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CAPÍTULO 3 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E oS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTEs PROBLEMAS DE SAÚDE A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: Realizar os diferentes cálculos relacionados com a frequência dos diferentes problemas de saúde da população humana. Realizar os diferentes cálculos relacionados com a distribuição dos diferentes problemas de saúde da população humana. Realizar cálculos para poder avaliar a situação de saúde – doença de determinada população humana. 78 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 79 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A Epidemiologia Básica e seus principais marcos históricos foram apresentados e discutidos no Capítulo 2. Neste capítulo, serão apresentados e discutidos diferentes indicadores de saúde, ou seja, medidas capazes de expressarem os processos saúde-doença da população em estudo, servindo como base para a aplicação de medidas preventivas e de controle de diversas doenças ou agravos à saúde, tais como: • Doenças infecciosas. • Doenças não infecciosas. • Doenças psicossociais. • Acidentes. • Defi ciências. As Medidas de doenças ou agravos à saúde são chamadas de medidas de morbidade. Dessa forma, geralmente, mede-se a “não saúde” e, assim, também é comum avaliar indicadores relacionados à mortalidade (óbitos). As medidas de morbidade e de mortalidade servem para quantifi car as diferentes informações disponíveis sobre o processo saúde-doença, tornando mais prática sua respectiva avaliação (CAMPOS et al., 2006). Além dessas medidas, podem-se estudar e investigar indicadores categorizados, como: • Demográfi cos. • Socioeconômicos. • Fatores determinantes ou fatores de risco. • Recursos humanos. • Recursos fi nanceiros • Cobertura vacinal. Em termos gerais, os indicadores de saúde são medidas-síntese que contêm informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde, bem como o desempenho do SUS (CAMPOS et al., 2006). Nesse caso, visto em conjunto, os diferentes indicadores de saúde devem refl etir a situação sanitária de uma determinada população e servir para a vigilância das condições de saúde, como a vigilância epidemiológica (CAMPOS et al., 2006). A seguir, serão apresentados os indicadores de saúde de morbidade e de mortalidade mais usados no Brasil. 80 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 2 INTRODUÇÃO Os Indicadores de Saúde de Morbidade expressam o risco de adoecer. Dessa forma, referem-se ao comportamento das doenças e dos agravos à saúde em uma população exposta. É usada também para mensurar a frequência dos problemas de saúde na população (PAULA, 2008). Já os Indicadores de Saúde de Mortalidade medem o risco de morrer (PAULA, 2008). Para se medir morbidade e mortalidade e comparar as suas frequências brutas, deve-se transformá-las em valores relativos, ou seja, devem ser expressos em frequências relativas, permitindo ter alguma relação com outros dados, podendo ser expressos em forma de coefi cientes, taxas, índices ou razão (CAMPOS et al., 2006; PAULA, 2008). Assim sendo, surgem os conceitos de morbidade e mortalidade relativas, de uso extensivo e intensivo em Saúde Pública (CAMPOS et al., 2006). Nos coefi cientes taxas, índices ou razão, o número de casos de determinada doença ou agravo à saúde é relacionado ao tamanho da população da qual eles precedem (PAULA, 2008). Pode-se ainda apresentar a defi nição de coefi cientes taxas, índices ou razão como as relações entre o número de eventos reais e os que poderiam acontecer (CAMPOS et al., 2006). Geralmente, é colocado no numerador o número de casos detectados, sendo que o denominador é reservado para o tamanho da população de risco, ou seja, o número de pessoas expostas ao risco de sofrer determinado evento (PAULA, 2008). Antes de apresentar os Indicadores de Saúde de morbidade e de mortalidade mais usados no Brasil, será apresentada uma breve suposição: se esses coefi cientes não fossem relativos, como seria a interpretação dos dados se a frequência fosse absoluta? Observando a Figura 1, poderemos comparar o número de casos da Doença Y nas diferentes cidades, sendo bem provável que as populações de cada uma dessas cidades são diferentes entre si. Por isso, se faz necessário relativizar os números. A frequência absoluta é importante para ações de planejamento e administração na área de saúde, tais como: • Estimativa do número de leitos. • Estimativa do número de UTIs, como no caso do novo coronavírus. • Estimativa do número de medicamentos disponíveis. • Estimativas de material em geral. 81 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 FIGURA 1 − MAPA DE UMA DETERMINADO ESTADO MOSTRANDO O NÚMERO DE CASOS DA DOENÇA Y EM FREQUÊNCIA ABSOLUTA EM DIFERENTES CIDADES FONTE: Moura (2011, s.p.) Agora, se for considerado a frequência relativa, como são nos casos de coefi cientes, taxas, índices ou razão, pode-se observar o exemplo da Figura 2, que apresenta não só o número de casos, mas também o número de habitantes de cada cidade em estudo, permitindo a comparação real entre as cidades de acordo com a Doença Y (PAULA, 2008). FIGURA 2 − NÚMERO DE CASOS DA DOENÇA Y EM DIFERENTES CIDADES COM SEUS RESPECTIVOS NÚMEROS DE HABITANTES FONTE: Moura (2011, s.p.) Já na Figura 3 mostra-se os resultados dos cálculos desses coefi cientes, taxas, índices ou razão. Para realizar esses cálculos, seguiu-se a seguinte fórmula: 82 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença FIGURA 3 − COEFICIENTES RELATIVOS À DOENÇA Y NAS CIDADES A, B E C, CONSIDERANDO AS DIFERENTES POPULAÇÕES DE CADA CIDADE FONTE: Moura (2011, s.p.) A Figura 4 mostra que se faz necessário multiplicar por uma constante da base 10, ou seja, 10n para que possa se