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Revista Científica Educ@ção v.3 ● n.6 ● outubro/2019 ● Dossiê: Políticas Públicas e o Sujeito com Transtorno 
do Espectro Autista 
REVISTA CIENTÍFICA EDUC@ÇÃO 
 
 
ISSN 2526-8716 
 
 
A FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR ESPECIALISTA 
EM TEA NA ATUALIDADE 
Maria Gedalva Laurindo da Silva1 
Claudio Neves Lopes2 
RESUMO 
O presente trabalho tem por finalidade apresentar a importância da formação continuada do 
professor especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA),na atualidade, como é o 
caminho percorrido pelo profissional docente, o constante aperfeiçoamento, a busca por 
novos estudos e pesquisas sobre o tema, de modo a contribuir com a melhoria do 
atendimento educacional especializado aos alunos, como também informar professores, 
profissionais da área da saúde e familiares de pessoas com transtorno do espectro autista. 
Desse modo tendo em vista que somos seres em constante desenvolvimento, os indivíduos 
com transtorno do espectro autista podem também se desenvolver de modo a ter uma vida 
funcional produtiva e viver num contexto este em que estão elencados a vida familiar, escolar, 
profissional, e social, fatos estes que divergem das concepções de educação ultrapassadas. 
Assim a formação continuada do professor especialista tem papel de suma importância para 
a realização de formação e especialização deste profissional. 
Palavras-chave: Formação na atualidade. Transtorno do Espectro Autista. Educação. 
FORMACIÓN CONTINUA DEL PROFESOR ESPECIALISTA EN 
TEA EN LA ACTUALIDAD 
 
RESUMEN 
El presente trabajo tiene como objetivo presentar la importancia de la educación continua 
del profesor especialista en Trastorno del espectro autista (TEA), ya que el camino recorrido 
por el profesional docente es la mejora constante, la búsqueda de nuevos estudios e 
investigaciones sobre el tema. , para contribuir a la mejora de la asistencia educativa 
especializada a los estudiantes, así como para informar a los maestros, profesionales de la 
salud y familiares de personas con trastorno del espectro autista. Por lo tanto, teniendo en 
cuenta que somos seres en constante desarrollo, las personas con trastorno del espectro 
autista también pueden desarrollarse para tener una vida funcional productiva y vivir en un 
contexto en el que se enumeran la vida familiar, escolar, profesional y social, hechos que 
difieren de los conceptos obsoletos de la educación. Por lo tanto, la educación continua del 
maestro especialista juega un papel extremadamente importante en la capacitación y 
especialización de este profesional. 
Palabras-clave: Entrenamiento en la actualidad. Trastorno del espectro autista. Educación. 
 
1Especialista em TEA. 
2Mestre em Educação e orientador do artigo-FAMESC. 
 
 
 
 
 
