressaltar que o Direito Constitucional é o ramo do Direito que serve como base de todoo ordenamento jurídico. Dessa forma, fica registrado a grande relevância dessa matéria para todo o universo jurídico em geral, pois como bem se sabe, qualquer matéria/norma em desacordo com a Constituição fere todo o ordenamento jurídico. Diante do exposto, ressaltamos a importância de se ter um estudo de qualidade para alcançar com sucesso todas as metas estabelecidas. Desse modo, sugerimos alguns passos para facili- tar o estudo e torná-lo mais agradável: 1. Tornar o estudo algo prazeroso. Para isso é importante fazer do estudo um hábito. O es- tudo deve ser rotina, a qual deve ser prazerosa. Para isso é de grande relevância ter metas objetivos, se esforçar para cumpri-las com fé e determinação. 2. “Remoer” a matéria. Sabemos que o Direito Constitucional é uma disciplina extensa. As- sim, para obter êxito na apreensão do seu conteúdo é necessário que haja repetição no estudo da matéria, até este se consolidar na memória. Não pense que ler várias vezes o mesmo as- sunto é perda de tempo. A leitura repetida representa sabedoria. Lembre-se, remoer uma ma- téria não é o mesmo que decorá-la. 3. Fazer resumos. Os resumos são grandes aliados para quem estuda para concursos públi- cos. Você deve descobrir qual forma de resumir a matéria sem que esta perca a sua essência e importância você aluno se identifica mais. Há resumos em textos corridos, mapas mentais, esquemas, tópicos, dentre outros. Sugerimos que teste suas limitações e descubra qual méto- do de resumir o conteúdo é o ideal para você! Esta técnica irá lhe ajudar na fixação da matéria bem como nas futuras revisões. 4. A importância da jurisprudência no estudo do Direito Constitucional. É notável hoje a importância das decisões dos Tribunais Superiores para o Direito, em especial o Direito Consti- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 5 tucional. As decisões do Supremo Tribunal Federal são dignas da notoriedade que estão tendo, pois diariamente vimos o Direito se lapidando por meio dessas decisões. Com isso observa-se uma grande cobrança em provas de concursos acerca dos entendimentos dos tribunais superi- ores. Portanto, mantenha-se sempre atualizado em relação aos novos entendimentos destes Tribunais, pois corriqueiramente são cobrados em provas. 5. Ler a Constituição. É de extrema importância a leitura da Constituição Federal, pois de na- da adianta estudar toda a matéria se você não souber o seu conteúdo literal. Relevante se faz lembrar que muitas vezes o seu conteúdo literal é cobrado em questões de provas, portanto se você conhecer o texto constitucional literal, você saberá como resolver tais questões. 6. Estar sempre atualizado. Como bem se sabe, o Direito Constitucional está em constante evolução e, por essa razão devemos sempre acompanhá-lo a fim de estarmos sempre ade- quado ao que a nossa Lei Maior nos propõe. 7. Revisar a matéria. É bastante relevante que faça sempre revisões periódicas, pois estas irão ajudá-lo tanto na fixação do conteúdo quanto na descoberta dos seus pontos fracos. Em vista disso, sugerimos que faça da revisão um hábito, lembrando que os resumos anteriormen- te citados poderão lhe ajudar nesta etapa de revisão. 8. Não tenha pressa. Saiba que aprender o conteúdo com qualidade requer tempo e dedica- ção. A ânsia de aprender tudo ao mesmo tempo gera desconforto e angústia, o que irá atrapa- lhar o seu estudo. Sendo assim, comece num ritmo leve, confortável para você e esteja consci- ente de que no tempo certo, tudo irá se consolidar. 9. Descanse. Saiba a hora de fazer pausas nos estudos. Respire, beba uma água, se alongue. Manter o corpo e a mente saudáveis é fundamental para um estudo de qualidade. Saiba tam- bém a hora de retomar os estudos, pois para alcançar o êxito é necessário disciplina e com- prometimento. Bons estudos! Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 6 1. CONSTITUIÇÃO: CONCEITO, CLASSIFICAÇÃO E ELEMENTOS. 1.1. Noções Introdutórias O Direito Constitucional é uma divisão do Direito Público que surgiu com a intenção de limitar o poder político estatal e, ao mesmo tempo, garantir as liberdades individuais contra a arbitrarie- dade das autoridades públicas. Este ramo do direito se diferencia dos demais no sentido de que este estuda sistematicamente normas originárias, dotadas de supremacia e capazes de estruturar o Estado (característica exclusiva do Direito Constitucional). Desse modo, o Direito Constitucional é compreendido como o conjunto de normas e princípios que organizam o Estado em sua estrutura e funcionamento. Assim, o Direito Constitucional possui como objeto de estudo as constituições, que consagram em seus textos direitos e garantias fundamentais, organização dos poderes e estruturação do Estado. Dessa forma, é necessário compreender o que é uma Constituição. Constituição nada mais é do que um conjunto de normas supremas, que podem ser escritas ou não, e que são responsáveis por inaugurar, estruturar e administrar um Estado. A despeito do conceito dado acima, é importante conhecer os diversos sentidos diferentes que outros autores atribuíram como conceito de constituição. Iremos nos ater aos principais concei- tos cobrados em concursos públicos. ATENÇÃO! Com a Emenda Constitucional 45/2004, o § 3º do artigo 5º da Constituição Federal, passou a tratar como normas constitucionais os tratados internacio- nais que versem sobre direitos humanos que são recepcionados com o mesmo quórum de Emendas Constitucionais (votação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos membros). Sendo assim, normas constitucionais não são apenas aquelas descritas na Constituição. A doutrina nomeia essa somatória como “BLOCO DE CONSTITUCIONALI- DADE”. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 7 1.1.1. Constituição sociológica Defensor desta concepção: Ferdinand Lassalle. Sustentava que a constituição possuía o caráter sociológico baseado nos fatores reais do po- der. Para ele, os fatores reais do poder baseavam-se na força atuante de todas as leis da soci- edade, de maneira que representasse o poder social efetivo. Assim, qualquer constituição que não atendesse a esses fatores reais, não passaria de uma simples folha de papel, sendo caracterizada como ilegítima. 1.1.2. Constituição jurídica Defensor desta concepção: Hans Kelsen. Kelsen analisou a constituição nos sentidos lógico-jurídico, jurídico-positivo, formal e material. Para ele, toda atividade do Estado, é um serviço de criação de normas jurídicas. Com funda- mento no dever-ser, a vontade racional do homem prevalecia em relação às leis naturais. Foi nesse sentido que Kelsen entendeu que a Constituição não possui qualquer fundamento socio- lógico, filosófico ou político. Do ponto de vista lógico-jurídico, a constituição significa a norma fundamental hipotética, ou seja, uma norma presumida, pressuposta. Já o sentido jurídico-positivo é compreendido através da hierarquia dos diferentes níveis da criação do direito. É o conjunto de normas que regulamenta a produção de outras normas. É a norma positiva suprema. É no sentido jurídico-positivo que é possível observar a pirâmide jurí- dica criada por Kelsen, onde a Constituição ocupa o ápice. O sentido formal é caracterizado por um documento solene que reúne um conjunto de normas jurídicas as quais só podem ser alteradas mediante certas especificações, de maneira que vi- sam dificultar o processo reformador. Por fim, a constituição em sentido material é formadapor normas que estabelecem a criação de normas jurídicas gerais. 1.1.3. Constituição política Defensor desta concepção: Carl Schimitt. Para Carl Schimitt, a constituição é o resultado de uma decisão política fundamental de um po- vo, que incide sobre a forma de governo, o regime político adotado, a organização dos pode- res, abrangência dos direitos fundamentais, etc. Schimitt faz a distinção entre constituição e leis constitucionais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 8 Assim, entende-se por constituição o conjunto de regras que se relacionam a uma decisão polí- tica fundamental, ou seja, à democracia, direitos fundamentais, organização do poder e órgãos do Estado. Já as leis constitucionais são as demais normas inseridas no texto constitucional que não consideram nenhuma decisão política fundamental. 1.1.4. Constituição culturalista Defensores desta concepção: Grimm, Michele Ainis, Stein. Como o próprio nome já diz, a constituição culturalista é considerada como produto de um fato cultural. É assim identificada, pois é vista como um conjunto de normas fundamentais vinculada à cultura. Sendo assim, é possível falar em uma constituição cultural, onde as normas previstas na cons- tituição versam sobre educação, desporto, ensino, as quais objetivam resguardar, em sentido amplo, o direito à cultura. 1.2. Classificação Quanto à classificação das constituições, não há que se falar em critérios certos ou errados, pois a sua tipologia não é igual na doutrina. Isso se dá porque a matéria pode ser analisada de diferentes pontos de vista, por diversos autores. O importante é que as diversas perspectivas diferentes partam de uma premissa verdadeira. Por essa razão, iremos nos ater às classificações mais cobradas em provas e concursos públi- cos. 1.2.1. Quanto à origem a) Constituições outorgadas Constituições outorgadas são aquelas impostas de maneira unilateral ao povo por quem exerce um poder político sem o apoio popular. Esse poder político pode ser exercido tanto por uma pessoa (imperador, rei, presidente, ditador, líder carismático, etc.), quanto por um grupo que exerce o poder sem a adesão popular. Exemplos de constituições outorgadas são a Constituição de 1824 (imperial), Constituição de 1937 (era Vargas) e a Constituição de 1967 (regime militar). b) Constituições promulgadas Também conhecidas como constituições democráticas, populares ou votadas, são aquelas de- rivadas de participação popular. Por meio do direito ao voto, a população possui a liberdade de escolher os representantes que irão compor a Assembleia Nacional Constituinte, que cumpri- rão desígnio de elaborar uma Constituição que atenda os interesses da população. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 9 Foram promulgadas as constituições de 1891, 1934, 1946 e a atual Constituição Federal de 1988. c) Constituições cesaristas Constituições cesaristas ou bonapartistas são aquelas produzidas por um ditador ou algum grupo detentor de poder, que posteriormente é submetida aos mecanismos de participação popular, conhecidos como plebiscito e referendo. Não é admitida como outorgada uma vez que não admite consulta popular, tampouco configura como promulgada, já que a participação popular é secundária e, por muitas vezes, considerada como uma falsa participação. São exemplos de constituições cesaristas as Cartas plebiscitárias do Chile sob o crédito de Pinochet, as Constituições da era napoleônica, bem como a Constituição francesa. d) Constituições pactuadas Pactuadas os dualistas são as constituições surgidas através do pacto entre a organização na- cional e o soberano. Nesse modelo de constituição, o poder constituinte originário poderá con- centrar-se nas mãos de mais de um dos titulares do poder. Por essa razão este arquétipo difi- cilmente será considerado um possível modelo moderno de constituição, pois elimina a ideia de unidade do poder constituinte. Exemplos de constituições pactuadas são as constituições monárquicas da Idade Média, onde era evidente o equilíbrio entre o princípio democrático e o princípio monárquico, uma vez que o poder estatal aparecia dividido entre as ordens privilegiadas e o Rei. Outro exemplo clássico de constituição pactuada é a Magna Carta que os barões compeliram João Sem Terra a jurar, em 1215, na Inglaterra. e) Constituições históricas Constituições históricas ou histórico-costumeiras são aquelas derivadas dos usos e costumes, tradição, geografia, religião, relações políticas e econômicas. Na constituição histórica é muito difícil detectar o titular do poder constituinte. A comunidade que é responsável pela criação desta constituição, com base num longo processo de sedimentação consuetudinária. A Constituição inglesa é o maior exemplo de constituição histórica. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 1.2.2. Quanto à alterabilidade a) Constituições rígidas São constituições rígidas aquelas que se submetem a um processo de alteração solene, espe- cífico e severo, diferente do processo de alteração das demais leis. O órgão responsável em rever a constituição é o poder constituinte reformador. Importante saber que a supremacia sobre os demais atos normativos federais, estaduais e mu- nicipais são resultados da rigidez da Constituição, de maneira que invalida qualquer ato que ofenda os seus preceitos. Com exceção da Constituição de 1824 (semiflexível), todas as constituições brasileiras foram rígidas, assim como a atual constituição, que prevê um rito mais dificultoso no processo de al- teração do texto constitucional (artigo 60, CF/88) e na criação de emendas constitucionais (ar- tigo 60, § 2º, CF/88). b) Constituições superrígidas Também conhecidas como hiper-rígidas, são aquelas que possuem o processo de alteração bastante rigoroso, além de existir normas em seu conteúdo que são imutáveis. Para alguns doutrinadores, a Constituição Federal de 1988 seria considerada como super- rígida, pois alé, de o seu processo de alteração ser dificultoso, veda a alteração de determina- das normas (artigo 60 § 4º, CF/88), as chamadas cláusulas pétreas. No entanto, esta classificação não foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, que vem permitin- do a alteração de assuntos catalogados no artigo 60 § 4º da Constituição Federal, desde que a alteração não revogue direitos. c) Constituições flexíveis Ao contrário das constituições rígidas, as flexíveis, também chamadas de fluida, moldável ou plástica, são aquelas que podem ser alteradas a qualquer momento, sem a necessidade de um procedimento solene, formal, complexo, demorado e dificultoso, utilizando do mesmo procedi- mento para a alteração de leis ordinárias. O próprio legislativo é competente para expandir, modificar ou comprimir o seu conteúdo, da mesma maneira que sua promulgação ou abolição é feita pelo procedimento legislativo comum. Nesse caso, observa-se que a constituição flexível possui um alto grau de vulnerabilidade em relação à sua estabilidade, uma vez que suas normas sendo facilmente mudadas inexiste hie- rarquia entre a constituição flexível e a legislação infraconstitucional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 São exemplos de constituições flexíveis as Constituições da Finlândia, Inglaterra, África do Sul e Nova Zelândia. d) Constituições transitoriamente flexíveis São aquelas constituições que são passíveisde reforma tendo como parâmetro o rito das leis comuns, no entanto, poderá sofrer alterações apenas por tempo determinado. Ultrapassado o tempo previamente estabelecido, o seu texto passa a ser considerado rígido, ou seja, passa-se a exigir solenidades específicas no seu processo de alteração. Durante o período em que é permitida a alteração do texto constitucional, este será feito por meio do mesmo rito que é capaz de alterar as leis ordinárias, sendo o órgão competente para operar a reforma, o legislativo ordinário. São exemplos de constituições transitoriamente flexíveis a Carta irlandesa de 1937, que, du- rante os três primeiros anos de vigência, verificou uma flexibilidade provisória, e a Constituição de Baden de 1947. e) Constituições semirrígidas Também conhecida como semiflexível, é aquela que possui uma parte rígida e o seu processo de alteração é idêntico ao de uma constituição rígida, e a outra parte é flexível, onde o a seu modelo de alteração é semelhante ao processo de alteração de leis ordinárias. Por acolher ca- racterísticas de constituições rígidas e flexíveis ao mesmo tempo, são consideradas constitui- ções mistas. A Constituição brasileira de 1824 e a irlandesa de 1922 são claros exemplos dessa modalidade de classificação. f) Constituições fixas Constituições fixas são aquelas que apenas podem ser alteradas pelo mesmo poder igual àquele que a criou. Ou seja, o poder constituinte originário é o único competente para modificar a Constituição. Essa modalidade de classificação é conhecida também constituição silenciosa, pois em seu texto não há de forma expressa o rito que deve seguir para alterar a constituição. São exemplos dessa modalidade a Constituição da Espanha de 1876 e o Estatuto do Reino da Sardenha, de 1848, que mais tarde se tornou a Constituição italiana. g) Constituições imutáveis Por fim, as constituições imutáveis são aquelas que pretendem ser eternas. Também conheci- das como permanentes, intocáveis ou graníticas, recebem essa classificação, pois pensava-se que em momento algum haveria órgão competente para alterá-las, tampouco para revogá-las. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 A Carta Espanhola de 1976 e as constituições dos sistemas consuetudinários dos povos primi- tivos são grandes exemplos de constituições imutáveis. 1.2.3. Quando ao conteúdo a) Constituição material Constituição material é aquela que em seu texto encontra-se normas fundamentais e estrutu- rais do Estado, separação dos poderes, definição d regime político, estruturação dos órgãos de governo e delimitação dos direitos fundamentais. A Constituição do Império do Brasil de 1824 é um exemplo de constituição material, pois em seu conteúdo podia notar que com exceção da matéria que tratasse essencialmente de direito constitucional, poderia ser modificado pelas legislaturas ordinárias sem as formalidades que eram previstas nos artigos 173 ao 177 daquela carta. b) Constituição formal Já a constituição formal é aquela que leva em consideração o seu processo de elaboração, não importando o seu conteúdo. Sendo assim, toda a matéria que esteja em texto, ainda que não seja essencialmente constitucional, possui caráter constitucional, tendo em vista o seu proces- so solene de elaboração. A Constituição brasileira de 1988 é substancialmente formal. 1.2.4. Quanto à extensão a) Constituição sintética Conhecida também como constituição concisa, breve, sumária, sucinta ou básica, é aquela em que o seu conteúdo é apresentado de maneira enxuta, evidenciando matérias fundamentais em modestos números de artigos. A constituição sintética limita-se em apresentar princípios sem discorrer sobre estes, permitindo assim certa plasticidade para se adequar às mudanças sociais. O maior exemplo de constituição sintética é a Carta norte-americana de 1787, a qual possui apenas 7 artigos. b) Constituição analítica Diferente da constituição sintética, a constituição analítica, conhecida também como ampla, extensa, larga, prolixa, longa, desenvolvida, volumosa ou inchada, é a que versa de maneira detalhada e meticulosa sobre diversos temas, que inclusive poderiam ser matérias a serem tratadas por leis infraconstitucionais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 No Brasil, as constituições com exceção da Constituição de 1824, todas foram analíticas, inclu- sive a atual Constituição de 1988. Outro exemplo de constituição analítica é a Constituição por- tuguesa de 1976. 1.2.5. Quanto à forma a) Constituição escrita Constituição escrita ou instrumental é aquela cujas normas encontram-se reunidas em um do- cumento solene, de maneira esquematizada e codificada. São consideradas constituições legais, pois possuem caráter coercitivo no que diz respeito à produção de efeitos estabilizadores e racionalizadores de determinada sociedade. É conside- rada a lei maior de um povo. A tradição atual de termos hoje constituições escritas advém das treze colônias inglesas da América do Norte, no ano de 1776. Em 1787, foi aprovada a Constituição dos Estados Unidos, pela Convenção da Filadélfia. A partir de então a maioria das constituições em todo o mundo classificam-se como constituições escritas. b) Constituição costumeira Chamada também de constituição não escrita ou consuetudinária, a constituição costumeira é aquela que se configura pela prática reiterada de costumes, tradições e hábitos que, tendo em vista sua relevância, são elevados ao nível constitucional, assumindo grande significância no meio local. Como as normas costumeiras são produzidas de maneira informal pela comunidade, pode-se dizer que estas surgem de maneira informal, uma vez que não há um órgão competente consti- tuído para este fim. O maior exemplo de constituição costumeira é a Constituição da Inglaterra. No entanto, mesmo a Inglaterra sendo um país onde a sua constituição é sedimentada como uma norma costumei- ra e não escrita, é de importante relevância lembrar que esta estabelece princípios constitucio- nais em textos escritos, como é o caso dos tratados de união, as leis expressas do Parlamento e os acordos solenes, por exemplo. 1.2.6. Quanto ao modo de elaboração a) Constituição dogmática As constituições dogmáticas ou sistemáticas são exclusivamente escritas e elaboradas uma única vez pelo poder constituinte originário. Nela encontram-se os valores predominantes da época da sua instituição. Até hoje, todas as constituições brasileiras foram dogmáticas. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 b) Constituição histórica A constituição histórica se assemelha à constituição consuetudinária, pois esta é formulada no decorrer do tempo, levando em consideração os hábitos e costumes tradicionais de uma socie- dade. A Constituição inglesa é um exemplo de constituição histórica. 1.2.7. Quanto à sistemática a) Constituição reduzida Também conhecida como constituição codificada, unitária ou unitextual, é aquela que seu con- teúdo é reunido em um só texto, de maneira sistematizada e exaustiva. Todas as constituições brasileiras foram consideradas constituições reduzidas, inclusive a atual Constituição de 1988. b) Constituição variada Ao contrário da constituição reduzida, a constituição variada ou não codificada é aquela que as normas jurídicas encontram-se espalhadas em diversos textos legais. Por não estarem reuni- das em um único texto, são consideradas constituições escritas não formais, ou constituições legais. São exemplos de constituiçãovariada a Constituição da França de 1875 e a Constituição da Bélgica de 1830. IMPORTANTE! Embora a nossa constituição seja classificada como constituição reduzida e, por meio da regra do que chamamos de “bloco de constitucionalidade” prevista no artigo 5º § 3º, CF/88, que permite a constitucionalização de tratados inter- nacionais que versem sobre direitos humanos admitidos à Constituição com o quórum necessário de emendas constitucionais, estes tratados não são inseri- dos ao corpo do texto constitucional, embora possuam status constitucional. Para fins de provas de concurso público, a Constituição Federal de 1988 é considerada reduzida. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 1.2.8. Quanto à dogmática/ideologia a) Constituição ortodoxa Considera-se constituição ortodoxa aquela que é formada única e exclusivamente por uma ide- ologia. Grande exemplo de constituição ortodoxa são as constituições soviéticas de 1923, 1936 e 1977. b) Constituição eclética Constituição eclética ou compromissória é aquela que é constituída por várias ideologias que se agregam. A doutrina vem considerando a Constituição brasileira vigente como constituição compromissó- ria por esta conseguir conciliar interesses opostos em torno de entendimentos constitucionais harmonizantes. Exemplos: Constituição brasileira de 1988 e Constituição portuguesa de 1976. 1.2.9. Quanto à correspondência com a realidade (essência) Segundo Karl Loeweinstein, a classificação ontológica das constituições subdivide-se em nor- mativas, nominais e semânticas. a) Constituição normativa Constituição normativa é aquela que está em perfeito acordo com a realidade social. É conso- nante ao sistema jurídico vigente, bem como com o processo político. Por essa razão, Loe- weinstein compara o texto constitucional normativo a uma roupa de bom caimento e que veste bem. b) Constituição nominal Chamada também de nominalista ou nominativa, é a constituição que possui um caráter pros- pectivo, de cunho educativo, voltada para uma visão futurista da sociedade. Na constituição nominal, a prática do processo político não se enquadra às suas normas. Loeweinstein compara a constituição nominal à uma roupa nova guardada esperando que o corpo esteja preparado para utilizá-la. A Constituição brasileira de 1988 é considerada uma constituição nominal. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 16 c) Constituição semântica Constituição semântica é considerada como um documento formal que tem o objetivo de favo- recer os detentores do poder que estabelecem maneiras de coagir os governados para conti- nuarem no poder. A comparação feita por Loeweinstein é a de que a constituição semântica é como uma roupa que não veste bem, mas é capaz de esconder todos os defeitos e dissimular as imperfeições do corpo. Nesta ocasião, o questionamento levantado é: em qual classificação quanto à essência a Constituição brasileira de 1988 se enquadra? Pois bem. A atual Carta brasileira, segundo Bulos, é nominal, enquanto que as Constituições de 1824, 1891, 1934 e 1946 foram nominais e os Textos de 1937, 1967 e a Emenda Constitu- cional n. 1/69 foram constituições semânticas. O que se espera é que um dia a Constituição Federal brasileira seja normativa, de maneira que leve em consideração os fatores de desenvolvimento da sociedade, em concordância com a vida. 1.2.10. Quanto ao sistema a) Constituição principiológica É aquela constituição em que há a prevalência de princípios, apesar destes serem normas ge- rais abstratas e que, em muitos sistemas jurídicos exercem função apenas supletiva, informati- va e interpretativa. A Constituição brasileira é considerada principiológica. b) Constituição preceitual Na constituição preceitual há a prevalência de normas constitucionais individualizadas, com pouco grau de subjetividade. Exemplo: Constituição mexicana. 1.2.11. Quanto à função a) Constituição provisória Constituição provisória, pré-constituição ou Constituição revolucionária é o conjunto de normas que possuem a finalidade de estabelecer o regime de criação e aprovação da Constituição formal futura. É considerada como fruto da evolução. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 17 b) Constituição definitiva Conhecida também como constituição de duração indefinida para o futuro, esta procura ser o produto finalizado do processo constituinte. É a constituição permanentemente elaborada. 1.2.12. Quanto à origem de sua decretação a) Constituição heterônoma Chamada também de heteroconstituição, é aquela que foi decretada fora do Estado por outro Estado. Apesar de incomum, existem países que tiveram suas constituições decretadas por outros Estados, como é o caso dos países da Commonwealth. As constituições da Nova Zelândia, Austrália e Canadá são exemplos de constituições decreta- das pelo Parlamento britânico. b) Constituição autônoma Constituição autônoma ou autoconstituição é aquela que é elaborada dentro do próprio Estado. Exemplo: Constituição Federal brasileira de 1988. Dessa forma, abaixo encontra-se um quadro resumo das constituições. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES Quanto à origem Outorgada, promulgada, cesarista, pactuada, histórica. Quanto à alterabilidade Rígida, super-rígida, flexível, transitori- amente flexível, semirrígida, fixa, imu- tável. Quanto ao conteúdo Material, formal. Quanto à extensão Sintética, analítica. Quanto à forma Escrita, costumeira. Quanto ao modo de elaboração Dogmática, histórica. Quanto à sistemática Reduzida, variada. Quanto à dogmática Ortodoxa, eclética. Quanto à correspondência com a realidade Normativa, nominal, semântica. Quanto ao sistema Principiológica, preceitual. Quanto à função Provisória, definitiva. Quanto à origem de decretação Heterônoma, aoutônoma. Assim, após a extensa classificação das constituições, a Constituição Federal de 1988 classifi- ca-se como: promulgada, rígida, formal, analítica, escrita, dogmática, reduzida, eclética, nomi- nal, principiológica e autônoma. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 18 CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Quanto à origem Promulgada. Quanto à alterabilidade Rígida. Quanto ao conteúdo Formal. Quanto à extensão Analítica. Quanto à forma Escrita. Quanto ao modo de elaboração Dogmática. Quanto à sistemática Reduzida. Quanto à dogmática Eclética. Quanto à correspondência com a realidade Nominal. Quanto ao sistema Principiológica. Quanto à função Definitiva. Quanto à origem de decretação Autônoma. 1.3. Elementos da Constituição Os elementos são indispensáveis para a organização dos textos constitucionais. Assim, os elementos que aqui serão elencados são itens essenciais para a garantia das liberdades públi- cas e organização do Estado. Por tratar de diversas matérias, a constituição é considerada como polifacética. Por essa razão (possuir várias faces), as constituições consagram matérias sobre os órgãos do Estado, liber- dades públicas e estruturação do poder. Na Constituição brasileira, encontra-se os elementos: 1.3.1. Elementos orgânicos Elementos orgânicos ou dogmáticos são aqueles que organizam o Estado e a estruturação do poder. Fixa o sistema de competência dos órgãos, autoridade públicas e instituições. Os ele- mentos orgânicos são atribuídos também às normas de tributação e orçamento. 1.3.2.Elementos limitativos Responsáveis por conter/limitar os abusos do poder estatal, com a finalidade de evitar o arbítrio por parte das autoridades, bem como o descumprimento aos direitos e garantias fundamentais. 1.3.3. Elementos socioideológicos Caracterizam os fins sociais e econômicos do Estado, objetivando uma sociedade justa, com uma distribuição de renda equilibrada. Pressupõem uma ideologia, no sentido de que represen- tam o comprometimento entre o Estado individual e o Estado social. Estado intervencionista, que objetiva o bem estar social. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 19 1.3.4. Elementos de estabilização constitucional Objetivam expelir os conflitos constitucionais, a defesa do Estado, das instituições democráti- cas e da própria Constituição. 1.3.5. Elementos formais de aplicabilidade Diz respeito às normas de aplicação da Constituição, como por exemplo o procedimento formal para promulgação, vigência e aplicação das normas constitucionais, assim como o grau de efi- ciência dos princípios definidores dos direitos e garantias fundamentais. Por dizerem como os dispositivos constitucionais devem ser aplicados, as normas referentes ao processo legislativo também são consideradas elementos formais de aplicabilidade consti- tucional. 1.3.6. Elementos de transição constitucional Centralizam-se nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Tais normas são efetivas durante certo período de tempo. Após cumprir sua finalidade, findam-se comple- tamente. Para fins de fixação da matéria, observe a seguir alguns exemplos de elementos constitucio- nais presentes na Constituição Federal de 1988. QUADRO EXEMPLIFICATIVO DOS ELEMENTOS DA COSTITUIÇÃO FE- DERAL DE 1988 Elementos orgânicos Título III – Da Organização do Estado (art. 18 a 43); Título IV – Da organiza- ção dos Poderes (art. 44 a 135); Título V – Das Forças Armadas e da Segu- rança Pública (art. 142 a 144); Título VI – Da tributação e do Orçamento (art. 145 a 169). Elementos limitativos Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º, I a LXXVIII; art. 14 a 17). Elementos socioideológicos Título II, Capítulo II – Dos Direitos So- ciais (art. 6º a 11); Título VII – Da Or- dem Econômica e Financeira (art. 170 a 192); Título VIII – Da Ordem Social (art. 193 a 232). Elementos de estabilização consti- tucional Título III, Capítulo VI – Da Intervenção Federal (art. 34 a 36); Título IV Da Organização dos Poderes (arts. 51, I; 52, X; 60, 85 e 86; 97; 102, I, a, e III; 103; 136 a 141). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 20 Elementos formais de aplicabilida- de Preâmbulo da Constituição; art. 5º, §1º; arts. 59 a 69). Elementos de transição constituci- onal Artigos 1º a 75 do ADCT. EXERCÍCIOS 1. (CESPE – 2019 – TJ-SC - Juiz Substituto) A respeito das constituições classificadas como semânticas, assinale a opção correta. A) São aquelas que se estruturam a partir da generalização congruente de expectativas de comportamento. B) São aquelas cujas normas dominam o processo político; e nelas ocorrem adaptação e sub- missão do poder político à constituição escrita. C) Funcionam como pressupostos da autonomia do direito; e nelas a normatividade serve es- sencialmente à formação da constituição como instância reflexiva do sistema jurídico. D) São aquelas cujas normas são instrumentos para a estabilização e perpetuação do controle do poder político pelos detentores do poder fático. E) São aquelas cujo sentido das normas se reflete na realidade constitucional. 2. (CONSULPLAN – 2018 - TJ-MG – Titular de Serviços de Notas e de Registros) A atual Constituição da República Federativa do Brasil pode ser classificada como: A) Escrita, outorgada e liberal. B) Escrita, semântica e sintética. C) Normativa, sintética e cesarista. D) Promulgada, dogmática e analítica. 3. (VUNESP – 2018 – TJ-SP - Titular de Serviços de Notas e de Registros) A respeito das Constituições brasileiras, é correto afirmar: A) A Constituição Federal de 1937 é classificada como semântica, pois atuou como simples instrumento de estabilização do Poder, sem o escopo de organizá-lo ou limitá-lo. B) A Constituição Federal de 1946 é classificada como dirigente, pois associada a determinada corrente ideológica. C) A Constituição Federal de 1824 previa normas de organização social. D) A Constituição Federal de 1934 não seguiu o modelo de constituição política, econômica e social. 4. (CESPE – 2013 – BACEN – Procurador) A respeito do conceito, dos elementos e das clas- sificações das constituições, assinale a opção correta. A) No que se refere ao modo de elaboração, a constituição dogmática espelha os dogmas e princípios fundamentais adotados pelo Estado e não será escrita. B) Quanto à estabilidade, a constituição flexível não se compatibiliza com a forma escrita, ainda que seu eventual texto admitisse livre alteração de conteúdo por meio de processo legislativo ordinário. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 21 C) Os direitos e garantias fundamentais previstos na CF são considerados elementos socioide- ológicos. D) No sentido político, segundo Carl Schimitt, a constituição é a soma dos fatores reais do po- der que formam e regem determinado Estado. E) Quanto aos elementos, o ADCT configura exemplo de elemento formal de aplicabilidade da CF. 5. (CESPE – 2019 – MP-PI – Promotor de Justiça Substituto) De acordo com a doutrina, o documento escrito estabelecido de forma solene pelo poder constituinte eleito pelo voto popu- lar, modificável somente por processos e formalidades especiais nele mesmo contidos, e que contém o modo de existir do Estado é classificado como constituição: A) Formal. B) Material. C) Outorgada. D) Histórica. E) Flexível. 6. (VUNESP – 2018 – FAPESP – Procurador) No tocante ao tema conceito de constituição, existem pensadores e doutrinadores que formularam concepções de constituição segundo seus diferentes sentidos. Consequentemente, é correto afirmar que Ferdinand Lassale, Carl Schmitt e Hans Kelsen estão ligados às concepções de constituição, respectivamente, nos sen- tidos: A) Substancial, material e formal. B) Sociológico, político e jurídico. C) Pluralista, social e transcendental. D) Pactual, contratualista e compromissório. E) Ideológico, garantista e positivista. 7. (VUNESP – 2018 – CÂMARA DE CAMPO LIMPO PAULISTA – SP – Procurador Jurídico) As constituições que resultam dos trabalhos de um órgão constituinte sistematizador das ideias e princípios fundamentais da teoria política e do direito dominante naquele momento são de- nominadas constituições: A) Dogmáticas. B) Pactuadas. C) Democráticas. D) Semânticas. E) Ecléticas. 8. (CESPE – TRT 10ª – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Acerca de constituição e de direitos e garan- tias, julgue os itens a seguir à luz da norma constitucional e da interpretação doutrinária sobre a matéria. Conceitua-se a Constituição, quanto ao aspecto material, como conjunto de normas pertinentes à organização do poder, à atribuição da competência, ao exercício da autoridade, à forma de governo e aos direitos individuais e sociais da pessoa humana. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 22 A) Certo. B) Errado. 9. (VUNESP – 2013 – TJ-SP – Advogado) Considerando a doutrina do direito constitucional prevalente a respeito das classificações das constituições, tendo em vista seus variados aspec- tos, assinale a alternativaque apresenta classificações corretas referentes à Constituição Fe- deral brasileira vigente. A) Constituição rígida e ideológica. B) Constituição analítica e formal. C) Constituição garantia e histórica. D) Constituição finalística e substancial. E) Constituição dualista e super-rígida. 10. (CESPE – 2013 – BACEN – Procurador do BACEN) A respeito do conceito, dos ele- mentos e das classificações das constituições, assinale a opção correta: A) No que se refere ao modo de elaboração, a constituição dogmática espelha os dogmas e princípios fundamentais adotados pelo Estado e não será escrita. B) Quanto à estabilidade, a constituição flexível não se compatibiliza cm a forma escrita, ainda que seu eventual texto admitisse livre alteração do conteúdo por meio de processo legislativo ordinário. C) Os direitos e garantias fundamentais previstos na CF são considerados elementos socioide- ológicos. D) No sentido político, segundo Carls Schimitt, a constituição é a soma dos fatores reais do po- der que formam e regem determinado Estado. E) Quanto aos elementos, o ADCT configura exemplo de elemento GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 D 6 B 2 D 7 A 3 A 8 A 4 E 9 B 5 A 10 E 2. APLICABILIDADE E EFICÁCIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS 2.1. Noções introdutórias Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 23 Ao discorrer acerca da aplicabilidade e a eficácia da norma constitucional, objetiva-se entender o alcance da produção de efeitos e regras que as compõem. Inicialmente, é importante compreender que toda norma constitucional produz efeitos, com isso, não existe norma constitucional sem efeitos. Para facilitar a compreensão, podemos dizer que a norma constitucional seria a ação e os efeitos seriam a reação que tal norma produz, portanto, toda ação, obrigatoriamente, possui uma reação, assim como uma norma possui efei- tos. O efeito ainda se subdividem em: efeito social e efeito jurídico. Dependendo da norma, ela poderá produzir apenas efeito jurídico, ou efeito jurídico e social, mas de forma alguma a norma terá apenas efeito de caráter social. Explico, que dentro de um sistema normativo, o que prevalece é o caráter jurídico das normas, diferentemente das regras de caráter social, as quais são encontradas em ambientes de con- vivência (como por exemplo, ambientes de trabalho, lares, clubes esportivos). Estas normas são estabelecidas em ambientes sociais, elaboradas com o intuito de melhorar ou possibilitar o convívio social e não possuem força normativa, portanto, não detém cunho jurídico. Assim, veja, somente as regras de cunho jurídico podem obrigar o indivíduo a realizar ou não algo, diferentemente das regras que têm caráter social, as quais as pessoas aderem por livre e espontânea vontade. Por isso, dentro do universo jurídico, uma norma que possui somente efi- cácia social não é válida, pois vivemos em um Estado democrático de direito, legalista, que adota a teoria normativa de Hans Kelsen. Por fim, concluímos que as normas jurídicas obrigatoriamente possuem efeito jurídico, deven- do, dessa maneira, serem seguidas. Por outro lado, não podemos esquecer que ela também possui efeito social. Ao se falar em eficácia social da norma, entende-se que a mesma está diretamente relaciona- da com o que é aceito socialmente, ou seja, o que de fato é aplicável aos casos concretos, possuindo a capacidade real de regular ou modificar as relações sociais. Por outro lado, quan- do se fala em eficácia jurídica, a aceitação social é irrelevante, uma vez que a norma deve ser aplicada independentemente de consentimento social. As normas constitucionais possuem dois efeitos jurídicos mínimos, são eles: efeito revogador e efeito inibidor: O Efeito revogador (efeito positivo), REVOGA, via de regra, todas as normas que entrem em conflito com a Constituição, uma vez que é impossível que duas normas regulem de forma con- traria sobre a mesma matéria. Desta forma, não se permite que sejam recepcionadas normas legisladas anteriormente que sejam incompatíveis com a norma constitucional vigente. Portan- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 24 to, a norma antiga é automaticamente revogada pela Constituição superveniente, pois, caso continue a vigorar, estará configurado o que chamamos de conflito de normas. Já o Efeito Inibidor (efeito negativo), é a aptidão de impedir que sejam editadas normas que contrariem o previsto na norma constitucional, ou seja, as normas que virão futuramente ne- cessitam, obrigatoriamente, estar de acordo com as novas regras estabelecidas na Constitui- ção Federal. No país, o sistema normativo é constitucional, ou seja, baseado na Constituição Federal. Portanto, para que uma norma seja válida no sistema jurídico, esta necessita estar de acordo não só com o sistema normativo, mas também com as regras constitucionais. No entanto, em nosso sistema normativo é possível que uma norma nasça violando a Consti- tuição Federal, porém quando isso ocorre, os efeitos jurídicos são ruins para o sistema norma- tivo, por isso a norma é declarada inconstitucional e deve ser desentranhada o mais rápido possível do ordenamento jurídico. 