entender melhor o resultado obtido do coefi ciente em estudo, no caso: 104. Na Figura 5, fi nalmente, podemos verifi car o resultado fi nal. FIGURA 4 − COEFICIENTES RELATIVOS À DOENÇA Y NAS CIDADES A, B E C MULTIPLICADOS POR 104 FONTE: Moura (2011, s.p.) FIGURA 5 − RESULTADOS FINAIS DOS COEFICIENTES RELATIVOS À DOENÇA Y PARA AS CIDADES A, B E C FONTE: Moura (2011, s.p.) 83 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Podemos, ainda, destacar outro exemplo apresentado em Campos et al. (2006), o qual supõe que uma determinada taxa possui o resultado de 0,00035. Dessa forma, está sendo afi rmado que ela é igual a 35 por 100.000, ou seja, que haveria a possibilidade de acontecer 100.000 eventos, mas que deles só aconteceram 35. Se nesse exemplo os eventos ocorridos (numerador) forem o número de óbitos por tuberculose na Capital X, no ano Y, e os eventos que poderiam ter ocorrido (denominador) forem os habitantes domiciliados na referida capital naquele ano, então, a taxa seria 35 óbitos de tuberculose por 100.000 habitantes na Capital X no ano Y. O cálculo desse exemplo será apresentado a seguir: Para maior entendimento, ainda se tem o seguinte exemplo que compara o número de casos de dengue em relação à população de cada cidade estudada: I- 531 casos de dengue foram encontrados em Birigui/SP, de 1º a 20 de março de 2018, com a população de 104.138 habitantes. II- 480 casos de dengue foram encontrados em Araçatuba/SP, de 1º a 20 de março de 2018, com a população de 25.168 habitantes. Ao realizar o cálculo das frequências relativas das duas cidades teremos: Nesse último exemplo fi ca evidente que se as duas cidades com casos de dengue fossem comparadas erroneamente através da frequência absoluta, seria considerado que o maior número de casos dessa doença seria em Birigui. No entanto, como pôde ser observado, devemos considerar em relação à população de cada cidade(frequência relativa) e, assim, o maior número de casos de dengue foi na verdade em Araçatuba, pois a população tem também um menor número de habitantes se comparado com Birigui. 84 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Até o presente momento, pode-se notar a importância de realizarmos as diferentes investigações da Área da Saúde através dos coefi cientes, taxas, índices ou razão. A seguir, serão apresentados os mais importantes Indicadores de Saúde de Morbidade e Mortalidade. 3 DISTRIBUIÇÃO E FREQUÊNCIA DOS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDE Primeiramente serão abordados os Indicadores de Morbidade. As Estatísticas de morbidade são geralmente utilizadas para a avaliação de saúde e adoção de medidas de caráter abrangente, como ter água em determinado município, esgotos e medidas gerais de saneamento básico (CAMPOS et al., 2006). Além disso, auxiliam na adoção de medidas que visem à melhoria da qualidade de vida da população, ou mesmo medidas específi cas para garantir a correção de decisões na área de saúde, como investigar a efi cácia de vacinas ou apoiar ações específi cas necessárias ao controle de determinadas doença, como o tratamento da tuberculose pulmonar (CAMPOS et al., 2006; PAULA, 2008). Os Indicadores de Morbidade mais utilizados no planejamento e na avaliação das medidas de prevenção e controle de doenças e de agravos a saúde são: • Coefi ciente de Prevalência. • Coefi ciente de Incidência. • Coefi ciente de Letalidade. Para o estudo dos coefi cientes apresentados a seguir ser mais efetivo, você deve tentar resolver os exercícios apresentados nos exemplos primeiramente, ou seja, antes de olhar as respostas em baixo de cada questão proposta. 85 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 1 Os Indicadores de saúde são para apresentar os dados de morbidade (relativos à doença) e de mortalidade (relativos a óbitos). É Indicador de Mortalidade: a) ( ) Mortalidade por causa. b) ( ) Letalidade. c) ( ) Prevalência. d) ( ) Incidência. e) ( ) Frequência inerente. 4 COEFICIENTE DE PREVALÊNCIA O Coefi ciente de Prevalência descreve a força com que subsistem as diferentes doenças ou agravos à saúde nas coletividades (CAMPOS et al., 2006). A medida mais simples do Coefi ciente de Prevalência seria a frequência absoluta. A frequência relativa que representa o Coefi ciente de Prevalência é o indicador de saúde, que permite estimar e comparar, no tempo e no espaço, a prevalência de uma determinada doença ou agravo à saúde, segundo algumas variáveis, como idade, sexo, ocupação, escolaridade, estado civil, entre outras (CAMPOS et al., 2006). Esse Coefi ciente pode ser considerado a Frequência de Casos de uma determinada doença ou agravo à saúde, consistindo no número de casos existentes, ou seja, casos novos e casos antigos juntos. O cálculo do Coefi ciente de Prevalência consiste no seguinte: Operacionalmente, o Coefi ciente de Prevalência pode ser defi nido como a relação entre o número de casos conhecidos de uma determinada doença ou agravo à saúde e a população exposta, multiplicando o resultado pela base referencial que, em geral, é uma potência de 10, sendo usualmente: 1.000, 10.000 ou 100.000 86 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Exemplo 2: No Quadro 1 são apresentados os números de casos novos e de casos anteriores de tuberculose pulmonar para diferentes faixas etárias na Cidade X, entre os anos de 2010 a 2020. QUADRO 1 − POPULAÇÃO E NÚMERO DE CASOS NOVOS E ANTERIORES DE TUBERCULOSE PULMONAR POR DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS (IDADE) NA CIDADE X ENTRE 2010 E 2020 Faixa Etária Número de casos novos de tuberculose pulmonar Número de casos antigos de tuberculose pulmonar População da Cidade X 0-5 anos 0 3 980 6-12 anos 1 2 1500 13-20 anos 15 25 2102 21-35 anos 65 76 3201 36-50 anos 80 102 3541 51-60 anos 79 120 3420 61-70 anos 43 63 1320 > 71 anos 20 45 1050 Número Total 303 436 17114 FONTE: A autora Questões relativas ao Quadro 1: I- De acordo com a Quadro 1, qual o Coefi ciente de Prevalência no caso de tuberculose pulmonar da Cidade X, entre 2010 e 2020, para todas as faixas etárias em estudo? (CAMPOS et al., 2006). Dessa maneira, o número de casos conhecidos mede os casos que subsistem, ou seja, a soma dos casos anteriormente conhecidos e que ainda existem com os casos novos (CAMPOS et al., 2006). Exemplo 1: Em Guararapes/SP, no ano de 2019, haviam 10 casos novos de zika e, em anos anteriores, eram 35 casos. Deve-se considerar uma população de 35.000 habitantes. Qual o Coefi ciente de Prevalência de casos de zika para essa cidade? 