Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

11
Pedagogia - História da Educação
UNidAde 1
A educação antiga e medieval
1.1 Introdução
Esta unidade tem como objetivo central 
examinar a educação nos diferentes contextos 
históricos e auxiliar você a compreender a his-
tória da educação antiga e medieval. Propõe-se, 
através deste estudo, examinar a educação em 
diferentes contextos históricos para que você 
possa, através do conhecimento da história da 
educação da civilização ocidental, compreender 
a história da educação brasileira Falaremos um 
pouco sobre a educação nas civilizações orien-
tal, porém não alongaremos nossa conversa so-
bre elas, tendo em visto o tempo que dispomos 
para este estudo e, ainda, que nossa tradição é 
predominantemente ocidental.
No desenvolvimento desta unidade, você 
vai encontrar temáticas que são abordadas com 
base em uma perspectiva histórica, verá que 
tudo na Educação, dos conhecimentos às rela-
ções entre sujeitos escolares, espaços, metodo-
logias e materiais foi inventado, produzido pelo 
ser humano em circunstâncias sociais e históri-
cas determinadas.
Com base em autores como Maria Lúcia 
Aranha (1990), Paul Monroe (1976), Tomas Giles 
(1987), Luciano Farias Filho (1995), Mario Mana-
corda (2006), entre outros, serão apresentados 
os fundamentos teóricos para que você com-
preenda a educação antiga e medieval.
Através da leitura dos textos propostos, 
você verá que a História da Educação tem como 
uma das suas funções desnaturalizar as práticas 
educativas, estabelecendo uma relação com o 
contexto no qual estão inseridas. 
Esta primeira unidade abordará, portan-
to, a importância da história da educação e o 
processo sócio-histórico das práticas educati-
vas no Egito, na Grécia, em Roma e nas Escolas 
Medievais.
Segundo Aranha (1990), para entender a 
História da Educação, é importante conhecer a 
educação no contexto histórico, ou seja, faz-se 
necessário compreender que o homem é re-
sultante de sua prática social dentro de deter-
minado contexto histórico, social, pois é a par-
tir das relações sociais que os homens criam 
padrões, instituições e saberes. Portanto, é “a 
educação que mantém viva a memória de um 
povo e dá condições para sua sobrevivência. 
Por isso, dizemos que a educação é uma ins-
tância mediadora que torna possível a recipro-
cidade entre indivíduo e sociedade” (ARANHA, 
1990, p.15).
A educação está envolvida nas relações 
sociais que os homens estabelecem e sofre in-
fluência ideológica por estar ligada à política. 
Portanto, o fenômeno educacional não é neu-
tro, está ligado às questões culturais, políticas 
e sociais de seu tempo (FARIA FILHO, 1995). 
A escola faz parte de um mundo marca-
do por desigualdades e lutas sociais; nesse 
sentido, faz-se relevante refletir sobre a esco-
la como um instrumento de transformação da 
sociedade, ao mesmo tempo em que as trans-
formações políticas, econômicas e sociais con-
tribuem para a constituição dos sistemas de 
ensino.
1.2 Educação antiga
O processo educativo passou por cons-
tantes mudanças através da história das civi-
lizações. Propomos rever alguns desses mo-
mentos históricos, pois “a história da educação 
na antiguidade se torna um objeto interessan-
te na medida em que remonta à história de 
nosso próprio processo pedagógico”. (MAR-
ROU, 1966, p.4). Vamos lá! 
De acordo com Aranha (1996), nas civili-
zações orientais, embora seja reconhecida a 
existência da escrita, não havia propostas pro-
priamente pedagógicas, a preocupação com 
a educação permeava os livros sagrados, que 
ofereciam regras ideais de conduta e orienta-
12
UAB/Unimontes - 1º Período
ção para o enquadramento das pessoas nos 
rígidos sistemas religiosos e morais. Veremos 
que as grandes civilizações, na antiguidade, 
tinham modelos de educação parecidos, cujos 
ensinamentos eram passados principalmente 
de pai para filho. 
Segundo Manacorda (2006), é do Egito 
que chegaram os testemunhos mais antigos 
e talvez mais ricos sobre todos os aspectos da 
civilização e, em particular, sobre a educação, 
embora haja conhecimentos sobre a cultura 
de outros povos. Assim sendo, iniciaremos os 
estudos da História da Educação na antiguida-
de pelo Egito. Propomos fazer breves passa-
gens pela história antiga, uma vez que nosso 
foco principal deverá ser a história da educa-
ção no Brasil. 
Vamos conversar um pouco sobre essa 
educação?
Vamos encontrar nos registros propor-
cionados pelos historiadores que a educação, 
para falar bem e para a obediência, consistia 
no verdadeiro valor da educação na antiguida-
de, estava diretamente ligada a fins políticos 
de governo e acontecia em contraste com a 
natureza individual, na formação da persona-
lidade. Nesse contexto, o objetivo principal da 
educação era o falar bem, embora a escrita já 
fizesse parte da cultura antiga.
Como você poderá verificar através de pes-
quisas mais aprofundadas, a escrita aparece na 
antiguidade como instrumento de registro dos 
atos oficiais, era utilizada por peritos e não ne-
cessariamente por governantes, ao passo que o 
falar bem se identifica com a arte do governo, 
ou seja, era instrumento direto da política. 
Faz-se relevante, aqui, destacar que a 
educação sistematizada, na antiguidade, era 
direcionada principalmente à formação da 
classe dominante.
Antes de dedicarmos espaços de discus-
são sobre a educação em diferentes lugares, 
entendemos ser interessante dizer que os 
“ensinamentos” mais antigos, segundo Mana-
corda (2006), contêm preceitos morais e com-
portamentais rigorosamente harmonizados 
com as estruturas e as conveniências sociais 
ou, mais diretamente, com o modo de viver 
próprio das castas dominantes, ou seja, estes 
são sempre em forma de conselhos dirigidos 
do pai para o filho e do mestre escriba para o 
discípulo. 
1.2.1 Educação no Egito 
1.2.1.1 Egito: um pouco de história 
Para pensarmos sobre a educação egíp-
cia, entendemos ser necessário antes falarmos 
um pouco sobre a civilização egípcia antiga, 
no sentido de nos colocarmos no contexto 
onde ela surgiu. Veremos que a civilização 
egípcia se desenvolveu no nordeste africano 
(nas margens do rio Nilo) entre 3200 a.C. (unifi-
cação do norte e sul) a 32 a.C. (domínio roma-
no). Como a região é formada por um deserto 
(Saara), o rio Nilo ganhou uma extrema im-
portância para os egípcios. O rio era utilizado 
como via de transporte (através de barcos) de 
Figura 1: Egípcios em 
adoração. 
Fonte: Disponível em: 
<http://sphotos-a.
xx.fbcdn.net/hphotos-
-prn2/p480x480/9095_10
151365867626274_154096
1810_n.jpg >. Acesso em: 
09/02/2013.
▼
13
Pedagogia - História da Educação
mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo 
também eram utilizadas para beber, pescar e 
fertilizar as margens, nas épocas de cheias, fa-
vorecendo a agricultura. 
A economia egípcia era baseada principal-
mente na agricultura, que era realizada, princi-
palmente, nas margens férteis do rio Nilo. Os 
egípcios também praticavam o comércio de 
mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores 
rurais eram constantemente convocados pelo 
faraó para prestarem algum tipo de trabalho 
em obras públicas (canais de irrigação, pirâmi-
des, templos, diques). A religião dos egípcios 
era repleta de mitos e crenças interessantes. 
Acreditavam na existência de vários deuses 
(muitos deles com corpo formado por parte de 
ser humano e parte de animal sagrado) que in-
terferiam na vida das pessoas. As oferendas e 
festas em homenagem aos deuses eram muito 
realizadas, acreditavam na vida após a morte, 
mumificavam os cadáveres dos faraós, colocan-
do-os em pirâmides, com o objetivo de preser-
var o corpo para a vida seguinte. 
É relevante aqui dizer que a civilização 
egípcia destacou-se muito nas áreas de Ciên-
cias. Esse povo desenvolveu conhecimentos 
importantes na área da Matemática, conhe-
cimentos estes usados amplamente na cons-
trução de pirâmides e templos e ainda na 
medicina. Os procedimentos de mumificação 
proporcionaram importantes conhecimentos 
sobre o funcionamento do corpo humano.
1.2.1.2Educação no antigo Egito
A educação egípcia não se limitava à eli-
te, ao contrário da Babilônia e de outros povos 
em que somente a classe dos sacerdotes escri-
bas era alfabetizada.
No antigo Egito, a educação começava 
cedo na vida da criança, pois esse povo tinha 
um caráter bastante prático por natureza. Os 
egípcios necessitaram desenvolver técnicas e 
ciências para resolver seus problemas cotidia-
nos tendo em vista sua ocupação geográfica, 
ou seja, localizada às margens do Rio Nilo, 
na porção nordeste do continente africano. 
Os alunos recebiam informações sentados 
em esteiras. O ensino é direcionado a práti-
ca, com exercícios  e com  aplicações de artes 
da  arquitetura  da época, do comércio e da 
administração. 
Vamos observar através dos registros 
dos historiadores que a educação no antigo 
Egito estava voltada para o desenvolvimento 
da fala, da obediência e da moral.  As escolas 
funcionavam como templos e algumas casas 
foram frequentadas por pouco mais de vinte 
alunos. A aprendizagem se fazia por transcri-
ções de hinos, livros sagrados, acompanhada 
de exortações morais e de coerções físicas. Ao 
lado da escrita, ensinava-se também aritméti-
ca, com sistemas de cálculo, complicados pro-
blemas de geometria associados à agrimen-
sura, conhecimentos de botânica, zoologia, 
mineralogia e geografia.
Pode-se afirmar que, no início do Médio 
Império (2133- 1786 a.C.), o uso do livro de texto 
aparecia, com frequência, sendo utilizado pelos 
escribas, e, isto acontecia por um pai escriba 
educando seu próprio filho ou um discípulo.
Vamos observar, também, que, na anti-
guidade, as escolas se não eram públicas, ao 
menos eram coletivas, e havia presente a rela-
ção educativa privada, de pai para filho ou de 
escriba para discípulo (aluno). Segundo Mana-
corda (2006), a progressiva transformação da 
sabedoria em cultura, em conhecimento eru-
dito e em assimilação da tradição, com seus 
rituais, e a correlativa constituição da escola 
com seus materiais didáticos, os rolos de papi-
ros, é confirmada tanto pelas inscrições fúne-
bres como pelos textos literários.
▲
Figura 2: Escriba (Professor no antigo Egito). 
Fonte: Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/vw-
pIB75j3A/TfPnCijaQlI/AAAAAAAAAGQ/9FqKdSpZ1GM/
s1600/Escriba+mastaba+Kaninisut.jpg >. Acesso em: 06 
fev. 2013.
GloSSáRio
escriba: Na Antiguida-
de, pessoa encarregada 
de escrever, como copis-
ta, secretário ou redator. 
Doutor da lei entre os 
judeus. Escrivão. Na 
Antiguidade, os escribas 
eram os profissionais 
que tinham a função de 
escrever textos, registrar 
dados numéricos, redi-
gir leis, copiar e arquivar 
informações. Escribas 
era responsável pelos 
ensinamentos.
edubla: Era o local 
destinado à educação e 
treinamento dos escri-
bas que frequentavam a 
escola desde a juventu-
de até a idade adulta, 
para adquirir o status de 
profissionais.
◄ Figura 3: Papiro. 
Fonte: Disponível 
em: <http://bibliote-
cas1978.files.wordpress.
com/2012/08/del-papiro-
-al-blog.gif>. Acesso em: 
06 fev. 2013.
14
UAB/Unimontes - 1º Período
Observe o texto abaixo: 
“Faz-se o que se diz quando se estuda nos livros. Penetra nos livros, coloca-os no teu cora-
ção: tudo o que dirás será excelente. Um escriba destinado para uma função consulta os escritos”. 
(Br. 291 apud MANACORDA, 2006, p. 27). 
Veja que através da leitura deste parágrafo, já no segundo período (cerca de 1785 a 1580 
a. C.), a passagem da sabedoria para a cultura ou instrução tornou-se mais clara, pois o sábio 
deixa de ser apenas aquele que possui experiência e inteligência para ser também aquele que 
conheceu a tradição através dos livros, que adquiriu cultura e assimilou a sabedoria dos an-
tigos através dos livros. É neste momento histórico que o livro ganha destaque como instru-
mento de instrução.
