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Revisão de Português: questões comentadas de sintaxe, morfologia e interpretação (FUVEST, SANTA CASA, UNICAMP, UNESP), com trecho de notícia, poema Amora de Marco Catalão e textos sobre o neologismo maratonar.

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Português
Curso Extensivo – E
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Sintaxe e Morfologia (I)11
Leia o trecho extraído de uma notícia veiculada na internet:
1. (FUVEST-2020) – No português do Brasil, a função sintática do
sujeito não possui, necessariamente, uma natureza de agente, ainda
que o verbo esteja na voz ativa, tal como encontrado em:
a) “O carro furou o pneu”.
b) “e bateu no meio fio”.
c) “O refém conseguiu acionar a população”.
d) “tentaram linchar eles”.
e) “afirmou o major”.
RESOLUÇÃO:
A oração que apresenta sujeito sem natureza de agente, apesar de estar na
voz ativa, é “o carro furou o pneu”, uma vez que o sujeito “carro” não é
o agente da ação do verbo “furar”. Resposta: A
Texto para as questões 2 e 3.
2. (FUVEST-2020) – É correto afirmar que o poema
a) aborda o tema da memória, considerada uma faculdade que torna
o ser humano menos amargo e sombrio.
b) enfoca a hesitação do eu lírico diante das palavras, o que vem
expresso pela repetição da palavra “talvez”.
c) apresenta natureza romântica, sendo as palavras “amora” e
“amargo” metáforas do sentimento amoroso.
d) possui reiterações sonoras que resultam em uma tensão inusitada
entre os termos “amor” e “amar”.
e) ressalta os significados das palavras tal como se verificam no seu
uso mais corrente.
RESOLUÇÃO:
As interações sonoras entre “amora”, “amor”, “amargo” e “amar”
configuram assonância (repetição do fonema vocálico a), aliteração
(repetição dos fonemas consonantais m e r), paranomásia (“amor” e
“amar”), em que as palavras têm sonoridade parecida, mas a primeira se
refere a um sentimento e a segunda, a uma ação. Esse jogo sonoro cria
tensão semântica entre “amor”, palavra doce, e “amar”, palavra menos
doce, segundo as acepções utilizadas pelo poeta. 
Resposta: D
3. (FUVEST-2020) – Tal como se lê no poema,
a) a palavra “amora” é substantivo, e “amargo”, adjetivo.
b) o verbo “amar” ameniza o amargor da palavra “amargo”.
c) o substantivo “corpo” apresenta sentido denotativo.
d) o substantivo “amor” intensifica o dulçor da palavra “amora”.
e) o verbo “amar” e o substantivo “amor” são intercambiáveis.
RESOLUÇÃO:
Na primeira estrofe do poema, a palavra “amora” poderia ser menos
doce, caso não tivesse “em seu corpo” a “memória da palavra amor”.
Resposta: D
4. (SANTA CASA-2020) – O termo sublinhado em “Proponho
uma reforma no estilo político” exerce a mesma função sintática do
termo sublinhado em:
a) “A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade”
b) “São sinceros, francos, ingênuos.”
c) “A Constituição é para eles uma coisa inteiramente
desconhecida.”
d) “Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu
destino”
e) “Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas”
RESOLUÇÃO:
O termo sublinhado “uma reforma” exerce a função sintática de objeto
direto do verbo “propor”. A passagem “o seu destino” exerce a mesma
função em relação ao verbo “pôr”. Em a, a função sintática é de sujeito;
em b e c, predicativo do sujeito; em e, objeto indireto. 
Resposta: D
“O carro furou o pneu e bateu no meio fio, então eles foram
obrigados a parar. O refém conseguiu acionar a população, que
depois pegou dois dos três indivíduos e tentaram linchar eles. O
outro conseguiu fugir, mas foi preso momentos depois por uma
viatura do 5º BPM”, afirmou o major.
Disponível em https://www.gp1.com.br/.
AMORA
a palavra amora
seria talvez menos doce
e um pouco menos vermelha
se não trouxesse em seu corpo
(como um velado esplendor)
a memória da palavra amor
a palavra amargo
seria talvez mais doce
e um pouco menos acerba
se não trouxesse em seu corpo
(como uma sombra a espreitar)
a memória da palavra amar
(Marco Catalão, Sob a face neutra.)
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Textos para a questão 5.
5. (UNICAMP-2020) – Embora os dois textos tratem do termo
“maratonar” a partir de perspectivas distintas, é possível afirmar que
o Texto II retoma aspectos apresentados no Texto I porque
a) esclarece o significado do neologismo “maratonar” como
esforço físico exaustivo, derivado de “maratona”.
b) deprecia a definição de “maratona” como ação contínua de
superação de dificuldades e melhoria da saúde.
c) reflete sobre o impacto que a falta de exercícios físicos e a
permanência em casa provocam na saúde.
d) menospreza o uso do termo “maratonar” relacionado a um estilo
de vida sedentário, antagônico a maratona.
RESOLUÇÃO:
Ambos os textos apontam o sentido negativo do neologismo “maratonar”
que, em oposição ao signifi ca do tradicional que lhe dá origem (maratona),
refere-se ao sedentarismo daquele que assiste inin ter rup tamente aos
episódios de uma série.
Resposta: D
6. (UNESP-2020) – Em “mas, rigorosamente, não há morte, há
vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da
outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”,
os termos sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de
a) consequência e conformidade.
b) causa e conformidade.
c) conformidade e consequência.
d) causa e finalidade.
e) consequência e finalidade.
RESOLUÇÃO:
No primeiro trecho, a relação que se estabelece entre a oração iniciada
pela conjunção porque com a anterior é de causa. No segundo trecho, a
oração iniciada pela preposição “para” estabelece relação de finalidade
com a oração anterior.
Resposta: D
TEXTO I
Os idiomas e suas regras são coisas vivas, que vão se
modificando de maneira dinâmica, de acordo com o momento em
que a sociedade vive. Um exemplo disso é a adoção do termo
“maratonar”, quando os telespecta dores podem assistir a vários ou
a todos os episódios de uma série de uma só vez. Contudo, ao que
parece, a plataforma Netflix não quer mais estar associada à
“maratona” de séries. A maior razão seria a tendência atual que as
gigantes da tecnologia têm seguido para evitar o consumo
excessivo e melhorar a saúde dos usuários.
(Adaptado de Claudio Yuge, “Você notou? Netflix parece estar evitando
o termo ‘maratonar’.” Disponível em https://www.tecmundo.com.br/
internet/133690-voce-notou-net flix-pareceevitando-termo-
maratonar.htm. Acessado em 01/06/2019.)
TEXTO II
(Disponível em http://www.willtirando.com.br/anesia-417/. 
Acessado em 01/06/ 2019.)
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Para responder à questão 7, leia o trecho de uma carta de Charles
Darwin ao biólogo Joseph Hooker em 11.01.1844.
7. (UNIFESP-2020) – “Deus me livre das bobagens de Lamarck
como ‘tendência ao progresso’, ‘adaptações a partir do esforço dos
animais’, — porém minhas conclusões não diferem muito das dele —
embora a forma da mudança difira inteiramente — creio que descobri
(que presunção!) a maneira simples pela qual as espécies se adaptam
a várias finalidades.”
No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de
a) comparação.
b) causa.
c) conclusão.
d) consequência.
e) concessão.
RESOLUÇÃO:
A oração introduzida pela conjunção “embora” é subordinada adverbial
concessiva em relação à anterior. Esse conectivo pode ser substituído por
“ainda que”, “mesmo que”, “se bem que”.
Resposta: E
Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para
responder às questões de 8 a 10.
8. (UNIFESP-2020) – Em “Mediante cruzamentos sucessivos,
obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh” (5.°
parágrafo), o cronista recorre à figura de linguagem denominada:
a) metonímia.
b) hipérbole.
c) eufemismo.
d) personificação.
e) pleonasmo.
RESOLUÇÃO:
O trecho “comer Van Gogh” configura uma metonímia, em que se
emprega o nome do autor “Van Gogh” pela obra (tela). Resposta: A
Além de um interesse geral pelas terras meridionais, desde que
retornei tenho me dedicado a um trabalho muito ambicioso que
nenhum indivíduo que conheço deixaria de considerar muito
bobo. Fiquei tão impressionado com a distribuição dos
organismosnas Galápagos e com a natureza dos fósseis de
mamíferos americanos, que resolvi recolher todo tipo de coisa que
pudesse ter alguma relação com alguma espécie. Li montanhas de
livros sobre agricultura e horticultura e não paro de coletar
informações. Por fim surgiu uma luz, e estou quase convencido
(ao contrário do que achava inicialmente) de que as espécies (é
como confessar um homicídio) não são imutáveis. Deus me livre
das bobagens de Lamarck como “tendência ao progresso”,
“adaptações a partir do esforço dos animais”, — porém minhas
conclusões não diferem muito das dele — embora a forma da
mudança difira inteiramente — creio que descobri (que
presunção!) a maneira simples pela qual as espécies se adaptam a
várias finalidades.
(Shaun Usher (org.). Cartas extraordinárias, 2014.)
Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor
desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista
holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis
girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes
deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto
criador.
Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas
de Van Gogh, onde quer que estivessem. Começaria pelas mais
próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como
outros destruidores de telas que entram num museu armados de
facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não
apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não,
usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente
insuspeitados: os cupins.
Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era
necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van
Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções
das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma
solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a
diferenciar tais obras de outras.
Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim
que só queria comer Van Gogh. Para ele era repulsivo, mas para
os insetos era agradável, e isso era o que importava.
Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do
que aconteceria. Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de
atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de
sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar. E
por isso foram detectados.
O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi
a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram
encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe
serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem
querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a
mesma coisa.
(O imaginário cotidiano, 2002.)
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9. (UNIFESP-2020) – Expressam ideia de negação e ideia de
repetição, respectivamente, os prefixos das palavras
a) “deformados” e “repulsivo”.
b) “insuspeitados” e “repulsivo”.
c) “deformados” e “recobertas”.
d) “repulsivo” e “recobertas”.
e) “insuspeitados” e “deformados”.
RESOLUÇÃO:
O termo “deformados” é formado por um prefixo de negação (des-), pois
significa, no texto, “tortos, desfigurados, que não apresentam a forma do
aspecto original”. O termo “recobertas” também é formado por derivação
prefixal, em que o prefixo “re-” tem sentido de repetição, “cobrir de novo”.
Resposta: C
10. (UNIFESP-2020) – Tendo em vista a ordem inversa da frase,
verifica-se o emprego de vírgula para separar um termo que exerce a
função de sujeito em:
a) “Deu-lhe muito trabalho, aquilo.” (4.° parágrafo)
b) “Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas
de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente
vulgar.” (6.° parágrafo)
c) “Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso
era o que importava.” (5.° parágrafo)
d) “Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados
absolutamente insuspeitados: os cupins.” (3.° parágrafo)
e) “Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana.” (4.° parágrafo)
RESOLUÇÃO:
O sujeito “aquilo” está separado por vírgula da forma verbal “deu-lhe”.
Deve-se observar, porém, que não se usa vírgula separando o sujeito do
verbo, segundo a gramática normativa.
Resposta: A 
11. (SANTA CASA-2020) – Considere a tirinha de André Dahmer.
(www.folha.uol.com.br)
O efeito de humor da tirinha decorre, sobretudo, do fato de 
a) o segundo personagem ignorar completamente a fala do
primeiro.
b) as falas dos dois personagens se contradizerem.
c) o primeiro personagem valer-se da concretização de uma ideia
abstrata.
d) o primeiro personagem assumir uma postura que exemplifica a
fala do segundo.
e) o segundo personagem confirmar, em sua fala, o que foi dito pelo
primeiro.
RESOLUÇÃO:
“Empatia" é um substantivo derivado do verbo empatizar que significa
"colocar-se no lugar do outro, comportando-se ou pensando da mesma
forma como ele pensaria ou agiria nas mesmas situações". A empatia,
portanto, pressupõe afeição, afinidade, identidade, vinculação, e tudo isso
foi eliminado no país conforme o primeiro personagem. O segundo
personagem, com a afirmação "antes ela do que eu", comprova que
realmente não há mais o sentimento de empatia no país. Resposta: E
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Leia o início do conto “Luís Soares”, de Machado de Assis, para
responder às questões 12 e 13.
12. (FAMERP-2020) – Assinale a alternativa que apresenta um
trecho do texto e uma figura de linguagem que nele ocorre.
a) “O calor do sol está dizendo aos homens que vão descansar e
dormir” (1.o parágrafo) – personificação.
b) “a frescura relativa da noite é a verdadeira estação em que se
deve viver” (1.o parágrafo) – eufemismo.
c) “Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é restaurar o império
da natureza corrigindo a obra da sociedade” (1.o parágrafo) –
gradação.
d) “Olhava para todas as grandes cousas com a mesma cara com
que via uma mulher feia” (3.o parágrafo) – pleonasmo.
e) “Podia vir a ser um grande perverso; até então era apenas uma
grande inutilidade” (3.o parágrafo) – paradoxo.
RESOLUÇÃO:
Há personificação ou prosopopeia, pois se atribuem características do ser
humano, no caso a ação de dizer, ao “calor do sol”.
Resposta: A
13. (FAMERP-2020) – No primeiro parágrafo, o trecho “Livre em
todas as minhas ações, não quero sujeitar-me à lei absurda que a
sociedade me impõe” é parte da fala do personagem Luís Soares. O
mesmo trecho, em discurso indireto, seria:
a) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não quer
sujeitar-se à lei absurda que a sociedade lhe impõe.
b) Luís Soares dizia, livre em todas as suas ações, que não quer
sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impõe.
c) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não queria
sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impunha.
d) Luís Soares dizia, livre em todas as suas ações, que não quis
sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impôs.
e) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não queria
sujeitar-se à lei absurda que a sociedade lhe impunha.
RESOLUÇÃO:
Emprega-se o verbo de elocução “dizer” que está, no início do excerto, na
passagem para o discurso indireto. Os verbos que, no discurso direto,
estão no presente, passam no discurso indireto para o pretérito
imperfeito: “queria” e “impunha”. O pronome de primeira pessoa “me”
vai para a terceira pessoa “lhe”, pois o verbo impor é transitivo indireto,
nesse caso.
Resposta: E
Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é restaurar o
império da natureza corrigindo a obra da sociedade. O calor do sol
está dizendo aos homens que vão descansar e dormir, ao passo que
a frescura relativa da noite é a verdadeira estação em que se deve
viver. Livre em todas as minhas ações, não quero sujeitar-me à lei
absurda que a sociedade me impõe: velarei de noite, dormirei de
dia.
Contrariamente a vários ministérios, Soarescumpria este
programa com um escrúpulo digno de uma grande consciência. A
aurora para ele era o crepúsculo, o crepúsculo era a aurora.
Dormia 12 horas consecutivas durante o dia, quer dizer das seis da
manhã às seis da tarde. Almoçava às sete e jantava às duas da
madrugada. Não ceava. A sua ceia limitava-se a uma xícara de
chocolate que o criado lhe dava às cinco horas da manhã quando
ele entrava para casa. Soares engolia o chocolate, fumava dois
charutos, fazia alguns trocadilhos com o criado, lia uma página de
algum romance, e deitava-se.
Não lia jornais. Achava que um jornal era a cousa mais inútil
deste mundo, depois da Câmara dos Deputados, das obras dos
poetas e das missas. Não quer isto dizer que Soares fosse ateu em
religião, política e poesia. Não. Soares era apenas indiferente.
Olhava para todas as grandes cousas com a mesma cara com que
via uma mulher feia. Podia vir a ser um grande perverso; até então
era apenas uma grande inutilidade.
(Contos fluminenses, 2006.)
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Texto para a questão 1.
1. (FUVEST-2020) – Considerando o contexto, o trecho “E não se
pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse” (L.13-14)
pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte maneira: E
não se pense que este nome a alegrou,
a) apesar de lisonjeá-la.
b) antes a lisonjeou.
c) porque a lisonjeava.
d) a fim de lisonjeá-la.
e) tanto quanto a lisonjeava.
RESOLUÇÃO:
A locução conjuntiva “posto que” é concessiva e pode ser substituída
adequadamente por “apesar de, embora, mesmo que, ainda que,
conquanto, se bem que”. Em b, “antes” indica tempo; em c, “porque”,
causa; em d, “a fim de”, finalidade; em e, “tanto quanto”, comparação.
Resposta: A
O poema abaixo vem impresso na orelha do livro Psia, de Arnaldo
Antunes.
2. (UNICAMP-2020) – Na orelha do livro, Antunes apresenta ao
leitor seu processo de criação poética. É correto dizer que o autor se
propõe a
a) revelar a primazia da comunicação oral sobre a escrita das
palavras.
b) discutir a flexão de gênero, que torna a palavra “psia” um
substantivo.
c) defender a conversão das palavras em coisas, mudando seu
estatuto.
d) explorar o poder de representação da interjeição exclamativa
“psiu!”.
RESOLUÇÃO:
O autor se propõe a explorar o processo de formação de palavras,
alterando-as morfológica e semantica men te: “Psia” / “Psiu”; “calos” /
“calar”; “piscina” / “pia”. Além disso, associa-as por semelhança sonora,
enfati zan do seu uso em novos contextos.
Resposta: C
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da
comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia
chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome
a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em
Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e
fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se
explica o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte,
nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias –
“estrelas de primeira grandeza”.
(Machado de Assis, Quincas Borba.)
Psia é feminino
de psiu;
que serve para chamar a atenção
de alguém, ou para pedir
silêncio.
Eu berro as palavras
no microfone
da mesma maneira com que
as desenho, com cuidado,
na página.
Para transformá-las em coisas,
em vez de substituírem
as coisas.
Calos na língua; de calar.
Alguma coisa entre a piscina e a pia.
Um hiato a menos.
(Arnaldo Antunes, Psia. 
São Paulo: Iluminuras, 2012.)
22 Sintaxe e Morfologia (II)
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Texto para as questões 3 e 4.
3. (FAMEMA-2020) – O sentido original do texto está mantido
com a reescrita do trecho:
a) As cidades com liberdade para destinação dos recursos recebem
fatia maior do ICMS, obtendo assim resultados melhores.
b) São Paulo desenvolve projeto de ensino médio que permite ao
estudante escolher disciplinas optativas, o qual se replica em
Pernambuco.
c) Um dos motivos do êxito é a parceria com os principais
encarregados dos primeiros anos de escolarização, isto é, os
municípios.
d) Apesar de algumas medidas, como formação de professores e
material didático estruturado, o governo cearense acionou um
incentivo financeiro.
e) Destaca-se em alfabetização o Ceará devido às restrições de
renda da parceria com os municípios.
RESOLUÇÃO:
No texto original, a expressão “os principais encarregados dos primeiros
anos de escolarização” é aposto explicativo do substantivo “municípios”.
Na alternativa reescrita, há uma inversão dessa função, pois o termo
“municípios” passa a ser o aposto explicativo.
