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HISTÓRIA
MUSEOLOGIA E 
ARQUIVÍSTICA
Maria de Lourdes Cardoso Silva Santos
 
 
 
 
 
 
MUSEOLOGIA E ARQUIVÍSTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª. Ms. Maria de Lourdes C. S. Santos
 
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SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ............................................................................................................. 3 
PROGRAMA DA DISCIPLINA ..................................................................................................................... 5 
Unidade 01. O que é um Museu? ............................................................................................................ 7 
Unidade 02. O que é um Arquivo? ....................................................................................................... 12 
Unidade 03. Relação Museu, Arquivo e História ............................................................................ 15 
Unidade 04. Conceito e Função social do museu .......................................................................... 22 
Unidade 05. Museus, desenvolvimento e mudança ...................................................................... 26 
Unidade 06. Museu: Patrimônio cultural ........................................................................................... 30 
Unidade 7. Museologia, escola e ensino de História .................................................................... 35 
Unidade 08. Museu e escola: educação formal e não-formal. .................................................. 39 
Unidade 09. Programas educativos do museu ................................................................................ 43 
Unidade 10. Tipos de museu .................................................................................................................. 48 
Unidade 11. Tipos de acervos ................................................................................................................ 53 
Unidade 12. Arquivo e memória ........................................................................................................... 56 
Unidade 13. Conceito de documento ................................................................................................. 62 
Unidade 14. Documento e sua função no ensino da História ................................................... 72 
Unidade 15. Tipologias documentais .................................................................................................. 81 
Unidade 16. Arquivos – princípios da organização do arquivo ................................................ 87 
Unidade 17. Arquivos – A gestão dos documentos ...................................................................... 92 
Unidade 18. A gestão pública de documentos ............................................................................... 97 
Unidade 19. Perspectivas Contemporâneas para o arquivo .................................................... 102 
Unidade 20. Perspectivas Contemporâneas para o Museu ...................................................... 107 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 113 
 
 
 
3 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 
Olá prezado aluno 
 
É grande a satisfação em tê-lo conosco no Curso de História em 
Educação a Distância da UNAR. 
A nossa proposta para os estudos nessa disciplina está organizada em 
temas que serão desenvolvidos em nove unidades, além de atividades de 
aprofundamento que auxiliarão na compreensão dos conceitos e oportunizarão 
reflexões sobre a importância dessa disciplina na formação do professor de 
História. 
Os conteúdos em Museologia e arquivística ajudarão a ampliar as 
possibilidades para o ensino dos conceitos históricos. Para atingir nossos 
objetivos os estudos estão organizados em eixos temáticos versando, 
primeiramente, sobre a origem dos conceitos de museu, museologia; arquivo 
e arquivística. 
A partir da compreensão da importância desses dois conceitos 
trabalharemos a função social do museu como instituição que expressa os 
conflitos ideológicos de diferentes épocas e sociedades; o museu como 
patrimônio cultural que revela o campo dos tensionamentos sociais e dos 
interesses hegemônicos, bem como espaço potencial de produção de 
cidadania; a Museologia e sua relação com o ensino de História na Educação 
Básica, apresentando as possibilidades do museu como produtor de educação 
não formal e importante parceiro da escola e dos professores nos processos 
educativos; as possibilidades de programas educativos em museus com 
evidências de práticas importantes para estudos interdisciplinares; Tipos de 
museu, acervos, temáticas e recursos museográficos revelando o vasto campo 
que pode contribuir com o trabalho do professor de história; arquivo e 
 
4 
 
memória instigando a percepção desse espaço como possibilidade de 
preservação da memória social; o documento e sua função para o ensino de 
História ilustrando com exemplos as suas formas de utilização como recurso 
didático; as formas de organização dos arquivos oportunizando o diálogo 
entre técnicas e potencialidades para o ensino e, finalmente, algumas 
perspectivas para essas duas instituições na sociedade contemporânea. 
Como você já sabe, o ensino por meio da EAD é um recurso inovador e 
muito importante na sociedade atual. É bastante flexível, dinâmico e permite ao 
aluno adequar suas condições de vida e de trabalho à formação acadêmica. No 
entanto, ressaltamos que é fundamental o estabelecimento de uma rigorosa 
disciplina de estudos que concilie as leituras e a realização de todas as 
atividades complementares. Afinal, o que está em jogo é a qualidade da sua 
formação. 
Bom estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
PROGRAMA DA DISCIPLINA 
 
Ementa 
Importância da arquivística e museologia na preservação do patrimônio 
histórico cultural para a manutenção da memória histórica. Estrutura de um 
museu e seu acervo. Conceitos de informação e documento arquivístico. 
Elementos que compõe o documento e a necessidade de estabilidade da 
memória. Conceitos, finalidades e tipos de museus. Formas de constituição, 
organização e custódia do acervo museológico e seus arquivos. Relação do 
museu com a comunidade. 
 
Objetivos 
- Contribuir para que os estudantes conheçam os conceitos de museu e 
arquivo e suas contribuições para o estudo da história. 
- Identificar os museus e os arquivos como espaços de preservação da 
memória documental das sociedades. 
- Subsidiar o processo formativo com conhecimento sobre acervos e suas 
formas de preservação. 
- Identificar a relação entre acervo, memória e história. 
 
Programa da Disciplina 
 O ponto de partida – documento, acervo e memória 
 Conceito e Função social do museu 
 Patrimônio cultural 
 Museologia, escola e ensino de história 
 Programas educativos do museu 
 Tipos de museu, acervos, temáticas e recursos museográficos 
 Arquivo e memória 
 
6 
 
 Documento e sua função no ensino de história 
 Acervo – tipologias 
 Arquivos – conceitos, finalidades e formas de organização. 
 
Bibliografia Básica para o aluno 
BOURDIEU, Pierre; DARBEL, Alain. O AMOR PELA ARTE: Os Museus de Arte na 
Europa e Seu Público. 2ª Edição. São Paulo: EDUSP. Co-Editora(s): Ed. Zouk, 
2008. 
CHOAY, Francoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: UNESP, S/D. 
SANTOS, Fausto H. Metodologia aplicada em museus. São Paulo: Mackenzie, 
2000. 
 
Bibliografia Complementar para o aluno 
Coleção Série Museologia – EDUSP 
Governo do estado de São Paulo.Manual de orientação museológica e 
museográfica. 2ª Ed. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura, 1987. 
ALMEIDA, Maria Christina B. de (Coord.). Bibliografia sobre museus e 
museologia. Série Museologia. Vol.1I. São Paulo: USP/CPC, 1997. 
ARAÚJO, Marcelo M.& Bruno, Maria Cristina O. (Orgs.). A memória do 
pensamento museológico contemporâneo: documentos e depoimentos. 
São Paulo: Comitê brasileiro de ICOM, 1995. 
BELLOTTO, Heloisa Liberalli. Arquivos permanentes: tratamento documental. 
São Paulo: T. A. Queiroz, 1991. 
FONSECA, Maria Odila. Informação, arquivos e instituições arquivísticas. 
Arquivo e administração, Rio de Janeiro, V. 1, p. 33-44, jan/jun, 1998. 
ROUSSEAU, Jean-Yves; COUTURE, Carol. Os fundamentos da disciplina 
arquivística. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998. 
 
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UNIDADE 01. O QUE É UM MUSEU? 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
O propósito é demonstrar como é importante para a formação do professor de 
História conhecer o significado da instituição museu e como essa instituição 
poderá contribuir para o ensino e a produção do conhecimento Histórico. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
A primeira etapa desse processo é identificar nosso ponto de partida, ou 
seja, responder a questões simples, porém muito importantes. 
 
O que é um Museu? 
“O museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da 
sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que promove pesquisas 
relativas aos testemunhos materiais do homem e do seu ambiente, adquire-os, 
conserva-os, comunica-os e expõe-nos para estudo, educação e prazer” (conceito 
de museu do Conselho Internacional dos Museus – ICOM) 
O Museu é um espaço onde todos podem ir, que recolhe, estuda e conserva 
os objectos que depois são apresentados em exposição. O trabalho desenvolvido 
pelo Museu, permite a criação de uma identidade cultural, assumindo o 
património um significado especial – os objectos contam-nos histórias, revelam-
nos o quotidiano das pessoas, falam-nos das alegrias e preocupações doutros 
tempos. 
Disponível em: http://museudebenavente.wordpress.com/2006/10/06/o-que-e-um-museu/ 
 
O museu ainda é, em grande medida, entendido como um lugar no qual 
se “depositam” objetos antigos e, por isso, ambientes formais e desprovidos de 
atrativos para a maioria da população. 
 
8 
 
Para superar essa visão equivocada é importante destacarmos que o 
museu é uma instituição muito antiga e, como todas as demais instituições, 
assimila e expressa as condições sociais nas quais é produzido. Ou seja, é 
resultado de ação social e cultural. 
Como sua finalidade é ser depositário do patrimônio cultural (material e 
imaterial) das sociedades, carrega em si um grande potencial para os estudos 
na área da história. Por essa razão, tem aumentado o interesse por seu estudo 
como ambiente de aprendizagens. 
Com a ajuda de um importante historiador francês, Pierre Bourdieu, é 
possível afirmar que os museus são espaços fundamentais para a compreensão 
histórica, uma vez que contêm verdadeiras riquezas culturais que revelam 
aspectos imprescindíveis para o entendimento de diferentes sociedades em 
épocas distintas. Ao mesmo tempo, carregam em si uma contradição muito 
grande, uma vez que não conseguem, na grande maioria dos casos, estar 
plenamente disponíveis para as diferentes classes sociais. 
Veja o que Bordieu afirma: 
A estatística revela que o acesso às obras culturais é privilégio da classe culta; 
no entanto, tal privilégio exibe a aparência da legitimidade. Com efeito, nesse 
aspecto, são excluídos apenas aqueles que se excluem. Considerando que 
nada é mais acessível do que os museus e que os obstáculos econômicos – 
cuja ação é evidente em outras áreas – têm aqui, pouca importância, parece 
que há motivos para invocar a desigualdade natural das “necessidades 
culturais”. Contudo, o caráter autodestrutivo dessa ideologia salta aos olhos: 
se é incontestável que a nossa sociedade oferece a todos a possibilidade pura 
de tirar proveito das obras expostas nos museus, ocorre que somente alguns 
têm a possibilidade real de concretizá-la. (BORDIEU; DARBEL, 2007, P. 37). 
 
Como você pode observar, embora exista um grande potencial nos 
museus, uma vez que são espaços consagrados e depositários da nossa cultura, 
ainda existem muitos entraves na forma como esses espaços precisam ser 
disponibilizados para as pessoas de todas as classes sociais. 
 
9 
 
Assim, dada as preocupações inerentes ao curso de formação de 
professores de História, a análise da importância da instituição museu e de 
como ela pode estar acessível para a sociedade e ser grande colaboradora dos 
processos de educação não-formal também precisa ser objeto do nosso estudo. 
Podemos depreender que o museu deve ser o lugar social valorizado 
pela sua capacidade de realizar mediações culturais e, por essa razão, é de 
fundamental importância o estudo da museologia, ou seja, a ciência da 
organização dos museus. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Definição de Museu 
Qui, 20 de Janeiro de 2011 21:09 Bianca Costa 
 
Segundo o ICOM (Comitê Internacional de Museus) na definição 
aprovada pela 20ª Assembléia Geral. Barcelona, Espanha, 6 de julho de 2001: 
Instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do 
seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, 
difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para 
educação e deleite da sociedade. 
Além das instituições designadas como “Museus”, se considerarão 
incluídas nesta definição: 
 Os sítios e monumentos naturais, arqueológicos e etnográficos; 
 Os sítios e monumentos históricos de caráter museológico, que 
adquirem, conservam e difundem a prova material dos povos e de seu 
entorno; 
 As instituições que conservam coleções e exibem exemplares vivos de 
vegetais e animais – como os jardins zoológicos, botânicos, aquários e 
vivários; 
 
10 
 
 Os centros de ciência e planetários; 
 As galerias de exposição não comerciais; 
 Os institutos de conservação e galerias de exposição, que dependam de 
bibliotecas e centros arquivísticos 
 Os parques naturais; 
 As organizações internacionais, nacionais, regionais e locais de museus; 
 Os ministérios ou as administrações sem fins lucrativos, que realizem 
atividades de pesquisa, educação, formação, documentação e de outro 
tipo, relacionadas aos museus e à museologia; 
 Os centros culturais e demais entidades que facilitem a conservação e a 
continuação e gestão de bens patrimoniais, materiais ou imateriais; 
 Qualquer outra instituição que reúna algumas ou todas as características 
do museu, ou que ofereça aos museus e aos profissionais de museus os 
meios para realizar pesquisas nos campos da Museologia, da Educação 
ou da Formação. 
 
Segundo o Departamento de Museus e Centros Culturais - IPHAN/MinC - 
outubro/2005 O museu é uma instituição com personalidade jurídica própria ou 
vinculada a outra instituição com personalidade jurídica, aberta ao público, a 
serviço da sociedade e de seu desenvolvimento e que apresenta as seguintes 
características: 
I - o trabalho permanente com o patrimônio cultural, em suas diversas 
manifestações; 
II - a presença de acervos e exposições colocados a serviço da sociedade com o 
objetivo de propiciar a ampliação do campo de possibilidades de construção 
identitária, a percepção crítica da realidade, a produção de conhecimentos e 
oportunidades de lazer; 
III - a utilização do patrimônio cultural como recurso educacional, turístico e de 
 
11 
 
inclusão social; 
IV - a vocação para a comunicação, a exposição, a documentação,a 
investigação, a interpretação e a preservação de bens culturais em suas diversas 
manifestações; 
V - a democratização do acesso, uso e produção de bens culturais para a 
promoção da dignidade da pessoa humana; 
VI - a constituição de espaços democráticos e diversificados de relação e 
mediação cultural, sejam eles físicos ou virtuais. 
 
Sendo assim, são considerados museus, independentemente de sua 
denominação, as instituições ou processos museológicos que apresentem as 
características acima indicadas e cumpram as funções museológicas. 
 
Referência 
IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus. Disponível em: 
<http://www.museus.gov.br/ibram/pag/oquemuseu.asp> Acesso: 20 jan. 2011. 
Disponível em: http://museuhoje.com/app/v1/br/menu-museus/56-definicaodemuseu 
 
INDICAÇÃO DE LEITURAS 
Princípios básicos da Museologia. Disponível no endereço eletrônico 
http://www.cosem.cultura.pr.gov.br/arquivos/File/downloads/p_museologia.pdf 
 
 
 
12 
 
UNIDADE 02. O QUE É UM ARQUIVO? 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
O propósito é demonstrar como é importante para a formação do 
professor de História conhecer o significado da instituição arquivo e como essa 
instituição poderá contribuir para o ensino e a produção do conhecimento 
Histórico. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
A ideia de arquivo nos leva a pensar em classificações e padronizações 
para garantir que documentos1 possam ser preservados e, dessa forma, 
garantam a manutenção da memória das sociedades, instituições e demais 
formas de organização dos agrupamentos humanos. 
Uma vez a essência do arquivo está voltada para a preservação de 
documentos é possível inferir que sua finalidade pode estar orientada para dois 
eixos: servir à administração e ser fonte para o conhecimento e pesquisa no 
campo da história. 
Como se vê, à semelhança do papel social do museu, o arquivo também 
se presta a cuidar da manutenção da memória da sociedade. 
Castro (1988. P. 20) define arquivo como 
Um conjunto de documentos; organicamente acumulados; produzidos ou 
recebidos por pessoa física e instituições públicas ou privadas, em decorrência 
do exercício de atividade específica, qualquer que seja o suporte da 
informação ou a natureza do documento. 
 
 
1
 Documento, como estudaremos na unidade 08, é toda forma de registro que possibilita suporte para a informação. Por 
essa razão podemos considerar que existem várias formas de documentos (registros escritos – livros, folhetos, revistas, 
relatórios entre outros, fita magnética, disco, microfilme, monumentos e demais formas de registro da produção 
humana em diferentes tempos e sociedades) 
 
13 
 
O estudo do arquivo pode ser conduzido por caminhos diferentes: a 
arquivologia e a arquivística. 
A arquivologia ocupa-se do estudo da ciência e da organização dos 
arquivos. Busca uma ampla visão do conhecimento dessa área e inclui conceitos 
teóricos e práticos. 
A arquivística tem como objeto de estudo o conhecimento da natureza 
dos arquivos e das teorias, métodos e técnicas a serem observados na sua 
constituição, organização, desenvolvimento e utilização. 
É por meio da arquivística que se produzem as condições conceituais 
para o acesso à informação contida nos arquivos. Esse procedimento é 
imprescindível e ajuda nos processos de tomada de decisões, bem como 
contribui para o satisfatório funcionamento da administração de instituições 
públicas e privadas. 
Por essa razão, torna-se especialmente importante para o historiador, 
pois permite que, conhecendo técnicas básicas de organização e preservação 
dos documentos, tenha maiores condições para desenvolver seus estudos no 
campo da História. 
É importante lembrar que tais técnicas também ajudam muito no 
trabalho do professor, à medida que contribuem para a classificação de 
referências documentais e organização de dados para o desenvolvimento das 
atividades e projetos escolares. 
 
BUSCANDO SABERES 
INDICAÇÃO DE LEITURAS 
Como Implantar Arquivos Públicos Municipais de autoria de Helena Corrêa 
Machado e Ana Maria de Almeida Camargo. Disponível no endereço eletrônico 
http://www.arqsp.org.br/arquivos/oficinas_colecao_como_fazer/cf3.pdf 
 
14 
 
 
Disponível em: 
http://www.professordarlan.com.br/arquivos/ARQUIVOS_CONCEITOS_PRINCIPIOS.pdf 
 
15 
 
UNIDADE 03. RELAÇÃO MUSEU, ARQUIVO E HISTÓRIA 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Identificar as possibilidades de potencializar a relações entre as 
instituições museu, arquivo e escola, com vistas a ampliar as situações de 
aprendizagem para o ensino da História. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
É longa a trajetória que aproxima os museus das dinâmicas escolares. 
Vários estudos indicam que os estudantes tem sido um dos públicos mais 
expressivos, que frequentam os museus. 
No caso do Brasil as ações mais comuns de interação entre a instituição 
escolar e os museus acontecem por meio de visitas, que buscam complementar 
os estudos iniciados em sala de aula. 
Essa interação é percebida por parte das instituições museológicas uma 
vez que é possível notar crescentes investimentos em serviços de apoio, como 
monitorias e projetos educacionais, voltados especificamente para o público 
escolar. 
No entanto, existe uma crítica à possibilidade de ações de “escolarização” 
das ações museológicas. Corrobora com esse entendimento de que os museus 
avançam para os caminhos da escolarização, os postulados de Meneses ao 
afirmar que: 
(...) museus importantes do país costumam receber levas e mais levas de 
escolares cuja missão, imposta por seus mestres e passivamente aceita pelos 
responsáveis da instituição, é simplesmente copiar legendas, etiquetas e 
textos de painéis... Para tanto, não teria sido necessário deslocar-se da escola. 
Aquilo de específico que caracterizaria o museu – e que falta à escola – perde, 
assim, qualquer serventia. E se desperdiça a oportunidade ímpar de aproveitar 
para a educação esse espaço que é domínio das coisas materiais e não da 
palavra, principalmente escrita (MENESES, 2000, p. 99). 
 
