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Universidade Federal do Rio de Janeiro Escola Politécnica Departamento de Engenharia Elétrica Aplicação da Norma IEC 61850 na Proteção, Especificação dos Equipamentos, Supervisão e Controle de Subestações Autor: _________________________________________________ Hugo Estevam de Freitas Picolo Orientador: _________________________________________________ Prof. Sebastião Ércules Melo de Oliveira, D. Sc. Examinador: _________________________________________________ Prof. Sergio Sami Hazan, Ph.D. Examinador: _________________________________________________ Eng. Washington Pinheiro DEE Novembro de 2013 ii Picolo, Hugo Estevam de Freitas Aplicação da Norma IEC 61850 na Proteção, Especificação e Controle de Subestações / Rio de Janeiro: UFRJ / Escola Politécnica / Departamento de Engenharia Elétrica, 2013 XIII, 112 p.: il. 29,7 cm. Orientador: Sebastião Ércules Melo de Oliveira Projeto de Graduação – UFRJ / Escola Politécnica / Departamento de Engenharia Elétrica, 2013. Referências Bibliográficas: p. 97-98 1. Proteção de Sistemas Elétricos de Potência. 2. A Norma IEC 61850. 3. Sistemas de Automação de Subestações. I. de Oliveira, Sebastião Ércules Melo. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. III. Escola Politécnica. IV. Departamento de Engenharia Elétrica iii AGRADECIMENTO Primeiramente agradeço este trabalho a Deus, que me deu as graças necessárias para toda e qualquer realização em minha vida. Agradeço a minha noiva Andressa, que esteve sempre ao meu lado me apoiando e dando força em todos os momentos. Também agradeço a meus pais José Carlos, minha inspiração e referência para cursar engenharia, e Lici, sempre presentes na minha educação, formação e no amor. Finalmente, agradeço à UFRJ e a todo o corpo docente do Departamento de Engenharia Elétrica, em especial ao meu orientador, professor Sebastião de Oliveira, pelas disciplinas ensinadas durante o curso que me deram o conhecimento necessário para a realização deste trabalho. iv RESUMO Este trabalho busca apresentar a norma IEC 61850, protocolo de comunicação que começa a ser utilizado no Brasil e já é utilizado em outros países em Sistemas de Automação de Subestações. Além disso, busca estabelecer a formatação do arquivo que permite especificar uma Subestação de distribuição primária de 34,5 kV – 13,8 kV. Inicialmente é feita uma apresentação da Proteção de Sistemas Elétricos de Potência e de seus principais componentes e características. Em seguida é introduzida a norma IEC 61850, incluindo alguns conceitos básicos, razões para sua utilização, arquiteturas que podem ser utilizadas e protocolos de comunicação, entre outras características. Após a descrição da norma referida, é feita uma breve introdução aos tipos de arquivos de um Sistema de Automação de Subestações normatizado pela IEC 61850 e seu esquema de funcionamento. Finalmente, é apresentado o Visual SCL, software que permite a criação do arquivo que descreve o diagrama unifilar da subestação e seus nós lógicos exigidos de acordo com a norma apresentada. Palavras–Chave: IEC 61850, proteção, automação, subestação, diagrama unifilar, nó lógico. v ABSTRACT This work presents the IEC 61850 standard, communication protocol that starts to be applied in Brazil and that is already used in other countries in Substation Automation Systems. Other concern is to establish the formatting of the file that allows the specification of a 34.5 / 13.8 kV primary distribution substation. Initially, a presentation in Electric Power System Protection is described, along with its main components and key characteristics. Follows an introduction of the 61850 standard, including some basic concepts, reasons for its adoption, architectures that can be used and communication protocols, among other features. After the description of the above standard, a brief introduction to the types of files from a Substation Automation System regulated by IEC 61850 and its operation scheme are presented. Then, the Visual SCL software that enables the creation of the file that describes the substation single line diagram and its required logical nodes is finally introduced. Key words: IEC 61850, protection, automation, substation, single line diagram, logical node. vi SIGLAS AT – Alta Tensão UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UAC – Unidade de Aquisição e Controle UPC – Unidade de Processamento Central ACSI – Abstract Communication Service Interface – Interface de Serviço de Comunicação Abstrata CDC – Common Data Classes – Classes de Dados Comuns CID – Configured IED Description – Descrição Configurada de IED CLP – Controlador Lógico Programável EAT – Extra-Alta Tensão FAT – Functional Acceptance Testing – Teste Funcional de Aceitação GOOSE – Generic Oriented Object Substation Event – Evento Genérico de Subestação Orientado a Objeto GSE – Generic Substation Event – Evento Genérico em Subestação GSSE – Generic Substation Status Event – Evento Genérico em Subestação do tipo Status ICD – IED Capability Description – Descrição da Capacidade do IED IEC TC57 – Technical Committee 57 – Comitê Técnico 57 IED – Intelligent Electronic Device – Dispositivo Eletrônico Inteligente IHM – Interface Homem-Máquina LAN – Local Area Network – Rede de Área Local LC – Logical Connections – Conexões Lógicas LD – Logical Device – Equipamento Lógico LN – Logical Node – Nó Lógico LT – Linha de Transmissão MICS – Model Implementation Conformance Statement – Declaração de Conformidade de Implementação de Modelo MMS – Manufacturing Message Specification – Especificação de Mensagem de Fabricante PC – Physical Connection – Conexão Física PICOM – Comunicação de Pedaço de Informação vii PICS – Protocol Implementation Conformance Statement – Declaração de Conformidade de Implementação de Protocolo PIXIT – Protocol Implementation eXtra Information for Testing – Informação Extra de Implementação de Protocolo para Teste PMU – Phasor Measurement Unit – Unidade de Medição Fasorial RAM – Reliability, Availability and Maintanability – Confiabilidade, Disponibilidade e Manutenabilidade RDP – Registradores Digitais de Perturbação SAS – Sistema de Automação de uma Subestação SAT – System Acceptance Testing – Teste de Aceitação do Sistema SCL – Substation Configuration Language – Linguagem de Configuração da Subestação SCSM – Specific Communication Service Mapping – Mapeamento de Serviço Específico de Comunicação SCADA – Supervisory, Control and Data Acquisition System – Sistema de Supervisão, Controle e Aquisição de Dados SE – Subestação SSD – arquivo de Descrição da Especificação de uma Subestação TC – Transformador de Corrente TP – Transformador de Potencial TRT – Tensão de Restabelecimento Transitória UAC – Unidade de Aquisição e Controle UCP – Unidade Central de Processamento UTR – Unidade Terminal Remota WAN – Wide Area Network – Rede de Área Ampla viii Sumário Capítulo 1 Introdução ....................................................................................................... 1 1.1 – Objetivo ............................................................................................................... 1 1.2 – Descrição ............................................................................................................. 1 Capítulo 2 Proteção de Sistemas Elétricos de Potência .................................................... 2 2.1 – Introdução ............................................................................................................2 2.2 – Proteção de Sistemas Elétricos de Potência ......................................................... 2 2.3 – Panorama Geral da Proteção de um Sistema........................................................ 6 2.3.1 – Zonas de proteção ............................................................................................. 6 2.3.2 – Proteção de Geradores ...................................................................................... 7 2.3.3 – Proteção de Transformadores ........................................................................... 8 2.3.4 – Proteção dos Barramentos ................................................................................ 9 2.3.5 – Proteção das Linhas .......................................................................................... 9 2.4 – Principais Equipamentos de Proteção ................................................................ 10 2.4.1 – Disjuntores ...................................................................................................... 10 2.4.1.1 – Disjuntores a Óleo .................................................................................. 11 2.4.1.2 – Disjuntores a Ar Comprimido ................................................................ 14 2.4.1.3 – Disjuntores a Vácuo ............................................................................... 16 2.4.1.4 – Disjuntores a SF6 .................................................................................... 19 2.4.1.5 – Seleção do Disjuntor Segundo o Tipo de Aplicação .............................. 23 2.4.2 – Transformadores de Corrente ......................................................................... 34 2.4.3 – Transformador de Potencial ........................................................................... 40 2.4.4 – Relés ............................................................................................................... 41 Capítulo 3 A Norma IEC 61850 ..................................................................................... 48 3.1 – Introdução .......................................................................................................... 48 3.2 – Razões para se Utilizar a IEC 61850 ................................................................. 51 3.3 – Conceitos Básicos .............................................................................................. 53 3.3.1 – Conceito de Nó Lógico (LN) ...................................................................... 57 3.4 – Sistema de Comunicação ................................................................................... 59 3.5 – Estrutura e Conteúdo da Norma ......................................................................... 62 3.6 – Requisitos para um Sistema Físico de Comunicação ......................................... 64 ix 3.7 – Independência de Comunicação por Aplicação ................................................. 65 3.8 – Serviços e Modelagem de Dados ....................................................................... 66 3.9 – Padrões das Ferramentas para Engenheiros ....................................................... 68 3.10 – Linguagem de Configuração de um SAS ........................................................ 69 3.11 – Topologia e Funções de Comunicação de um SAS ......................................... 70 3.12 – Os Modelos de Informação de um SAS .......................................................... 71 3.13 – Funções Modeladas pelos LNs ........................................................................ 72 3.14 – Topologias de Rede de um SAS baseado na IEC 61850 ................................. 73 3.15 – Requisitos de Testes ........................................................................................ 78 3.15.1 – Teste de Conformidade .......................................................................... 79 3.15.2 – Teste de Interoperabilidade .................................................................... 80 3.15.3 – Teste de Desempenho ............................................................................. 82 Capítulo 4 Descrição do Arquivo SSD ........................................................................... 84 4.1 – Introdução .......................................................................................................... 84 4.2 – Formatação do Arquivo SSD ............................................................................. 84 4.3 – Descrição dos LNs Utilizados: ........................................................................... 94 4.3.1 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Controle: C ................................... 94 4.3.2 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Proteção: P ................................... 94 4.3.3 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Medição: M .................................. 94 4.3.4 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Função Relacionada: R ................ 94 4.3.5 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Chaves: X ..................................... 94 4.3.6 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Transformadores Instrumentais: T 95 4.3.7 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Transformadores de Potência: Y .. 95 Capítulo 5 Conclusões .................................................................................................... 96 Bibliografia ..................................................................................................................... 97 Anexo A Arquivo SSD da Subestação ........................................................................... 99 x Lista de Figuras Figura 1 – Relés Eletromecânicos .................................................................................... 5 Figura 2 - Zonas de Proteção ............................................................................................ 7 Figura 3 - Classificação dos disjuntores ......................................................................... 11 Figura 4 - Disjuntores do tipo (a) GVO e (b) PVO ........................................................ 12 Figura 5 - Disjuntor GVO Light ..................................................................................... 13 Figura 6 - Interior do Disjuntor a Óleo ........................................................................... 13 Figura 7 - Disjuntor a Ar Comprimido ........................................................................... 14 Figura 8 - Unidade interruptora ...................................................................................... 15 Figura 9 - Corte de base dos contatos ............................................................................. 18 Figura 10 - Câmara de interrupção de um disjuntor a vácuo......................................... 19 Figura 11 - Rigidez Dielétrica x Pressão do SF6 e do ar ............................................... 20 Figura 12 - Esquema de operação do disjuntor a SF6 .................................................... 21 Figura 13 - Câmara Interruptora do Disjuntor a SF6 ..................................................... 22 Figura 14 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE com Barra Simples .................. 26 Figura 15 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE de Barra Simples com Bypass 27 Figura 16 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE de Barra Seccionada................ 28 Figura 17 - Exemplo do Diagrama Unifilar de uma SE com Barra Principal e Transferência .................................................................................................................. 29 Figura 18 - Esquema de Barra Dupla com um Disjuntor ............................................... 31 Figura 19 - Exemplo de um Diagrama Unifilar do Esquema de Barra Dupla com dois Disjuntores ......................................................................................................................31 Figura 20 - Exemplo do Esquema de Disjuntor e Meio ................................................. 32 Figura 21 - Exemplo do Diagrama Unifilar de um Barramento em Anel ...................... 34 Figura 22 - TC de uma SE da Light................................................................................ 35 Figura 23 - Esquema básico de um Transformador de Corrente .................................... 35 Figura 24 - TC do tipo Enrolado .................................................................................... 36 Figura 25 - TC do tipo Barra .......................................................................................... 36 Figura 26 - TC do tipo janela ......................................................................................... 37 Figura 27 - TC do tipo bucha ......................................................................................... 37 Figura 28 - TC de núcleo dividido.................................................................................. 38 xi Figura 29 - TC com vários Enrolamentos Primários ...................................................... 38 Figura 30 - TC com Vários Núcleos Secundários .......................................................... 39 Figura 31 - TC com Vários Enrolamentos Secundários ................................................. 39 Figura 32 - TC do Tipo Derivação no Secundário ......................................................... 40 Figura 33 – Transformador de Potencial ........................................................................ 40 Figura 34 – Representação Esquemática do TP ............................................................. 41 Figura 35 - (a) Relé de Embolo; (b) Relé de Alavanca .................................................. 43 Figura 36 - Relé de Indução por Bobina de Sombra ..................................................... 43 Figura 37 - Relé de Sobrecorrente Eletromecânico ........................................................ 44 Figura 38 - Diagrama de Blocos Típico de um Relé Digital .......................................... 46 Figura 39 – Exemplo de Arquitetura de Comunicação Convencional de uma Subestação ........................................................................................................................................ 51 Figura 40 – Exemplo de Arquitetura de Comunicação de uma Subestação baseada na IEC 61850 ....................................................................................................................... 53 Figura 41 – Configuração Atual da TC 57 ..................................................................... 