Resposta: C
4. (FAMEMA-2020) – A forma verbal sublinhada expressa ideia
de ação em processo no trecho:
a) “e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá,
Espírito Santo e São Paulo” (3.o parágrafo).
b) “o governo cearense acionou um incentivo financeiro” (2.o
parágrafo).
c) “O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em
alfabetização” (1.o parágrafo).
d) “Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em
Pernambuco” (4.o parágrafo).
e) “essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo
de como a sociedade pode se mobilizar” (5.o parágrafo).
RESOLUÇÃO:
A locução verbal “está sendo implantado” apresenta o verbo “ser” no
gerúndio, expressando ação em processo, em desdobramento.
Resposta: A
Leia o texto de Newton Bignotto para responder às questões 5 e 6.
5. (SANTA CASA-2020) – No final do texto, a passagem
“precisamos nomear os bárbaros, para podermos encontrar nosso
próprio nome” pode ser assim entendida:
a) o encontro com o diferente, quando percebemos o que nos
distingue dele, é o que nos permite entender quem somos.
b) o vencedor de um combate deve prestar homenagens ao
derrotado para que não seja visto como um mau vencedor.
c) aquele que participa de uma guerra, se vencê-la, tem o direito de
contar a história sobre aquele que perdeu, sem questionamentos,
como se fosse verdade.
d) o ser humano se repete ao longo da história, tanto em suas
características positivas quando nas negativas, como a guerra.
e) um povo diferente nos considera tão estranhos quanto nós os
consideramos também estranhos.
RESOLUÇÃO:
A construção da identidade provém também do relaciona mento com o
outro. Disso resulta a percepção das diferenças e do autoconhecimento.
Resposta: A
O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em
alfabetização. Um dos motivos do êxito é a parceria com os
municípios, os principais encarregados dos primeiros anos de
escolarização.
Além de medidas que incluem formação de professores e
material didático estruturado, o governo cearense acionou um
incentivo financeiro: as cidades com resultados melhores recebem
fatia maior do ICMS, com liberdade para destinação dos recursos.
O modelo já foi adotado em Pernambuco e está sendo
implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São
Paulo.
Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em
Pernambuco, baseado em tempo integral, que permite ao estudante
escolher disciplinas optativas, projeto acolhido em São Paulo.
Auspiciosa, essa rede multilateral e multipartidária pela
educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar em
torno de propostas palpáveis.
(“Unidos pelo Ensino”. 
Folha de S.Paulo, 27.08.2019. Adaptado.)
Em uma urna funerária romana exposta no Palazzo Massimo
em Roma, está gravada em baixo-relevo a cena de uma batalha
entre os soldados romanos e um exército de bárbaros. Os
primeiros ocupam a parte de cima da urna e estão vestidos com
uniformes elegantes, espadas e instrumentos de guerra. Na parte
de baixo estão os bárbaros, com olhos esgazeados e postura
desorganizada. Em uma das cenas, um soldado segura a mão já
desarmada de um inimigo e levanta seu rosto como a procurar o
segredo de um povo inferior, que, ainda assim, havia tentado
desafiar os conquistadores. Essa cena, longede representar algo
especial na cultura romana do século III, fazia parte de uma
representação corrente do mundo e da posição ocupada pelos
romanos. Ela integrava a ação de busca pela identidade de um
império que ambicionava por uma posição que fosse eterna. Para
isso, era preciso olhar profundamente os olhos do inimigo, para
talvez descobrir a própria essência do ser romano e daquilo que o
negava e ameaçava sua existência. De alguma maneira,
continuamos a olhar dentro dos olhos do diferente para
afirmarmos nossa identidade e expurgarmos nossos medos. Da
Antiguidade até hoje foram muitos os momentos em que
precisamos nomear os bárbaros, para podermos encontrar nosso
próprio nome.
(Adauto Novaes (org.). 
Mutações: entre dois mundos, 2017.)
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6. (SANTA CASA-2020) – Considerado o modo como se
estrutura, o texto possui características de
a) uma descrição subjetiva que incorpora elementos narrativos.
b) uma descrição objetiva com finalidade documental.
c) uma narrativa histórica com finalidade opinativa.
d) uma dissertação expositiva com finalidade moralizante.
e) uma dissertação argumentativa que incorpora elementos
descritivos.
RESOLUÇÃO:
A urna funerária romana traz em baixo-relevo uma cena de batalha entre
romanos e um exército bárbaro. O autor se fixa no soldado romano que
levanta o rosto do inimigo e o olha nos olhos tentando compreender como
esse bárbaro, mas que também é um homem, ousou enfrentar os que lhe
eram superiores. O autor usa esse trecho descritivo como metáfora para
justificar o fato de se encarar e perceber o outro, tanto na antiguidade
quanto na contem po raneidade. Assim, nessa relação com o diferente,
constrói-se a própria identidade.
Resposta: E
7. (FAMEMA-2020) – Transpondo-se a forma de tratamento para
“você”, os versos “Embarca, pobre de ti, / que há já muito que te
espero!” e “Pois digo-te que não quero!” assumem, de acordo com a
norma-padrão, as seguintes redações:
a) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que lhe espero!” e
“Pois digo-lhe que não quero!”
b) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que o espero!” e
“Pois digo-lhe que não quero!”
c) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que o espero!” e
“Pois digo-o que não quero!”
d) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que lhe espero!” e
“Pois digo à você que não quero!”
e) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que espero você!”
e “Pois digo-o que não quero!”
RESOLUÇÃO:
“Você” é um pronome de tratamento que exige a terceira pessoa do
singular. Na passagem para o imperativo, essa pessoa gramatical é
formada a partir do presente do substantivo: embarque. Os pronomes “o”
e “lhe” são de terceira pessoa. O verbo esperar é transitivo deireto, por
isso emprega-se o. O verbo dizer é transitivo direto e indireto, esse último
exige o uso do pronome “lhe”.
Resposta: B
Texto para a questão 8.
8. (FUVEST-2020) – No período “Nem mesmo comparando com
outros robozinhos: tanto os que espalham informações men tirosas
quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo
número de pessoas.”, os dois-pontos são utilizados para introduzir
uma
a) conclusão.
b) concessão.
c) explicação.
d) contradição.
e) condição.
RESOLUÇÃO:
Os dois pontos no trecho em questão introduzem uma explicação sobre a
informação dada anteriormente (“esses robôs não são os grandes
responsáveis por disseminar notícias falsas. Nem mesmo comparando
com outros robozinhos”), pois ambos espalham não só dados falsos, como
também verdadeiros, que chegam ao mesmo número de pessoas.
Resposta: C
O Twitter é uma das redes sociais mais importantes no Brasil
e no mundo. (...) Um estudo identificou que as fake news são 70%
mais propensas a serem retweetadas do que fatos verdadeiros. (...)
Outra conclusão importante do trabalho diz respeito aos famosos
bots: ao contrário do que muitos pensam, esses robôs não são os
grandes responsáveis por disseminar notícias falsas. Nem mesmo
comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham
informações mentirosas quanto aqueles que divulgam dados
verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.
(Super Interessante, “No Twitter, fake news se espalham 6 vezes 
mais rápido que notícias verdadeiras”. Maio/2019.)
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Examine a tira de André Dahmer para responder à questão 9.
(Malvados, 2008.)
9. (UNESP-2020) – Constituem exemplos de linguagem formal e
de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas:
a) “Ah, estou morrendo de pena...” e “Ainda vou trabalhar a noite
inteira no Iraque, meu rapaz.”
b) “Me adianta essa, vai...” e “É cedo para mim.”
c) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” e “Posso lhe
dar um emprego bem melhor...”
d) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...”
e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa,
vai...”
RESOLUÇÃO:
A oração “Posso lhe dar um emprego” é repre sen ta tiva da norma culta,
em que “um emprego” é objeto direto e o pronome “lhe” funciona como
objeto indireto, sendo ambos complementos verbais do verbo “dar”. A
segunda oração exemplifica a linguagem oral tanto sintática, iniciando-se
com pronome oblíquo, quanto semanticamente, com o uso de expressão
popular “adianta essa, vai”, que significa pedido de ajuda ou concessão.
Resposta: E
Texto para as questões de 10 a 12.
10. (FGV-2020) – As informações do texto permitem concluir que
a) a exploração da terra na região amazônica tem prejudicado a
biodiversidade local, mas não se pode afirmar categoricamente
que tenha relação com as queimadas de 2019.
b) a Amazônia sofre regularmente com as queimadas, mas a de
2019 não se configura como a maior, já que incêndios anteriores
na região devastaram 84% de mata nativa.
c) o prejuízo causado à região amazônica em 2019 decorreu da
combinação de seca severa, desmatamento e prática de
queimadas pelo homem, associados ao El Niño.
d) a comoção internacional não se justifica, consideran do-se que o
índice de queimadas na Amazônia em 2019 é o menor desde
2013, quando começaram os registros.
e) as queimadas na Amazônia despertaram a preocupação de
pessoas em todo o mundo, considerando-se a relevância dessa
floresta como a maior reserva de biodiversidade da Terra.
RESOLUÇÃO:
A alternativa sintetiza as principais informações do texto.
Resposta: E
São Paulo – Os olhos do Brasil e do mundo se voltam para a
maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade da Terra.
Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam
nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia. A razão não
poderia ser pior: a Amazônia arde em chamas.
O bioma é o mais afetado pela maior onda de incêndios
florestais no Brasil em sete anos. Não há novidade no fenômeno
em si. A Amazônia sempre sofreu com queimadas ligadas à
exploração de terra. Mas como isso chegou tão longe? 
Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio
florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na
comparação com o mesmo período de 2018. Desde 1.o de janeiro
até a terça-feira [20.08.2019] foram contabilizados 74 155 focos,
alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. É o
número mais alto desde que os registros começaram, em 2013. A
última grande onda é de 2016, com 66 622 focos de queimadas
nesse período. 
Combinado a períodos de seca severa, o desmatamento e a
prática de queimadas podem gerar um saldo final incendiário. O
que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019,
porém, é que a seca não se mostra tão severa como nos anos
anteriores e tampouco houve eventos climáticos extremos, como
o El Niño, que justifiquem um aumento considerável nos focos de
incêndio. Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem
geralmente no mês de setembro. Ou seja: a mão do homem pesou,
e muito, para a alta neste ano.
(Vanessa Barbosa. “Inferno na floresta: o que sabemos sobre osincêndios na Amazônia”. https://exame.abril.com.br, 23.08.2019.
Adaptado.)
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11. (FGV-2020) – Na organização das informações textuais, as
expressões sublinhadas em “A razão não poderia ser pior: a Amazônia
arde em chamas” (1.o parágrafo) e “Ou seja: a mão do homem pesou,
e muito, para a alta neste ano” (4.o parágrafo) têm, respectivamente, a
função de:
a) ampliar o sentido do termo “pior”; concluir, em um enunciado
comparativo, as informações precedentes. 
b) sintetizar o sentido da oração precedente; contestar, em um
enunciado adversativo, as informações prece dentes.
c) explicitar o sentido do termo “razão”; explicar, em um enunciado
inferencial, as informações precedentes.
d) contestar o sentido da oração precedente; comparar, em um
enunciado conclusivo, as informações precedentes.
e) retomar o exposto na expressão “não poderia ser pior”; ratificar,
em um enunciado explicativo, as informações precedentes.
RESOLUÇÃO:
O trecho depois dos dois-pontos é aposto explicativo do termo antecedente
“razão’. O texto trata das queimadas da Amazônia e do último período
infere-se que há responsabilidade humana nessa tragédia.
Resposta: C
12. (FGV-2020) – No período do quarto parágrafo “O que causa
estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca
não se mostra tão severa como nos anos anteriores e tampouco houve
eventos climáticos extremos, como o El Niño, que justifiquem um
aumento considerável nos focos de incêndio”, as orações sublinhadas
estabelecem, respectivamente, sentido de:
a) adversidade; comparação; causa.
b) concessão; consequência; restrição.
c) condição; consequência; explicação.
d) adversidade; comparação; explicação.
e) concessão; condição; consequência.
RESOLUÇÃO:
A primeira oração estabelece uma relação de oposição com a seguinte,
expressa pela conjunção “porém”; “tão severa como nos anos anteriores”
é uma com paração; “que justifiquem um aumento considerável nos foros
de incêndio” é uma explicação da oração anterior.
Resposta: D
Leia um trecho da letra da canção “Amazônia”, de Roberto Carlos,
para responder à questão 13.
13. (FGV-2020) – Os versos “Avalanches de desatinos / Numa
ambição desmedida / Absurdos contra os destinos / De tantas fontes
de vida” estão tematicamente relacionados à seguinte passagem do
texto. “Inferno na floresta”:
a) “Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam
nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia.” (1.o
parágrafo)
b) “Não há novidade no fenômeno em si. A Amazônia sempre
sofreu com queimadas ligadas à exploração de terra.” (2.o
parágrafo)
c) “O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019,
porém, é que a seca não se mostra tão severa” (4.o parágrafo)
d) “Tampouco houve eventos climáticos extremos [...] que
justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio.”
(4.o parágrafo)
e) “Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem
geralmente no mês de setembro.” (4.o parágrafo)
RESOLUÇÃO:
Tanto o trecho do poema “Amazônia” quanto o texto “Inferno na
floresta” denunciam a persistência das queimadas que destroem os
biomas da Amazônia, visando “à exploração da terra”.
Resposta: B
AMAZÔNIA
A lei do machado
Avalanches de desatinos
Numa ambição desmedida
Absurdos contra os destinos
De tantas fontes de vida
Quanta falta de juízo
Tolices fatais
Quem desmata, mata
Não sabe o que faz
Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos de quem pode ver
Terríveis sinais, de alerta, desperta
Pra selva viver
Amazônia, insônia do mundo
Amazônia, insônia do mundo
(www.vagalume.com.br)
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Examine o cartum de Steinberg, publicado em seu Instagram em
06.04.2019.
1. (UNESP-2020) – Para o cartunista, a diferença entre estar ou
não estar de dieta limita-se a um sentimento de
a) culpa. b) euforia. c) tristeza.
d) vazio. e) satisfação.
RESOLUÇÃO:
O fato de o personagem manter o mesmo comportamento, estando ou não
de dieta, indica que a dieta afeta apenas sua consciência, manifestada pelo
sentimento de culpa, e não por suas atitudes.
Resposta: A
Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para responder à
questão 2.
2. (UNESP-2020) – Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo
de seu sentido original, o seguinte verso:
a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1.a estrofe) → Quem
aquele prado fez tão diferente?
b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2.a estrofe) → Uma
fonte houve aqui; eu não me esqueço.
c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2.a estrofe) → Ali está
mudado um monte em vale.
d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1.a estrofe) → Tudo tem
tomado outra natureza.
e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3.a estrofe) → Nem
troncos decadentes vejo agora.
RESOLUÇÃO:
A oração em ordem direta obedece ao seguinte esquema: sujeito + verbo
+ complemento verbal (objeto direto). A frase que se encontra nessa
ordem é: “Tudo” (sujeito), “tem tomado” (locução verbal) e “outra
natureza” (objeto direto).
Resposta: D
Texto para as questões 3 e 4.
3. (FUVEST-2020) – Considerando que se trata de um texto
literário, uma interpretação que seja capaz de captar a sua
complexidade abordará o poema como
a) uma defesa da natureza.
b) um ataque às forças armadas.
c) uma defesa dos direitos humanos.
d) uma defesa da resistência civil.
e) um ataque à passividade.
RESOLUÇÃO:
A sociedade civil é metaforizada pela figura da “planta” que, apesar de
sua aparente distração (sesta), é despertada pela pisada da bota, que, em
linguagem conotativa representa o opressor, gradativamente fragilizado
pela resistência civil, representada pela planta. Resposta: D
4. (FUVEST-2020) – O ditado popular que se relaciona melhor
com o poema é:
a) Para bom entendedor, meia palavra basta.
b) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
c) Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
d) Um dia é da caça, o outro é do caçador.
e) Uma andorinha só não faz verão.
RESOLUÇÃO:
No poema, a planta, que sofre a agressão, não se enfraquece, ao contrário,
é a bota quem perde força a cada ofensiva, assim, chega-se ao provérbio
expresso na alternativa b, o qual demonstra que a resiliência vence até
mesmo elementos mais vigorosos. Resposta: B
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa.
Mas mais frágil fica a bota.
(Gonçalo M. Tavares, 1: poemas.)
*sesta: repouso após o almoço.
33 Sintaxe e Morfologia (III)
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Texto para as questões 5 e 6.
5. (UNIFESP) – No período Uma parcela expressiva destas
mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polí -
cia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus
crimes, as palavras sublinhadas referem-se, respecti va mente,
a) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra polícia e
tem a função de sujeito.
b) à palavra mortes e tem a função de sujeito; à palavra polícia e
tem a função de sujeito.
c) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra polícia e
tem a função de objeto.
d) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra ação e tem
a função de sujeito.
e) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra ação e tem
a função de sujeito.
RESOLUÇÃO:
Os pronomes relativos em questão referem-se,respec tivamente, a parcela e a
polícia e funcionam sintatica mente como sujeitos das orações que introduzem. 
Resposta: A
6. (UNIFESP) – Considere as afirmações.
As ideias apresentadas no texto encontram-se em
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) I e III, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.
RESOLUÇÃO:
O último parágrafo do texto apresenta as afirmações contidas em II e III. 
Resposta: D
Tirinha para a questão 7.
(Bill Watterson. In O mundo é mágico – As aventuras de Calvin e Haroldo.
2.ª Edição. São Paulo: Conrad Editora, 2010, p. 27.)
7. (FUVEST-transferência-2020) – O efeito de humor se
depreende, principalmente,
a) da interpretação de Calvin para o choro da mãe.
b) do emprego de uma palavra complexa por uma criança.
c) da ambiguidade contida na resposta dada pela mãe.
d) do contraste entre a serenidade do filho e a emoção da mãe.
e) do fato de a mãe assoar o nariz sobre a comida.
Resposta: A
Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil
pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma
parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região,
é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para
continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por
cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica,
segundo organismos internacionais. 
Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da
violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás,
em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com
cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004
e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo
Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os
números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA
estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002.
A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres,
os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os
movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia
pode terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno,
da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da
segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, conside -
rando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição,
como tantas outras formas de violência.
(Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, 
agosto 2010. Adaptado.)
I. A falta de empregos, a baixa remuneração e o déficit habita -
cional raramente são compreendidos como forma de violência.
II. O não-oferecimento de educação, saúde e transporte público
a toda a população também pode ser visto como uma forma
de violência.
III. Uma briga de bar que resulta em morte é um ingre diente a
mais a engrossar o caldo da violência no país.
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Texto para as questões 8 e 9.
8. (UNICAMP-2020) – Considerando a matéria apresentada no
jornal, o uso da conjunção adversativa seguido da expressão “a boa
notícia é que” permite ao jornalista
a) apontar a gravidade da notícia e compensá-la.
b) expor a neutralidade da notícia e reforçá-la.
c) minimizar a relevância da notícia e acentuá-la.
d) revelar a importância da notícia e enfatizá-la.
RESOLUÇÃO:
A matéria apresentada ao vivo pela jornalista refere-se a uma situação de
violência contra a mulher. O uso da conjunção adversativa “mas”
anteposta à expressão “a boa notícia é que” indica oposição ao que foi
expresso anteriormente sobre o ato praticado contra a mulher e seu
estado físico, embora o efeito retórico da conjunção “mas” não minimize
a gravidade da ação. 
