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HAC PSIQUIATRIA ANAMNESE PSIQUIÁTRICA É o elemento mais importante na avaliação e tratamento de pessoas com doença mental, visando sempre obter informações (compreensão multidimensional dos elementos biopsicossociais) que irão estabelecer um diagnostico com base em critérios, previsão do curso da doença, prognostico e decisões de tratamento (com a colaboração do paciente e centrado nele). Além disso, possui o poder de moldar a natureza do relacionamento entre o paciente e o médico, que pode ter influência profunda no resultado do tratamento. PRINCÍPIOS GERAIS 1. ACORDO A RESPEITO DO PROCESSO: o psiquiatra deve sempre se apresentar, esclarecer a razão da consulta e obter o consentimento do paciente. Devendo também ser definida a duração aproximada da interação e encorajar o paciente a identificar qualquer elemento do processo que deseja alterar ou acrescentar. Uma questão crucial é se o paciente foi trazido de forma voluntária ou involuntária. 2. PRIVACIDADE E CONFIDENCIALIDADE: o entrevistador deve fazer o possível para garantir que o conteúdo da entrevista não possa ser ouvido por outras pessoas e indicar que o conteúdo das sessões permanecerá confidencial (exceto se precisar ser compartilhado com o médico de referência ou se o paciente sugere que pretende causar danos a terceiros). Caso seja solicitado a presença de um familiar ou se o psiquiatra considerar benéfico, pode-se realizar um momento com eles + paciente ao final (sempre com o consentimento do paciente e mantendo a confidencialidade do que o paciente mencionou antes). 3. RESPEITO E CONSIDERAÇÃO: o paciente deve sempre ser tratado com muito respeito e o entrevistador deve considerar as circunstâncias da condição do paciente (com frequência está vivenciando dor ou sofrimento principalmente devido aos estigmas das doenças psiquiátricas). 4. RAPPORT/EMPATIA: definida como respostas harmoniosas do médico ao paciente e do paciente ao médico, para que os pacientes sintam ainda mais que a avaliação é um esforço conjunto e que o psiquiatra está verdadeiramente interessado na história deles e isento de julgamentos – compreensão do médico e reconhecimento do paciente que o médico se importa (intervenções empáticas colaboram, porém o médico deve se colocar no lugar do paciente sem perder a objetividade, evitando a identificação); por meio disso é criado um bom relacionamento paciente-médico e consequentemente um ambiente aberto para o paciente poder se expressar. 5. CONSCIENTE/INCONSCIENTE: os processos inconscientes do paciente devem ser considerados, como lapsos de linguagem ou maneirismos de fala, pelo que não é dito ou é evitado por outros mecanismos de defesa. 6. SEGURANÇA E CONFORTO: paciente e entrevistador devem se sentir seguros, incluindo segurança física. sendo aconselhável que em alguns locais outras pessoas estejam presentes, porta seja deixada entreaberta ou que o caminho de saída esteja desimpedido, podendo ainda deixar claro que existem pessoas necessárias caso a situação saia de controle ou terminando a sessão mais rápido caso o paciente se torne agressivo. Após certificar a segurança é necessário que o médico assegure o conforto do paciente. IDENTIFICAÇÃO Deve-se incluir: nome, idade, data de nascimento, sexo/gênero, cor/etnia, estado civil, profissão, ocupação, local de trabalho, naturalidade, procedência, nome da mãe, religião e plano de saúde. Além do profissional registrar a fonte da anamnese e o local onde foi realizada. QUEIXA PRINCIPAL Deve ser escrita com as palavras do próprio paciente. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL Consiste em uma descrição cronológica da evolução dos sintomas do episódio atual. Deve incluir qualquer mudança que ocorreu nesse período nos interesses, relações interpessoais, comportamentos, hábitos (como se a pessoa começou a beber muito nesse intervalo de tempo) e saúde física. Deve-se destacar o tempo de evolução, fator desencadeante, evolução, impacto na vida diária, medicamentos em uso (específicos para o problema) ou outros tratamentos e se persistem, fatores de melhora ou piora, presença ou não de estressores e condições associadas. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA O médico deve obter conhecimento sobre as doenças psiquiátricas e seu curso, incluindo sintomas, duração, frequência, gravidade e tratamento (visto em detalhes, principalmente nos casos de internação hospitalar – se foi compulsória ou não e uso de medicamentos – quais, dose, duração, adesão, resposta, o motivo de ter parado). Deve ser considerado nessa etapa a ideação, intenção, plano e tentativas de suicídio (incluindo natureza das tentativas e letalidade). Além de comportamentos auto lesivos, violência, potencial homicida e violência doméstica. Além das doenças psiquiátricas, devem ser abordadas as doenças clínicas (reação do paciente a elas), cirurgias, traumas, alergias e uso de medicamentos (duração do tratamento, adesão aos horários, efeitos colaterais). USO, ABUSO E ADIÇÕES DE SUBSTÂNCIAS Qual substância, via de uso, frequência e quantidade (sendo que se tiver relação com o quadro atual, deve ser relatado na HDA). HISTÓRIA FAMILIAR Devem ser destacadas história patológica psiquiátrica (incluindo respostas a medicamentos) e clínica. Essa história pode contribuir para a compreensão da formação psicossocial do paciente, identificar possível apoio ou estressores. HISTÓRIA EVOLUTIVA E SOCIAL INFÂNCIA/ADOLESCÊNCIA 1. PERÍODO PRÉ NATAL – alguma intercorrência na gestação ou parto, se foi uma gravidez planejada ou não; 2. PRIMEIRA INFÂNCIA – marcos do desenvolvimento, quem foi o cuidador e sua relação; 3. INFÂNCIA MÉDIA – relação com familiares, relações na escola (quantidade de amigos e qualidade das amizades); 4. ADOLESCÊNCIA – até qual série/idade o paciente estudou, circunstâncias especiais da educação (transtornos de aprendizagem, problemas comportamentais na escola, desempenho acadêmico), relações sexuais, relacionamentos, contato com drogas e relação com a família; OBSERVAÇÃO! – deve ser investigado em todas essas fases a presença de abuso físico ou sexual. VIDA ADULTA 1. HISTÓRICO OCUPACIONAL – tipos de emprego, conflitos no ambiente de trabalho, desempenho, razões para a mudança, se gosta ou não do que faz e situação atual; 2. HISTÓRICO MILITAR; 3. HISTÓRICO DE RELACIONAMENTOS – analisar relacionamentos passados e atual, frequência deles, capacidade de manter relacionamentos estáveis, comportamento sexual (atividade, tipo, frequência e transtornos); 4. HISTÓRICO EDUCACIONAL – até onde estudou, motivo para escolha da profissão e impacto da educação em sua vida; 5. RELIGIÃO – formação religiosa, conflitos, fanatismo, o que a religião representa para o indivíduo; 6. SOCIAL – presença de amigos, relacionamentos, atividades sociais, passatempos, interesses, animais de estimação, atividades no momento de lazer e sua oscilação ao longo do tempo; 7. ATUAL SITUAÇÃO DE VIDA – financeira, estrutura familiar, se está satisfeito onde está; 8. HISTÓRIA LEGAL – problemas com a justiça, prisões, liberdade condicional; 9. FANTASIAS E SONHOS A RESPEITO DO FUTURO; 10. VALORES – sociais e morais (pode ser introduzido perguntando o que é importante para o paciente por exemplo). REVISÃO DE SISTEMAS EXAME DO ESTADO MENTAL Pode se mostrar uma tarefa extremamente complexa, assim como muito subjetiva. Sendo baseada no referencial teórico fenomenológico, ou seja, ao entrevistar um paciente é necessário mais do que apenas escutá-lo, mas também deve-se fazer constante exercício de empatizar com o paciente (comparando as vivencias do paciente com as suas próprias) e em geral não são necessários questionamentos diretos. APARÊNCIA OU APRESENTAÇÃO Diz respeito à aparência física do paciente, como se encontra vestido e suas condições de higiene. Poderá estar então adequada, descuidada, desleixada, exagerada, bizarra, dentre outros.ATENÇÃO! – OBSERVAR SEMPRE O CONTEXTO DA ENTREVISTA, por exemplo, quando um paciente está de pijama isso seria aceitável em um hospital, porém não em um consultório particular. ATITUDE De que maneira o paciente se porta diante do examinador? Pode ser um atitude ativa e colaborativa, respondendo às perguntas adequadamente. Ou ainda negativista, podendo ser negativismo ativo (paciente hostil que ignora propositalmente as perguntas e solicitações) ou negativismo passivo (pacientes se encontram alheios e indiferentes ao que lhe é solicitado e perguntado – falam pouco, não mantém diálogo, não mantém contato visual). CONTATO Diz respeito à impressão subjetiva do examinador referente à entrevista do paciente, se foi fácil ou difícil estabelecer empatia e contato com ele. CONSCIÊNCIA Se diferencia da consciência neurológica. Podendo ter os