54 Figura 42 – Meta da TC 57 ............................................................................................. 54 Figura 43 – Modelo de Interface de um SAS pela norma IEC 61850 ............................ 56 Figura 44 – Conceito de LN e Conexão Lógica ............................................................. 57 Figura 45 – Exemplos de Relações entre as Funções, LNs e Nós Físicos ..................... 58 Figura 46 – Visão geral de uma rede IEC 61850 ........................................................... 60 Figura 47 – Mensagem GOOSE ..................................................................................... 61 Figura 48 – (a) Mapeamento de interfaces lógicas para interfaces físicas, utilizando a IF 8 no barramento da estação, e , (b) utilizando a IF 8 no barramento de processos. ....... 65 Figura 49 – Modelo de Referência Básico ..................................................................... 66 Figura 50 – A abordagem de modelagem da série IEC 61850 ....................................... 68 Figura 51 – Troca de Parâmetros do Sistema ................................................................. 69 Figura 52 – Exemplo da Topologia de Automação de Subestação ................................ 71 Figura 53 – Exemplo de Topologia com Switch Único ................................................. 75 Figura 54 – Exemplo de Topologia Estrela .................................................................... 76 Figura 55 – Topologia Dupla Estrela ............................................................................. 77 Figura 56 – Topologia em Anel Simples ........................................................................ 77 Figura 57 – Conexões Realizadas para o Teste de Conformidade ................................. 79 Figura 58 - Sistema para Teste de Interoperabilidade de Vários IEDs .......................... 82 Figura 59 – Processo de Engenharia............................................................................... 85 xii Figura 60 – Diagrama Unifilar da Subestação ............................................................... 87 Figura 61 – Divisão dos Vãos da Subestação ................................................................. 89 Figura 62 – Visual SCL .................................................................................................. 91 Figura 63 – Modelagem da Subestação / Arquivo SSD ................................................. 92 Figura 64 – Subestação ................................................................................................... 93 xiii Lista de Tabelas Tabela 1 – Funções de Proteção Segundo a ANSI ......................................................... 47 Tabela 2 – "Ilhas de Dados" ........................................................................................... 49 Tabela 3 – Tipos de Mensagens ..................................................................................... 59 Tabela 4 – Grupos de LNs definidos pela IEC 61850 .................................................... 73 1 Capítulo 1 Introdução 1.1 – Objetivo Esse trabalho tem como objetivo apresentar as características da Proteção de Sistemas Elétricos, detalhar um exemplo de como introduzir um novo padrão de comunicação de um SAS de uma SE de distribuição, a norma IEC 61850 e a formatação do arquivo que permite especificar uma SE de distribuição primária de 34,5 kV – 13,8 kV. 1.2 – Descrição No capítulo 2 são introduzidas as características e os principais equipamentos utilizados em um sistema de Proteção de Sistemas Elétricos. O capítulo 3 apresenta a norma IEC 61850, seus conceitos básicos, objetivos, e uma visão geral de sua aplicação, topologias, entre outros. O capítulo 4 mostra como foi feita a formatação do arquivo de descrição de uma subestação de distribuição de 34,5 kV - 13,8 kV utilizando o software Visual SCL, de acordo com a norma apresentada. As conclusôes são apresentadas no capítulo 5 que também aponta os resultados da descrição do arquivo SSD em relação à norma IEC 61850 e de análise final sobre o tema. 2 Capítulo 2 Proteção de Sistemas Elétricos de Potência 2.1 – Introdução Este capítulo descreve as principais características da Proteção dos Sistemas Elétricos de Potência e os seus principais equipamentos. São apresentados os principais tipos de disjuntores, as características básicas dos transformadores de corrente (TC), dos transformadores de potencial (TP) e dos relés de proteção de acordo com o seu tipo (eletromecânicos, estáticos e digitais), além das principais funções de proteção que serão utilizadas no Capítulo 4 para a formatação do arquivo que descreve a subestação baseada na norma IEC 61850. 2.2 – Proteção de Sistemas Elétricos de Potência Os sistemas elétricos de potência são constituídos por conjunto de equipamentos como geradores, transformadores, disjuntores, linhas de transmissão, subtransmissão e distribuição cujo principal objetivo é fornecer energia elétrica aos consumidores de forma confiável, econômica e ininterrupta [6]. A proteção dos sistemas elétricos tem por objetivo isolar o equipamento defeituoso de formarápida e confiável, prejudicando apenas uma pequena parcela da rede elétrica, evitando perdas de carga, além de proteger os equipamentos e também preservar a condição física de pessoas. Para isso, certos requisitos devem ser preenchidos: 3 ‒ Confiabilidade; ‒ Sensibilidade; ‒ Velocidade; ‒ Seletividade. As causas básicas dos defeitos encontrados são [6]: ‒ Sobrecarga: é o aumento da corrente de carga acima de seu valor nominal e que provoca o aumento da temperatura dos equipamentos do sistema elétrico; ‒ Curto–circuito: são provocados geralmente por descargas atmosféricas, mas podem ocorrer ainda por causa de falhas no isolamento e galhos de árvores, entre outras causas. ‒ Surtos: são tensões ou correntes elevadas provocadas principalmente por corrente de magnetização de transformador, partida de motor, chaveamento, rejeição repentina de carga, etc. A proteção geralmente é implementada através de esquemas de proteção, que são basicamente comandados por relés que tem como função primordial identificar os defeitos, localizá-los da maneira mais precisa possível e emitir alerta ao operador do sistema, promovendo o isolamento do defeito (abrindo os disjuntores). Os primeiros relés de proteção utilizados eram de tecnologia eletromecânica, normalmente do tipo unifunção [1]. O sistema de controle e supervisão associado, por sua vez, era constituído por chaves de controle e chaves seletoras, lâmpadas indicadoras, barramento mímico, instrumentos de medição indicativa e por um ou mais anunciadores de alarme. Os dispositivos de controle eram distribuídos em painéis de controle e os relés em painéis de proteção. Em tensões de 138 kV até 345 kV utilizava-se, em geral, um painel de controle e um painel de proteção para cada saída de linha ou transformador, além de um ou mais painéis para as funções comuns. Nas subestações de 500 kV e 765 kV, a quantidade de relés e dispositivos de controle era tal que cada saída requeria, muitas vezes, 2 painéis de controle e 2 painéis de proteção. Todos estes painéis eram localizados numa casa de controle que, em alguns casos, precisava ser ampliada para comportar mais painéis e cabos. 4 Nas SEs e usinas de maior porte, um grande espaço era necessário para acomodar todos estes painéis, aumentando o custo das edificações necessárias para abrigá-los. Adicionalmente, o fato de as diferentes lógicas utilizadas nos circuitos de controle e intertravamentos serem implementadas por ligação física de contatos (em série ou em paralelo) através de fios, era requerido que um conjunto independente de contatos auxiliares dos disjuntores e chaves seccionadoras fosse utilizado para cada uma das diferentes lógicas necessárias, aumentando muito a cablagem. Como alternativa, podiam-se utilizar relés auxiliares que, porém, aumentavam a fiação interna e o custo dos painéis. Em vista das distâncias envolvidas e do grande número de cabos por vão, estas subestações e usinas requeriam, muitas vezes, dezenas ou até centenas de quilômetros de cabos de controle, bem como as respectivas estruturas para contê-los (eletrodutos, dutos, canaletas e bandejas). Todos estes fatores oneravam o custo das instalações e dificultavam muito a manutenção. Como os níveis de tensão em um sistema elétrico são normalmente elevados, os relés operam com mais segurança quando energizados por transformadores de tensão e corrente. Os transformadores de potencial (TP) e de corrente (TC) são transformadores destinados apenas a alimentar os equipamentos de medição, controle e proteção. Os equipamentos de proteção encontrados em um sistema elétrico de potência são basicamente, os relés, TCs, TPs, banco de baterias, disjuntores e contatos auxiliares. Esses equipamentos exigiam cuidados na instalação e no seu ajuste, pois pequenas peças mecânicas eram utilizadas na sua montagem, além dos relés suportarem apenas uma ou duas funções de proteção, o que exigia a utilização de vários relés para funções de retaguarda, mais cabos e mais espaço físico nos painéis. Na figura 1 podem ser vistos alguns relés eletromecânicos. 5 Figura 1 – Relés Eletromecânicos Estes relés ainda são muito encontrados em uso em diversas concessionárias no Brasil. Porém aos poucos estão sendo substituídos por equipamentos mais modernos devido à falta de peças de reposição. Com o desenvolvimento dos semicondutores surgiram os primeiros relés eletrônicos, também conhecidos como relés estáticos por não possuírem partes móveis. Estes relés exigiam cuidados de instalação, como por exemplo, um melhor controle de temperatura, umidade, e das interferências eletromagnéticas. Os elementos básicos que constituem um relé eletrônico são a unidade conversora, as unidades de medição e de saída e a fonte de alimentação. Eles foram utilizados por pouco tempo no setor elétrico devido a pouca aceitação e ao aparecimento posterior dos relés digitais. Com a melhoria dos microprocessadores, surgiram os primeiros relés digitais. Esses equipamentos utilizam em seus algoritmos os princípios dinâmicos dos relés eletromecânicos e a evolução da eletrônica digital [1]. Os relés digitais atuais são chamados de Dispositivos Eletrônicos Inteligentes que, além das funções de proteção, possuem funcionalidades adicionais de outros equipamentos, como medição de grandezas analógicas, monitoramento de disjuntores, comutadores de tap, monitores de qualidade de energia, PMUs, CLPs, reguladores de tensão, alarmes, etc. 6 Os relés digitais estão hoje sendo bastante utilizados em novos projetos de Sistemas Elétricos de Potência e na substituição de relés eletromecânicos e estáticos. Algumas de suas vantagens são a velocidade, confiabilidade, integração digital e flexibilidade funcional. 2.3 – Panorama Geral da Proteção de um Sistema No momento crítico de um defeito, a continuidade da distribuição de energia depende muito do correto funcionamento dos dispositivos de proteção existentes. Tem sido fabricado um grande número de esquemas de proteção destinados às partes e equipamentos das instalações. Nesse item será feito um esboço geral das zonas de proteção e as proteções usuais relativas a transformadores, barramentos e linhas de transmissão. 2.3.1 – Zonas de proteção A atuação da Proteção de Sistemas Elétricos se encontra em três níveis que são conhecidos como proteção principal, proteção de retaguarda e proteção auxiliar [6]. Proteção principal: Em caso de faltas dentro da zona protegida, é quem deverá atuar primeiro; Proteção de retaguarda: proteção que só deverá atuar quando houver falha na proteção principal; Proteção auxiliar: é constituída por funções auxiliares das proteções principal e de retaguarda, cujos objetivos são sinalização, alarme, temporização, intertravamentos, etc. Podem ser observados na figura 2 os diversos níveis da proteção de um sistema elétrico (geração, transmissão e distribuição) e possível posição dos disjuntores para cada zona de proteção [13]. 7 Figura 2 - Zonas de Proteção 2.3.2 – Proteção de Geradores Os dispositivos usuais de proteção de geradores podem ser classificados em duas categorias principais e que compreendem: a) medidas preventivas e dispositivos de proteção contra os defeitos externos ao gerador, e b) proteção contra defeitos internos dos mesmos. Ao lado de alguns dispositivos não associados diretamente a operação dos relés, tais como para-raios, indicadores de circulação de óleo, termostatos, etc., os seguintes elementos fazem parte do primeiro grupo [16]: Relés térmicos, contra as sobrecargas; Relés temporizados, a máximo de corrente, contra os curtos-circuitos; Relés a máximo de tensão contra as elevações de tensão devidas às manobras normais do sistema; Relés sensíveis a corrente de sequencia negativa, para proteção contrafuncionamento sob carga assimétrica ou desequilibrada; Relés de potência inversa, para impedir o funcionamento do gerador como motor, etc. No grupo de proteção contra os defeitos internos, os seguintes dispositivos são basicamente encontrados: 8 Proteção diferencial contra os curtos-circuitos entre elementos de enrolamentos de fases diferentes; Proteção contra os defeitos à massa do estator; Proteção contra os defeitos à massa do rotor; Proteção contra os curtos-circuitos entre espiras da mesma fase; Proteção contra a abertura acidental ou não dos circuitos de excitação. Além desses, há os dispositivos intimamente ligados à proteção do gerador: dis- positivos de rápida desexcitação, que evitam uma destruição maior dos enrolamentos devido à sua própria tensão interna, e a proteção contra incêndio, que atua na extinção de fogo iniciado pelos arcos voltaicos dos defeitos. 2.3.3 – Proteção de Transformadores Deve-se considerar basicamente as proteções contra as sobrecargas e os curto- circuitos. Na proteção contra curto-circuito encontram-se [16]: Para grandes transformadores desempenhando papel importante na continuidade do serviço, Proteção diferencial; Proteção Buchholz. Para unidades menores que 1000 kVA, e para transformadores de média potência em sistemas radiais, Relés de sobrecorrente temporizados; Fusíveis. Na proteção contra sobrecargas usam-se: Imagens térmicas; Relés térmicos. Embora a construção dos transformadores tenha atingido um nível técnico bas- tante elevado, devem ser consideradas duas causas principais de defeito nos seus isola- 9 mentos resultantes de: sobretensões de origem atmosférica e aquecimento inadmissível dos enrolamentos devido a sobrecargas permanentes ou temporárias repetitivas, mas que, mesmo sendo toleráveis na operação do sistema, conduzem ao envelhecimento prematuro do isolante dos enrolamentos e, finalmente, aos curto-circuitos entre espiras ou mesmo entre fases. 2.3.4 – Proteção dos Barramentos De um modo geral, é muito importante uma rápida proteção das barras pois, frequentemente, produzem-se grandes concentrações de energia nesses locais, o que conduz, em caso de defeito, a grandes prejuízos materiais e sérias perturbações à operação do sistema elétrico. Diversos fatores dificultam a generalização da proteção de barramentos [16]: ‒ Exigência absoluta de segurança de serviço e seletividade, já que os desligamentos intempestivos podem ter repercussões desagradáveis sobre a distribuição da energia e sobre as interconexões; ‒ No caso de barras múltiplas e/ou seccionadas, a comutação a ser feita automaticamente nos circuitos dos serviços auxiliares, em caso de defeito numa seção, torna-se complexa. A considerar a exigência de manutenção da seletividade, para cada forma de acoplamento. Assim, a estrutura da proteção depende das particularidades de cada caso. Basicamente há, entre outras, as seguintes possibilidades: ‒ Colocação de relés temporizados, tipo impedância mínima, nas linhas de alimentação conectadas ao barramento; ‒ Uso de relés de sobrecorrente em conexão diferencial, ou relés diferenciais compensados, enxergando o somatório das correntes que saem da barra; 2.3.5 – Proteção das Linhas O defeito mais importante nas linhas é o curto-circuito, mas a sobrecarga também deve ser considerada. Por mais que nas redes de alta ou extra-alta tensão se deva obter rapidez máxima de desligamento por motivo de manutenção da característica de estabilidade eletromecânica, pode-se admitir, para redes menos sensíveis, tempos de 10 desligamento maiores. Quanto menor for a exigência de alta velocidade no desligamento, mais simples serão os equipamentos de proteção, e a simplicidade é um objetivo muito procurado neste caso. Os recursos listados abaixo são os mais usuais nesse tipo de proteção [16]: ‒ Proteção temporizada, com relés de sobrecorrente de tempo definido – nos casos de redes radiais ou redes em anel com disjuntor de acoplamento abrindo instantaneamente; ‒ Proteção temporizada, com relés de sobrecorrente de tempo inverso – nos casos de média tensão onde a corrente de curto-circuito é largamente superior à corrente nominal do relé; ‒ Proteção direcional de sobrecorrente temporizada – usadas nas redes de até 20 kV com alimentação unilateral; ‒ Proteção com relés de distância – para redes de alta ou extra-alta tensão; ‒ Proteção diferencial longitudinal, por fio-piloto – usadas nas linhas aéreas e em cabos de média e alta tensão. A proteção contra sobrecarga deve permitir a máxima utilização da linha, sem que o aquecimento resultante a danifique. Para isso, são utilizados relés térmicos com tempo de operação igual ou inferior àquele do cabo a proteger. 2.4 – Principais Equipamentos de Proteção 2.4.1 – Disjuntores A principal função dos disjuntores é a interrupção de correntes de falta tão rapidamente quanto possível, de forma a limitar a um mínimo os possíveis danos causados aos equipamentos pelos curto-circuitos [6]. Além das correntes de falta, o disjuntor deve ser capaz de interromper correntes normais de carga, correntes de magnetização de transformadores e reatores e as correntes capacitivas de bancos de capacitores e de linhas em vazio. Ele deve também ser capaz de fechar circuitos elétricos não só durante condições normais de carga como na presença de curtos-circuitos. As funções mais utilizadas por eles são, em primeiro lugar, a condução de correntes de carga na posição fechada, seguindo-se o isolamento entre duas partes de um sistema elétrico [10]. 