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Fonte: GRAY`S Anatomia cabeça e pescoço. 40 ed. → O que é? A articulação temporomandibular é uma articulação sinovial entre a fossa mandibular (também conhecida como fossa glenoide) do osso temporal acima e o processo condilar da mandíbula. É incomum, pois suas superfícies articulares são revestidas por fibrocartilagem (em vez de cartilagem hialina). → Divisão da cavidade articular A cavidade articular é dividida em duas por um disco articular. → Eminencia articular e superfície articular A eminência articular, uma região transversalmente elíptica, sinuosamente curva no plano sagital e inclinada inferior e anteriormente em aproximadamente 25° ao plano oclusal, forma a maior parte da superfície articular da fossa mandibular. A sua inclinação é variável e diminui no indivíduo sem dentes. A superfície articular do processo condilar é ligeiramente curva e inclinada anteriormente em cerca de 25° ao plano oclusal. Tal como na eminência articular, esta inclinação é variável podendo ser até aproximadamente horizontal em indivíduos edêntulos. → Capsula articular A parte inferior da articulação é envolvida por fibras densas que fixam o processo condilar ao disco. A parte superior da articulação é circundada por fibras frouxas que fixam o disco ao osso temporal. Assim, o disco articular é fixado separadamente ao osso temporal e ao processo condilar, formando o que poderiam ser consideradas duas cápsulas articulares. → Ligamentos 1. Ligamento esfenomandibular O ligamento esfenomandibular é medial e geralmente separado da cápsula. É uma faixa fina plana que desce da espinha do esfenoide e se amplia à medida que atinge a língula do forame da mandíbula. Algumas fibras cruzam a extremidade medial da fissura petrotimpâmica e fixam-se ao processo anterior do martelo. Esta parte é um vestígio da extremidade dorsal da cartilagem de Meckel. 2. Ligamento estilomandibular O ligamento estilomandibular é uma faixa espessada de fáscia cervical profunda que se estende desde o ápice e a face anterior adjacente do processo estiloide até o ângulo e a margem posterior da mandíbula 3. Ligamento temporomandibular (lateral) ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR O amplo ligamento temporomandibular (lateral) é fixado, acima, ao tubérculo na raiz do processo zigomático do osso temporal. Ele estende-se para baixo e para trás em um ângulo de aproximadamente 45° com a horizontal, para se fixar à superfície lateral e à margem posterior do colo do côndilo, profundamente à glândula parótida. Uma faixa curta quase horizontal de colágeno conecta o tubérculo articular, anterior, ao polo lateral do processo condilar, posteriormente. Pode funcionar para impedir o deslocamento posterior do processo condilar em repouso → Membrana sinovial A membrana sinovial reveste a parte interna da cápsula da articulação, mas não se estende para cobrir o disco ou as superfícies articulares. → Superfícies articulares A cobertura fibrocartilaginosa do côndilo é composta de quatro camadas distintas. 1. A camada mais superficial é constituída por fibras densamente arranjadas de colágeno tipo I dispostas principalmente em direção paralela à superfície articular: cobre uma fina camada celular, a zona proliferativa, que é contínua com a mesma camada do periósteo além das margens da articulação. 2. A terceira camada, de cartilagem hipertrófica, é rica em matriz intercelular: contém condrócitos espalhados por toda a sua profundidade e fibras de colágeno tipo II aleatoriamente orientadas. 3. A quarta camada, logo acima do osso subcondral, é a zona de calcificação. Embora o número de condrócitos dentro da zona hipertrófica diminua com a idade, células mesenquimais não diferenciadas foram identificadas em amostras post mortem, de todas as idades indicando que há uma capacidade de proliferação persistente na cartilagem condilar e pode ser a razão pela qual ocorre remodelação condilar ao longo da vida. → Disco articular O disco articular transversalmente oval é composto predominantemente por tecido conjuntivo denso fibroso com alguma condrificação em áreas de carga máxima. Tem uma margem espessa que forma um ânulo periférico e uma depressão central na sua