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Disciplina:sociologia jurÍdica883 materiais16.690 seguidores
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eficácia é condição necessária de validade do direito. Um aspecto social sendo necessário, um pressuposto, do aspecto jurídico.
c) Kelsen tem uma percepção diferente daquela vigente a respeito da interpretação, remanescente do séc. XIX (Kelsen possuiu uma visão avançada). Sendo a interpretação uma operação mental, portanto, do hemisfério do ‘Ser’ (pensar, refletir é uma ação natural do homem); a ciência do direito deveria estudar apenas o ‘Dever Ser’. Dessa maneira, a ciência do direito poderia penas descrever o quadro de interpretação (DAS BILD), não definindo como deve ser feita a interpretação jurídica.
4. Durkheim

	Como se constitui o fato social chamado direito? O autor busca encontar a gênese do direito na sociedade e preocupa-se com os efeitos de tal direito na própria sociedade. “O direito é a expressão da diversidade da sociedade” – quanto maior a diversidade da sociedade, maior é a complexidade do direito de tal sociedade.

	Nas sociedades menos complexas, as pessoas possuem grande similaridade, fortalecendo o elo entre os indivíduos, existindo, assim, a solidariedade mecânica, sendo, então difíceis os conflitos, as disputas. Prevalece, portanto, o direito penal, com o intuito de punir aquele que ‘quebra’ com a solidariedade mecânica, a ‘paz’ gerada pela mesma, punir aquele que gera horror nos indivíduos que constituem tal sociedade.
	Já nas sociedades mais complexas, os indivíduos desempenham diferentes funções na sociedade, com cada uma dessas funções se relacionando e sendo indispensáveis para o bom funcionamento da vida social. Prevaleceria, em parte, o direito civil, para punir aquele que quebrasse , rompesse com a sociedade funcional. Esta seria um solidariedade orgânica.
5. Abordagens Clássicas

	Trata-se a norma jurídica com uma abstração tal que se isola o direito dos fatores sociais, da própria sociedade. Se A é, B deve ser (sanção).

	A Teoria Pura do Direito não possui uma visão critica do direito, apenas uma perspectiva descritiva, enquanto isso, a sociologia estuda a causa e a gênese do direito, além de seus efeitos na sociedade. A sociologia jurídica nasce das ‘cinzas do jusnaturalismo’, da derrocada do jusnaturalismo. Há um pressuposto, na sociologia, de que o direito já existia na natureza moral.

Savigny: “a ciência do direito é criada por uma base histórica e um outra filosófica

Durkheim: “eu quero conhecer as bases sociais e não-naturais do contrato social�”

A) Luhmann

	A abordagem clássica também isola a sociedade do direito, esquecendo a normatividade deste, buscando estudar mais aquela. São duas as abordagens: uma tradição jusnaturalista (séc. XVIII – abordagem concreta – i) e ii) e uma tradição sociológica (séc. XIX/ XX – abordagem abstrata – iii) e iv)
i) concepção da sociedade, do Estado e do direito pelo contrato social; há uma condição necessária de tal contrato para que o homem possa se unir, formando a sociedade.

ii) todo e qualquer ordenamento jurídico é concretizado pelo direito natural.

iii) Durkheim- tentativa de estudar as bases sociais do contrato social; busca estudar a sociedade como um organismo.

iv) direito como algo variável, contingente.

Há também características comuns entre ambas as abordagens: a separação entre a sociedade e o direito; e as relações variáveis intercambiais entre o direito e a sociedade.

UNIDADE II – Direito e Modernidade (Max Weber 1864-1920)

1. Max Weber: Direito e Racionalidade

A) Ponto de Vista Sociológico X Ponto de Vista Normativo

(Tendências antiformalistas da Sociologia do Direito X Tendências formalistas)
ANTIFORMALISTAS

i) Kantorowicz (1872-1940) – Escola do Direito Livre

O direito deve ser livre da opinião dos membros da sociedade, das sentenças dos juristas e da ciências jurídica, sendo que a lei não possui lacunas, possibilitando encontrar na mesma a ‘boa resposta’
ii) Ehrlich (1862-1926) – Direito Vivo

O direito possui a sua gênese na vida social, na sua pratica feita pela sociedade, e não na pena do legislador. “O centro de gravidade de criação do direito não está na legislação, nem na ciência do direito nem na jurisprudência, mas na própria sociedade”. A verdadeira ciência do direito é a sociologia do direito. O autor afirma a existência de um pluralismo jurídico: um direito estatal e um direito vivo (aquele que traduz de fato a vida em sociedade, regulando-a), que seria o verdadeiro direito.