11 Os disjuntores devem ser mecanicamente capazes de abrir em tempos muito curtos, após terem permanecido na posição fechada por vários meses. Esta exigência impõe cuidados especiais no projeto do equipamento, no sentido de reduzir a um mínimo as massas das partes móveis e de garantir a mobilidade das válvulas, ligações mecânicas, etc. Eles são classificados como mostrado na figura 2 [11]: Figura 3 - Classificação dos disjuntores 2.4.1.1 – Disjuntores a Óleo São disjuntores cujos contatos principais operam imersos em óleo isolante que serve tanto para extinção do arco elétrico como para isolar as partes energizadas no contato com o tanque. Nesses disjuntores, o meio isolante e de extinção é o óleo mineral isolante onde os contatos móveis, de forma cilíndrica ou retangular com a ponta formada por uma pastilha de liga de tungstênio resistente à ação corrosiva do arco elétrico, podem sofrer ação corrosiva. Isto pode resultar na necessidade de substituição dos contatos após determinado período de operação [10]. 12 Nos disjuntores a óleo pode-se distinguir dois efeitos principais de extinção do arco voltaico: o efeito de hidrogênio e o efeito de fluxo líquido [11]. O efeito de hidrogênio consiste no fato de que em elevada temperatura, o arco elétrico decompõe o óleo, liberando de tal modo vários gases onde o hidrogênio predomina. Já o efeito de fluxo líquido consiste em liberar óleo mais frio sobre o arco elétrico de maneira que grandes quantidades de calor possam ser retiradas pelos gases resultantes. Os disjuntores a óleo estão basicamente divididos em: disjuntores de grande volume de óleo (GVO) e de pequeno volume de óleo (PVO) (ver figura 4). No caso dos GVO de pequena capacidade, as fases ficam imersas em um único recipiente contendo óleo, que é usado tanto para a interrupção das correntes quanto para prover o isolamento. Nos disjuntores de maior capacidade, o encapsulamento é monofásico. Já nos PVO, é projetada uma câmara de extinção com fluxo forçado sobre o arco, aumentando-se a eficiência do processo de interrupção da corrente e diminuindo-se drasticamente o volume de óleo do disjuntor. A manutenção dos disjuntores a PVO requer cuidados especiais quanto ao óleo isolante,contatos, buchas, atuador mecânico e circuitos auxiliares. A maior vantagem do disjuntor GVO sobre o PVO é a grande capacidade de ruptura em curto-circuito em tensões de 138 kV [10]. (a) Disjuntor GVO (b) Disjuntor PVO Figura 4 - Disjuntores do tipo (a) GVO e (b) PVO 13 Podemos ver nas figuras 5 e 6, um exemplo de um disjuntor do tipo GVO encontrado em uma SE da Light [15]. Figura 5 - Disjuntor GVO Light Figura 6 - Interior do Disjuntor a Óleo 14 2.4.1.2 – Disjuntores a Ar Comprimido Neste tipo de disjuntor, o mecanismo eletropneumático preenche duas funções simultaneamente, ou seja, proporcionar a operação mecânica do disjuntor através da abertura e fechamento dos contatos e também a de efetuar a extinção do arco, fornecendo ar na quantidade e pressão necessárias para tal. O principio da extinção é basicamente simples, consistindo em criar-se um fluxo de ar sobre o arco, fluxo este provocado por um diferencial de pressão, quase sempre descarregando o ar comprimido após a extinção para a atmosfera após a extinção [10]. Praticamente todos os modelos mais recentes de disjuntores a ar comprimido usam o principio de sopro axial, ou seja, o arco é distendido e “soprado” axialmente em relação aos bocais e contatos, sendo que, dentro deste principio geral, pode-se classificar ainda o sistema de extinção (bocais) em duas categorias: o sistema de sopro unidirecional e o sistema de sopro bidirecional. No sistema unidirecional, somente um dos contatos é oco, permitindo a saída do ar após a extinção somente em uma direção. No segundo, ambos os contatos, fixo e móvel, são ocos e o arco expande-se em ambas as direções, como se pode observar na figura 7 abaixo: Figura 7 - Disjuntor a Ar Comprimido Na figura 8 podemos ver a unidade interruptora e a descrição do seu funcionamento: 15 Figura 8 - Unidade interruptora A haste principal de acionamento (1) é movimentada para cima, acionando a válvula de controle (2) que liberta o ar comprimido para o êmbolo da válvula de sopro (3) e para o tubo de comando (4). Esse tubo irá acionar o disco da válvula de escape (5) que ativa o contato móvel (7) abrindo-o e, ao mesmo tempo, libertando o ar comprimido do interior da câmara para a atmosfera através de (6). Neste mesmo período de tempo, o êmbolo da válvula de sopro (3) também liberta o ar do interior da câmara para a atmosfera. Cria-se, assim, uma diferença de pressão dentro da câmara, que irá provocar um fluxo de ar desionizado e frio entre os contatos das duas direções (pois ambos os escapes (2) e (3) estão em sentidos opostos), extinguindo-se o arco voltaico. Deste modo, o movimento de abertura dos contatos é feito em duas etapas, a primeira para a extinção do arco e, após um pequeno retardo e fecho das válvulas de escape e sopro, a segunda etapa em que os contatos atingem a sua posição final de abertura [10]. A fim de que o ar comprimido possa cumprir com êxito as funções de meio acionador, de meio extintor e de meio isolante do disjuntor, ele deve ter características de pureza, ausência de unidade e pressão adequadas para tal. Isto é conseguido através de unidades centrais de ar comprimido, compostas de compressores, filtros, desumidi- ficadores, etc. Embora possam ser usados em toda a gama de tensões, os disjuntores de ar comprimido encontram a sua gama de aplicação em AT e em EAT, ou seja, acima de 245 kV. As suas características de rapidez de operação (abertura e fechamento) aliadas 16 às boas propriedades extintoras e isolantes do ar comprimido, assim como a segurança de um meio extintor não inflamável quando comparado ao óleo, garantem uma posição de destaque a estes disjuntores nos níveis extremos de tensão. Vantagens dos disjuntores de ar comprimido [10]: ‒ Disponibilidade total do meio extintor; ‒ A mobilidade do meio extintor, que é também o meio de acionamento, com alta velocidade de propagação, permite que ele seja canalizado para acionar contatos principais, a abertura e o fechamento, com mecanismos relativamente leves, o que torna estes disjuntores bastante rápidos e, portanto, aptos a atuar em EAT; ‒ Pode-se ajustar a capacidade de interrupção e propriedades de isolação, variando-se a pressão de operação; ‒ A compressibilidade do meio extintor, ao contrário do óleo, permite que as estruturas estejam isentas das ondas de choque transitórias geradas pelo arco voltaico; Desvantagens dos disjuntores a ar comprimido: ‒ Alto custo do sistema de geração de ar comprimido, principalmente em pequenas instalações onde cada disjuntor tem que ter a sua própria unidade geradora, bem como reservatórios de alta pressão; ‒ A distribuição do ar comprimido em alta pressão por toda a SE no caso de unidades centrais de geração, além de ter um alto custo, requer uma constante manutenção; ‒ No caso de operação junto a áreas residenciais onde existem limitações de nível de ruído, é obrigatório o uso de silenciadores para estes disjuntores; 2.4.1.3 – Disjuntores a Vácuo As propriedades do vácuo como meio isolante são mais conhecidas e as primeiras tentativas de se obter a interrupção de uma corrente alternada em câmara de vácuo datam de 1926, quando foi interrompida com sucesso uma corrente de 900 A em 40 kV. No entanto, as dificuldades técnicas da época referentes à técnica de vácuo, disponibilidade de materiais e métodos de fabricação, que garantissem uma câmara com vácuo adequado, isenta de impurezas e vazamentos, fez com que a introdução destes 17 disjuntores fosse postergada para a da década de 60, com sua produção em grandes volumes para média tensão começando realmente no início dos anos 70. ‒ Arco voltaico a vácuo: esta expressão, a principio, pode parecer contraditória, pois a existência de um arco voltaico pressupõe a existência de íons positivos e elétrons que, por assim dizer, lhe sirvam de caminho. No vácuo não existe, a principio, possibilidade de se encontrar estas partículas. No caso dos disjuntores a vácuo, os íons positivos e elétrons são fornecidos pela nuvem de partículas metálicas provenientes da evaporação dos contatos, formando assim o substrato para o arco voltaico [10]. Após a interrupção de corrente, estas partículas depositam-se rapidamente na superfície dos contatos, recuperando-se, assim, a rigidez dielétrica entre os mesmos. Esta recuperação da rigidez dielétrica é muito rápida nos disjuntores a vácuo, o que permite altas capacidades de ruptura em câmaras relativamente pequenas. O arco voltaico no vácuo pode ser de dois tipos: ‒ Arco difuso: quando se interrompem pequenas correntes, até aproximadamente 10 kA, tem-se a formação do arco difuso, ou seja um arco distribuído por toda a superfície dos contatos. A superfície dos contatos, apesar de lisa, possui uma micro-rugosidade responsável pela formação de últimos pontos de contato que irão aquecer-se na separação galvânica dos mesmos, devido à alta densidade de corrente (10 4 A/cm a 10 9 A/cm). Formam-se focos de emissão iónica que irão irradiar os íons e elétrons responsáveis pela formação de um pequeno arco voltaico. Em toda a superfície dos contatos, tem-se, da mesma maneira, a formação de inúmeros arcos paralelos, dando origem ao chamado arco difuso. ‒ Arco contraído: A partir de um determinado valor de corrente (aproximadamente 10 kA), o arco voltaico se contrai, tornando possível localizar um foco de emissão iónica sobre os contatos de alguns milímetros de diâmetro. A transição do arco difuso para o arco contraído é provocada pelo aumento do campo magnético dos vários arcos paralelos com o aumento de corrente cujas forças de atração começam a superar as forças termodinâmicas do plasma que sustentavam estes arcos. Com isto, os focos de emissão iônica se deslocam e se juntam, formando um foco único e contraindoo arco. A ação deste foco sobre os contatos seria prejudicial, em termos de extinção. Um foco destas dimensões, fixo sobre os contatos, possui uma constante de tempo de resfriamento muito 18 grande (de alguns milissegundos) devido à grande quantidade de vapor emitido. Portanto, resulta uma deposição muitíssimo mais lenta das partículas metálicas sobre os contatos, após o zero de corrente, com consequente redução da capacidade de ruptura até valores inadmissíveis. A fim de se evitar essa ação prejudicial do arco contraído, usa-se o efeito do campo magnético gerado pelo próprio arco, a fim de fazê-lo percorrer todo o contato, atuando assim sempre sobre a camada de metal frio. Com isto, elimina-se o efeito da erosão sobre os contatos e evita-se a formação de uma coluna de plasma estável, difícil de extinguir. Para obter este efeito, é comum efetuar o corte da base dos contatos em ângulos pré–determinados, como mostra a figura 9. Figura 9 - Corte de base dos contatos O disjuntor a vácuo possui uma grande segurança de operação, pois não necessitam de suprimento de gases ou líquidos e não emite chamas ou gases. Praticamente não requerem manutenção, possuindo uma vida extremamente longa em termos de número de operações a plena carga e em curto. A relação capacidade de ruptura/ volume é grande, tornando estes disjuntores bem apropriados para o uso em cubículos. Devido à ausência de meio extintor gasoso ou líquido, podem ser aplicados para religamentos automáticos múltiplos. Na figura 10 pode ser visto a câmara de interrupção de um disjuntor a vácuo. 19 Figura 10 - Câmara de interrupção de um disjuntor a vácuo 2.4.1.4 – Disjuntores a SF6 Antes de apresentar as características deste tipo de disjuntor, algumas propriedades do gás SF6 são ressaltadas. Este gás possui uma série de propriedades físicas e químicas que o torna um meio isolante e extintor por excelência. O SF6 é um gás incombustível, não venenoso, incolor, inodoro. Devido à sua estrutura molecular simétrica, é extremamente estável e inerte até cerca de 5000ºC, comportando-se, portanto, como um gás nobre. O SF6 é armazenado em um sistema fechado e fica praticamente isento de umidade por toda a vida útil do equipamento [13]. Além disso, existe a presença de filtros com elementos desumidificadores para qualquer eventualidade, de maneira que, o problema de umidade e de suas consequências seja praticamente inexistente. Com um peso especifico de 6,14g/l, ele é cinco vezes mais pesado que o ar. As características isolantes do SF6 variam em função da pressão (na realidade em função da densidade) e são bastante superiores aquelas dos meios isolantes mais comuns usados em disjuntores que são o óleo mineral e o ar 20 comprimido. A figura 11 mostra uma comparação de rigidez dielétrica entre esses meios isolantes. Figura 11 - Rigidez Dielétrica x Pressão do SF6 e do ar ‒ Disjuntores a SF6 de dupla pressão [10]: Estes disjuntores constituem a 1ª geração de disjuntores a SF6. Hoje, praticamente não são mais fabricados, cedendo o seu lugar aos disjuntores de pressão única (2ª geração) de construção extremamente mais simples. Como o próprio nome indica, o disjuntor de pressão dupla incorpora no seu interior um circuito de alta pressão de SF6 (20 bar) e um de baixa pressão (2,5 bar). Através da válvula de descarga, o gás é injetado do reservatório intermediário de pressão para os bocais dos contatos, extinguindo-se assim o arco. ‒ Disjuntores a SF6 de pressão única: Nestes disjuntores o gás está num sistema fechado de pressão única de 6 a 8 bar, dependendo do modelo. O diferencial de pressão é adquirido criando uma sobrepressão transitória durante a manobra de abertura dos contatos. A figura 12 mostra o esquema de operação. 21 Figura 12 - Esquema de operação do disjuntor a SF6 A trajetória da corrente é formada pelas placas de contato (1), o primeiro contato fixo (2), os segmentos de contato (3) montados sob molas dentro do tubo de contato móvel e o segundo contato fixo (2). Os dois contatos fixos, quando ocorre a posição “fechado”, são ligados entre si pelos segmentos de contato, ou seja pelo contato móvel. Este é rigidamente acoplado ao cilindro de sopro (4) e entre ambos está um êmbolo fixo de forma anelar (5). Ao se dar o comando de abertura ao disjuntor, o contato móvel e o cilindro começam a movimentar-se, comprimindo o gás contra o êmbolo fixo. A pressão neste espaço vai aumentando com a diminuição do volume até ao momento em que os contatos se separam. Verifica-se então o aparecimento do arco e, ao mesmo tempo, a descarga da sobrepressão para o resto do sistema, ocasionando o fluxo de gás sobre o arco, extinguindo-o [10]. 22 Desta maneira torna-se desnecessária toda a geração de alta pressão e injeção temporizadora do gás sobre o arco que existiam nos disjuntores a dupla pressão, ou seja, o sistema de compressor, válvulas e registros, mecanismos de válvula de sopro, reservatório de alta pressão, sistema de monitorização do lado de alta pressão, etc. ‒ Disjuntores a SF6 de dois ciclos: Para as redes com tensões nominais de 420kV [10] ou maiores, é de extrema importância ter tempos de interrupção bastante curtos para grandes correntes de curto-circuito, visando a manutenção da estabilidade entre as usinas geradoras. Para isto, especificam-se, geralmente, os chamados disjuntores de dois ciclos, ou seja, disjuntores que manobram com a rapidez e eficiência suficientes para cortar correntes de curto-circuito em apenas dois ciclos (aproximadamente 33,33 ms para rede de 60 Hz). A câmara interruptora desse tipo de disjuntor pode ser vista na figura 13. Figura 13 - Câmara Interruptora do Disjuntor a SF6 23 Assim sendo, no disjuntor de SF6 o requisito de dois ciclos é atingindo a partir de um artificio mecânico na unidade interruptora através da qual o cilindro insuflador se move não contra um embolo fixo, mas um contra-êmbolo móvel, que se movimenta durante a fase de compressão do gás no sentido contrário ao do ciclo. No final da manobra de abertura, este contra-êmbolo desliza de volta para a sua posição inicial. 2.4.1.5 – Seleção do Disjuntor Segundo o Tipo de Aplicação As caraterísticas técnicas do disjuntor devem ser escolhidas segundo o tipo de aplicação, ou seja, cada tipo específico de aplicação gera um determinado conjunto de características técnicas particulares. Essas características devem ser obtidas através de vários estudos, como o de regime permanente, de sobrecorrente, sobretensões dinâmicas, sobretensões transitórias, entre outros. Os equipamentos de manobra podem, a princípio, ser subdivididos em três grupos: equipamentos de interrupção, equipamentos de manobra sem carga e equipamentos intermediários. O disjuntor se encontra no primeiro grupo referido, como equipamentos capazes de interromper e estabelecer as correntes nominais e as de curto- circuito. Um conjunto de características mínimas para o disjuntor de cada tensão é estabelecido pela ABNT NBR 7118, além das normas da IEC e ANSI, definidas para cobrir as necessidades do sistema brasileiro [16]. Atuação do Disjuntor em Banco de Capacitores Com o advento das chaves e disjuntores e a descrição já realizada de seu desempenho durante a operação de abertura, a preocupação com suas características especiais fica restrita a transitórios originados durante o fechamento. Esses transitórios são as correntes de alta frequência que o equipamento de manobra deve suportar na energização de bancos de capacitores e cujo valor pode ser limitado através de instalação de reator série. 