2.2. Classificação da eficácia das normas constitucionais Em relação a classificação da eficácia das normas constitucionais, o STF, em seara jurispru- dencial adota a classificação de JOSÉ AFONSO DA SILVA, o qual, separa a eficácia das nor- mas entre: plena, contida e limitada. Vejamos. 2.2.1. Normas constitucionais de Eficácia PLENA São aquelas que possuem aplicabilidade imediata, direta e integral, sendo assim, não ne- cessitam de regulamentação legal posterior para assegurar a produção dos seus efeitos, de maneira que nada a limita ou restringe. Palavras-chave: Imediata, direta, integral, independentes, completas, autoaplicáveis. Exemplos de norma de Eficácia Plena: os seguintes artigos da Constituição Federal de 1988: art. 1º; art. 2º; art. 14; art. 15; art. 45; art. 132. 2.2.2. Normas constitucionais de Eficácia CONTIDA São aquelas que, apesar de possuírem capacidade de produzir seus efeitos desde a promul- gação, podem sofrer restrições futuras realizadas por outras normas, como leis, regulamentos constitucionais, etc. Podem ser identificadas por meio de expressões como: exceto, na forma da lei ou regulamen- to, salvo. Funciona como se fosse uma espécie de campo que restringe sua aplicação, ou de bloqueio para delimitar sua atuação. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 25 Palavras-Chave: Aplicação imediata, direta, não integral. Exemplo de norma constitucional de Eficácia Contida: art. 5º, VIII, CF. “Salvo se a invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternati- va”. Temos outros artigos da Constituição Federal que podemos citar como exemplo, como: art. 5º, incisos VII, XXV; art. 37, I. EXCEÇÕES: é dito que é norma de Eficácia Limitada pela doutrina minoritária, pois há neces- sidade de lei que complemente o necessário para sua aplicação. É classificada como norma constitucional de eficácia plena pelo doutrinador Pedro Lenza e pelo entendimento do STF, com a justificativa de que quando não há lei que contenha ou limite seus efeitos, ela terá plena eficácia até que haja dispositivo legal que a limite. 2.2.3. Normas de Eficácia LIMITADA Possuem aplicabilidade diferida para um momento futuro, ou seja, dependem da edição de uma norma infraconstitucional superveniente para que adquira aptidãopara produzir os seus efeitos principais. Apesar disso, essas normas possuem efeitos secundários: revogador e inibi- dor (tratados anteriormente). Essas normas criam direitos subjetivos negativos, por isso, os cidadãos possuem capacidade de exigir que o poder público não aja em desacordo com disposto nelas. Palavras-chave: Aplicabilidade indireta, mediata, não integral. Conforme a lei, na forma da lei, de acordo com a lei complementar. PARA SABER MAIS Atributos decorrentes da eficácia limitada das normas constitucionais: a) Eficácia conformadora: exige que o poder público (todos os três poderes) atue em conformidade com a norma constitucional. b) Eficácia interpretativa: orienta a interpretação das demais normas constituci- onais. c) Eficácia redutora da discricionariedade: diminui a margem de discricionarie- dade da atuação do poder público em relação ao conteúdo disposto na norma. d) Eficácia invalidatória: serve como parâmetro para recepção de normas infra- constitucionais ou para declaração de inconstitucionalidade de normas anteriores à Constituição. IMPORTANTE O artigo, 5º XIII, CF/88 é em REGRA norma de eficácia contida! Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 26 As normas de eficácia limitada se dividem ainda entre: normas de eficácia limitada ins- titutiva e normas de eficácia programática. Vejamos: 2.2.4. Normas de eficácia limitada institutiva (organizativa) São normas que possibilitam a instituição de órgãos ou entidades, que viabilizem o cumprimen- to de programas ligados as diretrizes gerais da administração pública. Podem ser impositivas ou facultativas. a) São impositivas quando o texto normativo constitucional traz expressões como “a lei deverá”, “a lei “disporá”. Portanto, deixam claro que é necessária a atuação legislativa para o preenchimento das lacunas que impossibilitam a norma de ser aplicada. b) Já as facultativas não impõem um dever ao legislador para que regulamente a matéria disciplinada, sendo assim, facultam edição da norma. É caracterizado por expressões como “a lei poderá”. Exemplos de normas de eficácia limitada institutiva: artigos 18, § 2º, 33, 109, VI da Consti- tuição Federal. 2.2.5. Normas de eficácia limitada programática (analíticas e dirigentes) São aquelas que estabelecem uma política para ser executada no futuro por meio de princípios programáticos a serem cumpridos pelos seus órgãos. Exemplo: artigos 196, 205, 227, da Constituição Federal. Classificação da eficácia das normas constitucionais Eficácia plena Eficácia contida Eficácia limitada - Aplicabilidade ime- diata, direta e integral. - Não necessitam de regulamentação legal posterior para garantir sua aplicação e não podem ser restringidas - Aplicação imediata, direta, não integral - Podem sofrer restri- ções futuras realizadas por outras normas - Aplicabilidade indireta, mediata, não integral - Dependem da edição de uma norma infra- constitucional superve- niente para que adquira aptidão para produzir os Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 27 seus efeitos principais. - Ainda assim possui efeitos secundários: revogador e inibidor - Se dividem ainda en- tre: normas de eficácia limitada institutiva e normas de eficácia pro- gramática 2.3. Outras classificações doutrinárias A doutrina ainda acolhe mais duas classificações de eficácia das normas constitucionais, são elas: normas de eficácia absoluta ou total e normas de eficácia exaurida ou esvaída. Vejamos: Eficácia absoluta ou total: normas intangíveis, não podem ser contrariadas ou modificadas pelo poder constituinte derivado reformador. Norma de eficácia exaurida ou esvaída: são normas que já extinguiram a produção dos seus efeitos, ou seja, tem aplicabilidade esgotada. Vale ressaltar que algumas normas produzem efeitos por um determinado período ou são criadas para serem utilizadas uma única vez, temos como exemplo a maioria das normas do ADCT. EXERCÍCIOS 1. (VUNESP - 2019 - TJ-SP - Administrador Judiciário) A doutrina define normas programá- ticas como aquelas que: A) dependem de regulamentação pelo legislador infraconstitucional e também de condições materiais. B) instituem a possibilidade de que órgãos ou instituições sejam criados por outra lei. C) permanecem aplicáveis enquanto não editada qualquer norma que restrinja a sua eficácia. D) podem ser reduzidas com base no princípio da proporcionalidade. E) nascem plenas, completas, produzindo todos os efeitos desejados. 2. (CESPE - 2018 - MPE-PI - Analista Ministerial - Área Processual) A eficácia de uma nor- ma constitucional pode ser considerada não só do ponto de vista jurídico, mas também do so- cial, ocorrendo essa eficácia social a partir do respeito à legislação pela população. A) Certo Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2019-tj-sp-administrador-judiciario https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-mpe-pi-analista-ministerial-area-processual www.cers.com.br 28 B) Errado 3. (FGV - 2018 - AL-RO - Consultor Legislativo - Assessoramento Legislativo) De acordo com o Art. 121, caput, da Constituição da República, “lei complementar disporá sobre a organi- zação e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas eleitorais." Considerando a aplicabilidade das normas constitucionais, é correto afirmar que desse preceito se extrai uma norma de eficácia: A) limitada e de princípio programático. B) contida e aplicabilidade imediata. C) limitada e de princípio institutivo. D) direta e aplicabilidade imediata. E) difusa e aplicabilidade direta. 4. (CESPE - 2018 - PC-MA - Conhecimentos Específicos - Escrivão de Polícia) O art. 5º, inciso XIII, da Constituição Federal de 1988 (CF) assegura ser livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Com base nisso, o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil estabelece que, para exercer a advocacia, é necessária a aprovação no exame de ordem. A norma constitucional mencionada, portanto, é de eficácia: A) contida. B) programática. C) plena. D) limitada. E) diferida. 5. (FGV - 2018 - TJ-SC - Analista Administrativo FGV - EnfermeiroFGV) De acordo com o art. 5º, XXXII, da Constituição da República, “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor". Considerando a aplicabilidade das normas constitucionais, a norma constitucional que se extrai do referido preceito tem: A) eficácia limitada de princípio consumerista; B) eficácia limitada de princípio institutivo; C) natureza programática; D) eficácia contida; E) eficácia plena. 6. (VUNESP - 2017 - Prefeitura de São José dos Campos - SP – Procurador) Analise os dispositivos constitucionais a seguir reproduzidos e assinale a alternativa que os classifica, respectiva e corretamente, considerando a eficácia das normas constitucionais. “A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei esta- dual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei" (art. 18 § 4º). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 29 “Aosmaiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos ur- banos" (art. 230 § 2º). A) Limitada e plena. B) Contida e limitada. C) Plena e contida. D) Limitada e contida. E) Limitada e limitada. 7. (FCC - 2018 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Conside- rando a classificação das normas constitucionais quanto à sua aplicabilidade e eficácia, A) todas as normas de direitos e garantias fundamentais previstas na Constituição Federal têm eficácia plena, já que são normas de aplicação imediata segundo o texto constitucional. B) na ausência de norma regulamentadora de norma constitucional de eficácia contida poderá ser impetrado habeas data, desde que para assegurar a aplicação de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. C) caracteriza norma de eficácia limitada aquela segundo a qual o direito de greve será exerci- do pelos servidores públicos nos termos e nos limites definidos em lei específica. D) caracteriza norma programática aquela segundo a qual é livre o exercício de qualquer traba- lho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. E) na ausência de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos previstos em normas constitucionais de eficácia limitada, poderá ser impetrado mandado de segurança. 8. (CESPE - 2018 - PGM - JOÃO PESSOA - PB - Procurador do Município) A Constituição Federal de 1988 (CF) prevê que a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios serão feitos por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos municípios envolvidos, após a divulgação dos estudos de viabilidade municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Conforme o entendimento do STF e a classificação tradicional da aplicabilidade das normas constitucionais, tal previsão constitui norma de eficácia: A) plena, pois de aplicabilidade imediata. B) plena, embora de aplicabilidade diferida. C) limitada, pois de aplicabilidade mediata. D) contida, pois de aplicabilidade mediata. 9. (FCC - 2018 - CL-DF - Procurador Legislativo) Considere as seguintes normas constituci- onais: 1a norma:Art. 5º −XIII − é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; 2a norma: Art. 7º − São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI − participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 30 3a norma:Art. 37º − A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni- ão, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: VII − o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; Considerando a classificação das normas constitucionais, quanto à sua eficácia, em normas de eficácia plena, contida e limitada, os dispositivos acima transcritos constituem exemplos, res- pectivamente, de normas de eficácia: A) contida − limitada − limitada. B) contida − contida − limitada. C) limitada − contida − contida. D) plena − contida − contida. E) plena − limitada − limitada. 10. (FCC - 2017 - DPE-RS - Analista – Administração) É considerada de eficácia limitada, na medida em que dependente de regulamentação para a produção de efeitos, a norma constitu- cional segundo a qual: A) a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. B) a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. C) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações pro- fissionais que a lei estabelecer. D) são brasileiros naturalizados os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasilei- ra, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira. E) são direitos dos trabalhadores a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da re- muneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 A 6 A 2 CERTO 7 C 3 C 8 C 4 A 9 A 5 C 10 E Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 31 3. HISTÓRICO DAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS No decorrer da história das constituições brasileiras, estas fizeram parte de uma evolução his- tórica bastante distinta. Desde a Constituição Imperial de 1824 até a atual Constituição Federal de 1988, o Brasil passou por grandes transformações, as quais refletem até hoje na própria construção do Estado. Antes de discorrer acerca deste tema, observe abaixo a natureza jurídica das constituições brasileiras abaixo: HISTÓRICO DAS CONTRUÇÕES BRASILEIRAS 1824 Outorgada 1891 Promulgada 1934 Promulgada 1937 Outorgada 1946 Promulgada 1967 e E. C. 1/69 Promulgada e Outorgada pelos mili- tares 1988 Promulgada 3.1. Constituição de 1824 A Constituição de 1824, conhecida como Constituição Imperial foi outorgada em 25 de março 1824, por D. Pedro I, que dissolveu a Assembleia Constituinte em 1823 e, com a intenção de instituir um Estado unitário, concentrar todo o poder político em suas mãos e estabelecer a forma monárquica de Estado, impôs o seu projeto, o qual tornou a primeira Constituição do Brasil. Importante lembrar que, embora o Projeto de D. Pedro I tenha sido lido e aprovado por algu- mas Câmaras Municipais de confiança dele, os historiadores consideram esta Carta como uma imposição do imperador. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 32 Instituiu quatro funções do poder político: funções legislativa, executiva, judiciária e moderado- ra. a) Função legislativa Atribuída à uma Assembleia Geral, era formada por uma Câmara de Deputados temporária e eletiva e, pelo Senado, que era formado por meio de eleição provincial, sendo que os seus membros eram escolhidos pelo Imperador, por meio de lista tríplice, com mandato vitalício. b) Função executiva Era comandada pelo Monarca, o qual era assessorado por Ministros de Estado. Cabia ao Mo- narca examinar os projetos legislativos, os quais eram submetidos a ele para sancionar ou ve- tar tal proposta, sendo que sua decisão era tácita. c) Função judiciária Desempenhada por juízes, contando com a participação de jurados. No Brasil Império, o Tribu- nal do Júri possuía competência tanto penal quanto cível. Era conferida aos juízes a vitalicie- dade, no entanto, não lhes garantia a inamovibilidade. O órgão de cúpula do Poder Judiciário era conhecido como Supremo Tribunal de Justiça, e era composto por juízes togados, resultantes de relações pro- vinciais. d) Função moderadora A função moderadora foi concedida exclusivamente ao Monarca, o qual, por meio desta pode- ria interferir livremente no exercício das demais funções do poder político. O Poder Moderador estava acima dos demais Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo. As províncias passaram a ser dirigidas por presidentes escolhidos pelo Imperador, e as elei- ções eram indiretas e censitárias.Por eleição censitária entende-se que só podia votar quem obedecesse a determinados critérios econômico-financeiros estabelecidos na Constituição. Os mesmos critérios serviam para aqueles cidadãos que quisessem se eleger. CURIOSIDADE A constituição de 1824 foi apelidada de “Constituição da mandioca”, pois levava em consideração a fortuna de uma sociedade agrária e rural, em que a farinha de mandioca era a moeda usada para calcular o capital dos produ- tores rurais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 33 Com duração de 65 anos de vigência, a Constituição Imperial de 1824 é considerada a mais longa de toda a história do país, até então. 3.2. Constituição de 1891 Conhecida como “Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil”, foi promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Concebeu a forma de governo republicana, o sistema de governo presidencialista, a forma federativa de Estado com observância da separação de competências entre a União e os Es- tados-membros, deixando de lado a ideia de Estado unitário. Na Constituição de 1891 houve outras diversas inovações, dentre elas a criação do sufrágio com menos limitações, instituição d habeas corpus, separação da Igreja e Estado, não mais sendo considerada como oficial a religião católica. Foram responsáveis por aprovar a Constituição de 1891 o chefe de governo provisório da épo- ca, Marechal Deodoro da Fonseca e o seu vice, Senador Rui Barbosa, que foi o Relator do pro- jeto. A repartição dos Poderes seguiu a linda doutrinária de Montesquieu, onde era concebida a re- partição dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A função do Poder Executivo era exercida pelo Presidente da República, que era eleito por meio do sufrágio universal, e, votação direta e popular. Já o Poder Legislativo era exercido pelo Congresso Nacional, consagrado pela Câmara de De- putados e pelo Senado Federal. Por fim o Poder Judiciário organizou-se, no âmbito da União com juízes federais e tribunais federais enquanto que nos Estados-membros, estruturou-se com juízes e tribunais locais. 3.3. Constituição de 1934 Conhecida como “Segunda República”, a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil foi promulgada em 16 de julho de 1934. Em 1933, quando o país era presidido por Getúlio Vargas, foi instalada uma nova Assembleia Constituinte, responsável por inaugurar um novo Estado, com a Constituição de 1934. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 34 A partir da quebra do pensamento liberal do Estado, a Constituição de 1934 preocupou-se em se comprometer com as questões sociais demonstradas pela grande discrepância entre os setores produtivos. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1934 Implementou o voto secreto, a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho. Garantiu o direito ao voto obrigatório feminino, com exceção apenas se não exercesse função pública remunerada. Criação do Mandado de Segurança e da Ação Popular. Constitucionalização dos direitos sociais. Institucionalização do Ministério Público, Tribunal de Contas e Conselhos Técnicos. Tornou o processo de revisão constitucional mais dificultoso e facilitou a pro- positura de emendas à Constituição. 3.4. Constituição de 1937 Em 10 de novembro 1937 foi outorgada a Constituição do Estado Novo pelo Presidente Getú- lio Vargas. Este dissolveu o Congresso Nacional, e outorgou a nova Carta Constitucional sem qualquer consulta prévia. Esta Constituição ficou conhecida também como Constituição Polaca, uma vez que Vargas descrente com a democracia, se inspirou na Carta ditatorial da Polônia de 1935. Esta constitui- ção aboliu os partidos políticos e concentrou todo o poder do Estado nas mãos do Chefe do Poder Executivo. PRINCIPAIS CARACTERÍSITICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1937 Extinção da independência dos Poderes Legislativo e Judiciário. Instituição da pena de morte no país. Redução dos direitos e garantias individuais, bem como a desconstitucionali- zação do Mandado de Segurança e da Ação Popular. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 35 Extinção da liberdade partidária e da liberdade de imprensa. Retirou a Justiça Federal de primeira instância. 3.5. Constituição de 1946 Promulgada em 18 de setembro de 1946, esta constituição foi marcada pelo processo de re- constitucionalização e redemocratização do país, antecipada da queda de Vargas. Dentre as características principais da Constituição de 1946 estão a institucionalização da Jus- tiça do Trabalho e o Tribunal Federal de Recursos, independência dos Poderes Legislativo e Judiciário, a restituição dos direitos individuais, a extinção da pena de morte, o fim da censura, reconstitucionalização do Mandado de Segurança e da Ação Popular, direito de greve e livre associação sindical, pluralidade partidária, dentre outros. 3.6. Constituição de 1967 e a E.C 01/69 Em 24 de janeiro de 1967 foi promulgada a “Constituição do Brasil”. No posto da Presidência do país, o Marechal Castelo Branco queria dar ao Brasil uma constituição que representasse os ideais da Revolução. Assim, em 07 de dezembro de 1966 editou o Ato Institucional n. 4, o qual convocava o Con- gresso Nacional para uma reunião extraordinária, que ocorreria no lapso temporal de 12 de dezembro de 1966 a 24 de janeiro de 1967. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1967 Outorgou amplos poderes à União e ao Presidente da República em detri- mento dos demais poderes. Interviu na autonomia dos Municípios, dizimando as hipóteses de eleição di- reta e popular para prefeitos. Suspendeu direitos individuais e políticos. Alterou bruscamente o sistema tributário nacional e a discriminação de ren- da. Preocupou-se, sobretudo com a segurança nacional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 36 Ampliou a técnica de federalismo cooperativo, onde permitia a participação de uma entidade na receita da outra, com notável centralização. A Constituição de 1966 foi emendada por diversos Atos Institucionais (AIs), que ficaram mar- cados como instrumentos de legitimação das ações políticas dos limitares. Assim, em 17 de outubro de 1969 foi outorgada a Emenda Constitucional n. 1. Logo após a morte do Presidente Costa e Silva que pretendia trazer de volta prerrogativas democráticas revogando o AI-5, os Ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, uniram-se e deram uma nova redação para a Carta de 1967. Alguns estudiosos entendem que a E.C. n. 1/69 foi uma nova constituição. No entanto, a dou- trina majoritária entende que apesar de desmedida a E.C. n. 1/69, esta não foi capaz de inau- gurar um novo Estado, por não cumprir requisitos necessários para isso. Assim entende BU- LOS, 2014, p. 499. “Para nós, a descomensurada Emenda Constitucional n. 1/69, que abarcou o Texto de 1967 quase por inteiro, não foi suficiente para dar ao Brasil a sua “sétima Constituição”. Importante saber que, embora esta Constituição tenha sido nomeada de Constituição da Re- pública Federativa do Brasil, é certo que esta foi outorgada pelo Regime Militar, abolindo direi- tos e garantias dos cidadãos. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 1/69 Suspensão de reuniões de caráter político. Eliminação de imunidades parlamentares materiais e processuais. Aumento do mandado presidencial para cinco anos. Suspensão do habeas corpus para os crimes políticos.Censura aos meios de comunicação Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 37 Eleições indiretas para os governos estaduais. Autorização para intervenção em estados e municípios. Decretação do estado de sítio pelo Presidente da República em qualquer dos casos previstos na Constituição. 3.7. Constituição de 1988 Em 27 de novembro de 1985, A Assembleia Nacional Constituinte por meio da Emenda Consti- tucional n. 26, foi convocada para elaborar a sétima Constituição do Brasil. Com o anseio de expressar a verdadeira realidade nacional após o Regime Militar, objetivando a redemocratização do país, na data de 05 de outubro de 1988 foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil e assim inaugurou um novo Estado. Com o grande objetivo de implantar um Estado Democrático, a Constituição de 1988 ficou co- nhecida como “Constituição cidadã”. Em seu conteúdo pode-se observar a ampliação dos direi- tos e garantias individuais bem como das liberdades civis. A Carta de 1988 instituiu normas transformadoras, como é o exemplo das novas normas traba- lhistas, do direito ao voto dos analfabetos e dos jovens de 16 e 17 anos. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 Instituiu as eleições majoritárias em dois turnos. Aumento da licença maternidade e instituição da licença paternidade por cin- co dias. Liberdade sindical e direito à greve. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 38 Criação dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça substituindo o Tribunal Federal de Recursos. Criação do Mandado de Injunção, Mandado de Segurança coletivo, Habeas Data, Ação de Inconstitucionalidade por omissão. Restabeleceu o habeas corpus. Reformou o sistema tributário e a ordem econômica e social Fim da censura aos meios de comunicação. Alterações na legislação de seguridade social e assistência social. Constitucionalização do meio ambiente, ciência, tecnologia, comunicação social, conferindo importância à família, ao idoso, ao índio e às crianças e adolescentes. EXERCÍCIOS 1. (UERR – 2018 – IPERON – RO – Auditor) Sobre a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é correto afirmar que: A) Estabelece direitos sociais unicamente de forma implícita, ao contrário dos direitos individu- ais, sempre explicitados em seu texto. B) É estruturada em um modelo de bem-estar social, inclusive contemplando direitos sociais tal qual, de forma até então inédita, o fez a Constituição mexicana de 1917. C) Embora contemple diversos direitos sociais, não confere a estes a mesma consistência dos direitos individuais, permitindo que sejam excluídos de seu texto por simples processo de re- forma constitucional. D) Adota, segundo o modelo das revoluções liberais do Séc. XVIII, uma defesa intransigente da liberdade, contudo apenas de forma breve se reporta a direitos sociais. E) Prevê um liberalismo puro, no qual a intervenção do Estado nas esferas sociais é mínima, nos moldes preconizados por filósofos com Ayn Tand. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 39 2. (FUNRIO – 2018 – AL-RR – Assessor Técnico Legislativo) No processo histórico evoluti- vo das constituições brasileiras, o voto feminino foi previsto expressamente pela primeira vez na constituição de: A) 1824. B) 1891. C) 1934. D) 1937. 3. (VUNESP – 2018 – TJ-SP – Juiz Substituto) A Carta Constitucional de 1967, o Ato Institu- cional nº 5/1968 e a Emenda Constitucional nº 1/1969 representaram um período de anormali- dade institucional que se prolongou até a Constituição de 1988. Sobre eles, pode-se afirmar que: A) A Emenda Constitucional nº 1 restaurou as garantias constitucionais cuja suspensão carac- terizou o regime de exceção e revogou a prerrogativa do Presidente da República de decretar o recesso do Congresso Nacional. B) O Ato Institucional nº 5 manteve a competência do Presidente da República para decretar intervenção federal nos Estados e Municípios e a previsão de sujeição do Decreto à apreciação pelo Congresso Nacional. C) O Ato Institucional nº 5 suspendeu as garantias constitucionais e legais da vitaliciedade, inamovibilidade e estabilidade e excluiu da apreciação judicial os atos nele fundados. D) A Carta de 1967, cujo projeto foi elaborado pelo Governo e que muitos consideram outorga- da e não promulgada, manteve a prerrogativa que a Carta de 1946 conferiu ao Presidente da República para expedir Decretos-leis. 4. (FCC – 2018 – MPE-PB – Promotor de Justiça) A Constituição do Império do Brasil, de 1824, é considerada “semirrígida” porque: A) Admitia ser alterada em parte por lei comum e em parte por emenda constitucional. B) Era composta menos por normas escritas e mais por normas costumeiras. C) Reservava a modificação da matéria constitucional a leis complementares. D) Submetia a plebiscito as modificações constitucionais, não a um processo parlamentar de emenda constitucional. E) Não previa cláusulas pétreas. 5. (FCC – 2018- DPE-RS – Defensor Público) Sobre a evolução histórica das constituições brasileiras, considera: I. A constituição brasileira de 1824 reconhecia quatro Poderes Políticos: o Poder Moderador, o Poder Legislativo, o Poder Judicial e o Poder Federativo. II. A Constituição brasileira de 1934, resultado dos trabalhos de uma Assembleia Nacional Constituinte, previa a existência da Justiça Eleitoral. III. Vedava-se, consoante a Constituição brasileira de 1946, o registro de qualquer partido polí- tico cujo programa ou ação contrariasse o regime democrático. Está correto o que consta APENAS de: Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 40 A) II. B) III. C) I e II. D) I e III. E) II e III. 6. (UNESPAR – 2014 – Advogado) A partir da leitura do fragmento a seguir, assinale o que se pede. Sobre a Constituição: “O documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça so- cial do Brasil. Que DEUS nos ajude, que isso se cumpra”. Foi exatamente com essas palavras que o presidente da Assembleia Nacional Constituinte em 1988, saudoso deputado Ulysses Guimarães, declarou promulgada a Constituição Federal da República Federativa do Brasil. A carta magna de 1988 é conhecida como: A) Constituição Cidadã. B) Constituição da Mandioca. C) Constituição Polaca. D) Carta dos Direitos Humanos. E) Carta del Lavoro. 7. (TRF 3º REGIÃO – 2016 – Juiz Federal Substituto) Considere a história constitucional do Brasil e assinale a alternativa correta: A) Os direitos fundamentais foram expressamente previstos pela primeira vez na Constituição de 1946, a qual sobreveio após a queda do Estado Novo. B) A forma Federativa de Estado foi prevista na Constituição de 1891, mas ainda assim não foi assegurada autonomia aos Municípios na condição de entes federados. C) Na Constituição de 1946 foi concedida ao Presidente da República autorização para expedir decretos-leis e foi prevista a eleição para as Casas Legislativas por meio de voto direto e se- creto. D) O presidencialismo sempre acompanhou a forma republicana de governos desde que esta foi implantada com a queda do Império. 8. (IESES – 2016 – TJ-PA – Titular de Serviços de Notas e de Registros) A Carta Magna que trouxe diversas novidades, dentre estas a constitucionalização dos direitos sociais, a cria- ção da Justiça Eleitoral, o sufrágio feminino, o voto secreto e o mandado de segurança, refere- se a: A) A Constituição da República Federativa de 1988.B) Carta Constitucional de 1934. C) Carta Constitucional de 1824. D) Carta Magna de 1891. 9. (MPDFT – 2015 – Promotor de Justiça) Considerando-se que forma de governo é o modo como é preenchida a Chefia de Estado e que sistema de governo é o modo como se relacio- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 41 nam as Chefias de Estado e de Governo, constata-se que, na História constitucional brasileira, o I e o II Império foram: A) Uma monarquia limitada e uma monarquia eletiva, respectivamente. B) Uma monarquia absolutista e uma monarquia limitada, respectivamente. C) Uma monarquia presidencialista e uma monarquia parlamentarista, respectivamente. D) Monarquias parlamentaristas, pois a divisão dos Poderes Moderador e Executivo era origi- nária. E) Monarquias eletivas. 10. (CONSULPLAN – 2016 – Prefeitura de Cascavel) A Constituição da República Federati- va do Brasil, também chamada de Constituição Federal, é a lei fundamental e suprema do país. Ela regula e organiza o funcionamento do estado, limitando poderes e definindo os direitos e deveres do cidadão. A Constituição Federal do Brasil foi promulgada em: A) 22 de abril de 1500. B) 31 de março de 1964. C) 05 de outubro de 1968. D) 07 de setembro de 1822. E) 15 de novembro de 1889. GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 B 6 A 2 C 7 B 3 C 8 B 4 A 9 C 5 E 10 C 4. NEOCONSTITUCIONALISMO O neoconstitucionalismo, também conhecido como constitucionalismo contemporâneo ou cons- titucionalismo de direitos, refere-se aos avanços de direito constitucional ocorridos na Consti- tuição a partir da segunda metade do Século XX. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 42 Trata-se de um processo de constitucionalização do Direito como resposta as crueldades ocor- ridas na Segunda Guerra Mundial. Por isso, tem como fundamento a garantia dos direitos fundamentais, principalmente aqueles relacionados à dignidade da pessoa humana. Esse novo pensamento não se limitou a organização do estado, pois incluiu valores e opções políticas com caráter ideológico para efetivação dos direitos fundamentais e do bem- estar social. A Constituição foi reconhecida como centro do ordenamento jurídico. Sendo assim, do- cumento jurídico com supremacia material e seu conteúdo dotado de força normativa, condi- cionando a validade do Direito e disciplinando as atividades dos órgãos de direção política. Neste contexto, esse movimento fortaleceu a separação dos poderes e, notadamente, a autonomia do Poder Judiciário. A centralidade da Constituição e dos direitos fundamentais influenciou na Constitucio- nalização do Direito. O texto constitucional passou a disciplinar normas de outras ramos do direito, como de direito penal, direito tributário, etc. A constituição inovada se torna o paradigma de interpretação de todo ordenamento jurí- dico e institui a filtragem constitucional. Este processo consiste na interpretação de todos as áreas do direito conforme a normas constitucionais, realizado pelo princípio da interpretação conforme. CONSTITUCIONALISMO X NEOCONSTITUCIONALISMO Diferente do Constitucionalismo que foi um movimento jurídico e político destina- do a limitar o poder do Estado e garantir os direitos dos indivíduos, o Neoconsti- tucionalismo é um novo tratamento ao direito constitucional que busca dar maior eficácia a constituição. PARA SABER MAIS Superioridade hierárquica constitucional em relação as demais leis nacionais, ex- ceto no que concerne aos tratados internacionais que versam sobre direitos huma- nos. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 43 Além disso, as primeiras constituições legitimavam apenas a eficácia vertical dos direitos fundamentais, visto que, estes eram oponíveis ao Estado. Todavia, no neoconstitucionalismo esses direitos se aplicam nas relações entre particulares, como forma de garantir as normas constitucionais no âmbito privado, criando a eficácia horizontal dos direitos fundamentais. O autor alemão Konrad Hesse defendia a força normativa da constituição ao afirmar que os princípios são normas e, por isso, tem força vinculante. No mesmo sentido, Ronald Dworkin e Robert Alexy afirmaram que princípios e regras são espécies de norma. Devido a isso, consideraram os princípios e as regras constitucionais como normas de Direito Constitucional que refletem seus fundamentos legais nas demais áreas jurídicas através do seu efeito irradiante. O neoconstitucionalismo é responsável pela nova ordem jurídica: Estado Constitucional de Direito em substituição ao Estado Legislativo de Direito. Neste, a norma jurídica era válida quando estava conforme o direito posto. Por outro lado, no Estado de Direito a legalidade da norma decorre da conformidade do seu conteúdo com os valores constitucionais. O novo sistema jurídico expande as constituições, agora repleta de princípios e regras, e não apenas de valores constitucionais que eram adstritos a literalidade do texto. Essa corrente alterou tanto o direito constitucional como o Estado. Além disso, importante mencionar que as constituições escritas limitaram o poder políti- co do Estado. O marco histórico dessas mudanças é a formação do Estado Constitucional de Direi- to em substituição ao Estado Legislativo de Direito, no século XX. Após a Segunda Guerra Mundial, a constituição passa a ser o centro do sistema jurídico, reconhecida como documento jurídico e com carga valorativa. Com a criação do Estado de Direito, a Constituição adquire eficácia jurídica vinculante e obrigatória. A legalidade subordina-se à Constituição e a validade das normas jurídicas depen- dem da compatibilidade de sua produção e conteúdo com as normas constitucionais. O marco filosófico é o pós-positivismo que reaproxima o Direito e a Ética, com cen- tralidade dos direitos fundamentais. Busca-se afastar a legalidade extrema para complementar a lei os princípios morais, no intuito de efetivar os direitos fundamentais e garantir o mínimo existencial (condições mínimas de existência humana digna). IMPORTANTE Com a consolidação do Estado Constitucional e Democrático de Direito, todos os dispositivos da CF / 88 são vinculantes e obrigatórios. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 44 Nesse contexto, surge o modelo normativo axiológico constitucional cujo texto inclui princípios e normas de direitos fundamentais, como também positiva os valores determinados pela sociedade com conteúdo normativo que vincula as atividades do poder público e do parti- cular. Devido a vertente axiológica, as normas possuem hierarquia não apenas formal, mas de valor e moral. O marco teórico refere-se ao reconhecimento da força normativa da constituição, a expansão da jurisdição constitucional e a criação de uma nova dogmática de interpretação constitucional. A centralidade da Constituição e as transformações decorrentes da Supremacia Consti- tucional resultaram na Constitucionalização do Direito a fim de concretizar os direitos assegu- rados no texto constitucional. CONSTITUIÇÃO Centro do ordenamento jurídico Imperativa, superior e vinculante Proteção dos direitos fundamentais perante o princípio democrático Eficácia irradiante das normas constitucionais os poderes públicos e aos particulares Promoveu os direitos fundamentais, principalmente os direitos sociais Garante omínimo existencial MARCOS DO NEOCONSTITUCIONALISMO Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 45 Histórico Teórico Filosófico Estado Constitu- cional de Direito Supremacia constitucional Força normativa Nova interpreta- ção constitucio- nal Pós-positivismo Reaproximação de Direito e Ética Direitos fundamen- tais 4.1. Rematerialização das Constituições As constituições invasoras ou expansivas resultantes do neoconstitucionalismo consagraram em seus textos normas que estavam previstas no âmbito infraconstitucional, como também, abordaram valores morais e políticos. O processo de ampliação das matérias disciplinadas no texto constitucional é definido como rematerialização das constituições. Segundo Paulo Bonavides, como consequência a rematerialização surgiram novos direitos fundamentais de quarta geração, que seriam: a) Democracia: ampliação da democracia na garantia de direitos básicos para todos e nos meios de participação popular direta. b) Informação: direito de se informar, ser informado e a informar. c) Pluralismo: respeito à diversidade. Ademais, Paulo Bonavides consagra o direito de quinta geração: direito à paz. 4.2. Pós-positivismo O pós-positivismo consiste no resultado das teorias do jusnaturalismo e do positivismo. Ideias que apesar de opostas, tornaram-se complementares no positivismo moderno. No século XVI, o jusnaturalismo fundamentou-se na aproximação entre a lei e a razão. Assim, nega a natureza científica do direito ao defender o direito natural. No entanto, entrou em decadência com as constituições escritas, pois estas fortaleceram a teoria do positivismo jurídi- co. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 46 Segundo o positivismo, a legitimidade da lei está atrelada ao direito posto. Neste sentido, o direito se afasta da moral e da ética, sendo estabelecido com base na legalidade extrema. Busca-se alcançar a neutralidade moral. A teoria do positivismo foi criticada após a Segunda Guerra Mundial, tendo em vista que nazistas e fascistas justificaram as violações aos direitos sob o prisma da legalidade jurídica. Logo em seguida, a norma jurídica perde a validade em razão das injustiças da época. Nesse contexto, o pós-positivismo surge na defesa do direito natural vinculado ao direito posto. Procura assegurar a proteção dos direitos fundamentais, principalmente a dignidade da pessoa humana, com respaldo nos princípios éticos e morais. No intuito de alcançar o ideal de justiça além da lei, o pós-positivismo cria uma nova her- menêutica jurídica. Segunda essa intepretação é possível alcançar o fundamento legal e moral a ser aplicado no caso concreto a partir da análise literal da lei e dos princípios dotados de for- ça normativa. Assim, essa teoria tem como objetivo garantir a plena efetivação dos direitos fundamen- tais individuais e sociais. 4.3. Constitucionalismo Global O constitucionalismo global se legitima ao final da Segunda Guerra Mundial com o reco- nhecimento dos indivíduos como sujeitos de direitos internacionais. A capacidade jurídica internacional conferida as pessoas ocorre diante da criação de Tratados Internacionais que buscam assegurar direitos fundamentais universais, como os valo- res da Liberdade, da Igualdade, da Justiça e da Fraternidade. Tais direitos vão além do Estado soberano por serem inerentes a todos seres humanos e, por isso, provocam à interdependência dos países em matérias comuns. A constituição global estabeleceria regras gerais relacionadas a paz mundial e internaci- onalização dos direitos individuais e socias, os quais serviriam como modelo para as constitui- ções dos Estados. Desse modo, esse movimento constitucionalista pretende: a) Fortalecer o sistema jurídico-político internacional nas relações entre os Estado, como também, Estado e povo. b) Respeito ao direito internacional delimitado em valores e normas universais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 47 c) Valor constitucional supremo a dignidade da pessoa humana, não podendo sofrer qualquer limitação, ainda que seja por movimentos constitucionais. 4.4. Ativismo Judicial O fortalecimento da jurisdição constitucional torna o Judiciário protagonista na tutela dos direitos fundamentais. Ocorre a substituição do legislador pelo juiz em face das omissões legis- lativas devido a necessidade de tutelar direitos que estavam no vácuo jurídico. Assim, o ativismo judicial surge diante da atitude proativa do judiciário de inovação na ordem jurídica. Isto é, a partir da participação mais ampla do poder judiciário na concretização dos direitos constitucionais, função essa que compete originalmente ao Poder Legislativo. O Poder Judiciário garante os direitos previstos no texto constitucional dentro dos limi- tes, visto que, não pode intervir nas questões políticas. No entanto, nas demais áreas é legíti- ma a atividade judiciária desde que as decisões do juiz tenham fundamentação legal. O exercício da atividade judiciária nas funções do legislativo ocorre apenas para prote- ger o núcleo essencial do direito fundamental (mínimo existencial), ficando limitado a proibição de insuficiência. Tal fato resultou na judicialização da política e das relações sociais. Como exemplo, verifica-se o ativismo judicial quando o Supremo Tribunal Federal deli- berou sobre o direito de greve dos servidores público. Diante da lacuna normativa decorrente da omissão legislativa, a Corte determinou que fosse aplicada a lei dos celetistas enquanto não houvesse legislação específica. 4.5. Transconstitucionalismo O professor Marcelo Neves define transconstitucionalismo como o diálogo entre Estados Sobe- ranos perante uma situação concreta que é relevante simultaneamente para diferentes ordens jurídicas. Isto é, que pode ser decidida igualmente na legislação interna, internacional e supra- nacional. Essa tese é definida como globalização do direito constitucional doméstico. Neste sentido, Marcelo Neves propõe uma relação transversal permanente entre as distintas ordens jurídicas em torno de problemas constitucionais comuns. Diante de questões transacionais, as constituições individuais são insuficientes para solução desses conflitos. Os Estados e as Cortes Internacionais devem considerar toda produção nor- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 48 mativa das constituições para alcançarem a decisão mais adequada e que respeite o interesse de todos Estados envolvidos. Importante lembrar que transconstitucionalismo não é a criação de uma constituição glo- bal ou de soberania transacional, mas a realização de um debate sobre questões constitucio- nais internas com aplicação das determinações externas à nacional. No Brasil há como exemplo de transconstitucionalismo o caso da Lei de Anistia, quando o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a concessão de anistia aos agentes políti- cos. No entanto, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirma que essa decisão é ilegítima pois não está em conformidade com o Pacto de San José da Costa Rica, o qual es- tabelece que os agentes políticos não podem ser anistiados. Outro exemplo de transconstitucionalismo é o art. 5°, parágrafo 4° da CF/88 ao dispor que o Brasil se submete à jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Por fim, verifica-se esse fenômenonormalmente em casos que versem sobre direitos humanos, direitos fundamentais, limitação e controle do poder. 4.6. Patriotismo Constitucional O termo patriotismo constitucional foi primeiramente utilizado pelo historiador Dolf Stern- berger, para refutar o ideal nacionalista autoritário do regime nazista, o qual foi vinculado a questões étnicas e culturais. O patriotismo constitucional propõe uma identidade coletiva instituída nos princípios constitucionais democráticos e liberais com o objetivo de assegurar a integração e a solidarie- dade social. Assim, busca superar o nacionalismo que opõe grupos distintos. Neste sentido, opõe-se a tirania, a opressão, a impureza racial e a heterogeneidade cul- tural ou política. Isto é, a qualquer forma de violação a diversidade étnica e cultural. A identificação da população no respeito as constituições proporcionariam a aproxima- ção dos cidadãos ao Estado Democrático e, simultaneamente, aos direitos humanos, que re- sultaria na convivência pacífica da pluralidade social. Posteriormente, o pensamento de Dolf foi disseminado por Habermas que discorreu a sua compreensão no reconhecimento de um constitucionalismo universal fundado em princí- pios morais e políticos para alcançar o pertencimento étnico comum. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 49 NEOCONSTITUCIONALISMO Conceito: movimento que reconheceu a força normativa da constitui- ção como centro do ordenamento jurídico, que condiciona a validade das demais normas. REMATERIALIZAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES Conceito: busca a maior eficácia possível dos direitos garantidos no texto constitucional, principalmente, os direitos fundamentais e os princípios constitucionais. PÓS-POSITIVISMO Conceito: afasta o direito do absolutismo direito natural ou direito pos- to ao realizar uma releitura do Direito considerando a Moral e a Ética. CONSTITUCIONALISMO GLOBAL Conceito: criação do sistema universal da ordem jurídico-político internacio- nal diante dos valores constitucionais comuns que existem nas constituições dos Estados, atribuindo valor constitucional supremo aos direitos humanos. ATIVISMO JUDICIAL Conceito: evidencia-se quando o Poder Judiciário exorbita suas com- petências decidindo sobre temas que são atribuídos constitucional aos de- mais poderes. TRANSCONSTITUCIONALISMO Conceito: união das ordens jurídicas constitucionais para soluciona- rem problemas que são comuns entre todos os Estados. PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 50 Conceito: almeja alcançar uma constituição intercultural que permita à multiplicidade cultural conviver em uma sociedade pacífica. EXERCÍCIOS 1. (VUNESP - 2019 - TJ-RS - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento) Considerando o histórico do constitucionalismo, que culmina com o neoconstitucionalismo, e atentando, em especial, para os seus elementos formadores e integrantes, assinale a alternati- va que, corretamente, contempla uma afirmação relacionada a uma das particularidades ou características do neoconstitucionalismo. A) À jurisdição constitucional, no âmbito de sua atuação como intérprete constitucional, é ve- dado assumir parcela de poder sobre as deliberações políticas de órgãos de cunho representa- tivo. B) No neoconstitucionalismo atual, o âmbito de poder de deliberação política das maiorias de- mocráticas é amplo e quase que incontrastável. C) O valor normativo supremo da Constituição surge de pronto no neoconstitucionalismo, como uma verdade autoevidente, latente na norma jurídica, agora reconhecido formalmente. D) A Constituição caracteriza-se pela absorção de valores morais e políticos, fenômeno conhe- cido pela materialização da Constituição. E) Os postulados éticos-morais deixam de ter vinculatividade jurídica, devendo os juízes consti- tucionais se ater à fundamentação objetiva preestabelecida pelo próprio sistema jurídico. 2. (TRF - 3ª REGIÃO - 2018 - TRF - 3ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) Um novo para- digma para o constitucionalismo surgiu entre o final do século XX e o início do século XXI. Pro- cura ser uma resposta teórico-prática para a necessidade de se obterem eficácia e efetividade para as normas constitucionais, sobretudo as portadoras de direitos sociais. Implanta, no Bra- sil, modelo normativo-axiológico, com adoção expressa de valores e opções pela efetivação de políticas públicas com sede constitucional. Muitas destas bastante específicas, como os servi- ços de saúde, educação e assistência social a hipossuficientes. Esse paradigma constitucional possui algumas notas típicas, dentre as quais NÃO se encontram: A) Separação conceitual entre o direito constitucional e a moralidade política. B) Tendência a integração das diversas esferas da razão prática para solução dos casos cons- titucionais: o direito, a moral e a política. C) Compreensão da constitucionalidade enquanto critério último de validade das normas, em termos substantivos e não apenas formais. D) Os direitos constitucionais incorporam uma ordem objetiva de valores. Esses direitos e valo- res tornam-se onipresentes com “efeito irradiante” sobre os demais ramos do direito. 3. (CESPE - 2016 - ANVISA - Técnico Administrativo - Conhecimentos Específicos) Acer- ca da CF, julgue o item seguinte. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2019-tj-rs-titular-de-servicos-de-notas-e-de-registros-provimento https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/trf-3-regiao-2018-trf-3-regiao-juiz-federal-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2016-anvisa-tecnico-administrativo-conhecimentos-especificos www.cers.com.br 51 O neoconstitucionalismo influenciou a atual CF e promoveu o fortalecimento dos direitos fun- damentais, notadamente, dos direitos sociais. A) Certo B) Errado 4. (ESAF - 2015 - ESAF - Analista de Planejamento e Orçamento - Conhecimentos Ge- rais) Com a ascensão científica e institucional do direito constitucional, vimos o surgimento do chamado "Novo Constitucionalismo", que possui alguns traços marcantes, com exceção de: A) A acentuação da dualidade dos ramos do direito público e do direito privado. B) Passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico, em que passou a desfrutar de supremacia formal e material. C) Filtragem constitucional, pois, com a passagem da Constituição para o centro, passou ela a funcionar como a lente, o filtro através do qual se deve olhar para o Direito de uma maneira geral. D) O triunfo do direito constitucional, que deve ser a “janela" através da qual se olha o mundo. E) O modo de desejar o mundo, ou seja, o direito constitucional passou a ser não somente um modo de olhar e pensar o Direito, mas também um modo de desejar o mundo: fundado na dig- nidade da pessoa humana, na centralidade dos direitos fundamentais, na busca por justiça ma- terial, na tolerância e no respeito ao próximo. 5. (CESPE - 2015 - AGU - Advogado da União) Com relação a constitucionalismo, classifica- ção e histórico das Constituições brasileiras, julgue o item que se segue. No neoconstituciona- lismo, passou-se da supremacia da lei à supremacia da Constituição, com ênfase na força normativa do texto constitucional e na concretização das normas constitucionais. A) Certo B) Errado 6. (PGE-GO - 2010 - PGE-GO - Procurador do Estado) Expressa uma das características do neoconstitucionalismo: A) A limitação da argumentação jurídica ao raciocínio de subsunção norma-fato. B)O expurgo de contribuições metajurídicas, como as advindas da ética e da moral, do pro- cesso interpretativo. C) O prestígio da lei em detrimento da Constituição. D) O declínio da importância do Poder Judiciário, quando comparado com as funções assumi- das pelos demais poderes. E) O reconhecimento da força normativa dos princípios constitucionais. 7. (UEPA - 2012 - PGE-PA - Procurador do Estado) Assinale a alternativa que cite apenas conceitos próprios da Teoria dos Direitos Fundamentais ou do Neoconstitucionalismo: A) Núcleo essencial, pragmatismo antifundacionista e emotivismo moral kantiano. B) Pragmatismo utilitarista, evolucionismo neurocognitivo e princípio da proporcionalidade. C) Razão prática, ponderação como técnica decisória e força normativa da constituição. D) Princípio da proporcionalidade, núcleo essencial e consequencialismo moral kantiano. E) Consequencialismo moral kantiano, concordância prática e dignidade. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/esaf-2015-esaf-analista-de-planejamento-e-orcamento-conhecimentos-gerais https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/esaf-2015-esaf-analista-de-planejamento-e-orcamento-conhecimentos-gerais https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2015-agu-advogado-da-uniao https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/pge-go-2010-pge-go-procurador-do-estado https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/uepa-2012-pge-pa-procurador-do-estado www.cers.com.br 52 8. (PGR - 2011 - PGR - Procurador da República) Assinale a resposta correta: A) O procedimentalismo sustenta a legitimidade democrática da jurisdição constitucional, dian- te da constatação da incapacidade das instâncias representativas de pautarem a sua atuação pela axiologia constitucional. B) O positivismo jurídico nega o caráter constitutivo da interpretaçao do Direito. C) No neoconstitucionalismo preconiza-se a abertura da hermeneutica constitucional aos influ- xos da moralidade crítica D) No paradigma pós-positivista, os principios gerais de direito são meios de integraçãodo or- denamento, voltados ao suprimento de lacunas, ao lado da analogia e dos costumes. 9. (EJEF - 2005 - TJ-MG - Juiz) A doutrina constitucionalista evoluiu até o reconhecimento atual da normatividade: A) Das disposições constitucionais gerais. B) Das disposições constitucionais transitórias. C) Das regras constitucionais. D) Dos princípios constitucionais. 10. (CESPE - 2009 - MPE-RN - Promotor de Justiça) Acerca do constitucionalismo, assinale a opção incorreta. A) A origem do constitucionalismo remonta à antiguidade clássica, especificamente ao povo hebreu, do qual partiram as primeiras manifestações desse movimento constitucional em busca de uma organização política fundada na limitação do poder absoluto. B) O neoconstitucionalismo é caracterizado por um conjunto de transformações no Estado e no direito constitucional, entre as quais se destaca a prevalência do positivismo jurídico, com a clara separação entre direito e valores substantivos, como ética, moral e justiça. C) O constitucionalismo moderno representa uma técnica específica de limitação do poder com fins garantidores. D) O neoconstitucionalismo caracteriza-se pela mudança de paradigma, de Estado Legislativo de Direito para Estado Constitucional de Direito, em que a Constituição passa a ocupar o cen- tro de todo o sistema jurídico. E) As constituições do pós-guerra promoveram inovações por meio da incorporação explícita, em seus textos, de anseios políticos, como a redução de desigualdades sociais, e de valores como a promoção da dignidade humana e dos direitos fundamentais. GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 D 6 E 2 A 7 C 3 A 8 C Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/pgr-2011-pgr-procurador-da-republica https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/ejef-2005-tj-mg-juiz https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2009-mpe-rn-promotor-de-justica www.cers.com.br 53 4 B 9 D 5 A 10 B 5. PODER CONSTITUINTE 5.1 Origem O poder consti- tuinte surgiu no século XVIII, decorrente do movimento ilu- minista que de- senvolveu o pensamento ra- cionalista, com a inserção do ho- mem no centro das relações jurídicas, e não mais a religião. Naquele período, o francês Emmanuel Sieyès (abade Sieyès) publica panfletos com o seguinte título: “que é o Terceiro Estado?”. Nessa obra discorre sobre a existência de um poder imutável e inerente à nação, sendo todos os demais poderes constituídos subordinados a ele. Segundo abade, o poder emana da nação e apenas esta detém a atribuição de elaborar documentos que disciplinam a organização do Estado. Influenciada pelas suas ideias, a Revo- lução Francesa promove a legitimação do Terceiro Estado com a ascensão do povo no poder político. Nesse contexto, Sieyès formula a Teoria do Poder Constituinte e determina que a titu- laridade deste poder pertence a nação. No entanto, o posicionamento atual determina que o povo é o titular do poder constituin- te, consoante o parágrafo único do art. 1° da CF/88. Todavia, a obra de Sieyès influencia o Direito Constitucional até os dias atuais. 5.2. Noções Introdutórias Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 54 O poder constituinte é o poder de criar ou alterar uma Constituição consoante a vontade do povo. A manifestação é realizada pelos representantes, no exercício da soberania popular. 5.3. Poder constituinte originário 5.3.1 Natureza A corrente positivista defende que não existe fundamento jurídico prévio a criação do Es- tado. O poder constituinte não deriva de um direito superior, pois inaugura a ordem jurídica. Trata-se de poder de fato ou político, o qual antecede a própria Constituição e advém da von- tade da sociedade. Diante disso, os positivistas entendem que o direito posto surge com a criação da Cons- tituição que ocorre a partir da formação do Estado. Por isso, afirmam que não há limitação ao poder constituinte por não existir direito superior a ele. É a corrente majoritária no Brasil. Já para corrente jusnaturalista, o poder constituinte antecede a formação do Estado, pois existe um direito hierarquicamente superior a esse poder. Refere-se ao direito natural que fundamenta a criação do poder constituinte, como também, limita a sua autonomia. Logo, o poder constituinte é um poder de direito (ou jurídico), visto que, está sujeito ao direito natural. 5.3.2 Titularidade A titularidade do Poder Constituinte é do povo, sendo o seu exercício delegado aos represen- tantes. Ressalta-se que o povo é parte da nação que habita determinado território, ou seja, pessoas que tem a mesma nacionalidade. Desse modo, o povo (engloba brasileiros natos e naturalizados) é o detentor da sobera- nia estatal com o poder de elaborar a organização do Governo, nos termos do art. 1º, parágrafo único, da CF/88: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes elei- tos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Atenção: A titularidade do poder constituinte originário não pode ser modificada, nem mesmo pelo poder constituinte derivado. E o exercício deste poder deve corresponder a vontade do povo, caso contrário, será ilegítimo. No exercício democrático indireto o povo escolhe os representantes que são os responsáveis pela elaboração da constituição. Importante lembrar que embora a titularidade do poder constituinte pertençaao povo, nem sempre o exercício deste poder é democrático. Diante de governos ditatoriais, a constitui- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 55 ção é criada por um indivíduo ou por um grupo de indivíduos que alcançam o poder autocrati- camente. Neste caso, o exercício do poder é autocrático ou por outorga e não há participação popular. Ademais, percebe-se que em ambas as formas que expressam o poder constituinte o ti- tular é o povo, alterando apenas a forma de exercício. 5.3.3 Noções Introdutórias Também conhecido como inaugural, genuíno ou de primeiro grau. É o poder que cria um Estado, por meio da elaboração da primeira constituição do Estado ou uma nova constituição, quando rompe com a ordem jurídica anterior. Tem a natureza jurídica política, pois não é norma e, sim, fato social. 5.3.4 Características De acordo com a corrente positivista, o poder constituinte possui as seguintes caracte- rísticas: a) Inicial: cria a ordem jurídica, não existindo nenhum poder antes ou acima dele. b) Ilimitado/soberano/independente: Não há limitação porquê não existe ordem jurídi- ca anterior. ATENÇÃO! Não tem que respeitar direito adquirido, ato perfeito ou coisa julgada. Toda- via, a Constituição de 1988 atribui status de direito fundamental ao direito adquiri- do desde que os dispositivos constitucionais sejam expressos em relação às nor- mas futuras. Segundo entendimento do STF, não há direito adquirido em face de uma nova Constituição (ADI 248). IMPORTANTE Povo: titular passivo do poder constituinte, ou seja, exerce este poder indire- tamente. Representantes eleitos: titular ativo do poder constituinte, visto que o exerce diretamente em nome do povo. Por exemplo: Assembleia Constituinte é um órgão colegiado formado por representantes do povo. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 56 c) Incondicionado: não se submete a nenhuma condição no que concerne a forma e ao conteúdo. A Assembleia Constituinte define o procedimento para elaboração e aprovação das normas na constituição. d) Autônomo: não está subordinado a outro poder e, por isso, há liberdade conferida aos representantes eleitos que exercem o poder constituinte originário para determinarem a estrutura da nova constituição. e) Permanente: não se encerra com a elaboração da nova constituição. Permanece em estado de latência, o que é definido como permanência do poder constituinte. Com isso, o povo pode alterar a constituição para ficar de acordo com a realidade social que se impõe. Por outro lado, a corrente jusnaturalista entende que o poder constituinte é inalienável, permanente e incondicionado juridicamente. Distingue-se da positivista ao estabelecer que es- se poder é limitado pelo direito natural. 5.3.5 Limitações materiais Os limites são admitidos por autores que defendem a corrente jusnaturalista (não positivista), visto que, limitam os temas que podem ser legislados. Segundo Jorge Miranda (1997, Tomo II, p. 107) existe três categorias de limites: a) Limites transcendentes: são provenientes do direito natural, de valores éticos, da consciência jurídica social e dos direitos fundamentais relacionados a dignidade da pessoa humana. Esse limite instituiu o princípio da proibição do retrocesso (“efeito cliquet”), o qual de- termina que no processo de criação da Constituição, o poder constituinte deve observar os di- reitos fundamentais alcançados pela sociedade, desde que sejam objeto de consenso profun- do. Caso ocorra a inobservância desses direitos, haverá um retrocesso. Assim, o princípio da proibição do retrocesso visa impedir a reversibilidade dos direitos frente ao poder do governo. b) Limites Imanentes: são impostos ao poder constituinte originário formal e relaciona- dos à história, a soberania ou a forma de Estado. c) Limites heterônomos: dizem respeito ao direito internacional que deve ser observa- do pelo legislador do poder constituinte originário, diante de normas internacionais que impõe Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 57 obrigações ao Estado, tanto no âmbito externo como no âmbito interno. Decorre do reconheci- mento da importância de proteger os direitos humanos no mundo. 5.3.6 Espécies de poder constituinte originário a) Poder constituinte originário histórico ou fundacional: é responsável pela criação da primeira constituição do Estado. b) Poder constituinte originário revolucionário: cria uma nova constituição em substi- tuição a anterior e, assim, rompe com a ordem jurídica já existente. Refere-se as constituições que surgiram a partir de um golpe de Estado (governante usurpa o funcionamento do poder constituinte e estabelece outra constituição) ou da insurrei- ção (revolução liderada por não governantes, que usurpam o poder e elaboram uma nova constituição). Todas as constituições editadas posteriormente a primeira, ou seja, que extingue a cons- tituição anterior, são denominadas como Poder Constituinte Originário Revolucionário c) Poder constituinte originário transicional: a transição constitucional ocorre quando são instituídos documentos que tratam sobre a organização jurídica do Estado. O fundamento não está adstrito as normas e, sim, aos fatores políticos e sociais. Por exemplo, a Constituição Brasileira de 1988 é resultado da transição, uma vez que, a Constituição de 1967 previu este processo através de uma emenda que dispunha sobre a con- vocação da assembleia constituinte. 5.3.7 Dimensões O poder constituinte originário pode ser: a) Material: trata do conteúdo, ou seja, direitos e valores que serão disciplinados no tex- to constitucional, conforme a vontade do povo. b) Formal: acontece após a dimensão material. É responsável pelo procedimento de criação das normas e concede a elas juridicidade (força normativa constitucional). A formaliza- ção é feita pela Assembleia Nacional Constituinte. 5.4 Poder constituinte derivado Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 58 5.4.1 Noções Introdutórias Também denominado como instituído, secundário, reformador ou de segundo grau. É o poder de alterar o texto constitucional e de elaborar as Constituições Estaduais. Tem o dever de observar as condições e os limites estabelecidas pelo poder constituinte originário e, por isso, possui natureza jurídica. 5.4.2 Características a) Derivado: é criado e estabelecido pela constituição e pelo poder constituinte originá- rio, o qual fundamenta a sua validade. b) Condicionado: está vinculado as condições de exercício pré-estabelecidas na Cons- tituição. c) Limitado/subordinado: submete-se as limitações materiais e formais, expressas ou implícitas, no texto constitucional, sob pena de inconstitucionalidade. 5.4.3. Espécies 5.4.3.1 Poder Constituinte Derivado Reformador É o poder responsável pela alteração do texto constitucional em relação a temas especí- ficos. Assim, é a via ordinária para reforma constitucional decorrente de autorização prevista na própria Constituição, no intuito de atualizá-la consoante o desenvolvimento social. Verifica-se a manifestação desse poder por meio das emendas constitucionais (art. 59, I, e 60 da CF/88). O poder de reforma é disciplinado pelo poder constituinte originário. Logo tem natureza jurídica, sendo condicionado e limitado. Tais limitações podem ser explícitasou implícitas, as quais são: a) Limitações temporais Proíbem a mudança do texto constitucional em períodos determinados. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 59 b) Limitações circunstanciais Impedem a alteração do texto constitucional em situações excepcionais, sob o funda- mento de que o exercício do poder reformador está ameaçado. Assim, objetiva preservar a in- tegridade da Constituição. As situações de anormalidade são: intervenção federal (art. 34, CF/88), estado de defe- sa (art. 136, CF/88) e estado de sítio (art. 137, CF/88). c) Limitações formais, processuais ou procedimentais O texto constitucional impõe formalidades ao processo de elaboração e aprovação das eme- das, com vedação implícita a qualquer outro tipo de procedimento. ATENÇÃO! A Constituição de 1998 não disciplinou qualquer limitação temporal para o poder reformador. No entanto, ao poder constituinte derivado revisor houve previ- são que a revisão seria realizada após cinco anos da promulgação da Constituição (art. 3° do ADCT). IMPORTANTE Nesse período, a emenda votada e aprovada antes da situação de anorma- lidade pode seguir o procedimento normal com a promulgação e publicação, não sendo permitido a modificação do texto aprovado. Além isso, a proposta de emen- da à constituição poder ser discutida, mas é proibida a votação. A intervenção federal ocorre somente em um estado da federação. A União pode intervir no município de um território e é permitido a emenda constitucional. O Estado de defesa e o estado de sítio são denominados como estado de necessidade extraordinária ou estado de legalidade extraordinária. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 60 As limitações formais são subjetivas, referem-se aos sujeitos que podem propor a emenda, os quais são: Um terço da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; Presidente da República; Mais da metade das Assembleias Legislativas com maioria relativa de seus mem- bros, ou seja, mais de 50% (cinquenta porcento) dos estados brasileiros e/ou do dis- trito federal com manifestação interna de mais de 50% (cinquenta porcento) dos membros presentes em cada casa. Há também limitações formais objetivas que tratam dos requisitos de aprovação da emenda, previsto no artigo 60, § 2° da CF/88. Segundo este dispositivo, a Proposta de Emenda Constitucional: Será discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional (Câmara dos Deputa- dos e Senado Federal), conforme o sistema bicameral. A votação ocorrerá em dois turnos em cada uma das duas casas, totalizando quatro votações. Via de regra a votação começa na Câmera dos Deputados, salvo quando a emenda for proposta por Senador, pois neste caso iniciará no Senado. A emenda constitucional será aprovada se obtiver em ambas as casas legislativas 3/5 (60%, ou seja, maior que maioria absoluta) dos votos dos respectivos membros. Se alguma das casas legislativas modificar parte do texto da emenda, apenas a altera- ção retornará para outra casa para ser votada, sendo que a parte modificada não volta. A Proposta de Emenda Constitucional não será submetida a aquiescência do chefe do executi- vo, não haverá sanção ou veto. Assim, após a aprovação ocorre a promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ademais, a matéria rejeitada ou prejudicada em uma sessão legislativa, não pode ser reapre- sentada na mesma sessão legislativa, independente do quórum (art. 60, § 5º da CF/88). A IMPORTANTE Não há previsão expressa de emenda constitucional por iniciativa popular. O artigo 61, § 2° da CF/88 deve ser interpretado restritivamente por se tratar de uma norma excepcional. Logo, não pode utilizar a norma constitucional por analo- gia para o fim de alcançar outra espécie normativa que não seja a lei. “Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.” Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 61 emenda somente poderá ser objeto de nova proposta na próxima sessão legislativa, ou seja, no próximo ano. Isso se aplica a medida provisória, mas não ao projeto de lei, que pode ser apresentado nova- mente na mesma sessão legislativa pela maioria dos absoluta dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal (art. 62, § 10° e 67 da CF/88). d) Limitações materiais explícitas Tratam da proibição de alteração de determinadas normas constitucionais que possuem núcleo intangível. Somente o constituinte originário pode modificá-las. As cláusulas pétreas, também chamadas como cláusulas de intangibilidade ou garantias de eternidade vedam a discussão sobre emendas que pretendem abolir a forma federativa de es- tado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos poderes; e os direitos e ga- rantias individuais. Com essa restrição, as cláusulas pétreas asseguram direitos, princípios e valores, como também a identidade material da Constituição e o processo democrático. No entanto, a expressão “tendentes a abolir” prevista no art. 60, § 4º da CF/88, não im- pede a reformulação linguística das cláusulas pétreas, pois é vedado a alteração que alcança o núcleo essencial contido em cada cláusula. Em relação a superioridade hierárquica dessas cláusulas frente aos outros dispositivos constitucionais, entende-se que não existe por que não há hierarquia entre normas constitucio- nais originárias. Trata-se de proteção superior conferida as cláusulas pétreas devido a impor- tância do conteúdo de suas normas. IMPORTANTE As cláusulas protegem o núcleo essencial do dispositivo, e não a li- teralidade dele. ATENÇÃO! O descumprimento à cláusula pétrea acarreta no controle prévio de consti- tucionalidade de forma excepcional, por meio de mandado de segurança impetra- do por parlamentar, no intuito de proteger o processo legislativo (STF, MS 20.257- DF). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 62 As emendas constitucionais podem sofrer controle de constitucionalidade. Isso porque normas constitucionais que não foram criadas pelo poder constituinte originário estão submeti- das as restrições expressas e implícitas do texto constitucional, e assim, serão declaradas in- constitucionais caso desrespeitem a Constituição. O poder reformador não pode criar outras cláusulas pétreas além das disciplinadas no art. 60, § 4° da CF/88. Entretanto, é possível emenda constitucional que trata sobre aumento dos direitos e garantias individuais ao conteúdo da cláusula pétrea já existente. Essa ampliação é constitucional e não poder ser abolida posteriormente. Importante observar que no âmbito dos direitos e garantias individuais do art. 60, § 4°, inciso IV da CF/88, não está previsto proteção aos direitos fundamentais, apenas osdireitos individuais. Ademais, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os direitos individuais não se restrin- gem ao art. 5° da CF/88, pois estão espalhados por todo texto constitucional. IMPORTANTE É permitido emenda constitucional para ampliar ou até mesmo para restrin- gir a proteção das matérias previstas nas cláusulas pétreas, desde que não dimi- nuía o núcleo essencial. IMPORTANTE O voto obrigatório não é cláusula pétrea, sendo permitido emenda constitu- cional que o torne facultativo. PARA SABER MAIS Os tratados e convenções internacionais que versem sobre direitos hu- manos serão recepcionados na legislação nacional como: Norma constitucional após a aprovação pelo mesmo rito da emenda consti- tucional: se for votado em 2 (dois) turnos, em cada casa do Congresso Na- cional, com 3/5 (três quintos) dos votos. Art. 5º § 3º “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacio- nal, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos mem- bros, serão equivalentes às emendas constitucionais”. Norma supralegal se não for aprovado pelo rito das emendas constitucio- nais. Os tratados internacionais que dispõem matérias que não são sobre direitos Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 63 e) Limitações materiais implícitas Consideram-se cláusulas pétreas implícitas as normas constitucionais que são estrutu- rantes e fundamentais para o Estado, como: O artigo 60 da CF que dispõe sobre a forma de alteração do texto constitucional não po- de ser restringido. Isso porque é incoerente que o poder reformador modifique limitação impos- ta pelo poder constituinte originário, o qual é superior ao reformador. Nesse sentido, esse artigo é imutável por ser uma limitação implícita lógica. A teoria da dupla revisão ou dupla reforma defende a possibilidade de alterar a limitação constitucional que foi determinada ao poder reformador para, em seguida, modificar o conteúdo da norma constitucional. Isto é, eliminar o dispositivo da norma que impõe proibições ao exer- cício do poder reformador, no intuito de reformular o texto expresso para retirar a vedação. Segundo essa teoria, por exemplo, poderia extinguir artigo das cláusulas pétreas que dispõe sobre os direitos individuais (art. 60, § 4°, IV, CF) para revogar algum desses direitos. Do mesmo modo, seria possível fazer uma nova revisão constitucional por meio da alteração ou revogação do art. 3° do ADCT, o qual permitiu apenas uma revisão que foi realizada em 1994. Outra limitação diz respeito à vedação da modificação do titular do poder constituinte originário (povo) e do poder constituinte reformador (legislador). Não pode existir emenda que restrinja a titularidade desses poderes. No tocante a alteração do sistema presidencialista e da forma republicana, é possível a altera- ção por meio de uma nova consulta popular. Por fim, o art. 60, § 4°, inciso 4 da CF, prevê como cláusulas pétreas os direitos e garantias individuais, não regulando os direitos sociais. À vista disso, há margem dúvida quanto a imuta- bilidade desses direitos. Porém devem ser considerados como cláusulas pétreas implícitas pa- ATENÇÃO! O Brasil não adota a teoria da dupla revisão sob o argumento de que a pri- meira revisão não seria constitucional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 64 ra garantirem o mínimo existencial (prestações indispensáveis para existência digna do ser humano). 5.4.3.2 Poder Constituinte Derivado Revisor O poder revisor disciplina a realização de uma revisão constitucional para adequar a constituição vigente à realidade social. É um procedimento extraordinário de alteração da Constituição, proveniente do poder constituinte originário e, por isso, é um poder jurídico, limi- tado e condicionado. A revisão está prevista no artigo 3° do ADCT, o qual dispõe que: “A revisão constitucio- nal será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral”. Nesse contexto, o Congresso Nacional teria competência para realizar a revisão uma única vez, após 5 (cinco) anos da promulgação do texto constitucional de 1988. A proposta de emenda revisional seria aprovada mediante voto da maioria absoluta do Congresso, em sessão unicameral. Verifica-se que o poder de revisão disciplinou o processo legislativo para aprovação das emendas revisionais mais simples que o procedimento das emendas constitucionais. O poder revisional possui limitação temporal ao estabelecer data para realizar a revisão, bem como, limitação formal quando dispõe sobre sessão unicameral com voto da maioria ab- soluta. É permitido o controle de constitucionalidade das emendas de revisão constitucional. Ademais, a revisão constitucional foi realizada em 1993 e, por isso, no julgamento da ADI 981, o STF decidiu que a previsão do art. 3º do ADCT teve sua eficácia exaurida e a apli- cabilidade esgotada. 5.4.3.3 Poder Constituinte Derivado Decorrente 5.4.3.3.1. Noções Introdutórias ATENÇÃO! O Brasil veda a realização de nova revisão constitucional (limitação mate- rial implícita). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 65 Poder outorgado aos entes estaduais da federação de elaboração das suas próprias constituições, conforme o art. 11 do ADCT. É poder de natureza jurídica, sendo assim, limitado, condicionado e secundário à Constituição Federal. Atribui ao estados-membros autonomia para se auto organizarem. Porém, essa capaci- dade de autogoverno é relativa, pois os entes estão vinculados as condições do texto constitu- cional. Tendo em vista o princípio da simetria, a constituição estadual deve obedecer ao modelo da Constituição Federal. Assim como, a lei orgânica municipal observa a Constituição Estadual e a Constituição Federal. No entanto, não há mera repetição da constituição, visto que, existe parcela de liberdade para o ente estabelecer seu próprio regramento. Em relação ao Município, a lei orgânica deve respeitar a simetria da Constituição Esta- dual, mas não é manifestação do Poder Constituinte Decorrente. Isso porque, os entes munici- pais se sujeitam a uma dupla vinculação, ou seja, observam as normas da constituição federal e da constituição estadual simultaneamente. Atenção: A autonomia do Município sofre limitação da Constituição Estadual e da Constituição Federal. O Município não possui poder constituinte decorrente porque a lei orgânica municipal es- tá submetida a uma dupla vinculação. Enquanto esse poder retira a sua legitimidade direta- mente da Constituição Federal, ou seja, sujeita-se apenas ao ordenamento constitucional. Apesar do Município estar incluído no rol dos entes da federação, ele não possui legiti- midade para editar constituição. Logo, não existe constituição no âmbito municipal, apenas lei orgânica que não tem natureza de norma constitucional. A violação dessa norma não gera in- constitucionalidade, mas ilegalidade. 5.4.3.3.2. Princípios limitadores IMPORTANTE Não há manifestação do Poder Constituinte Originário, Decorrente ou Deri- vado nos Municípios. ATENÇÃO! O Distrito Federal exerce competências de ente estadual e municipal e, as- sim, organiza-se por lei orgânica, admite controle de constitucionalidade e possui poder constituintedecorrente. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 66 Tendo em vista que os Estados-membros não são soberanos, pois possuem parcela de autonomia que é restringida pelo poder constituinte originário, esses entes devem observar: a) Princípios constitucionais sensíveis: estão consagrados no art. 34, inciso VII da CF/88, os quais acarretam na decretação de Intervenção Federal quando violados. São princí- pios taxativos do artigo acima mencionado: Forma republicana, sistema representativo e regime democrático; Direitos da pessoa humana; Autonomia municipal; Prestação de contas da administração pública, direta e indireta; Aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências Manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. b) Princípios constitucionais estabelecidos: são normas que tratam da organização da União aplicáveis aos Estados, Distrito Federal e Municípios por força do princípio da sime- tria. Por exemplo, regras do processo legislativo, normas sobre à organização do Tribunal de Contas da União (ADI 916-MT), requisitos para criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (ADI 3.619-SP), etc. c) Princípios constitucionais extensíveis: regras do texto constitucional que limitam a autonomia dos Estados. Por exemplo, as normas que tratam sobre repartição de competên- cias, organização dos poderes, sistema tributário, etc. CARACTERÍSTICAS Originário Derivado Cria uma nova Consti- tuição Decorre do poder cons- tituinte originário com atribui- ção de alterar o texto constitu- cional ou editar as constitui- ções estaduais. Poder de fato/político Inicial Ilimitado Autônomo Poder de direito Derivado Condicionado Subordinado/limitado Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 67 Permanente Derivado Decorrente Derivado Reformador Derivado Revisor Poder originário dos Estados Membros para elaborarem suas pró- prias constituições. Alteração formal do tex- to constitucional por meio de Emendas. Revisar a constituição após 5 (cinco) anos da promulgação da CF/88. 5.5. Poder Constituinte Difuso É o poder de direito que altera informalmente a constituição, sem modificar o texto constitucio- nal expresso. Isto é, a interpretação da norma é transformada diante de lacunas, omissões e obscuridades do conteúdo do artigo. Essa alteração se manifesta por meio das mutações cons- titucionais, que visa adequar a norma constitucional à realidade social. Logo, é caracterizado como um poder de direito, derivado, juridicamente limitado e con- dicionado aos demais poderes, uma vez que, não tem previsão no texto constitucional. Além disso, as suas normas sofrem controle de constitucionalidade. 5.6. Poder Constituinte Supranacional ATENÇÃO! O Supremo Tribunal Federal reconheceu a interpretação realizada pelo Poder Judiciário como “instrumento de mutação informal da constituição”. (HC 91.361/SP) Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 68 Trata de um poder de legitimação acima de um Estado, abrangendo a vontade de inte- gração entre os estados com o objetivo de sujeitar as constituições nacionais à uma constitui- ção suprema e universal. Busca estabelecer um novo conceito de soberania diante do plura- lismo constitucional, isso quer dizer, criar uma constituição formada por um grupo de estado, como exemplo, a criação de uma Constituição para União Europeia. Dessa maneira, essa constituição origina-se da globalização no intuito de solucionar problemas comuns e estabelecer normas sobre matérias que interessam a vários estados. Segundo Maurício Andreiuolo Rodrigues, o poder constituinte supranacional pretende estabelecer uma Constituição Supranacional Legítima. Entretanto, o Brasil não admite um poder constituinte supranacional. EXERCÍCIOS 1. (CESPE - 2015 - TRE-MT - Analista Judiciário - Judiciária) Com relação ao neoconstituci- onalismo, às normas constitucionais e ao poder constituinte, assinale a opção correta. A) O fenômeno da mutação constitucional é um processo informal de alteração do significado da CF, decorrente de nova interpretação, mas não de alteração, do texto constitucional. B) As normas constitucionais de eficácia contida, apesar de ter aplicabilidade imediata, somen- te produzem efeitos após edição de norma infraconstitucional integrativa. C) Decorre do poder constituinte derivado reformador a possibilidade de estruturação dos esta- dos-membros, por meio de suas próprias constituições. D) O neoconstitucionalismo desenvolvido pelo modelo neoliberal de Estado revisita a concep- ção de liberdade de mercado, resultando no enfraquecimento dos direitos sociais. E) A norma constitucional que trata da ação direta de inconstitucionalidade constitui elemento formal de aplicabilidade da CF. 2. (Quadrix - 2018 - CREF - 13ª Região (BA-SE) - Analista Advogado) No que se refere à Constituição Federal de 1988 (CF), julgue o próximo item. O poder constituinte derivado decorrente é aquele de cujo exercício resulta a alteração do texto constitucional, revelando‐se condicionado e limitado. A) Certo B) Errado 3. (INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES - Auxiliar Perícia Médico-Legal) O Poder Constituinte classifica-se em Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte Deri- vado. Assinale a alternativa que apresenta as características do Poder Constituinte Originário. A) Inicial, ilimitado, subordinado e condicionado. B) Inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado. C) Inicial, limitado, subordinado e incondicionado. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2015-tre-mt-analista-judiciario-judiciaria https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/quadrix-2018-cref-13-regiao-ba-se-analista-advogado https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/instituto-aocp-2019-pc-es-auxiliar-pericia-medico-legal www.cers.com.br 69 D) Decorrente, limitado, subordinado e reformador. E) Limitado, permanente, autônomo e condicionado. 4. (FUNDEP - 2019 - SAAE de Itabira - MG - Advogado) Quanto ao procedimento da Emenda Constitucional nas duas Casas do Congresso Nacional, assinale a afirmativa incorreta. A) Aprovada pela Casa Iniciadora e aprovada pela Casa Revisora, será a Proposta de Emenda Constitucional encaminhada ao presidente da República para sanção ou veto, e, uma vez san- cionada, seguirá para promulgação. B) Desrespeitado o procedimento de criação da Emenda Constitucional, haverá inconstitucio- nalidade formal, podendo ser questionada durante seu processo de criação ou depois de sua edição, seja pela via difusa ou concentrada. C) Aprovada pela Casa Iniciadora e rejeitada pela Casa Revisora, a Proposta de Emenda Constitucional somente poderá ser reapresentada na próxima sessão legislativa. D) Aprovada pela Casa Iniciadora e emendada pela Casa Revisora, a Proposta de Emenda Constitucional voltará para a Casa Iniciadora, para apreciar as emendas, a não ser que sejam meras emendas de redação que não alteram o conteúdo da norma. Nesse caso, a Emenda Constitucional poderá ser promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. 5. (IADES - 2019 - AL-GO - Procurador) No que concerne ao processo reformador na Consti- tuição Federal brasileira, assinale a alternativacorreta. A) O processo legislativo é bicameral. B) O início da tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) é sempre pela Câmara dos Deputados. C) Esse processo deve ser aprovado por dois turnos de votação no Congresso Nacional. D) Só é válido após sanção presidencial. E) Não há iniciativa extraparlamentar. 6. (UERR - 2018 - IPERON - RO - Auditor) “Só o povo entendido como um sujeito constituído por pessoas - mulheres e homens - pode 'decidir' ou deliberar sobre a conformação da sua or- dem político-social. Poder constituinte significa, assim, poder constituinte do povo. Como já atrás foi referido, o povo, nas democracias atuais, concebe-se como uma 'grandeza pluralística' (P. Hãberle), ou seja, como uma pluralidade de forças culturais, sociais e políticas, tais como partidos, igrejas, associações, personalidades, decísivamente influenciadoras na formação de 'opiniões', 'vontades', 'correntes' ou 'sensibilidades ' políticas nos momentos preconstituintes e nos procedimentos constituintes” (CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7. ed. Coimbra: EdiçõesAlmedinas, 2003. p. 75). Sobre a titularidade do poder constituinte no constitucionalismo brasileiro, é correto afirmar que é conferida ao: A) Estado, que a exerce por meio do Supremo Tribunal Federal, pois resta superada a lição que apregoava pertencer ao povo. B) Povo que a exerce sempre indiretamente. C) Estado, que a exerce por meio da Assembleia Constituinte, pois resta superada a lição que apregoava pertencerão povo. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fundep-gestao-de-concursos-2019-saae-de-itabira-mg-advogado https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/iades-2019-al-go-procurador https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/uerr-2018-iperon-ro-auditor www.cers.com.br 70 D) Povo, que a exerce sempre diretamente. E) Povo, que a exerce ora diretamente, ora indiretamente. 7. (CESPE - 2019 - TJ-BA - Juiz de Direito Substituto) Quando o termo “povo” aparece em textos de normas, sobretudo em documentos constitucionais, deve ser compreendido como parte integrante plenamente vigente da formulação da prescrição jurídica (do tipo legal); deve ser levado a sério como conceito jurídico a ser interpretado lege artis. Friedrich Müller. Quem é o povo? A questão fundamental da democracia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 67 (com adaptações). Tendo o texto anterior como referência inicial, assinale a opção correta, relativamente ao poder constituinte originário, ao poder constituinte derivado e ao poder derivado estadual. A) O poder constituinte originário é uma categoria pré-constitucional que fundamenta a valida- de da nova ordem constitucional. B) Para resguardar os interesses do povo, cabe à jurisdição constitucional fiscalizar a ação do poder constituinte originário com base no direito supra positivo. C) Como titular passivo do poder constituinte originário, o povo delega o seu exercício a repre- sentantes e, em seguida, exerce a soberania apenas de forma indireta. D) Os direitos adquiridos são oponíveis ao poder constituinte originário para evitar óbice ao retrocesso social. E) A limitação material negativa ao poder constituinte dos estados federados se manifesta no dever de concretizar, no nível estadual, os preceitos da CF. 8. (FCC - 2018 - SEAD-AP - Assistente Administrativo) As mudanças da Constituição Fede- ral podem ocorrer mediante: A) Emenda constitucional, na vigência de estado de defesa ou de estado de sítio, ouvido o Conselho de Defesa Nacional. B) Emenda constitucional proposta por metade, no mínimo, dos membros da Câmara dos De- putados ou do Senado Federal, pelo Presidente da República ou mais da metade dos governa- dores das unidades da Federação. C) Revisão constitucional periódica, realizada a cada cinco anos, a partir de sua promulgação, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. D) Aprovação, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos membros, de tratados internacionais sobre direitos humanos, que serão equivalentes às emen- das constitucionais. E) Emenda constitucional, na vigência de intervenção federal, ouvido o Conselho da República, tendo em vista o seu caráter consultivo. 9. (CESPE - 2018 - MPE-PI - Conhecimentos Básicos - Cargos de Nível Superior) Acerca do direito de propriedade, julgue o item a seguir à luz das disposições da CF. Eventual proposta de emenda constitucional tendente a abolir o direito de propriedade não po- derá ser objeto de deliberação pelo Congresso Nacional. A) Certo B) Errado Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-tj-ba-juiz-de-direito-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fcc-2018-sead-ap-assistente-administrativo https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-mpe-pi-conhecimentos-basicos-cargos-de-nivel-superior www.cers.com.br 71 10. (INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES - Escrivão de Polícia) O Poder Constituinte é a mani- festação soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente organizado. A respeito do Poder Constituinte, é correto afirmar que: A) O Poder Constituinte derivado não está preso a limites formais. B) O Poder Constituinte originário está previsto e regulado no texto da própria Constituição. C) O Poder Constituinte derivado pode se manifestar na criação de um novo Estado ou na re- fundição de um Estado. D) O Poder Constituinte originário pode ser reformador ou revisor. E) O Poder Constituinte originário é permanente, eis que não se esgota no momento do seu exercício, podendo ser convocado a qualquer momento pelo povo. 11. (CESPE - 2018 - EMAP - Analista Portuário - Área Jurídica) Julgue o item que segue, a respeito do poder constituinte. O poder constituinte originário outorgado aos estados federados permite que estes elaborem e atualizem suas próprias constituições. A) Certo B) Errado 12. (CESPE - 2016 - ANVISA - Técnico Administrativo - Conhecimentos Específicos) Com relação aos direitos e garantias fundamentais, julgue o item que se segue: À luz do princípio da dignidade humana, a CF estabelece que, após a aprovação por qualquer quórum durante o processo legislativo, todos os tratados e convenções sobre direitos humanos subscritos pelo Brasil passem a ter o status de norma constitucional. A) Certo B) Errado GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 A 7 A 2 B 8 D 3 B 9 A 4 A 10 E 5 A 11 B 6 B 12 B 6. EFEITOS DA NOVA CONSTITUIÇÃO E DE REFORMAS CONSTITUCIONAIS EM RELA- ÇÃO À ORDEM JURÍDICA ANTERIOR Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/instituto-aocp-2019-pc-es-escrivao-de-policia https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-emap-analista-portuario-area-juridica https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2016-anvisa-tecnico-administrativo-conhecimentos-especificos www.cers.com.br 72 6.1 Noções Introdutórias A nova Constituição, elaborada pelo Poder Constituinte Originário, ao romper material e formalmente a ordem jurídica anterior, inaugura uma nova, regida agora pela Constituição su- perveniente. Com essa mudança surgem efeitos jurídicos, os quais iremos tratar neste capítulo, uma vez que a ordem jurídica deverá ser reorganizada conforme a nova Constituição que a rege. 6.2. Vacatio Constitutionis Vacatio Constitutionis é o intervalo de tempo entrea data de promulgação da nova constituição e o início de sua vigência. Ela é determinada por uma cláusula expressa, e na falta desta, a Constituição entra em vigência imediatamente. Assim, caso a nova Constituição estipule uma Vacatio Constitutionis ela deve estabele- cer o seu prazo e este, por sua vez, não poderá ser adiado ou modificado por outro poder que não o constituinte originário. Durante o intervalo de tempo entre a data de promulgação da nova Constituição e o início de sua vigência, permanecem vigentes as normas instituídas na constituição anterior, mesmo que incompatíveis com a nova. Em relação às normas infraconstitucionais que entrarem em vigor no período de Vaca- tio constituicionis, elas terão como parâmetro de validade a constituição anterior. À vista disso, tais normas, mesmo que estejam de acordo com a nova constituição, se estiverem em desacordo com a Constituição ainda em vigor, serão consideradas inconstitucio- nais, pois a nova ainda não se encontra vigente no ordenamento jurídico. IMPORTANTE A constituição de 1988 não trouxe cláusula de Vacatio Constituitionis, apenas adiou a vigência de alguns artigos e conservou, temporariamente, matéria consti- tucional anterior. Temos como exemplo, o artigo 34 da ADCT. Observe: “Art. 34. O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda nº 1, de 1969, e pelas posteriores.” PARA SABER MAIS Critérios de resolução de antinomias de normas constitucionais Entre as normas jurídicas que regulam a mesma matéria de forma conflitante, são utilizados, para a resolução desses conflitos, critérios específicos. São eles: critério cronológico (norma mais recente prevalece); critério hierárquico (norma hierarqui- camente superior prevalece); e critério de especialidade (norma específica preva- lece sobre a norma geral). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 73 6.3. Revogação Em regra, a nova constituição REVOGA a anterior de forma integral, pois inaugura uma ordem jurídica nova, por isso, a Constituição anterior deixa de ter validade no ordenamen- to jurídico, vigorando apenas a superveniente. No que tange à forma, a revogação pode ser TÁCITA OU EXPRESSA, quanto à sua extensão, pode ser TOTAL OU PARCIAL. Vejamos: Quanto à forma, a revogação pode ser tácita, isso ocorre quando há incompatibilidade material entre um dispositivo antigo e outro mais recente, ambos produzidos pelo mesmo ór- gão. Lembre-se que duas normas não podem regular a mesma disciplina de maneira integral. A revogação é expressa quando a norma posterior revoga a anterior de forma explícita em seu texto, informando os dispositivos, especificamente, que devem ser revogados (de for- ma geral não é suficiente). Quanto à extensão, a revogação pode ser total (ab-rogação), se abranger toda a lei ou todo o dispositivo, ou parcial (derrogação), se atingir apenas parte deles. 6.4. Teorias doutrinárias acerca da não aplicação da norma infraconstitucional conflitan- te com a nova constituição Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 74 Em decorrência do surgimento de uma nova Constituição, que por sua vez, é a norma fundadora da atual ordem jurídica, além do guia político, social, e funcional do Estado, sendo hierarquicamente superior às demais normas, é incoerente que surja qualquer conflito com ou- tra fonte normativa. No entanto, caso isso ocorra, é indiscutível que essas controvérsias serão resolvidas em favor da Constituição vigente, tendo em vista, principalmente, a supremacia constitucional. Com base nesse entendimento, teorias doutrinárias foram criadas para discutir acerca da não aplicação da norma infraconstitucional conflitante com a Constituição. Vamos à elas. a) Teoria da simples revogação: ocorre em caso de conflito de direito inter- temporal, a consequência é a simples revogação da norma infraconstitucional incompa- tível com a nova Constituição. Sendo, ainda, a posição da doutrina majoritária, e a adotada pelo STF. Observe este trecho da Ementa da ADIn 2/DF: “A Constituição sobrevinda não torna in- constitucionais leis anteriores com ela conflitantes: revoga-as.”, ainda complementa “Se- ria ilógico que a lei fundamental, por ser suprema, não revogasse, ao ser promulgada, leis ordinárias”. b) Teoria da inconstitucionalidade superveniente: essa teoria defende que o conflito é de natureza hierárquica, portanto, não ocorre a revogação da norma, mas sim a perda da sua validade, visto que a revogação ocorreria se as duas normas esti- vessem no mesmo patamar hierárquico, o que não é o caso. c) Teoria intermediária: de acordo com esta teoria, a revogação seria con- sequência da inconstitucionalidade. Explico, se uma norma é inconstitucional, a resolu- ção deste problema no ordenamento jurídico é a revogação da mesma. 6.5. Recepção ATENÇÃO! O entendimento do STF acerca desde tema é aplicação da Teoria da simples re- vogação (ADIn 2/DF). Portanto, não são cabíveis as proposições de ações diretas no controle abstrato (cabe ADPF), porém, podem ser discutidas em âmbito de controle concreto/difuso, por se tratar de conflito de direito intertemporal. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 75 Quando o Poder Constituinte Originário cria uma nova Constituição, o fundamento de validade do ordenamento jurídico é também reestabelecido. A vista disso, se questiona: se um novo fundamento de validade é estabelecido no or- denamento jurídico, o que ocorrerá com as normas infraconstitucionais editadas antes da nova constituição? Bom, as normas, a depender da COMPATIBILIDADE MATERIAL podem ser recepci- onadas ou não. Explico, as normas infraconstitucionais que estejam alinhadas com a nova Constituição serão recepcionadas e as que possuam conteúdo conflitante não serão recepcio- nadas. Agora você deve estar se perguntando o que ocorre quando as normas infraconstituci- onais guardam INCOMPATIBILIDADE FORMAL com a Constituição superveniente. Como vimos anteriormente, se a norma infraconstitucional for materialmente compatí- vel com a nova Constituição ela SERÁ RECEPCIONADA, o que ainda não foi mencionado é que, caso aquela guarde incompatibilidade formal com esta, havendo compatibilidade material, a norma SERÁ RECEPCIONADA pois, no tocante à adequação FORMAL da norma, segue-se a regra do tempus regit actum, portanto, se ela foi elaborada em conformidade formal com a ordem jurídica vigente á época de sua elaboração, ela será válida. Outro ponto que devemos destacar, sobre a recepção de norma infraconstitucional FORMALMENTE INCOMPATÍVEL com a Constituição, é o de quando a Constituição super- veniente passa a exigir espécie normativa diferente da já existente para tratar da matéria regu- lada. Como exemplo clássico temos a recepção pela Constituição de 1988 do Código Tribu- tário Nacional de 1966, este, apesar de ser uma lei formalmente ordinária, foi recepcionado, por exigência constitucional, como uma lei complementar. Assim, apesar da disciplina estar regulada em espécie normativa diferente da exigida pela Constituição, isso não prejudicou sua recepção no ordenamento jurídico, porém, ela foi recepcionada travestida na espécie normativa que é exigida na nova ordem jurídica instituída. Além disso, você ainda pode se questionar o que ocorre caso uma disciplina esteja re- guladaem ato normativo que não é mais previsto no novo ordenamento jurídico, como por exemplo, o Decreto-Lei, que, hoje, não existe mais. A resposta é simples, a disciplina (possuin- do compatibilidade material com a nova Constituição), será recepcionada também, porém, da maneira que é exigida pela nova ordem jurídica. Exemplo disso é o Código Penal Brasileiro, que foi elaborado na forma de Decreto-Lei, mas foi recepcionado pela Constituição atual na forma de Lei Ordinária. Portanto, conclui-se que ocorre a RECEPÇÃO DA DISCIPLINA LEGAL COM STATUS NORMATIVO EXIGIDO pela nova Constituição. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 76 Outro ponto importante é que o STF, utilizando como fundamento a segurança jurídica ou o excepcional interesse social, terá a faculdade de modular os efeitos da decisão (modula- ção de efeitos) em relação à revogação ou recepção das normas infraconstitucionais. Explico melhor. Tendo em vista que a recepção ou revogação da disciplina legal infra- constitucional, via de regra, se dá no momento em que é inaugurada a nova Constituição, com a modulação de efeitos, o STF poderá estipular qual o momento em que sua decisão (revoga- ção ou recepção da norma) passará a valer. Como o exemplo, o STF, no RE 600.885/RS declarou a não-recepção da regra do arti- go 10, da Lei 6.880/80 da norma por estar incompatível com o artigo 142, §3º, X da CF/88 o qual dispõe que a lei disporá sobre os requisitos para o ingresso nas Forças Armadas. Em “re- percussão geral”, o STF decidiu manter a validade dos concursos e editais realizados até 31 de dezembro de 2011, alegando como fundamento o princípio da segurança jurídica, modulando os efeitos de sua decisão (não-recepção) para a partir desta data. Outro ponto, relacionado à recepção das normas, é quanto a inadmissão de Ação Dire- ta de Controle de Inconstitucionalidade. Esta, por sua vez, possui como requisito para ser in- terposta que seu objeto não seja anterior à Constituição, pois se for, não se trata de caso de constitucionalidade, mas sim de recepção ou revogação. Nesse sentido, Lenza (2017) afirma que o controle de constitucionalidade pressupõe a existência de relação de contemporaneidade entre o ato normativo editado e a Constituição tomada como parâmetro ou paradigma de confronto. Porém, nada impede que seja interposta uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). 6.6. Repristinação A repristinação ocorre quando uma norma que não vigorava mais no ordenamento ju- rídico volta a vigorar em virtude do surgimento de uma nova fonte normativa que revoga a norma que tinha revogado a primeira, devolvendo, assim, sua vigência de maneira expressa. Vamos lá, pense que existe uma norma que vamos chamar de norma “X” em nosso or- denamento jurídico, só que mais tarde, a norma “Y” revoga a norma “X” e a substitui. Posteri- ormente, surge a norma “Z”, que passa a vigorar em nosso ordenamento legal, de maneira que revoga EXPRESSAMENTE a norma “Y” e, recupera, a vigência da norma “X”. IMPORTANTE Pode ocorrer a recepção de apenas uma parte da lei, como artigo, parágrafo, mas o texto tem que ser inteiro, seja do artigo, do parágrafo ou do inciso. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 77 Vejamos o que dispõe o artigo 2º, § 3º, da Lei de Introdução às normas do Direito Bra- sileiro – LINDB acerca deste tema: Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que ou- tra a modifique ou revogue. § 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sobre a aplicação desta regra em relação a nova Constituição, quanto a ela repristinar de forma automática as normas revogadas pela Constituição anterior, o entendimento da DOUTRINA MAJORITÁRIA é de que a regra acima deve ser aplicada (artigo 2º, § 3º, da LINDB), portanto, caso a Constituição nova não declare expressamente a volta de alguma norma, ela continuará sem vigência no ordenamento jurídico. Sobre o tema, o STF se posicionou neste sentido: “EMENTA: Agravo regimental – Não tem razão o agravante. A recepção de lei ordinária como lei complementar pela Constituição posterior a ela só ocorre com relação aos seus dispositivos em vigor quando da promulgação desta, não havendo que pretender-se a ocorrência de efeito repristinatório, porque o nosso sistema jurídico, salvo disposição em contrário, não admite re- pristinação (artigo 2.º, § 3.º, da Lei de Introdução ao Código Civil). Agravo a que se nega pro- vimento” (AGRAG 235.800/RS, rel. Min. Moreira Alves, DJ, 25.06.1999, P.16, Ementa. V. 01956-13, p. 2660, 1ª Turma – original sem grifos). Portanto, conclui-se que a repristinação constitucional do direito pretérito é possível, mas, para tanto, deve estar expressamente descrita no texto constitucional. 6.7. Efeito Repristinatório ATENÇÃO! Importante atentar ao fato de que mesmo que uma norma esteja de acordo com a Constituição vigente, se esta norma deixou de ser recepcionada por alguma consti- tuição anterior e a que está vigor não tiver trazido, EXPRESSAMENTE de volta em seu texto a validade dessa disciplina legal ao ordenamento jurídico, ela continuará revogada. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 78 O efeito repristinatório, por sua vez, decorre do controle de constitucionalidade. A declaração de inconstitucionalidade de uma norma possui efeito ex tunc, pois, teoricamente, a norma in- constitucional nunca deveria ter existido. Ocorre, então, o desentranhamento da norma do or- denamento jurídico, de maneira que todos os efeitos retroagem, como se a norma inconstituci- onal nunca tivesse existido. Reflita, se uma norma revoga outra e essa, por sua vez, é declarada inconstitucional e desen- tranhada do ordenamento jurídico como se nunca tivesse existido, aquela, logicamente, nunca teria sido revogada e substituída pela primeira. Isso é o que chamamos de efeito repristinatório, assim, quando uma norma é revogada por outra considerada inconstitucional, ela é revigorada em decorrência da segunda não possuir aptidão para revogá-la. Apesar de o efeito repristinatório ser muito confundido com a repristinação, são fenômenos ju- rídicos diferentes. Para facilitar o seu estudo, vamos ao quadro com as diferenças entre esses dois fenômenos: Repristinação X Efeito Repristinatório Repristinação: - Todas as normas são válidas; - É necessário que haja disposição expressa para que ocorra (art. 2°,§ 3°, da LINDB); - É fenômeno autônomo da revigoração de normas repristinadas; - Obedece o princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI, CF/88) Efeito repristinatório - Decorre da declaração de inconstitucionalidade e consequentemente da capacidade revogadora da norma; - Ocorre de forma automática (pode ser afastada em sede de controle abstrato por decisão do STF); - Depende da declaração de inconstitucionalidade da norma revogadora, portanto, não é um fenômeno autônomo; IMPORTANTE Para o plenário do STF (ED no RE 595.838/SP), não há omissão ou obscuridade quando o STF declara inconstitucionalidade sem dizer expressamente qual a norma deve voltar à vigência, uma vez que é competência de disciplina infraconstitucional apontar qual a legislação deve ser aplicada em decorrência do efeito repristinatório. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 796.8. Constitucionalidade Superveniente A constitucionalidade superveniente ocorre quando uma norma originariamente incompatível com a constituição é convalidada a partir de alguma alteração constitucional, como por exem- plo uma emenda ou até uma mutação constitucional. O Plenário do STF, em 2005 (RE 346,084/PR), sustentou a favor da não contemplação da constitucionalidade superveniente, de modo que a reforma constitucional não possui compe- tência para validar normas que eram incompatíveis e se tornaram compatíveis através da dela. Apesar de algumas turmas decidirem em sentido oposto, a posição do STF é pela NÃO CONSTITUIONALIDADE SUPERVENIENTE. 6.9. Desconstitucionalização A Desconstitucionalização ocorre quando a as normas da Constituição anterior, quan- do compatíveis com o novo regime constitucional, continuam a vigorar, não mais como Constituição, mas como disciplina infraconstitucional. A desconstitucionalização, via de regra, NÃO é aceita no Brasil, mas existe a possibili- dade de ser, caso, EXPRESSAMENTE, a nova ordem jurídica assim disponnha, pois o poder constituinte originário é ilimitado e autônomo. ATENÇÃO! O plenário do STF não adota a teoria da desconstitucionalização, salvo por nor- ma expressa (ED no agag nos edv nos ED no agrg no AI 386.820/RS). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 80 De acordo com a corrente doutrinária defendida por JOSÉ AFONSO DA SILVA, CEL- SO BASTOS, MICHEL TEMER e LUÍS ROBERTO BARROSO, o fundamento da não adoção da DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO no Brasil seria o fato da constituição inaugurar uma nova ordem jurídica, revogando, portanto, completamente a ordem passada, sem precisar filtrar o que é ou não compatível. VACATIO CONSTITUTIONIS Conceito: é o intervalo de tempo entre a data de promulgação da no- va constituição e o início de sua vigência, determinada por uma cláusula ex- pressa. REVOGAÇÃO Conceito: a nova constituição REVOGA a anterior de forma integral. A Revogação pode se dar ser de maneira tácita ou expressa, abrangendo a norma de maneira total ou parcial. RECEPÇÃO Conceito: As normas que estão de acordo com Constituição Materi- almente serão recepcionadas, mesmo que não possuam compatibilida- de formal. Quando isso ocorre, a norma é recepcionada com o status nor- mativo exigido. REPRISTINAÇÃO Conceito: ocorre quando uma norma que não vigorava mais no or- denamento jurídico volta a vigorar em virtude do surgimento de uma nova fonte normativa que revoga a norma que tinha revogado a primeira, de- volvendo, assim, sua vigência de maneira expressa. Doutrina: entendimento da DOUTRINA MAJORITÁRIA é de que a regra referente ao artigo 2º, § 3º, da LINDB deve ser aplicada em relação a possibilidade de a Constituição repristinar normas revogadas pela Constitui- ção anterior, portanto, caso a Constituição nova não declare expressamente a volta de alguma norma, ela continuará sem vigência no ordenamento jurídi- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 81 co. Entendimento do STF: Em Agravo Regimental (AGRAG 235.800/RS) o STF se posicionou de acordo com a doutrina majoritária. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE Conceito: ocorre quando uma norma originariamente incompatível com a constituição é convalidada a partir de alguma alteração constitucional Posição do STF: O Plenário do STF, em 2005 (RE 346,084/PR), sus- tentou a favor da não contemplação da constitucionalidade superveniente. DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO Conceito: Desconstitucionalização ocorre quando a as normas da Constituição anterior, quando compatíveis com o novo regime constituci- onal, continuam a vigorar como norma infraconstitucional. Posição do STF: O plenário do STF não adota a teoria da desconstituciona- lização, salvo por norma expressa (ED no agag nos edv nos ED no agrg no AI 386.820/RS). 6.10. Efeitos retroativos das normas A lei, em regra, atinge fatos ou efeitos que venham a ocorrer durante a sua vigência, não al- cançando aqueles que aconteceram no período de validade da norma anterior. Isso porque, os atos jurídicos se regem pela norma da época em que ocorreram (tempus regit actum). Neste contexto, o Brasil admitiu a teoria subjetivista. Esta teoria expõe que a retroativi- dade normativa é proibida quando prejudica direitos subjetivos que foram adquiridos anterior- mente a nova norma. Adota-se o princípio da não retroatividade que menciona que a nova norma deve res- peitar os direitos subjetivos alcançados, como também, pode existir leis com eficácia retroativa desde que não prejudique aqueles direitos. Assim, a lei pode retroagir se for benéfica. IMPORTANTE O Plenário do STF assentou o entendimento que “O princípio da irretroativi- dade somente condiciona a atividade jurídica do Estado nas hipóteses expressa- mente previstas pela Constituição, em ordem a inibir a ação do Poder Público eventualmente configuradora de restrição gravosa (a) ao "status libertatis" da pes- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 82 Há também a teoria objetivista, não adotada, a qual defende que a retroatividade inter- fere nas relações jurídicas anteriormente realizadas, sem considerar os direitos subjetivos al- cançados da lei anterior. Excepcionalmente, a lei nova pode retroagir para atingir efeitos pretéritos conforme o grau de intensidade da norma. Assim, há três espécies de retroatividade: a) Retroatividade mínima, também chamada temperada ou mitigada: A nova norma produzirá efeitos futuros sobre os fatos ou atos que ocorrerem a partir da sua vigência, ainda que referentes a negócios pretéritos. Desde que não atinja fatos ou atos pendentes ou consumados que foram praticados na vigência da lei anterior. Por exemplo, entra em vigor uma nova lei que altera a taxa de juros que incidem no con- trato de financiamento. Essa lei atingirá as prestações vincendas dos contratos já celebrados e os que serão realizados a partir da sua entrada em vigor, automaticamente. Como também, há retroatividade mínima no Decreto nº 22.626/1933 da Lei de Usura que prevê a redução na cobrança de taxas de juros nos contratos existentes, conforme discipli- na no art. 3º: “as taxas de juros estabelecidas nesta lei entrarão em vigor com a sua publicação e a partir desta data serão aplicáveis aos contratos existentes ou já ajuizados”. Verifica-se, assim, aplicação imediata de uma nova lei, que gera efeitos futuros relacio- nados aos atos ou fatos pretéritos, o que consiste em uma retroatividade mínima automática. b) Retroatividade média Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 83 A nova norma atinge os efeitos pendentes dos atos ou fatos praticados no passado. No entanto, para que a lei atinja fatos pretéritos deve haver disposição legal expressa neste senti- do. Como exemplo, caso de um contrato celebrado com a taxa de juros de 8%, porém, lei nova dispõe que a taxa será de 5%. Com isso, ao contrato será cobrado 5% de juros das pres- tações vencidas, mas ainda não pagas (pendentes) e das vincendas. Do mesmo modo, ocorre a retroatividade média no artigo 17 da CF/88 que estabelece a redução dos pagamentos pendentes e futuros: Art. 17. Os vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limitesdela decorrentes, não se admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título. c) Retroatividade máxima ou restituitória A nova norma atinge os atos ou fatos consumados ou a coisa julgada, na vigência da lei anterior. Com isso, as partes voltam ao status quo anterior. Por exemplo, a lei entra em vigor alterando a taxa de juros do contrato e, com o grau de intensidade máxima, retroagirá para atingir todas as prestações, inclusive as que já foram pa- gas. Observa-se a retroatividade máxima no artigo 231, § 6° da CF: Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que te- nham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indeni- zação ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. Neste artigo, a Constituição Federal regulamenta a posse permanente das terras indígenas, mesmo aquelas que eles não estavam ocupando. Segundo o Informativo 771 do STF, as terras que não estavam ocupadas pelos índios na época da promulgação da CF/88, mas que lhes pertenciam antes, são consideradas terras indígenas por terem sido vítimas de esbulho pos- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 84 sessório. (STF. 2ª Turma. ARE 803462 AgR/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/12/2014) As normas constitucionais originárias possuem retroatividade mínima por serem autoaplicáveis (self executing). Porém, essas normas não atingem os atos ou fatos pendentes ou consumados, exceto disposição expressa em contrário que permita a retroatividade. Logo, as normas constitucionais originárias podem realizar as três espécies de retroati- vidade, sendo a retroatividade mínima automática, e as demais expressas. No entanto, o direito brasileiro proíbe a retroatividade da leis, salvo nos casos autoriza- dos pela Constituição Federal, visto que o princípio da irretroatividade veda o efeito retroa- tivo da norma para prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, sob pena de inconstitucionalidade (art. 5º, XXXVI, CF). O artigo 5, XXXVI, da Constituição Federal se aplica a todas as leis infraconstitucionais, de direito público e direito privado. Todavia, as Constituições Estaduais, as emendas à Constituição e as demais normais infraconstitucionais estão limitadas pela irretroatividade da lei, exceto se houver previsão legal ou nova lei penal que beneficia o réu. Busca-se, assim garantir a segurança jurídica (art. 5º, inciso XXXVI da CF). PARA SABER MAIS Paul Roubier defende que se a norma nova produz efeitos futuros relaciona- dos as situações jurídicas constituídas na vigência da lei anterior, há efeito imediato da norma, e não retroativo. Logo, apenas existe retroatividade média e máxima, visto que, a mínima está adstrita ao que chamou de efeito imediato forte da nor- ma. ATENÇÃO! O STF afirma que é proibido alegar direito adquirido em face de uma nova Constituição. Todavia, ao poder constituinte originário é permitido vio- lar direito adquirido, tendo em vista que não está subordinado a constituição anterior por ser ilimitado e incondicionado. ATENÇÃO! A jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal menciona que é proibido a legislação infraconstitucional retroagir para atingir ato jurídico perfeito, ainda que alcance os seus efeitos futuros (retroatividade mínima). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10729579/inciso-xxxvi-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988 www.cers.com.br 85 O STF já enfrentou o tema argumentando que: “...os dispositivos constitucionais têm vi- gência imediata, alcançando os efeitos futuros de fatos passados (retroatividade mínima). Sal- vo disposição expressa em contrário – e a Constituição pode fazê-lo –, eles não alcançam os fatos consumados no passado nem as prestações anteriormente vencidas e não pagas (retroa- tividades máxima e média).” (RE 140.499, Rel. Min. Moreira Alves, Primeira Turma, DJ 9.9.1994) Importante lembrar que no âmbito das constituições estaduais, a súmula 654 do STF disciplina que “A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Consti- tuição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado”. Este artigo estabelece que o legislador não pode editar a norma e, posteriormente, reti- rá-la do ordenamento, como forma de voltar atrás em relação a norma que ele mesmo propôs. Desse modo, não podem os órgãos legislativos anular ou declarar a nulidade de atos normati- vos, no intuito de dar efeito retroativo (ex tunc) à sua manifestação. Ademais, diante da súmula 654 do STF, argumenta-se que a União não pode invo- car a proteção do direito adquirido contra lei federal que suprima direitos da própria União. RETROATIVIDADE MÍNIMA RETROATIVIDADE MÉDIA RETROATIVIDADE MÁXIMA Lei nova alcança os efeitos futuros dos fatos anteriores a sua vigên- cia. Lei nova atinge os efei- tos pendentes dos fatos ocorridos antes dela. Lei nova interfere nos fatos consumados. EXERCÍCIOS 1. (CESPE – 2015 - Tribunal Regional Eleitoral - Goiás - Técnico Judiciário - Área Admi- nistrativa ∙ Superior) Quanto ao conceito de Constituição e aos direitos individuais e de nacio- nalidade, julgue os seguintes itens. Devido ao status que tem uma Constituição dentro de um ordenamento jurídico, a entrada em vigor de um novo texto constitucional torna inaplicável a legislação infraconstitucional anterior. A) Certo Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 86 B) Errado 2. (CESPE – 2015 – Superior Tribunal de Justiça – BR - Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Saúde Bucal ∙ Médio) Julgue os itens seguintes, acerca dos direitos e garan- tias fundamentais da República Federativa do Brasil. A superveniência de nova Constituição não afetará o direito adquirido na ordem constitucional anterior. A) Certo B) Errado 3. (CESPE – 2012 - Tribunal Regional do Trabalho / 10ª Região - Analista Judiciário - Área Execução de Mandados ∙ Superior) Em determinado país, como resultado de uma revolução popular, os revolucionários assumiram o poder e declararam revogada a Constituição então em vigor. Esse mesmo grupo estabeleceu uma nova ordem constitucional consistente em norma fundamental elaborada por grupo de juristas escolhido pelo líder dos revolucionários. Com base nessa situação hipotética, julgue os itens a seguir. Caso a nova Constituição estabeleça que algumas leis editadas sob a égide da ordem consti- tucional anterior permaneçam em vigor, ocorrerá o fenômeno da repristinação. A) Certo B) Errado 4. (FUNDATEC – 2019 - Instituto Municipal de Saúde de Estratégia de Saúde da Família – RS) Quando a lei ordinária, publicada sob o regime constitucional revogado, mantém a sua va- lidade frente a promulgação de uma nova constituição, ocorre aaplicação da teoria da: A) Recepção. B) Hierarquia constitucional. C) Força normativa constitucional. D) Repristinação. E) Adequação constitucional. 5. (FCC – 2018 - Câmara Legislativa do DF - Consultor Legislativo - Área Constituição ∙ Superior) Considere, hipoteticamente, que em determinado Estado nacional seja promulgada nova Constituição, na qual estejam contempladas as seguintes disposições: I. Permanecem válidos e consideram-se vigentes, com o caráter de lei ordinária, os dispositivos da Constituição anterior que não contrariem esta Constituição. II. As leis ordinárias promulgadas anteriormente à entrada em vigor desta Constituição man- têm-se válidas e em vigor naquilo em que não sejam contrárias a esta Constituição. As disposições em questão referem-se, respectivamente, aos fenômenos da: A) recepção de normas constitucionais e desconstitucionalização. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 87 B) desconstitucionalização e recepção. C) repristinação e recepção. D) desconstitucionalização e repristinação. E) recepção de normas constitucionais e repristinação. 6. (FGV – 2017 - Prefeitura de Salvador – BA - Técnico de Nível Superior II - Área Suporte Administrativo - Especialidade: Direito ∙ Superior) Em momento anterior à promulgação da Constituição da República, estavam em vigor as Leis X, Y e Z, tendo, essa última, revogado a Lei W. A Lei X era formal e materialmente compatível com a nova ordem constitucional. A Lei Y era formalmente incompatível e materialmente compatível com a nova ordem constitu- cional. A Lei Z era formal e materialmente incompatível com a nova ordem constitucional, sendo certo que a revogada Lei W, caso estivesse vigendo, seria formal e materialmente compatível com a nova ordem constitucional. À luz da narrativa acima, assinale a afirmativa correta. A) Lei X foi recepcionada e as Leis Y e Z foram revogadas, ressalvada a hipótese de a nova ordem constitucional ter determinado, expressamente, a permanência em vigor destas últimas. B) As Leis X, Y e Z foram revogadas pela nova ordem constitucional, já que a narrativa não faz menção à existência de comando constitucional expresso prevendo a sua recepção. C) As Leis X e Y foram recepcionadas pela nova ordem constitucional, em razão de sua com- patibilidade material, e a Lei W foi repristinada em decorrência da revogação da lei revogadora. D) A Lei Z foi revogada e as Leis X e Y foram recepcionadas pela nova ordem constitucional, sendo certo que esta última passou a ter a mesma natureza jurídica da espécie legislativa pre- vista na nova sistemática. E) A Lei X foi recepcionada pela nova ordem constitucional, a Lei Y foi revogada e a Lei W foi repristinada em razão da não recepção da lei revogadora. 7. (FCC – 2018)Câmara Legislativa do DF - Consultor Legislativo - Área Constituição ∙ Superior) Considere, hipoteticamente, que em determinado Estado nacional seja promulgada nova Constituição, na qual estejam contempladas as seguintes disposições: I. Permanecem válidos e consideram-se vigentes, com o caráter de lei ordinária, os dispositivos da Constituição anterior que não contrariem esta Constituição. II. As leis ordinárias promulgadas anteriormente à entrada em vigor desta Constituição man- têm-se válidas e em vigor naquilo em que não sejam contrárias a esta Constituição. As disposições em questão referem-se, respectivamente, aos fenômenos da: A) recepção de normas constitucionais e desconstitucionalização. B) desconstitucionalização e recepção. C) repristinação e recepção. D) desconstitucionalização e repristinação. E) recepção de normas constitucionais e repristinação. 9. (2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Federal) Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta. Segundo o entendimento majoritário da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/trf-4-regiao-2010-trf-4-regiao-juiz-federal www.cers.com.br 88 I. A norma de direito público incide imediatamente sobre ato jurídico já praticado, regulando os seus efeitos futuros (retroatividade mínima) e preservando os efeitos anteriormente produzidos. II. A irretroatividade da lei aplica-se tanto às leis de ordem pública (jus cogens) quanto às leis dispositivas (jus dispositivum). III. O direito adquirido a regime jurídico somente pode ser afastado por norma constitucional superveniente. IV. Se a lei alcançar os efeitos futuros de contratos celebrados anteriormente a ela, será essa lei retroativa porque vai interferir na causa, que é um ato ou fato ocorrido no passado. A) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. B) Estão corretas apenas as assertivas II e III. C) Estão corretas apenas as assertivas II e IV. D) Estão corretas apenas as assertivas III e IV. E) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV. 10. (CESPE - 2015 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz Federal Substituto) Com relação aos critérios constitucionais de aplicação das leis no tempo, assinale a opção correta à luz da doutrina e da jurisprudência do STF pertinentes a esse tema. A) Terá eficácia retroativa média a lei nova que atingir apenas os efeitos dos atos anteriores produzidos após a data em que ela entrar em vigor. B) A União pode invocar a proteção do direito adquirido contra lei federal que suprima direitos da própria União. C) De acordo com a jurisprudência do STF, uma lei processual que altere o regime recursal terá aplicação imediata, incidindo inclusive sobre os casos em que já haja decisão prolatada pendente de publicação. D) A CF não positivou expressamente a regra de que as leis não podem atingir fatos ocorridos no passado, adotando, na verdade, a teoria subjetiva de proteção dos direitos adquiridos em face de leis novas. E) O servidor público tem direito adquirido à manutenção dos critérios legais de fixação do va- lor da remuneração. 11. (CESPE - 2016 - TCE-PR - Analista de Controle - Jurídica) A respeito do poder consti- tuinte, assinale a opção correta. A) O caráter ilimitado do poder constituinte originário não impede o controle de constitucionali- dade sobre norma constitucional originária quando esta conflitar com outra norma constitucio- nal igualmente originária. B) Se não houver ressalva expressa no seu próprio texto, a Constituição nova atingirá os efei- tos pendentes de situações jurídicas consolidadas sob a égide da Carta anterior. C) O poder constituinte originário não desaparece com a promulgação da Constituição, perma- necendo em convívio estreito com os poderes constituídos. D) As assembleias nacionais constituintes são as entidades que titularizam o poder constituinte originário. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2015-trf-5-regiao-juiz-federal-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2016-tce-pr-analista-de-controle-juridica www.cers.com.br 89 E) O poder constituinte originário é incondicionado, embora deva respeitar os direitos adquiri- dos sob a égide da Constituição anterior, ainda que esses direitos não sejam salvaguardados pela nova ordem jurídica instaurada. 12. (FCC – 2016 - Prefeitura de Campinas - SP – Procurador) Determinado município editou lei estendendo um dado benefício a servidores inativos, incluindo os que, no dia em que se ini- ciou a vigência da lei, já se encontrassem nessa condição. Posteriormente, a Procuradoria do Município contestou a constitucionalidade da lei, afirmando que esta feriria a garantia da irre- troatividade. De acordo com Súmulado Supremo Tribunal Federal, A) Em caso de conflito de leis no tempo, aplica-se ao servidor público a lei mais benéfica. B) O efeito retroativo é expressamente proibido pela Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. C) A garantia da irretroatividade da lei não é invocável pela entidade estatal que a tenha edita- do. D) A garantia da irretroatividade cede às normas de ordem pública. E) O efeito retroativo apenas é admitido em matéria de meio ambiente. 13. (CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto) De acordo com a doutrina, norma constitucional superveniente editada pelo poder constituinte originário sem qualquer ressalva tem eficácia A) Retroativa máxima. B) Retroativa média. C) Retroativa mínima. D) Somente para o futuro. E) Exauriente. GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 ERRADO 7 D 2 ERRADO 8 B 3 ERRADO 9 C 4 A 10 10 5 B 11 B 6 B 12 C 13 C Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/institutos/prefeitura-de-campinas-sp https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-mpe-pi-promotor-de-justica-substituto www.cers.com.br 90 7. HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL 7.1. Noções introdutórias Hermenêutica é a ciência que estuda a interpretação, os processos e as técnicas que dela de- correm. A interpretação constitucional, por sua vez, tem por finalidade encontrar o real sentido que o texto disposto na Constituição deseja transmitir. Nessa linha, a Hermenêutica Constituci- onal é utilizada para resolver as divergências decorrentes das diferentes interpretações, ponde- rar a utilização de bens jurídicos protegidos pela própria Constituição e garantir a aplicação correta das normas constitucionais tanto pelo legislador infraconstitucional, como pelos magis- trados e pela administração pública. Perceba, a Hermenêutica Constitucional não é essencial apenas para a aplicação da norma ao caso concreto (realizada pelo Poder Judiciário), mas também na utilização desta pelos outros poderes (Legislativo e Executivo), pois, a Constituição Federal é nossa carta magna e rege o Estado como um todo. Diante disso, cabe questionarmos: é incumbência apenas do Poder Judiciário realizar a inter- pretação constitucional? Apesar dessa ideia ter sido muito difundida, a resposta é NÃO! Os três poderes têm competência para interpretar a Constituição, visto que ela influencia diretamente na organização do país, e na vida dos cidadãos. 7.2. Teorias quanto a interpretação constitucional Existem duas correntes, interpretativas muito cobradas em concursos públicos, por is- so, vale a pena conhecer cada uma delas: a) Corrente interpretativista: nessa corrente, é defendida a ideia de que os juízes devem considerar, na interpretação, os preceitos constitucionais expressos e os preceitos claramente implícitos, possuindo como referência a textura semântica e a vontade do le- gislador, ou seja, a interpretação não vai além do que o texto dispõe. Esta corrente também tem como característica a defesa de que uma lei só pode ser declarada inconstitucional PARA SABER MAIS Disposição normativa X Norma: Disposição normativa é a fórmula linguística que produz, é o enunciado que ain- da será interpretado, tem-se como exemplo o artigo 5º, II da Constituição Fede- ral “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei”, por outro lado a norma é o produto resultante da interpretação do texto dis- posto na norma, como por exemplo o Princípio da Legalidade extraído do artigo 5º, II, da Constituição Federal. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 91 depois de um processo dedutivo, que é a análise de argumentos e fatos para se chegar à uma dedução conclusiva, tendo como premissa uma norma da constituição. Portanto, essa corrente se posiciona contra o ativismo judicial, não concedendo espaço para imposição de valores pessoais ao caso concreto. b) Corrente não interpretativista: essa corrente, por outro lado, defende a atuação do jurista pautada em valores substantivos, tais como igualdade, liberdade e evolução soci- al. À vista disso, o intérprete ajuda a construir uma norma a favor do ativismo judicial, recor- rendo-se, para tanto, a fatores externos, como a realidade social da época. O que se busca, portanto, é aplicação da norma constitucional em conformidade com o progresso social. 7.3. Métodos interpretativos tipicamente constitucionais A Hermenêutica constitucional é dotada de métodos próprios, utilizados na interpreta- ção constitucional, estes, por sua vez, foram desenvolvidos ao longo do tempo pela doutrina e jurisprudência, objetivando uma melhor solução interpretativa. A seguir, em razão de ser uma matéria cobrada com frequência em concursos públicos, vamos discorrer um pouco sobre cada um deles: a) Método jurídico ou método hermenêutico clássico: Este método defende que a interpretação da norma constitucional deve ser feita baseada em regras clássicas da her- menêutica. Aqui, a Constituição é considerada pelo intérprete uma norma comum, assim co- mo qualquer outra inserida em nosso ordenamento jurídico, sendo o texto analisado em sua literalidade. Além disso, são utilizados como instrumentos de interpretação elementos filoló- gicos, que é a interpretação textual. Ao realizar essa interpretação da norma constitucional, esse método busca entender o momento histórico em que a norma foi criada, a fim de com- preender o motivo pelo qual ela foi feita, pois ao compreender o contexto social, político e histó- rico da época torna-se mais fácil a interpretação da mesma. Este método também tem como característica a interpretação teleológica da norma, que consiste na análise do fato com a causa final, buscando sempre o real sentido normativo. b) Método tópico problemático: este método foi idealizado por Theodor Viehweg e consiste na interpretação que prepondera o problema sobre a norma, ou seja, a interpreta- IMPORTANTE NORMAS EXPLÍCITAS X NORMAS IMPLÍCITAS: As normas expressas ou explícitas, são disposições que possuem significado precisos e está claro o que quer ser transmitido através dele, como por exemplo, o Princípio da Legalidade extraído do artigo 5º, II, da Constituição Federal. Já as normas implícitas são deduzidas por meio de raciocínio lógico-jurídico, não está claro na literalidade do texto. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 92 ção é uma forma de resolução da problemática discutida. Através da utilização de técnicas de argumentação, cada um expõe o seu ponto de vista argumentando e defendendo-o, dessa forma, é possível chegar a solução do caso concreto pela norma. Este método é bastante em- pregado em casos de conflitos entre normas de direitos fundamentais, pois, nele, se obje- tiva a harmonização dos direitos a serem utilizados no caso concreto, utilizando-se, portanto, uma visão prática na interpretação da norma, intentando a resolução de problemas através dela. Deste modo, a norma aqui é vista como algo aberto a novas interpretações. c) Método hermenêutico concretizador: idealizado por Konrad Hesse, esse mé- todo busca fazer uma pré-compreensão do significado da norma, realizando uma análise con- textual da criação normativa, ou seja, relaciona o texto ao contexto da instituição da norma, como uma espécie de movimento de ir e vir. Dessa forma, o que se observa aqui é a valoriza- ção da interpretação e o que advém destaatividade, prevalecendo o texto constitucional e não a problemática d) Método integrativo ou científico espiritual: Este método foi idealizado por Ru- dolf Smed, ele busca, ao interpretar o texto constitucional, a observância à ordem ou aos valo- res pressupostos no texto, ou seja, o intérprete busca a matéria valorativa da norma. Além disso, a interpretação da norma neste método é realizada com base na realidade social e nos valores defendidos pela sociedade, tendo em vista o fato de a Constituição ser um guia que rege valores sociais. e) Método normativo-estruturante: este método advém dos estudos de Friedrich Müller e defende que a norma jurídica é diferente do texto normativo. Ele defende que ao ser feita a interpretação da norma constitucional, o intérprete deve considerar como tal nor- ma é colocada em prática na realidade social, uma vez que esta é o resultado do texto nor- mativo editado pelo Poder Legislativo aliado à sua aplicação pelo Poder Judiciário e Adminis- trativo, ou seja, seria a junção do texto com o contexto ao qual a norma é aplicada. f) Método da comparação constitucional: neste método, a interpretação da nor- ma constitucional se pauta na comparação entre constituições, principalmente ao que tange às questões relacionadas aos Direitos Fundamentais, de maneira que se observa, nas dife- rentes cartas-magnas, como enfrentaram a mesma problemática. Espécies de métodos interpretativos constitucionais Método jurídico Método tópico- problemático Método cientí- fico-espiritual Método hemenêu- tico- concreti- zador Método concretista- estruturante Méto- do da com- para- ção consti- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 93 tucio- nal -Métodos clássicos de hemenêutica -Constituição con- siderada norma comum -Uso de elemen- tos:filológicos, ló- gicos, hitóricoe teleoógicos -Interpretação a partir do pro- blema concreto -Preponderação do problema sobra norma -Uso de técni- cas de argu- mentação - Constituição considerada regente dos valores sociais -Interpretação considerando o grau valora- tivo das nor- mas e a reali- dade social - Pré- compreen- são do sig- nificado da norma, - Relaciona o texto ao contexto de criação da norma - Norma jurí- dica é dife- rente do tex- to normativo. A norma se- ria mais completa (texto + apli- cação) - Considerar como tal norma é co- locada em prática na realidade social - Com- para- ção entre Consti- tuição vigente e pas- sadas - Muito utiliza- da nas ques- tões refe- rentes a direi- tos funda- men- tais 7.3. Princípios da interpretação Constitucional: PARA SABER MAIS: Interpretação x Construção constitucional: A doutrina, principalmente a americana, diferencia interpretação constitucional de construção constitucional. A interpretação constitucional seria a busca pelo sen- tido, pelo significado das palavras, enquanto a construção constitucional vai além, busca complementar as normas e extrair do texto normas implícitas, como por exemplo, princípios constitucionais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 94 a) Princípio da unidade da constituição: este princípio dispõe que a Constituição é una devendo seu conteúdo ser interpretado e considerado em sua totalidade, e não em uma análise isolada, por isso, em seu texto, não há contradições ou hierarquia entre normas. Não há possibilidade de existir normas inconstitucionais advindas do poder constituinte originário, dessa forma, não há contradição real entre as normas constitucionais, o que é possível que exista é o conflito aparente de normas, quando isso ocorre, há ponderação de princípios ou subsunção das normas no caso concreto. b) Princípio da máxima efetividade, da eficiência ou da interpretação efetiva: esse princípio objetiva conferir à norma constitucional um sentido que lhe outorga maior efetivi- dade e eficácia social, de modo que viabilize a sua aplicação de forma mais célere. c) Princípio da concordância prática ou harmonização: este princípio visa a combinação harmônica de bens jurídicos, (caso ocorra algum tipo de conflito aparente entre eles). Ele busca evitar a inaplicabilidade de um em função do outro, sendo utilizado, para tanto, critérios de ponderação. d) Princípio da justeza ou da conformidade, ou exatidão funcional: a interpreta- ção não pode subverter o esquema funcional já criado pela Constituição. Assim, nenhum ór- gão poderia alterar, pela interpretação, a organização funcional realizada pelo legislador. e) Princípio do efeito integrador: este princípio defende que o intérprete deve bus- car uma interpretação que vise a unidade política, pois, tendo em vista que a Constituição é um elemento de integração, suas normas devem ser interpretadas de modo que seja garantida com efetividade a integração política e social. f) Princípio da força normativa da Constituição: idealizado por Konrad Hesse, este princípio defende que as normas constitucionais devem ter o mínimo de eficácia, por- tanto, devem estar em conformidade com a realidade social, jurídica e política, de maneira PARA SABER MAIS Subsunção e ponderação A subsunção consiste na inclusão de algo menor em algo mais amplo. Portanto, seria o encaixe do caso concreto na norma. Esta técnica que é usada para resolver conflitos entre normas. É auxiliada por critérios hierárquico, cronológico e de espe- cialidade, além de metanormas. A ponderação é técnica usada no conflito de princípios com idêntica hierarquia, a fim de decidir qual a norma a ser utilizada para a solução deste conflito, de maneira que o uso de um princípio prevalecerá, enquanto outro não. Análise realizada a partir de hierarquia axiológica, que consiste na atribuição de um peso maior a de- terminado princípio apontando este como o que deve ser utilizado. Além disso, es- sa hierarquia axiológica é móvel, a depender do no caso concreto em questão. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 95 que estejam sempre atualizadas e aptas para serem aplicadas. Este princípio está de acordo com a uniformização de julgados e a busca pela segurança jurídica, uma vez que valoriza a eficácia e permanência da norma. 7.4. Princípio da interpretação conforme a Constituição Este princípio foi elaborado pela jurisprudência alemã e a sua aplicação é destinada somente às normas infraconstitucionais, ou seja, é um preceito que não tem como direcio- namento o texto constitucional. Seu principal objetivo é fazer com que as outras normas do ordenamento jurídico preservem a sua constitucionalidade e, consequentemente, sua vali- dade, para que assim não sejam declaradas como inconstitucionais. É impossível que esse princípio seja aplicado em normas que possuam um único significado, visto que não há alternativa de se buscar uma interpretação diversa da que está disposta. Por isso, somente é aplicado às normas com mais de um sentido, priorizando-se a interpretação mais compatível com a constituição. Outro ponto importante na aplicação deste princípio é o limite de interpretação razo- ável a ser respeitado pelo intérprete (ao desenvolver a interpretação da norma), para que o sentido original do texto não seja corrompido e a vontade do legislador não seja desrespei- tada, pois, caso isso aconteça, a separação dos poderes está sendo afetada. A interpretaçãopode ser dividida ainda entre: a) interpretação conforme a constituição com redução do texto; b) interpretação conforme a constituição sem redução do texto. A pri- meira (interpretação conforme a constituição com redução do texto) dispõe que a parte corrompida da norma deve ter sua eficácia suspensa por ser inconstitucional. Por outro lado, a segunda (interpretação conforme a constituição sem redução do texto) ordena a exclusão do sentido que seja inconstitucional ou atribuição de um sentido que seja alinhado aos precei- tos constitucionais, a sua finalidade, portanto, é de ajustar a norma à constituição. ATENÇÃO! Apesar de a interpretação conforme a constituição parecer muito com o parâmetro de verificação de constitucionalidade utilizado nas Emendas Constituci- onais, aquele também utiliza como parâmetro as próprias emendas constitucionais (efetuadas pelo poder constituinte derivado). ATENÇÃO 2! A interpretação conforme a constituição no âmbito de controle de constitu- cionalidade é bastante discutida, tendo em vista que este instrumento hermenêuti- co busca a constitucionalidade das leis infraconstitucionais perante a própria Cons- tituição. Portanto, cabe conceituar brevemente duas principais teorias sobre a natu- reza jurídica da “interpretação conforme a Constituição” a) Princípio interpretativo e técnica de decisão de controle (de acordo com a doutrina majoritária no Brasil): pode ser usada tanto como téc- nica interpretativa, com o objetivo de interpretar as normas infraconstitucionais de acordo com a Constituição, tanto como nas decisões de em que se discutem constitucionalidade de normas. Esse é o posicionamento da doutrina majoritá- ria no Brasil, b) Princípio interpretativo ou técnica de decisão a depender do tipo de controle: é utilizado como instrumento hermenêutico no controle concre- to de constitucionalidade e como técnica na decisão no controle abstrato, vincula inclusive os demais órgãos. Este é o posicionamento atual do STF Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 96 Princípios da interpretação Constitucional Princípio da unidade da constituição Princípio da máxima efetividade Princípio da concordância prática Princípio da justeza Princípio do efeito inte- grador Princípio da força norma- tiva da Cons- tituição -Constituição é una; - Em seu texto, não há con- tradições ou hierarquia entre normas constitucio- nais; - O que pode haver é confli- to aparente de normas. - Conferir sentido que garanta maior efetividade e rapidez na aplicação da norma consti- tucional. - Visa a com- binação har- mônica de bens jurídicos; - Busca evitar a inaplicabili- dade de um bem jurídico em função do outro; - Uso de crité- rios de ponde- ração. - Defende que nenhum órgão pode- ria alterar, pela interpre- tação, a or- ganização funcional rea- lizada pelo legislador. - Busca uma interpretação que vise a unidade polí- tica. - Defende que as normas constitucionais devem ter o mínimo de eficácia, por- tanto, devem estar em con- formidade com a realida- de social, jurí- dica e política; - Em concor- dância com a uniformização dos julgados e da segurança jurídica EXERCÍCIOS 1. (CESPE - 2019 - MPE-PI - Promotor de Justiça Substituto) Assinale a opção que apre- senta o método conforme o qual a leitura do texto constitucional inicia-se pela pré- compreensão do aplicador do direito, a quem compete efetivar a norma a partir de uma situa- ção histórica para que a lide seja resolvida à luz da Constituição, e não de acordo com critérios subjetivos de justiça. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-mpe-pi-promotor-de-justica-substituto www.cers.com.br 97 A) hermenêutico-clássico B) hermenêutico-concretizador C) científico-espiritual D) normativo-estruturante E) hermenêutico-comparativo 2. (CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz Substituto) A respeito de métodos de interpretação constitu- cional e do critério da interpretação conforme a constituição, assinale a opção correta. A) A busca das pré-compreensões do intérprete para definir o sentido da norma caracteriza a metódica normativo-estruturante. B) O método de interpretação científico-espiritual é aquele que orienta o intérprete a identificar tópicos para a discussão dos problemas constitucionais. C) A interpretação conforme a constituição não pode ser aplicada em decisões sobre constitu- cionalidade de emendas constitucionais. D) A interpretação conforme a constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto são exemplos de situações constitucionais imperfeitas. E) A interpretação conforme a constituição é admitida ainda que o sentido da norma seja uní- voco, pois cabe ao STF fazer incidir o conteúdo normativo adequado ao texto constitucional. 3. (CESPE - 2019 - TJ-BA - Juiz de Direito Substituto) A respeito de hermenêutica constitu- cional e de métodos empregados na prática dessa hermenêutica, assinale a opção correta. A) A noção de filtragem constitucional da hermenêutica jurídica contemporânea torna dispen- sável a distinção entre regras e princípios. B) De acordo com o método tópico, o texto constitucional é ponto de partida da atividade do intérprete, mas nunca limitador da interpretação. C) Segundo a metódica jurídica normativo-estruturante, a aplicação de uma norma constitucio- nal deve ser condicionada às estruturas sociais que delimitem o seu alcance normativo. D) O princípio da unidade da Constituição orienta o intérprete a conferir maior peso aos critérios que beneficiem a integração política e social. E) Os princípios são mandamentos de otimização, como critério hermenêutico, e implicam o ideal regulativo que deve ser buscado pelas diversas respostas constitucionais possíveis. 4. (VUNESP - 2018 - TJ-SP - Juiz Substituto) Com relação aos princípios e métodos de inter- pretação constitucional, pode-se afirmar que: A) a interpretação conforme a Constituição, instrumento previsto no artigo 28, parágrafo único, da Lei n° 9.868/1999, permite a interpretação contrária à literalidade da norma (contra legem), desde que necessária à preservação do princípio da supremacia da Constituição. B) segundo o princípio da concordância prática ou da harmonização, eventual conflito entre bens juridicamente protegidos deve ser solucionado pela coordenação e combinação entre eles, de modo que o estabelecimento de limites recíprocos evite o sacrifício de uns em relação aos outros. C) por representar ampliação dos poderes do juiz em prejuízo da esfera de opção política do legislador, sem que tenha sido adotado como norma geral pelo texto constitucional, o princípio da proporcionalidade só pode ser aplicado pelos tribunais nas hipóteses específicas previstas em preceitos esparsos da Constituição. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-tj-sc-juiz-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2019-tj-ba-juiz-de-direito-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2018-tj-sp-juiz-substituto www.cers.com.br 98 D) segundo o princípio da unidade da Constituição, as normas constitucionais devem ser inter- pretadas como integrantes de um todo, de modo que, se qualquer delasimplica ruptura da uni- dade, deve ser declarada inconstitucional, conforme já decidiu o Supremo Tribunal na ADIN 815. 5. (VUNESP - 2018 - TJ-MT - Juiz Substituto) O Supremo Tribunal Federal pacificou o enten- dimento de que, “para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hedi- ondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fun- damentado, a realização de exame criminológico.” Para chegar a essa decisão, o STF utilizou- se da interpretação denominada: A) integração normativa. B) conforme a constituição com redução de texto. C) mutação constitucional. D) clássica. E) conforme a constituição sem redução de texto 6. ( FGV - 2018 - AL-RO - Advogado) Na interpretação constitucional, há um método que atri- bui ao intérprete o exercício de uma atividade intelectiva, que principia com o texto, não des- considerando o direcionamento e os limites que oferece, e leva em consideração as especifici- dades do contexto e do caso particular, culminando com o delineamento da norma. Assinale a opção que indica o método descrito. A) da ponderação. B) da tópica pura. C) da integração. D) concretizador. E) clássico. 7. (VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia) Em recente julgamento nos autos da ADPF no 132, o Supremo Tribunal Federal, diante da possibilidade de duas ou mais interpreta- ções razoáveis sobre o art. 1.723 do Código Civil, que trata sobre a união estável entre homem e mulher, reconheceu a união homoafetiva como família. Nesse caso, é correto afirmar que a técnica de interpretação utilizada foi: A) interpretação teleológica. B) mutação constitucional informal. C) interpretação conforme. D) mutação constitucional formal. E) ponderação pelo princípio da proporcionalidade. 8. ( VUNESP - 2018 - TJ-RS - Juiz de Direito Substituto) No ano de 2017, o Ministro Relator Luís Roberto Barroso suscitou, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, uma questão de or- dem na Ação Penal (AP) 937, defendendo a tese de que o foro de prerrogativa de função deve ser aplicado somente aos delitos cometidos por um deputado federal no exercício do cargo pú- blico ou em razão dele. O julgamento se encontra suspenso por um pedido de vistas, mas, se Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2018-tj-mt-juiz-substituto https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fgv-2018-al-ro-advogado https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2018-pc-sp-delegado-de-policia https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/vunesp-2018-tj-rs-juiz-de-direito-substituto www.cers.com.br 99 prevalecer o entendimento do Ministro Relator, haverá uma mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação ao instituto do foro de prerrogativa de função, que ocor- rerá independentemente da edição de uma Emenda Constitucional. A hermenêutica constituci- onal denomina esse fenômeno de: A) força normativa da Constituição. B) princípio da concordância prática. C) mutação informal da Constituição D) maximização das normas constitucionais. E) interpretação sistêmica. 9. (CESPE - 2018 - TJ-CE - Juiz Substituto) A interpretação conforme a Constituição: A) é um tipo de situação constitucional imperfeita, pois somente atenua a declaração de nulida- de em caso de inconstitucionalidade. B) é admitida para ajustar o sentido do texto legal com a Constituição, ainda que o procedimen- to resulte em regra nova e distinta do objetivo do legislador. C) é um método cabível mesmo em se tratando de texto normativo inconstitucional que apre- senta sentido unívoco. D) é incompatível com a manutenção de atos jurídicos produzidos com base em lei inconstitu- cional. E) é fixada por decisão do STF, mas não se reveste do efeito vinculante próprio das decisões declaratórias de inconstitucionalidade. 10. (CESPE - 2018 - PGM - Manaus – AM - Procurador do Município) No tocante às técni- cas de decisão em sede de controle abstrato, julgue o item que se segue. Caso uma norma comporte várias interpretações e o STF afirme que somente uma delas aten- de aos comandos constitucionais, diz-se que houve interpretação conforme. A) Certo B) Errado GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 1 B 6 D 2 D 7 C 3 E 8 C 4 B 9 A 5 C 10 CERTO 8. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Constituição Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/cespe-2018-tj-ce-juiz-substituto www.cers.com.br 10 0 Legislação Atos infralegais 8.1 Noções introdutórias Controle de constitucionalidade é o mecanismo de proteção da supremacia constitucional. Por meio do controle de constitucionalidade é possível verificar se os atos normativos estão de acordo com a Constituição. Para isso, o legislador constituinte originário criou requisitos necessários e fundamentais para o controle, quais sejam: a) existência de uma Constituição rígida e formal; b) competência de um órgão responsável por aferir este controle; c) supremacia da constituição. A partir da rigidez da constituição, presume-se que há uma hierarquia normativa, a qual a Constituição ocupa o seu ápice, de maneira que é considerada como norma de validade para as demais normas do sistema jurídico. Daí a necessidade de todos os atos normativos passa- rem pelo controle de constitucionalidade. ATENÇÃO! Deve-se atentar para o fato de que as normas de status constitucional, ou se- ja, o bloco de constitucionalidade serve também como parâmetro para a aferição de compatibilidade de normas infraconstitucionais com a Constituição. A apreciação acerca da constitucionalidade de uma lei ou ato normativo é realizada no momen- to em que esta lei ou ato normativo entra no ordenamento jurídico e, por essa razão, não há o que se falar em constitucionalidade superveniente. Inconstitucionalidade superveniente: Uma lei que nasce inconstitucional permanece inconstitucional. Dessa forma, não há a possibilidade de uma Emenda à Constituição tornar esta lei constitu- cional, pois assim estaríamos diante de uma inconstitucionalidade superveni- ente. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 1 Inconstitucionalidade superveniente Da mesma maneira, se uma lei surge constitucional e posteriormente sobre- vém uma Emenda incompatível com a lei anteriormente criada, não poderá torná-la inconstitucional, mas sim revogada. Inconstitucionalidade é diferente de revogação. Por essa razão, faz-se necessário estudar as diversas espécies de inconstitucionalidade, a evolução histórica, os fundamentos do controle de constitucionalidade, o sistema de controle, etc. 8.2 Fundamentos do controle de constitucionalidade Sabe-se que mesmo a Constituição sendo dotada de supremacia, ela não está isenta de abu- sos por parte dos legisladores ordinários e autoridades públicas. Em consequência disso vislumbra-se a necessidade de haver um instrumento capaz de frear esses abusos, caso não seja respeitada a supremacia da constituição. Em relação ao controle de constitucionalidade é pertinente saber que: - O controle de constitucionalidade é realizado não apenas sobre atos legislativos, mas tam- bém por atos executivos como medidas provisórias, e atos jurisdicionais, como regimentos in- ternos de tribunais. - Ocontrole de constitucionalidade fundamenta-se também na proteção dos direitos e garantias fundamentais bem como em certificar as liberdades públicas. - No entanto, vale-se dizer que o controle de constitucionalidade objetiva proteger não só as liberdades públicas, mas sim toda a Constituição, em todos os seus detalhes sob qualquer tipo de abusos e excessos. 8.3 Espécies do controle de constitucionalidade Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 2 Toda lei e ato normativo editado por órgãos públicos presumem-se constitucionais. No entanto, essa presunção de constitucionalidade é relativa, pois admite o controle de constitucionalidade de maneira pertinente. Por esse motivo é que foram desenvolvidas as formas de controle que são classificadas das diversas formas. A seguir, serão apresentadas algumas classificações mais cobradas em pro- vas de concursos públicos. 8.3.1. Quanto ao tipo de conduta a) Inconstitucionalidade por ação A inconstitucionalidade por ação configura-se em uma conduta positiva, como por exemplo, a aprovação de uma lei que ofenda a Constituição seja em seu conteúdo (material), seja no seu procedimento para criação (formal). b) Inconstitucionalidade por omissão Já a inconstitucionalidade por omissão é caracterizada pela inércia legislativa na normatização de regras constitucionais de eficácia limitada. Ocorre quando o Poder Público deixa de reali- zar uma conduta positiva prevista na Constituição. Lembre-se que esta omissão pode ser total ou parcial. A omissão total é quando não há ne- nhuma regulamentação, enquanto que a omissão parcial configura-se quando já existe uma atuação por parte do Poder Público, no entanto esta atuação pode ser insuficiente e/ou ineficiente. 8.3.2. Quanto à norma constitucional ofendida a) Inconstitucionalidade formal Esta configura-se quando há um vício no procedimento de elaboração da norma (não foi res- peitado o quórum para aprovação, por exemplo), ou quando o órgão que a editou não possuía competência para tal. A inconstitucionalidade formal pode ser dividida em outras duas espécies: inconstitucionalidade orgânica, inconstitucionalidade formal propriamente dita e inconstitucionalidade formal por vio- lação aos pressupostos objetivos do ato. - Inconstitucionalidade orgânica: ocorre quando é editada uma norma por autoridade ou ór- gão incompetente para editá-la. Exemplo: lei municipal é editada para tratar sobre o uso de farol durante o dia em avenida principal daquela localidade, porém o município é incompetente para editar esta lei, pois é competência privativa da União legislar sobre trânsito e transporte (art. 22, XI, CF/88). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 3 - Inconstitucionalidade formal propriamente dita: neste caso o vício estará presente na inobservância quanto ao processo legislativo previsto na Constituição. Exemplo 1: Lei complementar ser aprovada por maioria simples quando a Constituição em seu artigo 69 prevê a maioria absoluta. Neste caso, estamos diante de um vício formal objetivo. Exemplo 2: Quando um Senador propõe lei complementar para modificar os efetivos das For- ças Armadas. Estamos diante de um vício de iniciativa, ou também conhecido como vício formal subjetivo, pois no artigo 61, § 1º, I, CF/88, diz que é iniciativa privativa do Presidente da República a criação de leis que fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas. - Inconstitucionalidade formal por violação aos pressupostos objetivos do ato: Identifica- se na ratificação de uma norma sem a observância de pressupostos de fato, diferentes ao pro- cedimento de criação das leis, mas que são condicionantes da competência dos órgãos legisla- tivos relativo a certas matérias. Exemplo 1: Aprovação de lei estadual que permite a criação de um novo município sem que seja realizado plebiscito anteriormente, tampouco o prévio estudo de viabilidade municipal, conforme pressupostos objetivos do artigo 18, § 4º da Constituição. Exemplo 2: O Presidente da República editar uma medida provisória sem observar os critérios de relevância e urgência previstos no artigo 62, caput, da Constituição Federal. b) Inconstitucionalidade material Inconstitucionalidade material é aquela em que a norma editada viola diretamente princípio ou regra constitucional. Esse vício diz respeito conteúdo do ato normativo. Exemplo: Foi editada uma lei discriminatória no sentido de que servidores públicos do sexo masculino possuirão salário superior ao de servidoras do sexo feminino. Tal lei fere diretamen- te o princípio da igualdade (art. 5º, caput, CF/88). Lembre-se que uma lei pode ser apenas materialmente inconstitucional, formalmente inconsti- tucional, como também poderá ao mesmo tempo possuir vício de inconstitucionalidade material e formal. 8.3.3. Quanto à extensão a) Inconstitucionalidade total A lei ou ato normativo será totalmente inconstitucional quando o vício se estender pelo conteú- do em sua integralidade. b) Inconstitucionalidade parcial Já a inconstitucionalidade parcial como o próprio nome já diz, ocorre quando apenas uma parte da lei ou ato normativo fere o Texto Constitucional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 4 8.3.4. Quanto ao momento a) Inconstitucionalidade originária Entende-se por inconstitucionalidade originária a violação de norma constitucional já vigente no momento da sua elaboração. Assim, a incompatibilidade da norma com a Constitucional ocorre desde sua origem. b) Inconstitucionalidade superveniente A inconstitucionalidade superveniente ocorre depois de a norma entrar no ordenamento jurídi- co. No entanto, como já mencionado anteriormente, no direito brasileiro não há a possibilidade de ocorrer inconstitucionalidade superveniente. Nesse caso, o que ocorreria seria a revogação ou não-recepção da lei ou ato normativo. 8.3.5. Quanto ao prisma de apuração a) Inconstitucionalidade direta Conhecida também como inconstitucionalidade imediata é aquela em que a lei ou ato normati- vo confronta diretamente a Constituição, não havendo nenhuma intermediação de qualquer outra norma. Importante ressaltar que apenas o vício direto permite o controle difuso ou con- centrado de constitucionalidade. b) Inconstitucionalidade indireta A inconstitucionalidade indireta, reflexa ou por arrastamento é aquela em que a lei ou ato nor- mativo inconstitucional viola primeiramente um ato normativo infraconstitucional para depois violar a Constituição. Um exemplo de inconstitucionalidade é um decreto que viola dispositivo de lei, que viola a Constituição. Deve-se atentar para os dois tipos de inconstitucionalidade indireta: - Inconstitucionalidade consequente/por arrastamento: acontece quando existe uma dependên- cia entre duas normas, uma principal e outra acessória. Exemplo: há um decreto regulamentar que regula uma lei inconstitucional, este decreto será considerado inconstitucional por arrasta- mento, pois não faz sentido a norma acessória continuar vigente sem a norma principal. A norma principal arrasta a norma acessória. - Inconstitucionalidade reflexa: ocorre quando a inconstitucionalidade decorre da violação direta a uma norma infraconstitucional, ou seja, uma lei é constitucional, mas o decreto que a regula- menta é inconstitucional. Nesse caso, a inconstitucionalidade será reflexa, pois primeiramente Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale dS ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 5 o decreto será ilegal e reflexamente inconstitucional. O decreto será submetido ao controle de legalidade porque sua violação é indireta, caso contrário seria submetido ao controle de cons- titucionalidade. SOBRE PRINCÍPIO DA CONGRUÊNCIA Pelo princípio da congruência entende-se que é vedado ao juiz decidir extra- polando os limites do que foi pedido na ação. 8.4. Sistemas de controle Os sistemas de controle de constitucionalidade são as origens das quais surgiram os diversos modelos de justiça constitucional. Por meio desses modelos é possível classificar os diversos sistemas de acordo com o momento do controle, competência, o objetivo da fiscalização dentre outros critérios. Iremos nos ater a forma como é comumente apresentada pela doutrina e em provas em geral. 8.4.1. Quanto ao momento da fiscalização a) Controle preventivo O controle preventivo de constitucionalidade é realizado durante o processo legislativo, ou seja, antes do projeto de lei se tornar de fato uma lei. Este controle pode ser feito pelos três Pode- res, embora comumente seja realizado mais pelo Poder Legislativo e Executivo. - Controle preventivo do Poder Legislativo: O Poder Legislativo exerce o controle preventivo de constitucionalidade por meio de suas comissões de constituição e justiça, verificando se o projeto de lei possui algum vício passível de inconformidade com a Constituição. Além da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, o Plenário da Câmara dos Depu- tados e do Senado Federal, também poderão verificar a inconstitucionalidade durante as vota- ções. Há ainda a possibilidade do exercício do controle preventivo de constitucionalidade no que diz respeito à Lei Delegada, considerada como uma hipótese de delegação atípica. Nesse caso, conforme o artigo 68, caput, CF/88, o Presidente da República solicita ao Congresso Nacional a delegação para a edição de uma lei. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 6 Assim, poderá o Congresso Nacional sujeitar o projeto do Presidente à votação única, proibin- do qualquer emenda, antes dessa tornar uma lei de fato. Dessa forma, entende que nessa vo- tação seria realizado também um controle de constitucionalidade preventivo. - Controle preventivo do Poder Executivo: Já o controle preventivo realizado pelo Executivo ocorre quando o Presidente da República, conforme atribuições do artigo 66, § 1º, CF/88, deci- de vetar projeto de lei que considera inconstitucional. Este veto poderá ser político ou jurídico. O veto jurídico faz parte do controle preventivo de constitucionalidade, enquanto que o veto político diz respeito a algo que seja contrário ao inte- resse público. Como estamos tratando de controle de constitucionalidade, apenas o veto jurídico serve como parâmetro para apurar o controle preventivo exercido pelo Poder Executivo. Caso o veto presidencial seja respeitado, o projeto de lei será arquivado e, conforme o artigo 67, CF/88, aplicando-se a regra do princípio da irrepetibilidade, onde o mesmo projeto de lei só poderá ser apresentado novamente dentro da mesma sessão legislativa se tiver o voto da mai- oria absoluta dos membros de qualquer uma das casas. Porém, se o veto presidencial for derrubado e consequentemente a lei for publicada, esta pode- rá passar pelo controle de constitucionalidade posterior ou repressivo, o qual veremos logo adiante. - Controle preventivo do Poder Judiciário: De maneira excepcional, o Poder Judiciário, por intermédio do STF poderá fazer o controle preventivo de constitucionalidade através da propo- situra de medida judicial feita por algum parlamentar, que, em regra, é o Mandado de Segu- rança. Utilizando da medida judicial (em regra, o MS), o parlamentar visa coibir vícios durante a auto- rização de aprovação de emenda à constituição ou lei que são incompatíveis com preceitos constitucionais que regulam o processo legislativo. Nesse caso, o Poder Judiciário apenas efetiva o devido processo legislativo dos parlamentares. Assim, sendo o controle preventivo exercido pelo Judiciário uma medida excepcional, apenas o parlamentar possui legitimidade para impetrar o MS nesse caso. Para isso, o parlamentar obrigatoriamente precisa ser integrante da Casa Legislativa. Importante lembrar que, diante da perda superveniente do mandato, ou seja, deixar de ser par- lamentar, a ação será extinta pela perda superveniente de legitimidade ativa. As hipóteses da propositura de medida judicial por parlamentar para coibir a inconstitucionali- dade durante a aprovação de lei ou emenda constitucional são: - violação regular do processo legislativo; Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 7 - projeto de emenda à constituição que viola cláusula pétrea (art. 60, § 4º, CF/88). LEGISLATIVO EXECUTIVO JUDICIÁRIO Controle pela CCJ Controle pelo Plenário Controle por delegação atípica (art. 68, § 3º, CF/88). Controle pelo veto jurídi- co (art. 66, § 1º, CF/88). Mandado de Segurança impetrado por parlamen- tar em face de violação à cláusula pétrea ou ao processo legislativo (ex- ceção). b) Controle repressivo O controle repressivo ocorre logo após a lei ou ato normativo entrar no ordenamento jurídico. Assim, os órgãos de controle irão verificar se a lei ou ato normativo possui algum vício durante o seu procedimento (vício formal), ou em seu conteúdo (vício material). - Controle repressivo do Poder Legislativo: Conforme o artigo 49, V, CF/88, o controle re- pressivo ocorrerá quando o Legislativo decretar a sustação de atos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar, ou dos limites de delegação legislativa. Exemplo disso é quando o Chefe do Executivo edita um regulamento autônomo, sem fundamento constitucional ou legal. Quando o Poder Legislativo rejeita alguma medida provisória editada pelo Presidente da República, também está exercendo o controle de constitucionalidade repressivo (art. 62, §§ 1º, 5º e 10, CF/88). - Controle repressivo do Poder Executivo: Nesse caso, poderá o Chefe do Poder Executivo negar o cumprimento de leis ou atos normativos considerados inconstitucionais, em ra- zão do princípio da supremacia constitucional e desde que o faça de maneira motivada, de- monstrando transparência e ajuizando a respectiva ação de controle abstrato. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 8 - Controle repressivo do Poder Judiciário: Como bem se sabe, é função típica do Poder Judiciário exercer o controle de constitucionalidade. ATENÇÃO! Embora o CNJ e o CNMP façam parte do Poder Judiciário, estes atuam ape- nas como órgãos administrativos e, por essa razão, não possuem competên- cia para exercer o controle de constitucionalidade. LEGISLATIVO EXECUTIVO JUDICIÁRIO Sustação de atos do Chefe do Poder Executi- vo (art. 49, V, CF/88). Rejeição de Medida Provisória (art. 62, §§ 1º, 5º e 10, CF/88). Negar o cumprimento de leis ou atos normativos considerados inconstitu- cionais. Exercer o controle de constitucionalidade (arts. 102, a e § 1º; 103, § 2º; 125, § 2º, CF/88). 8.4.2. Quanto à finalidade A avaliação quanto à finalidade leva em consideração a análise do controle, se este é realizado no caso concreto ou abstratamente. a) Controle concreto Conhecido também como controle incidental, o controle concreto é aquele em que a inconstitu- cionalidade de umalei ou ato normativo é aferida dentro de um processo subjetivo, onde há partes que litigam sobre algo. Nesse caso, a inconstitucionalidade da lei não é o pedido principal da lide, mas sim apenas a causa de pedir. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 10 9 Desse modo, objetivando a defesa de um direito subjetivo das partes, o controle concreto apre- senta algumas características: - O objetivo principal do processo é alcançar um direito subjetivo de uma das partes, nesse ca- so a inconstitucionalidade é simplesmente a causa de pedir; - O controle concreto é feito no contexto de um caso concreto; - Os efeitos da declaração incidental de inconstitucionalidade são restritos apenas às partes daquele processo, sendo o seu resultado indiferente a terceiros; - A quem interesse impugnar a norma já declarada inconstitucional deverá ingressar no Judiciá- rio em processos paralelos, uma vez que o reconhecimento do vício dentro do processo produz efeitos apenas inter partes, e não erga omnes. b) Controle abstrato Diferente do controle concreto, o controle de constitucionalidade abstrato é aquele que visa defender um direito objetivo previsto na Constituição, não havendo a necessidade de ter um problema concreto específico. Nesse caso, a inconstitucionalidade é resolvida por meio das ações de controle (ADI, ADO, ADC, ADPF). São características que marcam o controle abstrato: - O objetivo principal do processo é declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato nor- mativo, e não proteger os interesses de particulares; - O controle abstrato é realizado de maneira autônoma, não sendo necessário um caso con- creto; - Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade da norma jurídica são erga omnes; - É um processo objetivo que possui como finalidade resguardar a supremacia da Constitui- ção. 8.4.3. Quanto à competência A classificação quanto à competência diz respeito às pessoas capazes de realizar o controle de constitucionalidade, podendo ser feito por várias pessoas (controle difuso), ou por um único órgão (concentrado). O controle difuso nasceu nos Estados Unidos e a partir dele é possível que qualquer juízo rea- lize o controle de constitucionalidade. Por outro lado, o controle concentrado de constitucionali- dade teve o seu advento na Áustria e teve como seu grande idealizador Hans Kelsen. CONTROLE MODELO CONCEITO ORIGEM Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 0 DIFUSO Norte-americano Realizado por qualquer juízo Caso Marbury v. Madison, EUA, 1803 CONCENTRADO Austríaco Realizado por Tribunal exclusivo Hans Kelsen e Constituição da Áustria, 1920. a) Controle difuso A partir da influência norte-americana no primeiro caso da história (Marbury v. Madson), o con- trole difuso de constitucionalidade é aquele que pode ser realizado por qualquer juízo indepen- dente de sua instância. É relevante observar o que os efeitos da decisão que declara uma norma inconstitucional cau- sam tanto no aspecto temporal quanto no aspecto subjetivo. No sentido temporal, a decisão que considerar uma norma inconstitucional, esta será declara- da nula, assim, todos os seus efeitos também serão nulos. Dessa forma, a sentença que decla- ra a inconstitucionalidade da norma possui efeito declaratório e retroagirá ao momento em que a norma foi editada. Já do ponto de vista subjetivo, o efeito da decisão que declara tal norma inconstitucional é inter partes. Dessa maneira, não importa se a decisão foi proferida pelo STF no exercício de sua competência originária ou em sede de Recurso Extraordinário, pois os efeitos continuarão sendo limitados às partes. Em relação aos efeitos da decisão que declarou uma leio ou ato normativo inconstitucional al- cançarem apenas as partes de um processo, o artigo 52, X da CF/88 permite que o Senado Federal por meio de resolução suspenda a execução do ato normativo ou lei declarada incons- titucional pelo STF, para que dessa forma, os efeitos passem a ser erga omnes, e não mais inter partes. A teoria da abstrativização do controle difuso defende que a decisão proferida pelo STF no controle difuso de constitucionalidade que declarou inconstitucional a lei ou ato normativo obje- to do processo, é por si só suficiente para suspender a lei ou ato normativo inconstitucional. Dessa forma a decisão do STF no controle difuso de constitucionalidade possui efeito vinculan- te e erga omnes. Para os defensores dessa teoria, eles sustentam que o artigo 52, X, CF/88 teria sofrido muta- ção constitucional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 1 MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL Mutação constitucional é o mecanismo que altera a Constituição sem que seja necessário alterar o seu texto. Muda-se o sentido, a interpretação. Neste caso, a mudança é fruto de um processo informal feito pelo poder constituído difuso. Muda-se o entendimento conforme a realidade atual. b) Controle concentrado Como o próprio nome já diz, o controle concentrado de constitucionalidade é aquele em que a competência para averiguar a constitucionalidade das normas está centralizada em um único Tribunal. Possui como referência o modelo austríaco idealizado por Hans Kelsen. ATENÇÃO! No Brasil, adotamos o sistema de competência do controle difuso (reali- zado por qualquer juiz) e concentrado (realizado por Tribunais Superio- res) de constitucionalidade. Assim, nosso país adota o controle misto. 8.4.4. Quanto à natureza do órgão Esta classificação diz respeito apenas a participação do Poder Judiciário no controle de consti- tucionalidade, podendo o controle ser político, jurisdicional ou misto. a) Controle político O controle de constitucionalidade político é aquele realizado por órgãos públicos não perten- centes ao Poder Judiciário. É realizado pelos Poderes Legislativo e Executivo, podendo tam- bém ser realizado por um órgão criado para esta finalidade. Um dos fundamentos que é utilizado para justificar o controle político é que o Poder Judiciário exercendo o controle de constitucionalidade acaba por anular as decisões do Legislativo e Executivo, de maneira que atentem ao princípio da separação dos Poderes. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 2 Em contrapartida, existem algumas críticas quanto a esse modelo político, como por exemplo, afirmar que o controle político é redundante, uma vez que permite que o próprio Poder Legisla- tivo averigue a constitucionalidade de leis e atos normativos que ele mesmo criou. b) Controle jurisdicional É o controle exercido pelo Poder Judiciário, podendo ser desempenhado tanto por juízes como pelo órgão de cúpula. O controle jurisdicional ou jurídico fundamenta-se na técnica e imparcialidade necessárias para verificar a compatibilidade de leis e atos normativos com a Constituição, bem como na valida- ção dos direitos da liberdade do legislador, de maneira que possa tornar o princípio da supre- macia constitucional efetivo. c) Controle misto Conhecido também como controle híbrido é aquele que se submete aos controles político e jurídico ao mesmo tempo. Sua finalidade é ponderar os prós e contras dos controles político e jurídico, corrigindo as deformidades. O controle misto é considerado o mais adequado, pois algumas matérias são controladas pelo Judiciário enquanto outras são fiscalizadas pelo Legislativo e pelo Executivo. O Brasil adotao sistema misto de controle de constitucionalidade. 8.4.5. Quanto ao tipo de pretensão Deve-se saber que essa divisão é sempre observada na parte prática das ações de controle. Serve para indicar a peça processual ideal para casa caso. Dessa forma, a pretensão em juízo poderá ser de processo constitucional subjetivo ou objetivo. a) Controle em processo subjetivo O controle de constitucionalidade que ocorre em processo subjetivo é aquele que visa a prote- ção de direitos subjetivos das partes. Há autor e réu, e o pedido desta demanda configura-se na proteção de direitos subjetivos. b) Controle em processo objetivo O propósito do controle dentro de um processo objetivo é apenas a declaração de inconstituci- onalidade de lei ou ato normativo em abstrato. Com isso, pretende-se garantir a proteção da ordem constitucional. Diferente do processo subjetivo, no processo objetivo não há autor e réu, mas sim legitimados. Dessa maneira, quem propõe a ação nesse caso, não possui um direito subjetivo o qual pre- tende garantir, mas sim um direito objetivo que atinge toda a população. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 3 8.5. Controle difuso Como dito anteriormente, o controle de constitucionalidade difuso teve sua origem histórica nos Estados Unidos a partir do precedente fixado em Marbury v. Madison. Foi em 1803 que a supremacia constitucional alcançou sua eficácia, quando o então Presiden- te da Suprema Corte norte-americana, John Marshall reconheceu o poder de controle do Poder Judiciário sobre os demais Poderes, permitindo assim a nulidade dos atos dos Poderes Execu- tivo e Legislativo que fossem contrários ao que era previsto na Constituição. O cenário onde tudo isso se passou foi na disputa política pela Presidência dos Estados Uni- dos, quando o então Presidente, John Adams foi derrotado por Thomas Jefferson, na campa- nha da reeleição. Em 1801, John Adams ainda Presidente dos Estados Unidos, nomeou diversos correligionários para assumirem cargos do Judiciário, os quais teriam diversas garantias, como irredutibilidade de vencimentos e vitaliciedade. Dentre os nomeados estava William Marbury, que foi designa- do para o cargo de Juiz de Paz, no Distrito de Columbia. Embora Marbury tivesse sido nomeado, para consolidar sua designação, seria necessário que ele recebesse o título da comissão. Então assim que Thomas Jefferson assumiu a presidência, este ordenou a James Madison, seu Secretário de Estado que não entregasse o título de Juiz de Paz à Marbury que, por essa razão não tomou posse e requereu à Suprema Corte norte- americana que notificasse Madison para se explicar. Madison não se explicou e então Marbury com a intenção de efetivar sua nomeação interpôs writ of mandamus. Diante dessa situação, Marshall que fora um estadista convertido em juiz se viu obrigado a analisar questões entre a competência para apreciação do writ of mandamus. Isso se deu por- que houve um conflito entre a legislação ordinária que atribuía competência à Suprema Corte e as disposições constitucionais vigentes que indicavam o contrário. Feito isso, Marshall declinou da competência para apreciar o writ of mandamus impetrado por Marbury em hipótese não autorizada pela Constituição. A inovação e originalidade da decisão de Marshall abriu precedentes para o nascimento se um sistema único de fiscalização normati- va, mais tarde intitulado como judicial review, o qual passou a reconhecer a a competência pa- ra juízes e tribunais de maneira difusa declararem a nulidade dos atos considerados inconstitu- cionais. No Brasil, desde a Constituição de 1981 o modelo de controle difuso foi consagrado e perdura até hoje, com as adaptações necessárias às peculiaridades de sistema jurídico brasileiro. Dessa forma, é necessário saber que no Brasil o controle difuso de constitucionalidade permite que juízes e tribunais declarem de maneira incidental a inconstitucionalidade de lei ou ato nor- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 4 mativo que fira a Constituição. A finalidade principal do controle difuso é resolver a litígio sobre um direito subjetivo dentro do processo, o qual trará um resultado para as partes. 8.5.1. Cláusula de reserva de plenário (art. 97, CF/88) “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo ór- gão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”. (art. 97, caput, CF/88). Sabe-se que para garantir maior agilidade para os julgamentos, os tribunais quando recebem controvérsias para serem apreciadas, estas são submetidas aos seus órgãos fracionários, como suas turmas, câmaras ou seções, as quais são formadas por um número reduzido de ministros/desembargadores. No entanto quando chegam controvérsias com temas de extrema relevância, estas são levadas à discussão à jurisdição do órgão pleno ou especial, que são instâncias com maior represen- tatividade. O artigo 93, XI, CF/88 permite que seja criado um órgão especial com a finalidade de decidir matérias de competência do Plenário. A criação do órgão especial é de grande relevância quando o plenário é muito grande e acaba por dificultar a reunião de todos os desembargado- res e ministros. “Nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído ór- gão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercí- cio das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribu- nal pleno”. (XI, art. 93, CF/88). Assim, o órgão especial possui os mesmos poderes do órgão plenário. Desse modo, mesmo sabendo que a declaração de inconstitucionalidade pode ocorrer em qualquer instância, quando esta ocorrer no âmbito dos Tribunais Superiores de maneira difusa, apenas o órgão plenário ou o órgão especial por maioria absoluta dos seus membros poderá declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em discussão. Logo, entende-se que o órgão fracionário não poderá declarar a inconstitucionalidade de uma lei de maneira isolada. É importante saber que, se o órgão fracionário decidir pela constitucionalidade da lei ou ato normativo, este não precisará remeter ao órgão pleno ou especial em razão da chamada pre- sunção de constitucionalidade. No entanto, se entender que a lei ou norma é inconstitucio- nal, deverá remeter para o tribunal pleno. ATENÇÃO! Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 5 Embora saibamos que somente o órgão plenário ou especial possui compe- tência para declarar a inconstitucionalidade no âmbito dos Tribunais, devemos nos atentar a uma exceção bastante cobrada em provas: Art. 949, Parágrafo único, CPC/15: “Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionali- dade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supre- mo Tribunal Federal sobre a questão”. Súmula Vinculante N. 10: “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare ex- pressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”. 8.6. Controle concentrado O controle de constitucionalidade concentrado instaurou-se no Brasil pela Emenda Constitucio- nal n. 16/65, através da qual permitia que apenas o órgão de cúpula do Poder Judiciário aferis- se a inconstitucionalidadede leis e atos normativos. Também conhecido como controle abstrato, objetivo, reservado, este é preso à via de ação, e pela via de ação, apenas o Supremo Tribunal Federal poderá fiscalizar a constitucionalidade de leis e atos normativos, os quais podem ser provocados pelos mecanismos abstratos de defesa da Constituição. Esses mecanismos são as chamadas ações de controle, como por exemplo, Ação direta de inconstitucionalidade (ADI), Ação declaratória de constitucionalidade (ADC), Ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) e Ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF). Estas ações fazem parte do que chamamos de processo objetivo, uma vez que utilizam de re- gras próprias, com maior preocupação quanto à defesa da regularidade da ordem constitucio- nal. As próximas páginas serão dedicadas ao entendimento das ações de controle anteriormente citadas. 8.6.1. Ação direta de inconstitucionalidade (ADI) Com fundamento no art. 102, I, a, CF/88, a finalidade da ADI é declarar a incompatibilidade de uma lei ou ato normativo com a Constituição Federal. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 6 Como já se sabe, a ADI trata-se de um processo objetivo, e por essa razão, não existe partes tampouco litígio, mas sim legitimados para propor a ação, com o objetivo de proteger a ordem constitucional vigente. Dessa forma, a ação não será proposta com o objetivo de punir o Poder Legislativo responsá- vel pela produção da norma inconstitucional, mas sim de superar normas conflitantes com a Constituição Federal. Em se tratando do órgão competente parar apreciar originariamente a ADI é o Supremo Tri- bunal Federal, conforme dispõe o art. 102, I a, CF/88. ATENÇÃO! No âmbito estadual, o controle abstrato de constitucionalidade é feito através da propositura de uma Representação de inconstitucionalidade, de acordo com o previsto no art. 125, § 2º, CF/88: “Art. 125. (...) § 2º. Cabe aos Estados a instituição de representação de in- constitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão”. Atente-se para os parâmetros para o controle concentrado na esfera estadual todas as normas de reprodução obrigatória, normas remissivas ou normas au- tônomas. Quanto ao objeto da ADI, esta poderá ser proposta contra lei ou ato normativo inconstitucional. Ou seja, decretos, portarias, etc., também poderão passar pelo crivo desta ação de controle. Atente-se que o critério de análise de constitucionalidade são todas as normas integrantes do conhecido bloco de constitucionalidade contanto que não sejam normas com eficácia exau- rida ou normas revogadas. ATENÇÃO! De acordo com entendimento do STF, para que um ato normativo seja objeto de ADI, este deve violar diretamente a Constituição, caso contrário estaría- mos diante de um problema de legalidade, que não caberia ADI, pois seria o Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 7 caso de inconstitucionalidade reflexa. Em relação aos efeitos das decisões na ação direta de inconstitucionalidade podemos citar três efeitos: eficácia erga omnes, efeito retroativo e efeito vinculante. A eficácia erga omnes significa que os efeitos da decisão alcançarão a todos, ou seja, toda a generalidade. A decisão possui efeito retroativo uma vez que o ato declarado nulo não produz nenhum efeito que possa ser considerado adequado no ordenamento jurídico e, por fim, efeito vinculante, que alcança todas as esferas do Poder Judiciário e administração pública, não al- cançando apenas o próprio STF que proferiu a decisão e poderá futuramente mudar seu en- tendimento, nem o Poder Legislativo, que poderá editar uma lei/ato normativo contrário à deci- são. Em relação ao efeito retroativo da ADI, a regra é que a declaração de inconstitucionalidade re- troaja desde o advento da norma, ou seja, possui efeito ex tunc. Porém, de forma excepcional, o art. 27 da Lei 9.868/99 permite a modulação de efeitos, isto é, o estabelecimento de outro marco para a produção de efeitos da decisão, desde que seja por razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social e por maioria de dois terços dos membros do STF. MODULAÇÃO DE EFEITOS (Lei 9.869/99) Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, res- tringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a par- tir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Havendo a improcedência de uma ADI, esta resultará em uma declaração de constituciona- lidade da lei ou ato normativo em discussão. Ocorrendo isso, verifica-se o efeito ambivalente das decisões proferidas no âmbito de ADI e ADC. EFEITO AMBIVALENTE ADI julgada improcedente: declara-se a constitucionalidade da lei ou ato Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 8 normativo. ADC julgada improcedente: declara-se a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Quanto à legitimidade para propor uma ADI, dispõe o artigo 103 da Constituição o rol de legitimados. Lembre-se que os legitimados para propor ADI são os mesmos para propor as demais ações de controle (ADC, ADO e ADPF). Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação decla- ratória de constitucionalidade: I – o Presidente da República II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. A doutrina divide os legitimados para propor a ADI entre legitimados universais e legitima- dos especiais. O critério que irá diferenciar um legitimado universal de um legitimado especial é o que chamamos de pertinência temática. A pertinência temática nada mais é do que a necessidade de demonstrar o interesse do legiti- mado especial que propõe a ADI. São legitimados especiais: Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF (inciso IV); Governados do Estado ou do DF (inciso V) e Con- federação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional (inciso IX). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 11 9 Faz-se uma observação quanto os legitimados dos incisos de I a VII que, segundo o STF, es- tes possuem capacidade postulatória, ou seja, não necessitam de advogado para proporem a ação. Já os legitimados dos incisos VIII e IX não possuem capacidade postulatória e por esse motivo, precisam ser representados por um advogado na propositura da ADI. Em relação à medida cautelar na ADI, de acordo com os artigos 10 e 12 da Lei 9.868/99, para a concessão da medida cautelar é necessário que sejam obedecidos os critérios de probabili- dade do direito, onde deverá comprovar o direito existente, e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, isto é, o dano que a demora poderá causar ao processo. A medida cautelar na ADI possui eficácia erga omnes, ou seja, suaeficácia é contra todos, no entanto, seu efeito é prospectivo, ou seja, dali em diante (ex nunc). QUESTÕES 01. (FCC – 2019* - TRF 4ª Região – Analista) De acordo com a disciplina da Constituição Federal, em matéria de controle de constitucionalidade de atos normativos. A) o juiz de direito da Justiça Estadual não tem competência para afastar a aplicação, no caso concreto, de lei estadual que contrarie a Constituição Federal, mas apenas de lei estadual que contrarie a Constituição do Estado. B) o juiz federal não tem competência para afastar a aplicação, no caso concreto, de lei federal que contrarie a Constituição Federal, uma vez que essa atribuição é reservada ao plenário ou órgão especial dos tribunais, pelo voto da maioria absoluta de seus membros. C) o Tribunal Regional Federal não tem competência para julgar reclamação constitucional proposta em face de decisão judicial de primeiro grau que contrariar súmula vinculante do Su- premo Tribunal Federal. D) cabe o ajuizamento de reclamação constitucional, perante o Supremo Tribunal Federal, con- tra lei federal que contrariar o enunciado de súmula vinculante editada pelo Tribunal. E) cabe o ajuizamento de ação declaratória de constitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal, contra ato normativo estadual que contrariar a Constituição Federal, podendo ser pro- posta por quaisquer dos legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade. 02. (VUNESP – 2019 – TJ-RS) No que diz respeito ao controle de constitucionalidade bra- sileiro, é correto afirmar sobre a pertinência temática na ação direta de inconstituciona- lidade (ADI): A) Os partidos políticos com representação no Congresso Nacional podem ajuizar a ADI, inde- pendentemente de seu conteúdo material, eis que não incide sobre as agremiações partidárias a restrição da pertinência temática. B) Tendo em vista as finalidades institucionais intrínsecas dessa entidade de classe de âmbito nacional em prol da sociedade, a Associação Nacional dos Defensores Públicos dispõe de legi- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 0 timidade ativa ad causam para ajuizamento da ADI, estando dispensada da comprovação da pertinência temática. C) Os Estados e o Distrito Federal, quando do ajuizamento da ADI, devem comprovar a perti- nência temática da pretensão formulada quando impugnarem ato normativo de outro Estado da Federação. D) Os conselhos de fiscalização profissional equiparam-se às entidades de classe, expressão que designa aquelas entidades vocacionadas à defesa dos interesses dos membros da respec- tiva categoria ou classe de profissionai, estando sujeitos, portanto, ao requisito da pertinência temática. E) Os Governadores de Estado estão sujeitos à comprovação da pertinência temática na ADI, mas não detém capacidade postulatória, devendo a inicial ser firmada pelo Procurador-Geral do Estado. 03. (VUNESP – 2019 – TJ-AC – Juiz Substituto) Assinale a alternativa que está de acordo com o direito pátrio no que tange ao controle de constitucionalidade concentrado. A) A perda superveniente de representação parlamentar de Partido Político não o desqualifica para permanecer no polo ativo da ação direta de inconstitucionalidade. B) É cabível a interposição de recurso em ADI por legitimado para a propositura da ação direta, como terceiro prejudicado, ainda que nela não figure como requerente ou requerido. C) Os Estados-membros estão legitimados a agir como sujeitos processuais ativos em sede de controle concentrado de constitucionalidade, exigida, porém, a indiscutível pertinência temática. D) Não se pode dispensar a atuação da defesa do advogado-geral da União na ação direta de inconstitucionalidade, bem como na ação direta de inconstitucionalidade por omissão. 04. (VUNESP – 2019 – TJ-AC – Juiz Substituto) A denominada cláusula de reserva de plenário, aplicada na apreciação judicial de leis e atos normativos submetidos ao contro- le de constitucionalidade, deve ser observada quando A) o órgão fracionário do Tribunal apenas afasta a incidência, parcialmente, da lei ou ato nor- mativo, mas não declara expressamente a sua inconstitucionalidade. B) do julgamento realizado pelas Turmas Recursais dos Juizados Especiais. C) o processo for objeto de julgamento de plano pelo relator, ainda que haja pronunciamento anterior do Plenário sobre a questão. D) o órgão fracionário do Tribunal julgar a norma ou o ato impugnado e entender pela sua constitucionalidade. 05. (VUNESP – 2019 – TJ-AC – Juiz Substituto) Na hipótese de um parlamentar que impe- trou mandado de segurança perante o STF com o objetivo de impugnar projeto de lei eivado de inconstitucionalidade por ofensa ao devido processo legislativo, mas que, posteriormente, venha a perder o mandato parlamentar, é correto afirmar que A) o Procurador-Geral da República deve assumir a titularidade do mandado de segurança. B) o writ deve ser declarado extinto. C) deve ser dada a oportunidade aos demais legitimados constitucionais a assumir o polo ativo da ação mandamental. D) o mandado de segurança deve ter seu regular prosseguimento, continuando o ex- parlamentar no polo ativo. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 1 06. (NC-UFPR – 2019 – TJ-PR) “Inconstitucional nada mais é do que a ação ou omissão que conflita, no todo ou em parte, com a Constituição” (FERRARI, 2011). A respeito do tema, assinale a alternativa correta. A) Quando a ação inconstitucional contraria apenas em parte a Constituição, ela deve ser mo- dulada para não ter efeitos retroativos. B) A inconstitucionalidade pode ser originária ou superveniente, bem como material ou formal. C) A omissão constitucional é controlada apenas pelo método difuso. D) O sistema concentrado de jurisdição constitucional também pode ser denominado como aquele por via indireta. E) As decisões declaratórias de inconstitucionalidade, quando emitidas por órgão colegiado, possuem efeitos erga omnes. 07. (CESPE – 2019 – TJ-PR – Juiz Substituto) Um órgão fracionário de determinado tri- bunal afastou a incidência de parte de ato normativo do poder público, sem declarar ex- pressamente a inconstitucionalidade do ato. Nessa situação hipotética, segundo a Constituição Federal de 1988 e o entendimento sumulado do STF, a decisão desse órgão fracionário: A) não violou a cláusula de reserva do plenário, o que ocorreria somente se tivesse sido decla- rada a inconstitucionalidade do ato normativo. B) não violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência apenas de parte do ato normativo. C) violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que o afastamento da incidência do referi- do ato só poderia ocorrer concomitantemente à declaração de inconstitucionalidade deste. D) violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência, ainda que em parte, de ato normativo do poder público. 08. (CESPE – 2019 – SEFAZ-RS – Auditor Fiscal da Receita Estadual) De acordo com a CF, tem legitimidade ativa para propor originariamente ação direta de inconstitucionali- dade e ação declaratória de constitucionalidade o: A) Conselho Nacional do Ministério Público. B) defensor público geral da União. C) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. D) advogado geral da União. E) Conselho Nacional de Justiça. 