16 
 
 
Esse movimento ganha expressividade com o significativo aumento, não 
apenas da adequação das estruturas para o atendimento dos escolares como 
também, na oferta de cursos de aperfeiçoamento para professores da educação 
básica, além de projetos comuns e parcerias que mobilizam tanto os museus 
como as escolas. 
Essa interatividade, sem dúvida, gera um movimento dinâmico que 
oportuniza tanto as instituições escolares quanto os museus a repensarem seus 
programas e linguagens, de forma a se tornarem mais acessíveis para a 
população escolar. 
No entanto, é importante se destacar que essa relação exige um 
movimento de interpretação dos diferentes papeis formativos que cabem a 
escola e ao museu. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
A pesquisa realizada por Mariana de Queiroz Bertelli, intitulada 
“Identidades, imagens e papéis museais nos discursos institucionais sobre a 
relação museu-escola”, traz importantes argumentos para entendermos melhor 
essa relação entre museu e instituição escolar. O fragmento reproduzido a 
seguir nos ajuda nessa compressão. Leia-o com atenção: 
 
[...] 
Especificidades e aproximações entre escola e museu 
(...) a educação se realiza em vários ambientes sociais e culturais (...) é 
necessária e urgente a ampliação do debate entre as instituições e os diferentes 
sujeitos de ação educativa (PEREIRA et al. 2007, p. 13). 
Escola e museu são lugares educativos e de estratégias educativas. 
Possuem objetivos comuns como educar, facilitar o acesso à cultura, socializar,17 
 
favorecer a prática da cidadania, formar indivíduos críticos, criativos e 
autônomos (CABRAL, 2005). Além dessas semelhanças, estudos têm apontado 
características que os diferenciam, enfatizando suas especificidades e suas 
lógicas próprias de organização e funcionamento (MARANDINO, 2001; 2008; 
PEREIRA et al., 2007; ASENSIO; POL, 2007). Os conceitos de educação formal, 
não-formal e informal, têm sido trabalhados nessa perspectiva. Caracterizados 
como espaços de educação não-formal, os museus apresentariam uma forma 
própria de desenvolver sua dimensão educativa, diferente das experiências 
formais realizadas nas escolas (MARANDINO, 2008). 
Essa forma diferenciada de educar, entretanto, nem sempre tem sido 
encontrada nos museus. Muitas instituições, ao se preocuparem com a 
educação, buscam na escola os referenciais para desenvolver suas atividades 
(MARANDINO, 2001). Existem, por exemplo, ocasiões em que as exposições e 
práticas educativas dos museus sofrem influência tão forte da cultura escolar 
que perdem suas especificidades. 
Um grande número de autores vem destacando essas perdas de 
especificidades como conclui Triquet (2000) ao fazer uma revisão sobre o tema. 
Para este autor, somente nos anos 1970, notadamente em investigações 
estadunidenses, a pesquisa no espaço museal inicia a problematização de um 
eixo educativo. Van-Praët e Poucet (1992), ao estudarem os obstáculos 
enfrentados nos projetos de colaboração entre as escolas e os museus, afirmam 
que diante da cultura escolar de privilegiar a avaliação de performance dos 
alunos, os museus minimizam seus objetivos de sensibilização e prazer: 
[...] Certa propensão existe de fato, dentro dos serviços educativos dos 
museus, de reproduzir, equivocadamente, a escola no museu. Trata-se tanto 
da tendência de apoiar os temas das exposições nos programas escolares, 
quanto transformar certos espaços expositivos em sala de aula, alguns 
protocolos de visitas em páginas de leitura ou substituir um mediador pelo 
professor, enquanto as soluções deveriam ser de procurar formas de 
complementaridade e de parceria (VAN-PRAËT; POUCET, 1992, p. 2 ). 
 
18 
 
 
Nesse momento algumas discussões sobre complementaridade e 
parceria ainda tratavam esses termos como similares. O avanço dos estudos 
sobre essas questões trouxe novos usos e a idéia de complementaridade como 
incorporação de métodos escolares ganhou legitimidade. 
De acordo com Lopes (1991), em meados das décadas de 1980/90 ainda 
havia uma incompreensão, por parte dos museus, de que sua proposta 
educativa é diferente da proposta da escola. Assim, neles acabava-se 
priorizando o discurso verbal e utilizando-se o objeto apenas como ilustração 
de programas disciplinares. De acordo com a autora, o abandono da dimensão 
educativa e cultural do museu e a acomodação com os métodos da educação 
escolar tradicional estariam provocando a escolarização3 dessa instituição. Além 
do museu, percebe-se um reflexo desse fenômeno em outros contextos 
educativos. A escola e a escolarização têm influenciado sobremaneira a visão 
cultural da educação e a organização de ações educativas fora do âmbito 
escolar, como afirma Perrenoud: “(...) nossa sociedade está escolarizada, incapaz 
de pensar educação a não ser segundo o modelo escolar (...)” (PERRENOUD 
apud VINCENT; LAHIRE; THIN, 2001, p. 39). 
Diversos trabalhos têm apontado a escolarização das práticas educativas 
dos museus (SEIBEL-MACHADO, 2009), o que parece contrariar o discurso sobre 
o papel diferenciado da educação museal (educação não-formal) em relação à 
escolar, freqüentemente presente em publicações sobre educação em museus 
(MARANDINO, 2001; LEAL; GOUVEA, 2002; ASENSIO; POL, 2007). 
A dificuldade do museu “encontrar” seu papel educacional em sua 
relação com a escola é bastante evidente e, sem dúvida, essa é uma questão 
que merece ser pesquisada. 
Por outro lado, a dificuldade da escola em compreender o papel do 
museu também é patente. A abordagem convencional realizada pelos 
 
19 
 
professores de utilizar o museu como complemento aos conteúdos escolares 
certamente é reflexo de uma cultura estabelecida nesse sentido. 
Para Lopes (1991), existe um círculo vicioso na relação museu-escola: o 
fenômeno de escolarização do museu seria o reflexo da demanda dos 
professores por elementos ilustrativos de suas aulas e, de forma recíproca, a 
escolarização do museu sustentaria as expectativas dos professores em relação 
ao papel complementar do museu. Torna-se evidente, então, uma tensão 
existente entre identidades e papéis demandados e assumidos na relação entre 
museu e escola. 
Presumindo-se que várias são as formas de buscar compreender 
elementos dessa tensão e que diversos olhares são possíveis, este trabalho 
empreende um caminho alternativo na busca por esses elementos. Ao invés de 
pesquisar as percepções dos professores e de educadores de museus em si 
sobre o papel do museu, buscou-se pesquisar as políticas educacionais 
relacionadas a esses dois universos: escola e museu. 
Mais especificamente, esta pesquisa investiga a forma como a relação 
entre escola e museu apresenta-se institucionalizada no âmbito das políticas 
educacionais curriculares e das micro-políticas educacionais dos museus. A 
política educacional escolar se alicerça no currículo oficial, ou seja, no texto, 
elaborado e planejado que apresenta os conteúdos e conhecimentos escolares. 
A política educacional do museu compreende aspectos norteadores de suas 
propostas educativas. Para essa última, são privilegiadas neste trabalho as 
políticas educacionais que dizem respeito ao atendimento específico ao público 
escolar, e que aqui são tratadas como micro-políticas educacionais dessas 
instituições. 
Para evidenciar os aspectos da relação entre as duas instituições, 
pesquisou-se em três currículos oficiais – Parâmetros Curriculares Nacionais, 
Conteúdos Básicos Comuns do Estado de Minas Gerais e Proposições 
 
20 
 
Curriculares do Município de Belo Horizonte – as imagens e papéis dos museus 
presentes no discurso curricular. No que diz respeito ao museu, foram 
analisadas as identidades e papéis do museu explicitados nas micro-políticas 
educacionais de um museu de ciência de Belo Horizonte, MG. 
 
OBJETIVOS 
Objetivo geral 
Investigar identidades, imagens e papéis museais nos discursos institucionais 
sobre a relação museu-escola 
 
Objetivos específicos 
1. Investigar se o museu aparece nas propostas curriculares dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais, Conteúdos Básicos Comuns do estado de Minas 
Gerais e Proposições Curriculares do município de Belo Horizonte. Em caso 
positivo, analisar em quais currículos e volumes e/ou disciplinas o museu é 
citado, bem como quantificar quantas vezes essas citações ocorrem. 
2. Analisar as imagens de museu presentes nos discursos de três documentos 
curriculares: Parâmetros Nacionais Curriculares, Conteúdos Básicos Comuns 
e Proposições Curriculares; 
3. Analisar nesses discursos curriculares os papéis conferidos ao museu. 
4. Analisar as identidades institucionais e organizacionais presentes nas políticas 
educacionais de um museu de ciência; 
5. Analisar, nessas políticas educacionais museais, os papéis atribuídos à 
instituição e à organização; 
6. Relacionar as identidades institucionais e organizacionais presentes nas 
políticas do museu às imagens de museu presentes nas políticas 
curriculares; 
 
21 
 
7. Relacionar os papéis atribuídos à instituição museu nas políticas curriculares a 
papéis assumidos nas políticas do museu de ciência. 
 
 
22 
 
UNIDADE 04. CONCEITO E FUNÇÃO SOCIAL DO MUSEU 
 
CONHECENDOA PROPOSTA DA UNIDADE 
Já sabemos que o museu tem sua origem relacionada à ideia de 
preservação da Memória. Nessa unidade o propósito principal do estudo será 
conhecer o conceito e a função social do museu. Para tal analisaremos o 
processo histórico desde sua origem até os dias atuais, nos quais essa 
instituição é exigida como espaço de práticas interdisciplinares e sociais. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
“De fato, o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, 
mas uma escolha quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal 
do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado 
e do tempo que passa, os historiadores”. Jacques Le Goff 
 
A ideia de museu como instituição depositária da memória social 
remonta ao tempo da antiguidade clássica. Surge na Grécia antiga e, segundo 
Vidal (1999, p. 107), o Mouseion significava a casa das filhas de Zeus com 
Mnenosine considerada a deusa da memória. 
Vê-se, então, que desde a origem do conceito, o museu está 
representado como um lugar de preservação da memória. 
Com o advento da Revolução Francesa2, a imagem do museu também 
passa a ser associada a um lugar especialmente importante para a preservação 
da memória das sociedades, sobretudo pela sua dimensão pública. Por essa 
razão, muitos estudiosos atribuem à França o vanguardismo na área de estudos 
no campo da museologia. 
 
2
 Você aprendeu sobre a Revolução Francesa nas disciplinas de História Moderna e como processo de transição para a 
História Contemporânea. De qualquer forma vale lembrar que a Revolução Francesa caracterizou-se por um movimento 
revolucionário campones-burgus, ocorrido na França na segunda metade do século XVIII, com o intuito de transformar a 
ordem política de Monarquia para o regime Republicano. 
 
23 
 
Considerando seu caráter de depositário e propagador das memórias da 
sociedade e o fato de sua origem, como instituição pública, estar associada à 
Revolução Francesa é natural que se atribua ao museu uma relevância político-
ideológica que, em muitos momentos da história, gerou interferências dos 
poderes estatais com claras intenções de direcionar a maneira como o acervo é 
apresentado à sociedade. 
Le Goff (1990) reforça a ideia de que foi após a Revolução Francesa, em 
especial depois da segunda metade do século XVIII, que surgem os primeiros 
registros de organização de arquivos nacionais. Foi no cenário francês, marcado 
pelos princípios da igualdade, fraternidade e liberdade, que o museu é elevado 
à condição de espaço público que tem a competência de zelar pela memória 
nacionalista, construída após o declínio do Ancien Régime3. A partir daí, o 
interesse pelos estudos museológicos difundem-se por outras regiões da 
Europa. 
Esse grande interesse dos Estados pelos museus interfere drasticamente 
nos procedimentos da museologia, com reflexos diretos nas formas de 
organização das exposições, definição dos focos de interesse para interpretação 
dos objetos e apresentação desses ao público. Ganham força as formas de 
representação dos símbolos e dos heróis. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
 
3
 Estruturas políticas da monarquia absolutista na França do século XVIII. 
 
24 
 
Um bom exemplo dessa preocupação em usar o espaço dos museus como 
possibilidades de divulgação dos ideais nacionalistas é o caso do Museu do 
Louvre. Ele é criado no contexto da Revolução Francesa, é utilizado como o 
grande difusor dos princípios modernista e nacionalista e como espaço público 
que retira da Realeza a primazia de possuir e admirar obras de arte. Transforma 
as exposições em evento de interesse público. 
A revolução francesa impactou de forma definitiva as diferentes 
representações simbólicas da sociedade, no que diz respeito ao entendimento 
de público e de privado. Rompeu com a visão reduzida de que o conhecimento 
e a arte deveriam estar restritos aos ambientes da realeza. Possibilitou a criação 
de espaços, como o museu, que exercessem a função de propagadoras de 
conhecimentos. 
Como você pode notar, o século XVIII foi um período muito marcado por 
profundas reflexões sobre o papel de representação dos museus na sociedade. 
Esse século é apontado por muitos museólogos como o período que promove 
significativas mudanças de concepção no que diz respeito ao entendimento de 
museu e de suas funções sociais, políticas e culturais. 
É muito importante lembrar também que, nos períodos que sucederam a 
revolução francesa, tornou-se muito comum nos conflitos entre as nações, 
povos vencedores se apropriarem dos acervos artísticos e culturais dos 
derrotados. 
O comportamento dos alemães que confiscaram um acervo inestimável 
de obras de arte, durante a ocupação da França, na segunda guerra mundial, 
pode ser um exemplo das formas de dominação e subjugação dos povos no 
tocante ao respeito ao patrimônio cultural. 
 
 
25 
 
 
 
Essa situação de subjugação/dominação de uns povos por outros, 
também repercute nas práticas museológicas e na forma de representar os 
museus e seus conteúdos para a população. 
 
 
26 
 
UNIDADE 05. MUSEUS, DESENVOLVIMENTO E MUDANÇA 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Analisar as transformações que marcaram a instituição museu na 
sociedade brasileira das duas décadas do final do século XX. 
Entender a instituição museu como um recurso que a sociedade tem para 
fomentar a reflexão e o desenvolvimento da memória coletiva e da identidade 
histórica. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Para o pesquisador Cícero Antonio F. d Almeida “os museus são 
territórios privilegiados da contemporaneidade”. 
Esse autor sustenta essa afirmação com base na ideia de que os museus 
são espaços que se produziram culturalmente, em função das demandas sociais, 
estão em contínuo movimento e em tempos recentes, se configuram como 
espaços de participação e reação. 
Almeida aponta aspectos que ajudam a identificar o processo de 
mudança que impacta a instituição museu: 
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer o “lado” escolhido para a discussão, e a 
“profundidade” da idéia de desenvolvimento. As teses liberais que varreram o 
planeta nas últimas décadas acarretaram um empobrecimento do conceito de 
desenvolvimento, reduzido à sua instancia meramente monetária. O termo 
tem sido empregado correntemente como uma espécie de estágio econômico 
de uma sociedade, verificável a partir de um conjunto de indicadores 
financeiros. Como conseqüência, o termo desenvolvimento – especialmente 
em se tratando do desenvolvimento social –, deixou de ser empregado como 
incremento ou democratização dos recursos colocados à disposição da 
coletividade (saúde, educação, cultura etc.), ou melhor distribuição de 
riquezas, ou progresso científico, dentre outras tantas possibilidades que os 
dicionários zelosamente insistem em preservar. 
 
 
27 
 
 Na sua análise, a origem das mudanças na estrutura dos museus pode 
ser observada na década de 1970, que já indica certa inconformidade com a 
rigidez de interpretação que atribuía aos museus a ideia de lugares saudosistas, 
refratários e sem interlocução com os movimentos culturais e sociais. 
 Ainda nesse período, acompanhando os movimentos de reconfiguração 
social, surgem percepções novas para a atividade museal. Surgem museus 
abertos e outras formas de organização e acervo. 
 As décadas seguintes, 1980 e 1990, marcaram inovações inéditas no 
campo da museologia e esse movimento vem progressivamente revelando que 
o aspecto inovador do museu está na sua capacidade de estimularo 
pensamento e instigar o surgimento de observadores atores, ou seja, 
protagonistas, da dinâmica social. 
 Com base nos postulados de Jacques Le Goff, é possível inferir que os 
museus na contemporaneidade se anunciam como instituições que superaram 
largamente a ideia que sustentou sua gênese. Ou seja, avançou demais na sua 
condição inicial de “lugares de memória” para “lugares de ação”. 
Nesse sentido, pode-se imaginar a instituição museu como articuladora 
da memória coletiva expressa por Le Goff. Memória que instiga, desacomoda, 
mobiliza e lança perspectivas para os novos cenários sociais. 
 
A memória coletiva faz parte das 
grandes questões das sociedades 
desenvolvidas e das sociedades em 
via de desenvolvimento, das 
classes dominantes e das classes 
dominadas, lutando, todas, pelo 
poder ou pela vida, pela 
sobrevivência e pela promoção. 
 
 
Devemos trabalhar de forma que a 
memória coletiva sirva para a 
libertação e não para a servidão 
dos homens. 
 
Jacques Le Goff 
 
 
28 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Observe os vídeos dos links indicados a seguir, leia o fragmento de texto 
abaixo e, com base nas informações apresentadas, analise os argumentos sobre 
a origem do museu como instituição mantenedora da memória e que se 
transforma em função da realidade social de cada tempo histórico. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=KXRX_w4lmIo&feature=related 
http://www.youtube.com/watch?v=-Kv2i7lXk9s&feature=related 
http://www.youtube.com/watch?v=2spdW5NSs5k&feature=related 
 
Sobre a relação entre o museu-memória-patrimônio é interessante 
perceber a função simbólica que o patrimônio exerce dentro do processo de 
formação da identidade social, cultural e histórica dos sujeitos. O patrimônio 
material ou imaterial pode contribuir para o processo de inclusão social dos 
sujeitos que estão à margem do sistema. Percebemos que há um sentimento e 
uma tendência forte em sentir-se pertencente a um grupo social, a uma 
coletividade. É nesse processo de inclusão social, cultural e histórica que os 
monumentos de memória, os dialetos locais, os costumes e tradições 
contribuem para a valorização da cultura popular, a preservação da memória 
coletiva social e a recuperação da cidadania. 
A representação, seja material ou simbólica, que o patrimônio exerce no 
campo da memória está profundamente relacionada com a prática dos museus, 
pois perpassa o processo de formação do imaginário social, do mobiliário e da 
identidade social. A concepção que temos do patrimônio, como aspecto cultural 
materializado num objeto, num monumento, num prédio, leva-nos a reconhecer 
e a nos interessar pela preservação e valorização da nossa própria memória 
social. A significação do patrimônio no mundo contemporâneo pode ser 
compreendida como uma relação preestabelecida entre um objeto material ou 
 
29 
 
simbólico e as associações culturais e históricas que os sujeitos fazem dele, 
representando um passado coletivo ou individual, dando um sentido de 
pertencimento do sujeito a um determinado grupo social, ou seja, os aspectos 
patrimoniais da memória são construções sociais e, sendo assim, agregam 
intencionalidades, impessoalidades, interesses e concepções diversas de valores. 
 
SANDER, Roberto. O museu na perspectiva da educação não-formal e as 
tendências políticas para o campo da museologia. Dissertação (Mestrado em 
Educação) – Universidade de Passo Fundo, 2006. 
 
 
 
 
30 
 
UNIDADE 06. MUSEU: PATRIMÔNIO CULTURAL 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Os objetos de estudos dessa unidade serão o patrimônio e a cultura. Isso 
se faz necessário, pois é da base desses conceitos fundantes da sociedade que 
erige o conceito de museu como instituição que abriga, em si, o duplo papel de 
depositária da cultura e representante do patrimônio cultural. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Antes de iniciarmos nossa conversa sobre o sentido de tratar e entender 
o museu como um patrimônio cultural é muito importante que percebamos a 
amplitude do significado dos conceitos de Patrimônio e de cultura. 
 
Patrimônio 
A ideia de patrimônio está vinculada à existência de um bem material, 
natural ou imóvel que possui significado expressivo para um determinado 
grupo social. Esse significado pode ser de natureza documental, artística, 
cultural, religiosa ou ainda outras formas de representação que revelam a 
produção humana em vestígios que são muito importantes para o estudo da 
própria trajetória humana, em diferentes épocas e espaços. 
Esses vestígios se anunciam de diferentes maneiras e ajudam o 
historiador a entender os processos de organização das diferentes sociedades, 
além de permitir a definição de parâmetros para que as sociedades formulem 
suas identidades, uma vez ser a existência de patrimônio condição básica para 
que haja o sentimento de pertencimento a algum lugar. É mediante essa 
condição, que a humanidade produz base para a construção de sua história e, 
consequentemente, da sua memória. 
 
