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REQUERENTE – Decisões Jurisprudenciais 
A ação foi movida para rediscussão de obrigação alimentar em favor de ex-cônjuge, estabelecida
por ocasião do divórcio em patamar equivalente a 25% (vinte e cinco por cento) dos rendimentos
percebidos pelo Requerente junto ao Ministério Público do Paraná, além do custeio de plano de
saúde.
Sua obrigação também abrangeu o pagamento do financiamento do imóvel onde está a residir a
Requerida, taxas condominiais e IPTU relativos a esse bem. Que somam pouco mais de 12 mil
reais pagos mensalmente pelo Requerente. 
A pretensão deduzida tem por base o desaparecimento dos motivos que levaram à fixação da
obrigação nos termos originalmente estabelecidos, assim como a posição da jurisprudência sobre
o tema, no sentido:
De que “o dever de prestar alimentos entre ex-cônjuges é transitório, devendo ser assegurado ao
beneficiário dos alimentos por tempo hábil para que consiga prover a sua manutenção pelos
próprios meios”.
(STJ - REsp 1829295/SC, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 13/03/2020).
“A doutrina e a jurisprudência mitigam a necessidade alimentar entre os ex companheiros, na
medida que o fim do relacionamento deve estimular a independência de cada um, o que reserva a
manutenção da prestação apenas em casos excepcionais como enfermidade, idade ou ausência de
capacidade laborativa e inserção no mercado de trabalho”..
 (Acórdão 1258860, 07169252520188070003, Relator: LUÍS GUSTAVO B. DE OLIVEIRA, 4ª
Turma Cível, data de julgamento: 17/6/2020, publicado no DJE: 6/7/2020. Pág.: Sem Página
Cadastrada.)
Essa transitoriedade, de acordo com julgados da corte, serve apenas para viabilizar a reinserção do
ex-cônjuge no mercado de trabalho ou para o desenvolvimento da capacidade de sustentação por
seus próprios meios e esforços, uma vez que “o fim do casamento deve estimular a independência
de vidas e não o ócio, pois não constitui garantia material perpétua”. 
Reafirmando o entendimento do STJ, “não se deve fomentar a ociosidade ou estimular o
parasitismo nas relações entre ex-cônjuges, principalmente quando, no tempo da separação, há
plena possibilidade de que a beneficiária dos alimentos assuma, em algum momento, a
responsabilidade sobre seu destino, evitando o prolongamento indefinido da situação de
dependência econômica de quem já deixou de fazer parte de sua vida”.
(STJ - REsp 1608413/MG, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 05/05/2017). 
Para o advogado e diretor nacional do IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família, Rolf
Madaleno, a doutrina e jurisprudência vêm construindo entendimento de que os alimentos entre
cônjuges são cada vez mais raros. “A mulher da atualidade não é mais preparada culturalmente
apenas para servir ao casamento e aos filhos, mas tem consciência de que precisa concorrer no
mercado de trabalho e contribuir para a manutenção material da família”, diz
(https://www.migalhas.com.br/quentes/164495/pensao-alimentar-obrigatoria-e-por-tempo-ilimitado-
e-excecao--entende-stj).
Os precedentes do STJ são claros ao definir que os alimentos devidos entre ex-cônjuges serão
fixados por tempo certo. Em 2008, a 3ª turma consolidou a tese de que, “detendo o ex-cônjuge
alimentando plenas condições de inserção no mercado de trabalho, como também já exercendo
atividade laboral, quanto mais se esse labor é potencialmente apto a mantê-lo com o mesmo status
social que anteriormente gozava ou, ainda, alavancá-lo a patamares superiores, deve ser o
alimentante exonerado da obrigação” (REsp 933.355).
No caso vertente, inexistem provas nos autos capazes de demonstrar que a apelante tenha
permanecido sob a exclusiva dependência econômica do seu ex-cônjuge durante todo o período
matrimonial, de modo a incapacitá-la, ainda que transitoriamente, na busca de seu próprio sustento.
Conforme se denota nos autos, a autora possui curso superior, inclusive exercia a advocacia e
lecionava em faculdade de Direito. Além disso, o Requerente fixou domicílio definitivo em Curitiba
no ano de 1995, o que permitiu o exercício regular da atividade profissional da Requerida nesta
Capital desde aquela data, seja na advocacia, seja no magistério. 
