Prévia do material em texto
CANI TÉCNICO EM ÓPTICA Imperador Typewritten text LEGISLAÇÃO SUMÁRIO 1. DECRETOS E LEIS 2. ARTIGO - DENTRO OU FORA DA ÓPTICA? 3. ASPECTOS RELEVANTES 4. ROTEIRO DE AUTO-INSPEÇÃO DE ÓPTICAS - MODELO 2 1. DECRETOS E LEIS A classe óptica passa por uma intensa mudança no âmbito educacional e político. Estas mudanças, de uma forma ampla, contribuem para o desenvolvimento profissional e social de nossa óptica. Diante disso, torna-se de extrema importância o conhecimento das leis que oficializam a nossa profissão em um mercado competitivo e, sem nenhuma sombra de dúvida, importante em todo processo de saúde visual. DECRETO Nº 20.931, DE 11 DE JANEIRO DE 1932 Regula e fiscaliza o exercício da medicina, da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêuticos, parteira e enfermeira, no Brasil, e estabelece penas. O Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, de conformidade com o art. 1º do decreto n.º 19.398, de 11 de novembro de 1930, DECRETA: Art. 1º O exercício da medicina, da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico, parteira e enfermeiro, fica sujeito à fiscalização na forma deste decreto. Art. 2º Só é permitido o exercício das profissões enumeradas no art. 1º, em qualquer ponto do território nacional, a quem se achar habilitado nelas de acordo com as leis federais e tiver titulo registado na forma do art. 5º deste decreto. Art. 3º Os optometristas, práticos de farmácia, massagistas e duchistas estão também sujeitos à fiscalização, só podendo exercer a profissão respectiva si provarem a sua habilitação a juízo da autoridade sanitária. Art. 4º Os graduados por escolas ou universidades estrangeiras só podem exercer a profissão após submeterem-se a exame de habilitação, perante as faculdades brasileiras, de acordo com as leis federais em vigor. 3 Art. 5º É obrigatório o registo do diploma dos médicos e demais profissionais a que se refere o art. 1º, no Departamento Nacional de Saúde Pública e na repartição sanitária estadual competente. Art. 6º Os médicos e os cirurgiões dentistas são obrigados a notificar no primeiro trimestre de cada ano, à autoridade sanitária da localidade onde clinicarem ou, em sua falta, à autoridade policial, a sede dos seus consultórios ou residências, afim de serem organizados o cadastro médico e o cadastro odontológico local. Art. 7º A Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, do Departamento Nacional de Saúde Pública, fará publicar mensalmente no Diário Oficial a relação dos profissionais cujos títulos tiverem sido registados, organizando, anualmente, com as alterações havidas a relação completa dos mesmos. Art. 8º As autoridades municipais, estaduais e federais só podem receber impostos relativos ao exercício da profissão médica, mediante apresentação de prova de se achar o diploma do interessado devidamente registado no Departamento Nacional de Saúde Pública e nas repartições sanitárias estaduais competentes. Art. 9º Nas localidades, onde não houver autoridade sanitária, compete às autoridades policiais e judiciarias verificar si o profissional se acha devidamente habilitado para o exercício da sua profissão. Art. 10. Os que, mediante anúncios ou outro qualquer meio, se propuserem ao exercício da medicina ou de qualquer dos seus ramos, sem título devidamente registado, ficam sujeitos, ainda que se entreguem excepcionalmente a essa atividade às penalidades aplicáveis ao exercício ilegal da medicina. Art. 11. Os médicos, farmacêuticos, cirurgiões dentistas, veterinários, enfermeiros e parteiras que cometerem falta grave ou erro de oficio, poderão ser suspensos do exercício da sua profissão pelo prazo de 6 meses a 2 anos, e se exercem função pública, serão demitidos dos respectivos cargos. Art. 12. A penalidade de suspensão será imposta no Distrito Federal pelo diretor geral do Departamento Nacional de Saúde Pública, depois de inquérito administrativo apreciado por três profissionais de notório saber e probidade, escolhidos um pelo ministro da Educação e Saúde Pública, um pelo diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública e um pelo diretor do Departamento Nacional do Ensino, e nos Estados pelo respectivo diretor dos serviços sanitários, após inquérito administrativo procedido por uma comissão de três profissionais, escolhidos um pelo secretário do Interior do Estado, um pelo diretor do serviço sanitário e um 4 pelo juiz seccional federal. Em qualquer caso da aplicação da penalidade cabe recurso para o ministro da Educação e Saúde Pública. Art. 13. Os que apresentarem oposição ou embaraço de qualquer ordem à ação fiscalizadora da autoridade sanitária, ou que a desacatarem no exercício de suas funções, ficam sujeitos a multa de 2:000$0 a 5:000$0, cobrável executivamente sem prejuízo da ação penal por desacato à autoridade, que poderá ter lugar por denúncia do Ministério Público, na Justiça Federal, ou por denuncia dos órgãos competentes da Justiça Estadual. Art. 14. Podem continuar a clinicar nos respectivos Estados os médicos, cirurgiões dentistas e veterinários que na data da publicação do presente decreto forem portadores de diplomas expedidos por escolas reconhecidas e fiscalizadas pelos governos estaduais, bem como os médicos, cirurgiões dentistas e veterinários diplomados por faculdade estrangeiras, com mais de 10 anos de clinica no país, se comprovarem a idoneidade da escola por onde tenham se formado a juízo da autoridade sanitária. Do exercício da medicina Art. 15. São deveres dos médicos: Notificar dentro do primeiro trimestre de cada ano à Inspetoria da Fiscalização do Exercício da Medicina no Departamento Nacional de Saúde Pública, no Distrito Federal, à autoridade sanitária local ou na sua ausência à autoridade policial, nos Estados, a sede do seu consultório ou a sua residência para organização do cadastro médico regional (art. 6º); Escrever as receitas por extenso, legivelmente, em vernáculo, neIas indicando o uso interno ou externo dos medicamentos, o nome e a residência do doente, bem como a própria residência ou consultório; Ratificar em suas receitas a posologia dos medicamentos, sempre que esta for anormal, eximindo assim o farmacêutico de responsabilidade no seu aviamento; Observar fielmente as disposições regulamentares referentes às doenças de notificação compulsória; Atestar o óbito em impressos fornecidos pelas repartições sanitárias, com a exata causa mortis, de acordo com a nomenclatura nosologica internacional de estatística demografo-sanitaria; Mencionar em seus anúncios somente os títulos científicos e a especialidade. Art. 16. É vedado ao médico: Ter consultório comum com indivíduo que exerça ilegalmente a medicina; Receitar sob forma secreta, como a de código ou número; Indicar em suas receitas determinado estabelecimento farmacêuticos, para as aviar; Atestar o óbito de pessoa a quem não tenha prestado assistência medica; Firmar atestados sem praticar os atos profissionais que os justifiquem; 5 Dar-se a práticas que tenham por fim impedir a concepção ou interromper a gestação, só sendo admitida a provocação do aborto e o parto prematuro, uma vez verificada, por junta médica, sua necessidade terapêutica; Fazer parte, quando exerça a clínica, de empresa que explore a indústria farmacêutica ou seu comércio. Aos médicos autores de fórmulas de especialidades farmacêuticas, serão, porém, assegurados os respectivos direitos, embora não as possam explorar comercialmente, desde que exerçam a clínica; Exercer simultaneamenteas profissões de médico e farmacêuticos quando formado em medicina e farmácia, devendo optar por uma delas, do que deve dar conhecimento, por escrito, ao Departamento Nacional de Saúde Pública; Assumir a responsabilidade de tratamento médico dirigido por quem não for legalmente habilitado; Anunciar a cura de doenças consideradas incuráveis segundo os atuais conhecimentos científicos; Assumir a responsabilidade como assistente, salvo nas localidades onde não houver outro médico, do tratamento de pessoa da própria família, que viva sob o mesmo teto, que esteja acometida de doença grave ou toxicomaníaca, caso em que apenas pode auxiliar o tratamento dirigido por médico estranho à família; Recusar-se a passar atestado de óbito de doente a quem venha prestando assistência médica, salvo quando houver motivo justificado, do que deverá dar ciência, por escrito, à autoridade sanitária; Manter a publicação de conselhos e receitas a consulentes por correspondência ou pela imprensa. Art. 17. As associações religiosas ou de propaganda doutrinaria, onde forem dadas consultas medicas ou fornecidos medicamentos, ficam sujeitas, nas pessoas de seus diretores, ou responsáveis, às multas estabelecidas no regulamento sanitário e às penas previstas no Código Penal. § 1º Sei alguém, não se achando habilitado para exercer a medicina, se valer de uma dessas associações para exercê-la, ficará sujeito às mesmas penalidades em que devem incorrer o diretor ou responsável. § 2º Si qualquer associação punida na forma deste artigo, reincidir na infração, a autoridade sanitária ordenará, administrativamente, o fechamento da sua sede. Art. 18. Os profissionais que se servirem do seu título para a prescrição ou administração indevida de tóxicos entorpecentes, além de serem responsabilizados criminalmente serão suspensos do exercício da sua profissão pelo prazo de um a cinco anos, e demitidos de qualquer cargo público que exerçam. Parágrafo único. A aplicação da penalidade estabelecida neste artigo dependerá de condenação do infrator, salvo quando este houver sido autuado em flagrante no momento em que administrava o toxico. 