31 
 
Assim, a importância do patrimônio para a História reside na sua 
condição de depositário de traços da cultura de um povo uma vez que 
preservam dados da sua materialidade e contribuem para a percepção e 
construção da identidade individual e coletiva. 
Choay (2006) define da seguinte forma a produção do patrimônio na era 
da indústria cultural: 
A mundialização dos valores e das referências ocidentais contribuiu para a 
expansão ecumênica das práticas patrimoniais. Essa expansão pode ser 
simbolizada pela Convenção relativa à proteção do patrimônio mundial 
cultural e natural, adotada em 1972 pela Assembléia Geral da UNESCO. Esse 
texto baseava o conceito de patrimônio cultural universal no de monumento 
histórico – monumentos, conjunto de edifícios, sítios arqueologicos ou 
conjunto que apresentem ‘um valor universal excepcional do ponto de vista 
da história da arte ou da ciencia’. Estava assim proclamada a universalidade do 
sistema ocidental de pensamento e de valores quanto a esse tema (...). (pags. 
207/208) 
 
Esse autor ajuda-nos a compreender o lugar que está atribuído a questão 
patrimonial tanto no que diz respeito à sua concepção, quanto a sua 
conservação como paradigmas de produção identitária dos povos. 
O referido autor destaca que o processo de produção dessa concepção 
patrimonial enfrentou e ainda enfrenta muitas dificuldades. No entanto, ressalta 
que a era da indústria cultural do ocidente conseguiu produzir o consenso de 
que patrimônio é produção histórica, significativa e que contém, em si, a 
responsabilidade de produzir a identidade coletiva, bem como ser depositário 
dos significados dos processos de produção histórica da humanidade. 
 
32 
 
 
Cultura 
Marconi (2005) define cultura como um conceito de significado amplo, 
com compreensões diferentes que variam com o tempo, espaço e sua essência. 
Para ela a cultura pode ser assim definida: 
A cultura, portanto, pode ser analisada, ao mesmo tempo, sob vários 
enfoques: idéias (conhecimento e filosofia); crenças (religião e superstição); 
valores (ideologia e moral); normas (costumes e leis); atitudes (preconceito e 
respeito ao próximo); padrões de conduta (monogamia, tabu); abstração de 
comportamento (símbolos e compromissos); instituições (família e sistemas 
econômicos); técnicas (artes e habilidades); e artefatos (machado de pedra, 
telefone). (pag. 24). 
 
Essa mesma autora também ressalta que não podemos, do ponto de 
vista da antropologia, classificar, por qualquer motivo, culturas como superiores 
ou inferiores. Infere que todos os povos têm cultura e toda prática cultural éentendida como natural pelos povos que a praticam, como, por exemplo, 
poligamia, rituais religiosos etc... 
Uma vez analisados os conceitos de patrimônio e de cultura, faremos 
agora uma breve incursão pela ideia de museu como patrimônio cultural. 
Já aprendemos que, desde sua origem, o museu é entendido como um 
lugar de preservação da memória das sociedades. Sob esse ponto de vista, é 
possível considerar que os museus expressam as condições culturais e 
patrimoniais que definem as sociedades nas suas diferentes configurações 
espaciais e temporais. 
Dado o seu caráter de mutabilidade, que expressa as demandas de 
diferentes sociedades e épocas, a forma de realizar a preservação da memória 
patrimonial, por meio de museus e arquivos não ocorre sem conflitos , por 
serem próprios dos movimentos sociais e das demandas de cada época. 
 
33 
 
As lutas, embates políticos, conflitos de interesses promovem as 
transformações necessárias para que essa instituição represente seu papel de 
depositária da memória social. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTOS 
Pierre Nora (1993) chama os museus de “lugares de memória”, pois, 
como ambientes que expressam lutas e conflitos, destacam e evidenciam mais 
fortemente algumas memórias e ocultam ou silenciam outras. Esse 
tensionamento de interesses define o que é prioritário, desejável ou indesejável 
de se preservar e evidencia o campo de lutas ideológicas que se estabelecem 
no interior dessa importante instituição preservadora da memória: o Museu. 
Assim como a própria concepção de conhecimento, o museu não pode 
ser analisado como uma instituição isenta dos conflitos de interesses. Não 
podemos acreditar que exista uma produção museológica neutra, desvinculada 
dos interesses hegemônicos. 
O papel do estudioso, no nosso caso o professor de História, é 
compreender o museu como patrimônio cultural em toda extensão do seu 
significado. 
O professor precisa ter essas referências para o propósito de se valer do 
museu como recurso para as aprendizagens e para o ensino de história. Precisa 
se tornar um visitante crítico e um protagonista da ação museológica, além de 
ter consciência do papel social e do potencial educativo do museu. 
Tal como a escola, o museu pode ser interlocutor de processos 
educativos que se comprometam com a transformação social e a formação da 
cidadania plena. 
 
 
 
 
34 
 
INDICAÇÃO DE LEITURA 
Museus, Museologia e o patrimônio universal. Disponível no endereço 
eletrônico http://www.revistamuseu.com.br/18demaio/artigos.asp?id=12838 
 
 
 
35 
 
UNIDADE 7. MUSEOLOGIA, ESCOLA E ENSINO DE HISTÓRIA 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
A escola, tal como o museu é uma instituição social de grande valor. O 
propósito nessa unidade é analisar as potencialidades dessa instituição em 
estabelecer parcerias para dar conta do complexo trabalho de formação das 
gerações futuras. Aqui, analisaremos as múltiplas determinantes formativas 
impostas pela contemporaneidade bem como as potencialidades da instituição 
museu em produzir novos espaços de interação e produção de conhecimento, 
sobretudo no campo da História. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Se considerarmos a premissa já anunciada nas unidades anteriores de 
que o museu é uma instituição depositária da memória social, encontraremos aí 
um bom ponto de convergência com a escola. 
Candau (2007) analisa as condições nas quais é produzida instituição 
escolar da sociedade contemporânea. Para ela, as transformações sociais 
exigem da escola e dos educadores novos movimentos, para que se produza 
uma educação condizente com a sociedade emergente. Nessa perspectiva 
afirma: 
Na reinvenção da escola, a questão da cidadania é fundamental. Não de uma 
perspectiva puramente formal do tema, mas a partir de uma abordagem que 
concebe a cidadania como uma prática social cotidiana, que perpassa os 
diferentes âmbitos da vida, articula o cotidiano, o conjuntural e o estrutural, 
assim como o local e o global, numa progressiva ampliação do seu horizonte, 
sempre na perspectiva de um projeto diferente de sociedade e humanidade. 
A escola assim concebida é um espaço de busca, construção, diálogo e 
confronto, prazer, desafio, conquista de espaço, descoberta de diferentes 
possibilidades de expressão e linguagens, aventura, organização cidadã, 
afirmação da dimensão ética e política de todo o processo educativo. (p. 15). 
 
36 
 
Sob essas referências conceituais, tanto o museu como a escola, por 
serem lugares sociais de lutas ideológicas e representações da memória, 
precisam lidar com as dimensões da preservação e da mudança, do conflito e 
da defesa dos valores sociais comprometidos com a transformação qualitativa 
da sociedade. 
Uma vez compreendidos os papéis do museu e da escola como 
instituições sociais, é propósito nessa unidade aproximar as funções do museu e 
às da escola, mediados pelos objetivos do ensino de História. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais anunciam como objetivos da 
História nos anos finais do Ensino Fundamental: 
 compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício 
de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de 
solidariedade,cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo 
para si o mesmo respeito; 
 posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações 
sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões 
coletivas; 
 conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e 
culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade 
nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país; 
 conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem 
como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra 
qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de 
crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; 
 perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, 
identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente 
para a melhoria do meio ambiente; 
 desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança 
em suas capacidades afetiva, física,cognitiva, ética, estética, de inter-relação 
 
37 
 
pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de 
conhecimento e no exercício da cidadania; 
 conhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hábitos saudáveis 
como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com 
responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva; 
 utilizar as diferentes linguagens . verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e 
corporal . como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar 
e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a 
diferentes intenções e situações de comunicação; 
 saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir 
e construir conhecimentos; 
 questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, 
utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade 
de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação. 
Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pcn_5a8_historia.pdf . 
 
A leitura dos PCN reforça, como se vê, a importância de se promover 
ações educativas, no âmbito do ensino de História, que ratifiquem as dimensões 
da cidadania, da valorização do patrimônio socioculturale da construção 
identitária. Daí a necessidade de se propiciar práticas que colaborem para a 
compreensão da dimensão da produção histórica da sociedade em seus 
conflitos e tensionamentos. O ensino de história carrega, em sua concepção, a 
ambição de ampliar campos de conhecimento e conotar a escola de formas 
interativas que promovam o diálogo com outras instituições e produzam 
processos educativos que deem conta da complexidade da sociedade 
contemporânea. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Nesse cenário de complexidade, no qual a busca de interatividades bem 
como a percepção da incompletude do conhecimento, é fundamental para a 
 
38 
 
condução de processos educativos reflexivos e contextualizados é que a 
parceria da escola com o museu pode ser um elemento facilitador das práticas 
interdisciplinares e das aprendizagens em História. 
Bittencourt (2004), ao analisar a importância dos museus para o ensino 
de história, pondera que; 
A potencialidade de um trabalho com objetos transformados em documentos 
reside na inversão de um ‘olhar de curiosidade’ a respeito de ‘peças de 
museus’ – que, na maioria das vezes, são expostas pelo seu valor estético e 
despertam o imaginário de crianças, jovens e adultos sobre um ‘passado 
ultrapassado’ ou ‘mais atrasado’ – em um ‘olhar de indignação’, de informação 
que pode aumentar o conhecimento sobre os homens e sobre sua história (p. 
355). 
Cabe aqui ressalvar que, quando pensamos em museus imediatamente 
nos vem a ideia de grandes instituições. Louvre (Paris), Vaticano (Roma), Prado 
(Madri), Museu Nacional (Rio de Janeiro), Museu Paulista (São Paulo). No 
entanto, é importante enfatizar que o valor de um museu, como depositário da 
memória da sociedade, não está localizado apenas na sua grandiosidade. 
Silva e Fonseca (2007. p. 72), afirmam: 
(...) Também uma pequena entidade municipal, de bairro ou até associativa, 
formada com um acervo que represente uma miscelânea sobre determinado 
agrupamento humano ou um campo de saber tem traços em comum com 
aqueles instituições monumentais... 
 
Assim, compreender os conceitos de escola e museologia, situá-los no 
terreno da produção social com seus conflitos e tensionamentos é condição 
fundamental para encontrar caminhos, por meio do ensino de história, para a 
produção de uma sociedade cidadã pode ser uma boa alternativa para o 
professor. 
 
 
39 
 
UNIDADE 08. MUSEU E ESCOLA: EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-
FORMAL 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Nesta unidade buscaremos compreender a ação do trabalho formativo 
da escola, bem como do potencial formativo que há nas ações que os museus 
podem empreender. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Falamos aqui da aproximação e do movimento de ajuda mútua entre 
instituições que atuam nos âmbitos da educação formal e da educação não 
formal, ambas com a finalidade de agregar valores na formação cidadã, 
contribuindo assim para construção de uma identidade social promotora de 
autonomia e autoestima coletiva. 
 
Definindo Educação formal 
De uma maneira geral a educação é entendida como o processo de 
desenvolvimento da capacidade intelectual que, predominantemente, está 
associada à instituição escolar. Porém, é importante destacar que esse processo 
pode ter nuances variadas. 
A escola é uma instituição que tem sua origem histórica atrelada ao 
próprio desenvolvimento civilizatório e na disciplina Fundamentos Históricos e 
Sociológicos da Educação você encontrará muitas e importantes referências 
sobre isso. 
Com estruturas físicas singulares e organização de programas e 
currículos que expressam as condições de cada tempo histórico, é importante 
para nós, neste estudo, perceber que a tarefa de lidar com o conhecimento 
entendido como significativo de cada época e sociedade, coube a Escola. Ou 
 
40 
 
seja, a instituição responsável pelos processos formativos que até hoje 
denominamos de educação formal. 
 
Definindo a educação não formal 
Apesar de as diferentes sociedades terem construído ao longo dos 
séculos instituições nas quais se produzem a chamada educação formal, os 
processos civilizatórios abrangem dimensões muito mais extensas que a 
transmissão de conhecimento institucionalizado. 
A vida em sociedade vai muito além das estruturas curriculares 
produzidas pelas escolas. A formação no sentido mais amplo requer outras 
aprendizagens para a convivência social cotidiana nos seus diferentes setores: 
vida familiar, vida social, vida profissional. 
Para isso, o processo de formação vai muito além do que pode a escola 
oferecer. É importante ressaltar que a escola é muito importante, mas é “uma” 
das instituições sociais. Porém, não é a “única”. 
A educação não formal ocorre sem estruturas pré-determinadas, locais, 
horários, ou sequências progressivas. Sequer existem garantias de que as 
pessoas tenham consciência desse processo contínuo de formação e 
aprendizagens. 
A capacidade de diferenciação entre essas duas formas de educação: 
formal e não-formal , bem como o entendimento do valor e da importância de 
cada uma delas na tessitura social é que nos ajudará a compreender a 
importância e relação dos museus (depositários e potencializadores da 
educação não formal) com a escola, instituição consagradamente responsável 
pela educação formal. 
 
 
 
 
41 
 
INDICAÇÃO DE LEITURAS 
Museu e escola: educação formal e não-formal. Disponível no endereço 
eletrônico 
http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/153511MuseueEscola.pdf 
 
 Os Museus e o ensino de História. Disponível no endereço eletrônico 
http://www.portaleducacao.com.br/arquivos/artigos/1236192145_OS%20MUSE
US%20E%20O%20ENSINO%20DE%20HIST%D3RIA.pdf 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Analise, no vídeo indicado no link abaixo, bem como no fragmento do 
texto de autoria de Shirleide Pereira da Silva Cruz e José Batista Neto, 
reproduzido a seguir, aspectos do museu e da museologia que podem 
contribuir para o ensino de História na escola de Ensino Fundamental e Médio. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=459_md8wGeU&feature=related 
 
“Estudos sobre a relação museu-escola, como os de Freire (apud 
ALMEIDA: 1997: 51-56), de Almeida & Vasconcelos (1998) e de Siman (2003), 
têm apontado para experiências que vêem o professor como um agente 
multiplicador, que necessita de uma preparação prévia para uma atuação junto 
a seus alunos no momento da visita. Consideram que o sucesso das visitas 
depende principalmente da informação que os professores têm a respeito do 
museu. Lopes (1991) afirma, a partir de um estudo que fez sobre as experiências 
de instituições na I Colóquio de relação museu-escola, que o professor é 
apontado como o centro dos problemas identificados quando das visitas de 
escolares ao museu. Dessa forma, destacamos o professor como o principal 
articulador da relação museu-escola e para atingir o objetivo proposto para 
 
42 
 
nosso estudo, baseamo-nos, teórica e metodologicamente, na teoria das 
representações sociais, formulada por Serge Moscovici (1978), pelo lugar 
privilegiado que ela empresta aos sujeitos, permitindo uma análise a partir do 
ponto de vista daquele(a) que constrói a sua representação. 
Tivemos como pressuposto que as representações sociais se constituem 
num sistema de interpretação sobre um dado objeto social, ou seja, é um saber 
social no qual os professores se apóiam para se relacionarem com o museu. 
Essas representações sociais, além de serem um sistema de interpretação da 
realidade, são construções simbólicas orientadoras das práticas e das 
comunicações desses professores quando se referem ao museu. A análisedas 
representações identificadas em nosso estudo apontou o museu como uma 
instituição plural onde diversas perspectivas podem ser buscadas. Ele foi 
fortemente representado como lugar da história; bastante ligada a essa 
representação, está a dele como lugar da memória. O museu foi visto ainda 
como espaço educativo, no qual tem destaque a ideia que ele é um local 
relevante para o desenvolvimento da educação patrimonial. Outra 
representação formulada pelas professoras participantes da pesquisa concebe o 
museu pelos conteúdos socioculturais a serem apreendidos, sendo ele mesmo, 
um conteúdo sociocultural. A instituição museal é apresentada também como 
lugar da arte, lugar em que tal conhecimento e expressão humanos podem ser 
vistos de uma forma mais acessível para as professoras. A indicação dos campos 
de conhecimento que são suporte para a interpretação do museu apontou para 
a importância de se desenvolver um trabalho sistemático sobre as temáticas da 
história, da memória, do patrimônio e da arte, bem como da formulação da 
Educação patrimonial na formação de docentes das séries iniciais do ensino 
fundamental.” (p. 2-3) 
História da Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE, Recife, Pernambuco, 
Brasil e Portugal: nossa história ontem e hoje De 3 a 5 de outubro de 2007 Anais 
Eletrônicos – ISBN 978-85-87459-57-2 Página 2. 
 
43 
 
UNIDADE 09. PROGRAMAS EDUCATIVOS DO MUSEU 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Nessa unidade, o objetivo é tornar claro que a eficaz prática do 
gerenciamento da realização das atividades educativas poderá contribuir para o 
pleno exercício da função social do museu. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Os programas educativos estão situados no âmbito de 
interação/comunicação do museu com a sua comunidade e consistem na forma 
de produzir condições que estimulem a procura pelo ambiente do museu e a 
superação da ideia de que os museus são espaços elitizados e, portanto, para 
poucos. 
Diante da abordagem efetuada nas unidades anteriores e que revelam o 
potencial educativo multidisciplinar e interdisciplinar do museu, o propósito 
nessa unidade é identificar as condições e fundamentos para que programas 
educativos em museus sejam desenvolvidos e contribuam para as finalidades 
dos processos educativos escolares. 
Destacamos, sempre, que a avaliação das realidades locais e a percepção 
das condições mais condizentes aos propósitos educacionais da escola e da 
comunidade local são atributos inalienáveis do professor. 
Daí a necessidade de um bom planejamento e, sobretudo, conhecimento 
dos objetivos estabelecidos pelo projeto pedagógico da escola. 
Como já mencionado, não está localizada apenas nos museus de grande 
porte a capacidade de subsidiar estudos sobre a memória da sociedade. Todos 
os museus guardam, em si, as possibilidades de aprendizagem e 
entretenimento. 
 
44 
 
Além disso, também já observamos que é função do museu atuar como 
espaço de educação não formal. Para tanto, o desenvolvimento de programas 
educativos emerge como inequívoca demanda formadora. 
Os diferentes tipos de atividades e programas educativos dependerão da 
capacidade estrutural e organizacional de cada museu, de apoios externos e 
recursos humanos. Além disso, o tipo de acervo e o potencial do público do 
entorno dos museus também são dados importantes para o planejamento das 
atividades educativas. 
De toda forma, embora não haja convergência para definir a amplitude 
da área de atuação dos museus, é consenso que as exposições são pródigas em 
potencial educativo e podem ser realizadas em múltiplos contextos e variadas 
capacidades de gerenciamento e de recursos. 
Também é importante destacar que é desejável aos propósitos da 
museologia que todos os funcionários envolvidos na organização de um museu 
precisam ser preparados para se sentirem agentes das práticas educativas, pois 
é essa a natureza do museu. 
Cabe aqui ressaltar que o reconhecimento do museu como instituição 
social e de caráter educativo ainda está, predominantemente, no campo dos 
embates acadêmicos, sobretudo, em países com a tradição em restringir a um 
grupo elitizado o contato com as manifestações culturais. Será necessário 
ampliar essa discussão para o território da política institucionalizada e se 
estendam e consolidem políticas públicas para a valorização das manifestações 
culturais, por meio dos museus. 
Apesar das dificuldades no campo do enfrentamento político, é 
importante lembrar que o museu tem potencial para desenvolver projetos 
educativos a todos os públicos e idades. Já existem promissoras experiências 
que, se valendo de parcerias e diferentes formas de apoio, conseguem 
desenvolver programas educativos, com a finalidade de reforçar a ideia de 
 
45 
 
museu como instituição guardiã da memória e responsável por práticas sociais 
transformadoras. 
Os programas educativos servem para estabelecer vínculos do museu 
com o público já existente e também para explorar públicos ainda não 
acostumados ao contato com essa instituição. Podem estar direcionados para 
escolas e outras instituições formadoras, exposições temáticas e dirigidas a 
públicos específicos. 
São exemplos de programas educativos: 
 Exposições temáticas 
 Monitorias especializadas 
 Apresentações teatrais 
 Visitas temáticas 
 Capacitação para professores 
 Oficinas de férias 
 Ateliês 
 Festas para crianças 
 Jogos 
 Maletas pedagógicas/exposições itinerantes 
 Filmes 
A realização dos programas educativos pelos museus, bem como a ação 
da escola e do professor no sentido de participar das experiências em espaços 
potencialmente ricos, nas diferentes formas de manifestação cultural, 
expressam, sem dúvida, possibilidades de processos de aprendizagem 
dialógicos, reflexivos, contextualizados e que oportunizam a produção do 
sentimento de pertencimento e de construção identitária. 
Assim, os programas educativos são recursos importantes para a 
realização de um processo de aprendizagem voltado para a produção da vida 
cidadã como preconizam os documentos e teorias educacionais. 
 