24 Atuação do Disjuntor em Manobra de Reatores, Transformadores ou Motores Neste caso, a preocupação fica circunscrita à operação de abertura. O dispositivo mais utilizado para limitara sobretensão devida à interrupção de uma corrente indutiva é o resistor de pré-inserção de abertura. Esse dispositivo, contudo, normalmente só é encontrado em disjuntores para tensões mais elevadas (EAT), e que utilizam principal- mente ar comprimido como meio de extinção do arco. Atuação do Disjuntor em LT O disjuntor, quando aplicado para manobrar LTs, deverá ter as seguintes características: Necessidade de resistor de pré-inserção de fechamento – para diminuição das sobretensões transitórias de manobra (energização e religamento) de linhas de transmissão. Sua utilização propicia grande economia na construção de LTs, pois, com a diminuição da sobretensão de impulso de manobra, as distâncias fase-terra e fase-fase dessas linhas podem ser reduzidas. A especificação do disjuntor deverá estabelecer uma faixa de valores da resistência ôhmica, do tempo de inserção e da dissipação de energia desse resistor, obtidos através de estudos. Necessidade de resistor de pré-inserção de abertura – para facilitar a interrupção e limitar as sobretensões de manobra aplicadas aos equipamentos chaveados Manobra monopolar – essa prática exige a utilização de disjuntores próprios para o religamento monopolar, o que pode ser obtido com polos controlados independentemente. O controle dos polos é de fácil implementação nos disjuntores do tipo tanque vivo. A manobra monopolar permite melhorar a confiabilidade do sistema com relação à estabilidade transitória. Abertura de correntes capacitivas – o disjuntor destinado à manobra de LT deverá ter capacidade de manobra de corrente capacitiva proveniente da linha energizada em vazio. A pior condição envolve o disjuntor interrompendo uma corrente capacitiva por ocasião de um curto-circuito monofásico, quando simultaneamente ocorre rejeição de carga. Nessa condição, os polos do disjuntor referentes às fases em 25 funcionamento devem interromper uma corrente aumentada sob condição de sobretensão dinâmica (temporária). Essa sobretensão e a corrente aumentada dependem do tipo de aterramento do sistema, e seus valores devem ser fornecidos na especificação. Abertura de faltas – todo disjuntor utilizado para manobra de linha de transmissão deve ter valores de TRT especificados para faltas quilométricas (faltas na linha) e faltas terminais, etc. Atuação do Disjuntor em Interligações Os disjuntores utilizados em pontos correspondentes à interligação de dois sistemas elétricos devem ter especificadas as características de manobra em oposição de fases. Atuação do Disjuntor em Geradores (ou Compensador Síncrono) Os projetos de disjuntores atualmente existentes são adequados às necessidades da geração. No futuro, à medida que a capacidade do gerador cresce, os projetos desses disjuntores devem ser reavaliados ou substituídos, de forma a permitir sua operação com níveis mais elevados de corrente nominal e de curto-circuito. Esquemas de Disjuntores em SEs O esquema de manobra de uma SE apresenta o arranjo elétrico e físico dos equipamentos de manobra e do barramento. Denomina-se arranjo a configuração dos equipamentos eletromecânicos que constituem um pátio pertencente a um mesmo nível de tensão, de tal forma que sua operação permita dar à subestação diferentes graus de confiabilidade, segurança ou flexibilidade de manobra, transformação e distribuição de energia. Os esquemas de manobras mais utilizados são [16]: 26 Esquema de Barra Simples Corresponde ao esquema mais básico de uma SE. Neste esquema, todos os circuitos se conectam à mesma barra de forma que, na ocorrência de alguma falta, estes circuitos são desligados. A figura 14 apresenta um exemplo do diagrama unifilar desta configuração. Devido à perda dos circuitos na presença de uma falta ou na manutenção do disjuntor, esse arranjo é utilizado em SEs de pequeno porte. Esse tipo de configuração apresenta as seguintes características: Área necessária para construção reduzida; Baixa confiabilidade; Baixa disponibilidade; Perda do circuito durante a manutenção do disjuntor; Instalação simples; Custo reduzido. A ampliação do barramento não pode ser realizada sem a completa desenergização da SE. Sua utilização não é aconselhada para a alimentação de cargas que não possam ser interrompidas. 52 52 52 52 Figura 14 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE com Barra Simples 27 Esquema de Barra Simples com Bypass O arranjo de barra simples com bypass difere do esquema anterior por possuir uma chave seccionadora que realiza o bypass e que permite a manutenção no disjuntor sem interromper o fornecimento de energia. Este esquema está representado na figura 15. Figura 15 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE de Barra Simples com Bypass As características apresentadas por um sistema barra simples com a utilização de uma chave de bypass é a mesma apresentada pela configuração barra simples. Esta configuração se diferencia da configuração barra simples por possui um custo um pouco mais elevado devido à utilização de chaves de bypass. Esquema de Barra Simples Seccionada O esquema de Barra Simples Seccionada é utilizado quando se deseja alguma seletividade. O barramento da SE é seccionado utilizando um disjuntor e duas chaves seccionadoras. 28 52 52 52 52 52 52 52 Figura 16 - Exemplo de Diagrama Unifilar de uma SE de Barra Seccionada A presença das chaves seccionadoras e do disjuntor tem a finalidade de isolação na necessidade da manutenção do disjuntor. Uma limitação desse esquema é que na manutenção do disjuntor o circuito associado a ele tem de ser desenergizado. Este esquema apresenta as seguintes características: Maior continuidade no fornecimento de energia quando comparado ao esquema Barra Simples; Maior facilidade na execução dos serviços de manutenção; Em caso de falha da barra, somente são desligados os circuitos conectados à seção afetada; O esquema de proteção é mais complexo; Apresenta um baixo custo de implementação, porém maior que o esquema de barra simples; A manutenção de um disjuntor desliga o circuito correspondente; A ampliação do barramento é realizada desligando um dos alimentadores, o outro permanece ligado. 29 Esquema de Barra Principal e Transferência Neste esquema, representado pela figura 17, utilizam-se duas barras e um disjuntor reserva. As linhas são normalmente ligadas à barra de operação (principal) e, em caso de manutenção no disjuntor, à barra de transferência. A efetividade do arranjo requer a instalação de um disjuntor especial, o disjuntor de transferência, que é utilizado como reserva para qualquer disjuntor que esteja fora de operação. Com esta configuração, não teremos a interrupção de energia em nenhum vão por ocasião da manutenção no disjuntor. 52 52 52 52 52 52 52 52 Figura 17 - Exemplo do Diagrama Unifilar de uma SE com Barra Principal e Transferência A seguir será descrita uma breve síntese da operação deste esquema elétrico. Na necessidade de manutenção e/ou desligamento da barra principal, os seguintes procedimentos devem ser adotados: A proteção do sistema é colocada na posição intermediária, ou seja, o disjuntor dos alimentadores e o disjuntor de transferência irão atuar na presença de uma falta; 30 O disjuntor de transferência é fechado, de modo à barra de transferência e a barra principal terão o mesmo potencial; A chave seccionadora dos alimentadores ligada à barra de transferência é fechada e o mesmo potencial é transferido para o final do disjuntor; Abrimos o disjuntor ligado à barra principal; A proteção é colocada na posição transferida. Este esquema apresenta as seguintes características: Custo inicial e final relativamente baixo; Requer um disjuntor extra para a conexão com a outra barra; A ampliação da SE é realizada sem afetar a alimentação dos circuitos; Qualquer disjuntor pode ser retirado de serviço para a manutenção; Equipamentos podem ser retirados ou adicionados à SE sem maiores dificuldades; Uma possível falha no barramento ou em um dos disjuntores resulta no desligamento da SE. Esquema de Barra Dupla O esquema de barra dupla é uma evolução do arranjo barra principal e transferência, onde os circuitos são divididos entre as duas barras. Possui uma maior flexibilidade e maior segurança que o arranjo anterior quanto a falhas nas barras pois, como a carga está dividida, parte da SE continuará operando mesmo que ocorra uma falha em uma das barras. No projeto é necessário considerar que as barras devem ter a mesma capacidade e, por sua vez, a capacidade total da SE. O exemplo básico do esquema de barra dupla pode ser visto na figura 18. 31 52 52 Figura 18 - Esquema de Barra Dupla com um Disjuntor Esquema de Barra Dupla com Dois Disjuntores O diagrama elétrico de operação de uma SE no esquema de barra dupla com dois disjuntores é uma adaptação do esquema barra dupla, de modo a apresentar uma maior confiabilidade dos circuitos, como pode ser visto na Figura 19. 52 52 52 52 Figura 19 - Exemplo de um Diagrama Unifilar do Esquema de Barra Dupla com dois Disjuntores 32 Este esquema apresenta as seguintes características: Apresenta um arranjo mais completo que a barra dupla; Mais flexível; Maior confiabilidade; Apresenta um custo mais elevado; Apresenta as mesmas características do esquema de barra dupla. Esquema Disjuntor e Meio Este esquema é outra adaptação do esquema de barra dupla tradicional. É uma evolução do esquema de barra dupla, com dois disjuntores, apresentado no item anteri- or. Tem como objetivo reduzir o custo de implementação, além de manter todas as vantagens daquele esquema. Este arranjo é adotado no Brasil para SEs com classes de tensão em torno de 525 kV e 750 kV. Este esquema elétrico é apresentado na figura 20. 52 52 52 52 52 52 Figura 20 - Exemplo do Esquema de Disjuntor e Meio 33 O esquema Barra Dupla com Disjuntor e Meio apresenta as seguintes características: Maior flexibilidade de manobra; Rápida recomposição; Falha nos disjuntores adjacentes às barras retira apenas um circuito de serviço; Chaveamento Independente por disjuntor; Apresenta a desvantagem de apresentar um disjuntor e meio por circuito; Chaveamento e religamento automático envolvem demasiado número de operações; Apresenta um custo de implementação alto, comparado aos outros esquemas; Apresenta um grande índice de confiabilidade e disponibilidade. Esquema de Barramento em Anel Este esquema apresenta as seguintes características: Necessita apenas de um disjuntor por circuito; Apresenta uma confiabilidade relativamente boa, com custo de implementação reduzido; Não utiliza a barra principal; Se uma falta ocorre durante a manutenção de um dos disjuntores, o anel pode ser separado em duas seções; Religamento automático e circuitos complexos; Para efetuar a manutenção e/ou ampliação de um circuito, a proteção deixará de atuar durante esse período. 34 52 52 52 52 Figura 21 - Exemplo do Diagrama Unifilar de um Barramento em Anel 2.4.2 – Transformadores de Corrente O transformador de corrente é um transformador para instrumentos cujo enrolamento primário é ligado em série a um circuito elétrico e cujo enrolamento secundário se destina a alimentar instrumentos elétricos de medição, proteção e controle [6]. A figura 22 mostra um TC utilizado em uma SE da Light [16]. 35 Figura 22 - TC de uma SE da Light O enrolamento primário dos TCs é normalmente é constituído de poucas espiras feitas de condutores de cobre de grande seção. Figura 23 - Esquema básico de um Transformador de Corrente Eles são classificados de acordo com sua construção e podem ser do tipo [14]: 36 ‒ Primário Enrolado: Tipo de TC cujo enrolamento primário constituído de uma ou mais espiras envolve mecanicamente o núcleo do transformador. O TC do tipo primário enrolado é mais utilizado para serviços de medição, mas pode ser usado para serviços de proteção onde pequenas relações são necessárias. Figura 24 - TC do tipo Enrolado ‒ Barra: TC cujo primário é constituído por uma barra, montada permanentemente através do núcleo do transformador. Este TC é adequado para resistir aos esforços de grandes correntes. A figura 25 mostra o esquema básico de um TC deste tipo. Figura 25 - TC do tipo Barra ‒ Janela: É aquele que não possui primário próprio e é constituído de uma abertura através do núcleo, por onde passa o condutor do circuito primário. A figura 26 mostra o esquema deste tipo de TC. 37 Figura 26 - TC do tipo janela ‒ Bucha: é um tipo especial de TC do tipo janela e é construído e projetado para ser instalado sobre a bucha de algum equipamento elétrico, fazendo parte integrante do fornecimento deste. Pelo seu tipo de construção e instalação, o circuito magnético desses TCs é maior que o normal, sendo melhor utilizados para correntes altas, pois possuem menor saturação. Figura 27 - TC do tipo bucha ‒ Núcleo Dividido: possui enrolamento secundário completamente isolado e permanentemente montado no núcleo, porém não possui enrolamento primário. Parte do núcleo é separável ou articulado para permitir o enlaçamento do condutor primário. Destina-se ao uso em circuito constituído de condutor completamente isolado ou um condutor nu. 38 Figura 28 - TC de núcleo dividido Vários Enrolamentos Primários: É aquele constituído de vários enrolamentos primários montados isoladamente e apenas um enrolamento secundário, conforme abaixo. Figura 29 - TC com vários Enrolamentos Primários Vários Núcleos Secundários: É aquele constituído de dois ou mais enrolamentos secundários montados isoladamente, sendo que cada um possui individualmente o seu núcleo, formando, juntamente com o enrolamento primário, um só conjunto, conforme se vê na figura abaixo. Neste tipo de transformador de corrente, a seção do condutor primário deve ser dimensionada tendo em vista a maior das relações de transformação dos núcleos considerados. 39 Figura 30 - TC com Vários Núcleos Secundários Vários Enrolamentos Secundários: É aquele constituído de um único núcleo envolvido pelo enrolamento primário e vários enrolamentos secundários, conforme se mostra na figura abaixo e que podem ser ligados em série ou paralelo. Figura 31 - TC com Vários Enrolamentos Secundários Derivação no Secundário: É aquele constituído de um único núcleo envolvido pelos enrolamentos primário e secundário, sendo este último provido de uma ou mais derivações. Entretanto, o primário pode ser constituído de um ou mais enrolamentos. Como os amperes-espira variam em cada relação de transformação considerada, somente é garantida a classe de exatidão do equipamento para a derivação que tiver o maior número de espiras. A figura 32 mostra o esquema de um TC com derivação no secundário. 40 Figura 32 - TC do Tipo Derivação no Secundário 2.4.3 – Transformador de Potencial O TP é um transformador de instrumentos cujo enrolamento primário é ligado em derivação a um circuito elétrico e cujo enrolamento secundário se destina a alimentar bobinas de potencial de instrumentos elétricos de medição, proteção e controle. A figura 33 mostra um exemplo de um TP em uma Subestação [17]. Figura 33 – Transformador de Potencial 41 O desenho esquemático equivalente do TP pode ser visto na figura 34: Figura34 – Representação Esquemática do TP 2.4.4 – Relés A Proteção de Sistemas Elétricos de Potência é feita por zonas de proteção já descritas anteriormente e que, por sua vez, são basicamente comandados por relés. A função primordial desses relés é identificar os defeitos, localizá-los e alertar o operador do sistema, promovendo o disparo de alarmes, sinalizações e também, dependendo do caso, promovendo a abertura de disjuntores de modo a isolar o circuito ou equipamento sob defeito [6]. O isolamento do defeito deve permitir a operação normal do resto do sistema. Em caso de defeitos em linhas aéreas, a abertura e o religamento rápidos podem preservar o equipamento e o retorno rápido do circuito à operação normal. O princípio de funcionamento dos relés evolui, mas a filosofia da proteção é sempre a mesma, ou seja, o objetivo do relé é proteger com garantia de [6]: Sensibilidade; Seletividade; Rapidez; Confiabilidade; Robustez; 42 Vida útil; Estabilidade; Operacionalidade; Funcionalidade; Etc. Os relés podem ser classificados de acordo com a grandeza com a qual atuam, como tensão, corrente ou frequência, e até mesmo segundo o princípio de atuação. ‒ Relés Eletromecânicos: Relés eletromecânicos são os pioneiros da proteção, elaborados, projetados e construídos com predominância dos movimentos mecânicos proveniente dos acoplamentos elétrico e magnéticos. Os movimentos mecânicos acionam o relé, fechando os contatos correspondentes. Em relação ao princípio básico do funcionamento, o relé eletromecânico atua fundamentalmente de dois modos: atração eletromagnética ou indução eletromagnética [6]. Os relés de atração eletromagnética são mais simples, seu princípio de funcionamento é idêntico ao do eletroímã. Neste caso, sempre um êmbolo ou uma alavanca será movimentada. Estes relés se dividem em duas categorias: relés de êmbolo e de alavanca (ver figura 35). Os relés de indução eletromagnética são relés que usam o princípio de um motor de indução, onde um conjugado gira o rotor que produz o fechamento de contatos NA de relés que ativam o circuito ou mecanismo que provoca a abertura do disjuntor. Eles operam somente em correntes alternadas. Alguns tipos de relés que utilizam a interação eletromagnética de dois ou mais fluxos magnéticos para a produção de conjugado são: relé de disco de indução por bobina de sombra (ver figura 36); relé tipo medidor de kWh; relé tipo cilindro de indução, relé tipo duplo laço de indução. . 43 Figura 35 - (a) Relé de Embolo; (b) Relé de Alavanca Figura 36 - Relé de Indução por Bobina de Sombra Na Figura 37, pode ser visto um exemplo de relé eletromecânico de sobrecorrente em uma SE da Light [15]. 