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empreendedorismo aula 01

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o Sandro Afonso Morales
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-3097-2
Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., 
mais informações www.iesde.com.br
Apresentação
Caro aluno,
M ilhões de pessoas no Brasil têm o desejo de abrir seu próprio negócio. Contudo, dessa par-cela da população apenas um número bem menor de pessoas realmente empreende e, dos novos negócios que nascem a cada ano, apenas 20% chegarão ao quinto ano de vida.
Você pode interpretar o que acabo de dizer de duas maneiras: não vale a pena empreender no 
Brasil, pois suas chances de fracasso são de 80%; ou seguir em frente e antes de iniciar seu próprio 
negócio tratar de aprender com os empresários bem-sucedidos que formam o contingente de 20% 
de casos de sucesso. Nas páginas a seguir, tratei de reunir informações valiosas, obtidas a partir das 
experiências de empreendedores bem-sucedidos e de estudiosos do assunto.
Na qualidade de empresário e pesquisador, tenho trabalhado com a capacitação de empre-
endedores há 21 anos. A experiência adquirida durante esse tempo me permite afirmar algumas 
coisas importantes.
Em primeiro lugar, ninguém nasce empreendedor, não existe uma espécie de tribo escolhida 
predestinada ao sucesso. O empreendedorismo é aprendido de diferentes maneiras e em princípio 
qualquer um pode se tornar um empreendedor. 
Em segundo lugar, empreendedores são pessoas que produzem resultados, seja como executi-
vos, seja como proprietários de negócios. Eles fazem a diferença para a comunidade em que estão, 
gerando empregos, riqueza e principalmente progresso.
Em terceiro lugar, aprendi que empreendedores perfeitos só existem na teoria. Empreendedo-
res são, acima de tudo, humanos, e nessa condição existem pessoas boas e más. Está nas mãos de 
cada um ser lembrado pelas gerações futuras como um exemplo a ser seguido ou não no campo do 
empreendedorismo.
O estudo dos empreendedores é um campo muito amplo, o que me levou a ter que optar por 
uma abordagem entre as existentes para não tornar o tema maçante. Escolhi a linha comportamental 
por entender que ela complementa o conhecimento técnico normalmente recebido em cursos sobre 
administração de empresas e empreendedorismo e porque constatei em diversas ocasiões na minha 
prática como consultor que a personalidade em um empreendedor exerce uma influência decisiva no 
sucesso de seu empreendimento.
Finalmente, gostaria de dizer que empreender é uma longa jornada e que não existe uma receita 
de sucesso definitiva. Cabe a cada um de nós aprender com os que nos antecederam nesse tipo de jor-
nada e criar o nosso mapa de percurso. Como disse o poeta espanhol Antonio Machado “caminhante 
não há um caminho, se faz caminho ao andar”.
Sucesso na sua caminhada!
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Empreendedorismo
Sandro Afonso Morales*
O progresso da humanidade, das cavernas às torres de concreto, tem sido explicado de 
diversas maneiras. Mas tem sido central, em praticamente todas essas teorias, o 
papel do “agente de mudança”, a força que inicia e implementa o progresso 
material. Hoje nós reconhecemos que o agente de mudança na história 
tem sido, e continuará sendo cada vez mais, o empreendedor.
Prefácio da Encyclopedia of Entrepreneurship
T ornar-se um empreendedor é o sonho de muitas pessoas, pois a o termo cos-tuma vir associado a expressões como independência financeira, desafios e status social. No caso específico do Brasil, poderíamos até afirmar que 
estamos vivendo a Era dos Empreendedores: um exemplo disso temos no fato de 
que há cerca de 30 anos o sonho de estabilidade financeira estava associado a um 
emprego em uma grande empresa estatal ou em uma multinacional. As próprias 
universidades tinham clara a sua missão que era preparar mão de obra qualificada 
para suprir as necessidades dessas empresas. Tirar boas notas na escola, formar-se 
na faculdade e arrumar um bom emprego fazia parte do projeto de vida típico da 
classe média brasileira.
