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1 ARCO ELÉTRICO Prof. Gênova Maio de 2021 2 1. ARCO ELÉTRICO O arco elétrico é um fenômeno que está sempre presente por ocasião da abertura de circuitos elétricos em condições normais de carga, através de abertura intencional, em condições de sobrecarga ou em curto-circuito, ou mesmo em circuitos em vazio devido o efeito capacitivo de linhas de transmissão e redes de distribuição longas, ou devido a corrente de desmagnetização do transformador de potência. 3 Quando um interruptor é aberto em carga, mesmo após a separação dos contatos, a corrente continua fluindo através do meio fortemente ionizado, forma-se então um arco elétrico entre os contatos. A interrupção só está definitivamente realizada quando o arco é extinto. Como o arco tem uma temperatura muito elevada (> 2500ºC), quanto maior o seu tempo de duração, maiores serão os efeitos maléficos causados por ele. 4 5 Detalhe da lâmina da seccionadora sendo aberta com a formação de um arco com temperatura em torno de 2.500° C 6 7 A temperatura do arco elétrico pode variar em função do meio extintor a que está submetido. Hoje em dia já é conhecido que a temperatura do arco elétrico pode atingir valores extremamente elevados bem superiores ao exemplo da abertura de uma seccionadora de MT. O arco elétrico pode atingir temperaturas em torno de 6000ºC, e no seu núcleo chega a atingir 8.000ºC ou mais. 8 Chave seccionadora unipolar instalada em Linha de Transmissão de 69kV 9 • Desenho do diagrama unifilar do trecho das LTs 10 SE SLC 69/13,8KV SE CCA 69/13,8KV SE CPE (Chesf) 230/69KV SE UMB 69/13,8KV 02M1 CPE/SLC 0 2 M 2 C P E /C C A SE DID 69/13,8KV 0 2 N 1 D ID /C C A L T D R V /U M B NA NANA SBD Chave seccionadora fechada só com tensão “ Linha de transmissão sem carga, mas só com tensão onde a abertura da seccionadora provoca o fenômeno do arco elétrico, devido ao efeito capacitivo dos condutores da LT em relação ao solo”. 11 Chave seccionadora de uma LT sendo aberta com a Linha em vazio 12 Seccionadora de AT de uma SE sendo aberta com carga 13 14 2. Principais efeitos do arco elétrico: 2.1. Aquecimento dos contatos: Os contatos de um interruptor são fabricados geralmente de cobre ou ligas, de forma a oferecer menor resistência a passagem da corrente elétrica. Quando os contatos são atingidos pelo arco elétrico, eles aquecem e o aumento da temperatura faz com que esses contatos fiquem oxidados. 15 Contato fixo de uma seccionadora de 15kV Detalhe da ponta da vara de manobra danificada pelo arco elétrico 16 17 18 O óxido de cobre é um mau condutor de corrente elétrica. Se o interruptor for fechado novamente, a corrente elétrica não encontrará a mesma resistência do contato antes da abertura do interruptor, e sim uma resistência bem mais elevada. As aberturas sucessivas do interruptor aumentam a oxidação dos contatos, provocando o aumento da sua resistência. 19 Abertura da seccionadora de 15 kV com carga e efeito do arco elétrico sobre a lâmina da chave, isoladores, placa de codificação, viga... 20 21 2.2. Queimaduras e conjuntivite Operadores e eletricistas que efetuam manobras em dispositivos de interrupção da corrente elétrica devem estar conscientes de utilizarem os EPIs necessários e se aquele equipamento tem ou não meios de extinção do arco elétrico e se são capazes de interromper com segurança a corrente elétrica que está circulando no mesmo. 