superfície inferior que acomoda a superfície articular do processo condilar. A depressão provavelmente se desenvolve como uma resposta mecânica à pressão exercida pela cabeça da mandíbula à medida que gira dentro do ânulo. O disco é estabilizado na cabeça da mandíbula de três maneiras: Suas extremidades são fundidas com a parte do ligamento capsular que circunda firmemente o compartimento articular inferior e que é fixada ao redor do colo da mandíbula; faixas bem definidas do ligamento capsular fixam o disco aos polos medial e lateral da cabeça da mandíbula e, adicionalmente, o ânulo espesso evita que o disco deslize além do processo condilar, permitindo que o côndilo e o disco permaneçam firmemente implantados contra a fossa mandibular (como ocorre normalmente). Posteriormente, o disco é fixado a uma região de amplo tecido vascular e nervoso que se divide em duas lâminas, a região bilaminar: ao contrário do restante do disco, a sua função normal é promover fixação mais do que estabilidade intra-articular. A lâmina superior, composta por tecido fibroelástico, é fixada à fissura timpanoescamosa e a lâmina inferior, composta por tecido fibroso não elástico, é fixada à parte posterior do côndilo. A região bilaminar contém um plexo venoso, mas a parte central do disco é avascular. Células no disco também secretam sulfato de condroitina (um glicosaminoglicano encontrado na cartilagem), fortemente concentrado na sua parte central e provavelmente confere ao disco um pouco da resiliência e da resistência à compressão da cartilagem. A quantidade aumenta em resposta à carga e à idade e, por volta da quinta década, o disco apresenta sinais de envelhecimento, como desgaste, adelgaçamento e perfuração. → Funções do disco articular As funções do disco articular permanecem controversas. Em geral, acredita-se que o disco ajuda a estabilizar o processo condilar no interior da articulação temporomandibular. Entretanto, as superfícies articulares do processo condilar e da fossa mandibular adaptam- se de maneira precária e, portanto, são separadas por um espaço irregular. As forças musculares controlam a posição da mandíbula e, portanto, da cabeça da mandíbula em relação à eminência articular que, por sua vez, determina a forma e a espessura do espaço irregular. A posição do disco é controlada por forças neuromusculares: a cabeça superior do pterigóideo lateral anteriormente e o tecido elástico na região bilaminar posteriormente puxam juntas o disco respectivamente para a frente ou para trás a fim de manter o espaço articular preenchido e, assim, estabilizar o processo condilar. A presença de um disco articular também pode reduzir o desgaste, pois a força de atrito na cabeça da mandíbula e na eminência articular é reduzida para metade por meio da separação do deslizamento e da rotação dentro de diferentes compartimentos articulares, e pode ajudar na lubrificação da articulação, armazenando líquido comprimido nas áreas carregadas, criando um lubrificante flutuante. Existe uma visão alternativa de que um disco articular escorregadio duplique o número de superfícies deslizantes isentas de atrito e desestabilize o processo condilar da mesma maneira que pisar em uma casca de banana desestabiliza o pé. Todas as outras articulações permitem maior sobrecarga, pois suas superfícies articulares estão estreitamente acopladas, criando uma grande área de contato que evita mais movimento. No entanto, a cabeça da mandíbula fica mais sobrecarregada quando é requisitada ao movimento, deslizando para trás durante o forte golpe da fase bucal do ciclo mastigatório,no lado oposto da mandíbula. → Relações A artéria maxilar e seus ramos proximais, mais notavelmente a artéria meníngea média, situam-se medialmente, logo acima da cápsula articular. A parte mais superior da cápsula parotídea, que encerra os ramos do nervo facial que suprem os músculos da parte superior da face, como o orbicular do olho, é lateral à cápsula articular: os nervos semelhantes a fios estão em risco durante a abordagem cirúrgica da articulação. A parte superior da fossa infratemporal, que contém as duas cabeças do pterigóideo lateral, é anterior ao côndilo. É no interior desta fossa anterior à eminência articular que o