46 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
A prática educativa em museus revela a grande transformação que tem 
caracterizado essa instituição. Esse movimento é marca característica da 
discussão museológica em todas as partes do mundo. 
Veja no fragmento de texto abaixo o que o Museu do Douro em 
Portugal, anuncia como serviço educativo 
 
Museu do Douro . Serviço Educativo 
O Programa do Serviço Educativo do Museu do Douro tem como 
principal linha de atuação a criação de contextos criativos para a participação de 
crianças, adolescentes e jovens em atividades de educação, de conhecimento e 
de entretenimento que têm como base a paisagem que importa conhecer para 
cuidar. 
A ação deste serviço articula atividades para diferentes tipos de público, 
destacando-se os projetos plurianuais e anuais com escolas, as oficinas 
sazonais, as rogas, os percursos pedestres e as visitas guiadas às exposições do 
Programa do Museu. Nestas diferentes vertentes, o serviço educativo estabelece 
pontes com outras instituições e pessoas e está aberto ao desenvolvimento de 
projetos de trabalho em comum nos diferentes lugares que formam este 
território. 
 
eu sou paisagem - é o modo de agir e pensar a educação nos lugares deste 
território 
É um modo de construir o programa do Serviço Educativo do Museu do 
Douro. Aqui, aposta-se na criação de contextos de experimentação, com caráter 
de continuidade, para a participação de crianças, adolescentes, jovens, adultos e 
seniores em atividades de experiência e conhecimento que têm como base 
relaçõesde experiência entre os indivíduos e as paisagens As questões do 
território e da paisagem, do corpo e do lugar são trabalhadas pela equipa do 
 
47 
 
serviço educativo com os habitantes destes lugares em diálogo e tensão com 
diferentes linguagens e falas: do teatro à dança, do vídeo à imagem animada, 
da escrita à biologia, da geografia à literatura, da arquitetura paisagista ao 
cinema, da engenharia ao desenho, da fotografia ao som... 
Eu sou paisagem é uma vontade e uma proposta de agir e pensar a 
educação nos lugares deste território. 
No âmbito desta ação destacam-se os projetos plurianuais e anuais que 
configuram e dão coesão programática aos diferentes tipos de atividades 
desenvolvidas prioritariamente com as escolas, a par das atividades sazonais 
destinadas a diferentes públicos, nomeadamente as oficinas, as rogas e os 
percursos pedestres. Nestas diferentes vertentes, são estabelecidas pontes com 
outras instituições e pessoas, deixando em aberto a possibilidade de 
desenvolvimento de projetos de trabalho em comum nos diferentes lugares que 
formam este território. Complementar a esta ação, convém mencionar os 
diversificados programas de visitas guiadas às exposições do Museu, que 
permitem ao visitante e ao turista ter uma experiência diversificada. 
Disponível em: http://www.museudodouro.pt/pagina,2,4.aspx 
 
Para aprofundar seu conhecimento visite o site do museu do homem 
nordestino a analise as propostas de programas educativos desenvolvidos por 
aquela instituição. 
http://www.flickr.com/photos/museudohomemdonordeste/collections/7215762
2387188708/ 
 
 
48 
 
UNIDADE 10. TIPOS DE MUSEU 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Diante do que foi exposto sobre o valor social do museu na produção de 
espaços de aprendizagens multidisciplinares, é crescente a variedade de museus 
para criar espaços diversificados. Nessa unidade estudaremos os diferentes 
tipos de museus, bem como as definições de acervos disponíveis. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Nas unidades anteriores, analisamos a origem histórica do museu, sua 
função social e suas potencialidades para o trabalho do professor de história. 
Concebemos a instituição museu como depositária da memória da sociedade e, 
por essa razão, podemos concluir que existem diferentes tipos de museus para 
expressar diferentes dimensões da vida em sociedade. 
Como são instituições sociais é possível existirem museus funcionando 
por sistemas diversos de recursos: privados, públicos, sindicatos, associações, 
entre outros. Visite virtualmente os museus indicados a seguir. Leia com 
atenção as informações sobre sua natureza e os serviços oferecidos, essa visita 
virtual ajudará a responder a questão formulada nesta unidade: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
MUSEU HISTÓRICO NACIONAL 
http://www.museuhistoriconacional.com.br/ 
 
 
MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA (PORTUGAL) 
http://www.museuarqueologia.pt/?a=4&x=3 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
MUSEU DE ARTE DE ARTE DO RIO 
http://www.museudeartedorio.org.br/pt-br/visite 
 
 
MUSEU DE CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA: 
http://www.museudaciencia.org/ 
 
 
 
51 
 
 
MUSEU DO HOLOCAUSTO: 
http://www.museudoholocausto.org.br/o-museu/objetivos 
 
 
Além desses existem outros tipos de museus como: 
MUSEU BÍBLICO; 
MUSEU BIOGRÁFICO; 
MUSEU COMUNITÁRIO; 
ECOMUSEUS; 
MUSEU DE BAIRRO / CIDADE; 
MUSEU MILITAR; 
MUSEU DA PESSOA; 
MUSEU DA ASTRONOMIA; 
MUSEU DE CERA; 
MUSEU DO CHOCOLATE; 
MUSEU DE MÚSICAS; 
MUSEU DE QUADRINHOS; 
MUSEU DE PESCA; 
 
52 
 
MUSEU DO FUTEBOL; 
MUSEU DO ESPORTE; 
MUSEU DO AUTOMÓVEL; 
MUSEU ETNOGRÁFICO; 
MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE; 
MUSEU DA IMIGRAÇÃO JAPONESA; 
MUSEU NACIONAL; 
MUSEU DO LIXO; 
MUSEU DO SEXO; 
MUSEU DA MEDICINA; 
MUSEU VIRTUAL; 
CIBERMUSEUS. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Existe uma quantidade muito grande de variações de museus. Para 
conhecer mais sobre os museus brasileiros cadastrados no sistema brasileiro de 
museus acesse o endereço eletrônico 
http://www.museus.gov.br/SBM/cnm_conhecaosmuseus.htm 
Nesse site, você encontrará informações básicas sobre 2.240 museus 
cadastrados. Certamente, um desses estará próximo da sua cidade. 
 
 
53 
 
UNIDADE 11. TIPOS DE ACERVOS 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNDIADE 
Identificar os principais tipos de acervos museológicos e as características 
fundamentais do processo de conservação destes acervos. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
O conjunto de bens culturais, de natureza material ou imaterial, móvel ou 
imóvel, é o que define o acervo museológico. Esse conjunto de bens estabelece 
o campo documental de interesse de um museu de acordo com sua finalidade. 
Por isso, um acervo pode ser constituído de obras de artes, esculturas, peças de 
cerâmicas, peças de vestuário, jóias, sons, imagens, espécies animais ou 
vegetais, dentre tantas possibilidades de museus destacadas anteriormente. 
É em função desse conjunto de objetos que toda ação museológica será 
organizada. Ou seja, toda prática de preservação, pesquisa e divulgação do 
trabalho de um museu. 
As recentes orientações museológicas, como já abordado, recomendam 
que as técnicas de gerenciamento de um museu não se devem ater ao estudo 
dos objetos apenas pelo seu potencial imediato e direto. Precisam buscar nele o 
seu caráter interdisciplinar e multidisciplinar, ampliando as possibilidades de 
interpretação do mesmo. 
 
Documentação Museológica 
O documento “Princípios básicos da museologia”, de autoria de Evanise 
Pascoa Costa e publicado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná em 
2006 define documentação museológica como: 
[...] Toda informação referente ao acervo do museu. Um museu que não 
mantém atualizadas e em bom estado as informações relativas a seu acervo, 
deixa de cumprir uma de suas principais funções, ou talvez a mais importante, 
 
54 
 
que é a preservação de sua memória. Os responsáveis pelos museus têm a 
obrigação de manter as coleções em boa ordem e transmiti-las a seus 
sucessores nas melhores condições de registro. 
 
Esse mesmo documento aponta que a documentação museológica é 
composta de: aquisição; arrolamento; registro ou inventário; classificação; 
catalogação e pesquisa. 
 No que diz respeito a aquisição a tabela abaixo indica os documentos 
que devem ser gerados pelo museu nos casos de empréstimo, transferência, 
doação e empréstimo a longo prazo. 
 
 
 
 
55 
 
 
Outra dimensão bastante importante diz respeito à conservação do 
acervo. Esse processo implica em aspectos como a guarda, transporte e 
exposição. Tudo isso tem que ser organizado de forma a garantir a integridade 
do acervo. Por isso a gestão museológica também requer conhecimento em 
campos como a qualidade da atmosfera; temperatura, umidade e Iluminação. 
 
A gestão museológica 
Para Moura (2006), a Gestão de museus pode ser dividida em três níveis 
ou etapas: 
O primeiro nível define os objetivos, a missão, os princípios e estratégias do 
museu e seu diagnóstico situacional. Equivale ao plano diretor do museu. 
A portaria normativa nº. 1, de 5 de julho de 2006 (DOU de 11/07/2006), que 
dispõe sobre a elaboração do “Plano Museológico” dos museus do Instituto do 
Patrimônio Histórico e 
Artístico Nacional (IPHAN), compreende o “Plano Museológico” “por seu 
caráter político, técnico e administrativo [como] instrumento fundamental para 
a sistematização do trabalho 
interno e para a atuação do museu na sociedade”15. 
Para Davies, o Plano Diretor “é um processo que pode guiaros museus, ao 
longo dos tempos difíceis que muitos deles estão enfrentando atualmente, 
resultando em melhores serviços e maior eficiência, bem como em um 
documento útil”. 
Os autores pesquisados – considerando os planos enquanto documentos de 
formalização do planejamento estratégico – enfatizam a importância de 
planejar visando alcançar melhores formas de gerenciamento e 
desenvolvimento institucional. Segundo Davies, o planejamento é crucial para 
 
56 
 
a boa administração e para a segurança dos museus. Nesse sentido, os riscos 
devem ser levados em conta no planejamento, para prevenção contra 
acontecimentos inesperados e para tomada de respostas em caso de 
mudanças. 
O segundo nível propõe as bases de trabalho, as áreas e os critérios de 
atuação e divide os meios pelos quais serão alcançadas as determinações do 
plano. São os programas, divididos por área de atuação – administração, 
pesquisa, exposição, preservação, educação, divulgação e marketing etc. 
O terceiro nível indica procedimentos e ferramentas para execução dos 
programas bem como os métodos de aplicação dos recursos. Compreendem 
as operações básicas e contínuas do museu. O que é definido em relação à 
quantidade de recursos humanos e financeiros e suas aplicações, ao 
cronograma de atividades, à formulação de documentos técnico-
administrativos, bem como todo o exercício prático das tarefas cotidianas, é 
aplicado às áreas de atuação determinadas pelos programas. Assim se 
estabelece esse terceiro nível, podendo ainda ter suas operações básicas 
suplantadas ou realizadas em momentos específicos por projetos. (ps. 28 e 
29). 
 
BUSCANDO SABERES 
Visite o site dos principais museus e analise as características de cada acervo. 
 
Museu de Arte Sacra de São Paulo 
Museu Paulista da USP 
http://www.museuafrobrasil.org.br/ 
MIS - Museu da Imagem e do Som de São Paulo 
Museu da Pessoa 
http://www.museudofutebol.org.br/ 
Memorial da Imigração 
Fundação Museu do Homem Americano - FUMDHAM 
Museu de Ciências da USP - www.museudeciencias.usp.br 
http://www.mam.org.br/2008/portugues/default.aspx 
 
 
57 
 
UNIDADE 12. ARQUIVO E MEMÓRIA 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Essa unidade apresentará o arquivo como outra importante instituição 
social que tem a função de cuidar da memória social. Os estudos aqui 
enunciados cuidarão de apresentar a formação histórica dos arquivos bem 
como os tensionamentos sociais presentes na sua forma de organização. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Já estudamos que o arquivo, assim como o museu, é uma instituição 
social de grande importância e que se destina a preservar documentos e 
assegurar a memória das sociedades. 
Sua origem está associada ao aparecimento da escrita e à necessidade de 
registro das atividades humanas. Existem indícios de que os arquivos já existiam 
como forma de organização e preservação dos documentos nas civilizações do 
oriente médio, há cerca de 6 mil anos. Infere-se que a primeira edificação 
construída especialmente para abrigar um arquivo data do século XIV a.C. e 
teria sido obra dos povos hititas. 
Na antiguidade clássica, os gregos teriam criado os arquivos, por volta 
dos séculos 400 a 350 a.C. Em Roma, data de 509 a.C. a criação do primeiro 
arquivo. A manutenção da estrutura imperial expansionista teria contribuído 
para o desenvolvimento de técnicas arrojadas de arquivística, cujos modelos, 
ainda hoje, prevalecem. Definiram normas próprias para as técnicas de 
arquivamento com definição de funções próprias para a conservação, 
reprodução e validação de documentos. Havia arquivos centrais e arquivos 
locais para governadores provinciais. 
Durante a Idade Média, com o predomínio majoritário das forças 
políticas da Igreja Católica, constata-se uma ambiguidade entre os conceitos de 
 
58 
 
biblioteca e arquivo. Sabe-se que os mosteiros eram os guardiões das 
produções documentais. 
Com a superação da ordem feudal e a criação da imprensa aumentam o 
número de arquivos estatais, assim como da produção de documentos 
decorrentes da sofisticação das formas de administração do aparelho 
governamental. 
Na contemporaneidade, Jardim (1987) menciona o surgimento da ciência 
arquivística e esclarece que: 
[...] as instituições arquivísticas públicas caracterizavam-se pela sua função 
de órgão estritamente de apoio à pesquisa, comprometidos com a 
conservação e acesso aos documentos considerados de valor histórico. A tal 
concepção opunha-se, de forma dicotômica, a de ‘documento 
administrativo’, cujos problemas eram considerados da alçada exclusiva dos 
órgãos da administração pública que os produziam e utilizavam. (p.36). 
 
O século XX, sobretudo nos Estados Unidos, produz a base conceitual 
dos arquivos atuais e se difunde a ideia do ciclo de vida dos documentos de 
arquivo. 
Mais recentemente, no Brasil, a lei 8159, de 1992, definirá a política 
nacional de arquivos públicos e privados, bem como suas competências e com 
ela intensifica-se o movimento de estudos sobre a dimensão científica da 
arquivística. 
O Dicionário de Terminologia Arquivística define arquivo como conjunto 
de documentos que, independente da natureza ou do suporte, são reunidos por 
acumulação ao longo das atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou 
privadas (1996). 
De acordo com Belotto (2005) o arquivo também é de natureza 
administrativa, jurídica, informacional, probatória, contínua e cumulativa. Essa 
configuração atribui ao arquivo duas finalidades precípuas: servir à 
administração e referência para a produção do conhecimento histórico. 
 
59 
 
Rodrigues (2006) ao pesquisar sobre a natureza, origem histórica e 
função social dos arquivos infere que os “arquivos são um reflexo da sociedade 
que o produz e o modo de interpretá-lo também acompanha as mudanças que 
ocorrem” 
Para essa autora o atual estágio da produção de conhecimento em 
arquivística permite inferir que: 
 
Com base nas informações estudadas nessa unidade, é possível 
identificar algumas das características que nos permitem afirmar ser o arquivo, 
por meio das suas técnicas de organização, também uma instituição, cuja 
finalidade está voltada à preservação da memória e, por essa razão, é objeto de 
estudo fundamental para a História. 
Assim, os arquivos também refletem o tensionamento social, uma vez ser 
resultado das condições sociais de cada época e lugar. 
 
 
 
60 
 
BUSCANDO SABERES 
Com base no princípio de que o arquivo também é uma instituição 
responsável pela organização e zelo da memória social, leia o excerto do texto 
abaixo. 
“Michel Duchein foi quem conseguiu melhor defender e sistematizar a 
aplicação do Princípio de Respeito aos Fundos, pois como afirma Lopes (1996, 
p. 69), ele ligou, firmemente, a sua concepção de fundo de arquivo à existência 
jurídica, administrativa e estrutural de uma organização. 
Os critérios formulados por Duchein (1986, p. 20) para a definição do 
organismo produtor de fundos de arquivos continuam válidos. São eles: 
 para produzir um fundo de arquivos, no sentido atribuído ao termo pela 
Arquivística (isto é, um conjunto indivisível de arquivos), um organismo, 
seja público ou privado, deve assumir denominação e existência jurídica 
próprias, resultantes de um ato (lei, decreto, resolução etc.) preciso e 
datado; 
 deve possuir atribuições específicas e estáveis, legitimadas por um texto 
dotado de valor legal ou regulamentar; 
 sua posição na hierarquia administrativa deve estar definida com 
exatidão pelo ato que lhe deu origem; em especial, sua subordinação a 
outro organismo de posiçãohierárquica mais elevada deve estar 
claramente estabelecida; 
 deve ter um chefe responsável, em pleno gozo do poder decisório 
correspondente a seu nível hierárquico. Ou seja, capaz de tratar os 
assuntos de sua competência sem precisar submetê-los, 
automaticamente, à decisão de uma autoridade superior. Isto não 
significa, evidentemente, que ele deva gozar de poder de decisão em 
relação a todos os assuntos; certos assuntos importantes podem ser 
submetidos à decisão do escalão superior da hierarquia administrativa. 
 
61 
 
Entretanto, para poder produzir um fundo de arquivos que seja próprio, 
um organismo deve gozar de poder decisório, pelo menos, no que disser 
respeito a determinados assuntos; 
 sua organização interna deve ser, na medida do possível, conhecida e 
fixada num organograma.” 
 
SOUSA, Renato Tarciso Barbosa. Os princípios arquivísticos e o conceito de 
classificação. Organização e Representação do Conhecimento. p. 252-253. 
Disponível no endereço eletrônico 
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/1439/1/CAPITULO_PrincipiosArqu
ivisticosConceitoClassifica%C3%A7%C3%A3o.pdf 
 
 
INDICAÇÃO DE LEITURA 
A teoria dos arquivos e a gestão de documentos. Disponível no endereço 
eletrônico http://pt.scribd.com/doc/445140/A-teoria-dos-arquivos-e-gestao-de-
documentos 
 
 
62 
 
UNIDADE 13. CONCEITO DE DOCUMENTO 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Conhecer o conceito de documento e sua importância para os estudos 
no campo da museologia e da arquivística. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Um documento é tudo o que pode ser utilizado para a comprovação de 
um fato. Assim, o conceito de documento pode ser apresentado como toda 
informação que poderá ser utilizada para estudo e outras maneiras de consulta 
uma vez que comprovam fatos e demais produções da vida em sociedade em 
diferentes tempos. 
O documento não se restringe a sua representação textual, uma vez 
poder ser constituído por outras formas além da escrita, tais como, filmes, 
insígnias, fotografia, medalhas e outras formas da produção humana. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 Estude nos excertos a seguir a conceituação de Documento nos 
territórios da arquivologia e da museologia. 
 