De acordo com Manacorda (2006), é no Novo Império (1552 – 1069 a. C.) que ocorre a ge-
neralização e a consolidação da escola, pois neste período aparece uma quantidade considerá-
vel das chamadas coletâneas escolares, textos e cadernos de exercícios, contendo hinos, ora-
ções, sentenças morais, além de sátiras de ofícios e exaltações dos antigos escribas e do ofício 
de escriba.
AtividAde
Observe o texto abaixo:
Vem, descrever-te-ei o comportamento do escriba quando se diz: Depressa! 
Para o teu lugar! Os teus colegas já estão fixos nos livros: não sejas preguiçoso! 
Ora dizes: três mais três. Ora lês diligentemente no rolo de papiro. Ora deves 
fazer os caçulos em silêncio e que não se ouça a voz da tua boca. Escreve com a 
mão e lê com a boca; pede conselho. Não sejas negligente nem passes um dia 
na ociosidade, senão, ai de teu corpo! Segue os métodos do teu mestre, ouve 
seus ensinamentos. Sê um escriba: Eis-me aqui! Dirás sempre que te chamem. 
Cuida de nunca dizer: Ufa! (MANACORDA, 2006, p. 33-34)
Vamos refletir? Você certamente percebeu que o texto acima registra momentos da vida es-
colar na antiguidade. Ao fazer esta leitura você percebeu alguma semelhança com algum mo-
mento de sua educação? Entre no fórum de discussão e comente com seus colegas sobre suas 
descobertas.
Vamos perceber que, já na antiguidade, havia uma preocupação com a educação infantil, 
pois, segundo Manacorda (2006), há registros de que foi inventada para as crianças pequeni-
nas, no que se refere ao cálculo, noções aritméticas a serem aprendidas através do jogo e da 
diversão; subdivisão de maçãs e de coroas entre certo número de alunos, dando a cada alu-
no o mesmo número, entre outras atividades que proporcionavam este trabalho. Este fato foi 
comprovado através dos achados arqueológicos, tanto de brinquedos como de representa-
ções de jogos, junto com as fontes literárias apresentadas e os testemunhos iconográficos, que 
consistem em fontes preciosas de informações a respeito de aspectos concretos da educação 
na antiguidade.
A civilização egípcia destacou-se muito nas áreas de ciências. Desenvolveram conheci-
mentos importantes na área da matemática, usados na construção de pirâmides e templos. Na 
medicina, os procedimentos de mumificação proporcionaram importantes conhecimentos so-
bre o funcionamento do corpo humano.
GloSSáRio 
Papiro: Uma espécie de 
papel chamado papiro, 
que era produzido a 
partir de uma planta de 
mesmo nome, tam-
bém era utilizado para 
registrar os textos. A 
escrita egípcia também 
foi algo importante 
para este povo, pois 
permitiu a divulgação 
de ideias, comunicação 
e controle de impostos. 
Existiam duas formas 
de escrita: a demótica 
(mais simplificada) e a 
hieroglífica (mais com-
plexa e formada por 
desenhos e símbolos). 
As paredes internas das 
pirâmides eram repletas 
de textos que falavam 
sobre a vida do faraó, 
rezas e mensagens 
para espantar possíveis 
saqueadores.
Sátira: é uma técnica 
literária ou artística que 
ridiculariza um determi-
nado tema (indivíduos, 
organizações, estados), 
geralmente como forma 
de intervenção política 
ou outra, com o objeti-
vo de provocar ou evitar 
uma mudança. 
15
Um fato interessante de se observar é que a educação egípcia não se limitava à elite, ao con-
trário da Babilônia e de outros povos em que somente a classe dos sacerdotes escribas era alfa-
betizada. No Egito, existia a possibilidade de as classes inferiores aprenderem a ler e a escrever e 
inclusive poderiam subir de nível social. O processo educativo egípcio caracteriza-se pela palavra 
escrita. Assim, a capacidade de ler e de escrever conferiu aos que detinham esse saber certo mis-
tério, pois, apoiada pela religião, a autoridade da palavra escrita se torna inviolável (GILES, 1987).
Outro fato importante, como você pode constatar, é que a presença da religião configura-se 
também como uma característica marcante da educação e de todos os aspectos da vida egípcia. 
O faraó era o sumo sacerdote dos cultos oficiais e chefe de Estado. Este Estado apoiava-se na 
forma teocrática de governo, onde a administração burocrática era ligada à casta sacerdotal. Po-
de-se observar que a flexibilidade da sociedadeegípcia se deu, entre outros fatores, pelo fato de 
qualquer menino talentoso poder se tornar um escriba.
A integração da sociedade era o meio que a burocracia sacerdotal adotava, fornecendo ad-
ministradores e funcionários para o governo. Giles relata que a escolarização era um mecanismo 
importante nessa sociedade. Em suas palavras:
◄ Figura 4: Ciência 
egípcia. 
Fonte: Disponível em: 
http://www.mundoedu-
cacao.com.br/novosite/
upload/conteudo_legend
a/4d431e40d9146c8fddb1
84d086b7a64f.jpg. Acesso 
em: 12/02/2013.
◄ Figura 5: Educação 
egípcia. 
Fonte: Disponível em: 
<http://2.bp.blogspot.
com/_EOHn_S0Peko/
SxOpYDKkHlI/AAAAAA-
AAABo/vmnmSsvDrU8/
s1600/31125_31126_ima-
ge002.jpg>. Acesso em: 
12/02/2013.
16
UAB/Unimontes - 1º Período
Junto à tesouraria real sempre havia uma escola pública, equipada para a for-
mação de escribas, cujos serviços eram indispensáveis para a manutenção de 
todo o aparato burocrático do Estado. Mesmo não conseguindo emprego jun-
to ao governo, o escriba era sempre procurado para a administração das gran-
des fazendas e junto aos grandes comerciantes do reino. A instrução nessas es-
colas era gratuita, custeada pelo próprio Estado. O instrumento de mobilidade 
e de estabilidade social é a escola. Trata-se de aprender a ler e escrever para 
subir socialmente. (GILES, 1987, p. 54).
Propomos aqui falar um pouco dos tipos 
de escola, no antigo Egito, com base nos re-
gistros encontrados. Vamos lá! Veremos, atra-
vés dos registros históricos, que, no Egito, no 
período depois de 3.000 a.C, ocorreram três 
tipos de escolas: 
1. escolas do templo: as escolas do templo 
eram direcionadas para treinamento do 
clero; 
2. escolas da corte: as escolas da corte eram 
destinadas à formação dos burocratas; 
3. escolas provinciais: as escolas provinciais 
eram destinadas à formação de funcioná-
rios para o setor privado e para o governo.
Nesse período, observamos que há indí-
cios da existência de escolas militares para a 
formação dos filhos da nobreza que preten-
diam seguir a carreira de oficial do exército. 
Além disso, existiam os colégios sacerdotais, de 
estudos superiores. 
Convidamos você a conhecer um pouco 
dessas escolas e a descobrir qual a preocupa-
ção desse povo com a educação.
De acordo com os registros históricos, 
aos cinco anos, iniciava-se a formação dos jo-
vens nas escolas da aldeia, sob a orientação 
do templo local, em que podiam aprender os 
fundamentos de determinada profissão. Aos 
dezessete anos, os jovens que se destacavam 
continuavam os estudos no templo central ou 
nas escolas superiores de instrução escribal, du-
rante três ou quatro anos.
A atividade principal dentro dessa escola 
era a memorização da hieroglífica e o domínio 
da escrita hierática cursiva, utilizada para fins 
comerciais. Veremos que a escola egípcia con-
sistia na manutenção da literatura de inspira-
ção divina e a técnica predominante no ensino 
era a memorização e a repetição. As virtudes 
consideradas neste período eram o silêncio, a 
obediência, a abstinência e a reverência ao pas-
sado. A criatividade e a originalidade deveriam 
ser evitadas, e o castigo era aplicado ao aluno 
como forma para conseguir as virtudes.
Nesse tipo de educação egípcia, você ob-
servará que, para se tornar escriba, o aluno ti-
nha que alcançar perfeição na reprodução dos 
textos antigos e modelos de escrita, somente 
através desse resultado é que poderia ter aces-
so à mobilidade social. Veremos, também, que 
o processo educativo do Egito antigo consistia 
na conservação das instituições existentes na 
sociedade sem que elas fossem modificadas. O 
modelo educacional do Egito antigo funcionou 
durante 3000 anos.
1.2.2 Educação na Grécia
Convidamos você, agora, para iniciarmos uma conversa a respeito da História da educação 
na Grécia. Para melhor entender as questões educacionais nesse país, faz-se importante rever um 
pouco de sua história. Vamos lá!
Figura 6: Educação da 
criança egípcia. 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.fascinio-
egito.sh06.com/agri-
cola.jpg>. Acesso em: 
16/02/2013.
►
17
Pedagogia - História da Educação
1.2.2.1 Grécia: um pouco de história
A civilização grega surgiu entre os mares Egeu, Jônico e Mediterrâneo, por volta de 2000 a.C. 
Ela formou-se após a migração de tribos nômades de origem indo-europeia como, por exemplo, 
aqueus, jônios, eólios e dórios. Ressaltamos ainda que a Grécia era formada por um aglomerado 
de diversas cidades (polis). As polis (cidades-estado), forma que caracteriza a vida política dos 
gregos, surgiram por volta do século VIII a.C. As duas polis mais importantes da Grécia foram Es-
parta e Atenas.
1.2.2.2 Falando da educação na Grécia 
Na Grécia, encontraremos aspectos da educação do antigo Egito, principalmente a sepa-
ração dos processos educativos segundo as classes sociais, porém esta aconteceu de forma 
menos rígida e com evidente desenvolvimento para as formas de democracia educativa. (MA-
NACORDA, 2006).
Educação no período antigo
Veremos que, para as classes dominantes, 
a educação grega visava prepará-las para as 
tarefas de poder. O mesmo acontecia no Egito, 
portanto, a ênfase na formação do sujeito era 
no “pensar” e no “falar” (política) e no “fazer”, 
este último aspecto inerente ao uso das armas. 
Para a classe trabalhadora (dos governados), 
não havia escolas, mas havia treinamento no 
trabalho e isto consistia em imitar a atividade 
dos adultos no trabalho. Para as classes excluí-
das e oprimidas, nada havia, nem escolas nem 
treinamento.
Na Grécia antiga, vamos destacar duas 
modalidades de educação (duas Paideias): a 
Homérica e a Hesiodeica. Vamos falar um pou-
co sobre isto?
Na educação homérica, os indivíduos das 
classes dominantes são guerreiros na juventu-
de e políticos na velhice. A educação, no pe-
ríodo homérico, caracterizava-se pela falta de 
◄ Figura 7: Ruína grega
Fonte: Disponível em:< 
http://2.bp.blogspot.
com/-rwJl9SkhtZ4/UNSA-
F7goRcI/AAAAAAAAAHc/
K0XwZeW8EbU/s1600/
grecia+antiga.jpg>. Aces-
so em: 10/02/2013.
18
UAB/Unimontes - 1º Período
organização institucional específica, falta de 
método e de controle. A educação consistia no 
treino de atividades práticas, com pouco lugar 
para a instrução de caráter literário. O treino 
voltado para atender às necessidades reais da 
vida acontecia no seio familiar. Para deveres 
superiores da vida, como serviço público, o 
treino era realizado pelo Conselho (aproxima-
va de uma instituição educativa), na guerra e 
nas expedições de conquista. O ideal da edu-
cação homérica baseava-se na teoria do de-
senvolvimento da personalidade; compreen-
dia o ideal do homem de ação e do homem 
de sabedoria. A primeira virtude do homem 
de ação e do guerreiro era a bravura. Assim, 
Aquiles (o guerreiro) e Ulisses (oratória) foram 
os modelos de virtude e de honra. O menino 
aprendia as proezas dos heróis homéricos. 
Nesse período, o ensino formal não existia, o 
conteúdo desse ensino era a retórica, ensinada 
para falar, e a arte militar, ensinada para agir.
A educação hesiodeica, por sua vez, tem 
origem os ensinamentos que constituem um 
patrimônio de sabedoria e de moralidade cam-
ponesa e que correspondem aos ensinamentos 
egípcios, mesopotâmicos ou hebraicos.
Vemos em Manacorda (2006) que na edu-
cação grega, denominada de arcaica, encon-
tramos documentada a aculturação (moral, 
religiosa, patriótica) e a aquisição das técnicas, 
sobretudo as de governar e as de produzir. Ve-
remos que a educação grega acontece através 
da música e da ginástica. Por música, era en-
tendido os hinos religiosos e militares, canta-
dos em coro pelos jovens. Por ginástica, enten-
dia-se a preparação do guerreiro. 