 
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CONTINUING TRAINING OF THE TEACHER SPECIALIST IN 
TEA NOW 
ABSTRACT 
The present work aims to present the importance of continuing education of the specialist 
teacher in Autistic Spectrum Disorder (ASD), today, as the path taken by the teaching 
professional is, the constant improvement, the search for new studies and research on the 
subject , in order to contribute to the improvement of specialized educational assistance to 
students, as well as to inform teachers, health professionals and family members of people 
with autism spectrum disorder. Thus, considering that we are beings in constant 
development, individuals with autism spectrum disorder can also develop in order to have a 
productive functional life and live in a context in which family, school, professional, and 
social life are listed, facts that diverge from outdated concepts of education. Thus, the 
continuing education of the specialist teacher plays an extremely important role in the 
training and specialization of this professional. 
Keywords: Training today. Autistic Spectrum Disorder. Education. 
INTRODUÇÃO 
 O objetivo deste estudo aborda, inicialmente a realidade educacional na qual os 
profissionais da educação especial, estão inseridos, como a formação e a especialização deste 
profissional ocorre, o que pode ser incluso para contribuir para a evolução funcional e para 
as práticas profissionais aos alunos da educação especial. 
A inclusão de alunos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas de 
ensino regular requer a superação de vários desafios, dentre os quais a preparação dos 
docentes, já que o processo de inclusão não se limita à mera matrícula do aluno na escola 
regular. Cabe à instituição escolar atender os alunos em suas especificidades e singularidades, 
a fim de lhes garantir uma educação de qualidade. 
É necessário que o professor tenha condições de trabalhar com a inclusão e na 
inclusão”. Assim, é importante que os professores estejam aptos a atuar com alunos autistas 
a fim de que estes se devolvam em todos os seus aspectos: físico, afetivo, social e cognitivo. 
Nesse contexto, faz-se necessário que o professor e a própria escola busquem novos 
conhecimentos, ampliando seu repertório de práticas educativas capazes de atender as 
necessidades dos alunos com TEA que estudam no ensino regular. A compreensão do 
processo de ensino e aprendizagem de alunos com TEA não é função apenas dos professores 
especialistas em Atendimento Educacional Especializado (AEE), mas sim de todos os 
profissionais da educação, inclusive dos professores da rede regular de ensino. 
 
 
 
 
 
 
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O PROFESSOR E A ATUAL INCLUSÃO DO ALUNO COM TRANSTORNO DO 
ESPECTRO AUISTA (TEA) 
O atendimento de alunos público alvo da educação especial na rede regular de ensino 
exige mudanças no âmbito escolar: práticas pedagógicas condizentes com as especificidades 
dos alunos, participação da família, apoio de especialistas (psicólogos, fonoaudiólogos, 
neurologistas, etc.), entre outras ações capazes de desenvolver a socialização, a autoestima, a 
autonomia, a linguagem, o pensamento e a socialização, considerados relevantes para a 
formação do aluno enquanto futuro cidadão. 
Assim todos os professores especialistas, devem demonstrar amor, dedicação, 
paciência, falar baixo, utilizar recursos visuais e concretos para que os alunos com Transtorno 
do Espectro Autista (TEA), possam absorver o conteúdo, chamar a atenção destes com 
delicadeza. Deve-se também os incluir em jogos, brincadeiras e atividades, ser claro e 
objetivo, utilizar vocabulário de fácil entendimento, conhecer as áreas de interesse do aluno, 
dividir as tarefas propostas em etapas, auxiliar o aluno sempre que necessário, comunicar-se 
por meio de figuras, promover sua autonomia, criar um painel de rotinas, entre outras ações 
que contribuem significativamente para o desenvolvimento do aluno com TEA (SILVA; 
GAIATO; REVELES, 2012). 
Existem intervenções psicoeducacionais, que atualmente vem sendo desenvolvidas e 
vivenciadas nos cursos de especialização de professores especialistas, e que podem ser 
desenvolvidas pelos professores, tais como o Método Son-Rise, TEACCH (Tratamento e 
educação para autistas e crianças com distúrbios correlatos da comunicação), ABA (Análise 
aplicada ao comportamento), PECS (Sistema de comunicação mediante troca de figuras), 
entre outras. Santiago e Tolezani (2011) explicitam que o Método Son-Rise consiste em 
imitar os movimentos das crianças com autismo quando as mesmas realizarem movimentos 
estereotipados. 
Cunha (2014) elucida que o método referido contempla técnicas e estratégias que 
possibilitam a interação espontânea e o relacionamento social, de modo que os pais e 
educadores sejam capazes de interagir com prazer e possibilitem o desenvolvimento 
emocional e cognitivo dacriança com autismo. 
 