O Conceito de Documento em Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia 
Gabrielle Francinne de S.C Tanus 
Leonardo Vasconcelos Renau 
Carlos Alberto Ávila Araújo 
 
[..] 
O Conceito de Documento na Arquivologia 
 
63 
 
Os arquivos são instituições públicas ou privadas, que têm como 
principais funções ou processos a: criação, avaliação, aquisição, classificação, 
descrição, comunicação e conservação dos documentos gerados em 
decorrência do exercício das atividades funcionais que se estabelecem 
primordialmente pelas vias jurídico-administrativas (ROUSSEAU; COUTURE, 
1998). Além dessas funções técnicas, desdobram-se dos documentos outros 
entendimentos essenciais para o funcionamento dos arquivos, como os 
princípios da proveniência ou do respeito aos fundos, da territorialidade, do 
respeito à ordem natural, da pertinência ou princípio temático, e o princípio da 
reversibilidade (ARQUIVO NACIONAL, 2005). Além destes princípios da 
Arquivologia, os documentos de arquivo possuem certas características que lhe 
são peculiares tais como a unicidade, organicidade, indivisibilidade, integridade, 
autenticidade e heterogeneidade de seu conteúdo (BELLOTTO, 2002; MARTÍN-
POZUELO CAMPILLOS, 1996). 
Paes (2006), ao escrever acerca da origem dos arquivos e da importância 
deles para a sociedade, revela que eles guardavam os tesouros culturais da 
época e eram responsáveis pela proteção dos documentos que atestavam a 
legalidade de seus patrimônios. Não distante desses entendimentos, Gomes 
(1967) aponta que a origem dos arquivos teve como base o surgimento da 
escrita e a proliferação dos documentos nas mais variadas instâncias: individual, 
religiosa, jurídica, profissional, econômica, social ou nacional. Para ele, esse 
crescimento da quantidade de documentos decorreu da passagem de uma 
cultura oral para a escrita, permitindo ao ser humano conhecer na estrutura, no 
tempo e no espaço, o valor das palavras, levando-o a perceber que, depois da 
descoberta da escrita, a origem dos arquivos torna-se igualmente relevante 
para a sociedade. 
Conceitualmente, para esse autor, o documento é considerado “[...] peça 
escrita ou impressa que oferece prova ou informação sobre um assunto ou 
 
64 
 
matéria qualquer” (GOMES, 1967, p. 5). Pode-se inferir, então, que o documento 
vincula-se a materiais fisícos que de alguma forma são registrados. Esses 
documentos são guardados e conservados em arquivos, que, por sua vez, 
consistem em um local onde se armazenam conjuntos de documentos com a 
finalidade de tornar acessível o uso das informações contidas nos mesmos. Não 
obstante, para Paes (2006, p. 26), o documento consiste no “[...] registro de uma 
informação independente da natureza do suporte que a contém”. A autora 
acrescenta que a distinção entre o conceito de documento e de documento de 
arquivo reside na diferença de sua origem e de sua coleta, a saber: “1) Aquele 
que, produzido e/ou recebido por uma instituição pública ou privada, no 
exercício de suas atividades, constitua elemento de prova ou informação; 2) 
Aquele produzido e/ou recebido por pessoa física no decurso de sua existência” 
(PAES, 2006, p. 26). 
Feijó (1988) discute especificamente os arquivos escolares, no entanto, 
antes de adentrar a essa questão específica, ele define documento como sendo 
“[...] todos os papéis contendo informações que ajudem a tomar decisões, 
comuniquem decisões tomadas, registrem assuntos de interesse de uma 
organização e indivíduo” (FEIJÓ, 1988, p. 24). A definição específica de 
documentação escolar se origina em decorrência das características as quais os 
documentos se vinculam; assim, o documento escolar é um “[...] conjunto de 
documentos contendo informações sobre a vida escolar tanto da organização 
quanto do indivíduo” (FEIJÓ, 1988, p. 25). A partir da definição deste conceito, o 
autor classifica os documentos escolares em permanentes e descartáveis, 
citados aqui, para demonstrar as possíveis aberturas do conceito de documento 
segundo a instituição mantenedora. 
Esse exemplo do documento escolar e do arquivo escolar ilustra apenas 
mais uma forma existente, dentre a gama de possibilidades de documentos, de 
arquivos e dos tipos de arquivos. Contemporaneamente é possível notar o 
 
65 
 
crescimento dos arquivos pessoais, arquivos literários, arquivos fotográficos, 
arquivos cinematográficos, entre outros. Os documentos desses novos tipos de 
arquivos contribuem para a ampliação do conceito de documento para além do 
suporte tradicional ou planificado. Além disso, contribuem também para o 
distanciamento do arquivo como instituição tradicionalmente custodiadora 
apenas de papéis de cunho administrativo. Diante disso, apresenta-se o 
conceito de Schellenberg, que dialoga como os outros formatos e suportes 
documentais, ou melhor, outros tipos de arquivos e documentos, isto é: 
Todos os livros, papéis, mapas, fotografias ou outras espécies 
documentárias, independentemente de sua apresentação física ou 
características, expedidos ou recebidos por qualquer entidade pública ou 
privada no exercício de seus encargos legais ou em função das suas atividades e 
preservados ou depositados para preservação por aquela entidade ou por seus 
legítimos sucessores como prova de suas funções, sua política, decisões, 
métodos, operações ou outras atividades, ou em virtude do valor informativo 
dos dados neles contidos (SCHELLENBERG, 2006,p. 41). 
O autor amplia o conceito de documento para a área da Arquivologia, 
acrescentando também, em sua obra, um paralelo entre os arquivos e as 
bibliotecas, cuja distinção e relação se fazem segundo gênero; origem; 
aquisição e custódia; métodos de avaliação; métodos de classificação e método 
descritivo dos documentos. Essa distinção leva Paes (2006, p. 18) a concluir que 
“a Biblioteconomia trata de documentos individuais e a arquivística, de conjunto 
de documentos”. Assim, ambas as áreas, Arquivologia e Biblioteconomia, tratam 
de questões suscitadas pelos documentos, mas com meios e finalidades 
diferentes. 
Segundo Castro (1988), essa abertura do conceito de documento 
conduziu a sua classificação em duas formas distintas: o documento em sentido 
restrito e o documento em sentido amplo. No sentido restrito o documento é o 
 
66 
 
livro, folheto, revista, relatório, entre outros exemplos. Acredita-se que este 
sentido é o mais disseminado, em razão da materialidade concedida ao 
documento convencional. No sentido amplo o documento pode ser visto como 
bem cultural, ou seja, um monumento, um sítio paisagístico. Nessa mesma 
perspectiva dicotômica, Rendón Rojas (2009) esclarece que, apesar da variedade 
conceitual no âmbito da Arquivologia, a palavra arquivo, de algum modo, 
conserva duas dimensões, uma tradicional, que entende o arquivo como um 
lugar onde se guardam documentos, e outra que corresponde a um conjunto 
orgânico de documentos, o que contribui para a visão da Arquivologia como 
disciplina integrante do sistema informativo documental. 
Emilia Currás (1982), décadas antes, tencionou a relação entre 
Arquivologia e Biblioteconomia, e Documentação e Informação. Para ela, as 
ciências documentais são compostas pela Arquivologia, Bibliotecologia, 
Documentação e Informação, em virtude de estas áreas trabalharem com 
documentos e deles extraírem a informação. A diferença entre as instituições 
dos arquivos, bibliotecas e dos centros de informação reside na diferença entre 
os tipos de documentos. Segundo a autora, os museus não integram as ciências 
documentais, pois diferente dos arquivos e das bibliotecas, eles são espaços 
preocupados em conservar as obras de arte, assumindo, portanto, a posição de 
que seus objetos são distintos dos documentos escritos (CURRÁS, 1982). 
Por fim, é possível perceber que há na literatura uma multiplicidade de 
conceitos de documentos e de documentos arquivísticos, bem como conceitos 
de arquivos, os quais variam segundo a característica do acervo, sem, contudo, 
perder de vista os princípios da Arquivologia. Os entendimentos das relações 
dos arquivos com outras instituições que também lidam com documentos não 
são unânimes entre os teóricos, todavia, a proximidade entre os arquivos e as 
bibliotecas parece maior do que com os museus. Essa proximidade ocorre 
devido ao fato de ambos trabalharem com documentos materializados em duas 
 
67 
 
dimensões, enquanto nos museus prevalecem os objetos/documentos em três 
dimensões. Desse modo, os documentos de arquivos e de bibliotecas são 
registrados, em sua maioria, pela escrita e seus significados, isto é, a 
informação, pode ser extraída deles, de forma mais direta. A totalidade das 
informações contidas nos objetos de um museu não se apresenta tão direta ou 
claramente como nas linhas de um texto. Estas questões serão tratadas nas 
próximas seções, dedicada à Biblioteconomia e à Museologia. 
 
[...] 
O Conceito de Documento na Museologia 
As ideias de Hernández (2006) estabelecem uma proximidade da 
Museologia com a Documentação, uma vez que, dentro dos museus, existem 
diversos tipos de documentos, alguns cujo suporte é o papel, outros que 
utilizam qualquer outro suporte disponível, como pedra, metal, osso ou 
madeira. Todavia, “[...] em todo caso, qualquer suporte pode conter 
determinado conhecimento e servir de meio de transmissão desse 
conhecimento” (HERNÁNDEZ, 2006, p. 163). Do mesmo modo, para Chagas 
(1994), o documento se desdobra em objetos, livros, papéis, coleção, 
patrimônio cultural e natural, assim, os documentos estão presentes tanto nos 
museus quanto nos arquivos e nas bibliotecas. 
Meneses (1998), ao definir as características do objeto, também direciona 
a compreensão do objeto como documento, considerando-o como um suporte 
de informação. Segundo o autor, no objeto encerram-se as informações 
intrínsecas, aquelas que referenciam aos atributos físico-químicos (forma 
geométrica, cor, peso, textura, dureza, etc) e as informações extrínsecas, as 
quais são inferidas, dando origem aos discursos sobre o artefato, que podem 
ser falsos, enquanto sua integridade física corresponde à verdade objetiva. 
Assim, cabe ao historiador, por meio do objeto/documento, interpretar as 
 
68 
 
informações que aquele lhe fornece, e desse conhecimento produzido origina o 
que pode ser chamado de sistema documental. 
Para Chagas (1994) o documento pode ser compreendido sob duas vias: 
a primeira remete à própria origem da palavra docere, “aquilo que ensina”, mais 
precisamente, o documento se torna um instrumento a partir do qual algo pode 
ser ensinado a alguém; a segunda via refere-se ao entendimento de documento 
como “suporte de informação”, e que só pode ser considerado como tal se for 
interrogado. Desse modo, os documentos em seu nascedouro são apenas 
coisas e objetos, pois, para serem vistos como documentos, precisam ser 
problematizados e questionados. Para Meneses (1998), por sua vez, o objeto 
pode funcionar desde sua criação como um documento, porque pode fornecer 
informações diferentes daquelas previstas para a sua funcionalidade. 
Seguindo essa relação entre objeto/documento, apontados pelos autores 
supracitados, Cândido (2006) argumenta que as instituições museológicas 
devem criar métodos e mecanismos que permitam o levantamento e o acesso 
às informações das quais objetos/documentos são suportes. Assim, são criados 
os Sistemas de Documentação Museológica, motivados pela preocupação em 
preservar, investigar e comunicar. Tais sistemas têm, portanto, a 
responsabilidade de armazenar as informações individuais sobre os objetos, por 
meio de palavras e imagens, bem como ampliar os conteúdos documentais 
existentes (textuais e iconográficos), e disponibilizar a base de dados para 
consultas internas e externas. 
Além disso, os três conceitos basilares da Museologia, preservação, 
investigação e comunicação, presentes nas instituições de memória cultural, 
revelam o desafio destas instituições em manter um equilíbrio dinâmico entre 
esses conceitos (CHAGAS, 1994). Ao abordar essa tríade, Julião (2006) os define 
como campos de atuação distintos e complementares ao funcionamento 
adequado dos museus, os quais também devem manter equilíbrio entre si. Ao 
 
69 
 
versar sobre as instituições museológicas, a autora ressalta que os museus têm, 
em seus acervos, objetos como documentos da cultura material, os quais 
servem como fonte de investigação de pesquisas históricas no espaço 
museológico. 
Assim como Cândido (2006), Julião (2006) demonstra a importância do 
trabalho de investigação nos museus. Esta autora apresenta dois tipos de 
pesquisa: uma com base nos objetos, fruto da Documentação Museológica, 
sendo o profissional quem decodifica as informações contidas nesses objetos, 
criando instrumentos de pesquisa, como os inventários, catálogos e registros; e 
outra, a pesquisa propriamente dita, que envolve investigações e estudos que 
vão além do objeto em si, centrando-se na historicidade que o cerca, e nas 
relações desse objeto com seu contexto sociocultural. Enfim, “[...] é neste 
cenário que ocorre um progressivodesenvolvimento das pesquisas e estudos 
da cultura material, acompanhado da valorização do estatuto documental 
conferido aos objetos” (JULIÃO, 2006, p. 97). 
Percebe-se, então, que a questão do documento no campo museológico 
suscita uma abstração, um profundo questionamento do objeto, para que se 
possa entendê-lo como documento. Essa problematização do 
objeto/documento não é neutra, porque os objetos e documentos não são 
neutros, visto que a produção de documentos, de maneira consciente ou 
inconsciente, perpetuada pela época e sociedade que os produziram, não é 
“inocente”, portanto, vale ressaltar que “O documento não é inócuo” (LE GOFF, 
1994, p. 547). Tem-se ainda a operação com eles, as quais são sempre de 
natureza retórica, pois quem fala não é o documento, e sim o historiador que 
fala por ele (MENESES, 1998). É também o homem com a sua subjetividade que 
seleciona os objetos para salvaguardá-los para as futuras gerações, o que 
conduz a outra questão inerente a Museologia: o processo da musealização. 
 
70 
 
A musealização, considerada uma das formas de preservação do 
patrimônio cultural realizada pelo homem, constitui-se de uma “[...] valorização 
seletiva, mas contínua no conjunto de ações que visa à transformação do objeto 
em documento e sua comunicação” (CURY, 2005, p. 25). Segundo Meneses 
(1994), a transformação do objeto em documento é o eixo da tarefa da 
musealização. Tal processo compreende ainda uma série de ações sobre o 
objeto, como a aquisição, a pesquisa, a conservação e a documentação, para ser 
possível realizar com o mesmo o processo de comunicação/ exposição (CURY, 
2005). Deste modo, para Lara Filho (2009), o objeto musealizado assume sua 
função documental, e, ao assumir as consequências dessa transformação, o 
museu passa a trabalhar não só com bens materiais, mas também com bens 
simbólicos. 
Posto esse enlace que se estabelece entre o objeto e o documento, traz-
se, ainda, a discussão do documento como monumento, feita por Le Goff 
(1994), em que o monumento é visto como uma herança do passado, 
geralmente edificado por meio das obras monumentais. O documento, para 
além do registro gráfico, se funda no início do século XX, com a construção de 
uma nova maneira de fazer História, e, nesse cenário, os documentos passam a 
ser compreendidos como tudo aquilo que “[...] pertence ao homem, depende 
do homem, serve ao homem, exprime o homem, demonstra a presença, a 
atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem” (LE GOFF, 1994, p. 450). 
Por fim, com a abordagem de estudos do acontecimento histórico iniciada na 
primeira metade do século XX pela assim chamada Escola dos Annales, houve 
uma abertura do conceito de documento, que impactou definitivamente o 
campo da História e das instituições museológicas, culminando na projeção dos 
artefatos/objetos como fontes de informação e instrumentos para as pesquisas 
históricas (BURKE, 1992). Considera-se, dessa forma, os objetos de museus, 
como vestígios da cultura material, os quais servem igualmente para a 
 
71 
 
(re)constituição de uma memória coletiva. Nesta linha, conforme Le Goff a 
análise do documento enquanto monumento permite à memória coletiva 
recuperá-lo e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno 
conhecimento de causa”. Essa abertura eleva a valorização do 
objeto/documento também como monumento, levado a outros campos do 
conhecimento, além da História. 
 
Disponível em: http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/220 
 
 
72 
 
UNIDADE 14. DOCUMENTO E SUA FUNÇÃO NO ENSINO DA 
HISTÓRIA 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Analisar o documento como importante fonte de informação e objeto de 
estudo do arquivo e do arquivista. 
Identificar os diferentes tipos de documentos e a relação desse estudo 
com as possibilidades no ensino de História.. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
As ações decorrentes do uso de documentos com a finalidade de ensino 
deverão estar consonantes com os objetivos da aprendizagem. Daí a 
inevitabilidade de se realizar, sempre, rigoroso planejamento das ações 
educativas. 
Circe Bittencourt (2004. p. 327) ressalta a importância do uso de 
documentos para o ensino de história. No seu estudo sobre o “uso didático dos 
documentos” essa autora chama a atenção para a necessidade de diferenciar as 
práticas do ensino das práticas de pesquisa do historiador. 
É muito importante que o professor saiba se valer dos documentos como 
fontes de informação. No entanto, são necessários conhecimentos específicos 
do campo da didática e da psicologia da aprendizagem para transformar os 
documentos em materiais didáticos. 
Em síntese, com base nos postulados de Henri Moniot, ela nos adverte 
para a importância de se ter claro a diferença entre pesquisa histórica com 
documentos e o uso de documentos como recurso de aprendizagem. 
Para Bittencourt: 
O professor traça objetivos que não visam à produção de um texto 
historiográfico inédito ou a uma interpretação renovada de antigos 
conhecimentos, com o uso de novas fontes. As fontes históricas em sala de 
 
73 
 
aula são utilizadas diferentemente. Os jovens e as crianças estão “aprendendo 
história” e não dominam o contexto histórico em que o documento foi 
produzido, o que exige sempre a atenção ao momento propício de introduzi-
lo como material didático e à escolha dos tipos adequados ao nível e às 
condições de escolarização dos alunos. (p. 329-330). 
 
Para tornar possível o uso de documentos em sala de aula, o professor 
precisa ter bem claro os objetivos de cada aula e saber diferenciar as finalidades 
da produção do conhecimento histórico, uma vez que o aluno não é um 
“pequeno historiador”. É necessário, ainda, dominar os fundamentos do saber 
escolar, definidores dos procedimentos para que os estudantes “aprendam 
história”. 
Uma vez estabelecidas as adequadas condições, para que o ensino de 
história não se confunda com a pesquisa histórica e com fontes documentais o 
professor poderá utilizar os documentos como ilustração, fonte de 
informação ou para criar uma situação-problema, ou seja, provocar uma 
reflexão sobre determinado tema. 
O documento selecionado para a finalidade de servir como ilustração 
pode reforçar uma ideia ou conceito apresentado pelo professor ou pelos 
materiais didáticos utilizados em aula. Exemplo o texto da lei Áurea ao tratar a 
abolição da escravidão no Brasil - LEI N. 3353 - DE 13 DE MAIO DE 1888 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse documento, em si, não possibilita a compreensão plena do processo 
de suplantação do trabalho escravo e a transição para o trabalho assalariado no 
Brasil. No entanto, serve como boa ilustração para o estudante compreender 
que a escravidão, do ponto de vista legal, foi substituída por outra forma de 
produção. 
Bittencourt também recomenda que o professor considere a 
complexidade do desenvolvimento do aluno, ou seja, idade, série e outras 
 
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75 
 
variáveis que determinam as condições e possibilidades do processo de 
aprendizagem. 
Embora o uso de documento seja fonte importante de trabalho para o 
professor de história, é mister destacarque toda ação decorrente do uso de 
documentos deve ser rigorosamente planejada, para atender aos propósitos da 
aprendizagem. Para isso, o planejamento é etapa imprescindível e fundamental. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
LEITURAS 
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e 
métodos. São Paulo: Cortez, 2004. Pags. 354 a 358. 
Silva, Marcos; FONSECA, Selva Guimarães. Ensinar História no século XXI: em 
busca do tempo entendido. Campinas-SP: Papirus, 2007. Pags. 71 a 86. 
 