processo condilar é deslocado em casos de luxação da ATM ou de fratura com deslocamento da cabeça da mandíbula. Posteriormente, fica o tegmento timpânico e atrás dele, a cavidade da orelha média. A perfuração através desta fina parede óssea em direção à orelha média é uma conhecida complicação da artroscopia da ATM. Logo abaixo da articulação, a artéria maxilar gira em torno da face posterior do colo da mandíbula. → Suprimento vascular e inervação Os tecidos articulares e a parte densa do disco articular não têm suprimento nervoso. Os ramos dos nervos auriculotemporal e massetérico e os nervos simpáticos pós- ganglionares suprem os tecidos associados ao ligamento capsular e à frouxa extensão bilaminar posterior do disco. A cápsula da articulação temporomandibular, o ligamento lateral e o tecido retroarticular contêm mecanorreceptores e nociceptores. OBS: A aferência a partir dos mecanorreceptores promove uma fonte de sensações proprioceptivas que ajuda a controlar a postura e o movimento mandibulares. A articulação tem seu suprimento arterial derivado da artéria temporal superficial lateralmente e da artéria maxilar medialmente. Os vasos penetrantes que suprem o pterigóideo lateral também podem suprir o processo condilar. As veias drenam a face anterior da articulação e os tecidos associados para o plexo que circunda o pterigóideo lateral e, posteriormente, drenam para a região vascular que separa as duas lâminas da região bilaminar do disco. OBS: A pressão produzida pelo movimento anterior e posterior do processo condilar desvia o sangue entre essas regiões. Os linfáticos drenam profundamente para os linfonodos cervicais superiores em torno da veia jugular interna. → Movimentos mandibulares 1. Movimentos do processo condilar na articulação temporomandibular A principal função da mandíbula é exercer, através dos dentes, a força necessária para quebrar alimentos em partículas menores e assim facilitar a digestão. Os movimentos verticais puros dos dentes inferiores criam uma força de esmagamento que é ineficaz em fracionar os alimentos fibrosos resistentes. O homem usa o movimento lateral da mandíbula para criar um componente de força de cisalhamento que aumenta a eficácia da potência da mastigação. O movimento lateral de todo o corpo da mandíbula, o desvio de Bennett, é insignificante. O movimento lateral extenso só é possível quando a mandíbula gira horizontalmente sobre um processo condilar enquanto o outro desliza para trás e para a frente. A articulação temporomandibular é estruturalmente adaptada para acomodar tanto o deslizamento como a rotação em um plano parassagital. O deslizamento ocorre porque o ligamento capsular que circunda o compartimento superior da articulação é frouxo, enquanto o ligamento capsular que encerra o compartimento articular inferior é firme, e apenas possibilita que o côndilo gire sobre a depressão no interior do ânulo do disco articular. A variação normal de abertura bucal máxima medida entre as margens incisais dos incisivos superiores e inferiores está na faixa de 35-50 mm. A variação de movimentos no adulto é atingida por volta dos 10 anos no sexo feminino e dos 15 anos no sexo masculino. Normalmente, as excursões laterais do mento podem atingir 8-12 mm de movimento dos incisivos inferiores. 2. Abertura simétrica A abertura simétrica da mandíbula está associada à preparação para o corte. No início, cada cabeça da mandíbula gira no compartimento articular inferior no interior do ânulo de seu disco. Após alguns graus de abertura, o processo condilar continua girando no interior de seu disco, mas também ambos deslizam anteriormente à eminência articular do compartimento articular superior. Sem este deslizamento para a frente, torna-se impossível prosseguir com a abertura da mandíbula além de aproximadamente 25 mm. Existem opiniões conflitantes sobre a razão pela qual o deslizamento anterior ocorre, provavelmente pela impossibilidade de se realizar um teste experimental direto. Nenhum outro animal tem uma eminência articular e ligamentos comparáveis ao do homem, o que significa que a maior parte das evidências que respaldam qualquer teoria é baseada em análises da disfunção da articulação humana. 