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Anny_Shwan_&_Love_Dark_Monstros_Da_Máfia_2_O_Monstro_Renascido,

Romance dark (ficção) sobre máfia albanesa. Narra Enzzo Demisovski e Helena Petrovci, herdeiros envolvidos em profecia, vingança e sofrimento; contém cenas de sexo e violência que podem ser gatilhos. Ambientado na Albânia (Tirana, Shkoder).

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Prévia do material em texto

Copyright © Love Dark, 2020
Capa: T.v designer
Revisão: Rosana Bezerra
Diagramação: Rosana Bezerra
 
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos
descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com
nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.
 
Atenção
Romance dark. Esse livro contém cenas de sexo e violência que podem ser
considerados como possíveis gatilhos. Não leia caso sinta-se desconfortável.
 
O monstro renascido
Love Dark
1ª Edição – 2020
 
Todos os direitos reservados. É proibido o armazenamento, e/ou reprodução
de qualquer parte dessa obra – física ou eletrônica – através de quaisquer
meios (tangível ou intangível) sem o consentimento escrito da autora.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº. 9.610/98 e
punido pelo artigo 184 do Código Penal 2018.
Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os
direitos reservados.
O monstro renascido "Máfia Albanesa"
Dark Romance
80% Dark
20% Romance
Uma profecia, e a vida dele mudará para sempre.
Para todos, Enzzo Demisovski, o herdeiro do temido sanguinário e ex-chefe
da maior organização criminosa de todos os tempos, está morto, assim como
seus pais.
Helena Petrovci, é a herdeira do poderoso Omar Petrovci, chefe da máfia
Albanesa. Um homem frio e calculista, que foi capaz de trair seu próprio
amigo para usurpar o seu lugar.
Ela, assim como Enzzo, é somente uma vítima da ambição desse homem
cruel. No entanto, o ódio, e a sede de vingança o deixarão completamente
cego e ela conhecerá o pior lado da vida.
Um mundo, onde a dor e as trevas serão predominantes, porém a luz surgirá.
Ela terá que lutar com todas suas forças, para manter-se viva, após tanto
sofrimento.
Ele só deseja uma única coisa, ter tudo que lhe foi roubado.
Prólogo __________________________________________________ 07
Capítulo 01 _______________________________________________ 10
Capítulo 02 _______________________________________________ 15
Capítulo 03 _______________________________________________ 19
Capítulo 04 _______________________________________________ 24
Capítulo 05 _______________________________________________ 29
Capítulo 06 _______________________________________________ 34
Capítulo 07 _______________________________________________ 38
Capítulo 08 _______________________________________________ 44
Capítulo 09 _______________________________________________ 48
Capítulo 10 _______________________________________________ 54
Capítulo 11 _______________________________________________ 59
Capítulo 12 _______________________________________________ 64
Capítulo 13 _______________________________________________ 70
Capítulo 14 _______________________________________________ 74
Capítulo 15 _______________________________________________ 83
Capítulo 16 _______________________________________________ 87
Capítulo 17 _______________________________________________ 92
Capítulo 18 _______________________________________________ 97
Capítulo 19 _______________________________________________ 102
Capítulo 20 _______________________________________________ 108
Capítulo 21 _______________________________________________ 113
Capítulo 22 _______________________________________________ 118
Capítulo 23 _______________________________________________ 123
Capítulo 24 _______________________________________________ 128
Capítulo 25 _______________________________________________ 132
Capítulo 26 _______________________________________________ 137
Capítulo 27 _______________________________________________ 141
Capítulo 28 _______________________________________________ 145
Capítulo 29 _______________________________________________ 149
Capítulo 30 _______________________________________________ 153
Capítulo 31 _______________________________________________ 157
Capítulo 32 _______________________________________________ 163
Capítulo 33 _______________________________________________ 168
Capítulo 34 _______________________________________________ 173
Capítulo 35 _______________________________________________ 178
Capítulo 36 _______________________________________________ 182
Capítulo 37 _______________________________________________ 187
Capítulo 38 _______________________________________________ 192
Capítulo 39 _______________________________________________ 298
Capítulo 40 _______________________________________________ 204
Capítulo 41 _______________________________________________ 208
Capítulo 42 _______________________________________________ 214
Epílogo __________________________________________________ 220
Tirana, capital da Albânia.
 
O HOMEM USANDO CAPUZ NEGRO estava seguindo
em direção ao vilarejo em SHKODER, um lugar conhecido por suas lendas.
O barulho, de trovões terríveis ecoava no espaço e a chuva caía
torrencialmente há horas. O céu acima dele escureceu, seus coturnos batiam
nas poças d'água, suas pernas moviam-se como um pistão, e suas mãos
apertavam-se em dois punhos extremamente endurecidos.
A região apresentava obstáculos, no entanto ele andava pelas ruas estreitas e
todos os seus pensamentos dirigidos firmemente, para o casebre que estava a
alguns minutos de distância. Em passos firmes e precisos, ele continuou a
caminhar, assim que chegou ao lugar que tanto almejava, o estrondo de um
trovão se fez presente, no mesmo instante em que a velha porta da casa se
abriu e uma mulher vestida toda de branco surgiu no seu campo de visão.
Seus olhos escuros se arregalaram, um arrepio atravessou a sua espinha ao
ouvir a voz dela.
— Eu estava o aguardando.
— Madalene Piccard. Adorada e respeitada por ser muito mais que uma
Medicastra.
— Omar Petrovci. Um homem jovem, ambicioso e temido por ser o braço
direito do implacável e cruel chefe da máfia albanesa. Essas qualidades o
tornam perigoso para aqueles que cruzarem o seu caminho.
Envaidecido por suas palavras, ela fala confiante.
— Você proferiu que, Dusan Borislav se tornaria o chefe da Máfia Sérvia,
por anos vem interferindo no mundo da máfia. Se for tão boa quanto dizem,
sabe o que vim fazer neste lugar.
— Um herdeiro foi gerado, para você conseguir tudo o que deseja, além de
eliminar aquele a quem jurou lealdade, deve sacrificar a criança. Você está
disposto a seguir em frente?
— Sim. Eu darei até a minha alma para ter o poder absoluto.
— Uma profecia foi lançada. Você não pode mais voltar atrás ou “o monstro”
ressurgirá.
 
Meu nome é Madalene Piccard. Desde criança os meus pais sempre disseram
que eu tinha algo especial, com sete anos comecei a ouvir vozes e com um
tempo, fortes clarões surgiam em minha frente e eu conseguia ver pessoas
totalmente desconhecida por mim. Com medo que as pessoas viessem, a
saber, os meus pais fizeram de tudo para me manter isolada. Com o tempo as
visões se tornaram constantes, as vozes cada vez mais altas ecoando em
minha cabeça. E, em certa noite, quando todos estavam dormindo, acordei
sufocada e assim que abri os meus olhos, a imagem da nossa casa pegando
fogo surgiu em minha frente.
Atordoada, dei um grito tão alto que todos acordaram, e vieram até o pequeno
quarto onde eu estava. Depois de ter contado tudo que vi, em questão de
minutos a temperatura começou a subir, e quando meu pai constatou que
nossa casa estava sendo tomada pelo fogo, agiu de imediato e conseguimos
sair com vida em meio as chamas.
Perdemos tudo que tínhamos, a maldade tinha se enraizado nos corações
humanos como uma erva daninha.
Deixamos o lugar que sempre foi o nosso lar e mudamos para uma região da
Albânia, conhecida por suas lendas e crenças. Sempre usei o meu dom para
ajudar as pessoas, as visões, com o tempo, se tornaram mais constantes, no
entanto, já não aguentava mais ver o povo sofrendo.
O crime, o tráfico humano, cada dia estava destruindo a vida de pessoas
inocentes, homens ambiciosos que se julgam deuses, capazes de decidir quem
pode viver ou morrer. Sei que como eles, estou mudando a vida de muitos,
mas assim como Vladimir, que cedo ou tarde venderia até a própriaalma para
ser o todo poderoso, Omar, pela ambição também acabará com a vida
daquele que sempre o considerou um amigo, todavia, assim como Dusan
Borislav conseguiu encontrar a luz e destruiu todos a sua volta, não importa o
que Omar, venha a fazer, o rumo da profecia será mudado e o monstro
renascerá e terá tudo o que lhe foi usurpado.
Monstros dentro da máfia, no entanto ao lado das trevas sempre terá a luz.
Assim como Luna Ysmit, Helena está destinada a ser a esposa do verdadeiro
chefe da máfia albanesa.
Entre erros e acertos.
Medos e esperança.
Trevas e luz
O amor irá prevalecer.
Durrês – Albânia
 
Meses depois...
VITOR
ESTE FOI O NOME ESCOLHIDO por meu pai, logo após
o meu nascimento.
VITOR "vencedor, conquistador e vitorioso". O herdeiro esperado pelo
tenebroso Nicolas Demisovski.
Para todos da máfia ALBANESA, sou o seu primogênito e único filho,
porém aos cinco anos de idade, logo após a morte da minha mãe, ele me
revelou a existência de Hulk, fruto de um relacionamento que teve antes do
casamento. De início fiquei desorientado, mas quando viajamos para Tirana,
e o conheci pessoalmente, um misto de sensações pairou sobre mim. Mesmo
se mantendo afastado, ele se tornou um grande aliado.
Desde criança fui treinado para comandar a nossa organização com mãos de
ferro, me tornando um homem, frio, calculista, de coração gélido com todos a
minha volta, até o momento que encontrei a mulher que mudou a minha vida.
Helen trouxe ao coração de um monstro, a luz, e com ela, o maior presente da
minha vida, "o meu filho".
Assim que o tive pela primeira vez em meus braços, todo o meu corpo
estremeceu. A sensação que eu tive era que uma força muito maior que tudo
que conhecia, vinha daquele ser tão pequeno e, quando seus olhos azuis se
abriram, indo de encontro aos meus, o único nome que veio em minha mente
foi Enzzo, "gigante, aquele que vence".
Tenho plena convicção que o meu filho será grandioso, temido e respeitado
no mundo em que vivemos, porém, espero que, assim como eu, ele encontre
aquela que trará um pouco de luz ao seu coração que certamente se tornará
sombrio. Hoje após três meses do seu nascimento, será o dia de sua
apresentação aos membros do conselho. Daqui a algumas horas, no grande
hall da minha mansão, acontecerá uma pequena comemoração, já que o meu
primogênito ainda é muito pequeno.
Depois de muita insistência consegui que o meu irmão, viesse finalmente
conhecer o seu sobrinho. Sabendo o quanto o mundo da máfia é tenebroso e
traiçoeiro assim que Enzzo nasceu uma alta quantia foi depositada na conta
daquele que eu tenho certeza que se algo de ruim vier acontecer, ele será um
protetor e daria a sua vida para proteger o príncipe herdeiro da máfia
albanesa.
Deixo os meus pensamentos de lado e caminho em direção a minha suíte.
Conhecendo o meu irmão, que vive pelas sombras, ele só chegará quando
todos os membros da máfia já tiverem deixado a mansão.
 
OMAR
Assim como o meu pai, que era o conselheiro do grande Nicolas Demisovski,
pai do atual chefe da máfia Albanesa. Eu, Omar PETROVIC, me tornei
também o braço direito de Vitor Demisovski.
Um homem, sanguinário e implacável, que se tornou respeitado, exaltado e
temido por todos os membros da nossa organização. Ao contrário do meu pai,
que serviu essa raça maldita até o seus últimos suspiros, eu, Omar, estou
cansado de viver nas sombras desse idiota. Saber da existência de Madalene
Piccard, e sobre a profecia que tornou Dusan o mafioso mais temido de todos
os tempos, ao ponto de até o grande Vitor Demisovski, jamais cruzar o
caminho daquele demônio em forma humana. Eu resolvi procurar a velha
maldita e assim conseguir aquilo que eu sempre almejei, "ser o todo
poderoso, o chefe".
Ao contrário de Vitor, eu irei acabar com todos que cruzarem o meu
caminho.
Depois que deixei o vilarejo, comecei a planejar minuciosamente tudo que
iria fazer para acabar com a linhagem dos Demisovski. Tive que suportar
toda bajulação dos malditos conselheiros ao saberem da existência do
herdeiro, porém assim como todos, que estão ligados a Vitor, esse maldito
fedelho terá o seu destino traçado por mim.
Os dias se tornaram insuportáveis, os últimos meses uma eternidade. Era
como se o tempo tivesse congelado e o momento tão esperado por mim, não
chegava. Mas, hoje finalmente será o dia que ficará lembrado por todos,
como o fim do legado de Vitor Demisovski e toda sua família. Os meus
homens já estão em posição, assim como os dois infiltrados que tenho dentro
da mansão do desgraçado, que ficaram responsáveis por colocar a substância
na comida que será servida aos soldados que vigiam a mansão.
Meus pensamentos são interrompidos assim que ouço a voz de Lucas, meu
motorista avisando que chegamos. Respiro fundo, tentando controlar todas as
sensações que se apoderam de todo o meu ser, meus batimentos aumentam,
tamanha é a minha expectativa por tudo que vai acontecer daqui alguns
minutos. Depois de tantos anos, o meu grande sonho finalmente vai se
realizar.
Logo a sustância fará efeito no organismo dos infelizes e será o momento que
meu pessoal entrará em ação. Saio do veículo e, em passos firmes ando em
direção à porta principal, ao me aproximar, as portas duplas logo se abrem
revelado os malditos que em breve serão enviados ao inferno. Depois de
algumas passadas, passo os meus olhos pela sala e eles vão de encontro ao
infeliz que tem um largo sorriso em seu rosto, assim que sua atenção se volta
para mim, rapidamente forço um sorriso revelando os meus dentes brancos
pontiagudos, dou apenas três passos encurtando a distância que nos separa.
— Achei que não viria — a voz do desgraçado se fez presente.
— Tive alguns contratempos, mas jamais perderia esse momento tão especial
para todos nós.
Novamente um sorriso se abre na face do verme a minha frente, em questão
de segundos os membros do conselho se aproximam e começam a
parabenizar o infeliz.
Todos estavam ansiosos para que, logo o pequeno monstrinho fosse
apresentado. Os minutos se passaram e a cada momento de distração dos
malditos, meus olhos iam de encontro ao relógio em meu pulso, me fazendo
constatar que uma corrida contra o tempo havia acabado de ser iniciada,
todavia, ao saber que Malaquias, um dos membros mais antigos não estava
presente por problemas de saúde, o ódio inflamou em minhas veias, e para
não levantar suspeitas, teríamos que deixar alguns membros do conselho
vivos, ou caso contrário, o infeliz poderia cogitar que tinha algo de errado.
Fui tirado do estado catatônico que me encontrava quando o silencio se fez
presente e ao me virar, meus olhos ficaram cravados na mulher no topo da
escada segurando aquele fedelho. O desafio silencioso foi quebrado assim
que a voz de Vitor ecoou no cômodo.
— Apresento a todos, o príncipe da máfia, ENZZO DEMISOVSKI.
Assim que os aplausos se fizeram presente, um estrondo terrível ecoou no
espaço. O ambiente logo foi invadido por dezenas de homens, com os rostos
coberto por máscaras negras e fortemente armados. Como num piscar de
olhos, tiros começaram a ecoar no espaço não dando tempo de ninguém
reagir, meus olhos estavam fixos na mulher que estava segurando o pequeno
pacote em suas mãos, que logo saiu correndo. O cheiro de sangue fresco
começou impregnar o local, fiz o sinal e eles já sabiam que alguns dos
membros do conselho deveriam sobreviver e, quando o maldito do Vitor que
parecia um animal raivoso, pegou sua arma e eliminou o alvo a sua frente, em
seguida se moveu em direção a escada, rapidamente fui em sua direção.
Precisava sair do campo de visão de todos, só assim meu plano teria êxito
total, subi os degraus numa velocidade impressionante e quando o idiota que
estava atravessando corredor notou a minha presença disse:
— Precisamos tirar Enzzo desse lugar.
— Você tem toda razão.
Ele moveu sua mão de encontro à maçaneta da porta, onde certamente a vadia
estava escondida com o filho e, num momento de distração dele, levei meu
dedo na direção do gatilho e, com o alvo em mente, dois tiros foram
disparados, acertando o alvo em cheio.O corpo do homem a minha frente foi
perdendo o equilíbrio, suas orbitas sombrias fixas em mim, e assim que ele
tentou mover sua arma outro disparo se fez presente.
Andei em sua direção, ao ficar a centímetros de distância e ver a imagem a
minha frente, todo o meu corpo ficou em chamas. Depois de tantos anos,
finalmente serei o chefe da máfia albanesa, porém, chegou a hora de enviar o
pequeno Enzzo e sua mãe, direto para o inferno.
Durrês – Albânia
 
OMAR
DESVIEI MEU OLHAR DO CORPO sem vida do
desgraçado jogado no chão e, levei minhas mãos de encontro à maçaneta da
porta, assim que ela foi aberta, a vadia que segurava o monstrinho virou em
minha direção. A expressão que antes parecia ser de alívio, deu lugar ao
pânico no momento em que seus olhos foram de encontro ao corpo sem vida
do infeliz e logo em seguida olhou a arma em minhas mãos. Ver o medo em
suas órbitas azuis só me deixou com mais vontade de acabar com sua
miserável vida, o choro irritante do fedelho logo se fez presente. A mulher
que antes estava petrificada, saiu do estado estático em que se encontrava
quando coloquei minha arma em punho apontada em sua direção.
— Não! Não! Seu malditoooo... — disse a desgraçada, segurando firme o
pequeno pacote em seus braços.
Deixo os meus pensamentos de lado quando a infeliz desvia seu olhar de mim
e mira em direção à porta que está a sua direita, e, no momento que notei uma
movimentação em suas pernas, minha voz se fez presente no mesmo instante
que meu dedo ficou fixo no disparador.
— Não adianta fugir, assim como aquele maldito você irá partir dessa para
pior.
Se movendo como um relâmpago, a mulher logo se aproxima da porta, mas
antes que ela cogitasse em entrar no ambiente, puxo o gatilho e ela é alvejada
pelas costas, um grito alto sai por entre seus lábios, suas pernas perdem as
forças, fazendo a mulher pôr-se de joelhos e como reflexo, colocar a criança
que estava em seus braços no chão. Um segundo tiro atinge a cabeça da
maldita, fazendo seu corpo cair para o lado e logo o ambiente é preenchido
pelos berros da criança a minha frente.
Senti o ódio inflamar em minhas veias, com algumas passadas, me aproximo
do pirralho a minha frente e se não fosse pelas palavras daquela velha, eu
mesmo daria a ele o destino igual ao dos seus pais.
Acabo com a pequena distância que me separa do único ser que falta para ser
eliminado. Quando pego o pequeno embrulho, o som irritante que ele fazia
parou de imediato, no entanto seus enormes olhos azuis como o mar, se
abrem e vão de encontro aos meus.
Um calafrio inexplicável atinge as minhas pernas e logo se apodera de todo o
meu corpo. As vibrações vinda dessa criança causam um incômodo como
nunca tinha sentido antes, lutando contra o desconforto que pairou sobre
mim, segui em direção a porta, em questão de segundos deixo o cômodo indo
para o lugar combinado.
Os estrondos dos tiros se faziam presentes, mas eu precisava agir rápido antes
que, o alerta que foi enviado, certamente por Vitor, fizesse desse lugar a
própria cede da máfia, logo todos os seus homens estariam chegando nesse
lugar. Atravessando o corredor feito uma bala, cheguei ao lugar combinado e
assim que abri a porta, Inbrain já estava me aguardando.
— Você sabe o que deve fazer. Assim que chegar às montanhas, deve colocar
o corpo dele em contato com o chão e, em seguida matá-lo. O sangue do
último membro dos Demisovski marcará o início do meu legado.
 
— Assim será feito chefe.
— O carro já está a sua espera, pelo visto o fedelho sabe que seus minutos
estão contados, pois acabou adormecendo. Agora me dê a sua arma e leve a
minha, preciso que aqueles idiotas não tenham dúvidas que assim como eles,
eu também fui um alvo.
Assim que o homem me passou sua arma e com a criança já em seus braços,
antes de deixar o ambiente, fiz o sinal para que ele fizesse o que tínhamos
combinado. Apontando a arma em minha direção, um último disparo foi
feito, lógico que ele sabia exatamente o lugar que deveria acertar para que eu
saísse com vida de tudo isso. De repente, tudo ficou escuro, antes do homem
sumir do meu campo de visão e eu perder totalmente os sentidos, movi minha
mão de encontro ao relógio em meu pulso, ativando a bomba instalada no
carro, jamais deixarei esse idiota vivo, ele terá tempo suficiente para eliminar
Enzzo Demisovski, no entanto ao entrar novamente naquele carro jamais
chegará ao seu destino.
 
HULK
Após a morte da minha mãe, fui criado por Yolanda, já que minha mãe era
órfã e não tinha parentes vivos. A mulher que mesmo sendo escolhida pelo
temido Nicolas Demisovski, não me viu somente como o menino filho de
alguém poderoso, a quem ela receberia uma alta quantia para cuidar. Ela me
deu muito mais que atenção, eu cresci cercado por seu carinho e muito amor.
Mesmo sendo o filho bastardo do poderoso chefe da máfia albanesa, sempre
tive toda atenção do meu pai e quando conheci Vitor, um sentimento
inexplicável pairou sobre mim. O meu irmão me recebeu de braços abertos,
mesmo sendo alguns anos mais novo do que eu, e embora com toda
insistência, sempre quis me manter afastado de todos ao redor dele. Mas
assim como Vitor, passei pelo treinamento, pois o nosso pai disse que mesmo
não gostando, isso algum dia teria utilidade em minha vida.
Acabei aceitando o meu destino, pois o sangue do sanguinário Nicolas
Demisovski corria em minhas veias e ser um predador foi algo que descobri
que fazia muito bem. Com o passar dos anos, sempre que tinha algum
obstáculo, que meu irmão encontrava dificuldade para tirar do seu caminho,
eu estava lá para fazer aquilo que fui treinado, caçar a presa e eliminá-la.
Descobri ontem, que uma alta quantia foi depositada em minha conta e esse
foi um dos motivos que me fez sair das profundezas da escuridão e vir até
Vitor, além do quê, precisava conhecer aquele que dará continuidade ao
legado da nossa família. Depois de minutos que pareciam uma eternidade,
assim que me aproximei do meu destino os estrondos de tiros ecoaram no
espaço. Um vento frio passou por mim, assim como senti uma sensação ruim,
reduzi a velocidade da minha moto e apaguei o farol.
Com minha visão semelhante à de uma coruja, capaz de ver de grande
distância e com a pouca luz, meus olhos grandes e redondos ficaram fixos na
imagem a minha frente. Os soldados de Vitor estavam caídos no chão, os
sons dos disparos pararam e quando ia ligar novamente o farol da moto, um
carro saiu em alta velocidade, eu sei que deveria entrar e ver o que estava
acontecendo, mais era como se uma força sobrenatural tivesse tomado conta
de mim e assumido o controle do meu corpo, pois algo me puxava para ir em
direção aquele carro. Lembrando-me das palavras de Yolanda, que sempre
devemos levar em conta a nossa intuição, liguei o farol, contornei a moto na
direção que o carro tinha ido e aumentei a velocidade. Tentei me manter o
máximo possível afastado do veículo, no entanto não o perdendo de vista. O
carro seguiu em direção à estrada que dava acesso as Montanhas Dajti, ou
seja, meu território.
O automóvel continuava em alta velocidade, o que me deixou ainda mais
intrigado. Depois de quase 50 minutos, o veículo reduziu a velocidade, me
mantive afastado e não demorou muito para um homem vestido de negro sair
do carro e sem delongas deu meia volta e abriu a outra porta e tirando de lá
um embrulho. Ele deu alguns passos e logo colocou o pequeno pacote no
chão, e foi nesse exato momento que som que ecoou no espaço, atingiu os
meus tímpanos fazendo o meu corpo ficar em chamas, no entanto, tudo que
veio em meus pensamentos foi Enzzo.
TIRANA – ALBÂNIA
 
HULK
OS GRITOS AGUDOS ECOAM poderosos. Senti uma dor
latejante em minha cabeça e com ela as lembranças de quando falava com
Vitor se fizeram presentes, naquele justo momento, enquanto eu o
questionava o motivo do dinheiro que ele havia colocado em minha conta, o
som potente do choro de Enzzo ecoou do outro lado da linha, eu jamais
esqueceria aquele barulho causado pelo pequeno herdeiro da família
Demisovski. Meu irmão ainda disse que era umaforma do pequeno intimar o
tio a comparecer para conhecê-lo. Deixo meus pensamentos de lado quando o
homem a minha frente, que havia colocado a criança no chão, levou uma das
mãos até a cintura.
Um pensamento passou pela minha cabeça e no impulso saí de cima do
veículo e minha mão como se tivesse vida própria, foi de encontro a minha
arma. Meu sangue gelou assim que o desgraçado colocou sua arma em punho
e direcionou para o seu alvo. Assim que ele levou o dedo ao gatilho, o som de
um disparo deu lugar ao barulho que antes era causado pelo choro do bebê.
Um ruído alto saiu rasgando a garganta do maldito, que soltou a arma que
segurava, em seguida levou sua mão esquerda em direção ao ombro ferido.
Enquanto ele ainda se encontrava desorientado, tentando assimilar o que
aconteceu e me movendo com uma velocidade semelhante à bala, que havia
atingido o desgraçado, avancei em sua direção e quando ele enfim parecia
que tinha ignorado a dor e virou-se buscando encontrar o que o havia tingido,
fechei uma das mãos em punho e o golpe certeiro atingiu a sua face. O canto
da sua boca transforma-se, uma grande quantidade de líquido avermelhado
escorria entre as laterais da sua cavidade bucal, desviei meu olhar por uma
fração de segundos em direção à criança, que se encontrava no chão frio e ao
ver aqueles olhos salientes da cor de um azul-ensolarado, fixos em minha
direção, meu corpo todo se aqueceu no mesmo instante que um ódio
descomunal tomou conta de todo o meu ser, ao pensar no que esse maldito
iria fazer com o meu sobrinho. Meus pensamentos foram interrompidos
quando um ardor se fez presente em um dos lados do meu rosto, minha boca
transformou-se numa linha dura, meus olhos pareciam estar em chamas,
assim como os órgãos localizados dentro da minha caixa torácica começaram
a funcionar num ritmo intenso, como nunca havia sentido antes. Fechei
minha mão novamente em punho e quando o infeliz tentou se abaixar para
pegar o objeto que se encontrava no chão, movi minha mão em direção a suas
costas, acertando-o com um golpe cruel, fazendo o seu corpo desabar de
imediato.
Não satisfeito, ele mudou de posição e tentou se levantar e foi nesse
momento que subi em cima do desgraçado e movido pela raiva que
incendiava em minhas veias como fogo líquido, comecei a bater no maldito
sem parar. A certa altura, mesmo com dificuldade, sussurros saindo entre
seus lábios se fizeram presentes e lembrando-me que precisava descobrir o
que havia acontecido, antes de acabar com sua vida miserável disse:
— Quem te pagou para acabar com a vida de Enzzo Demisovski?
O homem tossiu e logo em seguida uma grande quantidade de sangue
escorreu entre seus lábios. Mesmo com dificuldade e com a voz fraca, ao
ouvir o nome que foi dito por ele, meus batimentos cardíacos dispararam no
mesmo instante que um ódio mortal pairou sobre mim.
— Om... Omar Petrovic!
Assim que seus lábios se uniram, fechando a sua boca, deferir um último
soco contra o seu rosto o nocauteando. Levantei-me, e em seguida puxei o
maldito pelas pernas em direção ao carro, me detive ao chegar próximo ao
porta malas, deixei o infeliz no chão, enquanto ia tratar de acionar o portão
para que a porta fosse aberta, em questão de segundos voltei novamente para
perto do corpo dele e o joguei dentro do veículo. Esse homem é o único que
pode esclarecer tudo o que aconteceu e se conseguiu retirar o meu sobrinho
de dentro dos domínios de Vitor, algo muito sério deve ter acontecido.
Meus pensamentos foram interrompidos quando o choro do meu sobrinho
novamente se fez presente, fechei a porta e fui ligar o aquecedor, pois com
tanto tempo exposto a essa temperatura, Enzzo certamente estava com frio,
movi a chave no contato ligando o automóvel e em seguida o aquecedor.
Andei alguns metros de distância, até onde meu sobrinho estava e ao ficar a
centímetros de distância dele, me agachei pegando o pequeno em meus
braços, no momento que me levantei, um estrondo terrível preencheu todo
espaço deixando o veículo em chamas.
 
Cinco anos depois...
— Tio, acorda!
A voz e o toque das pequenas mãos de Enzzo me despertaram. Fiquei com os
olhos fechados durante alguns bons segundos, esperando que a dor terrível
em minha cabeça desse uma aliviada. A ressaca monstruosa certamente era
resultado da festinha particular que fiz ontem à noite. Meus pensamentos
foram interrompidos quando meu corpo começou a ser sacudido.
Resmunguei em protesto, em seguida fiquei paralisado ao seu comando.
— Olhe para mim.
Desorientado, movi meus olhos identificando o responsável pelo ato. Seus
olhos azuis faiscaram, a fúria latente estava nítida em suas palavras.
— Levante-se está na hora do meu treinamento.
Ele continuou com seu olhar cravado em minha direção. Ainda estava
furioso e o que deveria, de alguma forma me causar um certo incômodo, por
um ser tão pequeno e falar comigo desta formar, só fez todo o meu corpo
vibrar, ao constatar que ele daqui há alguns anos estará pronto para o
confronto com aquele usurpador. Omar assumiu o controle da máfia
albanesa, destruiu a vida da família do meu irmão. Como o único que poderia
dizer à verdade que ele foi o responsável pelo ataque que resultou na morte
de Vitor e Helen, foi eliminado naquela explosão, não me restou outra opção
a não ser manter Enzzo em segurança.
Minha existência sempre foi desconhecida por todos, seria a minha palavra
contra a do homem de confiança do chefe da máfia, que sempre foi respeitado
por todos. Aquele traste certamente daria um jeito de sair ileso, virando o
jogo e eu estaria colocando a vida do meu sobrinho novamente nas garras
daquele traidor.
Saio do estado catatônico que me encontrava e me levanto em um pulo. O
meu pequeno ainda se encontrava petrificado com suas sobrancelhas grossas
arqueadas, analisando minuciosamente todos os meus movimentos.
— Peça a Yolanda para providenciar algo leve para você comer e me espere
lá fora.
Seus olhos brilharam de imediato, suas feições mudaram e um largo sorriso
surgiu em sua face. Enzzo saiu saltitando do cômodo, pois desde que
começou a entender as coisas, tive que contar toda verdade e para minha
surpresa, desde aquele dia, todas as manhãs ele sempre ao acordar vem até o
meu quarto já pronto para o seu treinamento. Em passos firmes, andei em
direção ao banheiro, no entanto, as lembranças de anos atrás surgiram em
meus pensamentos.
"Eu jurei, no túmulo do meu irmão, que Enzzo teria tudo que lhe foi roubado,
não importa o tempo que leve para isso acontecer, aquele que todos deram
como morto vai renascer, assim como uma fênix, porém desta vez, Omar vai
acertar as contas com o monstro Renascido".
Durrês – Albânia
 
Alguns anos depois...
OMAR
NEGO DISPOR DE PACIENCIA com esses malditos
médicos. Quando acordei atordoado ao ouvir os gritos de Isabella, meus
olhos foram de encontro à mancha avermelhada no tecido da cama, a mulher
se contorcia em meio à dor e no impulso me levantei da cama e minutos
depois já estávamos indo para o hospital. Quando chegamos ao lugar, toda
uma equipe médica já estava nos aguardando, porém antes que o médico
responsável desaparecesse do meu campo de visão, fiz questão de lembrar Ao
homem que não importava o que acontecesse dentro da sala, a prioridade era
salvar somente a vida de uma das crianças "o meu filho."
Os segundos e minutos se passaram e, já faz quase uma hora que ando de um
lado para o outro. Estou prestes a fazer um buraco no meio dessa sala e, até
agora aquela inútil ainda não trouxe ao mundo o meu primogênito.
Assim como aquela velha profetizou, eu Omar Petrovci, tornei-me o
soberano da máfia ALBANESA. Tudo saiu como eu planejei e para todos
tudo não passou de um plano diabólico dos nossos inimigos, afinal de contas,
quem iria levantar suspeita de um homem como eu que sempre coloquei os
interesses da organização a cima de tudo, que sempre estive ao lado do
temido Vitor Demisovski.
Depois que fui envolvido pela escuridão, quando recuperei os sentidos, já me
encontrava na cama de um hospital, meia dúzia dos conselheiros que estavamna mansão sobreviveram, assim como alguns soldados também e após passar
por alguns exames, foi constatado que haviam ingerido uma substância
responsável por terem perdido os sentidos, como já havia eliminado todo o
pessoal responsável pela cozinha e manipulação de tudo que era servido a
todos da casa, eles chegaram à conclusão que foi queima de arquivo.
Como só o corpo de Vitor e da vadia foram encontrados, para aumentar a
minha raiva, o desgraçado do Malaquias resolveu reunir todo o nosso pessoal
e iniciar uma buscar por Enzzo, já que ele não havia sido encontrado na
mansão. Os meses se passaram e como ninguém entrou em contato para um
possível resgaste do monstrinho, ele foi dado como morto, o que deixou
todos, exceto eu, totalmente desorientados ao cogitarem que os malditos
pudessem ter feito uma monstruosidade tão grande a uma criança, pois
embora Vitor fosse considerado um demônio em forma humana, desde o
legado do seu pai, sempre deixaram claro que mulheres e crianças não eram
alvos na organização, deviam ser preservados.
“Era só o que me faltava, mafiosos sanguinários dando uma de bons
samaritanos.”
Com a certeza da morte do fedelho, acabei sendo escolhido para ser o novo
chefe, já que durante as buscas por Enzzo, fiz questão de estar à frente de
tudo, mostrando a todos o quanto desejava encontrá-lo, algo que jamais iria
acontecer. Depois que saí do hospital, tratei de me certificar que aquele
infeliz estava morto. Sabendo do lugar onde ele deveria sacrificar aquela
maldita criança, fui até lá e encontrei o que sobrou do veículo e dentro dele o
corpo carbonizado do infeliz, meus olhos passearam em volta do lugar até
que avistei um pedaço de pano, dei algumas passadas e era o mesmo tecido
que estava em volta do corpo daquela criança naquela noite, porém estava
todo envolvido por machas vermelhas e tudo indicava que era sangue.
Certamente algum animal tinha devorado o corpo do pestinha após o idiota
ter o eliminado. Os cantos da minha boca se contorceram e um sorriso
vitorioso surgiu em minha face.
Anos após de ter deixado tudo como sempre desejei, havia chegado o
momento de construir uma família e providenciar um herdeiro.
Meses depois aconteceu o meu casamento com Isabella, e depois de anos de
espera veio à notícia da sua gravidez. Ela ficou radiante quando soube que
eram gêmeos, no entanto, ao saber o sexo das crianças, que era um menino e
uma menina, tudo que me interessou foi saber que uma delas seria um
menino, o meu primogênito, aquele que dará continuidade ao meu legado.
Deixo os devaneios de lado assim que vejo o homem, que tanto estava
esperando vindo em minha direção. Senti meu coração bater mais forte, um
largo sorriso surgiu em meu rosto, no entanto assim que ele parou em minha
frente e ao ver sua expressão me manifestei.
— Sem rodeios.
— Senhor, eu sinto muito — ele fez uma pequena pausa, porém os meus
batimentos ficam mais intensos parecendo tambores.
— Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, no entanto, uma das crianças
já estava sem vida. Sua esposa está arrasa...
Nem deixei que ele terminasse de falar.
— Isso logo passará, agora preciso ver o meu filho — as feições do homem
logo mudaram, porém as palavras que foram proferidas por ele em seguida
caíram como um soco no meu estômago, minha respiração ficou pesada e a
única palavra que resume tudo que estava sentindo era "Ódio".
— A criança que sobreviveu é uma menina.
Dias atuais...
HULK
Parece que foi ontem que peguei em meus braços aquele menino, que teve a
sua vida quase interrompida pela ambição daquele traidor. Quando cheguei
com Enzzo, Yolanda, ao ouvir os gritos do menino que pareciam não ter fim,
logo surgiu no meu campo de visão, antes que eu contasse tudo que havia
acontecido, ela tratou de cuidar dele, pois disse que aqueles gritos eram de
fome. Minutos depois, o silêncio se fez presente, e depois que contei tudo que
havia acontecido deixando a mulher estarrecida, ela disse que cuidaria dele
assim como fez comigo.
Confesso que foi mais difícil do que pensei a morte de Vitor, a
responsabilidade por uma criança, quando tudo que tinha feito nos últimos
anos era eliminar aqueles que cruzavam o caminho do meu irmão ou está
enfiado no meio das pernas de algumas das mulheres daquele bordel, que
segundo Yolanda, ainda será minha perdição. Venho acompanhando desde
então, tudo que vem sendo divulgado sobre Omar Petrovci, que se tornou
temido e exaltado, um mafioso para aqueles que fazem parte da sua
organização e para os demais um empresário respeitado que vive fazendo
caridade aos necessitados.
O desgraçado conseguiu tudo que sempre almejou, poder, a esposa dedicada,
porém o que sempre me deixou curioso é o fato de jamais ter visto uma foto
da sua filha, já que tanto ele como a esposa, sempre tem a imagem divulgada
em vários jornais e revistas. Sei que um dos filhos acabou morrendo antes
mesmo de nascer e até onde tenho conhecimento, ele só tem uma única
herdeira, aquela que todos chamam de princesa da máfia.
Os anos se passaram e aquele bebê que pela aparência era tão frágil, mas foi
um guerreiro ao ser o único membro da sua família a ter sobrevivido, se
tornou um homem, se empenhou dia e noite, a cada ano e por mais que eu
falasse que ele ainda não estava pronto, ele se esforçava mais.
Enzzo dedicou a maior parte do seu tempo ao treinamento. Seu corpo, com o
passar do tempo foi se modificando, assim como sua aparência, os olhos
azuis no fundo tinham algo tenebroso, pois a sede de vingança e justiça era
sua maior motivação.
Yolanda praticamente surtou quando o menino fez 15 anos e eu o levei até o
bordel, sendo um Demisovski, eu não esperava menos dele, pois o garoto que
naquele dia se tornou um homem, assim como eu, ficou viciado naquele
lugar, ao ponto das mulheres o chamarem de o monstruoso, pois segundo
elas, ele era grande em todos os sentidos. O som da voz dele interrompeu
meus pensamentos.
— Hulk!
— Achei que você estava lá fora.
— Meu treinamento chegou ao fim.
— Tínhamos combinado em esperar mais um pouco.
— Aquele infeliz já usufruiu por tempo demais de tudo que é meu, chegou o
momento de planejamos a queda de Omar Petrovci, e o retorno de Enzzo
Demisovski. Ele destruiu a minha família, agora será a minha vez. Com
sangue ele iniciou o seu legado e com sangue ele chegará ao fim.
Tirana – Albânia
 
ENZZO
AOS PRIMEIROS ALMORES, DESPERTO DE
IMEDIATO, sentindo a cabeça latejando, meus olhos passeiam em volta do
lugar. O cômodo está impregnado de um cheiro úmido e penetrante de sexo,
desvio minha atenção para as duas mulheres que dormiam feito pedras, uma
de cada lado da cama.
Meu pau dá sinal de vida quando as lembranças da noite anterior passam por
minha mente. Depois de dias planejando juntamente com Hulk, como
faríamos para nos aproximar dos Petrovci, ele resolveu comemorar o seu
aniversário no lugar que passou a ser como a sua segunda casa. Após várias
rodadas de bebidas, enquanto ele se ocupou com Samantha, tratei de vir fazer
aquilo que se tornou a minha melhor distração.
Quando chegamos ao ambiente, enquanto joguei os preservativos que
estavam dentro do meu bolso em cima da cama, as duas mulheres, em
questão de minutos já estavam despidas e prontas para iniciar o nosso show
particular. Uma delas logo se aproximou e enquanto tratava de retirar minhas
calças, Raquel lentamente andou em minha direção, parecia uma tigresa
pronta para devorar sua presa. Deixei que elas fizessem o serviço e logo me
vi totalmente despido, minha atenção voltou-se para uma delas que segurou o
meu pau com uma de suas mãos.
— Estava louca para ter o monstruoso em minhas mãos. Todas desde que
cheguei nesse lugar só falam o quanto ele era tão grande e grosso — embora
tudo que eu queria era me satisfazer e nada mais, não poderia negar que o
jeito como a desconhecida olhava com admiração para o meu pau, mordendo
os lábios tentando se controlar para não enfiá-lo logo em sua boca, que estava
salivando em antecipação, só me deixou ainda mais excitado e uma onda de
calor invadiu o meu corpo. Segurandofirme o meu membro, ela começou a
acariciá-lo e a sensação que eu tinha era que ele tinha chegado ao seu
tamanho real ao estar totalmente ereto e pronto para iniciar a diversão.
Um gemido de prazer saiu entre meus lábios quando a safada abriu a boca e a
conduziu até a cabeça saliente do meu membro, que latejava me causando um
desconforto insuportável. Ela começou a chupar e lamber percorrendo com a
língua as veias grossas do meu cacete, que suplicava por atenção, enquanto
Raquel se abaixou e abocanhou meus testículos que estavam cheios de porra.
Recebendo um boquete duplo que só deixou meu corpo em chamas, assumi o
controle da situação e nos minutos seguintes já estava com as duas mulheres
em cima da cama, a morena que era novata na casa, tinha além de um corpo
perfeito, uma boca aveludada que me levou de vez ao inferno, as sensações
que senti ao ter seus lábios carnudos deslizando pela longa extensão do meu
membro, foram indescritíveis. A mulher embora fosse nova, sem dúvida foi
feita para proporcionar prazer a um homem e hoje ela seria a minha refeição,
só deixaria as duas livres quando me desse por satisfeito.
Deixo os pensamentos de lado e com a camisinha já colocada em meu pênis,
levei minha boca em direção aos mamilos da mulher mais nova enquanto
com a mão direita movi até o sexo úmido de Raquel, que já estava com as
pernas escancaradas, doida para ter os meus dedos enterrados dentro da sua
boceta. Sem aviso prévio, enfiei dois dedos dentro da sua vagina e gemidos
desesperados saíram entre seus lábios no mesmo instante que a minha boca
alcançou um dos seios da outra e comecei a chupar suas tetas como uma
criança faminta, sugando, mordiscando, fazendo a vadia ofegar soltando 
gemidos ensurdecedores.
Enquanto Raquel se contorcia ao ter sua vagina engolindo os meus dedos,
que a penetrava cada vez mais fundo, posicionei meu pau enorme na entrada
da vagina da sua companheira e sem delongas fui enfiando meu cacete e um
longo urro saiu rasgando a sua garganta ao receber toda longa extensão
dentro da sua boceta gulosa. Levantei a cabeça e lágrimas desciam pelo seu
rosto e aquilo só me deixou com mais tensão. Movendo meu pênis num
vaivém alucinante, aumentando o ritmo dando estocadas fortes, enquanto
enfiava mais um dedo dentro da outra, fazendo movimentos ritmados dentro
do seu sexo, a fazendo suplicar para que eles fossem substituídos pelo meu
pau. A mais nova logo pegou o ritmo e começou a remexer os quadris
tentando acompanhar o ritmo dos meus movimentos, abrindo as pernas ao
máximo para as estocadas brutas do meu pênis rígido contra a sua vagina.
Tirei meu pênis de dentro dela e o substituir pelos meus dedos enquanto
arremetia com toda força dentro de Raquel, levando a safada ao limite. A
fodendo com força, penetrando-a como se estivesse possuído. Passei longos
minutos revezando entre elas, usando os meus dedos habilidosos e meu
membro incansável. Numa invertida de posições, meu corpo ficou sobre a
cocha macia da cama e a mulher mais nova subiu em cima de mim e mesmo
com dificuldade começou a cavalgar no meu cacete, me fazendo soltar
rugidos primitivos, onde comecei a me mover inteiramente por instinto.
Sou tirado das minhas lembranças quando ouço a voz rouca de Hulk, seguida
de fortes batidas na porta.
— Enzzo! Vamos!
Ignorando o latejar no meu pau, e contra minha vontade que era de
novamente me perder no meio das pernas das duas mulheres. Levantei-me e
meus olhos passearam pelo chão identificando as minhas roupas.
— Não acredito que ele veio me chamar justamente agora.
 
Minhas feições logo mudaram e a raiva me dominou, minutos depois já
vestido, andei em direção a porta e assim que a abri, um sorriso irônico
estava visível no rosto dele.
— Viu como é ruim ser acordado? Passei longos anos nessa situação e sabia
que algum dia seria a minha vez. Agora vamos, se você pretende acabar com
o inimigo, precisa primeiro estudar de perto o território dele.
Em passos precisos caminhamos pelo longo corredor, não podia negar que
ele tinha toda razão, preciso focar naquilo que venho esperando por tantos
anos e antes de qualquer coisa, preciso ir para Durrês.
 