Resposta: A
9. (UNICAMP-2020) – Para se referir a matérias jornalísticas
televisivas que informam e, ao mesmo tempo, entretêm os
espectadores, o autor cria um neologismo por meio de
a) derivação prefixal.
b) composição por justaposição.
c) composição por aglutinação.
d) derivação imprópria.
RESOLUÇÃO:
O enunciado refere-se a um neologismo usado pelo autor do texto:
“infotenimento”. Essa palavra é formada a partir de “informação” e
“entretenimento”, o que configura um processo de composição por
aglutinação, surgindo daí um novo termo em que os dois significados
coexistem. 
Resposta: C
O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam
as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência
esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um
“infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade.
Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais:
Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo,
notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em
brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e
adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami
de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir
o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma
mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no
rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é
que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na
face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é
que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das
más notícias.
(Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota 
“a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional.
Disponível em https://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/
globo-adotaboa-noticia-e-que-para.html. 
Acessado em 01/03 /2019.)
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Texto para as questões 10 e 11.
10. (FGV-2020) – No texto, a variedade formal da língua, flagrada
na passagem “Só mesmo no totalitarismo soviético, pensei, assistindo
à série” (4.o parágrafo), coexiste com a variedade informal, presente
em: 
a) “cientistas exasperados tentam convencer os superiores na usina
e no governo soviético de que um dos reatores nucleares
explodiu” (1.o parágrafo)
b) “A resposta dos superiores, exemplar da estupidez surrealista de
uma burocracia totalitária, é sempre a mesma: impossível, um
‘reator RBMK não explode.’” (2.o parágrafo)
c) “Apenas quando a radioatividade é detectada na Suécia, Mikhail
Gorbatchov encara seus ministros com uma expressão de
‘camarada, deu ruim…’” (3.o parágrafo)
d) “Então fui ler na revista Piauí o trecho do livro A Terra
inabitável: uma história do futuro, do jornalista David Wallace-
Wells” (4.o parágrafo)
e) “Impossível terminar as 11 páginas sobre o aquecimento global
sem ficar apavorado feito um cientista em Chernobyl ”. (4.o
parágrafo)
RESOLUÇÃO:
A expressão “deu ruim”, que indica que algo deu errado em “camarada,
deu ruim”, marca a presença da variedade informal da língua.
Resposta: C
11. (FGV-2020) – Nas expressões “cientistas exasperados”,
“exemplar da estupidez surrealista” e “burocracia totalitária”, os
termos sublinhados podem ser substituídos, sem alteração de sentido,
respectivamente, por: 
a) exaltados; modelo; que não admite oposição.
b) irritados; cópia; que abarca diferentes opiniões.
c) desesperados; lição; que segue uma única ideia.
d) excitados; base; que apregoa a subserviência.
e) arrebatados; contraponto; que se presta à servidão.
RESOLUÇÃO:
Segundo o dicionário Houaiss, “exasperado” significa “exaltado,
irritado”; “exemplar” significa “que pode servir de exemplo, de modelo”;
totalitário “significa “que não admite divisão”, “regime político que, sem
admitir qualquer forma legal de oposição, tolera apenas um partido,
exigindo usualmente completa subserviência do cidadão ao Estado”.
Resposta: A
Nos dois primeiros episódios da série Chernobyl, da HBO,
cientistas exasperados tentam convencer os superiores na usina e
no governo soviético de que um dos reatores nucleares explodiu e
está jorrando radioatividade sobre a Europa.
A resposta dos superiores, exemplar da estupidez surrealista
de uma burocracia totalitária, é sempre a mesma: impossível,um
“reator RBMK não explode”. A posição oficial é que havia
somente um pequeno incêndio no telhado.
“Eu fui lá, eu vi!”, repetem os cientistas, um após o outro,
antes de vomitarem, verterem sangue pelos poros ou caírem
duros. Apenas quando a radioatividade é detectada na Suécia,
Mikhail Gorbatchov encara seus ministros com uma expressão de
“camarada, deu ruim...” — naquela altura, a radioatividade
liberada já era superior à de vinte bombas de Hiroshima.
Só mesmo no totalitarismo soviético, pensei, assistindo à
série. Então fui ler na revista Piauí o trecho do livro A Terra
inabitável: uma história do futuro, do jornalista David Wallace-
Wells, que sairá pela Companhia das Letras no mês que vem.
Impossível terminar as 11 páginas sobre o aquecimento global
sem ficar apavorado feito um cientista em Chernobyl. 
(Antonio Prata. “Bem-vindos a Chernobyl”.
www.folha.uol.com.br, 16.06.2019. Adaptado.)
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Leia o texto de Carlos Ranulfo Melo para responder às questões 12 e 13.
12. (FAMERP) – No mundo contemporâneo, a representação política é
a) o modo encontrado pelas democracias para, em sociedades
grandes e com questões complexas, garantir a participação na
vida pública de todo o eleitorado adulto.
b) o caminho encontrado pelas democracias para garantir aos
cidadãos os direitos especiais baseados na tradição e na origem
de classe de cada eleitor.
c) um discurso que, em sua superfície, defende a inclusão de todos
os cidadãos no processo político, mas que esconde o interesse de
perpetuar os processos de corrupção no Estado.
d) uma alternativa viável, mas difícil de implantar, aos processos de
corrupção que ocupam o Estado e todo o espaço público como se
eles fossem propriedade privada.
e) a maneira de eliminar a necessidade de uma Justiça Eleitoral,
com poderes autônomos, o que geraria a possibilidade de
corrupção no Estado.
RESOLUÇÃO:
As democracias atuais garantem a participação da sociedade nas
representações políticas por meio dos processos eleitorais.
Resposta: A
13. (FAMERP) – “Ao se dirigirem às urnas os cidadãos reafirmam
sua condição de igualdade perante um ato fundamental do Estado.”
(1.° parágrafo)
Em seu contexto, o verbo destacado, na forma em que foi empregado,
indica uma ação
a) usual, reiterada, no passado.
b) habitual, regular.
c) feita no instante em que o enunciado é apresentado.
d) contínua, extensa, no presente.
e) pontual, corriqueira, ordinária e sem importância.
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “reafirmam” está no presente do indicativo e indica ação
habitual, frequentativa em processo durativo.
Resposta: B
CORRUPÇÃO ELEITORAL
As democracias contemporâneas são arranjos repre sentativos.
A representação foi a “solução encontrada” para um dilema. Tão
logo firmado o princípio da igualdade política entre os indivíduos,
regimes políticos baseados na tradição, na origem de classe ou na
condição de status perderam a legitimidade. Por outro lado, o
tamanho das sociedades e a complexidade cada vez maior das
questões em discussão – demandando acesso a informações,
disponibilidade de tempo e condições de negociação – tornaram
proibitiva a ideia de que todos participassem das decisões a serem
coletivizadas. A escolha de um corpo de representantes em eleições
livres, justas e periódicas – e que incluam a todo o eleitorado
adulto – passou a ser algo que, sem esgotar a noção contemporânea
de democracia, firmou-se como sua pedra angular. Ao se dirigirem
às urnas os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante
um ato fundamental do Estado. Ao organizar as eleições e
transformar os votos em postos executivos e/ou legislativos, o
aparato institucional das democracias permite que, em maior ou
menor grau, os mais diversos interesses, opiniões e valores sejam
vocalizados no curso do processo decisório. Tal processo, no
entanto, pode apresentar problemas que ameacem corromper o
corpo político constituído, comprometendo sua legitimidade e
diminuindo sua capacidade de oferecer à coletividade os resultados
esperados.
A corrupção eleitoral ou a reiterada incidência de fenômenos
capazes de desvirtuar o processo de constituição de um corpo de
representantes sempre significou um problema para as
democracias. A condição para que seu enfrentamento se tornasse
possível foi a constituição de uma Justiça Eleitoral dotada de
autonomia face aos poderes político e econômico, com recursos
suficientes para organizar e poderes necessários para
regulamentar os processos eleitorais. Mas mesmo as democracias
consolidadas não conseguiram impedir de forma cabal que
determinados interesses pudessem, utilizando os recursos que
tivessem à mão, obter vantagens diferenciadas em função de sua
participação nas eleições.
(Corrupção, 2008. Adaptado.)
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Texto para a questão 1.
1. (FUVEST-2020) – O trecho que melhor define a
“incompreensão fundamental” (L.6) referida pela autora é:
a) “não que eu buscasse respostas para tudo” (L.6-7).
b) “não tinha consciência de mim” (L.8).
c) “Por que eu ficava isolada na hora do recreio” (L.11).
d) “me esforçando para não ser notada” (L.15).
e) “sentia vergonha de levantar a mão” (L.9).
RESOLUÇÃO:
O trecho que melhor define a “incompreensão funda men tal” a que se
refere a autora é “não tinha cons ciência de mim”, uma vez que a
afirmação expressa o desconhecimento de sua condição de mulher e
negra.
Resposta: B
Leia a charge do cartunista Duke para responder à questão 2.
(www.otempo.com.br)
2. (FAMEMA-2020) – Nas perguntas do médico “Tem praticado
atividades físicas? Mudou hábitos alimentares?”, o sujeito das
orações remete a “você”. Se os sujeitos fossem “atividades físicas” e
“hábitos alimentares”, essas perguntas assumiriam, em conformidade
com a norma-padrão, a seguinte redação:
a) Têm sido praticado atividades físicas? Mudaram-se hábitos
alimentares?
b) Vêm-se praticando atividades físicas? Mudou-se hábitos
alimentares?
c) Têm sido praticadas atividades físicas? Mudaram hábitos
alimentares?
d) Atividades físicas tem sido praticadas? Mudou-se hábitos
alimentares?
e) Atividades físicas vem sendo praticadas? Mudou hábitos
alimentares?
RESOLUÇÃO:
Considerando que “atividades físicas” e “hábitos alimentares” são
sujeitos, os verbos devem ficar no plural. A primeira oração está na voz
passiva analitica sendo “atividades físicas” o sujeito paciente. A segunda
oração está na voz ativa, com sujeito posposto ao verbo.
Resposta: C
O feminismo negro não é uma luta meramente identitária,
até porque branquitude e masculinidade também são
identidades. Pensar feminismos negros é pensar projetos
democráticos. Hoje afirmo isso com muita tranquilidade,
mas minha experiência de vida foi marcada pelo incômodo
de uma incompreensão fundamental. Não que eu buscasse
respostas para tudo. Na maior parte da minha infância e
adolescência, não tinha consciência de mim. Não sabia por
que sentia vergonha de levantar a mão quando a professora
fazia uma pergunta já supondo que eu não saberia a resposta.
Por que eu ficava isolada na hora do recreio. Por que os
meninos diziam na minha cara que não queriam formar par
com a “neguinha” na festa junina. Eu me sentia estranha e
inadequada, e, na maioria das vezes, fazia as coisas no
automático, me esforçando para não ser notada.
(Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?)
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44 Sintaxe e Morfologia (IV)
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Textos para a questão 3.
3. (UNICAMP-2020) – Considerando o tweet e o texto acima, é
correto afirmar que a atleta
a) enfrentou o time adversário com chuteiras pretas, mesmo que
não tenha sido influenciada pelo futebol “raiz”.
b) usou chuteiras sem logotipo e luta pela igualdade de gênero no
esporte, mesmo sendo considerada seis vezes a melhordo
mundo.
c) não recebeu patrocínio de nenhuma grande empresa, embora a
chuteira preta sem logotipo simbolize o futebol “raiz”.
d) optou por lutar contra o machismo no esporte, embora as
propostas de patrocínio não tenham considerado seu valor.
RESOLUÇÃO:
Ambos os textos salientam a desigualdade de gênero no futebol feminino,
a partir do fato de Marta, seis vezes eleita como a melhor jogadora do
mundo, não ter recebido uma proposta de patrocínio que fizesse jus à sua
relevância no esporte, em comparação aos patrocínios milionários dos
jogadores de futebol masculino.
Resposta: B
Textos para a questão 4.
4. (UNICAMP-2020) – Considerando a relação entre os textos I e
II, conclui-se que a charge
a) resgata a temática do cordel, rompendo com o impasse vivido
pelos personagens.
b) reafirma o dilema dos personagens da peça, parafraseando os
versos iniciais do cordel.
c) evidencia a tradição popular nordestina, utilizando a imagem
para sofisticar os versos.
TEXTO I
TEXTO II
O que levou Marta, seis vezes a melhor do mundo, a enfrentar
a Austrália de chuteiras pretas? Adianto, não foi o futebol “raiz”.
Marta não fechou patrocínio com nenhuma das gigantes do
mercado esportivo. Não recebeu nenhuma proposta à altura do seu
futebol. Isso diz muito sobre o machismo no esporte. A partir
disso, a atleta decidiu calçar a luta pela diversidade.
(Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/06/chuteira-sem-logo-e-com-
simbolo-de-igualdade-de-genero-foi-mais-um-golaco-de-marta/. 
Acessado em 18/06/2019.)
TEXTO I
Leia os versos iniciais da peça Se correr o bicho pega, se ficar
o bicho come (1966), de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar.
Em formato de cordel, os versos são cantados por todos os atores.
Se corres, bicho te pega, amô.
Se ficas, ele te come.
Ai, que bicho será esse, amô?
Que tem braço e pé de homem?
Com a mão direita ele rouba, amô,
e com a esquerda ele entrega;
janeiro te dá trabalho, amô,
dezembro te desemprega;
de dia ele grita "avante”, amô,
de noite ele diz: "não vá":
Será esse bicho um homem, amô,
ou muitos homens será?
(Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, Se correr o bicho pega, se
ficar o bicho come. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 3.)
TEXTO II
Observe a charge de Laerte que fez parte da mostra Maio na
Paulista, em 2019.
(Laerte, Exposição Maio na Paulista, de Laerte e Angeli, 2019.
Disponível em https://gq.globo.com/Cultura/ noticia/2019/05/ laerte-e-
angeli-participam-de-exposicao-ao-arlivre-na-avenida-paulista.html.
Acessado em 02/06/2019.)
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d) confirma a força transformadora da versificação popular,
reproduzindo-a em imagens.
RESOLUÇÃO:
A máxima popular “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come” foi
empregada nos dois textos, embora no texto I haja um impasse que é
solucionado no último quadrinho do texto II. Se no primeiro texto, o casal
não encontra solução para uma situação adversa; na charge, a
representação da união dos trabalhadores sugere uma força de
enfrentamento que afugenta o impasse: “se unir o bicho foge”.
Resposta: A
Texto para as questões de 5 a 7.
5. (FUVEST-transferência-2020) – O estilo e os recursos
linguísticos utilizados na construção do texto caracterizam-no como
próprio do gênero
a) crônica.
b) editorial.
c) artigo de divulgação científica.
d) relatório de pesquisa.
e) ensaio.
Resposta: A
6. (FUVEST-transferência-2020) – A conexão exercida pelo
“que” em “pesquisadores da USP observaram que moradores do
interior tanto do Brasil quanto de Portugal” (L. 34-36) também é
encontrada, da mesma maneira, em
a) “... que fazem o urubu de São Paulo ” (L. 2-3).
b) “... que parece valer por dois ou três” (L. 8-9).
c) “... que veio com os portugueses” (L. 22).
d) “... que o S chiado” (L. 25).
e) “... que os portugueses” (L. 26).
Resposta: D
7. (FUVEST-transferência-2020) – Em “Mesmo os portugueses
não eram originais: os especialistas argumentam que o S chiado, que
faz da esquina uma shquina, veio dos nobres franceses, que os
portugueses admiravam.” (L. 24-26), os dois pontos estabelecem a
mesma relação expressa por:
a) haja vista que.
b) contanto que.
c) conquanto que.
d) de modo que.
e) enquanto que.
Resposta: A
ORA POIS, UMA LÍNGUA BEM BRASILEIRA
A expansão do português no Brasil, as variações regionais
com suas possíveis explicações, que fazem o urubu de São
Paulo ser chamado de corvo no Sul do país, e as raízes das
inovações da linguagem estão emergindo por meio do
trabalho de cerca de 200 linguistas. De acordo com estudos da
Universidade de São Paulo (USP), uma inovação do
português brasileiro, por enquanto sem equivalente em
Portugal, é o R caipira, às vezes tão intenso que parece valer
por dois ou três, como em porrrta ou carrrne.
Associar o R caipira apenas ao interior paulista, porém, é
uma imprecisão geográfica e histórica, embora o R
desavergonhado tenha sido uma das marcas do estilo matuto
do ator Amácio Mazzaropi em seus 32 filmes, produzidos de
1952 a 1980. Seguindo as rotas dos bandeirantes paulistas em
busca de ouro, os linguistas encontraram o R supostamente
típico de São Paulo em cidades de Minas Gerais, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste de Santa Catarina
e do Rio Grande do Sul, formando um modo de falar similar
ao português do século XVIII. Quem tiver paciência e ouvido
apurado poderá encontrar também na região central do Brasil
– e em cidades do litoral – o S chiado, uma característica hoje
típica do falar carioca que veio com os portugueses em 1808
e era um sinal de prestígio por representar o falar da Corte.
Mesmo os portugueses não eram originais: os especialistas
argumentam que o S chiado, que faz da esquina uma shquina,
veio dos nobres franceses, que os portugueses admiravam.
A história da língua portuguesa no Brasil está trazendo à
tona as características preservadas do português, como a troca
do L pelo R, resultando em pranta em vez de planta. Camões
registrou essa troca em Os Lusíadas – lá está um frautas no
lugar de flautas – e o cantor e compositor paulista Adoniran
Barbosa a deixou registrada em diversas composições, em
frases como “frechada do teu olhar”, do samba Tiro ao
Álvaro. Em levantamentos de campo, pesquisadores da USP
observaram que moradores do interior tanto do Brasil quanto
de Portugal, principalmente os menos escolarizados, ainda
falam desse modo.
Carlos Fioravanti. “Ora pois, uma língua bem brasileira”. 
Pesquisa FAPESP, 04/2015, ed. 230.
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Leia o texto de Luiz Eduardo Soares para responder às questões 8 e 9.
8. (FAMERP-2020) – A “diferença importante”, citada no último
período do texto, corresponde
a) à distância entre as posições sociais do traficante e do Secretário
de Segurança.
b) à alegação do traficante de que ele não seria um bandido, mas um
comerciante.
c) ao respeito com que o traficante tratou o Secretário de
Segurança.
d) à maneira cordial como os traficantes tratam a comunidade onde
vivem.
e) ao modo seguro como o traficante se dirigia ao Secretário da
Segurança.
RESOLUÇÃO:
O traficante da Rocinha, Luciano, considera-se um comerciante na
mensagem que escreve à autoridade pública. Essa é a distinção que o
emissor faz, não se considera transgressor do código penal. 
Resposta: B
9. (FAMERP-2020) – A frase “A violência, ele a usara apenas na
medida necessária à proteção de seus negócios” expressa uma opinião
a) do autor do texto, baseada no relato de Luciano.
b) do autor do texto, baseada em relatos da comunidade em que
Luciano vivia.
c) da comunidade em que Luciano vivia.
d) de Luciano, sobre a qual o autor faz ponderações.
e) de Luciano, com a qual o autor do texto concorda.
