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Figuras de Linguagem Figuras de Palavras • Comparação (ou Símile): ocorre quando os elementos de universos diferentes são aproximados por meio de um termo específico (como, feito, tal qual, assim como, etc.). Ex.) O olhar dele é como o luar. • Metáfora: emprego de uma palavra num sentido que não lhe é comum ou próprio, numa relação de semelhança entre dois termos. Ex. 1) “O samba é o pai do prazer/ O samba é filho da dor”. (Caetano Veloso) Ex. 2) “Como se visse alguém beber água e descobrisse que tinha sede, sede profunda e velha.” (Clarice Lispector) • Catacrese: trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo, cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por falta de um termo específico para designar um conceito, toma-se outro "emprestado". Ex.) maçã do rosto, anel viário, dente de alho, boca do estômago, barriga da perna, etc. • Metonímia: figura que consiste em usar uma palavra no lugar de outra, mantendo uma relação de implicação mútua, como a substituição da parte pelo todo, da parte pelo todo, do continente pelo conteúdo, etc. Ex. 1) “Quantos quilos ela come por dia? Quilos? Não sei, mas ela é boa de garfo” (Luiz Vilela) Ex. 2) “Trabalhava ao piano, não só Chopin como ainda os estudos de Czerny”. (Murilo Mendes) • ANTONOMÁSIA: pode ser entendida como um tipo de metonímia que consiste na identificação de uma pessoa não pelo seu nome, mas por uma característica ou atributo que a distingue das demais. Ex. 1) Castro Alves – O poeta dos escravos Ex.2) Jesus - O filho de Deus Ex.3) Madonna – A rainha do pop • SINÉDOQUE: tipo de metonímia que consiste em empregar o todo pela parte, ou vice-versa. Ex. 1) “A mão que toca o violão/ se for preciso vai à guerra”. (Marcos e Paulo Sérgio Vale) • SINESTESIA: consiste em agrupar e reunir sensações originárias de diferentes órgãos do sentido: visão, tato, olfato, paladar e audição. Ex.1) “Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema”. (Mario de Andrade) Ex.2) “As falas sentidas, que os olhos falavam/ Não quero, não posso, não devo contar”. (Casimiro de Abreu) Figuras de Pensamento • Ironia: ocorre quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica. Ex.1) “Moça linda bem tratada,/ três séculos de família,/ burra como uma porta:/ um amor!”. (Mário de Andrade) Ex.2) “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” (Monteiro Lobato) • Hipérbole: utilizada para expressar exageradamente uma ideia, a fim de enfatizar essa informação. Ex. 1) “Rios te correrão dos olhos, se chorares (...)” (Olavo Bilac) Ex. 2) "Assim esperamos - disse a plateia, já agora morrendo de rir." (Caetano Veloso) • Eufemismo: é o uso de uma expressão mais branda no lugar de outra. Ex. 1) Quando a Indesejada das gentes chegar/ Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,/ A mesa posta,/ Com cada coisa em seu lugar”. (Manuel Bandeira) Ex. 2) “Querida, ao pé do leito derradeiro”. (Álvares de Azevedo) • Prosopopeia (ou Personificação): consiste em atribuir vida e sentimentos humanos às coisas inanimadas e fazer falar a ausentes e mortos. Ex. 1) “Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:/ - Quem me dera que fosse aquela loura estrela,/ Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!” (Machado de Assis) Ex. 2) “Os prédios são altos e se espreitam traiçoeiramente com binóculos na sombra”. (Rubem Braga) • Gradação: consiste na organização de uma sequência de palavras ou frases no sentido de intensificar progressivamente uma determinada ideia. Ex. 1) “De repente, estou só. Dentro do parque, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do estado, dentro do país, dentro do continente, dentro do hemisfério, do planeta, do sistema solar, da galáxia — dentro do universo, eu estou só.” (Caio Fernando Abreu) Ex. 2) “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” (Monteiro Lobato) • Apóstrofe: ocorre quando se interrompe a narração para dirigir a palavra a pessoas ausentes ou ao leitor. Ex. 1) “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal.” (Fernando Pessoa) Ex. 2) “Tende piedade de mim, Senhor, de todas as mulheres/ Que ninguém mais merece tanto amor e amizade”. (Vinícius de Moraes) • Hipálage: caracteriza-se pela atribuição de uma característica de um ser ou objeto a outro ser ou objeto que se encontra próximo ou relacionado com ele. Assim, é atribuído um adjetivo a um substantivo quando na realidade esse adjetivo se refere lógica e naturalmente a outro substantivo. Ex. 1) Deitado na rede, Ricardo lia um livro sonolento. Ex. 2) “Fumando um pensativo cigarro.” (Eça de Queirós) • Antítese: ocorre quando há aproximação de sentidos opostos. Ex. 1) “Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem”. (Renato Russo) Ex. 2)“Tristeza não tem fim,/ Felicidade, sim.”