44 Figura 37 - Relé de Sobrecorrente Eletromecânico ‒ Relés Estáticos: sua utilização se deu no início da década de 60 e surgiram com a evolução da eletrônica. Esses tipos de relés não possuem movimentação mecânica no seu mecanismo de atuação. Por não possuírem partes móveis, são extremamente rápidos comparados com os relés eletromecânicos, e construídos com dispositivos eletrônicos, próprios e específicos aos objetivos da proteção. Nestes relés, não há nenhum dispositivo mecânico em movimento e todos os comandos e operações são implementados eletronicamente (hardware). Qualquer regulagem é efetuada pela mudança física no parâmetro de algum componente, tal como variação em reostato, variação na capacitância, etc. A maioria dos relés estáticos acaba sempre, ao final, operando mecanicamente um relé auxiliar que, ao fechar o seu contato, provoca a abertura ou ativa à abertura do disjuntor. Muitos são chamados de relés semi-estáticos porque há alguns componentes mecânicos associados. O termo estático foi originado em confronto aos relés eletromecânicos, já que o relé estático é caracterizado, a princípio, pela ausência de movimento mecânicos. ‒ Relés Digitais: São relés eletrônicos gerenciados por microprocessadores. São específicos a este fim, com os sinais de entrada das grandezas e parâmetros 45 digitados sendo controlados por um software que processa a lógica da proteção através de um algoritmo [1]. O relé digital pode simular um relé ou todos os relés existentes num só equipamento, produzindo ainda outras funções tais como medições de suas grandezas de entradas e/ou associadas e realizando outras facilidades. É por isto designado relé multifunção. A tecnologia digital tem se tornado a base da maioria dos sistemas de proteção de uma SE, atuando nas funções de proteção, medição, controle e comunicação. Desta forma, além das funções de proteção, o relé digital pode ser programado para desempenhar outras tarefas de apoio. Outra importante função deste tipo de relé é o autodiagnóstico ou auto teste. Esta função faz com que o relé realize uma supervisão contínua de seu hardware e software, detectando anormalidades que venham a surgir e que possam ser reparadas antes que o relé opere incorretamente ou deixe de fazê-lo na ocasião certa. Podemos citar algumas vantagens dos relés digitais: Oscilografia e análise de sequência de eventos, localização de defeitos, detecção de defeitos incipientes em transformadores, monitoração de disjuntores, entre outros. O diagrama de blocos básico de um relé digital [1] pode ser visto na figura 38. 46 Figura 38 - Diagrama de Blocos Típico de um Relé Digital Algumas funções de proteção dos relés podem ser vistas na tabela 1: Número Função Descrição 21 Função de Distância Dispositivo que atua quando a impedância ou reatância da linha, desde o ponto de localização do relé até o ponto de defeito, é menor que o valor de ajuste. 50/51 Função de Sobrecorrente Instantânea/Temporizada Atuam para uma corrente maior do que a de seu ajuste, podendo agir de maneira instantânea ou temporizada. Os relés temporizados podem ope- rar com característica de tempo definido, quando o tempo de atuação é fixo desde que ul- trapassado o valor da corrente de operação; e com característica inversa, isto é, quanto maior o nível de corrente, menor o tempo de operação dos mesmos. 47 79 Função de Religamento Automático Função que controla o religamento automático de um disjuntor, aberto durante uma falta. Ge- ralmente é configurado para atuar três ou quatro vezes em religadores antes de se abrir o dis juntor de maneira definitiva ou apenas uma vez em aplicações de AT e EAT 87 Função Diferencial O relé diferencial é um dispositivo de proteção de equipamentos que se baseia no princípio da comparação de suas correntes elétricas de entrada e saída, para diferentes conexões. Tabela 1 - Funções de Proteção Segundo a ANSI 48 Capítulo 3 A Norma IEC 61850 3.1 – Introdução A construção de SE é uma atividade que vem se desenvolvendo desde o final do século XIX. E automatizar uma subestação significa, de uma forma geral, monitorar e controlar as grandezas elétricas envolvidas no processo de transmissão e distribuição de energia: tensões, correntes, potências ativa e reativa e posições aberta/fechada de seccionadoras e disjuntores. Equipamentos de épocas e tecnologias diferentes atuam juntos nas subestações. Estas vêm sendo ampliadas à medida que a demanda cresce. Cada geração de tecnologia resolve uma determinada necessidade. Estas necessidades resultaram em funções que foram agregadas às instalações, criando o que foi chamado de “ilhas de dados” [3] dentro da subestação, como pode ser visto na tabela 2. 49 Ilhas de Dados Medidor digital de faturamento; Relés de Proteção; Controle de Vãos; Oscilografia; Monitoração para otimização do uso de ativos; Monitoração de qualidade de energia; Unidades TerminaisRemotas (UTRs); Monitoramento de equipamentos auxiliares (no–breaks e telecomunicações); Imagens – Informação para operação, manutenção e segurança empresarial; Alarmes Registro de eventos – Data Logger. Tabela 2 – "Ilhas de Dados" Esses sistemas são limitados e complexos, utilizam um grande número de fios de cobre para se obter sinais de processo, interligações e para a comunicação dos relés de proteção e possuem um custo de compra de equipamentos, de instalação e manutenção muito elevados. Entre os muitos problemas apresentados pelos sistemas convencionais, pode ser feita as seguintes considerações [1]: ‒ Possuíam um grande número de circuitos, condutores e componentes necessários à execução das diversas funções e lógicas, aumentando a probabilidade de falhas e dificultando a manutenção; 50 ‒ Grande número de cabos entre a subestação e os diversos painéis, exigindo o uso de galerias para cabos, bandejas, canaletas, dutos etc., os quais representam, juntamente com os cabos, um item importante de custo; ‒ Custos elevados de engenharia e de fabricação dos painéis e cubículos, em virtude da diversidade de filosofias e equipamentos, dificuldade de padronização e complexidade dos circuitos. ‒ Grande número de relés auxiliares e temporizadores, bem como uso de chaves de controle com muitos estágios e contatos, agravando os problemas de manutenção e de estoque de peças e dispositivos de reposição; ‒ Grande número de painéis de proteção, controle, supervisão, oscilografia, alarmes, intertravamentos, relés auxiliares etc., acarretando a necessidade de sala de controle e sala de relés de grandes dimensões, aumentando grandemente o custo de construção destas edificações; ‒ Dificuldade e maior custo de engenharia nas expansões, pela necessidade de realizar alterações nos diagramas, na cablagem e na fiação dos painéis e cubículos existentes, além dos transtornos para instalar novos painéis de proteção e controle numa sala de controle ou sala de relés, muitas vezes já congestionadas; ‒ Os contatos auxiliares dos disjuntores e chaves seccionadoras, em geral, não são supervisionados, possibilitando transferências automáticas, intertravamentos ou indicações erradas; ‒ Dificuldade na pesquisa, localização e reparação de defeitos, em razão do número de dispositivos e da cablagem e fiação envolvidos; ‒ É necessário efetuar testes e recalibração periódica dos relés, uma vez que suas características se alteram com o tempo. Para uma empresa que possua grande número de relés em serviço, isto pode representar um esforço significativo das equipes de manutenção. Nas áreas de supervisão, controle e monitoramento surgiram vários protocolos de comunicação. Os mais conhecidos, por serem protocolos abertos, são o Modbus, DNP3 e a IEC 60870–5–101. Isso fez com que os equipamentos não operassem entre si e que tivessem dificuldade de integração. 51 Figura 39 – Exemplo de Arquitetura de Comunicação Convencional de uma Subestação 3.2 – Razões para se Utilizar a IEC 61850 Com a modernização dos equipamentos eletro/eletrônicos, surgiram os relés digitais que, em um primeiro momento, não modificaram a filosofia de atuação em relação aos relés eletromecânicos – que tinham unicamente função de proteção e não comunicavam entre si. Os primeiros equipamentos digitais instalados em SEs e usinas na área de supervisão e controle foram as UTRs. Inicialmente, estas unidades eram meros equipamentos de aquisição de dados e execução de comandos e constituíam a interface entre o processo elétrico e os sistemas SCADA (Supervisory, Control And Data Acquisition) [1]. Toda a inteligência para processamento das informações e para supervisão e controle do processo elétrico ficava localizada nos centros de operação e controle (CORs e COSs). Estes centros eram dotados de computadores de grande porte e de IHM, uma vez que, durante perturbações envolvendo desligamentos múltiplos, era necessário processar e apresentar ao operador uma grande massa de informações. Posteriormente, as UTRs passaram a serem capazes de executar diversas funções como testes automáticos, autodiagnóstico, validação de medidas e estado dos equipamentos, histórico de dados (registro do instante de ocorrência) e armazenamento de alarmes e eventos [1], assim como pré-processamento da medição e dos dados de 52 alarmes e eventos antes de seu envio ao nível hierárquico superior. Com essas novas funcionalidades e pelo fato de possuírem processamento próprio, as UTRs passaram a ser denominadas UACs em algumas empresas. Os sistemas digitais de controle local surgiram com a finalidade de oferecer maiores recursos ao pessoal de operação e manutenção na própria SE. Possuíam uma UCP interligada com as UTRs ou UACs. Estes sistemas permitiam um processamento dos dados e possuíam uma IHM local. Com o desenvolvimento expressivo da comunicação digital, foi possível utilizar redes de comunicação local (LAN) e remota (WAN) confiáveis e mais rápidas. E, ao mesmo tempo, havia uma crescente demanda por informações sobre o sistema elétrico e seus equipamentos, combinados com a redução dos custos em razão do ambiente competitivo entre as empresas. Os relés digitais ficaram mais modernos – chamados de IEDs –, inteligentes, executando funções proteção, controle e automação, podendo se conectar as redes de comunicação local e fornecendo diversos tipos de informações, como: ‒ Valores de tensão, corrente e potência; ‒ Linhas de eventos e alarmes; ‒ Oscilografia; ‒ Relatórios de faltas; ‒ etc. Com o uso da norma IEC 61850 será possível modernizar, aumentar a rapidez e confiabilidade na comunicação dos dados de um SAS, promover uma sensível redução da cablagem e uso do hardware de interface com o processo, possibilidade de compartilhamento das informações do processo entre os IEDs, etc [5]. Será possível também estender a redundância da proteção para as funções de proteção e controle, além de aumentar as funções de automação e monitoração com redução de custo, além de reduzir o tamanho das salas de controle e de relés. Como as UTRs passaram a operar como CLPs, passaram a realizar funções como automatismos, intertravamentos, processamento de medição, promovendo a eliminação de chaves de controle e relés auxiliares, além de que as funções críticas passaram a ser realizadas por mais de uma UTR, fazendo o processamento ser mais inteligente, distribuído e redundante. 53 SE – 440 kV Proteção da Alta Controle de Bay Oscilografia COS UTR Servidor de Subestação Supervisório Local TC TP 138 kV Proteção de Baixa Fibra Ótica TC TP Figura 40 – Exemplo de Arquitetura de Comunicação de uma Subestação baseada na IEC 61850 3.3 – Conceitos Básicos Iniciando em 1994, um grupo de funcionários do IEC TC 57 da área de Controle e Proteção de Subestações elaborou propostas para uma padronização da comunicação dos SAS. Os seguintes tópicos foram apresentados [4]: ‒ Elaboração de uma norma sobre a arquitetura funcional, estrutura de comunicação e requisitos gerais; ‒ Elaboração de uma norma sobre a comunicação dentro e entre as camadas de uma subestação; ‒ Elaboração de uma norma companheira para a interface informativa dos equipamentos de proteção. Essa norma companheira criada foi a IEC 60870– 5–103. Nas figuras 41 e 42, pode ser visto como era a configuração atual de comunicação do TC 57 e a meta estabelecida. 54 Proteção, Controle e Medição UTR SAS Disjuntores, Transformadores, TCs e TPs, etc. Subestação SCADA Barramento de Comunicação 6 0 8 7 0 -5 -1 0 2 6 1 3 3 4 1 0 1 o u 1 0 4 TA SE.2 6 1 8 5 0 60870-5-102 61850 Subestação 60834 Figura 41 – Configuração Atual da TC 57 Proteção, Controle e Medição UTR SAS Disjuntores, Transformadores, TCs e TPs, etc.Subestação SCADA Barramento de Comunicação 6 1 8 5 0 61850 Subestação 61850 61850 Figura 42 – Meta da TC 57 O objetivo da norma IEC 61850 é especificar requisitos e fornecer uma estrutura para alcançar a interoperabilidade entre os IEDs de diferentes fabricantes. A alocação de funções para os IEDs e os níveis de controle não são fixos. Essa alocação normalmente depende dos requisitos de desempenho, restrições de orçamento e tecnológicos, filosofia das distribuidoras, entre outros. Por isso, a norma deve receber qualquer alocação de funções. A fim de permitir uma atribuição gratuita de funções para os IEDs, a interoperabilidade deve ser fornecida entre as funções a serem executadas em uma subestação, mas residente em equipamentos (dispositivos físicos) de diferentes fabricantes. As funções devem ser divididas em partes, realizadas em diferentes IEDs, porém se comunicando uns com os outros (função distribuída). O comportamento da 55 comunicação entre as partes, chamado de nó lógico (LN), tem que manter a interoperabilidade dos IEDs. As funções de um SAS – funções de aplicação – são o controle e supervisão, assim como proteção e monitoramento dos equipamentos principais e da rede. Outras funções – funções do sistema – são relacionadas ao próprio sistema, como por exemplo, a supervisão da comunicação. As funções são classificadas em três níveis: ‒ Nível de Estação – é o nível em que serão instalados os equipamentos que são comuns aos diversos vãos e níveis de tensão, como os IHMs, os UPCs, os processadores de comunicação, gateways, switches gerais, roteadores, etc, É também responsável pelo envio de dados para os sistemas de controle remoto. Os equipamentos do nível de estação que se comunica com os equipamentos do nível Vão deverão, obrigatoriamente, ser compatíveis com a norma IEC 61850. ‒ Nível Vão – é o nível dos IEDs de proteção e das UACs. É interligado aos equipamentos através de cablagem metálica convencional. É o nível que realiza a interface com o processo (correntes, tensões, temperaturas, estado dos equipamentos de manobra, alarmes, etc.), Pertencem também a este nível os “switches” localizados nos painéis de proteção e automação dos vãos; ‒ Nível de Processo – I/Os remotos, sensores inteligentes e atuadores. 56 Função A Função B 1,6 1,6 3 3 8 2 2 4,5 4,5 Equipamentos AT 10 7 Controle Remoto Serviços Técnicos Controle Remoto Controle Remoto Nível de Processo Nível de Unidade/Vão Nível de Estação Proteção Controle Controle Proteção Interface Remota de Processo Sensores Atuadores Figura 43 – Modelo de Interface de um SAS pela norma IEC 61850 Os números da figura 43 [8] são notações usadas em outros capítulos da IEC 61850 e são chamados de interfaces. Os seus significados são: ‒ IF 1: troca de dados de proteção entre os níveis de vão e de estação; ‒ IF 2: troca de dados de proteção entre o nível de vão e a proteção remota (além do escopo desta norma); ‒ IF 3: troca de dados dentro do nível de vão; ‒ IF 4: troca de dados instantânea do TC e TP entre os níveis de processo e vão; ‒ IF 5: troca de dados de controle entre os níveis de processo e de vão; ‒ IF 6: troca de dados de controle entre os níveis de vão e estação; ‒ IF 7: troca entre a subestação (nível) e a Engenharia; ‒ IF 8: troca de dados direto entre os vãos, especialmente para funções rápidas como intertravamento; – Uso do GOOSE ‒ IF 9: troca de dados dentro do nível de estação; ‒ IF 10: troca de dados de controle entre a subestação (equipamentos) e o COS (além do escopo desta norma); 57 3.3.1 – Conceito de Nó Lógico (LN) 3.3.1.1 – Nós Lógicos e Conexões lógicas Para preencher os requisitos necessários para distribuição e alocação de funções de um SAS, todas elas têm que ser decompostas em nós lógicos que podem estar relacionados a um ou mais equipamentos. Nó lógico é a menor parte de uma função que troca dados e representa uma função dentro de um equipamento. Porém nem todos os dados que serão enviados se referem a alguma função específica , mas sim de um equipamento, como as informações da placa do nome dele, ou o resultado da auto–supervisão do mesmo, por exemplo. Esses dados são necessários e são chamados inicialmente de função LLN0. Os LNs são alocados em funções e equipamentos e são conectados através das conexões lógicas (LC), e os equipamentos pelas conexões físicas (PC). Todo LN é parte de um equipamento; todo LC é parte de um PC (Ver a figura 44). Como é impossível descrever todas as funções para uso presente e futuro, ou sua distribuição e interação, é muito importante especificar e normalizar a interação entre os LNs de uma maneira genérica. Função 1 Função 2 LN 3 LN 1 LN 2 LN 0 LN 4 LN 0 LN 5 LN 6 LN 0 Equipamento 1 Equipamento 2 Equipamento 3 Legenda: Conexões Lógicas Conexões Físicas Figura 44 – Conceito de LN e Conexão Lógica 58 A figura 45 mostra alguns exemplos que explicam a relação entre as funções, nós lógicos e nós físicos (equipamentos). Uma função é chamada distribuída quando é executada por dois ou mais LN que são alocados em diferentes dispositivos físicos. HMI Com. Sinc. Relé Dist. Relé de Sobre. Disjuntor TC – no Vão TP – no Vão Barram.TP X X X X X Chaveamento do Disjuntor Sincronizado Relé de Distância X X X X X Relé de Sobrecorrente X X X X Funções 7 6 5 4 1 2 3 Nós Lógicos (LN) D isp o sitivo s Físico s Figura 45 – Exemplos de Relações entre as Funções, LNs e Nós Físicos Todas as funções conhecidas são descritas na IEC 61850–5, e são classificadas através do(a) [8]: ‒ Tipo de função; ‒ Critério inicial da função; ‒ Resultado ou impacto da função; ‒ Desempenho da função; ‒ Decomposição da função; ‒ Interação com outras funções. Todos os LN conhecidos também são descritos na IEC 61850–5, e são classificados através do(a): 59 ‒ Agrupamento de acordo com a sua área de aplicação mais comum; ‒ Curta descrição da funcionalidade; ‒ Número da função do equipamento pela IEEE se aplicável (para proteção e alguns LN de proteção referidas à norma IEEE C.37.2,1996); ‒ Relação entre as funções e os LN em tabelas e na descrição das funções; ‒ PICOMs trocados descritos nas tabelas. Para simplificar o método, tem sido atribuídos aos PICOMs sete diferentes tipos de mensagens, de acordo com os requisitos para o SAS: Tipo Nome Exemplos 1a Mensagens rápidas – trip Trips 1 1b Outros tipos de mensagens rápidas Comandos, mensagens simples 2 Mensagens de velocidade media Dados medidos 3 Mensagens de velocidade baixa Parâmetros 4 Mensagens de dados brutos Dados de saída de transdutores e transformadores de instrumentos 5 Funções de transferência de arquivos Arquivos grandes 6a Tempo de sincronização de mensagens a Tempo de sincronização; barra da estação 6b Tempo de sincronização de mensagens b Tempo de sincronização; barra do processo 7 Mensagens de comando com controle de acesso Comandos do CMOS (HMI) Tabela 3 – Tipos de Mensagens 3.4 – Sistema de Comunicação Conforme mostrado na tabela 3, os tipos de mensagem 1a e 1b são chamadas de GSE, e são divididas em GSSE (que não é mais utilizada) e GOOSE (ver figura 47), um 60 tipo de mensagem onde é utilizado um grupo de dados tendo sua informação totalmente configurável, diferentemente do GSSE que possui estrutura fixa e pré–definida. EngenhariaSCADA Firewall Barra de Estação Nível Supervisório IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED IED MU MU B ar ra d e P ro ce ss o GOOSE (Comunicação Horizontal) Nível de Vão Figura 46 – Visão geral de uma rede IEC 61850 As mensagens GOOSE utilizam um esquema de retransmissão especial para alcançar um nível de confiabilidade adequado, que consiste emrepetir a mensagem por diversas vezes. A cada nova tentativa o tempo de espera é dobrado, de modo a minimizar colisões até atingir um valor máximo, definido como timeAllowedToLive (da ordem de vários segundos). Após atingido esse intervalo máximo, a mensagem é repetida indefinidamente, mantendo este último intervalo. Se o envio do sinal é descontinuado, o receptor assume que a conexão foi perdida. O tempo de comunicação não é determinístico, porém, na maior parte dos casos, as mensagens são muito rápidas, com tempos de transmissão em torno de 3 a 8 ms. Os switches devem ser do tipo gerenciável, possibilitando o estabelecimento de prioridade para a retransmissão das mensagens GOOSE recebidas. A comunicação entre os IEDs e entre estes e o computador da estação é realizada através de uma rede LAN Ethernet de 100 Mb/s ou 1 Gb/s. A topologia da LAN é definida em função de vários fatores como a disponibilidade desejada, o número de IEDs a serem interligados etc. 1 Ponto em que o relé de proteção fecha os contatos de saída. Ocorre quando o valor da corrente ou tensão de pick-up permanece no sistema por um período de tempo especificado pelo usuário ou por um tempo definido por uma curva, também pré-determinada pelo usuário. 