Educação no período clássico
A educação na Grécia, no período clássi-
co, segundo Manacorda (2006), continua ba-
seada na música e na ginástica. O autor nos 
relata que em Creta e Esparta a educação era 
tarefa precípua do Estado, confiada a um ma-
gistrado denominado de pedônomo ou do 
legislador para a infância e também aconteciade forma coletiva. 
Durante os primeiros sete anos, a crian-
ça ficava sob os cuidados dos referidos as-
sistentes, bem como do “pedônomo”, em 
habitações públicas de soldados, mantidas 
pelo Estado. Nessas habitações, a criança era 
preparada para se tornar um guerreiro. Pode-
se dizer que a imitação era a base da educa-
ção grega, mas ela, ao contrário da educação 
oriental, incidia sobre modelos vivos, sendo o 
docente um dos mais importantes. “Pelo con-
tato direto do menino com o adulto, como 
da criança com o pedagogo e do jovem com 
o ‘inspirador’, os gregos efetuaram de modo 
mais prático a educação moral da juventude”. 
(MONROE, 1983, p. 49).
Escola do alfabeto
Veja que, por longo período, os conteú-
dos e fins da educação permanecem tendo 
como seu principal veículo a música e a gi-
nástica, porém, com o desenvolvimento da 
democracia, a educação deixa de ser privi-
légio das classes dominantes e é estendida 
para as classes menos favorecidas, ou seja, é 
direcionada a todos os cidadãos livres. Nesse 
momento, nasce um fato novo, a escola de 
escrita.
Você observou, no início deste estudo, 
que no Egito os ensinamentos eram escritos? 
Lembra-se dos escribas? Recorda que este 
ensinamento era repassado pelos escribas? 
Observou que a escrita egípcia era hieroglí-
fica e, sendo assim, era bastante complexa e 
de domínio exclusivo dos escribas? Observou 
que, por esse motivo, os escribas também 
eram considerados homem de poder, por do-
minar esta técnica? Então vamos continuar 
nossa discussão sobre a educação no Egito e 
descobrir o que deste modelo existe até hoje 
na educação brasileira?
Veja você que para entendermos a esco-
GloSSáRio 
Paideia: Esse termo “foi 
criado por volta do sé-
culo V a.C, que significa-
va “criação dos meninos” 
(pais paidós). Na educa-
ção intelectual, a noção 
de paideia amplia de 
simples educação da 
criança para a contínua 
formação do adulto, 
capaz ele mesmo de 
repensar a cultura do 
seu tempo. Para Aranha, 
a Grécia Clássica é o 
berço da pedagogia. 
Com o tempo, o sentido 
amplia para designar a 
teoria da educação. Os 
gregos, ao discutirem o 
fim da Paideia, esboçam 
as primeiras linhas da 
ação pedagógica, que 
irão influenciar a cultura 
ocidental.
diCA
O período clássico – 
séculos V e IV a. C. – é 
considerado o apogeu 
da civilização grega. 
Observa-se, na polí-
tica, o ideal grego de 
democracia represen-
tado por Péricles. Além 
disso, as artes, literatura 
e filosofia contribuíram 
definitivamente para 
a herança cultural do 
mundo ocidental. (ARA-
NHA, 1990).
Figura 8: Educador 
grego. 
Fonte: Disponível em: 
< http://4.bp.blogspot.
com/-aqTZq3g_K0M/
TjCY5fYwHTI/AAAAAA-
AAAGU/reK2RaW13_8/
s1600/educa%25C3%25A
7%25C3%25A3o+gr%25
C3%25A9cia.jpg>. Acesso 
em: 12/02/2013.
►
GloSSáRio
Pedônomo: Antigo Ma-
gistrado que, em muitas 
cidades da Grécia, 
especialmente Esparta e 
Creta, velava pela edu-
cação das crianças.
19
Pedagogia - História da Educação
la do alfabeto precisamos voltar um pouco na 
educação egípcia. Então vamos lá!
No Egito, existia a possibilidade de as 
classes inferiores aprenderem a ler e a escrever 
e inclusive poderiam subir de nível social. O 
processo educativo egípcio caracteriza-se pela 
palavra escrita. Assim, a capacidade de ler e de 
escrever conferiu aos que detinham esse saber 
certo mistério, pois, apoiada pela religião, a 
autoridade da palavra escrita se torna inviolá-
vel (GILES, 1987).
Os fenícios inventaram um sistema re-
duzido de caracteres que representavam o 
som consonantal, característica das línguas 
semíticas encontrada hoje na escrita árabe e 
hebraica. Em seguida, os gregos adaptaram o 
sistema de escrita fenícia agregando as vogais 
e criando, assim, a escrita alfabética. (Alfabeto, 
palavra derivada de alfa e beta, as duas primei-
ras letras do alfabeto grego.) 
Na Grécia, com a escrita alfabética consi-
derada mais simples, veremos que surge um 
meio mais democrático de comunicação e de 
educação. A escola de escrita se abre a todos 
os cidadãos. Junto aos mestres de música e de 
ginástica, surge um novo mestre, o das letras 
do alfabeto.
AtividAde
Através dos registros históricos, temos que Platão nos informa sobre a metodologia do ensi-
no desta nova e democrática técnica cultural que era a escrita alfabética. Vamos ver o que ele nos 
disse? Veremos através dos escritos de Platão que primeiro se aprendiam as letras oralmente e 
depois as letras escritas, ou seja, primeiro recitavam-se os nomes das letras. Leia o texto abaixo e 
reflita um pouco sobre esta metodologia de ensino.
Quando aprendemos a ler, aprendemos primeiro os nomes das letras, depois 
suas formas e seus valores, em seguida as sílabas e suas propriedades e, enfim, 
as palavras e suas flexões. Daí, coçamos a ler e a escrever, de início lentamente, 
sílaba por sílaba. Quando, no devido prosseguimento do tempo, as formas das 
palavras estiverem bem fixas em nossa mente, lemos com agilidade qualquer 
texto proposto, sem tropeçar, com incrível rapidez e facilidade. (Opuscula, II, 
4-16 apud MANACORDA, 2006, p. 54)
Quer ver se este método durou mesmo por milênios como afirmam os historiadores? Então 
procure em sua família ou na comunidade um ancião (pessoas que tenham pelo menos 70 anos) 
que frequentou escola quando criança. Indague sobre a forma como foram alfabetizados. Apre-
sente os relatos desse momento no fórum de discussão, socializando suas descobertas com seus 
colegas.
Vamos pensar um pouco mais? Imagine esta escola e dê sua opinião, considerando o momen-
to atual. Entre no fórum e apresente suas considerações, dialogando com seus colegas de curso.
Continuando nossa conversa, veremos 
que, posteriormente, a escrita grega foi adap-
tada pelos romanos, constituindo-se o sistema 
alfabético greco-romano, que deu origem ao 
nosso alfabeto atual. Veremos que esse sistema 
representa o menor inventário de símbolos que 
permite a maior possibilidade combinatória de 
caracteres, isto é, representação dos sons da 
fala em unidades menores que a sílaba. 
Com a invenção da escrita, o processo 
educativo tornou-se mais formalizado, exigin-
do uma classe de especialista. Nesse caso, a 
transmissão e a escrita ficam entregues à res-
ponsabilidade da casta sacerdotal. O sacerdo-
te era o mediador entre os deuses e o homem. 
Entretanto, o novo sistema escolar ainda não 
era universal, destinava-se somente aos filhos 
dos detentores de poder. Nesse contexto, 
surgem as primeiras bibliotecas com escritos 
de mitologia, história, astronomia, astrologia, 
magia, poesia e gramática. Como o sacerdote 
era o mediador entre o homem e os deuses, a 
formação era centrada nos rituais. Portanto, o 
processo educativo se destinava à conserva-
ção e à continuidade do sistema político e so-
cial do período.
▲
Figura 9: Alfabetização 
(escrita chamada 
hieroglífica). 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.disco-
verybrasil.com/egito/
alfabetizacao> Acesso em: 
10/02/2013
◄ Figura 10: Escrita 
alfabética. 
Fonte: Disponível em: < 
http://www.webeduc.mec.
gov.br/midiaseducacao/
modulo4/e1_assun-
tos_a1.html>. Acesso em: 
10/02/2013
20
UAB/Unimontes - 1º Período
No que se refere à educação grega, po-
demos considerar que essa teve como particu-
laridade a oportunidade do desenvolvimento 
individual. As explicações religiosas são substi-
tuídas pelo reconhecimento da razão autôno-
ma, pela inteligência crítica, pela personalidade 
livre, capaz de formular o ideal de formação do 
cidadão. Assim, Aranha (1990) relata que uma 
nova concepção de cultura e do lugar do in-
divíduo na sociedade repercute na educação, 
bem como nas teorias educacionais. De fato, os 
filósofos gregos refletiram a esse respeito, para 
que a educação pudesse desenvolver um pro-
cesso de construção consciente de que o ho-
mem fosse constituído de modo correto e sem 
falha, nas mãos, nos pés e no espírito. 
Na Grécia, existiam conflitos entre os teó-
ricos educacionais, com relação à constitui-
ção do ideal educativo. Com isso,os filósofos 
gregos, representantes da nova educação do 
mencionado país, ganharam destaque, espe-
cialmente, Sócrates, Platão e Aristóteles.
Para refletirmos um pouco a respeito da 
história da educação no contexto em que vi-
via Platão, necessitamos lembrar que as ideias 
deste filósofo marcam dois momentos e dois 
modelos de educação, sendo que o primeiro 
momento representa as ideias de Platão en-
quanto jovem, que são expressas no livro A 
República. Platão aponta o modelo ideal de ci-
dade, onde as pessoas são livres para se gover-
nar. Aqui, fica clara a concepção de homem, 
que traz implícita uma concepção de educa-
ção e, consequentemente, uma visão de ensi-
no e aprendizagem coerente com a moral e a 
política. Segundo Platão:
Um homem perfeito só pode ser um perfeito cidadão. E como é necessário co-
nhecer o bem para ser um homem de bem ou um bom cidadão, se não o co-
nhecer por si mesmo em todo o seu esplendor, convém pelo menos ser orien-
tado por aqueles que se elevaram até este conhecimento, ou seja, os filósofos. 
Eis por que é necessário, para o bem de todos, que os filósofos sejam conside-
rados os líderes da cidade (PLATÃO, 1999, p. 32).
Podemos observar que, ao conceber o homem livre, a educação também é concebida de 
forma livre, pois é necessário formar o homem que se ajuste a um modelo, onde cada pessoa 
tenha consciência de sua classe e, dessa forma, irá desempenhar os seus papéis, cumprir obri-
gações, a fim de manter a harmonia entre a hierarquia, necessária a uma cidade justa, livre das 
desilusões, conveniências sociais e interesses individuais ou de uma minoria de aristocratas. No 
que se refere à educação proposta por Platão na República, Giles afirma que:
Em “A República”, Platão analisa demoradamente o processo educativo. Este 
visa, antes de tudo, à formação do guardião, que é quem deve exercer lideran-
ça e garantir a subsistência do Estado na sua forma ideal. Platão é menos ex-
plícito no que diz respeito à formação dos guerreiros e dos artesãos. Porém, a 
escolha do candidato para cada tipo de educação será baseada no talento, ou 
seja, na capacidade natural. (GILES, 1987, p. 21).
Veremos que a organização da sociedade grega fez florescer o progresso social e que a li-
berdade estimulou o desenvolvimento de todos os aspectos e de todas as formas de expressão 
do valor individual. Assim, surgiu o conceito de educação liberal, considerada digna do homem 
livre, que, segundo os historiadores, possibilita tirar proveito de sua liberdade ou fazer uso dela. 
Ao aprofundar no estudo da história da educação na Grécia, você observará que esta tinha 
a missão de aplicar a inteligência a todas as fases da vida, pois, no modelo de educação grega 
deste período, o saber deixou de ser servo da teologia e a pesquisa não era privilégio especial do 
sacerdócio. Verá que, nesse contexto, existia uma contraposição de ideias, discutidas por meio 
de debates, de forma que provocasse um conflito. Nesses debates, os gregos defendiam ideais 
filosóficos que, ao serem estabelecidos, foram cristalizados de forma a influenciar o mundo oci-
dental, até a atualidade. De acordo com Chatelet:
[...] é incontestável que a concepção grega do homem e do mundo se secula-
rizou ou laicizou progressivamente e que o universo dos deuses desapareceu 
pouco a pouco face às ações dos homens... Subministra-se aí um pensamen-
to novo, que rejeita nos horizontes distantes do arcaísmo o excessivo interesse 
pelos deuses e, em consequência, o exclusivo interesse pelos homens. Nesta 
óptica, a regulamentação da continuidade já é significação de ruptura... Um 
estilo novo de discurso nela se impõe; define-se uma ordem que será logo de-
signada como lógica; determina-se nele uma política original. A novidade é 
evidente, não é mais a força dos hábitos ou do poder pseudo-real dos mante-
nedores da ordem que se impõe, mas a ordem da palavra controlada. (CHATE-
LET, 1973, p. 20).