22 As estatísticas tem comprovado que os efeitos do arco elétrico sobre o corpo humano, tem deixado muitos operadores e eletricistas com lesões corporais de consequências graves, inclusive levando ao óbito. Os principais efeitos do arco elétrico no corpo humano são: - Vermelhidão e irritabilidade na pele; - Queimaduras - Irritabilidade nos olhos, Conjuntivites (inflamação nos olhos) - Pode levar ao Óbito 23 Queimaduras devido ao choque elétrico: como o corpo humano possui uma determinada resistência elétrica, a circulação de corrente provoca calor pelo efeito joule, produzindo queimaduras que são mais intensas nos pontos de entrada e saída da corrente (onde a densidade de correte é maior, pois não só a resistência da epiderme é superior a dos tecidos internos como também há a resistência da interface do contato). As queimaduras por choque são profundas e podem levar à morte por insuficiência renal. 24 http://4.bp.blogspot.com/_pMxMXFn7L-4/TO1Cm9CdK6I/AAAAAAAARGw/IjNDjy1Dauc/s1600/queimadura+1%C2%BA+grau+1.jpg 25 26 Queimadura na mão 27 28 29 Conjuntivite 30 31 32 Consequência do arco elétrico pode levar o indivíduo levar um choque podendo chegar ao óbito • Para que o arco elétrico possa ser extinto com total segurança, é fundamental que o meio de extinção e a tecnologia aplicada seja escolhida de forma adequada, além do que novas pesquisas sejam incentivadas para que novas tecnologias surjam no decorrer do tempo, frente a magnitude da carga que cresce dia a dia. Meio de Extinção: • É a tecnologia por meio do qual o arco elétrico pode ser extinto, com toda a segurança e num tempo reduzido de duração. 33 34 3.Tecnologia de extinção do arco elétrico 3.1. Ruptura brusca 3.2. Guarda fogo 3.3. Antenas ou chifres: 3.4. Sopro magnético: 3.5. Sopro pneumático: 3.6. Corte no óleo: 3.7. Corte a vácuo: 3.8. Corte em gás SF6: 35 3.1. Ruptura brusca É o meio bastante utilizado na extinção do arco elétrico, produzido pela abertura de uma chave faca. Cada lâmina da chave é munida de uma outra lâmina de dimensões menores, articulada na lâmina principal. As duas lâminas são interligadas entre si por duas potentes molas. No final da manobra do interruptor, a lâmina menor é puxada pelas molas e abre bruscamente o circuito. A ruptura é brusca independente da rapidez da manobra. 36 Detalhe da ruptura brusca, onde uma lâmina auxiliar proporciona a transferência da passagem do arco para a mesma, resguardando os contatos principais, e produzindo-se a ruptura brusca, auxiliada por um conjunto de molas 37 3.2 Guarda fogo: É o meio de extinção que oferece a seguinte vantagem: Quando por ocasião da abertura do interruptor em carga, o guarda fogo impede que os contatos principais sejam afetados pelos efeitos do arco, pois os contatos principais se afastam e a corrente elétrica permanece circulando através das hastes que formam o guarda fogo. 38 39 3.3 Antenas ou chifres: Dispositivo empregado nos interruptores de AT, denominados de seccionadoras tripolares, comando simultâneo do tipo chave seccionadora tripolar basculante ou outro modelo, que possuem como meios de extinção, as antenas e chifres. Formado por 2 hastes tipo vergalhão, que se interpõem, quando os contatos principais do interruptor estão fechados. 40 No momento da abertura do interruptor, os contatos principais se afastam e a corrente passa a circular através das hastes, que ao se afastarem uma da outra, formam um ângulo. O arco elétrico nasce no vértice do ângulo formado pelas hastes e libera calor, e os contatos principais são preservados. 41 O ar quente que assim é produzido faz subir o arco que vai alongando-se no seu curso ascendente até a extinção. 42 3.4. Sopro magnético: Meio de extinção do arco elétrico, normalmente utilizado em dispositivos de baixa tensão (chaves magnéticas, contatores, etc.). Constituído de uma bobina que envolve um núcleo de ferro aberto, onde toda corrente de alimentação da carga passa através dessa bobina que produz a magnetização. 