RESOLUÇÃO:
Luiz Eduardo Soares reflete sobre as justificativasdo traficante em
relação à violência empregada para manter o domínio sobre o comércio
ilegal de drogas. Considera esse ponto de vista idealizado, edulcorado.
Resposta: D
Considere a tirinha Garfield, de Jim Davis.
(www.folha.uol.com.br)
10. (FAMERP-2020) – O pronome “este”, no terceiro quadrinho,
a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão.
b) retoma o sentido das palavras “o mundo”.
c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem.
d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se
realizaria.
e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”.
RESOLUÇÃO:
O pronome demonstrativo este refere-se ao que está próximo da pessoa
que fala, no caso, o tempo presente para Garfield, em que ele alude a um
intervalo (3.o quadrinho) porque nada acontece, ou seja, não há diversão
(1.o quadrinho).
Resposta: A
Logo depois que assumi a Secretaria Nacional de Segurança,
em 2003, recebi, por vias transversas, uma mensagem de Luciano,
da Rocinha. Ele desejava deixar a vida de traficante e viajar para
longe. Tinha chegado à conclusão de que seu caminho era a
perdição: morreria cedo, de modo cruel, em mãos inimigas.
Queria começar de novo e pedia uma chance. Tratara com respeito
a comunidade, que era, afinal de contas, sua família. A violência,
ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus
negócios. Esse era seu ponto de vista, sem dúvida demasiado
edulcorado. Não obstante a possível autoidealização, o fato é que
explicitá-la, naquele contexto, não deixava de ser significativo,
indicando a valorização positiva do lado certo da vida. Era um
negociante clandestino, dizia, não um criminoso selvagem: alguns
traziam uísque do Paraguai; ele vendia outras drogas.
Reivindicava uma diferença importante, no mundo do crime
carioca.
(Cabeça de porco, 2005.)
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Texto para a questão 11.
11. (UNICAMP-2020) – Considerando que a comparação entre
modos de falar pode ser fonte de preconceito, o exemplo citado por
uma das personagens da crônica
a) reforça o preconceito em relação às turmas de jovens de um
mesmo bairro, com base nos significados de “amostrado” e
“exibido”.
b) explicita o preconceito, valendo-se de “amostrado” e “exibido”
para distinguir dois grupos de jovens do mesmo bairro.
c) dissimula o preconceito e reconhece que “se amostrar” é, de fato,
um verbo que não está de acordo com as normas gramaticais.
d) refuta o preconceito e confirma o desconhecimento da regra de
formação do particípio passado do verbo “se amostrar”.
RESOLUÇÃO:
Na crônica de Cidinha da Silva, um dos personagens, ao exemplificar a
sutileza da diferença entre amostrar e exibir, evidencia não só o
preconceito linguístico, mas também social entre jovens de um mesmo
bairro: vendedores de um shopping x meninos dos rolezinhos.
Resposta: B
Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para
responder às questões de 12 a 14.
12. (ALBERT EINSTEIN-2020) – O trecho “Só rindo. Esses caras
são engraçados” (3.° parágrafo) sugere que o narrador considera a
pergunta do dentista
a) irrelevante.
b) dissimulada.
c) ambígua.
d) ofensiva.
e) divertida.
RESOLUÇÃO:
O narrador considera que ter deixado os dentes chegarem a um estado
deplorável era irrelevante diante de sua precariedade financeira e
existencial.
Resposta: A
— Pela milionésima vez, por favor, “se amostrar” não existe. 
Não pega bem usar uma expressão incorreta como essa.
— Ora veja, incorreto para mim é o que não faz sentido, “se
amostrar” faz sentido para boa parte do país.
— Por que você não usa um sinônimo mais simples da
palavra? Que tal “exibido”? Todo mundo conhece.
— Não dá, porque quem se exibe é exibido, quem se amostra
é amostrado. Por exemplo: quando os vendedores de shopping
olham com desprezo para os meninos dos rolezinhos e moram no
mesmo bairro deles, são exibidos. Eles acham que a roupa de
vendedor faz deles seres superiores. Por outro lado, as meninas e
os meninos dos rolezinhos vão para os shoppings para se amostrar
uns para outros, e são, portanto, amostrados. Percebeu a sutileza
da diferença?
— Entendo, mas está errado.
— Como é que está errado se você entende? Você não aceita
a inventividade linguística do povo. “Amostrar” é verbo torto no
manual das conjugações e “amostrado” é particípio de amostra
grátis! Captou?
(Adaptado de Cidinha da Silva, Absurdada. 
Disponível em http://notarodape. blogspot. com/ search/label/Cotidiano.
Acessado em 22/05/2019.)
Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr.
Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o
Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente
doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um
sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.
Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um
guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o
meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um
espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus
dentes ficarem naquele estado.
Só rindo. Esses caras são engraçados.
Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes
e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros,
inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus
dentes da frente.
Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na
ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso.
São quatrocentos cruzeiros.
Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.
Não tem não o quê?
Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à
porta.
Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era
um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as
pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais,
funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos
eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele
ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele
comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários,
joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem
balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os
cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos
e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em
pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para
dar um tiro naquela barriga grande […].
Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele,
agora eu só cobro!
(O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)
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13. (ALBERT EINSTEIN-2020) – “Ele [...] perguntou como é que
eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado” (2.°
parágrafo)
Ao se transpor o trecho para o discurso direto, o termo sublinhado
assume a seguinte forma:
a) deixaria.
b) deixa.
c) deixou.
d) deixava.
e) deixara.
RESOLUÇÃO:
A questão propõe que o trecho transcrito seja transposto para o discurso
direto, que tem como sua característica principal a reprodução de
maneira direta e literal do diálogo, introduzido por travessão. Assim, a
transposição do trecho “ele perguntou como é que eu tinha deixado os
meus dentes ficarem naquele estado” se daria pela ação direta e pontual
do verbo: 
“Ele perguntou:
— Como você deixou seus dentes ficarem nesse estado?”
Resposta: C
14. (ALBERT EINSTEIN-2020) – O primeiro verbo atribui ideia
de futuro ao segundo na locução verbal sublinhada em:
a) “Fui andando em direção à porta” (8.° parágrafo).
b) “Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu
coração” (9.° parágrafo).
c) “Todos eles estão me devendo muito” (9.° parágrafo).
d) “Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está
atendendo um cliente” (1.° parágrafo).
e) “o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento
rápido vai perder todos os outros” (4.° parágrafo).
RESOLUÇÃO:
No texto, as alternativas a e b referem-se a fatosvivenciados no passado.
Em c, o verbo indica um evento em presente durativo. Em d, é uma ação
em processo. Assim, a alternativa e traz o verbo “ir” no presente,
indicando, na locução verbal, ação que ocorrerá no futuro.
Resposta: E
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Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do poeta português
Luís de Camões (c. 1524-1580), para responder aos testes 1 e 2: 
1. (UNIFESP) – O pronome “ela”, que se repete no início de três
estrofes, refere-se a
a) “piedade”.
b) “mágoa”.
c) “saudade”.
d) “claridade”.
e) “madrugada”.
RESOLUÇÃO:
O pronome “ela” retoma o termo “madrugada”, expresso no primeiro
verso do soneto.
Resposta: E
2. (UNIFESP) – Observa-se a elipse (supressão) do termo “vontade”
no verso:
a) “viu apartar-se de uma outra vontade” (2.a estrofe)
b) “cheia toda de mágoa e de piedade” (1.a estrofe)
c) “quero que seja sempre celebrada” (1.a estrofe)
d) “Ela só viu as lágrimas em fio” (3.a estrofe)
e) “que puderam tornar o fogo frio” (4.a estrofe)
RESOLUÇÃO:
No verso apresentado na alternativa a, há elipse do primeiro emprego da
palavra “vontade”: “viu apartar-se de uma [vontade] outra vontade”.
Resposta: A
Texto para o teste 3.
3. (UNICAMP-2020) – Considerando-se o segundo “Sermão de
Quarta-Feira de Cinza” (1673), de Antônio Vieira, é correto afirmar
que a presunção de confiança por parte do auditório cristão do século
XVII decorre da
a) habilidade política do pregador.
b) atenção disciplinada dos ouvintes.
c) crença na salvação e na danação eternas.
d) defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero.
RESOLUÇÃO:
O texto de Olivier Reboul aborda o conceito de verossimilhança, o aspecto
de veracidade como resultado da confiança que decorre de se presumir
como verdadeira uma premissa. Nesse sentido, a credibilidade do segundo
“Sermão de Quarta-Feira de Cinza” é garantida por ideias preconcebidas
que fazem parte da crença dos ouvintes: a salvação eterna para os
virtuosos, os que se afastam dos valores terrenos, e a condenação ao
inferno para os pecadores, os que se apegam a valores mundanos. Um
público que não acreditasse nessas ideias não seria convencido pelo
sermonista.
Resposta: C
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio
que, de uns e de outros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas.
(Sonetos)
O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em que
a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem sempre são
independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem
sempre sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém
afirmar o contrário, cabe-lhe o ônus da prova. Sem esse tipo de
presunção, a vida seria impossível; e é a própria vida que rejeita o
ceticismo.
(REBOUL, Olivier. Introdução à Retórica. 
São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 97-98.)
55 Literatura e Análise de Textos Literários – I
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Texto para os testes 4 e 5.
4. Padre Antônio Vieira é um autor que possui um estilo próprio, e o
trecho acima apresenta dois elementos desse estilo que são constantes
não só no texto do qual foi retirado, mas também nos outros dois
sermões que Vieira planejou para a Quarta-Feira de Cinzas, a saber: 
a) o jogo de contrastes e a reinterpretação da Bíblia.
b) a oposição semântica e o paralelismo sintático.
c) o padrão cultista ou gongórico e o antidogmatismo.
d) a interrogação retórica e a reiteração constante.
RESOLUÇÃO:
O estilo de Vieira é marcado pelo uso de interrogações ou perguntas
retóricas, que servem para orientar a exposição das ideias de seus
sermões, como se percebe nos três sermões de Quarta-Feira de Cinza. É o
que ocorre, por exemplo, em “como o pode alcançar o entendimento, se os
olhos estão vendo o contrário?”, “O pó vive?”, “Pois como é pó o
vivente?”, “O pó sente?”, “Pois como é pó o sensitivo?”, “O pó entende e
discorre?”. Outro traço de estilo de sua prosa é o emprego da reiteração
— veja-se a repetição do termo “pó” —, que serve para encaminhar a
progressão do assunto, bem como manter a unidade temática.
Resposta: D
5. Os três sermões que Vieira compôs para a Quarta-Feira de Cinzas
são coerentes com o espírito do Barroco, pois desenvolvem como
tema
a) a submissão da política imperialista portuguesa aos ditames do
Cristianismo.
b) o ataque às vaidades e a pregação sobre os desenganos e a
efemeridade da vida.
c) a enumeração dos riscos de uma riqueza alienada dos problemas
da sociedade.
d) o niilismo existencial diante do caráter inútil das atividades
humanas.
RESOLUÇÃO:
“O Sermão de Quarta-Feira de Cinza” (tanto o de 1672, quanto o de 1673,
assim como o que não foi proferido) tematiza a efemeridade da vida,
metaforizada na imagem bíblica do pó. Coerente com essa concepção é a
ideia de que a existência estaria, portanto, vulnerável às vaidades, a
valores que costumeiramente são enaltecidos, mas que, no fundo, são vãos.
A vida apegada ao mundo terreno seria, na visão do Cristianismo, errada.
A tomada de consciência dessa falha configura o desengano, outro tema
caro ao Barroco. A vida deve ser ascética, uma preparação para a
eternidade, para o pós-morte.
Resposta: B 
(...) De sorte que, para eu crer que hei de ser pó, não é
necessário fé, nem entendimento, basta a vista. Mas que me diga,
e me pregue hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que
não só hei de ser pó de futuro, senão que já sou pó de presente:
Pulvis es? como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão
vendo o contrário? É possível que estes olhos que veem, estes
ouvidos que ouvem, esta língua que fala, estas mãos e estes braços
que se movem, estes pés que andam e pisam, tudo isto já hoje é
pó: Pulvis es? Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento
homo. A Igreja diz-nos que supõe que sou homem; logo não sou
pó. O homem é uma substância vivente, sensitiva, racional! O pó
vive? Não. Pois como é pó o vivente? O pó sente? Não. Pois como
é pó o sensitivo? O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o
racional? Enfim, se me concedem que sou homem: Memento
homo, como me pregam que sou pó: Quia pulvis es? 
(VIEIRA, Antônio. “Sermão de Quarta-Feira de Cinza – Ano de 1672”. 
In: A Arte de Morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994. p. 48.)
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Textos para o teste 6.
6. (FUVEST-2020) – O soneto de Gregório de Matos e o samba de
Noel Rosa, embora distantes na forma e no tempo, aproximam-se por
ironizarem
a) o processo de composição do texto.
b) a própria inferioridade ante o retratado.
c) a singularidade de um caráter nulo.
d) o sublime que se oculta na vulgaridade.
e) a intolerância para com os gênios.
RESOLUÇÃO:
Gregório de Matos compõe um soneto que deveria elogiar “certa
personagem desvanecida”, mas, ironicamente, não há o que elogiar, pois
se trata de uma pessoa presunçosa, além de nula, vazia. A letra de Noel
Rosa aproxima-se do sentido do soneto de Gregório de Matos, por se
referir a um indivíduo que, de tanto assimilar todos os tipos, é alguém
nulo (um “tipo zero”), sendo justamente essa sua singularidade. 
Resposta: C
A CERTA PERSONAGEM DESVANECIDA
Um soneto começo em vosso gabo: louvor
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.
Na quinta torce agora a porca o rabo;
A sexta vá também desta maneira:
Na sétima entro já com grã canseira, grande
E saio dos quartetos muito brabo.
Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais
Gabando-vos a vós, eeu fico um rei.
Nesta vida um soneto já ditei;
Se desta agora escapo, nunca mais:
Louvado seja Deus, que o acabei.
(Gregório de Matos)
TIPO ZERO
Você é um tipo que não tem tipo
Com todo tipo você se parece
E sendo um tipo que assimila tanto tipo
Passou a ser um tipo que ninguém esquece
Quando você penetra num salão
E se mistura com a multidão
Você se torna um tipo destacado
Desconfiado todo mundo fica
Que o seu tipo não se classifica
Você passa a ser um tipo desclassificado
Eu até hoje nunca vi nenhum
Tipo vulgar tão fora do comum
Que fosse um tipo tão observado
Você ficou agora convencido
Que o seu tipo já está batido
Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado
(Noel Rosa)
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Texto para os testes 7 e 8.
7. Considerando o poema, assinale a alternativa correta.
a) O eu lírico imprime certa temporalidade — antes e depois do
relacionamento amoroso — à sua compreensão do ciúme: num
primeiro momento, “caos”, “labirinto”, “desengano”; em seguida,
“sono brando”, “certeza”, “verdade”. 
b) A 3.ª estrofe é marcada pela presença de polos antagônicos —
“certeza”, “bem” x “desengano”, “dano” —, que se aproximam e
se confundem num jogo retórico de aniquilamento das certezas.
c) A última estrofe repõe imagens e preceitos apresentados em
estrofes anteriores — tais como “labirinto”, “Babel”, “bem” e
“dano” —, sob a óptica da superação dos contrastes e consequente
apaziguamento.
d) Os verbos no gerúndio — “penando”, “vivendo” e “sonhando” —
remetem ao passado, o que confere certo distanciamento do eu
lírico em relação aos sofrimentos amorosos outrora
experimentados.
e) Remontando ao conceptismo barroco ao qual está ligado, nesse
soneto Gregório de Matos faz emergir certeza e verdade do que
outrora se apresentava como um labirinto confuso de
desconfianças. 
RESOLUÇÃO:
Em sua tentativa de definir o ciúme, o eu lírico lança mão de polos
antagônicos — “certeza”, “bem” x “desengano”, “dano” — que se
aproximam e se confundem num jogo retórico de aniquilamento das
certezas, como se nota, por exemplo, na chave de ouro: “E cega presunção
para verdade.”
Resposta: B
8. Observa-se no soneto:
a) inexistência de antítese num mesmo verso.
b) invocação da amada logo no primeiro verso.
c) pleonasmo em “caos confuso”. 
d) paralelismo sintático nos dois últimos versos de cada estrofe.
e) ausência de linguagem conotativa, como exemplifica “Babel”.
RESOLUÇÃO:
Ocorre pleonasmo estilístico em “caos confuso”, o que contribui para a
ênfase que o eu lírico pretende dar a seu conturbado estado de alma. 
Resposta: C
DESCREVE COM GALHARDA PROPRIEDADE
O LABIRINTO CONFUSO DE SUAS DESCONFIANÇAS
Ó caos confuso, labirinto horrendo,
Onde não topo luz, nem fio achando;
Lugar de glória, aonde estou penando;
Casa da morte, aonde estou vivendo!
Oh voz sem distinção, Babel tremendo;
Pesada fantasia, sono brando;
Onde o mesmo que toco, estou sonhando;
Onde o próprio que escuto, não o entendo.
Sempre és certeza, nunca desengano;
E a ambas pretensões com igualdade,
No bem te não penetro, nem no dano.
És ciúme martírio da vontade;
Verdadeiro tormento para engano;
E cega presunção para verdade.
(MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. 
Sel. e org. de José Miguel Wisnik. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 219.)
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Texto para o teste 1.
1. (ALBERT EINSTEIN) – O movimento a que o texto se refere é o
a) Simbolismo.
b) Realismo.
c) Arcadismo.
d) Romantismo.
e) Modernismo.
RESOLUÇÃO:
O movimento romântico surge na Europa em meio às transformações
sociais trazidas pela ascensão da burguesia e pela industrialização.
Relacionada também com o movimento alemão Sturm und Drang
(“Tempestade e Ímpeto”) e com os ideais da Revolução Francesa, essa
nova estética é um protesto cultural contra a aristocracia e a arte dessa
classe, o Arcadismo ou Neoclassicismo. No Brasil, o Romantismo
desenvolve-se em meio a uma sociedade escravocrata, a uma burguesia
nascente e no contexto da recente independência do País. Por isso,
enfatizam-se idealmente questões ligadas ao processo de formação da
identidade nacional, omitindo-se nossas mazelas.
Resposta: D 
Texto para o teste 2.
2. (FAMERP-2020) – As três lacunas do texto são preenchidas por:
a) urbano – românticos – Manuel Antônio de Almeida
b) indianista – românticos – José de Alencar
c) urbano – naturalistas – Aluísio Azevedo
d) urbano – românticos – José de Alencar
e) indianista – naturalistas – Aluísio Azevedo
RESOLUÇÃO:
O excerto de Antônio Cândido refere-se aos vários tipos de romance do
Romantismo no Brasil: regionalista, de costumes, histórico e indianista. O
prosador mais destacado da estética romântica, e que passou por todas
essas vertentes, foi José de Alencar.
Resposta: B
Quanto à matéria, o romance brasileiro nasceu regionalista e
de costumes; ou melhor, pendeu desde cedo para a descrição dos
tipos humanos e formas de vida social nas cidades e nos campos.
