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8 LITERATURA - Sorôco Sua mãe Sua filha

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em textos narrativos ficcionais, as diferentes formas de composição próprias 
de cada gênero, os recursos coesivos que constroem a passagem do tempo e articulam 
suas partes, a escolha lexical típica de cada gênero para a caracterização dos cenários e 
dos personagens e os efeitos de sentido decorrentes dos tempos verbais, dos tipos de 
 
 
 
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discurso, dos verbos de enunciação e das variedades linguísticas (no discurso direto, se 
houver) empregados, identificando o enredo e o foco narrativo e percebendo como se 
estrutura a narrativa nos diferentes gêneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco 
narrativo típico de cada gênero, da caracterização dos espaços físico e psicológico e 
dos tempos cronológico e psicológico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de 
personagens em discurso direto e indireto), do uso de pontuação expressiva, palavras e 
expressões conotativas e processos figurativos e do uso de recursos linguístico-
gramaticais próprios a cada gênero narrativo. 
● EF69LP51 
Engajar-se ativamente nos processos de planejamento, textualização, revisão/ edição e 
reescrita, tendo em vista as restrições temáticas, composicionais e estilísticas dos textos 
pretendidos e as configurações da situação de produção – o leitor pretendido, o suporte, 
o contexto de circulação do texto, as finalidades etc. – e considerando a imaginação, a 
estesia e a verossimilhança próprias ao texto literário. 
● EM13LP01 
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de 
produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, 
objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do 
discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de 
análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações. 
● EM13LP06 
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha 
de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição 
de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e 
de uso crítico da língua. 
● EM13LP18 
Utilizar softwares de edição de textos, fotos, vídeos e áudio, além de ferramentas e 
ambientes colaborativos para criar textos e produções multissemióticas com finalidades 
diversas, explorando os recursos e efeitos disponíveis e apropriando-se de práticas 
colaborativas de escrita, de construção coletiva do conhecimento e de desenvolvimento 
de projetos. 
 
PARTE I - Introdução 
 
1. Você já ouviu falar em João Guimarães Rosa? 
2. Conhece ou já leu algum livro dele? 
3. Sabe quais temas a sua obra aborda? 
Professor(a), neste momento, essas perguntas servem para aproximar os alunos do autor do conto 
que inspirou o vídeo e apresentá-lo brevemente à turma. Após o processo da pausa protocolada, você 
pode discutir mais a fundo com os estudantes as características que permeiam sua obra e biografia, 
relacionando esses fatores com o conto lido. 
 
PARTE II - Pausa Protocolada 
 
Professor(a), nesta atividade usaremos a pausa protocolada, que é uma técnica ou estratégia que 
ajuda os alunos a compreender os textos e incentiva a produção de inferências. Eles são estimulados 
a fazer previsões e a conferir se elas se confirmam no texto. 
O ideal é o professor ler ou projetar as partes do texto, parando onde for estipulado, para conversar 
com os alunos sobre o que foi lido, o que eles compreenderam e o que vai acontecer na história depois 
daquela parte (levantar e checar hipóteses a cada passo). 
A leitura é interrompida por ele, que questiona os alunos sobre as informações lidas, avaliando a 
compreensão até aquele ponto. Outras perguntas são feitas sobre o que acontecerá no decorrer da 
 
 
 
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história. Nesse processo de idas e vindas, então, os alunos vão entendendo o texto e deduzindo sobre 
os próximos acontecimentos. 
Para esta tarefa, o professor pode usar o texto ou a animação. Assim, ele vai parando a animação nas 
partes marcadas na atividade. 
Vamos colocar o texto e algumas imagens da animação "Sorôco, sua mãe e sua filha", conto do 
Guimarães Rosa do livro "Primeiras Estórias" (Editora Nova Fronteira) 
Professor(a), a divisão do texto e, consequentemente, do vídeo da animação que propomos abaixo é 
apenas uma sugestão. Você pode alterá-la, e fazer a pausa protocolada usando partes maiores ou 
menores do texto, de acordo com as necessidades e o interesse da sua turma. 
 
1. Observe o título do texto: "Sorôco, sua mãe e sua filha". Sobre o que será a história? Quem 
serão as personagens e o que vai acontecer com elas? 
 
 
Vou ler para vocês verem o que realmente aconteceu: 
Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com o expresso do 
Rio, e estava lá, no desvio de dentro na esplanada da estação. (0:00 - 0:19) 
 
2. Que “carro” seria esse? Para que ele estaria ali? 
3. Onde se passa a história? 
 
 
Não era um vagão comum de passageiros, de primeira, só que mais vistoso, todo novo. A gente 
reparando, notava as diferenças. Assim repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo 
de grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que, com pouco, 
ele ia rodar de volta, atrelado ao expresso dai de baixo, fazendo parte da composição. (0:20 - 
0:40) 
 
 
 
 
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4. As suas hipóteses sobre o carro foram confirmadas? 
5. Quem seriam os passageiros desse vagão? 
6. Para que serviriam as grades nas janelas? 
7. Quando o narrador fala “a gente olhava”, quem seria “a gente”? 
 
Ia servir para levar duas mulheres, para longe, para sempre. (0:41 - 0:46) 
 
8. Quem seriam essas mulheres? 
9. Que lugar longe seria esse? 
10. Por que elas iriam embora para sempre? 
 
 
O trem do sertão passava às 12h45m. As muitas pessoas já estavam de ajuntamento, em beira 
do carro, para esperar. As pessoas não queriam poder ficar se entristecendo, conversavam, 
cada um porfiando no falar com sensatez, como sabendo mais do que os outros a prática do 
acontecer das coisas. (0:47 - 1:06) 
 
11. O lugar que você pensou era igual ao que foi descrito? 
12. Para que as pessoas se amontoavam para assistir à cena? 
13. Por que haveria motivo para as pessoas se entristecerem? 
 
 
Sempre chegava mais povo — o movimento. Aquilo quase no fim da esplanada, do lado do 
curral de embarque de bois, antes da guarita do guarda-chaves, perto dos empilhados de lenha. 
(1:07 - 1:18) 
 
 
 
 
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14. Por que o embarque era nesse local? 
 
Sorôco ia trazer as duas, conforme. A mãe de Sorôco era de idade, com para mais de uns 70. A 
filha, ele só tinha aquela. Sorôco era viúvo. Afora essas, não se conhecia dele o parente nenhum. 
(1:19 - 1:32) 
 
15. O nome Sorôco nos remete a algo? 
16. O que você pensava sobre os passageiros do vagão foi confirmado? 
17. Retome as considerações sobre o título: agora já temos mais informações sobre o desenrolar 
da história? 
18. Por que Sorôco estaria levando sua mãe e sua filha até a estação? 
19. Por que eles estavam na estação? Algum deles ia viajar? Para onde? Por quê? 
 
 
A hora era de muito sol — o povo caçava jeito de ficarem debaixo da sombra das árvores de 
cedro. O carro lembrava um canoão no seco, navio. A gente olhava: nas reluzências do ar, 
parecia que ele estava torto, que nas pontas se empinava. 
O borco bojudo do telhadilho dele alumiava em preto. Parecia coisa de invento de muita 
distância, sem piedade nenhuma, e que a gente não pudesse imaginar direito nem se acostumar 
de ver, e não sendo de ninguém. Para onde ia, no levar as mulheres, era para um lugar chamado 
Barbacena, longe. Para o pobre, os lugares são mais longe. (1:33 - 2:15) 
 
20. As suas hipóteses sobre onde levariam as