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Copyright © Love Dark, 2020 Capa: T.v designer Revisão: Rosana Bezerra Diagramação: Rosana Bezerra Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Atenção Romance dark. Esse livro contém cenas de sexo e violência que podem ser considerados como possíveis gatilhos. Não leia caso sinta-se desconfortável. O monstro renascido Love Dark 1ª Edição – 2020 Todos os direitos reservados. É proibido o armazenamento, e/ou reprodução de qualquer parte dessa obra – física ou eletrônica – através de quaisquer meios (tangível ou intangível) sem o consentimento escrito da autora. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal 2018. Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os direitos reservados. O monstro renascido "Máfia Albanesa" Dark Romance 80% Dark 20% Romance Uma profecia, e a vida dele mudará para sempre. Para todos, Enzzo Demisovski, o herdeiro do temido sanguinário e ex-chefe da maior organização criminosa de todos os tempos, está morto, assim como seus pais. Helena Petrovci, é a herdeira do poderoso Omar Petrovci, chefe da máfia Albanesa. Um homem frio e calculista, que foi capaz de trair seu próprio amigo para usurpar o seu lugar. Ela, assim como Enzzo, é somente uma vítima da ambição desse homem cruel. No entanto, o ódio, e a sede de vingança o deixarão completamente cego e ela conhecerá o pior lado da vida. Um mundo, onde a dor e as trevas serão predominantes, porém a luz surgirá. Ela terá que lutar com todas suas forças, para manter-se viva, após tanto sofrimento. Ele só deseja uma única coisa, ter tudo que lhe foi roubado. Prólogo __________________________________________________ 07 Capítulo 01 _______________________________________________ 10 Capítulo 02 _______________________________________________ 15 Capítulo 03 _______________________________________________ 19 Capítulo 04 _______________________________________________ 24 Capítulo 05 _______________________________________________ 29 Capítulo 06 _______________________________________________ 34 Capítulo 07 _______________________________________________ 38 Capítulo 08 _______________________________________________ 44 Capítulo 09 _______________________________________________ 48 Capítulo 10 _______________________________________________ 54 Capítulo 11 _______________________________________________ 59 Capítulo 12 _______________________________________________ 64 Capítulo 13 _______________________________________________ 70 Capítulo 14 _______________________________________________ 74 Capítulo 15 _______________________________________________ 83 Capítulo 16 _______________________________________________ 87 Capítulo 17 _______________________________________________ 92 Capítulo 18 _______________________________________________ 97 Capítulo 19 _______________________________________________ 102 Capítulo 20 _______________________________________________ 108 Capítulo 21 _______________________________________________ 113 Capítulo 22 _______________________________________________ 118 Capítulo 23 _______________________________________________ 123 Capítulo 24 _______________________________________________ 128 Capítulo 25 _______________________________________________ 132 Capítulo 26 _______________________________________________ 137 Capítulo 27 _______________________________________________ 141 Capítulo 28 _______________________________________________ 145 Capítulo 29 _______________________________________________ 149 Capítulo 30 _______________________________________________ 153 Capítulo 31 _______________________________________________ 157 Capítulo 32 _______________________________________________ 163 Capítulo 33 _______________________________________________ 168 Capítulo 34 _______________________________________________ 173 Capítulo 35 _______________________________________________ 178 Capítulo 36 _______________________________________________ 182 Capítulo 37 _______________________________________________ 187 Capítulo 38 _______________________________________________ 192 Capítulo 39 _______________________________________________ 298 Capítulo 40 _______________________________________________ 204 Capítulo 41 _______________________________________________ 208 Capítulo 42 _______________________________________________ 214 Epílogo __________________________________________________ 220 Tirana, capital da Albânia. O HOMEM USANDO CAPUZ NEGRO estava seguindo em direção ao vilarejo em SHKODER, um lugar conhecido por suas lendas. O barulho, de trovões terríveis ecoava no espaço e a chuva caía torrencialmente há horas. O céu acima dele escureceu, seus coturnos batiam nas poças d'água, suas pernas moviam-se como um pistão, e suas mãos apertavam-se em dois punhos extremamente endurecidos. A região apresentava obstáculos, no entanto ele andava pelas ruas estreitas e todos os seus pensamentos dirigidos firmemente, para o casebre que estava a alguns minutos de distância. Em passos firmes e precisos, ele continuou a caminhar, assim que chegou ao lugar que tanto almejava, o estrondo de um trovão se fez presente, no mesmo instante em que a velha porta da casa se abriu e uma mulher vestida toda de branco surgiu no seu campo de visão. Seus olhos escuros se arregalaram, um arrepio atravessou a sua espinha ao ouvir a voz dela. — Eu estava o aguardando. — Madalene Piccard. Adorada e respeitada por ser muito mais que uma Medicastra. — Omar Petrovci. Um homem jovem, ambicioso e temido por ser o braço direito do implacável e cruel chefe da máfia albanesa. Essas qualidades o tornam perigoso para aqueles que cruzarem o seu caminho. Envaidecido por suas palavras, ela fala confiante. — Você proferiu que, Dusan Borislav se tornaria o chefe da Máfia Sérvia, por anos vem interferindo no mundo da máfia. Se for tão boa quanto dizem, sabe o que vim fazer neste lugar. — Um herdeiro foi gerado, para você conseguir tudo o que deseja, além de eliminar aquele a quem jurou lealdade, deve sacrificar a criança. Você está disposto a seguir em frente? — Sim. Eu darei até a minha alma para ter o poder absoluto. — Uma profecia foi lançada. Você não pode mais voltar atrás ou “o monstro” ressurgirá. Meu nome é Madalene Piccard. Desde criança os meus pais sempre disseram que eu tinha algo especial, com sete anos comecei a ouvir vozes e com um tempo, fortes clarões surgiam em minha frente e eu conseguia ver pessoas totalmente desconhecida por mim. Com medo que as pessoas viessem, a saber, os meus pais fizeram de tudo para me manter isolada. Com o tempo as visões se tornaram constantes, as vozes cada vez mais altas ecoando em minha cabeça. E, em certa noite, quando todos estavam dormindo, acordei sufocada e assim que abri os meus olhos, a imagem da nossa casa pegando fogo surgiu em minha frente. Atordoada, dei um grito tão alto que todos acordaram, e vieram até o pequeno quarto onde eu estava. Depois de ter contado tudo que vi, em questão de minutos a temperatura começou a subir, e quando meu pai constatou que nossa casa estava sendo tomada pelo fogo, agiu de imediato e conseguimos sair com vida em meio as chamas. Perdemos tudo que tínhamos, a maldade tinha se enraizado nos corações humanos como uma erva daninha. Deixamos o lugar que sempre foi o nosso lar e mudamos para uma região da Albânia, conhecida por suas lendas e crenças. Sempre usei o meu dom para ajudar as pessoas, as visões, com o tempo, se tornaram mais constantes, no entanto, já não aguentava mais ver o povo sofrendo. O crime, o tráfico humano, cada dia estava destruindo a vida de pessoas inocentes, homens ambiciosos que se julgam deuses, capazes de decidir quem pode viver ou morrer. Sei que como eles, estou mudando a vida de muitos, mas assim como Vladimir, que cedo ou tarde venderia até a própriaalma para ser o todo poderoso, Omar, pela ambição também acabará com a vida daquele que sempre o considerou um amigo, todavia, assim como Dusan Borislav conseguiu encontrar a luz e destruiu todos a sua volta, não importa o que Omar, venha a fazer, o rumo da profecia será mudado e o monstro renascerá e terá tudo o que lhe foi usurpado. Monstros dentro da máfia, no entanto ao lado das trevas sempre terá a luz. Assim como Luna Ysmit, Helena está destinada a ser a esposa do verdadeiro chefe da máfia albanesa. Entre erros e acertos. Medos e esperança. Trevas e luz O amor irá prevalecer. Durrês – Albânia Meses depois... VITOR ESTE FOI O NOME ESCOLHIDO por meu pai, logo após o meu nascimento. VITOR "vencedor, conquistador e vitorioso". O herdeiro esperado pelo tenebroso Nicolas Demisovski. Para todos da máfia ALBANESA, sou o seu primogênito e único filho, porém aos cinco anos de idade, logo após a morte da minha mãe, ele me revelou a existência de Hulk, fruto de um relacionamento que teve antes do casamento. De início fiquei desorientado, mas quando viajamos para Tirana, e o conheci pessoalmente, um misto de sensações pairou sobre mim. Mesmo se mantendo afastado, ele se tornou um grande aliado. Desde criança fui treinado para comandar a nossa organização com mãos de ferro, me tornando um homem, frio, calculista, de coração gélido com todos a minha volta, até o momento que encontrei a mulher que mudou a minha vida. Helen trouxe ao coração de um monstro, a luz, e com ela, o maior presente da minha vida, "o meu filho". Assim que o tive pela primeira vez em meus braços, todo o meu corpo estremeceu. A sensação que eu tive era que uma força muito maior que tudo que conhecia, vinha daquele ser tão pequeno e, quando seus olhos azuis se abriram, indo de encontro aos meus, o único nome que veio em minha mente foi Enzzo, "gigante, aquele que vence". Tenho plena convicção que o meu filho será grandioso, temido e respeitado no mundo em que vivemos, porém, espero que, assim como eu, ele encontre aquela que trará um pouco de luz ao seu coração que certamente se tornará sombrio. Hoje após três meses do seu nascimento, será o dia de sua apresentação aos membros do conselho. Daqui a algumas horas, no grande hall da minha mansão, acontecerá uma pequena comemoração, já que o meu primogênito ainda é muito pequeno. Depois de muita insistência consegui que o meu irmão, viesse finalmente conhecer o seu sobrinho. Sabendo o quanto o mundo da máfia é tenebroso e traiçoeiro assim que Enzzo nasceu uma alta quantia foi depositada na conta daquele que eu tenho certeza que se algo de ruim vier acontecer, ele será um protetor e daria a sua vida para proteger o príncipe herdeiro da máfia albanesa. Deixo os meus pensamentos de lado e caminho em direção a minha suíte. Conhecendo o meu irmão, que vive pelas sombras, ele só chegará quando todos os membros da máfia já tiverem deixado a mansão. OMAR Assim como o meu pai, que era o conselheiro do grande Nicolas Demisovski, pai do atual chefe da máfia Albanesa. Eu, Omar PETROVIC, me tornei também o braço direito de Vitor Demisovski. Um homem, sanguinário e implacável, que se tornou respeitado, exaltado e temido por todos os membros da nossa organização. Ao contrário do meu pai, que serviu essa raça maldita até o seus últimos suspiros, eu, Omar, estou cansado de viver nas sombras desse idiota. Saber da existência de Madalene Piccard, e sobre a profecia que tornou Dusan o mafioso mais temido de todos os tempos, ao ponto de até o grande Vitor Demisovski, jamais cruzar o caminho daquele demônio em forma humana. Eu resolvi procurar a velha maldita e assim conseguir aquilo que eu sempre almejei, "ser o todo poderoso, o chefe". Ao contrário de Vitor, eu irei acabar com todos que cruzarem o meu caminho. Depois que deixei o vilarejo, comecei a planejar minuciosamente tudo que iria fazer para acabar com a linhagem dos Demisovski. Tive que suportar toda bajulação dos malditos conselheiros ao saberem da existência do herdeiro, porém assim como todos, que estão ligados a Vitor, esse maldito fedelho terá o seu destino traçado por mim. Os dias se tornaram insuportáveis, os últimos meses uma eternidade. Era como se o tempo tivesse congelado e o momento tão esperado por mim, não chegava. Mas, hoje finalmente será o dia que ficará lembrado por todos, como o fim do legado de Vitor Demisovski e toda sua família. Os meus homens já estão em posição, assim como os dois infiltrados que tenho dentro da mansão do desgraçado, que ficaram responsáveis por colocar a substância na comida que será servida aos soldados que vigiam a mansão. Meus pensamentos são interrompidos assim que ouço a voz de Lucas, meu motorista avisando que chegamos. Respiro fundo, tentando controlar todas as sensações que se apoderam de todo o meu ser, meus batimentos aumentam, tamanha é a minha expectativa por tudo que vai acontecer daqui alguns minutos. Depois de tantos anos, o meu grande sonho finalmente vai se realizar. Logo a sustância fará efeito no organismo dos infelizes e será o momento que meu pessoal entrará em ação. Saio do veículo e, em passos firmes ando em direção à porta principal, ao me aproximar, as portas duplas logo se abrem revelado os malditos que em breve serão enviados ao inferno. Depois de algumas passadas, passo os meus olhos pela sala e eles vão de encontro ao infeliz que tem um largo sorriso em seu rosto, assim que sua atenção se volta para mim, rapidamente forço um sorriso revelando os meus dentes brancos pontiagudos, dou apenas três passos encurtando a distância que nos separa. — Achei que não viria — a voz do desgraçado se fez presente. — Tive alguns contratempos, mas jamais perderia esse momento tão especial para todos nós. Novamente um sorriso se abre na face do verme a minha frente, em questão de segundos os membros do conselho se aproximam e começam a parabenizar o infeliz. Todos estavam ansiosos para que, logo o pequeno monstrinho fosse apresentado. Os minutos se passaram e a cada momento de distração dos malditos, meus olhos iam de encontro ao relógio em meu pulso, me fazendo constatar que uma corrida contra o tempo havia acabado de ser iniciada, todavia, ao saber que Malaquias, um dos membros mais antigos não estava presente por problemas de saúde, o ódio inflamou em minhas veias, e para não levantar suspeitas, teríamos que deixar alguns membros do conselho vivos, ou caso contrário, o infeliz poderia cogitar que tinha algo de errado. Fui tirado do estado catatônico que me encontrava quando o silencio se fez presente e ao me virar, meus olhos ficaram cravados na mulher no topo da escada segurando aquele fedelho. O desafio silencioso foi quebrado assim que a voz de Vitor ecoou no cômodo. — Apresento a todos, o príncipe da máfia, ENZZO DEMISOVSKI. Assim que os aplausos se fizeram presente, um estrondo terrível ecoou no espaço. O ambiente logo foi invadido por dezenas de homens, com os rostos coberto por máscaras negras e fortemente armados. Como num piscar de olhos, tiros começaram a ecoar no espaço não dando tempo de ninguém reagir, meus olhos estavam fixos na mulher que estava segurando o pequeno pacote em suas mãos, que logo saiu correndo. O cheiro de sangue fresco começou impregnar o local, fiz o sinal e eles já sabiam que alguns dos membros do conselho deveriam sobreviver e, quando o maldito do Vitor que parecia um animal raivoso, pegou sua arma e eliminou o alvo a sua frente, em seguida se moveu em direção a escada, rapidamente fui em sua direção. Precisava sair do campo de visão de todos, só assim meu plano teria êxito total, subi os degraus numa velocidade impressionante e quando o idiota que estava atravessando corredor notou a minha presença disse: — Precisamos tirar Enzzo desse lugar. — Você tem toda razão. Ele moveu sua mão de encontro à maçaneta da porta, onde certamente a vadia estava escondida com o filho e, num momento de distração dele, levei meu dedo na direção do gatilho e, com o alvo em mente, dois tiros foram disparados, acertando o alvo em cheio.O corpo do homem a minha frente foi perdendo o equilíbrio, suas orbitas sombrias fixas em mim, e assim que ele tentou mover sua arma outro disparo se fez presente. Andei em sua direção, ao ficar a centímetros de distância e ver a imagem a minha frente, todo o meu corpo ficou em chamas. Depois de tantos anos, finalmente serei o chefe da máfia albanesa, porém, chegou a hora de enviar o pequeno Enzzo e sua mãe, direto para o inferno. Durrês – Albânia OMAR DESVIEI MEU OLHAR DO CORPO sem vida do desgraçado jogado no chão e, levei minhas mãos de encontro à maçaneta da porta, assim que ela foi aberta, a vadia que segurava o monstrinho virou em minha direção. A expressão que antes parecia ser de alívio, deu lugar ao pânico no momento em que seus olhos foram de encontro ao corpo sem vida do infeliz e logo em seguida olhou a arma em minhas mãos. Ver o medo em suas órbitas azuis só me deixou com mais vontade de acabar com sua miserável vida, o choro irritante do fedelho logo se fez presente. A mulher que antes estava petrificada, saiu do estado estático em que se encontrava quando coloquei minha arma em punho apontada em sua direção. — Não! Não! Seu malditoooo... — disse a desgraçada, segurando firme o pequeno pacote em seus braços. Deixo os meus pensamentos de lado quando a infeliz desvia seu olhar de mim e mira em direção à porta que está a sua direita, e, no momento que notei uma movimentação em suas pernas, minha voz se fez presente no mesmo instante que meu dedo ficou fixo no disparador. — Não adianta fugir, assim como aquele maldito você irá partir dessa para pior. Se movendo como um relâmpago, a mulher logo se aproxima da porta, mas antes que ela cogitasse em entrar no ambiente, puxo o gatilho e ela é alvejada pelas costas, um grito alto sai por entre seus lábios, suas pernas perdem as forças, fazendo a mulher pôr-se de joelhos e como reflexo, colocar a criança que estava em seus braços no chão. Um segundo tiro atinge a cabeça da maldita, fazendo seu corpo cair para o lado e logo o ambiente é preenchido pelos berros da criança a minha frente. Senti o ódio inflamar em minhas veias, com algumas passadas, me aproximo do pirralho a minha frente e se não fosse pelas palavras daquela velha, eu mesmo daria a ele o destino igual ao dos seus pais. Acabo com a pequena distância que me separa do único ser que falta para ser eliminado. Quando pego o pequeno embrulho, o som irritante que ele fazia parou de imediato, no entanto seus enormes olhos azuis como o mar, se abrem e vão de encontro aos meus. Um calafrio inexplicável atinge as minhas pernas e logo se apodera de todo o meu corpo. As vibrações vinda dessa criança causam um incômodo como nunca tinha sentido antes, lutando contra o desconforto que pairou sobre mim, segui em direção a porta, em questão de segundos deixo o cômodo indo para o lugar combinado. Os estrondos dos tiros se faziam presentes, mas eu precisava agir rápido antes que, o alerta que foi enviado, certamente por Vitor, fizesse desse lugar a própria cede da máfia, logo todos os seus homens estariam chegando nesse lugar. Atravessando o corredor feito uma bala, cheguei ao lugar combinado e assim que abri a porta, Inbrain já estava me aguardando. — Você sabe o que deve fazer. Assim que chegar às montanhas, deve colocar o corpo dele em contato com o chão e, em seguida matá-lo. O sangue do último membro dos Demisovski marcará o início do meu legado. — Assim será feito chefe. — O carro já está a sua espera, pelo visto o fedelho sabe que seus minutos estão contados, pois acabou adormecendo. Agora me dê a sua arma e leve a minha, preciso que aqueles idiotas não tenham dúvidas que assim como eles, eu também fui um alvo. Assim que o homem me passou sua arma e com a criança já em seus braços, antes de deixar o ambiente, fiz o sinal para que ele fizesse o que tínhamos combinado. Apontando a arma em minha direção, um último disparo foi feito, lógico que ele sabia exatamente o lugar que deveria acertar para que eu saísse com vida de tudo isso. De repente, tudo ficou escuro, antes do homem sumir do meu campo de visão e eu perder totalmente os sentidos, movi minha mão de encontro ao relógio em meu pulso, ativando a bomba instalada no carro, jamais deixarei esse idiota vivo, ele terá tempo suficiente para eliminar Enzzo Demisovski, no entanto ao entrar novamente naquele carro jamais chegará ao seu destino. HULK Após a morte da minha mãe, fui criado por Yolanda, já que minha mãe era órfã e não tinha parentes vivos. A mulher que mesmo sendo escolhida pelo temido Nicolas Demisovski, não me viu somente como o menino filho de alguém poderoso, a quem ela receberia uma alta quantia para cuidar. Ela me deu muito mais que atenção, eu cresci cercado por seu carinho e muito amor. Mesmo sendo o filho bastardo do poderoso chefe da máfia albanesa, sempre tive toda atenção do meu pai e quando conheci Vitor, um sentimento inexplicável pairou sobre mim. O meu irmão me recebeu de braços abertos, mesmo sendo alguns anos mais novo do que eu, e embora com toda insistência, sempre quis me manter afastado de todos ao redor dele. Mas assim como Vitor, passei pelo treinamento, pois o nosso pai disse que mesmo não gostando, isso algum dia teria utilidade em minha vida. Acabei aceitando o meu destino, pois o sangue do sanguinário Nicolas Demisovski corria em minhas veias e ser um predador foi algo que descobri que fazia muito bem. Com o passar dos anos, sempre que tinha algum obstáculo, que meu irmão encontrava dificuldade para tirar do seu caminho, eu estava lá para fazer aquilo que fui treinado, caçar a presa e eliminá-la. Descobri ontem, que uma alta quantia foi depositada em minha conta e esse foi um dos motivos que me fez sair das profundezas da escuridão e vir até Vitor, além do quê, precisava conhecer aquele que dará continuidade ao legado da nossa família. Depois de minutos que pareciam uma eternidade, assim que me aproximei do meu destino os estrondos de tiros ecoaram no espaço. Um vento frio passou por mim, assim como senti uma sensação ruim, reduzi a velocidade da minha moto e apaguei o farol. Com minha visão semelhante à de uma coruja, capaz de ver de grande distância e com a pouca luz, meus olhos grandes e redondos ficaram fixos na imagem a minha frente. Os soldados de Vitor estavam caídos no chão, os sons dos disparos pararam e quando ia ligar novamente o farol da moto, um carro saiu em alta velocidade, eu sei que deveria entrar e ver o que estava acontecendo, mais era como se uma força sobrenatural tivesse tomado conta de mim e assumido o controle do meu corpo, pois algo me puxava para ir em direção aquele carro. Lembrando-me das palavras de Yolanda, que sempre devemos levar em conta a nossa intuição, liguei o farol, contornei a moto na direção que o carro tinha ido e aumentei a velocidade. Tentei me manter o máximo possível afastado do veículo, no entanto não o perdendo de vista. O carro seguiu em direção à estrada que dava acesso as Montanhas Dajti, ou seja, meu território. O automóvel continuava em alta velocidade, o que me deixou ainda mais intrigado. Depois de quase 50 minutos, o veículo reduziu a velocidade, me mantive afastado e não demorou muito para um homem vestido de negro sair do carro e sem delongas deu meia volta e abriu a outra porta e tirando de lá um embrulho. Ele deu alguns passos e logo colocou o pequeno pacote no chão, e foi nesse exato momento que som que ecoou no espaço, atingiu os meus tímpanos fazendo o meu corpo ficar em chamas, no entanto, tudo que veio em meus pensamentos foi Enzzo. TIRANA – ALBÂNIA HULK OS GRITOS AGUDOS ECOAM poderosos. Senti uma dor latejante em minha cabeça e com ela as lembranças de quando falava com Vitor se fizeram presentes, naquele justo momento, enquanto eu o questionava o motivo do dinheiro que ele havia colocado em minha conta, o som potente do choro de Enzzo ecoou do outro lado da linha, eu jamais esqueceria aquele barulho causado pelo pequeno herdeiro da família Demisovski. Meu irmão ainda disse que era umaforma do pequeno intimar o tio a comparecer para conhecê-lo. Deixo meus pensamentos de lado quando o homem a minha frente, que havia colocado a criança no chão, levou uma das mãos até a cintura. Um pensamento passou pela minha cabeça e no impulso saí de cima do veículo e minha mão como se tivesse vida própria, foi de encontro a minha arma. Meu sangue gelou assim que o desgraçado colocou sua arma em punho e direcionou para o seu alvo. Assim que ele levou o dedo ao gatilho, o som de um disparo deu lugar ao barulho que antes era causado pelo choro do bebê. Um ruído alto saiu rasgando a garganta do maldito, que soltou a arma que segurava, em seguida levou sua mão esquerda em direção ao ombro ferido. Enquanto ele ainda se encontrava desorientado, tentando assimilar o que aconteceu e me movendo com uma velocidade semelhante à bala, que havia atingido o desgraçado, avancei em sua direção e quando ele enfim parecia que tinha ignorado a dor e virou-se buscando encontrar o que o havia tingido, fechei uma das mãos em punho e o golpe certeiro atingiu a sua face. O canto da sua boca transforma-se, uma grande quantidade de líquido avermelhado escorria entre as laterais da sua cavidade bucal, desviei meu olhar por uma fração de segundos em direção à criança, que se encontrava no chão frio e ao ver aqueles olhos salientes da cor de um azul-ensolarado, fixos em minha direção, meu corpo todo se aqueceu no mesmo instante que um ódio descomunal tomou conta de todo o meu ser, ao pensar no que esse maldito iria fazer com o meu sobrinho. Meus pensamentos foram interrompidos quando um ardor se fez presente em um dos lados do meu rosto, minha boca transformou-se numa linha dura, meus olhos pareciam estar em chamas, assim como os órgãos localizados dentro da minha caixa torácica começaram a funcionar num ritmo intenso, como nunca havia sentido antes. Fechei minha mão novamente em punho e quando o infeliz tentou se abaixar para pegar o objeto que se encontrava no chão, movi minha mão em direção a suas costas, acertando-o com um golpe cruel, fazendo o seu corpo desabar de imediato. Não satisfeito, ele mudou de posição e tentou se levantar e foi nesse momento que subi em cima do desgraçado e movido pela raiva que incendiava em minhas veias como fogo líquido, comecei a bater no maldito sem parar. A certa altura, mesmo com dificuldade, sussurros saindo entre seus lábios se fizeram presentes e lembrando-me que precisava descobrir o que havia acontecido, antes de acabar com sua vida miserável disse: — Quem te pagou para acabar com a vida de Enzzo Demisovski? O homem tossiu e logo em seguida uma grande quantidade de sangue escorreu entre seus lábios. Mesmo com dificuldade e com a voz fraca, ao ouvir o nome que foi dito por ele, meus batimentos cardíacos dispararam no mesmo instante que um ódio mortal pairou sobre mim. — Om... Omar Petrovic! Assim que seus lábios se uniram, fechando a sua boca, deferir um último soco contra o seu rosto o nocauteando. Levantei-me, e em seguida puxei o maldito pelas pernas em direção ao carro, me detive ao chegar próximo ao porta malas, deixei o infeliz no chão, enquanto ia tratar de acionar o portão para que a porta fosse aberta, em questão de segundos voltei novamente para perto do corpo dele e o joguei dentro do veículo. Esse homem é o único que pode esclarecer tudo o que aconteceu e se conseguiu retirar o meu sobrinho de dentro dos domínios de Vitor, algo muito sério deve ter acontecido. Meus pensamentos foram interrompidos quando o choro do meu sobrinho novamente se fez presente, fechei a porta e fui ligar o aquecedor, pois com tanto tempo exposto a essa temperatura, Enzzo certamente estava com frio, movi a chave no contato ligando o automóvel e em seguida o aquecedor. Andei alguns metros de distância, até onde meu sobrinho estava e ao ficar a centímetros de distância dele, me agachei pegando o pequeno em meus braços, no momento que me levantei, um estrondo terrível preencheu todo espaço deixando o veículo em chamas. Cinco anos depois... — Tio, acorda! A voz e o toque das pequenas mãos de Enzzo me despertaram. Fiquei com os olhos fechados durante alguns bons segundos, esperando que a dor terrível em minha cabeça desse uma aliviada. A ressaca monstruosa certamente era resultado da festinha particular que fiz ontem à noite. Meus pensamentos foram interrompidos quando meu corpo começou a ser sacudido. Resmunguei em protesto, em seguida fiquei paralisado ao seu comando. — Olhe para mim. Desorientado, movi meus olhos identificando o responsável pelo ato. Seus olhos azuis faiscaram, a fúria latente estava nítida em suas palavras. — Levante-se está na hora do meu treinamento. Ele continuou com seu olhar cravado em minha direção. Ainda estava furioso e o que deveria, de alguma forma me causar um certo incômodo, por um ser tão pequeno e falar comigo desta formar, só fez todo o meu corpo vibrar, ao constatar que ele daqui há alguns anos estará pronto para o confronto com aquele usurpador. Omar assumiu o controle da máfia albanesa, destruiu a vida da família do meu irmão. Como o único que poderia dizer à verdade que ele foi o responsável pelo ataque que resultou na morte de Vitor e Helen, foi eliminado naquela explosão, não me restou outra opção a não ser manter Enzzo em segurança. Minha existência sempre foi desconhecida por todos, seria a minha palavra contra a do homem de confiança do chefe da máfia, que sempre foi respeitado por todos. Aquele traste certamente daria um jeito de sair ileso, virando o jogo e eu estaria colocando a vida do meu sobrinho novamente nas garras daquele traidor. Saio do estado catatônico que me encontrava e me levanto em um pulo. O meu pequeno ainda se encontrava petrificado com suas sobrancelhas grossas arqueadas, analisando minuciosamente todos os meus movimentos. — Peça a Yolanda para providenciar algo leve para você comer e me espere lá fora. Seus olhos brilharam de imediato, suas feições mudaram e um largo sorriso surgiu em sua face. Enzzo saiu saltitando do cômodo, pois desde que começou a entender as coisas, tive que contar toda verdade e para minha surpresa, desde aquele dia, todas as manhãs ele sempre ao acordar vem até o meu quarto já pronto para o seu treinamento. Em passos firmes, andei em direção ao banheiro, no entanto, as lembranças de anos atrás surgiram em meus pensamentos. "Eu jurei, no túmulo do meu irmão, que Enzzo teria tudo que lhe foi roubado, não importa o tempo que leve para isso acontecer, aquele que todos deram como morto vai renascer, assim como uma fênix, porém desta vez, Omar vai acertar as contas com o monstro Renascido". Durrês – Albânia Alguns anos depois... OMAR NEGO DISPOR DE PACIENCIA com esses malditos médicos. Quando acordei atordoado ao ouvir os gritos de Isabella, meus olhos foram de encontro à mancha avermelhada no tecido da cama, a mulher se contorcia em meio à dor e no impulso me levantei da cama e minutos depois já estávamos indo para o hospital. Quando chegamos ao lugar, toda uma equipe médica já estava nos aguardando, porém antes que o médico responsável desaparecesse do meu campo de visão, fiz questão de lembrar Ao homem que não importava o que acontecesse dentro da sala, a prioridade era salvar somente a vida de uma das crianças "o meu filho." Os segundos e minutos se passaram e, já faz quase uma hora que ando de um lado para o outro. Estou prestes a fazer um buraco no meio dessa sala e, até agora aquela inútil ainda não trouxe ao mundo o meu primogênito. Assim como aquela velha profetizou, eu Omar Petrovci, tornei-me o soberano da máfia ALBANESA. Tudo saiu como eu planejei e para todos tudo não passou de um plano diabólico dos nossos inimigos, afinal de contas, quem iria levantar suspeita de um homem como eu que sempre coloquei os interesses da organização a cima de tudo, que sempre estive ao lado do temido Vitor Demisovski. Depois que fui envolvido pela escuridão, quando recuperei os sentidos, já me encontrava na cama de um hospital, meia dúzia dos conselheiros que estavamna mansão sobreviveram, assim como alguns soldados também e após passar por alguns exames, foi constatado que haviam ingerido uma substância responsável por terem perdido os sentidos, como já havia eliminado todo o pessoal responsável pela cozinha e manipulação de tudo que era servido a todos da casa, eles chegaram à conclusão que foi queima de arquivo. Como só o corpo de Vitor e da vadia foram encontrados, para aumentar a minha raiva, o desgraçado do Malaquias resolveu reunir todo o nosso pessoal e iniciar uma buscar por Enzzo, já que ele não havia sido encontrado na mansão. Os meses se passaram e como ninguém entrou em contato para um possível resgaste do monstrinho, ele foi dado como morto, o que deixou todos, exceto eu, totalmente desorientados ao cogitarem que os malditos pudessem ter feito uma monstruosidade tão grande a uma criança, pois embora Vitor fosse considerado um demônio em forma humana, desde o legado do seu pai, sempre deixaram claro que mulheres e crianças não eram alvos na organização, deviam ser preservados. “Era só o que me faltava, mafiosos sanguinários dando uma de bons samaritanos.” Com a certeza da morte do fedelho, acabei sendo escolhido para ser o novo chefe, já que durante as buscas por Enzzo, fiz questão de estar à frente de tudo, mostrando a todos o quanto desejava encontrá-lo, algo que jamais iria acontecer. Depois que saí do hospital, tratei de me certificar que aquele infeliz estava morto. Sabendo do lugar onde ele deveria sacrificar aquela maldita criança, fui até lá e encontrei o que sobrou do veículo e dentro dele o corpo carbonizado do infeliz, meus olhos passearam em volta do lugar até que avistei um pedaço de pano, dei algumas passadas e era o mesmo tecido que estava em volta do corpo daquela criança naquela noite, porém estava todo envolvido por machas vermelhas e tudo indicava que era sangue. Certamente algum animal tinha devorado o corpo do pestinha após o idiota ter o eliminado. Os cantos da minha boca se contorceram e um sorriso vitorioso surgiu em minha face. Anos após de ter deixado tudo como sempre desejei, havia chegado o momento de construir uma família e providenciar um herdeiro. Meses depois aconteceu o meu casamento com Isabella, e depois de anos de espera veio à notícia da sua gravidez. Ela ficou radiante quando soube que eram gêmeos, no entanto, ao saber o sexo das crianças, que era um menino e uma menina, tudo que me interessou foi saber que uma delas seria um menino, o meu primogênito, aquele que dará continuidade ao meu legado. Deixo os devaneios de lado assim que vejo o homem, que tanto estava esperando vindo em minha direção. Senti meu coração bater mais forte, um largo sorriso surgiu em meu rosto, no entanto assim que ele parou em minha frente e ao ver sua expressão me manifestei. — Sem rodeios. — Senhor, eu sinto muito — ele fez uma pequena pausa, porém os meus batimentos ficam mais intensos parecendo tambores. — Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, no entanto, uma das crianças já estava sem vida. Sua esposa está arrasa... Nem deixei que ele terminasse de falar. — Isso logo passará, agora preciso ver o meu filho — as feições do homem logo mudaram, porém as palavras que foram proferidas por ele em seguida caíram como um soco no meu estômago, minha respiração ficou pesada e a única palavra que resume tudo que estava sentindo era "Ódio". — A criança que sobreviveu é uma menina. Dias atuais... HULK Parece que foi ontem que peguei em meus braços aquele menino, que teve a sua vida quase interrompida pela ambição daquele traidor. Quando cheguei com Enzzo, Yolanda, ao ouvir os gritos do menino que pareciam não ter fim, logo surgiu no meu campo de visão, antes que eu contasse tudo que havia acontecido, ela tratou de cuidar dele, pois disse que aqueles gritos eram de fome. Minutos depois, o silêncio se fez presente, e depois que contei tudo que havia acontecido deixando a mulher estarrecida, ela disse que cuidaria dele assim como fez comigo. Confesso que foi mais difícil do que pensei a morte de Vitor, a responsabilidade por uma criança, quando tudo que tinha feito nos últimos anos era eliminar aqueles que cruzavam o caminho do meu irmão ou está enfiado no meio das pernas de algumas das mulheres daquele bordel, que segundo Yolanda, ainda será minha perdição. Venho acompanhando desde então, tudo que vem sendo divulgado sobre Omar Petrovci, que se tornou temido e exaltado, um mafioso para aqueles que fazem parte da sua organização e para os demais um empresário respeitado que vive fazendo caridade aos necessitados. O desgraçado conseguiu tudo que sempre almejou, poder, a esposa dedicada, porém o que sempre me deixou curioso é o fato de jamais ter visto uma foto da sua filha, já que tanto ele como a esposa, sempre tem a imagem divulgada em vários jornais e revistas. Sei que um dos filhos acabou morrendo antes mesmo de nascer e até onde tenho conhecimento, ele só tem uma única herdeira, aquela que todos chamam de princesa da máfia. Os anos se passaram e aquele bebê que pela aparência era tão frágil, mas foi um guerreiro ao ser o único membro da sua família a ter sobrevivido, se tornou um homem, se empenhou dia e noite, a cada ano e por mais que eu falasse que ele ainda não estava pronto, ele se esforçava mais. Enzzo dedicou a maior parte do seu tempo ao treinamento. Seu corpo, com o passar do tempo foi se modificando, assim como sua aparência, os olhos azuis no fundo tinham algo tenebroso, pois a sede de vingança e justiça era sua maior motivação. Yolanda praticamente surtou quando o menino fez 15 anos e eu o levei até o bordel, sendo um Demisovski, eu não esperava menos dele, pois o garoto que naquele dia se tornou um homem, assim como eu, ficou viciado naquele lugar, ao ponto das mulheres o chamarem de o monstruoso, pois segundo elas, ele era grande em todos os sentidos. O som da voz dele interrompeu meus pensamentos. — Hulk! — Achei que você estava lá fora. — Meu treinamento chegou ao fim. — Tínhamos combinado em esperar mais um pouco. — Aquele infeliz já usufruiu por tempo demais de tudo que é meu, chegou o momento de planejamos a queda de Omar Petrovci, e o retorno de Enzzo Demisovski. Ele destruiu a minha família, agora será a minha vez. Com sangue ele iniciou o seu legado e com sangue ele chegará ao fim. Tirana – Albânia ENZZO AOS PRIMEIROS ALMORES, DESPERTO DE IMEDIATO, sentindo a cabeça latejando, meus olhos passeiam em volta do lugar. O cômodo está impregnado de um cheiro úmido e penetrante de sexo, desvio minha atenção para as duas mulheres que dormiam feito pedras, uma de cada lado da cama. Meu pau dá sinal de vida quando as lembranças da noite anterior passam por minha mente. Depois de dias planejando juntamente com Hulk, como faríamos para nos aproximar dos Petrovci, ele resolveu comemorar o seu aniversário no lugar que passou a ser como a sua segunda casa. Após várias rodadas de bebidas, enquanto ele se ocupou com Samantha, tratei de vir fazer aquilo que se tornou a minha melhor distração. Quando chegamos ao ambiente, enquanto joguei os preservativos que estavam dentro do meu bolso em cima da cama, as duas mulheres, em questão de minutos já estavam despidas e prontas para iniciar o nosso show particular. Uma delas logo se aproximou e enquanto tratava de retirar minhas calças, Raquel lentamente andou em minha direção, parecia uma tigresa pronta para devorar sua presa. Deixei que elas fizessem o serviço e logo me vi totalmente despido, minha atenção voltou-se para uma delas que segurou o meu pau com uma de suas mãos. — Estava louca para ter o monstruoso em minhas mãos. Todas desde que cheguei nesse lugar só falam o quanto ele era tão grande e grosso — embora tudo que eu queria era me satisfazer e nada mais, não poderia negar que o jeito como a desconhecida olhava com admiração para o meu pau, mordendo os lábios tentando se controlar para não enfiá-lo logo em sua boca, que estava salivando em antecipação, só me deixou ainda mais excitado e uma onda de calor invadiu o meu corpo. Segurandofirme o meu membro, ela começou a acariciá-lo e a sensação que eu tinha era que ele tinha chegado ao seu tamanho real ao estar totalmente ereto e pronto para iniciar a diversão. Um gemido de prazer saiu entre meus lábios quando a safada abriu a boca e a conduziu até a cabeça saliente do meu membro, que latejava me causando um desconforto insuportável. Ela começou a chupar e lamber percorrendo com a língua as veias grossas do meu cacete, que suplicava por atenção, enquanto Raquel se abaixou e abocanhou meus testículos que estavam cheios de porra. Recebendo um boquete duplo que só deixou meu corpo em chamas, assumi o controle da situação e nos minutos seguintes já estava com as duas mulheres em cima da cama, a morena que era novata na casa, tinha além de um corpo perfeito, uma boca aveludada que me levou de vez ao inferno, as sensações que senti ao ter seus lábios carnudos deslizando pela longa extensão do meu membro, foram indescritíveis. A mulher embora fosse nova, sem dúvida foi feita para proporcionar prazer a um homem e hoje ela seria a minha refeição, só deixaria as duas livres quando me desse por satisfeito. Deixo os pensamentos de lado e com a camisinha já colocada em meu pênis, levei minha boca em direção aos mamilos da mulher mais nova enquanto com a mão direita movi até o sexo úmido de Raquel, que já estava com as pernas escancaradas, doida para ter os meus dedos enterrados dentro da sua boceta. Sem aviso prévio, enfiei dois dedos dentro da sua vagina e gemidos desesperados saíram entre seus lábios no mesmo instante que a minha boca alcançou um dos seios da outra e comecei a chupar suas tetas como uma criança faminta, sugando, mordiscando, fazendo a vadia ofegar soltando gemidos ensurdecedores. Enquanto Raquel se contorcia ao ter sua vagina engolindo os meus dedos, que a penetrava cada vez mais fundo, posicionei meu pau enorme na entrada da vagina da sua companheira e sem delongas fui enfiando meu cacete e um longo urro saiu rasgando a sua garganta ao receber toda longa extensão dentro da sua boceta gulosa. Levantei a cabeça e lágrimas desciam pelo seu rosto e aquilo só me deixou com mais tensão. Movendo meu pênis num vaivém alucinante, aumentando o ritmo dando estocadas fortes, enquanto enfiava mais um dedo dentro da outra, fazendo movimentos ritmados dentro do seu sexo, a fazendo suplicar para que eles fossem substituídos pelo meu pau. A mais nova logo pegou o ritmo e começou a remexer os quadris tentando acompanhar o ritmo dos meus movimentos, abrindo as pernas ao máximo para as estocadas brutas do meu pênis rígido contra a sua vagina. Tirei meu pênis de dentro dela e o substituir pelos meus dedos enquanto arremetia com toda força dentro de Raquel, levando a safada ao limite. A fodendo com força, penetrando-a como se estivesse possuído. Passei longos minutos revezando entre elas, usando os meus dedos habilidosos e meu membro incansável. Numa invertida de posições, meu corpo ficou sobre a cocha macia da cama e a mulher mais nova subiu em cima de mim e mesmo com dificuldade começou a cavalgar no meu cacete, me fazendo soltar rugidos primitivos, onde comecei a me mover inteiramente por instinto. Sou tirado das minhas lembranças quando ouço a voz rouca de Hulk, seguida de fortes batidas na porta. — Enzzo! Vamos! Ignorando o latejar no meu pau, e contra minha vontade que era de novamente me perder no meio das pernas das duas mulheres. Levantei-me e meus olhos passearam pelo chão identificando as minhas roupas. — Não acredito que ele veio me chamar justamente agora. Minhas feições logo mudaram e a raiva me dominou, minutos depois já vestido, andei em direção a porta e assim que a abri, um sorriso irônico estava visível no rosto dele. — Viu como é ruim ser acordado? Passei longos anos nessa situação e sabia que algum dia seria a minha vez. Agora vamos, se você pretende acabar com o inimigo, precisa primeiro estudar de perto o território dele. Em passos precisos caminhamos pelo longo corredor, não podia negar que ele tinha toda razão, preciso focar naquilo que venho esperando por tantos anos e antes de qualquer coisa, preciso ir para Durrês. Enquanto isso em Durrês... HELENA — Não! Não! Por favor! Um grito abafado e seco ecoou pelo quarto quando eu acordei assustada e suando frio. Sentia meu coração acelerado, as lágrimas grossas começaram a cair pelo meu rosto. Demorou um instante para eu entender que foi mais um pesadelo, pois ainda estava sentindo aquela sensação ruim por alguns minutos. Fiquei perdida em meus pensamentos até ouvir a voz da minha mãe, que entrou atordoada no cômodo. — Já passou minha princesa. Ela acabou com a pequena distância entre nós e ao ficar a centímetros de distância, me envolveu em um forte abraço. Naquele momento, era tudo que eu estava precisando, minutos depois, quando ela viu que eu já estava mais calma, me fez encará-la e em seguida ouvi novamente a sua voz. — Eu te amo mais do que tudo nesta vida, e me perdoe por não ser a mãe que você tanto precisa. Olhei para mulher a minha frente, que assim como eu estava minutos atrás, se entregou as lágrimas. E ao contrário do que ela pensa, foi somente o seu amor o responsável por eu me manter viva depois de tudo que vem acontecendo, por ter que suportar toda a dor, que não só vem marcando o meu corpo, bem como a minha alma. Dessa vez fiz o mesmo gesto que ela havia feito comigo minutos atrás, segurando no seu queixo, fazendo sua atenção ser direcionada para mim. — Eu também te amo. Você é tudo que tenho de mais precioso e é o seu amor, somente ele, a razão de não perder a esperança que tudo isso, um dia terá um fim. Um sorriso largo surgiu em sua face, alegrando o meu coração. Ela moveu uma de suas mãos até o bolso do seu casaco e logo após tirou algo e estendeu o objeto em minha direção. — Feliz aniversário, minha vida. Novamente ela me deu outro abraço. No entanto, lembrar que hoje eu estava completando 18 anos, fez uma sensação ruim apodera-se de todo o meu ser como nunca havia sentido antes. Durrês – Albânia HELENA ANTES DE DEIXAR O MEU QUARTO, a minha mãe, disse que estaria me aguardando para o café da manhã. Para muitas garotas, hoje seria motivo de muita felicidade, ter o tão sonhado 18 anos. Mas para mim, só me faz lembrar tudo que venho passando durante todos os anos da minha existência. Levantei-me e andei na direção da porta que dava acesso ao banheiro. Segundos depois, entrei no cômodo, dei alguns passos e me detive ao ficar próximo ao espelho, lentamente movi as mãos em direção a minha camisola e levanto a peça pelo meu corpo, passando pela minha cabeça e por último a segurando em uma das minhas mãos. Meu olhar ficou fixo no espelho a minha frente, virei um pouco de lado e tudo que conseguia sentir ao olhar para o meu reflexo se resumia em uma única palavra: nojo. As lágrimas desceram pelo meu rosto sem a minha permissão, a imagem do homem que se tornou o meu carrasco e o meu maior tormento, surgiu em minha frente, e com ela as lembranças terríveis que vem destruindo não só o meu corpo como a minha alma. Omar Petrovci, aquele que é considerado por todos como um empresário renomado, marido e pai dedicado, muito respeitado e temido por aqueles que conhecem sua verdadeira face. O homem que por trás do empresário é na verdade o chefe de uma das maiores organização criminosa de todos os tempos, colocando mulheres e crianças indiscriminadamente, como alvo de sua ambição em ter o poder absoluto. Eu passei toda infância desejando receber somente um único gesto de carinho da parte do homem que me deu a vida. Quando criança, não entendia o motivo daqueles olhos tenebrosos ficarem faiscando quando eram direcionados a mim. De início, a minha mãe dizia que tudo iria passar, que meu pai só estava sofrendo ainda pela morte do meu irmão. Mas, o tempo passou e seu ódio ao estar em minha presença só aumentava, primeiro vieram as agressões verbais, mas, a medida que fui crescendo, era como se isso só o deixasse mais enfurecido, pois a minha mãe engravidou novamentee meses depois teve outra complicação e como consequência um aborto . Aquilo foi o estopim para despertar a fúria do animal selvagem que habitava dentro dele. E as palavras foram substituídas por algo mais doloroso. A pessoa que eu mais amo na vida, no princípio sofreu as consequências daquele ódio descomunal, pois sempre se colocava em minha frente e se tornava o alvo das atrocidades do homem que deveria ser um protetor, aquele de quem eu só queria o amor. Eu cansei de ouvir os gritos dela, de ver que o brilho do seu olhar, que sempre aqueceu meu coração, estava desaparecendo, se eu era o motivo de tanta tristeza, se fui a responsável pela morte do meu irmão, era eu quem deveria enfrentar a fúria do demônio que tenho por pai. Cada estalar do seu cinto, não só deixou muitas marcas em minha pele. Ele não só me marcou como a um animal, mas cada ato seu, só fez aquela criança deixar os sonhos de lado e aceitar o seu destino. Foi somente a força do amor da minha mãe a razão de não desistir de lutar para me manter viva. Eu não posso deixar ela a mercê da fúria dele, enquanto eu estiver aqui, eu sei que seu ódio estará sempre direcionado para mim e de alguma forma, eu estarei evitando que ele possa descontar sua raiva nela. Vocês devem está se perguntando o porquê de não gritar para todos quem é o monstro que eles consideram um anjo. Ele sempre me privou do convívio com as pessoas, tive aulas em casa e a maior distância que me era permitida ir, era o jardim da nossa própria casa. Sempre dizia a todos que não estou bem de saúde e as poucas pessoas que me viram desde o meu nascimento, foram os membros do conselho e até me chamam de princesinha da máfia. Algo que ele odeia, mas tenta disfarçar perante todos. Deixo meus pensamentos de lado e caminho em direção ao box. Meia hora depois, desliguei o chuveiro e caminhei até a pia, após escovar os dentes, fui até o meu closet. Já arrumada andei em direção à porta, deixando o quarto e atravessando o enorme corredor que dava acesso ao primeiro andar. Desde criança que sempre sinto calafrios ao andar pelos corredores do segundo andar. Minha mãe disse que, antes a família do falecido chefe da máfia morava aqui e foram brutalmente assassinados, após a invasão dos seus inimigos. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouço a voz da minha mãe. — Vamos filha! Depois de descer os últimos degraus, ela segurou em umas das minhas mãos e seguimos até a sala. Alguns instantes depois, já acomodadas, começamos a comer, como era de costume, Omar Petrovci dificilmente se sentava a mesa quando eu estava. Ficamos tão distraídas conversando, que não notei a aproximação dele, até que sua voz potente ecoou no cômodo, fazendo um calafrio percorrer por todo o meu corpo. — Bom dia! Levantei a cabeça e fiquei atordoada ao vê-lo com um largo sorriso no rosto. No entanto, em se tratando do homem implacável que estava a minha frente, eu não podia esperar nada de bom e ao ouvir as palavras que foram ditas por ele, um nó se formou em minha garganta, meu sangue gelou no mesmo instante em que meu coração começou a bater descontrolado. Só aí entendi o motivo da sua felicidade. — Agora que completou 18 anos, chegou o momento de aceitar a proposta de Gustavo Albrantes, pois seu casamento com aquele idiota me trará bons lucros. Antes que eu cogitasse em processar o que estava acontecendo, a voz da minha mãe preencheu o cômodo. — Você só pode estar brincando. Aquele homem tem idade para ser o pai dela. Como você pode querer a união da nossa filha com aquele homem pervertido? — As feições dele logo mudaram, seus olhos sombrios estavam faiscando de ódio e novamente a voz firme dele se fez presente. — Eu jamais brinco querida esposa, deveria saber disso, no entanto, até que fim, essa infeliz me terá alguma serventia. Farei de tudo para que esse casamento aconteça o quanto antes, e, amanhã mesmo será oferecido um jantar para oficializar perante os membros do conselho o noivado. As palavras proferidas por ele caíram como um soco no meu estômago. Quando achei que Omar não pudesse me atingir mais do que vem fazendo ao longo dos anos, sua atitude só demostrar o quanto o seu ódio por mim não tem limites. Enquanto isso, não muito longe dali... ENZZO — Quando você pretende ir para Durrês? — Vou hoje à noite. — Achei que ia esperar mais alguns dias. Você precisar tomar bastante cuidado. — Ao contrário daquele infeliz, eu tenho a vantagem em saber onde encontrá-lo e conheço o seu rosto. Eu tinha cogitado em ir somente daqui alguns dias, mas algo me diz que preciso ir hoje mesmo. Não sei o que me aguarda naquele lugar, mas é como se um ímã me puxasse naquela direção. "Omar Petrovci, em breve terá o fim que ele merece." Durrês – Albânia ISABELLA QUANDO VOCÊ É CRIANÇA, TUDO PARECE PERFEITO, mas ao se tornar adulta, você começa ver tudo ao seu redor de forma completamente diferente. Para nós mulheres, que crescemos dentro desse mundo chamado máfia, cada dia se torna um verdadeiro desafio. Queria poder ter feito as minhas próprias escolhas, mas não me foi permitido e assim como muitas em nosso meio, o meu casamento aconteceu somente pela vontade do meu pai e, do homem que se tornou o meu maior desespero. Depois da maior perda da minha vida, eu conheci muito mais que a dor que tomou conta da minha alma. O meu corpo se tornou a única forma que tinha para defender a pessoa que mais amo na vida. Mas, com o passar do tempo, aquilo era muito pouco para ele, e a minha joia preciosa se tornou o seu maior alvo. Omar Petrovci é o ser mais diabólico que conheci em toda a minha vida, a própria encarnação do mal em forma humana, onde seu maior objetivo é o poder. Cada golpe desferido, cada marca que ele deixou na pele da minha filha, só fazia o meu coração sangrar por dentro. Uma dor que está me destruindo e por mais que tudo pareça difícil, eu não posso permitir que Helena continue a mercê da crueldade desse monstro. Depois que o infeliz deixou o ambiente com um largo sorriso no rosto, minha atenção se voltou para minha filha que estava petrificada e com o rosto banhado em lágrimas. Aquilo foi o estopim para que eu deixasse o medo de lado e decidir fazer até o impossível para que ela saia das garras desse mafioso encapetado. Levantei-me e andei em sua direção, ao ficar em sua frente, segurei uma de suas mãos que estava gelada e trêmula. — Vamos para o seu quarto, tenho algo que preciso falar com você. Helena, se levantou, no entanto parecia está totalmente desorientada após ouvir as palavras que foram ditas pelo infeliz, que jamais deve ser chamado de pai. Algum tempo depois... Não foi fácil a conversa que tivemos. Eu sabia que ela seria contra, mas essa era a única forma de vê-la longe de tudo isso. Depois de muitos argumentos e prometer a ela que em breve estaríamos juntas, enfim ela acabou aceitando. Agora, tudo que faltava era colocar o meu plano em ação. Fui para o meu quarto e ao entrar no cômodo, andei até o meu closet e procurei por entre as roupas, a pequena caixa que tinha escondido e que continha as joias que eram da minha mãe. Omar jamais soube da existência delas e por várias vezes cogitei em usá-las para ir embora, mas seria suicídio fugir com uma criança, colocando a vida da minha filha em perigo, no entanto, dois meses atrás, com a morte do meu pai, Thadeu retornou para Durrês e no único momento que consegui lhe falar, ele me disse que se precisasse de qualquer coisa estaria a minha disposição, acabou por me dar o seu número, o qual tratei de adicionar. Mesmo sabendo que tinha alguém com quem poderia contar, isso não seria suficiente, pois sair dessa gaiola de ouro que é uma verdadeira fortaleza, era algo impossível, porém, três dias atrás, quando aconteceu a reunião do conselho, sem querer acabei ouvindo uma discussão, algo que era normal, mas quando ia subir os degraus da escada, as palavras que ouvi chamou a minha atenção. Novamente após tantos anos a morte de Vitor foi motivo de pauta entre os conselheiros e um deles disse que até hoje não conseguiaentender o motivo de Helen não ter saído pela passagem secreta que ficava no quarto onde foi encontrada morta, já que ela havia sido feita exatamente para garantir a proteção do herdeiro da máfia e somente ela, Vitor e alguns conselheiros tinham conhecimento da origem do lugar. Subi cautelosamente a longa escada para que ninguém pudesse ouvir os meus passos, segui para o quarto que nunca foi utilizado e que sempre me deu calafrios ao passar perto desse lugar. Depois de algumas passadas, parei em frente a porta e movida pela minha curiosidade entrei no cômodo, a princípio parecia algo normal, como qualquer outro cômodo da casa. Meus olhos analisaram todo o lugar e não vi nada de diferente. Com passos vacilantes, caminhei até uma das portas que indicava ser um banheiro, quando entrei no cômodo, era um pequeno closet, olhei em volta do lugar e novamente não vi nada de diferente e quando ia deixar o ambiente, meus olhos foram de encontro ao chão e foi nesse exatamente momento que descobri o lugar que poderia ser o passaporte para liberdade, pelo menos, da minha filha. Eu acabei por confirmar que o lugar dava acesso para fora da mansão. Não disse nada a Helena, pois precisava planejar tudo cautelosamente, mas diante dos últimos acontecimentos, eu não posso permitir que esse casamento aconteça, ainda mais sabendo que aquele demônio é tão cruel quanto o homem que, em vez de ser um marido e um pai, não passar de um maldito carrasco. HELENA Depois das palavras que foram ditas na sala, eu só consegui sair do estado de devaneio em que me encontrava, quando chegamos ao meu quarto e minha mãe começou a falar. Ouvir as palavras que foram proferidas por ela, me deixou em total alerta, eu jamais iria cogitar em deixá-la, porém ela estava decidida e depois de minutos conversando, algo me deixou aliviada quando ela me garantiu que aquele monstro tinha por objetivo maior a sede pelo poder. O único propósito em Omar querer o meu casamento com aquele homem pervertido, é simplesmente para ter o seu apoio para que seu próximo passo tenha êxito total, chegar ao senado e futuramente se tornar o presidente da Albânia. Dessa forma, a organização liderada por ele dominará todo o território, vai se intensificar ainda mais em outros países e tudo que ele sempre quis estará bem próximo de se concretizar. Minha mãe disse que em consequência disso, ele que sempre viveu pelas aparências, por mais que esteja possuído pela raiva, não vai tocar em um só fio de cabelo dela, já que vai precisar da esposa para exibir perante todos nas diversas reuniões que terá pela frente. Enquanto isso, ela dará um jeito de ir ao meu encontro. Seu amigo fará de tudo para me tirar do país e antes que deem por minha falta, já estarei bem longe. Ela deixou o meu quarto e ao anoitecer, eu irei embora do lugar que por anos vem sendo o cenário onde, Omar Petrovci, mostra sua verdadeira face, “o lobo em pele de cordeiro”. Muito tempo depois... Tudo estava conspirando ao nosso favor. Omar deixou a mansão há quase uma hora, minha mãe disse que o fato dessa data o lembrar de que o seu filho tão amado não estar entre nós, foi o motivo de mais uma de suas saídas repentinas durante a noite. Embora eu tenha acabado de completar 18 anos, eu sei que o motivo das suas saídas são outros e mesmo tentando disfarçar, acredito que ela tenha conhecimento da infidelidade dele. Jantamos como de costume, sozinhas, para que não levantasse suspeitas. Thadeu já tinha providenciado documentos falsos, para que eu pudesse deixar o país e estaria no local combinado daqui a alguns minutos. Então uma corrida contra o tempo havia sido iniciada, ela me entregou as joias que pertenceram a minha avó e uma pequena mochila que já estava no quarto onde havia a passagem secreta, que me levaria para fora desse lugar, deixei o meu quarto indo ao seu encontro. Quando entrei no cômodo, seus olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu não quero ir — falei. Ela acabou com a distância que nos separava e segurou as minhas mãos, em seguida disse. — Eu não vou aguentar mais ver você continuar passando por tanto sofrimento. Sua permanência aqui, não significa que ficaremos juntas, pois ele fará de tudo para que esse casamento aconteça o mais rápido possível. Prefiro te ver longe e segura a ter que ver você sob os domínios daquele outro infeliz. As lágrimas surgiram sem a minha permissão, ela me deu em seguida um forte abraço. — Eu te amo mais do que tudo nessa vida, e prometo que em breve estaremos juntas novamente. — Eu também te amo. Ficamos alguns minutos abraçadas e logo depois andei até o pequeno cômodo que tinha no chão uma porta que dava acesso a passagem secreta. Com a lanterna em mãos, peguei a mochila, respirei fundo e comecei a descer os degraus, instantes depois, segui caminhando pelo estreito corredor. Aumentei o ritmo das minhas passadas ao ver as horas no relógio em meu pulso e depois de quase uns quinze minutos, parei novamente ao ver outra escada, comecei a subir os degraus e empurrei o tampão de ferro, porém ele não saía do lugar. Desesperada, comecei a empurrar com mais força e parecia que estava preso, quando já estava desistindo, ouvi um barulho e o objeto foi se afastando. Suspirei aliviada ao ver o homem a minha frente, ele me ajudou a sair do buraco e depois de algumas passadas já estava próxima ao veículo. Quando perguntei a minha mãe se ela confiava nele, ela acabou me contando que Thadeu era filho de um dos funcionários do meu avô. Os olhos dela brilharam ao falar o nome dele e mesmo não dizendo com todas as letras, eu sei que ela sente algo por ele e pelo visto, ele também. Deixei os pensamentos de lado assim que escuto a voz dele. — Você vai no banco de trás. Adentrei o veículo e segundos depois ele entrou em movimento. Os minutos se passaram e meus pensamentos estavam direcionados para minha mãe, no entanto eles foram interrompidos quando ouvi a voz de Thadeu, em seguida um forte clarão. — Meu Deus! Um estrondo terrível ecoou no espaço. Senti o meu corpo se curvando para frente devido ao forte impacto. O homem no banco da frente tentava controlar o veículo, mas o caminhão a nossa frente estava totalmente desgovernado nos empurrando para fora da estrada. E no momento seguinte tudo que lembro foi de tudo girando e girando a medida que o carro ia rolando ribanceira abaixo. Senti uma forte pontada na minha cabeça e uma escuridão sem fim tomar conta de mim. Durrês – Albânia OMAR DEPOIS DE ANOS TENDO QUE SUPORTAR AQUELA INFELIZ, até que fim sua existência me terá alguma serventia. Eu jurei perante o túmulo do meu filho amado, que ela pagaria pelo resto da sua vida por ter sobrevivido no lugar dele. A cada dia, mês e ano que se passavam, só aumentava a minha raiva por ela. Saber que ela poderia desfrutar de tudo aquilo que cogitei para o meu primogênito, só fez com que um ódio descomunal tomasse conta de todo o meu ser e a cada estalar do meu cinto contra sua pele, só fazia o meu corpo todo vibrar, tamanho era o prazer em ver as lágrimas descendo por sua face e suas costas ganhando as marcas que ela levaria por toda vida. Quando soube que Gustavo Albrantes, estava procurando uma futura esposa, meus pensamentos foram direcionados para aquela semente do mal, que foi responsável pela morte da única pessoa que amei na vida. Depois de mostrar a foto de Helena, ele ficou totalmente fascinado e mesmo odiando a desgraçada com todas as minhas forças, eu tinha que reconhecer que era dona de uma beleza estonteante. Mesmo depois de tudo que tenho feito contra ela, o sofrimento não foi capaz de apagar o brilho intenso em seus olhos. Gustavo deseja mais do que tudo um herdeiro, isso é algo que me agradou muito, pois além de unir o útil ao agradável e ter o apoio dele para chegar ao senado, um filho me daria futuramente o controle sobre toda fortuna do infeliz, ao acabar com sua vida e deixar Helena novamente sob meus domínios. Dessa forma, terei aquele que dará continuidade ao meu legado. Entretanto, eu só concordei com essa união porque seio quanto ele é sádico e dará a ela o mesmo tratamento que venho infringindo-a há anos. Deixei a mansão e segui para o único local que por anos se tornou o meu maior refúgio. O lugar onde posso saciar todos os meus desejos sórdidos e ficar na presença daquela que é capaz de me proporcionar um êxtase total, coisa que a infeliz da Isabella nunca foi capaz, no entanto além de ter ganhado a simpatia dos membros do conselho, eu ainda preciso dela para exibir perante todos, a mulher perfeita e que tanto os encantou por sua simplicidade. "Mas assim que conseguir tudo que tenho em mente, tanto ela como aquela infeliz, serão enviadas ao inferno." ENZZO Depois que me despedi de Yolanda e Hulk, com passadas firmes, segui em direção ao meu carro. Precisava observar o território de perto e saber mais sobre o infeliz e sua família, que em breve serão o alvo a ser eliminado. Uns quarenta minutos depois cheguei até a cabana que havia sido presente do meu pai ao meu tio, pois sabendo que ele gostava de se manter isolado, essa era a única forma para tê-lo um pouco mais perto quando vinha a Durrês. Estaciono o meu carro e logo em seguida adentro o lugar. Pela arrumação do ambiente, eu sabia que tinha o toque da velha Yolanda, já que o meu tio nunca deu muito valor ao luxo e mesmo tentando me transformar na sua cópia em miniatura, Yolanda sempre o repreendia. Como ela mesma sempre dizia, o herdeiro dos Demosovski e o verdadeiro chefe da máfia Albanesa, poderia passar por todos os treinamentos que ele iria me infringir, mais da minha educação ela seria a responsável. Deixei as lembranças de lado e fui até a cama. Tratei de imediato de trocar a cocha da cama, pois conhecendo bem o meu tio, de certo da última vez que veio a esse lugar deve ter feito sua festinha particular. Com tudo já organizado. Tomei um banho e resolvi me deitar, pois amanhã daria início ao próximo passo do meu plano. Preciso estudar o território antes de agir, poderia matar aquele infeliz. Sim! Mas aquele maldito traidor, que não só usurpou o lugar do meu pai, mas deu aquela infeliz que chamam de princesinha da máfia, todo conforto e luxo que eram meus por direito. Todos eles terão que pagar por tudo o que os meus pais sofreram, enquanto a maldita cresceu ao lado dos pais, tendo uma família perfeita e admirada por todos, me foi negado o direito de viver com aqueles que tanto me amavam. Fechei os meus olhos na intenção de dormir um pouco, no entanto uma sensação de mal-estar tomou conta de mim. Comecei a me rolar de um lado para o outro da cama, mas o sono não vinha. Meus olhos foram de encontro ao relógio em meu pulso e já era quase oito horas da noite, vendo que de nada adiantaria continuar deitado, me levantei e com a minha arma em mãos, andei até a porta. Instante depois já estava dentro do meu veículo. Resolvi dar uma volta e pelo horário seria ideal para observar, mesmo que a certa distância, um pouco da movimentação da minha mansão que se tornou o lar daquele desgraçado. Com os olhos fixos na entrada, novamente a mesma sensação tomou conta de mim, era como se algo me puxasse naquela direção e quando dei por mim, ouvi um forte estrondo e um caminhão juntamente com um pequeno veículo rolando ribanceira abaixo. Parei o meu carro e quando saí do automóvel, outro estrondo muito pior ecoou no espaço e um forte clarão surgiu com a explosão do caminhão. Olhei para outra direção e o carro que havia sido jogado para o outro lado, certamente teria o mesmo final, por mais que eu soubesse que a qualquer momento as chamas poderiam tomar conta do automóvel, era algo muito mais forte do que eu, ignorando todos os ricos, fui ao encontro do veículo e quando me aproximei, o som que ouvi fez todo o meu corpo vibrar como nunca havia sentido em toda a minha vida. Era como se a voz de um anjo estivesse me chamando e naquele momento a minha única reação foi o de ir ao encontro daquela voz misteriosa. Acabei com a distância que me separava do carro que estava praticamente destruído. Olhei para o banco da frente onde havia um homem com o rosto todo ensanguentado, depois de alguns segundos, tive a constatação que ele já estava sem vida, meu olhar ficou fixo na imagem do banco de trás, embora os cabelos estivessem em volta do rosto, dava para identificar que era uma mulher, porém estava com as mãos firmes segurando uma pequena mochila. Consegui abrir uma das portas e ao ver que, mesmo desacordada, ela ainda estava respirando, retirei-a do veículo rapidamente. Caminhei na direção do meu carro e quando coloquei a desconhecida no banco de trás, novamente uma grande explosão aconteceu e desta vez o alvo foi o automóvel em que ela estava minutos atrás. Entrei no veículo e depois de dar meia volta à dúvida pairou sobre mim. "Qual será o destino a seguir com essa mulher" Durrês – Albânia ENZZO COM AS MÃOS FIRMES NO VOLANTE, tudo que vinha em minha mente era em que lugar deixar essa desconhecida. Com esse contratempo, acabei por deixar de lado aquilo que sempre deve ser a minha prioridade, a razão por me manter forte e seguir em frente todos esses anos. Eu, Enzzo Demisovski, devo isso aos meus pais, que foram mortos covardemente por aquele a quem sempre viram como um aliado. Omar Petrovci é como um câncer maligno, que aos poucos vai corroendo por dentro tudo que está a sua volta. Passei anos acordando no meio da noite e por ser tão pequeno, não conseguia explicar ao meu tio o motivo que sempre vinha me atormentando naqueles malditos pesadelos. Com o passar do tempo, era sempre o mesmo rosto e aqueles olhos onde tinha uma sombra diabólica, que sempre surgiam em minhas lembranças. Quando olhei a foto daquele desgraçado pela primeira vez, eu sabia que era ele, pois a sensação que eu tinha, era que já tinha visto aqueles olhos muito além dos meus pesadelos. Dias, meses e anos se passaram e o meu único propósito era aprender tudo o que Hulk tinha para me ensinar. Superando os meus medos e testando todos os meus limites. Ele, assim como Yolanda, sempre dizia que eu era um guerreiro por ter sobrevivido aquele assassinato coletivo, porém para mim, o único motivo de ter saído ileso foi por uma única razão: FAZER JUSTIÇA. Nada e nem ninguém vai ficar entre mim e o meu maior objetivo, destruir Omar Petrovci e toda a sua descendência. Eu irei até o inferno quantas vezes forem necessárias, mas não irei descansar até exterminar aquele traidor maldito. Direciono meus pensamentos novamente para a mulher, que se encontra desfalecida no banco de trás do carro. Agora vários pensamentos inundam minha cabeça. Não posso deixá-la em qualquer lugar, pois se fosse para morrer, a teria deixado naquele carro, porém se a levar para o hospital, posso perder muito tempo justificando o fato de tê-la encontrado e ainda correr o risco dessa notícia ganhar uma proporção maior e como consequência, ter o meu rosto estampado em alguma manchete de jornal, o que não esta nos meus planos. Parecia que minha mente estava ligada o tempo todo, girando e girando como uma máquina de lavar e quando os pensamentos pararam, tomei uma decisão consciente, para que nem um obstáculo viesse a interfere nos meus planos. Alguns instantes depois... Assim que parei o carro em frente à cabana, saí do veículo e caminhei até o banco de trás. Abri a porta e meu olhar ficou cravado na imagem a minha frente. Seu rosto estava coberto pelos cabelos negros como a noite, que caíam soltos sobre os ombros. Peguei a sua mochila e coloquei nas minhas costas, em seguida, meus braços envolveram o seu corpo frágil, aconchegando-a em meus braços. O cheiro dos seus cabelos invadiu minhas narinas e me deixou completamente extasiado, era inebriante e viciante. Um aroma que era uma mistura de frutas e flores. Sinto o vento gelado no meu rosto, me tirando do estado de entorpecimento que me encontrava. Meus passos apressados queriam me levar o mais rápido possível para dentro de casa. Instantes depois, assim que adentrei o ambiente, andei em direção ao quarto, colocando-a em seguida sobre a cama. Afastei- me umpouco, me livrando da pequena bolsa, assim que me aproximei novamente dela, sentei-me no canto da cama e levei uma de minhas mãos ao encontro do seu rosto, retirando algumas mechas de cabelos de sua fase. Imediatamente senti uma corrente de eletricidade percorrendo meu corpo. Um arder em minha pele, como se estivesse me queimando aos poucos. Minha respiração ficou acelerada, meu coração batia tão descompassado, ela era tão linda, que fez com que eu a olhasse quase paralisado. O seu rosto parecia ter sido entalhado em mármore raro, lábios carnudos e a sua pele era branca como a neve, fazendo o contraste perfeito com seu cabelo negro como o ébano. Meus dedos tocaram a sua pele lisa como um veludo e quando fui afastar outra mecha de seu cabelo, que caía em sua testa, percebi um corte superficial em sua pele de porcelana pálida. Como que por instinto, me levantei e comecei a andar na direção do banheiro. Já dentro do cômodo, procurei entre as prateleiras o pequeno estojo, quando enfim o encontrei, peguei a maleta de primeiros socorros e novamente voltei para junto dela. Nos momentos seguintes, comecei a limpar cada centímetros do ferimento e depois de retirar todo o sangue seco do local, fiz um pequeno curativo. Sua respiração estava regular, e o peito subia e descia docemente. Pelo impacto e gravidade do acidente, foi muita sorte ela ter sobrevivido e mais ainda, ter somente um pequeno ferimento, no entanto só saberei se não teve consequências piores ou alguma sequela, assim que ela acordar. Pela sua idade, certamente era filha do homem que acabou tendo um fim trágico naquele acidente. Caminhei novamente em direção ao banheiro, pois precisava urgentemente tomar um banho. Passei um bom tempo debaixo da ducha fria, perdido em meus pensamentos, no entanto o rosto da mulher que estava deitada a alguns metros de distância, não saia um só minuto dos meus pensamentos. "O que está acontecendo comigo?" HELENA Um estrondo, a dor e a escuridão. São as últimas lembranças que dominam a minha mente. Minha cabeça está tão pesada e a sinto tão grande que não posso movê-la. Minhas têmporas latejam e as pálpebras estão coladas. Sinto uma dor, uma dor muito forte e aguda em algum lugar e um calor insuportável, como se meu corpo estivesse queimando. Meus olhos permanecem fechados, mas dava para sentir a forte luz que vinha do ambiente onde eu estava. Comecei a respirar profundamente para me acalmar e, em seguida, forcei a mente tentando buscar as informações armazenadas, para assim poder entender o motivo que provocou toda esta dor no meu corpo, esta angústia e escuridão. As primeiras lembranças que vieram na minha memória foram as do som da voz de Thadeu e logo após o carro girando e girando. Minha cabeça começou a doer novamente e minha garganta se trancou de imediato assim que me lembrei da dor terrível que atravessou a minha cabeça e tudo se dissolver no escuro sem fim. "Eu morri?" Diante daquele pensamento, meus olhos se abriram, mas o arrependimento veio logo depois. Uma forte claridade arregaça minha retina e só piorava a dor em minha cabeça. Voltei a fecha-los de imediato. Instante depois, abri novamente meus olhos, tentando me adaptar àquela luz, e quando tentei me mexer, a sensação era como se meu corpo estivesse em chamas e nada, nem um músculo se mexeu. O pânico me atingiu, meu corpo começou a tremer em cima da cama, sentia que ele estava cada vez mais pesado, como se fosse afundar. Antes de tudo se transformar em uma escuridão total, meus olhos foram de encontro à imagem que surgiu no meu campo de visão. Ele era lindo, cabelos negros, que estavam molhados e escorriam em sua testa. Seu rosto era perfeito, com uma boca bem desenhada e com enormes olhos azuis acinzentados. Sua beleza não parecia ser deste mundo. Ele parecia um anjo. Um anjo vestido de preto. No dia seguinte – Mansão Petrovci... Meu coração estava agitado em meu peito, a saudade tomou conta de mim e por mais difícil que a distância se apresentasse, o amor sempre seria maior. Eu sei que fiz a escolha certa e não importa o que aquele demônio faça comigo, pois agora, ela estará em segurança. Espero que Thadeu não demore a entrar em contato me dando a confirmação de que ela chegou ao destino programado. Meus pensamentos foram interrompidos quando a voz do infeliz se fez presente, me deixando atordoada ao ouvir suas palavras. — Achei que aquela imprestável já estivesse acordada. Mande chamá-la agora mesmo, pois teremos uma longa conversa antes dela conhecer o seu futuro marido. OMAR PETROVCI A noite foi regada a muita bebida e sexo. Quando retornei para casa, tive um descanso revigorante que me deixou recuperado de todo cansaço da noite anterior. Assim que acordei, andei em direção ao banheiro e de banho já tomado e arrumado, precisava falar com a infeliz para que tudo saísse do jeito como planejei ou caso contrário, hoje eu não só deixaria o seu corpo marcado, como faria um bom estrago naquele rosto que se tornou o meu maior tormento. Com passos decididos, segui em direção ao primeiro andar, não me agradava ter que começar o meu dia olhando para o rosto da maldita, mas era necessário para que o jantar de hoje a noite fosse perfeito e como consequência, ter o apoio total de Gustavo Albrantes. Quando adentrei o ambiente, a tola da Isabella parecia perdida em seus pensamentos e assim que ouviu a minha voz, ficou imóvel por alguns instantes e logo após sua voz irritante se fez presente. — Ela não está se sentindo muito bem. Diga o que deseja que quando estiver melhor, direi tudo a ela. Se tratando da inútil que ela tem por filha, seria bem provável que estivesse indisposta, porém pouco me importa o que ela esteja sentindo, hoje vai tratar de colocar um belo sorriso em seu rosto e agradar o futuro marido. — Darei 10 minutos para que ela esteja em minha frente ou caso contrário eu a farei descer escada abaixo. Meus olhos avaliam a mulher a minha frente, no mesmo instante que um calafrio atravessou a minha espinha. Isabella segurava as mãos como se estivesse tentando controlar o seu nervosismo, o que me deixou em total alerta. Virei-me em direção as escadas e quando me movi, novamente ouvi a voz dela. — Aonde você vai? — Eu mesmo irei buscá-la. Com passos largos caminhei em direção as escadas. Subi os degraus praticamente correndo e, em seguida, atravessando o corredor na velocidade de uma bala, indo em direção ao alvo. Meus batimentos estavam alterados e quando cheguei a alguns metros de distância da porta do seu quarto, uma forte claridade surgiu em minha frente e como flashes, a imagem daquele infeliz apareceu diante de mim e ao contrário da última vez que vi o desgraçado do Vitor Demisovski, ele tinha um largo sorriso em sua face. Fechei os meus olhos e quando voltei a abrir novamente a única coisa que tinha no meu campo de visão eram as paredes e a maldita porta. De supetão a abri, depois que dei algumas passadas e meus olhos passearam por todo ambiente, fui até o banheiro e assim que entrei no maldito cômodo, uma fúria descomunal me atingiu e naquele momento só um pensamento se apossou de minha cabeça. "Eu vou matar essas duas infelizes”. Durrês – Albânia Dois dias depois... ISABELLA DOIS DIAS SE PASSARAM, mas a dor em minhas costelas ainda é intensa. As lembranças daquele dia ficarão sempre vivas em minha mente. Quando aquele demônio não encontrou a minha princesa, desceu soltando fogos pelas ventas. Seus olhos estavam vermelhos como brasas, suas feições era algo diabólico e se tratando do maldito com quem me casei, às consequências seriam as piores possíveis. Assim que ele se aproximou de mim, eu nem tive tempo de me defender. Senti uma dor terrível quando um soco foi deferido em meu rosto, me levando ao chão, aquilo foi só o começo do que estava por vim, pois quando perguntou por Helena e me neguei a dizer onde ela estava, um chute rápido atingiu minhas costelas e a dor foi insuportável. Eu gritei para ele parar, mas ele continuou com uma sequência de golpes brutais, dados com o bico do seusapato contra as minhas costelas. Senti que iria desmaiar, minha respiração ficou pesada e a dor foi ainda mais intensa quando ele parou por um instante e em seguida um golpe duro me atingiu e ruídos de dor e desespero tomou conta de mim. O infeliz me deixou jogada no chão e saiu de encontro à sala de segurança para averiguar as imagens das câmeras. Lutando contra a dor que tomou conta de todo o meu ser, fui praticamente me arrastando até às escadas e quando segurei no corrimão. Senti mãos fortes puxando o meu cabelo e o som da sua voz. — Aquela infeliz só pode ter saído por um único lugar. Eu poderia acabar agora mesmo com a sua vida miserável, mas vamos ver o que aquela imprestável é capaz de fazer para salvar a vida da sua querida mãe. Ele soltou os meus cabelos e as lágrimas logo surgiram sem a minha permissão. Respirei profundamente, e quase caindo, consegui subir cada degrau. Parecia que havia passado horas para que eu chegasse até o meu quarto e mesmo com medo que houvesse fraturado alguma costela, eu estava feliz por saber que ela estava em segurança. A última coisa de que me lembro, foi de ter chegado até o meu quarto e quando acordei já estava de camisola e deitada em minha cama. Hortência, acabou me encontrando jogada no chão e como sempre, se mostrou muito mais que uma funcionária. Os dias se passaram e minha agonia estava além do limite, pois Thadeu não havia dado nenhuma notícia sobre a minha filha. Por outro lado, os homens de Omar, e os conselheiros estão empenhados em encontrar Helena, já que ele disse a todos que certamente foi alguém que tinha conhecimento da passagem secreta, que estava com Helena, e todos cogitaram que tinha alguma ligação com a chacina que aconteceu com os Demisovski. Omar disse aos membros do conselho, que eu acabei sendo empurrada da escada quando notei uma movimentação estranha na casa. Estou há dois dias deitada, me levantando somente para ir ao banheiro. Deixo as lembranças de lado e resolvo ligar a tv para me distrair um pouco, com o polegar direito, fui apertando a tecla em busca de alguma informação interessante. Então, foi quando senti todo o meu corpo estremecer, meus pulmões começaram a funcionar aos espasmos assim que meus olhos ficaram cravados na imagem exibida na tela a minha frente. HELENA Tudo é calmo, silencioso. Abro os meus olhos e a luz vinda através da janela me atinge no rosto. Meu corpo está pesado, dolorido e me sinto fraca. Meus olhos vagueiam pelo cômodo. Forço a mente para tentar me lembrar onde eu estava, mas tudo o que me veio à cabeça foram alguns flashes. Do homem com rosto de anjo, que sempre surgia em minha frente, do som da sua voz e do calor que tomou conta do meu corpo, me deixando completamente imóvel e em seguida tudo se dissolve em escuridão. É tudo tão confuso, meus pensamentos são como fios emaranhados. Minhas lembranças foram subitamente interrompidas pelo som da voz que vem ocupando meus pensamentos. — Como você está se sentindo? — ele pergunta. — Confusa! Meu coração pulava descompassado no peito quando ele começou a caminhar rumo à direção em que eu estava. Andou alguns passos e parou em minha frente e novamente ouço sua voz. — Você esteve doente por alguns dias. — Como vim parar nesse lugar? Ele se aproxima ainda mais e senta ao meu lado. No instante seguinte começou a me contar tudo que havia acontecido. Desde o momento em que me encontrou no fundo do barranco, dentro do veículo, até quando me retirou de dentro dele. Também me contou que passei três dias com febre, segundo ele, foi consequência da pancada que devo ter levado na cabeça, que resultou no corte em minha testa, mesmo que não tenha sido tão profundo. Eu ainda lembro-me da dor terrível que senti quando minha cabeça bateu, ainda dentro do veículo. Quando eu ia perguntar por Thadeu, ele como se lesse meus pensamentos me respondeu, porém ao ouvir as palavras ditas por ele, a minha reação foi somente a de chorar. — O seu pai não teve a mesma sorte que você. O encontrei já sem vida dentro do carro. Thadeu perdeu a sua vida tentando me ajudar e sei o quanto a minha mãe ficará arrasada ao saber que ele não está mais entre nós. As lembranças das palavras proferidas por Omar surgiram em meus pensamentos e talvez ele esteja certo. Minha existência só vem causando o sofrimento das pessoas. Primeiro o meu irmão, depois a minha mãe teve que suportar tantas coisas para me defender e a minha fuga resultou na morte de mais um inocente. As lágrimas que brotaram em meus olhos disseram melhor do que eu teria dito se conseguisse falar. Ele ficou, por alguns instantes, me olhando sem dizer nada. Acho que ficou com pena de mim. Todo o meu corpo ficou tenso quando senti o toque do seu polegar contra a minha pele. — Sinto muito pelo seu pai. Entendo muito bem o que você deve está sentindo. Eu sei que não era certo deixá-lo pensar que aquele homem era o meu pai, mas Thadeu, mesmo não sendo, demostrou se importar comigo, coisa que o homem quem me deu a vida jamais foi capaz de fazer. E embora esse desconhecido tenha me ajudado, não posso dizer de quem eu sou filha ou de nada terá valido a pena o sacrifício da minha mãe e do seu eterno amigo. Horas depois... Acabei por descobri que ele se chamava Enzzo, e quando perguntou pelo meu nomen o nervosismo trancou a minha garganta. Atordoada, tentei buscar na memória pelo nome que havia lido no documento, levantei o olhar e seus olhos azuis estavam grudados nos meus e quando as lembranças vieram em minha cabeça e falei que meu suposto nome era Laura, percebi que ele até deu um esboço de um sorriso. Enzzo pediu que eu movesse minhas pernas para se certificar que tudo estava bem e se não houve nenhuma sequela, ao se verificar que estava aparentemente tudo bem, ele disse que precisava resolver alguns assuntos e mesmo que eu me encontrasse sozinha, e sem saber se realmente posso confiar nele, do jeito que estou, se sair daqui vou acabar indo direto para boca do lobo. Com dificuldade me levantei. Meus olhos foram de encontro a minha mochila e tudo que veio em minha mente foi o pequeno estojo que estava no fundo do objeto. Com a bolsa já em mãos, respirei aliviada ao encontrar as joias e os documentos que havia pego de cima do banco do carro quando Thadeu me mostrou, pois são a minha única esperança para conseguir chegar até o destino traçado por ele e minha mãe. Peguei uma roupa limpa, minha escova de dente e segui em direção ao banheiro, só de pensar em quantos dias estou sem me banhar e escovar os dentes, estando perto daquele homem tão bonito, me sinto envergonhada. Quando entro no pequeno banheiro, trato logo de fechar a porta. Dou alguns passos e ao ver o meu rosto no espelho tomei um justo, minha aparência estava horrível. Depois que me livrei das minhas roupas, entrei no box e acabei por perder a noção do tempo. Estava me sentindo tão suja que a sensação que eu tinha era que estava há meses sem me banhar. Banhada e arrumada, tratei de escovar os meus dentes assim que acabei saí do cômodo. O lugar era simples, mas bem aconchegante, e me transmitia uma sensação de paz. Meu estômago estava doendo tamanha era a minha fome, porém, desde o momento em que me levantei, sempre tinha a sensação que tudo estava rodando a minha volta. Comecei a andar em direção a porta e quando já estava chegando próximo a ela, uma sensação de mal estar tomou conta de mim, minhas pernas perderam as forças e quando achei que ia cair no chão, senti braços fortes