Enquanto isso em Durrês...
HELENA
— Não! Não! Por favor!
Um grito abafado e seco ecoou pelo quarto quando eu acordei assustada e
suando frio. Sentia meu coração acelerado, as lágrimas grossas começaram a
cair pelo meu rosto. Demorou um instante para eu entender que foi mais um
pesadelo, pois ainda estava sentindo aquela sensação ruim por alguns
minutos. Fiquei perdida em meus pensamentos até ouvir a voz da minha mãe,
que entrou atordoada no cômodo.
— Já passou minha princesa.
Ela acabou com a pequena distância entre nós e ao ficar a centímetros de
distância, me envolveu em um forte abraço. Naquele momento, era tudo que
eu estava precisando, minutos depois, quando ela viu que eu já estava mais
calma, me fez encará-la e em seguida ouvi novamente a sua voz.
— Eu te amo mais do que tudo nesta vida, e me perdoe por não ser a mãe que
você tanto precisa.
 
Olhei para mulher a minha frente, que assim como eu estava minutos atrás, se
entregou as lágrimas. E ao contrário do que ela pensa, foi somente o seu amor
o responsável por eu me manter viva depois de tudo que vem acontecendo,
por ter que suportar toda a dor, que não só vem marcando o meu corpo, bem
como a minha alma. Dessa vez fiz o mesmo gesto que ela havia feito comigo
minutos atrás, segurando no seu queixo, fazendo sua atenção ser direcionada
para mim.
— Eu também te amo. Você é tudo que tenho de mais precioso e é o seu
amor, somente ele, a razão de não perder a esperança que tudo isso, um dia
terá um fim.
Um sorriso largo surgiu em sua face, alegrando o meu coração. Ela moveu
uma de suas mãos até o bolso do seu casaco e logo após tirou algo e estendeu
o objeto em minha direção.
— Feliz aniversário, minha vida.
Novamente ela me deu outro abraço. No entanto, lembrar que hoje eu estava
completando 18 anos, fez uma sensação ruim apodera-se de todo o meu ser
como nunca havia sentido antes.
Durrês – Albânia
 
HELENA
ANTES DE DEIXAR O MEU QUARTO, a minha mãe,
disse que estaria me aguardando para o café da manhã. Para muitas garotas,
hoje seria motivo de muita felicidade, ter o tão sonhado 18 anos. Mas para
mim, só me faz lembrar tudo que venho passando durante todos os anos da
minha existência.
Levantei-me e andei na direção da porta que dava acesso ao banheiro.
Segundos depois, entrei no cômodo, dei alguns passos e me detive ao ficar
próximo ao espelho, lentamente movi as mãos em direção a minha camisola e
levanto a peça pelo meu corpo, passando pela minha cabeça e por último a
segurando em uma das minhas mãos. Meu olhar ficou fixo no espelho a
minha frente, virei um pouco de lado e tudo que conseguia sentir ao olhar
para o meu reflexo se resumia em uma única palavra: nojo.
As lágrimas desceram pelo meu rosto sem a minha permissão, a imagem do
homem que se tornou o meu carrasco e o meu maior tormento, surgiu em
minha frente, e com ela as lembranças terríveis que vem destruindo não só o
meu corpo como a minha alma. Omar Petrovci, aquele que é considerado por
todos como um empresário renomado, marido e pai dedicado, muito
respeitado e temido por aqueles que conhecem sua verdadeira face. O homem
que por trás do empresário é na verdade o chefe de uma das maiores
organização criminosa de todos os tempos, colocando mulheres e crianças
indiscriminadamente, como alvo de sua ambição em ter o poder absoluto.
Eu passei toda infância desejando receber somente um único gesto de carinho
da parte do homem que me deu a vida. Quando criança, não entendia o
motivo daqueles olhos tenebrosos ficarem faiscando quando eram
direcionados a mim. De início, a minha mãe dizia que tudo iria passar, que
meu pai só estava sofrendo ainda pela morte do meu irmão. Mas, o tempo
passou e seu ódio ao estar em minha presença só aumentava, primeiro vieram
as agressões verbais, mas, a medida que fui crescendo, era como se isso só o
deixasse mais enfurecido, pois a minha mãe engravidou novamentee meses
depois teve outra complicação e como consequência um aborto . Aquilo foi o
estopim para despertar a fúria do animal selvagem que habitava dentro dele.
E as palavras foram substituídas por algo mais doloroso. A pessoa que eu
mais amo na vida, no princípio sofreu as consequências daquele ódio
descomunal, pois sempre se colocava em minha frente e se tornava o alvo das
atrocidades do homem que deveria ser um protetor, aquele de quem eu só
queria o amor. Eu cansei de ouvir os gritos dela, de ver que o brilho do seu
olhar, que sempre aqueceu meu coração, estava desaparecendo, se eu era o
motivo de tanta tristeza, se fui a responsável pela morte do meu irmão, era eu
quem deveria enfrentar a fúria do demônio que tenho por pai.
Cada estalar do seu cinto, não só deixou muitas marcas em minha pele. Ele
não só me marcou como a um animal, mas cada ato seu, só fez aquela criança
deixar os sonhos de lado e aceitar o seu destino. Foi somente a força do amor
da minha mãe a razão de não desistir de lutar para me manter viva. Eu não
posso deixar ela a mercê da fúria dele, enquanto eu estiver aqui, eu sei que
seu ódio estará sempre direcionado para mim e de alguma forma, eu estarei
evitando que ele possa descontar sua raiva nela.
Vocês devem está se perguntando o porquê de não gritar para todos quem é o
monstro que eles consideram um anjo. Ele sempre me privou do convívio
com as pessoas, tive aulas em casa e a maior distância que me era permitida
ir, era o jardim da nossa própria casa. Sempre dizia a todos que não estou
bem de saúde e as poucas pessoas que me viram desde o meu nascimento,
foram os membros do conselho e até me chamam de princesinha da máfia.
Algo que ele odeia, mas tenta disfarçar perante todos.
Deixo meus pensamentos de lado e caminho em direção ao box. Meia hora
depois, desliguei o chuveiro e caminhei até a pia, após escovar os dentes, fui
até o meu closet. Já arrumada andei em direção à porta, deixando o quarto e
atravessando o enorme corredor que dava acesso ao primeiro andar. Desde
criança que sempre sinto calafrios ao andar pelos corredores do segundo
andar. Minha mãe disse que, antes a família do falecido chefe da máfia
morava aqui e foram brutalmente assassinados, após a invasão dos seus
inimigos.
Meus pensamentos foram interrompidos quando ouço a voz da minha mãe.
— Vamos filha!
Depois de descer os últimos degraus, ela segurou em umas das minhas mãos
e seguimos até a sala. Alguns instantes depois, já acomodadas, começamos a
comer, como era de costume, Omar Petrovci dificilmente se sentava a mesa
quando eu estava. Ficamos tão distraídas conversando, que não notei a
aproximação dele, até que sua voz potente ecoou no cômodo, fazendo um
calafrio percorrer por todo o meu corpo.
— Bom dia!
Levantei a cabeça e fiquei atordoada ao vê-lo com um largo sorriso no rosto.
No entanto, em se tratando do homem implacável que estava a minha frente,
eu não podia esperar nada de bom e ao ouvir as palavras que foram ditas por
ele, um nó se formou em minha garganta, meu sangue gelou no mesmo
instante em que meu coração começou a bater descontrolado. Só aí entendi o
motivo da sua felicidade.
— Agora que completou 18 anos, chegou o momento de aceitar a proposta de
Gustavo Albrantes, pois seu casamento com aquele idiota me trará bons
lucros.
Antes que eu cogitasse em processar o que estava acontecendo, a voz da
minha mãe preencheu o cômodo.
— Você só pode estar brincando. Aquele homem tem idade para ser o pai
dela. Como você pode querer a união da nossa filha com aquele homem
pervertido? — As feições dele logo mudaram, seus olhos sombrios estavam
faiscando de ódio e novamente a voz firme dele se fez presente.
— Eu jamais brinco querida esposa, deveria saber disso, no entanto, até que
fim, essa infeliz me terá alguma serventia. Farei de tudo para que esse
casamento aconteça o quanto antes, e, amanhã mesmo será oferecido um
jantar para oficializar perante os membros do conselho o noivado.
As palavras proferidas por ele caíram como um soco no meu estômago.
Quando achei que Omar não pudesse me atingir mais do que vem fazendo ao
longo dos anos, sua atitude só demostrar o quanto o seu ódio por mim não
tem limites.
 
Enquanto isso, não muito longe dali...
ENZZO
— Quando você pretende ir para Durrês?
— Vou hoje à noite.
— Achei que ia esperar mais alguns dias. Você precisar tomar bastante
cuidado.
— Ao contrário daquele infeliz, eu tenho a vantagem em saber onde
encontrá-lo e conheço o seu rosto. Eu tinha cogitado em ir somente daqui
alguns dias, mas algo me diz que preciso ir hoje mesmo. Não sei o que me
aguarda naquele lugar, mas é como se um ímã me puxasse naquela direção.
"Omar Petrovci, em breve terá o fim que ele merece."
Durrês – Albânia
 
ISABELLA
QUANDO VOCÊ É CRIANÇA, TUDO PARECE
PERFEITO, mas ao se tornar adulta, você começa ver tudo ao seu redor de
forma completamente diferente. Para nós mulheres, que crescemos dentro
desse mundo chamado máfia, cada dia se torna um verdadeiro desafio. Queria
poder ter feito as minhas próprias escolhas, mas não me foi permitido e assim
como muitas em nosso meio, o meu casamento aconteceu somente pela
vontade do meu pai e, do homem que se tornou o meu maior desespero.
Depois da maior perda da minha vida, eu conheci muito mais que a dor que
tomou conta da minha alma. O meu corpo se tornou a única forma que tinha
para defender a pessoa que mais amo na vida. Mas, com o passar do tempo,
aquilo era muito pouco para ele, e a minha joia preciosa se tornou o seu
maior alvo. Omar Petrovci é o ser mais diabólico que conheci em toda a
minha vida, a própria encarnação do mal em forma humana, onde seu maior
objetivo é o poder.
Cada golpe desferido, cada marca que ele deixou na pele da minha filha, só
fazia o meu coração sangrar por dentro. Uma dor que está me destruindo e
por mais que tudo pareça difícil, eu não posso permitir que Helena continue a
mercê da crueldade desse monstro.
Depois que o infeliz deixou o ambiente com um largo sorriso no rosto, minha
atenção se voltou para minha filha que estava petrificada e com o rosto
banhado em lágrimas. Aquilo foi o estopim para que eu deixasse o medo de
lado e decidir fazer até o impossível para que ela saia das garras desse
mafioso encapetado. Levantei-me e andei em sua direção, ao ficar em sua
frente, segurei uma de suas mãos que estava gelada e trêmula.
— Vamos para o seu quarto, tenho algo que preciso falar com você.
Helena, se levantou, no entanto parecia está totalmente desorientada após
ouvir as palavras que foram ditas pelo infeliz, que jamais deve ser chamado
de pai.
 
Algum tempo depois...
Não foi fácil a conversa que tivemos. Eu sabia que ela seria contra, mas essa
era a única forma de vê-la longe de tudo isso. Depois de muitos argumentos e
prometer a ela que em breve estaríamos juntas, enfim ela acabou aceitando.
Agora, tudo que faltava era colocar o meu plano em ação.
Fui para o meu quarto e ao entrar no cômodo, andei até o meu closet e
procurei por entre as roupas, a pequena caixa que tinha escondido e que
continha as joias que eram da minha mãe. Omar jamais soube da existência
delas e por várias vezes cogitei em usá-las para ir embora, mas seria suicídio
fugir com uma criança, colocando a vida da minha filha em perigo, no
entanto, dois meses atrás, com a morte do meu pai, Thadeu retornou para
Durrês e no único momento que consegui lhe falar, ele me disse que se
precisasse de qualquer coisa estaria a minha disposição, acabou por me dar o
seu número, o qual tratei de adicionar.
Mesmo sabendo que tinha alguém com quem poderia contar, isso não seria
suficiente, pois sair dessa gaiola de ouro que é uma verdadeira fortaleza, era
algo impossível, porém, três dias atrás, quando aconteceu a reunião do
conselho, sem querer acabei ouvindo uma discussão, algo que era normal,
mas quando ia subir os degraus da escada, as palavras que ouvi chamou a
minha atenção. Novamente após tantos anos a morte de Vitor foi motivo de
pauta entre os conselheiros e um deles disse que até hoje não conseguiaentender o motivo de Helen não ter saído pela passagem secreta que ficava no
quarto onde foi encontrada morta, já que ela havia sido feita exatamente para
garantir a proteção do herdeiro da máfia e somente ela, Vitor e alguns
conselheiros tinham conhecimento da origem do lugar.
Subi cautelosamente a longa escada para que ninguém pudesse ouvir os meus
passos, segui para o quarto que nunca foi utilizado e que sempre me deu
calafrios ao passar perto desse lugar. Depois de algumas passadas, parei em
frente a porta e movida pela minha curiosidade entrei no cômodo, a princípio
parecia algo normal, como qualquer outro cômodo da casa. Meus olhos
analisaram todo o lugar e não vi nada de diferente. Com passos vacilantes,
caminhei até uma das portas que indicava ser um banheiro, quando entrei no
cômodo, era um pequeno closet, olhei em volta do lugar e novamente não vi
nada de diferente e quando ia deixar o ambiente, meus olhos foram de
encontro ao chão e foi nesse exatamente momento que descobri o lugar que
poderia ser o passaporte para liberdade, pelo menos, da minha filha.
Eu acabei por confirmar que o lugar dava acesso para fora da mansão. Não
disse nada a Helena, pois precisava planejar tudo cautelosamente, mas diante
dos últimos acontecimentos, eu não posso permitir que esse casamento
aconteça, ainda mais sabendo que aquele demônio é tão cruel quanto o
homem que, em vez de ser um marido e um pai, não passar de um maldito
carrasco.
 
HELENA
Depois das palavras que foram ditas na sala, eu só consegui sair do estado de
devaneio em que me encontrava, quando chegamos ao meu quarto e minha
mãe começou a falar. Ouvir as palavras que foram proferidas por ela, me
deixou em total alerta, eu jamais iria cogitar em deixá-la, porém ela estava
decidida e depois de minutos conversando, algo me deixou aliviada quando
ela me garantiu que aquele monstro tinha por objetivo maior a sede pelo
poder. O único propósito em Omar querer o meu casamento com aquele
homem pervertido, é simplesmente para ter o seu apoio para que seu próximo
passo tenha êxito total, chegar ao senado e futuramente se tornar o presidente
da Albânia. Dessa forma, a organização liderada por ele dominará todo o
território, vai se intensificar ainda mais em outros países e tudo que ele
sempre quis estará bem próximo de se concretizar. Minha mãe disse que em
consequência disso, ele que sempre viveu pelas aparências, por mais que
esteja possuído pela raiva, não vai tocar em um só fio de cabelo dela, já que
vai precisar da esposa para exibir perante todos nas diversas reuniões que terá
pela frente.
Enquanto isso, ela dará um jeito de ir ao meu encontro. Seu amigo fará de
tudo para me tirar do país e antes que deem por minha falta, já estarei bem
longe. Ela deixou o meu quarto e ao anoitecer, eu irei embora do lugar que
por anos vem sendo o cenário onde, Omar Petrovci, mostra sua verdadeira
face, “o lobo em pele de cordeiro”.
 
Muito tempo depois...
Tudo estava conspirando ao nosso favor. Omar deixou a mansão há quase
uma hora, minha mãe disse que o fato dessa data o lembrar de que o seu filho
tão amado não estar entre nós, foi o motivo de mais uma de suas saídas
repentinas durante a noite. Embora eu tenha acabado de completar 18 anos,
eu sei que o motivo das suas saídas são outros e mesmo tentando disfarçar,
acredito que ela tenha conhecimento da infidelidade dele.
Jantamos como de costume, sozinhas, para que não levantasse suspeitas.
Thadeu já tinha providenciado documentos falsos, para que eu pudesse deixar
o país e estaria no local combinado daqui a alguns minutos. Então uma
corrida contra o tempo havia sido iniciada, ela me entregou as joias que
pertenceram a minha avó e uma pequena mochila que já estava no quarto
onde havia a passagem secreta, que me levaria para fora desse lugar, deixei o
meu quarto indo ao seu encontro.
Quando entrei no cômodo, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Eu não quero ir — falei.
Ela acabou com a distância que nos separava e segurou as minhas mãos, em
seguida disse.
— Eu não vou aguentar mais ver você continuar passando por tanto
sofrimento. Sua permanência aqui, não significa que ficaremos juntas, pois
ele fará de tudo para que esse casamento aconteça o mais rápido possível.
Prefiro te ver longe e segura a ter que ver você sob os domínios daquele outro
infeliz.
As lágrimas surgiram sem a minha permissão, ela me deu em seguida um
forte abraço.
— Eu te amo mais do que tudo nessa vida, e prometo que em breve
estaremos juntas novamente.
— Eu também te amo.
Ficamos alguns minutos abraçadas e logo depois andei até o pequeno cômodo
que tinha no chão uma porta que dava acesso a passagem secreta. Com a
lanterna em mãos, peguei a mochila, respirei fundo e comecei a descer os
degraus, instantes depois, segui caminhando pelo estreito corredor. Aumentei
o ritmo das minhas passadas ao ver as horas no relógio em meu pulso e
depois de quase uns quinze minutos, parei novamente ao ver outra escada,
comecei a subir os degraus e empurrei o tampão de ferro, porém ele não saía
do lugar.
Desesperada, comecei a empurrar com mais força e parecia que estava preso,
quando já estava desistindo, ouvi um barulho e o objeto foi se afastando.
Suspirei aliviada ao ver o homem a minha frente, ele me ajudou a sair do
buraco e depois de algumas passadas já estava próxima ao veículo.
Quando perguntei a minha mãe se ela confiava nele, ela acabou me contando
que Thadeu era filho de um dos funcionários do meu avô. Os olhos dela
brilharam ao falar o nome dele e mesmo não dizendo com todas as letras, eu
sei que ela sente algo por ele e pelo visto, ele também. Deixei os
pensamentos de lado assim que escuto a voz dele.
— Você vai no banco de trás.
Adentrei o veículo e segundos depois ele entrou em movimento. Os minutos
se passaram e meus pensamentos estavam direcionados para minha mãe, no
entanto eles foram interrompidos quando ouvi a voz de Thadeu, em seguida
um forte clarão.
— Meu Deus!
Um estrondo terrível ecoou no espaço. Senti o meu corpo se curvando para
frente devido ao forte impacto. O homem no banco da frente tentava
controlar o veículo, mas o caminhão a nossa frente estava totalmente
desgovernado nos empurrando para fora da estrada. E no momento seguinte
tudo que lembro foi de tudo girando e girando a medida que o carro ia
rolando ribanceira abaixo. Senti uma forte pontada na minha cabeça e uma
escuridão sem fim tomar conta de mim.
 
Durrês – Albânia
 
OMAR
DEPOIS DE ANOS TENDO QUE SUPORTAR AQUELA
INFELIZ, até que fim sua existência me terá alguma serventia.
Eu jurei perante o túmulo do meu filho amado, que ela pagaria pelo resto da
sua vida por ter sobrevivido no lugar dele. A cada dia, mês e ano que se
passavam, só aumentava a minha raiva por ela. Saber que ela poderia
desfrutar de tudo aquilo que cogitei para o meu primogênito, só fez com que
um ódio descomunal tomasse conta de todo o meu ser e a cada estalar do meu
cinto contra sua pele, só fazia o meu corpo todo vibrar, tamanho era o prazer
em ver as lágrimas descendo por sua face e suas costas ganhando as marcas
que ela levaria por toda vida.
Quando soube que Gustavo Albrantes, estava procurando uma futura esposa,
meus pensamentos foram direcionados para aquela semente do mal, que foi
responsável pela morte da única pessoa que amei na vida. Depois de mostrar
a foto de Helena, ele ficou totalmente fascinado e mesmo odiando a
desgraçada com todas as minhas forças, eu tinha que reconhecer que era dona
de uma beleza estonteante. Mesmo depois de tudo que tenho feito contra ela,
o sofrimento não foi capaz de apagar o brilho intenso em seus olhos.
Gustavo deseja mais do que tudo um herdeiro, isso é algo que me agradou
muito, pois além de unir o útil ao agradável e ter o apoio dele para chegar ao
senado, um filho me daria futuramente o controle sobre toda fortuna do
infeliz, ao acabar com sua vida e deixar Helena novamente sob meus
domínios. Dessa forma, terei aquele que dará continuidade ao meu legado.
Entretanto, eu só concordei com essa união porque seio quanto ele é sádico e
dará a ela o mesmo tratamento que venho infringindo-a há anos.
Deixei a mansão e segui para o único local que por anos se tornou o meu
maior refúgio. O lugar onde posso saciar todos os meus desejos sórdidos e
ficar na presença daquela que é capaz de me proporcionar um êxtase total,
coisa que a infeliz da Isabella nunca foi capaz, no entanto além de ter
ganhado a simpatia dos membros do conselho, eu ainda preciso dela para
exibir perante todos, a mulher perfeita e que tanto os encantou por sua
simplicidade.
"Mas assim que conseguir tudo que tenho em mente, tanto ela como aquela
infeliz, serão enviadas ao inferno."
 
ENZZO
Depois que me despedi de Yolanda e Hulk, com passadas firmes, segui em
direção ao meu carro. Precisava observar o território de perto e saber mais
sobre o infeliz e sua família, que em breve serão o alvo a ser eliminado. Uns
quarenta minutos depois cheguei até a cabana que havia sido presente do meu
pai ao meu tio, pois sabendo que ele gostava de se manter isolado, essa era a
única forma para tê-lo um pouco mais perto quando vinha a Durrês.
Estaciono o meu carro e logo em seguida adentro o lugar. Pela arrumação do
ambiente, eu sabia que tinha o toque da velha Yolanda, já que o meu tio
nunca deu muito valor ao luxo e mesmo tentando me transformar na sua
cópia em miniatura, Yolanda sempre o repreendia. Como ela mesma sempre
dizia, o herdeiro dos Demosovski e o verdadeiro chefe da máfia Albanesa,
poderia passar por todos os treinamentos que ele iria me infringir, mais da
minha educação ela seria a responsável.
Deixei as lembranças de lado e fui até a cama. Tratei de imediato de trocar a
cocha da cama, pois conhecendo bem o meu tio, de certo da última vez que
veio a esse lugar deve ter feito sua festinha particular. Com tudo já
organizado. Tomei um banho e resolvi me deitar, pois amanhã daria início ao
próximo passo do meu plano. Preciso estudar o território antes de agir,
poderia matar aquele infeliz. Sim! Mas aquele maldito traidor, que não só
usurpou o lugar do meu pai, mas deu aquela infeliz que chamam de
princesinha da máfia, todo conforto e luxo que eram meus por direito. Todos
eles terão que pagar por tudo o que os meus pais sofreram, enquanto a
maldita cresceu ao lado dos pais, tendo uma família perfeita e admirada por
todos, me foi negado o direito de viver com aqueles que tanto me amavam.
Fechei os meus olhos na intenção de dormir um pouco, no entanto uma
sensação de mal-estar tomou conta de mim. Comecei a me rolar de um lado
para o outro da cama, mas o sono não vinha. Meus olhos foram de encontro
ao relógio em meu pulso e já era quase oito horas da noite, vendo que de nada
adiantaria continuar deitado, me levantei e com a minha arma em mãos, andei
até a porta. Instante depois já estava dentro do meu veículo.
Resolvi dar uma volta e pelo horário seria ideal para observar, mesmo que a
certa distância, um pouco da movimentação da minha mansão que se tornou o
lar daquele desgraçado. Com os olhos fixos na entrada, novamente a mesma
sensação tomou conta de mim, era como se algo me puxasse naquela direção
e quando dei por mim, ouvi um forte estrondo e um caminhão juntamente
com um pequeno veículo rolando ribanceira abaixo. Parei o meu carro e
quando saí do automóvel, outro estrondo muito pior ecoou no espaço e um
forte clarão surgiu com a explosão do caminhão. Olhei para outra direção e o
carro que havia sido jogado para o outro lado, certamente teria o mesmo
final, por mais que eu soubesse que a qualquer momento as chamas poderiam
tomar conta do automóvel, era algo muito mais forte do que eu, ignorando
todos os ricos, fui ao encontro do veículo e quando me aproximei, o som que
ouvi fez todo o meu corpo vibrar como nunca havia sentido em toda a minha
vida.
Era como se a voz de um anjo estivesse me chamando e naquele momento a
minha única reação foi o de ir ao encontro daquela voz misteriosa. Acabei
com a distância que me separava do carro que estava praticamente destruído.
Olhei para o banco da frente onde havia um homem com o rosto todo
ensanguentado, depois de alguns segundos, tive a constatação que ele já
estava sem vida, meu olhar ficou fixo na imagem do banco de trás, embora os
cabelos estivessem em volta do rosto, dava para identificar que era uma
mulher, porém estava com as mãos firmes segurando uma pequena mochila.
Consegui abrir uma das portas e ao ver que, mesmo desacordada, ela ainda
estava respirando, retirei-a do veículo rapidamente.
Caminhei na direção do meu carro e quando coloquei a desconhecida no
banco de trás, novamente uma grande explosão aconteceu e desta vez o alvo
foi o automóvel em que ela estava minutos atrás. Entrei no veículo e depois
de dar meia volta à dúvida pairou sobre mim.
"Qual será o destino a seguir com essa mulher"
Durrês – Albânia
 
ENZZO
COM AS MÃOS FIRMES NO VOLANTE, tudo que vinha
em minha mente era em que lugar deixar essa desconhecida. Com esse
contratempo, acabei por deixar de lado aquilo que sempre deve ser a minha
prioridade, a razão por me manter forte e seguir em frente todos esses anos.
Eu, Enzzo Demisovski, devo isso aos meus pais, que foram mortos
covardemente por aquele a quem sempre viram como um aliado. Omar
Petrovci é como um câncer maligno, que aos poucos vai corroendo por dentro
tudo que está a sua volta.
Passei anos acordando no meio da noite e por ser tão pequeno, não conseguia
explicar ao meu tio o motivo que sempre vinha me atormentando naqueles
malditos pesadelos. Com o passar do tempo, era sempre o mesmo rosto e
aqueles olhos onde tinha uma sombra diabólica, que sempre surgiam em
minhas lembranças. Quando olhei a foto daquele desgraçado pela primeira
vez, eu sabia que era ele, pois a sensação que eu tinha, era que já tinha visto
aqueles olhos muito além dos meus pesadelos.
Dias, meses e anos se passaram e o meu único propósito era aprender tudo o
que Hulk tinha para me ensinar. Superando os meus medos e testando todos
os meus limites. Ele, assim como Yolanda, sempre dizia que eu era um
guerreiro por ter sobrevivido aquele assassinato coletivo, porém para mim, o
único motivo de ter saído ileso foi por uma única razão: FAZER JUSTIÇA.
Nada e nem ninguém vai ficar entre mim e o meu maior objetivo, destruir
Omar Petrovci e toda a sua descendência. Eu irei até o inferno quantas vezes
forem necessárias, mas não irei descansar até exterminar aquele traidor
maldito.
Direciono meus pensamentos novamente para a mulher, que se encontra
desfalecida no banco de trás do carro. Agora vários pensamentos inundam
minha cabeça. Não posso deixá-la em qualquer lugar, pois se fosse para
morrer, a teria deixado naquele carro, porém se a levar para o hospital, posso
perder muito tempo justificando o fato de tê-la encontrado e ainda correr o
risco dessa notícia ganhar uma proporção maior e como consequência, ter o
meu rosto estampado em alguma manchete de jornal, o que não esta nos
meus planos.
Parecia que minha mente estava ligada o tempo todo, girando e girando como
uma máquina de lavar e quando os pensamentos pararam, tomei uma decisão
consciente, para que nem um obstáculo viesse a interfere nos meus planos.
 
Alguns instantes depois...
Assim que parei o carro em frente à cabana, saí do veículo e caminhei até o
banco de trás. Abri a porta e meu olhar ficou cravado na imagem a minha
frente. Seu rosto estava coberto pelos cabelos negros como a noite, que caíam
soltos sobre os ombros. Peguei a sua mochila e coloquei nas minhas costas,
em seguida, meus braços envolveram o seu corpo frágil, aconchegando-a em
meus braços. O cheiro dos seus cabelos invadiu minhas narinas e me deixou
completamente extasiado, era inebriante e viciante. Um aroma que era uma
mistura de frutas e flores.
Sinto o vento gelado no meu rosto, me tirando do estado de entorpecimento
que me encontrava. Meus passos apressados queriam me levar o mais rápido
possível para dentro de casa. Instantes depois, assim que adentrei o ambiente,
andei em direção ao quarto, colocando-a em seguida sobre a cama. Afastei-
me umpouco, me livrando da pequena bolsa, assim que me aproximei
novamente dela, sentei-me no canto da cama e levei uma de minhas mãos ao
encontro do seu rosto, retirando algumas mechas de cabelos de sua fase.
Imediatamente senti uma corrente de eletricidade percorrendo meu corpo.
Um arder em minha pele, como se estivesse me queimando aos poucos.
Minha respiração ficou acelerada, meu coração batia tão descompassado, ela
era tão linda, que fez com que eu a olhasse quase paralisado. O seu rosto
parecia ter sido entalhado em mármore raro, lábios carnudos e a sua pele era
branca como a neve, fazendo o contraste perfeito com seu cabelo negro como
o ébano.
Meus dedos tocaram a sua pele lisa como um veludo e quando fui afastar
outra mecha de seu cabelo, que caía em sua testa, percebi um corte superficial
em sua pele de porcelana pálida. Como que por instinto, me levantei e
comecei a andar na direção do banheiro. Já dentro do cômodo, procurei entre
as prateleiras o pequeno estojo, quando enfim o encontrei, peguei a maleta de
primeiros socorros e novamente voltei para junto dela. Nos momentos
seguintes, comecei a limpar cada centímetros do ferimento e depois de retirar
todo o sangue seco do local, fiz um pequeno curativo.
Sua respiração estava regular, e o peito subia e descia docemente. Pelo
impacto e gravidade do acidente, foi muita sorte ela ter sobrevivido e mais
ainda, ter somente um pequeno ferimento, no entanto só saberei se não teve
consequências piores ou alguma sequela, assim que ela acordar. Pela sua
idade, certamente era filha do homem que acabou tendo um fim trágico
naquele acidente.
Caminhei novamente em direção ao banheiro, pois precisava urgentemente
tomar um banho. Passei um bom tempo debaixo da ducha fria, perdido em
meus pensamentos, no entanto o rosto da mulher que estava deitada a alguns
metros de distância, não saia um só minuto dos meus pensamentos.
"O que está acontecendo comigo?"
HELENA
Um estrondo, a dor e a escuridão. São as últimas lembranças que dominam a
minha mente. Minha cabeça está tão pesada e a sinto tão grande que não
posso movê-la. Minhas têmporas latejam e as pálpebras estão coladas.
Sinto uma dor, uma dor muito forte e aguda em algum lugar e um calor
insuportável, como se meu corpo estivesse queimando. Meus olhos
permanecem fechados, mas dava para sentir a forte luz que vinha do
ambiente onde eu estava. Comecei a respirar profundamente para me acalmar
e, em seguida, forcei a mente tentando buscar as informações armazenadas, 
para assim poder entender o motivo que provocou toda esta dor no meu
corpo, esta angústia e escuridão. As primeiras lembranças que vieram na
minha memória foram as do som da voz de Thadeu e logo após o carro
girando e girando. Minha cabeça começou a doer novamente e minha
garganta se trancou de imediato assim que me lembrei da dor terrível que
atravessou a minha cabeça e tudo se dissolver no escuro sem fim.
"Eu morri?"
Diante daquele pensamento, meus olhos se abriram, mas o arrependimento
veio logo depois. Uma forte claridade arregaça minha retina e só piorava a
dor em minha cabeça. Voltei a fecha-los de imediato.
Instante depois, abri novamente meus olhos, tentando me adaptar àquela luz,
e quando tentei me mexer, a sensação era como se meu corpo estivesse em
chamas e nada, nem um músculo se mexeu. O pânico me atingiu, meu corpo
começou a tremer em cima da cama, sentia que ele estava cada vez mais
pesado, como se fosse afundar.
Antes de tudo se transformar em uma escuridão total, meus olhos foram de
encontro à imagem que surgiu no meu campo de visão. Ele era lindo, cabelos
negros, que estavam molhados e escorriam em sua testa. Seu rosto era
perfeito, com uma boca bem desenhada e com enormes olhos azuis
acinzentados. Sua beleza não parecia ser deste mundo. Ele parecia um anjo.
Um anjo vestido de preto.
No dia seguinte – Mansão Petrovci...
Meu coração estava agitado em meu peito, a saudade tomou conta de mim e
por mais difícil que a distância se apresentasse, o amor sempre seria maior.
Eu sei que fiz a escolha certa e não importa o que aquele demônio faça
comigo, pois agora, ela estará em segurança. Espero que Thadeu não demore
a entrar em contato me dando a confirmação de que ela chegou ao destino
programado. Meus pensamentos foram interrompidos quando a voz do infeliz
se fez presente, me deixando atordoada ao ouvir suas palavras.
— Achei que aquela imprestável já estivesse acordada. Mande chamá-la
agora mesmo, pois teremos uma longa conversa antes dela conhecer o seu
futuro marido.
 
OMAR PETROVCI
A noite foi regada a muita bebida e sexo. Quando retornei para casa, tive um
descanso revigorante que me deixou recuperado de todo cansaço da noite
anterior. Assim que acordei, andei em direção ao banheiro e de banho já
tomado e arrumado, precisava falar com a infeliz para que tudo saísse do jeito
como planejei ou caso contrário, hoje eu não só deixaria o seu corpo
marcado, como faria um bom estrago naquele rosto que se tornou o meu
maior tormento.
Com passos decididos, segui em direção ao primeiro andar, não me agradava
ter que começar o meu dia olhando para o rosto da maldita, mas era
necessário para que o jantar de hoje a noite fosse perfeito e como
consequência, ter o apoio total de Gustavo Albrantes. Quando adentrei o
ambiente, a tola da Isabella parecia perdida em seus pensamentos e assim que
ouviu a minha voz, ficou imóvel por alguns instantes e logo após sua voz
irritante se fez presente.
— Ela não está se sentindo muito bem. Diga o que deseja que quando estiver
melhor, direi tudo a ela.
Se tratando da inútil que ela tem por filha, seria bem provável que estivesse
indisposta, porém pouco me importa o que ela esteja sentindo, hoje vai tratar
de colocar um belo sorriso em seu rosto e agradar o futuro marido.
— Darei 10 minutos para que ela esteja em minha frente ou caso contrário eu
a farei descer escada abaixo.
Meus olhos avaliam a mulher a minha frente, no mesmo instante que um
calafrio atravessou a minha espinha. Isabella segurava as mãos como se
estivesse tentando controlar o seu nervosismo, o que me deixou em total
alerta. Virei-me em direção as escadas e quando me movi, novamente ouvi a
voz dela.
— Aonde você vai?
— Eu mesmo irei buscá-la.
Com passos largos caminhei em direção as escadas. Subi os degraus
praticamente correndo e, em seguida, atravessando o corredor na velocidade
de uma bala, indo em direção ao alvo. Meus batimentos estavam alterados e
quando cheguei a alguns metros de distância da porta do seu quarto, uma
forte claridade surgiu em minha frente e como flashes, a imagem daquele
infeliz apareceu diante de mim e ao contrário da última vez que vi o
desgraçado do Vitor Demisovski, ele tinha um largo sorriso em sua face.
Fechei os meus olhos e quando voltei a abrir novamente a única coisa que
tinha no meu campo de visão eram as paredes e a maldita porta.
De supetão a abri, depois que dei algumas passadas e meus olhos passearam
por todo ambiente, fui até o banheiro e assim que entrei no maldito cômodo,
uma fúria descomunal me atingiu e naquele momento só um pensamento se
apossou de minha cabeça.
"Eu vou matar essas duas infelizes”.
Durrês – Albânia
 
Dois dias depois...
ISABELLA
DOIS DIAS SE PASSARAM, mas a dor em minhas
costelas ainda é intensa. As lembranças daquele dia ficarão sempre vivas em
minha mente.
Quando aquele demônio não encontrou a minha princesa, desceu soltando
fogos pelas ventas. Seus olhos estavam vermelhos como brasas, suas feições
era algo diabólico e se tratando do maldito com quem me casei, às
consequências seriam as piores possíveis. Assim que ele se aproximou de
mim, eu nem tive tempo de me defender. Senti uma dor terrível quando um
soco foi deferido em meu rosto, me levando ao chão, aquilo foi só o começo
do que estava por vim, pois quando perguntou por Helena e me neguei a dizer
onde ela estava, um chute rápido atingiu minhas costelas e a dor foi
insuportável. Eu gritei para ele parar, mas ele continuou com uma sequência
de golpes brutais, dados com o bico do seusapato contra as minhas costelas.
Senti que iria desmaiar, minha respiração ficou pesada e a dor foi ainda mais
intensa quando ele parou por um instante e em seguida um golpe duro me
atingiu e ruídos de dor e desespero tomou conta de mim.
 
O infeliz me deixou jogada no chão e saiu de encontro à sala de segurança
para averiguar as imagens das câmeras. Lutando contra a dor que tomou
conta de todo o meu ser, fui praticamente me arrastando até às escadas e
quando segurei no corrimão. Senti mãos fortes puxando o meu cabelo e o
som da sua voz.
— Aquela infeliz só pode ter saído por um único lugar. Eu poderia acabar
agora mesmo com a sua vida miserável, mas vamos ver o que aquela
imprestável é capaz de fazer para salvar a vida da sua querida mãe.
Ele soltou os meus cabelos e as lágrimas logo surgiram sem a minha
permissão. Respirei profundamente, e quase caindo, consegui subir cada
degrau. Parecia que havia passado horas para que eu chegasse até o meu
quarto e mesmo com medo que houvesse fraturado alguma costela, eu estava
feliz por saber que ela estava em segurança.
A última coisa de que me lembro, foi de ter chegado até o meu quarto e
quando acordei já estava de camisola e deitada em minha cama. Hortência,
acabou me encontrando jogada no chão e como sempre, se mostrou muito
mais que uma funcionária. Os dias se passaram e minha agonia estava além
do limite, pois Thadeu não havia dado nenhuma notícia sobre a minha filha.
Por outro lado, os homens de Omar, e os conselheiros estão empenhados em
encontrar Helena, já que ele disse a todos que certamente foi alguém que
tinha conhecimento da passagem secreta, que estava com Helena, e todos
cogitaram que tinha alguma ligação com a chacina que aconteceu com os
Demisovski.
Omar disse aos membros do conselho, que eu acabei sendo empurrada da
escada quando notei uma movimentação estranha na casa. Estou há dois dias
deitada, me levantando somente para ir ao banheiro. Deixo as lembranças de
lado e resolvo ligar a tv para me distrair um pouco, com o polegar direito, fui
apertando a tecla em busca de alguma informação interessante. Então, foi
quando senti todo o meu corpo estremecer, meus pulmões começaram a
funcionar aos espasmos assim que meus olhos ficaram cravados na imagem
exibida na tela a minha frente.
HELENA
Tudo é calmo, silencioso. Abro os meus olhos e a luz vinda através da janela
me atinge no rosto. Meu corpo está pesado, dolorido e me sinto fraca.
Meus olhos vagueiam pelo cômodo. Forço a mente para tentar me lembrar
onde eu estava, mas tudo o que me veio à cabeça foram alguns flashes. Do
homem com rosto de anjo, que sempre surgia em minha frente, do som da sua
voz e do calor que tomou conta do meu corpo, me deixando completamente
imóvel e em seguida tudo se dissolve em escuridão.
É tudo tão confuso, meus pensamentos são como fios emaranhados. Minhas
lembranças foram subitamente interrompidas pelo som da voz que vem
ocupando meus pensamentos.
— Como você está se sentindo? — ele pergunta.
— Confusa!
Meu coração pulava descompassado no peito quando ele começou a
caminhar rumo à direção em que eu estava. Andou alguns passos e parou em
minha frente e novamente ouço sua voz.
— Você esteve doente por alguns dias.
— Como vim parar nesse lugar?
Ele se aproxima ainda mais e senta ao meu lado. No instante seguinte
começou a me contar tudo que havia acontecido. Desde o momento em que
me encontrou no fundo do barranco, dentro do veículo, até quando me retirou
de dentro dele. Também me contou que passei três dias com febre, segundo
ele, foi consequência da pancada que devo ter levado na cabeça, que resultou
no corte em minha testa, mesmo que não tenha sido tão profundo. Eu ainda
lembro-me da dor terrível que senti quando minha cabeça bateu, ainda dentro
do veículo. Quando eu ia perguntar por Thadeu, ele como se lesse meus
pensamentos me respondeu, porém ao ouvir as palavras ditas por ele, a minha
reação foi somente a de chorar.
— O seu pai não teve a mesma sorte que você. O encontrei já sem vida
dentro do carro.
Thadeu perdeu a sua vida tentando me ajudar e sei o quanto a minha mãe
ficará arrasada ao saber que ele não está mais entre nós. As lembranças das
palavras proferidas por Omar surgiram em meus pensamentos e talvez ele
esteja certo. Minha existência só vem causando o sofrimento das pessoas.
Primeiro o meu irmão, depois a minha mãe teve que suportar tantas coisas
para me defender e a minha fuga resultou na morte de mais um inocente.
As lágrimas que brotaram em meus olhos disseram melhor do que eu teria
dito se conseguisse falar. Ele ficou, por alguns instantes, me olhando sem
dizer nada. Acho que ficou com pena de mim. Todo o meu corpo ficou tenso
quando senti o toque do seu polegar contra a minha pele.
— Sinto muito pelo seu pai. Entendo muito bem o que você deve está
sentindo.
Eu sei que não era certo deixá-lo pensar que aquele homem era o meu pai,
mas Thadeu, mesmo não sendo, demostrou se importar comigo, coisa que o
homem quem me deu a vida jamais foi capaz de fazer. E embora esse
desconhecido tenha me ajudado, não posso dizer de quem eu sou filha ou de
nada terá valido a pena o sacrifício da minha mãe e do seu eterno amigo.
 
Horas depois...
Acabei por descobri que ele se chamava Enzzo, e quando perguntou pelo meu
nomen o nervosismo trancou a minha garganta. Atordoada, tentei buscar na
memória pelo nome que havia lido no documento, levantei o olhar e seus
olhos azuis estavam grudados nos meus e quando as lembranças vieram em
minha cabeça e falei que meu suposto nome era Laura, percebi que ele até
deu um esboço de um sorriso.
Enzzo pediu que eu movesse minhas pernas para se certificar que tudo estava
bem e se não houve nenhuma sequela, ao se verificar que estava
aparentemente tudo bem, ele disse que precisava resolver alguns assuntos e
mesmo que eu me encontrasse sozinha, e sem saber se realmente posso
confiar nele, do jeito que estou, se sair daqui vou acabar indo direto para boca
do lobo. Com dificuldade me levantei. Meus olhos foram de encontro a
minha mochila e tudo que veio em minha mente foi o pequeno estojo que
estava no fundo do objeto.
Com a bolsa já em mãos, respirei aliviada ao encontrar as joias e os
documentos que havia pego de cima do banco do carro quando Thadeu me
mostrou, pois são a minha única esperança para conseguir chegar até o
destino traçado por ele e minha mãe. Peguei uma roupa limpa, minha escova
de dente e segui em direção ao banheiro, só de pensar em quantos dias estou
sem me banhar e escovar os dentes, estando perto daquele homem tão bonito,
me sinto envergonhada. Quando entro no pequeno banheiro, trato logo de
fechar a porta. Dou alguns passos e ao ver o meu rosto no espelho tomei um
justo, minha aparência estava horrível.
Depois que me livrei das minhas roupas, entrei no box e acabei por perder a
noção do tempo. Estava me sentindo tão suja que a sensação que eu tinha era
que estava há meses sem me banhar. Banhada e arrumada, tratei de escovar
os meus dentes assim que acabei saí do cômodo. O lugar era simples, mas
bem aconchegante, e me transmitia uma sensação de paz.
Meu estômago estava doendo tamanha era a minha fome, porém, desde o
momento em que me levantei, sempre tinha a sensação que tudo estava
rodando a minha volta. Comecei a andar em direção a porta e quando já
estava chegando próximo a ela, uma sensação de mal estar tomou conta de
mim, minhas pernas perderam as forças e quando achei que ia cair no chão,
senti braços fortes segurando minha cintura, o cheiro intenso e inebriante do
seu perfume invadiu minhas narinas e me deixou extasiada. Levantei minha
cabeça e nossos olhos ficaram conectados e eu não conseguia parar de olhar
para boca dele. E, todo meu corpo parecia estar em chamas com tamanha
aproximação, então ele abriu os lábios levemente, e naquele momento senti
que meu coração ia sair pela minha boca, tamanha era a expectativa do que
ele iria fazer.
Durrês – Albânia
 
ISABELLA
UM RUÍDO DE MEDO E DESESPERO SAIU POR
ENTRE MEUS LÁBIOS. As lágrimas logo surgiram e umador que jamais
cogitei sentir na vida tomou conta de mim.
— Helenaaaa!!!
Fiquei desorientada ao ver a imagem de Thadeu, estampada na tela a minha
frente. Com a visão embaçada devido às lágrimas, eu não consegui ler o que
estava escrito, mas ao ouvir as palavras que ecoava dentro do cômodo, o meu
desespero e a minha culpa por ter tomado a decisão que não só tirou a vida
daquele que sempre teve um lugar tão especial em meu coração, como da
pessoa que era a razão da minha existência. Meu mundo desmoronou.
A sensação que eu tinha era que o tempo havia parado. Tudo ficou em
silêncio e as imagens da última vez que eu estive com a minha princesa
surgiram diante dos meus olhos. Ela não queria ir e se eu não tivesse me
mantido irredutível em não aceitar que ela ficasse, o meu bebê ainda estaria
viva.
Tudo perdeu o sentido. O motivo por aguentar todas as atrocidades daquele
infeliz, de continuar lutando pela minha vida, para não deixar minha filha
sozinha a mercê desse ser cruel, já não existe mais. Com ela se foi a minha
razão de viver, o motivo de continuar respirando.
Eu não estava em meu estado lúcido, devido a isso não prestei atenção direito
em nada que estavam dizendo no noticiário e só voltei à consciência da razão,
quando me dei conta do homem parado na porta. Seu olhar frio estava fixo na
tv. E, quando ele se virou na minha direção, tudo que via era uma sombra
negra. Seu olhar era um misto de fúria e quando escutei sua voz, fui da
tristeza a alegria, da alegria para tristeza em questão de segundos.
— Então foi esse maldito que te ajudou. Se apenas foi encontrado um corpo,
aquela desgraçada sobreviveu, porém, assim que colocar minhas mãos nela,
ela vai desejar ter partido dessa para pior.
 