E o que permitiria afirmar a existência e a validade do direito não-estatal? Esse é um problema que fica em aberto pela sociologia, pois é uma problemática de caráter do campo teórico, e a sociologia estuda o campo da pratica. O direito não-estatal é um fato.

OBS: Teoria Tridimensional do Direito

NORMA - Teoria Geral do Direito

VALOR - Filosofia do Direito
FATO - Sociologia do Direito

B) Weber

	Há uma tentativa de conciliar o ponto de vista sociológico com o ponto de vista normativo. “O ponto de vista normativo é igualmente valido ao ponto de vista sociológico” – não há desprezo ao ponto de vista normativo, porém há uma redução da abordagem normativa à consideração da formação lingüística que se apresenta como norma jurídica. O ponto de vista sociológico considera o direito em seu entrelaçamento genético com ação social, refletindo sobre o sentido subjetivo da ação social e a orientação de fato, deixando de agir em relação ao direito.

2. Weber X Jurisprudência Sociológica
	Segundo Weber, o ponto de vista normativo é válido, porém se reduz a uma formação lingüística. Ele tenta alcançar uma metodologia própria para a sociologia, quebrando com a visão de que esta deve se espelhar no naturalismo. A constituição possuiria um conceito de materialidade, pois ela não seria um pressuposto, com diria Kelsen, mas seria na realidade empiricamente válida. “Direito é o complexo de motivos efetivos determinantes da ação humana real”.

	Ehrlich – Direito Estatal

 – Direito Não Estatal / Direito Vivo – Ex: A Alemanha teve codificação civil tardia, e os camponeses ou não sabiam do código civil ou não o aceitavam, sendo assim, ainda vigorava o direito tradicional, consuetudinário, que corresponde ao Direito Vivo.
3. Direito como ordenamento normativo
	O direito é um ordenamento válido mediante a previsão de uma possibilidade de coerção (física ou psíquica), com o sentido de obter observância ou punição de infração, exercida por um aparato estatal disposto a tal.

 - Direito Estatal- é aquele cuja garantia de coerção é oferecida por uma comunidade política

- Direito Não-Estatal- é aquele cujas características e garantias são determinadas em virtude do poder do qual se retira a garantia do exercício da coerção

A) Ação Social

	Segundo Weber, a gênese social provém da ação social, sendo importante destacar sua subjetividade. É a ação que orienta a expectativa dos outros indivíduos – o agir de um individuo é, então, orientado por fins, constituindo ordenamentos (resultado de fato, da ação social orientada por fins). Aquilo que constitui a expectativa social se torna em uma norma de conduta (“eu me comporto de tal maneira porque espero que os outros se comportem igualmente”)

B) Condições de validade empírica do ordenamento

	Ela é empiricamente comprovada, ou seja, tal validade não é formal. Constitui-se pelo elemento subjetivo (é aquele que em virtude do qual se estruturam expectativas recíprocas de comportamento – é a expectativa que um indivíduo tem de si e da própria sociedade) e um elemento objetivo (é aquele que resulta do cálculo das possibilidades que as expectativas se estruturem de uma forma e não de outra – ex: eu passeio com o meu cachorro e deixo ele fazer cocô na rua; há duas possibilidades de comportamento, recolher o cocô ou deixá-lo na rua; o elemento objetivo é o nº de escolhas possíveis e a adoção de uma dessas possibilidades – o elemento objetivo é a escolha de fato de uma possibilidade), sendo que o elemento objetivo decorre do elemento subjetivo.
	Por ser uma validade empírica, há diferentes graus de validade. A pluralidade jurídica é reconhecida, em que aquele que