E, embora alegue incapacitada para exercer tais funções, não é o que consta em documentos
anexados que comprovam a participação ativa da Requerida no exercício da advocacia, como por
ex: na Petição firmada pela Requerida em 28/jan/19 (acordo envolvendo quantia superior a R$
1.700.000,00); e na Petição firmada pela Requerida em 30/jan/19 (execução de valor: R$
1.967.528,00).
https://www.migalhas.com.br/quentes/164495/pensao-alimentar-obrigatoria-e-por-tempo-ilimitado-e-excecao--entende-stj
https://www.migalhas.com.br/quentes/164495/pensao-alimentar-obrigatoria-e-por-tempo-ilimitado-e-excecao--entende-stj
https://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp933355
Assim, de acordo com a Jurisprudência:
“Não tendo os alimentos anteriormente fixados, lastro na incapacidade física duradoura para o labor
ou, ainda, na impossibilidade prática de inserção no mercado de trabalho, enquadra-se na condição
de alimentos temporários, fixados para que seja garantido ao ex-cônjuge condições e tempo
razoáveis para superar o desemprego ou o subemprego. Trata-se da plena absorção do conceito de
excepcionalidade dos alimentos devidos entre ex-cônjuges, que repudia a anacrônica tese de que o
alimentado possa quedar-se inerte - quando tenha capacidade laboral - e deixar ao alimentante a
perene obrigação de sustentá-lo”.
(STJ - REsp 1388116/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
20/5/2014, DJe 30/5/2014 ) 
“A jurisprudência desta egrégia Corte Superior firmou a orientação de que a pensão entre ex-
cônjuges não está limitada somente à prova da alteração do binômio necessidade-possibilidade,
devendo ser consideradas outras circunstâncias, como a capacidade potencial do alimentado para o
trabalho e o tempo decorrido entre o início da prestação alimentícia e a data do pedido de
desoneração”. 
“Esta egrégia Corte Superior também tem entendimento de que, em regra, a pensão deve ser fixada
com termo certo, assegurando ao beneficiário tempo hábil para que reingresse ou se recoloque no
mercado de trabalho, possibilitando-lhe a manutenção pelos próprios meios. O pensionamento só
deve ser perene em situações excepcionais, como de incapacidade laboral permanente, saúde
fragilizada ou impossibilidade prática de inserção no mercado de trabalho”. 
(REsp 1496948/SP, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em
03/03/2015, DJe 12/03/2015)
Assevera-se que os alimentos estão sendo pagos há mais de 4 anos e que desde então a apelada-ré
teve tempo suficiente para se reestruturar e buscar a sua reinserção no mercado de trabalho.
Acrescenta que os documentos que atestam os problemas psicológicos dela estão desatualizados e
não amparam a obrigação de prestar alimentos, visto que ela pode, em caso de necessidade, buscar
o apoio de parentes. 
Assim, foi deduzido pedido para extinção da obrigação de prestar a parte em pecúnia da obrigação
estipulada em divórcio (25% dos rendimentos do alimentante junto ao MPPR) ou, sucessivamente,
sua minoração para o patamar de 5% em razão da excessiva oneração do alimentante desde o
estabelecimento da obrigação. Em qualquer caso, contudo, o Requerente se dispôs a continuar
arcando com as demais despesas atinentes ao imóvel onde reside a Requerida, assim como o valor
de seu plano de saúde. 
A Requerida sustentou, em síntese, que possuiria distúrbio psíquico que a impede de exercer sua
atividade profissional como advogada. Sustentou que não estaria preenchido requisitopara a
revisão da obrigação alimentar e que os alimentos foram fixados com natureza vitalícia, impedindo
a alteração da obrigação.
No entanto, conforme a Jurisprudência:
“Os alimentos devidos entre ex-cônjuges serão fixados com termo certo, a depender das
circunstâncias fáticas próprias da hipótese sob discussão, assegurando-se, ao alimentado, tempo
hábil para sua inserção, recolocação ou progressão no mercado de trabalho, que lhe possibilite
manter pelas próprias forças, status social similar ao período do relacionamento”. (STJ - REsp
1388116/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/5/2014,
DJe 30/5/2014)
“Em regra, a dissolução do matrimônio não implica necessariamente em extinção da obrigação de
prestar alimentos entre os ex-cônjuges. Saliente-se que a obrigação de pagar pensão alimentícia ao
ex-cônjuge é condicionada à efetiva comprovação da total incapacidade do alimentando em prover
o próprio sustento, bem como à ausência de parentes em condições de arcar com o pagamento dos
alimentos, de acordo com a interpretação analógica do art. 1.704, parágrafo único, do CC”.