PARA SABeR MAiS
Para você entender me-
lhor sobre a Grécia, leia 
as obras de Sócrates, 
Isócrates, Platão e Aris-
tóteles. Você encontra 
ebooks desses pensa-
dores em sites como: 
<http://ateus.net/
ebooks/http://projeto-
phronesis.wordpress.
com/2009/07/10/e-
-bookssocrates/http://
searchworks.stanford.
edu/view/4535727>
21
Pedagogia - História da Educação
Temos que a educação na Grécia dividiu-se entre período antigo (Idade Homérica) e novo 
período (educação espartana e ateniense). Já apresentamos a educação no período homérico. 
Propomos, agora, falar um pouco da educação grega no novo período, ou seja, educação espar-
tana e ateniense. Vamos lá!
Você precisa saber que, na educação grega no novo período, continuam as ideias educacio-
nais, religiosas e morais, porém, nesse momento, desenvolveu-se um novo pensamento filosófi-
co e novas práticas educativas surgiram. 
Vamos observar estas educações através dos relatos dos historiadores, separando em duas 
sessões: educação em Esparta e educação em Atenas.
1.2.2.3 Educação em Esparta
Para conversarmos a respeito da educa-
ção espartana, precisamos ressaltar que Espar-
ta era uma importante cidade-estado situada 
na península do Peloponeso. Com a formação 
da cidade-estado (unidades políticas maio-
res), faz aparecer a evolução da nova estrutura 
política, acompanhada por modificações nas 
formas de governo, de sistema monárquico, 
depois ditadura e, por fim, a democracia re-
publicana. Entretanto, Esparta aparece como 
uma exceção a esse processo, pois o ideal ho-
mérico irá permanecer de maneira atuante e 
nitidamente militarista. 
Veremos que o estado de guerra pratica-
mente permanente impõe uma disciplina que 
subordina o indivíduo ao Estado. Dessa forma, 
a educação espartana consistia em dar a cada 
indivíduo a perfeição física, coragem e hábito 
de obediência às leis para que esse indivíduo 
se tornasse um soldado ideal em bravura e 
verdadeiro cidadão. 
É sabido que, ao nascer, a criança espar-
tana era minuciosamente observada por um 
grupo de anciãos. Caso ela não apresentasse 
uma boa saúde ou tivesse algum problema 
físico, era lançada do cume do monte Taigeto. 
Se a criança fosse considerada saudável, ficaria 
com a mãe até os sete anos de idade e, a partir 
dessa idade, passava a ficar sob a tutela do go-
verno espartano, com a finalidade de receber 
todo o conhecimento necessário à sua futura 
trajetória militar.
Vamos refletir?
Como você pode perceber, o processo 
educativo em Esparta era controlado pelas 
autoridades políticas, afinal, para o ideal es-
diCA
Para Sócrates, a aprendi-
zagem é fruto de uma 
semente germinada 
e cultivada na alma. 
E, assim, a educação 
deve ocorrer por meio 
de diálogos críticos, 
procurando demonstrar 
a necessidade de unir 
pensamento e vida, a 
fim de que o ser huma-
no procurasse buscar 
o autoconhecimento. 
Você percebe esse mo-
delo de educação pre-
sente nas concepções 
ensino-aprendizagem 
adotadas atualmente?
◄ Figura 11: Educação na 
Grécia. 
Fonte: Disponível em: 
< http://1.bp.blogspot.
com/-yV9aOxseiek/T5T-
zu0Iy7rI/AAAAAAAAADo/
PGf56ZM-xeE/s1600/
educ3.jpg>. Acesso em: 
12/02/2013.
AtividAde
Pense no que você leu 
no parágrafo anterior 
sobre a educação da 
criança espartana. Qual 
a sua opinião sobre a 
forma que os espar-
tanos pensavam sua 
educação na antigui-
dade? Nossa educação 
resguarda alguma 
semelhança com esse 
modelo? Qual a sua 
opinião a esse respeito? 
Entre no fórum e dialo-
gue com seus colegas.
22
UAB/Unimontes - 1º Período
partano, as crianças nascem e são criadas para 
servir ao Estado. Aos sete anos de idade, o 
menino era entregue aos cuidados da escola 
oficial do Estado e o ensino destinava-se a for-
mar o soldado. Observe logo abaixo o comen-
tário de Giles:
O menino recebe uma cama de palha, sem cobertor, e uma camisola curta. 
Deve andar descalço. Para acostumar-se a passar fome em tempo de guerra, só 
recebe um mínimo de comida. (GILES, 1987, p.13).
Então, como 
se pode observar, a 
educação espartana 
tinha critérios para 
entrada e continuida-
de do processoedu-
cativo, ou seja, entre 
os sete e os doze 
anos, a criança rece-
bia os conhecimen-
tos fundamentais 
sobre a organização 
e as tradições de seu 
povo. Após os doze 
anos, iniciava-se um 
rigoroso treinamento militar em que o menino 
seria colocado em uma série de provações e 
testes que deveriam aprimorar suas habilida-
des de guerreiro.
Aranha (1996) comenta que, como todos 
os gregos, os espartanos desenvolvem o estu-
do de música, canto e dança coletiva. Até os 12 
anos, predominavam as atividades lúdicas e, 
conforme o crescimento, aumentava-se o rigor 
da aprendizagem e a educação física se trans-
formava em verdadeiro treino militar.
Veja que o princípio da educação esparta-
na era formar bons soldados para abastecer o 
exército da polis e, por este motivo, podemos 
inferir que a educação espartana tinha como 
objetivo principal formar soldados fortes, va-
lentes e capazes de lutar na guerra. Veremos, 
também, que o senso crítico e artístico não era 
valorizado pelos espartanos e que os jovens 
estudantes tinham que aprender a aceitar or-
dens dos seus superiores e falar somente o ne-
cessário. 
As meninas espartanas também tinham 
direito à educação específica, porém, esta 
acontecia de forma bem diferente da educa-
ção dos meninos. A educação das meninas 
tinha como objetivo formar boas esposas e 
mães. As meninas também participavam de 
atividades desportivas e torneios, mas com o 
objetivo de tornarem-se mulheres saudáveis 
e fortes, para, no futuro, dar a luz a soldados 
saudáveis e fortes.
Você observou que o conteúdo da educa-
ção espartana era dominantemente físico e mo-
ral? Observou que a educação moral valorizava 
a obediência, a aceitação dos castigos e o res-
peito aos mais velhos? Assim sendo, podemos 
inferir que a educação desenvolvida em Esparta 
estava intimamente ligada ao caráter militarista.
Educação em Atenas
Vamos observar através dos registros his-
tóricos que a educação em Atenas contrasta-
va com a adotada em Esparta, pois a educa-
ção ateniense tinha como objetivo principal 
a formação de indivíduos completos, ou seja, 
preocupava-se com o bom preparo físico, psi-
cológico e cultural. Os atenienses acreditavam 
que a cidade-estado se tornaria mais forte se 
cada menino desenvolvesse individualmente 
suas aptidões. 
Veremos que o governo ateniense não 
controlava os alunos e as escolas. Os primei-
ros anos de vida da educação ateniense eram 
completamente dedicados à diversão, ou seja, 
o menino entrava na escola aos 6 anos de ida-
de e ficava sob a responsabilidade de um pe-
dagogo que era responsável pelos primeiros 
ensinamentos. Quando os jovens atingiam a 
idade de 16 anos, completava-se a sua educa-
ção básica.
Segundo os registros históricos, todo ci-
dadão ateniense enviava o filho a três tipos de 
escola elementar: a palestra ou escola de ginás-
tica, a escola de música e a escola de escrita. 
A música visava ao desenvolvimento do 
senso estético do menino, e o sentido de partici-
pação em concursos, festivas e declamações de 
poesia constituía a formação do caráter moral. 
Na escola de escrita, o menino aprendia 
a escrever tanto a letra formal como a letra 
cursiva. Nesse período (século V a.C), segundo 
Guiles, houve evolução do alfabeto em Atenas 
e isso foi de extrema importância para o pro-
cesso educativo:
O aluno iniciava por copiar as letras individuais, para depois combiná-las 
em sílabas e, enfim, decorava palavras inteiras. A escrita era feita em tábuas 
de barro cozido com estilete. As tábuas eram cobertas com uma camada de 
▲
Figura 12: Educação 
espartana. 
Fonte: Disponível em: 
< http://1.bp.blogspot.
com/-jpD70CpjYrQ/
Ttd5_MGUG_I/AAAAA-
AAAAEg/nVUPxZ4TGb0/
s400/300-6.jpg>. Acesso 
em: 12/02/2013.
AtividAde
Qual a sua opinião 
sobre esta forma de 
educar? Tem observado 
alguma semelhança 
com a forma de edu-
cação atual? Entre no 
fórum e dialogue com 
seus colegas de Curso a 
esse respeito dando sua 
opinião.
AtividAde
Em nossa educação 
contemporânea existe 
essa preocupação? O 
que você percebe da 
nossa educação atual 
que se assemelha a 
estas descrições? Qual a 
sua opinião sobre essa 
forma de educar? Vá ao 
fórum e comente com 
seus colegas sobre o 
modelo educacional 
espartano, apresentan-
do sua opinião.
23
Pedagogia - História da Educação
cera. Mais tarde, escrevia-se em folhas de papiro. O aluno traçava as formas 
das letras, já preparadas pelo instrutor, até aprender a formá-las ele próprio. 
(GILES, 1987, p. 15)
Quanto à educação das meninas de Atenas, verificamos que elas não frequentavam escolas, 
ficavam aos cuidados da mãe até o casamento.  
Como você pode observar, por volta dos sete anos de idade, o menino ateniense era 
orientado por um pedagogo e não enviado a campos de formação de guerreiro como em Es-
parta. Na escola, os jovens estudavam música, artes plásticas, Filosofia, entre outras. As ativi-
dades físicas também faziam parte da vida escolar dos atenienses, pois estes consideravam de 
grande importância a manutenção da saúde corporal e não havia a preocupação com a guer-
ra. Embora os cidadãos atenienses vivessem sobre um regime democrático, a educação ainda 
era um privilégio dos nobres.
Diante do que estudou até agora, você observou que, no que diz respeito à educação ate-
niense, muitos aspectos eram considerados. Porém, há outro fato que consideramos de relevân-
cia: é quanto aos responsáveis pela educação em Atenas. Vamos observar que os sofistas surgem 
como os primeiros mestres, profissionais da educação. Veremos, ainda, que o processo educati-
vo ateniense estava associado às necessidades práticas, principalmente a eloquência perante a 
assembleia dos cidadãos. A retórica, portanto, era considerada fundamental na formação desse 
cidadão, pois se acreditava que através da argumentação, da força de dicção poética, da orna-
mentação e estilística e da persuasão, a opinião pública poderia ser manipulada.
A educação ateniense tinha uma sistematização, como podemos verificar através dos rela-
tos apresentados no ícone Para saber mais a seguir.
Leia-o e descubra do que estamos falando.
AtividAde
Como você percebeu 
essa preocupação da 
educação feminina pe-
los espartanos? O que 
diria se essa forma de 
educação fosse implan-
tada hoje em nossos 
sistemas educativos? Vá 
ao fórum e apresente 
sua opinião, discutindo 
sobre esse assunto com 
suas colegas de Curso.
PARA SABeR MAiS
Assista ao filme “300”, 
de Zack Snyder, que traz 
uma cena que ilustra 
muito bem o que vimos 
sobre a educação espar-
tana: trata-se do treina-
mento do rei Leônidas 
quando menino.
- Visite o fórum e 
comente sobre o filme 
com seus colegas.
AtividAde
Neste modelo você 
percebe alguma seme-
lhança com a educação 
atual? Entre no fórum 
e comente com seus 
colegas sobre sua des-
coberta.
◄ Figura 13: Educação 
em Atenas. 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.dm.ufscar.
br/hp/hp902/hp902001/
fhp902001d.jpg>. Acesso 
em: 13/02/2013.
AtividAde
Vamos pensar um 
pouco? Este modelo 
educacional tem algu-
ma semelhança com o 
nosso modelo atual? 