segurando minha cintura, o cheiro intenso e inebriante do seu perfume invadiu minhas narinas e me deixou extasiada. Levantei minha cabeça e nossos olhos ficaram conectados e eu não conseguia parar de olhar para boca dele. E, todo meu corpo parecia estar em chamas com tamanha aproximação, então ele abriu os lábios levemente, e naquele momento senti que meu coração ia sair pela minha boca, tamanha era a expectativa do que ele iria fazer. Durrês – Albânia ISABELLA UM RUÍDO DE MEDO E DESESPERO SAIU POR ENTRE MEUS LÁBIOS. As lágrimas logo surgiram e umador que jamais cogitei sentir na vida tomou conta de mim. — Helenaaaa!!! Fiquei desorientada ao ver a imagem de Thadeu, estampada na tela a minha frente. Com a visão embaçada devido às lágrimas, eu não consegui ler o que estava escrito, mas ao ouvir as palavras que ecoava dentro do cômodo, o meu desespero e a minha culpa por ter tomado a decisão que não só tirou a vida daquele que sempre teve um lugar tão especial em meu coração, como da pessoa que era a razão da minha existência. Meu mundo desmoronou. A sensação que eu tinha era que o tempo havia parado. Tudo ficou em silêncio e as imagens da última vez que eu estive com a minha princesa surgiram diante dos meus olhos. Ela não queria ir e se eu não tivesse me mantido irredutível em não aceitar que ela ficasse, o meu bebê ainda estaria viva. Tudo perdeu o sentido. O motivo por aguentar todas as atrocidades daquele infeliz, de continuar lutando pela minha vida, para não deixar minha filha sozinha a mercê desse ser cruel, já não existe mais. Com ela se foi a minha razão de viver, o motivo de continuar respirando. Eu não estava em meu estado lúcido, devido a isso não prestei atenção direito em nada que estavam dizendo no noticiário e só voltei à consciência da razão, quando me dei conta do homem parado na porta. Seu olhar frio estava fixo na tv. E, quando ele se virou na minha direção, tudo que via era uma sombra negra. Seu olhar era um misto de fúria e quando escutei sua voz, fui da tristeza a alegria, da alegria para tristeza em questão de segundos. — Então foi esse maldito que te ajudou. Se apenas foi encontrado um corpo, aquela desgraçada sobreviveu, porém, assim que colocar minhas mãos nela, ela vai desejar ter partido dessa para pior. ENZZO Com a forte febre daquela que acabei por descobrir que se chamava Laura, acabei por sair durante poucas horas da cabana. O meu tio, como já era de se esperar, vem me ligando no mínimo duas vezes ao dia para saber informações. Acabei por omitir o ocorrido em que salvei a vida da mulher que se encontrava jogada em sua cama, pois ele não ia gostar nada ao saber que eu estava deixando algo tirar o meu foco do que realmente vim fazer aqui. Muitos anos se passaram e assim como eu, ele está sedento por vingança e não vai descansar até ver aquele usurpador ser desmascarado perante todos os membros da máfia, que por anos vem enganando. Não nego que fiquei fascinado pela beleza dela, o meu corpo todo vibrou só em estar tão próximo a ela. Algo que jamais havia sentido antes pairou sobre mim, porém, muito maior do que qualquer sentimento que pudesse sentir é a minha missão. Deixar que qualquer obstáculo me desviasse daquilo que venho sendo preparado a mais de vinte anos, seria o mesmo que trair a memória dos meus pais, assim como a esperança que Hulk vem depositando em mim e de todo o seu empenho durante todos esses anos. Ele poderia matar facilmente aquele infeliz? Sim! Mas isso não seria nada comparado a tudo que ele fez. Ele precisa ser desmascarado, derrotado e humilhado perante todos, a morte daquele maldito sem revelar sua verdadeira face o deixaria perante todos ainda como um bom líder, aquele que foi fiel ao seu melhor amigo. Até agora ainda não descobri o que está acontecendo em volta da minha mansão, que aquele traidor e sua família vêm ocupando por anos. De longe pude ver uma grande movimentação em volta do lugar e um grande fluxo de veículos entrando e saindo. Muitos que ali estiveram, eram membros do próprio conselho da organização. Hoje após a conversa que tive, deixei Laura na cabana e fui averiguar para ver se obtinha mais informações, pois assim como eu o meu tio acredita que algo aconteceu em volta de Omar. Passei quase uma hora analisando cada movimento do lugar, mas ao contrário dos dias anteriores, tudo estava calmo, algo que me deixou intrigado. Andei até o meu carro e deixei para voltar à noite, quem sabe o maldito não esteja tramando algo e assim eu terei as respostas que tanto procuro. Com o carro em movimento, aproveitei para ligar para casa e o safado que eu tenho por tio, segundo Yolanda, ainda não havia chegado desde a noite anterior. Comecei a sorrir ao imaginar a sua expressão, ela até hoje ainda não se acostumou com as nossas saídas e sempre ficava impactada quando Hulk, começava com seu velho discurso que: "Homem que é homem não faz muito rodeios, jamais deixar uma oportunidade passar e muito menos come pela beirada." Depois de dar umas boas gargalhadas e ter encerrado a ligação, minutos depois cheguei ao meu destino. Tudo o que jamais cogitei foi que, ao entrar em casa, logo estaria com a mulher que vem ocupando meus pensamentos em meus braços. Seu corpo estava trêmulo, seus olhos arregalados e fixos nos meus. O silêncio predominou no ambiente. Aproximo ainda mais o meu corpo do seu em um misto de desejo, deixando nossos rostos colados e ao ver aqueles lábios carnudos, e sua boca entreaberta. Deixei a razão de lado e tomado por um desejo incontrolável, tomei sua boca em um beijo que deixou o meu corpo em chamas. HELENA Nossos olhares se encontraram e foi como se uma conexão se estabelecesse entre nós. O encostar dos nossos corpos fez cada centímetro do meu ser reagir e tudo ficou em câmera lenta. Senti seu hálito quente, que tinha um aroma de menta e, quando sua boca encontrou a minha. Meu corpo estremeceu, meu coração acelerou, cada pelo de meu corpo se arrepiou. Seus lábios tocaram os meus e ele me beijou, deleitou-se com minha resposta inibida e começou a explorar a minha boca, me provocando sensações totalmente desconhecidas e fazendo o meu corpo se aquecer a cada gesto seu. Sua língua acariciou meu lábio inferior e pediu passagem, se entrelaçando a minha em um beijo cheio de desejo, causando efeitos onde me senti ansiando por mais e ao ver a reação imediata dos meus seios e a parte interna das minhas coxas ardendo, afastei a minha boca da sua e em seguida o meu rosto ao compreender que um beijo podia ser muito mais que delicioso e sim perigoso. Ele continuou com os olhos fixos nos meus e para tentar sair daquela situação resolvi quebrar o silêncio. — Desculpas! Eu fiquei tonta. Seu olhar se desviou do meu rosto, logo após suas mãos deixaram minha cintura e ouvi o som da sua voz. — É melhor se sentar no sofá e descansar um pouco, já que você passou muito tempo deitada é normal se sentir tonta ao permanecer por um bom tempo em pé. — Eu sei que você já fez muito por mim e não querendo abusar da sua hospitalidade, mas... é que e.. eu est... Antes que eu concluísse a frase ele se manifestou novamente? — Vou providenciar algo para você comer. Enzzo me ajudou a ir até estofado e depois que eu já estava acomodada, ele sumiu do meu campo de visão. Os minutos se passaram e meus pensamentos ficaram voltados para minha mãe, ela certamente já deve saber do que aconteceu a Thomas, e mil coisas deve ter passado pela sua cabeça. Tudo o que eu espero é que aquele homem não toque nela, pois não irei suportar em saber que por minha culpa ela esteja sofrendo. Preciso dar um jeito em entrar em contato com ela, já que ele não sabe que ela possuí um celular, que não é do seu conhecimento, graças a ajudar de Hortência. Deixo meus devaneios de lado ao escutar a voz de Enzzo. — Venha, você precisa se alimentar. Levantei-me e fui até a mesa, onde estava a enorme travessa com uma farta macarronada. Sentamo-nos e começamos a comer, tudo estava delicioso. Fiquei envergonhada por estar dando tanto trabalho, e mais ainda por um homão daquele saber cozinhar, enquanto eu nem sei como fritar um ovo. Já que nunca me foi permitido nem chegar perto da cozinha e muito menos ter contato com os funcionários, pois seria um prato cheio para o monstro que tenho por pai, descontar toda sua raiva com suas cintadas contra a minha pele. Durrês – Albânia HELENA ENGRAÇADO COMO A NOSSA VIDA pode mudar em um piscar de olhos. Uma fuga que resultou em um acidente, que levou a vida daquele que só quis me ajudar e quando tudo parecia perdido, o homem mais lindo que já vi em todaa minha vida se tornou a única luz em meio à escuridão que eu me encontrava. Depois de passar toda uma vida não acreditando mais na bondade de um homem. Thadeu e Enzzo, fizeram por mim em tão pouco tempo, algo que meu pai nunca foi capaz de fazer. Deram-me a prova que em meio a tanta maldade, ainda existem pessoas que as trevas não predominaram em seus corações e ainda existe luz nos corações humanos. Embora fosse estranho estar sozinha com um desconhecido, eu tinha uma sensação de estar protegida ao saber que ele estava tão perto. Sem contar que meu coração sempre batia descompassado ao lembrar-se dele. Depois do almoço delicioso, ele acabou indo para o quarto, enquanto meus olhos foram ao encontro de uma velha revista que se encontrava sobre o móvel e aproveitei para ler, assim ocupava a minha cabeça. Acabei passando o restante do dia na sala. As horas se passaram e a luz do dia deu lugar a noite com um céu repleto de estrelas. Enzzo teve que sair e disse que eu poderia logo jantar, já que ele não sabia a hora em que iria chegar. Instantes depois, de banho já tomado, coloquei um vestido confortável e ao entrar no quarto, meu olhar ficou fixo na cama. O único pensamento que veio em minha cabeça foi em que lugar ele estava dormindo. Saio dos meus devaneios e resolvi me deitar. Quando fechei meus olhos, aquele beijo veio em minha memória e com ele todas as sensações que senti. Os minutos se passaram e não sei em que momento acabei caindo num sono profundo. Dois dias depois... Os dias se passaram voando e já me sinto muito melhor. Nesses dois dias, aconteceu muita coisa e ao contrário dos dois dias anteriores, ele resolveu permanecer hoje, mais tempo na cabana e jamais pensei que ia ficar tão nervosa por passar tantas horas ao seu lado. Toda vez que olhava para boca dele, aquele beijo vinha em minhas lembranças, o cheiro dele causava em mim um efeito semelhante a uma droga, me deixando flutuando, e por mais que eu tentasse ocupar minha cabeça, não conseguia controlar tantos pensamentos pecaminosos que surgiam. Além das reações com tamanha aproximação, que tomou conta do meu corpo, me deixando em chamas, minha boca ansiava para ser beijada novamente por ele. Com a vida que levava, jamais tive tempo para pensar em nada que não fosse estar longe do meu pai e viver feliz ao lado da minha mãe. Embora nunca me tenha sido permitido viver longe daquela mansão, eu pude estudar em casa e não sou tão ingênua ao ponto de não saber como são as coisas, já que Omar, pelo visto tinha planos há muito tempo em tirar vantagem da minha união com alguém. Eu sempre tive uma boa educação e acesso a internet, porém o notebook que eu usava, era monitorado, no entanto, ver todo sofrimento da minha mãe e como ela era tratada já me era bons exemplos para nunca cogitar em gostar de ninguém e com o exemplo de homem que tinha em casa, eu sempre vi os homens somente como monstros capazes de tudo para conseguir aquilo que desejam, até mesmo machucar pessoas tão próximas. Venho tentando pensar em outra coisa, mas está difícil controlar esse misto de sensações que se apoderou de todo o meu ser. É difícil lutar contra algo que nem eu mesma sei explicar, é o mesmo que ter um inimigo, mais ele é totalmente invisível e quando você menos espera, ele já te deixou nocauteada. Sou tirada das minhas lembranças assim que o homem que havia ido pegar mais madeira para colocar na lareira adentrar o ambiente. Engulo em seco ao vê-lo somente de calças, deixando visível o seu corpo atlético, os ombros largos e os bíceps protuberantes fazem um belo contraste com seu abdômen bem delineado e perfeito. Não consegui desviar os meus olhos do homem a minha frente e mesmo depois que ele passou por mim, indo em direção a lareira, não saí do transe em que estava. "Que nossa senhora das mocinhas indefesas me proteja dessa tentação." Lutando contra o pecado esculpido em forma de homem que estava diante dos meus olhos, me levantei e em passos apressados fui para o quarto toma o meu banho. Depois que já havia terminado, antes de jantar, ele também tomou o seu banho, fiquei admirada por vê-lo novamente só de calças, com o tanto de frio que estava fazendo, aquele homem enorme parecia inabalável, enquanto eu tive que me enrolar toda em um cobertor. Enzzo depois que me entregou o cobertor, sumiu do meu campo de visão, já que ele dormia na sala. Tratei de fechar os meus olhos, procurando me entregar ao sono, porém minutos se passaram, até horas e, quando começou a chover, os estrondos terríveis de trovões se fizeram presentes. Inquieta e com muito frio, comecei a me remexer e por mais que eu tentasse dormir, o sono não vinha. Meus dentes se batiam um no outro, causando um barulho irritante, tamanho era o frio que estava sentindo e não aguentando mais aquela situação, me levantei e peguei o cobertor junto com o travesseiro. Em passos trêmulos, segui para o outro cômodo e quando cheguei a porta, me deparei com a bela visão a ser apreciada a minha frente. Ele estava dormindo, seu peito subia e descia no ritmo da sua respiração e quando dei dois passos, seus olhos azuis se abriram e ficaram fixos em minha direção. O som da sua voz me tirou do estado de devaneio. — Venha se aquecer. Eu aumentei o ritmo das minhas passadas e acabei com a distância que nos separava. Ele pegou o edredom que nem estava fazendo uso e colocou em cima do tapete felpudo, que ficava próximo da lareira e também as almofadas que estavam sobre o sofá. — Aqui você ficará mais aquecida, já que estará mais próxima do fogo. — Obrigada. Tudo estava perfeito, até que eu fui me mover para ir até o carpete e acabei pisando na parte do cobertor que eu segurava em uma das minhas mãos e devido o tamanho estava arrastando no chão. Eu só não beijei o chão porque aqueles braços musculosos foram mais rápidos e puxou o meu corpo contra o seu. Nossos olhos estão presos um no outro e a sensação que tenho é de que o tempo parou naquele momento. O único som audível no ambiente era o das nossas respirações, já que como um milagre, a chuva parou, os raios deixaram de cortar o céu e os trovões cessaram. Seus olhos refletem desejo e a química entre nós estava prestes a ferver e derramar. Enzzo levou uma de suas mãos livres até o meu rosto, acariciando a minha pele, o seu toque aqueceu todo o meu corpo e bem diferente de minutos atrás, que o frio apoderou-se de mim, agora o meu corpo inteiro estava em chamas. Com movimentos cautelosos ele deslizou o dedo indicador até alcançar a minha boca e começou a movimentá-lo pelo meu lábio inferior. Ao contrário da outra vez, eu não queria sair de perto dele, era como se estivesse bloqueada por algum feitiço lançado, eu jamais havia me sentido tão completamente a mercê de alguém. Enzzo, vagarosamente inclinou a cabeça até que seus lábios encontraram os meus. Sua língua invadiu a minha boca, num beijo ardente e faminto, ele movia os lábios sobre os meus com um desejo possessivo, acariciando e enroscando sua língua habilidosa na minha. Deixei o tecido que tinha na mão cair e levei os meus braços até o pescoço dele, mesmo através do tecido da minha camisola, eu conseguia sentir o calor de sua pele e cada segundo que se passava, ele aprofundava ainda mais o beijo. Eu perdi a noção do tempo e quando dei por mim já estávamos deitados sobre o tapete que se encontrava no chão. Enzzo começou a distribuir beijos pelo meu rosto, em seguida pelo meu pescoço, até alcança os meus seios, entre vários beijos naquela região onde ele passou um bom tempo acariciando os meus mamilos com a ponta da sua língua, ele começou a sugar e chupar, fazendo uma onda de calor intenso atravessar o meu corpo. E quando uma de suas mãos deslizou pelo meu corpo, chegando até a barra da minha camisola, logo depois foi se movendo pela minha coxa e parou em cima da minha intimidade, estremeci de imediato, no entanto, ele novamente começou a me beijar, pressionando o seu corpo enorme contra o meu, me fazendo sentir o quanto ele estava excitado, me desejando tanto quanto eu o desejava.Quando achei que o meu corpo não poderia ficar ainda mais quente, seus dedos lentamente se moveram e se enfiaram dentro da minha calcinha. Um gemido abafado saiu por entre os meus lábios, assim que ele começou a movimentar aqueles dedos enormes contra a minha vagina indefesa, com movimentos precisos em volta dos grandes lábios e se concentrando em um botão inchado, repleto de nervos, capaz de me proporcionar sensações, totalmente desconhecidas e deliciosas. Ele aumentou o ritmo de seus movimentos me levando à beira da loucura e do desespero. — Por favor. Seus olhos encontraram os meus como se estivessem tentando decifrar tudo que eu estava pensando e por nenhum segundo ele deixou de acariciar o meu clitóris. Senti minha intimidade latejar, meu corpo começou a se contorcer e no momento que um de seus dedos fez uma forte pressão o meu clitóris endurecido. Meu corpo reagiu no mesmo instante e uma explosão aconteceu dentro de mim, logo uma sensação deliciosa tomou conta de todo o meu ser. Com a respiração ainda ofegante, senti quando ele começou deslizar minha calcinha e no impulso fechei minhas pernas para conter o seu ato. — Não vamos fazer nada se você não quiser. Eu sabia que tinha que sair dali ou seria tarde demais, porém eu já não tinha mais controle sobre tudo que estava sentindo e a única coisa que eu tinha certeza, era a de que é nos braços dele que eu queria estar. Suspiro fundo e disse: — Eu quero ser sua — um sorriso surgiu em sua face e quando eu abri minhas pernas, instantes depois já estava livre da peça. Enzzo começou a levantar minha camisola e assim que ele tocou em uma parte nas minhas costas, que tinha as cicatrizes devido aos diversos golpes que vinha levando no decorrer dos anos. Comecei a tremer e aqueles olhos azuis gigantes se voltaram para os meus. Durrês – Albânia HELENA EU SABIA QUE TINHA QUE SAIR DALI ou seria tarde demais, porém eu já não tinha mais controle sobre tudo que estava sentindo e a única coisa que eu tinha certeza, era a de que é nos braços dele que eu queria estar. Suspiro fundo e disse: — Eu quero ser sua — um sorriso surgiu em sua face e quando eu abri minhas pernas, instantes depois já estava livre da peça. Enzzo começou a levantar minha camisola e assim que ele tocou em uma parte nas minhas costas, que tinha as cicatrizes devido aos diversos golpes que vinha levando no decorrer dos anos. Comecei a tremer e aqueles olhos azuis gigantes se voltaram para os meus. Fui tomada por uma onda de medo, não podia dizer que foi o meu pai já que ele pensava que eu era filha de Thadeu, e tão pouco ia acreditar que o homem por quem chorei tanto, dias atrás, fosse um monstro em ter feito isso comigo, por outro lado, se eu quisesse sair dessa telha de mentiras que estou tecendo a minha volta, tinha que contar a verdade, porém eu não posso correr o risco do homem que tenho por pai, fazer algo contra Enzzo e mais um inocente sofrer por minha causa. Fazendo o que eu achava ser o certo naquele momento, eu disse. — Eu caí da escada quando era criança. Fiquei com algumas marcas que não me trazem boas lembranças e prefiro não falar sobre isso — menti, enquanto ele manteve o olhar dirigido para mim, inclinou a cabeça como se quisesse confirmar se o que eu estava falando era verdade, porém eu precisava desviar sua atenção, então num gesto totalmente despudorado, eu mesma tratei de me livrar da única peça de roupa que vestia e sua atenção logo se voltou para o meu corpo despido. Eu jamais pensei que algum dia faria algo assim, mas era como se fogo liquido estivesse me queimando por dentro e nem que fosse por minutos, horas ou dias, eu queria me sentir amada. Senti quando minhas costas nuas tocaram o edredom quentinho, aquecido pelo calor vindo da lareira. Enzzo que antes tinha um olhar de curiosidade lançando sobre mim, agora, seus olhos refletiam o mais puro e intenso desejo. Nos instantes seguintes, a mão dele começou a percorrer cada centímetro do meu corpo, que estava visível a ele, seguindo pelas curvas que jamais tinham sido tocadas por outras mãos, que não fossem as minhas e quando ele pousou a mão na minha intimidade. Senti um alvoroço no meio das minhas pernas e um calor escaldante no interior da minha vagina. Seus dedos calejados deslizaram entre os contornos dos grandes lábios do meu sexo e pousaram próximo a minha entrada intocável, que agora estava totalmente encharcada, ele começou a fazer movimentos circulares, comecei a ficar nervosa quando os dedos dele intensificaram o contato naquela área e a cada movimento em torno da abertura estreita do meu sexo, avançavam um pouco mais. Um ruído alto saiu entre meus lábios e meu corpo começou a tremer com aquela pressão contra o meu sexo úmido. Uma linha dura surgiu em sua face, assim que ele viu algumas lágrimas descendo pelo meu rosto e minha expressão de dor. — Você tem certeza? — indaga um tanto preocupado. Ofegante e com o coração agitado, pois somente ele foi capaz de despertar uma onda de sensações que era muito mais que volúpia e desejo, pois ao seu lado me sinto viva e protegida . — Tenho! Faça-me sua — falei com convicção. Num abrir e fechar de olhos, Enzzo se levantou e me ofereceu uma visão privilegiada, engoli em seco. Ele era alto e seu corpo era perfeito, parecia que eu estava diante do próprio deus da beleza, no entanto, estremeci toda quando meu olhar ficou fixo no seu membro imenso, com veias grossas e latejantes. Sem delongas, ele se agachou e subiu em cima de mim. Senti o calor dele sobre o meu corpo e a cabeça saliente do seu pênis próximo à minúscula fenda da minha intimidade molhada. Tudo que vinha em minha cabeça, era como abrigaria todo aquele comprimento e a grossura dentro de mim, mas antes que eu cogitasse em mudar de ideia e sair correndo dali. Senti a pressão suave da sua boca firme contra a minha. Enzzo me beijava com uma habilidade avassaladora, um beijo quente e malicioso. Arrepiada de desejo e com uma tensão crescente que só aumentava com a deliciosa exploração da sua língua, que acariciava a minha, a medida que seus beijos se tornavam mais intensos, ele pouco a pouco ia empurrando o seu pênis grosso e duro para dentro da minha vagina apertada, mordi os lábios e os meus olhos lacrimejaram com cada invasão mais intensa do seu membro contra a minha carne rosada. — Estou machucando você? — estava doendo mais não podia deixar que ele viesse a parar, já tinha chegado muito longe. — Não! Em meio a um turbilhão de sensações e todo o cuidado que ele estava tendo comigo, eu mal percebi quando ele já estava todo dentro de mim e as barreiras da minha virgindade haviam sido derrubadas. Enzzo beijou o meu rosto molhado pelas lágrimas e tudo que eu sentia era as veias do seu pênis volumoso e quente pulsando dentro da minha vagina. — Perfeita — ele disse ofegante e ardente de desejo. Quando ele viu que minha expressão estava mais suave e meu corpo havia se adaptado ao seu tamanho, Enzzo começou uma agitação em seus quadris, iniciando um movimento de vai e vem, que de início era lento, mais logo ele aumentou o ritmo me penetrando cada vez mais forte. Cravei minhas unhas em suas costas, o que incitou seus instintos primitivos, o fazendo me penetrar com vigor. Era impressionante como minha intimidade reagiu com entusiasmo poderoso as suas investidas, apertando e agarrando o seu pênis, fazendo com que suas estocadas fossem mais fundas. Tomada pelo desejo e com sua ereção enterrada toda dentro de mim, comecei a remexer os quadris à medida que sua boca iniciou uma exploração torturante nos meus seios, sugando todo o meu mamilo. Inundada de prazer e lutando contra o latejar que se comprimia em minha vagina, meu corpo inexperiente ardia de desejo e minha intimidade reagiu se contraindo em torno do pênis dele. Ele acelerou o ritmo entrando e saindo, cada vez mais forte enquanto sua boca deslizava pela longa extensão do meu pescoço delgado. — Quero lhe encher de prazer — ele disse antes de me beijar intensamente. Nossos corpos completamente em sintonia, se encaixavamcomo se fosse feito sob medida. Pele contra pele, grudados pelo suor. Respirando o ar repleto do cheiro de sexo, senti minha vagina se contrair no mesmo instante que minha garganta se fechou, em seguida, o nó se desfez e um prazer animalesco saindo das minhas entranhas. Enzzo ainda me penetrava vigorosamente, gemidos agonizantes saiam da sua boca e quando nossos corpos sacudiram violentamente, senti o seu sêmen quente sendo despejado em meu ventre. Com o ritmo dos nossos batimentos cardíacos a mil, era o único som presente no ambiente e quando seus olhos encontraram os meus, ele aproximou sua boca da minha me dando um beijo cheio desejo e carinho. A única certeza que eu tinha, era que nunca havia me sentindo tão feliz em toda a minha vida. E, não importa as consequências, eu quero aproveitar cada segundo, no entanto eu tinha uma sensação que havíamos esquecido de alguma coisa. Durrês – Albânia ENZZO NOS ÚLTIMOS DIAS, por mais que eu tentasse direcionar os meus pensamentos apenas para o maldito, era o rosto angelical dela, que sempre surgia do nada, fazendo não só o meu coração ficar agitado, onde as batidas ressoavam tão alto, parecendo tambores, assim como o meu corpo, desde o dia que a encontrei, está quente como uma caldeira em funcionamento. Tentei ficar o mais afastado possível, porém com a tempestade se aproximando e já prevendo o frio que ia fazer, tive que providenciar madeira e só assim com a ajuda da lareira o ambiente ficaria aquecido. Não que eu estivesse ou viesse a sentir frio, muito pelo contrário, se não fosse pela presença dela, eu estaria andando dentro de casa como vim ao mundo, mas pelos meus anos de experiência e entre muitas idas naquele bordel, deu para perceber, desde o dia em que a beijei, onde ela estava praticamente desajeitada, que eu poderia facilmente ser considerado um prostituto se fosse comparar as nossas experiências sexuais. O meu tio sempre dizia que eu não conseguia manter o meu cacete dentro das calças e em pouco tempo eu já o tinha superado. Segundo ele, a diferença entre eu e as meninas do bordel em relação ao sexo, era que eu não cobrava para fazer ou já estaria rico. Depois que acendi a lareira, segui para o banheiro, já que o maldito calor não passava e precisava urgentemente de uma ducha gelada, pois além do meu corpo estar em chamas, estava difícil aguentar o latejar provocado pelo guloso, que desejava a todo custo se libertar da sua prisão. Nem mesmo o banho foi capaz de abaixar a alta temperatura que tomou conta de todo o meu corpo, o que não era o caso dela, que estava tremendo de frio e ao cair da noite, logo depois do jantar, tratei de procurar outro cobertor e assim ela ficaria bem aquecida. Deixei o quarto rumo ao sofá, onde tenho passado as noites desde quando a encontrei. Os minutos se passaram e até cogitei em apagar o fogo da lareira, mas era a única forma dela não sentir tanto frio, se bem que era muito mais fácil eu mesmo aquecê-la, já que parecia mais uma fornalha humana de tão quente. Fiquei perdido em meio a vários pensamentos, meus olhos já estavam pesados e tudo que lembro antes de ser envolvido pela escuridão foi do estrondo ensurdecedor provocado por um trovão. Não sei quanto tempo havia se passado, mais meu corpo ficou em total alerta ao ouvir o som de passos dentro do cômodo e imediatamente meus olhos se abriram, me deparando com aquela que vem ocupando os meus pensamentos, provocando tantas sensações, que jamais achei que fosse capaz de senti e ao ver o estado em que ela estava, me levantei, em seguida pedi que viesse para perto da lareira se aquecer. Quando a segurei, antes de cair no chão, eu já não aguentava mais ter que controlar tudo que estava sentindo e uma corrente de eletricidade me atingiu iniciando desde os meus pés até chegar em minha cabeça e sedento de desejo tomei sua boca no beijo que fez todo meu corpo estremecer como se estivesse passando por ondas de choques. Minha ereção foi imediata e muito maior que o desejo de explorar aquela boca deliciosa, era acariciar cada curva do seu belo corpo e fazê-la minha em todos os sentidos. No instante seguinte, enlouquecidos pela química sexual, pelo desejo, não só carnal, como eu sentia que assim como o meu coração, o dela também estava no ritmo descompassado e a cada momento tudo se tornava ainda mais delicioso, no entanto, no momento que notei aquela pequena cicatriz em sua pele, seu nervosismo ficou evidente e mesmo ficando intrigado a minha atenção logo ficou direcionada para bela imagem a minha frente. Todas as minhas experiências sexuais sempre foram no bordel e todas com mulheres muito experientes e pela primeira vez, ao estar com uma virgem e saber que fui escolhido para algo especial em sua vida, tinha que ser o mais cuidadoso possível. Se tem uma coisa que sempre aumentou o meu ego como homem, foi ser grande em todos os sentidos e mais ainda por saber usar com grande habilidade, proporcionando prazer em vez de dor. Nunca pensei, em toda a minha vida, que poderia sentir tanto prazer e mesmo louco de desejo, eu tinha plena consciência que não poderia ir com muita sede ao pote. Pela sua expressão, eu sabia que estava tomada pela dor e por esse motivo tive que controlar a vontade que se apoderou de todo o meu ser, em me afundar por inteiro naquela boceta apertada ou acabaria não só machucando-a, como tudo que ela iria sentir era dor. Não foi fácil ter que segurar a vontade de enfiar todo o meu membro dentro dela, mais sabia que pela primeira vez e o jeito como sua vagina apertava o meu cacete isso seria impossível. De todas as experiências que tive na vida, nenhuma jamais chegou perto de tudo que senti na noite anterior e assim que surgiram os primeiros raios do sol. Tratei de deixar à cabana e vim até o centro da cidade providenciar algo ou as consequências de tudo que fizemos ontem nos unirá para sempre. HELENA Acordei alguns minutos atrás, mas ainda não me levantei e muito menos abri os meus olhos. Não sei como vou agir depois de tudo que fizemos na noite anterior, depois de ter me comportado de uma forma tão despudorada. Estava exausta e cada pequena parte do meu corpo estava dolorida, deliciosamente dolorida, embora depois de ser envolvida por um vendaval de sensações, quando novamente começamos a fazer tudo de novo, pois o desejo que tomou conta do meu corpo chegava a arder e ao contrário da primeira vez, uma dor surreal me invadiu por completo. A sensação que eu tinha era que estava sendo rasgada ao meio e mesmo com tanto cuidado, que ele estava tendo, eu não conseguia acreditar como o seu membro estava muito maior, pois me sentia completamente cheia. Demorou a cair a ficha de que ele não havia colocado antes, toda aquela monstruosidade que tem entre as pernas dentro de mim. Entre beijos, passados alguns minutos imóveis, para que a dor que eu estava sentido diminuísse um pouco, eu fui me acostumando e muito maior que minha dor era o fogo incendiando as minhas veias, se espalhando por todo o meu corpo, fazendo minha vagina pulsar e o calor escaldante dela atravessar o pênis dele que começou a latejar violentamente dentro de mim. Foi a melhor noite de toda a minha existência, senti um prazer inexplicável, paixão e desejo que jamais pensei que existiam. Quando juntos chegamos ao ápice do prazer, logo depois ele me convidou para irmos tomar banho, algo que jamais ia acontecer. Vendo que seu convite me deixou inquieta, ele me deu um beijo delicioso e se levantou. Eu não consegui desviar os olhos da bela imagem daquele deus grego pelado caminhando em direção à porta do quarto. A bunda dele devia ser considerada a nona maravilha do mundo. Enzzo, ao retornar a sala já me encontrou vestida, eu não poderia correr o risco dele ver as minhas costas, em passos apressados, fui para o quarto e tomei o meu banho. A chuva novamente voltou e dessa vez muito mais intensa, de banho já tomado voltei para sala e acabamos dormindo os dois no tapete que estava sobre o chão. Respiro fundo e era chegada a hora de encarar a realidade, pois depoisde tudo que fiz, agora não adiantava mais ter vergonha. Abri os meus olhos e senti um aperto em meu peito ao perceber que ele não estava, talvez tivesse se arrependido de tudo que fizemos e o que foi perfeito pra mim, não passou de um momento de prazer, o qual ele já deve ter tido vários em sua vida. Mesmo com o incômodo entre minhas pernas, me levantei e fui para o banheiro. Instantes depois que já tinha tomado banho e arrumada, fui para cozinha, pois estava morta de fome, no entanto, eu nem sabia como ligar o fogo e tão pouco tinha um celular para pesquisar como faria isso. Sentei-me na cadeira e com uma maçã em mãos, comecei a comer, estava tão distraída que nem percebi quando ele chegou e ao ouvir sua voz, quase me engasguei com o pedaço da fruta que ainda nem tinha começado a mastigar. — Bom dia. Tratei de mastigar rápido, a comida, que estava em minha boca e respondi. — Bom dia. Ele colocou um monte de sacolas que trouxe em cima da mesa, foi até a geladeira pegou a caixa de leite e colocou o líquido dentro de um copo, em seguida estendeu em minha direção e logo depois um comprimido. Vendo minha reação ele tratou de me informar a sua utilidade e sem questionar nada, eu tratei de ingerir de imediato. O restante da manhã, pela primeira vez, me vi enfiada em uma cozinha e com ajuda de Enzzo, aprendi até como se fazia o arroz. Depois do almoço, quando estava lavando a louça, ele se aproximou de mim e assim que suas mãos ficaram em volta da minha cintura, senti o calor do seu hálito quente em contato com o meu pescoço e lentamente ele começou a fazer uma trilha de beijo naquela região. Suspendi minha respiração quando senti sua língua passeando pela minha pele e num impulso, juntei minhas pernas ao sentir uma onda de calor entre elas, e quando num movimento rápido e preciso, me virou de frente para ele, no momento que ia me beijar, o barulho irritante do seu celular começou a ecoar sem parar. Enzzo pegou o objeto e logo depois se afastou indo em direção à sala. Depois do que havia acontecido, não teve mais clima, ele também acabou saindo horas depois e passou o restante do dia fora. Olhei para o relógio, já eram quase oito da noite e ao contrário da noite anterior, estava fazendo muito calor, ele tinha chegado e ainda eram sete horas e depois que jantamos, não aguentando mais o calor insuportável que pairava no ambiente, Enzzo ainda me convidou para tomar banho no rio, algo que recusei assim que ouvi suas palavras e ele acabou indo sozinho. Mas, já não estava mais aguentando, pois meu corpo estava banhando pelo suor. Um pensamento surgiu em minha cabeça e com passadas rápidas fui até a minha mochila e procurei entre minhas roupas a camiseta que fazia par com uma blusa transparente que tinha, afinal, nem em meu pior pesadelo cogitei em deixar minhas costas amostra. Vesti a peça que ficou bem colada em meu corpo, desse jeito eu não ia correr nenhum risco dele querer tirar a peça. Deixei o ambiente e segui para a parte esquerda da cabana, onde estava localizado a alguns metros um rio, com passos largos, já dava para ouvir o barulho causado pela movimentação dele na água e assim que cheguei ao meu destino, o choque da realidade pairou sobre mim. Embora morasse em uma mansão luxuosa, com uma grande piscina, eu nunca tinha feito uso dela e muito menos sabia nadar. O céu estava estrelado, fazendo o contraste perfeito com a lua cheia, tirei o short que estava usando e tratei de me limitar a não sair da beirada ou de certo, se não tinha morrido carbonizada naquele acidente, agora iria ao me afogar. Enzzo, ao notar a minha presença, logo tratou de acabar com a distância que nos separava e ao ficar a centímetros de distância, se manifestou. — Vencida pelo calor. — Eu não estava mais aguentando. — Venha, ficando aí no raso não vai adiantar muita coisa. Ao ver que fiquei imóvel sua voz novamente se fez presente. — Você não sabe nadar? — Não e nunca banhei em um rio antes. — Não precisa ter medo, você está comigo — ele disse estendo a mão em minha direção. Sem hesitar, segurei em suas mãos e andamos até uma parte mais funda, até paramos e ele envolveu os braços fortes em volta da minha cintura, me puxando para mais perto de si, fazendo-me sentir todo o poder da sua ereção. Quando nossos olhos se encontraram, nem uma palavra foi dita, pois nós dois sabíamos muito bem o que tanto estávamos desejando. Enzzo inclinou a boca sobre a minha, e por instinto colei minhas mãos na nuca dele, sentido minha pele correr em arrepios, quando sua língua sedosa serpenteou em minha boca iniciando uma dança erótica que de início foi lenta e depois se tornou mais profunda e intensa. Estremeci toda ao sentir as carícias quentes de sua língua habilidosa, enquanto suas mãos deixaram minha cintura e seguram com firmeza minhas nádegas. Com nossas bocas ainda grudadas, ele segurou a barra da minha calcinha e em questão de segundos a peça desceu pelas minhas pernas e essa certamente ficaria para sempre naquele lugar. Enzzo me suspendeu e me fez entrelaçar as pernas em volta da sua cintura. Embriagados de desejo, e a excitação deixando minha cabeça totalmente enevoada, tudo que eu queria era ser dele novamente. Enzzo remexeu os quadris para ter o encaixe perfeito e quando ele finalmente introduziu seu membro dentro de mim, parecia que tinha entrado dentro do meu corpo inteiro. Podia senti-lo me atravessando, todos os nervos do meu corpo interligados, ele começou com movimentos de vai e vem preguiçosos e torturantes, comecei a movimentar os meus quadris, me esfregando nele, enquanto ele sugava os meus seios, alternando entre um e o outro. Fiquei desnorteada quando ele começou a se mover sem tirar por nenhum segundo o seu pênis de dentro de mim e quando saímos de dentro da água, me colocou no chão e por uma fração de instantes, pude contemplar todo o auge da sua excitação, que exibia veias grossas e pulsantes. Enzzo se juntou novamente a mim e agarrou o seu pênis. Para aumentar o meu desespero começou a esfregar a grossa cabeça do seu membro no meu sexo, fazendo uma trilha do meu clitóris até entrada da minha intimidade. — Por favor — supliquei querendo tê-lo logo de uma vez dentro de mim, mas ele passou por diversas vezes a cabeça do seu membro na minha vulva supersensível. Eu gemi alto, me contorcendo em uma demonstração de desejo ardente. Um sorriso perverso surgiu em sua face e num tom de voz pecaminoso ele disse. — Diga-me, o que você deseja anjo? — Eu preciso de você dentro de mim — supliquei de novo. Posicionando o corpo sobre o meu e seu imponente membro entre as minhas pernas. Sem preliminares, ele deslizou o seu pênis para dentro da minha entrada molhada e ao contrário de minutos atrás, seus movimentos eram preciso, cada vez mais fundo, me fazendo sentir seu membro quente e volumoso totalmente dentro de mim, deslizando toda a longa extensão dele para dentro da minha intimidade faminta. Diante das suas investidas estonteantes, comecei a remexer meus quadris com maior rapidez, gemendo de êxtase enquanto aquela ereção imensa e latejante era empurrada com mais força, me levando à loucura. Ele encostou o rosto no meu e tomou a minha boca com volúpia, chupando a minha língua e arrancando gemidos abafados de arrebatamento, a cada movimento vigoroso, que eram seguidos de estocadas fundas, que atingiam até o meu ponto mais profundo, meus quadris se movimentavam em espasmos violentos. Enzzo afastou sua boca da minha e soltou um grito alto, em seguida seus olhos ficaram grudados no meu. — Goze comigo. Você é minha, toda minha. O meu corpo obedeceu ao seu comando antes mesmo que minha mente pudesse registrá-lo. Eu gritei, gritei tão alto que senti minha garganta reclamar, me contraindo e pulsando ao redor dele. Num movimento rápido, ele tirou seu pênis de dentro de mim e jatos potentes do seu sêmen atingiu a minha perna. Uma onda do melhor cansaço do mundo me invadiu imediatamente, logo depois ele me abraçou, beijando a minha boca com ternura. Outra vez e eu fui tomada por uma sensaçãode felicidade. Durrês – Albânia Uma semana depois... OMAR DESDE O MOMENTO QUE DEIXEI O QUARTO DA INFELIZ, tratei de reunir o meu pessoal e enquanto alguns foram direcionados para o local do acidente, eu fui para o hospital mais próximo. No entanto, depois de percorrer todos os hospitais desse país, não obtive nenhuma informação da desgraçada que tenho por filha. Os membros do conselho, sabendo de toda movimentação, vieram ao meu encontro e jamais poderia revelar a todos que ela havia simplesmente fugido e aproveitando que souberam da morte de Thadeu, tratei de colocar toda a culpa no maldito, fazendo todos acreditarem que ele certamente estava trabalhando para os inimigos, o que fez todos cogitaram que tudo foi planejado para tirar o imbecil do caminho deles e com sua morte, não iam correr o risco de ninguém saber o paradeiro de Helena, assim, no momento certo, eles poderiam usá-la para colocar o plano que tinham em mente em ação. Sabendo da realidade dos fatos e sedento de ódio, para colocar minhas garras naquela imprestável, hoje uni o útil ao agradável. Todos aqueles que desconhecem que, por trás do empresário respeitado também existe o chefe de uma organização criminosa, que por anos vem semeando a destruição e intensificando o crime nessa região, matando quem se atreve a ficar em seu caminho, estão solidários pelo sequestro de Helena Petrovci. Além de contar com a possibilidade de algum desses idiotas vir a contribuir com alguma informação sobre onde ela possa estar, já que foi oferecida uma alta quantia. O falso sequestro me fez alavancar nas pesquisas, me colocando agora, como o primeiro candidato favorito ao cargo, que será o primeiro passo para chegar aonde tanto venho almejando. Deixei de ser visto somente como o homem de negócios, que sempre vem fazendo caridade para os mais necessitados, agora é o marido e pai que está sofrendo e fazendo de tudo para encontrar sua filha tão amada. Ao divulgar hoje no jornal mais famoso do país, a foto de Helena, a princesinha da máfia, como é conhecida, entre aqueles que vivem no mundo da máfia, eu espero que em breve tenha notícias da infeliz, que vai desejar nem ter nascido quando eu colocar minhas mãos nela. Tudo que essa infeliz já passou será nada, comparado com tudo que tenho em mente, se o destino levou o meu filho tão amado em vez dela, eu farei de cada minuto da sua vida miserável um verdadeiro inferno. HELENA Se realmente existe o paraíso, eu estou vivendo nele. Nunca em toda a minha vida tive momentos tão felizes, até porque os poucos que eu tive, foram ao lado da minha mãe, e como sempre, aquele monstro tratava de fazer algo para que o sorriso em nossos rostos fosse substituído pelas lágrimas. Desde a noite que tomamos banho naquele rio, a sensação que tenho é de estar vivendo um verdadeiro conto de fadas. Enzzo tem sido muito carinhoso, não só durante o sexo. Com o passar dos dias, mal conseguimos nos desgrudar, a não ser pelas saídas que sempre eram no mesmo horário e o seu telefone também sempre tocava assim que chegava em casa. Ontem ele disse que