 
 
 
 
 
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O autor ainda destaca que o método “[...] surgiu, décadas atrás, pela experimentação 
amorosa, intuitiva e bem-sucedida do casal Barry e Samahria Kaufman com o filho, Raun” 
(CUNHA, 2014, p. 75). 
O método TEACCH se utiliza de materiais visuais e tem sido bastante utilizado por 
educadores que trabalham com alunos autistas, visto que possibilita resultados eficazes, 
sobretudo no tocante ao desenvolvimento da autonomia. 
O TEACCH foi desenvolvido na década de 60 nos Estados Unidos e é 
atualmente muito utilizado em várias partes do mundo. O método utiliza 
avaliações, levando em conta os pontos fortes e as maiores dificuldades 
do indivíduo, em um programa individualizado. Ele objetiva desenvolver 
a independência do autista de modo que ele, ainda que precise do 
professor para o aprendizado, possa ser, em grande parte de seu tempo, 
independente para fazer coisas relacionadas à sua vida diária. O TEACCH 
se baseia na organização do ambiente físico por meio de rotinas 
organizadas em quadros, painéis ou agendas. O objetivo é adaptar o 
ambiente para o autista mais facilmente compreendê-lo e compreender o 
que se espera dele (CUNHA, 2014, p. 73). 
 Ou seja, TEACCH é um programa estruturado que combina diferentes materiais 
visuais para organizar o ambiente físico através de rotinas e sistemas de trabalho, de forma a 
tornar o ambiente mais compreensível, esse método visa à independência e o aprendizado. 
Cunha (2014) discorre também sobre o método ABA e salienta que visa desenvolver 
habilidades ainda não adquiridas pelos autistas. Estes são instruídos a realizar determinada 
atividade, podendo receber apoio em momentos que não souberem as respostas. O auxílio 
deve ser retirado assim que possível, a fim de desenvolver a autonomia da pessoa com TEA. 
Sobre o método ABA, Lima (2012, p. 44) afirma que “as tarefas são repetidas de 
forma contínua até a criança dominar a resposta. Para modelar o comportamento das 
crianças são utilizadas várias técnicas de condicionamento”. O autor tece críticas ao método 
ao salientar que pode impossibilitar ações espontâneas do indivíduo no meio social. 
Em relação a esse método, Cunha (2014, p. 74) acentua que: 
[...] a repetição é importante na abordagem ABA, bem como o registro 
exaustivo de todas as tentativas e dos resultados alcançados. A resposta 
adequada do aprendente tem como consequência a ocorrência de algo 
agradável para ele e, por meio de reforço e repetição inibe-se o 
comportamento incorreto, recompensando sempre de forma consistente 
as atitudes desejadas. 
 
 
 
 
 
 
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Os recursos visuais atraem a atenção dos alunos com TEA, bem como favorecem 
sua aprendizagem e comunicação. Silva; Gaiato; Reveles (2012, p. 219) definem PECS como 
“[...] um método que utiliza figuras para facilitar a comunicação a compreensão, ao 
estabelecer uma associação entre a atividade e o símbolo”. Os autores ilustram um caso em 
que o método pode ser utilizado e explicitam o quanto pode contribuir para que a criança 
com TEA interaja com as pessoas ao seu entorno. 
Ainda para os autores, 
Quando uma criança com autismo precisa ir ao banheiro ou comer algo, 
ela entrega para uma pessoa uma figura que representa seu desejo. Esse 
método pode auxiliar nos comportamentos de birra que, algumas vezes, 
decorrem das dificuldades de se comunicarem adequadamente. O 
procedimento com o PECS não tem por objetivo substituir a fala, mas sim 
estimular. Quando a criança entrega a figura para uma pessoa (terapeuta, 
professor, pais), esta deve dizer o que é e incentivar a criança a repetir o 
nome. Futuramente, este método pode fazer com que a criança consiga 
falar o que deseja sem o auxílio da imagem. Além disso, ela, aos poucos, 
vai ampliando o seu repertório verbal (SILVA; GAIATO; REVELES, 
2012, p. 219). 
OS DESAFIOS ATUAIS DO PROFESSOR ESPECIALISTA 
No que se refere à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, 
alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede regular de ensino, é possível 
encontrar muitos desafios que requerem uma reorganização profissional e criatividade por 
parte do professor, pois a mera inserção do aluno na escola não é capaz de garantir acesso 
ao conhecimento historicamente acumulado. 
Cunha (2014, p. 101) alega que no momento em que “[...] acreditamos no indivíduo, 
no seu potencial humano e na sua capacidade de reconstruir seu futuro, o incluímos, e nossa 
atitude torna-se o movimento que dará início ao seu processo de emancipação”. O autor 
ainda afirma que “[...] a inclusão escolar inicia-se pelo professor” e “[...] nem sempre, existem 
as possibilidades de preparação daqueles que trabalham na escola” (CUNHA, 2014, p.101). 
Sobre essa questão, Glat e Nogueira (2002, p. 26) asseveram que: 
Vale sempre enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades 
educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na 
sua permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços 
especializados àqueles que deles necessitam. Ao contrário, implica uma 
reorganização do sistema educacional, o que acarreta a revisão de antigas 
concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o 
 