43 Os contatos principais do interruptor ficam numa determinada posição e quando o arco nasce, por ocasião da abertura dos contatos, as linhas de campo magnético atravessam horizontalmente o arco soprando-o. Vide figuras a seguir:44 45 Já para os equipamentos de disjunção de média e alta tensão, a interrupção do arco elétrico por meio de sopro magnético, é proporcionada por um conjunto de peças auxiliares envolvendo outros meios de extinção do arco, que são associadas para promover a extinção total do arco. 46 47 48 3.5. Sopro pneumático: (Disjuntor a ar comprimido) Meio de extinção do arco elétrico normalmente empregado em interruptores aéreos e disjuntores. O arco nasce entre os contatos principais de um interruptor, e no momento de sua abertura em carga, um jato de ar comprimido sopra o arco de baixo para cima, e dessa forma a corrente de ar arrasta o arco que sobe, alonga-se e finalmente apaga-se. 49 Disjuntor a ar comprimido: Utiliza o ar sob alta pressão para resfriar e extinguir o arco elétrico. 50 51 Aspectos construtivos: Disjuntor que utiliza o ar comprimido para extinção do arco elétrico apresenta características construtivas, onde o mecanismo eletropneumático além de proporcionar a abertura e fechamento dos contatos faz a extinção do arco elétrico, que consiste em criar um fluxo de ar sobre o arco, fluxo este provocado por um diferencial de pressão. Há dois tipos de câmara de extinção utilizados no disjuntor a ar comprimido: 1) Câmara de sopro axial numa única direção; 2) Sopro axial em duas direções. • Os disjuntores a ar comprimido são utilizados normalmente em subestações com tensões iguais ou superior a 230KV. Podem ser dotados individualmente de sistema de alimentação e compressão de ar, no caso de subestações de pequeno porte, o que não é economicamente vantajoso. Em subestações de grande porte utiliza-se uma central de ar comprimido responsável pelo abastecimento de todos os disjuntores de AT da subestação, tanto para o sistema de extinção do arco como para o mecanismo de acionamento. São instalações de alto custo devido a própria central de ar. A operação do disjuntor de ar comprimido é acompanhada de um ruído intenso e intolerável quando em instalações em áreas urbanas. Podem ser aplicados silenciadores. • Estes disjuntores vem perdendo mercado para os disjuntores a gás SF6. 52 Riscos de manuseio com o ar comprimido: 53 Recomendações de ATENÇÃO! 1) Não utilize o ar comprimido para qualquer circunstância que não seja especificada do equipamento; 2) Nunca direcione o jato de ar comprimido para o seu corpo ou de qualquer outra pessoa; 3) Não utilize ar comprimido para refrescar-se ou limpar a roupa; 4) Não brinque com o sistema de ar comprimido! 54 Acidente com ar comprimido devido ao impacto do ar comprimido sobre o braço! 55 Acidente com ar comprimido devido a incidência do fluxo de ar de alta pressão sobre a pele! 56 3.6. Corte no óleo: Consiste de um tanque cheio de óleo isolante, no qual estão imersos os contatos de abertura do interruptor. No momento de abertura, quando o interruptor está sendo percorrido por uma corrente de carga ou de defeito, os contatos móveis afastam-se dos contatos fixos e nasce o arco elétrico. 57 Disjuntor a óleo podendo observar os dedos de contato móveis 58 O calor liberado pelo arco vaporiza certa quantidade de óleo em volta dos contatos e cria-se uma bolsa gasosa (rica em hidrogênio) que abafa o arco. Esta bolsa vai aumentando de volume até explodir. No momento em que a bolsa explode, produz uma turbulência no óleo, afastando o óleo quente e carbonizado das proximidades dos contatos, propiciando que o óleo frio se introduza nos contatos e leve ao seu esfriamento. Os resíduos provenientes da carbonização vão aos poucos se decantando na parte inferior do tanque. 