precisava retornar para sua casa que ficava em Tirana. Sabia que era o momento de seguir o meu caminho, embora uma grande tristeza pairasse sobre mim, porém eu fui surpreendida pelo seu convite em ir com ele para sua casa. Mesmo vibrando de felicidade por saber que ele sentia muito mais que só desejo carnal. Depois da noite maravilhosa que tivemos ontem, eu decidi que assim que chegasse lá, eu iria contar toda verdade. Posso estar vivendo num conto de fadas, mas as vezes tem fim e por maior que seja o desejo de que tudo permaneça como está, cheio de paixão e amor, a mentira é capaz de destruir tudo. Só preciso primeiro deixar os domínios do algoz que tenho por pai e depois de contar a verdade, tentarei entrar em contato com a minha mãe. Aqui nesse lugar tão simples, comparado com todo o luxo da mansão em que vive por anos. Eu tive momentos inesquecíveis, que ficarão para sempre em meu coração. Foi aqui que o homem que salvou a minha vida me fez novamente conhecer a luz. Que despertou muito mais que desejo e luxúria, despertou um sentimento tão grandioso que já não consigo mais imaginar viver longe dele. Não é só o meu corpo que arde por ele, que queima como se tivesse em vez de sangue em minhas veias, um fogo líquido, mas o meu coração que vive batendo fundo como nunca tinha acontecido antes de conhecê-lo. Minhas lembranças foram interrompidas ao sentir braços fortes em volta da minha cintura, ele inclinou a cabeça e seus lábios macios tocaram os meus e sem delongas sua boca esmagou a minha. Sua língua deslizou-se sobre meus lábios até invadir a minha boca, acariciando a minha em um beijo quente e devastador, que fez de imediato uma onda de calor surgir entre minhas pernas. Acabamos por nos separar por falta de ar e do jeito como estávamos, aquele beijo ia acabar com nós dois em cima da cama. Instantes depois, pegamos nossas coisas e caminhamos em direção ao carro. Passei todo o percurso nervosa, já que ele me contou que morava com seu tio e Yolanda, que era como uma avó para ele, perguntei sobre os seus pais, mais assim como eu disse que não gostava de falar sobre o assunto de uma das cicatrizes em minhas costas, ele também disse que o assunto sobre seus pais não era algo que gostasse de compartilhar. Acabei adormecendo e quando acordei foi com a voz dele me chamando, para avisar que havíamos chegado. No momento que saí do carro, senti um calafrio percorrer a minha espinha e um forte incômodo pairou sobre mim. Fiquei totalmente imóvel, era como se algo de ruim fosse acontecer, meu coração estava agitado e minha respiração tornou-se pesada. Eu não sei o que estava acontecendo comigo, porque por dentro a sensação que eu tinha era que todo o meu corpo estava tremendo. Enzzo ao ver minha reação veio ao meu encontro. Ele segurou em minhas mãos e percebeu o quanto estavam geladas. — Você está se sentindo bem? — Acho que é pelo meu nervosismo. Ele me abraçou e ao ouvir suas palavras fiquei mais confiante. — Eles vão adorar você — disse ele e em seguida me deu um beijo casto nos lábios e segurou firme a minha mão direita. — Vamos! Fiz um gesto com a cabeça e em passos vacilantes andei em direção à entrada principal. Assim que ele abriu a porta, uma senhora e um homem que mantinha a cabeça abaixada olhando fixamente para um jornal surgiram no meu campo de visão, no entanto, a voz de Enzzo se fez presente. — Eu quero que vocês conhec... Antes que ele terminasse de falar, o homem, ao desviar sua atenção do objeto em suas mãos, se virou em nossa direção e ao me ver, sua expressão ficou fechada e sua voz carregada de ódio ecoou no ambiente. — Helena Petrovci. Tirania – Albânia ENZZO ELA ESTAVA NERVOSA, depois de acalmá-la, seguimos para a entrada e assim que entramos, eu disse. — Eu quero que vocês conhec... Antes que eu terminasse de falar, o meu tio ao desviar a sua atenção do jornal em suas mãos se virou em nossa direção. Suas feições mudaram e a raiva estava visível em seu olhar, deixando-me desorientado, mas ouvir as palavras ditas por ele fez toda a alegria que estava sentindo segundos atrás ser substituída por tristeza e raiva. — Helena Petrovci! O som, de suas palavras ressoou no ar. Hulk segurou o objeto com as duas mãos, revelando a imagem daquela que sempre odiei só por saber do seu nome e da sua existência. Que sem saber, conheci sua verdadeira aparência e senti durante esses dias um sentimento que jamais achei que fosse capaz de ter por nenhuma mulher. Uma onda de calor tomou conta de mim. Senti o ar se esvaindo dos meus pulmões e o ódio trancou a minha garganta. Tudo que vinha em minha mente eram as palavras ditas pelo meu tio, olhei para mulher ao meu lado, que se mantinha com uma expressão de medo e certamente era pelo fato de ser descoberta. Eu não só me deixei ser enganado pelo rosto de anjo que é filha daquele demônio, como fracassei com a promessa que fiz no túmulo dos meus pais. Deixei que a luxúria, o desejo carnal eum sentimento que jamais deveria ter ganhando tamanha proporção, me deixasse cego ao ponto de não ver o que estava diante dos meus olhos. O calor que segundos atrás estava me incendiando, causando um desconforto terrível em minha pele, se intensificou. Não sei o que estava acontecendo comigo. Minha cabeça começou a doer e quando fechei os meus olhos, era como se algo que estivesse preso dentro de mim, iniciasse um duelo tentando se libertar. De repente, o meu coração começou a se agitar em meu peito e as batidas eram tão fortes, que a sensação era de que dava para todos ouvirem, meus pulmões estavam funcionando aos espasmos. O sangue em minhas veias, percorriam por elas como fogo líquido, senti uma queimação no meu rosto como se ele estivesse transfigurando e quando voltei a abrir os olhos, tudo que havia em minha frente era somente a escuridão. Helena Petrovci, tinha acabado de acordar o monstro que habitava dentro de mim. HELENA Eu estava com o coração disparado e uma sensação de desespero. O olhar gelado e furioso, lançado pelo homem a minha frente, fez tremores de medo percorrem todo o meu corpo, comecei a respirar com dificuldade e ao levantar a cabeça, o pânico me dominou ao ver a própria imagem do anjo se transformando no demônio. Seu rosto começou a se contorcer até se transformar numa máscara rígida e seus olhos azuis ficaram num tom mais escuro, onde o brilho deles deu lugar a faíscas de ódio. Suas mãos estavam fechadas em punho, como se a qualquer momento toda aquela fúria não poderia mais ser contida. E no momento que o som da voz daquele homem enorme, novamente preencheu o espaço, o choque da realidade caiu como um soco em meu estômago. — Jamais pensei que a pessoa que você disse que estava trazendo seria a filha daquele maldito traidor. Essa infeliz por anos vem usufruindo tudo que é seu, assim como aquele desgraçado usurpou o lugar do seu pai e nada mais justo que Helena Petrovic, seja a primeira a ser eliminada. Vamos ver qual será a reação do infeliz ao receber a cabeça da própria filha de presente. As palavras proferidas por ele começaram a ecoar em minha cabeça e muita coisa começou a fazer sentido. Enzzo, esse era o nome do filho de Vitor Demisovski, a minha mãe havia me contado quando falou do massacre que aconteceu naquela casa, que sempre me deixou com calafrios ao passar por aquele corredor, mas, Omar fez questão de morar naquela mansão, embora sabendo que foi lá que o seu melhor amigo morreu, no entanto, não consigo entender como ele pode estar vivo e por que esse homem está dizendo tudo isso. O desespero apoderou-se de todo o meu ser quando o tio de Enzzo, movendo numa velocidade impressionante, pegou uma arma que estava próxima à poltrona onde, antes ele estava acomodado e começou a caminhar em minha direção. Tentei falar, mais não saia nenhuma palavra, pois o meu medo era tão grande, que não conseguia nem me mover e quando ele parou em nossa frente e apontou a pistola na direção da minha caixa torácica, antes que fizesse qualquer outro movimento, Enzzo, que até então estava em silêncio, se manifestou. — Pare! Você não vai tocar nela — respirei aliviada. O tio dele desviou seu olhar mortal, que antes estava fixo pra mim e encarrou o sobrinho. Levantou as sobrancelhas de forma inquisitiva como se esperasse uma justificativa, quando eu escutei as palavras que foram ditas como resposta, eu senti uma dor terrível como se um punhal tivesse sido cravado em meu peito, como se fosse tirado o chão debaixo dos meus pés. — A morte seria um alívio para ela. Helena, assim como aquele infeliz vai pagar em vida pela sua maldita existência. Um sorriso vitorioso surgiu no rosto do homem, que até então tinha uma expressão fechada. Comecei a ficar com falta de ar e quando pensei que não poderia ficar pior, senti uma dor infernal em minha cabeça, quando aqueles dedos que tanto me proporcionaram prazer, começaram a se enroscar em volta dos meus cabelos. O nó que estava fechando a minha garganta se desfez e um grito estrondoso saiu rasgando a minha garganta e ignorando a minha dor, ele saiu me puxando pelo longo corredor. — Pare! Está doendo — disse aos prantos, pois à medida que ele andava, intensificava os puxões e a dor se espalhava pelo meu couro cabeludo. Meus olhos marejaram com lágrimas repentinas inundaram todo o meu rosto. Instantes depois, que pareceram uma eternidade, onde minha boca já estava seca de tanto gritar, ele parou, em seguida abriu uma porta e assim que acendeu a luz, começou a me puxar novamente, descendo os degraus e quando enfim nos livramos do último. Enzzo chocalhou a minha cabeça com muita força e me lançou no chão, fazendo novamente um ruído de dor e medo sair da minha boca. Meus olhos passearam em volta do lugar, que parecia ser um porão. Fiquei encolhida no chão, pois a dor que antes estava sentido na minha cabeça, agora era pior em minhas costelas, devido o impacto ao ser jogada no chão. Mas, eu precisava esclarecer as coisas. — Enzzo! — disse, com a voz fraca. — Cale a sua boca, sua infeliz! — praticamente aos berros, ele mandou que eu me calasse. Seu tom de voz era cheio de ódio, uma fúria descomunal, semelhante a que Omar demostrava, toda vez que começava a me bater. Meus pensamentos foram interrompidos quando ouvi sua voz novamente. — Não quero ouvir nenhuma palavra que saia da sua maldita boca. Você, assim como o traste que tem por pai, não passam de dois desgraçados mentirosos. Vivem escondendo a verdadeira face do lobo em pele de cordeiro. O pânico havia tomado conta de mim e tudo estava tão confuso que a única coisa que vinha em meus pensamentos, era que talvez, ele não soubesse da veracidade dos fatos, pois minha mãe disse que o corpo do pequeno herdeiro nunca foi encontrado e esse homem que ele tem por tio, possa ser o mesmo que o tirou daquela mansão. Deixei os devaneios de lado assim que ele se virou e começou a subir os degraus e ao chegar ao topo da escada, o que ouvi em seguida me dizia que o paraíso em que eu acreditei estar, tinha acabado de dar lugar ao verdadeiro inferno. — Helena Petrovci, você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho, vai desejar que eu tivesse te deixado morrer dentro daquele carro, farei de cada dia da sua vida o próprio inferno. Tirana – Albânia ENZZO TODA A RAIVA QUE TOMOU CONTA DE MIM estava me enlouquecendo. Além da sensação ruim como se o meu corpo estivesse se incendiando, acabei voltando à realidade ao ver o meu tio com uma arma apontada na direção dela o que não só fez o meu coração se agita ao perceber a sua intenção como novamente algo que só sentir depois que nossos caminhos se cruzaram pairou sobre mim "medo". Por mais que as sombras estivessem me envolvido, não foi o suficiente para que a luz vinda dela ainda tentasse a todo custo me atingir e por mais que sentisse um ódio descomunal pela maldita, pensar que, com um simples movimento uma bala poderia ser algo fatal e como consequência tiraria sua vida. Por instinto meus lábios se moveram e minha voz se fez presente fazendo o meu tio desviar sua atenção do seu alvo. Hulk mantinha seu olhar fixo em mim e eu sabia que uma verdadeira guerra seria iniciada. Todavia, suas feições mudaram e um sorriso satisfatório surgiu no seu rosto ao ouvir minhas palavras. Olhar para mulher ao meu lado e lembrar-me de quem ela era filha, só fez minha raiva se renovar. Ao contrário dela, que cresceu cercada pelo amor dos pais, eu cresci com amor, claro, mais não era o amor dos meus pais. Não foi Helena que pegou uma arma e tirou a vida deles, porém ela é fruto da semente do mal e assim como o seu criador não hesitou em fazer minha mãe e um bebê sofrer as consequências de sua ambição, eu também não terei piedade. Não importa quem eu tenha que destruir, ou o que tenha que fazer para atingir aquele desgraçado, será feito. Muito maior que qualquer sentimento que descobri ao seu lado, é o ódio que desde criança se enraizou em meu coração e foi tudo que me manteve firme. Que preencheu o vazio no meu peito. Poderialevar anos, mas eu teria o coração negro daquele traidor pulsando diante dos meus olhos e não seria uma bala que acabaria com sua vida e sim as mãos que antes eram tão pequenas, no entanto, ao crescerem iam arrancar e esmagar o seu maldito coração. Movido pelo ódio que inflamava em minhas veias, levei uma das mãos de encontro aos seus cabelos e os gritos que saiam entre seus lábios soaram como músicas para os meus ouvidos. Depois que a deixei naquele porão, encolhida como um animal indefeso, saí ao encontro do meu tio, muita coisa precisava ser esclarecida. Deixei as lembranças de lado quando ouço a voz de Hulk. — Ainda não entendi como você conseguiu entrar na mansão e sequestrar a filha do desgraçado. — Não fui eu o responsável pelo sequestro de Helena e duvido que ele tenha acontecido. — Está aqui no jornal e durante todos esses anos, o traidor jamais tinha divulgado uma foto da princesinha da máfia. Nos instantes seguintes, contei como tudo aconteceu, desde o momento que a encontrei dentro daquele carro desfalecida, até o falso nome e como acabei me envolvendo com ela. Como já esperava, a reação dele foi a pior possível, seus olhos refletiam o puro ódio e quando uma de suas mãos se fechou em punho, um golpe terrível foi dado sobre a mesa fazendo tudo que tinha sobre ela cair no chão. As feições de Hulk eram totalmente desconhecida por mim e o desafio silencioso que tomou conta do ambiente foi quebrado quando o som da sua voz ecoou no espaço. — Como você pôde se envolver com a filha do nosso pior inimigo? Agora mais do que nunca aquela infeliz será enviada ao inferno — ele disse aos berros. O incômodo que minutos atrás estava me causando um forte desconforto cresceu. Meus pulmões começaram a funcionar num ritmo frenético, e antes que ele cogitasse em se mover, acabei com a distância que nos separava e parei em sua frente. — Eu te aconselho a não falar comigo nesse tom novamente. Você por anos me preparou para assumir o lugar que era meu por direito e jurou lealdade ao legado dos Demisovski. A única palavra que vai prevalecer aqui é a minha, o verdadeiro chefe da máfia albanesa. Sua expressão logo mudou e seus olhos que estavam direcionados para os meus, se voltaram para o jornal que havia caído no chão. Assim que ele pegou o objeto, eu voltei para o lugar em que estava antes e juntos começamos a planejar o que iríamos fazer. Depois de horas de planejamento, decidimos que já estava na hora de começar a partir para cima do inimigo. Diante dos últimos acontecimentos, tudo nos levou a conclusão de que Helena deixou a mansão por livre espontânea vontade, esse era o motivo de toda movimentação nos últimos dias em volta do lugar. Não houve sequestro, pois embora a mentira parecesse ser algo hereditário, que passou de pai para filha, as lágrimas derramadas pelo homem que achei ser o seu pai não foram forçadas. Hulk levantou a hipótese de que ela, que sempre viveu numa prisão de luxo, mesmo tendo aparentemente tudo, exceto a liberdade, já que vivia sendo mantida como uma joia rara, onde sua verdadeira aparência nunca tinha sido revelada. Resolveu experimentar algo que até então era impossível, no entanto, a única dúvida era porque o maldito disse a todos que ela havia sido sequestrada. HELENA — Deus, me ajude! Suspirei e ao tentar me mexer, um ruído de dor saiu por entre meus lábios. Abri meus olhos e senti minha cabeça girar, e, um incômodo na minha barriga tamanha era a minha fome. Mesmo com dificuldade, me sentei em cima do fino colchão e fiquei encolhida. Depois de proferir aquelas palavras cheias de ódio, ele se virou e começou a subir os degraus. Senti a revolta crescendo dentro de mim. Abri minha boca diversas vezes para falar, mas não consegui dizer nada, pois nunca pensei que o olhar que por dias, ao serem lançado em minha direção fazia o meu coração bater mais forte, hoje tudo que senti era o puro medo. Antes de ele sair do cômodo, ainda virou-se em minha direção e sua expressão diabólica me deu calafrios. Quando a porta foi fechada, um silêncio pesado caiu no ambiente e a cena dele me puxando pelos cabelos naquele corredor me voltou à memória e com ela as lágrimas surgiram novamente em meus olhos. Instantes depois, esfreguei os olhos e comecei a observar tudo ao meu redor, mesmo sendo um porão, o lugar era limpo e organizado. Com o olhar fixo no colchão, me levantei e tomada pela dor fui praticamente me arrastando até o objeto e ao me aproximar, desabei em cima do colchão, não sei em que momento acabei dormindo. Sou tirada das minhas lembranças ao ouvir a porta sendo aberta e, imediatamente levantei a cabeça encarando o homem que surgiu no meu campo de visão. Seu rosto era uma máscara fria e antes que eu fizesse qualquer outro gesto a sua voz no tom rude se fez presente. — Levante-se agora! Decidida a não ficar mais calada, meus lábios se moveram e quando eu ia falar novamente, a sua voz ressoou no espaço e dessa fez num tom muito mais alto e sua expressão ficou ainda pior. — Você teve sua chance e, no entanto, mentiu como se fosse à coisa mais normal e nada que eu venha, a saber, ao seu respeito vai diminuir o ódio e o desprezo que sinto por você. Agora não me faça ir até aí, porque desta vez, eu não serei tão gentil. Eu queria permanecer sentada, mas muito maior que a raiva que eu estava sentido era a minha fome. Sabendo que não ia adiantar nada tentar explicar as coisas, enquanto ele tivesse tomado pela escuridão do ódio, resolvi me levantar e em passos lentos fui em sua direção. Eu não sei se estava tremendo pelo medo ou era pela fraqueza causada pela fome. Quando acabei com a distância que nos separava, ele me deu um puxão me fazendo sair de dentro do cômodo e por pouco não bati com a cabeça na parede. O encapetado começou a caminhar e em passos vacilantes o segui. A cada passo que eu dava, um cheiro delicioso que havia no ar, invadiu minhas narinas e me deixou com a boca salivando, porém fiquei petrificada quando, sentado em uma cadeira estava o tio dele, com seu olhar fixo na minha direção. Meus olhos foram de encontro à comida sobre a mesa, enquanto Enzzo se sentou próximo do tio e quando eu ia me mover para ir até a mesa, permaneci imóvel. Em toda minha miserável vida, nunca tinha me sentido tão humilhada, não só por ouvir suas palavras, mais por seguir o seu olhar e ao abaixar a cabeça, ver a imagem a minha frente. — Para a filha de um traidor nada mais justo que a refeição que você merece. Tirana – Albânia HELENA MEUS OLHOS PERMANECEM FIXOS na imagem a minha frente. Sinto um nó EM meu estômago e respiro fundo tentando controlar a ânsia e não vomitar. No entanto, o som da voz do homem que estava determinado a ser o meu novo carrasco ecoou no ambiente, me fazendo direcionar minha atenção para ele. — Assim como os porcos, tenho certeza que você vai adorar a lavagem. Você teve muita sorte que cheguei antes de Yolanda ir levar o jantar deles. Fechei os olhos por uma fração de segundos, para não deixar que as lágrimas que estavam se formando, viessem a cair, pois não ia chorar na frente dos dois. O tio dele, que até então estava imóvel e com um sorriso vitorioso em sua face, levou uma das mãos até a travessa e pegou um pedaço de carne e conduziu até a sua boca. O que fez o meu estômago reagir de imediato, logo em seguida a voz de Enzzo se fez presente novamente. — Abaixe-se e aproveite o seu banquete — falou no tom de sarcasmo. Olhei para a gororoba que estava dentro de uma vasilha, que era semelhante a que se colocava ração para cachorro e aquilo foi o estopim, pois toda humilhação e angústia que estava sentindo deu lugar ao sentimento que só tinha sentido até então, por Omar Petrovci, "Ódio". Levantei a cabeça e os olhares deles brilhavam e certamente era pela expectativa de apreciar o grande espetáculo da noite, onde eu seria a atração principal. Minhas pernas se moveram e aproveitando o momento de distração deles, ao direcionar a atenção para a comida sobre a mesa. Sai correndo em direção contrária e quando cheguei à sala, aporta foi aberta pela mesma senhora que vi quando chegamos. Não pensei duas vezes e avancei em sua direção, ela que tinha um balde em suas mãos, ao perceber a minha intenção, ainda tentou fechar a porta, mas de tanto correr dentro daquela mansão, para me esquivar dos golpes do meu pai, eu fui muito mais rápida e acabei a empurrando e feito uma louca comecei a correr sem rumo, já que não conseguia ver quase nada. Meus pulmões estavam agitados, funcionando aos espasmos, quando avistei uma luz e pensei que seria a minha salvação, senti o meu corpo indo de encontro ao chão. Gemidos saíram entre meus lábios e ao levantar a cabeça, o pânico tomou conta de mim e meu coração começou abater freneticamente diante da própria imagem de um monstro a minha frente. Enzzo acabou com a pequena distância que nos separava e se agachou em seguida. Seus olhos estavam faiscando de ódio e disposta a não aceitar mais essa situação, mesmo não querendo ele ia me ouvir. — Chega! Você vai ter que me ouvi... — eu tentei começar. — Aiiiii... — as palavras ditas por mim que nem chegaram a ser concluídas foram substituídas pelo ruído de dor, quando aquela mão enorme atingiu a minha face. A sensação que eu tinha era que minha pele estivesse queimando. — Você deve ter algum problema de surdez. Eu não quero ouvir nada a não ser que eu permita que você fale, pois da próxima vez eu irei arrancar cada dente dessa maldita boca. Os ruídos deram lugar aos gritos ensurdecedores, quando não me dando chance alguma de reagir, ele levou uma das mãos até a minha cabeça e segurando firme em meus cabelos, saiu me puxando em direção àquela prisão. A cada passo que ele dava, a dor se intensificava, não só na minha cabeça, mais nas minhas costas ao serem arrastadas pelo caminho. Minutos que pareceram uma eternidade se passaram, eu já estava ficando sem fôlego de tanto gritar e assim que ele chegou dentro da casa, continuou me puxando até parar na porta que dava acesso ao porão. Assim que ela foi aberta, sua voz autoritária ressoou no espaço. — Levante e entre antes que eu te jogue escada abaixo. Tremores tomaram conta do meu corpo inteiro. Mas, mesmo que tudo indicasse que eu estava no fundo do poço, à única imagem que surgiu em minha mente foi do sorriso da minha mãe e, reunindo todas as minhas forças, fiquei de pé e com passadas lentas, segui para dentro do cômodo. Em seguida, a porta atrás de mim foi fechada. Segurei no corrimão da escada e com muita dificuldade, fui descendo os degraus e quando cheguei ao último, não tive mais forças para continuar, acabei me sentando e as lágrimas brotaram mais uma vez, escorrendo pelo meu rosto sem a minha permissão. Segundos, que deram lugar a minutos, toda uma retrospectiva passou pela minha cabeça. Desde as surras que levei de Omar, que embora tão cruel, nunca havia batido em meu rosto. De tudo que minha mãe sofreu para me defender, assim como os dias de felicidade que vivi naquela humilde cabana, até o momento que o príncipe com aparência de anjo se transformou no demônio e virou o meu algoz. Meus pensamentos foram interrompidos com o barulho da porta sendo aberta e por instinto levantei de imediato, me afastando da escada. Assim como eu temia, era ele novamente e como num estalar de dedos, ele desceu os degraus e meu olhar ficou concentrado no objeto em suas mãos. Enzzo deu alguns passos e seus olhos azulados cruzaram com os meus, sem quebrar o contato visual, ele estendeu a vasilha em minha direção, e em seguida o som da sua voz grave surgiu no ambiente. — Já que você não quis aproveitar a minha generosidade, se quiser saciar a sua fome — ele fez uma pequena pausa e com um movimento rápido, virou o objeto e a lavagem começou a escorrer no mesmo instante que sua voz se fez presente novamente. — Vai ter que juntar a comida do chão se quiser comer algo hoje. Um sorriso tenebroso surgiu em seu rosto e na mesma velocidade que desceu os degraus minutos atrás, ele subiu e sumiu do meu campo de visão. Quando a porta foi fechada, olhei para gororoba no chão, era uma mistura, acredito eu, de resto de comida e pela aparência, fazia meu estômago se contorcer, no entanto, eu já não sabia se era por ver a qualidade da comida ou era reclamando pela fome. Levei minhas mãos até as minhas costas e as enfiei por dentro da roupa, mesmo o tecido da minha blusa sendo grosso deu para sentir que além das cicatrizes tinha alguns arranhões. Com passos firmes, fui até a pequena porta a minha frente e ao constatar que o cubículo era um banheiro, fechei a porta e voltei minha atenção para o canto que tinha algumas caixas, certamente devia ter roupas velhas e assim eu poderia usar. Comecei a revirar tudo e acabei encontrado uma camisa, porém o objeto que olhei assim que peguei o tecido fez um único pensamento se tornar fixo em minha cabeça. Depois que o tirei de dentro da caixa, com ele e a camisa em minhas mãos, caminhei em direção ao banheiro. Depois de um tempo, me sentido aliviada, mesmo que gemidos acabaram por sair por entre meus lábios, quando a água fria entrou em contato com a minha pele, terminei o banho. De banho tomado e vestida, olhei meu reflexo no pequeno espelho, nunca pensei que teria coragem de fazer isso, mais diante dos últimos fatos, foi a única solução que encontrei. Deixei o cubículo e fui até o colchão, que se tornou o meu ponto de descanso. Fechei os olhos tentando dormi o mais rápido possível e só assim conseguiria enganar o meu estômago, que não parava de doer. Comecei a virar de um lado para o outro, mais o sono não vinha, pois o barulho vindo da minha barriga estava cada vez mais alto. Parece que depois que tomei água na torneira fixada na pia do banheiro, só aumentou o buraco que se formou na minha barriga. Nunca pensei que a fome pudesse doer tanto e muito maior que a ânsia que estava sentindo, só em lembrar-me da comida, o desconforto que pairou sobre mim. Num pulo, me levantei e depois de alguns passos, acabei com a distância e ao me abaixar, meus olhos foram de encontro ao objeto sobre o chão, não sei quanto tempo se passou e eu fiquei petrificada com o olhar fixo na gororoba e sem que eu pudesse controlar, minhas mãos pareciam que tinham ganhado vida própria e logo eu estava feito um animal faminto, devorando a lavagem como se fosse a melhor comida que já tinha comido na vida. Sobrevivi por 18 anos às atrocidades de Omar Petrovci, então nada que eles fizessem, iria me fazer desistir de viver. Tirania – Albânia HELENA DEPOIS QUE ME LEVANTEI DO CHÃO, segui para o banheiro. Estremeci toda quando olhei o meu reflexo no espelho, parecia até um animal, com a boca toda suja, sem contar as minhas mãos. Abri a torneira e depois de lavar as mãos foi a vez da minha boca. Mesmo sabendo que não ia adiantar muita coisa, mas pelo menos não acordaria com bafo de onça, peguei a tesoura e cortei o velho tubo de creme dental, em busca de encontrar ainda algo dentro da embalagem. Eu acho que pela arrumação do lugar e a máquina de costura, aquela senhora utilizava o porão com frequência. Levei o dedo indicador em direção ao resto de creme espesso no fundo, movimentando para que pudesse sujá-lo. Com o dedo todo branco, coberto pela substância, conduzi em direção a minha boca e comecei a esfregá-lo com força nos meus dentes. Instantes depois, deixei o cubículo e caminhei em direção a caixa em busca de pegar um dos cobertores que tinha visto horas atrás, que mesmo com alguns buracos, serviria para me proteger do frio. Era incrível que Tirana ao contrário de Durrês, tinha uma baixa temperatura. Deixei os devaneios de lado e fui até o colchão, com o estômago enfim quieto, não demorou muito para ser envolvida pela escuridão total. Acordo atordoada, com dificuldade para respirar. Eu estava sufocando e o líquido gelado em meu rosto estava bloqueado minhas narinas. O desespero tomou conta de mim e num impulso, tirei o cobertor do meu rosto me deparando com aquelas órbitas azuis fixas em minha direção. Ele exibia um esboço de um sorriso, em uma de suas mãos uma jarra e certamentefoi de dentro dela que veio a água gelada que me atingiu e antes de algum outro pensamento passar pela minha cabeça, a voz dele ressoou no ambiente. — Está na hora de acordar, gata borralheira — assim que seus lábios se juntaram novamente, ele deu alguns passos para trás e só aí percebi os objeto em sua outra mão. Ele novamente voltou a falar, no entanto, me senti culpada ao ouvir suas palavras. — Você, sua infeliz, foi a responsável por Yola ter machucado o pé e por isso fará todo o serviço pesado, até que ela se recupere. Chegou a hora de a princesinha deixar de ter tanta mordomia. Agora se levante, que você terá muito trabalho pela frente. Quando levantei o meu corpo, ele desviou sua atenção por uma fração de segundos em direção aos objetos em sua mão, porém ao levantar a cabeça, suas feições que antes eram sarcásticas, deu lugar a uma expressão trevosa, assim que seus olhos se fixaram em meus cabelos. Sua mandíbula se contraiu, sua boca se contorceu e o rosto dele endureceu em uma máscara sombria. — Que diabos você fez com o seu cabelo? — falou aos gritos. Logo depois de alguns passos, ele reduziu a distância entre nós, mas dessa vez, eu fui muito mais rápida e ao mover uma das mãos até uma parte do colchão, peguei as mechas que estavam amaradas com um pedaço de tecido e estendi em sua direção. — Você demostrou gostar tanto de tê-los em suas mãos, que resolvi dar a você de presente. Afinal de contas, uma gata borralheira não terá tempo para cuidar de um cabelo tão grande. Vibrei por dentro ao ver a fúria em seus olhos, pois quando estava cortando os meus cabelos, todo um filme se passou diante dos meus olhos, ao lembrar que durante a temporada na cabana, ele me confessou por diversas vezes que os adorava, principalmente o cheiro. Deixo as lembranças de lado quando ouço sua voz. — Você não teste a minha paciência, terá cinco minutos para trocar de roupa — ele jogou a jarra no chão e com um movimento brusco, puxou uma de minhas pernas. Minha boca ficou seca e meu coração acelerou, quando ele fixou o objeto em meu tornozelo, em seguida jogou o tecido que tinha na mão em direção ao meu rosto, no mesmo instante que sua mão livre pegou o maço de cabelos da minha mão. Logo depois a sua voz reverberou no ar. — Vamos ver se você terá coragem de fugir novamente. Com essa tornozeleira eletrônica poderei controlar todos os seus passos e se acaso tentar avançar para longe da propriedade, uma onda de choque será enviada e te garanto que as lesões serão as piores possíveis. Pisquei várias vezes, tentando processar suas palavras, mais ao ver a fúria em seu olhar, que me fez estremecer de imediato, me levantei e segurando o tecido, seguir em direção ao banheiro. Tirei a enorme camisa que estava vestindo e peguei a minha calcinha que tinha lavado na noite anterior. Depois que vesti a peça, meu olhar se voltou para o trapo que ele trouxe para eu usar e instantes depois, já estava vestida, ao me olhar no espelho uma lágrima quente escorreu pelo meu rosto, mas tratei de limpar a minha face. Eu precisava ser forte e mais esperta, só assim vou conseguir me livrar das garras desse monstro. Já de volta ao outro cômodo, Enzzo já estava subindo os degraus e em passos apressados fui na mesma direção que ele. Depois de algumas passadas, senti um aperto no coração, assim que a senhora Yolanda surgiu no meu campo de visão. Eu queria pedir desculpas, mas logo o som da voz dele afastou meus pensamentos e minha atenção se voltou para a imagem a minha frente. — Aqui está tudo que você vai precisar. Além de limpar toda casa, assim que terminar, precisa dar comida aos porcos e limpar o galinheiro. Respirei fundo, soltei um suspiro trêmulo e apertei minhas mãos tentando afastar o sentimento ruim que se instalou em meu peito. Sem ter noção do que eu ia fazer, acabei com a distância e peguei a vassoura e o balde que tinha os materiais de limpeza. Horas depois... Nunca em toda minha vida, me senti tão cansada, minhas mãos estavam latejando e mais do que nunca, dei valor as pessoas que tanto dedicam suas vidas trabalhando na casa de outras e acabam ganhando tão pouco. Quase que não terminava, além de ter me sentido tonta por diversas vezes, a sensação que eu tive foi que, ou eram muito desleixados, ou sujaram tudo de propósito. No final de tudo, acabei com a mão toda cheia de calos, pois a madeira do cabo da vassoura era muito áspera e por isso acabou machucando a minha pele. Jamais pensei que teria coragem algum dia, de pegar algo que não era meu, mas durante a limpeza do banheiro, acabei encontrando no armário, vários produtos de higiene pessoal e escondi entre a minha roupa, onde mais pareço um fofão de tão grande, uma escova e um tubo de creme dental. Assim que terminei, dei graças a deus por não encontrar Enzzo e muito menos o seu tio. Seguindo o cheiro delicioso que invadiu minhas narinas, acabei parando na cozinha e embora com o pé machucado, era a senhora Yolanda que estava cozinhando. Ela, ao perceber minha presença, se virou em minha direção, aproveitei o momento para pedir desculpas. — Eu sinto muito pelo que aconteceu e queria pedir desculpas por tê-la empurrado. — Você não precisa pedir desculpas, eu também errei ao ficar em sua frente. No instante que ia me mover em busca de pedir algo para comer, a voz de Enzzo, num tom rude ecoou. — O seu serviço ainda não terminou. Se desejar, ganhar algo para comer, procure fazer por merecer. A mulher a minha frente me entregou o depósito com o resto de comida que sobrou do dia anterior e falou onde estava a ração que devia misturar e dá aos porcos. Seguindo as instruções que ela me deu para chegar até o chiqueiro, caminhei para fora da casa. Eu já estava suando frio, me sentia cada vez mais fraca e depois de alguns metros, avistei o lugar e para minha surpresa tinha seis porcos grandes e, meia dúzia de filhotes. Dei alguns passos me deslocando até o local onde ficava a ração e abri o grande depósito que tinha em minhas mãos. Meu estômago deu sinal de vida assim que meu olhar ficou grudado nos pedaços de carne que devia ser a mesma comida que eles estavam jantando ontem. Tentei desviar minha atenção, mais um desejo enorme pairou sobre mim. Meus olhos se voltaram para os lados observando se não tinha ninguém à vista e, quando constatei que só os porcos estavam com o olhar em minha direção, me abaixei e levei uma das mãos em direção — Hum... que delícia — gemidos começaram a sair entre por meus lábios e por mais que tentasse me controlar, quando dei por mim, já tinha comido boa parte da comida que devia ser misturado com a ração. Satisfeita, limpei minha boca e tratei de pegar a ração e alimentar os porcos. Pela expressão dos animais, era como se soubesse que eu havia comido o que era deles. Depois do almoço, onde novamente havia dentro da vasilha que estava no chão a mesma gororoba da noite anterior, fiquei imóvel e não comi, já que minha barriga estava cheia. Passei as horas seguintes limpando o galinheiro e toda minha empolgação desapareceu quando o tio de Enzzo, disse que os porcos só iam jantar ração. Na hora do jantar, enquanto eles tinham um banquete digno de um rei, no objeto que está sobre o chão, desta vez tinha o que parecia ser uma sopa, porém, dava para se conferir nos dedos da mão os grãos de feijão, o resto era só caldo. Acabei comendo, já que meu pensamento estava voltado para o dia de amanhã e, certamente boa parte do que sobrasse, seria para complementar a ração dos animais. Comi aquela sopa imaginando que era a coxa de frango, que olhei minutos antes, o tio dele levando de encontro a boa. Depois de ajudar a lavar toda louça. Voltei para o porão, só queria tomar um banho e que logo amanhecesse. Entrei dentro do cubículo e me livrei da roupa de serviço, só de imaginar que a água fria entraria em contato com a minha pele, já me causava uma angústia, mais eu precisava tomar um banho. Minutos se passaram, depois de lavar a única calcinha que tinha naquele momento, fui até a pia, peguei a escova e apasta de dentes e depois de terminar, vesti a camisa que dormir na noite anterior e caminhei em direção ao colchão. Ainda estava úmido uma parte do cobertor, por isso, procurei dentro da caixa até encontrar uma cocha de cama. Deitei-me e quando ia jogar o tecido em volta da minha cabeça, já que, embora estivesse com as costas ardendo, eu só conseguia dormir nessa posição. Tive um sobressalto quando a porta foi aberta e meus olhos se voltaram para a figura que estava parado no topo da escada. Tirania – Albânia ENZZO DESDE QUE SOUBE DA EXISTÊNCIA DA FILHA DAQUELE TRAÍDOR, que a cada dia e ano que se passavam, assim como o ódio que sentia pelo desgraçado se tornava descomunal, eu sentia uma pancada de fúria apoderar-se de todo o meu ser ao pensar que, ao contrário de mim, Helena Petrovci, se tornou para todos que fizeram parte do legado dos Demisovski, a única herdeira da máfia albanesa. Nunca em toda a minha vida havia levantado a mão contra uma mulher, já que as únicas com quem convivi, foi Yolanda, que tenho como uma avó e as mulheres do bordel, que sempre fizeram de tudo para ter o meu cacete dentro delas. Mas, quando eu cogitei que ia apreciar a cena de vê-la se saciando da comida, que era servida aos porcos, a atrevida saiu em disparada da cozinha. Levantei-me imediatamente e ao chegar à sala e ver a pessoa por quem daria a minha vida jogada no chão com uma expressão de dor, um vulto tenebroso passou por mim e um calafrio atingiu a minha espinha. Senti todos os órgãos internos do meu corpo em ebulição, era como se eu estivesse com a barriga aberta e alguém enfiasse as mãos dentro de mim, revirando meus rins e o meu estômago. Movendo-me na velocidade de um raio, acabei alcançando a mentirosa e, tomado pela raiva, ao ver seus lábios se moverem e já sabendo que dessa raça maldita tudo se resumia a mentira. Levei minha mão em direção a sua pele de porcelana pálida e o estrondo do golpe ressoou no ar. Depois que joguei a comida no chão e deixei o cômodo, fui direto para o quarto de Yolanda e pela expressão do meu tio, sabia que estava dominado pela raiva. Novamente tive que lembrá-lo que seria o único a tocar nela e não querendo travar uma briga com aquele que dedicou os últimos anos da sua vida, a cuidar de mim, eu precisava encontrar uma forma de fazer a maldita pensar mil vezes antes de querer fugir novamente. Eu mal consegui dormi. Passei boa parte da noite olhando para aquele jornal como se de alguma forma, algo dentro de mim se negava a aceitar que tudo que estava escrito naquele pedaço de papel fosse verdade. Assim que as trevas deram lugar à luz, peguei o tecido que estava em cima da minha cama e a tornozeleira, em seguida deixei os meus aposentos, caminhei em direção à cozinha. Peguei uma jarra com água e joguei algumas pedras de gelo dentro para que o líquido ficasse na temperatura a qual eu desejava, com passos decididos, segui para o lugar onde a infeliz se encontrava. Quando estava descendo os degraus da escada, meus olhos ficaram fixos em sua direção. Segundos depois, já tinha diminuído o espaço entre nós, para uma princesa que foi criada com todo luxo, tinha que admitir que a mentirosa se virou muito bem, para sua primeira de muitas noites que passará nesse lugar, porém já estava na hora dela deixa de ser a princesa que sempre viveu em um belo castelo cheio de regalias e ser tratada como realmente merecia. Afastei meus pensamentos e com um simples movimento, virei a jarra deixando o líquido gelado atingir o tecido até entrar em contato com a sua pele. Vontade não me faltou em jogar um balde inteiro de água em cima dela, porém com Yola impossibilitada de fazer o serviço, que sempre fez com muito gosto, já que nunca tinha visto uma pessoa que acordava no horário das galinhas e não demorava muito já estava com uma vassoura na mão. Quando a vi se contorcer, sabia que o liquido estava entrando em suas narinas, o que me fez vibrar por dentro em grande intensidade. Todavia, todo o êxtase que estava sentindo desapareceu como num piscar de olhos, assim que meu olhar ficou grudado em seus cabelos. Senti uma onda de calor me atingir, meu coração palpitava num ritmo alucinado e por mais que tentasse me controlar, já que deveria estar em festa por saber que o tratamento vip estava mexendo com o psicológico da maldita. Uma sensação de inquietude pairou sobre mim. Deixamos o ambiente e logo em seguida já fui apresentando o balde com o material de limpeza para gata borralheira, que nem o mal corte de cabelo e os trapos que vestia foram capazes de ofuscar tamanha beleza. Caminhei em direção ao escritório e do trajeto até chegar ao ambiente, uma ideia surgiu em minha cabeça e em questão de minutos, Hulk, se juntou a mim e era chegada a hora de deixar as teorias de lado e começar a ação. Horas depois, em que o meu tio foi pessoalmente providenciar para que a encomenda chegasse ao seu destino. Acabei ficando perdido em meus pensamentos e fui vencido pelo cansaço, não sei em que momento deixei a escuridão me envolver. O restante do dia, mesmo após tanto serviço, Helena Petrovci, mostrou que o sangue ruim que corri em suas veias era realmente daquele abutre, mesmo indo contra tudo que Yolanda ensinou, deixamos a casa pela primeira vez, uma verdadeira bagunça, a começar pelo banheiro que meu tio fez questão de se encarregar. No entanto, ver ela agachada no chão feito um animal comendo aquela sopa, como se fosse a melhor comida do mundo e ainda continuar com o mesmo brilho em seu olhar, dando a entender que ia manter- se de pé, mesmo que eu tentasse a jogar no chão. Só despertou uma vontade enorme de quebrá-la em mil pedaços. A farei sentir uma dor que vai arder não fisicamente, mas será semelhante a uma ferida que vai enraizar e a cada dia se tornará como um câncer maldito, a corroendo por dentro, até ela acabar com sua miserável vida. Afasto as lembranças quando abro a porta e ao notar a minha presença, seus olhos que mais pareciam duas bolas de gude gigantes ficaram voltadas em minha direção. "Vamos ver se continuará com o mesmo brilho nos olhos depois do que vai acontecer." Enquanto isso em Durrês... OMAR PETROVCI Como eu esperava, a notícia do falso sequestro da desgraça acabou me dando uma boa vantagem em relação aos candidatos que insistem em atrapalhar os meus planos. Embora já tenha eliminado dois, se continuasse com essa estratégia, cedo ou tarde levantaria suspeitas. Muito maior que o dinheiro, é a minha sede de poder. Saber que posso controlar a vida das pessoas, de todo um país sem precisar usar uma arma para isso. Além dos membros da nossa organização, que segundo Malaquias, desta vez eles seriam implacáveis e acharia Helena, pois até hoje, os idiotas não se perdoaram por ter falhado em seus juramentos em defender o pequeno monstrinho, acabei por receber várias noticias falsas sobre o destino da infeliz. Isso foi o menor dos meus problemas, já que precisava controlar Isabella, para que não acabassem atrapalhando os meus planos. Sabendo que ela já estava melhor, uma equipe liderada por Malaquias, iniciou uma caçada e como ponto de partida, eles queriam que a imbecil relatasse tudo que lembrava. Trarei logo de ameaçá-la, usando o seu ponto fraco. Ela ficou perplexa quando ouviu minha sentença de que se não falasse tudo como eu havia repassado, ao encontrar a sua querida filha, ela teria um único destino, "a morte". Sabendo que a infeliz daria a vida por aquela inútil, acabou por fazer tudo como eu havia dito e aproveitando toda essa situação, dei hoje varias entrevistas e, até simulei algumas lágrimas para fazer os idiotas acreditarem o quanto eu era um pai desesperado, que só queria encontrar a sua filha amada. Meus pensamentos foram interrompidos quando escutei um barulho causado pelas batidas na porta. Assim que autorizei a entrada de Aron, meu chefe de segurança surgiu no meu campo de visão. Meu olhar ficou direcionado para pequena caixa em suas mãos e depois de alguns passos, ele se deteve e sua voz ecoou no ambiente.