Os tempos mudaram, o modelo apresentou claros sinais de desgaste (acha-
tamento dos salários, redução dos quadros de pessoal) e a mentalidade de muitos 
brasileiros acompanhou essa mudança. Uma pesquisa realizada em 1997 junto à 
comunidade brasileira que vive no exterior verificou que seu primeiro objetivo 
era o de economizar dinheiro para realizar o sonho da casa própria. Em segundo 
lugar, apareceu o desejo de iniciar um negócio.
Por outro lado, têm se multiplicado nas universidades os cursos de empreen-
dedorismo e os núcleos de incubação de empresas. Em 2001, o Serviço Brasileiro 
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizou uma parceria pioneira 
com o Ministério de Educação e Cultura (MEC) para a implantação de programas 
de ensino de empreendedorismo e incubação de empresas em escolas técnicas fe-
derais. A razão dessas ações é simples: se por um lado é necessário capacitar mão 
de obra, por outro é necessário formar geradores de emprego.
Essa proposição é reforçada por numerosas publicações e pesquisas no mun-
do. Na sua primeira edição em 1999, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM)1
fortaleceu o argumento de que o empreendedorismo faz a grande diferença para 
a prosperidade econômica, aspecto reforçado nos relatórios posteriores. Países sem 
altas taxas de criação de novas empresas correm o risco de entrar em um processo de 
estagnação econômica – e empreendedores são responsáveis por novas empresas.
Os empreendedores são os responsáveis pela criação dessas novas empresas, 
a maioria de micro e pequeno porte, sendo que nas economias mais avançadas elas 
representam 99% das empresas existentes e, segundo o GEM (1999, p. 8), estudos 
* Doutor em Engenharia de Produção (Empreen-
dedorismo) pela Univer-
s idade Federal de Santa 
Catar ina (UFSC). Mes-
tre em Adminis t ração de 
Empresas (Gestão Estra-
tégica) pela Universida-
de Autônoma de Madri . 
Formado em Adminis-
t ração de Empresas pela 
UFSC.
1 Documento disponível no site <www.gemcon-
sortium.org>.
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Empreendedorismo
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recentes apontaram que essas empresas são responsáveis por 83% do crescimento 
no Produto Interno Bruto (PIB) anual da União Europeia.
Nesse contexto, o empreendedor foi quase transformado numa espécie de 
herói moderno. Existem várias outras referências à importância dos empreende-
dores no desenvolvimento econômico e social na literatura, pelo que a questão 
parece não ser se o empreendedor é importante ou não no desenvolvimento eco-
nômico (isso assume o papel de axioma2 na atualidade), mas como apoiar o em-
preendedor e a atividade empreendedora.
Empreendedorismo
Apesar de serem tão antigos como a humanidade, pode-se afirmar que é 
muito recente o interesse pelos empreendedores.
Empreendedorismo é um neologismo derivado da palavra empreendedor, 
sendo utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, 
suas origens, seu sistema de atividades e seu universo de atuação3. Atualmente, 
o empreendedorismo é visto como um ramo da administração de empresas e, no 
Primeiro Mundo, as escolas de administração costumam ter um setor, grupo ou 
área de pesquisa em empreendedorismo.
Segundo Harold Livesay (1982), pode-se afirmar que as origens dessa dis-
ciplina remontariam às primeiras descrições biográficas de magnatas no século 
XIX, as quais serviriam como registros históricos de modelos a serem seguidos 
pelas futuras gerações (principalmente nos Estados Unidos da América).
Segundo esse mesmo autor, como disciplina formal o empreendedorismo 
surgiu no final da década de 1920, por meio das pesquisas iniciadas por Norman 
Gras sobre a história dos negócios na Universidade de Harvard. Em 1947, a Harvard 
Business