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empreendedorismo aula 01

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a teoria de Weber peca pelo fato de 
que se restringe a um modo de produção (capitalista), não trazendo uma explica-
ção que permitisse compreender a expansão econômica de civilizações em outras 
épocas e outros modos de produção. Como destacou Shapero, a tese da ética pro-
testante de Weber pode explicar o desenvolvimento econômico da comunidade 
do Atlântico Norte, “mas contribui muito pouco para explicar eventos em outras 
culturas” (SHAPERO, 1982, p. 75).
Toynbee (1947) propôs que “mudanças no ambiente” seriam as responsá-
veis pelo surgimento das grandes civilizações. Da forma como ele usou o termo 
ambiente não se referia apenas a questões geográficas ou climáticas, mas também 
a condições sociais que produziriam certos “estímulos”. A descoberta de novas 
terras a serem ocupadas, ameaças de invasão por parte de outros grupos humanos, 
deslocamentos forçados (de refugiados) e discriminação de grupos minoritários 
seriam alguns exemplos de “estímulo”.
Estudos posteriores – Hagen (1962), Yamamura (1978) e Fleming (1979) – re-
forçaram o fato de que há uma relação entre valores sociais, família, grupos étnicos 
(no sentido cultural, não genético) e fatores situacionais (como emigração forçada, 
por exemplo) na formação dos empreendedores, pelo que a escola sociológica con-
tinua sendo uma linha de pesquisa dentro do empreendedorismo na atualidade.
Escola econômica
Desde a perspectiva da economia, os empreendedores são um elemento-
-chave para o investimento, a inovação e a expansão da capacidade produtiva. 
Apesar de os empreendedores terem sido citados pelos primeiros economistas no 
século XVIII, sua verdadeira importância só foi reconhecida no século XX, por 
Joseph Schumpeter.
Schumpeter (1982) não usa especificamente o termo empreendedor, mas em-
presário, o qual aparece como um dos três fatores do desenvolvimento econômico, 
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junto com a “nova combinação dos meios de produção” e o crédito. Esse autor 
diferencia os empresários dos capitalistas, afirmando que os primeiros são res-
ponsáveis pelas novas combinações produtivas, enquanto os segundos são “pro-
prietários de dinheiro, de direitos ao dinheiro, ou de bens materiais”.
Baumol (1968) afirmou que “uma parcela substancial daqueles que dese-
nham planos para estimular o desenvolvimento tem sido devotada à provisão de 
meios através dos quais os empreendedores possam ser encorajados e treinados”. 
No campo da economia, diversos estudos relacionam a falta de empreendedores 
ao declínio da economia ou às barreiras que impedem o desenvolvimento.
Apesar dessa importância, os modelos econômicos clássicos deram pouca 
importância aos empreendedores. Kent (1982) apontou a dificuldade da teoria 
econômica para explicar adequadamente o processo pelo qual os empreendedores 
participam do desenvolvimento econômico, enquanto Baumol (1968) vai mais 
além ao afirmar que “o comportamento errático dos empreendedores não cabe 
nos modelos econômicos clássicos. A empresa teoria é sem empreendedor”.
Escola psicológica
Os estudos no campo da psicologia sobre os empreendedores vêm, na rea-
lidade, complementar o conhecimento produzido pelas escolas citadas anterior-
mente. Na tentativa de entender as razões que levam uma pessoa a empreender, 
vários pesquisadores procuraram respostas na personalidade6 do empreendedor.
Segundo Brockhaus (1982), Arthur Cole teria sido o precursor dessa aborda-
gem ao propor, em 1942, a necessidade de serem estudadas as forças motivacio-
nais e as demais características da personalidade dos empreendedores. Em 1948, 
foi estabelecido o Centro de História do Empreendedorismo na Universidade de 
Harvard, cujos estudos foram conduzidos inicialmente por David McClelland, 
reconhecido atualmente como um dos grandes pensadores da escola psicológica 
do empreendedorismo.
