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Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
 
A dentística é uma especialidade da odontologia 
que estuda e aplica de forma integrada um 
conjunto de procedimentos operatórios, 
preventivos e terapêuticos com o objetivo de 
preservar e devolver ao dente sua integridade 
funcional, estrutural e estética. 
O preparo das cavidades também está muito 
ligado também ao tipo de material restaurador que 
será utilizado. O preparo é o tratamento 
biomecânico da cárie ou de outras lesões nos 
tecidos duros do dente. 
 
> Controle da incidência e gravidade da lesão 
> Detecção mais precoce da lesão 
> Progresso da tecnologia e instrumentação 
> Aperfeiçoamento dos materiais restauradores 
existentes 
Os conceitos iniciais de Black foram 
aperfeiçoados, mas seus princípios preventivos 
continuam sólidos. 
Os preparos cavitários indicados hoje para 
restaurações em amálgama nas lesões primárias 
são mais conservadores do que na época em que 
Black criou sua classificação. 
Por exemplo: Até 1970 durante o preparo cavitário 
fazia-se a extensão preventiva, cujo conceito era 
prevenir a reincidência da cárie ou cárie 
secundária. Para isso as margens do preparo 
eram estendidas até áreas que pudessem ser 
facilmente limpas. Porém hoje os preparos são 
mais conservadores, com istmos estreitos, caixa 
oclusal pouco profunda, parede convergente para 
a oclusal e extensão vestíbulo lingual mais 
limitada. 
Os preparos devem atender às características 
físicas do material restaurador que vai ser 
utilizado. 
 
 
 
➢ Forma de contorno 
Define a área da superfície do dente que vai 
ser incluída no preparo cavitário. 
 
 
Outro princípio importante é que o preparo envolva 
toda a extensão da lesão. Esse princípio está 
relacionado à conservação das estruturas naturais 
de reforço da estrutura do dente. 
 
Essas três estruturas naturais de reforço do 
dente devem ser preservadas sempre que 
1 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
possível durante o preparo, ou seja,quando não 
estiverem afetadas pela lesão cariosa. 
Outro ponto importante quanto a forma de 
contorno do preparo é a remoção de todo prisma 
de esmalte sem suporte dentinário. Todo esmalte 
sem suporte de dentina deve ser removido ou 
então apoiado em material restaurador(resina 
composta ou civ). O amálgama pode fraturar 
esse esmalte sem suporte dentinário, causando 
fratura dentária. 
 
A localização da lesão também afeta a forma 
de contorno do preparo. Lesões em superfície 
lisas têm forma de contorno diferente das que 
ocorrem em regiões de cicatrículas e fissuras. 
Em cavidades de cicatrículas e fissuras a cárie 
se propaga como dois cones superpostos como 
no desenho abaixo. 
 
Devido a esse formato da lesão a forma de 
contorno do preparo acaba envolvendo tanto a 
extensão superficial da cárie quanto a junção 
amelo-dentinária. 
A localização das lesões em regiões de 
cicatrículas e fissuras também determinam a 
forma de contorno em relação a localização das 
lesões. Nas imagens abaixo de 1º molar inferior 
e 1º molar inferior. Nas letras A , B e D as lesões 
de cárie não envolvem as pontes de esmaltes, 
nestes casos as pontes de esmaltes não são 
envolvidas na forma de contorno do preparo. 
Mas quando a ponte de esmalte é socavada por 
cárie e/ou fica com espessura menor que 1 mm 
após a remoção da lesão cariosa ela deve ser 
envolvida no preparo. Letras C e F . 
 
A lesão de cárie em superfícies lisas do dente 
propaga-se mais em extensão do que em 
profundidade. 
A cárie neste caso se propaga como dois cones 
superpostos ápice contra base na junção amelo 
dentinária e deve ser totalmente incluída no 
delineamento do contorno. 
 
Em cavidades proximais a localização da parede 
gengival estará correta quando após a remoção 
2 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
de tecido cariado houver uma separação da 
superfície proximal do dente vizinho (0,2 a 
0,5mm para amálgama ou de 0,5 a 1,0mm para 
restaurações metálicas fundidas). 
 