6 Art. 19. Não é permitido o uso continuado de entorpecentes no tratamento de doenças ou afecções para o qual sejam admissíveis ou recomendáveis outros recursos terapêuticos, salvo quando, em conferencia médica, na qual deve tomar parte a autoridade sanitária, ficar demonstrada a necessidade imprescindível do uso continuado de medicação dessa natureza. Art. 20. O médico, cirurgião-dentista, ou veterinário que, sem causa plenamente justificada, prescrever continuadamente entorpecentes, será, declarado suspeito pela Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, do Departamento Nacional de Saúde Pública, ou pela autoridade sanitária local, ficando sujeito seu receituário a rigorosa fiscalização. Verificadas nele irregularidades em inquérito administrativo, ser- lhe-á cassada a faculdade de prescrever entorpecentes, sem prévia fiscalização da autoridade sanitária, ficando as farmácias proibidas de aviar suas receitas, sem o "visto" prévio da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, do Departamento Nacional de Saúde Pública, ou da autoridade sanitária local. Art. 21. Ao profissional que prescrever ou administrar entorpecentes para alimentação da toxicomania será cassada pelo diretor geral do Departamento Nacional de Saúde Pública, no Distrito Federal, e nos Estados pelo respectivo diretor dos serviços sanitários, a faculdade de receitar essa medicação, pelo prazo de um a cinco anos, devendo ser o fato comunicado às autoridades policiais para a instauração do competente inquérito e processo criminal. Art. 22. Os profissionais que forem toxicômanos serão sujeitos a exame médico legal, não lhes sendo permitido prescrever entorpecentes pelo espaço de um a cinco anos. Art. 23. Não é permitido o tratamento de toxicômanos em domicílio. Esses doentes serão internados obrigatoriamente em estabelecimentos hospitalares, devendo os médicos assistentes comunicar a internação à Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, do Departamento Nacional de Saúde Pública, ou à autoridade sanitária local e apresentar-lhe o plano clínico para a desintoxicação. Nesses casos as receitas deverão ser individuais e ficarão sujeitas ao "visto" prévio da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, do Departamento Nacional de Saúde Pública ou da autoridade sanitária local. Dos estabelecimentos dirigidos por médicos Art. 24 Os institutos hospitalares de qualquer natureza, públicos ou particulares, os laboratórios de analises e pesquisas clínicas, os laboratórios de soros, vacinas e outros produtos biológicos, os gabinetes de raios X e os institutos de psicoterapia, fisioterapia e ortopedia, e os estabelecimentos de duchas ou banhos medicinais, só poderão funcionar sob responsabilidade e direção técnica de médicos ou farmacêuticos, nos casos compatíveis com esta profissão, sendo indispensável para o seu funcionamento, licença da autoridade sanitária. Art. 25. Os institutos de beleza, sem direção médica, limitar-se-ão aos serviços compatíveis com sua finalidade, sendo terminantemente proibida aos que neles trabalham a prática de intervenções de cirurgia plástica, por mais rudimentares que 7 sejam, bem como a aplicação de agentes fisioterápicos e a prescrição de medicamentos. Art. 26. Os laboratórios de analises e pesquisas clínicas, os laboratórios de soros, vacinas e outros produtos biológicos, os gabinetes de raios X e os institutos de psicoterapia, de fisioterapia e de ortopedia, serão licenciados e fiscalizados pelo Departamento Nacional de Saúde Pública ou pela autoridade local. A licença será concedida ao responsável pelo estabelecimento e só poderá ser fornecida após a competente inspeção sanitária, devendo a transferência de local ou a substituição do responsável ser previamente requerida à Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina ou à autoridade sanitária local. Art. 27. Os estabelecimentos eletro, radio e fisioterápicos e ortopédicos só poderão funcionar sob a direção técnica profissional de médicos cujo nome será indicado no requerimento dos interessados à autoridade sanitária competente, salvo si esses estabelecimentos forem de propriedade individual de um médico. Art. 28. Nenhum estabelecimento de hospitalização ou de assistência médica pública ou privada poderá funcionar, em qualquer ponto do território nacional, sem ter um diretor técnico e principal responsável, habilitado para o exercício da medicina nos termos do regulamento sanitário federal. No requerimento de licença para seu funcionamento deverá o diretor técnico do estabelecimento enviar à autoridade sanitária competente a relação dos profissionais que nele trabalham, comunicando-lhe as alterações que forem ocorrendo no seu quadro. Art. 29. A direção dos estabelecimentos destinados a abrigar indivíduos que necessitem de assistência médica, se achem impossibilitados, por qualquer motivo, de participar da atividade social, e especialmente os destinados a acolher parturientes, alienados, toxicômanos, inválidos, etc., será confiada a um médico especialmente habilitado e a sua instalação deverá ser conforme os preceitos científicos de higiene, com adaptações especiais aos fins a que se destinarem. O diretor técnico deverá facultar à autoridade sanitária a livre inspeção do estabelecimento sob sua direção, determinando o seu fechamento quando assim o exigir a autoridade sanitária, por motivo de conveniência pública ou de aplicação de penalidade, imposta por infração dos dispositivos do regulamento sanitário. § 1º O diretor técnico, que requererà autoridade sanitária a competente licença para abertura dos estabelecimentos citados nos artigos precedentes, deverá pedir baixa de sua responsabilidade sempre que se afastar da direção. § 2º Esses estabelecimentos terão um livro especial, devidamente rubricado pela autoridade sanitária competente, destinado ao registo dos internados, com todas as especificações de identidade, e a anotação de todas as ocorrências verificadas desde a entrada até a saída do internado. Do exercício da odontologia Art. 30 O cirurgião-dentista somente poderá prescrever agentes anestésicos de uso tópico e medicamento de uso externo para os casos restritos de sua especialidade. 8 Art. 31. Ao cirurgião-dentista é vedado praticar intervenções cirúrgicas, que exijam conhecimentos, estranhos à sua profissão, bem como permitir o exercício da clínica odontológica, em seu consultório, a individuo não legalmente habilitado para exercê-la. Art. 32. O material existente em consultório dentário, cujo funcionamento não esteja autorizado pela autoridade sanitária ou que seja utilizado por quem não tiver diploma registado no Departamento Nacional de Saúde Pública, será apreendido e remetido para o depósito público. Art. 33. É terminantemente proibida aos protéticos, a instalação de gabinetes dentários, bem como o exercício da clínica odontológica. Do exercício da medicina veterinária Art. 34 É proibido às farmácias aviar receituário de médicos veterinários que não tiverem seus diplomas devidamente registados no Departamento Nacional de Saúde Pública. Art. 35. Nas receitas deve o veterinário determinar o animal a que se destina a medicação, e indicar o local onde é encontrado bem como o respectivo proprietário, mencionando a qualidade de veterinário após a assinatura da receita. Do exercício da profissão de parteira Art. 36 As parteiras e enfermeiras especializadas em obstetrícia devem limitar-se aos cuidados indispensáveis às parturientes e aos recém-nascidos nos casos normais, e em qualquer anormalidade devem reclamar a presença de um médico, cabendo-lhes a responsabilidade pelos acidentes atribuíveis à imperícia da sua intervenção. Art. 37. É vedado às parteiras: Prestar assistência médica a mulheres e crianças fora do período do parto, ou realizar qualquer intervenção cirúrgica; Recolher as parturientes e gestantes para tratamento em sua residência ou em estabelecimento sob sua direção imediata ou mediata; Manter consultório para exames e prática de curativos; Prescrever medicações, salvo a que for urgentemente reclamada pela necessidade de evitar ou combater acidentes graves que comprometam a vida da parturiente, do feto ou recém-nascido. Nesses casos, porém, como em todos os que se revestem de qualquer anormalidade, a presença do médico deve ser reclamada pela parteira, que tomará providencias apenas até que chegue o profissional. Disposições gerais Art. 38 É terminantemente proibido aos enfermeiros, massagistas, optometristas e ortopedistas a instalação de consultórios para atender clientes, devendo o material aí encontrado ser apreendido e remetido para o depósito público, onde será vendido judicialmente a requerimento da Procuradoria dos leitos da Saúde Pública e a quem a autoridade competente oficiará nesse sentido. O produto do leilão judicial será recolhido ao Tesouro, pelo mesmo processo que as multas sanitárias. 9 Art. 39. É vedado às casas de ótica confeccionar e vender lentes de grau sem prescrição médica, bem como instalar consultórios médicos nas dependências dos seus estabelecimentos. Art. 40. É vedado às casas que comerciam em artigos de ortopedia ou que os fabricam, vender ou aplicar aparelhos protéticos, contentivos, corretivos ou imobilizadores, sem a respectiva prescrição médica. Art. 41. As casas de ótica, ortopedia e os estabelecimentos eletro, rádio e fisioterápicos de qualquer natureza devem possuir um livro devidamente rubricado pela autoridade sanitária competente, destinado ao registo das prescrições medicas. Art. 42. A infração de qualquer dos dispositivos do presente decreto será punida com a multa de 2:000$0 a 5:000$0, conforme a sua natureza, a critério da autoridade autuante, sem prejuízo das penas criminais. Estas penalidades serão discriminadas em cada caso no regulamento. Parágrafo único. Nos casos de reincidência na mesma infração dentro do prazo de dois anos, a multa será duplicada a cada nova infração. Art. 43. Os processos criminais previstos neste decreto terão lugar por denúncia da Procuradoria dos Feitos da Saúde Pública, na Justiça do Distrito Federal, ou por denúncia do órgão competente, nas justiças estaduais, mediante solicitações da Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina ou de qualquer outra autoridade competente. Art. 44. Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1932, 111º da Independência e 44º da República. GETÚLIO VARGAS Francisco Campos Publicação: Diário Oficial da União - Seção 1 - 15/1/1932, Página 885 (Publicação Original) Coleção de Leis do Brasil - 31/12/1932, Página 44 Vol. 1 (Publicação Original) 10 DECRETO Nº 24.492 DE 28 DE JUNHO DE 1934. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Revogado pelo Decreto nº 99.678, de 1990. Revigorado pelo Decreto de 12 de julho de 1991. Baixa instruções sobre o decreto n. 20.931, de 11 de janeiro de 1932, na parte relativa à venda de lentes de graus O Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, usando das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 1º do decreto n. 19.398, de 11 de novembro de 1930, DECRETA: Art. 1º A fiscalização dos estabelecimentos que vende lentes do grau em todo o território da República é regula na forma dos arts. 38, 39, 41 e 42 do decreto n. 20.931, de janeiro de 1932, e exercida, no Distrito Federal, pela Inspetoria de Fiscalização do Exercício da Medicina, da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social, por intermédio do Serviço de Profilaxia das Moléstias Contagiosas dos Olhos, e nos Estados ficará a cargo das repartições sanitárias estaduais competentes. Art. 2º Os especialistas do Serviço de Profilaxia das Moléstias Contagiosas dos Olhos, da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social, no Distrito Federal, e a autoridade sanitária, competente nos Estados, são os agentes dessa fiscalização e órgãos consultivos sobre os assuntos concernentes a venda de lentes de grau. Art. 3º Dos atos e decisões das autoridades sanitárias cabe recurso para o inspetor de Fiscalização do Exercício da Medicina, quanto aos autos de infração, e, nos demais atos, http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/dec%2024.492-1934?OpenDocument http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D99678.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D99678.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/DNN/Anterior%20a%202000/1991/Dnn195.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/DNN/Anterior%20a%202000/1991/Dnn195.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D20931.htm#art38 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D20931.htm#art39 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D20931.htm#art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D20931.htm#art42 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D20931.htm#art42 11 ao diretor da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social e ao ministro de Educação e Saúde Pública, na forma da lei. Art. 4º Será permitido, a quem o requerer, juntando provas de competição e de idoneidade, habilitar-se a ser registradocomo ótico prático na Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social ou nas repartições de Higiene Estaduais, depois de prestar exames perante peritos designados para esse fim, pelo diretor da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social, no Distrito Federal, ou pela autoridade sanitária competente, nos Estados. § 1º - O registro feito na Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social dá direito ao exercício da profissão de ótico prático em todo o território da República e o feito nas repartições estaduais competentes é válido somente dentro do Estado em que o profissional se habilitou. § 2º Todo aquele que, na data da publicação do presente decreto fizer prova de que tem mais de 10 anos de exercício como ótico prático no país, e comprovar sua idoneidade profissional, poderá requerer para, independente de exame, ser registrado na Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social ou nos Serviços Sanitários Estaduais, a juízo da autoridade sanitária competente. Art. 5º A autorização para o comércio de lentes de grau será solicitada à autoridade sanitária competente, em requerimento assinado pelo proprietário ou sócio, ficando o requerente responsável pelo fiel cumprimento deste decreto. Art. 6º Para a obtenção da autorização ou licença respectiva, o estabelecimento comercial é obrigado a possuir: 1º - No mínimo um ótico prático, de acordo com o artigo 4º deste decreto. 2º - As seguintes lentes, no mínimo duas, de cada espécie: a) esféricas positivas, em grau crescente, de 0,25 D em 0,25 D, desde 0,25 D até 10 D, e, daí por diante de 1 D em 1D até 20D; b) esféricas negativas, em grau crescente, de 0,25D a 0,25D, desde 0,25D até 10D, e daí por diante de 1D em 1D até 20D; c) cilíndricas simples, positivas, em grau crescente, desde 0,25 D até 4D; d) cilíndricas simples negativas, em grau crescente, desde 0,25D até 4D; e) esféro-cilíndricas positivas, desde 0,25D, cilíndricas combinada com 0,25D esférica e progressivamente até 2D cil. com 6D esféricas ; f) esfero-cilíndricas negativas desde 0,25D cil. com 0,25D esf. e progressivamente até 2,50D cil. com 10 esf.; g) vidros em bruto incolores e conservas que habilitem o aviamento das receitas de ótica. 12 Parágrafo único. A exigência no n. II só se tornará efetiva, para os estabelecimentos já instalados, decorridos seis meses da publicação do presente decreto. 3º - Os aparelhos seguintes: Máquina para centrar cristais, máquina para talhar superfícies, com uma série de moldes para lentes esféricas, outra série para lentes cilíndricas, que habilitem ao preparo de lentes combinadas: aparelhamento para o controle e retificação dos moldes; Pedra para rebaixar cristais e aparelho para verificação de grau das lentes e respectiva montagem de lentes. Uma caixa completa de lentes de ensaio. 4º - Um livro para o registro de todas as receitas de ótica legalizado com termo de abertura e encerramento com todas as folhas numeradas e devidamente rubricadas pela autoridade sanitária competente. 5º - Na localidade em que não houver estabelecimento comercial que venda lentes de grau na forma do art. 6º, será permitido, a título precário, ás farmácias ou a outro estabelecimento devidamente licenciado pelas autoridades sanitárias, a venda de lentes de grau, cessando, porém, esta licença seis meses depois da instalação do estabelecimento licenciado na forma do presente decreto. Parágrafo único. A exigência dos números I e II só se tornará efetiva para os estabelecimentos já instalados, decorridos seis meses da publicação do presente decreto. Art. 7º - No livro de registo serão transcritas textualmente as receitas de ótica aviadas, originais ou cópias, com o nome e residência do paciente bem como do médico oculista receitante. Art. 8º - O livro registo das prescrições óticas ficará sujeito ao exame da autoridade sanitária sempre que esta entender conveniente. Art. 9º Ao ótico prático do estabelecimento compete: a) a manipulação ou fabrico das lentes de grau; b) o aviamento perfeito das fórmulas óticas fornecidas por médico oculista; c) substituir por lentes de grau idêntico aquelas que lhe forem apresentadas danificadas: d) datar e assinar diariamente o livro de registro do receituário de ótica. Art. 10 O ótico prático assinará, na Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico- Social, no Distrito Federal, ou repartição competente nos Estados, juntamente com o requerente, de acordo com o art. 5º, um termo de responsabilidade, como técnico do estabelecimento, e, com o proprietário, ficará solidariamente responsável por qualquer infração deste decreto na parte que lhe for afeta. Art. 11 O ótico registrado não poderá ser responsável por mais de um estabelecimento de venda de lentes de grau. 13 Art. 12 Nenhum médico oculista, na localidade em que exercer a clínica, nem a respectiva esposa, poderá possuir ou ter sociedade para explorar o comércio de lentes de grau. Art. 13 E' expressamente proibido ao proprietário, sócio gerente, ótico prático e demais empregados do estabelecimento, escolher ou permitir escolher, indicar ou aconselhar o uso de lentes de grau, sob pena de processo por exercício ilegal da medicina, além das outras penalidades previstas em lei. Art. 14 O estabelecimento de venda de lentes de grau só poderá fornecer lentes de grau mediante apresentação da fórmula ótica de médico, cujo diploma se ache devidamente registrado na repartição competente. Art. 15 Ao estabelecimento de venda de lentes de grau só é permitido, independente da receita médica, substituir por lentes de grau idêntico aquelas que forem apresentadas danificadas, vender vidros protetores sem grau, executar concertos nas armações das lentes e substituir as armações quando necessário. Art. 16 O estabelecimento comercial de venda de lentes de grau não pode ter consultório médico, em qualquer de seus compartimentos ou dependências, não sendo permitido ao médico sua instalação em lugar de acesso obrigatório pelo estabelecimento. § 1º E' vedado ao estabelecimento comercial manter consultório médico mesmo fora das suas dependências; indicar médico oculista que dê aos seus recomendados vantagens não concedidos aos demais clientes e a distribuir cartões ou vales que deem direito a consultas gratuitas, remuneradas ou com redução de preço. § 2º E' proibido aos médicos oftalmologistas, seja por que processo for, indicar determinado estabelecimento de venda de lentes de grau para o aviamento de suas prescrições. Art. 17 E' proibida a existência de câmara escura no estabelecimento de venda de lentes de grau, bem assim ter em pleno funcionamento aparelhos próprios para o exame dos olhos, cartazes e anúncios com oferecimento de exame da vista. Art. 18 Os estabelecimentos comerciais que venderem por atacado lentes do grau, só poderão fornecer as mesmas aos estabelecimentos licenciados na forma do presente decreto e mediante pedido por escrito, datado e assinado, que será arquivado na casa atacadista. Art. 19 A Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social, fará publicar mensalmente no Diário Oficial a relação dos estabelecimentos devidamente licenciados. Art. 20 A infração de qualquer dos dispositivos do presente decreto será punida com a multa de 50$000 a 5:000$000 conforme a sua natureza, cobrada executivamente no caso de falta do pagamento da mesma no prazo da lei, sem prejuízo das demais penas criminais. Art. 21. As multas previstas neste decreto serão impostas, no Distrito Federal, pelo chefe do Serviço de Profilaxia das Moléstias Contagiosas dos Olhos, ou por quem suas vezes fizer, obedecido todo o disposto na parte sexta; capítulo I, do Regulamento aprovado 14 pelo decreto n. 16.300; de 31 de dezembro de 1923, e, nos Estados, pelo diretor dos respectivos Serviços Sanitários ou pela autoridade por este designada. Art. 22.A verificação das infrações deste decreto poderá ser requerida à autoridade competente; por quem se considerar por elas prejudicado, sendo os autos de infração nestes casos, como nos demais, lavrados de acordo com o artigo anterior. Art. 23. Os casos omissos no presente decreto serão resolvidos por instruções do diretor da Diretoria Nacional de Assistência Médico-Social, aprovadas pelo Ministério da Educação e Saúde Pública. Art. 24 O presente decreto entrará em vigor no prazo da lei. Art. 25 Revogam-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 28 de junho de 1934, 113º da Independência e 46º da República. GETULIO VARGAS DECRETO Nº 77.052, DE 19 DE JANEIRO DE 1976. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o Artigo 81, item III, da Constituição, e tendo em vista o disposto no artigo 1º, item I, letra "j" da Lei nº 6.229, de 17 de julho de 1975, DECRETA: Art. 1º A verificação das condições de exercício de profissões e ocupações técnicas e auxiliares relacionadas diretamente com a saúde, por parte das autoridades sanitárias dos órgãos de fiscalização das Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios Federais, obedecerá em todo o território nacional, ao disposto neste Decreto e na legislação estadual. Art. 2º Para cumprimento do disposto neste Decreto as autoridades sanitárias mencionadas no artigo anterior, no desempenho da ação fiscalizadora, observarão os seguintes requisitos e condições: Dispõe sobre a fiscalização sanitária das condições de exercício de profissões e ocupações técnicas e auxiliares, relacionadas diretamente com a saúde. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%2077.052-1976?OpenDocument 15 I - Capacidade legal do agente, através do exame dos documentos de habilitação inerentes ao seu âmbito profissional ou ocupacional, compreendendo as formalidades intrínsecas e extrínsecas do diploma ou certificado respectivo, tais como, registro expedição por estabelecimentos de ensino que funcionem oficialmente de acordo com as normas legais e regulamentares vigentes no País e inscrição dos seus Titulares, quando for o caso, nos Conselhos Regionais pertinentes, ou em outros órgãos competentes previstos na legislação federal básica de ensino. II - Adequação das condições do ambiente onde se processa a atividade profissional, para a prática das ações que visem à promoção, proteção e recuperação da saúde. III - Existência de instalações, equipamentos e aparelhagem indispensáveis e condizentes com as suas finalidades, e em perfeito estado de funcionamento. IV - Meios de proteção capazes de evitar efeitos nocivos à saúde dos agentes, clientes, pacientes, e dos circunstantes. V - Métodos ou processos de tratamento dos pacientes, de acordo com critérios científicos e não vedados por lei, e técnicas de utilização dos equipamentos. Art. 3º A fiscalização de que trata este Decreto abrangerá todos os locais em que sejam exercidas as profissões ou ocupações referidas no artigo 1º através de visitas e inspeções sistemáticas e obrigatórias, das autoridades sanitárias devidamente credenciadas, abrangendo especialmente: I - Os serviços ou unidades de saúde, tais como, hospitais, postos ou casas de saúde, clínicas em geral, unidades médico-sanitárias e outros estabelecimentos ou organizações afins, que se dediquem à promoção, proteção e recuperação da saúde. II - Consultórios em geral. III - Laboratórios de análises e de pesquisas clínicas, bem como, estabelecimentos ou organizações que se dediquem a atividade hemoterápicas. IV - Bancos de leite humano, de olhos, de sangue, e outros estabelecimentos afins, que desenvolvam atividades pertinentes à saúde. V - Estabelecimentos ou locais, tais como balneários, estâncias hidrominerais, termais, climatéricas, de repouso e outros congêneres. VI - Estabelecimentos, laboratórios, oficinas e serviços de óticas, de aparelhos ou material ótico, ortopédico, de prótese dentária, de aparelhos ou material para uso odontológico. VII - Institutos de esteticismo, de ginástica, de fisioterapia e de reabilitação. VIII - Gabinete ou serviços que utilizem aparelhos e equipamentos geradores de raios X, substâncias radioativas ou radiações ionizantes. IX - Outros locais onde se desenvolvam atividades comerciais e industriais, com a participação de agentes que exerçam profissões ou ocupações técnicas e auxiliares relacionadas com a saúde. 16 Parágrafo único. Ficam igualmente sujeitos à fiscalização pelas autoridades mencionadas no artigo 1º os órgãos públicos civis da administração direta ou indireta e paraestatais da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, onde ocorra o exercício de profissões e ocupações técnicas e auxiliares relacionadas diretamente com a saúde. Art. 4º Para o cabal desempenho da ação fiscalizadora estabelecida por este Decreto as autoridades sanitárias competentes deverão abster-se de outras exigências que impliquem na repetição, ainda que para efeito de controle, de procedimentos não especificados neste Regulamento ou que se constituam em atribuições privativas de outros órgãos públicos, tais como exames para aferição de conhecimentos, provas de suficiência, constituição e participação de bancas examinadoras em cursos não reconhecidos pelos Conselhos Federal, ou Estaduais de Educação, registros de diplomas e inscrição dos habilitados nos órgãos sanitários, sem expressa previsão de lei. Art. 5º Uma vez constatada infração às leis sanitárias e demais normas regulamentares pertinentes a autoridade competente procederá na seguinte forma: I - Lavrará o auto de infração indicando a disposição legal ou regulamentar transgredida, assinando ao indiciado o prazo de 10 (dez) dias para defesa, e interditando o local, como medida cautelar, se o interesse da saúde pública assim o exigir. II - Instaurará o processo administrativo como prevê o Decreto-lei nº 785, de 25 de agosto de 1969. III - Proferirá o julgamento aplicando a penalidade cabível de acordo com a natureza e a gravidade da infração cometida, as circunstâncias atenuantes e agravantes, e os antecedentes do infrator, dentre as previstas no artigo 3º do Decreto-lei número 785, de 25 de agosto de 1969. IV - Comunicará às respectivas autarquias profissionais a ocorrência de fatos que configurem transgressões de natureza ética ou disciplinar da alçada das mesmas. V - Comunicará imediatamente à autoridade policial competente, para a instalação do inquérito respectivo, a ocorrência de ato ou fato tipificado em lei como crime ou contravenção através de expediente circunstanciado. Art. 6º No âmbito dos órgãos públicos ou entidades instituídas pelo Poder Público incumbe aos seus dirigentes a verificação das condições do exercício das profissões e ocupações técnicas e auxiliares diretamente relacionadas à saúde de que trata este Decreto, respondendo, administrativamente, na forma das legislações a que estejam submetidos, pelas infrações resultantes de ação ou omissão no desempenho dessas atribuições. Art. 7º O Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia do Ministério da Saúde orientará e providenciará sobre a exata aplicação do disposto neste Decreto e demais normas legais e regulamentares pertinentes. Art. 8° Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Brasília, 19 de janeiro de 1976; 155º da Independência e 88º da República. ERNESTO GEISEL Paulo de Almeida Machado 17 LEI Nº 12.842, DE 10 DE JULHO DE 2013. Mensagem de veto Vigência Dispõe sobre o exercício da Medicina. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o O exercício da Medicina é regido pelas disposições desta Lei. Art. 2o O objeto da atuaçãodo médico é a saúde do ser humano e das coletividades humanas, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo, com o melhor de sua capacidade profissional e sem discriminação de qualquer natureza. Parágrafo único. O médico desenvolverá suas ações profissionais no campo da atenção à saúde para: I - a promoção, a proteção e a recuperação da saúde; II - a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças; III - a reabilitação dos enfermos e portadores de deficiências. Art. 3o O médico integrante da equipe de saúde que assiste o indivíduo ou a coletividade atuará em mútua colaboração com os demais profissionais de saúde que a compõem. Art. 4o São atividades privativas do médico: I - (VETADO); http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2012.842-2013?OpenDocument http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Msg/VEP-287.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12842.htm#art8 18 II - indicação e execução da intervenção cirúrgica e prescrição dos cuidados médicos pré e pós-operatórios; III - indicação da execução e execução de procedimentos invasivos, sejam diagnósticos, terapêuticos ou estéticos, incluindo os acessos vasculares profundos, as biópsias e as endoscopias; IV - intubação traqueal; V - coordenação da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva, bem como das mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas, e do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva, incluindo a desintubação traqueal; VI - execução de sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral; VII - emissão de laudo dos exames endoscópicos e de imagem, dos procedimentos diagnósticos invasivos e dos exames anatomopatológicos; VIII - (VETADO); IX - (VETADO); X - determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico; XI - indicação de internação e alta médica nos serviços de atenção à saúde; XII - realização de perícia médica e exames médico-legais, excetuados os exames laboratoriais de análises clínicas, toxicológicas, genéticas e de biologia molecular; XIII - atestação médica de condições de saúde, doenças e possíveis sequelas; XIV - atestação do óbito, exceto em casos de morte natural em localidade em que não haja médico. § 1o Diagnóstico nosológico é a determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por, no mínimo, 2 (dois) dos seguintes critérios: I - agente etiológico reconhecido; II - grupo identificável de sinais ou sintomas; III - alterações anatômicas ou psicopatológicas. § 2o (VETADO). § 3o As doenças, para os efeitos desta Lei, encontram-se referenciadas na