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P O R T U G U ÊS E Português Curso Extensivo – E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página I P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página II – 1 P O R T U G U ÊS E Sintaxe e Morfologia (I)11 Leia o trecho extraído de uma notícia veiculada na internet: 1. (FUVEST-2020) – No português do Brasil, a função sintática do sujeito não possui, necessariamente, uma natureza de agente, ainda que o verbo esteja na voz ativa, tal como encontrado em: a) “O carro furou o pneu”. b) “e bateu no meio fio”. c) “O refém conseguiu acionar a população”. d) “tentaram linchar eles”. e) “afirmou o major”. RESOLUÇÃO: A oração que apresenta sujeito sem natureza de agente, apesar de estar na voz ativa, é “o carro furou o pneu”, uma vez que o sujeito “carro” não é o agente da ação do verbo “furar”. Resposta: A Texto para as questões 2 e 3. 2. (FUVEST-2020) – É correto afirmar que o poema a) aborda o tema da memória, considerada uma faculdade que torna o ser humano menos amargo e sombrio. b) enfoca a hesitação do eu lírico diante das palavras, o que vem expresso pela repetição da palavra “talvez”. c) apresenta natureza romântica, sendo as palavras “amora” e “amargo” metáforas do sentimento amoroso. d) possui reiterações sonoras que resultam em uma tensão inusitada entre os termos “amor” e “amar”. e) ressalta os significados das palavras tal como se verificam no seu uso mais corrente. RESOLUÇÃO: As interações sonoras entre “amora”, “amor”, “amargo” e “amar” configuram assonância (repetição do fonema vocálico a), aliteração (repetição dos fonemas consonantais m e r), paranomásia (“amor” e “amar”), em que as palavras têm sonoridade parecida, mas a primeira se refere a um sentimento e a segunda, a uma ação. Esse jogo sonoro cria tensão semântica entre “amor”, palavra doce, e “amar”, palavra menos doce, segundo as acepções utilizadas pelo poeta. Resposta: D 3. (FUVEST-2020) – Tal como se lê no poema, a) a palavra “amora” é substantivo, e “amargo”, adjetivo. b) o verbo “amar” ameniza o amargor da palavra “amargo”. c) o substantivo “corpo” apresenta sentido denotativo. d) o substantivo “amor” intensifica o dulçor da palavra “amora”. e) o verbo “amar” e o substantivo “amor” são intercambiáveis. RESOLUÇÃO: Na primeira estrofe do poema, a palavra “amora” poderia ser menos doce, caso não tivesse “em seu corpo” a “memória da palavra amor”. Resposta: D 4. (SANTA CASA-2020) – O termo sublinhado em “Proponho uma reforma no estilo político” exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em: a) “A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade” b) “São sinceros, francos, ingênuos.” c) “A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida.” d) “Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino” e) “Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas” RESOLUÇÃO: O termo sublinhado “uma reforma” exerce a função sintática de objeto direto do verbo “propor”. A passagem “o seu destino” exerce a mesma função em relação ao verbo “pôr”. Em a, a função sintática é de sujeito; em b e c, predicativo do sujeito; em e, objeto indireto. Resposta: D “O carro furou o pneu e bateu no meio fio, então eles foram obrigados a parar. O refém conseguiu acionar a população, que depois pegou dois dos três indivíduos e tentaram linchar eles. O outro conseguiu fugir, mas foi preso momentos depois por uma viatura do 5º BPM”, afirmou o major. Disponível em https://www.gp1.com.br/. AMORA a palavra amora seria talvez menos doce e um pouco menos vermelha se não trouxesse em seu corpo (como um velado esplendor) a memória da palavra amor a palavra amargo seria talvez mais doce e um pouco menos acerba se não trouxesse em seu corpo (como uma sombra a espreitar) a memória da palavra amar (Marco Catalão, Sob a face neutra.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 1 2 – P O R T U G U ÊS E Textos para a questão 5. 5. (UNICAMP-2020) – Embora os dois textos tratem do termo “maratonar” a partir de perspectivas distintas, é possível afirmar que o Texto II retoma aspectos apresentados no Texto I porque a) esclarece o significado do neologismo “maratonar” como esforço físico exaustivo, derivado de “maratona”. b) deprecia a definição de “maratona” como ação contínua de superação de dificuldades e melhoria da saúde. c) reflete sobre o impacto que a falta de exercícios físicos e a permanência em casa provocam na saúde. d) menospreza o uso do termo “maratonar” relacionado a um estilo de vida sedentário, antagônico a maratona. RESOLUÇÃO: Ambos os textos apontam o sentido negativo do neologismo “maratonar” que, em oposição ao signifi ca do tradicional que lhe dá origem (maratona), refere-se ao sedentarismo daquele que assiste inin ter rup tamente aos episódios de uma série. Resposta: D 6. (UNESP-2020) – Em “mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra” e “As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos”, os termos sublinhados estabelecem relação, respectivamente, de a) consequência e conformidade. b) causa e conformidade. c) conformidade e consequência. d) causa e finalidade. e) consequência e finalidade. RESOLUÇÃO: No primeiro trecho, a relação que se estabelece entre a oração iniciada pela conjunção porque com a anterior é de causa. No segundo trecho, a oração iniciada pela preposição “para” estabelece relação de finalidade com a oração anterior. Resposta: D TEXTO I Os idiomas e suas regras são coisas vivas, que vão se modificando de maneira dinâmica, de acordo com o momento em que a sociedade vive. Um exemplo disso é a adoção do termo “maratonar”, quando os telespecta dores podem assistir a vários ou a todos os episódios de uma série de uma só vez. Contudo, ao que parece, a plataforma Netflix não quer mais estar associada à “maratona” de séries. A maior razão seria a tendência atual que as gigantes da tecnologia têm seguido para evitar o consumo excessivo e melhorar a saúde dos usuários. (Adaptado de Claudio Yuge, “Você notou? Netflix parece estar evitando o termo ‘maratonar’.” Disponível em https://www.tecmundo.com.br/ internet/133690-voce-notou-net flix-pareceevitando-termo- maratonar.htm. Acessado em 01/06/2019.) TEXTO II (Disponível em http://www.willtirando.com.br/anesia-417/. Acessado em 01/06/ 2019.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 2 Para responder à questão 7, leia o trecho de uma carta de Charles Darwin ao biólogo Joseph Hooker em 11.01.1844. 7. (UNIFESP-2020) – “Deus me livre das bobagens de Lamarck como ‘tendência ao progresso’, ‘adaptações a partir do esforço dos animais’, — porém minhas conclusões não diferem muito das dele — embora a forma da mudança difira inteiramente — creio que descobri (que presunção!) a maneira simples pela qual as espécies se adaptam a várias finalidades.” No contexto em que se insere, o trecho sublinhado expressa ideia de a) comparação. b) causa. c) conclusão. d) consequência. e) concessão. RESOLUÇÃO: A oração introduzida pela conjunção “embora” é subordinada adverbial concessiva em relação à anterior. Esse conectivo pode ser substituído por “ainda que”, “mesmo que”, “se bem que”. Resposta: E Leia a crônica “Inconfiáveis cupins”, de Moacyr Scliar, para responder às questões de 8 a 10. 8. (UNIFESP-2020) – Em “Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh” (5.° parágrafo), o cronista recorre à figura de linguagem denominada: a) metonímia. b) hipérbole. c) eufemismo. d) personificação. e) pleonasmo. RESOLUÇÃO: O trecho “comer Van Gogh” configura uma metonímia, em que se emprega o nome do autor “Van Gogh” pela obra (tela). Resposta: A Além de um interesse geral pelas terras meridionais, desde que retornei tenho me dedicado a um trabalho muito ambicioso que nenhum indivíduo que conheço deixaria de considerar muito bobo. Fiquei tão impressionado com a distribuição dos organismosnas Galápagos e com a natureza dos fósseis de mamíferos americanos, que resolvi recolher todo tipo de coisa que pudesse ter alguma relação com alguma espécie. Li montanhas de livros sobre agricultura e horticultura e não paro de coletar informações. Por fim surgiu uma luz, e estou quase convencido (ao contrário do que achava inicialmente) de que as espécies (é como confessar um homicídio) não são imutáveis. Deus me livre das bobagens de Lamarck como “tendência ao progresso”, “adaptações a partir do esforço dos animais”, — porém minhas conclusões não diferem muito das dele — embora a forma da mudança difira inteiramente — creio que descobri (que presunção!) a maneira simples pela qual as espécies se adaptam a várias finalidades. (Shaun Usher (org.). Cartas extraordinárias, 2014.) Havia um homem que odiava Van Gogh. Pintor desconhecido, pobre, atribuía todas suas frustrações ao artista holandês. Enquanto existirem no mundo aqueles horríveis girassóis, aquelas estrelas tumultuadas, aqueles ciprestes deformados, dizia, não poderei jamais dar vazão ao meu instinto criador. Decidiu mover uma guerra implacável, sem quartel, às telas de Van Gogh, onde quer que estivessem. Começaria pelas mais próximas, as do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Seu plano era de uma simplicidade diabólica. Não faria como outros destruidores de telas que entram num museu armados de facas e atiram-se às obras, tentando destruí-las; tais insanos não apenas não conseguem seu intento, como acabam na cadeia. Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins. Deu-lhe muito trabalho, aquilo. Em primeiro lugar, era necessário treinar os cupins para que atacassem as telas de Van Gogh. Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana. Reproduções das telas do artista, em tamanho natural, eram recobertas com uma solução açucarada. Dessa forma, os insetos aprenderam a diferenciar tais obras de outras. Mediante cruzamentos sucessivos, obteve um tipo de cupim que só queria comer Van Gogh. Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava. Conseguiu introduzir os cupins no museu e ficou à espera do que aconteceria. Sua decepção, contudo, foi enorme. Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar. E por isso foram detectados. O homem ficou furioso. Nem nos cupins se pode confiar, foi a sua desconsolada conclusão. É verdade que alguns insetos foram encontrados próximos a telas de Van Gogh. Mas isso não lhe serviu de consolo. Suspeitava que os sádicos cupins estivessem querendo apenas debochar dele. Cupins e Van Gogh, era tudo a mesma coisa. (O imaginário cotidiano, 2002.) – 3 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 3 9. (UNIFESP-2020) – Expressam ideia de negação e ideia de repetição, respectivamente, os prefixos das palavras a) “deformados” e “repulsivo”. b) “insuspeitados” e “repulsivo”. c) “deformados” e “recobertas”. d) “repulsivo” e “recobertas”. e) “insuspeitados” e “deformados”. RESOLUÇÃO: O termo “deformados” é formado por um prefixo de negação (des-), pois significa, no texto, “tortos, desfigurados, que não apresentam a forma do aspecto original”. O termo “recobertas” também é formado por derivação prefixal, em que o prefixo “re-” tem sentido de repetição, “cobrir de novo”. Resposta: C 10. (UNIFESP-2020) – Tendo em vista a ordem inversa da frase, verifica-se o emprego de vírgula para separar um termo que exerce a função de sujeito em: a) “Deu-lhe muito trabalho, aquilo.” (4.° parágrafo) b) “Em vez de atacar as obras de arte, os cupins preferiram as vigas de sustentação do prédio, feitas de madeira absolutamente vulgar.” (6.° parágrafo) c) “Para ele era repulsivo, mas para os insetos era agradável, e isso era o que importava.” (5.° parágrafo) d) “Não, usaria um método científico, recorrendo a aliados absolutamente insuspeitados: os cupins.” (3.° parágrafo) e) “Para isso, recorreu a uma técnica pavloviana.” (4.° parágrafo) RESOLUÇÃO: O sujeito “aquilo” está separado por vírgula da forma verbal “deu-lhe”. Deve-se observar, porém, que não se usa vírgula separando o sujeito do verbo, segundo a gramática normativa. Resposta: A 11. (SANTA CASA-2020) – Considere a tirinha de André Dahmer. (www.folha.uol.com.br) O efeito de humor da tirinha decorre, sobretudo, do fato de a) o segundo personagem ignorar completamente a fala do primeiro. b) as falas dos dois personagens se contradizerem. c) o primeiro personagem valer-se da concretização de uma ideia abstrata. d) o primeiro personagem assumir uma postura que exemplifica a fala do segundo. e) o segundo personagem confirmar, em sua fala, o que foi dito pelo primeiro. RESOLUÇÃO: “Empatia" é um substantivo derivado do verbo empatizar que significa "colocar-se no lugar do outro, comportando-se ou pensando da mesma forma como ele pensaria ou agiria nas mesmas situações". A empatia, portanto, pressupõe afeição, afinidade, identidade, vinculação, e tudo isso foi eliminado no país conforme o primeiro personagem. O segundo personagem, com a afirmação "antes ela do que eu", comprova que realmente não há mais o sentimento de empatia no país. Resposta: E 4 – P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 4 Leia o início do conto “Luís Soares”, de Machado de Assis, para responder às questões 12 e 13. 12. (FAMERP-2020) – Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto e uma figura de linguagem que nele ocorre. a) “O calor do sol está dizendo aos homens que vão descansar e dormir” (1.o parágrafo) – personificação. b) “a frescura relativa da noite é a verdadeira estação em que se deve viver” (1.o parágrafo) – eufemismo. c) “Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é restaurar o império da natureza corrigindo a obra da sociedade” (1.o parágrafo) – gradação. d) “Olhava para todas as grandes cousas com a mesma cara com que via uma mulher feia” (3.o parágrafo) – pleonasmo. e) “Podia vir a ser um grande perverso; até então era apenas uma grande inutilidade” (3.o parágrafo) – paradoxo. RESOLUÇÃO: Há personificação ou prosopopeia, pois se atribuem características do ser humano, no caso a ação de dizer, ao “calor do sol”. Resposta: A 13. (FAMERP-2020) – No primeiro parágrafo, o trecho “Livre em todas as minhas ações, não quero sujeitar-me à lei absurda que a sociedade me impõe” é parte da fala do personagem Luís Soares. O mesmo trecho, em discurso indireto, seria: a) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não quer sujeitar-se à lei absurda que a sociedade lhe impõe. b) Luís Soares dizia, livre em todas as suas ações, que não quer sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impõe. c) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não queria sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impunha. d) Luís Soares dizia, livre em todas as suas ações, que não quis sujeitar-se à lei absurda que a sociedade o impôs. e) Luís Soares dizia que, livre em todas as suas ações, não queria sujeitar-se à lei absurda que a sociedade lhe impunha. RESOLUÇÃO: Emprega-se o verbo de elocução “dizer” que está, no início do excerto, na passagem para o discurso indireto. Os verbos que, no discurso direto, estão no presente, passam no discurso indireto para o pretérito imperfeito: “queria” e “impunha”. O pronome de primeira pessoa “me” vai para a terceira pessoa “lhe”, pois o verbo impor é transitivo indireto, nesse caso. Resposta: E Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é restaurar o império da natureza corrigindo a obra da sociedade. O calor do sol está dizendo aos homens que vão descansar e dormir, ao passo que a frescura relativa da noite é a verdadeira estação em que se deve viver. Livre em todas as minhas ações, não quero sujeitar-me à lei absurda que a sociedade me impõe: velarei de noite, dormirei de dia. Contrariamente a vários ministérios, Soarescumpria este programa com um escrúpulo digno de uma grande consciência. A aurora para ele era o crepúsculo, o crepúsculo era a aurora. Dormia 12 horas consecutivas durante o dia, quer dizer das seis da manhã às seis da tarde. Almoçava às sete e jantava às duas da madrugada. Não ceava. A sua ceia limitava-se a uma xícara de chocolate que o criado lhe dava às cinco horas da manhã quando ele entrava para casa. Soares engolia o chocolate, fumava dois charutos, fazia alguns trocadilhos com o criado, lia uma página de algum romance, e deitava-se. Não lia jornais. Achava que um jornal era a cousa mais inútil deste mundo, depois da Câmara dos Deputados, das obras dos poetas e das missas. Não quer isto dizer que Soares fosse ateu em religião, política e poesia. Não. Soares era apenas indiferente. Olhava para todas as grandes cousas com a mesma cara com que via uma mulher feia. Podia vir a ser um grande perverso; até então era apenas uma grande inutilidade. (Contos fluminenses, 2006.) – 5 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 5 6 – P O R T U G U ÊS E Texto para a questão 1. 1. (FUVEST-2020) – Considerando o contexto, o trecho “E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse” (L.13-14) pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte maneira: E não se pense que este nome a alegrou, a) apesar de lisonjeá-la. b) antes a lisonjeou. c) porque a lisonjeava. d) a fim de lisonjeá-la. e) tanto quanto a lisonjeava. RESOLUÇÃO: A locução conjuntiva “posto que” é concessiva e pode ser substituída adequadamente por “apesar de, embora, mesmo que, ainda que, conquanto, se bem que”. Em b, “antes” indica tempo; em c, “porque”, causa; em d, “a fim de”, finalidade; em e, “tanto quanto”, comparação. Resposta: A O poema abaixo vem impresso na orelha do livro Psia, de Arnaldo Antunes. 2. (UNICAMP-2020) – Na orelha do livro, Antunes apresenta ao leitor seu processo de criação poética. É correto dizer que o autor se propõe a a) revelar a primazia da comunicação oral sobre a escrita das palavras. b) discutir a flexão de gênero, que torna a palavra “psia” um substantivo. c) defender a conversão das palavras em coisas, mudando seu estatuto. d) explorar o poder de representação da interjeição exclamativa “psiu!”. RESOLUÇÃO: O autor se propõe a explorar o processo de formação de palavras, alterando-as morfológica e semantica men te: “Psia” / “Psiu”; “calos” / “calar”; “piscina” / “pia”. Além disso, associa-as por semelhança sonora, enfati zan do seu uso em novos contextos. Resposta: C Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias – “estrelas de primeira grandeza”. (Machado de Assis, Quincas Borba.) Psia é feminino de psiu; que serve para chamar a atenção de alguém, ou para pedir silêncio. Eu berro as palavras no microfone da mesma maneira com que as desenho, com cuidado, na página. Para transformá-las em coisas, em vez de substituírem as coisas. Calos na língua; de calar. Alguma coisa entre a piscina e a pia. Um hiato a menos. (Arnaldo Antunes, Psia. São Paulo: Iluminuras, 2012.) 22 Sintaxe e Morfologia (II) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 6 Texto para as questões 3 e 4. 