estágios de: consciência preservada (paciente lucido, consciente ou vígil), rebaixada (sonolento, obnubilado – sonolência profunda sendo necessário conversar de forma enérgica para o paciente responder ou torposo) e coma. ATENÇÃO Se refere à capacidade de direcionar ou focar a vida mental em determinação de estímulos específicos. Sendo que pode ser dividida em atenção voluntária ou tenacidade (podendo o paciente estar hipo, normo ou hipertenaz), ou seja, aquela que o paciente direciona voluntariamente sua vida mental para um estímulo específico (como ler um livro). E atenção espontânea ou vigilância que é a capacidade não intencional de redirecionar a vida mental para estímulos novos. Uma é inversamente proporcional a outra, ou seja, quando a atenção voluntária é predominante a espontânea está rebaixada e vice versa. ATENÇÃO! – QUANDO OCORRE REBAIXAMENTO DO NÍVEL DE CONSCIENCIA AS DUAS ATENÇÕES DIMINUEM PSICOMOTRICIDADE Existem várias classificações, sendo as principais: sem alteração, acatisia (inquietação), distonia aguda (contrações muito forte), catatonia (bloqueio da psicomotricidade), bradicinesia, agitação psicomotora, tiques (menos grupos de músculos que a estereotipias e não é contínuo, a pessoa consegue suprimir), estereotipias (envolve movimentos mais complexos e mais grupos musculares, comum no autismo) e maneirismos (função especifica realizada de forma bizarra, como dar dois passos e rodar , em geral existe uma razão para a realização, como se ele não rodasse alguém iria morrer). ORIENTAÇÃO Se refere a capacidade que o indivíduo tem de se situar no tempo, espaço e quanto a si mesmo. Estando então dividida em autopsíquica (identidade do eu – perdida em quadros de psicose) e alopsíquica (orientação temporal e especial -perdida em casos de demência). MEMÓRIA É a função psíquica responsável pela fixação, armazenamento e evocação de estímulos e evidencias. Podendo ser classificada em imediata (alguns segundos – falar três palavras ou números e pedir que o paciente repita), recente (minutos, horas e dias – repita após um distrator) e remota (semanas, meses e anos – fatos ocorridos no passado). SENSO-PERCEPÇÃO As sensações resultam dos efeitos produzidos por estímulos esternos sobre os órgãos dos sentidos. Enquanto as percepções são os fenômenos psíquicos relacionados ao reconhecimento e significado subjetivo das percepções. São dois distúrbios principais: as ilusões (representação distorcida de um objeto presente, quase restrita a esfera visual), alucinações (representação mental aceita pelo juízo de realidade, uma “percepção sem objeto”, que pode estar relacionada a qualquer um dos cinco sentidos) e alucinoses (alucinações provocadas por substâncias). PENSAMENTO Pode ser avaliada de forma indireta. Necessitando de avaliação o curso que consiste na velocidade do pensamento (lentificado ou bradipsíquico, acelerado ou taquipsíquico ou normal); forma como as ideias se encadeiam umas nas outras (agregada – natural, arborização de pensamento – se distancia do foco com mudanças progressivas de tema; fuga de ideias – muda o tema ainda mais rápido que na arborização; desagregação do pensamento – frases e palavras desconexas como na salada de palavras; perseveração – dificuldade em abandonar o tema; prolixidade ou circunstancial; tangencial – não chega a uma resposta exata); e por fim conteúdo (ideias suicidas, delírio persecutório/de grandeza/místicos-religiosos, ideias intrusivas). HUMOR Consiste na emoção predominante durante a entrevista. Podendo se apresentar como eutímico (normal), ansioso, triste ou hipotímico, eufórico ou hipertímico, irritado ou disfórico, apático e depressivo. AFETO Designa a totalidade das emoções do momento, bem como sua relação com o conteúdo do pensamento. Podendo ser congruente ou incongruente com o humor; pouco móvel ou lábio (de acordo com as variações durante a entrevista); embotado/plano, normomodulado ou hipomodulado (de acordo com a intensidade da expressão); e ressoante ou pouco ressoante (grau de sintonia com o ambiente e o examinador). INSIGHT Compreensão que o paciente apresenta em relação ao seu próprio estado mental (ou consciência da doença). JUIZO CRÍTICO OU DISCERNIMENTO Diz respeito à percepção da inadequação ou gravidade de suas vivencias ou de seu comportamento (como por exemplo, um usuário de crack em abstinência que prejudique seu juízo crítico, e dessa