59 A ruptura em óleo surgiu no mercado quando o uso de forças maiores levou à necessidades de aumentar as tensões nas redes elétricas. Os interruptores tipo faca convencional, montados sobre bases de porcelana , já não eram capazes de interromper as tensões maiores, e a idéia mais simples que veio á mente foi a de mergulhar os interruptores em uma cuba contendo óleo isolante, que já eram usado para o isolamento e refrigeração dos transformadores. 60 Os resultados foram notáveis, uma vez que o óleo decomposto pelo arco elétrico, solta uma grande quantidade de hidrogênio, e dessa forma é nesse gás que ocorre a ruptura do arco. Acontece que o hidrogênio é um excelente extintor de arco, com uma baixa constante de tempo de ionização, graças especialmente, às suas tão conhecidas propriedades térmicas, cuja eficiência aumenta com o aumento da pressão. 61 A formação do hidrogênio por decomposição do óleo: É importante salientar que não foi cogitado a construção de um interruptor abastecido por cilindros de gás hidrogênio, tão conhecidos eram os perigos de explosão associados ao uso das misturas de hidrogênio com ar. 62 Processo de formação e extinção do arco elétrico: Abertura dos polos de um disjuntor a óleo, observar os dedos de contato se afastando. 1 = Zona de vaporização 2 = Vapor saturado 3 = Hidrogênio 4 = Vapores reaquecidos 63 O núcleo do arco, cuja temperatura pode chegar a 8000ºC ou mais, reduz a temperatura ao seu redor, numa zona de hidrogênio, com temperaturas de 500 a 800ºC, em volta do qual se encontra uma película de vapor reaquecido, e sobre está, se deposita uma película de vapor saturado cuja periferia se constitui na zona de vaporização. 64 A figura seguinte mostra o processo de ruptura do arco no meio do óleo, quando a corrente é atrasada da tensão próximo a 90º, considerando nas circunstâncias mais desfavoráveis, que é no instante em que o arco se extingue quando a corrente passa por zero, a tensão que reaparece entre os contatos tem seu valor máximo. 65 A curva senoidal vermelha representa a corrente enquanto a curva azul representa a tensão. Observe que quando a corrente passa por zero o arco é extinto, mas a zona de gases fortemente ionizados permanece presente, podendo ocorrer a reinguinição. O que contribui para a extinção do arco é além da passagem da corrente por zero, é a distância entre o contato fixo e móvel que vai se ampliando a cada momento do processo de desligamento do disjuntor; 66 Curva vermelha: Corrente CA Curva azul: Tensão CA 67 Resumindo podemos dizer que a ruptura do arco elétrico em banho de óleo apresenta as seguintes vantagens em relação a ruptura no ar: - Menor comprimento do arco; - Melhor isolamento entre as partes sob tensão e entre as partes vivas e a massa; 68 Sem dúvida as desvantagens são numerosas e importantes: - Inflamabilidade do óleo. E no caso de uma falha de ruptura, o óleo isolante pode inflamar-se e provocar grandes incêndios (pode atingir o ponto de fulgor); - A massa de gases e ar pode ter um resultado explosivo, e no caso do óleo inflamar pode provocar a explosão do disjuntor ou chave; 69 70 71 Incêndio em chave a óleo de banco de capacitor na SED MGY 72 73 74 3.7. Corte a vácuo: O vácuo é um meio de extinção do arco elétrico bastante usado em disjuntores e religadores, com excelentes resultados. Esse método de extinção vem proporcionar aos equipamentos uma maior redução no seu volume e peso, como também na diminuição das manutenções preventivas. A interrupção no vácuo é feita no interior de uma câmara hermeticamente fechada, ou garrafa de vácuo, em cujo interior se dá a interrupção. 