As formas de contorno para os materiais com 
características adesivas (Resina composta e 
CIV) as formas de contorno internas e externas 
devem limitar-se a remoção de tecido cariado e 
acabamento das margens cavitárias de acordo 
com a extensão da lesão. O preparo deve ser o 
mais conservador possível principalmente quanto 
à extensão vestíbulo-lingual e gengival. 
➢ Forma de resistência 
Baseia-se em princípios mecânicos pois os 
movimentos mandibulares dão origem às forças 
que podem provocar a fratura das paredes 
cavitárias remanescentes e/ou do material 
restaurador. 
De acordo com os conceitos clássicos, a 
cavidade precisa ser preparada de maneira que 
o esmalte fique apoiado em dentina hígida para 
não fraturar durante a mastigação. 
Quando o esmalte não tiver apoio de dentina 
sadia ele deve ser apoiado com uma resina 
composta ou civ ou deve ter o prisma de esmalte 
sem apoio da dentina deve ser removido. 
 
As paredes circundantes da caixa oclusal para o 
material amálgama devem ser planas e paralelas 
entre si e perpendiculares à parede pulpar. 
 
A parede gengival deve ser plana e paralela à 
parede pulpar e ambas devem ser perpendiculares 
ao longo eixo do dente. 
 
Esses critérios permitem melhor distribuição dos 
esforços mastigatórios que incidirão sobre a 
restauração ao longo de sua vida útil. 
3 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
Outro princípio importante é o arredondamento 
dos ângulos internos do preparo cavitário para 
distribuir melhor as tensões, evitando trincas e 
fraturas no remanescente dentário. 
 
Também é importante arredondar o ângulo 
áxio-pulpar para diminuir a concentração de forças 
capazes de causar fraturas do material 
restaurador. 
 
Ângulo de 90º formado entre as paredes 
vestibulares e linguais da caixa proximal com a 
superfície externa do dente, de maneira a 
acompanhar a orientação do prisma do esmalte. A 
curva reversa de hollenback é uma manobra 
operatória executada principalmente na parede 
vestibular da caixa proximal. A parede lingual da 
caixa proximal já tem naturalmente uma anatomia 
mais próxima deste ângulo. 
A curva reversa de hollenback pode ser preparada 
com brocasde cones invertido. 
 
 
 
Em relação à definição do ângulo cavo-superficial 
o ideal é que esse ângulo nas cavidades, 
principalmente as que serão preenchidas com 
amálgama devem ser em torno de 90º para 
compensar a baixa resistência da borda do 
material. Mas nem sempre a estrutura dentária 
permite essa angulação sem fragilizar os prismas 
do esmalte marginal da vertente de cúspide, 
nestes casos é aceitável a angulação em 70º. 
Outro princípio importante para devolver a forma 
de resistência é a abertura vestíbulo-lingual do 
preparo cavitário. Ela deve ter uma dimensão 
entre ⅓ ou ¼ da distância entre vértices/pontas de 
cúspides. 
4 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
 
 
Preparos com distância vestíbulo-lingual maior do 
que essa não são indicados para materiais 
restauradores como amálgama. Para preparos 
com distância vestíbulo-lingual de tamanho maior 
do que esse são indicadas restaurações indiretas. 
Outro princípio importante para devolver a forma 
de resistência é a planificação de parede pulpar e 
axial com base protetora. 
Após a remoção da cárie as paredes precisam ser 
planificadas com uma base protetora 
adequada(por exemplo: CIV) mas o material 
restaurador deve ficar apoiado na dentina. 
 
➢ Forma de retenção 
É o tempo operatório que consiste em dar forma à 
cavidade com a finalidade de evitar o 
deslocamento da restauração, durante a 
mastigação e as forças oclusais. 
A forma de retenção é conseguida mecanicamente 
pela configuração interna da cavidade e depende 
de: 
- Profundidade da cavidade: Profundidade maior 
ou igual a largura vestíbulo-lingual a cavidade por 
si só é retentiva (auto-retentiva). 
 
- Conformação das paredes circundantes: Paredes 
convergentes são auto-retentivas e paredes 
divergentes são expulsivas. 
 
Paredes convergentes para a oclusão dificultam a 
saída da restauração e para restaurações em 
materiais como a amálgama que fica aderida 
mecanicamente ao dente as paredes 
convergentes para a oclusal a retém melhor. Mas 
se a restauração for feita com materiais adesivos 
(civ, resina composta) é possível que se utilize um 
preparo menos retentivo. 
 