61 Um exemplo de mensagem GOOSE é a informação de estado de um disjuntor (cujo LN é XCBR). Esta informação é empacotada, juntamente com outros atributos, em uma mensagem GOOSE, a qual é encaminhada para os demais IEDs e para os clientes, no nível estação. Dependendo da aplicação, os switches podem ser programados para estabelecer redes virtuais ou VLANs, que possibilitam a interligação apenas entre um subconjunto dos IEDs, obtendo-se maior velocidade de comunicação. É interessante observar que as características das mensagens GOOSE possibilitam aplicações adicionais, como por exemplo, a transmissão de informação de grandezas analógicas da temperatura do enrolamento e óleo de transformadores, desde o cubículo de controle destes equipamentos, onde estaria localizada uma MU, até o IED de proteção respectivo. Na figura 47 pode ser visto um exemplo de mensagens GOOSE encontradas pelo única [9], um software da DNV KEMA que é muito utilizado para testes de mensagens dos IEDs e de toda a comunicação de uma SE, para garantir o correto funcionamento das transmissões e retransmissões dos dados. Figura 47 – Mensagem GOOSE 62 3.5 – Estrutura e Conteúdo da Norma A IEC 61850 é dividida nas seguintes partes [8]: ‒ IEC 61850–1: Introdução e Visão Geral Introdução e visão Geral da Norma IEC 61850. ‒ IEC 61850–2: Glossário Conjunto de termos. ‒ IEC 61850–3: Requisitos Gerais Requisitos de Qualidade (confiabilidade, manutenção, disponibilidade do sistema, portabilidade e segurança); Condições Ambientais; Serviços Auxiliares; Outras especificações. ‒ IEC 61850–4: Gerenciamento do Projeto e do Sistema Requisitos para a Engenharia (classificação de parâmetros, ferramentas para a engenharia, documentação) Tempo de vida do Sistema (versões do produto, interrupção, suporte após a interrupção) Garantia da Qualidade (Quality Assurance) – responsabilidades, testes do equipamento, tipos de testes, testes do sistema, FAT e SAT ‒ IEC 61850–5: Requisitos de Comunicação para Funções e Modelos de Equipamentos Requisitos Básicos Abordagem dos LNs Conexão da Comunicação Lógica 63 Conceito de PICOM LNs relacionados ao PICOM Desempenho Funções “Cenários Dinâmicos” – informação dos requisitos do fluxo para as diferentes condições operacionais ‒ IEC 61850–6: Descrição da Linguagem de Configuração para Comunicação em Subestações relacionadas aos IEDs Visão geral sobre o processo destinado aos sistemas de engenharia Alocação do nó lógico do IED ao sistema principal Capacidades do IED Definição do sistema e configuração do parâmetro de troca de formato do arquivo baseado em XML, contendo: Descrição esquemática do sistema principal (uma linha); Descrição da conexão da comunicação; ‒ IEC 61850–7–1: Estrutura básica de comunicação para a Subestação e alimentadores – Princípios e Modelos Introdução a IEC 61850–7–x Princípios e modelos de comunicação ‒ IEC 61850–7–2: Estrutura básica de comunicação para a Subestação e Alimentadores – Interface de Serviço de Comunicação Abstrato (ACSI) Descrição do ACSI Especificação dos serviços de comunicação abstratos Modelo da estrutura do banco de dados do equipamento ‒ IEC 61850–7–3: Estrutura básica de comunicação para a Subestação e Alimentadores – Classes de Dados Comuns Classes de dados comuns e atributos relacionados 64 ‒ IEC 61850–7–4: Estrutura básica de comunicação para a Subestação e Alimentadores – Classes dos Dados e dos LNs Compatíveis Definições de classes dos LNs e dados; ‒ IEC 61850–8–1: Mapeamento do Serviço de Comunicação Específico (SCSM) – Mapeamento para MMS Mapeamentos dos serviços comumente utilizados para comunicação dentro de toda a Subestação ‒ IEC 61850–9–1: Mapeamento do Serviço de Comunicação Específico (SCSM) – Link serial, ponto a ponto, multidrop, unidirecional Mapeamentos dos serviços utilizados para a transmissão de valores analógicos amostrados ‒ IEC 61850–9–2: Mapeamento do Serviço de Comunicação Específico (SCSM) – Barramento do Processo Mapeamentos dos serviços utilizados para a transmissão de valores analógicos amostrados As partes 8 e 9 descritas acima definem e mapeiam toda a estrutura de comunicação e são encontrados nos níveis de Estação e de Processos. ‒ IEC 61850–10: Teste de Conformidade Procedimentos do Teste de Conformidade Garantia e Teste de Qualidade Documentação necessária Teste de conformidade relacionado ao equipamento Certificação das instalações de testes, e requisitos e validação dos equipamentos de testes 3.6 – Requisitos para um Sistema Físico de Comunicação As interfaces lógicas (IF) podem ser mapeadas para as interfaces físicas de diversas maneiras. Conforme mostrado acima, o barramento da estação geralmente 65 implementa as IF 1,3,6 e 9; os barramentos de processos podem abranger as interfaces lógicas 4 e 5. A IF 8 (“comunicação entre vãos”) pode ser mapeada para um barramento apenas ou para os dois. O mapeamento vai ter um maior impacto no resultado de desempenho necessário do sistema de comunicação. 1,3,6,9 8 4,5 4,5 4,5 Interfaces Lógicas Interfaces Físicas (a) 1,3,6,9 8 4,5 4,5 4,5 Interfaces Lógicas Interfaces Físicas (b) Figura 48 – (a) Mapeamento de interfaces lógicas para interfaces físicas, utilizando a IF 8 no barramento da estação, e , (b) utilizando a IF 8 no barramento de processos. 3.7 – Independência de Comunicação por Aplicação A IEC 61850 especifica uma série de serviços e objetos abstratos que permitem que as aplicações sejam escritas de diferentes maneiras de um protocolo específico. Esta abstração permite que tanto os fabricantes quanto as concessionárias mantenham a funcionalidade da aplicação e aperfeiçoem sua funcionalidade quando necessário. O modelo de aplicação especificado nesta norma consiste em: uma aplicação gerada pelo usuário/fabricante escrita para responder à configuração apropriada dos serviços ACSI. Ela padroniza a configuração de serviços abstratos que serão utilizados entre as aplicações e os “objetos das aplicações”, permitindo uma troca de informações compatíveis entre os componentes de um SAS. Entretanto, esses objetos/serviços abstratos precisam ser instanciados através do uso de protocolos de aplicação de concreto e perfis de comunicação. 66 A implementação definitivada interface interna do equipamento para os serviços de ACSI é uma questão local e está além do escopo da IEC 61850. A ACSI local é mapeada sobre o conjunto apropriado de aplicação definitiva dos serviços do perfil de protocolo/comunicação, conforme especificado pelo SCSM específico. O estado ou mudanças dos objetos dos dados são transmitidos como dados concretos. A norma fornece uma variedade de mapeamentos que podem ser utilizados para a comunicação dentro da subestação; a seleção de um mapeamento apropriado depende dos requisitos funcionais e de desempenho. Aplicação SCSM 1 SCSM 2 SCSM n CA 1 CA 2 CA n Mapeamento do Serviço de Comunicação Específico ACSI Interfaces Específicas Barras de Comunicação CA = Camada de Aplicação Somente os Componentes da Aplicação que são implementados pelos mesmo SCSM serão interoperáveis Figura 49 – Modelo de Referência Básico 3.8 – Serviços e Modelagem de Dados Os LNs apenas podem ser interoperáveis entre si se eles forem capazes de interpretar e processar os dados recebidos (sintaxes e semânticas) e os serviços de comunicação utilizados. Assim, é necessário normalizar os objetos de dados designados para os LNs e sua identificação dentro dos LNs. 67 Os dados e serviços de uma aplicação podem ser modelados em três níveis (ver Figura 50): ‒ O primeiro nível descreve os modelos abstratos e serviços de comunicação utilizados para trocar informação entre os nós lógicos; ‒ Os níveis dois e três definem o modelo de objeto específico de domínio da aplicação. Isto inclui uma especificação das classes de dados com os atributos e sua relação com os LNs. Nível 1: Interface do Serviço Abstrato de Comunicação (ACSI) A ACSI especifica os modelos e serviços utilizados para acessar os elementos (automação de subestação) dos serviços do modelo de objeto específico de domínio. Os serviços de comunicação fornecem os mecanismos não somente para escrita ou leitura dos valores dos objetos, mas também para outras operações, por exemplo para controlar os equipamentos principais. Nivel 2: Classes de Dados Comuns O segundo nível define Classes de Dados Comuns (CDC). Uma classe de dado comum define as informações estruturadas, compostas por um ou mais atributos. O tipo de dado de um atibuto é definido na IEC 61850–7–1. Outros tipos de dados são definidos como atributos de dados comuns no nível dois. Classes de dados definidas no nível três são especializações dos CDCs de acordo com seu uso específico no contexto de aplicação. Nível 3: Classes de LNs Compatíveis e Classes de dados O terceiro nível define as classes de LNs especificadas pelos modelos de objetos compatíveis e classes de dados. Não é necessária especificação adicional já que são definidos a identificação e o significado do LN e classes de dados. Um exemplo de classe de dados é a posição da chave com qualidade e tempo. 68 Figura 50 – A abordagem de modelagem da série IEC 61850 3.9 – Padrões das Ferramentas para Engenheiros Os componentes de um SAS contêm parâmetros de configuração e de operação. Os parâmetros de configuração são, normalmente, configurados de maneira off–line e necessitam reiniciar a aplicação após cada mudança; os parâmetros operacionais devem ser configurados e mudados em tempo real sem provocar distúrbios na operação do sistema. Os parâmetros do sistema determinam a cooperação entre os IEDs incluindo as estruturas internas e os procedimentos de um SAS em relação a sua limitação tecnológica e equipamentos disponíveis. Esses parâmetros têm que ser consistentes, de outra maneira as funções distribuídas não irão funcionar corretamente. Os parâmetros do processo descrevem a informação trocada entre o ambiente de processo e o SAS. Os parâmetros de função descrevem os recursos qualitativos e quantitativos da funcionalidade utilizados pelo cliente. Normalmente esses parâmetros são modificados em tempo real. As ferramentas têm que ser aptas a trocar ao menos parâmetros de configuração e sistema e detectar (e prevenir) violações de consistência. A sintaxe e a 69 semântica da troca dos parâmetros do sistema são especificadas pelo capítulo 6 da IEC 61850. Figura 51 – Troca de Parâmetros do Sistema As ferramentas de engenharia determinam e documentam as funcionalidades da aplicação específica e integram os equipamentos em um SAS. Eles podem ser classificados como: ‒ Ferramentas de Desenvolvimento de Projetos; ‒ Parametrização e Ferramentas de Configuração; ‒ Ferramentas de Documentação. 3.10 – Linguagem de Configuração de um SAS A engenharia de um sistema normalmente começa antes do sistema estar fisicamente disponível. Em adição, os IEDs mais modernos já conseguem desempenhar diversas funções. Entretanto, isto não significa que todas as tarefas serão realizadas em paralelo, ao mesmo tempo, o que leva à necessidade de definir várias subconfigurações de capacidade para o mesmo equipamento, cada uma delas para iniciar instantaneamente cada uma das funções contidas. 70 Portanto, embora os equipamentos sejam auto–descritivos, as capacidades deles assim como sua configuração de projeto específico em geral, e também em relação aos parâmetros do sistema, devem ser normalizados antes que o IED esteja disponível e fabricado. Para permitir a troca das descrições do equipamento e parâmetros do sistema entre ferramentas de diferentes fabricantes de maneira compatível o capítulo 6 da IEC 61850 define uma linguagem de configuração de uma subestação (SCL). Esta linguagem permite descrever as capacidades e todos os dados necessários para definir os parâmetros do sistema de um IED. Isto inclui especialmente a conexão entre um IED e suas funções para a subestação, em termos do diagrama unifilar, e a sua localização no sistema de comunicação. A linguagem é baseada em XML. Ela contém as seguintes subseções: ‒ Subseções de Subestação: descreve o diagrama unifilar de uma subestação e sua conexão com os LNs, assim como a configuração destes nos IEDs. É definida também a conexão com os IEDs com as partes e equipamentos de uma subestação. ‒ Subseção de Comunicação: descreve as conexões de comunicação entre os IEDs. ‒ Subseção do IED: descreve as capacidades (configuração) de um ou mais IEDs, e a conexão para os LNs em outros IEDs. ‒ Subseção LNType: define quais objetos de dados estão, na verdade, contidos nas instâncias dos LNs definidos para os IEDs. 3.11 – Topologia e Funções de Comunicação de um SAS Como pode ser visto na figura 53, um dos focos da IEC 61850 é atender às funções de automação de uma subestação pela comunicação para: ‒ Troca de valores de amostra para TCs e TPs; ‒ Troca rápida de dados para proteção e controle; ‒ Sinais de Controle e Trips; ‒ Engenharia e Configuração; ‒ Monitoramento e Supervisão; 71 ‒ Comunicação com o Centro de Controle; ‒ Sincronização do tempo; ‒ etc. Muitas funções são implementadas nos IEDs, e estas se comunicam com outras funções em outros IEDs, através dos mecanismos de troca de informações padrão dos equipamentos. Isso permite que funções distribuídas em outros IEDs possam ser implementados. As diferentes topologias serão vistas no item 3.14. Controlador de Bay Relé A Relé B TC e TP Equipamento de Seccionamento Controlador de Bay Relé B TC e TPEquipamento de Seccionamento Outros Equip. Outros Equip. Outros Equip. Roteador Switch Ethernet Relé A Centro de Controle HMI Engenharia Barramento de Processo Barramento de Estação Figura 52 – Exemplo da Topologia de Automação de Subestação 3.12 – Os Modelos de Informação de um SAS Os mecanismos de troca de informações se baseiam principalmente em modelos de informação bem definidos. Esses modelos de informação e os métodos de modelagem são a essência da IEC 61850. A norma utilizaa aproximação ao modelo de informação comum encontrado nos equipamentos. O modelo fornece para o SAS uma virtualização do modelo real (processo do sistema de potência, equipamentos de seccionamento). 72 A norma quer decompor as funções de aplicação em funções menores que serão usadas para a troca de informação. A granularidade é dada por uma alocação distribuída razoável dessas funções menores para os IEDs. Como já discutido na seção anterior, essas funções menores são os nós lógicos (por exemplo, a representação virtual da classe de um disjuntor é o termo XCBR). Vários nós lógicos configuram um dispositivo lógico (por exemplo, a representação de uma unidade de Vão). Um dispositivo lógico sempre é implementado em um IED. Portanto, os dispositivos lógicos não são distribuídos. Os equipamentos reais são desenhados como modelos virtuais. Os nós lógicos definidos no dispositivo lógico correspondem às funções bem conhecidas dos equipamentos reais, ou seja, funciona como o equipamento em si. Baseado nessa funcionalidade, um LN pode conter uma lista de dados (por exemplo, posição), com dados de atributos dedicados. O dado tem uma estrutura e uma semântica bem–definida. Os serviços são implementados por meio de comunicação específica e concreta (por, exemplo, SCSM utilizando MMS, TCP/IP, Ethernet e outros). Os LNs e dados contidos nos dispositivos lógicos são cruciais para a descrição e troca de informação para o SAS chegar a interoperabilidade e necessitam ser configurados. 