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PPC - PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO - CEL01334/EEL0003 REVISITANDO A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 1. Revisite os conteúdos das aulas, os quatro módulos de cada tema. Explore bastante tudo o que é oferecido para seu aprofundamento: (escrito, vídeos, podcast, imagens...), pesquise, reflita, elabore conhecimento. 2. Visite sites de Escolas do Ensino Fundamental e Ensino Médio (Escolas Públicas, Religiosas, Militares...) e busque as propostas pedagógicas dessas escolas, que ficam disponíveis nas em suas páginas virtuais (sites). Ao revisitar os conteúdos e visitar sites, tenha como referências os seguintes pontos: • Quais características foram identificadas dos modelos educacionais no decurso da história, bem como suas contribuições para a formação dos sujeitos e das sociedades? • Quais fatos e situações que se destacam da história da educação no Brasil e no mundo, você conseguiu perceber nas propostas pedagógicas observadas? • Qual a importância do diálogo produtivo entre História e Pedagogia? • Traga contribuições que não foram expostas nos pontos acima. Agora é só elaborar sua reflexão escrita a partir das experiências de revisitação dos conteúdos e das visitas aos sites. ✓ Você pode fazer um texto corrido em forma de lauda e se quiser ilustrar com imagens, fotos, links etc. ✓ Você pode também gravar um vídeo próprio apresentando o conteúdo e postá-lo no YouTube. Para entregar o vídeo, cole o link do Youtube em um documento Word e faça a postagem na ferramenta Trabalhos. Se você fez o vídeo, poste e link também no fórum de tutoria para divulgar seu trabalho. Veja na outra página o modelo para elaborar este trabalho. UNIVERSIDADE ESTACIO DE SÁ CURSO DE GRADUAÇÃO EM (Completar) DIGITE AQUI O SEU NOME Digite aqui o título do trabalho acadêmico Local: Completar 2021.2 Escreva seu trabalho. Divida-o em três partes: INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS (dos livros, sites, artigos, que utilizou para realizar o trabalho) Normas para elaboração de referências (consultar a ABNT) https://tecnoblog.net/236041/guia-normas-abnt-trabalho-academico-tcc/ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2011. Formatação das folhas de trabalho: • Folha: tamanho A4; • Margem: 3 cm para as margens superior e esquerda e 2 cm para as margens inferior e direita; • Fonte: Arial ou Times New Roman ou Arial (tamanho 12) em cor preta; • Itálico: usa-se em palavras e expressões de outros idiomas; • Espaçamento: 1,5 no texto e 1,0 para citações com mais de três linhas; • Alinhamento: Justificado. PASSO a PASSO para a realização de nosso trabalho: 1o passo: ler com atenção a proposta de nosso PCC (enviada no início deste texto); 2o passo: assistir todas as aulas de História da Educação; 3o passo: fazer, ao longo das aulas, uma síntese dos modelos educacionais apresentados na disciplina. 4o passo: escolher 3 sites de escolas atuais e analisar os Projetos Políticos Pedagógicos ou as Propostas Pedagógicas. Fazer uma síntese de cada um, analisando se teve avanços em relação aos modelos educacionais estudados. Ressalto que o trabalho pode ser por escrito ou por áudio. Como e até quando entregar: - O PCC só pode ser corrigido e avaliado quando colocado na área de Entrega de Trabalhos. - Prazo final de colocação na Área de Trabalho: 26 de julho. Não deixe para colocar seu trabalho no final deste prazo, porque só realizará a AV se o trabalho for entregue e avaliado. - Importante: o PCC não pontua, mas além de ser uma oportunidade de estudo e aplicação do que foi entendido, é obrigatório. Desejo a tod@s um ótimo trabalho!!! Contem comigo! Abraç@s, Mari´Angela Monjardim DESCRIÇÃO A Antiguidade Clássica é um período fundamental da História. Estudaremos esse longo período, do século VIII a.C. ao século VI d.C., que representa as bases para a compreensão da educação ocidental. Você perceberá que os mundos grego e romano, às margens do mar Mediterrâneo, têm muito a ver com nossa sociedade e com a Educação atual. PROPÓSITO Você, que estudou História, já deve ter se perguntado: é tão importante assim olhar para o passado? Provavelmente, encontrou algumas respostas ao longo de sua vida escolar. Neste conteúdo, você verá como a Educação foi concebida pelas sociedades do período clássico. Além disso, analisaremos suas heranças e fundamentos como influência na Educação contemporânea. OBJETIVOS MÓDULO 1 Explicar as características da Educação na Grécia Clássica. MÓDULO 2 Descrever os elementos que marcaram a Educação na Roma Clássica. MÓDULO 3 Identificar traços da Educação na Antiguidade Clássica na Educação contemporânea. MÓDULO 1 Explicar as características da Educação na Grécia Clássica. INTRODUÇÃO Antes de tratar especificamente sobre a Educação na Grécia Clássica, você precisa conhecer as características e fatos que levaram a formação do que chamamos de mundo grego. Assista ao vídeo para entender como surgiu o sentimento de identidade entre os gregos. Agora, destacaremos brevemente os ideais de três dos maiores pensadores da Filosofia clássica: SÓCRATES Imagem: Shutterstock.com Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.) entendia a Filosofia como a procura da verdade, trilhando o caminho da sabedoria. Com a famosa frase “Conhece a ti mesmo”, o filósofo ateniense impulsionou a busca das verdades universais: o caminho para a prática do bem e da virtude. Em resumo, ele almejava que as pessoas se livrassem das falsas certezas para alcançar a verdade própria do ser humano. Assim, no século IV a.C., Sócrates criou a Maiêutica, método de ensino investigativo que se baseava nas interrogações para dar à luz o conhecimento. MAIÊUTICA Esse método tinha duas etapas que destruíam as falsas verdades para criar a universal. São elas: 1ª ETAPA De início, implantava-se a dúvida, de modo que o saber adquirido fosse interrogado para revelar as fraquezas e contradições na forma de pensar. 2ª ETAPA Depois, estimulava-se a busca de novos conceitos, de novas opiniões, o pensamento por si mesmo, a fim de desvelar a verdade, livrando-se do falso conhecimento. PLATÃO Imagem: Shutterstock.com A teoria do conhecimento desenvolvida por Platão (429 a.C. – 348/347 a.C.) tem como base a convicção de que o mundo sensível em que vivemos é apenas um mundo aparente, incapaz de nos oferecer conhecimento verdadeiro. Para chegarmos a esse tipo de conhecimento, necessitamos buscar o mundo inteligível, onde está a verdadeira essência das coisas. Assim, o conhecimento se dá a partir da ideia até a realidade. MITO DA CAVERNA Para ratificar suas concepções intelectuais, Platão criou o Mito da Caverna, cuja história é a seguinte: Prisioneiros acorrentados em frente a uma parede podiam ver apenas sombras. Quando um deles, enfim, se liberta, encontra uma realidade diferente. Impressionado, o preso volta para contar aos demais sobre o mundo que existia fora da caverna. A intenção dele era livrá-los da escuridão. Mas os outros prisioneiros não só se recusaram a acreditar no homem, como o mataram. ARISTÓTELES Imagem: Shutterstock.com Para Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), somente na pólis , o homem se realizava plenamente em busca do bem supremo. No entanto, essa realização não era definitivamente alcançada, pois não estava presa a um tempo específico, mas se refazia – inclusive como sensação –, à medida em que o homem decidia por novas determinações em seu ato constitutivo e reconstitutivo. PÓLIS O mesmo que cidade-estado. Na Grécia Antiga, era um pequeno território localizado geograficamente no ponto mais alto da região, cujas característicasequivaliam a uma cidade. Seu surgimento foi um dos mais importantes aspectos do desenvolvimento da civilização grega. javascript:void(0) Constituída por um aglomerado urbano, abrangia toda a vida pública de um pequeno território e, geralmente, encontrava-se protegida por uma fortaleza. Fonte: https://www.significados.com.br/polis O CONHECIMENTO SEGUNDO ARISTÓTELES Aristóteles propõe uma teoria do conhecimento praticamente inversa à teoria de Platão (que foi seu mestre) ao defender que a relação de nossos sentidos com o mundo visível nos possibilita a chegada ao conhecimento. As etapas desse processo de chegada ao conhecimento seriam as seguintes: Para o pensamento aristotélico, o aprendizado era visto como uma prática política. Somente pelo entendimento do conceito de pólis seria possível compreender seu projeto de educação como canal capaz de desenvolver as condições necessárias para a segurança do regime e para a saúde do Estado. A Educação, para Aristóteles, deveria ocupar toda a vida do cidadão desde sua concepção. Ao Estado, cabia: 1 Guiar os cidadãos à prática das virtudes. 2 Ocupar-se da educação dos jovens. 3 Estabelecer leis que promovessem a educação conforme a moral, voltada à vida política, o que estabelecia seu equilíbrio. 4 Tornar a educação um assunto público. Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal ATENÇÃO Não estamos resumindo o pensamento destes filósofos. Além da impossibilidade de fazer isto em poucas linhas, nosso objetivo aqui não é este, mas despertar para a influência destes autores na Educação grega. Imagem: Viacheslav Lopatin / Shutterstock.com Pintura da Escola de Atenas feita por Raffaello Sanzio (ou apenas Rafael) em um conjunto de cômodos pintados pelo artista (Os Quartos de Rafael). Essa obra sintetiza os maiores pensadores gregos. Os cômodos, hoje, fazem parte do museu do Vaticano. EDUCAÇÃO GREGA Não existia o modelo de escola como conhecemos na Grécia Clássica. O jovem cidadão estava constantemente aprendendo. A própria família tinha essa responsabilidade, conforme a tradição religiosa, e muitas atividades reuniam os gregos em comemoração: esses eram os momentos que faziam a Educação acontecer naturalmente. O ensino das letras e dos cálculos demorou um pouco mais para se difundir, pois, na formação escolar, a preocupação recaía, prioritariamente, sobre a prática esportiva. Os gregos tratavam a educação como um processo de preparação para a vida social. O homem era visto não só como um ser racional, mas como o centro do universo. Imagem: Shutterstock.com A busca pelo conhecimento e o estudo da natureza, do ser humano e das artes, da observação e da investigação do mundo levaram ao desenvolvimento da Filosofia, entendida como a formação do homem, de seu espírito e de sua alma. Assim como o aspecto intelectual, a educação pelas artes era fundamental para gerar esse homem. Esse processo era resumido pela palavra paideia, que não é possível traduzir em virtude de seus inúmeros significados. Mas segue uma boa tentativa de Werner Jaeger: WERNER JAEGER Jaeger (1888-1961) foi um escritor e entusiasta dos estudos clássicos nascido na Prússia, atual território alemão. Possui cerca de 16 publicações, dentre elas, a Paideia: javascript:void(0) livro de extrema importância na fundamentação da Didática, que foca na estrutura grega clássica de construção do processo da Educação. [...] A ESSÊNCIA DE TODA A VERDADEIRA EDUCAÇÃO, [O] QUE DÁ AO HOMEM O DESEJO E A ÂNSIA DE SE TORNAR UM CIDADÃO PERFEITO, [O QUE] O ENSINA A MANDAR E A OBEDECER, TENDO A JUSTIÇA COMO FUNDAMENTO. Jaeger, 1995. Não entendeu ainda o significado de Paideia ? Rodrigo Rainha fala mais um pouco sobre a importância desse conceito. A educação de cada pólis refletia a forma de organização e os ideais de cada sociedade. Iremos especificar os pormenores da educação ateniense e da espartana a seguir. EDUCAÇÃO ATENIENSE O principal objetivo da educação em Atenas era preparar integralmente o cidadão. Imagem: Shutterstock.com ASPECTOS GERAIS Na pólis ateniense, a Ágora era o principal lugar de manifestação da opinião pública, adequado à cidadania cotidiana, onde o povo se reunia em assembleia para debater e deliberar sobre as questões de interesse da comunidade. A Educação de Atenas tinha como finalidade preparar os futuros cidadãos para a política, ou seja, para a retórica, de modo que fossem capazes de se expressar oralmente, prontos para o diálogo e o convencimento. RETÓRICA A arte da eloquência, a arte de bem argumentar; arte da palavra. Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa Imagem: Shutterstock.com EDUCAÇÃO ELEMENTAR Até os sete anos de idade, a educação era responsabilidade das famílias e ocorria no espaço doméstico. javascript:void(0) As crianças atenienses eram preparadas para o debate e a deliberação. Tinham um dia de estudos e de instrução para a cidadania. Elas iam à palestra – local onde estudavam – duas vezes ao dia: de manhã, quando aprendiam música e ginástica, e à tarde, após o almoço em casa, para o ensino da leitura e da escrita, que era acompanhado por um escravo, chamado de pedagogo. PEDAGOGO Termo que surgiu na Grécia Clássica, advindo da palavra παιδαγωγός, cujo significado etimológico é “preceptor, mestre, guia, aquele que conduz”. O paidagogo (paidagōgós) era o condutor que guiava a criança e o jovem até o local de ensino, ou seja, em direção ao saber. Imagem: Shutterstock.com EDUCAÇÃO POR GÊNERO As meninas continuavam a ser educadas no ambiente familiar, especificamente no gineceu A educação masculina organizava-se em três níveis: javascript:void(0) javascript:void(0) Elementar (até os 13 anos); Secundário; Superior. A partir da Educação Elementar, as crianças eram encaminhadas para aprender algum ofício ou continuavam estudando e frequentando os ginásios. Inicialmente, esses lugares eram destinados apenas aos exercícios físicos, mas, com o tempo e as exigências da pólis, incluíram as práticas musicais e literárias. GINECEU Local da casa reservado aos afazeres domésticos. Imagem: Shutterstock.com ENSINO SUPERIOR A partir dos 16 ou 18 anos, o jovem se dedicava ao Ensino Superior. Esse foi o momento em que Sócrates, Platão e Aristóteles desenvolveram suas reflexões e teorias. O ensino profissional desenvolvia-se no cotidiano, durante a própria execução do trabalho. Assim, a educação ateniense propiciou o surgimento e o desenvolvimento da Filosofia, que pode ser dividida em três fases: PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO Buscava-se explicar as questões da natureza e a origem do mundo. PERÍODO SOCRÁTICO A reflexão residia sobre o homem. Este foi o momento em os filósofos clássicos estudados se destacaram. PERÍODO HELENÍSTICO A Filosofia ficou marcada pela visão cristã e por soluções individuais em detrimento do coletivo. EDUCAÇÃO ESPARTANA A educação em Esparta era mais voltada para a formação de soldados para as guerras. Imagem: Shutterstock.com ASPECTOS GERAIS A estrutura da Educação espartana – chamada de agogê – foi organizada por Licurgo (800 a.C.-730 a.C.). O ensino era obrigatório e estava voltado à formação militar. javascript:void(0) O poder político-militar norteou a Educação de Esparta, que, patrocinada pelo Estado, tinha como principal objetivo preparar os futuros soldados. A prática educacional consistia em desenvolver as habilidades físicas para a formação do guerreiro, tais como força, bravura e obediência – virtudes necessárias à guerra. LICURGO Legislador que também organizou o Estado espartano, fundamentado no militarismo. Foto: Sailko/Wikimedia Commons/licença(CC BY 3.0) EDUCAÇÃO ELEMENTAR Semelhante ao que ocorria em Atenas, até os sete anos, os meninos permaneciam em casa sob os cuidados das mães, que os treinavam de forma rigorosa. Após esse período, o Estado assumia a educação: os jovens eram afastados da família e encaminhados para as casernas públicas,onde recebiam ensinamentos militares e treinavam: ginástica, saltos, natação, corrida, lançamentos de dardo e de disco. Eles também aprendiam a suportar a fome, o frio, a dormir com desconforto e a vestir-se de forma despojada. Além disso, estudavam as armas e manobras militares, com o propósito de se tornar hábeis, perspicazes e com autodomínio. Imagem: Shutterstock.com EDUCAÇÃO POR GÊNERO As mulheres também se preparavam fisicamente e eram criadas para viver de maneira saudável, a fim de conceber filhos sadios. A educação sexual fazia parte da instrução feminina a partir da puberdade e era de responsabilidade da mãe. Em torno dos 20 anos, a moça recebia autorização do governo para casar e procriar e era estimulada a engravidar, pois, quanto mais filhos nasciam, mais soldados havia na cidade. A DISCIPLINA ERA UM VALOR, E O RESPEITO DOS GUERREIROS A SEUS SUPERIORES ERA PRIMORDIAL. ASSIM, A EDUCAÇÃO MORAL ESPARTANA VALORIZAVA A OBEDIÊNCIA, A ACEITAÇÃO DOS CASTIGOS E O RESPEITO AOS MAIS VELHOS, BEM COMO PRIVILEGIAVA A VIDA COMUNITÁRIA. ARANHA, 2000, p. 51 VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O MÉTODO INVESTIGATIVO CRIADO POR SÓCRATES, QUE SE BASEAVA NAS INTERROGAÇÕES PARA DAR À LUZ O CONHECIMENTO E QUE DESTRUÍA AS FALSAS VERDADES PARA GERAR UMA UNIVERSAL, ERA CONHECIDO COMO: A) Arché . B) Dialética. C) Maiêutica. D) Pedagogia. 2. UMA DAS CARACTERÍSTICAS DA EDUCAÇÃO GREGA, ESPECIFICAMENTE EM ATENAS, ERA A VALORIZAÇÃO DA RETÓRICA NESTE PROCESSO. LEVANDO EM CONTA QUE ESTE PONTO É UM DOS MAIS CONTRASTANTES COM A EDUCAÇÃO ESPARTANA, ASSINALE A ALTERNATIVA QUE EXPLICITA ESTE CONTRATE: A) Em Atenas, a preocupação era formar um cidadão capaz de defender suas ideias na Ágora. Em Esparta, o objetivo era formar o guerreiro. B) Em ambas as cidades-estados, a preocupação era a formação do cidadão. No entanto, a Retórica era uma característica exclusiva de Atenas. C) A importância da Retórica era impedir que o filósofo pudesse chegar ao poder administrativo da cidade-Estado, tão comum em Esparta. D) Em Atenas, a Retórica desenvolve a arte da argumentação. Em Esparta é o Agogê que assume o mesmo papel, destacando a música e a poesia. GABARITO 1. O método investigativo criado por Sócrates, que se baseava nas interrogações para dar à luz o conhecimento e que destruía as falsas verdades para gerar uma universal, era conhecido como: A alternativa "C " está correta. Você reconheceu a Maiêutica, método de Sócrates, provando então, saber identificar essa característica da Filosofia da Grécia Clássica. 2. Uma das características da Educação grega, especificamente em Atenas, era a valorização da Retórica neste processo. Levando em conta que este ponto é um dos mais contrastantes com a Educação espartana, assinale a alternativa que explicita este contrate: A alternativa "A " está correta. Como vimos, a Educação de Atenas visava à formação do cidadão, que necessitaria saber argumentar na Ágora. A retórica era apenas um dos instrumentos nesta formação. Em Esparta, a meta educativa se baseava no rígido código do Agogê. Portanto, um filósofo jamais chegaria ao poder administrativo daquela cidade-Estado militar e bélica. MÓDULO 2 Descrever os elementos que marcaram a Educação na Roma Clássica. INTRODUÇÃO Se quiser saber sobre o contexto histórico em que se estabeleceu o Império Romano, assista a este vídeo. Para compreender a Educação no Império Romano, necessitamos buscar alguns elementos entre aqueles conhecidos como seus grandes pensadores: poetas, filósofos e historiadores. Destacaremos três destes ilustres personagens: HORÁCIO Imagem: Shutterstock.com Horácio (65 a.C. - 27 a.C.) Além de sua importância como poeta, pois trouxe muito da filosofia grega para Roma através de sua poesia, Horácio (65 a.C. - 27 a.C.) presenciou o nascimento do Império Romano, sendo contemporâneo de Julio Cesar, Marco Antonio, Cleópatra e Otaviano Augustus. De sua vasta obra, que influenciou o pensamento romano, podemos destacar uma frase que será reconhecida como a marca do filósofo: SAPERE AUDE! OUSE SABER! Séculos mais tarde, Immanuel Kant, um dos fundadores do pensamento contemporâneo, traduziu a frase como: “TENHA CORAGEM DE PENSAR POR SI MESMO”. SÊNECA Imagem: Shutterstock.com Sêneca (4 a.C - 65 d.C.) Vivenciou eventos fundamentais na sociedade romana, foi preceptor de Nero na sua infância e seu conselheiro até se tornar imperador. Como filósofo, advogado, dramaturgo e homem público, Sêneca é considerado um dos mais importantes autores do império. Além de vasta obra, deixou como herança sua preocupação ética: coerência entre aquilo que pensava e escrevia com aquilo que vivia. Também defendia o conceito de igualdade natural entre os homens – vivia em constante combate à escravidão, tão comum em seu tempo. FLÁVIO JOSEFO Imagem: Shutterstock.com Josefo (37d.C. – 100 d.C.) Foi um historiador judeu, tornado cidadão romano. Ele testemunhou eventos fundamentais de seu tempo, todos registrados em suas obras: a expansão definitiva do Império Romano sobre a Palestina, a destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.) e o nascimento do Cristianismo. Vivendo permanentemente dividido, não só como historiador, mas como homem público, deixou relatos fundamentais daquele período, que ainda hoje são fontes preciosas. Neste contexto, podemos falar em Educação Romana. Imagem: Shutterstock.com EDUCAÇÃO ROMANA Na fase latina da Educação romana, havia resistência à influência helenística. Os pequenos camponeses do Lácio protegiam-se das inovações estrangeiras pelo respeito a uma tradição ancestral, de acordo com a qual a finalidade da educação era prática e social. Esperava-se que se proporcionasse à criança o saber necessário para o exercício de sua profissão de soldado ou de proprietário rural. Imagem: Shutterstock.com No século II a.C., o pater familias concedeu à mãe os direitos sobre a educação de seus filhos durante a primeira infância, incluindo as meninas, que também aprendiam os elementos iniciais do alfabeto. A criança crescia em casa, com os colegas, entre os brinquedos e as aprendizagens básicas. A mulher adquiriu uma autoridade desconhecida na Antiguidade grega. Essa tradição permaneceu por muito tempo, inclusive no século I d.C., conforme destaca Manacorda (2006, p. 75): MARIO ALIGHIERO MANACORDA javascript:void(0) Mario Alighiero Manacorda (Roma, 1914 - 2013) foi professor, pedagogo e tradutor de italiano. Na segunda metade do século XX, ele ocupou posições de prestígio no mundo acadêmico italiano e exerceu uma intensa atividade política. Imagem: Shutterstock.com Resumindo, então, a formação da criança na Roma Antiga: Por volta dos sete anos de idade, o pai deveria proporcionar ao filho a educação moral e cívica, baseada na tradição, bem como na aprendizagem de noções jurídicas e de conceitos estabelecidos na Lei das XII Tábuas, a fim de desenvolver sua consciência histórica e o patriotismo. Para isso, a Educação romana compreendia, também, os exercícios físicos e militares. Em torno de 16 anos, finalmente livre da infância, o jovem dava início à aprendizagem da vida pública, militar ou política, acompanhado do pai ou, se necessário, de um parente e, até mesmo, de um escravo instruído, com o objetivo de se inserir na sociedade. Durante cerca de um ano, antes de cumprir o serviço militar, adquiria conhecimentos de Direito, de prática pública e da Eloquência (baseada diretamente nos estudos gregos em Retórica). javascript:void(0) javascript:void(0) LEI DAS XII TÁBUAS Antiga legislação, origem do Direito romano, que formava a essência da constituição da República de Roma, bem como do mos maiorum (antigas leis não escritas e regras de conduta). Disponível em: https://www.stf.jus.br. Acesso em: 20 jun. 2018 ELOQUÊNCIA Na concepção romana, a arte do dizer. INFLUÊNCIA GREGA NA EDUCAÇÃO ROMANA No início da República, o crescimento do comércio e a expansão de Roma propiciaram transformações na organizaçãoda sociedade. Inclusive, aos poucos, consolidou-se outro modelo de educação mais coerente com o novo momento vivido pelos romanos. javascript:void(0); PROVAVELMENTE, A EVOLUÇÃO HISTÓRICA FOI DO ESCRAVO PEDAGOGO E MESTRE DA PRÓPRIA FAMÍLIA AO ESCRAVO MESTRE DAS CRIANÇAS DE VÁRIAS FAMÍLIAS E, ENFIM, AO ESCRAVO LIBERTUS, QUE ENSINA NA SUA PRÓPRIA ESCOLA. Manacorda, 2006, p. 78. E quem eram esses escravos? A maioria deles veio da Grécia conquistada pelos romanos. Em Roma, os escravos gregos ensinaram a própria língua e transmitiram sua cultura aos romanos. Além disso, os etruscos (povo da Etrúria, uma terra antiga da Península Itálica) também foram influenciados pelos gregos, com quem aprenderam o alfabeto. De modo gradual, a Educação tornou-se um ofício praticado, inicialmente, por escravos no interior da família e, em seguida, por libertos na escola. Imagem: Helene Guerber/Wikimedia Commons/Domínio Público. Professor punido Nesse período, os mestres eram mais desprezados do que estimados e, muitas vezes, lembrados pelos castigos corporais e pela pobreza. Apesar de sua severidade, é comum encontrarmos relatos de revoltas por parte dos alunos, que até os agrediam fisicamente. Em seguida, foram criadas as cátedras de Retórica nas grandes cidades. Além disso, houve favorecimento e promoção da instituição de escolas municipais de gramática e de retórica nas províncias. Então, pela primeira vez, os romanos desenvolveram um sistema de ensino: um organismo centralizado que coordenava inúmeras instituições escolares espalhadas por todas as províncias do império, constituídas em caráter oficial pela intervenção do Estado. ATENÇÃO Observamos a influência grega e etrusca sobre a origem de uma forma de educação não familiar, mas institucionalizada na escola. Logo, a cultura grega converteu-se em patrimônio comum dos povos do Império Romano e, depois, foi repassada durante muito tempo à Europa medieval e moderna, chegando, assim, à nossa época. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. DENTRE TANTOS AUTORES, FILÓSOFOS, POETAS, JURISTAS E DRAMATURGOS, QUE MARCARAM A ROMA CLÁSSICA, DESTACAMOS A IMPORTÂNCIA DE SÊNECA NAQUELE CONTEXTO, MESMO QUANDO SUAS IDEIAS CONTRASTAVAM COM A PRÓPRIA ESTRUTURA DO IMPÉRIO ROMANO. ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE IDENTIFICA UM DESSES CONTRASTES EM RELAÇÃO À EDUCAÇÃO ROMANA: A) O ensino visava oferecer à criança o aprendizado suficiente para sua atuação social. B) Grande parte do processo educativo era realizada por escravos. C) A responsabilidade da família era destacada na Educação romana. D) Educação romana também compreendia exercícios físicos e militares. 2. APESAR DA TENTATIVA DE UM MODELO DE EDUCAÇÃO PRÓPRIO, ROMA NÃO TEVE COMO IMPEDIR A INFLUÊNCIA GREGA, NÃO SOMENTE PELA UTILIZAÇÃO DOS ESCRAVOS, PRISIONEIROS DE GUERRA, MAS POR UMA SÉRIE DE FATORES LIGADOS AO PROCESSO EDUCACIONAL DO CIDADÃO. ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE APRESENTA UMA ANALOGIA À EDUCAÇÃO GREGA, ESPECIALMENTE AO ENSINO DA RETÓRICA: A) Exercícios físicos e militares como parte do processo pedagógico. B) O ensino das primeiras letras (alfabetização) no âmbito familiar. C) O ensino da Eloquência, última fase de aprendizado antes do serviço militar. D) O desprezo pelo mestre por parte dos alunos, pela condição de escravos que se encontravam a maioria. GABARITO 1. Dentre tantos autores, filósofos, poetas, juristas e dramaturgos, que marcaram a Roma Clássica, destacamos a importância de Sêneca naquele contexto, mesmo quando suas ideias contrastavam com a própria estrutura do Império Romano. Assinale a única alternativa que identifica um desses contrastes em relação à Educação romana: A alternativa "B " está correta. Todas as alternativas indicam características da Educação romana, mas a preocupação de Sêneca especificamente, e de outros pensadores do Império, contrastava com o modelo escravocrata vigente. Vale lembrar que, naquele momento, os escravos eram prisioneiros de guerra, e, geralmente, eram os mais qualificados para o trabalho que exerciam. 2. Apesar da tentativa de um modelo de Educação próprio, Roma não teve como impedir a influência grega, não somente pela utilização dos escravos, prisioneiros de guerra, mas por uma série de fatores ligados ao processo educacional do cidadão. Assinale a única alternativa que apresenta uma analogia à Educação grega, especialmente ao ensino da Retórica: A alternativa "C " está correta. Embora todas as alternativas apresentem características da Educação romana, o ensino da Eloquência está diretamente ligado ao ensino de Retórica, na Grécia. Ou seja, ao preocupar-se com a formação do cidadão, o processo educacional visava oferecer um conteúdo referente à apresentação clara das próprias ideias e, especialmente, a argumentação, capacidade de sustentar tais ideias com argumentos. MÓDULO 3 Identificar traços da Educação na Antiguidade Clássica na Educação contemporânea. A HERANÇA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA Para entender como o Mito da Caverna se relaciona ao conceito de Educação sob um viés atemporal, assista o video. É provável que você já tenha identificado os elementos que marcam a influência da Educação Clássica sobre nós. No entanto, gostaríamos de destacar alguns pontos sobre isto, pois é importante que você possa posicionar-se frente a eles e, assim, repensar a prática educativa que conhece e aquela que assumirá como sua. MUNDO INTELIGÍVEL EDUCAÇÃO: MISSÃO PRÁTICA DIALÉTICA O MITO DA CAVERNA FORMAÇÃO CIDADÃ EDUCAÇÃO ROMANA MUNDO INTELIGÍVEL (PLATÃO) É preciso conhecer as formas, a verdade e a razão de tudo o que existe no mundo sensível. Tudo o que nasce e desaparece não pode ser considerado o ser de maneira plena. Neste mundo, tudo é instável, pois se transforma com o tempo. A verdade é o lugar para onde devemos retornar, pois viemos dela, das formas inteligíveis e das essências. EDUCAÇÃO: MISSÃO A instrução deve culminar na formação do cidadão e da cidade dos justos. Por isso, é necessário haver equilíbrio entre as três almas presentes no homem: animal, passional e intelectual. O intelecto (razão) tem de dominar as paixões e os instintos. PRÁTICA DIALÉTICA Embora nossa legislação educacional, nos últimos anos, tenha passado por muitas alterações, é fácil perceber que alguns dos pontos definidos como essenciais por Platão estão presentes ainda hoje. Sim, a dialética ainda permanece nos discursos, mas é fundamental para que haja, verdadeiramente, Educação. O MITO DA CAVERNA Provavelmente você já percebeu, mas é importante destacar que não há nada mais emancipador para o ser humano que a Educação. Ela que permite ao homem “ter coragem de pensar por si mesmo” (uma conclusão também romana). javascript:void(0) Moral da história: a educação liberta, ilumina os que estão no mundo das sombras e leva à verdade. FORMAÇÃO CIDADÃ Outro ponto em que esta influência é perceptível corresponde à preocupação da formação do cidadão. Ou melhor: a Educação é uma prática social, no seio da pólis. Portanto, representa uma prática política. A educação era, portanto, uma condição da pólis e não podia ser negligenciada. Para Aristóteles, a política era a ciência mais importante, e, apenas por meio da educação, o homem desenvolvia a prática do bem-estar comum. Mas, para que a educação alcançasse seus objetivos, era necessário um conjunto de atividades pedagógicas e coordenadas, que visassem a uma cidade perfeita e a um cidadão feliz. O filósofo grego também deixou de herança o método peripatético, que discutia as questões filosóficas mais profundas, relacionadas à metafísica, à Física e à Lógica. EDUCAÇÃO ROMANA A crítica a esse modelo de educação se fez presente e partiu de dentro da própria sociedade, que, por meio de seus importantes pensadores ou filósofos, não só condenou como também externou proposições a respeito da escola. Veremos uma dessas colocações a seguir. A MEMORIZAÇÃO E A REPETIÇÃO MARCARAM FORTEMENTE ESSA ESCOLA INICIAL. CERTAMENTE, javascript:void(0)O TÉDIO DE TAL DIDÁTICA, O MEDO DAS VARAS E DOS CHICOTES, E OS CONTEÚDOS MUITO DISTANTES DA VIDA DIÁRIA E DOS INTERESSES REAIS DOS JOVENS E DA SOCIEDADE NÃO ENCORAJARAM A FREQUÊNCIA AOS ESTUDOS. [...] EM ROMA, ENCONTRAMO-NOS, PELA PRIMEIRA VEZ, PERANTE UMA CRÍTICA FUNDAMENTAL DA ESCOLA PELO QUE ELA É, E NÃO PELOS ACIDENTES DE SUA VIDA DIÁRIA – ASSISTIMOS, ENFIM, AO NASCIMENTO DE UMA CONSCIÊNCIA CRÍTICA SOBRE A ESCOLA E A EDUCAÇÃO. Manacorda, 2006, p. 93-94. DIALÉTICA Também um ideal platônico. Processo de diálogo, debate entre interlocutores comprometidos com a busca da verdade, por meio do qual a alma se eleva, gradativamente, das aparências sensíveis às realidades inteligíveis ou ideias. Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa MÉTODO PERIPATÉTICO Doutrina cujo nome deriva de perípato: alameda dos jardins do Liceu (escola filosófica fundada por Aristóteles, onde ministrava suas aulas caminhando). Ao longo do tempo, o método se difundiu e passou a designar todo aquele que tem o hábito de ensinar dessa forma. Caracteriza-se pela diversidade e complexidade temática – sistematização e aperfeiçoamento de todos os saberes de seu tempo – com profunda influência sobre o desenvolvimento posterior da cultura ocidental. Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa Foto: Shutterstock.com PERCEPÇÕES GERAIS SOBRE O ATUAL MODELO DE ENSINO Precisamos superar a visão de que a escola não tem conseguido educar porque estamos muito mal posicionados na classificação mundial de desempenho. Devemos assumir nossa responsabilidade, como sociedade, para realizarmos uma educação plena. Dentre os inúmeros passos que podemos dar, além de oferecer formação acadêmica de qualidade, é preciso investir esforços para termos um relacionamento sadio e respeitoso entre escola e sociedade e entre professores e alunos. IMPORTANTE Para que tomemos consciência de como essa tarefa é urgente, observe a tabela abaixo: Fonte: FBSP, 2019, p. 182 Perceba que quase ½ (metade) dos entrevistados já presenciaram algum tipo de violência de alunos a professores ou funcionários da escola; e quase 2/3 (dois terços) presenciaram a violência entre os alunos. E sabemos que a realidade em muitas localidades pode ser ainda mais grave. Como profissionais da Educação – atuais ou futuros – necessitamos estar atentos às lições da História e da História da Educação. E assim superarmos essa realidade de violência, e podermos fazer da escola verdadeiro ambiente de segurança, convivência e, claro, Educação. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O PENSAMENTO PLATÔNICO, A RELAÇÃO ENTRE O MUNDO INTELIGÍVEL E A EDUCAÇÃO, E AS PROPOSTAS QUE ELE APRESENTA COMO DISCIPLINA ESCOLAR PODEM NOS TRAZER IMPORTANTES REFLEXÕES SOBRE UMA ESTRATÉGIA FUNDAMENTAL PARA QUE A EDUCAÇÃO NÃO SEJA APENAS IMPOSIÇÃO DE CONHECIMENTOS ALHEIOS. ASSINALE A ÚNICA ALTERNATIVA QUE IDENTIFICA ESSA ESTRATÉGIA: A) A recriação do Gineceu nas escolas para a existência de um ensino mais prático e objetivo. B) A criação de uma Escola Peripatética, em que os conhecimentos serão mais aprofundados. C) A valorização da Reminiscência, levando os alunos a buscarem conhecimentos esquecidos. D) O resgate do ensino da Dialética a fim de possibilitar uma educação dialógica. 2. ARISTÓTELES DEIXOU MUITAS HERANÇAS PARA A EDUCAÇÃO GREGA E ROMANA. UMA DELAS FOI UM MÉTODO DE ENSINO QUE DISCUTIA AS QUESTÕES FILOSÓFICAS MAIS PROFUNDAS, RELACIONADAS À METAFÍSICA, À FÍSICA E À LÓGICA, CONHECIDO COMO: A) Phisis . B) Peripatético. C) Dialética. D) Maiêutica. GABARITO 1. O pensamento platônico, a relação entre o mundo inteligível e a Educação, e as propostas que ele apresenta como disciplina escolar podem nos trazer importantes reflexões sobre uma estratégia fundamental para que a educação não seja apenas imposição de conhecimentos alheios. Assinale a única alternativa que identifica essa estratégia: A alternativa "D " está correta. A Dialética tornou-se fundamental no contexto da Educação Clássica por valorizar exatamente a condição necessária para a autonomia do cidadão, a fim de assumir seu papel na sociedade, através do diálogo. Da mesma forma, espera-se que a formação do educando passe pelo mesmo caminho para que também seja responsável por seu aprendizado. 2. Aristóteles deixou muitas heranças para a educação grega e romana. Uma delas foi um método de ensino que discutia as questões filosóficas mais profundas, relacionadas à Metafísica, à Física e à Lógica, conhecido como: A alternativa "B " está correta. A origem do nome deste método vem do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, caminhando, enquanto lia e dava preleções sob os portais cobertos do Liceu (perípatos) ou sob as árvores que o cercavam. Sempre pelas manhãs, mestre e discípulos debatiam sobre os temas mencionados. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Se quisermos resumir a importância da Educação Clássica para o desenvolvimento das práticas educacionais atuais, seja em seu período específico ou através da herança deixada a nós, devemos nos concentrar na valorização e no respeito ao conhecimento, ou seja, há algo a ser aprendido. Daí o grande papel da Filosofia naquele contexto. Assim, formar o cidadão, nos tempos clássicos da Grécia e de Roma ou atualmente, é permitir a ele o acesso ao conhecimento e às condições para posicionar-se frente a este mesmo conhecimento e, consequentemente, frente à sociedade em que vive. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ARANHA, M. L. de A. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000. JAEGER, W. Paideia. São Paulo: Martins Fontes, 1995. MANACORDA, M. A. História da Educação: da Antiguidade aos nossos dias. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2006. SOUZA, N. M. M. (Org.). História da Educação: Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea. São Paulo: Avercamp, 2006. EXPLORE+ Para perceber como Sócrates acreditava que a Maiêutica era a melhor forma de instruir o aprendiz, vale conferir o filme Sócrates, de Roberto Rossellini, de 1971. Transcrevemos uma cena, clique aqui e confira. Se quiser conhecer um pouco mais sobre Sócrates, baixe aqui o livro Apologia de Sócrates, escrito por Platão, que foi seu discípulo. Veja nesse link como Sócrates ajuda o escravo de Ménon a perceber que “os homens têm em si conhecimentos que desconhecem”. Recomendamos o filme 300, baseado em HQ homônimo de Frank Miller. SÓCRATES (1971) Percebemos que, ao acolher as dúvidas de seus discípulos, Sócrates trabalha tais dúvidas para fazer novos questionamentos, e, assim, levá-los a compreender o tema que lhe interessa apresentar; no caso, o valor da justiça, da procura pelo bem. javascript:void(0) javascript:void(0); javascript:void(0); A Maiêutica, assim, é apresentada em sua forma mais genuína: uma primeira fase onde o [suposto] conhecimento do discípulo chega a Sócrates (chamado de ironia, no método socrático); e depois a fase onde o conhecimento [verdadeiro] que é gerado (a maiêutica, propriamente dita), a partir das orientações do filósofo. CONTEUDISTA Antônio Sérgio de Giácomo Macedo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); DESCRIÇÃO Educação na Europa Ocidental no período da Idade Média (entre os séculos V e XV). Legados medievais na forma de pensar a Educação: Artes Liberais, “monopólio” do campo educacional pelo clero, influência árabe para a cultura europeia, método de ensino da Escolástica e aparecimento das universidades. PROPÓSITO Demonstrar que a base da Educação ocidental é fortemente influenciada pelas tradições educacionais desenvolvidas na Idade Média, em especial o papel da Igreja e a formação moral do sujeito, marca recorrente ainda na maneira como a Educação é vista e empreendida no Brasil e no mundo. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar as principais características da transição da Educação entre a Antiguidade e a Idade Média MÓDULO 2 Descrever a importância das artes liberais para a formação dos sujeitos na Idade Média MÓDULO 3 Comparar aspectos da ReformaCarolíngia e da Educação islâmica na Europa Ocidental MÓDULO 4 Determinar a importância da Escolástica para as escolas urbanas e universidades na Baixa Idade Média INTRODUÇÃO Como você imagina a Idade Média? Imagem: Shutterstock.com Castelos e princesas, lembrando as histórias infantis? Imagem: Shutterstock.com Lutas de espadas e as ações da Igreja, como nos filmes e séries? Imagem: Shutterstock.com Professores que explicam que a Idade Média era a Idade das Trevas? Essas visões construídas fazem parte do nosso cotidiano e têm relação com os iluministas, que queriam se afirmar contra o pensamento da Igreja. Além disso, há o Romantismo, que idealizou as figuras do cavaleiro e da donzela e, por fim, o cinema e a literatura contemporânea que veem com certo fascínio a Idade Média. A tarefa de resumir a Idade Média a esses conceitos é difícil, pois um milênio não é representado por uma coisa só. De fato, esse olhar europeu só tem sentido se pensamos nos legados medievais. As sociedades atuais são frutos de influências europeias e do seu auge, que gerou o colonialismo e o imperialismo. Esse período fez com que as instituições europeias e suas diversas formações dessem base às nossas estruturas sociais, políticas e, principalmente, educacionais. A Idade Média concentra os fundamentos da moral ocidental, marcados pela tradição judaico- cristã da Igreja. As referências da Antiguidade foram reconstruídas e marcam nossa forma de ver o mundo. Apesar de ter sido reconhecida de maneira pejorativa como apenas um período de transição, uma época de trevas, a Idade Média apresenta práticas que fazem parte de nosso cotidiano mesmo que nós não percebamos. Nosso objetivo, portanto, é demonstrar que as tais trevas tinham intelectuais importantes, debates vigorosos, além de disputas entre grupos sociais para organizar e manter a Educação. MÓDULO 1 Identificar as principais características da transição da Educação entre a Antiguidade e a Idade Média CONTEXTO A Idade Média é um período marcado pelo surgimento de um novo tipo de intelectual na Europa Ocidental: os padres cristãos. Esse grupo foi o principal responsável por manter uma Educação formal (escolas) na Europa entre os séculos V e XV. Os primeiros a inaugurarem esse novo pensamento são conhecidos como membros da Patrística. PATRÍSTICA Nomenclatura adotada para englobar os principais intelectuais que construíram os dogmas, as bases filosóficas e as práticas da Igreja Romana, que seria conhecida posteriormente pelo nome de Igreja Católica. O termo significa pais da Igreja, mas poderíamos também apresentá-lo como inauguradores da filosofia cristã, que muito contribuíram para o conhecimento e para a Educação. A Igreja Cristã foi a única instituição que atravessou todo o período de transição da Antiguidade para a Idade Média. Em meados do século III, o Império Romano apresentava graves sinais de crise econômica e política. Na busca de reformulações que permitissem sua permanência, foram procuradas novas formas de governo – chega-se a ter quatro imperadores de uma só vez. Outra tentativa foi a organização das mensagens e preceitos religiosos que dessem sentido à nova construção imperial. Quando o Imperador Constantino se converteu ao cristianismo, houve um movimento que pode ser interpretado como uma tentativa de coesão pela religião. javascript:void(0) Mesmo assim, após a fragmentação do Império Romano Ocidental, a Educação foi creditada à Igreja, já que valorizava os princípios educacionais herdados da Antiguidade para ocupação dos seus quadros e para sua pregação. FRAGMENTAÇÃO DO IMPÉRIO ROMANO OCIDENTAL No lugar de um império, passamos a ter reinos menores, conhecidos como “reinos bárbaros”. Esses reinos tinham um modelo político aristocrático – o rei comandava um conselho de senhores em que cada um mandava na sua região – e passaram a ter forte relação com a Igreja depois da conversão dos reis e de seus povos germânicos ao cristianismo. O diálogo entre esses grupos foi iniciado pela religião cristã e gerou, com a conversão, a construção de um novo mundo. O império romano deixou de existir, tornou-se um conjunto fragmentado de reinos com a mistura de três grandes tradições: 1. As romanas - com a maior parte da população. 2. As germânicas - reunião de características dos novos senhores. 3. A cristã – grupo que se difundia e se fazia presente no cotidiano, marcando intensamente a Educação no período. javascript:void(0) Foto: Statue de Constantin Ier, Musée du Capitole, Rome/Wikimedia Commons/licença CC-BY- 2.5 Constantino, primeiro imperador cristão, foi canonizado pela Igreja Ortodoxa. Imagem: Bibl. nat. de France, manuscrit français n°9198, f. 19. Scriptorium - Copiste au travail. A Igreja, por meio de seus membros, transmitiu uma mistura das culturas antigas (greco- romana) cristianizadas. Sua pregação era levada às praças, para o cotidiano dos reis, para todos que ouviam a Igreja, fazendo com que a Educação fosse difundida por meios não formais. No entanto, sua estrutura de manutenção era formal, organizada em centros de formação desses clérigos. O saber antigo preservou-se nos livros que os mosteiros e as igrejas agasalharam carinhosamente (NUNES, 2018). MOSTEIROS Os mosteiros possuíam bibliotecas e recebiam hóspedes vindos das regiões mais diversas. Nesses locais, eram desenvolvidas as tecnologias dos óculos, as melhorias das técnicas de irrigação, de produção de fermentados (incluindo pão e cerveja) e até estudo das ervas (inclusive medicinais). Os mosteiros eram verdadeiros ambientes educacionais presentes e disseminados por toda Europa, norte da África e Oriente Próximo durante o período medieval. CURIOSIDADE HISTÓRICA O clero impulsionou fundamentalmente o fenômeno de latinização nos séculos IV e V, o que representou o embrião das línguas neolatinas, fio condutor que fez possível também a transmissão de elementos culturais da Antiguidade Clássica até a Baixa Idade Média. LÍNGUAS NEOLATINAS Italiano, francês, espanhol, catalão, galego, português e romeno são exemplos de línguas neolatinas. CONCEITOS javascript:void(0) javascript:void(0) Nessa época, a Igreja Católica foi muito importante para o desenvolvimento da ciência e para a preservação da cultura. Além disso, foi fundamental na manutenção da Educação. Os monges copistas foram responsáveis pela armazenagem do saber, pois copiavam e guardavam os registros escritos. Assim, toda a produção de conhecimento nas civilizações antigas – principalmente dos sábios gregos – foi preservada e retomada no período do Renascimento. CATÓLICA O termo católico, derivação da palavra grega katholikos, que significa universal, passou a ser adotado pela Igreja no século XII, mas, mesmo antes, muitos dos seus membros já utilizavam esse nome. RENASCIMENTO Movimento do fim da Idade Média em que intelectuais, pintores e filósofos alegavam recuperar os valores romanos. Na prática, esses valores nunca desapareceram, só foram adaptados à forma de um discurso cristão. Fonte: Madonna a Maesta/Wikiart/Domínio públic Ognissanti Madonna obra de Giotto di Bondone de 1310. Mesmo com a expansão do cristianismo, ainda na Antiguidade, bem como nos séculos subsequentes, os jovens romanos e cristãos frequentavam as mesmas escolas, liam os mesmos textos, recebiam a mesma instrução. O ensino da cultura clássica era necessário, sobretudo para aqueles oriundos das classes médias e altas, que formariam os quadros das carreiras administrativas. javascript:void(0) javascript:void(0) Por conta dessa característica, a cultura clássica influenciava os principais intelectuais da Igreja de forma intensa. O modelo educacional da Igreja era uma cópia do modelo do Império Romano. A arte da transição é um bom exemplo dessa mistura. De um lado, a forma é romana, de outro, o discurso é cristão. Repare nesta imagem. A Bíblia e a cruz, o pergaminho em grego e as roupas da nobreza. Foto: Shutterstock.comAs obras clássicas foram adotadas, seus pensadores reconhecidos, sua forma de educar valorizada, mas os objetivos e formas universalistas foram abandonados e substituídos por elementos cristãos. Por outro lado, a cultura romana também foi muito influenciada pelo catolicismo. As pinturas, as esculturas e os livros eram marcados pela temática religiosa. Os vitrais das igrejas apresentavam cenas bíblicas, pois essa era uma forma didática de transmitir o evangelho a uma população quase toda formada por iletrados. Assim como os romanos faziam com seus monumentos e afrescos, a Igreja repaginou e permaneceu com sua utilização. Fonte: Shutterstock.com CURIOSIDADE HISTÓRICA Gregório (papa entre os anos 590 e 604) criou o canto gregoriano – outra forma de disseminar as informações e os conhecimentos religiosos por meio de um instrumento simples e interessante da tradição romana: a música. CORRENTES FILOSÓFICAS MEDIEVAIS Pode-se dividir, de forma generalista, a Idade Média, no que diz respeito à Educação, em duas linhas principais: Imagem: Antonio Rodríguez (1636 - 1691)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Agostinho de Hipona Patrística Pretende expor racionalmente a doutrina religiosa, com destaque para Agostinho de Hipona. Imagem: The Yorck Project (2002)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Tomás de Aquino Escolástica Predominante nos espaços escolares durante o Renascimento Carolíngio e readaptada a partir do racionalismo cristão e de Tomás de Aquino. O termo patrística foi criado para designar os primeiros intelectuais da Igreja Romana, como Justino, Tertuliano, Orígenes, Atenágoras, Clemente. No entanto, dedicaremos nosso olhar a um membro tardio, mas fundamental para a Educação na Idade Média: Agostinho de Hipona. A Patrística se configurou como uma corrente de pensamento fundada pelos padres da Igreja Católica que procuravam estabelecer uma concepção racional dos fundamentos dos dogmas da fé cristã e uma resposta às suas perspectivas antagônicas, que eles denominavam de heresias. FÉ CRISTÃ O cristianismo não nasceu de forma espontânea. Ele precisou da ação de muitos homens. Dependeu dos Atos dos Apóstolos, liderados por Paulo de Tarso e sua javascript:void(0) disseminação da religião entre os gentios. Uma vez que a religião chega ao Mediterrâneo, ela passa a ser disseminada e ganhar características helenísticas, com a valorização da retórica, a construção de uma dialética singular, o que exigia a formação de grupos de especialistas, que, de fato, organizavam a mensagem de Deus. Vários nomes são importantes nessa estrutura, como Jerônimo – que organizou a primeira versão da Bíblia, chamada de Vulgata –, Cirilo de Alexandria, que levava tantos a ouvirem sua pregação que era necessário organizar filas para entrada e saída para evitar que pessoas fossem pisoteadas. EDUCAÇÃO A base do pensamento educacional na Idade Média é o neoplatonismo cristão. Essa corrente filosófica misturava traços da leitura de Platão e princípios diversos filosóficos do Mediterrâneo, como estoicismo, e os preceitos da religião cristã. NEOPLATONISMO O prefixo neo indica o novo ou a retomada. ESTOICISMO Movimento filosófico romano que defendia que o homem deve lutar contra a natureza e seus desejos. O nome mais importante para a Educação formulada para a Igreja e para além dela é o bispo africano Agostinho de Hipona (354-430). Ele estruturou seu pensamento como os demais javascript:void(0) javascript:void(0) membros da Patrística, isto é, combinando elementos da fé a princípios filosóficos de nomes importantes da cultura clássica, como Platão (428 a.C.