09. (CESPE – 2019 – SEFAZ-RS – Auditor Fiscal da Receita Estadual) Julgue os itens a seguir, acerca da supremacia da Constituição Federal de 1988 (CF) e do controle de constitucionalidade. I. O sistema de controle de constitucionalidade adotado no Brasil é o misto: as leis federais, além de realizar exame sobre a inconstitucionalidade tanto material quanto formal das normas, Ad Ve rum Su porte E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 2 ficam sob o controle político do Congresso Nacional, e as estaduais e municipais, sob o contro- le jurisdicional. II. O controle de constitucionalidade está ligado à supremacia da CF sobre todas as leis e nor- mas jurídicas. III. A supremacia material deriva do fato de a CF organizar e distribuir as formas de competên- cias, hierarquizando-as. Já a supremacia formal apoia-se na ideia da rigidez constitucional. IV. Sob o prisma constitucional, o governo federal, os governos dos estados da Federação, os dos municípios e o do Distrito Federal são soberanos, pois estão investidos de poderes e com- petências governamentais absolutas. Estão certos apenas os itens: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) I, III e IV. E) II, III e IV. 10. (FGV – 2018 – TJ-SC) O Tribunal de Justiça de determinado Estado, nos termos da Constituição Estadual, ao julgar, em sua composição plena, representação por inconsti- tucionalidade ajuizada em face da Lei nº 22/2017, do Município que sedia a capital do respectivo Estado, declarou a sua inconstitucionalidade. À luz da sistemática estabelecida na Constituição da República de 1988, o referido Tri- bunal de Justiça atuou: A) fora dos limites de sua competência, pois a Constituição Estadual somente pode instituir representação por inconstitucionalidade para leis dos Municípios do interior; B) fora dos limites de sua competência, pois a Constituição Estadual só pode instituir represen- tação de inconstitucionalidade de lei estadual; C) nos limites de sua competência, desde que o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça seja referendado pelo Supremo Tribunal Federal; D) fora dos limites de sua competência, pois a Constituição Estadual não pode instituir repre- sentação por inconstitucionalidade; E) nos limites de sua competência, pois a Constituição Estadual pode instituir a representação por inconstitucionalidade de lei municipal. Gabarito GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 01 C 06 B 02 A 07 D 03 A 08 C 04 A 09 C 05 B 10 E Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 3 9. Ação Direta de Inconstitucionalidade perante Tribunais de Justiça Na Constituição Federal, em seu artigo 125, § 2º é concedido aos Estados poder para representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais e munici- pais, no âmbito dos respectivos tribunais de justiça, sendo vedada a atribuição da legiti- mação para agir a um único órgão. IMPORTANTE! Ao Tribunais de Justiça do Distrito Federal e Territórios, competem julgar a consti- tucionalidade dos atos normativos distritais (artigo 8º, inciso I, alínea “n”, da Lei 11.697/2008). 9.1. Objeto O parâmetro de controle da ação direta em pauta são leis ou ato normativos municipais, estaduais ou distritais, em face as respectivas constituições estaduais ou pela Lei Orgânica do Distrito Federal, sendo estes os únicos parâmetros admitidos. 9.2. Legitimidade ativa Constituição Federal silenciou em relação a legitimidade ativa para ajuizar ADI estadual, apenas proibiu que fosse atribuído a único órgão. Portanto, é dada a liberdade para que as Constituições Estaduais estabeleçam um rol de legitimados. Como regra, a maioria do Estados estabelece seu rol de legitimados em simetria com a Constituição Federal, mas é permitido que ampliar o rol. Ademais, é simetricamente aplicável o requisito da pertinência temática utilizado nas demais ações de controle. IMPORTANTE! De acordo com STF, RE 650.898/RS, pleno, com repercussão geral, o STF admi- te a propositura de ADI estadual tendo por objeto NORMAS DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA E NORMAS DE OBSERVÂNCIA NÃO OBRIGATÓRIA. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 4 9.3. Procedimento: O procedimento da ADI estadual é disciplinado por analogia, pela lei da ADI genérica (Lei 9.868/99) com as mesmas prerrogativas. A diferença que deve ser dita aqui, é que no lu- gar do Advogado-Geral da União, quem ocupa o papel de defensor da constitucionalidade da Lei ou ato normativo que está sendo colocado em xeque é o Procurador-Geral da União. Os tribunais podem apreciar incidentalmente a ADI em desfavor de Constituição Federal, entretanto, o problema levantado deve emergir incidentalmente no julgamento ADI estadual. Por exemplo, no julgamento da ADI estadual, o tribunal poderia reconhecer a incons- titucionalidade da constituição estadual em face da Constituição Federal. Outro ponto importante a ser trazido neste momento, é em relação ao posterior questio- namento da constitucionalidade das decisões proferi das nos tribunais de justiça por meio de recurso extraordinário. Há correntes que defendem que tal recurso pode ser interposto tanto pelas partes originárias do processo, como pelos co- legitimados da ADI estadual, entretanto, o STF tem se voltado a ideia de limitar a legitimidade recursal apenas às partes originárias. Além disso, por se tratar de recurso, não é necessário que a maioria absoluta julgue o RE, nem que seja comunicado o Senado Federal. Por fim, não há impedimento de ajuizamento da ADI genérica em relação a ADI es- tadual ajuizada em face do mesmo objeto presente na Constituição Federal reproduzido na constituição estadual. O que ocorre é a suspensão do processo de ADI estadual até o final do julgamento da ADI genérica. 10. Conceito A Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) é uma espécie de vertente da (ADI), po- rém, possuem algumas diferenças que iremos tratar adiante. A ADC é uma ação uma ação direta em que se objetiva a formulação de juízo de constitu- cionalidade de lei ou ato normativo federal em relação à Constituição Federal, para que dessa forma possibilite o saneamento de qualquer insegurança jurídica ou incerteza sobre a constitucionalidade do objeto (lei ou ato normativo federal) da ação. A Ação Declaratória de Constitucionalidade encontra fundamento no art. 102, I, “a” e seu processo e julgamento é regulamentado pela Lei 9.869/99. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 5 Atenção! A ADC só pode ser proposta em face de lei ou ato normativo FEDERAL, diferentemente da ADI, que é cabível em face de normas federais ou Esta- duais. 10.1. Controvérsia Judicial Relevante Os atos normativos naturalmente possuem o que chamamos de presunção de Constitucio- nalidade, ou seja, as normas são consideradas constitucionais desde sua origem, até que seja declarado o contrário. Portanto, para que ocorra o ajuizamento de uma ação objetivando a declaração da Consti- tucionalidade da norma, o STF em sede Jurisprudencial exige para o preenchimento do requisi- to de Interesse processual da ação, que seja demonstrado uma controvérsia judicial rele- vante, ou seja, é necessária a demonstração de decisões judiciais controversas em relação ao objeto da ação, de insegurança JURÍDICA acerca da constitucionalidade do objeto. Este requisito encontra-se fundamentado no artigo 14, III, da lei 9.868/99. ATENÇÃO! Para que a ADC preencha o requisito de Interesse processual, é necessário que a controvérsia seja JUDICIAL, ou seja, a controvérsia DOUTRINÁRIA NÃO É O SUFI- CIENTE para cumprir o requisito. 10.2. Competência O órgão competente para conhecer e julgar a ADC é o Supremo Tribunal Federal, de acordo com o artigo 102, I, “a”, da CF/88, de forma originária. 10.3. LegitimidadeOs legitimados para o ajuizamento da ADC são os mesmos legitimados da ADI (artigo 103, caput da CF/88). Importante você saber que o artigo 13, da lei 9.868/99 não foi recepcionado pela EC 45/2004, uma vez que o rol de legitimados para a propositura da ADC que consta na lei é menor. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 6 10.4. Procedimento O procedimento da ADC é quase idêntico ao da ADI, mas vale fazermos algumas res- salvas importantes para fins de prova. Os requisitos a serem cumpridos na petição inicial da ADC estão dispostos no artigo 14, da Lei 9.868/99. Veja: Art. 14. A petição inicial indicará: I - o dispositivo da lei ou do ato normativo questionado e os fundamentos jurídicos do pedido; II - o pedido, com suas especificações; III - a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, quando subscrita por advogado, será apresentada em duas vias, devendo conter cópias do ato normativo questionado e dos documentos necessários para com- provar a procedência do pedido de declaração de constitucionalidade Além disso, de acordo com o artigo 15 da referida lei, o relator pode indeferir a inicial li- minarmente em casos de: inépcia, falta de fundamentação ou manifesta improcedência, po- dendo ser interposto agravo regimental contra tal decisão (art. 15, Lei 9.868/99, Parágrafo Único). Observe: Art. 15. A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improce- dente serão liminarmente indeferidas pelo relator. Parágrafo único. Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial. Outro ponto muito importante a ser trazido em relação ao procedimento da ADC é em rela- ção a não necessidade da intervenção do Advogado da União no feito, por ser ação que plei- teia pela declaração de constitucionalidade da norma em questão. As determinações referentes ao quórum são idênticas as da ADI, sendo necessário para a instalar a sessão de julgamento, oito ministros, e a declaração de constitucionalidade se faz por maioria absoluta (pelo menos seis ministros). É vedada a desistência da ação após a sua propositura (artigo 16, lei 9.868/99). Além dis- so, a presença de amicus curiae é cabível em sede de ADC, apesar de não ser possível a intervenção de terceiros (artigo 18, lei 9.868/99). Importante ressaltar que em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou cir- cunstância de fato ou notória insuficiência de informações existentes nos autos, o relator pode- rá requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita pa- recer sobre a questão ou fixar data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria (artigo 20, §1º, Lei 9.868/99). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 7 O relator poderá solicitar informações aos tribunais superiores, federais e estaduais, acerca da aplicação da na norma que é objeto da ação no âmbito de sua jurisdição (artigo 20, §2º, Lei 9.868/99). Tais informações, perícias e audiências, deverão ser realizadas no pra- zo de 30 dias, contados a partir da solicitação do relator (artigo 20, §3º, Lei 9.868/99). Por fim, se abrirá vistas ao Procurador-Geral da República que deverá, obrigatoriamente, pronunciar -se no prazo de quinze dias (artigo 19, Lei 9.868/99). Logo após, o relator lançará o relatório com cópia a todos os Ministros, e pedirá dia para julgamento (artigo 20, caput, Lei 9.868/99). 10.5. Medida cautelar Por decisão de maioria absoluta de seus membros, poderá ser deferido o pedido de me- dida cautelar na ADC Efeitos: a) Suspensão do julgamento dos processos que aplique a norma impugnada até que ocorra o julgamento definitivo (artigo 21, Lei 9.868/99): tal suspensão durará até 180 dias contados a partir da publicação da decisão. Caso não seja julgada ação declarató- ria dentro desse período, a eficácia da medida cautelar irá se esgotar. Porém nada im- pede de o STF prorrogue este prazo por outro período de 180 dias. b) Efeito vinculante: o STF considera as decisões liminares vinculantes, até mesmo para a admissibilidade de reclamação constitucional. c) Erga Omnes: apesar de ser proferida de maneira liminar, a declaração de constituciona- lidade possui efeito contra todos, mesmo que a decisão não seja definitiva. d) Ex nunc: de acordo com o entendimento do STF, a decisão proferida em sede liminar em ADC, possui efeitos apenas ex nunc. 10.6. Efeitos da decisão definitiva Os efeitos da decisão de mérito na ADC são os mesmos da ADI, mesmo porque as duas ações são dotadas de caráter ambivalente (artigo 24, Lei 9.868/99), por isso os efeitos da decisão de mérito são: a) Erga omnes: possui eficácia contra todos b) Ex tunc: efeito retroativo, como se a norma nunca tivesse existido. c) Efeito vinculante: em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração, públi- ca, federal, estadual, distrital e municipal. 11. Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão: ADO 11.1. Conceito A Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão, objetiva tornar efetiva norma cons- titucional que se encontra sem efetividade em decorrência da omissão do Poder Público na edição regulamentação necessária da norma. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 8 A ADO encontra fundamento no artigo 103, § 2º, da CF/88, o qual dispõe: “[...] §2º: Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efeti- va norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias [...]” A ADO é uma ação de controle concentrado, portanto, não defende direitos subjetivos (diferentemente do Mandado de Injunção) e sim fazer valer o que está previsto como prerroga- tiva na Constituição, de modo a combater a omissão dos órgãos e entidades que possuam a responsabilidade de tornar efetivas as normas que garantam tais direitos. 11.2. Objeto O objeto da ADO, de acordo com o artigo 103, § 2º, CF/88 é a omissão normativa. Pois bem, quando se fala em “omissão de medida”, considera-se, genericamente todos os tipos de omissões normativas, por isso, tanto as omissões totais, que ocorrem quando há completa falta de regulamentação da norma constitucional, como as parciais, que regulam a norma cons- titucional de forma a não garantir sua total efetividade são possíveis objetos de ADO. Para melhor compreensão e visualização acerca da divisão da omissão normativa (total e parcial), convido você a analisar o quadro que segue: Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 12 9 Além disso, quando o texto constitucional fala em “omissão de medida” e não só “omis- são de medida legislativa”, ele amplia o objeto da ADO para qualquer omissão de medida que não traz efetividade a norma constitucional. Portanto envolve atos, gerais e abstratos de qual- quer Poder que esteja tolhendo a efetividade da norma constitucional. ATENÇÃO! De acordo com decisão do STF, estando pendente julgamento de ADO, caso a nor- ma constitucional que não havia sido regulamentada, for revogada, a ação deverá ser extinta com o fundamento de ter ocorrido a perda de objeto, julgando-se, portanto, prejudicada. Tipos de omissõesnormativas Omissão total Omissão Parcial Conceito: quando não há normatização alguma que torne efetiva a norma consti- tucional Omissão parcial pro- priamente dita: apesar de a norma constitucio- nal possuir regulamen- tação, ela se dá de ma- neira deficiente. Omissão parcial relati- va: quando a norma be- neficia uma categoria e não garante o beneficio de outra que também deveria ter sido benefici- ada. Exemplo: artigo 37, VII, CF/88 que não é regulamen- tado e prevê o direito de gre- ve para servidores públicos. Exemplo: artigo 7º, IV, CF/88, que regula o sa- lário mínimo, porém o valor fixado em lei não garante o mínimo para cumprir com as garanti- as fixadas na norma constitucional. Observação: O Poder Judiciário não tem poder legislativo, portanto não pode aumentar venci- mentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia (Súmula 339 do STF) Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 0 11.3. Competência A órgão competente para conhecer e julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão é o Supremo Tribunal Federal, de forma originária, com fundamento na análise analó- gica da combinação do artigo 103, § 2º, CF/88 com o artigo 102, I, “a” CF/88. IMPORTANTE! O artigo 125, § 2º da Constituição Federal concede poderes às constituições esta- duais, na competência de seus Tribunais de Justiça, a possibilidade de propositura Ação de controle concentrado/abstrato em face de omissão normativa decorrente da norma constitucional. Ressalte-se que é vedada a atribuição da iniciativa da ação a um único órgão. 11.4. Legitimidade A legitimidade para propor a ADO é idêntica a da ADI. Portanto o rol de legitimados é o que está previsto no artigo 103 da Constituição Federal. Além disso, é observado na ADO o critério de pertinência temática. O artigo 12-A, da lei 12.063/99 ratifica tal informação, não deixando qualquer margem de dúvida acerca deste assunto. Veja: Art. 12-A. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legiti- mados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade A Legitimidade para ocupar o polo passivo da ADO é o órgão ou autoridade responsável constitucionalmente pela edição da medida normativa. ATENÇÃO! Os legitimados para propor a ADO, agem como uma espécie de defensores do interesse público, da própria Constituição, portanto, a ação não se destina à prote- ção de interesses individuais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 1 11.5. Procedimento O procedimento da ADO é bem parecido com o da ADI genérica, inclusive aplicam-se subsidiariamente à ADO, as normas referentes à ADI genérica, de acordo com o artigo 12-E, da Lei 9.868/99. Entretanto, a Lei 12.063/09 trouxe algumas peculiaridades relativas ao procedimento da ADO. São sobre elas que iremos tratar neste tópico. De acordo com o artigo 12-B da lei 9.868/99, a petição inicial acompanhada de instru- mento de procuração, será apresentada em duas vias, se for o caso, já que em razão do peticionamento eletrônico, não há necessidade que sejam apresentadas suas vias e deve con- ter cópias dos documentos necessários para comprovar a alegação de omissão. A petição indicará a omissão constitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever constitucional de legislar ou quanto à adoção de providência de índole administrativa e do pedido com suas especificações (artigo 12-B, I e II, Lei 9.868/99). A petição que for inepta, não fundamentada, ou mesmo manifestamente improcedente serão indeferidas pelo relator, liminarmente. Quanto a essa decisão cabe agravo, com pra- zo de 15 dias úteis (regra geral do CPC), para interposição e resposta (artigo 12-C e Parágra- fo Único, Lei 9.868/99). Além disso, o artigo 12-E, §2º, da Lei 9.868/99, traz a possibilidade de o relator solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União que deve ser encaminhada no prazo de 15 di- as. Porém, essa norma parece ser aplicada apenas nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade por Omissão apenas quando há omissão parcial, pois em caso de omissão total, não há um texto a ser defendido. Outra novidade introduzida por meio dos artigos 12-F e 12-G da Lei 9.868/99 é a possi- bilidade de concessão de medida cautelar. Observa-se, ainda que mesmo que os outros legitimados não tenham feito a propositura da ADO, eles poderão manifestar-se por escrito sobre o objeto da ação e pedir juntada de do- cumentos úteis para o exame da matéria, no prazo das informações, bem como apresentar memoriais (artigo 12-E, §2º, Lei 9.868/99). No mais, ressalta-se que depois de proposta ADO, não se admitirá desistência (artigo 12-D, Lei 9.868/99). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 2 ATENÇÃO! No julgamento da ADIn 875/DF, o STF entendeu haver certa fungibilidade entre ADI e ADO. De acordo com o Ministro Gilmar Mendes, “uma vez que os dois processos – o controle de normas e o controle de omissão -, acabam por ter o mesmo objeto, formal e substancialmente, isto é, inconstitucionalidade da norma em razão de sua incomple- tude”. Portanto, caso você se depare com alguma questão relacionada à fungibilidade entre estas ações, responda no sentindo de que a posição do STF atualmente acerca do tema, se encontra no sentido de ser possível tal fungibilidade. 11.6. Medida Cautelar A Lei n. 12.063/2009 trouxe a possibilidade de admissão de medida cautelar em sede de ADO. De acordo com o artigo 12-F da Lei 9.868/99, será possível conceder medida cautelar em caso de excepcional urgência e relevância da matéria e a decisão da concessão se dá por voto da maioria absoluta dos membros do STF, observando o quórum de instalação da sessão de julgamento com no mínimo 8 ministros (artigo 22, da Lei 9.868/99). A medida caute- lar poderá ser concedida após audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional que deverão se pronunciar no prazo de 5 dias. Os efeitos decorrentes da medida cautelar podem consistir, em caso de omissão parcial na suspensão da aplicação da lei ou ato normativo, como também na suspensão de processos judiciais ou procedimentos administrativos, ou ainda outra providência a ser tomada a critério do Tribunal (artigo 12-F §1º, da Lei 9.868/99) Caso o relator julgue indispensável, ouvirá o Procurador Geral da República em até 3 dias (artigo 12-F §2º, da Lei 9.868/99). Por fim, no julgamento do pedido da medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão constitucional, ou seja, tanto do polo ativo como do passivo da Ação, na forma prevista no Regimento do Tribunal (artigo 12-F §3º, da Lei 9.868/99). TRAZER JURISPRUDENCIA DE CONCESSÃO DE MEDIDA CAUTELAR EM ADO – ADO 23 E 24 DF Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 3 11.7. Efeitos da decisão da ADO O primeiro ponto a ser tratado em relação aos efeitos da decisão da ADO, é de que o STF não pode suprir a omissão normativa, nem mesmo a relativa, tendo como justificativa para tanto, a obediência à tripartição de Poderes, ou seja, o STF em decisão em sede de ADO, não pode expedir ato normativo a fim de suprir a demanda legislativa, administrativa ou judiciária. Portanto, o que poderá ser feitaé a mera comunicação da mora ao órgão respon- sável pela edição normativa que se encontra omissa (artigo 103, § 2º, CF/88). Entretanto, os efeitos da decisão serão diversos a depender do órgão ocupante do polo passivo da relação. Quando omisso, algum órgão administrativo, este deverá adotar providências neces- sárias para suprir a falta de edição normativa no prazo de 30 dias ou em prazo razoável a ser estipulado pelo Tribunal, tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e do inte- resse público (artigo 103, § 2º, CF/88 e artigo 12-H, §1º, Lei 9.868/99). IMPORTANTE! Competências ligadas ao processo legislativo, mesmo quando asseguradas a ór- gãos não legislativos, como por exemplo, iniciativa reservada ao Presidente da República, possuem caráter MATERIALMENTE legislativo. Em sede de inconstitucionalidade por omissão decorrente de órgão legislativo, não há previsão normativa sobre estipulação de prazo para edição da norma omissa, apenas a mera comunicação da mora. Portanto, o judiciário não pode obrigar o legislativo a legislar em res- peito ao princípio da separação dos poderes. Apesar de o STF e a doutrina majoritária entenderem que não maneira de obrigar o Congresso Nacional editar leis e estipular prazos para a edição, um caso em específico cha- mou bastante atenção, pois, faticamente, o STF agiu de maneira contrária ao entendimen- to. Na ADIn 3.682/MT cujo o relator era o Ministro GILMAR MENDES, em 09/05/2007 ajuizada contra omissão na regulamentação do artigo 18, § 4º da Constituição Federal na re- dação dada pela EC/96, ao proferir a sentença, o STF determinou prazo de 18 meses para que o Congresso Nacional editasse lei complementar acerca da matéria objeto da Ação e ainda ordenou que o Congresso Nacional deveria tratar de assuntos específicos voltados pa- ra a solução do problema trazido. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 4 Ainda, no julgamento, deixou claro que tal decisão tinha caráter mandamental apesar da Corte dizer que “não se trata de impor um prazo para a atuação legislativa do Congresso Nacional, mas apenas da fixação de um parâmetro temporal razoável. Visto isso, é nítido o crescimento do ativismo social, apesar de o entendimento dou- trinário e jurisprudencial seguirem uma linha de pensamento acerca do assunto, pois, como se observa, foi seguida nesta decisão, uma linha contrária ao posicionamento formal. IMPORTANTE! É vedado que o juiz intervenha na arbitrariedade do poder legislativo, nem ao me- nos para estipular dano originado da omissão inconstitucional, caso contrário, afe- tará o Princípio da Separação de Poderes. 12. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 12.1. Conceito A arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), que se encontra fun- damentada no artigo 102, §1º da CF/88 e na lei 9.882/99 que a regulamenta, é um meio jurisdi- cional que possui como finalidade, retirar do ordenamento jurídico qualquer ato que provoque desobediência de preceitos constitucionais que são considerados fundamentais e é prevista tanto na modalidade preventiva e incidental, que trataremos mais à frente. A ADPF é uma ação de controle de constitucionalidade concentrado, uma vez que a competência para conhecer e julgar este tipo de ação é exclusiva do STF, além disso, é tam- bém uma ação do tipo abstrata, pois, não visa a defesa de direitos subjetivos e sim a defesa da ordem constitucional. Por fim, os efeitos de suas decisões finais são vinculantes e erga om- nes. IMPORTANTE! Antes do Surgimento da Lei 9.992/99, o STF possuía o entendimento que o artigo que previa a ADPF (artigo 102, § 1.º, da CF/88), era norma de eficácia limitada, tendo em vista que não havia norma que regulamentasse o processo e por isso, não seria possível o órgão apreciar este tipo de ação. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 5 12.2. Parâmetro de controle (aspectos materiais e temporais): Ao trazer a expressão “preceito fundamental”, a legislação silenciou quanto a sua conceituação, ficando aberta para várias interpretações. Portanto há correntes que doutrinárias que defendem que toda norma constitucional é preceito fundamental. Por outro lado, há uma corrente que defende que os preceitos fundamentais são aqueles que temas que o legislador explicitamente declara como fundamental dentro da Constituição que seriam “Dos Princípios fundamentais” e as garantias fundamentais dispostas no Título II da CF/88. Por fim, GILMAR MENDES defende que os princípios constitucionais sensíveis tam- bém fazem parte dos preceitos fundamentais. Quanto aos aspectos temporais, podem ser objeto da ADPF normas que não podem ser usadas nas demais ações diretas, são elas: anteriores à Constituição de 1988; normas que já foram revogados e Atos normativos cujo a eficácia já se exauridos. 12.3. Hipóteses de cabimento da ADPF A Lei 9.882/99 em seu artigo 1º, ao dispor acerca da ADPF possibilitou seu cabimento em duas hipóteses: a) Evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público; b) Quando houver relevante fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Cons- tituição. Portanto, a ADPF possui natureza dúplice, é dividida entre: ADPF autônoma e incidental. Essa divisão será tratada no próximo tópico. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 6 12.4. Objeto Em decorrência da condição de subsidiariedade, a ADPF é cabível em face de atos não impugnáveis por outras ações diretas de controle. Como dito anteriormente, a ADPF possui duas modalidades, a arguição autônoma e a incidental. A ADPF autônoma é interposta com o objetivo de prevenir ou reparar lesão a precei- to fundamental que resulte de ato do poder público. Tal ação se diz autônoma pois não há ne- cessidade que outro processo judicial esteja tramitando. Por outro lado, a ADPF incidental requer que outro processo judicial esteja tramitan- do, ou seja, tem início em uma ação judicial instaurada em sede de controle concreto para então, posteriormente, a matéria constitucional ser levada ao STF já na modalidade de contro- le abstrato. Importante ressaltar que na ADPF incidental, o STF em momento algum age de ofício para demandar o julgamento do litígio inicial, o que ocorre é a apresentação pelos legitimados ao STF de uma relevante controvérsia constitucional que já fora ajuizada. Além disso, o STF não julga a demanda originária como um todo, somente ao que se refere ao descumprimento de prefeito fundamental. Por fim, existe a possibilidade de ser decretada a suspensão do processo originá- rio e o a decisão em sede de ADPF vincula tanto as partes como o juízo originário. Vale informar que a ADPF incidental pode ser requerida em qualquer órgão judicial desde que não tenha sido julgada a ação originária. Pois bem, em relação ao objeto da ADPF autônoma, é ato do Poder Público, como alvo, temos as decisões judiciais, transitadas em julgado ou não , apesar de esta última ser mais rara pelo fato de o STF entender, em regra, que a referida ação não pode ser utilizada como suplente da ação rescisória (o STF vem avançado jurisprudencialmente em relação a essa ma- téria). Apesar disso, não é necessário que a sentença judicial transite em julgado para que seja legítima a interposição da ADPF, desde que, nenhum outro recurso seja eficaz para afastar a ameaça de lesão ou a lesão ao preceito fundamental.A seguir, observe o quadro comparativo baseados em julgados do STF Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 7 ADPF autônoma e atos impugnáveis Impugnáveis Não impugnáveis a) Os omissivos e comissivos; b) Advindos Poder Público de qual- quer âmbito da Federação; c) os que possuem efeitos concre- tos, inclusive as decisões jurídi- cas; d) normativos secundários; e) anteriores à Constituição de 1988; f) normas que já foram revogados; g) Atos normativos cujo a eficácia já se exauridos; a) Veto expedido por prefeito a pro- jeto de lei municipal; b) súmula do STF sem caráter vin- culante e as vinculantes quando a ADPF objetiva revisá-la inter- pretá-la ou cancelá-la; c) projetos legislativos (caso tratado em sede de Emenda Constituci- onal); d) lei que tem o fulcro de o cumprir acordo coletivo de trabalho; e) lei orçamentária cuja eficácia já se exaurira; Já em relação ao objeto da ADPF incidental, é lei ou ato normativo advindo de quaisquer das esferas da Federação, inclusive os anteriores à atual Constituição (artigo 1º, Lei 9.882/99). Por isso, a ADPF abrange tanto atos normativos municipais, como atos normativos anteriores à Constituição, porém, observe que aqui o legislador restringiu o ca- bimento da ADPF incidental somente para “leis ou atos normativos”, portanto, não possui como objeto atos omissivos ou que não sejam materialmente normativos. 12.5. Especificidades da ADPF a) Princípio da subsidiariedade: este princípio dispõe que não é cabível ADPF quando houver outro meio capaz de sanar a lesividade (artigo 4º, § 1º, da Lei 9.882/99). No entanto, sobre a interpretação desse princípio à luz do artigo 4º, § 1º, da Lei 9.882/99, a doutri- na apresenta três correntes a fim de interpretar o que se deve entender sobre “outros meios eficazes de sanar a lesividade”. Para demonstrar a matéria defendida em cada corrente convido você a visualizar o qua- dro abaixo. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 8 Corrente restritiva ao controle abstrato Dispõe que o princípio da subsidiariedade se aplica so- mente às ações de controle abstrato que possam sanar a controvérsia de forma ampla, geral e imediata. Essa corrente parece preponderar na doutrina. Corrente restritiva ao controle concreto Defende que a “lesão” ou “lesividade” se relacionam a violações concretas, portanto o princípio da subsidiarie- dade é aplicável somente aos meios judiciais concretos de constitucionalidade. Ressalta-se que nessa corrente que as decisões proferidas pelo STF a fim de solucionar a controvérsia, terá efeito erga omnes. Corrente ampliativa Essa corrente defende que o princípio em questão é aplicável a qualquer método processual existente, não importando se é de controle abstrato ou concreto. Essa corrente vem sido preferida nos últimos acórdãos proferidos pelo STF. Atualmente, na doutrina tende a preponderar a corrente restritiva ao controle abstra- to, já o para o STF, apesar de se mostrar indefinido quanto à corrente adotada, a corte por meio de acórdãos mais recentes tem se inclinado mais a favor da corrente ampliativa. Importante ressaltar que o princípio da subsidiariedade, apesar de aparentar que seja necessário esgotar meios judiciais que ainda sejam disponíveis, não é isso que ocorre, pois, mesmo que ainda possuam mecanismos processuais disponíveis, caso eles sejam inefi- cazes para resolver a lesão ou ameaça de lesão a preceito fundamental, poderá ser interpos- ta ADPF mesmo que esses outros mecanismos não tenham sido esgotados. b) Relevância do fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo: tanto a ADPF autônoma, como a incidental, só pode ser interposta quando o des- cumprimento de preceito fundamental ultrapassar o âmbito dos direitos subjetivos, ou seja, de- ve possuir relevância subjetiva. 12.6. Legitimidade a) Legitimidade ativa: a legitimidade ativa para propositura da ADPF é a mesma da ADI, de acordo com o artigo 2º, da Lei 9.882/99, inclusive ao que se refere à pertinência temática. Porém, há uma singularidade da ADPF, situada no §1º, do artigo 2º, da Lei 9.882/99, o qual dispõe que faculta-se ao interessado, mediante representação, solicitar a pro- positura de arguição de descumprimento de preceito fundamental ao Procurador-Geral da Re- pública, que, examinando os fundamentos jurídicos do pedido, decidirá do cabimento do seu ingresso em juízo. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 13 9 b) Legitimidade Passiva: são aplicadas as mesmas regras da ADI. 12.7. Procedimento Na ADPF, deverá constar na petição inicial deverá conter a indicação do preceito fundamental que se considera violado; a indicação do ato questionado; a prova da violação do preceito fundamental; o pedido, com suas especificações; e se for o caso (ADPF incidental), a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação do preceito fundamental que se considera violado (artigo 3º, incisos I ao V, da Lei 9.882/99). Da mesma forma que nas outras ações, quando for o caso (em processos físicos), a petição deverá vir acompanhada com mandato, cópias do ato questionado e documen- tos necessários para que seja comprovada a impugnação (artigo 3º, Parágrafo Único, Lei 9.882/99). O relator poderá indeferir de forma liminar a petição quando faltar alguns dos re- quisitos da lei (de ADPF); faltar algum requisito legal; ou for inepta (artigo 4º, Lei 9.882/99). A fim de combater a decisão que indeferir a petição inicial, caberá agravo no prazo de 5 dias. Ou será de 15 dias pela regra geral do cpc Caso haja pedido de liminar, o relator solicitará informações às autoridades responsáveis pela prática do ato questionado, no prazo de dez dias, podendo, ainda, caso entenda necessário, ouvir as partes nos processos que ensejaram arguição (em arguição incidental), requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou ainda, fixar data para declarações, em audiência pública, de pessoas com experiência e autoridade na matéria (artigo 6º, caput e § 1º, Lei 9.882/99) O relator, poderá também autorizar sustentação oral e juntada de memoriais, por re- querimento dos interessados no processo (artigo 6º, § 2º, Lei 9.882/99). IMPORTANTE! A possibilidade de ouvir as partes que ensejaram a arguição, só encontra espaço na ADPF incidental, possuindo como justificativa a sua natureza intraprocessual (interfere na decisão do julgamento do processo originário, vinculando as partes e o juízo), ou seja, por isso acaba por interferir no processo que deu origem à ADPF. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 0 EM RELAÇÃO A INTERVENÇÃO DE AMICUS CURIAE, é seguida a regra das de- mais ações diretas, com base na analogia ao artigo 7º, § 2º, da Lei 9.868/99. Portanto, é admi- tida tal intervenção. Já, EM RELAÇÃO A INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, também é segui- da regra das demais ações diretas, devendo o MP terá vistas ao processo, por 5 dias, após o fim do prazo para informações (artigo 7º, Parágrafo Único, Lei 9.882/99. Por fim, em RELAÇÃO A INTERVENÇÃO DO ADVOGADO DA UNIÃO, é seguido também as regras das demais ações diretas. O STF, antes de apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geralda União, que defenderá o ato ou texto impugnado (artigo 103, § 3º, CF/88). Em casos de ADPF em face atos omissivos puros, não cabe a participação do Advogado-Geral da União. O QUORUM DE APROVAÇÃO DA ADPF É DE DOIS TERÇOS DOS MINISTROS PRESENTES NA SESSÃO (quórum de instalação), que é de 8 a 11 ministros, O QUÓRUM DE DECISÃO É DE MAIORIA ABSOLUTA (quórum de julgamento). Por fim, assim como nas demais ações diretas, é possível a requisição de informa- ções adicionais, além da designação de peritos ou comissão de peritos para que emitam pare- cer sobre a questão, ou ainda, fixar data para declarações, em audiência pública de pessoas com experiência e autoridade na matéria (§1º, artigo 6º, da Lei 9.882/99). Ressalta-se que se- de de ADPF incidental, admite-se a oitiva das partes nos processos que originaram a APDF. Ao transcorrer o prazo para informações, o relatório é emitido pelo relator para que a arguição seja encaminhada para julgamento. 12.8. Fungibilidade entre ADPF e ações diretas Em relação a aplicação do princípio da fungibilidade em ADPF, o STF ainda não possui uma posição firmada quanto a sua possibilidade, porém, de acordo com alguns prece- dentes, a Suprema Corte tem admitido a aplicação do princípio quando há dúvida razoável sobre a o caráter autônomo dos atos infralegais, ou em razão da alteração posterior da norma constitucional violada. Quando a confusão entre as Ações não se pauta nesses fundamentos, considera-se erro grosseiro, não sendo possível a aplicação do Princípio da fungibilidade. 12.9. Pedido de Medida Liminar O pedido de Medida Liminar encontra fundamento no artigo 5º, da Lei 9.882/99, poden- do consistir na suspenção de andamento do processo ou de efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto ADP, salvo decor- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 1 rentes de coisa julgada (3º, artigo 5º, da Lei 9.882/99). Ressalta-se que a coisa julgada não será prejudicada pela natureza vinculante da ADPF. A medida será deferida por decisão da maioria absoluta dos membros do STF Antes da decisão Liminar, poderá ser realizada oitiva prévia dos órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato que está sendo colocado em questão, do Advogado Geral da União (se for o caso), ou do Procurador-Geral da República, no prazo de 5 dias. Quanto ao restante, é aplicada à ADPF, em relação a medida liminar, o mesmo que nas demais ações diretas e ao que toca aos atos omissivos, aplica-se o mesmo que é aplicado na ADO. 12.10. Efeitos da decisão final A decisão final da ADPF é aplicável imediatamente, possuindo eficácia erga omnes, efei- to vinculante e retroativo (ex tunc). IMPORTANTE! Em relação a eficácia ex tunc decorrente da decisão não pode retroagir para a data anterior ao advento da Constituição atual. Funciona como uma espécie de limite temporal pelo fato de o parâmetro de controle não incluir Constituições pas- sadas. Ademais, a Lei própria de ADPF possibilita a ocorrência da modulação dos efeitos na decisão, por meio de maioria qualificada de 2/3 de seus membros. ATENÇÃO! Em caso de “extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá conceder a liminar, ad referedum do Tribunal Pleno” (artigo 5º, § 1º, da Lei 9.882/99). Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 2 QUESTÕES 11. (IESES – 2019 – TJ-SC) Sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade podemos afir- mar que: A) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constituciona- lidade o Procurador Geral da República e o Advogado Geral da União. B) Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Procurador Geral da República, que defenderá o ato ou texto impugnado. C) O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstituci- onalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal. D) Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma consti- tucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em (60) sessenta dias. 12. (IESES - 2019 – TJ-SC) Sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade podemos afir- mar que: A) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constituciona- lidade: o Presidente da República; a Mesa do Senado Federal; a Mesa da Câmara dos Depu- tados; a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o Go- vernador de Estado ou do Distrito Federal; o Procurador-Geral da República; o Advogado Geral da União; o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; o partido político com re- presentação no Congresso Nacional; e a confederação sindical ou entidade de classe de âmbi- to nacional. B) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constituciona- lidade: o Presidente da República; o Vice Presidente da República; o Presidente do Senado Federal; o Presidente da Câmara dos Deputados; o Governador de Estado ou do Distrito Fede- ral; o Procurador-Geral da República; o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; o partido político com representação no Congresso Nacional; e a confederação sindical ou en- tidade de classe de âmbito nacional. C) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constituciona- lidade: o Presidente da República; o Vice Presidente da República; a Mesa do Senado Federal; a Mesa da Câmara dos Deputados; a Mesa de Assembleia Legislativa; o Governador de Esta- do; o Procurador-Geral da República; o Advogado Geral da União; o Conselho Federal da Or- dem dos Advogados do Brasil; o partido político com representação no Congresso Nacional; e a confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. D) Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constituciona- lidade: o Presidente da República; a Mesa do Senado Federal; a Mesa da Câmara dos Depu- tados; a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; o Go- vernador de Estado ou do Distrito Federal; o Procurador-Geral da República; o Conselho Fede- ral da Ordem dos Advogados do Brasil; o partido político com representação no Congresso Na- cional; e a confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 3 13. (VUNESP – 2018 – Procurador Jurídico) Suponha que a Lei Estadual no 4.527/97, que impõe a instalação de bloqueadores de sinal de telefone em presídios, é objeto de ação direta de inconstitucionalidade e tem a sua invalidade declarada em sede de controle concentrado, por decisão dotada de eficácia erga omnis. Durante os debates surge a discussão sobre a validade de norma constante da Lei Federal no 9.234/95, que não compunha o objeto da ação originária mas tem a sua inconstitucionalidade também de- clarada pelo STF. O Tribunal deixa claro que a invalidade da norma federal foi realizada em sede de controle incidental e difuso. Considerando a situação hipotética, assinale a alternativa correta. A) O STF não pode, em ação direta de inconstitucionalidade, avaliar a validade de norma di- versa da indicada na petição inicial. B) A declaração incidental de inconstitucionalidade realizada pelo STF sempre possui efeitos inter partes, salvo se os efeitos forem estendidosa todos por decisão do Senado Federal, nos termos do art. 52, X, da CF. C) Ao reconhecer a inconstitucionalidade de norma estadual sobre determinado tema, o STF vem estendendo a vinculação dos motivos determinantes da decisão para normas similares de outros entes federativos, que devem ser consideradas inconstitucionais mesmo sem declara- ção expressa da Corte. D) O STF não adota a teoria da abstrativização do controle difuso. E) De acordo com recente entendimento do STF, a declaração de inconstitucionalidade de norma realizada em controle difuso pela Corte pode possuir eficácia erga omnes, devendo o Senado Federal ser apenas comunicado da decisão, nos termos do art. 52, X, da CF. 14. (CESPE – 2018 – TJ-CE – Juiz Substituto) Considerando o entendimento do STF acerca dos modelos, dos instrumentos e dos efeitos das decisões no controle de consti- tucionalidade, assinale a opção correta. A) Apenas no controle abstrato o STF admite a modulação dos efeitos temporais da declaração de inconstitucionalidade. B) Embora seja ação típica do modelo concentrado, a arguição de descumprimento de preceito fundamental se presta, entre outros fins, ao controle concreto de constitucionalidade. C) O STF admite a intervenção do amicus curiae na edição ex officio dos enunciados de súmu- la vinculante. D) A admissão de reclamação constitucional ajuizada contra omissão do poder público que contrarie súmula vinculante independe do esgotamento da via administrativa. E) O STF entende ser incabível a realização de audiência pública antes do julgamento de re- curso extraordinário, por ser mecanismo típico do controle abstrato. 