versão atualizada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. § 4o Procedimentos invasivos, para os efeitos desta Lei, são os caracterizados por quaisquer das seguintes situações: 19 I - (VETADO); II - (VETADO); III - invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos. § 5o Excetuam-se do rol de atividades privativas do médico: I - (VETADO); II - (VETADO); III - aspiração nasofaringeana ou orotraqueal; IV - (VETADO); V - realização de curativo com desbridamento até o limite do tecido subcutâneo, sem a necessidade de tratamento cirúrgico; VI - atendimento à pessoa sob risco de morte iminente; VII - realização de exames citopatológicos e seus respectivos laudos; VIII - coleta de material biológico para realização de análises clínico-laboratoriais; IX - procedimentos realizados através de orifícios naturais em estruturas anatômicas visando à recuperação físico-funcional e não comprometendo a estrutura celular e tecidual. § 6o O disposto neste artigo não se aplica ao exercício da Odontologia, no âmbito de sua área de atuação. § 7o O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia. Art. 5o São privativos de médico: I - (VETADO); II - perícia e auditoria médicas; coordenação e supervisão vinculadas, de forma imediata e direta, às atividades privativas de médico; III - ensino de disciplinas especificamente médicas; IV - coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos. Parágrafo único. A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico. 20 Art. 6o A denominação de “médico” é privativa dos graduados em cursos superiores de Medicina, e o exercício da profissão, dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação. Art. 6º A denominação ‘médico’ é privativa do graduado em curso superior de Medicina reconhecido e deverá constar obrigatoriamente dos diplomas emitidos por instituições de educação superior credenciadas na forma doart. 46 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), vedada a denominação ‘bacharel em Medicina’. (Redação dada pela Lei nº 134.270, de 2016) Art. 7o Compreende-se entre as competências do Conselho Federal de Medicina editar normas para definir o caráter experimental de procedimentos em Medicina, autorizando ou vedando a sua prática pelos médicos. Parágrafo único. A competência fiscalizadora dos Conselhos Regionais de Medicina abrange a fiscalização e o controle dos procedimentos especificados no caput, bem como a aplicação das sanções pertinentes em caso de inobservância das normas determinadas pelo Conselho Federal. Art. 8o Esta Lei entra em vigor 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação. Brasília, 10 de julho de 2013; 192o da Independência e 125o da República. DILMA ROUSSEFF Guido Mantega Manoel Dias Alexandre Rocha Santos Padilha Miriam Belchior Gilberto Carvalho http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm#art46 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm#art46 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13270.htm#art1 21 Esclarecendo “Classificação Brasileira de Ocupações – CBO 2.002 3223-05 – Técnico em óptica – Contatólogo, Óptico contatólogo, Óptico Esteticista, Óptico montador de óculos, Óptico oftálmico, Óptico refracionista, Óptico surfaçagista, Técnico contatólogo. Legislação de Óptica O decreto que regula e fiscaliza o exercício das profissões dos Ópticos Práticos e dos Médicos oftalmologistas é o de número 24.492 de 28/06/1934, e que regulamenta o de número 20.931 de 11/01/1932, ainda em vigor. Muito embora muitos profissionais não o sigam, o especialista técnico em vendas deve conhecê-lo. Legislação Antiga Lei 20.931/32 e Lei 24.492/34 - Seguem alguns artigos e parágrafos, comentados O Óptico Prático só pode ser responsável por uma casa de ótica. O Óptico Prático deve registrar em livro apropriado, todas as receitas aviadas na óptica, assinando-o diariamente. O Óptico Prático deve ser habilitado e ter certificado registrado no departamento competente. 22 Na localidade em que não houver ópticas, será permitida a venda de óculos de grau pelas farmácias ou outro estabelecimento licenciado, cessando a sua licença, seis meses após a abertura de uma óptica. O óptico é solidariamente, com o proprietário da ótica, responsável por qualquer infração da legislação. Nenhum médico oculista na localidade em que exercer a clínica, nem a respectiva esposa, poderão possuir ou ter sociedade para explorar o comércio delentes de grau (ópticas). A casa de óptica só poderá vender lentes de grau, mediante a apresentação da receita óptica. É expressamente proibido ao proprietário, sócio gerente, óptico prático e demais empregados, escolher ou permitir escolher, indicar ou aconselhar o uso de lentes de grau, sob pena de processo por exercício ilegal da medicina. A óptica não pode possuir consultórios oftalmológicos em qualquer de suas dependências. A óptica não pode ter consultório mesmo fora de suas dependências. A óptica não pode indicar médico que dê vantagens não concedidas aos demais clientes, distribuir cartões ou vales que deem direita a consulta grátis, remunerada ou com redução de preço. - Como se observa, essa Lei é totalmente inadequada aos tempos de hoje. A Ótica é obrigada a possuir (para sua instalação): No mínimo um óptico prático, um grupo de lentes graduadas e vidros em bruto incolores - Obs. nossa: Dentre outras incongruências da antiga Lei e devido à evolução tecnológica, ninguém mais exige o cumprimento dos estoques e a fiscalização compreende e não exige o cumprimento da lei. O óptico só poderá ser responsável por uma ótica. A óptica pode substituir por outras, aquelas lentes que se apresentarem danificadas, vender vidros protetores sem grau, executar consertos e substituir armações, quando necessário. É proibido ao médico, seja por que processo for, indicar determinada ótica para venda de lentes de grau. É proibido a óptica oferecer exames de vista grátis, com cartazes, assim como é proibido possuir aparelhos para exames dos olhos. As firmas atacadistas só poderão fornecer lentes de grau às óticas licenciadas e mediante pedido por escrito que ficará arquivado. Não podem fornecer lentes em nome de clientes. Uma Lei quando não e bem feita ninguém a segue Novamente ressaltamos a verdadeira confusão que se instalou no comércio óptico do País. Com a criação de nova profissão (Técnico de Óptica), Lei 23 5692/71, portaria 45, com uma formação escolar em nível pós segundo grau e com outras qualificações, iniciou-se um processo confuso de interpretação de leis. A classe oftalmológica, em alguns locais do interior, aproveitando-se, do cartel ismo e da falta de conhecimento adequado das novas leis, tem usado a antiga lei para intimidar com tentativas de prisões e processos, os novos técnicos profissionais diplomados de acordo com a nova lei. Felizmente os processos judiciais têm sido rejeitados por grande parte dos juízes. Até mesmo profissionais modernos de altíssimo gabarito, que muito honram a classe dos ópticos Optometristas, tem sofrido intimidações, numa vergonhosa tentativa de subverter a Constituição brasileira, chegando a ponto de até mesmo chocar os colegas e outros países que exercem a Optometria livremente. Legislação Inadequada Como podemos observar, a legislação é totalmente inadequada e obsoleta. Ela proíbe o Óptico Prático de fazer as refrações oculares. Entretanto o Técnico de Óptica e Optometria sofre pressões e, algumas vezes, é impedido de exercer sua verdadeira profissão que é: Medir e compensar com lentes graduadas as ametropias do olho, além de outras atribuições. Além de ser ultrapassada a antiga Lei não é cumprida em vários itens, o que deixa a autoridade competente atônita, pois são os profissionais de nível médico superior, os primeiros a não cumpri-las, sob diversos artifícios. As autoridades fiscalizadoras não têm coragem de tomar medidas contra seus próprios colegas, sem condições de se impor na fiscalização. Felizmente, brevemente passará a fiscalização do exercício profissional a ser feita pelos Conselhos Profissionais de Óptica e Optometria, entidade em formação cada vez mais atuante. No mundo inteiro o Optometrista Técnico pode fazer a refração nas óticas e somente no nosso país, há essa discriminação o que denota que os cartéis estão mais do que presentes e o atraso é por demais evidente. 24 Legislação Atual Carta Magna §XIII do Art. 5° A Constituição Federal, no capítulo que trata dos Direitos e Garantias Individuais, reza em seu artigo 5º: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; Cursos Sequenciais da nova Lei de Diretrizes e bases 9.394/96 O Ensino médio foi totalmente reformulado pela nova Lei de Diretrizes e Bases. Esta Lei abre um verdadeiro leque para formação de inúmeros profissionais de nível técnico. Assim espera-se que as profissões ligadas à Óptica Oftálmica e a Optometria alcancem um extraordinário desenvolvimento. Para especialidades não atreladas a falsos conceitos, como é o caso do Optometrista, a partir dessa Lei , serão criados cursos de nível técnico sucessivamente, quebrando os antigos tabus, preconceitos exclusivistas que impunham um mercado verdadeiramente reprimido à sociedade, impedindo o desenvolvimento e a eficiência visual da população, especialmente as de menor renda. 