87 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 II- De acordo com a Quadro 1, se comparamos as faixas etárias de 0 a 5 anos com maior de 71 anos, qual delas apresentou maior Coefi ciente de Prevalência? III- De acordo com a Quadro 1, qual o coefi ciente de Prevalência da faixa etária de 36 a 50 anos? Respostas relativas às questões para a análise do Quadro 1: I- Coefi ciente de Prevalência Geral: Conclusão 1: O coefi ciente de Prevalência geral para tuberculose pulmonar na Cidade X entre 2010 e 2020 é de 43 casos para cada 1000 habitantes. Coefi ciente de Prevalência para a faixa etária de 0-5 anos: Coefi ciente de Prevalência para a faixa etária de > 71 anos: Conclusão 2: O Coefi ciente de Prevalência de casos de tuberculose pulmonar é de 65,9 casos para cada 1000 habitantes para a faixa etária > 71 anos; e para a faixa etária de 0 a 5 anos: 3 casos para cada 1000 habitantes, sendo assim, o coefi ciente de prevalência é maior entre os idosos. Coefi ciente de Prevalência da Faixa Etária de 36 a 50 anos idade: 88 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Conclusão 3: O Coefi ciente de Prevalência de casos de tuberculose para a faixa etária de 31 a 50 anos foi de 51 casos para cada 1000 habitantes na Cidade X. Exemplo 3: Analise a Figura 6 e responda às questões a seguir: I- Determine qual região da Cidade Z no ano de 2017 tem maior coefi ciente de prevalência no caso de câncer de estômago. II- Qual a região de menor coefi ciente de prevalência? FIGURA 6 – COEFICIENTE DE PREVALÊNCIA FONTE: A autora Conclusão 1: De acordo com a fi gura, a Região Nordeste da Cidade Z no ano de 2017 que apresentou maior prevalência. Conclusão 2: De acordo com a fi gura, a Região Sul da Cidade Z no ano de 2017 que apresentou menor prevalência. 1 Analise a fi gura a seguir: 89 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 De acordo com a fi gura, qual a região da Cidade Z no ano de 2017 que apresentou maior Prevalência? a) ( ) Nordeste. b) ( ) Norte. c) ( ) Centro-Oeste. d) ( ) Sudeste. e) ( ) Sul. Como apresentado e discutido no Capítulo 2 desta disciplina, a apresentação de dados epidemiológicos em forma de gráfi cos mostra uma análise que enquadra na Epidemiologia Descritiva. A partir dessa análise, pode-se inferir que devem existir fatores de risco ou fatores determinantes que permitem que haja diferenças no comportamento do câncer de estômago entre os habitantes de cada Região. Dessa forma, pode-se inferir, por exemplo, que a alimentação inadequada está associada a uma maior prevalência para a Região Nordeste, onde sabemos que a alimentação é muito condimentada e com muita carne defumada, enquanto que na Região Sul tem-se o costume de tomar chá todo dia. No entanto, nesse caso, é só uma inferência, tendo que haver estudos que usam a Epidemiologia Analítica para verifi car se essa associação pode ser verdadeira. No entanto, existem outros estudos na literatura especializada que usaram da Epidemiologia Analítica para analisar os dados obtidos, verifi cando a associação de alimentos defumados ecarnes salgadas com um maior desenvolvimento de câncer. Já para Região Sul, onde se toma mais chá, poderia estar associado a sua mais baixa prevalência, pois existem trabalhos na literatura que sugerem esse fator de proteção. Para mais informações sobre a associação de uma dieta inadequada e o desenvolvimento de câncer de pulmão, veja o site a seguir: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/como-prevenir-o- cancer-de-estomago/11124/1137/ 90 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Até aqui foi apresentado e discutido, através de exemplos práticos, sobre o Coefi ciente de Prevalência. A partir de agora, será apresentado e discutido sobre o Coefi ciente de Incidência, destacando seu uso para as análises de epidemias e pandemias. 5 COEFICIENTE DE INCIDÊNCIA O Coefi ciente de Incidência traduz a ideia de intensidade com que acontece a morbidade (risco de adoecer) em uma determinada população, enquanto que se compararmos com o Coefi ciente de Prevalência, esse último descreve a força com que subsistem as doenças nas coletividades (CAMPOS et al., 2006). O cálculo do Coefi ciente de Incidência é o seguinte: O Coefi ciente de Incidência equivale ao crescimento ou mesmo a uma “velocidade” de crescimento, ou seja, ele mede a velocidade com que os casos novos da doença são agregados ao contingente dos que no passado adquiriram a doença e que até a data do cálculo do referido coefi ciente permanecem doentes (CAMPOS et al., 2006). O Coefi ciente de Incidência representa ainda o risco coletivo de adoecer (MOURA, 2011). Pode também avaliar o impacto epidemiológico de medidas de controle adotadas, como a vacinação (MOURA, 2011). Para entender melhor sobre esse coefi ciente serão apresentados, a seguir, alguns exemplos. Exemplo 1: 91 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 FIGURA 7 − A INCIDÊNCIA DE DENGUE NA CIDADE W NO PERÍODO DE 1990 A 1993 FONTE: A autora Questões sobre a Figura 7 de Coefi ciente de Incidência: I- Como interpretar os Coefi cientes de Incidência encontrados? II- Qual