forma, assalta alguém para manter seu vício). VOLIÇÃO Consiste na vontade de fazer algo. Podendo ser normobulica, hipobulica ou hiperbulica. PRAGMATISMO Além da vontade é ter a atitude de fazer algo. Podendo também ser normo, hipo ou hiperpragmático. INTELIGÊNCIA PROSPECÇÃO OU PLANOS PARA O FUTURO Como o que o paciente pensa em fazer da vida (em pacientes depressivos é comum não terem planos), avaliando sempre se é (in)coerente e (in)exequível. AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DA CRIANÇA UTILIZANDO A TABELA DE DENVER O crescimento e desenvolvimento da criança são importantes indicadores de saúde e sofrem influência de fatores biológicos e ambientais. Sendo importante estimular desde cedo o desenvolvimento da criança para que ela adquira autoconfiança, autoestima e capacidade de relacionar-se bem com os demais, desse modo terá maior possibilidade de tornar-se um adulto bem adaptado socialmente. A vigilância do desenvolvimento infantil é essencial nos primeiros anos de vida da criança, pois nessa etapa ocorre a melhor resposta a estímulos devido à grande neuroplasticidade. Deve ser um processo contínuo de acompanhamento das atividades relacionadas à promoção do potencial de desenvolvimento da criança e detecção de problemas. Nas consultas é sempre importante observar a interação da mãe/cuidador com a criança (como afeto, estado de higiene e interesse pelo que a criança está fazendo). Além de detalhes do exame físico da criança na realização de comportamentos esperados para sua faixa etária. TABELA DE DENVER É necessária para a avaliação do desenvolvimento pessoal-social, motor fino adaptativo, linguagem e motor grosseiro. OBSERVAÇÃO! – SENTAR-SE SEM APOIO (coloca a criança e ela fica – até os 8 meses) x CONSEGUE SENTAR-SE SOZINHA (a própria criança se vira e se senta – até os 11 meses). è INSTRUÇÕES: 1. O teste de baseia na observação direta do que a criança pode fazer e no relato dos pais ou da pessoa que lida habitualmente com a criança; 2. Criança deve ficar à vontade antes de iniciar o teste e não deve ser cobrado um desempenho; 3. Nas faixas etárias mais avançadas deve-se começar o teste com alguns itens abaixo da idade para que a criança seja bem-sucedida no início e se sinta estimulada a prosseguir; 4. Evitar distrair a criança com outros material que não os do teste; 5. Cada item é representado por uma faixa indicativa da época em que uma criança normal pode começar a realizar aquela função, sendo que a parte sombreada indica a idade que 75 a 90% das crianças se tornam capazes de executar o item (portanto, a incapacidadedeve ser considerada importante, principalmente quando existem várias falhas em um setor); 6. O teste não faz diagnostico, mas alerta quanto à presença de deficiências e indica a necessidade de investigação mais aprofundada. INSTRUMENTO DE VIGILÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO OBSERVAÇÃO! – INSTRUÇÃO: identifique na linha superior a idade da criança em meses. Identifique na coluna correspondente as habilidades que devem ser testadas para a idade, que estão destacadas em amarelo. Verifique também se as habilidades esperadas para as idades anteriores já foram atingidas. è FATORES DE RISCO ASSOCIADOS A PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO: 1. Ausência ou pré-natal incompleto; 2. Problemas na gestação, parto ou nascimento; 3. Prematuridade (menos de 37 semanas); 4. Peso abaixo de 2.500g; 5. Icterícia grave; 6. Hospitalização no período neonatal; 7. Doenças graves como meningite, traumatismo craniano e convulsões; 8. Parentesco entre os pais; 9. Casos de deficiência ou doença mental na família; 10. Fatores de risco ambientais como violência doméstica, depressão materna, drogas ou alcoolismo entre os moradores da casa, suspeita de abuso sexual etc. è ALTERAÇÕES FÍSICAS ASSOCIADAS A PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO: 1. Perímetro cefálico (<31,5cm ou pré termo <-2 desvios padrão); 2. Presença de alterações fenotípicas (fenda palpebral oblíqua, olhos afastados, implantação baixa de orelhas, lábio leporino, fenda palatina, pescoço curto e/ou largo, prega palmar única e quinto dedo da mão curto e recurvado). è TOMADA DE DECISÃO: OBSERVAÇÃO! – CRIANÇAS PRE MATURAS: correção da idade até os 2 anos à 40 SEMANAS - IDADE DE NASCIMENTO (EX: 40 – 32 semanas = 8 semanas à diminui 2 meses da idade cronológica).