75 Dentro dessa câmara trabalham dois contatos, sendo um móvel e outro fixo, e no momento da abertura praticamente não há produção de gases, o que facilita a rápida interrupção. A interrupção de corrente à vácuo é uma técnica bastante original, cujas características de ruptura já foram claramente demonstradas por volta de 1920, porém, só em 1950 é que surgiu no mercado os primeiros interruptores à vácuo. O princípio de funcionamento de um interruptor á vácuo é muito diferente dos outros equipamentos.76 Religador 21M3 JMA, cujo meio de extinção utiliza a tecnologia do vácuo, e meio isolante é o óleo. 77 78 79 Em primeiro lugar a notável rigidez dielétrica de um vácuo não se deve aos inúmeros mecanismos auxiliares de desaceleração que sofre os elétrons durante colisões inelásticas com moléculas de gás, mas sim ao fato de não haverem colisões. Portanto, em vácuo perfeito não existe a oportunidade de disparar, por ionização em cascata, o mecanismo da avalanche de elétrons que levaria a perfuração dielétrica. Na prática, o vácuo não é perfeito e em especial a presença de elétrons modifica a situação ideal. 80 Quando uma corrente alternada é interrompida por separação de um par de contatos em uma câmara de vácuo, um arco surge no vapor metálico liberado pelos contatos, e persiste até ocorrer o ponto zero da onda senoidal de corrente. Neste instante o arco é substituído por uma região de alta rigidez dielétrica capaz de impedir os picos ou surtos de tensão elevados. A maior parte do vapor metálico condensa-se sobre os contatos e servirá ao mesmo propósito da formação de outros arcos, em outras operações do equipamento. 81 O restante desse vapor metálico produzido, é depositado sobre o coletor situado ao redor dos contatos para proteger a isolação de invólucro. O período de arco não excede a meio ciclo. As câmaras de vácuo tem uma vantagem de serem pequenas, com boa durabilidade para ruptura de correntes, tendo ainda o atrativo de dispensarem manutenção, uma vez que são lacradas para o tempo de vida útil previstas. 82 Detalhe das câmaras de vácuo de religador de SED 83 3.8. Corte em gás SF6: A princípio do desenvolvimento dessa tecnologia, o gás vinha sendo empregado nos dispositivos de interrupção da corrente elétrica em extra alta tensão. Hoje já podemos encontrar dispositivos de disjunção que utilizam SF6 na Média e na Alta tensão. O SF6 é formado pelo hexafluoreto de enxofre que tem uma forte tendência em capturar elétrons livres, e leva um brevíssimo tempo para recombinar-se, depois de ter-se dissociado sob a ação de um arco elétrico, como também possui uma alta rigidez dielétrica. 84 85 Normalmente é empregado em disjuntores, cujo isolamento é feito com o gás SF6 em baixa pressão, então usa-se uma pressão mais elevada para fazer-se a interrupção. • O SF6 possui diversas aplicações em vários segmentos como o industrial e médico, a seguir listamos algumas delas: – Na indústria metalúrgica como refino e ustulação* de metais não ferrosos; – Na indústria eletrônica para processamento de plasma Etching; – Na medicina utilizado em centros oftalmológicos para correção de deslocamento de retina; – Em aplicações elétricas como isolante em equipamentos, subestação e/ou linhas de transmissão; – Entre outras aplicações (ROSSETI – 1998); – *Ustulação: é a queima de sulfetos em fornos especiais com passagem de corrente de ar quente. A ustulação de sulfetos cujo cátion vem de um metal de baixa eletropositividade (metal pouco reativo ou nobre) dá origem a esse metal com desprendimento de dióxido de enxofre. Se o cátion vem de um metal de alta eletropositividade (metal muito reativo ou não nobre) dá origem ao óxido desse metal, com desprendimento de dióxido de enxofre. – *Plasma Etching é usado no processo de fabricação em componentes de microeletrônica, circuitos integrado... 