o Coefi ciente de Incidência para o ano de 1990? E para o ano de 1993? Como podemos compará-los? III- O que representa o resultado? Respostas: I- A partir da imagem apresentada, a maior incidência de casos de dengue encontrada na Cidade W foi em 1993, mostrando que, ao longo dos anos, desde 1990, a tendência foi aumentar. O resultado para esse ano foi de 4,5 casos novos de dengue para cada 10.000 habitantes. II- Ano 1990: 3,3 casos novos de dengue para cada 10.000 habitantes na Cidade W. Ano 1993: 4,5 casos novos de dengue para cada 10.000 habitantes. Assim, ocorreu um aumento da incidência ao longo dos anos. III- A cada 10.000 habitantes temos uma incidência diferente para cada ano estudado na Cidade W. 92 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 1 Observe a fi gura sobre incidência de dengue na Cidade W no período de 1990 a 1993: Qual o Coefi ciente de Incidência para o ano de 1990? a) ( ) 3,4. b) ( ) 2,5. c) ( ) 4,0. d) ( ) 4,1. e) ( ) 0,5. 93 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Exemplo 2: FIGURA 8 − HANSENÍASE NO BRASIL EM 2002: COEFICIENTES DE DETECÇÃO POR REGIÕES - FONTE: Adaptado de Campos et al. (2006) Questões: I- Em qual Região do Brasil teve a maior Incidência? E a menor? II- De acordo com a Epidemiologia Descritiva, o que os dados representam? III- Qual inferência sobre os possíveis fatores de risco ou determinantes poderão estar associados aos resultados encontrados? Respostas: I- A Região Norte. A menor: Sul. II- O número de casos novos da doença para cada 10.000 habitantes para o Brasil em 2002, ou seja, o coefi ciente de incidência. III- Pode-se inferir vários fatores de risco para o maior desenvolvimento da hanseníase na Região Norte, se comparado com a Sul do país. Podem ter sido: fatores genéticos, hábitos, dietas diferentes, entre outros. No entanto, para verifi car as associações desses fatores com a doença estudada, tem que se fazer um estudo epidemiológico analítico. 94 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Exemplo 3: QUADRO 2 − CASOS DE DENGUE DE ACORDO COM AS ESTAÇÕES DO ANO NA CIDADE Z COM UMA POPULAÇÃO DE 1200 HABITANTES, DE 2001 A 2004. CASOS ANTERIORES CASOS NOVOS PRIMAVERA 50 20 VERÃO 460 78 OUTONO 25 32 INVERNO 15 5 TOTAL 550 135 FONTE: A autora Questões: I- Calcule o Coefi ciente de Incidência de casos de dengue na Cidade Z para cada estação do ano. II- Qual o maior Coefi ciente de Incidência encontrado ao responder à questão 1? III- Qual o menor Coefi ciente de Incidência encontrado ao responder à questão 1? IV- Quais inferências podem ser feitas quanto aos fatores de risco ou determinantes que possam estar infl uenciando nos resultados obtidos? Justifi que sua resposta. Respostas: I- Primavera: 16,60 para cada 1000 habitantes da Cidade C; verão: 65 para cada 1000 habitantes; outono: 27 para cada 1000 habitantes; inverno: 4,16 para cada 1000 habitantes. II- Verão. III- Inverno. IV- O vetor responsável por transportar o vírus causador da dengue é o Aedes aegypt, sendo que ele vive bem em ambientes quentes e que tem água parada, condições típicas do verão. Dessa forma, pode-se inferir que esses sejam fatores de risco ou fatores determinantes para o desenvolvimento da dengue na Cidade Z. Se eliminarmos o vetor, teremos medidas preventivas essenciais para o controle da dengue ou até sua erradicação. 95 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 É importante ressaltar que mais para o fi nal deste capítulo serão detalhados os fatores de risco ou determinantes para diferentes doenças ou agravos à saúde. Até agora, foi apresentado e discutidos os Coefi cientes de Morbidade: Incidência e Prevalência. Por último, será apresentado e discutido sobre o Coefi ciente Letalidade. Se faz importante ressaltar que esse coefi ciente é considerado por alguns autores como de morbidade e por outros como de mortalidade. Aqui será apresentado junto aos coefi cientes referentes a morbidades. 6 INCIDÊNCIA DE DOENÇAS: EPIDEMIA E ENDEMIAS No Brasil, a cólera apontou em abril de 1991, atingindo vários municípios do país, com elevadíssima incidência, principalmente associada à precariedade do saneamento básico e à presença da pobreza (CAMPOS et al., 2006). Dessa forma, esses dois fatores foram e são considerados de risco ou determinantes para o desenvolvimento da cólera no Brasil e também no mundo, como foi verifi cado a partir de diversos estudos. FIGURA 9 − EPIDEMIA DE CÓLERA NO BRASIL DE 1991 A 2001 FONTE: Adaptado de Campos et al. (2006) 96 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença De acordo com a Figura 9, o pico da epidemia da cólera foi entre 1991 e 1996 no Brasil, atingindo o valor máximo de 39,8 casos novos de cólera para cada 100.000 habitantes no ano de 1993. Seguindo a linha de raciocínio da Epidemiologia Descritiva, em 1993 e 1994, os maiores valores são apresentados devido a algum fator de risco ou determinante no período, como saneamento básico precário e maior nível de pobreza. A partir de 1995, esse índice de saúde melhorou muito, caindo bruscamente, mostrando medidas preventivas e de controle da cólera mais efetivas. A defi nição de epidemias e pandemias, apresentadas e amplamente discutidas nos Capítulos 1 e 2 deste Livro Didático, são consideradas restritas se comparadas com as endemias, que são consideradas ilimitadas no decorrer do tempo (CAMPOS et al., 2006). FIGURA 10 − DENGUE EM FORTALEZA NO PERÍODO DE 1996 A 2003: NÚMERO DE CASOS (EM MILHARES) FONTE: Adaptado de CAMPOS et al. (2006) A Figura 10 apresenta três epidemias (D1, D2 e D3) que se acumularam num mesmo tempo e lugar (CAMPOS et al., 2006). Dessa maneira,é possível observar que enquanto não se adotou medidas preventivas e de controle da dengue, ao longo do tempo e de tempos em tempos, aparecerão novas epidemias, como a de