O romance histórico se enquadrou aqui nesta mesma orientação;
o romance _______________ constituiu desenvolvimento à parte,
do ponto de vista da evolução do gênero, e corresponde a certas
necessidades, poéticas e históricas, de estabelecer um passado
heroico e lendário para a nossa civilização, a que os
__________________ desejavam, numa utopia retrospectiva, dar
tanto quanto possível traços autóctones. 
A figura dominante do período, ________________________,
passou por todas essas vertentes e em todas deixou boas obras.
(Antônio Cândido,
Formação da Literatura Brasileira, adaptado)
Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o
“mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as
consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no
Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes
proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o
movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação
nacionalista.
(Paul Teyssier, Dicionário de Literatura Brasileira – adaptado)
66 Literatura e Análise de Textos Literários – II
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Textos para os testes 3 e 4.
3. Segundo os textos lidos, pode-se inferir que a relatividade entre a
verdade e a fantasia presente desde a epígrafe de A Relíquia, de Eça de
Queirós, atinge níveis mais profundos ao longo do romance devido à/ao
a) trajetória do próprio protagonista e de outras personagens, que se
dividem entre o jogo de aparências, que mal dissimulam, e seus
interesses caricaturalmente escusos.
b) alternância de vozes narrativas no relato da saga de Teodorico,
repleta de fracassos e de falta de ética, apesar de um desfecho em
que o protagonista tem consciência de que a verdade prevalece no
mundo.
c) fato de o romance denunciar as mazelas da sociedade lusa,
seguindo o estilo naturalista e, assim, excluindo o onírico.
d) ausência de características da farsa demolidora e ridicularizadora,
já que o estilo desse livro evita o jocoso, o anticlímax risível.
e) distanciamento da tradição da novela picaresca do século XVI, já
que a objetividade do narrador onisciente exclui o depoimento
pessoal do órfão desvalido.
RESOLUÇÃO:
A única alternativa que se refere de modo claro e direto ao
aprofundamento da representação e reflexão sobre a “relatividade entre a
realidade e a fantasia” é a alternativa a, ao mencionar o jogo entre
“aparências, que mal dissimulam, e seus interesses caricaturalmente
escusos” na vida do protagonista e das demais personagens.
Resposta: A
4. A interpretação da epígrafe do romance à luz da reflexão formulada
por Teodorico no último parágrafo do livro permite inferir que
a) o protagonista não lastima a falta de argumentos falsos numa
situação de impostura.
b) a falácia impera no mundo, desde que construída com certa
verossimilhança.
c) a verdade sempre se impõe, apesar de a mentira ter uma duração
maior do que merece.
d) no mundonem tudo é burla, e, no conjunto das religiões e ciências,
predomina o que é verdadeiro.
e) o desfecho não é irônico, contrariando uma característica
fundamental desse romance.
RESOLUÇÃO:
A epígrafe “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”,
relacionada ao fecho do livro, permite inferir que a mentira, articulada
com certa verossimilhança, pode se tornar uma verdade dogmática, seja
na religião, seja na ciência.
Resposta: B
As palavras que servem de pórtico para o livro, “Sobre a nudez
forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”, expressam a opção
de fazer referência à verdade sempre tendo em mente sua
realização artística. Ou seja, para falar sobre a verdade, não se
pode esquecer o lirismo. O problema que essas palavras colocam
é essencial na obra: fantasia e verdade estão juntas, e às vezes é
muito difícil distingui-las. Isto significa que é quase impossível
saber a verdade sobre o mundo, porque essa verdade é sempre
relativa.
(COUTO, Fernando Marcílio Lopes. “Apresentação”. 
In: EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 23.)
Assim ficavam saciadas as minhas ambições sociais. E quem
sabe? Bem poderiam ficar também satisfeitas as ambições
intelectuais que me pegara o douto Topsius. Porque talvez a
ciência, invejosa do triunfo da fé, reclamasse para si esta camisa
de Maria de Magdala, como documento arqueológico... Ela
poderia alumiar escuros pontos, na história dos costumes
contemporâneos do Novo Testamento — o feitio das camisas na
Judeia no primeiro século, o estado industrial das rendas da Síria
sob a administração romana, a maneira de abainhar entre as raças
semíticas... Eu surgiria, na consideração da Europa, igual aos
Champollions, aos Topsius, aos Lepsius, e outros sagazes
ressuscitadores do passado. A academia logo gritaria — “A mim,
o Raposo!” Renan, esse heresiarca sentimental, murmuraria —
“Que suave colega, o Raposo!” Sem demora se escreveriam sobre
a camisa da Mary sábios, ponderosos livros em alemão, com
mapas da minha romagem em Galileia... E eis-me aí benquisto
pela Igreja, celebrado pelas universidades, com o meu cantinho
certo na bem-aventurança, a minha página retida na história
começando a engordar pacificamente dentro dos contos do
G. Godinho!
E tudo isso perdera! Por quê? Porque houve um momento em
que me faltou esse descarado heroísmo de afirmar, que batendo
na terra com o pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao céu
— cria, através da universal ilusão, ciência e religiões.
(EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 348.)
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Texto para o teste 5.
5. Tal como representado no fragmento lido, o destino
socioeconômico alcançado pelo protagonista Teodorico contrasta de
modo mais completo com a maneira pela qual culmina a trajetória de
vida da personagem
a) Buell Quain, de Nove Noites.
b) Manoel Perna, de Nove Noites.
c) Julião Tavares, de Angústia.
d) Dona Tonica, de Quincas Borba.
e) Rubião, de Quincas Borba.
RESOLUÇÃO:
No final de A Relíquia, fica claro que Teodorico atingiu seu objetivo, pois,
embora tenha perdido a herança da tia Maria do Patrocínio, conseguiu
ascender socioeconomicamente ao se casar com Jesuína, passando a ser
“comendador e proprietário”. Rubião, ao contrário, é manipulado e
destruído material e mentalmente ao migrar para a sociedade do Rio de
Janeiro burguês e afrancesado. Desse modo, é evidente a contraposição
dos dois protagonistas citados, devido não só à oposição no desfecho de
seus destinos, mas também à coincidência dos contextos social e literário
representados por Eça de Queirós e Machado de Assis.
Resposta: E
Texto para o teste 6.
6. Considerando esse excerto e o contexto do romance A Relíquia,
analise as proposições a seguir:
I. Rabi Jeschoua é Jesus Cristo, que, na sequência do episódio, será
julgado e condenado à morte, havendo, assim, intertextualidade
com texto religioso.
II. Em “espadas romanas”, pode-se notar uma relação de
contiguidade, pois é usada a parte, a espada, pelo todo, o soldado
romano que empunha a espada.
III. Nos sonhos de Teodorico, há recorrentemente a figura de Cristo,
excluindo-se a presença de Satanás no mundo terreno. O mundo
material é submetido ao poder divino.
Está correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III.
d) I e II.
e) III, apenas.
RESOLUÇÃO:
O item III é incorreto, pois há no romance um sonho de Teodorico em que,
durante a ascensão de Cristo, se vê Satanás dizendo que as religiões se
sucedem, mas quem manda no mundo é o Diabo: “Eles passam, eu fico.”
Resposta: D
Recolhi à minha família, pensativo. Tudo o que eu esperara e
amara (até a Adélia!) o possuía agora legitimamente o horrendo
Negrão!... Perda pavorosa. E que não proviera da troca dos meus
embrulhos, nem dos erros da minha hipocrisia.
Agora, pai, comendador, proprietário, eu tinha uma
compreensão mais positiva da vida; e sentia bem que fora
esbulhado dos contos de G. Godinho simplesmente por me ter
faltado no oratório da Titi — a coragem de afirmar!
(EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 346.)
(...) “Sim, esta noite, em Betânia, Rabi Jeschoua foi preso...”
Depois ajuntou, lento, com os olhos semicerrados, erguendo
por entre os dedos os longos fios da barba:
— Mas Pôncio teve um escrúpulo... Não quis julgar um
homem de Galileia, que é súdito de Antipas Herodes... E como o
tetrarca veio à Páscoa a Jerusalém, Pôncio mandou o Rabi à sua
morada, a Bezeta...
Os doutos óculos de Topsius rebrilharam de espanto.
— Coisa estranha! — exclamou, abrindo os braços magros. —
Pôncio escrupuloso, Pôncio formalista! E desde quando respeita
Pôncio a judicatura do tetrarca? Quantos pobres galileus não fez
ele matar sem licença do tetrarca, quando foi da revolta do
aqueduto, quando espadas romanas, por ordem de Pôncio,
misturaram, nos pátios do Templo, o sangue dos homens de
Neftali ao sangue dos bois do sacrifício!
(EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia.
São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 198.)
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Texto para o teste 1.
1. (FUVEST-2020) – No excerto, o autor recorre à intertextualidade,
dialogando com a comédia Tartufo (1664), de Molière, cuja
personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça, que o
nome próprio se incorporou ao vocabulário, inclusive em português,
como substantivo comum, para designar o “indivíduo hipócrita” ou o
“falso devoto”. No contexto maior do romance, sugere-se que a
tartufice
a) se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios.
b) é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida.
c) diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do
livro.
d) se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência
vazia.
e) se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes.
RESOLUÇÃO:
No texto de Machado de Assis, a tartufice ou hipocrisia não se aplica
apenas a Sofia, mas também às personagens da sociedade fluminense que
manipulam cinicamente Rubião.
Resposta: E 
Para responder aos testes 2 e 3, leia o trecho de uma fala da
personagem Quincas Borba extraída do romance Quincas Borba, de
Machado de Assis, publicado originalmente em 1891:
2. (UNESP-2020) – Está empregado em sentido figurado o termo
sublinhado em:
a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”.
b) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra”.
c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos”.
d) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”.
e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição”.
RESOLUÇÃO:
De acordo com o Dicionário Houaiss, o verbo canonizar significa
“reconhecer e declarar santo (indivíduo falecido), inscrevendo no cânon
dos santos, de acordo com os rituais prescritos pela Igreja”. Na frase“Nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”, o
verbo canonizar foi empregado em sentido figurado, metafórico, pois o
caráter santificador desse verbo foi empregado para se referir não a uma
pessoa, mas a uma “ação”.
Resposta: A
— (…) O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas
formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas,
rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma
é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o
princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico
da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas.
As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra
vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos
dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a
destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a
outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos,
aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das
ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não
chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só
comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao
vencedor, as batatas. 
(...) 
(...) Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas
terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse
suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos
fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à
observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de
podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e
infectos. Nada se perde, tudo é ganho.
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon:
Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma,
— também ela comia bem, dormia largo e fofo, — coisas que,
aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando quer amar. Se
esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, deixai
que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero
senão com dissimulados.
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da
comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia
chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome
a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em
Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e
fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se
explica o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte,
nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias
— “estrelas de primeira grandeza”.
(Machado de Assis, Quincas Borba)
77 Literatura e Análise de Textos Literários – III
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3. (UNESP-2020) – Considerando o contexto histórico de produção,
verifica-se no trecho uma alusão irônica
a) à teoria darwiniana.
b) à filosofia idealista.
c) à ideologia capitalista.
d) à filosofia iluminista.
e) à ideologia socialista.
RESOLUÇÃO:
Quincas Borba é o romance em que Machado de Assis, por meio da
filosofia Humanitas ou Humanitismo, parodia diversas teorias filosóficas
e científicas em voga no final do século XIX, principalmente o
Darwinismo Social e o Positivismo. Tal paródia pode ser sintetizada na
célebre frase “Ao vencedor, as batatas”, a moral da narrativa a respeito
de uma tribo mais forte que, derrotando uma tribo concorrente, tem
acesso exclusivo ao campo de batatas que garantirá sua alimentação e
consequente sobrevivência.
Resposta: A
Texto para o teste 4.
4. Após receber a herança de Quincas Borba, Rubião começa a fazer
planos, entre suas ideias, ampliar seus horizontes, deixar a província,
Barbacena, e ir para a corte, o Rio de Janeiro. Assim, com as
informações do excerto e com o contexto do livro, depreende-se que
o protagonista
a) assimilou os ensinamentos de Quincas Borba, aplicando-os em sua
rotina na corte, afrancesando-se.
b) trocou uma vida de aparências por aquela em que se privilegiava a
essência, como preconizava a filosofia Humanitas.
c) acabou sendo o exemplo prático dessa teoria, pois era o elo mais
fraco no relacionamento com Palha, Sofia e outros.
d) percebeu que Humanitas ou Humanitismo é uma paródia irônica
do Positivismo e do Darwinismo Social.
e) chegou à conclusão de que essa filosofia era irônica, carnavalizava
o cientificismo da época, que tinha muitos adeptos entre os
intelectuais brasileiros.
RESOLUÇÃO:
Ao receber a herança de Quincas Borba, Rubião considera-se como a
tribo vencedora da alegoria presente em Humanitas ou Humanitismo,
mas isso é ilusório, pois, no Rio de Janeiro, será manipulado por Palha,
Sofia e outros oportunistas, perderá o capital e a saúde mental. O ingênuo
e frágil Rubião é a tribo vencida, aquela que é digna de, nesse caso,
compaixão.
Resposta: C
— Ao vencedor, as batatas! 
Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado
e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim
dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um
vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que
elimina a outra, a fim de transpor a montanha e ir às batatas do
outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para
arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e
implacável, era poderoso e forte. E, levantando-se de golpe,
alvoroçado, ergueu os braços exclamando:
— Ao vencedor, as batatas! 
(...) E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à
fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para
seu uso, com este lema: AO VENCEDOR, AS BATATAS.
(MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba.
São Paulo: Principis, 2019.)
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Texto para o teste 5.
5. No início do excerto de Quincas Borba, de Machado de Assis, o
narrador, ao comentar sobre o casamento de Maria Benedita, promove
uma inferência que remete a um princípio da filosofia Humanitas.
Assinale a alternativa que apresenta uma frase do filósofo Quincas
Borba que ilustre tal princípio.
a) “Filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra”.
b) “Humanitas (...) é o princípio de tudo e reside em toda a parte”.
c) “O homem só comemora e ama o que lhe aprazível ou vantajoso”.
d) “A paz é a destruição; a guerra é a conservação”.
e) “Todas as coisas são boas, omnia bona”.
RESOLUÇÃO:
A frase “A paz é a destruição; a guerra é a conservação” indica o caráter
benéfico da guerra defendido pelo filósofo Quincas Borba. A guerra seria
positiva porque conservaria a existência dos mais fortes. Essa conclusão
ajusta-se à do narrador, que, ironicamente, vê a catástrofe como
promovedora do casamento de Maria Benedita. 
Resposta: D
Texto para o teste 6.
6. Nesse excerto, na notícia sobre o falecimento do filósofo, há:
a) intertextualidade, com a citação da personagem Pangloss.
b) metáfora, a partir da expressão “tendo suportado a moléstia”.
c) ironia, em “O testamento está em Barbacena”.
d) digressão, pois o narrador comenta um assunto paralelo à trama.
e) ceticismo niilista na singular filosofia.
RESOLUÇÃO:
Há intertextualidade, pois há alusão à obra Cândido ou o otimismo (1759),
do filósofo Voltaire, por meio da citação da personagem Pangloss, tutor de
Cândido e dotado de grande otimismo, sentimento semelhante ao que se
nota, ainda que ironicamente, no núcleo da filosofia Humanitas ou
Humanitismo.
Resposta: A
Faleceu ontem o senhor Joaquim Borba dos Santos, tendo
suportado a moléstia com singular filosofia. Era um homem de
muito saber, e cansava-se em batalhar contra esse pessimismo
amarelo e enfezado que ainda nos há de chegar aqui um dia; é a
moléstia do século. A última palavra dele foi que a dor era uma
ilusão, e que Pangloss não era tão tolo como o inculcou Voltaire.
Já entãodelirava. Deixa muitos bens. O testamento está em
Barbacena.
(MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba.
São Paulo: Principis, 2019.)
A história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto
Sofia a ache vulgar, vale a pena dizê-la. Fique desde já admitido
que, se não fosse a epidemia das Alagoas, talvez não chegasse a
haver casamento; donde se conclui que as catástrofes são úteis, e
até necessárias. Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que
ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas linhas. Era uma vez
uma choupana que ardia na estrada; a dona — um triste molambo
de mulher — chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no
chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o
incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela.
— É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste
mundo.
— Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto?
O padre que me contou isto certamente emendou o texto
original; não é preciso estar embriagado para acender um charuto
nas misérias alheias. Bom Padre Chagas! — Chamava-se Chagas.
— Padre mais que bom, que assim me incutiste por muitos anos
essa ideia consoladora, de que ninguém, em seu juízo, faz render
o mal dos outros; não contando o respeito que aquele bêbado tinha
ao princípio da propriedade — a ponto de não acender o charuto
sem pedir licença à dona das ruínas. Tudo ideias consoladoras.
Bom Padre Chagas!
(MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba. 
São Paulo: Ateliê Editorial, 2016. p. 267.)
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7. Analise as afirmações sobre o romance Quincas Borba:
I. A maioria das personagens estão dominadas pela obsessão de
subir na estrutura social, porque justamente acreditam que a
tranquilidade existencial e psíquica provém de uma imagem
exterior e pública construída a priori, conforme o posto ocupado
na escala da sociedade. Daí a fixação das mulheres no casamento
e a dos homens no ganho monetário.
II. A maior parte das personagens de Quincas Borba dividem-se
entre as convenções e os desejos mais recônditos, contra os quais
lutam para disfarçar. Fracionadas em seu íntimo, tentam
compensar a erosão interna por intermédio da fantasia (caso de
Rubião) ou pela estrita obediência aos ritos da sociedade. A
constante tensão nos diálogos reflete a lógica das negociatas,
premissa maior de que a sorte de uns está condicionada à ruína
de outros.
III. Os desígnios do capital não são duros e embrutecedores, apesar
de, nesse romance, haver personagens dissimuladas. A
especulação financeira de Palha é irrelevante na aproximação
com o novo-rico Rubião, já que este não tem espaço na
sociedade da corte. 
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III.
d) I e II.
e) III, apenas.
RESOLUÇÃO:
Nesse romance, os desígnios do capital são duros e embrutecedores, e a
aproximação de Palha com Rubião é motivada por interesse financeiro,
para explorar o novo-rico, ingênuo e provinciano.
Resposta: D
No conto “O Espelho”, de Machado de Assis, o esboço de uma nova
teoria sobre a dupla natureza da alma humana é apresentado por
Jacobina. A personagem narra a situação em que se viu sozinha na
casa da tia Marcolina:
8. (UNICAMP-2020) – Considerando-se os indicadores da
passagem do tempo na citação, é correto afirmar que
a) o movimento oscilante do pêndulo do relógio expressa a
duplicidade da alma interior.
b) o som do velho relógio da sala materializa acusticamente a
longevidade da alma interior.
c) a sonoridade repetitiva do pêndulo intensifica as aflições da alma
interior.
d) o contínuo batimento das horas sugere o vigor da alma interior.