25 Técnico em Óptica Foram criadas várias categorias técnicas, e a profissão de “Técnico de Óptica”, que é um curso profissionalizante, continua sendo uma delas e perfeitamente válida. Cabe uma ressalva: Com a criação da lei 5.691/1971 e o parecer 404 de 1975, assinado pela Ministra Esther de Figueiredo Ferraz, aprovada pelo Congresso Nacional, e mais recentemente com a criação dos cursos sequenciais da nova Lei de Diretrizes e Bases (1996), a formação técnica foi totalmente reformulada pela Lei Darcy Ribeiro e várias regulamentações foram feitas e estão sendo feitas. A antiga Lei ficou sob suspeita, pois as novas qualificações e atribuições do Técnico em Óptica (em nível de segundo grau) são incomparavelmente superiores às do antigo “Óptico Prático” (de nível escolar primário). Optometrista O exercício da profissão de Optometrista em quase todos os países do mundo é livre. Mais de 130 países a adotam com liberdade e inteiro sucesso no atendimento primário da eficiência visual das populações. No nosso, estes exames estão sujeitos a estes vexames. Uma vergonha! Enquanto nos EE.UU. Existem 32.000 Optometristas responsáveis por 70% dos exames de vista naquele País, o nosso fica exposto a uma vergonhosa exclusividade que prejudica a mais de 60 milhões de brasileiros que não enxergam bem (não são doenças). Vejam que na Inglaterra 90% destes exames são feitos por Optometristas. Na Espanha existem 8.000 Optometristas e 4.000 Oftalmologistas. Saibam, os nossos leitores, que a verdadeira profissão de Técnico em Optometria, abrange não somente venda de óculos e lentes de contato como também os exames e medições da acuidade visual com refração ocular. Isto é o que verdadeiramente existe no Mundo inteiro. A subserviência à classe dos Oftalmologistas têm dificultado a introdução desta importante atividade em nosso País. 26 Técnico em Optometria Possui as mesmas atribuições do Técnico em Óptica, acrescidas das medidas e compensações da acuidade visual que o capacitam fazer os chamados exames de vista, nas óticas Tecnólogo em Optometria É um curso classificado pela lei de Diretrizes e Bases como Superior. Esse profissional estuda cerca de 3.000 horas/aula cumpridas em 2,5 anos, está portanto habilitado a proceder exames de refração ocular e adaptação de lentes de contato, nas óticas. Bacharel em Optometria Em acordo com a Constituição Brasileira, capítulo dos direitos individuais, artigo 15 inciso 13 "é livre o exercício de todas as profissõespor todos os brasileiros, obedecidas as prerrogativas da legislação vigente". As leis e decretos abaixo poderão ser vistos na íntegra no site da CNC (www. cnc.org.br/centraldoconhecimento). • Decreto–Lei Federal nº 20.931/1932 – Artigos 1º, 3º • Decreto–Lei Federal nº 24.492/1934 – Artigos 5º, 6º, 10º, 11º, 18º • Decreto–Lei Federal nº 5.849/1949 – Artigos 1º, 2º, 3º • Decreto–Lei Federal nº 8.345/1945 – Artigo 1º • Decreto–Lei nº 8.829/1946 • Portaria nº 86-28/06/1958 • Decreto nº 77.052/PR-19.1.1976 • Decreto nº 81.384 – 22.2.1978 • Lei Federal nº 6.839/1980 – Artigo 1º • Lei Estadual nº 10.156/1987 – Artigos 197º, 198º, 199º, 200º, 201º, 202º • Lei Municipal nº 1.588/1992 – Código Sanitário Municipal • Lei Municipal nº 014 – 29.12.1992 – Código de Postura Municipal • Portaria nº 182/VSG – 20.11.1996 • Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público de 20.6.2001 • Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público de 11.12.2001 • Termo de Declarações de Conduta do Ministério Público de 18.12.2002 • Termo de Ajustamento de Conduta da Decon de 10.6.2003 • Parecer do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de 13.6.2003 • Termo de Ajustamento de Conduta do Ministério Público de 4.5.2006 • Aditamento ao Termo de Ajustamento de Conduta (Sindióptica – GO, Secretaria Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce 27 Estadual de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Ministério Público de Saúde, Agosol) • Código de Ética Médica Resolução CFM nº 1.246 de 8.1.1988 • Código de Defesa ao Consumidor Lei nº 8.078 de 11.9.1990 • Código Brasileiro de Ocupações (CBO) Ministério do Trabalho e Emprego • Portaria SMS nº 708/2004 • Decreto-Lei nº 5.903, de 20 de setembro de 2006 2. ARTIGO - DENTRO OU FORA DA ÓPTICA? Os atendimentos de Optometria sempre suscitaram as mais variadas polêmicas. No século passado a dificuldade era gerada pela inexistência de uma formação regular da profissão, embora a atividade estivesse reconhecida em Lei (decreto 20931/32), onde a profissão é citada como uma das atividades da saúde juntamente com a medicina, odontologia e veterinária. * (Decreto Lei 20931 de 1932 Art. 3º Os Optometristas, práticos de farmácia, massagistas e duchistas estão também sujeitos à fiscalização, só podendo exercer a profissão respectiva si provarem a sua habilitação a juízo da autoridade sanitária). Muito importante observar que a oftalmologia, na época, ainda não era reconhecida como especialidade médica (isto só ocorreu em 1959). No caso, o Decreto em questão Jakson Realce 28 tinha abrangência apenas para a medicina, não especificando a oftalmologia, mesmo porque está ainda não existia no Brasil como especialidade médica. Durante cerca de setenta anos a Optometria esteve à margem das profissões de Saúde no Brasil por existir o entendimento anacrônico e tendencioso de que o Decreto proibia a profissão. Os Optometristas remanescentes trabalhavam fora da legislação, visto que o óptico prático se encontrava proibido de manter consultório e prescrever lentes corretivas após o decreto 20934. O mesmo decreto também proíbe os médicos de possuírem ópticas e/ou trabalhar dentro de ópticas. Também proíbe o médico de indicar a óptica onde seu paciente deve confeccionar suas prescrições, condição que caracteriza venda casada, uma contravenção penal. Contudo, a modernidade e o crescimento cultural e industrial do País, fez surgir nos ópticos à necessidade de um crescimento educacional melhor elaborado para o desenvolvimento da profissão. Com o advento das lentes de contato e a inserção desta especialidade na Grade curricular dos Cursos de Óptica pela Ministra da Educação Esther de Figueiredo Ferraz, através da Portaria n. 86/58 (DEPARTAMENTO NACIONAL DA SAÚDE, 1958) a demanda em Contatologia aumentou sensivelmente. Desta forma os ópticos obtiveram oficialmente a competência sobre a adaptação das lentes de contato, muito embora a medicina mantenha uma Resolução do CFM, alegando que "adaptação de lentes de contato é Ato Médico". Esta Resolução é falaciosa e sem valor legal por duas razões. A princípio a Portaria 86/58 do Departamento Nacional de Saúde encontra-se em vigor além de existir uma longa história sobre as lentes de contato que comprovam e evidenciam que este produto sempre foi da competência dos ópticos, desde sua fabricação até a adaptação. Além disto, jamais poderia ser atribuída esta função com exclusividade aos médicos porque estaria contrariando o próprio decreto 20934 que proíbe claramente a venda de lentes por médicos. Mas a Óptica, para seu crescimento e aumento das vendas, carecia de um maior número de prescrições de correções ópticas. Por outro lado, as pesquisas sempre denunciavam uma extrema carência nos serviços de exames da visão. Significa que a oftalmologia não dá conta das necessidades de visão do povo brasileiro. Até hoje, a demanda reprimida nos serviços públicos de saúde visual é totalmente precária, tanto que a fila para uma consulta de visão nos serviços públicos chega a demorar de seis meses a um ano para que o paciente obtenha esta atenção. Entre os anos 70 a 80 muitos ópticos de todo o País se reuniam em congressos para incrementar os conhecimentos em óptica e melhorar suas performances técnicas e comerciais. Foi criado pelo SENAC SP e RS o curso de Técnico em Óptica em 1965. Muitas mudanças ocorreram com a aprovação da nova Constituição Federal (1988). Surgiram então novas escolas e novos conceitos profissionais, sobretudo com a modernização da Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce 29 Educação (Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação-1996) que defende com ênfase os direitos dos trabalhadores e a formação profissional. Desta forma, com a criação de cursos Técnicos em Óptica e Optometria e posteriormente Curso Superior em Optometria no nível de Bacharelado e Tecnológico, ocorreu o moderno reconhecimento da atividade do Óptico Optometrista pelo Ministério do Trabalho, quando da publicação no Diário Oficial da Portaria nº 397, de 09 de outubro de 2002 da nova Classificação Brasileira de Ocupações, que descreve com o código 3223 toda a relação das atividades e competências dos trabalhadores da óptica e optometria, inclusive citando seu Local de Trabalho, conforme consta abaixo: Mesmo com esta determinação ou orientação, de caráter oficial, continuam ocorrendo controvérsias, principalmente sobre a atuação dos Optometristas e seu local de trabalho: dentro ou fora da óptica? Após o episódio do PL do Ato Médico, que estaria eliminando a Optometria do Brasil caso fosse votado conforme as propostas feitas pelo Parlamento, mas que foram vetadas pela presidência, caracterizando um reconhecimento explícito da profissão de Optometrista, tanto pela Casa Civil, Conselho Nacional de Saúde e Ministério da Saúde e do Trabalho, momento em que todos foram solidários na apreciação e apoio aos vetos presidenciais, proporcionando uma vitória sem precedentes aos Optometristas brasileiros. Ocorre que mesmo após esta vitória, a celeuma sobre o local de trabalho persiste. Ainda que se saiba que na maioria dos países onde a Optometria está consagrada, como nos EUA, Canadá, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Japão, Filipinas e tantos outros, o local de trabalho dos Optometrista tanto pode ser na Óptica como fora dela, no Brasil, mesmo entre os profissionais existem diferenças de opiniões. Com certeza as diferenças se estabelecem, às vezes, por interesses variados ou comerciais. Aqueles que já possuem um consultório fora da óptica preferem que continue desta forma. Quem está estabelecido dentro da óptica, vai preferir que assim continuasse. Toda mudança estará promovendo transtorno financeiro. No tocante a Justiça, observa-se, pelas justificativas das sentenças proferidas pelosmagistrados, que elas são embasadas na Portaria 397, portanto é observado rigorosamente o que descreve o código 3223 da CBO. Resumindo, encontramos uma situação paradoxal entre os profissionais de Optometria quando se tenta estabelecer e definir um Local de Trabalho. • Mundialmente, é regra o local de trabalho dos Optometristas ser nas ópticas. • A CBO do Ministério do Trabalho cita como local de trabalho a Óptica e outros locais. • As profissões de Saúde tem por regra humanitária e ética, atender o necessitado de seus serviços, onde se fizer necessário, independente de local. • Médicos atendem onde houver doentes. Dentistas atendem dentro de Kombi... • Alguém arquitetou uma situação equivocada nos Optometristas brasileiros e alguns compraram a ideia. • Argumentam sobre venda casada. • No caso, os dentistas não podem