O que você percebeu? 
Entre no fórum e discu-
ta com seus colegas as 
suas percepções.
AtividAde
Observou que a edu-
cação ateniense tinha 
como objetivo trabalhar 
as qualidades mentais, 
físicas e morais do ser 
humano, guiando a 
juventude e fazendo-os 
tornarem-se “fortes e 
descentes”, úteis à socie-
dade e bons cidadãos? 
Pois é, o que você acha 
dessa preocupação dos 
atenienses? Entre no 
fórum e comente com 
seus colegas de Curso. 
24
UAB/Unimontes - 1º Período
BOX 1
Texto: Ministério Nacional da educação e dos Assuntos Religiosos da República Hel-
lênica. tradução (inglês/Português) Phedra Panos.
A educação na antiga Atenas consistia em três (3) cursos básicos. 
O Primeiro curso era chamado “Grammata” (as letras), e incluía a leitura, escrita e mate-
mática. O professor era chamado de “Grammatistes” (professor das letras). Quando as crianças 
passavam a dominar a língua, era-lhes ensinados os grandes Poetas e suas obras. 
Osegundo curso consistia em Música e Canto. O professor era chamado de “Kitharistes” 
(guitarrista). Através das letras, da música e poesia, também lhes era ensinado história, geo-
grafia, ética e todos os demais valores da vida. 
O terceiro curso consistia em educação física. O professor era chamado de “Paidotribes” 
(formador de criança). As lições tinham lugar à tarde na “Palaestra” (lugar de esportes) e no 
estádio. As crianças praticavam luta, salto, corrida e arremesso de disco e dardo.
Fonte: Disponível em: < http://www.sociedadehelenica.org.br/paginas_pt/netnews.cgi?cmd=mostrar&cod=12&max=
9999&tpl=modelo2>. Acesso em: 13/02/2013
Vamos agora dialogar um pouco a respeito da educação Romana, e, para tal, precisamos 
considerar que, com a conquista romana, a cultura grega estende suas fronteiras, sem mudar seu 
caráter. Você vai observar que, na realidade, a educação romana vai ser apenas um aspecto da 
educação da Grécia.
1.3 Educação romana
Começaremos esta discussão esclarecen-
do para você que, de acordo com os historia-
dores, a fundação de Roma resulta da mistura 
de três povos que foram habitar a região da 
península itálica: gregos, etruscos e italiotas. 
Esses povos desenvolveram na região uma 
economia baseada na agricultura e nas ativi-
dades pastoris. Lembramos, ainda, que a so-
ciedade romana, nessa época, era formada 
por patrícios (pobres proprietários de terras) 
e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos 
proprietários). 
Vamos ver um pouco da história deste 
país na antiguidade, segundo os historiadores?
1.3.1 Um pouco da história de Roma
Reportarmos à história de Roma requer 
considerarmos que esta consistia em uma 
pequena cidade e se tornou um dos maiores 
impérios da antiguidade. Dos romanos, herda-
mos uma série de características culturais.
Veremos que o direito romano, até os dias 
de hoje, está presente na cultura ocidental, 
assim como o latim, que deu origem à língua 
portuguesa, francesa, italiana e espanhola. 
Origens de Roma: explicação histórica e Mo-
narquia Romana (753 a.C a 509 a.C).
Como você certamente recorda dos estu-
dos que realizou no ensino médio, o sistema 
político romano era a monarquia já que a cida-
de era governada por um rei de origem patrí-
cia. Lembra-se também que a religião, de ma-
neira geral, nesse período, era politeísta? Os 
romanos adotavam deuses semelhantes aos 
dos gregos, porém com nomes diferentes. Nas 
artes, destacava-se a pintura de afrescos, mu-
rais decorativos e esculturas com influências 
gregas. República Romana (509 a.C. a 27 a.C). 
Ressaltamos que, durante o período repu-
blicano, o senado Romano ganhou grande po-
der político. Os senadores, de origem patrícia, 
cuidavam das finanças públicas, da adminis-
tração e da política externa. As atividades exe-
cutivas eram exercidas pelos cônsules e pelos 
tribunos da plebe. A criação dos tribunos da 
plebe está ligada às lutas dos plebeus por uma 
maior participação política e melhores condi-
ções de vida. Em 367 a.C., foi aprovada a Lei Li-
cínia, que garantia a participação dos plebeus 
no Consulado (dois cônsules eram eleitos: um 
patrício e um plebeu). Essa lei também acabou 
com a escravidão por dívidas (válida somente 
para cidadãos romanos). Formação e Expansão 
do Império Romano.
Você precisa ter claro também que, no 
ano de 395, o imperador Teodósio resolveu 
AtividAde
Qual a sua opinião 
sobre esse modelo edu-
cacional? Você acha que 
esse modelo poderia 
melhorar nossa edu-
cação? Converse sobre 
isso com seus colegas 
no fórum.
25
Pedagogia - História da Educação
dividir o império em Império Romano do Oci-
dente, com capital em Roma, e Império Roma-
no do Oriente (Império Bizantino), com capital 
em Constantinopla. Em 476, chega ao fim o 
Império Romano do Ocidente, após a invasão 
de diversos povos bárbaros, entre eles, visi-
godos, vândalos, burgúndios, suevos, saxões, 
ostrogodos, hunos etc. Nesse contexto, pode-
mos afirmar que ocorria o fim da Antiguidade 
e início de uma nova época chamada de Ida-
de Média.
Agora, dedicaremos nossa atenção à re-
flexão acerca da educação romana propria-
mente dita. Vamos lá! Historiadores afirmam 
que, na antiga Roma, o pai de família era o 
primeiro educador e que esse modelo de edu-
cação se caracteriza pela mentalidade prática 
dos romanos, enquanto na Grécia os sofistas 
foram os instrumentos para a introdução de 
novas práticas educativas.
Para podermos discutir a respeito da edu-
cação em Roma, você precisa saber também 
que os filósofos gregos, particularmente Só-
crates, Platão e Aristóteles tentaram conciliar 
o conflito existente entre a educação institu-
cional e a nova educação individualista, o que 
resultou na formulação de um problema que 
permanece até a educação atual, ou seja, as 
discussões de fins, métodos e conteúdo edu-
cacionais sofrem influência dessa época até o 
presente, porém é preciso saber que a orga-
nização educacional sugerida pelos filósofos 
gregos não teve impacto imediato na educa-
ção romana. Dessa forma, ponderamos que a 
tendência individualista na educação romana 
permaneceu até que fosse reprimida politica-
mente pelo Império Romano e moralmente 
pelo cristianismo. Você verá que o ideal roma-
no de educação era baseado na concepção de 
direitos e deveres. Assim, Giles comenta:
Todos os deveres de pai e de cidadão reclamavam uma educação definida, du-
rante os anos da meninice, a fim de se desenvolverem as aptidões ou virtudes 
adequadas. Mesmo nos últimos períodos, esta educação, apenas em pequena 
parte, era ministrada na escola. O lar é que ministrava uma educação definida, 
de caráter positivo e de grande valor. (GILES, 1987, p. 37).
Esclarecemos a você que o processo edu-
cativo romano, assim como o de Esparta, tinha 
a finalidade de formar os filhos para servirem 
à Pátria. A aprendizagem consistia nas artes 
mais necessárias para o Estado. Lembramos 
que, na sociedade romana, diferentemente da 
espartana, a família é a instituição mais impor-
tante e o principal agente educativo. O proces-
so educativo é a formação do caráter moral. 
Assim, as escolas formais, no início da infân-
cia, tinham menor relevância, em comparação 
com o lar. A educação era responsabilidade 
dos pais, que deviam dar disciplina severa, au-
toritária e moral. Thomas Giles revela que:
Completados os oito ou nove dias do nascimento, o filho é inspecionado para 
ver se merece viver ou não. Sendo aprovado, a família festeja a ocasião com ce-
rimônia religiosa, dando-se nome ao filho. Só então a família assume a sagrada 
tarefa de cuidar da criança, educando-a para o cumprimento da futura tarefa 
de assumir os deveres de cidadão. (GILES, 1987, p.78).
AtividAde
Como você vê esta 
forma de seleção para 
a educação? O que mu-
dou? A partir da leitura 
do texto acima, entre no 
fórum e comente com 
seus colegas apresen-
tando sua opinião a 
esse respeito, fazendo 
relação com o momen-
to atual. 
◄ Figura 14: Educação 
romana. 
Fonte: Disponível em: < 
http://cpantiguidade.files.
wordpress.com/2011/04/
imagem-1-valc3a9ria1.
jpg>. Acesso em: 
16/02/2013.
26
UAB/Unimontes - 1º Período
A partir do ritual, a criança aprovada 
aprende a referendar as divindades ancestrais, 
a obedecer às leis e aos pais, ou seja, aprende 
a ser guerreira e cidadã. Quanto ao processo 
educativo fundamental dos romanos, por tra-
dição, o jovem aprendia a ser um homem bom 
e piedoso a partir da observação dos mais ve-
lhos. Assim, a força do exemplo era o instru-
mento crucial da educação romana. 
Para Manacorda, a transição do estado 
tribal à monarquia aconteceu em apenas 300 
anos:
Em Roma a educação moral, cívica e religiosa, aquela que chamamos de incul-
turação às tradições pátrias, tem uma história com características próprias, ao 
passo que a instrução escolar no sentido técnico, especialmente das letras, é 
quase totalmente grega. Com as palavras de Cícero podemos dizer que “As vir-
tudes (virtutes) têm sua origem nos romanos, a cultura (doctrinae) nos gregos.” 
(MANACORDA, 2006, p. 73).Segundo os historiadores, os ritos da ini-
ciação começavam aos dezesseis anos, quan-
do o adolescente passava para a condição de 
adulto, trocava de veste e confirmava o seu 
nome. Observe que era a partir desse momen-
to que a educação do jovem era entregue a 
parentes ou amigos, que ensinariam a arte 
guerreira e agrícola. O adolescente aprendia 
também a ginástica, o manejo de armas, a ler 
e escrever e a história da pátria como sinal de 
identidade nacional. 
Veremos que o ensino literário limitava-se 
à transmissão oral de hinos religiosos e cantos 
militares. O filho era moldado pelo pai para 
formar uma sociedade de soldados e aristocra-
tas, pois o objetivo da educação romana era 
moral e prática, e não intelectual e literária.
Entretanto, veremos que a anexação da 
Grécia, da Macedônia e de outras províncias 
transformou Roma em uma cidade bilíngue, 
destacando a língua grega, que se tornou, 
nesse período, a segunda língua para os di-
plomatas e aristocratas. Assim, você pode 
perceber que, nesse contexto, as mudanças 
em Roma são irreversíveis. Inicia-se o ideal 
pragmático utilitário de aceitação e adaptação 
dos estudos helenistas por parte de Roma. So-
mente na segunda metade do século II surge 
um curso de instrução formal que tem o ideal 
humanista, correspondente à Paideia.
Assim sendo, veremos que a organização 
sistemática do ensino em Roma desta época 
se baseia no programa de estudos domina-
dos pela gramática, filologia e retórica, e não 
pela literatura, estética e filosofia. Veja que os 
estudos romanos dividiam-se em três etapas: a 
primeira consistia na leitura, na escrita do gre-
go e do latim; a segunda consistia no ensino 
da gramática, filologia e literatura; e a terceira 
etapa compreendia o nível superior, ou seja, 
o estudo técnico da filosofia, da dialética e da 
retórica.
Porém, veremos, aqui, que o elemento 
comum nessas três etapas era a dimensão 
prática (aplicabilidade à vida do que se ensina 
e se aprende). Podemos dizer que a estrutura 
escolar helenista foi implantada no sistema es-
colar romano da época. O ensino de literatura, 
da lógica e da oratória continuou e, nesse mo-
mento histórico, o menino era entregue aos 
cuidados do pedagogo. É preciso que você 
saiba que o pedagogo romano, nessa época, 
tinha como objetivo servir de guardião, com-
panheiro e orientador moral. Esse pedagogo 
era escolhido com muito critério, sendo obser-
vado principalmente o seu caráter moral.
Voltando a falar da educação romana, 
no que diz respeito ao método de ensino, ve-
remos que, aos sete anos, o menino aprendia 
a escrever copiando as palavras ditadas pelo 
mestre ou traçando as letras sobre as tábuas 
de cera. Na leitura, utilizava-se a tradução la-
tina da Odisseia. Com doze anos de idade, o 
aluno vai para a escola gramatical, que se di-
vidia no estudo de língua e de literatura grega 
e no estudo do latim e da literatura romana. 