3. (FAMEMA-2020) – O sentido original do texto está mantido com a reescrita do trecho: a) As cidades com liberdade para destinação dos recursos recebem fatia maior do ICMS, obtendo assim resultados melhores. b) São Paulo desenvolve projeto de ensino médio que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, o qual se replica em Pernambuco. c) Um dos motivos do êxito é a parceria com os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização, isto é, os municípios. d) Apesar de algumas medidas, como formação de professores e material didático estruturado, o governo cearense acionou um incentivo financeiro. e) Destaca-se em alfabetização o Ceará devido às restrições de renda da parceria com os municípios. RESOLUÇÃO: No texto original, a expressão “os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização” é aposto explicativo do substantivo “municípios”. Na alternativa reescrita, há uma inversão dessa função, pois o termo “municípios” passa a ser o aposto explicativo. Resposta: C 4. (FAMEMA-2020) – A forma verbal sublinhada expressa ideia de ação em processo no trecho: a) “e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo” (3.o parágrafo). b) “o governo cearense acionou um incentivo financeiro” (2.o parágrafo). c) “O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização” (1.o parágrafo). d) “Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco” (4.o parágrafo). e) “essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar” (5.o parágrafo). RESOLUÇÃO: A locução verbal “está sendo implantado” apresenta o verbo “ser” no gerúndio, expressando ação em processo, em desdobramento. Resposta: A Leia o texto de Newton Bignotto para responder às questões 5 e 6. 5. (SANTA CASA-2020) – No final do texto, a passagem “precisamos nomear os bárbaros, para podermos encontrar nosso próprio nome” pode ser assim entendida: a) o encontro com o diferente, quando percebemos o que nos distingue dele, é o que nos permite entender quem somos. b) o vencedor de um combate deve prestar homenagens ao derrotado para que não seja visto como um mau vencedor. c) aquele que participa de uma guerra, se vencê-la, tem o direito de contar a história sobre aquele que perdeu, sem questionamentos, como se fosse verdade. d) o ser humano se repete ao longo da história, tanto em suas características positivas quando nas negativas, como a guerra. e) um povo diferente nos considera tão estranhos quanto nós os consideramos também estranhos. RESOLUÇÃO: A construção da identidade provém também do relaciona mento com o outro. Disso resulta a percepção das diferenças e do autoconhecimento. Resposta: A O Ceará, apesar de restrições de renda, destaca-se em alfabetização. Um dos motivos do êxito é a parceria com os municípios, os principais encarregados dos primeiros anos de escolarização. Além de medidas que incluem formação de professores e material didático estruturado, o governo cearense acionou um incentivo financeiro: as cidades com resultados melhores recebem fatia maior do ICMS, com liberdade para destinação dos recursos. O modelo já foi adotado em Pernambuco e está sendo implantado ou avaliado por Alagoas, Amapá, Espírito Santo e São Paulo. Replicam-se igualmente as boas iniciativas do ensino médio em Pernambuco, baseado em tempo integral, que permite ao estudante escolher disciplinas optativas, projeto acolhido em São Paulo. Auspiciosa, essa rede multilateral e multipartidária pela educação é exemplo de como a sociedade pode se mobilizar em torno de propostas palpáveis. (“Unidos pelo Ensino”. Folha de S.Paulo, 27.08.2019. Adaptado.) Em uma urna funerária romana exposta no Palazzo Massimo em Roma, está gravada em baixo-relevo a cena de uma batalha entre os soldados romanos e um exército de bárbaros. Os primeiros ocupam a parte de cima da urna e estão vestidos com uniformes elegantes, espadas e instrumentos de guerra. Na parte de baixo estão os bárbaros, com olhos esgazeados e postura desorganizada. Em uma das cenas, um soldado segura a mão já desarmada de um inimigo e levanta seu rosto como a procurar o segredo de um povo inferior, que, ainda assim, havia tentado desafiar os conquistadores. Essa cena, longede representar algo especial na cultura romana do século III, fazia parte de uma representação corrente do mundo e da posição ocupada pelos romanos. Ela integrava a ação de busca pela identidade de um império que ambicionava por uma posição que fosse eterna. Para isso, era preciso olhar profundamente os olhos do inimigo, para talvez descobrir a própria essência do ser romano e daquilo que o negava e ameaçava sua existência. De alguma maneira, continuamos a olhar dentro dos olhos do diferente para afirmarmos nossa identidade e expurgarmos nossos medos. Da Antiguidade até hoje foram muitos os momentos em que precisamos nomear os bárbaros, para podermos encontrar nosso próprio nome. (Adauto Novaes (org.). Mutações: entre dois mundos, 2017.) – 7 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 7 8 – P O R T U G U ÊS E 6. (SANTA CASA-2020) – Considerado o modo como se estrutura, o texto possui características de a) uma descrição subjetiva que incorpora elementos narrativos. b) uma descrição objetiva com finalidade documental. c) uma narrativa histórica com finalidade opinativa. d) uma dissertação expositiva com finalidade moralizante. e) uma dissertação argumentativa que incorpora elementos descritivos. RESOLUÇÃO: A urna funerária romana traz em baixo-relevo uma cena de batalha entre romanos e um exército bárbaro. O autor se fixa no soldado romano que levanta o rosto do inimigo e o olha nos olhos tentando compreender como esse bárbaro, mas que também é um homem, ousou enfrentar os que lhe eram superiores. O autor usa esse trecho descritivo como metáfora para justificar o fato de se encarar e perceber o outro, tanto na antiguidade quanto na contem po raneidade. Assim, nessa relação com o diferente, constrói-se a própria identidade. Resposta: E 7. (FAMEMA-2020) – Transpondo-se a forma de tratamento para “você”, os versos “Embarca, pobre de ti, / que há já muito que te espero!” e “Pois digo-te que não quero!” assumem, de acordo com a norma-padrão, as seguintes redações: a) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que lhe espero!” e “Pois digo-lhe que não quero!” b) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que o espero!” e “Pois digo-lhe que não quero!” c) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que o espero!” e “Pois digo-o que não quero!” d) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que lhe espero!” e “Pois digo à você que não quero!” e) “Embarque, pobre de você, / que há já muito que espero você!” e “Pois digo-o que não quero!” RESOLUÇÃO: “Você” é um pronome de tratamento que exige a terceira pessoa do singular. Na passagem para o imperativo, essa pessoa gramatical é formada a partir do presente do substantivo: embarque. Os pronomes “o” e “lhe” são de terceira pessoa. O verbo esperar é transitivo deireto, por isso emprega-se o. O verbo dizer é transitivo direto e indireto, esse último exige o uso do pronome “lhe”. Resposta: B Texto para a questão 8. 8. (FUVEST-2020) – No período “Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações men tirosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas.”, os dois-pontos são utilizados para introduzir uma a) conclusão. b) concessão. c) explicação. d) contradição. e) condição. RESOLUÇÃO: Os dois pontos no trecho em questão introduzem uma explicação sobre a informação dada anteriormente (“esses robôs não são os grandes responsáveis por disseminar notícias falsas. Nem mesmo comparando com outros robozinhos”), pois ambos espalham não só dados falsos, como também verdadeiros, que chegam ao mesmo número de pessoas. Resposta: C O Twitter é uma das redes sociais mais importantes no Brasil e no mundo. (...) Um estudo identificou que as fake news são 70% mais propensas a serem retweetadas do que fatos verdadeiros. (...) Outra conclusão importante do trabalho diz respeito aos famosos bots: ao contrário do que muitos pensam, esses robôs não são os grandes responsáveis por disseminar notícias falsas. Nem mesmo comparando com outros robozinhos: tanto os que espalham informações mentirosas quanto aqueles que divulgam dados verdadeiros alcançaram o mesmo número de pessoas. (Super Interessante, “No Twitter, fake news se espalham 6 vezes mais rápido que notícias verdadeiras”. Maio/2019.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 8 Examine a tira de André Dahmer para responder à questão 9. (Malvados, 2008.) 9. (UNESP-2020) – Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas: a) “Ah, estou morrendo de pena...” e “Ainda vou trabalhar a noite inteira no Iraque, meu rapaz.” b) “Me adianta essa, vai...” e “É cedo para mim.” c) “O importante é trabalhar com o que a gente gosta.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” d) “É cedo para mim.” e “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e) “Posso lhe dar um emprego bem melhor...” e “Me adianta essa, vai...” RESOLUÇÃO: A oração “Posso lhe dar um emprego” é repre sen ta tiva da norma culta, em que “um emprego” é objeto direto e o pronome “lhe” funciona como objeto indireto, sendo ambos complementos verbais do verbo “dar”. A segunda oração exemplifica a linguagem oral tanto sintática, iniciando-se com pronome oblíquo, quanto semanticamente, com o uso de expressão popular “adianta essa, vai”, que significa pedido de ajuda ou concessão. Resposta: E Texto para as questões de 10 a 12. 10. (FGV-2020) – As informações do texto permitem concluir que a) a exploração da terra na região amazônica tem prejudicado a biodiversidade local, mas não se pode afirmar categoricamente que tenha relação com as queimadas de 2019. b) a Amazônia sofre regularmente com as queimadas, mas a de 2019 não se configura como a maior, já que incêndios anteriores na região devastaram 84% de mata nativa. c) o prejuízo causado à região amazônica em 2019 decorreu da combinação de seca severa, desmatamento e prática de queimadas pelo homem, associados ao El Niño. d) a comoção internacional não se justifica, consideran do-se que o índice de queimadas na Amazônia em 2019 é o menor desde 2013, quando começaram os registros. e) as queimadas na Amazônia despertaram a preocupação de pessoas em todo o mundo, considerando-se a relevância dessa floresta como a maior reserva de biodiversidade da Terra. RESOLUÇÃO: A alternativa sintetiza as principais informações do texto. Resposta: E São Paulo – Os olhos do Brasil e do mundo se voltam para a maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade da Terra. Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia. A razão não poderia ser pior: a Amazônia arde em chamas. O bioma é o mais afetado pela maior onda de incêndios florestais no Brasil em sete anos. Não há novidade no fenômeno em si. A Amazônia sempre sofreu com queimadas ligadas à exploração de terra. Mas como isso chegou tão longe? Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Desde 1.o de janeiro até a terça-feira [20.08.2019] foram contabilizados 74 155 focos, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. É o número mais alto desde que os registros começaram, em 2013. A última grande onda é de 2016, com 66 622 focos de queimadas nesse período. Combinado a períodos de seca severa, o desmatamento e a prática de queimadas podem gerar um saldo final incendiário. O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca não se mostra tão severa como nos anos anteriores e tampouco houve eventos climáticos extremos, como o El Niño, que justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio. Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem geralmente no mês de setembro. Ou seja: a mão do homem pesou, e muito, para a alta neste ano. (Vanessa Barbosa. “Inferno na floresta: o que sabemos sobre osincêndios na Amazônia”. https://exame.abril.com.br, 23.08.2019. Adaptado.) – 9 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 9 10 – P O R T U G U ÊS E 11. (FGV-2020) – Na organização das informações textuais, as expressões sublinhadas em “A razão não poderia ser pior: a Amazônia arde em chamas” (1.o parágrafo) e “Ou seja: a mão do homem pesou, e muito, para a alta neste ano” (4.o parágrafo) têm, respectivamente, a função de: a) ampliar o sentido do termo “pior”; concluir, em um enunciado comparativo, as informações precedentes. b) sintetizar o sentido da oração precedente; contestar, em um enunciado adversativo, as informações prece dentes. c) explicitar o sentido do termo “razão”; explicar, em um enunciado inferencial, as informações precedentes. d) contestar o sentido da oração precedente; comparar, em um enunciado conclusivo, as informações precedentes. e) retomar o exposto na expressão “não poderia ser pior”; ratificar, em um enunciado explicativo, as informações precedentes. RESOLUÇÃO: O trecho depois dos dois-pontos é aposto explicativo do termo antecedente “razão’. O texto trata das queimadas da Amazônia e do último período infere-se que há responsabilidade humana nessa tragédia. Resposta: C 12. (FGV-2020) – No período do quarto parágrafo “O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca não se mostra tão severa como nos anos anteriores e tampouco houve eventos climáticos extremos, como o El Niño, que justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio”, as orações sublinhadas estabelecem, respectivamente, sentido de: a) adversidade; comparação; causa. b) concessão; consequência; restrição. c) condição; consequência; explicação. d) adversidade; comparação; explicação. e) concessão; condição; consequência. RESOLUÇÃO: A primeira oração estabelece uma relação de oposição com a seguinte, expressa pela conjunção “porém”; “tão severa como nos anos anteriores” é uma com paração; “que justifiquem um aumento considerável nos foros de incêndio” é uma explicação da oração anterior. Resposta: D Leia um trecho da letra da canção “Amazônia”, de Roberto Carlos, para responder à questão 13. 13. (FGV-2020) – Os versos “Avalanches de desatinos / Numa ambição desmedida / Absurdos contra os destinos / De tantas fontes de vida” estão tematicamente relacionados à seguinte passagem do texto. “Inferno na floresta”: a) “Milhares de mensagens de alerta em diferentes línguas circulam nas redes sociais com a hashtag #PrayForAmazonia.” (1.o parágrafo) b) “Não há novidade no fenômeno em si. A Amazônia sempre sofreu com queimadas ligadas à exploração de terra.” (2.o parágrafo) c) “O que causa estranheza aos especialistas nos eventos de 2019, porém, é que a seca não se mostra tão severa” (4.o parágrafo) d) “Tampouco houve eventos climáticos extremos [...] que justifiquem um aumento considerável nos focos de incêndio.” (4.o parágrafo) e) “Além disso, os tempos de seca mais severos ocorrem geralmente no mês de setembro.” (4.o parágrafo) RESOLUÇÃO: Tanto o trecho do poema “Amazônia” quanto o texto “Inferno na floresta” denunciam a persistência das queimadas que destroem os biomas da Amazônia, visando “à exploração da terra”. Resposta: B AMAZÔNIA A lei do machado Avalanches de desatinos Numa ambição desmedida Absurdos contra os destinos De tantas fontes de vida Quanta falta de juízo Tolices fatais Quem desmata, mata Não sabe o que faz Como dormir e sonhar Quando a fumaça no ar Arde nos olhos de quem pode ver Terríveis sinais, de alerta, desperta Pra selva viver Amazônia, insônia do mundo Amazônia, insônia do mundo (www.vagalume.com.br) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 10 – 11 P O R T U G U ÊS E Examine o cartum de Steinberg, publicado em seu Instagram em 06.04.2019. 1. (UNESP-2020) – Para o cartunista, a diferença entre estar ou não estar de dieta limita-se a um sentimento de a) culpa. b) euforia. c) tristeza. d) vazio. e) satisfação. RESOLUÇÃO: O fato de o personagem manter o mesmo comportamento, estando ou não de dieta, indica que a dieta afeta apenas sua consciência, manifestada pelo sentimento de culpa, e não por suas atitudes. Resposta: A Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para responder à questão 2. 2. (UNESP-2020) – Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu sentido original, o seguinte verso: a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1.a estrofe) → Quem aquele prado fez tão diferente? b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2.a estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me esqueço. c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2.a estrofe) → Ali está mudado um monte em vale. d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1.a estrofe) → Tudo tem tomado outra natureza. e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3.a estrofe) → Nem troncos decadentes vejo agora. RESOLUÇÃO: A oração em ordem direta obedece ao seguinte esquema: sujeito + verbo + complemento verbal (objeto direto). A frase que se encontra nessa ordem é: “Tudo” (sujeito), “tem tomado” (locução verbal) e “outra natureza” (objeto direto). Resposta: D Texto para as questões 3 e 4. 3. (FUVEST-2020) – Considerando que se trata de um texto literário, uma interpretação que seja capaz de captar a sua complexidade abordará o poema como a) uma defesa da natureza. b) um ataque às forças armadas. c) uma defesa dos direitos humanos. d) uma defesa da resistência civil. e) um ataque à passividade. RESOLUÇÃO: A sociedade civil é metaforizada pela figura da “planta” que, apesar de sua aparente distração (sesta), é despertada pela pisada da bota, que, em linguagem conotativa representa o opressor, gradativamente fragilizado pela resistência civil, representada pela planta. Resposta: D 4. (FUVEST-2020) – O ditado popular que se relaciona melhor com o poema é: a) Para bom entendedor, meia palavra basta. b) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. c) Quem com ferro fere, com ferro será ferido. d) Um dia é da caça, o outro é do caçador. e) Uma andorinha só não faz verão. RESOLUÇÃO: No poema, a planta, que sofre a agressão, não se enfraquece, ao contrário, é a bota quem perde força a cada ofensiva, assim, chega-se ao provérbio expresso na alternativa b, o qual demonstra que a resiliência vence até mesmo elementos mais vigorosos. Resposta: B Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado, E em contemplá-lo, tímido, esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado; Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era; Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera! (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.) Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. Mas mais frágil fica a bota. (Gonçalo M. Tavares, 1: poemas.) *sesta: repouso após o almoço. 33 Sintaxe e Morfologia (III) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 11 12 – P O R T U G U ÊS E Texto para as questões 5 e 6. 5. (UNIFESP) – No período Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polí - cia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes, as palavras sublinhadas referem-se, respecti va mente, a) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito. b) à palavra mortes e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito. c) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra polícia e tem a função de objeto. d) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra ação e tem a função de sujeito. e) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra ação e tem a função de sujeito. RESOLUÇÃO: Os pronomes relativos em questão referem-se,respec tivamente, a parcela e a polícia e funcionam sintatica mente como sujeitos das orações que introduzem. Resposta: A 6. (UNIFESP) – Considere as afirmações. As ideias apresentadas no texto encontram-se em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. RESOLUÇÃO: O último parágrafo do texto apresenta as afirmações contidas em II e III. Resposta: D Tirinha para a questão 7. (Bill Watterson. In O mundo é mágico – As aventuras de Calvin e Haroldo. 