-347 a.C.) e Plotino (204 d.C.-270 d.C.). A influência de Agostinho de Hipona no campo educacional foi notória na Idade Média com suas obras: A DOUTRINA CRISTÃ A obra que mais influenciou a Educação medieval, servindo de guia para os estudos dos intelectuais cristãos, bem como de ideário e planejamento para as escolas desse período. Para Agostinho, o lugar de aprendizagem era a Bíblia. Além disso, para ele, Deus era o único mestre. Os professores, na realidade, nada ensinavam, apenas despertavam em seus alunos a busca pelo conhecimento. Agostinho idealizou a Educação como um processo por meio do qual o “homem exterior”, material, mutável e mortal cedia espaço para o “homem interior”, espiritual, imutável e imortal. Essa transformação se dava à medida que o homem se aproximava e se familiarizava com Cristo: a Verdade, a Palavra de Deus que se fez homem (MELO, 2002, p. 67). Assim, fica claro que o Bispo de Hipona acreditava que a aprendizagem se dava por intermédio de Deus, uma vez que Ele permitia que se captassem as coisas da verdade essencial. DE MAGISTRO Em De Magistro, Agostinho dedica-se a explicar a postura do mestre (professor). A estrutura é de um diálogo filosófico entre Agostinho, no papel de mestre, sendo questionado por um discípulo chamado Adeodato. Um dos elementos centrais da obra é a forma como a Educação pode ser atingida e para que ela serve. A proposta é mostrar que o conhecimento pelo conhecimento, como muito era pensado e visto na tradição romana, não levaria a lugar algum. Assim, o único mestre possível era Jesus, e a Salvação era atingir o mundo real, abandonar a ilusão e as dificuldades desse mundo. O professor seria, portanto, um guia, alguém que deveria mostrar que as paixões e prazeres desse mundo são insignificantes diante do peso e da beleza da Salvação efetiva. Esse sentido pode parecer religioso, mas ainda é recorrente na maneira do senso comum interpretar a Educação em nossos dias. A percepção de que o conhecimento deve formar o sujeito para que ele se torne um ser melhor, aqui possui sentido religioso; mas podemos pensar no âmbito da moral. A Educação como o caminho de formação do ser humano, incutindo valores sociais necessários é, sem dúvida, parte do legado agostiniano. Um dos legados é a ideia de que religião e Educação podem ser tratadas como elementos indissociáveis, isto é, a formação educacional e a formação religiosa podem e devem ser feitas com base nos mesmos instrumentos e para o mesmo fim. Veja que as escolas de matriz religiosa, por exemplo, continuam fortemente reconhecidas no nosso cotidiano. Além disso, os pastores, padres e afins assumem funções didáticas com seus fiéis nas pregações e nas homílias, demonstrando a proximidade, que bebe, sem dúvida, na tradição inaugurada por Agostinho. HOMILÍA Sermão religioso ministrado por um sacerdote no decorrer de uma celebração religiosa após a leitura da Bíblia, destinado a explicar o tema ou texto religioso. Vimos que para Agostinho o conhecimento era advindo de Deus, mas para quem se destinava os ensinamentos? Quem eram os alunos? Imagem: Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Quem estudava, nesse momento, era a elite. Essa escola servia para formar novos quadros de clérigos, mas acabava também servindo à elite local. RESUMO Neste vídeo, veremos um resumo dos principais tópicos deste módulo, com foco no principal representante da corrente filosófica Patrística: Agostinho de Hipona. O professor Rodrigo Rainha explica a importância de Agostinho de Hipona na formação da educação na Idade Média. javascript:void(0) FIGURAS RELEVANTES Vamos conhecer alguns dos sujeitos que foram apresentados ao longo deste módulo. Foto: Statue de Constantin Ier, Musée du Capitole, Rome/Wikimedia Commons/licença CC-BY- 2.5 Constantino Primeiro imperador romano a professar a religião cristã. Foto: The Yorck Project (2002) /Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Papa Gregório Criador do canto gregoriano. Imagem: Antonio Rodríguez (1636 - 1691)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Agostinho de Hipona Representante da corrente Patrística que influenciou fortemente a Educação medieval. Imagem: The Yorck Project (2002)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Tomás de Aquino Representante da corrente Escolástica, com influências na Filosofia e Teologia. Imagem:Blaffer Foundation Collection, Houston, TX/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Paulo de Tarso Disseminou a religião entre os gentios. Imagem: Wikimedia Commons/licença CC-BY-2 Jerônimo de Estridão Traduziu a Bíblia para a primeira versão em latim, chamada de Vulgata. Imagem: Cirilo de Alexandria em Chora/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Cirilo de Alexandria Alcançou multidões com suas pregações, expandido a doutrina cristã. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. QUANDO O HISTORIADOR MEDIEVALISTA RONALDO AMARAL AFIRMA QUE, “PARA PREDICAR A VERDADE CONTIDA NA LITERATURA CRISTÃ, SOBRETUDO A BÍBLICA, PODER-SE-IA USAR AS DOUTRINAS DOS PAGÃOS, SENDO TAL POSTURA APENAS PERMISSÍVEL, CASO PREPARASSEM PARA O ENTENDIMENTO DAQUELA (...)”, POSSIBILITA QUE COMPREENDAMOS O PROCESSO EM QUE SE DEU A TRANSIÇÃO DA IDADE ANTIGA PARA A MEDIEVAL. NESTE SENTIDO, PODEMOS AFIRMAR: A) As obras clássicas foram destituídas de suas essências e sentido abrangente, sendo utilizadas conforme as necessidades do cristianismo. B) O cristianismo conquistou a história e nesta se colocou em decorrência de seu Deus ter encarnado. C) Autores como Platão foram utilizados, ganhando características cristianizadas em suas proposições. D) Os padres da Igreja não fizeram uso de absolutamente nada da cultura clássica porque consideravam que ela era imprópria para os desígnios divinos. 2. O LATIM “FOI O FUNDAMENTO DA UNIDADE CULTURAL QUE VIRIA A SER PROPORCIONADA PELAS ESCOLAS MANTIDAS PELA IGREJA” (ARMINDA CAMPOS). AO ENTENDERMOS A FRASE NO CONTEXTO DO PROCESSO EDUCACIONAL QUE SE CONCEBE NO INÍCIO DA IDADE MÉDIA, COMO PODEMOS RESUMIR A POSIÇÃO DE AGOSTINHO DE HIPONA? A) A ideia de que o homem deve seguir sua natureza, explorá-la e melhorá-la como processo educacional. B) A ideia de que o imperador romano era uma liderança política e deveria ser tratado como tal. C) A ideia de usar autores não cristãos, o que poderia configurar uma heresia, para explicações religiosas. D) A ideia de formular debates teológicos, uma vez que a divindade e a mensagem divina não deveriam ser discutidas. GABARITO 1. Quando o historiador medievalista Ronaldo Amaral afirma que, “para predicar a verdade contida na literatura cristã, sobretudo a bíblica, poder-se-ia usar as doutrinas dos pagãos, sendo tal postura apenas permissível, caso preparassem para o entendimento daquela (...)”, possibilita que compreendamos o processo em que se deu a transição da Idade Antiga para a Medieval. Neste sentido, podemos afirmar: A alternativa "A " está correta. A Igreja reutilizou parte da cultura clássica, evidentemente adaptada segundo os preceitos dessa nova cultura cristã buscou-se “cristianizar” a literatura didática herdada dos romanos. 2. O latim “foi o fundamento da unidade cultural que viria a ser proporcionada pelas escolas mantidas pela Igreja” (Arminda Campos). Ao entendermos a frase no contexto do processo educacional que se concebe no início da Idade Média, como podemos resumir a posição de Agostinho de Hipona? A alternativa "A " está correta. Vamos nos situar. Agostinho é um membro da patrística, pensadores que formulam as bases da Igreja romana. A força do pensamento patrístico é a associação e diálogo com as tradições romanas. O pensamento expresso na letra A, seguir a natureza, tem base em Cícero, e na melhoria do sujeito pela educação. Isso prova, que somente aquilo que fosse dogmaticamente inaceitável do pensamento romano não-cristão seria criticado, se não afetasse o que é base do pensamento religioso cristão, que o homem deva resistir às tentações mundanas, uma vez que não é por si que se alcança a Salvação, mas por Jesus, o restante poderia ser lido e utiizado. Noções como reconhecimento das autoridades seculares, uso de autores da tradição clássica e introdução às dinâmicas de debates – inclusive nos concílios – foram adaptadas e bem vistas por Agostinho e pelos principais membros da Igreja, como a própria manutenção do uso do latim deixa claro. MÓDULO 2 Descrever a importância das artes liberais para a formação dos sujeitos na Idade Média INTRODUÇÃO Boa parte do conhecimento originário da Antiguidade foi preservado graças ao papel desempenhado pelos mosteiros e igrejas, que reproduziram manuscritos clássicos e elaboraram manuais e enciclopédias. Depois da Patrística, uma nova geração de bispos se notabilizou por escrever, defender e disseminar a Educação, como Marciano Capela, Cassiodoro, Boécio, Isidoro de Sevilha e Beda. CURIOSIDADE HISTÓRICA No século IV, houve o aparecimento do códice, que levou ao desaparecimento do papiro – formato de pergaminho. Tal invenção teve consequências psicológicas fundamentais, pois permitiu dispensar um escravo leitor quando havia necessidade de se tomar nota. Podia-se estudar o texto com uma das mãos e escrever com a outra, ou seja, ler e escrever simultaneamente, o que reforçou a prática da leitura mental. Também ofereceu a facilidade de copiar um texto ou comparar vários exemplares ao mesmo tempo. Devemos lembrar que o pensamento de Agostinho é referência na orientação dos estudos nessa fase, o que significa que continuamos com a figura dos mestres e dos discípulos, com a relação pessoal e com a Educação como um caminho para a Salvação. Por outro lado, os conhecimentos do mundo antigo permanecem vivos e presentes. O modelo patrístico é um dos mais longos e presentes. Por isso, neste segundo módulo, estudaremos seu modelo “curricular”. As aspas não são à toa, pois seria anacronismo imaginar a existência de um currículo escolar nesse momento. Porém, há conteúdos que são centrais para a Educação ao longo de toda Idade Média e um legado que ainda nos influencia atualmente. Antes de nos aprofundarmos, vamos conhecer melhor o contexto histórico. O professor Rodrigo Rainha nos explica os principais pontos da Alta Idade Média, expondo os motivos que levaram à conversão dos povos pagãos ao cristianismo. AS SETE ARTES LIBERAIS Quando falamos em Educação no período em questão, notamos a prevalência do modelo chamado de Sete Artes Liberais, que foi criado por Marciano Capela. Essa divisão é marcada por três artes da alma (Trivium), inspiradas por Deus, e quatro artes humanas (Quadrivium), como veremos a seguir. MARCIANO CAPELA “Marciano Capela foi um escritor romano da África no século V e contemporâneo de Agostinho. Esse intelectual escreveu uma enciclopédia, dividida em nove volumes, intitulada As Núpcias de Filologia com Mercúrio, cujos dois primeiros livros tratam das bodas de Filologia com Mercúrio e os outros sete exemplares aludem às sete artes liberais. Esse texto teve como inspiração a enciclopédia de Varrão – Sobre as Nove Disciplinas –, mas Capela incorporou em sua obra apenas sete artes: Gramática, Retórica, Dialética, Geometria, Aritmética, Astronomia e Harmonia, excluindo a Medicina e a Arquitetura. Esse trabalho foi de suma importância para a Idade Média, pois serviu de base para estudiosos e para as escolas desse período e só sofreu uma ampliação no javascript:void(0) século XIII, no qual foram incorporadas as disciplinas filosóficas e científicas “(NUNES, 1979, p. 74-75). TRIVIUM A capacidade de bem falar, bem escrever e bem argumentar é atribuída à Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 DIALÉTICA Exercício filosófico do convencimento, o ponto preciso para se atingir a verdade. É uma das grandes bases de relação entre o exercício da cultura greco-romano e a religião. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 RETÓRICA Exercício do bem falar, da praça pública, e lida com estilo, com o envolvimento. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 GRAMÁTICA Exercício de escrever, dominar os aspectos do que já havia sido escrito, reproduzir e construir a escrita com perfeição. O latim era uma língua entendida como sagrada. QUADRIVIUM As artes humanas tinhamrelação direta com a mão humana, trabalhos artesanais e com a interpretação do mundo. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 ARITMÉTICA Representa a interpretação do mundo, a base matemática de explicação das coisas. Ela fez com que muitos clérigos virassem contadores, ou controladores dos reinos. Os números são seu principal objeto. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 GEOMETRIA Era usada nos exercícios de medida, normalmente voltados à prática e à interpretação da prática, como construção de moinhos, rodas de transportes e construções como igrejas e muralhas. Envolve também a medida de distâncias, rios e trajetos diversos. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 MÚSICA Muitos não sabem, mas existiam escalas e teoria musical na Idade Média. No entanto, é importante destacar que, para a Igreja, só era música aquilo que tinha as escalas corretas, tocadas nos ambientes corretos e com o objetivo de aproximar o homem de Deus. Músicas de festa e cantos de guerra eram duramente recriminados. Imagem: Les sept arts libéraux/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 ASTRONOMIA A mais contestada das artes. Muitos defendiam que era perigosa por ser confundida com relações pagãs, pois era responsável pelas colheitas, marcação de datas e calendários e ainda efeitos. Todas as artes eram adaptações ordenadas de estudos que já existiam no mundo grego. De alguma forma, é como se tivessem criado um currículo. O homem comum aprendia o quadrivium, mas o trivium era para aqueles que gostariam de assumir uma outra condição, de líderes, de próximos à Igreja. Ao passo que as instituições escolares oficiais e a dos mestres particulares (literatores) iam sumindo, a Igreja passou a adotar medidas para garantir a formação dos pretendentes ao sacerdócio, com o objetivo de promover a instrução básica indispensável para o ofício do ministério sacerdotal. A fase inicial desse ensino era realizada nas escolas paroquiais, enquanto o nível superior nas episcopais/catedralícias. Também devemos destacar as escolas monásticas. Estas se originaram a partir dos mosteiros, ainda sem a adesão dos estudos filosóficos. A regra agostiniana, por exemplo, recomenda muitas horas de estudo, enquanto a Regula Monachorum, de São Jerônimo, sugere instruir-se com os filósofos segundo a sua utilidade religiosa. Por fim, os mosteiros beneditinos, na prática, podem ser avaliados como “escola”, afinal, a própria Regra de São Bento indica duas noções pedagógicas em seu capítulo 30: “Cada idade e cada inteligência deve ser tratada segundo medidas próprias e os que cometem faltas serão punidos com muitos jejuns ou refreados com ásperas varas, acris verberibus”. Imagem: Santa Maria Gloriosa dei Frari, Sacristy - Triptych Madonna and Child/Wikimedia Commons/licença CC-BY-4.0 São Bento. É importante informar que a cultura intelectual estava monopolizada pela Igreja. Isso fazia da Educação um campo feito de sacerdotes para sacerdotes, com os conteúdos orientados às necessidades do culto. Desse modo, nas escolas paroquiais, episcopais e, especialmente, nas monásticas – diga-se de passagem, na realidade, as únicas existentes –, lecionava-se as denominadas Sete Artes Liberais. Você sabe por que 7 é um número tão importante para o cristianismo? O numeral é a referência da perfeição, são as idades do mundo, é marca do escolhido. Imagem: Philosophia et septem artes liberales (Philosophy and the Seven Liberal Arts), as illustrated in Hortus deliciarum/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Philosophia et septem artes liberales (Filosofia e As Sete Artes liberais) Herrad de Landsberg, da obra Hortus Deliciarum (século XII) Ainda não entendeu o conceito e o papel das artes liberais? Veja os exemplos a seguir: O bispo Isidoro de Sevilha, pensador visigodo da passagem do século VI para o VII, em sua obra Etimologias, definiu as artes liberais da seguinte forma: “As artes liberais consistem em sete disciplinas. A primeira é a gramática, isto é, a capacidade de falar. A segunda, a retórica, que, pela elegância e recursos da eloquência, é considerada extremamente essencial nos assuntos civis. Terceiro, a dialética, também chamada de lógica, que, com os argumentos mais sutis, separa o verdadeiro do falso. Quarta, aritmética, cujo conteúdo são os fundamentos e divisões dos números. A quinta é a música, que lida com esquemas e métricas. O sexto, a geometria, que inclui as medidas e dimensões terrestres. E a sétima, astronomia, que lida com as leis das estrelas”. Foto: Statue of Isidore of Seville/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Isidoro de Sevilha. Mas por que elas eram tão importantes para o bispo? Ele era um conselheiro do rei, líder de uma das cidades mais importantes do reino. Assim, mostrar o quanto era educado para seus pares e para o povo indicava o quão diferente ele era. Na Alta Idade Média, a erudição e o domínio das Sete Artes Liberais eram considerados fatores de diferenciação e importância dentro e fora da Igreja. O reino ostrogodo tinha, ao longo do século VI, a referência do monarca Teodorico, seguidor de uma versão herética do cristianismo conhecida como arianismo. Depois de vencer os romanos, negociou com o bispo de Roma, Gregório Magno. Para que uma certa autonomia fosse dada à Igreja na cidade de Roma, ao mesmo tempo, a Igreja deveria legitimar e reconhecer o seu poder. Para facilitar esse trabalho, foi chamado Boécio, retórico importante, membro vinculado à Igreja, que deveria comandar a construção legislativa nas negociações com as lideranças locais e na articulação política de Teodorico. Imagem: H.F. Helmolt, History of the World, Volume VII, Dodd Mead 1902. Portion of the right half of plate between pages 154 and 155/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2. Teodorico, o Grande - Rei dos Ostrogodos. Teodorico adotou práticas dos antigos imperadores romanos e, como forma de garantir essa disseminação, permitiu a ampliação das escolas – escolas de bispos e monásticas que formavam novos clérigos e um corpo burocrático cristão para administrar querelas que remetessem à atuação econômica, como cobrança de impostos, e mediadores em questões políticas. Os “currículos” dessas escolas eram todos pautados nas Sete Artes Liberais. HISTÓRIAS ARTURIANAS Durante a Alta Idade Média, os reinos viviam um quadro de constante disputas, quedas e substituição das estruturas políticas. Nesse momento, aparece uma das principais iconografias representativas da Idade Média: as histórias arturianas. Nos séculos anteriores, as ilhas britânicas eram o verdadeiro fim do mundo romano. As muralhas de Adriano representavam, de alguma forma, o fim da civilidade. MURALHAS DE ADRIANO Construção de pedra e madeira feita no norte da Inglaterra, na fronteira com a Escócia, em homenagem ao Imperador Adriano. Foi construída entre os anos de 122 e 126. Essa é a muralha mais extensa construída durante o Império Romano. Imagem: British Heritage Mapa da Muralha de Adriano. A ideia de fim do mundo acaba sendo um processo dúbio. Por um lado, o centro-sul da Ilha se afirmava com um bastião romano. O norte e a Irlanda, por sua vez, eram um espaço místico, bárbaro e iconográfico. Durante as “invasões saxônicas” à ilha, passaram a coexistir três tradições – as locais, tidas como místicas, as romanas e a dos novos grupos, entendidos como bárbaros. javascript:void(0) Foto: Arthur as one of the Nine Worthies, tapestry, c. 1385/Wikimedia Commons/licença CC- BY-2.5 Tapeçaria retratando Arthur usando uma vestimenta com um brasão geralmente atribuído a sua figura. Ainda que derrotados pelos saxões, a ideia de que um libertador reuniria as forças locais e expulsaria os inimigos passa a ser fortemente construída. A figura de Arthur só ganhou seus contornos mais típicos nos textos franceses do século XII, mas já revelava um certo espírito das ilhas britânicas em imaginar umsalvador político. Por que essa história é importante para a Educação? A ideia de um unificador, um salvador que uniria aqueles povos, também seria utilizada pela religião, mas de forma diferente. Se um une pela espada, o outro une pela palavra, pela proposta de unir as pessoas sob uma mensagem de cunho religioso. A Educação teria a função de mostrar esse papel. Existem muitos “mitos” britânicos nesse sentido, mas o mais famoso é Beda, o Venerável, que, na Irlanda, fundou mosteiros, recuperou Patrício como herói que trouxe o cristianismo aos bárbaros e explicou como a Educação, pautada nas Sete Artes Liberais, era o caminho para a religião e, por consequência, para a Salvação. PATRÍCIO javascript:void(0) Conhecido como São Patrício ou Saint Patrick, foi o primeiro a levar o cristianismo à Irlanda, pregando sem negar totalmente os cultos locais que encontra e, por isso, é tão querido. ESTUDO DA TEOLOGIA Finalizadas as etapas do Trivium e do Quadrivium, passava-se para o último nível: o estudo da Teologia. Vale lembrar que a Teologia era considerada na Idade Média o saber capital, ao qual os eclesiásticos se voltariam por toda a vida. Em razão do ambiente cultural e do próprio objetivo que se conferia ao conhecimento, o pleno desenvolvimento das “ciências investigativas” ficava restrito. Prevalecia o princípio de que o fim último do homem era chegar ao Reino de Deus e que a Revelação se encontrava nas Sagradas Escrituras. Dessa maneira, não se procurava contemplar a natureza com o intuito de formular deduções explicativas ou mesmo elaborar hipóteses, mas unicamente para procurar os símbolos dos desígnios divinos. Fonte: Shutterstock.com Bíblia medieval. FIGURAS RELEVANTES Vamos conhecer alguns dos sujeitos que foram apresentados ao longo deste módulo. Foto: BnF, Manuscrits, Latin 7900 A fol. 127v/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Marciano Capela Organizador de um casamento entre a cultura clássica e os saberes cristãos, estabelecendo-o em um modelo que pudesse ser disseminado. Foto: Statue of Isidore of Seville/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Bispo Isidoro de Sevilha Primado do reino visigodo – uma espécie de arcebispo – educou reis e organizou uma escola importante em Sevilha. Sua obra mais importante são as Etimologias – que buscavam reunir todo o conhecimento do mundo até aquele momento. Imagem: Fulda workshop - Leiden, University Library, Ms. vul. 46/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Cassiodoro Monge, fundador do mosteiro de Vivarium. Foi conselheiro de Teodorico e, com a queda deste, se refugiou em Constantinopla, onde foi acusado de traição. Imagem: Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Boécio Líder romano e cristão da península Itálica durante grande parte do governo Ostrogodo. Organizou bibliotecas, escolas e criou uma nova dinâmica de relação com os “bárbaros”. Por conta de intrigas foi julgado e condenado à morte. Imagem: Depiction of the Venerable Bede (CLVIIIv) from the Nuremberg Chronicle, 1493/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Beda Consolidador do cristianismo nas ilhas britânicas a partir de um modelo de criação de mosteiros. Pregava em língua local, traduzindo textos, organizando uma teologia que fizesse sentido para aqueles povos. Imagem: Santa Maria Gloriosa dei Frari, Sacristy - Triptych Madonna and Child São Bento Considerado um dos primeiros santos ocidentais do cristianismo. Criador da Regra Beneditina, um dos regulamentos de vida monástica mais importantes e utilizados. Imagem: H.F. Helmolt, History of the World, Volume VII, Dodd Mead 1902. Portion of the right half of plate between pages 154 and 155/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Teodorico Monarca ostrogodo conhecido como O Grande, era um estrategista militar de excelência. Permitiu a ampliação das escolas de bispos e monásticas que formavam novos clérigos. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. HERDADAS DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA E ORGANIZADAS NA IDADE MÉDIA, AS ARTES LIBERAIS ERAM DIVIDIDAS EM: A) Trivium (Dialética, Gramática e Música) e Quadrivium (Aritmética, Lógica, Química e Filosofia). B) Quadrivium (Música, Química e Retórica) e Trivium (Dialética, Astronomia, Filosofia e Geometria). C) Trivium (Astronomia, Música e Retórica) e Quadrivium (Química, Filosofia, Gramática e Geometria). D) Trivium (Dialética, Gramática e Retórica) e Quadrivium (Aritmética, Astronomia, Música e Geometria). 2. MARCIANO CAPELA FOI UM DOS QUE MAIS CONTRIBUIU PARA O DESENVOLVIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DAS SETE ARTES LIBERAIS. O CONJUNTO CONHECIDO COMO QUADRIVIUM TEM NO SEU ENTORNO UM GRUPO DE CONHECIMENTOS QUE LISTAMOS, CUJO FIM ERA: A) Treinar e preparar o homem para as práticas do século. B) Fazer com que o sujeito pudesse se desenvolver neste mundo. C) Dominar o mundo conforme o desejo expresso na Criação. D) Liderar os homens para que pudessem alcançar a Salvação. GABARITO 1. Herdadas da Antiguidade Clássica e organizadas na Idade Média, as artes liberais eram divididas em: A alternativa "D " está correta. As Sete Artes Liberais, que representavam as disciplinas acadêmicas, eram desempenhadas por homens livres, devidamente direcionados pelos membros da Igreja. Lembrando que o Trivium corresponde às artes do espírito e o Quadrivium, às artes do corpo. 2. Marciano Capela foi um dos que mais contribuiu para o desenvolvimento e consolidação das Sete Artes Liberais. O conjunto conhecido como Quadrivium tem no seu entorno um grupo de conhecimentos que listamos, cujo fim era: A alternativa "B " está correta. O “currículo” escolar medieval era dividido em duas fases. Na primeira parte, estudava-se o Trivium (Gramática, Retórica e Dialética). Na segunda fase, aprendia-se as disciplinas que compõem o Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música). O objetivo desse currículo era preparar o homem para o mundo, sendo uma herança das artes mecânicas. MÓDULO 3 Comparar aspectos da Reforma Carolíngia e da Educação islâmica na Europa Ocidental INTRODUÇÃO Agora vamos falar da segunda grande reforma da Educação na Idade Média: a Escolástica. Muitos manuais de História da Educação citariam Tomás de Aquino e a recuperação de textos aristotélicos, um movimento chamado de racionalismo cristão. Mas falta uma peça desse quebra-cabeça, pois, é claro, que não foi uma mudança repentina a ideia de mudar o caminho filosófico que seguíamos e, com isso, a Educação. ESCOLÁSTICA Termo que significa produção intelectual ligada à escola. A Escolástica é um movimento que vem de diversas influências. Optamos por duas delas: REFORMA CAROLÍNGIA Termo histórico inventado para mostrar como importantes mudanças da Educação na corte de Carlos Magno foram iniciadas e abriram caminho para a Escolástica. INFLUÊNCIA DOS MUÇULMANOS Maomé não trouxe só outra religião. A partir da sua fundação, um novo mundo, um novo sistema de governo e uma nova forma de ver a Educação foram criados. O tamanho e o poder javascript:void(0) dessa presença foram tão grandes que fizeram com que eles dominassem norte da África, sul da Europa e partes importantes da Ásia. Mas não era pela espada, era uma expansão que tinha muito comércio e cultura. CONTEXTO: IMPÉRIO CAROLÍNGIO X ISLAMISMO Essas duas culturas desempenharam importante papel na História da Educação e a junção dessas influências possibilitam a compreensão do surgimento da Escolástica. A seguir, identificaremos o ponto de vista dessas culturas tão diferentes e muito importantes para o desenvolvimento da Educação. Especialistas debatem o ponto de vista de cada uma das culturas. Veremos, a seguir, como cada cultura, cristã e islâmica, se desenvolveu, além de suas influências na Educação durante a passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média. CULTURA CRISTÃ X ISLÂMICA Será que é possível comparar as duas culturas? Sim, é. Vamos perceber as características de um modelo e de outro e, dessa forma, mostrar como a Escolástica bebe desta relação. ErudiçãoISLAMISMO Essa cultura teve dois tipos de escola: elementar e superior. Na escola elementar, o foco do ensino era o Alcorão, que possui um conteúdo interdisciplinar, pois aborda, além da questão religiosa, assuntos sobre direito, política, sociedade e noções básicas sobre ciências. Já no ensino superior, além da abordagem religiosa, havia várias áreas do saber, como a Química e a Erontologia, estudo do sexo, e a Medicina – inclusive com o desenvolvimento de cirurgias. A erudição se manifestava pela tradução de intelectuais de diversas religiões e partes do mundo para o árabe, permitindo que suas ideias circulassem. SEXO Para os muçulmanos o sexo e o prazer eram divinos, entendidos como um presente de Alá. Por isso precisava ser estudado, para ser aprimorado e garantir o máximo de prazer ao casal. CRISTIANISMO O que dá legitimidade a algum elemento, ou seja, o que deixa algo reconhecido de forma viva e valorizada? Mostrar que existem antecessores importantes e pares poderosos. Esse é um traço da cultura escolar construída. O tempo todo afirma-se por meio de herdeiros de santos, herdeiros de intelectuais, pares de reis, bispos, ou seja, criando uma rede, que é valorizada ao dizer que um estudou com o outro e isso foi tônica durante o Renascimento Carolíngio. A pregação é feita sempre usando as Sagradas Escrituras, mas nunca apenas elas. Primeiramente, o pregador mostra como é erudito e busca as palavras de um clérigo importante que tenha comentado sobre a mesma passagem. Escrita O sentimento de que o mundo falava árabe era comum aos cronistas que, ao andar pelo mundo, sempre encontravam alguém que conhecia o idioma. A expansão do islamismo teve javascript:void(0) diversos desafios, mas um dos maiores foi integrar povos tão diversos. Os muçulmanos não impunham a sua religião, no entanto, davam vantagens a quem se convertia. Mesmo para grupos tão diferentes, todos os que buscavam a conversão precisavam escrever e falar em árabe. O entendimento era de que o Alcorão não era uma revelação só pela mensagem, mas na forma. O árabe era a língua em que a mensagem se manifestou. Assim, durante a aquisição das primeiras letras, nas escolas fundamentais, a instrução aos jovens começava pelo mesmo caminho: ensino da língua e domínio da escrita árabe. Para mostrar e difundir este olhar sobre a Educação, não basta uma revisão superficial do texto bíblico, que já tinha sido modificado no decorrer dos séculos. Era preciso ir além. Assim, duas inovações foram seguidas. A primeira foi a adoção de uma escrita de melhor qualidade. Dessa forma, os clérigos carolíngios generalizam o uso da minúscula carolíngia, espécie de letra menor e mais elegante, que foi utilizada nos séculos precedentes. Essa mudança tornou os livros mais manuseáveis e legíveis. A segunda mudança, também na época carolíngia, foi a adoção do hábito de separar as palavras e as frases umas das outras com um novo sistema de pontuação em oposição ao modo antigo de escrita que o ignorava completamente. Essas duas alterações, acrescidas de uma melhor organização dos scriptoria favoreceu a popularização da escrita. MELHOR ORGANIZAÇÃO Os monges passaram a trabalhar em equipes, dividindo as várias seções de uma mesma obra. Com isso, a produção de livros cresceu de maneira considerável. No entanto, é preciso lembrar que o efetivo destas obras ainda está ligado à necessidade do culto cristão, mas outras, menos numerosas, concernem à literatura latina clássica. javascript:void(0) javascript:void(0) SCRIPTORIA Locais em que os monges copistas ficavam reunidos para as cópias, verdadeiras fábricas de produção com revisores, coordenadores para tirar dúvidas, ilustradores e preparadores dos documentos finais. Língua O crescimento de seu domínio e o despertar do interesse de governos gerava uma ampla circulação de pessoas, que desejavam conhecer e dominar a língua e os ensinamentos. O reino do Gana, por exemplo, vai aos principais intelectuais pedir ajuda para se converter. Turcos e mongóis, que surgem como inimigos da religião e do domínio muçulmano, acabam sendo convertidos pelos seus líderes à nova religião. Professores e intelectuais eram contratados nas cidades maiores e circulavam pelo mundo muçulmano dedicados a ensinar a língua e outros fundamentos da cultura e da religião. Esse interesse se dava pelo que representava seus conhecimentos. Sua expansão fazia com que o mundo conhecesse seus domínios de medicina, leis, navegação etc. As trocas constantes e intensas geraram uma rica dinâmica comercial e cultural. Não é exagero dizer que, durante a Idade Média, o mundo muçulmano representava os mais importantes centros de cultura, pesquisa e comércio, atraindo vários povos. GANA Reino africano de grande desenvolvimento e intensa troca comercial com as regiões do Saara e norte da África. Sua conversão foi pelo desejo dos reis de se integrar àquela nova cultura. Buscaram trazer intelectuais e fazer construções que indicassem seu desenvolvimento. javascript:void(0) Outra forma de divulgação das obras antigas é a perpetuação de um conhecimento regular das regras do latim, que faz com que a gramática e a retórica sejam as principais disciplinas da erudição carolíngia. Vale lembrar que estamos em um período em que a língua latina evolui de maneira distinta em cada região. Nesse momento, os eclesiásticos carolíngios adotam uma decisão que conduziu o futuro linguístico da Europa. Eles admitiam que as línguas faladas pelas populações se distanciavam irrevogavelmente do latim clássico, a ponto de aconselharem que os sermões fossem traduzidos para as distintas línguas vulgares. De um lado, havia uma multiplicidade de línguas vernáculas faladas localmente pela população e, de outro, uma língua erudita, aquela do texto sagrado e da Igreja, incompreensível para os fiéis. VULGAR Latim vulgar: os carolíngios restauraram a língua latina, não precisamente em sua pureza clássica, mas em sua variante simplificada. Eles procuravam garantir a transmissão de um texto bíblico correto, bem como, a compreensão dos alicerces do pensamento cristão. Mas, concomitantemente, eles abriram a via do bilinguismo, que caracteriza toda a Idade Média. Escolas A instrução básica ocorria em centros formados dentro das mesquitas. Deveria ser ensinado a todos uma formação básica no idioma e alguns rudimentos de filosofia/religião islâmica. Os estudos avançados eram realizados em centros maiores conhecidos como “Casas de Cultura” chamados por muitos de embriões das universidades medievais. Esses espaços reuniam escritos, sábios de regiões diversas e o ensino era marcado pelo ecletismo. Só poderiam participar muçulmanos ou povos dos livros – salvo quando cristãos e muçulmanos estavam em conflito. javascript:void(0) javascript:void(0) POVOS DOS LIVROS Forma como os muçulmanos chamavam os sujeitos que seguiam os livros: Torá e Talmude (judeus) e Bíblia (cristãos). As escolas cristãs eram organizadas principalmente nos mosteiros. A partir dos oito anos, as crianças seguiam para esses locais e, ao completarem 18 anos, poderiam escolher se seguiriam a vida eclesiástica ou não. No período do governo Franco de Carlos Magno, surgem as primeiras escolas nas cidades, com profissionais que ofereciam seus serviços como professores particulares. Esses locais eram reconhecidos como escolas menores. Elas eram depreciadas pelas grandes escolas monacais e, por isso, tratadas com desdém, como escolinhas ou Escolástica. Em pouco tempo, esses professores e as escolas dos centros urbanos motivaram uma importante mudança no pensamento medieval. Podemos dizer que os francos salvaram a cultura ocidental? Claro que não! Há outros povos importantes. Quer conhecer mais? Leia o texto Os visigodos no Explore +. CURIOSIDADE HISTÓRICA Muitos imaginam que somente os homens escreviam e que as mulheres estavam fora desse processo, mas não era bem assim. Alcuíno, conselheiro de CarlosMagno, é também o conselheiro de Gisele, irmã de Carlos Magno e abadessa de Chelles. Ela foi estimulada a desenvolver uma vida intelectual e uma intensa atividade de cópia de manuscritos em seu mosteiro. Uma grande aristocrata da Aquitânia, Dhuoda, longe da corte, transmitiu saber, no começo do século IX, ao seu filho Bernardo, duque de Septimânia, redigindo para ele um manual educativo. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO NA CULTURA ISLÂMICA O povo árabe foi, de alguma forma, aquele que reinseriu a cultura clássica no Ocidente. Esse fato foi possível em virtude, do entendimento que tiveram da ciência grega, o que não se caracterizou como imitação. Dessa maneira, ao inserir seus elementos religiosos e científicos, acabaram difundindo elementos gregos que tinham sido remodelados. O ensino árabe também recebeu forte influência das escolas gregas e romanas. Em parte, isso se deu pelo ensinamento de Maomé que mandou que seu povo fosse atrás do conhecimento não importando onde tivesse que chegar. Trilhando esse princípio, filósofos e sábios árabes edificaram uma grande civilização que incorporou a cultura e o conhecimento de outros povos. Foi dessa maneira que os árabes transmitiram grande conhecimento à Europa, como ocorreu, por exemplo, com a bússola, o astrolábio, o papel e a pólvora (PILETTI; PILETTI, 2012, p. 51-52). A religião islâmica se expandiu para além das fronteiras do mundo árabe. Em 711, consolidava seu domínio na península Ibérica, dominando uma parte importante deste território. A expansão muçulmana cessa com a vitória de Carlos Martel em Poitiers. Ainda que os carolíngios sejam exaltados por essa vitória, não devemos imaginar anos de conflito na relação entre cristãos e muçulmanos. Depois da expansão no século VIII, os séculos seguintes foram marcados pela intensa troca comercial entre esses povos. Como sabemos, o comércio leva bem mais que seus produtos. Dessa forma, elementos da cultura árabe-islâmica se difundiram e influenciaram o pensamento cristão. Durante o domínio muçulmano na península Ibérica, os cristãos que permaneceram em suas regiões aprenderam a falar e escrever em árabe e nas línguas locais. Essa troca permitiu que tradutores recuperassem textos da Grécia Clássica – Aristóteles, principalmente –, que só existiam, até então, em árabe para as línguas conhecidas, fundamentando o caminho para o racionalismo cristão no século XII. Normalmente, imaginamos um mundo de conflito, em especial quando começam os movimentos das Cruzadas, em 1095, mas a relação de troca no mundo mediterrânico foi intensa. Em um primeiro momento, os textos gregos traduzidos para o árabe ajudam a consolidar os espaços culturais muçulmanos conhecidos como casas de cultura. Depois, esses mesmos materiais foram traduzidos do árabe para as línguas românticas (início das línguas modernas). javascript:void(0) javascript:void(0) CRUZADAS As Cruzadas são normalmente explicadas como um movimento cristão para retomada da Terra Santa, mas é muito mais do que isso. O mundo muçulmano, mais rico e dinâmico, também era marcado por conflitos, em especial após a conversão dos turcos. Tais embates foram incrementados quando a recuperação econômica europeia gerou o aumento da população e dos conflitos e a Igreja passou a fomentar que as guerras não deveriam ser travadas entre cristãos, mas direcionadas aos infiéis. As disputas foram marcantes no Oriente Próximo, mudando a região, mas não podem ser entendidas apenas como um conflito generalizado. O outro lado dessas batalhas envolve aumento da troca entre esses povos, troca de textos, costumes, tecnologia e comércio. CASAS DE CULTURA Instituições localizadas nas principais cidades árabes, foram chamadas de embrião das universidades europeias medievais. Elas eram instituições de ensino autônomas e tinham professores de diferentes religiões, como cristãos e judeus. O público também era diversificado, pois recebiam alunos de todo o Ocidente. Houve o fortalecimento da Filosofia e da Ciência Natural dos gregos. DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO NA CULTURA CRISTÃ As reformas realizadas por Carlos Magno e seus conselheiros foram importantes. A principal delas foi a reforma da escrita. A nova escrita, minúscula carolíngia, é clara, normalizada, elegante, mais fácil de ler e escrever. Podemos dizer que foi a primeira escrita europeia. Numa intensa atividade de cópia de manuscritos nos scriptoria monásticos, reais e episcopais, Alcuíno introduziu uma nova preocupação com a clareza e a pontuação. Imagem: Page of text (folio 160v) from a Carolingian Gospel Book (British Library, MS Add. 11848), written in Carolingian minuscule/wikimedia Commons/Licença CC-BY-AS-3.0 Exemplo de minúscula carolíngia. Carlos Magno também buscou corrigir o texto da Bíblia. Esse cuidado de correção, que animará a grande atividade de exegese bíblica no Ocidente Medieval, é uma preocupação importante que concilia o respeito pelo texto sagrado original e a legitimidade das emendas devidas ao progresso dos conhecimentos e da instrução. A renascença carolíngia impõe-se ainda hoje, sobretudo pela riqueza de sua ilustração, as iluminuras. ILUMINURAS Na acepção atual, a iluminura é uma imagem realizada em um manuscrito, do mesmo modo como a miniatura. Não obstante, no período medieval, o verbo latino iluminare significava o ato de pintar, e não propriamente a fabricação das imagens dos livros em si. javascript:void(0) Alguns evangeliários ou saltérios (salmos) são obras de arte carolíngia. O gosto pelo texto dos salmos, que atravessará a Idade Média, fez nascer na Europa um atrativo pela poesia bíblica que dura até hoje. RUMO À ESCOLÁSTICA A Educação urbana, considerada menor, que passou a se organizar e se difundir a partir da Reforma Carolíngia, é fortalecida com o crescimento das cidades. Assim, aumentaram as trocas comerciais e culturais com o mundo muçulmano. A soma destes dois fatores criou um terreno fértil para outra cultura educacional. Por isso, o movimento intelectual conhecido como Escolástica, que marca a mudança do pensamento educacional medieval, só pode ser compreendido a partir do entendimento deste novo mundo. FIGURAS RELEVANTES Vamos conhecer alguns dos sujeitos que foram apresentados ao longo deste módulo. Imagem: Bibliothèque nationale de France / Expositions virtuelles / Galerie du livre et de la littérature / L'art du livre arabe / Pistes pédagogiques / Les religions du livre / Filiations Le Prophète Mahomet/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Maomé O profeta dos muçulmanos. Como portador da mensagem, lidera o processo político-religioso de fundamentar a umma – união dos seguidores do profeta – sua ação praticamente unifica a península Arábica e, com suas propostas, fundamenta os pilares da nova religião. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Carlos Magno Foi coroado pelo papa em Roma e aclamado como imperador. Manteve uma apurada política de vitórias militares e não se afastou dos ideais políticos francos, deixando o reino para todos seus filhos. Imagem: Manuscript: Wien, Österreichische Nationalbibliothek, cod.652, fol. 2v/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Alcuíno Foi importante conselheiro de Carlos Magno, fundamentando a organização das principais escolas do reino, tanto para formar nobres como para organizar os mosteiros – femininos e masculinos. Imagem: Scanned image from a book entitled Silsilat A'lam Al-thaqafa Al 'arabiyya/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Alfarabi Filósofo e teólogo que fundamenta um movimento aristotélico no mundo muçulmano, atuando na aproximação entre as questões políticas e filosóficas. O conhecimento é algo integrado. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Averróis Filósofo que fundamentava seu olhar em Aristóteles, estudou Teologia, Medicina, Direito, Filosofia e Matemática. Sua grande contribuição foi por seus comentários às obras de Aristóteles, que foram de suma importância para o Renascimento na Europamedieval. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O POVO ÁRABE TEVE GRANDE RELEVÂNCIA PARA A CULTURA OCIDENTAL E, NA QUESTÃO EDUCACIONAL, CONTRIBUIU MUITO PARA O AVANÇO DA CIÊNCIA E FILOSOFIA DO PERÍODO MEDIEVAL. O ENSINO DO ÁRABE E SUA DIFUSÃO ERA PARTE FUNDAMENTAL DESTE PROCESSO, AINDA QUE AS POPULAÇÕES ISLÂMICAS NÃO FOSSEM NECESSARIAMENTE DE ORIGEM ÁRABE. O DOMÍNIO DA LÍNGUA ÁRABE COMO BASE DO FUNDAMENTO DA EDUCAÇÃO CONSTITUIU-SE POR QUAL MOTIVO? A) Os árabes acreditavam que a sua grafia era divina, inspirada por Alá para difundir a religião e, por isso, precisava ser preservada. B) A tradição árabe exigia que a sua língua étnica fosse mantida para garantir uma unidade política. C) O Alcorão foi revelado em árabe e envolvia o domínio da língua para sua compreensão, passando a ser a base da alfabetização das regiões de expansão da religião. D) O Alcorão conta a história dos povos árabes e as ações de Alá e, por isso, era exigida a manutenção da língua árabe para identidade de grupo. 2. O IMPÉRIO CAROLÍNGIO, COM CARLOS MAGNO, CERCOU-SE DE LETRADOS E DE SÁBIOS, OS CHAMADOS “INTELECTUAIS DO PALÁCIO”. ENTRE OS NOMES ESTÃO, POR EXEMPLO, O LOMBARDO PAULO, O DIÁCONO, O ITALIANO PAULINO DE AQUILEIA, O ESPANHOL TEODULFO DE ORLEANS, O ABADE DE FLEURY-SUR-LOIRE E, SOBRETUDO, O ANGLO-SAXÃO ALCUÍNO. ESSE MOVIMENTO FICOU CONHECIDO POR RENASCIMENTO CAROLÍNGIO POR TER PROMOVIDO UMA SÉRIE DE AVANÇOS NA QUESTÃO CULTURAL E EDUCACIONAL QUE IMPACTARAM A EUROPA MEDIEVAL. COM BASE NISSO, IDENTIFIQUE QUAIS FORAM OS DOIS PRINCIPAIS AVANÇOS DESSE PERÍODO: A) Redefinir usos litúrgicos e normatizar a vida monástica do império. B) Fizeram uso de uma escrita de melhor qualidade, a minúscula carolíngia, e os escribas adotaram uma escrita com a separação das palavras, ou seja, um sistema de pontuação. C) Expandiu a Educação para as mulheres e criou o francês, língua que até hoje é utilizada. D) Introduziu elementos da cultura germânica na Educação como a prática da oralidade e o resgate das práticas da retórica das escolas romanas. GABARITO 1. O povo árabe teve grande relevância para a cultura ocidental e, na questão educacional, contribuiu muito para o avanço da ciência e filosofia do período medieval. O ensino do árabe e sua difusão era parte fundamental deste processo, ainda que as populações islâmicas não fossem necessariamente de origem árabe. O domínio da língua árabe como base do fundamento da educação constituiu-se por qual motivo? A alternativa "A " está correta. Os árabes foram aqueles que colaboraram para inserir a cultura clássica no Ocidente. Esse fato foi possível em virtude do entendimento que tiveram da ciência grega, que não se caracterizou como imitação. O ensino árabe também recebeu forte influência das escolas gregas e romanas. 