5 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
Nas cavidades para amálgama quando a 
profundidade for igual ou maior a largura 
vestíbulo-lingual ela é auto-retentiva (imagem A). 
Mas se a abertura vestíbulo-lingual for maior que a 
profundidade a cavidade devem ser feitas 
retenções mecânicas adicionais internas 
determinadas em dentina na base das cúspides. 
(imagem B), ou devem ser preparadas nas 
paredes vestibular e lingual convergentes para a 
oclusal (Imagem C) 
- Retenções mecânicas adicionais: 
 
Realizados nas paredes vestibular e lingual da 
caixa proximal para evitar o deslocamento lateral 
da restauração quanto incidir carga oclusal sobre 
ela. 
Caso a cavidade se apresente estritamente em 
superfícies lisas (Classe V) essas retenções 
devem ser realizadas em dentina nas paredes 
oclusal/incisal e gengival. A imagem abaixo mostra 
os tipos de brocas que podem ser utilizadas nesse 
preparem. 
 
Outra manobra utilizada para aumentar a retenção 
das restaurações é a cauda de andorinha oclusal. 
Ela é feita para aumentar a retenção em 
cavidades próximo oclusais, porém, não é tão 
vantajosa para a resistência da estrutura. Em 
cavidades Classe II próximo-oclusal muito 
conservadoras a cauda de andorinha aumenta em 
até 4x a retenção da restauração na cavidade no 
sentido áxio-proximal. 
 
- Adesividade do material restaurador 
➢ Forma de conveniência: 
São manobras operatórias que permitem um 
melhor acesso, visibilidade da lesão, 
instrumentação e inserção do material restaurador. 
Esse ato operatório depende da propriedade do 
material restaurador utilizado, dos métodos 
empregados, da localização e extensão da lesão. 
Métodos mecânicos para melhorar visualização da 
lesão: 
- Separação dentária utilizando borrachas ou 
separador mecânico. 
- Afastamento gengival 
- Isolamento do campo operatório 
- Grampo de retração gengival 
- Fio de retração 
 
6 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
 
A forma de conveniência biológica são manobras 
que evitam a exposição pulpar e preservam a 
estrutura dentária. Essas manobras são indicadas 
para cavidades de classe V (conformação da 
parede axial em cavidade de classe V) e em 
preparos realizados na parede pulpar do 1º molar 
inferior ( inclinação da parede pulpar). 
 
 
 
 
➢ Remoção da dentina cariada 
remanescente 
Quando se tem uma cárie incipiente a remoção da 
dentina cariada é concomitante às outras fases do 
preparo. Se após a realização do preparo ainda 
houver algum resquício de lesão cariosa, só essa 
porção cariada deve ser removida. Essa remoção 
ocasionará uma depressão no assoalho cavitário 
que deverá ser preenchida com material forrador 
adequado até atingir o nível da parede de fundo 
em dentina. 
Para evidenciar esses resquícios de lesões 
cariosas é utilizada uma solução evidenciadora de 
cárie -> Fucsina básica a 0,5% em propileno glicol. 
➢ Acabamento das paredes cavitárias e 
margens de esmalte: 
Tem a finalidade de remover irregularidades e 
prisma de esmalte sem suporte, proporcionando 
melhor adaptação marginal entre o material e a 
7 
Den󰉃í󰈼t󰈎󰇹󰇽   
estrutura dental. Proporciona margens cavitárias 
com ângulo cavo superficial liso e uniforme. 
 
 
O ângulo cavo superficial recebe acabamento de 
acordo com o material restaurador que vai ser 
utilizado. Para restauração em amálgama, cimento 
de ionômero de vidro o acabamento é reto e para 
restaurações em resina composta ele recebe 
acabamento em bisel. 
 
 
➢ Limpeza da cavidade 
Todo dente antes de ser restaurado deve ser limpo 
e seco. Tem a finalidade de remover os resíduos 
(smear layer) deixados após a instrumentação do 
preparo e remover microorganismos. O material 
de limpeza utilizado deve ser escolhido de acordo 
com o seu poder de limpeza, biocompatibilidade, 
ph, concentração, vitalidade do dente (se está vital 
ou não) e também de acordo com o material 
restaurador que vai ser utilizado. 
É comum utilizar soluções como por exemplo: 
Hipoclorito de sódio, clorexidina, água de hidróxido 
decálcio. 
* Capítulo sugerido para aprofundar o tema da 
aula: MONDELLI J. Princípios gerais do preparo 
cavitário. In: Dentística - Procedimentos 
pré-clínicos. São Paulo: Editora Santos - 2008, p 
11-23. MONDELLI J. Evolução e princípios 
biomecânicos das cavidades de Classe II para 
Amálgama. In: Dentística - Procedimentos 
pré-clínicos. São Paulo: Editora Santos, 2002, p. 
93-114. 
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