ENZZO
Com a forte febre daquela que acabei por descobrir que se chamava Laura,
acabei por sair durante poucas horas da cabana. O meu tio, como já era de se
esperar, vem me ligando no mínimo duas vezes ao dia para saber
informações. Acabei por omitir o ocorrido em que salvei a vida da mulher
que se encontrava jogada em sua cama, pois ele não ia gostar nada ao saber
que eu estava deixando algo tirar o meu foco do que realmente vim fazer
aqui.
Muitos anos se passaram e assim como eu, ele está sedento por vingança e
não vai descansar até ver aquele usurpador ser desmascarado perante todos os
membros da máfia, que por anos vem enganando.
Não nego que fiquei fascinado pela beleza dela, o meu corpo todo vibrou só
em estar tão próximo a ela. Algo que jamais havia sentido antes pairou sobre
mim, porém, muito maior do que qualquer sentimento que pudesse sentir é a
minha missão. Deixar que qualquer obstáculo me desviasse daquilo que
venho sendo preparado a mais de vinte anos, seria o mesmo que trair a
memória dos meus pais, assim como a esperança que Hulk vem depositando
em mim e de todo o seu empenho durante todos esses anos. Ele poderia matar
facilmente aquele infeliz? Sim! Mas isso não seria nada comparado a tudo
que ele fez.
Ele precisa ser desmascarado, derrotado e humilhado perante todos, a morte
daquele maldito sem revelar sua verdadeira face o deixaria perante todos
ainda como um bom líder, aquele que foi fiel ao seu melhor amigo.
Até agora ainda não descobri o que está acontecendo em volta da minha
mansão, que aquele traidor e sua família vêm ocupando por anos. De longe
pude ver uma grande movimentação em volta do lugar e um grande fluxo de
veículos entrando e saindo. Muitos que ali estiveram, eram membros do
próprio conselho da organização. Hoje após a conversa que tive, deixei Laura
na cabana e fui averiguar para ver se obtinha mais informações, pois assim
como eu o meu tio acredita que algo aconteceu em volta de Omar.
Passei quase uma hora analisando cada movimento do lugar, mas ao contrário
dos dias anteriores, tudo estava calmo, algo que me deixou intrigado. Andei
até o meu carro e deixei para voltar à noite, quem sabe o maldito não esteja
tramando algo e assim eu terei as respostas que tanto procuro. Com o carro
em movimento, aproveitei para ligar para casa e o safado que eu tenho por
tio, segundo Yolanda, ainda não havia chegado desde a noite anterior.
Comecei a sorrir ao imaginar a sua expressão, ela até hoje ainda não se
acostumou com as nossas saídas e sempre ficava impactada quando Hulk,
começava com seu velho discurso que:
"Homem que é homem não faz muito rodeios, jamais deixar uma
oportunidade passar e muito menos come pela beirada."
Depois de dar umas boas gargalhadas e ter encerrado a ligação, minutos
depois cheguei ao meu destino. Tudo o que jamais cogitei foi que, ao entrar
em casa, logo estaria com a mulher que vem ocupando meus pensamentos em
meus braços. Seu corpo estava trêmulo, seus olhos arregalados e fixos nos
meus.
O silêncio predominou no ambiente. Aproximo ainda mais o meu corpo do
seu em um misto de desejo, deixando nossos rostos colados e ao ver aqueles
lábios carnudos, e sua boca entreaberta. Deixei a razão de lado e tomado por
um desejo incontrolável, tomei sua boca em um beijo que deixou o meu
corpo em chamas.
 
HELENA
Nossos olhares se encontraram e foi como se uma conexão se estabelecesse
entre nós. O encostar dos nossos corpos fez cada centímetro do meu ser
reagir e tudo ficou em câmera lenta. Senti seu hálito quente, que tinha um
aroma de menta e, quando sua boca encontrou a minha. Meu corpo
estremeceu, meu coração acelerou, cada pelo de meu corpo se arrepiou. Seus
lábios tocaram os meus e ele me beijou, deleitou-se com minha resposta
inibida e começou a explorar a minha boca, me provocando sensações
totalmente desconhecidas e fazendo o meu corpo se aquecer a cada gesto seu.
Sua língua acariciou meu lábio inferior e pediu passagem, se entrelaçando a
minha em um beijo cheio de desejo, causando efeitos onde me senti ansiando
por mais e ao ver a reação imediata dos meus seios e a parte interna das
minhas coxas ardendo, afastei a minha boca da sua e em seguida o meu rosto
ao compreender que um beijo podia ser muito mais que delicioso e sim
perigoso.
Ele continuou com os olhos fixos nos meus e para tentar sair daquela situação
resolvi quebrar o silêncio.
— Desculpas! Eu fiquei tonta.
Seu olhar se desviou do meu rosto, logo após suas mãos deixaram minha
cintura e ouvi o som da sua voz.
— É melhor se sentar no sofá e descansar um pouco, já que você passou
muito tempo deitada é normal se sentir tonta ao permanecer por um bom
tempo em pé.
— Eu sei que você já fez muito por mim e não querendo abusar da sua
hospitalidade, mas... é que e.. eu est...
Antes que eu concluísse a frase ele se manifestou novamente?
— Vou providenciar algo para você comer.
Enzzo me ajudou a ir até estofado e depois que eu já estava acomodada, ele
sumiu do meu campo de visão. Os minutos se passaram e meus pensamentos
ficaram voltados para minha mãe, ela certamente já deve saber do que
aconteceu a Thomas, e mil coisas deve ter passado pela sua cabeça. Tudo o
que eu espero é que aquele homem não toque nela, pois não irei suportar em
saber que por minha culpa ela esteja sofrendo. Preciso dar um jeito em entrar
em contato com ela, já que ele não sabe que ela possuí um celular, que não é
do seu conhecimento, graças a ajudar de Hortência.
Deixo meus devaneios de lado ao escutar a voz de Enzzo.
— Venha, você precisa se alimentar.
Levantei-me e fui até a mesa, onde estava a enorme travessa com uma farta
macarronada. Sentamo-nos e começamos a comer, tudo estava delicioso.
Fiquei envergonhada por estar dando tanto trabalho, e mais ainda por um
homão daquele saber cozinhar, enquanto eu nem sei como fritar um ovo. Já
que nunca me foi permitido nem chegar perto da cozinha e muito menos ter
contato com os funcionários, pois seria um prato cheio para o monstro que
tenho por pai, descontar toda sua raiva com suas cintadas contra a minha
pele.
Durrês – Albânia
 
HELENA
ENGRAÇADO COMO A NOSSA VIDA pode mudar em
um piscar de olhos. Uma fuga que resultou em um acidente, que levou a vida
daquele que só quis me ajudar e quando tudo parecia perdido, o homem mais
lindo que já vi em todaa minha vida se tornou a única luz em meio à
escuridão que eu me encontrava.
Depois de passar toda uma vida não acreditando mais na bondade de um
homem. Thadeu e Enzzo, fizeram por mim em tão pouco tempo, algo que
meu pai nunca foi capaz de fazer. Deram-me a prova que em meio a tanta
maldade, ainda existem pessoas que as trevas não predominaram em seus
corações e ainda existe luz nos corações humanos.
Embora fosse estranho estar sozinha com um desconhecido, eu tinha uma
sensação de estar protegida ao saber que ele estava tão perto. Sem contar que
meu coração sempre batia descompassado ao lembrar-se dele.
Depois do almoço delicioso, ele acabou indo para o quarto, enquanto meus
olhos foram ao encontro de uma velha revista que se encontrava sobre o
móvel e aproveitei para ler, assim ocupava a minha cabeça. Acabei passando
o restante do dia na sala.
As horas se passaram e a luz do dia deu lugar a noite com um céu repleto de
estrelas. Enzzo teve que sair e disse que eu poderia logo jantar, já que ele não
sabia a hora em que iria chegar. Instantes depois, de banho já tomado,
coloquei um vestido confortável e ao entrar no quarto, meu olhar ficou fixo
na cama. O único pensamento que veio em minha cabeça foi em que lugar ele
estava dormindo.
Saio dos meus devaneios e resolvi me deitar. Quando fechei meus olhos,
aquele beijo veio em minha memória e com ele todas as sensações que senti.
Os minutos se passaram e não sei em que momento acabei caindo num sono
profundo.
 
Dois dias depois...
Os dias se passaram voando e já me sinto muito melhor. Nesses dois dias,
aconteceu muita coisa e ao contrário dos dois dias anteriores, ele resolveu
permanecer hoje, mais tempo na cabana e jamais pensei que ia ficar tão
nervosa por passar tantas horas ao seu lado. Toda vez que olhava para boca
dele, aquele beijo vinha em minhas lembranças, o cheiro dele causava em
mim um efeito semelhante a uma droga, me deixando flutuando, e por mais
que eu tentasse ocupar minha cabeça, não conseguia controlar tantos
pensamentos pecaminosos que surgiam. Além das reações com tamanha
aproximação, que tomou conta do meu corpo, me deixando em chamas,
minha boca ansiava para ser beijada novamente por ele.
Com a vida que levava, jamais tive tempo para pensar em nada que não fosse
estar longe do meu pai e viver feliz ao lado da minha mãe. Embora nunca me
tenha sido permitido viver longe daquela mansão, eu pude estudar em casa e
não sou tão ingênua ao ponto de não saber como são as coisas, já que Omar,
pelo visto tinha planos há muito tempo em tirar vantagem da minha união
com alguém. Eu sempre tive uma boa educação e acesso a internet, porém o
notebook que eu usava, era monitorado, no entanto, ver todo sofrimento da
minha mãe e como ela era tratada já me era bons exemplos para nunca cogitar
em gostar de ninguém e com o exemplo de homem que tinha em casa, eu
sempre vi os homens somente como monstros capazes de tudo para conseguir
aquilo que desejam, até mesmo machucar pessoas tão próximas.
Venho tentando pensar em outra coisa, mas está difícil controlar esse misto
de sensações que se apoderou de todo o meu ser. É difícil lutar contra algo
que nem eu mesma sei explicar, é o mesmo que ter um inimigo, mais ele é
totalmente invisível e quando você menos espera, ele já te deixou nocauteada.
Sou tirada das minhas lembranças assim que o homem que havia ido pegar
mais madeira para colocar na lareira adentrar o ambiente.
Engulo em seco ao vê-lo somente de calças, deixando visível o seu corpo
atlético, os ombros largos e os bíceps protuberantes fazem um belo contraste
com seu abdômen bem delineado e perfeito.
Não consegui desviar os meus olhos do homem a minha frente e mesmo
depois que ele passou por mim, indo em direção a lareira, não saí do transe
em que estava.
"Que nossa senhora das mocinhas indefesas me proteja dessa tentação."
Lutando contra o pecado esculpido em forma de homem que estava diante
dos meus olhos, me levantei e em passos apressados fui para o quarto toma o
meu banho. Depois que já havia terminado, antes de jantar, ele também
tomou o seu banho, fiquei admirada por vê-lo novamente só de calças, com o
tanto de frio que estava fazendo, aquele homem enorme parecia inabalável,
enquanto eu tive que me enrolar toda em um cobertor. Enzzo depois que me
entregou o cobertor, sumiu do meu campo de visão, já que ele dormia na sala.
Tratei de fechar os meus olhos, procurando me entregar ao sono, porém
minutos se passaram, até horas e, quando começou a chover, os estrondos
terríveis de trovões se fizeram presentes. Inquieta e com muito frio, comecei
a me remexer e por mais que eu tentasse dormir, o sono não vinha. Meus
dentes se batiam um no outro, causando um barulho irritante, tamanho era o
frio que estava sentindo e não aguentando mais aquela situação, me levantei e
peguei o cobertor junto com o travesseiro. Em passos trêmulos, segui para o
outro cômodo e quando cheguei a porta, me deparei com a bela visão a ser
apreciada a minha frente.
Ele estava dormindo, seu peito subia e descia no ritmo da sua respiração e
quando dei dois passos, seus olhos azuis se abriram e ficaram fixos em minha
direção. O som da sua voz me tirou do estado de devaneio.
— Venha se aquecer.
Eu aumentei o ritmo das minhas passadas e acabei com a distância que nos
separava. Ele pegou o edredom que nem estava fazendo uso e colocou em
cima do tapete felpudo, que ficava próximo da lareira e também as almofadas
que estavam sobre o sofá.
— Aqui você ficará mais aquecida, já que estará mais próxima do fogo.
— Obrigada.
Tudo estava perfeito, até que eu fui me mover para ir até o carpete e acabei
pisando na parte do cobertor que eu segurava em uma das minhas mãos e
devido o tamanho estava arrastando no chão. Eu só não beijei o chão porque
aqueles braços musculosos foram mais rápidos e puxou o meu corpo contra o
seu.
Nossos olhos estão presos um no outro e a sensação que tenho é de que o
tempo parou naquele momento. O único som audível no ambiente era o das
nossas respirações, já que como um milagre, a chuva parou, os raios
deixaram de cortar o céu e os trovões cessaram. Seus olhos refletem desejo e
a química entre nós estava prestes a ferver e derramar. Enzzo levou uma de
suas mãos livres até o meu rosto, acariciando a minha pele, o seu toque
aqueceu todo o meu corpo e bem diferente de minutos atrás, que o frio
apoderou-se de mim, agora o meu corpo inteiro estava em chamas.
Com movimentos cautelosos ele deslizou o dedo indicador até alcançar a
minha boca e começou a movimentá-lo pelo meu lábio inferior. Ao contrário
da outra vez, eu não queria sair de perto dele, era como se estivesse
bloqueada por algum feitiço lançado, eu jamais havia me sentido tão
completamente a mercê de alguém.
Enzzo, vagarosamente inclinou a cabeça até que seus lábios encontraram os
meus. Sua língua invadiu a minha boca, num beijo ardente e faminto, ele
movia os lábios sobre os meus com um desejo possessivo, acariciando e
enroscando sua língua habilidosa na minha.
Deixei o tecido que tinha na mão cair e levei os meus braços até o pescoço
dele, mesmo através do tecido da minha camisola, eu conseguia sentir o calor
de sua pele e cada segundo que se passava, ele aprofundava ainda mais o
beijo. Eu perdi a noção do tempo e quando dei por mim já estávamos
deitados sobre o tapete que se encontrava no chão.
Enzzo começou a distribuir beijos pelo meu rosto, em seguida pelo meu
pescoço, até alcança os meus seios, entre vários beijos naquela região onde
ele passou um bom tempo acariciando os meus mamilos com a ponta da sua
língua, ele começou a sugar e chupar, fazendo uma onda de calor intenso
atravessar o meu corpo. E quando uma de suas mãos deslizou pelo meu
corpo, chegando até a barra da minha camisola, logo depois foi se movendo
pela minha coxa e parou em cima da minha intimidade, estremeci de
imediato, no entanto, ele novamente começou a me beijar, pressionando o seu
corpo enorme contra o meu, me fazendo sentir o quanto ele estava excitado,
me desejando tanto quanto eu o desejava.Quando achei que o meu corpo não poderia ficar ainda mais quente, seus
dedos lentamente se moveram e se enfiaram dentro da minha calcinha. Um
gemido abafado saiu por entre os meus lábios, assim que ele começou a
movimentar aqueles dedos enormes contra a minha vagina indefesa, com
movimentos precisos em volta dos grandes lábios e se concentrando em um
botão inchado, repleto de nervos, capaz de me proporcionar sensações,
totalmente desconhecidas e deliciosas. Ele aumentou o ritmo de seus
movimentos me levando à beira da loucura e do desespero.
— Por favor.
Seus olhos encontraram os meus como se estivessem tentando decifrar tudo
que eu estava pensando e por nenhum segundo ele deixou de acariciar o meu
clitóris. Senti minha intimidade latejar, meu corpo começou a se contorcer e
no momento que um de seus dedos fez uma forte pressão o meu clitóris
endurecido. Meu corpo reagiu no mesmo instante e uma explosão aconteceu
dentro de mim, logo uma sensação deliciosa tomou conta de todo o meu ser.
Com a respiração ainda ofegante, senti quando ele começou deslizar minha
calcinha e no impulso fechei minhas pernas para conter o seu ato.
— Não vamos fazer nada se você não quiser.
Eu sabia que tinha que sair dali ou seria tarde demais, porém eu já não tinha
mais controle sobre tudo que estava sentindo e a única coisa que eu tinha
certeza, era a de que é nos braços dele que eu queria estar. Suspiro fundo e
disse:
— Eu quero ser sua — um sorriso surgiu em sua face e quando eu abri
minhas pernas, instantes depois já estava livre da peça. Enzzo começou a
levantar minha camisola e assim que ele tocou em uma parte nas minhas
costas, que tinha as cicatrizes devido aos diversos golpes que vinha levando
no decorrer dos anos. Comecei a tremer e aqueles olhos azuis gigantes se
voltaram para os meus.
Durrês – Albânia
 
HELENA
EU SABIA QUE TINHA QUE SAIR DALI ou seria tarde
demais, porém eu já não tinha mais controle sobre tudo que estava sentindo e
a única coisa que eu tinha certeza, era a de que é nos braços dele que eu
queria estar. Suspiro fundo e disse:
— Eu quero ser sua — um sorriso surgiu em sua face e quando eu abri
minhas pernas, instantes depois já estava livre da peça. Enzzo começou a
levantar minha camisola e assim que ele tocou em uma parte nas minhas
costas, que tinha as cicatrizes devido aos diversos golpes que vinha levando
no decorrer dos anos. Comecei a tremer e aqueles olhos azuis gigantes se
voltaram para os meus.
Fui tomada por uma onda de medo, não podia dizer que foi o meu pai já que
ele pensava que eu era filha de Thadeu, e tão pouco ia acreditar que o homem
por quem chorei tanto, dias atrás, fosse um monstro em ter feito isso comigo,
por outro lado, se eu quisesse sair dessa telha de mentiras que estou tecendo a
minha volta, tinha que contar a verdade, porém eu não posso correr o risco do
homem que tenho por pai, fazer algo contra Enzzo e mais um inocente sofrer
por minha causa. Fazendo o que eu achava ser o certo naquele momento, eu
disse.
— Eu caí da escada quando era criança. Fiquei com algumas marcas que não
me trazem boas lembranças e prefiro não falar sobre isso — menti, enquanto
ele manteve o olhar dirigido para mim, inclinou a cabeça como se quisesse
confirmar se o que eu estava falando era verdade, porém eu precisava desviar
sua atenção, então num gesto totalmente despudorado, eu mesma tratei de me
livrar da única peça de roupa que vestia e sua atenção logo se voltou para o
meu corpo despido. Eu jamais pensei que algum dia faria algo assim, mas era
como se fogo liquido estivesse me queimando por dentro e nem que fosse por
minutos, horas ou dias, eu queria me sentir amada.
Senti quando minhas costas nuas tocaram o edredom quentinho, aquecido
pelo calor vindo da lareira. Enzzo que antes tinha um olhar de curiosidade
lançando sobre mim, agora, seus olhos refletiam o mais puro e intenso desejo.
Nos instantes seguintes, a mão dele começou a percorrer cada centímetro do
meu corpo, que estava visível a ele, seguindo pelas curvas que jamais tinham
sido tocadas por outras mãos, que não fossem as minhas e quando ele pousou
a mão na minha intimidade. Senti um alvoroço no meio das minhas pernas e
um calor escaldante no interior da minha vagina.
Seus dedos calejados deslizaram entre os contornos dos grandes lábios do
meu sexo e pousaram próximo a minha entrada intocável, que agora estava
totalmente encharcada, ele começou a fazer movimentos circulares, comecei
a ficar nervosa quando os dedos dele intensificaram o contato naquela área e
a cada movimento em torno da abertura estreita do meu sexo, avançavam um
pouco mais. Um ruído alto saiu entre meus lábios e meu corpo começou a
tremer com aquela pressão contra o meu sexo úmido.
Uma linha dura surgiu em sua face, assim que ele viu algumas lágrimas
descendo pelo meu rosto e minha expressão de dor.
— Você tem certeza? — indaga um tanto preocupado.
Ofegante e com o coração agitado, pois somente ele foi capaz de despertar
uma onda de sensações que era muito mais que volúpia e desejo, pois ao seu
lado me sinto viva e protegida .
— Tenho! Faça-me sua — falei com convicção.
Num abrir e fechar de olhos, Enzzo se levantou e me ofereceu uma visão
privilegiada, engoli em seco. Ele era alto e seu corpo era perfeito, parecia que
eu estava diante do próprio deus da beleza, no entanto, estremeci toda quando
meu olhar ficou fixo no seu membro imenso, com veias grossas e latejantes.
Sem delongas, ele se agachou e subiu em cima de mim. Senti o calor dele
sobre o meu corpo e a cabeça saliente do seu pênis próximo à minúscula
fenda da minha intimidade molhada. Tudo que vinha em minha cabeça, era
como abrigaria todo aquele comprimento e a grossura dentro de mim, mas
antes que eu cogitasse em mudar de ideia e sair correndo dali. Senti a pressão
suave da sua boca firme contra a minha. Enzzo me beijava com uma
habilidade avassaladora, um beijo quente e malicioso.
Arrepiada de desejo e com uma tensão crescente que só aumentava com a
deliciosa exploração da sua língua, que acariciava a minha, a medida que seus
beijos se tornavam mais intensos, ele pouco a pouco ia empurrando o seu
pênis grosso e duro para dentro da minha vagina apertada, mordi os lábios e
os meus olhos lacrimejaram com cada invasão mais intensa do seu membro
contra a minha carne rosada.
— Estou machucando você? — estava doendo mais não podia deixar que ele
viesse a parar, já tinha chegado muito longe.
— Não!
Em meio a um turbilhão de sensações e todo o cuidado que ele estava tendo
comigo, eu mal percebi quando ele já estava todo dentro de mim e as
barreiras da minha virgindade haviam sido derrubadas. Enzzo beijou o meu
rosto molhado pelas lágrimas e tudo que eu sentia era as veias do seu pênis
volumoso e quente pulsando dentro da minha vagina.
— Perfeita — ele disse ofegante e ardente de desejo.
Quando ele viu que minha expressão estava mais suave e meu corpo havia se
adaptado ao seu tamanho, Enzzo começou uma agitação em seus quadris,
iniciando um movimento de vai e vem, que de início era lento, mais logo ele
aumentou o ritmo me penetrando cada vez mais forte. Cravei minhas unhas
em suas costas, o que incitou seus instintos primitivos, o fazendo me penetrar
com vigor.
Era impressionante como minha intimidade reagiu com entusiasmo poderoso
as suas investidas, apertando e agarrando o seu pênis, fazendo com que suas
estocadas fossem mais fundas. Tomada pelo desejo e com sua ereção
enterrada toda dentro de mim, comecei a remexer os quadris à medida que
sua boca iniciou uma exploração torturante nos meus seios, sugando todo o
meu mamilo.
Inundada de prazer e lutando contra o latejar que se comprimia em minha
vagina, meu corpo inexperiente ardia de desejo e minha intimidade reagiu se
contraindo em torno do pênis dele. Ele acelerou o ritmo entrando e saindo,
cada vez mais forte enquanto sua boca deslizava pela longa extensão do meu
pescoço delgado.
— Quero lhe encher de prazer — ele disse antes de me beijar intensamente.
Nossos corpos completamente em sintonia, se encaixavamcomo se fosse
feito sob medida. Pele contra pele, grudados pelo suor. Respirando o ar
repleto do cheiro de sexo, senti minha vagina se contrair no mesmo instante
que minha garganta se fechou, em seguida, o nó se desfez e um prazer
animalesco saindo das minhas entranhas. Enzzo ainda me penetrava
vigorosamente, gemidos agonizantes saiam da sua boca e quando nossos
corpos sacudiram violentamente, senti o seu sêmen quente sendo despejado
em meu ventre.
Com o ritmo dos nossos batimentos cardíacos a mil, era o único som presente
no ambiente e quando seus olhos encontraram os meus, ele aproximou sua
boca da minha me dando um beijo cheio desejo e carinho.
A única certeza que eu tinha, era que nunca havia me sentindo tão feliz em
toda a minha vida. E, não importa as consequências, eu quero aproveitar cada
segundo, no entanto eu tinha uma sensação que havíamos esquecido de
alguma coisa.
Durrês – Albânia
 
ENZZO
NOS ÚLTIMOS DIAS, por mais que eu tentasse direcionar
os meus pensamentos apenas para o maldito, era o rosto angelical dela, que
sempre surgia do nada, fazendo não só o meu coração ficar agitado, onde as
batidas ressoavam tão alto, parecendo tambores, assim como o meu corpo,
desde o dia que a encontrei, está quente como uma caldeira em
funcionamento.
Tentei ficar o mais afastado possível, porém com a tempestade se
aproximando e já prevendo o frio que ia fazer, tive que providenciar madeira
e só assim com a ajuda da lareira o ambiente ficaria aquecido. Não que eu
estivesse ou viesse a sentir frio, muito pelo contrário, se não fosse pela
presença dela, eu estaria andando dentro de casa como vim ao mundo, mas
pelos meus anos de experiência e entre muitas idas naquele bordel, deu para
perceber, desde o dia em que a beijei, onde ela estava praticamente
desajeitada, que eu poderia facilmente ser considerado um prostituto se fosse
comparar as nossas experiências sexuais.
O meu tio sempre dizia que eu não conseguia manter o meu cacete dentro das
calças e em pouco tempo eu já o tinha superado. Segundo ele, a diferença
entre eu e as meninas do bordel em relação ao sexo, era que eu não cobrava
para fazer ou já estaria rico.
Depois que acendi a lareira, segui para o banheiro, já que o maldito calor não
passava e precisava urgentemente de uma ducha gelada, pois além do meu
corpo estar em chamas, estava difícil aguentar o latejar provocado pelo
guloso, que desejava a todo custo se libertar da sua prisão. Nem mesmo o
banho foi capaz de abaixar a alta temperatura que tomou conta de todo o meu
corpo, o que não era o caso dela, que estava tremendo de frio e ao cair da
noite, logo depois do jantar, tratei de procurar outro cobertor e assim ela
ficaria bem aquecida.
Deixei o quarto rumo ao sofá, onde tenho passado as noites desde quando a
encontrei. Os minutos se passaram e até cogitei em apagar o fogo da lareira,
mas era a única forma dela não sentir tanto frio, se bem que era muito mais
fácil eu mesmo aquecê-la, já que parecia mais uma fornalha humana de tão
quente. Fiquei perdido em meio a vários pensamentos, meus olhos já estavam
pesados e tudo que lembro antes de ser envolvido pela escuridão foi do
estrondo ensurdecedor provocado por um trovão.
Não sei quanto tempo havia se passado, mais meu corpo ficou em total alerta
ao ouvir o som de passos dentro do cômodo e imediatamente meus olhos se
abriram, me deparando com aquela que vem ocupando os meus pensamentos,
provocando tantas sensações, que jamais achei que fosse capaz de senti e ao
ver o estado em que ela estava, me levantei, em seguida pedi que viesse para
perto da lareira se aquecer. Quando a segurei, antes de cair no chão, eu já não
aguentava mais ter que controlar tudo que estava sentindo e uma corrente de
eletricidade me atingiu iniciando desde os meus pés até chegar em minha
cabeça e sedento de desejo tomei sua boca no beijo que fez todo meu corpo
estremecer como se estivesse passando por ondas de choques.
Minha ereção foi imediata e muito maior que o desejo de explorar aquela
boca deliciosa, era acariciar cada curva do seu belo corpo e fazê-la minha em
todos os sentidos. No instante seguinte, enlouquecidos pela química sexual,
pelo desejo, não só carnal, como eu sentia que assim como o meu coração, o
dela também estava no ritmo descompassado e a cada momento tudo se
tornava ainda mais delicioso, no entanto, no momento que notei aquela
pequena cicatriz em sua pele, seu nervosismo ficou evidente e mesmo
ficando intrigado a minha atenção logo ficou direcionada para bela imagem a
minha frente.
Todas as minhas experiências sexuais sempre foram no bordel e todas com
mulheres muito experientes e pela primeira vez, ao estar com uma virgem e
saber que fui escolhido para algo especial em sua vida, tinha que ser o mais
cuidadoso possível. Se tem uma coisa que sempre aumentou o meu ego como
homem, foi ser grande em todos os sentidos e mais ainda por saber usar com
grande habilidade, proporcionando prazer em vez de dor.
Nunca pensei, em toda a minha vida, que poderia sentir tanto prazer e mesmo
louco de desejo, eu tinha plena consciência que não poderia ir com muita
sede ao pote. Pela sua expressão, eu sabia que estava tomada pela dor e por
esse motivo tive que controlar a vontade que se apoderou de todo o meu ser,
em me afundar por inteiro naquela boceta apertada ou acabaria não só
machucando-a, como tudo que ela iria sentir era dor. Não foi fácil ter que
segurar a vontade de enfiar todo o meu membro dentro dela, mais sabia que
pela primeira vez e o jeito como sua vagina apertava o meu cacete isso seria
impossível.
De todas as experiências que tive na vida, nenhuma jamais chegou perto de
tudo que senti na noite anterior e assim que surgiram os primeiros raios do
sol. Tratei de deixar à cabana e vim até o centro da cidade providenciar algo
ou as consequências de tudo que fizemos ontem nos unirá para sempre.
 
HELENA
Acordei alguns minutos atrás, mas ainda não me levantei e muito menos abri
os meus olhos. Não sei como vou agir depois de tudo que fizemos na noite
anterior, depois de ter me comportado de uma forma tão despudorada. Estava
exausta e cada pequena parte do meu corpo estava dolorida, deliciosamente
dolorida, embora depois de ser envolvida por um vendaval de sensações,
quando novamente começamos a fazer tudo de novo, pois o desejo que tomou
conta do meu corpo chegava a arder e ao contrário da primeira vez, uma dor
surreal me invadiu por completo. A sensação que eu tinha era que estava
sendo rasgada ao meio e mesmo com tanto cuidado, que ele estava tendo, eu
não conseguia acreditar como o seu membro estava muito maior, pois me
sentia completamente cheia.
Demorou a cair a ficha de que ele não havia colocado antes, toda aquela
monstruosidade que tem entre as pernas dentro de mim. Entre beijos,
passados alguns minutos imóveis, para que a dor que eu estava sentido
diminuísse um pouco, eu fui me acostumando e muito maior que minha dor
era o fogo incendiando as minhas veias, se espalhando por todo o meu corpo,
fazendo minha vagina pulsar e o calor escaldante dela atravessar o pênis dele
que começou a latejar violentamente dentro de mim. Foi a melhor noite de
toda a minha existência, senti um prazer inexplicável, paixão e desejo que
jamais pensei que existiam.
Quando juntos chegamos ao ápice do prazer, logo depois ele me convidou
para irmos tomar banho, algo que jamais ia acontecer. Vendo que seu convite
me deixou inquieta, ele me deu um beijo delicioso e se levantou. Eu não
consegui desviar os olhos da bela imagem daquele deus grego pelado
caminhando em direção à porta do quarto.
A bunda dele devia ser considerada a nona maravilha do mundo.
Enzzo, ao retornar a sala já me encontrou vestida, eu não poderia correr o
risco dele ver as minhas costas, em passos apressados, fui para o quarto e
tomei o meu banho. A chuva novamente voltou e dessa vez muito mais
intensa, de banho já tomado voltei para sala e acabamos dormindo os dois no
tapete que estava sobre o chão.
Respiro fundo e era chegada a hora de encarar a realidade, pois depoisde
tudo que fiz, agora não adiantava mais ter vergonha. Abri os meus olhos e
senti um aperto em meu peito ao perceber que ele não estava, talvez tivesse
se arrependido de tudo que fizemos e o que foi perfeito pra mim, não passou
de um momento de prazer, o qual ele já deve ter tido vários em sua vida.
Mesmo com o incômodo entre minhas pernas, me levantei e fui para o
banheiro.
 
Instantes depois que já tinha tomado banho e arrumada, fui para cozinha, pois
estava morta de fome, no entanto, eu nem sabia como ligar o fogo e tão
pouco tinha um celular para pesquisar como faria isso. Sentei-me na cadeira e
com uma maçã em mãos, comecei a comer, estava tão distraída que nem
percebi quando ele chegou e ao ouvir sua voz, quase me engasguei com o
pedaço da fruta que ainda nem tinha começado a mastigar.
— Bom dia.
Tratei de mastigar rápido, a comida, que estava em minha boca e respondi.
— Bom dia.
Ele colocou um monte de sacolas que trouxe em cima da mesa, foi até a
geladeira pegou a caixa de leite e colocou o líquido dentro de um copo, em
seguida estendeu em minha direção e logo depois um comprimido. Vendo
minha reação ele tratou de me informar a sua utilidade e sem questionar nada,
eu tratei de ingerir de imediato.
O restante da manhã, pela primeira vez, me vi enfiada em uma cozinha e com
ajuda de Enzzo, aprendi até como se fazia o arroz. Depois do almoço, quando
estava lavando a louça, ele se aproximou de mim e assim que suas mãos
ficaram em volta da minha cintura, senti o calor do seu hálito quente em
contato com o meu pescoço e lentamente ele começou a fazer uma trilha de
beijo naquela região.
Suspendi minha respiração quando senti sua língua passeando pela minha
pele e num impulso, juntei minhas pernas ao sentir uma onda de calor entre
elas, e quando num movimento rápido e preciso, me virou de frente para ele,
no momento que ia me beijar, o barulho irritante do seu celular começou a
ecoar sem parar.
Enzzo pegou o objeto e logo depois se afastou indo em direção à sala. Depois
do que havia acontecido, não teve mais clima, ele também acabou saindo
horas depois e passou o restante do dia fora. Olhei para o relógio, já eram
quase oito da noite e ao contrário da noite anterior, estava fazendo muito
calor, ele tinha chegado e ainda eram sete horas e depois que jantamos, não
aguentando mais o calor insuportável que pairava no ambiente, Enzzo ainda
me convidou para tomar banho no rio, algo que recusei assim que ouvi suas
palavras e ele acabou indo sozinho.
Mas, já não estava mais aguentando, pois meu corpo estava banhando pelo
suor. Um pensamento surgiu em minha cabeça e com passadas rápidas fui até
a minha mochila e procurei entre minhas roupas a camiseta que fazia par com
uma blusa transparente que tinha, afinal, nem em meu pior pesadelo cogitei
em deixar minhas costas amostra. Vesti a peça que ficou bem colada em meu
corpo, desse jeito eu não ia correr nenhum risco dele querer tirar a peça.
Deixei o ambiente e segui para a parte esquerda da cabana, onde estava
localizado a alguns metros um rio, com passos largos, já dava para ouvir o
barulho causado pela movimentação dele na água e assim que cheguei ao
meu destino, o choque da realidade pairou sobre mim.
Embora morasse em uma mansão luxuosa, com uma grande piscina, eu nunca
tinha feito uso dela e muito menos sabia nadar. O céu estava estrelado,
fazendo o contraste perfeito com a lua cheia, tirei o short que estava usando e
tratei de me limitar a não sair da beirada ou de certo, se não tinha morrido
carbonizada naquele acidente, agora iria ao me afogar. Enzzo, ao notar a
minha presença, logo tratou de acabar com a distância que nos separava e ao
ficar a centímetros de distância, se manifestou.
— Vencida pelo calor.
— Eu não estava mais aguentando.
— Venha, ficando aí no raso não vai adiantar muita coisa.
Ao ver que fiquei imóvel sua voz novamente se fez presente.
— Você não sabe nadar?
— Não e nunca banhei em um rio antes.
— Não precisa ter medo, você está comigo — ele disse estendo a mão em
minha direção.
 
Sem hesitar, segurei em suas mãos e andamos até uma parte mais funda, até
paramos e ele envolveu os braços fortes em volta da minha cintura, me
puxando para mais perto de si, fazendo-me sentir todo o poder da sua ereção.
Quando nossos olhos se encontraram, nem uma palavra foi dita, pois nós dois
sabíamos muito bem o que tanto estávamos desejando.
Enzzo inclinou a boca sobre a minha, e por instinto colei minhas mãos na
nuca dele, sentido minha pele correr em arrepios, quando sua língua sedosa
serpenteou em minha boca iniciando uma dança erótica que de início foi lenta
e depois se tornou mais profunda e intensa.
Estremeci toda ao sentir as carícias quentes de sua língua habilidosa,
enquanto suas mãos deixaram minha cintura e seguram com firmeza
minhas nádegas. Com nossas bocas ainda grudadas, ele segurou a barra da
minha calcinha e em questão de segundos a peça desceu pelas minhas pernas
e essa certamente ficaria para sempre naquele lugar. Enzzo me suspendeu e
me fez entrelaçar as pernas em volta da sua cintura.
Embriagados de desejo, e a excitação deixando minha cabeça totalmente
enevoada, tudo que eu queria era ser dele novamente.
Enzzo remexeu os quadris para ter o encaixe perfeito e quando ele finalmente
introduziu seu membro dentro de mim, parecia que tinha entrado dentro do
meu corpo inteiro. Podia senti-lo me atravessando, todos os nervos do meu
corpo interligados, ele começou com movimentos de vai e vem preguiçosos e
torturantes, comecei a movimentar os meus quadris, me esfregando nele,
enquanto ele sugava os meus seios, alternando entre um e o outro.
Fiquei desnorteada quando ele começou a se mover sem tirar por nenhum
segundo o seu pênis de dentro de mim e quando saímos de dentro da água,
me colocou no chão e por uma fração de instantes, pude contemplar todo o
auge da sua excitação, que exibia veias grossas e pulsantes.
Enzzo se juntou novamente a mim e agarrou o seu pênis. Para aumentar o
meu desespero começou a esfregar a grossa cabeça do seu membro no meu
sexo, fazendo uma trilha do meu clitóris até entrada da minha intimidade.
— Por favor — supliquei querendo tê-lo logo de uma vez dentro de mim,
mas ele passou por diversas vezes a cabeça do seu membro na minha vulva
supersensível. Eu gemi alto, me contorcendo em uma demonstração de desejo
ardente.
Um sorriso perverso surgiu em sua face e num tom de voz pecaminoso ele
disse.
— Diga-me, o que você deseja anjo?
— Eu preciso de você dentro de mim — supliquei de novo.
Posicionando o corpo sobre o meu e seu imponente membro entre as minhas
pernas. Sem preliminares, ele deslizou o seu pênis para dentro da minha
entrada molhada e ao contrário de minutos atrás, seus movimentos eram
preciso, cada vez mais fundo, me fazendo sentir seu membro quente e
volumoso totalmente dentro de mim, deslizando toda a longa extensão dele
para dentro da minha intimidade faminta. Diante das suas investidas
estonteantes, comecei a remexer meus quadris com maior rapidez, gemendo
de êxtase enquanto aquela ereção imensa e latejante era empurrada com mais
força, me levando à loucura.
Ele encostou o rosto no meu e tomou a minha boca com volúpia, chupando a
minha língua e arrancando gemidos abafados de arrebatamento, a cada
movimento vigoroso, que eram seguidos de estocadas fundas, que atingiam
até o meu ponto mais profundo, meus quadris se movimentavam em
espasmos violentos. Enzzo afastou sua boca da minha e soltou um grito alto,
em seguida seus olhos ficaram grudados no meu.
— Goze comigo. Você é minha, toda minha.
O meu corpo obedeceu ao seu comando antes mesmo que minha mente
pudesse registrá-lo. Eu gritei, gritei tão alto que senti minha garganta
reclamar, me contraindo e pulsando ao redor dele. Num movimento rápido,
ele tirou seu pênis de dentro de mim e jatos potentes do seu sêmen atingiu a
minha perna.
 
Uma onda do melhor cansaço do mundo me invadiu imediatamente, logo
depois ele me abraçou, beijando a minha boca com ternura. Outra vez e eu fui
tomada por uma sensaçãode felicidade.
Durrês – Albânia
 
Uma semana depois...
OMAR
DESDE O MOMENTO QUE DEIXEI O QUARTO DA
INFELIZ, tratei de reunir o meu pessoal e enquanto alguns foram
direcionados para o local do acidente, eu fui para o hospital mais próximo.
No entanto, depois de percorrer todos os hospitais desse país, não obtive
nenhuma informação da desgraçada que tenho por filha.
Os membros do conselho, sabendo de toda movimentação, vieram ao meu
encontro e jamais poderia revelar a todos que ela havia simplesmente fugido
e aproveitando que souberam da morte de Thadeu, tratei de colocar toda a
culpa no maldito, fazendo todos acreditarem que ele certamente estava
trabalhando para os inimigos, o que fez todos cogitaram que tudo foi
planejado para tirar o imbecil do caminho deles e com sua morte, não iam
correr o risco de ninguém saber o paradeiro de Helena, assim, no momento
certo, eles poderiam usá-la para colocar o plano que tinham em mente em
ação.
 
Sabendo da realidade dos fatos e sedento de ódio, para colocar minhas garras
naquela imprestável, hoje uni o útil ao agradável. Todos aqueles que
desconhecem que, por trás do empresário respeitado também existe o chefe
de uma organização criminosa, que por anos vem semeando a destruição e
intensificando o crime nessa região, matando quem se atreve a ficar em seu
caminho, estão solidários pelo sequestro de Helena Petrovci.
Além de contar com a possibilidade de algum desses idiotas vir a contribuir
com alguma informação sobre onde ela possa estar, já que foi oferecida uma
alta quantia. O falso sequestro me fez alavancar nas pesquisas, me colocando
agora, como o primeiro candidato favorito ao cargo, que será o primeiro
passo para chegar aonde tanto venho almejando. Deixei de ser visto somente
como o homem de negócios, que sempre vem fazendo caridade para os mais
necessitados, agora é o marido e pai que está sofrendo e fazendo de tudo para
encontrar sua filha tão amada.
Ao divulgar hoje no jornal mais famoso do país, a foto de Helena, a
princesinha da máfia, como é conhecida, entre aqueles que vivem no mundo
da máfia, eu espero que em breve tenha notícias da infeliz, que vai desejar
nem ter nascido quando eu colocar minhas mãos nela. Tudo que essa infeliz
já passou será nada, comparado com tudo que tenho em mente, se o destino
levou o meu filho tão amado em vez dela, eu farei de cada minuto da sua vida
miserável um verdadeiro inferno.
 