3.13 – Funções Modeladas pelos LNs A tabela 4 lista todos os grupos dos LNs definidos pela norma. Foram definidos cerca de 90 LNs na primeira edição da IEC 61850, cobrindo as aplicações mais comuns de uma SE. 73 Grupos Nomes dos Nós Lógicos Números de Nós Lógicos L Nós Lógicos do Sistema 3 P Funções de Proteção 28 R Funções Relacionadas a Proteção 10 C Controle Supervisório 5 G Referências Genéricas 3 I Interfaceamento e Arquivamento 4 A Controle Automático 4 M Medição 8 S Sensores e Monitoramento 4 X Funções de Seccionamento 2 T Transformador Instrumental 2 Y Transformador de Potência 4 Z Outros Equipamentos de Potência 15 Total 92 Tabela 4 – Grupos de LNs definidos pela IEC 61850 3.14 – Topologias de Rede de um SAS baseado na IEC 61850 Os requisitos de Confiabilidade, Disponibilidade e Manutenção (RAM - Reliability, Availability and Maintainability) são os fatores principais para a determinação da arquitetura do SAS, assim como para a seleção dos equipamentos e a hierarquia funcional do sistema. Para estes itens, o capítulo IEC 61850-3 da norma deve ser aplicado. O Fornecedor deve prover cálculos e dados que comprovem o atendimento dos requisitos RAM acima. Os cálculos devem ser fornecidos na forma de uma especificação de RAM, que inclua os seguintes cálculos estatísticos, baseados em dados práticos: ‒ Probabilidade de falha de um dos componentes do SAS; ‒ Confiabilidade do SAS; ‒ Disponibilidade do SAS; 74 ‒ Manutenção do SAS. Não deverá haver falhas de qualquer tipo no SAS que façam com que a subestação fique inoperável. Pelo menos, deverão ser mantidos o controle e monitoramento confiáveis e seguros dos equipamentos da subestação a partir do prédio de controle da subestação. A interface do SCADA do Centro de Operação deverá continuar a operar se o computador principal da SE falhar. Um projeto seguro deverá ser fornecido (ou seja, não deverá haver modo de falha que faça com que o SAS inicie uma ação de controle indesejada, tal como disparo ou fechamento de um disjuntor ou chave seccionadora). Além disso, as falhas do SAS não deverão desativar o medidor local e as funções de controle da subestação. O fabricante deverá esclarecer sobre a capacidade de permitir uma reinicialização do sistema. Todos os programas deverão ser ativados e/ou programados de acordo com uma sequência de inicialização pré-determinada, independentemente de quais programas estiverem sendo executados antes de um reinício. Não deverá ser necessária qualquer intervenção manual. A definição da arquitetura deverá considerar aspectos como: custo, segurança operação, manutenção e facilidade de intervenção/liberação do vão (para manutenção). Um dos objetivos da norma IEC 61850 é a diminuição ou quase eliminação dos cabos de controle que conduzem os sinais de estados, alarmes e comandos, transferindo esta função e responsabilidade para a rede de comunicação e para os próprios IEDs. Um dos princípios básicos para a definição da topologia da rede em SEs de maior importância é: a falha de qualquer dos elementos da rede ou mesmo de um dos IEDs de proteção não deve afetar as funcionalidades consideradas essenciais para a operação dos equipamentos primários (vão de linha, transformador, etc.) com segurança. As UACs, através dos seus respectivos módulos de entradas e saídas, deverão se conectar aos circuitos de comando, alarmes e demais sinais do vão. Os dados de aquisição analógica provenientes do processo devem ser armazenados e tratados pela UAC do vão respectivo. Cada setor da subestação deverá possuir uma rede de comunicação local (LAN- P) para conduzir as informações da proteção principal (P) e de controle e outra rede de comunicação local (LAN-A) para conduzir as informações da proteção alternada (A) e de controle. As redes LAN-P e LAN-A deverão ser completamente independentes, de 75 maneira que uma falha ou indisponibilidade em um elemento de uma rede não afete o funcionamento da outra. As redes LAN deverão ser constituídas por um conjunto de switches gerenciáveis adequadas para trabalhar no ambiente adverso de uma subestação e utilizar o protocolo IEC 61850. Deverão ser utilizados cabos de fibra óptica para a interconexão entre os switches e entre estes e os IEDs respectivos. As UACs e os Registradores Digitais de Perturbação - RDPs deverão possuir fontes de alimentação redundantes independentes, chaveadas por relé auxiliar, de forma que, na indisponibilidade da fonte principal, a fonte alternada seja conectada automaticamente. Em geral, a topologia de rede é relacionada ao nível de tensão e, na sua aplicação, tem que ser levado em conta a posição física dos IEDs e o layout dos equipamentos principais. Idealmente é esperado conectar um grupo de IEDs por vão a um único switch e um segmento de rede por nível de tensão. Os tipos de topologia serão apresentados abaixo [4]: Topologia com Switch Único: possui como característica um único roteador que faz a comunicação de todos os equipamentos (um único ponto de falha), como pode ser visto na figura 53. P C Vão Vão Vão Vão C P2 P1 P C C P2 P1 Figura 53 – Exemplo de Topologia com Switch Único 76 Topologia Estrela: esse tipo de topologia diminui a probabilidade de isolar a comunicação, criando vários pontos, com vários roteadores. Mais seguro, porém mais caro (ver figura 54). Vão C P2 P1 Vão C P2 P1 Vão C P2 P1 Vão C P2 P1 Vão C P2 P1 Vão C P2 P1 Figura 54 – Exemplo de Topologia Estrela Topologia de Dupla Estrela: o uso dessa topologia tem como objetivo alcançar alta disponibilidade e aumenta o número de ponto de falhas. Cada equipamento principal é conectado a duas redes redundantes, garantindo uma maior confiabilidade (ver figura 55). 77 LAN A Vão C P2 P1 Vão CP2 P1 Vão CP2 P1 LAN B Figura 55 – Topologia Dupla Estrela Topologia em Anel Simples: Vão MU C P Vão MU C P Vão MU C P Figura 56 – Topologia em Anel Simples 78 3.15 – Requisitos de Testes A principal vantagem que nos oferece a norma IEC 61850 é a facilidade de expansão dos Sistemas de Automação de Subestações (SAS), em razão da característica de interoperabilidade entre os IEDs interligados, o quereduz drasticamente o custo das expansões. Entretanto, a simples inclusão na especificação do sistema da necessidade de ser compatível com a norma está longe de ser suficiente para garantir sua expansão futura sem problemas. O trabalho de desenvolvimento do software interno de um IED de proteção e controle envolve tarefas de extrema complexidade, sendo feito por equipes especializadas que poderão interpretar ou implementar certos detalhes definidos na norma de maneira diferente de outras equipes. Há também a possibilidade de que certas aplicações específicas não tenham sido consideradas pela norma. A especificação do SAS, além de requerer que o mesmo seja compatível com a norma IEC 61850, deve fornecer um mínimo de definições que são fundamentais para facilitar as expansões futuras. Entre estas definições, podemos citar: a identificação precisa dos equipamentos primários indicada no diagrama unifilar, o grau de redundância desejado para a proteção e a rede LAN (alternativamente, pode-se fornecer o índice de confiabilidade desejado), a lista das funcionalidades que serão utilizadas, juntamente com sua descrição sucinta, informações sobre o desempenho das funções (tempo de resposta etc.), além de outras. Por outro lado, mesmo que cada IED tenha sido exaustivamente submetido aos testes de conformidade com a norma, a probabilidade de que dois ou mais IEDs não consigam interoperar para certas aplicações não deve ser desconsiderada, principalmente durante os primeiros anos de aplicação da norma ou sempre que for desejada uma nova aplicação. Como consequência, a realização de testes funcionais e de interoperabilidade envolvendo um conjunto integrado de IEDs, de preferência em ambiente comercialmente neutro, é fundamental para garantir a expansibilidade do sistema com IEDs de fabricantes diferentes daquele que forneceu a instalação inicial. 79 3.15.1 – Teste de Conformidade No capítulo 10 da IEC 61850 são estabelecidos requisitos para os testes de conformidade a serem realizados em um IED ou em um SAS. O objetivo destes testes é verificar se o dispositivo sob teste obedece aos requisitos de comunicação definidos pela norma IEC 61850. Geralmente, os testes de conformidade para cada um dos IEDs que fazem parte do SAS são da responsabilidade do respectivo fabricante e, em geral, são realizados por uma organização independente. Deve ser fornecido o certificado de homologação como parte da documentação do IED. Adicionalmente, devem também ser fornecidos pelo fabricante do IED os arquivos MICS – detalha o padrão dos elementos do objeto de dados suportado pelo IED ou SAS a ser testado – PICS – resumo das possibilidades de comunicação do IED ou SAS a ser testado – e PIXIT – contêm informações específicas relativas ao IED ou SAS a ser testado e que estão fora do escopo do IEC 61850. Estes arquivos são implementados em linguagem SCL e contém informações importantes sobre as possibilidades de comunicação e teste dos IEDs, assim como sobre a arquitetura interna e o SCSM, ou seja, o mapeamento de comunicação específico. Para realizar os testes de conformidade e os testes funcionais, é necessário dispor de um conjunto de testes adequados, incluindo, pelo menos um equipamento de teste baseado na norma IEC 61850, uma rede Ethernet, um computador e as ferramentas computacionais necessárias. A Figura 57 mostra as conexões que devem ser realizadas [9]. Figura 57 – Conexões Realizadas para o Teste de Conformidade 80 O equipamento de teste deve ser capaz de simular a comunicação vertical, como por exemplo, as informações de configuração e operacionais (SCADA) transferidas no modo cliente-servidor, assim como a comunicação horizontal, incluindo as mensagens GOOSE ou GSSE, no modo editor-assinante (publisher-subscriber). O editor realiza publicações de mensagens, ou seja, envia para o IED sob teste mensagens GOOSE. O assinante realiza subscrições, ou seja, recebe e armazena as mensagens enviadas pelo IED, avaliando o estado dos atributos nessas mensagens. O sistema de teste deve ser composto por um equipamento capaz de simular o processo de um SAS, com fontes de corrente e de tensão e simulação de comandos do processo (bobina de trip do disjuntor, estado do disjuntor e chaves, etc.). Este equipamento também deve possuir comunicação Ethernet para interagir com a rede LAN sob teste. Ainda fazem parte do sistema um conversor eletro-ótico, switch para conexão dos componentes do sistema de teste simulando a rede LAN do SAS e um conjunto de ferramentas de teste para análise e simulação, em linguagem SCL. Essas ferramentas deverão ser integradas em uma Interface Homem Máquina (IHM). Os objetivos dos Testes de Conformidade são: ‒ Reduzir os riscos de não interoperabilidade a um nível aceitável; ‒ Fornecer o máximo de confiança à transmissora ou distribuidora de que o dispositivo interoperará com outros dispositivos certificados; ‒ Realizar um teste de tipo da interface de comunicação de um SAS. É sempre recomendável realizar o Teste de Conformidade antes da integração do sistema no campo a fim de descobrir, ainda em tempo, possíveis diferenças de interpretação e possíveis erros de software, bem como a exata funcionalidade da implementação do protocolo. 3.15.2 – Teste de Interoperabilidade Para o teste de interoperabilidade devem ser conectados à LAN dois ou mais IEDs, devendo ser geradas e transmitidas mensagens no padrão IEC 61850. Quando possível, uma solução mais realista será utilizar os próprios equipamentos do SAS para gerar as mensagens, desde que se disponha de um analisador compatível com a norma IEC 61850 capaz de analisar as mensagens GOOSE e demais mensagens geradas pelos IEDs [9]. 81 Não é prático nem possível testar todas as possibilidades de comunicação de um relé com todos os demais IEDs de um SAS, uma vez que o número de possibilidades é muito grande e cresce exponencialmente com o número de IEDs. O que é prático e pode ser realizado, de forma realista, é estabelecer cenários de teste prováveis e que representem as condições mais desfavoráveis esperadas. As situações de tráfego carregado poderão ser simuladas por um computador adicional conectado à rede. Considera-se que cada IED tenha sido previamente testado com relação à conformidade com a norma e os requisitos funcionais e que a operação das funções não distribuídas tenha sido também previamente verificada, sendo observadas as mensagens geradas e recebidas pelo IED relativamente a sinais de status, comandos, alarmes e informações para a IHM. Diante da grande complexidade representada por um SAS com funções distribuídas, sugere-se começar pelas situações mais simples e ir aumentando, pouco a pouco, o grau de complexidade. Iniciar com dois IEDs, testando as funções distribuídas menos complexas e com a rede sem tráfego. Prosseguir com os testes até que todas as funções distribuídas que envolvam os dois IEDs tenham sido testadas. Somente então acrescentar um terceiro IED e, depois outro, até que todo o SAS tenha sido testado. Lembrar que a situação mais crítica para a interoperabilidade ocorre quando temos IEDs de fabricantes diferentes operando com funções distribuídas. Como exemplo, pode-se simular uma falta envolvendo dois ou mais IEDs de proteção ou controle e analisar as mensagens trocadas por estes IEDs, incluindo as mensagens verticais para o IHM (status, alarmes e comandos) e as mensagens GOOSE. Cada uma das funções distribuídas deve ser testada, simulando-se as diversas situações que possam ocorrer. Os IEDs futuros, ou aqueles que não estiverem disponíveis por ocasião do teste, podem ser simulados por uma ferramenta computacional adequada. Um conjunto de IEDs conectados a uma rede LAN, juntamente com simulador de mensagens GOOSE, analisador de protocolo, IHM, armazenamento, captura e visualizaçãodos dados de teste, além de uma fonte controladora e geradora dos sinais analógicos, está mostrado na Figura 58. O equipamento de GPS, embora não mostrado, também faz parte do conjunto. 82 Figura 58 - Sistema para Teste de Interoperabilidade de Vários IEDs Mesmo considerando que todos os IEDs componentes de um SAS foram aprovados nos testes de conformidade de responsabilidade do fabricante, poderão ocorrer diferenças entre IEDs que irão dificultar os testes de interoperabilidade. É importante lembrar que a realização dos testes funcionais e de interoperabilidade no ambiente controlado de um laboratório é muito superior à busca de defeitos e sua correção no campo. No laboratório, os testes são feitos passo a passo e se dispõe de ferramentas computacionais de análise que facilitam a identificação de problemas. No campo, poderão aparecer defeitos simultâneos, que irão dificultar muito sua localização e reparo, podendo prolongar de forma não controlada o prazo de realização dos testes de campo. 3.15.3 – Teste de Desempenho Os testes de desempenho de um SAS destinam-se a verificar se o desempenho de cada função se mantém dentro dos limites especificados, mesmo quando a rede de comunicação é submetida a condições críticas de trafego de mensagens ou ruído. Aplicam-se tanto às funções distribuídas quanto às não distribuídas. Durante os testes de 83 desempenho, são verificados os tempos máximos de operação de funções, assim como os tempos máximos que cada mensagem (especialmente as mensagens GOOSE) irá levar desde sua geração em um IED até que seja recebida pelos IEDs subscritores que irão utilizar a informação [1]. 84 Capítulo 4 Descrição do Arquivo SSD 4.1 – Introdução Este capítulo irá apresentar incialmente a linguagem utilizada pela norma IEC 61850 que descreve todos os arquivos necessários para a comunicação entre o IHM, os IEDs e os equipamentos de proteção de uma SE. Em seguida será mostrado como foi feita a formatação do arquivo de descrição de uma SE (arquivo SSD) que descreve o diagrama unifilar da subestação e seus nós lógicos exigidos a partir do diagrama unifilar de uma SE com o uso do software Visual SCL. 4.2 – Formatação do Arquivo SSD Para atender ao padrão IEC 61850, uma especificação deve conter, pelo menos, uma descrição das interconexões entre as funções e entre estas e os equipamentos no campo. Isto pode ser obtido com o auxílio da linguagem SCL. O resultado da aplicação desta linguagem é chamado de arquivo de descrição da especificação do sistema Entretanto, os arquivos SSD não definem detalhes específicos da implementação das funções e a interação entre funções. Isto deve ser descrito conforme é feito hoje, com diagramas e texto. Os arquivos SSD permitem, porém, a inclusão de pequenas partes de texto ou referências a arquivos contendo informações sobre o diagrama unifilar e a definição dos LNs e LDs, o que facilita a compreensão da especificação do sistema. Primeiramente, para ser feita toda a modelagem do arquivo SSD, é necessário ter o diagrama unifilar da subestação que se deseja modelar. Lembrando que o que será especificado serão os LDs e LNs, ou seja, a virtualização do sistema de proteção de uma subestação, nesse caso uma subestação de distribuição primária de 34,5 kV–13,8 kV. 85 A linguagem utilizada será a CIM XML, uma linguagem baseada em XML. Essa linguagem alcançou grande aceitação para facilitar a troca de informação entre empresas e seu uso está se expandindo. Em razão de sua flexibilidade e extensibilidade, a troca de documentos XML fornece uma abordagem adequada para possibilitar a integração de sistemas díspares. O modelo CIM está, também, ganhando aceitação como um padrão na indústria elétrica. A combinação destes dois padrões conduz a uma abordagem poderosa no sentido de satisfazer às necessidades das concessionárias de energia elétrica. O SCL é usado com o objetivo de se diminuir custos e tempo para a engenharia, por ser menos dependente do fabricante, com possibilidade de se importar os arquivos SCL, e melhora o requisito de especificação da concessionária. Todo o processo de engenharia envolvido no uso do SCL pode ser visto na figura 59 [9]. *.SSD *.SSD *.ICD *.ICD *.ICD *.SSD *.ICD *.ICD *.ICD *.CID *.CID *.CID Ferramenta de Especificação da Subestação Configurador da Subestação 2 1 Fabricante 3 4 Configurador de IEDs Figura 59 – Processo de Engenharia 1 – Descrição das Capacidades do IED – É desenvolvido pelos fabricantes o arquivo .ICD que descreve as capacidades dos IEDs que serão utilizados nas subestações e (opcional) os dados pré configurados dos modelos de dados do IED, como os tipos de LDs, LNs e blocos de controle. 86 2 – Modelagem da Subestação – o arquivo .SSD que descreve o diagrama uni- filar de toda a SE com seus respectivos LNs é desenvolvido através de alguma ferra- menta (neste projeto o Visual SCL). 