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Aspectos Discursivos 
da Língua
1ª edição
2017
Aspectos Discursivos 
da Língua
Presidente do Grupo Splice
Reitor
Diretor Administrativo Financeiro
Diretora da Educação a Distância
Gestor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas 
Gestora do Instituto da Área da Saúde
Gestora do Instituto de Ciências Exatas
Autoria
Parecerista Validador
Antônio Roberto Beldi
João Paulo Barros Beldi
Claudio Geraldo Amorim de Souza 
Jucimara Roesler
Henry Julio Kupty
Marcela Unes Pereira Renno
Regiane Burger
Daniella Caruso
Rosemeire Rodrigues
Mirian Lúcia Brandão
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte 
desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos 
direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
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Sumário
Unidade 1
Introdução aos estudos de leitura e discurso ...........6
Unidade 2
Aspectos de dialogismo e polifonia .........................23
Unidade 3
Apontamentos sobre letramento e 
intersubjetividade........................................................41
Unidade 4
Noções de interlocução ..............................................58
Unidade 5
Gêneros do discurso e o diálogo ................................75
Unidade 6
Estrutura textual como aparato do discurso ...........93
Unidade 7
A dimensão ideológica da linguagem .....................112
Unidade 8
Tópicos de enunciação: o sentido discursivo .........130
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Palavras do professor
Caro aluno, seja bem-vindo à disciplina Aspectos Discursivos da Língua! 
A partir de agora, você está convidado a adentrar no universo da língua 
e suas múltiplas facetas. No decorrer de oito unidades, teremos a opor-
tunidade de refletir sobre a dinâmica social e ideológica do discurso e 
estudaremos conceitos centrais, como língua, texto, gênero e discurso, 
compreendendo-os em sua dinâmica de funcionamento e relacionando-
-os ao campo de ensino-aprendizagem. 
A língua e seus discursos permeiam nossa vida cotidiana, independen-
temente de nossa área de estudo ou atuação profissional, sendo assim, 
as concepções teóricas e práticas aqui abordadas serão de fundamen-
tal importância para você e o ajudarão a ampliar sua leitura da realidade, 
afinal, a língua se faz viva a partir dos discursos que construímos através 
dela. 
Os conteúdos que preparamos para você têm como objetivos específicos 
ajudar na reflexão sobre aspectos linguísticos, sociais e ideológicos da lei-
tura, compreender conceitos de letramento e gêneros discursivos, iden-
tificar as relações entre dialogismo e polifonia, assim como reconhecer os 
elementos enunciativos constitutivos dos discursos, como interlocução e 
intersubjetividade.
Conhecer e refletir sobre os processos de construção e análise da língua 
como discurso é a competência central que desejamos que você desen-
volva, de modo a aprofundar sua leitura de mundo, ou melhor, das leitu-
ras que se entrelaçam por meio das relações entre língua e discurso, no 
mundo.
Então, está pronto para começarmos esta viagem?
Bons estudos!
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Unidade 1
Introdução aos estudos de 
leitura e discurso 
Para iniciar seus estudos
Nesta primeira unidade da disciplina Aspectos Discursivos da Língua, 
estudaremos os conceitos mais complexos e que fazem parte do estudo 
de toda a disciplina. Começaremos nossa aula refletindo sobre leitura, lín-
gua e discurso e o modo como esses conceitos se relacionam, além disso, 
conheceremos quais são suas implicações sociais e ideológicas. Esse 
assunto é de vital importância, afinal, a leitura é a base de todo estudo, 
em quaisquer ramos do conhecimento. Preparado?
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar conceitos de leitura e seus aspectos sociais e discur-
sivos.
• Estabelecer relação entre língua e discurso.
• Compreender os conceitos de texto e formação discursiva.
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Aspectos Discursivos da Língua | Unidade 1 - Introdução aos estudos de leitura e discurso 
1.1 O que é leitura
A leitura é inerente às relações humanas. Estamos sempre, de alguma maneira, a ler: muito antes de lermos 
textos propriamente ditos, lemos a realidade que nos cerca, as pessoas e nós mesmos. O ato de ler, mais do que 
decodificar palavras, implica revelar o que está por trás delas, o que as permeia, o que representam. Um bom 
leitor é uma espécie de decifrador de “segredos” nas mensagens implícitas daquilo que lê.
O código escrito, na dinâmica da linguagem, não é uma expressão direta do pensamento; existe uma opacidade, 
algo a ser desvendado. Nesta disciplina, vamos conhecer como isso se dá, mas, antes, conheça algumas concep-
ções sobre leitura e as diferentes visões de linguagem e de mundo que tais concepções evidenciam.
A concepção de leitura como mera decodificação de palavras é recusada pelos Parâmetros Curriculares Nacio-
nais (BRASIL, 1998), que definem leitura como:
[...] um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do 
texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o 
que sabe sobre a linguagem [...]. (BRASIL, 1998, p. 41).
Dessa forma, ler “[...] implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é 
possível proficiência” (BRASIL, 1998, p. 69).
Esse modo de conceber a leitura pressupõe o leitor como um sujeito ativo no ato de ler, o que, infelizmente, 
não tem se verificado no desempenho dos alunos em exames como o Sistema de Avaliação da Educação Básica 
(SAEB). Segundo Nascimento (2011), os péssimos resultados obtidos nos exames avaliativos indicam que a lei-
tura tem sido trabalhada na escola de modo centrado no texto, contemplando somente o modelo ascendente 
de leitura.
Destaca-se que o modelo ascendente de leitura tem relação com um dos modos como o leitor constrói sentidos 
na atividade de leitura. Você já ouviu falar sobre isso? Entenda melhor essa questão acompanhando com atenção 
o que vem a seguir.
1.1.1 Modelos ascendente, descendente e interativo de leitura
As pesquisas sobre leitura ganharam força a partir da década de 1960, com as investigações nos campos da 
Psicolinguística e da Linguística Cognitivista (SANTOS, 2017). Esses estudos demonstravam que a leitura de um 
texto é um processo que ocorre por operações mentais, daí surgem as definições de três modelos de processa-
mento de leitura, propostos por Gough e Goodman (1976 apud SANTOS, 2017), que são: ascendente, ou “bot-
tom-up”, descendente, ou “top-down”, e interativo. Nas palavras de Aebersold e Field (1997, p. 10):
A teoria bottom-up argumenta que o leitor constrói o texto das pequenas unidades (letras para 
palavras para frases para sentenças, etc.) [...] Decodificação é o termo para esse processo. 2. A 
teoria top-down argumenta que os leitores trazem seu próprio conhecimento, suas experiências 
e suas dúvidas para o texto e continuam lendo-o até que as hipóteses ditas anteriormente sejam 
confirmadas [...] 3. A teoria interativa argumenta que os processos top-down e bottom-up ocorrem 
alternados ou ao mesmo tempo. 
No modelo ascendente (também chamado “bottom-up”), o leitor acompanha o texto linearmente, decodifi-
cando suas unidades linguísticas das menores para as maiores, partindo assim do grafema para a sílaba, para 
o morfema, deste para a palavra, depois, para a frase, e assim por diante, buscando compreender seu sentido. 
Nesse modelo, o leitor assume uma função mais passiva e presa aos elementos textuais. Vale destacar também 
que esse modelo foi muito popular nas salas de alfabetização brasileiras até os anos de 1990, pois as atividades 
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Aspectos Discursivos da Língua | Unidade 1 - Introdução aos estudos de leitura e discurso 
de ensino tinham como ponto de partida os sons e letras até chegar ao texto. Devido às críticas e controvérsias 
em relação às discussões do método ascendente,

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