HELENA
Se realmente existe o paraíso, eu estou vivendo nele. Nunca em toda a minha
vida tive momentos tão felizes, até porque os poucos que eu tive, foram ao
lado da minha mãe, e como sempre, aquele monstro tratava de fazer algo para
que o sorriso em nossos rostos fosse substituído pelas lágrimas.
Desde a noite que tomamos banho naquele rio, a sensação que tenho é de
estar vivendo um verdadeiro conto de fadas. Enzzo tem sido muito carinhoso,
não só durante o sexo. Com o passar dos dias, mal conseguimos nos
desgrudar, a não ser pelas saídas que sempre eram no mesmo horário e o seu
telefone também sempre tocava assim que chegava em casa. Ontem ele disse
que precisava retornar para sua casa que ficava em Tirana. Sabia que era o
momento de seguir o meu caminho, embora uma grande tristeza pairasse
sobre mim, porém eu fui surpreendida pelo seu convite em ir com ele para
sua casa.
Mesmo vibrando de felicidade por saber que ele sentia muito mais que só
desejo carnal. Depois da noite maravilhosa que tivemos ontem, eu decidi que
assim que chegasse lá, eu iria contar toda verdade. Posso estar vivendo num
conto de fadas, mas as vezes tem fim e por maior que seja o desejo de que
tudo permaneça como está, cheio de paixão e amor, a mentira é capaz de
destruir tudo. Só preciso primeiro deixar os domínios do algoz que tenho por
pai e depois de contar a verdade, tentarei entrar em contato com a minha mãe.
Aqui nesse lugar tão simples, comparado com todo o luxo da mansão em que
vive por anos. Eu tive momentos inesquecíveis, que ficarão para sempre em
meu coração. Foi aqui que o homem que salvou a minha vida me fez
novamente conhecer a luz. Que despertou muito mais que desejo e luxúria,
despertou um sentimento tão grandioso que já não consigo mais imaginar
viver longe dele.
Não é só o meu corpo que arde por ele, que queima como se tivesse em vez
de sangue em minhas veias, um fogo líquido, mas o meu coração que vive
batendo fundo como nunca tinha acontecido antes de conhecê-lo. Minhas
lembranças foram interrompidas ao sentir braços fortes em volta da minha
cintura, ele inclinou a cabeça e seus lábios macios tocaram os meus e sem
delongas sua boca esmagou a minha. Sua língua deslizou-se sobre meus
lábios até invadir a minha boca, acariciando a minha em um beijo quente e
devastador, que fez de imediato uma onda de calor surgir entre minhas
pernas.
Acabamos por nos separar por falta de ar e do jeito como estávamos, aquele
beijo ia acabar com nós dois em cima da cama. Instantes depois, pegamos
nossas coisas e caminhamos em direção ao carro. Passei todo o percurso
nervosa, já que ele me contou que morava com seu tio e Yolanda, que era
como uma avó para ele, perguntei sobre os seus pais, mais assim como eu
disse que não gostava de falar sobre o assunto de uma das cicatrizes em
minhas costas, ele também disse que o assunto sobre seus pais não era algo
que gostasse de compartilhar.
Acabei adormecendo e quando acordei foi com a voz dele me chamando,
para avisar que havíamos chegado. No momento que saí do carro, senti um
calafrio percorrer a minha espinha e um forte incômodo pairou sobre mim.
Fiquei totalmente imóvel, era como se algo de ruim fosse acontecer, meu
coração estava agitado e minha respiração tornou-se pesada. Eu não sei o que
estava acontecendo comigo, porque por dentro a sensação que eu tinha era
que todo o meu corpo estava tremendo.
Enzzo ao ver minha reação veio ao meu encontro. Ele segurou em minhas
mãos e percebeu o quanto estavam geladas.
— Você está se sentindo bem?
— Acho que é pelo meu nervosismo.
Ele me abraçou e ao ouvir suas palavras fiquei mais confiante.
— Eles vão adorar você — disse ele e em seguida me deu um beijo casto nos
lábios e segurou firme a minha mão direita.
— Vamos!
Fiz um gesto com a cabeça e em passos vacilantes andei em direção à entrada
principal. Assim que ele abriu a porta, uma senhora e um homem que
mantinha a cabeça abaixada olhando fixamente para um jornal surgiram no
meu campo de visão, no entanto, a voz de Enzzo se fez presente.
— Eu quero que vocês conhec...
Antes que ele terminasse de falar, o homem, ao desviar sua atenção do objeto
em suas mãos, se virou em nossa direção e ao me ver, sua expressão ficou
fechada e sua voz carregada de ódio ecoou no ambiente.
— Helena Petrovci.
Tirania – Albânia
 
ENZZO
ELA ESTAVA NERVOSA, depois de acalmá-la, seguimos
para a entrada e assim que entramos, eu disse.
— Eu quero que vocês conhec...
Antes que eu terminasse de falar, o meu tio ao desviar a sua atenção do jornal
em suas mãos se virou em nossa direção. Suas feições mudaram e a raiva
estava visível em seu olhar, deixando-me desorientado, mas ouvir as palavras
ditas por ele fez toda a alegria que estava sentindo segundos atrás ser
substituída por tristeza e raiva.
— Helena Petrovci!
O som, de suas palavras ressoou no ar. Hulk segurou o objeto com as duas
mãos, revelando a imagem daquela que sempre odiei só por saber do seu
nome e da sua existência. Que sem saber, conheci sua verdadeira aparência e
senti durante esses dias um sentimento que jamais achei que fosse capaz de
ter por nenhuma mulher. Uma onda de calor tomou conta de mim. Senti o ar
se esvaindo dos meus pulmões e o ódio trancou a minha garganta. Tudo que
vinha em minha mente eram as palavras ditas pelo meu tio, olhei para mulher
ao meu lado, que se mantinha com uma expressão de medo e certamente era
pelo fato de ser descoberta.
Eu não só me deixei ser enganado pelo rosto de anjo que é filha daquele
demônio, como fracassei com a promessa que fiz no túmulo dos meus pais.
Deixei que a luxúria, o desejo carnal eum sentimento que jamais deveria ter
ganhando tamanha proporção, me deixasse cego ao ponto de não ver o que
estava diante dos meus olhos. O calor que segundos atrás estava me
incendiando, causando um desconforto terrível em minha pele, se
intensificou.
Não sei o que estava acontecendo comigo. Minha cabeça começou a doer e
quando fechei os meus olhos, era como se algo que estivesse preso dentro de
mim, iniciasse um duelo tentando se libertar. De repente, o meu coração
começou a se agitar em meu peito e as batidas eram tão fortes, que a sensação
era de que dava para todos ouvirem, meus pulmões estavam funcionando aos
espasmos. O sangue em minhas veias, percorriam por elas como fogo líquido,
senti uma queimação no meu rosto como se ele estivesse transfigurando e
quando voltei a abrir os olhos, tudo que havia em minha frente era somente a
escuridão.
Helena Petrovci, tinha acabado de acordar o monstro que habitava dentro de
mim.
 
HELENA
Eu estava com o coração disparado e uma sensação de desespero. O olhar
gelado e furioso, lançado pelo homem a minha frente, fez tremores de medo
percorrem todo o meu corpo, comecei a respirar com dificuldade e ao
levantar a cabeça, o pânico me dominou ao ver a própria imagem do anjo se
transformando no demônio. Seu rosto começou a se contorcer até se
transformar numa máscara rígida e seus olhos azuis ficaram num tom mais
escuro, onde o brilho deles deu lugar a faíscas de ódio. Suas mãos estavam
fechadas em punho, como se a qualquer momento toda aquela fúria não
poderia mais ser contida.
 
 
E no momento que o som da voz daquele homem enorme, novamente
preencheu o espaço, o choque da realidade caiu como um soco em meu
estômago.
— Jamais pensei que a pessoa que você disse que estava trazendo seria a
filha daquele maldito traidor. Essa infeliz por anos vem usufruindo tudo que é
seu, assim como aquele desgraçado usurpou o lugar do seu pai e nada mais
justo que Helena Petrovic, seja a primeira a ser eliminada. Vamos ver qual
será a reação do infeliz ao receber a cabeça da própria filha de presente.
As palavras proferidas por ele começaram a ecoar em minha cabeça e muita
coisa começou a fazer sentido. Enzzo, esse era o nome do filho de Vitor
Demisovski, a minha mãe havia me contado quando falou do massacre que
aconteceu naquela casa, que sempre me deixou com calafrios ao passar por
aquele corredor, mas, Omar fez questão de morar naquela mansão, embora
sabendo que foi lá que o seu melhor amigo morreu, no entanto, não consigo
entender como ele pode estar vivo e por que esse homem está dizendo tudo
isso.
O desespero apoderou-se de todo o meu ser quando o tio de Enzzo, movendo
numa velocidade impressionante, pegou uma arma que estava próxima à
poltrona onde, antes ele estava acomodado e começou a caminhar em minha
direção. Tentei falar, mais não saia nenhuma palavra, pois o meu medo era
tão grande, que não conseguia nem me mover e quando ele parou em nossa
frente e apontou a pistola na direção da minha caixa torácica, antes que
fizesse qualquer outro movimento, Enzzo, que até então estava em silêncio,
se manifestou.
— Pare! Você não vai tocar nela — respirei aliviada.
O tio dele desviou seu olhar mortal, que antes estava fixo pra mim e encarrou
o sobrinho. Levantou as sobrancelhas de forma inquisitiva como se esperasse
uma justificativa, quando eu escutei as palavras que foram ditas como
resposta, eu senti uma dor terrível como se um punhal tivesse sido cravado
em meu peito, como se fosse tirado o chão debaixo dos meus pés.
 
— A morte seria um alívio para ela. Helena, assim como aquele infeliz vai
pagar em vida pela sua maldita existência.
Um sorriso vitorioso surgiu no rosto do homem, que até então tinha uma
expressão fechada. Comecei a ficar com falta de ar e quando pensei que não
poderia ficar pior, senti uma dor infernal em minha cabeça, quando aqueles
dedos que tanto me proporcionaram prazer, começaram a se enroscar em
volta dos meus cabelos. O nó que estava fechando a minha garganta se desfez
e um grito estrondoso saiu rasgando a minha garganta e ignorando a minha
dor, ele saiu me puxando pelo longo corredor.
— Pare! Está doendo — disse aos prantos, pois à medida que ele andava,
intensificava os puxões e a dor se espalhava pelo meu couro cabeludo.
Meus olhos marejaram com lágrimas repentinas inundaram todo o meu rosto.
Instantes depois, que pareceram uma eternidade, onde minha boca já estava
seca de tanto gritar, ele parou, em seguida abriu uma porta e assim que
acendeu a luz, começou a me puxar novamente, descendo os degraus e
quando enfim nos livramos do último. Enzzo chocalhou a minha cabeça com
muita força e me lançou no chão, fazendo novamente um ruído de dor e medo
sair da minha boca.
Meus olhos passearam em volta do lugar, que parecia ser um porão. Fiquei
encolhida no chão, pois a dor que antes estava sentido na minha cabeça,
agora era pior em minhas costelas, devido o impacto ao ser jogada no chão.
Mas, eu precisava esclarecer as coisas.
— Enzzo! — disse, com a voz fraca. — Cale a sua boca, sua infeliz! —
praticamente aos berros, ele mandou que eu me calasse. Seu tom de voz era
cheio de ódio, uma fúria descomunal, semelhante a que Omar demostrava,
toda vez que começava a me bater. Meus pensamentos foram interrompidos
quando ouvi sua voz novamente.
— Não quero ouvir nenhuma palavra que saia da sua maldita boca. Você,
assim como o traste que tem por pai, não passam de dois desgraçados
mentirosos. Vivem escondendo a verdadeira face do lobo em pele de
cordeiro.
 
O pânico havia tomado conta de mim e tudo estava tão confuso que a única
coisa que vinha em meus pensamentos, era que talvez, ele não soubesse da
veracidade dos fatos, pois minha mãe disse que o corpo do pequeno herdeiro
nunca foi encontrado e esse homem que ele tem por tio, possa ser o mesmo
que o tirou daquela mansão. Deixei os devaneios de lado assim que ele se
virou e começou a subir os degraus e ao chegar ao topo da escada, o que ouvi
em seguida me dizia que o paraíso em que eu acreditei estar, tinha acabado de
dar lugar ao verdadeiro inferno.
— Helena Petrovci, você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho, vai
desejar que eu tivesse te deixado morrer dentro daquele carro, farei de cada
dia da sua vida o próprio inferno.
Tirana – Albânia
 
ENZZO
TODA A RAIVA QUE TOMOU CONTA DE MIM estava
me enlouquecendo. Além da sensação ruim como se o meu corpo estivesse se
incendiando, acabei voltando à realidade ao ver o meu tio com uma arma
apontada na direção dela o que não só fez o meu coração se agita ao perceber
a sua intenção como novamente algo que só sentir depois que nossos
caminhos se cruzaram pairou sobre mim "medo".
Por mais que as sombras estivessem me envolvido, não foi o suficiente para
que a luz vinda dela ainda tentasse a todo custo me atingir e por mais que
sentisse um ódio descomunal pela maldita, pensar que, com um simples
movimento uma bala poderia ser algo fatal e como consequência tiraria sua
vida. Por instinto meus lábios se moveram e minha voz se fez presente
fazendo o meu tio desviar sua atenção do seu alvo.
Hulk mantinha seu olhar fixo em mim e eu sabia que uma verdadeira guerra
seria iniciada. Todavia, suas feições mudaram e um sorriso satisfatório surgiu
no seu rosto ao ouvir minhas palavras.
 
Olhar para mulher ao meu lado e lembrar-me de quem ela era filha, só fez
minha raiva se renovar. Ao contrário dela, que cresceu cercada pelo amor dos
pais, eu cresci com amor, claro, mais não era o amor dos meus pais. Não foi
Helena que pegou uma arma e tirou a vida deles, porém ela é fruto da
semente do mal e assim como o seu criador não hesitou em fazer minha mãe
e um bebê sofrer as consequências de sua ambição, eu também não terei
piedade.
Não importa quem eu tenha que destruir, ou o que tenha que fazer para
atingir aquele desgraçado, será feito. Muito maior que qualquer sentimento
que descobri ao seu lado, é o ódio que desde criança se enraizou em meu
coração e foi tudo que me manteve firme. Que preencheu o vazio no meu
peito. Poderialevar anos, mas eu teria o coração negro daquele traidor
pulsando diante dos meus olhos e não seria uma bala que acabaria com sua
vida e sim as mãos que antes eram tão pequenas, no entanto, ao crescerem
iam arrancar e esmagar o seu maldito coração.
Movido pelo ódio que inflamava em minhas veias, levei uma das mãos de
encontro aos seus cabelos e os gritos que saiam entre seus lábios soaram
como músicas para os meus ouvidos. Depois que a deixei naquele porão,
encolhida como um animal indefeso, saí ao encontro do meu tio, muita coisa
precisava ser esclarecida.
Deixei as lembranças de lado quando ouço a voz de Hulk.
— Ainda não entendi como você conseguiu entrar na mansão e sequestrar a
filha do desgraçado.
— Não fui eu o responsável pelo sequestro de Helena e duvido que ele tenha
acontecido.
— Está aqui no jornal e durante todos esses anos, o traidor jamais tinha
divulgado uma foto da princesinha da máfia.
Nos instantes seguintes, contei como tudo aconteceu, desde o momento que a
encontrei dentro daquele carro desfalecida, até o falso nome e como acabei
me envolvendo com ela. Como já esperava, a reação dele foi a pior possível,
seus olhos refletiam o puro ódio e quando uma de suas mãos se fechou em
punho, um golpe terrível foi dado sobre a mesa fazendo tudo que tinha sobre
ela cair no chão.
As feições de Hulk eram totalmente desconhecida por mim e o desafio
silencioso que tomou conta do ambiente foi quebrado quando o som da sua
voz ecoou no espaço.
— Como você pôde se envolver com a filha do nosso pior inimigo? Agora
mais do que nunca aquela infeliz será enviada ao inferno — ele disse aos
berros.
O incômodo que minutos atrás estava me causando um forte desconforto
cresceu. Meus pulmões começaram a funcionar num ritmo frenético, e antes
que ele cogitasse em se mover, acabei com a distância que nos separava e
parei em sua frente.
— Eu te aconselho a não falar comigo nesse tom novamente. Você por anos
me preparou para assumir o lugar que era meu por direito e jurou lealdade ao
legado dos Demisovski. A única palavra que vai prevalecer aqui é a minha, o
verdadeiro chefe da máfia albanesa.
Sua expressão logo mudou e seus olhos que estavam direcionados para os
meus, se voltaram para o jornal que havia caído no chão. Assim que ele
pegou o objeto, eu voltei para o lugar em que estava antes e juntos
começamos a planejar o que iríamos fazer.
Depois de horas de planejamento, decidimos que já estava na hora de
começar a partir para cima do inimigo. Diante dos últimos acontecimentos,
tudo nos levou a conclusão de que Helena deixou a mansão por livre
espontânea vontade, esse era o motivo de toda movimentação nos últimos
dias em volta do lugar. Não houve sequestro, pois embora a mentira
parecesse ser algo hereditário, que passou de pai para filha, as lágrimas
derramadas pelo homem que achei ser o seu pai não foram forçadas.
Hulk levantou a hipótese de que ela, que sempre viveu numa prisão de luxo,
mesmo tendo aparentemente tudo, exceto a liberdade, já que vivia sendo
mantida como uma joia rara, onde sua verdadeira aparência nunca tinha sido
revelada. Resolveu experimentar algo que até então era impossível, no
entanto, a única dúvida era porque o maldito disse a todos que ela havia sido
sequestrada.
HELENA
— Deus, me ajude!
Suspirei e ao tentar me mexer, um ruído de dor saiu por entre meus lábios.
Abri meus olhos e senti minha cabeça girar, e, um incômodo na minha
barriga tamanha era a minha fome. Mesmo com dificuldade, me sentei em
cima do fino colchão e fiquei encolhida.
Depois de proferir aquelas palavras cheias de ódio, ele se virou e começou a
subir os degraus. Senti a revolta crescendo dentro de mim. Abri minha boca
diversas vezes para falar, mas não consegui dizer nada, pois nunca pensei que
o olhar que por dias, ao serem lançado em minha direção fazia o meu coração
bater mais forte, hoje tudo que senti era o puro medo.
Antes de ele sair do cômodo, ainda virou-se em minha direção e sua
expressão diabólica me deu calafrios.
Quando a porta foi fechada, um silêncio pesado caiu no ambiente e a cena
dele me puxando pelos cabelos naquele corredor me voltou à memória e com
ela as lágrimas surgiram novamente em meus olhos. Instantes depois,
esfreguei os olhos e comecei a observar tudo ao meu redor, mesmo sendo um
porão, o lugar era limpo e organizado. Com o olhar fixo no colchão, me
levantei e tomada pela dor fui praticamente me arrastando até o objeto e ao
me aproximar, desabei em cima do colchão, não sei em que momento acabei
dormindo.
Sou tirada das minhas lembranças ao ouvir a porta sendo aberta e,
imediatamente levantei a cabeça encarando o homem que surgiu no meu
campo de visão. Seu rosto era uma máscara fria e antes que eu fizesse
qualquer outro gesto a sua voz no tom rude se fez presente.
— Levante-se agora!
Decidida a não ficar mais calada, meus lábios se moveram e quando eu ia
falar novamente, a sua voz ressoou no espaço e dessa fez num tom muito
mais alto e sua expressão ficou ainda pior.
— Você teve sua chance e, no entanto, mentiu como se fosse à coisa mais
normal e nada que eu venha, a saber, ao seu respeito vai diminuir o ódio e o
desprezo que sinto por você. Agora não me faça ir até aí, porque desta vez, eu
não serei tão gentil.
Eu queria permanecer sentada, mas muito maior que a raiva que eu estava
sentido era a minha fome. Sabendo que não ia adiantar nada tentar explicar as
coisas, enquanto ele tivesse tomado pela escuridão do ódio, resolvi me
levantar e em passos lentos fui em sua direção. Eu não sei se estava tremendo
pelo medo ou era pela fraqueza causada pela fome.
Quando acabei com a distância que nos separava, ele me deu um puxão me
fazendo sair de dentro do cômodo e por pouco não bati com a cabeça na
parede. O encapetado começou a caminhar e em passos vacilantes o segui. A
cada passo que eu dava, um cheiro delicioso que havia no ar, invadiu minhas
narinas e me deixou com a boca salivando, porém fiquei petrificada quando,
sentado em uma cadeira estava o tio dele, com seu olhar fixo na minha
direção.
Meus olhos foram de encontro à comida sobre a mesa, enquanto Enzzo se
sentou próximo do tio e quando eu ia me mover para ir até a mesa, permaneci
imóvel. Em toda minha miserável vida, nunca tinha me sentido tão
humilhada, não só por ouvir suas palavras, mais por seguir o seu olhar e ao
abaixar a cabeça, ver a imagem a minha frente.
— Para a filha de um traidor nada mais justo que a refeição que você merece.
Tirana – Albânia
 
HELENA
MEUS OLHOS PERMANECEM FIXOS na imagem a
minha frente. Sinto um nó EM meu estômago e respiro fundo tentando
controlar a ânsia e não vomitar. No entanto, o som da voz do homem que
estava determinado a ser o meu novo carrasco ecoou no ambiente, me
fazendo direcionar minha atenção para ele.
— Assim como os porcos, tenho certeza que você vai adorar a lavagem. Você
teve muita sorte que cheguei antes de Yolanda ir levar o jantar deles.
Fechei os olhos por uma fração de segundos, para não deixar que as lágrimas
que estavam se formando, viessem a cair, pois não ia chorar na frente dos
dois. O tio dele, que até então estava imóvel e com um sorriso vitorioso em
sua face, levou uma das mãos até a travessa e pegou um pedaço de carne e
conduziu até a sua boca. O que fez o meu estômago reagir de imediato, logo
em seguida a voz de Enzzo se fez presente novamente.
— Abaixe-se e aproveite o seu banquete — falou no tom de sarcasmo.
Olhei para a gororoba que estava dentro de uma vasilha, que era semelhante a
que se colocava ração para cachorro e aquilo foi o estopim, pois toda
humilhação e angústia que estava sentindo deu lugar ao sentimento que só
tinha sentido até então, por Omar Petrovci, "Ódio". Levantei a cabeça e os
olhares deles brilhavam e certamente era pela expectativa de apreciar o
grande espetáculo da noite, onde eu seria a atração principal.
Minhas pernas se moveram e aproveitando o momento de distração deles, ao
direcionar a atenção para a comida sobre a mesa. Sai correndo em direção
contrária e quando cheguei à sala, aporta foi aberta pela mesma senhora que
vi quando chegamos. Não pensei duas vezes e avancei em sua direção, ela
que tinha um balde em suas mãos, ao perceber a minha intenção, ainda tentou
fechar a porta, mas de tanto correr dentro daquela mansão, para me esquivar
dos golpes do meu pai, eu fui muito mais rápida e acabei a empurrando e
feito uma louca comecei a correr sem rumo, já que não conseguia ver quase
nada. Meus pulmões estavam agitados, funcionando aos espasmos, quando
avistei uma luz e pensei que seria a minha salvação, senti o meu corpo indo
de encontro ao chão.
Gemidos saíram entre meus lábios e ao levantar a cabeça, o pânico tomou
conta de mim e meu coração começou abater freneticamente diante da
própria imagem de um monstro a minha frente. Enzzo acabou com a pequena
distância que nos separava e se agachou em seguida. Seus olhos estavam
faiscando de ódio e disposta a não aceitar mais essa situação, mesmo não
querendo ele ia me ouvir.
— Chega! Você vai ter que me ouvi... — eu tentei começar. — Aiiiii... — as
palavras ditas por mim que nem chegaram a ser concluídas foram substituídas
pelo ruído de dor, quando aquela mão enorme atingiu a minha face. A
sensação que eu tinha era que minha pele estivesse queimando.
— Você deve ter algum problema de surdez. Eu não quero ouvir nada a não
ser que eu permita que você fale, pois da próxima vez eu irei arrancar cada
dente dessa maldita boca.
Os ruídos deram lugar aos gritos ensurdecedores, quando não me dando
chance alguma de reagir, ele levou uma das mãos até a minha cabeça e
segurando firme em meus cabelos, saiu me puxando em direção àquela
prisão. A cada passo que ele dava, a dor se intensificava, não só na minha
cabeça, mais nas minhas costas ao serem arrastadas pelo caminho. Minutos
que pareceram uma eternidade se passaram, eu já estava ficando sem fôlego
de tanto gritar e assim que ele chegou dentro da casa, continuou me puxando
até parar na porta que dava acesso ao porão.
Assim que ela foi aberta, sua voz autoritária ressoou no espaço.
— Levante e entre antes que eu te jogue escada abaixo.
Tremores tomaram conta do meu corpo inteiro. Mas, mesmo que tudo
indicasse que eu estava no fundo do poço, à única imagem que surgiu em
minha mente foi do sorriso da minha mãe e, reunindo todas as minhas forças,
fiquei de pé e com passadas lentas, segui para dentro do cômodo. Em
seguida, a porta atrás de mim foi fechada. Segurei no corrimão da escada e
com muita dificuldade, fui descendo os degraus e quando cheguei ao último,
não tive mais forças para continuar, acabei me sentando e as lágrimas
brotaram mais uma vez, escorrendo pelo meu rosto sem a minha permissão.
Segundos, que deram lugar a minutos, toda uma retrospectiva passou pela
minha cabeça. Desde as surras que levei de Omar, que embora tão cruel,
nunca havia batido em meu rosto. De tudo que minha mãe sofreu para me
defender, assim como os dias de felicidade que vivi naquela humilde cabana,
até o momento que o príncipe com aparência de anjo se transformou no
demônio e virou o meu algoz. Meus pensamentos foram interrompidos com o
barulho da porta sendo aberta e por instinto levantei de imediato, me
afastando da escada.
Assim como eu temia, era ele novamente e como num estalar de dedos, ele
desceu os degraus e meu olhar ficou concentrado no objeto em suas mãos.
Enzzo deu alguns passos e seus olhos azulados cruzaram com os meus, sem
quebrar o contato visual, ele estendeu a vasilha em minha direção, e em
seguida o som da sua voz grave surgiu no ambiente.
— Já que você não quis aproveitar a minha generosidade, se quiser saciar a
sua fome — ele fez uma pequena pausa e com um movimento rápido, virou o
objeto e a lavagem começou a escorrer no mesmo instante que sua voz se fez
presente novamente.
 
— Vai ter que juntar a comida do chão se quiser comer algo hoje.
Um sorriso tenebroso surgiu em seu rosto e na mesma velocidade que desceu
os degraus minutos atrás, ele subiu e sumiu do meu campo de visão. Quando
a porta foi fechada, olhei para gororoba no chão, era uma mistura, acredito
eu, de resto de comida e pela aparência, fazia meu estômago se contorcer, no
entanto, eu já não sabia se era por ver a qualidade da comida ou era
reclamando pela fome. Levei minhas mãos até as minhas costas e as enfiei
por dentro da roupa, mesmo o tecido da minha blusa sendo grosso deu para
sentir que além das cicatrizes tinha alguns arranhões.
Com passos firmes, fui até a pequena porta a minha frente e ao constatar que
o cubículo era um banheiro, fechei a porta e voltei minha atenção para o
canto que tinha algumas caixas, certamente devia ter roupas velhas e assim eu
poderia usar. Comecei a revirar tudo e acabei encontrado uma camisa, porém
o objeto que olhei assim que peguei o tecido fez um único pensamento se
tornar fixo em minha cabeça. Depois que o tirei de dentro da caixa, com ele e
a camisa em minhas mãos, caminhei em direção ao banheiro.
Depois de um tempo, me sentido aliviada, mesmo que gemidos acabaram por
sair por entre meus lábios, quando a água fria entrou em contato com a minha
pele, terminei o banho.
De banho tomado e vestida, olhei meu reflexo no pequeno espelho, nunca
pensei que teria coragem de fazer isso, mais diante dos últimos fatos, foi a
única solução que encontrei. Deixei o cubículo e fui até o colchão, que se
tornou o meu ponto de descanso.
Fechei os olhos tentando dormi o mais rápido possível e só assim conseguiria
enganar o meu estômago, que não parava de doer. Comecei a virar de um
lado para o outro, mais o sono não vinha, pois o barulho vindo da minha
barriga estava cada vez mais alto. Parece que depois que tomei água na
torneira fixada na pia do banheiro, só aumentou o buraco que se formou na
minha barriga. Nunca pensei que a fome pudesse doer tanto e muito maior
que a ânsia que estava sentindo, só em lembrar-me da comida, o desconforto
que pairou sobre mim.
Num pulo, me levantei e depois de alguns passos, acabei com a distância e ao
me abaixar, meus olhos foram de encontro ao objeto sobre o chão, não sei
quanto tempo se passou e eu fiquei petrificada com o olhar fixo na gororoba e
sem que eu pudesse controlar, minhas mãos pareciam que tinham ganhado
vida própria e logo eu estava feito um animal faminto, devorando a lavagem
como se fosse a melhor comida que já tinha comido na vida.
Sobrevivi por 18 anos às atrocidades de Omar Petrovci, então nada que eles
fizessem, iria me fazer desistir de viver.
Tirania – Albânia
 
HELENA
DEPOIS QUE ME LEVANTEI DO CHÃO, segui para o
banheiro. Estremeci toda quando olhei o meu reflexo no espelho, parecia até
um animal, com a boca toda suja, sem contar as minhas mãos. Abri a torneira
e depois de lavar as mãos foi a vez da minha boca. Mesmo sabendo que não
ia adiantar muita coisa, mas pelo menos não acordaria com bafo de onça,
peguei a tesoura e cortei o velho tubo de creme dental, em busca de
encontrar ainda algo dentro da embalagem.
Eu acho que pela arrumação do lugar e a máquina de costura, aquela senhora
utilizava o porão com frequência. Levei o dedo indicador em direção ao resto
de creme espesso no fundo, movimentando para que pudesse sujá-lo. Com o
dedo todo branco, coberto pela substância, conduzi em direção a minha boca
e comecei a esfregá-lo com força nos meus dentes. Instantes depois, deixei o
cubículo e caminhei em direção a caixa em busca de pegar um dos
cobertores que tinha visto horas atrás, que mesmo com alguns buracos,
serviria para me proteger do frio.
Era incrível que Tirana ao contrário de Durrês, tinha uma baixa temperatura.
Deixei os devaneios de lado e fui até o colchão, com o estômago enfim
quieto, não demorou muito para ser envolvida pela escuridão total.
Acordo atordoada, com dificuldade para respirar. Eu estava sufocando e o
líquido gelado em meu rosto estava bloqueado minhas narinas. O desespero
tomou conta de mim e num impulso, tirei o cobertor do meu rosto me
deparando com aquelas órbitas azuis fixas em minha direção. Ele exibia um
esboço de um sorriso, em uma de suas mãos uma jarra e certamentefoi de
dentro dela que veio a água gelada que me atingiu e antes de algum outro
pensamento passar pela minha cabeça, a voz dele ressoou no ambiente.
— Está na hora de acordar, gata borralheira — assim que seus lábios se
juntaram novamente, ele deu alguns passos para trás e só aí percebi os objeto
em sua outra mão. Ele novamente voltou a falar, no entanto, me senti culpada
ao ouvir suas palavras.
— Você, sua infeliz, foi a responsável por Yola ter machucado o pé e por isso
fará todo o serviço pesado, até que ela se recupere. Chegou a hora de a
princesinha deixar de ter tanta mordomia. Agora se levante, que você terá
muito trabalho pela frente.
Quando levantei o meu corpo, ele desviou sua atenção por uma fração de
segundos em direção aos objetos em sua mão, porém ao levantar a cabeça,
suas feições que antes eram sarcásticas, deu lugar a uma expressão trevosa,
assim que seus olhos se fixaram em meus cabelos. Sua mandíbula se
contraiu, sua boca se contorceu e o rosto dele endureceu em uma máscara
sombria.
— Que diabos você fez com o seu cabelo? — falou aos gritos.
Logo depois de alguns passos, ele reduziu a distância entre nós, mas dessa
vez, eu fui muito mais rápida e ao mover uma das mãos até uma parte do
colchão, peguei as mechas que estavam amaradas com um pedaço de tecido e
estendi em sua direção.
— Você demostrou gostar tanto de tê-los em suas mãos, que resolvi dar a
você de presente. Afinal de contas, uma gata borralheira não terá tempo para
cuidar de um cabelo tão grande.
 
Vibrei por dentro ao ver a fúria em seus olhos, pois quando estava cortando
os meus cabelos, todo um filme se passou diante dos meus olhos, ao lembrar
que durante a temporada na cabana, ele me confessou por diversas vezes que
os adorava, principalmente o cheiro. Deixo as lembranças de lado quando
ouço sua voz.
— Você não teste a minha paciência, terá cinco minutos para trocar de roupa
— ele jogou a jarra no chão e com um movimento brusco, puxou uma de
minhas pernas. Minha boca ficou seca e meu coração acelerou, quando ele
fixou o objeto em meu tornozelo, em seguida jogou o tecido que tinha na mão
em direção ao meu rosto, no mesmo instante que sua mão livre pegou o
maço de cabelos da minha mão. Logo depois a sua voz reverberou no ar.
— Vamos ver se você terá coragem de fugir novamente. Com essa
tornozeleira eletrônica poderei controlar todos os seus passos e se acaso
tentar avançar para longe da propriedade, uma onda de choque será enviada e
te garanto que as lesões serão as piores possíveis.
Pisquei várias vezes, tentando processar suas palavras, mais ao ver a fúria em
seu olhar, que me fez estremecer de imediato, me levantei e segurando o
tecido, seguir em direção ao banheiro. Tirei a enorme camisa que estava
vestindo e peguei a minha calcinha que tinha lavado na noite anterior. Depois
que vesti a peça, meu olhar se voltou para o trapo que ele trouxe para eu usar
e instantes depois, já estava vestida, ao me olhar no espelho uma lágrima
quente escorreu pelo meu rosto, mas tratei de limpar a minha face. Eu
precisava ser forte e mais esperta, só assim vou conseguir me livrar das
garras desse monstro.
Já de volta ao outro cômodo, Enzzo já estava subindo os degraus e em passos
apressados fui na mesma direção que ele. Depois de algumas passadas, senti
um aperto no coração, assim que a senhora Yolanda surgiu no meu campo de
visão. Eu queria pedir desculpas, mas logo o som da voz dele afastou meus
pensamentos e minha atenção se voltou para a imagem a minha frente.
 
— Aqui está tudo que você vai precisar. Além de limpar toda casa, assim que
terminar, precisa dar comida aos porcos e limpar o galinheiro.
Respirei fundo, soltei um suspiro trêmulo e apertei minhas mãos tentando
afastar o sentimento ruim que se instalou em meu peito. Sem ter noção do
que eu ia fazer, acabei com a distância e peguei a vassoura e o balde que
tinha os materiais de limpeza.
 
Horas depois...
Nunca em toda minha vida, me senti tão cansada, minhas mãos estavam
latejando e mais do que nunca, dei valor as pessoas que tanto dedicam suas
vidas trabalhando na casa de outras e acabam ganhando tão pouco.
Quase que não terminava, além de ter me sentido tonta por diversas vezes, a
sensação que eu tive foi que, ou eram muito desleixados, ou sujaram tudo de
propósito.
No final de tudo, acabei com a mão toda cheia de calos, pois a madeira do
cabo da vassoura era muito áspera e por isso acabou machucando a minha
pele. Jamais pensei que teria coragem algum dia, de pegar algo que não era
meu, mas durante a limpeza do banheiro, acabei encontrando no armário,
vários produtos de higiene pessoal e escondi entre a minha roupa, onde mais
pareço um fofão de tão grande, uma escova e um tubo de creme dental.
Assim que terminei, dei graças a deus por não encontrar Enzzo e muito
menos o seu tio. Seguindo o cheiro delicioso que invadiu minhas narinas,
acabei parando na cozinha e embora com o pé machucado, era a senhora
Yolanda que estava cozinhando. Ela, ao perceber minha presença, se virou
em minha direção, aproveitei o momento para pedir desculpas.
— Eu sinto muito pelo que aconteceu e queria pedir desculpas por tê-la
empurrado.
— Você não precisa pedir desculpas, eu também errei ao ficar em sua frente.
No instante que ia me mover em busca de pedir algo para comer, a voz de
Enzzo, num tom rude ecoou.
— O seu serviço ainda não terminou. Se desejar, ganhar algo para comer,
procure fazer por merecer.
A mulher a minha frente me entregou o depósito com o resto de comida que
sobrou do dia anterior e falou onde estava a ração que devia misturar e dá aos
porcos. Seguindo as instruções que ela me deu para chegar até o chiqueiro, 
caminhei para fora da casa. Eu já estava suando frio, me sentia cada vez mais
fraca e depois de alguns metros, avistei o lugar e para minha surpresa tinha
seis porcos grandes e, meia dúzia de filhotes.
Dei alguns passos me deslocando até o local onde ficava a ração e abri o
grande depósito que tinha em minhas mãos. Meu estômago deu sinal de vida
assim que meu olhar ficou grudado nos pedaços de carne que devia ser a
mesma comida que eles estavam jantando ontem. Tentei desviar minha
atenção, mais um desejo enorme pairou sobre mim. Meus olhos se voltaram
para os lados observando se não tinha ninguém à vista e, quando constatei
que só os porcos estavam com o olhar em minha direção, me abaixei e levei
uma das mãos em direção — Hum... que delícia — gemidos começaram a
sair entre por meus lábios e por mais que tentasse me controlar, quando dei
por mim, já tinha comido boa parte da comida que devia ser misturado com a
ração. Satisfeita, limpei minha boca e tratei de pegar a ração e alimentar os
porcos. Pela expressão dos animais, era como se soubesse que eu havia
comido o que era deles.
Depois do almoço, onde novamente havia dentro da vasilha que estava no 
chão a mesma gororoba da noite anterior, fiquei imóvel e não comi, já que
minha barriga estava cheia. Passei as horas seguintes limpando o galinheiro e 
toda minha empolgação desapareceu quando o tio de Enzzo, disse que os
porcos só iam jantar ração. Na hora do jantar, enquanto eles tinham um
banquete digno de um rei, no objeto que está sobre o chão, desta vez tinha o
que parecia ser uma sopa, porém, dava para se conferir nos dedos da mão os
grãos de feijão, o resto era só caldo.
 
Acabei comendo, já que meu pensamento estava voltado para o dia de
amanhã e, certamente boa parte do que sobrasse, seria para complementar a
ração dos animais. Comi aquela sopa imaginando que era a coxa de frango,
que olhei minutos antes, o tio dele levando de encontro a boa.
Depois de ajudar a lavar toda louça. Voltei para o porão, só queria tomar um
banho e que logo amanhecesse. Entrei dentro do cubículo e me livrei da
roupa de serviço, só de imaginar que a água fria entraria em contato com a
minha pele, já me causava uma angústia, mais eu precisava tomar um banho.
Minutos se passaram, depois de lavar a única calcinha que tinha naquele
momento, fui até a pia, peguei a escova e apasta de dentes e depois de
terminar, vesti a camisa que dormir na noite anterior e caminhei em direção
ao colchão.
Ainda estava úmido uma parte do cobertor, por isso, procurei dentro da caixa
até encontrar uma cocha de cama. Deitei-me e quando ia jogar o tecido em
volta da minha cabeça, já que, embora estivesse com as costas ardendo, eu só
conseguia dormir nessa posição. Tive um sobressalto quando a porta foi
aberta e meus olhos se voltaram para a figura que estava parado no topo da
escada.
Tirania – Albânia
 
ENZZO
DESDE QUE SOUBE DA EXISTÊNCIA DA FILHA
DAQUELE TRAÍDOR, que a cada dia e ano que se passavam, assim como o
ódio que sentia pelo desgraçado se tornava descomunal, eu sentia uma
pancada de fúria apoderar-se de todo o meu ser ao pensar que, ao contrário de
mim, Helena Petrovci, se tornou para todos que fizeram parte do legado dos
Demisovski, a única herdeira da máfia albanesa.
Nunca em toda a minha vida havia levantado a mão contra uma mulher, já
que as únicas com quem convivi, foi Yolanda, que tenho como uma avó e as
mulheres do bordel, que sempre fizeram de tudo para ter o meu cacete dentro
delas. Mas, quando eu cogitei que ia apreciar a cena de vê-la se saciando da
comida, que era servida aos porcos, a atrevida saiu em disparada da cozinha.
Levantei-me imediatamente e ao chegar à sala e ver a pessoa por quem daria
a minha vida jogada no chão com uma expressão de dor, um vulto tenebroso 
passou por mim e um calafrio atingiu a minha espinha. Senti todos os órgãos
internos do meu corpo em ebulição, era como se eu estivesse com a barriga
aberta e alguém enfiasse as mãos dentro de mim, revirando meus rins e o
meu estômago.
 
Movendo-me na velocidade de um raio, acabei alcançando a mentirosa e,
tomado pela raiva, ao ver seus lábios se moverem e já sabendo que dessa raça
maldita tudo se resumia a mentira. Levei minha mão em direção a sua pele de
porcelana pálida e o estrondo do golpe ressoou no ar. Depois que joguei a
comida no chão e deixei o cômodo, fui direto para o quarto de Yolanda e pela
expressão do meu tio, sabia que estava dominado pela raiva.
Novamente tive que lembrá-lo que seria o único a tocar nela e não querendo
travar uma briga com aquele que dedicou os últimos anos da sua vida, a
cuidar de mim, eu precisava encontrar uma forma de fazer a maldita pensar
mil vezes antes de querer fugir novamente.
Eu mal consegui dormi. Passei boa parte da noite olhando para aquele jornal 
como se de alguma forma, algo dentro de mim se negava a aceitar que tudo
que estava escrito naquele pedaço de papel fosse verdade. Assim que as
trevas deram lugar à luz, peguei o tecido que estava em cima da minha cama
e a tornozeleira, em seguida deixei os meus aposentos, caminhei em direção à
cozinha.
Peguei uma jarra com água e joguei algumas pedras de gelo dentro para que o
líquido ficasse na temperatura a qual eu desejava, com passos decididos,
segui para o lugar onde a infeliz se encontrava. Quando estava descendo os
degraus da escada, meus olhos ficaram fixos em sua direção. Segundos
depois, já tinha diminuído o espaço entre nós, para uma princesa que foi
criada com todo luxo, tinha que admitir que a mentirosa se virou muito bem,
para sua primeira de muitas noites que passará nesse lugar, porém já estava
na hora dela deixa de ser a princesa que sempre viveu em um belo castelo
cheio de regalias e ser tratada como realmente merecia.
Afastei meus pensamentos e com um simples movimento, virei a jarra
deixando o líquido gelado atingir o tecido até entrar em contato com a sua
pele. Vontade não me faltou em jogar um balde inteiro de água em cima dela,
porém com Yola impossibilitada de fazer o serviço, que sempre fez com
muito gosto, já que nunca tinha visto uma pessoa que acordava no horário das
galinhas e não demorava muito já estava com uma vassoura na mão.
 
Quando a vi se contorcer, sabia que o liquido estava entrando em suas
narinas, o que me fez vibrar por dentro em grande intensidade. Todavia, todo
o êxtase que estava sentindo desapareceu como num piscar de olhos, assim
que meu olhar ficou grudado em seus cabelos. Senti uma onda de calor me
atingir, meu coração palpitava num ritmo alucinado e por mais que tentasse
me controlar, já que deveria estar em festa por saber que o tratamento vip
estava mexendo com o psicológico da maldita. Uma sensação de inquietude
pairou sobre mim.
Deixamos o ambiente e logo em seguida já fui apresentando o balde com o
material de limpeza para gata borralheira, que nem o mal corte de cabelo e os
trapos que vestia foram capazes de ofuscar tamanha beleza. Caminhei em
direção ao escritório e do trajeto até chegar ao ambiente, uma ideia surgiu em
minha cabeça e em questão de minutos, Hulk, se juntou a mim e era chegada
a hora de deixar as teorias de lado e começar a ação.
Horas depois, em que o meu tio foi pessoalmente providenciar para que a
encomenda chegasse ao seu destino. Acabei ficando perdido em meus
pensamentos e fui vencido pelo cansaço, não sei em que momento deixei a
escuridão me envolver.
O restante do dia, mesmo após tanto serviço, Helena Petrovci, mostrou que o
sangue ruim que corri em suas veias era realmente daquele abutre, mesmo
indo contra tudo que Yolanda ensinou, deixamos a casa pela primeira vez,
uma verdadeira bagunça, a começar pelo banheiro que meu tio fez questão de
se encarregar. No entanto, ver ela agachada no chão feito um animal
comendo aquela sopa, como se fosse a melhor comida do mundo e ainda
continuar com o mesmo brilho em seu olhar, dando a entender que ia manter-
se de pé, mesmo que eu tentasse a jogar no chão. Só despertou uma vontade
enorme de quebrá-la em mil pedaços. A farei sentir uma dor que vai arder
não fisicamente, mas será semelhante a uma ferida que vai enraizar e a cada
dia se tornará como um câncer maldito, a corroendo por dentro, até ela acabar
com sua miserável vida. Afasto as lembranças quando abro a porta e ao notar
a minha presença, seus olhos que mais pareciam duas bolas de gude gigantes
ficaram voltadas em minha direção.
"Vamos ver se continuará com o mesmo brilho nos olhos depois do que vai
acontecer."
 
Enquanto isso em Durrês...
OMAR PETROVCI
Como eu esperava, a notícia do falso sequestro da desgraça acabou me dando
uma boa vantagem em relação aos candidatos que insistem em atrapalhar os
meus planos. Embora já tenha eliminado dois, se continuasse com essa
estratégia, cedo ou tarde levantaria suspeitas.
Muito maior que o dinheiro, é a minha sede de poder. Saber que posso
controlar a vida das pessoas, de todo um país sem precisar usar uma arma
para isso. Além dos membros da nossa organização, que segundo Malaquias,
desta vez eles seriam implacáveis e acharia Helena, pois até hoje, os idiotas
não se perdoaram por ter falhado em seus juramentos em defender o pequeno
monstrinho, acabei por receber várias noticias falsas sobre o destino da
infeliz.
Isso foi o menor dos meus problemas, já que precisava controlar Isabella,
para que não acabassem atrapalhando os meus planos. Sabendo que ela já
estava melhor, uma equipe liderada por Malaquias, iniciou uma caçada e
como ponto de partida, eles queriam que a imbecil relatasse tudo que
lembrava.
Trarei logo de ameaçá-la, usando o seu ponto fraco. Ela ficou perplexa
quando ouviu minha sentença de que se não falasse tudo como eu havia
repassado, ao encontrar a sua querida filha, ela teria um único destino, "a
morte". Sabendo que a infeliz daria a vida por aquela inútil, acabou por fazer
tudo como eu havia dito e aproveitando toda essa situação, dei hoje varias
entrevistas e, até simulei algumas lágrimas para fazer os idiotas acreditarem o
quanto eu era um pai desesperado, que só queria encontrar a sua filha amada.
 