3 – Combinação dos arquivos SSD e ICD – com a combinação dos arquivos SSD e ICD, é criado o arquivo .SCD que descreve a configuração completa da subestação incluindo o diagrama unifilar, rede de comunicação, configuração dos IEDs, informação de conexão. 4 – Arquivo SCD – a partir do arquivo .SCD e uma ferramenta configuradora de IEDs, é criado o arquivo .CID, que descreve a função atual de um IED, com todos os parâmetros relevantes para ele nesse momento. O uso desse arquivo é opcional, e pode ser usado o arquivo .ICD determinado pelo fabricante. A figura 60 mostra o diagrama unifilar da SE que será utilizado para descrever o arquivo SSD no padrão IEC 61850. 87 Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé Relé 34,5 kV 13,8 kV Relé Relé Relé Relé Figura 60 – Diagrama Unifilar da Subestação 88 Inicialmente no arquivo XML são colocadas as seguintes linhas de comando: <?xml version="1.0" encoding="utf–8"?> <SCL xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema–instance" xmlns:xsd="http://www.w3.org/2001/XMLSchema" xmlns="http://www.iec.ch/61850/2003/SCL"> <Header toolID="Exemplo1" nameStructure="FuncName"> <History /> </Header> Após esse procedimento, é definida a subestação e seu nome com a expressão <Substation name="S1">. Esse termo define o início de toda a configuração do esquema da subestação. Depois é definido o nível de tensão, que pode ser visto na expressão abaixo para o lado de 34,5 kV, por exemplo: <VoltageLevel sxy:x="143" sxy:y="101" name="V34–5k" xmlns:sxy="http://www.iec.ch/61850/2003/SCLcoordinates"> Para o diagrama unifilar ser montado na linguagem SCL, é necessário dividir os diversos equipamentos em vãos que, para o CIM XML, são chamados de bays (vãos). Para se escolher os vãos da melhor maneira, é necessário pegar os equipamentos principais e traçar uma área no entorno. No caso da subestação que será modelada, os vãos foram divididos da seguinte maneira: 89 52 Relé 52 Relé 52 Relé 52 Relé Relé Relé 52 Relé 52 Relé Relé Relé 52 Relé 52 Relé Relé Relé 52 Relé Relé 52 Relé Relé 34,5 kV 13,8 kV 52 Relé Relé 52 Relé Relé Figura 61 – Divisão dos Vãos da Subestação A entrada de cada vão é feita de maneira análoga à da definição da subestação, com a expressão <Bay sxy:x="–67" sxy:y="–72" name="Q2"> , por exemplo. Dentro de cada vão são colocados os LNs e LDs dos equipamentos de proteção, medição e controle, e das funções de proteção de cada equipamento. Pode–se perceber na expressão abaixo um exemplo da entrada de cada LD e os LNs correspondentes: <ConductingEquipment sxy:x="183" sxy:y="15" name="TP1" type="VTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TVTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k"bayName="Q2" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" 90 cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L5" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L5" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> Inicialmente é escolhido o equipamento que neste caso é do tipo VTR, que significa Voltage Transformer – Transformador de Potencial – e seus nós lógicos correspondentes. O TVTR, por exemplo, significa que o LN está no grupo T [ver item 2.9], e tem a função de ser VTR, ou TP. Depois disso são escolhidos os pontos de conexão, e para onde eles estão endereçados. Qualquer outra descrição de equipamento é feita de maneira análoga, e as proteções foram colocadas acopladas aos TCs da subestação que alimentam os relés. Melhor descrição está no item 3.2. O arquivo SSD criado para a subestação proposta está descrito no anexo A deste projeto. Produzir o arquivo inteiro de descrição de uma SE mais complexa, ou maior do que a de distribuição primária, iria demandar muito tempo. Pensando nisso, algumas empresas desenvolveram softwares em que os arquivos de configuração e especificação de uma SE são produzidos diretamente através de uma interface gráfica, de modo que conforme são inseridos os desenhos dos equipamentos e as linhas, o arquivo vai sendo escrito automaticamente em paralelo. Neste projeto foi utilizado o software Visual SCL, que torna mais amigável a criação do SSD, além de possibilitar a visualização e comparar com o diagrama unifilar original da SE. Na figura 62 é mostrada a interface do Visual SCL. 91 Figura 62 – Visual SCL O software permite a criação do diagrama unifilar, incorporando todos os equipamentos (LD) e permitindo também incluir suas respectivas proteções (LNs). Portanto, pode ser vista na figura 63 uma parte da SE definida no software, com seu arquivo SSD escrito ao lado. 92 Figura 63 – Modelagem da Subestação / Arquivo SSD Na figura 64 se encontra toda a descrição do diagrama unifilar da SE produzido no Visual SCL, com suas respectivas funções, descritas abaixo. 93 Figura 64 – Subestação 94 4.3 – Descrição dos LNs Utilizados: 4.3.1 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Controle: C CILO – Função de Intertravamento CSWI – Controlador do Chaveamento 4.3.2 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Proteção: P PDIR – Proteção Direcional PTOC – Proteção de Sobrecorrente PTRC – Condicionamento de Envio da Proteção; tem a função de conectar várias funções em um ponto em comum para enviar para o XCBR (disjuntor). PTOV – Proteção de Sobretensão 4.3.3 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Medição: M MMXU – Medição; calcula correntes, tensão, potência e impedância de um sistema trifásico de potência. 4.3.4 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Função Relacionada: R RREC – Religamento automático 4.3.5 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Chaves: X XCBR – Disjuntor 95 4.3.6 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Transformadores Instrumentais: T TCTR – Transformadores de Corrente TVTR – Transformadores de Potencial 4.3.7 – Nós Lógicos Utilizados dos Grupos de Transformadores de Potência: Y YPTR – Transformador de Potência YPSH – Potência Shunt YLTC – Trocador de Tap YEFN – Aterramento 96 Capítulo 5 Conclusões Conforme apresentado neste trabalho, a norma IEC 61850 apresenta grandes vantagens em relação aos SAS convencionais ainda predominantes no Brasil. Uma vantagem é a redução do número de cabos de comunicação e a introdução do uso de fibra ótica, através de uma rede mais rápida e confiável utilizando protocolo TCP/IP. A IEC 61850 trouxe uma série de possibilidades para o desenvolvimento de novas soluções em automações de subestações no que se refere ao uso dos recursos mais modernos disponíveis. Uma característica extremamente positiva da norma referida é sua aceitação mundial, diferentemente do que ocorreu com os diversos protocolos de comunicação anteriores. Acredita-se que, em poucos anos, os demais protocolos de comunicação serão substituídos pelo IEC 61850, em vista dos seus muitos benefícios. Novas instalações que não estiverem considerando o uso deste padrão estarão tecnologicamente ultrapassadas em relação ao futuro próximo. Outra evolução tecnológica que está começando a ser considerada pelas empresas de distribuição no Brasil é o conceito de Smart Grid, o qual implica em uma utilização muito maior de informações sobre o processo elétrico que é facilitado pelo uso do padrão IEC 61850. Outra vantagem é a garantia de interoperabilidade entre IEDs de fabricantes diferentes, permitindo assim o compartilhamento rápido de informações entre eles através do uso das mensagens GOOSE. Finalmente, este trabalho mostra a importância do uso da linguagem SCL, baseada em XML, que permite que o diagrama unifilar com as características da subestação, os LNs com as principais funções de proteção, controle e especificações de um SAS e a especificação dos IEDs sejam descritos em arquivos, essencial em um projeto de automação de uma Subestação.Uma vez criados, esses arquivos podem ser importados facilmente pela engenharia, reduzindo o custo e esforço na configuração dos dispositivos compatíveis com a IEC 61850. 97 Bibliografia [1] ALLAN C. P. (2005). Integração dos Sistemas de Proteção, Controle e Automação de Subestações e Usinas - Estado da Arte e Tendências. [2] BOGDAN K., JAMES W., ERIC A. W., JOHN B., DALE F. & MARK A. (2006). IEC 61850 – A Practical Application Primer for Protection Engineers. [3] EQUIPE DE ENGENHARIA DA SEL (2010). Redes de comunicação em subestações de energia elétrica – Norma IEC 61850. Revista Setor Elétrico, pp. 56–61. [4] MARK A., DREW B. & RALPH M. (2009). IEC 61850 Communication Networks and Systems in Substations – An Overview for users. [5] JIANQING Z. & CARL A. G. IEC 61850 – Communication Networks and Systems in Substations: An Overview of Computer Science. Universidade de Illionis [6] GERALDO K. (1999). Proteção de Sistemas Elétricos de Potência. Vol. 1 e 2. [7] ALLAN C. P., EDUARDO Z., RICARDO A., RODOLFO P.& DAVID C. (2009) Sistemas de Proteção e Automação de Subestações de Distribuição e Industriais Usando a Norma IEC 61850. XIII ERIAC [8] Norma IEC 61850 1 a Edição. (2003). [9] BAS MULDER. (2013). NIEUW DNV STIJL – IEC 61850 Training. [10] ANTONIO C. C. DE CARVALHO, ANTONIO P. PUENTE, ARTUR FUCHS, CARLOS M. PORTELA, DUÍLIO D. FIGUEIREDO, EDELBERTO JOSÉ GUERATTO, FRANCISCO M. S. CARVALHO, GLYCON G. JUNIOR, IVAN S. MORAIS, JORGE A. FILHO, JOÃO B. DE ALMEIDA, JULIO S. TEIXEIRA, LUIZ 98 DA P. S. DA SILVA, MANABU ASANO, MÁRCIO A. G. DRUMMOND, MARTA LACORTE, MICHEL A. VORPE, OSCAR K. FILHO, ROBERTO COLOMBO, SEBASTIÃO V. F. JÚNIOR, SÉRGIO DE A. MORAIS, SÉRGIO DE O. FRONTIN & WILSON J. FRANÇA (1995). Disjuntores e Chaves – Aplicação em Sistemas de Potência. [11] ARY D’AJUZ, FABIO M. RESENDE, F. M. SALGADO CARVALHO, IRAPOAN G. NUNES, JORGE A. FILHO, L. E. NORA DIAS, MARCO P. PEREIRA, OSCAR K. FILHO & SÉRGIO DE A. MORAIS (1985) Equipamentos Elétricos – Especificação e Aplicação em Subestações de Alta Tensão [12] CEFET–RJ (1990). Apostilade Subestações. [13] Marcos A. Dias de Almeida Natal (2000). Apostila de Proteção de Sistemas Elétricos. [14] SENAI-SC (2010). Transformador de Corrente. [15] Aula de Distribuição de Energia Elétrica (2013). Visita à Subestação da Light-RJ no Rio Comprido. [16] AMADEU C. CAMINHA. (1978). Introdução à Proteção dos Sistemas Elétricos de Potência. [17] CARLOS R. S. FILHO. Transformadores para Instrumentos. 99 Anexo A Arquivo SSD da Subestação A.1 – Objetivo: Este anexo tem o intuito de mostrar todo o arquivo SSD da subestação modelada no Capítulo 4. A.2 – Detalhamento do Arquivo SSD: <?xml version="1.0" encoding="utf–8"?> <SCL xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema–instance" xmlns:xsd="http://www.w3.org/2001/XMLSchema" xmlns="http://www.iec.ch/61850/2003/SCL"> <Header toolID="Visual SCL" nameStructure="FuncName"> <History /> </Header> <Substation name="S1"> <VoltageLevel sxy:x="143" sxy:y="101" name="V34–5k" xmlns:sxy="http://www.iec.ch/61850/2003/SCLcoordinates"> <PowerTransformer sxy:x="118" sxy:y="308" name="T1"> <LNode lnInst="1" lnClass="YEFN" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YLTC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YPSH" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YPTR" /> <TransformerWinding name="W1"> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q4/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q4" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </TransformerWinding> <TransformerWinding name="W2"> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/D2/Q1/L2" substationName="S1" voltageLevelName="D2" bayName="Q1" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V13–8k/Q1/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V13–8k" bayName="Q1" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V13–8k/Q6/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V13–8k" bayName="Q6" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </TransformerWinding> </PowerTransformer> <PowerTransformer sxy:x="302" sxy:y="309" name="T2"> 100 <LNode lnInst="1" lnClass="YEFN" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YLTC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YPSH" /> <LNode lnInst="1" lnClass="YPTR" /> <TransformerWinding name="W1"> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q5/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q5" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </TransformerWinding> <TransformerWinding name="W2"> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/D2/Q2/L2" substationName="S1" voltageLevelName="D2" bayName="Q2" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V13–8k/Q2/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V13–8k" bayName="Q2" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V13–8k/Q7/L9" substationName="S1" voltageLevelName="V13–8k" bayName="Q7" cNodeName="L9" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </TransformerWinding> </PowerTransformer> <Bay sxy:x="–67" sxy:y="–72" name="Q2"> <ConductingEquipment sxy:x="183" sxy:y="15" name="TP1" type="VTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TVTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L5" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L5" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="183" sxy:y="39" name="DIS1" type="CBR"> <LNode lnInst="1" lnClass="CSWI" /> <LNode lnInst="1" lnClass="CILO" /> <LNode lnInst="1" lnClass="XCBR" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> 101 <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L5" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L5" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="183" sxy:y="80" name="TC1" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q2/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q2" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q1/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q1" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConnectivityNode name="L1" /> <ConnectivityNode name="L2" /> <ConnectivityNode name="L3" /> <ConnectivityNode name="L4" /> <ConnectivityNode name="L5" /> </Bay> <Bay sxy:x="10" sxy:y="100" name="Q1"> <LNode lnInst="1" lnClass="TVTR" /> <LNode lnInst="2" lnClass="TVTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <ConnectivityNode name="L1" /> </Bay> <Bay sxy:x="–72" sxy:y="–72" name="Q3"> <ConductingEquipment sxy:x="376" sxy:y="15" name="TP2" type="VTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TVTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> 102 <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions"/> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L5" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L5" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="376" sxy:y="40" name="DIS2" type="CBR"> <LNode lnInst="1" lnClass="CSWI" /> <LNode lnInst="1" lnClass="CILO" /> <LNode lnInst="1" lnClass="XCBR" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L4" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L4" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L5" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L5" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="376" sxy:y="81" name="TC2" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q3/L3" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q3" cNodeName="L3" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q1/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q1" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConnectivityNode name="L1" /> <ConnectivityNode name="L2" /> 103 <ConnectivityNode name="L3" /> <ConnectivityNode name="L4" /> <ConnectivityNode name="L5" /> </Bay> <Bay sxy:x="–280" sxy:y="180" name="Q4"> <ConductingEquipment sxy:x="398" sxy:y="–44" name="TC3" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q1/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q1" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q4/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q4" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="398" sxy:y="52" name="TC4" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOV" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q4/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q4" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="398" sxy:y="11" name="DIS3" type="CBR"> <LNode lnInst="1" lnClass="CSWI" /> <LNode lnInst="1" lnClass="CILO" /> <LNode lnInst="1" lnClass="XCBR" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q4/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q4" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConnectivityNode name="L1" /> <ConnectivityNode name="L2" /> </Bay> <Bay sxy:x="–75" sxy:y="122" name="Q5"> <ConductingEquipment sxy:x="377" sxy:y="14" name="TC5" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> 104 <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q5/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q5" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q1/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q1" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="377" sxy:y="70" name="DIS4" type="CBR"> <LNode lnInst="1" lnClass="CSWI" /> <LNode lnInst="1" lnClass="CILO" /> <LNode lnInst="1" lnClass="XCBR" /> <Terminal ease:origin="A" connectivityNode="S1/V34–5k/Q5/L1" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q5" cNodeName="L1" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConductingEquipment sxy:x="377" sxy:y="111" name="TC6" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOV" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal ease:origin="B" connectivityNode="S1/V34–5k/Q5/L2" substationName="S1" voltageLevelName="V34–5k" bayName="Q5" cNodeName="L2" xmlns:ease="http://www.ase– systems.com/61850/2003/SCLextensions" /> </ConductingEquipment> <ConnectivityNode name="L1" /> <ConnectivityNode name="L2" /> </Bay> </VoltageLevel> <VoltageLevel sxy:x="124" sxy:y="454" name="V13–8k" xmlns:sxy="http://www.iec.ch/61850/2003/SCLcoordinates"> <Bay sxy:x="10" sxy:y="10" name="Q6"> <ConductingEquipment sxy:x="127" sxy:y="15" name="TC7" type="CTR"> <LNode lnInst="1" lnClass="TCTR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PDIR" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTOC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="PTRC" /> <LNode lnInst="1" lnClass="MMXU" /> <Terminal 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