McClelland partiu da teoria de Murray sobre as necessidades humanas e 
encontrou na história a razão para a existência de grandes civilizações. Concluiu 
que um povo estimulado por uma série de fatores (entre eles os valores culturais) 
desenvolveria uma alta necessidade de realização pessoal e que o desenvolvimento 
econômico teria uma relação direta com a quantidade de indivíduos com alta 
motivação por realização em um determinado grupo humano e/ou momento na 
história (MCCLELLAND, 1970).
Os estudos de McClelland levaram uma série de pesquisadores a tentar des-
cobrir qual seria a “personalidade empreendedora”, suas características (perfil) e 
como desenvolver instrumentos para selecionar indivíduos com alto potencial de 
sucesso nos negócios. Vários estudos foram feitos sobre as características psicoló-
gicas dos empreendedores, tratando de diferenciá-los do resto da população.
Lachman (1980), por exemplo, afirma que os empreendedores podem ser 
diferenciados dos não empreendedores por características de personalidade, mas 
assume por outro lado que:
6Personalidade: caráter essencial e exclusivo de 
uma pessoa, aquilo que a dis-
tingue de outra. Conjunto de 
carac terísticas psico lógicas 
relativamente estáveis que 
influenciam a maneira pe la 
qual o indivíduo inte ra ge com 
o meio ambiente. (Enciclopé-
dia KOO GAN-HOUAISS, 
2005)
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[...] as pessoas que possuem as mesmas características que os empreendedores, terão uma 
alta tendência (ou potencial) de desenvolver ações empreendedoras, mais que as pessoas 
que não possuem tais características.
Assim, a questão no campo da psicologia não é identificar uma “personalidade 
empreendedora”, mas relacionar determinados aspectos da personalidade humana 
ao estilo de condução dos negócios. Sobre isso, parece-nos muito oportuno o 
comentário de Fernando Dolabela (1999, p. 49):
Mesmo sem produzir um corpo de pensamento coeso as pesquisas [no campo da psicolo-
gia] têm sido de grande auxílio no ensino de empreendedorismo. Se ainda não podemos 
predizer o sucesso de uma pessoa, é possível no entanto apresentar-lhe as características 
mais comumente encontradas nos empreendedores de sucesso, para que possa desenvol-
vê-las e incorporá-las ao seu próprio repertório vivencial.
Considerando que a proposta dessa disciplina é discutir o perfil dos em-
preendedores e principalmente levar os alunos a uma reflexão sobre como de-
sempenham (ou poderão desempenhar) o papel de empreendedores, vamos nos 
concentrar na escola psicológica, focando os aspectos da personalidade humana 
que interferem na condução dos negócios e nos comportamentos relacionados ao 
sucesso empresarial.
Conceitos de empreendedor
(GARCIA, 2001)
A. Definições
1. Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio
Empreendedor: (ô) Adj. 1. Que empreende; ativo, arrojado, cometedor.l S.m. 2. Aquele que 
empreende; cometedor.
2. Grande Dicionário Enciclopédico Larousse
Chefe de uma empresa.
Chefe de uma empresa especializada na construção, nos trabalhos públicos, nos trabalhos de 
habitação.
Pessoa que, perante contrato de uma empresa, recebe remuneração para executar determinado 
trabalho ou aufere lucros de uma outra pessoa, chamada de mestre de obras.
A ideia de um empreendedor é associada inicialmente à ideia de criação de um negócio por 
meio de capitais pessoais. Empreendedor é a pessoa que levanta o capital. A gestão de um negócio 
criado requer também qualidades de empreendedor.
3. Nova Larousse Clássica
Aquela pessoa que efetua uma obra, para um cliente, sem se subordinar a ele. Chefe de uma 
empresa artesanal ou industrial.
4. Reuters
Alguém que provê fundos para uma empresa e, assim, assume os riscos.
5. Dicionário Webster
Pessoa que organiza e gere um negócio, assumindo o risco em favor do lucro.
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6. Dicionário de Ciências Sociais
“O termo empreendedor denota a pessoa