Meus pensamentos foram interrompidos quando escutei um barulho causado
pelas batidas na porta. Assim que autorizei a entrada de Aron, meu chefe de
segurança surgiu no meu campo de visão. Meu olhar ficou direcionado para
pequena caixa em suas mãos e depois de alguns passos, ele se deteve e sua
voz ecoou no ambiente.— Encontramos essa caixa próxima ao portão. Já usamos os equipamentos de
segurança e não há nenhuma substância explosiva dentro.
Cogitando que pudesse ser alguma informação da infeliz. Movi a cabeça para
que ele colocasse a caixa em cima da minha mesa, em questão de segundos
tirei o lacre do objeto e ao abri a caixa. Meus batimentos aumentaram, levei
umas das mãos em direção as mechas de cabelo, no entanto, ao retirar o
objeto, o que vi em seguida fez todo o meu corpo estremecer.
"Não pode ser possível!"
Tirania – Albânia
 
OMAR
UM TREMOR VIOLENTO ME ATINGIU POR
DENTRO. Meus pulmões estavam aos espasmos, à raiva incendiando em
minhas veias e por mais que eu quisesse desviar atenção da imagem a minha
frente, fiquei completamente imóvel.
Eu mais parecia uma verdadeira estátua humana. Diante daquela fotografia e
apesar de tantos anos terem se passado, eu jamais esqueceria aqueles
malditos olhos e a sensação que senti quando eles ficaram grudados nos
meus. Não sei quanto tempo se passou, mas quando voltei ao meu estado de
lucidez, de imediato minha voz ressoou no ambiente.
— Quem deixou essa maldita caixa?
— Ela foi encontrada na troca de turno do pessoal da guarita e presumindo
que fosse alguma informação do paradeira da princesinha da máfia, após
passar pelo rastreador e constatar que não tinha nenhuma substância
explosiva, um dos nossos homens trouxe até a mim.
— Quero todas as imagens da parte externa da mansão.
 
— Agora mesmo, chefe.
No momento que o homem sumiu do meu campo de visão, levei minhas
mãos até a caixa, enquanto a outra segurava a mecha de cabelo, que tudo
indicava ser daquela infeliz. Olhei para a imagem do pequeno monstrinho e
vários pensamentos se fizeram presentes, mas ao virar a fotografia e ver o que
estava escrito nela, meu coração disparou e um ódio descomunal tomou conta
de todo o meu ser.
"A sua princesinha está sob os meus domínios e assim como uma fênix, Enzzo
Demisovski ressurgirá, e, ao contrário da tentativa fracassada em acabar
com minha vida, quando eu era somente um bebê, eu irei arrancar o seu
coração com as minhas próprias mãos."
 
HELENA
Meus olhos estavam voltados para o homem alto que vibrava com uma
energia poderosa e mais parecia um anjo vingador, todo vestido de negro. 
Como se não fosse suficiente meus batimentos cardíacos estarem acelerados,
de repente disparou terrivelmente, como se meu coração pudesse voar para
fora do meu peito, assim que ele começou a descer os degraus da escada,
soltei o ar com força, como se tivesse prendido a respiração e movida pelo
desespero me levantei. E, quando ele se livrou do sobretudo preto, revelando
sua nudez, engoli em seco ao ver o seu membro tão duro como um lápis.
A cada passo que ele dava, minha pulsação acelerava. Comecei a recuar à
medida que a distância entre nós dois ia diminuindo. Minhas mãos
começaram a suar e o pânico me dominou quando senti minhas costas
tocarem no concreto, no mesmo instante que o homem que vem me
causando tanta tristeza me encurralou, colocando uma mão de cada lado da
parede, me fez ficar com mais dificuldade para respirar.
Aqueles olhos azuis me analisavam como se quisesse ver a minha alma. 
Embora meu nervosismo fosse grande e a expressão dele era algo
indecifrável, as batidas do seu coração estavam tão descompassadas quanto
as minhas. Minha boca ficou seca e minha respiração pesada, quando ele
moveu uma de suas mãos para mexer nos meus cabelos e em seguida a
deslizou pelo meu rosto, o seu toque me fez fechar os olhos por uma fração
de segundos, mas em seguida tive um sobressalto, o que me tirou do estado
de devaneio que me encontrava. E, ao lembrar de tudo que ele me fez,
comecei a me debater tentando sair de sua posse, mas ele era muito mais
forte.
— Me solte. Se afaste de mim! — disse enquanto me debatia.
Enzzo, vendo a minha reação, segurou firme a minha cintura fazendo nossos
corpos ficarem grudados, com sua boca a centímetros de distância da minha,
o som da sua voz reverberou no ar.
— O seu corpo diz o contrário — falou pressionando a virilha contra minha
barriga e sem demora senti seus lábios tocarem os meus e sua língua invadiu
minha boca, bagunçando minha capacidade de raciocinar.
Sua língua ávida e úmida iniciou um duelo erótico cheio de possessividade
contra a minha boca, enquanto minha língua lutava desesperadamente contra
seu domínio. Com uma mão afoita, ele percorreu o meu corpo, até alcançar a
barra da minha blusa e num movimento preciso, chegou até a minha
intimidade que ficou totalmente exposta e a sua mercê.
Ele intensificava o beijo à medida que seus dedos habilidosos exploravam os
meus lábios vaginais, fazendo o meu corpo inteiro reagir a cada toque seu.
Uma sensação febril me dominou e quando ele introduziu dois dedos dentro
da minha vagina, sem que eu pudesse controlar, gemidos começaram a sair
pela minha garganta.
O desejo tinha percorrido todo o meu corpo.
Os seus dedos diabólicos, estavam entrando e saindo da minha fenda com
precisão e quando sua boca deixou a minha, ele procurou meu pescoço e seus
lábios deslizaram até a minha clavícula e se deteve nos meus seios. Sua boca
chocou-se contra meus seios, provocando-me e sua língua rodeou meu
mamilo, chupando primeiro um, depois o outro.
 
Aumentando ainda mais o ritmo da invasão dos seus dedos incansáveis, um
fogo ardeu em meu ser e minhas pernas começaram a tremer. De repente, ele
retirou seus dedos ousados da minha intimidade úmida e depois levou à boca
e sugou-os diante dos meus olhos. O erotismo do seu ato provocou ainda
mais a minha excitação, mas antes que eu tivesse qualquer reação, ele
novamente segurou nos meus quadris e me suspendeu.
Com as pernas entrelaçadas em volta da sua cintura, senti a cabeça rosada do
seu membro na entrada da minha boceta e só ai o choque da realidade me
atingiu, no entanto, quando meus lábios se moveram, seu pênis me invadiu e
sem delongas ele me beijou com ardência.
Enquanto nossas bocas se devoravam, senti seu membro me invadindo cada
vez mais fundo. À medida que ele acelerava o ritmo da penetração, seu pau
engrossava contra minha vagina.
O desejo vinha com uma voracidade enorme e gemidos roucos de dor e
prazer começaram a sair da minha boca à medida que ele enfiava toda longa
extensão do seu membro faminto dentro de mim.
Trocamos gemidos entrecortados, pelo beijo. Parecíamos arder juntos no
mesmo fogo, seus quadris começaram a se mover, me levando à loucura com
suas estocadas furiosas. Meus quadris se remexiam sem que eu me desse
conta, sentindo meu ventre ser contraído por pequenos tremores de deleite.
Senti minha vagina apertar em volta dele e cada parte da minha intimidade
fervia.
— Por favor — disse entre sussurros.
Seu pênis entrava e saía de mim intensamente, me fodendo, seus movimentos
habilidosos me faziam perder o fôlego. Ele rangeu os dentes e encostou a
boca na minha, engolindo a minha língua, sugando com entusiasmo.
Minha boceta começou a arder e um prazer descomunal me envolveu. Meu
corpo desabou e ondas de prazer ainda percorriam a minha intimidade. As
forças me faltaram e no grito alto, ele gozou. Senti o seu membro ondulando
e despejando o líquido cremoso dentro da minha vagina.
Enquanto nossas respirações iam se acalmando, o silêncio predominou no
ambiente, quando levantei minha cabeça, nossos olhos se cruzaram e em
seguida minha voz ressoou no ambiente.
— Enzzo, eu...
— Cale-se.
Antes que eu terminasse de dizer o que estava pensando, a expressão que
antes refletia o puro desejo deu lugar a um sorriso cínico, no mesmo instante
que ele desfez o contato das minhas pernas que estavam em volta da sua
cintura, e uma de suas mãos segurou firme o meu queixo me forçando a
encará-lo, logo após a sua voz ecoou no espaço.
— Você não achou que o fato de transarmos, me faria esquecer-se de quem
você é filha. Assim como um animal, que mesmo sendo rejeitado pelo seu
dono, continua mendigando atenção. Tudo que aconteceu só mostra que
posso te quebrar em vários pedaços, que o seu corpo vai corresponderaos
meus toques.
Ele retirou sua mão do meu rosto e com um giro nos calcanhares começou a
andar em direção à escada. As lágrimas quentes logo escorreram, inundando
a minha face. Senti um aperto no coração e a dureza das suas palavras fez
algo dentro de mim se quebrar para sempre.
Tirania – Albânia
 
Dias depois...
HELENA
OS DIAS SE PASSARAM e as lembranças daquela noite
nunca saíram da minha mente. Depois que ele caminhou em direção a escada,
no movimento que durou somente dois segundos, Enzzo pegou o sobretudo e
ao subir os degraus o colocou em volta do seu corpo. Assim que chegou
próximo à porta, lançou um olhar cheio de sarcasmo em minha direção, em
seguida sumiu da minha vista.
Nojo! Essa era a palavra que descrevia tudo que eu estava sentindo. Mesmo
sabendo de tudo que ele me fez, no fundo eu tinha esperança de que tudo
aquilo era um pesadelo. Que maior que o ódio e a raiva, ele pudesse ter
algum sentimento por bom mim.
Ouvir aquelas palavras fez toda uma retrospectiva passar a minha frente e
nem mesmo as surras que levei de Omar, doeu tanto quanto os puxões de
cabelo e o tapa que Enzzo me deu, provocando algo muito forte dentro de
mim. A sensação que eu tinha era como se ele tivesse cravado uma estaca em
meu peito e essa tivesse entrado e saído me destruindo em prestações. 
Envolvida por essas lembranças, eu perdi a noção do espaço e do tempo. As
lágrimas grossas e quentes desciam pela minha face na medida em que a dor
se intensificava em meu peito e quando consegui sair do estado catatônico
que me encontrava, caminhei em direção ao banheiro.
Em frente ao pequeno espelho, tirei a camisa que vestia e meu olhar ficou
direcionado para o meu reflexo. Por diversas vezes questionei o motivo de
não ter sido eu a ter morrido no lugar do meu irmão, entre lágrimas e soluços,
sempre pedia que algum dia o homem que se tornou o meu algoz, pudesse vir
a me amar, mas o tempo passou e a única coisa que recebia dele era o seu
desprezo e suas feições ficavam ainda mais diabólicas, toda vez que me
mostrava um embrulho novo, que em vez de ter algum brinquedo, tinha um
cinto ainda mais grosso. Eu jurei a mim mesma que lutaria com todas as
minhas forças, pois maior que a minha dor, era o medo que ele fizesse algo a
minha mãe.
Conhecer Thadeu e Enzzo, me fez acreditar que nem todos os homens tinham
um coração tão tenebroso quanto aquele monstro. Thadeu se sacrificou por
mim, já que sabia que ao aceitar o plano de me levar para longe, sua vida
também estava correndo risco. Enzzo, assim como me fez conhecer o paraíso,
me trouxe de volta para o inferno e ao contrário daquele que conhecia desde
criança, a dor que se enraizou dentro de mim é descomunal, despertando
sentimentos muito ruins, os quais sempre fiz de tudo para não deixa-los me
envolver.
Deixei os pensamentos de lado e fui para debaixo do pequeno chuveiro. Os
minutos se passavam e era como se eu tivesse no piloto automático, pois não
conseguia parar de me esfregar e por mais que a água caísse em meu corpo,
eu queria retirar toda a sujeira da minha pele e o cheiro intoxicante dele. Eu
queria que de alguma forma, além do líquido que descia pelo ralo e ia se
esvaindo, eu pudesse me livrar das lembranças de minutos atrás. Quando
terminei fui até uma das caixas procurar algo para vestir.
Na manhã seguinte, novamente acordei num sobressalto quando desta vez, eu
achei que seria o meu fim. O pânico apoderou-se de todo o meu ser, eu estava
sufocando e as rajadas de água vieram com tudo, atingindo o meu rosto.
Além do líquido gelado, várias pedras de gelos caíram na minha face. Os
segundos deram lugar aos minutos e quando consegui limpar a minha visão,
que estava embaçada, a imagem do demônio surgiu em minha frente e o
êxtase por me ver naquele estado, estava visível em seu olhar e o que antes
me fazia estremecer, só me deu forças para me levantar e antes que o som da
sua voz ecoasse no espaço, segui para o banheiro. Peguei minha calcinha e o
vestido e num jogo rápido, escovei os meus dentes e assim que terminei
respirei profundamente e como havia prometido a mim mesma, jamais
voltaria a derramar uma lágrima diante desse monstro e não importa quão
grande seja o obstáculo, eu irei sair desse lugar.
Com passadas rápidas, passei pelo homem que ainda estava no mesmo lugar
e segui rumo aos degraus da escada. Assim como no dia anterior, fiz toda
limpeza da casa, o banheiro estava ainda mais sujo, porém tudo que vinha em
minha cabeça era que dentro de poucas horas, eu ia alimentar os porcos e, só
de imaginar que ia me deliciar do frango assado que eles comeram no jantar,
nem notei quando as horas se passaram. Quando Yolanda me entregou o
deposito praticamente só faltei correr para chegar ao chiqueiro e ao abrir o
objeto, toda felicidade que estava sentindo deu lugar a tristeza quando só
encontrei a carcaça do que sobrou do frango e o restante era arroz.
O meu desejo era tão grande, que minha boca estava salivando, me agachei e
comecei a comer tentando me satisfazer com a pouca carne que tinha entre a
ossada. Depois daquele dia, os demais não foram diferentes, pois além de
sentir muita fome, a cada dia estava mais fraca. Sem contar que sempre
estava enjoada e por diversas vezes acabei vomitando.
Deixo as lembranças de lado e me levanto antes que mais uma vez seja
acordada com água no rosto, do jeito que já estou gripada, a tendência é
adquirir uma pneumonia. Minutos depois, já arrumada e feita minha higiene
pessoal, andei até o colchão e meus olhos ficaram fixos na porta.
Preciso arrumar um jeito de entrar em contato com a minha mãe e só assim
vou conseguir sair desde cativeiro. Acabei por ficar perdida em meus
pensamentos e só voltei à realidade quando a porta foi aberta e antes que ele
se movesse fiquei em pé e sem delongas comecei a andar. Quando cheguei ao
penúltimo degrau, ele ficou me encarando por alguns segundos e logo depois 
o som da sua voz reverberou no cômodo.
— Vou passar o dia todo fora e de já te aviso para não tentar nenhuma
gracinha, ou não vou hesitar em ativar a corrente de choque e nada me dará
mais prazer do que vê-la se contorcer em meio a dor.
Depois de dar sua sentença, ele se virou e com algumas passadas deixei o
ambiente. Uma hora depois, Enzzo saiu e eu acabei por passar um bom
tempo sentada em cima do vaso, esperando a tontura passar e desta vez eu
mal consegui me equilibrar nas minhas próprias pernas.
Eu sentia que a qualquer momento ia acabar desmaiando, pois me sentia cada
vez mais fraca e faria qualquer coisa para ter um prato de comida, era como
se tivesse um buraco no meu estômago e minha fome tinha se multiplicado.
Depois de limpar tudo, já estava sentindo um tremor por todo o meu corpo e
assim que cheguei à cozinha, a qual fui com intuito de encontrar algo para
saciar a minha fome, me deparei com aquele brutamonte que como sempre
tinha um olhar de fúria lançado em minha direção.
A minha última esperança, era de que hoje no deposito tivesse muito mais do
que ossos, já que não aguentava mais comer aquela sopa de feijão, onde os
graus não davam nem uma dezena. Mas, quando Yolanda disse que era para
alimentar os animais só com ração, foi como tomar um soco no estomago e
não tendo o que fazer, fui para o chiqueiro e após pegar a ração, abri a
porteira e para minha surpresa tinha uma poça enorme de lama. Deixei os
pensamentos de lado quando um cheiro delicioso impregnou as minhas
narinas, ao meu virar, fiquei petrificada olhando para imagem a minha frente.
Olhei fixamente para a banda de frango assado que estava dentro de uma
pequena jaula, e esta estava trancada por um cadeado. Parecia que eu estava
hipnotizada, uni meus lábios para não deixar a saliva escorrer pelo canto da
minha boca e só saí do estado de devaneio em que me encontrava, quando a
voz aterrorizante do homem, que faz questão de deixar transparecer o quanto
me odeia ecoou a minha volta.
— Tudo isso pode ser seu — ele fez uma pausa e caminhou para dentro do
habitat dos porcos e depois de alguns passos se deteve e quando elelevantou
uma das mãos, avistei uma pequena chave e num movimento rápido ele a
jogou na poça de lama.
— Se está com tanta fome, basta pegá-la com a boca e poderá ter a
recompensa que está dentro daquela jaula.
Meus batimentos cardíacos aumentaram. Senti a raiva percorrer por minhas
veias, mas de repente eu comecei a suar frio, já estava me sentindo tonta e o
meu estômago começou a fazer um barulho enorme em protesto e eu tinha a
sensação que havia algo dentro da minha barriga.
Eu não poderia ficar doente ou não teria forças para fugir desse lugar e mais
ainda, dar a eles o gostinho de me ver derrotada, pois do jeito que estava
fraca e me alimentando mal, tanto Enzzo quanto Hulk, não iam precisa de
muito esforço para presenciar a minha morte.
Sob o olhar atento dele, que esboçava um sorriso cínico e ao mesmo tempo
vitorioso, me agachei e por alguns instantes fechei os olhos para reprimir
uma lágrima que insistia em querer cair. Quando os abri novamente, a única
imagem que veio em minha mente, foi do momento que consegui sair da
mansão e me livrar de Omar Petrovci. Se o que parecia impossível, acabou se
tornando possível, agora não posso perder as esperanças. Conduzi a minha
boca em direção ao objeto brilhante e a medida que ia me aproximando, a
gargalhada diabólica do tio do demônio ressoava no ar e, quando enfim
consegui pegar a chave, o barulho deu lugar ao silêncio total e ao levantar a
cabeça, ele estava parado com uma expressão indecifrável e olhando
fixamente em minha direção, mas logo suas feições mudaram e seus olhos
azuis estão refletiam uma fúria descomunal, que logo ficou direcionado para
aquele que até segundos atrás estava sorrindo como se tivesse presenciando o
melhor espetáculo da sua vida.
Durrês – Albânia
 
Dias antes...
ISABELLA
QUASE UM MÊS SE PASSOU DESDE QUE A RAZÃO
DA MINHA VIDA, aquela a quem eu achei que estava protegendo, tirando-a
das garras do capeta, para que não tivesse uma vida ainda mais dolorosa ao
lado daquele outro infeliz, deixou esta casa. Os dias se tornaram um
verdadeiro tormento e como se não bastasse toda a dor que estava sentindo,
não só pela saudade e essa incerteza do que aconteceu com ela, tive que me
manter forte para não sucumbir as agressões, onde desta vez, não só
marcaram o meu corpo como a minha alma.
Saber que o desgraçado com quem me casei seria capaz de matar a própria
filha, fez com que uma onda de tremores percorresse todo o meu corpo. E,
durante o interrogatório dos conselheiros, ver nos olhos de Malaquias, que
apesar de pertencer a essa organização sanguinária, ele sempre tentou manter
vivo o legado dos Demisovski, onde mulheres e crianças deveriam ser
protegidas e não se tornarem alvos da crueldade desses homens, que mais
parecem uma erva daninha e a cada dia vão se espalhando como um rastro de
pólvora. Se não fosse pela ameaça do maldito, eu teria contado toda a
verdade.
No entanto, mesmo Malaquias sendo contra as novas regras, que o tirano do
Petrovci acabou implantando, o lobo em pele de cordeiro sempre consegue o
que tanto almeja. Embora, todos desse meio saibam que ele é o chefe da
máfia albanesa, eles não sabem que ao contrário do que pensam, esse ser é o
próprio anticristo, o qual tem duas faces e seu único objetivo é semear a
maldade e destruir tudo de bom que existe.
Saio das minhas lembranças quando a porta do meu quarto é aberta
bruscamente. Meu corpo todo ficou em total alerta diante da imagem a minha
frente e quando meus olhos foram de encontro ao objeto em sua mão e o som
da sua voz tenebrosa ressoou no ambiente, todos os meus órgãos começaram
a funcionar descontroladamente, como se fosse entrar em ebulição.
— Esse cabelo é ou não da maldita que você colocou no mundo?
 
Tempo atual...
ENZZO
No dia que a infeliz cortou os cabelos e após Hulk enviar uma das mechas,
junto com uma foto minha que foi tirada por Yolanda, no dia que meu tio
salvou a minha vida, que ao entrar naquele porão, tudo que se passava em
minha cabeça era fazer a maldita sentir dor, no entanto, vê-la acuada e
vestindo somente aquela camisa, me causou uma ereção de imediato. Sempre
fui um homem que soube me controlar, mas somente por estar perto dela, o
meu pau mais parecia uma barra de aço e para piorar a situação, as veias
ficaram tão inchadas e o garotão não parava de latejar, ao ponto de me causar
um forte incômodo. Quando me despi e, ao ver o jeito como ela olhava para o
meu cacete, o único pensamento que ocupou a minha mente foi o de estar
dentro dela.
 
De fodê-la até que ela não pudesse mais sentir as suas pernas e quando acabei
com a distância entre nós dois, não resisti ao desejo de beija-la, já que seu
corpo vibrava a cada toque meu, reconhecendo o seu único dono. No
momento em que uni nossos corpos e meu pau invadiu a sua boceta apertada,
senti meu corpo todo em chamas e parecia que um duelo tinha iniciado dentro
de mim. Uma luta entre as trevas e a luz, entre o ódio e o desejo.
Quando juntos, alcançamos o limite do prazer, assim que meu sêmen foi
derramando dentro dela em jatos potentes, o choque da realidade pairou sobre
mim e, uma fúria imensurável tomou conta de todo o meu ser ao lembrar-me
de tudo que tinha acontecido segundos atrás e principalmente que jamais
poderia sentir nada além de ódio e desprezo pela filha do homem que tirou
tudo de mim. Vesti minha armadura de homem frio, eu precisava mostrar que
ela não era diferente das mulheres do bordel, que só serviam para me
satisfazer. Olhando nos fundo dos seus olhos, minha voz ressoou no ambiente
e presenciar o brilho dos seus olhos desaparecer me deixou satisfeito.
Desde aquele dia, só voltei naquele cômodo quando ia acordá-la. Ainda
cogitei em ir ao bordel por diversas vezes, mais sempre dizia ao meu tio que
precisava controlar cada passo da mentirosa, porém o motivo maior era que a
desgraçada não saia da minha cabeça.
Confesso que a cada dia estou admirado pela força e determinação da maldita
mentirosa. Uma aparência semelhante de uma boneca de porcelana, a qual
com um movimento brusco seria estraçalhada, porém, ao contrário do que
aparenta fisicamente, ela é muito mais forte e, mesmo após tudo que está
passando, se mantem de cabeça erguida.
Como já havia decidido com Hulk, no dia anterior, precisava ir a Durrês para
sondar como estava a movimentação daquele traidor, após ter recebido o
presente que enviamos. Não será fácil ter que acabar com todos que estão ao
seu lado, já que o mentiroso acabou conseguido muitos aliados, porém foi
justamente para isso que passei anos sendo treinado e no momento certo vou
mostrar a todos quem ele realmente é.
Acabei indo de moto, assim chegaria mais rápido e antes de sair fui acordar a
gata borralheira que a cada dia está só pele e osso. Fui surpreendido, ao
encontrá-la já acordada. Depois de sair de casa rumo a Durrês, de longe
avistei uma grande movimentação e graças ao fluxo enorme de veículos, me
deu tempo suficiente para que a ficha caísse de que aquilo não passava de
uma blitz, que tinha como responsável Omar Petrovci, o maldito certamente
devia estar procurando aquele que deixou a caixa em seu território e mesmo o
meu tio tendo usado o placa fria, ele não se atentou a mudar a cor do veículo.
Em questão de segundos fiz o contorno e deixei o lugar indo pelo desvio que
me levaria até a cabana. Já no meu destino, ao entrar no cômodo, toda uma
retrospectiva passou diante dos meus olhos e quando fui até o quarto
encontrei uma blusa da infeliz. Levei o tecido até o nariz e, mesmo após ter
se passado tantos dias, o cheiro delicioso logo invadiu minhas narinas, no
entanto, meu coração ficou agitado e uma sensação ruim pairou sobre mim.
Na velocidade de uma bala, fui até o meu veículo e em seguida o coloquei em
movimento.
Quando enfim cheguei a casa, procurei por Helena e não a encontrei. Fui até
a cozinha e Yola me informou que ela tinha ido alimentar os porcos, e que
Hulk também foi naquela direção. Com um giro nos calcanhares e passadas
rápidas, acabei com o distanciamento e ao chegar no chiqueiro, uma ondade
eletricidade passou por todo o meu corpo, fazendo tanto o meu coração,
quanto o meu pulmão funcionarem semelhante a um vulcão prestes a entrar
em erupção.
Vê-la daquele jeito, igual aos porcos, com a boca toda suja enquanto a risada
do meu tio preenchia todo o espaço, foi como se novamente uma luta
estivesse sendo iniciada dentro de mim e, ao desviar os meus olhos dela, meu
olhar ficou cravado no homem a minha frente.
Fechei minhas mãos em punho, tentando controlar a minha raiva e a vontade
enorme de avançar em cima do maldito. Nunca pensei que algum dia pudesse
sentir algum sentimento ruim pelo homem que é o grande responsável por
hoje eu estar aqui, mas algo dentro de mim estava em chamas ao ver o que
ele fez com ela. Venho fazendo o mesmo sim, mas ninguém além de mim
pode encostar ou fazer nada contra ela. Voltei minha atenção novamente para
ela e o som da minha voz se fez presente.
— Levante-se agora.
Assim que ela ficou em pé levou uma das mãos até a boca e pegou a chave
que certamente era da pequena jaula. Apontei para o objeto e novamente
voltei a falar.
— Trate de tomar um banho e pode levar o prêmio, o qual você se prestou a
fazer isso para obter.
A mulher, mesmo naquela situação ainda refletia a luz, e ao contrário dela,
qualquer outra na mesma circunstância, estaria com uma expressão
cabisbaixa. Ela se moveu andando até o objeto e pegou a jaula. Helena
Petrovci, não estava se humilhando por ser fraca e sim tentando não sucumbir
a tudo que estávamos fazendo. Quando ela sumiu do meu campo de visão,
minha atenção ficou cravada em Hulk, e antes que ele cogitasse em se
manifestar, minha voz ressoou.
— Não tente medir forças comigo ou terá que enfrentar o monstro que habita
dentro de mim. Eu a encontrei e mesmo sem saber, trouxe-a até aqui. Não
importar de quem ela seja filha e o que representa, ela está sob o meu jugo e
ninguém além de mim tocará em um fio de cabelo do que me pertence.
Tirania – Albânia
 
Uma semana depois...
HELENA
AS CONSEQUÊNCIAS EM TER ENCOSTADO a minha
pele naquela lama, foi que acabei tendo uma reação alérgica e no dia anterior,
quando acordei e fui me olhar no espelho, o meu rosto estava inchado e em
volta da minha boca tinha algumas bolhas. Graças à dona Yolanda, que se
compadeceu da minha situação, que além dos cuidados para que eu ficasse
boa, passou a esconder no porão alguns mantimentos e desta forma comecei a
me alimentar melhor, no entanto, além de sempre estar com uma sensação de
cansaço e colocar boa parte do que comia para fora, eu comecei a sentir como
se algo estivesse fervilhando em minha barriga. Era como se tivesse fogo
líquido em vez de sangue e sempre sentia um forte desconforto.
Depois daquele episódio no chiqueiro, o tio de Enzzo, sempre que passava
por mim, ao contrário das outras vezes, era como se eu não estivesse ali. Seu
olhar sempre estava voltado na direção contrária. Deixei as lamentações de
lado e comecei a pensar em como me livrar da maldita tornozeleira, porém,
quando tentei abri-la com a tesoura, senti um tremor pelo meu corpo e uma
forte cólica em minha barriga.
Desde então, fiquei com receio de tentar novamente. Todavia, foram várias as
tentativas fracassadas em consegui me aproximar do telefone, pois sempre
alguém surgia na sala. Com o passar dos dias, embora me alimentando muito
mal durante o dia, mas com a comida que achava dentro de uma das caixas a
noite. Comecei a ter forças e fui me habituando com a rotina.
Para quem nunca tinha colocado as mãos em uma vassoura, eu já estava me
sentindo praticamente uma rainha da faxina. Graças à pomada que dona
Yolanda me deu, em poucos dias a minha pele voltou ao normal e quando
estava prestes a cair no sono do esquecimento, a porta foi aberta e novamente
o anjo vingador apareceu. Como sempre vestido de preto e assim que
começou a descer os degraus, me mantive imóvel em cima do colchão, até
que ao chegar ao último degrau, ele livrou-se da única peça roupa que vestia
revelando todo o poder da sua masculinidade. Depois de alguns passos, parou
próximo a mim e a sensação que eu tive ao olhar para o seu membro, era que
as veias iam explodir de tão inchadas, me fazendo engolir em seco ao pensar
que todo aquele comprimento já esteve dentro de mim. Certamente que ao
sair daqui teria que procurar um ginecologista.
Seus olhos azuis estavam nos meus, intensos, ardentes e faiscando de desejo.
Não demorou muito para o homem se enfiar no meio das minhas pernas e
começar a me lamber, em seguida a sua boca envolveu o meu clitóris,
chupando-o e sugando com vigor.
E, quando ele meteu a língua dentro da minha intimidade e levou um dos
dedos ao botão de nervos. Senti um calor escaldante atravessar a minha
espinha, porém, virei o rosto para a parede assim que as palavras proferidas
por ele naquela noite começaram a ecoar em minha cabeça e cada vez se
tornavam ainda mais altas. Enzzo tirou a boca da minha vagina e foi nesse
instante que me virei novamente e meus olhos encontraram os seus. Uma
pancada de fúria estava visível em sua expressão e na mesma velocidade que
ele apareceu na minha frente, o demônio se levantou e deixou o cômodo.
Afasto os pensamentos perturbadores e caminho em direção ao banheiro,
desde hoje a tarde que um mal estar pairou sobre mim e meu corpo todo
estava febril. Instantes depois, de banho já tomando, assim que desliguei o
chuveiro, comecei a tremer e mesmo com dificuldade consegui chegar até a
pia e após ter escovado os meus dentes, caminhei rumo ao colchão. Mas
minhas pernas mal me sustentaram e quando parei em frente ao velho
colchão senti uma dor infernal em minha barriga. Tudo começou a girar e
meu corpo desabou em cima do objeto, minhas pálpebras pesaram e fui
envolvida pela escuridão total.
 
Na manhã seguinte...
ENZZO
Maldição!
Durante os últimos dias tentei desviar minha atenção para o que realmente
importava. Hulk, com sua agilidade, foi implacável e preciso em desviar toda
atenção dos soldados de Omar, que estavam de guarda na entrada da mansão
e assim mais uma vez deixamos mais uma surpresa para o desgraçado.
Após ter se passado tantos anos, tenho certeza de que ele ainda duvide que eu
possa ter sobrevivido e nada melhor que os fantasmas do passado para
atormentar o infeliz. Por outro lado, mesmo tentando lutar para tirar a
mentirosa dos meus pensamentos, quando fui ao bordel e após uma rodada do
melhor uísque da casa, enquanto Hulk ficou no salão, peguei uma das
mulheres e segui para um dos aposentos.
Há dias vinha tomando banho gelado e minhas mãos estavam ficando
calejadas de tanto me masturbar debaixo do chuveiro, já que toda vez que a
infeliz surgia no meu campo de visão, o meu cacete ganhava vida e começava
a pulsar violentamente. Quando entrei no ambiente e a mulher começou a
retirar a pouca roupa que vestia e logo depois ficou despida em minha frente,
foi à imagem dela que vi naquele momento. Atordoado, acabei voltando para
casa e assim que cheguei tratei de tomar um banho.
Assim que terminei, vesti um roupão negro e resolvi ir até a cozinha, mas
antes de chegar ao meu destino, acabei me desviando e quando dei por mim,
já estava dentro do porão. No entanto, todo o desejo que estava sentindo deu
lugar ao puro ódio, ao perceber que ela mais parecia uma boneca inflável e
por mais que a tocasse, o seu corpo continuava rígido.
Poderia muito bem tê-la possuído a força, porém nunca precisei disso e não
me agradava em nada à ideia de transar com uma mulher frígida e um corpo
que parecia sem vida. Sei que às escondidas, Yolanda vem dando comida a
ela e, acabei fazendo vista grossa ao ver que a cada dia ela estava perdendo
peso, pois não estava nos meus planos matar a filha do desgraçado.
Saio dos meus devaneios assim que meu olhar foi de encontro ao relógio no
meu pulso e já eram quase seis horas da manhã. Com um giro preciso nos
calcanhares, me virei em direção a porta, pois já estava na hora de acordar a
gata borralheira. Deixei o meu quarto e à medida que ia andando pelos
corredores, comecei a ficar inquieto. A única vez queme senti dessa forma
foi exatamente no dia que a tirei de dentro daquele veículo. Algo me
queimava por dentro, fazendo todos os meus demônios despertarem.
Não demorou muito para chegar frente à porta e, assim que levei uma das
mãos de encontro à maçaneta, senti como se algo tivesse trancado a minha
garganta e bruscamente abri a porta. Abaixei a cabeça me deparando com
algo que fez a minha armadura ser estraçalhada em vários pedaços.
Meu coração disparou e algo que só ela foi capaz de me fazer sentir tomou
conta de todo o meu ser. O medo cru e agudo atravessou o meu peito e
quando dei por mim, já tinha descido os degraus e ao me aproximar do
colchão, fiquei petrificado e incrédulo com o olhar fixo na imagem a minha
frente.
HULK
SONOLENTO, ME LEVANTEI, como sempre, nada
melhor para tirar todo o estresse, como vir neste lugar. Olhei para mulher
esparramada em cima da cama, que dormia feito uma pedra, segundos depois,
fiquei de pé e fui catando no chão as minhas roupas.
Arrumado, peguei a encomenda que tinha solicitado para madame Rosalina, e
deixei o cômodo indo em direção à garagem. Em frente ao veículo, abri a
porta traseira do carro para guardar as garrafas do uísque importado, já que
ela sempre compra em alta quantidade e o valor acabar se tornando bem
inferior se comparado com o que os ladrões vendem nos supermercados.
Assim que fui colocar a caixa dentro do veículo, meus olhos foram de
encontro ao objeto que certamente tinha caído de um dos bancos.
Depois de colocar a caixa e me certificar que nenhuma garrafa ia se quebrar,
pequei a mochila, em seguida fechei a porta do automóvel. Sendo o objeto
totalmente desconhecido por mim e sabendo que não tinha nada haver com
Enzzo, tudo indicava ser daquela infeliz.
Joguei em cima do banco do carona e instantes depois coloquei o carro em
movimento.
ENZZO
O mundo tinha parado a minha volta. Por uma fração de segundos, o meu
coração parou de bater, logo depois, rapidamente acelerou no meu peito,
tornando difícil respirar. Minha respiração se tornou descontrolada e urgente,
meu peito subindo e descendo freneticamente.
Os meus olhos se arregalaram e ficaram focados na imagem a minha frente.
Fiquei imóvel e minutos se passaram, enquanto eu digitalizava cada
centímetro das suas costas totalmente desfigurada e moldada pelas enormes
cicatrizes em sua pele. Era como se eu quisesse enraizar isso em minha
memória, pois deixei o desejo e a luxuria tomar conta de todo o meu ser, ao
ponto de acreditar na desculpa esfarrapada dada por ela, quando senti algo de
diferente em sua pele.
Assim como as costas do meu tio, que passou por um treinamento muito mais
pesado que o meu, já que o temido Nicolas Demisovski, era implacável e
assim como o meu pai, Hulk foi preparado para ser tão letal quando o chefe
da máfia albanesa. A pele dela foi rasgada e certamente não foi por uma
simples queda de escada e sim por golpes cruéis, o que me deixou ainda mais
atormentado. Quando consegui afastar os meus pensamentos, me abaixei e ao
constatar que sua respiração estava fraca e seu rosto pálido, como se todo o
sangue tivesse evaporado, sem pensar duas vezes a peguei em meus braços.
Agilidade sempre foi o meu ponto forte, mas o pânico tomou conta de mim e
como se tivesse flutuando, eu nunca tinha me movido tão rápido e assim que
cheguei ao topo da escada, o som da minha voz ressoou por todos os cantos
da casa em gritos ensurdecedores.
— Yolandaaaaaaaaaa... — clamando desesperadamente pela única pessoa
que eu sabia que naquele momento poderia me ajudar. Atravessei os
corredores indo em direção aos meus aposentos e antes de chegar ao meu
destino, totalmente desorientada, Yola surgiu no meu campo de visão,
ficando estática diante da cena que se passou em sua frente e só voltou a
realidade quando meus gritos ecoaram novamente no espaço.
— Você precisa salvar a vida dela! — disse num tom de voz desesperado.
Assim que coloquei seu corpo nu sobre a cocha da cama, engoli em seco,
quando meu olhar foi de encontro a suas pernas e vi um líquido avermelhado
em sua pele. O silêncio que predominou no ambiente, logo foi interrompido
quando Yolanda adentrou o recinto feito um raio e minha atenção se voltou
para a maleta em suas mãos e ao se aproximar do leito de Helena, sua voz se
fez presente.
— Preciso que você pegue o soro fisiológico, suporte e material para punção
— suas últimas palavras me deixaram mais atordoado.
— Que diabos são materiais para punção? — disse aos berros.
— Enzzo! Se acalme, ou ela sofrerá ainda mais pelas consequências do seu
nervosismo. Está tudo identificad...
Eu nem esperei que ela terminasse de falar e saí praticamente correndo.
Agradeci mentalmente por meu avô ter escolhido Yolanda para cuidar do
meu tio e embora tendo um futuro brilhante como médica, ela não hesitou ao
abandonar tudo para cuidar do menino que sempre viu como um filho. Assim
que entrei no cômodo, que era uma farmácia particular, já que assim como o
meu tio, eu sempre me machucava durante o treinamento e nossa salvadora
estava pronta para cuidar dos ferimentos.
Meus olhos varreram as prateleiras e assim que peguei tudo que ela havia
pedido, caminhei em direção ao meu quarto. Quando retornei, encontrei
Helena virada de costas e Yolanda a examinado com os olhos cheios de
lágrimas e perplexa com o que estava vendo, não demorou muito para o som
da sua voz reverberasse no ar.
— Quem fez isso?
— Eu não sei, só fiquei sabendo hoje.
— Nem mesmo um animal merece ser marcado desta forma. E, além de
desnutrida, tudo indica que graças ao seu ódio e a sede de vingança, você não
só se tornou o algoz dela, como a colocou numa situação onde tudo vai
depender de quão grande é sua força por querer sobreviver e assim salvar a
vida da criança que ela está esperando.
Criança! Que criança? Ela está esperando um filho?
Filho! Meus batimentos aumentaram num ritmo tão alucinante que achei que
meu coração fosse sair pela minha boca, ficando difícil de respirar. Meu 
peito arfava a cada instante que essa palavra ecoava em minha mente. O
medo começou a se estabelecer, e eu não conseguia mais controlar meus
pensamentos.
Uma palavra tão pequena, que ao ser dita por Yola, foi como ter levado um
golpe terrível no estômago, me levando a ser nocauteado. Assim como aquele
traidor, eu estava prestes a tirar a vida de um ser tão inocente, que ao
contrário de mim, ainda nem tinha vindo ao mundo e já se tornou o alvo de
tanto ódio.
Enquanto ela puncionou um acesso venoso onde instalou soroterapia
adequada, e em seguida começou a passar um pano úmido no corpo
desfalecido, que estava tão branco quanto a neve. Como flashes, vários
pensamentos passaram pela minha cabeça, pois quando ouvi as palavras
proferidas por Hulk, assim que chegamos da cabana, eu deixei que a minha
alma sombria gritasse mais forte comigo, acreditando estar fazendo o certo e
mesmo vendo a intensidade da luz que emanava dela, eu preferi a escuridão. 
O ódio rapidamente substituiu cada sentimento, cada emoção, como se nunca
tivesse existido e o único pensamento que passou pela minha cabeça, era
quebrar, não só o seu corpo como a sua alma.
Fui arrancado dos meus pensamentos quando ouvi a voz da mulher me
chamando.
— Agora tudo vai depender dela. Não sei se nessas condições conseguirá
levar essa gravidez adiante. Tenha em mente que essa criança não tem culpa
de nada do que aconteceu com você e sua família, tão pouco os filhos devem
pagar pelos erros dos pais.
— Porque ela estava suja de sangue?
— Isso é normal nos primeiros meses de gestação, desde que o fluxo não seja
muito intenso. Pela minha experiência, ela já chegou aqui grávida, mas
saberemos quando sair o resultado do exame através da amostra de sangue
que retirei.
Ela se afastou da cama, e em passos cautelosos deixou o cômodo e quando
sumiu do meu campo de visão, só ai me dei conta que ela tinha colocado uma
camisa minha, que mais parecia um vestido nela. Acabei com a distância
entre nós dois e me sentei na cama ao seu lado.
Durante todo esse tempo, era comose uma guerra tivesse iniciado dentro de
mim, pois achava que quanto mais a quebrasse, tudo que cheguei a sentir
fosse desaparecer, mas no fundo, a minha raiva só aumentava por desejá-la,
por trair a memoria dos meus pais e por me permitir ser envolvido por
momentos de fraqueza, onde a desejava na mesma intensidade em que a
odiava.
Um filho significa a união do sangue dos Demisovski com o sangue daquele
traidor. Respirei fundo, tentando controlar todo o desconforto que pairou
sobre mim, minha cabeça estava a mil, meu cérebro soltando faísca e embora
as coisas tivessem mudado de rumo, nada ia mudar o fato que ela é filha
daquele desgraçado. Eu estava tão atormentado, perdido, que ao ouvir a voz
potente do meu tio, dei um salto repentino ficando de pé na mesma hora. No
entanto, senti um calafrio percorrer cada dimensão do meu corpo, ao ver o
objeto em sua mão.
— Encontrei isso dentro do carro.
ENZZO
MINHA ATENÇÃO FICOU DIRECIONADA para a
mochila nas mãos do meu tio e as lembranças de quando a tirei daquele
barranco vieram em minha mente, porém, foram afastadas assim que ele
lançou o objeto em minha direção. Com a bolsa sob minha posse, dei alguns
passos para trás, até alcançar a poltrona.
Ele, que até então estava com sua atenção, segundos atrás, voltada para mim,
se voltou em direção a mulher que estava deitada sobre a minha cama e ao
me sentar, comecei a deslizar o zipe tentando abri-la. Todavia, ele, sem
desviar seu olhar de Helena disse:
— Yolanda me contou tudo que aconteceu.
Enquanto ele parecia perdido nos próprios pensamentos, eu comecei a retirar
tudo que estava dentro da bolsa. Um desafio silencioso preencheu todo
espaço e assim que puxei a ultima peça de roupa, uma pequena caixa, que
estava no fundo da bolsa chamou a minha atenção. Assim que peguei o
objeto luxuoso, joguei a mochila no chão e o silencio que tinha predominado
no ambiente deu lugar ao som da voz do homem que estava imóvel na porta.
— O que é isso? — perguntou curioso e com o olhar cravado em minha
direção.
— É o que vamos descobrir — assim que o som da minha voz ressoou no ar,
abri de imediato o estojo e por uma fração de segundos, fechei os meus olhos
quando um forte brilho invadiu minhas retinas. Quando voltei a abri-los 
novamente levei uma das mãos para dentro da caixa e logo peguei um dos
diversos colares que estavam dentro.
Hulk logo começou a se mover e veio em minha direção e ver tudo aquilo, só
me fez constatar o quanto à mulher que estava desfalecida em minha frente,
era tratada como uma verdadeira princesa da máfia. Quando o meu tio acabou
com a distância que nos separava, eu entreguei uma das peças em sua mão,
enquanto comecei a bisbilhotar tudo que continha dentro daquela caixa, após
me livrar de todas as joias, me deparei com uma identidade e assim como a
mentirosa falou, no documento estava escrito que se chamava Laura.
Quando enfim já não tinha nada mais dentro do estojo e as joias que antes
estavam ali dentro, agora estavam nas mãos de Hulk, que se encontrava 
analisando-as, assim que ia fechar o objeto, senti um forte desconforto e uma
onda de calor invadiu todo o meu corpo. Meu coração se agitou e as batidas
começaram a ficar cada vez mais fortes, senti como se algo tivesse assumindo
o controle da minha mão e como se ganhasse vida própria, ela se moveu em
direção ao fundo da caixa e, ao pressionar, deu para perceber que tinha um
fundo falso, não demorou muito para me livrar daquilo e assim que terminei,
meu olhar atravessou o objeto que ainda tinha em mãos e ficou cravado no
papel que estava dobrado como se fosse uma carta.
Pela primeira vez em minha vida, senti que não tinha o domínio sobre as
minhas mãos, que ao tocarem no pedaço de papel, começaram a tremer e
assim que consegui desenrolá-lo, deixei o estojo cair no chão.
Passei um bom tempo olhando para o nome dela e só então meus olhos
desceram para próxima linha, que exibia uma caligrafia impecável e a medida
que fui lendo era como se o tempo tivesse congelado e o único barulho que
conseguia ouvir, era o da minha própria respiração.
“Helena,
Filha, se você conseguiu encontrar essa carta, isso significa que chegou ao
seu destino. Que teve tempo para retirar as joias que foram da sua avó e
encontrou o fundo falso. Conhecendo você, minha princesa, eu sei que 
certamente está pensando se fez certo em me deixar para trás, mas saiba que
daria a minha vida para vê-la segura e livre das garras do demônio que por
anos vem fazendo das nossas vidas um verdadeiro inferno.
Eu falhei com você em todos os sentidos e deveria ter deixado o medo de
lado e revelado a todos quem realmente é Omar Petrovci. Um homem cruel e
diabólico, que ao contrário do que todos pensam, é o pior marido do mundo
e o grande carrasco da sua própria filha.
Quando meu pai interrompeu os meus sonhos, ao anunciar que me casaria
com esse infeliz, eu resolvi aceitar o meu destino e acreditava que aquele
homem que exibia um sorriso perfeito, embora mafioso, pudesse ser a minha
tábua de salvação da prisão que sempre vivi. Mas, o tempo me mostrou o
quanto eu estava errada, que mesmo o meu pai sendo um ser tão insensível,
eu vivia no paraíso e o deixei vindo direto para o inferno. As humilhações, as
surras e todo sofrimento, tudo foi substituído pela notícia que dentro de
mim estava crescendo duas vidas, as quais se tornaria o novo motivo para
não me deixar sucumbir às atrocidades daquele monstro.
No entanto, a vida tinha outros planos e depois da morte do meu filho
amado, eu jamais esperava que nada do que eu achei que já conhecia sobre
aquele infeliz, era o mínimo comparado com sua verdadeira face. A própria
personificação do mal, um espirito maligno parece que enfim tinha se
apossado de vez da sua alma tenebrosa.
Só Deus sabe que a cada golpe que ele desferiu na minha pele, a única coisa
que me confortava, era que toda aquela maldade não poderia te atingir. Mas,
o meu mundo desabou quando todo seu ódio foi direcionado para o melhor
presente que a vida me deu.
A sensação que tive, quando ele desferiu o primeiro golpe em sua pele, era
de que meu peito tinha sido aberto e meus órgãos internos ficaram expostos e
a qualquer momento seriam estraçalhados. Por mais que eu suplicasse que
ele fizesse aquilo comigo, eu comecei a ver o quanto seus olhos brilhavam,
por estar infringindo tanta dor a uma criança, a qual ele culpava somente
por sua existência.
Assim como o seu nome, você reflete a luz e mesmo com toda escuridão e
vários motivos para deixar as trevas habitar em seu coração, você é o maior
exemplo de que existe bondade na terra. Uma guerreira desde o seu
nascimento, que embora crescesse em um verdadeiro castelo, jamais foi
tratada por aquele a quem deveria ser um protetor, como uma princesa.
Eu encontrei em Thadeu, a chance de tirar você desta gaiola cercada de
ouro, mas que na verdade é uma prisão. Não poderia suportar que, assim
como fez o meu pai, ele por ganância, fizesse você se casar com aquele outro
maldito. Hoje, embora triste por ficar longe de você, eu me sinto ainda mais
forte e disposta a lutar para que em breve estejamos juntas novamente. A
vida vai te devolver tudo que foi tirado de você.
Eu amo você, minha princesa.
Com amor, mamãe.
 