86 87 88 Histórico da evolução do interruptor a gás SF6: A exemplo da evolução para a interrupção a óleo, a interrupção de corrente a gás SF6 surgiu com a evolução das cargas. O aumento constante da potência das centrais elétricas, e por conseqüência, o aumento do porte das subestações, levou os fabricantes de equipamentos, a melhorar as características de ruptura de seus disjuntores, a fim de protegê-los das elevadas correntes de curto-circuito a que estariam sujeitos com a elevação da potência requerida. A Westinghouse americana, pioneira da nova técnica, realizou exame sistemático das características dos gases adequados para extinção do arco elétrico 89 Então selecionou o hexafluoreto de enxofre (SF6) para aplicação. Para se ter uma idéia, este é o único gás que possui reunidas, as propriedades físicas, químicas e elétricas favoráveis para a extinção do arco elétrico nos equipamentos de disjunção. O hexafluoreto de enxofre é incolor, inodoro, não tóxico e não inflamável. É um dos compostos químicos mais estáveis, e também um dos gases mais pesados. A 20° C e na pressão atmosférica, sua densidade é cinco vezes a do ar. Seu coeficiente de transmissão de calor, a pressão atmosférica, é 1,6 vezes maior que a do ar. 90 E a uma pressão de 2 kg/cm², este coeficiente é aproximadamente, 25 vezes a do ar (a pressão atmosférica). Está é uma propriedade muito interessante pois facilita uma rápida dissipação de calor e reduz, o aumento de temperatura de equilíbrio. O SF6 é um gás halogênio, onde um dos elementos químicos do composto pertence a coluna 7A, de caráter não metálico crescente, de baixo para cima na coluna da tabela periódica, onde o Flúor possui este característica mais forte. A estrutura molecular compreende um átomo de enxofre central unido a seis átomos de flúor dispostos nos vértices de um octaedro em distribuição espacial. 91 92 Molécula de Hexafluoreto de enxofre 93 Subestação blindada com isolamento a gás SF6 https://www.bing.com/images/search?q=SF6&view=detailv2&&id=9E8FF8DF62F7DDF9904E7F5A97CF7EF2CA2A6AFE&selectedIndex=68&ccid=YWBcG1PV&simid=608015800864016491&thid=OIP.M61605c1b53d578c8804cd0271a16febfo0 94 O SF6 é uma das substâncias mais inertes conhecidas. Não ataca nenhuma estrutura do material que constitui o equipamento, a temperaturas inferiores a 500° C, e permanece estável a temperaturas as quais o óleo se oxida e se decompõe. A rigidez dielétrica do gás hexafluoreto de enxofre, a pressão atmosférica, é duas vezes maior do que a do ar. 95 A rigidez dielétrica do SF6, à pressão atmosférica, é 30% menor do que a do óleo, e aumenta rapidamente, exponencialmente, com o acréscimo de pressão. Alcança um valor igual ao do óleo a uma pressão de 0,65 kg/cm², e a 1,25 kg/cm², a rigidez dielétrica do SF6 é aproximadamente 15% maior do que a do óleo(105x1,15=120kV). 96 97 Bocal 98 Disjuntor a SF6 em pátio de Subestação 99 4. Ferramenta utilizada para abertura de chaves para extinção do arco elétrico: Ferramenta portátil de interrupção sob carga que proporciona o seccionamento ideal para o sistema de distribuição (LOADBUSTER). Utiliza a tecnologia de corte do arco elétrico no vácuo, e para isso é constituída de uma garrafa de vácuo com contatos fixo e móvel. 