 
 
 
 
 
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desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando 
suas diferenças e atendendo às suas necessidades (GLAT; NOGUEIRA, 
2002, p.26). 
A educação inclusiva deve superar qualquer forma de discriminação e atender o aluno 
em sua necessidade, de modo a garantir-lhe acesso e permanência com qualidade na rede 
regular de ensino. Deve considerar que o processo de inclusão pode levar anos para se 
efetivar, visto que demanda uma reorganização da escola e da sociedade como um todo. De 
acordo com Mantoan (2006, p. 15), 
Nos debates atuais sobre inclusão, o ensino escolar brasileiro tem diante 
de si o desafio de encontrar soluções que respondam à questão do acesso 
e da permanência dos alunos nas suas instituições educacionais. Algumas 
escolas públicas e particulares já adotaram ações nesse sentido, ao 
proporem mudança na sua organização pedagógica, de modo a reconhecer 
e valorizar as diferenças, sem discriminar os alunos nem os segregar. 
EMBASAMENTOS LEGAIS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA 
CONTEMPORANEIDADE 
A educação especial, de acordo com o artigo 54 do Estatuto da Criança e Adolescente 
(ECA), nota que é obrigação do Estado garantir atendimento educacional especializado a 
pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. 
A Lei nº 12.764/12 institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoas 
com Transtorno do Espectro Autista (BRASIL, 2012). É importante frisar que os direitos 
das pessoas com autismo não são sempre são cumpridos em sua totalidade. O artigo 58 da 
“Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” (LDB), Lei 9394/1996, assim dispõe sobre 
a Educação Especial: 
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a 
modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede 
regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. § 1º Haverá, quando 
necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender 
às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento 
educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, 
sempre que,em função das condições específicas dos alunos, não for 
possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3º A 
oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na 
faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil (BRASIL, 1996, 
p. 135). 
 
 
 
 
 