Assim, veremos que a escola elementar roma-
na foi substituída pelo modelo grego. O mes-
tre providenciava as instalações para as aulas, 
que normalmente eram barracas e tendas ao 
ar livre, ao passo que no nível superior, as salas 
eram espaçosas, com bancos e cátedra para o 
mestre. 
Também entendemos ser importante aqui 
registrar que a Retórica latina adaptada do gre-
go ganha importância nesse período, estuda-
va-se também Letras/Português, música, ma-
temática, geometria e astronomia. Entretanto, 
somente os meninos estudavam na escola gra-
matical, as meninas estudavam no lar.
Outro ponto que julgamos relevante para 
você refletir é que o processo educativo roma-
no caracterizava–se pela independência do 
Estado e a sua falta de controle. Entretanto, a 
necessidade da formação de uma burocracia 
fez com que o Estado romano se envolvesse 
gradativamente no processo educativo, fazen-
do com que as escolas assumissem a forma do 
sistema estatal. 
Você deve observar que a organização 
dos estudos e métodos de ensino utilizados 
em Roma provinha das escolas helenistas. Que 
PARA SABeR MAiS
Assista aos filmes: O 
Império Romano - SBJ 
Produções, ou Roma 
Antiga – 3 filmes/ Vídeo 
peia Britânica, ou A 
Queda do Império Ro-
mano, ou Ben- Hur.
Faça um debate no Fó-
rum com seus colegas 
sobre o cotidiano, a 
política, a educação, a 
cultura dos romanos.
AtividAde
Qual a sua opinião so-
bre a separação entre a 
educação dos meninos 
e a educação das meni-
nas? Entre no fórum e 
comente sua resposta 
com seus colegas.
27
Pedagogia - História da Educação
os romanos conseguiram assimilar o essencial 
do modelo grego. Deve saber, também, que 
esse modelo educacional romano foi transmi-
tido aos períodos posteriores. Porém, ressal-
ta-se que, com a transição do principado ao 
império romano, com a criação de um Estado 
Despótico, aumentou o controle imperial no 
sistema escolar.
Veja, também, que, em Roma, os mestres 
das escolas elementares eram contratados e 
pagos com o dinheiro público. Nesse período, 
foram criadas várias escolas de todos os níveis, 
tornando o ensino quase universal. Com a crise 
do império, Roma é saqueada pelos visigodos 
e depois pelos vândalos. Essa situação erradia 
para o processo educativo, levando à mudan-
ças significativas. Nesse momento, veremos 
que a escola elementar, em Roma, se transfor-
ma em centro literário, sem qualquer preocu-
pação com a formação do aluno. Veremos que 
a escola gramatical, na sua última fase, restrin-
gia o programa de estudos e o conteúdo.
Veja, ainda, que, nesse período, na edu-
cação romana, as escolas de retórica foram li-
mitadas, uma vez que não tinha mais abertura 
para o exercício da oratória política. O proces-
so educativo voltou-se para a sala de aula, e 
não para a vida real. Com o declínio do Impé-
rio Romano, a educação reduziu-se ao apren-
dizado de memória do conteúdo dos com-
pêndios (material neutro), que estão sujeitos 
ao controle por parte da burocracia imperial. 
Esses compêndios tinham conteúdos das artes 
liberais que se dividiam no trivium (gramáti-
ca, retórica, filosofia) e quadrivium (aritmética, 
geometria, astronomia e música).
1.3.2 A educação romana por obra de escravos e libertos 
Através de uma viagem na história da edu-
cação romana, veremos que o escravo era pe-
dagogo e mestre na própria família, ou seja, era 
o escravo liberto que ensinava na sua própria 
escola. Assim como na Grécia, esses escravos 
pedagogos foram, na sua maioria, estrangeiros 
“bárbaros”, isto é, falavam mal o grego e, por-
tanto, ensinavam sua própria cultura. Também 
em Roma, esses escravos foram gregos que fala-
vam ou não o latim, ensinaram a própria língua 
e transmitiram sua própria cultura aos romanos. 
Observe que, em Roma, com o desenvol-
vimento da sociedade patriarcal, a educação se 
tornou um ofício exercido inicialmente por es-
cravos dentro da família, e, posteriormente, por 
libertos, na escola. Podemos dizer que essas são 
as origens da profissão de educador em Roma. 
Segundo Monroe:
O que mais caracteriza esta decadência é o fato desta educação ser limitada 
à classe mais elevada. A educação já não se destinava a ser a educação práti-
ca de todo o povo, mas o ornamento de uma sociedade oca, superficial e ge-
ralmente corrupta; já não é um estádio de desenvolvimento possível para um 
povo inteiro, ou para indivíduos de dada categoria, mas a simples obtenção ou 
mesmo mera insígnia de distinção de uma classe favorecida. Quando o antigo 
vigor político e as oportunidades para as atividades políticas desapareceram, o 
governo municipal se tornou mera máquina para coletar impostos, quando o 
exército se encheu de bárbaros, a classe superior, agora mais numerosa do que 
nunca, voltou-se para o único traço remanescente da primitiva Roma imperial - 
a cultura. (MONROE, 1976, p. 23).
Observe que, na educação romana, pre-
valeceu um sistema modificado que incluía 
elementos gregos e romanos. A cultura e lite-
ratura grega chegaram às classes superiores, 
nas quais se organizou um sistema de escolas 
de gramática e de retórica, fundaram-seuni-
versidades e bibliotecas. Mas, com o tempo, 
essa educação ficou formal e irreal e perdeu 
sua importância social. Surge, então, uma 
nova educação ministrada pela Igreja.
Temos, ainda, que na educação romana, 
que era essencialmente prática, as escolas e 
os professores, de uma forma geral, ocupa-
vam papéis secundários, pois a família era o 
centro do processo educacional. Vimos tam-
bém que existiram, em Roma, inicialmente, 
as escolas elementares, denominadas ludi, as 
quais ficavam responsáveis por ensinar os ru-
dimentos da leitura, da escrita e do cálculo. 
Entre meados do século III e I, a cultura grega 
foi assimilada pelos romanos e, com isto, sur-
giu a escola grega de gramática, a qual mar-
cou o período introdutório das escolas gre-
gas. Nela, lecionavam docentes gregos, que 
ensinavam noções básicas da língua e da lite-
ratura (MONROE, 1983).
PARA SABeR MAiS
Para melhor compreen-
são, veja o vídeo sobre 
a educação e a Roma 
antiga. Disponível em: 
<http://www.youtube.
com/watch?v=M1AL-
8nGFDRk&feature=re-
lated>.
28
UAB/Unimontes - 1º Período
1.3.3 Educação medieval
Dedicaremos, aqui, um espaço para apresentar alguns elementos históricos que nos possibi-
litem discutir acerca da educação na Idade Média. E, para iniciarmos essas reflexões, buscaremos 
apoio nas palavras de Manacorda, ao tratar da educação na Idade Média, em que afirma:
No início do século VI, verificam-se fenômenos políticos significativos. De um 
lado, alguns reinos romano-bárbaros já se implantavam firmemente em ter-
ritórios do Império do Ocidente, onde a única autoridade política autentica-
mente romana é a Igreja e especialmente o papado; de outro lado, o Império 
do oriente conserva ainda a sua unidade e a sua força, o que lhe permitirá 
tentar a reconquista do Ocidente. Estes três centros de poder, tão diferentes 
entre si, se enfrentarão numa complexa luta ideológica e militar. (MANACOR-
DA, 2006, p. 111).
Diante do exposto, vale esclarecermos a você que, no decorrer da história, devido a muitos 
acontecimentos políticos, encontramos a decadência da cultura clássica, que compreendemos 
fazer parte do mundo grego. 
1.3.3.1 A Europa medieval
No movimento da história, em meio às 
transformações culturais abordadas, precisa-
mos levar em conta que, no campo da instru-
ção, podemos observar o desaparecimento da 
escola clássica e, paralelamente, a formação da 
escola cristã. 
Vale, ainda, lembrar a você que a estru-
tura política que prevaleceu na Idade Média 
são as relações de vassalagem e suserania. O 
suserano era quem dava um lote de terra ao 
vassalo, sendo que este último deveria prestar 
fidelidade e ajuda ao seu suserano.
Figura 15: Educação na 
Idade Média. 
Fonte: Disponível em: 
<http://2.bp.blogspot.
com/-kwpClVjPhmE/
Tfp_8qX6sMI/
AAAAAAAAAHA/
y34D9Kv9sow/s1600/
Professor_na_Idade_
Media%255B12%255D.
jpg>. Acesso em: 
17/02/2013.
►
29
Pedagogia - História da Educação
Em meio à política social vivenciada na 
Idade Média, enfatizamos a você que a im-
portância e a influência exercida pela Igreja 
na educação e nos princípios morais, políticos 
e jurídicos da sociedade medieval são funda-
mentais. Assim, a educação na Idade Média é 
marcada pela disciplina e pela influência da re-
ligião. O Cristianismo tornou-se a religião ofi-
cial do Império Romano. 
Outro ponto relevante nessa discussão 
é que os romanos decadentes e os bárbaros 
godos e vândalos tinham necessidade de uma 
preparação de conduta e espírito, só assim 
poderiam enfrentar a substituição de novos 
ideais de vida e de conduta. Afinal, a educa-
ção e a religião grega e romana não ofereciam 
essa formação. Com o cristianismo, a educação 
adquire um caráter novo. O treino físico e re-
tórico foi substituído por uma disciplina rígida 
de conduta, o elemento intelectual é trocado 
pela instrução da doutrina da Igreja e da práti-
ca ao culto. 
Veja que a educação, nesse período, 
tornou-se um regime rígido em que todo o 
excesso de interesses naturais deveria ser su-
primido, ou seja, tudo que fosse ligado a este 
mundo era um mal, como também o desen-
volvimento da personalidade e o gosto pelo 
estético ou pelo intelectual eram considerados 
pecados. Assim, Manacorda relata:
Do Século VI até ao XIII as preocupações intelectuais foram praticamente elimi-
nadas da educação. E quando readmitidas mais tarde não escaparam à concep-
ção disciplinar de educação. Todos os tipos de educação que se desenvolve-
ram durante o longo período da Idade Média, antes do Renascimento clássico 
do século XV, não passaram de modalidades deste conceito disciplinar. Por in-
termédio de um treino rígido, tanto físico como intelectual e moral, o indivíduo 
devia preparar-se para um futuro desligado do presente pelo tempo e pelo ca-
ráter. Sob o domínio da Igreja e do monarquismo, este estado futuro tornou-se 
a ‘outra vida’. Durante todo este período predominou assim uma nova concep-
ção de educação em completo antagonismo com a liberal e individualista dos 
gregos. (MANACORDA, 2006, p.111).
Veremos que o novo ideal educacional 
era baseado na natureza moral do homem. 
Para o cristianismo, essa natureza moral era 
comum a todos, passível de aplicação univer-
sal. O problema fundamental da educação 
e da vida moral encontra uma nova base de 
vida. Essa concepção fez com que os cristãos 
primitivos e medievais tornassem indiferentes 
a educação e cultura grega romana. Agora, as 
preocupações são morais e religiosas e não 
mais intelectuais estéticas e físicas.
Como se sabe, através dos registros his-
tóricos, a religião dos gregos e romanos se 
enquadrava nos conceitos políticos. O proble-
ma ético estava então associado à filosofia. A 
ética e a moralidade tornam-se conexão com 
a religião, passando a exercer uma influência 
sobre as massas. Porém, os padres gregos que 
tinham sido filósofos, antes da sua conversão, 
incentivavam o estudo da literatura. Houve 
um esforço desses padres em mostrar que a li-
teratura grega estava cheia de princípios e ver-
dades, de preconceitos e exemplos instrutivos 
para uma vida superior. 
Entre os mencionados padres, destaca-
vam-se Gregório, Agostinho e Tertuliano, que 
acreditavam que um cristão não poderia ser 
mestre de uma cultura pagã. Aqui é impor-
tante enfatizarmos para você que Agostinho 
foi o mais influente dos pensadores cristãos 
na elaboração de um projeto que resolvesse o 
conflito entre a fé cristã e a cultura clássica. Por 
meio de seu pensamento, contribuiu decisi-
vamente para a construção de um modelo de 
educação que, desde então, delineou a cultura 
educacional do mundo ocidental. 