As lágrimas surgiram em meu rosto sem a minha permissão. A minha
garganta tinha se fechado, assim como parece que algo estava bloqueando as
minhas narinas, me impossibilitando de respirar. Meus pulmões, estavam aos
espasmos e eu estava praticamente sufocando, sendo corroído pela sensação
de culpa. E, quando achei que não poderia mais suportar, senti uma mão
forte de encontro ao meu ombro e o som da voz do meu tio me arrancou
daquele tormento.
— Enzzo!
Olhei para Hulk e sabia que ele estava preocupado para saber o que estava
acontecendo e a minha única reação, antes de levantar para ir até onde ela
estava, foi estender o pedaço de papel em sua direção.
"O que foi que eu fiz?”
HULK
FORAM POUCAS AS VEZES QUE o vi chorando, mesmo
quando criança, acordando em meio aos pesadelos, sempre se mostrou forte.Enzzo acabou por amadurecer muito cedo, sempre determinado e focado em
cumprir com sua missão.
Por muitas vezes tive que ser duro e até cruel, para nunca deixá-lo esquecer
quem era o responsável por Vitor e Helen não estarem com ele, e se não fosse
por Yolanda, que assim como fez comigo, não deixou que a escuridão
tomasse por completo os nossos corações. Desde quando ele chegou com a
filha do traidor, eu vi um brilho que jamais tinha visto em seus olhos, sei que
Helena seria o seu calcanhar de Aquiles e, por isso estava disposto a tirá-la do
seu caminho. Mas agora, ao ver a cena a minha frente, toda uma retrospectiva
se passou.
Ele já perdeu muito, passou toda sua infância se dedicando aos treinamentos.
Dizendo noite e dia como ansiava pelo momento em que teria o coração do
maldito em suas mãos. No entanto, a filha do homem que matou o meu irmão
tão querido, e quase destruiu a vida de Enzzo, como irônica do destino, foi a
única mulher a abalar todas as estruturas dele, fazendo a armadura que vem
vestindo desde criança, cair por terra e trazendo ao coração sombrio, uma luz
que nem mesmo todo ódio, raiva e dor pela perda foi capaz de ofuscar.
 
Deixo os meus devaneios de lado e meu olhar vai de encontro ao objeto em
minhas mãos. A cada linha, a cada palavra, um tremor violento passava pelo
meu corpo, então entendi o motivo dele ter ficado daquele jeito, pois era
surreal acreditar que um pai, mesmo que seja aquele desgraçado, pudesse
fazer uma monstruosidade dessas. Helena Petrovci, aquela que desejei por
diversas vezes a morte, assim como o meu irmão, como Helen e o próprio
Enzzo, é sem dúvida a maior vitima da crueldade daquele ser podre de
coração.
Engoli em seco. E um nó se formou em minha garganta assim que a cena do
chiqueiro veio em minha mente. Nunca fui de arrepender-me de nada que fiz,
mais não fui muito diferente daquele demônio, ao infringir algo que não a
marcou fisicamente, mas que a humilhou de tal forma, que ficará com certeza
para sempre em suas lembranças. Voltei meu olhar para o homem a minha
frente, que estava sentado ao lado dela, segurando uma de suas mãos e com
seus olhos azulados fixos no rosto pálido que parecia sem vida.
Ainda com sua atenção nela, o som da sua voz preencheu os quatro cantos do
ambiente.
— Ela nunca vai nos perdoar por tudo que fizemos, e muito menos ao saber
que passou por tudo isso estando grávida.
Meu coração deu um solavanco, como se uma corrente elétrica tivesse me
atingindo. O choque foi tão intenso, que fiquei petrificado diante das suas
ultimas palavras e naquele momento, só um único pensamento tomou conta
da minha mente.
"Eu jamais irei me perdoar se algo acontecer com ela e um ser tão inocente".
 
ENZZO
Devastado, era dessa forma que estava me sentindo. Os meus últimos atos
causaram uma marca muito pior nela. Eu ignorei todas as evidências, jamais
dei a ela o direito de se defender de tudo que estava a julgando, porque me
senti o soberano e a minha palavra, a minha vontade e o que acreditava ser o
certo, deveria prevalecer.
 
Mesmo sabendo que Helena ainda nem existia, quando tudo aconteceu,
alimentei uma raiva descomunal por ela, só por ser filha daquele traste. Tratei
pior que os porcos, já que esses sempre foram bem alimentados, deixei-a
dormir no lugar que só não estava numa situação caótica, porque Yolanda,
sempre tratou de deixar impecável.
O meu filho, assim como ela, vem sendo um verdadeiro guerreiro. Com
todas as circunstâncias, vem lutando para sobreviver, simplesmente por que
assim como a sua mãe, ele já estava tendo um carrasco antes de vir ao
mundo. Entre fome, frio, trabalhos pesados e tendo que ser privada do
próprio sono, sem poder descansar direito, já que passou um bom tempo
levando jatos de água gelada no rosto.
Ela, assim como passou anos resistindo as barbaridades e dores causadas pelo
próprio pai, não se deixou chegar no fundo do poço, ao qual o homem que ela
se entregou de corpo e alma, estava fazendo de tudo para levá-la ao limite da
razão e assim se entregar as trevas. Meus pensamentos foram interrompidos 
quando Yolanda entrou no cômodo.
— Vim trocar o soro, preciso ficar sozinha com ela.
Minha mandíbula se contraiu. Levantei-me e segui até a bolsa que estava
jogada no chão e depois de colocar toda roupa dentro do objeto junto com o
estojo, disse a Yola que eram as roupas delas e certamente ela ia ver que as
peças íntimas estavam no compartimento da frente, já que ao ver não quis
expor na frente de Hulk.
Mesmo contra a minha vontade, tive que sair do quarto. Durante o trajeto até
a sala, só se ouvia o som das nossas passadas. Quando chegamos ao cômodo,
ele que ainda estava assim como eu, desorientado devido aos últimos
acontecimentos, começou a falar.
— Ainda não consegui entender como ela conseguiu sair daquela fortaleza.
— Isso só irá descobrir quando ela acordar.
— Temos que acabar logo com aquele desgraçado. Essa erva daminha só
vem semeando a destruição.
 
— Agora mais do que nunca, eu vou matá-lo. Omar Petrovci vai pagar em
dobro por cada marca, por cada golpe que desferiu contra a pele dela.
 
Horas depois...
HELENA
Não sinto dor, só algo macio debaixo de mim e uma sensação de paz tão
grande. Quero abrir os meus olhos, mas minhas pálpebras estão pesadas.
Ouço alguns sussurros em meio à escuridão sem fim, porém logo o silêncio
se faz presente, afastando todo o barulho a minha volta.
Aos poucos as lembranças começam surgir e o meu cérebro acessa memórias
do passado. Meu coração dispara, minha respiração fica ofegante e todo o
meu corpo se contorce ao ouvir as palavras ditas a minha volta.
— Você precisa ser forte, por você e pela criança que esta dentro de você.
“Filho... Não! Não! Não!”
Imediatamente meus olhos se abrem diante de tudo que ouvi. Respiro
aliviada ao ver que tudo não passou de um pesadelo, porém assim que meus
olhos varreram o lugar, o pânico toma conta de todo o meu ser ao constatar
onde eu estava. Movi a cabeça para o lado e todos os meus sentidos ficaram
voltados para mulher a minha frente e ao ver um sorriso em seu rosto, as
palavras que pensei que eram fruto da minha imaginação ecoaram em minha
cabeça, me destruindo por dentro.
HELENA
COM OS OLHOS FIXOS EM YOLANDA, meu cérebro
tentava processar toda aquela informação. E, quando desviei o olhar do seu
rosto para o meu braço, me deparei com o soro correndo em minhas veias.
— Eu sei que você ouviu o que eu disse e não é fácil ter que lidar com tudo
isso. Mas, essa criança assim como você, está lutando para sobreviver,
mesmo que a escuridão esteja ao seu redor, sempre haverá uma luz.
Fechei os meus olhos e suas palavras martelavam minha mente e não
pretendiam parar. Eu mais do que ninguém sei o quanto a vida é preciosa,
todavia, ter um filho daquele monstro será o mesmo que submeter um ser
inocente a tudo que passei durante toda a minha infância. Não posso permitir
que Enzzo, faça dessa criança mais uma vítima do seu ódio, que em vez de
um pai, ele tenha um tirano o qual fará da sua vida um mar de sofrimento.
Esses eram os pensamentos que corriam dentro da minha cabeça, repetindo-
se num ritmo alucinante e incessante. Passei a suar frio e o meu corpo inteiro
começou a tremer. Atordoada, comecei a me debater enquanto Yolanda pedia
desesperadamente para que eu ficasse calma e quando virei à cabeça em
direção a porta, ele, o homem que vem sendo meu desespero, meu tormento
surgiu no meu campo de visão.
E, assim que ele se mexeu, um clarão surgiu em minha frente e com ele a
imagem de Omar com um cinto em suas mãos e eu podia ouvir o barulho do
golpe ao atingir a minha pele.
— Não! Não! Não!
A minha mãe gritava pedindo para ele parar, mas isso só o irritou e o segundo
golpe me fez cair no chão, causando uma dor insuportável em minha pele e
sem que eu pudesse controlar, comecei a fazer xixi na roupa, me contorcendo
em meio a dor e, antes que ele me atingisse novamente, desta vez foi a razão
da minha vida a única pessoa que demostrou gostar de mim, que se jogou na
frente deixando o couro lhe atingir.Desde então, além dos xingamentos, ele
passou a me infringir dor, mesmo sendo tão pequena, isso se tornou motivo
de êxtase para aquele homem.
— Se afaste de mim, está doendo. Por favor, pareeeee...
— Helena!
A voz de Enzzo me fez voltar ao estado de lucidez. As imagens foram
sumindo e as lágrimas inundaram o meu rosto, porém, senti uma picada em
minha pele e logo depois tudo começou a escurecer.
 
Manhã seguinte...
ENZZO
Exausto. Não foi fácil o dia anterior depois de tudo que descobrimos, o
despertar de Helena, além de agitado, foi terrível vê-la revivendo algo do seu
passado. Era como estivesse sentindo a dor e os gritos de angústia e
desespero só aumentaram ainda mais o sentimento de culpa.
Yolanda logo deixou o quarto ao ver que ela não parava de se contorcer e
pelo seu estado, isso poderia ter consequências graves. Pedi por várias vezes
que ela ficasse calma, mas tudo que consegui foi que ela se contorcesse ainda
mais e, quando Yola retornou, a única alternativa foi dar um calmante, já que
o nervosismo automaticamente diminui as defesas naturais do corpo,
atingindo principalmente o bebê.
Depois do ocorrido, passei o restante do dia ao seu lado e ao cair da noite, eu
acabei por dormir no quarto de hóspede, pois Yolanda achou necessário, caso
ela acordasse e ao me ver certamente teria outra crise. Com as vitaminas
colocadas no soro, ela logo estaria mais forte.
Assim que despertei, a primeira coisa que fiz foi ir até o meu quarto, pois
precisava pegar algumas peças de roupa. Yolanda me informou que ela
acordou, mas logo depois voltou a dormir e que o restante da noite tudo
ocorreu bem.
Passei um bom tempo olhando para mulher desfalecida sobre a cama, em
seguida, peguei o que fui buscar e voltei para o quarto que passei a noite.
Instantes depois, de banho tomando e arrumando, deixei o cômodo indo rumo
a sala e ao adentrar o ambiente, me deparei com o meu tio com sua atenção
toda voltada para o jornal em suas mãos. Quando parei em sua frente, ele
levantou a cabeça e pela sua expressão, eu sabia que devia ser algo sobre
aquele miserável e antes que ele pensasse em dizer algo, peguei o objeto de
suas mãos.
Observando atentamente o conteúdo do informativo e ao ver a imagem do
maldito que exibia um sorriso largo, fechei minha mão em volta do papel
assim que me lembrei de tudo que ele fez com Helena. Eu esperei mais de 20
anos e já não posso mais aguentar todo esse ódio que me incendeia, que faz
todos os meus demônios se agitarem e gritarem para que eu derrame o sangue
do desgraçado. Tudo que descobri foi o estopim que faltava para destruir de
vez essa erva maldita.
Com um giro nos calcanhares, me movi em direção a sala de armas e já
dentro do ambiente, com o armamento em mãos, assim que me virei em
direção a porta, um brutamonte que mais parecia uma barreira humana surgiu
no meu campo de visão.
— Você não vai sair daqui — minha boca se contorceu e a raiva começou a
me queimar por dentro.
— Saia da minha frente. Nada vai me impedir de enviar aquele maldito para
o inferno — avancei em sua direção, mas logo me detive quando o som da
sua voz ressoou dentro do ambiente novamente.
— Não esperamos tanto tempo para que um tiro resolvesse tudo, caso
contrário eu teria feito isso. Aquele infeliz precisa ser desmascarado perante
todos, sofrer assim como fez com os seus pais e principalmente a sua mãe
que foi morta de uma forma tão cruel. Não deixe que emoção domine a
razão. A regra é agir seguindo o raciocínio dos pensamentos e não os
sentimentos do coração. Você vai acabar com esse desgraçado e eu estarei ao
seu lado e darei a minha vida para que você tenha em suas mãos o coração
daquele verme. No entanto, faremos como o planejado.
Ouvir as palavras dele me fez refletir. Uma bala no meio do peito do abutre
seria muito pouco comparada com a devastação que esse traidor já causou a
sua volta. Nas horas seguintes, passamos planejando tudo que faríamos hoje à
noite, se esse infeliz quer ser o centro das atenções, faremos que a sua noite
seja inesquecível. Ele derramou o sangue dos meus pais, e serei eu, o filho
do homem que foi apunhalado por um ser ambicioso, que irei derramar o
sangue de Omar Petrovci, e nada mais justo que começar a fazer alguns
estragos.
OMAR
DURANTE ESSES ÚLTIMOS DIAS, muita coisa
aconteceu. Antes mesmo de a inútil confirmar que a mecha de cabelo era da
infeliz, pela sua expressão eu já tive a resposta.
A raiva me dominou quando a idiota começou a chorar e de alguma forma, eu
precisava descontar todo o ódio que estava sentindo e antes que ela se desse
conta, fechei uma das mãos em punho e avancei em sua direção. Os ruídos
vindo de sua garganta, logo se fizeram presente, o que só me incitou a
desferir vários socos em sua barriga, afinal de contas, o alvo que me deixa em
puro êxtase ao ver os hematomas, desta vez não poderia ser atingido, já que
precisava do seu belo rosto intacto para o evento que estava prestes a
acontecer.
Depois que me dei por satisfeito, deixei o lugar indo em direção ao meu
escritório. Já acomodado em minha poltrona e, após a confirmação que
realmente o cabelo era de Helena, meu cérebro começou a processar todas as
informações, me levando a dois caminhos.
Aquela velha disse em meio a sua profecia, que se àquele monstrinho
sobrevivesse, o meu legado chegaria ao fim, porém isso e impossível, já que
vários anos se passaram e não teria como aquele projeto em miniatura de
Vitor Demisovski, ter sobrevivido, porém, além de mim, só duas pessoas
sabiam dos meus planos em matar aquela criança e o que fiz com Vitor.
Uma dessas pessoas era aquela que vem interferindo no mundo da máfia e a
qual já foi enviada ao inferno. De certo que não ia deixar ela viva e assim que
me tonei o chefe da máfia albanesa, trarei de pessoalmente fazer uma visita a
infeliz e após dar um tiro bem no meio da sua testa, coloquei fogo naquele
casebre. Assim como o desgraçado do Vitor, o fantasma da infeliz por anos
vem me atormentando.
Descantando a possibilidade de ser ela a responsável, meus pensamentos
foram direcionados para aquele maldito. Depois do tiro que levei e após
deixar o hospital, fui pessoalmente me certificar se ele tinha feito o que eu
tinha mandado. Achei rastro de sangue junto com a manta daquele ser
insignificante e um corpo carbonizado dentro do veículo, mas agora diante
dos fatos, várias teorias se passaram pela minha cabeça e se aquele maldito
não estava dentro do carro quando o mesmo explodiu? E, se ele não estava
sozinho e aquele corpo era de algum aliado e ao sobreviver vem planejando
por todos esses anos vingar-se?
Pode muito bem ter tirado a foto do fedelho antes de matá-lo, com o intuito
de me chantagear e agora resolveu usar. Pode muito bem ser aliado do
maldito que ajudou na fuga da infeliz e justificaria o fato dela esta sobre seu
domínio.
Com o rumo dos últimos acontecimentos e não conseguindo identificar quem
era o homem que estava dirigindo a moto que deixou a maldita caixa,
coloquei meus homens na principal estrada, na tentativa de identificar o
suspeito. Tentativas em vão e com a incompetência dos idiotas ao meu redor,
mais uma mecha do cabelo da imprestável chegou até a mim.
Deixei de lado todos os contratempos e resolvi focar no evento, onde seria
homenageado e me renderia muitos aliados. Cedo ou tarde, vou encontrar o
responsável que se atreveu a cruzar o meu caminho e quando assim o fizer,
vou resumi-lo a pó. Afasto as lembranças e caminho em direção ao corredor,
espero que Isabella já esteja pronta, caso contrário, assim que voltarmos, ela
sofrerá as consequências do seu ato.
Acabei por encontrá-la no corredor e juntos descemos os degraus da escada,
seguimos em silêncio em direção à garagem. Hoje todas as atenções estarão
voltadas para mim e em breve, assim como tirei o temido chefe da máfia
albanesa do meu caminho e me tornei o soberano desta organização, eu logo
serei o maior líder desse país e todos.
 
ENZZO
Passei o restante do dia inquieto. Hora, por Helena não acordar e, outra na
expectativa da noite chegar.Questionei Yola, se era normal ela ficar por tanto tempo desacordada, mas ela
me informou que sim, que no fundo acreditava que a própria Helena não
queria acordar, como se tivesse dentro de uma bolha e não quisesse sair dela,
pois sabia que fora teria que enfrentar tudo aquilo que estava lhe causando
sofrimento.
Depois da explicação de Yolanda, tratei de me concentrar somente no que
tínhamos planejado em fazer. Hulk, havia saído para colocar parte do plano
em ação, para que na hora certa, Omar tivesse a recepção que merece.
Arrumado, dei uma última olhada no relógio em meu pulso e ao ver as horas
e sabendo que ele já estava me aguardando, fui direto ao seu encontro. Ao
chegar à sala dei de cara com Hulk e Yolanda, ela tinha uma expressão
preocupada e como já esperava, sua voz carregada de desespero se fez
presente.
— Acho tudo isso muito arriscado.
— Você não precisa se preocupar, só vamos dar um susto no maldito. A
morte pra ele nesse momento seria um presente.
Com algumas passadas, fiquei a centímetros de distância dela e logo a
envolvi no forte abraço, no entanto, tive que desfazer o contato assim que
Hulk me chamou.
— Vamos! Já está quase na hora.
— Cuide de Helena e do meu filho. Qualquer coisa não hesite em me ligar.
Com passos precisos e apressados, fui para fora da casa. Minutos depois, já
dentro do veículo que estava em movimento, passamos boa parte do percurso
em silencio.
Como o evento seria aberto ao público, seria muito mais fácil nos
camuflamos em meio à multidão. Quando enfim, chegamos ao nosso destino,
fiquei estarrecido com a grande quantidade de pessoas, todas iludidas pelo
lado de bom samaritano que o facínora vem demostrando ao longo dos anos.
Ao sairmos do veiculo, logo, cada um foi para lados contrário.
Tive bastante dificuldade para chegar até o centro do palco, mas fui me
misturando entre o pessoal até que parei no lugar que me daria uma boa visão
do desalmado. Aplausos logo se fizeram presentes quando o som da voz de
um cerimonialista começou a chamar alguns nomes e, logo alguns homens
subiram no palco e foi nesse exato momento que me aproximei ainda mais.
Meus batimentos se tornaram descontrolados e todo o meu corpo ficou em
chamas, quando o nome do viperino retumbou no ar.
— É uma honra ter o empresário Omar Petrovci, conosco. Peço a todos que
aplaudam.
Diante daquele pedido, o barulho das mãos chocando-se uma contra outra
entoou a minha volta e, com um sorriso amplo, daqueles que deixam os
dentes a mostra, o atroz subiu ao palco e caminhou até o centro, onde o
homem lhe passou o microfone. A cada palavra que saia da sua boca, só
aumentava a minha fúria e a vontade de avançar em sua direção e quando ele
deu alguns passos a frente, parando justamente em minha direção, levei uma
das mãos até o meu rosto, afastando o meu óculos e foi nesse exato momento
que nossos olhares se cruzaram e um estrondo terrível ecoou no espaço.
OMAR
FIQUEI HIRTO E ESTUPEFATO QUANDO VI aquele
homem com seu olhar lançado em minha direção. Todo o meu corpo estava
sacudindo por dentro e assim que meu olhar ficou fixo naquelas orbitas azuis,
toda a multidão a minha volta foi desaparecendo e as lembranças de anos
atrás apareceram assim como a imagem daquele fedelho.
Por mais que eu quisesse me mover, não conseguia, era como se estivesse
preso nos meus próprios devaneios, nas próprias lembranças que vieram para
me deixar inquieto, perturbado e confuso. Mas, toda a escuridão e o silêncio
foram afastados, assim que senti uma dor insuportável atravessar a minha
pele e meu corpo sendo arremessado no chão. Estremeci de dor com a
intensidade ardente em um dos meus membros superiores.
Aquilo não só me tirou do estado catatônico em que estava, como só aí vi
todo o desespero a minha volta e a multidão em pânico, o fogo tomando
conta do palco e do meu braço. Só então entendi o motivo de tanta dor e se
não fosse por Aron, certamente o fogo teria me envolvido por completo.
Toda uma movimentação aconteceu a minha volta, onde o meu terno foi
arrancado do meu corpo e o fogo apagado e ver o estado que ficou a minha
pele, me fez sair de vez do transe que estava e num impulso me levantei,
porém, o homem que estava a minha frente poucos minutos atrás, já não
estava mais ali, e, enquanto meus olhos procuravam pelo infeliz, toda a
segurança buscava encontrar o responsável pela explosão e tudo indicava que
o único alvo era eu, já que colocaram explosivos no ponto estratégico onde
não afetou os demais, dando a eles tempo necessário para escapar.
Meus pensamentos foram interrompidos quando olhei um homem de
sobretudo preto, semelhante ao do maldito que tinha visto e ao apontar o
dedo na direção dele, Aron logo fez um gesto para que fosse detido. Em meio
à dor que me assolava, ao ter minha pele em carne viva, passei feito um
furacão por todos que encontrei em minha frente e ao contrário de muitos que
me olhavam totalmente incrédulos e preocupados, Isabella, parecia que
estava vibrando por dentro com a cena a sua frente, mas logo essa infeliz vai
se arrepender.
Quando alcancei o sujeito que já estava imobilizado, assim que levantou a
cabeça e minha atenção se voltou para o rosto do desgraçado, a raiva me
dominou.
 
ENZZO
Dentro do carro, o som da gargalhada de Hulk, entoava no espaço e se tornou
contagiante e assim como ele eu já não conseguia me controlar ao lembrar-
me da expressão do maldito.
Embora o homem ao meu lado, acreditasse que não poderia surti efeito, algo
dentro de mim sabia que sim. A cada pesadelo que sempre tive, quando
criança, eu sempre vi aqueles olhos, era como se tivesse ficado registrado em
minhas lembranças e de alguma forma eu tinha plena certeza que assim como
eu, ele ia ter alguma reação ao me ver, além dos olhos, cresci ouvindo o meu
tio dizendo que era a copia do meu pai.
Se estivéssemos dispostos a acabar com sua vida hoje, teríamos feito com
êxito, pois ele estava cercado de incompetentes e isso será um ponto ao
nosso favor quando chegar a hora do confronto final. Com a bomba colocada
ainda cedo no lugar, a nossa intenção era somente dar um leve susto no
traidor e sabíamos exatamente o momento certo para que pessoas inocentes
não sofressem as consequências. Vê-lo imóvel, enquanto o fogo estava a sua
volta, me fez vibrar por dentro e mais ainda quando as chamas envolveram o
seu braço, e só em cogitar que o desgraçado, era o mesmo que bateu nela, me
deixou a um ponto de ir ao seu encontro e arrancar o seu membro, para que
ele sentisse dor com tamanha intensidade, como causou a uma criança que
era totalmente indefesa.
Passamos toda viagem de volta para casa falando sobre o que tinha
acontecido e quando enfim, chegamos em casa, não demorou muito para
deixamos o carro e caminhar em direção a entrada principal e assim que abri
a porta, os gritos que ecoavam no ar me deixou desorientado e agindo por
instinto, corri feito louco em direção ao meu quarto.
Assim que cheguei ao cômodo, ela, assim como ontem, estava se debatendo e
gritando aos berros, enquanto Yolanda pedia para ela se acalmar. Era como se
não tivesse no seu estado de lucidez.
— Ele vai matar o meu bebê. Não! Não! Nãooooooo...
Assim que meu tio me alcançou, tanto ela como Yolanda, direcionaram sua
atenção para nós e o estado de Helena só piorou porque ela, num movimento
brusco, arrancou o objeto que estava fixado em sua veia e seu olhar estava
repleto de medo e novamente sua voz se fez presente.
— Afaste esse cinto de mim, por favor, não deixe esse monstro levar o meu
filho. Eu preciso sair daqui, solte os meus cabelos, não... Está doendo,
pareeeeee...
Esperneando freneticamente, ela se debatia de um lado para outro em cima da
cama. Cada vez falava coisas desconexas, como se estivesse tendo
alucinações, pelos movimentos e as lágrimas que desciam em sua face, o
sofrimento estava intenso.
Desesperado, invadi o quarto, para assim como Yolanda, que tentava sem
sucesso, fazer a mulher voltar a realidade e quando seus olhos novamente
grudaram nos meus, em vez de medo, eu só vi um ódio mortal. O brilhointenso que mesmo após tudo que fiz era visível, naquele momento tinha
desaparecido. Quando pedi para Yola, novamente dar um calmante a Helena. 
Ela disse que não seria possível e que precisávamos fazer ela voltar a
realidade.
Helena continuava com seus olhos cravados em mim e assim que segurei em
sua mão, senti um forte aperto e quando pensei que toda angustia estava
passando. Ela ficou imóvel e em seguida levou uma das mãos em direção à
barriga e um berro estrondoso ressoou no espaço.
Quando desviei o olhar de sua barriga, a cena que vi, pesou como se uma
dezena de bolas de chumbo estivesse dentro do meu estômago. Causando-me
um desconforto terrível, fazendo-me ter ainda mais consciência do tamanho
do mal que fiz, não só a ela, mas ao nosso filho.
Diante daquele líquido vermelho que escorria por entre as suas pernas, o
pânico me envolveu e no instante em que vi a única mulher que foi capaz de
fazer o meu coração bater mais forte, despertando emoções que jamais soube
que existia, fechar os olhos e se entregar a escuridão, um barulho maior
ainda, comparado com o que foi dado por ela, segundos atrás, se fez presente,
assim que um ruído de medo e desespero saiu rasgando a minha garganta.
— Salve o nosso filhoooooo...
 
ISABELLA
EU NÃO SEI ATÉ QAUNDOVOU CONSEGUIR suportar
tudo isso. Meu corpo calejado já não aguenta mais e a única coisa que ainda
me mantem viva é a esperança de que vou estar novamente com a minha
princesa. Mesmo contra a minha vontade, tive que ir com aquele tirano para
mais um dos eventos que ele tenta a todo custo ser o centro das atenções.
Sempre fazendo caridade, não que isso me incomode, pois é a única razão
pela qual faço de tudo para colocar um belo sorriso no rosto e ostentar o
papel de esposa feliz. Saber que, embora pelo motivo errado, alguém está
sendo beneficiado com as doações, alegra o meu coração, porém ao sair de
casa jamais pensei que teria tamanha felicidade.
Nunca fui uma pessoa ruim, jamais deixei que sentimentos negativos tomasse
conta do meu coração, mas Omar sim, ele foi capaz de me fazer deixar de
lado tudo aquilo que sempre vinha lutando para jamais sentir. Enquanto sua
crueldade me tinha como alvo, mesmo sendo seu saco de pancadas, mesmo
vendo o meu corpo ganhar novos hematomas, eu lutava para não sucumbir à
escuridão.
Mas, tudo mudou quando ele começou a fazer da vida do meu amor maior
um inferno, e, aquilo só despertou um lado sombrio que eu jamais pensei que
tivesse. Por diversas vezes desejei a sua morte, ao ponto de até cogitar em ser
eu mesma a matá-lo, mas não queria que a minha Lenoca, me visse como
alguém desalmada. Mas ver a expressão de dor do maldito fez meu coração
explodir de felicidade, o mesmo braço que por anos nos causou tanta dor,
estava em chamas e por mim o fogo poderia tê-lo queimado por completo.
Depois que deixamos o local e seguimos para o hospital, levaram o carrasco
de imediato para receber todos os cuidados necessários e minha vontade, ao
ver aquele povo todo sensibilizados pelo que tinha acontecido com ele, era de
gritar a todo vapor que o responsável pela explosão só estava fazendo um
bem para humanidade, ao enviar o demônio para o lugar a que ele pertence.
Fiquei na sala de espera perdida em meus pensamentos, quando de repente
meus batimentos aceleraram, lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto sem
que eu pudesse controlar. Senti um aperto muito forte em meu coração e uma
sensação terrível tomou conta de mim.
Tudo que veio em minha cabeça foi a minha filha.
 
ENZZO
— Helena! Nãoooo!
Eu estava mergulhado em desespero e extremamente aflito. Por mais que
Hulk pedisse para que eu me acalmasse diante daquela visão, uma onda de
pensamentos se fizeram presentes. Eu já não conseguia afastá-los e todos eles
ficavam martelando em minha cabeça e uma voz gritava cada vez mais alto
que eu era o único culpado, que não merecia tê-los em minha vida.
Uma sensação de vazio preencheu meu coração e não importava de quem ela
era filha ou o sangue que corria em suas veias. Helena, trouxe luz a minha
vida e com tantas mulheres que poderiam ter cruzado o meu caminho, ela foi
a escolhida, nossos destinos já estavam traçados e eu não deixaria que a
morte novamente tirasse alguém tão importante para mim.
Yolanda, que lutava para salva a vida dos dois, por uma fração de segundos
se concentrou em mim e sua voz se fez presente.
— Saia agora! — disse num tom rude.
Eu nunca a tinha visto falar desta forma, mas suas palavras fizeram o choque
da realidade me atingir e eu constatei que só estava atrapalhando ela, que
lutava para conter a hemorragia e salvar a vida dos dois. Não sei em que
momento meu tio me tirou dali, quando dei por mim já estava na sala jogado
no sofá.
— Ela já nos mostrou que é forte e vai lutar com todas as suas forças pela
vida do filho de vocês.
— Ela nunca vai me perdoar se o pior acontecer. Eu nunca vou me perdoar se
por minha culpa, o nosso filho não resistir.
— Ele é um Demisoviski, tem o sangue dos pais, que são dois sobreviventes
nesse mundo cheio de crueldades. Assim como Helena, sofreu desde criança
nas mãos daquele miserável, você também foi o único da sua família, que ele
não conseguiu destruir.
Levantei-me e comecei a andar em círculos, as horas se passaram e não
tínhamos notícias. Aquilo já estava me sufocando e quanto mais tempo se
passava, a minha aflição só fazia com que pensamentos ruins surgissem, me
deixando ainda mais angustiado, quando ouvi passos se aproximando, virei
em direção ao corredor e ao ver a fisionomia da mulher a minha frente, tudo
que pensei foi no pior.
— Consegui, mas ela vai precisar de muito repouso.
Respirei aliviado, e a sensação que eu tinha era que um pouco do penso que
estava em meu estômago, me causando uma sensação ruim, tinha se esvaído.
Dois dias depois...
HELENA
Em meio à dor e ao desespero, me encontrava totalmente perdida. Era como
se as trevas quisessem, de alguma forma, apagar toda luz a minha volta.
Eu sabia que estava me deixando ser consumida pela escuridão. Em parte, eu
quis desistir, precisava encontrar a paz e não aguentava mais sentir tanta dor.
Eu já não sabia mais o que era realidade ou ilusão e saber que dentro de mim
tinha uma vida, me deixou no limite da loucura. Eu deixei que a emoção
tomasse conta de mim, deixei que o medo e o pânico colocassem uma venda
em meus olhos, e cega, já não conseguia sair das profundezas do meu
desespero.
Enzzo, Omar e Hulk, eu já nem sabia distinguir quem era um ou outro, as
imagens deles surgiam como flashes a minha frente e tudo que eu queria era
correr para bem longe. Pensar que assim como eu, essa criança fosse se tornar
o alvo da crueldade desses monstros, me fez sucumbir ao estado de devaneio
e só quando ele segurou em minha mão, foi que senti uma vibração forte em
meu corpo, no entanto, a dor que me atingiu foi muito maior.
Perdi a noção de tudo e mesmo ouvindo sussurros, eu não tinha forças para
voltar à razão. Toda vez que tentava abrir os meus olhos, sempre era puxada
de volta para escuridão, mas algo dentro de mim queria encontrar a luz, e
mesmo que uma força estranha tivesse cada vez mais intensa a minha volta,
tentando me impedir de sair dali, ao pensar no meu filho, no motivo pelo qual
eu lutarei para seguir em frente e ter um recomeço longe de tudo isso. Forcei-
me a abri os meus olhos.
No entanto, a primeira imagem que vi foi a do anjo vingador, que embora
tivesse vestido de branco, de nada me impediu de vê-lo como realmente é.
Meus pensamentos foram afastados quando ele se levantou e veio em minha
direção. Eu precisava ser forte, pelo meu filho teria que continuar lúcida.
— Preciso que você fique calma — disse com um tom de voz calmo e se não
o conhecesse, até diria que estava preocupado, porém, fiquei agitada quando
escutei as palavras que foram ditas por ele.
— Eu vi as suas costas e já sei de tudo que aquele desgraçado fez com você.
Senti a revolta crescer dentro de mim, pois ele falava como se não fosse tão
cruel como o homem que tenho por pai.
— Você não fez muitodiferente dele e se tivesse me deixado dizer a verdade
em vez de me culpar por algo que eu não tive culpa, já teria descoberto que
eu jamais tive uma vida de princesa, como você e todos sempre imaginaram.
— Eu sei que errei, mas saber que você era filha do homem que matou os
meus pais. Que usurpou o lugar dele e foi capaz de atentar contra a minha
vida, quando eu não passava de um simples bebê, só me deixou ainda mais
cego.
— Que Omar não presta isso eu sei, pois sou a provar viva de tudo que ele é
capaz de fazer, mais até onde eu sei, Vitor e toda sua família foram mortos
durante a chacina que teve na mansão.
— Isso foi à versão que aquele traidor quis que todos acreditassem. Talvez,
depois que você souber de toda verdade, possa entender o motivo de tanto
ódio.
Ele se sentou na cama e nas horas seguintes começou a contar tudo que tinha
acontecido com sua família. A cada palavra dita, um misto de sensações
apoderou-se de todo o meu ser. Estava estarrecida com tamanha crueldade e
tive que me controlar para não deixar as lágrimas caírem e quando ele
terminou de relatar tudo que tinha acontecido, segurou firme em uma das
minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos.
— Eu preciso que você me perdoe por ter agido movido pela raiva e não ter
dado a você a chance de se defender. Eu preciso que me perdoe por todo
sofrimento que fiz você passar e ao seu lado e do nosso filho, vamos superar
tudo isso.
Assim como ele fez, ao proferir suas palavras, cravei o meu olhar no seu.
Puxei a minha mão do seu contato e o som da minha voz reverberou no ar.
— Eu não irei te perdoar. Pois para isso teria que esquecer cada humilhação,
cada dia que passei naquele porão e cada palavra que foram proferidas por
você, que assim como era da sua vontade, não me quebraram fisicamente,
mas foram enraizadas aqui dentro e acima de qualquer sentimento que
cheguei a sentir por você. Eu só cheguei até aqui, porque aprendi a me amar,
aprendi a dar valor à vida e não deixar que nada e nem ninguém mudasse
quem eu sou. No entanto, mesmo não sendo da minha vontade, você é o pai
dessa criança que cresce em meu ventre e, se quiser fazer algo pelo seu filho,
salve a minha mãe das garras daquele demônio.
Dias depois...
HELENA
COM O PASSAR DOS DIAS, comecei a me sentir melhor
e aquela sensação de fraqueza desapareceu. Tenho muito que agradecer aos
cuidados de Yolanda e com a alimentação que venho recebendo, consegui
recuperar um pouco do peso que havia perdido.
Antes dava para contar os ossos das minhas costelas e ver os ossos dos
ombros, que faziam umas pontas estranhas. Sem contar a roupa que dançava
em meu corpo.
Ainda lembro que após a conversa que tive com Enzzo, o qual jurou que
minha mãe em breve estaria ao meu lado, a única que demostrou
sensibilidade com minha situação entrou no quarto com uma enorme bandeja
em suas mãos, meus olhos logo brilharam diante daquela imagem, assim
como meu estômago deu sinal de vida.
Quando ela me entregou aquela bandeja, foi como se uma criança tivesse
ganhando o seu doce favorito e não demorou muito para que eu devorasse
boa parte do que tinha ali. Se não fosse pela dor que senti na barriga, teria
comido ainda mais, ela me explicou que este incômodo, era devido há muitos
dias sem ter comido nada e como eu mais parecia um animal faminto e fui
praticamente empurrando tudo para dentro da boca, em questão de minutos
acabei por sentir essa sensação.
Desde aquele, dia foram poucas às vezes em que vi Enzzo dentro daquele
quarto, o que agradeci a Deus, embora não possa negar e fazer de conta que
ele não desperta um alvoroço em mim, quando surgi em minha frente. Eu não
vou esquecer que por sua culpa, quase perdi o meu filho, que além de fome,
ele me fez chegar ao fundo do poço, ao ponto de me rebaixar para não morrer
de fome.
Seria fácil dizer eu te perdoou, mais seriam palavras vãs, já que não consigo
esquecer todo o sofrimento que passei nos últimos dias. Para minha surpresa,
o tio dele, também veio até a mim e assim como o sobrinho, pediu perdão por
tudo que tinha me feito passar. Sempre vi o perdão como um remédio.
Na hora, pode ser amargo, mas faz bem, alivia o mal-estar interior. Mas, a
ferida está longe de cicatrizar e embora curada por fora, por dentro as
lembranças permanecem e são elas que não me estão me deixando esquecer
tudo que vivi.
Deixo os meus pensamentos de lado e caminho em direção ao banheiro.
Acabei por passar um bom tempo debaixo do chuveiro, curtindo a água
morna em minha pele, pois enquanto eu congelava lá embaixo e tinha que me
virar com um banho que congelava meus ossos, ele tinha em seu quarto todo
o conforto. Passei uma das mãos em direção a minha barriga e já não via a
hora de ter a minha mãe ao meu lado e o meu filho, juntos iremos para bem
longe de tudo isso.
Assim que saí do box e enrolei a toalha em volta do meu corpo, me repreendi
por ter esquecido de pegar uma roupa limpa dentro da minha mochila, em
passos largos, saí do banheiro e assim que abri a porta, tive um sobressalto
quando os meus olhos foram de encontro a imagem a minha frente. Levei um
susto e acabei deixando minha toalha cair no chão.
Seus olhos percorreram todo o meu corpo, e pararam por um bom tempo nos
meus seios descobertos, até ficarem fixos em direção a minha intimidade. Eu
não consegui me mexer, minha respiração acelerava a cada segundo que se
passava e quando ele veio em minha direção, meu cérebro começou a reagir e
minha voz num tom seco, ecoou no espaço.
 
— Eu quero que saia agora do quarto agora — disse firme ao ver o desejo
estampado em seus olhos, que faiscavam em meio à luxúria.
— Helena, e...
— Se você não sair, eu não terei problema algum em voltar para aquele porão
— suas veias se contorceram e eu sabia que ele estava travando uma luta para
conter a raiva. E, assim que o vi recuando, antes que ele deixasse o recinto,
novamente voltei a me manifestar.
— O quarto pode até ser seu, mais eu espero que da próxima vez só entre
com a minha permissão, afinal, entre nós só existe dois assuntos em comum,
o nosso filho e a derrota de Omar Petrovic, até porque você não deve ter
muito interesse em ficar próximo ou conversar com a filha de um traidor.
Ele saiu sem dizer nenhuma palavra, fechando a porta atrás de si.
 
Horas depois...
Mesmo vivendo um inferno desde criança, sempre procurei tratar bem as
pessoas. E também aos poucos funcionários com os quais eu tinha algum
convívio, minha mãe sempre me ensinou, que os nossos problemas eram
nossos e não deveríamos descontar nossas frustrações nos outros.
Entendo perfeitamente, o quanto o homem que tenho por pai destruiu a vida
de Enzzo, embora sendo uma criança, ele perdeu muita coisa e eu sei o
quanto o amor dos pais é algo que nos faz feliz, assim como a rejeição nos
quebrar por dentro.
Mas, ele simplesmente me julgou e mesmo tendo passado alguns dias
comigo, o peso que levou em consideração foi que eu era filha do seu
inimigo. Deveria saber muito bem que as pessoas não são o que aparentam
ser, pois muitos acham que Omar, é um verdadeiro anjo, quando na verdade é
um monstro.
 