100Maleta para acondicionamento da ferramenta “Loadbuster” 101 A ferramenta Loadbuster deve ser usada, acoplada a vara de manobra, para abertura de chaves seccionadoras de ramal ou de trecho da linha tronco, ou chaves fusíveis de ramal ou de transformador de distribuição de forma que não é necessário o desligamento do disjuntor ou religador da subestação distribuidora para efetuar a abertura de um ramal ou de um transformador de distribuição. Torna as manobras para este tipo de atendimento muito mais flexível, versátil e independente da operação do equipamento de disjunção na subestação distribuidora, evitando dessa forma maiores transtornos para os demais consumidores alimentados por aquele circuito. 102 103 A ferramenta Loadbuster da S&C pode também interromper as correntes de magnetização de transformadores associados, as correntes de carregamento de redes aéreas e correntes de carregamento de cabos, além de possibilitar manobrar banco de capacitores tipicamente instalados em sistemas de distribuição. Os contatos da chave de manobra são poupados, pois o arco elétrico é interrompido e extinto dentroda garrafa de vácuo da ferramenta tornando a abertura e o seccionamento visível do circuito. No instante do corte, o arco elétrico é desviado dos contatos da chave para os contatos da ferramenta passando então pela garrafa de vácuo, que é o ambiente propício para a sua extinção. 104 105 106 107 A ferramenta para interrupção sob carga de fabricação da S&C Electric do Brasil Ltda, é denominada de “Ferramenta Loadbuster” (destruidor de carga=arco). 108 Abertura de chave fusível com a ferramenta Loadbuster Loadbuster acoplada a vara de manobra e ao gancho e olhal da chave fusível 109 Momento da abertura em que o cartucho fenolite da chave fusível, já se encontra desconectado do contato fixo e o circuito elétrico tem continuidade através da ferramenta Loadbuster até o corte do arco no vácuo. 110 Chave fusível desligada através da ferramenta Loadbuster 111 Detalhe do contador de operação da ferramenta Loadbuster 112 O número de operações da ferramenta é controlado por um contator numérico instalado na cabeça do equipamento de forma que a cada aplicação o operador pode conferir e monitorar através da leitura direta qual o número de operações que a ferramenta já efetuou. Quando atingir o número recomendado de operações, que deverá ser entre 1500 a 2000 operações, entre paradas programadas, deve ser indisponibilizada e encaminhada para a devida manutenção. O modelo de 14,4/25KV nominal e 27KV máximo, pode interromper até 600A nominal e 900A máximo. 113 Estrutura primária de distribuição – N3.1CS Derivação unilateral com chave seccionadora unipolar de 15kV 5. Abertura de chaves seccionadora e fusível unipolar com carga, sem o uso da ferramenta Loadbuster: 1a 2a 3a Em certas ocasiões de intervenção na rede de distribuição, nem sempre é possível utilizar a ferramenta adequada, e quando é necessário realizar a abertura das chaves, devem ser atendidos os seguintes procedimentos de planejamento, conhecimento técnico e de segurança do trabalho: 1- Utilizar todos os EPIs (Equipamento de proteção individual) indicados para a intervenção: Fardamento retardante de chama, capacete aba total ou frontal com jugular, bota de eletricista, luva isolante de borracha, luva de vaqueta para proteção da luva de borracha e óculos de segurança (lente escura); 2-Utilizar todos os EPCs (Equipamentos de proteção coletiva) indicados na intervenção: Vara de manobra, escada singela ou extensível, detetor de tensão, cone de sinalização, corrente de isolamento da área; 114 3- Observar que num circuito trifásico o maior arco ocorre quando da abertura da 2ª chave; 4- Observar que as chaves unipolares montadas na cruzeta, estão instaladas de forma não simétrica em relação as três fases, ou seja. Duas chaves posicionadas de um lado da cruzeta e mais