 
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Em junho de 1994, aconteceu a Conferência Mundial sobre Necessidades 
Educacionais Especiais em Salamanca (Espanha), organizada pela Organização da Nações 
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Jacobsen, Mori e Cerezuela (2014, 
p. 43) expõem que: 
A Declaração de Salamanca é um dos documentos de maior importância 
no processo histórico da inclusão. Sua principal defesa é de que as escolas 
regulares que realizam a inclusão são as mais eficazes para dirimir a 
discriminação. Assim, todos os alunos que apresentam deficiências ou 
necessidades educacionais especiais devem ter acesso e condições de 
permanência e desenvolvimento em toda rede regular de ensino. 
O conhecimento sobre o funcionamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) 
é o primeiro passo para que o professor contribua com o desenvolvimento de seus alunos. 
O professor pode fazer muito pelas crianças desde que tenha conhecimento sobre o assunto 
e seja provido de amor, paciência e dedicação. Assim terá condições de ganhar a confiança 
dos alunos (SILVA; GAIATO; REVELES, 2012). 
Xavier (2002, p. 19) enuncia que: 
A construção da competência do professor para responder com qualidade 
às necessidades educacionais especiais de seus alunos em uma escola 
inclusiva, pela mediação da ética, responde à necessidade social e histórica 
de superação das práticas pedagógicas que discriminem, segregam e 
excluem, e, ao mesmo tempo, configura, na ação educativa, o vetor de 
transformação social para a equidade, a solidariedade, a cidadania. 
Sob essa perspectiva, fundamentados nos pressupostos da teoria Histórico-Cultural, 
defende-se a necessidade de que os professores compreendam que os alunos estão inseridos 
em um mundo social que os constituem. As pessoas com deficiência, e com Transtorno do 
Espectro Autista (TEA) devem ser vistas para além de seus estigmas e dificuldades. Pontua-
se ser preciso romper a ideia de que o insucesso escolar seja inato às pessoas consideradas 
diferentes. 
A ATUAL FORMAÇÃO DO PROFESSOR ESPECIALSITA EM TEA 
Atualmente a formação em Pós-Graduação como professor especialista é feita em 
dois níveis: Lato Sensu - (especialização) e Stricto Sensu (Mestrado, Doutorado e Pós-
Doutorado), sendo mais voltado para a formação de professores das redes municipais e 
estaduais de ensino, público ou privado, e mais voltado para a formação de professores 
 
 
 
 
 
 
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universitários e pesquisadores, constituindo-se também como meio de acesso ao nível 
universitário, uma vez que é exigido, no Brasil, o título mínimo de mestre para atuar em nível 
superior como professor. 
Atualmente nas universidades brasileiras, existem Programas de Pós-Graduação 
Stricto Sensu em Educação Especial, sendo elas públicas e privadas. A formação oferecida 
nos cursos de graduação e pós-graduação no momento da promulgação da Resolução nº 
02/2001, pouco auxiliavam no trabalho necessário para a inclusão de alunos com NEE e, 
além disso, a formação em educação especial historicamente, no Brasil, ocorria de forma 
dicotômica em relação à formação geral, visto que estava organizada ou em cursos de 
graduação em Educação Especial ou em habilitações no Curso de Pedagogia. 
A Resolução CNE/CB nº 02/2001, em seu artigo 18, § 3º, estabelece, em relação à 
formação de professores especializados, que a mesma se dê em cursos de graduação ou pós-
graduação, e conforme Denari (2006, p. 47) “[...] parece recomendar que o professor de 
educação especial seja antes de tudo um professor do ensino regular.” 
Esta mesma autora, coordenadora do Fórum de Educação Especial do Estado de 
São Paulo, informa que havia consenso entre os grupos quanto ao lugar de formação desse 
profissional: o curso de Pedagogia, e que era unânime entre os representantes do Fórum de 
São Paulo que “[...] o especialista em educação especial deve ser antes um professor, e sua 
formação acadêmica deve ocorrer no ensino superior, no âmbito dos cursos de pedagogia 
(DENARI, 2006, p. 57-58).” 
No entanto, com a publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de 
Pedagogia, não se manteve a formação em educação especial vinculada à formação do 
pedagogo. Como consequência, isso tem levado algumas universidades, a constituir cursos 
de Licenciatura Plena em Educação Especial, de maneira que nessa modalidade o profissional 
seja um especialista em educação especial, mas não possuirá o título de Pedagogo, visto ser 
uma licenciatura independente do Curso de Pedagogia e, portanto, sua atuação será restrita 
aos serviços de atendimento educacional especializado, não sendo estendida a atuação como 
regente de classe comum, de educação infantil ou ciclo 1 do Ensino Fundamental, das escolas 
regulares. 
Para a formação de especialistas em Educação Especial no Brasil, além das duas 
licenciaturas próprias como mencionado, a formação se faz por meio de curso de pós-
 