— Encontramos essa caixa próxima ao portão. Já usamos os equipamentos de segurança e não há nenhuma substância explosiva dentro. Cogitando que pudesse ser alguma informação da infeliz. Movi a cabeça para que ele colocasse a caixa em cima da minha mesa, em questão de segundos tirei o lacre do objeto e ao abri a caixa. Meus batimentos aumentaram, levei umas das mãos em direção as mechas de cabelo, no entanto, ao retirar o objeto, o que vi em seguida fez todo o meu corpo estremecer. "Não pode ser possível!" Tirania – Albânia OMAR UM TREMOR VIOLENTO ME ATINGIU POR DENTRO. Meus pulmões estavam aos espasmos, à raiva incendiando em minhas veias e por mais que eu quisesse desviar atenção da imagem a minha frente, fiquei completamente imóvel. Eu mais parecia uma verdadeira estátua humana. Diante daquela fotografia e apesar de tantos anos terem se passado, eu jamais esqueceria aqueles malditos olhos e a sensação que senti quando eles ficaram grudados nos meus. Não sei quanto tempo se passou, mas quando voltei ao meu estado de lucidez, de imediato minha voz ressoou no ambiente. — Quem deixou essa maldita caixa? — Ela foi encontrada na troca de turno do pessoal da guarita e presumindo que fosse alguma informação do paradeira da princesinha da máfia, após passar pelo rastreador e constatar que não tinha nenhuma substância explosiva, um dos nossos homens trouxe até a mim. — Quero todas as imagens da parte externa da mansão. — Agora mesmo, chefe. No momento que o homem sumiu do meu campo de visão, levei minhas mãos até a caixa, enquanto a outra segurava a mecha de cabelo, que tudo indicava ser daquela infeliz. Olhei para a imagem do pequeno monstrinho e vários pensamentos se fizeram presentes, mas ao virar a fotografia e ver o que estava escrito nela, meu coração disparou e um ódio descomunal tomou conta de todo o meu ser. "A sua princesinha está sob os meus domínios e assim como uma fênix, Enzzo Demisovski ressurgirá, e, ao contrário da tentativa fracassada em acabar com minha vida, quando eu era somente um bebê, eu irei arrancar o seu coração com as minhas próprias mãos." HELENA Meus olhos estavam voltados para o homem alto que vibrava com uma energia poderosa e mais parecia um anjo vingador, todo vestido de negro. Como se não fosse suficiente meus batimentos cardíacos estarem acelerados, de repente disparou terrivelmente, como se meu coração pudesse voar para fora do meu peito, assim que ele começou a descer os degraus da escada, soltei o ar com força, como se tivesse prendido a respiração e movida pelo desespero me levantei. E, quando ele se livrou do sobretudo preto, revelando sua nudez, engoli em seco ao ver o seu membro tão duro como um lápis. A cada passo que ele dava, minha pulsação acelerava. Comecei a recuar à medida que a distância entre nós dois ia diminuindo. Minhas mãos começaram a suar e o pânico me dominou quando senti minhas costas tocarem no concreto, no mesmo instante que o homem que vem me causando tanta tristeza me encurralou, colocando uma mão de cada lado da parede, me fez ficar com mais dificuldade para respirar. Aqueles olhos azuis me analisavam como se quisesse ver a minha alma. Embora meu nervosismo fosse grande e a expressão dele era algo indecifrável, as batidas do seu coração estavam tão descompassadas quanto as minhas. Minha boca ficou seca e minha respiração pesada, quando ele moveu uma de suas mãos para mexer nos meus cabelos e em seguida a deslizou pelo meu rosto, o seu toque me fez fechar os olhos por uma fração de segundos, mas em seguida tive um sobressalto, o que me tirou do estado de devaneio que me encontrava. E, ao lembrar de tudo que ele me fez, comecei a me debater tentando sair de sua posse, mas ele era muito mais forte. — Me solte. Se afaste de mim! — disse enquanto me debatia. Enzzo, vendo a minha reação, segurou firme a minha cintura fazendo nossos corpos ficarem grudados, com sua boca a centímetros de distância da minha, o som da sua voz reverberou no ar. — O seu corpo diz o contrário — falou pressionando a virilha contra minha barriga e sem demora senti seus lábios tocarem os meus e sua língua invadiu minha boca, bagunçando minha capacidade de raciocinar. Sua língua ávida e úmida iniciou um duelo erótico cheio de possessividade contra a minha boca, enquanto minha língua lutava desesperadamente contra seu domínio. Com uma mão afoita, ele percorreu o meu corpo, até alcançar a barra da minha blusa e num movimento preciso, chegou até a minha intimidade que ficou totalmente exposta e a sua mercê. Ele intensificava o beijo à medida que seus dedos habilidosos exploravam os meus lábios vaginais, fazendo o meu corpo inteiro reagir a cada toque seu. Uma sensação febril me dominou e quando ele introduziu dois dedos dentro da minha vagina, sem que eu pudesse controlar, gemidos começaram a sair pela minha garganta. O desejo tinha percorrido todo o meu corpo. Os seus dedos diabólicos, estavam entrando e saindo da minha fenda com precisão e quando sua boca deixou a minha, ele procurou meu pescoço e seus lábios deslizaram até a minha clavícula e se deteve nos meus seios. Sua boca chocou-se contra meus seios, provocando-me e sua língua rodeou meu mamilo, chupando primeiro um, depois o outro. Aumentando ainda mais o ritmo da invasão dos seus dedos incansáveis, um fogo ardeu em meu ser e minhas pernas começaram a tremer. De repente, ele retirou seus dedos ousados da minha intimidade úmida e depois levou à boca e sugou-os diante dos meus olhos. O erotismo do seu ato provocou ainda mais a minha excitação, mas antes que eu tivesse qualquer reação, ele novamente segurou nos meus quadris e me suspendeu. Com as pernas entrelaçadas em volta da sua cintura, senti a cabeça rosada do seu membro na entrada da minha boceta e só ai o choque da realidade me atingiu, no entanto, quando meus lábios se moveram, seu pênis me invadiu e sem delongas ele me beijou com ardência. Enquanto nossas bocas se devoravam, senti seu membro me invadindo cada vez mais fundo. À medida que ele acelerava o ritmo da penetração, seu pau engrossava contra minha vagina. O desejo vinha com uma voracidade enorme e gemidos roucos de dor e prazer começaram a sair da minha boca à medida que ele enfiava toda longa extensão do seu membro faminto dentro de mim. Trocamos gemidos entrecortados, pelo beijo. Parecíamos arder juntos no mesmo fogo, seus quadris começaram a se mover, me levando à loucura com suas estocadas furiosas. Meus quadris se remexiam sem que eu me desse conta, sentindo meu ventre ser contraído por pequenos tremores de deleite. Senti minha vagina apertar em volta dele e cada parte da minha intimidade fervia. — Por favor — disse entre sussurros. Seu pênis entrava e saía de mim intensamente, me fodendo, seus movimentos habilidosos me faziam perder o fôlego. Ele rangeu os dentes e encostou a boca na minha, engolindo a minha língua, sugando com entusiasmo. Minha boceta começou a arder e um prazer descomunal me envolveu. Meu corpo desabou e ondas de prazer ainda percorriam a minha intimidade. As forças me faltaram e no grito alto, ele gozou. Senti o seu membro ondulando e despejando o líquido cremoso dentro da minha vagina. Enquanto nossas respirações iam se acalmando, o silêncio predominou no ambiente, quando levantei minha cabeça, nossos olhos se cruzaram e em seguida minha voz ressoou no ambiente. — Enzzo, eu... — Cale-se. Antes que eu terminasse de dizer o que estava pensando, a expressão que antes refletia o puro desejo deu lugar a um sorriso cínico, no mesmo instante que ele desfez o contato das minhas pernas que estavam em volta da sua cintura, e uma de suas mãos segurou firme o meu queixo me forçando a encará-lo, logo após a sua voz ecoou no espaço. — Você não achou que o fato de transarmos, me faria esquecer-se de quem você é filha. Assim como um animal, que mesmo sendo rejeitado pelo seu dono, continua mendigando atenção. Tudo que aconteceu só mostra que posso te quebrar em vários pedaços, que o seu corpo vai corresponderaos meus toques. Ele retirou sua mão do meu rosto e com um giro nos calcanhares começou a andar em direção à escada. As lágrimas quentes logo escorreram, inundando a minha face. Senti um aperto no coração e a dureza das suas palavras fez algo dentro de mim se quebrar para sempre. Tirania – Albânia Dias depois... HELENA OS DIAS SE PASSARAM e as lembranças daquela noite nunca saíram da minha mente. Depois que ele caminhou em direção a escada, no movimento que durou somente dois segundos, Enzzo pegou o sobretudo e ao subir os degraus o colocou em volta do seu corpo. Assim que chegou próximo à porta, lançou um olhar cheio de sarcasmo em minha direção, em seguida sumiu da minha vista. Nojo! Essa era a palavra que descrevia tudo que eu estava sentindo. Mesmo sabendo de tudo que ele me fez, no fundo eu tinha esperança de que tudo aquilo era um pesadelo. Que maior que o ódio e a raiva, ele pudesse ter algum sentimento por bom mim. Ouvir aquelas palavras fez toda uma retrospectiva passar a minha frente e nem mesmo as surras que levei de Omar, doeu tanto quanto os puxões de cabelo e o tapa que Enzzo me deu, provocando algo muito forte dentro de mim. A sensação que eu tinha era como se ele tivesse cravado uma estaca em meu peito e essa tivesse entrado e saído me destruindo em prestações. Envolvida por essas lembranças, eu perdi a noção do espaço e do tempo. As lágrimas grossas e quentes desciam pela minha face na medida em que a dor se intensificava em meu peito e quando consegui sair do estado catatônico que me encontrava, caminhei em direção ao banheiro. Em frente ao pequeno espelho, tirei a camisa que vestia e meu olhar ficou direcionado para o meu reflexo. Por diversas vezes questionei o motivo de não ter sido eu a ter morrido no lugar do meu irmão, entre lágrimas e soluços, sempre pedia que algum dia o homem que se tornou o meu algoz, pudesse vir a me amar, mas o tempo passou e a única coisa que recebia dele era o seu desprezo e suas feições ficavam ainda mais diabólicas, toda vez que me mostrava um embrulho novo, que em vez de ter algum brinquedo, tinha um cinto ainda mais grosso. Eu jurei a mim mesma que lutaria com todas as minhas forças, pois maior que a minha dor, era o medo que ele fizesse algo a minha mãe. Conhecer Thadeu e Enzzo, me fez acreditar que nem todos os homens tinham um coração tão tenebroso quanto aquele monstro. Thadeu se sacrificou por mim, já que sabia que ao aceitar o plano de me levar para longe, sua vida também estava correndo risco. Enzzo, assim como me fez conhecer o paraíso, me trouxe de volta para o inferno e ao contrário daquele que conhecia desde criança, a dor que se enraizou dentro de mim é descomunal, despertando sentimentos muito ruins, os quais sempre fiz de tudo para não deixa-los me envolver. Deixei os pensamentos de lado e fui para debaixo do pequeno chuveiro. Os minutos se passavam e era como se eu tivesse no piloto automático, pois não conseguia parar de me esfregar e por mais que a água caísse em meu corpo, eu queria retirar toda a sujeira da minha pele e o cheiro intoxicante dele. Eu queria que de alguma forma, além do líquido que descia pelo ralo e ia se esvaindo, eu pudesse me livrar das lembranças de minutos atrás. Quando terminei fui até uma das caixas procurar algo para vestir. Na manhã seguinte, novamente acordei num sobressalto quando desta vez, eu achei que seria o meu fim. O pânico apoderou-se de todo o meu ser, eu estava sufocando e as rajadas de água vieram com tudo, atingindo o meu rosto. Além do líquido gelado, várias pedras de gelos caíram na minha face. Os segundos deram lugar aos minutos e quando consegui limpar a minha visão, que estava embaçada, a imagem do demônio surgiu em minha frente e o êxtase por me ver naquele estado, estava visível em seu olhar e o que antes me fazia estremecer, só me deu forças para me levantar e antes que o som da sua voz ecoasse no espaço, segui para o banheiro. Peguei minha calcinha e o vestido e num jogo rápido, escovei os meus dentes e assim que terminei respirei profundamente e como havia prometido a mim mesma, jamais voltaria a derramar uma lágrima diante desse monstro e não importa quão grande seja o obstáculo, eu irei sair desse lugar. Com passadas rápidas, passei pelo homem que ainda estava no mesmo lugar e segui rumo aos degraus da escada. Assim como no dia anterior, fiz toda limpeza da casa, o banheiro estava ainda mais sujo, porém tudo que vinha em minha cabeça era que dentro de poucas horas, eu ia alimentar os porcos e, só de imaginar que ia me deliciar do frango assado que eles comeram no jantar, nem notei quando as horas se passaram. Quando Yolanda me entregou o deposito praticamente só faltei correr para chegar ao chiqueiro e ao abrir o objeto, toda felicidade que estava sentindo deu lugar a tristeza quando só encontrei a carcaça do que sobrou do frango e o restante era arroz. O meu desejo era tão grande, que minha boca estava salivando, me agachei e comecei a comer tentando me satisfazer com a pouca carne que tinha entre a ossada. Depois daquele dia, os demais não foram diferentes, pois além de sentir muita fome, a cada dia estava mais fraca. Sem contar que sempre estava enjoada e por diversas vezes acabei vomitando. Deixo as lembranças de lado e me levanto antes que mais uma vez seja acordada com água no rosto, do jeito que já estou gripada, a tendência é adquirir uma pneumonia. Minutos depois, já arrumada e feita minha higiene pessoal, andei até o colchão e meus olhos ficaram fixos na porta. Preciso arrumar um jeito de entrar em contato com a minha mãe e só assim vou conseguir sair desde cativeiro. Acabei por ficar perdida em meus pensamentos e só voltei à realidade quando a porta foi aberta e antes que ele se movesse fiquei em pé e sem delongas comecei a andar. Quando cheguei ao penúltimo degrau, ele ficou me encarando por alguns segundos e logo depois o som da sua voz reverberou no cômodo. — Vou passar o dia todo fora e de já te aviso para não tentar nenhuma gracinha, ou não vou hesitar em ativar a corrente de choque e nada me dará mais prazer do que vê-la se contorcer em meio a dor. Depois de dar sua sentença, ele se virou e com algumas passadas deixei o ambiente. Uma hora depois, Enzzo saiu e eu acabei por passar um bom tempo sentada em cima do vaso, esperando a tontura passar e desta vez eu mal consegui me equilibrar nas minhas próprias pernas. Eu sentia que a qualquer momento ia acabar desmaiando, pois me sentia cada vez mais fraca e faria qualquer coisa para ter um prato de comida, era como se tivesse um buraco no meu estômago e minha fome tinha se multiplicado. Depois de limpar tudo, já estava sentindo um tremor por todo o meu corpo e assim que cheguei à cozinha, a qual fui com intuito de encontrar algo para saciar a minha fome, me deparei com aquele brutamonte que como sempre tinha um olhar de fúria lançado em minha direção. A minha última esperança, era de que hoje no deposito tivesse muito mais do que ossos, já que não aguentava mais comer aquela sopa de feijão, onde os graus não davam nem uma dezena. Mas, quando Yolanda disse que era para alimentar os animais só com ração, foi como tomar um soco no estomago e não tendo o que fazer, fui para o chiqueiro e após pegar a ração, abri a porteira e para minha surpresa tinha uma poça enorme de lama. Deixei os pensamentos de lado quando um cheiro delicioso impregnou as minhas narinas, ao meu virar, fiquei petrificada olhando para imagem a minha frente. Olhei fixamente para a banda de frango assado que estava dentro de uma pequena jaula, e esta estava trancada por um cadeado. Parecia que eu estava hipnotizada, uni meus lábios para não deixar a saliva escorrer pelo canto da minha boca e só saí do estado de devaneio em que me encontrava, quando a voz aterrorizante do homem, que faz questão de deixar transparecer o quanto me odeia ecoou a minha volta. — Tudo isso pode ser seu — ele fez uma pausa e caminhou para dentro do habitat dos porcos e depois de alguns passos se deteve e quando elelevantou uma das mãos, avistei uma pequena chave e num movimento rápido ele a jogou na poça de lama. — Se está com tanta fome, basta pegá-la com a boca e poderá ter a recompensa que está dentro daquela jaula. Meus batimentos cardíacos aumentaram. Senti a raiva percorrer por minhas veias, mas de repente eu comecei a suar frio, já estava me sentindo tonta e o meu estômago começou a fazer um barulho enorme em protesto e eu tinha a sensação que havia algo dentro da minha barriga. Eu não poderia ficar doente ou não teria forças para fugir desse lugar e mais ainda, dar a eles o gostinho de me ver derrotada, pois do jeito que estava fraca e me alimentando mal, tanto Enzzo quanto Hulk, não iam precisa de muito esforço para presenciar a minha morte. Sob o olhar atento dele, que esboçava um sorriso cínico e ao mesmo tempo vitorioso, me agachei e por alguns instantes fechei os olhos para reprimir uma lágrima que insistia em querer cair. Quando os abri novamente, a única imagem que veio em minha mente, foi do momento que consegui sair da mansão e me livrar de Omar Petrovci. Se o que parecia impossível, acabou se tornando possível, agora não posso perder as esperanças. Conduzi a minha boca em direção ao objeto brilhante e a medida que ia me aproximando, a gargalhada diabólica do tio do demônio ressoava no ar e, quando enfim consegui pegar a chave, o barulho deu lugar ao silêncio total e ao levantar a cabeça, ele estava parado com uma expressão indecifrável e olhando fixamente em minha direção, mas logo suas feições mudaram e seus olhos azuis estão refletiam uma fúria descomunal, que logo ficou direcionado para aquele que até segundos atrás estava sorrindo como se tivesse presenciando o melhor espetáculo da sua vida. Durrês – Albânia Dias antes... ISABELLA QUASE UM MÊS SE PASSOU DESDE QUE A RAZÃO DA MINHA VIDA, aquela a quem eu achei que estava protegendo, tirando-a das garras do capeta, para que não tivesse uma vida ainda mais dolorosa ao lado daquele outro infeliz, deixou esta casa. Os dias se tornaram um verdadeiro tormento e como se não bastasse toda a dor que estava sentindo, não só pela saudade e essa incerteza do que aconteceu com ela, tive que me manter forte para não sucumbir as agressões, onde desta vez, não só marcaram o meu corpo como a minha alma. Saber que o desgraçado com quem me casei seria capaz de matar a própria filha, fez com que uma onda de tremores percorresse todo o meu corpo. E, durante o interrogatório dos conselheiros, ver nos olhos de Malaquias, que apesar de pertencer a essa organização sanguinária, ele sempre tentou manter vivo o legado dos Demisovski, onde mulheres e crianças deveriam ser protegidas e não se tornarem alvos da crueldade desses homens, que mais parecem uma erva daninha e a cada dia vão se espalhando como um rastro de pólvora. Se não fosse pela ameaça do maldito, eu teria contado toda a verdade. No entanto, mesmo Malaquias sendo contra as novas regras, que o tirano do Petrovci acabou implantando, o lobo em pele de cordeiro sempre consegue o que tanto almeja. Embora, todos desse meio saibam que ele é o chefe da máfia albanesa, eles não sabem que ao contrário do que pensam, esse ser é o próprio anticristo, o qual tem duas faces e seu único objetivo é semear a maldade e destruir tudo de bom que existe. Saio das minhas lembranças quando a porta do meu quarto é aberta bruscamente. Meu corpo todo ficou em total alerta diante da imagem a minha frente e quando meus olhos foram de encontro ao objeto em sua mão e o som da sua voz tenebrosa ressoou no ambiente, todos os meus órgãos começaram a funcionar descontroladamente, como se fosse entrar em ebulição. — Esse cabelo é ou não da maldita que você colocou no mundo? Tempo atual... ENZZO No dia que a infeliz cortou os cabelos e após Hulk enviar uma das mechas, junto com uma foto minha que foi tirada por Yolanda, no dia que meu tio salvou a minha vida, que ao entrar naquele porão, tudo que se passava em minha cabeça era fazer a maldita sentir dor, no entanto, vê-la acuada e vestindo somente aquela camisa, me causou uma ereção de imediato. Sempre fui um homem que soube me controlar, mas somente por estar perto dela, o meu pau mais parecia uma barra de aço e para piorar a situação, as veias ficaram tão inchadas e o garotão não parava de latejar, ao ponto de me causar um forte incômodo. Quando me despi e, ao ver o jeito como ela olhava para o meu cacete, o único pensamento que ocupou a minha mente foi o de estar dentro dela. De fodê-la até que ela não pudesse mais sentir as suas pernas e quando acabei com a distância entre nós dois, não resisti ao desejo de beija-la, já que seu corpo vibrava a cada toque meu, reconhecendo o seu único dono. No momento em que uni nossos corpos e meu pau invadiu a sua boceta apertada, senti meu corpo todo em chamas e parecia que um duelo tinha iniciado dentro de mim. Uma luta entre as trevas e a luz, entre o ódio e o desejo. Quando juntos, alcançamos o limite do prazer, assim que meu sêmen foi derramando dentro dela em jatos potentes, o choque da realidade pairou sobre mim e, uma fúria imensurável tomou conta de todo o meu ser ao lembrar-me de tudo que tinha acontecido segundos atrás e principalmente que jamais poderia sentir nada além de ódio e desprezo pela filha do homem que tirou tudo de mim. Vesti minha armadura de homem frio, eu precisava mostrar que ela não era diferente das mulheres do bordel, que só serviam para me satisfazer. Olhando nos fundo dos seus olhos, minha voz ressoou no ambiente e presenciar o brilho dos seus olhos desaparecer me deixou satisfeito. Desde aquele dia, só voltei naquele cômodo quando ia acordá-la. Ainda cogitei em ir ao bordel por diversas vezes, mais sempre dizia ao meu tio que precisava controlar cada passo da mentirosa, porém o motivo maior era que a desgraçada não saia da minha cabeça. Confesso que a cada dia estou admirado pela força e determinação da maldita mentirosa. Uma aparência semelhante de uma boneca de porcelana, a qual com um movimento brusco seria estraçalhada, porém, ao contrário do que aparenta fisicamente, ela é muito mais forte e, mesmo após tudo que está passando, se mantem de cabeça erguida. Como já havia decidido com Hulk, no dia anterior, precisava ir a Durrês para sondar como estava a movimentação daquele traidor, após ter recebido o presente que enviamos. Não será fácil ter que acabar com todos que estão ao seu lado, já que o mentiroso acabou conseguido muitos aliados, porém foi justamente para isso que passei anos sendo treinado e no momento certo vou mostrar a todos quem ele realmente é. Acabei indo de moto, assim chegaria mais rápido e antes de sair fui acordar a gata borralheira que a cada dia está só pele e osso. Fui surpreendido, ao encontrá-la já acordada. Depois de sair de casa rumo a Durrês, de longe avistei uma grande movimentação e graças ao fluxo enorme de veículos, me deu tempo suficiente para que a ficha caísse de que aquilo não passava de uma blitz, que tinha como responsável Omar Petrovci, o maldito certamente devia estar procurando aquele que deixou a caixa em seu território e mesmo o meu tio tendo usado o placa fria, ele não se atentou a mudar a cor do veículo. Em questão de segundos fiz o contorno e deixei o lugar indo pelo desvio que me levaria até a cabana. Já no meu destino, ao entrar no cômodo, toda uma retrospectiva passou diante dos meus olhos e quando fui até o quarto encontrei uma blusa da infeliz. Levei o tecido até o nariz e, mesmo após ter se passado tantos dias, o cheiro delicioso logo invadiu minhas narinas, no entanto, meu coração ficou agitado e uma sensação ruim pairou sobre mim. Na velocidade de uma bala, fui até o meu veículo e em seguida o coloquei em movimento. Quando enfim cheguei a casa, procurei por Helena e não a encontrei. Fui até a cozinha e Yola me informou que ela tinha ido alimentar os porcos, e que Hulk também foi naquela direção. Com um giro nos calcanhares e passadas rápidas, acabei com o distanciamento e ao chegar no chiqueiro, uma ondade eletricidade passou por todo o meu corpo, fazendo tanto o meu coração, quanto o meu pulmão funcionarem semelhante a um vulcão prestes a entrar em erupção. Vê-la daquele jeito, igual aos porcos, com a boca toda suja enquanto a risada do meu tio preenchia todo o espaço, foi como se novamente uma luta estivesse sendo iniciada dentro de mim e, ao desviar os meus olhos dela, meu olhar ficou cravado no homem a minha frente. Fechei minhas mãos em punho, tentando controlar a minha raiva e a vontade enorme de avançar em cima do maldito. Nunca pensei que algum dia pudesse sentir algum sentimento ruim pelo homem que é o grande responsável por hoje eu estar aqui, mas algo dentro de mim estava em chamas ao ver o que ele fez com ela. Venho fazendo o mesmo sim, mas ninguém além de mim pode encostar ou fazer nada contra ela. Voltei minha atenção novamente para ela e o som da minha voz se fez presente. — Levante-se agora. Assim que ela ficou em pé levou uma das mãos até a boca e pegou a chave que certamente era da pequena jaula. Apontei para o objeto e novamente voltei a falar. — Trate de tomar um banho e pode levar o prêmio, o qual você se prestou a fazer isso para obter. A mulher, mesmo naquela situação ainda refletia a luz, e ao contrário dela, qualquer outra na mesma circunstância, estaria com uma expressão cabisbaixa. Ela se moveu andando até o objeto e pegou a jaula. Helena Petrovci, não estava se humilhando por ser fraca e sim tentando não sucumbir a tudo que estávamos fazendo. Quando ela sumiu do meu campo de visão, minha atenção ficou cravada em Hulk, e antes que ele cogitasse em se manifestar, minha voz ressoou. — Não tente medir forças comigo ou terá que enfrentar o monstro que habita dentro de mim. Eu a encontrei e mesmo sem saber, trouxe-a até aqui. Não importar de quem ela seja filha e o que representa, ela está sob o meu jugo e ninguém além de mim tocará em um fio de cabelo do que me pertence. Tirania – Albânia Uma semana depois... HELENA AS CONSEQUÊNCIAS EM TER ENCOSTADO a minha pele naquela lama, foi que acabei tendo uma reação alérgica e no dia anterior, quando acordei e fui me olhar no espelho, o meu rosto estava inchado e em volta da minha boca tinha algumas bolhas. Graças à dona Yolanda, que se compadeceu da minha situação, que além dos cuidados para que eu ficasse boa, passou a esconder no porão alguns mantimentos e desta forma comecei a me alimentar melhor, no entanto, além de sempre estar com uma sensação de cansaço e colocar boa parte do que comia para fora, eu comecei a sentir como se algo estivesse fervilhando em minha barriga. Era como se tivesse fogo líquido em vez de sangue e sempre sentia um forte desconforto. Depois daquele episódio no chiqueiro, o tio de Enzzo, sempre que passava por mim, ao contrário das outras vezes, era como se eu não estivesse ali. Seu olhar sempre estava voltado na direção contrária. Deixei as lamentações de lado e comecei a pensar em como me livrar da maldita tornozeleira, porém, quando tentei abri-la com a tesoura, senti um tremor pelo meu corpo e uma forte cólica em minha barriga. Desde então, fiquei com receio de tentar novamente. Todavia, foram várias as tentativas fracassadas em consegui me aproximar do telefone, pois sempre alguém surgia na sala. Com o passar dos dias, embora me alimentando muito mal durante o dia, mas com a comida que achava dentro de uma das caixas a noite. Comecei a ter forças e fui me habituando com a rotina. Para quem nunca tinha colocado as mãos em uma vassoura, eu já estava me sentindo praticamente uma rainha da faxina. Graças à pomada que dona Yolanda me deu, em poucos dias a minha pele voltou ao normal e quando estava prestes a cair no sono do esquecimento, a porta foi aberta e novamente o anjo vingador apareceu. Como sempre vestido de preto e assim que começou a descer os degraus, me mantive imóvel em cima do colchão, até que ao chegar ao último degrau, ele livrou-se da única peça roupa que vestia revelando todo o poder da sua masculinidade. Depois de alguns passos, parou próximo a mim e a sensação que eu tive ao olhar para o seu membro, era que as veias iam explodir de tão inchadas, me fazendo engolir em seco ao pensar que todo aquele comprimento já esteve dentro de mim. Certamente que ao sair daqui teria que procurar um ginecologista. Seus olhos azuis estavam nos meus, intensos, ardentes e faiscando de desejo. Não demorou muito para o homem se enfiar no meio das minhas pernas e começar a me lamber, em seguida a sua boca envolveu o meu clitóris, chupando-o e sugando com vigor. E, quando ele meteu a língua dentro da minha intimidade e levou um dos dedos ao botão de nervos. Senti um calor escaldante atravessar a minha espinha, porém, virei o rosto para a parede assim que as palavras proferidas por ele naquela noite começaram a ecoar em minha cabeça e cada vez se tornavam ainda mais altas. Enzzo tirou a boca da minha vagina e foi nesse instante que me virei novamente e meus olhos encontraram os seus. Uma pancada de fúria estava visível em sua expressão e na mesma velocidade que ele apareceu na minha frente, o demônio se levantou e deixou o cômodo. Afasto os pensamentos perturbadores e caminho em direção ao banheiro, desde hoje a tarde que um mal estar pairou sobre mim e meu corpo todo estava febril. Instantes depois, de banho já tomando, assim que desliguei o chuveiro, comecei a tremer e mesmo com dificuldade consegui chegar até a pia e após ter escovado os meus dentes, caminhei rumo ao colchão. Mas minhas pernas mal me sustentaram e quando parei em frente ao velho colchão senti uma dor infernal em minha barriga. Tudo começou a girar e meu corpo desabou em cima do objeto, minhas pálpebras pesaram e fui envolvida pela escuridão total. Na manhã seguinte... ENZZO Maldição! Durante os últimos dias tentei desviar minha atenção para o que realmente importava. Hulk, com sua agilidade, foi implacável e preciso em desviar toda atenção dos soldados de Omar, que estavam de guarda na entrada da mansão e assim mais uma vez deixamos mais uma surpresa para o desgraçado. Após ter se passado tantos anos, tenho certeza de que ele ainda duvide que eu possa ter sobrevivido e nada melhor que os fantasmas do passado para atormentar o infeliz. Por outro lado, mesmo tentando lutar para tirar a mentirosa dos meus pensamentos, quando fui ao bordel e após uma rodada do melhor uísque da casa, enquanto Hulk ficou no salão, peguei uma das mulheres e segui para um dos aposentos. Há dias vinha tomando banho gelado e minhas mãos estavam ficando calejadas de tanto me masturbar debaixo do chuveiro, já que toda vez que a infeliz surgia no meu campo de visão, o meu cacete ganhava vida e começava a pulsar violentamente. Quando entrei no ambiente e a mulher começou a retirar a pouca roupa que vestia e logo depois ficou despida em minha frente, foi à imagem dela que vi naquele momento. Atordoado, acabei voltando para casa e assim que cheguei tratei de tomar um banho. Assim que terminei, vesti um roupão negro e resolvi ir até a cozinha, mas antes de chegar ao meu destino, acabei me desviando e quando dei por mim, já estava dentro do porão. No entanto, todo o desejo que estava sentindo deu lugar ao puro ódio, ao perceber que ela mais parecia uma boneca inflável e por mais que a tocasse, o seu corpo continuava rígido. Poderia muito bem tê-la possuído a força, porém nunca precisei disso e não me agradava em nada à ideia de transar com uma mulher frígida e um corpo que parecia sem vida. Sei que às escondidas, Yolanda vem dando comida a ela e, acabei fazendo vista grossa ao ver que a cada dia ela estava perdendo peso, pois não estava nos meus planos matar a filha do desgraçado. Saio dos meus devaneios assim que meu olhar foi de encontro ao relógio no meu pulso e já eram quase seis horas da manhã. Com um giro preciso nos calcanhares, me virei em direção a porta, pois já estava na hora de acordar a gata borralheira. Deixei o meu quarto e à medida que ia andando pelos corredores, comecei a ficar inquieto. A única vez queme senti dessa forma foi exatamente no dia que a tirei de dentro daquele veículo. Algo me queimava por dentro, fazendo todos os meus demônios despertarem. Não demorou muito para chegar frente à porta e, assim que levei uma das mãos de encontro à maçaneta, senti como se algo tivesse trancado a minha garganta e bruscamente abri a porta. Abaixei a cabeça me deparando com algo que fez a minha armadura ser estraçalhada em vários pedaços. Meu coração disparou e algo que só ela foi capaz de me fazer sentir tomou conta de todo o meu ser. O medo cru e agudo atravessou o meu peito e quando dei por mim, já tinha descido os degraus e ao me aproximar do colchão, fiquei petrificado e incrédulo com o olhar fixo na imagem a minha frente. HULK SONOLENTO, ME LEVANTEI, como sempre, nada melhor para tirar todo o estresse, como vir neste lugar. Olhei para mulher esparramada em cima da cama, que dormia feito uma pedra, segundos depois, fiquei de pé e fui catando no chão as minhas roupas. Arrumado, peguei a encomenda que tinha solicitado para madame Rosalina, e deixei o cômodo indo em direção à garagem. Em frente ao veículo, abri a porta traseira do carro para guardar as garrafas do uísque importado, já que ela sempre compra em alta quantidade e o valor acabar se tornando bem inferior se comparado com o que os ladrões vendem nos supermercados. Assim que fui colocar a caixa dentro do veículo, meus olhos foram de encontro ao objeto que certamente tinha caído de um dos bancos. Depois de colocar a caixa e me certificar que nenhuma garrafa ia se quebrar, pequei a mochila, em seguida fechei a porta do automóvel. Sendo o objeto totalmente desconhecido por mim e sabendo que não tinha nada haver com Enzzo, tudo indicava ser daquela infeliz. Joguei em cima do banco do carona e instantes depois coloquei o carro em movimento. ENZZO O mundo tinha parado a minha volta. Por uma fração de segundos, o meu coração parou de bater, logo depois, rapidamente acelerou no meu peito, tornando difícil respirar. Minha respiração se tornou descontrolada e urgente, meu peito subindo e descendo freneticamente. Os meus olhos se arregalaram e ficaram focados na imagem a minha frente. Fiquei imóvel e minutos se passaram, enquanto eu digitalizava cada centímetro das suas costas totalmente desfigurada e moldada pelas enormes cicatrizes em sua pele. Era como se eu quisesse enraizar isso em minha memória, pois deixei o desejo e a luxuria tomar conta de todo o meu ser, ao ponto de acreditar na desculpa esfarrapada dada por ela, quando senti algo de diferente em sua pele. Assim como as costas do meu tio, que passou por um treinamento muito mais pesado que o meu, já que o temido Nicolas Demisovski, era implacável e assim como o meu pai, Hulk foi preparado para ser tão letal quando o chefe da máfia albanesa. A pele dela foi rasgada e certamente não foi por uma simples queda de escada e sim por golpes cruéis, o que me deixou ainda mais atormentado. Quando consegui afastar os meus pensamentos, me abaixei e ao constatar que sua respiração estava fraca e seu rosto pálido, como se todo o sangue tivesse evaporado, sem pensar duas vezes a peguei em meus braços. Agilidade sempre foi o meu ponto forte, mas o pânico tomou conta de mim e como se tivesse flutuando, eu nunca tinha me movido tão rápido e assim que cheguei ao topo da escada, o som da minha voz ressoou por todos os cantos da casa em gritos ensurdecedores. — Yolandaaaaaaaaaa... — clamando desesperadamente pela única pessoa que eu sabia que naquele momento poderia me ajudar. Atravessei os corredores indo em direção aos meus aposentos e antes de chegar ao meu destino, totalmente desorientada, Yola surgiu no meu campo de visão, ficando estática diante da cena que se passou em sua frente e só voltou a realidade quando meus gritos ecoaram novamente no espaço. — Você precisa salvar a vida dela! — disse num tom de voz desesperado. Assim que coloquei seu corpo nu sobre a cocha da cama, engoli em seco, quando meu olhar foi de encontro a suas pernas e vi um líquido avermelhado em sua pele. O silêncio que predominou no ambiente, logo foi interrompido quando Yolanda adentrou o recinto feito um raio e minha atenção se voltou para a maleta em suas mãos e ao se aproximar do leito de Helena, sua voz se fez presente. — Preciso que você pegue o soro fisiológico, suporte e material para punção — suas últimas palavras me deixaram mais atordoado. — Que diabos são materiais para punção? — disse aos berros. — Enzzo! Se acalme, ou ela sofrerá ainda mais pelas consequências do seu nervosismo. Está tudo identificad... Eu nem esperei que ela terminasse de falar e saí praticamente correndo. Agradeci mentalmente por meu avô ter escolhido Yolanda para cuidar do meu tio e embora tendo um futuro brilhante como médica, ela não hesitou ao abandonar tudo para cuidar do menino que sempre viu como um filho. Assim que entrei no cômodo, que era uma farmácia particular, já que assim como o meu tio, eu sempre me machucava durante o treinamento e nossa salvadora estava pronta para cuidar dos ferimentos. Meus olhos varreram as prateleiras e assim que peguei tudo que ela havia pedido, caminhei em direção ao meu quarto. Quando retornei, encontrei Helena virada de costas e Yolanda a examinado com os olhos cheios de lágrimas e perplexa com o que estava vendo, não demorou muito para o som da sua voz reverberasse no ar. — Quem fez isso? — Eu não sei, só fiquei sabendo hoje. — Nem mesmo um animal merece ser marcado desta forma. E, além de desnutrida, tudo indica que graças ao seu ódio e a sede de vingança, você não só se tornou o algoz dela, como a colocou numa situação onde tudo vai depender de quão grande é sua força por querer sobreviver e assim salvar a vida da criança que ela está esperando. Criança! Que criança? Ela está esperando um filho? Filho! Meus batimentos aumentaram num ritmo tão alucinante que achei que meu coração fosse sair pela minha boca, ficando difícil de respirar. Meu peito arfava a cada instante que essa palavra ecoava em minha mente. O medo começou a se estabelecer, e eu não conseguia mais controlar meus pensamentos. Uma palavra tão pequena, que ao ser dita por Yola, foi como ter levado um golpe terrível no estômago, me levando a ser nocauteado. Assim como aquele traidor, eu estava prestes a tirar a vida de um ser tão inocente, que ao contrário de mim, ainda nem tinha vindo ao mundo e já se tornou o alvo de tanto ódio. Enquanto ela puncionou um acesso venoso onde instalou soroterapia adequada, e em seguida começou a passar um pano úmido no corpo desfalecido, que estava tão branco quanto a neve. Como flashes, vários pensamentos passaram pela minha cabeça, pois quando ouvi as palavras proferidas por Hulk, assim que chegamos da cabana, eu deixei que a minha alma sombria gritasse mais forte comigo, acreditando estar fazendo o certo e mesmo vendo a intensidade da luz que emanava dela, eu preferi a escuridão. O ódio rapidamente substituiu cada sentimento, cada emoção, como se nunca tivesse existido e o único pensamento que passou pela minha cabeça, era quebrar, não só o seu corpo como a sua alma. Fui arrancado dos meus pensamentos quando ouvi a voz da mulher me chamando. — Agora tudo vai depender dela. Não sei se nessas condições conseguirá levar essa gravidez adiante. Tenha em mente que essa criança não tem culpa de nada do que aconteceu com você e sua família, tão pouco os filhos devem pagar pelos erros dos pais. — Porque ela estava suja de sangue? — Isso é normal nos primeiros meses de gestação, desde que o fluxo não seja muito intenso. Pela minha experiência, ela já chegou aqui grávida, mas saberemos quando sair o resultado do exame através da amostra de sangue que retirei. Ela se afastou da cama, e em passos cautelosos deixou o cômodo e quando sumiu do meu campo de visão, só ai me dei conta que ela tinha colocado uma camisa minha, que mais parecia um vestido nela. Acabei com a distância entre nós dois e me sentei na cama ao seu lado. Durante todo esse tempo, era comose uma guerra tivesse iniciado dentro de mim, pois achava que quanto mais a quebrasse, tudo que cheguei a sentir fosse desaparecer, mas no fundo, a minha raiva só aumentava por desejá-la, por trair a memoria dos meus pais e por me permitir ser envolvido por momentos de fraqueza, onde a desejava na mesma intensidade em que a odiava. Um filho significa a união do sangue dos Demisovski com o sangue daquele traidor. Respirei fundo, tentando controlar todo o desconforto que pairou sobre mim, minha cabeça estava a mil, meu cérebro soltando faísca e embora as coisas tivessem mudado de rumo, nada ia mudar o fato que ela é filha daquele desgraçado. Eu estava tão atormentado, perdido, que ao ouvir a voz potente do meu tio, dei um salto repentino ficando de pé na mesma hora. No entanto, senti um calafrio percorrer cada dimensão do meu corpo, ao ver o objeto em sua mão. — Encontrei isso dentro do carro. ENZZO MINHA ATENÇÃO FICOU DIRECIONADA para a mochila nas mãos do meu tio e as lembranças de quando a tirei daquele barranco vieram em minha mente, porém, foram afastadas assim que ele lançou o objeto em minha direção. Com a bolsa sob minha posse, dei alguns passos para trás, até alcançar a poltrona. Ele, que até então estava com sua atenção, segundos atrás, voltada para mim, se voltou em direção a mulher que estava deitada sobre a minha cama e ao me sentar, comecei a deslizar o zipe tentando abri-la. Todavia, ele, sem desviar seu olhar de Helena disse: — Yolanda me contou tudo que aconteceu. Enquanto ele parecia perdido nos próprios pensamentos, eu comecei a retirar tudo que estava dentro da bolsa. Um desafio silencioso preencheu todo espaço e assim que puxei a ultima peça de roupa, uma pequena caixa, que estava no fundo da bolsa chamou a minha atenção. Assim que peguei o objeto luxuoso, joguei a mochila no chão e o silencio que tinha predominado no ambiente deu lugar ao som da voz do homem que estava imóvel na porta. — O que é isso? — perguntou curioso e com o olhar cravado em minha direção. — É o que vamos descobrir — assim que o som da minha voz ressoou no ar, abri de imediato o estojo e por uma fração de segundos, fechei os meus olhos quando um forte brilho invadiu minhas retinas. Quando voltei a abri-los novamente levei uma das mãos para dentro da caixa e logo peguei um dos diversos colares que estavam dentro. Hulk logo começou a se mover e veio em minha direção e ver tudo aquilo, só me fez constatar o quanto à mulher que estava