Fortaleza. As medidas seriam realmente efetivas se fosse, defi nitivamente, eliminado o vetor, ou seja, o Aedes aegypti. Isso seria possível se fossem adotadas algumas medidas, tais como: 97 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 • Coleta de lixo adequada. • Drenagem. • Eliminar água parada. • Saneamento básico para todos. • Educação sanitária da população. • Conscientização coletiva de governo e população para o controle da dengue. QUADRO 3 − CASOS CONFIRMADOS DE COVID-19 POR ALGUNS ESTADOS NO BRASIL NO DIA 02/04/2020 Estados Casos Confi rmados Acre 43 Alagoas 18 Amapá 11 Amazonas 200 Bahia 240 Ceará 444 Distrito Federal 355 Goiás 71 Espírito Santo 96 Maranhão 54 Mato Grosso 27 Mato Grosso do Sul 51 Minas Gerais 314 Paraná 224 Paraíba 20 Pará 40 Piauí 18 Pernambuco 95 FONTE: <https://covid.saude.gov.br/>. Acesso em: 2 abr. 2020 No caso da COVID-19, estão sendo analisadas a incidência e a prevalência por dia, pois ainda estamos dentro da curva epidêmica e, assim, a cada dia esses números tendem a se modifi car abruptamente ou fi carem estagnados. Na verdade, os números podem no mesmo dia, dentro de 24 horas, variarem muito. 98 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 7 COEFICIENTE DE LETALIDADE O Coefi ciente de Letalidade transita entre os dois tipos de Indicadores de Saúde, de Morbidade e de Mortalidade, nesse sentido, para alguns autores de Epidemiologia, ele deve estar entre os Indicadores de Morbidade e, para outros, entre os Indicadores de Mortalidade. Aqui, serão apresentados entre os Indicadores de Morbidade. A Letalidade mede o “poder” da doença de levar à morte os indivíduos que estão com essa doença e, assim, permite avaliar a sua gravidade. Vamos a um Exemplo, para fi car mais claro: para a COVID-19, sabe-se até agora que sua letalidade está entre 2 a 3%. E aí virão as perguntas: Esse valor é alto ou baixo? Como podemos defi nir isso? Como se interpreta a letalidade? A letalidade poderá também informar sobre a qualidade de determinada Assistência em Saúde ou de um determinado Serviço de Saúde relativos às ações contra uma determinada doença ou agravo à Saúde. O cálculo da Letalidade é: O cálculo da Letalidade é medido em porcentagem. O coefi ciente de letalidade não mede o risco de adoecer ou de morrer, mas sim é uma distribuição proporcional. Vamos aos exemplos sobre letalidade para melhor compreensão: Exemplo 1: 2% de óbitos por COVID-19. Resposta: Para cada 100 indivíduos com COVID-19, dois morrem devido à doença. No entanto, esse resultado é em média, ou seja, não signifi ca que é dois óbitos exatos, podendo ser um erro, por exemplo, de um ponto para mais ou para menos, então, entre 1 a 3%. Exemplo 2: 99 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 QUADRO 4 − COEFICIENTE DE LETALIDADE DO NOVO CORANAVÍRUS POR ESTADOS DO BRASIL EM 06/04/2020 Estado Letalidade Acre 0% Alagoas 7,1% Amapá 6,9% Amazonas 3,4% Bahia 2,2% Ceará 3,2% Distrito Federal 1,5% Espírito Santo 3,6% Goiás 2,6% Maranhão 2,1% Mato Grosso 1,7% Mato Grosso do Sul 1,5% Minas Gerais 1,2% Paraná 2,1% Paraíba 1,7% Pará 1,2% Pernambuco 10,4% Piauí 17,4% Rio Grande do Norte 2,9% Rio Grande do Sul 1,7% Rio de Janeiro 4,6% Rondônia 8,3% Roraima 2,4% Santa Catarina 2,8% Sergipe 9,4% São Paulo 6,0% Tocantins 0% FONTE: <https://covid.saude.gov.br/>. Acesso em: 6 abr. 2020 Analisando o quadro, responda às questões: I- Quais as três maiores letalidades encontradas? II- Quais as três menores letalidades encontradas? III- Como interpretar os resultados obtidos? IV- Qual inferência ou quais inferências podem ser realizadas dos fatores de risco ou de proteção para o desenvolvimento da doença em questão? 100 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Respostas: I- As três maiores letalidades: 1. Piauí (17,4%). 2. Pernambuco (10,4%). 3. Sergipe (9,4%). II- As três menores letalidades: 1. Acre e Tocantins (0%). 2. Pará (1,2%). 3. Rio Grande do Sul (1,7%). III- A cada 100 indivíduos com o novo coronavírus, 17,4 morreram da doença, e assim por diante. IV- Para o Piauí, provavelmente, o número de doentes é pequeno se comparado com o Rio Grande do Sul. Além disso, pode-se inferir que houve um número maior de pacientes com comorbidades ou mesmo pertencentes ao grupo de risco, como os idosos. Exemplo 3: QUADRO 5 − NÚMERO DE CASOS CONFIRMADOS, ÓBITOS E LETALIDADE DO NOVO CORONAVÍRUS NO BRASIL EM 06/04/2020 Número de Casos Confi rmados Óbitos Letalidade 11.130 486 4,4% FONTE: <https://covid.saude.gov.br/>. Acesso em: 6 abr. 2020 I- Refaça o cálculo da letalidade apresentada no quadro. II- Como interpretar o resultado obtido? III- Quais inferências podem ser feitas com relação ao resultado obtido quanto aos fatores de risco para o desenvolvimento dessa doença? Respostas: I- Coefi ciente de Letalidade: 486 x 100 = 4,4% 11.130 101 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 II- A cada 100 pacientes com o novo coronavírus, 4,4 falecem. III- Os óbitos podem ser do grupo de risco para a doença estudada ou apresentar fatores de risco, como possuírem comorbidades, tais como: diabetes, pressão alta, entre outras. Esses foram alguns exemplos do Coefi ciente de Letalidade. A partir de agora, serão apresentados e discutidos sobre os Índices de Mortalidade, ou seja, os índices que medem o risco de morte. 1 O Coefi ciente de Letalidade é um indicador de Morbidade. O Coefi ciente de letalidade representa: a) ( ) O número de óbitos entre o número de doentes por determinada doença, é uma porcentagem. b) ( ) Número de óbitos pela população em geral. c) ( ) Número de óbitos pelo número de crianças. d) ( ) Número de doentes pelos óbitos. e) ( ) Número de doentes. 