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Mundialização e Cultura
Em sua obra Mundialização e Cultura, escrita em 1994, o cientista social Renato Ortiz reforça que a economia vem afetando as práticas socioculturais coletivas e individuais.
Segundo o autor, a fragmentação da sociedade, em função da natureza das práticas político-econômicas, acabou reduzindo o grande sujeito coletivo (sociedade enquanto um todo) a uma imensa quantidade de universos fechados.
Para Ortiz, o que passaria a existir, agora, seria uma sociedade dividida em segmentos, em estratos sociais que contêm apenas um único elemento de universalidade que os unia – e que mesmo assim, era de natureza bastante fluída, em função das realidades socioeconômicas de seus respectivos Estados: o seu poder de consumo.
Fonte: 1000 Words / Shutterstock e SFIO CRACHO / Shutterstock
Cabe ressaltar aqui uma característica peculiar do pensamento de Renato Ortiz, isto é, que a realidade segmentada, cuja orientação se daria a partir de uma relação de consumo material de bens, não se dá sem afetar a dimensão psicológica da sociedade.
O grande princípio orientador das ações humanas, na atualidade, é o consumo simbólico dos bens (BOURDIEU, P. O poder simbólico. RJ: Bertrand Brasil, 2000), através do significado de suas imagens, que fomentaria um todo cultural inteiramente novo, e que não substituiria as culturas locais e as identidades tradicionais, como em um passe de mágica.
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O consumo simbólico de bens formaria uma cultura-mundo, cujos ícones, independente do idioma falado ou do segmento em que se encontraria um agente social qualquer, seria reconhecido em todas as partes do globo, a partir de discursos visuais (ORTIZ, 1994, p.56-57).
Em outras palavras, uma cultura-mundo se daria a partir do emprego da tecnologia, que aproxima cada vez mais as culturas do globo, sintetizando e cristalizando-as algumas vezes, sob a forma de bens materiais.
A síntese de uma cultura não se daria no intuito de reduzi-la a uma quase descaracterização de seus significados, mas sim de diminuir sua complexidade para melhor apreendê-la e reproduzi-la em escala global.
A Globalização e os Desafios para a Cultura Brasileira
A indústria cultural no Brasil
As indústrias culturais adquirem seu pleno desenvolvimento no Brasil, e se consolidam, em decorrência da articulação de dois fatores que atuam de forma interdependente: um de natureza política e outro de natureza econômica.
· FATOR ECONÔMICO
· FATOR POLÍTICO
A Mundialização da Cultura
O que é Globalização?
Entende-se por globalização a progressiva e inconclusa integração econômica assimétrica e desigual de mercados (que supera a idéia de Estados-nacionais, embora os mantenha como unidade política de referência), com a exclusão daqueles que, não dispondo de importância estratégica no novo cenário em construção, não devem se tornar empecilhos ao modelo de sociedade econômica mundial idealizada pelo capital internacional.
O que é Mundialização da Cultura?
Para compreender o conceito de mundialização da cultura é necessário compreender dois pressupostos:
Embora indispensável, a correlação entre economia e cultura no plano global não acontece de forma imediata.
É um equívoco imaginar que a pretendida integração precise rechaçar a convivência das diferenças culturais.
O avanço tecnológico e a expansão do sistema informacional se encarregariam de veicular em esfera global os elementos constitutivos da cultura mundializada, oferecendo padrões de referência para a formação de identidades sociais.
Assim, não haveria um choque de culturas entre o comum e o diverso, mas uma tendência de aproximação entre as lógicas que os conformam, em que o local, para garantir sua sobrevivência, precisa adequar-se ao mundial.
Em síntese, estaria em desenvolvimento um processo de integração progressiva de aspectos de diferentes culturas regionais a uma cultura comum, reconhecida entre si, porém sem a negação dos seus traços distintivos próprios.
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A mundialização da cultura não prescinde das culturas locais para as quais devolve padrões culturais próprios, modelados pela lógica do consumo (ORTIZ:1994).
Sendo, portanto, necessária a implementação de estratégias que promovam igualmente a aproximação entre hábitos, valores e preferências de consumo em esfera planetária, garantido assim a criação de um mercado consumidor global para produtos que pouco diferem entre si.
Em outras palavras, revelou-se necessária a produção de uma cultura de consumo tendencialmente homogênea em âmbito mundial, que reduzisse substancialmente as diferenças subjetivas de comportamento dos consumidores e que, anteriormente, eram mais influenciados pelas características identitárias das culturas locais/regionais.
O Brasileiro como Cidadão Global e os Outros
O que é cidadania?
A cidadania é notoriamente um termo associado à vida em sociedade. Sua origem está ligada ao desenvolvimento das polis gregas, entre os séculos VIII e VII a.C.
A partir de então, tornou-se referência aos estudos que enfocam a política e as próprias condições de seu exercício, tanto nas sociedades antigas quanto nas modernas.
Por outro lado, as mudanças nas estruturas socioeconômicas, incidiram, igualmente, na evolução do conceito e da prática da cidadania, moldando-os de acordo com as necessidades de cada época.
Hoje, uma variedade de atitudes caracteriza a prática da cidadania. Assim, entendemos que um cidadão deve atuar em benefício da sociedade, bem como esta última deve garantir-lhe os direitos básicos à vida, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, trabalho, entre outros. Como consequência, cidadania passa a significar o relacionamento entre uma sociedade política e seus membros.
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Segundo Hannah Arendt:
“A cidadania é o direito a ter direitos, pois a igualdade em dignidade e direitos dos seres humanos não é um dado. É algo construído na convivência coletiva que requer o acesso ao espaço público. É esse acesso ao espaço público que permite a construção de um mundo comum através de um processo de asserção dos direitos humanos.”
Deve-se considerar que a cidadania como acesso ao espaço público, é a luta pela participação e construção do próprio espaço de modo a reivindicar a efetivação dos direitos humanos em seu aspecto sociopolítico e cultural.
“Cidadãos do mundo”
Quem é ele?
O cidadão do mundo é o cidadão público, em um mundo que se transformou em Global, e que virtualmente é um espaço pequeno onde todos estão em qualquer lugar. Este cidadão, dotado de informação e conhecimentos, é entendido como um sujeito capaz de interferir no mundo, e participa, cotidianamente, deste mundo.
Há, portanto, a necessidade de se incluir algumas dimensões essenciais na construção da nova cidadania contemporânea, qual seja, a cidadania democrática, a cidadania social, a cidadania intercultural, a cidadania entre gêneros, a cidadania empresarial e ambiental.
Democracia e Contemporaneidade
Quando um sistema político pode ser considerado democrático?
 Quando seus principais tomadores de decisões coletivas são selecionados através de eleições periódicas, honestas e imparciais; se os candidatos de diferentes correntes de pensamento concorrem livremente pelos votos;
 Se virtualmente toda a população adulta têm direito de voto.
De modo geral, esta concepção minimalista da democracia representa e representou um importante avanço diante dos regimes autoritários que predominaram durante muito tempo em muitas sociedades.
Na atualidade, porém, esta concepção mínima de regime político parece ser muito limitada para encarar os grandes desafios políticos, econômicos e sociais presentes no mundo contemporâneo.
Talvez a abordagem mais pertinente para avançar neste debate seja considerar a chamada democracia de cidadania.