15. (TRF 3ª REGIÃO – 2018 – Juiz Federal Substituto) O parâmetro do controle de consti- tucionalidade é encontrado na Constituição Federal, havendo tendência jurisprudencial e doutrinária no sentido de ampliação desse parâmetro a partir do conceito de “bloco de constitucionalidade”. Já o objeto da ADI genérica é norma veiculada por lei ou ato nor- mativo que se mostre em confronto com o parâmetro. Sob essa ótica, é CORRETO afir- mar que: Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 4 A) Apenas admite-se o controle de constitucionalidade de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e de projeto de lei quando estes forem manifestamente ofensivos a cláusula pétrea ou violem procedimento formal previsto na Constituição para sua elaboração. B) Configura usurpação de competência do STF a tramitação de arguição de inconstitucionali- dade (art. 948 do CPC) que tenha por objeto o mesmo dispositivo legal cuja validade esteja sendo discutida em sede de ADI na Suprema Corte. C) A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo (Nova York, 2007), promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009, faz parte do conceito de bloco de constitucionalidade. D) É admissível, conforme entendimento do STF, a tramitação de ADI que tenha por objeto norma declarada constitucional, em sede recurso extraordinário, pelo Plenário da Corte, dado o efeito inter partes da decisão prolatada em controle difuso. 16. (TRF 3ª REGIÃO – 2018 – Juiz Federal Substituto) A Ação Direta de Inconstituciona- lidade (ADI) coloca em movimento a chamada jurisdição constitucional orgânica, tute- lando a validade da lei e de atos normativos. No que concerne aos efeitos da decisão definitiva de mérito no processo de controle abstrato, por meio do qual a ADI é veicula- da, é CORRETO afirmar que: A) Norma criada por lei e declarada inconstitucional pelo STF no processo objetivo ainda assim é suscetível de revogação pelo Congresso. B) A decisão proferida em ADI produzirá efeitos contra todos e eficácia erga omnes, desde que atendido o requisito de sua comunicação à autoridade ou órgão responsável pela expedição do ato para que lhe suste a execução. C) É inadmissível o ajuizamento de ADI ou ADPF contra lei ou ato normativo revogado ou de eficácia exaurida, diante da perda do objeto. D) No direito brasileiro, a decisão de rejeição da inconstitucionalidade não implica declaração de constitucionalidade da norma impugnada, podendo o STF reexaminar a questão em outro processo objetivo de controle concentrado. 17. (VUNESP – 2018 – TJ-RS – Juiz Substituto) Conforme já decidido pelo Supremo Tri- bunal Federal, em matéria de controle de constitucionalidade, A) se os órgãos fracionários dos tribunais não submeterem ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamentos destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão, haverá violação da cláusula de reserva de plenário. B) aqueles que integram o processo em primeira instância na qualidade de terceiros – como assistentes, denunciados à lide ou chamados ao processo – não podem suscitar, pela via difu- sa, questão prejudicial de constitucionalidade. C) a ação civil pública ajuizada para resguardar direitos difusos ou coletivos pode substituir a ação direta, própria do controle concentrado das normas, não cabendo, no entanto, tal substi- tuição se a ação civil pública versar sobre direitos individuais homogêneos. D) tanto as normas constitucionais originárias quanto as normas constitucionais derivadas po- dem ser objeto de controle difuso, pela via de defesa, e de controle concentrado, a ser exercido pelo próprio Supremo Tribunal Federal. E) inexiste usurpação de competência do STF quando os Tribunais de Justiça analisam, em controle concentrado, a constitucionalidade de leis municipais ante normas constitucionais es- taduais que reproduzam regras da Constituição Federal que sejam de observância obrigatória. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 5 18. (CESPE – 2018 – SEFAZ-RS – Auditor do Estado) O chefe do Poder Executivo editou decreto regulamentar visando dar fiel cumprimento a determinada lei. Tal lei, entretanto, foi declarada inconstitucional em ação direta de inconstitucionalidade no STF. A ação não fez qualquer menção ao decreto. Nessa situação hipotética, o STF: A) não poderá declará-lo inconstitucional, porque o decreto não foi objeto da ação constitucio- nal e, no controle concentrado de constitucionalidade, o Poder Judiciário está adstrito ao prin- cípio da congruência. B) poderá declará-lo inconstitucional, por se tratar de inconstitucionalidade por arrastamento. C) poderá declará-lo inconstitucional, por se tratar de declaração parcial de inconstitucionalida- de sem redução de texto. D) poderá declará-lo inconstitucional, por se tratar de declaração de inconstitucionalidade com redução parcial de texto. E) não poderá declará-lo inconstitucional, porque a decisão do órgão julgador deve se limitar estritamente ao que foi pedido na petição inicial. 19. (FCC – 2018 – PGE-TO – Procurador do Estado) Determinado Estado da Federação editou lei instituindo gratificação financeira mensal, a ser acrescida ao subsídio pago ao Governador e ao Vice-Governador, sendo devida em razão do exercício de segundo mandato eletivo no mesmo cargo. Essa norma inspirou a previsão em Lei Orgânica Mu- nicipal de igual vantagem econômica para beneficiar Prefeito e Vice-Prefeito. Conside- rando a Constituição Federal e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal − STF, A) apenas a lei municipal contraria a Constituição Federal, mas não poderá ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF, ainda que possa ser objeto de arguição de des- cumprimento de preceito fundamental. B) ambas as leis são compatíveis com a Constituição Federal, mas a gratificação somente po- derá ser paga aos titulares dos mandatos eletivos se observado o limite remuneratório máximo imposto pela Constituição Federal aos agentes políticos beneficiados. C) ambas as leis contrariam a ConstituiçãoFederal, mas, na hipótese de violarem também a Constituição do respectivo Estado, caberá apenas ao Tribunal de Justiça, e não ao STF, o exercício do controle abstrato e principal de sua constitucionalidade, sendo permitida a interpo- sição de recurso extraordinário contra o acórdão proferido pelo Tribunal estadual. D) ambas as leis contrariam a Constituição Federal, podendo a lei estadual ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça caso a Constituição do respectivo Estado reproduza a norma da Constituição Federal que dispõe sobre a matéria. E) apenas a lei estadual contraria a Constituição Federal, podendo ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça caso a Constituição do respectivo Estado reproduza a norma da Constituição Federal que dispõe sobre a matéria, sendo permitida a in- terposição de recurso extraordinário contra o acórdão proferido pelo Tribunal estadual. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 6 20. (CESPE – 2018 – DPE-PE – Defensor Público) No procedimento da ação direta de in- constitucionalidade, é cabível: A) o objeto da ação ser um ato administrativo de efeito concreto emanado da Presidência da República. B) o parâmetro da ação constituir-se do preâmbulo da Constituição Federal de 1988. C) a oposição de embargos de declaração, com o objetivo de obter a modulação dos efeitos da decisão. D) a ação rescisória, por se tratar de controle difuso. E) o objeto da ação ser um enunciado de súmula do STJ. 21. (FCC – 2019 – TRF 4ª REGIÃO – Analista Judiciário) De acordo com a disciplina da Constituição Federal, em matéria de controle de constitucionalidade de atos normativos. A) o juiz de direito da Justiça Estadual não tem competência para afastar a aplicação, no caso concreto, de lei estadual que contrarie a Constituição Federal, mas apenas de lei estadual que contrarie a Constituição do Estado. B) o juiz federal não tem competência para afastar a aplicação, no caso concreto, de lei federal que contrarie a Constituição Federal, uma vez que essa atribuição é reservada ao plenário ou órgão especial dos tribunais, pelo voto da maioria absoluta de seus membros. C) o Tribunal Regional Federal não tem competência para julgar reclamação constitucional proposta em face de decisão judicial de primeiro grau que contrariar súmula vinculante do Su- premo Tribunal Federal. D) cabe o ajuizamento de reclamação constitucional, perante o Supremo Tribunal Federal, con- tra lei federal que contrariar o enunciado de súmula vinculante editada pelo Tribunal. E) cabe o ajuizamento de ação declaratória de constitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal, contra ato normativo estadual que contrariar a Constituição Federal, podendo ser pro- posta por quaisquer dos legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade. 22. (CESPE – 2019 – TJ-PR – Juiz Substituto) O STF pode, por decisão da maioria abso- luta de seus membros, deferir pedido de medida cautelar em ação declaratória de consti- tucionalidade, determinando que juízes e tribunais suspendam o julgamento de proces- sos que envolvam a aplicação de lei ou de ato normativo objeto da referida ação até o seu julgamento definitivo. Nesse sentido, a medida cautelar em ação declaratória de constitucionalidade, até o julgamento final da ação, produzirá efeito: A) vinculante e eficácia ex nunc. B) vinculante e eficácia ex tunc. C) repristinatório e eficácia ex nunc. D) repristinatório e eficácia ex tunc. 23. (VUNESP – 2018 – PGE-SP – Procurador do Estado) Na ação declaratória de consti- tucionalidade com pedido cautelar n°19, ajuizada pelo Presidente da República, o Plená- rio do Supremo Tribunal Federal (STF), por votação unânime, declarou a constitucionali- dade dos artigos 1° , 33 e 41 da Lei Federal n° 11.340/2006, conhecida como ‘Lei Maria da Penha’, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mu- lher, em consonância ao artigo 226, § 8° da Constituição Federal. A decisão analisou em conjunto a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) n° 19 e a Ação Direta de In- Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 7 constitucionalidade (ADI) n° 4.424. Considerando este cenário, é correto afirmar sobre o controle de constitucionalidade: A) as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF nas ADCs, produzirão eficácia erga omnes e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Adminis- tração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual, porém, não admitem, em nenhu- ma hipótese, reclamação constitucional, intervenção de terceiros ou amicus curiae e realização de qualquer tipo de prova. B) quanto ao procedimento da ADC, prevalece o entendimento no Supremo Tribunal Federal de que se aplica o princípio da causa petendi aberta, ou seja, a Corte poderá basear-se em outros fundamentos que não aqueles trazidos pela petição inicial para fundamentar a sua deci- são, motivo pelo qual é garantido ao autor optar pela desistência da ação a qualquer momento. C) o Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá de- ferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na de- terminação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envol- vam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo, de- vendo, nesse caso, publicar em seção especial do Diário Oficial da União, no prazo de dez di- as, a parte dispositiva da decisão e proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oiten- ta dias, sob pena de perda de sua eficácia. D) a legitimidade ativa para propor a ADC inclui, além do Presidente da República, o Congres- so Nacional, os Deputados Estaduais ou Distritais, o Governador de Estado ou do Distrito Fe- deral; o Procurador-Geral da República; o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Bra- sil; partido político com representação no Congresso Nacional e sindicatos. E) para a admissibilidade da ação declaratória de constitucionalidade é dispensável a compro- vação de controvérsia ou dúvida relevante quanto à legitimidade da norma, uma vez que, pro- clamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória. 24. (PGR – 2017 – Procurador da República) ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA: A) Lei distrital editada no exercício de competência municipal não é passível de controle abs- trato de constitucionalidade no âmbito do STF. B) É possível, em sede de controle abstrato de constitucionalidade, a invalidade de uma norma que se extrai, a contrario sensu, de um texto legal, mas que não está contida em qualquer fra- gmento linguístico. C) Nas chamadas “sentenças aditivas de princípio” ou “sentenças delegação”, a Suprema Cor- te, em decisões no controle abstrato de constitucionalidade, exorta o legislador a agir, deline- ando as diretrizes que deve seguir. D) A coisa julgada, em controle abstrato de constitucionalidade, significa que a decisão perma- necerá eficaz sobre hipóteses idênticas, salvo se o STF adotar nova compreensão sobre o te- ma ou o Legislativo vier a editar lei em sentido contrário ao entendimento adotado naquela de- cisão. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 8 25. (FAPEMS – 2017 – PC-MS – Delegado de Polícia) Sobre o controle de constitucionali- dade exercido pelo Supremo Tribunal Federal, afirma-se que oSupremo tem recorrido a diversas técnicas de decisão chamadas de sentenças intermediárias. A expressão sen- tença intermediária "compreende uma diversidade de tipologia de decisões utilizadas pelos Tribunais Constitucionais e/ou Cortes Constitucionais em sede de controle de constitucionalidade, com o objetivo de relativizar o padrão binário do direito (constituci- onalidade/inconstitucionalidade)". FERNANDES, Bernardo. Curso de Direito Constitucional. 9a. ed. Salvador: Juspodivm. 2017, p. 1.578. Sobre tais técnicas, verifica-se que: A) a modulação temporal foi amplamente utilizada no julgamentos das Ações Diretas de In- constitucionalidade 4.357 e 4.425 (25/3/2015), referentes ao sistema de precatórios da Emenda Constitucional n° 62 de 2009. B) a "declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade" é equivalente ao "apelo ao Legislador". C) o Supremo Tribunal Federal faz uma distinção rigorosa entre as sentenças interpretativas de "interpretação conforme a Constituição" e "declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto". D) o Supremo Tribunal Federal rejeita a utilização de sentenças transitivas. E) as sentenças aditivas produzem os mesmos efeitos das sentenças substitutivas. 26. (FCC – 2016 – DPE-BA – Defensor Público) Podem propor a ação direta de inconsti- tucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade os seguintes entes legitima- dos, à EXCEÇÃO: A) Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. B) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. C) Procurador-Geral da República. D) Defensor Público-Geral da União. E) Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 27. (FCC – 2016 – TRT 23ª REGIÃO (MT) – Analista Judiciário) A respeito do controle concentrado de constitucionalidade, A) a Ação Declaratória de Constitucionalidade e o Mandado de Injunção podem ser propostos por qualquer pessoa, por via principal ou via incidental. B) tanto a Ação Direta de Inconstitucionalidade, como a Ação Declaratória de Constitucionali- dade e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, propostas perante o Supre- mo Tribunal Federal, podem versar sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal. C) cabe ação rescisória da decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido formulado em Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. D) os legitimados para propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade também podem propor a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. E) os efeitos da decisão em Ação Declaratória de Constitucionalidade são sempre inter partes. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 14 9 28. (FMP Concursos – 2017 – PGE-AC – Procurador do Estado) Considere as assertivas abaixo: I. Quando couber ADI estadual perante TJ-AC (CE, art. 95, I, f) tendo como parâmetro norma constitucional de reprodução obrigatória, ainda que implícita na Constituição Estadual, terá aplicação o princípio da subsidiariedade, com o que, nos termos da jurisprudência do STF, será incabível a ADPF. II. No caso de Prefeito Municipal ser autor da ADI estadual tendo por objeto norma de outro Município que não o seu, deverá comprovar a existência de pertinência temática, sob pena de inadmissão da ação que tenha proposto. III. Quando a norma objeto do controle de constitucionalidade dispuser sobre determinado as- sunto sem direcionar seus efeitos a todos os sujeitos e/ou a todas as situações (iguais) que deveriam estar incluídas no seu âmbito de aplicação, tem-se inconstitucionalidade por omissão parcial. Sobre as assertivas acima, é correto afirmar que: A) todas são corretas. B) todas são incorretas. C) somente as alternativas I e III são corretas. D) somente as alternativas II e III são corretas. E) somente as alternativas I e II são corretas. 29. (TRT 2ª REGIÃO (SP) – 2016 – Juiz do Trabalho Substituto) Considerando o controle constitucional, analise as seguintes proposições: I. O Brasil adota o controle de constitucionalidade jurisdicional combinado. II. Para propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) são os mesmos legi- timados à propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e da Ação Declaratória de Constitucionalidade ( ADC). III. Cabe desistência na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. IV. No Brasil a Constituição Federal é rígida e escrita, possibilitando o controle da constitucio- nalidade. V. As ações diretas no sistema concentrado tem por mérito a questão da inconstitucionalidade das leis ou atos normativos federais e estaduais. Responda: A) Somente a proposição I está correta. B) Somente a proposição III está correta. C) Somente a proposição II está correta D) Somente as proposições I, II, IV e V estão corretas. E) Somente a proposição V está correta. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 0 30. (AOCP – 2015 – TRE-AC – Técnico Judiciário) Em relação ao controle de constitucio- nalidade, assinale a alternativa correta. A) Os atos normativos municipais não podem ser objeto de controle abstrato e concentrado de constitucionalidade. B) Nem todos os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade o são para promoverem a ação declaratória de constitucionalidade. C) Não é permitida a figura do amicus curiae no controle de constitucionalidade abstrato. D) A lei não prevê a possibilidade de partidos políticos proporem ação direta de inconstituciona- lidade. E) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações dire- tas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade, produzirão eficá- cia contra todos e efeito vinculante. 31. (CESPE – 2015 – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal) No tocante às ações de controle concentrado, assinale a opção correta com base no entendimento do STF: A) Cabe ao STF processar e julgar a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual. B) A despeito do caráter dúplice da ADI, o indeferimento de medida cautelar não dá margem à propositura de reclamação, visto que essa decisão não possui efeito vinculante. C) A ADPF pode ser utilizada para o fim de rever ou cancelar súmula vinculante. D) Dado o caráter subsidiário e complementar da ADPF, o município tem legitimidade para propô-la. E) Não é cabível medida cautelar em ADI por omissão. 32. (FMP Concursos – 2014 – TJ-MT) Na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade por Omissão, assinale a afirmativa correta. A) Após a concessão de cautelar, abre-se o prazo de dez dias para os responsáveis pela omissão se manifestarem. B) Declarada a inconstitucionalidade, será dada a ciência ao Poder competente para adoção das medidas necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. C) É obrigatória a apresentação de defesa pelo Advogado-Geral da União. D) O Procurador-Geral da República deve se manifestar em prazo de cinco dias a partir de de- cisão do relator que o admite no processo. E) A concessão de cautelar necessita de voto da maioria relativa dos ministros do STF. 33. (FGV – 2014 –CGE-MA – Auditor) O Procurador-Geral da República promove Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão cujo pedido vem a ser julgado procedente, à unanimidade, pelo Supremo Tribunal Federal. Constatada que a omissão está relacionada a órgão administrativo, este será cientifica- do para adotar as medidas necessárias ao suprimento da omissão em: A) dez dias. B) quinze dias. C) vinte dias. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br15 1 D) trinta dias. E) quarenta dias. 34. (CESPE – 2013 – TJ-ES) A respeito do controle concentrado de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), assinale a opção correta. A) Se o STF apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, deverá citar, previamente, o advogado- geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado. B) O presidente da Câmara dos Deputados pode propor ação declaratória de constitucionali- dade. C) Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma consti- tucional, será dada ciência ao poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em até noventa dias. D) Cabe ao STF processar e julgar, originariamente, ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo estadual. E) A arguição de descumprimento de preceito fundamental é o instrumento utilizado para de- clarar a compatibilidade de tratado internacional com as normas subconstitucionais do ordena- mento jurídico doméstico. 35. (CESPE – 2013 – AGU – Procurador Federal) Com referência à declaração de incons- titucionalidade sem redução de texto e à interpretação conforme a Constituição, julgue os itens consecutivos. Na ação direta de inconstitucionalidade por omissão, a legitimidade passiva restringe-se ao Poder Legislativo inadimplente, ao qual será estipulado prazo para adotar as providências ca- bíveis no sentido de suprir a omissão. A) Certo B) Errado 36. (CESPE – 2013 – TJ-MA – Juiz) À luz da jurisprudência do STF, assinale a opção cor- reta em relação ao exercício do controle concentrado ou abstrato de constitucionalida- de. A) Não é admitida a participação do amicus curiae na ADI por omissão. B) É cabível a intervenção de terceiros na arguição de descumprimento de preceito fundamen- tal. C) De acordo com o STF, não é admissível o ajuizamento de ADI contra ato estatal de conteú- do derrogatório, ou seja, contra resolução administrativa normativa que incida sobre atos nor- mativos. D) Para ajuizar ação declaratória de constitucionalidade, o partido político com representação no Congresso Nacional deve estar representado por advogado. 37. (CESPE – 2012 – DPE-RO – Defensor Público) Assinale a opção correta a respeito do poder constituinte e da ação direta de inconstitucionalidade por omissão. A) Compete ao poder constituinte decorrente elaborar e modificar as constituições dos esta- dos-membros da Federação. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 2 B) O poder constituinte reformador é, por característica, incondicionado. C) A mutação constitucional é expressão do poder constituinte derivado. D) Denomina-se repristinação o fenômeno pelo qual a constituição nova recebe a ordem nor- mativa infraconstitucional anterior, surgida sob égide das constituições precedentes, quando compatível com o novo ordenamento constitucional. E) A ação direta de inconstitucionalidade por omissão tem por escopo controlar apenas as omissões legislativas. 38. (TRT 24ª REGIÃO – 2012 – Juiz do Trabalho) Quanto ao controle de constitucionali- dade das leis, assinale a única alternativa CORRETA: A) Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma consti- tucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em noventa dias; B) Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal o ato normativo, citará, previamente, o Procurador-Geral da República, que defenderá o ato ou texto impugnado; C) Dentre os legitimados para propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declarató- ria de constitucionalidade inclui-se o Presidente da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional e o Advogado-Geral da União; D) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações dire- tas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficá- cia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal; (artigo 102, § 2º, da Constituição Federal); E) O Procurador-Geral da República poderá ser previamente ouvido nas ações de inconstituci- onalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal; 39. (CESPE – 2012 – AGU – Advogado da União) Com relação à ADI e à ADIO, julgue os itens subsecutivos. O atual posicionamento do STF admite a fungibilidade entre a ADI e a ADIO. A) Certo B) Errado 40. (CESPE – 2012 – TJ-CE – Juiz Substituto) No que se refere ao controle de constituci- onalidade no ordenamento jurídico nacional, assinale a opção correta. A) De acordo com o STF, as resoluções e as respostas às consultas do Tribunal Superior Elei- toral podem ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade. B) Os sindicatos, entidades representativas de determinadas categorias profissionais, detêm legitimidade ativa para o ajuizamento da ação direta de inconstitucionalidade. C) O CNJ, órgão do Poder Judiciário, tem competência para apreciar a constitucionalidade e a ilegalidade dos atos administrativos praticados pelos juízos e tribunais. D) Na ação direta de inconstitucionalidade por omissão, admite-se a participação do amicus curiae, bem como de peritos especializados na realização de audiências públicas. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 3 E) De acordo com a legislação de regência, admite-se, em ação declaratória de constitucionali- dade, a concessão de medida cautelar para suspender a eficácia das decisões proferidas nos julgamentos de processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo federal objeto da ação. 41. (MPE-SP - 2019 - MPE-SP - Promotor de Justiça Substituto) Assinale a alternativa IN- CORRETA. A) A controvérsia em torno da incidência, ou não, do postulado da recepção, por não envolver qualquer juízo de inconstitucionalidade, mas, sim, quando for o caso, o de simples revogação de diploma pré-constitucional, dispensa a aplicação do princípio da reserva de plenário, legiti- mando a possibilidade de reconhecimento, por órgão fracionário do Tribunal, de que determi- nado ato estatal não foi recebido pela nova ordem constitucional, além de inviabilizar, porque incabível, a instauração do processo de fiscalização normativa abstrata. B) A declaração de inconstitucionalidade de qualquer ato estatal, considerando a presunção de constitucionalidade das leis, só pode ser declarada pelo voto da maioria absoluta dos membros do Tribunal ou, onde houver, dos integrantes do respectivo órgão especial, sob pena de nulida- de da decisão judicial que venha a ser proferida. C) A causa de pedir aberta das ações do controle concentrado de constitucionalidade torna desnecessário o ajuizamento de nova ação direta para a impugnação de norma cuja constituci- onalidade já é discutida em ação direta em trâmite, proposta pela mesma parte processual. D) O processo de controle normativo abstrato rege-se pelo princípio da indisponibilidade, o que impede a desistência da ação direta já ajuizada. A ação subsiste mesmo diante de revogação superveniente do ato estatal impugnado. E) A declaração final de inconstitucionalidade, quando proferida em sede de fiscalização nor- mativa abstrata, considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente, importa em restauração das normas estatais anteriormente revogadas pelo diploma normativo objeto do juízo de in- constitucionalidade. 42. (FCC- 2019 - SEFAZ-BA - Auditor Fiscal - Administração, Finanças e Controle In- terno – Prova I) Proposta de emenda à Constituição, de iniciativa de Assembleias Legislativas de 14 Es- tados da Federação, tendo se manifestado cada qual pela maioria absoluta de seus membros, tem por objeto a alteração das regras de repartição de receitas tributárias no que respeita aos percentuais do produto da arrecadação de impostos da União perten- centes aos Estados, sem prejudicar o montante da receita cabível à União ou afetar os percentuais pertencentes aos Municípios. A proposta é discutida e aprovada em dois turnos, em cada Casa do Congresso Nacional, pelo voto, a cada vez, de dois terços dos seus membros. Promulgada e publicada a emenda à Constituição Federal, o Governador de determinado Estado cuja Assembleia Legislativa não subscreveu a proposta à época em que apresen- tada, pretende questionar sua constitucionalidade enquanto ainda vigente e eficaz. Nes- sa hipótese, à luz da Constituição Federal, considerados apenas os aspectos referentes a objeto, legitimidade e competência para o controle, a emenda à Constituição, em tese, A) poderá ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Fede- ral, embora não possua o Governador do Estado legitimidade para sua propositura. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 4 B) poderá ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade, proposta pelo Governador do Es- tado, perante o Supremo Tribunal Federal. C) poderá ser objeto de arguição de descumprimento de preceito fundamental, proposta pelo Governador do Estado, perante o Supremo Tribunal Federal. D) poderá ser objeto de arguição de descumprimento de preceito fundamental, perante o Su- premo Tribunal Federal, embora não possua o Governador do Estado legitimidade para sua propositura. E) não poderá ser objeto de controle de constitucionalidade concentrado. 43. (CETREDE - 2019 - Prefeitura de Acaraú - CE - Procurador Administrativo) A Argui- ção de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é um típico instrumento de controle de constitucionalidade. Assim, pode-se afirmar que: A) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental poderá ser utilizada para solver controvérsia sobre a constitucionalidade de lei ou ao ato normativo federal, estadual ou munici- pal excluídos os anteriores à Constituição. B) O cidadão afetado por decisão do Poder Público é parte legítima para propor Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. C) A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental poderá ser proposta contra ato normativo já revogado, tendo em vista o interesse jurídico da solução quanto à legitimidade de sua aplicação no passado. D) A decisão proferida em Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental terá eficácia contra todos e efeito vinculante, mas poderá ser objeto de ação rescisória. E) A arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, quando impugnar atos estatais, como as decisões judiciais, não poderá ser utilizada, ainda que demonstre a relevante contro- vérsia constitucional sobre determinado tema. 44. (FCC - 2019 - AFAP - Analista de Fomento – Advogado) Diante do sistema de con- trole de constitucionalidade estabelecido pela Constituição da República Federativa do Brasil e consideradas a legislação e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal perti- nentes, A) a ação direta de inconstitucionalidade constitui meio de controle de constitucionalidade pré- vio realizado pelo Poder Judiciário. B) por conta do princípio da separação de Poderes, o Presidente da República não realiza controle de constitucionalidade. C) não é admitida a fungibilidade entre ação direta de inconstitucionalidade e arguição de des- cumprimento de preceito fundamental. D) não será admitida arguição de descumprimento fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz capaz de sanar a lesividade. E) a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade não pos- suem os mesmos legitimados para a sua proposição. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 5 45. (NC-UFPR - 2019 - ITAIPU BINACIONAL - Profissional de Nível Universitário Jr – Direito) A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é entendida pelo Supremo Tribunal Federal como sendo a ultima ratio em matéria de controle de constitucionalidade. Com relação ao assunto, assinale a alternativa correta. A) A ADPF poderá ser ajuizada por Prefeito Municipal, caso se demonstre pertinência temática por meio do questionamento, exclusivamente, da constitucionalidade de lei municipal. B) Na ADPF, admite-se a intervenção de terceiros, desde que esta se dê por parte de Estado- membro. C) A decisão tomada na ADPF é irrecorrível, ressalvada a hipótese de oposição de Embargos de Declaração. D) A decisão tomada na ADPF pode ser objeto de ação rescisória. E) A ADPF pode ser ajuizada pelo Defensor Público Geral da União. 46. (CESPE - 2018 - PGM - João Pessoa - PB - Procurador do Município) Acerca da ar- guição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), que consiste em instrumen- to constitucional que intensifica o poder de controle de constitucionalidade do STF, jul- gue os itens a seguir. I. A ADPF tem como objeto exclusivo a proteção dos direitos e das garantias fundamentais previstos na CF, sendo admitida somente quando não houver outro meio de sanar a lesividade. II. A ADPF pode ser proposta pelos entes legitimados para a propositura de ação direta de in- constitucionalidade, bem como por qualquer pessoa lesada ou ameaçada por ato do poder pú- blico. III. A ADPF é admitida quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, ainda que anteriores à CF. IV Embora seja viável a utilização da ADPF para tratar de violação a preceito fundamental decorrente de deci- sões judiciais do próprio Poder Judiciário, esse instrumento constitucional não é a via adequa- da para a obtenção de interpretação, revisão ou cancelamento de súmula vinculante. Estão certos apenas os itens: A) I e II. B) I e III. C) III e IV. D) I, II e IV. E) II, III e IV. 47. (COSEAC - 2018 - Prefeitura de Maricá - RJ - Procurador do Município) Instrumento de controle concentrado de constitucionalidade adequado para a impugnação de norma municipal em face da Constituição Federal de 1988: A) ação direta de inconstitucionalidade. B) ação declaratória de constitucionalidade. C) arguição de descumprimento de preceito fundamental. D) representação interventiva E) representação de inconstitucionalidade. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 6 48. (VUNESP - 2018 - Prefeitura de São Bernardo do Campo - SP – Procurador) A res- peito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), assinale a al- ternativa correta. A) Admite-se que qualquer pessoa lesada ou ameaçada por ato do poder público proponha uma ADPF no Supremo Tribunal Federal. B) A decisão que julgar improcedente o pedido em ADPF é irrecorrível, podendo, no entanto, ser objeto de ação rescisória no prazo de 02 (dois) anos. C) Admite-se o conhecimento de ADPF como ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) quando houver dúvida razoável, tendo em vista a possibilidade de aplicação do princípio da fungibilidade. D) A decisão em sede de ADPF terá eficácia erga omnes, efeito vinculante e eficácia a partir do trânsito em julgado (ex nunc). E) O STF, por decisão da maioria relativa de seus membros, ou pelo relator no período de re- cesso, poderádeferir pedido de liminar na ADPF. 49. (VUNESP - 2018 - UNICAMP - Procurador de Universidade Assistente) Considere a hipótese em que o Governador ajuizou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental perante o Supremo Tribunal Federal, a qual foi julgada improcedente. To- davia, na respectiva sessão de julgamento estavam ausentes três Ministros. Nessa situ- ação, segundo o regime jurídico da ADPF, essa decisão A) poderá ser objeto de recurso extraordinário. B) é nula em razão do quorum insuficiente na sessão de julgamento. C) poderá ser impugnada por meio de reclamação constitucional. D) poderá ser objeto de ação rescisória. E) é irrecorrível. 50. (VUNESP - 2018 - Prefeitura de Sorocaba - SP - Procurador do Município) Assinale a alternativa correta a respeito da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fun- damental). A) Não pode ser utilizada para impugnar normas anteriores à Constituição Federal vigente. B) É vedada a sua propositura quando existir recurso extraordinário discutindo a mesma norma a ser impugnada. C) A decisão proferida em ADPF pelo Supremo Tribunal Federal terá eficácia erga omnes e ex nunc, sendo vedada a modulação de seus efeitos. D) Da decisão que julgar o pedido da ADPF procedente ou improcedente caberá recurso extra- ordinário. E) Além dos atos normativos, podem ser objeto da ADPF atos não normativos, tais como con- tratos administrativos e atos judiciais. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 7 GABARITO QUESTÃO RESPOSTA QUESTÃO RESPOSTA 01 C 26 D 02 A 27 D 03 A 28 D 04 A 29 D 05 B 30 E 06 B 31 B 07 D 32 B 08 C 33 D 09 C 34 A 10 E 35 ERRADO 11 C 36 D 12 D 37 A 13 E 38 D 14 B 39 CERTO 15 C 40 D 16 A 41 D 17 E 42 B 18 B 43 C 19 D 44 D 20 C 45 C 21 C 46 C 22 A 47 C 23 C 48 C 24 A 49 E 25 A 50 E Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om www.cers.com.br 15 8 Referências bibliográficas BERNARDES, Juliano Taveira; FERREIRA, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Cons- titucional Tomo I – Teoria da Constituição. 8. ed. Salvador: Juspodium, 2018. BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasí- lia, DF: Senado, 1988. BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional / Uadi Lammêgo Bulos. – 9. ed. rev. e atual. De acordo com a Emenda Constitucional n. 83/2014, e os últimos julgados do Supremo Tribunal Federal – São Paulo: Saraiva, 2015 LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado / Pedro Lenza. – 23. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2019. (Coleção Esquematizado). ______. Direito Constitucional Esquematizado. 22. ed. 21: Saraiva, 2017. ______. Direito constitucional esquematizado. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. NEVES, Marcelo. Trasnconstitucionalismo. São Paulo. Editora WMF Martins Fontes, 2009). NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 11. ed. Salvador: Juspodium, 2016. PUCINELLI JÚNIOR, André. Curso de direito constitucional / André Pucinelli Júnior. 4. ed. – São Paulo : Saraiva, 2014. Ad Ve rum Su por te E duc aci ona l Mo na Kh ale d S ale h 395 .37 0.3 98- 62 mo na. sal ehs 2@ hot ma il.c om