8 COEFICIENTE DE MORTALIDADE Serão apresentados e discutidos aqui os seguintes Coefi cientes de Mortalidade: • Coefi ciente de Mortalidade Geral. • Coefi ciente de Mortalidade Infantil. • Coefi ciente de Mortalidade Neonatal (Precoce). • Coefi ciente de Mortalidade Pós-Neonatal (Tardia). • Coefi ciente de Mortalidade por causa. 8.1 COEFICIENTE DE MORTALIDADE GERAL É a relação entre o total de óbitos (por todas as causas) de um determinado local pela população exposta ao risco de morrer. Geralmente, é utilizado na 102 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença avaliação do estado sanitário de áreas determinadas e propicia a possibilidade de se avaliar comparativamente o nível de saúde de localidades diferentes. Por convenção, para calcular as Taxas de Mortalidade Geral e infantil, a base é 103 = 1000. Cálculo do Coefi ciente de Mortalidade Geral: Exemplo 1: No município de São Paulo, em 1996, ocorreram 71.905 óbitos. A população estimada em tal período era de 9.845.129 habitantes. I- Calcule o Coefi ciente de Mortalidade Geral. Exemplo 2: FIGURA 11 − MORTALIDADE GERAL NO BRASIL EM 2003: TAXAS REGIONAIS POR 1000 HABITANTES FONTE: Adaptado de Campos et al. (2006) - 103 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Questões: I- De acordo com a Figura 11, qual região do Brasil apresentou maior Mortalidade Geral? II- De acordo com a Figura 11, qual região do Brasil apresentou menor Mortalidade Geral? III- Interprete os resultados encontrados. Respostas: I- Sudeste, com 6,4 óbitos por todas as causas para cada 1000 habitantes. II- Norte, com 3,8 óbitos por todas as causas para cada 1000 habitantes. III- Pode-se inferir que a Região Norte apresentou menor taxa de mortalidadegeral devido a problemas de subnotifi cação. 8.2 COEFICIENTE DE MORTALIDADE INFANTIL Mede o risco de morte para crianças menores de um ano de idade. É um indicador de nível de saúde e de desenvolvimento social de uma determinada região. Com esse coefi ciente, pode-se avaliar o estado sanitário geral de uma comunidade em associação com outros indicadores de promoção de saúde, tais como o nível de escolaridades e de renda, bem como a disponibilidade de água e de moradia (CAMPOS et al., 2006). Além disso, esse coefi ciente pode servir de indicador específi co, como para orientar as ações de serviços especializados nas Unidades de Saúde, com ações voltadas ao grupo materno-infantil (CAMPOS et al., 2006). Cálculo do Coefi ciente de Mortalidade Infantil: Exemplo 1: 104 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença FIGURA 12 − MORTALIDADE INFANTIL NO BRASIL ENTRE OS PERÍODOS DE 1991 A 2003 FONTE: Adaptado de Campos et al. (2006) A partir do Figura 12, pode-se verifi car que as taxas de mortalidade infantil vêm declinando gradualmente de modo lento, mas persistente (CAMPOS et al., 2006). O que é alto, médio ou baixo Coefi ciente de Mortalidade Infantil? Como interpretar os resultados? Geralmente, de acordo com a OMS (2020), são considerados os seguintes: 1. Alto: de 50 ou mais óbitos para cada 1000 nascidos vivos. 2. Médio: de 20 a 49 óbitos para cada 1000 nascidos vivos. 3. Baixo: menos de 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos. Nascidos Vivos: o produto da concepção que, depois da expulsão ou extração completa do corpo da mãe, respira ou dá qualquer outro sinal de vida, tais como: • Batimento cardíaco. • Pulsação do cordão umbilical. • Movimentos musculares de contração voluntária. 105 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Exemplo 2: QUADRO 6 − MORTALIDADE INFANTIL NA CIDADE X, ENTRE 1980 A 1990 Anos Mortalidade infantil 1980 36,2 1981 32,4 1982 31,7 1983 30,5 1984 30,0 1985 26,7 1986 26,3 1987 25,2 1988 24,0 1989 20,0 1990 12,0 FONTE: A autora Questões: I- De acordo com o Quadro 6, o que aconteceu com a mortalidade infantil ao longo dos anos? II- De acordo com o seu conhecimento prévio, quais fatores de riscos ou determinantes podem inferir que estão infl uenciando os resultados obtidos? Respostas: I- Ocorreu um declínio da mortalidade infantil ao longo do tempo. II- Nos anos 1980, ainda muitas pessoas morriam por diarreia, além disso, sofria-se muito com a falta de saneamento básico e de alimentação adequada. Dessa forma, esses podem ter sido fatores de risco ou determinantes para o alto coefi ciente de mortalidade infantil nesse período ao compararmos com o início da década de 1990. 106 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 8.3 COEFICIENTE DE MORTALIDADE NEONATAL (PRECOCE) Mede o risco de a criança morrer nas suas primeiras semanas de vida. Nesse período, geralmente, o óbito está relacionado com agressões sofridas pelo feto durante a vida intrauterina ou nas condições do parto. As principais causas de óbito são do tipo endógenos, ou seja, anomalias congênitas e afecções neonatais. Cálculo do Coefi ciente de Mortalidade Neonatal (Precoce): Exemplo 1: QUADRO 7 − COEFICIENTE DE MORTALIDADE NEONATAL (PRECOCE) E NÚMERO DE NASCIDOS VIVOS (2300) NA CIDADE Y, DE 2000 A 2006 Anos Mortalidade Neonatal (Precoce) 2000 20,3 2001 14,3 2002 12,9 2003 12 2004 11,7 2005 11,5 2006 10,8 FONTE: A autora Questões: I- De acordo com o Quadro 7, o que aconteceu com a Mortalidade Neonatal Precoce na Cidade Y entre 2000 a 2006? II- O que pode inferir como fator de risco ou determinante para o resultado obtido? III- Como interpretar os dados? 107 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Respostas: I- Teve um declínio ao longo do período estudado. II- Maiores cuidados com o parto no decorrer do tempo e, assim, em 2000, morriam-se mais crianças. Isso é só uma hipótese, para testá-la, deve-se realizar estudos de Epidemiologia Analítica. III- Com cautela. 