3. Alterações na posição do disco durante o movimento Com os dentes em oclusão, o côndilo fica na fossa mandibular e o disco intra-articular, sobre a cabeça da mandíbula; sua faixa posterior, acima do ápice do côndilo. Assim que a abertura da boca inicia, o processo condilar gira dentro do espaço articular inferior e o disco permanece parado. Aproximadamente na metade da abertura, o processo condilar e o disco juntos começam a se mover para a frente, de maneira que a posição relativa entre eles é mantida. Na abertura máxima, a cabeça da mandíbula desliza ainda mais anteriormente do que o disco, de modo que a faixa anterior do disco articular fica acima do ápice do côndilo. O fechamento da boca envolve a movimentação posterior do disco em conjunto com o processo condilar, que também reverte sua rotação angular, reassumindo a posição de início do ciclo. 4. Abertura excêntrica da mandíbula A abertura excêntrica da mandíbula está associada à preparação para a oclusão dos molares na mastigação. O processo condilar sobre o lado de balanceio desliza para a frente e para trás durante movimentos laterais associados à oclusão dos molares no lado de trabalho. Embora os músculos da mandíbula agora tenham o controle maior sobre os movimentos mandibulares, os ligamentos temporomandibular e esfenomandibular mantêm a cabeça da mandíbula firmemente contra a eminência articular durante a abertura. 5. Fechamento mandibular excêntrico e simétrico A resultante dos músculos de fechamento mandibular tem um componente que mantém as superfícies articulares juntas, o que comprime os tecidos articulares e potencialmente encurta os ligamentos, de modo que deixem de limitar os movimentos mandibulares. Sob estas condições, os movimentos mandibulares e as posições dos processos condilares são controlados por mecanismos neuromusculares (dentro dos limites das restrições impostas pela eminência articular, pelas superfícies de oclusais dos dentes e pela presença de alimentos entre eles). Observe que a cabeça da mandíbula do lado de balanceio se move com maior amplitude e é mais fortemente sobrecarregada durante a oclusão dos molares na mastigação. As cargas em cada articulação, balanceio e trabalho impulsionam cada processo condilar mais energicamente em direção a sua eminência articular. 6. O envelope de movimento O envelope de movimento é o volume de espaço no interior do qual todos os movimentos de um ponto sobre a mandíbula têm de ocorrer, porque os limites são definidos por características anatômicas, ou seja, pela forma e pelo tamanho da maxila e da mandíbula, pelos contatos dos dentes e pela inserção de músculo e de ligamentos. No movimento conscientemente controlado da mandíbula a partir da posição de repouso até a posição totalmente aberta, a trajetória da margem incisal do incisivo central inferior é de duas fases. A primeira fase é um movimento semelhante a uma dobradiça durante o qual os processoscondilares ficam retraídos dentro da fossa mandibular. Quando os dentes estão abertos em cerca de 25 mm, a segunda fase da abertura ocorre pelo movimento anterior ou protrusão dos processos condilares inferiormente às eminências articulares com mais rotação. → Imagens da articulação temporomandibular A ressonância magnética (RM) e a artrografia têm enriquecido as informações disponíveis sobre alterações patológicas que podem ocorrer em todos os componentes articulares, em especial no disco. É de interesse que o advento destas técnicas coincida com uma redução significativa do número de intervenções cirúrgicas abertas para a anormalidade da posição do disco (coletivamente conhecida como transtornos internos). A RM tem mostrado que, embora a posição do disco e os sintomas clínicos estejam muitas vezes ligados, uma proporção significativa de indivíduos sem qualquer anormalidade de ATM em termos de função tem movimentos de disco marcadamente anormais e que os pacientes que foram submetidos a procedimentos de reposicionamento do disco frequentemente apresentam melhora funcional, apesar do deslocamento persistente do seu disco intra-articular. Aparentemente, a capacidade de remodelação adaptativa da articulação, especialmente da cabeça da mandíbula, é um importante mecanismo para a manutenção da função da ATM.