No lugar do outro 
Todo cuidado é pouco quando o professor leva documentos para a sala de 
aula, já que eles podem acabar provocando equívocos 
 
Nilton Mullet Pereira e Fernando Seffner 
Para felicidade dos alunos, as aulas de História da educação básica nem 
sempre são sinônimo de uma longa exposição oral por parte do professor. 
Fotos, mapas antigos, filmes e documentos, como a carta de Pero Vaz de 
Caminha, têm sido cada vez mais usados em sala. Mas, além de agradar aos 
estudantes, será que a utilização desses vestígios do passado é sempre positiva? 
Do ponto de vista pedagógico, os professores precisam tomar cuidado quando 
levam para as classes as mesmas fontes que os historiadores utilizam na 
produção de seus relatos. 
 
76 
 
O principal problema dessa prática é a utilização de documentos como 
mera comprovação do passado. Em geral, os professores acabam usando os 
documentos para afirmar a veracidade de determinados fatos ou para dar 
relevo aos seus argumentos. Isso é resultado, em parte, de um drama comum 
na aula de História que começa em duas situações: a primeira é quando o 
estudante pergunta a razão de estudar a disciplina (“uma coisa tão antiga”); a 
segunda é quando o aluno indaga, por exemplo, sobre os rituais de 
mumificação no Egito Antigo e acrescenta: “Como o senhor sabe, professor, se 
não estava lá”? O embaraço das questões leva o docente a reafirmar o papel da 
fonte como prova de seu relato. Esta utilização é perigosa, porque leva as novas 
gerações a preservarem a noção de História como algo que trata apenas do que 
está escrito nos documentos. 
Um exemplo: ao ensinar Primeira Guerra Mundial, o professor afirma que 
a Alemanha recebeu severas punições por meio do Tratado de Versalhes. 
Quando perguntado sobre como sabe disso, responde entregando aos alunos 
uma cópia de artigos desse tratado. Ora, esta utilização da fonte serviu única e 
exclusivamente para reafirmar o que dissera sobre fim da guerra. O correto seria 
problematizar o documento quanto ao seu papel na época em que foi 
elaborado. O equívoco não é o fato de o Tratado de Versalhes ser levado para a 
sala de aula, mas é ele servir apenas para confirmar o discurso do professor. 
Este procedimento define o caráter de submissão dos relatos à fonte, contra o 
conceito de documento utilizado atualmente na História. 
Por muito tempo, imagens como pintura, gravura e fotografia foram 
usadas em aula como um retrato da História. O quadro “O grito do Ipiranga”, de 
Pedro Américo, é exemplar neste sentido. A pintura influenciou para que esse 
acontecimento fosse interpretado como um ato de um grande homem, sem a 
participação popular. O quadro, concluído em 1888, mostra D. Pedro como a 
figura central, destacado no plano mais alto e cercado por seus soldados, todos 
 
77 
 
com as espadas desembainhadas. Ao lado, no canto da tela, aparece um 
carreiro com seu carro de boi. Nesta representação, a figura imponente do 
imperador e a inexistência da representação do povo deixam exatamente a 
impressão de que a Independência do Brasil fora obra da vontade de D. Pedro, 
diante das Cortes portuguesas. A recorrência da pintura nos livros didáticos fez 
dela a maior e mais importante representação desse fato histórico, contribuindo 
para a reprodução do discurso de que tivemos uma independência pacífica e 
ordeira, bem diferente da de nossos irmãos do restante da América. 
Os filmes que narram acontecimentos também não podem servir como 
substituição das aulas de História. A sétima arte deve ser um ponto de partida 
para se analisar o olhar de uma época sobre outra, sendo apenas auxiliar para o 
ensino da disciplina. O recém-lançado “Robin Hood”, de Ridley Scott, por 
exemplo, precisa ser compreendido no momento em que foi produzido e 
considerando-se, inclusive, a perspectiva do seu diretor. A aula de História não 
pode se prestar simplesmente para se ensinar a Inglaterra do século XII por 
meio do filme. Considerado como documento, o longa-metragem pode revelar 
muito da nossa história atual e, ao mesmo tempo, o modo como olhamos, a 
partir do presente, para o passado medieval. 
A fotografia também pode ser vista como um documento histórico, mas 
sua utilização depende de um certo cuidado. Primeiro, o professor precisa se 
atualizar quanto às discussões teóricas sobre o tema, ou seja, do seu papel 
como fonte histórica; segundo, é necessário desmistificar a ideia de que a 
fotografia “retrata” a realidade tal como ela é. O fotógrafo também está imerso 
em um contexto histórico determinado e capturou com sua câmera um 
fragmento do real, que não é outra coisa senão a leitura que ele tem da sua 
própria realidade. Seria interessante confrontar, na escola, o que é visto pela 
lente do fotógrafo com o que é visto pela “lente” do texto do historiador ou do 
livro didático. As fotografias do Rio Antigo, do início do século XX, de Augusto 
 
78 
 
Malta, por exemplo, servem também para se pensar o modo como 
selecionamos e guardamos a memória. O mesmo serve para as fotos de 
Sebastião Salgado, nos dias de hoje. Quem sabe seria necessário perguntar aos 
estudantes da educação básica que memória queremos guardar da época em 
que vivemos? Que acontecimentos queremos ver lembrados e rememorados 
através do tempo? Que realidades queremos mostrar? 
A revolução operada na historiografia do século XX acabou com o 
império da fonte escrita, permitindo que o olhar do historiador alcançasse 
imagens, filmes, crônicas, relatos de viagem, registros paroquiais, obras de arte, 
vestígios arquitetônicos e memória oral, entre outros. Com isso, o termo 
“documento” deixou de ter o mero significado de prova e passou a ser 
considerado vestígio. Desde a escola dos Annales, mas já bem antes, o conceito 
de fonte histórica tem se ampliado e se transformado significativamente. A 
partir dela, o historiador deixou de se concentrar apenas nos documentos 
oficiais e nos fatos políticos, típicos da história positivista, passando a se voltar 
também para os aspectos da vida social, só contemplados por determinadas 
ciências, como a Antropologia e a Sociologia. 
A popularização do uso de fontes nas escolas está ligada justamente a 
essa mudança na concepção de documento. A introdução de outros materiais 
em sala foi difundida também porque aproxima os acontecimentos do passado 
ao tempo do estudante. Assim, o aluno tem mais recursos para compreender 
outras realidades tão diferentes da sua, e acaba sendo mais motivado. 
As fontes devem servir para mostrar às novas gerações a complexidade 
da produção do conhecimento histórico. Essa prática deve ensinar menos a 
“quantidade adequada dos conteúdos” e contribuir mais para criar outra 
memória, ou seja, novos modos de olhar para o mundo, que ultrapassem os 
limites do senso comum. O objetivo é que esta disciplina escolar possa ser vista 
como um espaço no qual as novas gerações buscam tanto suas referências 
 
79 
 
culturais – étnicas, de gênero, nacionais, etc – quanto experiências diversas. Em 
suma, a História deve servir para que os alunos compreendam quem são hoje. 
O trabalho com documentos pode e deve ser pensado sob duas óticas: mostraraos estudantes as condições nas quais o conhecimento histórico é produzido e 
permitir uma visão mais concreta em relação ao passado. 
Ensinar a ler documentos, separá-los por séries e descrever suas 
regularidades são ações didáticas importantes, mas não se trata de querer 
tornar o estudante um mini-historiador. O objetivo é mostrar como os 
historiadores produzem a partir de documentos e quais os problemas 
envolvidos nessa produção. O estudante deve se tornar alguém capaz de 
reconhecer na História o estatuto de uma ciência, com seus limites e suas 
possibilidades. O aluno precisa brincar com o documento, levantar hipóteses, 
reconhecer nele o tempo do qual fez parte, perguntar o que levou à 
preservação desse documento e não de outros, que razões presidiram a sua 
produção. Essas são questões que devem ser levantadas sempre em sala de 
aula. 
Utilizamos as fontes tanto para mostrar a complexidade do 
conhecimento histórico e modificar o modo como se representa a História na 
memória coletiva quanto para aproximar as experiências alheias ao estudante. O 
risco é reafirmar aquilo que a historiografia já abandonou há um bom tempo, 
ou seja, a noção de que o documento carrega a verdade da História, enquanto 
os historiadores seriam apenas sujeitos passivos ao descreverem o passado por 
meio das fontes. Mesmo assim, é algo que vale experimentar, até para se 
aprender a reconhecer e contornar esta alternativa, criando outras 
possibilidades em sala de aula. 
 
Nilton Mullet Pereira é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e 
 
80 
 
autor do livro Possíveis Passados: representações da Idade Média no ensino de 
História (Zouk, 2008). 
Fernando Seffner é professor da UFRGS e organizador, junto com José Alberto 
Baldissera, do livro Qual história? Qual ensino? Qual cidadania? (Ed. Unisinos, 
1997). 
Texto disponível no endereço eletrônico: 
http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3163 
 
 
 
81 
 
UNIDADE 15. TIPOLOGIAS DOCUMENTAIS 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Identificar os tipos de documentos e várias formas de identificação e 
organização. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Na definição de tipologias, o princípio da hierarquia tem sido 
predominantemente utilizado para a organização e classificação dos 
documentos. No entanto, é importante ter sempre no horizonte a ideia 
fundante de Tipo documental que, segundo do Dicionário da tipologia 
arquivística (p. 74) é a “Configuração que assume uma espécie documental, de 
acordo com a atividade que a gerou”. 
Duranti reforça esse princípio ao afirmar que, 
A correta delimitação da tipologia documental, considerada em função do seu 
contexto de produção, é de fundamental importância para definir sua 
classificação, valor para preservação ou eliminação e utilização. 
Na perspectiva tradicional da arquivística, para o conhecimento da gênese do 
documento, devemos partir da análise do geral para o particular, do órgão 
para o resíduo material do exercício de suas competências, que é o 
documento que circula e é acumulado no arquivo. Este é um axioma 
arquivístico para um segmento de teóricos na área, mas que vem se tornando 
objeto de reflexão entre os profissionais que estudam as questões de 
naturezas teóricas metodológicas propostas pela diplomática contemporânea, 
também chamada de tipologia documental. (2002, p. 47). 
 
Tem se observado uma tendência que adota como ponto de partida a 
prática do exame do documento em si para, posteriormente, examinar-lhe a 
origem. Reside nessa prática uma possibilidade de não se atentar para o 
princípio da unicidade. 
 
 
82 
 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Ana Célia Rodrigues enfatiza que os estudos arquivísticos atuais no 
campo da diplomática, deram origem a tipologia documental. 
Leia abaixo um excerto do seu estudo publicado com o título de 
“Identificação: um modelo de pesquisa em arquivística sobre o órgão produtor 
e sua tipologia documental” 
 
[...] 
Identificação: a pesquisa em arquivística realizada nos parâmetros da diplomática 
e tipologia documental 
A identificação é um tipo de investigação científica particular que constitui uma 
ferramenta de trabalho para o arquivista. Uma metodologia de pesquisa que se 
desenvolve nos parâmetros do rigor científico, como tarefa preliminar e necessária às 
funções da classificação, avaliação, descrição e planejamento da produção documental. 
No campo da arquivística a identificação se caracteriza como uma tarefa de natureza 
intelectual, desenvolvida com o objetivo de determinar a identidade do documento de 
arquivo, de reconhecer os caracteres próprios e exclusivos que conferem essa 
identidade. Significa determinar os elementos que o individualizam e o distinguem em 
seu conjunto. 
O documento de arquivo é produzido de forma involuntária, criado no decurso 
de uma atividade. É o resíduo material da ação que lhe dá origem. É a própria ação 
“autodocumentada”, como define Menne-Haritz (1998). “Uma ação é qualquer exercício 
de vontade que objetiva criar, mudar, manter ou extinguir situações”, e constitui o 
núcleo do documento, ressalta Heather Mac Neil (2000, p. 93). Desta característica 
essencial, inerente a sua gênese, decorre sua natureza probatória. 
A identidade do documento de arquivo se mostra através dos elementos que o 
integram: sua estrutura e substância. Estão representadas através de regras, que 
contém elementos intrínsecos e extrínsecos. Estes caracteres são estudados do ponto 
de vista da diplomática e também da arquivística. 
 
83 
 
Esta capacidade de provar o fato que lhe dá origem é resultado da especial 
relação que o documento tem com o órgão que o produz, o vinculo que se revela no 
conteúdo pela atividade registrada, que constitui o núcleo de sua identidade. Esta fase 
da metodologia arquivística denominada identificação, é qualificada pelos autores 
como “fase do tipo intelectual” que consiste em estudar analiticamente o contexto e a 
tipologia documental produzida na especificidade da gestão administrativa que o 
caracteriza. Neste sentido, é um trabalho de pesquisa e de crítica sobre a gênese 
documental. 
Nesta perspectiva, a identificação tem por objeto de estudos o órgão produtor, 
seu elemento orgânico (áreas administrativas que o configuram) e funcional 
(competências, funções, atividades e tarefas) e a tipologia documental que decorre 
desta gestão. 
A metodologia versa sobre os “estudos institucionais”, somados à “análise 
documental”, fundamentados na aplicação direta do princípio da proveniência e da 
ordem original. “Este conhecimento sobre o órgão produtor combinado a um processo 
analítico dos documentos produzidos, a partir do conhecimento das suas características 
internas e externas, permite chegar à identificação das séries documentais”, ressalta 
Pedro López Gómez (1998, p. 39). 
A pesquisa sobre o órgão produtor dos documentos se viabiliza a partir os 
dados encontrados em vários tipos de fontes de informações, que variam de acordo 
com a natureza do órgão, se público ou privado, ou em função das características do 
conjunto documental, se permanente ou em fase da produção O estudo das 
características que apresentam a tipologia documental, versando sobre os caracteres 
internos e externos que se refere a sua estrutura física e ao seu conteúdo, permitindo a 
realização de estudos comparativos, com olhar retrospectivo, para tratar além da 
tipologia produzida, também a acumulada nos arquivos. Toda a informação resultante 
desta fase da pesquisa será compilada nos manuais ou sistemas de tipologia 
documental. (RODRIGUES, 2005). 
A identificação pode ser desenvolvida durante todasas fases do ciclo de vida 
dos documentos, podendo incidir sobre o momento de sua produção, para efeito de 
 
84 
 
implantação de programas de gestão de documentos, ou no momento de sua 
acumulação, para controlar fundos transferidos ou recolhidos aos arquivos. 
No âmbito dos processos de identificação interessa verificar como a 
identificação de documentos para definir séries, esta relacionada com as atuais 
discussões em torno da teoria e da metodologia da diplomática. 
A renovação desta matéria e sua aplicabilidade no campo da arquivística estão 
representadas pelas teorias formuladas na Itália por Paola Carucci e Luciana Duranti, 
que desenvolve estudos no Canadá; na Espanha, por Luiz Nuñez Contreras, Manuel 
Romero Tallafigo, Vicenta Cortés Alonso e Antonia Heredia Herrera e no Brasil, por 
Heloisa Liberalli Bellotto, autores cujas ideias vêm contribuindo para a consolidação de 
uma tradição arquivística brasileira na área, tanto no campo da construção teórica, 
como na aplicabilidade dos princípios metodológicos da nova diplomática no âmbito 
dos arquivos. 
Entre 1982 e 1992, Luciana Duranti começa a trabalhar com esta nova 
perspectiva. Escreve alguns artigos que apareceram em seis edições da Revista 
Archivaria1, cujo objetivo era “estender os conceitos e métodos diplomáticos, a fim de 
fazê-los relevantes e aplicáveis aos documentos contemporâneos de qualquer tipo e 
em qualquer meio (mídia)”. 
A revisão da disciplina efetuada por Luciana Duranti e as ideias por ela 
divulgadas, na construção da diplomática arquivística, como a denomina, vêm nutrindo 
o debate teórico sobre a produção de documentos em ambientes eletrônicos, 
orientando as práticas realizadas em arquivos de todo o mundo. A autora ressalta a 
necessidade de o profissional conhecer bem o elo que une o documento ao órgão que 
o produziu, afirmando que “se o arquivo é um todo constituído por partes e é 
impossível entender e controlar o todo sem compreender e controlar suas partes ainda 
que as mais elementares”. (DURANTI, 1995, p. 2) 
Discutindo o uso da diplomática como metodologia de pesquisa para a 
arquivística, Luciana Duranti enfatiza que 
é essencial reconhecer como o conteúdo informativo do fundo arquivístico é 
determinado pelas funções de seu criador, como a forma (a organização de 
conjuntos de documentos dentro do fundo) é determinada pela estrutura 
organizacional dentro da qual se produzem e como a forma e inter-relações 
 
85 
 
de seus documentos (dentro de cada conjunto) são determinadas pelas 
atividades e procedimentos que as geraram (DURANTI, 1995, p. 202). 
Nestes anos 80 a Espanha, um país de arquivística notadamente influenciada 
pela diplomática, também se destaca no movimento de renovação teórica da matéria. 
Nos anos que se seguiram até a década dos 90, a arquivística espanhola registra uma 
extensa produção bibliográfica abordando o tema da metodologia diplomática 
aplicada aos estudos de documentos produzidos e acumulados nos arquivos do país. A 
relação estabelecida entre a diplomática e a arquivística conquista um definitivo espaço 
no debate teórico dos estudiosos espanhóis. 
Foi a partir destes modernos estudos arquivísticos que a nova abordagem do 
uso da metodologia preconizada pela diplomática, bastante difundida na arquivística 
nacional e internacional, deu origem a um novo campo de estudos, a tipologia 
documental. 
Antonia Heredia Herrera (2006) destaca a estreita relação estabelecida entre a 
diplomática e a tipologia documental, que considera como campos de estudos 
independentes, aplicados ao reconhecimento do documento de arquivo no momento 
da identificação. 
A metodologia aplicada ao tipo documental vem sendo denominada análise 
documental. Devemos muito a Vicenta Cortés sobre este e outros temas, 
porque criou um modelo de analise documental partindo do modelo de 
análise do tipo diplomático, adequando-o às necessidades arquivísticas do 
momento. Passado o tempo surgem novos conceitos, como o da 
identificação(...) (Idem, 2006, grifo nosso). 
Para a arquivística brasileira, a diplomática e a tipologia documental são campos 
de estudos complementares, porém com métodos próprios de estudo dos elementos 
do documento. Os modelos de análise diplomática e de análise tipológica, divulgados 
por Heloisa Bellotto, são diferentes entre si, uma vez que para a diplomática o grande 
interesse esta no teor documental e para a tipologia esta nas inter-relações no interior 
do conjunto documental. 
Por isso, a tipologia documental, ao incorporar todo o corpo teórico e 
metodológico da antiga diplomática, pode ser chamada de diplomática 
arquivística ou, melhor ainda (se se atentar para o quanto o objeto e os 
objetivos de ambas podem ser amalgamados), de diplomática 
 
86 
 
contemporânea, como quer Bruno Delmas. Para ele, a preocupação da 
diplomática é, agora, menos o estudo da estrutura, da forma, da gênese ou da 
tradição e mais da tipologia dos documentos (BELLOTTO, 2004, p. 53). 
Esta autora traz para os estudos diplomáticos, a diferença entre espécie 
documental e tipo documental, o que não tinha sido abordado antes por outros 
autores. 
A espécie documental é “a configuração que assume um documento de acordo 
com a disposição e a natureza das informações nele contidas” e o tipo “é a 
configuração que assume a espécie documental de acordo com a atividade que ela 
representa” (DICIONÁRIO, 1996, p. 27; 19). A partir do reconhecimento e comparação 
do tipo, se forma a série documental, definida “como a sequência de unidades de um 
mesmo tipo documental” (DICIONÁRIO, 1996). A título de exemplo, poderíamos citar o 
requerimento, como uma espécie, uma estrutura que somada à atividade que 
determinou sua produção em um contexto, resulta em um tipo documental. Se 
requerimento é uma espécie, um instrumento que serve para solicitar algo a uma 
autoridade pública baseado em atos legais ou em jurisprudência, como tipo poderá ser 
um requerimento de licença de férias, requerimento para aprovação de projeto de 
construção, requerimento de aposentadorias, os quais são diferentes entre si porque 
resultam de atividades distintas (RODRIGUES, 2005). 
Pode-se afirmar, que “a espécie pode ser tomada isoladamente como expressão 
diplomática. Se tomada coletivamente, em sua expressão funcional, ela será um tipo”, 
objeto dos estudos de tipologia documental. 
 