2.ª Edição. São Paulo: Conrad Editora, 2010, p. 27.) 7. (FUVEST-transferência-2020) – O efeito de humor se depreende, principalmente, a) da interpretação de Calvin para o choro da mãe. b) do emprego de uma palavra complexa por uma criança. c) da ambiguidade contida na resposta dada pela mãe. d) do contraste entre a serenidade do filho e a emoção da mãe. e) do fato de a mãe assoar o nariz sobre a comida. Resposta: A Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais. Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002. A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, conside - rando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência. (Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.) I. A falta de empregos, a baixa remuneração e o déficit habita - cional raramente são compreendidos como forma de violência. II. O não-oferecimento de educação, saúde e transporte público a toda a população também pode ser visto como uma forma de violência. III. Uma briga de bar que resulta em morte é um ingre diente a mais a engrossar o caldo da violência no país. REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 12 Texto para as questões 8 e 9. 8. (UNICAMP-2020) – Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da conjunção adversativa seguido da expressão “a boa notícia é que” permite ao jornalista a) apontar a gravidade da notícia e compensá-la. b) expor a neutralidade da notícia e reforçá-la. c) minimizar a relevância da notícia e acentuá-la. d) revelar a importância da notícia e enfatizá-la. RESOLUÇÃO: A matéria apresentada ao vivo pela jornalista refere-se a uma situação de violência contra a mulher. O uso da conjunção adversativa “mas” anteposta à expressão “a boa notícia é que” indica oposição ao que foi expresso anteriormente sobre o ato praticado contra a mulher e seu estado físico, embora o efeito retórico da conjunção “mas” não minimize a gravidade da ação. Resposta: A 9. (UNICAMP-2020) – Para se referir a matérias jornalísticas televisivas que informam e, ao mesmo tempo, entretêm os espectadores, o autor cria um neologismo por meio de a) derivação prefixal. b) composição por justaposição. c) composição por aglutinação. d) derivação imprópria. RESOLUÇÃO: O enunciado refere-se a um neologismo usado pelo autor do texto: “infotenimento”. Essa palavra é formada a partir de “informação” e “entretenimento”, o que configura um processo de composição por aglutinação, surgindo daí um novo termo em que os dois significados coexistem. Resposta: C O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más notícias. (Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em https://cinegnose. Blogs pot.com/2019/02/ globo-adotaboa-noticia-e-que-para.html. Acessado em 01/03 /2019.) – 13 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 13 Texto para as questões 10 e 11. 10. (FGV-2020) – No texto, a variedade formal da língua, flagrada na passagem “Só mesmo no totalitarismo soviético, pensei, assistindo à série” (4.o parágrafo), coexiste com a variedade informal, presente em: a) “cientistas exasperados tentam convencer os superiores na usina e no governo soviético de que um dos reatores nucleares explodiu” (1.o parágrafo) b) “A resposta dos superiores, exemplar da estupidez surrealista de uma burocracia totalitária, é sempre a mesma: impossível, um ‘reator RBMK não explode.’” (2.o parágrafo) c) “Apenas quando a radioatividade é detectada na Suécia, Mikhail Gorbatchov encara seus ministros com uma expressão de ‘camarada, deu ruim…’” (3.o parágrafo) d) “Então fui ler na revista Piauí o trecho do livro A Terra inabitável: uma história do futuro, do jornalista David Wallace- Wells” (4.o parágrafo) e) “Impossível terminar as 11 páginas sobre o aquecimento global sem ficar apavorado feito um cientista em Chernobyl ”. (4.o parágrafo) RESOLUÇÃO: A expressão “deu ruim”, que indica que algo deu errado em “camarada, deu ruim”, marca a presença da variedade informal da língua. Resposta: C 11. (FGV-2020) – Nas expressões “cientistas exasperados”, “exemplar da estupidez surrealista” e “burocracia totalitária”, os termos sublinhados podem ser substituídos, sem alteração de sentido, respectivamente, por: a) exaltados; modelo; que não admite oposição. b) irritados; cópia; que abarca diferentes opiniões. c) desesperados; lição; que segue uma única ideia. d) excitados; base; que apregoa a subserviência. e) arrebatados; contraponto; que se presta à servidão. RESOLUÇÃO: Segundo o dicionário Houaiss, “exasperado” significa “exaltado, irritado”; “exemplar” significa “que pode servir de exemplo, de modelo”; totalitário “significa “que não admite divisão”, “regime político que, sem admitir qualquer forma legal de oposição, tolera apenas um partido, exigindo usualmente completa subserviência do cidadão ao Estado”. Resposta: A Nos dois primeiros episódios da série Chernobyl, da HBO, cientistas exasperados tentam convencer os superiores na usina e no governo soviético de que um dos reatores nucleares explodiu e está jorrando radioatividade sobre a Europa. A resposta dos superiores, exemplar da estupidez surrealista de uma burocracia totalitária, é sempre a mesma: impossível,um “reator RBMK não explode”. A posição oficial é que havia somente um pequeno incêndio no telhado. “Eu fui lá, eu vi!”, repetem os cientistas, um após o outro, antes de vomitarem, verterem sangue pelos poros ou caírem duros. Apenas quando a radioatividade é detectada na Suécia, Mikhail Gorbatchov encara seus ministros com uma expressão de “camarada, deu ruim...” — naquela altura, a radioatividade liberada já era superior à de vinte bombas de Hiroshima. Só mesmo no totalitarismo soviético, pensei, assistindo à série. Então fui ler na revista Piauí o trecho do livro A Terra inabitável: uma história do futuro, do jornalista David Wallace- Wells, que sairá pela Companhia das Letras no mês que vem. Impossível terminar as 11 páginas sobre o aquecimento global sem ficar apavorado feito um cientista em Chernobyl. (Antonio Prata. “Bem-vindos a Chernobyl”. www.folha.uol.com.br, 16.06.2019. Adaptado.) 14 – P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 14 Leia o texto de Carlos Ranulfo Melo para responder às questões 12 e 13. 12. (FAMERP) – No mundo contemporâneo, a representação política é a) o modo encontrado pelas democracias para, em sociedades grandes e com questões complexas, garantir a participação na vida pública de todo o eleitorado adulto. b) o caminho encontrado pelas democracias para garantir aos cidadãos os direitos especiais baseados na tradição e na origem de classe de cada eleitor. c) um discurso que, em sua superfície, defende a inclusão de todos os cidadãos no processo político, mas que esconde o interesse de perpetuar os processos de corrupção no Estado. d) uma alternativa viável, mas difícil de implantar, aos processos de corrupção que ocupam o Estado e todo o espaço público como se eles fossem propriedade privada. e) a maneira de eliminar a necessidade de uma Justiça Eleitoral, com poderes autônomos, o que geraria a possibilidade de corrupção no Estado. RESOLUÇÃO: As democracias atuais garantem a participação da sociedade nas representações políticas por meio dos processos eleitorais. Resposta: A 13. (FAMERP) – “Ao se dirigirem às urnas os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante um ato fundamental do Estado.” (1.° parágrafo) Em seu contexto, o verbo destacado, na forma em que foi empregado, indica uma ação a) usual, reiterada, no passado. b) habitual, regular. c) feita no instante em que o enunciado é apresentado. d) contínua, extensa, no presente. e) pontual, corriqueira, ordinária e sem importância. RESOLUÇÃO: A forma verbal “reafirmam” está no presente do indicativo e indica ação habitual, frequentativa em processo durativo. Resposta: B CORRUPÇÃO ELEITORAL As democracias contemporâneas são arranjos repre sentativos. A representação foi a “solução encontrada” para um dilema. Tão logo firmado o princípio da igualdade política entre os indivíduos, regimes políticos baseados na tradição, na origem de classe ou na condição de status perderam a legitimidade. Por outro lado, o tamanho das sociedades e a complexidade cada vez maior das questões em discussão – demandando acesso a informações, disponibilidade de tempo e condições de negociação – tornaram proibitiva a ideia de que todos participassem das decisões a serem coletivizadas. A escolha de um corpo de representantes em eleições livres, justas e periódicas – e que incluam a todo o eleitorado adulto – passou a ser algo que, sem esgotar a noção contemporânea de democracia, firmou-se como sua pedra angular. Ao se dirigirem às urnas os cidadãos reafirmam sua condição de igualdade perante um ato fundamental do Estado. Ao organizar as eleições e transformar os votos em postos executivos e/ou legislativos, o aparato institucional das democracias permite que, em maior ou menor grau, os mais diversos interesses, opiniões e valores sejam vocalizados no curso do processo decisório. Tal processo, no entanto, pode apresentar problemas que ameacem corromper o corpo político constituído, comprometendo sua legitimidade e diminuindo sua capacidade de oferecer à coletividade os resultados esperados. A corrupção eleitoral ou a reiterada incidência de fenômenos capazes de desvirtuar o processo de constituição de um corpo de representantes sempre significou um problema para as democracias. A condição para que seu enfrentamento se tornasse possível foi a constituição de uma Justiça Eleitoral dotada de autonomia face aos poderes político e econômico, com recursos suficientes para organizar e poderes necessários para regulamentar os processos eleitorais. Mas mesmo as democracias consolidadas não conseguiram impedir de forma cabal que determinados interesses pudessem, utilizando os recursos que tivessem à mão, obter vantagens diferenciadas em função de sua participação nas eleições. (Corrupção, 2008. Adaptado.) – 15 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 15 16 – P O R T U G U ÊS E Texto para a questão 1. 1. (FUVEST-2020) – O trecho que melhor define a “incompreensão fundamental” (L.6) referida pela autora é: a) “não que eu buscasse respostas para tudo” (L.6-7). b) “não tinha consciência de mim” (L.8). c) “Por que eu ficava isolada na hora do recreio” (L.11). d) “me esforçando para não ser notada” (L.15). e) “sentia vergonha de levantar a mão” (L.9). RESOLUÇÃO: O trecho que melhor define a “incompreensão funda men tal” a que se refere a autora é “não tinha cons ciência de mim”, uma vez que a afirmação expressa o desconhecimento de sua condição de mulher e negra. Resposta: B Leia a charge do cartunista Duke para responder à questão 2. (www.otempo.com.br) 2. (FAMEMA-2020) – Nas perguntas do médico “Tem praticado atividades físicas? Mudou hábitos alimentares?”, o sujeito das orações remete a “você”. Se os sujeitos fossem “atividades físicas” e “hábitos alimentares”, essas perguntas assumiriam, em conformidade com a norma-padrão, a seguinte redação: a) Têm sido praticado atividades físicas? Mudaram-se hábitos alimentares? b) Vêm-se praticando atividades físicas? Mudou-se hábitos alimentares? c) Têm sido praticadas atividades físicas? Mudaram hábitos alimentares? d) Atividades físicas tem sido praticadas? Mudou-se hábitos alimentares? e) Atividades físicas vem sendo praticadas? Mudou hábitos alimentares? RESOLUÇÃO: Considerando que “atividades físicas” e “hábitos alimentares” são sujeitos, os verbos devem ficar no plural. A primeira oração está na voz passiva analitica sendo “atividades físicas” o sujeito paciente. A segunda oração está na voz ativa, com sujeito posposto ao verbo. Resposta: C O feminismo negro não é uma luta meramente identitária, até porque branquitude e masculinidade também são identidades. Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos. Hoje afirmo isso com muita tranquilidade, mas minha experiência de vida foi marcada pelo incômodo de uma incompreensão fundamental. Não que eu buscasse respostas para tudo. Na maior parte da minha infância e adolescência, não tinha consciência de mim. Não sabia por que sentia vergonha de levantar a mão quando a professora fazia uma pergunta já supondo que eu não saberia a resposta. Por que eu ficava isolada na hora do recreio. Por que os meninos diziam na minha cara que não queriam formar par com a “neguinha” na festa junina. Eu me sentia estranha e inadequada, e, na maioria das vezes, fazia as coisas no automático, me esforçando para não ser notada. (Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 44 Sintaxe e Morfologia (IV) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 16 Textos para a questão 3. 3. (UNICAMP-2020) – Considerando o tweet e o texto acima, é correto afirmar que a atleta a) enfrentou o time adversário com chuteiras pretas, mesmo que não tenha sido influenciada pelo futebol “raiz”. b) usou chuteiras sem logotipo e luta pela igualdade de gênero no esporte, mesmo sendo considerada seis vezes a melhordo mundo. c) não recebeu patrocínio de nenhuma grande empresa, embora a chuteira preta sem logotipo simbolize o futebol “raiz”. d) optou por lutar contra o machismo no esporte, embora as propostas de patrocínio não tenham considerado seu valor. RESOLUÇÃO: Ambos os textos salientam a desigualdade de gênero no futebol feminino, a partir do fato de Marta, seis vezes eleita como a melhor jogadora do mundo, não ter recebido uma proposta de patrocínio que fizesse jus à sua relevância no esporte, em comparação aos patrocínios milionários dos jogadores de futebol masculino. Resposta: B Textos para a questão 4. 4. (UNICAMP-2020) – Considerando a relação entre os textos I e II, conclui-se que a charge a) resgata a temática do cordel, rompendo com o impasse vivido pelos personagens. b) reafirma o dilema dos personagens da peça, parafraseando os versos iniciais do cordel. c) evidencia a tradição popular nordestina, utilizando a imagem para sofisticar os versos. TEXTO I TEXTO II O que levou Marta, seis vezes a melhor do mundo, a enfrentar a Austrália de chuteiras pretas? Adianto, não foi o futebol “raiz”. Marta não fechou patrocínio com nenhuma das gigantes do mercado esportivo. Não recebeu nenhuma proposta à altura do seu futebol. Isso diz muito sobre o machismo no esporte. A partir disso, a atleta decidiu calçar a luta pela diversidade. (Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/06/chuteira-sem-logo-e-com- simbolo-de-igualdade-de-genero-foi-mais-um-golaco-de-marta/. Acessado em 18/06/2019.) TEXTO I Leia os versos iniciais da peça Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come (1966), de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar. Em formato de cordel, os versos são cantados por todos os atores. Se corres, bicho te pega, amô. Se ficas, ele te come. Ai, que bicho será esse, amô? Que tem braço e pé de homem? Com a mão direita ele rouba, amô, e com a esquerda ele entrega; janeiro te dá trabalho, amô, dezembro te desemprega; de dia ele grita "avante”, amô, de noite ele diz: "não vá": Será esse bicho um homem, amô, ou muitos homens será? (Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, p. 3.) TEXTO II Observe a charge de Laerte que fez parte da mostra Maio na Paulista, em 2019. (Laerte, Exposição Maio na Paulista, de Laerte e Angeli, 2019. Disponível em https://gq.globo.com/Cultura/ noticia/2019/05/ laerte-e- angeli-participam-de-exposicao-ao-arlivre-na-avenida-paulista.html. Acessado em 02/06/2019.) – 17 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 17 18 – P O R T U G U ÊS E d) confirma a força transformadora da versificação popular, reproduzindo-a em imagens. RESOLUÇÃO: A máxima popular “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come” foi empregada nos dois textos, embora no texto I haja um impasse que é solucionado no último quadrinho do texto II. Se no primeiro texto, o casal não encontra solução para uma situação adversa; na charge, a representação da união dos trabalhadores sugere uma força de enfrentamento que afugenta o impasse: “se unir o bicho foge”. Resposta: A Texto para as questões de 5 a 7. 5. (FUVEST-transferência-2020) – O estilo e os recursos linguísticos utilizados na construção do texto caracterizam-no como próprio do gênero a) crônica. b) editorial. c) artigo de divulgação científica. d) relatório de pesquisa. e) ensaio. Resposta: A 6. (FUVEST-transferência-2020) – A conexão exercida pelo “que” em “pesquisadores da USP observaram que moradores do interior tanto do Brasil quanto de Portugal” (L. 34-36) também é encontrada, da mesma maneira, em a) “... que fazem o urubu de São Paulo ” (L. 2-3). b) “... que parece valer por dois ou três” (L. 8-9). c) “... que veio com os portugueses” (L. 22). d) “... que o S chiado” (L. 25). e) “... que os portugueses” (L. 26). Resposta: D 7. (FUVEST-transferência-2020) – Em “Mesmo os portugueses não eram originais: os especialistas argumentam que o S chiado, que faz da esquina uma shquina, veio dos nobres franceses, que os portugueses admiravam.” (L. 24-26), os dois pontos estabelecem a mesma relação expressa por: a) haja vista que. b) contanto que. c) conquanto que. d) de modo que. e) enquanto que. Resposta: A ORA POIS, UMA LÍNGUA BEM BRASILEIRA A expansão do português no Brasil, as variações regionais com suas possíveis explicações, que fazem o urubu de São Paulo ser chamado de corvo no Sul do país, e as raízes das inovações da linguagem estão emergindo por meio do trabalho de cerca de 200 linguistas. De acordo com estudos da Universidade de São Paulo (USP), uma inovação do português brasileiro, por enquanto sem equivalente em Portugal, é o R caipira, às vezes tão intenso que parece valer por dois ou três, como em porrrta ou carrrne. Associar o R caipira apenas ao interior paulista, porém, é uma imprecisão geográfica e histórica, embora o R desavergonhado tenha sido uma das marcas do estilo matuto do ator Amácio Mazzaropi em seus 32 filmes, produzidos de 1952 a 1980. Seguindo as rotas dos bandeirantes paulistas em busca de ouro, os linguistas encontraram o R supostamente típico de São Paulo em cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e oeste de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, formando um modo de falar similar ao português do século XVIII. Quem tiver paciência e ouvido apurado poderá encontrar também na região central do Brasil – e em cidades do litoral – o S chiado, uma característica hoje típica do falar carioca que veio com os portugueses em 1808 e era um sinal de prestígio por representar o falar da Corte. Mesmo os portugueses não eram originais: os especialistas argumentam que o S chiado, que faz da esquina uma shquina, veio dos nobres franceses, que os portugueses admiravam. A história da língua portuguesa no Brasil está trazendo à tona as características preservadas do português, como a troca do L pelo R, resultando em pranta em vez de planta. Camões registrou essa troca em Os Lusíadas – lá está um frautas no lugar de flautas – e o cantor e compositor paulista Adoniran Barbosa a deixou registrada em diversas composições, em frases como “frechada do teu olhar”, do samba Tiro ao Álvaro. Em levantamentos de campo, pesquisadores da USP observaram que moradores do interior tanto do Brasil quanto de Portugal, principalmente os menos escolarizados, ainda falam desse modo. Carlos Fioravanti. “Ora pois, uma língua bem brasileira”. Pesquisa FAPESP, 04/2015, ed. 230. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 18 Leia o texto de Luiz Eduardo Soares para responder às questões 8 e 9. 8. (FAMERP-2020) – A “diferença importante”, citada no último período do texto, corresponde a) à distância entre as posições sociais do traficante e do Secretário de Segurança. b) à alegação do traficante de que ele não seria um bandido, mas um comerciante. c) ao respeito com que o traficante tratou o Secretário de Segurança. d) à maneira cordial como os traficantes tratam a comunidade onde vivem. e) ao modo seguro como o traficante se dirigia ao Secretário da Segurança. RESOLUÇÃO: O traficante da Rocinha, Luciano, considera-se um comerciante na mensagem que escreve à autoridade pública. Essa é a distinção que o emissor faz, não se considera transgressor do código penal. Resposta: B 9. (FAMERP-2020) – A frase “A violência, ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus negócios” expressa uma opinião a) do autor do texto, baseada no relato de Luciano. b) do autor do texto, baseada em relatos da comunidade em que Luciano vivia. c) da comunidade em que Luciano vivia. d) de Luciano, sobre a qual o autor faz ponderações. e) de Luciano, com a qual o autor do texto concorda. RESOLUÇÃO: Luiz Eduardo Soares reflete sobre as justificativasdo traficante em relação à violência empregada para manter o domínio sobre o comércio ilegal de drogas. Considera esse ponto de vista idealizado, edulcorado. Resposta: D Considere a tirinha Garfield, de Jim Davis. (www.folha.uol.com.br) 10. (FAMERP-2020) – O pronome “este”, no terceiro quadrinho, a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão. b) retoma o sentido das palavras “o mundo”. c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem. d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se realizaria. e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”. RESOLUÇÃO: O pronome demonstrativo este refere-se ao que está próximo da pessoa que fala, no caso, o tempo presente para Garfield, em que ele alude a um intervalo (3.o quadrinho) porque nada acontece, ou seja, não há diversão (1.o quadrinho). Resposta: A Logo depois que assumi a Secretaria Nacional de Segurança, em 2003, recebi, por vias transversas, uma mensagem de Luciano, da Rocinha. Ele desejava deixar a vida de traficante e viajar para longe. Tinha chegado à conclusão de que seu caminho era a perdição: morreria cedo, de modo cruel, em mãos inimigas. Queria começar de novo e pedia uma chance. Tratara com respeito a comunidade, que era, afinal de contas, sua família. A violência, ele a usara apenas na medida necessária à proteção de seus negócios. Esse era seu ponto de vista, sem dúvida demasiado edulcorado. Não obstante a possível autoidealização, o fato é que explicitá-la, naquele contexto, não deixava de ser significativo, indicando a valorização positiva do lado certo da vida. Era um negociante clandestino, dizia, não um criminoso selvagem: alguns traziam uísque do Paraguai; ele vendia outras drogas. Reivindicava uma diferença importante, no mundo do crime carioca. (Cabeça de porco, 2005.) – 19 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 19 Texto para a questão 11. 11. (UNICAMP-2020) – Considerando que a comparação entre modos de falar pode ser fonte de preconceito, o exemplo citado por uma das personagens da crônica a) reforça o preconceito em relação às turmas de jovens de um mesmo bairro, com base nos significados de “amostrado” e “exibido”. b) explicita o preconceito, valendo-se de “amostrado” e “exibido” para distinguir dois grupos de jovens do mesmo bairro. c) dissimula o preconceito e reconhece que “se amostrar” é, de fato, um verbo que não está de acordo com as normas gramaticais. d) refuta o preconceito e confirma o desconhecimento da regra de formação do particípio passado do verbo “se amostrar”. RESOLUÇÃO: Na crônica de Cidinha da Silva, um dos personagens, ao exemplificar a sutileza da diferença entre amostrar e exibir, evidencia não só o preconceito linguístico, mas também social entre jovens de um mesmo bairro: vendedores de um shopping x meninos dos rolezinhos. Resposta: B Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder às questões de 12 a 14. 12. (ALBERT EINSTEIN-2020) – O trecho “Só rindo. Esses caras são engraçados” (3.° parágrafo) sugere que o narrador considera a pergunta do dentista a) irrelevante. b) dissimulada. c) ambígua. d) ofensiva. e) divertida. RESOLUÇÃO: O narrador considera que ter deixado os dentes chegarem a um estado deplorável era irrelevante diante de sua precariedade financeira e existencial. Resposta: A — Pela milionésima vez, por favor, “se amostrar” não existe. Não pega bem usar uma expressão incorreta como essa. — Ora veja, incorreto para mim é o que não faz sentido, “se amostrar” faz sentido para boa parte do país. — Por que você não usa um sinônimo mais simples da palavra? Que tal “exibido”? Todo mundo conhece. — Não dá, porque quem se exibe é exibido, quem se amostra é amostrado. Por exemplo: quando os vendedores de shopping olham com desprezo para os meninos dos rolezinhos e moram no mesmo bairro deles, são exibidos. Eles acham que a roupa de vendedor faz deles seres superiores. Por outro lado, as meninas e os meninos dos rolezinhos vão para os shoppings para se amostrar uns para outros, e são, portanto, amostrados. Percebeu a sutileza da diferença? — Entendo, mas está errado. — Como é que está errado se você entende? Você não aceita a inventividade linguística do povo. “Amostrar” é verbo torto no manual das conjugações e “amostrado” é particípio de amostra grátis! Captou? (Adaptado de Cidinha da Silva, Absurdada. Disponível em http://notarodape. blogspot. com/ search/label/Cotidiano. Acessado em 22/05/2019.) Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco. Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado. Só rindo. Esses caras são engraçados. Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente. Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros. Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse. Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta. Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […]. Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro! (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.) 20 – P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 20 13. (ALBERT EINSTEIN-2020) – “Ele [...] perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado” (2.° parágrafo) Ao se transpor o trecho para o discurso direto, o termo sublinhado assume a seguinte forma: a) deixaria. b) deixa. c) deixou. d) deixava. e) deixara. RESOLUÇÃO: A questão propõe que o trecho transcrito seja transposto para o discurso direto, que tem como sua característica principal a reprodução de maneira direta e literal do diálogo, introduzido por travessão. Assim, a transposição do trecho “ele perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado” se daria pela ação direta e pontual do verbo: “Ele perguntou: — Como você deixou seus dentes ficarem nesse estado?” Resposta: C 14. (ALBERT EINSTEIN-2020) – O primeiro verbo atribui ideia de futuro ao segundo na locução verbal sublinhada em: a) “Fui andando em direção à porta” (8.° parágrafo). b) “Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração” (9.° parágrafo). c) “Todos eles estão me devendo muito” (9.° parágrafo). d) “Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente” (1.° parágrafo). e) “o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros” (4.° parágrafo). RESOLUÇÃO: No texto, as alternativas a e b referem-se a fatosvivenciados no passado. Em c, o verbo indica um evento em presente durativo. Em d, é uma ação em processo. Assim, a alternativa e traz o verbo “ir” no presente, indicando, na locução verbal, ação que ocorrerá no futuro. Resposta: E – 21 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 21 22 – P O R T U G U ÊS E Leia o soneto “Aquela triste e leda madrugada”, do poeta português Luís de Camões (c. 1524-1580), para responder aos testes 1 e 2: 1. (UNIFESP) – O pronome “ela”, que se repete no início de três estrofes, refere-se a a) “piedade”. b) “mágoa”. c) “saudade”. d) “claridade”. e) “madrugada”. RESOLUÇÃO: O pronome “ela” retoma o termo “madrugada”, expresso no primeiro verso do soneto. Resposta: E 2. (UNIFESP) – Observa-se a elipse (supressão) do termo “vontade” no verso: a) “viu apartar-se de uma outra vontade” (2.a estrofe) b) “cheia toda de mágoa e de piedade” (1.a estrofe) c) “quero que seja sempre celebrada” (1.a estrofe) d) “Ela só viu as lágrimas em fio” (3.a estrofe) e) “que puderam tornar o fogo frio” (4.a estrofe) RESOLUÇÃO: No verso apresentado na alternativa a, há elipse do primeiro emprego da palavra “vontade”: “viu apartar-se de uma [vontade] outra vontade”. Resposta: A Texto para o teste 3. 3. (UNICAMP-2020) – Considerando-se o segundo “Sermão de Quarta-Feira de Cinza” (1673), de Antônio Vieira, é correto afirmar que a presunção de confiança por parte do auditório cristão do século XVII decorre da a) habilidade política do pregador. b) atenção disciplinada dos ouvintes. c) crença na salvação e na danação eternas. d) defesa institucional da Igreja Católica feita pelo clero. RESOLUÇÃO: O texto de Olivier Reboul aborda o conceito de verossimilhança, o aspecto de veracidade como resultado da confiança que decorre de se presumir como verdadeira uma premissa. Nesse sentido, a credibilidade do segundo “Sermão de Quarta-Feira de Cinza” é garantida por ideias preconcebidas que fazem parte da crença dos ouvintes: a salvação eterna para os virtuosos, os que se afastam dos valores terrenos, e a condenação ao inferno para os pecadores, os que se apegam a valores mundanos. Um público que não acreditasse nessas ideias não seria convencido pelo sermonista. Resposta: C Aquela triste e leda madrugada, cheia toda de mágoa e de piedade, enquanto houver no mundo saudade quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada saía, dando ao mundo claridade, viu apartar-se de uma outra vontade, que nunca poderá ver-se apartada. Ela só viu as lágrimas em fio que, de uns e de outros olhos derivadas, se acrescentaram em grande e largo rio. Ela viu as palavras magoadas que puderam tornar o fogo frio, e dar descanso às almas condenadas. (Sonetos) O que é então o verossímil? Para encurtar: tudo aquilo em que a confiança é presumida. Por exemplo, os juízes nem sempre são independentes, os médicos nem sempre capazes, os oradores nem sempre sinceros. Mas presume-se que o sejam; e, se alguém afirmar o contrário, cabe-lhe o ônus da prova. Sem esse tipo de presunção, a vida seria impossível; e é a própria vida que rejeita o ceticismo. (REBOUL, Olivier. Introdução à Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 97-98.) 55 Literatura e Análise de Textos Literários – I REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 22 Texto para os testes 4 e 5. 4. Padre Antônio Vieira é um autor que possui um estilo próprio, e o trecho acima apresenta dois elementos desse estilo que são constantes não só no texto do qual foi retirado, mas também nos outros dois sermões que Vieira planejou para a Quarta-Feira de Cinzas, a saber: a) o jogo de contrastes e a reinterpretação da Bíblia. b) a oposição semântica e o paralelismo sintático. c) o padrão cultista ou gongórico e o antidogmatismo. d) a interrogação retórica e a reiteração constante. RESOLUÇÃO: O estilo de Vieira é marcado pelo uso de interrogações ou perguntas retóricas, que servem para orientar a exposição das ideias de seus sermões, como se percebe nos três sermões de Quarta-Feira de Cinza. É o que ocorre, por exemplo, em “como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o contrário?”, “O pó vive?”, “Pois como é pó o vivente?”, “O pó sente?”, “Pois como é pó o sensitivo?”, “O pó entende e discorre?”. Outro traço de estilo de sua prosa é o emprego da reiteração — veja-se a repetição do termo “pó” —, que serve para encaminhar a progressão do assunto, bem como manter a unidade temática. Resposta: D 5. Os três sermões que Vieira compôs para a Quarta-Feira de Cinzas são coerentes com o espírito do Barroco, pois desenvolvem como tema a) a submissão da política imperialista portuguesa aos ditames do Cristianismo. b) o ataque às vaidades e a pregação sobre os desenganos e a efemeridade da vida. c) a enumeração dos riscos de uma riqueza alienada dos problemas da sociedade. d) o niilismo existencial diante do caráter inútil das atividades humanas. RESOLUÇÃO: “O Sermão de Quarta-Feira de Cinza” (tanto o de 1672, quanto o de 1673, assim como o que não foi proferido) tematiza a efemeridade da vida, metaforizada na imagem bíblica do pó. Coerente com essa concepção é a ideia de que a existência estaria, portanto, vulnerável às vaidades, a valores que costumeiramente são enaltecidos, mas que, no fundo, são vãos. A vida apegada ao mundo terreno seria, na visão do Cristianismo, errada. A tomada de consciência dessa falha configura o desengano, outro tema caro ao Barroco. A vida deve ser ascética, uma preparação para a eternidade, para o pós-morte. Resposta: B (...) De sorte que, para eu crer que hei de ser pó, não é necessário fé, nem entendimento, basta a vista. Mas que me diga, e me pregue hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que não só hei de ser pó de futuro, senão que já sou pó de presente: Pulvis es? como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o contrário? É possível que estes olhos que veem, estes ouvidos que ouvem, esta língua que fala, estas mãos e estes braços que se movem, estes pés que andam e pisam, tudo isto já hoje é pó: Pulvis es? Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento homo. A Igreja diz-nos que supõe que sou homem; logo não sou pó. O homem é uma substância vivente, sensitiva, racional! O pó vive? Não. Pois como é pó o vivente? O pó sente? Não. Pois como é pó o sensitivo? O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o racional? Enfim, se me concedem que sou homem: Memento homo, como me pregam que sou pó: Quia pulvis es? (VIEIRA, Antônio. “Sermão de Quarta-Feira de Cinza – Ano de 1672”. In: A Arte de Morrer. São Paulo: Nova Alexandria, 1994. p. 48.) – 23 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 23 24 – P O R T U G U ÊS E Textos para o teste 6. 6. (FUVEST-2020) – O soneto de Gregório de Matos e o samba de Noel Rosa, embora distantes na forma e no tempo, aproximam-se por ironizarem a) o processo de composição do texto. b) a própria inferioridade ante o retratado. c) a singularidade de um caráter nulo. d) o sublime que se oculta na vulgaridade. e) a intolerância para com os gênios. RESOLUÇÃO: Gregório de Matos compõe um soneto que deveria elogiar “certa personagem desvanecida”, mas, ironicamente, não há o que elogiar, pois se trata de uma pessoa presunçosa, além de nula, vazia. A letra de Noel Rosa aproxima-se do sentido do soneto de Gregório de Matos, por se referir a um indivíduo que, de tanto assimilar todos os tipos, é alguém nulo (um “tipo zero”), sendo justamente essa sua singularidade. Resposta: C A CERTA PERSONAGEM DESVANECIDA Um soneto começo em vosso gabo: louvor Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo; A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã canseira, grande E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Gabando-vos a vós, eeu fico um rei. Nesta vida um soneto já ditei; Se desta agora escapo, nunca mais: Louvado seja Deus, que o acabei. (Gregório de Matos) TIPO ZERO Você é um tipo que não tem tipo Com todo tipo você se parece E sendo um tipo que assimila tanto tipo Passou a ser um tipo que ninguém esquece Quando você penetra num salão E se mistura com a multidão Você se torna um tipo destacado Desconfiado todo mundo fica Que o seu tipo não se classifica Você passa a ser um tipo desclassificado Eu até hoje nunca vi nenhum Tipo vulgar tão fora do comum Que fosse um tipo tão observado Você ficou agora convencido Que o seu tipo já está batido Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado (Noel Rosa) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 24 Texto para os testes 7 e 8. 7. Considerando o poema, assinale a alternativa correta. a) O eu lírico imprime certa temporalidade — antes e depois do relacionamento amoroso — à sua compreensão do ciúme: num primeiro momento, “caos”, “labirinto”, “desengano”; em seguida, “sono brando”, “certeza”, “verdade”. b) A 3.ª estrofe é marcada pela presença de polos antagônicos — “certeza”, “bem” x “desengano”, “dano” —, que se aproximam e se confundem num jogo retórico de aniquilamento das certezas. c) A última estrofe repõe imagens e preceitos apresentados em estrofes anteriores — tais como “labirinto”, “Babel”, “bem” e “dano” —, sob a óptica da superação dos contrastes e consequente apaziguamento. d) Os verbos no gerúndio — “penando”, “vivendo” e “sonhando” — remetem ao passado, o que confere certo distanciamento do eu lírico em relação aos sofrimentos amorosos outrora experimentados. e) Remontando ao conceptismo barroco ao qual está ligado, nesse soneto Gregório de Matos faz emergir certeza e verdade do que outrora se apresentava como um labirinto confuso de desconfianças. RESOLUÇÃO: Em sua tentativa de definir o ciúme, o eu lírico lança mão de polos antagônicos — “certeza”, “bem” x “desengano”, “dano” — que se aproximam e se confundem num jogo retórico de aniquilamento das certezas, como se nota, por exemplo, na chave de ouro: “E cega presunção para verdade.” Resposta: B 8. Observa-se no soneto: a) inexistência de antítese num mesmo verso. b) invocação da amada logo no primeiro verso. c) pleonasmo em “caos confuso”. d) paralelismo sintático nos dois últimos versos de cada estrofe. e) ausência de linguagem conotativa, como exemplifica “Babel”. RESOLUÇÃO: Ocorre pleonasmo estilístico em “caos confuso”, o que contribui para a ênfase que o eu lírico pretende dar a seu conturbado estado de alma. Resposta: C DESCREVE COM GALHARDA PROPRIEDADE O LABIRINTO CONFUSO DE SUAS DESCONFIANÇAS Ó caos confuso, labirinto horrendo, Onde não topo luz, nem fio achando; Lugar de glória, aonde estou penando; Casa da morte, aonde estou vivendo! Oh voz sem distinção, Babel tremendo; Pesada fantasia, sono brando; Onde o mesmo que toco, estou sonhando; Onde o próprio que escuto, não o entendo. Sempre és certeza, nunca desengano; E a ambas pretensões com igualdade, No bem te não penetro, nem no dano. És ciúme martírio da vontade; Verdadeiro tormento para engano; E cega presunção para verdade. (MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. Sel. e org. de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 219.) – 25 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 25 26 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 1. 