 
 
 
 
 
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graduação lato sensu, elaborados em consonância com a Resolução do Conselho Nacional 
de Educação n◦ 1 de 8 de junho de 2007 (BRASIL, 2007). 
Conforme seu Art. 1◦, § 3◦ é oferecido a graduados ou portadores de demais cursos 
superiores e que atendam às exigências da instituição de ensino, e de acordo como seu Art. 
5◦ [...] têm duração mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, nesta não computado o tempo 
de estudo individual ou em grupo, sem assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, 
para elaboração individual de monografia ou trabalho de conclusão de curso, “[...] têm por 
objetivos formar recursos humanos e aprofundar conhecimentos em setores de atividades 
acadêmicas e profissionais específicos (BRASIL, 2012, p. 1).” 
A FORMAÇÃO DO PROFESSOR ESPECIALISTA ESTADUAL 
No Estado de São Paulo, o Conselho Estadual de Educação por meio da Deliberação 
CEE 112/21012, exige que a formação de especialista em Educação Especial cumpra “[...] 
500 horas dedicadas a atividades teóricas e/ou teórico-práticas presenciais e 100h a estágio 
supervisionado”. 
Entendendo que a reformulação do Curso de Pedagogia, anteriormente exposto, seja 
insuficiente para preparar o professor para atuar com educação especial, tem desenvolvido 
vários e contínuos projetos de formação em cursos de especialização lato sensu, presencial e 
a distância, para graduados em pedagogia e para professores de redes de ensino, como 
formação continuada e preparatória para o trabalho nos serviços de educação especial, 
disponíveis no país. 
Na atualidade se observa, também, algumas Universidades que organizam núcleos de 
educação especial, vinculados a Extensão Universitária, que se responsabilizam por cursos e 
eventos na área, no sentido de proporcionar ao estudante de Pedagogia e outras licenciaturas, 
conhecimentos em educação inclusiva e especial, visto que, certamente, quando docentes 
receberão em suas salas de aula alunos com necessidades educacionais especiais e precisam, 
minimamente, ao menos, conhecer os princípios filosóficos que regem sua área de estudo. 
Hoje nota-se que a especialização é voltada especificamente para cada área da 
educação especial.Com um olhar que atue visando o modo de como as reflexões se 
encaminhem não como questão meramente técnica de alterações curriculares, mas numa 
perspectiva de política fundamental para o momento histórico atual, esse processo de 
 
 
 
 
 
 
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aperfeiçoamento tende a ser cada vez mais específico e integralmente voltado a sua área de 
atuação. 
A FORMAÇÃO CONTINUADA NA VISÃO DOS PROFESSORES 
 Quando se fala em formação continuada, especialização de professores, observa-se 
que categorias de falas sobre o assunto, no olhar do professor a formação continuada é vista 
como; atualização de conhecimentos; formação continuada na perspectiva de mudança da 
prática pedagógica; formação continuada relacionada à teoria. 
Desse modo ao analisarmos estas ações vemos que na busca por mudanças ou 
transformações em sua prática, o professor conquista autonomia e assume responsabilidades 
pelo seu próprio desenvolvimento profissional. Assim sendo, a formação continuada cuidada 
pela escola, ganha espaço privilegiado de produção de conhecimento, por propiciar aos 
docentes a troca entre pares, à reflexão sobre a prática e a possibilidade de compreensão 
desta para além da sala de aula. 
Há uma visão dos professores que a formação continuada de forma geral, contribui 
para mudanças significativas em suas práticas pedagógicas, atualizando-os e motivando a 
transformação de seu trabalho considerando o contexto singular da instituição. Ao olhar a 
metodologia, diversos estudos afirmam que os processos de análise e reflexão da própria 
ação são um importante instrumento para a transformação da prática do professor. 
Existe a necessidade de as informações, nos cursos iniciais, serem atualizadas e inter-
relacionadas com o cotidiano escolar. Há espaços presentes nos cursos de formação, que 
podem deixar a prática dos professores desconectada da realidade dos alunos. Observando 
que as metodologias dos estudos de atualização devem considerar a prática, as experiências 
e o saber fazer do professor, ou seja vê-lo como protagonista no contexto em que atua. Uma 
boa alternativa para a atualização profissional é a implementação de espaços de discussão em 
que se valorize a observação, análise e reflexão crítica sobre a própria prática, com a 
participação de toda a equipe na própria unidade escolar. 
Os professores especialistas, podem complementar essa formação, participando de 
reuniões, encontros e cursos. Os gestores por sua vez poderão exercer o papel de 
mediadores, ao articular o conhecimento dos profissionais da educação especial com as 
necessidades e experiências dos professores da sala regular. Professores que têm a 
 
