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PROPEDÊUTICA ABDOMINAL ● Ordem do exame físico: inspeção, ausculta, percussão e palpação. - A ausculta vem antes da percussão e palpação, pois ao palpar o intestino (por exemplo) pode-se alterar o trânsito intestinal daquela área, alterando consequentemente o que se escutará ao realizar a ausculta. INSPEÇÃO: ● Observa-se a pele; presença de cicatrizes; alterações de circulação (ex: cabeça de medusa); contorno abdominal; presença de peristalses visíveis; presença de pulsação visível da aorta abdominal; tipo de abdome. AUSCULTA: ● Observa-se a motilidade intestinal e a presença de sopros. Motilidade intestinal: ● Auscultar os ruídos hidroaéreos. ● Pesquisar obstrução intestinal. - Onde tem peristalse, tem a presença de ruídos hidroaéreos. - Onde não tem peristalse, não tem a presença de ruídos hidroaéreos. - Situação exemplo: não há ruídos hidroaéreos no colo descendente e transverso do intestino grosso e há ruídos aéreos no colo ascendente → indica que há algo entre o colo ascendente e o colo transverso que está causando uma obstrução. Sopros: ● Pesquisar a presença de sopros na aorta abdominal e nas artérias renais. PERCUSSÃO: ● Deve-se percutir todos os quadrantes. Hepatimetria ● É a percussão do fígado. ● Deve ser feita de cima para baixo para delimitar a borda superior do fígado, e de baixo para cima para delimitar a borda inferior do fígado. ● Padrões: Percussão do baço ● Sinal de percussão positivo: esplenomegalia (aumento do baço) - o som entre as linhas axilar média e axilar anterior apresenta-se maciço (e não timpânico como deveria ser). ● Sinal de percussão negativo: baço normal. Ascite ● É o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. ● Quando há ascite, há macicez móvel. ● Macicez móvel: - Pede para o paciente deitar em decúbito lateral direito. Se houver ascite, o líquido ascítico deve escoar para o lado direito da cavidade abdominal. Portanto, quando percutir o lado direito vai encontrar um som maciço e, quando percutir o lado esquerdo, vai encontrar um som timpânico. - Em seguida, pede para o paciente deitar em decúbito lateral esquerdo. Se houver ascite, o líquido ascítico deve escoar para o lado esquerdo da cavidade abdominal. Portanto, quando percutir o lado esquerdo vai encontrar um som maciço e, quando percutir o lado direito, vai encontrar um som timpânico. ● Quando houver uma ascite de médio volume, além da macicez móvel, também ocorre a presença do sinal semicírculo de Skoda. ● Semicírculo de Skoda: - Quando o paciente ficar em decúbito dorsal, o líquido escoa para os lados da cavidade abdominal. Portanto, no centro o abdome terá um som timpânico durante a percussão e, as laterais terão um som maciço. ● Para avaliar se há uma ascite de grande volume, deve-se realizar o teste de Piparote. ● Na ascite intensa, quando o paciente fica em decúbito dorsal, há líquido em toda sua cavidade abdominal e não apenas nas laterais. ● Teste de Piparote positivo (indica a presença da ascite): - Necessita-se de dois examinadores. - Com o paciente em decúbito dorsal, um dos examinadores vai posicionar a mão no meio do abdome e impedir a passagem de líquido de um lado para o outro. O outro examinador vai colocar uma mão em uma das laterais do abdome e vai dar uma batida com a outra mão no lado oposto. - As vibrações vão passar pelo líquido ascítico e vão conseguir ser sentidas pela mão que estava do lado oposto à batida. Punho-percussão das lojas renais ● Quando há alteração, é o Sinal de Giordano positivo. ● Sinal de Giordano: - Deve-se dar uma percussão levemente forte com a mão fechada na loja renal (ou seja, nas costas do paciente, em cima das costelas flutuantes). - Se o paciente se queixar de MUITA dor, o sinal de Giordano é positivo. - Ele indica que o paciente pode apresentar uma infecção urinária alta (ex: pielonefrite). PALPAÇÃO: ● Quando há alguma irritação peritoneal, a dor consegue ser localizada com precisão e ocorre a descompressão dolorosa. ● Descompressão dolorosa: - Realizar no local em que a dor foi identificada. - Quando comprime (palpa) aquela região do abdome o paciente sente dor, e quando descomprime (tira a mão) a dor é ainda mais intensa. Palpação do fígado ● Pedir para o paciente inspirar profundamente para realizar essa palpação. ● Palpar por baixo da borda inferior do fígado (já foi identificada na percussão). ● Existem 2 técnicas: - Utilizando as duas mãos em forma de garra - única técnica possível para pessoas obesas. - Colocando uma mão por baixo para trazer o fígado mais superficialmente e palpa com a outra mão. ● O que deve ser observado na palpação do fígado: - Borda: fina (não esperado) ou romba (esperado). - Contorno: tem que ser arredondado e regular. - Superfície: lisa (esperado) ou irregular/nodular (não esperado). - Tamanho. - Sensibilidade (não deve haver dor à palpação). Achados importantes na palpação ● Sinal de Blumberg: - Realiza-se a descompressão dolorosa no ponto de McBurney e o paciente sente muita dor. - Ponto de McBurney: traça uma linha imaginária entre o umbigo e a fossa crista ilíaca do paciente → divide essa linha em três → último terço é o ponto de McBurney. - Indicativo de apendicite. ● Sinal de Rovsing: - Realiza-se a palpação próximo à crista ilíaca esquerda e o paciente sente dor do lado direito. - Indicativo de apendicite. ● Sinal de Murphy: ● Realiza-se a palpação no hipocôndrio direito (onde fica a vesícula) → pede para o paciente expirar (soltar todo o ar) → continua com a mão palpando → pede para o paciente inspirar profundamente → a inspiração vai fazer com que o diafragma empurre a vesícula inflamada → a vesícula inflamada vai tocar a mão do examinador → o paciente vai interromper a inspiração por causa de dor. ● Indicativo de colecistite.