8.4 COEFICIENTE DE MORTALIDADE PÓS-NEONATAL (TARDIA) Esse Coefi ciente mede o risco de a criança morrer após a quarta semana de vida e até completar um ano de idade. Nesse período, geralmente, as causas são de natureza ambiental e social (causas exógenas), tais como: • Gastroenterite. • Infecções respiratórias. • Desnutrição. • Saneamento básico inadequado. Cálculo do Coefi ciente de Mortalidade Pós-Neonatal (Tardia): Exemplo 1: QUADRO 8 − COEFICIENTE DE MORTALIDADE PÓS-NATAL PARA A CIDADE Z NO PERÍODO DE 2010 A 2015 Ano Coefi ciente de Mortalidade Pós-Natal 2010 50,4 2011 56,1 2012 43,2 2013 32,1 2014 21,8 2015 16,0 FONTE: A autora 108 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença Questões: I- Observando o Quadro 8, o que aconteceu com o Coefi ciente de Mortalidade Pós-Natal ao longo do tempo? II- O que podemos deduzir que aconteceu para ocorrer o resultado obtido? Cite possíveis fatores que possam estar interferindo para se ter esse resultado. Respostas: I- O Coefi ciente de Mortalidade Pós-Natal foi, em geral, diminuindo ao longo do tempo estudado. II- Maior cuidado com essas crianças, como ações evitando desnutrição e tendo cuidados redobrados com as gastroenterites. Exemplo 2: QUADRO 9 − NÚMERO DE ÓBITOS DE CRIANÇAS ENTRE 28 DIAS A UM ANO DE IDADE E DE NASCIDOS VIVOS PARA A CIDADE W EM 2020 Número de Óbitos de Crianças entre 28 dias a 1 ano de idade Número de Nascidos Vivos 60 1500 FONTE: A autora Questão: I- Calcule o Coefi ciente de Mortalidade Pós-Natal. Resposta: I- 40 óbitos de crianças entre 28 a um ano de idade para cada 1000 nascidos vivos. 8.5 COEFICIENTE DE MORTALIDADE POR CAUSA Mede o risco de morte por determinada causa, em um dado local e período. No denominador deve conter a população exposta ao risco de morrer por essa mesma causa. 109 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 Cálculo do Coefi ciente de Mortalidade por Causa: Exemplo 1: QUADRO 10 − POPULAÇÃO E ÓBITOS POR AIDS POR FAIXA ETÁRIA (ANOS) E SEXO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (SP) EM 1996 FAIXA ETÁRIA (ANOS) ÓBITOS POR AIDS POPULAÇÃO TOTAL ÓBITOS POR AIDS (HOMENS) POPULAÇÃO MASCULINA 0 -14 81 2555809 43 1286717 15 -19 20 956744 12 462005 20-49 2606 4734298 1958 2270881 ≥ 50 233 1598278 198 698524 TOTAL 2940 9845129 2201 4718127 FONTE: A autora Questões: I- Considerando o Quadro 10, calcule o coefi ciente de mortalidade por AIDS de acordo com a faixa etária para o Município de São Paulo em 1996. II- Considerando o Quadro 10, calcule o coefi ciente de mortalidade por AIDS de acordo com o sexo para o município de São Paulo em 1996. III- Considerando o Quadro 10, relate o que ocorreu com o coefi ciente de mortalidade por AIDS por faixa etária para o município de São Paulo em 1996. IV- Considerando o Quadro 10, relate o que ocorreu com o coefi ciente de mortalidade por AIDS por sexo para o município de São Paulo em 1996. V- Calcule o coefi ciente de mortalidade por AIDS para a população total. Respostas: I- 0-14 anos = 3,16 óbitos por AIDS para cada 100.000 crianças. 15-19 anos = 2,09 óbitos por AIDS para cada 100.000 jovens. 20-49 anos = 55,04 óbitos por AIDS para cada 100.000 adultos. ≥ 50 anos = 14,58 óbitos por AIDS para cada 100.000 adultos ≥ 50 anos. 110 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença II- 46,65 óbitos por AIDS para cada 100.000 homens do município de São Paulo em 1996. III- Foi maior entre a faixa etária de 20 a 49 anos. IV- Foi relativamente alto por considerar apenas os homens. V- 29,86 para cada 100.000 habitantes do município de São Paulo em 1996. Como complemento dos estudos de diferentes indicadores de saúde, verifi que o site da Organização Pan-Americana de Saúde: https://www.paho.org/hq/index.php?option=com_content&view=article&id=14402:health-indicators-conceptual-and-operational- considerations-section-2&Itemid=0&showall=1&lang=pt Esses foram os principais índices de saúde utilizados em Epidemiologia. Na próxima seção, serão apresentados e discutidos sobre os diferentes Fatores Determinantes, de risco e de proteção. 9 FATORES DETERMINANTES, DE RISCO OU DE PROTEÇÃO Ao longo deste Livro Didático já foram apresentados alguns fatores determinantes ou de risco, como idade, sexo, ocupação, estado civil, entre outros. No entanto, agora, serão apresentados alguns estudos sobre fatores que auxiliam no desenvolvimento de determinada doença ou agravo à saúde, sendo discutidos para se entender melhor o processo saúde-doença. Primeiramente, é importante entender que, nos fatores determinantes, de risco ou de proteção, há uma multifatoriedade que está associada ao maior ou menor desenvolvimento de determinada doença ou agravo à saúde. Esse desenvolvimento apresenta diferentes classifi cações, podendo ser: endógenos ou exógenos, por exemplo. Os endógenos podem ser fatores genéticos. Os exógenos são fatores relacionados com o meio ambiente, como fatores socioeconômicos. De acordo com a Epidemiologia Descritiva, podemos inferir quais fatores poderiam estar interferindo no desenvolvimento ou não de determinada doença 111 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 ou agravo à saúde. No entanto, através de estudos mais avançados, como os da Epidemiologia Analítica, podemos analisar se há associações entre tais fatores e as doenças estudadas. Nesse sentido, apresentaremos resumos de artigos científi cos ou notícias nacionais como exemplos para melhor entendimento desses fatores. 9.1 FATOR DE RISCO: TABAGISMO Fator de Risco bem conhecido na literatura especializada para doenças não transmissíveis, tais como: • Câncer. • Doenças pulmonares. • Doenças cardiovasculares. O hábito de fumar tem sido apontado por muitos autores como o fator de risco, sendo considerado líder global entre as causas de morte evitáveis. Além dos indivíduos fumantes, os passivos (que fi cam próximos aos indivíduos fumantes) também são considerados como aqueles que desenvolvem mais as doenças apresentadas. Maiores Informações sobre o tabagismo como fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis no link: https://www.