 
 
 
 
 
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oportunidade de participar de cursos, também podem atuar como multiplicadores de 
conhecimento para a equipe. 
A formação continuada nesta perspectiva está isolada da prática reflexiva dos 
docentes no contexto amplo do seu trabalho. Reduz a formação apenas ao seu caráter 
prático, ausentando de maneira significativa o pensamento reflexivo do professor e a relação 
que este faz entre teoria e prática. 
Imbernón (2010, p. 50) coloca a necessidade da formação continuada para a reflexão 
prático-teórica sobre a própria prática. “[...] mediante a análise, a compreensão, a 
interpretação e a intervenção sobre a realidade, a capacidade do professor de gerar 
conhecimento pedagógico por meio da prática educativa.” 
A reflexão neste sentido é parte inerente da prática do professor, que nasce da sua 
ação preenchida de sentido e faz frente aos contextos em que seu trabalho está inserido. No 
entanto, alguns docentes ainda pensam que a reflexão é algo externo a eles e que ela acontece 
mediante a um treinamento oferecido por outro, não obstante a essa forma de conceber a 
reflexão, os professores ainda não se vêm como parte integrante deste processo de formação 
e acabam por separar a sua prática da perspectiva reflexiva a que essa se manifesta. 
Portanto, nota-se que para os professores a formação continuada tem mais a ver com 
as questões práticas da sala de aula do que com aquelas que nascem do campo teórico para 
depois refletirem no seu cotidiano escolar. Fica evidente a carência da reflexão prático teórica 
nos momentos formativos destes professores, ou ainda, a pouca clareza da importância 
teórica na construção de suas práticas. 
Em oposição a essa representação, Libâneo (1998) destaca a importância da 
assimilação e produção de teorias como marco para o avanço das práticas de ensino, de modo 
que se verifique o potencial transformador das práticas. 
A FORMAÇÃO CONTINUADA ATUAL SOB O OLHAR DOS GESTORES 
A formação continuada de professores especialistas, contribui para o exercício da 
docência, proporcionando momentos específicos de estudo do referencial teórico da própria 
instituição e assuntos que possam surgir no decorrer do processo formativo. 
De acordo com Imbernón (2000, p. 16) “[...] a aquisição de conhecimentos por parte 
do professor está muito ligada à prática profissional e condicionada pela organização da 
 
 
 
 
 