2. O Império Carolíngio, com Carlos Magno, cercou-se de letrados e de sábios, os chamados “intelectuais do Palácio”. Entre os nomes estão, por exemplo, o lombardo Paulo, o Diácono, o italiano Paulino de Aquileia, o espanhol Teodulfo de Orleans, o abade de Fleury-sur-Loire e, sobretudo, o anglo-saxão Alcuíno. Esse movimento ficou conhecido por Renascimento Carolíngio por ter promovido uma série de avanços na questão cultural e educacional que impactaram a Europa medieval. Com base nisso, identifique quais foram os dois principais avanços desse período: A alternativa "B " está correta. No plano educacional, o Renascimento Carolíngio foi muito além do que uma simples revisão dos textos sagrados. Eles desenvolveram uma nova maneira de escrever, com letras menores e uma escrita mais elegante, bem como desenvolveram um novo sistema de pontuação. MÓDULO 4 Determinar a importância da Escolástica para as escolas urbanas e universidades na Baixa Idade Média INTRODUÇÃO A Escolástica não é algo fácil de entender. Para facilitar a compreensão, veja algumas chaves de explicação: Ela é um movimento relacionado ao crescimento do comércio e dos centros urbanos na Europa e, consequentemente, marcado pela disputa de intelectuais. Ela muda o lugar de Deus. Sim! Se Deus era algo a ser alcançado, agora Ele está dentro de cada um de nós e alcançá-lo é uma operação racional. O papel da Educação nisso é preparar o sujeito para que ele possa ativar sua centelha divina, seu lugar de razão e mergulhar em si para poder alcançar a Deus e explicar o mundo. NEOPLATONISMO X NEOARISTOTELISMO De um lado, temos uma tradição histórica, monástica, que bebe nos chamados pais da Igreja, com uma forma reconhecida e reafirmada: o modelo neoplatônico. Do outro lado, aparecem os movimentos urbanos e as novas tendências educacionais recebidas pelo mundo árabe. As cidades se tornam um local de debates públicos e valorização da razão. Lembrando que é uma razão cristianizada. Filosoficamente, esses modelos têm questões fundamentais com a Educação: Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público NEOPLATONISMO Herdeiro da Patrística, partindo especialmente de Agostinho – Deus deve ser sentido, ele não precisa de uma explicação racional. Precisamos de mestres para conduzir os sujeitos pela prática, pela repetição de nomes da Igreja para alcançar Deus. Como Deus é tudo, inclusive todo o conhecimento, a busca por Ele é um exercício constante de alcançar a verdade em algum lugar. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público NEOARISTOTELISMO Herdeiro da Escolástica, em especial de Tomás de Aquino – Deus deve ser explicado. Todo homem tem uma essência, um caminho racional que explica tudo. Essa essência, no caso dos homens, é divina. Logo, Deus não está em um lugar que deva ser alcançado, mas deve ser buscado dentro de cada um. Se minha capacidade de pensar e entender o mundo é centelha divina e a razão é divina, é divino fomentar o conhecimento e o racionalismo. Deus deve ser conhecido. Veja, a seguir, uma comparação entre essas duas correntes filosóficas. O professor Rodrigo Rainha explica as principais diferenças entre Patrística e Escolástica. Mas por que isso acontece? Vamos ver o contexto. O século XIII europeu, caracterizado pelo crescimento urbano e comercial, foi também, no ambiente citadino, o século da Europa escolar e universitária. Assistiu-se, a partir do século XII, beneficiadas pelos burgueses, a multiplicação das escolas urbanas. Por extensão, criou-se uma fundação capital para o ensino na Europa, o nascimento mais extraordinário e que introduziu uma tradição ainda viva atualmente: a das “escolas superiores”, também chamadas de universidades. Essas escolas superiores ganharam, ao término do século XII, a denominação de stadium generale (escola geral), que significava uma condição superior e uma instrução de traço enciclopédico. As universidades, localizadas em regiões de grande presença de organização de ofícios urbanos, aparelharam-se em corporação como os outros ofícios e adotaram a terminação “universidade”, que expressava corporação. Tal vocábulo foi usado pela primeira vez em Paris, no ano de 1221, para indicar o grupo de mestres e de estudantes parisienses (universitas magistrorum et scholarium). Foto: BNF, Français 1537, fol. 27v. Manuscrito medieval mostrando uma reunião de doutores na Universidade de Paris. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público MODELO BOLONHÊS Apenas os alunos constituíam juridicamente a universitas. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público MODELO PARISIENSE Mestres e estudantes compunham uma única comunidade. Somente o exemplar parisiense chegou aos dias atuais. AS UNIVERSIDADES A primeira universidade foi a de Bolonha, ainda que tenha sido regulamentada pelo papa apenas em 1252. Desde 1154, o Imperador Frederico Barba Ruiva conferira prerrogativas aos mestres e aos estudantes de Bolonha. Só para entendermos, há várias associações de mestres que transformavam as cidades em polos de atração de alunos. Esses alunos eram famosos pelas bebedeiras, festas e pelo conhecimento, mas estas escolas não eram reconhecidas como nada diferente do que um centro de cultura. Imagem:(VOLTOLINA, Laurentius. Liber ethicorum des Henricus de Alemannia. The Yorck Project (2002) 10.000 Meisterwerke der Malerei (DVD-ROM)) Universidade Escolástica. A partir do final do século XII, principalmente ao longo do XIII, vemos a consolidação de uma instituição, com regras e cátedras (cadeiras) reconhecidas pelo papa. Seu modelo era semelhante ao de um mosteiro, mas, ao invés de um abade, havia um rector (reitor). Além disso, o reconhecimento do título passa a ter uma cerimônia em que o mestre, representando ser o portador do conhecimento, dá a outorga ao aluno, transformando-o em um novo portador do dom. Para entender isso melhor, olhe para os cerimoniais de formatura que ainda existem hoje. Todos ainda se baseiam na tradição e sua reprodução. O magnífico reitor outorga o grau – não mais por Deus, mas pelo Estado e pela instituição – colocando o aluno na condição de membro da Universitas. A Universidade de Bolonha é um exemplo. Podemos ver processos parecidos destas duas fases – organização e status formal de universidade – igualmente em Paris: 1174 Mestres e estudantes de Paris ganham privilégios do Papa Celestino III. 1200 O rei da França, Filipe Augusto, também concede privilégios aos mestres e estudantes de Paris. 1215 A universidade recebe seu regimento do legado pontifício, Roberto de Courson. 1231 Papa Gregório IX emite a Bula Universitas Parens Scientiarum, que regulamenta as atividades da universidade. As novas universidades não nasceram do nada. São filhas das escolas que se formaram desde Carlos Magno, mas seu modo de pensar e operar, sua formalização, dependeu do novo momento político, vivido no século XIII. As universidades são campos abertos para novas ideias. Não à toa, são espaços vitais da Escolástica e do pensamento aristotélico. CURIOSIDADE HISTÓRICA A Bula Universitas Parens Scientiarum conferida à Universidade de Paris pelo Papa Gregório IX continha um elogio famoso a respeito da instituição universitária e da Teologia, que se tornara na universidade, segundo expressão do Padre Chenu, uma “ciência”. FUNDAMENTO ARISTOTÉLICO DA ESCOLÁSTICA Dois grandes nomes se destacam na corrente Escolástica. São eles: Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público ARISTÓTELES De certo modo, foi o principal teórico das universidades do século XIII e, especialmente, da Universidade de Paris. Apesar de seus textos já terem sido traduzidos para o latim há muitos séculos, foi a partir do século XIII que se destacaram nessas traduções oriundas do árabe para línguas vernáculas a sua metafísica, sua ética e sua política. Assim, podemos afirmar que houve um aristotelismo medieval por volta de 1260-1270, pois suas ideias estavam presentes em quase todo o ensino universitário. VERNÁCULAS ver·ná·cu·lo javascript:void(0) (latim vernaculus, -a, -um, de escravo nascido em casa, de escravo) adjetivo 1. Próprio do país ou da nação a que pertence.=NACIONAL 2. [Figurado] Diz-se da linguagem sem incorreções e sem inclusão de estrangeirismos.=CASTIÇO 3. Que se expressa de modo rigoroso e sem incorreções (ex.: escritor vernáculo). substantivo masculino 4. Língua própria de um país ou de uma região. "vernáculas", In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/vern%C3%A1culas [consultado em 06-02-2020]. Imagem: Imagem: The Yorck Project (2002)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 TOMÁS DE AQUINO Foi um dos grandes introdutores do pensamento aristotélico nas universidades. No entanto, aproximadamente em 1270, o aristotelismo recuou por causa da condenação de tradicionalistas, como Estêvão Tempier, e pelos ataques de mestres mais “modernos”, que opunham a ele ideias mais místicas e menos racionalistas, tais como os franciscanos João Duns Escoto (1266-1308) e Guilherme de Ockham (1285-1347), além do dominicano Meister Eckhart (1260-1328). O legado da ação intelectual, especialmente a universitária, do século XIII, foi a série de métodos e de textos que foram categorizados como Escolástica, inicialmente no século XII, e, mais profundamente, nas universidades no século XIII. A Escolástica deriva do desenvolvimento da Dialética, uma das artes que compõem o Trivium, “a arte de argumentar por perguntas e respostas numa situação de diálogo”. O fundador da Escolástica é Anselmo de Cantuária (1033-1109), para quem a Dialética é o procedimento principal da sustentação da reflexão ideológica. O objetivo da Dialética é a inteligência da fé, cuja fórmula ficou famosa desde o período medieval: fé em busca de entendimento (fides quaerens intellectum). Esse método era baseado em três etapas: QUAESTIO Elaboração de um problema, ou seja, na exposição de uma questão. A DISPUTATIO Discussão do questionamento entre mestres e alunos. A DETERMINATIO Resolução do problema por parte do mestre. Vale lembrar que, no século XII, no programa das universidades, havia um exercício cujo fim era a demonstração do talento intelectual dos mestres. Nessas oportunidades, duas vezes ao ano, os discentes propunham ao mestre uma questão de qualquer temática. O renome e o status dos mestres, muitas vezes, se faziam em cima de sua competência de replicar a esses assuntos. DEMONSTRAÇÃO DO TALENTO INTELECTUAL DOS MESTRES Uma importante prática intelectual desse momento era o duelo de correntes de pensamento. Seguidores do pensamento agostiniano, seguidores da forma aristotélica e ainda outras correntes cristãs se reuniam nos espaços da universidade e duelavam defendendo as suas ideias. Mestres ficavam famosos ou caiam em desgraça dependendo do seu desempenho. É interessante notar que a cultura circula. Essa mesma prática vai ser adotada por trovadores nas festas para ver quem era mais reconhecido. javascript:void(0) De trovadores e jogralesas, percebemos que uma prática da Educação chegava ao grande público. CURIOSIDADE HISTÓRICA No século XIII, o filósofo que promoveu a transição real do platonismo para uma forma mais sofisticada de Filosofia foi Tomás de Aquino (1225-1274): o grande nome da Escolástica. Sua obra-prima, Summa Theologica (1485), é o maior exemplo desse método de aprendizagem. A Escolástica ampliou-se quando Tomás de Aquino introduziu ao método elementos da Filosofia de Aristóteles. Historicamente, na Idade Média latina, a partir da segunda metade do século XIII e no século XIV, a Filosofia apresentava-se de duas formas distintas. Vejamos: FILOSOFIA ARTICULADA À TEOLOGIA Sob a regência normativa da Teologia – ou, como diria Tomás de Aquino, subalternada a essa ciência –, tal Filosofia era oficialmente praticada nas Faculdades de Artes das universidades. Esse era o degrau necessário para atingir a Faculdade de Teologia. FILOSOFIA VOLTADA À TRADIÇÃO ANTIGA Esta Filosofia retomava, pela mediação do ideal de vida filosófica – renascido em terras do Islã –, a tradição antiga do exercício de filosofar como fonte do mais alto prazer e da felicidade. As universidades foram fundadas a partir das disciplinas disponíveis nas faculdades. Existiam quatro faculdades que faziam parte de todas as universidades: DIREITO Elaboração de um problema, ou seja, na exposição de uma questão. TEOLOGIA Estudo da exegese bíblica e da fundamentação filosófica de Deus. MEDICINA Dava à Medicina uma aparência mais livresca e teórica do que experimental e prática. ARTES Onde se lecionavam as Artes, principalmente as do Quadrivium. Mas vale lembrar que, acima de todas elas, no que tange ao status e ao reconhecimento social, impunha-se a faculdade suprema: a de Teologia. Com muita frequência, uma faculdade prevalecia por sua importância sobre as outras da universidade. Nesse sentido: Bolonha foi prioritariamente uma Faculdade de Direito; Paris foi uma Faculdade de Teologia. Montpellier foi uma Faculdade de Medicina. Imagem: Livro Germânico de Música – ilustrado por Heinrich von Meißen. Representação dos jograleses – prática comum entre os estudantes duranteo período. Havia uma hierarquia pelo lugar no curriculum e pela reputação entre uma faculdade de base propedêutica. Na prática, a Faculdade de Artes foi frequentemente dominada pelas disciplinas que hoje chamaríamos de científicas. Do ponto de vista social, a faculdade foi povoada por estudantes mais jovens, mais turbulentos, menos ricos, e só uma minoria deles prosseguia seus estudos em uma faculdade superior (Direito, Teologia e Medicina). PROPEDÊUTICA pro·pe·dêu·ti·ca (francês propedeutique) substantivo feminino 1. Introdução, prolegómenos de uma ciência. 2. Instrução preparatória, ciência preliminar, introdução a estudos mais desenvolvidos de determinada disciplina. "propedêutica", In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/proped%C3%AAutica [consultado em 22-01-2020]. Assista ao vídeo a seguir, que trata das universidades e suas características na Idade Média. javascript:void(0) Entrevista com o professor Rodrigo Rainha sobre as quatro faculdades existentes na Idade Média, e a comparação entre as universidades medievais e atuais. FIGURAS RELEVANTES Vamos conhecer alguns dos sujeitos que foram apresentados ao longo deste módulo. Foto: St. Anselm of Canterbury in an English glass window of 19th cent/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Anselmo de Cantuária A proximidade com a península Ibérica e as traduções de Aristóteles acabam por transformar Anselmo no fundador da Escolástica. Foto: The Yorck Project (2002)/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Tomás de Aquino Principal nome da Escolástica, foi um dos grandes introdutores do pensamento aristotélico nas universidades. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Frederico Barba Ruiva Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Morreu partindo para as Cruzadas antes mesmo de lutar. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Duns Escoto Filósofo escocês que seguiu a Escolástica e explicou a origem filosófica de Deus. Imagem: William of Ockham, from stained glass window at a church in Surrey/Wikimedia Commons/licença CC-BY-2.5 Guilherme de Okham Defendia que a única forma de atingir a verdade era a adoção da razão para chegar a fé. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Urbano II Papa que “convocou” a primeira Cruzada. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. A CULTURA EUROPEIA NO PERÍODO CONHECIDO COMO BAIXA IDADE MÉDIA PODE SER CARACTERIZADA PELO(A): A) Esforço de Santo Isidoro de Sevilha em estruturar os conceitos da Filosofia Clássica. B) Aparecimento e difusão da cultura muçulmana. C) Difusão do dogma escolástico baseado na negação da união entre a fé e a razão para a busca da verdade. D) Decadência do ensino urbano seguido de sua ruralização. 2. O FUNDADOR DA ESCOLÁSTICA FOI ANSELMO DE CANTUÁRIA, PARA QUEM A DIALÉTICA ERA O PROCEDIMENTO PRINCIPAL QUE SUSTENTAVA A REFLEXÃO IDEOLÓGICA. O OBJETIVO DA DIALÉTICA ERA A INTELIGÊNCIA DA FÉ, CUJA FÓRMULA FICOU FAMOSA – FÉ EM BUSCA DE ENTENDIMENTO. DE ACORDO COM O QUE FOI VISTO, COMO SE DAVA A APLICAÇÃO DESSE MÉTODO NAS UNIVERSIDADES: A) Elaborar uma questão, discutir essa questão entre mestre e alunos e, por último, chegar a uma solução. B) Elaborar uma tese, depois escrevê-la e, por último, apresentá-la por meio de uma defesa. C) Discutir com os alunos sobre todo e qualquer assunto até se esgotarem as possibilidades positivas e negativas do assunto debatido. D) Elaborar uma questão para que, em seguida, o mestre imponha a solução finalizada sobre o assunto, fazendo com que os alunos aprendam segundo a visão de seus mestres. GABARITO 1. A cultura europeia no período conhecido como Baixa Idade Média pode ser caracterizada pelo(a): A alternativa "C " está correta. As universidades medievais apareceram em um contexto de crescimento urbano e comercial, marcas da Europa do século XII. Vale lembrar que foi nessa centúria que as escolas superiores ganharam a denominação de stadium generale (escola geral), que significava uma condição superior e uma instrução de traço enciclopédico. As universidades, localizadas em regiões de grande presença de organização de ofícios urbanos, aparelharam- se como os outros ofícios e adotaram a terminação “universidade”, que expressava corporação. 2. O fundador da Escolástica foi Anselmo de Cantuária, para quem a Dialética era o procedimento principal que sustentava a reflexão ideológica. O objetivo da Dialética era a inteligência da fé, cuja fórmula ficou famosa – fé em busca de entendimento. De acordo com o que foi visto, como se dava a aplicação desse método nas universidades: A alternativa "A " está correta. A valorização do debate como forma central de construir o argumento. Com isso, a questão era levantada. Esse método tinha dois efeitos: dava nova roupagem à dialogia que existia em Agostinho – substituição da condução pelo embate racional – e fomentava a disputa entre os mestres sobre quem tinha mais erudição. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos nossa jornada sobre a Educação na Idade Média estudando os elementos que a Igreja Católica resgatou da Antiguidade e as características das escolas romanas e do Trivium e Quadrivium e a readequação desses princípios da cultura clássica pela Patrística, com destaque para Agostinho de Hipona, o Renascimento Carolíngio e o contraponto da cultura do Islã e sua influência na Europa medieval até chegarmos nas universidades e o método da Escolástica com destaque para Tomás de Aquino. Devemos pensar a Educação como um evento que pode assumir formas e maneiras diversas dependendo dos diferentes grupos humanos e suas correspondentes etapas de organização. Dessa forma, a Educação resulta em intencionalidade, bem como em imposição para alcançar seus propósitos, procurando que seus elementos cheguem a todas as partes que compõem a sociedade, como modo de se legitimar, buscando, assim, determinar uma série de valores e práticas particulares. No nosso caso, o período medieval. Esse percurso não se finda aqui, pois a caminhada pela Educação é só o começo. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS DI BERNARDINO, A. D. (Org.). Dicionário Patrístico e de Antiguidade Cristã. Petrópolis: Vozes, 2002. GARCÍA DE CORTÁZAR, J. A. História de España. 2. La época medieval. Madrid: Alianza Editorial, 2004. LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2007. LOPEZ, Roberto. Nascimento da Europa. Lisboa: Cosmos, 1965. MELO, J. J. P. A educação em Santo Agostinho. In: Luzes sobre a Idade Média. Maringá: UEM, 2002, pp. 65-78. NUNES, R. A. C. História da Educação na Antiguidade Cristã: O pensamento educacional dos mestres e escritores cristãos no fim do mundo antigo. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1978. NUNES, R. A. C. História da educação na Idade Média. São Paulo: EPU: Universidade de São Paulo, 1979. NUNES, R. A. C. História da Educação na Idade Média. 2. ed. Campinas: Kírion, 2018. PILETTI, C; PILETTI, N. História da Educação: De Confúcio a Paulo Freire. São Paulo: Contexto, 2012. RUCQUOI, A. História medieval da Península Ibérica. Lisboa: Editorial Estampa, 1995. SANTOS, B. S.; COSTA, R. da. História da Filosofia Medieval. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2015. SÃO BENTO. Regra. São Paulo: Grafa, 2004. SAYAS ABENGOCHEA, J. J; GARCÍA MORENO, L. A. Romanismo y germanismo el despertar de los pueblos hispânicos (siglos IV-X). Barcelona: Editorial Labor, 1982. VELASQUEZ SORIANO, I. Ambitos y ambientes de la cultura escrita en Hispania (s. VI): De Martín de Braga a Leandro de Sevilla. In: Studia Ephemeridis Augustinianum, Roma, N° 46, 1994, pp. 329-351. EXPLORE+ Se quiser conhecer mais sobre a vertente Patrística, leia o livro Introdução à Teologia Patrística, de Luigi Padovese. Para entender melhor as artes liberais, leia o texto O sentido da Filosofia Medieval. Os carolíngios se destacaram em muitos aspectos no final da Alta Idade Média, inclusive no campo educacional. Porém, não foram os únicos.Para enriquecer o debate, veja um pouco mais sobre os visigodos. Assista ao filme O Físico, que, apesar de ser uma obra de ficção, ilustra o desenvolvimento do ensino superior. Assista também ao filme O Nome da Rosa, onde Sean Connery interpreta um monge franciscano. Em Nome de Deus é outro filme interessante, baseado em fatos reais. retrata o romance medieval francês do século XII entre Pedro Abelardo e Heloísa. CONTEUDISTA javascript:void(0); javascript:void(0); Pâmela Torres Michelette DESCRIÇÃO Explicação das importantes mudanças ocorridas em âmbito mundial, pois o que foi vivido no passado ainda está presente na contemporaneidade. Esclarecimento de como a aliança entre Educação e Renascimento inaugurou a ideia de modernidade e construiu a cultura ocidental diante do embate: tradição versus pensamento moderno. PROPÓSITO Entender o mundo contemporâneo a partir do reconhecimento da modernidade, do pensamento renascentista e dos embates com a religião. Buscar o passado que nos identifica a fim de apontar a origem de nossa língua, de nossa história e os caminhos que marcam nossa maneira de pensar a Educação. OBJETIVOS MÓDULO 1 Conceituar modernidade para a História MÓDULO 2 Reconhecer a Educação no Renascimento MÓDULO 3 Identificar o movimento da Reforma, da Contrarreforma e o modelo de educação jesuítica implantado no Brasil MÓDULO 4 Distinguir as linhas do pensamento pedagógico na modernidade MÓDULO 1 Conceituar modernidade para a História Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público INTRODUÇÃO Quantas vezes escutamos, em nosso dia a dia, o uso da expressão moderno se referindo a algo novo ou diferente? Mas, de onde vem exatamente essa ideia sobre o que é moderno? É importante analisarmos mais detalhadamente o conceito de moderno para compreendermos como ele interfere na Educação que conhecemos. Moderno e seu derivado, modernidade, não são apenas palavras; são conceitos e, por isso, podem ter múltiplos significados. Neste vídeo, os professores Flávia Miguel e Rodrigo Rainha debatem conceitos importantes para a construção do entendimento sobre o Ocidente e a modernidade. Vamos assistir! ORIGENS A origem da ideia de moderno como novo surge de uma construção histórica. Tradicionalmente, os historiadores convencionaram dividir a História em eras para melhor compreendê-la e ensiná-la. Essa proposta, que chamamos de linha do tempo, foi muito utilizada como método de estudo, sobretudo no século XIX, pelos positivistas. POSITIVISTAS Conforme Abbagnano (2012), o positivismo foi adotado por Augusto Comte para a sua filosofia e, graças a ele, passou a designar uma grande corrente filosófica que, na segunda metade do séc. XIX, teve numerosíssimas e variadas manifestações em todos os países do mundo ocidental. A característica do positivismo é a romantização da Ciência, sua devoção como único guia da vida individual e social do ser humano, único conhecimento, única moral, única religião possível. O javascript:void(0) positivismo acompanha e estimula o nascimento e a afirmação da organização técnico-industrial da sociedade moderna e expressa a exaltação otimista que acompanhou a origem do industrialismo. Imagem: Ensineme Nesse recurso, vemos que a História começa na Idade Antiga com o aparecimento da escrita. Isso se fundamenta na premissa da tradição europeia de que povos sem escrita não teriam história, por isso, Pré-História. Essa concepção justifica, por exemplo, o estudo dos povos indígenas e africanos ter sido relegado durante tanto tempo. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Após a Idade Antiga, surgiu a Idade Média, considerada a Idade das Trevas. Esse termo surge no período renascentista, já na Idade Moderna. Os historiadores desse período não viam um valor na Idade Média, entendendo-a simplesmente como uma fase entre a cultura clássica e a moderna. Daí a visão, equivocada, de que a Idade Média havia sido um período de estagnação e obscurantismo. O Moderno surge em oposição ao Medieval. O Novo e o Velho. Essa ideia se populariza, e temos ainda dificuldade em compreender que o moderno é algo concebido em seu próprio tempo. Nesse caso, seguindo a convenção, entre os séculos XV e XVIII. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Moderno novo Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Medieval velho Embora ainda utilizemos o recurso da linha do tempo - que atualmente possui diversos usos, desde histórico até biográfico – é sempre importante fazê-lo de forma crítica, entendendo que representa apenas convenções. Um período histórico não começa e termina com um único evento, por mais importante e significativo que ele seja. O conhecimento e a cultura são frutos de um acúmulo, que ocorre ao longo dos séculos. Temos, portanto, em nosso modo de viver, contemporâneo, diversos legados de períodos anteriores, dos quais alguns são notórios enquanto outros são menos evidentes. Como exemplo, podemos citar a nossa percepção estética, que é claramente derivada da cultura clássica, greco-romana. Com certeza gostos, culturas e ideais de beleza se alteram, porém de modo lento e sempre deixando resquícios. Qual delas chamou sua atenção de forma mais imediata? Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público A Pietá, esculpida por Michelangelo no século XV, é influenciada pela estética greco-romana. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público A urna marajoara feita pelos povos indígenas brasileiros é do período pré-cabralino e nela se destacam as técnicas de pintura e escultura que fariam da arte marajoara uma das mais importantes da América. Seu olhar provavelmente foi direcionado para a primeira imagem, enquanto na segunda é possível que tenha havido um certo estranhamento. Isso acontece porque parte significativa de nossa “educação estética” esteve voltada para os padrões europeus e não para o continente americano. Essa construção estética que observamos foi articulada durante a Idade Moderna, período em que parte da sociedade ocidental como conhecemos se estruturou. Veja como Deus pode ser retratado de formas diversas. Idade Antiga Os fenômenos do mundo e da vida humana eram explicados pela mitologia. Havia deuses que se encarregavam de manter a ordem da Terra e seu funcionamento. Imagem de Apollo da Antiguidade. Idade Média Os deuses deram lugar a um único Deus cristão, em torno do qual o mundo medieval se organizava culturalmente. A Imagem de Deus Esculpida na Igreja de Vitória em Portugal. Idade Moderna O saber científico começa a ganhar espaço. Iluminura do racionalismo medieval, considerado o movimento pai da modernidade. Idade Contemporânea Saber científico modificando as sociedades. A locomotiva a vapor é um grande símbolo das transformações econômicas e sociais que são a marca do mundo contemporâneo. PERÍODO MODERNO A Idade Moderna foi um período de intensos questionamentos e rupturas. Não que, subitamente, tudo se fez novo e tudo que era ultrapassado tenha desaparecido. Mas, aos poucos, surgem novas formas de ver o mundo, novas maneiras de explicar aquilo que se vive. O ser humano é questionador por natureza; e esse desejo de aprender, sobre si e sobre o ambiente em que vive fortalece e consolida a criação de instituições escolar. Em cada tempo histórico, esse aprendizado teve um fundamento, uma forma de organização. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público ATENÇÃO Perceba que o fato da Ciência começar a se estruturar como fonte de conhecimento na modernidade não faz, de forma alguma, com que a questão religiosa seja deixada de lado ou esquecida. A religião, em geral, e o cristianismo, em particular, assumem novos papéis na ordem social que se altera progressivamente. CONSOLIDAÇÃO DO MODERNO Dois elementos foram fundamentais para que a Idade Moderna se consolidasse: FAMÍLIA A família passa a ser fundamental para a inserção e o desenvolvimento do indivíduo na sociedade. Com a decadência do feudalismo, um processo quelevou séculos, as cidades passaram a recuperar sua importância comercial, com o estabelecimento de feiras e a intensificação do comércio, e aquele que nelas vivia – o burguês – passou a ser sinônimo de comerciante. À medida que alcançava prosperidade financeira, o burguês criava para si um novo tipo de família. Seus filhos deveriam ser instruídos e educados para continuarem seu ofício e assumirem seus negócios. javascript:void(0) javascript:void(0) BURGUÊS Originalmente, designava-se como burguês todo aquele que habitava o burgo. Essa referência fazia uma clara distinção entre aquele que vivia na urbe (cidade ou burgo) e aquele que habitava o feudo (campo ou área rural). NOVO TIPO DE FAMÍLIA Nem sempre a família foi estruturada da forma como conhecemos. Na Idade Média, a vida social possuía um caráter eminentemente coletivo, diferente do mundo privado dos dias atuais. O próprio sentido de privacidade era desconhecido. As atividades eram coletivas e um indivíduo se caracterizava pelo seu ofício e pelo papel social a ele atribuído. No século XI, o bispo Adalberon de Laon expressou o que viria a ser uma das mais famosas descrições da sociedade medieval: “A casa de Deus, que se crê una, está, portanto, dividida em três: alguns oram, outros combatem e outros trabalham. Essas três partes que coexistem não estão sujeitas à disjunção: os serviços prestados por uma delas são a condição das obras das duas outras” (LAON, 1033 apud COMBY, 2001, p. 150). Podemos perceber que era uma sociedade extremamente interligada. A vida particular possuía pouco espaço naquele mundo. Somente com a crise do século XIV mudanças significativas começam a ser evidenciadas. O crescimento da burguesia e sua posterior consolidação como grupo social possui um papel central nessa mudança. ESCOLA A construção de um ambiente governamental que tinha função de dar formação de maneira estruturada aos alunos é um fenômeno moderno. Ainda que existissem escolas – ou espaços que tendemos a atribuir o nome de escolas – no mundo grego, romano e na Idade Média, a ideia de um prédio fundamental, com funções públicas para formação dos sujeitos em níveis diversos é nova. Mais ainda, se antes dependia-se de professores particulares ou iniciativas da Igreja passamos a falar de modelos previstos em lei, mantidos pelo Estado e com funções de preparar o sujeito para o Estado. Veremos mais sobre a escola – por seus aspectos práticos – no próximo módulo. Se antes apenas as crianças de origem nobre eram alvo de alguma educação estrutural, agora também se começa a educar fora da nobreza. Um dos principais estudiosos da questão familiar, Philippe Ariès (1914-1984), afirma que: OS PAIS NÃO SE CONTENTAVAM MAIS EM PÔR FILHOS NO MUNDO, EM ESTABELECER APENAS ALGUNS DELES, DESINTERESSANDO-SE DOS OUTROS. A MORAL DA ÉPOCA LHES IMPUNHA PROPORCIONAR A TODOS OS FILHOS (NO FIM DO SÉCULO XVII, ATÉ MESMO ÀS MENINAS), E NÃO APENAS AO MAIS VELHO, UMA PREPARAÇÃO PARA A VIDA. (ARIÈS,1986, p.277) Essa estrutura familiar, que se tornou uma das características da modernidade, fez com que surgisse outro conceito que modificaria definitivamente as relações sociais: a infância. Retomando Ariès (1986), no medievo não havia uma grande separação entre as idades, e as crianças eram tratadas como pequenos adultos. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Até então, não houvera grande preocupação com as crianças, seu desenvolvimento, aprendizado ou bem-estar. A mortalidade infantil no medievo era acentuada, a mobilidade social, improvável. Se o destino de uma criança era repetir – se tivesse sorte – o ofício de seu pai, a educação formal, letrada, não fazia sentido. Foram a modernidade e a retomada do letramento como algo a ser apreciado que modificaram, pouco a pouco, esse cenário. A criança deixou de ser um “adulto em miniatura” e tornou-se um indivíduo com necessidades próprias e sobre o qual ampliam-se as expectativas familiares. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público A modificação da forma como a infância era entendida reflete uma alteração no comportamento social, e a escola, elaborada a partir de então, traduz essa mudança. O sentido de aprendizado passa a se estruturar em torno de uma proposta didática que, por sua vez, constitui o cerne de diversas disciplinas e saberes organizados. Veremos, a seguir, como esses saberes se conformam a partir da perspectiva de movimentos caros à modernidade: o Renascimento, a Reforma e a Contrarreforma. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. ALGUNS AUTORES JUSTIFICAM A DEFINIÇÃO DE PRÉ-HISTÓRIA PARA O PERÍODO ANTERIOR AO DA ESCRITA (COMO SE APRESENTA NA LINHA DO TEMPO), AFIRMANDO QUE, COMO O TERMO “HISTÓRIA”, ORGINALMENTE GREGO, SIGNIFICA “PESQUISA, INVESTIGAÇÃO”, A FORMA MAIS SEGURA PARA TAL SERIA A DOCUMENTAÇÃO ESCRITA. DAÍ, SOMENTE APÓS O DESENVOLVIMENTO DESSA TÉCNICA TERÍAMOS VERDADEIRAMENTE A HISTÓRIA. POR OUTRO LADO, SABEMOS QUE ESSA CONCEPÇÃO DE PRÉ- HISTÓRIA: A) Relegou o estudo de povos indígenas e africanos. B) Determinou que a linha do tempo não tivesse mais qualquer sentido no estudo de História. C) Contribuiu para que os positivistas negassem a utilização da linha do tempo. D) Continua presente e é reconhecida como a melhor forma de compreensão do tema. E) Definiu como histórico apenas os fatos ocorridos após a fundação de Roma. 2. SABEMOS QUE A MODERNIDADE FOI UM PERÍODO DE INTENSOS QUESTIONAMENTOS E RUPTURAS. PORÉM, SABEMOS QUE TAIS QUESTIONAMENTOS NÃO SURGIRAM DE UMA HORA PARA OUTRA, MAS FORAM CONSOLIDANDO-SE AO LONGO DO EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE HUMANA; E QUE CONTINUA EM DESENVOLVIMENTO. ASSIM, SE OBSERVARMOS CADA TEMPO HISTÓRICO, PERCEBEREMOS QUE O APRENDIZADO TEVE UM FUNDAMENTO, UM MODO DE SE ORGANIZAR. SOBRE ISSO PODEMOS AFIRMAR, EXCETO: A) Na Idade Antiga, era a mitologia que dava sustento aos fenômenos do mundo; nela buscavam-se justificativas para a realidade. B) Na Idade Média, um único Deus cristão deu lugar a divindades míticas, e em torno dessa fé o mundo medieval organizou-se culturalmente. C) Na Idade Moderna, o saber científico assumiu o papel de fundamentar e organizar o conhecimento do mundo. D) Na Idade Contemporânea, a tecnologia digital substitui definitivamente o saber científico, apresentando explicações inovadoras para a realidade que nos cerca. E) Embora o modelo de estrutura familiar da modernidade não altere o modelo medieval, o conceito de infância é substituído. GABARITO 1. Alguns autores justificam a definição de Pré-História para o período anterior ao da escrita (como se apresenta na linha do tempo), afirmando que, como o termo “História”, orginalmente grego, significa “pesquisa, investigação”, a forma mais segura para tal seria a documentação escrita. Daí, somente após o desenvolvimento dessa técnica teríamos verdadeiramente a História. Por outro lado, sabemos que essa concepção de Pré-História: A alternativa "A " está correta. Vivemos em uma sociedade fruto da expansão do domínio europeu, iniciado no século XVI e consolidado no século XIX. Esse domínio inaugura a era da modernidade, período em que o mundo passa a reconhecer a Europa – por conta do domínio político e econômico – como a referência inclusive histórica de que a verdade do mundo era europeia. Isso leva a partes da história do mundo serem completamente relegadas. 2. Sabemos que a Modernidade foi um período de intensos questionamentos e rupturas. Porém, sabemos que tais questionamentos não surgiram de uma hora para outra, mas foram consolidando-se ao longo do evolução da sociedade humana; e que continua em desenvolvimento. Assim, se observarmos cada tempo histórico, perceberemos que o aprendizado teve um fundamento, um modo de se organizar. Sobre isso podemos afirmar, exceto: A alternativa "D " está correta. A Idade Contemporânea não é marcada apenas pelas tecnologias digitais; lembremos que sua primeira grande tecnologia foi a utilização do vapor, na Revolução Industrial (fins do séc.XVIII). Além disso, todas as tecnologias, inclusive as digitais, continuam baseadas, em grande parte, nos pressupostos científicos modernos. MÓDULO 2 Reconhecer a Educação no Renascimento RENASCIMENTO O Renascimento, movimento intelectual ocorrido no final da Idade Média e durante a Idade Moderna, é um tema que tem sido exaustivamente estudado. Não só pela sua importância na concepção da história intelectual do Ocidente, mas também pelas rupturas que provocou na organização do conhecimento até então estabelecido. Quando falamos em Renascimento, imaginamos a arte do período e seus representantes, como Michelangelo e Leonardo da Vinci. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Essa é a face mais popular do movimento e tem sido constantemente recuperada em filmes e obras literárias de ficção. Não que esse aspecto seja irrelevante; longe disso, a questão estética e cultural é um dos fundamentos da ideologia renascentista. Contudo, é preciso desfazer o equívoco de que esse é o principal aspecto de toda a movimentação intelectual gerada pelos cientistas, artistas e filósofos do período. IDEOLOGIA Segundo Abbagnano (2012), pode-se denominar Ideologia toda crença usada para o controle dos comportamentos coletivos, entendendo-se o termo crença, em seu significado mais amplo, como noção de compromisso da conduta, que pode ter ou não validade objetiva. DICA Assista ao filme O Mercador de Veneza, baseado na obra de William Shakespeare, que apresenta uma narrativa envolvente, instigante e ainda nos ambienta na Veneza renascentista. javascript:void(0) javascript:void(0) O MERCADOR DE VENEZA Na Veneza do século XVI, quando um comerciante pega um grande empréstimo com um agiota judeu para ajudar um amigo com ambições românticas, o credor amargamente vingativo exige um pagamento horrível. RENASCIMENTO E ARTE Neste vídeo os professores Rodrigo Rainha e Flávia Miguel debatem conceitos importantes para a construção do entendimento sobre a Arte no Renascimento. Vamos assistir! O Renascimento não é apenas um. Por ser multifacetado, ele pode ser pensado em aspectos distintos (comercial, urbano, científico e cultural), os quais estão interligados e juntos compõem um quadro de mudanças extraordinárias e de grande movimentação intelectual que marcaria definitivamente o campo da Educação. A dinâmica do Renascimento é expressa em um movimento de rupturas e continuidades. Por um lado, há a retomada de valores clássicos que passaram a ser discutidos e aperfeiçoados, não só do ponto de vista estético – a arte renascentista recupera em grande medida a arte clássica –, mas também do ponto de vista político e filosófico. Imagem: Ensineme É necessário atentar para a ideia de retomada que tão frequentemente se utiliza ao discutir esse momento. Essa “retomada de valores” não é, sob nenhuma circunstância, uma mera transposição. Historicamente, não é possível fazer uma transposição sem alteração de um período histórico para outro. Um bom exemplo é a transformação das tecnologias e como elas impactam o mundo. Se antes os livros eram belos e coloridos feitos nos scriptoria, com a prensa de Gutenberg sua produção foi acelerada e houve o aumento de leitores. SAIBA MAIS Vamos utilizar o pensamento do filósofo Heráclito de Éfeso, que viveu no século V a.C., para compreendermos melhor essa impossibilidade. Ele afirmava que uma pessoa jamais se banharia duas vezes no mesmo rio, pois suas águas nunca são as mesmas; estão sempre fluindo. Da mesma forma, a humanidade muda todos os dias: suas ideias, concepções, gostos e opiniões são impermanentes. Em essência, o pensamento de Heráclito traduz a ideia de mutação constante. Quando se recuperam valores ou modos de pensar que existiram no mundo clássico greco-romano, eles são adaptados ao pensamento moderno, ou seja, a um tempo diferente daquele em que foram originalmente concebidos. Portanto, por mais que o pensamento renascentista traga para a modernidade conceitos clássicos, como a ideia de cidadão, ele o faz de acordo com seu próprio tempo e não apenas reproduzindo o que se entendia como cidadão na Antiguidade. HERÁCLITO DE ÉFESO Conhecido como “o obscuro”, foi um pensador e filósofo pré-socrático considerado o “Pai da Dialética” Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público O Renascimento foi um terreno fértil para que se discutisse a condição humana. As mudanças no modo de vida da população, a substituição progressiva do sistema feudal pela centralização política, a recuperação e dinamização do comércio trouxeram novos questionamentos ao indivíduo moderno e, dentre eles, qual era a natureza humana de fato e, sendo ela estabelecida, qual o papel do Estado no seu controle. javascript:void(0) À medida que o Feudalismo, fundamentado na fragmentação de poder, era substituído pela centralização política, tornava-se importante compreender o Estado que derivaria dessa centralização. FEUDALISMO No sentido mais geral, o termo refere-se ao sistema de organização da sociedade medieval (Idade Média), compreendendo elementos sociais, políticos, econômicos e ideológicos daquele período. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público PENSADORES O pensamento educacional no Renascimento e no movimento intelectual que o segue, o Iluminismo, se estrutura apoiado em diversos autores. Analisaremos dois diferentes pensadores para compreendermos suas ideias e como eles influenciaram o campo da educação. Comecemos pelo italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527), autor de uma das principais obras de política já produzidas, O Príncipe; um manual de política escrito no século XVI, que expunha suas principais ideias acerca da arte de governar. NICOLAU MAQUIAVEL javascript:void(0) javascript:void(0) Foi um filósofo, historiador, poeta, diplomata e músico renascentista. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de ter escrito sobre o Estado e o governo como realmente são, e não como deveriam ser. Fonte: Shutterstock.com ATENÇÃO De sua obra-prima nasceu o termo maquiavélico, que adquiriu o sentido de luta e manutenção do poder a qualquer custo. Os estudiosos da obra de Maquiavel contestam amplamente esse sentido porque - apesar de ter afirmado que os fins justificam os meios - há ressalvas e condicionantes, como a ideia de justiça e bem comum, também trabalhadas pelo filósofo. Quais as funções de um rei e suas obrigações com o povo? Quais os limites impostos ao soberano, se é que deve haver limites? Esses questionamentos estão no cerne da obra de Maquiavel e, em busca dessas respostas, o filósofo discorre extensamente sobre a natureza humana, o Estado e o papel da Educação. Note que não é ainda a ideia de educação formal como mais tarde seria estruturada, mas uma educação prática, para a vida em sociedade. Maquiavel e outros pensadores que o sucederam entendiam que o ser humano em estado natural tende a ser selvagem. Sem um Estado e leis que o regulem, ele é dominado por suas paixões e seus desejos, tomando para si aquilo que cobiça sem que haja consequências ou punições. Essa natureza torna impossível a vida em sociedade, pois - sem disciplina e regulamentos, além de uma figura de autoridade para impor, mesmo que com o uso da força - não haveria a ordem social. A educação dá-se pelo exemplo. Cabe ao governante educar pelo exemplo para que se construa o sentido da cidadania e formem-se bons cidadãos. Como colocam Oliveira e Rubim (2012): Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público La Divina Commedia di Dante, de Domenico di Francesco. DEPREENDE-SE DAS REFLEXÕES DE MAQUIAVEL QUE ELE CONCEBE O SER HUMANO COMO AGENTE DE SEUS ATOS, PORTANTO CAPAZ DE ESCOLHER SEU CAMINHO, PELO FATO DE POSSUIR LIVRE ARBÍTRIO, MAS PRECISA DE UM DIRECIONAMENTO QUE O AJUDE A FAZER AS ESCOLHAS CORRETAS. ESSE DIRECIONAMENTO PODE SER REALIZADO POR MEIO DO EXEMPLO DO GOVERNANTE, PELA EDUCAÇÃO E COM BOAS LEIS. (OLIVEIRA e RUBIM, 2012) É importante percebermos que esse sentidode educação pelo exemplo é uma das primeiras concepções de educação da modernidade. Na ausência de um formalismo, o mestre torna-se exemplo daquilo que deve ser aprendido. Essa ideia de mestre e discípulo, de aprendizado pelo exemplo, já existia na Antiguidade entre as primeiras escolas filosóficas, onde também se debatia a natureza humana e seu comportamento social. Esse é um exemplo de retomada de valores clássicos, adaptados por Maquiavel ao mundo moderno. A Educação para Maquiavel estava, inegavelmente, vinculada à virtude. Mas ele não é o único pensador moderno que entendia a educação dessa maneira. O sentido de virtude aparecia em outras propostas pedagógicas, como a do filósofo inglês John Locke (1632-1704). JOHN LOCKE Locke viveu em uma Inglaterra dividida entre um parlamento e a monarquia. Sua origem burguesa fez com que tendesse para a defesa do parlamento e o desenvolvimento de teorias, que constituiriam o sistema liberal, basilares para a história política e econômica da Inglaterra. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público AUTORES CONTRATUALISTAS O pensamento de Locke faz parte do que chamamos de autores contratualistas. Esses pensadores acreditavam na existência de um contrato social que seria, de forma bastante resumida, um contrato tácito entre Estado e indivíduo. Para ter direito à vida em sociedade, à manutenção da propriedade e à garantia da vida e da segurança, o indivíduo abriria mão de seu direito fundamental, a liberdade, legando ao Estado o direito de prender, julgar e punir com a privação da liberdade e, em casos extremos, da vida para garantir o bem comum. A despeito de considerar Deus como fundamental para o desenvolvimento das sociedades, Locke condena a participação da Igreja em assuntos de Estado. Durante a Idade Média e boa parte da Idade Moderna, Igreja e Estado funcionavam como um e, não raro, a Igreja Católica possuía prerrogativas de Estado, como julgar e punir. Podemos tomar como exemplo o processo da Inquisição, que teve início na Europa do século XII. A despeito de seu caráter religioso, os inquisidores eram dotados de amplos poderes políticos, podendo prender, conduzir julgamentos, proceder investigações, punir e até condenar à morte. Apesar de os renascentistas questionarem e criticarem a Igreja como instituição, entendiam-na separada da fé em Deus. Os movimentos do Renascimento não eram ateus, mas colocavam em xeque as instituições e a forma como elas se relacionavam. O racionalismo renascentista permitiu que essas discussões ocorressem. Esse princípio buscava compreender o mundo por meio da observação dos fenômenos, recusando explicações simplistas ou de caráter religioso. Mesmo os questionamentos simples, possuíam anteriormente, respostas teológicas. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público javascript:void(0) A partir do momento em que o ser humano se dedica a estudar o mundo que o cerca a partir de outro olhar que não seja o religioso, diferentes explicações tornam-se possíveis, e a Ciência começa a se estruturar como fonte legítima de conhecimento. A Física, a Química, a Medicina e a Botânica passam a oferecer novas formas de compreender o mundo. Essas ciências se baseiam no empirismo, na observação dos fenômenos. O empirismo foi um dos pilares da modernidade e, como pensamento, está presente até nossos dias. EMPIRISMO Segundo Abbagnano (2012), foi uma corrente filosófica para a qual a experiência era critério ou norma da verdade; o empirismo não se opõe à razão nem a nega, a não ser quando a razão pretende estabelecer verdades necessárias, que valham em absoluto, de tal forma que seria inútil ou contraditório submetê-las a controle. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Locke fundamentou dinâmicas pautadas na liberdade e na condição social de formação do sujeito. A partir desses fundamentos, formulou uma série de propostas pedagógicas que acreditou serem importantes para estabelecer princípios educacionais sólidos e bem-sucedidos. Essas propostas foram reunidas em sua obra Alguns pensamentos sobre a Educação, produzida em 1693. LOCKE javascript:void(0) javascript:void(0) Locke pode ser considerado um dos primeiros racionalistas. Podemos afirmar que sua lógica é o conhecimento que surge a partir da razão e da empiria. Fora desse campo, é apenas matéria de opinião ou, como diríamos, “achismo”. Considerando a razão e a empiria, o conhecimento seria a construção de um processo observatório – interpretativo. Apesar disso, suas dinâmicas são diferentes entre os autores. Para Locke, a educação possuía um caráter eminentemente moral. De nada adianta a um indivíduo dominar os princípios da Ciência se isso não o torna uma pessoa e um cidadão melhor. Vemos aí uma sofisticação da premissa maquiavélica de educação virtuosa posto que, também segundo Locke, a Educação deve servir a um propósito maior. A preocupação com o mestre, que Locke chama de tutor, é constante: O PRECEPTOR NÃO DEVE SER SOMENTE UM INDIVÍDUO BEM EDUCADO; É PRECISO QUE CONHEÇA O MUNDO, OS COSTUMES, OS GOSTOS, AS LOUCURAS, AS MENTIRAS, AS FALTAS DO SÉCULO EM QUE O DESTINO TEM LANÇADO, SOBRETUDO, O PAÍS EM QUE VIVE. É PRECISO QUE SAIBA FAZER CONHECER E DESCOBRIR TUDO ISSO A SEUS DISCÍPULOS, À MEDIDA QUE ESTES SE CAPACITAM PARA COMPREENDER; QUE OS ENSINE A CONHECER OS HOMENS E SEUS CARACTERES; QUE DESCUBRA A CARETA COM QUE DISFARÇAM COM FREQUÊNCIA SEUS TÍTULOS E SUAS PRETENSÕES; QUE FAÇA DISTINGUIR O QUE ESTÁ OCULTO NO FUNDO DESSAS APARÊNCIAS. (LOCKE, apud BALABAN, 2012) Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Educar pelo exemplo, educação para cidadania. Esses princípios são fundamentais para compreender a Educação no Renascimento. A eles, Locke acrescenta um outro viés, herdado das concepções greco- romanas: a saúde e o desenvolvimento físico. Locke demonstra cuidado no aperfeiçoamento moral e físico do ser humano. RENASCIMENTO OU ILUMINISMO? Você já deve ter notado que é muito comum confundir o pensamento Renascentista com o Iluminista. Embora o primeiro tenha acontecido nos séculos XV e XVI e o segundo no século XVIII, parece que são a mesma coisa. Não são! Contudo, são inegáveis as influências e continuidades na ruptura desses pensamentos. A razão e a empiria renascentista eram alguns dos pilares do movimento iluminista, que ocorreu no século XVIII. Esse período ficou conhecido como Século das Luzes, em oposição às trevas que obscureciam a razão. Cada vez mais razão e ciência passaram a ser vistas como fontes de conhecimento, e aumentava a necessidade de se educar com base nos princípios da empiria e da razão. Um de seus principais representantes, no que toca ao debate acerca do conhecimento e do aprendizado, foi Immanuel Kant (1724-1804). javascript:void(0) IMMANUEL KANT Filósofo prussiano amplamente considerado como o principal filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo continental e a tradição empírica inglesa. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Sua proposta fundamentava-se na seguinte ideia: Todo conhecimento deve ser questionado afastando, cada vez mais, o conhecimento científico do teológico. Partindo desse princípio, Kant foi além; defendia que devemos criticar a própria razão e que nem mesmo ela é imune a erros. Sobre a pedagogia kantiana, Silva (2007) afirma que: A PEDAGOGIA EXPRESSA NA FILOSOFIA KANTIANA, EMBORA FIEL AOS IDEAIS ILUMINISTAS, É, AO MESMO TEMPO, UMA CRÍTICA A ESSES MESMOS IDEAIS. PARA KANT, A RAZÃO JAMAIS DEVE PRESCINDIR DE UMA CRÍTICA DE SUA PRÓPRIA CAPACIDADE. A PREOCUPAÇÃO ESSENCIAL DO FILÓSOFO COM A EDUCAÇÃO INSERE-SE NO CAMPO DA MORAL, POSTO QUE O SER HUMANO NÃO NASCE MORAL, MAS TORNA-SE POR MEIO DA EDUCAÇÃO, CUJA FUNÇÃO PRIMORDIAL CONSISTE EM FAZER DESPERTAR A REFLEXÃO CRÍTICA NO ALUNO. A FORMAÇÃO DO CARÁTER NA PEDAGOGIA KANTIANA ASSENTA-SE NO CULTIVO DA BOA VONTADE, CUJO FUNDAMENTO É O IMPERATIVO CATEGÓRICO QUE, POR MEIO DO EXERCÍCIO CRÍTICO DA RAZÃO, UNE O SUBJETIVO E O OBJETIVO, OINDIVIDUAL E O COLETIVO NUMA MESMA ORDEM. (SILVA, 2007) VAMOS ANALISAR A PROPOSTA KANTIANA, RELACIONANDO O QUE ESTUDAMOS NESTE MÓDULO. CONSTRUA SEU PRÓPRIO TEXTO. RESPOSTA javascript:void(0) VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. SE FALARMOS EM LEONARDO DA VINCI (1452-1519), MICHELANGELO BUONARROTI (1475-1564), DONATELLO (1386-1466) E RAFAEL SANZIO (1483- 1520), ESTAREMOS FALANDO DE ALGUNS DOS ARTISTAS QUE REPRESENTARAM O MOVIMENTO HISTÓRICO CHAMADO RENASCIMENTO, O QUAL: A) Era multifacetado, devendo ser pensado em diversos aspectos distintos: renascimento comercial, urbano, científico e cultural. B) Foi marcado por uma única dinâmica: continuidade; pois retomou valores clássicos que passaram a definir o valor estético do período. C) Possuía todos os seus aspectos interligados entre si, possibilitando mudanças extraordinárias e grande movimentação intelectual. D) Provocou mudanças também no campo da Educação, especialmente como resultado da amplitude e intercâmbio de todos os seus aspectos. E) Foi essencialmente marcado pela Arte: elemento que provocou, posteriormente, mudanças também na economia, na política, na sociedade como um todo. 2. A CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA NAS MÃOS DE UM MONARCA, TAMBÉM CARACTERIZOU A IDADE MODERNA. ESSA CENTRALIZAÇÃO, PORÉM, CONFRONTADA COM A FRAGMENTAÇÃO QUE MARCOU O PERÍODO ANTERIOR, GEROU UMA SÉRIE DE QUESTIONAMENTOS, QUE TENTARAM SER RESPONDIDOS PELOS FILÓSOFOS DO PERÍODO. SOBRE ISSO PODEMOS AFIRMAR: I. ENTRE ESSES QUESTIONAMENTOS ESTAVAM AQUELES ACERCA DO LIMITE DO PODER DO REI E DE SUAS OBRIGAÇÕES COM SEUS SÚDITOS. II. ALGUNS FILÓSOFOS, COMO KANT, INCLUÍAM NESSES QUESTIONAMENTOS O PAPEL DA EDUCAÇÃO FRENTE ÀQUELA NOVA REALIDADE. III. MAQUIAVEL FOI IMPORTANTE REPRESENTANTE DESSE PERÍODO E BUSCOU RESPONDER A ESSAS INQUIETAÇÕES. DAS AFIRMAÇÕES ACIMA: A) Somente I é verdadeira. B) Somente II é verdadeira. C) Somente II é falsa. D) Somente III é falsa. E) I e II são verdadeiras. GABARITO 1. Se falarmos em Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Donatello (1386-1466) e Rafael Sanzio (1483-1520), estaremos falando de alguns dos artistas que representaram o movimento histórico chamado Renascimento, o qual: A alternativa "B " está correta. O que chamamos de “dinâmica do Renascimento” é exatamente o movimento que ruptura e continuidade que marcou o Movimento. Os valores clássicos abordados na opção são, de fato, resgatados; mas não se trata de mera transposição. Como movimento histórico, o Renascimento impregnou suas características naquilo que resgatou. 2. A centralização política nas mãos de um monarca, também caracterizou a Idade Moderna. Essa centralização, porém, confrontada com a fragmentação que marcou o período anterior, gerou uma série de questionamentos, que tentaram ser respondidos pelos filósofos do período. Sobre isso podemos afirmar: I. Entre esses questionamentos estavam aqueles acerca do limite do poder do rei e de suas obrigações com seus súditos. II. Alguns filósofos, como Kant, incluíam nesses questionamentos o papel da Educação frente àquela nova realidade. III. Maquiavel foi importante representante desse período e buscou responder a essas inquietações. Das afirmações acima: A alternativa "B " está correta. Os questionamentos sobre Educação também estão presentes no período da Idade Moderna; porém, são apresentados inicialmente por Maquiavel (ainda que não somente por ele). Kant, que com sua filosofia questionou o modelo moderno, foi um grande representante do Iluminismo, período posterior ao do Renascimento. MÓDULO 3 Identificar o movimento da Reforma, da Contrarreforma e o modelo de educação jesuítica implantado no Brasil RELIGIÃO NO RENASCIMENTO Apesar da Idade Moderna ter sido marcada pelo enaltecimento da razão, o quesito religioso não deixou de ser importante. Seria um equívoco enorme imaginar que suas manifestações não estavam em meio à religião. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Se na Idade Média a religião era o centro do conhecimento e da vida em sociedade, na Idade Moderna ela se modificou e adquiriu novo sentido. Isso ocorre, em parte, devido às transformações, como os movimentos renascentistas, e pelo movimento de Reforma Religiosa. As obras de Michelangelo são encontradas no Vaticano e não chegaram lá por acidente! Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Veja: se as ideias mudaram, a vida social mudou, tornando-se mais individualista, e o próprio conceito de Ciência se alterou; certamente a religião, parte tão importante da cultura ocidental, também sofreu mudanças. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público No caso da Igreja Católica, as propostas de mudança remontam ainda à Idade Média. Ao longo do tempo, a Igreja se tornara uma grande proprietária de terras, acumulando imensa riqueza e poder. Sua soberania e influência política na maior parte dos reinos europeus entrava em contradição com aquilo que era pregado pela Bíblia, sobretudo no que diz respeito ao Novo Testamento. O papel primeiro da Igreja, salvar almas, foi, na visão de seus críticos, sendo deixado de lado. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público St. Peter’s, de Viviano Codazzi. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público A Arte é um bom relevo do poderio da Igreja e da contradição de sua força social. Essa representação foi feita de muitas formas, contudo uma das melhores é absorver toda a dor e a contradição nos detalhes das obras de Caravaggio. A perspectiva, a Arte, a serviço da crença. À medida que a instituição enriquecia, afastava-se das questões espirituais e se aproximava do campo da política. REFORMA RELIGIOSA Não havia uma separação entre Igreja e Estado. Isso significa que a Igreja podia prender e julgar aqueles que, segundo seu entendimento, cometessem crimes de fé, como renegar princípios católicos. A despeito do temor que as punições provocavam, diversos pensadores, chamados de reformistas, questionavam a conduta da Igreja Católica, o que desencadeou, na Idade Moderna, na chamada Reforma Religiosa. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Um dos primeiros pensadores a questionar a doutrina e a conduta da Igreja Católica foi Jan Hus (1369- 1415), ainda no século XIV. Para Hus, a Igreja devia se aproximar de seus fiéis e, por essa razão, defendia que as missas deviam ser celebradas na língua de cada povo. A modificação do idioma para facilitar a compreensão da missa (naquela época, as missas eram rezadas somente em latim, idioma que a população não compreendia) tornou-se um tema constante para os reformistas, os quais acreditavam que dessa maneira poderiam aproximar os fiéis da prática religiosa. JAN HUS javascript:void(0) Jan Hus nasceu na Região da Boêmia, atual República Tcheca, e defendia os ideais de pobreza e caridade bíblicos, além de condenar o acúmulo de riquezas da Igreja Católica. Por defender o que a Igreja considerava como heresia, Jan Hus foi condenado à morte na fogueira, em 1415. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Embora houvesse punições severas, elas não impediram o movimento reformista. Diversas contradições eram apontadas pelos críticos da Igreja: Comércio de relíquias Enriquecimento ao invés da caridade Venda de indulgências Adoração de santos Celibato ATENÇÃO A condenação da usura, do enriquecimento pelo lucro, incomodava particularmente a burguesia, que tinha aí sua fonte de riqueza. Além disso, era visto como contraditório a Igreja ser uma instituição rica, mas não permitir que a população também o fosse. À medida que essas contradições se tornavam mais evidentes, os reformistas foram ganhando apoio não só das classes burguesas, mas também de alguns governantes, reis e príncipes, cujo poder era cerceado pela interferência eclesiástica. ATUAÇÃO DE LUTERO É nesse contexto que as reformas de Martinho Lutero (1483-1546), considerado o Pai da Reforma Protestante, ganham força. Daquiloque via como contradição, era a venda de indulgências um dos principais alvos de suas críticas. Sua recusa em retroceder em suas críticas o fez ser excomungado em 1521. Sua defesa da salvação somente pela fé, no entanto, o fez ser acolhido em principados dos quais se tornou protegido. javascript:void(0) MARTINHO LUTERO Lutero nasceu em 1483, na atual Alemanha. Jovem, entrou para a ordem dos Agostinianos e, como monge, estudou com afinco a Bíblia. Seus estudos o levaram a questionar a prática católica. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público As propostas teológicas de Lutero logo se espalharam, em parte, devido a uma invenção que modificou o mundo intelectual: a imprensa. A impressão de livros permitiu que a Educação ganhasse corpo e que a leitura, antes restrita, começasse a ser popularizada. O reformista traduziu a Bíblia para o alemão, aumentando assim o número de pessoas com acesso à sua doutrina. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Martinho Lutero e a Reforma Protestante provocaram uma enorme mudança na Educação, posto que na Idade Média cabia apenas à Igreja Católica o papel de ensinar, além de ela monopolizar a produção de livros. DICA Assista ao filme O Nome da Rosa, de 1986, baseado no romance homônimo do crítico literário italiano Umberto Eco; No filme, é possível ver o scriptorium de um mosteiro medieval, onde os monges se dedicavam à cópia dos livros permitidos pela Igreja. O NOME DA ROSA Um monge franciscano investiga uma série de assassinatos em um remoto mosteiro italiano. Isso provoca uma guerra ideológica entre os franciscanos e os dominicanos, enquanto o monge lentamente soluciona os misteriosos assassinatos. javascript:void(0) Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Lutero estimulava o desenvolvimento da Educação a fim de que não fosse restrita à elite e à nobreza, mas alcançasse a população para que esta pudesse ler a Bíblia livremente, permitindo-lhe se aproximar de Deus e de sua própria salvação. CONTRARREFORMA A Reforma Protestante provocou a resposta da Igreja Católica, conhecida como Contrarreforma Católica. Foi realizado então o Concílio de Trento, que começou em 1545, cujas competências eram: 1 - Reforçar a autoridade do Tribunal da Inquisição (que existia desde o século XIII) 2 - Estabelecer o Index Librorum Prohibitorum (uma lista de livros que deveriam ser abolidos e cuja leitura era proibida) 3 - Enfatizar a autoridade papal (segundo a doutrina, o papa era infalível, o que era criticado pelos reformistas) 4 - Constituir os seminários para promover e controlar a formação do corpo eclesiástico O PAPA ERA INFALÍVEL É importante destacar que leitura de infalibilidade papal é posterior. javascript:void(0) A infalibilidade papal, no que concerne à doutrina, foi estabelecida no Concílio Vaticano I (primeiro): 1869 -1870. No entanto, desde Gregório VII, em um documento chamado Dictatus Papae, é afirmada continuamente a ideia de que a Igreja é uma herança direta de Jesus e o papa é sua escolha, junto com os seus sucessores Pedro e Paulo, criando o discurso que se aproxima da lógica de infalibilidade. ATENÇÃO Não podemos esquecer que o século XVI foi o século da Expansão Marítima. Os reinos europeus se lançaram ao mar a fim de conquistar novas terras e chegaram ao continente americano, habitado por povos que desconheciam o cristianismo. Para a Igreja, a conversão dos povos nativos da América era fundamental para manter seu corpo de fiéis e consolidar sua influência no novo continente. É importante explicar que uma historiografia vista mais de perto observa que não podemos considerar a Contrarreforma como uma resposta pura e simples, mas sim como a consolidação de um processo que a Igreja já experimentava: retomar seus preceitos conservadores, rompendo ciclos de “devassidão” muito atribuídos a papas como Rodrigo Borgia, recuperando os mandamentos que marcam a Igreja. A fundamentação teológica da Igreja é que, se houve perda de fiéis, foi porque alguns fundamentos, caminhos, precisavam ser recuperados, os desvios combativos. A fé precisava ser quente, pregada; ainda que o ideal das missões militares do período das cruzadas não devesse mais existir, seu sentido missionário – cumprir e atender uma missão – deveria ser alcançado. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Santo Domingos queimando livros. REFORMA E CONTRARREFOMA Neste vídeo, Rodrigo Rainha e Flavia Miguel debatem a Reforma e a Contrarreforma. Vamos assistir! OS JESUÍTAS Santo Inácio de Loyola (1491-1556) deixou a Autobiografia com a qual podemos conhecer um pouco mais de suas inspirações. Na obra, sobre a Educação, ele afirma: "Exercitava-se em dar exercícios espirituais e a declarar a doutrina cristã, e com isso fazia-se fruto para a glória de Deus. E houve muitas pessoas que chegaram a grande conhecimento e javascript:void(0) gosto de coisas espirituais". (AUTOBIOGRAFIA, Santo Inácio de Loyola) SANTO INÁCIO DE LOYOLA Fundador da Companhia de Jesus, uma das mais importantes ordens eclesiásticas, encarregada da conversão e catequese de fiéis. Seus membros, denominados jesuítas, desenvolveram práticas pedagógicas que, na América, foram aplicadas aos indígenas para obter sua conversão ao catolicismo. Os jesuítas foram, então, os pioneiros na Educação no Brasil. De fato, a presença jesuítica foi tão marcante e está tão arraigada em nossa cultura que julgamos que eles estiveram presentes desde o início da colonização. Quando vemos obras como o quadro A Primeira Missa no Brasil, de Vitor Meirelles, nosso imaginário de imediato nos faz acreditar que o padre que rezou essa missa era um jesuíta, o que não é correto. Frei Henrique Soares de Coimbra, quem oficia o primeiro culto, era franciscano. Em 1500, a ordem jesuíta ainda não existia, foi criada por Inácio de Loyola em 1534. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público O exercício do ensinar e do aprender não podia ser para si, mas para conduzir, para levar os outros à divindade, à salvação. O princípio máximo jesuítico era ensinar o caminho da salvação e, para isso, era necessário ser educado, direcionado. Os jesuítas eram considerados uma ordem militar. Sua missão era converter os povos não cristãos e desde sua origem aproximaram-se da Educação, seguindo o que ficou conhecido como metodologia inaciana, em referência ao fundador da ordem, Inácio de Loyola. Sua pedagogia estava fundamentada no Ratio Studiorum, publicado em 1599. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público SAIBA MAIS Os jesuítas chegaram ao Brasil com o Governo Geral, em 1549, portanto, antes da publicação do Ratio Studiorum. Nos primeiros anos da presença jesuíta, destaca-se a atuação do padre Manoel da Nóbrega (1517-1570), que criou os aldeamentos, locais onde os índios de diferentes etnias eram agrupados a fim de serem catequizados. Não podemos esquecer que a prática pedagógica jesuíta possuía um objetivo: converter os não cristãos. Além disso, a visão do europeu sobre o indígena era extremamente etnocêntrica, desconsiderando que esses povos tinham sua própria cultura e formas diversas de organização. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Os primeiros ensinamentos jesuítas focavam o domínio da língua portuguesa pelos indígenas, o estudo da doutrina católica e, posteriormente, o aprendizado de um ofício. Os jesuítas viviam junto aos índios, nos aldeamentos, para coordenar e manter o processo de catequese. Surgem então os chamados colégios jesuítas, aos quais se deve a fundação de cidades como São Paulo, cujo núcleo de povoamento inicial se deu através do colégio fundado por Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, denominado Colégio de São Paulo de Piratininga. Com o estabelecimento do Ratio Studiorum, os jesuítas ganharam uma importante ferramenta pedagógica. Esse manual determinava não só os conteúdose as disciplinas que deveriam ser ministrados, mas se detinha de forma detalhada na própria prática docente que seria aplicada pelos membros da ordem. JOSÉ DE ANCHIETA E A EDUCAÇÃO NO BRASIL Anchieta foi um dos precursores do processo de educação no Brasil, estando no entorno da fundação de algumas das principais cidades, como Rio de Janeiro, e ativo em Salvador e São Vicente. Organizou missões entre os Tapuias e coordenava as terras e ações jesuíticas no Brasil. O modelo de constituir missões e colégios nos quais os membros do corpo jesuítico se organizavam e estruturavam a sua presença foi outra marca importante, sendo Anchieta figura vital para entender a fundação da cidade de São Paulo (ainda chamada de marco zero), com o estabelecimento do colégio jesuíta na cidade. No Rio de Janeiro, os jesuítas ocupavam o Morro do Castelo e possuíam algumas grandes propriedades de terra, nas quais mantinham um sistema econômico e sua busca de troca e catequização dos indígenas. Chama a atenção a variedade dessas atuações ao longo de todo litoral, sendo considerados salvadores e inimigos, aliados do governo e grupos perigosos ao longo de nosso período colonial. Por quê? Onde existia interesse na escravização de indígenas, como nas fronteiras do Norte e de São Paulo, sua atuação era vista como um problema, um empecilho econômico. Em áreas de conflito, o seu uso como interlocutores era visto como uma possibilidade de ocupação e dinamização com o território. Anchieta é notório pelas práticas empreendidas. O volume de cartas trocadas entre ele e a sede da ordem na França, permite-nos perceber o cotidiano. Anchieta é precursor também do estudo do vocabulário Tupi, criando um dicionário, o que demonstra a tentativa que somente muitos anos depois veríamos ser defendida em nossa República. A catequese e a tentativa de levar o texto de forma didática é outro elemento importante, com a adoção do teatro e das dinâmicas do lúdico para entendimento. ATENÇÃO É importante frisar que o Ratio Studiorum foi um dos primeiros planejamentos pedagógicos e escolares da educação ocidental, tendo influenciado a Pedagogia séculos depois de sua elaboração. Constitui-se de uma sistematização inédita de métodos, teorias, procedimentos curriculares que se tornaram um dos pilares da pedagogia moderna. A despeito do objetivo catequético, o Ratio Studiorum teve como fundamento a formação do indivíduo, considerando aspectos como virtude e caráter, aliando as Artes Liberais e as Letras, unindo campos como Retórica e Gramática, além da Teologia. Coube, portanto, aos jesuítas, o primeiro modelo educacional brasileiro, que influenciou, de uma forma ou de outra, todos os demais que o seguiram. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. A REFORMA FOI UM MOVIMENTO QUE MARCOU PROFUNDAMENTE O PERÍODO DA IDADE MODERNA. DENTRE OS CHAMADOS REFORMADORES, DESTACA-SE O ALEMÃO MARTIN LUTHER (OU MARTINHO LUTERO). SUAS IDEIAS INFLUENCIARAM NÃO SOMENTE A RELIGIOSIDADE DA ÉPOCA, COMO TAMBÉM ASPECTOS CULTURAIS DE OUTROS ÂMBITOS. SOBRE TAIS IDEIAS, PODEMOS AFIRMAR, EXCETO: A) Lutero era um monge da ordem de Santo Agostinho e com seu estudo aprofundado da Bíblia começou a questionar a prática da Igreja Católica, à qual ele pertencia. B) A invenção da imprensa auxiliou o projeto reformista de Lutero, que, ao traduzir a Bíblia para o alemão, conseguiu meios para popularizá-la. C) A Educação foi um ponto no qual Lutero teve dificuldade de atuar, pois acreditava que ela não seria capaz de formar plenamente o ser humano da mesma forma que a fé o faria. D) O rompimento de Lutero com a Igreja Católica, e desta com ele, fez com que Lutero fosse acolhido em principados alemães, onde se tornou protegido e pôde divulgar suas ideias. E) Lutero não foi o único reformador, mas seu discurso e propostas foram bem acolhidos naquele contexto - realidade e momentos históricos – e por isso tiveram tamanho impacto. 2. A CHAMADA CONTRARREFORMA FOI UMA RESPOSTA DA IGREJA CATÓLICA AO MOVIMENTO REFORMISTA. O MARCO PRINCIPAL DESSA AÇÃO FOI O CONCÍLIO DE TRENTO, QUE DEFINIU ALGUNS DOS PONTOS DE REAÇÃO, ENTRE ELES A NECESSIDADE DE NÃO APENAS MANTER, MAS AMPLIAR O NÚMERO DE FIÉIS. NESSE CONTEXTO, SURGIU A COMPANHIA DE JESUS, OS JESUÍTAS, FUNDADA EM 1534 POR INÁCIO DE LOYOLA. SOBRE OS JESUÍTAS E SUA ATUAÇÃO NO BRASIL COLONIAL, PODEMOS AFIRMAR, EXCETO: A) Os jesuítas desenvolveram práticas pedagógicas que, na América, foram aplicadas aos indígenas com objetivo de convertê-los ao catolicismo. B) Aproximar-se da Educação era fundamental para os jesuítas. Por isso, desenvolveram a metodologia inaciana, fundamentando sua pedagogia no documento chamado Ratio Studiorum. C) No Brasil, os primeiros ensinamentos jesuítas focavam no domínio da língua portuguesa pelos indígenas, no estudo da doutrina católica e, posteriormente, no aprendizado de um ofício. D) Apesar de o objetivo primordial em relação aos índios ter sido o de catequese (instrução da fé), os jesuítas não permaneciam junto às aldeias. E) Embora se possa ter muitas vertentes de análise acerca da atuação dos jesuítas, uma crítica a eles – que pertenciam a uma congregação religiosa – que parece não ter muito sentido está na afirmação de que queriam converter os nativos à fé cristã (católica). GABARITO 1. A Reforma foi um movimento que marcou profundamente o período da Idade Moderna. Dentre os chamados reformadores, destaca-se o alemão Martin Luther (ou Martinho Lutero). Suas ideias influenciaram não somente a religiosidade da época, como também aspectos culturais de outros âmbitos. Sobre tais ideias, podemos afirmar, exceto: A alternativa "C " está correta. A Educação tornou-se um instrumento fundamental para Lutero divulgar suas ideias. Como era centrada nas mãos da Igreja Católica, quanto mais escolas estivessem sob controle dos principados e quanto mais cedo as crianças fossem para a escola, mais fácil seria substituir a mentalidade cristã (católica) pela reformada. 2. A chamada Contrarreforma foi uma resposta da Igreja Católica ao Movimento Reformista. O marco principal dessa ação foi o Concílio de Trento, que definiu alguns dos pontos de reação, entre eles a necessidade de não apenas manter, mas ampliar o número de fiéis. Nesse contexto, surgiu a Companhia de Jesus, os Jesuítas, fundada em 1534 por Inácio de Loyola. Sobre os jesuítas e sua atuação no Brasil colonial, podemos afirmar, exceto: A alternativa "D " está correta. Os aldeamentos e missões eram locais incrustrados no interior do Brasil, junto às aldeias dos índios. Muitos jesuítas destacaram-se exatamente por essa aproximação com os indígenas, como o caso de José de Anchieta, que sistematizou a língua tupi, registrando-a em uma gramática. MÓDULO 4 Distinguir as linhas do pensamento pedagógico na modernidade PEDAGOGOS Nesse vídeo, Rodrigo Rainha e Flávia Miguel mostram como as ideias nascidas no Renascimento marcam toda a Modernidade. A PEDAGOGIA NA MODERNIDADE A Idade Moderna trouxe uma preocupação com a natureza do conhecimento, o que levantou alguns questionamentos: Qual o método de aprendizagem mais eficiente? Como acontece o aprendizado? O aprendizado se dá somente por aquilo que aprendemos ao longo da vida? Nascemos com algum conhecimento? Nascemos como telas em branco? Apesar de terem sido formulados há séculos, alguns desses questionamentos ainda não possuem uma resposta consensual. É o caso do conhecimento inato. Nascemos com algum tipo de conhecimento ou somos uma tabula rasa como dizia John Locke? SAIBA MAIS A expressão em latim tabula rasa tem o sentido de “folha de papel em branco”. Busque saber mais sobre esse conceito de Locke e aprofunde seus conhecimentos! Você consegue reparar que nossa forma de ver, pensar e discutir a Educação tem muita influência desse momento? Essa época trouxe modelos que ainda nos guiam e ofertam possibilidades de vivenciar a Educação. Vamos conhecer essa herança! Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público COMO EDUCAR Se, naIdade Média, não houve uma grande preocupação em sistematizar a Educação para todos, de modo geral, a partir de então se começa a pensar qual a melhor e mais eficiente forma de educar. O pensamento moderno foi muito importante para se debater a natureza do conhecimento. A disciplina, tão importante na Idade Média e na educação religiosa, seria rediscutida, sendo revista como o principal fator do aprendizado. ATENÇÃO Não houve uma ruptura definitiva. Os projetos pelo racionalismo e pela empiria influenciaram o processo iluminista, passaram a se digladiar e acabaram se unindo. AUTORES Para entender esse projeto, precisamos conhecer um autor muito importante: Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827). Ele escreveu depois do início do movimento que marcou a modernidade, porém tornou-se um ícone desse movimento por não estar preso à dinâmica do pensamento iluminista francês, mas às demais correntes filosóficas presentes na sociedade. JOHANN HEINRICH PESTALOZZI Pestalozzi nasceu na Suíça do século XVIII; tinha uma formação religiosa sólida e durante sua vida buscou o que seria, em sua concepção, a melhor forma de servir e de ajudar o próximo. Assim, dedicou-se à Educação e a encontrar maneiras eficientes e completas de educar as crianças. SAIBA MAIS No final do século XVIII, a Suíça foi invadida pela França durante as chamadas Guerras Napoleônicas. Essa invasão provocou um aumento no número de crianças órfãs. Pestalozzi reuniu as crianças para que fossem cuidadas e educadas, desenvolvendo algumas de suas ideias mais significativas a partir de então. Para Pestalozzi, o afeto seria um dos principais componentes do processo educacional. É o amor que estimula a criança a aprender, preenchendo-a de dentro para fora. Sua teoria comparava a escola a uma casa. Uma casa bem organizada funciona a partir do amor e da disciplina. A disciplina não seria o principal fator do aprendizado, mas sim o afeto. O que não quer dizer que ela fosse deixada de lado, apenas não seria obtida a partir de castigos e punições. Antes de se dedicar à Educação, Pestalozzi tentou ser agricultor, tarefa na qual não obteve sucesso. Essa curta experiência permitiu que ele comparasse a criança à semente, referindo-se ao potencial que esta teria se bem cuidada. javascript:void(0) Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público Os valores e o desenvolvimento moral seriam, em sua perspectiva, mais importantes do que somente o conteúdo que pudesse ser aprendido. O aprendizado se dá pela prática e pelo exemplo dos mestres. Pestalozzi entendia que alunos e mestres deveriam compartilhar todos os aspectos da vida, frequentemente vivendo no mesmo lugar e estimulando o pensamento autônomo, o que faria da criança um indivíduo racional e moral. Suas ideias, extremamente avançadas, encontraram eco e se tornaram o fundamento de práticas educacionais que aboliram, progressivamente, a disciplina de forma repressora e violenta, buscando uma educação mais autônoma e harmônica. Se a afetividade de Pestalozzi se afastava do caráter científico proposto pela Idade Moderna, não podemos dizer o mesmo das teorias de Johann Friedrich Herbart (1776-1841). Ao compartilhar a ideia de Locke sobre a tabula rasa, entendendo que nascemos desprovidos de conhecimento e o vamos adquirindo ao longo da vida, Herbart via a Educação como uma ciência. JOHANN FRIEDRICH HERBART Johann Friedrich Herbart foi um filósofo, psicólogo e pedagogista alemão, fundador da Pedagogia como disciplina acadêmica. Coube a Herbart a tarefa de cientificizar a Pedagogia, dotando-a de métodos, formas de medir e de avaliar o conhecimento obtido. Um aspecto fundamental – e revolucionário – em sua obra foi a aproximação com a Psicologia, ciência que, no início do século XIX, ainda engatinhava. javascript:void(0) javascript:void(0) PSICOLOGIA Essa aproximação mudou fundamentalmente o pensamento pedagógico, influenciando alguns de seus mais importantes pensadores, como Jean Piaget (1896-1980), e construindo a psicologia do desenvolvimento. Assim como Pestalozzi, Herbart também defendia que o objetivo final do processo educativo era a formação moral e não meramente conteudista, mas entendia que a forma para chegar a esse objetivo era distinta da afetividade proposta por Pestalozzi. Sua proposta se dividia em três procedimentos fundamentais: GOVERNO Controle comportamental. A criança deveria educar seu comportamento. Os primeiros educadores, neste caso, eram os pais e depois os professores. INSTRUÇÃO O processo de aprendizado era baseado nos interesses e nas aptidões do educando. Para Herbart, a instrução moral e intelectual eram parte de um único processo, formando um indivíduo pleno. DISCIPLINA Fundamentada na autonomia. Cabia ao próprio aluno manter-se fiel aos princípios aprendidos e focar na aquisição do conhecimento. A disciplina era vista como uma virtude a ser desenvolvida. Dos três processos, a instrução - o processo de aprendizado propriamente dito - seria o mais importante. Não podemos desvincular a pedagogia científica de Herbart do seu contexto de produção. Herdeira da tradição iniciada por Kant acerca da racionalidade e da razão, essa pedagogia é fruto das transformações intelectuais ocorridas entre os séculos XVIII e XIX. A Idade Moderna era baseada no individualismo enquanto a Pedagogia, progressivamente, voltava-se para uma concepção mais coletiva, o aprender como prática social. ATENÇÃO Tanto Herbart quanto Pestalozzi trabalharam o aprendizado como algo individual, particular, o que a Pedagogia contemporânea tende a rejeitar como objetivo final do processo educativo. A criança saiu do adulto em miniatura, na Idade Média, para o sujeito do pensamento pedagógico nos séculos XVIII e XIX. Essa premissa se torna mais evidente ao estudarmos o pensamento de um dos mais notáveis discípulos de Pestalozzi, o alemão Friedrich Wilhelm August Fröbel (1782-1852). FRIEDRICH WILHELM AUGUST FRÖBEL Nascido na Prússia, Friedrich Wilhelm August Fröbel foi aluno de Johann Heinrich Pestalozzi. Suas teorias pedagógicas reconheciam que as crianças têm necessidades e capacidades únicas, servindo de base para a educação moderna. Ele foi o responsável por criar o conceito de "jardim de infância“ e também desenvolveu os brinquedos educacionais conhecidos como presentes/dons de Froebel. Assim como Pestalozzi, Fröebel foi criado na doutrina protestante, o que influenciou sobremaneira seu pensamento. Desenvolveu várias ideias de Pestalozzi, criando o primeiro segmento educacional voltado totalmente para a criança, o que chamamos de jardim de infância. Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público javascript:void(0) Imagem: Wikimedia Commons/Domínio público A ideia de jardim vem do princípio de a prática do educador ser semelhante à do jardineiro, que cuida de suas plantas até que alcancem seu total desenvolvimento. A expansão das potencialidades da criança seria alcançada não somente pelo aprendizado rígido, mas por uma proposta lúdica. Fröebel foi quem primeiro entendeu o brincar como uma forma de aprender e desenvolveu a ludicidade como ferramenta pedagógica. Ainda preso ao individualismo da modernidade, Fröebel propôs o desenvolvimento autônomo, não vinculado a uma prática coletiva, embora focasse também na moralidade como objetivo do processo de aprendizagem. LUDICIDADE Luckesi (apud ALBUQUERQUE, 2016, p. 128) afirma que o lúdico situa-se na esfera do simbólico, caracterizando-se assim como uma experiência do sujeito, o modo como a pessoa se comporta. Segundo Luckesi, algumas atividades, como as brincadeiras e os jogos, só serão verdadeiramente lúdicas se propiciarem uma experiência de plenitude à pessoa que as vivencia. É interessante notar que esses pensadores têm em comum a ideia de uma educação prática. Que o aprendizado só ocorre através do fazer e que a teoria, sozinha, é algo vazio. Essa característica está muito ligada à modernidade, em que a ideia do “saber fazer” se desenvolve dotando a Educaçãode seu caráter prático. javascript:void(0) EVOLUÇÃO NÃO LINEAR DA EDUCAÇÃO Os fatores culturais renascentistas contribuíram para a busca de uma melhor forma de educar. Embora os desdobramentos históricos desse movimento não tenham seguido uma linearidade, ora sendo influenciados pela Ciência, ora pela religião, também não se pode dizer que sofreram um ruptura definitiva; ainda somos guiados por alguns desses modelos quando vivenciamos a Educação. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. PESTALOZZI É UM REPRESENTANTE DA IDADE MODERNA, ESPECIALMENTE NAS QUESTÕES REFERENTES À EDUCAÇÃO, EMBORA SUA PRODUÇÃO SE DÊ NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO DA IDADE MODERNA PARA A CONTEMPORÂNEA, PORTANTO, PERÍODO DE GRANDES TRANSFORMAÇÕES. SOBRE SUAS IDEIAS E O SEU IMPACTO NA EDUCAÇÃO, PODEMOS AFIRMAR: A) Preocupado com o estímulo necessário ao aprendizado das crianças, apresentou o afeto como um dos principais componentes do processo educacional. B) Dedicou-se prioritariamente à Educação como uma forma de serviço abnegado às crianças e, embora tivesse sólida formação religiosa, sua proposta educacional era laica. C) A disciplina não foi abandonada de suas propostas educacionais, mas não permitia que fosse obtida a partir de castigos e punições. D) Suas ideias foram além de seu tempo, influenciando a busca por uma educação cada vez mais autônoma e harmônica. E) A proposta educacional de Pestalozzi era laica porque ele era um forte opositor às ideias religiosas, tendo se afastado delas ao longo de toda sua vida. 2. DOIS REPRESENTANTES DO PENSAMENTO MODERNO FORAM HERBART E FRÖEBEL. GRAÇAS A ELES, COMO TAMBÉM AO PENSAMENTO DE PESTALOZZI, A CRIANÇA NÃO MAIS SERIA CONSIDERADA COMO ADULTO EM MINIATURA, MAS SUJEITO DO PENSAMENTO PEDAGÓGICO. E SOBRE O PENSAMENTO PEDAGÓGICO DE HERBART E FRÖEBEL, PODEMOS AFIRMAR: I - HERBART MUDA FUNDAMENTALMENTE O PENSAMENTO PEDAGÓGICO AO APROXIMAR A PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO. ESSA APROXIMAÇÃO SOMENTE SERÁ ROMPIDA COM A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO, DE JEAN PIAGET.II - HERBART, DIFERENTEMENTE DE PESTALOZZI, AFIRMA QUE O OBJETIVO DO PROCESSO EDUCATIVO NÃO É A FORMAÇÃO MORAL, MAS SIM A AQUISIÇÃO DE CONTEÚDO, PELAS CRIANÇAS. III – FRÖEBEL, DESENVOLVENDO AS IDEIAS DE PESTALOZZI, CRIA O PRIMEIRO SEGMENTO EDUCACIONAL VOLTADO TOTALMENTE PARA A CRIANÇA, O JARDIM DE INFÂNCIA, VALORIZANDO A LUDICIDADE NO PROCESSO EDUCACIONAL. SOBRE AS AFIRMATIVAS ACIMA: A) I e II são falsas. B) Somente III é falsa. C) I e III são verdadeiras. D) Somente II é verdadeira. E) Somente I é falsa. GABARITO 1. Pestalozzi é um representante da Idade Moderna, especialmente nas questões referentes à Educação, embora sua produção se dê no período de transição da Idade Moderna para a Contemporânea, portanto, período de grandes transformações. Sobre suas ideias e o seu impacto na Educação, podemos afirmar: A alternativa "B " está correta. Pestalozzi teve sólida formação religiosa, como era comum em sua época, mas sua proposta educacional era laica. Embora não se possa garantir, tal formação pôde ser responsável, juntamente com outros fatores, pela sua plena preocupação com as crianças, especialmente as órfãs, fruto das Guerras Napoleônicas. 2. Dois representantes do pensamento Moderno foram Herbart e Fröebel. Graças a eles, como também ao pensamento de Pestalozzi, a criança não mais seria considerada como adulto em miniatura, mas sujeito do pensamento pedagógico. E sobre o pensamento pedagógico de Herbart e Fröebel, podemos afirmar: I - Herbart muda fundamentalmente o pensamento pedagógico ao aproximar a Psicologia da Educação. Essa aproximação somente será rompida com a Psicologia do Desenvolvimento, de Jean Piaget.II - Herbart, diferentemente de Pestalozzi, afirma que o objetivo do processo educativo não é a formação moral, mas sim a aquisição de conteúdo, pelas crianças. III – Fröebel, desenvolvendo as ideias de Pestalozzi, cria o primeiro segmento educacional voltado totalmente para a criança, o jardim de infância, valorizando a ludicidade no processo educacional. Sobre as afirmativas acima: A alternativa "A " está correta. As ideias de Herbart, em especial a aproximação que faz com a Psicologia, não será rompida por Piaget; ao contrário, será desenvolvida por ele. E para Herbart, a formação moral deve ser entendida como objetivo final da educação (assim como Pestalozzi); porém não será o afeto o caminho para alcançá-la e sim a adoção de métodos quantificáveis. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Falamos sobre Renascimento ou de modernidade? De ambos! Modernidade é um termo genérico criado para definir o momento de ruptura e afirmação do poderio Europeu. Apesar de sua construção, ele é cheio de contradições, que você acompanhou ao longo deste tema. Então, uma vez que, no século XV – XVI, a Europa inaugura uma ruptura do pensamento, conhecida como Renascimento, descortina-se um conjunto enorme de possibilidades. Ao mesmo tempo, o campo religioso se coloca em disputa na Reforma × Contrarreforma, chegando até o Brasil e marcando a questão jesuítica. A Educação é influenciada e passa a ser uma métrica ocidental, valorizada, que aponta para o entendimento do nosso mundo. O Renascimento foi a pedra angular que inaugurou uma profunda mudança de nosso mundo. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2012. ALBUQUERQUE, C. Preparados para atuação docente? Curitiba: APPRIS, 2016. ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. COMBY, J. Para ler a História da Igreja. Tomo 1. São Paulo: Edições Loyola, 2001. OLIVEIRA, T.; RUBIM, S. R. F. Reflexões sobre a influência de Maquiavel na educação e na formação do Estado Moderno. In: Educação em Revista. Belo Horizonte, v. 28, n. 1, p. 131-156, mar. 2012. SILVA, L. Kant e a Pedagogia. In: Revista Inter Ação, 32(1), 33-45. 2007. EXPLORE+ 1. Acesse o site do museu do Vaticano e faça um tour virtual. Perceba como a cultura renascentista – crítica ao pensamento religioso – manifesta-se fortemente nos espaços da cultura religiosa. 2. Procure assistir ao vídeo: Os Primeiros Tempos: A Educação pelos Jesuítas, da UNIVESP. 3. Inspirado pelo contexto da época? Viva um pouco dessa experiência por meio da obra O mercador de Veneza, de William Shakespeare. Para aprofundar as temáticas aqui apresentadas, vale conferir as obras: Maquiavel e a Educação: a formação do bom cidadão, de J. Ames. Concepção de Educação no pensamento de John Locke, de J. Balaban. CONTEUDISTA Flavia Miguel de Souza CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); DESCRIÇÃO Neste tema, estudaremos as características do pensamento iluminista e sua repercussão na Europa e na América, especialmente no que se refere à Educação. Também conheceremos como o Iluminismo influenciou a Reforma Pombalina e seu consequente impacto na Educação. Por fim, identificaremos as principais mudanças sociais e, consequentemente, educacionais que o Brasil passou com a chegada da família real portuguesa. PROPÓSITO Este tema tem como finalidade a compreensão do processo histórico que fundou a educação pública a partir do Iluminismo. Compreender a estrutura educacional brasileira, na forma como foi instituída ao longo de nossa história, torna-se essencial para aquele que quer entender a educação contemporânea. Somente sobre estas bases é possível assumir uma postura efetivamente crítica e produtiva na ação docente. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar as premissas do pensamento iluminista MÓDULO 2 Reconhecer os impactos do Iluminismo na Educação com destaque para a Reforma Pombalina MÓDULO 3 Descrever o processo de modernização da Educação implementado pela família real portuguesa MÓDULO 1 Identificar as premissas do pensamento iluminista REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA, REVOLUÇÃO FRANCESA E REVOLUÇÃO AMERICANA A Era das Revoluções foi um conjunto de movimentos de cunhos diversos, influenciados pelas ideias iluministas, e que se materializaram nas demandas locais com o objetivocomum de "superar o Antigo Regime". Dentre as muitas revoluções, podemos destacar: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA Essa revolução permitiu que se articulasse um novo conjunto de práticas. Dentre elas, podemos citar: os movimentos que fomentavam a economia (balança comercial favorável); a melhora das condições das corporações de ofício; a transição das manufaturas para a utilização de novas técnicas de produção mais inovadoras. Todas essas mudanças contribuíram para o desenvolvimento da indústria, a exemplo dos teares mecânicos, dos navios e trens a vapor. REVOLUÇÃO FRANCESA Essa revolução teve início com um processo de contestação dos poderes da Igreja, da nobreza e da monarquia. Esse processo foi gerado por uma crise econômica que levou a revoltas no campo e na cidade em virtude do crescimento da fome. As tentativas de resolver o problema foram desastrosas, uma vez que os ministros da economia não conseguiam mediar um estado sustentado pela burguesia. O resultado é que, diante da circulação das ideias iluministas, iniciou-se um conjunto de movimentos contra a monarquia. A Revolução Francesa teve como lema Liberdade (todos os homens são livres para dispor de seu corpo e de suas próprias faculdades sem serem obrigados ou restringidos a não ser pelo bem comum); Igualdade (todos são iguais perante a lei); Fraternidade (todos os homens têm direito à livre associação). REVOLUÇÃO AMERICANA Também é conhecida como a Independência dos Estados Unidos (na prática das 13 colônias). No final do século XVIII, a Inglaterra, na busca de manter sua balança comercial favorável, ampliou as suas fontes de renda e, para a manutenção de seus monopólios, aumentou a taxação dos americanos. Como forma de resistência a esse movimento, a aristocracia local se uniu com o objetivo de romper com o domínio inglês. Os americanos, apoiados pelos franceses, iniciaram uma sangrenta batalha que, em 1783, culminou com a independência das 13 colônias. Essas 13 colônias se associaram e passaram a se chamar Estados Unidos, no entanto, mantendo o princípio do Federalismo, com autonomia entre eles. ABSOLUTISMO Absolutismo é um termo histórico utilizado para descrever o momento político na Europa em que os monarcas concentraram poderes na formação dos Estados Modernos. Foi chamado também de Antigo Regime em contraposição a República. Sua principal característica era que o monarca tinha poderes capazes de anular as demais manifestações de poder como justiça ou conselhos. LUÍS XVI Luís XVI nasceu em Versalhes, França, no dia 23 de agosto de 1754. Em 1765, tornou-se herdeiro do trono após a morte do seu pai. Casou-se com Maria Antonieta de Habsburgo, filha da imperatriz Maria Teresa da Áustria, tendo, com ela, quatro filhos. Luís XVI assumiu o trono da França em 1774 após a morte de seu avô. Foi o último rei da França antes da Revolução Francesa. Fonte: Frazão, 2019. HUMANISMO Filosofia que defendia o fim da visão teocêntrica medieval (compreensão do mundo a partir de pressupostos religiosos) e a instauração de uma visão antropocêntrica (compreensão do mundo a partir das experiências e necessidades humanas, ainda que não necessariamente, contrárias à religião). KANT Immanuel Kant (1724-1804) nasceu em Königsberg, na Prússia Oriental, estudou Teologia e também mostrou interesse por Filosofia, Matemática e Física. Foi fundador da Filosofia Crítica, que procurava determinar os limites da razão humana. Veja como ele definia o Iluminismo: “lluminismo é a saída do homem da sua imaturidade de que ele próprio é culpado. A imaturidade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal imaturidade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo”. (KANT: 1995, p. 11) Fonte: Frazão, 2019. DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO Esse documento foi elaborado após a Revolução Francesa e tinha como base os ideais dessa revolução: liberdade, igualdade e fraternidade. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão representou o primeiro passo para a elaboração de uma Constituição da República Francesa. Para conhecer a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, acesse aqui. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Essa declaração foi elaborada por representantes de diferentes países, que eram especialistas de áreas jurídica e cultural. Ela foi proclamada na Assembleia Geral nas Nações Unidas em Paris, no dia 10 de dezembro de 1948. Para conhecer a Declaração Universal dos Direitos Humanos, acesse aqui. ANTROPOCENTRISMO O Antropocentrismo está embasado na ideia de que o homem é o centro de tudo. Essa concepção se desenvolveu com o objetivo de superar o pensamento teocêntrico. Durante o período medieval, a Igreja era o espaço de maior produção intelectual, fosse nos mosteiros ou nas universidades, pois existia um predomínio do pensamento religioso cristão. A ideia central era de que tudo se explicava a partir de Deus. Quando os primeiros pensadores começaram a questionar essa ideia, o objetivo não era apagar o papel de Deus, mas afirmar a capacidade racional do homem, entendida como a principal engrenagem de transformação do mundo. No período do Renascimento, esse pensamento ganha força e a partir desse momento, passa-se a negar o papel de Deus e da religião na sociedade. LEONARDO DA VINCI javascript:void(0); javascript:void(0); Pintor do período da Renascença, nasceu na aldeia de Vinci, Itália, no dia 15 de abril de 1452. Foi aprendiz de Andrea del Verrocchio, pintor e escultor florentino. Uma das obras mais conhecidas de Leonardo da Vinci é “Mona Lisa”. Fonte: Frazão, 2019. O HOMEM VITRUVIANO Na composição do desenho “O Homem Vitruviano“ podemos observar a dinâmica da proporção áurea – o exercício humano de perceber a proporção divina e alcançar a verdade sobre a composição humana. Assim, o desenho de Da Vinci visa demonstrar três perspectivas: O homem é um ser divino por essência, assim concebido desde sua criação; O homem é racional por essência, capaz de compreender tal proporção e sua relação com a natureza; O homem é divino por ser capaz de transformar, criar, com o seu conhecimento e interpretação. RELIGIOSAS CARMELITAS DE COMPIÈGNE “Venho descrever acontecimentos já do domínio público. Compreendes que se entrara, então, no período das lutas pelo que se chamava de ‘organização civil do clero’. Lutas, ao curso das quais a revolução passou, insensivelmente, a uma perseguição declarada contra a Igreja”. (LE FORT: 1988, p. 57) Esse é um trecho do romance da renomada escritora alemã, Gertrud von Le Fort, escrito em 1931. Ela narra o processo de perseguição e execução das religiosas de Compiègne. Para ler a obra completa, acesse aqui. CONDORCET Condorcet (1743-1794), matemático e filósofo que liderou a Revolução Francesa, tinha como uma de suas bandeiras a inserção dos ideais iluministas no campo da Educação. Fonte: Ferrari, 2009. javascript:void(0); DESPOTISMO ESCLARECIDO Estratégia de governo de reinos absolutistas que buscavam realizar transformações sociais (reais ou meramente aparentes), que minimizassem o impacto das ideias iluministas. Assim, o déspota (rei absolutista), buscava apresentar-se como esclarecido (assumindo ideias iluministas). JESUÍTAS Os jesuítas eram o maior símbolo de uma estrutura que Portugal queria superar, pois eles possuíam muita autonomia (não estavam diretamente ligados ao déspota) e, obviamente, defendiam um discurso religioso. Eles organizaram um complexo sistema de ensino que se expandiu largamente por meio das missões de evangelização. COMPANHIA DE JESUS Fundada por Santo Inácio de Loyola (1491-1556), a Companhia de Jesus era uma ordem religiosa que tinha como objetivo construir regras disciplinares para a vida religiosa e difundi-las em missõesde evangelização. AULAS RÉGIAS Regia vem de regida, ou seja, na estrutura das aulas régias havia a presença de um regente, que deveria implementar aquilo que era determinado pela estrutura governamental. As pessoas que tinham acesso às aulas régias eram provenientes da classe média, que atuariam como funcionários públicos e agentes do governo. As aulas régias também poderiam ser frequentadas por filhos da elite, com o objetivo de prepará-los para seguir com os estudos na Europa. CADEIRAS DE RETÓRICA Dessas cadeiras, quatro foram estabelecidas em Lisboa, duas em Coimbra, duas em Évora, duas no Porto e uma em cada cidade e vila que eram cabeça de comarca. JEAN BAPTISTE DEBRET Pintor, desenhista, decorador e professor francês, que, em 1785, ingressou na Academia Real de Pintura e Escultura da França. Em 1798, passou a colaborar em trabalhos decorativos para edifícios públicos e residências particulares com arquitetos, como Percier e Fontaine. Debret, em 1806, iniciou um projeto de criação de obras que ilustrassem as vitórias de Napoleão. Dentre essas obras, destaca-se “Napoleão homenageia a coragem infeliz”. Por essa obra, Debret recebeu uma menção honrosa do Instituto de França. Debret chegou ao Brasil em virtude de uma convocação de Lebreton, secretário da Escola de Artes da França, que, atendendo a uma solicitação de D. João, estava criando uma Escola de Artes e Ofícios no Brasil. Era a chamada “Missão Francesa”. Fonte: Frazão, 2019. MÉTODO LANCASTER Também conhecido como sistema monitorial, foi desenvolvido por Andrew Bell e Joseph Lancaster, na Inglaterra, no final do século XVIII. Esse método foi desenvolvido no contexto da Revolução Industrial. A Inglaterra estava passando por um processo de urbanização, impulsionado pela industrialização dos meios de produção. O método Lancaster consistia em transmitir o conhecimento técnico de forma mais rápida à nascente classe operária, com o objetivo de torná-los aptos a atuar nas indústrias. Para isso, eram selecionados os melhores alunos (decurião) das turmas para que atuassem como monitores dos demais (decúria). Garantia-se, assim, a formação do maior número de operários com menos recursos. O PENSAMENTO ILUMINISTA A Idade Contemporânea, na qual vivemos, começa com uma série de eventos que podem ser resumidos nas revoluções no fim do século XVIII, que são: Revolução Industrial Inglesa, Revolução Francesa e Revolução Americana. Mas, além dessas, outra revolução foi fundamental naquele momento e afetou diretamente a Educação: o Iluminismo! O Iluminismo foi um movimento intelectual francês do século XVIII, denominado também de “Esclarecimento”. Esse movimento foi liderado por filósofos e políticos, que pregavam a necessidade de se “trazer luz/ esclarecimento” à sociedade, combatendo, especificamente, o absolutismo e a religião, entendidos como entraves ao livre pensar. O Iluminismo teve a sua maior representação na Revolução Francesa (1789), mas já havia expandido suas ideias na Europa bem antes disso. javascript:void(0) javascript:void(0) EM QUAL CONTEXTO O ILUMINISMO SE ESTABELECEU? No século XVI, período conhecido como Antigo Regime, um acordo de governo foi estabelecido entre a burguesia e a nobreza. Nesse acordo, a Igreja era a base ideológica, responsável por legitimar o poder do rei e por educar os burgueses sobre a ordem natural do mundo. Nesse contexto, por um lado, o rei era visto como uma figura divina e ungida por Deus; por outro, era responsável pela manutenção da ordem e da lei, fazendo justiça e guerra, quando necessário. A ilustração de Luís XVI e Maria Antonieta com o povo de Paris ilustra essa visão da divindade do rei. Observe que, à frente deles, está o povo junto com anjos ajoelhados e, por trás de Luís XVI e Maria Antonieta, há uma cruz, caracterizando o poder divino concedido ao rei. Imagem: Shutterstock.com javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Desde o Humanismo, o pensamento racionalista instaurou-se buscando superar o regime anterior, apresentando a razão humana como única necessária e capaz de dar aos homens condições plenas de vida. No século XVIII, o Iluminismo manifestou esse racionalismo de forma radical. Um exemplo concreto ocorreu na França, que passava por uma grande crise política, inflamando o povo contra o absolutismo do rei Luiz XVI, que foi deposto durante a Revolução Francesa e executado no ano seguinte. Observe, na ilustração, uma representação do momento em que Luís XVI foi preso. Como vimos, o Iluminismo atingiu seu apogeu na luta contra a monarquia absolutista durante a Revolução Francesa, que tinha como lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Nesse contexto dois elementos se destacam: javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com VALORIZAÇÃO DA RAZÃO COMO ÚNICO GUIA DOS DESEJOS E VONTADES ILUMINISTAS Kant, filósofo alemão, contemporâneo àquele movimento, chega a afirmar que, até aquele momento, as pessoas viviam como que em uma “infância da racionalidade”. Ou seja, não haviam chegado à maturidade do conhecimento humano. ILUMINISMO javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO (1789) Caracteriza a fundação das ideias iluministas, pois acreditava estabelecer leis gerais que protegeriam todo homem de qualquer forma de exploração social; especialmente de um governo absolutista, como aquele que seria destituído pela Revolução Francesa. Essa declaração inspirará a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada na ONU, em 1948. O desejo dos iluministas era iluminar as trevas, pois consideravam que o pensamento religioso era equivocado e obscuro. Por isso, o século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes. Foi nesse período que ocorreu o apogeu da razão, que combatia o teocentrismo da Idade Média. Nesse sentido, cabia à razão – e somente a ela – responder as indagações humanas. Qualquer outra concepção, inclusive advinda da Teologia, atrapalhava o desenvolvimento da humanidade. O ILUMINISMO, ENTÃO, COLOCOU O HOMEM COMO CENTRO DO UNIVERSO. Essa exaltação à razão convidava ao desprezo de qualquer outra forma explicativa ou especulativa da verdade. Nesse sentido, somente através da razão seria possível chegar ao conhecimento verdadeiro. É nesse contexto que a ciência racional se estabelece, tendo como javascript:void(0) javascript:void(0) base o antropocentrismo. O pensamento, então, era de que no homem, pelo homem, com o homem e somente nele estava a possibilidade de progresso, que aconteceria pela valorização exclusiva da razão. Apesar de ter sido construído no período do Renascimento, o desenho “O homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci ilustra bem essa concepção do homem como centro de tudo. Observe: Imagem: Shutterstock.com O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci. PRINCIPAIS REPRESENTANTES DO ILUMINISMO O Iluminismo influenciou diversas pessoas, que passaram a agir de acordo com as ideias e motivações dessa forma de pensamento. Dentre elas, destacam-se Voltaire e Jean-Jacques Rousseau. Vamos conhecê-los, a seguir. javascript:void(0) javascript:void(0) VÍDEO COM LIBRAS. Perceba que o Iluminismo influenciou de forma significativa a sociedade, promovendo mudanças políticas, econômicas e sociais. No entanto, apesar de trazer um discurso de liberdade e de garantia de direitos, muitas das práticas dos iluministas eram contraditórias. Dentre essas incoerências internas, podemos destacar: Imagem: Shutterstock.com O rei Luiz XVI e a rainha Maria Antonieta foram guilhotinados em praça pública em 1793. Apesar do artigo 11 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. ART. 11º. A LIVRE COMUNICAÇÃO DAS IDEIAS E DAS OPINIÕES É UM DOS MAIS PRECIOSOS DIREITOS DO HOMEM. TODO CIDADÃO PODE, PORTANTO, FALAR, ESCREVER, IMPRIMIR LIVREMENTE, RESPONDENDO, TODAVIA, PELOS ABUSOS DESTA LIBERDADE NOS TERMOS PREVISTOS NA LEI.” Imagem: Shutterstock.com Dezesseis religiosas carmelitas de Compiègne foram guilhotinadas em 1794.Apesar do artigo 10 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. ART. 10º. NINGUÉM PODE SER MOLESTADO POR SUAS OPINIÕES, INCLUINDO OPINIÕES RELIGIOSAS, DESDE QUE SUA MANIFESTAÇÃO NÃO PERTURBE A ORDEM PÚBLICA ESTABELECIDA PELA LEI.” javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com O príncipe Delfim, filho de Luiz XVI e Maria Antonieta, morreu desnutrido e doente, em um calabouço, aos dez anos, em 1795. Apesar do artigo 8 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. ART. 8º. A LEI APENAS DEVE ESTABELECER PENAS ESTRITA E EVIDENTEMENTE NECESSÁRIAS E NINGUÉM PODE SER PUNIDO SENÃO POR FORÇA DE UMA LEI ESTABELECIDA E PROMULGADA ANTES DO DELITO E LEGALMENTE APLICADA.” VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O ILUMINISMO FOI UM MOVIMENTO INTELECTUAL DO SÉCULO XVIII QUE INFLUENCIOU SOBREMANEIRA A SOCIEDADE. ANALISE AS ALTERNATIVAS A SEGUIR E MARQUE A QUE APRESENTA AS IDEIAS CENTRAIS DEFENDIDAS PELOS ILUMINISTAS: A) O Iluminismo buscava reafirmar o poder da monarquia à medida que, por meio de técnicas de ensino, buscava esclarecer os homens sobre a necessidade da manutenção da estrutura social da época B) O Iluminismo tinha como objetivo iluminar a razão humana, com o objetivo de conduzir o homem à conformação social, por meio de métodos de coação. C) O Iluminismo combatia a religião em certa medida, pois considerava que o homem somente seria completo uma vez que estivesse em contato direto com Deus, por meio da igreja. D) O Iluminismo tinha como objetivo “trazer luz/esclarecimento” à sociedade, combatendo, especificamente, o absolutismo e a religião, entendidos como entraves ao livre pensar. 2. O ILUMINISMO INFLUENCIOU SIGNIFICATIVAMENTE A SOCIEDADE, TENDO GRANDES DEFENSORES QUE BUSCARAM, EM SUAS PRÁTICAS, REFLETIR OS IDEAIS ILUMINISTAS. DENTRE ELES, PODEMOS DESTACAR JEAN JACQUES ROUSSEAU, QUE DESENVOLVEU UM PROJETO DE EDUCAÇÃO TENDO COMO IDEIA CENTRAL: A) A importância de se construir bases educacionais sólidas com o objetivo de tornar o homem capaz de atuar em sociedade, reproduzindo os ideais propostos pela monarquia. B) A necessidade de se criar um novo homem-cidadão, com o objetivo de formar uma nova sociedade. Para isso, era necessário educar as crianças de acordo com a natureza, desenvolvendo os seus sentidos para a promoção da razão. C) A importância de se iluminar a razão humana por meio de métodos de repetição e análise para que o homem seja capaz de reconhecer como natural as relações de poder que eram estabelecidas. D) A necessidade de se desenvolver cidadãos embasados na razão, por meio de métodos de experimentação, para a promoção da conscientização da ordem natural das coisas. GABARITO 1. O Iluminismo foi um movimento intelectual do século XVIII que influenciou sobremaneira a sociedade. Analise as alternativas a seguir e marque a que apresenta as ideias centrais defendidas pelos iluministas: A alternativa "D " está correta. Não à toa, o século XVIII foi considerado o século das luzes, pois o Iluminismo tinha como objetivo trazer à “luz” a sociedade. Para isso, combatia o poder absolutista e a religião, colocando o homem como centro de tudo. A visão teocêntrica, então, deixa de existir e dá lugar à visão antropocêntrica. 2. O Iluminismo influenciou significativamente a sociedade, tendo grandes defensores que buscaram, em suas práticas, refletir os ideais iluministas. Dentre eles, podemos destacar Jean Jacques Rousseau, que desenvolveu um projeto de educação tendo como ideia central: A alternativa "B " está correta. Rousseau foi um dos principais teóricos do Iluminismo. Ele escreveu várias obras que estabeleceram as bases da Educação proposta pelo Século das Luzes, mas também possibilitaram a organização social que se estabelecia naquele momento. A Educação, assim, constitui-se em um importante elemento da formação política do cidadão. MÓDULO 2 Reconhecer os impactos do Iluminismo na Educação com destaque para a Reforma Pombalina A INFLUÊNCIA DO ILUMINISMO NA EDUCAÇÃO Como vimos, o Iluminismo transformou a sociedade de maneira significativa, afetando diretamente a Educação. Nesse campo, o propósito era romper drasticamente com o modelo de educação tradicional anterior (monárquico, religioso), denominado pelos iluministas de obscuro e oposto à verdade. Veja o que disse o iluminista Condorcet a esse respeito: javascript:void(0) SEJA QUE SE TRATE DE CORPOS DE ORDENS MONÁSTICAS, DE CONGREGAÇÕES SEMIMONÁSTICAS, DE UNIVERSIDADES, DE SIMPLES CORPORAÇÕES, O PERIGO É O MESMO. A INSTRUÇÃO QUE ELES IRÃO MINISTRAR TERÁ SEMPRE POR OBJETIVO, NÃO O PROGRESSO DAS LUZES, MAS O AUMENTO DE SEU PODER. NÃO DE ENSINAR A VERDADE, MAS DE PERPETUAR OS PRECONCEITOS ÚTEIS A SUAS AMBIÇÕES, AS OPINIÕES SERVEM A SUA VONTADE.” (CONDORCET apud PRIOZZI: 2016, p. 340) DE MANEIRA PRÁTICA, QUAIS FORAM AS MUDANÇAS QUE O ILUMINISMO TROUXE PARA A EDUCAÇÃO? Para compreender esse processo de mudança, trouxemos o modelo de ensino proposto por marquês de Pombal. Mas, antes, vamos entender em qual contexto essa mudança se desencadeou. Estamos em Portugal, país que também foi alcançado pelos ideais iluministas. Como em outras monarquias, o rei D. José I temia perder o seu trono em decorrência do grande avanço do Iluminismo. Como forma de evitar a perda do trono, D. José I nomeou Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal (defensor das ideias iluministas), como o seu primeiro ministro, desenvolvendo, assim, o chamado Despotismo Esclarecido. A principal missão de Pombal era reformar o governo português e adequá-lo aos ideais iluministas. javascript:void(0) Pombal, como defensor do Iluminismo, era contrário aos Jesuítas. Assim, traçou um plano para acabar com a Companhia de Jesus e expulsá-los de Portugal. Como estratégia, convenceu o rei D. José I de que o atentado que o mesmo havia sofrido teria sido planejado pela família da marquesa e pelos jesuítas. O rei, então, elaborou o decreto régio de setembro de 1759, ordenando a expulsão dos religiosos da Companhia de Jesus que estivessem em seus domínios continentais e ultramarinos. javascript:void(0) javascript:void(0) Clique no objeto acima. Objeto com interação. Conta a história que o rei José I sofreu um atentado quando voltava da casa da marquesa de Távora, com quem mantinha uma relação amorosa. Quando a família Távora tomou conhecimento da relação dos dois, uniu-se ao Duque de Aveiro para planejar um atentado a D. José I, que não foi bem sucedido. O processo de investigação transcorreu em sigilo até que em uma madrugada de dezembro os Távoras foram presos. No dia 12 de janeiro de 1759 saiu a sentença que os condenava pelo crime de traição e rebelião contra o rei. Todos foram executados. COM A EXPULSÃO DOS JESUÍTAS, O QUE MUDOU? Com a expulsão dos jesuítas, não só em Portugal, mas em todas as suas colônias, inclusive no Brasil, houve mudanças significativas, principalmente no campo da Educação. Isso, em decorrência do fato de que todo o sistema de ensino da época era jesuíta. Elencamos, a seguir, as principais consequências da expulsão dos jesuítas no campo da Educação: Grandes prejuízos para os aldeamentos indígenas Eliminação dos métodos de ensino Agressão à identidade jesuítica em suas comunidades religiosas Proibição do exercício do ministério sacerdotal Proibição de 271 missões em todo o mundo Permanência da Companhia de Jesus como oculta e inativa durante 41 anos REFORMA EDUCACIONAL DE MARQUÊS DE POMBAL Após a expulsão dos jesuítas, marquês de Pombal precisou criar um novo modelo de ensino, tendo como base os ideais iluministas. Seu principal objetivo era formar uma elite econômica portuguesa preparada para o comércio. Para isso, ele criou a Escola de Comércio e a Escola Náutica, nas quais se aprendia caligrafia, contabilidade, escritura comercial e línguas modernas. Assim, a estrutura deixada pelo sistema único de educação dos jesuítas foi destruída pela reforma educacional de Pombal. No dia 28 de junho de 1759, Pombal decretou, por meio doalvará régio, a suspensão das escolas jesuíticas de Portugal e de todas as colônias. Também criou as aulas régias ou avulsas de Latim, Grego, Filosofia e Retórica, oferecendo um esquema completamente diferente do que era oferecido pela pedagogia jesuítica. Estabelece-se, assim, a Educação Pública, que, vale destacar, naquele momento, não correspondia a uma educação direcionada a todas as pessoas, mas a uma educação que é mantida pelo governo, ou seja, marquês de Pombal estruturou um modelo de educação vinculado aos Governos Gerais e suas províncias. javascript:void(0) QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PONTOS DA REFORMA EDUCACIONAL DE MARQUÊS DE POMBAL? A reforma educacional empreendida por Pombal, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, se baseou nos seguintes aspectos: Criação das aulas régias gratuitas de Gramática latina, Grego e Retórica, junto com o decreto que expulsou os jesuítas. Centralização do ensino com a criação do cargo de diretor-geral dos estudos, que tinha a função de fazer cumprir as disposições do diploma, ficando a ele subordinados todos os professores régios das disciplinas citadas. Estabelecimento de cadeiras de retórica e dos chamados Estudos Menores, que incluíam, também, o estudo de Filosofia com quatro professores: um para Lisboa, um para Coimbra, um para Évora e um para o Porto. Imagem: Shutterstock.com Estabelecimento da educação laica, definida como responsabilidade do governo. Assim, a Educação passou a ser controlada pelo Estado, com currículo centralizado. Ensino feito exclusivamente em português, mesmo para os índios, aos quais era oferecido na língua tupy pelos jesuítas. javascript:void(0) Instituição do subsídio literário, uma espécie de imposto, para gerar recursos para o pagamento dos professores. Para atender a essa nova demanda, diversos professores foram nomeados. Aqueles que foram direcionados para atuar no Brasil provavelmente não tinham a formação específica para lecionar na área a qual foram designados. Apesar do esforço de marquês de Pombal, houve inúmeras perdas com o desmantelamento de um aparato educativo que já funcionava há mais de duzentos anos, que era o modelo de educação jesuíta. Um exemplo que ilustra essa perda é o fato de que as aulas régias, isoladamente, não conseguiram suprir o conjunto de aulas e disciplinas que eram aplicadas pelos jesuítas. Sobre isso, reflita: SERÁ QUE O MODELO DE EDUCAÇÃO JESUÍTICA DE FATO ERA TÃO DANOSO PARA A SOCIEDADE? Para ajudá-lo nessa reflexão, assista ao vídeo no qual o professor Antônio Giacomo explica a tradição da educação jesuítica e como ela se transformou ao longo do tempo. VÍDEO COM LIBRAS. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. UM DOS PRINCIPAIS PONTOS DA REFORMA EDUCACIONAL DE MARQUÊS DE POMBAL FOI A CRIAÇÃO DAS AULAS RÉGIAS. ANALISE AS ALTERNATIVAS A SEGUIR E MARQUE A QUE APRESENTA AS DISCIPLINAS QUE COMPÕEM ESSA PROPOSTA DE ENSINO: A) Latim, Grego, Filosofia e Retórica. B) Latim, Gramática, Línguas estrangeiras e Retórica. C) Artes, Grego, Latim e Retórica. D) Latim, Grego, Teologia e Filosofia. 2. SABEMOS QUE, COM A EXPULSÃO DOS JESUÍTAS, POMBAL PRECISOU CRIAR UM NOVO MODELO DE ENSINO. MARQUE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA UM DOS ASPECTOS DA REFORMA POMBALINA: A) Descentralização do ensino, dando autonomia para as instituições de gerir o seu modelo de ensino e definir o seu currículo padrão. B) Definição do português como língua padrão para se lecionar as aulas, podendo, em casos específicos, ocorrer a utilização de outras línguas. C) Estabelecimento da educação laica, definida como responsabilidade do governo. Assim, a educação passou a ser controlada pelo Estado, com currículo centralizado. D) Estabelecimento de cadeiras de retórica e dos chamados Estudos Menores, que incluíam, também, o estudo de Artes e Filosofia. GABARITO 1. Um dos principais pontos da Reforma Educacional de marquês de Pombal foi a criação das aulas régias. Analise as alternativas a seguir e marque a que apresenta as disciplinas que compõem essa proposta de ensino: A alternativa "A " está correta. As aulas régias, embora não tenham substituído a estrutura da educação jesuítica, foram importantes naquele contexto por representarem a proposta iluminista de instrução: pública e laica. Dessa forma, Pombal cumpria (ou acreditava cumprir) seu papel de trazer as luzes ao modelo anterior na metrópole e na colônia. 2. Sabemos que, com a expulsão dos jesuítas, Pombal precisou criar um novo modelo de ensino. Marque a alternativa que apresenta um dos aspectos da Reforma Pombalina: A alternativa "C " está correta. Como forma de quebrar a influência da religião no ensino, marquês de Pombal criou a educação laica, colocando-a sob a responsabilidade do governo e, iniciando, assim, a educação pública. MÓDULO 3 Descrever o processo de modernização da Educação implementado pela família real portuguesa A MODERNIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A estrutura educacional instituída pelo marquês de Pombal, posteriormente, foi modernizada com a chegada da família real portuguesa ao Brasil. Mas, antes de abordarmos essa mudança na Educação, vamos entender o que motivou a vinda da família real ao território brasileiro. O ANO É 1799 Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Clique no objeto acima. Objeto com interação. A tradição de coroação dos imperadores determinava que o imperador deveria se ajoelhar diante do representante da igreja, que colocaria a coroa em sua cabeça. Essa ação, mostrava que o imperador estava em uma posição de submissão ao poder religioso. Napoleão Bonaparte, em sua coroação, mudou essa tradição. Não permitiu que o papa Pio VII colocasse a coroa sobre a sua cabeça. Antes, decidiu que se coroaria imperador da França. Com essa atitude, Napoleão, influenciado pelos ideais iluministas, estava dizendo que o seu poder estava acima da Igreja. Imagem: Shutterstock.com A primeira medida de D. João VI ao chegar ao Brasil foi a abertura dos portos às nações amigas. Essa atitude foi de crucial importância para reverter a condição do Brasil de colônia de Portugal, pois rompeu com o monopólio comercial da metrópole portuguesa até então existente. A partir de então, todos os países poderiam negociar livremente em portos brasileiros. Ao retornar a Portugal em 1821, D. João deixa seu filho D. Pedro no comando do Brasil. Em 1822, D. Pedro assume o governo brasileiro, agora como D. Pedro I. Sua breve administração se encerra em 1831, quando abdica do trono. Como sucessor, ele deixou seu filho, D. Pedro II, que ainda era uma criança. Inicia-se, assim, o Período Regencial no Brasil. Considerando esses três períodos – Período Joanino (1808 - 1821), Primeiro Reinado (D. Pedro I) e Período Regencial (1831 - 1840) - elencamos, a seguir, algumas mudanças implementadas nos âmbitos social, político e econômico, e na Educação. PERÍODO JOANINO CRIAÇÃO DA IMPRENSA RÉGIA A importação de máquinas permitiu, pela primeira vez, a impressão oficial e a circulação de ideias na corte do Rio de Janeiro. No mesmo ano, surgiu o primeiro jornal impresso no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro. CRIAÇÃO DO JARDIM BOTÂNICO A extensa variedade de exemplares da flora tropical atraiu uma série de pesquisadores e estudiosos estrangeiros. CRIAÇÃO DE UMA BIBLIOTECA COM QUASE 60 MIL VOLUMES TRAZIDOS NOS NAVIOS Essa biblioteca daria origem à futura Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro, uma das maiores do mundo. CRIAÇÃO DAS ESCOLAS DE ENSINO SUPERIOR NA BAHIA E NO RIO DE JANEIRO Essas escolas foram criadas com o objetivo de atender às necessidades de instrução dos filhos da nobreza e da aristocracia brasileira. Até então, uma colônia não poderia ter cursos de educação superior. A criação dessas escolas foi um dos marcos do processo de desenvolvimento de uma identidade própria do Brasil. Esse processo se estendeu até 1810. MISSÃO CULTURAL FRANCESA Teve como principal destaqueo artista Jean Baptiste Debret, que, em suas telas, retratou modos e costumes da vida urbana da cidade do Rio de Janeiro. CRIAÇÃO DO MUSEU REAL O acervo do museu, mais tarde, daria origem ao Museu Nacional. PRIMEIRO REINADO javascript:void(0) CONSTITUINTE DE 1823 É DISSOLVIDA O imperador decidiu dissolver a constituinte de 1823, entre outras razões, por apresentar um projeto de constituição em que as ideias liberais eram predominantes, o que limitava o poder do imperador. PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL A outorga da primeira Constituição do Brasil pode ser entendida como um ato autoritário e conservador por parte de D. Pedro I e do grupo de portugueses que o apoiava. PROPOSTA DE ADOÇÃO DO MÉTODO LANCASTER EM ESCOLAS PRIMÁRIAS Esse foi o primeiro método oficial de ensino implementado no Brasil, que marca o início da descolonização e da instituição do Estado nacional. Nesse ano, também foram criados dois cursos jurídicos, em São Paulo e no Recife. Além disso, ocorreu a transformação de alguns cursos superiores em faculdades isoladas. PERÍODO REGENCIAL javascript:void(0) ATO ADICIONAL Em pleno período regencial, ocorreu uma reforma na constituição que deixou marcas na Educação. O Ato Adicional definiu que o Ensino Elementar, o secundário e a formação de professores seriam responsabilidade das províncias. O Ensino Superior ficaria a cargo do poder central. Oficializou-se a descentralização do ensino. PRIMEIRA ESCOLA NORMAL Em Niterói, então província do Rio de Janeiro, é fundada a primeira escola normal do país. Em seguida, surgiram as escolas normais de Minas Gerais. ESCOLA NORMAL DA BAHIA Nesse ano, ocorreu a fundação da escola normal na Bahia. DEFINIÇÃO DO PEDRO II COMO ESCOLA MODELO O colégio Pedro II passou a ser o estabelecimento-modelo do estudo secundário. A suposta descentralização de 1834 foi desrespeitada com a criação da escola pelo regente Araújo Lima para atender aos filhos daqueles que faziam parte da elite intelectual do país. SAIBA MAIS No Segundo Reinado (1840-1889), no governo do imperador D. Pedro II, as mudanças seguiram inexpressivas. Para saber qual era o cenário educacional desse período, leia o texto “A educação de D. Pedro II, imperador do Brasil” de Marli Quintanilha e Celina Murasse. Como você percebeu, mesmo depois da Abdicação de D. Pedro I (1834), o Período Regencial continuou realizando mudanças no cenário educacional brasileiro. No entanto, apesar dessas medidas terem representado uma modernização da estrutura educacional implementada por Pombal, as mudanças ocorridas não atenderam às reais necessidades da população brasileira. Mesmo no Segundo Reinado (1840-1889), governado pelo Imperador D. Pedro II, as medidas no campo educacional foram inexpressivas. Isso mostra que, em quase 400 anos de história, não havia sido criada no país uma estrutura escolar sólida que permitisse à população plena formação e, consequentemente, fornecesse condições de um desenvolvimento que atendesse a todos os cidadãos. javascript:void(0); QUAIS FORAM AS INSTITUIÇÕES CRIADAS NESSES PERÍODOS QUE RESISTIRAM A TODAS ESSAS MUDANÇAS DE GOVERNO, DURANDO ATÉ OS DIAS DE HOJE? Convidamos você a um passeio histórico pelo Jardim Botânico, pela Biblioteca Nacional, pelo Museu Nacional e Colégio Pedro II, instituições que resistiram ao tempo e guardam as memórias dos períodos Joanino, Primeiro Reinado e Período Regencial. VÍDEO COM LIBRAS. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. A PARTIR DE 1808, DIVERSAS MEDIDAS FORAM IMPLEMENTADAS POR D. JOÃO NO CAMPO DA EDUCAÇÃO. UMA DELAS MARCOU O INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO DE UMA IDENTIDADE PRÓPRIA DO BRASIL. MARQUE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE A ESSA MEDIDA: A) Adoção do método Lancaster nas escolas primárias. B) Criação das escolas de ensino superior na Bahia e no Rio de Janeiro. C) Criação de uma biblioteca com quase 60 mil volumes trazidos nos navios. D) Decreto do Ato Nacional com a descentralização do ensino. 2. EM 1834, DURANTE O PERÍODO REGENCIAL, FOI CRIADO O ATO ADICIONAL, MEDIDA QUE AFETOU DIRETAMENTE A EDUCAÇÃO. EM QUE CONSISTIA ESSA MEDIDA? A) O Ato Adicional definiu que o Ensino Elementar, o Secundário e a formação de professores seriam responsabilidade das províncias. O Ensino Superior ficaria a cargo do poder central. B) O Ato Adicional implementou as aulas régias no Ensino Primário e definiu que a formação de professores seria responsabilidade das províncias. C) O Ato Adicional definiu que o Ensino Elementar, o Secundário e a formação de professores seriam responsabilidade central da Metrópole. D) O Ato Adicional definiu que o Ensino Elementar seria responsabilidade da metrópole e incluiu nesse nível de instrução as disciplinas régias. GABARITO 1. A partir de 1808, diversas medidas foram implementadas por D. João no campo da Educação. Uma delas marcou o início do desenvolvimento de uma identidade própria do Brasil. Marque a alternativa que corresponde a essa medida: A alternativa "B " está correta. De fato, com a chegada da Família Real, em 1808, as transformações ocorridas na Colônia foram contrastantes com aquela realidade encontrada. Uma colônia, por exemplo, não poderia ter escolas de ensino superior, pois somente a metrópole poderia fornecer esse nível de instrução. O príncipe regente, D. João, quis que estas mudanças pudessem dar condições à Corte de se sentir menos impactada por viver longe de seu país, Portugal. Por isso, criou as escolas de ensino superior na Bahia e no Rio de Janeiro, com o objetivo de atender às necessidades de instrução dos filhos da nobreza e da aristocracia brasileira. Inicia-se, assim, o processo de independência do Brasil, ainda que, obviamente, não fosse o interesse da monarquia. 2. Em 1834, durante o período regencial, foi criado o Ato Adicional, medida que afetou diretamente a Educação. Em que consistia essa medida? A alternativa "A " está correta. O Ato Adicional correspondeu a uma reforma na constituição que deixou marcas na Educação. Essas medidas oficializaram o processo de descentralização do ensino. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Como vimos, o projeto de educação iluminista nasceu no contexto das transformações ideológicas (Iluminismo), econômicas e de produção (Revolução Industrial), políticas e sociais (Revolução Francesa), que marcaram o fim do século XVIII, dando origem à Idade Contemporânea. Tendo como principal objetivo o combate ao modelo educacional anterior, baseado na autoridade religiosa e sob tutela da monarquia, esse projeto trouxe uma proposta de educação laica e pública. O Estado, a partir de então, assumiria a responsabilidade de educar o cidadão, tendo como base a chamada “razão iluminista”. Eles tinham como objetivo formar plenamente o homem contemporâneo a partir da construção de um conhecimento baseado fortemente em princípios científicos e longe de qualquer influência religiosa. Esse projeto de Educação, no entanto, não conseguiu oferecer à população brasileira a educação necessária para uma formação efetiva. Foi necessário esperar um pouco mais para que essa proposta de uma educação efetiva começasse a ser delineada. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS AZEVEDO, Fernando. O sentido da educação colonial. In: A cultura brasileira. Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1943. FERRARI, Márcio. Condorcet, a luz da Revolução Francesa na escola. https ://novaescola .org .br /conteudo /1734 /condorcet -a -luz -da -revolucao -francesa -na -escola. Acesso em: 30 jan. 2020. FRAZÃO, Dilva. Immanuel Kant. Disponível em: https ://www .ebiografia .com /immanuel_kant /. Acesso em: 30 jan. 2020. FRAZÃO, Dilva. Jean-Baptiste Debret. Disponível em: https ://www .ebiografia .com/jean_baptiste_debret /. Acesso em: 30 jan. 2020. FRAZÃO, Dilva. Leonardo da Vinci. Disponível em: https ://www .ebiografia .com /leonardo_vinci /. Acesso em: 30 jan. 2020. FRAZÃO, Dilva. Luís XVI da França. Disponível em: https ://www .ebiografia .com /luis_xvi_da_franca /. Acessoem: 30 jan. 2020. KANT, I. Resposta à pergunta: o que é o Iluminismo. In: KANT, I. A paz perpétua e outros opúsculos. Lisboa: Edições 70, 1995. LE FORT, G. A última do cadafalso. Petrópolis: Vozes, 1988. PRIOZZI, P. Rousseau e Condorcet: educação pública versus educação estatal. Educação e Sociedade. Campinas, v. 37, nº. 135, p.337-348, abr.-jun., 2016. SOËTARD, M. Jean-Jacques Rousseau. Recife: Massangana, 2010. ROUSSEAU, J. Emílio ou da educação. São Paulo: Martins Fontes, 1995. TRIGUEIROS, A. O negócio jesuítico e o papel da política regalista portuguesa. In: Revista Brotéria. v. 169, 2009. p. 149-168. Disponível em: https ://www .broteria .pt /?detail =1&books_id =341. Acesso em: 25 nov. 2019. EXPLORE+ Notas sobre o Iluminismo na escola, de Ana Paula Rosendo A introdução do método Lancaster no Brasil: História e Historiografia, de André Paulo Castanha Contextos, práticas e instituições: o Ensino Secundário e a organização de repertórios pedagógicos no Segundo Reinado, de Carlos Eduardo Dias Souza. Resposta à pergunta: “O que é o Iluminismo?”, de I. Kant. CONTEUDISTA Joana Darc Venancio CURRÍCULO LATTES Antonio Sergio Giacomo Macedo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); javascript:void(0); DESCRIÇÃO A História Contemporânea da Educação como determinante das transformações sociais e suas influências até os tempos atuais. PROPÓSITO Demonstrar que a História é um discurso do presente que olha para o passado para entender melhor as dinâmicas de seu tempo. Com isso, você verá as inovações trazidas por essas iniciativas, sem perder de vista os desafios de pensar a Educação no contexto da globalização e das desigualdades sociais. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar as transformações da Educação no mundo contemporâneo MÓDULO 2 Comparar as perspectivas futuras da Educação a partir de modelos educacionais brasileiros e de outros países MÓDULO 3 Reconhecer como a História da Educação nos prepara para os desafios da sociedade tecnológica INTRODUÇÃO Tente por um segundo imaginar uma grande inovação tecnológica. No mundo contemporâneo, o que mais emblematicamente mostraria um mundo em transformação? Durante séculos, homens usaram seus pés, animais, carroças e barcos para se locomoverem. Até que o desenvolvimento de sistemas, máquinas com engrenagens, vapor e caldeiras aceleraram o mundo. A velocidade mudou quando colocamos a máquina a vapor nos caminhos marcados com ferro e dormente. O mundo ficou menor, mais veloz. A integração entre as pessoas tornou- se cada vez mais rápida, as trocas de mercadorias e informações aceleraram. Precisávamos aprender mais, ter novas possibilidades. O trem, que estampa a nossa imagem de abertura, é um ícone da sociedade contemporânea e seus avanços. Passamos a ser supervelozes, andar por baixo da terra e até mesmo por baixo do mar. A metáfora do trem serve para toda a Era Contemporânea, carregada de conhecimentos cada vez maiores, mais velozes e intensos. O trem da tecnologia é o trem do conhecimento e da Educação, que, sem dúvida alguma, marcou os séculos XIX, XX e XXI. Sigamos viagem! MÓDULO 1 Identificar as transformações da Educação no mundo contemporâneo INTRODUÇÃO Neste módulo, você será apresentado ao mundo contemporâneo e sua relação com a História da Educação, para que as discussões não pareçam ter surgido de um momento para o outro. Este é um dos grandes desafios da disciplina: tirar a face de algo cristalizado para mostrar que está viva e presente. A História é um exercício de discurso, uma reflexão sobre o presente, só que o presente não existe sem essa memória, sem a reflexão sobre o passado. A verdade depende do ponto de vista, das influências que você tem, das escolhas que você faz, pois a verdade não é uma realidade indiscutível. Em especial, nas Ciências Humanas. No vídeo a seguir, veremos como a verdade pode ser diferente de acordo com o ponto de vista de cada pessoa. Pessoas respondem como se sentem em relação ao período que passaram na escola, e o professor Rodrigo Rainha comenta. Vídeo com libras A DIVISÃO DO TEMPO Provavelmente, você já ouviu dizer que determinada pessoa é alguém à frente do seu tempo. Mas será que existe alguém que viva fora do seu próprio tempo? A resposta é não. Todos nós somos, sem exceção, frutos da nossa própria época. Talvez você esteja se perguntando: “Eu aprendi na escola que a Idade Contemporânea começou após a Revolução Francesa, lá no século XVIII. Como é possível, então, que a gente ainda seja contemporâneo?”. Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com Dessa forma, o tempo foi dividido em: Imagem: Shutterstock.com A visão de tempo europeia visava exaltar o que eles entendiam como seu auge: do desenvolvimento da escrita em áreas próximas ao Mediterrâneo – com gregos e romanos, incluindo as civilizações reconhecidas como poderosas, como os egípcios –, passando por um período considerado pouco produtivo para o homem – Idade Média –, quando retoma o seu caminho de crescimento, na Era Moderna, até atingir o ápice, no início da Era Contemporânea. Antes de falarmos mais sobre isso, faremos uma provocação... E se o tempo fosse contado de outra forma? Maias, astecas, chineses e muçulmanos, por exemplo, têm calendários bem diferentes, em formato circular ou espiral. CALENDÁRIO CIRCULARES OU EM ESPIRAL O tempo para a tradição cristã ocidental é sempre linear, com um início e um fim, mas há culturas marcadas por modelos de tempo circular, em ciclos, principalmente as orientais. Outra forma de contar o tempo tem relação com o modelo solar, muito usado no ocidente, e o lunar, que é presente, por exemplo, nas culturas tupi e islâmica. javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Calendário maia Imagem: Shutterstock.com Calendário chinês Imagem: Shutterstock.com Calendário asteca Imagem: Shutterstock.com Calendário muçulmano Como vimos, a vitória da visão europeia construiu o conceito de um calendário, uma vivência e, consequentemente, um mundo ocidental. Dessa forma, em sua divisão do tempo, tudo o que estava após o seu auge passa a ser chamado de contemporaneidade. Em outras palavras, essas divisões cronológicas da História foram pautadas pelos acontecimentos ocorridos na Europa e por sua forma de pensar os acontecimentos históricos, ou seja, a História da humanidade ficou restrita, durante muito tempo, às definições dos historiadores europeus. A HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA Agora que já entendemos a História como um fenômeno ativo, dinâmico e, sobretudo, presente, que não é apenas um amontoado de fatos e pessoas do passado, daremos o próximo passo. Se alguém lhe perguntar em qual século estamos neste momento, a resposta é simples: século XXI! Se a mesma pessoa disser que nós somos contemporâneos dos homens e das mulheres que viveram no século XIX, por exemplo, você saberia responder o que isso significa? A contemporaneidade nada mais é do que a ideia de estar em seu próprio tempo. Estar no seu tempo é perceber que a História é viva. Alguns dizem que é a recuperação da imagem de Cronos – dos gregos – e o tempo que engole seus filhos. Mas, aqui, no nosso cronotopo, ele é constantemente recriado. javascript:void(0) javascript:void(0) O que chamamos de contemporaneidade em História é a junção de dois grandes eventos europeus: CRONOS Titã grego, pai dos deuses gregos, Zeus, Poseidon e Hades. Em grego, cronos significa tempo. CRONOTOPO Formas de ver e interpretar o tempo em sua sociedade. REVOLUÇÃO FRANCESA Nome dado ao levante da burguesia contra a nobreza e a Igreja no final do século XVIII. Seu principal resultado é a mudança dos regimes políticos, com impactos no mundo inteiro. Imagem: Ferdinand Delacroix (1798-1863) “Liberdade nas barricadas” (1830). Reprodução do álbum ilustrado “Delacroix”, publicado em Budapeste, Hungria, 1963. / Ferro e Carvão, de William Bell Scott (1855-60). REVOLUÇÃO INDUSTRIAL Fenômeno inglês do século XVIII. Representa o desenvolvimentodas corporações de ofício e a multiplicação do uso de maquinário. No início, o desenvolvimento é pautado em máquinas a vapor e carvão mineral, e o foco era a indústria têxtil. É seguido pelo desenvolvimento dos transportes e pela mudança de todo o regime econômico. A contemporaneidade é nosso tempo, nossa Era. Ela começa com uma leve aceleração, mas, ao longo do século XX, a velocidade só aumentou: As Revoluções Industriais mudam economicamente o mundo, criando novos padrões comerciais, sedimentando o capitalismo que dominaria o século XX, além da mudança dos modelos políticos, com a ascensão de repúblicas, democracias e federações. Imagem: Shutterstock.com O resultado da mudança é um incremento de trocas comerciais em todo o planeta e disputas intensas por mercados, que fomentaram conflitos mundiais fortes, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, e ajudaram a consolidar novas potências, como França, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética. Imagem: Shutterstock.com Após os conflitos mundiais, as guerras não cessaram, mas se tornaram mais locais, dentro de novas modalidades de comércio e disputa por hegemonia mundial, entre União Soviética (URSS) e Estados Unidos (EUA). Imagem: Shutterstock.com O fim do século trouxe muitas mudanças: O Muro de Berlim cai, marcando o fim da Guerra Fria. Mais do que isso, consolida-se a ideia de globalização e trocas comerciais que se materializam em todo o mundo. Foto: Autor original desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. As guerras não cessaram e continuaram definindo nosso cotidiano. Alguns exemplos de conflitos são: Guerra do Golfo, Guerra do Iraque, Guerra da Síria, conflitos nos Balcãs, na África e na América Latina, além da presença do terrorismo. Foto: Michael Foran/Wikimedia Commons/licença(CC BY 2.0) A tecnologia é o grande marco, levando-nos para a Era da Informação, com microcomputadores, redes de Internet, multiplicação de mídias e difusão de informações. Imagem: Shutterstock.com Por que estamos falando de tudo isso? Para chamar sua atenção para o fato de que a compreensão europeia da História e da divisão do tempo também esteve presente de forma marcante na maneira de fazer e pensar a Educação. Essas ideias não estão soltas ou desconectadas no tempo e espaço. Imagem: Shutterstock.com Já reparou como a escola vem mudando?Será? Repare abaixo os modelos que herdamos dos europeus e como elas modernizam, mas o formato é sempre muito parecido... Imagens: Shutterstock.com As matérias que nós costumamos estudar, a implementação de linhas educacionais adotadas nas escolas, as formas de construir a Pedagogia e a Didática e suas principais teorias: tudo isso foi produzido por europeus ou intelectuais influenciados pelo pensamento eurocêntrico. É claro que o mundo já mudou muito, que não seguimos mais cegamente o modelo europeu, pois cada país tem buscado desenvolver novas formas de pensar, de educar, de aproximar as pessoas de sua forma de ver o mundo. Sempre houve sociedades que resistiram mais a essa influência, como o mundo muçulmano, mas também é inegável que os anos de dominação econômica europeia, depois expandida pela continuidade da dominação estadunidense, marcaram o mundo. A noção de mundo ocidental contemporâneo é um processo de expansão de valores europeus. Esse impacto está vivo na Educação. PENSAMENTO EUROCÊNTRICO Voltado para o ponto de vista da Europa como centro do pensamento mundial. Um excelente exemplo é o modo como os mapas mundi ainda são apresentados, com Greenwich, na Inglaterra, como o meridiano zero. javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Hoje, o mundo inteiro tende a dividir o processo de formação em: Imagem: Shutterstock.com Formação voltada às crianças Imagem: Shutterstock.com Formação voltada aos jovens Imagem: Shutterstock.com Formação voltada aos adultos Não restam dúvidas de que o eurocentrismo, que marcava isoladamente a nossa cultura nas últimas décadas, de 1980 em diante, sofreu a influência de novos fenômenos: a globalização, javascript:void(0) com maior integração tecnológica, política e econômica, e o encurtamento de distâncias favoreceu esse movimento. Mas qual é a origem desse modelo? Podemos dizer que, atualmente, o mundo inteiro tem adotado uma Educação mais técnica. Esse modelo é bastante antigo, veio do grande movimento das industrializações, quando precisavam preparar funcionários para assumir cargos e funções técnicas. Os primeiros eram empiristas, olhavam, tentavam, erravam e acertavam, e, se acertavam mais do que erravam, viravam grandes técnicos, e passavam a treinar e formar aqueles que os substituiriam. Atente para o fato de que o capitalismo transformou a Educação em um bem para o trabalhador. Acreditava-se que as nações só iriam se desenvolver plenamente nesse novo urbano com a formação de mão de obra mais qualificada. GLOBALIZAÇÃO Globalização é um contexto criado para definir o conjunto de movimentos vividos ao fim da Guerra Fria. Neste contexto, a ideia de velocidade da informação, de troca política e comercial acelerada, passou a marcar interações que nunca existiram. O sentido original de aldeia global foi substituído por mundo integrado pela tecnologia da informação. Hoje, o termo é utilizado como sinônimo das dinâmicas sociais entendidas como pós- modernas. EMPIRISTAS Toda doutrina (mas esp. as dos ingleses Locke e Hume) para a qual o conhecimento só pode ser alcançado mediante a experiência sensorial, opondo-se assim a todo racionalismo e a toda transcendência metafísica. Fonte: Aulete Digital javascript:void(0) javascript:void(0) CAPITALISMO Conceito econômico adotado para quando as relações econômicas passaram a ser fundamentadas em lastros financeiros. Imagem: Shutterstock.com Durante o período da Primeira e da Segunda Guerra Mundial – entre 1914 e 1945 –, a Educação passa a ganhar um novo papel: atender aos anseios nacionalistas. Fascistas e nazistas apostavam no papel da Educação como um importante instrumento de convencimento das massas, trabalhando de maneira incisiva a ideia de que o jovem precisava estar integrado à noção de país, civilidade e nacionalismo. Tais valores deveriam ser estimulados e mantidos na escola. Do lado da URSS e de seus signatários, a Educação também era fomentada. Ali, seu papel era afastar os jovens dos valores tradicionais da sociedade – entendidos como atrasados – para que atendessem aos anseios do Partido e da Ideologia norteadora. Foto: Autor desconhecido/Arquivo Stadtarchiv Nürnberg. Na Alemanha nazista, os alunos recebiam na escola livros antissemitas. Uma reflexão interessante é notar que a Educação se tornou vital para os governos como estratégias políticas. Note que até mesmo regimes bem diferentes tinham uma coisa em comum: viam a Educação como algo vital. Repare: Imagem: Shutterstock.com SOCIALISTAS Formar para atender aos anseios da sociedade e do governo. Imagem: Shutterstock.com FASCISTAS/NAZISTAS Formar para despertar paixão, ordem e respeito pela nação. Imagem: Shutterstock.com CAPITALISTAS Formar para o mundo do trabalho. Essas influências se espalharam pelo mundo e não devem ser entendidas de forma fechada, mas de uma maneira dinâmica e com constantes adaptações. Em outras palavras, será que isso é engessado e cada um faz de um jeito? Claro que não. Percebemos que a Educação se tornou um bem, um objeto governamental, parte do mundo do trabalho, uma marca do mundo contemporâneo. VEJAMOS A OPINIÃO DO ESPECIALISTA PARA ENTENDERMOS MELHOR A EDUCAÇÃO EM TRANSFORMAÇÃO COM FOCO NO BRASIL. Professor doutor da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira, fala do valor da Educação na história recente do Brasil. Vídeo com libras TENDÊNCIA: O MUNDO EM CONTESTAÇÃO A Educação, ao mesmo tempo em que representa diálogo com o governo e manutenção da ordem, também pode ser a base da luta contra determinadas estruturas políticas. É isso que visamos apresentar com as tendências.Com a Guerra Fria, eclodiram uma série de guerras locais na África, Ásia e América Latina. Entre as décadas de 1950 e 1960, o mundo assistiu ao surgimento de movimentos de contestação da ordem política. Toda essa efervescência também se fez sentir no campo educacional. javascript:void(0) Vamos conhecer alguns desses movimentos: GUERRA FRIA Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, duas grandes potências passaram a disputar a hegemonia política, econômica e militar do mundo. De um lado, Estados Unidos representando os interesses do capitalismo. De outro, a socialista União Soviética. Entre os anos 1947, início da Guerra Fria, e 1989, fim da guerra, com a queda do Muro de Berlim, o mundo se viu numa constante polarização ideológica entre as duas potências. Imagem: Vincent Grebenicek / Shutterstock.com LEVANTE DE PARIS Um dos movimentos mais famosos é o Levante de Paris. Em maio de 1968, os estudantes parisienses se levantaram contra as formas tradicionais de ensino. Os temas abordados eram, em especial, o modo como as academias de Ciências Sociais e Economia davam base a novas formas de pensar, visando uma nova forma de fazer a Educação. Foto: Tangopaso/Wikimedia Commons/Domínio Público. Barricadas em Bordeaux, em maio de 1968. O movimento também recebeu apoio dos trabalhadores e teve como marco a proposta de uma Universidade popular para abrir espaço para novos segmentos na Educação universitária. MOVIMENTOS SOCIAIS – DIREITOS CIVIS Foto: U.S. National Archives and Records Administration/Wikimedia Commons/Domínio Público. O ativista judeu Joseph L. Rauh Jr. marchando ao lado de Martin Luther King durante um protesto em 1963. Provavelmente você já deve ter assistido a algum filme em que as pessoas negras, nos Estados Unidos, não podiam frequentar os mesmos espaços públicos que as pessoas brancas. As chamadas leis de segregação racial deixaram marcas que são sentidas até hoje na sociedade norte-americana. Mas, sobretudo após os anos 1950, foram muitos os ativistas que lutaram e se insurgiram contra essas leis. O pastor protestante Martin Luther King foi uma dessas personalidades que passaram a denunciar os graves crimes que atingiam a população negra. Além dele, destacam-se Malcom X, líder da luta contra opressão e racismo, e a resistente e silenciosa luta de Rosa Parks. A Educação também foi atingida em cheio pelas leis de segregação racial, já que existiam escolas separadas para pessoas negras e brancas. Todos esses líderes foram formados em tais espaços. Sobre a relação entre o Direitos Civis e a Educação, também podemos falar de Linda Brown. MARTIN LUTHER KING JR Pastor protestante e ferrenho ativista político contra a discriminação racial nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960. Ele defendia a paz, a luta pacífica e o amor ao próximo. Em função da atuação de King e de outros ativistas, a população negra nos Estados Unidos passou a ter o direito de frequentar lugares públicos, como lanchonetes e bibliotecas. Em janeiro, nos EUA, é celebrado o Dia de Martin Luther King. Foto: Nobel Foundation/Wikimedia Commons/Domínio Público. javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Martin Luther King MALCOM X Ativista dos direitos dos negros, defendia que as máculas construídas ao longo de séculos de escravidão tornaram a relação entre negros e brancos inconciliável. Sendo assim, a proposta de Malcom X incluía a reivindicação de território independente para os grupos afrodescendentes. Sua posição em relação ao cristianismo era, na mesma medida, irrevogável, pelo fato de a religião cristã – de qualquer vertente – legitimar a escravização de seus ancestrais. Foto: Marion S. Trikosko/Wikimedia Commons/Domínio Público. Malcom X ROSA PARKS Em um ônibus durante o regime de segregação nos Estados Unidos, brancos se sentavam na frente, e “coloridos” ficavam em cadeiras piores no fundo do transporte. Rosa se sentou em um lugar vazio, na frente, e exigiram que se levantasse. Ela não se levantou, acabou presa e virou símbolo da resistência. Foto: Autor desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. Rosa Parks LINDA BROWN Linda é reconhecida como uma importante ativista que lutou pela igualdade na Educação desde criança. Quando estava na terceira série, ela não conseguiu se matricular na Sumner School em Topeka, no Kansas, devido a sua raça. Seu pai, um reverendo protestante, entrou na justiça para que ela tivesse o direito de se matricular nessa escola que era mais perto de casa. Venceram e isso foi um marco para derrubar a doutrina segregadora. Foto: NYWT&S staff photo by Al Ravenna/Wikimedia Commons/Domínio Público. Linda Brown PROTESTO DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL Durante a organização do modelo comunista na China, intelectuais foram perseguidos. No entanto, com a chegada de Deng Chao Pin ao poder, o modelo chinês assumiu características reformistas. Neste contexto, Yaobang chega ao governo. As medidas políticas passaram a afastar os líderes mais radicais do reformismo, e o secretário-geral foi afastado. Os estudantes iniciam um movimento lento de ocupação da praça Tian'anmen para pressionar o governo a desistir de suas ações. Liderados por estudantes, os protestos foram ganhando simpatizantes até a ocupação do local e a decisão do governo de impor lei marcial contra os protestos. javascript:void(0) Foto: Jeff Widener Tian'anmen em 1989. A manifestação estudantil foi dissolvida pelos militares, matando entre 200 e 2.000 pessoas. Esse movimento, apesar de ter sido registrado pelas câmeras do mundo inteiro, foi negado pela China em diversos momentos de sua história. Isso mostra que, mesmo em regimes diversos, como o chinês, a Educação e os estudantes são vistos como uma forma de negação ao poder estabelecido. TIAN'ANMEN Também chamada de praça da Paz Celestial. O que destacamos aqui é a contradição central da Educação Contemporânea, pois seu crescimento é uma ação e responsabilidade de Estados. No entanto, ela está envolta em projetos políticos e econômicos em que a Educação pode funcionar como negação, libertação e crítica ao cotidiano social. IMAGENS EMBLEMÁTICAS Algumas imagens ficaram marcadas na História como símbolos dos importantes movimentos que influenciaram a Educação, como estas: A pequena Ruby Bridges, em 1960, em Nova Orleans, foi escoltada por oficiais para ter o direito de frequentar uma escola, por meio de mandado judicial. Foto: Uncredited DOJ photographer/Wikimedia Commons/Domínio Público. Protestante resistindo aos tanques enviados pelo governo para debelar os protestos na praça Tian'anmen (praça da Paz Celestial), em Pequim, em 4 de junho de 1989. Foto: Formosa Wandering/Wikimedia Commons/licença(CC BY-NC 2.0). Estudantes franceses no protesto de maio de 1968, conhecido como Levante de Paris Foto: Bruno Barbey / Magnum Photos Inspirados pelo movimento dos Panteras Negras, atletas que ganharam a medalha de ouro e bronze nas Olimpíadas do México, em 1968, foram punidos e perderam suas medalhas pelo gesto de punho cerrado. Foto: Angelo Cozzi/Wikimedia Commons/Domínio Público. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. A RELAÇÃO ENTRE CONTEXTO HISTÓRICO E EDUCAÇÃO PODE SER PERCEBIDA QUANDO OBSERVAMOS A QUESTÃO DA INDUSTRIALIZAÇÃO, POIS: A) Os modelos de divisão do trabalho se relacionam às divisões e às escalas educacionais. B) As escolas se organizam no século XX aos moldes das fábricas e do mundo do trabalho. C) A Educação passa a ser um capital passível de ser adaptado e instrumentalizado para as empresas. D) Os trabalhadores da Educação lhes ofertam a possibilidade de lutar contra o sistema. 2. HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO SERVE PARA PERCEBER QUE NÃO EXISTE UM PASSADO INQUESTIONÁVEL. POR EXEMPLO: A EDUCAÇÃO ESTADUNIDENSE ERA APRESENTADA COMO MODELO NO BRASIL PELO IDEAL TECNICISTA. NO ENTANTO, APARECE COMO ALGO ATRASADO E CRÍTICO DURANTE A CRISE DOS DIREITOS CIVIS. A RELAÇÃO ENTRE DIREITOS CIVIS E HISTÓRIA DAEDUCAÇÃO PODE SER COMPREENDIDA A PARTIR: A) Do discurso de Martin Luther King sobre igualdade em Washington. B) Da resistência de Rosa Parks ao se levantar da área segregada do ônibus. C) Do levante da praça da Paz Celestial contra a corrupção do governo. D) Da luta pelo fim da segregação e ação na justiça movida por Linda Brown. GABARITO 1. A relação entre contexto histórico e Educação pode ser percebida quando observamos a questão da Industrialização, pois: A alternativa "C " está correta. A Revolução Industrial é o fenômeno central, mas precisamos perceber a relação entre a mudança da Educação e esse fenômeno. Historicamente, todas as relações descritas nas alternativas acontecem em alguma medida. No entanto, como relação direta entre contexto histórico e Educação, o fenômeno correto é a letra C, pois, a partir da industrialização, temos uma verdadeira explosão das fronteiras educacionais para que trabalhadores possam atingir as fábricas. 2. História da Educação serve para perceber que não existe um passado inquestionável. Por exemplo: a Educação estadunidense era apresentada como modelo no Brasil pelo ideal tecnicista. No entanto, aparece como algo atrasado e crítico durante a crise dos Direitos Civis. A relação entre Direitos Civis e História da Educação pode ser compreendida a partir: A alternativa "D " está correta. Todas as opções têm relação com o contexto, mas a referência específica à História da Educação pela ruptura que representa no sistema americano está representada por Linda Brown. MÓDULO 2 Comparar as perspectivas futuras da Educação a partir de modelos educacionais brasileiros e de outros países INTRODUÇÃO Ao nos debruçarmos sobre os modelos e as estratégias pedagógicas adotadas no Brasil e no mundo nas últimas décadas, notamos que muita coisa mudou para melhor. Isso significa que o trabalho está terminado e que o Brasil pode ser considerado um modelo quando o assunto é Educação? Provavelmente, não. Apesar da Constituição de 1988 determinar que se trata de um direito inalienável, o Brasil ainda conta com altas taxas de analfabetismo, evasão escolar, falta de infraestrutura etc. Precisamos caminhar bastante para chegar a um patamar em que a Educação de qualidade seja considerada um direito de todos. Uma das vantagens do encurtamento de distâncias promovido pelo processo de globalização em curso é pensar como podemos aprender com outros modelos ao redor do mundo. E ensinar também. Por isso, este módulo é um convite para pensarmos a Educação brasileira contemporânea inserida em um contexto mais global de iniciativas. Afinal de contas, uma das grandes características do mundo em que vivemos é justamente a construção de redes que interligam pessoas e ideias. Sem dúvidas, a Internet é um fator fundamental nesse processo. Imagem: Shutterstock.com O Brasil está inserido no contexto mundial, ou seja, todas as principais mudanças que acontecem no mundo, de alguma forma, chegam até nós. Veja a linha do tempo: Brasil 1889 Torna-se República 1910 Brasil inicia seu processo de urbanização 1930 “Revolução” – chegada de Vargas ao poder 1942 Brasil entra na Guerra 1945 Retorno ao regime democrático 1964 Ditadura civil-militar 1985 Retorno do governo civil 1990 Retorno ao governo democrático Mundo 1789 Revolução Francesa 1850 – 1900 Imperialismo (domínio de África e Ásia) 1914 – 1918 Primeira Guerra Mundial 1929 Crise de 1929 1939 Início da Segunda Guerra Mundial 1945 Fim da Segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria 1989 Queda do Muro de Berlim 1991 Fim da Guerra Fria CONCEITOS Qual é o grande ícone de “mundialização” da Educação Contemporânea? Sem dúvida, podemos indicar dois documentos, a saber: Imagem: Shutterstock.com DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS No ano de 1948, no contexto do final da Segunda Guerra Mundial, foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Naquele momento, o mundo teve conhecimento dos campos de concentração (nazistas e soviéticos), responsáveis pela morte de milhões de pessoas. Assim, essa declaração nasceu como uma forma de negar a guerra e todas as formas de violência. Outro ponto de destaque presente na declaração é justamente a ideia que “toda pessoa tem direito à Educação”. Imagem: Shutterstock.com DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO DIREITO DAS CRIANÇAS Essa declaração representa o reconhecimento da criança como um ente com os mesmos direitos, mas com especificidades. O direito ao cuidado, ao desenvolvimento, à proteção e à segurança acabam criando um pacto mundial nesse sentido. Alguns países, no entanto, demoram a ser signatários desses documentos. O Brasil só vai reconhecer e transformar seus fundamentos em lei em 1988, com a Constituição Cidadã. A despeito do proposto, veja estes números: Imagem: Jose Martins Ferreira Neto. Imagem: Shutterstock.com De 1988 para cá, houve muitas discussões, como: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Além de outros documentos que pensavam a formação do professor, estrutura das escolas, entre outros. Mas qual é o resultado? Como podemos pensar a contemporaneidade em termos de Educação? Como é possível imaginar, os desafios para melhorar os índices educacionais estão presentes no mundo inteiro, não apenas no Brasil. Dessa forma, com o aprofundamento do processo de globalização, cada vez mais presenciamos a necessidade de uma reflexão conjunta sobre como alcançar a justiça social e a convivência harmoniosa entre os povos. Imagem: Shutterstock.com A solução para tornar a Educação uma linguagem universal pode ser a cooperação internacional entre os países, já que é um problema de todos. Imagem: Shutterstock.com As ações praticadas pela Unesco, por exemplo, têm essa perspectiva: contribuir para o estabelecimento da paz entre os povos, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento de políticas públicas para a Educação, o estímulo à diversidade cultural etc. Podemos perceber até aqui que desafio é a palavra-chave para todos aqueles que assumem a Educação, profissionalmente ou não, como algo com grande relevância na vida das pessoas. É neste mesmo contexto de desafios a serem enfrentados que somos levados a percebê-los também como perspectivas e oportunidades. Imagem: Shutterstock.com UNESCO A Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco) foi criada em 1945 e conta com 195 países membros. javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Na impossibilidade de levantar todas as propostas e ações educativas da Educação Contemporânea, destacamos aquelas que, de alguma forma, estão ou podem estar relacionadas não somente à reflexão necessária sobre a Educação que somos convidados a fazer cotidianamente, mas porque afetam a prática educativa que temos ou podemos ter nas próximas décadas. Imagem: Shutterstock.com “EDUCAÇÃO: UM TESOURO A DESCOBRIR” Tomemos como ponto de partida o documento Educação: um tesouro a descobrir, relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Esse relatório, publicado em 1996, foi solicitado à equipe de educadores de várias parte do mundo, liderada por Jacques Delors, para que pudesse refletir os caminhos da Educação nos países ligados à ONU. Esse documento influenciou de forma intensa e definitiva os rumos da Educação, reforçando ou questionando ações já realizadas e propondo novas ações a fim de alcançar seus objetivos. Este, aliás, é um ponto de convergência: o mundo precisa dialogar aos moldes dos congressos que levaram à formação do documento. A Educação deve considerar o indivíduo, mas ainda é pensada como um fenômeno social. Foto: Wikimedia Commons/licença(CC BY-SA 3.0). Jacques Delors: Economista e político francês. Entre 1992 e 1996, presidiu a Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI daUnesco. No documento, Delors traz o conceito de que a Educação é baseada em quatro Pilares: Imagem: Shutterstock.com Juntos, esses pilares servem de base para a transmissão da informação e da comunicação adaptada à sociedade. Veremos um pouco mais sobre esse assunto no vídeo a seguir. O professor Rodrigo Rainha o convida a conhecer os pilares de Delors a partir da prática de educadores da cidade de São Paulo, vencedores do prêmio Territórios Educativos. Vídeo com libras BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR Um importante passo para a Educação brasileira foi a preparação e publicação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Pelo menos dois aspectos são fundamentais para compreendermos melhor a importância da BNCC: Imagem: Ministério da Educação (MEC). Logo da Base Nacional Comum Curricular 1 Foi pensada na esteira da LDB/96, dos PCN e das DCNEB, portanto faz sentido pensar todos esses documentos conjuntamente, como se um auxiliasse e completasse o outro. 2 É mais do que um documento que estabelece como, quando e por que determinados conteúdos serão ensinados. Assim, o que importa é construir um projeto educacional que contemple todas as dimensões do desenvolvimento humano, como os aspectos cognitivo e socioemocional, o desenvolvimento físico, cultural etc. A ideia é que o aluno consiga aplicar o conhecimento aprendido no seu cotidiano. O objetivo é formar o indivíduo para a vida cidadã, por meio da transmissão de valores que permitam a boa convivência social. Nesse sentido, o Projeto Político-Pedagógico de cada escola ganha destaque no cenário, pois será preciso que toda comunidade seja reunida para discutir, refletir e planejar os rumos do processo de ensino-aprendizagem. Os professores também terão a incumbência de elaborar seus planos de aula de acordo com a BNCC. Outro ponto importante a ser destacado é que a BNCC não é uma medida vinculada a determinado governo ou partido. Ela é uma política de Estado, prevista no Plano Nacional de Educação, na LDB/96 e na Constituição de 1988. COMPETÊNCIAS NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR A palavra-chave da Base Nacional Comum Curricular é competências. Na Introdução da BNCC, competência é definida como: Imagem: Shutterstock.com “Mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”. Imagem: Shutterstock.com Percebeu que aqui aparecem novamente, assim como está nos PCN, a importância das três dimensões da condição humana: estudo, cidadania e trabalho? A BNCC propõe o desenvolvimento de dez competências distribuídas nas disciplinas curriculares e que devem, por meio do desenvolvimento das diversas habilidades, serem respondidas pelas atitudes concretas do aluno em todos os locais de sua convivência. Ao longo da Educação Básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais, que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Assim, cada área do conhecimento tem competências específicas que foram traçadas a partir das dez competências gerais. As competências específicas devem influenciar diretamente as habilidades que se pretendem formar ao estudar os componentes curriculares. Mas quais são essas dez competências gerais? Vamos conferir! Competências Gerais – BNCC Confira as dez Competências Gerais da Educação Básica (Ensinos Infantil, Fundamental e Médio): 1 CONHECIMENTO Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital Para Entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2 PENSAMENTO CIENTÍFICO, CRÍTICO E CRIATIVO Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade Para Investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3 SENSO ESTÉTICO Valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais Para Fruir e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4 COMUNICAÇÃO Utilizar diferentes linguagens — verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital —, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica. Para Expressar-se e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5 ARGUMENTAÇÃO Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares). Para Comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6 CULTURA DIGITAL Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências. Para Entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7 AUTOGESTÃO Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis. Para Formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8 AUTOCONHECIMENTO E AUTOCUIDADO Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional. Para Compreender-se na diversidade humana e reconhecer suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9 EMPATIA E COOPERAÇÃO Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação. Para Fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, suas identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10 AUTONOMIA Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação. Para Tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. Agora veja quais são as cinco Áreas de Conhecimento, de acordo com o Parecer CNE/CEB nº 11/201025: As competências previstas devem ser desenvolvidas nas atividades que serão realizadas nas salas de aula. Dessa forma, haverá uma sintonia entre o que se espera alcançar a longo prazo e a curto prazo. Por isso, a BNCC aponta os eixos estruturantes das práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica. Todas as competências são igualmente importantes. O professor Francisco Carlos nos convida a pensar sobre a tradição curricular brasileira e os desafios que estão sendo propostos pela BNCC. Vídeo com libras Por se tratar de um documento novo, as diretrizes da BNCC podem parecer, em um primeiro momento, algo muito difícil de ser implementado e realizado. A mudança de hábitos não é um processo fácil, sobretudo quando envolve tantas pessoas ao mesmo tempo, não é mesmo? Porém, o importante é dar o passo inicial. Para os professores, é essencial ler a BNCC em sua totalidade para pensar como introduzir as mudanças no contexto da sala de aula. Os desafios são muitos, e a renovação passa por toda a comunidade escolar. Para entendermos melhor, veremos uma linha do tempo começando na Lei de Diretrizes e Bases (Lei n° 9394/96)e finalizando na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 1996 Lei nº 9394/96 - Lei de Diretrizes e Bases. 1997 Parâmetros Curriculares Nacionais (primeiras quatro séries da Educação Fundamental 1999 Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, preparado para cada disciplina. 2000 Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, definidos pelas áreas de linguagens, códigos e suas tecnologias. 2001 Criação do Plano Nacional de Educação. 2003 Lei nº 10639 – Obrigatoriedade do ensino de História e cultura afro-brasileira. Além disso, entra para o calendário escolar o dia 20 de novembro, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra. 2004 Lei nº 10861: É criado o SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. 2005 Lei nº 11096: criação do PROUNI – Programa Universidade para Todos. 2006 Emenda Constitucional nº 53 cria o FUNDEB – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. 2007 Decreto nº 6096: criação do REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. 2008 Lei nº 11465: Obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Indígena na rede de ensino. 2012 Lei nº 12711: Lei de Cotas raciais nas universidades federais. 2017 Homologação da Base Nacional Curricular Comum. A proposta das competências do BNCC já estava sendo gestada e aplicada em outros países. Talvez o caso mais emblemático seja o Common Core (Currículo Comum) dos Estados Unidos. Lançado em 2010, chegou a receber apoio de 90% da população e de 80% dos professores. Hoje, uma década após sua implantação, este índice caiu pela metade nos dois casos. Uma reflexão sobre isso pode nos ajudar a olhar de forma perspectiva para a situação nacional. O exemplo americano é importante para que tenhamos uma compreensão clara do que significa uma Base Comum, seus limites e suas perspectivas positivas. MODELOS TRADICIONAIS DE EDUCAÇÃO X MODELOS INOVADORES Um ponto bastante atual é a contradição (aparente ou não) entre os modelos tradicionais de Educação e aqueles considerados inovadores. Esta é uma situação presente em grande parte do mundo. Veja alguns exemplos: Imagem: Shutterstock.com EUA BRASIL FRANÇA FINLÂNDIA JAPÃO EUA Nos EUA e em outras partes do Mundo, algumas expressões assumiram um papel bastante emblemático, como, por exemplo, “Educação centrada no aluno”. Talvez essa seja, atualmente, a grande perspectiva da Educação Contemporânea. EUA, México, Espanha, entre outros países, têm assumido uma postura reflexiva, que busca caminhos para inserir o aluno de forma mais efetiva no processo de aprendizagem. É importante perceber que isso faz parte não somente de projetos oficiais desses países, mas de organismos e fundações que buscam auxiliar a Educação no mundo. Um exemplo é o Google For Education . BRASIL No Brasil, de forma muito mais sutil, parece que o interesse pela chamada Educação Clássica está aumentando. Seja porque percebemos os fracassos sucessivos do país nas avaliações internacionais, seja a revolução midiática já apontada, que permite o contato e acesso – na maioria das vezes de forma gratuita – a uma literatura específica sobre o tema. Por esses ou outros motivos, acreditamos que a Educação está viva na História, e não podemos negligenciar a oportunidade de entender esse processo e o quanto isso poderá beneficiar, ou não, a Educação no país. FRANÇA A França, berço do Iluminismo – com a Revolução Francesa, como você já viu – e, consequentemente, de um modelo educacional baseado nos ideais liberais burgueses, fundamentados em grande parte no modelo tecnicista-meritocrático, que nasceram para combater o ensino clássico, parece estar recuando. Ou pelo menos assim podemos interpretar, quando o Ministério da Educação francês assume a postura de proibir celulares em sala de aula, além do retorno de línguas como latim e grego nas escolas. Esta é uma situação no mínimo curiosa. Seu histórico, inclusive filosófico, de um perfil revolucionário e de abandono das raízes que constituíram a Europa, permite que, ao menos, estranhemos tais medidas. FINLÂNDIA A Finlândia tem seu modelo educacional reconhecido mundialmente, e, cada vez mais, há pesquisadores e políticos do mundo todo buscando fazer intercâmbios para compreender como uma escola com curta jornada de estudo, quase ausência total de tarefas escolares para casa, pouquíssimas provas e preocupação mínima com ranking internacional (o que contraria a maioria das tendências educacionais atuais) pode ter tanto sucesso. JAPÃO Parte da Ásia tem mantido as primeiras posições no ranking internacional por vários anos seguidos, assumindo uma posição mais centrada na disciplina e em longas horas de estudo. Historicamente, o Japão se destaca de forma emblemática. Imagem: Shutterstock.com Embora a proposta da “Educação centrada no aluno” não tenha sido aceita de forma unânime no exterior (como o caso da pedagoga sueca Inger Enkvist), no Brasil, esse pensamento tem crescido e confunde-se com a utilização das tecnologias digitais na Educação por meio das chamadas metodologias ativas. INGER ENKVIST Professora de literatura espanhola na Universidade de Lund, na Suécia. Já publicou estudos sobre Miguel de Unamuno, José Ortega y Gasset, Mario Vargas Llosa e outros, além de vários livros sobre educação, em sueco e em espanhol. Nestas obras, critica as bases ideológicas da nova pedagogia, demonstra seus maus resultados e suas javascript:void(0) consequências malignas para a cultura ocidental como um todo, e apela para a recuperação de elementos da pedagogia tradicional, como o valor do conhecimento, da dedicação do aluno e da autoridade do professor competente. Fonte: Ecclesiae. Foto: Per A.J. Andersson/Wikimedia Commons/licença(CC BY-SA 4.0). Inger Enkvist Imagem: Shutterstock.com Vamos aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre os modelos de ensino ao redor do mundo? Veja o vídeo. O professor Antônio Giacomo faz um comparativo entre os sistemas de ensino brasileiro e internacionais. Vídeo com libras TENDÊNCIAS Para que não percamos a percepção do que isso significa, levantamos um questionamento simples: O que é uma Educação de sucesso? Imagem: Shutterstock.com De acordo com publicação do jornal O Globo, os países nórdicos e asiáticos possuem altas taxas de suicídio. Isso nos leva a perguntar por que, nos locais onde a Educação é mais bem- sucedida e nos países que possuem as maiores rendas per capta do mundo, as pessoas se matam? Essa reflexão é relevante para que busquemos um modelo educacional que, além da formação técnica do indivíduo, possa formá-lo de forma integral. RENDA PER CAPTA Valor representativo da distribuição da riqueza de um determinado país. É resultado da divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pela população. IMAGENS EMBLEMÁTICAS Vejamos algumas imagens representativas de importantes acontecimentos relacionados à Educação. javascript:void(0) Malala Yousafzai foi baleada na cabeça por Talibãs ao sair da escola. Ela lutava para que as meninas paquistanesas tivessem o direito de estudar. Foto: DFID - UK Department for International Development/Wikimedia Commons/licença(CC BY 2.0). Massacres cometidos por estudantes que retornam à escola em que estudaram têm se multiplicado. Isso mostra como o ambiente escolar pode ser marcado pela exclusão e violência. Casos famosos, como Columbine, nos Estados Unidos, e Suzano, em São Paulo, mostram a continuidade do problema. Foto: Erin Alexis Randolph / Shutterstock.com Protesto e organização de estudantes em prol de uma escola pública de qualidade em 2015. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Fotografias/Wikimedia Commons/licença(CC BY 2.0). O filme O aluno é baseado em fatos. Em 2003, após ouvir uma propaganda do governo que dizia que a escola era para todos, Kimani Ng'ang'a Maruge começa a lutar para poder estudar.Foto: Kerry Brown / Desenvolvido por BBC Films VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. NO ANO DE 1996, FOI PUBLICADO O RELATÓRIO “EDUCAÇÃO: UM TESOURO A DESCOBRIR”, NO ÂMBITO DA UNESCO. ESSE DOCUMENTO FOI IMPORTANTE PORQUE SISTEMATIZOU QUE A EDUCAÇÃO DEVERIA ESTAR ANCORADA EM QUATRO GRANDES PILARES. AO COMPARAR A INFLUÊNCIA NO BRASIL E NO RESTANTE DO MUNDO, PODEMOS APONTAR QUE: A) A Educação não deve se centrar no exercício de mera transmissão, mas pautar-se no retorno a elementos clássicos, exercícios que historicamente se mostraram eficientes. B) A Educação se tornou um elemento primordial para a formação de uma sociedade mais justa e equilibrada, que permita aos sujeitos atingirem seu potencial. C) A Educação no século XXI precisa refletir sobre si e o papel que deve assumir para atingir as demandas sociais do mundo contemporâneo. D) A Educação, no século XXI, deve pautar-se na necessidade do aluno. A busca do desenvolvimento da Educação depende do interesse individual de cada sujeito e deve se orientar de acordo com essa perspectiva. 2. NA COMPARAÇÃO ENTRE O BRASIL E O MUNDO EM TERMOS DE EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE, EM ESPECIAL PENSANDO NAS INFLUÊNCIAS DA UNESCO, PODEMOS DESTACAR COMO UMA BUSCA DE INTEGRAÇÃO COM AS PROPOSTAS MUNDIAIS: A) Base Nacional Comum Curricular. B) Constituição de 1988. C) Declaração Universal do Direito dos Homens. D) Adoção do modelo Common Care . E) Retomada conversadora nos fundamentos da Educação. GABARITO 1. No ano de 1996, foi publicado o relatório “Educação: um tesouro a descobrir”, no âmbito da UNESCO. Esse documento foi importante porque sistematizou que a Educação deveria estar ancorada em quatro grandes pilares. Ao comparar a influência no Brasil e no restante do mundo, podemos apontar que: A alternativa "C " está correta. Os pilares organizados por Delors devem ser tratados como um documento histórico, sendo mais uma das reflexões necessárias sobre os desafios da Educação. Porém, tendo em vista que não existe uma fórmula mágica, definitiva. Por isso, seu papel lida, ainda, com demandas sociais em que o sujeito está inserido, não em demandas focadas exclusivamente no sujeito. 2. Na comparação entre o Brasil e o mundo em termos de Educação na contemporaneidade, em especial pensando nas influências da UNESCO, podemos destacar como uma busca de integração com as propostas mundiais: A alternativa "A " está correta. A Base Nacional Comum Curricular é um debate histórico no Brasil, um país de dimensões continentais que precisa ofertar condições básicas para sua Educação, partindo de um atraso difícil de lidar. Evoluímos, mas, mesmo com planos nacionais, estaduais e municipais, faltava a modernização, que foi buscada de acordo com a linha de habilidades e competências proposta a partir da BNCC. Todos os demais movimentos aqui mencionados influenciam, mas somente a BNCC significa esta transformação. Muitas das ideias presentes no relatório da Unesco podem ser visualizadas nas competências da BNCC. Por exemplo, o estímulo ao desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos indivíduos. MÓDULO 3 Reconhecer como a História da Educação nos prepara para os desafios da sociedade tecnológica INTRODUÇÃO A partir das diversas leis, medidas e dos decretos estruturados para o âmbito educacional, é possível entender que uma das grandes inovações nas últimas décadas é a ampliação dos currículos escolares para além do desenvolvimento das habilidades cognitivas. Isso significa que o espaço escolar não tem como finalidade apenas transmitir conhecimento, mas proporcionar instrumentos para que as potencialidades dos alunos sejam exploradas. Foto: Shutterstock.com ANTES Foto: Shutterstock.com DEPOIS Afinal de contas, qual é o papel do ambiente escolar e de seus profissionais em um mundo globalizado? O século XXI é marcado por muitas contradições. Imaginamos, de forma geral, o futuro do mundo e da Educação da seguinte forma: O desenvolvimento de tecnologias velozes e poderosas. Foto: Shutterstock.com Mas na prática o mundo ainda é marcado por: Foto: Shutterstock.com DESIGUALDADES O agravamento das desigualdades sociais, sobretudo em regiões periféricas. Imagem: Shutterstock.com CONSUMO ACELERADO Aceleração da sociedade de consumo descartável em todos os sentidos. Essa nova ordem mundial causou e ainda causa impactos profundos no ambiente escolar. Uma das dúvidas colocadas para os educadores é como lidar com os chamados “novos desafios do mundo contemporâneo”, que envolvem o conhecimento de tecnologias e a crescente competitividade no mercado de trabalho. Nas bases legais dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio, temos a reafirmação constante de que a Educação não deve ser estruturada a partir do acúmulo de conhecimentos, mas a partir da preparação do aluno para o desenvolvimento da capacidade de lidar com os desafios da sociedade tecnológica. O VOLUME DE INFORMAÇÕES, PRODUZIDO EM DECORRÊNCIA DAS NOVAS TECNOLOGIAS, É CONSTANTEMENTE SUPERADO, COLOCANDO NOVOS PARÂMETROS PARA A FORMAÇÃO DOS CIDADÃOS. NÃO SE TRATA DE ACUMULAR CONHECIMENTOS. A FORMAÇÃO DO ALUNO DEVE TER COMO ALVO PRINCIPAL A AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS BÁSICOS, A PREPARAÇÃO CIENTÍFICA E A CAPACIDADE DE UTILIZAR AS DIFERENTES TECNOLOGIAS REATIVAS ÀS ÁREAS DE ATUAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais Portanto, neste módulo, vamos buscar as respostas para as seguintes perguntas: Qual é o papel da História da Educação na observação do mundo contemporâneo em permanente processo de mudança? Será que a História não deve observar isso? Devemos esperar esses movimentos ficarem mais velhos para analisá-los? A História é uma ciência humana que estuda a relação de homens e sociedade, utilizando o tempo como seu objeto de referência. Mas isso não a transforma em uma ciência do passado, pois seu objeto e suas práticas estão no presente. Usamos o passado para refletir sobre nossa própria sociedade, com o passado nos iluminando, permitindo debates. Se imergíssemos na contemporaneidade, poderíamos nos afastar dessas reflexões. Imagem: Shutterstock.com OS PERSONAGENS DA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI Antes de mais nada, é preciso ter em mente que todos os modelos e as experiências pedagógicas que vimos até agora são fundamentais para compreender o papel da Educação atualmente. O desafio é pensar como o ambiente escolar e os profissionais que nele atuam estão respondendo a tantas mudanças estruturais e éticas. Durante muito tempo, a transmissão do conhecimento se dava da seguinte maneira: Imagem: Shutterstock.com PROFESSOR O detentor do conhecimento, que passava o conteúdo para os alunos sem muita crítica ou embasamento. ALUNO Absorvia o conteúdo sem questionamento sobre o que era transmitido pelo docente. Precisamos provocar o olhar sobre esses personagens presentes na escola e avaliar nossa responsabilidade como educadores. A professora Nilda Alves é doutora em Educação, e um de seus objetivos é fazer a escola reconhecer os conhecimentos do mundo. A professora Nilda Alves é professora titular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e comenta sobre os saberes e seu papel. javascript:void(0) javascript:void(0) Vídeo com libras Imagem: Shutterstock.com Ainda assim, muitos educadores olham para as transformações com certa desconfiança. De fato, sair da zona de conforto e se abrir para novas possibilidades não é tarefa fácil. O uso de tecnologias em sala de aula, por exemplo, depara-se com a falta de habilidade do professor em dominar as tecnologias e suas linguagens: web, podcast, software, armazenar na nuvem, Google, Facebook etc. Ou seja, é cada vez mais difícil supor que o docente em sala de aula seja o único detentor do conhecimento. Com a explosão tecnológica, a um clique de distância, o aluno tem acesso a uma quantidade infinita de informações de todos os tipos possíveis. Ao mesmo tempo, sabemos que, na Era da Informação, não faltam conteúdos falsos ou notícias comfontes desconhecidas. São as famosas fake news! No âmbito das novas propostas pedagógicas adotadas pela legislação brasileira, a ideia é que a Educação forneça instrumentos para que o aluno construa seu próprio conhecimento e tenha curiosidade sobre tudo aquilo que o rodeia. A formação de um indivíduo para a vida cidadã parte, em primeiro lugar, da sua atuação como sujeito ativo. Segundo Paulo Freire (1985): CONHECER NÃO É O ATO ATRAVÉS DO QUAL UM SUJEITO TRANSFORMADO EM OBJETO RECEBE DÓCIL E PASSIVAMENTE OS CONTEÚDOS QUE O OUTRO LHE DÁ OU LHE IMPÕE. O CONHECIMENTO, PELO CONTRÁRIO, EXIGE UMA PRESENÇA CURIOSA DO SUJEITO EM FACE DO MUNDO. REQUER SUA AÇÃO TRANSFORMADORA SOBRE A REALIDADE. DEMANDA UMA BUSCA CONSTANTE. IMPLICA INVENÇÃO E REINVENÇÃO. (FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? São Paulo: Paz e Terra, 1985, p. 7) A formação de sujeitos críticos implica, portanto, a revisão das práticas educativas. Como já vimos, uma das propostas presentes na BNCC é a formação por competências. A ideia é que o aluno tenha autonomia para decodificar determinada informação, pesquisar outras referências, comparar fontes e saber estabelecer conexões entre o passado e o presente. A Educação do futuro tem como pressuposto incentivar o aluno a construir seu próprio conhecimento, associando o conteúdo ensinado na escola à sua trajetória de vida. Nesse sentido, a tecnologia, quando usada de modo correto, é um instrumento bastante eficaz na democratização da informação e do conhecimento. O importante é capacitar o educador para que conheça as potencialidades e os limites dos recursos virtuais. Imagem: Shutterstock.com Imagem: Shutterstock.com QUE CAMINHOS SEGUIR? Você provavelmente deve se recordar do seu tempo de escola. Se estudou em um colégio privado, mais tradicional, ou mesmo em alguma escola pública que sofria em razão dos problemas de infraestrutura e escassez de profissionais mais qualificados, deve lembrar que muitas aulas se resumiam a copiar o que o professor escrevia no quadro. Os espaços de discussão não eram incentivados, quase não havia dinamismo nas aulas, e era muito comum que o corpo docente não entendesse por que os alunos pareciam tão pouco interessados em prestar atenção no conteúdo. A História da Educação está atenta a esse debate e, hoje, nota que tem se discutido a possibilidade de que muitos desses problemas poderiam ser resolvidos a partir da adoção de modelos pedagógicos ativos. Ou seja, colocar o aluno como agente central no processo de aprendizagem. Como isso pode ser feito na prática? A despeito das ferramentas utilizadas, a noção é sempre a mesma: incentivar a autonomia, reconhecer e respeitar a diversidade no ambiente escolar e estimular a cooperação e integração entre alunos, estimulando a construção de projetos em grupos. Veja alguns exemplos: Foto: Shutterstock.com FEIRAS DE TALENTOS Foto: Shutterstock.com MOSTRAS ARTÍSTICAS Foto: Shutterstock.com RODAS DE LEITURA A ideia é que cada vez mais os projetos educacionais adotem a chamada metodologia ativa de aprendizagem. METODOLOGIA ATIVA DE APRENDIZAGEM O psiquiatra americano William Glaser, a partir de suas pesquisas no campo da Educação, construiu uma pirâmide que avalia como aprendemos. Como aprendemos WILLIAM GLASSER javascript:void(0) Psiquiatra norte americano conhecido por diversos estudos a respeito de saúde mental e comportamento humano. Segundo a teoria de Glaser, aprendemos mais com a metodologia ativa de aprendizagem. Mas você já ouviu falar nesse termo? Talvez esse seja um conceito novo para você, mas que já faz parte do seu cotidiano. Foto: Brother Bulldog/Wikimedia Commons/licença(CC BY-SA 3.0). William Glasser A modalidade EaD (Ensino a Distância) é um ótimo exemplo da adoção da metodologia ativa de aprendizagem. Essa metodologia parte da ideia de que o aluno é o principal responsável pela sua própria aprendizagem. O ideal é que ele seja estimulado a aprender a partir de exemplos concretos, que tenham correspondência com seu cotidiano. A transmissão de conhecimento levando em consideração a vivência do estudante confere mais dinamismo e interatividade. Segundo essa lógica, a simples memorização de conteúdos não seria eficiente. Imagem: Shutterstock.com Qual é o caminho da aprendizagem nesse processo? É o que descobriremos no vídeo a seguir. Os professores Rodrigo Rainha, Guilherme Dutra e Luís Claudio Dallier dialogam sobre o ponto de vista de suas áreas sobre o Ensino a Distância. Vídeo com libras TEMAS TRANVERSAIS Os chamados temas transversais não são disciplinas curriculares, mas debates de cunho social e político presentes na sociedade contemporânea, como meio ambiente, ética, consumo etc. A função dos temas transversais é conduzir o professor, em sua ação educativa, a sintonizar o cotidiano do aluno com a aprendizagem cognitiva. Imagem: Shutterstock.com IMAGENS EMBLEMÁTICAS Conheça algumas das escolas mais inovadoras da atualidade. Consegue pensar em uma escola sem salas, sem séries, sem separações, sem turmas, com aulas sendo pensadas e trocadas por projetos feitos pelos próprios alunos? Leia sobre a Escola da Ponte. Foto: Shutterstock.com E se as atividades da escola fossem feitas a partir de jogos? O tempo todo, os alunos estão praticando, trocando e construindo com base em jogos e níveis de interações diferentes. Duvida? Conheça a Quest to Learn, em Nova York. Foto: Shutterstock.com Escolas para recuperação de alunos, ou, ainda, para jovens infratores, crianças em condição de rua. É preciso muita disciplina para controlar os alunos, certo? Não! Você precisa conhecer a Escola Meninos e Meninas do Parque... Foto: Renato Araújo / Agência Brasília / licença(CC BY 2.0). “Em locais pobres, é impossível desenvolver centros de tecnologia”. Sugata Mitra discorda dessa afirmação e, a partir da tecnologia, desenvolveu na Índia a busca de um novo modelo. Sua proposta consiste em leitura de livre aprendizagem, sem a presença de uma autoridade, e pelo computador... Foto: TED Conference / licença(CC BY-NC 2.0). VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (ADAPTADA DE SEPLAG-MG, 2015) O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO PODE PROMOVER ALGUMAS MUDANÇAS NA ABORDAGEM PEDAGÓGICA, TORNANDO O PROCESSO DE TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTO MAIS DINÂMICO E CRIATIVO. DIVERSAS HABILIDADES PODEM SER PRATICADAS NO ENSINO ESCOLAR PARA FACILITAR OS TIPOS DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO ENTRE OS PROFESSORES E OS ALUNOS. A ÚNICA ALTERNATIVA QUE NÃO SE ADEQUA AO USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA É: A) Oportunizar ao professor diferentes formas e recursos de ensino e aprendizagem. B) Estabelecer novas relações com o saber. C) Envolver os alunos para novas descobertas. D) Contribuir para as práticas educacionais. E) Utilizar o computador somente como fonte de informação. 2. OS TEMAS TRANSVERSAIS, QUE CONSTAM NOS PCN, ESTÃO INSERIDOS NO CONTEXTO DE RENOVAÇÃO DAS PRÁTICAS DE ENSINO E DOS MODELOS PEDAGÓGICOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS. QUAL ALTERNATIVA MELHOR DESCREVE A FUNÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS? A) Educação de cunho tecnicista. B) A orientação sexual não é considerada um tema transversal. C) Valorização da individualidade. D) Foram criados para substituir os currículos escolares. E) O professor como mediador do processo de aprendizagem. GABARITO 1. (Adaptada de SEPLAG-MG, 2015) O uso das novas tecnologias na Educação pode promover algumas mudanças na abordagem pedagógica, tornando o processo de transmissão de conhecimento mais dinâmico e criativo. Diversas habilidades podem ser praticadas no ensino escolar para facilitar os tipos de comunicação e interação entre os professores e os alunos. A única alternativa que não se adequa ao uso das novas tecnologias na escola é: A alternativa "E " está correta. A utilização de recursos tecnológicos no ambiente escolar pode significar importantes ganhos. Além de aproximar o professor dos alunos, pode enriquecer a aula com suas experiências prévias, além deestimular a autonomia e integração coletiva. A tecnologia, usada de modo responsável, pode contribuir de diversas formas na construção do conhecimento 2. Os temas transversais, que constam nos PCN, estão inseridos no contexto de renovação das práticas de ensino e dos modelos pedagógicos nas últimas décadas. Qual alternativa melhor descreve a função dos temas transversais? A alternativa "E " está correta. Os temas transversais estão inseridos num movimento maior (incluindo a LDB/96, os PCN e a BNCC) de renovação das práticas pedagógicas, que valoriza a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem, cabendo ao professor atuar como mediador nesse contexto. O aluno é compreendido como um indivíduo complexo e dotado de habilidades e competências. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS A Educação Contemporânea dialoga com a História Contemporânea. Quer dizer, a partir do momento em que foi identificada a ascensão do mundo capitalista, a Educação passou por profundas transformações. Ao longo do século XX, o mundo começou a defender uma Educação mais popular, mais disseminada. Os motivos são muitos: industrialização, crescimento das cidades, desenvolvimentos dos estados – olhando pelo prisma do governo –, mas que geram linhas de resistência, isto é, Educação que liberte, Educação que fortaleça disputas, Educação como um bem individual. Diante dessas transformações, chegamos ao século XXI ricos em debates, mas sem conseguir resolver muitas de nossas mazelas históricas. Ainda que países como o Brasil tenham se fortalecido em termos legislativos e de sistema de Educação, trata-se de uma discussão que não cessa, como aponta a BNCC no Brasil, e ainda existem divergências profundas mundo afora. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. E. B.; VALENTE, J. A. Tecnologias Digitais, Linguagens e Currículo: investigação, construção de conhecimento e produção de narrativas. São Paulo: Coleção Agrinho, 2012. ANTUNES, Celso. Como desenvolver competências em sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Consultado em meio eletrônico em: 10 set. 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 1999. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental: referentes às quatro primeiras séries da Educação Fundamental. Brasília: MEC, 1997. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: MEC, 2000. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Consultado em meio eletrônico em: 10 set. 2018. DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir (Relatório para UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI). São Paulo: Cortez, UNESCO e MEC, 2001. FERACINE, Luiz. O professor como agente de mudança social. São Paulo: EPU, 1990. FERRETI, C. et al. Novas tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar. Petrópolis: Vozes, 1994. FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? São Paulo: Paz e Terra, 1985. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 10. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. FREITAS, Lourival C. de. Mudanças e inovações na educação. 2. ed. São Paulo: EDICON, 2005. EXPLORE+ Busque as seguintes sugestões de texto: Artigo Perspectivas atuais da educação. Artigo Maio de 1968 em Paris: testemunho de um estudante. Matéria Quase metade do planeta ainda não tem acesso à internet, aponta estudo. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Temas transversais. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Base Nacional Comum Curricular. Pesquisa do IBGE Índices da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Assista aos filmes Forest Gump, Desafio de Titãs e Ray para saber mais sobre os movimentos sociais nos Estados Unidos. CONTEUDISTA Pamela de Almeida Resende CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); DESCRIÇÃO Este tema é um convite para voltarmos um pouco no tempo, ao final do Império e início da República, para entendermos como os desafios para instrução da sociedade brasileira começaram a ser resolvidos quando a Educação passou a ser entendida como um importante instrumento de superação do atraso econômico, político e social do Brasil. PROPÓSITO As diversas conjunturas históricas – 1889 até 1960 – influenciaram de modo decisivo as diversas reformas educacionais que foram implementadas. Ao final, será mais fácil entender os avanços e retrocessos em relação à Educação e sua influência hoje em dia. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar os fatos referentes à Educação que fizeram parte da transição do Brasil Império para o Brasil República MÓDULO 2 Relacionar a influência do Positivismo na sociedade brasileira e consequentemente na Educação MÓDULO 3 Analisar as várias reformas educacionais ocorridas no período do Brasil República até a década de 1960 MÓDULO 1 Identificar os fatos referentes à Educação que fizeram parte da transição do Brasil Império para o Brasil República I INTRODUÇÃO No vídeo, Rodrigo Rainha faz uma breve retrospectiva dos fatos que levaram à criação da República. Vídeo com libras. Somos tão acostumados com a ideia da Educação como um valor universal que parece estranho imaginar um tempo em que crianças, jovens e adultos não tinham o direito à Educação. I PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA RIO DE JANEIRO (1889) Imagem: Benedito Calixto/Wikimedia Commons/Domínio público. "Proclamação da República", 1893, óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. A República no Brasil foi proclamada no dia 15 de novembro de 1889, instaurando a forma republicana presidencialista de governo e inaugurando uma época com desafios de diferentes ordens. Contra a monarquia, forças muito diversas se uniram, mas seus interesses não eram semelhantes. FORÇAS QUE SE UNIRAM: Os militares não queriam uma mudança tão efetiva em nossas estruturas, porém o Exército não mais aceitava o peso dado à Marinha e sua imagem de herói. A Religião estava em quadro de perigosa contestação, e movimentos como o de Conselheiro ou de Padre Cícero no Nordeste eram vistos com muito receio. As fronteiras da região Sul do Brasil com o Uruguai e a Argentina precisavam ser controladas de perto, porque muitos habitantes do local eram imigrantes e não tinham o sentimento nacional. São Paulo desejava um país governado para o estado, que era o motor do Brasil, ícone máximo do que vinha dando certo, enquanto aristocracias tradicionais, como a nordestina, exigiam reparação pelas perdas geradas pela Coroa, e seus “coronéis” reivindicando poderes locais. javascript:void(0) Foto: Augusto Malta/©Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro CONTEXTO SOCIAL A população marginalizada, acumulada em grandes capitais como Rio de Janeiro e Salvador, morava em Cabeças de Porco, e, sem instrução, organizava levantes contra os governos municipais que pregavam uma higienização das cidades. Ou seja, era o início de um novo regime político marcado por antigas questões brasileiras Diante do caos da criação da República, alguns fatores foram eleitos como primordiais para transformar o Brasil, e um dos principais era a Educação. Não houve um compromisso de transformação dos problemas sociais brasileiros através da Educação. Mas, a ideia de modernização da sociedade – que era o objetivo – passava obrigatoriamente pela criação de um projeto de Educação que atendesse ao principal anseio do país: capacitar trabalhadores urbanos para que eles cumprissem seus papeis em sociedade. Esteé o ideal positivista e sua movimentação em favor da Educação. I PRIMEIRAS DÉCADAS APÓS A PROCLAMAÇÃO CENTROS URBANOS DO BRASIL (1900-1920) As décadas seguintes à Proclamação da República foram marcadas pelo desenvolvimento da indústria: Segundo Helena Bomeny: O BRASIL DO INÍCIO DA REPÚBLICA ERA UM PAÍS EMINENTEMENTE RURAL (60% DA POPULAÇÃO), RECÉM-SAÍDO DE UM LONGO PERÍODO DE ESCRAVIDÃO (MAIS DE TRÊS SÉCULOS ATÉ A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM 1888), COM TAXAS DE ANALFABETISMO HOMOGÊNEAS, QUE SUPERAVAM 80%, COM ÍNDICES MUITO PRÓXIMOS DO NORTE AO SUL DO PAÍS, EXCETUANDO-SE A CAPITAL FEDERAL, ONDE A TAXA RONDAVA OS 45%. (BOMENY, 1993) CAPITAL FEDERAL A capital era exceção porque era o espaço que concentrava os funcionários públicos, em uma máquina gigantesca, e mesmo os escravos locais conheciam rudimentos da leitura. SAIBA MAIS O lema da bandeira do Brasil é positivista. O novo regime exigia a criação de um novo símbolo que representasse os ideais sob os quais estavam assentados a República recém-proclamada. “Amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” – o famoso lema positivista foi impresso na bandeira brasileira sob a inscrição Ordem e Progresso. javascript:void(0) Era cada vez mais urgente pensar formas de preparar essa população de imigrantes e recém- libertos para a nova realidade que surgia: um país que se urbanizava cada vez mais rápido e cujos postos de trabalho não encontravam mão de obra especializada. A instrução pública torna-se uma peça importante do desenvolvimento do país. Quem deveria comandar essa Educação, pensada tanto pelo Império, como pela República, era o Estado. O governo garantiria o ordenamento necessário, a criação de uma sequência lógica, que permitisse o contínuo progresso do país. O ideal do pensamento de Ordenar para atingir o Progresso foi marcante na Capital Federal, bem como em novas capitais criadas pela República: Belo Horizonte, retirando o peso da imperial Ouro Preto, e Aracaju, saindo da tradicional São Cristóvão, foram planejadas seguindo os novos modelos de cidade e receberam grandes educandários públicos, com estruturas modernas. O povo precisava ser instruído a ser brasileiro, levado a perceber seu papel social e como poderia atuar para a melhora do grande projeto nacional. SAIBA MAIS No Rio de Janeiro, tentando apagar o passado Imperial, o tradicional colégio Pedro II perdeu seu nome, recuperado depois por iniciativa dos alunos. Escolas Profissionalizantes (Liceus de Ofício) se multiplicaram em todo país, assim como foi ampliado o número de Escolas Normais, para permitir a formação de professoras primárias. I INICIATIVAS EDUCACIONAIS A maior parte da população era autodidata por necessidade ou simplesmente não tinha educação formal. Classes médias de profissionais liberais, filhos de funcionários públicos, ou filhos da elite financeira ocupavam os bancos formais de Educação e, entre eles, existiam posições diferentes. Mas a pressão pelo avanço que seria proporcionado pela modernização cresceu e as iniciativas pela Educação acompanharam. Repare, então, nas iniciativas: 1850 1854 1882 1891 1900 1850 A partir desse ano, ainda no Império, ocorreu a uniformização do ensino em todo o país. Essa ação reformadora atingiu as Faculdades de Medicina e os cursos jurídicos que passaram a se denominar Faculdades de Direito. O Regulamento de Instrução Primária e Secundária do Município da Corte, entre outras importantes providências, criou a Inspetoria Geral da Instrução Primária e Secundária do Município da Corte, órgão ligado ao Ministério do Império e destinado a fiscalizar e orientar o ensino público e particular dos níveis primário e médio, estruturando em dois níveis (o elementar e o superior) a Instrução Primária gratuita. 1854 A administração geral do ensino primário e secundário na Corte passou a ser regida por um Inspetor Geral, com a colaboração do Conselho Diretor, composto de sete membros e de Delegados de Distrito. O ensino particular só poderia ser exercido com prévia autorização do Inspetor Geral e com relatórios trimestrais dos estabelecimentos aos respectivos delegados. Os diretores e professores dos estabelecimentos particulares ficariam igualmente obrigados a habilitar-se perante a Inspetoria da Instrução Pública, mediante a apresentação de provas de capacidade profissional e de moralidade. A partir do regulamento de 1854 chamado de Regulamento da Instrução Primária e Secundária no Município da Corte (lei 1331A, de 17 de fevereiro de 1854), o ensino primário tornou-se obrigatório. É importante ressaltar que esse regulamento não incluía a população escrava no seu projeto de instrução pública. Ou seja, a ideia era escolarizar a população livre. 1882 Rui Barbosa apresentou dois pareceres ao Parlamento: um sobre a reforma do ensino secundário e superior e outro sobre o ensino primário. Assim, a escola popular foi elevada à condição de redentora da nação implantando o ensino primário obrigatório, dos sete aos quatorze anos, gratuito e laico. Rui Barbosa atuou para que fosse substituída a escola de primeiras letras pela Escola Primária moderna, e um ensino enciclopédico que visasse o progresso do Brasil era um dos componentes. Além disso, a Escola Primária passou a ter oito anos de duração e dividida em três graus: o elementar e o médio, cada um com dois anos, e o superior com quatro. A jornada da escola foi fixada em seis horas, sendo 4h30 para atividades de classe, se aí fossem incluídos os exercícios ginásticos. javascript:void(0); javascript:void(0) EXERCÍCIOS GINÁSTICOS Com o Decreto nº 7.247 de 19 de abril de 1879, Carlos Leôncio de Carvalho reforma o ensino primário e secundário do município da corte e o superior em todo o império. Houve a implantação do método intuitivo, conhecido também como lições de coisas, pelo qual o ensino deveria ir do particular para o geral, do conhecido para o desconhecido, do concreto para o abstrato. O princípio da educação integral através da educação física, intelectual e moral que deveria seguir as leis da natureza e a ciência seria o melhor meio para a disciplina intelectual e moral. 1891 A Constituição de 1891 determinava a descentralização do ensino, cabendo à União legislar sobre o ensino superior na Capital Federal, delegando aos estados a responsabilidade de organizar todo o seu sistema escolar. 1900 Na primeira década do século XX, o mundo avançava para uma crise e países que até então eram exclusivamente agrários passaram por movimentos de substituição de importações. Foram inauguradas fábricas de tecido, fábricas de transformação e as cidades cresceram. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém e Manaus passaram a ser atrativos de pessoas, com o consequente crescimento de seus problemas urbanos. O maior deles para essa elite era a qualidade da mão de obra. Portanto, era urgente educar o Brasil. SAIBA MAIS Veríssimo (1985, p. 15) apontou o tamanho do desafio da novíssima República: “E tanto mais é de crer este resultado, não só desejável como, a bem da unidade moral da Pátria, indispensável, quando a reforma do Sr. Benjamin Constant criou no Pedagogium um órgão que devia ser o fator consciente dessa obra de unificação moral”. PEDAGOGIUM O Pedagogium foi um museu pedagógico fundado em 1890, que se localizava na cidade do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal, no Brasil. Em 1897 foi transformado num centro de cultura superior e, em 1906, recebeu o primeiro laboratório de psicologia experimental do país. A instituição foi extinta em 1919. I CONTEÚDOS PREVISTOS javascript:void(0) Seguindo sobre a questão da moral: Foi organizada em duas categorias: de 1º grau, para crianças de 7 a 13 anos e de 2º grau para os de 13 a 15 anos. Para ingressar nas escolas primárias de 2º grau, o aluno deveria apresentar o certificado de estudos do grau precedente. O ensino no primeiro grau compreendia: Leitura e escrita, ensino prático da línguaportuguesa autor/shutterstock Contar e calcular: aritmética prática até regra de três autor/shutterstock Sistema métrico procedido do estudo da geometria prática autor/shutterstock Elemento de geografia e história, especialmente do Brasil Lições de coisas e noções concretas de ciências físicas e história natural autor/shutterstock Instrução moral e cívica autor/shutterstock Desenho autor/shutterstock Elementos de música Ginástica e exercícios militares autor/shutterstock Trabalhos manuais para os meninos e trabalho de agulha para as meninas autor/shutterstock Noções práticas de agronomia Dentre todas as disciplinas estudadas, a Instrução Moral e Cívica teve objetivos específicos na formação do alunado, conforme anunciava o parágrafo único do Regulamento da Instrução Primária e Secundária do Distrito Federal, “a instrucção moral e cívica não terá curso distincto, mas ocupará constantemente e no mais alto gráo a atenção dos professores” (DECRETO Nº 981, 1890, p. 3476). Com isso, a Escola Primária do 1º grau foi dividida em três cursos: Elementar, para os alunos de 7 a 9 anos; Médio, para os de 9 a 11; Superior, para os de 11 a 13 anos de idade. Em cada curso, as matérias eram gradualmente estudadas, tendo o método intuitivo para todos eles. Vejamos a seguir como Moral e Cívica era abordada em cada curso: CURSO ELEMENTAR A disciplina Instrução Moral e Cívica trabalhava com “narrativa de anecdotas, fabulas, contos e provérbios que contenham tendência moral”, e tinha por objetivo “fazer sentir constantemente aos alumnos, por experiência directa, a grandeza das leis moraes [sic]”. (DECRETO 981, 1890, p. 3500). Na classe 2ª, ainda no curso elementar, a disciplina seguia o seu curso de modo mais expressivo, buscando em sala de aula trabalhar com “conversações e leituras moraes. Exemplificação comparativa da generosidade e do egoísmo, da economia e da avareza, da actividade e da preguiça, da moderação e da ira, do amor e do ódio, da benevolência e da inveja, da sinceridade e da hypocrisia, dos prazeres e das dores (physicas e moraes), dos bens e males (falsos e verdadeiros) [sic]” (DECRETO 981, 1890, p. 3502). CURSO MÉDIO Na classe 1ª, havia a sequência lógica no conteúdo da disciplina Instrução Moral e Cívica para alunos um pouco mais velhos do que no curso anterior, com outras temáticas relacionadas, conforme mostrava o Decreto: “Instrucção Moral e Cívica – Conversação e leituras moraes. Exercícios tendentes a por em acção na própria classe: 1º pela observação individual dos caracteres; 2º, pela aplicação inteligente da disciplina escolar como meio educativo; 3º, pelo incessante appello para o sentimento e para o juízo do proprio alumno; 4º, pelo desvanecimento dos preconceitos e das superstições grosseiras; 5º, pelo ensinamento tirano dos factos observados pelo próprio alumno; 6º, pelas sãs emoções Moraes [sic]” (DECRETO 981, 1890, p. 3504). Na classe 2ª, existia a continuação do programa da classe anterior. A disciplina Instrução Moral e Cívica estava presente em todos os cursos da escola de 1º grau, mas não fazia parte da de 2º grau. CURSO SUPERIOR O superior também foi dividido em duas classes. Na classe 1ª objetivou-se trabalhar os “Deveres do homem para consigo mesmo. Hygiene physica e moral [sic]” (DECRETO 981, 1890, p. 3507). Na classe 2ª, a disciplina seguiu dando continuação da classe anterior. Observação: nas demais escolas, a Primária do 2º grau e na Escola Normal a disciplina Instrução Moral e Cívica não era trabalhada em sala de aula. VOCÊ REPAROU QUE ATÉ A LINGUAGEM NOS DECRETOS É DIFERENTE? COMO AS PALAVRAS ERAM ESCRITAS? Isso nos ajuda a entender um pouco mais sobre a mudança de paradigma, em que a Educação passou a ser vista, pensada, organizada, e a fazer parte de um projeto nacional de Brasil. RECOMENDAÇÃO E agora é com você: que tal fazer um parecer sobre a transformação da Educação na formação da República? Essas anotações serão importantes para que perceba seu desenvolvimento. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE AO QUE DEFENDIA RUI BARBOSA NOS ANOS FINAIS DO IMPÉRIO: A) Ensino religioso. B) Ensino primário facultativo. C) Criação da Lei Orgânica do Ensino Superior e Fundamental. D) Ensino primário obrigatório, gratuito e laico. 2. AO FINAL DA MONARQUIA E INÍCIO DA REPÚBLICA, EM UM CONTEXTO DE INTENSA EFERVESCÊNCIA SOCIAL, A EDUCAÇÃO JÁ VINHA SENDO PENSADA COMO UM IMPORTANTE INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO. UMA DAS PREOCUPAÇÕES CENTRAIS ERA GARANTIR A FORMAÇÃO DE: A) Um conjunto de Universidades brasileiras que nos marcasse como nação evoluída. B) Uma estrutura que mantivesse viva a tradições religiosas da Educação, contra a influência das tradições europeias. C) Um conjunto legislativo que transformava a Educação em um plano nacional. D) Um modelo de Educação Moral e Cívica pautado na formação do sujeito como objeto da Educação. GABARITO 1. Assinale a alternativa que corresponde ao que defendia Rui Barbosa nos anos finais do Império: A alternativa "D " está correta. Rui Barbosa, ao propor a reforma do ensino secundário e primário, acreditava que algumas mudanças estruturais na sociedade aconteceriam pela Educação. Desse modo, o progresso seria alcançado por meio do conhecimento. Ou seja, ele defendia uma Educação que fosse obrigatória, gratuita e laica. 2. Ao final da Monarquia e início da República, em um contexto de intensa efervescência social, a Educação já vinha sendo pensada como um importante instrumento de desenvolvimento. Uma das preocupações centrais era garantir a formação de: A alternativa "C " está correta. A influência da corrente positivista e o crescimento da industrialização transformava a Educação em um aspecto de evolução das nações e, por isso, a construção de um modelo que nos levasse ao progresso passou a ser defendida. MÓDULO 2 Relacionar a influência do Positivismo na sociedade brasileira e consequentemente na Educação I INTRODUÇÃO Já falamos sobre o positivismo como principal referência para a criação de um objetivo para a reforma educacional na então República. Mas como essa relação aconteceu? Rodrigo Rainha explica. Vídeo com libras. I CONCEITO DE POSITIVISMO Foto: Hulton Archive/Getty Images O positivismo foi uma corrente filosófica que surgiu na França no século XIX. Augusto Comte (1798-1857) é considerado o Pai da Sociologia por ter usado pela primeira vez o conceito de Sociologia em seu Curso de Filosofia Positiva. Elaborou de maneira muito organizada suas ideias, fundamentando sua teoria nos modelos das ciências naturais, tendo como principal objetivo encontrar as leis universais dos fenômenos sociais. Ele intitulou sua reflexão acerca da sociedade como uma Física Social. Em função da crise que vivia a França de sua época, Comte queria encontrar soluções para resolvê-la, pois eram nítidos o atraso e o impedimento do progresso por causa do caos estabelecido. Foi nesse contexto de crises e instabilidades que ele buscou responder aos problemas sociais com sua teoria positivista. De acordo com Gomide (1999), o positivismo apresenta algumas premissas fundamentais: Toda proposição científica deve ser empiricamente significante e toda premissa universal deve ter origem indutiva. A teoria tem origem em proposições certíssimas obtidas mediante indução. As leis científicas não fornecem os porquês dos fenômenos. O empirismo, a observação e a objetividade são características fundamentais do pensamento positivista. SAIBA MAIS Clique aqui e veja um exemplo. EXEMPLO Imagine que você é uma pequena peça dentro de um relógio. Existem peças grandes e importantes, como os ponteiros, mas todas estão no mesmo relógio. Como esse relógio funcionaria bem? Com cada peça fazendo perfeitamente seu trabalho; assim, você fará o processo contínuo, dia após dia, de marcar a hora com precisão. Agora, imagine que uma peça, por menor que seja, não funcione bem: ela impactaráoutra peça e depois outra, sucessivamente. O relógio pode quebrar, entrar em colapso, pois pouco a pouco todas as peças terão deixado de fazer seu papel. Para que o relógio funcione direito, o que todas devem fazer? Cada peça deve exercer seu papel. Mas se você é um parafuso pequeno e resolver ser um ponteiro, vai funcionar? Para o positivismo, isso atrapalharia duas vezes, uma por não fazer o seu papel e outra por impedir quem deve ser o ponteiro. javascript:void(0) A sociedade busca esse positivismo, esse equilíbrio de perfeição. Mas o relógio, com muitas peças, precisa de um trabalho efetivo, um esforço para que todos façam tudo bem. Os ponteiros – os intelectuais – defendem que os menos favorecidos sejam capacitados para atender e cumprir plenamente o seu papel. Compreendia-se que o positivismo era o canal para a reforma intelectual do Homem. Para que essa reorganização acontecesse, as ideias positivistas estavam assentadas na noção de que somente pela ordem e pelo progresso seria possível alcançar uma sociedade estruturada, que pudesse ecoar e aperfeiçoar todas as estruturas permanentes: religião, família, propriedade, linguagem, acordo entre poder espiritual e temporal etc. Foto: Isogood_patrick / Shutterstock.com I CAMINHOS PARA O PROGRESSO SOCIAL Augusto Comte apostava no conhecimento científico como o único saber verdadeiro. Na concepção dele, o positivismo seria a possibilidade de pensar os problemas sociais pelos critérios e parâmetros das ciências naturais. Dessa forma, seria plenamente possível organizar a sociedade nas suas variadas dimensões, pois o positivismo respondia às questões sociais com um caráter de exatidão, oposto à visão de mundo da Teologia e da Metafísica. Por isso, a importância da Física Social, que explica os fatos pela lógica do conhecimento único e verdadeiro que vem da experiência, não do idealismo. Para Comte, não se tratava de negar o estado Teológico e o Metafísico. Ambos eram importantes e necessários, mas deveriam ser utilizados nas interpretações dos fatos com os quais tinham ligação direta; por exemplo, a relação do homem com a transcendência e com o universo cultural. O positivismo no Brasil constituiu a base de nosso modelo pedagógico nacional. Seu grau de utilitarismo e pragmatismo, sua presença em jornais, nos meios de comunicação, como o rádio, transformaram a percepção de Educação no Brasil. Foto: Shutterstock.com I POSITIVISMO NO BRASIL Precisamos voltar no tempo para que seja compreensível. O Brasil da transição, que abordamos no primeiro módulo, tinha o positivismo como um modelo ideal. Nossas principais linhas reformistas republicanas pensavam na criação de um modelo de educação que permitisse o desenvolvimento nacional. O que passamos a perceber ao longo das décadas seguintes foi a implementação desse modelo. Agora que você já está mais familiarizado com as ideias positivistas, vamos entender um pouco sobre sua recepção no contexto brasileiro. O positivismo floresceu no Brasil de modo muito acentuado durante a transição do fim do Império e o começo da República. Em um contexto marcado por muitas mudanças políticas e sociais, os republicanos assumiram o positivismo como o ideal para a República que nascia. Segundo essa lógica, tornava-se cada vez mais urgente modernizar o Brasil e acelerar o progresso. Em 1891, foi promulgada a primeira Constituição da República, inspirada na Carta Constitucional dos Estados Unidos e sob forte inspiração positivista. O divulgador do positivismo no Brasil foi o militar e político brasileiro, Benjamin Constant (1836- 1891). Ele criou, junto com outros adeptos, em 1876, a Fundação da Sociedade Positivista do Brasil. Um deles foi Teixeira Mendes (1855-1927), que era o presidente da Associação Positivista chamada Apostolado Positivista do Brasil. Por que Apostolado? Porque o positivismo ganhou o status de uma “nova religião” e tinha seguidores. Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. SAIBA MAIS Além de Benjamin Constant e Teixeira Mendes, também foram responsáveis pela idealização da Bandeira Nacional dois catedráticos: Miguel de Lemos (filósofo) e Manuel Pereira Reis (astrônomo). I A INFLUÊNCIA DO POSITIVISMO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Vimos como o positivismo esteve no horizonte dos republicanos na promulgação da nova Constituição e na criação de uma nova bandeira para o Brasil. As ideias positivistas precisavam estruturar a sociedade brasileira em todos os seus aspectos: culturais, sociais, econômicos e políticos. Multiplicaram-se pelo país as escolas privadas elementares e profissionais, a maior parte de ensino secundário. Também surgiram muitas instituições beneficentes oferecendo ensino primário e secundário. Nos anos iniciais da Primeira República, tivemos a ocorrência de uma série de reformas de clara inspiração positivista. REFORMA BENJAMIN CONSTANT (1890) Adotou uma série de reformas junto ao Ministério dos Negócios da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. Exemplos: Defesa do ensino laico e gratuidade na escola primária; Inclusão de disciplinas científicas nos currículos escolares; Reorganização da Biblioteca Nacional; Escola secundária com duração de sete anos. Segundo Cartolano (1994), Benjamin Constant acreditava que só pela educação um povo poderia construir sua cidadania. CÓDIGO EPITÁCIO PESSOA (1901) Ministro do Interior no governo Campos Sales, Epitácio Pessoa reduziu para seis anos o curso secundário, ao contrário da Reforma Benjamin Constant. Além disso, permitiu o acesso feminino aos cursos secundários e superiores. REFORMA RIVADÁVIA (1911) De forte orientação positivista, o Marechal Hermes da Fonseca promulgou o Decreto 8.659, chamado de Lei Orgânica do Ensino Superior e Fundamental, elaborado por Rivadávia da Cunha Corrêa. O ensino passava a ter frequência não obrigatória, os diplomas foram abolidos e foram criados exames de admissões nas faculdades. I MUDANÇA NOS DEBATES 1920-1930 Foto: Shutterstock.com Chegaram ao Brasil novas ideias pedagógicas e se formou um novo corpo de sujeitos: especialistas em Educação, que passaram a questionar os modelos que estavam sendo estabelecidos, escolas que eles chamavam de tradicionais, centradas na atuação do professor e na repetição. Os especialistas tinham a ideia de que o Brasil, uma vez mais, estava atrasado e essa crítica não ficava só no campo da Educação. O novo movimento foi chamado Pedagogia Liberal. PEDAGOGIA LIBERAL Nesse modelo, o papel da Educação é preparar o sujeito, dar-lhe condições para que possa valer-se de sua condição como sujeito e, dessa forma, fazer escolhas que permitam o avanço social. Esse modelo é notório em sociedades industriais em que novas aptidões e sentidos passam a ser percebidos para a formação do sujeito. javascript:void(0); javascript:void(0) O ideal liberal econômico apontava também para outros segmentos. Façamos uma breve viagem para acompanharmos essas mudanças: Foto: © General Motors / licença (CC BY-NC 3.0). 01 Washington Luiz brigava para que o Brasil ampliasse suas estradas e transformasse o carro em um meio mais presente em nossas cidades e, principalmente, para que o Brasil pudesse ser produtor desses novos bens que representavam o futuro e as novas dinâmicas sociais. WASHINGTON LUIZ Washington Luís Pereira de Sousa GCC foi advogado, historiador e político brasileiro, décimo primeiro presidente do estado de São Paulo, décimo terceiro presidente do Brasil e último presidente efetivo da República Velha. javascript:void(0) Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. 02 O ícone máximo dessa noção de progresso econômico é o desenvolvimento dos aviões. Grupos de aeronautas iniciavam formas de integrar o Brasil, inclusive com a criação de um correio aéreo. Foto: Luiz Thomas Reis/Acervo Museu do Índio 03 Novas fronteiras sociais e educacionais foram abertas a partir dos esforços liderados pelo marechal Cândido Rondon e o Brasilse redescobriu como espaço e país. CÂNDIDO RONDON O marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, conhecido como Marechal Rondon, foi um engenheiro militar e sertanista brasileiro. Foto: Arquivo / Agência O Globo 04 Roquette-Pinto transmitia sons vindo da Amazônia e as informações chegavam em todas as casas pelas ondas do rádio. javascript:void(0) javascript:void(0) ROQUETTE-PINTO Edgard Roquette-Pinto foi um médico legista, professor, escritor, antropólogo, etnólogo e ensaísta brasileiro. Membro da Academia Brasileira de Letras, é considerado o pai da radiodifusão no Brasil. Foto: Arquivo / Acervo O Globo 05 O exercício físico passou a ser exaltado como uma forma de saúde e educação. Foto: Theodor Preising / Divulgação. 06 O ritmo do Brasil mudava e as cidades viviam um novo momento. Foto: Arquivo MIS/São Paulo. 07 Um dos ícones de crítica ao Brasil tradicional foi a Semana de Arte Moderna (1922), em São Paulo. Na coleção de poemas Pauliceia Desvairada, Mário de Andrade cobrava o redescobrimento do Brasil. A Educação estava a reboque dessa crítica, afinal, estudava-se latim, cultura europeia, mas o Brasil não conhecia o Brasil. Nossa poesia tinha linhas parnasianas, mas não tinha nossas curvas de entendimento social. SEMANA DE ARTE MODERNA (1922) A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal da cidade. Foi um movimento que promoveu o encontro de artistas diversos. Em um país com novas exigências, os momentos de mudança são marcantes. Um novo golpe terminou com a Primeira República: na tentativa de Washington Luiz em eleger o também paulista Júlio Prestes, as potências Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba se uniram para tentar vencê-lo. Foram derrotados, mas o assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba, ainda que por motivos familiares, foi o argumento para a articulação que terminou com a impressionante imagem de Getúlio Vargas chegando com sua tropa de cavalos e apeando no obelisco da avenida Rio Branco, no centro da capital brasileira. Esse momento foi chamado (por uma historiografia pró-Vargas) como Revolução. E, dessa forma, o governo de Vargas foi iniciado. javascript:void(0) Foto: CPDOC/CDA Oswaldo Aranha. Foto: Claro Jansson/Wikimedia Commons/Domínio Público. SAIBA MAIS As mudanças vividas impactaram o Brasil e o documento educacional mais famoso dessa época é um manifesto de educadores brasileiros defendendo uma intensa reforma de nossa educação. Ficou conhecido como Manifesto dos Pioneiros. Já leu? Falaremos mais dele no próximo módulo. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. OS REPUBLICANOS ASSUMIRAM ESSA CORRENTE COMO O IDEAL PARA A REPÚBLICA QUE NASCIA E JURARAM QUE O BEM COMUM SERIA O SEU FUNDAMENTO. ERA PRECISO ACELERAR O PROGRESSO QUE FORA ATRASADO PELO IMPÉRIO. A ESCOLHA DESSA CORRENTE INFLUENCIOU TODA A VIDA SOCIAL E CONSEQUENTEMENTE A EDUCAÇÃO, INCLUSIVE O LEMA DA BANDEIRA NACIONAL. DE QUAL CORRENTE SE TRATA? A) Positivista. B) Progressista. C) Liberal. D) Monarquista. 2. AS IDEIAS POSITIVISTAS TIVERAM GRANDE INFLUÊNCIA NÃO APENAS NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E NA IDEALIZAÇÃO DE UMA NOVA BANDEIRA PARA O BRASIL, MAS TAMBÉM ENTRE AQUELES QUE PENSAVAM A EDUCAÇÃO NAQUELE MOMENTO. ASSINALE QUAL REFORMA NÃO SOFREU INSPIRAÇÃO POSITIVISTA. A) Reforma Epitácio Pessoa. B) Reforma Rivadávia Correia. C) Reforma Anísio Teixeira. D) Reforma Benjamin Constant. GABARITO 1. Os Republicanos assumiram essa corrente como o ideal para a República que nascia e juraram que o bem comum seria o seu fundamento. Era preciso acelerar o progresso que fora atrasado pelo Império. A escolha dessa corrente influenciou toda a vida social e consequentemente a Educação, inclusive o lema da Bandeira Nacional. De qual corrente se trata? A alternativa "A " está correta. Positivismo é uma corrente de pensamento filosófico, sociológico e político que surgiu em meados do século XIX na França. A principal ideia do positivismo, fundamentado nas ciências naturais, era a de que o conhecimento científico devia ser reconhecido como o único conhecimento verdadeiro. Auguste Comte foi o criador e em sua frase original, dizia: “amor como princípio, ordem como base, progresso como objetivo”. 2. As ideias positivistas tiveram grande influência não apenas na proclamação da República e na idealização de uma nova bandeira para o Brasil, mas também entre aqueles que pensavam a Educação naquele momento. Assinale qual reforma não sofreu inspiração positivista. A alternativa "C " está correta. O Brasil tem uma série de políticos e educadores que propuseram reformas fundamentais. Epitácio Pessoa e Rivadávia Correia foram positivistas tardios, mas que mantiveram a fundamentação estrutural do movimento em nossa educação durante todo período da Primeira República. Benjamin Constant é um dos mais famosos positivistas e organizadores da fundamentação de uma educação positivista. Anísio Teixeira é contemporâneo deles, no entanto, era um crítico influenciado por teóricos de outra linha, que defendiam um rompimento com o ordenamento positivista e a transformação da escola em um espaço de construção. No entanto, ele foi importante na educação pós 1930, quando participou do movimento dos pioneiros e do governo de São Paulo. MÓDULO 3 Analisar as várias reformas educacionais ocorridas no período do Brasil República até a década de 1960 I INTRODUÇÃO Você sabia que o período conhecido como Brasil República é consideravelmente extenso? Assista ao vídeo e conheça os detalhes. Vídeo com libras. I SÉCULO DA PEDAGOGIA O século XIX ficou conhecido como o Século da Pedagogia. Naquele momento, buscava-se cada vez mais um modelo educacional que respondesse de forma crítica às demandas da luta de classes, burguesia versus proletariado, que envolveu a sociedade desse tempo. Houve uma radicalização das ideias pedagógicas, colocando-as como centro do processo de controle social. De acordo com Cambi (1999): (...) BASTANTE RICO EM MODELOS FORMATIVOS, EM TEORIZAÇÕES PEDAGÓGICAS, EM COMPROMISSO EDUCATIVO E REFORMISMO ESCOLAR, EM VISTA JUSTAMENTE DE UM CRESCIMENTO SOCIAL A REALIZAR-SE DA MANEIRA MENOS CONFLITUOSA POSSÍVEL E DA FORMA MAIS GERAL. (CAMBI, 1999) Após a intensa transição entre os séculos XIX e XX, com a necessidade de uma Educação técnico-fabril por um lado e a Educação do cidadão iluminista por outro, sob uma economia com fundamentos cada vez mais liberais, surgiu o teor do novo processo educacional. De modo que, já no século XX, a didática, até então considerada tradicional, passou a se preocupar com o método mais adequado para a aprendizagem de um conteúdo específico ou de determinada habilidade. I IDEIAS QUE VIAJAM A RENOVAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS Você pode estar se perguntando de onde vieram e quais foram as pessoas que difundiram essas ideias no Brasil. Veja, a seguir, as teorias de cada um desses pensadores que contribuíram de alguma forma para essa renovação das práticas pedagógicas. Imagem: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. HEINRICH PESTALOZZI (1746-1827) Pioneiro da reforma educacional influenciado por Rousseau, após ler a obra “Emílio”, também se baseou no movimento naturalista. Ele foi um dos pioneiros da Pedagogia moderna, influenciando profundamente todas as correntes educacionais. Fundou escolas e cativava a todos para a causa de uma Educação capaz de atingir o povo, em um tempo em que o ensino era privilégio exclusivo de algumas classes sociais. javascript:void(0) Imagem: Popular Graphic Arts/Wikimedia Commons/Domínio Público. FRIEDRICH FRÖEBEL (1782-1852) Pedagogo alemão fundamentado nas teorias de Pestalozzi, foi o fundador do primeiro jardim de infância. A expressão Jardim da Infância teve origem em seu pensamento de que as crianças são como plantas de um jardim em que o professor é o jardineiro. Para Fröebel, a criança se expressa através das atividadesde percepção sensorial, da linguagem e das brincadeiras. A linguagem oral se associaria à natureza e à vida. Para ele, o desenvolvimento ocorre segundo as seguintes etapas: infância, meninice, puberdade, mocidade e maturidade. javascript:void(0) Foto: Engeell/Wikimedia Commons/Licença(CC BY-SA 4.0). CÉLESTIN FREINET (1896-1966) Pedagogista francês, grande referência da área, deixou como herança propostas que continuam a ter ressonância na Educação dos dias atuais. Com um tipógrafo, imprimiu textos livres e jornais da classe para seus alunos. As próprias crianças compunham seus trabalhos, discutiam e os editavam em pequenos grupos, antes de apresentar o resultado à classe. Os jornais eram trocados com os de outras escolas e os textos substituíram os livros didáticos convencionais. Sua metodologia criava desconforto e desconfiança por não estar de acordo com a política oficial de Educação francesa, o que causou sua exoneração em 1935. A partir daí, fundou com a esposa sua própria escola pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Na década de 1930, a escola de Freinet foi oficialmente aberta, e, com Romain Rolland, lançou o projeto Frente da Infância. No final da década de 1940, Freinet criou a Cooperativa do Ensino Leigo (ICEM), em Vence, que reunia mais de vinte mil pessoas. Em 1956, lançou uma campanha nacional para quantificar os alunos nas salas de aula. Sua meta era de vinte e cinco alunos em cada classe no máximo. Em 1957, a Federação javascript:void(0) Internacional dos Movimentos da Escola Moderna (FIMEM) foi fundada pelos seus seguidores, que reúne educadores de todo o mundo. Imagem: Emilio J. Rodríguez Posada/Wikimedia Commons/Domínio Público. ANTONIO GRAMSCI (1891-1937) Filósofo, jornalista, crítico literário e político italiano. Membro-fundador e secretário-geral do Partido Comunista da Itália, Gramsci é reconhecido pela teoria da necessidade de educar os trabalhadores e de formar intelectuais provenientes da classe trabalhadora, que ele denomina intelectuais orgânicos. De acordo com Gramsci, todo homem é um intelectual, pois todos nascem com faculdades intelectuais e racionais, mas nem todos têm a função social de intelectuais. Os conceitos relacionados à Pedagogia crítica e à instrução popular foram utilizados mais tarde por Paulo Freire no Brasil. Gramsci acreditava que a tomada do poder seria precedida por uma mudança de mentalidade. Os principais agentes das mudanças, de acordo com Gramsci eram os intelectuais e o principal modo de conquista da cidadania seria a escola. javascript:void(0) Imagem: Goetheanum, archívum/Wikimedia Commons/Domínio Público. RUDOLF STEINER (1861-1925) Filósofo, educador, artista e esoterista. Fundador da antroposofia, da agricultura biodinâmica e da medicina antroposófica. Também se tornou profundo conhecedor da obra de Goethe, escrevendo muitas obras sobre ele e dedicando-se à explicação de seu pensamento. javascript:void(0) Imagem: Dmitry Makeev/Wikimedia Commons/Domínio Público. ANTON MAKARENKO (1888-1939) Pedagogista ucraniano que se especializou no trabalho com menores abandonados, especialmente os que viviam nas ruas e estavam associados ao crime. Demonstrou grande habilidade junto às questões educacionais, colocou em prática uma maneira revolucionária e eficaz de educar. De acordo com sua Pedagogia, o jovem deveria ser educado em uma escola baseada na vida em grupo, no autocontrole, no trabalho, e na disciplina. Concebeu um modelo de escola baseado na vida em grupo, na autogestão, no trabalho e na disciplina que contribuiu para a recuperação de jovens infratores. javascript:void(0) Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. MARIA MONTESSORI (1870-1952) Educadora, médica e pedagoga italiana. Seu trabalho destaca a importância da liberdade, da atividade e do estímulo para o desenvolvimento físico e mental das crianças. Para ela, liberdade e disciplina se equilibravam, não sendo possível conquistar uma sem a outra. Adaptou o princípio da autoeducação, que consiste na interferência mínima dos professores, já que a aprendizagem tem como base o espaço escolar e o material didático. Seu método é caracterizado pela ênfase na autonomia, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. A criança é o centro do método montessoriano e o professor tem o papel de acompanhador do processo de aprendizado. Ele guia, aconselha, mas não dita, nem impõe o que vai ser aprendido pela criança. O material criado por Montessori tem papel preponderante no seu trabalho educativo, partindo do concreto (o material didático) para o pensamento abstrato. javascript:void(0) Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. LEV VYGOTSKY (1896-1934) Psicólogo, Vygotsky foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. Um de seus conceitos mais importantes é o da Zona de Desenvolvimento Proximal, que corresponde à diferença entre o que a criança consegue realizar sozinha (Zona de Desenvolvimento Real) e aquilo que é capaz de aprender e fazer com a ajuda de uma pessoa mais experiente (Zona de Desenvolvimento Potencial), como um adulto, uma criança mais velha ou com maior facilidade de aprendizado. Em outras palavras, a Zona de Desenvolvimento Proximal é tudo o que a criança pode adquirir em termos intelectuais quando lhe é dado o suporte educacional devido. javascript:void(0) Foto: Didius/Wikimedia Commons/Licença(CC BY 2.5). CARL ROGERS (1902-1987) Psicólogo americano, que desenvolveu a abordagem centrada na pessoa. A proposta defendida pela Psicologia Humanista de Rogers não considera o ensino um processo de transmissão de conteúdos prontos, nem mesmo um processo de direção da aprendizagem. Essa teoria compreende o ensino como facilitação da aprendizagem, cabendo ao professor a função de estimular o aprendizado. javascript:void(0) Foto: Silly rabbit/Wikimedia Commons/Licença(CC BY 3.0). SKINNER (1904-1990) Psicólogo norte-americano que conduziu trabalhos pioneiros em Psicologia experimental e foi o propositor do behaviorismo radical. Skinner é a expressão mais célebre do behaviorismo, corrente que dominou o pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos 1950. Skinner adotava práticas experimentais derivadas da Física e de outras ciências. Outros importantes estudos do autor referem-se ao comportamento verbal humano e à aprendizagem. Nenhum pensador ou cientista do século XX levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como Skinner. I DESENVOLVIMENTO Você percebeu que até aqui, nós já elencamos uma série de propostas e novas ideias pedagógicas que tiveram influência no modo como a Educação passou a ser estruturada no século XX. O exercício daqui por diante é conhecer as reformas, decretos e leis que tivemos javascript:void(0) durante o período republicano e pensar como que essas novas práticas pedagógicas influenciaram a Educação brasileira. A DÉCADA DAS REFORMAS EDUCACIONAIS (1920) A década de 1920 ficou conhecida, no campo educacional, como a década das reformas educacionais. Naquele momento, ocorreram intensos debates envolvendo diferentes propostas para pensar a Educação e a organização do sistema escolar. Uma dessas propostas trazia consigo os ideais da chamada Escola Nova. Em uma conjuntura marcada por importantes transformações econômicas, políticas e sociais, os defensores do escolanovismo defendiam a urgência na renovação das práticas de ensino. Para eles, a Educação tradicional não estimulava os alunos a pensarem por conta própria. No decorrer dos anos 1920, alguns estados brasileiros realizaram algumas reformas educacionais do ensino primário, através dos seguintes pressupostos: ESCOLANOVISTAS Os escolanovistas enxergavam os alunos como sujeitos ativos no processode aprendizagem. Ao professor, cabia valorizar esses sujeitos em todas suas potencialidades, despertando curiosidade e interesses. Outra bandeira muito importante levantada pelos defensores da Escola Nova era a defesa de uma escola pública, laica, universal e gratuita. Acreditava-se que apenas dessa forma seria possível viver em uma sociedade mais justa e igualitária: Educação para todos e não apenas para a elite. Extensão do ensino Articulação entre os diferentes níveis da escolarização javascript:void(0) Adaptação ao meio social Adaptação às ideias modernas de Educação SAIBA MAIS Nesse período, muitos intelectuais tentaram colocar em prática os ideais escolanovistas, por meio de uma série de reformas do ensino primário que foram feitas no âmbito estadual. Em um intervalo de oito anos (1920 – 1928), destacaram-se alguns educadores em vários estados da federação: clicando aqui. 1920: Sampaio Dória, diretor-geral da Instrução Pública de São Paulo, realiza a primeira reforma educacional no Estado de São Paulo; 1923: Lourenço Filho, no Ceará; 1925: Anísio Teixeira, na Bahia; 1927: Francisco Campos e Mário Casassanta, em Minas Gerais; 1928: Fernando Azevedo, no então Distrito Federal; javascript:void(0) 1929: Carneiro Leão, em Pernambuco; 1930: Lourenço Filho, em São Paulo. ERA VARGAS (1930-1945) Imagem: Shutterstock.com O ano de 1930 é considerado o marco final da República Velha e o início da chamada Era Vargas. Alguns fatores ocasionaram o colapso da Primeira República como a insatisfação de muitos setores sociais que contestavam cada vez mais o Estado oligárquico, além da crise da economia cafeeira com o fim dos investimentos estrangeiros. A crise dos anos vinte conduziu o país à denominada Revolução de 1930 e levou Getúlio Vargas ao comando da nação. Em termos educacionais, apesar das tentativas de reforma nos anos 1920, ao final da Primeira República pouca coisa havia realmente mudado. Nosso país continuava sem um sistema de ensino coerente e eficiente. Além disso, o analfabetismo entre jovens e adultos, um problema de âmbito nacional, não foi resolvido com as reformas. As camadas mais pobres da população permaneciam fora das salas de aula e apartadas do acesso ao conhecimento. javascript:void(0) Mesmo com um cenário político conturbado, alguns nomes de projeção na Educação (desde os anos 1920) ocuparam posições de destaque no campo educacional. Vários reformadores dessa década foram convidados a ocupar cargos de relevância no interior do novo governo. Assim, pela primeira vez em nossa história da Educação, teve início um movimento em direção à criação de um sistema organizado de ensino. ANALFABETISMO ENTRE JOVENS E ADULTOS ESCOLANOVISTAS O Brasil hoje, com todos os esforços decorrentes, ainda tem números alarmantes de analfabetos, cerca de 10 milhões, além de números incertos de analfabetos funcionais. Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Licença(CC BY-SA 4.0). De modo geral, a Revolução de 1930 no campo educacional foi produtiva: ainda naquele ano, foi criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, coordenado por Francisco Campos. A atuação de Francisco Campos se deu no sentido de estabelecer um sistema nacional de Educação. O novo ministro visava estruturar o ensino secundário e o ensino superior. Esses decretos ficaram conhecidos como Reforma Francisco Campos. javascript:void(0) ESSES DECRETOS Decreto no 19.850, de 11 de abril de 1931: criação do Conselho Nacional de Educação; Decreto no 19.851, de 11 de abril de 1931: implementação do Estatuto das Universidades Brasileiras; Nem todas essas reformas educacionais foram plenamente aceitas por todos os setores da sociedade. A situação política conturbada e a noção de que o governo não estava totalmente comprometido com a renovação do sistema educacional pressionava os defensores da Pedagogia da Escola Nova. Em 1932, um grupo de 26 educadores apresentou ao governo um documento que ficou conhecido posteriormente como o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, escrito por Fernando de Azevedo. O documento apresentava várias propostas e defendia algumas posições que, a partir de então, foram colocadas em prática ou foram combatidas por grupos que não aceitavam as mudanças advindas pela Educação. Foto: Arquivo Lourenço Filho CPDOC/FGV. javascript:void(0) MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA Compreendida como canal da democracia; Um instrumento de integração social; Pública, obrigatória e laica; Um vínculo de comunicação com as comunidades onde está inserida; Articular os vários graus do desenvolvimento humano; Funcional e ativa. ENSINO SECUNDÁRIO: Decretos no 19.890, de 18 de abril de 1931 e no 21.241, de 4 de abril de 1932: discorrem sobre a organização do ensino secundário. Esses decretos determinavam, entre outras, coisas o estabelecimento do currículo seriado e frequência obrigatória. Enquanto os defensores do escolanovismo acreditavam que a Educação funcionava como um instrumento de emancipação dos indivíduos, a arena pública via crescer com força e intensidade a defesa do ensino religioso, sob forte influência da ideologia católica. Foto: Shutterstock.com NESSE CONFLITO DE IDEIAS, CADA GRUPO APRESENTAVA CONCEITOS E PROPOSTAS PARA A EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Nesse contexto de disputa de narrativas e projetos distintos, foi promulgada uma nova Constituição para o país: a Constituição de 1934. QUAL O PAPEL DA CONSTITUIÇÃO DE 1934 NESSE CONTEXTO DE DISCUSSÃO E ESTABELECIMENTO DE DIRETRIZES E PROPOSTAS PARA A EDUCAÇÃO? A Constituição de 1934 foi a primeira Carta Magna brasileira a incluir em seu texto um capítulo inteiro sobre a Educação. Pela primeira vez, foram apontadas questões importantes em relação ao ensino no Brasil, como o acesso ao ensino primário. Clique aqui e leia os artigos 148 e 149. Como é possível perceber, os anseios dos pioneiros foram atendidos, ainda que não em sua totalidade. Mesmo assim, a nova Carta Constitucional trouxe muitos avanços na Educação brasileira. Art. 148: Cabe à União, aos Estados e aos Municípios favorecer e animar o desenvolvimento das ciências, das artes, das letras e da cultura em geral, proteger os objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico do País, bem como prestar assistência ao trabalhador intelectual. javascript:void(0) Art. 149: A educação é direito de todos e deve ser ministrada, pela família e pelos Poderes Públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros domiciliados no País, de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana. ESTADO NOVO (1937-1945) Imagem: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. Apenas quatro anos depois da Constituição de 1934, instaurou-se o período que ficou conhecido como Estado Novo. Com a promulgação de uma nova Constituição de caráter claramente autoritário, em 1937, Getúlio iniciava a fase ditatorial da Era Vargas. Os oito anos que duraram o Estado Novo foram de intensa repressão política a todos aqueles que faziam oposição ao governo. No campo educacional, permaneceram intactos a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário. Por outro lado, tornou obrigatória a disciplina Educação Moral e Cívica nas escolas. Acompanhando as mudanças na sociedade e o aprofundamento do processo de industrialização, ficava cada vez mais evidente a carência de mão de obra profissional. Assim, javascript:void(0) outra mudança trazida na Constituição de 1937 foi a introdução do ensino profissionalizante. Nos primeiros anos do Estado Novo, em um contexto de ascensão de forças conservadoras, os ideais dos intelectuais da Escola Nova caíram em certo descrédito. A instituição do ensino profissional, voltado sobretudo para as classes menos favorecidas, marcou claramente essa mentalidade. Extinção da Justiça Eleitoral e dos partidos políticos; Instituição da censura aos meiosde comunicação; Fim do direito de greve; Fim do poder legislativo. No começo da década de 1940, ocorreram algumas iniciativas de reforma da Educação, mais voltadas para o ensino primário e secundário, mas ainda articuladas ao projeto político autoritário de Vargas. No ano de 1942, Gustavo Capanema, Ministro da Saúde e Educação, empreendeu algumas mudanças sob o nome de Leis Orgânicas do Ensino. Popularmente conhecidas como Reforma Capanema, essas reformas tinham um viés claramente nacionalista e moralizante. javascript:void(0) Foto: Autor Desconhecido/Wikimedia Commons/Domínio Público. REFORMA CAPANEMA A Reforma Capanema trouxe consigo a instauração de alguns decretos-leis, como: Decreto-lei no 4.048, de 22 de janeiro, criou do Serviço Nacional de Aprendizagem - SENAI; Decreto-lei no 4.073, de 30 de janeiro de 1942: organizou o ensino industrial; Decreto-lei no 4.244, de 9 de abril de 1942: divisão do ensino secundário em dois ciclos: ginásio (4 anos) e colegial (3 anos); Decreto-lei no 6.141, de 28 de dezembro de 1943: reformulação do ensino comercial. NOVA REPÚBLICA (1946-1963) Com o final do Estado Novo, mais uma vez tivemos a promulgação de uma nova Constituição, dessa vez com um viés liberal e democrática. Observe o fato de que em 12 anos (1934-1946), o Brasil teve três constituições diferentes (a de 1934, a de 1937 e a de 1946). Em 1945, quando Getúlio Vargas foi derrubado do poder, o Brasil voltou, finalmente, a respirar ares democráticos. Por isso, a expressão Nova República. Diante de tanta informação e tantas reformas diferentes, você pode estar se perguntando sobre o que acontece agora. Avanços ou retrocessos? Felizmente, o período conhecido como Nova República ficou conhecido por importantes transformações no âmbito educacional. Não é possível esquecer que o rápido crescimento demográfico e o acelerado processo de industrialização impulsionaram as demandas por Educação. Na Constituição de 1946, a Educação aparece novamente como “ um direito de todos”, inspirada nos princípios defendidos pelos escolanovistas. CONSTITUIÇÃO DE 1946 A Constituição de 1946 estabeleceu que: Anualmente, a União deveria aplicar nunca menos de dez por cento, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, nunca menos de vinte por cento da renda resultante dos impostos, na manutenção e desenvolvimento do ensino; Fixação da necessidade de elaboração de novas leis e diretrizes para o ensino. javascript:void(0) SAIBA MAIS Ainda em 1946, o ensino primário passou por uma reestruturação através da chamada Lei Orgânica do Ensino Primário, instituída a partir desses decretos-leis. LEI ORGÂNICA DO ENSINO PRIMÁRIO Decreto-lei no 8.529, de 2 de janeiro de 1946: organização do ensino primário nacionalmente; Decreto-lei no 8.530, de 2 de janeiro de 1946: organização do ensino normal; Decreto-lei no 8.621 e 8.622, de 10 de janeiro de 1946: criação do SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio. Naquele contexto, tivemos ainda outro debate muito importante envolvendo o setor educacional: o Ministro da Educação, Clemente Mariani, criou uma comissão de educadores javascript:void(0) com o objetivo de pensar uma reforma geral para a Educação. Assim, em 1948, a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional começou a ser discutida e pensada. DURANTE 13 ANOS, TRAVOU-SE INTENSO DEBATE, NO ÂMBITO DO ESTADO E DA SOCIEDADE CIVIL, ENTRE OS QUE DEFENDIAM A PRIORIDADE DA ESCOLA PÚBLICA E OS PARTIDÁRIOS DA LIBERDADE DE ENSINO. PARA OS PRIMEIROS, OS RECURSOS DO ESTADO DEVERIAM SER EMPREGADOS NA MANUTENÇÃO E NA EXPANSÃO DAS ESCOLAS OFICIAIS, QUE DEVERIAM MINISTRAR UM ENSINO OBRIGATÓRIO, GRATUITO E LAICO. PARA OS OUTROS, ESSES RECURSOS DEVERIAM SER TRANSFERIDOS ÀS INSTITUIÇÕES PARTICULARES, QUE MINISTRARIAM O ENSINO CONFORME AS ORIENTAÇÕES IDEOLÓGICAS DAS FAMÍLIAS, CABENDO AO ESTADO APENAS OCUPAR O ESPAÇO NÃO PREENCHIDO PELA INICIATIVA PRIVADA. (LEI Nº 4.024, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1961) Imagem: Shutterstock.com Após intensos debates envolvendo entidades estudantis, sindicatos e organizações religiosas, o projeto da LDB finalmente virou a Lei no 4.024, no ano de 1961, já no governo de João Goulart. A seguir alguns pontos contemplados na LDB: 1 Obrigatoriedade de matrícula nos quatros anos do ensino primário. 2 Ensino religioso facultativo. 3 Ano letivo de 180 dias. 4 Concede mais autonomia aos órgãos estaduais, através da diminuição da centralização do poder no MEC. 5 Formação do professor para o ensino médio nos cursos de nível superior. A EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA LIBERTADORA (1960) No início da década de 1960, não foram apenas os debates envolvendo o Projeto de Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional que marcaram o cenário brasileiro. O professor Paulo Freire (foto) passou a ser conhecido por ter conseguido alfabetizar, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, 300 cortadores de cana em apenas 45 dias. Foto: Slobodan Dimitrov/Wikimedia Commons/Licença(CC BY-SA 3.0). O chamado método Paulo Freire ficou conhecido porque rejeitava as formas tradicionais de alfabetização que usavam cartilha. Para Freire, essas cartilhas levavam o aluno a aprender pelo método da repetição. Ao contrário disso, Freire acreditava que o aprendizado deveria vir como parte integrante da realidade e experiência das pessoas. No vídeo, Rodrigo Rainha contextualiza os acontecimentos que levaram o país do momento de criação da Lei de Diretrizes e Bases, em 1961, ao Golpe Civil-militar, em 1964. Vídeo com libras. Ou seja, ele partia do universo familiar dos indivíduos para formar palavras e articular sílabas. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. NA DÉCADA DE 1920, UM MOVIMENTO CONHECIDO COMO ESCOLA NOVA EXERCEU GRANDE INFLUÊNCIA ENTRE UMA PARCELA DE INTELECTUAIS NO BRASIL. IDENTIFIQUE NAS ALTERNATIVAS ABAIXO, AQUELA QUE NÃO CORRESPONDE AOS IDEAIS DEFENDIDOS PELOS ESCOLANOVISTAS: A) Renovação do ensino com uma Educação baseada no estímulo do desenvolvimento das potencialidades dos alunos. B) Defesa de uma Educação pública, laica e gratuita. C) A Educação era entendida como um direito reservado a apenas uma pequena parcela da elite. D) A escola era entendida como um espaço onde os sujeitos poderiam se expressar. 2. COM A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, O BRASIL ADOTOU O FEDERALISMO, E O PODER, ATÉ ENTÃO CENTRALIZADO NO IMPERADOR, FOI DIVIDIDO ENTRE O PRESIDENTE E OS GOVERNOS ESTADUAIS. ESSAS TRANSFORMAÇÕES TIVERAM ECOS NA EDUCAÇÃO. A IDEIA DO ENSINO COMO DIREITO PÚBLICO SE FORTALECEU E SURGIRAM MODELOS QUE SE PERPETUARAM. QUAL DAS REALIZAÇÕES NÃO CORRESPONDE A UM FATO DO PERÍODO REPUBLICANO? A) Promulgação da Constituição de 1891 que determinou a descentralização do ensino. B) Criação da Associação Brasileira de Educação (ABE). C) Promulgação da Primeira LDB em 1961. D) Criação da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro em 1810. GABARITO 1. Na década de 1920, um movimento conhecido como Escola Nova exerceu grande influência entre uma parcela de intelectuais no Brasil. Identifique nas alternativas abaixo, aquela que não corresponde aos ideais defendidos pelos escolanovistas: A alternativa "C " está correta. Os defensores da Escola Nova, nos anos 1920 e 1930, em um contexto de publicação do Manifesto dos Pioneiros sempre defenderam uma Educação que alcançasse todas as classes sociais. Eles acreditavam que a Educação funcionaria como um importante instrumento de emancipação dos indivíduos, portanto, ela teria que ser para todos. 2. Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o Federalismo, e o poder, até então centralizado no imperador, foi dividido entre o presidente e os governos estaduais. Essas transformações tiveram ecos na Educação. A ideia do ensino como direito público se fortaleceu e surgiram modelos que se perpetuaram. Qual das realizações não corresponde a um fato do período republicano? A alternativa "D " está correta. A Biblioteca Nacional foi fundada no período Imperial com um acervo de 60mil livros doados por Dom Pedro II. É considerada, pela UNESCO, uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo. Também a maior biblioteca da América Latina. CONCLUSÃO I CONSIDERAÇÕES FINAIS Este tema fez um passeio sobre as principais linhas educacionais que formaram o Brasil entre o fim do Império até as vésperas do Golpe Civil-militar de 1964. Podemos perceber que este período é marcado por duas grandes tendências pedagógicas: as linhas oriundas do positivismo e as caraterísticas marcantes do tecnicismo. Enquanto até 1930 (período denominado República Velha) a tradição positivista ajudou a organizar as bases da educação brasileira, a partir da chamada Era Vargas (1930-1945) e até 1964, temos a consolidação de um sistema educacional organizado através de Manifestos, Leis e, inclusive, a LDB (Diretrizes de Base da Educação, de 1961) que marcaram profundamente a tradição escolar brasileira e que, de algum modo, permanecem ainda hoje em nosso ideário educacional. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS ARANHA, M. L. A. História da Educação. São Paulo: Moderna, 2002. BITTENCOURT, Raul. A Educação brasileira no Império e na República. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, MES/INEP.1953. BOMENY, H. Novos talentos, vícios antigos: os renovadores e a política. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v.6, n.11, p. 24-39. 1993. CAMBI. Franco. História da Pedagogia. São Paulo: Editora da UNESP, 1999. CARTOLANO, Maria Teresa Penteado. Benjamin Constant e a Instrução Pública no Início da República. Campinas: UNICAMP,1994. COMTE, Augusto. Discurso sobre o espírito positivo. São Paulo: Abril Cultural, 1978. CONFERÊNCIAS POPULARES. N. 1, janeiro de 1876. Rio de Janeiro: Tipografia de J. Villeneuve, 1876. CURY, C. R. J. Ideologia e Educação Brasileira: Católicos x Liberais. São Paulo, Cortez Editora & Autores Associados, 1986 FELIZARDO, Joaquim J. História Nova da República Velha. Do Manifesto de 1870 à Revolução de 1930. Petrópolis: Editora Vozes, 1980 GADOTTI, Moacir. Histórias das ideias pedagógicas. São Paulo: Ática, 1993. GOMIDE, F. M. Uma reflexão histórica: crítica sobre a hipótese ficção do Positivismo. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas/CNPq, 1999. INEP. Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Revista brasileira de estudos pedagógicos. v. 1, n. 1 (jul. 1944). Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, 1944. Publicação oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. LACOMBE, A. J. À sombra de Rui Barbosa. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1984. MARÇAL RIBEIRO, P. R. Educação Escolar no Brasil: Problemas, Reflexões e Propostas. Coleção Textos, Vol. 4. Araraquara: UNESP, 1990. MENEZES, J. G.; BARROS, R. S. M. e outros. Estrutura e Funcionamento da Educação Básica. São Paulo. Pioneira. 1998. PAIVA, V. P. Educação Popular e Educação de Adultos: Contribuição à História da Educação Brasileira. São Paulo, Edições Loyola, 1973. PAIVA, Vanilda. Um Século de Educação Republicana. Campinas: Revista Pro-Posições. Cortez Editora/Unicamp. Nº2/julho/1990. RIBEIRO, M. L. S. História da Educação Brasileira: A Organização Escolar. 3a. Edição. São Paulo, Editora Morais, 1981. Campinas: Autores Associados, 2003. ROMANELLI, O. História da Educação no Brasil 1930-73. Petrópolis, Vozes, 1978. UNESP. Caderno de formação: Formação de Professores Educação, Cultura e Desenvolvimento. Volume 1. São Paulo: UNESP, 2010 EXPLORE+ Quer ver um pouco mais, leia agora a visão de Rui Barbosa http://www.serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/view/97. CONTEUDISTA Pâmela de Almeida Resende CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); DESCRIÇÃO Série de mudanças que ocorreram no âmbito da Educação brasileira, dos anos 1960 até a Redemocratização, incluindo as transformações econômicas, sociais e políticas que influenciaram reformas, leis e decretos criados para embasar os projetos de governo. PROPÓSITO Compreender as diversas mudanças e os discursos que pautaram as diferentes reformas, decretos e leis para a Educação brasileira no processo de redemocratização, com a identificação das iniciativas que permanecem em nossas práticas pedagógicas e estruturas de ensino. OBJETIVOS MÓDULO 1 Identificar as reformas ocorridas na organização da Educação brasileira durante o Regime Militar MÓDULO 2 Reconhecer a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases como promotoras de avanços na Educação brasileira MÓDULO 1 Identificar as reformas ocorridas na organização da Educação brasileira durante o Regime Militar APRESENTAÇÃO Vamos nos ambientar ao tema assistindo ao vídeo a seguir? Introdução: A educação dos anos 1960 até a constituição de 1988. Vídeo com libras. EDUCAÇÃO NA DÉCADA DE 1960 Vamos entender o momento brasileiro na segunda metade da década de 1960. A segunda metade da década de 1960 foi marcada por importantes transformações políticas, econômicas e sociais. O clima político no Brasil encontrava-se absolutamente conturbado. No dia 13 de dezembro de 1968, o general Arthur da Costa e Silva baixou aquele que ficou conhecido como AI-5 ou Ato Institucional nº 5. Estudantes, professores, trabalhadores urbanos e rurais: naquele momento, centenas de pessoas encontravam-se na clandestinidade, exilados, mortos ou presos. ATO INSTITUCIONAL Nº 5 Um dos instrumentos jurídicos que caracterizam o período do governo civil-militar como uma ditadura é o uso dos Atos Institucionais. Instrumento vinculado ao presidente que estabelecida ditames a serem seguidos de imediato sem a necessidade de aprovação do legislativo ou judiciário, transformando o poder do Executivo em condição de superioridade diante dos demais poderes. O Ato Institucional número 5 é um dos mais famosos e considerado uma virada do momento político. A roupagem democrática fora mantida até o governo de Costa e Silva, porém a promulgação do AI 5 serviu para fomentar a censura, influir juridicamente, instaurar mudança em sistemas prisionais e evocar a ordem de defesa do estado como justificativa para qualquer ato. Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo javascript:void(0) javascript:void(0) GENERAL ARTHUR DA COSTA Imagem: Shutterstock.com (1899 — 1969) Militar e político brasileiro. Foi o 27º Presidente do Brasil durante o segundo período da Ditadura Militar. Imagem: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Jornal Última Hora. Ao mesmo tempo, o regime fazia questão de imprimir certa aparência de normalidade ao cotidiano das pessoas, lançando mão de recursos midiáticos de forma doutrinária, como veremos no vídeo a seguir. Propagandas ufanistas eram utilizadas como forma de educação e difusão ideológica. Vídeo com libras. No vídeo anterior, vimos o quanto as propagandas visavam a doutrinação ideológica pelo seu teor nacionalista. Quando falamos desse momento para a Educação, é importante lembrarmos que o objetivo da criação das disciplinas Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira era incutir na mentalidade dos estudantes valores como civismo e patriotismo. CIVISMO A palavra civitas vem do latim. Faz referência a cidadão. O mundo romano na Antiguidade tinha como principal característica a República construída a partir de seus cidadãos. São muitas as derivações decorrentes, mas sempre com o mesmo sentido: sujeito de direitos em uma determinada sociedade, defensor dos valores e do interesse coletivo desta sociedade. Logo, a missão de ensinar civismo visava que o sujeito aprendesse sobre os valores e passasse a lutar por eles. COMENTÁRIO Durante a Semana da Pátria (7 de setembro), era obrigatório cantar o Hino Nacional e hastear a bandeira brasileira. Em muitas escolas – públicas ou particulares –, essa prática foi incorporada sem muito questionamento. É muito comum nos depararmos, ainda hoje, com escolas que repetem esses rituais durante a Semana da Pátria ou mesmo semanalmente. ATENÇÃO Na sua escola isso acontecia? Você conseguese recordar de outros elementos punitivos, durante sua trajetória escolar, que possam ser herança de uma cultura autoritária? Você ainda entende isso como algo importante? 1964: A TAL PÁGINA INFELIZ DA NOSSA HISTÓRIA javascript:void(0) O período compreendido entre 1964 e 1985 ficou conhecido em função da interrupção do processo democrático brasileiro e pela instauração de uma ditadura que duraria longos 21 anos. Uma ditadura é geralmente caracterizada pela imposição de uma visão de mundo, muitas vezes na base da força. Por isso mesmo, aqueles anos foram marcados pela extinção dos partidos políticos, cassação de direitos, censura, perseguição de opositores políticos, mortes e desaparecimentos. Você pode estar se perguntando: como a Educação foi afetada durante a Ditadura Militar? O ambiente escolar mudou? E os educadores progressistas, eles também foram alvos de perseguições e forçados a interromper suas atividades? Repressão militar na Praça da Sé. Após o golpe de 1964, muitos educadores foram mortos, perseguidos e exilados em função de suas ideias ou posturas políticas. Uma das bandeiras levantadas pelos defensores dessa escola nova era o potencial da Educação como instrumento de emancipação dos indivíduos. Isso significa que o governo civil-militar conhecia o poder transformador da Educação e, para atender o lema de recuperar a ordem e a estabilização de seu projeto, a Educação passou a ser pauta do dia durante esse período. Imagem: shutterstock.com Professores (da esquerda para direita): Ana Rosa Kucinski, Tito Arcoverde Cavalcanti, Anísio Teixeira, Fernando Henrique Cardoso, Darcy Ribeiro, Heleneide Nazaré, Haity Moussatché, Maria Yedda Linhares, Erney Camargo, Eulália Lobo, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Rubim Aquino, Victor Nunes Leal, Walter Oswaldo Cruz, José Grabois e Paulo Freire. VOCÊ SABIA No mesmo dia em que os militares deram um golpe de Estado instaurando a Ditadura Militar (1° de abril de 1964), eles invadiram e incendiaram a sede da maior representação estudantil, União Nacional dos Estudantes (UNE). Muitos líderes estudantis foram presos naquela ocasião. Durante todo o regime militar, a UNE, mesmo atuando na ilegalidade, atuou combativamente contra o projeto de educação implementado pelos militares. O ambiente escolar tornou-se cada vez mais hostil para qualquer pessoa que contestasse a ordem vigente, seja aluno, funcionário ou professor. Naquela época, era prática comum que a direção das escolas públicas fosse indicada pelos políticos locais. Para isso, tinham por base: MÉRITO Ampliação efetivo do número de vagas e formalização de que era função do Estado garantir a Educação. PROBLEMA Promover um clima de vigilância contra algum conteúdo ou ideias consideradas subversivas para os alunos. VOCÊ CONSEGUE LEMBRAR COMO A DITADURA MILITAR ERA TRABALHADA NOS LIVROS DIDÁTICOS QUE UTILIZOU DURANTE SUA FORMAÇÃO ESCOLAR? Se você tem mais de quarenta anos, provavelmente estudou com livros que citam a “Revolução de 1964” ou “movimento de março de 1964”. Quem iniciou a formação escolar nos anos 1990 e 2000, provavelmente presenciou uma mudança de abordagem. Os livros didáticos, acompanhando, em parte, as renovações na historiografia sobre o período da Ditadura são quase unânimes em classificar o período entre 1964-1985 como uma época de interrupção da democracia, ou seja, um golpe de Estado protagonizado pelas Forças Armadas. Tente fazer esse exercício e busque em sua memória como eram os livros didáticos que você já utilizou. Busque por algum livro didático em sua casa ou na biblioteca mais próxima de você. Observe a divisão dos assuntos, veja quais temas são abordados e, sobretudo, verifique o ano de produção desse livro. Esse exercício é importante, pois nos ajuda a contextualizar essa obra, lembrando que todo livro didático é reflexo do seu tempo. MOVIMENTO DE MARÇO DE 1964 javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Esse é o caso do livro História do Brasil, publicado em 1976, de autoria de Francisco de Assis Silva e Pedro Ivo Bastos. A Ditadura Militar é caracterizada como “República Contemporânea” e o golpe de 1964 como “movimento de março de 1964”. Durante todo o período da Ditadura Militar, tivemos diversas intervenções que atingiram diretamente o setor educacional. Veja algumas intervenções promovidas pela Constituição de 1967: A União e os estados estavam desobrigados a investirem um percentual mínimo na Educação, contrariando o que estava disposto na LDB de 1961. Além disso, outra alteração promovida por essa carta constitucional foi a transferência de recursos públicos para instituições privadas de ensino. Confira o que Dermeval Saviani argumenta no artigo O legado educacional do regime militar. (...) A CONSTITUIÇÃO DE 24 DE JANEIRO DE 1967, BAIXADA PELO REGIME MILITAR, ELIMINOU A VINCULAÇÃO ORÇAMENTÁRIA CONSTANTE DAS CONSTITUIÇÕES DE 1934 E DE 1946, QUE OBRIGAVA A UNIÃO, OS ESTADOS E OS MUNICÍPIOS A DESTINAR UM PERCENTUAL MÍNIMO DE RECURSOS PARA A EDUCAÇÃO. A CONSTITUIÇÃO DE 1934 HAVIA FIXADO 10% PARA A UNIÃO E 20% PARA ESTADOS E MUNICÍPIOS; A CONSTITUIÇÃO DE 1946 MANTEVE OS 20% PARA ESTADOS E MUNICÍPIOS E ELEVOU O PERCENTUAL DA UNIÃO PARA 12%. A EMENDA CONSTITUCIONAL Nº1, BAIXADA PELA JUNTA MILITAR EM 1969, TAMBÉM CONHECIDA COMO CONSTITUIÇÃO DE 1969 PORQUE REDEFINIU TODO O TEXTO DA CARTA DE 1967, RESTABELECEU A VINCULAÇÃO DE 20%, MAS APENAS PARA OS MUNICÍPIOS”. (artigo 15, § 3º, alínea f) 1968: MOVIMENTO BRASILEIRO DE ALFABETIZAÇÃO (MOBRAL) Foto: Revista Veja, São Paulo: Editora Abril, nº 261, 05/09/1973. Propaganda veiculada na Revista Veja, em setembro de 1973. QUAL ERA O OBJETIVO DOS MILITARES COM A CRIAÇÃO DO MOBRAL? Esse programa tinha como objetivo erradicar o analfabetismo no Brasil. QUAL FOI A METODOLOGIA DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA? Para isso, os militares extinguiram o projeto de alfabetização De pé no chão também se aprende a ler, inspirado na pedagogia freiriana, e colocaram no seu lugar o MOBRAL. QUAL FOI O FUNDAMENTO TEÓRICO QUE INSPIROU O MOBRAL? O programa se fundamentava na metodologia de alfabetização de Paulo Freire no sentido técnico do termo, mas se distanciava na dimensão da formação da consciência crítica e cidadã. Ao julgar a realidade, é preciso usar uma lente que possa compreender, em seu tempo histórico, cada situação. Professores e alunos, educandos e educadores, devem interagir com o conhecimento e aprender juntos. Nesse sentido, o diálogo ganha força como proposta de interação e recriação, respondendo à lógica da determinação com o poder transformador. Para Freire, o diálogo é uma exigência existencial, pois é o encontro dos que se solidarizam para refletir sobre o seu próprio agir, seus desejos de deliberações e construções de novas determinações. Por isso, o diálogo é um ato de criação. COMO O MOBRAL FUNCIONAVA? Para que isto pudesse ser efetivo, o governo militar criou um sistema de treinamento para professores leigos (sem diploma), que recebiam rudimentos de leitura e escrita preparados para constituir aulas em suas cidades e rincões do Brasil. Essas aulas utilizavam cartilhas distribuídas nacionalmente. javascript:void(0) javascript:void(0) Infelizmente, o projeto tornou-se marca de pessoas falsamente formadas ou “malformadas”, chegando a virar xingamento. RESULTADOS O Mobral tem como ponto positivo ter alcançado rincões inimagináveis do Brasil. No entanto, a falta de controle, o número de formações absolutamente indevidas pela ausência de profissionais capacitados, levaram o programa ao colapso. De grande projeto de educação virou uma piada, em que alguém de baixa capacidade intelectual passou a ser chamado de “Mobral”. PAULO FREIRE Imagem: Shutterstock.com O educador Paulo Freire, ao longo de sua vida educadora, divulgou e incentivou a transformação social, anunciando que a Educação é o caminho possível para tal. Como indica o autor, em Pedagogia da Autonomia: (...)ensinar não é transferir conhecimento, mas criaras possibilidades para sua própria produção ou a sua construção" (FREIRE, 2003, p. 47) O DIÁLOGO É UM ATO DE CRIAÇÃO Educação dialógica x educação bancária A educação dialógica se contrapõe à educação bancária. Na lógica da educação bancária, quanto mais conteúdo for transmitido, melhor o educador. Quanto mais passivos frente à transmissão, melhor são os alunos. Em suma, na concepção “bancária” da Educação, os alunos recebem pacientemente e passivamente pela lógica da explicação os conteúdos. Esses devem ser memorizados e repetidos. Nesse sentido, a escola acaba sendo o espaço que perpetua a lógica da subordinação e do determinismo, assassinando a possibilidade de a educação escolar ser criadora. Segundo Paulo Freire (1987, pp. 33-4): Na visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão a absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro. O educador, que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processos de busca. 1969: INCLUSÃO DAS DISCIPLINAS EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA E ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA BRASILEIRA Em 1969, os militares determinaram a retirada do ensino de Filosofia e Sociologia das escolas. Sob o Decreto-lei nº 869, passou a ser obrigatória a disciplina Educação Moral e Cívica (EMC) nas escolas brasileiras. Imagem: Acervo Estadão. DECRETO-LEI Nº 869 O Decreto-lei nº 869, de 12 de setembro de 1969, dispõe sobre a inclusão da Educação Moral e Cívica como disciplina obrigatória, nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino no País, e dá outras providências: Art. 1º É instituída, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a Educação Moral e Cívica, nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino no País (...). Art. 3º A Educação Moral e Cívica, com disciplina e prática educativa, será ministrada com a apropriada adequação, em todos os graus e ramos de escolarização. § 1º Nos estabelecimentos de grau médio, além da Educação Moral e Cívica, deverá ser ministrado curso curricular de “Organização Social e Política Brasileira.” javascript:void(0) https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-869-12-setembro-1969-375468- publicacaooriginal-1-pe.html A implantação dessa disciplina fazia parte de um contexto em que a moral e o civismo estavam em alta. O ano de 1970, por exemplo, foi o ano da Campanha do Civismo Brasileiro. Nesse período, além da Educação Moral e Cívica, ganhou destaque também a instituição, no Segundo Grau, da disciplina Organização Social e Política Brasileira (OSPB), responsável por difundir o nacionalismo e o patriotismo nos alunos. CIVISMO BRASILEIRO “A escola era o centro das atividades cívicas, dela o civismo deveria irradiar para toda a comunidade; assim planejava o Estado. No entanto, não deixava essa missão somente para a escola, mobilizando também a imprensa e órgãos de movimentos sociais, como associações de bairros e sindicatos, esses dois últimos por ação mais violenta do que coercitiva. Era de responsabilidade da escola se certificar que no dia da comemoração do sesquicentenário do Marechal Deodoro da Fonseca as crianças colorissem gravuras do referido Marechal, aprendesse mais sobre a vida e importância dele para a história do Brasil e de como ele contribuiu para o desenvolvimento atual do Brasil, levado a cabo pela “Revolução”. Que no final do dia letivo, os pais fossem convidados para uma ação solene em que as crianças apresentassem algum trabalho sobre o Marechal Deodoro da Fonseca e levassem para casa um marcador de livros com o rosto dele. Se a Prefeitura se articulasse antecipadamente com autoridades municipais, um desfile poderia ser organizado, com banda de música e discursos políticos. Tudo isso era impensado sem a escola, e aí estava a sua importância primordial para que o plano da ditadura militar para a nação fosse cumprido: realização e eficiência”. Fonte: https://bit.ly/2HiYGod O NACIONALISMO E O PATRIOTISMO NOS ALUNOS Sobre a difusão do nacionalismo e do patriotismo nos alunos, ainda em 1970, aconteceu a Copa do Mundo no México. Os cantores Dom e Ravel conquistaram o país com o Eu te Amo, meu Brasil. javascript:void(0); javascript:void(0) javascript:void(0) que estourou nas paradas de sucesso. Essa canção foi utilizada pelo governo militar nos eventos cívicos e cantada nas escolas. Veja alguns versos da canção Este é um país que vai pra frente, que também foi muito utilizada e inspirada pelos ideais do Positivismo: Este é um país que vai pra frente. De um povo unido. De grande valor. É o país que canta. Trabalha e se agiganta. É o Brasil do nosso amor. CONTEÚDOS MORALIZANTES Os conteúdos tinham cunho moralizante, pautados em preceitos considerados fundamentais à sociedade. A Educação era empreendida também em meios não formais. Com base nos mesmos conteúdos, foram constituídos, por exemplo, personagens como o Sujismundo para que, no cotidiano, as pessoas pudessem trazer para si o sentimento de civilidade, cuja falta era entendida como um dos males brasileiros. Imagem: Arquivo nacional Sujismundo. SUJISMUNDO Sujismundo foi um personagem de animação brasileiro, criado por Ruy Perotti e utilizado em filmes de publicidade para televisão, muito popular na década de 1970. Ele era o protagonista da campanha “Povo desenvolvido é povo limpo”, patrocinada pelo governo federal com o objetivo de melhorar os hábitos de higiene e limpeza dos brasileiros. Sujismundo surgiu em 1972, quando o governo militar incentivava e patrocinava campanhas educativas nos moldes de “Brasil, ame-o ou deixe-o”, “Este é um país que vai pra frente” e “Ninguém segura este país”. O personagem fazia javascript:void(0) parte deste conceito. Nos comerciais, em animação, ele mostrava seus maus hábitos (como jogar lixo no chão ou espalhar objetos pelo escritório) e acabava punido. ENSINO SUPERIOR: TENDÊNCIA PEDAGÓGICA TECNICISTA E NEOPOSITIVISTA Veja, no vídeo a seguir, qual foi o tratamento dado às universidades brasileiras pelo governo da época, no contexto em que ganharam destaque as tendências pedagógicas pautadas no ensino tecnicista, neopositivista e no modelo behaviorista de Psicologia. Agora a professora Flávia Miguel fala a Reforma Universitária durante o Governo Civil-militar. Vídeo com libras. 1971: A REFORMA DE 1° E 2° GRAUS A Lei no 5692/71, chamada de Lei de Diretrizes e Bases de forma errônea. O que há de errado com a Lei no 5692/71? A lei se refere exclusivamente a dois segmentos da Educação, que correspondem ao que, atualmente, chamamos de Educação Básica. Essa lei não tratava também dos objetivos gerais e finalidades da Educação para o país, apenas era específica para dois segmentos do ensino. Como vimos, a reforma universitária de 1968 voltou suas atenções para o ensino superior. Objetivo da Lei no 5692/71 A Lei no 5692/71 foi criada por um grupo de trabalho instituído pelo presidente Médici, que tinha por objetivo adequar o ensino ao momento político instaurado pelo Golpe de 1964 e às necessidades sociais e econômicas que o governo militar se empenhava em garantir. O país precisava de trabalhadores, mas, mais do que isso, precisava de mão de obra especializada. Em linhas gerais, ela criou a estrutura de ensino que se organizava em 1º e 2º graus. GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI Imagem: Shutterstock.com (1905 — 1985) Militar e político brasileiro. Foi o 28º Presidente do Brasil, durante o terceiro período da Ditadura Militar. VAMOS ENTENDER MELHOR AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM DECORRÊNCIA DA REFORMA DE 1971? 1 javascript:void(0) Primeiro grau passoua abranger os antigos primário e ginásio, atendendo às crianças dos 7 aos 14 anos. 2 Ampliação da obrigatoriedade escolar de 4 para 8 anos. 3 Transformação do antigo curso secundário em ensino de segundo grau. 4 Segundo grau passou a ser obrigatoriamente profissionalizante. Com a promulgação da lei, o segundo grau passou a combinar uma dupla característica: Garantia a terminalidade para aqueles que pretendiam a formação em nível técnico. Garantia a continuidade para os que desejavam prestar o vestibular. COMO O ENSINO PROFISSIONALIZANTE CONTRIBUIU PARA A ELITIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR? É importante observar que a necessidade de formar mão de obra levou o governo a alterar radicalmente o ensino básico. Apesar dessa lei valer para o ensino público e para o ensino privado, o que se verificou, na prática, foi a concentração da adoção do ensino profissionalizante no ensino público. De modo que, os filhos da elite continuaram a ser preparados para o ingresso nas carreiras universitárias. Veja algumas consequências dessa reforma: Além da instituição do ensino profissionalizante, um deslocamento cada vez maior de recursos públicos para o setor privado. A Lei n° 5692/71 também foi a primeira legislação educacional que criou um capítulo para tratar do ensino supletivo. Além disso, a Lei n°5692/71 introduziu algumas propostas que contribuíram para o debate pedagógico, pois previa a integração vertical e a integração horizontal. A valorização do magistério é outra questão presente na lei. Foi citada especialmente buscando a crescente profissionalização dos professores, o aperfeiçoamento daqueles já formados, e adequando os vencimentos salariais segundo os critérios do nível de formação, ao contrário do nível que ministrava. LEI N° 5692/71 E O ENSINO SUPLETIVO CAPÍTULO IV Art. 24. O ensino supletivo terá por finalidade: a) suprir a escolarização regular para os adolescentes e adultos que não a tenham seguido ou concluído na idade própria; b) proporcionar, mediante repetida volta à escola, estudos de aperfeiçoamento ou atualização para os que tenham seguido o ensino regular no todo ou em parte; Parágrafo único. O ensino supletivo abrangerá cursos e exames a serem organizados nos vários sistemas de acordo com as normas baixadas pelos respectivos Conselhos de Educação. Link para o documento completo: https://bit.ly/38cBF1J javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0); INTEGRAÇÃO VERTICAL E A INTEGRAÇÃO HORIZONTAL A integração vertical se dava nos dois graus, entre os níveis (o primeiro e o segundo segmento do primeiro grau), e entre todas as séries de ensino das atividades, áreas de estudo e disciplinas, com o propósito de garantir um trabalho de continuidade desde a 1ª série do primeiro grau até a última série do segundo grau. A integração horizontal, que buscava eliminar a diferença entre os antigos ramos de ensino: agrícola, comercial, industrial e normal, articulando as várias áreas do conhecimento no interior de cada série. AO CONTRÁRIO DO NÍVEL QUE MINISTRAVA Art. 39. Os sistemas de ensino devem fixar a remuneração dos professores e especialistas de ensino de 1º e 2º graus, tendo em vista a maior qualificação em cursos e estágios de formação, aperfeiçoamento ou especialização, sem distinção de graus escolares em que atuem. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. DURANTE O PERÍODO DA DITADURA CIVIL-MILITAR, A REFORMA EDUCACIONAL EMPREENDIDA EM 1971 É FREQUENTEMENTE CHAMADA DE LEI DE DIRETRIZES E BASES DE FORMA ERRÔNEA. A LEI N°5692/71 NÃO TRATAVA, TAMBÉM, DOS OBJETIVOS GERAIS E FINALIDADES DA EDUCAÇÃO PARA O PAÍS. QUAIS ERAM OS ASSUNTOS TRATADOS NESSA LEI: A) Reformulação específica de dois segmentos da Educação – fundamental e médio – , que correspondem ao que chamamos de educação básica. B) Reformulação das universidades com a implementação do sistema de vestibulares e as Diretrizes Curriculares Nacionais. C) Reformulação da educação infantil para garantir acesso a todas as crianças à educação básica. D) Reformulação da educação de jovens e adultos com a implementação do MOBRAL. 2. O MOBRAL, CRIADO EM 1967, TINHA O OBJETIVO DE ERRADICAR O ANALFABETISMO NO PAÍS. ESSE ÓRGÃO FOI CRIADO COMO ALTERNATIVA AO PROJETO DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE A LER. IDENTIFIQUE AS CARACTERÍSTICAS DO MOBRAL: A) Mantinha, de forma sintética, as bases do projeto de alfabetização de Paulo Freire. B) Reforçava o modelo tecnicista da Educação e o direcionamento para o trabalho. C) Era institucionalizado em uma base de educação moralizante. D) Pautava-se no processo de difusão de professores formados pelos grandes centros para todo o Brasil. GABARITO 1. Durante o período da Ditadura Civil-Militar, a reforma educacional empreendida em 1971 é frequentemente chamada de Lei de Diretrizes e Bases de forma errônea. A Lei n°5692/71 não tratava, também, dos objetivos gerais e finalidades da Educação para o país. Quais eram os assuntos tratados nessa lei: A alternativa "A " está correta. Muitos autores defendem que, em 1971, tivemos uma nova LDB, mas, na prática, não. Essa é quase que uma edição complementar que atua sobre os componentes curriculares, a separação e estruturação idade série, proposta de conteúdos mínimos a serem lecionados e seu objetivo. Para ser diretrizes da Educação, é necessário abordar todos os componentes institucionais da educação, regulamentando seus segmentos e estruturas. Tais pontos não foram objetos, focando, somente nos aspectos mencionados na resposta. 2. O MOBRAL, criado em 1967, tinha o objetivo de erradicar o analfabetismo no país. Esse órgão foi criado como alternativa ao projeto De pé no chão também se aprende a ler. Identifique as características do MOBRAL: A alternativa "A " está correta. Durante o governo militar, a educação esteve em voga com muitas reformas. No entanto, nenhuma alterou a base central de 1961, mas optou-se por reformas específicas, como a sinalizada em 1971. O MOBRAL é um exemplo disso. Mantinha-se a preocupação em alfabetizar adultos e utilizar um método próprio, tal qual no documento de 1961. MÓDULO 2 Reconhecer a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases como promotoras de avanços na Educação brasileira FIM DO REGIME MILITAR, PROMULGAÇÃO DA LEI DE ANISTIA E NOVA CONSTITUIÇÃO APRESENTAÇÃO Professor Guilherme Stribel – Doutor em Educação explica a transição política do Brasil em sua Redemocratização. Vídeo com libras. Chamada de “Constituição Cidadã” pelo deputado Ulysses Guimarães, o novo texto que regeria a vida de milhares de brasileiros tinha como desafio imediato restituir direitos fundamentais negados durante muito tempo à sociedade. Além disso, tinha como tarefa olhar para o futuro. ULYSSES SILVEIRA GUIMARÃES Imagem: Shutterstock.com (1916 – 1992) Político e advogado brasileiro, um dos principais opositores à ditadura militar. Liderou campanhas pela Redemocratização e pelas Diretas Já. Ulysses Guimarães segurando uma cópia da Constituição de 1988. Politicamente, a abertura lenta e gradual foi ampliando a participação popular nas votações, primeiro para prefeitos, depois governadores até a querela sobre quando seriam as primeiras eleições diretas. Imagem: Shutterstock.com Apesar do Movimento das Diretas Já, a emenda que pretendia antecipar as eleições foi derrotada. Em uma articulação política, foi eleito Tancredo Neves pelo colegiado dos deputados, tendo como vice- presidente José Sarney. O presidente da câmara era o deputado Ulysses Guimarães. TANCREDO NEVES javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com (1910 – 1985) Advogado, empresário e político brasileiro, tendo sido o 33º primeiro-ministro do Brasil (o primeiro do período republicano) e presidente da república eleito, mas não empossado. JOSÉ SARNEY Imagem: Shutterstock.com (1930 – ) Político e advogado brasileiro. Foi o 31º presidente do Brasil. DIRETAS JÁ O Diretas Já foi um movimentopolítico da década de 1980, que exigia que as eleições de presidente de 1985 fossem por voto popular e direto, e não por voto do colegiado dos deputados, como foi o que aconteceu. EDUCAÇÃO NO CONTEXTO DA TRANSIÇÃO DE REGIME Neste contexto a Educação brasileira seguia os moldes de 1971. As mudanças, no entanto, não acontecem neste campo de forma uniforme até o fim da década. Foram tomadas ações peculiares em capitais e estados. Dois exemplos importantes vêm do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. BRASÍLIA Foi proposto um modelo de educação integral que aproximasse a universidade – principalmente de Brasília – das escolas de Educação Básica. O principal nome deste projeto foi Cristovam Buarque. RIO DE JANEIRO A controversa eleição de Leonel Brizola, ferrenho crítico do governo anterior e mesmo de seus antagonistas – membros do partido MDB – propõe uma intensa ruptura na educação. Darcy Ribeiro foi chamado para liderar este projeto. A ideia era de que, para proteger o trabalhador e as crianças, era necessário que elas fossem acolhidas, educadas, ficando longe dos ambientes de conflito e criminalidade, que já eram notórios na cidade. Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) trabalhavam com a compreensão de que não se forma o sujeito em conteúdos, pois o sujeito deve ser preparado para ser cidadão e lutar pela cidadania e pelo coletivo. O projeto, moderno em termos pedagógicos, foi bastante atacado em virtude da sua operacionalização e uso político. Foi descaracterizado a partir da eleição de outros grupos que se opunham às políticas brizolistas. SIGNIFICADO DAS REFORMAS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA REDEMOCRATIZAÇÃO Para que seja possível entender este longo processo, é importante que possamos conhecer e entender um pouco mais sobre o que significam as reformas da Educação brasileira na sua redemocratização, conhecendo alguns dos seus direcionamentos. CONSTITUIÇÃO ATUAL LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO null Imagem: Shutterstock.com Com a promulgação da Constituição de 1988 , a LDB anterior (4024/61) foi considerada obsoleta, mas, apenas em 1996, o debate sobre a nova lei foi concluído. A atual LDB, 9394/96, foi sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Educação, Paulo Renato, em 20 de dezembro de 1996. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Imagem: Shutterstock.com (1931 – ) Sociólogo, cientista político, professor universitário, escritor e político brasileiro. Foi o 34º presidente da República Federativa do Brasil. javascript:void(0) Baseada no princípio do direito universal à Educação para todos, a LDB de 1996 trouxe diversas mudanças em relação às leis anteriores, tais como: Gestão democrática do ensino público e progressiva autonomia pedagógica e administrativa das unidades escolares (art. 3 e 15); Carga horária mínima de oitocentas horas distribuídas em cento e oitenta dias letivos na educação básica (art. 24); Orientação para a União gastar, no mínimo, 18% e os estados e municípios, no mínimo, 25% de seus orçamentos para a manutenção e desenvolvimento do ensino público (art. 69); Criação do Plano Nacional de Educação (art. 87). PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Essa LDB aponta em seu artigo 22 para uma formação do indivíduo que atenda a três dimensões da condição humana: cidadania, estudo e trabalho. A ideia é que os currículos escolares e os saberes compartilhados no ambiente escolar estejam atentos às distintas realidades sociais, além de funcionarem como instrumentos em que os alunos consigam praticar o exercício da cidadania na busca por uma sociedade mais justa e igualitária. A LDB pressupõe uma série de ações que foram, desde então, desenvolvidas e que passamos a enunciar. ARTIGO 22 javascript:void(0) javascript:void(0) “A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. FUNDO PARA DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA – FUNDEB Como surgiu o FUNDEB? Quando, durante o governo FHC, houve a intensa discussão de que precisávamos ampliar o número de vagas, garantir o acesso às escolas e, o mais crítico, trabalhar contra a evasão escolar, o ministro Paulo Renato tomou isso como meta e modelo, "ameaçando" os estados e municípios de que deveriam atingir essas metas ou não receberiam dinheiro. Com a criação do FUNDEB, prevista na própria LDB , muitas prefeituras e governos criaram programas, deixando de lado a qualidade em prol da continuidade – aprovações automáticas, criação de projetos em que separavam potenciais alunos repetentes, entre outros. Quais as vantagens e as desvantagens do FUNDEB? Esse modelo tem como mérito a ampliação do número de pessoas com alguma formação. A maior parte do Brasil passa pela escola. O demérito, por sua vez, é a perda de qualidade mensurável. FUNDEB O Fundo para Desenvolvimento da Educação Básica foi criado para regulamentar o auxílio da União a Estados e municípios, sem precisar pedir a cada nova demanda. FUNDEB javascript:void(0) javascript:void(0) O governo Fernando Henrique o nome do projeto era FUNDEF - FUNDO DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL, mudou em 2006 para FUNDEB - FUNDO DA EDUCAÇÃO BÁSICA, que amplia o programa, mas o sentido é o mesmo. PROBLEMAS DOS MODELOS ANTERIORES Com as reprovações, as escolas dos modelos anteriores atingiam números grandes de evasão e distorção idade/série. A imagem de que elas eram “melhores” é uma ilusão provocada pela reprovação, uma vez que poucos conseguiam obter a formação. Esses programas, apesar de importantes, jogaram a Educação Básica em uma situação complexa, ainda que inequivocamente mais democrática, pois exigiram mais investimento, diversificação, o que é custoso e, sem o foco específico, faz com que os números se arrastem quando comparados a índices internacionais. Gráfico: Nova escola. Gráfico de reprovações. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (PCN) Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram organizados também no processo de redemocratização nacional, impulsionados pela nova LDB/96. Esses parâmetros curriculares podem ser caracterizados como orientações explicitamente práticas da legislação, ou seja, funcionam como um importante referencial para aquilo que oficialmente se espera da Educação, do professor e do aluno – muito embora essa função não corresponda à necessária clareza conceitual do documento. Imagem: Shutterstock.com Assim como os PCN, os PCNEM (Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio) responderam pela intenção de estabelecer uma base curricular nacional comum e introduziram o que passou a ser designado de ensino por competências. Considerando exatamente o termo parâmetros, os PCNEM têm como princípio servir de referência básica e geral à comunidade escolar (professores, coordenadores pedagógicos, alunos etc.) na organização e implementação do projeto educativo das escolas, no intuito de garantir uma base nacional comum ao currículo da Educação Básica. As disciplinas no PCNEM foram distribuídas de forma que as variadas áreas do conhecimento fossem contempladas. O próprio termo tecnologias caracteriza as contribuições de cada uma das áreas para a proposta curricular. PROPOSTA CURRICULAR Linguagens, Códigos e suas tecnologias – inclui as disciplinas conhecidas pelas denominações de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Estrangeira, bem como Artes, Educação Física e Informática. Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias – engloba as disciplinas Biologia, Física, Química e Matemática. Ciências Humanas e suas Tecnologias – inclui o conteúdo das disciplinas de Geografia, História, Sociologia e Filosofia, dialogando metodologicamente com as demais áreas das Ciências Sociais. A leitura