(1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios , Relator
Desembargador CARLOS RODRIGUES, Acórdão Nº 1292565, 21 de Outubro de 2020 )
Em sua defesa a Requerida afirma estar incapacitada para o exercício de atividade laborativa em
razão de quadro de depressão, o qual, em suas palavras, seria “grave”. Para tentar validar sua
alegação anexou, em contestação, declarações de profissionais da área de psicologia as quais, no
entanto, não servem para o fim colimado, pois não indicam a extensão, tratamento e prognóstico
do quadro e outros elementos necessários a validar qualquer parecer sobre incapacidade
laborativa.
O médico que acompanha a Requerida há vários anos e poderia, tendo uma percepção mais ampla
da condição da Requerida, ter emitido parecer nesse sentido, não registrou a incapacidade a
alimentanda. Apenas consignou que o prejuízo à capacidade laboral é um fato relatado pela
Requerida. Não atestou, do ponto de vista de sua conclusão médica, que referida incapacidade
efetivamente exista. 
Assim, as declarações das psicólogas não encontram ressonância com a declaração médica. 
Sobre as declarações, embora tenham sido datadas em abril de 2019, seus conteúdos se referem a
período anterior a dezembro de 2018, não guardando atualidade com a lide. E, embora a
declaração afirme existir uma inaptidão laboral da Requerida, o documento é deveras conciso e
impreciso quanto ao seu alcance. Não indica se a limitação é para aquele momento ou por período
maior, qual o tratamento ou prognóstico de reversão, informações necessárias quando se vise
atestar incapacidade labora.
Ademais, o transtorno de humor relatado no documento é quadro passível de tratamento e controle.
Nesse aspecto cabe transcrever a descrição do código indicado para o quadro depressivo da
Requerida: CID 10 F 33.1. Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado.
Tais registros impugnam a alegação feita pela Requerida em diversos momentos de sua defesa, no
sentido de que seria portadora de um quadro depressivo grave, o que não se amolda aos atestados
anexadas ao feito.
Nesse sentido, em relação às questões de saúde, O ministro Villas Bôas Cueva entende que se deve
analisar a situação concreta, se realmente se mostra incompatível para a realização de toda e
qualquer atividade profissional. O ministro ainda sugere a possibilidade da parte (neste caso, a
Requerida), com base na solidariedade familiar, formular o pedido de alimentos a seus parentes
mais próximos, invocando o artigo 1.694 do Código Civil. “O dever de alimentos entre ex-cônjuges,
com longo período separados, decorre, além do binômio necessidade-possibilidade, da inexistência
de outro parente com capacidade para prestar alimentos que tenha o dever legal de lhe assistir
(artigos 1.696 e 1.697 do Código Civil de 2002)”, destacou o ministro.
Desta forma, conforme se cientificou ao juízo, a Requerida conta com apoio financeiro de sua
genitora, para o contorno de suas demandas. Onde a própria Requerida disse que as despesas
realizadas constantes na planilha colacionada na petição vieram de ajuda da própria genitora (no
que diz respeito aos gastos dos meses de setembro, outubro e novembro de 2019, total que teria sido
de R$ 14.767,63, R$ 11.477,32 e R$ 10.604,32, respectivamente). Isso demonstra que sua genitora
na condição de parente responsável, possui condições razoáveis para prestar tal assistência à
Requerida.
Além da inaptidão das declarações emitidas por profissionais da área de psicologia para a prova
da incapacidade laboral, também há que se registrar a impertinência do conteúdo das
manifestações dessas profissionais com o contexto da atuação da Requerida como advogada
contemporaneamente ao período indicado nas declarações. 
Pois, conforme já mencionado acima, infere que em 28 de janeiro deste ano de 2019, na condição
de advogada de parte, a Requerida firmou acordo envolvendo pagamento de dívida no valor de R$
1.720.000,00. Daquela petição, infere-se o trabalho intelectual desenvolvido tanto para a
elaboração das cláusulas quanto, presume-se, em atos de composição do acordo. Em outro
processo, igualmente envolvendo elevada monta (R$ 1.967.528,00), inicia cumprimento de
sentença em data de 30 de janeiro deste ano de 2019. 
