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Inspeção e palpação do tórax - Porto
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Semiologia Médica Universidade TiradentesUniversidade Tiradentes

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## Resumo sobre Inspeção e Palpação do TóraxO exame físico do tórax é um procedimento fundamental na avaliação clínica respiratória e cardíaca, realizado por meio de quatro técnicas principais: inspeção, palpação, percussão e ausculta. A aula em questão foca especialmente na inspeção e palpação, detalhando os aspectos que devem ser observados e avaliados para identificar alterações morfológicas, funcionais e patológicas do tórax.### Inspeção do TóraxA inspeção pode ser estática ou dinâmica. Na inspeção estática, o examinador observa a forma do tórax, procurando por anomalias como abaulamentos (protuberâncias) ou depressões, que podem ser congênitas ou adquiridas, localizadas ou difusas, simétricas ou assimétricas. A morfologia torácica varia conforme idade, sexo e biótipo do paciente, sendo o ângulo de Charpy (formado pelas últimas costelas) um parâmetro importante para caracterizar o tipo físico: normolíneo (ângulo ~90°), longilíneo (<90°) e brevilíneo (>90°). O tórax normal adulto apresenta diâmetro lateral maior que o anteroposterior.As formas anormais mais comuns do tórax incluem:- **Tórax chato ou plano:** redução do diâmetro anteroposterior.- **Tórax em tonel ou globoso:** aumento exagerado do diâmetro anteroposterior, com arcos costais mais horizontais e abaulamento da coluna dorsal.- **Tórax infundibuliforme:** depressão na parte inferior do esterno e região epigástrica.- **Tórax cariniforme:** esterno proeminente e costelas horizontalizadas, lembrando o tórax de pombo.- **Tórax cônico ou em sino:** parte inferior alargada, semelhante a um cone ou sino.- **Tórax cifótico:** curvatura dorsal da coluna, formando gibosidade, podendo ser congênita ou postural.- **Tórax escoliótico:** desvio lateral da coluna torácica.- **Tórax cifoescoliótico:** combinação de cifose e escoliose.- **Tórax instável traumático:** fraturas múltiplas de costelas com movimentos paradoxais (área se desloca para dentro na inspiração e para fora na expiração).Além disso, abaulamentos e depressões podem indicar lesões ou alterações internas, como aneurismas da aorta, tumores mediastinais, derrames pleurais, hipertrofia ventricular direita, atelectasias ou fibroses pulmonares. Deformações específicas, como os sulcos de Harrison e Rosário raquítico, são associadas ao raquitismo.Na inspeção dinâmica, avalia-se o tipo respiratório, ritmo, frequência e amplitude dos movimentos respiratórios, além da presença de tiragem (depressão dos espaços intercostais durante a inspiração, indicativa de obstrução das vias aéreas) e expansibilidade pulmonar. O tipo respiratório varia com a posição do paciente: em pé ou sentado, predomina a respiração torácica (movimentação da caixa torácica), enquanto em decúbito dorsal predomina a respiração diafragmática (movimentação da parte inferior do tórax e abdome superior). Alterações no padrão respiratório podem indicar fadiga muscular ou paralisia diafragmática.O ritmo respiratório normal apresenta inspiração e expiração de duração e amplitude semelhantes, intercaladas por pausas leves. Alterações no ritmo incluem:- **Respiração dispnéica:** movimentos amplos e desconfortáveis, comum em insuficiência cardíaca, enfisema, bronquite e pneumonia.- **Platpneia:** dificuldade respiratória em posição ereta.- **Ortopneia:** dificuldade respiratória em decúbito.- **Trepopneia:** conforto respiratório em decúbito lateral.- **Respiração de Cheyne-Stokes:** ciclos de apneia seguidos por respirações progressivamente mais profundas e depois decrescentes, associada a insuficiência cardíaca e lesões cerebrais.- **Respiração de Biot:** apneia seguida de respirações irregulares, indicando grave comprometimento cerebral.- **Respiração de Kussmaul:** respirações ruidosas e profundas alternadas com apneias, típica da acidose diabética.- **Respiração suspirosa:** suspiros isolados ou agrupados, associada a ansiedade e tensão emocional.A amplitude respiratória pode variar naturalmente, sendo mais superficial durante o sono e mais profunda em esforço ou emoção. A frequência respiratória normal varia conforme a idade, com valores típicos de 40-45 rpm em recém-nascidos e 16-20 rpm em adultos. Taquipneia (frequência aumentada) e bradipneia (frequência diminuída) indicam alterações fisiológicas ou patológicas, enquanto apneia é a ausência temporária da respiração.### Palpação do TóraxA palpação investiga três aspectos principais: a estrutura da parede torácica, a expansibilidade pulmonar e o frêmito toracovocal (FTV). Além disso, avalia-se a sensibilidade cutânea, dor espontânea ou provocada e outras manifestações dolorosas.- **Temperatura cutânea:** avaliada com o dorso das mãos, comparando-se os dois lados do tórax.- **Expansibilidade pulmonar:** avaliada com as mãos espalmadas, posicionadas nos ápices e bases pulmonares, observando a amplitude dos movimentos durante respirações profundas e pausadas. Essa técnica é útil para detectar processos que reduzem a mobilidade, especialmente nas bases pulmonares.- **Frêmito toracovocal (FTV):** corresponde às vibrações das cordas vocais transmitidas à parede torácica quando o paciente fala. É mais perceptível em vozes graves e em pessoas com parede torácica delgada. O examinador compara a intensidade das vibrações em regiões homólogas do tórax, utilizando palavras ricas em consoantes, como "trinta e três". O FTV é normalmente mais intenso à direita e nas bases pulmonares. A diminuição do FTV pode indicar obstrução brônquica, atelectasia ou outras alterações parenquimatosas que impedem a propagação do som.Outros tipos de frêmito incluem:- **Frêmito brônquico:** vibrações táteis equivalentes aos estertores pulmonares.- **Frêmito pleural:** sensação tátil do ruído de atrito entre as superfícies pleurais rugosas, frequentemente precedendo derrames pleurais.### ConclusãoA inspeção e palpação do tórax são etapas essenciais do exame físico, permitindo a identificação precoce de alterações morfológicas e funcionais que podem indicar doenças respiratórias, cardíacas ou musculoesqueléticas. A observação cuidadosa da forma, movimentos, ritmo e frequência respiratória, associada à avaliação tátil da expansibilidade e do frêmito toracovocal, fornece informações valiosas para o diagnóstico clínico e o encaminhamento para exames complementares.---### Destaques- A inspeção do tórax avalia forma, movimentos respiratórios, ritmo, frequência e presença de anomalias como abaulamentos e depressões.- O tipo respiratório varia com a posição do paciente e pode indicar disfunções musculares ou pulmonares.- Ritmos respiratórios anormais (Cheyne-Stokes, Biot, Kussmaul) são indicativos de condições graves cardíacas ou neurológicas.- A palpação avalia a expansibilidade pulmonar e o frêmito toracovocal, essenciais para detectar obstruções e alterações parenquimatosas.- Frêmitos brônquicos e pleurais são sinais táteis importantes para o diagnóstico de doenças pulmonares.

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