vender dentaduras? Configura venda casada? • Os ortopedistas não podem colocar próteses em suas cirurgias, visto que Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Lápis Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce 30 configura venda casada? • Os oftalmologistas não podem colocar lentes intraoculares nas cirurgias de catarata, visto que configura venda casada? • Um cabeleireiro não pode vender peruca, é venda casada? • A venda casada passa a existir a partir do momento em que o Optometrista faz um atendimento, não fornece a prescrição e obriga o cliente a comprar sua correção óptica. Isto configura venda casada e contravenção. Por outro lado, esquece-se de quem mais precisa dos serviços de exames da visão e da Optometria: o consumidor. Enquanto são observadas as questões legais, internacionais e pessoais, estão-se ignorando a atenção que deve ser dada aos que precisam dos serviços. Neste caso, é sabido que aquele que precisa de auxílio de óculos, sempre procura primeiro a Casa de Óptica. E quando encontra dificuldade de adaptação com sua correção, volta a Casa de Óptica para reclamar. Uma situação corriqueira, conhecida e degradante é a situação "Ping Pong". Quando o cliente não consegue sucesso com seus óculos e retorna à Casa de Óptica. Esta então confirma que os óculos estão corretos e o erro foi de quem fez a receita. O refracionista, médico ou Optometrista diz que o erro foi da Óptica e pede para voltar lá. E o paciente fica sem uma solução que satisfaça sua necessidade. Às vezes, o descontente precisa recorrer à outra consulta, com outro profissional. Enfim, sempre sai com prejuízo. Já no caso de se executar todo o serviço na Óptica, o cliente encontrará começo, meio e fim. Toda responsabilidade estará em um mesmo local. Isto é entendido com facilidade quando se sabe que os ajustes dos óculos em termos de distância vértice, inclinação pantoscópica, distâncias naso-pupilares, distâncias de altura dos centros ópticos, indicação de prismas e formação de prismas por medidas erradas, indicação de armação compatível com a anatomia facial, possibilidades técnicas das lentes, enfim, tudo é de extrema importância na indicação das lentes para uma montagem correta dos óculos com a finalidade que se obtenha um serviço de qualidade. Todas estas condutas deixam dúvidas quando o exame é feito em um local e a confecção da correção em outro. Todo o processo, desde o exame da visão até a escolha da armação e determinação das melhores lentes para cada caso, além da montagem e ajuste dos óculos, obtêm um resultado e uma qualidade sensivelmente melhor quando todo o processo é executado em um mesmo local e com uma responsabilidade única. É assim em todo o planeta. Porque no Brasil sempre precisa ser diferente? Professor Vilmario Antonio Guitel Técnico em Óptica SENAC SP Bacharel em Optometria UNC SC Pós Graduado Alta Optometria UNC SC Pós Graduado Magistério do Curso Superior UNC SC. Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce Jakson Realce 31 3. ASPECTOS RELEVANTES -RESUMO Segundo o dicionário Caldas Aulete, óptica é a parte da física que trata da luz e fenômenos com a visão. O dicionário Aurélio acrescenta ainda a origem que vem do grego optiké. A verdade, porém, é que hoje em dia, ópticas são chamadas de óticas. Será que está errado? Não. Nossos dicionários registram a forma ótica como variante de óptica. A dúvida se deve ao sentido original de ótica: relativo ao ouvido que vem do grego otikós. Daí a otite, que é a inflamação do ouvido; a otalgia que é a popular dor de ouvido; otologista é o médico especializado em doenças do ouvido. Otorrino é abreviação de otorrinolaringologista, que é especialista em ouvido, nariz e laringe. Já tivemos o oftalmotorrinolaringologista: especialista em olhos, ouvidos, nariz, garganta (laringe). Quase não existe mais. Por fim de onde saiu esse tal oftalmo? Vem do grego ophthalmo que significa “olho”. Oftalmologia é o ramo da medicina que estuda os olhos em todos os seus aspectos. Então a palavra óptica só pode ser usada para fenômenos relativos à visão. E ótica pode ser sinônimo da palavra óptica ou relativo ao ouvido. Conheça a legislação vigente Falando em ópticas, o comércio relativo a óculos e a saúde da visão, vem crescendo bastante devido à necessidade e a moda. E está ficando sem um controle fiscalizador dos órgãos de saúde. Sendo assim, gostaria de alertar estes órgãos governamentais, fiscalizadores da saúde pública. 32 33 34 35 36 37 38 39 40 4. ROTEIRO DE AUTO-INSPEÇÃO DE ÓPTICAS - MODELO ROTEIRO DE AUTO-INSPEÇÃO DE ÓPTICAS AS QUESTÕES CONSTANTES NO PRESENTE ROTEIRO DE AUTO-INSPEÇÃO DEVEM SER RESPONDIDAS COM: S EM CASO AFIRMATIVO, N EM CASO NEGATIVO OU NA QUANDO SIGNIFICAR NÃO SE APLICA. I. CONDIÇÕES GERAIS DO ESTABELECIMENTO: 1. O estabelecimento óptico se caracteriza como Óptica Básica, ou seja, comercializa, fabrica e/ou beneficia lentes em geral em laboratório próprio ou mediante terceirização, sob contrato, com laboratório especializado e legalizado, além de executar montagem de óculos corretivos ou solares? 2. O estabelecimento óptico se caracteriza como Óptica Plena, ou seja, além dos requisitos da Óptica Básica, oferece atendimento de exame optométrico pleno, inclusive adaptação e comercialização de lentes de contato? 3. A Óptica Básica conta com Técnico em Óptica legalmente habilitado como Responsável Técnico, conforme Dec. 77052/76, Art. 2º - Para cumprimento do disposto neste Decreto as autoridades sanitárias mencionadas no artigo anterior, no desempenho da ação fiscalizadora, observarão os seguintes requisitos e condições: I – Capacidade legal do agente, através do exame dos documentos de habilitação inerentes ao seu âmbito profissional ou ocupacional, compreendendo as formalidades intrínsecas e extrínsecas do diploma ou certificado respectivo, tais como, registro, expedição por estabelecimento de ensino que funcione oficialmente de acordo com as normas legais e regulamentares vigentes no País e inscrição dos seus titulares, quando for o caso, nos Conselhos Regionais pertinentes, ou em outros órgãos competentes previstos na legislação federal básica de ensino? 4. A Óptica Plena conta com Óptico Optometrista como Responsável Técnico legalmente habilitado, conforme preceitua a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério de Trabalho e Emprego, com formação de bacharelado e diploma registrado nesta especialidade no Ministério da Educação e, portanto, apto para a realização de exames optométricos; confecção de lentes; adaptação de lentes de ÓPTICA 41 contato; montagem de óculos; aplicação de próteses oculares; promoção de educação em saúde visual; venda de produtos e serviços ópticose optométricos; gerenciamento de estabelecimentos; assunção de Responsabilidade Técnica por laboratórios ópticos, estabelecimentos ópticos básicos ou plenos e centros de adaptação de lentes de contato; e emissão de laudos e pareceres ópticos optométricos? 5. O Alvará de Autorização Sanitária do estabelecimento está afixado em local visível, conforme estabelece o Decreto 24492/34, Art. 5º - A autorização para o comércio de lentes de grau será solicitada à autoridade sanitária pelo sócio, ficando a requerente responsável pelo fiel cumprimento deste decreto? 6. Há a compreensão por parte do proprietário e do Responsável Técnico de que a Vigilância Sanitária não atua no âmbito próprio de fiscalização do exercício profissional, mas tão-somente verifica a existência de habilitação e/ou capacidade legal do profissional da saúde e do respeito à legislação sanitária, objeto, no caso, de fiscalização estadual e/ou municipal; e que, portanto, não compete à Coordenação de Vigilância Sanitária de Aracaju (COVISA/AJU) verificar questões relativas a: 1) existência da participação de Oftalmologista na sociedade do estabelecimento; 2) existência de consultório médico de oftalmologia no estabelecimento; 3) existência de prescrição de receitas ópticas no estabelecimento, seja em suas dependências ou em local que lhe seja de acesso obrigatório, e de possível indicação de Oftalmologista; 4) escolha, indicação ou o aconselhamento de lentes de grau por parte de atendentes; 5) existência de cartazes e anúncios com oferecimento de exames de vista; e 6) inobservância do encaminhamento de casos patológicos à área específica da medicina, a Oftalmologia (o tratamento de doenças, males do globo ocular, patologias oculares e a administração de medicamentos são atribuições específicas dos oftalmologistas, não fazendo parte das atividades técnicas desenvolvidas pelo óptico optometrista)? 7. O ambiente, as instalações, os equipamentos e o instrumental estão em conformidade com as atividades desenvolvidas e em condições de perfeito funcionamento, como estabelece o Dec. 77052/76, Art. 2º Para cumprimento do disposto neste Decreto as autoridades sanitárias mencionadas no artigo anterior, no desempenho da ação fiscalizadora, observarão os seguintes requisitos e condições: II – A adequação das condições do ambiente onde se processa a atividade profissional, para a prática das ações que visem à promoção, proteção e recuperação da saúde; e ÓPTICA 42 III – Existência de instalações, equipamentos e aparelhagem indispensáveis e condizentes com as suas finalidades, e em perfeito estado de funcionamento? 8. Construção nova com finalidade de estabelecimento com atividades de interesse da saúde, com projeto físico avaliado pela Vigilância Sanitária previamente à execução da obra? 9. Prédio residencial adaptado com transformação de uso aprovada pela Vigilância Sanitária previamente à execução da reforma? 10. Recepção e salas de atendimento acessíveis a pessoas portadoras de deficiências ou com mobilidade reduzida? 11. Instalações confortáveis e adequadas à atividade proposta? 12. Instalações prediais livres de trincas, rachaduras e infiltrações? 13. Piso de material liso (sem a presença de descontinuidades, tais como fendas ou rachaduras), resistente, impermeável e lavável que permita um completo processo de higienização? 14. Teto e paredes/divisórias com acabamento liso, de cores claras, revestidos com tinta ou material laváveis que permitam um completo processo de higienização? 