 
87 
 
UNIDADE 16. ARQUIVOS – PRINCÍPIOS DA ORGANIZAÇÃO DO 
ARQUIVO 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Analisar os princípios da organização do arquivo: organicidade, 
autenticidade, unicidade e naturalidade 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
O arquivo, na configuração do seu acervo, tem, no documento, como já 
definimos anteriormente, a unidade de registro das informações. Esse é a base 
de consulta, estudo, prova e pesquisa para as mais variadas finalidades. 
O suporte para o registro ordenado das informações pode acontecer por 
meio de fita magnética, película filmográfica, papel, pergaminho, papiro, etc. 
Belotto (2005) define o arquivo como 
Órgão receptor (recolhe naturalmente o que produz a administração pública 
ou privada à qual serve) e em seu acervo os conjuntos documentais estão 
reunidos segundo as origem e função, isto é, suas divisões correspondem ao 
organograma da respectiva administração; que os objetivos primários do 
arquivo são jurídicos, funcionais e administrativos e que os fins secundários 
serão culturais e de pesquisa histórica, quando estiver ultrapassado o prazo de 
validade jurídica dos documentos (em outras palavras, quando cessarem as 
razões por que foram criados); é que a fonte geradora é única, ou seja, é a 
administração ou é a pessoaà qual o arquivo é ligado (p.38) 
 
Ainda com base nos postulados dessa autora é possível afirmar que a 
organização do arquivo está fortemente ancorada nos princípios da 
proveniência, da organicidade, autenticidade, unicidade e da naturalidade dos 
documentos. 
 
 
 
 
88 
 
Organicidade 
Os documentos revelam uma significação orgânica entre si, ou seja, 
emergem da mesma origem são desprovidos de autonomia e retiram sua 
autenticidade do inter-relacionamento entre os itens documentais. Belotto 
(2004) infere que essa característica dos documentos revela uma Qualidade 
segundo a qual os arquivos espelham a estrutura, as funções e as atividades da 
entidade produtora/acumuladora, em suas relações internas e externas. 
Para essa autora o arquivo assim como o trabalho do arquivista, 
classificando e organizando os documentos oportunizará o adequado 
significado e função social ao documento. 
 
Autenticidade 
Qualidade de um documento, quando preenche as formalidades 
necessárias para que se reconheça sua proveniência, independentemente da 
veracidade do respectivo conteúdo (Dicionário de Terminologia arquivística, 
1996). O que se postula aqui é não se coloca em julgamento o conteúdo, ou 
seja, o que está descrito no documento, mas sim a legitimidade da sua autoria e 
origem. 
 
Unicidade 
Os documentos existem em exemplar único ou em limitado número de 
cópias. Mesmo em réplica, os documentos cumprem funções diversas, em locais 
diferentes, conservando seu caráter único, em função do contexto de produção. 
 
Naturalidade 
(cumulatividade/serialidade): O arquivo é uma formação progressiva, 
natural e orgânica. É a sedimentação da produção documental ao longo do 
tempo. 
 
89 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Na dissertação de mestrado de Denise de Almeida Silva, intitulada 
“Arquivo: o meio digital e os agentes públicos”, a pesquisadora desenvolve 
estudo sobre os princípios da organização do arquivo. 
Leia abaixo um trecho da sua pesquisa: 
 
[...] 
O documento de arquivo traduz os laços entre a informação e o processo 
administrativo que o gerou. Para Fonseca (2005, p.59) é nas relações entre o 
documento e seus geradores que se estabelecem, mantêm-se e tornam-se 
possíveis analisar, como também constatar e verificar, a autenticidade, a 
segurança e a fidedignidade destes documentos. Mesmo considerando-se estes 
aspectos, o valor probatório do documento de arquivo ainda está relacionado 
ao cumprimento de atividades, independentemente do conteúdo informacional 
ser verdadeiro ou não. 
Para o entendimento das características inerentes aos documentos de 
caráter arquivístico em meio digital, Duranti (1994), utilizando-se dos estudos 
da Diplomática, possibilitou o avanço das discussões para além do ponto em 
que as fórmulas jurídicas já não seriam suficientes para serem aplicadas aos 
conjuntos documentais. A autora resgatou as principais características do 
documento arquivístico como a imparcialidade, no sentido de que não são 
produzidos intencionalmente; a autenticidade, através da regularidade de 
procedimentos de criação, manutenção e custódia; a unicidade, já que cada 
registro é tido como único na estrutura documental à qual pertence; a 
naturalidade, por se acumularem de maneira contínua e não coletados 
artificialmente; e o inter-relacionamento, pelo fato dos documentos 
estabelecerem relações com outros documentos no decorrer de transações. O 
 
90 
 
conceito de organicidade do documento de arquivo é desmembrado pela 
autora nos conceitos de inter-relacionamento e naturalidade. 
Bellotto (2007) relaciona as características dos documentos de arquivo 
aos princípios arquivísticos, esclarecendo que não existe uma lógica externa que 
promova a ligação entre ambos, mas que ambos mantêm uma relação de 
dependência: 
 princípio da proveniência, segundo o qual os “arquivos originários de 
uma instituição ou de uma pessoa devem manter a respectiva 
individualidade, dentro de seu contexto orgânico de produção, não 
devendo ser mesclados a outros de origem distinta”; (p.88) 
 princípio da organicidade, “qualidade segundo a qual os arquivos 
espelham a estrutura, funções e atividades da entidade 
produtora/acumuladora em suas relações internas e externas” (p.88); 
 princípio da unicidade, segundo o qual os documentos de arquivo 
possuem características específicas a partir do contexto em que foram 
produzidos/acumulados (p.88); 
 princípio da indivisibilidade ou integridade arquivística, segundo o qual 
os documentos de arquivo, provenientes do mesmo fundo11, não devem 
ser dispersos, mutilados, alienados ou destruídos sem autorização prévia 
(p.88); 
 princípio da cumulatividade, segundo o qual “o arquivo é uma formação 
progressiva, natural e orgânica” (p.88). 
 
O princípio da proveniência tem uma íntima ligação com o princípio de 
respeito aos fundos que consiste em manter agrupados, sem misturar, os 
arquivos provenientes de uma instituição ou pessoa física ou jurídica. Os 
arquivos devem refletir a entidade no contexto em que foram gerados e por 
isso os arquivos não devem ser misturados e a ordem em que foram produzidos 
 
91 
 
deve ser respeitada. Tais princípios determinam que o documento de arquivo 
não é concebido como um elemento isolado. Ele possui um caráter utilitário 
que somente será compreensível se o documento for conservado em seu lugar 
dentro do conjunto de documentos que o acompanham. Como será visto no 
capítulo seguinte, a utilização de sistemas informatizados também pode 
garantir a contextualização dos documentos não estando condicionados à 
ordem física, mas sim a uma ordem lógica que permite agrupar os documentos 
dentro do contexto em que foram produzidos/recebidos, preservando os laços 
existentes entre os documentos. 
 
Leia o estudo completo no endereço eletrônico: 
http://apalopez.info/ivcoindear/45rodrigues_txt.pdf 
 
 
92 
 
UNIDADE 17. ARQUIVOS – A GESTÃO DOS DOCUMENTOS 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Conhecer as fases de produção, utilização e destinação dos arquivos: a 
teoria das três idades. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
A gestão dos documentos está organizada por meio da definição de 
fases: produção; utilização e destinação. Desse formato de organização advém a 
teoria das três idades: 1ª idade; 2ª idade e 3ª idade. 
 
1ª idade ou arquivos correntes: os documentos ainda estão em tramitação ou 
são frequentemente consultados. Dizemos que eles possuem valor primário. 
 
2ª idade ou arquivos intermediários: os documentos são usados com menor 
regularidade, mas ainda são necessários para as finalidades da administração. 
Ainda possuem valor primário e são organizados em arquivos centrais. 
 
3ª idade ou arquivos permanentes. São de valor histórico e já não possuem 
mais o valor primário, pois não servem à administração. Os documentos que 
atingem essa condição são entendidos, por força de Lei (artigo 10º da Lei 
Federal 81590/91), como inalienáveis e imprescritíveis. 
 
Embora o processo de gestão de documentos seja entendido como 
procedimento fundamental para a preservação da memória social, Belotto 
(2006) lembra que não cabe apenas aos arquivos a responsabilidade pela 
gestão desses processos. Para ela, 
 
93 
 
Arquivos, bibliotecas, centros de documentação e museus têm co-
responsabilidades no processo de recuperação da informação, em benefício 
da divulgação científica, tecnológica, cultural e social, bem como do 
testemunho jurídico e histórico. Esses objetivos são alcançados pela aplicação 
de procedimentos técnicos diferentes a material de distintas origens. (p. 35)BUSCANDO CONHECIMENTO 
Na dissertação de mestrado de Denise de Almeida Silva, intitulada 
“Arquivo: o meio digital e os agentes públicos”, a pesquisadora desenvolve 
estudo sobre os princípios da organização do arquivo. 
 
Leia abaixo um trecho da sua pesquisa: 
[...] 
O fundamento da disciplina arquivística constitui-se de três princípios 
como explica Gagnon-Arguin (1998, p.52-53). O primeiro princípio seria o da 
territorialidade segundo o qual os arquivos públicos de um território seguem o 
destino deste último. O segundo princípio seria o da proveniência, atribuído ao 
historiador francês Natalis de Wailly, que através do conteúdo de uma circular 
assinada pelo ministro Duchântel, promulga que os documentos de um corpo, 
de um estabelecimento, família ou indivíduo não deverão ser misturados. O 
terceiro princípio arquivístico seria a abordagem das três idades que remete aos 
períodos pelos quais passam os documentos de arquivo, permitindo a 
repartição dos conjuntos documentais pela freqüência e tipo de utilização feita. 
A abordagem das três idades refere-se ao ciclo de vida dos documentos – 
também chamado Ciclo Vital que estabelece idades/fases aos arquivos através 
do uso em atividades-meio e atividades-fim de uma instituição ou pessoa no 
decorrer de suas funções. Para Bellotto (2007) a fase corrente é caracterizada 
pelo uso do documento pela atividade para a qual foi produzido/recebido; a 
fase intermediária seria aquela em que o documento cumpre prazos 
administrativos ou legais para que se proceda a sua guarda ou eliminação e a 
 
94 
 
fase permanente, seria aquela em que o documento adquire valor secundário, 
sendo preservado por seu valor probatório ou histórico. 
Entende-se que as idades dos documentos não possuem limites rígidos, 
mas permeáveis entre si. A abordagem que define que o documento de fase 
corrente é frequentemente utilizado, e que por este motivo deve estar 
localizado próximo ao seu produtor, possui um bom efeito didático facilitando 
o entendimento do ciclo de vida dos documentos, mas torna-se equivocada se 
considerar-se que é o tipo de uso e não a freqüência de usos que define a fase 
do documento. Há documentos que nascem para controle (registro de 
nascimento, óbito), contudo seu uso não é freqüente, e seu valor ainda 
permanece vinculado às causas de sua criação, portanto, seu valor informativo 
lhe atribui características de documento de fase corrente. Há documentos que 
nascem com valor permanente, mas que podem sofrer alterações ao longo do 
tempo e que podem ser frequentemente consultados para apoiar decisões e 
esclarecer dúvidas, como as consolidações de textos legais, por exemplo, a CLT 
– Consolidação de Leis do Trabalho. 
Interessante notar que para os arquivos públicos, Schellenberg (2006, 
p.41), define os valores dos documentos diferentemente: “valores primários, 
para a repartição de origem, e valores secundários, para as outras repartições e 
para pessoas estranhas ao serviço público”. Deste conceito é possível apreender 
que a existência dos dois valores é definida a partir dos usuários dos 
documentos, sendo os documentos de valor primário utilizados pelos 
produtores dos documentos e os documentos de valor secundário, por outras 
pessoas vinculadas à instituição e pessoas em geral, deixando subentendido 
que a função para qual o documento foi produzido foi concluída. 
Rosseau e Couture (1994, p.50), ao considerarem o ciclo de vida dos 
documentos, romperam com a idéia de que os documentos administrativos são 
de responsabilidade da Administração e os documentos ditos históricos são de 
 
95 
 
responsabilidade do Arquivo. Os autores sustentam que estando os 
documentos em sua fase ativa (corrente), semi-ativa (intermediária) ou inativa 
(permanente) eles pertencem à arquivística integrada, que se ocupa ao mesmo 
tempo de documentos de valores primários e secundários. Ao se considerar os 
documentos de valor primário e secundário está-se falando em “gestão de 
documentos”. Esta expressão é rechaçada por Rosseau e Couture (1994) por 
estar vinculada aos procedimentos administrativos, contudo, neste texto é 
proposta a ampliação do conceito de gestão de documentos para um sentido 
mais abrangente que abarque todas as fases dos documentos13. Assim, sendo a 
gestão de documentos um conjunto de procedimentos e operações técnicas 
visando à racionalização de rotinas e procedimentos, ela abarca todas as fases 
do Ciclo de Vida dos documentos, isto é, ela deve considerar os arquivos 
correntes, intermediários e permanentes. Nas palavras de Heredia Herrera 
(1998, p. 35): “podemos concluir que a gestão documental é única, é função 
arquivística e como tal corresponde aos arquivistas”. 
Possivelmente influenciados pela tradição norte-americana, as definições 
de dicionários e leisno início da década de 1990, para a expressão “gestão de 
documentos”, consideraram apenas procedimentos e operações técnicas nas 
fases corrente e intermediária, desconsiderando a fase permanente dos 
arquivos. 
Publicações nacionais16 mais recentes ainda incorporam este conceito, 
mesmo existindo algumas exceções no que se refere à legislação17. Os 
procedimentos e objetivos relacionados aos documentos são diferentes nas 
fases do Ciclo Vital, mas isto não implica dizer que não há gestão de 
documentos na fase permanente dos arquivos, uma vez que os documentos 
precisam ser organizados, conservados, recuperados para outros fins, mesmo 
que este fim não seja administrativo. 
 
96 
 
Os documentos de arquivo asseguram o valor probatório das atividades 
de uma entidade. Suas características como a unicidade, imparcialidade, 
interrelacionamento, cumulatividade concordam com os princípios arquivísticos 
da proveniência e respeito aos fundos, estando em consonância com a Teoria 
das Três Idades. Independentemente do suporte em que se encontrem, os 
documentos de arquivo possuem as mesmas características e obedecem aos 
mesmos princípios arquivísticos. 
 
Leia o estudo completo no endereço eletrônico: 
http://apalopez.info/ivcoindear/45rodrigues_txt.pdf 
 
Observe também o vídeo indicado no link abaixo e reflita sobre o papel do 
arquivo na organização da sociedade. 
http://www.youtube.com/watch?v=1mje7AT6IQs 
 
 
 
 
97 
 
UNIDADE 18. A GESTÃO PÚBLICA DE DOCUMENTOS 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Conhecer alguns aspectos da legislação que se relacionam à gestão 
pública de documentos. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Na administração pública, a teoria das idades dos documentos também 
deve ser observada, assim como o domínio das técnicas de arquivística. O artigo 
1º da lei Federal 8159/91 corrobora essa afirmação uma vez que determina: é 
dever do poder público a gestão documental e a proteção especial a documentos 
e arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao 
desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação. 
Isso significa que, para o poder público, a organização de arquivos se 
torna medida imprescindível e que deve ser praticada para evitar problemas 
legais uma vez que, nos casos de negligência comprovada, implica 
responsabilidades. Essa responsabilidade é descrita no artigo 25 da mesma lei: 
ficará sujeito à responsabilidade penal, civil e administrativa, na forma da 
legislação em vigor, aquele que desfigurar ou destruir documentos de valor 
permanente ou considerados como de interesse público e social. 
Ainda essa lei assegura a todos os cidadãos o direito ao acesso aos 
documentos públicos explicitando no artigo 4º que Todos têm direito a receber 
dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse 
coletivoou geral, contidas em documentos de arquivos que serão prestadas no 
prazo da lei, sob pena de responsabilidade (...). 
O reconhecimento do documento bem como sua utilização como prática 
social é direito cidadão e sua importância é ratificada no artigo 62 da Lei 9605 
de 12 de fevereiro de 1998 que dispõe sobre as sanções penais e 
 
98 
 
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. O 
artigo 62 dessa lei considera que: 
Destruir, inutilizar ou deteriorar: 
(...) 
II- arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou 
similar protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial; 
Pena – reclusão, de um a três anos, e multa. 
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de 
detenção, sem prejuízo da multa. 
 
Diante do reconhecimento do documento como valor histórico e de 
ampla abrangência social, é imprescindível que as organizações organizem 
critérios para avaliação de seus documentos para que se adotem as medidas 
adequadas para definição da destinação dos mesmos. 
A seguir, reproduzimos o quadro comparativo elaborado por Belotto. Por 
meio dessa tabela, é possível diferenciar as características de tratamento 
documental entre as principais fontes de memória social: arquivos, bibliotecas, 
museus e centros de documentação. 
 
 
 
 
 
99 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Leia o texto extraído do Manual de gestão de documentos do governo 
do estado do Rio de Janeiro define. 
 
2.1. Gestão de Documentos 
O conceito de gestão de documentos surgiu após a II Guerra Mundial, 
época de avanço da ciência e da tecnologia e de explosão documental na 
administração pública, o que impôs a necessidade de racionalizar e controlar o 
volume de grandes massas documentais acumuladas. 
No Dicionário de Terminologia Arquivística, do Conselho Internacional de 
Arquivos, a gestão documental é abordada como uma área da administração 
geral dos órgãos relacionada com os princípios de economia e eficácia da 
produção, manutenção, uso e destinação final dos documentos, referindo-se 
como um “conjunto de medidas e rotinas que tem por objetivo a racionalização 
e eficiência na produção, tramitação, classificação, avaliação, arquivamento, 
acesso e uso das informações registradas em documentos de arquivo". Trata-se 
um processo de intervenção no ciclo de vida dos documentos de arquivo para 
garantir agilidade no controle, utilização e recuperação de documentos e 
informações, imprescindível para o processo de tomada de decisões e para a 
preservação da memória institucional. 
No Brasil, a Constituição de 1988 define que "compete à administração 
pública, na forma da lei, a gestão de sua documentação governamental e as 
providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem" (art. 216, 
parág.2). A Carta Magna brasileira ofereceu, assim, o fundamento necessário 
para aprovação da Lei nº 8.159, de 08 de janeiro de 1991, conhecida como Lei 
Nacional de Arquivos. 
A gestão de documentos é definida no artigo 3º da referida lei como “o 
conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção, 
 
100 
 
tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, 
visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente”. No art. 21 
fica estabelecido que: "Legislação estadual, do Distrito Federal e municipal 
definirá os critérios de organização e vinculação dos arquivos, bem como a 
gestão e o acesso aos documentos, observado o disposto na Constituição 
Federal e nesta lei". 
A Lei Estadual nº 5.562, de 20 de outubro de 2009, no artigo 1º, reitera o 
disposto na esfera federal no que se refere à gestão de documentos, 
estabelecendo que a gestão documental e a proteção especial a documentos de 
arquivos é dever dos órgãos e entidades da administração pública estadual. 
A implantação de um programa de gestão de documentos decorre da 
necessidade de se estabelecer procedimentos comuns que visem uma boa 
administração da produção documental, a fim de que esta seja controlada 
desde o momento da produção até a sua destinação final, prevendo eliminação 
ou preservação definitiva. Segundo as diretrizes do Conselho Internacional de 
Arquivos, um programa de gestão de documentos deve ser desenvolvido em 
três fases: produção; utilização e conservação; e destinação (eliminação). 
 Produção: concepção e gestão de formulários, preparação e gestão de 
correspondência, gestão de informes e diretrizes, fomento de sistemas 
de gestão da informação e aplicação de tecnologias modernas a esses 
processos; 
 Utilização e conservação: criação e melhoramento dos sistemas de 
arquivos e de recuperação de dados, gestão de correio e 
telecomunicações, seleção e uso de equipamento reprográfico, análise 
de sistemas, produção e manutenção de programas de documentos 
vitais e uso de automação e reprografia nestes processos; e 
 
101 
 
 Destinação: identificação e descrição das séries documentais, 
estabelecimento de eliminação e recolhimento dos documentos de valor 
permanente às instituições arquivísticas. 
Na fase de produção devem ser definidas normas de criação visando não 
só a racionalização de recursos materiais para o registro das informações, mas 
principalmente a manutenção da integridade, autenticidade, fidedignidade e 
unicidade do documento de arquivo. 
A utilização envolve o controle, uso, acesso e armazenamento de 
documentos necessários ao desenvolvimento das atividades de uma 
organização. Refere-se ao fluxo percorrido pelos documentos para cumprir as 
competências, funções e atividades administrativas do órgão. 
A fase de destinação envolve decisões sobre quais documentos devem 
ser preservados ou eliminados, referindo-se à análise e fixação de prazos de 
guarda dos documentos. 
São objetivos gerais da gestão de documentos: 
 Interação sistêmica da rede de arquivos com o sistema de protocolo, 
objetivando a normalização de parâmetros para a produção, tramitação, 
classificação, avaliação e uso dos documentos de arquivos; 
 Avaliação e seleção dos conjuntos de documentos que devem ser 
preservados permanentemente e dos que podem ser eliminados sem 
prejuízo de perda de informações substanciais; 
 Coordenação do sistema de arquivos do órgão, definindo procedimentos 
para o funcionamento dos arquivos e garantindo as transferências, 
recolhimentos e pleno acesso aos documentos; e 
 Centralização normativa dos aspectos que envolvem a produção 
documental do órgão. 
 