próximas enquanto a 3ª chave se encontra montada na extremidade oposta da cruzeta, mais distante; 5- Planejar para abrir as chaves no período de carga leve, ou nas primeiras horas da manhã e atender a seguinte sequência de manobra das chaves: 1° Abrir a chave mais próxima da do meio; 2° Abrir a chave mais distante da do meio; 3° Abrir a chave do meio; 115 116 1a 2a 3a • A sequencia de fechamento das chaves deve ser inversa a da de abertura: 1° Fechar a chave do meio 2° Fechar a chave mais distante da do meio 3° Fechar a chave mais próxima da do meio Para estrutura de transformador seguir a mesma sequência de manobra, e sempre observando quais as chaves que estão montadas mais próximas e a mais distante. Outro ponto importante no caso de estruturas de transformador, principalmente se o transformador é na zona rural, no caso de desligamento, primeiro deve ser desligado o disjuntor geral de BT e realizar a abertura das chaves primárias só com tensão na mesma sequencia anteriormente descrita. 117 118 1a 3a 2a • Fenômeno do ARC FLASH • Arc flash são clarões que surgem subitamente num equipamento elétrico (subestação, Linha de transmissão, Rede de distribuição, conexões, cabos, barramentos, disjuntores, religadores, chaves, quadros elétricos, etc.) liberando grande quantidade de calor e energia causados pelo arco elétrico, podendo provocar consequências danosas de grande vulto a pessoas e bens. 119 120 121 122 123 124 Todo dia algum eletricista é severamente ferido pela ocorrência do arco flash. flash 125 126 127 128 RESUMO: Arco Elétrico • Fenômeno que está sempre presente na abertura de circuitos elétricos; • Meio de Extinção:É a tecnologia por meio do qual o arco elétrico pode ser extinto, com toda a segurança e num tempo reduzido de duração. • Principais efeitos do arco elétrico: – Aquecimento e oxidação dos contatos, danificação de peças, componentes de chaves, isoladores, vara de manobra, etc; – Vermelhidão, irritabilidade na pele, queimaduras, conjuntivite, choque elétrico, óbito; • Principais tecnologias utilizadas: – 1°) Ruptura brusca, 2º) guarda fogo, 3°) antenas e chifres, 4°) sopro pneumático (ar comprimido) , 5°) sopro magnético, 6°) corte no óleo, 7°) corte no vácuo, 8°) corte no SF6; – Procedimento de abertura de chaves unipolar com carga, da rede de distribuição, sem o uso da ferramenta load-buster. Buscar o horário de carga leve e na seguinte sequência de abertura: 1° Abrir a chave mais próxima da do meio; 2° Abrir a chave mais distante da do meio; 3° Abrir a chave do meio; 129 IFCE-Maio/2019 1ª 2ª 3ª 130 5. Bibliografia - Apostilha-tecnologia dos disjuntores COELCE- DETRE - Apostilha de Sistemas de Potência e Subestação – Prof. Gênova-IFCE - Catalogo de disjuntor PVO de MT Begin - Manual de operação e manutenção do Disjuntor à gás SF6 SFEL,72,5 KV - Manual de operação e manutenção do Disjuntor à gás SF6, SB6 72,5 KV - Especificação Técnica – ET de disjuntores 15 KV – COELCE - Estaciones de Transformacion y Distribuicion, Proteccion de Sistemas Electricos- Coleção CEAC; - Manual de Equipamentos Elétricos – João Mamede Filho - LTC - Catálogo - Disjuntor PVO extraível 15 KV AEG - Catálogo - Disjuntor PVO extraível 15 KV Sprescher Energie - Manual do Disjuntor PVO em cubículo metálico 15KV SIEMENS - Catálogo - Disjuntor à vácuo, extraível, 15 KV AEG - Manual do Disjuntor à vácuo p/ Bco. capacitor, 15 KV - EMA - Catálogo - Disjuntor à gás SF6 para 230 KV GEC Switchear; - Filme de arco elétrico quando da abertura da chave unipolar de 72,5KV da LT SLC/DRV-UMB, só com tensão (sem carga); -Filme de incêndio em TC de 69KV na SE PAP; - Filme de incêndio em chave à óleo do Banco de Capacitores na SE MGY;