Ainda consta certidão anexada ao processo por determinação deste juízo dando conta de atuação
da Requerida como advogada de parte em ação desta 6ª Vara de Família de Curitiba, movida no
ano de 2019, ao mesmo tempo em que afirmava neste processo não estar exercendo a advocacia. 
Impugna-se, assim, as declarações de incapacidade laboral, pois os documentos anexados dão conta
do efetivo exercício profissional pela Requerida. Uma vez que não há nenhuma prova nos autos de
que a capacidade laborativa da recorrente se encontre definitivamente ceifada, inviabilizando a sua
subsistência. Ainda que exista problema de saúde de ordem psicológica, tal doença não tem o
condão de tornar a apelante incapacitada para exercer qualquer trabalho. 
E a jurisprudência diz:
“A fixação dos alimentos em caráter de transitoriedade tem o fito de permitir que a ex-cônjuge se
afaste da condição de dependente do requerido, adaptando-se à sua nova realidade de autonomia
financeira”.
(1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios , Relator
Desembargador CARLOS RODRIGUES, Acórdão Nº 1292565, 21 de Outubro de 2020 )
“Os alimentos transitórios têm como finalidade assegurar a subsistência da parte economicamente
menos favorecida devido ao fim do matrimônio, até que tenha condições de se reintegrar no
mercado e prover o seu próprio sustento”. 
(8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, EUSTAQUIO
DE CASTRO – Relator, Acórdão Nº 1216672, 12 de Novembro de 2019 )
Conforme avença estabelecida em divórcio, o Requerente ficou responsável por arcar com o plano
de saúde da Requerida (R$ 832,38), financiamento do imóvel (R$ 3.276,27), condomínio (R$
3.885,50) e IPTU (R$ 943,71 ). Nesse panorama, então, não se justifica que o Requerente
mantenha ainda pagamento de valores em pecúnia que tornam absolutamente desproporcional os
alimentos frente sua capacidade financeira. 
Apenas a título exemplificativo, mesmo que se desconsiderasse o exercício da profissão pela
Requerida, manter a obrigação de repasse mensal em dinheiro no valor de R$ 6.600,00
consubstancia-se em verdadeiro desequilíbrio no trinômio
proporcionalidade/necessidade/possibilidade.
Quando do ajuizamento desta ação o Requerente era membro ativo dos quadros do Ministério
Público do Estadodo Paraná conforme documentação que acompanhou a petição inicial. 
Por óbvio, agora estando na inativa, não fará mais jus à percepção de quaisquer verbas dessa
natureza novamente. Com isso, seu provento líquido retorna ao patamar aproximado de R$
15.000,00 e a única verba fixa de sua folha complementar será o auxílio-saúde no valor de R$
1.561,11. 
E é essa a base da desproporcionalidade apontada na petição inicial pois, além dos valores pagos
em pecúnia à Requerida (R$ 6.660,00), o Requerente ainda arca com o custo de seu plano de saúde
(R$ 832,36), condomínio do imóvel (R$ 3.885.50) e IPTU (943,71), o que totaliza
aproximadamente R$ 12.200,00 
Como um de seus argumentos de defesa, a Requerida sustenta que a pensão alimentícia estipulada
em seu benefício teria caráter vitalício por disposição das partes, o que a tornaria imutável e não
passível de rediscussão. 
Quanto à revisão da obrigação alimentar em qualquer de suas modalidades (exoneração,
minoração ou majoração) não há qualquer controvérsia doutrinária ou jurisprudencial no sentido
de que a sentença que fixa os alimentos pode ser revista, sendo essa expressa dicção do art. 1.699
do Código Civil, assim como do art. 15 da Lei 5.478/68. 
Percebe-se tal equívoco por parte da Requerida, uma vez que o raciocínio dos julgadores do STJ é o
da efetiva necessidade e conspira contra aqueles que, mesmo exercendo ou tendo condições de
exercer atividade remunerada, insistem em manter vínculo financeiro em relação ao ex-cônjuge, por
este ter condição econômica superior à sua. Ao julgar um recurso oriundo do RJ em 2011, a 3ª
turma reafirmou, no REsp 1.205.408, que o prazo fixado deve assegurar ao cônjuge alimentando
tempo hábil para sua inserção, recolocação ou progressão no mercado de trabalho, que lhe
possibilite manter pelas próprias forças status social similar ao período do relacionamento. 