Disponível em: http://www.aperj.rj.gov.br/doc/manual%20de%20gestao.pdf 
 
102 
 
UNIDADE 19. PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS PARA O 
ARQUIVO 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Reconhecer os arquivos como locais de práticas sociais intensas que 
devem estar a serviço da sociedade e atuar em favor do seu desenvolvimento. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
A reflexão arquivística, assim como a museológica, tem sido bastante 
impactada pelas transformações tecnológicas e sociais. Por essa razão, espera-
se dessas instituições ações que as levem a cumprir seus papeis de depositárias 
e guardiãs da memória social. 
Para isso, será necessário criar novas situações de aprendizagem e 
potencialização de aprendizagens não formais, por meio de novos suportes, 
linguagens dinâmicas, interdisciplinares e compatíveis com as demandas da 
sociedade contemporânea. 
Os estudos acerca das novas tecnologias e suas potencialidades de uso 
na arquivística têm sido crescentes e cada vez mais presentes na organização 
dessas instituições. 
 Bellotto salienta, aos profissionais que atuam no campo da arquivística,que é preciso considerar a utilização de novos suportes e que para isso é 
necessário conhecimento, competência, métodos e meios de produção. Porém, 
salienta que a inserção de novos suportes como as tecnologias não poderão 
afastar os princípios teóricos que sustentam a arquivística: proveniência e 
organicidade. 
Será preciso que o arquivo e os profissionais da arquivistica se 
reformulem e também não percam o foco no tratamento da questão 
documental. 
 
103 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Leia abaixo um trecho do artigo “Arquivo e arquivista: conceituação e 
perfil profissional” de autoria de Zeny Duarte 
 
O Arquivo 
Diante da complexidade do papel dos arquivos na sociedade 
contemporânea, a Arquivologia tem provocado reflexões e revisões de 
conceitos por parte de pensadores consagrados. Os estudos de Jacques Derrida, 
Michel Foucault, Gilles Deleuze e outros defendem o arquivo contra quem o 
entende como assunto acessório e menor. 
A propósito, Derrida (1997, p.9) apresenta a questão: “?Por qué 
reelaborar hoy en día un concepto del archivo? En una sola y misma 
configuración, a la vez técnica y política, ética y jurídica?”1 
Embora considerando válidas tais reflexões, entendemos que elas 
indicam a vontade de boa parte dos pesquisadores de arquivo de terem acesso 
sem restrições à documentação de que precisam. 
No entanto, o tratamento arquivístico dos documentos é coordenado 
pela técnica, política, ética, legislação e direito. Essa é uma configuração que 
tem promovido debates sobre a teoria e a prática da Arquivologia. As normas 
impõem aos arquivos certa impossibilidade de serem vistos conforme anunciam 
os estudos contemporâneos. 
O arquivo é memória e esta, por sua vez, tem potencialidade para 
informar e alterar a realidade presente. A memória só é pensável como arquivo 
quando se pretende determiná-lo enquanto monumentalidade. Trata-se de um 
termo possuidor de definições polissêmicas e polêmicas, muitas vezes 
associadas aos conceitos de documento e memória. 
Para Foucault (1972), a noção de arquivo foi tema central da fase em que 
escreveu “Arqueologia do saber” e o conceito foi dado enquanto “estratégia de 
 
104 
 
rememoração”, pondo em evidência as estruturas conceptuais que 
determinavam as articulações entre o saber e o poder, estabelecendo o que é 
interdito e o que é permitido. O pensamento de Foucault explorou os modelos 
de poder nas várias sociedades, e a forma como este se relaciona com as 
pessoas. Quanto ao conceito de arquivo, ele afirma que: 
 Ce terme n’incite à la quête d’aucun commencement; il n’apparente l’analyse 
à aucune fouille ou sondage géologique. Il désigne le thème général d’une 
description qui interroge le déjà-dit au niveau de son existence: de la fonction 
énonciative qui s’exerce en lui, de la formation du discours à laquelle il 
appartient, du système général d’archive dont il relève. L’archéologie décrit les 
discours comme des pratiques spécifiées dans l’élément de l’archive. 
 
Diante da complexidade do mundo dos arquivos, os estudiosos das 
diversas áreas do conhecimento humano despertam para a relevância deles em 
seus ambientes de pesquisa. Unindo-se aos demais mencionados, Melot (1986, 
p.18) diz que “a mania do arquivo tem a ver com a procura de legitimação de 
uma forma de sociedade que destrói crescentemente seus objetos”. 
Ora, o fenômeno “arquivo” vai além de qualquer conceito. É mesmo uma 
categoria da experiência. Nesse campo, desempenhar o papel de revisor e 
intérprete de documentos pessoais revela fenômenos ilimitados. E, ainda, 
Derrida (1995, p.98) observa: 
(...) el archivo reserva siempre un problema de traducción. Singularidad 
irremplazable de un documento que hay que interpretar, repetir, reproduzir, 
más en su unicidad original cada vez; un archivo debe ser idiomático y, por 
tanto, a la vez ofrecido y hurtado a la traducción, abierto y sustraído a la 
iteración y a la reproductibilidad técnica. 
 
O autor considera o arquivo possuidor de problema de tradução, talvez 
porque se constitua de documentos únicos e insubstituíveis, que, certamente, 
passam por várias formas de interpretação, repetição e reprodução. Essa 
maneira de vê-lo condiz com as reflexões que se encontram no próximo item 
deste texto. 
 
105 
 
Há grandes discussões, e muito bem vindas, acerca do conceito de 
arquivo. De fato, este apresenta espaço de investigação conduzindo, 
analogicamente, a estudos de escavação arqueológica. Quaisquer que sejam as 
formas de sua concepção, o arquivo possui um universo rico de elementos que 
devem ser explorados para que se possa ter acesso às variadas possibilidades 
de acesso à informação. Conforme Paz, et al. (2004, p.1), “a importância dos 
arquivos cresceu à medida que se desenvolveram os conceitos sociais, 
econômicos e culturais da humanidade”. 
Por outro lado, não é possível estabelecer um só conceito de arquivo. Os 
ensinamentos teóricos da Arquivística (para alguns países) ou Arquivologia 
(para outros, denominação mais utilizada no Brasil), nos remetem a reflexões, 
primeiro, sobre o termo e segundo, sobre o seu significado (o conceito). Na 
atualidade, os acontecimentos são transmitidos por cadeia simultânea e com os 
recursos da tecnologia da informação. O conceito de arquivo parece ser 
deliberado como subalterno ao avanço dos novos suportes da informação. 
Paradoxalmente e sem camuflar o real valor do significado de arquivo, todo e 
qualquer suporte da informação tem no seu destino um espaço onde será 
anexado a outros dados, culminando no que se entende por arquivo. 
Quando se fala de arquivo, associam-se a ele conceitos de documentos e 
de informação. Essa é a base para o entendimento de seu contexto. Não 
importa o tipo de informação que foi gerado e não se pode depreciar um dado 
informacional em detrimento de outro. No final, ter-se-á concebido um 
documento de arquivo, que deverá receber tratamento a partir dos mecanismos 
que lhe facilitem o acesso e a recuperação da informação guardada e por ele 
contextualizada. 
Transportamo-nos a algumas proposições epistemológicas abordadas 
por Silva e Ribeiro (1998), quando apontam para o fato de que o objeto da 
Arquivologia não é apenas o arquivo, nem só os documentos, mas também a 
 
106 
 
informação social estruturada e dinamizada de forma sistêmica. Nessa 
abordagem, a caracterização sistêmica tem um valor instrumental, ou seja, visa à 
universalização científica do conhecimento arquivístico através de um conjunto 
variável e cumulativo de princípios gerais demonstráveis, dos específicos para 
os genéricos. 
Nota-se nesse estudo rupturas paradigmáticas da teoria arquivística. 
Thomassen (2001) apresenta revisão sobre a necessidade de se encontrar o 
núcleo da Arquivologia, o seu objeto. Para os autores citados, o objeto da 
Arquivologia deixa de ser simplesmente o arquivo. Os dois primeiros 
apresentam a idéia de informação social estruturada, dinamizada e 
sistematizada. O segundo entende o conceito de informação arquivística 
destacando os dados informacionais gerados pelos processos administrativos e 
por eles estruturados, de forma a permitir uma recuperação em que o contexto 
organizacional de tais processos seja o ponto de partida. Dessa maneira, ele 
introduz nos estudos terminológicos da área um conceito que se caracteriza por 
uma dualidade de objeto, uma vez que se refere à informação arquivística – 
uma (re)leitura do conteúdo do documento sob o prisma de variações 
lingüísticas e semânticas. Mesmo com as novas introduções conceituais e o 
novo pensar arquivístico, constata-se que prevalece a análise contextualizada 
dos dados registrados no documento,do seu conteúdo, o estudo sobre o 
motivo de sua produção (sua gênese) e suas referências diplomáticas. 
 
Disponível em http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6624.pdf 
 
 
 
 
107 
 
UNIDADE 20. PERSPECTIVAS CONTEMPORÂNEAS PARA O 
MUSEU 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
Reconhecer os museus como locais de práticas sociais intensas que 
devem estar a serviço da sociedade e atuar em favor do seu desenvolvimento. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
Atualmente, diante das múltiplas formas de representações e 
possibilidades de se criarem espaços educativos, a reflexão museológica se 
dedica a explorar, interdisciplinarmente, as diferentes possibilidades de 
abordagens sobre aspectos teóricos e metodológicos de como os museus, 
sendo depositários da memória das sociedades, precisam cumprir seu papel, 
criando situações novas de aprendizagens e linguagens condizentes com a 
contemporaneidade. 
Não se discute mais sobre a representação do museu como instrumentos 
de legitimação política e ideológica. Isso é fato. O que se analisa é como essa 
importante instituição pode adicionar ingredientes importantes para outras 
áreas do conhecimento e tornar-se espaço potencializador e dinamizador de 
aprendizagens não formais. 
A sociedade contemporânea se caracteriza pela intensidade e agilidade 
das informações que circula e do conhecimento que produz. Diante desse 
cenário, é preciso que se instrumentalizem aparatos públicos para qualificar o 
cenário de alta complexidade que se delineia. Esse desafio está posto para 
todas as instituições da sociedade e ao museu o desafio não é diferente. 
Ao contrário, o fato de ser originalmente depositário da memória da 
sociedade, o coloca no epicentro das reflexões acerca dos lugares de 
representação dos símbolos, daí o crescente interesse pelo seu estudo como 
 
108 
 
espaço privilegiado para lidar com o conhecimento, sobretudo, com o 
conhecimento histórico. 
Veja como o Diretor do Museu de Ciência e Tecnologia CosmoCaixa de 
Barcelona, Jorge Wagensberg, em palestra proferida na UNAR em 20 de agosto 
de 2009, definiu o museu: 
 
 
 
Esse importante pesquisador no campo da museologia destaca, de forma 
contundente, o grande potencial do museu na contemporaneidade em tornar-
se elo entre o conhecimento e a realidade das diferentes sociedades. 
Como é possível perceber, o Dr. Wagensberg também nos lembra que o 
museu, pela sua natureza interdisciplinar e dinâmica, apenas se mantém ativo se 
for capaz de relacionar-se organicamente com a sociedade. 
Por essa razão, é possível afirmar que os museus são locais de práticas 
sociais intensas que devem estar a serviço da sociedade e atuar em favor do seu 
desenvolvimento. 
É possível concluir que essa instituição tem muito que nos ensinar. Pode 
também ser uma excelente parceira da instituição escolar, no que diz respeito à 
preservação da memória das sociedades. Daí a proeminência de estudos sobre 
museologia na área do ensino e também da formação do professor de história. 
O museu pode lidar com qualquer 
porção de realidade utilizando 
qualquer tipo de conhecimento. Isso 
significa que um museu pode lidar com 
qualquer assunto (...) Também significa 
que a realidade é um aspecto 
insubstituível de um museu, uma 
necessidade. A realidade é até ‘a 
palavra museológica’. Eu diria até mais: 
um museu é realidade concentrada. 
Jorge Wagensberg 
 
109 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
ENTREVISTA 
Museus devem divulgar ciência com emoção 
 Emoção é a palavra de ordem para o diretor do Museu da Ciência de 
Barcelona, Jorge Wagensberg. Segundo ele, a emoção é elemento fundamental 
para transmitir conhecimento científico para o público, já que ela não impõe 
barreiras sociais ou econômicas. A nova museologia pregada por ele e sua 
equipe deve ser antes de tudo universal e incluir, não apenas os elementos de 
uma exposição, mas também a arquitetura, conteúdos, comunicação, objetos e 
equipe. Em visita ao Grupo de Estudos acerca das idéias de Evolução e 
Progresso do Departamento de História da USP, em dezembro de 2002, 
Wagensberg, que é físico, falou à Ciência e Cultura. 
 
O que os museus brasileiros de ciência, devem fazer para atrair mais 
visitantes? 
JORGE WAGENSBERG A palavra [chave] 'museística' é a emoção. A 
museologia moderna deve ter alguns elementos emblemáticos que fiquem na 
memória coletiva do cidadão. O problema é fazer isso, sem perder o rigor 
científico. Uma das nossas hipóteses de trabalho é que a audiência de um 
museu é universal, não depende da idade, da formação cultural ou do nível 
econômico de seus visitantes, nem do lugar onde está situado. Um bom museu 
está baseado em emoções, e as emoções são iguais para os jovens, para 
qualquer pessoa. O museu para os adultos também deve ser hands-
on [toque], minds-on [reflexão] e heart-on [emoção]. Tem que haver também 
uma interatividade mental, mais importante que a manual. Nós queremos que 
se faça uma nova museologia. 
 
 
110 
 
Qual a importância da divulgação científica? 
Se o cidadão tiver opinião científica, seguramente os políticos a 
conhecerão, o que é bom pois políticos, em geral, não conversam com a 
comunidade científica. Em um sistema democrático, eles são pressionados pela 
opinião pública, pelo voto. Por isso, os cientistas devem transferir seus 
conhecimentos ao eleitor, e o eleitor aos políticos. Assim, o museu não é apenas 
um centro para crianças, mas um centro para adultos, um lugar de encontros. 
Essa é minha crítica aos museus norte-americanos que têm, exceto poucas 
exceções, uma grande tendência a fazer museus para crianças. 
 
É importante o trabalho de educação nos museus? 
A prioridade do museu é o estímulo, não a educação, embora ela não 
esteja proibida. Uma visita dura 3 horas, não há tempo de educar mas, sim, para 
mudar a atitude diante da educação. É importante que, na saída, o visitante 
tenha muito mais perguntas do que ao entrar. O museu deve mudar a atitude 
do espectador. Creio que é um erro tentar converter o museu em escola. Seus 
recursos devem ser para despertar a curiosidade. É um mal-entendido se pensar 
que a ciência é uma forma de conhecimento especialmente difícil. A ciência, por 
definição, é a forma de conhecimento máximo que existe e qualquer cientista é 
capaz de transmitir o essencial de uma idéia científica a qualquer cidadão. A 
ciência é objetiva, inteligível e dialética. A ciência que não se pode transmitir 
não é ciência. 
 
Como combinar conteúdo científico e atração na divulgação científica? 
Os melhores estímulos para transmitir o conhecimento científico são os 
mesmos que fazem com que os cientistas investiguem, façam a pesquisa. A 
ciência é uma fonte imensa de bons estímulos. O trabalho principal do 
divulgador é averiguar quais são estes estímulos do cientista e convertê-los em 
 
111 
 
divulgação. Creio que as grandes revistas de divulgação científica, na verdade, 
são feitas por bons jornalistas e não cientistas. A tendência do cientista é 
escrever tudo que sabe, com muito rigor. Ele se preocupa com a opinião que 
seus colegas vão dar. Acaba confundindo o rigor científico com o rigor mortis. 
Mas as boas revistas, como La recherche, estão sendo feitas por 4 ou 5 
jornalistas muito bem conectados com a comunidade científica. Às vezes, 
detalhes que o cientista nem sequer lembra, para o museólogo ou o divulgador 
isso é justamente o que fará com que o cidadão venha ao museu ou compre a 
revista. No entanto, também existem problemas, inclusive em revistas científicas 
importantes, como a Nature e Science, que fazem o que se chama de press 
releasee criam armadilhas. Não dizem mentiras, mas escrevem as coisas de 
maneira que a imprensa se equivoca. 
 
O museu tem um caráter multidisciplinar. Como que o senhor encara a 
especialização do conhecimento nas universidades? 
Antigamente, o problema era menor porque nas faculdades de ciências 
todos os cientistas interagiam. Parece frívolo, mas acho que é um problema de 
cafeteria. Ultimamente, cada departamento faz seu próprio café, a 
especialização é tremenda. Já os museus têm o centro de gravidade oposto, 
porque a prioridade do museu não é o tema, mas sim a realidade. A prioridade 
é o fenômeno, e para entendê-lo se usa física, matemática, química. Talvez, 
pelos museus tratarem da realidade, eles sejam um bom lugar para estimular a 
interdisciplinaridade dos alunos e dos professores. Creio, também, que as 
universidades deveriam criar lugares de encontro para as pessoas conversarem. 
A conversação é uma atividade puramente científica, porque experimentar é 
conversar com a natureza, a reflexão é a conversa consigo mesmo, a conversa 
com os colegas. 
 
 
112 
 
Para o senhor, então, a ciência deve estar inserida nas conversas entre 
amigos? 
A ciência aspira entrar no cotidiano. Se há uma partida de futebol, os 
jornais vão falar sobre isso durante 7 dias; se há uma peça de teatro ou um 
concerto, há crítica. Agora, ninguém comenta uma exposição de ciência em um 
museu. Isso é muito grave, porque conhecimento sem crítica é mais grave que 
crítica sem conhecimento. Há uma enorme contradição: justamente a ciência, 
que é sobre o que menos se conversa e menos se critica, é a forma de 
conhecimento que influi cada dia mais na vida da comunidade. No momento 
que conversarmos sobre ciência, significará que estamos em um momento 
muito bom. 
 
Germana Barata 
 
Disponível em - http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-
67252003000200012&script=sci_arttext 
 
 
 
 
 
 
113 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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edição. Rio de Janeiro: FGV, 2006. 
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2006. 
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JARDIM, José Maria. O conceito e a prática de gestão de documentos. 
Acervo, v. 2, n.2, jul./dez, 1987. 
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História, São Paulo: Educ, n. 10, 1993. 
 
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busca do tempo entendido. Campinas-SP: Papirus, 2007. 
VIDAL, Diana Gonçalves; SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de (Org.). A 
memória e a sombra: a escola brasileira entre o Império e a República. Belo 
Horizonte: Autêntica, 1999. 
 
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