Assim que terminei de me vestir e seguindo as recomendações de Yolanda,
resolvi deixar o quarto, pois segundo ela, eu precisava tomar um pouco de
sol. Andando pelos corredores, comecei a ouvir vozes vindas da sala e quanto
mais me aproximei, eu pude identificar de quem era. Logo parei em frente à
porta.
— Ainda não consegui entender como ela saiu daquela mansão?
Ao ouvir a pergunta de Hulk, a minha voz ecoou no ar, fazendo os dois
homens ficaram com os olhos arregalados e fixos em minha direção.
— Existe uma passagem secreta.
 
ENZZO
Eu cresci, ouvindo Hulk me contar a história de como o meu pai conheceu a
minha mãe. De como antes disso, o grande Vitor, que tinha o coração escuro
como a noite, somente via as mulheres como simples objeto. Cresci ouvindo
as histórias de como no mundo da máfia, as mulheres eram tratadas e tão
pouco tinha suas vontades respeitadas, tratadas muitas das vezes como uma
mercadoria, uma aliança entre famíliaspara aumentar o poder.
Estupradas, humilhadas e ainda tinham que ser, perante todos, a mãe e a
esposa perfeita. Eu não cresci dentro desse mundo, embora sendo o
verdadeiro herdeiro da nossa organização, talvez poderia ser diferente, se o
destino não tivesse me tirado do meu verdadeiro lar. Treinado por um 
sanguinário, recebi as lições que meu tio e meu pai receberam do meu avô,
mas a diferença foi que Yolanda, sempre fez de tudo para que em meio às
trevas, a luz que existia em meu coração nunca se apagasse.
Sempre tive a sensação de que dentro de mim, existia um duelo, onde meus
demônios urravam, tentando afastar tudo de bom que ela me ensinava e
principalmente entre os seus ensinamentos, eu aprendi que não deveria ser
temido e sim respeitado. Que um homem nunca deveria ter uma mulher à
força e por esta razão, embora meus demônios gritem e estejam em confronto
pela rejeição de Helena, eu tenho consciência do estrago que fiz em sua vida.
 
Embora sedento de desejo e com uma vontade enorme de tê-la em meus
braços. Tive que deixar o quarto, pois se nem em meio ao ódio a tive a força,
agora mesmo que não faria e sabendo do seu estado, não posso correr o risco
de que ela tenha uma recaída e por minha culpa novamente a vida dos dois
estejam em perigo.
Quando voltei para sala, Hulk novamente questionou algo que não
encontrávamos a resposta, já que mesmo com ajuda não era fácil sair daquela
mansão.
Depois de alguns minutos, ela apareceu na sala e o que disse em seguida nos
deixou boquiabertos.
Depois de nos contar exatamente tudo sobre a tal passagem, ela deixou o
cômodo, aquela informação foi como uma luz no fim do túnel e a peça que
faltava para cercarmos o infeliz por todos os lados.
No dia seguinte...
 
OMAR
MALDIÇÃO!
A minha pela ardia como se estivesse ainda em chamas e quando pensei que
o homem que vi, era o mesmo que me deixou estático, assim que ele levantou
a cabeça e olhei os seus olhos, tive a confirmação de que não era. Não sei se
foi fruto da minha imaginação, já que nos últimos dias, desde que olhei a foto
daquele pequeno monstrinho, os pesadelos se tornaram mais frequentes e
além da risada de Vitor, sempre via a imagem da velha mandingueira vestida
toda de branco.
Desde que a matei, que ao dormir, sempre estou em um lugar sombrio, as
imagens do seu rosto sempre surgem em minha mente trazendo um forte
clarão em meio à escuridão em que me encontro, me fazendo despertar
sobressaltado, como se a escuridão que se apoderou da minha alma, me
reivindicasse por inteiro.
Depois de um tempo, o meu braço já estava melhor, nada que o dinheiro não
fosse capaz de resolver. Busquei pelos melhores tratamentos para que minha
pele viesse a cicatrizar o mais rápido possível e depois do atentado, só
consegui ganhar ainda mais a simpatia dos idiotas e crescer nas pesquisas,
ficando a poucos passos de controlar todo esse país.
Deixei as lembranças de lado e fui até o banheiro. De banho já tomado e
arrumado, sigo para a minha cama, com os medicamentos que venho
tomando, tenho sentindo muito sono. Não sei em que momento, mas acabei
adormecendo.
— Me deixe em paz, sua velha maldita.
Não! Não! Nãooo...
Acordo atordoado, com o corpo banhado pelo suor e ao mover minha cabeça
para o lado, embora em meio à penumbra, meus olhos foram de encontro a
imagem parada em frente à porta.
 
Uma semana depois...
ENZZO
Tão fria tanto uma barra de gelo, sem contar que está cada vez mais
indiferente. Em pouco tempo, aquela menina mulher, que aparentava ser tão
frágil, deu lugar a uma mulher forte e decidida, que em meio a tudo que
passou, se tornou ainda mais forte. Além da aparência, pois já é visível que
além de recuperar o peso que havia perdido e até ganhou um pouco a mais,
as curvas do seu belo corpo estão ainda mais definidas.
Saber que o meu filho cresce firme e forte em seu ventre e, que terá uma mãe
que será capaz de tudo para protegê-lo, só engrandece ainda mais o
sentimento que sinto por ela. Algo que a cada dia preenche o meu coração,
que me faz vibrar em grande intensidade, só por estar perto dela.
É como se tivesse fogo correndo em minhas veias. Ardendo e me
incendiando por dentro, algo que não se pode ver, mas sim sentir, pois o que
sinto por ela, não se pode ver com os olhos, mas com o coração.
 
Depois de tudo que ela nos contou, eu não resisti a tentação e acabei por
entrar na mansão. Quando passei por aquele túnel e parei dentro de um
quarto, senti um forte aperto em meu peito, era como se aquele lugar, de
alguma forma, trouxesse lembranças ruins, pois a sensação que senti foi
terrível. Ao adentrar no quarto do maldito, que por sinal estava de porta
aberta, fiquei o observando e o prazer foi indescritível ao ver o medo cru e
agudo visível em seu olhar.
Como o ambiente estava na penumbra, tive tempo suficiente para sair dali.
Cogitei em tirar Isabella e trazê-la comigo, mais encontrei a porta dos seus
aposentos trancada e até fazê-la despertar, acabaria por chamar atenção do
desgraçado. Quando traçamos o plano para retirá-la de lá, era como se o
maldito tivesse adivinhado e o acesso à passagem estava sendo vigiado por
alguns soldados, sendo assim, o certo era acabar logo com o maldito e só
assim elas ficarão livres para sempre.
Em meio às lembranças, resolvo deixa-las de lado e após chamar Hulk,
caminhamos em direção ao automóvel. Como todos os meses, hoje é o dia
que fazermos as compras dos mantimentos, tanto para casa quanto para os
animais.
 
HELENA
Quando acordo, não tenho ideia de quanto tempo dormi. Espreguiço-me
embaixo do edredom ainda de olhos fechados, as lembranças da noite
anterior invadem a minha mente. O sono não me encontrava devido a um
forte incômodo em minha barriga, tive bastante dificuldade para dormir, já
que o barulho vindo do meu estômago estava cada vez mais alto.
Por mais que soubesse o motivo, me negava a aceitar que depois de tudo que
comi no jantar, eu ainda estivesse faminta. Sendo vencida pelo barulho que se
tornava cada vez mais irritante, me levantei indo de encontro a cozinha, a
sensação que eu tinha, era que dentro da minha barriga não tinha só uma
criança ou talvez essa foi só uma desculpa que inventei para justificar que
não conseguia parar de comer.
 
Agradeci mentalmente por não ter encontrado ninguém durante o percurso
que fiz, e depois de comer feito uma leoa, voltei para o quarto. O que achei
que era a solução para aquele desconforto e que assim poderia dormir,
acabou me causando um embrulho enorme em minha barriga. Levanto
rapidamente e sigo até o banheiro, coloco tudo que tinha e não tinha em meu
estômago para fora.
Só depois de me sentir aliviada e ter escovado os meus dentes, consegui
dormir. Respiro fundo, e resolvo abrir os meus olhos e me levantar. Algum
tempo depois, quando deixei o quarto e fui para cozinha, só encontrei
Yolanda, mesmo sem perguntar ela me disse que os dois homens da casa
tinham ido fazer as compras do mês.
Tomei meu dejejum sossegada e bem relaxada, pois embora os dois ogros
tenham mudado o comportamento deles para comigo, e não visse mais aquele
ódio mortal nos olhos de Hulk, não me sentia bem ao ter que sentar-se à mesa
com eles durante as refeições. Sempre vinha em minhas lembranças às várias
vezes em que me sentei no canto desse cômodo e feito um animal, comia as
migalhas que me davam e como um passe de mágica não ia passar uma
borracha e fingir que éramos a família perfeita.
Depois de terminar a minha refeição, com um único pensamento, fiz algo que
há muitos dias estava planejando e busquei entre minhas lembranças o
número que acabei por gravar na memória. Com o telefone em mãos, após
discar alguns números, meu coração acelerou ao ouvir o som que me deixou
vibrando de alegria.
— Princesa!
— Mãe!
— Meu amor, eu sabia que você estava viva — ouvir os ruídos de choro do
outro lado da linha, indicando que ela estava chorando.
— Mãe não chora, estou morrendo de saudade, tanta coisa aconteceu.
— Como você está? Você tem se alimentado direito. Conte-me tudo.
 
Os momentos seguintes,eu praticamente contei tudo que tinha acontecido.
Omiti sobre a gravidez e sobre Enzzo e Hulk e principalmente o lugar onde
eu estava, mas disse que estava bem e quando toquei no nome do Thadeu, ela
começou a chorar ainda mais. Foi difícil ter que encerrar a ligação, mas
prometi que ia ligar de novo e que em breve estaríamos juntas.
Entre lágrimas e muita emoção, consegui colocar o aparelho de volta ao
lugar.
 
Enquanto isso...
Fiquei imóvel com o celular em minhas mãos, não conseguia parar de chorar
e meu coração dava pulos de felicidade. Eu estava tão distraída em meio às
emoções, que só voltei à realidade quando objeto foi arrancado bruscamente
das minhas mãos. E, as palavras do demônio fizeram meu mundo desabafar.
— Chegou a hora de trazer a fujona de volta para sua prisão.
HULK
COMO TODOS OS MESES, sempre acabamos por perder
boa parte do dia com as compras e desta vez foi muito pior, já que o fluxo de
pessoas era grande, como se todo mundo tivesse resolvido sair de suas casas
justamente hoje.
Com tudo já resolvido, entramos no veículo e segundos depois coloquei o
carro em movimento. Enzzo, como sempre, não parava de falar sobre Helena
e o filho que, em sua opinião é uma menina. Espero que seja um menino, já
que não me agrada em nada ter que ver daqui a alguns anos, algum marmanjo
de olho na herdeira da máfia, se bem que não sei como será o futuro dos dois
ou se depois que exterminar aquele rato de esgoto, eles vão seguir suas vidas
em caminhos opostos e caso venham se casar com outra pessoa, certamente
terão outros filhos.
Conhecendo bem o meu sobrinho, espero que algum dia Helena venha a
perdoá-lo, pois da forma que suas feições mudam e seus olhos parecem duas
bolas de gude gigantes, que brilham intensamente quando fala dela, está mais
do que visível o quanto ele a ama. O barulho da voz dele logo foi substituído
por um estrondo terrível, e o veículo começou a fazer ziguezague, tornando
difícil de controlar.
Quando enfim começou a oscilar e diminuir a velocidade, paramos no
encostamento e fui trocar o pneu, que ao que tudo indicava tinha furado. Em
meio a troca, do nada senti como se minha garganta tivesse se fechando, meu
coração começou a bater forte contra o meu peito e ao desviar a minha
atenção por alguns minutos do pneu. Fiquei completamente atônito.
 
HELENA
Eu não estava me aguentando de tanta felicidade, ouvir a voz da minha mãe e
saber que ela estava bem, tirou um pouco da angústia e preocupação que
estava sentindo de que aquele monstro pudesse ter feito algo com ela. Depois
que encerrei a ligação, voltei para cozinha e mesmo contra a vontade da
mulher a minha frente, comecei a ajudar nos afazeres.
Achei estranho que Enzzo e Hulk, não haviam chegado ainda, mas Yolanda
disse que tinham que comprar ração, além dos mantimentos da casa, e era
normal passarem o dia todo fora e que almoçavam no centro da cidade.
Depois do almoço, onde me deliciei de uma sobremesa divina, acabei não
resistindo ao cansaço e tirei um cochilo.
Quando acordei já eram quase quatro horas da tarde. Ela como sempre, já
tinha preparado um lanche e depois de ajudá-la com os porcos e as galinhas,
tomei um banho e voltei para a sala. A voz dela interrompeu meus
pensamentos.
— Você tem certeza que foi seguro ligar para sua mãe?
— Sim! Eu liguei para um número confidencial que ela tem e Omar não sabe
da existência.
— Tanto você quanto a sua mãe devem ter sofrido muito nas mãos desse
desalmado.
— Sim! Mas, a esperança me manteve firme, pois eu sempre sonhei que um
dia seriamos livres e juntas poderíamos viver felizes, sem ter a presença dele.
Onde a dor, o medo e a tristeza não teriam espaço.
— Eu sei que tudo que você sofreu aqui, está longe de se cicatrizar. Uma
ferida, que mesmo não sendo física, te causou uma dor enorme, porém,
também sei que o meu menino está arrependido de tudo o que fez e mesmo
em meio a tanto sofrimento, existe a esperança, assim como entre o ódio o
amor é muito mais forte.
— Tudo que desejo é que isso acabe e ao lado da minha mãe e do meu filho
eu possa recomeçar. Possa desfrutar de tudo aquilo que Omar me roubou, ao
me privar de viver a vida.
Ficamos um bom tempo conversando e quando ouvimos um barulho vindo do
lado de fora, eu pensei que eles tinham chegado. No entanto, o que veio a
seguir, quando a porta foi aperta bruscamente revelando o próprio demônio
em forma humana, fez todo o meu corpo gelar.
— Sentiu saudades do papai princesa?
 
ENZZO
Eu não estava preparado para sensação poderosa e assustadora que passou
por mim. Senti como se o meu rosto tivesse pegando fogo, minha mandíbula
se contraiu e minhas feições mudaram. Era como se todos os meus demônios
reivindicasse o controle do meu corpo.
— Enzzooooo...
Só quando ouvi o grito de Hulk, que voltei ao meu estado normal, pois a
única imagem que surgiu em minha frente foi a de Helena. Era como um
mau-presságio de que algo de muito ruim estivesse acontecendo e quando ele
terminou de trocar o maldito pneu e vi que ele também estava inquieto, tive a
constatação que aquilo não era coincidência.
Pisando fundo no acelerador, conseguimos chegar ao nosso destino, segui
direto para entrada principal da casa, me deparando com a porta escancarada
e assim que diminui a distância e entrei no ambiente, um ruído estrangulado
ressoou no espaço.
— Nãoooooo...
Eu não consegui me mover, fiquei petrificado olhando para o corpo
ensanguentado no chão e quando o meu tio passou por mim, se aproximando
dela. Pela primeira vez eu vi aquele homem chorando, pois Yolanda sempre
foi à mãe que ele nunca teve.
O choque da realidade pairou sobre mim como um soco em meu estômago e,
fui correndo para o meu quarto em busca de Helena, mas foi em vão.
Quando voltei para sala, Hulk, que estava desolado nem se deu conta quando
os olhos dela se abriram e entre sussurros ela disse:
— Om... Omar.
A raiva me dominou, mas ver os olhos dela se fecharem, só me incitou a
chamar o meu tio para que reagisse e a levássemos o quanto antes para o
hospital.
 
Horas depois...
Yolanda nos mostrou que era muito mais forte do que pensávamos. Embora
tivesse levado um tiro na direção do coração, o mesmo foi desviado graças
ao crucifixo que estava em seu cordão.
Depois que soubemos que a operação tinha sido um sucesso e a ela estava
fora de perigo e que não ia acordar tão cedo, deixamos o hospital rumo à
cabana, pois era hora de salvar a minha mulher e o meu filho.
— Eu vou matar aquele infeliz com as minhas próprias mãos — disse Hulk,
com os olhos faiscando de ódio.
— Precisamos pegar o maior número de armas possível, pois eu não sei como
ele descobriu onde ela estava, mas precisamos estar preparados para o
confronto.
Já estávamos nos aproximando do desvio, que nos levaria até a cabana,
quando os barulhos de tiros ecoaram no espaço e a nossa frente uma
verdadeira guerra estava acontecendo. O ricochetear da bala atingindo a
lataria dos carros e os diversos disparos faziam do cenário um campo de
batalha.
Era uma verdadeira troca de tiros e um dos carros foi encurralado por dois e
empurrado ribanceira a baixo. O carro vermelho, que estava sendo
perseguindo pelos outros três pretos, ao que tudo indicava, o que foi jogado
para fora da pista estava fazendo a sua escolta, este começou a disparar contra
os carros que estavam o perseguindo, mas eles estavam em desvantagem e
assim que o teto de um dos carros obscuro se abriu, revelando um lança
foguetes, que logo foi apontado em direção ao alvo e em questão de minutos
um estrondo terrível preencheu o espaço e o carro vermelho ficou
desgovernado. Saiu da pista rolando pelo barranco, não demorou muito para
acontecer a explosão, o que parecia ser motivo suficiente para os carros que o
estavam perseguindo desaparecer do local.
Minutos depois, quando estávamos chegando na direção em que o carro tinha
indo de encontro ao ribanceira, Hulk acabou por parar o nosso carro e quando
o questionei, ele disse que pelos veículos, tudo indicava que pertencia a máfia
albanesa. Saímos de dentro docarro e no fundo do barranco, os dois veículos
estavam em chamas, porém quando íamos voltar para dentro do automóvel,
algo se mexendo entre as pedras chamou a minha atenção.
Eu vi um homem se mexendo e imediatamente descemos até onde ele estava
e, assim que o alçamos, o desconhecido estava coberto de sangue e com
vários ferimentos pelo corpo, tudo indicava que se jogou de dentro do veiculo
rumo às pedras antes do estouro, fiquei desorientado quando o som da voz de
Hulk soou a minha volta.
— Malaquias!
HELENA
O SOM DO DISPARO ECOANDO EM MINHA
CABEÇA me arrancou das profundezas do meu desespero. Senti uma onda
de frio por todo o meu corpo, minha cabeça está pesada, minha mente
completamente enevoada, de uma maneira que nem eu mesma consigo me
encontrar. Aos poucos as lembranças vão se tornando claras e com elas o 
pânico toma conta de todo o meu ser.
Quando o demônio surgiu no meu campo de visão, todos os meus órgãos
dentro da minha caixa torácica começaram a funcionar a todo vapor.
Raiva e ódio transbordavam dos seus olhos que pareciam duas bolas em
chamas, tamanha era sua fúria e, não me dando tempo de fugir dali, ele me
alcançou. Seus olhos foram de encontro a Yolanda, que a essa altura já estava
imobilizada e novamente o som da voz diabólica ecoou no espaço fazendo
com que meu coração deixasse de bater por uns alguns segundos e o ar se
esvair dos meus pulmões.
— Cadê os infelizes que te ajudaram? — ele perguntou com seu olhar já
cravado nos meus cabelos, e logo me lembrei de que Enzzo, contou-me que
enviou as mechas para o monstro. Respirei fundo tentando não demostrar
todo o meu desespero e nervosismo.
— Ela me deu abrigo depois que fugi dos dois homens que me tiraram do
carro de Thadeu. Assim como você, eles se tornaram os meus carrascos,
cortaram os meus cabelos e pela conversa que ouvi nas palavras de ódio do
homem, que aparentava ter a sua idade, ele já trabalhou para você e disse que
ia se vingar por tê-lo tentado matar anos atrás. Ele tinha parte do rosto
queimado e quando chegaram completamente bêbados, eu consegui escapar.
Em meio à escuridão da noite e sem saber para onde estava indo, após já não
aguentar mais correr, tudo que lembro antes de ter desmaiado, foi que avistei
essa casa e foi quando ela me encontrou desfalecida.
Ao lembrar-me de tudo que Enzzo relatou, de como seu tio o salvou de ser
sacrificado, eu só sei que as palavras vieram do nada e quando dei por mim já
estava inventando tudo, mesmo correndo o risco dele não acreditar, eu não
podia deixar que ele descobrisse que o herdeiro, a criança que ele quis
destruir sobreviveu e mesmo depois de tudo que me fez, Enzzo, nesse
momento era a minha única esperança.
Levantei a cabeça e ele parecia perdido em meio às lembranças e pelo seu
rosto passou várias expressões, enquanto processava tudo que eu tinha dito. O
que me fez respirar aliviada por uma fração de segundo, para logo depois
estremecer e senti uma dor forte em meu peito quando ele, parecendo que
tinha saído do transe, apontou a arma que estava em suas mãos em direção
ao peito de Yolanda.
Gritos de medo saíram pela minha garganta, eu supliquei para que ele não
fizesse nada contra ela, mas o homem de coração gelado levou o dedo até o
gatilho e o barulho que me fez perder todo equilíbrio reverberou por todos os
cômodos da casa. Eu me negava acreditar que tudo aquilo estava
acontecendo, que uma pessoa tão boa novamente estivesse perdendo a sua
vida por minha culpa e quando tentei me levantar sentir algo de encontro o
meu nariz, o cheiro intoxicante invadiu minhas narinas e tudo que lembro foi
da imagem dela esparramada no chão, coberta de sangue.
Afasto as lembranças e lentamente vou abrindo os meus olhos. O lugar estava
na penumbra e era totalmente desconhecido por mim. Assim que movi a
cabeça para o lado, a porta foi aberta e um forte clarão invadiu o ambiente,
me fazendo fechar os olhos de imediato e quando os abri de novo, me deparo
com a imagem que foi pior que levar um soco no estômago.
 
— Mãe!
Ela veio em minha direção e eu não consegui segurar as lágrimas ao ver o
estado que ela estava. Não demorou muito para que ela ficasse em minha
frente e ao se abaixar, me envolveu em um forte abraço.
— Perdoe-me, filha — com a voz entrecortada, ela disse, e depois de fazer
uma pequena pausa continuou. — Ele descobriu que eu estava falando com
você, além de pegar o celular das minhas, mãos quando tentei pegar de volta,
ele começou a me bater e logo depois saiu dizendo que ia rastrear a ligação.
Tudo foi por minha culpa.
Ela não parava de chorar e naquele momento eu só queria ficar entre seus
braços, que sempre foram o meu maior conforto.
 
Algum tempo depois...
Estávamos ainda abraçadas quando o tirano surgiu na ponta, por instinto
fiquei de pé.
— Que linda cena, as duas inúteis chorando — disse com voz de deboche.
— Um dia você vai pagar por tudo que fez e vem fazendo. Eu não tenho
medo de você e quando tiver a chance, vou contar a todos que você, o amigo
fiel, o bom samaritano é o verdadeiro assassino de Vitor Demi...
Antes mesmo que eu tivesse tempo dizer tudo que estava preso em minha
garganta, senti um forte impacto no meu rosto me levando ao chão.
— Sua maldita, vai aprender a ficar de boca fechada.
Quando a perna dele se moveu e sabendo o que estava por vir, meu sangue
gelou, levei as mãos de encontro a minha barriga e um ruído alto se fez
presente.
Na manhã seguinte...
ENZZO
De imediato não reconheci o homem, mas ao ouvir o nome dele, logo me
veio à memória de quem se tratava. Ele, que até segundos atrás, ainda tinha
se contorcido, acabou por ser envolvido pela escuridão e a nossa única
alternativa foi tirá-lo dali.
Com o homem no banco de trás, seguimos para a cabana e durante o trajeto,
tentávamos entender o porquê dos próprios membros da organização atentar
contra a vida de um dos homens mais antigo da máfia. Um conselheiro que 
vem desde o legado do meu pai, com tudo que aconteceu e sendo que
Malaquias sempre esteve ao lado de Petrovci, de fato não sabemos se ele foi
cumprisse ou desconhece tudo que o desgraçado fez.
Mas, o destino o colocou em nosso caminho e isso não pode ser coincidência.
Minutos depois, chegamos ao nosso destino e o levamos para dentro do
ambiente.
Pouco tempo depois ouço a voz do meu tio.
— Ele acordou!
Afastei de imediato meus pensamentos e segui até onde o homem estava.
Quando me aproximei, seu olhar ficou fixo em minha direção e pela primeira
vez escutei a sua voz.
— Vitor.
ENZZO
— Vitor!
Mesmo com dificuldade, Malaquias se levantou, ele parecia que estava vendo
uma assombração. Totalmente incrédulo e com os olhos arregalados. A
calmaria pairou no recinto, até que foi interrompida pelo barulho da minha
voz.
— Enzzo Demisovski.
— Não! Isso não pode ser possível.
Seu espanto me levou a dúvida, se era por acreditar mesmo que eu estava
morto, segundo a história que foi contada ou se era por saber que Omar tinha
dado um jeito para acabar com a minha vida.
— Tanto é que estou aqui, assim como farei com o maldito do Omar, eu vou
enviar todos os seus aliados ao inferno. A morte dos meus pais não ficará
impune e se sua dúvida é por saber que aquele verme não só matou os meus
pais, como mandou que acabassem com a minha vida, você será o primeiro
da minha lista.
Levei uma das mãos até a minha arma em seguida apontei na direção da
cabeça do infeliz. Assim que levei o dedo em direção ao gatilho à voz dele
ressoou novamente. E, pela surpresa em sua expressão e a fúria em seus
olhos, eu tive a confirmação que ele não sabia nada do que o maldito fez.
 
— Omar matou Vitor? Agora tudo começou a fazer sentindo e eu sempre
achei que algo a mais tinha acontecido. Maldito traidor.
O homem que antes estava em pé se sentou novamente e nas horas seguintes,
Hulk contou tudo que tinha acontecido naquela noite. Depois de ouvir tudo
que meu tio falou, os seus olhos estavam soltando faíscas de ódio.
— A emboscada que sofri, foi arquitetada pelo infeliz que mandou que
acabassem com a minha vida.Já que só ele sabia que eu estava indo para sua
casa, pois disse que ia falar com Isabella e mesmo dizendo que ela estava
doente eu insistir que iria vê-la, já que todos os membros do conselho
estavam empenhados em encontrar Helena.
— Ele já a encontrou.
— Foram vocês que sequestraram Helena?
— Nunca houve sequestro.
Contei tudo o que se passou desde que a tirei do carro. Contei do homem que
já tinha certa idade e como membro de uma organização criminosa que
praticamente já tinha visto de tudo, só não estava preparado para ouvir tudo
que aquele miserável tinha feito com a própria filha desde criança.
Foram várias as sensações que passaram por ele, suas feições foram do
esparto para a tristeza e o ódio pairou sobre ele a cada palavra que saia entre
meus lábios e, quando enfim terminei, ele moveu a mão direita até o peito e
disse:
— Eu jurei perante o seu pai que daria a minha vida pela nossa organização.
Que daria a minha vida para proteger o nosso líder. Eu falhei com o meu
juramento não estando lá quando ele mais precisou, mas diante de você, o
verdadeiro chefe da máfia albanesa, eu juro que Omar Petrovci pagará por
todo o mal que ele fez, aquela cobra traiçoeira pagará e será desmascarado
perante todos.
Dias depois....
HELENA
Vários dias se passaram desde que cheguei aqui, trancada nesse quarto
tenebroso, que nem eu mesmo sabia que existia. Depois daquele tapa que
levei, ao ver qual era sua intenção e sabendo que o alvo do seu golpe seria a
minha barriga, por instinto levei as mãos até o meu ventre como uma forma
de proteção e fechei os olhos temendo pelo pior, mas ao ouvir o estrondo
causando pelo ato, eu entrei em pânico, porém não sentia dor alguma, mas os
gemidos de dor que ouvi me fizeram abri os olhos e a minha mãe estava caída
no chão ao meu lado, ela tinha se jogado em minha direção, como fez por
diversas vezes para me proteger.
Antes de deixar o quarto, ele sentenciou que em breve o meu noivado com
aquele velho maldito seria anunciado a todos. Desde então, foram poucas as
vezes que minha mãe veio me ver, os enjoos se tornaram mais frequentes e
venho passando muito mal nos últimos dias.
— Filha!
Minha atenção se voltou para porta e minha mãe caminhou em minha direção
segurando uma bandeja. Com dificuldade tentei me levantar do chão, pois
cada dia o meu corpo esta mais dolorido por dormir sobre o concreto.
— Você precisa comer, princesa.
— Eu não sinto fome.
— Isso não é normal, você sempre teve um bom apetite, no entanto esses
enjoos.
Eu ainda não tinha contado que estava grávida e também não falei nada sobre
Enzzo, mas do jeito que estava, temia pelo meu filho e tinha medo que
pudesse acontecer o pior. Segurei em suas mãos.
— Eu estou grávida.
Seus olhos se arregalaram e certamente estava por pensar que fui abusada
sexualmente e quando eu ia explicar e contar aquilo que tinha omitido, pela
porta passou um furacão com sua face totalmente transfigurada, porém não
foi sua aparência que me deixou aos prantos e fez o meu mundo desmoronar
e sim as palavras ditas.
— Eu vou mandar arrancar esse bastardo de dentro de você.
 
No dia seguinte...
Desolada, as palavras ainda ecoavam em minha cabeça, como se tivesse um
gravador, toda hora ficava repetindo a mesma frase. Mesmo na angústia do
meu desespero, eu me forcei a comer, pois acima de qualquer coisa, eu tinha
que pensar no meu filho e tentar sair daquele lugar. A minha mãe, assim que
Petrovci deixou o quarto, se levantou e seus olhos passearam por todo lugar,
até se deter no quadro tenebroso que tinha na parede, nele, um anjo vestido
de preto segurava uma lança enorme em direção ao peito de um anjo vestido
de branco.
Eu estava perdida, sem entender o porquê de ela ficar olhando fixamente para
a imagem e quando se moveu até ele e o examinou, só quando apontou o
objeto que estava cravado nele, entendi como foi que o demônio havia
descoberto da minha gravidez.
Eu não sei em que momento, mas lutei o quando pude para que meus olhos
não se fechassem, mas acabei adormecendo novamente. Acordo num
sobressalto assim que ouço a porta sendo aberta, me levantei em um pulo
tentando me afastar ao máximo do homem que veio em minha direção, o
pânico me dominou, mas antes que eu chegasse até o banheiro, fui puxada.
— Chegou a hora de tirar esse monstrinho de dentro de você.
Comecei a espernear com tudo de mim, contudo, ele saiu me puxando, pois
era muito mais forte. Quando passamos pelo corredor, os meus gritos foram
substituídos pelas batidas na porta do quarto da minha mãe, que berrava para
que a tirassem de lá. Eu tropeçava nas minhas próprias pernas e quando
chegamos ao topo da escada, fiquei ainda mais desesperada que ele pudesse
me jogar escada a baixo, mas ele continuou me puxando e só parou quando
chegamos à garagem e fui arremessada dentro do porta malas do carro.
Não sei quanto tempo se passou, até que o veículo parou e novamente fui
puxada para dentro de um prédio. Quando chegamos ao que parecia ser um
consultório, uma mulher e um homem vestidos de branco surgiram em nossa
frente.
— Tudo já está pronto — disse o homem.
Comecei a me debater mais, fui colocada em cima de uma maca. Logo todos
os meus membros foram presos, a mulher se aproximou de Omar, e falou.
— Vamos, ele dará um jeito nesse problema.
— Sem sua ajuda não conseguiria resolver isso tão rápido.
— Rômulo é o melhor de todos. Sempre ajudou todas do bordel.
Ele enlaçou a cintura dela e beijou a infeliz na minha frente. Quando
deixaram o cômodo, clamei para que o homem não fizesse aquilo, mas seu
rosto era uma mascara fria, parecia vestir uma armadura impenetrável.
Gritos e mais gritos saíam da minha garganta. Senti uma picada em minha
pele, tudo começou a rodar a minha volta e a única coisa que lembro, foram
das palavras que ele preferiu.
— Tudo ficará bem.
Cinco dias depois...
HELENA
TUDO O QUE SINTO É UMA ENORME sensação de
vazio. Eu não me lembro do que aconteceu depois que os meus olhos se
fecharam, não senti dor fisicamente, mas a que tomou conta da minha alma,
foi a pior que senti em toda a minha vida.
Quando acordei, já estava em meu quarto e minha mãe tinha em suas mãos
uma toalha e ao ver o líquido vermelho em volta do tecido, as lágrimas
grossas começaram a rolar pelo meu rosto. Eu não podia acreditar que ele não
existisse mais, que aquele monstro tinha matado o meu filho.
Os olhos da minha mãe estavam inchados e mesmo tentando me acalmar, ela
também estava arrasada. Quando nos acalmamos, ela me contou que Omar
chegou comigo em seus braços e me colocou em cima da cama, minhas
pernas estavam sujas de sangue e eu estava desacordada. Eu perdi a vontade
de viver, ele já não existia mais e eu nunca teria a chance de conhecer o seu
rosto, de tê-lo em meus braços.
Foram momentos em que estive a beira da loucura, quando fiquei sozinha,
comecei a escutar o choro de um bebê ressoando pelo quarto e já não tinha
mais forças para nada. Minha mãe, vendo o estado em que eu fiquei, se
derramou em lágrimas e começou a implorar para que eu não a deixasse e foi
justamente nesse momento que Omar entrou no quarto.
Quando ele, que segurava uma bandeja em suas mãos disse para eu comer e
que daqui a três dias iria acontecer uma festa para oficializar o meu noivado,
a raiva me dominou e, não sei de onde tirei forças, mas me levantei.
— Você matou o meu filho seu maldito. Agora chega de interferir na minha
vida — sua expressão tenebrosa surgiu imediatamente. Ele deu alguns
passos em minha direção, mas permaneci imóvel. Afoita, continuei. — Vai se
sentir mais homem ao me bater, então o faça. Se isso vai diminuir suas
frustrações, me mate, pois nem arrastada eu vou me casar com aquele
homem.
Ele se livrou da bandeja e pegou a arma que estava em sua cintura. Com o
objeto apontado em minha direção, ele manifestou.
— Matar você, não! — ele fez uma pausa e moveu a pistola em direção à
cabeça da minha mãe e sem hesitar puxou o gatilho. E junto com o barulho, o
ruído alto saiu me rasgando por dentro.
— Nãooooo...
— Você vai comer e vai fazertudo que eu mandar, ou no próximo eu estouro
os miolos dessa vagabunda.
Ele já tinha tirado a melhor parte de mim. Se me matasse seria um alívio, mas
sei que não faria isso, pois sentia prazer em me torturar, porém eu não posso 
permitir que a minha mãe se torne a próxima vítima. Eu precisava fazer o
que era certo naquele momento pelo bem da minha mãe.
— A deixe em paz, eu farei tudo que você quiser.
Um sorriso vitorioso surgiu em sua face e logo depois ele deixou o ambiente.
Desde então, ele não tentou nada contra minha mãe ou tão pouco me agrediu,
porém, mesmo em meio a dor, ao contrário de dias atrás, o meu apetite voltou
e passei a comer tudo que minha mãe trazia. Era como se tivesse um buraco
em minha barriga e nunca me dava por satisfeita.
O barulho da música vindo do andar de baixo, me trouxe de volta a realidade.
Hoje, assim como aconteceu anos atrás, a mansão é o palco de um grande
evento. Depois da fatalidade que aconteceu com Malaquias, onde todos os
conselheiros acreditam que foram os mesmo homens que me sequestraram,
pois Omar contou que houve um grande confronto, quando estava indo ao
meu resgate, diante de tamanha mentira, eu tenho certeza que foi ele o
responsável pela morte dele.
Embora todos tenham lamentado a grande perda. A notícia do noivado, o
qual fará com que o chefe usurpador tenha um aliado muito influente e trarão
benefícios à organização, fez todos ficar em festa. Algumas horas atrás, Omar
veio até o meu quarto e novamente mais uma ameaça foi feita, caso não faça
exatamente o que ele deseja.
Nunca tinha o visto tão radiante e eufórico, tudo pela expectativa do grande
momento, era como se hoje já fosse o casamento.
Vejo o meu reflexo no espelho e ao pensar que dentro de alguns
minutos estarei dando o primeiro passo que me unirá para sempre a um ser
asqueroso, só me faz estremecer.
— Vamos, filha!
Ao me virar vejo a minha mãe, como sempre impecável. Nem toda maldade
de Omar e o sofrimento conseguiram ofuscar sua beleza e tão pouco o brilho
dos seus olhos.
— Vamos.
Ao lado dela, caminhei para fora do quarto. Em passos vacilantes,
atravessamos os corredores rumo ao hall. Quando começamos a descer os
degraus da escada, o zumbido começou a se tornar cada vez mais alto,
dezenas de vozes tentando sobressair-se ao som da música que tocava no
cômodo e no instante em que adentramos o grande salão, todos os olhares se
voltaram para nós.
Em questão de segundos, o facínora se juntou a nós e vários flashes foram
disparados, registrando assim a família perfeita. Nas horas seguintes, os
conselheiros vieram me cumprimentar, porém senti um forte embrulho no
estômago, quando o velho babão se juntou a mim. Eu queria era que tudo
aquilo terminasse logo.
Não demorou muito para Petrovci fazer um gesto, o qual eu já sabia que era
para ir ao seu encontro. Quando eu fiquei ao seu lado, ele pediu atenção de
todos.
— Como todos sabem, passei nos últimos dias momentos terríveis, com o
sequestro da minha filha amada. Graças ao empenho de vocês e a dedicação
de Malaquias, eu consegui trazê-la de volta, porém, aquele que dedicou a sua
vida a esta organização, já não está mais entre nós. Todavia, hoje se inicia
uma nova aliança e logo teremos um futuro herdeiro da máfia albanesa.
Agradeço a presença de todos e peço os aplausos para Gustavo Abrantes.
Quando Gustavo começou a vir em nossa direção e os aplausos se fizeram
presente. Um som estrondoso de explosivos vindo do lado de fora do salão
ressoou no espaço e logo em seguida dentro do hall, que foi invadido pela
fumaça e como um passe de mágica, o nome Enzzo Demisovski se formou.
Todos olharam para trás, e ficaram perplexos, alguns assombrados e outros
com emoção, pois entre a névoa formada pela densidade da fumaça. Ele
ressurgiu, sim, o monstro renascido, todo vestido de preto.
Seu olhar frio e impassível direcionado para uma única pessoa "Omar
Petrovci" e ao seu lado, fortemente armados, estava seu fiel companheiro e
tio, e também Malaquias. O som de tiros reverberou no ar, o pânico dominou
o ambiente, e quando eu ia correr em direção a minha mãe, senti seu braço
envolver o meu pescoço e a frieza do metal próximo a minha cabeça.
Enquanto uma verdadeira guerra tinha sido iniciada, tanto da parte externa,
quando interna, em meio a toda confusão, ele saiu me arrastando em direção
às escadas, intensificando cada vez mais o aperto em meu pescoço. Subir
aqueles degraus parecia uma eternidade, eu já estava ficando sem ar, quando
chegamos em um determinado ponto do corredor, ele se deteve assim que
Enzzo surgiu com sua arma em punho.
 
— Novamente um Demisovski será morto nesse corredor.
Olhei para o homem a minha frente e, em toda a minha vida nunca tinha
visto algo tão assustador. Omar teria que acertar as contas com todos os
demônios que ele tinha acabado de despertar.
ENZZO
TIVE QUE ME CONTROLAR DURANTE todos esses
dias para não mandar tudo o que planejamos para o espaço. Saber que
novamente ela estava a mercê daquele miserável estava me corroendo por
dentro, pois além da sua vida, tinha a do nosso filho.
Graças à ajuda de Malaquias e toda a sua influência, pois sempre foi
respeitado entre os conselheiros, que conseguimos um grande número de
aliados. Minuciosamente traçamos cada detalhe de como iriamos para o
confronto final e nada mais oportuno que o evento onde todos estariam
reunidos.
Assim como a mais de vinte anos, ele escolheu que vários membros
estivessem presentes e sentenciou o fim do legado do meu pai e roubou tudo
o que não lhe pertencia, era chegada a hora de todos saberem que foram
enganados todos esses anos. Com nossos homens infiltrados dentro da
mansão e outros que estarão junto conosco, partimos para o campo de
batalha.
Ao som do ricochetear das balas, que ecoavam por todos os lados, foram
como músicas para os meus ouvidos e o cheiro inebriante de sangue fresco
logo invadiu as minhas narinas, me deixando extasiado. E, ao vê-lo fazendo
Helena de sua refém, com minha arma em punho segui em sua direção. No
entanto, eu senti um alvoroço de sensações, um ódio sobrenatural me
envolveu, quando ouvi suas palavras.
 
— Novamente um Demisovski será morto nesse corredor — meu sangue
esquentou, me causando um desconforto terrível. Eu mais parecia uma
fornalha humana de tão quente e para aumentar a minha fúria, o desgraçado
novamente voltou a falar. — Por diversas vezes me questionei se seria
possível o fedelho ter sobrevivido, embora tivesse algumas evidências, juntei
uma ideia que havia se formado em minha cabeça, com a informação dada
por esse projeto de vadia. Desde o seu nascimento essa maldita só trouxe
desgraça consigo, eu deveria não só ter marcado suas costas, como todo o seu
corpo e saber que era você o pai daquele bastardo, só me faz vibrar por ter
eliminado aquele monstrinho. Nesse mesmo lugar eu enviei Vitor ao inferno
e agora será a sua vez.
Assim que o som da sua voz soou no ambiente, ele desviou a arma que estava
encostada na cabeça de Helena, que tinha o rosto banhado em lágrimas, em
direção ao meu peito. Olhei fixamente para mulher a minha frente e como se
tivéssemos em plena sintonia, ela levou uma de suas mãos em direção à parte
íntima do miserável, no instante em que seu dedo estava prestes a puxar o
mecanismo que levaria o disparo a ser efetuado.
Um ruído de dor ecoou no espaço e foi nesse momento que ele acionou o 
gatilho até o seu limite liberando o percussor para o impacto. O trajeto da
bala foi de encontro ao meu ombro. Senti uma forte queimação, por uma
fração de segundo, tudo o que vi em minha frente, foi uma completa
escuridão, mas antes que ele novamente cogitasse em me atingir, outro
disparo foi feito e o alvo desta vez foi a mão do miserável, fazendo gritos
agonizantes sair da sua boca.
Movendo-me na velocidade semelhante a bala que me atingiu, avancei em
sua direção e em meio a dor, ele tentou me atingir, mas fechei minha mão em
punho e com um soco, que vinha de baixo para cima, fiz com que o infeliz
desse dois passos para traz com a força do impacto. Comose ganhassem vida
própria, minhas mãos se moviam freneticamente, desferindo uma sequência
de golpes no seu rosto do desgraçado.
 
Quando olhei a face do traidor banhada em sangue e depois de mais um
golpe, ele desabou no chão, saí puxando-o em direção ao primeiro andar. O
barulho causado pelos tiros havia cessado e quando cheguei ao topo da
escada, todos se voltaram em nossa direção. Saí puxando o infeliz escada
abaixo e depois de me livrar do último degrau, lancei seu corpo em direção
ao concreto. Um círculo foi formado ao redor dele.
— Já que você gosta tanto de ouvir o barulho que ressoava cada vez que
deferia golpes contra as costelas da sua esposa, nada mais justo que ela ouça
os seus.
Assim que terminei de falar, uma sequência de golpes foi desferida por cada
um que estava compondo o círculo. Quando o covarde desmaiou, ele foi
levado pelos membros do conselho para a sede da nossa organização.
— Chegou a hora de Petrovci ter o que merece, o final digno de um traidor.
 
Horas depois...
Enquanto os demais já tinham ido rumo ao lugar que seria o cenário da
exterminação do maldito traidor. Helena se juntou a mãe e a expressão de
alívio estava visível em sua expressão, mas o momento entre mãe e filha foi
interrompido pela voz do meu tio.
— Temos que ir.
Quando Helena se afastou da mãe, a atenção de Isabella se voltou para Hulk e
não sei se foi fruto da minha imaginação, mas a troca de olhar entre eles, foi
algo que fez alguns pensamentos surgirem em minha cabeça. Porém,
tínhamos algo que precisava ser terminado.
Entramos no veículo e durante todo o trajeto até o nosso destino, foi feito em
silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Assim que chegamos, já
dava para ouvir do lado de fora os gritos de euforia vindo de dentro do
ambiente.
 