RESOLUÇÃO:
No conto “O Espelho”, o alferes, na solidão do sítio, vivencia um processo
de desintegração da personalidade, pois, sem a contemplação e o
reconhecimento vindo do outro, desaparecem tanto a alma exterior como
a interior. Assim, “um silêncio vasto, enorme, infinito” faz a passagem do
tempo e o barulho do pêndulo acentuarem, nesse sítio vazio, as indagações
e a consequente dissipação da alma interior do protagonista.
Resposta: C
As horas batiam de século a século no velho relógio
da sala, cuja pêndula, tic-tac, tic-tac, feria-me a alma interior
como um piparote contínuo da eternidade.
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Texto para os testes 1 e 2.
1. Além do teor conservador, a fala de Francisco Teodoro reflete, no
contexto do romance, sua
a) insensibilidade, ao declarar Camila medíocre perante todos.
b) falência moral, ao desconsiderar a importância feminina.
c) discordância em relação ao posicionamento de Camila.
d) anuência quanto ao comportamento mais crítico de suas filhas.
RESOLUÇÃO:
De modo explícito e imediato, o trecho revela a insensibilidade de
Francisco Teodoro, ao sugerir, perante todos, que sua mulher é medíocre
ou não “sabichona”. Camila demonstra concordar com a opinião do
marido e Teodoro julga que mulheres mais ilustradas não são sérias e que
um homem honrado não deve consenti-las perto de suas filhas.
Resposta: A
2. Considerando-se os pressupostos sobre o “comportamento
feminino” destacados na fala de Francisco Teodoro e a reação das
demais personagens, o fato da trama relativo a Camila que institui a
ironia presente em “Este foi sempre o meu juízo, e não me dei mal
com ele” consiste na
a) má educação oferecida a Mário.
b) relação adúltera com o doutor Gervásio.
c) inabilidade doméstica.
d) ostentação material desmedida.
RESOLUÇÃO:
Todo o texto lido salienta a relação entre a emancipação feminina e a
possível falta de “honestidade” das mulheres que a proclamam. Logo, é
bastante irônico o fato de Teodoro ser traído justamente por uma mulher
que, de acordo com o juízo dele e por ser ela como é (“medíocre” e nada
“sabichona”), jamais o faria.
Resposta: B
Texto para o teste 3.
3. Com seu caráter ingênuo e compassivo, ao anunciar a doação que
faria, Ruth pondera sobre o passado de luxo e ostentação da família e
questiona um dos mecanismos de funcionamento da sociedade,
caracterizada, segundo o excerto, por
a) altruísmo e solidariedade.
b) hipocrisia religiosa.
c) egoísmo e maldade intencional.
d) perdularismo alimentar.
RESOLUÇÃO:
Apesar de adolescente, Ruth tece considerações críticas sobre os valores
sociais e morais de seu tempo. No excerto, fala dos ricos, que ignoram as
necessidades dos mais pobres e desperdiçam muitos alimentos.
Resposta: D
Francisco Teodoro afirmou logo que aquele prato parecia feito,
de saboroso que estava, por uma mulher. A brasileira tem um
jeitinho especial para temperar panelas, dizia ele; e verdade,
verdade, assim como ela não devia ser chamada para cargos
exercidos por homens, também os homens não lhes deviam
usurpar os seus. A cozinha devia ser trancada ao sexo feio.
Ele dizia isto como pilhéria, por alegria.
Catarina, fazendo estalar uma côdea de pão entre os dedos
magros, perguntou sorrindo, com ar de curiosidade maldosa:
— O senhor é contra a emancipação da mulher, está claro.
— Minha senhora, eu sou da opinião de que a mulher nasceu
para mãe de família. Crie os seus filhos, seja fiel ao seu marido,
dirija bem a sua casa, e terá cumprido a sua missão. Este foi
sempre o meu juízo, e não me dei mal com ele, não quis casar com
mulher sabichona. É nas medíocres que se encontram as esposas.
O dr. Gervásio e o capitão Rino trocaram um olhar, de relance.
— E que são as outras? Mulheres que um homem honrado não
deve consentir perto de suas filhas.
Camila fez um sinal afirmativo. Ela era da mesma opinião.
— Não são sérias — concluiu.
(ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: 
Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 110-111.)
Ruth apareceu atrás das irmãs.
— Mamãe não conhece... Jacinta é uma velha paralítica que
mora na vizinhança da minha discípula. Sempre que passamos por
lá nos pede esmola... É tão velhinha que faz pena. Combinamos
com a Nina que sempre que sobrasse algumacoisa do jantar
fôssemos levar a ela. Quando me lembro do que se desperdiçava
lá em casa! Por um lado, mais vale a gente ser pobre... Os ricos,
não é por mal, mas como não conhecem a necessidade dos outros
não consolam ninguém...
(ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: 
Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 280.)
88 Literatura e Análise de Textos Literários – IV
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Texto para o teste 4.
4. (MACKENZIE – modificado) – Quanto ao estilo, esse
fragmento descritivo destaca
a) a tendência do Naturalismo em revelar, através do aspecto físico,
traços do caráter.
b) a tendência dos escritores realistas de criticar a hipocrisia do
comportamento aristocrático.
c) a oposição entre “físico grotesco” e “moral sublime”, o que
comprova sua característica dual.
d) a concisão típica do Realismo, comprovada pelo uso comedido da
adjetivação.
e) o egocentrismo exacerbado, a irreverência e a visão mórbida do
mundo que caracterizam o byronismo do século XIX.
RESOLUÇÃO:
No trecho apresentado, expressões como “mortos”, “pardo transparente”,
“lábios úmidos, porejando baba” criam uma qualificação física negativa
que acaba por definir o caráter da personagem, procedimento muito
comum no Naturalismo.
Resposta: A
Texto para o teste 5.
5. (ESPM – modificado) – O trecho descreve a personagem
Aristarco, diretor do colégio Ateneu. Assinale a alternativa incorreta.
a) Em “terríveis passadas”, “repentes inesperados” e “majestoso”,
evidencia-se o caráter autocrático da personagem.
b) Expressões como “leiloeiro” e “opulentas faturas” conotam o
interesse comercial do diretor, preocupado com os lucros da
escola.
c) A expressão “transformação moral da sociedade” confirma a séria
preocupação com um projeto pedagógico e social, apesar do
interesse comercial.
d) Expressões como “abolição dos castigos corporais” e “supressão
absoluta dos vexames de punição” conferem ao diretor certo
caráter liberal.
e) Depreende-se a ironia do narrador ao fazer referência à retórica de
Aristarco: “serviços à causa santa da instrução” e “esclarecendo
como um farol diversas gerações”.
RESOLUÇÃO:
O diretor do internato, Aristarco, tem interesse unicamente comercial,
embora seu discurso se revista de palavras que procuram dar a impressão
de que sua causa seja um “projeto pedagógico e social”.
Resposta: C
... cara extensa, olhos rasos, mortos, de um pardo transparente,
lábios úmidos, porejando baba, meiguice viscosa de crápula
antigo.
(Raul Pompeia, O Ateneu)
Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas,
imobilizando-se a repentes inesperados (...), clamando como para
um auditório de dez mil pessoas, majestoso sempre, alçando os
padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas,
desenrolou, com a memória de uma última conferência, a
narrativa dos seus serviços à causa santa da instrução. Trinta anos
de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas
gerações agora influentes no destino do país! E as reformas
futuras? Não bastava a abolição dos castigos corporais (...). Era
preciso a introdução de métodos novos, supressão absoluta dos
vexames de punição, (...) de maneira que seja a escola um paraíso;
adoção de normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia,
perspicaz como as águias. Ele havia de criar... um horror, a
transformação moral da sociedade!
(Raul Pompeia, O Ateneu)
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6. (PUC-SP – modificado) – Assinale a alternativa falsa.
a) O Ateneu, que tem o subtítulo “crônica de saudades”, reconstrói,
através da memória, a vida em um internato. Sérgio, personagem-
narrador, é geralmente tomado como alter ego do autor, que, no
livro, se “vingaria” do internato em que estudou, assim como da
sociedade que criticava.
b) Em várias passagens do romance, encontra-se a expressão daquilo
que, em psicanálise, se chama “complexo de Édipo”: o afeto do
menino Sérgio por Dona Ema, mulher de Aristarco, diretor do
Ateneu, execrado como pai-tirano; o jogo masculino-feminino, a
homossexualidade que caracteriza a vida e as relações entre os
alunos em plena crise de puberdade.
c) O Ateneu é o microcosmo em que se projetam todas as mazelas da
sociedade. O incêndio do internato significa a recusa selvagem
daquela vida adulta que começa no colégio interno e é a vingança
final de Sérgio-Pompeia contra o Ateneu.
d) O estilo do livro é caracteristicamente realista, com seu descritivismo
objetivo, a recusa de subjetividade e um narrador que se mantém
neutro, sem interferir na narrativa nem impor sua visão ao leitor.
e) “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai à porta do Ateneu.
Coragem para a luta.” Assim começa, na história de Sérgio, a
ruptura com a vida familiar, definida como “amor doméstico” e
“estufa de carinho”.
RESOLUÇÃO:
A classificação estilística de O Ateneu é problemática, pois o livro contém
elementos realistas, naturalistas, impressionistas, expressionistas e
simbolistas. Além disso, o narrador não é neutro, tampouco prevalece a
objetividade.
Resposta: D
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Texto para o teste 1.
1. (UNESP-2020) – O texto refere-se ao movimento denominado
a) Romantismo.
b) Barroco.
c) Parnasianismo.
d) Arcadismo.
e) Realismo.
RESOLUÇÃO:
O texto de Antônio Cândido refere-se ao Parnasianismo, movimento que
retoma a tradição da Antiguidade Clássica, distanciando-se dos
problemas sociais do século XIX e preconizando o culto da forma, a
linguagem culta e o preceito da “arte pela arte” (ars gratia artis).
Resposta: C
Texto para os testes 2 e 3.
2. (MACKENZIE-2020) – Considere as afirmações abaixo:
I. Os estados subjetivos da consciência, as impressões sombrias da
alma, o hermetismo, o apelo aos sentidos e uma atmosfera
permeada por fortes símbolos religiosos ajudam a definir o tom
simbolista do poema.
II. A referência a elementos religiosos no poema é sem dúvida uma
impregnação do nacionalismo tardo-romântico na obra de Cruz
e Sousa, pois tais referências são uma forma de fixar a identidade
nacional nos versos de “Siderações”.
III. A visão de mundo em “Siderações” baseia-se no conhecimento
mais avançado da astronomia da sua época, fundamentando a
vertente simbolista brasileira com a objetividade do discurso
especializado da ciência do final do século XIX.
Assinale a alternativa correta.
a) A afirmação I está correta.
b) A afirmação II está correta.
c) A afirmação III está correta.
d) Todas as afirmações estão corretas.
e) Nenhuma das afirmações está correta.
RESOLUÇÃO:
A primeira afirmação resume de maneira eficiente as características do
soneto de Cruz e Sousa que o vinculam ao Simbolismo. A segunda é
incorreta porque associa elementos religiosos a nacionalismo — não há,
com base em elementos do poema, ligação entre esses dois temas; além
disso, o nacionalismo não é assunto desenvolvido nem na poesia de Cruz e
Sousa, nem na escola literária a que pertence. Por fim, a terceira afirmação
é incorreta também, pois associa a poética simbolista ao contexto científico,
quando, na verdade, essa estética era refratária à Ciência.
Resposta: A
3. (MACKENZIE-2020) – Assinale as correntes estéticas que, por
aproximação, possuem mais afinidades com o Simbolismo de
“Siderações”.
a) Naturalismo e Realismo.
b) Trovadorismo e Quinhentismo.
c) Ultrarromantismo e Decadentismo.
d) Classicismo e Neoclassicismo.
e) Modernismo e Pós-Modernismo.
RESOLUÇÃO:
O soneto de Cruz e Sousa aborda temática mística e de forma carregada
de subjetividade, procedimentos também presentes na Segunda Geração
da poesia romântica (Ultrarromantismo) e no Decadentismo (estilo que
antecedeu o Simbolismo).
Resposta: C
Para as Estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo…
Num cortejo de cânticos alados
Os arcanjos, as cítarasferindo,
Passam, das vestes nos troféus prateados,
As asas de ouro finamente abrindo…
Dos etéreos turíbulos de neve
Claro incenso aromal, límpido e leve,
Ondas nevoentas de Visões levanta…
E as ânsias e os desejos infinitos
Vão com os arcanjos formulando ritos
Da Eternidade que nos Astros canta...
(Cruz e Sousa, Broquéis)
Tal movimento distingue-se pela atenuação do
sentimentalismo e da melancolia, a ausência quase completa de
interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e
(como os modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a
uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza da língua, do
casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores
clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um
critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão
luxuosa dos autores desse movimento não representava para as
classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade
material e, para o comum dos leitores, uma miragem
compensadora que dava conforto.
(Antônio Cândido, 
Iniciação à Literatura Brasileira – adaptado)
99 Literatura e Análise de Textos Literários – V
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Texto para o teste 4.
4. (UNESP-2020) – Verificam-se distorções e ambiguidades em
relação à técnica da perspectiva na seguinte obra:
a)
René Magritte, A Clarividência, 1936.
b) 
Maurits Cornelis Escher, Mirante, 1958.
c)
Edwars Hopper, Escritório em uma Cidade Pequena, 1953.
d)
Käthe Kollwitz, A Marcha dos Tecelões, 1897.
e)
René Magritte, O Império da Luz, 1954.
RESOLUÇÃO: 
A distorção da perspectiva capaz de provocar ambiguidade é percebida
em Mirante (1958), de Escher. Basta verificar, por exemplo, como cada
coluna parece estar, ao mesmo tempo, à frente ou atrás da outra,
dependendo do ponto de vista em que é observada.
Resposta: B
Perspectiva. Técnica de representação, numa superfície plana, do
espaço tridimensional, baseado no uso de certos fenômenos ópticos,
como a diminuição aparente no tamanho dos objetos e a convergência
das linhas paralelas à medida que se distanciam do observador.
(Ian Chilvers (org.), Dicionário Oxford de Arte)
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O texto abaixo foi extraído da peça O Marinheiro e serve de base para
responder aos testes 5 e 6: 
5. Na peça O Marinheiro, de Fernando Pessoa, as personagens não
possuem nomes específicos, elas são chamadas de Primeira Veladora,
Segunda Veladora e Terceira Veladora. Isso se dá
a) porque as veladoras simbolizam algo genérico, e disso decorrem
os nomes que lhes dão amplitude e deixam de lado a individuação.
b) porque há uma tentativa de se mostrar a hierarquia em cena,
dando-se mais destaque à sequência da entrada em ação das
personagens.
c) para reforçar a proximidade familiar das personagens em relação
ao defunto e ao marinheiro.
d) pela importância que essa sequência revela de cada irmã na
participação da vida da família.
RESOLUÇÃO:
Na peça, as três veladoras não são discriminadas por nome e prenome.
Aliás, ganha força a sensação no leitor de que essas vozes não se prendem
a um corpo definido. Elas representam uma generalização.
Resposta: A
6. No trecho apresentado, ocorre uma espécie de clímax da peça, no
qual as veladoras confundem realidade e sonho. Podemos observar
isso 
a) na fala da Primeira Veladora, que diz: “Por mim, cansa-me o
esforço que fazeis para falar”.
b) na fala da Segunda Veladora, que diz: “O que é que nós queremos
fazer?”
c) na fala da Segunda Veladora, que diz: “Já não me lembro... (...) Que
sono, que sono absorve o meu modo de olhar para as coisas!...”
d) na fala da Primeira Veladora, que diz: “Não falemos mais”.
RESOLUÇÃO:
Na fala da Segunda Veladora, ela menciona não lembrar o que contou,
sem saber quando contou ou quando ocorreu a história. Nesse trecho, ela
parece quase despertar de um sonho, confundindo assim a realidade com
a narrativa onírica.
Resposta: C
Texto para o teste 7.
7. O texto acima, extraído da peça O Marinheiro, de Fernando
Pessoa, mostra-nos a fala das 3 veladoras que se encontram ao redor
de um caixão com uma donzela de branco. A fala das personagens
mostra-nos uma característica que é bastante presente ao longo da
peça. Essa característica é/são 
a) o jogo de ponto e contraponto, o que dá dinamicidade à cena.
b) o uso das reticências, marcando o clima vago e nebuloso, próprio
do sonho expresso objetivamente pelas personagens.
c) as reflexões existenciais das personagens, que se referem aos
conflitos materiais de todo ser humano.
d) o sentido nebuloso da peça, podendo-se até confundir o que é
sonho e o que é realidade, quem sonha e quem é sonhado.
RESOLUÇÃO:
No trecho transcrito, podemos perceber que não há uma indicação precisa
de tempo, inclusive a Primeira e a Segunda Veladora falam sobre essa
confusão entre o passado e o presente (sonho e realidade). Essa
característica está presente ao longo de toda a peça. 
Resposta: D
PRIMEIRA — Quem pudesse gritar para despertarmos! Estou
a ouvir-me a gritar dentro de mim, mas já não sei o caminho da
minha vontade para a minha garganta. (...) Que estranha me
sinto!... Parece-me já não ter a minha voz... (...) Puseram ao meu
sentimento do meu corpo uma mortalha de chumbo... Para que foi
que nos contastes a vossa história?
SEGUNDA — Já não me lembro... Já mal me lembro que a
contei... Parece ter sido já há tanto tempo!... (...) Que sono, que
sono absorve o meu modo de olhar para as coisas!... O que é que
nós queremos fazer? (...) — Já não sei se é falar ou não falar...
PRIMEIRA — Não falemos mais. Por mim, cansa-me o
esforço que fazeis para falar... Dói-me o intervalo que há entre o
que pensais e o que dizeis... (...) Preciso dizer frases confusas, um
pouco longas, que custem a dizer... Não sentis tudo isto como uma
aranha enorme que nos tece de alma a alma uma teia negra que
nos prende?
(PESSOA, Fernando. O Marinheiro. 
Virtual Books Online M&M Editores Ltda., 2003/2004. p. 16.)
PRIMEIRA — (...) Quando virá o dia?
TERCEIRA — Que importa? Ele vem sempre da mesma
maneira... sempre, sempre, sempre...
(uma pausa)
SEGUNDA — Contemos contos umas às outras... (...) Neste
momento eu não tinha sonho nenhum, mas é-me suave pensar que
o podia estar tendo... Mas o passado — por que não falamos nós
dele?
PRIMEIRA — Decidimos não o fazer... Breve raiará o dia e
arrepender-nos-emos... Com a luz os sonhos adormecem... O
passado não é senão um sonho... De resto, nem sei o que não é
sonho.
Se olho para o presente com muita atenção, parece-me que ele
já passou… (...)
(PESSOA, Fernando. O Marinheiro.
Virtual Books Online M&M Editores Ltda., 2003/2004. p. 5.)
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Leia o trecho do poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira:
8. (UNIFESP-2020) – No trecho, o “sapo-tanoeiro” representa uma
sátira aos 
a) modernistas.
b) românticos.
c) naturalistas. 
d) parnasianos.
e) árcades.
RESOLUÇÃO:
O sapo-tanoeiro é uma sátira ao rigor formal dos poetas parnasianos.