A respeito do contexto em que acontece 
a síntese do pensamento cristão com base na 
filosofia dos gregos, Cambi afirma que:
Após o grande conflito entre paganismo e cristianismo, que alinha de cada 
lado os intelectuais mais ilustres e mais decididos (como Símaco e Ambrósio) e 
que conclui com a vitória política e ideológica do cristianismo; após a completa 
simbiose operada entre cristianismo e pensamento greco-helenístico; após o 
amplo desenvolvimento realizado na religião cristã por obra dos Padres, orien-
tais e ocidentais, estava maduro o tempo de dar vida a uma síntese completa 
do pensamento cristão que exprimisse seus fundamentos teóricos na trilha do 
pensamento grego pusesse em evidência seus elementos éticos, antropológi-
cos, políticos e históricos dotados de nítida autonomia e diferença presentes 
na visão cristã do mundo. A obra de Santo Agostinho coloca-se neste plano, 
reativando no cristianismo os princípios da filosofia platônica (o inatismo da 
verdade; o dualismo alma/corpo; a ascese ética e mística típica, sobretudo do 
neoplatonismo), mas salvaguardando também as características originais da 
teologia (a Trindade, por exemplo) e da moral (o senso do pecado em particu-
lar, ou então a ascese rigorosa) cristãs. O seu pensamento foi realmente uma 
GloSSáRio
estoicismo: (do grego 
Στωικισμός) é uma esco-
la de filosofia helenística 
fundada em Atenas por 
Zenão de Cítio,no início 
do século III a.C. 
Estóicos: ensinavam que 
as emoções destrutivas 
resultam de erros de 
julgamento, e que um 
sábio, ou pessoa com 
“perfeição moral e 
intelectual”, não sofreria 
dessas emoções.
30
UAB/Unimontes - 1º Período
síntese orgânica da Patrística e um ponto de continuidade - talvez o máximo - 
entre cultura antiga, pensamento grego e cristianismo, de modo a ocupar, nes-
te último, o papel de guia constante do agudo pensamento cristão (seja na Ida-
de Média seja na Modernidade), em razão dos temas de que trata, da audácia 
com que os trata e do método - inspirado em Platão e no seu idealismo - com 
que os enfrenta. (CAMBI, 1999, p. 135).
Mediante o exposto na citação acima, podemos ressaltar que, por intermédio de Agostinho, 
a filosofia cristã é influenciada pelos estóicos por meio da atribuição de uma conotação religiosa 
que a filosofia grega adaptou aos dogmas cristãos. Nesse período, Agostinho, como um gran-
de discípulo do platonismo, organiza a concepção de homem, que se torna reconhecida como a 
doutrina da igreja católica por muito tempo.
Veja você que a história é marcada pela utilização dos clássicos como instrumentos, para a 
compreensão da fé. Agostinho entendia que o homem é concebido como uma alma que habita 
o corpo. E que, sendo criado por Deus à sua imagem e semelhança, deve seguir o princípio ético 
e fazer o bem.
Agostinho defendia que, quando Platão dizia que conhecer a verdade referia-se a voltar para 
si mesmo, autoconhecer-se, Platão estava se referindo a Deus, que habita no interior do homem, na 
alma, na essência. Portanto, conhecer a verdade implica encontrar a luz que habita dentro de si, sen-
do a verdade o encontro com Deus, que é a luz que ilumina tudo. E o homem era um ser miserável, 
que só podia ser salvo pela graça divina, feito à semelhança de Deus, mas com possibilidades de 
afastar-se dele.
Diante das concepções de homem, segundo Agostinho, é possível compreender que a educa-
ção em sua visão é confiada a Deus. Sendo assim, a cátedra pertence a ele, que está nos céus, o que 
lhe permite ensinar a verdade sobre a terra. Nesse caso, assim como Platão, Agostinho entendia 
Figura 16: Conversão de 
santo Agostinho. 
Fonte: Disponível em: 
< http://www.agusti-
nosrecoletos.com/files/
images//FICHERO8382.
jpg?KeepThis=true&TB_
iframe=true>. Acesso em: 
17/02/2013.
▼
31
Pedagogia - História da Educação
a educação como “iluminação interior” ou como “voltar-se para dentro”, em que as palavras têm a 
finalidade de suscitar recordações sobre as coisas as quais simbolizam.
Como você pode observar, esse modelo de educação não é desconhecido em nosso meio. 
Podemos percebê-lo implícito nas tendências pedagógicas que propõem a educação por meio 
do verbalismo do professor, a fim de promover a contemplação como passo fundamental para o 
processo educacional, que, por sua vez, distancia a teoria da prática, priorizando a contemplação. 
Por meio das ideias de Agostinho, a patrística transforma completamente a pedagogia, 
cujo processo educacional se inicia a partir da aflição em buscar respostas por meio da con-
templação, da disciplina cristã, enfim, dos princípios religiosos. A pedagogia proposta por 
Agostinho é apresentada ao escrever a obra O Mestre (De Magistro), em que afirma que é de 
competência do professor apresentar, estimular e despertar os discípulos por meio de pala-
vras. Assim, Agostinho apresenta um diálogo conforme a tradição de Platão, entre ele e seu 
filho Adeodato. 
Veja que Agostinho pediu a Deodato para dar suas impressões sobre a sua proposta pe-
dagógica. E seu filho Deodato lhe responde:
Eu na verdade, pela admoestação de suas palavras, aprendi que estas não ser-
vem senão para estimular o homem a aprender, e que já grande coisa é se, 
através das palavras transparecesse um pouquinho do pensamento de quem 
fala. Se depois foi dita a verdade, isto no-lo pode ensinar somente aquele que, 
falando por fora, avisa que habita dentro de nós; aquele que por sua graça, hei 
de amar tanto mais ardorosamente quanto mais eu progredir no conhecimen-
to. (AGOSTINHO, 1980, p. 323-324).
Observe que, nesse contexto histórico da Idade Média, é visível a ideia de que não se deve 
desprezar a razão humana, que deve ser utilizada para compreender a verdade. No entanto, den-
tro do incipiente da teoria da educação cristã, é refletida a tensão entre fé e razão; entre aceita-
ção e rejeição da cultura clássica.
Observe, também, que o fato de o cristianismo levar o indivíduo a descobrir o sentido que 
deve orientar a sua existência configura-se como uma visão pedagógica, um processo educa-
tivo. Esse processo é explicado por Agostinho no livro As Confissões – que trata da história do 
crescimento e desenvolvimento do homem. Assim:
Conhecimento e fé constituem a meta do processo educativo. A base do pro-
cesso é inabalável convicção da realidade de Deus e da divindade de Cristo. O 
ponto de partida é o desejo de conhecer Deus. O elo que leva do conhecimen-
to deste mundo mutável, instável e imperfeito ao conhecimento de Deus é a 
pessoa de Cristo. (AGOSTINHO, 1980, p. 222).
Veja você que Agostinho defendia que o ponto fundamental no processo educativo é o fato 
de o verdadeiro conhecimento ser inato, colocado na alma de Deus. Dessa maneira, o saber não 
é transmitido pelo mestre ao aluno, já que a verdade é uma experiência da pessoa que está den-
tro de cada um. Na procura de ativar as ideias inatas, o aluno recebe assistência especial de Deus, 
independentemente da iluminação divina. Trata-se de perceber o reflexo das ideias eternas nas 
coisas materiais deste mundo. 
Como já mencionamos, Agostinho marca a história da educação com o seu pensamento 
ao apresentar um plano pedagógico que direciona o modelo de educação difundido pelo oci-
dente cristão. 
Nas palavras de Cambi:
Também no plano pedagógico, Santo Agostinho foi um pouco “o” mestre do 
Ocidente cristão, já que investigou os aspectos fundamentais de uma peda-
gogia de estatuto religioso e lhe deu soluções realmente exemplares: pela 
espessura cultural, pelo vigor teórico e também pelo significado espiritual. 
(CAMBI, 1999, p. 135).
1.3.3.2 Escolas medievalistas
Convidamos você a continuar a reflexão sobre a educação medievalista com vistas a revi-
sitar a história da educação na Idade Média e isto requer que não nos esqueçamos de ponderar 
que a vida da Igreja cristã primitiva era em si mesma uma escola de enorme importância, pois 
AtividAde
Será que os professo-
res das nossas escolas 
priorizam essa metodo-
logia até hoje? Dê sua 
opinião entrando no 
fórum e discutindo com 
seus colegas.
GloSSáRio
Patrística: entende-se 
como o período do pen-
samento cristão que se 
seguiu à época do novo 
testamento e chega até 
ao começo da Escolás-
tica, isto é, os séculos 
II – VIII da era vulgar. 
Este período da cultura 
cristã é designado com 
o nome de Patrística, e 
representa o pensamen-
to dos Padres da Igreja, 
que são os construtores 
da Teologia Católica, 
guias e mestres da 
doutrina cristã.
Fonte: Disponível em: 
<http://www.recanto-
dasletras.com.br/cro-
nicas/2868411. Acesso 
em: 15/02/2013.
diCA
A Patrística é contem-
porânea do último 
período do pensamen-
to grego, o período 
religioso, com o qual 
tem fecundo, entretanto 
dele diferenciando-
se profundamente, 
sobretudo como o 
teísmo se diferencia do 
panteísmo. E também 
contemporâneo do 
império romano, com o 
qual também polemiza, 
e que terminará por se 
cristianizar depois de 
Constantino.
Fonte: Disponível em: 
<http://www.recanto-
dasletras.com.br/cro-
nicas/2868411. Acesso 
em: 15/02/2013.
32
UAB/Unimontes - 1º Período
durante aproximadamente mil anos a educação se caracterizaria pela ausência de elementos 
intelectuais com priorização dos elementos cristãos e morais. E, na sequência, salientamos que, 
naquele contexto histórico, a Igreja estava empenhada na reforma moral do mundo, para a edu-
cação moral dos seus próprios membros. 
Veja que as escolas eram verdadeiros catecumenatos,tinham o aspecto mais primitivo da 
vida da Igreja Cristã, que se aproximava de uma instrução formal. Era, na verdade, a preparação 
dos conversos, jovens e idosos; destinava-se à instrução na doutrina e na prática de vida cristã. 
As escolas catequéticas usavam o mesmo método das escolas catecumenatos, porém colo-
cavam a filosofia, a retórica e o saber grego à disposição da Igreja Cristã. As escolas episcopais e 
as escolas das catedrais são organizadas pelos bispos para preparar o clero. Os sacerdotes foram 
submetidos às regras ou cânone, possibilitando o controle do trabalho dessas escolas.
Na sequência, lembramos também que, com a destruição da cultura romana pelos bárbaros, 
a educação ficou nas mãos da Igreja; estas escolas, juntamente com os mosteiros, eram as únicas 
existentes no Ocidente. Com relação à educação como disciplina moral, o monaquismo significa a 
organização de homens que fizeram votos de vida religiosa e que vivem de acordo com as regras 
de conduta.
As escolas episcopais destinavam-se à preparação do clero secular; as escolas nos mos-
teiros e a dos frades mendicantes foram denominadas congregações de ensino, justamente 
por desenvolverem o trabalho educativo.
Diante do exposto, esclarecemos-lhe que o monaquismo foi um sistema de educação es-
colar destinado à formação do caráter moral e religioso. As escolas nos mosteiros ensinavam as 
artes de leitura. Esse ensino era considerado pobre e destinava-se aos meninos que seguiriam 
a vida monástica. Os mosteiros foram considerados os grandes depositários da literatura e do 
saber, principalmente da literatura dos antigos. Os monges produziram materiais, destacando-se 
as discussões das sete artes liberais (trivium - gramática, retórica, filosofia - e quadrivium - aritmé-
tica, geometria, astronomia e música), que significava o conjunto do saber. 
Após termos refletido acerca da história da educação medievalista, voltaremos nossas con-
versas para o modelo de educação denominado de escolástica.
GloSSáRio
Catecumenatos: Ou 
formação dos catecú-
menos, tem por finali-
dade permitir a estes 
últimos, em resposta à 
iniciativa divina e em 
união com uma comu-
nidade eclesial, que 
levem a conversão e a fé 
à maturidade. Trata-se 
de uma “formação à 
vida cristã integral (...) 
pela qual os discípulos 
são unidos a Cristo, 
seu mestre. Por isso, os 
catecúmenos devem 
ser iniciados (...) nos 
mistérios da salvação e 
na prática de uma vida 
evangélica, e introdu-
zidos, mediante ritos 
sagrados celebrados em 
épocas sucessivas, na 
vida da fé, da liturgia e 
da caridade do povo de 
Deus”. 
Fonte: Disponível em: 
< http://catecismo-az.
tripod.com/conteudo/a-
z/c/catecumeno.html>. 
Acesso em 15/02/2013.
Figura 17: Escolas 
catequéticas. 