. (Vinicius de Moraes) • PARADOXO OU OXÍMORO: é um tipo de antítese que se manifesta de uma maneira mais radical. Apesar de serem parecidas, elas se diferenciam porque no paradoxo duas ideias opostas, que se excluem mutuamente, dizem respeito a um mesmo referente, criando um efeito de contradição. Ex. 1) “Amor é fogo que arde sem se ver/ É ferida que dói e não se sente/ É um contentamento descontente/ É dor que desatina sem doer”. (Camões) Ex. 2) “A explosiva descoberta/ Ainda me atordoa./ Estou cego e vejo./ Arranco os olhos e vejo”. (Carlos Drummond de Andrade) Figuras Sonoras • Onomatopeia: criação de uma palavra a partir da imitação ou reprodução aproximada de um som natural a ela associado. Ex. 1) “Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.” (Fernando Pessoa) Ex. 2) “E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis) • Paronomásia: consiste na utilização, numa mesma sentença, de palavras parônimas, ou seja, palavras de sons parecidos. Ex. 1) “Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias.” (Padre Antonio Vieira) Ex. 2) "Com os preços praticados em planos de saúde, uma simples fatura em decorrência de uma fratura pode acabar com a nossa fartura." (Max Nunes) • Assonância: uso de vogais semelhantes ou iguais em palavras próximas ou no final de versos. Ex.1) É a moda/ da menina muda/ da menina trombuda/ que muda de modos/ e dá medo”. (Cecília Meireles) Ex.2) “Com seu colar de coral/ Carolina/ corre por entre as colunas da colina”. (Cecília Meireles) • Aliteração: consiste na repetição de sons consonantais idênticos ou semelhantes. Ex. 1) “Olha a bolha d’água/ no galho!/ Olha o orvalho!” (Cecília Meireles) Ex. 2) “Em horas inda louras, lindas/ Clorindas e Belindas, brandas/ Brincam nos tempos das Berlindas/ As vindas vendo das varandas.” (Fernando Pessoa) Figuras de Construção (ou de Sintaxe) • Elipse: consiste na omissão de um termo da frase que não foi enunciado anteriormente, mas que é possível identificar pelo contexto. Ex.1) “A tarde talvez fosse azul,/ não houvesse tantos desejos”. (Carlos Drummond de Andrade) Ex.2) "Veio sem pinturas, um vestido leve, sandália coloridas." (Rubem Braga) • Zeugma: ocorre a omissão de um termo ou expressão anteriormente mencionada. Ex.1) “Um deles queria saber dos meus estudos; outro, se trazia coleção de selos (…)” (José Lins do Rego). Ex.2) “A vida é um grande jogo e o destino, um parceiro temível (…)” (Érico Veríssimo) • Anacoluto: consiste na interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível. Ex. 1) "Umas carabinas que guardavam atrás do guarda-roupa, a gente brincavacom elas, de tão imprestáveis." (José Lins do Rego) Ex. 2) “O relógio da parede, eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”. (Rubem Braga) • Anáfora: consiste em repetir uma palavra ou expressão a espaços regulares durante o texto. Ex. 1) “Vi uma estrela tão alta,/ Vi uma estrela tão fria!/ Vi uma estrela luzindo/ Na minha vida vazia”. (Manuel Bandeira) Ex. 2) “Noite – montanha. Noite vazia. Noite indecisa. Confusa noite. Noite à procura, mesmo sem alvo.” (Carlos Drummond de Andrade) • Hipérbato: inversão brusca da posição normal dos termos de uma oração ou das orações de um período. Ex. 1) “Da lua os claros raios rutilavam” (Camões) Ex. 2) “Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ De um povo heroico o brado retumbante”. • Anástrofe: inversão da ordem normal dos termos numa frase (palavras vizinhas). Ex. 1) “Tão leve estou, que nem sombra tenho.” (Mario Quintana) Ex. 2) “ Começa o mundo, enfim, pela ignorância.” (Gregório de Matos) • Assíndeto: consiste na omissão de conjunções entre orações dispostas em sequência. Ex. 1) “A tua raça quer partir,/ guerrear, sofrer, vencer, voltar”. (Cecília Meireles) Ex. 2) “No aconchego/ Do claustro, na paciência e no sossego, / Trabalha, teima, lima, sofre, sua!”. (Olavo Bilac) • Polissíndeto: consiste em repetir os conectivos entre as orações dispostas em sequência. Ex. 1) “Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge”. (Rubem Braga) Ex. 2) “Se era noivo, se era virgem,/ Se era alegre, se era bom,/ Não sei./ É tarde para saber”. (Carlos Drummond de Andrade) • Pleonasmo: uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma ideia. Ex. 1) “Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida) Ex. 2) “A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa) • Silepse: figura que faz concordância não através de regras gramaticais, mas sim pela ideia. Possui concordância ideológica ou concordância figurada. Pode ser de número, de gênero e de pessoa. 1. A silepse de número ocorre quando o sujeito é coletivo ou indica coletividade (mais de um): Ex) “Ninguém quer comprar. Se ainda estamos abertos é por honra da firma”. (José J. Veiga) 2. A silepse de gênero ocorre quando a concordância vem através da ideia que está implícita. Ex) Vossa Excelência está equivocado. 3. A silepse de pessoa geralmente acontece quando o verbo está na primeira pessoa do plural e o sujeito na terceira pessoa do plural. Dessa forma, ao analisarmos a concordância, percebemos que a ela diverge. Ex) Os brasileiros somos bastante patriotas.