desfalecida em minha frente, era tratada como uma verdadeira princesa da máfia. Quando o meu tio acabou com a distância que nos separava, eu entreguei uma das peças em sua mão, enquanto comecei a bisbilhotar tudo que continha dentro daquela caixa, após me livrar de todas as joias, me deparei com uma identidade e assim como a mentirosa falou, no documento estava escrito que se chamava Laura. Quando enfim já não tinha nada mais dentro do estojo e as joias que antes estavam ali dentro, agora estavam nas mãos de Hulk, que se encontrava analisando-as, assim que ia fechar o objeto, senti um forte desconforto e uma onda de calor invadiu todo o meu corpo. Meu coração se agitou e as batidas começaram a ficar cada vez mais fortes, senti como se algo tivesse assumindo o controle da minha mão e como se ganhasse vida própria, ela se moveu em direção ao fundo da caixa e, ao pressionar, deu para perceber que tinha um fundo falso, não demorou muito para me livrar daquilo e assim que terminei, meu olhar atravessou o objeto que ainda tinha em mãos e ficou cravado no papel que estava dobrado como se fosse uma carta. Pela primeira vez em minha vida, senti que não tinha o domínio sobre as minhas mãos, que ao tocarem no pedaço de papel, começaram a tremer e assim que consegui desenrolá-lo, deixei o estojo cair no chão. Passei um bom tempo olhando para o nome dela e só então meus olhos desceram para próxima linha, que exibia uma caligrafia impecável e a medida que fui lendo era como se o tempo tivesse congelado e o único barulho que conseguia ouvir, era o da minha própria respiração. “Helena, Filha, se você conseguiu encontrar essa carta, isso significa que chegou ao seu destino. Que teve tempo para retirar as joias que foram da sua avó e encontrou o fundo falso. Conhecendo você, minha princesa, eu sei que certamente está pensando se fez certo em me deixar para trás, mas saiba que daria a minha vida para vê-la segura e livre das garras do demônio que por anos vem fazendo das nossas vidas um verdadeiro inferno. Eu falhei com você em todos os sentidos e deveria ter deixado o medo de lado e revelado a todos quem realmente é Omar Petrovci. Um homem cruel e diabólico, que ao contrário do que todos pensam, é o pior marido do mundo e o grande carrasco da sua própria filha. Quando meu pai interrompeu os meus sonhos, ao anunciar que me casaria com esse infeliz, eu resolvi aceitar o meu destino e acreditava que aquele homem que exibia um sorriso perfeito, embora mafioso, pudesse ser a minha tábua de salvação da prisão que sempre vivi. Mas, o tempo me mostrou o quanto eu estava errada, que mesmo o meu pai sendo um ser tão insensível, eu vivia no paraíso e o deixei vindo direto para o inferno. As humilhações, as surras e todo sofrimento, tudo foi substituído pela notícia que dentro de mim estava crescendo duas vidas, as quais se tornaria o novo motivo para não me deixar sucumbir às atrocidades daquele monstro. No entanto, a vida tinha outros planos e depois da morte do meu filho amado, eu jamais esperava que nada do que eu achei que já conhecia sobre aquele infeliz, era o mínimo comparado com sua verdadeira face. A própria personificação do mal, um espirito maligno parece que enfim tinha se apossado de vez da sua alma tenebrosa. Só Deus sabe que a cada golpe que ele desferiu na minha pele, a única coisa que me confortava, era que toda aquela maldade não poderia te atingir. Mas, o meu mundo desabou quando todo seu ódio foi direcionado para o melhor presente que a vida me deu. A sensação que tive, quando ele desferiu o primeiro golpe em sua pele, era de que meu peito tinha sido aberto e meus órgãos internos ficaram expostos e a qualquer momento seriam estraçalhados. Por mais que eu suplicasse que ele fizesse aquilo comigo, eu comecei a ver o quanto seus olhos brilhavam, por estar infringindo tanta dor a uma criança, a qual ele culpava somente por sua existência. Assim como o seu nome, você reflete a luz e mesmo com toda escuridão e vários motivos para deixar as trevas habitar em seu coração, você é o maior exemplo de que existe bondade na terra. Uma guerreira desde o seu nascimento, que embora crescesse em um verdadeiro castelo, jamais foi tratada por aquele a quem deveria ser um protetor, como uma princesa. Eu encontrei em Thadeu, a chance de tirar você desta gaiola cercada de ouro, mas que na verdade é uma prisão. Não poderia suportar que, assim como fez o meu pai, ele por ganância, fizesse você se casar com aquele outro maldito. Hoje, embora triste por ficar longe de você, eu me sinto ainda mais forte e disposta a lutar para que em breve estejamos juntas novamente. A vida vai te devolver tudo que foi tirado de você. Eu amo você, minha princesa. Com amor, mamãe. As lágrimas surgiram em meu rosto sem a minha permissão. A minha garganta tinha se fechado, assim como parece que algo estava bloqueando as minhas narinas, me impossibilitando de respirar. Meus pulmões, estavam aos espasmos e eu estava praticamente sufocando, sendo corroído pela sensação de culpa. E, quando achei que não poderia mais suportar, senti uma mão forte de encontro ao meu ombro e o som da voz do meu tio me arrancou daquele tormento. — Enzzo! Olhei para Hulk e sabia que ele estava preocupado para saber o que estava acontecendo e a minha única reação, antes de levantar para ir até onde ela estava, foi estender o pedaço de papel em sua direção. "O que foi que eu fiz?” HULK FORAM POUCAS AS VEZES QUE o vi chorando, mesmo quando criança, acordando em meio aos pesadelos, sempre se mostrou forte.Enzzo acabou por amadurecer muito cedo, sempre determinado e focado em cumprir com sua missão. Por muitas vezes tive que ser duro e até cruel, para nunca deixá-lo esquecer quem era o responsável por Vitor e Helen não estarem com ele, e se não fosse por Yolanda, que assim como fez comigo, não deixou que a escuridão tomasse por completo os nossos corações. Desde quando ele chegou com a filha do traidor, eu vi um brilho que jamais tinha visto em seus olhos, sei que Helena seria o seu calcanhar de Aquiles e, por isso estava disposto a tirá-la do seu caminho. Mas agora, ao ver a cena a minha frente, toda uma retrospectiva se passou. Ele já perdeu muito, passou toda sua infância se dedicando aos treinamentos. Dizendo noite e dia como ansiava pelo momento em que teria o coração do maldito em suas mãos. No entanto, a filha do homem que matou o meu irmão tão querido, e quase destruiu a vida de Enzzo, como irônica do destino, foi a única mulher a abalar todas as estruturas dele, fazendo a armadura que vem vestindo desde criança, cair por terra e trazendo ao coração sombrio, uma luz que nem mesmo todo ódio, raiva e dor pela perda foi capaz de ofuscar. Deixo os meus devaneios de lado e meu olhar vai de encontro ao objeto em minhas mãos. A cada linha, a cada palavra, um tremor violento passava pelo meu corpo, então entendi o motivo dele ter ficado daquele jeito, pois era surreal acreditar que um pai, mesmo que seja aquele desgraçado, pudesse fazer uma monstruosidade dessas. Helena Petrovci, aquela que desejei por diversas vezes a morte, assim como o meu irmão, como Helen e o próprio Enzzo, é sem dúvida a maior vitima da crueldade daquele ser podre de coração. Engoli em seco. E um nó se formou em minha garganta assim que a cena do chiqueiro veio em minha mente. Nunca fui de arrepender-me de nada que fiz, mais não fui muito diferente daquele demônio, ao infringir algo que não a marcou fisicamente, mas que a humilhou de tal forma, que ficará com certeza para sempre em suas lembranças. Voltei meu olhar para o homem a minha frente, que estava sentado ao lado dela, segurando uma de suas mãos e com seus olhos azulados fixos no rosto pálido que parecia sem vida. Ainda com sua atenção nela, o som da sua voz preencheu os quatro cantos do ambiente. — Ela nunca vai nos perdoar por tudo que fizemos, e muito menos ao saber que passou por tudo isso estando grávida. Meu coração deu um solavanco, como se uma corrente elétrica tivesse me atingindo. O choque foi tão intenso, que fiquei petrificado diante das suas ultimas palavras e naquele momento, só um único pensamento tomou conta da minha mente. "Eu jamais irei me perdoar se algo acontecer com ela e um ser tão inocente". ENZZO Devastado, era dessa forma que estava me sentindo. Os meus últimos atos causaram uma marca muito pior nela. Eu ignorei todas as evidências, jamais dei a ela o direito de se defender de tudo que estava a julgando, porque me senti o soberano e a minha palavra, a minha vontade e o que acreditava ser o certo, deveria prevalecer. Mesmo sabendo que Helena ainda nem existia, quando tudo aconteceu, alimentei uma raiva descomunal por ela, só por ser filha daquele traste. Tratei pior que os porcos, já que esses sempre foram bem alimentados, deixei-a dormir no lugar que só não estava numa situação caótica, porque Yolanda, sempre tratou de deixar impecável. O meu filho, assim como ela, vem sendo um verdadeiro guerreiro. Com todas as circunstâncias, vem lutando para sobreviver, simplesmente por que assim como a sua mãe, ele já estava tendo um carrasco antes de vir ao mundo. Entre fome, frio, trabalhos pesados e tendo que ser privada do próprio sono, sem poder descansar direito, já que passou um bom tempo levando jatos de água gelada no rosto. Ela, assim como passou anos resistindo as barbaridades e dores causadas pelo próprio pai, não se deixou chegar no fundo do poço, ao qual o homem que ela se entregou de corpo e alma, estava fazendo de tudo para levá-la ao limite da razão e assim se entregar as trevas. Meus pensamentos foram interrompidos quando Yolanda entrou no cômodo. — Vim trocar o soro, preciso ficar sozinha com ela. Minha mandíbula se contraiu. Levantei-me e segui até a bolsa que estava jogada no chão e depois de colocar toda roupa dentro do objeto junto com o estojo, disse a Yola que eram as roupas delas e certamente ela ia ver que as peças íntimas estavam no compartimento da frente, já que ao ver não quis expor na frente de Hulk. Mesmo contra a minha vontade, tive que sair do quarto. Durante o trajeto até a sala, só se ouvia o som das nossas passadas. Quando chegamos ao cômodo, ele que ainda estava assim como eu, desorientado devido aos últimos acontecimentos, começou a falar. — Ainda não consegui entender como ela conseguiu sair daquela fortaleza. — Isso só irá descobrir quando ela acordar. — Temos que acabar logo com aquele desgraçado. Essa erva daminha só vem semeando a destruição. — Agora mais do que nunca, eu vou matá-lo. Omar Petrovci vai pagar em dobro por cada marca, por cada golpe que desferiu contra a pele dela. Horas depois... HELENA Não sinto dor, só algo macio debaixo de mim e uma sensação de paz tão grande. Quero abrir os meus olhos, mas minhas pálpebras estão pesadas. Ouço alguns sussurros em meio à escuridão sem fim, porém logo o silêncio se faz presente, afastando todo o barulho a minha volta. Aos poucos as lembranças começam surgir e o meu cérebro acessa memórias do passado. Meu coração dispara, minha respiração fica ofegante e todo o meu corpo se contorce ao ouvir as palavras ditas a minha volta. — Você precisa ser forte, por você e pela criança que esta dentro de você. “Filho... Não! Não! Não!” Imediatamente meus olhos se abrem diante de tudo que ouvi. Respiro aliviada ao ver que tudo não passou de um pesadelo, porém assim que meus olhos varreram o lugar, o pânico toma conta de todo o meu ser ao constatar onde eu estava. Movi a cabeça para o lado e todos os meus sentidos ficaram voltados para mulher a minha frente e ao ver um sorriso em seu rosto, as palavras que pensei que eram fruto da minha imaginação ecoaram em minha cabeça, me destruindo por dentro. HELENA COM OS OLHOS FIXOS EM YOLANDA, meu cérebro tentava processar toda aquela informação. E, quando desviei o olhar do seu rosto para o meu braço, me deparei com o soro correndo em minhas veias. — Eu sei que você ouviu o que eu disse e não é fácil ter que lidar com tudo isso. Mas, essa criança assim como você, está lutando para sobreviver, mesmo que a escuridão esteja ao seu redor, sempre haverá uma luz. Fechei os meus olhos e suas palavras martelavam minha mente e não pretendiam parar. Eu mais do que ninguém sei o quanto a vida é preciosa, todavia, ter um filho daquele monstro será o mesmo que submeter um ser inocente a tudo que passei durante toda a minha infância. Não posso permitir que Enzzo, faça dessa criança mais uma vítima do seu ódio, que em vez de um pai, ele tenha um tirano o qual fará da sua vida um mar de sofrimento. Esses eram os pensamentos que corriam dentro da minha cabeça, repetindo- se num ritmo alucinante e incessante. Passei a suar frio e o meu corpo inteiro começou a tremer. Atordoada, comecei a me debater enquanto Yolanda pedia desesperadamente para que eu ficasse calma e quando virei à cabeça em direção a porta, ele, o homem que vem sendo meu desespero, meu tormento surgiu no meu campo de visão. E, assim que ele se mexeu, um clarão surgiu em minha frente e com ele a imagem de Omar com um cinto em suas mãos e eu podia ouvir o barulho do golpe ao atingir a minha pele. — Não! Não! Não! A minha mãe gritava pedindo para ele parar, mas isso só o irritou e o segundo golpe me fez cair no chão, causando uma dor insuportável em minha pele e sem que eu pudesse controlar, comecei a fazer xixi na roupa, me contorcendo em meio a dor e, antes que ele me atingisse novamente, desta vez foi a razão da minha vida a única pessoa que demostrou gostar de mim, que se jogou na frente deixando o couro lhe atingir.Desde então, além dos xingamentos, ele passou a me infringir dor, mesmo sendo tão pequena, isso se tornou motivo de êxtase para aquele homem. — Se afaste de mim, está doendo. Por favor, pareeeee... — Helena! A voz de Enzzo me fez voltar ao estado de lucidez. As imagens foram sumindo e as lágrimas inundaram o meu rosto, porém, senti uma picada em minha pele e logo depois tudo começou a escurecer. Manhã seguinte... ENZZO Exausto. Não foi fácil o dia anterior depois de tudo que descobrimos, o despertar de Helena, além de agitado, foi terrível vê-la revivendo algo do seu passado. Era como estivesse sentindo a dor e os gritos de angústia e desespero só aumentaram ainda mais o sentimento de culpa. Yolanda logo deixou o quarto ao ver que ela não parava de se contorcer e pelo seu estado, isso poderia ter consequências graves. Pedi por várias vezes que ela ficasse calma, mas tudo que consegui foi que ela se contorcesse ainda mais e, quando Yola retornou, a única alternativa foi dar um calmante, já que o nervosismo automaticamente diminui as defesas naturais do corpo, atingindo principalmente o bebê. Depois do ocorrido, passei o restante do dia ao seu lado e ao cair da noite, eu acabei por dormir no quarto de hóspede, pois Yolanda achou necessário, caso ela acordasse e ao me ver certamente teria outra crise. Com as vitaminas colocadas no soro, ela logo estaria mais forte. Assim que despertei, a primeira coisa que fiz foi ir até o meu quarto, pois precisava pegar algumas peças de roupa. Yolanda me informou que ela acordou, mas logo depois voltou a dormir e que o restante da noite tudo ocorreu bem. Passei um bom tempo olhando para mulher desfalecida sobre a cama, em seguida, peguei o que fui buscar e voltei para o quarto que passei a noite. Instantes depois, de banho tomando e arrumando, deixei o cômodo indo rumo a sala e ao adentrar o ambiente, me deparei com o meu tio com sua atenção toda voltada para o jornal em suas mãos. Quando parei em sua frente, ele levantou a cabeça e pela sua expressão, eu sabia que devia ser algo sobre aquele miserável e antes que ele pensasse em dizer algo, peguei o objeto de suas mãos. Observando atentamente o conteúdo do informativo e ao ver a imagem do maldito que exibia um sorriso largo, fechei minha mão em volta do papel assim que me lembrei de tudo que ele fez com Helena. Eu esperei mais de 20 anos e já não posso mais aguentar todo esse ódio que me incendeia, que faz todos os meus demônios se agitarem e gritarem para que eu derrame o sangue do desgraçado. Tudo que descobri foi o estopim que faltava para destruir de vez essa erva maldita. Com um giro nos calcanhares, me movi em direção a sala de armas e já dentro do ambiente, com o armamento em mãos, assim que me virei em direção a porta, um brutamonte que mais parecia uma barreira humana surgiu no meu campo de visão. — Você não vai sair daqui — minha boca se contorceu e a raiva começou a me queimar por dentro. — Saia da minha frente. Nada vai me impedir de enviar aquele maldito para o inferno — avancei em sua direção, mas logo me detive quando o som da sua voz ressoou dentro do ambiente novamente. — Não esperamos tanto tempo para que um tiro resolvesse tudo, caso contrário eu teria feito isso. Aquele infeliz precisa ser desmascarado perante todos, sofrer assim como fez com os seus pais e principalmente a sua mãe que foi morta de uma forma tão cruel. Não deixe que emoção domine a razão. A regra é agir seguindo o raciocínio dos pensamentos e não os sentimentos do coração. Você vai acabar com esse desgraçado e eu estarei ao seu lado e darei a minha vida para que você tenha em suas mãos o coração daquele verme. No entanto, faremos como o planejado. Ouvir as palavras dele me fez refletir. Uma bala no meio do peito do abutre seria muito pouco comparada com a devastação que esse traidor já causou a sua volta. Nas horas seguintes, passamos planejando tudo que faríamos hoje à noite, se esse infeliz quer ser o centro das atenções, faremos que a sua noite seja inesquecível. Ele derramou o sangue dos meus pais, e serei eu, o filho do homem que foi apunhalado por um ser ambicioso, que irei derramar o sangue de Omar Petrovci, e nada mais justo que começar a fazer alguns estragos. OMAR DURANTE ESSES ÚLTIMOS DIAS, muita coisa aconteceu. Antes mesmo de a inútil confirmar que a mecha de cabelo era da infeliz, pela sua expressão eu já tive a resposta. A raiva me dominou quando a idiota começou a chorar e de alguma forma, eu precisava descontar todo o ódio que estava sentindo e antes que ela se desse conta, fechei uma das mãos em punho e avancei em sua direção. Os ruídos vindo de sua garganta, logo se fizeram presente, o que só me incitou a desferir vários socos em sua barriga, afinal de contas, o alvo que me deixa em puro êxtase ao ver os hematomas, desta vez não poderia ser atingido, já que precisava do seu belo rosto intacto para o evento que estava prestes a acontecer. Depois que me dei por satisfeito, deixei o lugar indo em direção ao meu escritório. Já acomodado em minha poltrona e, após a confirmação que realmente o cabelo era de Helena, meu cérebro começou a processar todas as informações, me levando a dois caminhos. Aquela velha disse em meio a sua profecia, que se àquele monstrinho sobrevivesse, o meu legado chegaria ao fim, porém isso e impossível, já que vários anos se passaram e não teria como aquele projeto em miniatura de Vitor Demisovski, ter sobrevivido, porém, além de mim, só duas pessoas sabiam dos meus planos em matar aquela criança e o que fiz com Vitor. Uma dessas pessoas era aquela que vem interferindo no mundo da máfia e a qual já foi enviada ao inferno. De certo que não ia deixar ela viva e assim que me tonei o chefe da máfia albanesa, trarei de pessoalmente fazer uma visita a infeliz e após dar um tiro bem no meio da sua testa, coloquei fogo naquele casebre. Assim como o desgraçado do Vitor, o fantasma da infeliz por anos vem me atormentando. Descantando a possibilidade de ser ela a responsável, meus pensamentos foram direcionados para aquele maldito. Depois do tiro que levei e após deixar o hospital, fui pessoalmente me certificar se ele tinha feito o que eu tinha mandado. Achei rastro de sangue junto com a manta daquele ser insignificante e um corpo carbonizado dentro do veículo, mas agora diante dos fatos, várias teorias se passaram pela minha cabeça e se aquele maldito não estava dentro do carro quando o mesmo explodiu? E, se ele não estava sozinho e aquele corpo era de algum aliado e ao sobreviver vem planejando por todos esses anos vingar-se? Pode muito bem ter tirado a foto do fedelho antes de matá-lo, com o intuito de me chantagear e agora resolveu usar. Pode muito bem ser aliado do maldito que ajudou na fuga da infeliz e justificaria o fato dela esta sobre seu domínio. Com o rumo dos últimos acontecimentos e não conseguindo identificar quem era o homem que estava dirigindo a moto que deixou a maldita caixa, coloquei meus homens na principal estrada, na tentativa de identificar o suspeito. Tentativas em vão e com a incompetência dos idiotas ao meu redor, mais uma mecha do cabelo da imprestável chegou até a mim. Deixei de lado todos os contratempos e resolvi focar no evento, onde seria homenageado e me renderia muitos aliados. Cedo ou tarde, vou encontrar o responsável que se atreveu a cruzar o meu caminho e quando assim o fizer, vou resumi-lo a pó. Afasto as lembranças e caminho em direção ao corredor, espero que Isabella já esteja pronta, caso contrário, assim que voltarmos, ela sofrerá as consequências do seu ato. Acabei por encontrá-la no corredor e juntos descemos os degraus da escada, seguimos em silêncio em direção à garagem. Hoje todas as atenções estarão voltadas para mim e em breve, assim como tirei o temido chefe da máfia albanesa do meu caminho e me tornei o soberano desta organização, eu logo serei o maior líder desse país e todos. ENZZO Passei o restante do dia inquieto. Hora, por Helena não acordar e, outra na expectativa da noite chegar.Questionei Yola, se era normal ela ficar por tanto tempo desacordada, mas ela me informou que sim, que no fundo acreditava que a própria Helena não queria acordar, como se tivesse dentro de uma bolha e não quisesse sair dela, pois sabia que fora teria que enfrentar tudo aquilo que estava lhe causando sofrimento. Depois da explicação de Yolanda, tratei de me concentrar somente no que tínhamos planejado em fazer. Hulk, havia saído para colocar parte do plano em ação, para que na hora certa, Omar tivesse a recepção que merece. Arrumado, dei uma última olhada no relógio em meu pulso e ao ver as horas e sabendo que ele já estava me aguardando, fui direto ao seu encontro. Ao chegar à sala dei de cara com Hulk e Yolanda, ela tinha uma expressão preocupada e como já esperava, sua voz carregada de desespero se fez presente. — Acho tudo isso muito arriscado. — Você não precisa se preocupar, só vamos dar um susto no maldito. A morte pra ele nesse momento seria um presente. Com algumas passadas, fiquei a centímetros de distância dela e logo a envolvi no forte abraço, no entanto, tive que desfazer o contato assim que Hulk me chamou. — Vamos! Já está quase na hora. — Cuide de Helena e do meu filho. Qualquer coisa não hesite em me ligar. Com passos precisos e apressados, fui para fora da casa. Minutos depois, já dentro do veículo que estava em movimento, passamos boa parte do percurso em silencio. Como o evento seria aberto ao público, seria muito mais fácil nos camuflamos em meio à multidão. Quando enfim, chegamos ao nosso destino, fiquei estarrecido com a grande quantidade de pessoas, todas iludidas pelo lado de bom samaritano que o facínora vem demostrando ao longo dos anos. Ao sairmos do veiculo, logo, cada um foi para lados contrário. Tive bastante dificuldade para chegar até o centro do palco, mas fui me misturando entre o pessoal até que parei no lugar que me daria uma boa visão do desalmado. Aplausos logo se fizeram presentes quando o som da voz de um cerimonialista começou a chamar alguns nomes e, logo alguns homens subiram no palco e foi nesse exato momento que me aproximei ainda mais. Meus batimentos se tornaram descontrolados e todo o meu corpo ficou em chamas, quando o nome do viperino retumbou no ar. — É uma honra ter o empresário Omar Petrovci, conosco. Peço a todos que aplaudam. Diante daquele pedido, o barulho das mãos chocando-se uma contra outra entoou a minha volta e, com um sorriso amplo, daqueles que deixam os dentes a mostra, o atroz subiu ao palco e caminhou até o centro, onde o homem lhe passou o microfone. A cada palavra que saia da sua boca, só aumentava a minha fúria e a vontade de avançar em sua direção e quando ele deu alguns passos a frente, parando justamente em minha direção, levei uma das mãos até o meu rosto, afastando o meu óculos e foi nesse exato momento que nossos olhares se cruzaram e um estrondo terrível ecoou no espaço. OMAR FIQUEI HIRTO E ESTUPEFATO QUANDO VI aquele homem com seu olhar lançado em minha direção. Todo o meu corpo estava sacudindo por dentro e assim que meu olhar ficou fixo naquelas orbitas azuis, toda a multidão a minha volta foi desaparecendo e as lembranças de anos atrás apareceram assim como a imagem daquele fedelho. Por mais que eu quisesse me mover, não conseguia, era como se estivesse preso nos meus próprios devaneios, nas próprias lembranças que vieram para me deixar inquieto, perturbado e confuso. Mas, toda a escuridão e o silêncio foram afastados, assim que senti uma dor insuportável atravessar a minha pele e meu corpo sendo arremessado no chão. Estremeci de dor com a intensidade ardente em um dos meus membros superiores. Aquilo não só me tirou do estado catatônico em que estava, como só aí vi todo o desespero a minha volta e a multidão em pânico, o fogo tomando conta do palco e do meu braço. Só então entendi o motivo de tanta dor e se não fosse por Aron, certamente o fogo teria me envolvido por completo. Toda uma movimentação aconteceu a minha volta, onde o meu terno foi arrancado do meu corpo e o fogo apagado e ver o estado que ficou a minha pele, me fez sair de vez do transe que estava e num impulso me levantei, porém, o homem que estava a minha frente poucos minutos atrás, já não estava mais ali, e, enquanto meus olhos procuravam pelo infeliz, toda a segurança buscava encontrar o responsável pela explosão e tudo indicava que o único alvo era eu, já que colocaram explosivos no ponto estratégico onde não afetou os demais, dando a eles tempo necessário para escapar. Meus pensamentos foram interrompidos quando olhei um homem de sobretudo preto, semelhante ao do maldito que tinha visto e ao apontar o dedo na direção dele, Aron logo fez um gesto para que fosse detido. Em meio à dor que me assolava, ao ter minha pele em carne viva, passei feito um furacão por todos que encontrei em minha frente e ao contrário de muitos que me olhavam totalmente incrédulos e preocupados, Isabella, parecia que estava vibrando por dentro com a cena a sua frente, mas logo essa infeliz vai se arrepender. Quando alcancei o sujeito que já estava imobilizado, assim que levantou a cabeça e minha atenção se voltou para o rosto do desgraçado, a raiva me dominou. ENZZO Dentro do carro, o som da gargalhada de Hulk, entoava no espaço e se tornou contagiante e assim como ele eu já não conseguia me controlar ao lembrar- me da expressão do maldito. Embora o homem ao meu lado, acreditasse que não poderia surti efeito, algo dentro de mim sabia que sim. A cada pesadelo que sempre tive, quando criança, eu sempre vi aqueles olhos, era como se tivesse ficado registrado em minhas lembranças e de alguma forma eu tinha plena certeza que assim como eu, ele ia ter alguma reação ao me ver, além dos olhos, cresci ouvindo o meu tio dizendo que era a copia do meu pai. Se estivéssemos dispostos a acabar com sua vida hoje, teríamos feito com êxito, pois ele estava cercado de incompetentes e isso será um ponto ao nosso favor quando chegar a hora do confronto final. Com a bomba colocada ainda cedo no lugar, a nossa intenção era somente dar um leve susto no traidor e sabíamos exatamente o momento certo para que pessoas inocentes não sofressem as consequências. Vê-lo imóvel, enquanto o fogo estava a sua volta, me fez vibrar por dentro e mais ainda quando as chamas envolveram o seu braço, e só em cogitar que o desgraçado, era o mesmo que bateu nela, me deixou a um ponto de ir ao seu encontro e arrancar o seu membro, para que ele sentisse dor com tamanha intensidade, como causou a uma criança que era totalmente indefesa. Passamos toda viagem de volta para casa falando sobre o que tinha acontecido e quando enfim, chegamos em casa, não demorou muito para deixamos o carro e caminhar em direção a entrada principal e assim que abri a porta, os gritos que ecoavam no ar me deixou desorientado e agindo por instinto, corri feito louco em direção ao meu quarto. Assim que cheguei ao cômodo, ela, assim como ontem, estava se debatendo e gritando aos berros, enquanto Yolanda pedia para ela se acalmar. Era como se não tivesse no seu estado de lucidez. — Ele vai matar o meu bebê. Não! Não! Nãooooooo... Assim que meu tio me alcançou, tanto ela como Yolanda, direcionaram sua atenção para nós e o estado de Helena só piorou porque ela, num movimento brusco, arrancou o objeto que estava fixado em sua veia e seu olhar estava repleto de medo e novamente sua voz se fez presente. — Afaste esse cinto de mim, por favor, não deixe esse monstro levar o meu filho. Eu preciso sair daqui, solte os meus cabelos, não... Está doendo, pareeeeee... Esperneando freneticamente, ela se debatia de um lado para outro em cima da cama. Cada vez falava coisas desconexas, como se estivesse tendo alucinações, pelos movimentos e as lágrimas que desciam em sua face, o sofrimento estava intenso. Desesperado, invadi o quarto, para assim como Yolanda, que tentava sem sucesso, fazer a mulher voltar a realidade e quando seus olhos novamente grudaram nos meus, em vez de medo, eu só vi um ódio mortal. O brilhointenso que mesmo após tudo que fiz era visível, naquele momento tinha desaparecido. Quando pedi para Yola, novamente dar um calmante a Helena. Ela disse que não seria possível e que precisávamos fazer ela voltar a realidade. Helena continuava com seus olhos cravados em mim e assim que segurei em sua mão, senti um forte aperto e quando pensei que toda angustia estava passando. Ela ficou imóvel e em seguida levou uma das mãos em direção à barriga e um berro estrondoso ressoou no espaço. Quando desviei o olhar de sua barriga, a cena que vi, pesou como se uma dezena de bolas de chumbo estivesse dentro do meu estômago. Causando-me um desconforto terrível, fazendo-me ter ainda mais consciência do tamanho do mal que fiz, não só a ela, mas ao nosso filho. Diante daquele líquido vermelho que escorria por entre as suas pernas, o pânico me envolveu e no instante em que vi a única mulher que foi capaz de fazer o meu coração bater mais forte, despertando emoções que jamais soube que existia, fechar os olhos e se entregar a escuridão, um barulho maior ainda, comparado com o que foi dado por ela, segundos atrás, se fez presente, assim que um ruído de medo e desespero saiu rasgando a minha garganta. — Salve o nosso filhoooooo... ISABELLA EU NÃO SEI ATÉ QAUNDOVOU CONSEGUIR suportar tudo isso. Meu corpo calejado já não aguenta mais e a única coisa que ainda me mantem viva é a esperança de que vou estar novamente com a minha princesa. Mesmo contra a minha vontade, tive que ir com aquele tirano para mais um dos eventos que ele tenta a todo custo ser o centro das atenções. Sempre fazendo caridade, não que isso me incomode, pois é a única razão pela qual faço de tudo para colocar um belo sorriso no rosto e ostentar o papel de esposa feliz. Saber que, embora pelo motivo errado, alguém está sendo beneficiado com as doações, alegra o meu coração, porém ao sair de casa jamais pensei que teria tamanha felicidade. Nunca fui uma pessoa ruim, jamais deixei que sentimentos negativos tomasse conta do meu coração, mas Omar sim, ele foi capaz de me fazer deixar de lado tudo aquilo que sempre vinha lutando para jamais sentir. Enquanto sua crueldade me tinha como alvo, mesmo sendo seu saco de pancadas, mesmo vendo o meu corpo ganhar novos hematomas, eu lutava para não sucumbir à escuridão. Mas, tudo mudou quando ele começou a fazer da vida do meu amor maior um inferno, e, aquilo só despertou um lado sombrio que eu jamais pensei que tivesse. Por diversas vezes desejei a sua morte, ao ponto de até cogitar em ser eu mesma a matá-lo, mas não queria que a minha Lenoca, me visse como alguém desalmada. Mas ver a expressão de dor do maldito fez meu coração explodir de felicidade, o mesmo braço que por anos nos causou tanta dor, estava em chamas e por mim o fogo poderia tê-lo queimado por completo. Depois que deixamos o local e seguimos para o hospital, levaram o carrasco de imediato para receber todos os cuidados necessários e minha vontade, ao ver aquele povo todo sensibilizados pelo que tinha acontecido com ele, era de gritar a todo vapor que o responsável pela explosão só estava fazendo um bem para humanidade, ao enviar o demônio para o lugar a que ele pertence. Fiquei na sala de espera perdida em meus pensamentos, quando de repente meus batimentos aceleraram, lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto sem que eu pudesse controlar. Senti um aperto muito forte em meu coração e uma sensação terrível tomou conta de mim. Tudo que veio em minha cabeça foi a minha filha. ENZZO — Helena! Nãoooo! Eu estava mergulhado em desespero e extremamente aflito. Por mais que Hulk pedisse para que eu me acalmasse diante daquela visão, uma onda de pensamentos se fizeram presentes. Eu já não conseguia afastá-los e todos eles ficavam martelando em minha cabeça e uma voz gritava cada vez mais alto que eu era o único culpado, que não merecia tê-los em minha vida. Uma sensação de vazio preencheu meu coração e não importava de quem ela era filha ou o sangue que corria em suas veias. Helena, trouxe luz a minha vida e com tantas mulheres que poderiam ter cruzado o meu caminho, ela foi a escolhida, nossos destinos já estavam traçados e eu não deixaria que a morte novamente tirasse alguém tão importante para mim. Yolanda, que lutava para salva a vida dos dois, por uma fração de segundos se concentrou em mim e sua voz se fez presente. — Saia agora! — disse num tom rude. Eu nunca a tinha visto falar desta forma, mas suas palavras fizeram o choque da realidade me atingir e eu constatei que só estava atrapalhando ela, que lutava para conter a hemorragia e salvar a vida dos dois. Não sei em que momento meu tio me tirou dali, quando dei por mim já estava na sala jogado no sofá. — Ela já nos mostrou que é forte e vai lutar com todas as suas forças pela vida do filho de vocês. — Ela nunca vai me perdoar se o pior acontecer. Eu nunca vou me perdoar se por minha culpa, o nosso filho não resistir. — Ele é um Demisoviski, tem o sangue dos pais, que são dois sobreviventes nesse mundo cheio de crueldades. Assim como Helena, sofreu desde criança nas mãos daquele miserável, você também foi o único da sua família, que ele não conseguiu destruir. Levantei-me e comecei a andar em círculos, as horas se passaram e não tínhamos notícias. Aquilo já estava me sufocando e quanto mais tempo se passava, a minha aflição só fazia com que pensamentos ruins surgissem, me deixando ainda mais angustiado, quando ouvi passos se aproximando, virei em direção ao corredor e ao ver a fisionomia da mulher a minha frente, tudo que pensei foi no pior. — Consegui, mas ela vai precisar de muito repouso. Respirei aliviado, e a sensação que eu tinha era que um pouco do penso que estava em meu estômago, me causando uma sensação ruim, tinha se esvaído. Dois dias depois... HELENA Em meio à dor e ao desespero, me encontrava totalmente perdida. Era como se as trevas quisessem, de alguma forma, apagar toda luz a minha volta. Eu sabia que estava me deixando ser consumida pela escuridão. Em parte, eu quis desistir, precisava encontrar a paz e não aguentava mais sentir tanta dor. Eu já não sabia mais o que era realidade ou ilusão e saber que dentro de mim tinha uma vida, me deixou no limite da loucura. Eu deixei que a emoção tomasse conta de mim, deixei que o medo e o pânico colocassem uma venda em meus olhos, e cega, já não conseguia sair das profundezas do meu desespero. Enzzo, Omar e Hulk, eu já nem sabia distinguir quem era um ou outro, as imagens deles surgiam como flashes a minha frente e tudo que eu queria era correr para bem longe. Pensar que assim como eu, essa criança fosse se tornar o alvo da crueldade desses monstros, me fez sucumbir ao estado de devaneio e só quando ele segurou em minha mão, foi que senti uma vibração forte em meu corpo, no entanto, a dor que me atingiu foi muito maior. Perdi a noção de tudo e mesmo ouvindo sussurros, eu não tinha forças para voltar à razão. Toda vez que tentava abrir os meus olhos, sempre era puxada de volta para escuridão, mas algo dentro de mim queria encontrar a luz, e mesmo que uma força estranha tivesse cada vez mais intensa a minha volta, tentando me impedir de sair dali, ao pensar no meu filho, no motivo pelo qual eu lutarei para seguir em frente e ter um recomeço longe de tudo isso. Forcei- me a abri os meus olhos. No entanto, a primeira imagem que vi foi a do anjo vingador, que embora tivesse vestido de branco, de nada me impediu de vê-lo como realmente é. Meus pensamentos foram afastados quando ele se levantou e veio em minha direção. Eu precisava ser forte, pelo meu filho teria que continuar lúcida. — Preciso que você fique calma — disse com um tom de voz calmo e se não o conhecesse, até diria que estava preocupado, porém, fiquei agitada quando escutei as palavras que foram ditas por ele. — Eu vi as suas costas e já sei de tudo que aquele desgraçado fez com você. Senti a revolta crescer dentro de mim, pois ele falava como se não fosse tão cruel como o homem que tenho por pai. — Você não fez muitodiferente dele e se tivesse me deixado dizer a verdade em vez de me culpar por algo que eu não tive culpa, já teria descoberto que eu jamais tive uma vida de princesa, como você e todos sempre imaginaram. — Eu sei que errei, mas saber que você era filha do homem que matou os meus pais. Que usurpou o lugar dele e foi capaz de atentar contra a minha vida, quando eu não passava de um simples bebê, só me deixou ainda mais cego. — Que Omar não presta isso eu sei, pois sou a provar viva de tudo que ele é capaz de fazer, mais até onde eu sei, Vitor e toda sua família foram mortos durante a chacina que teve na mansão. — Isso foi à versão que aquele traidor quis que todos acreditassem. Talvez, depois que você souber de toda verdade, possa entender o motivo de tanto ódio. Ele se sentou na cama e nas horas seguintes começou a contar tudo que tinha acontecido com sua família. A cada palavra dita, um misto de sensações apoderou-se de todo o meu ser. Estava estarrecida com tamanha crueldade e tive que me controlar para não deixar as lágrimas caírem e quando ele terminou de relatar tudo que tinha acontecido, segurou firme em uma das minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos. — Eu preciso que você me perdoe por ter agido movido pela raiva e não ter dado a você a chance de se defender. Eu preciso que me perdoe por todo sofrimento que fiz você passar e ao seu lado e do nosso filho, vamos superar tudo isso. Assim como ele fez, ao proferir suas palavras, cravei o meu olhar no seu. Puxei a minha mão do seu contato e o som da minha voz reverberou no ar. — Eu não irei te perdoar. Pois para isso teria que esquecer cada humilhação, cada dia que passei naquele porão e cada palavra que foram proferidas por você, que assim como era da sua vontade, não me quebraram fisicamente, mas foram enraizadas aqui dentro e acima de qualquer sentimento que cheguei a sentir por você. Eu só cheguei até aqui, porque aprendi a me amar, aprendi a dar valor à vida e não deixar que nada e nem ninguém mudasse quem eu sou. No entanto, mesmo não sendo da minha vontade, você é o pai dessa criança que cresce em meu ventre e, se quiser fazer algo pelo seu filho, salve a minha mãe das garras daquele demônio. Dias depois... HELENA COM O PASSAR DOS DIAS, comecei a me sentir melhor e aquela sensação de fraqueza desapareceu. Tenho muito que agradecer aos cuidados de Yolanda e com a alimentação que venho recebendo, consegui recuperar um pouco do peso que havia perdido. Antes dava para contar os ossos das minhas costelas e ver os ossos dos ombros, que faziam umas pontas estranhas. Sem contar a roupa que dançava em meu corpo. Ainda lembro que após a conversa que tive com Enzzo, o qual jurou que minha mãe em breve estaria ao meu lado, a única que demostrou sensibilidade com minha situação entrou no quarto com uma enorme bandeja em suas mãos, meus olhos logo brilharam diante daquela imagem, assim como meu estômago deu sinal de vida. Quando ela me entregou aquela bandeja, foi como se uma criança tivesse ganhando o seu doce favorito e não demorou muito para que eu devorasse boa parte do que tinha ali. Se não fosse pela dor que senti na barriga, teria comido ainda mais, ela me explicou que este incômodo, era devido há muitos dias sem ter comido nada e como eu mais parecia um animal faminto e fui praticamente empurrando tudo para dentro da boca, em questão de minutos acabei por sentir essa sensação. Desde aquele, dia foram poucas às vezes em que vi Enzzo dentro daquele quarto, o que agradeci a Deus, embora não possa negar e fazer de conta que ele não desperta um alvoroço em mim, quando surgi em minha frente. Eu não vou esquecer que por sua culpa, quase perdi o meu filho, que além de fome, ele me fez chegar ao fundo do poço, ao ponto de me rebaixar para não morrer de fome. Seria fácil dizer eu te perdoou, mais seriam palavras vãs, já que não consigo esquecer todo o sofrimento que passei nos últimos dias. Para minha surpresa, o tio dele, também veio até a mim e assim como o sobrinho, pediu perdão por tudo que tinha me feito passar. Sempre vi o perdão como um remédio. Na hora, pode ser amargo, mas faz bem, alivia o mal-estar interior. Mas, a ferida está longe de cicatrizar e embora curada por fora, por dentro as lembranças permanecem e são elas que não me estão me deixando esquecer tudo que vivi. Deixo os meus pensamentos de lado e caminho em direção ao banheiro. Acabei por passar um bom tempo debaixo do chuveiro, curtindo a água morna em minha pele, pois enquanto eu congelava lá embaixo e tinha que me virar com um banho que congelava meus ossos, ele tinha em seu quarto todo o conforto. Passei uma das mãos em direção a minha barriga e já não via a hora de ter a minha mãe ao meu lado e o meu filho, juntos iremos para bem longe de tudo isso. Assim que saí do box e enrolei a toalha em volta do meu corpo, me repreendi por ter esquecido de pegar uma roupa limpa dentro da minha mochila, em passos largos, saí do banheiro e assim que abri a porta, tive um sobressalto quando os meus olhos foram de encontro a imagem a minha frente. Levei um susto e acabei deixando minha toalha cair no chão. Seus olhos percorreram todo o meu corpo, e pararam por um bom tempo nos meus seios descobertos, até ficarem fixos em direção a minha intimidade. Eu não consegui me mexer, minha respiração acelerava a cada segundo que se passava e quando ele veio em minha direção, meu cérebro começou a reagir e minha voz num tom seco, ecoou no espaço. — Eu quero que saia agora do quarto agora — disse firme ao ver o desejo estampado em seus olhos, que faiscavam em meio à luxúria. — Helena, e... — Se você não sair, eu não terei problema algum em voltar para aquele porão — suas veias se contorceram e eu sabia que ele estava travando uma luta para conter a raiva. E, assim que o vi recuando, antes que ele deixasse o recinto, novamente voltei a me manifestar. — O quarto pode até ser seu, mais eu espero que da próxima vez só entre com a minha permissão, afinal, entre nós só existe dois assuntos em comum, o nosso filho e a derrota de Omar Petrovic, até porque você não deve ter muito interesse em ficar próximo ou conversar