Fonte: Disponível em: 
< http://2.bp.blogspot.
com/-10QImxPUh3I/
UBgytrW3v
_I/
AAAAAAAACgI/38tFqljU
FcQ/s1600/Sa%CC%83o+
Bernardo+de+
Claraval.jpeg>. Acesso 
em: 18/02/2013.
►
33
Pedagogia - História da Educação
1.3.3.3 A escolástica
Antes de refletirmos acerca do significado da escolástica, é necessário que você se lembre 
de que, no curso da história, posteriormente à invasão dos bárbaros e à queda do império roma-
no, mais precisamente nos séculos V, VI e VII, pensadores cristãos resgataram os pensamentos 
gregos por meio do estudo das ciências da natureza, da lógica, da matemática, da literatura, da 
retórica, da astronomia e da música, a serviço da fé e da razão. E, ainda, para pensarmos na es-
colástica, precisamos esclarecer-lhe que a educação como disciplina intelectual foi denominada 
escolástica e que, para Manacorda (2006), o nome Escolástica surge por ser a filosofia ensinada 
nas escolas presididas por um eclesiástico ou, em latim, scholasticus.
Podemos dizer que a escolástica predominou do século XI ao século XV. E, segundo o nosso 
entendimento acerca do pensamento do mencionado autor, a escolástica é uma cultura nova, 
totalmente medieval e cristã. Você precisa saber que essa cultura herdou a língua latina das tradi-
ções clássicas e tem como característica na sua elaboração a assunção como patrimônio cultural 
e os textos da tradição hebraica do Velho e do Novo Testamento.
diCA
Podemos dizer que, no 
geral, a cultura medieval 
foi fortemente influen-
ciada pela religião. Na 
arquitetura, destacou-se 
a construção de caste-
los, igrejas e catedrais. 
Porém, no século XI, 
dentro do contexto 
histórico da expansão 
árabe, os muçulmanos 
conquistaram a cidade 
sagrada de Jerusalém. 
Diante dessa situação, o 
papa Urbano II convo-
cou a Primeira Cruzada 
(1096), com o objetivo 
de expulsar os “infiéis” 
(árabes) da Terra Santa. 
Essas batalhas, entre 
católicos e muçulma-
nos, duraram cerca de 
dois séculos, deixando 
milhares de mortos e 
um grande rastro de 
destruição. Ao mesmo 
tempo em que eram 
guerras marcadas por 
diferenças religiosas, 
também possuíam um 
forte caráter econômi-
co. Muitos cavaleiros 
cruzados, ao retornarem 
para a Europa, saquea-
vam cidades árabes e 
vendiam produtos nas 
estradas, nas chamadas 
feiras e rotas de comér-
cio. De certa forma, as 
Cruzadas contribuíram 
para o Renascimento 
urbano e comercial a 
partir do século XIII. 
Após as Cruzadas, o 
Mar Mediterrâneo foi 
aberto para os contatos 
comerciais. A Idade 
Média compreende um 
período extenso, de mil 
anos, entre a queda do 
Império Romano (476) 
e a tomada de Cons-
tantinopla pelos turcos 
em (1473). O período 
que sucede à queda 
do Império Romano, 
chamado de Alta Idade 
Média, é caracterizado 
pela desagregação da 
antiga ordem e pela 
divisão em diversos rei-
nos bárbaros, formados 
após diversas invasões.
◄ Figura 18: A escolástica. 
Fonte: Disponível em:< 
http://www.gloriadaida-
demedia.blogspot.com/>. 
Acesso em: 15/02/2013.
34
UAB/Unimontes - 1º Período
Veja você que a finalidade do pensamento escolástico foi a atitude de obediência, aceita-
ção de todas as doutrinas, declarações da Igreja. A partir das verdades formais dogmaticamen-
te estabelecidas, hostilizava todo estado de dúvida, investigação considerada pecaminosa. O 
objetivo dessa educação era apoiar a fé na razão, ou seja, revigorar a vida religiosa e a Igreja 
pelo desenvolvimento intelectual. A fé era considerada superior à razão; as doutrinas da Igreja 
formuladas anteriormente deveriam ser analisadas, definidas e sistematizadas. Para tanto, te-
mos nas palavras de Monroe que:
A educação escolástica estava incluída neste objetivo mais amplo. A educação 
escolástica visava desenvolver o poder de formular as crenças num sistema 
lógico e de expor e defender tais definições de crenças contra todos os argu-
mentos que pudessem ser levantados contra elas. Ao mesmo tempo, empe-
nhou-se em evitar o desenvolvimento de uma atitude crítica de espírito pe-
rante os princípios fundamentais já estabelecidos pela autoridade. (MONROE, 
1976, p.99)
Podemos aqui dizer que, na realidade, a escolástica deveria sistematizar o conhecimento 
dando-lhe formas científicas, porém o pensamento escolástico acreditava que o conhecimento 
era primeiramente de caráter teológico e filosófico e que a forma científica valorizava a lógica de-
dutiva Assim, essa educação conseguiu elaborar vários sistemas de conhecimento abrangendo a 
área de seu interesse. Observe o que Monroe nos fala a esse respeito:
A escolástica constitui a completa redução do pensamento religioso à forma 
lógica. Como esta organização decorreu inteiramente das obras de Aristóteles, 
a escolástica é definida, frequentemente, como a união das crenças cristãs com 
a lógica aristotélica. Todos os ramos do conhecimento eram subordinados à 
religião. Todo conhecimento legítimo devia ser sancionado pela Igreja, devia 
apresentar a possibilidade de ser situado no sistema de pensamento escolás-
tico e reduzir-se à forma lógica adequada. Isto era a tarefa dos escolásticos. 
(MONROE, 1976, p. 85).
Você observou que diferentemente da 
organização das escolas catequéticas, de per-
guntas e respostas, na escolástica prevalece a 
forma lógica sistematizada?Pois é. A matéria 
era dividida em partes, capítulos, subcapítu-
los, sendo que cada tópico era rigorosamente 
analisado, conforme a lógica aristotélica.
Entre os grandes escolásticos, destaca-se 
Alexandre de Hales, considerado o primeiro 
dos escolásticos a ter conhecimento da filo-
sofia de Aristóteles; podemos lembrar, ainda, 
de Alberto Magno e Tomás de Aquino, este 
último considerado o mai importante dos es-
colásticos, cuja obra representa a culminân-
cia da escolástica. No bojo das relações apre-
sentadas, assim como Agostinho retoma o 
pensamento de Platão, Tomás de Aquino re-
toma o pensamento de Aristóteles, mais uma 
vez a serviço do pensamento católico. 
Nesse contexto, você verá que Aquino re-
toma as ideias de Aristóteles no que diz respei-
to ao ser e ao saber, dando ênfase à importân-
cia da realidade sensorial, por meio da reflexão 
sobre princípios básicos que utilizou para ela-
borar argumentos que provassem a existência 
de Deus. Na obra De Magistro, Aquino apre-
senta seu pensamento, que se opõe às doutri-
nas predominantes, ao defender a existência 
de um só intelecto para todos os homens. As-
sim concebe que o ensino é superior à aquisi-
ção do conhecimento por si próprio, conside-
rando que o ensinar é, ao mesmo tempo, de 
caráter ativo e contemplativo.
Veja que ao contrário de Agostinho, 
Aquino marca a história da educação quando 
valoriza a tradição helênica, ao valorizar a ra-
zão e as mãos, e, consequentemente, valori-
Figura 19: Aristóteles. 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.vidasluso-
fonas.pt/aristo03.jpg>. 
Acesso em: 18/02/2013.
▼
35
Pedagogia - História da Educação
za o campo do fazer instrumental; com o seu 
pensamento, cria uma multiplicidade de pos-
sibilidades sociais, nas relações estabelecidas 
entre as culturas vivenciadas no processo de 
evolução da história da humanidade, dan-
do valor ao trabalho nas relações do homem 
com a natureza. 
A respeito desse marco da história da 
educação, Silveira Rodrigues (2006) afirma 
que podemos considerar que a manifesta-
ção do pensamento desses autores, ao res-
gatar o pensamento grego, dá continuidade 
a contraposições de ideias que marcam uma 
diversidade nas concepções de educação 
predominantes no decorrer da história. Nas 
palavras da autora:
Utilizando o método do diálogo, anunciando sua tese, dando voz ao adversá-
rio, contestando e posteriormente apontando soluções, Aquino demonstra sua 
visão de mundo, sua vontade inovadora sobre o mesmo, tendo como instru-
mento a educação que, para ele, é feita de forma teórica e prática. Assim, aqui 
é valorizado tanto o trabalho manual como parte do exercício do pensamento. 
Vale aqui esclarecer a marcante oposição entre o pensamento da patrística e 
o de Aquino, que na idade média dão continuidade à oposição estabelecida 
na Grécia clássica, entre as ideias essencialistas socrático-platônico e a existen-
cialista epicurista-aristotélica. O primeiro direciona ao entendimento de que o 
fenômeno da aprendizagem não depende da atividade do homem, mas sim, 
da contemplação em busca do autoconhecimento como o encontro com sua 
essência, por meio da reflexão. E o segundo, em oposição à patrística, defende 
a ideia de que a aprendizagem não é fruto só da contemplação, mas sim do 
caráter ativo em consonância com o contemplativo, por intermédio dos órgãos 
do sentido. Onde a aprendizagem não é gratuita, vinda da alma. Mas sim, fruto 
da experiência do homem no meio em que vive. Diante dessa visão da apren-
dizagem, conclui-se que o ensino não acontece somente por meio da fala, mas 
também por intermédio da ação. (SILVEIRA RODRIGUES, 2006, p.48).
Veja que, nesse contexto, a educação pas-
sa a ser concebida como uma atividade que tor-
na aquilo que é potencial em atual, que valoriza 
a atividade prática ao valorizar o trabalho ma-
nual como parte do exercício do pensamento.
Torna-se evidente o pensamento de To-
más de Aquino no movimento escolástico à 
retomada do pensamento de Aristóteles, ao 
enfatizar a importância da realidade sensorial 
que fundamenta futuramente as pedagogias 
ativistas, fundamentadas em concepções que 
resgatam o ensino-aprendizagem por meio das 
relações teoria e prática, de caráter humanista, 
que configuraram a educação brasileira desde 
a década de 30 e que continuam presentes nas 
salas de aula das escolas brasileiras até a atuali-
dade. 
Diante dessas reflexões acerca da história 
da educação na Idade Média, é possível com-
preender que, por mais que esse período da 
história signifique uma estagnação cultural ou 
um retrocesso à efervescência de ideias que 
nasciam na Grécia, pode-se considerar que, no 
que se refere aos modelos educacionais gregos, 
estes foram recuperados por intermédio de 
Aquino e Agostinho, de forma que fosse possí-
vel permanecerem presentes na sociedade oci-
dental da Idade Moderna até a atualidade, por 
meio da fundamentação das diversas teorias de 
ensino-aprendizagem que encontramos pre-
dominando nas escolas atualmente e sobre as 
quais você vai estudar na disciplina de Didática, 
ainda neste Curso.
◄ Figura 20: Tomás de 
Aquino. 
Fonte: Disponível em: 
<http://www.passeiweb.
com/saiba_mais/
biografias/t/imagens/
tomas_de_aquino.jpg>. 
Acesso em: 18/02/2013.
36
UAB/Unimontes - 1º Período
Referências
ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da educação e da pedagogia: geral e Brasil. 3 ed. São 
Paulo: Moderna, 1990.
 _______. Filosofia da educação. São Paulo: Moderna, 1996.
AGOSTINHO, Santo. Confissões; De Magistro. In: os pensadores, São Paulo: Abril cultural, 1980.
CAMBI F. História da Pedagogia. São Paulo: Unesp, 1999.
CHATELET, F. História da Filosofia, ideias e doutrinas. Vol. 7-3 Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
GILES. T. R. História da educação. São Paulo: EPU, 1987.
MANACORDA, M. A. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 12 ed. São Paulo: 
Cortez, 2006.
MARROU, H. I., História da Educação na Antiguidade. São Paulo: Editora Herder, 1966.
MONROE, P. História da educação. Trad. Idel Becker. São Paulo: Nacional, 1976.
_______. História da educação. Tradução: Idel Becker. São Paulo: Companhia editora nacional, 
1983.
PLATÃO. As leiS, incluindo epinomis. São Paulo: Edipro, 1999.
SILVEIRA RODRIGUES R. teoria Crítica da didática: contraposições epistemológicas possibilida-
des políticas. Tese de Doutorado. São Paulo: UNICAMP, 2006.

Mais conteúdos dessa disciplina