15. Identificação visual em compartimentos? 16. Certificação do Corpo de Bombeiros? 17. Extintor(es) de incêndio com teste e recarga na validade? 18. Certificado de aferição anual de pesos e medidas? 19. Limpeza da caixa d’água semestral comprovada? 20. Realização quadrimestral de serviços de desratização e a desinsetização comprovada? 21. Abrigo adequadamente configurado para o armazenamento externo de Resíduos? 22. Ausência de cortinas, estantes com livros e objetos, vasos de plantas, aquários abertos e outros adornos de difícil higienização nos ambientes de atendimento? ÓPTICA 43 23. Área de vendas, provida de balcão e vitrines para mostruário de armações, com espaço físico mínimo de 10 m²? 24. O mobiliário e os outros elementos são constituídos de material impermeável e resistente aos procedimentos de limpeza e desinfecção? 25. Existe depósito, com produtos armazenados limpos e dispostos de forma organizada, de modo a não dificultar a higienização e não propiciar a proliferação de pragas urbanas? 26. Depósito de Material de Limpeza, provido de tanque de apoio e mobiliário constituído de material impermeável, de fácil higienização, para guarda e organização de produtos e equipamentos de limpeza? 27. Área exclusiva para funcionários: organizada, limpa, arejada, iluminada e com nichos individuais para guarda de pertences? 28. Copa/Cozinha exclusiva para alimentos e refeições? 29. Sanitários para os funcionários com instalações elétricas e hidráulicas embutidas; luminárias com uso de protetores; e lavatórios providos de saboneteiras de parede com dispositivo de recarga e acionamento do líquido por pressão manual, suporte para papel toalha, coletor de lixo com tampa e pedal e ralo sifonado com tampas giratórias? 30. Programa de Imunização de Funcionários? 31. Rotina de auto inspeção periódica? 32. Manual de normas e rotinas atualizado e disponível de higienização dos ambientes, instalações, mobiliários e equipamentos? 33. Dispõe de Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde de acordo com a Resolução RDC ANVISA nº 306, de 07 de dezembro de 2004, contendo, inclusive, a descrição das formas de minimização dos resíduos gerados do Grupo B (resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade)? ÓPTICA 44 34. Dispõe de livro para registro das receitas ópticas devidamente regularizado, conforme determina o Dec. 20.931/32, Art. 41 – As casas de óptica, ortopedia e os estabelecimentos eletro, rádio e fisioterápicos de qualquer natureza devem possuir um livro devidamente rubricado pela autoridade sanitária competente destinado ao registro das prescrições médicas, bem como o Dec. 24492/34 Art. 9º - Ao óptico prático do estabelecimento compete: d) Citar e assinar diariamente o livro de registro de óptica? II. REQUISITOS RELATIVOS À CATEGORIA DO ESTABELECIMENTO: 1. A Óptica Básica que se dedica à comercialização de lentes oftálmicas; comercialização de armações; comercialização de óculos solares; comercialização de acessórios ópticos (espelhos, suportes, cordões para óculos, limpadores de lentes), dispõe, além das condições gerais, dos requisitos mínimos de instalações e equipamentos a seguir enumerados: a. Contrato de terceirização com Laboratório Óptico de Surfaçagem de Lentes Oftálmicas legalizado? b. Espaço apropriado para teste de acuidade visual, com comprimento ou largura mínima de 6,00m? c. Tabelas de optótipos ou projetor? d. Espelhos? e. Lensômetro (aparelho de leitura externa ou interna, usada para medida de dioptrias, em lentes esféricas e cilíndricas)? f. Escalas milimétricas? g. Pupilômetro (equipamento para medir a distância interpupilar) ? h. Facetadora automática (equipamento desenvolvido para cortar, fazer facetas e dar acabamento em lentes permitindo que as mesmas se encaixem no aro)? i. Ferramentas para ajuste de óculos (alicates, chaves de fendas, outras)? j. Ventilete/ aquecedor de lamparina ou similar (utilizado para ajustar as armações não metálicas)? 2. A Óptica Básica que comercializa lentes oftálmicas e contém um Laboratório Óptico de Surfaçagem de Lentes Oftálmicas dedicado à fabricação e montagem de óculos corretivose solares (cristal, orgânica, policarbonato), dispõe, além das condições gerais e dos requisitos especificados no item 1, dos recursos a seguir enumerados: a. Área de laboratório, com espaço físico mínimo de 10 m²? b. Pia com decantador? c. Rede de esgoto bem distribuída (pelo acúmulo de pó no final do processo)? d. Conjunto de formas (moldes) esféricas e cilíndricas para fabricação de lentes? e. Esmerilhador esférico para miopia e cilíndrico para astigmatismo? f. Polidoras zirconizadas? g. Blocadoras de aloy (substitui o sistema de gás, isto é, o fogão e o maçarico)? h. Esmerilhador com ar comprimido (eletropneumático) cilíndrico e esférico? i. Gerador de curvas (equipamento destinado a gerar as curvas internas e externas das lentes)? j. Bancada ou gaveta de trituração de cristais? k. Facetadora automática ou lixadeira diamantada (para cortar, fazer facetas e dar acabamento em ÓPTICA 45 lentes permitindo que as mesmas se encaixem no aro)? l. Máquinas de coloração? m. Máquina para tratamento antirreflexo? n. Disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para os profissionais (vestimenta adequada, óculos protetores, máscaras com filtros nasais) quando usada a lixadeira diamantada não automática? o. Área de montagem? 3. A Óptica Plena que se dedica à atividade de prestação de serviços optométricos e que, portanto, realiza procedimentos de identificação e compensação de ametropias visuais (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia, estrabismo); avaliação e compensação das dificuldades visuais; orientação e acompanhamento profissional das dificuldades visuais; encaminhamento de casos patológicos à área específica da medicina, a Oftalmologia, dispõe, além das condições gerais e dos requisitos especificados no item 1 e/ou 2, dos recursos a seguir enumerados: a. Espaço apropriado para avaliação optométrica, com comprimento ou largura mínima de 6,00m para teste de acuidade visual? b. Lavatório provido de saboneteira de parede com dispositivo de recarga e acionamento do líquido por pressão manual, suporte para papel toalha, e coletor de lixo com tampa e pedal? c. Tabelas de optótipos ou projetor? d. Testes de estereoscopia e cores? e. Foroptero ou Refrator (equipamento com múltiplas lentes, que realiza o teste subjetivo de acuidade visual, com auxílio do cliente)? f. Autorefrator (realiza o teste visual objetivo, sem auxilio do cliente)? g. Queratômetro (equipamento que determina o raio de curvatura da córnea)? h. Biomicroscópio ou Lâmpada de fenda (equipamento que possibilita o diagnóstico de estados alterados da córnea, íris, cristalino, etc)? i. Retinoscópio (aparelho utilizado para exames mais profundos da retina é adotado para verificação de um deslocamento da retina)? j. Oftalmoscópio (aparelho destinado ao exame externo da parte interior do olho)? k. Transiluminador (equipamento com fonte de luz, para exame interno do olho)? l. Régua de Esquiascopia (régua dotada de lentes esféricas positivas e negativas, destinadas a tornar mais prática a verificação objetiva do erro refracional do olho, em substituição à Caixa de Provas)? m. Caixa de provas (conjunto de lentes de ensaio esféricas, cilíndricas positivas e negativas, filtros coloridos e prismas, lentes graduadas de 0,5 em 0,5 grau, dispostas em ordem crescente ou descrescente de dioptrias)? n. Armações de prova universal (utilizada para colocar as lentes de prova no ato do teste)? o. Oclusor óptico? p. Lensômetro (destina-se à medição de lentes e suas demarcações)? 4. A Óptica Plena que se dedica à atividade de adaptação e comercialização de lentes de contato e que, portanto, realiza procedimentos de avaliação do globo ocular e seus anexos; avaliação da dioptria das lentes de contato; teste de adaptação ao uso de lentes de contato; medição da curvatura da córnea (ceratometria); medição do diâmetro da íris e medição do diâmetro da pupila; avaliação do filme lacrimal; uso de substância para contraste (fluoresceína); uso de substâncias lubrificantes para lentes de contato; indicação das lentes de contato mais adequadas; acompanhamento e orientação profissional durante o uso das lentes de contato, dispõe, além das condições gerais e dos requisitos especificados no item 3, dos recursos a seguir enumerados: a. Área apropriada provida de bancada com pia, preferencialmente com torneira que seja acionada sem o uso das mãos ou com o uso dos pés? b. 46 Saboneteiras de parede com dispositivo de recarga e acionamento do líquido por pressão manual, suporte para papel toalha, coletor de lixo com tampa e pedal? c. Lâmpada de Burton (consiste em uma lupa, onde se acondiciona uma ou duas lâmpadas frias, que permite avaliar a adaptação da lente de contato na córnea)? d. Caixa de prova de lentes de contato (lentes para diagnóstico)? REFERÊNCIAS: BICAS, HARLEY; JORGE, ANDRÉ A. H. OFTALMOLOGIA: FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES. SÃO PAULO: TECMEDD, 2007. BRASIL – 2006 - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO - PROCURADORIA FEDERAL - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA - PARECER CONS. Nº 127/06 PROC/ANVISA/MS; CONSELHO BRASILEIRO DE ÓPTICA E OPTOMETRIA (CBOO). PERFIL DO PROFISSIONAL ÓPTICO RECONHECIDO PELO CBOO E OUTRAS INFORMAÇÕES. DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.CBOO.ORG.BR>. ACESSO EM MAIO/2012. CONSELHO REGIONAL DE ÓPTICA E OPTOMETRIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (CROOMG). MANUAL PARA FISCALIZAÇÃO SANITÁRIA DE ESTABELECIMENTOS ÓPTICOS NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE – PREFEITURA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE - BRASIL – 2002. ÓPTICO OFTALMICO BÁSICO. DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.CROOMG.ORG.BR/ >. ACESSO EM MAIO/2012. EMPREGA BRASIL. ÓTICA. DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.EMPREG ABRASIL.ORG.BR/BT/COMO_ABRIR_OTICA.HTM>. ACESSO EM MAIO DE 2012. SILVA FILHO, JOSÉ ROBERTO LOPES DA. AS LEIS DA OPTICA E DA OPTOMETRIA COMENTADAS À LUZ DA CONSTITUIÇÃO DE 88. FORTALEZA: GRÁFICA LCR, 2016.