Caminhamos em direção ao pátio e a imagem que vi fez meu coração dar
pulos de alegria. Na bancada direita estavam todos os conselheiros que
ficaram vivos, pois alguns que eram fiéis ao rato de esgoto, foram enviados
ao inferno, assim como todos os seus soldados. Do outro lado estavam os
demais membros, como sócios e soldados da máfia albanesa.
No centro do pátio, a atração principal, totalmente despido e preso em um
pelourinho e ao seu lado uma mesa com vários utensílios e meus olhos logo
brilharam quando foram de encontro a um em especial. Passei dias fazendo-o,
confeccionando-o com um único objetivo e não via a hora de usá-lo.
As duas mulheres foram conduzidas até o local, onde estava Malaquias,
enquanto eu e Hulk seguimos para junto de Omar.
Quando a distância foi diminuída e me detive em frente à pequena mesa.
Levei minhas mãos em direção ao chicote, o mesmo foi feito com sete tranças
de couro, nas pontas foram colocados vários pedaços de metais e ossos, que
ao serem atirados, perfuram a pele e conforme as chicotadas continuam, elas
cortam os tecidos por baixo da pele, rompendo as veias e causando marcas de
sangue. Os cravos de metal em sua ponta produzem grandes e profundos
hematomas que se rompem com as subsequentes chicotadas. Por fim, a pele
fica pendurada em tiras e toda área fica irreconhecível.
Com o objeto em mãos, me aproximei do tirano que se achava o soberano da
máfia. Diante dos olhares atentos de todos os presentes, o som da minha voz
ecoou no espaço.
— Eu Enzzo Demisovski, único herdeiro e o legítimo chefe desta
organização. Sentencio Omar Petrovci à morte. Esse lobo traiçoeiro em pele
de cordeiro, um maldito covarde, que por anos maltratou a sua própria filha e
não hesitou em matar aquele que o considerava seu melhor amigo e vem
enganando a todos. Destruindo todo o legado da minha família, chegou a
hora de te enviar direto para as profundezas do inferno.
Assim que o som da minha última palavra reverberou no ar. Movi o chicote
e o primeiro golpe foi desferido sobre a sua pele, os gritos dele logo
começaram a ressoar no ambiente, o que só aumentou o meu desejo de ver
suas costas sendo dilaceradas pelas lâminas. Hulk, logo se juntou a mim, e
um sorriso perverso surgiu no meu rosto quando olhei o bisturi em suas
mãos.
Mesmo possuído de dor e com a voz fraca o infeliz começou a falar.
— Não! Se afaste de mim seu maldito. Eu sou Omar Petrovci.
De nada adiantou suas palavras, pois o povo começou a gritar.
— Morte ao traidor. Morte a Omar Petrovci.
Todos ovacionavam em um só coro. E, assim que Hulk introduziu o bisturi
no canto da unha do dedo polegar e com um único movimento arrancou-a,
fazendo o sangue jorrar, levantei novamente o chicote e o segundo golpe fez
o maldito se urinar. A cada golpe, uma unha era arrancada, tanto dos
membros inferiores, quanto dos superiores. Gritos e mais gritos saiam por
entre os seus lábios, o que me deixou alucinado, completamente em êxtase .
A certa altura, já não se via mais a pele das suas costas, que ficaram em carne
viva. Quando deixei o chicote cair no chão, olhei para Helena que estava
assustada, enquanto Isabella não desviou o olhar da imagem em sua frente.
Hulk me passou o maçarico e o bisturi, que tinha em suas mãos. Olhei para as
costas do infeliz e sem delongas, apertei o botão do objetivo que estava na
minha mão direita e ao ver as chamas, levei de encontro à pele do
desgraçado, que quanto mais gritava, só deixava o povo mais alucinado e
clamando por mais. Quando olhei o estado que ficou sua pele e ao lembrar
que ele também tinha marcado Helena, me movi e fiquei na frente do homem
que por anos vem usufruindo o que não era dele, que roubou algo da minha
vida, que o tempo e o dinheiro não podem trazer de volta, fez uma criança
que só desejava ser amada, o maior alvo da sua crueldade. Tudo pela ambição
e sede de poder.
Com o olhar grudado no seu, que já estava quase sem vida, deslizei o objeto
por toda extensão da sua barriga. Seus gritos acalmaram meus demônios, me
deixando em puro deleite. E, à medida que ia deslizando a lamina, a imagem
que começou a surgir a minha frente despertou uma sensação inexplicável,
ver o coração maligno dele batendo, me deixou elétrico e sem hesitar levei 
as duas mãos ao encontro do seu peito. Uma onda de eletricidade atravessou
o meu corpo, eu conseguia sentir cada batimento do coração do atroz.
Petrovici começou a se contorceu e, olhando fixamente para o infeliz. 
Proferi as últimas palavras que ele ia ouvir na vida.
— Os meus olhos serão a última imagem que você verá. Eu te encontro no
inferno seu maldito.
Fechei as mãos em volta do órgão e o puxei, levantando em direção à
multidão. Todos se levantaram e começam a gritar pelo meu nome.
— Enzzo! Enzzo! Enzzo!
Aquilo soou como a mais bela canção.
Intensifiquei o contato sobre o órgão pulsante, fazendo em seguida as minhas
mãos serem envolvida pelo sangue e vários pedaços caírem no chão. O
esmaguei completamente.
HELENA
INCRÉDULA E ASSUSTADA DIANTE dos últimos
acontecimentos. Na minha frente estava o corpo sem vida do carrasco, que
por anos me teve sob seus domínios e tudo o que eu conseguia sentir era
pena, sim, pena por ver até onde a ambição pode levar um homem, a passar
por cima de todos, só para ter o que deseja.
O barulho ainda ecoava no ambiente, todos estavam eufóricos, extasiados
pelo fim do traidor e não paravam de gritar rei morto, rei posto. Quando na
verdade, ele nunca nem deveria ter ocupado um título que não lhe pertencia,
mas Omar, só colheu tudo aquilo que plantou, pois ele esqueceu que o maior
juiz é Deus. Cedo ou tarde a verdade viria à tona.
Afastei os devaneios quando senti minha mãe segurando em minha mão. Aos
poucos, o lugar foi ficando vazio e não demorou muito para Enzzo e Hulk, se
juntarem a nós. Olhei para o brutamonte a minha frente e logo me veio à
lembrança de Yolanda.
— Eu sinto muito, Yolanda não merecia ter sua vida interrompida daquela
forma.
Eu fiquei confusa, já que o seu rosto, mesmo após as minha palavras, exibia
um largo sorriso.
— Vamos! — disse Enzzo.
A repentina mudança de assunto e ver como eles nem se abalaram com o que
eu falei, só me levou a duvidar se a fúria que olhei em seus olhos, quando
Omar dissetudo aquilo no corredor da mansão, era por saber que o nosso
filho já não existia mais. Em passos apressados deixamos o lugar, o
qual espero nunca mais colocar os meus pés.
Com o veículo em movimento, o assunto ainda era sobre a morte de Petrovci.
Não podia negar que uma sensação de alívio me envolveu por completo e
com a minha mãe não era diferente. Quando o carro parou, fiquei intrigada
por termos vindo para o hospital.
— Chegamos!
Embora sabendo que Enzzo levou um tiro, eu sabia que ele não viria ao lugar
só para receber os cuidados necessários.
— Quem está doente? — perguntei curiosa.
— Tem alguém que gostaria muito de ver você — respondeu Hulk.
A única forma de desvendar todo esse mistério, era entrar no lugar e no
momento que passamos pelas portas duplas de vidro, um calafrio atravessou
a minha espinha. O cheiro impregnado no lugar e todo esse branco, me
levaram para o pior dia da minha vida. Não consegui conter as lágrimas e
comecei a acariciar a minha barriga, embora eu tenha sentindo um vazio
imenso quando acordei após tudo que aconteceu, eu podia jurar que ainda
existia algo dentro de mim, minha mãe disse que talvez, por ter somente dois
meses e ainda estar em formação, as consequências não foram tão intensas,
pois mesmo sendo inexperiente, achei estranho por não ter sangramento, só o
que minha mãe mencionou que limpou das minhas pernas.
Volto à realidade quando sinto uma enorme mão em cima da minha, que
estava posicionada sobre o meu ventre. E quando nossos olhares se
encontraram, ele se manifestou, fazendo um turbilhão de sensação explodir
dentro de mim.
— Você não precisa chorar. Ele ainda esta dentro de você.
 
Eu tentava processar toda aquela informação, toda tristeza deu lugar a alegria
por alguns instantes e quando meu cérebro processou tudo aquilo, pois não
fazia sentindo, resolvi questioná-lo, não era possível que ele fosse brincar
com a minha dor.
— Isso não pode ser possível!
— Tanto é que dentro de alguns meses ele vai estar em seus braços. Temos
muito que conversar Helena. Mas, antes você vai ver com seus próprios olhos
que nada é impossível.
Depois das suas palavras, seguimos pelo corredor e quando paramos próximo
a uma porta branca e ela foi aberta, a minha única reação foi correr para
dentro do ambiente. Mesmo com vários equipamentos ligados ao seu corpo,
ela estava lá e quando seus olhos se abriram, meu coração disparou.
Passei um bom tempo ao lado dela, que ainda respirava com ajuda de
aparelhos, mas estava estável. Quando deixei o quarto, Enzzo me chamou e
seguimos para lanchonete do hospital.
Eu nem esperei que ele iniciasse a conversa e me antecipei.
— Aquilo que você falou, minutos atrás, foi só parar me acalmar?
— Você não achou que eu ficaria de mãos atadas e, que deixaria o infeliz
fazer aquilo, achou?
— Mas eu estive naquele lugar horrível, quando acordei, minha mãe estava
limpando o sangue entre as minhas pernas.
— Se você soubesse o que ia acontecer, correríamos o risco de Omar
descobrir a verdade. Ciente de tudo que ele fez com você, eu sabia que se
viesse a descobrir sobre sua gravidez, não ia hesitar em mandar fazer aquela
monstruosidade. No mesmo dia em que ele te encontrou, também tentou
eliminar Malaquias, acabamos por encontrá-lo e foi com sua ajuda que, além
de conseguir uma grande aliada dentro da mansão, por uma alta quantia, a
mulher que por anos vinha sendo a amante do seu pai, nos ajudou com todo o
plano.
 
— Então aquela mulher que estava com ele no consultório, era sua amante
mesmo?
— Sim, uma das mulheres que vive no bordel, frequentado pelos membros da
máfia. Quando Hortência, que se tornou os nossos olhos e ouvidos dentro da
casa nos contou tudo que ouviu, Hulk, sendo um conhecedor da vida das
mulheres que vivem no bordel, logo deduziu que Omar, ia procurar um lugar
longe dos olhos de todos e certamente sabendo que as mulheres daquele
lugar, por diversas vezes recorrem a essa alternativa, nada melhor que ser a
sua amante para dar a informação. Uma corrida contra o tempo foi iniciada,
pois tínhamos poucas horas para planejar tudo e o falso médico que te
atendeu se tratava do sobrinho da esposa de Malaquias, o qual não tinha
ligação com a organização.
— Segundo a minha mãe, eu cheguei com as pernas toda suja de sangue.
— Era meu. Tudo precisava ser feito de forma que Omar acreditasse que
houve realmente o aborto e, só assim, teríamos tempo para atacar no dia que
todos estariam reunidos. Ele não ia fazer nada contra vocês duas, estando às
vésperas do momento que ia exibir a família perfeita diante de todos.
A emoção que tomou conta de mim foi indescritível, porém, saí da minha
bolha, quando novamente ouvi sua voz e diante de suas palavras, eu
precisava esclarecer as coisas.
— Eu sei que você passou por muitas coisas em tão pouco tempo. Sei que
tudo que fiz ainda esta bem vivo em sua memoria, mas é ao seu lado que
quero construir uma família. Com você e com o nosso filho, juntos iremos
superar tudo isso.
— Eu não posso impedir que você esteja presente em cada etapa da minha
gravidez, é da vida do nosso filho. Mas, não existe isso de nós dois, eu não
vou morar com você.
As trevas logo expulsaram a luz e o anjo deu lugar ao demônio. Ele fechou as
mãos em punho, parecia estar lutando para manter seus demônios quietos, sua
respiração estava pesada e as veias do seu pescoço incharam e começaram a
pulsar, tamanha era a sua raiva. Enzzo precisa aprender que nem sempre a
vontade dele irá prevalecer, mas para minha total surpresa, o homem fixou
seu olhar no meu e jamais esperava ouvir as palavras proferidas por ele.
— Eu nunca irei desistir de você, e quando chegar o mento certo, eu a terei
ao meu lado por inteira.
Instantes depois, ficou decidido que eu e a minha mãe, teríamos de volta a
propriedade que era do meu avô, e que Omar acabou por tomar posse, já que
Enzzo foi irredutível em deixar claro que não deixaríamos o país. Depois de
tudo o que aconteceu, eu agradeci a Deus, pois um dia onde houve muitos
gritos, sangue derramando, eu recebi duas noticias que fizeram desse
momento algo que ficará cravado para sempre em minha memória.
 
Meses depois...
Como não podemos parar o tempo, ele passou voando e muita coisa
aconteceu em nossas vidas. Eu precisava me encontrar, pois todo o
sofrimento que passei, fazem parte da minha história e entre perdas, eu
ganhei a chance de recomeçar.
Diante das experiências que tive, eu precisava fazer algo para contribuir de
alguma forma para que mulheres, que assim como eu, foram vítimas de tantas
agressões, sendo elas, físicas ou psicológicas. As piores situações ocorrem,
vindo de pessoas da nossa própria família e com o dinheiro da venda das
joias, criamos o Centro de apoio de Durrês para mulheres vitimas de
violência doméstica.
Ainda há muito a ser feito, mas o primeiro passo foi dado. Não podemos ficar
com essa ideia machista de que somos um sexo frágil, que devemos ser
submissas e nos conformar a ser a filha, mulher e esposa perfeita. Somos nós,
mulheres que trazemos ao mundo a vida, que sofremos a dor do parto e
modificações em nossos corpos.
Por outro lado, eu não tenho palavras para explicar as sensações que sinto a
cada consulta e como sempre, Enzzo está ao meu lado. Não posso negar que
ele, embora muito ocupado, pois assumiu o posto que era seu por direito,
sempre está presente e como não seria diferente, hoje o dia que finalmente
saberemos o sexo do nosso bebê, ele está aqui.
— Estão prontos?
A voz da médica reverberou no ambiente, ansiosa respondi.
— Sim!
Ela pediu novamente outra ultrassonografia, pois segundo ela, precisava
confirma uma suspeita. Fiquei logo em pânico, mas logo ela me acalmou,
dizendo que eu não deveria me preocupar. Senti um friozinho passar pela
minha barriga e aos poucos as imagens foram surgindo no pequeno monitor a
minha frente. Enzzo permanecia tipo, hipnotizado, olhando fixamente para a
tela e quando em meio à imagem surgiu outra, fiquei desorientada.
— O que está acontecendo? — perguntei nervosa.
— Era esse o motivo para queeu solicitasse o retorno de vocês. Ele enfim
resolveu parecer.
Se meus olhos estavam arregalados antes, agora duplicou de tamanho. Será
que era realmente o que eu estava pensando? A resposta veio logo em
seguida.
— Existem dois sacos gestacionais, devido à posição não estava conseguindo
identificar, mas no último ultrassom, achei ter visto uma terceira perna.
Um grito de alegria ecoou no cômodo, olhei para o homem ao meu lado, que
estava imóvel e com uma expressão indecifrável.
— Agora vamos ver o sexo deles.
Novamente ela deslizou o pequeno aparelho em minha pele e assim que suas
palavras foram proferidas e novamente virei em direção a Enzzo, eu tive a
impressão que ele, a qualquer momento ia de encontro ao chão.
— Vocês serão pais de duas meninas.
Meses depois...
 
ENZZO
TODA ESSA ABSTINÊNCIA ESTÁ ME LEVANDO à
loucura, porém, mesmo que meu corpo anseie por estar junto do dela e toda
vez que vejo aquela boca deliciosa em minha frente, a vontade é enorme de
tomá-la em meus braços, beijá-la até que ela fique sem fôlego. Eu venho me
controlando, pois o único homem que tocará nela sou eu, ela é minha e cedo
ou tarde estaremos junto novamente.
Entre muitos banhos gelados, tive que concentrar a minha atenção para os
afazeres da organização. Muita coisa precisava ser mudada, pois aquele
infeliz fez um estrago tão grande, que precisávamos colocar tudo nos eixos.
Tanto Yolanda, como o safado do meu tio, vieram morar comigo, embora ele
tenha se tornado o meu conselheiro e braço direito, como sempre foi, achei
muito estranho de inicio ele ter aceitado sair de Tirana.
Hulk, sempre teve espírito livre, um passarinho que não podia viver jamais
em uma gaiola, mas como toda panela tem sua tampa, eu acho que depois de
tantos anos, ele acabou por encontrar a sua e para disfarçar, acabou dizendo
que concordou, pois Yola já não podia viver tão isolada, já que agora
precisava de cuidados médicos devido alguns problemas respiratórios. E, para
constatar minhas suspeitas, ele que nunca ficou longe do bordel, nos últimos
meses nem mencionavam tal nome, era como se ele tivesse sido abduzido e
colocaram outro em seu lugar.
Helena está cada dia mais linda e assim como eu, já suspeitou que entre Hulk
e Isabella, existe uma química fatal, só não entendi porque estão tentando
esconder. Desde que descobrimos que teríamos duas meninas, fiquei inquieto
ao receber a noticia, tive um solavanco como se tivesse levado um choque e
tive que me manter firme.
Saber que eram dois, já fez meu coração ficar agitado, imagina quando a
médica falou que eram duas meninas. Yolanda não parava de sorrir quando
dei a noticia e ao ver a minha expressão e do meu tio, que pelo visto será um
cão de guarda. Espanto as lembranças e continuo a andar em círculos, pois
toda essa espera está me deixando enlouquecido.
— Acalma, Enzzo.
Virei-me em direção ao meu tio, que assim como eu e Yolanda, esperávamos
ansiosos pela chegada das minhas filhas. Isabella está com Helena, já que fez
questão de ter a mãe ao seu lado. De repente os olhos de Hulk, começaram a
brilhar e a armadura de homem implacável foi derrubada. Eu já sabendo que
só uma pessoa era capaz de fazer isso, me virei de imediato, me deparando
com Isabela que ostentava um sorriso de orelha a orelha.
— Você pode ir vê-las. São lindas.
— Deve ter puxado a mãe. Porque o pai não faz a jus beleza dos Demisovsk
— disse o meu tio, que esboçou um largo sorriso. Fechei minha cara de
imediato.
— Eu só falei a verdade.
Ignorando suas palavras, segui praticamente correndo em direção ao quarto
em que elas estavam. Quando entrei no cômodo, fiquei parado admirando as 
três mulheres mais lindas que já vi na vida. Minutos depois, me aproximei
dela e como Hulk havia dito, eram a cópia perfeita da mãe.
 
— Esta é Ana — disse ela, já que havíamos decidido os nomes dias atrás.
Meu olhar foi de encontro ao outro pacotinho que estava bem enroladinho, só
deixando visível o seu rosto.
— Esta é Cecilia — naquele momento senti uma onda de calor passar por
mim e por mais que quisesse desviar os meus olhos em outra direção, eu não
consegui. Mas logo, toda minha atenção foi interrompida, quando um grito
estrangulado ecoou no espaço e a cena que vi em seguida foi como se
tivessem cravado um punhal em meu peito.
 
Seis meses depois...
HELENA
Depois de ter vencido a morte e saber que nunca mais poderei engravidar,
devido a todas as complicações que tive depois do parto. Mais do que nunca,
eu ia aproveitar cada segundo ao lado das minhas filhas. Seis meses se
passaram e tenho vivido os melhores dias da minha vida. A cada dia, uma
nova descoberta, um novo ensinamento. As minhas filhas são duas dádivas de
Deus, duas joias raras, que foram o melhor presente que podia receber da
vida.
Elas, ao contrário de mim, estão crescendo rodeadas de muito amor, carinho e
principalmente um pai que as ama incondicionalmente. Mesmo não vivendo
na mesma casa e tendo que enfrentar todos os problemas, que a cada surge
na organização, pois foram vários os confrontos com a máfia chinesa. Enzzo
é um pai maravilhoso, atencioso, o grande amor da pequena Cecilia, que
mesmo tão pequena, não pode ouvir a voz do pai que começa a chorar,
querendo sua total atenção.
Já Ana é bem diferente da irmã, muito agitada e sapeca. Mais de um ano se
passou desde que eu o conheci e acreditava que o sentimento que tinha por
ele ia desaparecer com o passar do tempo e as lembranças de tudo que ele me
fez, mas foi o contrário. Com o passar do tempo, eu resolvi me libertar de
amarras negativas do passado e seguir adiante. Perdoar é uma ação, que além
de nos libertar, permite o amadurecimento e em meio a tantos obstáculos, a
vida me devolveu em dobro tudo àquilo que aquele homem havia me
roubado.
Mais uma batalha foi vencida e graças a toda ajuda que a ONG vem
recebendo, hoje estamos inaugurando um novo setor. Deixo o passado de
lado e volto à realidade quando o homem que ultimamente surgi sempre em
meus pensamentos aparece em minha frente.
— Quando você chegou?
— Ainda pouco. Parabéns por mais uma conquista.
Ele em seguida me envolveu em um forte abraço. Fechei os meus olhos
quando o cheiro delicioso do seu perfume invadiu minhas narinas. Mas todo
encanto foi quebrado quando ouvi uma voz enjoativa ecoando no espaço.
— Senhora Petrovci, nos concede uma entrevista?
Desfizemos o contato e quando ele se virou na direção da mulher. Senti o
meu sangue esquentar quando o olhar malicioso dela se direcionou para uma
única pessoa "ENZZO."
HELENA
QUANDO CHEGUEI EM CASA, já eram quase seis horas
da tarde. Ao ouvir os gritos que vinham do andar de cima, joguei a bolsa no
chão e subi os degraus da escada correndo, quase aos tropeços. Quando entrei
no quarto das minhas filhas, encontrei a minha mãe com Ana nos braços e a
pediatra das meninas examinando Cecília, que não parava de chorar.
— Que bom que você chegou. Liguei por diversas vezes e só caia na caixa
postal.
— Acabei colocando o celular só para vibrar, devido ao evento. O que ela
tem?
— Está ardendo em febre.
Aproximei-me e segurei na mãozinha da minha princesa. Dra. Suzan, que
está concentrada a examinando, assim que terminou se manifestou.
— Não tem nada fisicamente que explique o motivo dessa temperatura tão
alta, mas talvez emocionante, deve ter algo que a fez ficar assim. Houve
alguma mudança na rotina dela?
Eu logo me lembrei de que, com a viagem de Enzzo para Belgrado, já tinha
uns três dias que ela não via o pai e como ele chegou e foi direto para o
evento. E assim que acabou, pela sua aparência de cansaço, eu mesma disse a
ele que deveria descansar e deixar para vê-las só amanhã.
— Ela não vê o pai há alguns dias.
— Então deve ser isso. O melhor seria pedir que ele viesse o quanto antes.
Depois de mais algumas instruções, ela deixou o cômodo na companhia da
minha mãe. Ana, mesmo com o choro de Cecilia, dormia como se nada
tivesse acontecido. Quando o choro dela cessou, peguei o meu celular e liguei
para Enzzo, foram várias as tentativas e mesmo cansado,eu sabia que ele não
podia estar dormindo. Um pensamento surgiu em minha cabeça e um nó se
formou em minha garganta.
 
ENZZO
Era incrível, como ela ficou ainda mais linda. E, depois de hoje eu decidir
que não estou mais disposto a ficar longe dela e das minhas filhas.
Com a viagem que fiz, acabei por fechar uma aliança com Dusan Borislav.
Assim como a máfia chinesa vem se tornando uma pedra em nosso caminho,
como se não fosse suficiente, eles se uniram com a Yakuza e vem atacando a
máfia sérvia. A unificação das duas máfias será necessária e como foi Cecilia
a primeira vir ao mundo, ela foi escolhida para ser a soberana da máfia.
Deixo a água gelada escorrer pelo meu corpo e quando terminei o meu
banho. Deixei o banheiro e segui para o meu quarto, meus olhos foram de
encontro ao celular em cima da cama, diminui a distância e ao pegá-lo, meu
sangue gelou ao deslizar o dedo na tela e ver a quantidade de ligações feita
por ela. De imediato retornei, mas não obtive sucesso, caminhei em direção
ao meu closet e minutos depois já vestido, com passadas precisas, segui rumo
ao meu carro.
 
HELENA
Meu celular acabou por descarregar e depois de horas vendo a minha filha
choramingar, ela em fim dormiu. Aproveitei para tomar um banho rápido e
assim voltar novamente para o seu lado.
Assim que terminei o meu banho, coloquei um robe e fui para o meu quarto,
quando entrei no ambiente ouvi o choro dela e em passos apressados fui ao
seu encontro. Mas, ao me aproximar, o som dos seus gritos foi diminuindo e
ao chegar à porta do ambiente, fiquei estática observando a cena a minha
frente.
Enzzo a segurava em seus braços e o que não tinha visto deste a hora que
cheguei estava acontecendo. O som da risadinha gostosa dela soou por todo
cômodo. Meu olhar ficou derretido, não sei quanto tempo se passou, ele
acabou por fazê-la dormir novamente e assim como a médica falou, ela já não
tinha mais febre.
Depois que a colocamos dentro do berço, saímos do quarto para não fazer
barulho. Assim que chegamos ao corredor, ele se manifestou.
— Estava no banho quando você ligou. E quando retornei, como você não
atendeu, resolvi vir, pois temia que algo de ruim tivesse acontecido. Sua mãe
disse que ela ficou doente de repente.
— A médica falou que era emocional. Estava sentindo a sua falta.
Assim que ele deu mais alguns passos, eu acabei recuando e só parei quando
minhas costas tocaram na parede. Suas mãos seguraram firmes a minha
cintura.
— E você, não sentiu? — meu coração pulou uma batida diante da sua
pergunta e de tamanha aproximação. Meu corpo estava em chamas e só ele
poderia apagá-las. Enzzo puxou-me para perto de si e assim que nossos
olhares se cruzaram, o desejo e o fogo se espalharam pelo meu corpo, me
fazendo ansiar pelo seu beijo.
Sua boca buscou a minha, as nossas línguas se encontraram e se misturaram,
indo de um lado para o outro, enquanto suas mãos apertavam a minha bunda.
Entre carícias e afagos, ele me pegou no colo com facilidade. Cruzei as
pernas em volta dos seus quadris, e já podia sentir todo o poder da sua
masculinidade, seu membro já duro e grosso, querendo se libertar da sua
prisão. Comecei a gemer em meio às sensações, ficando cada vez mais
excitada, mas logo me lembrei de onde estávamos e como se lesse os meus
pensamentos, ele afastou a sua boca da minha. Seus olhos azuis, com cílios
fartos, passearam por todo meu rosto e sabendo que ele só estava esperando a
minha resposta, sem freios e sem reservas, pois eu o desejava e era em seus
braços que eu queria estar para sempre.
— Faça-me sua.
— Você já é minha, assim como eu serei para sempre seu.
Um sorriso perverso, que me deixou ainda mais molhada, surgiu naquele
rosto lindo. Sem delongas ele caminhou para o meu quarto e quando
chegamos dentro do ambiente, ele me colocou sobre a cama e após me despir
se afastou.
Volto minha atenção à cena que se constrói à minha frente. As peças de roupa
foram retiradas do seu corpo e lançadas ao chão. Passeio com os olhos pelo
abdômen definido e sinto arrepios invadirem meu corpo e minha intimidade
pulsar. Preciso aplacar o fogo que me consome, mas diante daquele pau
enorme, lindo e cheio de veias latejantes, com a cabeça rosada, as chamas
me envolveram por completo. 
Mordo os lábios para conter os gemidos que começaram a sair por entre os
meus lábios, aquele homem a minha frente era erótico demais, mesmo sem
ainda estar dentro de mim, era capaz de me deixar sedenta de desejo. Ele se
juntou a mim e eu senti a sua pele quente contra minha, em seguida 
aproximou sua boca da minha pele, deslizando seus lábios pelo meu
pescoço, enquanto uma de suas mãos percorria meu corpo até alcançar a
minha intimidade. Fiquei totalmente a sua mercê quando seus dedos se
encaixam no meio dos meus lábios vaginais, fazendo ruídos saírem dos meus
lábios. Seus dedos incansáveis subiam e desciam, esfregando e apertando a
minha parte sensível, me deixando no limiar, entre a minha sanidade e a
loucura.
Eu precisava dele e já havia esperado muito tempo para isso. Entre sussurros
comecei a suplicar.
— Preciso de você dentro de mim, firme e forte.
Enzzo me olhou profundamente, seus olhos brilharam quentes e cheios de
desejos. Encaixando seu pênis em minha vagina, ele arremessou seu membro,
que entrou com tudo de uma só vez. Um ruído alto saiu entre meus lábios,
senti uma pontada de dor e uma ardência profunda ao receber aquele membro
generoso. Quando ele me olhou e vi a preocupação em seu olhar, antes que
ele cogitasse em ter qualquer outra reação, que não fosse me encher de
prazer, minha voz entrecortada se fez presente.
— Se você se atrever a parar, eu juro que vou apertar suas bolas com
bastante força.
O som da gargalhada dele preencheu o espaço e beijando meus lábios, seus
quadris começaram a se mover no vai e vem que era uma verdadeira dança do
prazer. Sob a sensação maravilhosa de estar totalmente preenchida, comecei a
me remexer a medida que suas estocadas se tornam ainda mais fortes.
O cheiro excitante de sexo estava impregnado a nossa volta. O som dos
nossos corpos se chocando, ecoava pelo ambiente. Seu ritmo acelerou,
fazendo seu membro mergulhar fundo nas profundezas aveludadas da minha
vagina. Senti o meu sexo se expandir completamente, fazendo espasmo
atravessar por todo o meu corpo.
— E... Eu vou...
Senti o ar faltando em meus pulmões, quando ele continuou repetindo os
movimentos várias vezes, com estocadas firmes e calculadas. Seu pau 
entrando profundamente em minha abertura faminta, deixando-me insana e
despudorada. Gritos de prazer tomaram conta do cômodo, seu pau pulsava
violentamente dentro de mim.
— Goze comigo, gostosa, goze...
Diante de sua ordem, quando a pressão aumentou ao limite e com uma
estocada violenta e deliciosa. Não me contendo mais, deixei o prazer me
envolver e juntos gozamos, forte, alto e alucinadamente, seu líquido quente
inundou a minha intimidade.
Ofegantes, quando ele saiu de dentro de mim, rolou para o lado e me puxou
junto consigo. Fitamo-nos e seus lábios se contorceram e ao ouvir as palavras
que ressoaram dentro do cômodo, me senti feliz por em fim estar completa.
— Eu a amo. Case-se comigo?
Dois meses depois...
 
HELENA
COMO NUM PISCAR DE OLHOS, o dia que vem por dois
meses, sendo tão esperado por mim, enfim chegou. Quando eu escutei as
palavras de Enzzo, eu não hesitei nem por um só segundo em dizer que sim.
Eu o amei desde o momento que o conheci, lutei para seguir em frente e tirar
esse sentimento do meu coração, mais era algo que ardia e me queimava por
dentro.
Eu tive a opção em segui minha vida, sem tê-lo ao meu lado, mas embora
estive realizada profissionalmente, realizada como mãe, eu sentia que ainda
faltava algo para estar completamente feliz. A vida é curta demais e, ao
mesmo tempo, preciosa demais, para ficarmos adiando a compreensão e o
perdão. Não espere que o primeiro passo seja dado por ninguém, experimente
deixar o orgulho vazio de lado e vá buscar o que deseja.
Sempre sonhei em ter uma família grande e embora não possater mais filhos,
fiquei radiante com a notícia de que vamos morar todos juntos. Além de
Yolanda, que aprendi a amar como a avó que não tive, os dois que andavam
se encontrando as escondidas e enfim resolveram assumir que estavam juntos
e também irão morar conosco.
 
Ver a felicidade da minha mãe, foi tudo que sempre sonhei e sei que se
contasse para ela o que Hulk me fez, essa relação não ia adiante. Se vou
contar? Sim, mas só depois que eles já tiverem uma relação mais firme, pois
não seria justo, que eu destruísse essa chance que ela está tendo de
reconstruir a sua vida e mesmo sendo um ogro, eu sei que o sentimento dele
por ela é verdadeiro. Minhas lembranças se foram quando a mulher terminou
de fazer os últimos retorques nos meus cabelos e disse que tinha terminado.
Aproximei-me do espelho e ao olhar para a imagem, nem acreditava que era
eu ali... Eu estava belíssima, desde a maquiagem muito bem feita, o penteado
bem elaborado e, o vestido que era digno de uma princesa. Saio dos meus
devaneios com a chegada da minha mãe.
Olhei para ela que estava muito elegante, ao se aproximou de mim,
claramente emocionada, nos seus olhos já havia algumas lágrimas se
formando e, em seguida sua voz se fez presente.
— Você está tão bonita filha.
Lancei um sorriso em sua direção
— Vamos.
Depois que ela me deu um forte abraço, em passos vacilantes deixei o
ambiente e ao chegar à sala, Malaquias estava me esperando. Eu o escolhi
para me levar até o altar, pois sempre demostrou grande afeto para comigo.
— Está pronta?
— Sim.
Nesse exato momento, a porta foi aberta e a mancha nupcial começou a tocar.
A cada passo dado, às lembranças de tudo que aconteceu em minha vida,
desde o momento que conheci o homem que mudou a minha vida, se fez
presente em minha mente. Quando chegamos próximo ao altar, meus olhos
ficaram fixos na figura dele, elegantíssimo em um smoking branco e ao seu
lado, nos braços da minha mãe e de Hulk, estavam as nossas filhas, com um
vestido parecido com o meu.
Malaquias me entregou para Enzzo, e assim que ele pegou em minhas mãos,
senti os meus batimentos aumentarem, caminhamos em direção ao celebrante
que logo deu início a cerimônia.
O Padre iniciou fazendo um pequeno sermão sobre a importância do amor e
da fidelidade no casamento.
— Estamos aqui hoje para celebrar as melhores coisas da vida, a confiança, a
esperança, o companheirismo e o amor entre esse casal. Todos vocês foram
convidados para compartilhar este momento com Enzzo e Helena, porque são
pessoas importantes para eles.
— Helena Maric Petrovci, aceita Enzzo Demisovski como seu legítimo
esposo, para amá-lo e respeitá-lo até os últimos dias de sua vida?
— Sim.
— Enzzo Demisoski, aceita a senhorita Helena Maric Petrovci como sua
legítima esposa, para amá-la, respeitá-la, ser fiel na alegria e na tristeza, na
saúde e na doença, enquanto dure?
Enzzo me encara, logo em seguida se vira e fala:
— Sim.
Depois da troca de alianças, a cerimônia chegou ao fim e o padre nos deu a
bênção final, dizendo.
— Pode beijar a noiva.
Ele me tomou nos braços e apoderou-se da minha boca em um beijo que
roubou o meu fôlego. Fomos interrompidos, quando todos aplaudiram os
recém-casados.
Nas horas seguintes, tudo ocorreu em perfeita harmonia, mas ao sentir as
mãos de Enzzo, em volta da minha cintura e ouvir suas palavras, meu
coração, ao mesmo tempo em que deu pulos de alegria, se apertou por ficar
longe das minhas princesas.
— Já está na hora de irmos, amor.
— Para onde vamos?
— Te levarei ao lugar que faz parte da nossa história.
Depois de muitas lágrimas da minha parte, pois era a primeira vez que
dormiria longe das minhas filhas, deixamos a mansão. Minutos depois,
quando o carro parou, ele saiu do veículo e em seguida me pegou em seus
braços. Quando meus olhos foram de encontro ao cenário a minha frente, um
sorriso largo surgiu em minha face, ele não poderia ter escolhido um lugar
mais especial para nós dois, ao adentrar no ambiente, tudo estava
perfeitamente decorado, havia pétalas de rosas vermelhas em cima do tapete,
o qual será inesquecível para mim. A lareira também estava acessa, dando um
toque especial e acolhedor ao ambiente.
Depois de sair da sua posse, fiquei admirando tudo a minha volta,
enquanto ele começou a abrir o espumante e colocou o líquido que tinha na
garrafa em duas taças.
— Um brinde a nossa felicidade.
Levei o líquido gelado de encontro a boca, saboreando cada gota que
continha no recipiente. Ainda entretida, senti suas mãos fortes de encontro
aos meus quadris. Enzzo, começou a beijar-me sem pressa e acabei por
deixar a taça cair no chão. Enquanto ele me mantém presa em seus lábios,
começou a tirar a minha roupa e as sensações maravilhosas que só ele era
capaz de despertar, começaram a me deixar cada vez mais excitada.
— Minha, apenas minha, somente minha — começou a dizer com sua voz
rouca de prazer, deixando-me arrepiada.
Estremeci quando suas mãos invadiram a minha minúscula calcinha,
acariciando o meu sexo, me deixando ainda mais louca de desejo, com um
movimento brusco, ele arrancou a peça do meu corpo. Suspendeu-me e
caminhou até o tapete felpudo, me deitando com cuidado sobre ele.
Enzzo, num estalar de dedos, se livrou das próprias roupas, totalmente
despido, ele subiu em cima de mim e novamente tomou a minha boca em
um beijo voraz, fazendo nossas línguas travarem um verdadeiro duelo.
Quando sua boca deixou a minha e ele começou a fazer uma trilha de beijos
até chegar ao centro da minha intimidade, abri minhas pernas
desavergonhadamente para desfrutar da habilidade da sua língua, acariciando
o meu clitóris. Ele estava me fodendo, devorando a minha vagina com sua
boca incansável.
Um forte espasmo atravessou o meu corpo, comecei a gemer feito uma louca
quando ele enfiou dois dedos dentro de mim e começou a movê-los para fora
e depois deslizando fundo. Senti todo o meu corpo estremecer com as
primeiras ondas de um orgasmo que se anunciava. Enzzo, intensificou ainda
mais os movimentos fazendo todo o meu corpo convulsionar e foi nesse
instante, que senti ele retirando seus dedos e com o corpo sobre o meu, pele
contra pele. Senti sua ereção potente contra minha intimidade e o abracei,
trazendo-o para junto de mim, desesperada para senti-lo, ele começou a
movimentar seus quadris, pressionando contra o meu, numa dança louca, em
seguida deslizando seu pênis para dentro de mim num vai e vem lento, aquilo
estava me torturando, desesperada, comecei a implorar.
— Mais forte.
Atendendo ao meu pedido, ele aumentou a velocidade das estocadas, socando
fundo todo o seu membro grosso e latejante. Meus seios balançavam a cada
estocada. Enzzo, começou a sugar os meus seios, me fazendo entrelaçar
minhas pernas em sua cintura, para que me penetrasse ainda mais fundo,
comecei a relaxar os músculos do meu corpo. Com uma estocada precisa,
empurrando o seu cacete fundo, sinto o meu corpo estremecer em volta dele.
Minha boceta começou a se contrair, entre gritos de prazer, cai em um
orgasmo violento e intenso, que eu nunca tinha sentido antes.
Com mais duas estocadas precisas, ele se derramou dentro de mim ,
gozando com um esguicho quente. Apertando os meus quadris, continuou
entrando e saindo de mim, enquanto ejaculava, num orgasmo forte e longo,
enchendo-me com o seu sêmen.
Com a voz ainda ofegante, ele começou a sussurrar.
 
— Eu a amo, minha vida.
— Eu o amo amis, meu único e grande amor.
Passamos o resto da noite nos amando, sem nos importar com o amanhã.
Três anos depois...
 
HELENA
O QUE SERIA DA VIDA SE não tivéssemos esperança, fé
e principalmente o amor. Amanhã as minhas pimpolhas completarão três
anos. Três anos de muito amor, que substituíram os dezoito anos de tristeza
que eu vivi. Elas trouxeram luz para minha vida e tudo o que passei foi para
que hoje, eu tivesse a minha família.
Afasto os pensamentos quando ouço a voz de Cecilia.
— Mamãe!
Fiquei tão distraída, que me esqueci de colocar a comida na boca dela.
Enquanto eu dava de comerpara ela, Yolanda fazia o mesmo com Ana.
— Chegamos — disse Enzzo e a manhosa logo voltou sua atenção para o pai.
— Papai!
Ele, logo lançou um sorriso em sua direção. Olhei para minha mãe que não
conseguia esconder a sua ansiedade e a expectativa pelo que estava prestes a
acontecer. Assim que eles lavaram suas mãos e se sentaram a mesa, a comida
foi servida.
 
Os dois homens, como já era de se esperar, ao ver a bela torta a sua frente, 
ficaram com seus olhos brilhando. E logo cada um colocou um pedaço bem
generoso em seus pratos. Quando eles conduziram a comida em direção a
boca, a cena que passei, ao ter pego aquela chave da lama com a boca, surgiu
em minha mente e quando deixei o devaneio de lado e olhei para atravessa a
minha frente, só havia dois pedaços, eles não paravam de comer.
— Está deliciosa — disse Hulk.
— Verdade, sempre achei as tortas da Yola as melhores do mundo, mas esta
aqui está divina, tem um sabor que não sei definir, mais é muito saborosa.
— Eu comeria todos os dias, sem dúvida.
Eu tive que me controlar, quando cada um pegou o ultimo pedaço e colocou
no prato, em questão de minutos já tinha devorado. A minha mãe teve que
dar a desculpa que ia ao banheiro e certamente devia estar aos risos.
Quando eles deixaram o ambiente, rumo ao escritório tanto, tanto eu, quanto
Yolanda e minha mãe, não aguentamos e, começamos a sorrir. Desde ontem,
quando contei a dona Isabella sobre o episódio da lama e que comia a
lavagem dos porcos, que sua primeira reação foi ficar incrédula, depois
furiosa e queria ir tomar satisfação com seu esposo. Sim, já faz quase um ano
que eles se casaram.
De repente, ela mudou de ideia e disse que ia pagar na mesma moeda.
Hortência, que tem mãos de fada, fez com que o ingrediente principal não
fosse percebido assim que eles começassem a comer. Lógico que não estava
doida dizer para o chefe de uma das maiores organizações criminosas do
mundo, e, muito menos ao seu conselheiro, que a comida que tanto eles
elogiaram, na verdade tinha como ingrediente, a milagrosa mistura viscosa.
Não posso negar que vibrei por dentro com a cena a minha frente.
No dia seguinte...
ENZZO
— Hum!
Soltei um gemido assim que senti uma onda de calor atravessar o meu corpo.
De imediato, os meus olhos se abriram, me deparando com uma bela visão a
ser apreciada e uma cena que é imperdível de se memorizar.
Sinto meu pau pulsar, e os movimentos de sua cabeça debaixo das cobertas é
hipnotizante. Sua língua molhada desliza por toda dimensão do meu cacete
até a base. Indo e voltando, por diversas vezes. Gemidos agonizantes saem
por entre os meus lábios, quando ela, finalmente o abocanhou todo.
Engolindo, centímetro a centímetro, sentindo-o por inteiro, pulsando em
garganta.
Faço um esforço sobrenatural para não perder o controle, enquanto o meu
pênis entrava e saia da sua boca, melado e cada vez mais rijo. Levei uma das
mãos em direção ao cobertor, pois queria ver cada feição sua, enquanto
engolia o meu cacete em sua boca faminta. Assim que alcancei o tecido e ia
puxá-lo, o som familiar me deixou petrificado.
— Papai.
Saindo do transe em que me encontrava, antes que eu tivesse qualquer outra
reação, duas miniaturas adentraram o quarto.
— Cadê a mamãe? — perguntou Ana.
Cecília deu alguns passos até parar centímetros da cama.
— Achei você mamãe.
A minha bela esposa lentamente saiu das cobertas, enquanto tratei de
esconder o estado em que me encontrava.
— Porque a senhora se escondeu ai? — falou Ana, curiosa.
De imediato suas bochechas ficaram tão vermelhas, que pareciam dois
tomates.
— A mamãe só estava brincando com o papai.
— Oba! Também quero brincar — disse Cecília.
Diante de suas palavras, comecei a sorrir, ao ver que Helena, ficou ainda mais
vermelha.
— Vocês sabem que não podem entrar no quarto da mamãe e do papai sem
bater. Vamos brincar mais tarde, no aniversário de vocês, agora quem chegar
primeiro na cozinha, eu darei um pedaço enorme do bolo que a vovó Yola
fez.
Assim como surgiram, do nada, as duas desapareceram. Helena logo se
levantou.
— Você não está se esquecendo de nada? — falei apontando para o meu pau.
— Tenho certeza que um banho gelado pode resolver isso.
A safada saiu rebolando em direção ao banheiro.
 
Horas depois...
Depois da cena de horas atrás, onde tive que tomar um longo banho gelado,
eu estava no jardim da mansão, que se tornou o palco para a comemoração de
mais um ano das minhas princesas. Olho para as duas e vejo o quanto à vida
me deu.
Sempre me lamentei por tudo que me foi tirado. A sede de vingança e o ódio,
me deixaram cego, ao ponto de nem perceber que por causa do espinho,
quase esmaguei a mais bela flor. Omar quase destruiu a minha vida e por
causa da sua ambição, perdi meus pais, mas o homem que mudou a minha
vida, sem nem mesmo imaginar, seria o responsável pelo nascimento daquela
que me fez conhecer o amor, que me deu o maior presente que um homem
pode receber.
A dádiva de ser pai e ter uma família.
Caminho em direção as três mulheres da minha vida. O sorriso da minha
esposa logo se abriu, e assim que diminui a distância entre nós, minhas mãos
enlaçaram a sua cintura, a puxando para junto de mim. Minha boca chocou-
se com a sua, e minha língua, sem demora invadiu sua boca, num beijo
quente e tentador, mas logo fomos interrompidos por duas sapecas querendo
a minha total atenção.
— Vamos brincar papai.
Elas começaram a correr e não demorei muito para alcançá-las. Daria minha
vida pela delas. E as amarei por toda a eternidade e intensamente.
O anjo conheceu o demônio.
A química entre eles foi fatal.
A sede de vingança, a fez conhecer o seu pior lado.
Entre medos e esperanças.
Ódio e amor.
Nos dois superamos todas as provações e foi o amor e a luz, que no final,
prevaleceu.

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