com a filha de um traidor. Ele saiu sem dizer nenhuma palavra, fechando a porta atrás de si. Horas depois... Mesmo vivendo um inferno desde criança, sempre procurei tratar bem as pessoas. E também aos poucos funcionários com os quais eu tinha algum convívio, minha mãe sempre me ensinou, que os nossos problemas eram nossos e não deveríamos descontar nossas frustrações nos outros. Entendo perfeitamente, o quanto o homem que tenho por pai destruiu a vida de Enzzo, embora sendo uma criança, ele perdeu muita coisa e eu sei o quanto o amor dos pais é algo que nos faz feliz, assim como a rejeição nos quebrar por dentro. Mas, ele simplesmente me julgou e mesmo tendo passado alguns dias comigo, o peso que levou em consideração foi que eu era filha do seu inimigo. Deveria saber muito bem que as pessoas não são o que aparentam ser, pois muitos acham que Omar, é um verdadeiro anjo, quando na verdade é um monstro. Assim que terminei de me vestir e seguindo as recomendações de Yolanda, resolvi deixar o quarto, pois segundo ela, eu precisava tomar um pouco de sol. Andando pelos corredores, comecei a ouvir vozes vindas da sala e quanto mais me aproximei, eu pude identificar de quem era. Logo parei em frente à porta. — Ainda não consegui entender como ela saiu daquela mansão? Ao ouvir a pergunta de Hulk, a minha voz ecoou no ar, fazendo os dois homens ficaram com os olhos arregalados e fixos em minha direção. — Existe uma passagem secreta. ENZZO Eu cresci, ouvindo Hulk me contar a história de como o meu pai conheceu a minha mãe. De como antes disso, o grande Vitor, que tinha o coração escuro como a noite, somente via as mulheres como simples objeto. Cresci ouvindo as histórias de como no mundo da máfia, as mulheres eram tratadas e tão pouco tinha suas vontades respeitadas, tratadas muitas das vezes como uma mercadoria, uma aliança entre famíliaspara aumentar o poder. Estupradas, humilhadas e ainda tinham que ser, perante todos, a mãe e a esposa perfeita. Eu não cresci dentro desse mundo, embora sendo o verdadeiro herdeiro da nossa organização, talvez poderia ser diferente, se o destino não tivesse me tirado do meu verdadeiro lar. Treinado por um sanguinário, recebi as lições que meu tio e meu pai receberam do meu avô, mas a diferença foi que Yolanda, sempre fez de tudo para que em meio às trevas, a luz que existia em meu coração nunca se apagasse. Sempre tive a sensação de que dentro de mim, existia um duelo, onde meus demônios urravam, tentando afastar tudo de bom que ela me ensinava e principalmente entre os seus ensinamentos, eu aprendi que não deveria ser temido e sim respeitado. Que um homem nunca deveria ter uma mulher à força e por esta razão, embora meus demônios gritem e estejam em confronto pela rejeição de Helena, eu tenho consciência do estrago que fiz em sua vida. Embora sedento de desejo e com uma vontade enorme de tê-la em meus braços. Tive que deixar o quarto, pois se nem em meio ao ódio a tive a força, agora mesmo que não faria e sabendo do seu estado, não posso correr o risco de que ela tenha uma recaída e por minha culpa novamente a vida dos dois estejam em perigo. Quando voltei para sala, Hulk novamente questionou algo que não encontrávamos a resposta, já que mesmo com ajuda não era fácil sair daquela mansão. Depois de alguns minutos, ela apareceu na sala e o que disse em seguida nos deixou boquiabertos. Depois de nos contar exatamente tudo sobre a tal passagem, ela deixou o cômodo, aquela informação foi como uma luz no fim do túnel e a peça que faltava para cercarmos o infeliz por todos os lados. No dia seguinte... OMAR MALDIÇÃO! A minha pela ardia como se estivesse ainda em chamas e quando pensei que o homem que vi, era o mesmo que me deixou estático, assim que ele levantou a cabeça e olhei os seus olhos, tive a confirmação de que não era. Não sei se foi fruto da minha imaginação, já que nos últimos dias, desde que olhei a foto daquele pequeno monstrinho, os pesadelos se tornaram mais frequentes e além da risada de Vitor, sempre via a imagem da velha mandingueira vestida toda de branco. Desde que a matei, que ao dormir, sempre estou em um lugar sombrio, as imagens do seu rosto sempre surgem em minha mente trazendo um forte clarão em meio à escuridão em que me encontro, me fazendo despertar sobressaltado, como se a escuridão que se apoderou da minha alma, me reivindicasse por inteiro. Depois de um tempo, o meu braço já estava melhor, nada que o dinheiro não fosse capaz de resolver. Busquei pelos melhores tratamentos para que minha pele viesse a cicatrizar o mais rápido possível e depois do atentado, só consegui ganhar ainda mais a simpatia dos idiotas e crescer nas pesquisas, ficando a poucos passos de controlar todo esse país. Deixei as lembranças de lado e fui até o banheiro. De banho já tomado e arrumado, sigo para a minha cama, com os medicamentos que venho tomando, tenho sentindo muito sono. Não sei em que momento, mas acabei adormecendo. — Me deixe em paz, sua velha maldita. Não! Não! Nãooo... Acordo atordoado, com o corpo banhado pelo suor e ao mover minha cabeça para o lado, embora em meio à penumbra, meus olhos foram de encontro a imagem parada em frente à porta. Uma semana depois... ENZZO Tão fria tanto uma barra de gelo, sem contar que está cada vez mais indiferente. Em pouco tempo, aquela menina mulher, que aparentava ser tão frágil, deu lugar a uma mulher forte e decidida, que em meio a tudo que passou, se tornou ainda mais forte. Além da aparência, pois já é visível que além de recuperar o peso que havia perdido e até ganhou um pouco a mais, as curvas do seu belo corpo estão ainda mais definidas. Saber que o meu filho cresce firme e forte em seu ventre e, que terá uma mãe que será capaz de tudo para protegê-lo, só engrandece ainda mais o sentimento que sinto por ela. Algo que a cada dia preenche o meu coração, que me faz vibrar em grande intensidade, só por estar perto dela. É como se tivesse fogo correndo em minhas veias. Ardendo e me incendiando por dentro, algo que não se pode ver, mas sim sentir, pois o que sinto por ela, não se pode ver com os olhos, mas com o coração. Depois de tudo que ela nos contou, eu não resisti a tentação e acabei por entrar na mansão. Quando passei por aquele túnel e parei dentro de um quarto, senti um forte aperto em meu peito, era como se aquele lugar, de alguma forma, trouxesse lembranças ruins, pois a sensação que senti foi terrível. Ao adentrar no quarto do maldito, que por sinal estava de porta aberta, fiquei o observando e o prazer foi indescritível ao ver o medo cru e agudo visível em seu olhar. Como o ambiente estava na penumbra, tive tempo suficiente para sair dali. Cogitei em tirar Isabella e trazê-la comigo, mais encontrei a porta dos seus aposentos trancada e até fazê-la despertar, acabaria por chamar atenção do desgraçado. Quando traçamos o plano para retirá-la de lá, era como se o maldito tivesse adivinhado e o acesso à passagem estava sendo vigiado por alguns soldados, sendo assim, o certo era acabar logo com o maldito e só assim elas ficarão livres para sempre. Em meio às lembranças, resolvo deixa-las de lado e após chamar Hulk, caminhamos em direção ao automóvel. Como todos os meses, hoje é o dia que fazermos as compras dos mantimentos, tanto para casa quanto para os animais. HELENA Quando acordo, não tenho ideia de quanto tempo dormi. Espreguiço-me embaixo do edredom ainda de olhos fechados, as lembranças da noite anterior invadem a minha mente. O sono não me encontrava devido a um forte incômodo em minha barriga, tive bastante dificuldade para dormir, já que o barulho vindo do meu estômago estava cada vez mais alto. Por mais que soubesse o motivo, me negava a aceitar que depois de tudo que comi no jantar, eu ainda estivesse faminta. Sendo vencida pelo barulho que se tornava cada vez mais irritante, me levantei indo de encontro a cozinha, a sensação que eu tinha, era que dentro da minha barriga não tinha só uma criança ou talvez essa foi só uma desculpa que inventei para justificar que não conseguia parar de comer. Agradeci mentalmente por não ter encontrado ninguém durante o percurso que fiz, e depois de comer feito uma leoa, voltei para o quarto. O que achei que era a solução para aquele desconforto e que assim poderia dormir, acabou me causando um embrulho enorme em minha barriga. Levanto rapidamente e sigo até o banheiro, coloco tudo que tinha e não tinha em meu estômago para fora. Só depois de me sentir aliviada e ter escovado os meus dentes, consegui dormir. Respiro fundo, e resolvo abrir os meus olhos e me levantar. Algum tempo depois, quando deixei o quarto e fui para cozinha, só encontrei Yolanda, mesmo sem perguntar ela me disse que os dois homens da casa tinham ido fazer as compras do mês. Tomei meu dejejum sossegada e bem relaxada, pois embora os dois ogros tenham mudado o comportamento deles para comigo, e não visse mais aquele ódio mortal nos olhos de Hulk, não me sentia bem ao ter que sentar-se à mesa com eles durante as refeições. Sempre vinha em minhas lembranças às várias vezes em que me sentei no canto desse cômodo e feito um animal, comia as migalhas que me davam e como um passe de mágica não ia passar uma borracha e fingir que éramos a família perfeita. Depois de terminar a minha refeição, com um único pensamento, fiz algo que há muitos dias estava planejando e busquei entre minhas lembranças o número que acabei por gravar na memória. Com o telefone em mãos, após discar alguns números, meu coração acelerou ao ouvir o som que me deixou vibrando de alegria. — Princesa! — Mãe! — Meu amor, eu sabia que você estava viva — ouvir os ruídos de choro do outro lado da linha, indicando que ela estava chorando. — Mãe não chora, estou morrendo de saudade, tanta coisa aconteceu. — Como você está? Você tem se alimentado direito. Conte-me tudo. Os momentos seguintes,eu praticamente contei tudo que tinha acontecido. Omiti sobre a gravidez e sobre Enzzo e Hulk e principalmente o lugar onde eu estava, mas disse que estava bem e quando toquei no nome do Thadeu, ela começou a chorar ainda mais. Foi difícil ter que encerrar a ligação, mas prometi que ia ligar de novo e que em breve estaríamos juntas. Entre lágrimas e muita emoção, consegui colocar o aparelho de volta ao lugar. Enquanto isso... Fiquei imóvel com o celular em minhas mãos, não conseguia parar de chorar e meu coração dava pulos de felicidade. Eu estava tão distraída em meio às emoções, que só voltei à realidade quando objeto foi arrancado bruscamente das minhas mãos. E, as palavras do demônio fizeram meu mundo desabafar. — Chegou a hora de trazer a fujona de volta para sua prisão. HULK COMO TODOS OS MESES, sempre acabamos por perder boa parte do dia com as compras e desta vez foi muito pior, já que o fluxo de pessoas era grande, como se todo mundo tivesse resolvido sair de suas casas justamente hoje. Com tudo já resolvido, entramos no veículo e segundos depois coloquei o carro em movimento. Enzzo, como sempre, não parava de falar sobre Helena e o filho que, em sua opinião é uma menina. Espero que seja um menino, já que não me agrada em nada ter que ver daqui a alguns anos, algum marmanjo de olho na herdeira da máfia, se bem que não sei como será o futuro dos dois ou se depois que exterminar aquele rato de esgoto, eles vão seguir suas vidas em caminhos opostos e caso venham se casar com outra pessoa, certamente terão outros filhos. Conhecendo bem o meu sobrinho, espero que algum dia Helena venha a perdoá-lo, pois da forma que suas feições mudam e seus olhos parecem duas bolas de gude gigantes, que brilham intensamente quando fala dela, está mais do que visível o quanto ele a ama. O barulho da voz dele logo foi substituído por um estrondo terrível, e o veículo começou a fazer ziguezague, tornando difícil de controlar. Quando enfim começou a oscilar e diminuir a velocidade, paramos no encostamento e fui trocar o pneu, que ao que tudo indicava tinha furado. Em meio a troca, do nada senti como se minha garganta tivesse se fechando, meu coração começou a bater forte contra o meu peito e ao desviar a minha atenção por alguns minutos do pneu. Fiquei completamente atônito. HELENA Eu não estava me aguentando de tanta felicidade, ouvir a voz da minha mãe e saber que ela estava bem, tirou um pouco da angústia e preocupação que estava sentindo de que aquele monstro pudesse ter feito algo com ela. Depois que encerrei a ligação, voltei para cozinha e mesmo contra a vontade da mulher a minha frente, comecei a ajudar nos afazeres. Achei estranho que Enzzo e Hulk, não haviam chegado ainda, mas Yolanda disse que tinham que comprar ração, além dos mantimentos da casa, e era normal passarem o dia todo fora e que almoçavam no centro da cidade. Depois do almoço, onde me deliciei de uma sobremesa divina, acabei não resistindo ao cansaço e tirei um cochilo. Quando acordei já eram quase quatro horas da tarde. Ela como sempre, já tinha preparado um lanche e depois de ajudá-la com os porcos e as galinhas, tomei um banho e voltei para a sala. A voz dela interrompeu meus pensamentos. — Você tem certeza que foi seguro ligar para sua mãe? — Sim! Eu liguei para um número confidencial que ela tem e Omar não sabe da existência. — Tanto você quanto a sua mãe devem ter sofrido muito nas mãos desse desalmado. — Sim! Mas, a esperança me manteve firme, pois eu sempre sonhei que um dia seriamos livres e juntas poderíamos viver felizes, sem ter a presença dele. Onde a dor, o medo e a tristeza não teriam espaço. — Eu sei que tudo que você sofreu aqui, está longe de se cicatrizar. Uma ferida, que mesmo não sendo física, te causou uma dor enorme, porém, também sei que o meu menino está arrependido de tudo o que fez e mesmo em meio a tanto sofrimento, existe a esperança, assim como entre o ódio o amor é muito mais forte. — Tudo que desejo é que isso acabe e ao lado da minha mãe e do meu filho eu possa recomeçar. Possa desfrutar de tudo aquilo que Omar me roubou, ao me privar de viver a vida. Ficamos um bom tempo conversando e quando ouvimos um barulho vindo do lado de fora, eu pensei que eles tinham chegado. No entanto, o que veio a seguir, quando a porta foi aperta bruscamente revelando o próprio demônio em forma humana, fez todo o meu corpo gelar. — Sentiu saudades do papai princesa? ENZZO Eu não estava preparado para sensação poderosa e assustadora que passou por mim. Senti como se o meu rosto tivesse pegando fogo, minha mandíbula se contraiu e minhas feições mudaram. Era como se todos os meus demônios reivindicasse o controle do meu corpo. — Enzzooooo... Só quando ouvi o grito de Hulk, que voltei ao meu estado normal, pois a única imagem que surgiu em minha frente foi a de Helena. Era como um mau-presságio de que algo de muito ruim estivesse acontecendo e quando ele terminou de trocar o maldito pneu e vi que ele também estava inquieto, tive a constatação que aquilo não era coincidência. Pisando fundo no acelerador, conseguimos chegar ao nosso destino, segui direto para entrada principal da casa, me deparando com a porta escancarada e assim que diminui a distância e entrei no ambiente, um ruído estrangulado ressoou no espaço. — Nãoooooo... Eu não consegui me mover, fiquei petrificado olhando para o corpo ensanguentado no chão e quando o meu tio passou por mim, se aproximando dela. Pela primeira vez eu vi aquele homem chorando, pois Yolanda sempre foi à mãe que ele nunca teve. O choque da realidade pairou sobre mim como um soco em meu estômago e, fui correndo para o meu quarto em busca de Helena, mas foi em vão. Quando voltei para sala, Hulk, que estava desolado nem se deu conta quando os olhos dela se abriram e entre sussurros ela disse: — Om... Omar. A raiva me dominou, mas ver os olhos dela se fecharem, só me incitou a chamar o meu tio para que reagisse e a levássemos o quanto antes para o hospital. Horas depois... Yolanda nos mostrou que era muito mais forte do que pensávamos. Embora tivesse levado um tiro na direção do coração, o mesmo foi desviado graças ao crucifixo que estava em seu cordão. Depois que soubemos que a operação tinha sido um sucesso e a ela estava fora de perigo e que não ia acordar tão cedo, deixamos o hospital rumo à cabana, pois era hora de salvar a minha mulher e o meu filho. — Eu vou matar aquele infeliz com as minhas próprias mãos — disse Hulk, com os olhos faiscando de ódio. — Precisamos pegar o maior número de armas possível, pois eu não sei como ele descobriu onde ela estava, mas precisamos estar preparados para o confronto. Já estávamos nos aproximando do desvio, que nos levaria até a cabana, quando os barulhos de tiros ecoaram no espaço e a nossa frente uma verdadeira guerra estava acontecendo. O ricochetear da bala atingindo a lataria dos carros e os diversos disparos faziam do cenário um campo de batalha. Era uma verdadeira troca de tiros e um dos carros foi encurralado por dois e empurrado ribanceira a baixo. O carro vermelho, que estava sendo perseguindo pelos outros três pretos, ao que tudo indicava, o que foi jogado para fora da pista estava fazendo a sua escolta, este começou a disparar contra os carros que estavam o perseguindo, mas eles estavam em desvantagem e assim que o teto de um dos carros obscuro se abriu, revelando um lança foguetes, que logo foi apontado em direção ao alvo e em questão de minutos um estrondo terrível preencheu o espaço e o carro vermelho ficou desgovernado. Saiu da pista rolando pelo barranco, não demorou muito para acontecer a explosão, o que parecia ser motivo suficiente para os carros que o estavam perseguindo desaparecer do local. Minutos depois, quando estávamos chegando na direção em que o carro tinha indo de encontro ao ribanceira, Hulk acabou por parar o nosso carro e quando o questionei, ele disse que pelos veículos, tudo indicava que pertencia a máfia albanesa. Saímos de dentro docarro e no fundo do barranco, os dois veículos estavam em chamas, porém quando íamos voltar para dentro do automóvel, algo se mexendo entre as pedras chamou a minha atenção. Eu vi um homem se mexendo e imediatamente descemos até onde ele estava e, assim que o alçamos, o desconhecido estava coberto de sangue e com vários ferimentos pelo corpo, tudo indicava que se jogou de dentro do veiculo rumo às pedras antes do estouro, fiquei desorientado quando o som da voz de Hulk soou a minha volta. — Malaquias! HELENA O SOM DO DISPARO ECOANDO EM MINHA CABEÇA me arrancou das profundezas do meu desespero. Senti uma onda de frio por todo o meu corpo, minha cabeça está pesada, minha mente completamente enevoada, de uma maneira que nem eu mesma consigo me encontrar. Aos poucos as lembranças vão se tornando claras e com elas o pânico toma conta de todo o meu ser. Quando o demônio surgiu no meu campo de visão, todos os meus órgãos dentro da minha caixa torácica começaram a funcionar a todo vapor. Raiva e ódio transbordavam dos seus olhos que pareciam duas bolas em chamas, tamanha era sua fúria e, não me dando tempo de fugir dali, ele me alcançou. Seus olhos foram de encontro a Yolanda, que a essa altura já estava imobilizada e novamente o som da voz diabólica ecoou no espaço fazendo com que meu coração deixasse de bater por uns alguns segundos e o ar se esvair dos meus pulmões. — Cadê os infelizes que te ajudaram? — ele perguntou com seu olhar já cravado nos meus cabelos, e logo me lembrei de que Enzzo, contou-me que enviou as mechas para o monstro. Respirei fundo tentando não demostrar todo o meu desespero e nervosismo. — Ela me deu abrigo depois que fugi dos dois homens que me tiraram do carro de Thadeu. Assim como você, eles se tornaram os meus carrascos, cortaram os meus cabelos e pela conversa que ouvi nas palavras de ódio do homem, que aparentava ter a sua idade, ele já trabalhou para você e disse que ia se vingar por tê-lo tentado matar anos atrás. Ele tinha parte do rosto queimado e quando chegaram completamente bêbados, eu consegui escapar. Em meio à escuridão da noite e sem saber para onde estava indo, após já não aguentar mais correr, tudo que lembro antes de ter desmaiado, foi que avistei essa casa e foi quando ela me encontrou desfalecida. Ao lembrar-me de tudo que Enzzo relatou, de como seu tio o salvou de ser sacrificado, eu só sei que as palavras vieram do nada e quando dei por mim já estava inventando tudo, mesmo correndo o risco dele não acreditar, eu não podia deixar que ele descobrisse que o herdeiro, a criança que ele quis destruir sobreviveu e mesmo depois de tudo que me fez, Enzzo, nesse momento era a minha única esperança. Levantei a cabeça e ele parecia perdido em meio às lembranças e pelo seu rosto passou várias expressões, enquanto processava tudo que eu tinha dito. O que me fez respirar aliviada por uma fração de segundo, para logo depois estremecer e senti uma dor forte em meu peito quando ele, parecendo que tinha saído do transe, apontou a arma que estava em suas mãos em direção ao peito de Yolanda. Gritos de medo saíram pela minha garganta, eu supliquei para que ele não fizesse nada contra ela, mas o homem de coração gelado levou o dedo até o gatilho e o barulho que me fez perder todo equilíbrio reverberou por todos os cômodos da casa. Eu me negava acreditar que tudo aquilo estava acontecendo, que uma pessoa tão boa novamente estivesse perdendo a sua vida por minha culpa e quando tentei me levantar sentir algo de encontro o meu nariz, o cheiro intoxicante invadiu minhas narinas e tudo que lembro foi da imagem dela esparramada no chão, coberta de sangue. Afasto as lembranças e lentamente vou abrindo os meus olhos. O lugar estava na penumbra e era totalmente desconhecido por mim. Assim que movi a cabeça para o lado, a porta foi aberta e um forte clarão invadiu o ambiente, me fazendo fechar os olhos de imediato e quando os abri de novo, me deparo com a imagem que foi pior que levar um soco no estômago. — Mãe! Ela veio em minha direção e eu não consegui segurar as lágrimas ao ver o estado que ela estava. Não demorou muito para que ela ficasse em minha frente e ao se abaixar, me envolveu em um forte abraço. — Perdoe-me, filha — com a voz entrecortada, ela disse, e depois de fazer uma pequena pausa continuou. — Ele descobriu que eu estava falando com você, além de pegar o celular das minhas, mãos quando tentei pegar de volta, ele começou a me bater e logo depois saiu dizendo que ia rastrear a ligação. Tudo foi por minha culpa. Ela não parava de chorar e naquele momento eu só queria ficar entre seus braços, que sempre foram o meu maior conforto. Algum tempo depois... Estávamos ainda abraçadas quando o tirano surgiu na ponta, por instinto fiquei de pé. — Que linda cena, as duas inúteis chorando — disse com voz de deboche. — Um dia você vai pagar por tudo que fez e vem fazendo. Eu não tenho medo de você e quando tiver a chance, vou contar a todos que você, o amigo fiel, o bom samaritano é o verdadeiro assassino de Vitor Demi... Antes mesmo que eu tivesse tempo dizer tudo que estava preso em minha garganta, senti um forte impacto no meu rosto me levando ao chão. — Sua maldita, vai aprender a ficar de boca fechada. Quando a perna dele se moveu e sabendo o que estava por vir, meu sangue gelou, levei as mãos de encontro a minha barriga e um ruído alto se fez presente. Na manhã seguinte... ENZZO De imediato não reconheci o homem, mas ao ouvir o nome dele, logo me veio à memória de quem se tratava. Ele, que até segundos atrás, ainda tinha se contorcido, acabou por ser envolvido pela escuridão e a nossa única alternativa foi tirá-lo dali. Com o homem no banco de trás, seguimos para a cabana e durante o trajeto, tentávamos entender o porquê dos próprios membros da organização atentar contra a vida de um dos homens mais antigo da máfia. Um conselheiro que vem desde o legado do meu pai, com tudo que aconteceu e sendo que Malaquias sempre esteve ao lado de Petrovci, de fato não sabemos se ele foi cumprisse ou desconhece tudo que o desgraçado fez. Mas, o destino o colocou em nosso caminho e isso não pode ser coincidência. Minutos depois, chegamos ao nosso destino e o levamos para dentro do ambiente. Pouco tempo depois ouço a voz do meu tio. — Ele acordou! Afastei de imediato meus pensamentos e segui até onde o homem estava. Quando me aproximei, seu olhar ficou fixo em minha direção e pela primeira vez escutei a sua voz. — Vitor. ENZZO — Vitor! Mesmo com dificuldade, Malaquias se levantou, ele parecia que estava vendo uma assombração. Totalmente incrédulo e com os olhos arregalados. A calmaria pairou no recinto, até que foi interrompida pelo barulho da minha voz. — Enzzo Demisovski. — Não! Isso não pode ser possível. Seu espanto me levou a dúvida, se era por acreditar mesmo que eu estava morto, segundo a história que foi contada ou se era por saber que Omar tinha dado um jeito para acabar com a minha vida. — Tanto é que estou aqui, assim como farei com o maldito do Omar, eu vou enviar todos os seus aliados ao inferno. A morte dos meus pais não ficará impune e se sua dúvida é por saber que aquele verme não só matou os meus pais, como mandou que acabassem com a minha vida, você será o primeiro da minha lista. Levei uma das mãos até a minha arma em seguida apontei na direção da cabeça do infeliz. Assim que levei o dedo em direção ao gatilho à voz dele ressoou novamente. E, pela surpresa em sua expressão e a fúria em seus olhos, eu tive a confirmação que ele não sabia nada do que o maldito fez. — Omar matou Vitor? Agora tudo começou a fazer sentindo e eu sempre achei que algo a mais tinha acontecido. Maldito traidor. O homem que antes estava em pé se sentou novamente e nas horas seguintes, Hulk contou tudo que tinha acontecido naquela noite. Depois de ouvir tudo que meu tio falou, os seus olhos estavam soltando faíscas de ódio. — A emboscada que sofri, foi arquitetada pelo infeliz que mandou que acabassem com a minha vida.Já que só ele sabia que eu estava indo para sua casa, pois disse que ia falar com Isabella e mesmo dizendo que ela estava doente eu insistir que iria vê-la, já que todos os membros do conselho estavam empenhados em encontrar Helena. — Ele já a encontrou. — Foram vocês que sequestraram Helena? — Nunca houve sequestro. Contei tudo o que se passou desde que a tirei do carro. Contei do homem que já tinha certa idade e como membro de uma organização criminosa que praticamente já tinha visto de tudo, só não estava preparado para ouvir tudo que aquele miserável tinha feito com a própria filha desde criança. Foram várias as sensações que passaram por ele, suas feições foram do esparto para a tristeza e o ódio pairou sobre ele a cada palavra que saia entre meus lábios e, quando enfim terminei, ele moveu a mão direita até o peito e disse: — Eu jurei perante o seu pai que daria a minha vida pela nossa organização. Que daria a minha vida para proteger o nosso líder. Eu falhei com o meu juramento não estando lá quando ele mais precisou, mas diante de você, o verdadeiro chefe da máfia albanesa, eu juro que Omar Petrovci pagará por todo o mal que ele fez, aquela cobra traiçoeira pagará e será desmascarado perante todos. Dias depois.... HELENA Vários dias se passaram desde que cheguei aqui, trancada nesse quarto tenebroso, que nem eu mesmo sabia que existia. Depois daquele tapa que levei, ao ver qual era sua intenção e sabendo que o alvo do seu golpe seria a minha barriga, por instinto levei as mãos até o meu ventre como uma forma de proteção e fechei os olhos temendo pelo pior, mas ao ouvir o estrondo causando pelo ato, eu entrei em pânico, porém não sentia dor alguma, mas os gemidos de dor que ouvi me fizeram abri os olhos e a minha mãe estava caída no chão ao meu lado, ela tinha se jogado em minha direção, como fez por diversas vezes para me proteger. Antes de deixar o quarto, ele sentenciou que em breve o meu noivado com aquele velho maldito seria anunciado a todos. Desde então, foram poucas as vezes que minha mãe veio me ver, os enjoos se tornaram mais frequentes e venho passando muito mal nos últimos dias. — Filha! Minha atenção se voltou para porta e minha mãe caminhou em minha direção segurando uma bandeja. Com dificuldade tentei me levantar do chão, pois cada dia o meu corpo esta mais dolorido por dormir sobre o concreto. — Você precisa comer, princesa. — Eu não sinto fome. — Isso não é normal, você sempre teve um bom apetite, no entanto esses enjoos. Eu ainda não tinha contado que estava grávida e também não falei nada sobre Enzzo, mas do jeito que estava, temia pelo meu filho e tinha medo que pudesse acontecer o pior. Segurei em suas mãos. — Eu estou grávida. Seus olhos se arregalaram e certamente estava por pensar que fui abusada sexualmente e quando eu ia explicar e contar aquilo que tinha omitido, pela porta passou um furacão com sua face totalmente transfigurada, porém não foi sua aparência que me deixou aos prantos e fez o meu mundo desmoronar e sim as palavras ditas. — Eu vou mandar arrancar esse bastardo de dentro de você. No dia seguinte... Desolada, as palavras ainda ecoavam em minha cabeça, como se tivesse um gravador, toda hora ficava repetindo a mesma frase. Mesmo na angústia do meu desespero, eu me forcei a comer, pois acima de qualquer coisa, eu tinha que pensar no meu filho e tentar sair daquele lugar. A minha mãe, assim que Petrovci deixou o quarto, se levantou e seus olhos passearam por todo lugar, até se deter no quadro tenebroso que tinha na parede, nele, um anjo vestido de preto segurava uma lança enorme em direção ao peito de um anjo vestido de branco. Eu estava perdida, sem entender o porquê de ela ficar olhando fixamente para a imagem e quando se moveu até ele e o examinou, só quando apontou o objeto que estava cravado nele, entendi como foi que o demônio havia descoberto da minha gravidez. Eu não sei em que momento, mas lutei o quando pude para que meus olhos não se fechassem, mas acabei adormecendo novamente. Acordo num sobressalto assim que ouço a porta sendo aberta, me levantei em um pulo tentando me afastar ao máximo do homem que veio em minha direção, o pânico me dominou, mas antes que eu chegasse até o banheiro, fui puxada. — Chegou a hora de tirar esse monstrinho de dentro de você. Comecei a espernear com tudo de mim, contudo, ele saiu me puxando, pois era muito mais forte. Quando passamos pelo corredor, os meus gritos foram substituídos pelas batidas na porta do quarto da minha mãe, que berrava para que a tirassem de lá. Eu tropeçava nas minhas próprias pernas e quando chegamos ao topo da escada, fiquei ainda mais desesperada que ele pudesse me jogar escada a baixo, mas ele continuou me puxando e só parou quando chegamos à garagem e fui arremessada dentro do porta malas do carro. Não sei quanto tempo se passou, até que o veículo parou e novamente fui puxada para dentro de um prédio. Quando chegamos ao que parecia ser um consultório, uma mulher e um homem vestidos de branco surgiram em nossa frente. — Tudo já está pronto — disse o homem. Comecei a me debater mais, fui colocada em cima de uma maca. Logo todos os meus membros foram presos, a mulher se aproximou de Omar, e falou. — Vamos, ele dará um jeito nesse problema. — Sem sua ajuda não conseguiria resolver isso tão rápido. — Rômulo é o melhor de todos. Sempre ajudou todas do bordel. Ele enlaçou a cintura dela e beijou a infeliz na minha frente. Quando deixaram o cômodo, clamei para que o homem não fizesse aquilo, mas seu rosto era uma mascara fria, parecia vestir uma armadura impenetrável. Gritos e mais gritos saíam da minha garganta. Senti uma picada em minha pele, tudo começou a rodar a minha volta e a única coisa que lembro, foram das palavras que ele preferiu. — Tudo ficará bem. Cinco dias depois... HELENA TUDO O QUE SINTO É UMA ENORME sensação de vazio. Eu não me lembro do que aconteceu depois que os meus olhos se fecharam, não senti dor fisicamente, mas a que tomou conta da minha alma, foi a pior que senti em toda a minha vida. Quando acordei, já estava em meu quarto e minha mãe tinha em suas mãos uma toalha e ao ver o líquido vermelho em volta do tecido, as lágrimas grossas começaram a rolar pelo meu rosto. Eu não podia acreditar que ele não existisse mais, que aquele monstro tinha matado o meu filho. Os olhos da minha mãe estavam inchados e mesmo tentando me acalmar, ela também estava arrasada. Quando nos acalmamos, ela me contou que Omar chegou comigo em seus braços e me colocou em cima da cama, minhas pernas estavam sujas de sangue e eu estava desacordada. Eu perdi a vontade de viver, ele já não existia mais e eu nunca teria a chance de conhecer o seu rosto, de tê-lo em meus braços. Foram momentos em que estive a beira da loucura, quando fiquei sozinha, comecei a escutar o choro de um bebê ressoando pelo quarto e já não tinha mais forças para nada. Minha mãe, vendo o estado em que eu fiquei, se derramou em lágrimas e começou a implorar para que eu não a deixasse e foi justamente nesse momento que Omar entrou no quarto. Quando ele, que segurava uma bandeja em suas mãos disse para eu comer e que daqui a três dias iria acontecer uma festa para oficializar o meu noivado, a raiva me dominou e, não sei de onde tirei forças, mas me levantei. — Você matou o meu filho seu maldito. Agora chega de interferir na minha vida — sua expressão tenebrosa surgiu imediatamente. Ele deu alguns passos em minha direção, mas permaneci imóvel. Afoita, continuei. — Vai se sentir mais homem ao me bater, então o faça. Se isso vai diminuir suas frustrações, me mate, pois nem arrastada eu vou me casar com aquele homem. Ele se livrou da bandeja e pegou a arma que estava em sua cintura. Com o objeto apontado em minha direção, ele manifestou. — Matar você, não! — ele fez uma pausa e moveu a pistola em direção à cabeça da minha mãe e sem hesitar puxou o gatilho. E junto com o barulho, o ruído alto saiu me rasgando por dentro. — Nãooooo... — Você vai comer e vai fazertudo que eu mandar, ou no próximo eu estouro os miolos dessa vagabunda. Ele já tinha tirado a melhor parte de mim. Se me matasse seria um alívio, mas sei que não faria isso, pois sentia prazer em me torturar, porém eu não posso permitir que a minha mãe se torne a próxima vítima. Eu precisava fazer o que era certo naquele momento pelo bem da minha mãe. — A deixe em paz, eu farei tudo que você quiser. Um sorriso vitorioso surgiu em sua face e logo depois ele deixou o ambiente. Desde então, ele não tentou nada contra minha mãe ou tão pouco me agrediu, porém, mesmo em meio a dor, ao contrário de dias atrás, o meu apetite voltou e passei a comer tudo que minha mãe trazia. Era como se tivesse um buraco em minha barriga e nunca me dava por satisfeita. O barulho da música vindo do andar de baixo, me trouxe de volta a realidade. Hoje, assim como aconteceu anos atrás, a mansão é o palco de um grande evento. Depois da fatalidade que aconteceu com Malaquias, onde todos os conselheiros acreditam que foram os mesmo homens que me sequestraram, pois Omar contou que houve um grande confronto, quando estava indo ao meu resgate, diante de tamanha mentira, eu tenho certeza que foi ele o responsável pela morte dele. Embora todos tenham lamentado a grande perda. A notícia do noivado, o qual fará com que o chefe usurpador tenha um aliado muito influente e trarão benefícios à organização, fez todos ficar em festa. Algumas horas atrás, Omar veio até o meu quarto e novamente mais uma ameaça foi feita, caso não faça exatamente o que ele deseja. Nunca tinha o visto tão radiante e eufórico, tudo pela expectativa do grande momento, era como se hoje já fosse o casamento. Vejo o meu reflexo no espelho e ao pensar que dentro de alguns minutos estarei dando o primeiro passo que me unirá para sempre a um ser asqueroso, só me faz estremecer. — Vamos, filha! Ao me virar vejo a minha mãe, como sempre impecável. Nem toda maldade de Omar e o sofrimento conseguiram ofuscar sua beleza e tão pouco o brilho dos seus olhos. — Vamos. Ao lado dela, caminhei para fora do quarto. Em passos vacilantes, atravessamos os corredores rumo ao hall. Quando começamos a descer os degraus da escada, o zumbido começou a se tornar cada vez mais alto, dezenas de vozes tentando sobressair-se ao som da música que tocava no cômodo e no instante em que adentramos o grande salão, todos os olhares se voltaram para nós. Em questão de segundos, o facínora se juntou a nós e vários flashes foram disparados, registrando assim a família perfeita. Nas horas seguintes, os conselheiros vieram me cumprimentar, porém senti um forte embrulho no estômago, quando o velho babão se juntou a mim. Eu queria era que tudo aquilo terminasse logo. Não demorou muito para Petrovci fazer um gesto, o qual eu já sabia que era para ir ao seu encontro. Quando eu fiquei ao seu lado, ele pediu atenção de todos. — Como todos sabem, passei nos últimos dias momentos terríveis, com o sequestro da minha filha amada. Graças ao empenho de vocês e a dedicação de Malaquias, eu consegui trazê-la de volta, porém, aquele que dedicou a sua vida a esta organização, já não está mais entre nós. Todavia, hoje se inicia uma nova aliança e logo teremos um futuro herdeiro da máfia albanesa. Agradeço a presença de todos e peço os aplausos para Gustavo Abrantes. Quando Gustavo começou a vir em nossa direção e os aplausos se fizeram presente. Um som estrondoso de explosivos vindo do lado de fora do salão ressoou no espaço e logo em seguida dentro do hall, que foi invadido pela fumaça e como um passe de mágica, o nome Enzzo Demisovski se formou. Todos olharam para trás, e ficaram perplexos, alguns assombrados e outros com emoção, pois entre a névoa formada pela densidade da fumaça. Ele ressurgiu, sim, o monstro renascido, todo vestido de preto. Seu olhar frio e impassível direcionado para uma única pessoa "Omar Petrovci" e ao seu lado, fortemente armados, estava seu fiel companheiro e tio, e também Malaquias. O som de tiros reverberou no ar, o pânico dominou o ambiente, e quando eu ia correr em direção a minha mãe, senti seu braço envolver o meu pescoço e a frieza do metal próximo a minha cabeça. Enquanto uma verdadeira guerra tinha sido iniciada, tanto da parte externa, quando interna, em meio a toda confusão, ele saiu me arrastando em direção às escadas, intensificando cada vez mais o aperto em meu pescoço. Subir aqueles degraus parecia uma eternidade, eu já estava ficando sem ar, quando chegamos em um determinado ponto do corredor, ele se deteve assim que Enzzo surgiu com sua arma em punho. — Novamente um Demisovski será morto nesse corredor. Olhei para o homem a minha frente e, em toda a minha vida nunca tinha visto algo tão assustador. Omar teria que acertar as contas com todos os demônios que ele tinha acabado de despertar. ENZZO TIVE QUE ME CONTROLAR DURANTE todos esses dias para não mandar tudo o que planejamos para o espaço. Saber que novamente ela estava a mercê daquele miserável estava me corroendo por dentro, pois além da sua vida, tinha a do nosso filho. Graças à ajuda de Malaquias e toda a sua influência, pois sempre foi respeitado entre os conselheiros, que conseguimos um grande número de aliados. Minuciosamente traçamos cada detalhe de como iriamos para o confronto final e nada mais oportuno que o evento onde todos estariam reunidos. Assim como a mais de vinte anos, ele escolheu que vários membros estivessem presentes e sentenciou o fim do legado do meu pai e roubou tudo o que não lhe pertencia, era chegada a hora de todos saberem que foram enganados todos esses anos. Com nossos homens infiltrados dentro da mansão e outros que estarão junto conosco, partimos para o campo de batalha. Ao som do ricochetear das balas, que ecoavam por todos os lados, foram como músicas para os meus ouvidos e o cheiro inebriante de sangue fresco logo invadiu as minhas narinas, me deixando extasiado. E, ao vê-lo fazendo Helena de sua refém, com minha arma em punho segui em sua direção. No entanto, eu senti um alvoroço de sensações, um ódio sobrenatural me envolveu, quando ouvi suas palavras. — Novamente um Demisovski será morto nesse corredor — meu sangue esquentou, me causando um desconforto terrível. Eu mais parecia uma fornalha humana de tão quente e para aumentar a minha fúria, o desgraçado novamente voltou a falar. — Por diversas vezes me questionei se seria possível o fedelho ter sobrevivido, embora tivesse algumas evidências, juntei uma ideia que havia se formado em minha cabeça, com a informação dada por esse projeto de vadia. Desde o seu nascimento essa maldita só trouxe desgraça consigo, eu deveria não só ter marcado suas costas, como todo o seu corpo e saber que era você o pai daquele bastardo, só me faz vibrar por ter eliminado aquele monstrinho. Nesse mesmo lugar eu enviei Vitor ao inferno e agora será a sua vez. Assim que o som da sua voz soou no ambiente, ele desviou a arma que estava encostada na cabeça de Helena, que tinha o rosto banhado em lágrimas, em direção ao meu peito. Olhei fixamente para mulher a minha frente e como se tivéssemos em plena sintonia, ela levou uma de suas mãos em direção à parte íntima do miserável, no instante em que seu dedo estava prestes a puxar o mecanismo que levaria o disparo a ser efetuado. Um ruído de dor ecoou no espaço e foi nesse momento que ele acionou o gatilho até o seu limite liberando o percussor para o impacto. O trajeto da bala foi de encontro ao meu ombro. Senti uma forte queimação, por uma fração de segundo, tudo o que vi em minha frente, foi uma completa escuridão, mas antes que ele novamente cogitasse em me atingir, outro disparo foi feito e o alvo desta vez foi a mão do miserável, fazendo gritos agonizantes sair da sua boca. Movendo-me na velocidade semelhante a bala que me atingiu, avancei em sua direção e em meio a dor, ele tentou me atingir, mas fechei minha mão em punho e com um soco, que vinha de baixo para cima, fiz com que o infeliz desse dois passos para traz com a força do impacto. Comose ganhassem vida própria, minhas mãos se moviam freneticamente, desferindo uma sequência de golpes no seu rosto do desgraçado. Quando olhei a face do traidor banhada em sangue e depois de mais um golpe, ele desabou no chão, saí puxando-o em direção ao primeiro andar. O barulho causado pelos tiros havia cessado e quando cheguei ao topo da escada, todos se voltaram em nossa direção. Saí puxando o infeliz escada abaixo e depois de me livrar do último degrau, lancei seu corpo em direção ao concreto. Um círculo foi formado ao redor dele. — Já que você gosta tanto de ouvir o barulho que ressoava cada vez que deferia golpes contra as costelas da sua esposa, nada mais justo que ela ouça os seus. Assim que terminei de falar, uma sequência de golpes foi desferida por cada um que estava compondo o círculo. Quando o covarde desmaiou, ele foi levado pelos membros do conselho para a sede da nossa organização. — Chegou a hora de Petrovci ter o que merece, o final digno de um traidor. Horas depois... Enquanto os demais já tinham ido rumo ao lugar que seria o cenário da exterminação do maldito traidor. Helena se juntou a mãe e a expressão de alívio estava visível em sua expressão, mas o momento entre mãe e filha foi interrompido pela voz do meu tio. — Temos que ir. Quando Helena se afastou da mãe, a atenção de Isabella se voltou para Hulk e não sei se foi fruto da minha imaginação, mas a troca de olhar entre eles, foi algo que fez alguns pensamentos surgirem em minha cabeça. Porém, tínhamos algo que precisava ser terminado. Entramos no veículo e durante todo o trajeto até o nosso destino, foi feito em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Assim que chegamos, já dava para ouvir do lado de fora os gritos de euforia vindo de dentro do ambiente. Caminhamos em direção ao pátio e a imagem que vi fez meu coração dar pulos de alegria. Na bancada direita estavam todos os conselheiros que