1. (ALBERT EINSTEIN) – O movimento a que o texto se refere é o a) Simbolismo. b) Realismo. c) Arcadismo. d) Romantismo. e) Modernismo. RESOLUÇÃO: O movimento romântico surge na Europa em meio às transformações sociais trazidas pela ascensão da burguesia e pela industrialização. Relacionada também com o movimento alemão Sturm und Drang (“Tempestade e Ímpeto”) e com os ideais da Revolução Francesa, essa nova estética é um protesto cultural contra a aristocracia e a arte dessa classe, o Arcadismo ou Neoclassicismo. No Brasil, o Romantismo desenvolve-se em meio a uma sociedade escravocrata, a uma burguesia nascente e no contexto da recente independência do País. Por isso, enfatizam-se idealmente questões ligadas ao processo de formação da identidade nacional, omitindo-se nossas mazelas. Resposta: D Texto para o teste 2. 2. (FAMERP-2020) – As três lacunas do texto são preenchidas por: a) urbano – românticos – Manuel Antônio de Almeida b) indianista – românticos – José de Alencar c) urbano – naturalistas – Aluísio Azevedo d) urbano – românticos – José de Alencar e) indianista – naturalistas – Aluísio Azevedo RESOLUÇÃO: O excerto de Antônio Cândido refere-se aos vários tipos de romance do Romantismo no Brasil: regionalista, de costumes, histórico e indianista. O prosador mais destacado da estética romântica, e que passou por todas essas vertentes, foi José de Alencar. Resposta: B Quanto à matéria, o romance brasileiro nasceu regionalista e de costumes; ou melhor, pendeu desde cedo para a descrição dos tipos humanos e formas de vida social nas cidades e nos campos. O romance histórico se enquadrou aqui nesta mesma orientação; o romance _______________ constituiu desenvolvimento à parte, do ponto de vista da evolução do gênero, e corresponde a certas necessidades, poéticas e históricas, de estabelecer um passado heroico e lendário para a nossa civilização, a que os __________________ desejavam, numa utopia retrospectiva, dar tanto quanto possível traços autóctones. A figura dominante do período, ________________________, passou por todas essas vertentes e em todas deixou boas obras. (Antônio Cândido, Formação da Literatura Brasileira, adaptado) Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista. (Paul Teyssier, Dicionário de Literatura Brasileira – adaptado) 66 Literatura e Análise de Textos Literários – II REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 26 Textos para os testes 3 e 4. 3. Segundo os textos lidos, pode-se inferir que a relatividade entre a verdade e a fantasia presente desde a epígrafe de A Relíquia, de Eça de Queirós, atinge níveis mais profundos ao longo do romance devido à/ao a) trajetória do próprio protagonista e de outras personagens, que se dividem entre o jogo de aparências, que mal dissimulam, e seus interesses caricaturalmente escusos. b) alternância de vozes narrativas no relato da saga de Teodorico, repleta de fracassos e de falta de ética, apesar de um desfecho em que o protagonista tem consciência de que a verdade prevalece no mundo. c) fato de o romance denunciar as mazelas da sociedade lusa, seguindo o estilo naturalista e, assim, excluindo o onírico. d) ausência de características da farsa demolidora e ridicularizadora, já que o estilo desse livro evita o jocoso, o anticlímax risível. e) distanciamento da tradição da novela picaresca do século XVI, já que a objetividade do narrador onisciente exclui o depoimento pessoal do órfão desvalido. RESOLUÇÃO: A única alternativa que se refere de modo claro e direto ao aprofundamento da representação e reflexão sobre a “relatividade entre a realidade e a fantasia” é a alternativa a, ao mencionar o jogo entre “aparências, que mal dissimulam, e seus interesses caricaturalmente escusos” na vida do protagonista e das demais personagens. Resposta: A 4. A interpretação da epígrafe do romance à luz da reflexão formulada por Teodorico no último parágrafo do livro permite inferir que a) o protagonista não lastima a falta de argumentos falsos numa situação de impostura. b) a falácia impera no mundo, desde que construída com certa verossimilhança. c) a verdade sempre se impõe, apesar de a mentira ter uma duração maior do que merece. d) no mundonem tudo é burla, e, no conjunto das religiões e ciências, predomina o que é verdadeiro. e) o desfecho não é irônico, contrariando uma característica fundamental desse romance. RESOLUÇÃO: A epígrafe “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”, relacionada ao fecho do livro, permite inferir que a mentira, articulada com certa verossimilhança, pode se tornar uma verdade dogmática, seja na religião, seja na ciência. Resposta: B As palavras que servem de pórtico para o livro, “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”, expressam a opção de fazer referência à verdade sempre tendo em mente sua realização artística. Ou seja, para falar sobre a verdade, não se pode esquecer o lirismo. O problema que essas palavras colocam é essencial na obra: fantasia e verdade estão juntas, e às vezes é muito difícil distingui-las. Isto significa que é quase impossível saber a verdade sobre o mundo, porque essa verdade é sempre relativa. (COUTO, Fernando Marcílio Lopes. “Apresentação”. In: EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 23.) Assim ficavam saciadas as minhas ambições sociais. E quem sabe? Bem poderiam ficar também satisfeitas as ambições intelectuais que me pegara o douto Topsius. Porque talvez a ciência, invejosa do triunfo da fé, reclamasse para si esta camisa de Maria de Magdala, como documento arqueológico... Ela poderia alumiar escuros pontos, na história dos costumes contemporâneos do Novo Testamento — o feitio das camisas na Judeia no primeiro século, o estado industrial das rendas da Síria sob a administração romana, a maneira de abainhar entre as raças semíticas... Eu surgiria, na consideração da Europa, igual aos Champollions, aos Topsius, aos Lepsius, e outros sagazes ressuscitadores do passado. A academia logo gritaria — “A mim, o Raposo!” Renan, esse heresiarca sentimental, murmuraria — “Que suave colega, o Raposo!” Sem demora se escreveriam sobre a camisa da Mary sábios, ponderosos livros em alemão, com mapas da minha romagem em Galileia... E eis-me aí benquisto pela Igreja, celebrado pelas universidades, com o meu cantinho certo na bem-aventurança, a minha página retida na história começando a engordar pacificamente dentro dos contos do G. Godinho! E tudo isso perdera! Por quê? Porque houve um momento em que me faltou esse descarado heroísmo de afirmar, que batendo na terra com o pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao céu — cria, através da universal ilusão, ciência e religiões. (EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 348.) – 27 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 27 28 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 5. 5. Tal como representado no fragmento lido, o destino socioeconômico alcançado pelo protagonista Teodorico contrasta de modo mais completo com a maneira pela qual culmina a trajetória de vida da personagem a) Buell Quain, de Nove Noites. b) Manoel Perna, de Nove Noites. c) Julião Tavares, de Angústia. d) Dona Tonica, de Quincas Borba. e) Rubião, de Quincas Borba. RESOLUÇÃO: No final de A Relíquia, fica claro que Teodorico atingiu seu objetivo, pois, embora tenha perdido a herança da tia Maria do Patrocínio, conseguiu ascender socioeconomicamente ao se casar com Jesuína, passando a ser “comendador e proprietário”. Rubião, ao contrário, é manipulado e destruído material e mentalmente ao migrar para a sociedade do Rio de Janeiro burguês e afrancesado. Desse modo, é evidente a contraposição dos dois protagonistas citados, devido não só à oposição no desfecho de seus destinos, mas também à coincidência dos contextos social e literário representados por Eça de Queirós e Machado de Assis. Resposta: E Texto para o teste 6. 6. Considerando esse excerto e o contexto do romance A Relíquia, analise as proposições a seguir: I. Rabi Jeschoua é Jesus Cristo, que, na sequência do episódio, será julgado e condenado à morte, havendo, assim, intertextualidade com texto religioso. II. Em “espadas romanas”, pode-se notar uma relação de contiguidade, pois é usada a parte, a espada, pelo todo, o soldado romano que empunha a espada. III. Nos sonhos de Teodorico, há recorrentemente a figura de Cristo, excluindo-se a presença de Satanás no mundo terreno. O mundo material é submetido ao poder divino. Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III. d) I e II. e) III, apenas. RESOLUÇÃO: O item III é incorreto, pois há no romance um sonho de Teodorico em que, durante a ascensão de Cristo, se vê Satanás dizendo que as religiões se sucedem, mas quem manda no mundo é o Diabo: “Eles passam, eu fico.” Resposta: D Recolhi à minha família, pensativo. Tudo o que eu esperara e amara (até a Adélia!) o possuía agora legitimamente o horrendo Negrão!... Perda pavorosa. E que não proviera da troca dos meus embrulhos, nem dos erros da minha hipocrisia. Agora, pai, comendador, proprietário, eu tinha uma compreensão mais positiva da vida; e sentia bem que fora esbulhado dos contos de G. Godinho simplesmente por me ter faltado no oratório da Titi — a coragem de afirmar! (EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 346.) (...) “Sim, esta noite, em Betânia, Rabi Jeschoua foi preso...” Depois ajuntou, lento, com os olhos semicerrados, erguendo por entre os dedos os longos fios da barba: — Mas Pôncio teve um escrúpulo... Não quis julgar um homem de Galileia, que é súdito de Antipas Herodes... E como o tetrarca veio à Páscoa a Jerusalém, Pôncio mandou o Rabi à sua morada, a Bezeta... Os doutos óculos de Topsius rebrilharam de espanto. — Coisa estranha! — exclamou, abrindo os braços magros. — Pôncio escrupuloso, Pôncio formalista! E desde quando respeita Pôncio a judicatura do tetrarca? Quantos pobres galileus não fez ele matar sem licença do tetrarca, quando foi da revolta do aqueduto, quando espadas romanas, por ordem de Pôncio, misturaram, nos pátios do Templo, o sangue dos homens de Neftali ao sangue dos bois do sacrifício! (EÇA DE QUEIRÓS, J. M. A Relíquia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. p. 198.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 28 – 29 P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 1. 1. (FUVEST-2020) – No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com a comédia Tartufo (1664), de Molière, cuja personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça, que o nome próprio se incorporou ao vocabulário, inclusive em português, como substantivo comum, para designar o “indivíduo hipócrita” ou o “falso devoto”. No contexto maior do romance, sugere-se que a tartufice a) se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios. b) é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida. c) diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do livro. d) se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência vazia. e) se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes. RESOLUÇÃO: No texto de Machado de Assis, a tartufice ou hipocrisia não se aplica apenas a Sofia, mas também às personagens da sociedade fluminense que manipulam cinicamente Rubião. Resposta: E Para responder aos testes 2 e 3, leia o trecho de uma fala da personagem Quincas Borba extraída do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1891: 2. (UNESP-2020) – Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em: a) “nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”. b) “a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra”. c) “Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos”. d) “Daí o caráter conservador e benéfico da guerra”. e) “não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição”. RESOLUÇÃO: De acordo com o Dicionário Houaiss, o verbo canonizar significa “reconhecer e declarar santo (indivíduo falecido), inscrevendo no cânon dos santos, de acordo com os rituais prescritos pela Igreja”. Na frase“Nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói”, o verbo canonizar foi empregado em sentido figurado, metafórico, pois o caráter santificador desse verbo foi empregado para se referir não a uma pessoa, mas a uma “ação”. Resposta: A — (…) O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. (...) (...) Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma, — também ela comia bem, dormia largo e fofo, — coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando quer amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados. Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias — “estrelas de primeira grandeza”. (Machado de Assis, Quincas Borba) 77 Literatura e Análise de Textos Literários – III REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 29 30 – P O R T U G U ÊS E 3. (UNESP-2020) – Considerando o contexto histórico de produção, verifica-se no trecho uma alusão irônica a) à teoria darwiniana. b) à filosofia idealista. c) à ideologia capitalista. d) à filosofia iluminista. e) à ideologia socialista. RESOLUÇÃO: Quincas Borba é o romance em que Machado de Assis, por meio da filosofia Humanitas ou Humanitismo, parodia diversas teorias filosóficas e científicas em voga no final do século XIX, principalmente o Darwinismo Social e o Positivismo. Tal paródia pode ser sintetizada na célebre frase “Ao vencedor, as batatas”, a moral da narrativa a respeito de uma tribo mais forte que, derrotando uma tribo concorrente, tem acesso exclusivo ao campo de batatas que garantirá sua alimentação e consequente sobrevivência. Resposta: A Texto para o teste 4. 4. Após receber a herança de Quincas Borba, Rubião começa a fazer planos, entre suas ideias, ampliar seus horizontes, deixar a província, Barbacena, e ir para a corte, o Rio de Janeiro. Assim, com as informações do excerto e com o contexto do livro, depreende-se que o protagonista a) assimilou os ensinamentos de Quincas Borba, aplicando-os em sua rotina na corte, afrancesando-se. b) trocou uma vida de aparências por aquela em que se privilegiava a essência, como preconizava a filosofia Humanitas. c) acabou sendo o exemplo prático dessa teoria, pois era o elo mais fraco no relacionamento com Palha, Sofia e outros. d) percebeu que Humanitas ou Humanitismo é uma paródia irônica do Positivismo e do Darwinismo Social. e) chegou à conclusão de que essa filosofia era irônica, carnavalizava o cientificismo da época, que tinha muitos adeptos entre os intelectuais brasileiros. RESOLUÇÃO: Ao receber a herança de Quincas Borba, Rubião considera-se como a tribo vencedora da alegoria presente em Humanitas ou Humanitismo, mas isso é ilusório, pois, no Rio de Janeiro, será manipulado por Palha, Sofia e outros oportunistas, perderá o capital e a saúde mental. O ingênuo e frágil Rubião é a tribo vencida, aquela que é digna de, nesse caso, compaixão. Resposta: C — Ao vencedor, as batatas! Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra, a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E, levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando: — Ao vencedor, as batatas! (...) E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR, AS BATATAS. (MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba. São Paulo: Principis, 2019.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 30 Texto para o teste 5. 5. No início do excerto de Quincas Borba, de Machado de Assis, o narrador, ao comentar sobre o casamento de Maria Benedita, promove uma inferência que remete a um princípio da filosofia Humanitas. Assinale a alternativa que apresenta uma frase do filósofo Quincas Borba que ilustre tal princípio. a) “Filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra”. b) “Humanitas (...) é o princípio de tudo e reside em toda a parte”. c) “O homem só comemora e ama o que lhe aprazível ou vantajoso”. d) “A paz é a destruição; a guerra é a conservação”. e) “Todas as coisas são boas, omnia bona”. RESOLUÇÃO: A frase “A paz é a destruição; a guerra é a conservação” indica o caráter benéfico da guerra defendido pelo filósofo Quincas Borba. A guerra seria positiva porque conservaria a existência dos mais fortes. Essa conclusão ajusta-se à do narrador, que, ironicamente, vê a catástrofe como promovedora do casamento de Maria Benedita. Resposta: D Texto para o teste 6. 6. Nesse excerto, na notícia sobre o falecimento do filósofo, há: a) intertextualidade, com a citação da personagem Pangloss. b) metáfora, a partir da expressão “tendo suportado a moléstia”. c) ironia, em “O testamento está em Barbacena”. d) digressão, pois o narrador comenta um assunto paralelo à trama. e) ceticismo niilista na singular filosofia. RESOLUÇÃO: Há intertextualidade, pois há alusão à obra Cândido ou o otimismo (1759), do filósofo Voltaire, por meio da citação da personagem Pangloss, tutor de Cândido e dotado de grande otimismo, sentimento semelhante ao que se nota, ainda que ironicamente, no núcleo da filosofia Humanitas ou Humanitismo. Resposta: A Faleceu ontem o senhor Joaquim Borba dos Santos, tendo suportado a moléstia com singular filosofia. Era um homem de muito saber, e cansava-se em batalhar contra esse pessimismo amarelo e enfezado que ainda nos há de chegar aqui um dia; é a moléstia do século. A última palavra dele foi que a dor era uma ilusão, e que Pangloss não era tão tolo como o inculcou Voltaire. Já entãodelirava. Deixa muitos bens. O testamento está em Barbacena. (MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba. São Paulo: Principis, 2019.) A história do casamento de Maria Benedita é curta; e, posto Sofia a ache vulgar, vale a pena dizê-la. Fique desde já admitido que, se não fosse a epidemia das Alagoas, talvez não chegasse a haver casamento; donde se conclui que as catástrofes são úteis, e até necessárias. Sobejam exemplos; mas basta um contozinho que ouvi em criança, e que aqui lhes dou em duas linhas. Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona — um triste molambo de mulher — chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela. — É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo. — Dá-me então licença que acenda ali o meu charuto? O padre que me contou isto certamente emendou o texto original; não é preciso estar embriagado para acender um charuto nas misérias alheias. Bom Padre Chagas! — Chamava-se Chagas. — Padre mais que bom, que assim me incutiste por muitos anos essa ideia consoladora, de que ninguém, em seu juízo, faz render o mal dos outros; não contando o respeito que aquele bêbado tinha ao princípio da propriedade — a ponto de não acender o charuto sem pedir licença à dona das ruínas. Tudo ideias consoladoras. Bom Padre Chagas! (MACHADO DE ASSIS, J. M. Quincas Borba. São Paulo: Ateliê Editorial, 2016. p. 267.) – 31 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 31 32 – P O R T U G U ÊS E 7. Analise as afirmações sobre o romance Quincas Borba: I. A maioria das personagens estão dominadas pela obsessão de subir na estrutura social, porque justamente acreditam que a tranquilidade existencial e psíquica provém de uma imagem exterior e pública construída a priori, conforme o posto ocupado na escala da sociedade. Daí a fixação das mulheres no casamento e a dos homens no ganho monetário. II. A maior parte das personagens de Quincas Borba dividem-se entre as convenções e os desejos mais recônditos, contra os quais lutam para disfarçar. Fracionadas em seu íntimo, tentam compensar a erosão interna por intermédio da fantasia (caso de Rubião) ou pela estrita obediência aos ritos da sociedade. A constante tensão nos diálogos reflete a lógica das negociatas, premissa maior de que a sorte de uns está condicionada à ruína de outros. III. Os desígnios do capital não são duros e embrutecedores, apesar de, nesse romance, haver personagens dissimuladas. A especulação financeira de Palha é irrelevante na aproximação com o novo-rico Rubião, já que este não tem espaço na sociedade da corte. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III. d) I e II. e) III, apenas. RESOLUÇÃO: Nesse romance, os desígnios do capital são duros e embrutecedores, e a aproximação de Palha com Rubião é motivada por interesse financeiro, para explorar o novo-rico, ingênuo e provinciano. Resposta: D No conto “O Espelho”, de Machado de Assis, o esboço de uma nova teoria sobre a dupla natureza da alma humana é apresentado por Jacobina. A personagem narra a situação em que se viu sozinha na casa da tia Marcolina: 8. (UNICAMP-2020) – Considerando-se os indicadores da passagem do tempo na citação, é correto afirmar que a) o movimento oscilante do pêndulo do relógio expressa a duplicidade da alma interior. b) o som do velho relógio da sala materializa acusticamente a longevidade da alma interior. c) a sonoridade repetitiva do pêndulo intensifica as aflições da alma interior. d) o contínuo batimento das horas sugere o vigor da alma interior. RESOLUÇÃO: No conto “O Espelho”, o alferes, na solidão do sítio, vivencia um processo de desintegração da personalidade, pois, sem a contemplação e o reconhecimento vindo do outro, desaparecem tanto a alma exterior como a interior. Assim, “um silêncio vasto, enorme, infinito” faz a passagem do tempo e o barulho do pêndulo acentuarem, nesse sítio vazio, as indagações e a consequente dissipação da alma interior do protagonista. Resposta: C As horas batiam de século a século no velho relógio da sala, cuja pêndula, tic-tac, tic-tac, feria-me a alma interior como um piparote contínuo da eternidade. REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 32 – 33 P O R T U G U ÊS E Texto para os testes 1 e 2. 1. Além do teor conservador, a fala de Francisco Teodoro reflete, no contexto do romance, sua a) insensibilidade, ao declarar Camila medíocre perante todos. b) falência moral, ao desconsiderar a importância feminina. c) discordância em relação ao posicionamento de Camila. d) anuência quanto ao comportamento mais crítico de suas filhas. RESOLUÇÃO: De modo explícito e imediato, o trecho revela a insensibilidade de Francisco Teodoro, ao sugerir, perante todos, que sua mulher é medíocre ou não “sabichona”. Camila demonstra concordar com a opinião do marido e Teodoro julga que mulheres mais ilustradas não são sérias e que um homem honrado não deve consenti-las perto de suas filhas. Resposta: A 2. Considerando-se os pressupostos sobre o “comportamento feminino” destacados na fala de Francisco Teodoro e a reação das demais personagens, o fato da trama relativo a Camila que institui a ironia presente em “Este foi sempre o meu juízo, e não me dei mal com ele” consiste na a) má educação oferecida a Mário. b) relação adúltera com o doutor Gervásio. c) inabilidade doméstica. d) ostentação material desmedida. RESOLUÇÃO: Todo o texto lido salienta a relação entre a emancipação feminina e a possível falta de “honestidade” das mulheres que a proclamam. Logo, é bastante irônico o fato de Teodoro ser traído justamente por uma mulher que, de acordo com o juízo dele e por ser ela como é (“medíocre” e nada “sabichona”), jamais o faria. Resposta: B Texto para o teste 3. 3. Com seu caráter ingênuo e compassivo, ao anunciar a doação que faria, Ruth pondera sobre o passado de luxo e ostentação da família e questiona um dos mecanismos de funcionamento da sociedade, caracterizada, segundo o excerto, por a) altruísmo e solidariedade. b) hipocrisia religiosa. c) egoísmo e maldade intencional. d) perdularismo alimentar. RESOLUÇÃO: Apesar de adolescente, Ruth tece considerações críticas sobre os valores sociais e morais de seu tempo. No excerto, fala dos ricos, que ignoram as necessidades dos mais pobres e desperdiçam muitos alimentos. Resposta: D Francisco Teodoro afirmou logo que aquele prato parecia feito, de saboroso que estava, por uma mulher. A brasileira tem um jeitinho especial para temperar panelas, dizia ele; e verdade, verdade, assim como ela não devia ser chamada para cargos exercidos por homens, também os homens não lhes deviam usurpar os seus. A cozinha devia ser trancada ao sexo feio. Ele dizia isto como pilhéria, por alegria. Catarina, fazendo estalar uma côdea de pão entre os dedos magros, perguntou sorrindo, com ar de curiosidade maldosa: — O senhor é contra a emancipação da mulher, está claro. — Minha senhora, eu sou da opinião de que a mulher nasceu para mãe de família. Crie os seus filhos, seja fiel ao seu marido, dirija bem a sua casa, e terá cumprido a sua missão. Este foi sempre o meu juízo, e não me dei mal com ele, não quis casar com mulher sabichona. É nas medíocres que se encontram as esposas. O dr. Gervásio e o capitão Rino trocaram um olhar, de relance. — E que são as outras? Mulheres que um homem honrado não deve consentir perto de suas filhas. Camila fez um sinal afirmativo. Ela era da mesma opinião. — Não são sérias — concluiu. (ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 110-111.) Ruth apareceu atrás das irmãs. — Mamãe não conhece... Jacinta é uma velha paralítica que mora na vizinhança da minha discípula. Sempre que passamos por lá nos pede esmola... É tão velhinha que faz pena. Combinamos com a Nina que sempre que sobrasse algumacoisa do jantar fôssemos levar a ela. Quando me lembro do que se desperdiçava lá em casa! Por um lado, mais vale a gente ser pobre... Os ricos, não é por mal, mas como não conhecem a necessidade dos outros não consolam ninguém... (ALMEIDA, Júlia Lopes de. A Falência. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2019. p. 280.) 88 Literatura e Análise de Textos Literários – IV REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 33 34 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 4. 4. (MACKENZIE – modificado) – Quanto ao estilo, esse fragmento descritivo destaca a) a tendência do Naturalismo em revelar, através do aspecto físico, traços do caráter. b) a tendência dos escritores realistas de criticar a hipocrisia do comportamento aristocrático. c) a oposição entre “físico grotesco” e “moral sublime”, o que comprova sua característica dual. d) a concisão típica do Realismo, comprovada pelo uso comedido da adjetivação. e) o egocentrismo exacerbado, a irreverência e a visão mórbida do mundo que caracterizam o byronismo do século XIX. RESOLUÇÃO: No trecho apresentado, expressões como “mortos”, “pardo transparente”, “lábios úmidos, porejando baba” criam uma qualificação física negativa que acaba por definir o caráter da personagem, procedimento muito comum no Naturalismo. Resposta: A Texto para o teste 5. 5. (ESPM – modificado) – O trecho descreve a personagem Aristarco, diretor do colégio Ateneu. Assinale a alternativa incorreta. a) Em “terríveis passadas”, “repentes inesperados” e “majestoso”, evidencia-se o caráter autocrático da personagem. b) Expressões como “leiloeiro” e “opulentas faturas” conotam o interesse comercial do diretor, preocupado com os lucros da escola. c) A expressão “transformação moral da sociedade” confirma a séria preocupação com um projeto pedagógico e social, apesar do interesse comercial. d) Expressões como “abolição dos castigos corporais” e “supressão absoluta dos vexames de punição” conferem ao diretor certo caráter liberal. e) Depreende-se a ironia do narrador ao fazer referência à retórica de Aristarco: “serviços à causa santa da instrução” e “esclarecendo como um farol diversas gerações”. RESOLUÇÃO: O diretor do internato, Aristarco, tem interesse unicamente comercial, embora seu discurso se revista de palavras que procuram dar a impressão de que sua causa seja um “projeto pedagógico e social”. Resposta: C ... cara extensa, olhos rasos, mortos, de um pardo transparente, lábios úmidos, porejando baba, meiguice viscosa de crápula antigo. (Raul Pompeia, O Ateneu) Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas, imobilizando-se a repentes inesperados (...), clamando como para um auditório de dez mil pessoas, majestoso sempre, alçando os padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas, desenrolou, com a memória de uma última conferência, a narrativa dos seus serviços à causa santa da instrução. Trinta anos de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas gerações agora influentes no destino do país! E as reformas futuras? Não bastava a abolição dos castigos corporais (...). Era preciso a introdução de métodos novos, supressão absoluta dos vexames de punição, (...) de maneira que seja a escola um paraíso; adoção de normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia, perspicaz como as águias. Ele havia de criar... um horror, a transformação moral da sociedade! (Raul Pompeia, O Ateneu) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 34 6. (PUC-SP – modificado) – Assinale a alternativa falsa. a) O Ateneu, que tem o subtítulo “crônica de saudades”, reconstrói, através da memória, a vida em um internato. Sérgio, personagem- narrador, é geralmente tomado como alter ego do autor, que, no livro, se “vingaria” do internato em que estudou, assim como da sociedade que criticava. b) Em várias passagens do romance, encontra-se a expressão daquilo que, em psicanálise, se chama “complexo de Édipo”: o afeto do menino Sérgio por Dona Ema, mulher de Aristarco, diretor do Ateneu, execrado como pai-tirano; o jogo masculino-feminino, a homossexualidade que caracteriza a vida e as relações entre os alunos em plena crise de puberdade. c) O Ateneu é o microcosmo em que se projetam todas as mazelas da sociedade. O incêndio do internato significa a recusa selvagem daquela vida adulta que começa no colégio interno e é a vingança final de Sérgio-Pompeia contra o Ateneu. d) O estilo do livro é caracteristicamente realista, com seu descritivismo objetivo, a recusa de subjetividade e um narrador que se mantém neutro, sem interferir na narrativa nem impor sua visão ao leitor. e) “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Assim começa, na história de Sérgio, a ruptura com a vida familiar, definida como “amor doméstico” e “estufa de carinho”. RESOLUÇÃO: A classificação estilística de O Ateneu é problemática, pois o livro contém elementos realistas, naturalistas, impressionistas, expressionistas e simbolistas. Além disso, o narrador não é neutro, tampouco prevalece a objetividade. Resposta: D – 35 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:21 Página 35 36 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 1. 1. (UNESP-2020) – O texto refere-se ao movimento denominado a) Romantismo. b) Barroco. c) Parnasianismo. d) Arcadismo. e) Realismo. RESOLUÇÃO: O texto de Antônio Cândido refere-se ao Parnasianismo, movimento que retoma a tradição da Antiguidade Clássica, distanciando-se dos problemas sociais do século XIX e preconizando o culto da forma, a linguagem culta e o preceito da “arte pela arte” (ars gratia artis). Resposta: C Texto para os testes 2 e 3. 2. (MACKENZIE-2020) – Considere as afirmações abaixo: I. Os estados subjetivos da consciência, as impressões sombrias da alma, o hermetismo, o apelo aos sentidos e uma atmosfera permeada por fortes símbolos religiosos ajudam a definir o tom simbolista do poema. II. A referência a elementos religiosos no poema é sem dúvida uma impregnação do nacionalismo tardo-romântico na obra de Cruz e Sousa, pois tais referências são uma forma de fixar a identidade nacional nos versos de “Siderações”. III. A visão de mundo em “Siderações” baseia-se no conhecimento mais avançado da astronomia da sua época, fundamentando a vertente simbolista brasileira com a objetividade do discurso especializado da ciência do final do século XIX. Assinale a alternativa correta. a) A afirmação I está correta. b) A afirmação II está correta. c) A afirmação III está correta. d) Todas as afirmações estão corretas. e) Nenhuma das afirmações está correta. RESOLUÇÃO: A primeira afirmação resume de maneira eficiente as características do soneto de Cruz e Sousa que o vinculam ao Simbolismo. A segunda é incorreta porque associa elementos religiosos a nacionalismo — não há, com base em elementos do poema, ligação entre esses dois temas; além disso, o nacionalismo não é assunto desenvolvido nem na poesia de Cruz e Sousa, nem na escola literária a que pertence. Por fim, a terceira afirmação é incorreta também, pois associa a poética simbolista ao contexto científico, quando, na verdade, essa estética era refratária à Ciência. Resposta: A 3. (MACKENZIE-2020) – Assinale as correntes estéticas que, por aproximação, possuem mais afinidades com o Simbolismo de “Siderações”. a) Naturalismo e Realismo. b) Trovadorismo e Quinhentismo. c) Ultrarromantismo e Decadentismo. d) Classicismo e Neoclassicismo. e) Modernismo e Pós-Modernismo. RESOLUÇÃO: O soneto de Cruz e Sousa aborda temática mística e de forma carregada de subjetividade, procedimentos também presentes na Segunda Geração da poesia romântica (Ultrarromantismo) e no Decadentismo (estilo que antecedeu o Simbolismo). Resposta: C Para as Estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo… Num cortejo de cânticos alados Os arcanjos, as cítarasferindo, Passam, das vestes nos troféus prateados, As asas de ouro finamente abrindo… Dos etéreos turíbulos de neve Claro incenso aromal, límpido e leve, Ondas nevoentas de Visões levanta… E as ânsias e os desejos infinitos Vão com os arcanjos formulando ritos Da Eternidade que nos Astros canta... (Cruz e Sousa, Broquéis) Tal movimento distingue-se pela atenuação do sentimentalismo e da melancolia, a ausência quase completa de interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e (como os modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa dos autores desse movimento não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto. (Antônio Cândido, Iniciação à Literatura Brasileira – adaptado) 99 Literatura e Análise de Textos Literários – V REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 36 Texto para o teste 4. 4. (UNESP-2020) – Verificam-se distorções e ambiguidades em relação à técnica da perspectiva na seguinte obra: a) René Magritte, A Clarividência, 1936. b) Maurits Cornelis Escher, Mirante, 1958. c) Edwars Hopper, Escritório em uma Cidade Pequena, 1953. d) Käthe Kollwitz, A Marcha dos Tecelões, 1897. e) René Magritte, O Império da Luz, 1954. RESOLUÇÃO: A distorção da perspectiva capaz de provocar ambiguidade é percebida em Mirante (1958), de Escher. Basta verificar, por exemplo, como cada coluna parece estar, ao mesmo tempo, à frente ou atrás da outra, dependendo do ponto de vista em que é observada. Resposta: B Perspectiva. Técnica de representação, numa superfície plana, do espaço tridimensional, baseado no uso de certos fenômenos ópticos, como a diminuição aparente no tamanho dos objetos e a convergência das linhas paralelas à medida que se distanciam do observador. (Ian Chilvers (org.), Dicionário Oxford de Arte) – 37 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 37 38 – P O R T U G U ÊS E O texto abaixo foi extraído da peça O Marinheiro e serve de base para responder aos testes 5 e 6: 5. Na peça O Marinheiro, de Fernando Pessoa, as personagens não possuem nomes específicos, elas são chamadas de Primeira Veladora, Segunda Veladora e Terceira Veladora. Isso se dá a) porque as veladoras simbolizam algo genérico, e disso decorrem os nomes que lhes dão amplitude e deixam de lado a individuação. b) porque há uma tentativa de se mostrar a hierarquia em cena, dando-se mais destaque à sequência da entrada em ação das personagens. c) para reforçar a proximidade familiar das personagens em relação ao defunto e ao marinheiro. d) pela importância que essa sequência revela de cada irmã na participação da vida da família. RESOLUÇÃO: Na peça, as três veladoras não são discriminadas por nome e prenome. Aliás, ganha força a sensação no leitor de que essas vozes não se prendem a um corpo definido. Elas representam uma generalização. Resposta: A 6. No trecho apresentado, ocorre uma espécie de clímax da peça, no qual as veladoras confundem realidade e sonho. Podemos observar isso a) na fala da Primeira Veladora, que diz: “Por mim, cansa-me o esforço que fazeis para falar”. b) na fala da Segunda Veladora, que diz: “O que é que nós queremos fazer?” c) na fala da Segunda Veladora, que diz: “Já não me lembro... (...) Que sono, que sono absorve o meu modo de olhar para as coisas!...” d) na fala da Primeira Veladora, que diz: “Não falemos mais”. RESOLUÇÃO: Na fala da Segunda Veladora, ela menciona não lembrar o que contou, sem saber quando contou ou quando ocorreu a história. Nesse trecho, ela parece quase despertar de um sonho, confundindo assim a realidade com a narrativa onírica. Resposta: C Texto para o teste 7. 7. O texto acima, extraído da peça O Marinheiro, de Fernando Pessoa, mostra-nos a fala das 3 veladoras que se encontram ao redor de um caixão com uma donzela de branco. A fala das personagens mostra-nos uma característica que é bastante presente ao longo da peça. Essa característica é/são a) o jogo de ponto e contraponto, o que dá dinamicidade à cena. b) o uso das reticências, marcando o clima vago e nebuloso, próprio do sonho expresso objetivamente pelas personagens. c) as reflexões existenciais das personagens, que se referem aos conflitos materiais de todo ser humano. d) o sentido nebuloso da peça, podendo-se até confundir o que é sonho e o que é realidade, quem sonha e quem é sonhado. RESOLUÇÃO: No trecho transcrito, podemos perceber que não há uma indicação precisa de tempo, inclusive a Primeira e a Segunda Veladora falam sobre essa confusão entre o passado e o presente (sonho e realidade). Essa característica está presente ao longo de toda a peça. Resposta: D PRIMEIRA — Quem pudesse gritar para despertarmos! Estou a ouvir-me a gritar dentro de mim, mas já não sei o caminho da minha vontade para a minha garganta. (...) Que estranha me sinto!... Parece-me já não ter a minha voz... (...) Puseram ao meu sentimento do meu corpo uma mortalha de chumbo... Para que foi que nos contastes a vossa história? SEGUNDA — Já não me lembro... Já mal me lembro que a contei... Parece ter sido já há tanto tempo!... (...) Que sono, que sono absorve o meu modo de olhar para as coisas!... O que é que nós queremos fazer? (...) — Já não sei se é falar ou não falar... PRIMEIRA — Não falemos mais. Por mim, cansa-me o esforço que fazeis para falar... Dói-me o intervalo que há entre o que pensais e o que dizeis... (...) Preciso dizer frases confusas, um pouco longas, que custem a dizer... Não sentis tudo isto como uma aranha enorme que nos tece de alma a alma uma teia negra que nos prende? (PESSOA, Fernando. O Marinheiro. Virtual Books Online M&M Editores Ltda., 2003/2004. p. 16.) PRIMEIRA — (...) Quando virá o dia? TERCEIRA — Que importa? Ele vem sempre da mesma maneira... sempre, sempre, sempre... (uma pausa) SEGUNDA — Contemos contos umas às outras... (...) Neste momento eu não tinha sonho nenhum, mas é-me suave pensar que o podia estar tendo... Mas o passado — por que não falamos nós dele? PRIMEIRA — Decidimos não o fazer... Breve raiará o dia e arrepender-nos-emos... Com a luz os sonhos adormecem... O passado não é senão um sonho... De resto, nem sei o que não é sonho. Se olho para o presente com muita atenção, parece-me que ele já passou… (...) (PESSOA, Fernando. O Marinheiro. Virtual Books Online M&M Editores Ltda., 2003/2004. p. 5.