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia-de- doencas-cronicas-nao-transmissiveis-dcnt/fatores-de-risco 9.2 FATOR DE RISCO: SEDENTARISMO O sedentarismo tem sido considerado fator de risco para as seguintes doenças não transmissíveis: • Hipertensão. • Obesidade. • Doenças cardiovasculares. 112 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença • Depressão. • Diabetes. • AVC. • Estresse. A mortalidade por causa do sedentarismo só é menor se comparado com o tabagismo para a diabetes e doenças cardiovasculares. A OMS (2017) recomenda que um indivíduo adulto pratique ao menos 150 minutos de atividades físicas moderadas ou 75 minutos de atividades físicas intensas por semana. 9.3 FATOR DE RISCO: ALCOOLISMO Esse fator de risco ou fator determinante está associado às seguintes doenças ou agravos à saúde, de acordo com a literatura especializada: • Tuberculose pulmonar. • Câncer pulmonar. • Cirrose. • Hepatite. • Violência doméstica. • Acidentes de trânsito. 9.4 FATOR DE RISCO: IDADE Esse fator de risco ou determinante se encontra associado às doenças a seguir: • Caxumba (para crianças). • Catapora (para crianças). • Coqueluche (para crianças). • COVID-19 (para idosos). • AVC (para idosos). • Doenças cardiovasculares (para idosos). 113 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 9.5 FATOR DE RISCO: SEXO Doenças com maior desenvolvimento de acordo com o sexo: • Tuberculose pulmonar (sexo masculino). • Câncer de próstata (sexo masculino). • Câncer de colo de útero (sexo feminino). • Câncer de ovário (sexo feminino). • Câncer de mama (sexo feminino). 9.6 FATOR DE RISCO: POLUIÇÃO DO AR Podemos citar alguns exemplos de doenças associadas à poluição do ar, como: • Câncer de pulmão. • Doenças respiratórias. • Doenças pulmonares. 9.7 FATOR DE RISCO: GENÉTICO Existem várias doenças em que o fator genético aumenta a chance de desenvolvê-las: • Diabetes. • Tuberculose pulmonar. • Doenças cardiovasculares. • Síndrome de Down. • Daltonismo. • Obesidade. 114 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença 9.8 FATOR DE RISCO: DIETA ALIMENTAR INADEQUADA Sabe-se que uma dieta alimentar inadequada pode acarretar uma série de doenças ou agravos à saúde, tais como: • Obesidade. • Diabetes. • Doenças cardiovasculares. • Desnutrição. 9.9 FATOR DE RISCO: HIPERTENSÃO A hipertensão é uma doença silenciosa que também é considerada fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças, tais como: • Doenças cardiovasculares. • AVC. • Diabetes. 9.10 FATOR DE RISCO: RADIAÇÃO A radiação é um fator de risco para o desenvolvimento de todos os tipos de neoplasias (cânceres). Para maiores informações sobre a radiação como fator de risco acesse: https://www.saude.gov.br/vigilancia-em-saude/vigilancia- ambiental/vigifi s/radiacao-ionizante 115 DISTRIBUIÇÃO, FREQUÊNCIA E OS FATORES DETERMINANTES DOS DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDEPROBLEMAS DE SAÚDE Capítulo 3 9.11 FATOR DE RISCO: COLESTEROL O colesterol tem sido considerado fator de risco para as seguintes doenças: • Doenças cardiovasculares. • AVC. • Obesidade. Até agora, foram apresentados fatores de riscos importantes para o maior desenvolvimento de diversas doenças. A seguir, serão apresentados e discutidos sobre fatores de proteção. 10 FATORES DE PROTEÇÃO Existem fatores que podem ser considerados fatores de proteção e, assim, diminuem a chance de desenvolver uma determinada doença ou agravo à saúde; tendo um efeito contrário aos fatores de risco apresentados e discutidos anteriormente. São exemplos importantes de fatores de proteção: • Variações genéticas. • Atividade física regular. • Alimentação equilibrada. • Saneamento básico adequado. • Educação adequada. • Estado civil. • Idade (por exemplo, ser criança apresenta certa vantagem comparado a uma pessoa idosa para algumas doenças, como a aterosclerose). • Sexo (por exemplo, ser do sexo feminino protege de ter câncer de próstata). 11 FATORES DETERMINANTES E A DEFINIÇÃO ATUAL DE SAÚDE SEGUNDO A OMS No Capítulo 1, foi apresentada a defi nição atual de saúde de acordo com a OMS, ou seja, o completo bem-estar físico, mental e social. Para que se alcance essa defi nição, devemos entender que existem fatores determinantes para a melhoria da saúde ou para a piora da doença ou agravo à saúde. 116 Epidemiologia e Processo Saúde-Doença melhoria da saúde ou para a piora da doença ou agravo à saúde. Os fatores determinantes são um conjunto complexo de variáveis que infl uenciam o processo saúde-doença e constam no artigo 3º da Lei 8080/90 da Constituição Federal Brasileira. Estão entre eles: • Alimentação. • Moradia. • Saneamento Básico. • Meio ambiente. • Trabalho. • Renda. • Educação. • Atividade Física. • Transporte. • Lazer. • Acesso a bens e serviços essenciais. 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS No Capítulo 3, foram apresentados e discutidos importantes Índices de Saúde, tanto de morbidade como de mortalidade. Além disso, tratamos dos fatores de risco, proteção ou determinantes, que são extremamente importantes para o desenvolvimento ou não de determinada doença ou agravo à saúde. Neste Livro Didático, aprendemos o quão importante é a Epidemiologia para a Saúde Pública, bem como aos cidadãos. Ainda mais, atualmente, em meio a pandemia da COVID-19, a Epidemiologia se torna uma ferramenta fundamental para o melhor entendimento, prevenção e controle dessa doença, como de tantas outras que assolam o Brasil e os demaispaíses do mundo. REFERÊNCIAS ABRASCO. A Epidemiologia nos Serviços de Saúde. IESUS, v. 3, p. 7-14, 1997. ALTMAN, M. Morre Hipócrates, considerado o “pai da Medicina”. 2014. Disponível em: http://www.revistahcsm.coc.fi ocruz.br/hoje-na-historia-370-a-c- morre-hipocrates-considerado-o-pai-da-medicina/. Acesso em: 10 jul. 2020.