ficaram vivos, pois alguns que eram fiéis ao rato de esgoto, foram enviados ao inferno, assim como todos os seus soldados. Do outro lado estavam os demais membros, como sócios e soldados da máfia albanesa. No centro do pátio, a atração principal, totalmente despido e preso em um pelourinho e ao seu lado uma mesa com vários utensílios e meus olhos logo brilharam quando foram de encontro a um em especial. Passei dias fazendo-o, confeccionando-o com um único objetivo e não via a hora de usá-lo. As duas mulheres foram conduzidas até o local, onde estava Malaquias, enquanto eu e Hulk seguimos para junto de Omar. Quando a distância foi diminuída e me detive em frente à pequena mesa. Levei minhas mãos em direção ao chicote, o mesmo foi feito com sete tranças de couro, nas pontas foram colocados vários pedaços de metais e ossos, que ao serem atirados, perfuram a pele e conforme as chicotadas continuam, elas cortam os tecidos por baixo da pele, rompendo as veias e causando marcas de sangue. Os cravos de metal em sua ponta produzem grandes e profundos hematomas que se rompem com as subsequentes chicotadas. Por fim, a pele fica pendurada em tiras e toda área fica irreconhecível. Com o objeto em mãos, me aproximei do tirano que se achava o soberano da máfia. Diante dos olhares atentos de todos os presentes, o som da minha voz ecoou no espaço. — Eu Enzzo Demisovski, único herdeiro e o legítimo chefe desta organização. Sentencio Omar Petrovci à morte. Esse lobo traiçoeiro em pele de cordeiro, um maldito covarde, que por anos maltratou a sua própria filha e não hesitou em matar aquele que o considerava seu melhor amigo e vem enganando a todos. Destruindo todo o legado da minha família, chegou a hora de te enviar direto para as profundezas do inferno. Assim que o som da minha última palavra reverberou no ar. Movi o chicote e o primeiro golpe foi desferido sobre a sua pele, os gritos dele logo começaram a ressoar no ambiente, o que só aumentou o meu desejo de ver suas costas sendo dilaceradas pelas lâminas. Hulk, logo se juntou a mim, e um sorriso perverso surgiu no meu rosto quando olhei o bisturi em suas mãos. Mesmo possuído de dor e com a voz fraca o infeliz começou a falar. — Não! Se afaste de mim seu maldito. Eu sou Omar Petrovci. De nada adiantou suas palavras, pois o povo começou a gritar. — Morte ao traidor. Morte a Omar Petrovci. Todos ovacionavam em um só coro. E, assim que Hulk introduziu o bisturi no canto da unha do dedo polegar e com um único movimento arrancou-a, fazendo o sangue jorrar, levantei novamente o chicote e o segundo golpe fez o maldito se urinar. A cada golpe, uma unha era arrancada, tanto dos membros inferiores, quanto dos superiores. Gritos e mais gritos saiam por entre os seus lábios, o que me deixou alucinado, completamente em êxtase . A certa altura, já não se via mais a pele das suas costas, que ficaram em carne viva. Quando deixei o chicote cair no chão, olhei para Helena que estava assustada, enquanto Isabella não desviou o olhar da imagem em sua frente. Hulk me passou o maçarico e o bisturi, que tinha em suas mãos. Olhei para as costas do infeliz e sem delongas, apertei o botão do objetivo que estava na minha mão direita e ao ver as chamas, levei de encontro à pele do desgraçado, que quanto mais gritava, só deixava o povo mais alucinado e clamando por mais. Quando olhei o estado que ficou sua pele e ao lembrar que ele também tinha marcado Helena, me movi e fiquei na frente do homem que por anos vem usufruindo o que não era dele, que roubou algo da minha vida, que o tempo e o dinheiro não podem trazer de volta, fez uma criança que só desejava ser amada, o maior alvo da sua crueldade. Tudo pela ambição e sede de poder. Com o olhar grudado no seu, que já estava quase sem vida, deslizei o objeto por toda extensão da sua barriga. Seus gritos acalmaram meus demônios, me deixando em puro deleite. E, à medida que ia deslizando a lamina, a imagem que começou a surgir a minha frente despertou uma sensação inexplicável, ver o coração maligno dele batendo, me deixou elétrico e sem hesitar levei as duas mãos ao encontro do seu peito. Uma onda de eletricidade atravessou o meu corpo, eu conseguia sentir cada batimento do coração do atroz. Petrovici começou a se contorceu e, olhando fixamente para o infeliz. Proferi as últimas palavras que ele ia ouvir na vida. — Os meus olhos serão a última imagem que você verá. Eu te encontro no inferno seu maldito. Fechei as mãos em volta do órgão e o puxei, levantando em direção à multidão. Todos se levantaram e começam a gritar pelo meu nome. — Enzzo! Enzzo! Enzzo! Aquilo soou como a mais bela canção. Intensifiquei o contato sobre o órgão pulsante, fazendo em seguida as minhas mãos serem envolvida pelo sangue e vários pedaços caírem no chão. O esmaguei completamente. HELENA INCRÉDULA E ASSUSTADA DIANTE dos últimos acontecimentos. Na minha frente estava o corpo sem vida do carrasco, que por anos me teve sob seus domínios e tudo o que eu conseguia sentir era pena, sim, pena por ver até onde a ambição pode levar um homem, a passar por cima de todos, só para ter o que deseja. O barulho ainda ecoava no ambiente, todos estavam eufóricos, extasiados pelo fim do traidor e não paravam de gritar rei morto, rei posto. Quando na verdade, ele nunca nem deveria ter ocupado um título que não lhe pertencia, mas Omar, só colheu tudo aquilo que plantou, pois ele esqueceu que o maior juiz é Deus. Cedo ou tarde a verdade viria à tona. Afastei os devaneios quando senti minha mãe segurando em minha mão. Aos poucos, o lugar foi ficando vazio e não demorou muito para Enzzo e Hulk, se juntarem a nós. Olhei para o brutamonte a minha frente e logo me veio à lembrança de Yolanda. — Eu sinto muito, Yolanda não merecia ter sua vida interrompida daquela forma. Eu fiquei confusa, já que o seu rosto, mesmo após as minha palavras, exibia um largo sorriso. — Vamos! — disse Enzzo. A repentina mudança de assunto e ver como eles nem se abalaram com o que eu falei, só me levou a duvidar se a fúria que olhei em seus olhos, quando Omar dissetudo aquilo no corredor da mansão, era por saber que o nosso filho já não existia mais. Em passos apressados deixamos o lugar, o qual espero nunca mais colocar os meus pés. Com o veículo em movimento, o assunto ainda era sobre a morte de Petrovci. Não podia negar que uma sensação de alívio me envolveu por completo e com a minha mãe não era diferente. Quando o carro parou, fiquei intrigada por termos vindo para o hospital. — Chegamos! Embora sabendo que Enzzo levou um tiro, eu sabia que ele não viria ao lugar só para receber os cuidados necessários. — Quem está doente? — perguntei curiosa. — Tem alguém que gostaria muito de ver você — respondeu Hulk. A única forma de desvendar todo esse mistério, era entrar no lugar e no momento que passamos pelas portas duplas de vidro, um calafrio atravessou a minha espinha. O cheiro impregnado no lugar e todo esse branco, me levaram para o pior dia da minha vida. Não consegui conter as lágrimas e comecei a acariciar a minha barriga, embora eu tenha sentindo um vazio imenso quando acordei após tudo que aconteceu, eu podia jurar que ainda existia algo dentro de mim, minha mãe disse que talvez, por ter somente dois meses e ainda estar em formação, as consequências não foram tão intensas, pois mesmo sendo inexperiente, achei estranho por não ter sangramento, só o que minha mãe mencionou que limpou das minhas pernas. Volto à realidade quando sinto uma enorme mão em cima da minha, que estava posicionada sobre o meu ventre. E quando nossos olhares se encontraram, ele se manifestou, fazendo um turbilhão de sensação explodir dentro de mim. — Você não precisa chorar. Ele ainda esta dentro de você. Eu tentava processar toda aquela informação, toda tristeza deu lugar a alegria por alguns instantes e quando meu cérebro processou tudo aquilo, pois não fazia sentindo, resolvi questioná-lo, não era possível que ele fosse brincar com a minha dor. — Isso não pode ser possível! — Tanto é que dentro de alguns meses ele vai estar em seus braços. Temos muito que conversar Helena. Mas, antes você vai ver com seus próprios olhos que nada é impossível. Depois das suas palavras, seguimos pelo corredor e quando paramos próximo a uma porta branca e ela foi aberta, a minha única reação foi correr para dentro do ambiente. Mesmo com vários equipamentos ligados ao seu corpo, ela estava lá e quando seus olhos se abriram, meu coração disparou. Passei um bom tempo ao lado dela, que ainda respirava com ajuda de aparelhos, mas estava estável. Quando deixei o quarto, Enzzo me chamou e seguimos para lanchonete do hospital. Eu nem esperei que ele iniciasse a conversa e me antecipei. — Aquilo que você falou, minutos atrás, foi só parar me acalmar? — Você não achou que eu ficaria de mãos atadas e, que deixaria o infeliz fazer aquilo, achou? — Mas eu estive naquele lugar horrível, quando acordei, minha mãe estava limpando o sangue entre as minhas pernas. — Se você soubesse o que ia acontecer, correríamos o risco de Omar descobrir a verdade. Ciente de tudo que ele fez com você, eu sabia que se viesse a descobrir sobre sua gravidez, não ia hesitar em mandar fazer aquela monstruosidade. No mesmo dia em que ele te encontrou, também tentou eliminar Malaquias, acabamos por encontrá-lo e foi com sua ajuda que, além de conseguir uma grande aliada dentro da mansão, por uma alta quantia, a mulher que por anos vinha sendo a amante do seu pai, nos ajudou com todo o plano. — Então aquela mulher que estava com ele no consultório, era sua amante mesmo? — Sim, uma das mulheres que vive no bordel, frequentado pelos membros da máfia. Quando Hortência, que se tornou os nossos olhos e ouvidos dentro da casa nos contou tudo que ouviu, Hulk, sendo um conhecedor da vida das mulheres que vivem no bordel, logo deduziu que Omar, ia procurar um lugar longe dos olhos de todos e certamente sabendo que as mulheres daquele lugar, por diversas vezes recorrem a essa alternativa, nada melhor que ser a sua amante para dar a informação. Uma corrida contra o tempo foi iniciada, pois tínhamos poucas horas para planejar tudo e o falso médico que te atendeu se tratava do sobrinho da esposa de Malaquias, o qual não tinha ligação com a organização. — Segundo a minha mãe, eu cheguei com as pernas toda suja de sangue. — Era meu. Tudo precisava ser feito de forma que Omar acreditasse que houve realmente o aborto e, só assim, teríamos tempo para atacar no dia que todos estariam reunidos. Ele não ia fazer nada contra vocês duas, estando às vésperas do momento que ia exibir a família perfeita diante de todos. A emoção que tomou conta de mim foi indescritível, porém, saí da minha bolha, quando novamente ouvi sua voz e diante de suas palavras, eu precisava esclarecer as coisas. — Eu sei que você passou por muitas coisas em tão pouco tempo. Sei que tudo que fiz ainda esta bem vivo em sua memoria, mas é ao seu lado que quero construir uma família. Com você e com o nosso filho, juntos iremos superar tudo isso. — Eu não posso impedir que você esteja presente em cada etapa da minha gravidez, é da vida do nosso filho. Mas, não existe isso de nós dois, eu não vou morar com você. As trevas logo expulsaram a luz e o anjo deu lugar ao demônio. Ele fechou as mãos em punho, parecia estar lutando para manter seus demônios quietos, sua respiração estava pesada e as veias do seu pescoço incharam e começaram a pulsar, tamanha era a sua raiva. Enzzo precisa aprender que nem sempre a vontade dele irá prevalecer, mas para minha total surpresa, o homem fixou seu olhar no meu e jamais esperava ouvir as palavras proferidas por ele. — Eu nunca irei desistir de você, e quando chegar o mento certo, eu a terei ao meu lado por inteira. Instantes depois, ficou decidido que eu e a minha mãe, teríamos de volta a propriedade que era do meu avô, e que Omar acabou por tomar posse, já que Enzzo foi irredutível em deixar claro que não deixaríamos o país. Depois de tudo o que aconteceu, eu agradeci a Deus, pois um dia onde houve muitos gritos, sangue derramando, eu recebi duas noticias que fizeram desse momento algo que ficará cravado para sempre em minha memória. Meses depois... Como não podemos parar o tempo, ele passou voando e muita coisa aconteceu em nossas vidas. Eu precisava me encontrar, pois todo o sofrimento que passei, fazem parte da minha história e entre perdas, eu ganhei a chance de recomeçar. Diante das experiências que tive, eu precisava fazer algo para contribuir de alguma forma para que mulheres, que assim como eu, foram vítimas de tantas agressões, sendo elas, físicas ou psicológicas. As piores situações ocorrem, vindo de pessoas da nossa própria família e com o dinheiro da venda das joias, criamos o Centro de apoio de Durrês para mulheres vitimas de violência doméstica. Ainda há muito a ser feito, mas o primeiro passo foi dado. Não podemos ficar com essa ideia machista de que somos um sexo frágil, que devemos ser submissas e nos conformar a ser a filha, mulher e esposa perfeita. Somos nós, mulheres que trazemos ao mundo a vida, que sofremos a dor do parto e modificações em nossos corpos. Por outro lado, eu não tenho palavras para explicar as sensações que sinto a cada consulta e como sempre, Enzzo está ao meu lado. Não posso negar que ele, embora muito ocupado, pois assumiu o posto que era seu por direito, sempre está presente e como não seria diferente, hoje o dia que finalmente saberemos o sexo do nosso bebê, ele está aqui. — Estão prontos? A voz da médica reverberou no ambiente, ansiosa respondi. — Sim! Ela pediu novamente outra ultrassonografia, pois segundo ela, precisava confirma uma suspeita. Fiquei logo em pânico, mas logo ela me acalmou, dizendo que eu não deveria me preocupar. Senti um friozinho passar pela minha barriga e aos poucos as imagens foram surgindo no pequeno monitor a minha frente. Enzzo permanecia tipo, hipnotizado, olhando fixamente para a tela e quando em meio à imagem surgiu outra, fiquei desorientada. — O que está acontecendo? — perguntei nervosa. — Era esse o motivo para queeu solicitasse o retorno de vocês. Ele enfim resolveu parecer. Se meus olhos estavam arregalados antes, agora duplicou de tamanho. Será que era realmente o que eu estava pensando? A resposta veio logo em seguida. — Existem dois sacos gestacionais, devido à posição não estava conseguindo identificar, mas no último ultrassom, achei ter visto uma terceira perna. Um grito de alegria ecoou no cômodo, olhei para o homem ao meu lado, que estava imóvel e com uma expressão indecifrável. — Agora vamos ver o sexo deles. Novamente ela deslizou o pequeno aparelho em minha pele e assim que suas palavras foram proferidas e novamente virei em direção a Enzzo, eu tive a impressão que ele, a qualquer momento ia de encontro ao chão. — Vocês serão pais de duas meninas. Meses depois... ENZZO TODA ESSA ABSTINÊNCIA ESTÁ ME LEVANDO à loucura, porém, mesmo que meu corpo anseie por estar junto do dela e toda vez que vejo aquela boca deliciosa em minha frente, a vontade é enorme de tomá-la em meus braços, beijá-la até que ela fique sem fôlego. Eu venho me controlando, pois o único homem que tocará nela sou eu, ela é minha e cedo ou tarde estaremos junto novamente. Entre muitos banhos gelados, tive que concentrar a minha atenção para os afazeres da organização. Muita coisa precisava ser mudada, pois aquele infeliz fez um estrago tão grande, que precisávamos colocar tudo nos eixos. Tanto Yolanda, como o safado do meu tio, vieram morar comigo, embora ele tenha se tornado o meu conselheiro e braço direito, como sempre foi, achei muito estranho de inicio ele ter aceitado sair de Tirana. Hulk, sempre teve espírito livre, um passarinho que não podia viver jamais em uma gaiola, mas como toda panela tem sua tampa, eu acho que depois de tantos anos, ele acabou por encontrar a sua e para disfarçar, acabou dizendo que concordou, pois Yola já não podia viver tão isolada, já que agora precisava de cuidados médicos devido alguns problemas respiratórios. E, para constatar minhas suspeitas, ele que nunca ficou longe do bordel, nos últimos meses nem mencionavam tal nome, era como se ele tivesse sido abduzido e colocaram outro em seu lugar. Helena está cada dia mais linda e assim como eu, já suspeitou que entre Hulk e Isabella, existe uma química fatal, só não entendi porque estão tentando esconder. Desde que descobrimos que teríamos duas meninas, fiquei inquieto ao receber a noticia, tive um solavanco como se tivesse levado um choque e tive que me manter firme. Saber que eram dois, já fez meu coração ficar agitado, imagina quando a médica falou que eram duas meninas. Yolanda não parava de sorrir quando dei a noticia e ao ver a minha expressão e do meu tio, que pelo visto será um cão de guarda. Espanto as lembranças e continuo a andar em círculos, pois toda essa espera está me deixando enlouquecido. — Acalma, Enzzo. Virei-me em direção ao meu tio, que assim como eu e Yolanda, esperávamos ansiosos pela chegada das minhas filhas. Isabella está com Helena, já que fez questão de ter a mãe ao seu lado. De repente os olhos de Hulk, começaram a brilhar e a armadura de homem implacável foi derrubada. Eu já sabendo que só uma pessoa era capaz de fazer isso, me virei de imediato, me deparando com Isabela que ostentava um sorriso de orelha a orelha. — Você pode ir vê-las. São lindas. — Deve ter puxado a mãe. Porque o pai não faz a jus beleza dos Demisovsk — disse o meu tio, que esboçou um largo sorriso. Fechei minha cara de imediato. — Eu só falei a verdade. Ignorando suas palavras, segui praticamente correndo em direção ao quarto em que elas estavam. Quando entrei no cômodo, fiquei parado admirando as três mulheres mais lindas que já vi na vida. Minutos depois, me aproximei dela e como Hulk havia dito, eram a cópia perfeita da mãe. — Esta é Ana — disse ela, já que havíamos decidido os nomes dias atrás. Meu olhar foi de encontro ao outro pacotinho que estava bem enroladinho, só deixando visível o seu rosto. — Esta é Cecilia — naquele momento senti uma onda de calor passar por mim e por mais que quisesse desviar os meus olhos em outra direção, eu não consegui. Mas logo, toda minha atenção foi interrompida, quando um grito estrangulado ecoou no espaço e a cena que vi em seguida foi como se tivessem cravado um punhal em meu peito. Seis meses depois... HELENA Depois de ter vencido a morte e saber que nunca mais poderei engravidar, devido a todas as complicações que tive depois do parto. Mais do que nunca, eu ia aproveitar cada segundo ao lado das minhas filhas. Seis meses se passaram e tenho vivido os melhores dias da minha vida. A cada dia, uma nova descoberta, um novo ensinamento. As minhas filhas são duas dádivas de Deus, duas joias raras, que foram o melhor presente que podia receber da vida. Elas, ao contrário de mim, estão crescendo rodeadas de muito amor, carinho e principalmente um pai que as ama incondicionalmente. Mesmo não vivendo na mesma casa e tendo que enfrentar todos os problemas, que a cada surge na organização, pois foram vários os confrontos com a máfia chinesa. Enzzo é um pai maravilhoso, atencioso, o grande amor da pequena Cecilia, que mesmo tão pequena, não pode ouvir a voz do pai que começa a chorar, querendo sua total atenção. Já Ana é bem diferente da irmã, muito agitada e sapeca. Mais de um ano se passou desde que eu o conheci e acreditava que o sentimento que tinha por ele ia desaparecer com o passar do tempo e as lembranças de tudo que ele me fez, mas foi o contrário. Com o passar do tempo, eu resolvi me libertar de amarras negativas do passado e seguir adiante. Perdoar é uma ação, que além de nos libertar, permite o amadurecimento e em meio a tantos obstáculos, a vida me devolveu em dobro tudo àquilo que aquele homem havia me roubado. Mais uma batalha foi vencida e graças a toda ajuda que a ONG vem recebendo, hoje estamos inaugurando um novo setor. Deixo o passado de lado e volto à realidade quando o homem que ultimamente surgi sempre em meus pensamentos aparece em minha frente. — Quando você chegou? — Ainda pouco. Parabéns por mais uma conquista. Ele em seguida me envolveu em um forte abraço. Fechei os meus olhos quando o cheiro delicioso do seu perfume invadiu minhas narinas. Mas todo encanto foi quebrado quando ouvi uma voz enjoativa ecoando no espaço. — Senhora Petrovci, nos concede uma entrevista? Desfizemos o contato e quando ele se virou na direção da mulher. Senti o meu sangue esquentar quando o olhar malicioso dela se direcionou para uma única pessoa "ENZZO." HELENA QUANDO CHEGUEI EM CASA, já eram quase seis horas da tarde. Ao ouvir os gritos que vinham do andar de cima, joguei a bolsa no chão e subi os degraus da escada correndo, quase aos tropeços. Quando entrei no quarto das minhas filhas, encontrei a minha mãe com Ana nos braços e a pediatra das meninas examinando Cecília, que não parava de chorar. — Que bom que você chegou. Liguei por diversas vezes e só caia na caixa postal. — Acabei colocando o celular só para vibrar, devido ao evento. O que ela tem? — Está ardendo em febre. Aproximei-me e segurei na mãozinha da minha princesa. Dra. Suzan, que está concentrada a examinando, assim que terminou se manifestou. — Não tem nada fisicamente que explique o motivo dessa temperatura tão alta, mas talvez emocionante, deve ter algo que a fez ficar assim. Houve alguma mudança na rotina dela? Eu logo me lembrei de que, com a viagem de Enzzo para Belgrado, já tinha uns três dias que ela não via o pai e como ele chegou e foi direto para o evento. E assim que acabou, pela sua aparência de cansaço, eu mesma disse a ele que deveria descansar e deixar para vê-las só amanhã. — Ela não vê o pai há alguns dias. — Então deve ser isso. O melhor seria pedir que ele viesse o quanto antes. Depois de mais algumas instruções, ela deixou o cômodo na companhia da minha mãe. Ana, mesmo com o choro de Cecilia, dormia como se nada tivesse acontecido. Quando o choro dela cessou, peguei o meu celular e liguei para Enzzo, foram várias as tentativas e mesmo cansado,eu sabia que ele não podia estar dormindo. Um pensamento surgiu em minha cabeça e um nó se formou em minha garganta. ENZZO Era incrível, como ela ficou ainda mais linda. E, depois de hoje eu decidir que não estou mais disposto a ficar longe dela e das minhas filhas. Com a viagem que fiz, acabei por fechar uma aliança com Dusan Borislav. Assim como a máfia chinesa vem se tornando uma pedra em nosso caminho, como se não fosse suficiente, eles se uniram com a Yakuza e vem atacando a máfia sérvia. A unificação das duas máfias será necessária e como foi Cecilia a primeira vir ao mundo, ela foi escolhida para ser a soberana da máfia. Deixo a água gelada escorrer pelo meu corpo e quando terminei o meu banho. Deixei o banheiro e segui para o meu quarto, meus olhos foram de encontro ao celular em cima da cama, diminui a distância e ao pegá-lo, meu sangue gelou ao deslizar o dedo na tela e ver a quantidade de ligações feita por ela. De imediato retornei, mas não obtive sucesso, caminhei em direção ao meu closet e minutos depois já vestido, com passadas precisas, segui rumo ao meu carro. HELENA Meu celular acabou por descarregar e depois de horas vendo a minha filha choramingar, ela em fim dormiu. Aproveitei para tomar um banho rápido e assim voltar novamente para o seu lado. Assim que terminei o meu banho, coloquei um robe e fui para o meu quarto, quando entrei no ambiente ouvi o choro dela e em passos apressados fui ao seu encontro. Mas, ao me aproximar, o som dos seus gritos foi diminuindo e ao chegar à porta do ambiente, fiquei estática observando a cena a minha frente. Enzzo a segurava em seus braços e o que não tinha visto deste a hora que cheguei estava acontecendo. O som da risadinha gostosa dela soou por todo cômodo. Meu olhar ficou derretido, não sei quanto tempo se passou, ele acabou por fazê-la dormir novamente e assim como a médica falou, ela já não tinha mais febre. Depois que a colocamos dentro do berço, saímos do quarto para não fazer barulho. Assim que chegamos ao corredor, ele se manifestou. — Estava no banho quando você ligou. E quando retornei, como você não atendeu, resolvi vir, pois temia que algo de ruim tivesse acontecido. Sua mãe disse que ela ficou doente de repente. — A médica falou que era emocional. Estava sentindo a sua falta. Assim que ele deu mais alguns passos, eu acabei recuando e só parei quando minhas costas tocaram na parede. Suas mãos seguraram firmes a minha cintura. — E você, não sentiu? — meu coração pulou uma batida diante da sua pergunta e de tamanha aproximação. Meu corpo estava em chamas e só ele poderia apagá-las. Enzzo puxou-me para perto de si e assim que nossos olhares se cruzaram, o desejo e o fogo se espalharam pelo meu corpo, me fazendo ansiar pelo seu beijo. Sua boca buscou a minha, as nossas línguas se encontraram e se misturaram, indo de um lado para o outro, enquanto suas mãos apertavam a minha bunda. Entre carícias e afagos, ele me pegou no colo com facilidade. Cruzei as pernas em volta dos seus quadris, e já podia sentir todo o poder da sua masculinidade, seu membro já duro e grosso, querendo se libertar da sua prisão. Comecei a gemer em meio às sensações, ficando cada vez mais excitada, mas logo me lembrei de onde estávamos e como se lesse os meus pensamentos, ele afastou a sua boca da minha. Seus olhos azuis, com cílios fartos, passearam por todo meu rosto e sabendo que ele só estava esperando a minha resposta, sem freios e sem reservas, pois eu o desejava e era em seus braços que eu queria estar para sempre. — Faça-me sua. — Você já é minha, assim como eu serei para sempre seu. Um sorriso perverso, que me deixou ainda mais molhada, surgiu naquele rosto lindo. Sem delongas ele caminhou para o meu quarto e quando chegamos dentro do ambiente, ele me colocou sobre a cama e após me despir se afastou. Volto minha atenção à cena que se constrói à minha frente. As peças de roupa foram retiradas do seu corpo e lançadas ao chão. Passeio com os olhos pelo abdômen definido e sinto arrepios invadirem meu corpo e minha intimidade pulsar. Preciso aplacar o fogo que me consome, mas diante daquele pau enorme, lindo e cheio de veias latejantes, com a cabeça rosada, as chamas me envolveram por completo. Mordo os lábios para conter os gemidos que começaram a sair por entre os meus lábios, aquele homem a minha frente era erótico demais, mesmo sem ainda estar dentro de mim, era capaz de me deixar sedenta de desejo. Ele se juntou a mim e eu senti a sua pele quente contra minha, em seguida aproximou sua boca da minha pele, deslizando seus lábios pelo meu pescoço, enquanto uma de suas mãos percorria meu corpo até alcançar a minha intimidade. Fiquei totalmente a sua mercê quando seus dedos se encaixam no meio dos meus lábios vaginais, fazendo ruídos saírem dos meus lábios. Seus dedos incansáveis subiam e desciam, esfregando e apertando a minha parte sensível, me deixando no limiar, entre a minha sanidade e a loucura. Eu precisava dele e já havia esperado muito tempo para isso. Entre sussurros comecei a suplicar. — Preciso de você dentro de mim, firme e forte. Enzzo me olhou profundamente, seus olhos brilharam quentes e cheios de desejos. Encaixando seu pênis em minha vagina, ele arremessou seu membro, que entrou com tudo de uma só vez. Um ruído alto saiu entre meus lábios, senti uma pontada de dor e uma ardência profunda ao receber aquele membro generoso. Quando ele me olhou e vi a preocupação em seu olhar, antes que ele cogitasse em ter qualquer outra reação, que não fosse me encher de prazer, minha voz entrecortada se fez presente. — Se você se atrever a parar, eu juro que vou apertar suas bolas com bastante força. O som da gargalhada dele preencheu o espaço e beijando meus lábios, seus quadris começaram a se mover no vai e vem que era uma verdadeira dança do prazer. Sob a sensação maravilhosa de estar totalmente preenchida, comecei a me remexer a medida que suas estocadas se tornam ainda mais fortes. O cheiro excitante de sexo estava impregnado a nossa volta. O som dos nossos corpos se chocando, ecoava pelo ambiente. Seu ritmo acelerou, fazendo seu membro mergulhar fundo nas profundezas aveludadas da minha vagina. Senti o meu sexo se expandir completamente, fazendo espasmo atravessar por todo o meu corpo. — E... Eu vou... Senti o ar faltando em meus pulmões, quando ele continuou repetindo os movimentos várias vezes, com estocadas firmes e calculadas. Seu pau entrando profundamente em minha abertura faminta, deixando-me insana e despudorada. Gritos de prazer tomaram conta do cômodo, seu pau pulsava violentamente dentro de mim. — Goze comigo, gostosa, goze... Diante de sua ordem, quando a pressão aumentou ao limite e com uma estocada violenta e deliciosa. Não me contendo mais, deixei o prazer me envolver e juntos gozamos, forte, alto e alucinadamente, seu líquido quente inundou a minha intimidade. Ofegantes, quando ele saiu de dentro de mim, rolou para o lado e me puxou junto consigo. Fitamo-nos e seus lábios se contorceram e ao ouvir as palavras que ressoaram dentro do cômodo, me senti feliz por em fim estar completa. — Eu a amo. Case-se comigo? Dois meses depois... HELENA COMO NUM PISCAR DE OLHOS, o dia que vem por dois meses, sendo tão esperado por mim, enfim chegou. Quando eu escutei as palavras de Enzzo, eu não hesitei nem por um só segundo em dizer que sim. Eu o amei desde o momento que o conheci, lutei para seguir em frente e tirar esse sentimento do meu coração, mais era algo que ardia e me queimava por dentro. Eu tive a opção em segui minha vida, sem tê-lo ao meu lado, mas embora estive realizada profissionalmente, realizada como mãe, eu sentia que ainda faltava algo para estar completamente feliz. A vida é curta demais e, ao mesmo tempo, preciosa demais, para ficarmos adiando a compreensão e o perdão. Não espere que o primeiro passo seja dado por ninguém, experimente deixar o orgulho vazio de lado e vá buscar o que deseja. Sempre sonhei em ter uma família grande e embora não possater mais filhos, fiquei radiante com a notícia de que vamos morar todos juntos. Além de Yolanda, que aprendi a amar como a avó que não tive, os dois que andavam se encontrando as escondidas e enfim resolveram assumir que estavam juntos e também irão morar conosco. Ver a felicidade da minha mãe, foi tudo que sempre sonhei e sei que se contasse para ela o que Hulk me fez, essa relação não ia adiante. Se vou contar? Sim, mas só depois que eles já tiverem uma relação mais firme, pois não seria justo, que eu destruísse essa chance que ela está tendo de reconstruir a sua vida e mesmo sendo um ogro, eu sei que o sentimento dele por ela é verdadeiro. Minhas lembranças se foram quando a mulher terminou de fazer os últimos retorques nos meus cabelos e disse que tinha terminado. Aproximei-me do espelho e ao olhar para a imagem, nem acreditava que era eu ali... Eu estava belíssima, desde a maquiagem muito bem feita, o penteado bem elaborado e, o vestido que era digno de uma princesa. Saio dos meus devaneios com a chegada da minha mãe. Olhei para ela que estava muito elegante, ao se aproximou de mim, claramente emocionada, nos seus olhos já havia algumas lágrimas se formando e, em seguida sua voz se fez presente. — Você está tão bonita filha. Lancei um sorriso em sua direção — Vamos. Depois que ela me deu um forte abraço, em passos vacilantes deixei o ambiente e ao chegar à sala, Malaquias estava me esperando. Eu o escolhi para me levar até o altar, pois sempre demostrou grande afeto para comigo. — Está pronta? — Sim. Nesse exato momento, a porta foi aberta e a mancha nupcial começou a tocar. A cada passo dado, às lembranças de tudo que aconteceu em minha vida, desde o momento que conheci o homem que mudou a minha vida, se fez presente em minha mente. Quando chegamos próximo ao altar, meus olhos ficaram fixos na figura dele, elegantíssimo em um smoking branco e ao seu lado, nos braços da minha mãe e de Hulk, estavam as nossas filhas, com um vestido parecido com o meu. Malaquias me entregou para Enzzo, e assim que ele pegou em minhas mãos, senti os meus batimentos aumentarem, caminhamos em direção ao celebrante que logo deu início a cerimônia. O Padre iniciou fazendo um pequeno sermão sobre a importância do amor e da fidelidade no casamento. — Estamos aqui hoje para celebrar as melhores coisas da vida, a confiança, a esperança, o companheirismo e o amor entre esse casal. Todos vocês foram convidados para compartilhar este momento com Enzzo e Helena, porque são pessoas importantes para eles. — Helena Maric Petrovci, aceita Enzzo Demisovski como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo até os últimos dias de sua vida? — Sim. — Enzzo Demisoski, aceita a senhorita Helena Maric Petrovci como sua legítima esposa, para amá-la, respeitá-la, ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, enquanto dure? Enzzo me encara, logo em seguida se vira e fala: — Sim. Depois da troca de alianças, a cerimônia chegou ao fim e o padre nos deu a bênção final, dizendo. — Pode beijar a noiva. Ele me tomou nos braços e apoderou-se da minha boca em um beijo que roubou o meu fôlego. Fomos interrompidos, quando todos aplaudiram os recém-casados. Nas horas seguintes, tudo ocorreu em perfeita harmonia, mas ao sentir as mãos de Enzzo, em volta da minha cintura e ouvir suas palavras, meu coração, ao mesmo tempo em que deu pulos de alegria, se apertou por ficar longe das minhas princesas. — Já está na hora de irmos, amor. — Para onde vamos? — Te levarei ao lugar que faz parte da nossa história. Depois de muitas lágrimas da minha parte, pois era a primeira vez que dormiria longe das minhas filhas, deixamos a mansão. Minutos depois, quando o carro parou, ele saiu do veículo e em seguida me pegou em seus braços. Quando meus olhos foram de encontro ao cenário a minha frente, um sorriso largo surgiu em minha face, ele não poderia ter escolhido um lugar mais especial para nós dois, ao adentrar no ambiente, tudo estava perfeitamente decorado, havia pétalas de rosas vermelhas em cima do tapete, o qual será inesquecível para mim. A lareira também estava acessa, dando um toque especial e acolhedor ao ambiente. Depois de sair da sua posse, fiquei admirando tudo a minha volta, enquanto ele começou a abrir o espumante e colocou o líquido que tinha na garrafa em duas taças. — Um brinde a nossa felicidade. Levei o líquido gelado de encontro a boca, saboreando cada gota que continha no recipiente. Ainda entretida, senti suas mãos fortes de encontro aos meus quadris. Enzzo, começou a beijar-me sem pressa e acabei por deixar a taça cair no chão. Enquanto ele me mantém presa em seus lábios, começou a tirar a minha roupa e as sensações maravilhosas que só ele era capaz de despertar, começaram a me deixar cada vez mais excitada. — Minha, apenas minha, somente minha — começou a dizer com sua voz rouca de prazer, deixando-me arrepiada. Estremeci quando suas mãos invadiram a minha minúscula calcinha, acariciando o meu sexo, me deixando ainda mais louca de desejo, com um movimento brusco, ele arrancou a peça do meu corpo. Suspendeu-me e caminhou até o tapete felpudo, me deitando com cuidado sobre ele. Enzzo, num estalar de dedos, se livrou das próprias roupas, totalmente despido, ele subiu em cima de mim e novamente tomou a minha boca em um beijo voraz, fazendo nossas línguas travarem um verdadeiro duelo. Quando sua boca deixou a minha e ele começou a fazer uma trilha de beijos até chegar ao centro da minha intimidade, abri minhas pernas desavergonhadamente para desfrutar da habilidade da sua língua, acariciando o meu clitóris. Ele estava me fodendo, devorando a minha vagina com sua boca incansável. Um forte espasmo atravessou o meu corpo, comecei a gemer feito uma louca quando ele enfiou dois dedos dentro de mim e começou a movê-los para fora e depois deslizando fundo. Senti todo o meu corpo estremecer com as primeiras ondas de um orgasmo que se anunciava. Enzzo, intensificou ainda mais os movimentos fazendo todo o meu corpo convulsionar e foi nesse instante, que senti ele retirando seus dedos e com o corpo sobre o meu, pele contra pele. Senti sua ereção potente contra minha intimidade e o abracei, trazendo-o para junto de mim, desesperada para senti-lo, ele começou a movimentar seus quadris, pressionando contra o meu, numa dança louca, em seguida deslizando seu pênis para dentro de mim num vai e vem lento, aquilo estava me torturando, desesperada, comecei a implorar. — Mais forte. Atendendo ao meu pedido, ele aumentou a velocidade das estocadas, socando fundo todo o seu membro grosso e latejante. Meus seios balançavam a cada estocada. Enzzo, começou a sugar os meus seios, me fazendo entrelaçar minhas pernas em sua cintura, para que me penetrasse ainda mais fundo, comecei a relaxar os músculos do meu corpo. Com uma estocada precisa, empurrando o seu cacete fundo, sinto o meu corpo estremecer em volta dele. Minha boceta começou a se contrair, entre gritos de prazer, cai em um orgasmo violento e intenso, que eu nunca tinha sentido antes. Com mais duas estocadas precisas, ele se derramou dentro de mim , gozando com um esguicho quente. Apertando os meus quadris, continuou entrando e saindo de mim, enquanto ejaculava, num orgasmo forte e longo, enchendo-me com o seu sêmen. Com a voz ainda ofegante, ele começou a sussurrar. — Eu a amo, minha vida. — Eu o amo amis, meu único e grande amor. Passamos o resto da noite nos amando, sem nos importar com o amanhã. Três anos depois... HELENA O QUE SERIA DA VIDA SE não tivéssemos esperança, fé e principalmente o amor. Amanhã as minhas pimpolhas completarão três anos. Três anos de muito amor, que substituíram os dezoito anos de tristeza que eu vivi. Elas trouxeram luz para minha vida e tudo o que passei foi para que hoje, eu tivesse a minha família. Afasto os pensamentos quando ouço a voz de Cecilia. — Mamãe! Fiquei tão distraída, que me esqueci de colocar a comida na boca dela. Enquanto eu dava de comerpara ela, Yolanda fazia o mesmo com Ana. — Chegamos — disse Enzzo e a manhosa logo voltou sua atenção para o pai. — Papai! Ele, logo lançou um sorriso em sua direção. Olhei para minha mãe que não conseguia esconder a sua ansiedade e a expectativa pelo que estava prestes a acontecer. Assim que eles lavaram suas mãos e se sentaram a mesa, a comida foi servida. Os dois homens, como já era de se esperar, ao ver a bela torta a sua frente, ficaram com seus olhos brilhando. E logo cada um colocou um pedaço bem generoso em seus pratos. Quando eles conduziram a comida em direção a boca, a cena que passei, ao ter pego aquela chave da lama com a boca, surgiu em minha mente e quando deixei o devaneio de lado e olhei para atravessa a minha frente, só havia dois pedaços, eles não paravam de comer. — Está deliciosa — disse Hulk. — Verdade, sempre achei as tortas da Yola as melhores do mundo, mas esta aqui está divina, tem um sabor que não sei definir, mais é muito saborosa. — Eu comeria todos os dias, sem dúvida. Eu tive que me controlar, quando cada um pegou o ultimo pedaço e colocou no prato, em questão de minutos já tinha devorado. A minha mãe teve que dar a desculpa que ia ao banheiro e certamente devia estar aos risos. Quando eles deixaram o ambiente, rumo ao escritório tanto, tanto eu, quanto Yolanda e minha mãe, não aguentamos e, começamos a sorrir. Desde ontem, quando contei a dona Isabella sobre o episódio da lama e que comia a lavagem dos porcos, que sua primeira reação foi ficar incrédula, depois furiosa e queria ir tomar satisfação com seu esposo. Sim, já faz quase um ano que eles se casaram. De repente, ela mudou de ideia e disse que ia pagar na mesma moeda. Hortência, que tem mãos de fada, fez com que o ingrediente principal não fosse percebido assim que eles começassem a comer. Lógico que não estava doida dizer para o chefe de uma das maiores organizações criminosas do mundo, e, muito menos ao seu conselheiro, que a comida que tanto eles elogiaram, na verdade tinha como ingrediente, a milagrosa mistura viscosa. Não posso negar que vibrei por dentro com a cena a minha frente. No dia seguinte... ENZZO — Hum! Soltei um gemido assim que senti uma onda de calor atravessar o meu corpo. De imediato, os meus olhos se abriram, me deparando com uma bela visão a ser apreciada e uma cena que é imperdível de se memorizar. Sinto meu pau pulsar, e os movimentos de sua cabeça debaixo das cobertas é hipnotizante. Sua língua molhada desliza por toda dimensão do meu cacete até a base. Indo e voltando, por diversas vezes. Gemidos agonizantes saem por entre os meus lábios, quando ela, finalmente o abocanhou todo. Engolindo, centímetro a centímetro, sentindo-o por inteiro, pulsando em garganta. Faço um esforço sobrenatural para não perder o controle, enquanto o meu pênis entrava e saia da sua boca, melado e cada vez mais rijo. Levei uma das mãos em direção ao cobertor, pois queria ver cada feição sua, enquanto engolia o meu cacete em sua boca faminta. Assim que alcancei o tecido e ia puxá-lo, o som familiar me deixou petrificado. — Papai. Saindo do transe em que me encontrava, antes que eu tivesse qualquer outra reação, duas miniaturas adentraram o quarto. — Cadê a mamãe? — perguntou Ana. Cecília deu alguns passos até parar centímetros da cama. — Achei você mamãe. A minha bela esposa lentamente saiu das cobertas, enquanto tratei de esconder o estado em que me encontrava. — Porque a senhora se escondeu ai? — falou Ana, curiosa. De imediato suas bochechas ficaram tão vermelhas, que pareciam dois tomates. — A mamãe só estava brincando com o papai. — Oba! Também quero brincar — disse Cecília. Diante de suas palavras, comecei a sorrir, ao ver que Helena, ficou ainda mais vermelha. — Vocês sabem que não podem entrar no quarto da mamãe e do papai sem bater. Vamos brincar mais tarde, no aniversário de vocês, agora quem chegar primeiro na cozinha, eu darei um pedaço enorme do bolo que a vovó Yola fez. Assim como surgiram, do nada, as duas desapareceram. Helena logo se levantou. — Você não está se esquecendo de nada? — falei apontando para o meu pau. — Tenho certeza que um banho gelado pode resolver isso. A safada saiu rebolando em direção ao banheiro. Horas depois... Depois da cena de horas atrás, onde tive que tomar um longo banho gelado, eu estava no jardim da mansão, que se tornou o palco para a comemoração de mais um ano das minhas princesas. Olho para as duas e vejo o quanto à vida me deu. Sempre me lamentei por tudo que me foi tirado. A sede de vingança e o ódio, me deixaram cego, ao ponto de nem perceber que por causa do espinho, quase esmaguei a mais bela flor. Omar quase destruiu a minha vida e por causa da sua ambição, perdi meus pais, mas o homem que mudou a minha vida, sem nem mesmo imaginar, seria o responsável pelo nascimento daquela que me fez conhecer o amor, que me deu o maior presente que um homem pode receber. A dádiva de ser pai e ter uma família. Caminho em direção as três mulheres da minha vida. O sorriso da minha esposa logo se abriu, e assim que diminui a distância entre nós, minhas mãos enlaçaram a sua cintura, a puxando para junto de mim. Minha boca chocou- se com a sua, e minha língua, sem demora invadiu sua boca, num beijo quente e tentador, mas logo fomos interrompidos por duas sapecas querendo a minha total atenção. — Vamos brincar papai. Elas começaram a correr e não demorei muito para alcançá-las. Daria minha vida pela delas. E as amarei por toda a eternidade e intensamente. O anjo conheceu o demônio. A química entre eles foi fatal. A sede de vingança, a fez conhecer o seu pior lado. Entre medos e esperanças. Ódio e amor. Nos dois superamos todas as provações e foi o amor e a luz, que no final, prevaleceu.