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 38 Leia o trecho do poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira: 8. (UNIFESP-2020) – No trecho, o “sapo-tanoeiro” representa uma sátira aos a) modernistas. b) românticos. c) naturalistas. d) parnasianos. e) árcades. RESOLUÇÃO: O sapo-tanoeiro é uma sátira ao rigor formal dos poetas parnasianos. Tanoeiro é o construtor de barril, conotando, ironicamente, o burilamento estético do Parnasianismo. O poema satírico “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, foi declamado na segunda noite da Semana de Arte Moderna, em 1922, por Ronald de Carvalho. Resposta: D O sapo-tanoeiro (...) Diz: — “Meu cancioneiro É bem martelado. Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos. O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio. Vai por cinquenta anos Que lhes dei a norma: Reduzi sem danos A fôrmas a forma. Clame a saparia Em críticas céticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas... (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira) – 39 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 39 40 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 1. 1. (FUVEST-2020) – Em Claro Enigma, a ideia de engano surge soba perspectiva do sujeito maduro, já afastado das ilusões, como se lê no verso-síntese “Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti” (“Legado”). O excerto de “Cantiga de Enganar” apresenta a relação do eu com o mundo mediada a) pela música, que ressoa em canções líricas. b) pela cor, brilhante na claridade solar. c) pela afirmação de valores sólidos. d) pela memória, que corre fluida no tempo. e) pelo despropósito de um faz de conta. RESOLUÇÃO: A relação do eu lírico com o mundo baseia-se num absurdo faz de conta, na simulação de considerar os eventos e as coisas como se eles não existissem ou considerar “tudo como se fosse”. Resposta: E Texto para o teste 2. 2. (ALBERT EINSTEIN) – Este poema integra a obra Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. Sobre ele, é correto afirmar que a) o poeta exalta a força que a poesia tem de tornar perenes as vicissitudes efêmeras da vida. b) as rimas, bastante convencionais, dão ao poema um tom passadista que faz dele um texto de dúbia qualidade estética. c) o legado a que se refere o texto diz respeito somente à poesia metaforizada como canto radioso. d) se organiza em versos alexandrinos, de caráter parnasiano, sem deixar de apresentar a clássica chave de ouro, que confere brilhantismo ao fecho do texto. RESOLUÇÃO: O soneto “O Legado” apresenta versos alexandrinos (versos com doze sílabas métricas), retomando uma das características centrais do Parnasianismo. O último verso, a chave de ouro, é brilhante, porque não só se refere ao sentido do que Drummond escreveu, textos em sua maioria pessimistas, mas também a um dos mais célebres poemas de Drummond (“No Meio do Caminho”). Resposta: D (...) O mundo não tem sentido. O mundo e suas canções de timbre mais comovido estão calados, e a fala que de uma para outra sala ouvimos em certo instante é silêncio que faz eco e que volta a ser silêncio no negrume circundante. Silêncio: que quer dizer? Que diz a boca do mundo? Meu bem, o mundo é fechado, se não for antes vazio. O mundo é talvez: e é só. Talvez nem seja talvez. O mundo não vale a pena, mas a pena não existe. Meu bem, façamos de conta de sofrer e de olvidar, de lembrar e de fruir, de escolher nossas lembranças e revertê-las, acaso se lembrem demais em nós. Façamos, meu bem, de conta — mas a conta não existe — que é tudo como se fosse, ou que, se fora, não era. (...) (Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma) LEGADO Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto senti? Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se ri. E mereço esperar mais do que os outros, eu? Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti. Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu, a vagar, taciturno, entre o talvez e o se. Não deixarei de mim nenhum canto radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque de alguém seu mais secreto espinho. De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em meio do caminho. 11 00 Literatura e Análise de Textos Literários – VI REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 40 Texto para os testes 3 e 4. 1 – Museu instalado em Ouro Preto (MG), antiga Vila Rica. 3. (FGV-SP-ADM) – Considerando-se o poema no contexto estético e ideológico de Claro Enigma, ao qual pertence, verifica-se que a posição do eu lírico, em relação à Inconfidência Mineira, é a de a) encará-la como modelo de rebeldia, a ser oferecido às novas gerações de militantes políticos. b) considerá-la exemplo privilegiado da violência com que as elites reprimem as insurreições no Brasil. c) tomá-la, distanciadamente, como ponto de partida para reflexões de caráter generalizante e teor filosófico. d) lamentar a precariedade da reconstituição histórica que lhe é oferecida pela posterioridade. e) enfatizar o sentimento de culpa das elites brasileiras, contemporâneas do poeta, em face do martírio de Tiradentes. RESOLUÇÃO: Na quarta parte de Claro Enigma, “Selo de Minas”, Carlos Drummond de Andrade faz uma leitura de lugares e acontecimentos mineiros, partindo deles para reflexões generalizantes, como a apresentada na penúltima estrofe de “Museu da Inconfidência”, na qual o eu lírico lamenta o “tempo ingovernável”, associando-o a outras épocas de tristezas e injustiças, culminando na afirmação de que “Toda história é remorso”. Resposta: C 4. (FGV-SP-ADM) – É compatível com a síntese a que chega o poema sobretudo o pensamento (adaptado) que se encontra em: a) “A história das sociedades, até os dias atuais, é a história da luta de classes.” (K. Marx) b) “As épocas felizes são páginas em branco no livro da história.” (G. W. F. Hegel) c) “A vida (...) é uma história cheia de som e de fúria, contada por um idiota, significando nada.” (W. Shakespeare) d) “O tempo é um tecido invisível, em que se pode bordar tudo (...). Também se pode bordar nada. Nada em cima do tecido invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.” (Machado de Assis) e) “O sujeito do conhecimento histórico é a própria classe combatente e oprimida.” (W. Benjamin) RESOLUÇÃO: O último verso de “Museu da Inconfidência”, “Toda história é remorso”, sintetiza o aspecto negativo de fatos em que ações humanas resultaram na infelicidade e na injustiça. Assim, “as épocas felizes” não existiriam e essa inexistência resultaria em “páginas em branco no livro da história”, nas quais seria impossível o registro do que não houve: os momentos justos e tranquilos. Resposta: B V / MUSEU DA INCONFIDÊNCIA1 São palavras no chão e memória nos autos. As casas inda restam, os amores, mais não. E restam poucas roupas, sobrepeliz de pároco, a vara de um juiz, anjos, púrpuras, ecos. Macia flor de olvido, sem aroma governas o tempo ingovernável. Muros pranteiam. Só. Toda história é remorso. (Carlos Drummond de Andrade) – 41 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 41 42 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 5. 5. É correto afirmar que o poema a) indica as musas inspiradoras dos principais poetas neoclássicos brasileiros e o pseudônimo de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga. b) apresenta métrica típica do Modernismo, uma vez que Cecília Meireles é quem escreve o poema, no século XX, e não os poetas árcades. c) denota o poder de D. Maria I e indica o poder do destino na decisão sobre a sorte dos inconfidentes, sendo atrelada às sentenças o fim do país da Arcádia. d) mantém a natureza clássica convencional, que se caracterizava por refletir o estado de espírito idealizado dos poetas do Arcadismo, não havendo elemento pessimista. e) considera a “Sorte”, representação do destino, como única responsável por aquilo que há de vir a acontecer com os inconfidentes e com a Arcádia mineira. RESOLUÇÃO: Marília é a musa de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga, e Nise é a musa de Cláudio Manuel da Costa, Glauceste Satúrnio. Resposta: A ROMANCE XX OU DO PAÍS DA ARCÁDIA O país da Arcádia jaz dentro de um leque: existe ou se acaba conforme o decrete a Dona que o entreabra, a Sorte que o feche. É sonho que guarda em pálpebra leve, diáfana e parada, a emoção campestre de suspiro d’água em flor que fenece. — Desejo que afaga. — Dom que se oferece. (Ó rápida aljava, não sejas tão breve, que o amor chega, passa e logo se esquece!) O país da Arcádia jaz dentro de um leque: sob mil grinaldas, verde-azul floresce. Por ele resvala, resvala e se perde, a aérea palavra que o zéfiro escreve. A luz é sem data. Nomes aparecem nas fitas que esvoaçam: Marília, Glauceste, Dirceu, Nise, Anarda... — O bosque estremece: nos arroios, claras ovelhinhas bebem. Sanfonas e frautas suspiros repetem. O país da Arcádia, súbito, escurece, em nuvem de lágrimas. Acabou-se a alegre pastoral dourada: pelas nuvens baixas, a tormenta cresce. (O tempo é indelével, mas não há mais nada. Em cinza adormece a festa de nácar, o assomo celestedo país da Arcádia, no partido leque...) (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 42 Texto para o teste 6. 6. O trecho que melhor define as ideias que fomentaram a Inconfidência é a) “Em redor das grandes luzes”. b) “Palavras que se interpretam”. c) “nos discursos, nas saúdes...”. d) “Sinistros corvos espreitam”. e) “Visitas. Sermões de exéquias”. RESOLUÇÃO: A expressão “grandes luzes” remete às ideias iluministas, ao racionalismo do século XVIII que fomentou as ideias políticas libertárias. Resposta: A Texto para o teste 7. 7. (FUVEST – modificado) – O verso “Só se estivesse alienado!”, que funciona como um refrão no “Romance LXXIII ou da Inconformada Marília”, registra a reação dessa personagem do Romanceiro da Inconfidência à informação de que a) seu amado, o inconfidente e poeta Cláudio Manuel da Costa, se suicidara na prisão. b) seu primo-irmão, o inconfidente Joaquim Silvério dos Reis, traíra os companheiros de conjura, delatando-os. c) seu noivo, o poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, se casara na África. d) seu prometido, o árcade e inconfidente Dirceu, se suicidara na prisão. e) seu companheiro na Inconfidência, o alferes Tiradentes, assumira sozinho toda a culpa da conjuração. RESOLUÇÃO: No “Romance LXXIII”, Cecília Meireles tematiza a dor de Marília ao ter a informação de que seu noivo se casara na África. Resposta: C ROMANCE XXI OU DAS IDEIAS (...) E as mobílias de cabiúna. E as cortinas amarelas. D. José. D. Maria. Fogos. Mascaradas. Festas. Nascimentos. Batizados. Palavras que se interpretam nos discursos, nas saúdes... Visitas. Sermões de exéquias. Os estudantes que partem. Os doutores que regressam. (Em redor das grandes luzes, há sempre sombras perversas. Sinistros corvos espreitam pelas douradas janelas.) E há mocidade! E há prestígio. E as ideias. (...) (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência) Pungia a Marília, a bela, negro sonho atormentado: voava seu corpo longe, longe, por alheio prado. (...) E ela, dormindo, gemia: “Só se estivesses alienado!” (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência) – 43 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 43 44 – P O R T U G U ÊS E Textos para os testes de 1 a 3. 1. (FUVEST-2020) – O argumento de Benedito Nunes, em torno da natureza artística da literatura, leva a considerar que a obra só assume função transformadora se a) estabelece um contraponto entre a fantasia e o mundo. b) utiliza a linguagem para informar sobre o mundo. c) instiga no leitor uma atitude reflexiva diante do mundo. d) oferece ao leitor uma compensação anestesiante do mundo. e) conduz o leitor a ignorar o mundo real. RESOLUÇÃO: A leitura de um texto literário apenas assume função modificadora na visão de mundo do leitor, se este se sentir instigado a ter uma atitude reflexiva diante da realidade. Resposta: C 2. (FUVEST-2020) – Se o discurso literário “aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o”, pode-se dizer que Luís da Silva, o narrador-protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” porque a) rejeita, como jornalista, a escrita de ficção. b) prefere alienar-se com narrativas épicas. c) é indiferente às histórias de fundo sentimental. d) está engajado na militância política. e) se afunda na negatividade própria do fracassado. RESOLUÇÃO: Luís da Silva, narrador-protagonista de Angústia, ao afirmar a impossibilidade de se comover com a leitura de obras fáceis, sem tensão, de fato revela sua própria condição de fracassado, uma figura anônima, solitária e impotente diante de seus desejos íntimos e da sociedade. Resposta: E 3. (FUVEST-2020) – Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público, na medida em que compõe uma atmosfera a) dramática, ao representar as tensões de seu tempo. b) grotesca, ao eliminar a expressão individual. c) satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso. d) ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo. e) alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira. RESOLUÇÃO: No terceiro excerto, a respeito de Angústia, Graciliano Ramos escreve: “Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo.” No enunciado do teste, pergunta-se por que essa obra não faz concessão ao gosto do leitor. A resposta só pode ser a da alternativa e, que se refere à atmosfera “alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira”. Essa é a resposta correta, não só pelo jogo de linguagem e de sentido desse livro, mas também pela análise do professor Antônio Cândido, que afirma, em ensaio célebre sobre Angústia, que “Luís da Silva não segue este rumo lógico, mas vive cercado de animais que simbolizam [grifo nosso] a sua natureza conturbada: cobras, ligadas a recordações infantis, a impulsos de morte e de sexo oprimido; ratos que povoam a sua casa, roem os seus manuscritos e se identificam, em certos trechos, aos movimentos mais torpes, nele e nos outros” (“Os Bichos do Subterrâneo”, em Tese e Antítese, p. 109). Enfim, Antônio Cândido não concordaria com a resposta oficial, pois considera os ratos e cobras como símbolos, alegoria, do estado psíquico e social de Luís da Silva. A resposta oficial, alternativa a (“dramática, ao representar as tensões de seu tempo”) abrange o conteúdo, e não o estilo, ainda que seja indissociável a relação forma/conteúdo. Se considerarmos o gabarito oficial do examinador, não haveria diferença entre Angústia, “romance desagradável”, segundo o próprio Graciliano Ramos, e as obras de Jorge Amado, de leitura mais fácil e agradável e que também abordam atmosfera dramática em relação às tensões do tempo, isto é, da década de 30 do século XX. A Fuvest deveria pelo menos repensar o gabarito ou considerar as duas alternativas corretas. Resposta oficial: A Resposta correta: E Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na teia de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que nos enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que em nós provocou. (Benedito Nunes, “Ética e Leitura”, in Crivo de Papel) O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando-se, traindo-se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. (Graciliano Ramos, Angústia) Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante. (Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia) 11 11 Literatura e Análise de Textos Literários – VII REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 44 Texto para o teste 4. 4. Leia as afirmações abaixo e analise a pertinência delas em relação ao excerto e ao contexto de Angústia: I. Na frase tautológica “Um homem é um homem”, nota-se a intenção de Luís da Silva de tomar uma atitude de ruptura em relação à aproximação que está ocorrendo entre ele e Marina. II. Embora Luís da Silva elabore períodos relativamente curtos, nota-se, na descrição de Julião, o emprego de vários adjetivos, estilo criticado pelo narrador. III. Angústia é um romance memorialista, em que o narrador é o frustrado Luís da Silva, o avesso de Julião Tavares, mas, aomesmo tempo, aspirando inutilmente ao reconhecimento intelectual e à concretização de um matrimônio, numa sociedade pela qual sente repulsa. IV. A narrativa de Angústia flui, como nos romances anteriores de Graciliano Ramos, linearmente, sem fragmentação. Eliminam-se a evocação do passado, a fuga para o devaneio e a deformação expressionista. Está correto o que se afirma em a) I, II e IV. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III. e) I, III e IV. RESOLUÇÃO: A afirmação IV não é procedente. Em famoso estudo sobre Angústia, Antônio Cândido afirma o contrário sobre o estilo desse romance: “A narrativa não flui, como nos romances anteriores. Constrói-se aos poucos, em fragmentos, num ritmo de vaivém entre a realidade presente, descrita com saliência naturalista, a constante evocação do passado, a fuga para o devaneio e a deformação expressionista.” (Tese e Antítese, p. 108, 2.a edição) Resposta D Texto para o teste 5. 5. O trecho expõe uma reflexão de João Guimarães Rosa acerca de sua própria obra. Referindo-se ao livro Corpo de Baile, onde originalmente estava incluída a novela “Campo Geral”, o autor considera que suas “estórias” são “anti-intelectuais”, pois há personagens a) intuitivas, místicas, violentas, dominadas por forças telúricas. b) redimidas pela razão após uma vida de desajustes emocionais. c) paródicas dos Diálogos de Platão e do Discurso do Método, de Descartes. d) regionais, sem a dimensão da atemporalidade e do universal. e) críticas do mundo sertanejo, em que há interpretação fetichista da existência. RESOLUÇÃO: De acordo com o trecho crítico, Guimarães Rosa considera as novelas de Corpo de Baile como “anticientificistas”, pois “defendem o altíssimo primado da ‘intuição’, da ‘revelação’, da ‘inspiração’”. Resposta: A — Por que é que você não manda fazer um smoking, Luís? Um rapaz que ganha dinheiro andar com essas roupas mal-amanhadas! Eu, se fosse você, brilhava, vivia no trinque. Eu pilheriava com ela: — Marina, nem só de smoking vive o homem. (...) Estúpida. Lia as notas sociais, casamentos, batizados, aniversários, coisas deste gênero. Estúpida. (...) — Para o diabo. Aqui me preocupando com aquela burra! Unhas pintadas, beiços pintados, biblioteca das moças, preguiça, admiração a D. Mercedes — total: Rua da Lama. Acaba na Rua da Lama, sangrando na pedra-lipes. Vamos deixar de besteira, seu Luís. Um homem é um homem. * * * Foi por aquele tempo que Julião Tavares deu para aparecer aqui em casa. Lembram-se dele. Os jornais andaram a elogiá-lo, mas disseram mentira. Julião Tavares não tinha nenhuma das qualidades que lhe atribuíram. Era um sujeito gordo, vermelho, risonho, patriota, falador e escrevedor. No relógio oficial, nos cafés e noutros lugares frequentados cumprimentava-me de longe, fingindo superioridade: — Como vai, Silva? À noite chegava-me a casa, empurrava a porta e, quando eu menos esperava, desembocava na sala de jantar, que, não sei se já disse, é o meu gabinete de trabalho. E lá vinham intimidades que me aborreciam. Linguagem arrevesada, muitos adjetivos, pensamento nenhum. Conheci esse monstro numa festa de arte no Instituto Histórico. (...) (RAMOS, Graciliano. Angústia. Rio de Janeiro: Record, 2019. p. 49.) E eu mesmo fiquei espantado de ver, a posteriori, como as novelas, umas mais, outras menos, desenvolvem temas que poderiam filiar-se de algum modo aos Diálogos, remotamente (...) [Rosa refere-se às novelas de Corpo de Baile e à aproximação com os Diálogos de Platão.] Ora, Você já notou, decerto, que, como eu, os meus livros, em essência, são “anti-intelectuais” — defendem o altíssimo primado da “intuição”, da “revelação”, da inspiração, sobre o bruxolear presunçoso da inteligência reflexiva, da razão, a megera cartesiana. Quero ficar com o Tao, com os Vedas e Upanixades, com os Evangelistas e São Paulo, com Platão, com Plotino, com Bergson, com Berdiaeff — com Cristo, principalmente. (BIZZARRI, Edoardo. Correspondência com Seu Tradutor Italiano. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. p. 56-58. In: ANDRADE, Fernando Teixeira de. Os Livros da Fuvest: Campo Geral. Coleção Objetivo. São Paulo: Cered, 2020. p. 6.) – 45 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 45 46 – P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 6. 6. A morte do pai é uma ramificação trágica do desfecho de “Campo Geral”, novela de João Guimarães Rosa, de 1956. Contudo, a morte do patriarca acaba por simbolizar, para Miguilim e a mãe, uma espécie de libertação. O período do trecho que metaforiza que, para o menino Miguilim, o tempo de opressão passou é a) “... chorava tapando a cara com as duas mãos”. b) “As lágrimas da Mãe ele escutava”. c) “quem sabe aquilo tudo não acontecia”. d) “E eu posso ficar doente, quieto, ninguém bole?”. e) “ficava num arretriste, aquela saudade sozinha”. RESOLUÇÃO: Miguilim tem certa consciência de que, com a morte do patriarca, o tempo de opressão e o de violência paternas acabaram, ainda que Pai tivesse surpreendentemente se condoído com a grave doença que acometera Miguilim. Resposta: D 7. (FUVEST) – Considere atentamente as seguintes afirmações sobre a novela “Campo Geral” (“Miguilim”), de Guimarães Rosa: I. A sabedoria precoce do pequeno Dito é decisiva para o aprendizado de Miguilim, seja nas experiências imediatas do cotidiano, seja na investigação do valor e do sentido profundos dessas experiências. II. Por meio da personagem Miguilim, o autor mostra-nos que a vida rústica do sertanejo é pobre como experiência — o que pode ser compensado pela imaginação poética de quem sabe desligar-se daquela vida. III. No momento final da narrativa, é em sentido literal e simbólico que um novo mundo se revela para Miguilim — mundo que também se abre para uma vida de novas experiências. A leitura atenta da novela permite concluir que apenas: a) as afirmações I e III são corretas. b) as afirmações I e II são corretas. c) as afirmações II e III são corretas. d) a afirmação II é correta. e) a afirmação III é correta. RESOLUÇÃO: Em II, não é possível considerar que “a vida rústica do sertanejo é pobre como experiência”. Para Guimarães Rosa, os mitos universais também estão presentes no sertão. Resposta: A Despertava exato, dava um recomeço de tudo. De manhã, Mãe veio, se ajoelhou, chorava tapando a cara com as duas mãos: — “Miguilim, não foi culpa de ninguém, não foi culpa…” — todas as vezes ela repetia. — “Mãe, Pai já enterraram?” “— Já, meu filhinho. De lá mesmo foi levado para o Terentém...” “— E todos estão aí, Tomezinho, Drelina, a Chica?” “— Estão, Miguilim, todos gostando de todos...” “— E eu posso ficar doente, quieto, ninguém bole?” As lágrimas da Mãe ele escutava. — “Mãe, a senhora vai rezar também para Dito?” O Dito sabia. Se o Dito estivesse ainda em casa, quem sabe aquilo tudo não acontecia. Miguilim chorava devagar, com cautela para a cabecinha não doer; chorava pelo Pai, por todos juntos. Depois ficava num arretriste, aquela saudade sozinha. (GUIMARÃES ROSA, João. “Campo Geral”. Manuelzão e Miguilim: Corpo de Baile. 12. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. p. 117.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 46 – 47 P O R T U G U ÊS E Texto para o teste 1. 1. Analise as afirmações a seguir, considerando o contexto de Mayombe: I. Nota-se que a postura de Teoria não é dogmática. Além disso, o fato de ser mestiço também é importante, pois tudo isso o coloca numa posição vulnerável diante dos guerrilheiros que repudiam quem não se define para fazer parte de um grupo. II. Há sincretismo cultural na epígrafe e no fecho da obra, nos dois mitos libertários, Ogun e Prometeu, símbolos de luta e afronta ao poder praticamente sobrenatural. III. A personagem Mundo Novo tem as mesmas angústias que Teoria, pois repele o dogmatismo e a postura maniqueísta do Movimento Revolucionário pela Libertação de Angola. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) IIe III, apenas. c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) III, apenas. RESOLUÇÃO: A afirmação III é incorreta, pois Mundo Novo é radical e segue rígida e irrefletidamente os dogmas da doutrina marxista. Tem postura maniqueísta, difere de Teoria, o talvez. Resposta: A Texto para o teste 2. 2. Analise as afirmações a seguir: I. Sem Medo, ao relatar a experiência vivida no seminário, observa o comportamento cruel e hipócrita dos que se dizem religiosos em tal instituição. A hipocrisia religiosa é também observada na obra A Relíquia, de Eça de Queirós, sobretudo nas personagens Teodorico, Patrocínio das Neves e Padre Negrão. II. Sem Medo nega a fé cristã, rompe com a religião e, depois de negar Deus, vivendo uma crise moral, decide abandonar o seminário. Tal postura o aproxima de Teodorico Raposo, personagem de A Relíquia, pois este também rompe com a crença religiosa após ser expulso da casa da tia e conclui que a verdade dos fatos vai impor-se sobre a farsa e a hipocrisia. III. Ao experimentar o sexo, ainda no seminário, Sem Medo passa a viver uma vida dupla, dividido entre seguir as imposições da religião ou os próprios desejos. Teodorico Raposo vive situação semelhante, ao tentar, hipócrita e caricaturalmente, cumprir as duras regras quanto à castidade impostas pela tia beata, disfarçando a vida erótica com a leviana Adélia. EU, O NARRADOR, SOU TEORIA. Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta. (Pepetela, Mayombe) — Quando estava no Seminário, uma coisa sempre me intrigou, era uma nota discordante. Foi essa nota discordante que me empurrou para o sacrilégio e, mais tarde, para o ateísmo. Porque é que os padres, tão puros, tão castos, tão bondosos e tão santos, que nos preparavam para servir Deus, para merecer Deus, prometendo-nos as delícias da vida celestial, nos faziam a vida negra no Seminário, eram tão arbitrários, tão cruéis, tão sádicos nos tormentos que inventavam em nossa intenção. Isso levou-me a desejar o que os horrorizava, a querer conhecer o que eles temiam, a procurar o que eles proibiam de ver ou ouvir ou sentir. Foi com um misto de terror sagrado, de prazer carnal e de prazer de vingança que tive a primeira mulher. Em pleno Seminário, num anexo; era uma criada que aliviava os seminaristas e, quem sabe?, alguns padres. Eu tinha 14 anos. (...) E continuei a confessar-me, sem coragem de lavar o sacrilégio. E continuei a encontrar-me com a criada nos anexos e a ter cada vez maior prazer no amor e, sobretudo, no fato de ser um amor perverso, envenenado pelo sacrilégio que nunca corrigiria. Até que, aos 16 anos, já fora do Seminário — donde finalmente fui expulso por ameaçar de bater num padre branco que fazia racismo aberto —, tornou-se intolerável o medo do Inferno, senti-me danado, perseguido por mil crimes e por todos os prazeres ignóbeis que praticara. A certeza de que estava perdido foi tão grande que decidi que o Inferno não existia, não podia existir, senão eu estaria condenado. Ou negava, matava o que me perseguia, ou endoidecia de medo. Matei Deus, matei o Inferno e matei o medo do Inferno. Aí aprendi que se devem enfrentar os inimigos, é a única maneira de se encontrar a paz interior. (Pepetela, Mayombe) 11 22 Literatura e Análise de Textos Literários – VIII REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 47 48 – P O R T U G U ÊS E IV. No trecho da obra Mayombe, o comandante Sem Medo levanta a hipótese de que alguns religiosos do seminário talvez não cumprissem o celibato. Na obra A Relíquia, esse fato é explicitado, pois, no desfecho do romance, é revelada a vida dupla, envolvendo a aparência casta, mas a essência corrompida, devassa, de um membro do clero. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) I, II e III. d) II, III e IV. e) I, III e IV. RESOLUÇÃO: A afirmação II é incorreta, uma vez que Teodorico Raposo nunca foi um religioso de fato. Tal personagem apenas mantém os aspectos ritualísticos e exteriores das cerimônias do Catolicismo, a fim de herdar a fortuna da tia beata Dona Patrocínio das Neves. Quando expulso da casa da tia, ele apenas desiste de fingir ser carola, abandona a hipocrisia; ao contrário de Sem Medo, que enfrenta um conflito entre a fé e as demandas da Igreja. Além disso, Teodorico não tem a profundidade psicológica de Sem Medo, pois o conflito vivido pelo narrador de A Relíquia é material. No fecho do romance, Teodorico conclui que, no mundo, a mentira, desde que contada com convicção, se impõe sobre a verdade. A sociedade acredita nas farsas. Resposta: E Texto para o teste 3. 3. (PUC-SP – adaptado) – O trecho, extraído de Mayombe, de Pepetela, refere-se à luta do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na década de 1970, pela independência de Angola. Nessa obra de ficção, aparecem diversos temas presentes nesse conflito, entre eles: a) a impossibilidade de saídas negociadas, as divergências entre os vários grupos que lutavam contra a colonização portuguesa, o personalismo de algumas lideranças. b) o apoio da comunidade internacional à independência angolana, a articulação da luta das várias tribos, a preocupação dos portugueses com reformas políticas e sociais. c) o temor do povo angolano face à ameaça de invasão estrangeira, o diálogo ininterrupto com os representantes portugueses, o abandono da luta armada. d) a aliança da guerrilha angolana com os fascistas portugueses, a ampla mobilização popular em favor da emancipação política, a unidade dos grupos em luta. RESOLUÇÃO: É impossível que o imperialismo luso negocie pacificamente a independência de Angola. Além disso, há conflitos entre os grupos (MPLA, UNITA) que lutavam pela libertação, bem como o personalismo, a individualidade marcante da liderança de Sem Medo. Resposta: A Texto para o teste 4. 4. De acordo com um dos narradores do romance Nove Noites, de Bernardo Carvalho, é indefinível o limite entre verdade e mentira, pois a) a verdade está perdida entre todas as contradições e disparates. b) os indígenas sempre contam mentiras para ludibriar os sertanejos. c) ambas são como os mitos e, em algum momento, acabam sendo inverossímeis. d) os fatos virão escorados em pseudoverdades que pareciam incontestáveis. e) a memória, ainda que possa ser exumada e resgatada, nem sempre condiz com a verdade. RESOLUÇÃO: De acordo com o narrador do trecho, é indefinível o limite entre a verdade e a mentira, pois “a verdade está perdida entre todas as contradições e os disparates”. Resposta: A Virou-se para Teoria. Este ainda não dormia. Sem Medo segredou-lhe: — O que conta é a ação. Os problemas do Movimento resolvem-se, fazendo a ação armada. A mobilização do povo de Cabinda faz-se desenvolvendo a ação. Os problemas pessoais resolvem-se na ação. Não uma ação à toa, uma ação por si. Mas a ação revolucionária. O que interessa é fazer a Revolução, mesmo que ela venha a ser traída. (PEPETELA. Mayombe. São Paulo: Leya, 2013. p. 237.) Isto é para quando você vier. É preciso estar preparado. Alguém terá que preveni-lo. Vai entrar numa terra em que a verdade e a mentira não têm mais os sentidos que o trouxeram até aqui. Pergunte aos índios. Qualquer coisa. O que primeiro lhe passar pela cabeça. E amanhã, ao acordar, faça de novo a mesma pergunta. E depois de amanhã, mais uma vez. Sempre amesma pergunta. E a cada dia receberá uma resposta diferente. A verdade está perdida entre todas as contradições e os disparates. Quando vier à procura do que o passado enterrou, é preciso saber que estará às portas de uma terra em que a memória não pode ser exumada, pois o segredo, sendo o único bem que se leva para o túmulo, é também a única herança que se deixa aos que ficam, como você e eu, à espera de um sentido, nem que seja pela suposição do mistério, para acabar morrendo de curiosidade. Virá escorado em fatos que até então terão lhe parecido incontestáveis. (CARVALHO, Bernardo. Nove Noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 7.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 48 Texto para o teste 5. 5. De acordo com o texto encontrado na orelha do livro Nove Noites, “a história é contada em dois tempos”. Também se pode acrescentar que ela é narrada por mais de um narrador, e a essa característica se dá o nome de a) polifonia, pois mais de uma voz narrativa conduz o enredo. b) intertextualidade, pois se notam menções a outros textos. c) metalinguagem, pois o narrador comenta sua narração. d) dialética, pois há contraposição de tese/antítese entre as vozes. e) monólogo interior, pois os narradores captam o fluxo de consciência. RESOLUÇÃO: A presença de mais de uma voz narrativa que conduz o texto é característica da polifonia. Além disso, há vários e díspares depoimentos dos entrevistados pelo narrador investigativo sobre a personalidade de Buell Quain. Resposta: A 6. O procedimento narrativo que se nota em Nove Noites também ocorre em a) Quincas Borba, de Machado de Assis. b) A Relíquia, de Eça de Queirós. c) Angústia, de Graciliano Ramos. d) “Campo Geral”, de Guimarães Rosa. e) Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. RESOLUÇÃO: A polifonia ocorre não só em Romanceiro da Inconfidência, como também em Mayombe, de Pepetela. Resposta: E Texto para o teste 7. 7. O romance Nove Noites, de Bernardo Carvalho, traça significativos paralelos com episódios históricos. A própria morte de Buell Quain é um fato ocorrido em 2 de agosto de 1939, antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. O trecho, no entanto, faz menção a outro fato histórico, também uma guerra, a qual o narrador afirma ter irrompido à mesma época em que leu a matéria sobre a morte de Quain. O evento histórico mencionado é a a) Guerra Fria. b) Guerra do Afeganistão. c) Guerra do Golfo. d) Guerra do Iraque. e) Guerra do Vietnã. RESOLUÇÃO: A resposta é encontrada a partir da interpretação correta das referências históricas dadas no trecho. O narrador afirma ter lido pela primeira vez sobre a morte de Quain em um artigo publicado seis meses antes da deflagração de outra guerra, quase sessenta e dois anos depois da morte do antropólogo norte-americano, ou seja, seis meses antes da deflagração de uma guerra ocorrida em 2001, sessenta e dois anos depois da deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, ano da morte de Buell Quain. A guerra deflagrada em 2001 é a Guerra do Afeganistão, opondo Estados Unidos, Reino Unido, França e Canadá ao regime talibã afegão. Resposta: B Nove Noites narra a descida ao coração das trevas empreendida pelo jovem expoente da antropologia americana, colega de Lévi- Strauss e aluno dileto de Ruth Benedict, às vésperas da Segunda Guerra. A história é contada em dois tempos, na tribo dos índios krahô (interior do sertão brasileiro) e na combinação progressiva entre a busca pelo testamento do engenheiro e a pesquisa que o narrador vai fazendo em arquivos, atrás das cartas do antropólogo e dos que o conheceram na época. (Orelha do livro Nove Noites, de Bernardo Carvalho. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.) 2. Ninguém nunca me perguntou. E por isso também nunca precisei responder. Não posso dizer que nunca tivesse ouvido falar nele, mas a verdade é que não fazia a menor ideia de quem ele era até ler o nome de Buell Quain pela primeira vez num artigo de jornal, na manhã de 12 de maio de 2001, um sábado, quase sessenta e dois anos depois da sua morte às vésperas da Segunda Guerra. O artigo saiu meses antes de outra guerra ser deflagrada. Hoje as guerras parecem mais pontuais, quando no fundo são permanentes. Li várias vezes o mesmo parágrafo e repeti o nome em voz alta para me certificar de que não estava sonhando, até entender — ou confirmar, já não sei — que o tinha ouvido antes. O artigo tratava das cartas de outro antropólogo, que também havia morrido entre os índios do Brasil, em circunstâncias ainda hoje debatidas pela academia, e citava de passagem, em uma única frase, por analogia, o caso de “Buell Quain, que se suicidou entre os índios krahô, em agosto de 1939”. (CARVALHO, Bernardo. Nove Noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 13.) – 49 P O R T U G U ÊS E REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 49 50 – P O R T U G U ÊS E Textos para o teste 8. 8. (UNICAMP-2020) – A obra Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais MC’s, é composta pelas canções e pelo projeto editorial da capa e contracapa do CD. Nesse projeto editorial, encontram-se elementos visuais e verbais que estabelecem um jogo de formas e sentidos. Com base na afirmação de Antônio Cândido, é correto afirmar que a organização desses elementos a) produz uma simetria entre som e sentido, sendo que tal simetria indica que os símbolos religiosos são uma resposta à violência. b) configura um sistema de oposições, uma vez que imagens e palavras estabelecem tensões materiais e espirituais, constitutivas do sentido das canções. c) configura uma sintaxe poética de ordem espiritual. Essa sintaxe espelha o caos e as injustiças vividos na periferia das grandes cidades. d) produz uma lógica poética racional. Essa lógica se explicita na vitória do crime sobre a visão de mundo presente nos versículos bíblicos transcritos. RESOLUÇÃO: O projeto gráfico do CD Sobrevivendo no Inferno sintetiza os ideais que orientam os textos dessa obra dos Racionais MC’s. Trata-se da oposição entre valores religiosos, anunciados pela cruz e pela citação de trechos do Salmo 23, e valores terrenos, representados pela pistola, instrumento associado à violência. Essa mesma oposição entre o espiritual e o degradado ocorre em “Gênesis”: “Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola automática”. Resposta: B As palavras organizadas comunicam sempre alguma coisa, que nos toca porque obedece a certa ordem. Quando recebemos o impacto de uma produção literária, oral ou escrita, ele é devido à fusão inextricável da mensagem com a sua organização. Em palavras usuais: o conteúdo de uma obra literária só atua por causa da forma. (ANTÔNIO CÂNDIDO. O Direito à Literatura. In: Vários Escritos. São Paulo: Ouro sobre Azul / Duas Cidades, 2004. p.178 – adaptado.) REVISAO 1_E_PORT_2020_GK.qxp 28/09/2020 16:22 Página 50