Tanoeiro é o construtor de barril, conotando, ironicamente, o burilamento
estético do Parnasianismo. O poema satírico “Os Sapos”, de Manuel
Bandeira, foi declamado na segunda noite da Semana de Arte Moderna,
em 1922, por Ronald de Carvalho.
Resposta: D
O sapo-tanoeiro
(...)
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...
(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira)
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Texto para o teste 1.
1. (FUVEST-2020) – Em Claro Enigma, a ideia de engano surge soba perspectiva do sujeito maduro, já afastado das ilusões, como se lê no
verso-síntese “Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti”
(“Legado”). O excerto de “Cantiga de Enganar” apresenta a relação
do eu com o mundo mediada
a) pela música, que ressoa em canções líricas.
b) pela cor, brilhante na claridade solar.
c) pela afirmação de valores sólidos.
d) pela memória, que corre fluida no tempo.
e) pelo despropósito de um faz de conta.
RESOLUÇÃO:
A relação do eu lírico com o mundo baseia-se num absurdo faz de conta,
na simulação de considerar os eventos e as coisas como se eles não
existissem ou considerar “tudo como se fosse”.
Resposta: E
Texto para o teste 2.
2. (ALBERT EINSTEIN) – Este poema integra a obra Claro
Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Sobre ele, é correto
afirmar que 
a) o poeta exalta a força que a poesia tem de tornar perenes as
vicissitudes efêmeras da vida.
b) as rimas, bastante convencionais, dão ao poema um tom passadista
que faz dele um texto de dúbia qualidade estética.
c) o legado a que se refere o texto diz respeito somente à poesia
metaforizada como canto radioso.
d) se organiza em versos alexandrinos, de caráter parnasiano, sem
deixar de apresentar a clássica chave de ouro, que confere
brilhantismo ao fecho do texto.
RESOLUÇÃO:
O soneto “O Legado” apresenta versos alexandrinos (versos com doze
sílabas métricas), retomando uma das características centrais do
Parnasianismo. O último verso, a chave de ouro, é brilhante, porque não
só se refere ao sentido do que Drummond escreveu, textos em sua maioria
pessimistas, mas também a um dos mais célebres poemas de Drummond
(“No Meio do Caminho”).
Resposta: D
(...)
O mundo não tem sentido.
O mundo e suas canções
de timbre mais comovido
estão calados, e a fala
que de uma para outra sala
ouvimos em certo instante
é silêncio que faz eco
e que volta a ser silêncio
no negrume circundante.
Silêncio: que quer dizer?
Que diz a boca do mundo?
Meu bem, o mundo é fechado,
se não for antes vazio.
O mundo é talvez: e é só.
Talvez nem seja talvez.
O mundo não vale a pena,
mas a pena não existe.
Meu bem, façamos de conta
de sofrer e de olvidar,
de lembrar e de fruir,
de escolher nossas lembranças
e revertê-las, acaso
se lembrem demais em nós.
Façamos, meu bem, de conta
— mas a conta não existe —
que é tudo como se fosse,
ou que, se fora, não era.
(...)
(Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma)
LEGADO
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.
11 00 Literatura e Análise de Textos Literários – VI
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Texto para os testes 3 e 4.
1 – Museu instalado em Ouro Preto (MG), antiga Vila Rica.
3. (FGV-SP-ADM) – Considerando-se o poema no contexto estético
e ideológico de Claro Enigma, ao qual pertence, verifica-se que a
posição do eu lírico, em relação à Inconfidência Mineira, é a de
a) encará-la como modelo de rebeldia, a ser oferecido às novas
gerações de militantes políticos.
b) considerá-la exemplo privilegiado da violência com que as elites
reprimem as insurreições no Brasil.
c) tomá-la, distanciadamente, como ponto de partida para reflexões
de caráter generalizante e teor filosófico.
d) lamentar a precariedade da reconstituição histórica que lhe é
oferecida pela posterioridade.
e) enfatizar o sentimento de culpa das elites brasileiras,
contemporâneas do poeta, em face do martírio de Tiradentes.
RESOLUÇÃO:
Na quarta parte de Claro Enigma, “Selo de Minas”, Carlos Drummond de
Andrade faz uma leitura de lugares e acontecimentos mineiros, partindo
deles para reflexões generalizantes, como a apresentada na penúltima
estrofe de “Museu da Inconfidência”, na qual o eu lírico lamenta o “tempo
ingovernável”, associando-o a outras épocas de tristezas e injustiças,
culminando na afirmação de que “Toda história é remorso”.
Resposta: C
4. (FGV-SP-ADM) – É compatível com a síntese a que chega o
poema sobretudo o pensamento (adaptado) que se encontra em:
a) “A história das sociedades, até os dias atuais, é a história da luta
de classes.” (K. Marx)
b) “As épocas felizes são páginas em branco no livro da história.”
(G. W. F. Hegel)
c) “A vida (...) é uma história cheia de som e de fúria, contada por um
idiota, significando nada.” (W. Shakespeare)
d) “O tempo é um tecido invisível, em que se pode bordar tudo (...).
Também se pode bordar nada. Nada em cima do tecido invisível é
a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.” (Machado de
Assis)
e) “O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe
combatente e oprimida.” (W. Benjamin)
RESOLUÇÃO:
O último verso de “Museu da Inconfidência”, “Toda história é remorso”,
sintetiza o aspecto negativo de fatos em que ações humanas resultaram na
infelicidade e na injustiça. Assim, “as épocas felizes” não existiriam e essa
inexistência resultaria em “páginas em branco no livro da história”, nas
quais seria impossível o registro do que não houve: os momentos justos e
tranquilos.
Resposta: B
V / MUSEU DA INCONFIDÊNCIA1
São palavras no chão
e memória nos autos.
As casas inda restam,
os amores, mais não.
E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.
Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.
Toda história é remorso.
(Carlos Drummond de Andrade)
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Texto para o teste 5.
5. É correto afirmar que o poema
a) indica as musas inspiradoras dos principais poetas neoclássicos
brasileiros e o pseudônimo de Cláudio Manuel da Costa e de
Tomás Antônio Gonzaga. 
b) apresenta métrica típica do Modernismo, uma vez que Cecília
Meireles é quem escreve o poema, no século XX, e não os poetas
árcades.
c) denota o poder de D. Maria I e indica o poder do destino na
decisão sobre a sorte dos inconfidentes, sendo atrelada às
sentenças o fim do país da Arcádia.
d) mantém a natureza clássica convencional, que se caracterizava por
refletir o estado de espírito idealizado dos poetas do Arcadismo,
não havendo elemento pessimista.
e) considera a “Sorte”, representação do destino, como única
responsável por aquilo que há de vir a acontecer com os
inconfidentes e com a Arcádia mineira.
RESOLUÇÃO:
Marília é a musa de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga, e Nise é a musa de
Cláudio Manuel da Costa, Glauceste Satúrnio.
Resposta: A
ROMANCE XX OU
DO PAÍS DA ARCÁDIA
O país da Arcádia
jaz dentro de um leque:
existe ou se acaba
conforme o decrete
a Dona que o entreabra,
a Sorte que o feche.
É sonho que guarda
em pálpebra leve,
diáfana e parada,
a emoção campestre
de suspiro d’água
em flor que fenece.
— Desejo que afaga.
— Dom que se oferece.
(Ó rápida aljava,
não sejas tão breve,
que o amor chega, passa
e logo se esquece!)
O país da Arcádia
jaz dentro de um leque:
sob mil grinaldas,
verde-azul floresce.
Por ele resvala,
resvala e se perde,
a aérea palavra
que o zéfiro escreve.
A luz é sem data.
Nomes aparecem
nas fitas que esvoaçam:
Marília, Glauceste,
Dirceu, Nise, Anarda...
— O bosque estremece:
nos arroios, claras
ovelhinhas bebem.
Sanfonas e frautas
suspiros repetem.
O país da Arcádia,
súbito, escurece,
em nuvem de lágrimas.
Acabou-se a alegre
pastoral dourada:
pelas nuvens baixas,
a tormenta cresce.
(O tempo é indelével,
mas não há mais nada.
Em cinza adormece
a festa de nácar,
o assomo celestedo país da Arcádia,
no partido leque...)
(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)
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Texto para o teste 6.
6. O trecho que melhor define as ideias que fomentaram a
Inconfidência é
a) “Em redor das grandes luzes”.
b) “Palavras que se interpretam”.
c) “nos discursos, nas saúdes...”.
d) “Sinistros corvos espreitam”.
e) “Visitas. Sermões de exéquias”.
RESOLUÇÃO:
A expressão “grandes luzes” remete às ideias iluministas, ao racionalismo
do século XVIII que fomentou as ideias políticas libertárias.
Resposta: A
Texto para o teste 7.
7. (FUVEST – modificado) – O verso “Só se estivesse alienado!”,
que funciona como um refrão no “Romance LXXIII ou da
Inconformada Marília”, registra a reação dessa personagem do
Romanceiro da Inconfidência à informação de que 
a) seu amado, o inconfidente e poeta Cláudio Manuel da Costa, se
suicidara na prisão. 
b) seu primo-irmão, o inconfidente Joaquim Silvério dos Reis, traíra
os companheiros de conjura, delatando-os. 
c) seu noivo, o poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, se
casara na África. 
d) seu prometido, o árcade e inconfidente Dirceu, se suicidara na
prisão.
e) seu companheiro na Inconfidência, o alferes Tiradentes, assumira
sozinho toda a culpa da conjuração.
RESOLUÇÃO:
No “Romance LXXIII”, Cecília Meireles tematiza a dor de Marília ao ter
a informação de que seu noivo se casara na África.
Resposta: C
ROMANCE XXI
OU DAS IDEIAS
(...)
E as mobílias de cabiúna.
E as cortinas amarelas.
D. José. D. Maria.
Fogos. Mascaradas. Festas.
Nascimentos. Batizados.
Palavras que se interpretam
nos discursos, nas saúdes...
Visitas. Sermões de exéquias.
Os estudantes que partem.
Os doutores que regressam.
(Em redor das grandes luzes,
há sempre sombras perversas.
Sinistros corvos espreitam
pelas douradas janelas.)
E há mocidade! E há prestígio.
E as ideias.
(...)
(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)
Pungia a Marília, a bela,
negro sonho atormentado:
voava seu corpo longe,
longe, por alheio prado.
(...)
E ela, dormindo, gemia:
“Só se estivesses alienado!”
(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)
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Textos para os testes de 1 a 3.
1. (FUVEST-2020) – O argumento de Benedito Nunes, em torno da
natureza artística da literatura, leva a considerar que a obra só assume
função transformadora se 
a) estabelece um contraponto entre a fantasia e o mundo.
b) utiliza a linguagem para informar sobre o mundo.
c) instiga no leitor uma atitude reflexiva diante do mundo.
d) oferece ao leitor uma compensação anestesiante do mundo.
e) conduz o leitor a ignorar o mundo real.
RESOLUÇÃO:
A leitura de um texto literário apenas assume função modificadora na
visão de mundo do leitor, se este se sentir instigado a ter uma atitude
reflexiva diante da realidade.
Resposta: C
2. (FUVEST-2020) – Se o discurso literário “aclara o real ao
desligar-se dele, transfigurando-o”, pode-se dizer que Luís da Silva, o
narrador-protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de
“histórias fáceis, sem almas complicadas” porque
a) rejeita, como jornalista, a escrita de ficção.
b) prefere alienar-se com narrativas épicas.
c) é indiferente às histórias de fundo sentimental.
d) está engajado na militância política.
e) se afunda na negatividade própria do fracassado.
RESOLUÇÃO:
Luís da Silva, narrador-protagonista de Angústia, ao afirmar a
impossibilidade de se comover com a leitura de obras fáceis, sem tensão,
de fato revela sua própria condição de fracassado, uma figura anônima,
solitária e impotente diante de seus desejos íntimos e da sociedade.
Resposta: E
3. (FUVEST-2020) – Para Graciliano Ramos, Angústia não faz
concessão ao gosto do público, na medida em que compõe uma
atmosfera
a) dramática, ao representar as tensões de seu tempo.
b) grotesca, ao eliminar a expressão individual.
c) satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso.
d) ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo.
e) alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira.
RESOLUÇÃO:
No terceiro excerto, a respeito de Angústia, Graciliano Ramos escreve:
“Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio
de podridões, de lixo.” No enunciado do teste, pergunta-se por que essa
obra não faz concessão ao gosto do leitor. A resposta só pode ser a da
alternativa e, que se refere à atmosfera “alegórica, ao exaltar as imagens
de sujeira”. Essa é a resposta correta, não só pelo jogo de linguagem e de
sentido desse livro, mas também pela análise do professor Antônio
Cândido, que afirma, em ensaio célebre sobre Angústia, que “Luís da
Silva não segue este rumo lógico, mas vive cercado de animais que
simbolizam [grifo nosso] a sua natureza conturbada: cobras, ligadas a
recordações infantis, a impulsos de morte e de sexo oprimido; ratos que
povoam a sua casa, roem os seus manuscritos e se identificam, em certos
trechos, aos movimentos mais torpes, nele e nos outros” (“Os Bichos do
Subterrâneo”, em Tese e Antítese, p. 109). Enfim, Antônio Cândido não
concordaria com a resposta oficial, pois considera os ratos e cobras como
símbolos, alegoria, do estado psíquico e social de Luís da Silva. A resposta
oficial, alternativa a (“dramática, ao representar as tensões de seu
tempo”) abrange o conteúdo, e não o estilo, ainda que seja indissociável a
relação forma/conteúdo. Se considerarmos o gabarito oficial do
examinador, não haveria diferença entre Angústia, “romance
desagradável”, segundo o próprio Graciliano Ramos, e as obras de Jorge
Amado, de leitura mais fácil e agradável e que também abordam
atmosfera dramática em relação às tensões do tempo, isto é, da década de
30 do século XX. A Fuvest deveria pelo menos repensar o gabarito ou
considerar as duas alternativas corretas.
Resposta oficial: A
Resposta correta: E 
Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata
referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem,
“destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função
irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na teia
de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que nos
enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...).
No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando
retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela
experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita
redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e
nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao
desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que
em nós provocou.
(Benedito Nunes, “Ética e Leitura”, in Crivo de Papel)
O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance
besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas,
não andassem magoando-se, traindo-se. Histórias fáceis, sem
almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me
comovem.
(Graciliano Ramos, Angústia)
Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de
ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto
do público. Solilóquio doido, enervante.
(Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere,
em nota a respeito de seu livro Angústia)
11 11 Literatura e Análise de Textos Literários – VII
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Texto para o teste 4.
4. Leia as afirmações abaixo e analise a pertinência delas em relação
ao excerto e ao contexto de Angústia:
I. Na frase tautológica “Um homem é um homem”, nota-se a
intenção de Luís da Silva de tomar uma atitude de ruptura em
relação à aproximação que está ocorrendo entre ele e Marina.
II. Embora Luís da Silva elabore períodos relativamente curtos,
nota-se, na descrição de Julião, o emprego de vários adjetivos,
estilo criticado pelo narrador. 
III. Angústia é um romance memorialista, em que o narrador é o
frustrado Luís da Silva, o avesso de Julião Tavares, mas, aomesmo tempo, aspirando inutilmente ao reconhecimento
intelectual e à concretização de um matrimônio, numa sociedade
pela qual sente repulsa.
IV. A narrativa de Angústia flui, como nos romances anteriores de
Graciliano Ramos, linearmente, sem fragmentação. Eliminam-se
a evocação do passado, a fuga para o devaneio e a deformação
expressionista.
Está correto o que se afirma em
a) I, II e IV.
b) II e III, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.
RESOLUÇÃO:
A afirmação IV não é procedente. Em famoso estudo sobre Angústia,
Antônio Cândido afirma o contrário sobre o estilo desse romance:
“A narrativa não flui, como nos romances anteriores. Constrói-se aos
poucos, em fragmentos, num ritmo de vaivém entre a realidade presente,
descrita com saliência naturalista, a constante evocação do passado, a
fuga para o devaneio e a deformação expressionista.” (Tese e Antítese,
p. 108, 2.a edição)
Resposta D 
Texto para o teste 5.
5. O trecho expõe uma reflexão de João Guimarães Rosa acerca de
sua própria obra. Referindo-se ao livro Corpo de Baile, onde
originalmente estava incluída a novela “Campo Geral”, o autor
considera que suas “estórias” são “anti-intelectuais”, pois há
personagens
a) intuitivas, místicas, violentas, dominadas por forças telúricas.
b) redimidas pela razão após uma vida de desajustes emocionais.
c) paródicas dos Diálogos de Platão e do Discurso do Método, de
Descartes.
d) regionais, sem a dimensão da atemporalidade e do universal.
e) críticas do mundo sertanejo, em que há interpretação fetichista da
existência.
RESOLUÇÃO:
De acordo com o trecho crítico, Guimarães Rosa considera as novelas de
Corpo de Baile como “anticientificistas”, pois “defendem o altíssimo
primado da ‘intuição’, da ‘revelação’, da ‘inspiração’”. 
Resposta: A
— Por que é que você não manda fazer um smoking, Luís? Um
rapaz que ganha dinheiro andar com essas roupas mal-amanhadas!
Eu, se fosse você, brilhava, vivia no trinque.
Eu pilheriava com ela:
— Marina, nem só de smoking vive o homem.
(...)
Estúpida. Lia as notas sociais, casamentos, batizados,
aniversários, coisas deste gênero. Estúpida.
(...) 
— Para o diabo. Aqui me preocupando com aquela burra!
Unhas pintadas, beiços pintados, biblioteca das moças, preguiça,
admiração a D. Mercedes — total: Rua da Lama. Acaba na Rua da
Lama, sangrando na pedra-lipes. Vamos deixar de besteira, seu
Luís. Um homem é um homem.
* * *
Foi por aquele tempo que Julião Tavares deu para aparecer
aqui em casa. Lembram-se dele. Os jornais andaram a elogiá-lo,
mas disseram mentira. Julião Tavares não tinha nenhuma das
qualidades que lhe atribuíram. Era um sujeito gordo, vermelho,
risonho, patriota, falador e escrevedor. No relógio oficial, nos
cafés e noutros lugares frequentados cumprimentava-me de longe,
fingindo superioridade:
— Como vai, Silva?
À noite chegava-me a casa, empurrava a porta e, quando eu
menos esperava, desembocava na sala de jantar, que, não sei se já
disse, é o meu gabinete de trabalho. E lá vinham intimidades que
me aborreciam. Linguagem arrevesada, muitos adjetivos,
pensamento nenhum.
Conheci esse monstro numa festa de arte no Instituto
Histórico. (...)
(RAMOS, Graciliano. Angústia. 
Rio de Janeiro: Record, 2019. p. 49.)
E eu mesmo fiquei espantado de ver, a posteriori, como as
novelas, umas mais, outras menos, desenvolvem temas que
poderiam filiar-se de algum modo aos Diálogos, remotamente (...)
[Rosa refere-se às novelas de Corpo de Baile e à aproximação
com os Diálogos de Platão.] 