Frise-se ainda o que diz a ministra Nancy Andrighi, quando observa que há possibilidade de os
valores dos alimentos serem alterados, ou a obrigação extinta, ainda que não houvesse mudança na
situação econômica dos ex-cônjuges. Não sendo os alimentos fixados por determinado prazo, o
pedido de desoneração, total ou parcial, poderá dispensar a existência da variação necessidade-
possibilidade, quando demonstrado o pagamento de pensão por período suficiente para que o
https://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1205408
alimentando reverta a condição desfavorável que detinha, no momento da fixação desses alimentos.
Trata-se, portanto, de alimentos temporários. Para a ministra,"Decorrido esse tempo razoável,
fenece para o alimentando o direito de continuar recebendo alimentos, pois lhe foram asseguradas
as condições materiais e o tempo necessário para o seu desenvolvimento pessoal, não se podendo
albergar, sob o manto da Justiça, a inércia laboral de uns, em detrimento da sobrecarga de outros".
E, conforme o ministro Marco Buzzi, integrante da 4ª turma do STJ, em seu livro Alimentos
Transitórios: uma obrigação por tempo certo, afirma que os alimentos são devidos apenas para que
o alimentando tenha tempo de providenciar sua independência financeira. “Atualmente, não mais se
justifica impor a uma das partes integrantes da comunhão desfeita a obrigação de sustentar a outra,
de modo vitalício, quando aquela reúne condições para prover a sua própria manutenção”.
Deste modo, o pagamento de alimentos entre ex-consortes só deverá ser reconhecido se a
necessidade de quem o requer restar devidamente comprovada, evitando-se, ainda, situações
perenes de sustento, observado o disposto nos requisitos apontados no artigo 1.695 do Código Civil.
Desse modo, quando determinada a sua prestação, como regra, impõe-se que seja somente por um
lapso temporal suficiente para que o alimentando se adapte a sua nova situação de vida, procurando
outro modo de sustento e manutenção.
Trata-se, portanto, de medida excepcional, que reclama a comprovação da necessidade de quem
reclama os alimentos e da capacidade financeira de quem é obrigado a prestá-los, bem como a
observância das peculiaridades do caso concreto, pois a obrigação de mútua assistência, via de
regra, não pode permanecer indefinidamente.
Neste caso, a obrigação de prestar alimentos subsiste desde o ano de 2016, tempo suficiente e
razoável para que a alimentanda pudesse se adaptar, pois é profissional da advocacia no exercício
de sua atividade, não sendo razoável impor ao alimentante responsabilidade infinita sobre as
opções de vida de sua ex-esposa.
O enfoque jurídico da questão, como visto, afasta-se da perquirição acerca da possibilidade do
alimentante, passando, antes, pela análise da aptidão do alimentando para o exercício de seu
ofício, o que no caso já está a ocorrer como comprovado pelas provas produzidas durante a
instrução. 
No entanto, é notório que a Requerida tem se acomodado na ociosidade às custas do Requerente,
bem como não tem se esforçado para vender/alugar o imóvel onde reside, por prezar pelas
mordomias e padrão de vida que o ex-cônjuge lhe proporcionava. Rogando, para isso, pensão
vitalícia como se incapaz fosse para manter a própria subsistência.
Demonstre-se tal atitude da Requerida, de acordo com as palavras de Maria Aracy Menezes da
Costa (https://ibdfam.org.br/artigos), que destaca que “no direito brasileiro, são comuns as
obrigações infindáveis de alimentos, que tendem a fomentar a ociosidade e injustificável
parasitismo. No entanto, os tribunais estão se conscientizando da situação de dependência que
certas mulheres pretendem com relação a seus ex-maridos ,alterando a tradicional interpretação do
conceito de necessidade. Enquanto a mulher se mantiver inerte, sem buscar meio próprio de
sustento, estará, em tese, sempre “necessitando” que outra pessoa lhe alcance o sustento. Essa
necessidade, no entanto, quando decorre da inércia da mulher, de sua própria opção por não
trabalhar, ou seja, quando é consequência de um comportamento omissivo, por acomodação à
situação de dependente, não pode mais ser considerado como necessidade. Os tribunais não mais
cedem facilmente às argumentações sentimentais das mulheres ociosos”.