 
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instituição educacional em que esta é exercida”. Então, é legítima a concepção, segundo os 
gestores, de que a formação proposta pela escola, forma seu profissional para atender 
principalmente as especificidades do contexto da instituição. 
Mesmo que os objetivos da formação continuada da escola, sejam voltados num 
primeiro momento para a formação do “seu profissional”, os gestores não deixam de 
considerar como parte importante deste momento formativo, a reflexão sobre a prática 
pedagógica visando mudanças nas práticas dos docentes. 
Nota-se que os gestores, ressaltam a importância da reflexão sobre a prática 
pedagógica dos professores, valorizando os momentos formativos oferecidos pela 
instituição. 
Pérez Gómez (1998, p. 371) coloca que; 
[...] o profissional docente deverá refletir sobre as normas, crenças e 
apreciações tácitas subjacentes que minam os processos de valorização e 
julgamento, sobre as estratégias e teorias implícitas que determinam uma 
forma concreta de comportamento, sobre os sentimentos provocados por 
uma situação e que condicionaram a opção de um determinado curso de 
ação, sobre a maneira com que se define e estabelece o problema e sobre 
o papel que ele mesmo desempenha como profissional dentro do contexto 
institucional, escolar, em que atua. 
Ao compreender o contexto em que se atua, através da reflexão sobre os mecanismos 
que permeiam a sua prática situa o docente como parte importante do desenvolvimento da 
atividade educativa, pois lhe proporciona segundo Pérez Gómez (1998) a relação com a 
problemática de seu contexto de atuação. 
Desse modo, conhecer os pressupostos teóricos que embasam toda a estrutura da 
instituição, bem como a transposição desse campo teórico para as práticas dos professores, 
aliados a reflexão desse processo é colocado pelos gestores como objetivos de sua formação, 
ou especialização nos dias de hoje. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Atualmente os cursos de formação e especialização de professores que buscam atuar 
com alunos com Transtorno do Espectro Autista são de extrema importância, no processo 
de qualificação na área da inclusão escolar. Torna-se claro que muitos são os desafios nesse 
processo, o percurso para a formação é motivado por diferentes aspectos, como ocorre a 
 
 
 
 
 
 
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visão do profissional de acordo com observações diversas, como a opinião de cada professor 
de acordo com o vínculo de questões de cunho pessoal e de formação preterida. 
Vale destacar que a inclusão do aluno com TEA não se restringe apenas a sua inserção 
na instituição escolar. É papel da escola garantir que os alunos com autismo educação de 
qualidade, de maneira a atender suas necessidades educacionais e valorizar suas habilidades 
específicas. 
A inclusão dos alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é de 
responsabilidade de toda a comunidade escolar e não somente dos professores especialistas. 
Sendo assim, todos os envolvidos na educação do aluno com TEA devem buscar novos 
conhecimentos que possibilitem encaminhamentos metodológicos eficazes para seu 
desenvolvimento. 
Desse modo a formação do professor especialista em transtorno do espectro autista 
tende a romper paradigmas, sob a visão que todo autista é igual, que apresenta as mesmas 
características e singularidades. Isso só será interrompido por meio da reflexão do professor 
sobre o aluno real. Salientando que cada indivíduo é único e tem suas próprias características, 
sabe-se que não há um exemplo único para todos, mesmo que apresentem as mesmas 
possibilidades e necessidades. 
Dessa forma este processo de trabalho pode proporcionar uma análise mais completa 
do caminho percorrido no que se refere à formação e especialização do professor especialista 
atualmente, qual a formação se faz necessário para qualificar um curso de extensão sobre 
transtorno do espectro autista (TEA), sobre as demandas existentes que ainda precisam ser 
supridas que busca pautar práticas pedagógicas de qualidade, flexíveis, que respondam as 
necessidades dos alunos e que busquem uma melhor avaliação e capacitação do profissional, 
enquanto professor especializado atuante, com a atenção voltada a todos os métodos de 
ensino, as metodologias que buscam desenvolver ações que serão desenvolvidas com os 
educandos com transtorno do espectro autista (TEA). 
Nota-se que o processo de formação e especialização do professor especialista é 
conduzido de modo pouco exemplificado poucos são os institutos e escolas especializadas 
que oportunizam uma capacitação completa ao profissional, contudo atualmente existem 
estudos que buscam proporcionar materiais e pesquisas que de modo significativo buscam 
apresentar o trabalho mais especifico dentro de cada área da deficiência. Assim é visto que a 
 
 
 
 
 
 
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inclusão é uma área de grande conhecimento e descobrimento que ainda percorre um 
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