Ora, Você já notou, decerto, que, como eu, os meus livros, em
essência, são “anti-intelectuais” — defendem o altíssimo primado
da “intuição”, da “revelação”, da inspiração, sobre o bruxolear
presunçoso da inteligência reflexiva, da razão, a megera
cartesiana. Quero ficar com o Tao, com os Vedas e Upanixades,
com os Evangelistas e São Paulo, com Platão, com Plotino, com
Bergson, com Berdiaeff — com Cristo, principalmente.
(BIZZARRI, Edoardo. Correspondência com Seu Tradutor Italiano. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p. 56-58. 
In: ANDRADE, Fernando Teixeira de. Os Livros da Fuvest: 
Campo Geral. Coleção Objetivo. São Paulo: Cered, 2020. p. 6.)
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Texto para o teste 6.
6. A morte do pai é uma ramificação trágica do desfecho de “Campo
Geral”, novela de João Guimarães Rosa, de 1956. Contudo, a morte
do patriarca acaba por simbolizar, para Miguilim e a mãe, uma
espécie de libertação. O período do trecho que metaforiza que, para o
menino Miguilim, o tempo de opressão passou é
a) “... chorava tapando a cara com as duas mãos”.
b) “As lágrimas da Mãe ele escutava”.
c) “quem sabe aquilo tudo não acontecia”.
d) “E eu posso ficar doente, quieto, ninguém bole?”.
e) “ficava num arretriste, aquela saudade sozinha”.
RESOLUÇÃO:
Miguilim tem certa consciência de que, com a morte do patriarca, o tempo
de opressão e o de violência paternas acabaram, ainda que Pai tivesse
surpreendentemente se condoído com a grave doença que acometera
Miguilim. 
Resposta: D
7. (FUVEST) – Considere atentamente as seguintes afirmações
sobre a novela “Campo Geral” (“Miguilim”), de Guimarães Rosa:
I. A sabedoria precoce do pequeno Dito é decisiva para o
aprendizado de Miguilim, seja nas experiências imediatas do
cotidiano, seja na investigação do valor e do sentido profundos
dessas experiências.
II. Por meio da personagem Miguilim, o autor mostra-nos que a
vida rústica do sertanejo é pobre como experiência — o que pode
ser compensado pela imaginação poética de quem sabe desligar-se
daquela vida.
III. No momento final da narrativa, é em sentido literal e simbólico
que um novo mundo se revela para Miguilim — mundo que
também se abre para uma vida de novas experiências.
A leitura atenta da novela permite concluir que apenas:
a) as afirmações I e III são corretas.
b) as afirmações I e II são corretas.
c) as afirmações II e III são corretas.
d) a afirmação II é correta.
e) a afirmação III é correta.
RESOLUÇÃO:
Em II, não é possível considerar que “a vida rústica do sertanejo é pobre
como experiência”. Para Guimarães Rosa, os mitos universais também
estão presentes no sertão.
Resposta: A
Despertava exato, dava um recomeço de tudo.
De manhã, Mãe veio, se ajoelhou, chorava tapando a cara com
as duas mãos: — “Miguilim, não foi culpa de ninguém, não foi
culpa…” — todas as vezes ela repetia. — “Mãe, Pai já
enterraram?” “— Já, meu filhinho. De lá mesmo foi levado para o
Terentém...” “— E todos estão aí, Tomezinho, Drelina, a Chica?”
“— Estão, Miguilim, todos gostando de todos...” “— E eu posso
ficar doente, quieto, ninguém bole?” As lágrimas da Mãe ele
escutava. — “Mãe, a senhora vai rezar também para Dito?” O
Dito sabia. Se o Dito estivesse ainda em casa, quem sabe aquilo
tudo não acontecia. Miguilim chorava devagar, com cautela para
a cabecinha não doer; chorava pelo Pai, por todos juntos. Depois
ficava num arretriste, aquela saudade sozinha.
(GUIMARÃES ROSA, João. “Campo Geral”. 
Manuelzão e Miguilim: Corpo de Baile. 12. ed. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. p. 117.)
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Texto para o teste 1.
1. Analise as afirmações a seguir, considerando o contexto de
Mayombe:
I. Nota-se que a postura de Teoria não é dogmática. Além disso, o
fato de ser mestiço também é importante, pois tudo isso o coloca
numa posição vulnerável diante dos guerrilheiros que repudiam
quem não se define para fazer parte de um grupo.
II. Há sincretismo cultural na epígrafe e no fecho da obra, nos dois
mitos libertários, Ogun e Prometeu, símbolos de luta e afronta ao
poder praticamente sobrenatural.
III. A personagem Mundo Novo tem as mesmas angústias que
Teoria, pois repele o dogmatismo e a postura maniqueísta do
Movimento Revolucionário pela Libertação de Angola.
É correto o que se afirma em:
a) I e II, apenas.
b) IIe III, apenas.
c) I, II e III.
d) I e III, apenas.
e) III, apenas.
RESOLUÇÃO:
A afirmação III é incorreta, pois Mundo Novo é radical e segue rígida e
irrefletidamente os dogmas da doutrina marxista. Tem postura
maniqueísta, difere de Teoria, o talvez. 
Resposta: A
Texto para o teste 2.
2. Analise as afirmações a seguir:
I. Sem Medo, ao relatar a experiência vivida no seminário, observa
o comportamento cruel e hipócrita dos que se dizem religiosos
em tal instituição. A hipocrisia religiosa é também observada na
obra A Relíquia, de Eça de Queirós, sobretudo nas personagens
Teodorico, Patrocínio das Neves e Padre Negrão.
II. Sem Medo nega a fé cristã, rompe com a religião e, depois de
negar Deus, vivendo uma crise moral, decide abandonar o
seminário. Tal postura o aproxima de Teodorico Raposo,
personagem de A Relíquia, pois este também rompe com a
crença religiosa após ser expulso da casa da tia e conclui que a
verdade dos fatos vai impor-se sobre a farsa e a hipocrisia.
III. Ao experimentar o sexo, ainda no seminário, Sem Medo passa a
viver uma vida dupla, dividido entre seguir as imposições da
religião ou os próprios desejos. Teodorico Raposo vive situação
semelhante, ao tentar, hipócrita e caricaturalmente, cumprir as
duras regras quanto à castidade impostas pela tia beata,
disfarçando a vida erótica com a leviana Adélia.
EU, O NARRADOR, SOU TEORIA.
Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor
escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do
meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e
é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou
negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir
sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será
minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações?
Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens
que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as
pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os
maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os
outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.
(Pepetela, Mayombe)
— Quando estava no Seminário, uma coisa sempre me intrigou,
era uma nota discordante. Foi essa nota discordante que me
empurrou para o sacrilégio e, mais tarde, para o ateísmo. Porque é
que os padres, tão puros, tão castos, tão bondosos e tão santos, que
nos preparavam para servir Deus, para merecer Deus, prometendo-nos
as delícias da vida celestial, nos faziam a vida negra no Seminário,
eram tão arbitrários, tão cruéis, tão sádicos nos tormentos que
inventavam em nossa intenção. Isso levou-me a desejar o que os
horrorizava, a querer conhecer o que eles temiam, a procurar o que
eles proibiam de ver ou ouvir ou sentir. Foi com um misto de terror
sagrado, de prazer carnal e de prazer de vingança que tive a primeira
mulher. Em pleno Seminário, num anexo; era uma criada que
aliviava os seminaristas e, quem sabe?, alguns padres. Eu tinha 14
anos. (...) E continuei a confessar-me, sem coragem de lavar o
sacrilégio. E continuei a encontrar-me com a criada nos anexos e a
ter cada vez maior prazer no amor e, sobretudo, no fato de ser um
amor perverso, envenenado pelo sacrilégio que nunca corrigiria. Até
que, aos 16 anos, já fora do Seminário — donde finalmente fui
expulso por ameaçar de bater num padre branco que fazia racismo
aberto —, tornou-se intolerável o medo do Inferno, senti-me danado,
perseguido por mil crimes e por todos os prazeres ignóbeis que
praticara. A certeza de que estava perdido foi tão grande que decidi
que o Inferno não existia, não podia existir, senão eu estaria
condenado. Ou negava, matava o que me perseguia, ou endoidecia
de medo. Matei Deus, matei o Inferno e matei o medo do Inferno. Aí
aprendi que se devem enfrentar os inimigos, é a única maneira de se
encontrar a paz interior.
(Pepetela, Mayombe)
11 22 Literatura e Análise de Textos Literários – VIII
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IV. No trecho da obra Mayombe, o comandante Sem Medo levanta a
hipótese de que alguns religiosos do seminário talvez não
cumprissem o celibato. Na obra A Relíquia, esse fato é
explicitado, pois, no desfecho do romance, é revelada a vida
dupla, envolvendo a aparência casta, mas a essência corrompida,
devassa, de um membro do clero.
É correto o que se afirma em:
a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, III e IV.
RESOLUÇÃO:
A afirmação II é incorreta, uma vez que Teodorico Raposo nunca foi um
religioso de fato. Tal personagem apenas mantém os aspectos ritualísticos
e exteriores das cerimônias do Catolicismo, a fim de herdar a fortuna da
tia beata Dona Patrocínio das Neves. Quando expulso da casa da tia, ele
apenas desiste de fingir ser carola, abandona a hipocrisia; ao contrário de
Sem Medo, que enfrenta um conflito entre a fé e as demandas da Igreja.
Além disso, Teodorico não tem a profundidade psicológica de Sem Medo,
pois o conflito vivido pelo narrador de A Relíquia é material. No fecho do
romance, Teodorico conclui que, no mundo, a mentira, desde que contada
com convicção, se impõe sobre a verdade. A sociedade acredita nas farsas.
Resposta: E
Texto para o teste 3.
3. (PUC-SP – adaptado) – O trecho, extraído de Mayombe, de
Pepetela, refere-se à luta do Movimento Popular de Libertação de Angola
(MPLA), na década de 1970, pela independência de Angola. Nessa obra
de ficção, aparecem diversos temas presentes nesse conflito, entre eles:
a) a impossibilidade de saídas negociadas, as divergências entre os
vários grupos que lutavam contra a colonização portuguesa, o
personalismo de algumas lideranças.
b) o apoio da comunidade internacional à independência angolana, a
articulação da luta das várias tribos, a preocupação dos
portugueses com reformas políticas e sociais.
c) o temor do povo angolano face à ameaça de invasão estrangeira, o
diálogo ininterrupto com os representantes portugueses, o
abandono da luta armada.
d) a aliança da guerrilha angolana com os fascistas portugueses, a
ampla mobilização popular em favor da emancipação política, a
unidade dos grupos em luta.
RESOLUÇÃO:
É impossível que o imperialismo luso negocie pacificamente a
independência de Angola. Além disso, há conflitos entre os grupos
(MPLA, UNITA) que lutavam pela libertação, bem como o personalismo,
a individualidade marcante da liderança de Sem Medo. 
Resposta: A
Texto para o teste 4.
4. De acordo com um dos narradores do romance Nove Noites, de
Bernardo Carvalho, é indefinível o limite entre verdade e mentira,
pois 
a) a verdade está perdida entre todas as contradições e disparates.
b) os indígenas sempre contam mentiras para ludibriar os sertanejos. 
c) ambas são como os mitos e, em algum momento, acabam sendo
inverossímeis.
d) os fatos virão escorados em pseudoverdades que pareciam
incontestáveis.
e) a memória, ainda que possa ser exumada e resgatada, nem sempre
condiz com a verdade.
RESOLUÇÃO:
De acordo com o narrador do trecho, é indefinível o limite entre a verdade
e a mentira, pois “a verdade está perdida entre todas as contradições e os
disparates”.
Resposta: A 
Virou-se para Teoria. Este ainda não dormia. Sem Medo
segredou-lhe:
— O que conta é a ação. Os problemas do Movimento
resolvem-se, fazendo a ação armada. A mobilização do povo de
Cabinda faz-se desenvolvendo a ação. Os problemas pessoais
resolvem-se na ação. Não uma ação à toa, uma ação por si. Mas a
ação revolucionária. O que interessa é fazer a Revolução, mesmo
que ela venha a ser traída.
(PEPETELA. Mayombe. 
São Paulo: Leya, 2013. p. 237.)
Isto é para quando você vier. É preciso estar preparado.
Alguém terá que preveni-lo. Vai entrar numa terra em que a
verdade e a mentira não têm mais os sentidos que o trouxeram até
aqui. Pergunte aos índios. Qualquer coisa. O que primeiro lhe
passar pela cabeça. E amanhã, ao acordar, faça de novo a mesma
pergunta. E depois de amanhã, mais uma vez. Sempre amesma
pergunta. E a cada dia receberá uma resposta diferente. A
verdade está perdida entre todas as contradições e os disparates.
Quando vier à procura do que o passado enterrou, é preciso saber
que estará às portas de uma terra em que a memória não pode ser
exumada, pois o segredo, sendo o único bem que se leva para o
túmulo, é também a única herança que se deixa aos que ficam,
como você e eu, à espera de um sentido, nem que seja pela
suposição do mistério, para acabar morrendo de curiosidade.
Virá escorado em fatos que até então terão lhe parecido
incontestáveis.
(CARVALHO, Bernardo. Nove Noites. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 7.)
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Texto para o teste 5.
5. De acordo com o texto encontrado na orelha do livro Nove Noites,
“a história é contada em dois tempos”. Também se pode acrescentar
que ela é narrada por mais de um narrador, e a essa característica se
dá o nome de
a) polifonia, pois mais de uma voz narrativa conduz o enredo.
b) intertextualidade, pois se notam menções a outros textos.
c) metalinguagem, pois o narrador comenta sua narração.
d) dialética, pois há contraposição de tese/antítese entre as vozes.
e) monólogo interior, pois os narradores captam o fluxo de
consciência.
RESOLUÇÃO:
A presença de mais de uma voz narrativa que conduz o texto é
característica da polifonia. Além disso, há vários e díspares depoimentos
dos entrevistados pelo narrador investigativo sobre a personalidade de
Buell Quain.
Resposta: A
6. O procedimento narrativo que se nota em Nove Noites também
ocorre em
a) Quincas Borba, de Machado de Assis.
b) A Relíquia, de Eça de Queirós.
c) Angústia, de Graciliano Ramos.
d) “Campo Geral”, de Guimarães Rosa.
e) Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.
RESOLUÇÃO:
A polifonia ocorre não só em Romanceiro da Inconfidência, como também
em Mayombe, de Pepetela.
Resposta: E
Texto para o teste 7.
7. O romance Nove Noites, de Bernardo Carvalho, traça
significativos paralelos com episódios históricos. A própria morte de
Buell Quain é um fato ocorrido em 2 de agosto de 1939, antes da
eclosão da Segunda Guerra Mundial. O trecho, no entanto, faz
menção a outro fato histórico, também uma guerra, a qual o narrador
afirma ter irrompido à mesma época em que leu a matéria sobre a
morte de Quain. O evento histórico mencionado é a
a) Guerra Fria.
b) Guerra do Afeganistão.
c) Guerra do Golfo.
d) Guerra do Iraque.
e) Guerra do Vietnã.
RESOLUÇÃO:
A resposta é encontrada a partir da interpretação correta das referências
históricas dadas no trecho. O narrador afirma ter lido pela primeira vez
sobre a morte de Quain em um artigo publicado seis meses antes da
deflagração de outra guerra, quase sessenta e dois anos depois da morte
do antropólogo norte-americano, ou seja, seis meses antes da deflagração
de uma guerra ocorrida em 2001, sessenta e dois anos depois da
deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, ano da morte de Buell
Quain. A guerra deflagrada em 2001 é a Guerra do Afeganistão, opondo
Estados Unidos, Reino Unido, França e Canadá ao regime talibã afegão.
Resposta: B
Nove Noites narra a descida ao coração das trevas empreendida
pelo jovem expoente da antropologia americana, colega de Lévi-
Strauss e aluno dileto de Ruth Benedict, às vésperas da Segunda
Guerra. A história é contada em dois tempos, na tribo dos índios
krahô (interior do sertão brasileiro) e na combinação progressiva
entre a busca pelo testamento do engenheiro e a pesquisa que o
narrador vai fazendo em arquivos, atrás das cartas do antropólogo
e dos que o conheceram na época. 
(Orelha do livro Nove Noites, de Bernardo Carvalho.
São Paulo: Companhia das Letras, 2002.)
2. Ninguém nunca me perguntou. E por isso também nunca
precisei responder. Não posso dizer que nunca tivesse ouvido falar
nele, mas a verdade é que não fazia a menor ideia de quem ele era
até ler o nome de Buell Quain pela primeira vez num artigo de
jornal, na manhã de 12 de maio de 2001, um sábado, quase
sessenta e dois anos depois da sua morte às vésperas da Segunda
Guerra. O artigo saiu meses antes de outra guerra ser deflagrada.
Hoje as guerras parecem mais pontuais, quando no fundo são
permanentes. Li várias vezes o mesmo parágrafo e repeti o nome
em voz alta para me certificar de que não estava sonhando, até
entender — ou confirmar, já não sei — que o tinha ouvido antes.
O artigo tratava das cartas de outro antropólogo, que também
havia morrido entre os índios do Brasil, em circunstâncias ainda
hoje debatidas pela academia, e citava de passagem, em uma
única frase, por analogia, o caso de “Buell Quain, que se suicidou
entre os índios krahô, em agosto de 1939”.
(CARVALHO, Bernardo. Nove Noites. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 13.)
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Textos para o teste 8.
8. (UNICAMP-2020) – A obra Sobrevivendo no Inferno, do grupo
Racionais MC’s, é composta pelas canções e pelo projeto editorial da
capa e contracapa do CD. Nesse projeto editorial, encontram-se
elementos visuais e verbais que estabelecem um jogo de formas e
sentidos. Com base na afirmação de Antônio Cândido, é correto
afirmar que a organização desses elementos
a) produz uma simetria entre som e sentido, sendo que tal simetria
indica que os símbolos religiosos são uma resposta à violência.
b) configura um sistema de oposições, uma vez que imagens e
palavras estabelecem tensões materiais e espirituais, constitutivas
do sentido das canções.
c) configura uma sintaxe poética de ordem espiritual. Essa sintaxe
espelha o caos e as injustiças vividos na periferia das grandes
cidades.
d) produz uma lógica poética racional. Essa lógica se explicita na
vitória do crime sobre a visão de mundo presente nos versículos
bíblicos transcritos.
RESOLUÇÃO:
O projeto gráfico do CD Sobrevivendo no Inferno sintetiza os ideais que
orientam os textos dessa obra dos Racionais MC’s. Trata-se da oposição
entre valores religiosos, anunciados pela cruz e pela citação de trechos do
Salmo 23, e valores terrenos, representados pela pistola, instrumento
associado à violência. Essa mesma oposição entre o espiritual e o
degradado ocorre em “Gênesis”: “Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola
automática”.
Resposta: B 
As palavras organizadas comunicam sempre alguma coisa,
que nos toca porque obedece a certa ordem. Quando recebemos
o impacto de uma produção literária, oral ou escrita, ele é
devido à fusão inextricável da mensagem com a sua
organização. Em palavras usuais: o conteúdo de uma obra
literária só atua por causa da forma.
(ANTÔNIO CÂNDIDO. O Direito à Literatura. 
In: Vários Escritos. São Paulo: Ouro sobre Azul / 
Duas Cidades, 2004. p.178 – adaptado.)
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