“Muitas vezes os alimentos pleiteados são convenientes para a mulher, mas não necessários. É o
que ocorre quando ela trabalha, seus ganhos são mais do que suficientes para o seu sustento, e ainda
assim ela pretende que o ex-marido lhe alcance uma prestação periódica de alimentos. Inseridas nas
diversas categorias, existem as mulheres ‘parasitas’, que se valem do argumento de que têm
necessidade de alimentos, e evocam a seu favor o texto da lei que dispõe que os alimentos devem
ser concedidos na proporção da necessidade de quem pede e da possibilidade de quem alcança”
(Maria Aracy Menezes da Costa). 
E, sem adentar no tema sobre o exercício ou não de atividade laboral pela Requerida, é certo que a
alimentanda pode assumir a responsabilidade econômica de sua manutenção, haja vista que o
imóvel onde reside, partilhado em cotas iguais entre as partes, é capaz de gerar frutos suficientes
para essa finalidade. Referido bem foi avaliado por ocasião do divórcio em 2016 pelo valor R$
2.800.000,00 com perspectiva de locação por R$ 11.000,00, conforme avaliação lavrada pela irmã
da Requerida. 
Ocorre que a manutenção da pensão alimentícia e a da obrigação do Requerente em custear todas
as despesas do imóvel são um incentivo ao parasitismo pois, como está ocorrendo desde o divórcio
no ano de 2016, a Requerida não disponibiliza o imóvel à venda ou locação, optando em
permanecer em residência absolutamente desproporcional as suas necessidades e ainda às
expensas do Requerente. 
https://ibdfam.org.br/artigos
https://ibdfam.org.br/artigos/autor/Maria%20Aracy%20Menezes%20da%20Costahttps://ibdfam.org.br/artigos/autor/Maria%20Aracy%20Menezes%20da%20Costa
https://ibdfam.org.br/artigos/autor/Maria%20Aracy%20Menezes%20da%20Costa
Independentemente de estar exercendo ou não qualquer atividade, é certo que a Requerida tem em
suas mãos a condição de assumir a responsabilidade de seu sustento através da percepção de
frutos de seu próprio patrimônio.
Assim, como bem observa, Maria Aracy Menezes da Costa (https://ibdfam.org.br/artigos),
existem mulheres que permaneceram casadas ou em união estável por um curto período de tempo, e
durante a união usufruíram de um elevado padrão de vida que não tinham antes. Terminada a
relação, insistem em continuar na “posse do estado de casada”. Não querem abrir mão do padrão de
vida que o casamento lhes possibilitou. Pretendem ser mantidas nesse padrão, não por modo
próprio, mas sim sendo sustentadas pelos ex-maridos ou ex-companheiros. Sua vida, antes do
casamento, não comportava o elevado padrão que agora reivindicam.
“Mesmo que objetivamente nada tenha se alterado, sob a ótica da hermenêutica processual houve
efetiva alteração do binômio necessidade-possibilidade. Isso porque, atualmente, existem condições
de uma mulher sã buscar mercado de trabalho, e se não o faz é porque não lhe convém, pois é mais
cômodo continuar com a garantida fonte de renda, tendo seu ex-marido como provedor ”ad
infinitum”. Uma mulher jovem, sã e qualificada profissionalmente, tem aptidão para o trabalho, mas
pode não ter disponibilidade para o trabalho” (Maria Aracy Menezes da Costa). 
Na forma de pedido sucessivo o Requerente deduziu pretensão para redução do valor em pecúnia
prestado, caso este juízo não entendesse pela extinção dessa parcela. Pedido nesse sentido se dá
porque houve o implemento de inequívoca desproporcionalidade na obrigação alimentar desde que
foram fixados por ocasião do divórcio no ano de 2016, seja em razão da diminuição de
rendimentos do Requerente, seja em decorrência do aumento do custo relativo ao imóvel onde
reside a Requerida. 
A composição dos valores pagos em benefício da Requerida, ainda considerando a parcela do
financiamento, chegou a quase R$ 16 mil no curso do processo.
Nesse contexto, caso não se entenda pela extinção da obrigação alimentar prestada em pecúnia (ou
o estabelecimento de um termo final para isso), a sua minoração é necessária para fazer cessar a
absurda desproporcionalidade instaurada nessa relação obrigacional. 
A redução para o patamar sugerido de 5% dos proventos do Requerente, ainda configuraria em um
benefício total à Requerida próximo de R$ 8.000,00, considerando as despesas relativas ao imóvel,
plano de saúde e o valor em pecúnia.
https://ibdfam.org.br/artigos
https://ibdfam.org.br/artigos/autor/Maria%20Aracy%20Menezes%20da%20Costa
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